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VIOLÊNCIA DOMÉSTICA CONTRA AS MULHERES (CASO DE ESTUDO ESTABELECIMENTO PENITENCIÁRIO DE VIANA)

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EPÍGRAFE
“A violência destrói o que ela pretende defender: a dignidade da vida, a liberdade do ser humano”. 
João Paulo II
	
DEDICATÓRIA 
Aos meus pais Sabino Kussumua in memorian e Maria Luísa Tchova.
AGRADECIMENTOS
Agradeço a Deus por me ter dado capacidades e inteligência; a minha família e parentes pelo apoio, incentivo e encorajamento que deram durante o percurso académico; ao meu esposo por todo carinho, companheirismo e apoio, e, sobretudo no momento da elaboração deste trabalho; ao Tenente General António Fernandes (Dolize) pelo incentivo para que eu apostasse na continuidade da minha formação; ao Sr. Manuel Salgado dos Santos Melhor pelo apoio e incentivo; aos professores pelos ensinamentos transmitidos; a Dra Adelina L. Nascimento Alberto, minha orientadora, pela disponibilidade, ensinamentos
transmitidos e confiança que sempre manifestou na condução deste trabalho; aos colegas pela solidariedade demonstrada ao longo de várias jornadas académicas; a todos aqueles que, de forma consciente ou inconsciente, directa ou indirectamente, contribuíram para que nunca me desviasse do objectivo a que me tinha proposto. 
RESUMO
O trabalho a que nos propusemos aborda a violência doméstica contra as mulheres, caso de estudo Estabelecimento penitenciário de Viana. 
Violência doméstica é qualquer acto, de omissão ou ameaça que provoque nas suas vítimas danos físicos, psicológicos ou emocionais, o grifo é nosso. Para este trabalho foram traçados objectivos que visam compreender as causas da violência doméstica contra as mulheres no bairro Kalawenda e avaliar as características dessa violência, suas consequências e tecer algumas reflexões sobre o fenómeno. Como teorias, buscamos a teoria da Aprendizagem social e a teoria da Frustração e Agressão.
Para o estudo, utilizamos o método quantitativo assim como foram utilizados instrumentos como a caneta, papel, esferográfica, computador. Com resultado obtido da pesquisa identificamos três formas e mais frequentes de violência doméstica, nomeadamente a que é praticada sobre as crianças, sobre as mulheres e sobre os idosos. 
Concluímos que a frustração pode levar os indivíduos a comportamento agressivo. Contudo, a agressão não é apenas resultado de frustração.
Palavras-chave: Violência doméstica, Família, Mulher e Agressão.
ABSTRACT
The present work of monograph titled Domestic Violence Against Women case study: penitentiary establishment of Viana.
Neighborhood. Being that domestic violence is any act, including omission or threat that causes in its victims physical, psychological ore motional damages. Objectives were designed to understand the causes of domestic violence against women in the Kalawenda neighborhood and to assess the characteristics of this violence its consequences and to reflect on the phenomenon. As theories, we seek the theory of social learning and the theory of frustration and aggression.
For this we use the quantitative method and the instruments were. Pen, ballpoint paper, techniques: questionnaires and interview. 
There sultsobtained have seen the victims can at least identify three basic and more frequent forms of domestic violence, namely that which is practiced on children, women and the elderly. 
In conclusion we say that frustration can lead individuals to aggressive be havior. However, aggression is not only a result of frustration. 
Keywords: domestic, violence, family, women and aggression. 
ÍNDICE
EPÍGRAFE	II
DEDICATÓRIA	III
AGRADECIMENTOS	IV
RESUMO	V
ABSTRACT	VI
INTRODUÇÃO	8
CAPÍTULO I. ENQUADRAMENTO HISTÓRICO SOBRE A VIOLÊNCIA DOMÉSTICA	14
1.1.	ENQUADRAMENTO HISTÓRICO	14
1.2.	DEFINIÇÕES SOBRE A VIOLȆNCIA DOMÉSTICA	15
1.3.	FACTORES DA VIOLÊNCIA DOMÉSTICA	15
1.4.	A INFLUÊNCIA DOS MÍDIAS NA VIOLÊNCIA DOMÉSTICA	16
1.5.	O PAPEL DA FAMÍLIA	17
1.6.	TIPOS DE FAMÍLIA	18
CAPÍTULO II - VIOLÊNCIA DOMÉSTICA ENQUADRAMENTO JURÍDICO	20
2.1. A LEI CONTRA A VIOLÊNCIA DOMÉSTICA	20
2.2. TEORIA DA FRUSTRAÇÃO E AGRESSÃO	21
2.3. TEORIA DA APRENDIZAGEM SOCIAL	23
CAPITULO III- APRESENTAÇÃO, ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS RESULTADOS	25
3.1. CARACTERIZAÇÃO DO LOCAL DE ESTUDO	25
3.2. DIVISÃO ADMINISTRATIVA DA UNIDADE PENITENCIÁRIA	25
3.3. APRESENTAÇÃO DOS DADOS EM TABELAS E GRÁFICOS	26
3.4. DISCUSSÃO DOS RESULTADOS	36
CONCLUSÃO	38
SUGESTÃO	40
REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFIAS	41
APÊNDICE	42
ANEXOS	46
VII
INTRODUÇÃO
A Violência doméstica é «qualquer acto, inclusive de omissão, ou ameaça que provoca nas suas vítimas danos físicos, psicológicos ou emocionais; que é praticado por pessoas com quem aquelas têm uma relação de parentesco consanguíneo, legal ou de facto com uma determinada intenção ou finalidade; e refere-se aos tipos mais frequentes de violência, designadamente à que é cometida contra as crianças, as mulheres e os idosos» (Dias, 2010: 94).
Quando falamos de violência doméstica, não podemos pensar num fenómeno social novo, mas numa realidade que à medida que avançam as sociedades, tem adquirido formatos novos e configurações nunca antes pensadas. A violência doméstica tem sido recorrente e aumenta a preocupação das sociedades, pois actualmente nela fazem-se acompanhar crimes dos mais hediondos nas nossas vidas.
A sua conexão com a família aumenta a admiração e dúvida na mente das pessoas que o reflectem, daí muitas vezes se pergunta: o que se está a passar de facto? Como pode, que dá família acontecem violências dos tipos que temos registado, mães a matarem os seus filhos, mulheres a massacrarem os menores, pais a assassinarem as filhas, netos a violar as avós, como pode? O que está na base disso? Que relações se podem fazer às economias de mercado? Que ligação têm esses problemas com a globalização?
A violência doméstica não é um fenómeno novo porque há já muito tempo se registou casos de agressão no seio familiar. Muito em função da superioridade atribuída ao homem, nas nossas casas sempre foi recorrente casos de espancamentos, principalmente sendo a mulher e os filhos as vítimas. Hoje isso ainda acontece, mas outras tendências aumentaram.
Na sociedade angolana, como exemplo, um número acentuado dos seus membros já cometeu algum tipo de violência contra o outro elemento da família. Não é só o pai que bate hoje, as mães já batem, ferem os maridos, os filhos fazem o mesmo.
Em 2011, em Angola houve a necessidade de se instituir os mecanismos de controlo deste problema que desestrutura as famílias. Foi criada a lei contra a violência doméstica nº 25/11, de 14 de Julho.
Alexander defende que “a violência doméstica inclui o abuso contra mulheres, o abuso de menores, o incesto, a violação entre os cônjuges, bem como o abuso contra pais, irmãos e outros familiares” (Dias, 2010: 93).
Depreende-se desta definição que este fenómeno abrange a violação a mulher, violação à infância, a relação com familiares, o abuso entre casais, assim entre filhos dos mesmos pais e / ou alguns da mesma família.
Muito se diz que a definição de violência depende muito de cada país. Pagelow defende que “a violência doméstica inclui qualquer acto, inclusive de omissão, por parte dos membros da família, e quaisquer condições que resultam de tais acções ou inacções, privando os outros membros de direitos e liberdades iguais, e/ou interferindo com o seu desenvolvimento normal e a sua liberdade de escolha” (Dias, 2010: 92).
Nesta definição, percebe-se uma preocupação do autor em incluir uma visão normal e, ou geral do fenómeno. Não há muito que se discuta desta visão, uma vez que de um modo geral, a violência doméstica abrange a privação, omissão, que afectam o desenvolvimento do indivíduo.
Segundo Walile (2012,P.67) “durante muito tempo, foi atribuído a violência, a ideia de «força», e este significado era aplicado apenas aos actos de violência física. Assim, durante muito tempo, quando se tratasse de violência pressupunha-se o uso da força, os maus tratos físicos, agressão física”.
Mas hoje, já não se concebe da mesma forma, visto que uma ideia assim estaria muito longe daactual realidade. A violência doméstica tem outros contornos e abrange outras dimensões para além da física. Crianças são abandonadas, oprimidas, discriminadas, limitadas de alguns direitos, obrigadas a fazer certas coisas, mulheres são esforçadas e muito mais formas de abuso aos direitos e liberdades das mais variadas formas.
IDENTIFICAÇÃO DO PROBLEMA
Muitos dos aspectos relacionados aos novos contornos do fenómeno são atribuídas às consequências do capitalismo. Esta relação tem muito a ver com o facto de o capitalismo ser um sistema aberto, rompendo com os tipos de redes comunitárias tradicionais e dando espaço para novas formas de reunião e relação das pessoas.
Não é menos importante e relevante referir que a violência doméstica é uma consequência dos conflitos que se passaram no país. Não é discurso regressista, nem retardado, há que admitir que a guerra nos deixou sequelas que ainda hoje são visíveis. 
A emancipação leva-nos a observar outra motivação. Os homens ainda não estão preparados para aceitar pacificamente, a ideia de liberdade, direitos e igualdades do género. 
Quanto a agressão, não existe muito consenso sobre este conceito, sobretudo a sua origem. Porém, os autores todos destacam a existência de esforço cujo fim é causar um dano próprio ou ao outro. Bandura refere‑se a agressão como “comportamento que resulta em dano pessoal ou patrimonial” (apud Frasquilho 2011: 35).
Como se vê, a perspectiva de Bandura ressalta duas dimensões, a interna e externa, ou seja, o comportamento agressivo pode ser para prejuízo próprio ou alheio. Diferentemente, outros autores levam o conceito mais na perspectiva de causar mal ao outro, ou seja, mais para fora do causador.
Scherer, Abeles e Fischer consideram‑na um “comportamento intencional para magoar outrem da mesma espécie” e Baron postula um “comportamento directamente dirigido ao objectivo de destruir, prejudicar outro ser vivo que está motivado para evitar tal tratamento” (apud Frasquilho 2011: 35-36).
Desta feita, o problema da violência doméstica será aqui abordado de uma forma abrangente, e nos dedicaremos a perceber se trata de um problema desenvolvido dentro de casa, se trata de um problema com contornos das sociedades pós-modernas caracterizadas por uma luta social que para muitos chega a ser frustrante, quando não se alcançam os objectivos à hora para a satisfação das necessidades pessoais e familiares, ou se trata de um problema caracterizado por um comportamento aprendido na infância, fruto das experiências negativas com os pais.
Diante desta, levantamos a seguinte pergunta de partida: “Até que ponto a violência doméstica contra as mulheres afectam negativamente a estrutura familiar, sendo que muitas mães encontram-se detidas?
Objectivo geral
· Compreender as causas da violência doméstica contra as mulheres.
Objectivos específicos
· Avaliar as sequelas da violência doméstica contra as mulheres no presídio de Viana;
· Destacar de que forma os homens encaram a ideia da emancipação das mulheres;
· Verificar as consequências da violência na relação entre filhos e pais. 
HIPÓTESES
H1. - A violência doméstica em Angola está muito ligada aos problemas do passado como a guerra que assolou o país durante alguns anos. As famílias ainda não se livraram das lembranças deste fenómeno, porque muitos pais, mães ainda guardam lembranças frustrantes desta fase do país.
H2. - O alcoolismo é um grande motivador para a agressão, pois, pessoas recorrentemente embriagadas, perdem a noção de limites, direitos e deveres e respeito pelo outro.
H3. - O medo, o tabu da emancipação provoca na mente de alguns homens uma revolta, o que os leva a usar linguagem agressiva, a força para mostrar a sua superioridade sobre a mulher. 
H4. - A família tem um grande papel na formação da personalidade da pessoa, daí que se conclui que muitos que hoje apresentam comportamentos agressivos dentro das suas casas, são provenientes de famílias com pais também agressivos.
Justificativa do Estudo
Podemos aqui avançar três razões que nos motivaram o levantamento do estudo. 
a) Necessidade de exercitar os conhecimentos adquiridos ao longo da formação, sobretudo, as técnicas para a elaboração de um trabalho de pesquisa;
b) Compreender as causas e consequências da violência no seio das famílias; 
c) Por últimos, emitir a nossa opinião e/crítica sobre o fenómeno. 
Metodologia
 “(...) método em pesquisa, significa a escolha de procedimentos sistemáticos para a descrição e explicação de fenómenos” (Richardson, 1989: 29). Desta forma, todo trabalho de pesquisa deve ser planificado e executado de acordo com as normas que acompanham cada método.
Segundo Rodrigues (2007: 8-9) existem várias formas de conceber a pesquisa quanto aos objectivos e quanto à forma de abordagem. Desta feita, as pesquisas quanto à forma de abordagem podem ser: quantitativa e qualitativo. Concordando com Rodrigues, Ramos et al (2005 apud Dalfovoet al 2008: 6) também as classificam da mesma forma. 
Diehl (2004 apud Dalfovoet al 2008: 6-7) argumenta que, a escolha do método depende da natureza do problema, bem como de acordo com o nível de aprofundamento e que estes métodos são diferenciados, além da forma de abordagem do problema, pela sistemática pertinente a cada um deles. 
Na nossa investigação optamos por uma pesquisa de índole quantitativa, que nos possiblitou o uso da quantificação, tanto na coleta quanto no tratamento das informações, utilizando técnicas estatísticas, objetivando resultados que evitem possíveis distorções de análise e interpretação, possibilitando uma maior margem de segurança.
Instrumentos e Técnicas de Pesquisa
	A técnica usada foi o questionário porque é uma das técnicas de colecta de dados muito eficaz, com o questionário conseguimos obter informações quanto aos estímulos ou experiências em que a pessoa ficou exposta. Os resultados desta técnica facilita a apresentação análise e interpretação dos resultados.
População e amostra
A nossa população alvo são as reclusas do presídio de Viana, com cerca de 5556 reclusas.
De maneira geral, vários autores classificaram como partes de uma pesquisa a população como o conjunto ou peça deste conjunto. Apesar ainda de alguns autores classificarem amostra também como população, a amostra tem como corpo uma fracção da população delineada na pesquisa (Dalfovo 2008: 4).
Amostra é uma pequena porção de alguma coisa dada para ver, provar ou analisar, a fim de que a qualidade do todo possa ser avaliada ou julgada (dicionário electrónico de Língua Portuguesa). Deste modo a nossa amostra é de 50 reclusas.
Variáveis da pesquisa
Uma variável pode ser considerada uma classificação ou medida; uma quantidade que varia um conceito que contém ou apresenta valores; aspecto, propriedade ou factor.
Variáveis independente: Violência domestica contra a mulher. 
Variáveis dependente: a situação emocional da família.
Procedimentos éticos da nossa pesquisa
Consentimento
Desta conseguimos escolher algumas pessoas e em função das disponibilidades fizemos as entrevistas. Durante as entrevistas procuramos obter o consentimento das pessoas entrevistadas para que elas pudessem aceitar e dar a sua contribuição ao trabalho, isto é, sensibilizando-as. 
Confidencialidade 
É dever do psicólogo respeitar o sigilo profissional a fim de proteger, por meio da confidencialidade, a intimidade das pessoas, grupos ou organizações, a que tenha acesso no exercício profissional (Ibid).
	
Estrutura do trabalho
Mensurando os elementos pré-textuais: podemos distinguir introdução, a relevância do estudo para nossa sociedade, os objectivos, a importância estudo, a delimitação e limitação, a definição dos termos e conceitos e por último a visão geral sobre a metodologia.
O primeiro capítulo nos remete a um enquadramento histórico sobre a violência doméstica, ou seja, abordamos os pontos principais que ajudam na compreensão do trabalho, apresentamos teorias que facilitam na compreensão da violência doméstica contra as mulheres; no segundo, os tipos de violência, factores da violência e influênciados mídias (papel da família, tipo de família e a lei contra a violência doméstica). Por ultimo, o terceiro capítulo, a análise e interpretação dos resultados, a discussão dos resultados.
Por fim nos elementos pós-textuais realçamos: conclusões, sugestões e as referências bibliográficas. Também temos anexos e apêndices.
CAPÍTULO I. ENQUADRAMENTO HISTÓRICO SOBRE A VIOLÊNCIA DOMÉSTICA
1.1. ENQUADRAMENTO HISTÓRICO
A violência doméstica é um fenómeno que tem assumido, por todo o mundo, proporções bastante elevadas e que só foi denunciado a partir dos anos 60/70 pelos movimentos feministas. Em termos mais simples, violência significa uso da força física, psicológica ou intelectual contra outrem. É incomodar, é impedir a outra pessoa de manifestar seu desejo e sua vontade, sob pena de viver gravemente ameaçada ou até mesmo ser espancada, lesionada ou morta. É um meio de coagir ou submeter outrem ao seu domínio, é uma violação dos direitos essenciais do ser humano (Souza et al 2008: 14).
Dentro ou fora do lar, existem muitas formas de violar a liberdade de um indivíduo. A violência costuma ser dividida em violência emocional ou psicológica, física e sexual. Estas são os tipos de violências mais divulgadas e muito frequentes, permitindo segundo alguns autores, outros indicadores.
Na perspectiva de Edgar et al (2016: 31-33), Violência emocional ou psicológica consiste em desprezar, menosprezar, criticar, insultar ou humilhar a vítima, em privado ou em público, com palavras e/ou comportamentos; criticar negativamente todas as suas acções, características de personalidade ou atributos físicos; gritar para atemorizar a vítima; destruir objectos com valor afectivo para ela, rasgar fotografias, cartas e outros documentos pessoais importantes; persegui-la no trabalho, na rua, nos seus espaços de lazer; acusá-la de ter amantes, de ser infiel; ameaçar que vai maltratar ou maltratar efectivamente os filhos, outros familiares ou amigos da vítima; não a deixar descansar/dormir (e.g., despejando-lhe água gelada ou a ferver, passando um isqueiro aceso frente às pálpebras quando ela adormece, etc.), entre muitas outras estratégias e comportamentos.
Violência física: consiste no uso da força física com o objectivo de ferir/causar dano físico ou orgânico, deixando ou não marcas evidentes, entre outros comportamentos que podem ir desde formas menos severas de violência física até formas extremamente severas, das quais resultam lesões graves, incapacidade permanente ou mesmo a morte da vítima.
Violência sexual: toda a forma de imposição de práticas sexuais contra a vontade da vítima. A violação e a coação sexual são alguns dos crimes sexuais mais frequentemente praticados no âmbito da violência, mas que muitas das vítimas, por força de crenças erróneas, valores e mitos interiorizados, acabam por não reconhecer como tal, achando, incorrectamente, que “dentro do casal não existe violação”, que são “deveres conjugais.
1.2. DEFINIÇÕES SOBRE A VIOLȆNCIA DOMÉSTICA
Violência Domestica é de acordo com “Qualquer acto, omissão ou conduta que serve para infligir dor física, sexual ou mental, directa ou indirectamente, por meio de enganos, ameaças, coacção ou qualquer outro meio, a qualquer mulher”.
Para Downing (1991, p.20) “A vítima é a negatividade associada às mais escuras e dolorosa experiências: O sofrimento, a injustiça, a importância e a morte”.
Dê acordo com (Adeodato, 2006, p.2) “a violência se constitui em todo e qualquer ato embaraçado em uma situação de gênero, na vida pública ou privada, que tenha como resultado dano de natureza física, sexual ou psicológica, incluindo ameaças, coerção ou a privação arbitrária da liberdade”.
Ilustração 1. Mapa conceptual
1.3. FACTORES DA VIOLÊNCIA DOMÉSTICA
Destacamos neste item, alguns factores que levam à violência, nomeadamente: 
Mecanismos biológicos – ligado às teorias inatistas psicológicas e da medicina, segundo alguns autores, existem hormonas e outras substâncias que, circulam no sangue, afectam o sistema nervoso activando e inibindo a expressão de agressividade. 
Uso de bebidas alcoólicas – estudos apontam para uma ligação entre bebidas alcoólicas e a violência. Por razões de ordem biológica, social e psicológica, o álcool estimula situações agressivas. 
Cultura – Oatley defendeu, nos anos 90, que as culturas individualistas eram mais agressivas do que as colectivistas. Numa sociedade onde a violência é valorizada, os indivíduos tendem a ser mais agressivos. As notícias, a banalidade com que se exibem armas, a falta de realismo ao retratar o sofrimento das vítimas, os filmes e séries violentas, o comportamento agressivo dos heróis, são factores que influenciam os comportamentos agressivos. 
Económicos – não podemos deixar de anotar que a questão económica também constitui factor de violência doméstica porque leva ao indivíduo a um estado de frustração capaz de desencadear agressão em casa. 
1.4. A INFLUÊNCIA DOS MÍDIAS NA VIOLÊNCIA DOMÉSTICA
A mídia é um agente muito influente no processo da socialização. Se olharmos a sua participação nas suas mais varias formas, na vida das pessoas, não podemos deixar de avaliar e tentar compreender a sua influência nos comportamentos agressivos dos indivíduos.
Muitas questões são levantadas desde há muito, se a televisão, principalmente, e os filmes, ou programas envolvendo violência, são ou não um elemento activo na formação de atitudes agressivas nos indivíduos, sobretudo as crianças. 
Vejamos alguns postulados. Bandura e Iñesta (apud Lino et al 2011: 7) falam-nos especificamente deste aspecto pois fornecem um interessante modelo teórico para explicar a aprendizagem por observação. Participantes aprendem a se comportar agressivamente a partir de observação de um modelo que é reforçado pelo seu comportamento agressivo. 
A maioria dos heróis de filmes e desenhos animados considerados violentos justificam as suas atitudes violentas por estar em defesa de valores sociais. Essa justificação permite aos sujeitos que após assistirem a muitas horas de programas violentos, deixem de considerar aqueles comportamentos agressivos como desviantes, e passem a aceitá-los como uma maneira adequada para resolver problemas da vida real.
Snyder (1995, apud Giassi, 2004) afirma que dois processos podem ser desencadeados pelo visionamento de cenas violentas, o da desinibição e o da dessensibilização. Para este autor, desinibição é um fenómeno que ocorre quando actos violentos, são entendidos como desculpáveis aumentando posteriormente comportamentos agressivos de quem os assiste e dessensibilização é quando, jovens predispostos a aceitar comportamento delinquente nos outros, podem aumentar o seu próprio índice de comportamento agressivo, após breve exposição a cenas violentas. (op cit: 8).
O autor Jair Rangel (2005) no seu estudo da violência na televisão dá-nos vários exemplos de diferentes instituições que já comprovaram o papel nefasto da violência transmitida na televisão, como por exemplo o Surge on General’s Scientific Advisory Committeon Television and Social Behavior que concluiu que; o comportamento agressivo ou anti-social de, pelo menos, uma parcela de jovens telespectadores aumentou através da violência assistida na televisão.
O relatório do National Institute of Mental Health que confirmou o impacto da violência na TV no comportamento agressivo subsequente dos telespectadores (Idem).
Estas perspectivas são lacónicas quanto à influência de um meio coberto de mídia violenta na formação de mentalidades agressivas. Moss (1997) por exemplo acrescenta: existem evidências e situações experimentais que comprovam que a mera observação de alguém a exercer comportamentos agressivos e sendo recompensado por isso, aumenta a probabilidade do observador comportar-se agressivamente.
Portanto, destaca-se a questão: a violência nas nossas famílias é resultante da influência das mídias e seus programas violentos?
1.5. O PAPEL DA FAMÍLIA
Segundo Regenet al (2012), a família exerce suas funções em sete áreas básicas, a saber: 
1. Económica - cabeaos pais a manutenção de sua prole. 
2. Doméstica e de cuidados com a saúde - oferecer abrigo, alimentação, cuidados com a higiene e saúde. 
3. Recreação - propiciar aos filhos momentos de lazer. 
4. Socialização - desenvolver nos filhos a capacidade de se relacionar em outros grupos. 
5. Auto-identidade - oferecer aos filhos noção de realidade e consciência dos limites:. Quem sou? Qual o meu valor?
6. Afeição - oferecer afecto, possibilitando aos filhos desenvolver a capacidade de amar a si e aos outros, de expressar emoções.
7. Educacional/Vocacional - preparar sua prole para ser no mundo. Aspectos relevantes na Relação Pais/Filhos Ainda durante a gestação, os pais alimentam uma série de fantasias e sonham com uma criança idealizada, de acordo com seus valores, criando expectativas em relação a esse filho desconhecido. Na grande maioria dos casos, os filhos deverão vivenciar os projectos que os pais não conseguiram concretizar e os pais, por sua vez, farão o máximo de seu investimento para que as suas frustrações não se repitam na vida dos filhos.
Muitos factores influenciam na boa relação entre os elementos da família. Por exemplo, segundo ainda Regenet al (2012) quanto a relação entre pais e filhos, os modelos parentais que trazem de suas famílias de origem. As circunstâncias em que a gestação ocorreu: se foi planificada, desejada, o clima emocional entre os cônjuges etc. As expectativas dos pais com relação ao sexo da criança, aspecto físico, ritmo pessoal, tipo de personalidade e comportamentos, etc. A posição da criança na prole.
O lar deve ser de paz, não deve haver espaço para a violência de formas a desinibir o desenvolvimento de atitudes agressivas. (White, 2006: 6).
Não deve faltar alegria ao lar. A satisfação de pertencer à família deve ser nutrida no coração dos filhos, para que eles possam volver os olhos ao lar de sua infância como um lugar de paz e felicidade. Então, quando se tornarem adultos, será a sua vez de proporcionar conforto e ser uma bênção aos seus pais. O lar precisa ser para as crianças o mais atractivo lugar do mundo, e sua maior atracção é a presença da mãe. As crianças têm natureza sensível e amorosa. É fácil agradá-las, mas é igualmente fácil torna-las infelizes. Mediante uma disciplina branda, com palavras e actos amáveis, as mães podem unir os filhos ao seu coração.
A paz deve ser cultivada no seio familiar e desta forma, se poderá criar também uma sociedade mais saudável. Existem vários tipos de família.
Os vários tipos de famílias são para muitos autores, causas de grande parte dos problemas sociais. Mas não se pode negar que este mosaico de modelos familiares é também resultado de uma sociedade cada vez mais complexa e problemática.
Seja qual for o seu tipo de família, deve se plantar sementes de paz e amor ao próximo. Qual família harmoniosa tenderá a criar membros saudáveis e bons frutos para a sociedade, mas o inverso também funciona: ”a influência de uma família mal dirigida é dilatada e desastrosa para toda a sociedade. Acumula uma onda de males que afecta famílias, comunidades e governos” (cf. White, 2006: 6).
1.6. TIPOS DE FAMÍLIA
Família Matrimonial: nas sociedades modernas, o matrimónio monogâmico é a base geral sobre a qual assenta a família” (apud Maluf, 2010: 19).
Família de união estável: pode ser entendida a união estável, na visão de Paulo Luiz Netto Lobo, “como sendo a entidade familiar constituída por um homem e uma mulher que convivem em posse do estado de casado, que se converteu em relação jurídica em virtude da Constituição, que lhe atribuiu dignidade de entidade familiar própria, com seus direitos e deveres” (apud Maluf, 2010: 127).
Concubinato: foi característico nas primeiras uniões entre o homem e a mulher ocorriam de maneira espontânea, informal. Eram, na prática, relações puramente concubinarias. Posteriormente, o costume e a organização jurídica das sociedades trouxeram a formalização legal da família, mas, ao lado desta, subsistiram as uniões informais, concubinarias (Maluf, 2010: 130).
Família nuclear: segundo Papalia apoud Domingos (2012: 75) é uma unidade de parentesco e de vida comum, composta pelos pais e os seus filhos biológicos ou adoptados.
Família monoparental: para Alarcão apoud Domingos (2012: 75) "é a família onde a geração dos pais está apenas representada por um único elemento".
Família alargada ou extensa: "uma família extensa pode ser definida como um grupo de três ou mais gerações que vivem na mesma habitação ou muito próximas umas das outras. Pode incluir avôs, irmãos, e as suas mulheres, irmãs e os seus maridos, tias, tios, sobrinhas e sobrinhos (idem).
Família reconstruídas: para Alarcão (cit. Domingos 2012: 75) famílias compostas por pessoas que, num passado mais ou menos próximo, tiveram outras famílias (nucleares, entenda-se) parcialmente reunidas neste sistema. Assim, podemos encontrar uma mulher com filhos que se casa com um homem sem filhos, ou vice-versa, e uma mulher com filhos que se casa com um homem com filhos. Na nova família podem surgir mais crianças filhas de ambos os progenitores, criando fratria composta pelos "meus, os teus e os nossos".
Famílias homossexuais: são famílias cujos progenitores são do mesmo sexo. Um dos aspectos que tem sido considerado mais problemático nestas famílias diz respeito ao desenvolvimento da identidade sexual das crianças, e ausência de um modelo heterossexual de desenvolvimento das relações interpessoais (idem).
CAPÍTULO II - VIOLÊNCIA DOMÉSTICA ENQUADRAMENTO JURÍDICO
Neste capítulo vamos tratar de factores da violência domestica, da influencia dos mídias na violência domestica, do papel da família, dos tipos de família e da lei contra a violência domestica. 
2.1. A LEI CONTRA A VIOLÊNCIA DOMÉSTICA
A violência doméstica sempre foi considerada uma ofensa no âmbito das leis naturais, culturais e moral. No âmbito jurídico, em Angola, em 2011 foi aprovada esta lei que veio para aconselhar e melhorar a relação dentro de casa.
Quanto ao seu âmbito, no seu art.º 2º estabelece que a mesma se aplica aos factos ocorridos no seio familiar ou outro que, por razões de proximidade, afecto, relações naturais e de educação, tenha lugar, em especial:
a) No infantário;
b) Nos asilos para idosos;
c) Nos hospitais;
d) Nas escolas;
e) Nos internatos femininos ou masculinos;
f) Nos espaços equipados de relevante interesse comunitário ou social.
Para que não haja dúvidas do que é e não é violência doméstica, estabelece o seguinte: é violência doméstica, "toda a acção ou omissão que cause lesão ou deformação física e dano psicológico temporário ou permanente que atente contra a pessoa humana” no âmbito das relações previstas no artigo 1º da Lei nº 25/11.
Segundo esta lei, a violência doméstica classifica-se em:
a) Violência sexual;
b) Violência patrimonial (toda acção que configure a retenção, a subtracção, destruição parcial ou total dos objectos, documentos, instrumentos de trabalho, bens móveis ou imóveis, valores e direitos da vítima);
c) Violência psicológica;
d) Violência verbal;
e) Violência física;
f) Abandono familiar
A lei serve para inibir o surgimento de actos de violência doméstica, em especial:
a) Promover o respeito e o reconhecimento da personalidade e da dignidade de outrem;
b) Promover conselhos de reconciliação familiar e outras instâncias inter-familiar para dirimir conflitos;
c) Promover a igualdade de género;
d) Reforçar a protecção à mulher grávida, à criança e ao idoso no seio familiar e social, garantindo os mecanismos de assistência;
e) Promover o diálogo, a moral e os valores tradicional reconhecido pela comunidade que não atentem contra a dignidade da pessoa humana;
f) Criar mecanismos conducentes à responsabilização criminal das relações sexuais entre ascendentes e descendentes ou irmão, especialmente contra menores.
Estes e muitos outros aspectos são conservados na lei, ela, como todas outras. Estabelece os limites da lei, para que nos guiarmos na hora da definição, julgamento dos casos e muito mais.
2.2. TEORIA DA FRUSTRAÇÃO E AGRESSÃOOs comportamentos violentos dos indivíduos são geralmente resultantes de vários factores. As causas da violência são profundamente estudadas, desde à medicina, psicologia, sociologia e não só. Muitos foram os estudos, a nível da Medicina que procuravam explicar as características de um violador, de um indivíduo nascido com esta propensão. Por exemplo, para Lombroso (1870) alguns indivíduos evidenciavam características atávicas de espécies anteriores em termos de desenvolvimento, tendendo a actuar de uma forma considerada socialmente menos normativa (apud Mendo, Rodríguez & Macias, 2004). Sheldon 1949) e distinguiu três tipos de estrutura física humana, afirmando que um deles (os musculosos e activos, designados por mesomorfos) estava directamente associado com a violência (apud Ribeiro e Sani, 2009: 98).
Ribeiro e Sani (op cit) citam Freud como fundador do inatismo. Para Freud (1925), na teoria inatista, a agressividade é uma reacção inata e natural em todos os indivíduos, tendo evoluído até ao seu estado presente através de uma luta pela sobrevivência, sobretudo em relação ao território. 
Segundo esta posição teórica, a agressividade gera-se nos seres humanos. Muito mais distante do inatismo e das teorias naturais sobre a violência, os autores da Universidade de Yale desenvolveram, a partir do conceito de frustração, a origem da agressividade. Proposta em 1939, por John Dollard, Leonard Doob, Neal Miller, O. Hobart Mowrer e Robert Sears, para estes a agressividade tem a sua origem na frustração (op cit: 98-100).
A frustração, “é a interferência na ocorrência de uma resposta orientada para um objectivo numa sequência de comportamentos” (Iden)
A agressão, “é uma resposta que tem por objectivo o dano a um ser vivo”. Esta é constituída por dois postulados (Iden): 
1) A agressão é causada pela frustração e toda a frustração causa agressão. 
2) A agressão é sempre precedida de frustração. 
A primeira modificação, ou crítica a esta teoria costuma ser atribuída à Miller (1941), que reconhece que a frustração pode ter outros efeitos, que não exclusivamente a agressão (apud Ribeiro e Sani, 2009).
Contudo, embora a frustração desperte uma tendência para agredir, o organismo pode ter aprendido outras formas de reacção à frustração.
Para Miller (op, cit), “A frustração produz o aparecimento de uma quantidade de diferentes tipos de resposta, uma das quais é alguma forma de agressão”. E a agressão pode ser causada por outros motivos que não a frustração. 
O modelo de Berkowitz surge também para contrariar os psicólogos de Yale, ou seja, esta concepção de causa e efeito entre a frustração e a agressão respectivamente (Idem). 
Para este autor, podem ser utilizados, então, dois sistemas de comportamento agressivo: agressão reactiva ou afectiva e agressão instrumental. O primeiro sistema refere-se à reacção agressiva provocada por estímulos eversivo, de tal forma que a agressão consiste na propensão inata para atacar impulsivamente a fonte do estímulo eversivo ou outro alvo qualquer.
A agressão instrumental, invés de uma reacção, trata-se aqui de um comportamento apreendido com o objectivo de alcançar recompensas e evitar punições. Embora o sistema de agressão instrumental se estabeleça a partir do sistema anterior é o sistema de agressão reactiva impulsiva o mais significativo na compreensão da agressão nos seres humanos (Tedeschi & Felson, 1994).
Portanto, um indivíduo frustrado pode agredir alguém, porém, a agressão não é a única reacção da frustração. Ainda dentro das famílias, nem sempre quando um membro está frustrado agride outrem. Dificilmente ainda, quando se trata dos membros mais inferiores, ou mesmo a mulher dentro de casa.
2.3. TEORIA DA APRENDIZAGEM SOCIAL
O segundo enfoque teórico para este trabalho é a teoria da aprendizagem social do psicólogo canadiano, Albert Bandura. Este autor defende que os indivíduos não são tão passivos na sua atuação na sociedade e que, maior parte dos nossos comportamentos são resultado de uma aprendizagem. A sua teoria é principalmente desenvolvida na base dos conceitos de observação e modelagem.
A observação demonstra que as pessoas aprendem vendo os outros a fazerem, não se trata de algo total e comumente obrigatório, impulsivo, cada um na sua participação social, através do meio envolvente observa a vida, os comportamentos e imita.
A Modelagem é mudança no comportamento, pensamento, ou emoções que ocorrem por meio da observação de uma outra pessoa, um modelo. 
"O aprendizado seria excessivamente trabalhoso, para não mencionar perigosos, se as pessoas dependessem somente dos efeitos de suas próprias ações para informá-las sobre o que fazer. Por sorte, a maior parte do comportamento humano é aprendido pela observação através da modelagem. Pela observação dos outros, uma pessoa forma uma ideia de como novos comportamentos são executados e, em ocasiões posteriores, esta informação codificada serve como um guia para a ação" (Bandura, 1977, p. 22). 
A aprendizagem direta/ativa é aprender, fazendo enquanto que a aprendizagem indireta é aprender, observando os outros.
A aprendizagem por meio da observação acontece do seguinte modo:
a) Por intermédio de reforço indireto: recompensa ou punição de outrem;
b) Pela expectativa de ser reforçado pelo domínio;
c) Pela identificação com o modelo admirado ou de status elevado.
Os processos componentes que estão por trás do aprendizado pela observação são: 
1) Atenção, incluindo os eventos apresentados (clareza, valência afetiva, complexidade, frequência, valor funcional) e as características do observador (capacidades sensoriais, nível de atenção despertada, conjunto de percepção, reforço anterior);
2) Retenção, incluindo codificação simbólica, organização cognitiva, ensaio simbólico, ensaio motor); 
3) Reprodução motora, incluindo capacidades físicas, auto-observação da reprodução, exatidão do retorno;
4) Motivação, incluindo reforço externo, indireto e próprio controle dos próprios reforçadores). 
Desta feita, concordamos com Bandura que, os indivíduos são fortemente influenciados pelo meio que os rodeia. Muitas vezes, o meio nos obriga a absorver certos comportamentos, atitudes porque não nos restam muitas alternativas. Uma criança que cresce numa família com pais agressivos, que estão constantemente em conflitos, pode, muito provavelmente ser um adulto frustrado e agressivo.
CAPITULO III- APRESENTAÇÃO, ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS RESULTADOS
3.1. CARACTERIZAÇÃO DO LOCAL DE ESTUDO
Viana é um município que se encontra a Sul de Luanda. Devido o êxodo rural do processo de transferência habitacional da população que se verifica neste período, face ao programa de requalificação administrativa da cidade de Luanda, motivo também que faz com que hoje seja considerado como o município mais populoso de Luanda.
O trabalho foi realizado no Estabelecimento Penitenciário de Viana, (Comarca de Viana) situado em Luanda, município de Viana, Avenida Deolinda Rodrigues, km 14, instituição afecto ao Ministério do Interior. O Estabelecimento Penitenciário de Viana é uma instituição do Estado vocacionada á reeducação de reclusos por via de internamento.
O sistema prisional é de grande importância social, indispensável na organização politica, económica, universal, porque é executor das medidas privativas de liberdade aplicadas por entidades judicial legalmente competentes, visando a reeducação e reintegração dos reclusos na sociedade. O Estabelecimento Penitenciário de Viana é uma estrutura com capacidade para albergar cerca de 2.500 reclusos. Neste momento está lotado com cerca de 5.556 reclusos.
3.2. DIVISÃO ADMINISTRATIVA DA UNIDADE PENITENCIÁRIA
A unidade penitenciaria de Viana está dividida administrativamente do modo seguinte: 
· Direcção geral dirigida por um director que coordena as finanças e logística; 
· Área administrativa dirigida por director adjunto administrativo que coordena os complexos (CIA/MC/PD/RH); 
· Área operativa dirigida por um director adjunto operativo que coordena os complexos (C.P/R.P/O.P/S.P);· Área dos blocos dirigida por um director adjunto dos blocos que coordena a secção (O.I/P.M/) (SEG/RE/C.P). 
3.3. APRESENTAÇÃO DOS DADOS EM TABELAS E GRÁFICOS
Tabela nº1. Distribuição dos entrevistados segundo o género
	Sexo
	Frequência (f )
	Percentagem (%)
	Feminino
	50
	100
	Total
	50
	100
 Fonte: Autora (2018)
	Gráfico nº1. Distribuição dos entrevistados segundo o género
Fonte: Autora (2018).
A tabela e gráfico no1 faz referência da distribuição dos entrevistados segundo o género, a nossa mostra foi totalmente composta por mulheres com uma variedade de idade que nos facilitou entender a situação da violência doméstica, no caso, as mulheres no nosso estudo corresponde a 100%. Este fenómeno é pertinente em função da dimensão e repercussão social que ela atinge, daí a aplicação de entrevistas. 
	Idade
	Frequência (f)
	Percentagem (%)
	20-23 Anos
	14
	28
	24-28 Anos
	10
	20
	29-33 Anos
	5
	10
	34-38 Anos
	2
	4
	39-43 Anos
	13
	26
	Mais de 43 Anos
	6
	12
	Total
	50
	100
Tabela nº2. Distribuição dos entrevistados segundo as idades
 Fonte: Autora (2018).
 Gráfico 2: Distribuição dos entrevistados segundo as idades
 Fonte: Autora (2018).
Tabela e gráfico nº2, referem-se a distribuição dos entrevistados segundo as idade, verificamos que das 50 mulheres entrevistadas, 14 tem entre 20 a 23 anos de idade correspondendo a 28% a maioria das entrevistadas encontra-se neste intervalo, 10 mulheres estão entre 24-28 anos de idade correspondendo 20%. 5 Mulheres estão entre os 29-33 anos de idade correspondendo 10%, somente 2 mulheres estão na idade entre 34-38, correspondendo 4%, 13 mulheres entre os 39-43 de idade dando 26%, os de maior idade dos nossos entrevistados tem mais de 43 anos de idade. 
A idade apresentada nas tabelas mostra-nos que a entrevistadas foi efectuada maioritariamente por jovens.
Tabela nº3. Relação efectuada em função do nível académico dos entrevistados
	Nível académico
	Frequência (f)
	Percentagem (%)
	Ensino primário
	18
	36
	1º Ciclo
	11
	22
	Ensino Médio
	15
	30
	Ensino superior
	6
	12
	Total
	50
	100
Fonte: Autora (2018).
Fonte: Autora (2018).
Dos 50 inquiridos no nosso estudo e conforme a tabela e o gráfico, constatamos que a maioria dos entrevistados possui somente o ensino primário, apresentando um número de 18 que correspondendo 36%, as nossas entrevistadas que terminaram o ensino médio foram15 perfazendo 30% de uma amostra de 50 entrevistados, 11 frequentaram até ao 1º Ciclo, caso 22% e, um número muito reduzido de 6 entrevistados da amostra de 50 frequentaram o ensino superior não tendo chegado até a licenciatura por diversas razões com 12%, dando o total de 100% conforme a tabela e o gráfico mostra-nos.
As nossas entrevistas mostram-nos de forma clara que independentemente do nível académico as mulheres sofrem agressão dos seus parceiros, há sempre uma vulnerabilidade feminina mesmo com a lei à vista e muitos casos a serem mediados e postos a conta da justiça a verdade e que muitos parceiros se acostumaram a bater nas suas esposas e esquecem-se deste detalhe, a lei e o bem familiar.
Tabela nº 4. Distribuição segundo opinião das amostras quanto ao tempo que tem vindo a sofrer agressão.
	Tipos de respostas
	Frequência (f)
	Percentagem (%)
	1 Anos
	5
	10
	Não sei
	30
	60
	Desde o princípio
	15
	30
	Total
	50
	100
 Fonte: Autora (2018).
Gráfico nº 4. Distribuição segundo opinião das amostras quanto ao tempo que tem vindo a sofrer agressão
 Fonte: Autora (2018).
A nossa tabela e gráfico nº 4, referem-se ao tempo de agressão sofridas pelas mulheres. Em função da nossa amostra verificamos que das 50 mulheres entrevistadas 30 não conseguem determinar o tempo que têm vindo a sofrer agressão dos parceiros apresentando 60%, as que afirmam ter sido vitimas de violência desde o principio do relacionamento apresentam uma faixa de 15 mulheres nas 50 entrevistadas perfazendo 30%, no entanto somente 5 mulheres afirmam que sofrem agressões há aproximadamente um ano, dando um total de 100% conforme a tabela e gráfico.
Com estas informações recolhidas podemos afirmar que as mulheres vítimas de violência doméstica já tem vindo a vivenciar situações de terror e pânicos nas suas casas há longos anos só que não denunciam, ou seja, fecham-se com o seu sofrimento.
Tabela nº5. Opinião das amostras quanto a falta de diálogo e compreensão a nível da família como base da violência doméstica.
	Tipos de respostas
	Frequência (f)
	Percentagem (%)
	Sim
	42
	84
	Não
	2
	4
	As vezes
	6
	12
	Total
	50
	100
	
Fonte: Autora (2018).
Gráfico nº5. Opinião das amostras quanto a falta de diálogo e compreensão a nível da família como base da violência doméstica.
 Fonte: Autora (2018).
A tabela e gráfico no5, apontam-se de facto os inquiridos concordam que a falta de diálogo e incompreensão no seio das famílias são os elementos desencadeadores da violência doméstica. Verificamos que maioritariamente as nossas entrevistadas, isto é, 42, que correspondem 84% concordam que a falta de diálogo e a incompreensão constitui de facto elementos base da agressão intra-familiar. 6 das entrevistadas responderam com certas dúvidas dizendo que as vezes isto pode ser o caso correspondendo 12% e somente 2 entrevistada responderam que não. Totalizando 100%
Em função do número de respostas apresentadas nas nossas entrevistas quanto a questão podemos afirmar que o diálogo é a chave para diminuição da violência doméstica, um caminho que pode promover a compreensão no seio da família. 
Tabela nº 6. Quais os motivos que levam o seu parceiro a ser agressivo
	Tipos de respostas
	Frequência (f)
	Percentagem (%)
	Falta de atenção
	2
	4
	Ciúmes
	9
	18
	Embriaguez
	39
	78
	
	
	
	Total
	50
	100
	
	
	
Fonte: Autora (2018).
Gráfico nº 6. Quais os motivos que levam o seu parceiro a ser agressivo
Fonte: Autora (2018).
Dos 50 entrevistados na tabela nº6 e o seu correspondente gráfico, verifica-se que grande parte dos inquiridos sobre a motivação das agressões disse que é a embriaguez o principal elemento ou melhor os parceiros perpetram o acto normalmente no estado de embriaguez, 39 entrevistadas correspondendo 78%, 9 responderam que é o ciúme que corresponde a 18% e somente 2 entrevistadas disseram que é a falta de atenção. 
Em função do número de informação podemos concluir que o estado de embriaguez é de facto grande causadora da violência doméstica, a falta de reconhecimento dos actos põe em risco o bem-estar familiar e social.
Tabela nº 7. Como tem sido o comportamento das crianças ao verem o acto de agressão do seu parceiro em casa?
	Tipos de Respostas
	Frequência (f)
	Percentagem (%)
	Choram
	14
	28
	Fogem
	7
	14
	Agarram-se a alguém
	29
	58
	Total
	50
	100
	
	
	
	
	
	
Fonte: Autora (2018).
Gráfico nº 7. Como tem sido o comportamento das crianças ao verem o acto de agressão do seu parceiro em casa?
Fonte: Autora (2018).
Dos 50 entrevistados na tabela nº 7 e o seu correspondente gráfico, verifica-se que grande parte dos inquiridos, sobre o sentimento e comportamento das crianças ao verem o acto de agressão, 29 dos entrevistados disse que as crianças agarram-se à alguém a procura de protecção e segurança, demonstração de pavor, medo, correspondendo 58%, 7 responderam que fogem não acabando de assistir a agressão com 14%, enquanto 14 das entrevistadas responderam que choram não conseguem encarar a situação com 28%.
Com estes dados podemos afirmar que quando há situação de agressão no seio da família instala-se o pânico e a insegurança para todos que vai progredir na falta de confiança, baixa auto-estima e um risco psicossocial.
Tabela e gráfico nº 8. Ainda tem algum afecto pelo seu parceiro?
	Tipos de respostas
	Frequência (f)
	Percentagem (%)
	Sim
	3
	6
	Não
	39
	78
	Talvez
	8
	16
	Total
	50
	100
Fonte: Autora (2018).
Gráfico nº 8. Ainda tem algum afecto pelo seu parceiro?
	
Fonte: Autora (2018).
Quanto ao sentimento, afecto em relação ao parceiro agressor, de acordoas nossas entrevistas foram-nos possíveis saber que, da nossa amostra de 50 mulheres, uma boa parte respondeu que já não tem ou não sentem aquilo que a priori sentiam. Há de facto um certo respeito pelo parceiro, mas o amor que os uniu arrefeceu completamente, para elas continuam pelos filhos é porque não há alguém que possa sustentar as crianças que devem crescer no seio dos dois. As entrevistadas que responderam que não foram 39 que corresponde 78%, as entrevistadas que responderam com uma certa dúvida foram 8 que dá 16%, e as que tem os mesmos sentimentos são somente 3 entrevistadas, quer dizer que no universo de 50 somente 3 disseram que sim ou melhor, aceitaram que continuam a sentir o mesmo embora sofrendo agressões.
Com estes dados colhidos podemos concluir que a violência doméstica afasta as pessoas, inibe os sentimentos em relação a alguém, provoca insegurança uma vez que a pessoa poderia proteger é o mesmo que maltrata e ameaça, desencadeia raiva. 
Tabela e gráfico nº 9. Que tipo de violência é mais comum em sua casa?
	Tipos de respostas
	Frequência (f)
	Percentagem (%)
	Física
	37
	74
	Psicológica
	7
	14
	Sexual
	6
	12
	Total
	50
	100
	
	
	
Fonte: Autora (2018).
Gráfico nº 9. Que tipo de violência é mais comum em sua casa?
Fonte: Autora (2018).
A tabela e gráfico no 9, referem-se ao tipo de agressão mais frequente no seio familiar. Nas 50 entrevistas verificamos a frequência de agressão física nas famílias, no caso 37 entrevistados que corresponde a 74%, encontramos uma relação em termos numéricos dos outros 2 tipos de agressão. A psicológica com 7 entrevistadas que dá 14% e sexual que parece ser a menos dita ou compreendida socialmente com 6 entrevistadas correspondendo 12%, totalizando 100%.
Estas informações mostram-nos de forma clara que a agressão física se encontra no topo, é a mais usadas pelos agressores, dai as marcas físicas (hematomas) fortemente visualizado e que chama atenção a toda comunidade, partir para o muro, chicotear, dar palmadas ainda é a forma mais fácil, demonstração obvia da fraca capacidade de diálogo dentro da família. 
A senhora acha que desde que a violência doméstica se tornou crime tem ajudado na diminuição das agressões no nível das famílias?
a) Sim esta mesmo. Ajudar muitas pessoas aqui, mas, tem homem que nem quero saber ainda te ameaça e manda chamar polícia, até fala que sustenta a casa é ele e quem manda é ele. 
b) Agora a polícia até vem mesmo em casa, estão a prestar mais atenção quando você vai a esquadra, no bairro também olham de maneira diferente, há maior atrevimento da vizinhança.
c) “Nem fala mano, nós assim aqui éramos toda hora tomas, tomas (bater, bater), tipo está dar no animal ou criança, nem respeita os filhos em casa. Você sai só azar quando voltar surra em cima de ti, as vezes mesmo chega só do serviço nem pergunta bem as coisas. Mas esses dias estás um bom tem tempo sem me tocar porque ele já sabe o que lhe vai acontecer”.
d) É verdade estão a apresentar na televisão toda hora, estão a levar para cadeia, o marido da vizinha ali já foi preso uma vez, o meu também, já fomos parar na OMA. mas parou um pouco.
3.4. DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
O discurso aqui apresentado pelas nossas entrevistadas mostra-nos claramente que a lei contra a violência doméstica (Lei nº 25/11 de 14 de Julho) veio dar outra dimensão às famílias angolanas. Trouxe consigo segurança e protecção. Fez com que as pessoas tivessem um olhar diferente relactivamente às famílias e passou a dar uma importância evolutiva, uma vez que toda lei serve para assegurar o bem-estar das famílias. 
A mulher não tem o mesmo status que o homem em termos de respeito no ponto de vista social, mas a lei remete e busca a consciência social de que o respeito pelo parceiro deve ser igualitário.
Há consenso entre as mulheres quanto à importância no estabelecimento da lei contra a violência doméstica e a intervenção do Estado neste assunto, que minimizam os actos contra a violência e regulamentam o comportamento no seio das famílias angolanas. 
Chama-nos atenção a teoria da necessidade de Abrahn Maslow que mete na base a segurança e o amor necessário para o desenvolvimento do ser humano, 
O que o seu parceiro faz? E como é constituída as vossas relações em casa?
a) Ele já não trabalha há muito tempo, era tropa é antigo combatente, vida dele é beber toda hora, eu é que trabalho e meto tudo em casa.
b) É polícia, mas está mais em casa que no trabalho, ofende toda hora as pessoas em casa, pensa que está a falar com os militares tudo por nada bater.
c) É marceneiro faz alguns trabalhos em casa, as vezes nas vizinhas, com os meus trabalhos conseguimos fazer alguma coisa em casa, pago também o colégio dos meninos.
d) Vida dele é só bater nem trabalha, nem faz nada aqui ainda quer dar ordens e falar porque, porque. Sou zungueira e pago a escola das crianças, quando chamam o encarregado, eu que tenho que ir lá, mas o mano (pai) está mesmo em casa, isto até é azar, pai.
e) É pedreiro mestre trabalha com uns moços que as vezes vem aqui em casa buscar o material, é também antigo combatente, mas nem vejo nada, tem dia que ficamos sem comer; dinheiro mete tudo na bebida pai, dinheiro do colégio nada, toda hora a tirarem as crianças da escola, as crianças têm então vontade, mas o dinheiro é que falta.
Segundo as declarações das entrevistadas, compreendemos que os pais não se preocupam em manter a estabilidade familiar, há uma tendência de opinião mais concentrada em pouco apoio paterno que provoca uma desestabilidade familiar, ameaçando toda estrutura social. 
O lar é um local de respeito de construção e desenvolvimento da personalidade, quando as pessoas que devem cuidar deixam de cumprir com as suas funções compromete o ser proveniente da mesma.
A constituição familiar nos é aqui apresentada com uma tendência meramente maternalista, disfuncional, com apego dos parceiros em hábitos e costumes militar. 
A educação e instrução são indispensáveis aos filhos porque ajuda-os a crescer como pessoa, isso implica proporcionar-lhes meios para adquirir e desenvolver virtudes, tais como: sinceridade, generosidade, obediência, dentre muitas outras.
CONCLUSÃO 
Falarmos de violência doméstica é uma questão séria, pois o que está em causa é o desenvolvimento de uma família, para que a família seja proeja e com bons valores de cidadania depende do bom desempenho e união dos membros, sendo necessário que haja equilíbrio psicológico.
O objectivo principal da nossa investigação visou compreender as causas da violência doméstica. Após a análise e interpretação dos resultados constatamos que a embriagues é um dos motivos mais frequentes dessa causa na vida das famílias. O uso de bebidas alcoólicas é o grande motivador da violência no seio familiar, pelo que, quando um dos parceiros é dependente do álcool, ele reduz o cumprimento do seu papel na família.
Quanto às características da violência doméstica na sociedade angolana, concluímos ser predominantemente física. Mas isso não significa que os outros tipos não estejam presentes. 
Podemos também compreender que o desemprego tem sido outra causa de violência no seio familiar. E os homens têm sido os principais causadores de violências e as mulheres e os filhos as vítimas da violência doméstica. 
Embora a violação seja física para as mães, ela é psicológica para os filhos porque estes são afectados por um conjunto de situações que deturpam a imagem positiva que representa a família e o papel protector que devia ser o pai. As crianças sofrem, no entanto, muito mais ainda. Não há acompanhamento, afecto, ajuda e auscultação e, muitas vezes, ainda falta alimentos em casa.
Conseguimos alcançar os objectivos da nossa pesquisa de modo satisfatória e confirmar as hipóteses levantadas a priori. 
De acordo ao nosso referencial teórico, entendemos que a teoria da frustração tem uma base sólida que nos permitiu ter uma maior comprensão do tema em estudo. Sendo que, a frustração produz o aparecimento de uma quantidade de diferentes tiposde resposta, uma das quais é alguma forma de agressão, ao mesmo tempo, a agressão pode ser causada por outros motivos que não a frustração. Contudo muitas vezes a frustração desperta uma tendência para agredir, esse acto de agressão é incentivado quando o agressor se encontra estimulando tanto com alcóol ou outras substâncias psicotrópicas. 
O segundo enfoque da teoria da aprendizagem social de Albert Bandura. Vem inlustrar atraves dos conceitos de observação e modelagem que os indivíduos não são tão passivos na sua atuação na sociedade e que, maior parte dos nossos comportamentos são resultado de uma aprendizagem. 
SUGESTÃO
Após analise feita no presente trabalho, temos a sugerir o seguinte: 
· Que se criem políticas de combate à violência doméstica assim como centros de aconselhamentos das vítimas (centro de apoio psicológico para atender as vítimas);
· Que haja melhoria no tratamento das vítimas pelos diversos professionais.
· Que as vítimas ganhem coragem de denunciar os actos de violência.
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APÊNDICE 
DECLARAÇÃO
Eu, Adelaide Sabino Chiquemba Kussumua, estudante finalista do curso de Psicologia do Criminal, na Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Agostinho Neto. Autor da monografia intitulada Violência Doméstica contra as Mulheres (Caso de Estudo: Estabelecimento penitenciário de viana.
Declaro por minha honra que o trabalho em referência é de minha autoria. O mesmo foi elaborado com base nos conhecimentos adquiridos e experiências acumuladas com a ajuda de bibliografia consultada sob a orientação da tutora Professora Maria Adelina L. Nascimento Alberto (PhD).
Por ser verdade passei a presente declaração. 
 A orientadora 			 A tutoranda
Maria Adelina L. Nascimento Alberto 	 Adelaide Sabino Chiquemba Kussumua
Luanda, 2019
UNIVERSIDADE AGOSTINHO NETO
FACULDADE DE CIÊNCIAS SOCIAIS
DEPARTAMENTO DE PSICOLOGIA
QUESTIONÁRIO
Estimado participante este questionário tem como objectivo fornecimento de informação sobre o trabalho que realizamos com o tema: Violência Doméstica Contra as Mulheres (Caso de estudo: Estabelecimento penitenciário de viana.).
Assinalar com X a sua resposta nos espaços traçados e responder com as suas próprias palavras nas outras perguntas.
Idade________ Sexo__________ habilitações literárias_______________________
1-Quando é que começaste a ser agredida pelo seu parceiro? 
Alguns anos ( ) 			Não sei ( ) Desde o princípio ( )
2 - Quantas vezes já foste vítima de violência doméstica?
1 Vez ( ) 			2 Vezes ( ) Várias vezes ( )
3- Quais os motivos que fazem o seu parceiro ser agressivo? 
a) Ciúme ( ) 			b) Embriaguez ( ) C) Falta de atenção ( )
4- Que tipo de violência tem sido mais comum na casa da senhora?
A) Física ( ) 		b) Psicológica ( ) c) Sexual ( )
5- Para além de acontecer na casa da senhora, tens assistido aqui no bairro coisas do género?
a) Sim ( ) b) Não ( ) c ) As vezes ( )
6- Concordas que a falta de diálogo e incompreensão tem sido a base da violência doméstica?
a) Sim ( ) b) Não ( ) c) As vezes ( )
7- Comotem sido o comportamento das crianças ao verem o acto de agressão do seu parceiro em casa?
a) Choram ( ) b) Fogem	( ) c) Agarram-se à alguém ( )
8- A senhora acha que desde que a violência doméstica se tornou crime tem ajudado na diminuição das agressões a nível das famílias? 
a) Sim ( ) b) Não ( ) c) As vezes ( )
9- Ainda tens o mesmo sentimento pelo seu parceiro?
 a) Sim ( )			b) Não ( ) c) As vezes ( )
10- Como encaras o seu parceiro após agressão?
a) Bem ( ) b) Mal ( ) c) Normal ( )
 O que seu parceiro acha sobre a emancipação das mulheres no nosso país?
a) Boa ( ) b) Má ( ) c) Normal ( )
ANEXOS 
Violencia doméstica
Processo psicólogico
Conjunto de atitudes
Conduta que inflige a lei
Comportamento desviante
Frequência	Feminino	50	Percentagem	Feminino	100	Coluna1	Feminino	
Frequência	
20-23 anos	24-28 anos	29-33 anos	34-38 anos	39-43 anos	Mais de 43 anos	14	10	5	2	13	6	Percentagem	
20-23 anos	24-28 anos	29-33 anos	34-38 anos	39-43 anos	Mais de 43 anos	28	20	10	4	26	12	Coluna1	
20-23 anos	24-28 anos	29-33 anos	34-38 anos	39-43 anos	Mais de 43 anos	
Frequência	ensino primário	1o Ciclo	ensino médio	ensino superior	18	11	15	6	Percentagem	ensino primário	1o Ciclo	ensino médio	ensino superior	36	22	30	12	Coluna1	ensino primário	1o Ciclo	ensino médio	ensino superior	Frequência	1 ano	Não sei	Desde o principio	5	30	15	Percentagem	1 ano	Não sei	Desde o principio	10	60	30	Coluna1	1 ano	Não sei	Desde o principio	Frequência	Sim	Não	As vezes	42	2	6	Percentagem	Sim	Não	As vezes	84	4	12	Coluna1	Sim	Não	As vezes	Frequência	falta de atenção	Ciúme	Embriaguez	2	9	39	Percentagem	falta de atenção	Ciúme	Embriaguez	4	18	78	Coluna1	falta de atenção	Ciúme	Embriaguez	Frequência	Choram	Fogem	Agarram-se a alguém	14	7	29	Percentagem	Choram	Fogem	Agarram-se a alguém	28	14	58	Coluna1	Choram	Fogem	Agarram-se a alguém	Frequência	Sim	Não	Talvez	3	39	8	Percentagem	Sim	Não	Talvez	6	78	16	Coluna1	Sim	Não	Talvez	Frequência	Física	Psicologica	Sexual	37	7	6	PercentagemFísica	Psicologica	Sexual	74	14	12	Coluna1	Física	Psicologica	Sexual	45
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