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Rose Mary Gondim Mendonça GEOMORFOLOGIA CÁRSTICA INTRODUÇÃO A geomorfologia cárstica estuda: forma, gênese e dinâmica dos relevos elaborados sobre rochas solúveis pela água Carbonatos e evaporitos, mas também estão inclusas as rochas menos solúveis tais como quartzito e granito Relevo cárstico Corresponde a 10% do globo Permite a preservação de fósseis (Palentologia) e apresenta desenhos rupestres nas cavernas e abrigos (Arqueologia) Feições cársticas – formas de relevo elaboradas por processos de corrosão e abatimento Feições pseudocársticas – feições semelhantes as cársticas, mas elaboradas por processos diferentes Hidrologia subterrânea Associada ao padrão estrutural da rocha É a principal responsável pela forma, gênese e dinâmica do endocarste. Se caracteriza pela presença de surgências e sumidouros, onde o trajeto da água subterrânea é feito em pontos de fraqueza da rocha (poços e galerias) Os cursos de água superficial podem ser de origem autóctone (no carste) ou alóctone (fora do carste) Tipos de caverna Inundada – acelera a corrosão Mista (freática e inundada) GÊNESE Elementos para a elaboração e evolução de relevo cárstico: Rocha solúvel (teor de carbonato e estrutura) Presença de água (principal condicionante) Presença de vegetação Ambiente geoquímico propício (temperatura, pressão, pH, presença de gás carbônico e ácido húmico) Quanto mais espesso e deformado o relevo a feição cárstica resultante é mais complexa Cada relevo cárstico tem sua peculiaridade e dinâmica de evolução Estudos de evolução in loco devem ser realizados, observando agressividade da água, estruturas superficiais de grande porte (exocarste), estruturas superficiais de pequeno porte (epicarste) e subterrânea (endocarste) para se desvendar sobre a evolução Evolução do relevo cárstico Calcários são rochas fundamentalmente constituídas por calcita (carbonato de cálcio: CaCO3). Sendo este mineral facilmente atacado pelos ácidos A água da chuva (H2O) ao cair dissolve o dióxido de carbono (CO2) existente na atmosfera, o que resulta na formação de um ácido fraco - o ácido carbônico (H2CO3) - que lhe confere uma ligeira acidez. Essa acidez é intensificada quando, ao circular pelo solo, a água dissolve os ácidos orgânicos aí existentes A água da chuva que circula pelas diáclases do calcário provoca reação de dissolução da qual resulta bicarbonato de cálcio dissolvido na água. A lenta mas contínua circulação das águas pelas diáclases leva à dissolução do calcário CaCO3 + H2CO3 Ca 2+ + 2HCO3 Por este processo, as fendas vão-se alargando e coalescendo umas com as outras, o que, em casos extremos pode levar à formação de largos e longos canais subterrâneos por onde se dá uma intensa circulação da água (cavernas). De modo geral, as cavernas correspondem a zonas alargadas destes rios subterrâneos Esses processos são naturalmente muito lentos, a água vai obedecendo a lei da gravidade, percorrendo milímetros em séculos Esta reação é reversível e como produto dela tem-se a formação das estruturas calcárias em subsuperfície EVOLUÇÃO DO RELEVO CÁRSTICO Em certas regiões, o subsolo compõe-se de rochas calcárias, podendo ocorrer infiltrações da água das chuvas, que penetra nos corpos rochosos, causando a sua dissolução na forma de bicarbonato de cálcio. Ao se introduzir por juntas e poros dessas rochas, a água vai alargando os vazios, abrindo canais e condutos e, às vezes, cavando grandes espaços ocos (cavernas) Tais cavernas apresentam-se sob a forma de corredores e salões subterrâneos, alguns de grande extensão. A caverna pode ser preenchida por ar, e o rio toma a aparência de um rio exterior, intensificando o processo de erosão, e é neste momento que começa a se formar os espeleotemas Nas cavernas calcárias, ocorre a infiltração das águas superficiais ou de lençóis de água subterrânea, carregadas de bicarbonato de cálcio, que afloram no teto, de onde gotejam. Tais gotas, ao serem expostas ao ar, perdem o gás carbônico dissolvido, assim, o bicarbonato de cálcio volta a forma de carbonato, que por ser insolúvel, precipita-se, formando cristais de calcita No decorrer dos tempos, esses cristais fundem-se em grandes massas pendentes do teto das cavernas; trata-se das estalactites, que assumem as mais variadas formas (colunas, cortinas, figuras de animais, etc.). Por processo semelhante, as gotas de água carregadas de bicarbonato que caem no solo formam as estalagmites. São essas formações que dão extraordinária beleza às grutas calcárias, transformando-as em atrações turísticas Em condições especiais, os cristais de calcita precipitam-se dentro de poças d'água, originando espetaculares estruturas globulares chamadas "pérolas das cavernas" É de se esperar que o interior das cavernas contenha ar com um alto teor de gás carbônico, que se acumula nas partes baixas (o CO2 é mais denso que o ar), especialmente junto ao solo. Esse fato representa um perigo para os exploradores de cavernas e, em alguns casos, chega a impedir a entrada de pequenos animais, que são sufocados por estarem com as narinas mergulhadas no gás carbônico acumulado próximo ao solo No caso de o teto dessas cavernas desabar, há o afundamento do terreno sobrejacente e a formação de depressões afuniladas que são chamadas "dolinas" em superfície ou pode ocorrer o rebaixamento do nível do rio em diferentes níveis na caverna. Eventualmente as depressões acumulam água, dando origem a lagoas mais ou menos circulares O contínuo alargamento das galerias pode ocasionar desmoronamentos das paredes e tetos, processo conhecido como incisão, aumentando os espaços internos. Pode haver um rebaixamento do nível dos rios, desenvolvendo diferentes níveis na caverna As cavernas são classificadas, basicamente, em grutas, predominantemente horizontais e abismos, predominantemente verticais. Elas apresentam, normalmente, os mais variados tipos de acidentes, como tetos baixos, galerias altas, trechos alagados, desmoronamentos, salões amplos etc Num determinado momento os rios podem deixar de correr por certas galerias ou cavernas, os espeleotemas tomam todo ou quase todo o espaço interno da caverna, ou elas são preenchidas por sedimentos, a caverna entra então na sua fase final de existência, pelo menos até a que a água volte a correr por suas galerias retomando o processo que tende a arrasar toda a rocha calcária. Também existem grutas formadas em outros tipos de rochas como o arenito, o domolito, o mármore e até a lava basáltica Nome Onde fica Extensão (m) Toca da Boa Vista Campo Formoso 64.000 Gruta do Padre Santana/S.M. da Vitória 15.800 Lapa do Angélica São Domingos 13.800 Lapa São Mateus III São Domingos 10.828 Lapa Doce II Iraquara 9.800 Lapa São Vicente I São Domingos 9.450 Lapa do Convento Campo formoso 9.200 Gruta da Tapagem Eldorado Paulista 8.262 Lapa da Bezerra São Domingos 8.100 Gruta Olhos D'Água Itacarambi 7.360 Sistema Terra Ronca II /Malhada São Domingos 7.000 Lapa dos Brejões I Irecê/ Morro do Chapéu 6.570 Gruta da Torrinha Iraquara 6.500 Caverna de Santana Iporanga 5.813 Lapa Doce I Iraquara 5.600 Lapa Nova Vazante 4.550 Gruta da Cabana Apiaí 4.106 Lapa do São Mateus II/ EXOCARSTE Dolina - abertura formada em rochas carbonáticas do substrato rochoso; estas rochas são solúveis e dão origem à inúmeras cavernas dolína = Depressões pouco profundas, mais ou menos circulares, com diâmetro variando entre a dezena e a centena de metros dolina de dissolução ou subsidência lenta depressão formada por águas de infiltração, que alargam as fendas dolina de colapso - depressão formada por desmoronamento do teto de caverna subterrânea, - ocorre com maior facilidade em porções calcíticas; - como as cavernas, são as formas mais características dos relevos cársticos Poljé ou planície cárstica - Extensa depressão aplanadaem região calcária. Durante a estação chuvosa é comum os poljés transformarem- se temporariamente em lagos, resultantes da subida do nível das águas que circulam em profundidade Dolina de dissolução Dolina de Abatimento Dolinas Dolina com água em seu interior http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:WOAHdubs.jpg Poljé de Cerknica http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/1/1b/Polj%C3%A9_de_Cerknica.jpg Paisagem típica de relevo cárstico Sumidouro - onde o curso d’água penetra no solo Surgência - afloramento natural da rede de drenagem subterrânea; Uvalas - reunião de dolinas formando uma grande bacia alongada; singular = uvala Vale cego - vale cárstico sem drenagem aérea. Inundável temporariamente; pode ser ou não ser totalmente fechado (rio repentinamente desaparece em sumidouro) Sumidouro Surgencia Uvala Vista aérea do vale cego associado ao sumidouro da caverna Casa de pedra EPICARSTE Lapiás - conjunto de todas as microformas que se estendem na superfície das rochas solúveis Mogotes - morros residuais calcários, com maior ou menor presença de vegetação Torre – forma de relevo residual onde as colinas possuem encostas íngremes sendo separadas por planícies aluviais Formas pinaculadas - formações mais elevadas Cone cárstico – morros com vertentes inclinadas e paredes rochosas, representam morros testemunhos da dissolução Lápias http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://ig.unb.br/glossario/fig/PinnaclesAustralia.jpg&imgrefurl=http://ig.unb.br/glossario/fig/PinnaclesAustralia.htm&usg=__pcz7NxmJr2pqtvaUsh2tZvyM2lg=&h=398&w=590&sz=35&hl=pt-BR&start=1&um=1&itbs=1&tbnid=LqjQNAKYSyO2JM:&tbnh=91&tbnw=135&prev=/images%3Fq%3Dpin%25C3%25A1culos%2Bcalc%25C3%25A1rios%26um%3D1%26hl%3Dpt-BR%26sa%3DG%26rlz%3D1R2SKPB_pt-BRBR344%26tbs%3Disch:1 Mogotes http://images.google.com.br/imgres?imgurl=http://www.cybertruffle.org.uk/vinales/pics/mogote_12.jpg&imgrefurl=http://www.cybertruffle.org.uk/vinales/pics/mogote_12.htm&usg=__TDo3_4M8bY9QW6da3Jq9Phad1P0=&h=480&w=640&sz=65&hl=pt-BR&start=8&um=1&tbnid=opUMTHcvxXYdgM:&tbnh=103&tbnw=137&prev=/images%3Fq%3Dmogotes%26hl%3Dpt-BR%26sa%3DX%26um%3D1 http://images.google.com.br/imgres?imgurl=http://www.alovelyworld.com/webcuba/gimage/cuba004.jpg&imgrefurl=http://www.alovelyworld.com/webcuba/htmes/cuba004.htm&usg=__CweX-D1F0DJksonX3tvlgFlQxJM=&h=880&w=1310&sz=118&hl=pt-BR&start=3&um=1&tbnid=FSsemMCbffa33M:&tbnh=101&tbnw=150&prev=/images%3Fq%3Dmogotes%26hl%3Dpt-BR%26sa%3DX%26um%3D1 http://images.google.com.br/imgres?imgurl=http://www.cybertruffle.org.uk/vinales/pics/mogote_9.jpg&imgrefurl=http://www.cybertruffle.org.uk/vinales/pics/mogote_9.htm&usg=__Im_6CTv-HF1OfzvtPXgl-9YyLxo=&h=480&w=640&sz=61&hl=pt-BR&start=1&um=1&tbnid=lRpgc7ip51irmM:&tbnh=103&tbnw=137&prev=/images%3Fq%3Dmogotes%26hl%3Dpt-BR%26sa%3DX%26um%3D1 Torre Cone Cárstico ENDOCARSTE Caverna – cavidade de forma variada que aparecem mais frequentemente em rochas calcárias. Pode ser formada pela corrosão e abrasão da água subterrânea e por colapso do teto e assoalhos Gruta – horizontal e abismo - vertical Espeleotemas Estalactites – forma pendente do teto de uma gruta e resultante da precipitação do bicarbonato de cálcio trazido em dissolução na água Estalagmites – proveniente de pingos de água que caem do teto da gruta carregados de bicarbonato de cálcio Coluna – formada pela ligação de estalactites e estalagmites no interior da gruta. Cortina – corresponde a chapas de calcita que se desenvolvem a partir do teto da caverna Travertino – calcário poroso sem forma definida Espeleotemas http://images.google.com.br/imgres?imgurl=http://www.irtc.org/ftp/pub/stills/2000-06-30/caverna.jpg&imgrefurl=http://pokemonrpgultimate.forumeiros.com/ilha-fire-f9/moltres-t22.htm&usg=__eTSbrruH9ubkAdI3QrFUFiH_VnU=&h=600&w=800&sz=114&hl=pt-BR&start=2&um=1&tbnid=mpVdEOOkaBVNNM:&tbnh=107&tbnw=143&prev=/images%3Fq%3Dcaverna%26gbv%3D2%26hl%3Dpt-BR%26um%3D1 Gruta rei do mato Caverna do diabo Gruta do Lago Azul