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Educacao e meio ambiente - FINAL

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Educação e o meio ambiente
Vilson sérgio de CArVAlHo
1ª edição
Brasília/dF - 2018
Autores
Vilson sérgio de CArVAlHo
Produção
equipe Técnica de Avaliação, revisão linguística e 
editoração
Sumario
Organização do Caderno de Estudos e Pesquisa ..................................................................................................... 4
Introdução ............................................................................................................................................................................. 6
Unidade I – A Dimensão Socioambiental da Educação ......................................................................................... 7
Aula 1 
Introdução: a relação entre educação e meio ambiente ................................................................................ 8
Aula 2
Afinal, o que é Educação Ambiental? ...................................................................................................................13
Unidade II – Educação Ambiental de Ontem e de Hoje ......................................................................................25
Aula 3
A Trajetória da EA: Das Grandes Conferências à Política Nacional (Lei nº 9.795/99) .........................26
Aula 4
Diferentes esferas, um mesmo objetivo .............................................................................................................41
Unidade III – Promoção da Sustentabilidade e Enfrentamento da Crise Ambiental ................................56
Aula 5
Educação ambiental, desenvolvimento e promoção da sustentabilidade .............................................57
Aula 6
Crise Ética e Crise Ecológica ...................................................................................................................................74
Referências ..........................................................................................................................................................................84
4
Organização do Caderno de 
Estudos e Pesquisa
Para facilitar seu estudo, os conteúdos são organizados em unidades, subdivididas em capítulos, 
de forma didática, objetiva e coerente. eles serão abordados por meio de textos básicos, com 
questões para reflexão, entre outros recursos editoriais que visam tornar sua leitura mais agradável. 
Ao final, serão indicadas, também, fontes de consulta para aprofundar seus estudos com leituras 
e pesquisas complementares.
A seguir, apresentamos uma breve descrição dos ícones utilizados na organização dos Cadernos de 
estudos e Pesquisa.
Atenção
Chamadas para alertar detalhes/tópicos importantes que contribuam para a 
síntese/conclusão do assunto abordado.
Cuidado
importante para diferenciar ideias e/ou conceitos, assim como ressaltar para o 
aluno noções que usualmente são objeto de dúvida ou entendimento equivocado.
Importante
indicado para ressaltar trechos importantes do texto.
Observe a Lei
Conjunto de normas que dispõem sobre determinada matéria, ou seja, ela é origem, 
a fonte primária sobre um determinado assunto.
5
ORGANIzAçãO DO CADERNO DE ESTUDOS E PESqUISA
Para refletir
Questões inseridas no decorrer do estudo a fim de que o aluno faça uma pausa 
e reflita sobre o conteúdo estudado ou temas que o ajudem em seu raciocínio. 
é importante que ele verifique seus conhecimentos, suas experiências e seus 
sentimentos. As reflexões são o ponto de partida para a construção de suas 
conclusões.
Provocação
Textos que buscam instigar o aluno a refletir sobre determinado assunto antes 
mesmo de iniciar sua leitura ou após algum trecho pertinente para o autor 
conteudista.
Saiba mais
informações complementares para elucidar a construção das sínteses/conclusões 
sobre o assunto abordado.
Sintetizando
Trecho que busca resumir informações relevantes do conteúdo, facilitando o 
entendimento pelo aluno sobre trechos mais complexos.
Sugestão de estudo complementar
sugestões de leituras adicionais, filmes e sites para aprofundamento do estudo, 
discussões em fóruns ou encontros presenciais quando for o caso.
Posicionamento do autor
importante para diferenciar ideias e/ou conceitos, assim como ressaltar para o 
aluno noções que usualmente são objeto de dúvida ou entendimento equivocado.
6
Introdução
o propósito desta disciplina é apresentar a educação Ambiental como uma dimensão intrínseca da 
educação, enfatizando sua importância em face da crise socioambiental em que a humanidade se 
encontra mergulhada. em um primeiro momento, o estudo das aulas que compõem este caderno 
permitirá aos alunos conhecer melhor um pouco de sua história, seus níveis de atuação, tendências, 
algumas de suas ferramentas de trabalho e, principalmente, seu potencial transformador através 
da formação de uma consciência ecológica. em um segundo momento, destaca-se a importância 
na educação Ambiental como um elemento estratégico para a promoção de um desenvolvimento 
sustentável, isto é, um desenvolvimento sensível à causa ambiental. o caderno termina fazendo 
uma importante reflexão sobre a relação entre a crise ecológica em que nos encontramos e a grave 
crise de valores que a promoveu, revelando que, no fundo, somos todos educadores ambientais. 
esperamos que você aproveite bastante seu conteúdo e assuma esse papel.
Objetivos
este caderno de estudos tem como objetivos ajudar você a:
 » entender melhor a crise socioambiental planetária que o mundo atravessa em pleno 
século XXi;
 » conhecer a educação Ambiental e sua importância a partir do estudo de suas dimensões: 
formal, não formal e informal;
 » esclarecer como a educação Ambiental pode facilitar o estímulo e a promoção de um 
desenvolvimento ecologicamente equilibrado, podendo ser utilizada de forma ativa e 
preventiva;
 » aprender como a crise ambiental está amparada em uma séria crise ética cuja solução 
implica a adoção de novos valores sensíveis à preservação do meio ambiente.
7
A Dimensão Socioambiental da 
Educação
UNIDADE I
8
Apresentação
Aqui iremos apresentar uma noção geral do que abordaremos na disciplina como um todo, 
enfocando, de forma sucinta, a relação entre educação e Meio Ambiente, fundamento do que 
entendemos por educação Ambiental, e ajudando a pensar mais a fundo a riqueza de um tema 
que está diretamente associado à sobrevivência humana.
Objetivos
esperamos que, após o estudo do conteúdo desta aula, você seja capaz de:
 » obter uma compreensão mais ampla, crítica e consciente do que é o meio ambiente em 
suas diferentes dimensões: naturais, sociais, culturais, econômicas, etc.
 » compreender o ser humano como parte integrante da natureza;
 » reconhecer a dimensão socioambiental da educação e seu papel estratégico no sentido 
de conferir-lhe sentido e garantir que ela contribua na formação do aluno cidadão;
 » despertar para o papel e a importância da educação Ambiental e os valores a ela associados 
de cidadania, solidariedade, responsabilidade e ética ambiental.
1
AUlA
INTRODUçãO: A RELAçãO ENTRE 
EDUCAçãO E mEIO AmbIENTE
9
INTRODUçãO: A RELAçãO ENTRE EDUCAçãO E mEIO AmbIENTE • AUlA 1
Introdução
A relação entre educação e meio ambiente
gostaria de dar-lhe as boas-vindas ao estudo deste caderno. esperamos que você aproveite bastante 
os temas aqui discutidos não deixando de conhecer melhor os significados e as definições associadas 
ao que chamamos de edUCAÇÃo AMBienTAl. Por meio de diferentes formas e estratégias, a 
educação Ambiental quer promover ampla conscientização ecológica que leve o homem a repensar 
sua postura diante da vida; fomentando, assim, um amplo processo de responsabilização individual 
e coletiva da sociedade em face do meio ambiente do qual faz parte. 
Assim sendo, queremos convidar você a seguir pelas trilhas da educação Ambiental e aprender 
maissobre o que ela é, para que efetivamente serve, seus limites e potenciais, para, a partir daí, 
termos condições de responder com mais segurança à proposta que ela faz a cada um de nós.
Disponível em: <http://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2016/03/04/educacao-ambiental-pode-virar-disciplina-
obrigatoria-nas-escolas>. Acesso em: 21 ago. 2017.
Para entendermos com clareza o que é educação Ambiental, é preciso, inicialmente, reconhecer 
a existência de uma profunda relação entre Educação e Meio Ambiente. não há a menor chance 
de se planejar, promover e realizar um processo educativo de qualidade, isto é, sério e eficiente, 
para a formação do cidadão, se o meio ambiente não for considerado. se não valorizamos o 
ambiente do qual emerge o educando – entendendo esse conceito dessa forma ampla, o que 
implica considerar não apenas suas dimensões físico-químicas, mas, também, as sócio-histórica 
e político-cultural – estaremos cometendo um grave erro pedagógico, na medida em que não 
será possível usar em aula elementos da realidade do aluno, de seu contexto, e, portanto, de seu 
relacionamento cotidiano, o que pode prejudicar severamente seu aprendizado. 
do mesmo modo, se desconsiderarmos o ambiente para onde o educando irÁ leVAr os 
conhecimentos aprendidos, ou seja, onde terá a possibilidade de aplicá-los ou utilizá-los para 
compreender melhor a sua realidade, tal educação será no mínimo inútil para não dizer alienada 
10
AUlA 1 • INTRODUçãO: A RELAçãO ENTRE EDUCAçãO E mEIO AmbIENTE
e desmotivante. Com isso, queremos chamar atenção a duas premissas, quando se trata de pensar 
a educação Ambiental:
a. A verdade de que, desacompanhada da dimensão ambiental, a “educação perde 
parte de sua essência e pouco pode contribuir para a continuidade da vida humana” 
(CArVAlHo, 2002, p. 36), em outras palavras, ela perde seu sentido e corre o risco de 
tornar-se inútil;
b. o reconhecimento de que essa perda de sentido se dá na medida em que toda educação 
é também ambiental.
o reconhecimento das premissas anteriores não significa 
que estejamos aqui ingenuamente ignorando a existência 
de um tipo de prática pedagógica tradicional e tecnicista, 
que não seria sequer cidadã, que diria ambiental; o que 
infelizmente é inegável se examinarmos o contexto 
brasileiro. o próprio sistema educacional como um todo, na 
sociedade capitalista, é permeado determinantemente por 
interesses que confirmam a manutenção de um cristalizado 
sistema de classes obstáculo difícil de tranpor rumo a uma 
educação verdadeiramente libertadora.
Com efeito, reconhecer a existência desse perverso sistema 
utilitarista, dito “educacional”, não anula a verdade de que 
a educação – enquanto um fator essencial à plena realização pessoal, assim como ao progresso 
e ao desenvolvimento da sociedade (HoCHleiTner, 1996) – traz, necessariamente, em seu 
âmago, uma dimensão ambiental, manifesta por intermédio de suas múltiplas expressões 
(naturais, biológicas, mentais, sociais, históricas, culturais, políticas, econômicas). Pensar o 
processo educativo apenas em um âmbito pessoal e interpessoal corresponderia à suposição de 
que a educação se processa em uma ilha isolada, não recebendo impactos socioculturais nem 
tendo qualquer contribuição à formação de uma sociedade mais justa. 
Como expõe o nosso grande mestre Paulo Freire (1997):
[...] não há educação fora das sociedades humanas assim como não há homens 
isolados (...) o homem é um ser de raízes espaço-temporais. A instrumentação da 
educação (...) depende da harmonia que se consiga entre a vocação ontológica 
deste “ser situado e temporalizado e as condições especiais desta temporalidade 
e desta situacionalidade (Freire, 1997, p. 61).
se considerarmos a finalidade da educação dentro dos princípios da Lei de Diretrizes e Bases da 
Educação Nacional (Lei nº 9.394/96), veremos que, de acordo com seu artigo 2º, a educação teria 
por finalidade “o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania 
e sua qualificação para o trabalho”. A pergunta então a se fazer seria: é possível a concretização 
desses objetivos, desconsiderando a dimensão ambiental? 
Para refletir
Antes de prosseguir, reflita sobre as 
duas premissas acima: Qual a sua 
opinião a respeito? Você concorda que, 
desacompanhada da dimensão ambiental, 
a educação perde parte de sua essência? 
Julga que toda educação é Ambiental? 
registre suas opiniões a respeito, de 
maneira que, ao final do estudo deste 
caderno, você possa comparar como 
sua opinião foi reforçada ou alterada em 
função de seu aprendizado.
11
INTRODUçãO: A RELAçãO ENTRE EDUCAçãO E mEIO AmbIENTE • AUlA 1
Marcos reigota (1991), um dos grandes estudiosos sobre o tema, afirmou, categoricamente, em 
um de seus artigos, que “o momento atual exige que não falemos mais em Educação Ambiental, 
mas simplesmente em educação”, como direito inalienável do homem, visando à não só a utilização 
racional dos recursos naturais, mas, também, à participação nas decisões que lhe dizem respeito, 
estabelecendo uma nova relação com a natureza, desenvolvendo uma nova razão que não seja 
sinônimo de autodestruição (reigoTA, 1991 apud rUTWosKi, 1993, p. 55).
Apesar de nossa avançada constituição, no que concerne às questões ambientais (vide art. 225), só 
recentemente essas questões foram introduzidas de modo oficial no sistema escolar. em termos 
legais, somente em 1999 a educação Ambiental foi transformada em lei (lei nº 9.795/99), devendo, 
assim, ser mais difundida e reconhecida oficialmente como um componente urgente da educação. 
Todavia, ainda existem resistências aos pontos aqui abordados, e muitos docentes insistem em 
desconsiderar tais verdades. Alguns promovem educação ambiental sem ter consciência disso, 
ao relacionar o conteúdo de aula com a temática socioambiental, mas muitos insistem em 
sua prática pedagógica fragmentada, porém confortável, à medida que o reconhecimento da 
dimensão ambiental na prática educativa exige do professor maior qualificação para lecionar os 
conteúdos de sua área de trabalho de forma interdisciplinar, a partir de uma visão mais holística.
Para entender o valor da temática ambiental, é importante compreender o valor de cada vida 
que integra esse grande ecossistema vital que denominamos Gaia.
Saiba mais
Gaia - gaia ou ge é a denominação da terra na mitologia grega, na qual ela é personificada como elemento gerador das raças 
divinas: urano (céu), as montanhas e Ponto (mar), Cronos, oceano, etc. Mais tarde, a ideia de gaia como geradora de deuses 
foi sendo substituída pela ideia de fertilidade da terra. Hoje, ao nos referirmos ao termo, referenciamos a Teoria de lovelock, 
segundo a qual o planeta terra é visto como um grande ser vivo, como um grande superorganismo autorregulador. Veja 
outros dados na obra de: CArVAlHo, V. Educação Ambiental e Desenvolvimento Comunitário. rio de Janeiro: WAK, 2002.
Falar de uma educação Ambiental, independente da estratégia a ser utilizada ou do âmbito 
em que ela será desenvolvida, significa, acima de qualquer coisa, falar de uma educação para 
a vida em plenitude. das vidas presentes em um MiCroeCosssiTeMA celular até as vidas que 
garantem a sustentabilidade de um macroecossistema, como uma grande floresta. 
Saiba mais
Ecossistema é a principal unidade de estudo da ecologia. A palavra tem origem nas palavras gregas oikos (eco = casa) + 
sistema (onde se vive). Pode ser entendida como um sistema composto tanto pelos seres vivos (meio biótico) quanto pelo 
lugar onde vivem (meio abiótico) além das relações destes entre si. o meio biótico envolve seres vivos autótofros, isto é, 
capazes de produzir seu próprio alimento como as plantas, e os heterótrofos, que não conseguem sintetizar seu próprio 
alimento como os animais. o meio abiótico, por sua vez, compreende elementos como o clima, a luz solar, os minerais. o 
conjuntode interações do meio biótico com o abiótico geram um ciclo de energia presente tanto em um microssistema 
como uma poça d´água (microssistema) como o próprio planeta como um todo (macrossistema).
12
AUlA 1 • INTRODUçãO: A RELAçãO ENTRE EDUCAçãO E mEIO AmbIENTE
Para tratar dessas questões, é necessário enfocarmos uma série de temas que extrapolam as 
discussões sobre natureza e Meio AMBienTe em seus aspectos físicos e bioquímicos. em outras 
palavras, se quisermos compreender e defender a vida por meio da educação Ambiental, faz-se 
necessário discutirmos diversos temas de relevância social, como a valorização do patrimônio 
histórico, a preservação cultural, a promoção da saúde, a luta pela qualidade de vida, pelo acesso 
à escolaridade gratuita, pelo fim do desemprego, da violência, da exclusão social, da miséria e 
de muitos outros males sociais que têm impactos ambientais por vezes irreversíveis.
A partir de tudo que vimos nesta aula, não é difícil entender porque afirmamos que a educação 
Ambiental é interdisciplinar por natureza e que trabalhar com ela é confiar no poder transformador 
e revolucionário da educação, que, se por um lado não pode mudar o mundo, pode, por outro, 
mudar a cabeça dos que nele vivem, conduzindo o ser humano a problematizar a realidade à 
sua volta e o seu papel nela como membro integrante.
Sintetizando
A legislação nacional define meio ambiente como “o conjunto de condições, leis, influências e interações de ordem física, 
química e biológica que permite, abriga e rege a vida em todas as suas formas”, art. 3º, inc. i, da lei nº 6.938/1981 (lei da 
Política nacional do meio ambiente).
Contudo, entender o que é meio ambiente implica tratar de algo que foi produzido histórica e culturalmente por meio 
de lutas e exploração. em outras palavras, a natureza reflete a devastação de nossos sistemas econômicos e sociais e, 
principalmente, de nossa crise de valores.
Resumo
nesta aula:
 » vimos aqui, resumidamente, como são profundas e complexas as relações entre educação 
e meio ambiente;
 » aprendemos a compreender a educação ambiental como uma dimensão da educação;
 » analisamos o que é educação ambiental a partir do exame de suas características e sua 
importância no momento atual;
 » entendemos a urgência da educação ambiental como uma forma de fazer frente à grave 
crise ambiental que o homem vem atravessando.
13
Apresentação
Vimos, na aula anterior, como são amplas e complexas as relações entre educação e Meio 
Ambiente, e porque toda educação pode ser entendida como Ambiental, já que aquela não pode 
prescindir de sua dimensão ambiental, se quiser ser verdadeiramente útil e efetiva, atendendo 
aos requisitos da ldB. nesta aula, estudaremos de uma maneira mais aprofundada a definição, 
as dimensões, os fundamentos e a história da educação Ambiental. Vamos lá?
Objetivos
esperamos que, após o estudo do conteúdo desta aula, você seja capaz de:
 » entender com clareza o conceito e o papel da eA frente à crise ambiental vigente, 
resultado, particularmente, de uma postura antropocêntrica, e o decorrente sentimento 
de dominação da natureza por parte do homem;
 » refletir sobre qual dos âmbitos da eA apresentados você melhor se identifica e conhecer, 
para uma atuação mais comprometida com a área, os valores que ela defende;
 » adotar em seu cotidiano posturas e práticas sustentáveis condizentes com a proposta 
da eA de levar o homem a se enxergar como parte integrante da natureza.
2
AUlA
AfinAl, O quE é EDucAçãO 
AmbiEntAl?
14
AUlA 2 • AfinAl, O quE é EDucAçãO AmbiEntAl
Que tal irmos direto ao ponto desta aula respondendo à pergunta: o que é educação Ambiental?
A educação Ambiental pode ser entendida como um:
ProCesso CrÍTiCo TrAnsForMAdor CAPAZ de ProMoVer UM QUesTionAMenTo MAis ProFUndo 
soBre A reAlidAde AMBienTAl nA QUAl o HoMeM se inTegrA, leVAndo-o A AssUMir UMA noVA 
MenTAlidAde eColÓgiCA, PAUTAdA no resPeiTo MÚTUo Ao Meio AMBienTe e Aos QUe dele 
FAZeM PArTe.
o primeiro elemento-chave dessa definição é o de 
processo. A ideia de processo implica a realização de 
algo que demanda certo tempo e envolve uma série de 
variáveis, muitas delas difíceis de serem controladas. 
Muitas vezes, o trabalho dos educadores ambientais é o de 
iniciar esse processo lento e gradual, sem certeza absoluta 
de seus resultados. é como lançar sementes à terra. não 
sabemos se irão germinar e crescer. Podemos controlar 
alguns fatores como preparar a terra, adubando-a ou regando-a. Todavia, não conseguiremos 
controlar todas as variáveis envolvidas em suas fases de crescimento ou as mudanças climáticas 
que certamente irão afetá-la, acelerando ou retardando seu crescimento.
o segundo diz respeito ao termo CrÍTiCo. A palavra 
se opõe ao termo “ingênuo”. Ao aprendemos mais 
sobre alguma coisa qualquer, passamos de uma 
consciência ingênua – leiga ou parcialmente leiga 
– para uma consciência crítica – conhecedora do 
objeto estudado. no caso da educação Ambiental, 
é fundamental que aprendamos mais sobre o meio 
ambiente e suas características. é necessário conhecer 
os ciclos fundamentais da natureza, os grandes biomas 
do planeta, os animais em risco de extinção, o perigo dos 
agrotóxicos, dos transgênicos, a degradação promovida pelo homem em seu habitat; enfim, 
uma série de informações que possam viabilizar um posicionamento crítico (consciente) em 
face de determinada situação.
Atenção
Para melhor entender essa definição, o ideal é 
irmos passo a passo a partir da compreensão 
dos elementos-chave que a compõem e que 
merecem ser problematizados com vistas ao 
entendimento da educação Ambiental e de 
seus desdobramentos. 
Saiba mais
“Processo”
é um Termo que se refere ao modo de 
proceder, operar ou ensinar. relaciona-se 
à técnica ou ao procedimento. no caso da 
educação Ambiental, ou em qualquer outro 
tipo de ação educativa, o autor chama atenção 
para as dificuldades de se obter resultados a 
curto prazo e aponta a própria deflagração de 
um processo como uma vitória do educador.
15
AfinAl, O quE é EDucAçãO AmbiEntAl • AUlA 2
Saiba mais
Bioma:
Já vimos a definição de ecossistema. o Bioma é um conjunto de ecossistemas que funcionam de forma estável e guardam 
entre si certa homogeneidade, considerando elementos como região (espaço geográfico), clima, vegetação, solo, altitude, etc. 
A palavra vem de (Bios = Vida) e (oma = grupo ou massa). 
em geral, no mundo, foram identificados 11 tipos de bioma: florestas tropicais, desertos, savanas, entre outros. Contudo, 
podem também existir sistemas mistos que combinem mais de um bioma.
o Brasil possui seis biomas: Amazônia (maior bioma brasileiro), Caatinga, Cerrado, Pampa, Mata Atlântica e Pantanal (uma 
das maiores extensões úmidas do planeta). 
Para saber mais, consulte o site do ministério do meio ambiente (www.mma.gov.br).
são ingênuos os posicionamentos da conservação ou proteção do ambiente natural desligados de 
outros questionamentos inter-relacionados direta ou indiretamente às temáticas ambientais, como 
as questões de foro político, cultural e econômico. Para o educador ambiental que deseja lutar por 
determinada causa, é fundamental conhecer o problema ambiental pelo qual se deseja enfrentar, 
buscando, antes de tudo, conhecer suas causas e consequências e, igualmente, pesquisando 
ampla e profundamente todos as informações pertinentes a ele (extensão do problema).
o terceiro refere-se à ideia de TrAnsForMAÇÃo, possibilitada através do aprendizado. o 
conhecimento nos torna não apenas conscientes – o que, por si só, já representa uma mudança 
de ótica, de postura, de atuação frente a uma realidade sobre a qual nada ou pouco se sabia – 
mas, também, torna-nos mais responsáveis sobre o objeto conhecido. 
se eu não sabia que meu comportamento prejudicava algo ou alguém e, ainda assim, cometia-o, 
eu tenhouma parcela de culpa totalmente diferente da que eu teria se fosse consciente do mal 
que eu cometo em relação às suas consequências. 
A consciência muitas vezes nos faz cúmplices e, no caso da realidade socioambiental, pretende 
demonstrar o quanto todos nós somos um pouco responsáveis pelo processo de degradação 
ambiental que enfrentamos. do mesmo modo, é essa consciência ecológica que nos desperta 
não apenas para a culpa, mas para a certeza de que a possibilidade de transformação dessa 
triste realidade não pode advir de outro modo se não pela participação ativa de cada um de nós.
o quarto termo a destacar leva-nos a entender que não 
apenas estamos inseridos no meio ambiente: “inTegrA”. 
se eu integro algo, faço parte desse algo, ou melhor, 
sou também esse algo. se alguém faz mal a esse algo, é 
também a mim que o faz. se eu faço mal a esse algo, é a 
mim mesmo que estou fazendo. A compreensão de que 
todos nós, homens e mulheres, adultos e crianças, pobres 
Atenção
A esse suicídio que o autor se refere, 
chamamos de “ecocídio”. é uma espécie de 
suicídio indireto, uma vez que o homem não 
se mata, mas mata o ambiente do qual faz 
parte, o que acaba a longo prazo promovendo 
sua própria morte.
16
AUlA 2 • AfinAl, O quE é EDucAçãO AmbiEntAl
ou ricos, compomos juntos o meio ambiente com seus ricos e complexos ecossistemas é uma 
das lições mais valiosas da educação Ambiental. Por intermédio da sua mensagem, entendemos 
que, ao destruir o planeta, não estamos destruindo apenas o nosso lar, o único que conhecemos 
com características específicas próprias a nossa sobrevivência, mas a nós mesmos, em uma 
espécie de suicídio lamentável. 
A ideia de integrar algo nos remete igualmente ao pensamento de que não estamos sós. de que 
somos tão somente mais uma espécie viva que, junto com centenas de outras, tem vivido nesse 
planeta vencendo desafios e buscando sobreviver. de que tudo o que acontece a um único ser 
vivo nessa grande teia, que é esse grande ecossistema vital, o qual ajudamos a compor, afeta-nos 
profundamente, ainda que de maneira tardia. Não existe um ser vivo, animal ou vegetal, que 
não esteja de algum modo interligado a outros de uma forma equilibrada. essa é uma das leis 
mais importantes do cosmos.
outro termo a destacar é o vocábulo resPeiTo, cuja reflexão mais apurada leva-nos a nos 
aprofundar no conceito de ética. A «ética do cuidado» que leonardo Boff (1999) tanto ressalta 
em suas obras. respeitar algo é procurar entendê-lo e aceitá-lo como ele é, ainda que com ele 
não concordemos. infelizmente não respeitamos a lógica da natureza, comumente ignoramos 
as necessidades de outros seres vivos além de nós e desrespeitamos seus ciclos e sua existência 
em nome de valores econômicos e antropocêntricos. 
Por fim, destacamos o vocábulo adjetivado “nova 
mentalidade”. ora, se estamos falando de algo novo, 
então isso significa algum tipo de mudança, se não 
uma inovação, pelo menos uma renovação a partir 
de ideias e ideais antigos que não servem mais para 
entender o meio ambiente. essa nova mentalidade é 
que nos faz enxergar, a partir de tudo que foi dito anteriormente, a nós mesmos (e isso envolve 
a forma como lidamos conosco, com as nossas atitudes, posturas, escolhas, etc.) e ao meio do 
qual fazemos parte. 
é essa nova mentalidade que nos faz ver a vida a partir de uma lógica diferenciada, pautada em 
valores sustentáveis, e isso se traduz em nosso cotidiano na hora de usar a água, nos alimentar, 
fazer compras, dirigir, descartar nossos resíduos e tantas outras atividades. Passamos a ser mais 
responsáveis ambientalmente com nossos comportamentos, e isso não é uma mudança pequena 
ou simples, pois está alicerçada em uma visão crítica e política (no sentido amplo da palavra) 
sobre a forma de como temos vivido e como temos deixado os demais seres vivos viverem. essa é 
a mudança que a educação Ambiental verdadeiramente almeja. não se trata apenas de aprender, 
mas de ter a sabedoria de colocar em prática. sem essa mentalidade nova, que ocorre de dentro 
para fora, isso é muito difícil. 
Saiba mais
Antropocêntrico: Termo referente a ideia do ser 
humanocomo centro ou a medida de todas as 
coisas.
17
AfinAl, O quE é EDucAçãO AmbiEntAl • AUlA 2
é claro que sempre teremos as leis, elas são 
fundamentais à vida na coletividade e à garantia 
de direitos fundamentais. Contudo, a verdadeira 
mudança não acontece pelo medo de que sejamos 
denunciados ou pegos “com a mão na massa”, pelas 
multas que teríamos de pagar ou por outras sanções 
quaisquer previstas em lei, e sim por uma convicção interior de que não está certo continuarmos 
vivendo como antes, ignorando e desrespeitando aquilo que somos, nós somos a natureza. é 
isso que chamamos aqui de “nova mentalidade ecológica”.
A crise socioambiental com a qual o homem se depara em pleno século XXi é, antes de tudo, 
um reflexo de uma grave crise de ética. A ausência de uma postura ética técnico-científica que 
pudesse ordenar as ações do homem sobre a natureza, baseada no respeito mútuo entre esses 
dois elementos, ajuda-nos a compreender melhor como a civilização moderna pode alcançar 
um estágio prejudicial à própria continuidade da vida no planeta. não é por acaso que a origem 
da palavra ética, advinda da raiz grega ethos (costume), é a mesma, refere-se ao local onde o 
homem vive, mora ou passa grande parte de seu tempo. 
Vale destacar que o objetivo da educação Ambiental não se resume a disseminar informações 
sobre o meio ambiente, mas a promover uma nova postura diante da vida, UMA PosTUrA éTiCA 
do ViVer, que se dedica não apenas a situações referentes ao esgotamento e à deterioração dos 
recursos naturais por meio da poluição ou da extinção de espécies. é uma nova postura diante 
das injustiças sociais, do empobrecimento sociocultural e da desigual distribuição de renda, 
promotora de desigualdades (CArVAlHo, 2003).
Assim como qualquer processo educativo tem como fim a aprendizagem no seu sentido mais amplo, 
ou seja, a percepção e adaptação mental de impressões, informações e experiências no sentido 
de ampliar, aprofundar e transformar conhecimentos, conceitos, atitudes e comportamentos 
tanto individuais quanto grupais (doHMen, 1981)), a educação Ambiental, da mesma maneira, 
também assume como meta principal determinada aprendizagem individual. entendida enquanto 
uma necessidade permanente, a aprendizagem pretendida pela educação Ambiental visa a que o 
indivíduo reconheça e compreenda melhor o meio ambiente do qual faz parte, buscando novas 
formas de relacionamento com ele, pautadas nos princípios de respeito e integração ambiental. 
A educação ambiental e seus âmbitos
Ao afirmarmos que alguém está realizando algum trabalho de educação Ambiental, faz-se 
necessário compreender que tipo de atividade está sendo implementada e identificar em que 
âmbito a educação está sendo promovida, pois isso nos ajudará a entender melhor o alcance 
Sugestão de estudo
Para ver outras definições de educação 
Ambiental, não deixe de conferir o site: <http://
www.apoema.com.br/definicoes.htm>.
18
AUlA 2 • AfinAl, O quE é EDucAçãO AmbiEntAl
do trabalho efetivado em termos de seus limites e potencialidades. Atualmente, existem três 
âmbitos de atuação da educação Ambiental: formal, não formal e informal. Vejamos cada um 
deles e sua importância para o estudo da educação Ambiental.
ÂmbITO FORmAL (ou institucional)
Disponível em: <http://www.diariodonoroeste.com.br/noticia/cotidiano/estadual/53576-educacao-ambiental-sera-
incluida-no-curriculo-das-escolas-do-parana-em-2014>. Acesso em: 10 dez. 2015.
nesse âmbito, existe um currículo estruturado com uma intenção particular bem definida, com 
mecanismos avaliativos, sequências temporais, dentro de um processo geralmente conduzido 
na instituição escolar, abrangendo quatro níveis de ensino: 1º e 2º graus, a graduaçãoe a pós-
graduação (BrÜgger, 1994, p. 32). no caso da educação Ambiental, o trabalho nesse âmbito 
é o mais frequente, e se efetiva juntamente com professores e alunos, dentro de uma postura 
interdisciplinar que valoriza a participação do alunado no processo de aprendizagem e cuja 
orientação de seu foco pedagógico é voltada aos problemas objetivos de sua realidade (oliVeirA, 
1993, p. 18). de acordo com a UnesCo, a educação Ambiental pode ser entendida nesse âmbito:
[...] desde a simples introdução de conceitos ambientais nas disciplinas 
tradicionais, até a integração total em torno de um projeto de ação passando 
pela convergência de disciplinas que possuem certas afinidades teóricas e 
metodológicas (UnesCo apud BeZerrA; CosTA, 1992, p. 39).
Quando se tem a pretensão de desenvolver no ser humano, desde seus primeiros anos de vida, 
uma atitude de respeito e integração ambiental, não há dúvidas de que a promoção da educação 
Ambiental em todos os níveis de ensino deve ser um imperativo. isso talvez explique porque a 
maior parte dos projetos e/ou programas de educação Ambiental no estado do rio de Janeiro 
tem trabalhado nesse âmbito de atuação, enxergando docentes e discentes como agentes 
multiplicadores de opinião e revendo a própria unidade escolar como uma grande agência 
de formação e desenvolvimento social. Procura-se atuar não apenas sobre os conhecimentos 
explícitos da escola, mas, também, os valores e as ideologias que perpassam a instituição e 
são transmitidos através da dinâmica de suas relações, do currículo ativo e das metodologias 
empregadas (gArCiA, 1993, p. 35).
19
AfinAl, O quE é EDucAçãO AmbiEntAl • AUlA 2
recentemente, esse âmbito vem se dividindo em:
Educação ambiental formal presencial
Educação ambiental formal não presencial
no segundo caso, inserem-se as propostas de educação Ambiental a distância, em que o educando 
tem a oportunidade de realizar uma série de cursos e se manter informado sobre as últimas 
produções na área por meio de Cds, livros, sites, softwares. essa é uma proposta ainda bastante 
discutida em função da metodologia utilizada e da conscientização ambiental que pode vir a 
produzir. o ideal é que ela seja efetivada por uma equipe experiente que valorize os encontros 
presenciais com os educandos como parte integrante do funcionamento, de modo a suprir o 
distanciamento entre professor e aluno, bem como do aluno com a natureza em geral.
Disponível em: <http://brasilescola.uol.com.br/educacao/formacao-formadores-educacao-ambiental-via-modalidade-.
htm>. Acesso em: 10 dez. 2015.
Sugestão de estudo
Para um aprofundamento no estudo sobre educação Ambiental não presencial, recomenda-se a leitura da obra CArVAlHo, 
V. Interfaces entre Educação Ambiental e Educação a Distância. rio de Janeiro: WAK, 2015. esse livro traz uma série 
de artigos sobre educação a distância e uma pesquisa na área realizada no âmbito de um curso de Pedagogia de uma 
universidade particular do rio de Janeiro.
Saiba mais
Ecopedagogia: no âmbito da Educação Ambiental Formal, Moacir Gadotti, conhecido educador, prefere o uso do termo 
Ecopedagogia. Uma proposta de Educação Ambiental formal voltada a uma substituição da racionalidade da dominação por 
uma racionalidade da comunicação, por meio de uma reorientação curricular. Para saber mais, consulte a obra de gadotti 
(1996) destacada na bibliografia deste caderno.
20
AUlA 2 • AfinAl, O quE é EDucAçãO AmbiEntAl
Um ÂmbITO NãO FORmAL
Disponível em: <http://ama-amigosdaterra.org/educacao-ambiental>. Acesso em: 10 dez. 2015.
esse âmbito, por sua vez, tem como foco a comunidade e suas unidades vitais, como igrejas, 
escolas, clubes, centros comunitários, associações, etc. nesse âmbito de trabalho, os enfoques que 
privilegiam uma precisão cronológica e um ritmo avaliativo determinante são descartados e os 
fatores a eles inerentes, relevados a segundo plano em relação ao tempo de reação da comunidade 
dentro de um processo mais amplo. Fora do espaço curricular, existe uma série de atividades 
desenvolvidas em termos de educação Ambiental não formal, como a promoção de campanhas, 
palestras, encontros, congressos, reuniões e aplicação de programas mais sistematizados de 
trabalho com comunidades (MACiel et al., 1994). 
Por exigirem mais tempo, considerando a comunidade como um todo, em um trabalho conjunto 
com as muitas unidades vitais que a compõem (comércio local, associações diversas, clubes, 
escolas e outras), os projetos de educação Ambiental nesse âmbito infelizmente são ainda 
bastante reduzidos.
Um ÂmbITO INFORmAL
Disponível em: <http://www.caritas.pt/setubal/index.php?option=com_content&view=article&id=2636:inclusao-de-
utentes-nas-actividades-da-bandeira-azul&catid=99:noticias& itemid=31>. Acesso em: 10 dez. 2015.
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AfinAl, O quE é EDucAçãO AmbiEntAl • AUlA 2
Atividades de educação Ambiental nesse âmbito geralmente são efetivadas através de meios 
informais de comunicação, tais quais jornais, panfletos, cartas, cartazes, filmes, programas de 
rádio e TV, podendo se concretizar em qualquer lugar. Apesar dos inegáveis resultados, o problema 
do trabalho educativo nesse âmbito refere-se ao fator avaliativo, de difícil mensuração em termos 
do impacto real obtido. em programas realmente efetivos de educação Ambiental, esse âmbito 
de trabalho é aliado a um dos dois anteriormente apresentados. ou seja, ele funciona como um 
reforçador coadjuvante das estratégias formais e não formais de educação Ambiental. 
os motivos são óbvios: não se faz educação Ambiental distribuindo folhetos ou passando vídeos, 
essas atividades fazem parte de algumas etapas com finalidades e estratégias específicas dentro 
de uma pedagogia educativa mais ampla. nesse sentido, vale sublinhar que a proposta que a eA 
traz é a formação de uma consciência crítica, pautada na participação e na responsabilidade 
social, e não apenas de educar para a ecologia ou fornecer aos educandos um conjunto de 
informações ambientais. 
Apesar de serem essencialmente diferentes encerrando diretrizes variadas e formas de concretização 
distintas, esses âmbitos não devem, em absoluto, ser entendidos como manifestações estratégicas 
isoladas de uma modalidade educativa, mas, sim, como partes de um mesmo modelo de 
pensamento e ação na luta por uma melhor qualidade de vida. é extremamente comum em um 
programa de educação Ambiental o emprego simultâneo de estratégias que privilegiam um ou 
outro âmbito de atuação, de acordo com determinado momento da realização do trabalho, não 
existindo restrições quanto ao espaço pedagógico a ser utilizado. 
independente do âmbito em que determinado 
projeto ou programa de educação Ambiental 
esteja inserido, o importante é que este tenha 
possibilidade de cumprir seu compromisso social, 
ou seja, o de “informar, conscientizar, convocar, 
questionar, denunciar, sensibilizar e contribuir 
para a mudança de base do ser humano”, uma 
passagem da razão à solidariedade baseada em 
uma nova ética socioambiental (grÜn, 1994). é por esse compromisso que o valor da educação 
Ambiental pode ser considerado tanto do ponto de vista preventivo, atuando antes que o problema 
ambiental venha a ocorrer (estando este na eminência de acontecer ou não), quanto do ponto de 
vista defensivo, agindo durante e depois de o problema ecológico já ter se manifestado, buscando 
maneiras de saná-lo ou, no mínimo, atenuá-lo.
Sugestão de estudo
Para conhecer as diferentes possibilidades 
metodológicas aplicadas aos âmbitos da educação 
Ambiental, é recomendável a leitura da obra 
de Pedrini, A.; sAiTo, C. (orgs.). Paradigmas 
Metodológicos da Educação Ambiental. Petrópolis: 
Vozes, 2015.
22
AUlA 2 • AfinAl, O quE é EDucAçãO AmbiEntAl
E o que diz a lei?
embora não seja aqui nosso objetivo fazer uma análise legal mais aprofundada da educação 
Ambiental, vale a pena se pretendemos compreendermelhor os diferentes âmbitos acima citados 
e a sua efetivação no contexto brasileiro. é importante dar uma boa conferida em alguns artigos 
da lei nº 9.795, de 27 de abril de 1999, a começar pelo primeiro deles:
Art. 1o – entendem-se por educação ambiental os processos por meio dos quais o 
indivíduo e a coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades, 
atitudes e competências voltadas para a conservação do meio ambiente, bem de 
uso comum do povo, essencial à sadia qualidade de vida e sua sustentabilidade.
o caráter dado a essa educação está explicitado no Art. 2o:
Art. 2º: A educação ambiental é um componente essencial e permanente da 
educação nacional, devendo estar presente, de forma articulada, em todos os 
níveis e modalidades do processo educativo, em caráter formal e não formal.
Para garantir ampla presença, a lei atribui incumbências ao Poder Público, às instituições 
educativas, à mídia, aos órgãos do sistema nacional de Meio Ambiente (sisnAMA), às empresas, 
entidades de classe, instituições públicas e privadas e à sociedade como um todo.
Saiba mais
SISNAMA
O que é o SISNAMA? 
é um conjunto articulado de órgãos, entidades, regras e práticas responsáveis pela proteção e pela melhoria da qualidade 
ambiental, estruturando-se por meio dos seguintes níveis político-administrativos: 
 » Órgão superior – Conselho de governo, que reúne a Casa Civil da Presidência da república e todos os ministros. Tem a 
função de assessorar o presidente da república na formulação da política nacional e das diretrizes nacionais para o meio 
ambiente e os recursos naturais.
 » Órgão consultivo e deliberativo – Conselho nacional do Meio Ambiente (ConAMA). reúne os diferentes setores da 
sociedade e tem caráter normatizador dos instrumentos da política ambiental. 
 » Órgão central – Ministério do Meio Ambiente. Tem a função de planejar, coordenar, supervisionar e controlar as ações 
relativas à política do meio ambiente. 
 » Órgão executor – instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos recursos naturais renováveis (iBAMA). está encarregado de 
executar e fazer executar as políticas e diretrizes governamentais definidas para o meio ambiente. 
 » Órgãos seccionais – de caráter executivo, essa instância do sisnAMA é composta por órgãos e entidades estaduais 
responsáveis pela execução de programas e projetos, assim como pelo controle e fiscalização de atividades degradadoras 
do meio ambiente. são, em geral, as secretarias estaduais de Meio Ambiente. 
23
AfinAl, O quE é EDucAçãO AmbiEntAl • AUlA 2
 » Órgãos locais – Trata-se da instância composta por órgãos ou entidades municipais responsáveis pelo controle e 
fiscalização dessas atividades em suas respectivas jurisdições. são, quando elas existem, as secretarias Municipais de Meio 
Ambiente.
A mesma lei estabelece (art. 4o, inc. i a Viii) como princípios básicos da educação Ambiental:
 » o enfoque humanista, holístico, democrático e participativo; 
 » a concepção de meio ambiente em sua totalidade, considerando a interdependência 
entre o meio natural, o socioeconômico e o cultural, sob o enfoque da sustentabilidade; 
 » o pluralismo de ideias e concepções pedagógicas, na perspectiva da inter, multi e 
transdisciplinaridade; 
 » a vinculação entre a ética, a educação, o trabalho e as práticas sociais; 
 » a garantia de continuidade e permanência do processo educativo, a permanente avaliação 
crítica do processo educativo;
 » a abordagem articulada das questões ambientais locais, regionais, nacionais e globais; 
 » o reconhecimento e o respeito à pluralidade e à diversidade individual e cultural. 
A observância a esses princípios permite ao legislador concluir aquilo que está explícito no artigo 
5º, quando este esclarece os objetivos de educação Ambiental. em outras palavras, esse artigo 
se presta a responder à pergunta: para que serve a educação Ambiental?
ArTigo 5º
i - o desenvolvimento de uma compreensão integrada do meio ambiente em suas 
múltiplas e complexas relações, envolvendo aspectos ecológicos, psicológicos, 
legais, políticos, sociais, econômicos, científicos, culturais e éticos;
iV- o incentivo à participação individual e coletiva, permanente e responsável, 
na preservação do equilíbrio do meio ambiente, entendendo-se a defesa da 
qualidade ambiental como um valor inseparável do exercício da cidadania;
V - o estímulo à cooperação entre as diversas regiões do País, em níveis micro e 
macrorregionais, com vistas à construção de uma sociedade ambientalmente 
equilibrada, fundada nos princípios da liberdade, igualdade, solidariedade, 
democracia, justiça social, responsabilidade e sustentabilidade;
Vi - o fomento e o fortalecimento da integração com a ciência e a tecnologia;
Vii - o fortalecimento da cidadania, autodeterminação dos povos e solidariedade 
como fundamentos para o futuro da humanidade.
24
AUlA 2 • AfinAl, O quE é EDucAçãO AmbiEntAl
A escola, enquanto uma instituição produtora de conhecimentos e formadora de opiniões, 
assume papel preponderante na concretização dos objetivos legais acima expressos. o ideal é que 
o processo de conscientização ecológica comece cedo em um trabalho de base com as crianças 
que já vão crescendo e se desenvolvendo pautadas em ideais de sustentabilidade e respeito ao 
ambiente do qual são parte integrante.
Contudo, infelizmente, como já denunciaram vários autores, como Henrique leff (1999), 
frequentemente os valores para um ambiente saudável têm sido reduzidos na escola à conservação 
da natureza física, enquanto os princípios têm sido internalizados no ensino formal como uma 
listagem de problemas socioambientais causados pela ação humana. A forma sugerida por 
leff para superar visões restritas é olhar para a eA como algo que requer a construção de novos 
objetos interdisciplinares de estudo através da problematização dos paradigmas dominantes, da 
formação dos docentes e da incorporação do saber ambiental emergente em novos programas 
curriculares (leFF, 1999).
no entanto, desenvolver um novo olhar que possibilite o entendimento da questão ambiental 
de forma não linear, crítica e multidimensional tem sido um difícil desafio constante para todos 
os que atuam na área. Afinal, ninguém disse que tarefa seria fácil.
Resumo
nesta aula:
 » Tivemos a chance de analisar de perto o que é educação Ambiental através do estudo 
de seus diferentes âmbitos de Análise;
 » Analisamos como a lei nº 9.795, de 27 de abril de 1999, define a educação Ambiental, 
seus princípios e objetivos, define responsabilidades em seus diferentes âmbitos e a 
garante como um direito da população;
 » refletimos sobre o papel da escola como facilitadora dos processos de conscientização 
ecológica, muito embora ainda persista nela uma visão reducionista da questão ambiental;
 » Vimos o quanto a eA precisa superar compreensões restritas não apenas sobre ela, mas 
também sobre a própria natureza e o meio ambiente.
25
A Educação Ambiental 
de Ontem e de Hoje
UNIDADE II
26
Apresentação
na unidade anterior, tivemos a chance de refletir mais sobre o que é educação Ambiental a 
partir da consideração de seus elementos e, principalmente, da análise de diferentes autores que 
atuam na área. nesta aula, estudaremos melhor sua trajetória histórica, ou seja, o caminho que a 
educação Ambiental seguiu desde o seu surgimento. Focaremos, de uma forma mais consistente, 
o período relativo à década de 60 até seus desafios atuais em pleno século XXi.
Objetivos
esperamos que, após o estudo do conteúdo desta aula, você seja capaz de:
 » compreender um pouco da evolução da educação até atingir seu clímax através da 
Política nacional de educação Ambiental;
 » entender que os eventos que marcaram a educação Ambiental contribuíram não apenas 
para uma melhor definição dela, como também para seu aperfeiçoamento e conquistas;» reconhecer os principais avanços da educação Ambiental no campo da legislação;
 » ter a clareza de que a história da educação Ambiental continua por meio de nossas 
atitudes e posturas, a partir do que realizamos na área em um processo de construção 
permanente.
3
AUlA
A TRAjETóRIA DA EA: DAS GRANDES 
CONFERêNCIAS à POLíTICA 
NACIONAL (LEI Nº 9.795/1999)
27
A TRAjETóRIA DA EA: DAS GRANDES CONFERêNCIAS à POLíTICA NACIONAL (LEI Nº 9.795/1999) • AUlA 3
Analisando a Trajetória da Educação Ambiental
Disponível em: <http://www.autossustentavel.com/2014/06/tempo-vou-te-fazer-um-pedido.html>. 
Acesso em: 10 dez. 2015.
o surgimento da educação ambiental se dá a partir do final da década de 60, sob a influência da 
contracultura e dos movimentos sociais que reivindicam melhor qualidade de vida e questionam 
o padrão de desenvolvimento da sociedade ocidental. nesse momento, a educação Ambiental 
desponta como alternativa, mas, sobretudo, como uma importante estratégia na busca de saídas 
possíveis para a procura de novos rumos que possam dar conta de nossa trajetória comum, que 
deverá passar a ser sustentada, agora, desde a tomada de consciência de que o planeta vive uma 
crise sem precedentes em sua história. 
As grandes conferências
As décadas de 70 e 80
no cenário oficial, a educação Ambiental 
é lançada em 1972, na Conferência das 
nações Unidas para o Ambiente Humano, 
em estocolmo, suécia. Assim, essa atividade 
passa a ser uma importante ferramenta na 
construção de um futuro necessariamente 
sustentável e comum a todos. A partir desse 
pressuposto, o mundo observa a importância 
premente de tratar a educação Ambiental 
como uma espécie de alvo de uma série de 
importantes encontros de autoridades internacionais. Ainda na conferência de estocolmo, 
em 1968, a recomendação 96, resultante do documento final da conferência, afirmava que o 
desenvolvimento da educação Ambiental é o elemento crítico para o combate à crise ambiental 
do mundo, sendo de grande importância estratégica dentro dos esforços de busca de melhoria 
de qualidade de vida (diAs, 1992).
Saiba mais
Conferência da Biosfera (1968):
Antes da Conferência de estocolmo em 1972, já havia 
ocorrido a Conferência da Biosfera em Paris no ano de 
1968. essa conferência marcou a primeira vez que os povos 
e governos do mundo se reuniram para discutir a Biosfera 
como preocupação internacional. nessa conferência, já se 
percebia certa ênfase na aplicação e nos desenvolvimentos 
de Programas em educação Ambiental.
28
AUlA 3 • A TRAjETóRIA DA EA: DAS GRANDES CONFERêNCIAS à POLíTICA NACIONAL (LEI Nº 9.795/1999)
A partir desse momento, decidiu-se que se faria um grande encontro internacional para se 
tratar da implementação da educação Ambiental no mundo, o que ocorreu em Belgrado na ex–
iugoslávia, em 1975. na conferência de Belgrado, como ficou conhecido esse primeiro marco, 
foram formulados princípios e orientações para o ProgrAMA MUndiAl de edUCAÇÃo 
AMBienTAl, documento esse conhecido como CArTA de BelgrAdo, que marca um passo 
importante e traz uma proposta ética alternativa para a crise global.
Saiba mais
Que tal conhecer melhor a famosa CArTA de BelgrAdo 1975? Veja por meio de tópicos como a educação Ambiental foi 
pensada neste famoso documento:
Objetivos da educação ambiental
Consciência: adquirir maior sensibilidade e consciência do meio ambiente em geral e dos problemas decorrentes;
Conhecimento: adquirir uma compreensão básica do meio ambiente, em sua totalidade, dos problemas conexos, e da 
presença e função da humanidade nele, o que justifica uma responsabilidade crítica;
Atitudes: adquirir valores sociais, um profundo interesse pelo meio ambiente, e a vontade de participar ativamente em sua 
proteção e melhoramento;
Aptidões: adquirir aptidões necessárias para resolver os problemas ambientais;
Capacidade de Avaliação: avaliar as medidas e os programas de educação Ambiental em função dos fatores ecológicos, 
políticos, econômicos, sociais, estéticos e educacionais;
Participação: desenvolver seu sentimento de responsabilidade e tomar consciência da urgente necessidade de prestar 
atenção aos problemas do meio ambiente, para assegurar que se adotem medidas adequadas.
Disponível em: < http://www.meioambiente.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=71 >. Acesso em: 21 ago. 2017. 
Três anos depois de estocolmo, foi criado o ProgrAMA inTernACionAl de edUCAÇÃo 
AMBienTAl (PieA), em conjunto com a UnesCo, que atua promovendo cursos, programas de 
capacitação e formação, eventos, além de produzir informativos e publicações sobre o assunto no 
mundo. o PieA é também o responsável pela importante publicação Environmental Education 
Series, que relata experiências de todo o mundo, e do boletim periódico Contacto, distribuído 
em várias línguas para todos os continentes.
A partir daí, seguindo recomendações da UnesCo e do PnUMA, foi organizada a Conferência 
de Tbilisi (atual geórgia, na antiga União das repúblicas socialistas soviéticas – Urss) em 1977, 
conhecida como a “Primeira Conferência intergovernamental sobre educação Ambiental”, onde 
foram traçados os principais fundamentos, recomendações, objetivos e estratégias de ação. 
Constitui-se um dos principais documentos produzidos, no qual estão as principais orientações 
pedagógicas e sugestões estratégicas para o desenvolvimento da educação Ambiental, sendo até 
hoje considerado um importante instrumento, indispensável à consulta.
29
A TRAjETóRIA DA EA: DAS GRANDES CONFERêNCIAS à POLíTICA NACIONAL (LEI Nº 9.795/1999) • AUlA 3
na Conferência de Tbilisi, a educação Ambiental foi definida como uma dimensão da educação 
com uma orientação específica. Vejamos sua definição:
[...] uma dimensão dada ao conteúdo e à prática da educação, orientada para 
a resolução dos problemas concretos do meio ambiente através de enfoques 
interdisciplinares, e de uma participação ativa e responsável de cada indivíduo 
e da coletividade (diAs, 1992 p. 31).
durante a década de 70, vários acordos foram ratificados pelos governos de diversos países, 
mostrando uma mobilização em quase todo o mundo com a questão ambiental, sobretudo 
com a educação Ambiental, considerada primordial e de relevante interesse nacional em vários 
países, que a incluíram em seus planos e estratégias nacionais. 
no Brasil, o quadro, no entanto, era bastante diferente. refletindo a posição dos países ditos “em 
desenvolvimento”, a preocupação com a questão ambiental se fazia sentir como um freio para o 
franco processo de desenvolvimento almejado pela política militarista de então. logo, a política 
brasileira desde cedo mostrou-se avessa às tendências preservacionistas mundiais, que eram 
percebidas de forma antagônica, como verdadeiras inimigas do desenvolvimento. 
Após quase duas décadas de atraso, depois de difíceis negociações e pressões internacionais, 
o governo brasileiro começa os primeiros movimentos de aceitação das novas tendências 
mundiais, e apenas durante a década de 80 o país começa a promover uma série de medidas 
a fim de regulamentar a Política nacional de Meio Ambiente. Mediante a lei no 6.938, de 31 de 
agosto de 1981, aprovou-se a criação do sistema nacional de Meio Ambiente (sisnAMA), do 
Conselho nacional de Meio Ambiente (ConAMA) e do Cadastro Técnico Federal de Atividades 
e instrumentos de defesa Ambiental.
o ConAMA define a educação Ambiental como “um processo de formação e informação, orientado 
para o desenvolvimento da consciência crítica sobre as questões ambientais, e de atividades que 
levem à participação das comunidades na preservação do equilíbrio ambiental” (MoTA JÚnior, 
2009).
na lei nº 6.938/1981, a educação Ambiental aparece no art. 2º, inc. X, onde se lê: “educação 
ambiental a todos os níveis do ensino, inclusive a educação da comunidade, objetivando capacitá-
la para a participação ativana defesa do meio ambiente”.
em 1986, é realizado o i seminário sobre Universidade e Meio Ambiente, na Universidade de 
Brasília (UnB), onde surgem importantes resoluções e sugestões, sendo considerado como um 
dos primeiros e principais documentos gerados por experiências brasileiras. o ano de 1988 é 
marcado pela Assembleia nacional Constituinte, a primeira após o extenso período de regime 
militar autoritário. os constituintes começam a se preocupar com as questões de meio ambiente 
e criam uma comissão parlamentar para debater a questão com a participação popular. é 
30
AUlA 3 • A TRAjETóRIA DA EA: DAS GRANDES CONFERêNCIAS à POLíTICA NACIONAL (LEI Nº 9.795/1999)
promulgada, então, a Constituição da república Federativa do Brasil, contendo um capítulo 
para tratar a questão ambiental, no qual se pode ler, no capítulo Vi, art. 225, inc. Vi: “Promover 
a Educação Ambiental em todos os níveis e a conscientização pública para a preservação do meio 
ambiente”. 
no ano seguinte, é criado o instituto 
Brasileiro do Meio Ambiente e dos recursos 
naturais renováveis (iBAMA), por meio da 
junção de outros órgãos públicos. o iBAMA 
cria então a divisão de educação Ambiental 
(died), que passa a ser responsável pelos 
núcleos de educação Ambiental (neAs) nos estados, cuja função é elaborar projetos, divulgar e 
desenvolver atividades sobre o assunto. 
Os anos 90 – o início da participação do empresariado:
A onU declara 1990 o Ano inTernACionAl do Meio AMBienTe, e o Brasil se prepara para 
sediar o mais importante evento governamental já ocorrido no país, a rio-92, ou Conferência das 
nações Unidas para o Meio Ambiente e desenvolvimento (CnUMAd), oficialmente denominada 
“Conferência de Cúpula da Terra”. 
ocorrida no rio de Janeiro, em junho de 1992, a reunião contou com representantes de 182 países, 
e 103 chefes de estado estiveram presentes, aprovando cinco acordos oficiais internacionais: 
a declaração do rio sobre Meio Ambiente e desenvolvimento ou Carta do rio; a Agenda 21; a 
declaração das Florestas; a Convenção-Quadro sobre Mudanças climáticas e a Convenção sobre 
Biodiversidade.
Paralelamente ao evento oficial que ocorria afastadamente, em local de acesso restrito, no rio 
Centro, estava acontecendo um megaevento popular, de proporções ainda maiores. o Fórum 
global, como ficou conhecido, reuniu cerca de 10.000 organizações não governamentais (ongs), 
que se aglomeraram debaixo de imensas tendas para discutirem os problemas que atingiam o 
mundo de então. Foi o primeiro encontro popular a reunir representantes de todas as partes 
do mundo com vistas a discutir seus problemas. durante 15 dias, o rio de Janeiro presenciou a 
deliberação de importantes tratados aprovados pelas ongs em discussões abertas ao público. 
entre os Tratados, destaca-se o Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis e 
Responsabilidade Global resultante dos trabalhos da Jornada internacional de educação Ambiental, 
um dos documentos mais importantes produzidos para a área, no qual podem ser encontrados 
princípios, plano de ação, sistema de coordenação, monitoramento e avaliação, grupos a serem 
envolvidos e recursos. A elaboração do Tratado foi um esforço coletivo conseguido em função 
da coordenação de Moema Viezzer e omar ovalles, que lançaram, em 1995, o Manual Latino 
Para refletir
Você percebeu quantas definições existem para educação 
Ambiental e como elas foram se aperfeiçoando ao longo de cada 
conferência? Com qual definição você se identificou mais?
31
A TRAjETóRIA DA EA: DAS GRANDES CONFERêNCIAS à POLíTICA NACIONAL (LEI Nº 9.795/1999) • AUlA 3
Americano de Educação Ambiental, um valioso livro contendo sugestões metodológicas de ação. 
segundo Pedrini (1998, p. 24), esse Tratado, “enriquece os já existentes e difere deles pelo fato de 
ter sido produzido pelo homem comum, e ser fruto de calorosas discussões entre educadores”.
em 1993, o iBAMA divulga uma cartilha básica sobre a educação Ambiental em que aparece a 
seguinte definição oficial:
A educação Ambiental é um processo permanente no qual os indivíduos e a comunidade tomam 
consciência de seu meio ambiente e adquirem conhecimentos, valores, habilidades, experiências 
e determinação que os tornam aptos a agir – individual e coletivamente – e resolver problemas 
ambientais presentes e futuros (PreFeiTUrA do rio de JAneiro, 2017, p. 1).
durante o ano de 1994, o rio de Janeiro sedia o i encontro Brasileiro de Ciências Ambientais, no 
qual são apresentados vários trabalhos na área ambiental, inclusive em educação Ambiental. 
esse encontro constitui-se um marco inicial, fundando um foro de debates acadêmicos, sendo 
seus anais uma rica fonte de pesquisa e informação. 
Ainda em 94, o iBAMA cria o Programa 
nacional de educação Ambiental (PneA), 
lançando em 95 as “diretrizes de educação 
Ambiental” (deA), que prevê a criação do 
Programa de estudos e Pesquisas em educação 
Ambiental (PePeA). esse programa ainda não 
foi cumprido, assim como o PneA e o deA, 
que faltam ser implementados plenamente. 
os anos de 1995 e 1996 assistem à mobilização das ongs brasileiras de uma forma mais eficaz 
e madura. As ongs se organizam, elaboram seus estatutos e começam a funcionar através 
de projetos. Vários desses projetos têm um caráter preparatório para a implementação e o 
desenvolvimento das Agenda 21 locais.
A realização da eCo–Aplicada 95, iV encontro latino-Americano de educadores Ambientais, 
também no rio, dá indicações dos movimentos e articulações das ongs e do Poder Público para 
tornar realidade o projeto Agenda 21. nesse ano, fortalecem-se as redes de educação Ambiental, 
sendo são Paulo o ponto de maior profusão delas.
Assim, por esforços coletivos, algumas cidades brasileiras, por meio de suas prefeituras e dos 
movimentos sociais, já começavam, a passos largos, a implementar, em 1997, o programa da 
Agenda 21 local, em suas regiões. e durante a rio+5, em março de 97, Conferência que visava a 
debater os avanços realizados nos cinco anos após a rio-92, algumas experiências já puderam ser 
mostradas. no rio de Janeiro, destacam-se as atuações das ongs defensores da Terra, grUde 
(grupo de defesa ecológica), iser (instituto de estudos da religião), roda Viva, entre outras.
sugestão de estudo
Um dos documentos mais conhecidos na área de educação 
Ambiental é o “Tratado de educação Ambiental para 
sociedades sustentáveis e responsabilidade global”, 
desenvolvido no Fórum Paralelo durante a rio-92. Para 
maiores informações, acesse o site <http://portal.mec.gov.
br/secad/arquivos/pdf/educacaoambiental/tratado.pdf> 
data de Acesso: 21/08/2017.
32
AUlA 3 • A TRAjETóRIA DA EA: DAS GRANDES CONFERêNCIAS à POLíTICA NACIONAL (LEI Nº 9.795/1999)
em 97, também se celebrou a aprovação da nova lei de diretrizes e Bases da educação (ldB), 
de autoria do antropólogo, educador e senador darcy ribeiro, falecido no mesmo ano. A nova 
ldB, ou lei darcy ribeiro, como ficou conhecida, coloca a educação Ambiental no currículo 
básico escolar como disciplina pedagógica complementar aos 20% adicionais de carga horária 
adicionados por lei para o ensino básico. Para alguns educadores, a lei darcy ribeiro é considerada 
um retrocesso por colocar a educação Ambiental como uma disciplina a mais, não correspondendo 
às premissas sugeridas de interdisciplinaridade e participação voluntária. 
no entanto, a realidade do país evidencia a necessidade de uma organização mais formal para 
que a educação Ambiental se torne viável e exequível; além do mais, a lei permite a flexibilidade 
desse ponto para as situações em que é possível a interdisciplinaridade; por outro lado, alguns 
educadores consideram a educação Ambiental a nova forma da educação em si, em razão de 
suas características. 
o ano de 1998 foi marcado pela grande produção de importantes publicações na área, incluindo 
trabalhos inéditos contandoa trajetória da educação Ambiental no Brasil e as reflexões sobre 
algumas experiências práticas já desenvolvidas, como o importante trabalho organizado por 
Pedrini (1998), que reúne textos de diversos autores da área. A pesquisa nacional “o que o 
brasileiro pensa do meio ambiente, do desenvolvimento e da sustentabilidade” trouxe as análises 
quantitativas e qualitativas de entrevistas realizadas com lideranças atuantes da área ambiental, 
tais como empresários, políticos, membros de movimentos sociais, cientistas, entre outros. 
o ano de 1999 é marcado pela consolidação das redes e de encontros regionais, além de uma 
intensa produção de coletâneas de artigos publicados em livros. Conferências e encontros 
científicos também marcam esse ano que viu ser sancionada a lei de educação ambiental, 
instituindo-a como disciplina obrigatória em todos os níveis de ensino e também como uma 
saudável polêmica ainda hoje discutida sem um consenso por muitos educadores ambientais.
A recente lei de educação ambiental, que teve a participação da sociedade civil em sua elaboração, 
trouxe consequências no estado do rio de Janeiro bastante interessantes no que diz respeito 
à consolidação dos setores militantes na educação ambiental regional. grupos ambientalistas 
militantes passaram a ter mais coesão e interação entre si, buscando, via internet, uma articulação 
maior dos esforços. Uma importante rede foi montada, chamada eAlatina, em que diariamente 
cerca de 70 pessoas estão conectadas em rede, trocando informações sobre a área de interesse.
Além dessa rede, podem ser encontrados hoje mais de centenas sites sobre educação ambiental 
na internet, a maioria mantida por ongs, embora também haja universidades, órgãos públicos 
e empresas especializadas em oferecer o serviço de implementação de programas de educação 
ambiental.
33
A TRAjETóRIA DA EA: DAS GRANDES CONFERêNCIAS à POLíTICA NACIONAL (LEI Nº 9.795/1999) • AUlA 3
O início de um novo milênio
no ano de 2000, a então criada Coordenação geral de educação Ambiental (CoeA), do Ministério 
da educação, promove uma importante teleconferência sobre os Parâmetros Curriculares em Ação 
sobre o Meio Ambiente (PAMA), na qual participam mais de 1.500 escolas em todo o território 
nacional. em 2001, a CoeA promove o seminário nacional de educação Ambiental, reunindo 
secretarias de educação Municipais e estaduais e instituições em todo o país, investindo na 
disseminação dos PCns que utilizam a problemática ambiental como tema transversal.
em 2002, ocorre, em Joanesburgo, na África 
do sul, a iii Conferência internacional 
sobre Meio Ambiente e desenvolvimento, 
conhecida como a RIO+10. esse encontro foi 
o que obteve o maior quórum entre fóruns de 
debates promovidos pela onU, contou com 
a presença de 226 chefes de estado. Muitos 
consideraram o encontro um fracasso por 
frustrar as intenções dos ambientalistas, no 
que diz respeito à consignação de importantes 
tratados, como a Convenção do Clima e da 
Biodiversidade, por parte das nações mais 
ricas. Além disso, a educação Ambiental foi 
discutida minimamente em um grupo de 
trabalho liderado pela comitiva brasileira, 
as nossas 100 melhores experiências foram 
apresentadas e o Brasil despontou como 
liderança e referência em questões ambientais 
no ponto de vista jurídico e em educação 
Ambiental. Uma contradição que nos faz indagar se estamos fazendo, mais uma vez, a conhecida 
“política para inglês ver”.
dando um salto no tempo, aconteceu, em 2012, a rio+20, A Conferência das nações Unidas 
sobre desenvolvimento sustentável (CnUds) de 13 a 22 de junho na cidade do rio de Janeiro. 
A rio+20 foi assim conhecida porque marcou os vinte anos de realização da Conferência das 
nações Unidas sobre Meio Ambiente e desenvolvimento (rio-92) e contribuiu para definir 
a agenda do desenvolvimento sustentável para as próximas décadas. A conferência teve três 
objetivos principais: a) a promoção da economia verde; b) a tomada de ações no contexto do 
desenvolvimento sustentável; e c) a adoção de maneiras visando ao fim da pobreza. durante 
a ii Jornada internacional de educação Ambiental, foi elaborado o Plano de Ação do Tratado 
Saiba mais
na rio+10, apesar das vitórias no que se refere a questões 
relativas ao saneamento, chegou-se a um consenso 
para que fosse reduzido pela metade até 2015 o número 
de pessoas sem acesso a saneamento básico e para 
o estabelecimento de um acordo sobre patentes no 
âmbito da oMC, no qual países pobres não poderiam 
ser impedidos de ter acesso a medicamentos essenciais. 
no entanto, o que se viu foi muito mais o cinismo das 
diplomacias, que pouco contribuíram para o avanço 
na conferência e que fizeram com que muitos acordos 
acabassem ficando um tanto vagos e com validade 
questionável.
Para refletir
de todos os eventos citados, quais seriam aqueles que você 
destacaria como os mais importantes para a consolidação 
da educação Ambiental? Procure justificar sua escolha.
34
AUlA 3 • A TRAjETóRIA DA EA: DAS GRANDES CONFERêNCIAS à POLíTICA NACIONAL (LEI Nº 9.795/1999)
de educação Ambiental para sociedades sustentáveis e responsabilidade global, que inclui a 
formação de uma rede Planetária de educação Ambiental.  
Contudo, os resultados da Conferência não foram o esperado. os impasses, principalmente 
entre os interesses dos países desenvolvidos e dos em desenvolvimento, acabaram frustrando os 
objetivos da Conferência. o documento final apresenta várias intenções e adia para os próximos 
anos a definição de medidas práticas para garantir a proteção do meio ambiente. não foram 
poucos os analistas que disseram que a crise econômica mundial, principalmente nos estados 
Unidos e na europa, prejudicou as negociações e as tomadas de decisão práticas.
lembre-se de que os próximos capítulos dessa 
história – e quem sabe até os mais importantes 
– podem ainda não estar escritos. ou melhor, 
poderão ser escritos por você, seu grupo, seu 
trabalho, enfim, por todos aqueles que desejam 
se comprometer com a construção de um mundo 
melhor.
Vejamos, agora, um pouco de legislação 
Ambiental:
Introdução à Legislação Ambiental
existem várias leis brasileiras que representam avanços importantes na luta pela construção de 
uma nova relação entre homem e meio ambiente pautada em princípios de sustentabilidade. 
Vejamos aqui algumas das principais e mais importantes quando o assunto é educação Ambiental.
Sugestão de leitura
no site <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l6938.htm>, você irá encontrar a lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, 
referente à Política nacional do Meio Ambiente na íntegra. não deixe de ler.
1. Uma das primeiras leis que cita a educação ambiental é a lei nº 6.938, de 31 de agosto 
de 1981, que institui a PolÍTiCA nACionAl do Meio AMBienTe. essa lei aponta para 
a necessidade de que a educação Ambiental seja oferecida “a todos os níveis de ensino, 
inclusive a educação da comunidade, objetivando capacitá-la para uma participação 
ativa na defesa do meio ambiente”.
2. o decreto nº 88.351/1983 regulamentou essa lei conferindo sua competência ao poder 
público.
Provocações
o livro “educação Ambiental: Princípios e Práticas”, de 
genebaldo Freire dias, é uma das principais referências 
sobre a história da educação Ambiental. Boa parte do 
histórico aqui relatado está baseado na obra do autor. 
seu livro reúne a íntegra de importantes documentos 
internacionais e nacionais, permitindo a acessibilidade 
da informação sobre o assunto para um maior número 
de pessoas. Assim vale a pena lê-lo.
35
A TRAjETóRIA DA EA: DAS GRANDES CONFERêNCIAS à POLíTICA NACIONAL (LEI Nº 9.795/1999) • AUlA 3
3. em 1985, foi criada a lei nº 7.347/85, que regulamentou a ação civil pública por danos 
causados ao meio ambiente e aos bens e direitos de valor artístico, paisagístico, estético 
e histórico. A partir dela, qualquercidadão que testemunhasse um crime ambiental 
poderia mover uma ação contra o agente, denunciando, assim, o ocorrido.
4. A ConsTiTUiÇÃo FederAl do BrAsil, promulgada no ano de 1988, uma das mais 
avançadas do mundo do ponto de vista ambiental, estabelece, em seu artigo 225, que:
Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso 
comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder 
Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e 
futuras gerações (BrAsil, 1988).
Cabendo ao Poder Público “promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino 
e a conscientização pública para a preservação do meio ambiente”.
5. A lei de direTriZes e BAses dA edUCAÇÃo, lei nº 9.394, de 20 de deZeMBro de 
1996, reafirma os princípios definidos na Constituição com relação à educação Ambiental: 
A educação Ambiental será considerada na concepção dos conteúdos curriculares 
de todos os níveis de ensino, sem constituir disciplina específica, implicando 
desenvolvimento de hábitos e atitudes sadias de conservação ambiental e respeito 
à natureza, a partir do cotidiano da vida, da escola e da sociedade (BrAsil, 1996).
no âmbito da educação Ambiental Formal, o ano de 1997, no qual foram divulgados 
os novos PArÂMeTros CUrriCUlAres nACionAis (PCns), representa um marco 
importante para a educação Ambiental. os PCns foram desenvolvidos pelo MeC com o 
objetivo de fornecer orientação para os professores. A proposta é que eles sejam utilizados 
como “instrumento de apoio às discussões pedagógicas na escola, na elaboração de projetos 
educativos, no planejamento de aulas e na reflexão sobre a prática educativa e na análise 
do material didático”. os PCns enfatizam a interdisciplinaridade e o desenvolvimento 
da cidadania entre os educandos; a partir do estabelecimento de alguns temas especiais, 
têm de ser discutidos pelo conjunto das disciplinas da escola, não devendo se constituir 
em disciplinas específicas. são os chamados temas transversais. 
o grande avanço da educação Ambiental no plano formal foi o reconhecimento, 
juntamente com os demais temas transversais definidos pelos PCns – ética, saúde, 
orientação sexual e pluralidade cultural –, do meio ambiente como um deles. Tal 
reconhecimento deixava claro que o meio ambiente não podia mais ser compreendido 
a partir de uma visão reducionista, apenas como uma área ligada à Biologia, às Ciências 
ou à geografia, mas, sim, uma temática interdisciplinar que atravessa todos os campos 
de conhecimento merecendo ser amplamente estudada e analisada pelas diferentes 
áreas, sem exceção. Tal posição reitera posicionamentos assumidos pelo movimento 
36
AUlA 3 • A TRAjETóRIA DA EA: DAS GRANDES CONFERêNCIAS à POLíTICA NACIONAL (LEI Nº 9.795/1999)
ambientalista de que a educação Ambiental não pode ser entendida e aplicada a partir de 
uma visão disciplinar, ratificando a necessidade de que essa supere a típica fragmentação 
do conhecimento e considere sua aplicabilidade a partir das esferas local e global.
o Volume 9 dos PCns, o qual se refere mais especificamente às questões de ordem 
ambiental, esclarece que “as questões ambientais não se referem apenas à proteção da 
vida no planeta, mas também à melhoria do meio ambiente e da qualidade de vida nas 
comunidades” (PCns, vol. 9, p. 23). 
os PCns definem a educação Ambiental como uma proposta revolucionária que, se 
bem empregada, “pode levar a mudanças de comportamento pessoal de atitudes e de 
valores de cidadania que podem ter fortes consequências sociais” (PCns, vol. 9, p. 27).
Apenas para se ter uma ideia da importância que os PCns deram à educação Ambiental, 
veja como esta foi pensada no que diz respeito aos seus objetivos no ensino Fundamental, 
oferecendo aos alunos:
 › conhecimento e compreensão integrada de noções básicas de meio ambiente;
 › adoção de posturas sustentáveis em casa e na escola compatíveis com essa compreensão;
 › observação e análises críticas de fatos e situações ambientais pertinentes ao tema;
 › percepções de fenômenos de causa e efeito na natureza importantes para a compreensão 
do meio ambiente e de seus diferentes ecossistemas;
 › domínio de procedimentos de conservação e manejo de recursos naturais;
 › percepção e valorização da diversidade natural e sociocultural;
 › identificação pessoal como parte integrante do meio ambiente.
6. em fevereiro de 1989, o governo criou o insTiTUTo BrAsileiro do Meio AMBienTe 
e dos reCUrsos renoVÁVeis (iBAMA), resultante da união de vários órgãos (SEMA, 
SUDEPE, IBDF e SUDHEVEA). esse órgão ficou encarregado de formular, coordenar e 
executar a política ambiental. Com a junção de órgãos, pela primeira vez associou-se 
no país proteção ambiental e conservacionismo de recursos naturais;
notando o avanço do ambientalismo nos países do norte e a popularidade conquistada 
em relação às questões ambientais, o então governo Collor (1990) percebeu que a 
ênfase nas questões ambientais deveria ser uma de suas principais bandeiras na busca 
de uma parceria mais sólida com os países do norte e na manutenção de uma opinião 
pública favorável. ex.: a nomeação do engenheiro agrônomo lutzemberger para o cargo 
de secretário do Meio Ambiente. A eco-92 trouxe consigo a possibilidade de impor 
uma projeção internacional do governo Collor, fazendo com que o país mostrasse na 
37
A TRAjETóRIA DA EA: DAS GRANDES CONFERêNCIAS à POLíTICA NACIONAL (LEI Nº 9.795/1999) • AUlA 3
conferência uma face ambiental nunca antes vista em nenhuma anterior, posicionando-
se como um dos países líderes na elaboração da Convenção da Biodiversidade, sendo 
bastante favorável à Convenção sobre Mudança Climática e assumindo posições a favor 
das estratégias de desenvolvimento sustentável apresentadas na Agenda 21, que, como 
veremos em capítulo posterior, deve ser entendida como um plano de ação mundial 
dos países rumo ao desenvolvimento sustentável. é um documento de mais de 600 
páginas dividido em 40 capítulos. Quanto às convenções citadas, podemos entendê-las, 
resumidamente, da seguinte forma:
 › ConVenÇÃo dAs MUdAnÇAs CliMÁTiCAs: estabelece a necessidade de realização 
de mais estudos sobre os efeitos das descargas de gases na atmosfera e propõe a 
cooperação entre países para que sejam socializadas tecnologias limpas de produção 
reduzindo sensivelmente a emissão de gases na atmosfera responsáveis pela promoção 
do efeito estufa.
 › ConVenÇÃo dA BiodiVersidAde: garante a soberania dos estados na exploração 
dos seus recursos biológicos e estabelece a necessidade de criação de incentivos 
financeiros para que os estados detentores da biodiversidade tenham como cuidar de 
sua conservação. o documento traz, em linhas gerais, como conservar a diversidade 
biológica em cada país de maneira sustentável. destaca-se o Protocolo de Biossegurança, 
que permite que países deixem de importar produtos que contenham organismos 
geneticamente modificados.
7. em dezembro de 1994, o governo Brasileiro criou o ProgrAMA nACionAl de 
edUCAÇÃo AMBienTAl (ProneA). o programa previu três componentes: Capacitação 
de gestores e educadores, desenvolvimento de Ações educativas e desenvolvimento 
de instrumentos e Metodologias, estabelecendo-se sete linhas de ação como parte da 
proposta de uma ação nacional, a ser desenvolvida diretamente, ou através dos estados, 
que seriam incentivados a iniciar seus processos de elaboração de Programas estaduais 
de educação Ambiental. As diretrizes são:
 › transversalidade;
 › fortalecimento do SISNAMA;
 › fortalecimento dos sistemas de ensino;
 › sustentabilidade;
 › descentralização espacial e institucional;
 › participação e controle social.
A execução das propostas do ProneA foi dividida entre a Coordenação de educação 
Ambiental do MeC, cuja ação volta-se mais ao sistema de ensino, em todos os níveis, 
38
AUlA 3• A TRAjETóRIA DA EA: DAS GRANDES CONFERêNCIAS à POLíTICA NACIONAL (LEI Nº 9.795/1999)
e os setores correspondentes no MMA/iBAMA, com atuação, sobretudo, na vertente 
gestão Ambiental para outros públicos.
8. em 1998, o governo brasileiro sanciona a lei nº 9.605/98 - lei dos CriMes AMBienTAis 
(lCA). A lCA atendeu parcialmente a reivindicação dos ambientalistas e tratou a questão 
ambiental sob um enfoque de grande angulação ao reunir em um só texto legal, dividido 
em cinco seções, delitos que estavam espalhados por diversas legislações, tais como o 
Código Florestal, Código de Pesca, Código de Caça, Código de Mineração, dispositivos 
do Código Penal, etc. Tipificaram-se os crimes contra a fauna, a flora, a poluição, o 
ordenamento Urbano e o Patrimônio Cultural, além de serem previstos os crimes contra 
a Administração Ambiental.
Um outro fator importante na regulamentação 
dos dispositivos da lCA foi a Publicação 
do decreto nº 3.179/1999, segundo o qual 
estabelece literalmente as modalidades de 
penas e institui valores às multas a serem 
aplicadas a cada conduta. esse decreto foi 
publicado com o objetivo de regulamentar 
e facilitar a aplicação da lei dos crimes 
ambientais. Tal dispositivo legal penal causou grande impacto na sociedade brasileira, 
principalmente pelo fato de estabelecer penalidades mais rigorosas e sanções pecuniárias 
extremamente altas. Após a publicação da lei nº 9.605/1998, o cidadão brasileiro passou 
a repensar as suas condutas que até então estavam acobertadas por penalidades brandas.
9. o ano de 1999 é considerado um marco na educação Ambiental. isso porque é sancionada, 
no dia 27 de abril, a lei nº 9.795, que institui a Política Nacional de Educação Ambiental. 
essa é a mais recente e a mais importante lei para a educação Ambiental. nela, estão 
definidos os princípios relativos à educação Ambiental que deverão ser seguidos em 
todo o País. essa lei foi regulamentada em 25 de junho de 2002, por meio do decreto nº 
4.281, retomando algumas das ideias defendidas em vários encontros e Conferências 
nos âmbitos nacional e internacional. 
essa lei estabelece que todos têm direito à educação ambiental. lembrando que educação 
Ambiental é definida como:
os processos por meio dos quais o indivíduo e a coletividade constroem valores 
sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a 
conservação do meio ambiente, bem de uso comum do povo, essencial à sadia 
qualidade de vida e sua sustentabilidade. Para tal esta deve ser entendida como 
um: componente essencial e permanente da educação nacional, devendo estar 
Sugestão de estudo
A nova lei de CriMes AMBienTAis é 
constituída de 82 artigos, reunidos em Viii 
capítulos. Para acessá-la na íntegra, entre no site 
<http://www.mma.gov.br/port/gab/asin/lei.
html>.
39
A TRAjETóRIA DA EA: DAS GRANDES CONFERêNCIAS à POLíTICA NACIONAL (LEI Nº 9.795/1999) • AUlA 3
presente em todos os níveis e modalidades do processo educativo, em caráter 
formal e não formal (BrAsil, 1999).
Política Nacional de Educação Ambiental
As diretrizes expressas na Política nacional de educação Ambiental (eA), definida pela lei nº 
9.795, de 27 de abril de 1999, trazem orientações quanto aos princípios, aos objetivos, às linhas 
de atuação e às estratégias de implementação da eA. Por isso, ela é considerada uma das maiores 
conquistas na área do ponto de vista legal.
nas escolas, como já sabemos, a educação ambiental deverá estar presente em todos os níveis de 
ensino, como tema transversal, sem constituir disciplina específica, como uma prática educativa 
integrada, envolvendo todos os professores, que deverão ser treinados para incluir o tema nos 
diversos assuntos tratados em sala de aula. A dimensão ambiental deve ser incluída em todos os 
currículos de formação dos professores. os professores em atividade deverão receber formação 
complementar. enquanto uma instituição produtora de conhecimentos e formadora de opiniões, 
a escola assume um papel preponderante na concretização dos objetivos legais como esses que 
estamos estudando aqui. o ideal é que o processo de conscientização ecológica comece cedo 
em um trabalho de base com as crianças, as quais crescerão e se desenvolverão pautadas em 
ideais de sustentabilidade e respeito ao ambiente do qual são parte integrante.
de acordo com a lei nº 9.795, de 27 de abril de 1999, fazem parte dos PrinCÍPios BÁsiCos da 
educação ambiental:
 » o enfoque holístico, democrático e participativo;
 » a concepção do meio ambiente em sua totalidade, considerando a interdependência 
entre o meio natural, socioeconômico e o cultural;
 » o pluralismo de ideias e concepções pedagógicas;
 » a permanente avaliação crítica do processo educativo;
 » a abordagem articulada das questões ambientais locais, regionais, nacionais e globais;
 » a vinculação entre ética, educação, trabalho e práticas sociais;
 » o reconhecimento e o respeito à pluralidade e à diversidade individual e cultural.
são oBJeTiVos FUndAMenTAis da educação ambiental, definidos na referida lei (entre outros):
 » democratização das informações;
 » fortalecimento da consciência crítica sobre a problemática socioambiental;
40
AUlA 3 • A TRAjETóRIA DA EA: DAS GRANDES CONFERêNCIAS à POLíTICA NACIONAL (LEI Nº 9.795/1999)
 » incentivo à participação individual e coletiva, de forma permanente e responsável na 
preservação do meio ambiente;
 » fortalecimento da cidadania, da autodeterminação dos povos e da solidariedade;
 » desenvolvimento de uma compreensão integrada do meio ambiente em suas múltiplas 
e complexas relações.
Resumo
nesta aula:
 » conhecemos os principais eventos históricos que marcaram a trajetória da educação 
Ambiental;
 » entendemos o quanto a realização de tais eventos, provocados por pressões de vários 
lados, estimulou o desenvolvimento da educação Ambiental;
 » aproveitamos para entender melhor o conceito de educação Ambiental, sua amplitude 
e complexidade;
 » compreendemos que outros encontros e conferências na área virão, mas, se os 
compromissos assumidos não forem efetivados, continuaremos com a mesma situação 
de crise ambiental que ora vivenciamos;
 » estudamos algumas das principais vitórias da educação Ambiental do Brasil no campo 
da legislação Ambiental;
 » examinamos particularmente a Política nacional de educação Ambiental (lei nº 9.795/99).
41
Apresentação
na aula anterior, acompanhamos o amadurecimento não apenas da educação Ambiental, 
mas, também, da forma como o meio ambiente foi sendo encarado pelo homem em função da 
gravidade dos problemas ambientais gerados principalmente devido à ação humana. 
nesta aula, conheceremos as diferentes esferas da educação Ambiental e, a partir do seu 
entendimento, esclarecemos por que a educação Ambiental é um importante caminho de reação 
ao quadro de crise ambiental na qual a humanidade se encontra mergulhada.
Objetivos
esperamos que, após o estudo do conteúdo desta aula, você seja capaz de:
 » diferenciar e reconhecer os diferentes âmbitos da educação Ambiental;
 » compreender melhor os potenciais de reação das diferentes esferas da educação 
Ambiental ao quadro de crise ambiental que o planeta vive;
 » experimentar práticas de educação Ambiental sugeridas em seus diferentes âmbitos;
 » refletir sobre em que âmbito de educação Ambiental poderia contribuir mais;
 » entender o conceito de impacto ambiental e sua importância dentro da educação 
Ambiental;
4
AUlA
DifErEntEs EsfErAs, 
Um mESmO ObjETIvO
42
AUlA 4 • DifErEntEs EsfErAs, um mEsmO ObjEtivO
em aula anterior, vimos que existem três níveis operacionais da educação Ambiental 
correspondentes a suas esferas de atuação: ForMAl, nÃo ForMAl e inForMAl. nesta aula, 
concentrar-nos-emos no estudo das duas primeiras sem deixar de considerar o quanto a educação 
Ambientalinformal se faz presente nos projetos da área voltados a essas duas esferas. Antes de 
considerar as peculiaridades de cada nível, é preciso ressaltar que, independente de onde eles 
se aplicam, todos têm o mesmo objetivo: permitir um novo olhar sobre a realidade ambiental 
por meio do qual a humanidade assuma uma postura de integração e não de submissão do 
ambiente às suas necessidades. 
não importa se estamos promovendo a educação Ambiental em uma escola, uma empresa, um 
centro comunitário ou uma praça, o objetivo maior é oferecer às pessoas, por meio de diferentes 
meios, a possibilidade de se entenderem como organismos vivos de uma grande teia da vida, 
cuja preservação mediante ações conscientes e responsáveis é fundamental. Por intermédio 
de tal conscientização, pretende-se, de uma maneira mais ampla, a construção de uma nova 
sociedade pautada em novos padrões civilizatórios ecologicamente sustentáveis.
Assim sendo, pode haver mudanças no público-alvo, na linguagem adotada, nos recursos 
utilizados ou nas estratégias de educação ambiental adotadas, mas nunca em seu objetivo maior. 
Tal advertência é importante no sentido de lembrar que muitas atividades que aparentam ser de 
educação ambiental não o são de fato. Camufladas de um discurso ambientalista, muitas ações 
– ditas de educação ambiental – têm objetivos bastante adversos dos que foram aqui elucidados, 
tais como favorecimento de interesses pessoais, atividades de marketing político ou empresarial, 
adestramento ambiental, enriquecimento ilícito, presentes em vários trabalhos que se dizem de 
“educação Ambiental”. é preciso estar atento para não cair em armadilhas e se deixar usar por um 
projeto na área cujas proposições teóricas pouco têm a ver com uma prática ambiental efetiva. 
do mesmo modo, uma série de trabalhos que aparentemente nada têm a ver com educação 
Ambiental assume, em suas propostas, uma nítida preocupação com a valorização da vida em 
sua complexidade. Por isso, como diz o ditado, também na área de educação Ambiental, “nem 
sempre aquilo que parece é”.
A Educação Ambiental Formal ou Institucional
A chamada educação Ambiental Formal é aquela que se processa no âmbito de uma instituição 
ou organização com regras próprias a partir de uma cultura específica. 
43
DifErEntEs EsfErAs, um mEsmO ObjEtivO • AUlA 4
Conforme esclarece a lei nº 9.795/1999, ela diz respeito à educação ambiental efetivada na 
educação escolar a ser desenvolvida no âmbito dos currículos das instituições de ensino públicas 
e privadas, englobando:
1. educação Básica: 
 › educação infantil; 
 › ensino Fundamental e 
 › ensino Médio;
2. educação superior;
3. educação especial;
4. educação Profissional;
5. educação de Jovens e Adultos.
durante bastante tempo, tal âmbito de atuação se referia basicamente à instituição escolar, 
hoje, porém, percebe-se que a educação Ambiental tem sido promovida nas mais diferentes 
instituições, particularmente em relação àquelas que investem na qualidade de vida de seus 
funcionários ou assumem sua responsabilidade social.
entretanto, as grandes discussões nessa área têm se dado na escola em função da necessidade 
de preparar as novas gerações para uma atuação ambiental mais consciente e crítica. Além disso, 
discute-se cada vez mais a importância de que as formações de novos profissionais contemplem 
noções básicas de educação Ambiental, destacando-se como cada profissão pode contribuir na 
luta por um ambiente mais saudável. 
dentro da própria academia, especialmente em torno de 1990, começaram a surgir diferentes 
grupos e Programas que tinham, senão diretamente, pelo menos enquanto linhas básicas de 
ação, a inclusão de estudos e pesquisas sobre as questões relacionadas à dinâmica homem x meio 
ambiente, conferindo à educação Ambiental um certo lugar de destaque, existindo inclusive uma 
proposta para inclusão da ecologia como disciplina do currículo básico de algumas universidades, 
como é o caso da Universidade Federal do rio de Janeiro (UFrJ). 
o que está em xeque é o papel do educador – tão desvalorizado neste país – na reorganização da 
sociedade baseada nos princípios de justiça social e democracia. na medida em que pretende 
garantir um meio ambiente sadio para todos os tipos de vida existentes no planeta, inclusive o 
homem, a educação Ambiental se converte em um apelo à seriedade do conhecimento, mediante 
a busca de propostas concretas e eficazes de aplicação das ciências e a recriação de valores 
perdidos ou jamais alcançados (AB’sABer, 1993).
existem, ainda, muitas discussões sobre como a educação Ambiental deve se inserir na instituição 
escolar. Por exemplo, o caso da proposta conjunta do MeC e da CeTesB expressa no documento 
Ecologia: Uma proposta para o ensino de 1º e 2º graus (1979), nitidamente reducionista e atrasada 
em relação aos pressupostos internacionais sobre a questão (diAs, 1992). essa proposta encarava 
44
AUlA 4 • DifErEntEs EsfErAs, um mEsmO ObjEtivO
a ecologia como uma disciplina compartimentalizada, relevando, basicamente, os aspectos 
naturais e biológicos do meio ambiente, pretendendo-se minimizar e desvirtuar o verdadeiro 
conteúdo abrangido pela temática ambiental em suas dimensões social, política e cultural. A 
comunidade ambientalista criticou – e ainda critica – propostas dessa natureza, que, em vez de 
contribuir para maior desenvolvimento da educação Ambiental no contexto nacional, acabam 
constituindo-se como um dos maiores bloqueios à compreensão dessa educação, impedindo-a 
de sair da difundida concepção “verde pelo verde”, para assumir outra de maior amplitude 
socioambiental, mais condizente com sua realidade.
é fato que a educação Ambiental foi introduzida no Brasil por meio do ensino de ecologia em 
âmbito curricular das ciências físicas e biológicas dentro de uma postura mais conservacionista 
(gUeVArA, 1994). no entanto, é preciso superar essa herança e possibilitar uma compreensão mais 
ampla de sua proposta à luz dos princípios e das recomendações das conferências internacionais, 
o que, de certa forma, inclusive, já se encontra assegurado pelo parecer 226/87 do Conselho Federal 
de Educação, sobre a necessidade de um enfoque interdisciplinar para a educação Ambiental. 
Conforme explicita limoeiro (1991): 
[...] a educação Ambiental não é uma nova disciplina para ser ensinada nas escolas, 
mas sim um processo educativo que deve permear todas as disciplinas e todos 
os projetos de desenvolvimento onde apareça a temática ambiental (...) busca 
informar e formar uma nova mentalidade, no sentido de despertar nos homens 
a responsabilidade que lhes cabe individual e coletivamente na conservação do 
meio ambiente (liMoeiro, 1991, p. 18).
A lei nº 9.795, de 27 de abril de 1999, reafirmou o imperativo de que a educação Ambiental 
deve ser trabalhada de forma interdisciplinar e integrada nos diferentes níveis e modalidades de 
ensino, o entendimento dela como um direito coletivo e a viabilização de sua prática mediante o 
estímulo à participação coletiva e individual de todo cidadão. essa lei abafou a discussão anterior 
na medida em que vetou o tratamento da educação Ambiental enquanto uma disciplina (MeC/
CoeA, 2000), muito embora, de vez em quando, propostas com tal concepção retrógrada ainda 
venham à tona.
em razão de sua abordagem holística e integradora, a 
eA vem sendo trabalhada nas escolas de maneira mais 
sensível, por meio da concepção, nos PCns, do meio 
ambiente como um tema transversal (v. 9). na verdade, um 
dos seis temas transversais definidos em função de quatro 
critérios básicos: urgência social; questões de abrangência 
nacional; possibilidade de ensino/aprendizagem na educação 
fundamental e, por fim, favorecimento da compreensão da 
realidade e da participação social (tomada de posicionamento 
frente às questões que interferem na vida coletiva). os outros 
Saiba maisQuer saber mais? 
Acesse o site <http://www.planalto.gov.br/
ccivil_03/leis/l9795.htm>.
lá você irá encontrar a lei nº 9.795, de 
27 de abril de 1999, referente à Política 
nacional de educação Ambiental na 
íntegra. não deixe de ler.
45
DifErEntEs EsfErAs, um mEsmO ObjEtivO • AUlA 4
temas selecionados foram: ÉTICA; PLURALIDADE CULTURAL; SAÚDE; ORIENTAÇÃO SEXUAL E 
TEMÁTICAS LOCAIS; sendo reservado a cada um desses temas uma parte específica dos PCns (v. 8).
levando-se em consideração os critérios acima, não é difícil entender por que a temática ambiental 
foi escolhida para integrar os temas transversais dos PCns, tendo em vista a gravidade da questão 
ambiental com relação ao momento em que vivemos e a urgência de formar uma consciência 
ecológica para garantir a sobrevivência da humanidade. Criados pelo MeC, os PCns, tal como 
conhecemos hoje, tiveram sua versão definitiva em 1998, podendo ser entendidos como um 
conjunto de proposições elaboradas para servirem de base não apenas à elaboração e à revisão 
das políticas de currículo dos estados e Municípios, mas, também, à orientação dos próprios 
investimentos que serão feitos no sistema educacional, propondo princípios pedagógicos e 
metodológicos a serem observados pelas instituições de ensino da rede pública.
o que se pretende nessa esfera, particularmente na instituição escolar, é o reconhecimento 
tanto de que toda educação só é verdadeiramente completa se leva em consideração a dimensão 
ambiental, assim como o fato de que a educação Ambiental é uma dimensão essencial do 
processo pedagógico, auxiliando na construção de nossa identidade e alteridade (loUreiro, 
2004; sATo, 2000). 
entre as diferentes ações implementadas nas instituições de ensino com essa finalidade, podemos 
citar:
 » elaboração do Projeto Político Pedagógico da instituição sensível às questões de cunho 
socioambiental;
 » incentivo à elaboração de projetos interdisciplinares em que a preocupação ambiental 
esteja presente;
 » realização de atividades variadas relacionadas aos desafios socioambientais da área onde 
a escola se situa, tais quais a questão do lixo, economia de água, violência, desrespeito 
ao patrimônio local, queimadas, etc.;
 » promoção de cursos presenciais e semipresenciais de formação e aperfeiçoamento na 
área ambiental, de modo a sensibilizar professores e alunos para essa temática;
 » realização de palestras na instituição escolar por parte de profissionais envolvidos na área;
 » visitas guiadas a áreas de preservação ambiental ou a projetos de educação Ambiental 
em andamento com alunos e professores.
essas são apenas algumas entre várias outras ideias que poderiam ser desenvolvidas com o apoio 
da equipe escolar. Aos professores em particular, vale reforçar a ideia de que é fundamental saber 
cativar o aluno para que ele seja receptivo às informações e aprenda a transmiti-las posteriormente.  
46
AUlA 4 • DifErEntEs EsfErAs, um mEsmO ObjEtivO
Por isso, qualquer estratégia que venha a promover a integração e a reflexão dos participantes 
sobre o tema socioambiental é bem-vinda. entre essas, poderíamos destacar:
 » desenvolver técnicas de teatro, jogos, músicas e dinâmicas de grupo (brincadeiras);
 » aplicar exercícios de ritmos, relaxamento e respiração para despertar os sentidos de 
observação e o desenvolvimento e equilíbrio corporal;
 » utilizar jogos verbais que trabalham com a palavra – de gravuras, propagandas, jornais, 
histórias em quadrinhos, música e livros;
 » fazer atividades que envolvam o diálogo, trabalhando a linguagem oral, a narração dos 
fatos, nas mais diferentes formas de construção, tais como conto, poesia, texto informativo;
 » organizar grupos que gostem de plantar árvores, hortas e jardins;
 » promover concursos de poesia sobre o tema;
 » incentivar a elaboração de textos, cartazes e músicas, dando asas à imaginação para a 
construção do conhecimento; 
 » formular perguntas que ajudem a escrever sobre o assunto, que podem, inclusive, serem 
aproveitadas sob a forma de um jogo.
evidentemente que todas essas estratégias podem ser aproveitadas no contexto ecológico voltadas 
ao estímulo e ao desenvolvimento da educação Ambiental, de forma a promover, mediante a 
integração do grupo e a sensibilização para a causa ecológica, uma responsabilização coletiva 
pela crise ambiental que o ser humano atravessa. Cada uma dessas estratégias possui vantagens 
e desvantagens e devem ser adaptadas à realidade de cada escola ou, ainda, de cada sala de aula, 
que, por ser uma realidade única, favorece mais algumas do que outras. 
Para obter novas ideias de trabalhos em grupo, sugerimos que você consulte a tabela das páginas 
seguintes, divulgada pela UnesCo/UneP/ieeP (2000), situando-as sob esse prisma.
ESTRATÉGIA OCASIÃO PARA USO VANTAGENS DESVANTAGENS
DISCUSSãO
Em clAssE (grande grupo).
Permite que os estudantes exponham 
suas opiniões oralmente a respeito de 
determinado problema. 
 » Ajuda o estudante a compreender as 
questões;
 » Desenvolve autoconfiança e expressão 
oral;
 » Podem ocorrer dificuldades de 
discussão nos alunos.
DiscussãO Em GruPO (pequenos 
grupos com supervisor-professor). quando assuntos polêmicos são tratados. 
 » Estímulo ao desenvolvimento de 
relações positivas entre alunos e 
professores.
47
DifErEntEs EsfErAs, um mEsmO ObjEtivO • AUlA 4
mutirãO DE iDEiAs (atividades que 
envolvam pequenos grupos, 5-10 
estudantes para apresentar soluções 
possíveis para um dado problema, todas 
as sugestões são anotadas. tempo limite 
de 10 a 15 min.)
Deve ser usado como recurso para 
encorajar e estimular ideias voltadas à 
solução de certo problema. O tempo deve 
ser utilizado para produzir as ideias e 
não para avaliá-las. 
 » Estímulo à criatividade, à liberdade;
 » Dificuldades em evitar avaliações ou 
julgamentos prematuros e em obter 
ideias originais.
DEbAtE: requer a participação de 
dois grupos para apresentar ideias e 
argumentos de pontos de vista opostos.
quando assuntos extrovertidos estão 
sendo discutidos e existam propostas 
diferentes de soluções. 
 » Permite o desenvolvimento das 
habilidades de falar em público e 
ordenar a apresentação de fatos e 
ideias.
 » requer muito tempo de preparação.
quEstiOnÁriO: desenvolvimento de um 
conjunto de questões ordenadas a ser 
submetido a determinado público.
usado para obter informações e/ou 
amostragem de opinião das pessoas em 
relação à dada questão.
 » Aplicado de forma adequada, produz 
excelentes resultados;
 » Demanda muito tempo e experiência 
para produzir um conjunto ordenado 
de questões que cubram as 
informações requeridas.
rEflEXãO: o oposto do mutirão de 
ideias. é fixado um tempo aos estudantes 
para que sentem em algum lugar 
e pensem acerca de um problema 
específico.
usado para encorajar o desenvolvimento 
de ideias em resposta a um problema. 
tempo recomendado de 10 a 15 min. 
 » Envolvimento de todos.
 » não pode ser avaliado diretamente.
PrOjEtOs: os alunos, supervisionados, 
planejam, executam, avaliam e 
redirecionam um projeto sobre um tema 
específico.
realização de tarefas com objetivos a 
serem alcançados a longo prazo, com 
envolvimento da comunidade.
 » As pessoas recebem e executam o 
próprio trabalho, assim como podem 
diagnosticar falhas nele.
EXPLORAçãO DO AmbIENTE LOCAL: 
prevê a utilização/exploração dos 
recursos locais próximos para estudos, 
observações, caminhadas, etc.
compreensão do metabolismo local, 
ou seja, da interação complexa dos 
processos ambientais à sua volta.
 » Agradabilidade na execução; 
 » Grande participação de pessoas 
envolvidas;
 » vivência de situações concretas;
 » requer planejamento minucioso.
Fonte: UNESCO/UNEP/IEEP.
no âmbito organizacional (englobando empresas e outras instituições), por sua vez, muitaspropostas em educação Ambiental se confundem com programas de segurança no trabalho, de 
socialização (área de rH) e até de ergonomia. Como já foi dito antes, vários desses programas 
possuem necessariamente componentes ambientais, mas isso não significa que eles são de 
educação Ambiental. Para que um projeto ou programa qualquer mereça tal rótulo, é importante 
que algumas condições essenciais sejam respeitadas. 
entre essas condições, é necessário o entendimento da educação Ambiental como elemento 
mediador de interesses e conflitos dos atores que atuam no meio ambiente por meio do diálogo 
e do questionamento; como estímulo a uma compreensão do meio ambiente no sentido amplo, 
considerando suas diferentes dimensões (culturais, políticas, biológicas e sociais), assim como 
da dinâmica entre elas; como entendimento crítico e histórico das relações entre educação, 
sociedade, trabalho e meio ambiente; e, finalmente, como preocupação na capacitação de pessoas 
aptas a se organizarem e intervirem em diferentes espaços pela promoção e valorização da vida 
dentro de uma perspectiva ecológica (sATo, 2000; loUreiro, 2004).
48
AUlA 4 • DifErEntEs EsfErAs, um mEsmO ObjEtivO
dentro da empresa, um Programa de educação Ambiental não deveria ser desenvolvido 
exclusivamente em seu entorno, como também não poderia ficar restrito a um programa de 
treinamento visando à sensibilização e à motivação dos funcionários, e sim atuar de forma ativa 
no próprio posto de trabalho dos operadores. não devemos esquecer que qualquer processo de 
mudança começa com a conscientização individual. Todo funcionário tem de estar consciente 
do por que, o que, quando, onde, quem e como, em relação às suas tarefas. Portanto, um eficaz 
programa de conscientização na área ambiental não pode ser apenas de caráter informativo, mas, 
sim, de uma postura construtiva em que há o envolvimento de todos na discussão das questões 
ambientais da empresa, seu desempenho ambiental e o próprio desempenho operacional. 
somente assim, de forma dinâmica e participativa, serão maiores as chances de os empregados 
identificarem as questões ambientais no ambiente empresarial e proporem, juntos, soluções 
para elas, de modo não apenas corretivo, mas, também, e principalmente, preventivo.
entre as estratégias para se trabalhar a educação Ambiental nas organizações, poderíamos citar:
 » promoção de dinâmicas de grupo e jogos cooperativos, em que as questões socioambientais 
sejam uma prioridade;
 » análise de textos e vídeos e possibilidade de integração, motivação e tomada de atitude 
de forma crítica e participativa em relação às questões ambientais;
 » desenvolvimento de projetos de educação ambiental;
 » diagnóstico da percepção ambiental de empregados;
 » promoção de cursos e palestras de sensibilização e mobilização ambiental;
 » elaboração de boletins, jornais e folders, assim como de apostilas e cartilhas sobre meio 
ambiente e a responsabilidade social empresarial;
 » incentivo à participação dos funcionários em atividades relacionadas ao ecoturismo, 
trilhas ecológicas e outras que os aproximem da natureza;
 » estabelecimento de parcerias com organizações governamentais e não governamentais 
para o desenvolvimento conjunto de atividades na área e outros.
essas são, evidentemente, algumas ideias na área que podem ser enriquecidas e, como foi dito 
antes, no que se refere ao contexto escolar, serem adaptadas à realidade de cada instituição. 
Após o entendimento sobre a educação ambiental formal, vamos agora falar sobre a educação 
Ambiental não formal.
49
DifErEntEs EsfErAs, um mEsmO ObjEtivO • AUlA 4
A Educação Ambiental Não Formal
essa modalidade de educação Ambiental é aquela que se volta ao espaço da rua, da comunidade 
em geral, abrangendo não uma, mas várias instituições, como as igrejas, as escolas, as associações 
de moradores, grupos de rua, enfim, a sociedade civil organizada em suas múltiplas expressões. 
Uma vez que não se trabalha com uma instituição em particular, como é o caso da proposta de 
educação Ambiental Formal, não existe, nesse nível, uma organização e um planejamento fechado 
que se baseie em regras definidas. no campo comunitário, as possibilidades de o planejamento 
sofrer a ação de intempéries são constantes, sendo, inclusive, difícil cumprir os prazos dos órgãos 
de fomento a trabalhos dessa natureza sujeitos a dificuldades que vão, por exemplo, de encontrar 
uma linguagem comum ao aprendizado de conviver com o poder paralelo do tráfico, etc.
o artigo 13 da Política nacional de educação Ambiental (lei nº 9.795/99) define educação 
Ambiental não Formal como “as ações e práticas educativas voltadas à sensibilização da coletividade 
sobre as questões ambientais e à sua organização e participação na defesa da qualidade do meio 
ambiente”.
determinando ao poder público nos níveis federal, estadual e municipal, seu incentivo inclui 
em seu rol de atividades:
i - a difusão, por intermédio dos meios de comunicação de massa, em espaços 
nobres, de programas e campanhas educativas, e de informações acerca de temas 
relacionados ao meio ambiente;
ii - a ampla participação da escola, da universidade e de organizações não 
governamentais na formulação e execução de programas e atividades vinculadas 
à educação ambiental não formal;
iii - a participação de empresas públicas e privadas no desenvolvimento de 
programas de educação ambiental em parceria com a escola, a universidade e 
as organizações não governamentais;
iV - a sensibilização da sociedade para a importância das unidades de conservação;
V - a sensibilização ambiental das populações tradicionais ligadas às unidades 
de conservação;
Vi - a sensibilização ambiental dos agricultores;
Vii - o ecoturismo.
Vale dizer que muitas das estratégias anteriormente citadas no que se refere à educação ambiental 
formal servem a este âmbito, desde que entendidas em uma visão comunitária.
50
AUlA 4 • DifErEntEs EsfErAs, um mEsmO ObjEtivO
esse nível de atuação normalmente requer uma equipe maior de trabalho e a humildade de que 
não será possível resolver todos os problemas da comunidade através da educação Ambiental. 
é fundamental definir junto com a comunidade, inclusive com a inclusão de alguns de seus 
membros na equipe, quais serão as prioridades de atuação e como serão desenvolvidas as 
atividades mitigadoras dos problemas encontrados.
é possível dizer que, de modo geral, a comunidade é o foco do trabalho de educação Ambiental 
não formal. Mais do que um mero agrupamento de pessoas em uma localidade qualquer, a 
comunidade representa um grupo de pessoas, mais ou menos entrosado, que comungam do 
mesmo modo das facilidades e desvantagens de residir em determinada localidade, tendo ali 
que sobreviver. Por meio de instituições próprias, como associações, clubes e grupos, buscam 
resolver seus problemas, particularmente no que se refere à qualidade de vida e à subsistência 
econômica mediante maior fortalecimento político. segundo souza (1993), existem seis aspectos 
comunitários fundamentais a se considerar como fundamentais para compreender os processos 
de interação entre a comunidade humana e o meio ambiente:
1. os AsPeCTos FÍsiCos da área, englobando sua localização espacial, comunicação com 
outras áreas, caracterização territorial e sua população;
2. os AsPeCTos HisTÓriCos da comunidade; 
3. os AsPeCTos eConÔMiCos, como as condições de vida e de trabalho da população; 
4. os AsPeCTos PolÍTiCos, reunindo as relações de poder existentes nos diferentes 
grupos e na própria comunidade como um todo; 
5. os AsPeCTos CUlTUrAis, considerando as variadas formas de expressão e as visões 
de mundo da comunidade baseadas em seus interesses e aspirações; 
6. os AsPeCTos soCiAis, que envolvem os serviços sociais básicos como educação, saúde, 
transporte, segurança e comunicação. 
Todos esses aspectospertinentes à realidade comunitária estão intimamente ligados entre si e 
com o meio ambiente onde se apresentam e se constituem. Um projeto de educação Ambiental 
aplicada a uma comunidade precisa considerar esses aspectos em sua totalidade de uma forma 
integrada, a partir de uma abordagem interativa. é um grande erro pensar a dimensão ambiental 
apenas do ponto de vista territorial ou geográfico, ignorando os fatores psicossociais que estão 
indubitavelmente presentes e são determinantes, como já vimos em alguns processos ecológicos. 
Conforme nos lembra d’Ávila e Maciel (1992), o meio ambiente “é um processo de interação 
sociocultural, gerado pelo homem e a natureza” (MACiel; d’ÁVilA, 1992, p. 72). nesse contexto, 
os grupos, as comunidades e a própria sociedade em geral poderiam ser encarados como a 
materialização da dinâmica homem x meio.
51
DifErEntEs EsfErAs, um mEsmO ObjEtivO • AUlA 4
A parceria com as lideranças locais, moradores antigos da área e comerciantes pode fortalecer 
o projeto e, principalmente, ajudar o educador ambiental a entender a história da comunidade 
onde as atividades serão desenvolvidas. do mesmo modo, é fundamental conhecer previamente 
a história da localidade, seus períodos de desenvolvimento e sua realidade atual do ponto de vista 
econômico, político, biológico, etc. dados podem ser obtidos não apenas na própria comunidade, 
mas também nas prefeituras e subprefeituras, onde mapas locais podem ser acessados e copiados. 
no caso do rio de Janeiro, existe, na biblioteca do estado, um setor dedicado apenas à história 
dos bairros. 
A educação Ambiental pode ser entendida como 
um elemento facilitador do desenvolvimento 
comunitário, levando a comunidade a entender 
melhor o ambiente onde vive e sua força comunitária 
rumo à transformação gradual daquele ambiente 
no sentido de preservá-lo ou recuperá-lo tanto no 
âmbito rural quanto urbano. A partir de uma visão 
estratégica para o desenvolvimento local, como um processo dinâmico de transformação, 
a educação ambiental pode incentivar práticas de autogestão comunitária, de modo que as 
comunidades possam desenvolver seus potenciais e competências, preservando seu patrimônio 
ambiental, superando as limitações e assegurando uma melhoria contínua de qualidade de vida 
dos seus indivíduos.
entre as atividades comunitárias de educação Ambientais, poderíamos citar:
 » promoção de cursos e palestras relacionadas à área ambiental em instituições locais 
como igrejas e escolas da comunidade;
 » desenvolvimento em parceria com empresas locais de projetos de reciclagem, 
reflorestamento, economia de água e outros;
 » prática de atividades de sensibilização ambiental em campo aberto (praças) ou em 
instituições comunitárias, tais como: dramatizações, exposição de filmes e fotos, 
produção de textos, etc.
 » desenvolvimento de programas de rádio e/ou TV local (comunitárias) de programas 
com apelo socioambiental;
 » estímulo a atividades lúdicas e de cunho artístico que valorizem o ambiente do entorno 
onde a comunidade está inserida;
 » criação de fóruns de participação local, com ampla participação comunitária para 
decidir sobre seu processo de autogestão ambiental.
Saiba mais
Procure em sua região se existe algo dessa 
ordem, o que poderá ajudar muito o trabalho de 
reconhecimento local em termos históricos, assim 
como de seus potenciais e dificuldades.
52
AUlA 4 • DifErEntEs EsfErAs, um mEsmO ObjEtivO
e várias outras atividades dependendo da localidade e da comunidade em questão. As possibilidades 
são ilimitadas. Por fim, vamos examinar algumas possibilidades de educação Ambiental informal!
A Educação Ambiental Informal
esta modalidade de educação Ambiental pode ocorrer tanto no âmbito formal quanto no não 
formal. o que a define como um âmbito particular é sua temporalidade. geralmente, diz respeito 
à prática de atividades pontuais que não necessariamente estão inclusas em um Programa de 
educação maior, tais como:
 » panfletagem;
 » participação esporádica em programa de rádio e TV;
 » criação de um jornal/informativo ambiental;
 » campanhas de conscientização ecológica;
 » produção de uma cartilha de educação ambiental;
 » elaboração de um site ou blog voltado para problemas ambientais que sirva à divulgação 
de informações ambientais de determinada localidade, divulgue eventos, etc.
enfim, são atividades esporádicas de educação Ambiental realizadas no âmbito formal e não 
formal, as quais têm resultado, mas não estão necessariamente presas a um programa ou projeto 
maior com o compromisso de continuidade. Veja um exemplo do conteúdo de panfletos e/ou 
cartazes que certamente você já recebeu, nem sempre com os resultados esperados.
Algo do tipo: “o que você pode fazer para ajudar o meio ambiente?” ou “Um novo ambiente é 
minha responsabilidade”, seguido de algo assim:
Em casa
 » evitar o desperdício (água, luz e papel);
 » comprar produtos de empresas que investem em ações sociais;
 » jogar no lixo só o que não puder ser aproveitado e separar para reciclagem;
 » recuse embalagens desnecessárias e corte um terço da montanha de lixo;
 » comprar alimentos a granel (não levam embalagens dispensáveis);
 » comprar refil para seus produtos de higiene e limpeza.
 » comprar embalagens recicladas;
 » usar detergente biodegradável;
 » usar panos ao invés de toalhas de papel;
 » reduzir o tempo do banho;
 » fechar as torneiras;
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DifErEntEs EsfErAs, um mEsmO ObjEtivO • AUlA 4
 » não jogar lixo no vaso sanitário;
 » não usar esguicho quando limpar a calçada;
 » levar pilhas usadas aos postos de coleta;
 » não desperdiçar comida;
 » deixar o carro em casa um dia por semana;
 » não jogar produtos como tinta diretamente no solo, pois ele agride o solo.
Na Rua
 » cuidar para não poluir as ruas;
 » zelar pelos monumentos e locais históricos em sua rua;
 » avisar as autoridades quando a segurança de sua rua estiver em risco;
 » notificar a prefeitura quando a identificação dos logradouros estiver prejudicada de algum modo;
 » examinar se os poluentes lançados por seu automóvel estão de acordo com as normas fixadas pelos órgãos 
competentes.
 » fazer coleta seletiva do lixo;
 » não jogar lixo em terrenos baldios;
 » arborizar;
 » cuidar dos Terrenos baldios;
 » preservar os Monumentos;
 » valorizar o ambiente construído por meio de ações individuais e coletivas.
 » não fazer poluição sonora e visual (ex.: pichar muros e paredes);
 » não poluir o ar;
 » lutar pela implantação da coleta seletiva;
 » fazer campanhas de conscientização ambiental;
 » estimular outros a participar de processos de educação Ambiental.
 » cuidar das praças, parques e áreas de lazer;
 » fazer abrigos nos pontos de ônibus;
 » fazer campanhas anti-tabagismo;
 » não queimar folhas e restos de gramas;
 » não usar produtos descartáveis.
essas e outras mensagens são importantes, pois deixam “o seu recado”. Contudo, podem ser 
ampliadas através de Programas mais consistentes de educação ambiental formal e não formal 
que as aprofunde e auxilie a população em sua concretização. não adianta apenas jogar o lixo 
na lata de lixo, mas saber por que isso é importante, o que isso significa e por que todos devem 
fazê-lo e não apenas eu. nem sempre essas explicações estão presentes em ações desse âmbito.
Dicas de atuação
Para atuar com segurança nessas esferas, é fundamental conhecer bem a realidade na qual o trabalho 
será desenvolvido. isso implica conhecer sua história e desenvolvimento; suas regras básicas de 
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AUlA 4 • DifErEntEs EsfErAs, um mEsmO ObjEtivO
funcionamento e organização relacional e funcional; sua administração atual e, principalmente, o 
espaço desta. é importante saber se já existiram projetos anteriores na área ambiental desenvolvidos 
e, em caso positivo, terconsciência do modo como esses foram implementados e quais foram 
seus resultados. no caso de projetos malsucedidos, o trabalho do educador ambiental será mais 
complicado no sentido de romper com os ranços do trabalho anterior. 
esse momento inicial referente à coleta de 
dados, a fim de traçar perfil da instituição a 
ser trabalhada, deve ser feito com calma de 
modo a se evitar problemas futuros. Consultas 
a documentos antigos e recentes, entrevistas 
com funcionários significativos e acesso a todos 
os espaços físicos da organização são ações 
fundamentais nesse primeiro momento. se possível, utilize instrumentos como gravadores, 
máquinas de fotografia e filmadora. Caso esse material não seja viável ou de utilização permitida, 
então não dispense um bom e velho caderno de anotações.
Antes de formular quaisquer estratégias, é fundamental ter claro quais são as reais intenções e os 
limites da atuação do projeto de educação Ambiental e, finalmente, qual será o apoio financeiro 
para sua realização. é fundamental adotar critérios éticos durantes todas as fases do trabalho, 
desde o planejamento até sua execução. A equipe precisa estar bem integrada, consciente de sua 
responsabilidade e limites de ação. o contato com a comunidade deve ser intenso, inclusive com 
a participação de alguns de seus integrantes nas equipes de trabalho e coordenação. Todavia, é 
preciso tomar cuidado para que essa proximidade com a comunidade não promova dependência. 
A comunidade ou os diferentes setores da empresa ou escola, onde o trabalho será desenvolvido, 
precisam ter a clareza de que são os seus membros os principais mantenedores e responsáveis 
pelo sucesso do projeto, e não necessariamente o grupo que iniciou os trabalhos e em breve 
estará atuando em outra área ou local.
Finalizando nossas reflexões, é importante lembrar que a avaliação deve ser constante durante 
e após a realização do trabalho. se os erros forem percebidos a tempo, maiores complicações 
poderão ser evitadas. Por isso, é preciso não ter vergonha de reconhecer falhas e, por vezes, 
recomeçar, sempre que isso for necessário e as avaliações ainda que parciais sinalizarem isso.
Resumo
nesta aula:
 » aprendemos que a educação ambiental possui três âmbitos de atuação: formal, não 
formal e informal;
Para refletir
A partir das ideias citadas nesta página e na anterior, 
procure refletir sobre que tipo de práticas de educação 
Ambiental você poderia fazer ou promover para estimular 
a conscientização ambiental em seu bairro.
55
DifErEntEs EsfErAs, um mEsmO ObjEtivO • AUlA 4
 » refletimos sobre cada um desses três níveis, suas particularidades e potencialidades, 
aprendendo a reconhecê-los e diferenciá-los;
 » vimos que não existe uma profissão chamada educador ambiental e que qualquer pessoa 
que respeite o meio e lute pela sua preservação pode trabalhar na área;
 » aprendemos uma série de práticas de eA que podem ser aplicadas em casa, na rua, ou 
mesmo em uma escala maior, no próprio bairro;
 » entendemos que a educação Ambiental vem se desenvolvendo a cada dia, podendo, 
inclusive, com o passar dos anos, desenvolver novos âmbitos de atuação ou ampliar 
ainda mais os já existentes.
56
Promoção da Sustentabilidade e 
Enfrentamento da Crise Ambiental
UNIDADE III
57
Apresentação
na aula anterior, vimos um pouco da legislação ambiental vigente. Conhecê-la é importante para 
entender como a educação Ambiental foi-se firmando como uma área estratégica de atuação 
preventiva e proativa na resolução de graves problemas causados por impactos ambientais 
indesejáveis. nesta aula, estudaremos um dos grandes desafios da educação Ambiental: contribuir 
para que o desenvolvimento de determinada localidade adote os princípios básicos de respeito, 
preservação e sustentabilidade ambiental.
Objetivos
esperamos que, após o estudo do conteúdo desta aula, você seja capaz de:
 » entender as relações entre educação Ambiental e desenvolvimento;
 » compreender porque nem sempre as propostas de desenvolvimento e educação ambiental 
são convergentes;
 » conhecer algumas das propostas alternativas de desenvolvimento, de modo particular, 
o desenvolvimento sustentável, considerando seus limites e possibilidades;
 » aprender sobre a importância da Agenda 21 e seus desdobramentos (Agendas 21 locais) 
para a construção de uma sustentabilidade global;
 » enxergar o quanto a educação Ambiental é valorizada na Agenda 21 como um caminho 
viável para a construção dessa referida sustentabilidade.
5
AUlA
EDucAçãO AmbiEntAl, 
DESENvOLvImENTO E PROmOçãO 
DA SUSTENTAbILIDADE
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AUlA 5 • EDucAçãO AmbiEntAl, DEsEnvOlvimEntO E PrOmOçãO DA sustEntAbiliDADE
Examinando o conceito de Desenvolvimento
o conceito de desenvolvimento possui diferentes significados. desenvolver pode ser entendido 
como progredir, avançar, crescer, produzir, criar e muitos outros. Um dos mais interessantes 
conceitos ligados à etimologia da palavra, refere-se ao ato de “desembrulhar”, ou seja, a junção 
do prefixo “des” com o sufixo “envolver” (deixar de envolver). o desenvolvimento de uma 
localidade pode ser pensado por um lado como um “desembrulhar”, um “desenvolver” de um 
potencial que ela possui e que precisa ser estimulado, liberto. Por outro lado, uma remoção ou 
retirada do envoltório que cobre grande parte das nações do mundo – constituído pelos efeitos 
que sua situação de dominação cultural e econômica lhe impuseram –, liberando-as para o 
autocrescimento em todos os níveis. 
As estratégias para que isso ocorra são as mais diversas possíveis. Cabe aqui assinalar, desde já, 
que a maioria delas, durante boa parte dos séculos XiX e XX, ignoraram totalmente as questões 
ambientais. o meio ambiente era considerado um empecilho em muitas das chamadas políticas 
de desenvolvimento. Foi preciso que chegássemos a uma situação crítica para que essa situação 
pudesse ser revista.
o desenvolvimento de uma localidade qualquer deve sempre ser pensado a partir de sua história, 
suas raízes, suas potencialidades e características peculiares; caso contrário, é grande a chance das 
políticas adotadas fracassarem. o sociólogo guerreiro ramos (1954) dizia com muita propriedade 
que a estratégia de desenvolvimento de um país é condicionada pela particular contextura, a qual, 
em cada fase histórica, apresenta sua prioridade específica de necessidades de desenvolvimento.
decorre daí a impossibilidade de se transferir planos e estratégias, ou mesmo de se copiar modelos 
de desenvolvimento de um país para outro. Como expôs Amar (1994), cada sociedade de acordo 
com sua história e características deve definir o que é e o que quer ser (AMAr, 1994). essa liberdade 
de escolha, alicerçada nos princípios sócio-históricos e culturais de cada localidade, deve ser 
entendida como uma necessidade, em qualquer plano de desenvolvimento que ambicione 
alcançar o bem-estar social de forma democrática, participativa e eficiente.
Apesar do termo desenvolvimento possuir muitos significados, durante décadas, predominou-
se a ideia de desenvolvimento igual a crescimento ou avanço econômico, e, a partir dela, a 
prevalência dos fatores econômicos sobre os demais indicadores como os mais decisivos para 
deliberar se determinada localidade (podendo esta se referir a uma região, um país ou mesmo 
todo um continente) poderia ser qualificada como desenvolvida ou subdesenvolvida. essa 
predominância ideológica, como alerta Frederico Zaragoza (1990), diretor geral da UnesCo, só 
veio a sofrer alterações muito recentemente, quando, “através de eventos de grande alcance, nos 
demos conta da importância essencial do fator humano e de sua formação para um autêntico 
desenvolvimento” (ZArAgoZA, 1990, p. 42). 
59
EDucAçãO AmbiEntAl, DEsEnvOlvimEntO E PrOmOçãO DA sustEntAbiliDADE • AUlA 5
Saiba mais
Subdesenvolvimento:
segundo lacoste(1973), existem 15 sintomas básicos que caracterizariam o subdesenvolvimento: (1) insuficiência alimentar; 
(2) deficiência da agricultura; (3) baixa renda nacional média e baixos níveis de vida; (4) industrialização reduzida; (5) fraco 
consumo de energia mecânica; (6) situação de subordinação econômica; (7) setor comercial hipertrofiado; (8) estruturas 
sociais ultrapassadas; (9) fraco desenvolvimento das classes médias; (10) frágil integração nacional; (11) subemprego e 
desemprego crônico; (12) deficiente nível de instrução; (13) intensa taxa de natalidade; (14) situação sanitária irregular; (15) 
efeitos negativos da tomada de consciência de sua situação. Confira em lacoste (1973, p. 9-30).
Conforme assinala Furtado (1979), ao entender o desenvolvimento como um processo de 
acumulação de capital impulsionado pelo avanço tecnológico, o economista deu muito pouco, 
ou mesmo nenhuma, atenção aos efeitos da acumulação de capital no plano cultural e muito 
menos com relação a seus impactos no meio físico. Falando pelos economistas brasileiros, ele 
vai confessar que, desde a época do nacional desenvolvimentismo, vigente no Brasil nos anos 
de 1940 até 1970, “a natureza e seus recursos eram dados como fatores constantes sem que se 
percebesse sua escassez ou elasticidade de sua oferta” (FUrTAdo, 1979 apud leiTÃo, 1996, p. 
152-153). A natureza, diz Furtado, “não ocupava qualquer preocupação aos economistas naquele 
período e ainda não ocupa” (id., 1999, p. 154). 
Saiba mais
Clube de roma: o Clube de roma é uma associação privada composta de empresários, cientistas e outros participantes 
da vida pública nacional ou internacional. o relatório em questão, Limits to Growth, foi encomendado em 1970 por essa 
associação ao instituto Tecnológico de Massachussets (MiT), com o objetivo de analisar os limites físicos do planeta diante 
da intensa atividade humana e sua crescente multiplicação. Publicado em março de 1972, esse relatório é considerado, 
apesar de algumas falhas, um marco na história ambiental, por ser um dos primeiros a alertar as graves denúncias cometidas 
contra o meio ambiente.
Toda gama de problemas socioambientais é considerada “como efeitos inesperados” desse 
modelo economicista (leis, 1995, p. 16), sendo dispensável mencionar, portanto, as irritações 
que o relatório do Clube de Roma causou a muitos economistas, que não viam no planeta nada 
mais além do que um grande, rico e inexaurível potencial a ser explorado. 
Bursztyn (1993) é um dos muitos autores que analisam como a ecologia e a economia, ciências 
tão próximas em seus objetivos, acabaram se distanciando. A primeira seguindo o rumo do 
antropocentrismo, vendo a natureza como simples meio de produção; e a segunda, o caminho 
do biocentrismo, ignorando que o homem precisa da produção para sobreviver e que, igual a 
qualquer outro animal, também preda os recursos naturais (BUrsZTYn, 1993, p. 8). segundo 
esse mesmo pesquisador, “a crise ambiental atual e, mais particularmente, a dificuldade de se 
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AUlA 5 • EDucAçãO AmbiEntAl, DEsEnvOlvimEntO E PrOmOçãO DA sustEntAbiliDADE
reverter o impasse gerado pelo conflito entre desenvolvimento e meio ambiente” reflete justamente 
a distância que separa as lógicas entre esses dois conceitos quando, na realidade, o sistema 
econômico não passa de um subsistema aberto do ecossistema planetário, estando sujeito aos 
princípios, às leis e aos fundamentos da ecosfera (CAVAlCAnTi, 1995, p. 319).
A partir da necessidade interdisciplinar – a que Furtado se refere –, gerada pela variedade de 
significados pertinentes à noção de desenvolvimento, surgiram os primeiros desdobramentos 
dela, como foi o caso da diferenciação entre crescimento e desenvolvimento. enquanto a noção 
de crescimento estaria mais voltada ao plano econômico, a noção de desenvolvimento encerraria 
uma amplitude um pouco maior, envolvendo diferentes processos que extrapolavam o plano 
econômico. A essas duas noções, iria se juntar também, um pouco mais tarde (segunda metade 
do século XViii), a ideia de progresso, consagrada definitivamente a partir da passagem do 
capitalismo comercial (simples intercâmbio de produtos finais ou semifinais) para o capitalismo 
industrial (onde já se destacava a presença de elementos como: estrutura de produção; divisão 
do trabalho e lógica de mercado).
Com o surgimento do chamado capitalismo industrial, os capitalistas passaram a ver o mundo à 
sua volta como um conjunto de elementos da produção, e, como tal, podendo ser abstratamente 
valorados, comparados e quantificados (FUrTAdo, 1979). o mundo do econômico – e atrelado 
a esse a noção do desenvolvimento – tornara-se autônomo, independente do mundo biótico-
sociocultural. A economia que originalmente tinha por fim estudar os meios para o bem-estar 
humano, converteu-se num fim em si mesmo, numa ciência em que tudo aquilo para o qual não 
se pode estabelecer um preço carece de valor (gUiMArÃes, 1997, p. 18).
rejeitando essa forma puramente economicista de se pensar o desenvolvimento, Pedro demo 
(1983) entende que ele não significa apenas “a sociedade que cresce, mas aquela que cresce 
para ser mais habitável” (deMo, 1983, p. 154). isto é, o desenvolvimento só tem sentido, na 
medida em que colabore (direta ou indiretamente) para uma melhoria da qualidade de vida 
da população, sendo impossível a possibilidade de compreendê-lo apenas como crescimento 
econômico, já que este, visto apenas como uma unidade isolada, não representa um avanço em 
termos de qualidade de vida. é preciso entender que de uma forma geral a missão fundamental 
do desenvolvimento deveria ser a promoção humana em todos os níveis. nesse sentido, temos 
a convicção de que a educação Ambiental pode ser uma estratégia importante a ser utilizada 
no trabalho de formação de novos valores, com vistas a favorecer a instauração de uma ética 
ambiental que aproxime o homem do seu meio ambiente, facilitando a dinâmica dos processos 
de desenvolvimento.
61
EDucAçãO AmbiEntAl, DEsEnvOlvimEntO E PrOmOçãO DA sustEntAbiliDADE • AUlA 5
Programa das nações unidas para o Desenvolvimento 
(PNUD)
As conclusões do informe do Programa das nações Unidas para o desenvolvimento (PnUd) sobre 
desenvolvimento Humano atestam que o crescimento econômico não melhora automaticamente 
a vida das pessoas, nem em suas próprias nações, nem em escala internacional (PnUd, 1992, p. 
26-36). Toma-se como exemplo a própria situação dos países mais desenvolvidos economicamente, 
já se demonstra nitidamente a insuficiência do crescimento econômico enquanto um fim do 
desenvolvimento (goUssAlT, 1987, p. 770-771). 
Além disso muitos dos países que são considerados como potências econômicas escondem 
realidades internas de “pobreza, fome, concentração de renda, poluição e massificação cultural” 
para não citar uma série de outros (PrAZeres, 1995, p. 85). A consciência dessa realidade 
esclarece a necessidade da busca de concepções mais abrangentes de desenvolvimento que 
rejeitem abordagens meramente economicistas, tais como a de Mario Bunge (1989), segundo o 
qual o desenvolvimento encerra quatro aspectos elementares e inter-relacionados: 
 » o biológico (aumento do bem-estar e melhoria da saúde);
 » o econômico (crescimento financeiro via industrialização);
 » o político (expansão da liberdade, garantia dos direitos e democratização da tomada 
de decisões);
 » o cultural (por meio do enriquecimento da cultura, difusão da educação e avanço 
tecnológico e científico).
não existe desenvolvimento sem um verdadeiro progresso desses quatro aspectos (BUnge, M., 
1989, p. 19-22).
A ignorância das demais dimensões do desenvolvimento, segundo Jean-Pierre dupuy (1980), deu 
origem aos grandes desperdícios e degradações ambientais gerando raridades que capitalismo 
deve contar. A água e o ar, por exemplo, que eram tidos como bens universais, abundantes e 
gratuitos, passaram aser recursos limitados, escassos e caros. Como ele aponta, as empresas, e 
particularmente as indústrias, deverão se preocupar cada vez mais com o meio ambiente, não 
para fazer marketing, ou por filantropia, mas, simplesmente, para poderem continuar ativas. Por 
outro lado, a acumulação de resíduos pelo não consumo total, ou seja, dos excedentes de forma 
geral, devido ao desperdício, atingiu níveis absurdos.
62
AUlA 5 • EDucAçãO AmbiEntAl, DEsEnvOlvimEntO E PrOmOçãO DA sustEntAbiliDADE
Ao repensar todas essas questões, percebe-se 
a atualidade do relatório “Limits to Growth” – 
mesmo sendo este escrito há mais de trinta anos 
(1970) – ao perguntar sobre o que acontecerá 
quando o almejado desenvolvimento econômico 
a que todos os povos estão mobilizados for 
finalmente alcançado no plano mundial? A 
resposta dada pelo Clube de roma, tida por 
alguns como exagerada e apocalíptica, e para outros como realista e profética, foi a de que os 
recursos naturais não renováveis sofreriam uma pressão de tal ordem, que, aliada aos altíssimos 
índices de poluição, promoveriam um colapso econômico total (MeAdoWs et al., 1972, p. 
40-41). drástica ou não, exagerada ou não, simplista ou não, a verdade é que, apesar de todo 
avanço tecnológico conseguido até o presente momento, e de não haverem ameaças visíveis no 
horizonte por enquanto, essa questão continua pairando no ar e ainda não se conseguiu afastá-
la completamente (sACHs, 1975, p. 37).
segundo o Documento preparatório para 
o Summit Mundial de Desenvolvimento 
Social, ocorrido há alguns anos (março de 
1995), elaborado pela UnesCo (1994), o 
desenvolvimento precisa ser encarado como: 
[...] um direito humano 
e as ações destinadas 
a p r o m o v e r u m 
desenvolvimento social 
duradouro são tanto um imperativo ético como uma manifestação de um realismo 
político (...) ele é antes de mais nada social, ele está intimamente relacionado 
com a paz, os direitos humanos, uma forma de governo democrática, o ambiente 
e, sobretudo, a cultura e os estilos de vida da população (UnesCo, 1994, p. 3).
modelos alternativos de desenvolvimento
A existência de diferentes modelos alternativos de desenvolvimento atualmente está diretamente 
ligada ao confrontamento de duas posições radicais que o mundo vem vivenciando: uma que 
defende a manutenção e a expansão dos atuais modos de lapidar os recursos naturais do planeta, 
com doses de capitalismo humanizado; e outra que visa à transformação desses modelos e formas 
de produção, em programas ecologicamente prudentes e economicamente viáveis para todos. 
Sugestão de estudo
em seu livro “sociologia”, edgar Morin (1998) 
explicita a necessidade de se pensar os problemas do 
desenvolvimento como problemas humanos e sociais, 
implicando sempre uma lógica de retorno ao sujeito, 
representado pelo homem ou pela sociedade como um 
todo. Vide Morin (1998, p. 458-459).
Sugestão de estudo
os recursos naturais não renováveis: são aqueles que 
“apresentam um estoque finito e tendem ao esgotamento 
à medida que são explorados”; ao contrário dos recursos 
naturais renováveis, cuja “exploração teoricamente seria 
perpétua, desde que a taxa de exploração seja igual à 
velocidade de sua recuperação”, o que nem sempre é 
levado em consideração.
63
EDucAçãO AmbiEntAl, DEsEnvOlvimEntO E PrOmOçãO DA sustEntAbiliDADE • AUlA 5
A primeira posição, que compreende os modelos de desenvolvimento clássico ou neoclássico, 
entende o desenvolvimento a partir de uma ótica capitalista, em que é associado à acumulação 
de capital aliada à comercialização da mais-valia, tendo por fim a obtenção progressiva de lucro. 
segundo a pesquisadora indiana Vandana shiva (1993), essa concepção desenvolvimentista, bem 
como os planos e as metas de atuação a ela relacionados, envolve muito mais do que simples 
“reprodução de uma forma particular de criação de riquezas”, ela envolve uma “reprodução 
associada de pobreza e privação” (sHiVA, 1993, p. 40). Parece que os mercados e as economias 
planejadas não se aperceberam totalmente do valor dos bens e serviços proporcionados pelo 
meio ambiente, ou dos custos que a sociedade teria de arcar, caso os recursos ambientais fossem 
reduzidos e os serviços que prestam à humanidade fossem prejudicados (UiCn; PnUMA; WWF, 
1991, p. 69).
é justamente a partir da incompetência desse modelo – convencionalmente adotado pelo ocidente 
para resolver as graves dificuldades econômicas do terceiro mundo –, somado aos problemas 
ambientais decorrentes de uma crise ambiental sem precedentes, que se gerou a necessidade 
de modelos novos e alternativos de desenvolvimento (lAYrArgUes, 1997, p. 5), pautados na 
segunda posição mencionada, em que a preocupação com o ambiente e a vida de forma geral 
se faz sentir com maior notoriedade.
Como resultado das ações e estratégias pautadas nesse falido modelo de desenvolvimento 
economicista clássico, que ainda impera internacionalmente, podem-se ressaltar, segundo Alicia 
ibarra (1993), cinco efeitos extremamente trágicos e danosos a nível global: 
1. uma excessiva concentração de riqueza;
2. uma profunda injustiça social manifestada em realidades dramáticas como a de um 
analfabetismo que alcança cerca de um milhão de pessoas e o fato de oitocentos a um 
milhão de pessoas encontrarem-se expostos à fome; 
3. um alarmante esgotamento e deterioração dos recursos naturais e dos sistemas 
sustentadores da vida no planeta; 
4. uma dominação cultural e perda da diversidade cultural, em que numerosos povos e 
etnias têm desaparecido ou estão sob risco de desaparecer, como é o caso de mais de 
noventa grupos diferentes de indígenas no amazonas;
5. uma concentração de poder tanto a nível global quanto no interior dos países, o que 
significa basicamente que a população em geral não participa do processo de tomada 
de decisão sobre assuntos importantes e pertinentes a si (como desenvolvimento, 
pobreza, violência), embora seus efeitos acabem recaindo sobre ela (iBArrA, 1993, p. 
159-160). esses cinco fatores interligados refletem o momento político-histórico-social 
que hoje atravessamos, no qual a necessidade de um desenvolvimento equilibrado a 
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AUlA 5 • EDucAçãO AmbiEntAl, DEsEnvOlvimEntO E PrOmOçãO DA sustEntAbiliDADE
nível mundial transformou-se em uma meta que há muito ultrapassou os limites do 
“urgencial” para se tornar “imperativo”. 
Como esclarece ibarra (1993), especialmente por meio do terceiro efeito negativo destacado, 
o relacionamento entre esse modelo de desenvolvimento e o meio ambiente não tem sido 
feliz, parecendo sempre que um está na “contramão” do outro, gerando uma série de impactos 
ambientais. o que, em outras palavras, significa dizer que, em favor de um desenvolvimento 
crescente e linear, a humanidade sempre optou pela deterioração ambiental, ainda que essa 
prejudicasse a longo prazo o próprio desenvolvimento a que almejava. 
Saiba mais
o iMPACTo AMBienTAl deve ser entendido como um desequilíbrio provocado por um “choque ecológico”, resultante da 
ação do homem sobre o meio ambiente. no entanto, pode ser resultado de acidentes naturais: a explosão de um vulcão, 
meteoro, raio, etc. Pode ser diferenciado em escala local, regional ou global ou por ecossistema afetado: agrícola, urbano.
exemplos: desmatamento de florestas (consequências); destruição da biodiversidade; erosão e empobrecimento dos solos; 
enchente e assoreamento dos rios (extinção das nascentes); problemas de abastecimento de água (rebaixamento do lençol 
freático); redução ou fim de atividades extrativas (impacto socioeconômico); diminuição dos índices pluviométricos; 
elevação das temperaturas (redução dos índices pluviométricos); agravamento dos processos de desertificação; proliferação 
de pragas e doenças (desequilíbrio nas cadeias alimentares); aumento da concentração de gás carbônico na atmosfera – um 
dos principais responsáveispelo efeito estufa; aquecimento global.
Contudo, em resposta a esse ecocídio, o ambiente também reagiu, dando ao homem um “xeque-
mate”: ou ele muda sua forma de relacionamento com a natureza, o que implica acatar novas 
propostas de intercâmbio com ela - passando da dominação à integração e da destruição ao 
respeito – ou muito em breve não haverá mais natureza alguma para as próximas gerações, 
abalando seriamente sua possibilidade de existência. os efeitos sensíveis desse xeque-mate 
– gerado pela insustentabilidade dos atuais modelos economicistas de desenvolvimento – 
manifestam-se, segundo guimarães (1997), nos âmbitos ecológico – “através do empobrecimento 
progressivo do patrimônio natural”; ambiental – “pelo declínio da capacidade de recuperação 
dos ecossistemas”; e político-institucional, já que a ela encontra-se diretamente “relacionada aos 
sistemas institucionais e de poder que controlam a distribuição e o uso dos recursos naturais 
(gUiMArÃes, 1997, p. 14).
importante: Como afirma leis e Viola (1989), a verdade é que esse modelo neoclássico acabou 
alimentando uma concepção materialista de viver, gerando, em consequência, uma perda 
progressiva do sentido da vida. Confira maiores detalhes em: leis; ViolA (1989, p. 5).
ocorrido no período de 13 a 19 de março de 97, o encontro Rio+5 (Rio Plus Five) revelou ao mundo 
que, cinco anos após a realização da Rio-92, a realidade acima sofreu pouquíssimas alterações, 
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EDucAçãO AmbiEntAl, DEsEnvOlvimEntO E PrOmOçãO DA sustEntAbiliDADE • AUlA 5
existindo, ainda, muita coisa precisando sair do papel e se concretizar para a viabilização de uma 
relação mais estável entre o homem e a natureza. 
A situação em que se depara a maioria dos sistemas naturais que permitem a vida no planeta 
ainda é de total precariedade. Apesar do avanço qualitativo – conquistado por meio da instalação 
de Conselhos nacionais de desenvolvimento sustentável e, de forma especial, da implementação 
de versões locais da Agenda 21 em mais de mil cidades espalhadas pelo mundo - caracterizada 
através de algumas inflexões no campo das políticas públicas, a situação mundial continua a 
despertar preocupações, persistindo a nível global, uma série de problemas de toda ordem, 
aliados a uma cooperação internacional aquém dos níveis desejados ou prometidos, que só 
acentuam ainda mais a urgência da implementação e controle mais incisivo de políticas de 
desenvolvimento sustentável. 
Desenvolvimento sustentável ou durável
em 1987, durante a Assembleia geral das nações Unidas, a Comissão Mundial sobre Meio Ambiente 
e Desenvolvimento (CMMAD) apresentou ao mundo uma Agenda global para Mudanças que ficou 
conhecida como o relatório “Our Common Future” (nosso Futuro Comum), coordenado pela 
então primeira ministra da noruega: gro Harlem Brundtland, que tinha como meta a orientação 
dos diferentes países do globo em direção ao desenvolvimento sustentável ou Autossustentável. o 
título escolhido para nomear o relatório, referindo-se a um futuro “nosso e comum”, já expressava 
a essência de seu conteúdo, ressaltando a realidade de estarmos todos em um mesmo planeta 
(nave-mãe), consequentemente sob as mesmas pressões e dificuldades, e onde somente através 
da soma de esforços seria possível obter resultados favoráveis.
Dica do Professor: a CMMAd foi criada na Assembleia geral da onU em 1983, realizando um 
extensivo trabalho de pesquisa e estudos sobre a situação ambiental e econômica do planeta 
em um período de cinco anos (1983-1987). Vide outros detalhes em Herculano (1992, p. 10) e 
layrargues (1996, p. 160-161).
sustentabilidade: segundo Andrade (1993), o termo sustentabilidade foi cunhado pela primeira 
vez em 1713 por Carlowitz, que o empregou para caracterizar uma técnica de uso do solo que 
garantisse durante um longo período rendimentos para a produção florestal (AndrAde, 1993, 
p. 18).
lançando mão de um termo originário da ecologia natural: a sustentabilidade – usado 
para denominar a “tendência dos ecossistemas à estabilidade, à homeostase, ao equilíbrio 
dinâmico, baseado na interdependência e complementaridade das formas vivas diversificadas” 
(HerCUlAno, 1992, p. 13) – e combinando este à noção de desenvolvimento, a CMMAd quis 
mostrar a importância de uma correção dos modelos e das estratégias de desenvolvimento até 
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AUlA 5 • EDucAçãO AmbiEntAl, DEsEnvOlvimEntO E PrOmOçãO DA sustEntAbiliDADE
então empregadas no mundo, de forma a garantir melhor padrão de vida que se “sustentasse” ao 
longo dos séculos. embora alguns autores achassem que os termos em si eram contraditórios, 
a apropriação deles trabalha com a ideia de que “equilibrado” não significa “estacionado”, mas 
em constante movimento, ou melhor, em sucessivas ações para se manter em equilíbrio, o que 
anularia a possibilidade de referências a uma situação de “equilíbrio” como uma situação de 
“imobilidade”.
A utilização do conceito em si não é uma ideia original, já que o próprio relatório do Clube de 
roma, muito antes, também já havia utilizado literalmente o termo sustentável, ao defender 
a importância do desenvolvimento de um sistema mundial sustentável capaz de satisfazer as 
necessidades materiais básicas de todos os habitantes do planeta (MeAdoWs, 1972, p. 98). 
no entanto, apesar de esse e de outros estudos já terem considerado não só a questão das limitações 
externas da capacidade de resistência dos recursos do planeta, mas, também, as necessidades 
internas das necessidades humanas, o relatório Brundtland, como também é conhecido, merece 
destaque pelo mérito de apresentar ao mundo – a partir de um exaustivo trabalho conjunto 
e interdisciplinar de pesquisa – uma proposta nova e atualizada de desenvolvimento social e 
econômico que procurava “atender às necessidades do presente sem comprometer a possibilidade 
das gerações futuras atenderem suas próprias necessidades” (BrUndTlAnd, 1991, p. 46), 
sublinhando as interconexões existentes entre economia, tecnologia, política e sociedade, e 
chamando a atenção da comunidade internacional para a importância “da adoção de uma nova 
postura ética, caracterizada pela responsabilidade tanto entre as gerações, como entre os membros 
contemporâneos da sociedade atual” (BrÜseKe, 1995, p. 33).
Saiba mais
Comissão Brundtland
A Comissão que gerou o relatório Brundtland foi formada por 21 membros, oriundos de diferentes países, em diferentes 
estágios de desenvolvimento. gro-Brundtland patrocinou reuniões em diferentes partes do mundo, inclusive em sP, para se 
discutir problemas ambientais gerais e específicos, bem como as soluções encontradas para estes desde a Conferência de 
estocolmo (1972). 
A noção mais atual de sustentabilidade a define como um conceito sistêmico associado a quatro 
ideias-chave: ambientalmente equilibrado; socialmente aceito; economicamente viável; e 
socialmente justo.
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Saiba mais
CIDADES SUSTENTÁVEIS:
o documento “Cidades sustentáveis” (MMA, 2000), elaborado pelo Ministério do Meio Ambiente em parceria com diversos 
atores do governo e da sociedade civil, sintetiza os debates em torno dos subsídios para elaboração da Agenda 21 Brasileira, 
no que concerne à incorporação da dimensão ambiental nas políticas urbanas vigentes como um dos seis temas centrais 
destacados no processo: Agricultura sustentável; Cidades sustentáveis; infraestrutura e integração regional; gestão dos 
recursos naturais; redução das desigualdades sociais e Tecnologia para o desenvolvimento sustentável.
A proposta do desenvolvimento sustentável é, sem dúvida, a mais conhecida entre as demais aqui 
citadas, sendo, inclusive, a mais divulgada na imprensa e na academia, tornando-se uma espécie 
de “denominador comum no discurso político internacional, na área diplomática e nas atividades 
educacionais e legislativas” (AlMeidA JÚnior,1993, p. 43). entidades internacionais como a 
UnesCo e o Banco Mundial “adotaram-na para marcar uma nova filosofia do desenvolvimento 
que combina eficiência econômica, justiça social e prudência ecológica” (BrÜseKe, 1995, p. 
34-35). Para muitos autores, a adequação “sustentável” em si teria a vantagem de já trazer a 
marca da multirreferencialidade, levando em consideração outros adjetivos como “integrado”, 
“equilibrado” ou “endógeno” e acrescentando a estes o princípio de “equidade entre gerações”, 
aliado À questão dos valores que se agregam ao termo “sustentável”.
supondo uma transformação progressiva da economia e da sociedade, ou melhor, pretendendo 
uma “nova ordem internacional” (HerCUlAno, 1992, p. 11), a proposta do desenvolvimento 
sustentável é endossada como aquela que implica um processo no qual a exploração de recursos, 
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a direção dos investimentos, as mudanças institucionais e a orientação do desenvolvimento 
tecnológico se harmonizariam para reforçar o potencial presente e futuro e garantir a satisfação 
das necessidades e aspirações futuras da humanidade (BrUndTlAnd, 1991; lessA, 1993), 
compreendendo um duplo comprometimento com os seres humanos e a ambiência deles 
(Mendes, 1995, p. 54). entretanto, sua aplicabilidade e consequente possibilidade de sucesso não 
são tarefas fáceis, já que requerem, segundo a Comissão Brundtland, uma complexa sustentação 
de diferentes sistemas interligados e dependentes:
[...] um sistema político que assegure a efetiva participação dos cidadãos no 
processo decisório; um sistema econômico capaz de gerar excedentes e know-
how técnico em bases confiáveis e constantes; um sistema social que possa 
resolver as tensões causadas por um desenvolvimento não equilibrado; um 
sistema de produção que respeite a obrigação de preservar a base ecológica 
do desenvolvimento; um sistema tecnológico que busque constantemente 
novas soluções e um sistema administrativo flexível capaz de autocorrigir 
(BrUndTlAnd, 1991, p. 70).
A dificuldade a que me refiro diz respeito, particularmente, ao montante substancial de recursos 
a serem dispendidos para a sustentação do equilíbrio entre esses sistemas e os subsistemas a eles 
relacionados, o que, na maioria dos casos, especialmente para os países em desenvolvimento, 
constitui-se em uma barreira considerável. Além do custo financeiro, existe uma série de outros 
fatores que, com certeza, também interferem nesse processo, como a falta de conscientização 
política devido aos elevados índices de analfabetismo em muitos países; às graves desigualdades 
sociais e, ainda, às relações desfavoráveis do comércio internacional, tendo em vista o fato de 
que os países detentores dos produtos manufaturados e de tecnologia avançada (valor mais alto 
de mercado) terem sempre maior poder de barganha do que os demais países que negociam 
com matérias-primas. o impasse para aplicabilidade do desenvolvimento sustentável, por meio 
de projetos exequíveis, está justamente na resolução dessas dificuldades, que não devem ser 
encaradas como restrições irremovíveis, mas como desafios a serem superados.
Agenda 21 e o Desenvolvimento sustentável
A elaboração e a aprovação da Agenda 21 pelos países participantes da rio-92 foram marcas 
importantes no processo de análise crítica do modelo de desenvolvimento existente e do futuro 
da humanidade e do planeta, no sentido de que proporcionou um instrumento para enfrentar 
apenas alguns dos desafios principais no mundo contemporâneo: 
 » a eliminação da pobreza; 
 » o aumento da produção de alimentos; 
69
EDucAçãO AmbiEntAl, DEsEnvOlvimEntO E PrOmOçãO DA sustEntAbiliDADE • AUlA 5
 » o aumento e alternativas para a produção de energia, educação, saúde e qualidade de 
vida para todos(as);
 » a preservação e conservação da água e de outros recursos naturais em extinção. 
Sugestão de leitura
Para ter acesso a trechos da Agenda 21, entre neste site do Ministério do Meio Ambiente, e aproveite para conhecer também 
a Agenda 21 brasileira:
<http://www.mma.gov.br/?id_estrutura=18>.
esse é um programa de ação para viabilizar a adoção do desenvolvimento sustentável em 
todos os países ao longo do século XXI. Para alcançar esse fim, a Agenda 21 está dividida em 
quatro seções com um total de 40 capítulos. A primeira seção refere-se às dimensões sociais e 
econômicas; a segunda, à conservação e à gestão dos recursos naturais para o desenvolvimento; a 
terceira, ao fortalecimento dos principais grupos sociais; e a quarta, aos meios de implementação. 
Todos os capítulos são imprescindíveis ao alcance de uma sociedade sustentável, em que se 
destacam os seguintes aspectos:
1. cooperação internacional como a esperança da resolução dos problemas globais e a 
construção de uma economia equitativa;
2. mudança dos padrões de consumo, há o reconhecimento de que as principais causas da 
degradação ininterrupta do meio ambiente são os padrões insustentáveis de consumo 
e produção, especialmente nos países industrializados;
3. necessidade da formulação de políticas nacionais que considerem as tendências e os 
fatores demográficos dentro dos países como ações prioritárias: a erradicação da pobreza, 
melhoria nas condições de moradia e de saúde e o reconhecimento das mulheres nos 
modelos de desenvolvimento (sAnTos, 2000).
4. oferecimento, por parte dos estados, de programas de urbanização para melhorarem as 
condições nas cidades, incluindo: água, saneamento, drenagem, remoção de resíduos, 
emprego pela estimulação do trabalho de microempresas, etc. Ao mesmo tempo, 
melhorarem-se as condições nas áreas rurais e os interesses agrícolas e fornecerem-se 
programas educacionais e de pesquisa;
5. reestruturação do processo de tomadas de decisão para garantir uma participação 
maior do público. nesse sentido, devem-se buscar meios para garantir a coerência entre 
planos, políticas e instrumentos das políticas setoriais, econômicas, sociais e ambientais, 
inclusive as medidas fiscais e o orçamento, nos diversos níveis de atuação;
70
AUlA 5 • EDucAçãO AmbiEntAl, DEsEnvOlvimEntO E PrOmOçãO DA sustEntAbiliDADE
6. necessidade da participação e a cooperação das autoridades locais que são fatores 
determinantes para alcançar seus objetivos, já que os problemas tratados na Agenda 
21 têm suas raízes nas atividades locais;
7. apoio à ciência para assegurar o desenvolvimento sustentável, para oferecer conhecimento 
que permita a formulação de políticas e estratégias adequadas aos objetivos dele;
8. promoção do ensino no ensino formal, não formal e informal, é indispensável para 
promover a sensibilização das pessoas e para conferir consciência, ética, valores, técnicas 
e comportamentos ambientais, em consonância com as exigências desse novo padrão 
de desenvolvimento.
Assim, a Agenda 21 engloba um 
conjunto de contribuições para os 
diferentes setores da sociedade, 
ordenando as grandes questões sobre 
desenvolvimento e meio ambientes, 
de forma a orientar as nações e as 
suas comunidades para o processo 
de transição da nova concepção de 
desenvolvimento e sociedade. segundo 
Berbieri (1997, p. 65), “ela não é um tratado ou convenção capaz de impor vínculos obrigatórios aos 
estados signatários, na realidade é um plano de intenções não mandatário cuja implementação 
depende da vontade política dos governantes e da mobilização da sociedade”.
Com isso, surge a necessidade de divulgá-la para ampliar o debate dentro da sociedade em torno 
da construção de um desenvolvimento comprometido com o meio ambiente. nesse sentido, 
para a implementação de seus programas e recomendações, é necessário que os representantes 
de cada país, estado, município ou região elaborem e implementem suas próprias Agendas 21.
A Agenda 21 brasileira e as Agendas 21 Locais
A partir do acordo assumidopelos países durante a elaboração da Agenda 21 global, esses 
assumiram o compromisso de elaborar e implementar sua própria Agenda 21 nacional. o Brasil 
iniciou o processo de construção dessa agenda no início da década de noventa e só a concluiu 
quase dez anos depois.
A Agenda 21 Brasileira tem por objetivo instituir um modelo de desenvolvimento sustentável a 
partir da avaliação da potencialidade e vulnerabilidade de nosso país, determinando estratégias 
e linhas de ação cooperadas ou partilhadas entre a sociedade civil e o setor público. 
Sugestão de estudo
Pesquise mais sobre a Agenda 21 acessando na internet outros 
sites que destacam suas temáticas. Veja o exemplo do site a seguir, 
que destaca artigos de pessoas envolvidas na área, falando sobre o 
compromisso da população local com os princípios da Agenda 21.
Produto ii – sistematização de 100 experiências exitosas de Agendas 
21 locais no Brasil. Procure por esta publicação no site: <htttp://
mma.gov.br>. Acesso em: 21 ago. 2017. 
71
EDucAçãO AmbiEntAl, DEsEnvOlvimEntO E PrOmOçãO DA sustEntAbiliDADE • AUlA 5
dois documentos compõem a Agenda 21 Brasileira: “Agenda 21 Brasileira – Ações prioritárias”, 
que estabelece os caminhos preferenciais da construção da sustentabilidade brasileira, e “Agenda 
21 Brasileira – Resultado da Consulta Nacional”, produto das discussões realizadas em todo o 
território nacional. o objetivo maior da Agenda 21 Brasileira é o de contribuir para a construção 
e implementação de um novo paradigma de desenvolvimento para o país, mantendo firmes os 
laços entre os atores que promoveram sua construção, ou seja, o governo, a sociedade civil e o 
setor produtivo (empresariado). é um instrumento importante e estratégico por intermédio do 
qual deverá ser construída a ponte entre o modelo de desenvolvimento vigente e o desejado com 
base nas aspirações coletivas de qualidade de vida e sustentabilidade.
A chamada Agenda 21 local é o nome do processo de criação e realização de políticas públicas 
para o desenvolvimento sustentável mediante parcerias entre autoridades locais e os demais 
setores da sociedade por meio de uma agenda. Pode começar por iniciativa tanto do poder 
público quanto da sociedade. o plano de ação de uma Agenda 21 local, um dos primeiros itens 
na elaboração desse tipo de agenda, deve levar em consideração:
 » a visão da comunidade;
 » consenso sobre problemas e oportunidades;
 » metas relativas a cada problema e oportunidade;
 » objetivos para cada meta;
 » indicadores;
 » estratégias de ação para alcançar esses objetivos;
 » uma descrição dos compromissos de cada parceiro na implementação das ações;
 » uma estrutura para a avaliação de progresso, inclusive com indicações das condições 
para que seja iniciado um novo processo de planejamento e ações futuras.
Agenda 21 Escolar
entre as Agendas 21 escolar, merecem especial atenção as Agendas 21 institucionais, como 
é o caso da Agenda 21 escolar. Vejamos, aqui, do que ela trata e os principais passos para sua 
elaboração e implementação. 
Podemos compreender a Agenda 21 escolar como simplesmente a aplicação da Agenda 21 local 
no meio de influência da escola, tanto nos recintos escolares quanto no meio familiar e social, 
onde tal influência é exercida. da mesma forma que as demais agendas, a sustentabilidade social 
e econômica prefigura tanto o atendimento às necessidades humanas, para uma vida digna e 
a proteção do meio ambiente, quanto a proteção do ambiente utilizado pelos cidadãos, como 
formados pelos ecossistemas da região.
72
AUlA 5 • EDucAçãO AmbiEntAl, DEsEnvOlvimEntO E PrOmOçãO DA sustEntAbiliDADE
Vejamos, aqui, de forma sintética, os principais passos para implementação desse tipo de Agenda, 
que, a princípio, pode soar como algo mais complicado do que ela verdadeiramente é:
1º passo: realizar fórum, convocado de maneira oficial, para início dos trabalhos. nesse fórum, 
deverão ser escolhidos os participantes da comissão de trabalho, presidida por um Coordenador 
Técnico, com o resumo dos trabalhos anotados por um relator. A comissão deverá contar, na 
medida do possível, com elementos da escola – tanto do corpo discente quanto do corpo docente, 
da comunidade, do poder público, das lideranças locais, entidades não governamentais, etc.
2º passo: buscar a participação popular para o fórum e as reuniões periódicas da agenda, para 
o auxílio na detecção de problemas e em sua erradicação ou minimização. Buscar o auxílio dos 
órgãos da imprensa, para apoio educacional e jornalístico e de órgãos do poder público ligados 
aos problemas apontados;
3º passo: promover ações dentro da escola, com os alunos, na pesquisa das situações prejudiciais 
ou degradantes e na elaboração de concursos, como redação e poesia sobre temas correlatos, por 
exemplo: “como gostaria de ver minha escola e meu bairro daqui a 10 anos”; gincanas educativas 
e construtivas, jogos cooperativos, atividades que possam despertar o senso de compromisso 
pela comunidade;
4º passo: trabalhar com ações práticas e economicamente viáveis, dentro de um processo de 
educação ambiental entrelaçado com criação de hortas comunitárias, ou hortas individuais, 
coleta seletiva de lixo e comercialização do lixo reciclável, cursos sobre compostagem dos resíduos 
orgânicos e sua aplicação nas hortas comunitárias ou individuais, saneamento e tratamento de 
resíduos nas áreas rurais, etc.;
5º passo: identificar os temas que serão incluídos no documento inicial a ser elaborado pela 
comissão escolhida e que se chamará “Agenda 21 escolar da escola...”, devendo esses temas 
serem identificados pela comissão e pela comunidade participante do fórum. os temas não 
deverão ultrapassar a 12.
6º passo: elaborar projetos e/ou planos estratégicos, ou seja, a discriminação, passo a passo, das 
atividades necessárias à realização dos objetivos previstos em cada um dos temas selecionados 
para a agenda, com cálculo de custos, de recursos materiais e humanos;
7º passo: implementação prática, etapa por etapa, daquelas previstas nos projetos e/ou planos 
estratégicos, angariando os recursos necessários dentro do plano de ação e atendendo às 
necessidades da etapa em andamento.
Pontos a considerar:
 » a agenda deverá ter como focos: a sustentabilidade econômica da comunidade, a 
preservação e implementação de áreas de preservação; o cunho permanente da educação 
73
EDucAçãO AmbiEntAl, DEsEnvOlvimEntO E PrOmOçãO DA sustEntAbiliDADE • AUlA 5
individual, familiar, social e ambiental, interligados dentro das ações previstas na 
agenda; o trabalho cooperativo, a criação de núcleos de apoio social, o fortalecimento 
das instituições oficiais e de lideranças da comunidade;
 » a agenda 21 nunca termina de fato. ela é sempre reconstruída dentro dos fóruns 
de discussão e de acordo com a avaliação dos rumos dos trabalhos, as fontes de 
financiamento, as parcerias, novos problemas que possam surgir, novas soluções 
encontradas, etc.
Provocação
Agenda 21 local de seu estado ou Cidade: analise que fatores foram destacados como problemas e possíveis soluções e, 
finalmente, procure examinar qual seria o papel da educação Ambiental na proposta estudada.
Resumo
nesta aula:
 » tivemos a chance de entender com maior profundidade a relação entre educação 
Ambiental, desenvolvimento e Meio Ambiente;
 » analisamos diferentes concepções de desenvolvimento, das mais clássicas às alternativas;
 » conhecemos as principais propostas de desenvolvimento alternativo sensíveis à causa 
ecológica com ênfase no desenvolvimento sustentável;
 » vimos que sem uma maior integração entre as propostas de desenvolvimento e as 
propostas de preservação, conservação e valorização ambiental será impossível o alcance 
de uma sustentabilidade global;
 » estudamos os principais aspectos da Agenda 21, sua história e importância para o 
enfrentamentoda crise socioambiental;
 » tomamos conhecimento do envolvimento do Brasil na elaboração da Agenda 21 brasileira, 
desde a sua primeira medida em 1994 até os dias de hoje;
 » aprendemos sobre as Agenda 21 locais tendo por Agenda 21 escolar aqui considerada 
nas diferentes etapas do seus processos de elaboração e implementação.
74
Apresentação
nesta última aula, veremos como a crise ambiental está enraizada, de fato, em uma grave crise 
ética, em que os valores pessoais e sociais – marcos de nossa existência – precisam ser repensados 
a partir de uma sintonia maior com a questão ambiental. A sociedade que valoriza o ter como 
sinônimo de realização alimentando o consumismo desenfreado e a destruição ambiental precisa 
valorizar mais o ser e a busca de um equilíbrio maior entre homem e o ambiente. é sobre essa e 
outras questões que estaremos discutindo nesta aula.
Objetivos
esperamos que, após o estudo do conteúdo desta aula, você seja capaz de:
 » entender o que é ética e moral, aprofundando-se na diferenciação entre esses conceitos;
 » compreender a crise ética sobre a qual a crise ecológica atual se apoia;
 » compreender as dimensões éticas “da” e “na” educação Ambiental referentes ao âmbito 
da teoria e da prática da educação Ambiental, respectivamente.
6AUlACRISE ÉTICA E CRISE ECOLóGICA
75
CRISE ÉTICA E CRISE ECOLóGICA • AUlA 6
ética e moral: termos iguais ou diferentes?
embora tradicionalmente utilizados como termos sinônimos, ética e moral podem ser considerados, 
de fato, como conceitos distintos. enquanto a moral é concreta e diz respeito ao nível individual, 
prático e prescritivo, a ética é mais social, teórica e virtual, constituindo-se como um campo 
de análise filosófica voltada ao estudo dos fundamentos e à validação de comportamentos 
socialmente reconhecidos e estimulados (KrÜger, 1998). nesse sentido, a moral se referiria 
ao conjunto de prescrições admitidas em uma época e sociedade determinadas e ao esforço 
devido para se conformar a essas prescrições e segui-las; ao passo que a ética seria a doutrina 
dos costumes, tendo como objeto de estudo a qualificação de condutas em termos do que é bom 
ou mau (ABBAgnAno, 1998).
Muitos autores concordam com essa diferenciação, definindo moral como “um conjunto de 
prescrições destinadas a assegurar uma vida em comum de forma harmoniosa” e ética como “a 
avaliação normativa das ações e do caráter de indivíduos e grupos” (JAPiAssU; MArCondes, 
1996, p. 93).
Todavia, mesmo aceitando com reservas essa distinção no plano teórico, é necessário entender 
que, na prática, as questões concernentes à moral e à ética estão inteiramente imbricadas, sendo, 
portanto, difícil precisar uma separação mais rígida entre os dois conceitos. A moral fornece o 
conteúdo a ser avaliado pela ética, que, por sua vez, alimenta-a estabelecendo, por meio de seu 
julgamento, que tipo de ação ou pensamento seria moral ou amoral. reforçando essa mesclagem 
conceitual, Kremer-Marketti (1989) recorda-nos, ainda, que, na concepção anglo-saxã, a ética 
tem sido definida como a ciência da moral, e a moral, por sua vez, como uma espécie de ética-
normativa (KreMer-MArKeTTi, 1989, p. 7-8). o resultado nada esclarecedor desse debate só 
ratifica a conhecida e vaga afirmação de dussel (1986, p. 118), segundo a qual esse autor sustenta 
que “a ética não pode ser entendida sem a moral”.
independente desse debate conceitual, o fato é que a busca desenfreada pela acumulação de 
riquezas, a dimensão ética do desenvolvimento técnico-científico, foi, durante anos e anos, 
secundarizada e descartada, só vindo a ser recuperada muito recentemente, na segunda metade de 
nosso século, pela pressão de grupos internacionais, de uma minoria de cientistas e pesquisadores 
conscientes e da própria população civil organizada (em que as ongs vão assumir um papel 
fundamental). esses grupos começaram a pressionar a própria razão científica quando, em nome 
dessa, era permitido explorar, oprimir e destruir. A apropriação e o uso dos recursos ambientais 
não escaparam a essa lógica mercadológica, consumista e destrutiva, na qual possuir e dominar 
sempre foram palavras de ordem, marcando, de forma profunda, as relações entre homem e 
meio ambiente através da história. Como aponta Boff (1996), explicitando o engodo, o sonho 
do crescimento ilimitado produziu o subdesenvolvimento de 2/3 da humanidade, a exaustão 
dos sistemas vitais e a desintegração progressiva do equilíbrio ambiental (BoFF, 1996, p. 25). 
76
AUlA 6 • CRISE ÉTICA E CRISE ECOLóGICA
Por isso, afirmamos, de forma convicta, que a crise socioambiental, reflexo da própria crise 
civilizatória com a qual nos deparamos, foi antecipada, sem dúvida alguma, por uma grave crise de 
ética. A ausência de uma postura ética técnico-científica que pudesse ordenar as ações do homem 
sobre a natureza, baseada no respeito mútuo entre esses dois elementos – no reconhecimento tanto 
da dignidade humana quanto do valor da natureza –, ajuda-nos a compreender o agravamento 
da crise de tal ordem que a própria continuidade da vida no planeta encontra-se ameaçada. 
não é por acaso que a origem da palavra ética, advinda da raiz grega ethos (costume), também 
se refere ao local onde o homem vive, mora ou passa grande parte de seu tempo.
A Ética “da” Educação Ambiental
desde que a educação Ambiental começa a despontar no cenário mundial, já nas primeiras 
conferências de que temos registro, como a Conferência de estocolmo (1972), momento em 
que ela é elevada ao status de “assunto oficial” por possuir uma “importância estratégica”, e a 
Conferência de Tbilissi (1977), quando fora destacada, como um de seus objetivos principais, 
a criação de uma consciência de interdependência econômica, política e ecológica do mundo 
moderno, com a finalidade de acentuar o espírito de responsabilidade e de solidariedade entre 
as nações, a dimensão ética da educação Ambiental sempre esteve presente tanto no âmbito 
formal (institucional) quanto no âmbito não formal (sociocomunitário) (CArVAlHo, 2002). 
o questionamento que a educação Ambiental se propõe a promover no sujeito diria respeito ao 
nível mais básico do que podemos denominar como a ética “da” educação Ambiental. inspirado 
em edgard Morin (1998), podemos chamar esse nível primário da ética da educação Ambiental 
de uma “AUToéTiCA” que se fundamenta na própria consciência moral de cada indivíduo. Tudo 
começa a partir de um questionamento interior, que, por conseguinte, é dirigido aos nossos 
valores e critérios pessoais de agir no mundo que nos cerca. é fundamental que essa moral 
íntima e pessoal do público-alvo, a quem a educação ambiental se dirige, venha a ser calcada 
em valores ecologicamente prudentes de se viver no meio ambiente. é a partir do conjunto de 
interrogantes suscitado pelo processo de educação Ambiental que o homem vai se questionar 
sobre sua atuação e papel no habitat onde se insere, percebendo que é possível aproveitar todos 
os benefícios que este tem a nos oferecer, sem necessariamente destruí-lo. Fornecer e provocar 
essas interrogações deve fazer parte das estratégias de qualquer programa de educação Ambiental 
que pretenda alguma eficácia.
o objetivo central da ética que a educação Ambiental pretende disseminar é o de devolver ao 
homem sua condição de membro da vida, participante ativo da teia de interrelações do ecossistema 
do qual faz parte. ela é a base para a promoção de um novo contrato natural, a que Michel serres 
(1991) faz referência, no qual o homem deve abandonar a relação de parasitismo com a natureza 
e passar a encará-la como algo mais do que mero pano de fundo, para desenvolvimento de sua 
espécie. é ainda essa ética da educação Ambiental a responsável por oferecer a sustentação 
77
CRISE ÉTICA E CRISE ECOLóGICA • AUlA 6
necessária, para que o homem perceba, como aponta Morin (1998), a íntima interligaçãode todo 
organismo a um ecossistema qualquer, em uma relação básica e fundamental de dependência/
interdependência. 
Provocação
em sua conhecida obra “o Contrato natural”, Michel serres faz um convite ao ser humano de que este abandone uma 
relação negativa com a natureza e passe a adotar uma postura mais equilibrada na qual a mudança se faz de parasita a parte 
integrante. 
Como você vê esse convite e como entende que a educação ambiental facilitaria uma resposta positiva da população a ele?
o fato de o homem não ser passivo – como grande parte dos animais irracionais –, diante da 
ação que a natureza exerce sobre ele, agindo, transformando, adaptando o meio em que vive, 
não significa que ele tenha necessariamente de assumir uma postura de dominador, ou de plena 
independência para com esse meio. seja em um nível mais micro, como o metabólico, seja em 
um nível mais macro, como o planetário, o homem depende diretamente do meio em que vive, 
bastando imaginar que, se não fosse a presença de elementos naturais como a hidrosfera, que 
resfria o planeta, e a litosfera, que filtra os raios solares, a vida seria inimaginável. 
o reconhecimento dessa realidade, a partir da formação de uma consciência ambiental mais 
ampla, implica a adoção de uma nova lógica de conduta com a natureza, que só assume um 
significado mais amplo, fundamenta-se em uma ética ambiental com profundos reflexos no 
cotidiano da sociedade em geral, criando, assim, uma possibilidade de se inserir no arcabouço 
cultural dela. estimulada e sugerida pela educação Ambiental, a instauração de uma ética 
ecológica vem questionar ainda dois absurdos: o primeiro, de se pensar uma ética apenas para o 
homem; e o segundo, de se pensar uma ética para o homem e outra para a natureza de maneira 
diferenciada. o que se pretende, além de denunciar esses absurdos, é a implantação de uma 
“ética integradora entre todos os seres viventes e suas relações bioecológicas” (siQUeirA, 1991, p. 
17). ou seja, uma ética essencialmente da vida em sua plenitude, enterrando definitivamente o 
mito da independência plena e/ou da “autonomia da razão”, amargas heranças do cartesianismo.
Como analisa grün (1994), é justamente no encontro do homo sapiens, agente moral, dotado de 
direitos, com a natureza, amoral e sem direitos, que surge o espaço da ética ecológica. esta se volta 
para uma questão elementar: a de que, mesmo sem direitos legalmente adquiridos, a natureza 
é dotada de valor, o que requer que as relações com ela estabelecidas estejam pautadas em 
pressupostos éticos de responsabilidade. o valor a que me refiro não é apenas o valor financeiro, 
como querem fazer crer o materialismo dialético e o capitalismo selvagem, mas, sim, seu valor 
essencial, enquanto fator básico para o desenvolvimento do ciclo vital, do qual depende milhares 
78
AUlA 6 • CRISE ÉTICA E CRISE ECOLóGICA
de espécies de seres vivos, entre os quais o homem é apenas um deles (CArVAlHo, 2002). Com 
muita propriedade, siqueira (1998) vai direto ao ponto fundamental dessa discussão: 
A percepção de que “a interdependência do 
homem e da natureza exige uma ética que 
não sobreponha o racional ao irracional, 
mas uma igualdade naquilo que é essencial 
para ambos: a sobrevivência” (siQUeirA, 
1991, p. 17).
entendida como um fator-chave para a 
própria sobrevivência dos seres vivos, tendo como razão axiológica os valores intrínsecos do 
homem e do meio ambiente, a proposição dessa ética ambiental visa a superar a permissiva 
moral socioambiental vigente (utilizada para justificar erros crassos de gestão ambiental), em 
direção a uma ética verdadeiramente libertadora e comprometida com o direito à vida, cada vez 
mais fragilizado no contexto atual. é precisamente essa ética que entendo como passível de ser 
reforçada e alimentada, a partir de um sério, amplo e honesto trabalho de educação Ambiental, 
em que seja possível fornecer a cada cidadão uma espécie de “bússola moral” dirigida a todo 
e qualquer modo de interagir do homem com o meio ambiente, revelando-lhe, senão o rumo 
ideal a seguir, pelo menos o mais apropriado.
A Ética “na” Educação Ambiental
Com emmanuel Kant, aprendemos que uma decisão ética só pode ser resultado de um ato 
racional, fruto da evolução humana, pois supõe um discernimento sobre o bem e o mal. Apoiado 
nessa linha de pensamento Kantiana, é possível apontar a ausência de ética como prova de 
irracionalidade (lAlAnde, 1996). Kant vai afirmar, ainda, que o núcleo da ética é descoberto 
pela investigação da razão prática, assim distinta da razão que ele qualifica como pura e teórica. 
esse caráter prático da razão se manifestaria, segundo Kant, na própria possibilidade de ordenar 
o mundo dos fenômenos, através do pensamento, facultando ao homem decidir sobre o que 
fazer eticamente em seu livre-arbítrio.
seguindo esse percurso Kantiano, e considerando as ideias anteriormente expostas, é possível 
perceber que, enquanto um processo eminentemente educativo, o grande desafio da educação 
Ambiental, sem dúvida alguma, é aquele que se passa a nível ético, tanto da ética que ela pretende 
instaurar, como elemento catalisador de uma nova lógica de relacionamento entre o homem e 
a natureza; quanto do conjunto de valores dos profissionais que, embora atuando nessa área, 
muitas vezes se isolam, evitando interagir com outras entidades de propósitos semelhantes; 
não se desvencilham de vieses político-partidários, mais voltados à efetivação de campanhas 
Sugestão de estudo
é interessante consultar o texto de grün (1994): um debate 
sobre valores éticos em educação Ambiental para um maior 
aprofundamento dessa discussão.
leia e faça um resumo do que poderá ser útil no 
desenvolvimento de sua monografia.
79
CRISE ÉTICA E CRISE ECOLóGICA • AUlA 6
eleitoreiras do que para a realização de um trabalho profícuo de educação Ambiental; ou mesmo 
dos que buscam apenas um espaço na imprensa para autopromoção.
deve-se levar também em consideração que, 
independente da prática de trabalho em 
educação Ambiental – tanto a nível micro, 
como dentro de um internato, por meio de 
oficinas de trabalho (Pedrini, 1998), quanto 
a nível macro, junto a diferentes comunidades de sete bairros do rio de Janeiro, vide Subprojeto 
de Mobilização Social/Participação Comunitária, do Programa de educação Ambiental do PDBG 
–, as pretensões implícitas e explícitas da maior parte dos objetivos a serem alcançados são 
sempre de caráter ético. isso ocorre simplesmente porque o processo de educação Ambiental 
encontra-se a serviço de uma ética integradora, sendo, portanto, inadmissível que os meios a 
serem utilizados para sua aplicação também não fossem escolhidos e administrados segundo 
critérios éticos.
A dimensão ética da educação Ambiental está presente em qualquer projeto de atuação na área, 
desde a sua elaboração inicial, em que se faz necessário ouvir as demandas da população onde 
ela será ministrada e permitir que ela participe do seu processo de elaboração e adaptação; até 
o acompanhamento final dos resultados do trabalho, no qual é preciso aprender com erros, em 
vez de ignorá-los, para que eles não se repitam em um trabalho posterior. A questão é que poucos 
atentam para isso, não lhe assegurando a devida importância.
Movido pelo ideal de que ela venha a ser mais valorizada, entendo que algumas práticas 
metodológicas são fundamentais e devem ser ressaltadas na práxis do agente de educação 
Ambiental, tais quais incentivar à participação, favorecendo o exercício de cidadania da 
população envolvida; promover o diálogo e solidariedade; manter uma postura de aprendiz e 
uma transparência no que concerne ao desenvolvimento das diferentes fases do trabalho realizado 
e dos resultados obtidos com ele. essas práticas, por sua vez, estão inevitavelmente calcadas em 
valores éticos mais amplos como igualdade, honra, integridade, justiça, liberdade,fraternidade e 
paz. o que denominei nesta aula de ética na dimensão ambiental (ética dos meios) refere-se, de 
modo particular, à ética dirigida aos valores e critérios fundamentais, norteadores da práxis do 
profissional de educação Ambiental consciente de seu papel enquanto agente de transformação 
de uma realidade extremamente crítica. são esses valores os responsáveis pela manutenção 
corajosa de uma postura ética diante “dos parcos recursos, da infraestrutura desmontada e de 
salários ridículos” (Pedrini, 1998, p. 70) com os quais o profissional da área é obrigado a viver.
Sugestão de estudo
Conheça melhor o pensamento de emmanuel Kant acessando 
o site: <http://www.mundodosfilosofos.com.br/kant.htm>.
80
AUlA 6 • CRISE ÉTICA E CRISE ECOLóGICA
Para refletir
EDUCAÇÃO OU ADESTRAMENTO?
A educação Ambiental promovida sem o devido cuidado ético pode ser entendida como adestramento, segundo Paula 
Brügger (1994). A dimensão ética, portanto, não apenas amplia a educação Ambiental sob esse ponto de vista, mas, sim, dá 
sentido a ela, uma vez que, diante de sua ausência, ela sequer pode ser assim qualificada.
o fato de reservar especial atenção à dimensão ética do fazer educação Ambiental, mais dirigida à 
sua prática, advém, igualmente, do fato de não querer apresentá-la como uma espécie de “remédio 
milagroso”, solucionador de todos os problemas ambientais. Assim como a educação de modo geral 
pode vir a ser utilizada como instrumento de controle, deturpação, seleção, exclusão, ou, como 
diria Brügger, de “adestramento”, é preciso ter certo cuidado com a maneira pela qual a educação 
Ambiental pode ser utilizada, a partir das intenções de quem a promove e das ideologias sobre 
as quais suas práticas estariam calcadas (BrÜgger, 1994), muitas vezes descompromissadas 
com um exercício mais consciente da cidadania (mediante o desenvolvimento do pensamento 
crítico) ou com uma reflexão ético-ambiental mais ampla e interdisciplinar (CArVAlHo, 2002). 
Além disso, deve-se ter muito claro o fato de que a educação Ambiental constitui-se em uma 
das formas de lutar contra a crise ambiental, uma estratégia a ser utilizada contra esta, mas 
evidentemente não é a única. Mesmo reconhecendo a sua importância, enquanto promotora 
de uma nova consciência ecológica, é inegável que, desligada de uma política ambiental mais 
efetiva, acompanhada de uma legislação rígida, ou de ações voltadas para uma distribuição de 
renda mais igualitária, ou, ainda, para a construção e manutenção de um contexto político-
cultural favorável, estaremos agindo no “vazio” e longe de vislumbrar um futuro socioambiental 
menos desolador. o trabalho com comunidades carentes tem revelado essa complexidade, pois 
é extremamente complicado se falar em ética ambiental, ou de prioridade para as questões 
ambientais, quando não se tem sequer com o que se alimentar.
Para a socióloga Anna Waehneldt (1996), a especificidade da educação Ambiental se dá na 
viabilização do conhecimento do meio ambiente em sua totalidade – por meio de seus diferentes 
aspectos e de suas relações de interdependência – a partir do exame da realidade local, com base 
nas situações vivenciadas no cotidiano da população. Assim, baseada no estudo de problemas 
práticos do dia a dia, ela pretende a adoção de “uma nova postura ética solidária” em relação ao 
meio ambiente. 
Pela definição de Waehneldt, fica explícito o motivo pelo qual o processo de educação Ambiental 
deve estar calcado sobre princípios éticos que despertem a responsabilidade ambiental, pois, caso 
contrário, dificilmente este poderá favorecer ao indivíduo um exercício mais amplo de cidadania 
ecológica, ou seja, por meio de atitudes adequadas à constituição de um meio ambiente equilibrado 
e saudável. é preciso estar muito atento às práticas de trabalho – estratégias de aproximação, 
81
CRISE ÉTICA E CRISE ECOLóGICA • AUlA 6
atuação e mobilização – que temos utilizado no campo, refletindo, entre outras questões, se existe 
um distanciamento entre o discurso ético e democrático e uma prática antiética e autoritária. 
é essencial que o educador ambiental procure se questionar não uma, mas quantas vezes forem 
necessárias, se realmente ele está assumindo uma postura de aprendiz, daquele que está na 
comunidade e/ou instituição, em primeiro lugar, para ouvir e aprender sobre a realidade na 
qual pretende atuar, e não daquele que vem apenas para ensinar, pois já sabe tudo. se realmente 
ele está favorecendo uma atitude de diálogo com a população, ou simplesmente traz soluções 
prontas, desconsiderando as sugestões da comunidade em relação a um projeto já elaborado por 
sua equipe. lembrando que esse tipo de atitude sugere uma comunicação de igual para igual e 
nunca de quem vem de fora para dizer o que é certo ou errado, dizendo-se “o dono da verdade”. 
Qualquer falta nos pontos assinalados é, no mínimo, comprometedora, se não for fatal, para o 
trabalho com educação Ambiental.
Querer ser ouvido e respeitado implica, em primeiro lugar, ouvir e respeitar o outro. isso parece 
uma afirmação banal para alguns, mas é estranho comprovar como praticas elementares são 
inteiramente dispensadas. surge daí a necessidade, em minha forma de entender a questão, 
cada vez mais urgente, de que sejam estabelecidas as bases para um código de ética do educador 
ambiental, isto é, de um conjunto de procedimentos básicos fundamentais para garantir a 
dimensão ética do processo de educação Ambiental na práxis de seus agentes promotores.
Manifestada, por exemplo, no respeito fundamental aos valores culturais, sociais, morais e religiosos 
da lócus de atuação onde o processo de educação Ambiental está sendo implementado. ou, ainda, 
na garantia de que a população tenha a possibilidade de participar do processo de educação 
Ambiental em suas diferentes fases, podendo se defender ou mesmo lutar pelos benefícios que 
o projeto e/ou programa de educação Ambiental se propôs a gerar, além de uma série de outras 
disposições relativas ao próprio trabalho de pesquisa e implementação de políticas nessa área.
o estabelecimento desse código, que deveria ser 
pensado, repensado e efetivado com a participação 
dos diferentes setores envolvidos (órgãos ambientais, 
associações, ongs, universidades, conselhos e 
outros), permitiria explicitar melhor o próprio 
cunho interdisciplinar e político da educação 
Ambiental, que envolve, sem dúvida alguma, uma 
complexidade de processos relativos à participação 
social, à representatividade, à legitimidade e à tomada de decisão, muitos desses insinuados nas 
entrelinhas do artigo 225 da Constituição Federal ou na lei nº 9.795 reFerenTe À PolÍTiCA 
nACionAl dA edUCAÇÃo AMBienTAl. 
sabemos que a educação Ambiental tem uma história recente e que ela ainda está amadurecendo, 
sendo-lhe pertinente uma série de críticas. entretanto, defendo que, enquanto não iniciarmos 
Sugestão de estudo
o desafio da ética Ambiental:
Para explorar mais as discussões desta página, é 
interessante a leitura da obra “ética e educação 
Ambiental”, de Mauro grün, publicado pela 
editora Papirus, 2000.
82
AUlA 6 • CRISE ÉTICA E CRISE ECOLóGICA
esse processo de regulamentação ética – adiando esse processo –, estaremos contribuindo para 
que a educação Ambiental continue sendo desacreditada neste país, em vez de buscarmos 
aperfeiçoá-la, para a dignificação do próprio trabalho que temos realizado.
Resumo
nesta aula:
 » vimos que a crise socioambiental vigente se relaciona diretamente com a crise ética, ou 
seja, uma crise de valores que caracteriza o projeto civilizatório adotado pelo ser humano;
 » tivemos oportunidade de refletir sobre as facetas da ética no plano da educação 
Ambiental: a ética “na” (a que se faz) e a ética “da” educação Ambiental (a que se prega);
 » entendemos melhor como nossos valores podem comprometer o trabalho de educação 
Ambiental emqualquer área. 
Palavras finais
Todos somos educadores ambientais
de certa forma, todos nós somos educadores ambientais. Todos podemos contribuir para fazer 
acontecer uma nova ética pautada em valores ecologicamente saudáveis. eu e você, homens e 
mulheres, jovens e adultos, pobres e ricos, analfabetos e alfabetizados, todos nós, independente 
de cor, sexo, credo, podemos contribuir para a construção de um mundo melhor do ponto de 
vista socioambiental.
não existem exigências específicas para que alguém se torne um educador ambiental, a não 
ser o seu compromisso com a mudança do quadro de problemas formadores da chamada crise 
ambiental. Você não precisa se filiar a nenhuma ong, ter carteirinha ou registro de alguma 
coisa. não é necessário, embora ajude, ter cursos específicos, nem mesmo é obrigatório ter 
conhecimentos técnicos de ecologia. 
Marcos sorrentino, durante uma das Teleconferências de educação Ambiental organizadas pelo 
MeC, em 1997, disse que educador Ambiental é:
[...] todo indivíduo que coloca para si o desafio de implementar a mudança de 
comportamento, essencial para que o Planeta Terra possa sobreviver e oferecer 
condições de vida para pessoas que ainda não nasceram ou que já nasceram 
mas estão excluídas de qualquer benefício.
é difícil precisar exatamente quando alguém se torna um educador ambiental. Alguns começam 
a participar motivados pela defesa de uma espécie animal, ou outro elemento da natureza. 
83
CRISE ÉTICA E CRISE ECOLóGICA • AUlA 6
outros se sensibilizam simplesmente pela prática cotidiana de caminhadas, viagens ou outra 
atividade qualquer na qual a natureza seja um elemento primordial, atribuindo-lhe um valor 
diferenciado. outros, ainda, começam defendendo os direitos democráticos, na luta contra a 
poluição de uma fábrica, ou por uma praça no bairro. e há os que tentam solucionar problemas 
ambientais e, ao mesmo tempo, gerar renda e empregos, por exemplo, pela reciclagem de lixo. 
no meu caso, a porta de entrada foi a universidade por meio de um Programa de Pós-graduação 
Stricto Sensu em ecologia social. A verdade é que as portas da eA são muitas e estão sempre 
abertas a quem deseja delas se aproximar e oferecer suas competências em prol da construção 
de uma sustentabilidade global.
espero que esta disciplina tenha despertado em você o desejo de abraçar a causa ambiental e 
lutar para que o homem e a natureza possam viver em equilíbrio. Comece pelo seu exemplo, 
sua postura consciente e responsável diante de determinadas situações que envolvem o uso 
racional da água, a reciclagem de materiais, o fim do consumismo, a destinação adequada do 
lixo, a preservação de determinadas espécies e lugares especiais e tantas outras questões que 
envolvem uma consciência ambiental. lembre-se de que o seu exemplo, mais do que palavras, é a 
melhor forma de convencer alguém a abraçar o ambientalismo e ser também um futuro educador 
ambiental. isso vale para seus filhos, seus amigos e alunos. Faça a sua parte e deixe que os outras 
vejam e sintam como isso é importante. em casos extremos, denuncie, lembre-se de que, para 
que o mal prospere, basta que o bem se cale. Portanto, se isso for necessário, denuncie ao órgão 
ambiental responsável o que está acontecendo. essa também é uma maneira de construir uma 
sociedade cada vez mais justa e ecologicamente viável.
Uma última palavra para finalizar o 
caderno: não desanime! é comum 
ouvirmos da boca de várias pessoas, 
ou mesmo da mídia em geral, que 
não vale a pena atuar nessa área, 
uma vez que a causa ambiental é 
uma causa perdida. o mundo está 
acabando aos poucos em função 
dos interesses econômicos, e não 
há absolutamente nada que possamos fazer. Tenha cuidado com tais afirmações. é bem verdade 
que a crise ambiental que o homem atravessa não é fácil e que muitas batalhas ambientais foram 
perdidas. Contudo, também é verdade que, se algumas batalhas foram perdidas, muitas outras, 
nem sempre noticiadas, foram ganhas, e a guerra ainda não foi vencida. Tenha certeza de que 
aqueles que veem a natureza apenas como recurso financeiro a ser explorado torcem pela sua 
desistência e farão o possível para convencê-lo de que reagir é perda de tempo, mas isso não é 
verdade. Como educador ambiental, posso garantir, a partir de anos de experiência, que vale a 
pena continuar atuando na área e se orgulhar de que é possível resistir à destruição de nosso 
planeta. experimente e comprove! 
Atenção
Todos nós somos convidados a sermos educadores ambientais dentro de 
nossas possibilidades e limitações. A partir do que conversamos, procure 
refletir sobre como você também poderia ajudar na promoção da 
educação Ambiental. saiba que muitas portas, como o texto esclarece, 
estão abertas para você nesse sentido.
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	Organização do Caderno de Estudos e Pesquisa
	Introdução
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	Introdução: a relação entre educação e meio ambiente
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	Aula
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um mesmo objetivo
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	Educação ambiental, desenvolvimento e promoção 
da sustentabilidade
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	Crise Ética e Crise Ecológica
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