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Fundamentos da Homeopatia

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em termos da doutrina moderna do método científico. 
As três regras de Hahneman impuseram uma severa disciplina ao médico. Elas reduziram a um 
mínimo o elemento “artístico” na prática da medicina. Uma rígida atenção aos sintomas poderia, a 
princípio, levar a um, e somente um, remédio. Além disso, a história do movimento homeopático 
mostrou que Hahnemann estava correto, desde que os médicos conscenciosos e bastante hábeis 
pudessem concordar na maioria das vezes com o remédio indicado, em qualquer caso. 
Finalmente, os Hahnemanianos concordaram que a rigorosa observância desse método poderia 
conduzir à cura em todos os casos onde a cura é possível. Aqui eles se desviaram de um argumento 
filosófico para um histórico. A história da homeopatia, em suas visões, mostrou que os que seguiram 
Hahnemann mais de perto tiveram os melhores resultados de cura. Além disso, esse foi o único teste 
de precisão da doutrina médica, e esse foi o único critério de natureza científica de uma doutrina 
médica. Nós citamos James Tyler Kent: 
O que pode haver mais na ciência médica do que um conhecimento de como curar o doente? O 
médico cientista , quando é perguntado o que ele sabe, deve dizer: Eu sei como curar o doente. Se ele 
realmente sabe, ele tem o conhecimento e é científico. Se ele não tem esse conhecimento, que ele 
finge ter, ele é um falso e um impostor. 
A beleza da doutrina homeopática é que ela traz ao alcance do médico a totalidade da 
farmacoterapia existente por oferecer um método de distinção dentre todos os possíveis remédios em 
um dado caso. Ao mesmo tempo, entretanto impõe uma grande e dura responsabilidade sobre o 
médico, visto que em qualquer caso particular há , a princípio, somente um remédio correto. Todos os 
outros medicamentos que restaram não resolvem. O médico deve encontrar o remédio correto, e se o 
paciente não se recuperar, o médico deve assumir a responsabilidade. 
É claro, pacientes não vivem para sempre sob cuidados homeopáticos. Como qualquer outro 
médico, o homeopata tem a sua parte de fatalidades, e ele não a utiliza para refletir sua competência 
profissional. Esse fator, todavia, foi um sério elemento na polêmica do movimento da homeopatia do 
século XIX. A rígida doutrina Hahnemanniana para curar servia tanto para restringir a liberdade dos 
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médicos quanto para aumentar sua responsabilidade. O resultado foi mais forte do que muitos 
poderiam suportar, e eles reagiram tentando evadir a força total da doutrina Hahnemanniana, 
reivindicando que a formulação do fundador era antiga e precisava de uma revisão para levar em 
consideração as descobertas patológicas mais recentes. 
Os líderes da homeopatia do século XIX – homens como Hering, Adolph Lippe e Carrol Dunham 
– aderiram estritamente às três regras de Hahnemann. Os médicos menos conscienciosos e menos 
capazes , entretanto, ressentiram-se da tutelagem exercida pelos líderes do movimento e reclamaram 
que isto infringia a liberdade profissional deles. Seus ressentimentos tomaram a forma de oposição às 
três regras. 
Este último grupo se tornou conhecido como os homens das “baixas potências”, visto que um 
elemento em sua rejeição de Hahnemann era uma relutância ao emprego de medicamentos no limite 
ultramolecular da dose, isto é, além das diluições : 12º centesimal ou 24º decimal. Os 
Hahnemannianos , do outro lado, aceitaram a diluição de remédios além do limite de Avogadro e 
realmente alegavam que estes manifestavam seus efeitos somente nesses níveis. Assim eles foram 
chamados de grupo das “altas potências”. 
O conflito sobre diluições ultramoleculares entretanto, somente simbolizou a profunda oposição 
entre as duas facções sobre a questão de conformidade às regras terapêuticas de Hahnemann. Os 
“altas”, em qualquer caso, também fizeram uso das potências baixas, enquanto que os “baixas” 
preferiram somente as baixas potências e raramente usavam as altas. Mais significativo na polêmica 
era a determinação dos “baixas” de afastarem-se da homeopatia Hahnemanniana e reestruturar a 
doutrina ao longo de linhas alopatas. Isso os conduziu para mais perto da prática da alopatia até que 
finalmente eles tinham mais em comum com seus adversários profissionais do que com seus irmãos 
homeopatas . 
A divisão na doutrina da homeopatia foi sentida primeiramente na Germânia em 1822. 
Hahnemann estabeleceu que todo homeopata teria que aceitar a lei dos similares, o remédio único e a 
dose mínima como condição “sine qua non” para a prática da homeopatia. Os que aderiram 
anteriormente a seu sistema, entretanto, incluíam um número de alopatas convertidos que acharam 
difícil abandonar completamente todos seus aprendizados de médicos anteriores. Quando eles se 
viam incapazes de descobrir o remédio homeopático correto, eles retornavam aos procedimentos não 
homeopáticos tradicionais. A persistente oposição de Hahnemann a isto, deu origem a uma disputa 
acirrada entre os homeopatas “puros” e os homeopatas “livres” em 1822 quando o último grupo em 
Leipzing , fundou um periódico homeopático para apoiar seus pontos de vista . 
Os homeopatas “livres” de Leipzig escreveram as bases gerais de suas posições em um anúncio 
impresso , em 1832, onde lê-se em parte : 
Embora todos os membros desta associação tenham em alta conta a teoria homeopática de cura ,é 
preciso que fique estabelecido o princípio pelo qual cada médico científico , em sua prática da arte de 
curar , deve ser inteiramente guiado pelas suas próprias convicções ... 
Dr. Moritz Mueller deu uma justificativa adicional para essa oposição em uma carta a Hahnemann 
afirmando que pode haver mais conversões à homeopatia se for permitido ao médico o retorno aos 
procedimentos tradicionais em casos de necessidade. Como os médicos cada vez mais se tornavam 
adeptos era de se esperar que eles empregariam mais e mais a homeopatia pura . Assim ele 
recomendou paciência como técnica para incrementar a extensão da homeopatia, e esse método usado 
para resolver o conflito entre os “altas” e os “baixas” emergiria mais tarde naquele século.(3) 
Fossem o que fossem as virtudes de Hahnemann, elas não incluíam tolerância para os “meio” 
homeopatas. Ele expressou sua opinião pessoal numa carta para um amigo, em 1823: 
Os “Convertidos” são somente híbridos, anfíbios, que em sua maioria ainda rastejam no lodo do 
pântano alopático e que raramente ousam elevar suas cabeças em liberdade em direção à verdade 
etérea. 
O tema de que a verdadeira “liberdade” em medicina vem somente da obediência a uma lei 
específica , era recorrente nos argumentos dos “altas”. 
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A discussão foi ratificada em 1833 ,em um acordo assinado por ambas as facções definindo os 
principais pilares da Homeopatia , da seguinte maneira: 
Adesão irrestrita ao princípio de Similia Similibus e consequentemente 
Evitar todos os métodos “antipáticos” de tratamento, sempre que for possível alcançar o objetivo 
através dos medicamentos homeopáticos; e portanto o mais possível 
Evitar todos os remédios positivos e os que enfraquecem pelos seus efeitos colaterais posteriores; 
consequentemente evitar todos os métodos de sangria , de evacuação por baixo ou por cima e de 
todos os remédios que causam dor, inflamação ou bolhas, queimaduras , punções e etc 
Evitar os remédios selecionados e destinados somente para estimular, cujos efeitos posteriores são 
enfraquecedores de qualquer modo. 
As expressões, “evitar sempre que possível ...” e “onde for possível ...” eram cláusulas de escape 
que facilitavam aos homeopatas “livres” assinar o acordo, e esta fonte de discórdia continuou 
importunando a homeopatia em todos os países. 
Nos Estados Unidos o antagonismo existiu desde o início. Um alopata escreveu em 1842 que ao 
homeopatas estavam divididos em três classes: (1) “os que assumem a figura de Hahneman 
integralmente (2) os que professam a prática da homeopatia mas só receitam

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