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Fundamentos da Homeopatia

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Alberts. Porto Alegre, Artes médicas, 1997. O 
paradigma da medicina é materialista, por excelência. O paradigma da homeopatia é vitalista. 
“Eu devo dizer que posso preparar uréia sem precisar de um rim ou de um animal, seja ele homem ou 
cachorro” Esta frase, escrita há 165 anos, pelo jovem químico alemão Wöhler, marcou um final para a 
convicção em uma força vital especial que existe em organismos vivos e origina suas distintas propriedades e 
produtos. Porém, o que era uma revelação no tempo de Wöhler é, hoje, um conhecimento comum - criaturas 
Evolução da Medicina e da Homeopatia 19
 
vivas são feitas de substâncias químicas, as quais obedecem simplesmente às leis da química e da física. Isto 
não quer dizer que mistérios não deixaram de existir na biologia, existem muitas áreas de ignorância, como 
ficará claro nos próximos capítulos. Cap. 2. Pequenas moléculas, energia e biossíntese. Biologia molecular da 
célula. Bruce Alberts. 
Leituras 
♦ O espírito da doutrina homeopática. Hahenmann. 
♦ Substância simples. Kent, Lição VIII. Filosofia. 
♦ O vitalismo de Hahnemann. Denis Demarque, em Homeopatia: medicina de base experimental. 
♦ Homeopatia e vitalismo. Paulo Rosenbaum. Robe editorial, SP, 1996. 
A natureza imaterial do homem. Marcus Zulian Teixeira. Editorial Petrus, 2000. 
Evolução do pensamento vitalista 
• A concepção vitalista é básica para a compreensão da doutrina e técnica da homeopatia. 
Hinduísmo 
O vedanta considera os seguintes elementos constitutivos do ser: 
• Deus, o espírito divino, é a única substância real, tudo em todos no universo. 
• Alma, self, Atman: a essência do ser humano, reflexo individualizado do espírito, criada à semelhança do 
espírito. A alma manifesta: 1) a bem-aventurança e a força criadora do espírito em sua Vontade (vasana) 
com Alegria (bhoga). 2) o sentimento onisciente do Espírito em sua Consciência (chetana). Entendimento 
que vivencia a Bem-aventurança (bhokta). 
• Substância mental, Chitta, o coração: dotada de consciência e do poder de sentir. É o campo onde se 
processarão as experiências mentais. É o 10 véu que encobre a alma. Nela se reflete a consciência do Self 
(alma), e é o verdadeiro coração do homem e onde aparece a idéia da existência separada do Self, que 
constitui o Ego (ahamkara). Este estado calmo do campo, ao mofificar-se pelos objetos das percepões, se 
polariza em Inteligência discriminativa (buddhi), que discrimina o que é falso e verdadeiro e tende a atrair 
para a verdadeira natureza do homem, a alma e na Mente (manas), que através dos órgãos dos sentidos, dos 
desejos e da ação, tende a afastar o homem de sua natureza real e o inclina para a satisfação dos desejos 
surgidos da percepção dos objetos e do meio. Buddi é o 20 véu que encobre a alma e manas é o 30 véu que 
encobre a alma. 
• Energia vital, Prana: anima e mantém em funcionamento os instrumentos de expressão da alma, 
constituindo seu corpo energético. A força vital ou prana é o 40 véu que encobre a alma. 
• Corpo físico: as diferentes vibrações da energia se condensam na constituição dos corpos materiais, 
sólidos, líquidos e gasosos e formam assim o corpo material do homem, o 50 véu que encobre a alma. 
Hipócrates (460-377 a.C) 
Admitia no homem e animais uma natureza que agia instintivamente. A alma agiria através do cérebro, sob o 
organismo inteiro, e dela dependiam a atividade vital e da consciência. A atividade terapêutica do médico seria 
apenas de assistir os esforços curativos do organismo. Não é de se estranhar que a cura pelos semelhantes esteja 
nestes escritos. Considerava a physis - um princípio universal pelo qual todas as coisas tendiam à harmonia e 
equilíbrio. Atua em todos os seres vivos e inanimados. Não confundir este conceito com a força vital em 
Hahnemann ou Barthez. 
O bom médico é que sabe ajustar a variedade dos tratamentos específicos à infinidade de maneiras diferentes 
que o organismo utiliza em seu combate contra a doença. Isto exige um conhecimento da physis comum a a todos 
e a physis individual. A medicina Hipocrática era essencialmente individualizante. A vis medicatrix naturae é o 
médico das enfermidades, favorecendo as eliminações, substituições mórbidas, recuperação das lesões e 
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Curso de Homeopatia
 
restabelecendo o equilíbrio. Cabe ao médico, acima de tudo não prejudicar e assistir aos esforços curativos do 
organismo. 
O corpus
 
Hipocrático é um conjunto heterogêneo de mais de 70 obras onde se encontra a polaridade das 
concepções médicas empíricas e racionalistas, como demonstrou Coulter em Divided Legacy. 
A natureza da doença não é radicalmente diferente da saúde. As duas estão num continuum representando os 
graus de alguns dos humores constituintes. Esta visão holística traz como conseqüência dois colorários: a) os 
sintomas não tem significado absoluto em si mesmos, mas devem ser considerados em função do que revelam da 
luta entre a vitalidade do organismo e a doença. b) os sintomas são a única fonte de conhecimento do processo da 
enfermidade, desde que não é possível obter um conhecimento analítico a priori da reação vital holística do 
organismo. 
Aristóteles (384-322 a.C) 
Aristóteles, discípulo de Platão, admitia uma distinção entre a alma e o corpo, mas estão unidos num 
composto único, indissociável. Embora Aristóteles não tenha sido principalmente um pensador médico, seu 
pensamento é importante para a história das correntes terapêuticas. 
Tomaz de Aquino (1225-1274) 
Para Santo Tomaz a alma é indivisível e tem faculdades ou potências que a capacitam para as diversas 
funções: a) racionais: o intelecto e a vontade; b) sensitivas: os sentidos, o senso comum, a memória, a 
imaginação, a motricidade; c) vegetativas: generativa, nutritiva, aumentativa. 
O homem é uma unidade de alma e corpo, não uma alma em um corpo. A alma move o corpo e o corpo move 
a alma, pois toda mudança no corpo é uma mudança desta unidade consubstancial. Mas o corpo não move a alma, 
sem a alma, pois depende de suas potências para atuar. 
Masi Elizalde usa o referencial da filosofia Tomista para a compreensão da enfermidade e interpretação das 
patogenesias e afirma que as concepções de Hahnemann coincidem com as de Santo Tomaz. 
Stahl (1660-1734) 
O princípio do movimento vital é a alma, a alma racional, única constituinte do homem e que se manifesta 
unida ao corpo. Os órgãos são apenas os instrumentos da alma. Stahl é considerado o fundador do animismo. 
Conceitua o princípio vital como a força análoga à alma, mas diferente dela, mas também distinta dos fenômenos 
físico-químicos e pela qual os fenômenos vitais são explicados. 
Considera um absurdo tratar as doenças por remédios contrários e que estas devem ser tratadas pelos 
semelhantes, similia similibus. 
Leibniz 
Desenvolveu a teoria que cada coisa é uma mônada, completamente separada, em harmonia com Deus e 
separada da experiência externa. Cada corpo teria um conjunto de mônadas, sendo a alma a mônada superior que 
preside um conjunto de mônadas. 
Von Haller (1708-1777) 
É o iniciador da fisiologia pura. Distingue entre forma e função dos seres vivos, isto é, entre a forma biológica 
e força que a determina. Segundo o mecanicismo, é a forma que determina a função. Para os vitalistas, a anatomia 
é o resultado visível de uma força vital formadora e configuradora da matéria. 
Barthez (1734-1806) 
Paul Joseph Barthez, médico de Luiz XVI e Napoleão I, foi um dos mais ilustres representantes da escola de 
Montpellier. Esta escola, influenciada por Stahl, foi o baluarte das idéias vitalistas. 
Com Barthez ocorre uma separação entre o animismo e o vitalismo. Descreve uma estrutura ternária do ser 
humano: uma alma espiritual racional, um corpo material e um princípio que anima a matéria. O princípio vital 
confere ao corpo animal suas diversas propriedades biológicas. Expressão deste princípio

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