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SEÇÃO 6
FISIOLOGIA GASTROINTESTINAL
C A P Í T U L O
42
VISÃO GERAL DO SISTEMA GASTROINTESTINAL
Raul Manhães-de-Castro
Sônia Maria Oliveira Cavalcanti Marinho
Fisiologia gera l do aparelho digestório
Estrutura do siste ma digestó rio
Estrutura geral
Cavidade ora l e faringe
Esôfago
Estômago
Intestino delgado
Intestino grosso
Estruturas anexas
Glândulas salivares
Pâncreas
Fígado e vesícula biliar
Inervação
Inervação extrínseca
Inervação intrínseca
Hormônios gastro intestinais
Hormônios gastroin testinais
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FISIOLOGIA GERAL DO APARELHO DIGESTÓRIO
A nutri çã o é carac terí stica ima nente d a vi da. De sde o s sere s unice lular es ma is pri mitivo s até aq ueles pluric elula res mais
compl exos, a obte nção d e matér ia do meio a mbie nte é fa tor imp erati vo de s uas ex istênc ias. P ode -se a firmar q ue não exi stiria
vida s em n utriçã o e ne m nutr ição se m a pre sença dos seres vivo s, tai s quai s co ncebemo s atua lment e.
As substâncias capazes d e fornecer elementos es senciais e energia para manutenção das atividades vitais estão contida s nos
alimentos. Os a limentos devem satis fazer as necessidades d e manutenção, cresci mento, trabalho e r estauração dos tecidos vi vos.
De acordo com suas fontes, os alimentos podem ser classificados em: animais (carne, leite, ovos, banhas), vegetais
(leguminosas, cere ais, açúcar , óleos) ou minerais ( sais e água). Os ali mentos se cons tituem de substâncias quí micas mais
simples, denominadas nutrientes. E stes se classificam em: p roteínas, lipídios, carboid ratos, vita minas, sa is, água etc., os quais
participam de funções e specíficas no organismo, tais co mo fornecimento de energia metabólica, síntese de moléculas, rep aro de
tecidos e regulação de reaçõ es orgânicas. O s nutrie ntes são ainda classif icados e m energéticos (lipídios, ca rboidratos, p roteínas),
construtores (p roteínas, carb oidratos, lip ídeos e alguns sais ) ou reguladores (vita minas, s ais, ág ua). E m geral, os nutrientes no
organismo não são e xclusivamente ener géticos, co nstrutores ou reguladores. Cada um d eles realiza melhor sua função quando
associado a outros. Além de serem fonte de nutrientes, há alimentos que possuem outras propried ades benéficas para o
organismo. Desta evidência surge o co nceito de alimentos funcionais, q ue pode m ser usado s com fins terapêutico s. Destaca m -
se, por exemplo, as fibras dos alimentos q ue interferem na digestão e absor ção d os nutrientes po r alterarem a velocidade do
trânsito intestinal. Ad emais, no intestino grosso, essas fibras constituem -se em substratos p ara a microbiota ali presente.
Para suprir suas necessidades estruturais e funcio nais, os organismos vivos selecio nam os ali mentos d o meio a mbiente. Nos
animais s uperiores, a visão, o olfato, a gustação e o utros sentid os são capazes de cap tar informações que interage m e participa m
dessa escolha. Esse contato inicial do indivíduo co m su a refeição prepara também as ações dige stivas futuras de seu organismo
sobre o alimento ingerido. O início e o término da ingestão, duração e quantidade ingerid a são determinados po r complexa
relação entre o pro cessamento de variávei s do meio interno, fato res psicobioló gicos e estímulos proveniente s do ambiente (a
esse prop ósito, recomendamos o texto de Oliveira et al. [2011], Galindo et al. [2015 ] sobre co mportamento alimentar ne onatal).
A procura pelo ali mento be m co mo s ua ingestão são atos voluntários. O controle desses atos e nvolve sensações conscientes,
sinalizadoras da necessidade de iniciar (fo me) ou de para r a alimentação ( saciação). É conveniente lembrar que sa ciedade
correspo nde ao período em que não oco rre manifestação da fome entre duas refeiçõe s.
Os al imen tos in ger id os de vem ant es ser t ran sfo rma do s pe lo tr ato gast ro int est inal par a q ue po ssa m se r uti liz ado s p el o
or gan ismo . A dige stã o é a tran sfo rma ção d as subs tânc ia s compl exa s conti da s n os alimen tos e m s ubs tânc ia s mais s imple s
adeq uad as à abso rçã o e ass imil açã o no orga nis mo.
A d iges tão e a absorç ão de nutr ie ntes de pe nde m de pro ce sso s sic os e q mico s q ue envol vem ati vid ad es motor a e
sec re tor a d o sist ema di ges tór io. O s mo vime nto s ga str oi ntes tina is , gr aça s à a ção da mus cula tur a do tub o d ige stó ri o, d eslo ca m
o co nteú do a limen ta r e o mis tur a co m su co s d ige sti vos . O bo lo ali menta r é e ntão atac ad o p or e nzima s e c o - fato re s cuj as
ati vid ad es são fa vor eci da s no tubo di ges tóri o pe la ag ita ção mec ânic a. O trab alh o do sis te ma d ige stó rio en vol ve funçõe s e
ões , ta is co mo: (1 ) mast iga çã o, d egl utiç ão e movi me nto s d e mis tu ra e p rop ulsã o do al ime nto a o l ong o d o tub o dig est ór io
(T abe la 4 2.1 ); ( 2) sec reç ão de su co s di gest ivo s e , po r mei o d as enz imas , d ige stã o do s a lime nto s (T ab el a 42 .2) ; (3 ) abs or ção
do s nutr ien tes , um p ro ces so lento e sele tivo que req uer o movi ment o con tro lad o do bo lo so bre as p ared es ab so rt ivas; ( 4)
cir cul ão do san gue e linfa a tr avés dos ó rgã os d o tubo d iges rio p ara o tra nsp ort e da s s ubs tânc ia s sec re tad as e ab so rvid as ;
(5 ) eli minaç ão d os p rod uto s r eman esc ent es d a d ige stã o; (6 ) int egr ação , co ord ena ção e r egul ão d as fu nçõ es dig est ivas ,
ati vid ad es rea liz ad as por um sist ema neuro end óc rin o intrín sec o do sist ema di gest óri o. O proc ess o dige stiv o conver te o
gra nde núme ro d e a l iment os de fo nte e co mpo siç ão d iver sas e m s ubst ânc ias s imp les , q ue lo go são ab so rvi das. P eq uen a
qua nti da de de pr od uto s re siduai s da d ige stã o é el iminad a na s fez es. O lúme n do tubo d iges tór io est á t ota lment e iso la do e fo ra
do meio i nter no . As si m, a ma ior ia d os prod uto s d e e xcreç ão d o meio int er no é eli mina da p elo s r ins e pe los pu lmõe s e não
pe las fe zes . Est as, po rt anto , compõ e m -se d e mate ri al não abso rv ido , mas pr inci pa lment e d e b act éri as, fr agme nto s d e ep ité lio
inte sti nal , pig me nto s e p eq uenas q uant id ade s de sai s.
ESTRUTURA DO SISTEMA DIGESTÓRIO
Estrutura geral
A est rut ura e a funç ão do ca nal a li menta r var ia m ent re as d ife re nte s esp éci es de ma mífe ro s, d epe nde nd o d os a liment os
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consu mid os. O Homo sapie ns é u ma espé cie onívo ra , a ssi m, con some d ie ta mista d e ori gem ani mal e veget al. O s ist ema
di gest ó rio hu mano é co nsti tuí do p elo t ubo di ges tór io e po r a lgun s ór gão s ace ssó rio s (Fi gura 42. 1). O t ubo di ges tór io ini cia -se
na c avi dad e or al e i ncl ui a fa rin ge, o esô fag o, o estô mag o, o inte sti no d el gado e o int est ino gro sso . Ass oc iad as a o tub o
di gest ó rio es tão as glâ ndu las sa liva re s e a s p orç ões e xócr inas d o p ânc rea s e do fíga do .
A e strutura do tubo diges tório tem aproxi madamente o mesmo arranjo ao lo ngo de to da sua extensão, sob retudo a partir do
terço inferior d o esôfago. Tomando -se como exe mplo um cor te transversal (Figura 42.2) do intestino d elgado, podem -se
identificar quatro ca madas principais: mucosa, submucos a, muscular e ser osa. Depen dendo do segmento gastrointestinal,
algumas características das ca madas pode m variar.
A ca mada muc o sa se s ubdivid e em epité lio, lâmin a próp ria e musc ular da muco sa. O epi télio p rovê uma bar reira s eleti va
entre o co nteúdo do lúme n do c anal aliment ar e o me io inter no; sinte tiza e se creta e nzima s para a d iges tão do s ali mentos ;
absor ve os prod utos fina is da di ges tão ; prod uz muco e secr eta par a o san gue hormônio s q ue es tão e nvol vidos na re gulação da
função do tubo dige stório . in úmera s g lândula s mucosa s un icelul ares, deno minad as cél ulas muco sas o u cal icif or mes , no
revest imento ep itelia l d e to do o tubo digest ório. E m re sposta à irr itação o u es timul ação local, essas células exp ele m muco
sobre o ep itélio , lubri ficando -o e prote gendo -o co ntra e scoriaçõ es. Alé m de atuar co mo re vesti mento pro tetor da mucosa, o
muco exerce ação lubr ific ante, faci litando o t rânsito do ali mento . Po r q uase tod o o tubo dige stório , é possí vel e ncontr ar célu las
entero en dó cr ina s , pro dutor as d e hormô nios (T abela 42 .3) , lo cali zadas pr óxi mo à mem brana ba sal do ep itél io. Ess as lulas
compõe m o sis tema ne uroe ndócrino d ifuso e não estão distrib uída s uni forme mente ao longo do t ubo dige stór io. As células
fonte são enco ntrada s na c amada basa l do ep itélio do esô fago, no c olo das glâ ndulas gás trica s, na par te i nferio r da s glând ulas
do inte stino d elgado e da s glând ulas do int estino gross o. Der ivada s po r mit ose d e cél ulas fo nte, novas c élula s são gerada s e
subst ituem aq uela s q ue co nti nuame nte se des cama m do e pitél io. A lâ mina pró pria é a me mbran a ba sal onde as célula s
epite liais rep ous am. Compon entes do sistema imunológ ico estão freq uente mente as sociad os à mina própri a. Elemento s
imuno lógi cos, tais como li nfonodo s ( um do s síti os da resp osta imune esp ecí fica), linfóc itos (cél ulas circ ulante s) e macró fagos
(cél ulas resid entes) pro tege m o tubo di gestór io c ontr a a eve ntual inv asão de micr organ ismos pató ge nos. N a mina próp ria
prod ução ati va pelo s plas mócito s, pri ncipal mente, d e i munoglo bulin a A (I gA) secr etóri a (resi stente à s enz imas d igesti vas). A
musc ular da muco sa é uma delgada camad a de múscu lo liso . Ela p romo ve o mo viment o indep ende nte da mucos a em re laç ão
ao tub o dige stório , au menta ndo o co nta to das célu las ab sorti vas co m o s nutri entes.
A camada submucosa é co nstituída po r tecido conjuntivo, vasos sanguíneos, va sos lin fáticos e diversas glândulas e xócrinas.
Essas glândulas possue m ácinos com células secr etor as e ductos que dese mbocam no lúmen do tubo d igestório.
As ca madas musculares lisa s compreendem a t única interna, constituída de fibras circ ulares, e a túnica externa, de fibras
longitudinais. Somente no est ômago apar ece uma terceira túnica, mais inter na, de fibras oblíquas. Fibras musculares lisas do
tipo unitário constitue m a musculatura d o tubo digestório, ex cetuando -se faringe, p arte do esôfago e esfíncter anal exter no, todo s
estes co mpostos por sculos estriados. A partir do estômago, a musculatur a lisa te m a capacidade de produzir co ntrações
tmicas espontâneas na ausência de estímulos nervosos ou hormonais. A o rientação circu lar, longitudinal o u mesmo ob líqua (no
caso do estômago) dessas fibras musculares é a base par a a produção dos movimento s do tubo digestório.
A ca mada serosa é co mposta por células ep iteliais e tecido conjuntivo, constituindo o revestimento externo do tubo
digestório. Não existe camada serosa no esôfago, em parte do duod eno e no segmento distal do reto.
Além dessas ca madas, pode-se observar red es de axônios e de gânglios a utonômicos: u ma d essas redes, localizada entre a
submucosa e a camada de músculo circular, é o plexo submucoso ou de M eissne r; e outra, entre as túnicas circular e
longitudinal das camadas musculares, é o plexo mioentéric o ou d e Auerbach. E ntre a ca mada muscular e a serosa encontra -se
o plexo subseroso. Esse s plexos nervosos intramura is estão presentes ao longo de todo o canal ali mentar. É p or intermédio d e
seus neurônios que se pro cessa o controle nervoso da motilidade, d as secreções gastrointe stinais e do pr ocesso digestivo em si.
Cavidade oral e faringe
A digestão co meça na cavidade oral, onde os ali mentos são misturados à sali va, triturados e fragmentados p ela ação da
mastigação. Uma vez formado o bolo al imentar, este será ent ão deglutido.
Na b o c a , o ep it él io da c a ma da muco sa é do ti po est ra ti fi ca do pa vi men to so o -q ue r at in iz ad o, t ip o e ste qu e é ta mb é m
enc o ntr ad o na fa ri n ge e no e fa go . A l â mi na pr óp ri a d a m uco s a da b oc a apr es e nta p a pil a s c o nj un ti va s se me lha nt es à s d a
pe le, co nt i nua -se co m a s ub muc o sa, o nde o o bs er va da s p eq ue na s glâ nd ul as sa li va re s. O t eto da bo c a é fo rm ad o p el o
pa la to. No pa la to duro (p o ão ant eri or ), sob re o tec id o ósse o, rep o usa dir et a men te a muco s a. O pa la to mol e (p or ção
po ste r io r) é c o nst it do , ao ce ntr o, p or mu sc ul at ur a es tr ia da e sq ue ti ca e a pr e se nta, na c a mad a s ub muc o sa, n ume ro sa s
gl ând u la s s al iv ar e s.
Ainda no inter ior da cavidade oral a língua que partici pa tanto da seleção dos alimentos pelo organismo, por meio do