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Microeconomia Material Teórico Responsável pelo Conteúdo: Prof. Ms. Bruno Leonardo Silva Tardelli Revisão Textual: Profa. Ms. Luciene Oliveira da Costa Santos Demanda individual e demanda de mercado 5 • Introdução • Aspectos iniciais sobre a curva de demanda individual • Curva de preço-consumo e curva de demanda individual • Curva de renda-consumo • Curva de renda-consumo: considerações para bens normais versus bens inferiores • Curva de en gel: relação entre renda e consumo • Efeito-renda e efeito-substituição • Demanda de mercado • Excedente do consumidor • Considerações Finais · Esta unidade ampliará o estudo da escolha do consumidor, com a finalidade de gerar a curva de demanda individual, a curva de demanda de mercado e diversos detalhes conceituais que as envolve, como as curvas de preço-consumo, de renda- consumo e de Engel e os efeitos de renda e substituição. Na orientação de estudos, constam as informações gerais a respeito das atividades a serem desempenhadas, até mesmo para que o estudo tenha o rendimento ideal. Siga os seguintes passos na ordem: 1) Em primeiro lugar, observe a representação visual da unidade. Na representação esquemática, você poderá ter uma visão geral do caminho a ser percorrido ao longo da unidade. 2) Em segundo lugar, no tópico de contextualização, você poderá acompanhar uma história em quadrinhos relacionada aos conceitos de efeito-renda e efeito-substituição, a serem vistos no material teórico. 3) Em terceiro lugar, ao longo do material teórico, procure entender a formação da curvas de demanda individual e demanda de mercado, a partir da curva de preço-consumo, como também entender a curva de Engel, proveniente da curva de renda-consumo. Além disso, são abordados os conceitos de efeito- substituição, efeito-renda e excedente de mercado. Além do material teórico, você terá acesso à apresentação de Power Point narrado sobre o texto. 4) Em quarto lugar, acompanhe a aula em vídeo relacionada a esta unidade. Ela poderá auxiliar em algum ponto específico que ainda tenha dúvida. 5) Em quinto lugar, realize a atividade de aprofundamento, que está no formato de fórum de discussão, em que você irá discutir com seus colegas sobre variação de preços de smartphones ao longo do tempo. 6) Em sexto lugar, na atividade de sistematização, responda ao que será pedido para fixar o conteúdo. Trata- se de atividade autocorrigível pelo Blackboard. 7) Em sétimo lugar, verifique o material complementar da unidade, o qual contém uma reportagem sobre os preços cobrados em hotéis e passagens aéreas ao longo da Copa do Mundo, com foco em 2014. Bons estudos! Demanda individual e demanda de mercado 6 Unidade: Demanda individual e demanda de mercado Contextualização Maria: João, o que você faria se diminuísse o preço do quilo do pão francês pela metade? João: Eu ia comprar mais pão, maria. Maria: Nossa! Que falta de criatividade! João: Mais pão, pois meu poder de compra aumentou, maria. Maria: Hum... Então o pão é um bem normal? João: Para mim, sim. Ao longo do material didático, será possível entender a discussão entre João e Maria. Trata-se de um assunto relacionado aos conceitos de efeito-renda e efeito-substituição, que são frutos das alterações de preços de um dos bens analisados. 7 Introdução Cada pessoa possui uma reação ao ir a um supermercado quando se depara com preços mais altos de um produto. De fato, cada indivíduo possui uma elasticidade-preço da demanda particular. Da mesma forma, e até em função das diferentes escolhas que os indivíduos tomam, a curva de demanda difere entre os agentes. Ao caracterizar a relação entre preço e quantidade de um determinado bem ou serviço, a curva da demanda não precisa ser, e, na maior parte das vezes, não é, igual para os agentes econômicos, pois para cada um deles a variação de preços pode expressar um comportamento na variação na quantidade a ser adquirida. É partindo desse tipo de análise que esta unidade pretende revelar a curva de demanda individual de forma mais profunda, assim como revelar a curva de demanda de mercado. Entretanto, o caminho para isso reserva algumas “pedras”, que podem, entretanto, ser superadas com o olhar atento de um aspirante a economista. A fim de cumprir os objetivos centrais, esta unidade está dividida em oito seções, além desta introdução. As seções 1 e 2 apresentam a formação da curva de demanda individual a partir da curva de preço-consumo; as seções 3, 4 e 5 tratam das relações entre renda e quantidade demandada para um consumidor individual; a seção 6 mostra o comportamento esperado do consumidor quando existe alteração no preço de um dos bens envolvidos na análise a partir do efeito-renda e efeito-substituição; a seção 7 aborda a formação da curva de demanda de mercado a partir das curvas de demanda individuais; e, por fim, a seção 8 explica o conceito de excedente do consumidor e coloca algumas situações para melhor entendimento deste conceito. 8 Unidade: Demanda individual e demanda de mercado Aspectos iniciais sobre a curva de demanda individual O ponto de abertura da discussão em torno da formação da curva de demanda individual é a forma pela qual os indivíduos tomam escolhas. Pois bem, como cada um escolhe o que é melhor para si, com base em opções possíveis, este sempre maximiza a utilidade, limitado pela sua disponibilidade orçamentária. Assim, se a um consumidor for dada a renda e os preços dos diversos bens, ele terá, a partir de suas preferências, capacidade para escolher a cesta de consumo que maximiza sua satisfação. Entretanto, também é possível que se altere a renda e os preços dos bens, de modo que o indivíduo busque, a cada modificação, uma cesta ótima, ou seja, aquela que maximiza sua utilidade, diante da restrição orçamentária que lhe é imposta. É a partir dessas possiblidades de mudanças que se pode entender a formação da curva de demanda individual. Curva de preço-consumo e curva de demanda individual À medida que os preços dos bens se alteram, há mudança na linha do orçamento do consumidor, de modo que a cesta que maximiza a utilidade deste também se altera. A partir disso, imagine que existam dois bens, arroz (eixo X do gráfico 1A) e feijão (eixo Y do gráfico 1A), de tal modo que o consumidor tenha que escolher a cesta ótima em relação a estes bens. Caso ocorra uma diminuição no preço do quilo do arroz, a linha do orçamento apresentará um movimento de rotação entorno do eixo Y do gráfico 1A no sentido de diminuir a inclinação desta linha. Assim, a cada redução do preço do quilo do arroz, o consumidor terá um problema de maximização de utilidade distinto, pois terá sua cesta ótima modificada, uma vez que os indivíduos sempre preferem mais a menos. Ou seja, da mesma forma que pode obter, neste cenário, mais quilos de arroz, também pode comprar a mesma quantidade que anteriormente (situação inicial), e reservar recursos para a compra de mais quilos de feijão, modificando, assim, a cesta ótima de consumo. Portanto, se forem observadas as infinitas possibilidades de modificação de preços de um dos bens, o bem arroz no caso, então será possível obter infinitas cestas ótimas distintas também. O gráfico 1A salienta essa situação, em que se simula a modificação dos preços do quilo do arroz e há a marcação das várias cestas ótimas que podem ser obtidas ao longo das alterações. O trajeto formado por todos os pontos pelos quais as diversas cestas ótimas são demarcadas é denominado curva de preço-consumo. Formalmente, a curva de preço- consumo pode ser definida como a “[...] curva que apresenta as combinações de dois bens que são maximizadores de utilidade conforme o preço de um deles se modifica.” (PINDYCK & RUBINFELD, 2012, p. 100). 9 Ora, se a curva de preço-consumo descreve os pontosde quantidade de mandada por cada bem à medida que os preços se alteram, então por meio dela é possível encontrar a curva de demanda individual do bem que teve seus preços simulados com alteração (gráfico 1B). A curva de demanda individual “[...] relaciona a quantidade de um bem que determinado consumidor comprará com o preço desse bem.” (PINDYCK & RUBINFELD, 2012, p. 100). GRÁFICO 1A – Curva de Preço-Consumo para Arroz e Feijão GRÁFICO 1B – Curva de Demanda Individual para Arroz Observe que, a cada cesta ótima selecionada no gráfico 1ª, em que se constrói a curva de preço-consumo mediante alterações no preço do quilo do arroz, tem-se a formação das curvas de demanda individual, que expressa a relação entre diferentes preços e quantidades demandadas de um bem, no caso, o arroz (em quilos). A partir da curva de preço-consumo, é possível entender com facilidade a curva de renda- consumo, que será vista a seguir. 10 Unidade: Demanda individual e demanda de mercado Curva de renda-consumo Da mesma forma que a curva de preço-consumo descreve as infinitas cestas ótimas existentes em função das alterações nos preços dos bens, existirá uma curva relacionada às modificações na renda do consumidor. Trata-se da curva de renda-consumo. Formalmente, a curva de renda-consumo é a “[...] curva que apresenta as combinações de dois bens que maximizam a utilidade de um consumidor, conforme muda sua renda.” (PINDYCK & RUBINFELD, 2012, p. 103). Imagine que a renda de um consumidor aumente de 100 para 200 e de 200 para 300. Desta forma, a cesta ótima de consumo com a renda de 100 não será a mesma que a cesta ótima com as rendas de 200 e 300, pois agora é possível adquirir uma quantidade superior de itens em relação à situação inicial. Assim, a curva de renda-consumo irá descrever as infinitas cestas ótimas – combinação ótima entre arroz e feijão – à medida que a renda do consumidor for alterada. O aumento da renda provoca um deslocamento à direita da linha do orçamento, de modo que sejam alcançadas distintas cestas ótimas. O gráfico 2A exibe um exemplo de curva renda-consumo e o gráfico 2B mostra o comportamento de deslocamento da curva de demanda (para a direita) em função do aumento da renda (considerando por base que o arroz seria um bem normal). GRÁFICO 2A – Curva de Renda-Consumo para Arroz e Feijão GRÁFICO 2B – Curva de Demanda para Arroz com Variações na Renda do Consumidor – o Arroz como um Bem Normal Com base na explicação acerca da curva de renda-consumo, cumpre esmiuçar como seria o comportamento da curva no caso dos bens serem normais ou inferiores, o que será visto na próxima seção. 11 Curva de renda-consumo: considerações para bens normais versus bens inferiores As curvas de renda-consumo exibem algumas informações importantes relacionadas à elasticidade-renda da demanda e à constatação de se o bem é considerado normal ou inferior. Se considerarmos dois tipos de bens, smartphone e arroz, o bem que tiver a elasticidade- renda da demanda maior é aquele mais sensível a uma alteração na renda do consumidor. Dessa forma, um deslocamento na linha do orçamento de mesma magnitude, considerando dois bens distintos, pode promover um comportamento distinto na escolha ótima para o consumidor. Por exemplo, com base nos gráficos 2A e gráfico 3, é possível observar um comportamento distinto do caminho seguido pela curva de renda-consumo. No caso do gráfico 2A, o consumo do arroz revelou que este poderia ser considerado, para este consumidor, como um bem normal. Como se chega a tal constatação? Se o bem normal é aquele cuja quantidade demandada aumenta à medida que a renda do consumidor também se eleva, pelo gráfico 2A, é possível entender que o consumo do arroz aumentou com o aumento da renda – que provocou o deslocamento à direita da linha do orçamento – sendo visto, portanto, como um bem normal para este indivíduo. Por outro lado, para outros consumidores pode-se dizer que arroz, apesar de normal até determinado ponto, torna-se um bem inferior quando a renda atinge determinado patamar. Como se chega a tal constatação? Verifique que à medida que a renda do consumidor aumenta, a quantidade consumida do bem aumenta até o momento em que a linha do orçamento exibe a renda R$ 2.000. A partir dela, a próxima linha desenhada – renda de R$ 3.000 – mostra queda no consumo do arroz. GRÁFICO 3 – Curva de Renda-Consumo – Arroz como Bem Normal (renda até R$ 2.000) e Bem Inferior após Patamar de Renda 12 Unidade: Demanda individual e demanda de mercado A partir da análise realizada em relação ao bem ser normal ou inferior, pode-se dizer que, quando o bem é considerado normal a curva de renda-consumo exibe inclinação positiva, ao passo que, quando a curva de renda-consumo exibe inclinação negativa, o bem será considerado inferior. Importante! Relembrando conceitos... Elasticidade-renda da demanda: “[...] mede a variação percentual da quantidade de mercadoria comprada resultante de uma variação percentual na renda do consumidor, coeteris paribus.” (VASCONCELLOS & GARCIA, 2012, p. 73). Bem Normal: bem cuja quantidade demandada se eleva com aumento na renda dos consumidores (VASCONCELLOS & GARCIA, 2012). Bem Inferior: bem cuja quantidade demandada diminui com aumento na renda dos consumidores (VASCONCELLOS & GARCIA, 2012). 13 Curva de engel: relação entre renda e consumo A curva de demanda individual descreve a relação entre preços e quantidades demandadas por um consumidor individual para um determinado bem ou serviço. De forma semelhante, a curva de Engel também projeta quantidades demandadas, mas a relação é entre as quantidades demandadas e a renda do consumidor. Formalmente, as curvas de Engel são “[...] curvas que relacionam a quantidade consumida de uma mercadoria à renda.” (PINDYCK & RUBINFELD, 2012, p. 103). Observe os gráficos 4A e 4B, que apresentam exemplos de curva de Engel. O gráfico 4A exibe a curva de Engel para o Arroz, que é, neste caso, considerado por um consumidor (um consumidor X qualquer) como normal, pois, à medida que a renda aumenta, a quantidade demandada também aumenta. Por outro lado, o gráfico 4B exibe uma curva de Engel para um bem (arroz) que é considerado para outro consumidor (um consumidor Y qualquer) como normal até certo ponto de renda (por exemplo, os R$ 2.000 comentados anteriormente) e inferior. GRÁFICO 4A – Curva de Engel – Arroz como Bem Normal para um Consumidor X GRÁFICO 4B – Curva de Engel – Arroz como Bem Normal e como Bem Inferior em Determinado Patamar de Renda Assim, como explicado no caso da curva de renda-consumo, é possível que um bem seja considerado normal até certo patamar de renda e passe a ser considerado inferior a partir dele. Assim, o formato da curva de Engel será incialmente inclinado positivo e, a partir de um 14 Unidade: Demanda individual e demanda de mercado ponto específico de renda, será negativamente inclinado (gráfico 4B).Efeito-renda e efeito-substituição Ao se realizar uma modificação nos preços de um dos bens, pode-se dizer que iria ocorrer somente uma mudança de inclinação na linha de orçamento. Na realidade, a análise da modificação na linha do orçamento vai além. Dois fenômenos podem ocorrer, simultaneamente, com a alteração nos preços de um dos bens: o efeito-renda e o efeito substituição. Para iniciar a discussão, é importante realizar algumas reflexões. Se existem dois tipos de bens, A e B, então, se o preço do bem A reduzir-se, o consumidor poderá consumir mais bens do tipo A, por estarem mais baratos, como também terá seu poder de compra elevado em função da queda do preço. Nesta análise, temos o efeito-substituição e o efeito-renda. O efeito-substituição é simbolizado pelo que fato de, com a redução dos preços de um dos bens “[...] os consumidores tenderão a comprar mais do bem que setornou mais barato e menos das mercadorias que se tornaram relativamente mais caras.” (PINDYCK & RUBINFELD, 2012, p. 107). Já o efeito-renda é apresentado da seguinte forma: “[...] pelo fato de um dos bens ter-se tornado mais barato, há um aumento do poder de compra dos consumidores.” (PINDYCK & RUBINFELD, 2012, p. 107). A seguir serão apresentados três casos para o bem arroz, de modo a haver a compreensão sobre o efeito-renda e o efeito-substituição. Trata-se do (1) o arroz ser normal, (2) arroz ser inferior e (3) arroz ser um bem de Giffen. Independentemente do caso, o efeito-substituição terá sempre o mesmo sentido, qual seja, o de tender a se comprar mais do bem que se tornar mais barato. Diz-se, assim, que o efeito- substituição é sempre positivo por estimular o consumo do bem que teve redução de preço. No caso do exemplo tradicional arroz, ao diminuir o preço do arroz, o consumidor tenderá a comprar algumas unidades a mais deste bem que se tornou mais barato. Por outro lado, o efeito- renda – ser positivo ou negativo – dependerá do bem ser normal, inferior ou de Giffen. Considerando o arroz como um bem normal, a redução do preço dele ocasionará um aumento do poder de compra do consumidor – aumento real da renda –, de modo que irá adquirir mais quilos de arroz – como também nada impede de adquirir, simultaneamente, mais unidades de outros bens. Nesse caso, o efeito-renda é positivo, assim como o efeito-substituição, de modo que os dois efeitos se somam para promover o aumento do consumo de arroz. Considerando o arroz como um bem inferior, apesar do efeito-substituição apontar maior consumo dele, ao mesmo tempo, o efeito-renda aponta o caminho inverso, que é o de reduzir o consumo do bem que apresentou aumento do poder de compra, como se a renda do indivíduo tivesse aumentado. Lembre-se de que, para um bem inferior, quando a renda do indivíduo aumenta, a quantidade demandada pelo bem diminui. Entretanto, mesmo com o efeito-renda “jogando” no sentido contrário ao consumo do bem – efeito-renda negativo –, o efeito-substituição positivo ainda seria superior a este efeito-renda negativo, de modo que, com a redução do preço do arroz, por exemplo, ainda haveria certo aumento do consumo deste. Considerar o arroz como um bem de Giffen seria o mesmo que considerar o arroz como um bem inferior, sendo que o efeito-renda seria expressivamente negativo o suficiente para superar o efeito-substituição positivo, de modo que o indivíduo, ao verificar um preço menor no quilo do arroz, reduziria a quantidade demandada com a queda do preço do bem. Atenção Para um bem de Giffen, a lei da demanda não é válida. No caso do bem de Giffen, quando se reduz o preço de um bem há diminuição da quantidade demandada. Assim, a curva de demanda teria inclinação positiva, assim como a tradicional curva de oferta. 15 Demanda de mercado A partir da escolha ótima de um consumidor a cada preço possível de um dos dois bens envolvidos no estudo cria-se a curva de preço-consumo. A curva de preço-consumo, ao mesmo tempo, desenha a curva de demanda individual e, somando a curva de demanda individual de todos os consumidores, é possível criar a curva de demanda de mercado. Por exemplo, imagine a existência de cinco indivíduos e a quantidade de quilos de carne a serem consumidos de carne a cada preço no mercado. A tabela 1 descreve cinco consumidores – A, B, C, D e E – os quais possuem distintas curvas de demanda individual. A soma de cada uma das curvas individuais forma a curva de demanda do mercado. TABELA 1 – Curva de Demanda Individual e Curva de Demanda de Mercado Quantidade Consumida por mês de Carne (em quilos) Preço (em R$ por quilo) A B C D E Total 25,00 4,0 7,0 10,0 15,0 6,0 42,0 30,00 2,5 4,0 7,0 14,0 5,0 32,5 35,00 1,0 2,5 5,0 13,0 4,0 25,5 40,00 0,5 1,5 4,0 12,0 3,0 21,0 45,00 0,0 1,0 3,5 11,0 1,0 16,5 50,00 0,0 0,0 3,2 10,0 0,0 13,2 O gráfico 5 apresenta a curva de demanda do mercado de carne, com base nos valores apresentados na tabela 1. GRÁFICO 5 – Curva de Demanda do Mercado de Carne Preço da carne (em R$ por quilo) 40,00 35,00 30,00 25,00 13,2 16,5 21,0 25,5 Quantidade Consumida de Carne (em quilos) 45,00 50,00 32,5 42,0 A seguir, será revelado o quanto o mercado deixa de extrair de ganhos do consumidor quando pratica o preço de mercado para todos os consumidores e permite sugerir formas de extrair o que o consumidor estaria disposto a gastar para adquirir os bens que deseja. 16 Unidade: Demanda individual e demanda de mercado Excedente do consumidor O equilíbrio de mercado ocorre no encontro entre a curva de oferta e a curva de demanda de mercado. A diversidade de curvas de demandas individuais aponta uma conclusão óbvia: a de que existem consumidores que aceitariam adquirir determinada quantidade de bens a um preço mais elevado que outros. Por exemplo, uma consulta médica pode custar em média 200 reais. Diante desse preço, existem pessoas que preferem não ir ao médico e outras que pagariam muito mais para tentarem resolver problemas de saúde. Assim, o preço de mercado capta a média aceita pelos consumidores em confronto com os ofertantes disponíveis no mercado. O termo excedente do consumidor é definido como a: “[...] diferença entre o que um consumidor está desejando pagar por certo bem e o que efetivamente paga.” (PINDYCK & RUBINFELD, 2012, p. 117). Apesar de a média do mercado poder ser, hipoteticamente, de 200 reais por consulta, o médico poderia melhorar sua receita tentando obter esta “diferença” que é comentada para explicar o termo excedente do consumidor? A resposta é: sim. Como? Imagine que ele tivesse dois consultórios: um em bairro nobre e outro em bairro popular da cidade. Se o médico quisesse obter o máximo de ganho poderia cobrar, por exemplo, 400 reais no bairro nobre e 200 reais no bairro popular. Assim, o médico poderia extrair o que as pessoas pagariam a mais do que o preço de equilíbrio no bairro nobre e não perderia os pacientes do bairro popular. Buscar no bairro nobre obter ganho de 400 reais ao invés de 200 reais é o mesmo que captar parte do excedente do consumidor. No limite, o médico poderia captar todo o excedente do consumidor se soubesse qual o preço máximo que cada paciente estaria disposto a pagar acima do preço de equilíbrio de mercado para ser atendido com a discriminação de preços. A tabela 2 contém algumas possibilidades de preços e quantidade de pacientes. Tabela 2 – Relação entre Preço da Consulta, Quantidade de Pacientes e Excedente do Consumidor Preço da Consulta Quantidade de Pacientes Preço de Equilíbrio de Mercado (por consulta) Excedente do Consumidor (para cada paciente) 1300 00 200 1100 1200 10 200 1000 1100 20 200 900 1000 30 200 800 900 40 200 700 800 50 200 600 700 60 200 500 600 70 200 400 500 80 200 300 400 90 200 200 300 100 200 100 200 110 200 0 100 120 200 - 17 Pela tabela 2, pode-se verificar o cálculo do excedente do consumidor para cada paciente que aceitasse ser consultado ao preço dado pelo médico. Caso o médico opte, por exemplo, cobrar 900 reais de um determinado paciente, o qual o médico sabe que ele pagaria no máximo estes 900 reais pela consulta, então o médico teria captado todo o excedente deste consumidor, ou seja, o preço além do equilíbrio de mercado (200 reais). Sendo assim, o excedente deste consumidor seria de 700 reais. O mesmo vale para os demais pacientes. Por exemplo, um paciente que aceitasse no máximo 300 reais e o médico identificasse isto, este poderia obter 100 reais de excedente do consumidor, ou seja, 200 reais do valor da consulta mais 100 reais além do preço de mercado.GRÁFICO 6 – Excedente do Consumidor e Receita de Mercado de Consultas Médicas Preço da Consulta (em R$) Quantidade de Pacientes11010 20 200 1100 12001300 Observe o triângulo mais escuro presente no gráfico 6. Ele indica todo o excedente de todos os pacientes. Parte-se do preço de R$ 1.300,00 – no qual, não há pacientes – até R$ 200,00, que é o preço de equilíbrio de mercado. Por exemplo, pelo gráfico 6, ao cobrar R$ 1.200,00 do 10º paciente, estaria extraindo todo o excedente deste paciente, ou seja, R$ 1.000,00 de excedente do consumidor; o 20º paciente pagaria no máximo R$ 1.100,00, de modo que estaria extraindo o todo o excedente deste consumidor ao cobrar tal valor, ou seja, R$ 900,00 e assim por diante. Para calcular o excedente total dos consumidores sem precisar encontrar o excedente de cada indivíduo, basta calcular a área total do triângulo do gráfico 6. O triângulo está situado na área acima do preço de equilíbrio de mercado e abaixo da curva de demanda de mercado, que aponta, para cada nível de preços, qual a quantidade de pacientes que poderiam ser captados. 18 Unidade: Demanda individual e demanda de mercado Calculando a área do triângulo: ( ) ( ) 110 0 1.300 200 Excedente do consumidor 60.500 2 2 xbase xaltura reais − − = = = O cálculo do triângulo indica que, se fosse captado todo o excedente de cada consumidor, o médico poderia receber 60.500 reais além do preço de mercado. O médico poderia receber 200 reais para consultar 110 pacientes e obteria um ganho de 22.000 reais, mas se, ao invés disso, discriminasse os pacientes de forma perfeita, poderia obter um ganho de 22.000 reais mais 60.500 reais, totalizando uma receita de 82.500 reais. O cálculo de receita total ao preço de mercado pode ser realizado pela multiplicação entre preço de mercado e quantidade demandada ao preço de mercado – no exemplo acima, R$ 200,00 x 110 pacientes. Pelo gráfico, esse cálculo é o mesmo que a área do quadrado abaixo do triângulo do excedente do consumidor. Se, ao invés disso, objetivar-se calcular a receita total a discriminação de preços para captação do excedente do consumidor, o cálculo da receita total será a soma do triângulo do excedente do consumidor somado ao quadrado abaixo desse triângulo. A questão do excedente do consumidor é algo que pode ser encontrado em qualquer mercado. Por exemplo, algumas lojas no comércio podem impor determinado valor em um produto, acima do preço de equilíbrio e, no contato com os clientes, perceberem o quanto eles estariam dispostos a pagar. À medida que um determinado cliente pechinche o preço, o comerciante poderá entender qual o preço máximo que o cliente estará disposto a pagar. Se o preço máximo desse cliente estiver acima do preço de mercado, a loja terá captado o excedente do consumidor. Por outro lado, se o máximo que o cliente pagaria é o próprio preço de equilíbrio de mercado, o excedente do consumidor será igual a zero, pois ele não estaria disposto a pagar nada além do preço de mercado por determinada mercadoria. Considerações Finais Esta unidade teve a pretensão de aprofundar a escolha ótima do consumidor com a expansão de várias cestas ótimas que formaram a curva de demanda individual e a curva de Engel. A partir da curva de demanda individual, foi possível encontrar a curva de demanda de mercado. Para finalizar, a unidade apresentou o conceito de excedente do consumidor, preocupando-se mais com a curva de demanda do mercado para apontar como os ofertantes poderiam extrair receita total superior à prática convencional de preços de mercado. 19 Material Complementar Vídeos: A leitura complementar aborda o conceito de excedente do consumidor a partir da aplicação dos preços cobrados em hotéis e passagens aéreas ao longo da Copa do Mundo. http://goo.gl/eSNlXh 20 Unidade: Demanda individual e demanda de mercado Referências PINDYCK, R. S.; RUBINFELD, D. L. Microeconomia. 6. ed. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2005. VASCONCELLOS, M. A. S.; ENRIQUEZ GARCIA, M. Fundamentos de Economia. 4. ed. São Paulo: Saraiva, 2011. VARIAN, H. R. Microeconomia: Princípios Básicos. 6. ed. Rio de Janeiro: Campus, 2005. 21 Anotações