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GEOMORFOLOGIA_C_RSTICA (3)

Notas sobre geomorfologia cárstica por Rose Mary Gondim Mendonça: definição e feições do carste, hidrologia subterrânea, gênese por dissolução de carbonatos, evolução e tipos de cavernas e formação de espeleotemas (estalactites, estalagmites, pérolas).

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Rose Mary Gondim Mendonça
GEOMORFOLOGIA CÁRSTICA
INTRODUÇÃO
 A geomorfologia cárstica estuda: 
 forma, gênese e dinâmica dos relevos 
elaborados sobre rochas solúveis pela água
Carbonatos e evaporitos, mas também estão 
inclusas as rochas menos solúveis tais como 
quartzito e granito
 Relevo cárstico
 Corresponde a 10% do globo
 Permite a preservação de fósseis (Palentologia) e 
apresenta desenhos rupestres nas cavernas e abrigos 
(Arqueologia)
 Feições cársticas – formas de relevo elaboradas por 
processos de corrosão e abatimento
 Feições pseudocársticas – feições semelhantes as 
cársticas, mas elaboradas por processos diferentes
 Hidrologia subterrânea 
 Associada ao padrão estrutural da rocha
 É a principal responsável pela forma, gênese e dinâmica do 
endocarste. 
 Se caracteriza pela presença de surgências e sumidouros, onde o 
trajeto da água subterrânea é feito em pontos de fraqueza da rocha 
(poços e galerias)
 Os cursos de água superficial podem ser de origem autóctone (no 
carste) ou alóctone (fora do carste)
 Tipos de caverna
 Inundada – acelera a corrosão
 Mista (freática e inundada)
GÊNESE
 Elementos para a elaboração e evolução de relevo cárstico:
 Rocha solúvel (teor de carbonato e estrutura)
 Presença de água (principal condicionante)
 Presença de vegetação
 Ambiente geoquímico propício (temperatura, pressão, pH, 
presença de gás carbônico e ácido húmico)
 Quanto mais espesso e deformado o relevo a feição cárstica 
resultante é mais complexa
 Cada relevo cárstico tem sua peculiaridade e dinâmica de 
evolução
 Estudos de evolução in loco devem ser realizados, observando 
agressividade da água, estruturas superficiais de grande porte 
(exocarste), estruturas superficiais de pequeno porte (epicarste) e 
subterrânea (endocarste) para se desvendar sobre a evolução
 Evolução do relevo cárstico
 Calcários são rochas fundamentalmente constituídas por calcita (carbonato 
de cálcio: CaCO3). Sendo este mineral facilmente atacado pelos ácidos
 A água da chuva (H2O) ao cair dissolve o dióxido de carbono (CO2) 
existente na atmosfera, o que resulta na formação de um ácido fraco - o 
ácido carbônico (H2CO3) - que lhe confere uma ligeira acidez. Essa acidez é 
intensificada quando, ao circular pelo solo, a água dissolve os ácidos 
orgânicos aí existentes
 A água da chuva que circula pelas diáclases do calcário provoca reação de 
dissolução da qual resulta bicarbonato de cálcio dissolvido na água. A lenta 
mas contínua circulação das águas pelas diáclases leva à dissolução do calcário
CaCO3 + H2CO3 Ca
2+ + 2HCO3
 Por este processo, as fendas vão-se alargando e coalescendo umas com as 
outras, o que, em casos extremos pode levar à formação de largos e longos 
canais subterrâneos por onde se dá uma intensa circulação da água 
(cavernas). De modo geral, as cavernas correspondem a zonas alargadas 
destes rios subterrâneos
 Esses processos são naturalmente muito lentos, a água vai 
obedecendo a lei da gravidade, percorrendo milímetros em 
séculos
 Esta reação é reversível e como produto dela tem-se a 
formação das estruturas calcárias em subsuperfície
EVOLUÇÃO DO RELEVO CÁRSTICO
 Em certas regiões, o subsolo compõe-se de rochas calcárias, podendo 
ocorrer infiltrações da água das chuvas, que penetra nos corpos 
rochosos, causando a sua dissolução na forma de bicarbonato de cálcio. 
Ao se introduzir por juntas e poros dessas rochas, a água vai alargando os 
vazios, abrindo canais e condutos e, às vezes, cavando grandes espaços 
ocos (cavernas)
 Tais cavernas apresentam-se sob a forma de corredores e salões 
subterrâneos, alguns de grande extensão. A caverna pode ser preenchida 
por ar, e o rio toma a aparência de um rio exterior, intensificando o 
processo de erosão, e é neste momento que começa a se formar os 
espeleotemas
 Nas cavernas calcárias, ocorre a infiltração das águas superficiais ou de 
lençóis de água subterrânea, carregadas de bicarbonato de cálcio, que 
afloram no teto, de onde gotejam. Tais gotas, ao serem expostas ao ar, 
perdem o gás carbônico dissolvido, assim, o bicarbonato de cálcio volta a 
forma de carbonato, que por ser insolúvel, precipita-se, formando 
cristais de calcita
 No decorrer dos tempos, esses cristais fundem-se em grandes massas pendentes 
do teto das cavernas; trata-se das estalactites, que assumem as mais variadas 
formas (colunas, cortinas, figuras de animais, etc.). Por processo 
semelhante, as gotas de água carregadas de bicarbonato que caem no solo 
formam as estalagmites. São essas formações que dão extraordinária beleza às 
grutas calcárias, transformando-as em atrações turísticas
 Em condições especiais, os cristais de calcita precipitam-se dentro de poças 
d'água, originando espetaculares estruturas globulares chamadas "pérolas das 
cavernas"
 É de se esperar que o interior das cavernas contenha ar com um alto teor de gás 
carbônico, que se acumula nas partes baixas (o CO2 é mais denso que o ar), 
especialmente junto ao solo. Esse fato representa um perigo para os 
exploradores de cavernas e, em alguns casos, chega a impedir a entrada de 
pequenos animais, que são sufocados por estarem com as narinas mergulhadas 
no gás carbônico acumulado próximo ao solo
 No caso de o teto dessas cavernas desabar, há o afundamento do terreno 
sobrejacente e a formação de depressões afuniladas que são chamadas 
"dolinas" em superfície ou pode ocorrer o rebaixamento do nível do 
rio em diferentes níveis na caverna. Eventualmente as depressões 
acumulam água, dando origem a lagoas mais ou menos circulares
 O contínuo alargamento das galerias pode ocasionar desmoronamentos 
das paredes e tetos, processo conhecido como incisão, aumentando os 
espaços internos. Pode haver um rebaixamento do nível dos rios, 
desenvolvendo diferentes níveis na caverna
 As cavernas são classificadas, basicamente, em grutas, 
predominantemente horizontais e abismos, predominantemente 
verticais. Elas apresentam, normalmente, os mais variados tipos de 
acidentes, como tetos baixos, galerias altas, trechos alagados, 
desmoronamentos, salões amplos etc
 Num determinado momento os rios podem deixar de correr por certas 
galerias ou cavernas, os espeleotemas tomam todo ou quase todo o 
espaço interno da caverna, ou elas são preenchidas por sedimentos, a 
caverna entra então na sua fase final de existência, pelo menos até a que 
a água volte a correr por suas galerias retomando o processo que tende a 
arrasar toda a rocha calcária. Também existem grutas formadas em 
outros tipos de rochas como o arenito, o domolito, o mármore e até a 
lava basáltica
Nome Onde fica Extensão (m)
Toca da Boa Vista Campo Formoso 64.000
Gruta do Padre Santana/S.M. da Vitória 15.800
Lapa do Angélica São Domingos 13.800
Lapa São Mateus III São Domingos 10.828
Lapa Doce II Iraquara 9.800
Lapa São Vicente I São Domingos 9.450
Lapa do Convento Campo formoso 9.200
Gruta da Tapagem Eldorado Paulista 8.262
Lapa da Bezerra São Domingos 8.100
Gruta Olhos D'Água Itacarambi 7.360
Sistema Terra Ronca II 
/Malhada
São Domingos 7.000
Lapa dos Brejões I Irecê/ Morro do Chapéu 6.570
Gruta da Torrinha Iraquara 6.500
Caverna de Santana Iporanga 5.813
Lapa Doce I Iraquara 5.600
Lapa Nova Vazante 4.550
Gruta da Cabana Apiaí 4.106
Lapa do São Mateus II/ 
EXOCARSTE
 Dolina - abertura formada em rochas carbonáticas do substrato 
rochoso; estas rochas são solúveis e dão origem à inúmeras cavernas 
dolína = Depressões pouco profundas, mais ou menos circulares, com diâmetro 
variando entre a dezena e a centena de metros 
 dolina de dissolução ou subsidência lenta depressão formada por águas de 
infiltração, que alargam as fendas
 dolina de colapso - depressão formada por desmoronamento do teto de 
caverna subterrânea, - ocorre com maior facilidade em porções calcíticas; -
como as cavernas, são as formas mais características dos relevos cársticos
 Poljé ou planície cárstica - Extensa depressão aplanadaem região 
calcária. Durante a estação chuvosa é comum os poljés transformarem-
se temporariamente em lagos, resultantes da subida do nível das águas 
que circulam em profundidade
Dolina de dissolução
Dolina de Abatimento
Dolinas
Dolina com água em seu interior
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:WOAHdubs.jpg
Poljé de Cerknica
http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/1/1b/Polj%C3%A9_de_Cerknica.jpg
Paisagem típica de relevo cárstico
 Sumidouro - onde o curso d’água penetra no solo
 Surgência - afloramento natural da rede de drenagem 
subterrânea;
 Uvalas - reunião de dolinas formando uma grande bacia 
alongada; singular = uvala
 Vale cego - vale cárstico sem drenagem aérea. Inundável 
temporariamente; pode ser ou não ser totalmente fechado 
(rio repentinamente desaparece em sumidouro)
Sumidouro
Surgencia
Uvala
Vista aérea do vale cego associado ao sumidouro da caverna Casa de pedra
EPICARSTE
 Lapiás - conjunto de todas as microformas que se estendem na 
superfície das rochas solúveis
 Mogotes - morros residuais calcários, com maior ou menor 
presença de vegetação
 Torre – forma de relevo residual onde as colinas possuem 
encostas íngremes sendo separadas por planícies aluviais
 Formas pinaculadas - formações mais elevadas
 Cone cárstico – morros com vertentes inclinadas e paredes 
rochosas, representam morros testemunhos da dissolução
Lápias
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Mogotes
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Torre 
Cone Cárstico
ENDOCARSTE
 Caverna – cavidade de forma variada que aparecem mais 
frequentemente em rochas calcárias. Pode ser formada pela 
corrosão e abrasão da água subterrânea e por colapso do teto e 
assoalhos
 Gruta – horizontal e abismo - vertical
 Espeleotemas
 Estalactites – forma pendente do teto de uma gruta e resultante da 
precipitação do bicarbonato de cálcio trazido em dissolução na água
 Estalagmites – proveniente de pingos de água que caem do teto da 
gruta carregados de bicarbonato de cálcio
 Coluna – formada pela ligação de estalactites e estalagmites no 
interior da gruta.
 Cortina – corresponde a chapas de calcita que se desenvolvem a 
partir do teto da caverna
 Travertino – calcário poroso sem forma definida
Espeleotemas
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Gruta rei do mato
Caverna do diabo
Gruta do Lago Azul