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TEORIA PSICANALITICA – NP2
MÓDULO 5: O complexo de Édipo e a sua dissolução
 
O complexo de Édipo (ou Édipo simplesmente, para abreviar) designa o complexo definido por Freud, assim como é um mito fundador, pois a partir deste conceito a teoria psiacanalítica procura elucidar as relações do ser humano com suas origens e sua genealogia familiar e histórica.
O Édipo responde a duas questões: 
1. Como se forma a identidade sexual de um homem e uma mulher;
2. Como uma pessoa torna-se neurótica. 
 
Serve-nos, assim, para compreender como um prazer (de ordem sexual) toma conta de  uma criança - na idade entre 3 e 5 anos - e se transforma em um sofrimento neurótico que atormentará o sujeito na vida adulta.
Foi na escuta de seus pacientes neuróticos, adultos, que Freud, inicialmente, criou a teoria da sedução que, em seguida, foi substituída pela teoria da fantasia e no escopo desta movimentação teórica surge a invenção do complexo de Édipo (o mito de Édipo surge na teoria psicanalítica no exato momento do nascimento da psicanálise, consecutivo ao abandono da teoria da sedução). O que é relevante, apesar da mudança - da teoria da sedução para a da fantasia - é que o acontecimento,  real ou fantasiado, é que tenha sido recalcado. A histeria é principalmente uma doença do esquecimento, já que não se quer lembrar do que foi doloroso. 
No entanto, a posição do sujeito é diferente no acontecimento real e no fantasiado: no primeiro, a criança da cena de sedução é vítima; no segundo, a criança da cena edipiana/fantasiada é atormentada entre o desejo de ser seduzida e o medo de sê-lo, entre o medo de sentir prazer e o medo de experimentá-lo. 
A identidade sexual de todo homem ou mulher tem como ponto de partida o complexo de Édipo e é por isto que o que se encontra na clínica, sob esta ótica, são pessoas adultas sofrendo, não raras vezes, pelas vicissitudes de um complexo não liquidado e que retorna à consciência, de forma compulsiva e repetitiva, delineando-se, assim, um sofrimento neurótico.
O Édipo é um esquema teórico que permite ao psicanalista esclarecer e compreender uma gama infindável de conflitos e sofrimentos psíquicos; é, do ponto de vista clínico,  uma fantasia que atua desde o âmago de ser e o toma por inteiro. Quanto ao mito, sua força na cultura se explica porque através de uma fábula que traz à cena personagens familiares, o faz de tal forma que estes personagens verdadeiramente encarnam as forças do desejo humano e os seus interditos, suas proibições necessárias.
Fantasia ou mito, o complexo edipiano é um conceito central, nuclear (acha-se presente em toda obra freudiana, desde 1897 até 1938), indispensável à consistência da teoria e à eficácia da prática psicanalítica. 
 Dissolução do Complexo de Édipo
O complexo de Édipo é a representação inconsciente pela qual se exprime o desejo sexual ou amoroso da criança pelo genitor do sexo oposto e sua hostilidade para com o genitor do mesmo sexo. Essa representação pode se inverter e exprimir o amor pelo genitor do mesmo sexo e o ódio pelo do sexo oposto.
O complexo de Édipo está ligado à fase fálica da sexualidade infantil e surge quando o menino (por volta dos 2 ou 3 anos) começa a sentir sensações prazerosas e, apaixonado pela mãe, quer possuí-la, colocando-se como rival do pai, antes admirado. Uma posição inversa é adotada: ternura em relação ao pai e hostilidade em relação à mãe. Há, ao mesmo tempo, o complexo de Édipo e um complexo de Édipo invertido; estas duas posições - positiva e negativa - no contato com os pais são complementares e constituem o Édipo completo.
Será, por volta dos cinco anos, com o complexo de castração que, no menino, o complexo desaparecerá: o menino reconhece a partir de então na figura paterna o obstáculo à realização de seus desejos, abandona o investimento na mãe e passa para uma identificação com o pai, que lhe permitirá, na vida adulta, uma outra escolha de objeto e novas identificações: ele se desliga da mãe (desaparecimento do complexo de Édipo) para escolher seu próprio objeto de amor. Seu declínio marca a entrada num período chamado de latência, e sua resolução após a puberdade concretiza-se num novo tipo de escolha de objeto. 
A tese da tese da libido única, de essência masculina, está ligada ao complexo de Édipo. O menino sai do Édipo através da angústia de castração, por seu lado, a menina ingressa nele pela descoberta da castração e pela inveja do pênis e, nela, o complexo se manifesta pelo desejo de ter um filho do pai. A dessimetria se apresenta no tocante ao fato de a menina desligar-se de um objeto do mesmo sexo (a mãe) por outro de sexo diferente (o pai). Não há um paralelismo exato entre o Édipo masculino e seu homólogo feminino, mas encontramos uma simetria: nos dois sexos a mãe é o primeiro objeto de amor, o elemento comum e primeiro.
 O complexo de Édipo liga-se desde o começo à dupla questão do desejo incestuoso e de sua proibição necessária, a fim de que nunca se transgrida o encadeamento das gerações.
Mantém uma ligação estreita com o complexo de castração e com a existência da diferença sexual e das gerações. 
Freud viu a tragédia Édipo rei (Sófocles) a revelação ou, em outras palavras, a simbolização, do universal do inconsciente que vinha disfarçado em destino, a lenda grega apoderou-se de uma compulsão que todos sentiram, por isto reconhecem-se, inconscientemente, na dramatização e se assombram diante da realização do sonho transposto para a realidade. 
Assim também ocorre com o drama de Hamlet (Shakespeare) que era, para Freud, o drama do recalcamento, através da história de uma  subjetividade culpada.
Esta aproximação de ficções pode ser relacionada ao afã de Freud por entender as questões relativas ao destino, àquilo que a vida reserva e que se ignora. a isto podemos correlacionar o próprio conceito de inconsciente, ninguém o conhece e, igualmente, dele não pode se desvencilhar. O complexo de Édipo é, como foi dito inicialmente, a representação psíquica do desejo inconsciente e, como consequência, traz em seu bojo a iniciação em uma experiência de perda e de luto, referente aos pais como parceiros sexuais.
 
 MÓDULO 6: A psicanálise na clínica
O surgimento da transferência
A descoberta do narcisismo.
 A Psicanálise na clínica e a transferência
Quando Freud (1915[1914]) diz que só o analista pode tratar a neurose que, do contrário, sem o tratamento adequado (psicanalítico) está fadada a se repetir em seus sintomas ‘ad infinitum’, afirma que o psicanalista deve saber fazer algo que nenhum outro profissional ou pessoa terá condições de fazer. Este algo a ser feito depende de quem o faz, precisa ser feito no enfrentamento da neurose, e para isto é preciso que seja um psicanalista e refere-se diretamente à sua formação. E este deve estar capacitado a suportar o peso da repetição. E, o faz, através do manejo da transferência. 
A associação livre abre caminho para a investigação e para o tratamento psicanalíticos e coloca para o analista um novo horizonte a partir do qual poderá trabalhar e que diz respeito ao manejo da transferência. Para Freud, em seu texto Recordar, repetir e elaborar (1914), há uma relação estreita entre a compulsão à repetição e a transferência, afirmando uma estreita proximidade entre as duas: a transferência seria um fragmento da repetição e esta é uma transferência do passado, seja para o analista seja para diferentes aspectos da vida atual do paciente. 
Mas o que se repete? Seguindo Freud nos textos citados trata-se justamente de um processo inconsciente no qual o sujeito se sente compelido a repetir atos, ideias, pensamentos e sonhos que, na sua origem, foram geradores de sofrimento e ao serem repetidos não perdem esta conotação, mas também não é possível abandoná-los por força da vontade. E, como analistas, o que nos convoca a pensar, desde Freud, é justamente o caráter enigmático (ou sinistro) desta necessidade de repetição ao ser confrontada com o princípio de prazer. E é particularmente no texto de 1914, Recordar, repetir e elaborar que podemos ver explicitada uma

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