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APANHADÃO DE FUNDAMENTOS DA FILOSOFIA E EDUCAÇÃO

Material sobre filosofia grega antiga e pré-socráticos: origem do termo, a figura de Tales de Mileto e suas hipóteses, o papel dos mitos e as ideias de Anaximandro e Pitágoras.

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A origem da palavra vem da Grécia, mas antes mesmo de surgir esse termo, a palavra filosofia já havia sido mencionada por Heródoto (que utilizava a palavra filosofar), mas mesmo assim, muitos dos filósofos – a grande maioria – afirma que foi Tales de Mileto o primeiro filósofo, enquanto Pitágoras foi o primeiro a se autodominar filosofia ou ainda “amante da sabedoria”.
Mas afinal quem foi o primeiro filósofo?
O fato é que muitos filósofos já deixaram a sua marca na história do universo, onde muitos fizeram as suas teorias que foram baseadas nas mais diversas disciplinas presente na filosofia.
Mas muitos historiadores e filósofos apontam que foi Tales o primeiro filósofo. Tales ficava boa parte do seu tempo tentando saber como era o funcionamento do mundo e do ser, com análises voltadas a natureza e não à Deus.
Em sua cidade natal, Tales era visto em sua comunidade com um verdadeiro sábio, além de saber também ser um bom mercador, o que chamada a atenção da população.
O seu pensamento se deu em decorrência dos pensadores físicos que queriam entender a origem da natureza e de todas as coisas. Tales afirmava que a origem de tudo surgia a partir da água (onde poderia se tornar líquida, se transformar em vapor e também em terra). Dessa forma, é a água que daria origem a um ciclo, e assim haveria novas vidas e evolução das coisas a partir.
Independente de todo o seu estudo, o grande mérito de Tales foi a questão de se perguntar sobre a origem das coisas, sendo o primeiro homem a questionar sobre tudo a sua volta em busca de uma explicação racional, sem ter a influência dos Deuses.
Foi a partir de sua teoria que muitos filósofos passaram a traçar as suas próprias teorias. Sem contar que Tales fez parte do famoso trio que fundou a Escola de Mileto e a partir daí, se deu o início da filosofia por meio da racionalidade.
A mitologia sempre foi um elemento cultural importante na pólis grega, pois dava unidade às cidades-estado com instituições e costumes tão diversos. Os deuses da mitologia grega relacionavam-se com a natureza e eram bastante próximos do homem: zangavam-se, alegravam-se, apaixonavam-se, sentiam ciúme e fome. As histórias dos gregos eram transmitidas em forma de mito. Por tratarem de sentimentos humanos, como o amor, o ódio, a admiração, a inveja, os mitos servem para entendermos melhor a nós mesmos, na tentativa de responder a indagações morais que rondam a mente humana.
Os filósofos pré-socráticos foram os primeiros sábios gregos a formular uma explicação racional para o mundo sem recorrer ao sobrenatural. Alguns aspectos comuns entre eles podem ser apontados: em primeiro lugar, eram estudiosos da natureza (physis). Por buscarem entender a organização racional do universo, a partir de princípios e leis que o regem, dizemos que eram voltados para a cosmologia, ou seja, a busca por entender a razão que rege o universo. Em segundo lugar, tentavam encontrar uma relação de causalidade entre os fenômenos da natureza. Por fim, todos buscavam um princípio ou elemento primordial a partir do qual explicariam os fenômenos naturais.
Tales de Mileto (cerca de 624-545 a.C.)
Segundo uma tradição, que remonta aos próprios gregos antigos, o primeiro filósofo da história teria sido Tales de Mileto. Ele ficava indignado por “todas as coisas estarem cheias de deuses”. Dessa maneira, tentou explicar que a água era a origem única (physis) de todas as coisas. A água, Tales afirmava, era a substância fundamental de que todas as outras se compunham; se pulverizássemos bem as coisas, as dissecássemos ou as examinássemos de muito perto, encontraríamos não ferro, pedra ou carne, mas água. Tales, então, pensa que, no fundo, “tudo é um”, ou seja, há uma unidade geral do universo.  A matéria era água condensada e o ar, água evaporada. Toda a Terra, ele sustentava, era um disco que flutuava num lago gigantesco, cujas ondas e encrespações eram a causa dos terremotos.
Anaximandro de Mileto (cerca de 610-546 a.C.)
Em meados do século VI a.C, Anaximandro de Mileto, que já havia introduzido e aperfeiçoado o relógio de sol (gnomon) na Grécia, foi também o primeiro a traçar um mapa do mundo habitado e, influenciado pelos orientais, a tentar calcular a distância entre as estrelas. Para Anaximandro, o universo teria resultado de modificações ocorridas num princípio originário (arché). Esse princípio seria o ápeiron, que se pode traduzir por infinito e/ou ilimitado. Sendo princípio, deve também não ter princípio e ser indestrutível, porque o que foi gerado necessariamente tem fim e há um término para toda destruição. Por isso, assim dizemos: não tem princípio mas parece ser princípio das demais coisas e a todas envolver e a todas governar.
Pitágoras de Samos (cerca de 570-495 a.C.)
Pitágoras de Samos pressupunha uma unidade fundamental entre todos os seres: mas, para ele, o que une todos os seres do universo é a matemática (arithmós). O trabalho intelectual descobre a estrutura numérica de todas as coisas e, assim, vê sua relação com o cosmo, a harmonia, a proporção e a beleza. Os números não seriam, portanto, meros símbolos, mas a própria “alma das coisas”.
Como disse Nietzsche, explicando Pitágoras: “A música, como tal, só existe em nossos nervos e em nosso cérebro; fora de nós compõe-se somente de relações numéricas quanto ao ritmo, se se trata de sua quantidade, e quanto à tonalidade, se se trata de sua qualidade, conforme se considere o elemento harmônico ou o elemento rítmico. No mesmo sentido, poder-se-ia exprimir o ser do universo, do qual a música é, pelo menos em certo sentido, a imagem, exclusivamente com o auxílio de números”.
Parmênides de Eleia (cerca de 515-445 a.C.)
Parmênides de Eleia viveu no fim do século VI e começo do século V a.C. e deixou um poema, apresentando suas ideias filosóficas. A primeira parte do poema mostra o que seria a “via da verdade”, ou seja, o pensamento verdadeiro; a segunda parte apresenta a “via da opinião”, ou seja, o pensamento errôneo. Na “via da opinião”, os mortais, por confiarem em seus sentidos (audição, tato, olfato visão, paladar), não chegariam à verdade (aletheia) nem à certeza, permanecendo nas opiniões e nas convenções de linguagem. Os sentidos enganam, levam-nos ao erro e tentam nos manter numa ilusão. Como então saber a verdade? É aí que entra a parte de seu poema chamada “via da verdade”: não confiando nos sentidos, mas apenas no que é razoável à razão, ao pensamento. É como se nosso pensamento revelasse um mundo distinto da razão. Note, portanto, que Parmênides é o primeiro filósofo a identificar a distinção entre realidade e aparência e combater, com isso, o senso comum.
Heráclito de Efeso (cerca de 535-475 a.C.)
Nascido em Efeso, colônia grega da Ásia Menor, Heráclito escreveu o livro Sobre a Natureza, em prosa, no dialeto jônico, mas de forma tão concisa que recebeu o cognome de Skoteinós, o Obscuro. Defendia a ideia de que o movimento e o conflito não apenas existiam como eram a própria essência das coisas. Heráclito diz: “Tudo flui (panta rei), nada persiste, nem permanece o mesmo”, “a essência é a mudança” e “o verdadeiro é apenas como a unidade dos opostos”.
Heráclito nunca poderia dizer que o ar ou a água são a essência do mundo, uma vez que os dois não representam o processo nem a mudança: eles próprios estão submetidos a essa mudança, ao tempo, que é a verdadeira essência de tudo. Heráclito, assim, enfatiza o caráter mutável da realidade, sempre em fluxo: “Tu não podes entrar duas vezes no mesmo rio, porque novas águas correm sempre sobre ti”, ou “o sol não apenas é novo cada dia, mas sempre novo, continuamente”. Heráclito também acreditava que a realidade era marcada pelo conflito (pólemos) entre os opostos, e que esse conflito, longe de ser negativo, era a garantia do equilíbrio do universo, era a garantia de sua harmonia. Dia e noite, sol e chuva, criança e adulto, calor e frio, morte e vida, amor e ódio, dormir e acordar são opostos que se complementam, de forma que um só pode ser entendido em razão do outro.
Prometeu
Há várias versõessobre o mito de Prometeu, herói da mitologia grega. Seu nome, no idioma grego, significa ‘premeditação’. E é realmente o que este titã, um dos deuses que enfrentam o Olimpo e suas divindades, mais pratica em sua trajetória, a arte de tramar antecipadamente seus planos ardilosos, com a intenção de enganar os deuses olímpicos.
Ele era filho de Jápeto e de Ásia, irmão de Atlas, Epimeteu e Menoécio, e se tornou o progenitor de Deucalião. Uma outra vertente menos significativa aponta como pais de Prometeu a deusa Hera e o gigante Eurimedon. Este deus foi o co-criador, ao lado de Epimeteu, da raça humana, e a ela também se atribui o furto do fogo divino, com o qual presenteou a Humanidade.
Muito amigo de Zeus, o ardiloso Prometeu ajudou o deus supremo a driblar a fúria de seu pai Cronos, o qual foi destronado pelo filho. O dom da imortalidade não o impediu de se aproximar demais do Homem, sua criação – de acordo com algumas histórias, ele o teria concebido com argila e água, depois que seu irmão esgotou toda a matéria-prima de que dispunha com a geração dos outros animais, e lhe pediu auxílio para elaborar a raça humana.
Ele concedeu ao ser humano o poder de pensar e raciocinar, bem como lhes transmitiu os mais variados ofícios e aptidões. Mas esta preferência de Prometeu pela companhia dos homens deixou o enciumado Zeus colérico. A raiva desta divindade cresceu cada vez mais quando ele descobriu que seu pretenso amigo o estava traindo.
Epimeteu é filho de Jápeto e da ninfa Clímene, filha de Oceanus, e irmão de Atlas, Prometeu, Héspero e Menoécio. Epimeteu criou os animais e deu-lhes os atributos. Quando chegou ao homem, não havia mais nenhuma qualidade para dar-lhe. Epimeteu é um dos quatro filhos de Jápeto e de uma Oceânide. Pertence a reça dos Titãs e é irmão de Atlas, Menécio e Prometeu. É um inábil desastrado, instrumento de Zeus para ludibriar o engenhoso Prometeu. Depois de Epimeteu ter sido enganado por Zeus por duas vezes, Prometeu proibiu o irmão de aceitar presentes das mãos de Zeus. Mas Epimeteu não conseguiu resistir quando Zeuss lhe enviou a bela Pandora, tomando-a como sua esposa. Havia um vaso que continha todos os males e que estava tapado com uma tampa, que impedia o conteúdo de liberar. Mal chegou à terra, Pandora, movida por uma imensa curiosidade, levantou a tampa do vaso, e todos os males se espalharam sobre a humanidade. Apenas a esperança, que estsva no fundo, não conseguiu sair antes que Pandora voltasse a fechar o vaso. 
Segundo outra versão, este vaso contrinha não os males, mas também todo o bem existente, e Pandora tê-lo-ia oferecido a Epimeteu como presente de núpcias, a mando de Zeus. Abrindo impoderadamente o recipiente, ela deixou escapar os bens, que voltaram a morar com os ddeuses, em vez de como os mortais, condenados daí em diante a sofrer, restando-lhes unicamente a esperança. Foi assim que Epimeteu se tornou responsável pelas desgraças da humanidade.
O que é Etnocentrismo:
Etnocentrismo é um conceito da Antropologia definido como a visão demonstrada por alguém que considera o seu grupo étnico ou cultura o centro de tudo, portanto, num plano mais importante que as outras culturas e sociedades.
O termo é formado pela justaposição da palavra de origem grega "ethnos" que significa "nação, tribo ou pessoas que vivem juntas" e centrismo que indica o centro.
Um indivíduo etnocêntrico considera as normas e valores da sua própria cultura melhores do que as das outras culturas. Isso pode representar um problema, porque frequentemente dá origem a preconceitos e ideias infundamentadas.
Uma visão etnocêntrica demonstra, por vezes, desconhecimento dos diferentes hábitos culturais, levando ao desrespeito, depreciação e intolerância por quem é diferente, originando em seus casos mais extremos, atitudes preconceituosas, radicais e xenófobas.
Este fenômeno universal pode atingir proporções drásticas, quando culturas tecnicamente mais frágeis entram em contato com culturas mais dominantes e avançadas.
Alguns exemplos de etnocentrismo estão relacionados ao vestuário. Um deles é o hábito indígena de vestir pouca ou nenhuma roupa; outro caso é o uso do kilt (uma típica saia) pelos escoceses. São duas situações que podem ser tratadas com alguma hostilidade ou estranheza por quem não pertence àquelas culturas.
Etnocentrismo e relativismo cultural
O relativismo cultural é uma corrente de pensamento ou doutrina que tem como objetivo entender as diferenças culturais e estudar o porquê das diferenças entre culturas distintas. Enquanto o etnocentrismo tem uma vertente de confronto, o relativismo aborda as diferenças de uma forma apaziguadora.
É importante destacar que o relativismo cultural é uma ideologia que defende que os valores, princípios morais, o certo e o errado, o bem e o mal, são convenções sociais intrínsecas a cada cultura. Um ato considerado errado em uma cultura não significa que o seja também quando praticado por povos de diferente cultura.

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