recurso de apelacao - aula 1
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recurso de apelacao - aula 1


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Recurso de Apelação (aula 1)
Disciplina: Direito Processual Civil - Recursos
Apelação é o recurso que se interpõe da sentença de juiz de primeiro grau, nos termos do art. 1.009 do CPC:
\u201cArt. 1.009 - Da sentença cabe apelação.\u201d
1. Conceito
Nos termos do mencionado artigo, entende-se por sentença o ato do juiz que implica em alguma das situações previstas nos artigos 485 e 487 do CPC.
As sentenças, pondo termo ao processo são terminativa ou definitiva.
No caso da terminativa ela põe fim ao processo sem resolução de mérito.
Já a definitiva põe fim ao processo com resolução do mérito.
Decidir o mérito é resolver a lide (conflito de interesses qualificado por uma pretensão resistida), seja acolhendo ou rejeitando a pretensão do autor.
Por meio da apelação impugna-se a sentença, provocando o reexame da causa pelo órgão judiciário de segundo grau.
Nos termos do § 1º do art. 1.009 as questões decididas na fase de conhecimento que não foram objeto de agravo (hipótese de não cabimento) não são cobertas pela preclusão e devem ser suscitadas em preliminar de apelação, eventualmente interposta contra a decisão final, ou nas contrarrazões.
Se for nas contrarrazões intima-se o recorrente para se manifestar \u2013 15 dias.
2. Prazo
O prazo para interposição da apelação é de 15 dias, contados da publicação da sentença, ou da intimação às partes, correndo em cartório.
O prazo de 15 dias é comum as partes e aos terceiros prejudicados, nos termos do art. 1.003, § 5º do CPC:
\u201c§ 5º - Excetuados os embargos de declaração, o prazo para interpor os recursos e para responder-lhes é de 15 (quinze) dias.\u201d 	
3. Forma de interposição
Deve ser interposto por petição escrita, a qual conterá (art. 1.010 do CPC):
os nomes e a qualificação das partes; 	
a exposição do fato e do direito; 	
as razões do pedido de reforma ou de decretação de nulidade; 	
o pedido de nova decisão.
a) Nome e qualificação \u2013 será necessária se não constar do processo (ex. apelação interposta pelo terceiro).
b) A exposição do fato e do direito, consiste em fazer uma breve síntese do processo;
c) As razões do pedido de reforma ou decretação de nulidade são requisito de admissibilidade do recurso (pressuposto recursal de regularidade formal).
OBS.: a prática forense já se consolidou na apresentação simultânea de duas petições, uma petição para interposição do recurso e outra com as razões do recurso.
d) O pedido de nova decisão significa que deve ser manifestada a pretensão recursal, deve requerer a reforma ou invalidação da decisão. Julgar o mérito da apelação será julgar este pedido, afim de acolhê-lo (provimento do recurso) ou rejeitá-lo (desprovimento da apelação).
A petição com os requisitos mencionadas será dirigida ao juízo recorrido (órgão a quo), em regra (exceção agravo de instrumento).
Interposta a apelação o Apelado será intimado para apresentar contrarrazões no prazo de 15 (quinze) dias.
Após as formalidades previstas nos §§ 1o e 2º (art. 1.010), os autos serão remetidos ao tribunal pelo juiz, independentemente de juízo de admissibilidade.
5. Prazo para resposta do apelado
Possui o apelado o prazo de 15 dias para responder, contados da abertura de vista.
Na resposta estarão as razões do apelado ou contrarrazões, apresentados no protocolo do Fórum ou via eletrônica.
6. Preparo
Com a interposição da apelação o recorrente deverá comprovar o recolhimento do preparo.
Nos termos do art. 1.007 do CPC:
\u201cArt. 1.007 - No ato de interposição do recurso, o recorrente comprovará, quando exigido pela legislação pertinente, o respectivo preparo, inclusive porte de remessa e de retorno, sob pena de deserção.\u201d	
São dispensados de preparo, inclusive porte de remessa e de retorno, os recursos interpostos pelo Ministério Público, pela União, pelo Distrito Federal, pelos Estados, pelos Municípios, e respectivas autarquias, e pelos que gozam de isenção legal (§ 1º do art. 1.007).
7. Deserção da apelação
A insuficiência no valor do preparo, inclusive porte de remessa e de retorno, implicará deserção se o recorrente, intimado na pessoa de seu advogado, não vier a supri-lo no prazo de 5 (cinco) dias. (§ 2º do art. 1.007) 	
O preparo é ônus do recorrente, caso não seja satisfeito será aplicada a pena de deserção.
O recorrente que não comprovar, no ato de interposição do recurso, o recolhimento do preparo, inclusive porte de remessa e de retorno, será intimado, na pessoa de seu advogado, para realizar o recolhimento em dobro, sob pena de deserção (§ 4º do art. 1.007). 	
Nessa hipótese é vedada a complementação (§ 5º do art. 1.007).
Mas, no caso da falta de preparo ser ensejada por situação de justo impedimento (evento imprevisível, alheio a vontade da parte e que impediu de praticar o preparo), se admite, comprovada tal situação, que o apelante requeira a relevação da deserção, nos termos do § 6º do art. 1.007.
\u201c§ 6º Provando o recorrente justo impedimento, o relator relevará a pena de deserção, por decisão irrecorrível, fixando-lhe prazo de 5 (cinco) dias para efetuar o preparo.\u201d
O equívoco no preenchimento da guia de custas não implicará a aplicação da pena de deserção, cabendo ao relator, na hipótese de dúvida quanto ao recolhimento, intimar o recorrente para sanar o vício no prazo de 5 (cinco) dias (§ 7º do art. 1.007).