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RESUMÃO DE SAÚDE DA CRIANÇA @ESTUDAJA

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RESUMÃO 
SAÚDE DA 
CRIANÇA 
 
@ESTUDAJA 
 
 
 
Olá! Aqui é a Ana do IG @ESTUDAJA 
 
Preparei esse material com muito carinho para ajudar nos 
seus estudos! 
 
Os materiais utilizados para confecção desta apostila 
encontram-se todos referenciados na pág. 38. Também estará 
disponível no meu drive na pasta “Saúde da Criança” e você pode 
fazer download pelo link: < https://drive.google.com/open?id=1d 
e complementar seus ijUq4VzWryO_WyiazKms666mE26y7Wd>, 
estudos através da leitura dos materiais. 
 
Espero que esse material possa contribuir nos seus estudos e 
na construção do seu conhecimento. 
 
 
ARQUIVO DE ENVIO PESSOAL. PROIBIDO REPASSE. 
 
Atenciosamente, Ana. 
 
 
https://drive.google.com/open?id
 
 
 
 
 
 
 
SUMÁRIO 
1. Neonatologia.......................................................................2 
2. Reanimação Neonatal........................................................4 
3. Primeira Consulta do RN...................................................8 
4. Triagem Neonatal...............................................................9 
5. Aleitamento Materno........................................................12 
6. Alimentação Complementar............................................15 
7. Higiene e Saúde Bucal.....................................................17 
8. Puericultura.......................................................................18 
9. Crescimento e Desenvolvimento Infantil.......................20 
10. Prevenção de Acidentes................................................25 
11. Imunização......................................................................26 
12. Doenças Prevalentes na Infância.................................27 
13. PNAISC............................................................................32 
14. Referências Bibliográficas............................................38 
ANEXO – ROTEIRO DE EXAME FÍSICO DO RN.................39 
QUESTÕES...........................................................................42 
 
 
 
 
 
1 
 
 
 
2 
 
1. NEONATOLOGIA 
CLASSIFICAÇÃO DO RN 
Quanto à idade gestacional: 
- RN: toda criança nascida viva com até 28 
dias. 
- RN prematuro: <37 semanas. 
- RN prematuridade extrema: entre 25 e 28 
semanas. 
- RN prematuridade crítica: < 25 semanas. 
- RN a termo: 37 semanas a 41 semanas e 6 
dias. 
- RN pré-termo: até 36 semanas e 6 dias. 
- RN pós-termo: 42 semanas ou mais. 
Quanto ao peso: 
- Peso normal: 2700 à 4000g. 
- Baixo peso: < 2500 g 
- Muito baixo peso: de 1000 à 2500 g 
- Extremo baixo peso: < 1000 g 
 
ASSISTÊNCIA AO RN 
IMEDIATA MEDIATA 
- Promover e manter o 
equilíbrio orgânico; 
- Secar e aquecer o RN; 
- Estabelecer 
permeabilidade das vias 
aéreas superiores; 
- Manter a temperatura 
corporal (36,5°C – 
37,5°C); 
- Prevenir Infecções; 
- Avaliar índice de 
apgar; 
- Pinçamento e secção 
do cordão umbilical; 
- Identificar RN; 
- Definir medidas 
antropométricas. 
- Banho 6 horas após 
o nascimento; 
- Higiene do coto 
umbilical; 
- Exame Físico; 
- Imunização com 
BCG e Hepatite B; 
- Fortalecimento ao 
aleitamento materno. 
 
(Fonte: Sociedade Brasileira de Pediatria, 2016) 
 
ÍNDICE DE APGAR 
 Avaliar no 1º e 5º minuto. 
 
 Sofrimento grave: 0 a 3 pontos 
 Sofrimento moderado: 4 a 6 pontos 
 Ausência de dificuldade na adaptação 
a vida extrauterina: 7 a 10 pontos 
- Caso apgar <7 continuar fazendo avaliação 
a cada 5 minutos até a melhora. Apenas 
níveis abaixo de 4 por mais de 15 minutos 
estão relacionados a risco significativo de 
problemas neurológicos (BLACKBOOK, 
2016). 
- Não é utilizado para indicar procedimentos 
na reanimação neonatal. No entanto, sua 
aplicação permite avaliar a resposta do 
paciente às manobras realizadas e a sua 
eficácia (Sociedade Brasileira de Pediatria, 
2016). 
 
VALORES DE REFERÊNCIA DOS SINAIS 
VITAIS EM NEONATOS 
Sinal Vital Normal (RN a termo) 
Temperatura axilar 36,5° – 37,0°C 
Frequência cardíaca 100 à 160 bpm 
Frequência respiratória 30 à 60 irpm 
Pressão sistólica 60 a 80 mmHg 
(Fonte: BlackBook Enfermagem, 2016) 
 
 
O
N
A
T
O
L
O
G
I
A 
 
 
3 
 
CLAMPEAMENTO DO CORDÃO 
UMBILICAL 
Clampeamento tardio: tem definição 
variável na literatura, com um mínimo de 60 
segundos até alguns minutos após cessar a 
pulsação do cordão umbilical. 
Clampeamento precoce: feito até 60 
segundos após a extração completa do 
concepto 
Recomenda-se, no RN ≥34 semanas com 
respiração adequada e tônus muscular em 
flexão ao nascimento, clampear o cordão 
umbilical 1-3 minutos depois da sua extração 
completa da cavidade uterina. O neonato 
pode ser posicionado no abdome ou tórax 
materno durante esse período. Se a 
circulação placentária não estiver intacta 
(descolamento prematuro de placenta, 
placenta prévia ou rotura ou prolapso ou nó 
verdadeiro de cordão) ou se o RN ≥34 
semanas não inicia a respiração ou não 
mostra tônus muscular em flexão, 
recomenda-se o clampeamento imediato do 
cordão. 
Observação: não existem evidências da 
segurança e eficácia da ordenha de cordão 
em comparação ao clampeamento precoce 
ou tardio de cordão, no RN a termo. 
 
Temperatura ideal na sala de parto para 
evitar a Hipotermia é de 26ºC. 
 
 
Critérios para identificação do RN de 
risco: 
- Baixo nível socioeconômico; 
- História de morte de criança <5 anos na 
família; 
- Criança explicitamente indesejada; 
- Mãe adolescente; 
- RN pré termo (<37semanas); 
- RN baixo peso ao nascer (<2.500g); 
- Mãe com baixa instrução (<8 anos de 
estudo); 
 
Critérios para identificação do RN de alto 
risco: 
 
- RN com asfixia grave ao nascer (apgar <7 
no 5º minuto); 
- RN pré termo com peso ao nascer <2.000g; 
- RN <35 semanas de IG; 
- RN com outras doenças graves. 
 
VALIAÇÃO DA VITALIDADE AO NASCER 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Diante da resposta “não” a pelo menos uma 
das três perguntas iniciais: gestação a termo, 
respiração ou choro presente e tônus 
muscular em flexão, conduzir o RN à mesa 
de reanimação. 
GESTAÇÃO A 
TERMO? 
RESPIRANDO OU 
CHORANDO? 
TÔNUS MUSCULAR 
BOM ? 
Se ao nascimento, o RN é de termo 
(idade gestacional 37-41 semanas), está 
respirando ou chorando e com tônus 
muscular em flexão, independentemente 
do aspecto do líquido amniótico, ele 
apresenta boa vitalidade e deve 
continuar junto de sua mãe depois do 
clampeamento do cordão umbilical. 
 
4 
 
2. REANIMAÇÃO 
NEONATAL 
É necessário contar com uma equipe de 
profissionais de saúde treinada em 
reanimação neonatal antes do nascimento de 
qualquer RN. Tal equipe deve realizar a 
anamnese materna e preparar o material 
para uso imediato na sala de parto. 
Condições associadas à necessidade de 
reanimação ao nascer 
 
Fatores antenatais 
Fatores 
relacionados ao 
parto 
Idade > 35 anos ou < 16 
anos 
Uso de fórcipe ou 
extração a vácuo 
Diabetes Parto cesáreo 
Síndromes hipertensivas Apresentação não 
cefálica 
Doenças/Infecções 
maternas 
Trabalho de parto 
prematuro 
Aloimunização ou 
anemia fetal 
Parto taquitócico 
Uso de 
medicações/drogas 
ilícitas 
Corioamnionite 
Óbito fetal ou neonatal 
anterior 
Rotura de 
membranas >18 
horas 
Ausência de cuidado 
pré-natal 
Trabalho de parto >24 
horas 
Idade gestacional 41 
semanas 
Segundo estágio do 
parto >2 horas 
Gestação múltipla Padrão anormal de 
freq. cardíaca fetal 
Rotura prematura das 
membranas 
Sangramento 
intraparto significante 
Polidrâmnio ou 
oligoâmnio 
Placenta prévia 
Discrepância de idade 
gestacional e peso 
Descolamento 
prematuro da 
placenta 
Malformação fetal Uso de opioides 4 hrs 
antes do parto 
Hidropsia fetal Líquido amniótico 
meconial 
Diminuição da atividade 
fetal 
Hipertonia uterina 
(Fonte: Sociedade Brasileira de Pediatria, 2016) 
Passo a Passo da Reanimação Neonatal 
Recém-nascidos que não iniciam 
movimentosrespiratórios regulares e/ou 
aqueles em que o tônus muscular está 
flácido precisam ser conduzidos à mesa de 
reanimação, indicando-se os passos iniciais 
da estabilização na seguinte sequência: 
 
1. Prover calor; 
 
2. Posicionar a cabeça em leve extensão; 
 
3. Aspirar boca e narinas (se necessário); 
 
4. Secar. 
 
 
Tais passos devem ser executados em, no 
máximo, 30 segundos. 
 
- O RN é levado à mesa de reanimação 
envolto em campos aquecidos e posicionado 
sob calor radiante, em decúbito dorsal, com a 
cabeça voltada para o profissional de saúde. 
 
- A fim de assegurar a permeabilidade das 
vias aéreas, manter o pescoço do RN em 
leve extensão. Evitar a hiperextensão ou a 
flexão exagerada do mesmo. 
 
- A aspiração está reservada aos pacientes 
que apresentam obstrução de vias aéreas 
por excesso de secreções. Nesses casos, 
aspirar delicadamente a boca e depois as 
narinas com sonda traqueal no 8-10 
conectada ao aspirador a vácuo, sob pressão 
máxima de 100 mmHg. 
 
- As decisões quanto à estabilização/ 
reanimação depende da avaliação 
simultânea da respiração e da FC. 
 
 
 
 
 
 
5 
 
RESPIRAÇÃO FREQUENCIA 
CARDÍACA 
A avaliação da 
respiração é feita por 
meio da observação da 
expansão torácica do 
RN ou da presença de 
choro. A respiração 
espontânea está 
adequada se os 
movimentos são 
regulares e suficientes 
para manter a FC >100 
bpm. Já se o paciente 
não apresentar 
movimentos 
respiratórios, se eles 
forem irregulares a 
respiração está 
inadequada. 
Os métodos de 
avaliação da FC nos 
primeiros minutos de 
vida incluem a 
palpação do cordão 
umbilical, a ausculta do 
precórdio com 
estetoscópio, a 
detecção do sinal de 
pulso pela oximetria e 
da atividade elétrica do 
coração pelo monitor 
cardíaco. Considera-se 
adequada a FC >100 
bpm. 
(Fonte: Sociedade Brasileira de Pediatria, 2016) 
AVALIAR 
- Se respiração espontânea regular e FC 
>100 bpm, avaliar as condições clínicas 
gerais e, sempre que possível, ainda na sala 
de parto, deixá-lo em contato pele-a-pele 
com a mãe, coberto com tecido de algodão 
seco e aquecido. 
- Se respiração ausente ou irregular ou FC 
<100 bpm, iniciar a ventilação com pressão 
positiva (VPP) nos primeiros 60 segundos 
após o nascimento e acompanhar a FC pelo 
monitor cardíaco e a saturação de oxigênio 
(SatO2) pelo oxímetro de pulso. 
 
Cada tentativa de intubação deve durar no 
máximo 30 segundos, se não conseguir a 
VPP deve ser iniciada, sendo realizada nova 
tentativa de intubação após estabilização do 
paciente. 
 
 
Líquido amniótico meconial 
Se houver mecônio no neonato deprimido e 
bradicárdico, o médico devera intubar 
rapidamente e aspirar o tubo traqueal 
diretamente com o vácuo adaptado ao tubo, 
repetindo a intubação e aspiração quantas 
vezes for necessário. Se apesar do mecônio 
o RN chora forte, está ativo e vigoroso, com 
FC >100 bpm, basta aspirar a boca e o nariz 
com sonda calibrosa, sem necessidade de 
intubação. (Blackbook Enfermagem, 2016). 
 
Massagem Cardíaca 
A asfixia pode desencadear vasoconstrição 
periférica, hipoxemia tecidual, diminuição da 
contratilidade miocárdica, bradicardia e, 
eventualmente, parada cardíaca. A 
ventilação adequada reverte esse quadro, na 
maioria dos pacientes, porém se após 30 
segundos de VPP com técnica adequada, a 
FC estiver <60 bpm é indicada massagem 
cardíaca. 
 
(Fonte: Sociedade Brasileira de Pediatria, 2016) 
 
Estão descritas duas técnicas para realizar a 
massagem cardíaca: a dos dois polegares e 
a dos dois dedos. A técnica dos dois 
polegares é mais eficiente, pois gera maior 
pico de pressão sistólica e de perfusão 
coronariana, além de ser menos cansativa. 
- As compressões só devem ser iniciadas 
quando a expansão e a ventilação 
pulmonares estiverem bem estabelecidas. 
- A ventilação e a massagem cardíaca são 
realizadas de forma sincrônica, mantendo-se 
uma relação de 3:1, ou seja, 3 movimentos 
de massagem cardíaca para 1 movimento de 
ventilação, com uma frequência de 120 
 
6 
 
eventos por minuto (90 movimentos de 
massagem e 30 ventilações). 
- Deve-se aplicar a massagem cardíaca 
coordenada à ventilação por 60 segundos, 
antes de reavaliar a FC, pois este é o tempo 
mínimo para que a massagem cardíaca 
efetiva possa restabelecer a pressão de 
perfusão coronariana. 
- A massagem deve continuar enquanto a FC 
estiver <60 bpm. A melhora é considerada 
quando, após a VPP acompanhada de 
massagem cardíaca por 60 segundos, o RN 
apresenta FC >60 bpm, devendo manter a 
VPP. Quando o paciente apresentar 
respirações espontâneas regulares e a FC 
atingir valores >100 bpm, a ventilação pode 
ser suspensa. 
- Se, após 60 segundos de VPP com cânula 
traqueal e oxigênio a 100% acompanhada de 
massagem cardíaca, o RN mantém FC <60 
bpm manter compressões e ventilação 3:1, 
intubar e entrar com medicação. 
 
Medicação 
Via preferencial para a infusão de 
medicações na sala de parto: endovenosa, 
sendo a veia umbilical de acesso fácil e 
rápido. 
ADRENALINA 
- É indicada quando a ventilação adequada e 
a massagem cardíaca efetiva não produziram 
elevação da FC para valores >60 bpm; 
- Aumenta a pressão de perfusão 
coronariana, principalmente por meio da 
vasoconstrição; 
 Periférica; 
- Pode ser utilizada por via traqueal uma 
única vez; 
- É aplicada na dose de 0,01-0,03 mg/kg; 
- Obrigatório preparar a adrenalina na 
diluição de 1:10.000 em soro fisiológico, para 
aplicação na reanimação neonatal. 
(Fonte: Blackbook Enfermagem, 2016) 
Quando não há reversão da bradicardia com 
a adrenalina endovenosa, assegurar que a 
VPP e a massagem cardíaca estão 
adequadas, repetir a administração de 
adrenalina a cada 3-5 minutos (sempre por 
via endovenosa na dose 0,03 mg/kg) e 
considerar o uso do expansor de volume. 
IMPORTANTE: 
 
Bicarbonato de sódio, naloxone, atropina, 
albumina e vasopressores não são 
recomendados na Reanimação do RN em 
sala de parto. 
 
 
Expansor de Volume 
Pode ser necessário para reanimar o RN 
com hipovolemia. 
Sinais: não apresentou aumento da FC, há 
perda de sangue ou sinais de choque 
hipovolêmico, como palidez, má perfusão e 
pulsos débeis. 
A expansão de volume é feita com soro 
fisiológico na dose de 10 mL/kg lentamente, 
em 5-10 minutos, podendo ser repetida a 
critério clínico. Administrar o volume 
lentamente. 
 
Observação: após manobras avançadas 
de reanimação, encaminhar paciente para 
manter a observação inicial em UTI 
neonatal ou em unidade com recursos de 
monitorização continua e intervenção 
rápida. 
 
 
 
 
 
 
7 
 
3. PRIMEIRA 
CONSULTA DO RN 
A primeira consulta do recém-nascido deverá 
ocorrer na sua primeira semana de vida, que 
constitui um momento propício para estimular 
e auxiliar a família nas dificuldades do 
aleitamento materno exclusivo, para orientar 
e realizar imunizações, para verificar a 
realização da triagem neonatal (teste do 
pezinho) e para estabelecer ou reforçar a 
rede de apoio à família. 
 
Condutas na Primeira Consulta 
1. Preenchimento da Caderneta de Saúde da 
Criança para o registro das principais 
informações de saúde da criança; 
2. Anamnese, avaliando principalmente as 
condições do nascimento da criança e 
antecedentes familiares; 
3. Exame físico completo 
Peso, comprimento e perímetro cefálico; 
Desenvolvimento pessoal e psicoafetivo; 
Estado geral: postura, padrão respiratório 
(verificar se há presença de anormalidades 
como batimentos de asa do nariz, tiragem 
intercostal ou diafragmática e sons emitidos), 
estado de alerta, sono, choro, sinais de 
desidratação ou hipoglicemia, temperatura 
axilar; 
Face: pesquisar alguma assimetria, 
malformação, deformidade ou aparência 
sindrômica; 
Pele: observar a presença de edema, palidez 
(Sinal de Arlequim – palidez em um hemicorpo e 
eritema do lado oposto, por alteração 
vasomotora e sem repercussão clínica), cianose, 
icterícia, presençade assaduras, pústulas, 
bolhas; 
Crânio: examinar as fontanelas - a fontanela 
anterior (bregmática) mede de 1cm a 4cm, tem 
forma losangular, fecha-se do 9º ao 18º mês e 
não deve estar fechada no momento do 
nascimento. A fontanela posterior (lambdoide) é 
triangular, mede cerca de 0,5cm e fecha-se até o 
segundo mês. Não devem estar túrgidas, 
abauladas ou deprimidas; 
Olhos: reflexo fotomotor, teste do reflexo 
vermelho, conjuntivites; 
Orelhas e audição: observar implantação, 
tamanho e simetria das orelhas, orientar a 
família para realização da triagem auditiva 
neonatal; 
Nariz: avaliar a forma e a possível presença de 
secreção; 
Boca: observar a úvula, o tamanho da língua 
(macroglossia), o palato, o freio lingual e a 
coloração dos lábios; 
Pescoço: avaliar a assimetria facial e a posição 
viciosa da cabeça; 
Tórax: avaliar a assimetria, apalpar as 
clavículas, para avaliar se há fraturas que 
poderiam acarretar diminuição ou ausência de 
movimentos do braço, contar a FC, observar a 
possível presença de cianose, abaulamento pré-
cordial, turgência jugular, ictus cordis e sopros 
cardíacos. 
Abdome: observar a respiração e forma do 
abdômen, diagnosticar a presença de hérnias, 
diástases dos retos abdominal; 
Genitália: apalpar a bolsa escrotal para 
identificar a presença dos testículos, observar a 
localização do meato urinário para excluir a 
possibilidade de hipospádia ou epispádia; 
Ânus e reto: verificar a permeabilidade anal, 
bem como a posição do orifício e a presença de 
fissuras; 
Sistema Osteoarticular: examinar os membros 
superiores e inferiores, para avaliar sua 
resistência à extensão, a flexão dos membros, a 
possibilidade de flacidez excessiva e a suposta 
presença de paralisia, identificar a provável 
presença de pé torto, verificar a presença de 
displasia evolutiva do quadril realizando os 
testes de Ortolani e de Barlow; 
Coluna vertebral: examinar toda a coluna, em 
especial a área lombo-sacra, percorrendo a linha 
média; 
Avaliação neurológica: observar reflexos 
arcaicos: sucção, preensão palmo-plantar e 
Moro, presença de movimentos normais e 
espontâneos de flexão/extensão dos membros. 
 
4. Fortalecer a apoiar a importância do 
aleitamento materno exclusivo; 
5. Auxiliar a formação ou o fortalecimento de 
vínculo entre os pais e o bebê; 
 
8 
 
6. Orientações gerais sobre os cuidados com 
o RN; 
7. Realização do teste do pezinho; 
8. Orientações sobre o calendário de 
imunização, verificando se o RN já recebeu a 
vacinação de BCG e Hepatite B ou se 
necessário, indicar a realização dessas 
vacinas; 
9. Avaliação da presença de risco e 
vulnerabilidade a saúde do RN, tais como: 
 Criança residente em área de risco; 
 Baixo peso ao nascer (inferior a 2.500g); 
 Prematuridade (menos de 37 semanas 
gestacionais); 
 Asfixia grave ou Apgar menor do que 7 no 5º 
minuto; 
 Internações/intercorrências; 
 Mãe com menos de 18 anos de idade; 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
9 
 
4. TRIAGEM 
NEONATAL 
Programa Nacional de Triagem Neonatal 
O Programa Nacional de Triagem Neonatal - 
PNTN, criado em 6 de junho de 2001, é 
considerado um programa de grande 
importância nacional e de sucesso no 
Sistema Único de Saúde por contemplar os 
princípios e diretrizes fundamentais do SUS. 
É um programa de rastreamento 
populacional que tem como objetivo geral 
identificar distúrbios e doenças no recém-
nascido, em tempo oportuno, para 
intervenção adequada, garantindo tratamento 
e acompanhamento contínuo às pessoas 
com diagnóstico positivo, com vistas a 
reduzir a morbimortalidade e melhorar a 
qualidade de vida das pessoas. 
O PNTN tem em seu escopo seis doenças: 
Fenilcetonúria, Hipotireoidismo Congênito, 
Doença Falciforme e outras 
hemoglobinopatias, Fibrose Cística, 
Hiperplasia Adrenal Congênita e Deficiência 
de Biotinidase. 
 
A triagem – Teste do Pezinho 
A triagem neonatal a partir da matriz 
biológica, “teste do pezinho”, é um conjunto 
de ações preventivas, responsável por 
identificar precocemente indivíduos com 
doenças metabólicas, genéticas, enzimáticas 
e endocrinológicas, para que estes possam 
ser tratados em tempo oportuno, evitando as 
sequelas e até mesmo a morte. 
Ela contempla o diagnóstico presuntivo, o 
diagnóstico de certeza, o tratamento, o 
acompanhamento dos casos diagnosticados 
e a incorporação e uso de tecnologias 
voltadas para a promoção, prevenção e 
cuidado integral. 
Na atenção ao pré-natal, cabe esclarecer e 
orientar a população e a gestante sobre 
como e onde realizar o “teste do pezinho”, de 
acordo com a rede de coleta organizada em 
seu estado. 
 
A Coleta 
Deve ser feita a partir do 3º dia de vida 
quando já ocorreu uma ingestão adequada 
de proteínas e é possível analisar com mais 
segurança o metabolismo da fenilanina, 
evitando-se falsos resultados (exeto 
fenilcetonúria). 
 
Materiais: 
 
- Luvas de procedimento 
- Algodão seco e com álcool a 70% 
- Gaze estéril seca 
- Lanceta 
- Papel filtro 
- Esparadrapo 
- Estante para secagem da amostra 
 
 
 
Procedimento de Coleta 
 
1. Para dar início à coleta da amostra de 
cada criança, o profissional deve lavar as 
mãos e calçar as luvas de procedimento; 
2. Para que haja uma boa circulação de 
sangue nos pés da criança, suficiente para a 
coleta, o calcanhar deve sempre estar abaixo 
do nível do coração. A mãe, o pai ou o 
acompanhante da criança deverá ficar de pé, 
segurando a criança com a cabeça 
encostada no seu ombro; 
 
10 
 
3. Realizar a assepsia do calcanhar com 
algodão ou gaze esterilizada, levemente 
umedecida com álcool 70%. Massagear bem 
o local, ativando a circulação. Certificar-se de 
que o calcanhar esteja avermelhado. 
Aguardar a secagem completa do álcool; 
4. A escolha do local adequado para a 
punção é importante, devendo ser numa das 
laterais da região plantar do calcanhar, local 
com pouca possibilidade de atingir o osso. 
5. Segure o pé e o tornozelo da criança, 
envolvendo com o dedo indicador e o polegar 
todo o calcanhar, de forma a imobilizar, mas 
não prender a circulação; 
6. Aguardar a formação de uma grande gota 
de sangue. Retire com algodão seco ou gaze 
esterilizada a primeira gota que se formou. 
Ela pode conter outros fluidos teciduais que 
podem interferir nos resultados dos testes; 
7. Encostar o verso do papel-filtro na nova 
gota que se forma na região demarcada para 
a coleta (círculos) e fazer movimentos 
circulares com o cartão, até o preenchimento 
de todo o círculo. 
8. Encostar o outro círculo do papel-filtro 
novamente no local do sangramento. Repita 
o movimento circular até o preenchimento 
total do novo círculo. Repita a mesma 
operação até que todos os círculos estejam 
totalmente preenchidos. 
 
RESUMÃO DAS DOENÇAS 
 
Fenilcetonúria 
O sistema digestório do bebê não consegue 
digerir a fenilanina, uma proteína presente 
em alimentos como ovos e carne, 
provocando comprometimento neurológico 
no desenvolvimento da criança. 
Hipotireoidismo congênito 
 
 A tireóide do bebê não consegue produzir 
quantidades normais de hormônios, podendo 
prejudicar o crescimento do bebê, assim 
como provocar retardo mental. 
 
Anemia Falciforme 
Problema genético que causa alteração na 
forma das células vermelhas do sangue, 
reduzindo a capacidade para transportar o 
oxigênio para as várias partes do corpo, 
podendo provocar atrasos no 
desenvolvimento de alguns órgãos. 
Hiperplasia Adrenal Congênita 
Crescimento excessivo, puberdade precoce e 
outros problemas físicos. 
Fibrose Cística 
 Leva a produção de uma grande quantidade 
de muco, comprometendo o sistema 
respiratório e afetando também o pâncreas. 
Deficiência da Biotinidase 
Problema congênito que provoca a 
incapacidade de o organismo reciclar a 
biotina (vitamina para garantir a saúde do 
sistema nervoso). 
 
 
 
 
11Há também o teste do pezinho ampliado 
ofertado na rede particular, que engloba: 
- Galactosemia; 
- Deficiência de glicose-6-fosfato; 
- Sífilis congênita; 
- Rubéola congênita; 
- Herpes congênita; 
- Doença do citomegalovírus congênita; 
- Doença de chagas congênita. 
 
TESTE DA ORELHINHA 
Permite detectar precocemente os casos de 
deficiência auditiva que devem ser tratados 
antes dos 3-6 meses com aparelhos 
auditivos (e mais tarde com implante coclear, 
se preciso) para preservar a capacidade 
auditiva neurológica. O teste deve ser feito 
na unidade neonatal ou ambulatoriamente no 
primeiro mês. 
A triagem pode ser feita por fonoaudiólogo ou 
médico, com um aparelho portátil especifico 
que emite sons diretamente no conduto 
auditivo e capta de volta os sinais 
eletrofisiológicos de sua transmissão. 
 
TESTE DO OLHINHO 
Consiste em testar a presença do reflexo 
vermelho pupilar normal do olho quando se 
projeta uma luz do oftalmoscópio através da 
pupila. A dilatação da pupila é necessária em 
alguns casos. Uma pupila sem reflexo pode 
indicar doenças como tumores, catarata, etc. 
Deve ser feito nos primeiros dias e repetido 
antes de um ano. Pode ser feito também por 
enfermeiro treinado. 
 
 
TESTE DO CORAÇÃOZINHO 
 
Forma simples e rápida de detectar algumas 
cardiopatias congênitas criticas que não 
tenham se manifestado. É feito pelo 
Enfermeiro ou pelo médico, antes da alta da 
maternidade, nos neonatos com mais de 34 
semanas de IG. Consiste em medir a 
oximetria de pulso no braço direito e em um 
de seus pés. As extremidades precisam estar 
aquecidas e a onda de plestimografia 
(relacionada ao pulso) boa e regular. 
Se a saturação for maior ou igual que 95% 
no braço direito com menos de 3% de 
diferença na perna, o teste é normal. Se a 
saturação no braço direito for menor que 
95% ou a diferença entre o braço e a perna 
for maior que 3%, repetir o teste dentro de 
uma hora, e se persistir a alteração, o teste é 
considerado positivo e deve ser solicitado um 
ecocardiograma nas 24 horas seguintes para 
afastar cardiopatia. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
12 
 
5. ALEITAMENTO 
MATERNO 
O leite materno é produzido pela ação dos 
hormônios prolactina e ocitocina. Possui 
numerosos fatores imunológicos que 
protegem a criança contra infecções, seu 
principal anticorpo é o IgA. 
 
A OMS (Organização Mundial de Saúde), 
recomenda o aleitamento materno por 2 
anos ou mais, sendo exclusivo nos 6 
primeiros meses. 
 
Tipos de Aleitamento Materno 
Aleitamento materno exclusivo: somente 
leite materno; 
Aleitamento materno predominante: leite 
materno, água ou bebidas a base de água 
(água adocicada, chás, sucos de frutas); 
Aleitamento materno: leite materno 
independente de outros alimentos; 
Aleitamento materno complementado: leite 
materno e alimento sólido ou sei-sólido; 
Aleitamento materno misto ou parcial: leite 
materno mais outros leites. 
(Fonte: Cab 23, 2015) 
 
Benefícios do Aleitamento Materno 
- Evitar mortes infantis; 
- Evitar infecções respiratórias; 
- Diminuir o risco de alergias; 
- Diminuir o risco de hipertensão e 
obesidade; 
- Melhor qualidade de vida; 
- Melhor desenvolvimento intelectual; 
- Redução de hospitalização; 
- Diminuição da morbidade; 
- Melhor desenvolvimento da cavidade bucal; 
- Perda mais rápida do acumulo de peso da 
gestação; 
- Criação de vinculo entre mãe e bebê; 
- Maior praticidade e beneficio econômico; 
- Diminuição do risco de CA de mama e de 
ovário; 
- Aumento da velocidade de involução uterina 
e redução de hemorragia uterina. 
 
Fatores que podem desestimular ou 
dificultar a amamentação 
 
- Falta de apoio e suporte no inicio; 
- Posição e pega inadequada; 
- Tentativa de utilizar horários fixos ao invés 
de livre demanda; 
- Usar mamadeira e chupeta na unidade 
neonatal; 
- Intercalação de líquidos açucarados ou 
outros leites; 
- Mamadeiras, bicos e fórmulas em casa; 
- Mães com depressão; 
- Cirurgias plásticas de mama; 
- Dor e desconforto ao amamentar; 
- Alta precoce e com pouca orientação; 
- Separação prolongada do filho no pós-
parto; 
- Retorno precoce da mão ao trabalho; 
 
Contraindicações do Aleitamento Materno 
Definitivas: mão infectada por HIV, HTLVI e 
HTLV2 (vírus linfotrópico humano de 
linfócitos T); uso de medicamentos 
incompatíveis com a amamentação 
(antineoplasicos, radiofarmácos) podendo ser 
contraindicada absoluta ou relativa; criança 
portadora de galactosemia, doença do 
xarope de bordo e fenilcetonúria. 
Temporárias: infecção herpética, varicela, 
doença de chagas (na fase aguda ou quando 
houver sangramento mamilar), abscesso 
mamário (até ser drenado e antibioticoterapia 
iniciada), consumo de drogas. 
 
13 
 
 
 
 
 
 
 
 
Observações 
- O colostro é rico em proteínas e anticorpos, 
de suma importância para a imunidade do 
bebê; 
- O leite maduro (que passa a ser secretado 
a partir do 7º ao 10º dia pós parto) é rico em 
gordura, é essencial que o bebê esvazie toda 
a mama durante a mamada para que receba 
esse leite que é o mais calórico. 
- O leite materno pode ser conservado em 
geladeira por 12 horas e no freezer por até 
15 dias. 
 
Posicionamento adequado 
- A mãe deve se sentar em posição 
confortável e o bebê deve estar bem 
apoiado; 
- Rosto do bebê de frente para a mama com 
nariz na altura do mamilo; 
- Corpo do bebê próximo ao da mãe; 
- Bebê com a cabeça e tronco alinhados, 
pescoço não torcido; 
Os erros mais frequentes de posicionamento 
são o bebê de costas para baixo e torcido 
com a linha orelha-ombro-quadril 
desalinhada; ou a mãe em posição 
desconfortável para manter o seio na boca 
do bebê. 
Pega adequada 
- O bebê deve estar acordado e 
razoavelmente alerta; 
- A boca deve estar bem aberta e o lábio 
inferior deve manter-se virado para fora; 
- O queixo e a ponta do nariz devem tocar a 
mama; 
- A auréola deve ficar mais visível acima da 
boca do que abaixo dela. 
Se a pega for ruim o bebê suga apenas o 
mamilo, as bochechas afundam e a 
mandíbula mecha pouco, indicando que está 
mais sugando do que ordenhando. A má 
pega dificulta o esvaziamento da mama, 
podendo levar a diminuição da produção de 
leite, e ainda pode provocar ganho 
inadequado de peso ao bebê. 
 
 
(Ilustrações extraídas do livro Como Ajudar as Mães a Amamentar, 
de F. Savage King). 
 
 
 
 
 
 
 
14 
 
São sinais indicativos de técnica 
inadequada: 
 
- Bochechas do bebê encovadas a cada 
sucção; 
 
- Ruídos da língua; 
 
- Mama aparentando estar esticada ou 
deformada durante a mamada; 
 
- Mamilos com estrias vermelhas, áreas 
esbranquiçadas ou achatados quando o 
bebê solta a mama; 
 
- Dor na amamentação. 
 
 
 
Duração e Frequência da mamada 
Quanto a duração das mamadas, não há 
tempo de permanência fixo para cada uma, o 
essencial é que a mãe de tempo suficiente 
para que a criança esvazie adequadamente a 
mama, para que assim a criança receba o 
leite do final da mamada, que é o mais rico 
em gordura. O esvaziamento adequado das 
mamas também é importante para o ganho 
adequado de peso e manutenção da 
produção de leite suficiente para atender as 
demandas do bebê. Quanto à frequência das 
mamadas deve-se evitar horários fixos, 
deixando o bebê sugar por livre demanda. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
15 
 
6. ALIMENTAÇÃO 
COMPLEMENTAR 
Por volta dos seis meses o grau de tolerância 
gastrointestinal e a capacidade de absorção 
dos nutrientes atinge nível satisfatório e a 
criança vai se adaptando física e 
fisiologicamente para uma alimentação mais 
variada quanto a consistência e textura. 
De 6 a 12 meses o leite materno contribui 
com metade da energia requerida, e entre 12 
e 24 meses contribui com 1/3 da energia 
requerida. 
Esquema alimentar de crianças<2 anos 
que amamentam 
Após 6 meses: aleitamento + 2 papas de fruta 
e 1 papa salgada. 
Após 7 meses: aleitamento + 2 papas de fruta 
e 2 papa salgada. 
Após 12 meses: aleitamento + 3 refeições 
principais da família e lanches nutritivos. 
(Fonte: Cab 23, 2015) 
- A papa salgada deve ter alimentos de todos 
os grupos: cereais ou tubérculos, 
leguminosas, carnes e hortaliças (verduras e 
legumes). 
- As frutas devem ser oferecidas após o 6º 
mês, amassadas ou raspadas. Após o 
aparecimento da dentição pode ser 
oferecidas em pedaços pequenos ou inteiros. 
Nenhuma fruta é contraindicada. 
- Os sucos naturais podem ser utilizados 
após as refeições principais, sem substitui-
los e em doses pequenas. 
- Nos intervalos é preciso oferecer água 
tratada, filtrada ou fervida para criança. 
- É indicado adicionar uma colher de chá de 
óleo, margarina ou manteiga para a comida 
ficar mais forte. 
Observações: A garantia de suprimento 
adequado de nutrientes para o crescimento e 
desenvolvimento da criança após os 6 meses 
de vida depende da disponibilidade de 
nutrientes provenientes do aleitamento 
materno e da alimentação complementar. 
 
Esquema alimentar de crianças não 
amamentadas e amamentadas e 
alimentadas com leite de vaca 
Se a criança não estiver sendo alimentada 
com leite materno e nem fórmula infantil, a 
partir dos quatro meses de vida deve-se 
iniciar a introdução de outros alimentos para 
suprir suas necessidades nutricionais. 
Nascimento até 4 meses: alimentação láctea 
Após 4 meses: leite + papa de fruta + papa 
salgada + papa de fruta e leite + papa salgada + 
leite. 
Após 8 meses: leite + fruta + alimentação básica 
da família + fruta e leite + refeição básica da 
família + leite. 
Após 12 meses: leite e fruta ou cereal ou 
tubérculo + fruta + refeição básica da família + 
fruta ou cereal ou tubérculo + refeição básica da 
família + leite. 
(Fonte: Cab 23, 2015) 
 
Esquema alimentar de crianças não 
amamentadas e alimentadas com fórmula 
infantil 
Nascimento até 6 meses: alimentação láctea 
Após 6 meses: alimentação láctea + papa de 
fruta + papa salgada + papa de fruta e 
alimentação láctea + alimentação láctea. 
Após 7 meses: alimentação láctea + papa de 
fruta + papa salgada + papa de fruta e 
alimentação láctea + papa salgada + alimentação 
láctea. 
Após 12 meses: alimentação láctea + fruta + 
refeição básica da família + frutas ou cereal ou 
tubérculo e alimentação láctea + refeição básica 
da família + alimentação láctea. 
(Fonte: Cab 23, 2015) 
 
 
16 
 
Observação: Práticas de higiene dos 
alimentos complementares são importantes 
para prevenção e redução de ocorrência de 
doenças diarreicas e suas consequentes 
repercussões negativas para o estado 
nutricional da criança. 
 
Alimentação de crianças de 2 a 6 anos 
O esquema alimentar familiar deve ser 
composto por cinco ou seis refeições diárias, 
com horários regulares: café da manhã, 
lanche da manhã, almoço, lanche da tarde, 
jantar e ceia. O intervalo entre as refeições 
deve ser de 2 a 3 horas. 
Importante: 
- Deve-se oferecer volumes pequenos de 
alimentos em cada, respeitando o grau de 
aceitação da criança; 
 
- Não se deve substituir o almoço e o jantar 
por leite ou produtos lácteos; 
 
- Não se deve utilizar a sobremesa ou 
guloseimas como recompensa ou castigo; 
 
- Na alimentação complementar de crianças 
nos primeiros dois anos de vida deve ser 
evitado o oferecimento de açúcar e sal. 
 
Alimentação de crianças de 7 a 10 anos 
 
O cardápio deve seguir a alimentação da 
família, conforme a disponibilidade de 
alimentos e as preferências regionais. As 
refeições devem incluir o desjejum, lanches, 
o almoço e o jantar. 
 
- Devem consumir diariamente frutas, 
verduras e legumes, ótimas fontes de 
calorias, minerais, vitaminas hidrossolúveis e 
fibras. 
 
- É indicado ingerir diariamente 400ml de 
leite para atingir a quantidade necessária de 
cálcio para a formação adequada da massa 
óssea. 
 
 
 
SUPLEMENTAÇÃO DE FERRO E 
VITAMINAS 
O aleitamento materno exclusivo garante 
aporte suficiente de ferro e vitamina A nos 
primeiros seis meses para nascidos a termo 
sem anemia. 
Não é preciso suplementar ferro nos bebês 
alimentados com pelo menos 500ml por dia 
de fórmula infantil que já são suplementadas. 
Entre 6 e 12 meses é indicado prescrever 
1mg/kg/dia de ferro elementar ou pelo menos 
25mg/semana. 
Crianças de risco aumentado de deficiência 
de ferro, como prematuros, gêmeos, filhos de 
mães anêmicas, devem receber 2 mg/kg/dia 
de ferro suplementar no 1º ano de vida e 1 
mg/kg/dia no 2º ano de vida. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
17 
 
7. HIGIENE E SAÚDE 
BUCAL 
A incorporação de hábitos de higiene bucal, o 
controle da ingestão de açúcares e a 
alimentação saudável feita pela família 
resultarão em saúde bucal para a criança e, 
consequentemente, melhor qualidade de vida 
para todos. 
Uma das principais doenças bucais, a cárie 
dentária, quando ocorre em crianças 
menores de 3 anos, torna-se um importante 
alerta de risco, pois há maior probabilidade 
de que as crianças desenvolvam cárie na 
dentição decídua e também na dentição 
permanente. 
A presença do biofilme bacteriano (placa 
dental) visível está associada ao 
desenvolvimento de cáries. Por isso, a 
adoção de práticas de higiene bucal deve se 
iniciar na mais tenra infância. Os pais e os 
cuidadores devem ser orientados a realizar a 
higiene da seguinte forma: 
- Para bebês sem dentes: 
A limpeza da cavidade bucal do bebê deve 
ser iniciada a partir dos primeiros dias de 
vida, com a finalidade de remover o leite 
estagnado em seu interior e nas comissuras 
labiais, massagear a gengiva e acostumá-lo 
à manipulação da boca. A limpeza pode ser 
realizada com uma gaze ou fralda limpa – 
embebida em água potável. 
- Para bebês em fase de erupção dos 
incisivos (de 6 a 18 meses): 
Gaze ou fralda umedecida em água potável, 
duas vezes ao dia. 
 
 
- Para bebês em fase de erupção de 
molares (de 18 a 36 meses): 
Com a erupção dos molares decíduos (ao 
redor dos 18 meses), deve-se iniciar o uso da 
escova dental macia, duas vezes ao dia. O 
uso do fio dental está indicado quando os 
dentes estão juntos, sem espaços entre eles, 
uma vez ao dia. 
Observação: 
A limpeza dos dentes, antes de dormir, é a 
mais importante sob o ponto de vista de 
prevenção da cárie. Enquanto a criança 
ainda mamar, deve-se fazer a limpeza 
noturna dos dentes após a última mamada, 
mas se isso não for possível, pode ser feita a 
limpeza dos dentes antes dessa mamada. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
18 
 
8. PUERICULTURA 
É a arte de promover e proteger a saúde das 
crianças, através de uma atenção integral, 
compreendendo a criança como um ser em 
desenvolvimento com suas particularidades. 
Tem como objetivo acolher a todas as 
crianças, dando assistência de forma 
integrada, realizando a vigilância do 
crescimento e desenvolvimento e 
monitorando os fatores de risco ao nascer e 
evolutivos; estimulando o aleitamento 
materno exclusivo até o sexto mês de vida e 
complementado com alimentação da família, 
até os dois anos de vida; garantindo a 
aplicação das vacinas do esquema básico de 
imunização e, garantindo assim um 
atendimento de qualidade. 
As abordagens e orientações de puericultura 
poder sem organizadas por fases da infância, 
pois cada uma tem uma característica bem 
marcante em termos de velocidade de 
crescimento, aquisição de habilidades 
neuropsicomotoras, tipos de alimentação, 
necessidades de afeto, disciplina e educação 
e principais riscos de acidentes. 
 
Fases da Infância e Adolescência 
Neonatal 1 a 29 dias 
Lactente Até 1 ano 
Criança pequena 1 à 3 anos 
Pré-escolar 3 à 5 anos 
Escolar 6 à 10 anos 
Pré-puberal 10 a 12-14 
anos 
Adolescente 12 à 18 anos 
(Fonte: Blackbook Enfermagem, 2016).Consultas de puericultura 
São consultas para o acompanhamento e 
orientação sobre saúde da criança com 
ênfase no acompanhamento e 
desenvolvimento infantil. 
O Ministério da Saúde recomenda sete 
consultas de rotina no primeiro ano de vida 
(na 1ª semana, no 1º mês, 2º mês, 4º mês, 6º 
mês, 9º mês e 12º mês), além de duas 
consultas no 2º ano de vida (no 18º e no 24º 
mês) e, a partir do 2º ano de vida, consultas 
anuais, próximas ao mês do aniversário. 
 
Condutas 
- Anamnese e exame físico: SSVV, 
desenvolvimento neuropsicomotor, avaliação 
cabeça, olhos, ouvidos, nariz, garganta, 
tórax, abdômen, extremidades; 
- Dados antropométricos: peso, estatura, 
IMC, perímetro do crânio; 
- Rastreamento para displasia evolutiva do 
quadril; 
- Rastreamento para criptorquidia; 
- Posição para dormir: os pais e cuidadores 
devem ser alertados quanto ao risco de 
morte súbita de crianças no primeiro ano de 
vida, sobretudo nos primeiros 6 meses. Eles 
devem receber a orientação de que a melhor 
maneira de prevenir casos assim é 
colocando a criança para dormir de “barriga 
para cima” (posição supina), e não de lado 
ou de bruços; 
- Prevenção de infecção viral respiratória: a 
lavagem de mãos por todas as pessoas que 
têm contato com o bebê deve ser orientada 
em todas as visitas de puericultura, com o 
objetivo de evitar a propagação de vírus 
causadores de doenças respiratórias; 
 
19 
 
- Alimentação saudável: promover e orientar 
o aleitamento materno exclusivo até os 6 
meses de idade e orientar a introdução de 
alimentos sólidos nas idades apropriadas; 
- Prevenção de acidentes: como os acidentes 
podem ser prevenidos e estão entre as 
principais causas de morte em crianças e 
adolescentes; 
- Vacinação: orientar sobre as vacinações, 
verificar se existem vacinas em atraso e 
providenciar a aplicação das que estão 
faltando, explicar e lembrar o agendamento 
das próximas vacinas. 
 
ALGUNS REFLEXOS DA CRIANÇA 
Reflexo de Babinsk 
A presença do reflexo é reação normal em 
crianças até 2 anos. Em adultos indica lesão 
neurológica. 
- Caracteriza-se por uma extensão do hálux 
(dedão do pé), quando um firme estímulo tátil 
(que não deve ser doloroso) é aplicado a sola 
lateral do pé. Junto com a extensão do hálux, 
os outros dedos do pé afastam-se entre si. 
 
Reflexo de Moro 
O reflexo de moro pode ser demonstrado 
colocando-se o bebê voltado pra cima sobre 
uma superfície. 
- Os braços são elevados com tração 
suficiente apenas para começar a remover o 
corpo da superfície. Os braços são então 
repentinamente soltos. O bebê pode 
apresentar aparência assustada e os braços 
se abrem para os lados com as palmas para 
cima e os polegares flexionados. Some por 
volta do 2º ou 3º mês. 
Reflexos para alimentação 
1. Busca: está presente desde o nascimento 
e vai diminuindo a partir do 4º mês; 
2. Sucção: não está presente em RN baixo 
peso (<2500g); 
3. Deglutição: presente ao nascimento, 
tornando-se voluntário ao 4º mês. 
 
Reflexo da Marcha 
Quando a criança é suportada em uma 
posição vertical e mantém contato dos pés 
com uma superfície, podem surgir 
movimentos alternados dos membros 
inferiores com uma morfologia geral 
semelhante a marcha. É vicível a partir da 2º 
semana de vida e desaparece ao 2º mês. 
- A assimetria ou ausência desse reflexo 
pode indicar lesões nervosas, musculares ou 
ósseas, que devem ser avaliadas. 
 
Reflexo da Fuga à Asfixia 
Coloca-se a criança em decúbito ventral no 
leito com a face voltada para o colchão. Em 
alguns segundos o RN deverá virar o rosto 
liberando o nariz para respirar adequada- 
mente. 
 
LEMBRETE IMPORTANTE 
Mortalidade infantil: até 1 ano; 
Mortalidade Neonatal: até 28 dias 
(precoce até 7 dias e tardia de 7 a 28 
dias); 
Mortalidade na infância: até 5 anos. 
 
 
20 
 
 
9. CRESCIMENTO E 
DESENVOLVIMENTO 
INFANTIL 
CRESCIMENTO 
 
O crescimento é um processo dinâmico e 
contínuo, expresso pelo aumento do 
tamanho corporal. 
 
- O processo de crescimento é influenciado 
por fatores intrínsecos (genéticos) e 
extrínsecos (ambientais), entre os quais se 
destacam a alimentação, a saúde, a higiene, 
a habitação e os cuidados gerais com a 
criança, que atuam acelerando ou 
restringindo tal processo. 
 
- O acompanhamento sistemático do 
crescimento e do ganho de peso permite a 
identificação de crianças com maior risco de 
morbimortalidade por meio da sinalização 
precoce da subnutrição e da obesidade. 
 
 
A altura para idade é o melhor indicador de 
crescimento da criança, e no Brasil, 
representa o déficit antropométrico mais 
importante. 
 
 
 
Na tabela ao lado segue algumas 
referências básicas de crescimento 
normal para facilitar o acompanhamento e 
dar parâmetros de normalidade. 
 
 
 
 
 
 
Referências de crescimento 
Idade Ganho 
Médio de 
Peso 
Crescimento 
Médio 
Primeiro 
trimestre 
700g por 
mês 
3 cm por mês 
Segundo 
trimestre 
500g por 
mês 
2 cm por mês 
Terceiro 
trimestre 
400g por 
mês 
1,5cm por mês 
Quarto 
trimestre 
350g por 
mês 
1 cm por mês 
12 à 24 
meses 
200g por 
mês 
0,5 cm por mês 
2 à 5 anos 2kg por 
ano 
6-7 cm por ano 
(Fonte: Blackbook Enfermagem, 2016) 
- O melhor método de acompanhamento do 
crescimento infantil é o registro periódico do 
peso, da estatura e do IMC da criança na 
Caderneta de Saúde da Criança. 
- A inclusão do IMC como parâmetro de 
avaliação permite que a criança seja mais 
bem avaliada na sua relação peso vs. 
comprimento (para menores de 2 anos) ou 
peso vs. altura (para maiores de 2 anos). 
- Tal parâmetro auxilia na classificação de 
crianças que em um determinado período 
estiveram desnutridas e tiveram o 
comprometimento de sua estatura, 
possibilitando uma melhor identificação de 
crianças com excesso de peso e baixa 
estatura. 
 
 
 
 
21 
 
- O cálculo do IMC deverá ser realizado a 
partir da aplicação da fórmula a seguir, após 
realizada a mensuração de peso e altura ou 
de comprimento da criança. 
- As crianças menores de 2 anos deverão ser 
mensuradas deitadas em superfície lisa 
(comprimento) e as crianças maiores de 2 
anos deverão ser mensuradas em pé (altura). 
 
 
Condutas recomendadas para algumas 
situações de desvio no crescimento: 
 
Sobrepeso ou obesidade 
- Verifique a existência de erros alimentares, 
identifique a dieta da família e oriente a mãe 
ou o cuidador a administrar à criança uma 
alimentação mais adequada. 
- Verifique as atividades de lazer das 
crianças, como o tempo em frente à televisão 
e ao videogame, estimulando-as a realizar 
passeios, caminhadas, andar de bicicleta, 
praticar jogos com bola e outras brincadeiras 
que aumentem a atividade física. 
Magreza ou peso baixo para a idade 
Crianças < 2 anos: 
- Investigue possíveis causas, com atenção 
especial para o desmame. 
- Oriente a mãe sobre a alimentação 
complementar adequada para a idade. 
 
 
 
Crianças > 2 anos: 
- Investigue possíveis causas, com atenção 
especial para a alimentação, para as 
intercorrências infecciosas, os cuidados com 
a criança, o afeto e a higiene. 
- Trate as intercorrências clínicas, se houver. 
Magreza acentuada ou peso muito baixo 
para a idade 
- Investigue possíveis causas, com atenção 
especial para o desmame (especialmente 
para os menores de 2 anos), a alimentação, 
as intercorrências infecciosas, os cuidados 
com a criança, o afeto e a higiene. 
 
- A caderneta de Saúde da Criança utiliza 
como parâmetros para avaliação do 
crescimento de crianças (<10 anos) os 
seguintes gráficos: 
1. Perímetro cefálico: de 0 a 2 anos. 
2. Peso para idade: de 0 a 2 anos, de 2 a 5 
anos e de 5 a 10 anos. 
3. Comprimento/estatura para idade: de 0 
a 2 anos, de 2 a 5 anos e de 5 a 10 anos. 
4. IMC para idade: de 0 a 2 anos, de 2 a 5 
anos e de 5 a 10 anos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
22 
 
DESENVOLVIMENTO 
 
O conceito de desenvolvimentoé amplo e 
refere-se a uma transformação complexa, 
contínua, dinâmica e progressiva, que 
inclui, além do crescimento, maturação, 
aprendizagem e aspectos psíquicos e 
sociais. 
- O acompanhamento do desenvolvimento da 
criança objetiva sua promoção, proteção e a 
detecção precoce de alterações passíveis de 
modificação que possam repercutir em sua 
vida futura. 
- A identificação de problemas (tais como: 
atraso no desenvolvimento da fala, 
alterações relacionais, tendência ao 
isolamento social, dificuldade no 
aprendizado, agressividade, entre outros) é 
fundamental para o desenvolvimento e a 
intervenção precoce para o prognóstico 
dessas crianças. 
- As avaliações do desenvolvimento infantil 
devem sempre levar em consideração as 
informações e opiniões dos pais e da escola 
sobre a criança 
- A manifestação de dificuldades no 
desenvolvimento é muito variável e pode ser 
de ordem mental, física, auditiva, visual ou 
relacional. 
- O tratamento de uma criança com distúrbio 
do desenvolvimento poderá ser 
individualizado ou ser feito em grupo e 
depende muito de sua complexidade. O 
adequado manejo poderá variar, podendo ser 
feito mediante orientações aos pais sobre a 
importância da relação entre o 
desenvolvimento da criança e a maneira 
como eles lidam com isso. 
 
 
AVALIAÇÃO E CLASSIFICAÇÃO DO 
DESENVOLVIMENTO 
 
 
AVALIAR 
 
 
CLASSIFICAR 
- Ausência de um 
ou mais marcos 
para a faixa etária 
anterior ou 
- Perímetro cefálico 
< -2 ZS ou > +2 ZS 
e/ou 
- Presença de três 
ou mais alterações 
fenotípicas. 
 
 
 
PROVÁVEL ATRASO NO 
DESENVOLVIMENTO 
- Ausência de um 
ou mais marcos 
para a sua faixa 
etária. 
 
 
ALERTA PARA O 
DESENVOLVIMENTO 
- Todos os marcos 
para a sua faixa 
etária estão 
presentes, mas 
existem um ou 
mais fatores de 
risco. 
 
 
 
DESENVOLVIMENTO 
NORMAL COM FATORES 
DE RISCO 
- Todos os marcos 
para a sua faixa 
etária estão 
presentes. 
 
DESENVOLVIMENTO 
NORMAL 
(Fonte: Aidpi, 2017) 
 
IMPORTANTE 
Durante a consulta de avaliação do 
desenvolvimento deve ser verificado o 
perímetro cefálico da criança, independente 
de sua idade. 
Objetivo 
Esta medição é principalmente um reflexo do 
crescimento do cérebro. O tamanho do 
crânio é um índice bastante aproximado do 
volume de seu conteúdo (normalmente 
encéfalo e líquido cefalorraquideano). 
 
23 
 
Seu crescimento vai se tornando mais lento a 
partir de 1 ano de vida e praticamente 
estaciona aos 5 anos de idade. O aumento 
do perímetro cefálico (acima de +2 desvio 
padrão) denomina-se macrocefalia; e a 
diminuição do perímetro cefálico (abaixo de -
2 desvio padrão), microcefalia. Ambas as 
situações nos obrigam a descartar patologias 
que requerem atenção ou que podem 
associar-se a transtornos do desenvolvi- 
mento. 
 
Técnica: 
 
Utilize uma fita métrica inelástica. Coloque a 
fita sobre o ponto mais proeminente da parte 
posterior do crânio (occipital) e sobre as 
sobrancelhas. Se houver alguma 
proeminência frontal e for assimétrica, 
passar a fita métrica sobre a mais 
proeminente. Após a medição, verifique a 
posição na curva segundo o Gráfico do 
Perímetro Cefálico da OMS. 
 
 
(Fonte: Aidpi, 2017) 
 
- Na primeira consulta de avaliação do 
desenvolvimento de uma criança de até 6 
anos, é importante perguntar para a mãe ou 
para o acompanhante (cuidador primário) 
sobre fatos associados ao desenvolvimento, 
além de observar a criança na realização de 
comportamentos esperados para a sua faixa 
etária. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
24 
 
Observar o comportamento da criança de 
acordo com sua faixa etária 
 
2 a 4 meses: 
- Resposta ativa ao contato social. 
- Segura objetos. 
- Emite sons. 
- De bruços, levanta a cabeça, apoiando-se 
nos antebraços. 
4 a 6 meses: 
- Busca ativa de objetos. 
- Leva objetos a boca. 
- Localiza o som. 
- Muda de posição ativamente (rola). 
6 a 9 meses: 
- Brinca de esconde-achou. 
- Transfere objetos de uma mão para outra. 
- Duplica sílabas. 
- Senta-se sem apoio. 
9 a 12 meses: 
- Imita gestos. 
- Faz pinça. 
- Produz “jargão”. 
- Anda com apoio. 
12 a 15 meses: 
- Mostra o que quer. 
- Coloca blocos na caneca. 
- Diz uma palavra. 
- Anda sem apoio. 
 
15 a 18 meses: 
- Usa colher ou garfo para se alimentar. 
- Constrói torres de dois cubos. 
- Fala três palavras. 
- Anda para trás. 
18 a 24 meses: 
- Tira roupa. 
- Constrói torre de três cubos. 
- Aponta duas figuras. 
- Chuta a bola. 
 
2 anos a 2 anos e 6 meses: 
- Veste-se com supervisão. 
- Constrói torres com seis cubos. 
- Forma frases com duas palavras. 
- Pula com ambos os pés. 
2 anos e 6 meses a 3 anos: 
- Brinca com outras crianças. 
- Imita uma linha vertical. 
- Reconhece duas ações. 
- Arremessa a bola. 
3 anos a 3 meses e 6 meses: 
- Veste uma camiseta. 
- Move o polegar com a mão fechada. 
- Compreende dois adjetivos. 
- Equilibra-se em cada pé por um segundo. 
3 anos e 6 meses a 4 anos: 
- Emparelha cores. 
- Copia círculos. 
- Fala inteligível. 
- Pula em um pé só. 
4 anos a 4 anos e 6 meses: 
- Veste-se sem ajuda. 
- Copia uma cruz. 
- Compreende quatro preposições. 
- Equilibra-se em cada pé por três segundos. 
4 anos e 6 meses a 5 anos: 
- Escova os dentes sem ajuda. 
- Aponta a linha mais comprida. 
- Define cinco palavras. 
- Equilibra-se em um pé cinco segundos. 
5 anos a 5 anos e 6 meses: 
 - Brinca de fazer de conta com outras 
crianças. 
- Desenha uma pessoa com seis partes. 
- Faz analogia. 
- Marcha em ponta-calcanhar. 
5 anos e 6 meses a 6 anos: 
- Aceita e segue regras nos jogos de mesa. 
- Copia um quadrado. 
- Define sete palavras. 
- Equilibra-se em cada pé por 7 segundos. 
 
25 
 
10. PREVENÇÃO DE 
ACIDENTES 
A palavra “acidente” é tradicionalmente 
usada para definir a ocorrência de 
eventos que resultem em uma lesão. 
 
- Os acidentes constituem o extremo de um 
processo cuja cadeia causal pode ser 
antecipada, razão pela qual é fundamental 
contextualizá-los para propor ações possíveis 
e viáveis de prevenção. 
 
 
O acidente responsável pelo maior 
número de atendimentos a crianças <5 
anos em serviços de emergência é 
QUEDA. 
 
 
ALGUMAS MEDIDAS DE PREVENÇÃO 
 
Lactentes: 
Não colocar para dormir de barriga para 
baixo, não amarrar chupeta ou qualquer 
outra coisa no pescoço da criança, não 
deixar sozinha em lugares altos (cama, 
trocador), não deixar sozinha na banheira, 
não carregar nada quente enquanto estiver 
com bebê no colo, não deixar ao alcance 
objetos pequenos que possa ser aspirado, 
providenciar proteção de tomadas elétricas, 
no carro as crianças devem andar sempre no 
banco de traz com cadeirinha apropriada, 
guardar fora de alcance produtos de risco 
como medicamentos, produtos de limpeza 
etc. 
 
1 a 3 anos: 
Não deixar subir em lugares altos sem 
supervisão, não deixar nem por minuto 
sozinha em banheiras, piscinas, lagos, 
baldes cheios, prender cômodas, estantes na 
parede, instalar fechos seguros gavetas e 
armários baixos com objetos perigosos, 
instalar trancas nas portas de saída em altura 
que não possa ser alcançada com uma 
cadeira. 
 
3 a 6 anos: 
Proteger tomadas e não deixar crianças 
brincarem com objetos metálicos perto de 
tomadas, se houver piscina em casa proteger 
com cerca ou cobertura, colocar grades ou 
redes nas janelas, orientar a não conversar 
com pessoas estranhas, ensinar a andar, 
atravessar a rua e alertar a não correr na rua 
atrás de bola ou animas; 
 
Escolar: 
Ensinar a usar bicicleta, patins etc. somente 
com o uso de capacete, ensinar os riscos de 
afogamento, ensinar a usar fogão, tesoura, 
forno, facas e equipamentos elétricos com 
segurança e supervisão, ensinar o uso 
seguro a internet e os riscos relacionados;Adolescentes: 
Orientar sobre os riscos de dirigir 
ilegalmente, conversar sobre o risco de 
álcool e drogas, identificar e abordar 
depressão ou sinais que possam indicar risco 
de suicídio, encorajar medidas de segurança 
na prática de esportes e na relação com 
adultos, discutir sobre sexo, sites 
inadequados na internet, anticon-cepção e 
sexo seguro. 
 
26 
 
11. IMUNIZAÇÃO 
 
CALENDARIO NACIONAL DE 
IMUNIZAÇÃO 2018 
 
AO NASCER BCG + Hep. B 
2 MESES Pentavalente (DTP + 
Hib + Hep. B) + VIP + 
P10 + VORH 
3 MESES Meningocócica C 
4 MESES Pentavalente (DTP + 
Hib + Hep. B) + VIP + 
P10 + VORH 
5 MESES Meningocócica C 
6 MESES Pentavalente (DTP + 
Hib + Hep. B) + VIP 
9 MESES Febre amarela 
12 MESES Tríplice Viral (SRC) + 
Meningocó- cica C 
(reforço) + P10 
(reforço) 
15 MESES Hep. A + VOP 
(1ºreforço) + DTP (1º 
reforço) + Tetra Viral 
ou Tríplice Viral + 
Varicela 
4 ANOS VOP (2º reforço), DTP 
(2º reforço), 2º dose 
varicela 
9 A 14 ANOS HPV meninas 
11 A 14 ANOS HPV meninos 
11 A 14 ANOS Meningocócica C 
conjugada 
(Fonte: CGPNI-MS) 
 
Vacinas e as doenças evitáveis 
- BCG: formas graves de tuberculose. 
- Hepatite B: hepatite B. 
- Pentavalente: Difteria, tétano, coqueluche, 
hepatite B, meningite e outras infecções 
causadas pelo Haemophilus influenzae tipo 
B. 
- VIP (Vacina Inativada da Poliomielite): 
Poliomielite (paralisia infantil). 
- VORH (Vacina Oral de Rotavírus Humano): 
Diarreia por Rotavírus. 
- P10 (Vacina pneumocócica 10 (valente): 
Doenças invasivas e otite média aguda 
causadas por Streptococcus pneumoniae 
sorotipos 1, 4, 5, 6B, 7F, 9V, 14, 18C, 19F e 
23F. 
- Meningocócica C: Doenças invasivas 
causadas por Neisseria meningitidis do 
sorogrupo C. 
- Febre amarela: Febre amarela. 
- Trílice Viral: Sarampo, Caxumba, Rubéola. 
- Hepatite A: hepatite A. 
- Tetra Viral: Sarampo, caxumba, rubéola e 
varicela. 
- VOP (Vacina Oral Poliomielite): Poliomielite 
(paralisia infantil). 
- DTP (tríplice bacteriana): Difteria, tétano e 
coqueluche. 
- HPV (quadrivalente): Infecções pelo 
Papilomavírus Humano 6, 11, 16 e 18. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
27 
 
12. DOENÇAS 
PREVALENTES NA 
INFÂNCIA 
Diarréia e Desidratação 
 
A diarreia é um desarranjo do intestino com 
aumento do número de evacuações e fezes 
amolecidas ou liquidas. 
 
- É definida como a ocorrência de três ou 
mais evacuações amolecidas ou líquidas em 
um período de 24 horas. 
- A maioria das diarreias é causada por vírus, 
bactérias ou parasitas. 
- Os agentes causadores costumam chegar 
aos humanos através da boca, podendo 
estar na água ou alimentos contaminados. 
 
Tipos de diarreia 
- Aguda: tem duração < duas semanas, pode 
causar desidratação e contribuir para a 
desnutrição; 
- Persistente: duram 14 dias ou mais, podem 
causar problemas nutricionais e contribuir 
para mortalidade na infância; 
 
- Sanguinolenta: é chamada de desinteria 
causada pela bactéria Shigella, tem como 
características o sangue e pus. 
 
Características 
- Perda de água e eletrólitos > que o normal; 
- Elevado volume e frequência de 
evacuações durante o dia, variando conforme 
a dieta e idade da criança; 
 
- Constitui uma das principais causas de 
morbimortalidade infantil no Brasil. 
 
Complicações 
- Desidratação; 
- Desnutrição crônica; 
- Retardo do desenvolvimento intelectual, 
peso e altura; 
- Morte; 
Tratamento 
- Iniciar ingestão de soro caseiro o mais 
breve possível; 
- Aumentar a ingestão de líquidos como 
soros, sopas, sucos; 
- Após cada evacuação diarreica deve-se 
ingerir de 50 a 100ml de líquidos; 
- Manter a alimentação habitual, principal- 
mente leite materno (se for o caso); 
- Observar sinais de desidratação, tais 
como: letargia, inconsciência, irritação, 
dificuldade na ingestão de líquidos, sinal da 
prega presente, olhos fundos, ausência de 
lagrimas quando a criança chora; Em RN a 
depressão da fontanela Bregmática é um 
sinal indicativo de desidratação. 
Soro caseiro 
 
 
 
28 
 
Desnutrição 
 
É a consequência, para o organismo, do 
déficit de nutrientes. 
 
- A desnutrição grave acomete todos os 
órgãos da criança, tornando-se crônica e 
levando a óbito, caso não seja tratada 
adequadamente. 
É uma das causas de morbidade e 
mortalidade mais comuns entre as 
crianças do mundo inteiro. 
 
Fatores de Risco 
- Baixo nível sócio econômico; 
- Desajustamento familiar; 
- Saneamento básico inadequado; 
- Baixo peso ao nascer; 
- Abandono ao aleitamento materno; 
- Baixa escolaridade e precário conhecimento 
da mãe sobre os cuidados com a criança. 
Classificação 
Primária: oferta inadequada de alimentos. 
Secundária: alimentos fornecidos de maneira 
satisfatória, mas com aproveitamento 
inadequado. Ex: Síndrome da má absorção. 
 
SINAIS DE PERIGO 
 
 
 
 
 
Tratamento 
Ocorre em três fases, sendo elas: 
1. Estabilização: tratar problemas que trazem 
risco de morte, corrigir as deficiências 
nutricionais específicas, reverter anormalida- 
des metabólicas, iniciar alimentação. 
2. Reabilitação: prover alimentação intensiva 
para criança, a fim de assegurar o 
crescimento rápido, contribuindo para a 
recuperação do peso perdido. 
3. Acompanhamento: realizado em 
ambulatórios, centros de reabilitação 
nutricional, pela equipe de atenção básica, 
buscando a prevenção de recaídas e a 
continuidade do tratamento. 
 
 
10 PASSOS PARA RECUPERAÇÃO DA 
CRIANÇA COM DESNUTRIÇÃO GRAVE 
 
1. Tratar e prevenir hipoglicemia; 
2. Tratar e prevenir hipotermia; 
3. Tratar a desidratação e choque séptico; 
4. Corrigir os distúrbios metabólicos 
hidroeletrolíticos; 
5. Tratar infecção; 
6. Corrigir deficiências de micronutrientes; 
7. Reiniciar a alimentação cautelosamente; 
8. Reconstruir os tecidos perdidos; 
9. Afetividade, estimulação, recreação e 
cuidado; 
10. Preparar para alta e acompanhamento 
após a alta. 
 
 
- Hipoglicemia; 
- Desidratação; 
- Hipotermia; 
- Anemia grave; 
- Sinais de Infecção. 
 
29 
 
Anemia na Infância 
 
A anemia é uma condição em que a 
concentração de hemoglobina é inferior ao 
normal, tendo assim menos eritrócitos do que 
o habitual na circulação, consequentemente 
a quantidade de oxigênio liberada para os 
tecidos corporais também estará diminuída. 
 
Fatores de Risco 
 
 
 
 
 
 
 
Tipos de Anemia 
 
- Anemia falciforme; 
- Anemia ferropriva; 
- Anemia perniciosa; 
- Anemia aplástica; 
- Anemia hemolítica; 
- Anemia Fanconi; 
- Anemia megaloblastica. 
 
 
 
ATENÇÃO 
Crianças de 6 a 24 meses é a faixa etária 
de maior risco. 
 
- É importante conhecer os alimentos que 
favorecem ou prejudicam a absorção de ferro 
para incluí-los ou não nas refeições. 
 
Fatores que facilitam a absorção do ferro 
- Ácido ascórbico (presente nos sucos 
cítricos). 
- Ácidos orgânicos (presentes na casca de 
feijão, nos cereais crus e nos farelos). 
 
Fatores que prejudicam a absorção do 
ferro 
- Cálcio (presente no leite e em seus 
derivados). 
- Polifenóis (presentes nos chás e na 
cafeína). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
- Baixo peso ao nascer; 
- Hemorragia perinatal; 
- Infestações parasitárias. 
 
 
30 
 
Infecções Respiratórias 
- As doenças respiratórias continuam sendo 
um dos principais problemas de saúde 
pública entre os < de 5 anos, particularmente 
a partir da primeira semana de vida. 
- Uma vez superadas as afecções 
associadas ao período neonatal, às infecções 
das vias respiratórias são as causas mais 
comuns de doença durante a infância. 
Contudo, as doenças respiratórias não se 
constituem apenas por infecções. A asma 
brônquica (doença inflamatória crônica das 
vias aéreas) é, também, um problema de 
saúde pública e tem aumentado sua 
incidência. 
- As infecções respiratórias podem ser 
causadas por vírus, fungos ou bactérias 
gerando doenças como: faringite, rinite, 
rinossinusite,pneumonia e bronquiolite. 
 
Fatores de risco 
- Desnutrição infantil; 
- Baixo peso ao nascer; 
- Falta de amamentação materna; 
- Poluição do ar. 
 
Sintomas de infecções respiratórias 
- Febre, tosse, mal estar, dor torácica, 
catarro, dor de ouvido, dor abdominal. 
 
Diagnóstico 
- Pode ser feito através da ausculta 
pulmonar, teste de escarro, e exames como 
hemograma e raio-x de tórax. 
Tratamento 
- Administração de medicamentos como 
antibióticos, analgésicos e antitérmicos. 
 
- Alguns pacientes internados no hospital 
podem necessitar fisioterapia respiratória 
para retirar secreções pulmonares. 
 
Importante 
Se a criança apresentar tosse ou dificuldade 
para respirar deve-se avaliar: 
- Há quanto tempo a criança está tossindo e 
com dificuldade para respirar; 
- Se a criança apresenta sibilância ocasional 
ou frequente; 
- Contar frequência respiratória e 1 min 
avaliando se está rápida; 
- Tiragem subcostal; 
- Estridor. 
 
Definições de Frequência Respiratória 
Rápida 
IDADE DEFINIÇÃO DE 
RESP. RÁPIDA 
< 2 meses 60 ou mais por minuto 
2 meses a menor 
de 12 meses 
50 ou mais por minuto 
1 ano a menor de 5 
anos 
40 ou mais por minuto 
Maior de 5 anos 30 ou mais por minuto 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
31 
 
Doença do Refluxo Gastroesofágico 
(DRGE) 
- O refluxo retrógrado do conteúdo gástrico 
ou duodenal para dentro do esôfago é 
normal. Contudo pode acontecer o refluxo 
excessivo causado por um esfíncter 
esofágico inferior incompetente, estenose 
pilórica ou distúrbio de motilidade. 
 
 
Sintomas 
- Pirose (sensação de queimação no 
esôfago; 
- Dispepsia (indigestão); 
- Regurgitação, disfagia ou odinofagia 
(dificuldade de deglutição, dor à deglutição); 
- Hipersalivação; 
- Esofagite (inflamação do esôfago). 
 
Diagnóstico 
- Avaliação dos sintomas, história clínica; 
- Testes para quantificar o refluxo; 
- Testes para quantificar a inflamação. 
 
Tratamento 
- Alterações do estilo de vida; 
- Em lactentes evitar dar mamadas com o 
lactente sentado ou em decúbito, diminuir o 
volume das mamadas e aumentar sua 
frequência, excluir leite de vaca e ovos da 
dieta materna durante 2 a 4 semanas (em 
doentes com amamentação exclusiva); 
- Em crianças e adolescentes recomenda-se 
a diminuição do peso, evitar consumo de 
cafeína, chocolate, alimentos picantes, além 
de cuidados posicionais; 
- Quando o refluxo persiste pode ser 
administrado medicamentos coo antiácidos 
ou bloqueadores dos receptores de 
histamina; 
- Para crianças com DRGE com 
complicações graves e/ou doença crônica, as 
melhores opções terapêuticas são o 
tratamento medicamentoso com inibidor de 
bomba de prótons e a cirurgia antirrefluxo; 
- Quando o tratamento clinico não é bem 
sucedido, pode ser necessário intervenção 
cirúrgica como a fundoplicatura (enrolamento 
de uma porção do fundo gástrico ao redor da 
área do esfíncter do esôfago), podendo ser 
feita por laparoscopia. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
32 
 
13. POLÍTICA 
NACIONAL DE 
ATENÇÃO INTEGRAL 
À SAÚDE DA CRIANÇA 
(PNAISC) 
PORTARIA Nº 1.130, DE 5 DE AGOSTO DE 
2015 
ART. 1º 
 
Fica instituída a Política Nacional de Atenção 
Integral à Saúde da Criança (PNAISC) no 
âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). 
 
ART. 2º 
 
A PNAISC tem por objetivo promover e 
proteger a saúde da criança e o aleitamento 
materno, mediante a atenção e cuidados 
integrais e integrados da gestação aos 9 
(nove) anos de vida, com especial atenção à 
primeira infância e às populações de maior 
vulnerabilidade, visando à redução da 
morbimortalidade e um ambiente facilitador à 
vida com condições dignas de existência e 
pleno desenvolvimento. 
 
ART. 3º 
 
Considera-se: 
 
I - criança: pessoa na faixa etária de 0 (zero) 
a 9 (nove) anos, ou seja, de 0 (zero) a 120 
(cento e vinte) meses; e 
II - primeira infância: pessoa na faixa etária 
de 0 (zero) a 5 (cinco) anos, ou seja, de 0 
(zero) a 72 (setenta e dois) meses. 
 
Paragrafo único: Para fins de atendimento 
em serviços de pediatria no SUS, a PNAISC 
contemplará crianças e adolescentes até a 
idade de 15 (quinze) anos, ou seja, 192 
(cento e noventa e dois) meses, sendo este 
limite etário passível de alteração de acordo 
com as normas e rotinas do estabelecimento 
de saúde responsável pelo atendimento. 
ART. 4º 
 
São princípios da PNAISC 
 
I - direito à vida e à saúde; 
II - prioridade absoluta da criança; 
III - acesso universal à saúde; 
IV - integralidade do cuidado; 
V - equidade em saúde; 
VI - ambiente facilitador à vida; 
VII - humanização da atenção; 
VIII- gestão participativa e controle social. 
 
ART. 5º 
 
São Diretrizes da PNAISC 
 
I - gestão interfederativa das ações de 
saúde da criança; 
II - organização das ações e serviços na 
rede de atenção; 
III - promoção da saúde; 
IV - fomento à autonomia do cuidado e da 
corresponsabilidade da família; 
V - qualificação da força de trabalho do 
SUS; 
VI - planejamento e desenvolvimento de 
ações; 
VII - incentivo à pesquisa e à produção de 
conhecimento; 
VIII - monitoramento e avaliação; e IX - 
intersetorialidade. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
33 
 
ART. 6º 
 
São eixos estratégicos da PNAISC 
 
I - atenção humanizada e qualificada à 
gestação, ao parto, ao nascimento e ao 
recém-nascido; 
II - aleitamento materno e alimentação 
complementar saudável; 
III - promoção e acompanhamento do 
crescimento e do desenvolvimento integral; 
IV - atenção integral a crianças com agravos 
prevalentes na infância e com doenças 
crônicas; 
V - atenção integral à criança em situação de 
violências, prevenção de acidentes e 
promoção da cultura de paz; 
 
VI - atenção à saúde de crianças com 
deficiência ou em situações específicas e de 
vulnerabilidade; 
VII - vigilância e prevenção do óbito infantil, 
fetal e materno; 
 
ART. 7º 
 
São ações estratégicas do eixo de atenção 
humanizada e qualificada à gestação, ao 
parto, ao nascimento e ao recém-nascido: 
 
I - a prevenção da transmissão vertical do 
HIV e da sífilis; 
II - a atenção humanizada e qualificada ao 
parto e ao recém nascido no momento do 
nascimento, com capacitação dos 
profissionais de enfermagem e médicos para 
prevenção da asfixia neonatal e das parteiras 
tradicionais; 
III - a atenção humanizada ao recém-nascido 
prematuro e de baixo peso, com a utilização 
do "Método Canguru"; 
IV - a qualificação da atenção neonatal na 
rede de saúde materna, neonatal e infantil, 
com especial atenção aos recém-nascidos 
graves ou potencialmente graves, internados 
em Unidade Neonatal, com cuidado 
progressivo entre a Unidade de Terapia 
Intensiva Neonatal (UTIN), a Unidade de 
Cuidado Intermediário Neonatal 
Convencional (UCINCo) e a Unidade de 
Cuidado Intermediário Neonatal Canguru 
(UCINCa); 
V - a alta qualificada do recém-nascido da 
maternidade, com vinculação da dupla mãe-
bebê à Atenção Básica, de forma precoce, 
para continuidade do cuidado; 
VI - o seguimento do recém-nascido de risco, 
após a alta da maternidade, de forma 
compartilhada entre a Atenção Especializada 
e a Atenção Básica; 
VII - as triagens neonatais universais; 
 
ART. 8º 
 
São ações estratégicas do eixo de 
aleitamento materno e alimentação 
complementar saudável: 
 
I - a Iniciativa Hospital Amigo da Criança 
(IHAC); 
II - a Estratégia Nacional para Promoção do 
Aleitamento Materno e Alimentação 
Complementar Saudável no SUS - Estratégia 
Amamenta e Alimenta Brasil (EAAB); 
III - a Mulher Trabalhadora que Amamenta 
(MTA); 
IV - a Rede Brasileira de Bancos de Leite 
Humano; 
V - a implementação da Norma Brasileira de 
Comercialização de Alimentos para 
Lactentes, para Crianças de Primeira 
Infância, Bicos Chupetas e Mamadeiras 
(NBCAL); 
VI - a mobilização social em aleitamento 
materno. 
 
ART. 9º 
 
São ações estratégicas do eixo de promoção 
e acompanhamento do crescimento e do 
desenvolvimento integral:I - a disponibilização da "Caderneta de Saúde 
da Criança", com atualização periódica de 
seu conteúdo; 
II - a qualificação do acompanhamento do 
crescimento e desenvolvimento da primeira 
infância pela Atenção Básica à Saúde; 
III - o Comitê de Especialistas e de 
Mobilização Social para o Desenvolvimento 
 
34 
 
Integral da Primeira Infância, no âmbito do 
Sistema Único de Saúde (SUS) 
IV - o apoio à implementação do Plano 
Nacional pela Primeira Infância. 
 
ART. 10º 
 
São ações estratégicas do eixo de atenção 
integral a crianças com agravos prevalentes 
na infância e com doenças crônicas: 
 
I - a Atenção Integrada às Doenças 
Prevalentes na Infância (AIDPI); 
II - a construção de diretrizes de atenção e 
linhas de cuidado; 
III - o fomento da atenção e internação 
domiciliar. 
 
ART. 11º 
 
São ações estratégicas do eixo de atenção 
integral à criança em situação de violências, 
prevenção de acidentes e promoção da 
cultura de paz: 
 
I - o fomento à organização e qualificação 
dos serviços especializados para atenção 
integral a crianças e suas famílias em 
situação de violência sexual; 
II - a implementação da "Linha de Cuidado 
para a Atenção Integral à Saúde de Crianças, 
Adolescentes e suas Famílias em Situação 
de Violência"; 
III - a articulação de ações intrassetoriais e 
intersetoriais de prevenção de acidentes, 
violências e promoção da cultura de paz; 
IV - o apoio à implementação de protocolos, 
planos e outros compromissos sobre o 
enfrentamento às violações de direitos da 
criança pactuados com instituições 
governamentais e não-governamentais, que 
compõem o Sistema de Garantia de Direitos. 
 
 
 
 
ART. 12º 
 
São ações estratégicas do eixo de atenção à 
saúde de crianças com deficiência ou em 
situações específicas e de vulnerabilidade: 
 
I - a articulação e intensificação de ações 
para inclusão de crianças com deficiências, 
indígenas, negras, quilombolas, do campo, 
das águas e da floresta, e crianças em 
situação de rua, entre outras, nas redes 
temáticas; 
II - o apoio à implementação do protocolo 
nacional para a proteção integral de crianças 
e adolescentes em situação de risco e 
desastres; 
I - o apoio à implementação das diretrizes 
para atenção integral à saúde de crianças e 
adolescentes em situação de trabalho infantil. 
 
ART. 13º 
 
Os comitês de vigilância do óbito materno, 
fetal e infantil em âmbito local são ações 
estratégicas do eixo de vigilância e 
prevenção do óbito infantil, fetal e materno. 
 
ART. 14º 
 
A PNAISC se organiza a partir da Rede de 
Atenção à Saúde e de seus eixos 
estratégicos, mediante a articulação das 
ações e serviços de saúde disponíveis nas 
redes temáticas, em especial aquelas 
desenvolvidas na rede de saúde materna 
neonatal e infantil e na atenção básica, esta 
como coordenadora do cuidado no território. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
35 
 
ART. 15º 
 
São Competências do Ministério da Saúde 
I - articular e apoiar a implementação da 
PNAISC, em parceria com os gestores 
estaduais e municipais de saúde, o 
alinhamento das ações e serviços de saúde 
da criança no Plano Nacional de Saúde, 
considerando as prioridades e as 
especificidades regionais, estaduais e 
municipais; 
II - desenvolver ações de mobilização social, 
informação, educação, comunicação, visando 
a divulgação da PNAISC e a implementação 
das ações de atenção integral à saúde da 
criança; 
III - propor diretrizes, normas, linhas de 
cuidado e metodologias específicas 
necessárias à implementação da PNAISC; 
IV - prestar assessoria técnica e apoio 
institucional aos Estados, ao Distrito Federal 
e aos Municípios no processo de 
implementação de atenção integral à saúde 
da criança nas regiões de saúde; 
V- promover a capacitação e educação 
permanente dos profissionais de saúde, em 
parceria com instituições de ensino e 
pesquisa, para a atenção integral à saúde da 
criança no SUS; 
VI - fomentar a qualificação de serviços como 
centros de apoio e formação em boas 
práticas em saúde da criança, visando à 
troca de experiências e de conhecimento; 
VII - monitorar e avaliar os indicadores e as 
metas nacionais relativas à saúde da criança, 
estabelecidas no Plano Nacional de Saúde e 
em outros instrumentos de gestão; 
VIII - apoiar e fomentar a realização de 
pesquisas consideradas estratégicas no 
contexto da PNAISC; 
IX - promover articulação intersetorial e 
interinstitucional com os diversos setores e 
instituições governamentais e não 
governamentais, com organismos 
internacionais, envolvidos com a saúde da 
criança, em busca de parcerias que 
favoreçam a implementação da PNAISC; 
X - estimular, apoiar e participar do processo 
de discussão sobre as ações de atenção 
integral à saúde da criança nas redes 
temáticas de atenção à saúde, com os 
setores organizados da sociedade nas 
instâncias colegiadas e de controle social; e 
XI - designar e apoiar sua respectiva 
representação política nos fóruns, colegiados 
e conselhos nacionais envolvidos com a 
temática da saúde da criança, em especial 
no Conselho Nacional dos Direitos da 
Criança e do Adolescente (CONANDA). 
 
ART. 16º 
 
São Competências das Secretarias de Saúde 
dos Estados e do Distrito Federal 
I - coordenar a implementação da PNAISC 
no âmbito do seu território, respeitando as 
diretrizes do Ministério da Saúde e 
promovendo as adequações necessárias, de 
acordo com o perfil epidemiológico e as 
prioridades e especificidades loco-regionais e 
articular, em parceria com os gestores 
municipais de saúde, o alinhamento das 
ações e serviços de saúde da criança no 
Plano Estadual de Saúde; 
II - desenvolver ações de mobilização social, 
informação, educação, comunicação, no 
âmbito estadual e distrital, visando a 
divulgação da PNAISC e a implementação 
das ações de atenção integral à saúde da 
criança; 
III - prestar assessoria técnica e apoio 
institucional aos Municípios e às regiões de 
saúde no processo de gestão, planejamento, 
execução, monitoramento e avaliação de 
programas e ações de atenção integral à 
saúde da criança; 
IV - promover a capacitação e educação 
permanente dos profissionais de saúde, se 
necessário em parceria com instituições de 
ensino e pesquisa, para a atenção integral à 
saúde da criança no âmbito estadual, distrital 
e municipal, no que couber; 
V - monitorar e avaliar os indicadores e as 
metas estaduais e distritais relativas à saúde 
da criança, estabelecidas no Plano Estadual 
de Saúde e em outros instrumentos de 
gestão; 
VI - promover articulação intersetorial e 
interinstitucional com os diversos setores e 
 
36 
 
instituições governamentais e não 
governamentais, com organismos 
internacionais, envolvidos com a saúde da 
criança, em busca de parcerias que 
favoreçam a implementação da PNAISC; 
VII - estimular, apoiar e participar do 
processo de discussão sobre as ações de 
atenção integral à saúde da criança nas 
redes temáticas de atenção à saúde, com os 
setores organizados da sociedade nas 
instâncias colegiadas e de controle social; e 
VIII - designar e apoiar sua respectiva 
representação política nos fóruns, colegiados 
e conselhos estaduais envolvidos com a 
temática da saúde da criança, em especial 
no Conselho Estadual dos Direitos da 
Criança e do Adolescente. 
 
ART 17º 
 
São Competências das Secretarias de Saúde 
dos Municípios 
I - implantar/implementar a PNAISC, no 
âmbito do seu território, respeitando suas 
diretrizes e promovendo as adequações 
necessárias, de acordo com o perfil 
epidemiológico e as prioridades e 
especificidades locais e articular o 
alinhamento das ações e serviços de saúde 
da criança no Plano Municipal de Saúde, e 
no Planejamento Regional; 
II - promover a capacitação e educação 
permanente dos profissionais de saúde, se 
necessário em parceria com instituições de 
ensino e pesquisa, para a atenção integral à 
saúde da criança no âmbito municipal, no 
que couber; 
III - monitorar e avaliar os indicadores e as 
metas municipais

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