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APOSTILA FURTO CRIMES CONTRA O PATRIMONIO

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T ÍT ULO II
DO S CRIM ES CO NT RA O PAT RIM ÔNIO
CAPÍT ULO I
DO FURT O
Art.155 - Subtrair , para si ou para outrem, coisa alheia móvel:
Pena - rec lusão, de 1 a 4 anos, e m ulta.
Objeto jurídico
Tutela-se o patrim ônio, tanto sob o aspec to da propriedade quanto da posse.
Objeto material
A coisa alheia m óv el.
Não podem ser objeto de furto:
a) o ser hum ano v iv o, v isto que o se trata de c oisa;
b) o c adáv er, sendo que sua subtraç ão pode, em regra, se c onstituir crim e c ontra o respeito aos
m ortos (art. 211 do CP). Quando, c ontudo, o cadáver f or propriedade de alguém (instituiç ão de
ensino, por ex em plo), pode ser objeto do c rim e de f urto, visto possuir v alor ec onôm ico;
c) coisas que nunc a tiv er am dono (res nullius ) e coisas abandonadas (res derelic ta); sendo que
quem se assenhora desses bens adquire a propriedade dos m esm os, segundo art. 1.263 do
Código C iv il, portanto o c omete c rim e nenhum ;
d) c oisa perdida (res derelic ta). Quando algm se apropria dolosam ente de c oisa perdida por
terc eiro com ete, em tese, o c rime de apropriação de c oisa ac hada (CP, art. 169, pagraf o únic o,
II).o se c onsiderada perdida a coisa que sim plesm ente é esquec ida pelo proprierio em
local determinado, podendo ser rec lamada a qualquer m om ento(por exemplo: pessoa que
esquec e um liv ro em sala de aula. Ac aso alguém se apodere do m esm o, c om ete o crim e de
f urto);
e) coisas de uso c omum ( res c ommuneomnium), c om o o ar, luz do sol, água do m ar ou dos rios,
ex c eto se f orem destacadas do local de origem e ex ploradas indiv idualmente (por ex emplo: água
encanada para uso ex c lusiv o de algm . Lembra-se, ainda, que ex iste o c rim e de usurpação de

águas (art. 161, § 1º , I, do CP), c onsistente na c onduta de desv iar ou represar, em prov eito
próprio ou de outrem , águas alheias. Portanto, quem desv ia c urso natural de água (de um
igara, por exem plo) para se benef iciar do m esm o, ev itando que ele passe pelo terreno do
v izinho (que antes era seu c aminho natural) c omete o crim e de usurpa ç ão de águas, af astando-
se a possibilidade de f urto;
f) os im óv eis.
Podem ser objeto de f urto:
a) coisas ligadas ao c orpo hum ano, c omo, por ex em plo, olhos de v idro, peruc as, dentaduras,
próteses m ec ânic as, orelhas de borrac ha etc ;
b) segundo alguns doutrinadores (a posiç ão não é pacíf ica), o ouro da arcada denria do
def unto, v isto que pertenc eria a seus herdeiros. Nesse c aso o c rim e de violação de sepultura
seria absorvido pelo c rime de f urto;
c) sem ov entes (anim ais), v isto que f azem parte do patrimônio do respectivo proprierio. O f urto
de gado é c onhec ido c om o abigeato;
d) navios e aeronaves, v isto que para o direito penal o v ale a noç ão c ív el de im óv eis. o
penalmente c onsiderados m óv eis todos os bens c orpóreos que são passív ei s de rem oção de um
lugar para o outro;
e) coisas que estejam f ora do c om érc io, c omo bensblicos e bens grav ados c om c láusula de
inalienabilidade, desde que tenham dono;
f) talão de cheque e f olha avulsa de cheque, posto entender -se que possuem v alor ec onômic o,
c ausando também o f ato prejzo à v ítima, v isto que te que pagar taxas para o c ancelamento
da c ártula. Q uanto à subtraç ão de cartão bancário ou de c artão de c rédito, entende -se o hav er
c rime de f urto, pois sua repos ão é f eita sem ônus para a v ítim a. Ressalve-se que tais
entendimentos o são pac íf ic os.
Sujeito ativo
Trata-se de c rime c om um . Q ualquer um pode praticá-lo, exceto o proprierio do bem
ou o seu legítimo possuidor. O proprietário não pode c ometer ref erido c rime, v isto o ha v er a

possibilidade de f urto de c oisa própria. O legítimo possuidor, acaso se aproprie da c oisa de
terc eiro que se encontra em seu poder, com ete o c rime de apropriação inbita (art. 168 do CP).
Fala-se em famulato quando o f urto é realizado pelo empregado em detrim ento dos bens
de seu patrão. R essalte-se que m esmo que o empregado tenha a posse de determinado bem
pertenc ente a seu empregador, se ac aso subtrai-lo, c omete o c rim e de f urto, isto se a posse
f ordes v igiada. É o c aso, por ex em plo, do c aixa de um supermerc ado, que subtrai dinheiro que
es m anuseando. Nesse caso, o oc orre o crim e de apropriaç ão indébita (art. 168 do CP),
v isto este exigir que o sujeito passiv o tenha a posse desv igiada do bem apropriado. Quando o
bem f ica sob o poder do empregado apenas no local de trabalho, entende-se que tem mera
detenç ão ou posse v igiada da c oisa.
Sujeito passivo
Pode ser, no dizer de Fernando C apez (2006, v .2, p. 374): “Q ualquer pes s oa, física ou
judic a, que tem a pos s e ou a propriedade do bem. Tal ass ertiva afas ta da proteção legal aquele
que dem a trans iria dis posiç ão material do bem, c omo, por exemplo, a balc onis ta de uma
loja, o operário de umabric a. Ness a hitese, a v ítima do furto é o proprierio do bem .
Portanto, o sujeito passiv o do crim e de f urto será o proprierio ou o legítim o possuidor da
c oisa subtraída.
Ponto interessante é levantado por Cleber M asson (2010, v . 2, p. 309), no c aso de lado
que f urta de ladrão, c onf orme segue:
O ladrão que furta ladrão, r elativamente à coisa por este subtraída, comete crime de furto.
O bem cada vez mais se distancia da vítima, tornando ainda mais improvável sua
recuperação. O sujeito passivo, porém,o será o primeiro larápio, mas sim o proprietário
ou possuidor da coisa, vítima do delito inicial.
M esm o que o seja identif ic ada a v ítim a (sujeito passiv o) do f urto, entende a doutrina ser
posv el a punição do sujeito ativo, se houv er a c erteza que houve a subtraç ão de bem de
terc eiro, c onsiderando que o crim e em ref erênc ia é de ação penal pública incondicionada.
T ipo objetivo