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1. INTRODUÇÃO
Nas últimas décadas, o perfil demográfico mundial tem apresentado mudanças significativas em sua caracterização. Este fato ocorre, em parte, em virtude do rápido crescimento populacional que, muito recentemente, foi impulsionado especialmente por uma maior expectativa de vida. Atualmente, a média é de 66 anos, enquanto que em 1950 era de, apenas, 48 anos. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), no ano de 2025 a expectativa de vida pode chegar a 73 anos (OMS, 2000).
O Brasil vive o fenômeno do envelhecimento de sua população, a expectativa de vida ao nascer mais que dobrou do início do século XX até os dias atuais. Segundo estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2009 havia cerca de 19 milhões de idosos no país, o que representava aproximadamente 10% do total da população nacional, sendo mantida uma tendência de crescimento deste grupo etário para os próximos anos. Esse acelerado crescimento da população idosa brasileira vem exigindo a construção de estratégias e políticas visando à promoção do envelhecimento saudável e a garantia dos direitos humanos, uma vez que o envelhecimento da população torna mais visíveis problemáticas antes consideradas "silenciosas", como o fenômeno da violência contra a pessoa idosa.
O projeto tem como tema: Violência contra o idoso: violência física e psicológica contra idosos no contexto familiar.
Estudos demonstram que a maioria das queixas de violência contra idosos refere-se à violência praticada por parentes. Noventa por cento dos casos de violência contra esse grupo ocorrem no interior dos lares; 2/3 dos agressores são filhos homens, noras, genros e cônjuges, e há uma forte associação nos casos em que o agressor físico e emocional usa drogas. Contribuem para a maior vulnerabilidade os seguintes fatores: o agressor viver na mesma casa que a vítima; existirem relações de dependência financeira entre pais e filhos; o ambiente de pouca comunicação, pouco afeto e vínculos frouxos na família; o isolamento social da família e da pessoa idosa; haver história de violência na família; o cuidador ter sido vítima de violência doméstica; e a presença de qualquer tipo de sofrimento mental ou psiquiátrico. Em relação à violência cometida contra idosos, estudos mostram a dificuldade das vítimas de revelarem os maus-tratos, seja por constrangimento, seja por temor a punições e retaliações de seus agressores.
A violência doméstica contra o idoso causa prejuízos psicológicos e incapacidades funcionais. O fato chama atenção a uma responsabilidade maior pelo idoso e requer do Governo a necessidade de melhorias nas políticas de saúde pública com a de proporcionar o bem estar nesta fase da vida.
É importante criar estratégias de intervenção que contemple agressor e agredido. A psicoeducação consiste na habilidade da comunicação didática, ou seja, a transmissão do conhecimento e informações é essencial. Esse tipo de intervenção auxilia no gerenciamento de sentimentos como desespero, medo, estigma, baixo autoestima e aumenta o funcionamento social.
2. JUSTIFICATIVA
O processo de envelhecimento populacional vem ocasionando uma gradual reorganização da estrutura familiar. Diante disto, torna-se necessária a criação de um ambiente onde a velhice não seja percebida de maneira negativa e as necessidades do idoso possam acompanhar o ritmo e estilo de vida dos demais integrantes da família.
Muitas vezes a família tem dificuldades em aceitar e entender o envelhecimento de um ente, tornando o relacionamento familiar mais difícil. Assim, o espaço familiar tem sido palco de inúmeras formas de violência que afetam os mais frágeis, entre os quais estão os idosos. O idoso perde a posição de comando e decisão que estava acostumado a exercer e as relações na família transformam-se, deixando-as carregadas de conflitos e tensões emocionais de difícil solução.
Com isso, perde, pois, sua identidade, e com o passar do tempo pode vir a ser vítima de violência física e, inclusive, de agressões que podem comprometer-lhe ou tirar-lhe a vida. Quando o idoso deixa de ser sujeito de si mesmo, a violência passa a figurar no rol de questões mais amplas, que perpassam a construção da cidadania em um ambiente democrático (FREITAS OLIVEIRA; SILVA PIRES; MANUEL, 2009).
3. OBJETIVOS
3.1 Objetivo Geral
Analisar a violência familiar contra o idoso enquanto forma de desconstrução de sua figura valorativa no âmbito social e os prejuízos psicológicos e incapacidades funcionais dos mesmos.
3.2 Objetivos Específicos
· Investigar as causas que levam a violência contra o idoso;
· Identificar os prejuízos psicológicos e as incapacidades funcionais decorrentes dessas violências.
· Relatar a percepção do idoso quanto a violência sofrida.
4. REFERENCIAL TEÓRICO
4.1 O envelhecimento: conceitos e definições.
A velhice faz parte do curso natural da vida: nascer, crescer, amadurecer, envelhecer e morrer. As transformações que as caracterizam têm origem no próprio organismo e ocorrem, gradualmente, no dia a dia, posto que não se envelheça subitamente, mas vai-se envelhecendo ao longo dos anos (MASCARO, 2004).
A literatura científica apresenta distintos conceitos para o envelhecimento. Tais conceitos têm considerado diferentes aspectos do desenvolvimento humano, passando pelos campos biológico, social, psicológico e cultural. Contudo, ainda não é possível encontrar uma definição de envelhecimento que envolva os complicados caminhos que levam o indivíduo a envelhecer e como este processo é vivenciado e representado pelos próprios idosos e pela sociedade em geral (Carvalho Filho & Papaléo Netto, 2006; Uchôa, 2003).
Corroborando este pensar, Brêtas (2003) diz que: 
O envelhecimento é um processo complexo, pluridimensional, revestido por aquisições individuais e coletivas, fenômenos inseparáveis e simultâneos. Por mais que o ato de envelhecer seja individual, o ser humano vive na esfera coletiva e como tal, sofre as influências da sociedade. A vida não é só biológica, ela é social e culturalmente construída, portanto pode-se dizer que os estágios da vida apresentam diferentes significados e duração (p. 298).
Na verdade, dentro do momento histórico atual, tem crescido a preocupação, principalmente nas áreas da Ciência Médica, com a influência do ambiente onde o homem insere-se, à exposição ao estresse e ao estilo de vida adotado pelo mesmo, ao longo de sua vida. Estes fatores podem acelerar ou retardar o envelhecimento do corpo, como também causar enfermidades. Trabalhos como os de Gava e Zanoni (2005) e de Celich e Spadari (2008), mostram a importância da alimentação e da atividade física, como fatores influenciadores de todo o processo.
4.2 A violência contra o idoso.
A violência entre seres humanos parece fazer parte da própria história da humanidade. No entanto, alguns aspectos e causas da violência são mais facilmente percebidos do que outros, com variações decorrentes dos sistemas de valores e econômicos das sociedades em que se inserem.
A violência contra idosos deve ser compreendida como parte do contexto das grandes mudanças que as famílias tradicionais passaram nas últimas décadas. Nesse ínterim, os idosos têm figurado como vítimas dos mais diversos tipos de violência, que podem incorrer em insultos e agressões físicas perpetradas pelos próprios familiares e cuidadores, configurando a chamada violência doméstica. Podem, ainda, sofrer maus-tratos sofridos em transportes públicos e instituições públicas. Inclui-se, também, a própria violência decorrente de políticas econômicas e sociais que tendem a manter ou aumentar as desigualdades socioeconômicas ou de normas socioculturais que legitimem o uso da violência, denominada de violência social.

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