Logo Passei Direto

A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
13 pág.
A realidade do sistema prisional no Brasil

Pré-visualização|Página 1 de 13

A REALIDADE DO SISTEMA PRISIONAL NO BRASIL: Um dilema entre as
penas e os direitos humanos
GT 7 Conflitos, Direitos Humanos e Segurança Pública
Autoras
Josiane Marques
Lindalva Barreto
Ludmila dos Santos
Solange Silva P. Santos Santos
Valdicleide Dias Mato Grosso
RESUMO:
Este trabalho trata-se de uma análise do sistema sócio jurídico com recorte sobre o
sistema penitenciário brasileiro frente às pr evisões contidas na Lei de Execução
Penal, fazendo um res gate histórico do surgimento das prisões, sua utilização como
pena propriamente dita e a realidade atual dos presídios com foco no processo de
ressocialização como forma de garantir a reabilitação dos detentos levando em
consideração a p romoção dos Direitos Humanos. Para tanto, traça um par alelo entre
o que se encontra na Lei de Ex ecução Penal, onde estão ex pressos os direitos e os
deveres dos condenados e dos presos provisórios e o que de fato são efetivados, um
enfoque entre a realidade e a previsão normativa.
Palavras-chave: Direitos Humanos; sistema pen itenciário; ressocialização, Lei de
Execução Penal.
Trabalho apresentado no V Seminário d a Pós Graduação em Ciê ncias Sociai s: Cult ura,
Desigualdade e Desenvol vimento - realizad o entre os d ias 0 2, 0 3 e 04 de dezembro de 2015, em
Cachoeira, BA, Brasil
 Josiane Marques (Univer sidade Federal do Recôncavo da Bahia UFRB, e- mail:
josiane.markes@hot mail.com); Lindalva Barr eto (Universidade Fed eral do Recôncavo da B ahia
UFRB, e-mail: - UFRB, e-mail: lyndybarreto@g mail.com); Ludmila d os Santos (U niversidade
Federal do Recôncavo da B ahia UFRB, e-mail: ludmile@hot mail.com); Sol ange Silva P. Santos
(Universidade Federal do Recôncavo da Bahia UFRB, e-mail: solangecruz5@hot mail.com);
Valdicleide Ma to Grosso (Uni versidade Feder al do Recôncavo da Bahia UF RB, e- mail:
kekeudiaz_14@hotmail.co m).

INTRODUÇÃO
Considerando que a pena de prisão tem por objetivo a proteção da sociedade
contra o crime, ent ende-se também que esse objetivo só pode ser alcançado se
quando, durante o processo de reclusão, ao preso sejam proporcionadas condições
mínimas no qual ele compreenda que, após o cumprimento da pena, ao reingressar
na sociedade, o mesmo terá que, não somente respeitar a lei, mas principalmente de
auto sust entar-se diante da sociedade. Desta forma, o preso terá como direito as
condições que possibilitem o seu processo de ressocialização.
Essas condições, referentes ao processo de ressocialização, estão li gadas
diretamente aos dive rsos inst rumentos de Direitos Humanos que são obser vados no
tratamento a s er dado às pessoas privadas de su a liberdade. Esses direitos, além de
estarem contidas nos princípios legais dos Direitos Humanos, como a Declaração
Universal dos Direitos Humanos, o Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e
Políticos, encontram-se detalhados em vários outros instrumentos internacionais, dos
quais o Brasil é membro, como também, nos nacionais, que tratam especi ficamente
de pessoas presas e em condições de detenção.
Entre esses instrumentos destaca-se aqui, os Estatutos Penitenciários e a Lei
de Execução Penal (LEP) onde no Capítulo IV Dos Deveres, dos Direitos e da
Disciplina - Art. 41 constituem direitos como: alimentação suficiente e vestuário;
atribuição de trabalho e sua remuneração; assistência materi al, à s aúde , jurídica,
educacional, social e religiosa; entre outros.
O discurso jurídico penal brasileiro apresenta uma ideologia no qual, as
palavras chaves são prevenção, retribuição e ressocialização, mas numa melhor
compreensão sobre o si stema prisional, o que podemos observar é que apenas a
palavra retribuição faz parte do contexto. Assim, o sis tema penitenciário brasileiro é
alvo de críticas por parte da sociedade, organizações nacionais e mesmo
internacionais de Direitos Humanos, pelas suas deficiências que ao invés de
proporcionar a ressocialização dos presos, acaba por aumentar o número de
infratores e reincidentes.
HISTÓRICO DO SISTEMA PRISIONAL
Em tempos atrás, os réus não eram condenados especificamente pela perda
da liberdade por al gum período. Er am punidos com morte, suplício, açoite,

amputação de membros, trabalhos forçados, etc. Para viabilizar a punição imposta,
permaneciam presos durante um período ne cessário enquanto aguardava o
julgamento. Assim, o en carceramento era um meio, não o fim da punição . Nesse
contexto, não existia preocupação com a qu alidade do recinto nem com a própria
saúde do prisioneiro.
A partir do século XVIII, a pris ão torna-s e, então, essência do sistema
punitivo. A finalidade do encarceramento passa a ser isolar e recuperar o infrator. O
atual cárcere insalubre, capaz de fazer adoecer seus hóspedes e matá -los antes da
hora, como sim ples acessório de um processo punitivo baseado no tormento físico,
apresenta a ideia de um estabelecimento públi co, severo, re gulamentado, higiênico,
intransponível, capaz de prevenir o delito e ressocializar quem o comete.
O processo passa por uma mudança hist órica significativa, ainda que muitas
vezes essas últimas características estejam asseguradas no papel, por isso,
geralmente, o desenvolvimento da prisão é associado ao humanismo.
O sistema prisional atual, ao invés de proporcio nar a r eabilitação do preso,
acaba por criar novos infratores, mais violentos e revoltados com a sociedade. A
falta de projetos de ress ocialização para os d etentos e a própria infraestrutura dos
presídios torna o cárcere um ambiente vulnerável e propício à proliferação d e
doenças e epidemias e to do tipo de de gradação h umana, quando d everia oferecer as
devidas assistências previst as na lei, que visa a garantia mínima do s Direitos
Humanos. Assim:
O sentimento de injustiça que um prisioneiro experimenta é uma
das causas que mais pode tornar i ndomável seu caráter. Quando se
vê assim exposto ao sofrimento que a lei não ordenou nem mesmo
previu, ele entra em estado habitual de cólera contra tudo que o
cerca; carrascos em todos os agentes de autoridade: o
pensa mais ter sido culpado, acusa a própria justiça (FOUCAULT,
2009, p 252).
Essa falta de compromisso do poder públi co, de ntre tantos outros problemas,
demonstram o fracasso d o atual sistema penitenciário brasileiro. Ess a sit uação crítica
que são submetidos os presos, sem que ocorra de fato a ressocialização e, portanto,
incentivando ao retorno à criminalidade, nos leva a observar o descaso com os direitos
humanos. “A prisão tor na possível, ou melhor, favorece a organização do meio de
delinquentes, solidários entre si, hierarquizados, pronto para todas as cumplicidades
futuras” (FOUCAULT, 2009, p 222).

Quer ver o material completo? Crie agora seu perfil grátis e acesse sem restrições!