Jurisprudência STJ 2019 Resumida (639-661)
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Jurisprudência STJ 2019 Resumida (639-661)


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Informativo 639-STJ (01/02/2019) Márcio André Lopes Cavalcante | 1
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Informativo 639-STJ (
RESUMIDO
)
Márcio André Lopes Cavalcante
DIREITO CIVIL
CONTRATOS
A abusividade de encargos acessórios do contrato não descaracteriza a mora
A abusividade de encargos acessórios do contrato não descaracteriza a mora.
STJ. Seção. REsp 1.639.259-SP, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 12/12/2018
(recurso repetitivo) (Info 639).
Obs: o reconhecimento da abusividade dos encargos essenciais exigidos no período da normalidade
contratual descarateriza a mora (STJ. 2ª Seç ão. REsp 1061530/RS, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado
em 22/10/2008).
SEGURO
Ainda que contrato preveja a exclusão da cobertura em caso de embriaguez do segurado e
mesmo que o acidente tenha sido causado por essa embriaguez , a seguradora será obrigada a
indenizar a vítima, já que essa cláusula é ineficaz perante terceiros
Mudança de entendimento!
No contrato de seguro de automóvel, é lícita a cláusula que exclui a cobertura securitária para
o caso de o acidente de trânsito (sinistro) ter sido causado em decorrência da embriaguez do
segurado.
No entanto, esta cláusula é ineficaz perante terceiros (garantia de responsabilidade civil).
Isso significa que, mesmo que contrato preveja a exclusão da co bertura em caso de
embriaguez do segurado, a seguradora será obrigada a indenizar a vítima (terceiro) caso o
acidente tenha sido causado pelo segurado embriagado.
Em outras palavras, não se pode invocar essa cláusula contra a vítima.
Depois de indenizar a vít ima, a seguradora poderá exigir seu direito de regresso contra o
segurado (causador do dano).
A garantia de responsabilidade civil não visa apenas proteger o interesse econômico do
segurado tendo, também como objetivo preservar o interesse dos terceiros prejudicados.
O seguro de responsabilidade civil se transmudou após a edição do Código Civil de 2002, de
forma que deixou de ser apenas uma forma de reembolsar as indenizações pagas pelo
segurado e passou a ser também um meio de proteção das vítimas, prestigi ando, assim, a sua
função social.
É inidônea a exclusão da cobertura de responsabilidade civil no seguro de autovel quando o
motorista dirige em estado de embriaguez, visto que somente prejudicaria a tima penalizada,
o que esvaziaria a finalidade e a fuão social dessa garantia, de proteção dos interesses dos
terceiros prejudicados à indenizão, ao lado da proteção patrimonial do segurado.
STJ. Turma. REsp 1.738.247-SC, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 27/11/2018 (Info 639).
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DIREITO DO CONSUMIDOR
CLÁUSULAS ABUSIVAS E CONTRATOS BANCÁRIOS
É abusiva a previsão no contrato bancário de cobrança genérica
por serviços prestados por terceiros
É abusiva a cláusula que prevê a cobrança de ressarcimento de serviços prestados por
terceiros, sem a especificação do serviço a ser efetivamente prestado.
STJ. 2ª Seção. REsp 1.578.553-SP, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 28/11/2018
(recurso repetitivo) (Info 639).
CLÁUSULAS ABUSIVAS E CONTRATOS BANCÁRIOS
Em regra, o banco pode cobrar tarifa de avaliação do bem dado em garantia
Em regra, o banco pode cobrar o ressarcimento de despesa com o registro do contrato
É válida a tarifa de avaliação do bem dado em garantia, bem como da cláusula que prevê o
ressarcimento de despesa com o registro do contrato, ressalvadas:
a abusividade da cobrança por serviço não efetivamente prestado; e
a possibilidade de controle da onerosidade excessiva, em cada caso concreto.
Tarifa de avaliação do bem dado em garan tia: valor cobrado do banco para remunerar o
especialista que realiza a avaliação do preço de mercado do bem dado em garantia.
Ressarcimento de despesa com o registro do contrato: valor cobrado pela instituição
financeira como ressarcimento pelos custos que o banco terá para fazer o registro do con trato
no cartório ou no DETRAN. Ex: despesas para registrar a alienação fiduciária de veículo no
DETRAN.
STJ. 2ª Seção. REsp 1.578.553-SP, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 28/11/2018
(recurso repetitivo) (Info 639).
CLÁUSULAS ABUSIVAS E CONTRATOS BANCÁRIOS
O banco não pode cobrar do consumidor o valor gasto
pela instituição com a comissão do correspondente bancário
É abusiva a cláusula que prevê o ressarcimento pelo consumidor da comissão do
correspondente bancário, em contratos celebrados a partir de 25/02/2011, data de entrada
em vigor da Resolução CMN 3.954/2011, sendo válida a cláusula n o período ant erior a essa
resolução, ressalvado o controle da onerosidade excessiva.
STJ. 2ª Seção. REsp 1.578.553-SP, Rel. Min. Paulo de Tars o Sanseverino, julgado em 28/11/2018
(recurso repetitivo) (Info 639).
CLÁUSULAS ABUSIVAS E CONTRATOS BANCÁRIOS
O banco não pode cobrar do consumidor o valor gasto com o registro do pré-gravame
É abusiva a cláusula que prevê o ressarcimento pelo consumidor da despesa com o registro do
pré-gravame, em contratos celebrados a partir de 25/02/2011, data de entrada em vigor da
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Informativo 639-STJ (01/02/2019) Márcio André Lopes Cavalcante | 3
Resolução C MN 3.954/2011, sendo válida a cláusula pactuada no período anterior a essa
resolução, ressalvado o controle da onerosidade excessiva.
STJ. Seção. REs p 1.639.259-SP, Rel. Min. Paulo de T arso Sanseverino, julgado em 12/12/2018
(recurso repetitivo) (Info 639).
CLÁUSULAS ABUSIVAS E CONTRATOS BANCÁRIOS
Instituição financeira não pode exigir que o contratante faça um seguro
como condição para a assinatura do contrato bancário
Nos contratos bancários em geral, o consumidor não pode ser compelido a contratar seguro
com a instituição financeira ou com seguradora por ela indicada.
STJ. Seção. REs p 1.639.259-SP, Rel. Min. Paulo de T arso Sanseverino, julgado em 12/12/2018
(recurso repetitivo) (Info 639).
DIREITO PROCESSUAL CIVIL
TUTELA ANTECIPADA
A tutela antecipada antecedente (art. 303 do CPC) somente se torna estável se não houver
nenhum tipo de impugnação formulada pela parte contrária , de forma que a mera contestação
tem força de impedir a estabilização
Importante!!!
O CPC/2015 inovou na ordem ju rídica ao trazer, além das hipóteses até então previstas no
CPC/1973, a possibilidade de concessão de tutela antecipada requerida em caráter
antecedente, a teor do que dispõe o seu art. 303.
Uma das grandes novidades t razidas pelo novo CPC a respeito do tema é a possibilidade de
estabilização da tutela ant ecipada requerida em caráter antecedente, in stituto in spirado no
référé do Direito francês, que serve para abarcar aquelas situações em que ambas as partes se
contentam com a simples tutela antecipada, não havendo necessidade, portanto, de se
prosseguir com o processo até uma decisão final (sen tença), n os termos do que estabelece o
art. 304, §§ 1º a 6º, do CPC/2015.
Assim, segundo o art. 304, não havendo recurso contra a decisão que defe riu a tutela
antecipada requerida em caráter antecedente, a referida decisão será est abilizada e o
processo será extinto, sem resolução de mérito.
No prazo de 2 anos, porém, contado da ciência da decio que extinguiu o processo, as partes
poderão pleitear, perante o mesmo Juízo que proferiu a decisão, a revisão, reforma ou
invalidação da tutela antecipada estabilizada, devendo se valer de ão autônoma para esse fim.
É de se observar, porém, que, embora o caput do art. 304 do CPC/2015 det ermine que “a tutela
antecipada, concedida nos termos do art. 303, torna -se estável se da decisão que a conceder
não for in terposto o re spectivo recurso”, a leitura que deve ser feit a do dispositivo legal,
tomando como base uma interpretação sistemática e teleológica do in stituto, é que a
estabilização somente ocorrerá se não houver qualquer tipo de impugnação pela parte
contrária, sob pena de se estimular a in terposição de agravos de instrumento,
sobrecarregando desnecessariamente os Tribunais, além do ajuizamento da ação autônoma,
prevista no art. 304, § 2º, do CPC/2015, a fim de rever, reformar ou invalidar a tutela
antecipada estabilizada.