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INFECÇÕES BACTERIANAS I Módulo 13. 2 P rof .: An dreia Nappo
Romário Pere ira Medi ci na UFMA - 2019. 2
Doe a Me ningocócica, infe ão do trato urinário, pne umon ia
LEUCOG RAMA: Infe cçõe s bacterianas ( EXTRA)
A contage m dife re ncial, q ue é ob tida após coloração de e sf regaço de sangue , constitui a f órmula le ucocitária na qu a l
são e ncontrados os s e guinte s v alore s:
N e utrófilos. S ão le ucócitos mais nume rosos ( 60 65%) ;
Eosinóf ilos. Corres ponde m a 2 4% dos leu cócito s dos e sf regaços;
Basóf ilos. São lulas raras (0 1%) ;
Linfó citos. Pre se nte s e m 20 30%;
Mon ócitos. P re se n tes e m 4 8% ;
Plasmócitos. São muito raros na circulão ( 0 1% ) .
As inf e õe s são as causas que mais fre que n temente de terminam le ucocitose, pod e ndo aconte ce r à custa de
ne utrof ilia ou d e linf ocitose ou monocitose . De modo ge ral, as inf e cçõe s bacte rianas causam ne utrof ilia acen tuada,
com aume n to dos se gme ntados e b aston e te s, assim como o de saparecime nto dos e osinóf ilos circulante s. Ne ss e s
casos, pod e m se r e ncontradas células mais j ove n s na circulão, como me tamie lócitos, mielócitos e promie lócitos.
Em condiçõe s no rmais, e ssas lulas são re stritas à me du la ósse a e apare ce m no sangue quando um
e stímulo ou solicitação maior. Dá- se o nome de de sv io à e squ e rda quando tais lulas são e ncontradas n a circulão .
Ne s se caso, ocorre uma red ão re lativ a dos linf ócitos (linf ope nia re lativ a).
E, algumas circunstâncias o de sv io à e squ e rda é tão inten so qu e pode h ave r leu cocitose acen tuada e
apare cimento d e células nucleo ladas ( mi eloblasto) e m circulão. Fala- se em re ão le ucemo ide , p ois o proce sso
reacional s imula, até certo ponto, um proces so prolife rativo maligno a leu ce mia. Por isso a de nominação q ue
rece be . Ne m se mpre é fácil distinguir uma re ão le ucemoide granulocítica de uma le uce mia mie loide (o u
granulocítica) crônica. A s lulas pre se nte s nos dois casos pode m te r morfologia se me lhante .
A pre se n ça de mais de 500 bastõe s/ mm3 cons titui indicão de in fe ão. O de sv io à e sque rda reacional ao
proce sso in fe ccioso é caracte risticame nte e scalonado, isto é , com proporção de cé lulas maduras maiore s que as
cé lulas jov e ns. O de s vio à es que rda não e scalonado traduz, f isiopatologicame nte , a libe ração de granulócitos j o v e n s
em process o de p rodu ção não hierarquizado associado à disf u nção da med ula ós se a.
Des vio à es que rda e scalonado do s ne utróf ilos: corre sp onde à pre se nça de ne utróf ilos j ov e ns, as f or m a s n ã o
se gme ntadas ( baston e te s, me tamielócitos, mie lócitos e pró - mie lócitos) , no s angue pe rif é rico. O de sv io é dito
e scalonado quando e x iste pre domínio dos ne utróf ilos mais madu ros.
NA S I NF ECÇÕES V IRAI S O OBSERVA DAS, EM G ERAL: Le ucope nia ou le ucocitose por aume nto n o núme ro de
linf ócitos.
DOENÇA MENING OCÓCICA
1. Conce i tos
A doe nça me ningocócica é uma infe ão bacte riana aguda, rapidame n te f atal, causada pe la N eisseria
meningitidis. Esta bac ria pode caus ar me ningite e /ou inf e cção ge ne ralizada ( me ningococce mia).
Def inimos me ningite bacte riana como a infe cção p urule nta das me ninges e do es paço su baracnoide. Esta
cond ição es re lacionada a uma inte nsa re ão inflamatória n o sistema n e rvo so ce ntral, que se manif e sta como
reb aix ame nto do n íve l d e cons ciê ncia, conv ulsõe s, aume n to da Pre ssão I ntracraniana (P IC) e e ve nt os isquê micos.
Pe lo fre que n te e nvo lvime nto do p arê nquima ce re bral, o te rmo mais ade quado para e sta grave in fe ão se ria
me ningoen ce falite. A doe nça me n ingocócica, po r de f inição de caso, compree n de: inf e ão de or of aringe ; me n ingite ;
me ningococcemia (se p se me ningocócica); e , e x ce pcionalmente, infe ão e m ou tros órgãos.
É u ma doe nça de notif icação compulsóri a.
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2. Epi demi ologia
É a me ningite de maior importância para a saúde p ública, por s e apres e ntar sob a f orma d e
ondas e pi micas que p ode m durar d e 2 a 5 anos . Te m distribuição unive r sal e os casos ocorrem durante todo o an o
( fo rma e nd ê mica) . Até a prime ira me tade da cada de 90, a incidên cia dia de sta doe n ça vario u de 1 a 6/100.0 0 0
hab, e n tre tanto te m havido um d e crés cimo no mero de casos re gistados no país, e atualmen te os s orotipos
circulante s são o B e C.
Crianças de 1 s a 5 anos: 90% dos casos .
O diagnós tico p re coce e a qu alidade da assistên cia contribue m para a re dução da le talidade . A
quimioprofilax ia corretame nte ind icada e realizada e m tempo hábil re duz s ignif icativame nte o risco de apare cime nto
de casos se cundários.
3. Mei os de transmissão, Ve tor, rese rvatório, hospe dei ro.
Agente e tiológico - Neisseria men ing itidis ( me n ingococo) , bactéria e m f orma de diplococos gram - ne gativos . É
classificada e m s orogrupos de acordo com o antíge no p olissacade o da cáps ula, sorotipo s e subtipos. Os sorogrup o s
mais importante s são: A , B, C, W135 e Y . A me ningite por Neisseria menin gitid is raramen te de ix a se que las quando
curada. A chance de óbito por e s te age nte é men or q ue a do pn e umococo ( l e talidade 5- 15%) . ( Outros age nte s
bacte rian os: S treptococcus ag alactia e, Lis teria mo no cyto genes , Streptococcus pn eumo n iae ( pn eumo coco) e o
Ha emop hilu s inf luen zae tip o b e p or b actéria s G ra m -n ega tiva s en téricas : Escherichia coli ( princip a l), Entero ba cter
sp p. , K lebsiella pn eumo niae, S almonella en teritid i).
Re se rvatório - O home m d oe nte ou por tador assintomático.
Modo de transmissão - Contato íntimo de pe ssoa a pe ssoa ( pe ssoas que re side m no me smo dom icílio ou que
compartilham o me smo dormi rio e m inte rnatos, q uar is, cre che s, e tc.), por me io de g otículas das secreçõe s da
nasof aringe . O principal transmisso r é o portador assintomático.
Pe rí odo de i ncubação - De 2 a 10 dias; e m dia, d e 3 a 4 dias. Pe odo de transmissibilidade - Enquanto hou ve r o
agen te na nasof aringe . Em ge ral, após 24 h oras de antibioticote rapia, o me ningococo j á de sapare ce u da orof aringe .
Compli cões - Ne crose s prof undas com pe rda de te cido nas áre as e x te rnas, onde se iniciam a s e qu imose s, s u r d e z,
artrite, mio cardite, pe ricardite , p aralisias, p are sias, abce sso ce rebral, h idro ce falia, d e ntre outras.
4. Ci cl o da doença
A N. mening itidis é transmitida por via re spiratória. Trata- se de uma doe a ubiquitária e ndê mica, que p o d e
ocorre r sob microep ide mias e x plosivas e m ambie nte s re stritos ou sob a f orma de e pide mias abe rtas, atingin d o t o d a
uma popu lão.
O meningococo pode e s tar pre se nte p or tod a a vida na orof aringe d e portadores assintomáticos, e ntre ta n t o
de pe n de ndo das cond içõe s imu nitárias do indivíduo e da v irulê ncia do microrganismo , e le pode se colonizar ne sse
local, produzindo f aringite ou ton silite purule nta. Essa condição clínica n ão dife re sintomatologicame nte
das farin gotonsilite s e stre ptocócicas; o organismo, e ntão, produz anticorpos proteto re s. Na ausê n cia de imunidade
prote tora, o me ningococo pode ganhar a corre nte sang uíne a, produ zindo bactere mia. A se guir, a infe ão pod e
atingir vário s órgãos. Como a N . me n ingitidis te m tropismo pe lo SNC, produz com maior f re quê ncia me ningite ou
me ningoce f alite .
Atu alme nte se s abe que é a re ão imune d o hosp e de iro à inf e cção, e não a própria bac ria em si, a gra n d e
res ponsáve l pe las manif e staçõe s ne urológicas e complicaçõe s da men ingite bacte riana.
5. Sinais e sintomas
A doe nça me ningocócica apre se nta dive rsas f ormas e prognós ticos. Pode se apre se ntar de 3 modos:
Infe ão da orofaringe com bacteremi a, se m se pti ce mia (doe a be ni gna): caracte rizada por fe b re e bactere mia,
simulando uma inf e ão re spiratória, quase se mp re diagnosticada p or he mocultura.
Meni ngococcemi a: ( se ptice mia): caracterizada por mal- e star súbito, f e bre alta, calaf rio s, prostrão, acompanhada
de manife stações he morrágicas na pe le ( pe quias e e quimose s) , hipote nsão, coagulopatia de consumo com
sangrame ntos , hipe rpne ia d e corre nte da acid ose me tabólica, hipovolemia e m razão d a re te ão de líquidos na
microcirculação, miocardite e comprome time nto sistê mico ge ral. É a f orma mais grave e le tal. Cerca de 15 a 20% dos
casos apre se ntam me ningococce mia se m me ningite .
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Meni ngi te : com ou se m me ningococcemia, de início súbito, com fe b re, ce f ale ia inte nsa, n áuse as, vômitos e m j a to e
rigid e z de n uca, alé m de o utros sinais de irritação me nge a ( Rigide z nu cal, sinais de Brudzins ki, Lasè gue e K e rnig) .
6. Métodos laboratoriais e de i mage m para di agnóstico
O diagnóstico e tiológico da d oe nça me n ingocócica é e stabe le cido pe lo e x ame bact e rio lógico, com o
isolame nto da N . m en ing itidis no sangue o u líqu or.
O LCR p ode se apre se ntar turvo, com cor le itosa ou xantocrômica. A bioquímica e viden ci a glicose e clore tos
diminuídos ( concen trão de glicose inf e rior a 50% da glice mia, coletada simult ane ame nte ao quor) , prote ínas
e le vadas ( acima de 100mg/dl) e aume n to do me ro d e le ucócitos, pre dominando polimo rf onucle are s ne utrófilos.
C, o le ucograma aprese n ta-s e com milhare s d e le ucócitos, have ndo pred ominância de ne utróf ilos ( “de s v io à
e sque rda”) . A he mocultura é p ositiv a.
Outros e xames : p e squisa d e antíge nos n o líquo r, fixação do látex , Elisa ou radioimunoe n saio e re ão e m
cade ia da polimerase ( PCR) .
7. Diagnósticos dif e re nciai s
Me ningite s e me ningoe ncefalite s e m ge ral, principalme nte as purule ntas,
Ence falite s ,
Fe bre purpúrica brasile ira,
Da men ingococce mia: de n gue he mo rrágica; s e pticemias .
8. Tratame nto ( N . men ing itidis)
1. Pe nicil ina Cri stali na, 300. 000 a 500.000UI /kg/ dia, com dose x ima de 24.000.000U I/ dia, IV , fracionada e m 3/3
ou 4/ 4 horas , d urante 7 a 10 dias;
2. Ampi cil i na, 200 a 400mg/kg/ dia, até no x imo de 15g/ dia, IV , fracionada e m 4/4 ou 6/ 6 horas, durante 7 a 10
dias.
3. Cl oranfe nicol (em caso de ale rgia), na dose de 50 a 100mg/kg/ dia, IV , f racionada e m 6/6 horas.
4. Prof il axi a
Qui mioprofi l axi a: É f e ita e m contatos íntimos do doe nte . A d roga d e e scolha é a Rifampicina, na dose de 600mg, V O,
de 12/12 horas, du rante 2 dias para adultos e co m dose s e spe cíficas p ara crianças e re cém- nascidos .
Vacinas ( sorogrupos espe cíf icos) - As vacin as p olissacarídicas conf e rem im unidade de curta duração e , por isso,
res trin ge - se ao controle de surtos. A indicação de vacinação para controle de su rto de pe nd e da de cisão de trê s
instâncias: municipal, e stadual e fe de ral.
Isolame nto só ocorre durante as prim e iras 24 horas de tratame nto, com o antibiótico indicado.
De si nfe cção d e ve se r f e ita e m re la��ão às s e creçõe s re spiratórias e aos obj e tos p or e las contami nados. O p a c i e n t e
de ve rece be r q uimioprof ilaxia ante s da alta, pois a antibioticote rapia v e nosa n e m se mpre e limina as N. me nin g i t i d i s
da orofaringe . Exce ção se f az aos casos tratados com o antibiótico Cef triaxon e .
INFECÇÃO DO TRATO U RINÁRIO
1. Conce i tos
O te rmo inf e ão do trato urinário ( ITU ) é bastante amplo e abriga de s de a inf e cção assintomática da urina
até as inf e õe s sintomáticas com invasão te cid u al pe los microrganismos e inf lamação d as e struturas d o trato
urinário. O p roces so inf e ccioso po de e nv o lve r rin s, p e lve re nal, u re te re s, be x iga e ure tra, be m como as e struturas
adjacen te s, fáscia p e rine f rética, próstata e e pidídimo.
As bac rias são a causa mais comum das inf e cçõe s urinárias, poré m f ungos e rus també m pod e m e star
e nvo lvidos. A I TU caract e riz a-se pe la pre se nça de bacte riúria significativa def inida pe la pre se nça de >105 U FC/mL e
que d ife rencia a colonização e a multip licação de b ac rias na urina, d a contaminação pe las bactérias pre se nte s na
ure tra distal que pode ocorre r d urante a cole ta d o material.