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Atividade 4 
História Geral da Educação. 
Professor: Paulo Julião 
GRUPO: Anne Araújo, Carolina Braga, Maria Lívia, Vitoria Regina, Thais Siqueira e Yasmim Brandão.
TEXTO: MONROE, PAUL. OS ROMANOS: A EDUCAÇÃO COMO TREINO PARA A VIDA PRÁTICA. IN: MONROE, PAUL. HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO. SÃO PAULO: COMPANHIA EDITORA NACIONAL, 1976. PP. 77-93. 
 
1. Como os romanos educavam para a vida prática? Analisar. 
Monroe (1976, p.77) observa que os romanos apresentavam uma mentalidade inteiramente prática, e que o caminho percorrido para resultados concretos, para eles, se dava adaptando os meios para os fins. Desta forma, este povo tinha sua índole caracterizada pela luta por algum objetivo externo, um propósito exterior a própria vida mental, uma missão prática de fornecer os meios às instituições para a realização desses ideais, por isso sempre caracterizados como um povo utilitário.
O autor, ainda observa que, para os romanos, havia um ideal educativo estabelecido através de certas virtudes de caráter prático e encarnados pela personificada varonilidade, reunido no ideal do Dever para o indivíduo e no ideal de Justiça para o Estado. E lista as virtudes: primeiro a da piedade ou obediência, acompanhada da modéstia, resultando em caráter, virtude altamente valorizada pelos romanos; segundo a bravura ou coragem, acompanhada da prudência e da honestidade ou perfeita conduta, resultando em seriedade, sobriedade na conduta e compostura. Contrariando as questões gregas que são expostas pelo autor, o ideal romano preservou a ideal de bravura ou de virtude no sentido de devoção ao Estado (MONROE, 1976). 
Monroe (1976, p.80), pois, explica que "a vida explicada em termo de virtude pessoal corresponde à formulação da idealista da vida; e pelos termos do dever é a concepção moral da vida formulada pelo homem prático". A educação prática vai ter, portanto, o lar como centro da educação com ênfase na formação do caráter moral, e as escolas terão atenção secundária, tomado, inclusive, por outras instituições. Ainda aos pais era conferida a responsabilidade educativa, o pai pela educação moral e física do mesmo e a mãe dignificada com uma posição de independência e responsabilidade.
Consideramos significativo observar que a educação romana, uma educação propriamente dita prática, na qual se aprendia fazendo, e que foi contextualizada pelo autor em quatro períodos históricos. O primeiro primitivo (de 753-250 a.C) reflete essa educação já mencionada, doméstica, através do país, em que o menino desde cedo acompanha o pai nos negócios públicos e privados na rua, no fórum e no acampamento. O segundo de introdução das escolas gregas denominado período de transição em que Roma se torna um império e a cultura educacional grega é inserida e surgem as escolas elementares também chamadas de escolas de gramática, houve avanço literário que produziu avanço radical na educação. O terceiro período surge inevitáveis modificações no caráter intelectual romano por influência grega. A cultura e a literatura grega seduziram as classes superiores pela escola do literator, do gramático e do retórico e fundaram algumas bibliotecas e universidades. O quarto período é marcado pelo declínio, logo após o início da era cristã, sendo a educação marcada pela limitação à classe mais elevada, deixando de ser prática ao povo e se tornando ornamento de uma sociedade oca e corrupta (MONROE, 1976). 
2. Segundo o autor, quais as contribuições romanas para a civilização? Você concorda? Justifique e analise. 
O autor traz de início uma breve comparação sobre o povo romano e grego apontando as principais características de cada um, dando ênfase ao que difere um e outro. O fato de o povo romano se caracterizar como civilização que visava a luta pela realização de objetivos concretos, de satisfação terrena e pela melhora da vida material, tanto sua quanto de seus companheiros, justifica o tipo de contribuição para a civilização. Já os gregos valorizavam a personalidade, o poder intelectual, a liberdade política e a cultura (MONROE, 1976). 
Segundo Monroe (1976), Roma contribuiu para a civilização de forma principalmente prática visando as instituições como meios de realização de ideais ou de finalidades sociais. Isso fica claro quando o autor nos traz dois pontos principais que sintetizam tais contribuições, primeiro se refere aos fundamentos da organização social e depois o acréscimo às virtudes práticas através do direito e do Estado. A influência de Roma se dá principalmente pela prática e organização. Assim, fundamentaram sua concepção de direitos e deveres dos cidadãos romanos. Os direitos agrupados em cinco: do pai sobre o filho, do marido sobre a esposa, do senhor sobre o escravo, do homem livre sobre outro contratado ou condenado, e sobre a propriedade. E os deveres estabelecidos por uma educação que se dava desde a meninice para o desenvolvimento das virtudes e aptidões adequadas, através de uma educação do lar (doméstica), positiva e de grande valor (MONROE, 1976). 
Na perspectiva educacional os ideais eram totalmente morais, ou seja, se referiam à conduta prática. Tendo como principal instituição educativa o lar, a imitação como método principal e a biografia e o processo prático da vida como principais meios de educativos (MONROE, 1976). 
 
 3. Qual a importância do lar, da biografia e do meio para a educação romana? Analisar. 
O lar era o centro de educação mais importante de Roma, a civilização romana tinha como base a disciplina, eles visavam muito a formação do caráter moral e, assim, outras instituições de ensino - como a escola - ficavam em segundo plano. Além da importância legal e social do lar, a importância moral também era bastante elevada devido ao poder do pai, que tinha a função de educar moral e fisicamente os filhos. Diferente de como era em Esparta, na Grécia, lá até os sete anos a criança ficava com os pais, mas após essa idade eram levados pelos pedagogos para aprender educação militar (física) com o mestre. Já a mãe também tinha um papel diferente das mulheres gregas, em Roma elas mesmas cuidavam dos filhos, em vez de deixá-los com a ama (MONROE, 1976; MANACORDA, 1995).
Além disso, a educação familiar era de total responsabilidade dos pais, onde se trabalhava também aspectos biológicos e intelectuais com as crianças pertencentes a esse ambiente. Havia uma divisão nesse processo, nos primeiros sete anos de vida era de total responsabilidade de a mãe educar seus filhos, logo após essa idade, o filho homem se tornava responsabilidade do pai até seus 16 e 17 anos, nesse momento se concluía a etapa doméstica de ensino (MELO, 2006).
De acordo com Monroe (1976, p. 80) para completar a influência do lar, havia os exemplos da virilidade romana. Os romanos se admiravam, queriam reproduzir seus costumes e a personalidade daqueles que fizeram história, de geração em geração, com a finalidade de formar o caráter dos jovens baseado nesses nomes. A sua literatura primitiva tinha como base as lendas e narrativas heroicas dos primeiros romanos e suas canções glorificavam os grandes feitos. Ao contrário da Grécia, esses feitos podiam ser imitados pelos meninos, os gregos não podiam, pois ninguém era capaz de imitar os Deuses ou semideuses - responsáveis pelos atos heroicos do local.
Por fim, é possível observar que foi muito importante para a civilização romana ter o lar como a principal instituição educativa, tendo em vista seus valores. A biografia e o processo prático da vida como principais meios educativos, já que usava seus próprios heróis como exemplo e com isso, repassando através das gerações seus costumes, crenças e cultura, por meio da imitação (MONROE, 1976). 
 4. Fazer uma análise crítica dos três modelos apresentados pelo autor das escolas romanas: literator; gramático; retórico. 
Os romanos beberam da fonte da educação grega, mas diferentemente da Grécia, Roma rejeitava a ginástica, a dança, a música e a literatura. Assim como sua mentalidade, a educação romana era prática, ou seja, aprendia-se oque era preciso fazendo e não teorizando. "Não gostavam da instrução puramente intelectual porque a preocupação deles era lançar na verdadeira natureza da criança os germes do mais complexo desenvolvimento do caráter" (MONROE, p. 82).
Como se sabe, as primeiras instruções ficavam a cargo da família, primeiro da mãe e posteriormente do pai, sendo esta basicamente de cunho moral. Durante a primitiva educação romana ensinava-se o básico das artes de ler, escrever e contar. O que entrava de literatura era referente ao "serviço religioso e coral e o que dizia respeito às Leis das Doze Tábuas" (MONROE, p.82).
Quando as ideias e os costumes gregos foram introduzidos no seio romano, as escolas antes chamadas de escolas de letrados passaram a se chamar de escolas de gramática. A Odisseia foi traduzida para o latim e com a introdução do livro, as escolas passaram a ter um conteúdo mais literário do que tinham até então. 
A escola do gramático tornou-se uma "instituição educativa definitivamente organizada, com método próprio, currículo fico e amparo público" (MONROE, p.86). Ensinava-se o grego e o latim, indicando que o grego deveria ser aprendido primeiro. O mestre era chamado de literatus ou grammaticus, no entanto, o termo gramática significava para os romanos o estudo sistemático da literatura. 
Para além da gramática, essas escolas também ensinavam matemática, música e rudimentos de dialética. O trabalho feito na escola de gramática mesclava-se com o da escola de retórica. Todavia, o foco na escola de gramática era o "domínio da língua, a correção da expressão na leitura, na escrita e na conversa" (MONROE, p.86).
Por fim, tem-se a escola de retórica que representa o ponto máximo da educação literária prática. Através de um treino completo em oratória, os jovens romanos eram preparados para a vida prática em Roma, por isso, quem a frequentava eram aqueles que tinham interesse em seguir carreira pública. Para o romano, a oratória é parte importante da sociedade, pois, assim como na Grécia antiga na escola dos sofistas a educação se faz para "o dizer e o fazer as coisas da cidade" (MANACORDA, p. 57), e em Roma era entendido que essa técnica compreendia as formas que o homem poderia transmitir seus saberes de forma mais eficaz aos outros. Outro aspecto que demonstra a importância da oratória na sociedade romana é que a maioria dos cidadãos que faziam parte do púlpito, imprensa e debates eram, naquele tempo, os oradores.
Esta instrução se dava a partir dos 15 anos de idade quando o menino romano se destinava à carreira pública, ingressando na escola retórica para complementar seus saberes linguísticos recebidos nas escolas de gramática. A aprendizagem era feita através de debates e declamações, e além disso, as melhores escolas preparavam seus alunos para adquirir o maior conhecimento possível (MONROE, 1946).
Sendo assim, segundo Monroe, os modelos apresentados do sistema escolar romano eram basicamente ligados ao caráter prático do saber intelectual e nunca chegaram à versatilidade ou à genialidade dos Gregos. Por isso, acabaram apropriando-se de muitas características desta cultura. Além disto, a educação em Roma era muito baseada em valores sociais, tanto que segundo o orador e professor da época, Quintiliano, "ninguém pode ser um orador não sendo, primeiro, bom homem" (MONROE, p. 88).

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