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Fundamentos da Homeopatia

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tem tido o hábito de protestar contra com veemencia. Nenhum médico homeopata verdadeiramente 
humano se opõe ao uso de paliativos , desde que estes realmente paliem o sofrimento sem agravar a 
doença quando o efeito paliativo passar . 
Um emplastro de mostarda, um cataplasma, um emplastro reconstituinte , um laxante fraco, um 
pouco de morfina, etc. são usadas por todo médico humano simpatizante de nossa escola sempre que 
for melhor para o paciente a medicação paliativa ... uma compreensão verdadeira do espírito do 
método homeopático de tratamento é completamente oposta às opiniões de alguns poucos 
exclusivistas de nossa escola, que subordinaria a vítima da doença ao formato? técnico de uma 
fórmula.(95) 
Quando a teoria sobre os germes causando a doença virou moda, muitos consideraram-na uma 
razão adicional para abandonar a Lei dos Semelhantes. O uso de medicamentos que presumivelmente 
matavam o germe ou a bactéria era visto como o mesmo que remover a causa material (a qual 
Hahneman, é claro, permitiu). Daqui por diante, foi assegurado que tais causas materiais “não eram 
limitadas a substâncias tais como moedas de cobre ou maçãs verdes, mas incluíam substâncias 
microscópicas em tamanho, porém infernais em atividade ...(96) 
Porque eles estavam usando paliativos – medicamentos que não são homeopáticos para os 
sintomas dos pacientes, os “baixas” foram forçados a aumentar o tamanho de suas doses para obter 
algum efeito. C. J. Hempel, como de costume, era o líder em justificar essa prática. 
Um médico homeopata tem o direito, sem violar a lei pela qual ele professa ser guiado no 
tratamento de doenças, de recorrer a doses mínimas de quinina no tratamento de vários paroxismos 
intermitentes ; ou administrar as doses, cinco ou dez gotas do extrato fluido de Digitalis em 
hidropisia; ou a tintura forte de raiz de aconito em gôta e reumatismo...(97) 
A tentação de usar paliativos era especialmente forte quando se tratava de doenças cuja cura 
homeopática era muito demorada . Em gonorréia, por exemplo, os “baixas” recorriam ao uso de 
injeções na uretra: 
A uretra de um homem será mais sensível do que de outro, então você pode ter que sentir e 
desenvolver a intensidade correta. 
Alguns dos ultra homeopatas consideram injeções prejudiciais e não aplicariam uma cataplasma 
ou um emplastro mostarda, tão medrosos que eles são em relação à metástase. Eu acredito que 
injeções têm feito mal, mas se a injeção apropriada for aplicada na forma correta e na hora correta, 
isso será benéfico. 
Se eu não tivesse nada no mundo para escolher a não ser medicamentos de uso interno ou injeções 
, eu tomaria as injeções em todos os casos(98). 
Rejeição do Remédio Único 
Finalmente, os “baixas” rejeitaram a regra de Hahneman de que somente um único medicamento 
deve ser administrado de cada vez. O Instituto tem tido dificuldade com esse problema desde 1855 
quando se resolveu que “combinar muitos medicamentos em uma receita” era uma “prática irregular e 
subversiva aos interesses da homeopatia “e que qualquer um culpado desta prática seria expulso.(99) 
Nos anos de 1880, entretanto, o Instituto foi ocupado , precisamente por este tipo de homeopata, e 
a literatura ficou cheia de apologias à mistura de medicamentos: C. J. Hempel reportou casos de 
erisipela tratadas com tintura de aconito e Belladonna alternadamente; sangramento interno tratado 
com aconito e Arnica alternados , depois phosphoric acid e Hyoscyamus alternados, etc.(100) Outro 
escreveu: “Eu posso normalmente reduzir os remédios para três ou quatro; eu não acho que eles 
antidotem um ao outro”(101). Um terceiro afirmou que ele deu dois remédios juntos em uma febre 
intermitente, um para agir no sistema cérebro espinal e outro que age no sistema nervoso 
simpático(102). Um método típico dos “ baixa potência” para o tratamento de malária foi relatado 
como se segue: 
O doutor dividiu as vinte e quatro horas em três períodos de oito horas cada um. O primeiro deles 
ele chamou de período de calafrio e nessas oito horas ele deu ao seu paciente uma dose de Nux 
vomica a cada trinta minutos. O segundo ele chamou de calor (heat) e no decorrer do mesmo ele 
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administrou Arsenicum a cada trinta minutos. O terceiro ele chamou de suor e ao longo deste o doutor 
deu China a cada 30 minutos. Então o paciente tomou quarenta e oito doses de medicamento em vinte 
e quatro horas,e tanto quanto pode ser observado, nenhum deles tendo qualquer relação real com o 
caso ...(103) 
A mistura de medicamentos às vezes era justificada pelo argumento de que a Matéria Médica 
ainda estava incompleta.(104) 
* * * 
Não estamos surpresos em saber que os “baixas”, rejeitando as três regras terapêuticas de 
Hahneman, também rejeitaram a existência da força vital no organismo. A doutrina de Hahneman, 
sendo baseada na premissa da existência de um poder reativo no organismo, necessariamente implica 
na aceitação da idéia de um vis medicatrix naturae. Os “baixas”, entretanto, queriam basear seus 
medicamentos em uma fisiologia materialista: 
Nós rejeitamos a hipótese do princípio vital como uma teoria não científica ... como cientistas nós 
consideramos matéria e força como definitivos ... e mais especificamente nós somos contra fazer 
disto o fundamento da arte homeopática de curar . 
Se a força vital existe em estruturas vivas, certamente nossos fisiologistas acreditavam 
devotadamente neste princípio; mas isso foi conseqüência da incapacidade deles em explicar de outra 
maneira o fenômeno das estruturas vivas. Os fisiologistas mais modernos , entretanto, têm 
investigado o corpo, inteiramente mas não encontraram lugar para a hipótese da força vital ... tão 
absurda doutrina não suportará o toque da ciência exata sequer por um momento. Sendo somente uma 
relíquia do antigo sistema metafísico de filosofia, que aceitou um nome em vez de uma 
explicação.(106) 
Os “altas”, é claro, continuaram a aceitar a força vital como a que “no organismo humano , 
enquanto nele presente, preserva suas partes na integridade dos tecidos e das funções e quando 
removida, passa ao domínio das leis que reduzem tudo à dissolução destrutiva.”(107) 
Aspectos Psicológicos do Conflito entre os “Altas” e “Baixas” 
Os “baixas afirmavam que a proposta de sua reavaliação da doutrina Hahnemaniana era tornar a 
doutrina mais científica. Por trás desse esforço, entretanto, estava seu desejo da autorização para a 
prática da medicina do seu jeito, sem interferência de qualquer autoridade profissional, viva ou 
morta: 
Nós somos pessoas livres, não limitadas por nenhuma lei.(108) 
Nós devemos ter mais liberdade. Eu aprovo Hahneman completamente , mas eu não chamarei 
qualquer homem, seja quem ele possa ser , de “mestre”.(109) 
Eu sou um médico responsável diante de Deus e de minha consciência ... Eu tenho como meu 
dever , quando eu estou ao lado do leito de um paciente , fazer tudo que puder e adotar todo e 
qualquer recurso que conheço para abrandar a dor do paciente, e devo fazer isso a despeito de 
qualquer organização existente sob o sol e manter-me responsável por minha própria 
consciência.(110) 
A Sociedade Médica de Homeopatia do Estado de Nova York em 1878 , resolveu que: 
embora firmemente acreditando que o princípio, Similia similibus curantur, constitui o melhor 
guia na seleção de remédios, e pretendendo levar adiante este princípio da melhor maneira que puder, 
esta crença não nos exclui de reconhecer e fazer uso dos resultados de qualquer experiência, e nós 
devemos exercitar e defender o direito inviolável de todo médico formado de fazer uso, na prática , 
de qualquer princípio estabelecido dentro da ciência médica, ou de qualquer fato terapêutico 
encontrado em experimentos e /ou verificados pela experiência, desde que, no seu julgamento 
individual, eles tendam a promover o bem estar de todos os que estão sob seus cuidados 
profissionais.(111)

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