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RELATÓRIO FINAL DE ESTÁGIO SUPERVISIONADO I DAYANE PORTELA LOPES CLAUDETE GONZALEZ SAMPAIO COELLO MAGALHÃES Centro Universitário Leonardo da Vinci - UNIASSELVI Curso de Bacharelado em Serviço Social SES0543/5 - Estágio I 05/12/2019 1 INTRODUÇÃO O proposto trabalho estuda a importância e necessidade de uma equipe multiprofissional na atuação e a consolidação de vínculo com as famílias atendidas no Centro de Referência Especializada de Assistência Social - CREAS de Parnaíba/PI, considerando a diversidade das abordagens e a concepção do trabalho em equipe. Analisa a formação e consolidação de vínculos entre os profissionais e usuários dos serviços da Proteção Social Especial de Média Complexidade no município, a percepção e dificuldades que os mesmos têm a cerca do atendimento realizados referente aos serviços da Proteção Social Especial de Média Complexidade, com base Tipificação Nacional de Serviços Sócio Assistencial. Assim, este trabalho deverá ser um produto de estudo que analisa o papel da equipe multiprofissional do CREAS no município de Parnaíba/PI, buscando dados que mostrem essa realidade. A metodologia utilizada contemplou a pesquisa bibliográfica relativa ao CREAS. Os principais resultados alcançados foram à importância de uma equipe técnica de trabalho em caráter efetivo, para que desta maneira possa ser desenvolvido o trabalho de fortalecimento de vínculos com os usuários necessários nesta área de atuação; destaca-se ainda a correlação da qualidade do trabalho desenvolvido de acordo as condições estruturais da instituição. Com intuito de embasar o estudo, estruturamos a fundamentação teórica abordando a assistência social como política, proteção social especial de média complexidade envolvendo diferentes aspectos pertinentes ao assunto. 2. RELATO E ANÁLISE DO PROCESSO DE TRABALHO O Centro de Referência Especializado de Assistência Social - CREAS, no âmbito do Sistema Único de Assistência Social - SUAS, destina-se à implementação de serviços de caráter continuado que trabalha o fortalecimento dos vínculos de indivíduos e/ou grupos, amenizando os impactos das situações de risco social que culminam em atos de violação de direitos. O desenvolvimento do trabalho social pelos serviços do CREAS pressupõe escuta qualificada e compreensão da situação vivenciada por cada família/indivíduo, considerando seu contexto de vida familiar, social, histórico, econômico e cultural. Portanto, é importante não apenas conhecer as atribuições e papéis delegados ao CREAS do ponto de vista normativo, mas, sobretudo, perceber a aplicabilidade destas atribuições na realidade social para que seja fortalecida a identidade do equipamento nas políticas públicas. De acordo com a Tipificação Nacional de Serviços Socioassistenciais, pactuada na Comissão Intergestores Tripartite - CIT, e aprovada pelo Conselho Nacional de Assistência Social, por meio da Resolução Nº 109 de 11 de dezembro de 2009, o CREAS pode ofertar os seguintes serviços: Nome do Serviço Descrição do Serviço Unidade de Oferta do Serviço Serviço de Proteção e Atendimento Especializado a Famílias e Indivíduos – PAEFI Serviço de apoio, orientação e acompanhamento a famílias com um ou mais de seus membros em situação de ameaça e violação de direitos. Deve ser ofertado por toda Unidade CREAS. Serviço de Proteção Social a adolescentes em Cumprimento de Medida Socioeducativa de Liberdade Assistida e de Prestação de Serviços à Comunidade. O Serviço tem por finalidade prover atenção socioassistencial e acompanhamento a adolescentes e jovens em cumprimento de medidas socioeducativas em meio aberto, determinadas judicialmente. Deve ser ofertado pelo CREAS, nas localidades onde se identificar demanda, podendo referenciar serviços complementares. No caso de possuir mais de uma Unidade CREAS, o município tem autonomia para a definição daquelas unidades que deverão ofertar este Serviço, observada a relação com o território. Serviço Especializado em Abordagem Social O Serviço tem como finalidade assegurar trabalho social de abordagem e busca ativa que identifique, nos territórios, a incidência de trabalho infantil, exploração sexual de crianças e adolescentes, situação de rua, dentre outras. Pode ser ofertado pelo CREAS ou unidade específica referenciada ao CREAS, nos territórios onde se identificar demanda. Pode ser ofertado também nos Centros POP, de acordo coma definição do órgão gestor local. Serviço de Proteção Especial para Pessoas com Deficiência, Idosas e suas famílias. Serviço disponível à promoção de atendimento especializado a famílias pessoas com deficiência e idosos com algum grau de dependência, que tiveram suas limitações agravadas por violações de direitos. Pode ser ofertado pelo CREAS ou unidade específica referenciada ao CREAS, nos territórios onde se identificar demanda. Nessa perspectiva, as principais atividades no Centro de Referência Especializado de Assistência Social - CREAS são: entrevistas de acolhida e avaliação inicial; atendimento psicossocial (individual familiar e em grupo), construção do plano de acompanhamento Individual e/ou familiar; orientação jurídico-social; elaboração de relatórios técnicos sobre o acompanhamento realizado; ações de mobilização e enfrentamento; acompanhamento dos encaminhamentos; visita domiciliar, quando necessário; articulação com a rede. O fortalecimento da identidade do CREAS requer ainda um trabalho intersetorial com os demais órgãos da rede de proteção social, clarificando as competências de cada um deles, estabelecendo protocolos, fluxos e linhas de ação para situações mais adversas que se apresentem. Ou seja, a compreensão do território de atuação e das particularidades sociais de cada área é fundamental para que os devidos encaminhamentos sejam dados garantindo não apenas a efetividade das ações do CREAS e sua legitimidade, como também a efetividade de toda a rede sócio assistencial. Portanto, todas as demandas do CREAS dentro da atuação da equipe técnica são direcionadas ao Serviço Social. É a partir da análise dos assistentes sociais que as demandas são atendidas e redirecionadas para outros profissionais num trabalho interdisciplinar, ou até mesmo encaminhadas a outras unidades da rede de proteção social. Para que a segurança de acolhida seja garantida na execução dos serviços ofertados pelo CREAS, a Tipificação define que é preciso afiançar as seguintes provisões para o usuário (a): Ser acolhido em condições de dignidade em ambiente favorecedor da expressão e do diálogo; ser estimulado a expressar necessidades e interesses; ter reparados ou minimizados os danos por vivências de violações e riscos sociais; ter sua identidade, integridade e história de vidas preservadas; ser orientado e ter garantida efetividade nos encaminhamentos (CONSELHO NACIONAL DE ASSISTÊNCIA SOCIAL, 2009, p. 20-21). Diante disso, o usuário e sua família são estimulados a expressar suas necessidades e interesses, tendo sua identidade, integridade e história de vidas preservadas pelos profissionais que os atendem, no entanto, conforme já referido, há limites no que se refere às condições físicas para garantia do sigilo. 2.1 PROCESSO DE INSERÇÃO E ATIVIDADES REALIZADAS O estágio é concebido como um campo de treinamento, umespaço de aprendizagem do fazer concreto do Serviço Social, onde um leque de situações, de aprendizagem profissional se manifesta para o estagiário, tendo em vista a sua formação. Portanto, o estágio é o locus onde a identidade profissional do aluno é gerada, construída e referida; volta-se para o desenvolvimento de uma ação vivenciada, reflexiva e critica e, por isso deve ser planejado gradativamente e sistematicamente. Segundo a Lei nº 3.252/27 de 27 de agosto de 1957, que regulamenta a profissão, no seu artigo 5º diz que, entre outras atribuições do assistente social, há as de “supervisionar profissionais e alunos em trabalhos teóricos e práticos de Serviço Social”. Desta forma, o estágio prático é essencial à formação do aluno de Serviço Social, enquanto lhe propicia um momento específico de sua aprendizagem, uma reflexão sobre a ação profissional, uma visão critica da dinâmica das relações existentes no campo institucional, apoiados na Supervisão enquanto processo dinâmico e criativo, tendo em vista possibilitar a elaboração de novos conhecimentos. O Centro de Referência Especializado de Assistência Social - CREAS é uma unidade pública, inserida no Sistema Único de Assistência Social - SUAS e parte constitutiva da Proteção Social Especial de média complexidade. Diante disso, o principal objetivo do estudo é identificar a importância da equipe de referência multiprofissional para atuação e consolidação de vínculos com os usuários atendidos pelo CREAS de Parnaíba/PI. Portanto, faz-se necessária a compreensão de que nas relações familiares ou comunitárias em suas dimensões socioeconômica, cultural, histórica e política podem ocorrer determinadas situações geradoras de conflitos que irão demandar um trabalho social mais especializado. As categorias mencionadas neste parágrafo, a saber, risco social, vulnerabilidade social e território são elementos fundamentais na organização do Sistema Único de Assistência Social - SUAS. Dentre estes conflitos, podemos destacar: violência física, violência psicológica, negligência, abandono, violência sexual, situação de rua, trabalho infantil, cumprimento de medidas socioeducativas em meio aberto, afastamento do convívio familiar. Para o cumprimento destes serviços o CREAS, portanto, constitui-se como o espaço destinado ao desenvolvimento destas ações. O “CREAS é responsável por coordenar e fortalecer a articulação dos serviços especializados com a rede de assistência social e ainda com as demais políticas públicas e órgãos do sistema de garantia de direitos.” (IPEA, 2011, p. 65). 2.2 AVALIAÇÃO DO PROCESSO DE SUPERVISÃO 2.2.1 Auto-Avaliação O papel do Centro de Referência Especializado de Assistência Social - CREAS e competências decorrentes estão consubstanciadas em um conjunto de leis e normativas que fundamentam e definem a política de Assistência Social e regulam o SUAS. Portanto, deve ser compreendidos a partir da definição do escopo da política de assistência social e do Sistema Único de Assistência Social - SUAS qual seja, afiançar seguranças socioassistenciais, na perspectiva da proteção social. A realização de acolhimento das equipes técnicas aos usuários assistida objetiva o atendimento e acompanhamento das situações de violações de direitos. Suas atividades devem ser desenvolvidas com articulação da rede socioassistenciais e órgãos de defesa de direitos e políticas sociais de interesse comum. Neste cenário, da Assistência Social, o Serviço Social se insere no papel do Assistente Social que tem suas principais ações a intervenção nas expressões sociais dos indivíduos. Diante disso, um profissional comprometido com o direcionamento ético e político da profissão encontram, nesse contexto, grandes desafios, que envolve a compreensão da teoria e a sua articulação com a prática. O instrumental, como conjunto articulado de instrumentos e técnicas substancia a operacionalização da ação e é concebido como estratégia por meio da qual ela se efetiva. É uma instância de passagem que permite que se realize a trajetória que vai da concepção da ação à sua operacionalização (MARTINELLI E KOUMROUYAN, 1994). Dentro dessa perspectiva, a compreensão acerca das práticas profissionais do Serviço Social na atualidade requer um olhar crítico, inovador, consciente dos desafios contemporâneos e dos avanços teóricos, metodológicos, técnico - operativo e ético - políticos da profissão, que impõem ao fazer profissional uma configuração crítica e mobilizadora de potenciais individuais e coletivos. Conforme Mota (2014) reflete sobre as dimensões políticas da prática dos assistentes sociais: O leque dos fenômenos objeto trabalhados e pesquisados no âmbito do Serviço Social se amplia, requerendo novas problematizações e aportes de conhecimento que se refletem nas práticas profissionais, no ensino e nos campos de estágios curriculares. (MOTA, 2014, p. 695- 696). Diante disso, como se observa, a prática social hoje posta às profissões desse campo requer das práticas profissionais uma capacidade de garantir avanços teórico-político, técnico-operativos e metodológicos que incidam sobre a complexa dinâmica do cenário atual e consolide movimentos (pontuais ou progressivos) que resignifiquem a condição dos sujeitos da prática profissional. Portanto a prática profissional dos assistentes sociais se faz sobre a relação de domínio teórico critico que norteia a capacidade investigativa e, portanto, diagnóstica da realidade social, e suas formulações individuais e coletivas de respostas efetivas as demandas compreendidas no bojo de sua complexidade e na gênese das intencionalidades que as formulam e conduzem. 2.2.2 Avaliação das Condições Institucionais Diante das informações adquiridos por meio desta pesquisa, pode-se perceber que a infraestrutura do Centro de Referência Especializado de Assistência Social – CREAS /Parnaíba/PI está adequada às normas exigidas pelo Ministério do Desenvolvimento Social - MDS. Portanto a estrutura do prédio está dentro dos padrões arquitetônicos, garantindo a acessibilidade de todos. 2.2.3 Avaliação da Dinâmica De Supervisão Cada realidade nos cobra algumas referências muito concretas e específicas em função da necessidade que atende e é fundamental para profissão, o contato com a realidade é fundamental. O contexto institucional historicizado e situado na processualidade da Supervisão manifesta-se como o espaço privilegiado de “fonte de dados para o aprendizado profissional”. Diante disso, a equalização da teoria e prática se faz no próprio fazer e saber profissional. Desta forma, um dos parâmetros da formação profissional, alicerçado na realidade, é o espaço ocupacional situado no contexto mais amplo da realidade. Portanto, a prática profissional, em seu sentido mais amplo consiste no conjunto de atividades peculiares, realizada por uma determinada categoria profissional legitimada e reconhecidas pelo Estado e pelo mundo do trabalho. É, portanto a prática desenvolvida por uma profissão. Toda ação profissional realiza-se no contexto sócio- histórico determinado pelas relações de produção por elementos estruturais da realidade e pela prática política. A ação profissional, como condição de possibilidade que a constitui, torna possíveis, novas produções teóricas, novos valores, novos significados, novas direções nas ações profissionais. Isto ocorre na medida em que os assistentes sociais vivenciam, elaboram o seu conhecimento, tornando possível e viável o processo onde a teoria e a prática estão intimamente unidas e realizadas pelos próprios sujeitos desse processo. 3 CONCLUSÃOA legislação existente sobre o estágio, tanto no geral, quanto especifica, confere, na sua execução, um caráter de “proteção” e de formação prática ao aluno. Ou seja, intensiona-se um estágio que permita ao aluno o preparo efetivo para o agir profissional, a possibilidade de um campo de experiência, a vivência de uma situação social concreta supervisionada por um profissional assistente social, que lhe permitirá uma revisão constante desta vivência e o questionamento de seus conhecimentos, habilidade, podendo levá-lo a uma inserção crítica e criativa na área profissional e contexto sócio-histórico mais amplo. Diante do exposto, pode-se assim relatar que o Centro de Referência Especializado de Assistência Social - CREAS como sistema de proteção especial, realiza dentro do município de Parnaíba/PI tem um papel muito importante no tocante ao enfrentamento de violação de direitos e fortalecimento da cidadania, sendo ações fortificadas através da atuação por parte dos técnicos desta instituição de modo articulado, em redes e valorizando a interprofissionalidade. Sob este prisma, entendemos ser importante para o bom funcionamento da proteção social especial que, além do desenvolvimento dos serviços, programas e projetos de sua competência, mantenha-se um trabalho social compartilhado junto à proteção social básica. Portanto, é preciso reconhecer as reais dificuldades dos profissionais na realização do acompanhamento especializado a famílias e indivíduos em situação de risco pessoal e social, por violação de direitos, nos serviços do Centro de Referência Especializado de Assistência Social - CREAS, em decorrência das situações complexas com as quais se deparam e do impacto que este trabalho causa nos trabalhadores. Nessa direção, cabe à coordenação do CREAS assegurar momentos de integração em equipe, trocam de experiências, reflexão e discussão de casos. REFERÊNCIAS CONSELHO NACIONAL DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. Resolução nº 109 de 11 de novembro de 2009. Aprova a Tipificação Nacional dos Serviços Socioassistenciais. _______________. Métodos e Técnicas de Pesquisa Social. 6ª ed. São Paulo: Atlas, 2011. Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. Políticas Sociais: acompanhamento e análise, Brasília: IPEA, n.19, 2011. 371p. Disponível em: http://www.ipea.gov.br/portal/images/stories/PDFs/politicas_sociais/bps_19_completo. pdf _________________Lei nº 3.252/57, de 27 de agosto de 1957, dispõe sobre o exercício da profissão de assistente social. MARTINELLI, M.L. e KOUMROUYAN, E. Um novo olhar para a questão dos instrumentais técnicos operativos em serviço social. Serviço Social e Sociedade nº45, ano XV. Cortez: São Paulo, 1994. MOTA, Ana Elizabeth. A nova fábrica de consensos: ensaios sobre a reestruturação empresarial, o trabalho e as demandas ao Serviço Social. São Paulo: Cortez, 1998. Orientações Técnicas: Centro de Referência Especializado de Assistência Social- CREAS. Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome- MDS. Secretaria Nacional de Assistência Social. Brasília, 2011, Gráfica e Editora Brasil LTDA.