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1 
Apostila de Redação I 
Curso de Línguas Aberto à Comunidade 
Universidade Federal do Rio de Janeiro 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Apostila confeccionada por: 
Aline Fernandes Menezes | Anna Beatriz C. de Melo da Cruz 
Andrei Ferreira de C. Pinheiro | Bruno Cavalcanti Lima 
Cybelle Borges de Abreu | Diego Pinheiro | Fernando Felipe S. Noronha 
Helena Gomes | João Tosta | Isabella Pereira Ferreira 
Juliano Leandro do Espírito Santo | Luciana Faria Pereira 
Maíra Santos | Matheus Costa da Silva | Mayara Nicolau de Paula 
Michelli Bastos | Rafael Guimarães Nigueira | Sabrina de Oliveira 
Tatiane Mano França Leite 
 
Coordenação do CLAC de Língua Portuguesa: 
Ana Flávia Gerhardt 
Eliete Silveira 
Mônica Orsini 
 
Orientação para produção de material didático: 
Mônica Orsini 
 
 
 
 
 
 
 
Universidade Federal do Rio de Janeiro 
Faculdade de Letras 
Departamento de Letras Vernáculas 
Setor de Língua Portuguesa 
 
 
Segundo semestre de 2019 
2 
Sumário 
CARTA AOS ALUNOS .......................................................................................................... 3 
Unidade 1: O TEXTO ...................................................................................................... 4 
Unidade 2: O TEXTO ARGUMENTATIVO (parte I) – Conceito e estrutura ............. 16 
Unidade 3: O TEXTO ARGUMENTATIVO (parte II) – Planejamento e contraste entre 
argumentação e exposição ........................................................................................... 21 
Unidade 4: O PARÁGRAFO ARGUMENTATIVO PADRÃO ........................................... 27 
Unidade 5: COERÊNCIA .............................................................................................. 35 
Unidade 6: COESÃO ................................................................................................ 44 
Unidade 7: PONTUAÇÃO............................................................................................. 55 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS – e algumas leituras sugeridas ............................. 66 
3 
CARTA AOS ALUNOS 
 
Dificilmente passamos um dia sem argumentarmos, visto que apresentamos 
e defendemos nossas opiniões nos mais diversos contextos: argumentamos formal 
ou informalmente, pela fala ou pela escrita, com maior ou menor grau de 
monitoramento. Dentre todas as formas de argumentação, já conhecemos algumas 
tão bem que nem mesmo é necessário alguém nos ensinar. Mas há textos 
argumentativos – principalmente textos escritos formais – cuja organização não é 
tão familiar a muitas pessoas. Construí-los exige o domínio de técnicas mais 
específicas. 
Pensando nisto, foi organizado o curso de Redação oferecido pelo CLAC. 
Entendendo o parágrafo argumentativo padrão como uma unidade textual que 
espelha a estrutura do texto argumentativo, o primeiro módulo do curso o elege 
como objeto central de investigação. Por tratar-se de um texto escrito formal, o 
escritor deve fazer uso da norma culta praticada por falantes brasileiros, 
defendendo seu ponto de vista acerca de um tema polêmico por meio de um 
argumento consistente. 
Defendemos, neste curso, que leitura e produção de textos precisam estar 
permanentemente articuladas. Por isso, nossas aulas começarão pela leitura e 
análise de textos para, em seguida, vocês, alunos, praticarem por meio da 
realização de atividades diversas de produção escrita. 
Adotamos, ao longo do curso, a metodologia da reescritura. Para 
melhorarmos a qualidade dos nossos textos, é necessário revisitá-los, de tal forma 
que eles sejam reescritos até chegarmos à versão melhor construída. 
Ao longo deste semestre, estaremos juntos na construção de nossas aulas e 
no aprimoramento das habilidades que levarão vocês a produzirem, com maior 
segurança, textos argumentativos. Esperamos que o curso seja muito produtivo 
para todos! 
 
Carinhosamente, 
Equipe de Redação 1 – CLAC / UFRJ 
4 
UNIDADE 1: O TEXTO 
 
PARTE 1: CONTEXTUALIZAÇÃO 
 
Não parece grande novidade dizer que o nosso cotidiano é repleto de textos. 
Para todos os lados, vemos jornais, revistas, livros, e-mails e outros veículos pelos 
quais se compartilham produções textuais. À nossa volta, no entanto, há textos que, 
muitas vezes, não reconhecemos como tal. Além disso, não é tão rotineiro 
pararmos para analisar, criticamente, os textos que nos circundam. 
O propósito desta unidade é, assim, dar início às nossas discussões sobre o 
universo textual, fazendo-nos pensar acerca de alguns elementos que o compõem. 
Partamos, então, de algumas perguntas. 
 
1. Para que formulamos textos? 
2. Que elementos caracterizam um texto? 
3. Sabemos que, em maior ou menor grau, as estruturas dos textos 
apresentam diferenças. Com base em quê se podem observar essas 
diferenças? 
4. Finalmente, o que é um texto? 
 
PARTE 2: SISTEMATIZANDO IDEIAS 
O TEXTO 
Para que a nossa discussão se desenvolva mais produtivamente e para que 
possamos, portanto, realmente entender o nosso objeto de estudo, precisamos 
partir de textos reais. Afinal, é o que fazem os cientistas: coletam dados, analisam- 
nos e, então, chegam a conclusões. Comecemos, pois, assim. 
 
 
 
 
(G1. Excerto retirado de <http://g1.globo.com/>. Acesso em 14 de agosto de 2016.) 
http://g1.globo.com/
http://g1.globo.com/
5 
Provavelmente, todos concordam que, acima, temos um texto, ainda que 
alguns prefiram especificar, dizendo que se trata de uma reportagem (que, de toda 
maneira, é reconhecida como um texto). No entanto, o que nos leva a entendê-lo 
como tal? Ora, há letras que, juntas, formam palavras que, juntas, levam à 
materialização de uma ideia que se quer transmitir: a crítica do The New York 
Times aos nossos famosos Biscoitos Globo. 
Voltemo-nos, agora, para a imagem abaixo: 
 
(MUNIZ, Vik. Imagem retirada de <http://illusion.scene360.com/art/ 
72869/vik-muniz-collage/>. Acesso em 14 de agosto de 2016.) 
 
Façamo-nos algumas perguntas sobre essa foto: Que informação ela nos 
traz? Que elementos são agrupados para construir essa informação? Há alguma 
intenção em jogo? 
Vemos, primeiramente, um casal se beijando e, pela suas expressões, não 
parece errôneo inferir que se trata de um casal apaixonado. Há, portanto, uma 
breve história sendo contada. É importante, ainda, que se atente aos elementos que 
a formam: a imagem foi construída pelo agrupamento de lixo em um lixão. Essa 
construção peculiar, por si só, pode nos ajudar a interpretar a intenção do autor. 
Podemos dizer, por exemplo, que, pelo seu trabalho, o autor quer transmitir a ideia 
de que até das coisas renegadas há belas histórias que se podem contar. 
Retornando ao parágrafo anterior, vejamos quantas palavras (ou grupos de 
palavras) foram, naturalmente, usadas em referência à foto, mas que, no geral, 
costumam ser usadas em referência a textos: “leitura”, “inferir”, “uma história 
sendo contada”, “interpretar”, “autor” e “transmitir a ideia”. Se essas conexões são 
possíveis, parece plausível dizer que a foto é um texto e que, dessa forma, conter 
palavras não é um pré-requisito para que tenhamos um texto. 
http://illusion.scene360.com/art/
http://illusion.scene360.com/art/
6 
Se pensarmos nas nossas interações do dia-a-dia, torna-se bastante 
evidente que textos não são formados apenas por palavras. Nas nossas conversas, 
aliamos o verbal ao não verbal (ex.: gestos, expressões faciais). É isso o que 
tentamos reproduzir em interações como a disposta abaixo: 
 
 
Há, contudo, outras diferenças que podemos observar nos diversos textos 
com os quais temos contato cotidianamente. Vejamos os textos abaixo, ambos 
escritos pela mesma pessoa: o primeiro é um trecho de um texto acadêmico, e o 
segundo compõe uma publicação em rede social. 
 
Texto acadêmico 
Por se tratar de uma pesquisa de abordagem sociolinguística 
variacionista, seria esperado que se trabalhassem fatores sociais. No 
entanto, consideramos o perfil dos falantes homogêneo,visto que todos 
são do sexo masculino, encontram-se na mesma faixa etária (de 14 a 19 
anos, quando das entrevistas) e tinham, até então, baixa escolaridade 
(de iletrado ao 7º ano do Ensino Fundamental). 
 
Publicação em rede social 
(Considerando ‘amor’ e ‘paixão’ no sentido mais prototípico) Me 
apaixonei algumas vezes, todas as vezes muito verdadeiras. Mas só 
amei uma vez mesmo. E foi muito forte, daí, vez ou outra, bate um medo 
de amar de novo, mas tamo aí pra vida! 
 
Entre eles, algumas diferenças podem ser apontadas. Notemos, por 
exemplo, a seleção vocabular. No primeiro texto (mais formal e com maior grau de 
monitoramento), as expressões “No entanto” e “visto que” são usadas para ligar 
constituintes (grupos de palavras que funcionam juntas); já no segundo (menos 
formal e com menor grau de monitoramento), lemos “mas” e “daí”. 
7 
Nesse sentido, aprendemos que os textos são escritos ou falados e que o 
meio de produção determina diferenças nas formas linguísticas empregadas. Os 
textos abaixo 1 foram produzidos pela mesma pessoa, com a mesma finalidade 
(responder a uma entrevista/pesquisa) e tratam do mesmo assunto; contudo, o 
primeiro é uma transcrição de fala (isto é, a tentativa de reproduzir, da forma mais 
fiel possível, o que foi dito), e o segundo, um texto escrito. 
 
Texto oral (transcrição) 
é bem... eu tinha combinado com meu pai de de almoçar com ele... lá na 
cidade, né, num restaurante natural... só que eu tava sem dinheiro 
nenhum... tava só co-o o o dinheiro da passagem somente isso... e ele ia 
m- e ele tinha me dado um cartãozinho... que é como se fosse um tíquete 
refeição... então tudo bem eu fui lá e quando cheguei lá meu pai tava 
super-apressado, falou ‘você come aí, toma o di- to- toma o tíquete e vai 
embora’... só que ele sempre dá gorjeta... pra... pra uma determinada 
garçonete, né?... e eu não tinha dinheiro para dar... [...] 
 
Texto escrito 
Eu tinha ido almoçar com o meu pai no centro da cidade e ao chegar lá 
percebi que o próprio estava com muita pressa. Mal me cumprimentou 
e disse que estava atrasado deixando apenas o ticket do almoço. Eu, 
como sempre, estava sem trocado, logo um problema foi criado: teria 
que almoçar e não deixar gorjeta, coisa que meu pai sempre faz. [...] 
 
Quais diferenças podemos observar? Como podemos explicar essas 
diferenças? 
Com base em tudo o que discutimos até agora, retomemos as perguntas 
feitas no início da unidade. 
 
1. O que é um texto? 
Aliando as propostas de Costa Val (1991: 3) e de Cavalcante (2012: 20), é 
possível dizer que texto é qualquer ocorrência linguística falada ou escrita, na qual 
atuam, dentre outros fatores, elementos linguísticos, visuais, sonoros e cognitivos, 
compreendendo um diálogo constante entre os interlocutores. 
 
2. Quais as características essenciais de um texto? 
Costa Val (1991) propõe que um texto articula três unidades. Um texto é, 
portanto, uma unidade semântica, ou seja, é um todo significativo; veicula uma 
mensagem, introduzindo-a, desenvolvendo-a e, por fim, concluindo-a. É, ainda, 
 
1 Os dois textos são trechos de narrativas que integram o Corpus Discurso & Gramática. Composto 
por amostras de língua falada e escrita, esse corpus reúne dados produzidos por informantes 
oriundos de cinco cidades brasileiras (Natal, Rio Grande, Juiz de Fora, Niterói e Rio de Janeiro), de 
faixas etárias diferentes e com níveis de escolaridade também diferentes. 
8 
uma unidade formal – ou material –, dado que toda mensagem precisa ser 
materializada de alguma maneira. (Quantas vezes escutamos “Mas como foi que ele 
disse isso?”) Por fim, e, de certa forma, reunindo essas duas ‘unidades’, todo texto 
constitui uma unidade de linguagem em uso: ao construirmos um texto, 
consideramos, dentre outros elementos, as nossas intenções (‘O que quero 
transmitir e por quê?’), os nossos interlocutores (‘De que maneira o que eu quero 
dizer vai ser melhor recebido?’) e os meios de comunicação pelo qual 
compartilharemos nossos textos (‘Como o meio pode me ajudar a transmitir 
minha mensagem?’). Se voltarmos aos textos disponíveis nesta unidade, podemos 
perceber como se expressa cada uma dessas ‘unidades’. 
 
ARGUMENTAÇÃO, (IN)FORMALIDADE E VARIAÇÃO 
 
Observemos, agora, a interação abaixo: 
 
Interlocutor 1: Mano, você, enquanto atleta, o que acha 
de vaias? 
Interlocutor 2: Coisa de torcida. Tipo, se eu tô na casa do cara, 
eu tenho que aceitar as vaias. No meu caso, aceito as vaias como 
a torcida a favor do meu adversário. É um pouco de falta de 
respeito. Acho feio, mas, se eu recebo as vaias, eu aceitaria. 
Interlocutor 1: Eu acho feião. Tipo, se tu não vai torcer pelo 
cara, não bate palma. Sei lá, não grita animado quando o cara 
fizer ponto. Mas acho torcer contra o maior vacilo, porque isso 
não diz nada sobre o atleta do seu país, saca? 
Interlocutor 2: Existem atletas que são vaiados porque são os 
adversários do time que tá em casa, mas no fim são aplaudidos. 
Sei lá, lembrei aqui do jogo do Brasil contra o Iraque. O povo 
vaiou demais, porque era pra desconcentrar o time pra ajudar o 
Brasil. E no final o time foi aplaudido de pé, as crianças pedindo 
camisa. 
Interlocutor 1: Sim, pô. Mas isso é vacilo também. Não é nada 
contra o time, claro. 
Interlocutor 2: É. Tu tá certo. É vacilo mesmo. Mas é que eu já 
pensei muitas vezes se fosse eu recebendo as vaias. 
Interlocutor 1: Acho massa que tu consegue entender desse 
jeito e tal, porque de fato não é nada contra o atleta, e tu vai ser 
menos impactado por causa disso caso um dia te vaiem. 
Interlocutor 2: Nada. Sou um abestado mesmo. 
9 
Essa interação é uma versão adaptada de uma conversa por um chat. Nela, 
podemos perceber, claramente, que cada interlocutor busca defender a sua opinião 
acerca das vaias em competições esportivas. Notamos, ainda, que o tom da 
conversa é bastante informal, o que se materializa em diversas estruturas 
linguísticas que os interlocutores empregam. 
Nos textos produzidos para o nosso curso, já não podemos pensar assim. 
Um parágrafo argumentativo padrão – nosso objeto de estudo – prevê estruturas 
linguísticas mais formais. Além disso, em geral, podemos nem mesmo conhecer as 
pessoas que lerão nossos textos (o que, por si só, já nos afasta de usos linguísticos 
que denotem intimidade). Contudo, nossos leitores têm expectativas sobre as 
formas que empregaremos nas nossas produções e, a não ser que, com um 
propósito bem definido, desejemos quebrar tais expectativas, devemos buscar 
satisfazê-las. 
 
A REVISÃO 
 
No geral, ao lermos um texto, não pensamos nos aspectos listados acima. 
Costumamos passar por eles com certa rapidez, visando apenas depreender as 
mensagens que os autores querem transmitir. Na verdade, não nos atemos a essas 
questões no momento em que estamos escrevendo. Quando muito, buscamos, após 
o término da redação, erros ortográficos ou gramaticais. 
Segundo Antunes (2006), “A escrita é uma atividade processual”, ou seja, ela 
não é algo que se encerra imediatamente; é necessário revisitar o que escrevemos. 
Como fazê-lo, no entanto, é o grande ponto. 
Se escrevemos um texto e voltamos a ele assim que o damos por ‘pronto’, 
tendemos a analisar apenas questões superficiais. Isso porque ainda estamos com 
as nossas ideias muito frescas nas nossas mentes, e, caso tenhamos deixado passar 
algum problema semântico (isso é, de construção de sentido), poderemos não 
percebê-lo, pois ainda temos claro para nós mesmos o que queríamos transmitir. 
Entretanto, é bastante provável que nossos leitores percebam as lacunas e as 
incoerências deixadas por nós, o que pode levar a uma dificuldade na leitura e até 
mesmo a incompreensões. 
Uma boa estratégia é, ao terminar seu texto, pedir que outra pessoa – ainda 
não a ‘leitora-final’, mas uma ‘leitora-teste’ – o leia, de modo a apontar tudo o que 
lhe parecer estranho, considerando forma e conteúdo. Nem sempre, porém,isso é 
possível, e, muitas vezes, precisamos contar apenas com as leituras que nós 
mesmos fazemos dos nossos textos. O que podemos fazer nesse caso? Deixemos, 
sempre que possível, as nossas produções descansarem: ao terminarmos de 
escrevê-las, esqueçamo-nos delas por uns dias, a fim de nos distanciarmos mais do 
que queríamos dizer. Assim, torna-se mais fácil perceber eventuais falhas nos 
nossos textos. 
10 
De uma forma ou de outra (e, se ambas as formas forem possíveis, ainda 
melhor), o que de fato importa é que precisamos revisar nossos textos, para que 
possamos devidamente reescrevê-los, preparando-os da melhor maneira possível 
para os nossos ‘leitores-finais’. 
 
PARTE 3: APLICAÇÃO 
 
QUESTÃO 1 
 
Leia o texto abaixo e responda ao que se pede. 
 
Transar: o pecado de Ingrid 
 
As disputas do esporte feminino estão sempre em 2º plano. O 
importante é o flagra, o biquíni, a seleção de musas. 
Uma matéria da Superinteressante indica que cada atleta deve 
transar seis vezes por dia durante a Olimpíada. São quase todos jovens, 
atléticos e bonitos no ápice da vida hormonal e esportiva em um lugar 
reservado só para eles, a Vila Olímpica. O que poderia ser mais natural? 
(...) 
É verdade que muitos dos técnicos, metidos a durões, se 
recusavam a aceitar o sexo de seus comandados como natural. 
Acreditava-se que isso poderia atrapalhar o rendimento, mas hoje 
há vários estudos que provam o contrário. 
Ainda assim, surge o primeiro escândalo sexual forjado da Rio 
2016. É necessária uma regressão para entender o porquê de 
a “escapulida”—como foi chamado o caso da saltadora Ingrid Oliveira— 
ter provocado tanta fúria em seus compatriotas. 
Meses antes dos Jogos, a saltadora brasileira era absolutamente 
ignorada. Não se falava dela até que uma foto postada no Instagram 
despertou a curiosidade dos leitores. O interesse, claro, não era 
esportivo. 
A imagem mostra a bela jovem de 20 anos do alto do trampolim de 
salto ornamental. De maiô, sua roupa de treino, ela aponta para os anéis 
olímpicos no horizonte. Uma foto com um quê poético, mostrando a 
Olimpíada no porvir. Mas é lógico que ninguém se interessou pela 
poesia. Mesmo sentada, a atleta chamava atenção por suas curvas. 
Ingrid é alçada à fama instantânea. O salto sincronizado, em 
nenhum momento, foi o alvo das atenções. As disputas do esporte 
feminino, afinal, estão sempre em segundo plano. O importante é o 
flagra, o biquíni, a seleção de musas—como atestado por um estudo de 
Cambridge. Só se falava dela, do corpo dela. 
http://super.abril.com.br/comportamento/cada-atleta-deve-transar-seis-vezes-por-dia-nos-jogos
http://globoesporte.globo.com/eu-atleta/saude/noticia/2014/02/sexo-antes-do-esporte-traz-mais-disposicao-e-ajuda-na-recuperacao.html
http://esporte.ig.com.br/olimpiadas/2016-08-10/briga-sexo-vila-olimpica-ingrid-giovanna.html
http://brasil.elpais.com/brasil/2016/08/09/estilo/1470770467_506561.html
http://brasil.elpais.com/brasil/2016/08/09/estilo/1470770467_506561.html
11 
Iniciada a competição, Ingrid volta aos holofotes como sexy symbol 
perambulando de uniforme entre as piscinas. Oooohh, um maiô. Na 
cabeça doentia de seus pseudo-fãs, Ingrid é obrigada a ter um 
desempenho esportivo à altura do desejo que despertara. 
Às vésperas do grande salto, a nadadora resolve levar um outro 
atleta para o quarto—como dezenas, centenas de desportistas. Chega 
para a colega de saltos ornamentais, com quem andava meio 
desentendida, e pede: 
— Amiga, você pode dormir em outro quarto? 
Ela bate boca, é dedurada para o Comitê Olímpico e a eliminação— 
para lá de óbvia—passa a ser inaceitável. Pronto, forjado o escândalo. 
Como pode? Que falta de profissionalismo, que devassidão, que falta de 
companheirismo. 
Ingrid deu e não pode ser perdoada por isso. Aqueles que a 
desejaram agora passam a humilhá-la publicamente do alto de seus 
desejos reprimidos inalcançáveis. O machismo fala mais alto. E se revela, 
sobretudo, em um silêncio estratégico. 
Ingrid não foi para o quarto sozinha. E o tal muso que a 
acompanhou? Sua participação na Olimpíada, como a dela, também não 
havia acabado. Classificado, ele tem dois troféus: a vitória e 
Ingrid. Eliminada, ela tem a dupla derrota: o vexame esportivo e o 
sexual. Como se transar fosse um vexame. 
Pode ser que os dois não tenham escolhido a melhor hora ou o 
melhor lugar para dormir juntos. Mas isto é apenas uma suposição que 
cabe ao casal julgar. Ingrid, porém, não está sendo escorraçada porque 
não avançou para as finais. 
O pecado dela é usar o corpo para o próprio prazer. O pecado dela 
é que seu corpo seja fonte do prazer masculino, mas não daqueles 
milhares que a desejam. Todos deveriam fazer como Ingrid. 
A vida é para ser gozada quando bem entendermos. E o momento 
cabe a nós, somente a nós. Uma coisa, no entanto, deve ser lembrada. 
Para sempre: tenha amigos que liberem o quarto. 
(BARREIRA, Gabriel. Adaptado de <http://medium.com/>. 
Acesso em 12 de agosto de 2016.) 
 
1. O texto de Barreira apresenta um estilo mais ou menos formal? O que, na sua 
opinião, pode justificar a escolha do autor por esse estilo? 
 
 
 
 
 
http://medium.com/
http://medium.com/
12 
2. Ao escrever o artigo Transar: o pecado de Ingrid, podemos dizer que Barreira 
simplesmente relata um ocorrido? Por quê? 
 
 
 
 
 
 
3. Entende-se, pela leitura do texto, que a “escapulida” da atleta durante as 
Olimpíadas não deveria ser vista tão negativamente. Que dado(s) presente(s) 
no artigo nos permite(m) sustentar essa ideia? 
 
 
 
 
 
 
4. Em “Ingrid não foi para o quarto sozinha. E o tal muso que a acompanhou?”, 
evidencia-se que a sociedade tende a julgar uma mesma atitude de formas 
diferentes, a depender de quem age, nesse caso, se uma mulher ou se um 
homem. Com base na sua leitura do texto e nos seus conhecimentos de mundo, 
levante hipóteses pelas quais se possa explicar o fato de o “muso”, ao contrário 
da atleta, não ter sido criticado. 
 
 
 
 
 
 
 
 
QUESTÃO 2 
 
O texto abaixo é uma transcrição (adaptada) de fala. O seu trabalho é 
reescrevê-lo, tornando-o mais adequado à modalidade escrita. Não tenha receio se 
o texto que você escrever ficar menor do que o original: é típico da fala – e, em 
geral, indesejável na escrita – darmos voltas e nos repetirmos, o que leva textos 
orais a serem mais extensos do que textos escritos. 
 
Bom, eu quando tinha uns dezoito, quinze a dezoito anos eu estudei 
balé... e tive oportunidade de trabalhar, fazer uma cena com o balé 
russo... eu era aluna da Maria Ulineva... então para mim era uma 
novidade né, teatro, porque só estudando estudando estudando. 
13 
Quando chegou o balé russo aqui em São Paulo eles pediram que as 
alunas da Prefeitura que éramos nós... aquele grupo todo fosse fazer 
cena num dos números que eles apresentaram, era Pássaro de Fogo me 
parece... eu achei aquilo horroroso, viu? Me chocou tremendamente 
porque por detrás dos bastidores é uma coisa horrível né? É tudo tão... 
parece tão mascarado sei lá e quando aparece em cena o público vê uma 
coisa totalmente bonita né?... aquelas luzes... quer dizer aquilo me 
chocou, era tão criança eu me lembro que eu já achava diferente. 
(Adaptado de Ilari & Basso (2014: 183)) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
QUESTÃO 3 
 
Redija um parágrafo em que, acerca do tema proposto pelo texto “Transar: 
o pecado de Ingrid”, você defenda a seguinte tese: “O comportamento de Ingrid 
prejudicou a equipe brasileira”. Imagine que seu parágrafo será publicado em uma 
revista impressa cujo público alvo são falantes escolarizados, situação 
comunicativa que pressupõe a utilização de um registro formal. 
 
 
 
 
 
 _ 
 
 
 
 
 
14 
QUESTÃO 4 
 
Em duplas, discutam as estruturas linguísticas empregadas por você (no 
texto produzido para a questão 2) que se distanciam das empregadas pelo autor do 
texto original. Emseguida, apresente para turma as questões colocadas durante a 
discussão. 
 
 
PRÁTICA DE REDAÇÃO 
 
Texto I 
 
 
 
 
 
 
 
 
(Disponível em <http://ego.globo.com/famosos/noticia/2016/08/apresentacao-de-anitta-caetano- 
e-gil-na-abertura-da-olimpiada-repercute.html>. Acesso em 15 de agosto de 2016.) 
 
Texto II 
 
Em meio a críticas, Anitta fala sobre participação na Olimpíada 
Cantora promete ‘uma apresentação incrível’ 
 
RIO – Anitta já está ensaiando a coreografia para a abertura da 
Olimpíada, no dia 5 de agosto, no Maracanã. Em meio a críticas nas 
redes sociais em torno da sua escolha, a cantora promete brindar o 
público com “uma apresentação incrível”. 
– É a realização de um sonho. Um passo muito grande. É muito 
emocionante saber que apostaram na minha imagem e no meu trabalho 
para um acontecimento tão grandioso – afirma a poderosa, sem dar 
pistas sobre a escolha da música e do figurino usado no show. 
(...) 
CRÍTICA NAS REDES 
Após Anitta ser confirmada no show de abertura dos Jogos, 
internautas reclamaram da escolha. “Diga-me quem abrirá sua 
Olimpíada e eu te direi quem és... Se os ingleses têm Paul McCartney, 
nós temos Anitta”, escreveu uma pessoa no Twitter. “Anitta na abertura 
da Olimpíada: já teremos o primeiro 7x1”, disse outro. 
http://ego.globo.com/famosos/noticia/2016/08/apresentacao-de-anitta-caetano-
http://ego.globo.com/famosos/noticia/2016/08/apresentacao-de-anitta-caetano-
15 
Mas teve quem defendesse a cantora. “Não vejo problema nenhum 
em ter a Anitta como uma representante da música pop brasileira 
fazendo a abertura das Olimpíadas. Ela é hoje uma das maiores artistas 
deste país, se você gosta ou não do que ela faz, pouco importa, mas ela é 
uma referência no que se propõe a fazer e traduz perfeitamente o som 
que mais se consome hoje entre os mais jovens. Tom Jobim já dizia que 
fazer sucesso no Brasil é pecado. Talvez por isso o nome de Anitta 
esteja sendo tão criticado! Anitta, vai lá e arrebenta! Quem não gostar 
que tampe os ouvidos!”, escreveu Tico Santa Cruz, em sua página no 
Facebook. 
(Adaptado de <http://oglobo.globo.com/cultura/musica/>. 
Acesso em 15 de agosto de 2016.) 
 
A partir da leitura dos textos acerca da participação da cantora carioca 
Anitta na Cerimônia de Abertura dos Jogos Olímpicos Rio 2016. redija um 
parágrafo no qual você AVALIE POSITIVA OU NEGATIVAMENTE A PARTICIPAÇÃO DELA 
NESSE EVENTO. Deixe claro o SEU PONTO DE VISTA e o sustente com UM ARGUMENTO. 
http://oglobo.globo.com/cultura/musica/
http://oglobo.globo.com/cultura/musica/
16 
UNIDADE 2: O TEXTO ARGUMENTATIVO (PARTE I) 
Conceito e estrutura 
 
PARTE 1: CONTEXTUALIZANDO 
 
Antes de nos centrarmos no nosso objeto de estudo, pensemos nas 
seguintes perguntas acerca de uma situação que pode ser corriqueira: 
 
1. Você já teve problemas com a compra de produtos ou contratação de 
serviços? Relate suas experiências para o grupo. 
2. O que pode ser feito para garantir que seus direitos sejam respeitados? 
 
O texto abaixo foi produzido por um consumidor insatisfeito com os 
serviços prestados por uma empresa que oferece sinal de TV por assinatura. Leia-o 
atentamente e responda: 
 
Texto I 
 
Bom dia, 
Sou assinante desse pacote de canais desde 2011. Sempre que tive 
problemas e necessitei de visitas técnicas, a empresa se mostrou 
solícita, atendendo ao meu chamado gratuitamente. No mês passado, o 
meu sinal foi interrompido por conta de fortes rajadas de vento que 
danificaram a fiação. Como de praxe, entrei em contato com a empresa, 
enviaram um técnico e o problema foi reparado. Até aí, tudo bem. 
Ao receber a fatura desse mês, percebi que a visita técnica foi 
cobrada. Além do valor mensal que sempre pago, teria que desembolsar 
R$100,00 a mais por conta dos reparos. Como achei a cobrança injusta, 
entrei em contato com a central de atendimento e recebi uma resposta 
que me deixou muito desapontado. Me disseram que as visitas técnicas 
eram cobradas sempre que o problema não era diretamente do serviço 
prestado, mas sim externo ou relativo a mau uso. Não concordo nem um 
pouco com essa justificativa e continuo achando a cobrança abusiva. 
Primeiramente, não é a primeira vez que um problema como esse 
aconteceu na minha casa. Sempre que há ventos mais fortes, o sinal é 
interrompido. Isso comprova que a cobrança não é comum, pois nunca 
foi feita. Além disso, não acho justo pagar por um problema que não foi 
causado por mim, pois não acredito que a responsabilidade por danos 
no material de vocês seja minha. Se a empresa se propõe a 
disponibilizar sinal em determinada área onde há alto índice de ventos 
fortes, que utilize um material adequado. E, por fim, acredito que 
17 
qualquer cobrança deva ser previamente avisada, para manter a relação 
entre consumidor e empresa sempre transparente. 
Espero que vocês revejam essa cobrança e o posicionamento de 
vocês, levando em conta o que foi exposto. 
Atenciosamente, 
Consumidor. 
 
1) Qual o propósito do consumidor ao enviar a carta à empresa? 
 
 
 _ 
 
2) Que elementos do texto justificam a resposta dada na questão 1? 
 
 
 
 
PARTE 2: SISTEMATIZANDO IDEIAS 
O QUE É ARGUMENTAR? 
Todos os textos, sejam orais ou escritos, pressupõem uma situação 
sociocomunicativa, ou seja, implicam na interação entre autor e interlocutor. 
Assim como existem diversas situações comunicativas, um texto pode ser 
organizado de diferentes maneiras para atender à intenção do emissor, sendo 
umas delas a argumentação. 
O texto argumentativo consiste em, a partir de um tema, defender um 
posicionamento fundamentado em fatos, dados ou evidências, com o intuito de 
convencer o interlocutor. Quando tentamos convencer alguém a torcer por um 
determinado time de futebol, praticar exercícios físicos, mudar o posicionamento 
político ou qualquer outra situação em que não há consenso entre as partes, 
estamos argumentando. Para isso, sempre que pretendemos defender uma 
opinião, organizamos nosso discurso de forma que possamos convencer o 
interlocutor de que, dentre todas as possibilidades, a nossa concepção é a mais 
acertada. 
Os textos podem apresentar características de diferentes modos de 
organização do discurso simultaneamente, porém adequados a um objetivo 
específico. Por isso, em um texto podemos encontrar trechos de narração e 
descrição, mas, ainda assim, ser predominantemente argumentativo. Na próxima 
seção, estudaremos a estrutura do texto predominantemente argumentativo. 
18 
A ESTRUTURA DO TEXTO ARGUMENTATIVO 
 
Agora que já sabemos o que é argumentar, podemos buscar compreender as 
características do texto argumentativo. 
A forma como vai ser organizado um texto depende da intenção do autor. 
No caso do texto argumentativo, o autor pretende defender um posicionamento 
sobre determinado tema e persuadir o leitor. Como a temática costuma ser aberta 
a diversos posicionamentos, é necessário que o ponto de vista do autor esteja bem 
claro e definido. Então, é característica básica da argumentação a apresentação de 
uma tese. 
Para que se conquiste o efeito de persuasão pretendido, é necessário 
embasar a tese com fatos, dados e evidências concretas que a comprovam, ou seja, 
argumentos. Podemos perceber que a seleção de argumentos é importantíssima 
para a composição do texto, pois servirá como base de defesa para a tese. Quanto 
mais consistentes e bem articulados forem os argumentos, maiores são as chances 
de conseguir atestar a tese e convencer o leitor. 
Vejamos alguns exemplos de parágrafos argumentativos: 
 
Conforme previsto pela Constituição Brasileira, todos são iguais 
perante a lei, independente de cor, raça ou gênero, sendo a isonomia 
salarial, aquela que prevê mesmo salário para mesma função, também 
garantidas por lei. No entanto, o que se observa em diversas partes do 
país, é a gritante diferença entre os salários de homens e mulheres, 
principalmentese estas forem negras. Esse fato causa extrema decepção e 
constrangimento a elas, as quais se sentem inseguras e sem ter a quem 
recorrer. Desse modo, percebe-se que a igualdade de direitos não são 
respeitadas . 
(Trecho adaptado da redação de Isadora Peter Furtado no ENEM 2015) 
 
As mudanças de hábitos são muito difíceis porque nosso corpo 
não as assimila imediatamente. Nosso cérebro é programado para 
trabalhar com economia de energia, realizando várias tarefas de modo 
mecânico enquanto deixa espaço para a cabeça focar em outras. 
"Hábitos são sequências de ações aprendidas depois de muita repetição, 
até que passam a ser executadas com o mínimo de esforço mental", 
resume o alemão Wolfram Schultz, professor de neurociência da 
Universidade de Cambridge, na Inglaterra. Isso explica por que acordar 
cedo para ir à academia não parece uma boa ideia para o cérebro nas 
tentativas iniciais. 
(Trecho adaptado do texto “Mudança de hábito: a ciência explica por que 
é tão difícil”, Marcia Kedouk, 12/12/2014, Revista Boa Forma) 
 
Sobre cada parágrafo, responda: 
19 
1. Qual o tema abordado? 
 
 
 
 
2. Qual o ponto de vista do autor? 
 
 
 
 
3. Quais são os argumentos utilizados? 
 
 
 
 
 
 
PARTE 3: APLICAÇÃO 
 
QUESTÃO 1 
 
Leia atentamente o texto abaixo. Esse é mais um exemplo de texto 
predominantemente argumentativo. Identifique os elementos que estudamos 
(tema, tese e argumentos). Como já sabemos, para argumentar a favor de um 
ponto de vista, podemos narrar fatos ou descrever cenários, pessoas, situações. 
Com os seus colegas, procure refletir sobre o texto, analisar as estratégias 
utilizadas pelo autor para produzi-lo. 
 
Texto I 
 
Roleta-russa, agora no ar 
 
São Paulo acrescenta continuamente requintes à roleta-russa em 
que se transformou a vida na cidade. Antes, o paulistano já sabia que, se 
escapasse de assalto, poderia cair em um sequestro (relâmpago ou 
duradouro, que a roleta-russa é sofisticada). 
Se não fosse sequestrado, teria o carro roubado. Se ficasse com 
o carro, afundaria em algum dos alagamentos bíblicos do cotidiano. Se 
não naufragasse, ficaria preso em um congestionamento 
cinematográfico. E, se nada disso ocorresse, ainda haveria na agulha a 
bala de cair no buraco do metrô e ter o cadáver resgatado apenas uma 
semana ou dez dias depois. Soma-se agora à roleta-russa até o ato de 
fugir dela ao deixar a cidade por via aérea. Sempre há o risco de levar 
20 
para ir ao Rio ou a Salvador o mesmo tempo que cidadãos normais 
tardam para ir de Nova York a Londres (ou até Tóquio). 
O caos aéreo serviu para acentuar outra característica dos 
paulistas (na verdade, comum a 99% dos brasileiros): em vez de 
enfrentar o problema, tratam de acomodar-se a ele. No lugar de 
drásticos protestos contra o apagão dos voos, o brasileiro faz estoque 
de livros, de iPods ou de "games" para celular – e aguenta o tranco na 
roleta-russa dos aeroportos. Já já alguém vai escrever o manual de auto- 
ajuda: "Como passar o dia em Congonhas e ser feliz". Nem em aeroporto 
do interior do Haiti admite-se que a chuva possa ser motivo para 
interrupção dos voos. Aqui, aceita-se tranquilamente medir o volume de 
água na pista para autorizar ou não voos no mais movimentado 
aeroporto da pátria esculhambada. 
Coisa de comédia, que, no entanto, se incorporou aos usos e 
costumes do país, como se fosse parte da paisagem. Como as favelas, as 
balas perdidas, os assaltos, os sequestros, a educação em frangalhos, a 
saúde profundamente doente, os políticos corruptos... 
(ROSSI, Clóvis. Folha de São Paulo, 20/03/2007) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
PRÁTICA DE REDAÇÃO 
 
Você adquiriu um produto em um site, mas, para sua surpresa, ele veio com 
defeito. Após entrar em contato com a empresa responsável, você descobre que 
eles não estão dispostos a trocar o produto ou reembolsar o dinheiro que foi gasto 
– para agravar a situação, a informação não foi disponibilizada previamente. 
Escreva um parágrafo direcionado à empresa com o intuito de REIVINDICAR 
SEUS DIREITOS. SELECIONE UM ARGUMENTO CAPAZ DE CONVENCER A EMPRESA DE QUE 
VOCÊ DEVE SER RESSARCIDO PELO PREJUÍZO SOFRIDO. 
21 
UNIDADE 3: O TEXTO ARGUMENTATIVO (PARTE II) 
Planejamento e contraste entre argumentação e exposição 
 
PARTE 1: CONTEXTUALIZAÇÃO 
 
Na unidade anterior, exploramos a argumentação, a estrutura do texto 
predominantemente argumentativo e nos colocamos em uma situação 
cotidiana que exigia a nossa habilidade de defender um ponto de vista. Agora, 
vejamos outros aspectos importantes. Leia o parágrafo abaixo, buscando 
refletir sobre as seguintes questões: 
 
A história demonstra que o convívio social foi (e continua a ser) 
decisivo para o desenvolvimento da humanidade. As descobertas de um 
membro do grupo, comunicadas aos outros, tornaram-se estímulo e 
ponto de partida para novos aperfeiçoamentos e novas descobertas. 
Transmitidas de geração em geração, não se perdem com a morte de 
seus descobridores. Recomeçando de onde outros pararam, as novas 
gerações podem avançar sempre mais. Graças à sociabilidade, que 
colocou em comum os esforços de muitas inteligências, a humanidade 
das cavernas já avança rapidamente na conquista do universo 
extraterreno. 
(Texto de Gleuso Damasceno Duarte, disponível em: http://www.colegioweb.com.br/estrutura- 
dissertativa/paragrafo-argumentativoexpositivo.html) 
 
1. Qual é a principal ideia do texto? 
2. Qual é o objetivo do autor? 
3. Como foi estabelecida a conexão entre as ideias secundárias e a principal? 
4. Qual é a importância de tal articulação para a consistência do texto? 
 
PARTE 2: SISTEMATIZANDO IDEIAS 
PLANEJANDO UM TEXTO ARGUMENTATIVO 
Todo texto escrito, para ser bom, precisa ser previamente planejado. 
Esquematizar previamente o texto argumentativo permite que o autor tenha maior 
consciência do que pretende defender e de qual será a melhor estratégia, já que a 
argumentação tem como finalidade a tentativa de adesão da tese pelo leitor. Com o 
planejamento, diminui a chance de o texto se apresentar desordenado, pouco 
articulado ou inconsistente. 
Basicamente, precisamos ter em mente alguns conceitos: o tema, a 
delimitação do tema, a tese, os argumentos e, em alguns textos, a conclusão. 
http://www.colegioweb.com.br/estrutura-
22 
O tema é o assunto que vai ser abordado, sobre o qual o autor se propõe a 
desenvolver algum texto. Por exemplo, suponhamos que o tema seja “problemas da 
sociedade moderna”. A partir desse assunto, podemos escolher falar sobre o 
aumento do índice de assaltos nos centros urbanos, o sentimento de solidão nas 
grandes cidades, o consumismo desenfreado, entre outros variados tópicos que 
podem ser levantados. Selecionar um tópico para concentrar sua produção textual 
chama-se delimitar o tema. 
É importante termos consciência da diferença entre tema e delimitação do 
tema. Se você se propõe a defender um posicionamento sobre o aumento do índice 
de assaltos nos centros urbanos, seus argumentos devem ser uma justificativa para 
a sua tese. Por exemplo, se você defende que “o aumento dos assaltos nos centros 
urbanos é consequência da falta de policiamento”, seu argumento não pode ser 
“porque não há uma aplicação efetiva da lei Maria da Penha”. Apesar de ser um 
problema que persiste na sociedade moderna, usar como argumento uma lei que 
diz respeito à violência contra a mulher não é coerente nem com a temática que foi 
delimitada, nem com a sua tese. 
Atentemo-nos, também, a importância da seleção dos argumentos. É 
fundamental que haja muita atenção à seleção dos argumentos. São eles que 
embasam, fundamentam e comprovam a sua tese. Sem eles, não seria possível 
tentar convencer o leitor de que seu posicionamento é plausível a ponto de levar o 
leitor a uma mudança de ponto de vista. Portanto, é importante que sejam 
escolhidos os argumentos mais convincentes. 
Uma forma de elaborar argumentos é transformara tese em uma pergunta. 
Vejamos um exemplo: 
 
 TEMA: A educação no Brasil 
 DELIMITAÇÃO TEMÁTICA: A qualidade do ensino privado no Brasil 
 TESE: O ensino privado no Brasil não apresenta qualidade homogênea. 
 PERGUNTA: Por que o ensino privado no Brasil não apresenta qualidade 
homogênea? 
 
 
 ARGUMENTO 1: Porque há dois tipos básicos de instituições de ensino privado: 
um que só visa ao lucro e outro que visa também à qualidade. 
 ARGUMENTO 2: Porque o ensino privado brasileiro destina-se a diferentes 
classes sociais. 
 
LIMITES DA ARGUMENTAÇÃO: argumentar é diferente de expor 
 
Até aqui, estudamos o que caracteriza um texto predominantemente 
argumentativo. Na primeira atividade da unidade anterior, fizemos a análise e 
produzimos uma carta de reclamação. Como já havíamos concluído, o autor 
RESPOSTAS = ARGUMENTOS 
23 
tenta convencer a empresa de que a cobrança foi indevida. Para isso, traz uma 
série de fatos que se articulam e comprovam seu ponto de vista. Não há dúvida 
de que se trata de um texto predominantemente argumentativo. 
Agora, vejamos o texto a seguir. 
 
Problemas com compras na internet? 
 
As vendas pela internet crescem em ritmo assustador. Em 2010, o 
e-commerce no Brasil cresceu mais de 40% em relação ao ano de 2009, 
atingindo a marca de 14,8 bilhões de reais em transações, e a estimativa 
é que neste ano este número chegue a 20 bilhões. A economia aquecida 
e o aumento da renda média do brasileiro são os principais fatores que 
justificam estes números. Porém, não só de glórias vive este setor. 
Só o Procon de São Paulo recebeu mais de 16 mil reclamações de 
compras on-line no primeiro semestre de 2011, quase três vezes mais 
do que no mesmo período do ano passado. As ofertas na internet são 
tentadoras pelo preço e principalmente pela oferta de crédito. Algumas 
empresas que possuem lojas físicas e na internet, possibilitam na 
compra pela web financiamentos maiores do que nas lojas comuns. 
(Trecho de Salgado. Disponível em: <http://blog.ceviu.com.br/info/artigos/problemas-com- 
compras-na-internet-saiba-o-que-fazer-nestes-casos/>. Acesso em 23/09/2011) 
 
Apesar de este texto abordar a mesma temática do texto lido na unidade 
anterior, a saber, os problemas entre os consumidores e as prestadoras de 
serviço, percebemos que eles têm objetivos diferentes. No texto desta unidade, 
disponibilizado em um blog, a intenção do autor é relatar dados quantitativos 
acerca do tema em pauta. Não há opinião, defesa de ponto de vista ou 
articulação entre tese e argumentos. O modo de organização deste texto é 
expositivo. 
Muito cuidado ao se propor escrever um texto argumentativo, pois a 
ausência das propriedades básicas pode comprometê-lo. Vejamos os dois textos 
abaixo, cujo tema é Pacificação nas comunidades cariocas: 
 
Parágrafo (a) 
A Unidade de Polícia Pacificadora, conhecida também pela sigla 
UPP, é um projeto da Secretaria Estadual de Segurança do Rio de 
Janeiro que pretende instituir polícias comunitárias em favelas, 
principalmente na capital do estado, como forma de desarticular 
quadrilhas que controlam estes territórios como estados paralelos. 
Antes do projeto, inaugurado em 2008, apenas a favela Tavares Bastos, 
entre as mais de 500 existentes na cidade, não possuía crime 
organizado, tráfico de drogas ou milícia. 
(Unidade de Polícia Pacificadora. Adaptado de <http://pt.wikipedia.org/>.) 
http://blog.ceviu.com.br/info/artigos/problemas-com-
http://blog.ceviu.com.br/info/artigos/problemas-com-
http://pt.wikipedia.org/
http://pt.wikipedia.org/
24 
Parágrafo (b) 
Os cariocas estão sofrendo com o aumento da violência nas 
regiões ditas “pacificadas”, o que nos leva a concluir que o projeto das 
UPP´s, na cidade do Rio de Janeiro, caminha para a falência. Tal falência 
se constitui como resultado previsível se considerarmos que não houve, 
agregado à pacificação, a implementação de programas sociais, 
essencial para o desenvolvimento humano e para a luta contra a 
criminalidade. Assim, agindo sozinha, a força policial pode ser a matriz 
geradora de violência. 
(Parágrafo elaborado pela monitora Isabella Ferreira) 
 
O parágrafo (a) situa-se no conhecer, já que informa ao leitor o que é a 
Unidade de Polícia Pacificadora e seu principal objetivo, sem que seja apresentada 
qualquer forma de opinião sobre a implantação da mesma. No entanto, o parágrafo 
(b) situa-se no defender, pois utiliza um argumento (Não se uniu a instalação das 
UPPs a programas sociais) para persuadir o leitor de que a sua tese (O projeto das 
UPP´s, na cidade do Rio de Janeiro caminha para a falência) é válida. 
 
PARTE 3: APLICAÇÃO 
 
QUESTÃO 1 
 
Com base no que foi estudado, elabore uma tese e um argumento para as 
seguintes temáticas: 
 
1. Mobilidade urbana no Rio de Janeiro 
 
 
 
 
 
 
2. A exposição no ambiente virtual 
 
 
 
 
 
25 
3. Os impactos ambientais da indústria 
 
 
 
 
 
 
QUESTÃO 2 
 
Redija um parágrafo que, articulado com o anterior, apresente um 
argumento que sustente a tese explicitada na introdução. Lembre-se de que o 
título é uma pista importante para definir o ponto de vista defendido. 
 
Rendimento escolar 
 
O professor no Estado do Rio, como em grande parte do país, 
trabalha com toda a abnegação, mas ao mesmo tempo vê-se frustrado 
por não ter o seu trabalho verdadeiramente reconhecido. 
 
 
 
 
 
 
 
 
PRÁTICA DE REDAÇÃO 
 
Texto I 
 
Daniel Dias quebrou preconceitos da escola 
ao casamento. E não é coitadinho. 
 
Maior medalhista paraolímpico brasileiro com 15 pódios (sendo 
dez ouros), dono de 14 títulos mundiais, dois troféus Laureus e invicto 
desde 2013. Esse é Daniel Dias, nadador de 27 anos que acostumou-se a 
quebrar próteses e preconceitos desde a infância. 
Superou o apelido de Saci no colégio com seu primeiro título – 
num concurso de pintura, onde deu vida a um cavalo alado. Impôs 
respeito com a bola no pé. E combateu a discriminação mesmo na hora 
de casar com sua mulher, Raquel Dias, mãe do primogênito Asaph e 
grávida de sete meses do segundo filho, de quem ficou separado por 3 
anos. 
26 
E sabe o que mais incomoda Daniel Dias? A pecha de coitado, o 
olhar atravessado, a falta de oportunidades iguais para quem é 
diferente. 
(Disponível em: <http://olimpiadas.uol.com.br/noticias/2015/09/07/daniel-dias-quebrou- 
preconceitos-da-escola-ao-casamento-e-nao-e-coitadinho.htm>.) 
 
 
Texto II 
 
 
Significado de Deficiente 
DEFICIENTE 
 adj. Insuficiente; que possui ou expressa algum tipo de deficiência, 
falta, erro ou falha: televisor deficiente; geladeira deficiente 
 Incompleto; que não possui quantitativamente o suficiente: planilha 
deficiente. 
(Disponível em: <http://www.dicio.com.br/deficiente/>.) 
 
Texto III 
 
Após refletir sobre o assunto, redija UM PARÁGRAFO ARGUMENTATIVO no qual 
você apresente SEU PONTO DE VISTA e UM ARGUMENTO acerca da seguinte questão: O 
QUE IMPEDE A INCLUSÃO SOCIAL DO DEFICIENTE FÍSICO NA NOSSA SOCIEDADE? 
http://olimpiadas.uol.com.br/noticias/2015/09/07/daniel-dias-quebrou-preconceitos-da-escola-ao-casamento-e-nao-e-coitadinho.htm
http://olimpiadas.uol.com.br/noticias/2015/09/07/daniel-dias-quebrou-preconceitos-da-escola-ao-casamento-e-nao-e-coitadinho.htm
http://www.dicio.com.br/deficiente/
27 
UNIDADE 4: O PARÁGRAFO ARGUMENTATIVO PADRÃO 
 
As atividades de leitura e redação envolvem não apenas o domínio da 
norma culta de uma língua, mas também a nossa capacidade de, enquanto leitores 
e produtores de textos, demonstrarmos nosso conhecimento de mundo. Além 
disso, também é necessário sabermos como organizar as ideias de forma clara e 
coesa. 
Na unidade anterior, estudamos as propriedades do texto argumentativo. 
Agora, ao longo desta unidade, analisaremos a constituição e como as informações 
estão dispostas nele parágrafo argumentativo. 
 
PARTE 1: CONTEXTUALIZAÇÃO 
 
Leia o parágrafo abaixo: 
 
A Educação é o caminho maiseficiente para a justiça social. 
Estudo e cultura tendem a aproximar os homens, fazendo-os não só 
mais solidários, como também mais preocupados com a evolução 
uniforme da sociedade. Assim, o equilíbrio dos direitos e a distribuição 
de renda proporcionam a ansiada igualdade. 
(Disponível em: http://ccmc3ano.blogspot.com.br/2012/08/ 
o-paragrafo.html. Acesso: 28/08/2016.) 
 
Agora, com base nos conhecimentos sistematizados nas unidades 
anteriores, troque ideias com os colegas e seu monitor: 
 
1. Qual é o tema do parágrafo? 
2. Qual seria a principal intenção do autor? Por quê? 
3. Que elementos o compõem? Como podemos delimitá-los? 
4. Dos elementos listados acima, que se articula aos demais? Qual seria ele? 
5. O parágrafo acima apresenta uma conclusão? Justifique. 
 
PARTE 2: SISTEMATIZANDO IDEIAS 
 
Como vimos, o autor do parágrafo lido objetivou defender uma ideia acerca 
de um tema: a importância da Educação para a existência da justiça social. Após 
destacar seu ponto de vista (sua tese), selecionou um argumento e o colocou no 
texto de modo a relacioná-lo à sua ideia inicial. Em seguida, encerrou sua 
argumentação com uma síntese. 
A partir dessa análise, podemos concluir que parágrafo é uma unidade 
textual que representa um bloco de ideias constituídas de uma sequência de 
informações e pensamentos, organizados em início, meio e, geralmente, fim. 
http://ccmc3ano.blogspot.com.br/2012/08/
28 
A ESTRUTURA DO PARÁGRAFO PADRÃO 
 
Assim como o texto, o parágrafo argumentativo padrão também apresenta 
uma estrutura canônica. Podemos, grosso modo, compará-la à macroestrutura da 
dissertação tradicional ─ introdução, desenvolvimento e conclusão ─, utilizando 
nomenclatura mais específica. Analisemos este exemplo: 
 
Todo jovem precisa dos pais para se sentir seguro. Apesar de negar sua 
dependência em relação aos pais, o jovem sabe que, através das ideias 
deles e de sua firmeza no modo de agir, ele se guia para tomar as 
principais atitudes na vida. Os pais são, na verdade, um modelo a ser 
seguido. 
(Aluna da 2ª série do Ensino Médio) 
 
No parágrafo acima, assim como no analisado anteriormente, é possível 
identificarmos uma ideia que sintetiza seu conteúdo, expressando, de modo 
sucinto, a informação mais relevante do mesmo: Todo jovem precisa dos pais para 
se sentir seguro. A esta ideia chamamos tópico frasal ou ideia-núcleo, por ser a 
principal entre as demais e ter a função de nortear a argumentação. No caso do 
parágrafo argumentativo, o tópico frasal coincide com a tese defendida por um 
autor. Geralmente, assim como a introdução num texto dissertativo, é a primeira 
informação da sequência. 
Também podem ser observadas no parágrafo em estudo ideias 
secundárias, responsáveis pelo desenvolvimento da ideia principal. Nelas, apresenta-
se o argumento que sustenta o ponto de vista defendido pelo autor: Apesar de 
negar sua dependência em relação aos pais; o jovem sabe que, (...) ele se guia 
para tomar as principais atitudes na vida; através das ideias deles e de sua 
firmeza no modo de agir. 
Por fim, verifica-se uma frase que resume as ideias desenvolvidas ao longo 
do parágrafo. Chamada de conclusão, não constitui parte obrigatória do parágrafo 
argumentativo padrão, mas é aconselhável na medida em que propõe um 
encerramento para este: Os pais são, na verdade, um modelo a ser seguido. 
 
Observações: 
 
1. Nem todo parágrafo bem escrito se encaixa no modelo padrão de parágrafo, 
que é uma unidade encerrada em si mesma, apresentando tópico frasal, 
ideias secundárias e conclusão. A estrutura de um texto é flexível e permite 
múltiplas combinações. Atentemos para o segundo parágrafo da sequência a 
seguir. Ele não apresenta tópico frasal, pois carrega a causa de uma afirmação feita 
no parágrafo imediatamente anterior. 
29 
Nas ruas das grandes cidades americanas e europeias sempre me 
admiro com o respeito, e o temor, dos motoristas pelas leis de trânsito. 
Não há horário ou pretexto para que algum carro avance com o sinal 
amarelo. Pode até ranger freios e pneus, dar um susto no passageiro, 
até mesmo levar uma encostada na traseira, mas ninguém cruza a faixa 
de pedestres no amarelo. Não só multa é pesadíssima, como o infrator 
tem que comparecer ao tribunal, perde pontos na carteira, tem uma 
grossa chateação. É um comportamento profundamente arraigado nos 
motoristas e um símbolo de convívio urbano civilizado. Entre nós é 
justamente o contrário. 
Porque no Brasil em geral, e no Rio de Janeiro em particular, a 
regra é aproveitar o último restinho de amarelo antes do vermelho e ser 
mais esperto que os outros. Pelo menos até o próximo sinal. 
(O Globo, 28/08/2009) 
 
 
2. No parágrafo argumentativo padrão, o tópico frasal coincide com a tese, 
sendo, portanto, obrigatório. No entanto, é importante salientar que a ideia- 
núcleo pode estar situada no meio ou no final do parágrafo. Vejamos estes 
exemplos: 
 
Vários motivos me levaram a este livro. Dois se destacam pelo 
grau de envolvimento: raiva e esperança. Explico-me: raiva por ver o 
quanto a cultura ainda é vista como artigo supérfluo em nossa terra; 
esperança por observar quantos movimentos culturais têm acontecido 
em nossa história, e quase sempre como forma de resistência e/ou 
transformação. (...) 
(FEIJÓ, Mártin César. O que é política cultural. São Paulo, Brasiliense, 1985, p. 7.) 
 
O tema da reforma agrária está presente há bastante tempo nas 
discussões sobre os problemas mais graves que afetam o Brasil. Numa 
comparação entre o movimento pela abolição da escravidão no Brasil, 
no final do século passado e, atualmente, o movimento pela reforma 
agrária, podemos perceber algumas semelhanças. Como na época da 
abolição da escravidão existiam elementos favoráveis e contrários a ela, 
também hoje há os que são a favor e os que são contra a implantação da 
reforma agrária no Brasil. 
(OLIVEIRA, Pérsio Santos de. Introdução à sociologia. São Paulo, Ática, p. 101.) 
30 
PLANEJAMENTO DO PARÁGRAFO 
 
Os parágrafos, mesmo que não apresentem sempre uma estrutura padrão, 
desempenham papel importante na organização das ideias de um texto. 
Para que qualquer parágrafo ─ padrão ou não ─ se desenvolva de forma 
clara e objetiva, é imprescindível que, antes de escrevê-lo, ordenemos nossas 
ideias num plano de desenvolvimento, o qual consiste em: 
 
I. Estabelecer um tema, ou seja, selecionar um assunto de âmbito mais geral, 
mas que seja passível de especificação. 
II. Delimitar o tema, isto é, ser mais específico em relação ao que vai se falar a 
respeito do assunto selecionado. 
III. Traçar um objetivo, estabelecendo, claramente, aquilo que vai orientar o ato 
de escrever o parágrafo. 
 
Em seguida, precisamos organizar um roteiro para a efetiva escritura do 
parágrafo. Assim, temos: 
 
I. Elaboração do tópico frasal, contendo o ponto de vista do autor acerca do 
tema delimitado. 
II. Seleção do argumento que sustente a tese. 
III. Elaboração de um fechamento para o parágrafo [OPCIONAL]. 
 
Observemos atentamente esta ilustração de planejamento de um parágrafo: 
 
 Tema: desemprego 
 Delimitação do tema: uma grave consequência do desemprego nos centros 
urbanos. 
 Objetivo: apresentar a principal consequência do desemprego nos centros 
urbanos. 
 Tópico frasal (Pode-se transformar o objetivo em tópico frasal): "A principal 
consequência do desemprego nos centros urbanos é..." 
 Argumento (Pode-se transformar o tópico frasal numa pergunta: "Por que a 
principal consequência do desemprego nos centros urbanos é...?" A resposta 
será o argumento.) 
 
PARTE 3: APLICAÇÃO 
 
QUESTÃO 1 
 
Leia o parágrafo abaixo e responda aos itens 1 e 2 seguintes: 
31 
Entre as qualidades de um bom professor, duas merecem especial 
destaque: a paciência e a amizade. A primeira é necessária porque é 
através dela que o professor consegue explicar várias vezes e de modos 
diferentesa matéria que o aluno não compreende; a segunda, porque é 
a amizade do professor que faz o aluno ter respeito por ele e ter 
confiança no trabalho que ele realiza ─ quando o aluno sente a amizade 
do professor, passa a considerá-lo um igual; desta maneira, estuda com 
mais naturalidade. Com essas duas qualidades, o professor certamente 
será um bom profissional. 
(Aluna da 2ª série do Ensino Médio) 
 
1. Numa sequência argumentativa, tal como o parágrafo acima, o autor busca 
defender um ponto de vista (tese) acerca de um determinado assunto. Tendo 
em vista esta afirmação, indique, com suas palavras: 
 
a) o assunto discutido pela autora do parágrafo lido. 
 
 
 
 
 
b) o ponto de vista defendido por ela. 
 
 
 
 
 
2. Por que a autora afirma que "é a amizade do professor que faz o aluno ter 
respeito por ele e ter confiança no trabalho que ele realiza"? 
 
 
 
 
 
 
QUESTÃO 2 
 
Identifique, nos parágrafos argumentativos a seguir, o tópico frasal, o(s) 
argumento(s) e a conclusão, quando houver. 
 
1. "É um grave erro a liberação da maconha. Provocará de imediato violenta 
elevação do consumo. O estado perderá o precário controle que ainda exerce 
32 
sobre as drogas psicotrópicas e nossas instituições de recuperação de viciados 
não terão estrutura suficiente para atender à demanda." 
(Alberto Corazza, IstoÉ, 20 dez. 1995.) 
 
 
 
 
 
2. "Se fizermos uma pesquisa no meio de 100 adolescentes, veremos que o 
principal problema apontado por eles seria o da indefinição diante do futuro 
profissional; isso por dois motivos: sabem, com certeza, que aquilo que 
estudaram não servirá como qualificação única em um desemprego; e também 
sabem que não têm a experiência necessária para entrar nesse mercado 
competitivo." 
(Aluno da 1ª série do Ensino Médio - Texto adaptado.) 
 
 
 
 
 
3. "Hoje em dia os grandes centros urbanos do Brasil são palcos de ações 
marginais: sequestros, roubos de carro, assaltos a mão armada, balas perdidas, 
etc. Ao sair de casa, ninguém sabe se volta. Tudo pode acontecer. Por isso, cada 
pessoa se vê obrigada a viver em alerta, pronta para se defender e também 
para atacar, se for preciso." 
 
 
 
 
 
 
QUESTÃO 3 
 
A partir dos conhecimentos adquiridos ao longo desta unidade, elabore um tópico 
frasal e um argumento para cada delimitação de tema a seguir. Lembre-se de que, 
antes de desenvolver a atividade, você precisa ter em mente qual ideia pretende 
defender em sua argumentação. 
 
1. O legado dos Jogos Olímpicos 2016 para a cidade do Rio de Janeiro. 
 
 
 
33 
 
 
 
 
2. Os impactos da redução da maioridade penal na vida do jovem brasileiro. 
 
 
 
 
 
 
3. O uso de novas tecnologias e o aumento da taxa de desemprego no Brasil. 
 
 
 
 
 
 
 
PRÁTICA DE REDAÇÃO 
 
Texto I 
 
Texto II 
A violência na mídia tem sido uma preocupação para pais, 
educadores e pesquisadores. De um lado, alguns acreditam que expor a 
criança à violência, como ocorre nos desenhos animados, em filmes e 
video games pode influenciar no comportamento da criança, fazendo 
com que seja mais agressiva ou passe a encarar a violência como algo 
banal. Para outros profissionais, a mídia não é a responsável pelo 
aumento da violência entre crianças, mas sim pela violência praticada 
contra a infância, contra seus direitos como criança e ser humano. A 
relação entre a televisão e a criança está sendo estudada, 
mundialmente, desde 1950. 
Em seu trabalho de conclusão do Curso de Rádio e TV, da Escola 
de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/ USP), 
34 
Andréa Carla Falchi Ferreira Santos pesquisou a influência da TV sobre 
a criança, a partir de uma análise dos canais abertos brasileiros. (...) 
Sua pesquisa mostrou que, nos lares de hoje, a televisão é a 
principal fonte de informação e o principal modelo a ser seguido, papel 
que deveria ser cumprido pela família, segundo a autora. As crianças 
ficam cada vez mais tempo em frente à TV, até mesmo na companhia 
dos pais, que na maioria das vezes apenas assistem aos programas sem 
preocupar-se em avaliar o conteúdo. 
Crianças e adolescentes estariam, segundo Santos, mais 
vulneráveis aos apelos televisivos do que os adultos, sendo também 
mais facilmente impressionáveis. Sua personalidade ainda está em 
formação e as informações que recebem pela televisão são entendidas 
de acordo com o universo psíquico das crianças, que inclui o ambiente 
em que vive. Para Santos, essa influência pode estabelecer padrões de 
comportamento. 
A psicanalista Angela Vorcaro, do Departamento de Distúrbios da 
Comunicação da USP, acredita que a mídia não pode ser 
responsabilizada pelo comportamento violento da criança e pelo 
aumento da violência na sociedade. Ela concorda que a criança acolhe a 
violência dos desenhos animados e dos filmes que assiste, mas diz que 
ela os liga à sua fantasia. 
Vorcaro usa o atentado ao World Trade Center para exemplificar 
sua afirmação. "Um de meus pacientes, uma criança autista, brincava 
com um aviãozinho amarrado em um barbante e fez com que o mesmo 
se chocasse contra uma torre de blocos que havia construído. Outra 
criança que atendo, que não é autista, me perguntou se eu sabia que o 
avião errou o caminho e trombou no prédio, mas que o piloto se 
salvou". Para a psicanalista, isso mostra que o efeito da mídia é muito 
grande, mas o modo de interpretar a cena é diferente para cada criança. 
A mesma cena serviria para cada criança reinventá-la no seu universo. 
"Isso é o mais importante em relação à violência exposta na mídia", 
afirma. (...) 
(Disponível em: http://www.comciencia.br/reportagens/violencia/vio07.htm) 
 
Os textos acima trazem à tona, por meio de diferentes visões, a 
problemática da relação entre a criança e a televisão, bem como as influências que 
esta pode vir a exercer na formação do caráter de um indivíduo. 
Após refletir sobre o assunto, redija UM PARÁGRAFO ARGUMENTATIVO PADRÃO, 
no qual você apresente SEU PONTO DE VISTA e UM ARGUMENTO acerca do REAL IMPACTO 
DA TELEVISÃO SOBRE A CONSTRUÇÃO DO CARÁTER DA CRIANÇA. 
Lembre-se de que, para melhor organizar seu parágrafo, você deve seguir 
passo a passo o modelo de planejamento apresentado nesta unidade. 
http://www.comciencia.br/reportagens/violencia/vio07.htm)
35 
UNIDADE 5: COERÊNCIA 
 
PARTE 1: CONTEXTUALIZAÇÃO 
 
Sabemos que existem diversos aspectos que caracterizam um texto como 
tal. Em primeiro plano, sabemos que há a interação entre autor, texto e leitor. 
Também não há dúvida sobre o que diferencia um texto de um amontoado de 
palavras, mas como podemos materializá-lo, sabendo da existência de uma 
complexidade dos fatores, textuais e contextuais, que atuam para a construção do 
sentido global? Colocando-nos no papel de autor de textos, responda as perguntas 
a seguir: 
 
1. Como fazemos as ideias nos nossos textos progredirem? 
2. Como podemos tentar garantir que nossos leitores entendam as relações 
entre as ideias que propomos em nossos textos? 
 
Leia o texto abaixo: 
 
Texto I 
A água é o recurso natural mais abundante do planeta. De maneira 
quase onipresente, ela está no dia a dia dos 7 bilhões de pessoas que 
habitam o planeta. Além de matar a sede, a água está nos alimentos, nas 
roupas, nos carros e na revista que está nas suas mãos – se você está 
lendo a reportagem em seu tablet, saiba também que muita água foi 
usada na fabricação do aparelho. Mas o recurso mais fundamental para 
a sobrevivência dos seres humanos enfrenta uma crise de 
abastecimento. Estima-se que cerca de 40% da população global viva 
hoje sob a situação de estresse hídrico. Essas pessoas habitam regiões 
onde a oferta anual é inferior a 1 700 metros cúbicos de água por 
habitante, limite mínimo considerado seguro pela Organização das 
Nações Unidas (ONU). Nesse caso, a falta de água é frequente – e, para 
piorar, a perspectiva para o futuro é de maior escassez. 
A diminuiçãoda água no mundo é constante e, muitas vezes, 
silenciosa. Seus ruídos tendem a ser percebidos apenas quando é tarde 
para agir. 
(Trecho retirado de http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/ 
ambiente/populacao-falta-agua-recursos-hidricos-graves- 
problemas-economicos-politicos-723513.shtml) 
 
A leitura desse texto de natureza expositiva permite que nós, leitores, 
cheguemos a algumas conclusões. Sabemos que o tema tratado é relacionado a 
água, mas foi feito um recorte, direcionando o foco para a crise de abastecimento. 
Notamos que nos primeiros períodos são trazidas comprovações de como somos 
http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/
36 
dependentes e estamos em constante contato com esse recurso. Vemos, também, 
períodos que tratam sobre a questão da escassez diretamente, trazendo dados que 
comprovam a crise hídrica. 
Enfim, fazendo a leitura do texto por partes, identificaríamos as ideias de 
cada período. Contudo, se a pretensão é a construção de uma unidade de sentido, 
as partes precisam formar um todo. Ou seja, é indispensável que as ideias estejam 
relacionadas. 
Para explorar esse importante aspecto para a produção e leitura de textos, 
nessa unidade, estudaremos a coerência textual. 
 
PARTE 2: SISTEMATIZANDO IDEIAS 
 
Quando falamos de coerência textual, nos referimos à propriedade de um 
texto ser uma unidade significativa. Dito com outras palavras: “(a coerência) é o 
que faz com que o texto faça sentido para os usuários, devendo, portanto, ser 
entendida como um princípio de interpretabilidade” (Koch, 1993: p.21) que se 
vincula a dois outros aspectos: inteligibilidade do texto, numa situação de 
comunicação, e a capacidade que o receptor tem para calcular o sentido deste 
texto. 
Remetendo a interação necessária entre autor, texto e leitor, onde se 
aplicaria a coerência? Só no autor? Só no texto? Só no leitor? Segundo Koch e Elias 
(2009), numa perspectiva interacional da atividade de escrita, a coerência “está 
presente” na conjunção das três partes. Envolve as intenções do autor, 
corporificadas no texto e na interpretação do leitor (influenciada pela sua 
formação). 
Isso nos mostra a complexidade da produção de textos coerentes. O autor, 
que já tem a intenção de comunicar algo, precisa se preocupar em relacionar suas 
ideias de forma que formem um todo significativo. Além disso, todo esse esforço 
materializado em texto precisa ser reconhecido por alguém que possui 
conhecimentos de mundo e linguísticos distintos. Percebemos que os diversos 
fatores que garantem a textualidade atuam de forma a promover a coerência 
textual, já que colaboram para a unidade significativa. 
Os desafios são grandes, mas há caminhos. Primeiramente, é importante 
destacar a importância da revisão do texto. Koch e Elias (2009) retomam a 
hipótese de Sautchuk (2003) sobre a existência de dois leitores: um leitor externo 
e o leitor interno. O primeiro seria aquele que “tem acesso ao texto em um tempo e 
local distantes de quando e onde ocorreu o processo de escrita”. O segundo, “existe 
no escritor com a função de “monitorar-lhe” a atividade da escrita, apontando 
alternativas para a solução de “problemas” que vão surgindo na medida mesma em 
que o escritor desenvolve sua escrita”. Esses “problemas” podem estar em nível 
micro e macrotextuais; de qualquer forma, prejudicam o resultado final. Nós, 
produtores dos textos, devemos ser os primeiros a julgar o que tem cabimento ou 
não, o que não tem nexo e o que está inadequado. Assim, tudo o que poderia, 
37 
futuramente, prejudicar a interlocução, já será corrigido. Além disso, temos a 
oportunidade de aprimorar cada vez mais o nosso olhar, ganhando experiência 
para as próximas produções. 
Falando de coerência, existem alguns princípios reguladores que podem ser 
esquematizados. São eles que regulam a forma como se organiza a cadeia textual. 
Vejamos: 
 
I. Repetição: 
 
Segundo este princípio, para que um texto seja coerente, é preciso que, ao 
longo de seu desenvolvimento, ele comporte elementos recorrentes, ou seja, o 
texto deve manter uma continuidade temática. 
 
João foi à padaria. A padaria é feita de tijolos. Os tijolos são caríssimos. 
Também os mísseis são caríssimos. Os mísseis são lançados no espaço. 
Segundo a Teoria da Relatividade, o espaço é curvo. A Geometria 
Rimaniana dá conta desse fenômeno. 
 
Nesse texto, essa regra não é respeitada. Em um momento trata-se de uma 
descrição de um acontecimento: “João foi à padaria”. Em um segundo momento, o 
foco é outro: de que material é feita a padaria – tijolos. Logo depois, o termo 
“tijolos” é o tópico discursivo. Dessa forma, percebemos que não há um eixo 
temático, e a cada momento uma informação nova é fornecida ao 
interlocutor/leitor. Essa ausência de repetição, de manutenção de um tema central, 
faz com que o texto não seja percebido como uma unidade significativa e é isso que 
o faz ser um texto incoerente. 
O princípio da repetição remete-nos ao conceito de informatividade. Um 
texto que traz muitas informações novas “tenderá a ser rejeitado pelo recebedor, 
que não conseguirá processá-lo” (Val, 2006). É exatamente isso o que ocorre no 
texto (2): o produtor fornece muitas informações novas sem manter um tema 
principal/central. 
 
II. Progressão: 
 
De acordo com a regra da progressão, para que haja coerência em um texto, 
é necessário que ele apresente elementos semânticos constantemente renovados. 
Essa regra completa a primeira, uma vez que, para ser coerente, um texto não deve 
repetir indefinidamente o mesmo conteúdo. Ele precisa, portanto, apresentar 
progressão semântica para ser coerente. Isso significa que o texto deve trazer 
informações novas, que acrescentem algo de novo ao conhecimento de quem o 
recebe. Essas informações novas, contudo, devem vir ancoradas em informações 
dadas, isto é, presentes no texto ou nele pressupostas. 
38 
É fundamental, portanto, que haja um equilíbrio entre a continuidade 
temática e a progressão semântica. Ou seja, é preciso que haja um equilíbrio entre a 
quantidade de informações velhas e informações novas, garantindo um nível 
mediano de informatividade. 
 
III. Não contradição: 
 
A regra da não contradição diz que, ao longo do desenvolvimento textual, é 
preciso que não se introduza nenhum elemento semântico que contradiga, que se 
oponha a um conteúdo posto ou pressuposto anteriormente. 
Nesse ponto, vale a distinção entre dois tipos básicos de contradição: a 
interna e a externa. Na contradição interna, ocorre uma oposição entre conceitos 
presentes no texto, ou entre um conceito presente e outro pressuposto através da 
inferência. 
Vejamos, por exemplo: 
 
Atualmente, a classe média não tem condições acessíveis para 
frequentar universidades particulares, este é um caso impossível. Com 
o aumento do custo de vida, que envolve os gastos para necessidade 
básica e impostos, aliado a dificuldade que conseguir empregos, 
percebe-se como é difícil custear o ensino superior. O governo deveria 
adotar metas, que incluíssem a classe média para lhes dar 
oportunidades de frequentar universidades particulares. 
 
A incoerência se dá, pois o autor propõe uma solução a um caso que ele 
havia apontado como impossível. 
Pode haver, também, contradição quando conceitos, ainda que não se oponham, 
são ligados de forma indevida. Observemos os exemplos: 
 
Exemplo 1: João foi à festa, todavia fora convidado. 
Exemplo 2: João foi à festa, porque fora convidado. 
 
No exemplo (1) o conector (“todavia”) usado para relacionar os conceitos 
presentes nas duas orações (“João foi à festa” e “João fora convidado”) expressa 
oposição, contrariedade. Porém, a ideia que une essas orações é de explicação, 
coerentemente expressa pela conjunção “porque” no exemplo (2). 
Já a contradição externa ocorre quando um conceito presente no texto não 
corresponde ao conhecimento de mundo dos interlocutores. Vejamoso exemplo 
retirado de Koch (1993: 37): 
 
A frente da casa da vovó é voltada para o leste e tem uma enorme 
varanda. Todas as tardes ela fica na varanda em sua cadeira de balanço 
apreciando o pôr-do-sol. 
39 
A posição da frente da casa e o que se diz que a avó faz à tarde são 
contraditórios, já que sabemos, de acordo com o nosso conhecimento de mundo, 
que o sol não se põe a leste, mas a oeste. 
 
IV. Relação: 
 
O último princípio regulador da coerência diz que, para que um texto seja 
coerente, é preciso que os fatos nele expressos estejam relacionados entre si no 
mundo representado. 
Para que essa regra seja respeitada é necessário que “os indivíduos, os 
elementos, as ações, as ideias, os acontecimentos ativados em um texto sejam 
percebidos como congruentes, isto é, guardem algum tipo de associação, de 
ligação” (Antunes, 2005: 185). Nesse sentido, uma expressão levantada em um 
texto vai dando acesso a outra ou a outras seguintes, pois todas remetem a um 
mesmo campo semântico, já que devem estar relacionadas significativamente. À 
medida que isso vai sendo feito, as expressões vão constituindo uma cadeia, um 
todo interligado. Observemos o seguinte trecho de um artigo publicado na revista 
Isto é em 10/03/99: 
 
Acabou a FESTA 
“O governo esperou O CARNAVAL passar para botar seu BLOCO na 
rua. Na semana passada, enquanto A COMISSÃO DE FRENTE fechava os 
últimos detalhes do acordo com o Fundo Monetário Internacional 
(FMI), em Washington, A TURMA DA BATERIA acertou O RITMO do ajuste 
fiscal. No novo SAMBA quem DANÇOU primeiro foi A ALA dos servidores 
públicos, com 514 mil INTEGRANTES. Foram suspensas até o final do ano 
promoções, reajustes e contratações, o que promete gerar uma 
economia de pelo menos R$ 1,5 bilhão. (…)” 
 
Percebemos que o tema central do texto é o governo e como ele está lidando 
com uma crise financeira. Os termos destacados em itálico são todos relacionados 
a este tema. (governo; FMI; ajuste fiscal; servidores públicos; promoções, reajustes 
e contratações; gerar uma economia). O autor do texto faz uma associação entre as 
medidas tomadas pelo governo com o Carnaval, festa popular recém terminada 
naquele ano. Por essa razão, são recorrentes, desde o título, termos relacionados 
ao campo semântico carnaval, (festa, bloco, comissão de frente, a turma da bateria, 
o ritmo, samba, dançou, ala, integrantes). 
A coerência é imprescindível para garantir a inteligibilidade de um texto. 
Vimos que é ela quem garante, através da boa conexão entre os conceitos 
presentes no texto, a unidade significativa do mesmo. Dessa forma, a coerência 
deverá estar sempre presente em um texto e poderá ou não estar expressa, através 
de recursos linguísticos, na superfície textual. 
40 
PARTE 3: APLICAÇÃO 
 
QUESTÃO 1 
 
A breve tira abaixo fornece um bom exemplo de como o contexto pode 
afetar a interpretação e até mesmo a análise gramatical de uma sequência 
linguística. 
 
 
a. Supondo que a fala da moça fosse lida fora do contexto dessa tira, como você a 
entenderia? 
 
 
 
 
 
b. Se a fala da moça fosse considerada uma continuidade da fala do rapaz, 
poderia ser entendida como uma única palavra, de derivação não prevista na 
língua portuguesa. Que palavra seria e o que significaria? 
41 
 
 
 
 
 
 
 
QUESTÃO 2 
 
Os textos seguintes apresentam algum tipo de incoerência. Sua tarefa é 
reescrever o parágrafo, eliminando-a: 
 
a. A ciência já demonstrou que o consumo exagerado de bebidas alcoólicas é 
extremamente prejudicial à saúde. Adolescentes, aos dezesseis anos, ainda não 
têm maturidade suficiente para avaliar os malefícios que o consumo 
imoderado de bebidas alcoólicas lhes poderá causar. Além disso, nessa idade, 
gostam de novidades e, como muitas vezes são tímidos, utilizam-se de bebidas 
alcoólicas para ficar extrovertidos sem pensar nas consequências nefastas 
desse tipo de atitude. Por esses motivos a lei que proíbe a venda de bebidas 
alcoólicas para menores de dezoito anos deveria ser revogada. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
b. A alimentação tem um papel fundamental na nossa qualidade de vida, sendo 
muito importante adotar uma dieta saudável e adequada ao nosso estilo de 
vida. O consumo excessivo de alimentos ricos em gorduras saturadas, sódio e 
açúcares pode provocar problemas de saúde. Não é necessário deixar de 
comer determinados alimentos para ter uma alimentação saudável, apenas 
fazer a combinação certa de alimentos, na quantidade adequada, e adotar 
algumas regras no seu dia a dia. Logo, podemos comer fast food e comidas 
industrializadas sem nos preocupar com efeitos colaterais. 
 
 
 
 
 
42 
 
 
 
 
 
 
 
PRÁTICA DE REDAÇÃO 
 
Texto 1 
 
 
Texto 2 
A violência entrou de vez no currículo escolar dos brasileiros. Só 
que agora, infelizmente, em vez de um saudável e democrático conflito 
no campo das ideias, alunos, professores, diretores e funcionários 
precisam cada vez mais conviver com agressões, ameaças e abusos. 
Não é preciso ir longe para se verificar tudo isso. Basta recorrer ao 
buscador do Google e pedir "violência nas escolas". Aparecem centenas 
de artigos, análises, denúncias, resumo de encontros e simpósios de 
especialistas em ciências da educação e do comportamento, além de 
livros inteiros, disponibilizados gratuitamente, na tentativa de analisar 
o problema e apresentar possibilidades de solução. 
"A violência nas escolas reproduz a violência na sociedade, não é 
um fenômeno intramuros isolado", afirma a coordenadora de Ciências 
Humanas e Sociais da Unesco no Brasil, Marlova Noleto. Segundo a 
educadora, os ambientes escolares deixaram de ser lugares protegidos 
43 
e muitos pais perderam a tranquilidade ao levar os filhos à escola. Ela 
destaca que a ausência de regras claras de convivência entre alunos e 
professores contribui para o aumento da violência. 
Para o professor da faculdade de Educação da Universidade de 
Brasília e da Universidade Católica Célio da Cunha, há uma profunda 
crise de valores humanos. "A violência na escola vem da Idade Média, é 
uma prática inconcebível no século 21. A escola tem que refletir uma 
cultura de respeito, da merendeira ao diretor", diz. Cunha defende que é 
preciso recuperar a dimensão humana da educação, que foi 
transformada em um negócio. 
"Na maioria dos casos, o aluno reproduz na sala de aula aquilo que 
vive em sua própria casa, no convívio com a família, e nas ruas. Há, de 
modo geral, uma crescente banalização da má educação, uma ausência 
de consciência de limites, uma violência instalada nos lares. Reflexo de 
um fenômeno que se alastra por toda a sociedade", opina a matemática 
Nelma Pellegrini Franco, que amargou trinta anos de magistério em 
escolas públicas de São Paulo. 
(Trecho do texto de Luiz Pellegrini.) 
 
A partir da leitura e discussão dos textos acima, redija UM PARÁGRAFO 
ARGUMENTATIVO, respondendo a seguinte pergunta: NA SUA OPINIÃO, QUAL É A 
PRINCIPAL CAUSA DO AUMENTO DOS ÍNDICES DE VIOLÊNCIA NAS ESCOLAS PÚBLICAS 
BRASILEIRAS? Seu parágrafo deve apresentar UM ARGUMENTO que fundamente seu 
ponto de vista. 
44 
UNIDADE 6: COESÃO 
 
PARTE 1: CONTEXTUALIZAÇÃO 
 
Nas unidades anteriores, buscamos aprofundar nossos conhecimentos 
sobre o texto. Dentre os diversos pontos discutidos, vimos a coerência textual e 
importância da articulação das ideias no texto. Após a leitura do fragmento abaixo, 
pensaremos em como o encadeamento se dá do ponto de vista linguístico. 
 
10 animais em extinção que podem desaparecer ainda este ano 
Atualmente, há 5.200 espécies de animais em risco de extinção, 
segundo dados da União Internacional para a Conservação da Natureza. 
Desse total, 25% são anfíbios e mamíferos, 11% são aves, 20%, répteis e 
34%, peixes. Algumas dessas espécies estão em risco de desaparecem 
ainda este ano, caso nós não nos conscientizemos desse fato e não 
tomemos providências para evitá-lo.A extinção desses animais é um 
alerta para nós tomarmos consciência da ação humana sobre eles, seus 
habitats e sobre nossos hábitos de consumo. 
(Fragmento disponível em: https://www.greenme.com.br/animais-em-extincao/ 
2771-10-animais-em-extincao-que-podem-desaparecer-ainda-este-ano) 
 
1. Quais são as ideias articuladas no fragmento? 
2. Você reconhece alguns itens lexicais que permitem essa articulação? 
 
PARTE 2: SISTEMATIZANDO IDEIAS 
 
Definimos como coesão a conexão de ideias ao longo do texto, por meio de 
marcas linguísticas, elementos gramaticais e lexicais, com o intuito de estabelecer 
uma relação de sentido entre as partes. São esses elementos coesivos que 
permitem os movimentos que fazemos conforme encaminhamos o texto. Nós 
podemos acionar uma informação que é de conhecimento do leitor; depois, 
podemos introduzir uma informação nova ao discurso; mais a frente, podemos 
retomar a primeira informação que foi mencionada... enfim, há inúmeras 
possibilidades de articular as ideias. Com o suporte de certos recursos linguísticos, 
as ideias são encadeadas de forma harmoniosa. 
Muitas são as propostas de classificação das estratégias de coesão. Nesta 
apostila, no entanto, estudaremos uma descrição que diferencia três tipos: a coesão 
referencial, a coesão sequencial e a coesão recorrencial. 
http://www.greenme.com.br/animais-em-extincao/
45 
I. Coesão Referencial 
 
Ocorre coesão referencial quando um elemento da sequência textual (forma 
referencial) remete a outro componente do texto (referente). A noção de referente 
é bem ampla, podendo ser representado por um nome, um sintagma, uma oração 
ou um enunciado inteiro. 
Observe os trechos a seguir: 
 
A leitura melhora o aprendizado dos estudantes, pois ela 
estimula o bom funcionamento da memória, aprimora a capacidade 
interpretativa, mantém o raciocínio ativo, além de proporcionar ao 
leitor um conhecimento amplo e diversificado sobre diversos assuntos. 
(PORTO, Gabriella. Disponível em: http://www.infoescola.com/ 
educacao/a-importancia-da-leitura/. Adaptado.) 
 
Muita e muita gente já a desejou. Alguns a tiveram. Ao longo da 
década de 80, ela deslumbrou o Brasil desfilando nas passarelas do Rio 
de Janeiro. Os anônimos que a desejaram, é natural, já a esqueceram. 
Ela se chama Josette Armênia de Campos Rodrigues. No auge de seu 
estrelato, chamava-se Josi Campos. Era uma mulher introspectiva, mas 
batalhadora e guerreira. 
(Isto é, 29/09/04) 
 
Observando o primeiro trecho, notamos que o pronome pessoal em 
destaque retoma “a leitura”, também destacado. Quando isso acontece, ou seja, 
quando a referência se faz para trás, denomina-se anáfora. No segundo exemplo, 
vemos que primeiro aparecem os pronomes e depois o nome que eles substituem. 
Quando o movimento de referência se faz para frente, como neste caso, temos a 
catáfora. 
Vamos observar os trechos a seguir: 
 
O Imperador D. Pedro II sempre se empenhou em mudar a 
imagem externa do Brasil e em transmitir seu “verdadeiro” aspecto 
civilizado. Ele visitou pessoalmente a exposição universal da Filadélfia 
(1876). Lá teria conhecido Alexander Graham Bell, que lhe apresentou 
sua mais nova invenção, o telefone. Ao testá-lo, o Imperador teria dito 
ao inventor americano que, estando disponível no mercado, o Brasil 
seria o seu primeiro comprador. 
(Folha de São Paulo, 19/11/2001) 
 
Observamos que, nesse pequeno trecho, ocorreram oito pronomes (se, seu, 
Ele, que, lhe, sua, lo, seu) e um advérbio (Lá); todos empregados para retomar um 
determinado termo antecedente (ou seja, um referente). Os pronomes se, Ele e lhe 
retomam a referência feita a O imperador D. Pedro II; o pronome seu, na segunda 
http://www.infoescola.com/
46 
linha, retoma a referência a Brasil; os pronomes que e sua, na quarta linha, 
retomam a referência a Alexander Graham Bell; o pronome lo, na quarta linha, e 
seu, na quinta linha, retomam outro referente: o telefone. O advérbio Lá retoma o 
segmento Exposição Universal da Filadélfia. 
Vimos, neste exemplo, que podemos utilizar pronomes (pessoais, 
indefinidos, possessivos, demonstrativos, interrogativos e relativos) e advérbios 
para retomar um referente ao longo da produção de um texto. 
No trecho abaixo, vemos um outro recurso, caracterizado pela omissão de 
termos a fim de evitar a repetição e não cansar o leitor. A essa estratégia dá-se o 
nome de elipse que, por definição, é o resultado da omissão ou do ocultamento 
de um termo que pode ser facilmente identificado pelo contexto (Antunes, 
2005). 
 
Gripado, penso entre espirros em como a palavra gripe nos 
chegou após uma série de contágios entre línguas. Partiu da Itália em 
1743 a epidemia de gripe que disseminou pela Europa, além do vírus 
propriamente dito, dois vocábulos virais: o italiano influenza e o francês 
grippe. O primeiro era um termo derivado do latim medieval influentia, 
que significava “influência dos astros sobre os homens”. O segundo era 
apenas a forma nominal do verbo gripper, isto é, “agarrar”. Supõe-se 
que fizesse referência ao modo violento como o vírus se apossa do 
organismo infectado. 
(RODRIGUES. S. Sobre palavras. Veja, São Paulo, 30 nov. 2011) 
 
Você saberia dizer qual elemento, articulado ao verbo destacado, está 
oculto? 
Todos os exemplos acima mostraram estratégias de correferenciação por 
substituição do referente por um pronome, advérbio, verbo, numeral ou por um 
zero. Entretanto, sua retomada também pode se dar por reiteração. Para tanto, 
utilizam-se diferentes itens lexicais que retomam determinado referente de novas 
formas. 
Vamos observar os trechos a seguir: 
 
A porta se abriu e apareceu uma menina. A garotinha tinha 
olhos azuis e longos cabelos dourados. 
(Elias & Koch, 2010, p. 141) 
 
Gelada no inverno, a praia de Garopaba oferece no verão uma 
das mais belas paisagens catarinenses. 
(Jornal do Brasil, Caderno de Viagem, 25/08/93) 
47 
Notamos que, no primeiro trecho, A garotinha retoma a referência feita a 
uma menina. Como sabemos, garotinha e menina são expressões sinônimas. No 
segundo, verificamos a ocorrência de termos antônimos: no inverno e no verão. 
 
As centrais sindicais brasileiras enviaram uma carta a Lula. 
Fazem sugestões para enfrentar a atual crise financeira internacional. O 
documento é útil por dois motivos. Primeiro, para saber que existem 
seis centrais sindicais no Brasil. Segundo, por revelar o grau de 
desconexão da realidade por parte dos sindicalistas. 
(RODRIGUES, Fernando. As centrais e suas idéias. Folha de São Paulo, 18/11/2008.) 
 
Neste trecho, o primeiro elemento uma carta mantém com o segundo O 
documento uma relação parte-todo, elemento-classe: temos um hipônimo. Assim 
como o hipônimo, o hiperônimo – quando o primeiro elemento mantém com o 
segundo uma relação todo-parte, classe-elemento – também é um recurso coesivo. 
Vamos observar os trechos que se seguem: 
 
O Pnuma (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente) 
escolheu o ano de 2009 como símbolo da luta para preservação do 
gorila.(...) “É tempo de salvarmos essa magnífica criatura” e de 
garantir o futuro desse “primo da humanidade”, afirmou a 
primatóloga Jane Goodall, uma das articuladoras da iniciativa do 
Pnuma. 
(Folha de são Paulo, 02/12/2008) 
 
Observando, atentamente, o trecho acima, verificamos que essa magnífica 
criatura, embora seja um nome genérico, amplo, retoma a referência feita a o 
gorila, na segunda linha. Além dessa, outra estratégia foi utilizada para retomar o 
gorila: esse primo da humanidade. 
Como já compreendemos, a coesão textual mantém um elo de ligação e de 
sentido entre as partes de um texto, de forma a construí-lo consistentemente. 
Observemos, agora, como os outros dois tipos de coesão textual contribuem para 
construir esses elos no texto. 
 
II. Coesão Sequencial 
 
A coesão sequencial estabelece a ordem, a sequência e a continuidade das 
partes do texto. Atua diretamente na progressãodo fluxo informacional. 
Observemos os períodos a seguir: 
 
Carlos acordou, tomou café e saiu. 
Primeiro visitamos o museu, depois o teatro. 
Pedi que deixassem o quarto arrumado. 
48 
Peço que deixem o quarto arrumado. 
 
O que cada um dos elementos em destaque faz? Eles indicam a sucessão de 
fatos narrados. Embora tenham sido usados, em cada período, recursos diferentes, 
todos os elementos destacados estabelecem a conexão com o tempo no “mundo 
real”. 
No primeiro exemplo, temos a ordenação linear dos elementos; no segundo, 
são expressões que assinalam a continuação das sequências temporais e no 
terceiro exemplo é a correlação de tempos verbais que estabelece a coesão. 
Outro importante recurso de coesão é o entrelaçamento dos enunciados por 
meio de conectores e articuladores textuais. Esse tipo de coesão expressa a 
interdependência semântica entre as partes do texto e, ao mesmo tempo, norteia a 
argumentação. 
A fim de entendermos como ela funciona, analisemos os trechos abaixo: 
 
Quando o censor definia qual artigo poderia ser publicado, os 
tempos eram tristes. Ainda que fosse quase impossível, muitos 
escritores tentavam publicar seus textos. A maior tristeza era, talvez, 
ver que, no lugar de seus textos, apareciam publicadas, nos jornais, 
receitas culinárias. 
 
Mesmo sem nos aprofundarmos no tema tratado, conseguimos perceber as 
relações estabelecidas pelos conectivos destacados. Que relações são essas, então? 
O conectivo Quando traz uma relação de tempo e o Ainda que “quebra” uma 
expectativa, exprime uma relação de frustração com o que era esperado. 
Tradicionalmente, conhecemos essa relação como de concessão. 
 
Cultivar um estilo de vida saudável é extremamente importante 
para diminuir o risco de infarto, mas também de problemas como morte 
súbita e derrame. Significa que manter uma alimentação saudável e 
praticar atividade física regularmente já reduz, por si só, as chances de 
desenvolver vários problemas. Além disso, é importante para o 
controle da pressão arterial, dos níveis de colesterol e de glicose no 
sangue. Exercitar-se com acompanhamento médico e moderação, é 
altamente recomendável. 
(ATALIA, M. Nossa vida. Época. 23 mar. 2009) 
 
O conectivo “além disso”, nesse texto, permite que outros efeitos do cultivo 
de um estilo de vida saudável sejam somados aos que já tinham sido mencionados. 
Ou seja, a conjunção permite que o autor adicione novas informações articuladas 
as anteriormente citadas. 
 
III. Coesão Recorrencial 
49 
Consiste na repetição de estruturas, itens ou sentenças, fazendo com que o 
discurso vá adiante. Não funciona, a exemplo do caso da coesão referencial, como 
uma alusão ao mesmo referente, mas como uma “recordação” de um mesmo 
padrão. A coesão recorrencial se dá por meio de paralelismo, paráfrase e 
recorrência de termos. 
 
(...) se escapasse de assalto, poderia cair em um sequestro 
(relâmpago ou duradouro, que a roleta-russa é sofisticada). Se não fosse 
sequestrado, teria o carro roubado. Se ficasse com o carro, afundaria em 
algum dos alagamentos bíblicos do cotidiano. 
(ROSSI, Clóvis. Roleta-russa, agora no ar. Folha de São Paulo, 20/03/2007) 
 
Percebemos que, no exemplo acima, informações novas são veiculadas 
através de determinada estrutura que se repete, fazendo o texto progredir. Essa é 
uma estratégia coesiva denominada paralelismo. 
 
A fênix é um pássaro das Arábias. Não morre nunca. Ou melhor: 
morre muitas vezes, queimada no fogo, e cada vez renasce das cinzas. 
(NESTROVSKI, Arthur. Bichos que existem e bichos que 
não existem. São Paulo: Cosac & Naify, 2002.) 
 
A paráfrase consiste na estratégia de dizer algo novamente a fim de tornar 
o enunciado mais claro. No texto acima, o elemento em destaque “Ou melhor” 
introduz um comentário que explica a afirmação imediatamente anterior; “não 
morre nunca”. 
 
Mentira 
(Rui Barbosa) 
 
Mentira de tudo, em tudo e por tudo. Mentira na terra, no ar, no 
céu. Mentira nos protestos. Mentira nas promessas. Mentira nos 
progressos. Mentira nos projetos. Mentira nas reformas. Mentira nas 
convicções. Mentira nas soluções. Mentira nos homens, nos atos e nas 
coisas. Mentira no rosto, na voz, na postura, no gesto, na palavra, na 
escrita. Mentira nos partidos, nas coligações e nos blocos. (...) Mentira 
nas instituições, mentira nas eleições. Mentira nas apurações. Mentira 
nas mensagens. Mentira nos relatórios. Mentira nos inquéritos. 
Mentira nos concursos. Mentira nas embaixadas. Mentira nas 
candidaturas. Mentira nas garantias. Mentira nas responsabilidades. 
Mentira nos desmentidos. A mentira geral. O monopólio da mentira. 
50 
A repetição de vocábulos, tempos verbais, expressões, sentenças também é 
uma estratégia coesiva. No exemplo acima, a repetição do vocábulo em destaque se 
justifica, pois o autor deseja dar ênfase a esse assunto. 
Após estudarmos os três tipos de coesão e suas respectivas estratégias, 
compreendemos que a coesão textual confere aos textos clareza e consistência, 
contribuindo diretamente para a construção de sentido e para a orientação 
argumentativa do autor. Lembremo-nos, portanto, de que, num texto 
argumentativo, devemos sempre ser claros no que concerne à seleção das palavras 
e às relações que elas estabelecem entre si no texto. 
Parece que são muitos detalhes, que as questões são pontuais e muito 
específicas, mas é a combinação de todos esses aspectos que permitem que a 
produção textual tenha mais qualidade, consistência, concisão e unidade. Ter 
maior consciência de todo o processo de produção, leitura e interpretação de texto 
é muito importante. 
 
RELAÇÃO ENTRE COERÊNCIA E COESÃO 
 
Pode haver coerência sem a utilização de mecanismos sintáticos de coesão? 
Leia o texto atentamente, analisando o que o faz ser ou não coerente. 
 
Dona-de-casa 
(Carine Vargas) 
 
Sol. 
Bom dia, dentes, filhos, uniforme, 
merenda, café, carro, escola, carro, supermercado, 
carne, pão, banana, refrigerante, alface, cebola, tomate. Carro, 
casa, cama, lençol, travesseiro, colcha, roupa, lavanderia, máquina, sabão, sala, 
almofada, pano, pó, cortina, tapete, feiticeira. Banheiro, descarga, balde, água, 
desinfetante, toalha molhada, lavanderia, arame, prendedor. Cozinha, pia, 
tábua, faca, panela, fogão, bife, arroz, molho, feijão, salada, mesa, toalha, 
pratos, talheres, copos, guardanapos, carro, escola, filhos, carro, almoço, mesa, 
pia, louça, armário, fogão, piso. Televisão, jornal, filhos, tema, lanche, leite, 
nescau, pão, margarina, banana, louça, pia, armário. Carro, filhos, natação, 
futebol, mensalidade, espera, revista, filhos, carro, casa. Vizinha, conversa 
rápida, lavanderia, arame, roupas, agulha, linha, camisa, calça, ferro de passar. 
Janta, marido, filhos, sala, televisão, família reunida, dinheiro, discussão, 
cozinha, mesa, louça, pia, armário. Filhos, sono, escova, creme dental, cama, 
beijo, durmam com os anjos. Portas chaveadas, janelas fechadas, 
banho, sabonete, água, toalha, creme no corpo, camisola, 
renda, escova, cabelo, perfume, dentes limpos, 
cama, marido, sexo, sono, boa noite, 
Lua. 
51 
PARTE 3: APLICAÇÃO 
 
QUESTÃO 1 
 
Leia os parágrafos a seguir. 
 
Parágrafo I 
TEMA: estabelecer um paralelo entre a juventude 
de antigamente e a juventude contemporânea. 
 
Cada época traz um modismo, um costume praticado pela juventude da 
época. O que mais se destaca é a fala, que está sempre em movimento, 
mas a roupa e o comportamento são bem distintos dos jovens de 
cinquenta anos atrás, os de hoje são mais livres e não vivem tantos 
tabus como os de antes. 
(Parágrafo produzido por um aluno de Redação I do Projeto CLAC) 
 
Parágrafo II 
TEMA: enumerar vantagens e desvantagens da vida nas grandes cidades. 
 
As oportunidades nas grandes cidades são limitadas, nem todos têm a 
mesma condição de vida, há um contraste entre os ricos e os pobres. 
Enquanto os ricos andam de carro, moram bem e têma vida mais 
confortável, o pobre, muitas vezes, luta muito para ter o mínimo de 
condições de sobrevivência, vive sem luxo e muitos não têm casa 
própria. 
(Parágrafo produzido por um aluno de Redação I do Projeto CLAC) 
 
A ausência de uma relação estreita entre as partes faz com que os textos se 
tornem confusos. A sensação que temos ao ler os fragmentos anteriores é de que as 
ideias estão dispostas uma ao lado das outras sem que haja uma íntima ligação 
entre elas. 
Reescreva os parágrafos buscando promover uma melhor articulação entre 
as ideias. 
 
Parágrafo I 
 
 
 
 
 
 
52 
Parágrafo II 
 
 
 
 
 
 
 
QUESTÃO 2 
 
O texto abaixo é predominantemente argumentativo, ou seja, há uma tese 
sendo defendida. Leia-o atentamente e diga quais são as relações de sentido 
estabelecidas pelos termos destacados. 
 
Poderíamos viver sem chuva? 
À primeira vista, parece que a chuva devia cair sempre à noite, 
porque é precisamente quando mais benefícios traz e menos prejudica 
nossos afazeres e divertimentos; mas quer ela caia em dias de festa ou 
de noite, enquanto dormimos tranquilamente, a chuva é sempre 
necessária. 
Seus efeitos consistem em penetrar na terra e ser absorvida pelas 
raízes das plantas, que dela necessitam para viver. Se não houvesse 
chuva, a vida seria possível no mar. Nas regiões onde não há chuva, não 
há também vida, e noutras onde a chuva escasseia ou só cai certas 
estações do ano, as populações esperam-na e desejam-na, e até há 
costuma de levar preces ao céu para que a envie em tempo próprio. 
 
 
 
 
 
 
 
 _ 
53 
PRÁTICA TEXTUAL 
 
Texto 1 
 
Pesquisadores criticam celular em aula: 
jovens não são multitarefas 
 
Um olho nas mensagens do celular e outro nas explicações dos 
professores. Ainda que as escolas tentem evitar, essa é uma cena 
rotineira em sala de aula que, garantem os adolescentes, não prejudica 
a aprendizagem. No entanto, para especialistas, esse argumento é falso, 
e o hábito de manter diferentes focos de atenção pode gerar estresse ou 
até mesmo indicar um Transtorno de Déficit de Atenção e 
Hiperatividade (TDAH). 
Psicopedagoga clínica e mestre em psicologia do 
desenvolvimento, Maria Teresa Andion esclarece que a atenção é uma 
capacidade cerebral muito semelhante à concentração. (...). No 
consultório, Maria Teresa atende jovens que recebem queixas da escola 
por utilizarem o celular durante as aulas. 
Ao fazerem, adolescentes aumentam o seu nível de estresse, pois 
estimulam diferentes zonas do cérebro simultaneamente e começam a 
ficar dispersos, não conseguindo manter um foco único. O resultado é 
que o rendimento cai. “Não aconselho às pessoas que mexam em 
qualquer tipo de dispositivo durante outras atividades que requeiram 
atenção”, diz. 
O fenômeno é mais comum entre os mais jovens, que já crescem 
rodeados por dispositivos com acesso à internet, TV a cabo, 
videogames, entre outros. Estes estímulos fazem com que um sujeito de 
65 anos, de outra geração, em geral tenha uma memória melhor do que 
um de 20 anos. Além disso, hábitos importantíssimos – como a leitura – 
podem ser prejudicados, já que requerem mais atenção. 
Como o fenômeno descrito não é raro, há um grande tendência de 
diagnosticá-lo facilmente como TDAH.(...). Maria Teresa faz questão de 
ressaltar que não se pode chegar a essa conclusão facilmente. Além 
disso, falta de foco e dispersão também podem sinalizar o uso de drogas 
ilícitas, o excesso de álcool ou até mesmo um traço de personalidade. 
Na condição de diretora do Centro Educacional Gulliver, do Rio de 
Janeiro, Carla Regina de Jesus orienta os alunos a usarem o celular 
apenas fora da sala de aula. Algumas regras sobre o tema se tornaram 
necessárias para que os momentos de ensino possam transcorrer com 
tranquilidade. “Não impedimos que os alunos tragam seus aparelhos, 
porém a utilização só é permitida no intervalo, pois já vimos e sabemos 
54 
que o uso não é voltado à pesquisa ou qualquer coisa do tipo, mas sim 
às mensagens e às redes sociais”, afirma. 
Para o pesquisador André Palmini ,“sempre que o cérebro divide a 
atenção em mais de um estímulo, a capacidade de ‘dedicar-se’ àquilo 
que é prioritário diminui. Esta visão de que os estudantes de hoje 
conseguem ler e enviar mensagens no celular enquanto estudam ou 
assistem a uma aula é incorreta. Existe uma perda inevitável de 
qualidade atencional quando isso acontece”, afirma. 
(Texto adaptado: http://noticias.terra.com.br/educacao/pesquisadores-criticam-celular-em-aula- 
jovens-nao-sao-multitarefas,184d449c 9b7a0410VgnVCM5000009ccceb0aRCRD.htm) 
 
Texto 2 
(Disponível em: http://charlethipus.blogspot.com.br/2011/06/charge-do-dia_15.html) 
 
 
A partir da leitura dos textos motivadores seguintes e com base nos 
conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija UM PARÁGRAFO 
ARGUMENTATIVO PADRÃO acerca do tema: O USO DO CELULAR EM SALA DE AULA: 
FERRAMENTA DE APRENDIZAGEM OU DE DISTRAÇÃO? Selecione, organize e relacione, 
de forma coerente e coesa, UM ARGUMENTO para defesa de seu ponto de vista. 
http://noticias.terra.com.br/educacao/pesquisadores-criticam-celular-em-aula-
http://charlethipus.blogspot.com.br/2011/06/charge-do-dia_15.html)
55 
UNIDADE 7: PONTUAÇÃO 
 
PARTE 1: CONTEXTUALIZAÇÃO 
 
Para sermos bons redatores, precisamos ser, também, bons revisores, para 
que possamos atuar criticamente em nossos próprios textos. Reconhecer e saber 
utilizar algumas convenções da escrita – como os sinais de pontuação, por exemplo 
– nos permite construir uma argumentação mais consistente, na medida em que o 
uso adequado desses recursos confere melhor organização das ideias e, por 
consequência, maior clareza ao conteúdo transmitido aos nossos leitores. 
Leia este trecho: 
 
Argumentar não é ganhar uma discussão a qualquer preço. Convencer 
alguém de algo é, antes de tudo, uma alternativa à prática de ganhar 
uma questão no grito ou na violência física – ou não física. Não física, 
dois pontos. Um político que mente descaradamente pode cativar 
eleitores. Uma publicidade que joga baixo pode constranger multidões a 
consumir um produto danoso ao ambiente. Há manipulações 
psicológicas não só na religião. E é comum pessoas agirem 
emocionalmente, porque vítimas de ardilosa – e cangoteira – sedução. 
Embora a eficácia a todo preço não seja argumentar, tampouco se trata 
de admitir só verdades científicas – formar opinião apenas depois de 
ver a demonstração e as evidências, como a ciência faz. Argumentar é 
matéria da vida cotidiana, uma forma de retórica, mas é um raciocínio 
que tenta convencer sem se tornar mero cálculo manipulativo, e pode 
ser rigoroso sem ser científico. 
(Disponível em: <http://educacao.globo.com/provas/ 
enem-2013/questoes/112.html>. Adaptado.) 
 
Agora, converse com os colegas e o monitor sobre estas questões: 
 
1. O fragmento acima, de caráter argumentativo, apresenta um ponto de vista 
acerca do que seja argumentar. Que ponto de vista é esse? 
2. O autor do parágrafo utiliza a expressão "não física" para designar uma 
forma de violência. Que estratégia ele utiliza para defini-la? 
3. Observe o uso dos travessões no fragmento. As informações que aparecem 
após tais sinais gráficos apresentam a mesma função no texto? Comente. 
4. Levante hipóteses: 
i. Na frase "Não física, dois pontos", qual poderia ter sido a intenção do 
autor ao preferir a expressão "dois pontos", em detrimento do sinal 
gráfico convencionalmente adotado na escrita (:)? 
ii. Qual seria, então, a função dos dois-pontos (:) no fragmento? 
http://educacao.globo.com/provas/
http://educacao.globo.com/provas/
56 
5. Releia a segunda frase do trecho. Qual seria, em sua opinião, a função das 
vírgulas nessa frase? Justifique. 
 
PARTE 2: SISTEMATIZANDO IDEIAS 
 
Vimos que os sinais de pontuação atuam diretamente sobre a organização 
dos elementos que estruturam as sentenças em um texto. Esses recursosgráficos 
auxiliam na construção de sentidos do texto e podem assumir diversas funções, 
dependendo de inúmeros fatores, dentre os quais se encontram: i) a intuição do 
autor em atribuir uma determinada entonação ao enunciado; ii) a intenção do 
autor em promover um dado efeito estilístico; iii) o respeito às regras presentes 
nos compêndios gramaticais. Este terceiro item, em particular, exige de nós alguns 
conhecimentos básicos de sintaxe, para que possamos melhor compreendê-lo. 
 
NOÇÕES DE SINTAXE 
 
Recorrentemente, ouvimos que saber sintaxe significa identificar o sujeito, o 
objeto direto e até o adjunto adverbial de preço. Equívoco! Talvez as aulas de 
sintaxe focalizem muito essas nomenclaturas e definições, que, à primeira vista, 
nos assustam. Sintaxe significa, na verdade, organização, sintonia, relação. Assim 
como a sintaxe está presente na relação que as palavras estabelecem entre si no 
interior de uma frase, ela também se manifesta em arranjos musicais e até mesmo 
na disposição das cores de uma tela de um pintor famoso. 
A identificação das chamadas funções sintáticas (sujeito, objetos e 
adjuntos) é apenas uma forma de nomear a relação entre os constituintes da 
sentença. Para compreendermos alguns usos dos sinais de pontuação, não 
precisaremos decorar todas as definições apresentadas pela Tradição Gramatical; 
apenas teremos de reconhecer o papel de alguns elementos, a fim de que se tornem 
mais claras, por exemplo, as funções das vírgulas na construção do texto. 
Primeiramente, precisamos estar atentos à organização da frase, sobretudo 
às relações estabelecidas entre um verbo e os elementos que a ele se articulam. 
Vejamos: 
 
Exemplo 1: João dará as flores para Maria amanhã. 
 
Na frase acima, a forma verbal "deu" pressupõe três elementos obrigatórios: 
um agente para a ação de dar, um objeto a ser dado e alguém para recebê-lo. Há, 
ainda, um elemento acessório (adjunto), isto é, não exigido pelo verbo, mas que 
também se relaciona a ele: o indicador temporal "amanhã". 
É igualmente importante percebermos que, no exemplo 1, a ordem dos 
elementos na frase segue uma sequência: "alguém dará alguma coisa para alguém 
[em um dado momento]". Não há uma quebra no curso das informações, e os 
57 
constituintes ─ grupos de palavras que funcionam em conjunto ─ se mantêm em 
sua posição mais frequente: sujeito + verbo + complemento(s) + adjunto(s). 
Porém, é possível que, por necessidades discursivas, a ordenação canônica 
das estruturas linguísticas seja alterada. Observemos o exemplo 2: 
 
Exemplo 2: Amanhã, João dará flores para Maria. 
 
Por que a palavra "amanhã" foi deslocada para o início da frase? 
Provavelmente, porque o autor desejou enfatizar quando Maria receberia as flores, 
ou porque, num contexto maior, em que as demais noções circunstanciais também 
ocuparam a primeira posição, o autor desejou manter a estrutura e obedecer ao 
paralelismo. Independentemente da motivação que levou ao deslocamento de 
"amanhã", devemos atentar para o fato de que, ao fazê-lo, necessitou-se utilizar 
uma vírgula para indicar a inversão na ordenação canônica dos constituintes da 
frase. 
Ainda sobre o exemplo 1, podemos afirmar que existe uma relação de 
dependência entre os elementos da sentença. A existência de um agente que 
pratique a ação de dar, por exemplo, está subordinada à exigência do verbo quanto 
à presença desse agente. O mesmo acontece no exemplo abaixo. 
 
Exemplo 3: É certo que todos os alunos serão aprovados. 
 
No exemplo 3, todo o bloco "que os alunos serão aprovados" funciona como 
sujeito da sequência "é certo". Sem esta sequência, não faria sentido algum 
construirmos, em português, uma frase como "Que os alunos serão aprovados". 
Esse processo, chamado subordinação, é diferente do que se verifica nos 
exemplos 4 e 5, a seguir: 
 
Exemplo 4: João comprou banana, mamão e laranja. 
Exemplo 5: João foi ao cinema e comeu pipoca. 
 
Em 4, "João" e "banana, mamão e maçã" estão subordinados ao verbo 
"comprar", mas os três últimos termos ─ os que se referem às frutas ─ são 
independentes entre si, pois desempenham a mesma função sintática, isto é, são 
complementos do verbo “comprou”. O mesmo ocorre em 5: a oração "João foi ao 
cinema" não depende sintaticamente da oração "comeu pipoca", uma vez que o 
sujeito e o complemento do verbo “ir” estão na primeira oração, enquanto o sujeito 
e o complemento do verbo “comeu” estão na segunda oração. A este processo de 
não dependência sintática chamamos coordenação. 
58 
ENFIM, A PONTUAÇÃO 
 
Uma vez revisitadas algumas noções básicas de sintaxe, podemos, 
finalmente, dar início ao estudo dos sinais de pontuação com maior propriedade. 
Veremos, agora, os principais contextos de uso dos sinais de pontuação mais 
frequentes na construção argumentativa. 
 
I. Vírgula (,): 
 
Diferentemente do que se costuma dizer, a vírgula não está 
necessariamente vinculada a pausas. Na verdade, seu emprego está condicionado, 
principalmente, por questões de ordem sintática. Vejamos alguns casos em que 
pode ou não ocorrer vírgula: 
 
1. Isolamento de informações de caráter explicativo. 
Exemplos: 
 O CLAC, projeto de Extensão da Faculdade de Letras da UFRJ, tem 
como principal objetivo promover a integração entre a esfera 
acadêmica e a comunidade externa. 
 Os alunos de Redação I, que estudaram muito ao longo do curso, 
foram aprovados com êxito. 
 
2. Indicação de quebra na ordenação canônica dos constituintes oracionais, 
incluindo a intercalação de elementos. 
Exemplos: 
 Lá fora, a chuva caía muito forte. 
 Quando se levantou, seus olhos estavam vermelhos. 
 Lá vem aquela menina chata, resmungou João. 
 Conheço, sim, o cansaço do trabalho. 
 "Esse índice, há dez anos, era de 6,5%." 
 
3. Separação de elementos com mesma função ou em uma enumeração. 
Exemplos: 
 A professora reprovou os alunos João, Maria, Pedro e Carla. 
o O último elemento é, geralmente, antecedido pela conjunção e, 
não havendo, assim, uso da vírgula. 
 Acendeu um cigarro, cruzou as pernas, estalou os dedos, 
levantou-se e saiu da sala. 
 
4. Para marcar a supressão (elipse) de um verbo. 
Exemplo: 
 João gosta de suco; eu, de refrigerante. 
59 
5. Diante de orações com valor de oposição. 
Exemplo: 
 Tirei nota baixa, mas juro que estudei muito! 
 
CUIDADO! 
É comum que, por estarmos acostumados à ideia de que as vírgulas são 
apenas marcadoras de pausas, nós as utilizemos, de forma equivocada, para 
separar o sujeito do predicado. Esse equívoco se torna mais frequente quando o 
sujeito tem um volume grande de palavras, como no exemplo a seguir. 
Ex.: Os políticos que são corruptos, tiveram seus mandatos cassados. 
SUJEITO PREDICADO 
 
II. Ponto e vírgula (;): 
 
1. Separação de orações que já apresentam vírgulas em seu interior. 
Exemplo: 
 "A introdução dos computadores pode acarretar duas 
consequências: uma, de natureza econômica, é a redução de 
custos; a outra, de implicações sociais, é a demissão de 
funcionários." 
 
2. Separação de itens em uma enumeração. 
Exemplo: 
 No parque de diversões, as crianças encontram: brinquedos; 
balões; pipoca. 
 
3. Separação de orações em que não se manifestam os conectivos. 
Exemplo: 
 Pode se preparar para sair; seu substituto não deve demorar. 
o (Pode se preparar para sair, pois seu substituto não deve 
demorar.) 
 
III. Travessão (─): 
 
1. Marcação de falas num diálogo – mais comum em sequências narrativas ou 
dialogais. 
Exemplo: 
 ─ Por que não vamos ao cinema? 
─ Porque estou sem dinheiro. 
 
2. Separação de termos explicativos ou acréscimo de ideias. 
Exemplos: 
60 
 Esse fenômeno ─ mais um reflexo do estilo de vida atual ─ pode 
ser observado diariamente nos serviços de emergência. 
 Minha mãe ─ e meu pai também, por que não? ─ sabe como me 
fazer surpresas. 
 
IV. Dois-pontos (:): 
 
1. Introdução de enumeração, citação, explicação ou esclarecimento.Exemplos: 
 Gosto muito de certas frutas silvestres: pitanga, açaí e goiaba. 
 Marcos disse: "Não quero mais esse cachorro no meu quintal!" 
 Uma coisa era certa: ela não tinha a mínima paciência. 
 
V. Aspas (" "/ ' '): 
 
1. Citação. 
Exemplo: 
 "Vivo em alerta com meu coração", diz. 
 
2. Marcação de neologismos ou palavras de língua estrangeira. 
Exemplo: 
 O "bullying" é, sim, uma forma de violência. 
 
VI. Parênteses ( ): 
 
1. Isolamento de termos explicativos. 
Exemplo: 
 Os fonemas (as menores unidades sonoras da fala) são objeto de 
estudo da Fonologia. 
 
VII. Ponto de exclamação (!): 
 
1. Expressão de emoções. 
Exemplo: 
 Não posso acreditar! 
 
VIII. Ponto de interrogação (?): 
 
1. Interrogativas diretas. 
Exemplo: 
 Você está com fome? 
61 
IX. Ponto (.): 
 
1. Finalização de frases declarativas, tanto afirmativas quanto negativas. 
Exemplos: 
 Não sei do que você está falando. 
 Joaquina fez compras no shopping. 
 
PARTE 3: APLICAÇÃO 
 
Leia o texto abaixo e responda às questões que seguem: 
 
Educação de hoje adia fim da adolescência 
 
Há pouco tempo, recebi uma mensagem que me provocou uma 
boa reflexão. O interessante é que não foi o conteúdo dela que fisgou 
minha atenção, e sim sua primeira linha, em que os remetentes se 
identificavam. Para ser bem clara, vou reproduzi-la: “Somos dois 
adolescentes, com 21 e 23 anos…”. 
Minha primeira reação foi sorrir: agora, os jovens acreditam que a 
adolescência se estende até, pelo menos, os 23 anos?! Mas, em seguida, 
eu me dei conta do mais importante dessa história: a criança pode ser 
criança quando é tratada como tal, e o mesmo acontece com o 
adolescente. E, se dois jovens adultos se veem como adolescentes, é 
porque, de alguma maneira, contribuímos para tanto. 
A adolescência tinha época certa para começar até um tempo 
atrás, ou seja, com a puberdade, época das grandes mudanças físicas. E 
terminar também: era quando o adolescente, finalmente, assumia total 
responsabilidade sobre sua vida e tornava-se adulto. Agora, as crianças 
já começam a se comportar e a se sentir como adolescentes muito 
tempo antes de a puberdade se manifestar e, pelo jeito, continuam se 
comportando e vivendo assim por muito mais tempo. Qual a parcela de 
responsabilidade dos adultos e educadores? 
Pais e professores, quando educam, visam à conquista da 
autonomia e não podem perder de vista esse objetivo. Assim, ensinar 
uma criança pequena a se calçar sozinha, por exemplo, é apenas uma 
parte do processo educativo que supõe que, assim que possível, ela 
caminhe com seus próprios passos. É claro que isso não acontece de 
uma hora para outra, mas em etapas. Mas há de chegar o dia em que ela 
vai escolher os sapatos que vai calçar, quem sabe comprá-los com 
dinheiro fruto do seu trabalho, vai usá-los por onde quiser e vai ter de 
se responsabilizar por suas escolhas. Isso é ser adulto. 
Qual a diferença em relação ao adolescente? Justamente essa: o 
adolescente ainda está a caminho de ter autonomia sobre sua vida. Os 
62 
pais, mesmo que à distância e discretamente, ainda tutelam os passos 
do filho adolescente – e não sem razão. É que, para os adolescentes, 
ainda é prioritário e natural pensar primeiro no tempo presente, no 
prazer, na diversão e só depois – às vezes, tarde demais – nas 
consequências que suas atitudes e comportamentos podem provocar. 
É difícil tornar-se responsável por tudo? Sem dúvida é, e os 
adultos sabem muito bem disso. Mas há ganhos, pelo menos em relação 
à vida dos adolescentes: o da liberdade possível e o da independência, 
por exemplo. E, certamente, um adulto que se considera adolescente 
aos 23 anos não deve sentir-se responsável por sua vida. O que ele 
talvez não saiba é que isso o impede de ser independente. 
Hoje, por conta de diversos fatores, muitos pais agem de modo 
confuso, mas sempre em nome da educação para a autonomia. Garotos 
e garotas de 12 a 15 anos são liberados para frequentar festas noturnas 
quase sem limites de horário e sem adultos por perto, mas, em 
compensação, não têm autonomia para administrar sozinhos a vida 
escolar, porque os pais esperam determinados resultados e, para tanto, 
precisam verificar se o filho cumpre o que desejam. Professores 
universitários tratam seus alunos como adolescentes incapazes de 
discernir direitos de deveres e, depois, reclamam da falta de interesse 
deles pelo conhecimento. 
Exemplos desses não faltam numa sociedade que trata seus 
cidadãos de modo infantilizado e que os faz acreditar – e muitos 
acreditam – que isso é feito pelo bem estar deles. Por isso é bom que os 
pais e educadores pensem com carinho na educação que praticam. Para 
que crianças e adolescentes atinjam a vida adulta, é preciso que sejam 
tratados de modo coerente e que sejam responsabilizados, pouco a 
pouco, por aquilo com que são capazes de arcar. Afinal, a adolescência 
tem de terminar. 
(SAYÃO, Rosely. Folha de São Paulo, 25 de abril de 2002.) 
 
QUESTÃO 1 
 
O texto acima é um artigo de opinião, cuja articulista é Rosely Sayão. Em 
linhas gerais, o artigo de opinião tem como principal finalidade a defesa de tese 
sobre um determinado assunto, por meio de uma argumentação consistente. Com 
base nessas informações, indique: 
 
a) o assunto discutido por Rosely Sayão. 
 
 
 
63 
b) a tese defendida pela articulista. 
 
 
 
 
 
QUESTÃO 2 
 
Em sua argumentação, Rosely Sayão apresenta algumas situações para 
enriquecer o seu ponto de vista. Por exemplo, no 4º parágrafo, a articulista faz 
referência à necessidade de a criança pequena aprender a se calçar sozinha. O que 
tal situação revela no contexto da discussão? 
 
 
 
 
 
 
 
QUESTÃO 3 
 
Observe as expressões "quando educam" e "assim que possível" no 4º 
parágrafo. Elas assumem a mesma função nos trechos em que aparecem: indicar 
tempo. Com base na afirmação anterior, responda: por que foi necessário isolá-las 
por vírgulas? 
 
 
 
 
 
 
QUESTÃO 4 
 
Releia esta frase, presente no 1º parágrafo: 
 
"O interessante é que não foi o conteúdo dela que fisgou minha atenção, 
e sim sua primeira linha, em que os remetentes se identificavam." 
 
Agora, responda: Por que foi necessário utilizar uma vírgula anteriormente 
à expressão “e sim”? 
 
 
 
64 
QUESTÃO 5 
 
No texto, há três ocorrências de travessão: duas no 5º parágrafo e uma 
no 8º. Por que foram utilizados os travessões nesses contextos? 
 
 
 
 
 
PROPOSTA DE REDAÇÃO 
 
Livro impresso x Livro digital 
 
Com mais de 700 inscrições, o Congresso Rio de Educação, 
realizado no Hotel Sofitel, em julho, foi um sucesso completo, para alegria 
do seu inspirador, o professor Victor Notrica, presidente do Sindicato dos 
Estabelecimentos de Ensino do Rio (Sinepe). Tive o ensejo de coordenar 
a primeira das suas mesas, que tratou de um tema atualíssimo: "Do livro 
de papel ao livro digital: uma reflexão sobre o exercício de leitura." 
O primeiro orador foi o engenheiro Sílvio Meira, da Universidade 
Federal de Pernambuco. Munido de um poderoso Fujitsu, encantou a 
plateia, dizendo coisas que nos fizeram pensar: "O principal inimigo do 
livro impresso não é livro digital, mas os games e as redes sociais que 
faturam hoje bilhões de dólares." 
Mostrou que a procura por games dobrou de 2011 para cá, 
chegando a 142 horas por ano por pessoa. Afirmou ser decrescente o 
faturamento em livros impressos e que os digitais constituem um 
instrumento precioso de sustentação do fenômeno da leitura. (...) 
Depois veio a fala do escritor Muniz Sodré, que foi presidente da 
Biblioteca Nacional. Especialista em Comunicação, com domínio de 
vários idiomas, demonstrou que "do impresso nasceu uma nova 
economia do tempo de aprendizagem". (....) 
Para ele, não se está assistindo ao fim da forma-livro, mas à sua 
continuidade em outro suporte material, como assinala Umberto Eco, 
para quem o livro é uma invenção definitiva.Com o digital abrem-se 
outras possibilidades para a interatividade. 
(...) 
Ficou no ar a convicção de que o livro não morrerá, mas ganhará 
novos e ampliados contornos. 
(NISKIER, Arnaldo. Disponível em: <http://www.academia.org.br/ 
artigos/livro-impresso-x-livro-digital>. Acesso: 16/08/2016. Adaptado.) 
http://www.academia.org.br/
http://www.academia.org.br/
65 
Impressos X digitais: qual a melhor opção? 
 
(...) 
As novas tecnologias influenciam nos hábitos de leitura das crianças? Qual 
deles é melhor: o livro impresso ou o digital? Essas são dúvidas corriqueiras de 
mães com filhos de uma geração que nasceu digital. 
Para início de conversa, é preciso estabelecer que não há bom ou ruim 
quando se fala na prática da leitura. “As ferramentas de cada tecnologia devem ser 
usadas a favor da experiência”, afirma Renata Nakano, editora-executiva da 
Edições de Janeiro. 
Os livros impressos possuem algumas peculiaridades de caráter manual, 
tátil e sensorial que fazem diferença para as crianças. 
“Eles podem ser riscados, mordidos, desenhados e dobrados. Além disso, 
muitos deles têm recursos como texturas, cheiros ou formatos que não podem ser 
reproduzidos digitalmente”, afirma Sonia Dias, doutoranda em Educação pela 
Universidade de São Paulo (USP) e assessora técnico-pedagógica da área de 
Inovação e Novas Mídias da Editora FTD. 
Além disso, aprender a conservar os próprios livros é uma boa forma de 
ensinar as crianças a cuidar dos seus pertences. 
Os livros digitais, por sua vez, podem ser uma forma dinâmica e didática da 
criança se interessar por literatura. Eles apresentam outras atividades, além do 
texto, e seu manuseio é bastante intuitivo. 
Mas, por outro lado, o excesso de interação pode tirar o foco da leitura e do 
conteúdo. 
(...) 
(http://disneybabble.uol.com.br/br/rede-babble/educa%C3%A7%C3%A3o-e- 
desenvolvimento/impressos-x-digitais-qual-melhor-op%C3%A7%C3%A3o. Adaptado.) 
 
 
Agora, pensando na temática apresentada, redija UM PARÁGRAFO 
ARGUMENTATIVO PADRÃO, em que você se posicione A FAVOR OU CONTRA A UTILIZAÇÃO 
DO LIVRO DIGITAL. Selecione apenas UM ARGUMENTO para compor seu parágrafo e 
lembre-se de utilizar todos os conhecimentos sistematizados ao longo deste curso. 
http://disneybabble.uol.com.br/br/rede-babble/educa%C3%A7%C3%A3o-e-
66 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
– e algumas leituras sugeridas 
 
ANTUNES, Irandé. Avaliação da produção textual no ensino médio. In: BUNZEN, 
Clecio; MENDONÇA, Márcia (orgs.). Português no ensino médio e formação do 
professor. São Paulo: Parábola, 2006. 
CAVALCANTE, Mônica Magalhães. Os sentidos do texto. 1ª ed. São Paulo: Contexto, 
2012. 
COSTA VAL, Maria da Graça. Texto e textualidade. Redação e textualidade. São 
Paulo: Martins Fontes, 1991. 
FIGUEIREDO, Luiz Carlos. A redação pelo parágrafo. Brasília: Editora da UnB, 1998. 
FRANCHI, Carlos. Criatividade e gramática. Mas o que é mesmo “gramática”? São 
Paulo: Parábola Editorial, 2006. 
GARCIA, Othon M. Comunicação em prosa moderna. 24ª ed. Rio de Janeiro: Editora 
FGV, 2004. 
ILARI, Rodolfo; BASSO, Renato. O português da gente: a língua que estudamos, a 
língua que falamos. 2ª ed. São Paulo: Contexto, 2014. 
KOCH, Ingedore Villaça. Ler e compreender: os sentidos do texto. 3ª ed., 8ª 
impressão. São Paulo: Contexto, 2013. 
PAULIUKONIS, Maria Aparecida. Texto e contexto. In: VIEIRA, Silvia Rodrigues; 
BRANDÃO, Silvia Figueiredo (orgs.). Ensino de gramática: descrição e uso. 2ª ed., 3ª 
reimpressão. São Paulo: Contexto, 2014. 
RUIZ, Eliana Donaio. Como corrigir redações na escola: uma proposta textual- 
interativa. São Paulo: Contexto, 1ª ed., 2ª reimpressão, 2013.

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