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GESTÃO ESTRATÉGICA E 
INTELIGÊNCIA NA SEGURANÇA 
PRIVADA 
AULA 3 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof. Sivanei de Almeida Gomes 
 
 
 
 
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CONVERSA INICIAL 
A rota de aprendizagem da terceira aula da disciplina Inteligência na 
Segurança Privada abordará os seguintes assuntos: 
 Tema 1 – Produção de conhecimento de inteligência; 
 Tema 2 – Linguagem de inteligência; 
 Tema 3 – Dado e conhecimento: produto, verdade e erro; 
 Tema 4 – Estados da mente; 
 Tema 5 – Processos intelectuais e tipos de conhecimentos. 
TEMA 1 – PRODUÇÃO DE CONHECIMENTO DE INTELIGÊNCIA 
Até o momento vimos que a atividade de inteligência tem como linha 
mestra a produção de conhecimento para assessorar os tomadores de 
decisões, seja na Administração Pública, seja na atividade empresarial. 
Nesta linha, entendemos que inteligência é toda informação coletada, 
organizada ou analisada para atender às demandas de um tomador de 
decisões qualquer (Cepik, 2003). 
De acordo com a Doutrina Nacional de Inteligência de Segurança 
Pública (DNISP), inteligência em segurança pública é um exercício ou sistema 
de ações especializadas, que exige que os profissionais adotem uma 
linguagem também especializada, que, se não representará uma ruptura com o 
processo de comunicação utilizado pela sociedade, deve garantir relações de 
comunicações nas quais não ocorram distorções ou incompreensão. 
Assim, vemos que o processo de produção de conhecimento, tanto na 
Administração Pública, como na iniciativa privada, deve ser especializado e 
diferenciado, pois, por meio dele, o analista será capaz de transformar simples 
dados em conhecimentos úteis (saberes estratégicos), oportunos e confiáveis. 
A produção de conhecimento de inteligência poderá ocorrer basicamente em 
quatro situações: 
 para cumprir o disposto em um Plano de Inteligência; 
 para atender à solicitação de um outro setor de inteligência congênere; 
 para atender a uma demanda específica solicitada por algum dos 
gestores da empresa; 
 por iniciativa do próprio setor de inteligência. 
 
 
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TEMA 2 – CARACTERÍSTICAS DOS TEXTOS DE INTELIGÊNCIA 
Na produção de textos de inteligência devemos observar e valorizar 
algumas características, que são: 
 Concisão – Produzir textos sintéticos e precisos; 
 Correção – Empregar a norma culta na produção dos textos; 
 Precisão – O conhecimento produzido deve ser verdadeiro; 
 Imparcialidade – Produzir conhecimentos isentos de ideias 
preconcebidas, subjetivas, distorcidas ou tendenciosas; 
 Objetividade – O conhecimento produzido deve estar em sintonia com o 
planejamento previamente elaborado; 
 Simplicidade – O conhecimento deve proporcionar imediata e fácil 
compreensão. Para tal a linguagem deve ser simples, direta, objetiva e 
não prolixa. 
TEMA 3 – CONHECIMENTO E DADO: PROCESSO E PRODUTO; VERDADE E 
ERRO 
3.1 Diferença entre dado e conhecimento 
Neste tópico vamos ressaltar a diferença que existe entre dado e 
conhecimento. 
Dado corresponde a toda e qualquer representação de um fato ou 
situação que ainda não foi trabalhada e submetida à metodologia de produção 
do conhecimento pelo profissional de inteligência. De forma simplista, podemos 
afirmar que o dado é a “pedra bruta” do profissional de inteligência, a qual 
precisa ser trabalhada e lapidada. 
O conhecimento, por sua vez, é o produto final que resulta do trabalho 
de análise e interpretação desenvolvido pelo profissional de inteligência. É o 
dado que foi trabalhado, lapidado e valorado pela ação do analista de 
inteligência, pois não se pode permitir, na Atividade de Inteligência, improvisos 
ou “achismos”, calcados em meras percepções pessoais. Vemos ainda que o 
conhecimento pode ser um processo, ou seja, a formação de uma imagem, de 
um fato ou de uma situação na mente humana. 
 
 
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O conhecimento pode também ser um produto, que é a representação 
(oral ou escrita) de fatos ou situações. É a materialização e difusão de uma 
imagem antes restrita à psique humana. 
3.2 A concepção da verdade e seu antagonista para a atividade de 
inteligência 
Para a atividade de inteligência, a verdade significa a plena 
concordância entre o fato (objeto de estudo) e o conteúdo do pensamento do 
sujeito, ou seja, a plena conformidade entre aquilo que se pensa e a realidade 
das coisas. 
Considerando tal conceito, verifica-se que na atividade de inteligência o 
contrário da verdade não é a mentira, mas sim o erro, uma vez que na relação 
entre o pensamento e o fato que está sendo analisado nem sempre ocorrerá 
uma concordância plena, pois a mente poderá encontrar obstáculos que a 
impedem de formar uma imagem perfeita acerca do objeto (fato ou situação), 
isto é, o analista nem sempre consegue estar seguro acerca da própria 
existência do fato ou situação, tampouco de seus desdobramentos. 
Quando se analisa um fato ou uma situação, a mente humana forma 
imagens alternativas do que está sendo estudado. Com os dados que possui, o 
analista pode concordar plenamente, parcialmente ou nem mesmo ter 
condições de se manifestar a respeito daquilo que está sendo estudado. 
Portanto, a relação de concordância entre a mente e o objeto pode 
assumir gradações, a partir das quais a atividade de inteligência define estados 
da mente diante da verdade. 
TEMA 4 – ESTADOS DA MENTE DIANTE DA VERDADE 
Em relação à verdade, a mente humana pode apresentar-se sob quatro 
diferentes estados: certeza, opinião, dúvida e ignorância. 
Conhecer cada um destes estados da mente diante da verdade torna-se 
imprescindível para a atividade de inteligência, na medida em que estes trarão 
consequências diretas sobre o tipo de conhecimento produzido pelo analista. 
a. Certeza – Existe plena concordância entre o conteúdo do pensamento 
do sujeito (analista) e o fato (objeto de estudo). Neste caso, o analista 
não tem o mínimo receio de poder estar enganado quanto à verdade 
Maicon
Realce
Maicon
Nota
Q;3 Apol 3 Uta C f;1
 
 
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acerca de um fato, situação ou de seus desdobramentos lógicos. O 
analista possui evidências suficientes e seguras para afirmar que algo é 
verdade. 
b. Opinião – Existe concordância parcial entre o conteúdo do pensamento 
do sujeito (analista) e o fato (objeto de estudo). Nestes casos, o analista 
tem receio de poder estar errado sobre algum aspecto. A concordância 
parcial entre o pensamento e o fato significa, na prática, que o analista 
acaba aceitando o fato como provavelmente verdadeiro, mas pela 
insuficiência de evidências fica receoso em atestar a sua verdade plena. 
São situações em que o profissional de inteligência deverá se expressar 
por meio de termos que indicam probabilidade, como “muito provável”, 
“pouco provável” etc. 
c. Dúvida – Nos casos de dúvida pode-se dizer que a mente do analista se 
encontra em situação de equilíbrio, pois possui, ao mesmo tempo, 
evidências suficientes para aceitar o objeto (fato ou situação) como 
verdadeiro, e evidências, também suficientes, para aceitá-lo como uma 
inverdade. Nestas situações, aconselha-se que o analista interrompa 
temporariamente o trabalho intelectual e reinicie a busca por outras 
evidências que possam lhe permitir concluir sobre a adequação ou não 
do objeto com a realidade. 
d. Ignorância – Trata-se do estado em que a mente sequer consegue 
formar qualquer imagem acerca de uma realidade específica. 
Caracteriza-se pelo típico “não sei”. É impossível produzir conhecimento 
sob o estado da ignorância. 
TEMA 5 – PROCESSOS INTELECTUAIS E TIPOS DE CONHECIMENTO 
O estudo de fatos ou situações ocorre por meio de diferentes processos 
intelectuais, que se caracterizam por diferentes graus de complexidade. O ser 
humano é capaz de conceber ideias, formular juízos e elaborar raciocínios. 
Ideia é a simples concepção da imagem de um objeto na mente, sem 
qualquer adjetivação que possa individualizá-lo, cabendo a ressalva, desde já, 
de que não é possível a produção deconhecimentos a partir da mera 
concepção de ideias. 
 
 
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Juízo é o processo intelectual pelo qual a mente relaciona ideias. O juízo 
é capaz de caracterizar ou individualizar um objeto (fato ou situação), sem, 
contudo, alcançar os desdobramentos lógicos que dele decorrem. 
Raciocínio é a operação intelectual por meio da qual a mente, com base 
em dois ou mais juízos conhecidos alcança outros que deles decorrem 
logicamente. Raciocinar significa buscar a verdade pela ligação e o estudo do 
inter-relacionamento entre pessoas, coisas e fatos. 
5.1 Tipos de conhecimento de inteligência 
A doutrina se baseia em três fatores para diferenciar os tipos de 
conhecimento produzidos pela atividade de inteligência. Eles são os seguintes: 
 os estados sob os quais a mente humana pode se colocar diante da 
verdade (certeza, opinião, dúvida e ignorância); 
 os processos intelectuais necessários à produção do conhecimento 
(juízo e raciocínio); 
 a temporalidade considerada no estudo do objeto (passado, presente e 
futuro). 
 A partir da combinação destes três fatores, os tipos de conhecimento 
são: informe, informação, apreciação e estimativa. 
5.1.1 Conhecimento informe 
É o conhecimento pelo qual o analista expressa o seu estado de certeza 
ou opinião em relação à verdade, acerca de fato ou situação passada e/ou 
presente, e resulta da simples formulação de juízos. Trata-se de conhecimento 
meramente descritivo, pelo qual o analista deverá relatar, de forma simples e 
objetiva “o quê”, “quem”, “onde”, “quando” e “como”. 
5.1.2 Conhecimento informação 
É o conhecimento com o qual o analista, elaborando raciocínios, 
expressa o seu estado de certeza em relação à verdade e a fatos ou situações 
do passado ou do presente. Pelo conhecimento informação o analista vai além 
da simples narrativa. Interpreta fatos e situações, estabelecendo relações entre 
eles. 
 
 
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5.1.3 Conhecimento apreciação 
É o conhecimento com o qual o analista, elaborando raciocínios, 
expressa o seu estado de opinião em relação à verdade acerca de fatos e 
situações. No que se refere ao futuro, é importante destacar que as projeções 
se restringem aos desdobramentos lógicos dos fatos/situações estudadas, e 
resultam exclusivamente da percepção do próprio analista. As projeções, no 
conhecimento apreciação, devem se restringir ao período máximo de um ano. 
5.1.4 Conhecimento estimativa 
É o conhecimento pelo qual uma equipe de analistas, elaborando 
raciocínios, expressa o seu estado de opinião em relação à verdade, acerca da 
evolução futura de um fato ou situação. O objetivo da estimativa é estudar o 
futuro. Este tipo de conhecimento deve ser elaborado por uma equipe de 
analistas. O trabalho se desenvolve com a utilização de métodos e técnicas 
voltados para a elaboração de cenários prospectivos. 
Do exposto acima, verifica-se, portanto, que os conhecimentos de 
inteligência poderão ser: 
a. meramente descritivos (informe); 
b. interpretativos (informação e apreciação); 
c. interpretativos-prospectivos (estimativa). 
NA PRÁTICA 
Para tornar o tema inteligência menos abstrato, apresentaremos um 
quadro em que destacamos qual o estado da mente do analista para cada tipo 
de conhecimento, se ele tem apenas uma ideia do assunto ou objeto em 
estudo, se formulou um juízo ou elaborou ou raciocínio e se isto se refere ao 
passado, presente ou futuro próximo. Em seguida, exibiremos um modelo de 
informe. 
FINALIZANDO 
Nesta terceira aula buscamos dotar os nossos alunos de conhecimentos 
básicos sobre o Ciclo de Produção de Conhecimento trazendo à baila os 
conceitos básicos sobre dado e conhecimento, as características dos textos da 
 
 
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inteligência: concisão, correção, precisão, imparcialidade, objetividade e 
simplicidade. Abordamos também a diferença entre verdade e erro para a 
atividade de inteligência, os estados da mente e os processos intelectuais 
frente ao objeto: ideia, juízo ou raciocínio. Por fim, abordamos quais os tipos de 
conhecimento existentes: informe, informação, apreciação e estimativa. 
 
 
 
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REFERÊNCIAS 
BRASIL. Decreto n. 3.695, de 21 de dezembro de 2000. Disponível em: 
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/D3695.htm>. Acesso em: 21 set. 
2017. 
_____. Lei n. 9.883, de 7 de dezembro de 1999. Disponível em: 
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9883.htm>. Acesso em: 21 set. 2017. 
BRASIL. Secretaria Nacional de Segurança Pública. Curso de Introdução à 
Atividade de Inteligência. 2015 
_____. Portaria n. 2, de 12 de janeiro de 2016. Disponível em: 
<http://www.mdic.gov.br/arquivos/dwnl_1452696610.pdf>. Acesso em: 21 set. 
2017. 
ROCKEMBACH, S. J. Fundamentos doutrinários da inteligência na 
segurança privada. 2017.

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