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1 FFFÍÍÍSSSIIICCCAAA III III III Paulo Henrique Ribeiro Barbosa Francisco Ferreira Barbosa Filho Departamento de Física Universidade Federal do Piauí Fevereiro de 2010 2 PRESIDENTE DA REPÚBLICA MINISTRO DA EDUCAÇÃO GOVERNADOR DO ESTADO REITOR DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO PIAUÍ SECRETÁRIO DE EDUCAÇÃO À DISTÂNCIA DO MEC COORDENADORIA GERAL DA UNIVERSIDADE ABERTA DO BRASIL SECRETÁRIO DE EDUCAÇÃO DO ESTADO DO PIAUÍ COORDENADOR GERAL DO CENTRO DE DUCAÇÃO ABERTA À DISTÂNCIA DA UFPI SUPERITENDENTE DE EDUCAÇÃO SUPERIOR NO ESTADO DIRETOR DO CENTRO DE CIÊNCIAS DA NATUREZA COORDENADOR DO CURSO DE FÍSICA COORDENADORA DE MATERIAL DIDÁTICO DO CEAD/UFPI DIAGRAMAÇÃO FICHA CATALOGRÁFICA Serviço de Processamento Técnico da Universidade Federal do Piauí Biblioteca Comunitária Jornalista Carlos Castello Branco B238f Barbosa, Paulo Henrique Ribeiro Barbosa Filho, Francisco Ferreira. Física III /Paulo Henrique Ribeiro Barbosa Francisco Ferreira Barbosa Filho. – Teresina : CEAD/UFPI, 2010. 200 p. 1. Física. 2. Física – Eletromagnetismo. I. Título. CDD 530 3 Este texto é destinado aos estudantes que participam do programa de Educação à Distância da Universidade Aberta do Piauí (UAPI) vinculada ao consórcio formado pela Universidade Federal do Piauí (UFPI), Universidade Estadual do Piauí (UESPI) e Centro Federal de Educação Tecnológica (CEFET – PI), com apoio do Governo do Estado do Piauí, através da Secretaria de Educação. O texto é composto de duas unidades, constituídas de cinco capítulos cada uma. Nos cinco capítulos iniciais (primeira unidade), iremos tratar da eletrostática, e nos cinco capítulos finais (segunda unidade) trataremos de correntes elétricas, circuitos elétricos, campo magnético, lei de Ampère e Lei de Faraday. A bibliografia para leitura complementar é indicada ao final de cada unidade, bem como exercícios resolvidos e exercícios visando avaliar o entendimento do leitor serão apresentados ao longo do texto de cada unidade. Apresentação 4 Sumário Geral UNIDADE I 1. A LEI DE COULOMB 1.1 Introdução 10 1.2 A carga elétrica 11 1.3 Condutores, Isolantes e Cargas induzidas 13 1.4 Processos de Eletrização 14 1.5 Lei de Coulomb 16 1.6 Problemas Resolvidos 16 1.7 Problemas Propostos 21 1.8 Referências bibliográficas 23 1.9 Web‐bibliografia 23 2 O CAMPO ELÉTRICO 2.1 Introdução 26 2.2 Ação à Distância e o Campo Elétrico 26 2.3 Dipolo Elétrico 28 2.4 Linhas de Campo Elétrico 29 2.5 Carga Elétrica na Presença de um campo Elétrico 31 2.6 Dipolo Elétrico Sob Ação de um Campo elétrico Externo 32 2.7 Problemas Resolvidos 33 2.8 Problemas Propostos 35 Referências bibliográficas 37 Web‐bibliografia 37 3 LEI DE GAUSS 3.1 O Fluxo de Campo Vetorial 40 3.2 O Fluxo do Campo Elétrico ܧሬሬሬԦ e a Lei de Gauss 42 3.3 Aplicações da Lei de Gauss 44 5 3.4 Usando a Lei de Gauss para Discutir o Campo Elétrico em Condutores 49 3.5 Problemas Propostos 51 Referências bibliográficas 54 Web‐bibliografia 54 4 POTENCIAL ELÉTRICO 4.1 Definindo Capacitor 57 4.2 Energia Armazenada em um Capacitor 57 4.3 Associação de Capacitores 62 4.4 Capacitores com Dielétricos 64 4.5 Potencial de um dipolo dielétrico 65 4.6 Potencial de uma linha de carga 66 4.7 Diferença de potencial elétrico entre as placas de um capacitor 67 4.8 O cálculo do campo elétrico a partir do potencial elétrico 68 4.9 Superfícies equipotenciais 69 4.5 Problemas Propostos 71 4.6 Referências bibliográficas 72 4.7 Web‐bibliografia 73 5 CAPACITORES E DIELÉTRICOS 5.1 Definindo Capacitor 75 5.2 Energia Armazenada em um Capacitor 78 5.3 Associação de Capacitores 81 5.4 Capacitores com Dielétricos 84 4.5 Problemas Propostos 85 4.6 Referências bibliográficas 87 4.7 Web‐bibliografia 87 6 UNIDADE II 6 CORRENTE E RESISTÊNCIA ELÉTRICA 6.1 A corrente elétrica 90 6.2 Corrente e velocidade de deriva 92 6.3 Densidade de corrente, lei de Ohm, condutividade, resistência e resistividade 96 6.4 Resistência e temperatura 102 6.5 Avanços na área: supercondutividade 104 6.6 Potencia elétrica 105 Questões 109 Problemas 110 Bibliografia 111 7 CIRCUITOS ELÉTRICOS 7.1 Elementos e diagramas de circuitos 115 7.2 Força eletromotriz 117 7.3 Associação de resistores 119 7.3.1 Resistores em série 119 7.3.2 Resistores em paralelo 120 7.4 Leis de Kirchoff e circuito básico 122 7.5 Circuitos RC 129 Questões 136 Problemas 137 Bibliografia 139 8 O CAMPO MAGNÉTICO 8.1 Magnetismo 142 8.2 O campo magnético e suas fontes 145 8.3 Movimento de uma partícula carregada em um campo magnético 148 8.4 Aplicações envolvendo movimento de partículas carregadas na presença de campo magnético 150 8.5 A força magnética agindo sobre um condutor portando 7 corrente elétrica 152 8.6 Torque 157 Questões 161 Problemas 163 Bibliografia 165 9 A LEI DE AMPÈRE 9.1 Lei de Biot – Savart 168 9.2 Lei de Ampère 173 9.3 A lei de Ampère e os solenóides 176 Questões 178 Problemas 179 Bibliografia 181 10 A LEI DE FARADAY 9.1 Introdução 185 9.2 O fluxo magnético 185 9.3 A lei de Lenz 188 Questões 194 Problemas 196 Bibliografia 200 8 UNIDADE 1 A LEI DE COULOMB Resumo Nesta unidade iremos discutir os fenômenos elétricos numa visão eletrostática, onde idealizamos as cargas em repouso. Começaremos discutindo a natureza da carga elétrica, sua conservação a quantização e os processos de eletrização. Em um ponto culminante da unidade veremos como calcular a força elétrica estática entre cargas distribuídas discretamente a partir da lei de Coulomb. 9 Sumário UNIDADE 1: Lei de Coulomb Paulo Henrique Ribeiro Barbosa 1.1 Introdução 10 1.2 A carga elétrica 11 1.3 Condutores, Isolantes e Cargas induzidas 13 1.4 Processos de Eletrização 14 1.5 Lei de Coulomb 16 1.6 Problemas Resolvidos 16 1.7 Problemas Propostos 21 1.8 Referências bibliográficas 23 1.9 Web‐bibliografia 23 10 1.1 ‐ Introdução O fenômeno eletromagnético está associado a uma propriedade fundamental das partículas, chamada “carga elétrica”. Entretanto, diferentemente da massa de um corpo que somente pode exercer atração gravitacional sobre outra massa, as cargas podem exercer tanto atração quanto repulsão umas sobre outras, através de uma interação denominada de eletromagnética. Das quatro interações até então conhecidas, podemos dizer que a interação eletromagnética é a mais importante, pois está presente desde a escala microscópica até a escala macroscópica. No momento iremos tratar apenas de eventos que ocorrem na escala macroscópica,pois a descrição do fenômeno eletromagnético em escala microscópica demandaria conhecimentos de mecânica quântica. Ocasionalmente poderemos fazer uma abordagem microscópica de um sistema, mas numa visão clássica. Ações comuns como o acionamento do interruptor de uma lâmpada, o apertar de uma tecla de um computador ou o simples acionamento de um controle remoto para ligar uma TV ou abrir um portão, envolvem aplicações de fenômenos eletromagnéticos. Ao acionar o interruptor de uma lâmpada, por exemplo, estabelecemos ou interrompemos a passagem de uma corrente elétrica através de um fio, onde presenciamos concomitantemente efeitos elétricos e magnéticos. Até o fim do século XVIII os fenômenos elétricos e magnéticos eram tratados como mera curiosidade e completamente descorrelacionados. Esta visão deixou de existir com a verificação experimental, no início do século XIX, de que correntes elétricas originam campos magnéticos. A descoberta de Faraday da indução magnética, onde campos magnéticos variáveis produzem campos elétricos demonstrou mais uma vez que os fenômenos elétricos e magnéticos são facetas diferentes de um único fenômeno, o eletromagnetismo. Com a reestruturação do estudo do eletromagnetismo por Maxwell, e a reformulação da lei de Ampère com a inclusão da corrente de deslocamento pela invocação de argumentos de simetria, foi possível prever a geração de ondas eletromagnéticas, posteriormente comprovadas por Hertz. 11 Apresentaremos aqui as bases do eletromagnetismo seguindo uma seqüência que coincide com a construção cronológica do eletromagnetismo. Neste primeiro capítulo, e nos próximos três capítulos, iremos discutir os fenômenos elétricos do ponto de vista eletrostático, onde idealizamos as cargas em repouso. Começaremos discutindo a natureza da carga elétrica, sua conservação, sua quantização, e os processos de eletrização. Ainda neste capítulo veremos como calcular a força elétrica entre cargas a partir da lei de Coulomb. 1.2 – Carga Elétrica Primeiramente devemos fazer algumas considerações de caráter microscópico. A matéria é formada de pequenas partículas, os átomos. Cada átomo, por sua vez, é constituído de partículas ainda menores, os prótons, os elétrons e os nêutrons. Os prótons e os nêutrons localizam‐ se na parte central do átomo, e formam o núcleo. Os elétrons giram em torno do núcleo na região denominada eletrosfera. Os prótons e os elétrons apresentam uma importante propriedade física, a carga elétrica. A carga elétrica do próton e a do elétron tem a mesma intensidade, mas sinais contrários. A carga do próton é, por convenção, positiva e a do elétron, negativa. Num átomo neutro não existe predominância de cargas elétricas; o número de prótons é igual ao número de elétrons. O átomo é um sistema eletricamente neutro. Entretanto quando ele perde ou ganha elétrons, fica eletrizado. O átomo está eletrizado positivamente quando tem mais prótons que elétrons e negativamente quando tem mais elétrons que prótons. A carga do elétron é a menor quantidade de carga elétrica estável existente na natureza, sendo por isso tomada como carga padrão nas medidas de carga elétricas. No Sistema Internacional de Unidades, a unidade de medida de carga elétrica é o coulomb (C). A carga do elétron, quando tomada em módulo, é chamada de carga elementar e é representada por e,com valor absoluto de 1,6.10 ‐ 19 C. • carga do elétron: ‐ 1,6.10 ‐ 19 C • carga do próton: + 1,6.10 ‐ 19 C 12 Do ponto de vista macroscópico, uma forma de construirmos um conceito acerca de carga elétrica consiste em realizar um pequeno número de experimentos, descritos abaixo. Considere (ver Fig. 1.1a) dois bastões de plástico e esfregue um pedaço de camurça em cada um deles. Ao tentar aproximar os bastões constatar‐se‐á uma repulsão entre os mesmos. Ao repetir o mesmo experimento usando dois bastões de vidro e um pedaço de seda verificará, também, uma repulsão entre os bastões de vidro (Fig.1.1b). Entretanto, ao aproximar um bastão de plástico esfregado com camurça de um bastão de vidro esfregado com seda verifica‐se uma atração entre os mesmos (Fig.1.1c). Experimentos dessa natureza revelam que existem dois tipos de cargas elétricas: o tipo de carga elétrica acumulada no bastão de plástico e na seda (convencionada de carga negativa) e o tipo de carga acumulada no bastão de vidro e na camurça (carga positiva). Conclusão: “Cargas elétricas de mesmo sinal se repelem, enquanto cargas elétricas de sinais opostos se atraem”. Há dois princípios importantes acerca das cargas elétricas. Para apresentar o primeiro princípio consideremos a eletrização do bastão de Figura 1.1: (a) Eletrização de bastões de plástico com camurça. (b) Eletrização de bastões de vidro com lã. (c) Atração entre bastões de plástico e de vidro 13 plástico com camurça. Inicialmente estes corpos estão descarregados, e depois de atritados ficam carregados. O primeiro princípio, da “conservação da carga elétrica”, afirma que: A soma algébrica de todas as cargas elétricas antes da eletrização é igual a soma das cargas depois da eletrização. Assim, em qualquer processo de eletrização no qual um corpo é carregado, a carga elétrica não é nem criada nem destruída, mas meramente transferida de um corpo a outro. O segundo princípio importante acerca da carga é o que diz respeito à sua quantização: O módulo da carga elétrica do elétron ou do próton é uma unidade de carga natural “e”. Qualquer quantidade de carga elétrica observada é sempre um múltiplo inteiro dessa unidade básica, caracterizando assim a quantização da carga. Entretanto, existem fortes evidências de que o próton não seja uma partícula elementar, e de que o mesmo seja formado de três partículas menores denominadas de quarks, sendo dois com carga +2e/3 e um com carga –e/3. Entretanto, como os quarks não são encontrados livres na natureza fica valendo a carga do elétron como a unidade fundamental. 1.3 Condutores, Isolantes e Cargas induzidas Alguns materiais permitem a migração de cargas elétricas de uma região para outra, enquanto outros impedem esta movimentação de cargas dentro do material e entre materiais. Grosso modo podemos classificar os materiais quanto à mobilidade das cargas elétricas em: • Condutores elétricos Meios materiais nos quais as cargas elétricas movimentam‐se com facilidade. Pertencem a esta categoria os metais, como ouro, cobre, alumínio e outros. Estes elétrons que podem se mover ao longo do material geralmente são os periféricos e que estão fracamente presos aos núcleos de seus átomos. Quando uma quantidade de carga é colocada no interior de um condutor esta se distribuirá por toda a sua superfície. • Isolantes elétricos ou dielétricos 14 Meios materiais nos quais as cargas elétricas não têm facilidade de movimentação. A borracha, vidro etc. Ao contrário dos condutores seus elétrons estão fortemente ligados aos seus respectivos núcleos. Ao colocarmos uma quantidade de carga nestes materiaisisolantes a carga não se espalha por todo o material, permanecendo localizada na região em que foi colocada. Existem ainda os semicondutores, que são materiais de propriedades intermediárias entre os isolantes e condutores. 1.4 ‐ Processos de Eletrização Um material pode ser eletrizado através de dois processos: (a) Eletrização por atrito, ocorre quando materiais não condutores são atritados uns contra os outros. Nesse processo, um dos materiais perde elétrons e outra ganha, de modo que um tipo de material fica positivo e outro fica negativo. Uma experiência típica e simples consiste em atritar a lã no vidro, como mostrado na Figura 1.2. A comprovação de que ele ficou carregado é obtida atraindo‐se pequenas partículas, por exemplo, de pó de giz. (b) A Eletrização por indução se dá geralmente entre um corpo carregado e um descarregado (geralmente um condutor). A figura 1.3 ilustra as etapas essenciais do processo de eletrização por indução. Na ilustração, tem‐se inicialmente (Fig.1.3a) uma esfera condutora descarregada e isolada por um suporte não condutor. A aproximação do corpo negativamente carregado atrai as cargas positivas da esfera Figura 1.2: Após serem eletrizadas por atrito vidro e lã se atraem. 15 eletricamente neutra (Fig.1.3b). A extremidade próxima ao corpo carregado fica positiva, enquanto a extremidade oposta fica negativa. Mantendo‐se o corpo carregado próximo, liga‐se o corpo eletricamente neutro a terra (Fig.1.3c). Elétrons descerão pra terra. Cortando‐se a ligação com terra (Fig.1.3d), obtém‐se um corpo positivamente carregado (Fig.1.3e). O processo de carregamento de um corpo por indução funcionaria igualmente bem se as cargas móveis sobre a esfera fossem positivas em vez de negativos, ou ate mesmos se existissem simultaneamente cargas móveis positivas e negativas. Em um condutor as cargas móveis são sempre elétrons. É bom observar que um corpo carregado pode exercer força de atração sobre objetos descarregados (neutros). O exemplo ilustrado na Figura 1.3 é uma demonstração desse fato. Entretanto, a atração pode ocorrer entre um corpo carregado e um isolante, onde as cargas negativas e positivas do isolante neutro ficam ligeiramente separadas espacialmente. Este caso pode ser observado quando aproximamos um pente eletrizado de pequenos pedaços de papel. Figura 1.3: Etapas do processo de eletrização por indução 16 1.5 – Lei de Coulomb As principais interações entre partículas devem‐se à sua massa (interação gravitacional) e a sua carga (interação elétrica). Motivado pelos estudos de Cavendish da interação gravitacional, Charles Augustin Coulomb (1736‐1806) estudou a força de interação entre partículas carregadas. Podemos dizer que dois corpos eletrizados estacionários exercem predominantemente uma força elétrica entre si, uma vez que a interação gravitacional é desprezível em comparação a primeira. A eletrostática é a área do eletromagnetismo que aborda interações entre cargas estacionárias ou quase estacionárias. Coulomb descobriu, experimentalmente, que o módulo da força elétrica entre duas cargas puntiformes q1 e q2, separadas por uma distância r, é dada por: ܨ ൌ ݇ |భమ| మ (lei de Coulomb) (1.1) onde k é a constante elétrica e tem o seguinte valor no Sistema Internacional: ݇ ൌ ଵ ସగఌబ ൌ 8,988ݔ10ଽܰ.݉ଶ/ܥଶ. A constante ε0 (=8,854x10‐12C2/N.m2) é a permissividade do vácuo. Podemos expressar a Eq.1‐1 na forma vetorial usando a Figura 1.4a, onde as cargas q1 e q2 de mesmo sinal são ligadas pelo vetor posição ݎԦଵଶ, que tem origem em q2 e extremidade em q1. O sentido da força ܨԦଵଶ, que a partícula 1 sofre devido a carga da partícula 2, aponta no mesmo sentido do vetor ݎԦଵଶ depende do sinal de suas cargas. Podemos representar a força como ܨԦଵଶ ൌ ଵ ସగఌ భమ భమమ ̂ݎଵଶ (1.2) Da mesma forma a força ݎԦଶଵ, que a partícula 1 exerce na partícula 2 aponta no sentido oposto (ܨԦଵଶ ൌ െܨԦଶଵ). A Figura 1.4b esquematiza o caso em que as cargas têm sinais opostos. Consideremos agora a carga pontual q1 interagindo com um conjunto de N cargas pontuais qi (i= 2,3,...,N). Cada uma das cargas qi exercem uma força ܨԦଵ sobre a carga q1. Pode‐se representar a força total sofrida pela partícula 1 como ܨԦଵ ൌ ܨԦଵଶ ܨԦଵଷ ڮ ܨԦଵே ൌ ∑ ܨԦଵேୀଶ (1.3) 17 Figura 1.4 (a) Força entre cargas de mesmo sinal. (b) Força entre cargas Figura 1.5: Átomo de hidrogênio onde a força ܨԦଵ é a força que a i‐ésima carga exerce sobre a partícula 1. No próximo capítulo descreveremos como calcular a força elétrica de uma distribuição contínua de cargas sobre uma carga pontual, após a introdução do conceito de campo elétrico. 1.6 – Problemas Resolvidos Exemplo 1.1 – Para se ter uma idéia da ordem de grandeza da interação eletrostática comparativamente à força gravitacional entre duas partículas de cargas q1 e q2, com respectivas massas m1 e m2, considere o átomo de hidrogênio cuja separação média entre o elétron e o próton é de 5,3x10‐11m. Calcule a razão entre a sua interação elétrica e a sua interação gravitacional. Solução: Um esquema do átomo de hidrogênio seguindo o modelo de Bohr é apresentado na Figura 1.5. Sabendo que o valor da carga elementar e = 1,602x10‐19C e as massas do elétron, me = 9,1x10‐31kg e a massa do próton mp =1 ,6x10‐27kg podemos 18 Calcular o módulo da forças elétricas, Fe, e da gravitacional, Fg. Assim, como ܨ ൌ ଵ ସగఌ మ మ e ܨ ൌ ܩ మ , sua razão é: ி ி ൌ ଵ ସగఌబீ మ ൌ ଽ,௫ଵవே.మ/మ ,௫ଵషభభே.మ/మ ሺଷ,ଶ௫ଵషభవሻమ ሺଽ,ଵ௫ଵషలభሻ௫ሺଵ,௫ଵషమళሻ ൌ 2,3ݔ10ଷଽ. Isto mostra que na escala microscópica a interação gravitacional pode ser ignorada. Outra diferença entre estas duas interações é que enquanto a força gravitacional é somente atrativa, a força elétrica pode ser atrativa ou repulsiva. Caso Especial: As semelhanças entre a interação gravitacional e a eletrostático é muito grande. No caso gravitacional, estabeleceram‐se duas propriedades da força exercida por uma casca esférica de massa específica uniforme sobre uma massa pontual: (a) a força sobre uma partícula dentro desta casca esférica é zero e (2) a força sobre uma partícula externa é a mesma como se toda a massa da casca esférica estivesse concentrada em seu centro. Vamos importar estes teoremas da interação gravitação sem prová‐los, por enquanto, e estender ao caso de uma casca esférica com distribuição uniforme de cargas: Uma casca esférica uniformemente carregada não aplica nenhuma força eletrostática sobre uma carga pontual posicionada em qualquer ponto no seu interior Uma casca esférica uniformemente carregada aplica uma força eletrostática sobre uma carga pontual do lado de fora da casca como se todas as cargas da casca estivessem concentradas em uma carga pontual no seu centro Usaremos este resultado para calcular a força entre uma esfera de carga com distribuição uniforme e uma carga pontual situada tantoem pontos internos quanto externos à esfera. Podemos estender o primeiro teorema a uma distribuição não‐uniforme de cargas na superfície de uma esfera? Qual é o campo elétrico no interior de condutores? Nos próximos capítulos (campo elétrico e lei de Gauss) discutiremos estas questões com mais detalhes. 19 Exemplo 1.2 – Duas cargas puntiformes positivas, Q1 e Q2 de módulos iguais a q, são colocadas ao longo do eixo y nas posições y=‐a e y=+a. Considere uma terceira carga positiva, Q3=q, posicionada ao longo do eixo x na posição x. (a) Calcule o módulo da força resultante sobre a carga Q3. (b) Encontre a posição ao longo do eixo x em que a força resultante é máxima. Solução: (a) O problema está esquematizado na Figura 1.6. Considerando a simetria do problema decorrente do arranjo geométrico (cargas eqüidistantes em relação ao eixo x) e o fato de que as cargas têm o mesmo módulo q, vemos que a força resultante aponta ao longo do eixo x. Assim, ܨ ൌ ܨଵ cos ߠ ܨଶ cos ߠ ൌ 1 4ߨߝ ݍଶ ሺݔଶ ܽଶሻ ݔ ሺݔଶ ܽଶሻ ଵ ଶ 1 4ߨߝ ݍଶ ሺݔଶ ܽଶሻ ݔ ሺݔଶ ܽଶሻ ଵ ଶ ܨ ൌ మ ଶగఌబ ௫ ሺ௫మାమሻయ/మ , onde usamos o fato de que cos ߠ ൌ ݔ/ሺݔଶ ܽଶሻଵ/ଶ . (b) Para encontrarmos o ponto em que a força resultante atinge um máximo ao longo do eixo x derivamos a expressão da força obtida no item (a) e igualamos a derivada à zero, o valor de x encontrado é o que Figura 1.6: Ação das cargas Q1 e Q2 sobre Q3. 20 Figura1.7: (a) Calculo da força para uma carga q0 no interior da esfera de raio R. (b) Força entre a carga q0 e a esfera para pontos no exterior. maximiza a força desde que a segunda derivada seja negativa neste ponto: ௗி ௗ௫ ൌ మ ଶగఌబ ሺమିଶ௫మሻ ሺమା௫మሻఱ/మ ൌ 0, leva a ݔ ൌ േ ଶ . Para verificarmos que este valor maximiza a força calculemos a segunda derivada: ௗ మி ௗ௫మ ൌ మ ଶగఌబ ሺ௫యିଽమ௫ሻ ሺమା௫మሻళ/మ , substituindo x=a/2 constata‐se que ௗ మி ௗ௫మ ൏ 0 e portanto a força atinge o máximo em x=±a/2. Exemplo 1.3 – Calcule a força de interação entre uma esfera maciça uniformemente carregada com densidade volumétrica ρ(carga total Q) e uma carga pontual q0 situada em um ponto (a) no interior da esfera e (b) no seu exterior. Solução: Para resolver este problema vamos usar o fato de que o campo no interior de uma casca esférica uniforme de cargas não exerce força sobre cargas no seu interior e quando a carga está no seu exterior a esfera de carga uniforme pode ser tratada como uma carga pontual. Sendo assim, para um ponto interno à esfera de raio R (Figura 1.7(a)), podemos considerar que toda a carga q’ na esfera de raio r está concentrada no seu centro. Os valores da carga total Q e da carga q’ são: ܳ ൌ ߩ ସ ଷ ߨܴଷ e ݍᇱ ൌ ߩ ସ ଷ ߨݎଷ. Dessa forma temos ݍᇱ ൌ ܳሺ ோ ሻଷ. Aplicando a lei de Coulomb temos o módulo da forçaܨ ൌ ଵ ସగఌబ ᇱబ మ . Substituindo q’ temos ܨ ൌ ଵ ସగఌబ ொబ ோయ ݎ. (b) 21 Para r>R (Fig. 1.7(b)) a carga se comporta com estivesse concentrada no centro da esfera: ܨ ൌ ଵ ସగఌబ ொబ మ . 1.7 – Problemas Propostos Problema 1.1 ‐ Duas partículas igualmente carregadas, com um afastamento de 3x10‐3 m entre elas, são largadas a partir do repouso. As partículas têm massas iguais a 7,0x10‐7 kg e 5,4x10‐7 kg, e a aceleração inicial da primeira partícula é de 700 m/s2. Quais são: (a) a aceleração da segunda partícula? (b) O módulo da carga comum? R.: 900 m/s2; 7x10‐10 C. Problema 1.2 ‐ Duas cargas pontuais livres, +q e +9q, estão afastadas por uma distância d. Uma terceira carga é colocada de tal modo que todo o sistema fica em equilíbrio. (a) Determine a posição, o módulo e o sinal da terceira carga. (b) Mostre que o equilíbrio é instável. R.: Carga –9q/16, colocada entre as cargas +q e +9q, a uma distância d/4 a partir da carga +q. Problema 1.3 ‐ Cargas iguais a +Q são colocadas nos vértices de um triângulo eqüilátero de lado L. Determine a posição, o módulo e o sinal de uma carga colocada no interior do triângulo, de modo que o sistema fique em equilíbrio. R.: Carga ݍ ൌ െ ொ √ଷ colocada na bissetriz, a uma distância ܮ/√3a partir do vértice. Problema 1.4 ‐ Uma carga Q igual a 2x10‐19 C é dividida em duas, (Q‐q) e q, de modo que a repulsão coulombiana seja máxima. Calcule a distância que uma carga deve ficar da outra, para que esta força seja igual 9x10‐9 N. R.: 1Å Problema 1.5 ‐ Duas cargas pontuais idênticas, de massa m e carga q, estão suspensas por fios não condutores de comprimento L, conforme ilustra a figura 1.8. Considerando o ângulo q tão pequeno de modo que seja válida a aproximação tan ߠ ൎ sin ߠ, mostre que 22 Figura 1.9 ࢞ ൌ ሺ ࡸ ࣊ࢿࢍ ሻ/, onde x é a separação entre as bolas. (b) Se L=122 cm, m=11,2 g e x=4,70 cm, qual o valor de q? Problema 1.5 – Cinco cargas Q estão igualmente espaçadas em um semicírculo de raio R como mostrado na Figura 1.9. Encontre a força na carga q localizada no centro do semicírculo. Problema 1.6 – Três cargas de q1=‐1.o μC, q2=2.0 μC e q3=4.0μC têm suas localizações dadas pelos pares ordenados, respectivamente em metros, (0,0), (0,0.1),(0.2,0). Encontre as forças que atuam em cada uma das três cargas. Problema 1.7 – (a) Se a convenção de sinal da carga fosse mudada de modo que a carga do elétron fosse positiva e a carga do próton fosse negativa, a lei de Coulomb ainda valeria? (b) Discuta as semelhanças e as diferenças entre as leis de Coulomb e a lei de gravitação universal. Problema 1.8 – Quando duas cargas de iguais massas e cargas são liberadas sobre uma mesa horizontal e sem atrito, cada massa terá uma Figura 1.8 23 aceleração inicial a0. Se ao invés disso mantivermos uma das cargas fixas e a outra livre, qual será sua aceleração inicial: a0, 2a0 ou a0/2? Explique. 1.8 Referências bibliográficas Livro Texto HALLIDAY, D.; RESNICK, R.; KRANE, K. S. Física. V. 3, 4. ed. Rio de Janeiro: LTC, 1996. Bibliografia complementar HEWITT, Paul G. Física conceitual. 9. ed. Porto Alegre: Bookman, 2002. TIPLER, P. Física 3. 4. ed. Rio da Janeiro: Guanabara Dois, 1999. NUSSENZVEIG, H. M. Curso de Física Básica 3: mecânica. São Paulo: Edgard Blücher, 1996. SERWAY, R. A. Física para cientistas e engenheiros: com Física Moderna. V. 3. 3. ed. Rio de Janeiro: LTC, 1997. 1.9 Web‐bibliografia http://br.geocities.com/saladefisica3/labortório.htm http://www.adorofisica.com.br/comprove/mecanica/mec_cine_vetor.ht ml 24 UNIDADE 2 O CAMPO ELÉTRICO RESUMO Nesta unidade vamos introduzir o conceito de campo elétrico, importante para o entendimento de como as interações à distância entre cargas se estabelecem, principalmente se estas cargas estão em movimento, como poderá ser discutido em um estudo mais avançado da eletrodinâmica clássica. Neste capítulo discutiremos somente o campo elétrico estático devido a cargas em repouso. 25 Sumário UNIDADE 2: O campo Elétrico Paulo Henrique Ribeiro Barbosa 2 O CAMPO ELÉTRICO 2.1 Introdução 26 2.2 Ação à Distânciae o Campo Elétrico 26 2.3 Dipolo Elétrico 28 2.4 Linhas de Campo Elétrico 29 2.5 Carga Elétrica na Presença de um campo Elétrico 31 2.6 Dipolo Elétrico Sob Ação de um Campo elétrico Externo 32 2.7 Problemas Resolvidos 33 2.8 Problemas Propostos 35 2.9 Referências bibliográficas 37 2.9 Web‐bibliografia 37 26 2.1 – Introdução Qual é o mecanismo pelo qual uma partícula consegue exercer uma força sobre outra atravessando o espaço vazio que as separa? Supondo que uma partícula em um determinado ponto é subitamente movida, a força que uma segunda partícula a uma distância r exercia na primeira é subitamente alterada? Neste capítulo vamos introduzir o conceito de campo elétrico, importante para o entendimento de como as interações à distância entre cargas se estabelecem, principalmente se estas cargas estão em movimento, como poderá ser discutido em um estudo mais avançado da eletrodinâmica clássica. Neste capítulo discutiremos somente o campo elétrico estático devido a cargas em repouso. 2.2 ‐ Ação à Distância e o Campo Elétrico A força coulombiana, assim como a força gravitacional, é uma interação à distância e algo mal compreendido até meados do século dezenove quando Michael Faraday introduziu o conceito de campo que permite‐os raciocinar como se dá a ação à distância. De acordo com o conceito de campo, a interação entre duas cargas, q1 e q2, ocorre através da ação do campo elétrico de uma delas sobre a outra. Definimos então o campo elétrico ܧሬԦ, em um ponto, produzido por um conjunto de cargas, como a força elétrica ܨԦ que atua sobre uma carga q0 neste ponto devido às outras, dividida pela carga q0, ܧሬԦ ൌ ி Ԧబ బ , (2.1) onde q0 é a carga de prova, convencionalmente tomada como positiva. No Sistema internacional (SI) a unidade de campo elétrico é 1 newton por coulomb (1N/C). Operacionalmente devemos considerar a carga de prova, q0, tão pequena quanto possível para que esta não perturbe o arranjo original de cargas do qual se quer medir o campo elétrico. Isto pode ser resumido na equação abaixo ܧሬԦ ൌ lim బ՜బ ܨԦ ݍ Assim, para se conhecer o valor do campo elétrico em determinado ponto, basta colocar uma carga de prova naquele ponto e dividir a força medida pelo valor da carga de prova q0. 27 Considere q uma carga puntiforme positiva como uma fonte de campo elétrico. Coloquemos a carga de prova positiva q0 a uma distância r desta (ver Figura 2.1a). A carga de prova experimentará uma força de repulsão de módulo ܨ ൌ ଵ ସగఌబ |బ| మ . Substituindo F0 no módulo da Eq. (2.1) temos ܧ ൌ ଵ ସగఌబ || మ (2.2) Vetorialmente, temos ܧሬԦ ൌ ଵ ସగఌబ || మ ̂ݎ, (2.3) onde ̂ݎ é o vetor unitário que aponta na direção do ponto P, onde foi aferido o campo elétrico. Observe que o campo elétrico de uma carga positiva aponta na mesma direção da força que atua na carga de prova e é, portanto de afastamento. Se q for negativa (Fig. 2.1b) a força será de atração sobre a carga de prova e o campo elétrico será de aproximação. Também se observa que o módulo do campo elétrico de uma carga pontual para uma mesma distância ao redor da fonte é o mesmo. Campos elétricos cujo módulo independem da orientação espacial, mas tão somente da distância da fonte ao ponto de observação são denominados de radiais. Considere uma pequena carga de prova q0 em um ponto P distante ri0 de uma carga qi. A força na carga de prova devido à carga qi é ܨԦ ൌ ଵ ସగఢబ బ బమ ̂ݎ e o campo elétrico é, usando Eq.(2‐1) Figura 2.1: Campo Elétrico de uma carga pontual q.(a) carga fonte poisitiva e (b) carga fonte negativa 28 Figura 2.3: (a)Molécula de água como dipolo permanente e (b) dipolo induzido ܧሬԦ ൌ ଵ ସగఢబ బమ ̂ݎ , onde ̂ݎ é o vetor unitário apontado da carga qi ao ponto onde se quer medir o campo ܧపሬሬሬԦ. Para uma distribuição discreta de cargas o campo total no ponto P é ܧሬԦ ൌܧሬԦ ൌ 1 4ߨ߳ ݍ ݎଶ ̂ݎ . ሺ2.4ሻ A propriedade acima é conhecida como princípio da superposição, que decorre da existência de respostas lineares do sistema de cargas discretas ou contínuas. A propósito, para uma distribuição contínua de cargas a equação acima é escrita como ܧሬԦ ൌ න݀ܧሬԦ , ሺ2.4ܾሻ onde em coordenadas cartesianas ݀ܧሬԦ ൌ ଓ̂݀ܧ ଔ̂݀ܧ ݇݀ܧ , e ݀ܧ ൌ ଵ ସగఢబ ௗ మ , sendo r a distância do elemento de carga dq ao ponto de observação. 2.3 ‐ Dipolo Elétrico Um sistema formado de duas cargas de mesmo módulo e de sinais opostos separadas por uma pequena distância L é chamado de dipolo elétrico. Sua amplitude e orientação são descritos pelo vetor dipolo elétrico ሬሬԦ, que é um vetor que aponta da carga negativa para a carga positiva e tem módulo qL (ver Figura 2.2). Um sistema pode naturalmente apresentar propriedades polares (chamados de dipolos permanentes) ou estas podem ser induzidas pela aplicação de um campo elétrico no sistema (dipolos induzidos). Como um exemplo de um dipolo permanente podemos citar o caso da molécula de água (Fig2.3a), onde os elétrons “preferem” passar mais Figura 2.2: Dipolo Elétrico 29 tempo próximos ao oxigênio do que dos hidrogênios. No caso de um dipolo induzido podemos ter uma molécula em que inicialmente os centros das distribuições das cargas positivas e negativas coincidem, mas são deslocados pela ação de um campo elétrico externo (Fig2.3b). Em muitas investigações em ciências físicas e químicas somos solicitados a verificar se um determinado sistema pode apresentar comportamento dipolar. Por isso é importante calcularmos o campo do dipolo elétrico para conhecermos suas propriedades matemáticas. O exemplo abaixo ilustra este procedimento. Exemplo 2.1: A figura 2.4 mostra um dipolo elétrico com suas cargas posicionadas ao longo do eixo x nas posições x=‐a e x=+a. (a) Encontre o campo elétrico em um ponto x>a. (b) Encontre a forma matemática do campo elétrico para a situação limite x>>a. Solução: (a) Considere um ponto x>a, e aplique a Eq.(2‐4): ܧሬԦ ൌ ଵ ସగఢబ ቂ ሺ௫ାሻమ ଓ̂ ି ሺ௫ିሻమ ଓ̂ቃ ൌ ଵ ସగఢబ ସ௫ ሺ௫మିమሻమ ଓ̂. (b) O comportamento do campo elétrico do dipolo para x>>a é ou ܧሬԦ ൌ ଵ ସగఢబ ସ௫ ሺ௫మିమሻమ ଓ̂ ൎ ଵ ସగఢబ ଶԦ ௫య , (2.5) onde fizemos a aproximação ሺݔଶ െ ܽଶሻଶ ൎ ݔସ e Ԧ ൌ 2ݍܽ. A Eq.(2.5) mostra que para pontos afastados das cargas o campo do dipolo cai mais rapidamente e com o cubo da distância. Figura 2.4: Dipolo elétrico formado de duas cargas de módulo q e distância L=2a 30 2.4 ‐ Linhas de Campo Elétrico Podemos representar o campo elétrico traçando linhas que indicam a sua direção. As linhas de campo elétrico, introduzidas por Faraday, são também conhecidas como linhas de força. Em qualquer ponto o campoelétrico, ܧሬԦ, é tangente à linha. A Figura 2.5(a) mostra que para uma carga pontual positiva o campo elétrico aponta radialmente para fora, como mostram as linhas de força. No caso de uma carga pontual negativa as linhas de força convergem para o ponto aonde se encontra a carga. Observe como a representação do campo elétrico em termos de linhas de força é útil. Por exemplo, a medida que nos afastamos da carga pontual positiva as linhas de força estarão cada vez mais afastadas, mostrando que o campo vai ficando cada vez mais fraco. Considere uma esfera de raio r centrada em torno de uma carga pontual. Se N linhas de força emergem da carga, o número de linhas de força por unidade de área que atravessarão a superfície da esfera é N/πr2. Assim, a densidade de linhas decresce com a distância com 1/r2, que é o mesmo comportamento do campo elétrico. As Figuras 2.6(a) e (b) mostram a representação do campo elétrico em termos de linhas de força respectivamente para duas cargas iguais e positivas e para um dipolo elétrico. É muito intuitiva a construção de tal representação baseada na justaposição das representações em termos das linhas de força de cada Figura 2.5: Representação do campo elétrico por meio de linhas de força para (a) carga positiva e (b) carga negativa Figura 2.6: (a) Cargas iguais e positivas e (b) cargas iguais e opostas 31 carga isoladamente. É muito instrutivo resumir em um conjunto de regras a serem seguidas na representação do campo elétrico de um conjunto de cargas elétricas pontuais: 2 As linhas de campo elétrico começam nas cargas positivas (ou no infinito) e terminam nas cargas negativas (ou no infinito); 3 As linhas de campo são traçadas simetricamente entrando ou saindo de uma carga isolada; 4 O número de linhas de campo deixando uma carga positiva ou entrando em uma carga negativa é proporcionais à magnitude da carga; 5 A densidade de linhas de campo (o número de linhas por unidade de área perpendicular às linhas) em qualquer ponto é proporcional à magnitude do campo elétrico naquele ponto; 6 Á grandes distâncias de um conjunto de cargas, as linhas de campo são igualmente espaçadas e radiais, como se elas se originassem de uma carga pontual de carga líquida igual à do conjunto; 7 Linhas de campo resultante não se cruzam. 2.5 ‐ Carga Elétrica na Presença de um campo Elétrico Quando uma carga elétrica pontual q é colocada em um ponto com campo elétrico ܧሬԦ, a carga fica submetida a uma força ܨԦ ൌ ݍܧሬԦ. Se a força elétrica é a única força significativa a que a carga q está submetida, esta sofrerá uma aceleração dada pela segunda lei de Newton Ԧܽ ൌ ∑ܨԦ ݉ ൌ ݍ ݉ ܧሬԦ, ሺ2.6ሻ onde m é a massa partícula com carga q. No caso do elétron a velocidade envolvida é muito grande e devemos considerar correções relativísticas. Se o campo elétrico é conhecido a relação q/m pode ser calculada pela medida da aceleração. Esta foi a base da experiência de J. J. Thomson em 1897 para a determinação da existência do elétron. Este experimento é a base de funcionamento de uma série de dispositivos eletrônicos, como osciloscópios, monitores de computador, monitores de TV, etc. Exemplo 2.2: Considere um elétron projetado em um campo elétrico 32 Figura 2.7: Elétron na presença de um campo elétrico uniforme. Figura 2.8: Dipolo elétrico sob ação de um campo elétrico externo uniforme, ܧሬԦ ൌ ቀ1000 ே ቁ ଓ̂ , com uma velocidade inicial ݒԦ ൌ ቀ2 ൈ 10 ௦ ቁ ଓ̂ na direção do campo (ver Fig.2.7). Que distância o elétron viajará na região de campo antes de parar? Solução: Considerando que a única força significativa é a elétrica e sendo a carga do elétron negativa esta força é ܨԦ ൌ െ݁ܧሬԦ, constante e apontando no sentido oposto ao do campo elétrico. Assim, podemos usar as equações do movimento uniformemente variado para encontrarmos a variação da posição até repouso instantâneo do elétron: 1. O deslocamento Δx esta relacionado às velocidades inicial e final pela equação de Torricelli: ݒଶ ൌ ݒଶ 2ܽ∆ݔ, 2. O módulo da aceleração é ܽ ൌ ி ൌ ିா , 3. Quando v=0 temos ∆ݔ ൌ ି௩బ మ ଶ ൌ ௩బ మ ଶா ൌ 1.14 ൈ 10ିଶ݉. 2.6 – Dipolo Elétrico Sob Ação de um Campo elétrico Externo Já discutimos o caso do campo elétrico gerado por um dipolo elétrico, que pode ser uma molécula de água ou uma molécula de ácido clorídrico, que são moléculas polares. Vamos discutir agora o que acontece com um dipolo quando este é submetido a um campo elétrico externo. Para simplificar vamos considerar que este campo é uniforme. Vamos mostrar que o campo externo não exerce nenhuma força externa no dipolo, mas exerce um torque que fará com que o dipolo gire de um 33 determinando ângulo. Considere a figura 2.8, que mostra o dipolo numa região de campo elétrico uniforme. Observe que as forças ܨԦଵ e ܨԦଶ têm mesmo módulo, F1=F2=qE, mas sentidos opostos, o que dá uma resultante nula. Por outro lado, estas forças exercem um torque que tende a girar e alinhar o dipolo com o campo externo. Por exemplo, o torque em torno da carga negativa tem módulo ߬ ൌ ܨଵܮ sin ߠ ൌ ݍܧܮ sin ߠ ൌ ܧ sin ߠ. A direção do torque, pela regra da mão direita, é aquela entrando na página. Em notação vetorial podemos escrever o torque como : Ԧ߬ ൌ Ԧ ൈ ܧሬԦ. ሺ2.7ሻ Quando um dipolo gira de um ângulo dθ, o trabalho realizado pelo torque é ܹ݀ ൌ െ߬݀ߠ ൌ െܧ sin ߠ݀ߠ. O sinal vem do fato de que o torque tende a decrescer θ. Como este trabalho é igual ao decréscimo da energia potencial, temos ܷ݀ ൌ െܹ݀ ൌ ܧ sin ߠ݀ߠ. Integrando, obtemos ܷ ൌ െܧ cos ߠ ܷ. Escolhendo U0=0 para θ=π/2, temos ܷ ൌ െܧ cos ߠ ൌ െԦ · ܧ,ሬሬሬԦ ሺ2.8ሻ Que é a energia potencial elétrica armazenada no dipolo elétrico. Fornos de micro‐ondas exploram o fato de que existe uma grande quantidade de água (moléculas polares) nos alimentos para poder cozinhá‐los. Ao funcionar na faixa de vibração das moléculas de água estas vibram por ressonância e os alimentos são aquecidos 2.7 – Problemas resolvidos Exemplo 2.3: Uma carga pontual q1=8 nC está na origem , e uma segunda carga q2=12 nC está no eixo x, em a=4m (Figura 2.9). Encontre o campo elétrico total (a) em P1, no eixo x, a x=7 m e (b) em P2 no eixo x em x=3 m. Figura 2.9: Duas cargas pontuais dispostas ao longo do eixo x 34 Solução: Como o ponto P1 está à direita das duas cargas e as mesmas são ponto P2 (x=3 m), que está mais próximo da carga q2, o campo elétrico resultante apontará para a esquerda. Vejamos isto quantitativamente: (a) Usando a Eq. (2.4) para o ponto P1 temos ܧሬԦ ൌ ଵ ସగఢబ భ భబమ ଓ̂ ଵ ସగఢబ మ మబమ ଓ̂ ൌ ଵ ସగఢబ భ ௫మ ଓ̂ ଵ ସగఢబ మ ሺ௫ିሻమ ଓ̂, Usando x=7 m, a=4 m, q1=8 nC e q2=12 nC, temos ܧሬԦ ൌ ቀ13.5 ே ቁ ଓ̂. (b) Para o ponto P2 temos ܧሬԦ ൌ ଵ ସగఢబ భ భబమ ଓ̂ ଵ ସగఢబ మ మబమ ଓ̂ ൌ ଵ ସగఢబ భ ௫మ ଓ̂ ଵ ସగఢబ మ ሺି௫ሻమ ଓ̂, o que dá ܧሬԦ ൌ ቀെ100 ே ቁ ଓ̂. A Figura 2.10 mostra graficamente o comportamento do campo elétrico para todos os pontos ao longo do eixo x. Exemplo 2.4:Encontre o campo elétrico no eixo y a y=3 m para as cargas vistas na Figura 2.9. Solução: Observe que para um ponto sobre o eixo y o campo elétrico, ܧሬԦଵ, devido à carga q1, aponta ao longo do eixo y, enquanto o campo ܧሬԦଶ , devido à carga q2, faz um ângulo θ com o eixo y (Figura 2.11a). Para encontrar o campo resultante procedemos com a decomposição analítica, encontrando as componentes x e y de cada campo, como mostrado na figura 2.11b. Figura 2.10: Gráfico do campo elétrico resultante da configuração de cargas vista na Fig. 2.9 ao longo do eixo x 35 Figura 2.12 Observe que o campo da carga q1 tem módulo ܧଵ ൌ ଵ ସబ ୯భ ୷మ ൌ 7.99 N/C, ܧଵ௫ ൌ 0, ܧଵ௬ ൌ 7.99 ே . O campo da carga q2 tem módulo ܧଶ ൌ 4.32 ே . Suas componentes são ܧଶ௫ ൌ െܧଶ cos ߠ, ܧଶ௬ ൌ ܧଶ sin ߠ. Da Figura 2.11a obtemos sin ߠ ൌ 0.8 e cos ߠ ൌ 0.6. Assim temos, ܧ௫ ൌ െ3.46 ܰ/ܥ e ܧ௫ ൌ 10.6 ே . Dessas componentes obtemos a magnitude do campo resultante, ܧ ൌ ටܧ௫ଶ ܧ௬ଶ ൌ 11.2 ܰ/ܥ, fazendo um ângulo ߠଵ ൌ tanିଵ ቀா ாೣ ቁ ൌ 108°, com o eixo x. 2.8 –Problemas Propostos Problema 2.1‐ As linhas de campo de duas esferas condutoras são mostradas na Figura 2.12. Qual o sinal relativo das cargas e a magnitude das cargas das duas esferas? Problema 2.2‐ Um elétron entra em uma região de campo elétrico Figura 2.11: Calculo do campo resultante ao longo em um ponto no eixo x. 36 Figura 2.13: Quadrado de lado a ܧሬԦ ൌ ቀെ2000 ே ቁ ଔ̂ com uma velocidade inicial ݒԦ ൌ ቀ10 ௦ ቁ ଓ ̂ perpendicular ao campo. (a) Faça uma comparação entre as forças gravitacional e elétrica que agem no elétron. Qual é a deflexão do elétron após ele ter percorrido 1 cm na direção x? Problema 2.3‐ Calcule o campo elétrico no centro do quadrado da figura 2.13 abaixo. Problema 2.4‐ Em um particular ponto do espaço, uma carga Q é posicionada e não sobre nenhuma força elétrica. Analise cada uma das alternativas abaixo, justificando sua resposta: (a) Não existem cargas nas proximidades; (b) Se existem cargas próximas, estas têm sinais opostos ao de Q; (c) Se existem cargas próximas, a carga total positiva deve ser igual a carga total negativa; (d) Nenhuma das alternativas acima precisa ser verdadeira. Problema 2.5‐ Uma carga de +5.0 μC está localizada em x=‐3.0 cm e uma segunda carga de ‐8.0 μC está localizada em x=+4.0 cm. Onde devemos posicionar uma terceira carga de +6.0 μC de modo a termos o campo elétrico nulo em x=0.0 cm? Problema 2.6‐ Duas cargas +4q e ‐3q estão separadas por uma pequena distância. Trace as linhas de campo elétrico para este sistema. Problema 2.7‐ Três cargas iguais e positivas são posicionadas nos vértices de um triângulo eqüilátero. Esquematize as linhas de campo elétrico para este sistema. Problema 2.8‐ Um elétron, partindo do repouso, é acelerado por um campo elétrico uniforme de módulo 8 x 104 N/C que se estende por uma região de 5.0 cm. Encontre a velocidade do elétron depois que ele deixa a região de campo elétrico uniforme. 37 Problema 2.9‐Duas cargas pontuais, q1=+2.0 pC e q2=‐2.0 pC estão separadas por uma distância de 4μm. (a) Qual é o momento de dipolo do par de cargas? (b) Esquematize o dipolo e mostre a direção do momento de dipolo. 2.8 Referências bibliográficas Livro Texto HALLIDAY, D.; RESNICK, R.; KRANE, K. S. Física. V. 3, 4. ed. Rio de Janeiro: LTC, 1996. Bibliografia complementar HEWITT, Paul G. Física conceitual. 9. ed. Porto Alegre: Bookman, 2002. TIPLER, P. Física 3. 4. ed. Rio da Janeiro: Guanabara Dois, 1999. NUSSENZVEIG, H. M. Curso de Física Básica 3: mecânica. São Paulo: Edgard Blücher, 1996. SERWAY, R. A. Física para cientistas e engenheiros: com Física Moderna. V. 3. 3. ed. Rio de Janeiro: LTC, 1997. 2.9 Web‐bibliografia http://br.geocities.com/saladefisica3/labortório.htm http://www.adorofisica.com.br/comprove/mecanica/mec_cine_vetor.ht ml 38 UNIDADE 3 A LEI DE GAUSS RESUMO Nesta unidade discute‐se uma alternativa à lei de Coulomb, chamada de lei de Gauss, que permite uma abordagem mais prática e instrutiva no cálculo do campo elétrico ܧሬԦ em situações que apresentam certas simetrias. Entretanto, o cálculo do campo elétrico na forma como apresentada na unidade anterior permanece infalível, embora trabalhosa em muitos casos. Neste capítulo apresentaremos o conceito de fluxo de um campo vetorial, importante na apresentação da lei de Gauss e depois faremos aplicações. 39 Sumário UNIDADE 3: A Lei de Gauss Paulo Henrique Ribeiro Barbosa 3.1 O Fluxo de Campo Vetorial 3.1 3.2 O Fluxo do Campo Elétrico ܧሬሬሬԦ e a Lei de Gauss 3.2 3.3 Aplicações da Lei de Gauss 3.3 3.4 Usando a Lei de Gauss para Discutir o Campo Elétrico em Condutores 3.4 3.5 Problemas Propostos 3.5 3.6 Referências bibliográficas 3.7 Web‐bibliografia 40 3.1 O Fluxo de Campo Vetorial Uma forma de entendermos o significado de fluxo é imaginarmos que estamos às margens de uma auto ‐ estrada e realizando a contagem da quantidade de carros que cruzam a via em determinado ponto durante certo tempo. Ao fazer isto estamos calculando o fluxo de carros na estrada naquele ponto. Se associarmos um vetor velocidade a cada carro que ocupam a via teremos vários vetores velocidade espacialmente distribuídos, compondo o que denominamos campo vetorial de velocidades ݒԦ. Para uma análise quantitativa do fluxo vetorial consideremos o escoamento de um fluido em regime estacionário, representado pela especificação do vetor velocidade em cada ponto (ver Fig.3.1). Na Fig.3.1a colocam‐se um fio retangular de modo que seu plano seja perpendicular ao vetor velocidade,ݒԦ, associado ao fluxo do fluido que escoa ao longo de um canal. Definindo‐se o fluxo do campo de velocidades de modo que seu valor absoluto seja dado por |ߔ| ൌ ݒܣ, (3.1) onde v é a intensidade da velocidade no local em que está posicionado o fio retangular. A unidade do fluxo do fluido é m3/s, que é o mesmo que a vazão do fluido que passa através da área A delimitada pelo fio retangular. Em termos do conceito de campo, podemos considerar o fluxo como uma medida do número de linhas de campo que Figura 3.1: (a) Fio retangular em um fluido com área normal ao vetor velocidade. (b) Fio retangular com área formando um ângulo Ф com o vetor velocidade. 41 atravessam a área do fio retangular. Se inclinarmos o fio retangular de forma que o seu plano não seja mais perpendicular à direção do vetor velocidade (ver Fig. 3.1b), o número de linhas do campo de velocidade atravessando a área, A, do retângulo não será mais o mesmo e diminuirá. Para calcular o fluxo do fluido observemos que o número de linhas do campo de velocidade que atravessam a área, A, na forma inclinada é o mesmo número de linhas que atravessam a área projetada, Acosφ, perpendicularmente às linhas de ݒԦ. Assim, a intensidade do fluxo correspondente a situação retratada na Fig. 3.1b é|Φ| ൌ vA cosԄ. (3.2) Se o fio retangular for girado de modo que sua área seja paralela ao vetor velocidade (φ=90°), nenhuma linha de velocidade atravessará a área e o fluxo de velocidades é nulo (|ߔ| ൌ 0ሻ. Podemos dar uma interpretação vetorial à Eq.(3.2), introduzindo o vetor área, ܣԦ, que emerge perpendicularmente (normal) à superfície de área A do fio retangular: ߔ ൌ ݒԦ · ܣԦ. ሺ3.3ሻ Observe que esta definição nos coloca diante da possibilidade de um fluxo de ݒԦ positivo (ߔ 0 ܽݎܽ Ԅ ൏ 90°), bem como um fluxo de ݒԦ negativo (ߔ ൏ 0 ܽݎܽ Ԅ 90°). Assim, no caso de uma superfície aberta deve‐se escolher um sentido para a normal à superfície em questão. No caso de uma superfície fechada, na qual se refere a lei de Gauss, adota‐se o sentido do vetor área, ܣԦ, como sendo o sentido da normal saindo da superfície. Dessa forma, o fluxo associado a um campo vetorial que atravessa a superfície e deixa o volume será um fluxo positivo (fonte de linhas de campo), caso contrário o fluxo será negativo (sumidouro de linhas de campo). Podemos estender a definição acima para uma superfície qualquer considerando que a mesma é formada de um número muito grande de superfícies retangulares de área, ߂ܣԦ, elementares, cujo fluxo de linhas de ݒԦ através da superfície de área ΔA será ሺ߂ߔሻ ൌ ݒԦ · ߂ܣԦ. Em seguida somamos e tomamos o limite de |߂ܣԦ| tendendo a zero, 42 ߔ ൌ lim ௱՜బ ݒԦ · ߂ܣԦ ஶ ୀ ൌ නݒԦ . ݀ܣԦ ൌ නݒԦ. ො݊݀ܣ ߔ ൌ ݒԦ . ො݊݀ܣ , (3.4) onde ො݊ é o vetor unitário normal à superfície de área elementar dA no ponto considerado. 3.2 – O Fluxo do Campo Elétrico ࡱሬሬሬԦ e a Lei de Gauss O fluxo do campo elétrico, ܧሬԦ, é análogo ao fluxo de ݒԦ, resultando em expressão idêntica quando substituímos ݒԦ por ܧሬԦ em todas as etapas da dedução. A Fig. (3.2) mostra as linhas de campo elétrico não uniforme e o elemento de área ߂ܣԦ. Tomando os devidos limites o fluxo elétrico, ΦE, será dado por ߔா ൌ ܧሬԦ . ො݊݀ܣ (3.4) Esta integral indica que a superfície em questão deve ser dividida em elementos infinitesimais de área ࢊሬሬԦ, que é atravessado por um campo elétrico, ۳ሬԦሺܚԦሻ, e que a quantidade escalar ࡱሬሬԦ. ෝࢊ deve ser calculada para cada elemento e somada, contemplando‐se toda a área da superfície. No caso da lei de Gauss, a superfície considerada é fechada, sendo a Eq.(3.4) modificada para ߔா ൌ ׯܧሬԦ . ො݊݀ܣ, onde o círculo na integral sinaliza que a mesma é fechada. Figura 3.2: Linhas de campo atravessando uma superfície S. 43 Dissemos acima que o fluxo de ݒԦ através de uma superfície é uma medida do número de linhas de campo que atravessam a mesma, ou que é uma medida da vazão do fluido. Podemos dar uma interpretação análoga para o caso do campo elétrico, dizendo que o fluxo elétrico ߔா é uma medida do número de linhas que atravessam uma superfície. Como não existem linhas de campo sem cargas elétricas, podemos dizer que para uma superfície fechada o fluxo elétrico está diretamente ligado à carga elétrica envolvida por esta. Imagine uma superfície fechada, que chamaremos a partir de agora de superfície gaussiana, contendo uma certa quantidade de carga q (discreta e/ou contínua). A lei de Gauss afirma que o fluxo elétrico ߔா através desta superfície fechada é proporcional à quantidade de carga q envolvida: ߝߔா ൌ ݍ , ou ߝ ׯܧሬԦ . ݀ܣԦ=q. (3.5) A Eq. (3.5) contabiliza o número de linhas que atravessam a superfície gaussiana ou a quantidade total de cargas internas a esta superfície. Embora a escolha da superfície gaussiana seja arbitrária e não altere o resultado da integral na Eq. (3.5), deve‐se fazer uma escolha que explore a simetria da distribuição de cargas. A lei de Gauss estabelece uma relação entre grandezas (o fluxo elétrico ߔா e a carga total q envolvida pela superfície S) que, em princípio, não são definidas para um ponto, pelo menos na forma como está expressa na Eq. (3.5). Assim sendo, não é de se estranhar que a mesma não sirva para calcular o módulo do campo elétrico de uma distribuição qualquer. Na próxima seção vamos mostrar que a lei de Gauss pode ser útil no cálculo do campo elétrico (que é uma grandeza local) de um número relativamente reduzido de distribuições de cargas que geram campos elétricos com determinadas simetrias, desde que se faça uma escolha apropriada da superfície gaussiana. A lei de Gauss e a lei de Coulomb são formas diferentes de abordar o mesmo problema, e conseqüentemente fornecem a mesma resposta. Então, quando e por que usar uma ou outra lei? O uso de uma ou outra lei é determinado pelas seguintes circunstâncias: (a) se a distribuição de 44 cargas apresenta um alta simetria a resposta é obtida mais facilmente usando a Lei de Gauss, (b) Entretanto se a distribuição de cargas apresenta um baixa grau de simetria a Lei de Coulomb é a mais adequada. 3.3 – Aplicações da Lei de Gauss (a) Carga Puntiforme e a Lei de Coulomb Por argumentos de simetria conclui‐se que o campo de uma carga puntiforme tem simetria esférica (campo é o mesmo para qualquer ponto sobre uma esfera de raio r e é perpendicular a superfície da esfera). Assim, ao escolhermos como superfície gaussiana uma esfera de raio r com a carga q em seu centro (Fig.3.3) teremos a possibilidade de obter o campo elétrico da carga Q. Como ݀ܣԦ é paralelo a ܧሬԦ em qualquer ponto sobre a Gaussiana, o produto escalar destes dois vetores na superfície da esfera gaussiana será sempre ܧሬԦ · ݀ܣԦ=EdA. Tomando a lei de Gauss temos, ׯܧሬԦ · ݀ܣԦ ൌ ׯܧ݀ܣ ൌ ܧ ׯ݀ܣ ൌ ܧ4ߨݎଶ ൌ ܳ/ߝ, ou ܧ ൌ ଵ ସగఌబ ொ మ , (3.6) que é a eq. 2.3, o campo de uma carga puntiforme. Figura 3.3: Carga pontual Q envolvida por uma superfície esférica de raio r. 45 Figura 3.4: Linha de carga positiva envolvida por uma superfície gaussiana cilíndrica de raio r e comprimento l. No cálculo da integral fechada sobre a superfície esférica tiramos o módulo do campo de baixo do símbolo da integral porque o mesmo é constante. (b) Linha Infinita de Cargas Considere uma linha infinita de carga com densidade linear, positiva e constante λ, conforme mostrado na Fig.3.4. Deseja‐se calcular o campo elétrico a uma distância perpendicular r da linha de carga. Por considerações de simetria conclui‐se que as linhas de campo são radiais. Ou seja, o campo elétrico, ܧሬԦ, é perpendicular à linha de carga. A superfície gaussiana mais apropriada para o cálculo do campo elétrico é uma superfície cilíndrica de raio r, comprimento l, com a linha de carga passando pelo seu eixo. Observe que ܧሬԦ é constante ao longo de toda a superfície cilíndrica e perpendicular a ela. O fluxo de ܧሬԦ através desta superfície é ׯܧሬԦ · ݀ܣԦ ൌ ܧሬԦ · ݀ܣԦௌభ ܧ ሬԦ · ݀ܣԦௌమ ܧ ሬԦ · ݀ܣԦௌయ ൌ ݍ/ߝ. Como para as superfícies S1, S2 e S3 o campo elétricoܧሬԦ e o elemento de área mantém as respectivas relações ܧሬԦ צ ݀ܣԦ, ܧሬԦ ٣ ݀ܣԦ ݁ ܧሬԦ ٣ ݀ܣԦ, que darão produto interno não‐nulo somente para a integral na superfície S1. Assim, usando q=λl temos, 46 Figura 3.5: Superfície gaussiana cilíndrica envolvendo uma parte da carga de um plano infinito de carga uniforme contida na área A. ܧሺ2ߨݎ݈ሻ ൌ ߣ݈/ߝ ou ܧ ൌ ఒ ଶగఌబ . (3.7) (c) Plano Infinito de Cargas A Fig. 3.5 mostra parte de uma placa fina, não‐condutora e infinita, com densidade superficial de carga σ (carga por unidade de área) constante e positiva. Deseja‐se calcular o campo elétrico em pontos próximos à placa. Devido à simetria retangular da placa o campo é perpendicular a superfície da mesma. A superfície gaussiana adequada é um pequeno cilindro de comprimento 2r e área A, como ilustrado na Fig.3.5. Da simetria, o campo tem a mesma intensidade nas extremidades do cilindro. Assim, da lei de Gauss temos ߝ ׯܧሬԦ . ݀ܣԦ ൌ ݍ, ou ߝሺܧܣ ܧܣሻ ൌ ߪܣ. Isolando E temos ܧ ൌ ఙ ଶఌబ (3.8) 47 Figura 3.6: Casca esférica com distribuição uniforme de carga. Ilustração da superfície gaussiana esférica de raio r>R. (d) Casca Esférica de Carga A Fig.3.6 mostra uma casca esférica fina de raio R, com uma carga q uniformemente distribuída em sua superfície. A casca está envolvida por uma superfície esférica de raio r. Dos estudos anteriores sabe‐se que o campo tem somente a componente radial. Deseja‐se encontrar o campo elétrico para pontos em que r>R e r<R. Aplicando‐se a lei de Gauss à superfície esférica de raio r>R, obtém‐se ߝܧሺ4ߨݎଶሻ ൌ ݍ, ou ܧ ൌ ଵ ସగమఌబ మ (casca esférica, r>R) (3.9) • Uma casca esférica uniformemente carregada comporta‐se como uma carga pontual para todos os pontos exteriores a ela. Se considerarmos que a superfície gaussiana tem um raio r <R, ao aplicarmos a lei de Gauss encontraremos ߝ ׯܧሬԦ . ݀ܣԦ ൌ ݍ ൌ 0, pois não há nenhuma carga interna à superfície. Como a carga está distribuída uniformemente sobre a superfície esférica conclui‐se que ܧ ൌ 0 para qualquer ponto interno à casca esférica de raio R. Resumindo, ܧ ൌ 0, (casca esférica com σ uniforme e r<R) (3.10) • Uma casca esférica uniformemente carregada não exerce nenhuma força elétrica em uma partícula carregada localizada em seu interior, em qualquer ponto, pois Er=0. 48 Figura 3.7: Comportamento do campo elétrico de uma casca esférica em função do raio. Figura 3.8: Esfera carregada uniformemente. Superfície gaussiana esférica com (a) raio r>R e (b) r<R. A Fig.3.7 descreve o comportamento gráfico do campo em função do raio desde r=0 até r infinito. (e) Distribuição de Carga com Simetria Esférica A Fig.3.8 mostra uma esfera de raio R uniformemente carregada com densidade volumétrica de carga positiva ρ (coulombs por metros cúbicos) ao longo de todo o seu volume esférico. Pergunta‐se pelo campo elétrico para pontos interiores ou exteriores à esfera. Tomando‐ se uma superfície gaussiana de raio r>R (Fig.3.8a) (análogo ao caso (d)) e usando a lei de Gauss temos, 49 Figura 3.9: Comportamento gráfico do campo elétrico da esfera uniformemente carregada da figura 3.8. ߝ ׯܧሬԦ . ݀ܣԦ ൌ ݍ ou ܧ ൌ ଵ ସగమఌబ మ (esfera de carga q, r>R). Ou seja, a carga distribuída uniformemente por todo o volume da esfera comporta‐se como uma carga pontual localizada no centro da esfera. No caso da Fig.3.8b a superfície gaussiana envolve somente uma carga q’, uma fração da carga total q. Assim, da lei de Gauss temos, ߝ ׯܧሬԦ · ݀ܣԦ ൌ ݍԢ ou ܧ ൌ ଵ ସగమఌబ ᇱ మ (r<R). Como a densidade de carga ρ é uniforme, podemos escrever q’ em termos de q: ݍᇱ ൌ ݍ ቀ ோ ቁ ଷ , de forma que o campo interno à esfera é ܧ ൌ ଵ ସగమఌబ ோయ (3.11). Graficamente o módulo do campo elétrico para pontos internos e externos à esfera é dado na Fig.3.9 3.4 – Usando a Lei de Gauss para Discutir o Campo Elétrico em Condutores Pode‐se usar a lei de Gauss para discutir as propriedades de condutores em que circule carga elétrica. Uma das mais interessantes propriedades é a seguinte: • Uma carga excedente localizada em um condutor isolado desloca‐se totalmente para a superfície externa do condutor. Nenhuma carga excedente permanece no interior do corpo do condutor. 50 O que acontece quando uma quantidade de carga elétrica é armazenada em qualquer ponto no interior de um condutor isolado? Quando esta carga elétrica (elétrons) é depositada em qualquer ponto do condutor, esta estabelece um campo elétrico no interior do condutor que exerce uma força elétrica entre as cargas, fazendo‐se com que as mesmas se empurrem ao máximo e se redistribuam ao longo da superfície externa. Este processo leva em torno de 10‐9s, levando a um campo interno nulo e ao estabelecimento do equilíbrio eletrostático. Se houvesse algum campo no interior do condutor isolado, haveria uma força elétrica atuando nos elétrons de condução do metal. Um fio transportando uma corrente elétrica não pode ser considerado um condutor isolado, porque este está sob influência de uma ação externa (uma bateria, por exemplo), que estabelece um campo elétrico interno. A lei de Gauss pode ser usada para mostrar que qualquer excesso de carga em um condutor em equilíbrio eletrostático deve estar exclusivamente na sua superfície externa. Para mostrar isso considere a Fig.3.10, onde uma superfície gaussiana é traçada, internamente, bem próxima à superfície do condutor. Se o campo elétrico é nulo em todos os lugares no interior do condutor, este será nulo em todos os pontos da superfície gaussiana, que se encontra totalmente dentro do condutor. Assim sendo, o fluxo total através da superfície gaussiana é nulo. Se o fluxo total é nulo, pela lei de Gauss, conclui‐se que a carga total líquida dentro do condutor é nula. Deve ficar claro que o campo elétrico nulo no interior de condutor isolado não é devido simplesmente ao fato das cargas estarem na superfície externa, mas também devido à adequada distribuição destas cargas na parte externa deste. Além disso, se o condutor isolado possui uma superfície interna (um buraco, por exemplo), não deve haver carga Figura 3.10: Condutor de forma arbitrária e o seu campo interno. 51 Figura 3.11: Campo elétrico imediatamente acima de uma superfície condutora. na sua superfície interna. Outra característica do campo elétrico ܧሬԦ na superfície externa de um condutor em equilíbrio eletrostático é que o mesmo é normal a esta superfície. Se existisse uma componente tangencial na superfície externa haveria uma corrente elétrica nesta. Uma vez que o excesso de carga de um condutor isolado permaneça na sua superfície externa deve‐se calcular o campo nas proximidades desta superfície. Para determinar a amplitude do campo próximo à superfície de um condutor usaremos a lei de Gauss aplicada à superfície gaussiana cilíndrica desenhada na Fig. 3.11, cujas superfícies retas são paralelas à superfície do condutor. Parte do cilindro está dentro do condutor e parte fora. Da condição de equilíbrioeletrostático, o campo elétrico é nulo dentro do condutor e perpendicular externamente. O fluxo através do cilindro vem somente da parte externa de sua superfície. Assim, ߔா ൌ ׯܧሬԦ · ݀ܣԦ ൌ ܧܣ ൌ ఌబ ൌ ఙ ఌబ , Resolvendo para E temos, ܧ ൌ ఙ ఌబ , (3.12) Este campo, imediatamente acima da superfície, é normal à superfície do condutor. Problemas Propostos Problema 1‐ Uma rede de caçar borboleta está numa região onde existe um campo elétrico uniforme, como ilustra afigura 3.12. A extremidade 52 aberta é limitada por um aro de área A, perpendicular ao campo. Calcule o fluxo de EሬሬԦ através da rede. Problema 2 ‐ A figura 3.13 mostra parte de dois longos e finos cilindros concêntricos de raios a e b. Os cilindros possuem cargas iguais e opostas, com densidade linear λ. Use a lei de Gauss para mostrar que: (a) E=0 para r<a e (b) que entre os cilindros ܧ ൌ ଵ ଶగఌబ ఒ . Problema 3 ‐ Qual é o fluxo elétrico através de cada uma das superfícies na Fig. 3.14? Dê sua resposta em termos de múltiplos de q/ε0. Figura 3.13: Cilindros concêntricos com cargas iguais e opostas, Figura 3.12: Fluxo elétrico que atravessa uma rede de borboletas. 53 Problema 4 ‐ A esfera (A) e o elipsóide (B) na Fig. 3. 14 são duas superfícies gaussianas que envolvem a mesma quantidade de carga q. Quatro estudantes estão discutindo a situação. André diz que o fluxo através de A e B é o mesmo porque as superfícies têm o mesmo raio médio. Luís concorda que os fluxos são iguais, mas porque A e B envolvem cargas iguais. Pedro diz que o campo elétrico não é perpendicular à superfície de B, e por isso o fluxo através de B é menor que através de A. Paulo acha que a lei de Gauss não é aplicável à situação de B, de forma que não devemos comparar os fluxos através de A e B. Você concorda com algum destes estudantes? Explique. Problema 5 – Um dos vértices de um cubo de lado L é posicionado na oriem de um sistema de eixos, como mostra a figura 3.16. Suponha que o mesmo é atravessado por um campo elétrico uniforme, ܧሬԦ ൌ െܤଓ̂ ܥଔ̂ െ ܦ ݇, onde B, C e D são constantes positivas, (a) Encontre o fluxo elétrico através de cada uma das seis faces do cubo, S1, S2, S3, S4, S5 e S6. (b) Encontre o fluxo elétrico total através do cubo. 54 Problema 6 – Falso ou verdadeiro (justifique) (a) A lei de Gauss é válida somente para uma distribuição de carga simétrica? (b) Podemos usar a lei de Gauss para mostrar que E=0 dentro de um condutor? Problema 7 – Um esfera condutora de raio R=0.1 m tem uma densidade volumétrica de carga ρ=2.0 nC/m3. A magnitude do campo elétrico em r=2R é E=1883 N/C. Encontre a magnitude do campo elétrico em r=0.5R. Problema 8 – Um cilindro infinitamente longo, de raio R, contém uma carga uniformemente distribuída, com densidade r. Mostre que a uma distância r do eixo do cilindro (r<R), 3.6.‐Referências bibliográficas Livro Texto HALLIDAY, D.; RESNICK, R.; KRANE, K. S. Física. V. 3, 4. ed. Rio de Janeiro: LTC, 1996. Bibliografia complementar HEWITT, Paul G. Física conceitual. 9. ed. Porto Alegre: Bookman, 2002. TIPLER, P. Física 3. 4. ed. Rio da Janeiro: Guanabara Dois, 1999. NUSSENZVEIG, H. M. Curso de Física Básica 3: mecânica. São Paulo: Edgard Blücher, 1996. Figura 3.16 55 SERWAY, R. A. Física para cientistas e engenheiros: com Física Moderna. V. 3. 3. ed. Rio de Janeiro: LTC, 1997. 3.7‐Web‐bibliografia http://br.geocities.com/saladefisica3/labortório.htm http://www.adorofisica.com.br/comprove/mecanica/mec_cine_vetor.ht ml 56 UNIDADE 4 POTENCIAL ELÉTRICO RESUMO Nesta unidade discutiremos e apresentaremos os conceitos de energia potencial elétrica e potencial elétrico, importantes no desenvolvimento do formalismo escalar na solução de problemas eletrostáticos. Veremos que a mesma pode ser armazenada no campo de forças eletrostáticas conservativas. 57 Sumário UNIDADE 4: Potencial Elétrico Paulo Henrique Ribeiro Barbosa 4.1 Introdução 57 4.2 Energia Potencial e Energia Potencial Elétrica 57 4.3 Potencial Elétrico 62 4.4 Cálculo do Potencial Elétrico a Partir do Campo Elétrico 64 4.5 Potencial de um dipolo dielétrico 65 4.6 Potencial de uma linha de carga 66 4.7 Diferença de potencial elétrico entre as placas de um capacitor 67 4.8 O cálculo do campo elétrico a partir do potencial elétrico 68 4.9 Superfícies equipotenciais 69 4.5 Problemas Propostos 71 4.6 Referências bibliográficas 72 4.7 Web‐bibliografia 73 58 4.1 ‐Introdução Nas unidades anteriores abordou‐se o problema eletrostático usando‐se o formalismo vetorial. Naquele momento o interesse básico era a determinação do campo elétrico em um ponto devido a uma distribuição de cargas. O campo produzido por esta distribuição de cargas age em qualquer corpo carregado imprimindo‐lhe uma força que modifica seu estado de movimento. A realização de trabalho da força elétrica sobre o corpo carregado mostra que energia pode ser transferida da distribuição de cargas para o corpo carregado e vice‐ versa. Nesta unidade discutiremos a natureza dessa energia e veremos que a mesma pode ser armazenada no campo de forças eletrostáticas conservativo, levando aos conceitos de energia potencial elétrica e potencial eletrostático associados a um conjunto de cargas. 4.2 ‐ Energia Potencial e a Energia Potencial Elétrica Uma forma simples de entender a energia associada às forças elétricas, é explorar as semelhanças entre a interação eletrostática entre cargas e a gravitacional entre massas: ܨா ൌ ଵ ସగఌబ |భ||మ| మ eletrostática, (4.1) ீܨ ൌ ܩ భమ మ gravitacional. (4.2) Foi visto em cursos anteriores que o trabalho realizado pela força gravitacional para transportar uma massa m2 na presença do campo gravitacional da outra massa m1 depende somente das posições inicial e final da massa m2 relativa à partícula de massa m1 e não do caminho percorrido por esta. Por causa desta propriedade esta força foi denominada de força conservativa. E quando uma força é conservativa podemos associar a esta uma energia potencial, ܷሺݎԦሻ. Assim, a diferença de energia potencial, ߂ܷሺݎԦሻ, à medida que um corpo se move de sua posição inicial à sua posição final é igual ao trabalho com sinal negativo realizado pela força: 59 ߂ܷሺݎԦሻ ൌ ܷ െ ܷ ൌ െ ܹ ൌ െ ܨԦ · ݀ݏԦ , (4.3) onde ܹé o trabalho realizado pela força ܨԦ quando o objeto move‐se de i para f. No caso da força gravitacional entre as massas m1 e m2 usando a Eq.4.3 encontra‐se que a diferença de energia potencial quando a massa m2 move‐se de r1 à r2 é ߂ܷሺݎԦሻ ൌ െܩ݉ଵ݉ଶ ቀ ଵ భ െ ଵ మ ቁ. (4.4) Observe que esta diferença de energia potencial está associada com todo o sistema composto por m1 e m2, e não com cada um dos objetos separadamente. Embora a força eletrostática entre cargaspossa ser tanto atrativa quanto repulsiva, a semelhança com a interação gravitacional permite chegar‐se à mesma conclusão sobre a energia potencial elétrica: A força eletrostática é conservativa, por isso podemos associar uma energia potencial eletrostática à configuração de cargas interagentes. O fato das cargas serem positivas ou negativas pode levar somente a existência de uma energia potencial elétrica positiva ou negativa. Para introduzir o conceito de energia potencial eletrostática considere inicialmente duas cargas pontuais positivas, q1 e q2, inicialmente separadas de uma distância r1 a partir de q1. Considerando q1 fixa, podemos usar a Eq.4.3 para calcular a variação de sua energia potencial eletrostática devido ao deslocamento da carga q2 para uma nova posição de distância r2, ao longo da reta que une as cargas. Usando‐se Figura 4.1 60 que ܨԦ ൌ ଵ ସగఌబ భమ మ ̂ݎ e ݀ݏԦ ൌ ̂ݎ݀ݎ na Eq.4.3 temos, após integração, ߂ܷሺݎԦሻ ൌ െන 1 4ߨߝ ݍଵݍଶ ݎଶ ̂ݎ · మ భ ̂ݎ݀ݎ, ou ߂ܷሺݎԦሻ ൌ ܷଶ െ ଵܷ ൌ ଵ ସగఌబ ݍଵݍଶ ቀ ଵ మ െ ଵ భ ቁ. (4.5) A Eq.4.5determina o valor de ߂ܷ para qualquer caminho entre um ponto P1, que está a uma distância r1 de q1 e um ponto P2, que está a uma distância r2 de q1. Muitas vezes é conveniente escolher um ponto de referencia que corresponda a uma separação infinita entre as cargas e, geralmente escolhe‐se ଵܷሺݎଵ ՜ ∞ሻ ൌ 0. Logo, omitindo‐se o índice 2 temos, ܷሺݎሻ ൌ ଵ ସగఌబ భమ . (4.6) Esta expressão fornece a energia potencial elétrica associada a um ponto r, armazenada pelo sistema de duas cargas puntiformes, q1 e q2, separadas pela distância r. Observações: (a) Para q1 e q2 de mesmo sinal: • Se r1>r2 temos ߂ܷ 0; • Se r1<r2 temos ߂ܷ ൏ 0. (b) Para q1 e q2 de sinais diferentes: • Se r1>r2 temos ߂ܷ ൏ 0; • Se r1<r2 temos ߂ܷ 0. Vamos examinar o sistema de duas cargas isoladas à luz do princípio da conservação da energia mecânica. 1. Se as duas cargas q1 e q2 têm o mesmo sinal e estão inicialmente infinitamente afastadas. Um agente externo realizará um trabalho positivo contra a força de repulsão das cargas para posicioná‐la a uma distância r entre elas. Então a energia potencial eletrostática do sistema será aumentada, ߂ܷ 0. O agente externo armazenou energia 61 no sistema. Se for permitido que as cargas fiquem soltas para se repelirem, a energia armazenada no sistema na forma de energia potencial elétrica terá uma variação negativa (߂ܷ ൏ 0) e a sua energia cinética terá uma variação positiva (߂ܭ 0). A Fig.4.2 mostra esta situação para este sistema de duas cargas com mesmo sinal e energia mecânica Em.Observe que a energia mecânica delimita a máxima aproximação entre duas cargas de mesmo sinal. 2. Se as duas cargas q1 e q2 têm sinais opostos estando inicialmente infinitamente afastadas, um agente externo realizará um trabalho negativo contra a força de atração entre as cargas para posicioná‐la a uma distância r entre elas. Então a energia potencial eletrostática do sistema diminuirá, ߂ܷ ൏ 0. O agente externo realizou um trabalho negativo, que fez diminuir a energia do sistema. Se for permitido que as cargas fiquem soltas para se atrair, a energia potencial elétrica diminuirá (߂ܷ ൏ 0) e a sua 62 energia cinética aumentaria indefinidamente até colidirem (߂ܭ 0). A Fig.4.3 mostra o gráfico da energia potencial e a separação máxima entre as cargas de sinais opostos para uma determinada energia mecânica negativa (Em<0). No caso de cargas de sinais opostos separadas inicialmente de uma distância r, um agente externo deve realizar um trabalho positivo igual a ΔU para separar as cargas a uma grande distância. Esta energia é chamada de energia de ligação, ou energia de ionização. Podemos generalizar a definição de energia potencial eletrostática para um sistema de N cargas. Conceitualmente esta energia deve ser interpretada como a energia necessária para reunir o conjunto de N cargas. Toma‐se uma carga como referência, e inicia‐se o processo de busca das outras cargas. Por exemplo, para trazer a carga q2 a uma distância r12 da primeira carga realiza‐se um trabalho dado por ଵܷଶ ൌ ଵ ସగఌబ భమ భమ . Ao acrescentar a carga q3 ao sistema (q1 + q2) realiza‐se o seguinte trabalho: U13+U23, e a energia armazenada na configuração (q1+q2+q3) passa a ser ܷ ൌ ଵܷଶ ଵܷଷ ܷଶଷ. Estendendo este raciocínio para N cargas têm‐se, ܷ ൌ ଵܷଶ ଵܷଷ ڮ ܷ ڮ ൌ ∑ ܷே,ୀଵሺஷሻ ൌ ଵ ସగఌబ ∑ ೕ ೕ ே ,ୀଵሺஷሻ , (4.7) Figura 4.3 63 Onde implicitamente supõe‐se válido o princípio da superposição. Esta expressão acima permite dizer que: A energia potencial elétrica de um sistema de cargas pontuais fixas em repouso é igual ao trabalho que deve ser realizado por um agente externo para reunir o sistema, trazendo cada carga de uma distância infinita onde ela também está em repouso. 4.3 Potencial Elétrico Quando tratamos do sistema massa‐mola, constatamos que a energia potencial do sistema fica armazenada na mola através de sua compressão ou distensão. Entretanto, quando consideramos duas cargas positivas (por exemplo) q e q0 e perguntamos onde está armazenada a energia potencial do sistema (que eventualmente pode ser transformada em energia cinética das cargas) não temos nenhum caráter local, como no sistema massa‐mola. Na Unidade 2, definindo o campo elétrico, ܧሬԦ, conseguimos separar a carga q, fonte de campo, da carga q0 que sofre a força devido ao campo da carga fonte, levando ao esquema, ہ۴۽܀Çۯ ۳ۻ ܙۂ ൌ ሾ۱ۯ܀۵ۯ ܙሿܠሾۯۺ܂۳܀ۯÇÃ۽ ۲۽ ۳܁۾ۯÇ۽ ۾۳ۺۯ ۱ۯ܀۵ۯ ۴۽ۼ܂۳ሿ Raciocinando de forma análoga acerca da energia potencial elétrica devido à interação entre as cargas q e q0 podemos elaborar um esquema semelhante, ہ۳ۼ۳܀۵۷ۯ ۲۳ ۷ۼ܂۳܀ۯÇۯ۽ ۳ۼ܂܀۳ ܙ ۳ ܙۂ ൌ ሾ۱ۯ܀۵ۯ ܙሿܠሾ۾۽܂۳ۼ۱۷ۯۺ ۲۳ ۷ۼ܂۳܀ۯÇÃ۽ ۲ۯ ۱ۯ܀۵ۯ ܙሿ. Em analogia com a definição de campo elétrico, para o conjunto de cargas q e q0, que armazenam a energia potencial U definimos o potencial elétrico, V, como ܸ ൌ బ , (4.8) 64 onde a carga q0 é a carga de prova usada para detectar o potencial, V, criado pela carga fonte q em um ponto P do espaço. Invertendo a eq.4.8 podemos escrever a energia potencial como ܷ ൌ ݍܸ, (4.9) mostrando que, uma vez determinado o potencial V criado pelas cargas fontes naquele ponto, fica fácil determinar a energia potencial U do conjunto carga fonte+ carga de prova. A Figura 4.4 mostra esta idéia esquematicamente. A unidade de potencial é o joule (J) por Coulomb ( A unidade de potencial é o joule (J) por Coulomb (C), que chamada de volt (V), no MKS: 1ݒ݈ݐ ൌ 1ܸ ൌ 1ܬ/ܥ, C), em homenagem a Alessandro Volta, que inventou a bateria em 1800. Propriedades do Potencial Elétrico V. Embora seja uma idéiaabstrata, a utilidade e praticidade do potencial elétrico serão evidenciadas ao longo deste capítulo. Duas características essenciais são: • O potencial elétrico depende somente das cargas fontes e de sua geometria. O potencial é a capacidade das cargas fontes interagirem com uma carga q presente. Esta capacidade, ou potencial, está presente através do espaço independentemente da presença ou não da carga q. Figura 4.4 65 • Se conhecermos o potencial em todo o espaço, imediatamente conhecemos a energia potencial ܷ ൌ ݍܸ de qualquer carga q naquela região do espaço com aquelas cargas fontes. A energia de uma partícula carregada é dada por seu potencia elétrico: ܷ ൌ ݍܸ. Conseqüentemente, partículas carregadas aceleram ou desaceleram ao se moverem através de uma região de potencial variável. Dito de outra forma, o estado de movimento de uma partícula é alterado quando esta é submetida a uma diferença de potencial ߂ܸ ൌ ܸ െ ܸ (chamada comumente de ddp ou voltagem), entre o ponto de partida “i” e o ponto de chegada “f”. 4.4 Cálculo do Potencial Elétrico A Partir do campo Elétrico. A ligação entre V e ܧሬԦ segue diretamente da definição de potencial elétrico V=U/q0, ou diferença de potencial ΔV=ΔU/q0. Considere uma carga de prova q0, que é deslocada de a para b em um campo elétrico ܧሬԦ, sob a ação da força elétrica ܨԦ ൌ ݍܧሬԦ. Usando‐se a definição de variação de potencial elétrico e a Eq.4.3 temos ߂ܸ ൌ ௱ሺԦሻ బ ൌ ್ିೌ బ ൌ ିௐೌ್ బ ൌ ି ிԦ·ௗ௦Ԧ್ೌ బ ൌ ି బாሬԦ·ௗ௦Ԧ ್ ೌ బ , temos, ߂ܸ ൌ െ ܧሬԦ · ݀ݏԦ . (4.10) Para ilustrar é calculada a diferença de potencial entre os pontos a e b de uma carga fonte pontual e isolada. Como o campo de uma carga pontual é ܧሬԦ ൌ ଵ ସగఌబ మ ̂ݎ, e considerando que os pontos a e b estejam alinhados, por simplicidade (݀ݏԦ ൌ ̂ݎ݀ݎ), temos, ߂ܸ ൌ ܸ െ ܸ ൌ െ ଵ ସగఌబ మ ̂ݎ. ̂ݎ݀ݎ ൌ ସగఌబ ቀ ଵ ಳ െ ଵ ಲ ቁ, expressão válida mesmo que os pontos A e B não estejam alinhados. Podemos definir o potencial em um ponto se associarmos o potencial nulo a um ponto de referência. Por exemplo, na equação acima podemos fazer VA=0 no ponto A para ݎ ൌ ∞, e VB=V em B para rB=r: ܸሺݎሻ ൌ 14ߨߝ0 ݍ ݎ. (4.11) 66 Figura 4.5 A expressão acima dá o potencial no ponto P, a uma distância r de uma carga pontual q (fonte do potencial). Podemos generalizar esta expressão para calcular o potencial no ponto P devido a um conjunto de N cargas pontuais q1, q2, ..., qN respectivamente distantes de P de r1, r2, ..., rN, ܸ ൌ ଵ ସగఌబ ∑ ே ୀଵ . (4.12) Quando temos uma distribuição contínua de carga ao longo de uma linha, numa superfície ou em um volume, divide‐se a carga em elementos de carga dq, e a soma acima transforma‐se em uma integral: ܸ ൌ ଵ ସగఌబ ௗ , (4.13) onde deve‐se tomar ݀ݍ ൌ ߣ݀ݏ, ߪ݀ܣ ݁ ߩ݀ݒ, respectivamente para distribuições lineares, superficiais e volumétricas de carga. O potencial definido na Eq.4.13 é nulo para pontos infinitamente afastados das cargas. 4.5 Potencial de um Dipolo Elétrico Deseja‐se calcular o potencial de um dipolo em um ponto P, disposto conforme a Fig. 4.5 abaixo. O Ponto P está localizado a uma distância r do centro do dipolo e a um ângulo θ do eixo do dipolo (eixo z). As 67 distâncias r+ e r‐ localizam as cargas positiva e negativa em relação ao ponto P. Da Eq. 4.12 temos, ܸ ൌ ଵ ସగఌబ ቀ శ ି ష ቁ, que dá o exato valor do potencial no ponto. Em muitas situações práticas tem‐se interesse na expressão do dipolo para um ponto P muito distante do dipolo (r>>d). Nesta situação, valem as seguintes aproximações: ݎା െ ିݎ ൎ ݀ cos ߠ ݁ ିݎ ݎା ൎ ݎଶ . Substituindo a expressão do potencial acima temos, ܸ ൌ ଵ ସగఌబ ௗ ୡ୭ୱఏ మ ൌ ଵ ସగఌబ ୡ୭ୱఏ మ , (4.14) onde usamos a definição de momento de dipolo (p=qd). Esta é a expressão para o potencial do dipolo elétrico para qualquer ponto do espaço a uma grande distância. 4.6 – Potencial de uma Linha de Carga Como exemplo ilustrativo de uma distribuição contínua de cargas considere uma barra uniformemente carregada positivamente com densidade linear λ por unidade de comprimento e orientada ao longo do eixo z. Deseja‐se calcular o potencial elétrico produzido por esta barra em um ponto no eixo y, posicionado simetricamente em relação ao eixo z, conforme mostra a Fig.4.6. Aplicando a Eq.4.13 e utilizando o elemento de carga Figura 4.6 68 dq=λdz, e usando‐se que ݎ ൌ ඥݖଶ ݕଶ , tem‐se ܸ ൌ ଵ ସగఌబ ఒ ඥ௭మା௬మ ݀ݖା/ଶି/ଶ . (4.15) Usando‐se uma tabela de integrais tem‐se ܸ ൌ ఒ ସగఌబ ln /ଶାඥሺ/ଶሻ మା௬మ ି/ଶାඥሺ/ଶሻమା௬మ ൨, (4.16) onde pode‐se verificar que no limite de L/y→0, este potencial reduz‐se ao de uma carga pontual, ܸ ൎ ଵ ସగఌబ ఒ ௬ ൌ ଵ ସగఌబ ௬ . 4.7 A Diferença de Potencial Elétrico entre as placas de um Capacitor Calcularemos agora a diferença de potencial entre as placas de um capacitor de placas paralelas a partir do conhecimento do campo elétrico no espaço entre elas. Da lei de Gauss é fácil mostrar que o campo elétrico entre as placas de um capacitor de área A e separação s é ܧሬԦ ൌ െ ఙ ఌబ ̂ݏ, (4.17) onde σ é o módulo da densidade superficial de carga da placa de área A e carga q (Fig.4.7). Figura 4.7 69 Substituindo a Eq.4.17 na Eq.4.10 e usando ݀ݏԦ ൌ ̂ݏ݀ݏ, temos o potencial no ponto P ܸ ൌ െ ቀെ ఙ ఌబ ቁ௦ ̂ݏ · ̂ݏ݀ݏ, que dá ܸ ൌ ܧݏ ൌ ఙ ఌబ ݏ. (4.18) Para calcular a diferença de potencial entre as placas positivas e negativas usamos a Eq.4.18: ߂ܸ ൌ ାܸ െ ܸି ൌ ܧ݀ െ 0 ൌ ܧ݀ ൌ ߪ ߝ ݀ ൌ ܳ݀ ߝܣ ሺ4.19ሻ 4.8 O Cálculo do Campo Elétrico a Partir do Potencial Elétrico Já discutimos nas seções acima que podemos calcular o potencial se conhecemos o campo elétrico ܧሬԦሺݎԦሻ em qualquer ponto P do espaço. Nesta seção mostraremos que podemos determinar ܧሬԦ se conhecemos ܸሺݎԦሻ. Considere V em coordenadas cartesianas, V=V(x,y,z) em qualquer ponto do espaço. Da Eq.4.10 temos െ ܸ݀ ൌ ܧሬԦ · ݀Ԧ݈. (4.20) A igualdade entre estas duas integrais leva à igualdade entre os integrandos para os limites dados: ܸ݀ ൌ െܧሬԦ · ݀Ԧ݈. (4.21) Escrevendo ܧሬԦ ൌ ଓԦܧ௫ ଔԦܧ௬ ሬ݇Ԧܧ௭ e ݀Ԧ݈ ൌ ଓԦ݀ ݔ ଔԦ݀ ݕ ሬ݇Ԧ݀ݖ encontramos que െܸ݀ ൌ ܧ௫݀ݔ ܧ௬݀ݕ ܧ௭݀ݖ. Suponha que o deslocamento se dá paralelamente ao eixo x (dy=dz=0) teremos – ܸ݀ ൌ ܧ௫݀ݔ ou ܧ௫ ൌ െሺܸ݀/݀ݔሻݕ, ݖ ܿ݊ݏݐ. Como V=V(x,y,z) devemos tratar as derivadas como derivadas parciais. ܧ௫ ൌ െ డ డ௫ , ܧ௬ ൌ െ డ డ௬ , ܧ௭ ൌ െ డ డ௭ , (4.22) 70 que são as componentes de ܧሬԦሺݎԦሻ em termos de ܸሺݎԦሻ. Podemos escrever o campo elétrico como ܧ ൌ െቀଓԦడ డ௫ ଔԦడడ௬ ሬ݇Ԧ డ డ௭ ቁ ൌ െሬሬԦV, (4.23) onde dizemos que o campo elétrico é o gradiente do potencial elétrico. O gradiente do potencial (ሬሬԦV) aponta na direção de maior crescimento do potencial com a posição. Dessa maneira o sentido de ܧሬԦሺݎԦሻ é oposta ao do gradiente. 4.9 – Superfície Equipotencial Linha de campo ajuda‐nos na visualização dos campos elétricos. Semelhantemente, o potencial em vários pontos de um campo elétrico pode ser visualizado por superfícies equipotenciais. Este conceito é análogo ao conceito de curva de nível usado em topografia. Em um mapa topográfico, uma superfície equipotencial é uma superfície tridimensional em que o potencial elétrico, V, tem o mesmo valor em qualquer ponto desta. Se uma carga de prova q0 é deslocada de um ponto para outra desta superfície equipotencial sua energia potencial permanecerá a mesma, ou seja, a força elétrica que atua em q0 devido ao campo (fonte do potencial) não realiza trabalho líquido na mesma superfície equipotencial. Conclui‐se então que o campo eletrostático ࡱሬሬԦሺ࢘ሬԦሻ é sempre perpendicular à superfície de uma equipotencial. Além disso, duas superfícies equipotenciais não se cruzam, pois significaria que podemos associar dois campos elétricos resultantes a este ponto de cruzamento, situação não física. As linhas de campo são curvas, enquanto as equipotenciais são superfícies curvadas. No caso especial do campo elétrico uniforme as linhas de campo são linhas retas, paralelas igualmente espaçadas, enquanto as equipotenciais são superfícies planas perpendiculares às linhas de campo. A Fig.4.8 mostra três arranjos de cargas elétricas. As linhas de campo possuem setas orientadas no plano. As curvas que interceptam as linhas de campo são as seções transversais das superfícies equipotenciais tridimensionais. Nas regiões onde o módulo de ࡱሬሬԦሺ࢘ሬԦሻ é relativamente intenso as superfícies equipotenciais estão mais próximas. 71 Figura 4.8 : Esta conclusão pode ser tirada da relação entre o campo e o potencial: ܧሬԦ ൌ െሬሬԦV. Uma outra observação importante é a de que ࡱሬሬԦሺ࢘ሬԦሻ não precisa ser constante para todos os pontos de uma superfície equipotencial; o caso em que isto acontece é o do capacitor de placas paralelas. • Superfície Equipotencial e Condutores Um importante teorema acerca de superfícies equipotenciais é: No equilíbrio eletrostático a superfície de um condutor é uma equipotencial. Como ࡱሬሬԦሺ࢘ሬԦሻ é sempre perpendicular a uma equipotencial e nulo dentro do condutor em equilíbrio eletrostático, nós podemos provar este teorema argumentando que quando todas as cargas estão em repouso, o campo elétrico fora deve ser perpendicular em cada ponto da superfície do condutor pois do contrário existiriam cargas se movendo sobre sua superfície, o que violaria a condição de equilíbrio. Outro teorema acerca de condutores, que pode ser provado com o uso da lei de Gauss é: No equilíbrio eletrostático, se um condutor possui uma cavidade interna e se nenhuma carga está presente dentro do condutor, então não pode existir carga em nenhum ponto dessa superfície interna desta cavidade. 72 4.10 – Problemas Propostos Problema 1‐ No movimento de A para B (figura 4.4) ao longo de uma linha de campo elétrico, o campo realiza 3,94 x 10‐19 J de trabalho sobre um elétron. Quais são as diferenças de potencial elétrico: (a) VB ‐ VA; (b) VC –VA; (c) VC – VB? R.: 2,46 Volts; 2,46 Volts; zero Problema 2 ‐A densidade de carga de um plano infinito é σ=0,10 mC/m2. Qual é a distância entre as superfícies eqüipotenciais cuja diferença de potencial é de 50 V? R.: 8,85 mm Problema 3‐ Duas grandes placas condutoras, paralelas entre si e afastadas por uma distância de 12 cm, têm cargas iguais e sinais opostos nos faces que se confrontam. Um elétron colocado no meio da distância entre as duas placas experimenta uma força de 3,9 x 10‐15 N. (a) Determine o campo elétrico na posição do elétron; (b) qual é a diferença de potencial entre as placas? R.: 2,44 x 104 N/C; 2928 Volts Figura 4.9 73 Problema 4 ‐ Um anel de raio R, carregado positiva e uniformemente, é colocado no plano yz, com seu centro na origem do sistema de coordenadas. (a) Construa um gráfico do potencial V em pontos do eixo x, em função de x. (b) Construa, no mesmo diagrama, um gráfico da intensidade do campo elétrico E. Problema 5 ‐ Uma esfera metálica de raio Ra apóia‐se sobre um pedestal isolante, no centro de uma esfera metálica oca de raio interno Rb. Existe uma carga +q sobre a esfera interna e uma carga –q sobre a externa. (a) Mostre que a ddp entre as esferas é ܸ ൌ ݍ 4ߨߝ ൬ 1 ܴ െ 1 ܴ ൰ (c) Mostre que a intensidade do campo elétrico em qualquer ponto entre as esferas é ܴሺݎሻ ൌ ܸ ቀ 1ܴ െ 1ܴ ቁ 1 ݎଶ Problema 6 ‐ (a) Mostre que 1 N/C = 1 V/m. (b) Estabelece‐se uma diferença de potencial de 2000 V entre duas placas paralelas no ar. Supondo que o ar se torna eletricamente condutor quando a intensidade do campo elétrico ultrapassa 3 x 106 N/C, qual a menor separação possível entre as placas? Problema 7 – Um campo elétrico uniforme aponta na direção positiva do eixo y. Considere dois pontos no eixo y, A e B, nas posições y=2 m e y=6 m, respectivamente. (a) A diferença de potencial Vb‐Va é positiva ou negativa? (b) Se Vb‐Va=2x104V qual é a intensidade do campo elétrico? 4.11.‐Referências bibliográficas Livro Texto HALLIDAY, D.; RESNICK, R.; KRANE, K. S. Física. V. 3, 4. ed. Rio de Janeiro: LTC, 1996. 74 Bibliografia complementar HEWITT, Paul G. Física conceitual. 9. ed. Porto Alegre: Bookman, 2002. TIPLER, P. Física 3. 4. ed. Rio da Janeiro: Guanabara Dois, 1999. NUSSENZVEIG, H. M. Curso de Física Básica 3: mecânica. São Paulo: Edgard Blücher, 1996. SERWAY, R. A. Física para cientistas e engenheiros: com Física Moderna. V. 3. 3. ed. Rio de Janeiro: LTC, 1997. 4.12‐Web‐bibliografia http://br.geocities.com/saladefisica3/labortório.htm http://www.adorofisica.com.br/comprove/mecanica/mec_cine_vetor.ht ml 75 UNIDADE 5 CAPACITÂNCIA E CAPACITORES RESUMO Nesta unidade apresentaremos o conceito de capacitância e a importância dos capacitores como dispositivos de armazenamento de energia. Discutiremos o processo de carga e suas associações. 76 Sumário 5 Capacitância e Capacitores Paulo Henrique Ribeiro Barbosa 5.1 Definindo Capacitor 75 5.2 Energia Armazenada em um Capacitor 78 5.3 Associação de Capacitores 81 5.4 Capacitores com Dielétricos 84 5.5 Problemas Propostos 85 5.6 Referências bibliográficas 87 5.7 Web‐bibliografia 87 77 Figura 5.1: Conjunto de duas placas condutoras formando um capacitor. 5.1‐ Definindo Capacitor Um capacitor em sua forma mais simples é compreendido de dois condutores, normalmente chamados de “placas”; quando o capacitor está carregado, as placas têm carga de mesmo módulo, mas de sinais opostos como mostrado na Fig. 5.1(a). Esta configuração é facilmente produzida aterrando uma das placas (potencial zero) e carregando a outra; isto temo efeito de induzir uma carga de sinal oposto na placa aterrada (ver Fig. 5.1(b)). O processo de carregamento também pode ser realizado ligando cada uma das placas aos terminais de uma bateria e depois de carregada desconectando‐as, as placas ficarão carregadas com cargas de sinais opostos, mas de mesmo módulo. Em diagramas de circuitos representaremos um capacitor pelo símbolo . Por causa da interação mútua entre as cargas de sinais opostos das placas, as cargas se distribuem nas superfícies dos condutores de tal forma que elas ficam confinadas àquelas regiões dos condutores mais próximas entre si. Dessa forma o fluxo elétrico da placa positiva para a placa negativa fica confinado principalmente ao espaço entre as placas. O campo elétrico entre as placas deve ser tal que cada uma é uma superfície equipotencial e, portanto, as linhas de campo próximas às superfícies do condutor são perpendiculares à superfície. Suponha que as cargas nas placas do capacitor sejam +Q e –Q e que a correspondente diferença de potencial entre as placas seja V. Suponha que a magnitude das cargas nas placas está aumentando por um fator k, 78 Figura 5.2: Processo de carga de um capacitor por uma bateria Istoé +kQ e –kQ, e que portanto cada elemento de superfície do condutor tem sua carga aumentada de δq para k(δq). Como o potencial elétrico em qualquer ponto devido a um elemento de carga é diretamente proporcional a δq, o potencial elétrico em qualquer ponto deve aumentar por um fator k também. Isto mostra que a diferença de potencial entre as placas de um capacitor é diretamente proporcional á quantidade de carga em cada placa do capacitor, isto é, ܳ ן ܸ ou ܳ ൌ ሺܿ݊ݏݐܽ݊ݐ݁ሻܸ A constante de proporcionalidade, que é uma propriedade do capacitor particular envolvido, é chamada de capacitância do capacitor e é definida como ܥ ൌ ொ . (5.1) A unidade de capacitância no Sistema Internacional é o coulomb por volt : 1C/V é chamado de 1 farad=1F. Vamos agora olhar com mais detalhe o processo de carregamento do capacitor. A Fig.5.2 mostra as duas placas de um capacitor conectadas por meio de um fio condutor aos terminais de uma bateria. Como acontece o processo de carregamento? E como estão relacionadas a diferença de potencial da bateria, ΔVbat, com a diferença de potencial, ΔV, entre as placas do condutor? A Fig.5.2(a) mostra o 79 capacitor pouco depois que este é ligado à bateria e antes que o mesmo esteja totalmente carregado. A “escada rolante de cargas” da bateria está movendo cargas de uma placa para outra, e é este trabalho feito pela bateria que carrega o capacitor. A diferença de potencial entre as placas do capacitor, ΔV, está constantemente crescendo à medida que ocorre a separação contínua de cargas. Mas este processo não pode continuar para sempre. O crescimento de cargas positivas na placa superior exerce força repulsiva nas novas cargas positivas que estão chegando pela escada rolante de cargas e a carga na placa superior atinge um limite e nenhuma carga será mais aceita na placa. Neste instante a diferença de potencial na bateria se iguala a diferença de potencial entre as placas do capacitor, ΔVbat= ΔV (ver Fig5.2b). 5.2 ‐ Energia Armazenada em um Capacitor Se as placas de um capacitor são ligadas por um fio de determinada resistência, uma corrente é estabelecida e o capacitor é descarregado. Obviamente, a energia está armazenada no capacitor carregado – a energia armazenada é liberada e aparece na forma de calor no fio à medida que o capacitor vai sendo descarregado. A energia armazenada é igual ao trabalho realizado para carregá‐lo. Seja ߂ܹ o trabalho para mudar a carga do capacitor de q para (q+dq), isto é, a energia no capacitor aumentará de ܷ݀ ൌ ܸ݀ݍ, onde V é a diferença de potencial entre as placas do capacitor quando as placas têm carga q. Assim a energia armazenada no capacitor, isto é, o trabalho feito para carregar o capacitor de zero a uma carga Q, é dada por ܷ ൌ ܹ ൌ ܸ݀ݍொ ൌ ொ ݀ݍ ൌ ଵ ݍ݀ݍ ொ ൌ ொమ ଶ , (5.2) ou, em termos da diferença de potencial entre as placas, ܸ ൌ ொ , ܷ ൌ ଵ ଶ ܸܳ ൌ ଵ ଶ ܥܸଶ. (5.3) 80 Figura 5.3: Capacitor de placas paralelas de área A e separação d entre as placas. O valor de C para um capacitor particular depende da forma geométrica e da disposição das placas, bem como das propriedades elétricas do meio isolante em que as placas estão imersas. Quando a geometria das placas exibe um grau suficiente de simetria é relativamente simples obter uma expressão para a capacitância do sistema. Vejamos alguns exemplos. ( a) Capacitor de Placas Paralelas Os condutores de um capacitor de placas paralelas são placas planas uniformemente separadas como indicado na Figura 5.3. Seja A a área de cada placa e d a separação entre elas. Se a área das placas é suficientemente grande (dimensões da placa >>d), a carga Q será uniformemente distribuída sobre as superfícies das placas e, portanto, o campo elétrico entre as mesmas será uniforme (efeitos de bordas desprezíveis). Se o campo elétrico (constante) entre as placas do capacitor é E, o módulo da diferença de potencial entre as placas é dado por ܸ ൌ නܧ݈݀ ൌ ܧ න݈݀ ൌ ܧ݀ e portanto ܧ ൌ ௗ ሺ5.4ሻ Mas o campo elétrico entre as placas de um capacitor de placas paralelas é ܧ ൌ ఙ ఌబ ൌ ொ ఌబಲ . Substituindo este valor do campo elétrico na Eq.(5.4) temos, ܳ ߝܣ ൌ ܸ ݀ ՜ ܥ ൌ ܳ ܸ ൌ ߝܣ ݀ ሺ5.5ሻ 81 O capacitor de placas é importante porque a sua análise é direta e porque este produz um campo elétrico uniforme. Entretanto capacitores e capacitâncias não estão restritos a condutores planos e paralelos. Quaisquer dois eletrodos, independente da sua forma, podem formar um capacitor. (a) Capacitor Cilíndrico Capacitores são usados em qualquer circuito eletrônico e a forma mais comum é a cilíndrica. A Figura 5.4 mostra um capacitor cilíndrico que consiste de dois cilindros coaxiais, de raios a e b e comprimento L. Considere que o espaço entre os cilindros é vazio (ε0) e que os cilindros sejam suficientemente longos de forma que o campo elétrico entre os mesmos é radial. Suponha que o cilindro interno tem uma carga +Q e o externo uma carga –Q. Do capítulo anterior temos que o campo elétrico entre as placas de um capacitor cilíndrico é ܧሺݎሻ ൌ ொ ଶగఌబ ଵ . A diferença de potencial entre os cilindros é dada por ܸ ൌ ܧሬԦ · ݀Ԧ݈ ൌ ொଶగఌబ ଵ ݀ݎ ൌ ொ ଶగఌబ lnሺ ሻ . Portanto a capacitância é dada por ܥ ൌ ொ ൌ ଶగఌబ ୪୬ሺ್ೌሻ . (5.6). (b) Capacitor Esférico Figura 5.4: Capacitor cilíndrico. 82 Uma esfera metálica de raio R1 que está dentro de uma esfera metálica oca de raio R2 e concêntrica a esta, constitui um capacitor. Para calcular a capacitância necessitamos da diferença de potencial entre as esferas, que pode ser obtida conhecendo‐se o campo elétricoentre as esferas, ܧሬԦሺݎሻ ൌ െ ଵ ସగఌబ ொ మ ̂ݎ e substituindo na expressão: ߂ܸ ൌ െ ቀെ ଵସగఌబ ொ మ ̂ݎቁோమோభ · ̂ݎ݀ݎ ൌ ொ ସగఌబ ௗమ ோమ ோభ ൌ ொ ସగఌబ ቀ ଵ ோభ െ ଵ ோమ ቁ (5.7) A capacitância é então dada por ܥ ൌ ொ ௱ ൌ 4ߨߝ ோభோమ ோమିோభ , (5.8) mostrando mais uma vez que a capacitância independe da carga armazenada no capacitor. 5.3–Associação de Capacitores Em muitas aplicações práticas em virtude da não disponibilidade, dois ou mais capacitores precisam ser associados (combinados) para produzir uma determinada capacitância com o fim de atender a uma determinada especificação ou necessidade. Muitas combinações são possíveis, mas as combinações mais básicas são a associação em série e a associação em paralelo, que descreveremos abaixo. Antes disso é Figura 5.5: Capacitor esférico 83 importante não confundir os termos distintos “capacitores paralelos” e “capacitor de placas paralelas”. O primeiro se refere a como dois ou mais capacitores podem se conectar, enquanto o último se refere a como um capacito é construído. (a) Associação em Paralelo Na Figura 5.6 mostramos um arranjo de dois capacitores em paralelo ( as duas placas positivas estão conectadas entre si formando uma equipotencial e as placas negativas formando outra equipotencial). Dessa forma observa‐se que todos capacitores (ou elementos de um circuito) estão submetidos a uma mesma diferença de potencial, V, estes estão associados em paralelo. As cargas Q1 e Q2 nas placas não precisam ter o mesmo valor e devem seguir para os respectivos capacitores independentemente umas das outras “bombeadas” por uma bateria, cujos valores são: ܳଵ ൌ ܥଵܸ ݁ ܳଶ ൌ ܥଶܸ. A carga total da combinação ou a carga equivalente do capacitor é dada por ܳ ൌ ܳଵ ܳଶ ൌ ሺܥଵ ܥଶሻܸ. Daí extrai‐se a capacitância equivalente, C, da associação de dois capacitores em paralelo ܥ ൌ ܳ ܸ ൌ ܥଵ ܥଶ. ሺ5.9ሻ Estendendo este raciocínio para uma associação de N capacitores em paralelo têm‐se Figura 5.6: Associação de capacitores paralelos 84 ܥ ൌܥ ே ୀଵ . ሺ5.10ሻ (b) Associação em Série A Figura 5.7 mostra dois capacitores combinados em série (um após o outro).Se os capacitores estão inicialmente descarregados, observa‐se que após a aplicação de uma diferença de potencial entre as extremidades da associação as placas dos mesmos adquirem a carga de mesmo módulo(ver Fig.5.7). Resumindo: “Capacitores associados em série têm suas placas carregadas com cargas de mesmo módulo”. Assim ao atravessar cada par de placas identifica‐se as seguintes diferenças de potencial: ଵܸ ൌ ொ భ ݁ ଶܸ ൌ ொ మ . A diferença de potencial total, na travessia dos dois capacitores é ܸ ൌ ଵܸ ଶܸ. Substituindo as expressões de V1 e V2 tem‐se ܸ ൌ ܳ ܥଵ ܳ ܥଶ ൌ ܳ ൬ 1 ܥଵ 1 ܥଶ ൰. Como ܸ ൌ ܳ/ܥ , onde C é a capacitância equivalente temos 1 ܥ ൌ 1 ܥଵ 1 ܥଶ . ሺ5.11ሻ Estendendo esta relação para um número N qualquer de capacitores em série temos, 1 ܥ ൌ 1 ܥ ே ୀଵ . ሺ5.12ሻ Foi visto então que para uma associação de capacitores em série todas as placas dos capacitores da associação têm o mesmo módulo de carga, Figura 5.7: Associação de capacitores em série 85 porém, a diferença de potencial em cada unidade capacitiva é diferente. A soma das diferenças de potencial em cada capacitor equivale a diferença de potencial total, V. Exemplo: 5.4 – Capacitores com Dielétricos Materiais não condutores como o ar, vidro, papel ou a madeira, são chamados de dielétricos ou isolantes. Se o espaço entre as placas de capacitor é preenchido por um dielétrico, a capacitância do capacitor aumenta por um fator k, conforme observação de Michael Faraday em 1837. A justificativa para este fenômeno é que o campo elétrico entre as placas do capacitor é enfraquecido pelo dielétrico, bem como sua voltagem. Como conseqüência, a capacitância do capacitor, Q/V, é aumentada pelo fator k. O fator adimensional k é característico do material dielétrico e é denominada constante dielétrica A energia armazenada em um capacitor de placas paralelas preenchido com dielétrico é ܷ ൌ ଵ ଶ ܸܳ ൌ ଵ ଶ ܥܸଶ. (5.12) Podemos expressar a capacitância C em termos da área e separação das placas, e a diferença de potencial V em termos do campo elétrico e separação entre as placas, para obter ܷ ൌ ଵ ଶ ቀఢ ௗ ቁ ሺܧ݀ሻଶ ൌ ଵ ଶ ߳ܧଶሺܣ݀ሻ. A quantidade Ad é o volume entre as placas do capacitor que contém o campo elétrico. Assim, a energia por unidade de volume entre as placas do capacitor é ݑா ൌ ଵ ଶ ߳ܧଶ ൌ ଵ ଶ ߝߢܧଶ. (5.13) Exemplo: Dois capacitores de placas paralelas, cada um tendo uma capacitância C1=C2=2 μF, estão conectados a uma bateria de 12 v. Encontre (a) a cada em cada capacitor e (b) a energia armazenada em cada capacitor. Os dois capacitores são então desconectados da bateria e um dielétrico de constante κ=2.5 é introduzido entre as placas do capacitor C2. Nesta nova situação, encontre (c) a diferença de potencial entre as placas do capacitor, e a energia total entre as placas do capacitor. 86 A carga Q e a energia U podem ser encontradas da capacitância de cada capacitor C e da voltagem V. Depois que os capacitores são removidos da bateria, a carga total deve permanecer a mesma. Quando o dielétrico é introduzido entre as placas sua capacitância deve mudar. O potencial da combinação deve ser encontrado da carga total e da capacitância equivalente. (a) A carga em cada capacitor é encontrada de sua capacitância e de sua voltagem: Q=CV=(2μF)(12V)=24 μC. (b) Energia armazenada em cada capacitor: U=ଵ ଶ CV2=144 μJ. Nos dois capacitores é 288 μJ. (c) O potencial da combinação é : V=୕౪౪ େ౧ . A capacitância equivalente a pós a introdução do dielétrico é Ceq=C1+κC2=7μF. Dessa a voltagem total é V=୕౪౪ େ౧ = ସ଼µେ µ ൌ 6.86 V. (d) A carga em cada capacitor é Q1=C1V=13.7 μC e Q2=C2V=34.3 μC. A energia armazenada em cada capacitor é U1= ଵ ଶ CଵVଶ ൌ 47.1µJ e ܷଶ ൌ ଵ ଶ CଶVଶ ൌ 118µJ. A soma das energia é U=U1+U2=165μJ. 5.5 – Problemas Propostos Problema 5.1 – Uma esfera condutora de raio r=10 cm é carregada a 2 kV. (a) Qual é a quantidade de carga que tem o condutor? (b) Qual é a capacitância da esfera? (c) Como a capacitância muda se a esfera é carregada a 6 kV? Problema 5.2 –Um capacitor tem uma carga de 30μC. A diferença de potencial entre os condutores é de 400 V. Qual é a capacitância equivalente? Problema 5.3 – (a) Se a separação entre as placas de um capacitor de placas paralelas é d=0.15 mm, qual deve ser a área das placas de forma a ter uma capacitância de 1F? (b) Se as placas são quadradas qual é o comprimento do lado? Problema 5.4 – Metade da carga de um capacitor é removida sem mudar sua capacitância. Que fração da energia armazenadatambém é removida junto com a carga? 87 Figura 5.8 Figura 5.9 Problema 5.5 – Três capacitores são conectados numa rede triangular como mostrado na figura 5.8 abaixo. Encontre a capacitância equivalente entre os pontos a e c. Problema 5.6 – Um capacitor a ar, consistindo de duas placas paralelas bastante próximas, tem uma capacitância de 1000 pF. A carga em cada placa é de 1 mC. (a) Qual é a ddp entre as placas? (b) Se a carga for mantida constante, qual é a ddp entre as placas se a separação for duplicada? Problema 5.7 – Um capacitor de 1 mF e outro de 2 mF são ligados em série a uma fonte de tensão de 1200 V. (a) Determine a carga de cada um deles e a diferença de potencial através de cada um. (b) Os capacitores carregados são desligados da fonte e um do outro e religados com os terminais de mesmo sinal juntos. Determine a carga final em cada capacitor e a diferença de potencial através de cada um. Problema 5.8 – Um capacitor esférico consiste de uma esfera metálica interna, de raio Ra, apoiada num pedestal isolante situado no centro de uma esfera metálica oca de raio interno Rb. Há uma carga +Q na esfera interna e outra –Q na externa. (a) Qual é a ddp Vab entre as esferas? (b) Prove que a capacitância é ܸ ൌ 4ߨߝ ோೌோ್ ோ್ିோೌ . Problema 5.9 – Na Figura 5.9 C1=2 μF, C2= 6 μF e C3=3.5 μF. (a) Encontre a capacitância equivalente desta combinação. (b) se as voltagens em cada capacitores são respectivamente Vq=100 V, V2=50 V e V2=400 V, qual é a máxima voltagem entre os pontos a e b. Problema 5.10 ‐ Um cabo coaxial consiste de um cilindro condutor, sólido, interno, de raio Ra, suportado por discos isolantes, ao longo do eixo de um tubo condutor de raio interno Rb. Os dois cilindros são carregados com cargas opostas, com densidade linear l. (a) Qual é a ddp entre os 88 dois cilindros? (b) Prove que a capacitância de um comprimento L do cabo é ܥ ൌ ଶగఌబ ୪୬ቀೃ್ೃೌቁ . 4.11.‐Referências bibliográficas Livro Texto HALLIDAY, D.; RESNICK, R.; KRANE, K. S. Física. V. 3, 4. ed. Rio de Janeiro: LTC, 1996. Bibliografia complementar HEWITT, Paul G. Física conceitual. 9. ed. Porto Alegre: Bookman, 2002. TIPLER, P. Física 3. 4. ed. Rio da Janeiro: Guanabara Dois, 1999. NUSSENZVEIG, H. M. Curso de Física Básica 3: mecânica. São Paulo: Edgard Blücher, 1996. SERWAY, R. A. Física para cientistas e engenheiros: com Física Moderna. V. 3. 3. ed. Rio de Janeiro: LTC, 1997. 4.12‐Web‐bibliografia http://br.geocities.com/saladefisica3/labortório.htm http://www.adorofisica.com.br/comprove/mecanica/mec_cine_vetor.ht ml 89 CAPÍTULO 6: CORRENTE E RESISTÊNCIA ELÉTRICA RESUMO Nesta unidade apresentaremos conceitos e princípios que permitem o cálculo e entendimento de correntes elétricas e resistências elétricas. A visão microscópica dos condutores permite interpretar a mudança de comportamento do regime de condução com a mudança de materiais e de temperatura. Regras práticas como a lei de Ohm, que permitem cálculos fáceis da resistência de um material, são apresentadas. 90 6 CORRENTE E RESISTÊNCIA ELÉTRICA 6.1 A corrente elétrica 90 6.2 Corrente e velocidade de deriva 92 6.3 Densidade de corrente, lei de Ohm, condutividade, resistência e resistividade 96 6.4 Resistência e temperatura 102 6.5 Avanços na área: supercondutividade 104 6.6 Potencia elétrica 105 Questões 109 Problemas 110 Bibliografia 111 91 Figura 6.1 Movimento de cargas através da área A. A taxa temporal de fluxo de carga através da área é definida como a corrente I. A direção da corrente é a direção do fluxo de cargas positivas Nos capítulos anteriores foram estudadas situações em que as cargas elétricas estavam em repouso. Neste capítulo estudaremos situações em que as cargas estão em movimento. Por exemplo, quando ligamos o interruptor de uma lâmpada, conectamos o filamento da lâmpada a uma diferença de potencial que leva a um fluxo de cargas através do mesmo. Esta situação é semelhante ao que se observa em uma mangueira de jardim: a diferença de pressão entre as extremidades da mesma faz a água fluir través da mangueira. O fluxo de carga elétrica constitui uma corrente elétrica. 6.1 A corrente elétrica Na Figura 6.1 observa‐se o movimento de cargas em uma direção perpendicular à superfície ܣ, que poderia ser a área seccional reta transversal de um fio. A corrente é a taxa com que as cargas fluem através desta superfície. Suponha que ∆ܳ é a quantidade de carga que flui através da área de seção reta ܣ no tempo ∆ݐ e que a direção de fluxo é perpendicular à área. Então a corrente média ܫ é definida como ܫௗ ൌ ∆ܳ ∆ݐ ሺ6.1ሻ a quantidade de carga dividido pelo intervalo de tempo. Se a taxa com que a carga flui varia no tempo, a corrente varia no tempo. Definimos, então, a corrente instantânea ܫ como o limite diferencial da corrente média 92 EXEMPLO RESOLVIDO 6.1 ܫ ؠ ݀ܳ ݀ݐ ሺ6.2ሻ A unidade de corrente no Sistema Internacional de Unidades é o ampere (A) 1ܣ ൌ 1ܥ ݏ⁄ Está convencionado que a direção da corrente é a direção do fluxo de cargas positivas. Experimentalmente, desde o início do século passado, que está comprovado que os elétrons é que são responsáveis pelas propriedades de condução de eletricidade e energia térmica nos metais1. Assim, os elétrons movem‐se na direção oposta à direção da corrente. Em eletrostática, onde as cargas são estacionárias, o potencial elétrico é o mesmo em toda parte, em um condutor. Isto não é mais verdade para condutores portando corrente: quando as cargas movem‐ se ao longo de um fio, o potencial elétrico está continuamente decrescendo. A quantidade de carga que passa através do filamento de uma lâmpada em 2,00 s é 1,67 C. Determine (a) a corrente no filamento da lâmpada e (b) o número de elétrons que passam através do filamento em 5,00 s. SOLUÇÃO (a) Para calcular a corrente através do filamento da lâmpada substituímos o valor da carga que passa no intervalo de tempo, de acordo com a Eq. (6.1). Assim, teremos ܫ ൌ ∆ܳ ∆ݐ ൌ 1,67 ܥ 2,00 ݏ ൌ 0,835 ܣ (b) Para determinar o número de elétrons que passa através do filamento no intervalo de 5,00 s tomamos o número de elétrons 1 Para mais detalhes consulte referencias sobre física do estado solido, como por exemplo, C Kittel, Introduction to Solid State Physics, 8ª edition, Wiley, 2004. 93 Figura 6.2 Exercício 6.2 multiplicado pela carga eletrônica elementar, que é a carga total, e igualamos a corrente vezes o tempo, de acordo com a Eq. 6.1, isto é, ∆ܳ ൌ ܰݍ ൌ ܫ∆ݐ ൌ ሺ0,835 ܣሻሺ5,00 ݏሻ Resolvendo para ܰ obtemos ܰ ൌ ሺ0,835 ܥ/ݏሻሺ5,00 ݏሻ 1,60 ൈ 10ିଵଽܥ ൌ 2,61 ൈ 10ଵଽ ݈݁éݐݎ݊ݏ Observe que o número de elétrons, passando através de um ponto de um circuito típico, é muito grande Exercício 6.1 Suponha que 6,40 ൈ 10ଶଵelétrons passam através de um fio em 2,00 min. Determine a corrente. Exercício 6.2 Considere cargas positivas e negativas movendo‐se horizontalmente atravésde quatro regiões, como mostrado na Figura 6.2. Ordene os módulos das correntes nestas quatro regiões da mais baixa para a mais alta. (ܫ é a corrente na Figura 6.2a, ܫ é a corrente na Figura 6.2b, etc.). 6.2 Corrente e velocidade de deriva Em um fio condutor, o movimento de elétrons livres negativamente carregados é muito complexo. Quando não existe campo elétrico no fio, os elétrons livres movem‐se em direções aleatórias com velocidades, relativamente grandes, da ordem de 10 ݉/ݏ. Dada a orientação aleatória dos vetores velocidade, a velocidade média é nula. Quando um campo elétrico é aplicado, um elétron livre experimenta uma aceleração devido à força െ݁ܧሬԦ, e adquire uma velocidade adicional na direção oposta ao campo. Contudo a energia cinética adquirida é 94 Figura 6.3 Uma seção de um condutor uniforme de área seccional reta A. Os portadores de carga movem‐se com uma velocidade ݒௗ e a distância que eles percorrem no tempo ∆ݐ é dado por ∆ݔ ൌ ݒௗ∆ݐ. O número de portadores de carga móveis na secção de comprimento ∆ݔ é dado por ݊ܣݒௗ∆ݐ, onde ݊ é o número de portadores móveis por unidade de volume rapidamente dissipada pelas colisões com os íons da rede do fio. O elétron é então acelerado novamente pelo campo. O resultado final destas repetidas acelerações e dissipação de energia é que o elétron adquire uma velocidade média pequena chamada de velocidade de deriva oposta ao campo elétrico. O movimento dos elétrons livres em um metal é semelhante aquele das moléculas de um gás, tal como o ar. Também no ar, as moléculas de ar movem com velocidades instantâneas grandes (devido a sua energia térmica) entre colisões, mas a velocidade média é zero. Quando se estabelece uma brisa, as moléculas do ar apresentam uma velocidade de deriva na direção da brisa superposta às velocidades instantâneas muito maiores. De forma semelhante, quando não existe campo elétrico aplicado, o “gás de elétrons” em um metal tem velocidade média nula, mas quando existe um campo aplicado, o gás de elétrons adquire uma pequena velocidade de deriva. Considere partículas identicamente carregadas movendo‐se através de um condutor de seção reta A, veja figura 6.3. O volume de um elemento de comprimento ∆ݔ do condutor é ܣ∆ݔ. Se ݊ representa o número de cargas móveis por unidade de volume, então o número médio de portadores no elemento de volume é ݊ܣ∆ݔ . A carga móvel ∆ܳ neste elemento é portanto 95 Figura 6.4 Uma representação esquemática do movimento em ziguezague de um portador de carga dentro de um condutor. As mudanças abruptas de direção se devem as colisões com os átomos do condutor. Observe que a direção de movimento é contrária ao campo elétrico. ∆ܳ ൌ ݊ú݉݁ݎ ݀݁ ݎݐܽ݀ݎ݁ݏ ൈ ܿܽݎ݃ܽ ݎ ݎݐܽ݀ݎ ൌ ሺ݊ܣ∆ݔሻݍ ሺ6.3ሻ onde ݍ é a carga em cada portador. Se os portadores movem‐se com velocidade média constante, chamada velocidade de deriva, ݒௗ, a distância que eles se movem no intervalo de tempo ∆ݐ é ∆ݔ ൌ ݒௗ∆ݐ. Podemos portanto escrever ∆ܳ ൌ ሺ݊ܣݒ݀∆ݐሻݍ ሺ6.4ሻ Se dividirmos ambos os lados desta equação por ∆ݐ, veremos que a corrente média no condutor é ܫௗ ൌ ∆ொ ∆௧ ൌ ݊ݍݒ݀ܣ. ሺ6.5ሻ Para entender o significado da velocidade de deriva, considere um condutor no qual os portadores de carga são elétrons livres. Se o condutor está isolado, estes elétrons sofrem movimento aleatório semelhantes ao movimento de moléculas em um gás. A velocidade de deriva é normalmente muito menor que a velocidade média dos elétrons livres entre as colisões com os átomos fixos do condutor. Quando uma diferença de potencial é aplicada entre as extremidades do condutor (diagmos, com uma bateria), um campoo elétrico é criado no condutor, criando uma força elétrica sobre os elétrons e daí uma corrente. Na verdade, os elétrons não se movem simplesmente em linha reta ao longo do condutor. Em vez disso, eles sofrem repetidas colisões com os átomos do metal, e o resultado é um movimento de ziguezague 96 Exemplo Resolvido 6.2 complicado com apenas uma velocidade média de deriva muito pequena ao longo do fio, conforme ilustrado na Figura 6.4. A energia transferida dos elétrons para os átomos do metal durante uma colisão aumenta a energia vibracional dos átomos e provoca um correspondente aumento na temperatura do condutor. A despeito das colisões, contudo, os elétrons se movem lentamente ao longo do condutor em uma direção oposta a ࡱሬሬԦ com uma velocidade de deriva vሬԦௗ. Um fio de cobre de calibre 12, usado em construções residenciais típicas, possui uma seção reta de área com 3,31 ൈ 10ି݉ଶ. Ele transporta uma corrente de 10,0 ܣ. Qual é a velocidade de deriva dos elétrons no fio? Suponha que cada átomo de cobre contribua com um elétron livre para a corrente. A densidade do cobre é de 8,92 ݃/ܿ݉ଷ. Solução Como a corrente é constante, a corrente média durante qualquer intervalo de tempo é a mesma que a corrente constante: ܫௗ ൌ ܫ. Da tabela periódica dos elementos sabemos que a massa molar do cobre é 63,5 ݃/݈݉. Assim um mol de átomos de cobre (1 mol de qualquer substância contém 6,02 ൈ 10ଶଷ átomos). Assim o volume ocupado por 1 mol de átomos de cobre é ܸ ൌ ݉ ߩ ൌ 63,5 ݃ 8,92 ݃/ܿ݉ଷ ൌ 7,12 ܿ݉ଷ Da suposição que cada átomo de cobre contribui com um elétron livre para a corrente, determinamos a densidade eletrônica no cobre: ݊ ൌ 6,02 ൈ 10ଶଷ ݈݁éݐݎ݊ݏ 7,12 ܿ݉ଷ ቆ 1,00 ൈ 10 ܿ݉ଷ 1 ݉ଷ ቇ ൌ 8,46 ൈ 10ଶ଼݈݁݁ݐݎ݊ݏ/݉ଷ Da equação (6.4) determinamos que a velocidade de deriva é ݒௗ ൌ ܫௗ ݊ݍܣ ൌ ܫ ݊ݍܣ 97 Usando os valores numéricos dados no problema teremos ݒௗ ൌ ܫ ݊ݍܣ ൌ 10,0 ܣ ሺ8,46 ൈ 10ଶ଼݉ିଷሻሺ1,60 ൈ 10ିଵଽܥሻሺ3,31 ൈ 10ି ݉ଶ ൌ 2,23 ൈ 10ିସ݉/ݏ Este resultado mostra que velocidade de deriva típicas são muito pequenas. Por exemplo, eletrons se deslocando com uma velocidade de 2,23 ൈ 10ିସ ݉ ݏ⁄ tomaria aproximadamente 75 min para percorrer um metro! Pode causar surpresa o fato de ligarmos o interruptor e quase imediamente a luz acende. Em um condutor, mudanças no campo elétrico que direcionam os elétrons livres, percorrem o condutor com velocidade próxima à da luz. Assim, quando ligamos o interruptor de uma lâmpada, os elétrons que já estão no filamento da mesma experimentam forças elétricas e começam a se movimentar após um intervalo de tempo da ordem de nanosegundos. 6.3 Densidade de corrente, lei de Ohm, condutividade, resistência e resistividade Em um condutor em equilíbrio estático o campo elétrico no interior do mesmo é zero. Quando o condutor não está em equilíbrio passa a existir um campo elétrico não nulo no inteior do condutor. Considere, novamente, o condutor da Figura 6.1, com área de seção reta ܣ e transportando uma corrente ܫ. A densidade de corrente ࡶ no condutor é definida como a corrente por unidade de área. Como a corrente ܫௗ ൌ ݊ݍݒ݀ܣ, Eq. (6.5), a densidade de corrente é ࡶ ൌ ܫ ܣ ൌ ݊ݍݒ݀ሺ6.6ሻ onde ࡶ é expresso em unidades SI de amperes por metro quadrado. A expressão (6.6) é válida apenas se a densidade de corrente é uniforme e apenas se a superfície com área de secção reta A é perpendicular à direção da corrente. 98 Figura 6.5 Um condutor com secção reta uniforme. A densidade de corrente é uniforme através de qualquer seção reta, e o campo elétrico é constante ao longo do comprimento. A densidade de corrente e um campo elétrico são estabelecidos em um condutor se uma diferença de potencial é mantida através do condutor. Em alguns materiais, a densidade de corrente é proporcional ao campo elétrico ࡶԦ ൌ ߪࡱሬሬԦ ሺ6.7ሻ A constante de proporcionalidade ߪ é chamada a condutividade do condutor. Materiais que obedecem a Eq. (6.7) são ditos obedecer a lei de Ohm: Para muitos materiais (incluindo a maioria dos metais), a razão da densidade de corrente para o campo elétrico é uma constante ࣌ que é independente do campo elétrico que produz a corrente. Materiais que obedecem a lei de Ohm e, portanto, apresentam esta relação simples entre E e J são ditos ôhmicos. Experimentalmente, contudo, determina‐se que nem todos materiais possuem esta propriedade. Materiais e dispositivos que não obedecem a lei de Ohm são ditos não‐ôhmicos. A lei de Ohm é uma relação empírica, válida apenas para certos materiais. É interessante determinarmos uma equação que seja útil em aplicações práticas da lei de Ohm. Considere um segmento de fio reto de área seccional reta A e comprimento ݈ como mostrado na figura 6.5. Uma diferença de potencial ܸ ൌ ܸ െ ܸ é mantida através do fio, 99 Exemplo Resolvido 6.3 criando no mesmo campo elétrico e corrente. Se o campo é suposto uniforme, a diferença de potencial está relacionada ao campo através da equação ∆ܸ ൌ ܧ݈ ሺ6.8ሻ Portanto, podemos expressar a densidade de corrente no fio como ܬ ൌ ߪܧ ൌ ߪ ∆ܸ ݈ ሺ6.9ሻ Como ܬ ൌ ܫ ܣ⁄ , a diferença de potencial através do fio é ∆ܸ ൌ ݈ ߪ ܬ ൌ ൬ ݈ ߪܣ ൰ ܫ ൌ ܴܫ ሺ6.10ሻ A quantidade ܴ ൌ ݈ ߪܣ⁄ é chamada a resistência do condutor. Podemos definir a resistência como a razão da diferença de potencial, através de um condutor, e a corrente no condutor: ܴ ؠ ∆ܸ ܫ ሺ6.11ሻ A unidade no sistema internacional SI para resistência é volt por ampere. Um volt por ampere é definido como um ohm 1Ω ൌ 1 ܸ 1ܣ O inverso da condutividade é a resistividade ߩ: ߩ ൌ 1 ߪ ሺ6.12ሻ onde ߩ é expresso nas unidade ohm‐metro (Ω · ݉). Como ܴ ൌ ݈ ߪܣ⁄ , podemos expressar a resistência de um bloco de material uniforme ao longo do comprimento ݈ como ܴ ൌ ߩ ݈ ܣ ሺ6.13ሻ Calcule a resistência de um cilindro de alumínio que tem comprimento de 10,0 cm e área seccional reta de 2,00 ൈ 10ିସ݉ଶ. Repita o cálculo para um cilindro com as mesmas dimensões e feita de vidro tendo resistividade de 3,0 ൈ 10ଵΩ · ݉. 100 Solução Fazendo uso da Equação (6.12) e da tabela 6.1, podemos calcular a resistência do cilindro de alumínio da seguinte forma: ܴ ൌ ߩ ݈ ܣ ൌ 2,82 ൈ 10ି଼Ω · ݉ሻ ൬ 0,100 ݉ 2,00 ൈ 10ିସ݉ଶ ൰ ൌ 1,41 ൈ 10ିହΩ De forma análoga para o vidro determinamos que ܴ ൌ ߩ ݈ ܣ ൌ 3,0 ൈ 10ଵΩ · ݉ሻ ൬ 0,100 ݉ 2,00 ൈ 10ିସ݉ଶ ൰ ൌ 1,5 ൈ 10ଵଷΩ Como podemos observar a grande diferença entre estes cálculos se deve a resistividade. As resistências de cilindros identicamente definidos de alumínio e vidro diferem muito: a resistência do cilindro vítreo é 18 ordens de grandeza maior em magnitude que aquela do cilindro de alumínio. Tabela 6.1 resistividade de alguns materiais Resistividades e coeficientes de temperatura da resistividade para vários materiais Material Resistividade(a) (ષ · Coeficiente de resistividade(b) com a temperatura ࢻ ቂ൫ ൯ ି ቃ Prata 1,59 ൈ 10ି଼ 3,8 ൈ 10ିଷ Cobre 1,7 ൈ 10ି଼ 3,9 ൈ 10ିଷ Ouro 2,44 ൈ 10ି଼ 3,4 ൈ 10ିଷ Alumínio 2,82 ൈ 10ି଼ 3,9 ൈ 10ିଷ Tungstênio 5,6 ൈ 10ି଼ 4,5 ൈ 10ିଷ Ferro 10 ൈ 10ି଼ 5,0 ൈ 10ିଷ Platina 11 ൈ 10ି଼ 3,92 ൈ 10ିଷ chumbo 22 ൈ 10ି଼ 3,9 ൈ 10ିଷ Níquel‐cromo 1,50 ൈ 10ି 0,4 ൈ 10ିଷ Carbono 3,5 ൈ 10ିହ െ0,5 ൈ 10ିଷ Germânio 0,46 െ48 ൈ 10ିଷ Silicio 640 െ75 ൈ 10ିଷ Vidro 1,59 ൈ 10ି଼ Ebonite 1,59 ൈ 10ି଼ Enxofre 1,59 ൈ 10ି଼ Quartzo (fundido) 1,59 ൈ 10ି଼ a Todos os valores a 200C b Veja seção 6.4 c Liga de níquel‐cromo, comumente usada em dispositivos de aquecimento 101 Exemplo Resolvido 6.4 (a) Calcule a resistência por unidade de comprimento de um fio de níquel‐cromo de calibre 22, que possui um raio de 0,321 ݉݉. (b) Se uma diferença de potencial de 10 ܸ é mantida através do comprimento de 1,0 ݉ do fio de níquel‐cromo, qual é a corrente no fio? Solução A área seccional reta deste fio é ܣ ൌ ߨݎଶ ൌ ߨሺ0,321 ൈ 10ିଷ݉ሻଶ ൌ 3,24 ൈ 10ି݉ଶ A resistividade do níquel‐cromo (veja tabela 6.1) é de 1,5 ൈ 10ିΩ · m. Assim, podemos usar a Equação (6.13) para determinar a resistência por unidade de comprimento ܴ ݈ ൌ ߩ ܣ ൌ 1,5 ൈ 10ିΩ · m 3,24 ൈ 10ି݉ଶ ൌ 4,6 Ω m⁄ Como o comprimento de 1,0 m deste fio possui uma resistência de 4,6 Ω, a Equação (6.11) resulta em ܫ ൌ ∆ܸ ܴ ൌ 10 ܸ 4,6 Ω ൌ 2,2 ܣ Observe da tabela 6.1 que a resistividade do fio de níquel‐cromo é aproximadamente 100 vezes aquela do cobre. Um fio de cobre com o mesmo raio teria uma resistência por unidade de comprimento de apenas 0,052 Ω m⁄ . Devido a sua alta resistividade e sua resistência à oxidação, a liga níquel‐cromo é freqüentemente usada como dispositivo de aquecimento em torradeira, ferro de engomar e aquecedores elétricos. Cabos coaxiais são usados extensivamente para televisão a cabo e outras aplicações eletrônicas. Um cabo coaxial consiste de dois condutores cilíndricos concêntricos. A região entre os condutores é completamente preenchida com silício, como mostrado na Figura 6.6, e Exemplo Resolvido 6.5 102 Figura 6.6 Cabo coaxial (a) Com o espaço entre os dois condutores preenchido com silício (b) Visão das extremidades, mostrando o vazamento de corrente. o vazamento de corrente através do silício, na direção radial, é algo indesejado. (O cabo é projetado para conduzir corrente ao longo do seu comprimento – esta não é a corrente que estamos considerando aqui.) O raio interno do condutor é ܽ ൌ 0,500 ܿ݉, o raio externo é ܾ ൌ 1,75 ܿ݉ e o comprimento é ܮ ൌ 15,0 ܿ݉. Calcule a resistência do silício entre os dois condutores. Solução Neste tipo de problema devemos dividir o objeto, cuja resistência está sendo calculada, em elementos concêntricos de espessura infinitesimal ݀ݎ, veja Figura 6.6 (b). Iniciamos usando a forma diferencial da Equação (6.13), trocando o comprimento ݈ por ݎ como a distância variável: ܴ݀ ൌ ߩ݀ݎ ܣ⁄ , onde ܴ݀ é a resistência de um elemento de silício de espessura ݀ݎ e área superficial ܣ. Neste exemplo, consideraremos como nosso elemento concêntrico representativo um cilindro oco de silício de raio ݎ, espessura ݀ݎ, e comprimento ܮ,como mostrado na Figura 6.6. Qualquer corrente que passe do condutor interno para o externo deve passar radialmente através deste elemento concêntrico, e a área através do qual esta corrente passa é ܣ ൌ 2ߨݎܮ. (Esta é área superficial curvada – circunferência multiplicada pelo comprimento – do nosso cilindro oco de silício de espessura ݀ݎ.) Daí, podemos escrever a resistência do cilindro oco de silício como 103 ܴ݀ ൌ ߩ 2ߨݎܮ ݀ݎ Como desejamos saber a resistência total através da espessura inteira do silício, devemos integrar esta expressão de ݎ ൌ ܽ a ݎ ൌ ܾ: ܴ ൌ න ܴ݀ ൌ ߩ 2ߨܮ න ݀ݎ ݎ ൌ ߩ 2ߨܮ ln ൬ b a ൰ Substituindo nos valores dados, e usando ߩ ൌ 640 Ω · m para o silício, obtemos ܴ ൌ 640 Ω · m 2ߨሺ0,150 ݉ሻ ln ൬ 1,75 cm 0,500 cm ൰ ൌ 851 Ω Exercício 6.3 Se a diferença de potencial de 12,0 V é aplicada entre os condutores internos e externos, qual é o valor da corrente total que passa entre eles? Resposta 14,1 mA 6.4 Resistência e temperatura A resistividade elétrica depende da temperatura. A resistividade de muitos metais aumenta quando a temperatura aumenta. Sobre um intervalo limitado de temperatura, a resistividade varia de forma aproximadamente linear com a temperatura de acordo com a expressão ߩ ൌ ߩሾ1 ߙሺܶ െ ܶሻሿ ሺ6.14ሻ onde ߩ é a resistividade para alguma temperatura ܶ (em graus Celsius), ߩ é a resistividade em para alguma temperatura de referência ܶ (usualmente tomada como 20 ܥ), e ߙ é coeficiente de resistividade de temperatura. Segue da equação (6.14) que o coeficiente ߙ pode ser expresso como ߙ ൌ 1 ߩ ∆ߩ ∆ܶ ሺ6.15ሻ onde ∆ߩ ൌ ߩ െ ߩ é a variação na resistividade para o intervalo de temperatura ∆ܶ ൌ ܶ െ ܶ. 104 Figura 6.7 Curva resistência versus temperatura para (a) materiais condutores; (b) detalhe para baixas temperaturas e (c) materiais semicondutores (c). Exemplo resolvido 6.6 A Figura 6.7 mostra a dependência da resistividade com a temperatura. Para materiais condutores (Figura 6.7a) a resistividade mostra uma dependência linear com a temperatura para a região de altas temperaturas e não linear para baixas temperaturas (Fig. 6.7 (b)). Já para semicondutores a resistividade tende a diminuir com a temperatura de uma forma não constante. Os coeficientes de resistividade com a temperatura são dados na Tabela 6.1 para vários materiais. Observe que a unidade para ߙ é ݃ݎܽݑ ܥ݈݁ݏ݅ݑݏିଵሾሺԨሻିଵሿ. Por que a resistência é proporcional a resistividade (Eq. 6.13), pode‐se escrever a variação da resistência como ܴ ൌ ܴሾ1 ߙሺܶ െ ܶሻሿ ሺ6.16ሻ O uso desta propriedade nos permite fazer medidas precisas, como ilustrado no exemplo abaixo. Um termômetro de resistência, que mede a temperatura através da medida da variação da resistência de um condutor, é feito de platina e possui resistência de 50,0 Ω a 20,0 Ԩ. Quando imerso em um vasilhame contendo indio fundido, sua resistência aumenta para 76,8 Ω. Calcule o ponto de fusão do indio. Solução Resolvendo a Eq. (6.15) para ∆ܶ e usando o valor de ߙ para a platina dada na tabela 6.1, obtemos 105 Figura 6.8: Gráfico da resistência em função da temperatura para um material supercondutor. ∆ܶ ൌ ܴ െ ܴ ߙܴ ൌ 76,8 Ω െ 50,0 Ω ሾ3,92 ൈ 10ିଷሺԨሻିଵሿሺ50,0 Ωሻ ൌ 137Ԩ Como ܶ ൌ 20,0 Ԩ, determinamos que ܶ, a temperatura de fusão da amostra de índio, é 157 Ԩ. 6.5 Avanços na área: supercondutividade Existe uma classe de metais e compostos cuja resistência cai a zero quando estão abaixo de certa temperatura ܶ, conhecida como a temperatura crítica. Estes materiais são conhecidos como supercondutores. O gráfico resistênciaൈtemperatura, para supercondutores, é semelhante aquele para um metal normal abaixo de ܶ, como mostrado na Figura 6.8. Quando a temperatura está em ou abaixo de ܶ, a resistividade cai subitamente a zero. Este fenômeno foi descoberto em 1911 pelo físico alemão Heike Kamerlingh‐Onnes (1853‐ 1926) quando trabalhava com mercúrio, que se torna supercondutor abaixo de 4,2 ܭ. Medidas recentes mostraram que as resistividades de supercondutores abaixo de valores ܶ são menores que 4 ൈ 10ିଶହΩ · ݉ ‐ aproximadamente 10ଵ vezes menores que a resistividade do cobre e na prática considerado zero. Atualmente milhares de supercondutores são conhecidos. A temperatura crítica de supercondutores recentemente descobertos são 106 Figura 6.9 Circuito simples substancialmente mais altas do que as que inicialmente se imaginava possível. Dois tipos de supercondutores são reconhecidos. Os mais recentemente identificados são essencialmente materiais cerâmicos com temperaturas críticas altas, enquanto materiais supercondutores tais como os observados por Kamerlingh‐Onnes são metais. Se um supercondutor a temperatura ambiente for identificado, seu impacto tecnológico pode ser enorme. O valor de ܶ é sensível a composição química, pressão, e estrutura molecular. É interessante observar que o cobre, prata, e ouro, que são excelentes condutores, não exibem supercondutividade. 6.6 Potência elétrica Se uma bateria é usada para estabelecer uma corrente elétrica em um condutor, existe uma transformação contínua de energia química na bateria em energia cinética dos elétrons e, então, em energia interna no condutor, resultando em um aumento na temperatura do condutor. Em circuitos elétricos típicos, energia é transferida de uma fonte tal como a bateria, para algum dispositivo, tal como uma lâmpada ou um receptor de rádio. Determinaremos uma expressão que permita‐nos calcular a taxa desta transferência de energia. Primeiro, considere um circuito simples como aquele mostrado na Figura 6.9 onde imaginamos que energia esteja sendo fornecida a um resistor. Uma vez que os fios 107 que fazem a conexão também possuem resistência, parte da energia é fornecida aos fios e parte ao resistor. A menos que observado de outra forma, suponha que a resistência dos fios é tão pequena comparada à resistência do elemento de circuito que ignoramos a energia fornecida aos fios. Imagine que uma quantidade positiva de carga ܳ que está se movendo no sentido horário em torno do circuito da Figura 6.9 desde o ponto ܽ através da bateria e do resistor e de volta ao ponto ܽ. Identificamos o circuito inteiro como nosso sistema. Quando a carga move‐se de ܽ para ܾ através da bateria, a energia potencial elétrica do sistema aumenta por uma quantidade ܳ∆ܸ enquanto a energia potencial química na bateria diminui pela mesma quantidade. Contudo, quando a carga move‐se de ܿ para ݀ através do resistor, o sistema perde esta energia potencial elétrica durante colisões de elétrons com átomos no resistor. Neste processo, a energia é transformada para energia interna correspondendo a um aumento no movimento vibracional dos átomos no resistor. Uma vez que desprezamos a resistência dos fios interconectores, nenhuma transformação de energia corre para os caminhos ܾܿ e ݀ܽ. Quando a carga retorna ao ponto ܽ, o resultado líquido é que parte da energia química na bateria foi fornecida ao resistor e permanece no resistorcomo energia interna associada com vibração molecular. O resistor está normalmente em contato com o ar, assim sua temperatura aumentada resultará em transferência de energia na forma de calor para o ar. Além disso, o resistor emite radiação térmica, representando outro meio de escape para a energia. Após decorrido um intervalo de tempo, o resistor alcança uma temperatura constante, naquele instante o fornecimento de energia pela bateria é equilibrado pela saída de energia na forma de calor e radiação. Alguns dispositivos elétricos incluem dissipadores de calor conectados às partes do circuito para evitar que as mesmas atinjam temperaturas perigosamente altas. Estes são pedaços de metais com muitas barbatanas. A alta condutividade térmica do metal fornece uma rápida transferência de energia na forma de calor que sai do componente quente. O grande 108 número de barbatanas fornece uma grande superfície em contato com o ar, de modo que se pode transferir energia através da radiação de calor para o ar, em altas taxas. A taxa com que a carga ∆ܳ perde energia potencial ao percorrer o resistor é dada por ∆ܷ ∆ݐ ൌ ∆ܳ ∆ݐ ∆ܸ ൌ ܫ∆ܸ ሺ6.17ሻ onde ܫ é a corrente no circuito. Em contraste, a carga ganha novamente esta energia quando passa através da bateria. Por que a taxa com que a carga perde energia é igual à potência ܲ fornecida ao resistor (que aparece como energia interna), temos ܲ ൌ ܫ∆ܸ ሺ6.18ሻ Neste caso, a potência é fornecida ao resistor por uma bateria. Contudo, podemos usar a Equação (6.18) para determinar a potência transferida para qualquer dispositivo portando uma corrente I e tendo uma diferença de potencial ∆ܸ entre seus terminais. Usando a Equação (6.18) e o fato que ∆ܸ ൌ ܫܴ para um resistor, podemos expressar a potência fornecida para o resistor nas formas alternativas ܲ ൌ ܫଶܴ ൌ ሺ∆ܸሻଶ ܴ ሺ6.19ሻ Quando ܫ é expresso em amperes, ∆ܸ em volts, e ܴ em ohms, a unidade SI de potência é o watt. A potência perdida como energia interna em um condutor de resistência ܴ é chamada aquecimento joule; esta transformação é também freqüentemente referida como uma perda ܫଶܴ. Uma bateria, um dispositivo que fornece energia elétrica, é chamada ou uma fonte de força eletromotriz ou, mais comumente, uma fonte fem. Quando a resistência interna da bateria é desprezada, a diferença de potencial entre os pontos a e b na Fig.6.9 é igual à fem ߝ da bateria, isto é, Δܸ ൌ ܸ െ ܸ ൌ ߝ. Isto sendo verdadeiro pode‐se afirmar que a corrente é ܫ ൌ Δܸ ܴ⁄ ൌ ߝ ܴ⁄ . Por que Δܸ ൌ ߝ, a potência 109 Exemplo Resolvido 6.7 Exemplo resolvido 6.8 fornecida pela fonte fem pode ser expressa como ܲ ൌ ܫߝ, que é igual a potência liberada para o resistor, ܫଶܴ. Um aquecedor elétrico é construído aplicando uma diferença de potencial de 120 ܸ a um fio de Nicromo que possui uma resistência total de 8,00 Ω. (a) Determine a corrente transportada pelo fio e a potencia do aquecedor. (b) Como ficariam os resultados do item (a) se o aquecedor fosse conectado acidentalmente a uma fonte de 240 V? Solução (a) Como ∆ܸ ൌ ܫܴ, temos ܫ ൌ ∆ܸ ܴ ൌ 120 ܸ 8,00 Ω ൌ 15,0 ܣ Determinamos a potência usando a expressão ܲ ൌ ܫଶܴ: ܲ ൌ ܫଶܴ ൌ ሺ15,0ሻଶሺ8,00 Ωሻ ൌ 1,80 ൈ 10ଷ ܹ ൌ 1,80 ܹ݇ (b) Como a diferença de potencial aplicada será duas vezes maior que a diferença de potencial do item (a) a Equação (6.18) nos diz que a corrente no aquecedor será duas vezes maior e da Equação (6.19) tiramos que a potência será quatro vezes maior já que temos o fator quadrático na diferença de potencial. Calcule aproximadamente o custo do cozimento de um peru durante quatro horas em um forno que opera continuamente com uma corrente de 20,0 ܣ e sob tensão de 240 ܸ. Solução A potência usada pelo forno é ܲ ൌ ܫ∆ܸ ൌ ሺ20,0 ܣሻሺ240 ܸሻ ൌ 4800 ܹ ൌ 4,80 ܹ݇ Como a energia consumida é igual ݐê݊ܿ݅ܽ ൈ ݐ݁݉, a quantidade de energia pela qual devemos pagar é 110 ܧ݊݁ݎ݃݅ܽ ൌ ܲ ൈ ݐ ൌ ሺ4,80 ܹ݇ሻሺ4 ݄ሻ ൌ 19,2 ܹ݄݇ Se a energia é comprada ao preço estimado de 50 centavos por kilowatt hora, o custo do cozimento será ܥݑݏݐ ൌ ሺ19,2 ܹ݄݇ሻ ቆ ܴ$ 0,50 ܹ݄݇ ቇ ൌ ܴ$ 9,60 Exercício Quanto custa manter uma lampada de 100 ܹ ligada por 24 horas se a companhia de eletricidade (CEPISA) cobra ܴ$ 0,50/ܹ݄݇? Questões Q1 Fazendo uma analogia entre corrente elétrica e o fluxo do trafego de automóveis, o que corresponderia à carga? E o que corresponderia a corrente? Q2 Que fatores afetam a resistência de um condutor? Q3 Qual a diferença entre resistência e resistividade? Q4 Todos os condutores obedecem à lei de Ohm? Dê exemplos que justifiquem suas respostas. Q5 Vimos que um campo elétrico deve existir dentro de um condutor através do qual flui uma corrente. Como isto é possível, se em eletrostática, havíamos concluído que o campo elétrico deve ser nulo no interior de um condutor? Q6 Quando a voltagem através de um condutor é duplicada, é observado que a corrente é aumentada por um fator três. O que você pode concluir a respeito deste condutor? Q7 Explique como a corrente pode persistir em um supercondutor sem a necessidade de aplicarmos uma voltagem. Q8 Se as cargas fluem muito lentamente através de um metal, por que não são exigidas várias horas para que a lâmpada comece a iluminar após acionar o interruptor? 111 Q9 Duas lâmpadas, ambas operando com tensão de 120 ܸ. Uma tem potência de 25 W e a outra de 100 W. Que filamento tem resistência mais alta? Através de que filamento flui maior corrente? Q10 Baterias de automóveis são freqüentemente classificadas em ampere‐horas. Isto designa corrente, potência, energia ou carga que pode ser retirada da bateria? Problemas P1 Um fio de raio 1,6 ݉݉ porta uma corrente de 0,092 ܣ. Quantos elétrons cruzam um ponto fixo no fio em 1 ݏ? P2 Portadores de cargas em um semicondutor possui densidade de número ݊ ൌ 3,5 ൈ 10ଶସ ݎݐܽ݀ݎ݁ݏ/ܿ݉ଷ. Cada portador possui uma carga cuja magnitude é aquela da carga de um elétron. Se a densidade de corrente é 7,2 ൈ 10ଶܣ/݉ଶ, qual é a velocidade dos portadores de carga? P3 A densidade de elétrons portadores de carga no cobre é 8,5 ൈ 10ଶ଼ ݈݁݁ݐݎ݊ݏ/݉ଷ. Se a corrente de 1,2 ܣ flui em um fio com raio de 1,8 ݉݉, qual é a velocidade dos elétrons? Como esta velocidade muda em um segundo fio, de diâmetro igual a 2,4 ݉݉, conectado ponta com ponta com o primeiro fio? P4 Um fio de alumínio de área igual 50 ݉݉ଶ colocado ao longo do eixo ݔ passa 10.000 ܥ em 1 ݄. Suponha que existe um elétron livre por cada átomo de alumínio. Determine a corrente, a densidade de corrente, e a velocidade de deriva. A densidade de massa do alumínio é de 2,7 ݃/ ܿ݉ଷ. P5 Ouro possui um elétron por átomo disponível para transportar carga. Dado que a densidade de massa do ouro é 1,93 ൈ 10ଷ ݇݃/݉ଷ e que seu peso molecular é igual a 197 ݃/݈݉, calcule a velocidade de deriva dos elétrons em um fio de ouro que porta 0,3 ܣ e tem uma secção reta circular de raio igual a 0,5 ݉݉. 112 P6 Você dispõe de dois cilindros feitos do mesmo material. O pedaço 2 possui metade do comprimento e metade do diâmetro do pedaço 1. Qual é a razão das resistências dos dois pedaços.P7 A condutividade da prata é 1,5 vezes aquela do ouro. Qual é a razão do diâmetro de um fio de prata para aquele de um fio de ouro do mesmo comprimento se ambos os fios são projetados para ter a mesma resistência? P8 Um fio aterrado feito de alumínio tem comprimento de 528 ݉ e área de 0,12 ܿ݉ଶ. (a) Qual é a sua resistência? (b) Qual é o raio de um fio de cobre do mesmo comprimento e resistência? P9 Qual é a voltagem máxima que pode ser aplicada a um resistor de 1000 Ω com potencia de dissipação de 1,5 ܹ? P10 Seu irmão menor deixa uma lâmpada de 100 ܹ ligada desnecessariamente por uma hora. Supondo que potencia elétrica custam 50 centavos por kilowatt‐hora, qual é o custo por seu mau uso? P11 Um estudante de pós‐graduação em engenharia possui uma coleção de resistores de 100 Ω com diferentes taxas de dissipação de energia iguais a 1/8, ¼, ½, 1 e 2W. Qual é a corrente máxima que o estudante deveria usar em cada resistor? P12 Qual é a corrente máxima permitida para (a) um resistor de 160 Ω, 5 ܹ? (b) Um resistor de 2,5 ݇Ω, 3 ܹ? BIBLIOGRAFIA TIPLER P. A., MOSCA G. Physics for scientists and Engineers, sixth edition, Freeman, New York, 2008. HALLIDAY D., Resnick R., Walker J., Física Fundamental, vol 3, Livros Técnicos Científicos S. A., Rio de Janeiro, 2004 HALLIDAY D., RESNICK R., KRANE S., Física vol. 3, LTC, Rio de Janeiro, 2000 HEWITT P, Física Conceitual, Longman, 9ª edição, Rio Grande do Sul, 200x 113 NUSSENZVEIG, H. M., Física Básica vol. 3, Edgard Blucher, x Ed., Rio de Janeiro, 200X CUMMINGS K., LAWS P., REDISH E., COONEY P., Understanding Physics, John Wiley, New York, 2004. YOUNG H. D., FREEDMAN, R. A. Física 3: Eletromagnetismo, Pearson, São Paulo, 2008. 114 CAPÍTULO 7: CIRCUITOS ELÉTRICOS RESUMO Neste capítulo apresentaremos a noção de circuitos elétricos e diagramas de circuitos, bem como, regras de calculo para a determinação de correntes e resistências em elementos do circuito. 115 7 CIRCUITOS ELÉTRICOS 7.1 Elementos e diagramas de circuitos 115 7.2 Força eletromotriz 117 7.3 Associação de resistores 119 7.3.1 Resistores em série 119 7.3.2 Resistores em paralelo 120 7.4 Leis de Kirchoff e circuito básico 122 7.5 Circuitos RC 129 Questões 136 Problemas 137 Bibliografia 139 116 Figura 7.1 Um circuito elétrico No interior de aparelhos de TV, de computadores, de aparelhos de som ou mesmo do teclado de um microcomputador encontramos circuitos que apresentam grau de complexidade bem maior do que os circuitos simples que foram mostrados no capítulo anterior. Todos estes circuitos incluem diversas fontes, resistores e outros elementos, tais como capacitores, transformadores e motores, interconectados em uma rede. Neste capitulo estudaremos método para analisar essas redes, incluindo como calcular correntes, voltagens e outras propriedades desconhecidas dos elementos do circuito. Assim ao final deste capítulo o leitor deve apresentar habilidades (a) para compreender e usar diagramas básicos de circuitos, (b) analisar circuitos que contenham resistores em série e em paralelo, (c) calcular a potência dissipada nos elementos de circuito e (d) compreender o aumento e diminuição de corrente em circuitos RC. 7.1. Elementos e diagramas de circuitos A Figura 7.1 mostra um circuito elétrico no qual um resistor e um capacitor estão conectados por meios de fios a uma bateria. Para entender o funcionamento deste circuito precisamos de uma descrição gráfica mais abstrata chamada diagrama do circuito. O diagrama do circuito é uma descrição lógica dos elementos que estão conectados entre i. O circuito real, uma vez construído, pode aparentar completamente diferente do diagrama do circuito, mas terá a mesma lógica e conexões. 117 Figura 7.2 Uma mostra de símbolos básicos usados para desenhar circuitos eletrônicos Figura 7.3 O diagrama de circuito para o circuito da Figura 7.1 Figura 7.4 Num diagrama de circuitos as imagens dos elementos de circuitos são trocadas por símbolos. A figura 7.2 mostra os símbolos básicos necessários para tal descrição. Nesta Figura estão mostradas as representações para bateria, fios, resistores, filamentos, junções, chaves e capacitores. No curso Física IV será visto circuitos com elementos relacionados às propriedades magnéticas do meio, como o indutor. A Figura 7.3 é o diagrama de circuito para o circuito da Figura 7.1. A fem da bateria ߝ é mostrada ao lado da bateria, e os símbolos e െ para ressaltar os terminais da mesma. Além disso, é mostrada a resistência R do resistor e capacitância C do capacitor. Os fios, que na prática podem ser tortos e curvos, são mostrados como conexões em linha reta entre os elementos do circuito. Exercício: Quais dos diagramas mostrados na Figura 7.4 representam o mesmo circuito? 118 Figura 7.5 Circuito elétrico consistindo de um resistor conectado aos terminais de uma bateria Figura 7.6 (a) Diagrama de circuito de uma fonte de fem ߝ (neste caso, uma bateria), de resistência ݎ, conectada a um resistor externo de resistência ܴ. (b) Representação gráfica mostrando como o potencial elétrico muda quando o circuito na parte (a) é percorrido no sentido horário. 7.2 Força Eletromotriz Anteriormente foi mencionado que corrente constante poderia ser mantida em circuitos fechados usando fonte de fem, que é um dispositivo (tal como uma bateria ou gerador) que produz um campo elétrico e assim pode levar as cargas a se moverem através do circuito. Podemos imaginar uma fonte de fem como um “dispositivo bombeador de cargas”. Quando a diferença de potencial elétrico existe entre dois pontos, a fonte move cargas “morro acima” do potencial mais baixo para o mais alto. A fem ߝ descreve o trabalho feito por unidade de carga, e, portanto a unidade SI de fem é o volt. Considere o circuito mostrado na Figura 7.5, consistindo de uma bateria conectada a um resistor. Supomos que os fios de conexão não possuem resistência. O terminal positivo da bateria está em um potencial mais alto que o terminal negativo. Se desprezarmos a resistência interna da bateria, a diferença de potencial através dela (chamada de voltagem entre os terminais) iguala a sua fem 119 Contudo, porque uma bateria real sempre tem alguma resistência interna ݎ, a voltagem entre os terminais não é igual a fem para uma bateria em um circuito no qual existe uma corrente. Para entender porque isto acontece, considere o diagrama de circuito mostrado na Figura 7.6 (a), onde a bateria da Figura 7.5 é representada pelo retângulo tracejado contendo uma fem ߝ em série com uma resistência interna ݎ. Agora imagine um movimento através da bateria no sentido horário de ܽ para ܾ e medindo o potencial elétrico em vários locais. Quando passamos do terminal negativo para o terminal positivo, o potencial aumenta pela quantidade ߝ. Contudo quando nos movemos através da resistência ݎ o potencial decresce da quantidade ܫݎ, onde ܫ é a corrente no circuito. Assim, a voltagem entre os terminais da bateria ∆ܸ ൌ ܸ െ ܸ é ∆ܸ ൌ ߝ െ ܫݎ ሺ7.1ሻ A Figura7.6 (b) é uma representação gráfica das mudanças em potenciais elétricos quando o circuito é percorrido na direção horária. Por inspeção, vemos que a diferença de potencial entre os terminais deve ser igual à diferença de potencial através dos extremos da resistência externa ܴ, freqüentemente chamada de carga resistiva. A carga resistiva deve ser um elemento de circuito resistivo único, como na Figura 7.5, ou poderia ser a resistência de algum dispositivo elétrico (tal como uma torradeira, um aquecedor elétrico, ou o filamento de uma lâmpada) conectado à bateria. O resistor representa uma carga resistiva sobre a bateria porque a bateria deve fornecer energia para operar o dispositivo. A diferença de potencial através da carga resistiva é ∆ܸ ൌ ܫܴ. Combinando esta expressão com a Equação (7.1), vemos que ߝ ൌ ܫܴ ܫݎ ሺ7.2ሻ Resolvendo para a corrente resulta em ܫ ൌ ߝ ܴ ݎ ሺ7.3ሻ Esta equação mostra que a corrente neste circuito simples depende tanto da carga resistiva externa ܴ à bateria como da resistência interna 120 Figura 7.7 (a) Conexão em série de dois resistores ܴଵ e ܴଶ. A corrente em ܴଵ é a mesma que em ܴଶ. (b) Diagrama de circuito para o circuito de dois resistores. (c) Os resistores trocados por um único resistor tendo a resistência equivalente ܴ ൌ ܴଵ ܴଶ ݎ. Se ܴ é muito maior que ݎ, como é em muitos circuitos do mundo real, obtemos ܫߝ ൌ ܫଶܴ ܫଶݎ ሺ7.4ሻ Indicando que a potencia externa total fornecida ܫߝ pela bateria é consumida pela carga externa na forma de calor (efeito Joule) como ܫଶܴ e de forma semelhante na resistência interna ܫଶݎ. 7.3 Associação de resistores A análise de um circuito pode ser simplificada trocando dois ou mais resistores por um único resistor equivalente que transporta a mesma corrente quando é aplicada a mesma diferença de potencial que é aplicada aos resistores originais. A troca de um conjunto de resistores por um resistor equivalente é semelhante a troca de um conjunto de capacitores por um capacitor equivalente, discutido no capítulo 5. 7.3.1 Resistores em série Quando dois ou mais resistores estão como ܴଵ e ܴଶ na Figura 7.7 de modo que eles transportem a mesma corrente ܫ, os resistores são ditos estarem conectados em série. A diferença de potencial através do resistor ܴଵ é ܫܴଵ e a diferença de potencial através do resistor ܴଶ é ܫܴଶ A diferença de potencial através dos dois resistores é igual a soma das diferenças de potencial individuais: 121 Figura 7.8 Conexão em paralelo de dois resistores ܴଵ e ܴଶ. A diferença de potencial através de ܴଵ é a mesma que aquela através de ܴଶ. (b) Diagrama de circuito para o circuito de dois resistores. (c) Os resistores trocados por um único resistor equivalente tendo resistência equivalente ܴ ൌ ሺܴଵିଵ ܴଶିଵሻିଵ. ܸ ൌ ܫܴଵ ܫܴଶ ൌ ܫሺܴଵ ܴଶሻ ൌ ܴܫ ሺ7.5ሻ A resistência equivalente ܴ ൌ ܴଵ ܴଶ ሺ7.6ሻ é a resitência que resulta na mesma queda de potencial ܸ quando o circuito é percorrido pela corrente ܫ. Quando existem mais que dois resistores em série, a resistencia equivalente é ܴ ൌ ܴଵ ܴଶ ܴଷ ڮ ሺ7.7ሻ 7.3.2 Resistores em paralelo Dois resistores que estão conectados como na Figura 7.8, tal que estejam com a mesma diferença de potencial através de suas extremidades, estão associados em paralelo. Seja ܫ a corrente a corrente que vai do ponto ܽ ao ponto ܾ. No ponto ܽ a corrente ܫ divide‐se em duas partes, ܫଵ flui através do resistor ܴଵ e ܫଶ através do resistor ܴଶ. A corrente total é a soma das correntes individuais: ܫ ൌ ܫଵ ܫଶ ሺ7.8ሻ A queda de potencial através de qualquer dos resistores, ܸ ൌ ܸ െ ܸ, está relacionada às correntes por ܸ ൌ ܫଵܴଵ ൌ ܫଶܴଶ ሺ7.9ሻ 122 Figura 7.7 Exercício Resolvido A resistência equivalente para resistores associados em paralelo é a resistência equivalente para a qual a mesma corrente total ܫ produz a mesma queda de potencial ܸ: ܴ ൌ ܸ ܫ ሺ7.10ሻ Resolvendo esta equação para ܫ e usando o resultado (7.4), obtemos ܫ ൌ ܸ ܴ ൌ ܫଵ ܫଶ ൌ ܸ ܴଵ ܸ ܴଶ ሺ7.11ሻ A resistência equivalente para dois resistores em paralelo é, portanto dada por 1 ܴ ൌ 1 ܴଵ 1 ܴଶ ሺ7.12ሻ Este resultado pode ser generalizado para combinações, de mais de dois resistores associados em paralelo: 1 ܴ ൌ 1 ܴଵ 1 ܴଶ 1 ܴଷ ڮ ሺ7.13ሻ Quatro resistores estão conectados como mostrado na Figura 7.7. (a) Determine a resistência equivalente entre os pontos ܽ e ܿ. (b) Qual é a corrente em cada resistor se a diferença de potencial de 42 ܸ é mantida entre ܽ e ܿ? Solução (a) A combinação de resistores pode ser reduzida em passos, como mostrado na Figura 7.7. Os resistores de 8,0 Ω e 4,0 Ω estão em série; assim a resistência equivalente entre ܽ e ܾ é de 12,0 Ω. Os resistores de 6,0 Ω e 3,0 Ω estão em paralelo, de forma que da Equação (7.8) calculamos que a resistência equivalente de ܾ para ܿ é de 2,0 Ω Assim a resistência 123 Figura 7.8 Um exemplo de circuito simples que não pode ser analisado trocando combinação de resistores em série ou paralelo por suas resistências equivalentes. A queda de potencial através de ܴଵ e ܴଶ não são iguais devido a fonte fem ߝଶ, assim estes resistores não estão em paralelo. (resistores em paralelo deveriam está conectados aos mesmos pontos – mesma diferença de potencial.) Os resistores não transportam a mesma corrente, de modo que não estão em série. equivalente entre ܽ e ܿ é , ષ. (b) As correntes nos resistores 8,0 Ω e 4,0 Ω são as mesmas por que eles estão em série. Além disso, é a mesma corrente que existiria no resistor equivalente submetido à diferença de potencial de 42 ܸ. Portanto, usando que ܴ ൌ ܸ/ܫ e o resultado da parte (a), obtemos ܫ ൌ ܸ ܴ ൌ 42,0 ܸ 14,0 Ω ൌ 3,0 ܣ Esta é a corrente nos resistores de 8,0 Ω e 4,0 Ω. Quando esta corrente entra na junção em ܾ, contudo, ela divide‐se, com uma parte fluindo através do resistor de 6,0 Ω (ܫଵ) e a outra parte através do resistor de 3,0 Ω (ܫଶ). Como a diferença de potencial é ܸ através destes resistores (uma vez que eles estão associados em paralelo), vemos que ሺ6,0 Ωሻܫଵ ൌ ሺ3,0 Ωሻܫଶ, ou seja, ܫଶ ൌ 2ܫଵ. Usando este resultado e o fato que ܫଵ ܫଶ ൌ 3,0 ܣ, determinamos que ܫଵ ൌ 1.0 ܣ e ܫଶ ൌ 2,0 ܣ Como uma verificação final dos nossos resultados, observe que ܸ ൌ ሺ6,0 Ωሻܫଵ ൌ ሺ3,0 Ωሻܫଶ ൌ 6,0 ܸ e ܸ ൌ ሺ12,0 Ωሻܫ ൌ 36,0 ܸ; portanto, ܸ ൌ ܸ ܸ ൌ 42 ܸ, como deve ser. 7.4 Leis de Kirchoff e circuito básico Existem muitos circuitos simples, tais como o mostrado na Figura 7.8, que não podem ser analisados meramente trocando combinações 124 Figura 7.9 (a) Regra do nó de kirchoff. Conservação da carga exige que toda corrente entrando em uma junção deve deixar esta junção. Portanto ܫଵ ൌ ܫଶ ܫଷ. (b) O análogo mecânico da regra do nó: a quantidade de água fluindo para fora através dos ramos à direita deve ser igual a quantidade fluindo para dentroatravés do único ramo à esquerda. de resistores por uma resistência equivalente. As duas resistências ܴଵ e ܴଶ neste circuito parecem estar em paralelo, mas não estão. A diferença de potencial não é a mesma através de ambos os resistores devido a presença da fem ߝଶ em série com ܴଶ. Nem ܴଵ e ܴଶ estão em série , porque eles não transportam a mesma corrente. Duas regras, chamadas regras de Kirchoff, aplicam‐se a este e a qualquer outro circuito: 1. Quando qualquer circulação em circuito fechado é executada, a soma algébrica das variações no potencial deve ser igual a zero. 2. Em qualquer junção (nó) de um circuito onde a corrente pode ser dividida, a soma das correntes entrando na junção deve ser igual a soma das correntes saindo da junção. A primeira regra de Kirchoff, chamada de regra das malhas, segue diretamente da conservação da energia. Se tivermos uma carga ݍ em algum ponto onde o potencial é ܸ, a energia potencial da carga é ݍܸ. Quando a carga percorre uma malha em um circuito, ele perde ou ganha energia ao passar através de resistores, baterias, ou outros dispositivos, mas quando chega de volta ao ponto de onde partiu, sua energia deve ser novamente ݍܸ. Isto é, a variação total no potencial deve zero. A segunda regra de Kirchoff, chamada regra do nó, segue da conservação da carga. A Figura 7.9 (a) mostra a junção de três fios portando correntes ܫଵ, ܫଶ e ܫଷ. Como cargas não estão sendo criadas e, 125 Figura 7.10 Circuito contendo duas baterias e três resistores externos. Os sinais mais e menos sobre os resistores existem para nos ajudar a relembrar que lado de cada resistor está no potencial mais alto em relação a direção de corrente que nos convencionamos. Exemplo Resolvido tampouco, sendo acumuladas neste ponto, a conservação implica a regra da junção, que para este caso resulta em ܫଵ ൌ ܫଶ ܫଷ ሺ7.14ሻ Existem exemplos análogos em mecânica dos fluidos. Em uma tubulação, na ausência de fontes ou sumidouros, a quantidade de fluido incompressível entrando através dos ramos de um lado de um determinado ponto deve ser igual à quantidade de fluido saindo pelos ramos do outro deste ponto, conforme ilustra a Figura 7.9 (b). Como um exemplo do uso da regra da malha de Kirchoff, considere o circuito mostrado na Figura 7.10 contendo duas baterias com resistências internas ݎଵ e ݎଶ e três resistores externos. Desejamos determinar a corrente em função das forças eletromotrizes (fem’s). Solução Suponha que a circulação de corrente ܫ é no sentido horário, conforme indicado na Figura 7.10, e apliquemos a regra das malhas de Kirchoff quando percorremos o circuito na direção convencionada, partindo do ponto ܽ. O decréscimo e aumento do potencial são dados 126 Figura 7.11 Circuito dom duas malhas Exemplo Resolvido na figura. Observe que encontramos queda de potencial quando atravessamos a fonte de fem entre os pontos ܿ e ݀ e um aumento quando atravessamos a fonte de fem entre os pontos ݂ e ݃. Iniciando no ponto ܽ, obtemos da regra das malhas de Kirchoff que െܫܴଵ െ ܫܴଶ െ ߝଶ െ ܫݎଶ െ ܫܴଷ ߝଵ െ ܫݎଵ ൌ 0 ሺ7.15ሻ Resolvendo para a corrente ܫ, obtemos ܫ ൌ ߝଵ െ ߝଶ ܴଵ ܴଶ ܴଷ ݎଵ ݎଶ ሺ7.16ሻ Se ߝଶ é maior que ߝଵ, teremos um valor negativo para a corrente ܫ, indicando que convencionamos uma direção errada para ܫ. Para analisar circuitos contendo mais de uma malha, precisamos usar as duas regras de Kirchoff, com a regra dos nós (junção) aplicada a pontos onde corre divisão de corrente em duas ou mais partes. (a) Determine a corrente em cada parte do circuito mostrado na Figura 7.11 (b) Determine a energia dissipada no resistor de 4 Ω em 3 ݏ. Solução Como existem três correntes, ܫ, ܫଵ, e ܫଶ a serem determinadas, assim necessitamos de três condições. Uma condição pode ser obtida aplicando a regra do nó (junção) ao ponto ܾ. Podemos também aplicar a regra do nó ao aponto ݁, o único outro nó no circuito, mas fornece 127 exatamente a mesma informação. As outras duas condições são obtidas aplicando a regra da malha. Existem três malhas no circuito: as duas malhas interiores, ܾ݂ܽ݁ܽ e ܾܾܿ݀݁, e a malha externa ܾ݂ܽܿ݀݁ܽ. Podemos usar quaisquer duas destas malhas – a terceira dará informação redundante. A direção da corrente ܫଵ de ܾ para ݁ não é conhecida antes de o circuito ser analisado. Os sinais mais e menos sobre o resistor 4 Ω são para a direção convencionada de ܫଵ de ܾ para ݁. (a) Para determinar as correntes em cada malha seguiremos os passos abaixo. Aplicando a regra dos nós ao ponto ܾ: ܫ ൌ ܫଵ ܫଶ. ሺ7.17ሻ Aplicando a regra das malhas a malha mais externa, ܾ݂ܽܿ݀݁ܽ 12ܸ െ ሺ2 ߗሻܫଶ െ 5ܸ െ ሺ3 Ωሻሺܫଵ ܫଶሻ ൌ 0 ሺ7.18ሻ Dividindo a equação acima por 1 Ω, relembrando que ሺ1ܸሻ/ሺ1ߗሻ ൌ 1ܣ, então simplificando 7 ܣ െ 3ܫଵ െ 5ܫଶ ൌ 0 ሺ7.19ሻ Para obter a terceira condição, aplicamos a regra das malhas à malha da esquerda, ܾ݂ܽ݁ܽ, obtemos 12ܸ െ ሺ4Ωሻܫଵ െ ሺ3Ωሻሺܫଵ ܫଶሻ ൌ 0 ሺ7.20ሻ Ou após a simplificação ao dividir por 1ߗ ficamos com 12 ܣ െ 7ܫଵ െ 3ܫଶ ൌ 0 ሺ7.21ሻ Combinando as Equações (7.19) e (7.21) para resolver para ܫଵ e ܫଶ. Multiplicando (7.22) por 3 e (7.23) por 5 obtemos 21 ܣ െ 9ܫଵ െ 15ܫଶ ൌ 0 ሺ7.22ሻ 60 ܣ െ 35ܫଵ െ 15ܫଶ ൌ 0 ሺ7.23ሻ Subtraindo (7.22) de (7.23) ficamos então com 39 ܣ െ 26 ܫଵ ൌ 0 ֜ ܫଵ ൌ ሺ39/26ሻܣ ൌ 1,5 ܣ Substituindo o valor de ܫଵ na (7.15) obtemos ܫଶ ൌ 7 5 ܣ െ ൬ 3 5 ൰ ሺ1,5ܣሻ ൌ 0,5 ܣ 128 Figura 7.12 Exemplo resolvido Determinado ܫଵ e ܫଶ, usando a Equação (7.17) pode‐se calcular ܫ ܫ ൌ ܫଵ ܫଶ ൌ 1,5 ܣ 0,5 ܣ ൌ 2,0 ܣ (b) A potencia dissipada no resistor de 4Ω é ܲ ൌ ܫଵଶܴ ൌ ሺ1,5 ܣሻଶሺ4Ωሻ ൌ 9 W A energia total dissipada no intervalo de tempo ݐ é ܧ ൌ ܲݐ ൌ ሺ9 ܹሻሺ3 ݏሻ ൌ 27 ܬ Determine a corrente em cada parte do circuito mostrado na Figura 7.12. Desenhe o diagrama circuito com os módulos e direções corretas da corrente em cada parte. (b) Atribua ܸ ൌ 0 ao ponto ܿ e então determine o potencial nos outros pontos de a até ݂. Solução Primeiro, troque os resistores em paralelo por uma resistência equivalente. Seja ܫ a corrente que flui através da bateria de 18 ܸ, e ܫଵ a corrente de ܾ para ݁. As correntes podem então ser determinadas aplicando a regra dos nós aos pontos ܾ e ܿ e a regra das malhas a cada das malhas. Veja a Figura (7.13). Assim vamos seguir por etapas na solução deste problema. 129 Figura 7.13 o mesmo circuito que na Figura 7.12 indicando as correntes circulando que circulam em cada malha do circuito. Vamos inicialmente determinar a resistência equivalente para os resistores em paralelo de 3 Ω e 6 Ω mostrados na Figura 7.12 entre os pontos ݀ e ݁. Usando a Equação 7.13 obtemos que ܴ ൌ 2 Ω ሺ7.24ሻ Aplicando a regra dos nós nas junções ܾ e ݁ determinamos que existe uma corrente ܫଶ ൌ ܫ െ ܫଵ ሺ7.25ሻ fluindo do ponto ܾ ao ponto ܿ, passando através da fem de 21 ܸ até o ponto ݀ e depois ate o ponto ݁. Aplicando a regra de Kirchoff à malha ܾ݂ܽ݁ܽ, encontramosa relação 18 ܸ െ ሺ12 Ωሻܫ െ ሺ6 Ωሻܫଶ ൌ 0 ሺ7.26ሻ Usando a expressão para a corrente ܫଶ dada pela Equação (7.25) na expressão (7.26), após simplificações, obtemos 2ܫ ܫଵ ൌ 3ܣ ሺ7.27ሻ Aplicando a regra das malhas a malha ܾܾܿ݀݁, obteremos െሺ3 ߗሻܫଶ 21 ܸ െ ሺ2 ߗሻܫଶ 6ܫଵ ൌ 0 ሺ7.28ሻ que após aplicarmos o resultado (7.25) e fazer as simplificações devidas resulta em 5ܫ െ 11ܫଵ ൌ 21 ܣ ሺ7.29ሻ 130 Resolvendo as equações (7.27) e (7.29) para as correntes ܫ e ܫଵ obteremos que ܫ ൌ 2ܣ e ܫଵ ൌ െ1 ܣ. Assim da (7.25) tiramos que ܫଶ ൌ 3 ܣ. Observamos que o valor ܫଵ ൌ െ1 ܣ informa que o sentido da corrente ܫଵ na Figura 7.13 aponta em sentido contrario ao desenhado na mesma. Assim poderemos fazer um mapa do circuito indicando o valor do potencial em cada um dos pontos indicados no circuito da Figura 7.12, tomando o ponto ܿ como tendo potencial nulo. ௗܸ ൌ ܸ 21 ܸ ൌ 21 ܸ ܸ ൌ ௗܸ െ ሺ3ܣሻሺ2 ߗሻ ൌ 21 ܸ െ 6 ܸ ൌ 15 ܸ ܸ ൌ ܸ ൌ 15 ܸ ܸ ൌ ܸ 18 ܸ ൌ 15 ܸ 18 ܸ ൌ 33 ܸ ܸ ൌ ܸ െ ሺ12 ܣሻሺ12 ߗሻ ൌ 33 ܸ െ 24 ܸ ൌ 9 ܸ Agora o leitor pode fazer diversos testes. Por exemplo, entre os pontos ܾ e ܿ, circula a corrente ܫଶ ൌ 3 ܣ atraves do resistor de 3 ߗ. Assim a queda de potencial ou diferença de potencial Δܸ ൌ ܸ െ ܸ ൌ 9 ܸ. Portanto o potencial no ponto ܾ é de 9 ܸ. 7.6 Circuitos RC Um circuito contendo resistor e capacitor é chamado um circuito RC. A corrente em um circuito RC flui em uma unida direção, como em todos os circuitos de corrente contínua, mas o valor da corrente varia com o tempo. Um exemplo prático de um circuito RC é o circuito no flash acoplado a uma câmera. Antes que um flash fotográfico seja disparado, uma bateria acoplada ao flash carrega o capacitor através de um resistor. Quando o processo de carga está completo, o flash está pronto. Quando a imagem é capturada, o capacitor descarrega atravavés do filamento da lâmpada. O capacitor é então recarregado pela bateria, e num curto intervalo de tempo o flash está pronto para uma outra fotografia. Usando as regras de Kirchoff, podemos obter equações para 131 Figura 7.14 (a) Um capacitor em série com um resistor, chave e bateria. (b) Diagrama de circuito representando este sistema no instante ݐ ൏ 0, antes a chave seja fechada. (c) Diagrama de circuito num instante ݐ 0, após a chave ter sido fechada. carga ܳ e a corrente ܫ como funções do tempo para ambos os processos de carga e descarga do capacitor através do resistor. Suponha que o capacitor na Figura 7.14 esteja inicialmente descarregado. Não existirá corrente enquanto a chave ܵ estiver aberta (Figura 7.14 (b)). Se a chave é fechada no instante ݐ ൌ 0, contudo, a carga começa a fluir, estabelecendo uma corrente no circuito, e o capacitor começa a ser carregado. Observe que durante o processo de carregamento, as cargas não pulam de uma placa para outra no capacitor porque a lacuna entre as placas representa um circuito aberto. Em vez disso, carga é transferida entre as placas através dos fios conectores, devido a ação do campo eletrico criado nos fios pela bateria, até que o capacitor esteja totalmente carregado. Quando as placas tornam‐se carregadas, a diferença de potencial através do capacitor aumenta. O valor da carga máxima depende da voltagem da bateria. Uma vez que a carga máxima foi atingida, a corrente no circuito é nula porque a diferença de potencial através do capacitor iguala‐se aquela fornecida pela bateria. Para analisar o circuito quantitativamente, aplica‐se a regra das malhas de Kirchoff ao circuito após a chave ter sido fechada. Percorrendo a malha no sentido horário obtém‐se ߝ െ ݍ ܥ െ ܫܴ ൌ 0 ሺ7.30ሻ 132 onde ݍ/ܥ é a diferença de potencial através do capacitor e ܫܴ é a diferença de potencial através do resistor. Observe que ݍ e ܫ são valores instantâneos que dependem do tempo (contrario aos valores estacionários) enquanto o capacitor está sendo carregado. Da Equação (7.30) podemos determinar a corrente inicial no circuito e a carga máxima no capacitor. No instante em que a chave é fechada (ݐ ൌ 0), a carga no capacitor é zero, e portanto da (7.30) determinamos que a corrente inicial no circuito ܫ é máxima e igual a ܫ ൌ ߝ ܴ ሺ7.31ሻ Neste instante a diferença de potencial entre os terminais da bateria aparece inteiramente através do resistor. Mais tarde quando capacitor está carregado com seu valor máximo ܳ, a carga deixa de fluir, a corrente no circuito é zero, e a diferença de potencial entre os terminais da bateria aparece totalmente através do capacitor. Dessa forma ܫ ൌ 0 e carga no capacitor, usando a Equação (7.30) será ܳ ൌ ܥߝ ሺ7.32ሻ A expressão analítica da dependência temporal da carga ݍሺݐሻ e corrente ܫሺݐሻ é obtida fazendo a substituição ܫ ൌ ݀ݍ/݀ݐ na Equação (7.30), ficando com a equação para variável ݍ ݀ݍ ݀ݐ ൌ ߝ ܴ െ ݍ ܴܥ ൌ െ ݍ െ ܥߝ ܴܥ ሺ7.33ሻ Após a separação de variáveis a Equação (7.33) pode ser escrita como ݀ݍ ݍ െ ܥߝ ൌ െ 1 ܴܥ ݀ݐ ሺ7.34ሻ Integrando (7.34) e observando que ݍሺ0ሻ ൌ 0, obtemos න ݀ݍ ݍ െ ܥߝ ൌ െ 1 ܴܥ න ݀ݐ ௧ ou ainda, ln ൬ ݍ െ ܥߝ െܥߝ ൰ ൌ െ 1 RC Daí segue que 133 Figura 7.15 (a). Gráfico da carga do capacitor em função do tempo para o circuito exibido na Figura 7.14. A carga aproxima‐se do seu valor máximo ܥߝ quando t՜ ∞. Atinge o valor de 63,2 % da carga máxima quando ݐ ൌ ߬. (b) Gráfico da corrente em função do tempo para o circuito da Figura 7.14. A corrente é máxima em ݐ ൌ 0, ܫ ൌ ߝ/ܴ e decai para zero quando t՜ ∞. Atinge o valor 36,8 % do valor inicial quando ݐ ൌ ߬. Figura 7.16 Um capacitor carregado conectado a um resistor e uma chave, que está aberta em ݐ ൏ 0. (b) Após a chave ser fechada, uma corrente que decresce em modulo com o tempo é estabelecida na direção mostrada, e a carga no capacitor decresce exponencialmente com o tempo. ݍሺݐሻ ൌ ܥߝ൫1 െ ݁ି௧/ோ൯ ൌ ܳ൫1 െ ݁ି௧/ோ൯ ሺ7.35ሻ Usando a definição de corrente ܫ ൌ ݀ݍ/݀ݐ, determinamos que ܫሺݐሻ ൌ ߝ ܴ ݁ି ௧ ோ ሺ7.36ሻ Os gráficos da carga e da corrente no capacitor em função do tempo estão mostrados nas Figuras 7.15(a) e 7.15(b). Observe da Figura 7.15 (a) que a carga é zero no instante ݐ ൌ 0 e aproxima‐se do valor máximo ܥߝ quando ݐ ՜ ∞. A quantidade ܴܥ, que aparece nos expoentes das Equações (7.35) e (7.36), é chamada a constante do tempo de relaxação ߬ do circuito. Representa o tempo que a corrente leva para atingir o valor ܫ ൌ ܫ/݁ ൌ 0,368 ܫ. De forma semelhante ߬ representa o tempo para a carga passar do valor zero em ݐ ൌ 0 para o valor ܥߝሺ1 െ 1/݁ሻ ൌ 0,632ܥߝ. Agora vamos analisar o que acontece quando o capacitor está carregado, com carga máxima, e fechamos a chave de forma que passa a circular, inicialmente, uma corrente máxima. Aos poucos está corrente vai diminuindo devido a dissipação no resistor. O capacitor e resistor 134 Figura 7.17 Exemplo resolvido pertencem ao circuito mostrado na Figura 7.16, que consistetambém de uma chave. A carga inicial é ܳ e a diferença de potencial através do capacitor é igual a ܳ/ܥ e zero através do resistor uma vez que ܫ ൌ 0. Quando a chave é fechada em ݐ ൌ 0, o capacitor começa a descarregar através do resistor. Em algum instante ݐ durante a descarga, a corrente no circuito é ܫ e carga no capacitor é ݍ. A aplicação das regras de Kirchoff ao circuito da Figura 7.16, após fechar a chave, fornece a seguinte relação െ ݍ ܥ െ ܫܴ ൌ 0 ሺ7.37ሻ Substituindo a expressão de definição de corrente ܫ ൌ ݀ݍ/݀ݐ na expressão (7.37), separando variáveis, considerando ݍ ൌ ܳ em ݐ ൌ 0 e integrando de ݐ’ ൌ 0 até ݐ’ ൌ ݐ, obtém‐se a expressão para a carga no capacitor em função do tempo ݍሺݐሻ ൌ ܳ݁௧/ோ ሺ7.38ሻ Diferenciando a expressão (7.38) com respeito ao tempo obtemos a corrente instantânea como função do tempo ܫሺݐሻ ൌ ݀ݍ ݀ݐ ൌ െ ܳ ܴܥ ݁௧/ோ ሺ7.39ሻ ܳ/ܴܥ ൌ ܫ é a corrente inicial. O sinal negativo indica que a direção da corrente agora que o capacitor está descarregando é oposta a direção de quando o capacitor está sendo carregado. Tanto a carga no capacitor quanto a corrente no circuito decai exponencialmente a uma taxa caracterizada pela constante de tempo ߬ ൌ ܴܥ. Um capacitor descarregado e um resistor estão conectados em série a uma bateria, como mostrado na Figura 7.17. Se ߝ ൌ 12,0 ܸ, ܥ ൌ 5,00 ߤܨ, e ܴ ൌ 8,00 ൈ 10ହ Ω, determine a constante de tempo do circuito, a carga máxima no capacitor, a corrente máxima no circuito, e a carga e 135 Figura 7.18 Exemplo resolvido corrente como função do tempo. Solução A constante de tempo do circuito é ߬ ൌ ܴܥ ൌ ሺ8,00 ൈ 10ହ Ωሻሺ5,00 ൈ 10ିܨሻ ൌ 4,00 ݏ. A carga máxima no capacitor é ܳ ൌ ܥߝ ൌ ሺ5,00ߤܨሻሺ12,0 ܸሻ ൌ 60,0ߤܥ. A corrente máxima no circuito é ܫ ൌ ߝ/ܴ ൌ ሺ12,0Vሻ/ሺ8,00 ൈ 10ହ Ωሻ ൌ 15,0 µA. Usando estes valores nas Equações (7.35) 3 (7.36), determinamos que ݍሺݐሻ ൌ ሺ60,0ߤܥሻሺ1 െ ݁ି௧/ସ, ௦ሻ ܫሺݐሻ ൌ ሺ15,0 ߤܣሻ݁ି௧/ସ, ௦ሻ Graficos destas funções são mostrados nas Figuras 7.18 Exercício Calcule a carga no capacitor e a corrente no circuito após ter decorrido um tempo superior a constante de tempo Resposta: 37,9 ߤܥ e 5,52ߤܣ Considere o capacitor de capacitância C que está sendo descarregado através de um resistor de resistência R, como mostrado na Figura 7.19(a) (a) Após quantas constantes de tempo ߬ a carga no capacitor estará reduzida a 1/4 do seu valor inicial? 136 Figura 7.19 (b) A energia armazenada no capacitor decresce com o tempo quando o capacitor descarrega. Após quantas constantes de tempo ߬ esta energia armazenada será um quarto do seu valor inicial? Solução (a) A carga sobre o capacitor varia com o tempo de acordo com a Equação (7.38). Para determinar o tempo que ela toma para ser reduzida a um quarto do seu valor inicial, isto é, ݍሺݐሻ ൌ ܳ/4 pode ser obtido resolvendo (7.38) para ݐ: ܳ 4 ൌ ܳ݁ି௧/ோ O que resulta, após simplificações em 1 4 ൌ ݁ି௧/ோ ฺ െ lnሺ4ሻ ൌ െ ݐ ܴܥ ฺ ݐ ൌ ܴܥ݈݊ሺ4ሻ ൌ 1,39 ߬ (b) Usando a expressão que fornece a energia armazenada em um capacitor cuja carga é ܳ, ܷ ൌ ܳଶ/2ܥ e a Equação (7.38) obtemos a expressão da energia armazenada no capacitor para qualquer tempo ݐ: ܷ ൌ ݍଶ 2ܥ ൌ ൫ܳ݁௧/ோ൯ଶ 2ܥ ൌ ܳଶ 2ܥ ݁ିଶ௧/ோ ൌ ܷ݁ିଶ௧/ோ Onde ܷ ൌ ܳଶ/2ܥ é a energia inicial armazenada no capacitor. Queremos saber quanto tempo decorre até que a energia armazenada no capacitor seja reduzida a um quarto do seu valor inicial: బ ସ ൌ ܷ݁ିଶ௧/ோ ฺ ଵ ସ ൌ ݁ିଶ௧/ோ ฺ ݐ ൌ ଵ ଶ ܴܥ lnሺ4ሻ ൌ 0,693߬ 137 Exercício Após quantas constangte de tempo ߬ a corrente no circuito estará reduzida a metade do seu valor inicial Resposta:0,693 ܴܥ ൌ 0,693߬ QUESTÕES Q1 Explique a diferença entre carga resistiva em um circuito e resistência interna em uma bateria. Q2 Sob que condições a diferença de potencial através dos terminais de uma bateria é igual a sua fem? Pode a voltagem entre os terminais exceder a fem? Explique. Q3 A direção da corrente através dos terminais de uma bateria é sempre do terminal negativo para o terminal positivo? Explique. Q4 Como você conectaria resistores de modo que a resistência equivalente seja maior que a maior das resistências individuais? Dê um exemplo envolvendo três resistores. Q5 Como você conectaria resistores de modo que a resistência equivalente seja menor que a menor das resistências individuais? Dê um exemplo envolvendo três resistores. Q6 Dadas três lâmpadas incandescentes e uma bateria. Esquematize quantos circuitos elétricos diferentes você pode montar. Q7 Qual a vantagem que pode existir em usar dois resistores idênticos em paralelo conectados em série com outro par idêntico em paralelo, em vez de usar exatamente um único resistor? Q8 Uma lâmpada incandescente conectada a uma fonte de 120 V com um fio de extensão curto fornece mais iluminação que a mesma lâmpada conectada a mesma fonte com um fio de extensão mais longo. Explique por que. Q9 Quando a diferença de potencial através de um resistor pode ser positiva? Q10 Qual a vantagem que a operação em 120 ܸ oferece em relação a 240 ܸ? 138 Figura 7.20 Figura 7.21 Q11 Quando eletricistas trabalham com fios que estão energizados (fio fase), freqüentemente eles usam as costas das suas mãos ou dedos para mover os fios. Por que será que eles empregam esta técnica? Q12 Que procedimento você usaria para tentar salvar uma pessoa que está “grudado” a um fio energizado de alta voltagem sem colocar em risco sua própria vida? PROBLEMAS P1 (a) Qual é a corrente em um resistor de 5,60 Ω conectado a uma bateria que possui uma resistência interna de 0,200 Ω se a voltag em entre os terminais da bateria é 10,0 ܸ? (b) Qual é a fem da bateria? P2 Duas baterias de 1,50 ܸ – com seus terminais positivos na mesma direção – estão inseridas em série no tambor de uma luz de flash. Uma bateria tem resistência interna de 0,255 Ω, a outra uma resistência interna de 0,153 Ω. Quando a chave é fechada, uma corrente de 600 mA aparece na lâmpada. (a) Qual é a resistência da lâmpada? (b) Qual é a porcentagem da potencia das baterias que é consumida nas próprias baterias, quando observamos um aumento de temperatura? P3 A corrente em um circuito fechado que possui uma resistência ܴଵ é 2,00 ܣ. A corrente é reduzida para 1,60 ܣ quando um resistor adicional ܴଶ ൌ 3,00 Ω é adicionado em série com ܴଵ. Qual é o valor de ܴଵ? P4 (a) Determine a resistência equivalente entre os pontos ܽ e ܾ na Figura 7.20. (b) Calcule a corrente em cada resistor se uma diferença de potencial de 34,0 ܸ é aplicada entre os pontos ܽ e ܾ? P5 Considere o circuito mostrado na Figura 7.21. Determine (a) a corrente no resistor de 20,0 Ω e (b) a diferença de potencial entre os pontos ܽ e ܾ. 139 Figura 7.22 Figura 7.23 P6 Usando as regras de Kirchhoff determine a corrente em cada resistor mostrado na Figura 7.22 e (b) determine a diferença de potencial entre os pontos ܿ e ݂. Que ponto está no potencial mais alto? P7 Um capacitor de 2,00 ݊ܨ com uma carga inicial de 5,10 ߤܥ é descarregado através de um resistor de 1,30 ݇Ω. (a) Calcule a corrente através do resistor 9,00 ߤݏ após o resistorser conectado através dos terminais do capacitor,. (b) Que carga permanece no capacitor após 8,00 ߤݏ? (c) Qual é a corrente máxima no resistor? P8 Um capacitor completamente carregado armazena energia ܷ. Quanta energia permanece quando sua carga decresce para metade do seu valor original? P9 No circuito da Figura 7.23 , a chave S foi aberta por um longo tempo. Ela é então subitamente fechada. Determine a constante de tempo (a) antes da chave ser fechada e (b) após a chave ser fechada. (c) Se a chave é fechada em ݐ ൌ 0, determine a corrente através dele como função do tempo. 140 BIBLIOGRAFIA TIPLER P. A., MOSCA G. Physics for scientists and Engineers, sixth edition, Freeman, New York, 2008. HALLIDAY D., Resnick R., Walker J., Física Fundamental, vol 3, Livros Técnicos Científicos S. A., Rio de Janeiro, 2004 HALLIDAY D., RESNICK R., KRANE S., Física vol. 3, LTC, Rio de Janeiro, 2000 HEWITT P, Física Conceitual, Longman, 9ª edição, Rio Grande do Sul, 200x NUSSENZVEIG, H. M., Física Básica vol. 3, Edgard Blucher, x Ed., Rio de Janeiro, 200X CUMMINGS K., LAWS P., REDISH E., COONEY P., Understanding Physics, John Wiley, New York, 2004. YOUNG H. D., FREEDMAN, R. A. Física 3: Eletromagnetismo, Pearson, São Paulo, 2008. 141 CAPÍTULO 8: O CAMPO MAGNÉTICO RESUMO Neste capítulo apresentaremos os conceitos de campo magnético e sua detecção. Para entender a dinâmica de cargas e correntes colocados na presença de campo magnético discutiremos conceitos como o de torque, energia potencial magnética e de momento magnético. O conceito de momento magnético tem um papel especial dada sua relação com o conceito de spin em mecânica quântica. 142 8 O CAMPO MAGNÉTICO 8.1 Magnetismo 142 8.2 O campo magnético e suas fontes 145 8.3 Movimento de uma partícula carregada em um campo magnético 148 8.4 Aplicações envolvendo movimento de partículas carregadas na presença de campo magnético 150 8.5 A força magnética agindo sobre um condutor portando corrente elétrica 152 8.6 Torque 157 Questões 161 Problemas 163 Bibliografia 165 143 Fenômenos magnéticos já eram conhecidos, segundo historiadores da ciência, desde o século 13 antes de Cristo para a confecção de agulhas de bussolas usadas na navegação. Os gregos já estavam familiarizados antes de 800 antes de Cristo, quando descobriram que a rocha magnetita (ܨ݁ଷ ସܱ) atraia pedaços de ferro. A lenda atribui o nome magnetita ao pastor de ovelhas Magnes, que teve os pregos do seu calçado atraído pela rocha enquanto pastoreava seu rebanho. Hoje o magnetismo está presente na confecção de diversos dispositivos elétricos, desde o computador com seu disco rígido (HD), passando pelos motores elétricos, fornos de microondas, aparelhos de TV, a alto‐falantes presentes em muitos dos aparelhos de vídeo e som das nossas residências. Este capítulo tem como objetivos levar o estudante a (a) reconhecer os fenômenos magnéticos; (b) adquirir habilidades em calcular o campo magnético produzido por partículas carregadas e correntes; (c) saber relacionar carga, força magnética e campo magnético e (d) saber calcular forças e torques sobre correntes. 8.1 Magnetismo Relataremos alguns pontos interessantes relativos a evolução da compreensão do magnetismo. O Frances Pierre de Maricourt observou que as direções que uma agulha colocada em vários pontos sobre a superfície de uma esfera feita de material magnético formava linhas que se iniciavam em um ponto e finalizavam em outro ponto diametralmente oposto ao primeiro. A estes pontos ele chamou de pólos do magneto. Estudos posteriores mostraram que qualquer material magnético independente da forma possui estes dois pólos, que exercem forças sobre outros pólos magnéticos, de forma análoga as cargas elétricas que exercem forças umas sobre as outras. 144 Figura 8.1 Linhas do campo magnético da Terra desenhadas por limalha de ferro em torno de uma esfera uniformemente magnetizada. As linhas de campo saem do pólo magnético norte, que está próximo ao pólo sul geográfico, e entram no pólo sul magnético, que está próximo ao pólo norte geográfico. Os nomes dados aos pólos, pólo sul e pólo norte, receberam estes nomes devido ao modo como se comportam na presença do campo magnético terrestre. Se uma barra magnética é suspensa pelo seu ponto médio e pode oscilar livremente em um plano horizontal, ele sofrerá uma rotação até que seu pólo norte aponte para o Pólo Norte geográfico da Terra e o seu pólo sul aponte para o Pólo sul da Terra. Esta é a idéia básica usada na construção das bússolas. Em 1600 William Gilbert (1540 – 1603) estendeu os experimentos de Maricourt a uma variedade de materiais. Usando o fato que a agulha da bussola orienta‐se em direções privilegiadas, ele sugeriu que a Terra em si é uma grande magneto permanente. Em 1750 experiencias usando uma balança de torção mostraram que os polos magneticos exercem forças, atrativas ou repulsivas, uns sobre os outros e que estas forças variam com o inverso do quadrado da distância. A Figura 8.2 ilustra estes resultados. 145 Figura 8.2 Dois pólos iguais se repelem, mas dois pólos diferentes são atraídos. Embora a força entre dois polos magneticos tenha caráter similar a força entre cargas elétricas, existe uma diferença importante. Cargas elétricas podem ser isoladas (exemplo do elétron e proton), enquanto um único polo magnetico isolado nunca foi observado. Isto é, polos magnéticos são sempre encontrado em pares. A relação entre magnetismo e eletricidade foi descoberta em 1819 pelo cientista Hans Christian Oersted, que durante uma demonstração para seus alunos observou que a passagem de corrente através de um fio era capaz de desviar a agulha de uma bussola que estava proxima ao fio. Em pouco tempo André Ampère (1755 ‐1836) formulou leis quantitativas que permitiam o calculo da força magnética exercida por um condutor portando corrente eletrica sobre um outro condutor no qual flui uma corrente. No final dos anos 1820 outras conexões entre eletricidade e magnetismo foram demonstradas independentemente por Faraday (1791 – 1867) e Joseph Henry (1797 – 1878). Eles mostraram que uma corrente pode ser produzida em circuito ou movendo um magneto proximo a um circuito ou variando a corrente em um circuito proximo. Estas observações demonstravam que um campo magnetico variavel cria um campo eletrico. Anos mais tarde Maxwell (1831 – 1879) em um trabalho puramente teorico, mostrou que o inverso também era verdadeiro: um campo elétrico variável dava origem ao aparecimento de um campo magnético. Esta descoberta reuniu os fenomenos 146 Figura 8.3 A regra da mão direita para determinar a direção de uma força exercida sobre uma carga movendo‐se em um campo magnético (a) A força é perpendicular a ambas ݒԦ e ܤሬԦ e na direção de avanço da rosca do parafuso se girado na mesma direção que giramos ݒԦ para ܤሬԦ. (b) Se os dedos da mão direita estão na direção de ݒԦ tal que eles podem entrar em ܤሬԦ então o dedão aponta na direção da força eletromagnéticos e a óticasob um mesmo corpo teórico. Luz e fenômenos eletromagnético são aspectos diferentes de um mesmo fenomeno. A Luz é uma onda eletromagnética. 8.2 O Campo magnético A existência de um campo magnético ܤሬԦ em algum ponto do espaço pode ser demonstrada com a agulha de uma bussola. Se existe um campo magnético, a agulha ficará alinhada na direção do campo. Experimentalmente é observado que, quando uma carga ݍ possuindo velocidade ݒԦ penetra numa região onde existe um campo magnético ܤሬԦ, existirá uma força ܨԦ sobre a mesma que é proporcional a ݍ e a ݒ e ao seno do ângulo entre ݒԦ e ܤሬԦ. Observa experimentalmente que esta força é perpendicular ao campo e a velocidade. Estes resultados experimentais são resumidos na expressão ܨԦ ൌ ݍݒԦ ൈ ܤሬԦ ሺ8.1ሻ A Figura 8.3 ilustra estas determinações. A expressão escalar da Equação 8.1 é ܨ ൌ ݍݒܤ sen ߠ ሺ8.2ሻ Onde ܨ é o modulo da força ܨԦ, ݒ é o modulo da velocidade ݒԦ e ܤ é o modulo do campo magnético ܤሬԦ. 147 EXERCÍCIO RESOLVIDO A Equação (8.1) define o campo magnético ܤሬԦ em termos da força exercida sobre a carga em movimento. A unidade SI de campo magnético é o tesla (T). Uma carga de um coulomb movendo‐se com uma velocidade de um metro por segundo perpendicular a um campo magnetico de um tesla experimenta uma força de um mewton: 1ܶ ൌ 1 ܰ/ܥ ݉/ݏ ൌ 1ܰ/ܣ · ݉ ሺ8.3ሻ Esta unidade é grande. O campo magnético terrestre possui um modulo de 10ିସܶ. Campos normalmente trabalhados em laboratorio variam netre 0,1 e 0,5 ܶ. Assim é comum usar uma outra unidade, derivada do sistema cgs, que é o gauss (G), e está relacionada ao tesla como segue: 1 ܩ ൌ 10ିସ ܶ ሺ8.4ሻ Como os campos costumam ser dados em gauss, que não é uma unidade SI, devemos lembrar para converter de gauss para teslas quando fazemos os calculos. Um elétron em tubo de imagem de televisão move‐se para frente do tubo com velocidade de 8,0 ൈ 10 ݉/ݏ ao longo do eixo ݔ. Rodeando o pescoço do tubo estão fios enrolados como espiras que criam um campo magnético de modulo 0,025 ܶ, dirigido fazendo um ângulo de 60 com o eixo ݔ, estando no plano ݔݕ. Calcule a força magnética sobre o elétron e calcule a sua aceleração decorrente da ação desta força. SOLUÇÃO Usando a Equação (8.2), podemos determinar o modulo da força magnética sobre o elétron: ܨ ൌ |ݍ|ݒܤ sen ߠ Substituindo valores numéricos para as quantidades à direita teremos ܨ ൌ ሺ1,6 ൈ 10ିଵଽܥሻሺ8,0 ൈ 10 ݉/ݏሻሺ0,025 ܶሻሺsen 60ሻ ൌ 2,8 ൈ 10ିଵସܰ 148 Figura 8.4 Linhas de campo magnético de uma barra imantada, uma forma de dipolo magnético, como revelado pelo alinhamento dos pequenos pedaços de ferro Como ݒԦ ൈ ܤሬԦ é a direção de ݖ positivo (seguindo a regra da mão direita) e a carga é negativa, ܨԦ aponta na direção de ݖ negativo. A massa do elétron é 9,11 ൈ 10ିଷଵ݇݃, e assim sua aceleração é ܽ ൌ ܨ ݉ ൌ 2,8 ൈ 10ିଵସ ܰ 9,11 ൈ 10ିଷଵ ݇݃ ൌ 3,1 ൈ 10ଵ ݉/ݏଶ na direção de ݖ negativo Linhas do campo magnético As linhas de campo enétrico dão uma descrição visual de um campo elétrico. Os padroões formados em torno de uma barra imantada, como mostra a Figura sugerem que a ideia de linhas de campo pode ser estendida para o magnetismo. A direção de uma linha de campo magnético em qualquer ponto é a direção de ܤሬԦ naquele ponto. O espaçamento das linhas de campo inidica o módulo de ܤሬԦ – isto é, quanto mais unidas estão as linhas, mais forte é o campo magnético naquela região. A Figura 8.4 mostra as linhas de campo magnetico desenhadas usando limalhas de ferro, colocadas próximas a uma barra imantada. Diferente das linhas de campo elétrico que iniciam em cargas positivas e terminam em cargas negativas, as linhas de campo magnético formam caminhos fechados. 149 Fluxo Magnético O fato das linhas de campo magnetico se iniciarem ou sairem do polo norte e entrarem no polo sul do magneto, e dentro do magneto, seguirem do polo sul para o polo norte, formando um caminho fechado, resultará em fluxo de campo magnético nulo através de uma superfície fechada que envolva o magneto. Formalmente podemos anunciar este resultado como ߶,௧௧ ൌ ܤሬԦ · ݀ Ԧܵ ൌ 0 ሺ8.5ሻ Esta é a lei de Gauss para o magnetismo. É o enunciado matemático que não existem pontos no espaço dos quais linhas de campo magnético divergem ou saem, ou para os quais convergem ou entram. Isto é, não existem polos magnéticos isolados. A unidade fundamental do magnetismo é o dipolo magnético. 8.3 Movimento de uma partícula carregada em um campo magnético uniforme A força magnética sobre uma partícula carregada movendo através de um campo magnético é sempre perpendicular à velocidade da partícula. A força magnética dessa forma muda a direção da velocidade, mas não seu módulo. Portanto, campos magnéticos não realizam trabalho sobre as partículas e não alteram suas energias cinéticas. No caso especial onde a velocidade da partícula é perpendicular a um campo uniforme, como mostra a Figura 8.5, a partícula move‐se em uma orbita circular. A força magnética fornece a força centripeta necessária para a aceleração centripeta ݒଶ/ݎ no movimento circular. Podemos usar a segunda lei de Newton para relacionar o raio do circulo ao campo magnético e o módulo da velocidade da partícula. Se a velocidade é ݒԦ, o modulo da força resultante é ݍݒܤ, uva vez que ݒԦ e ܤሬԦ são perpendiculares. Da segunda lei de Newton segue que 150 Figura 8.5 Quando a velocidade de uma partícula carregada é perpendicular a um campo magnético uniforme, a partícula move‐se em um caminho circular em um plano perpendicular a ܤሬԦ. A força magnética ܨԦ agindo sobre a carga é sempre dirigida para o centro do circulo. Exemplo resolvido ܨ ൌ ݉ܽ ൌ ݉ ௩ మ ሺ8.6ሻ ݍݒܾ ൌ ݉ݒଶ ݎ ሺ8.7ሻ ou ݎ ൌ ݉ݒ ݍܤ ሺ8.8ሻ O período do movimento circular é o tempo que a partícula toma percorrer uma única vez a trajetoria circular. O período está relacionado à velocidade pela expressão ܶ ൌ 2ߨݎ ݒ ሺ8.9ሻ Um proton de massa ݉ ൌ 1,67 ൈ 10ିଶ ݇݃ e carga ݍ ൌ ݁ ൌ 1,6 ൈ 10ିଵଽ ܥ move‐se em um circulo de raio de 21 cm peprendicular a um campo magnético ܤ ൌ 4000 ܩ. Determine (a) o período do movimento e (b) a velocidade do proton. 151 Solução (a) Das Equações (8.8) e (8.9) segue que o período do movimento é dado por ܶ ൌ 2ߨ݉ ݍܤ Com ܤ ൌ 0,4 ܶ obtem‐se o valor numerico ܶ ൌ 2ߨሺ1,67 ൈ 10ିଶ ݇݃ሻ ሺ1,6 ൈ 10ିଵଽ ܥሻሺ0,4 ܶሻ ൌ 1,64 ൈ 10ିݏ (b) Calculamos a velocidade da Equação (8.8) ݒ ൌ ݎݍܤ ݉ ൌ ሺ0,21 ݉ሻሺ1,6 ൈ 10ିଵଽ ܥሻሺ0,4 ܶሻ 1,67 ൈ 10ିଶ ݇݃ ൌ 8,05 ൈ 10 ݉/ݏ O raio do movimento circular é proporcional ao modulo da velcidade, mas o período é independente de ambos a velocidade e raio. 8.4 Aplicações envolvendo movimento de particulas carregadas na presença de campo magnético. Uma carga movendo‐se com uma velocidade ݒԦ na presença de ambos, o campo elétrico ܧሬԦ e o campomagnetico ܤሬԦ, experimenta tanto a força elétrica ݍܧሬԦ quanto a força magnetica ݍݒԦ ൈ ܤሬԦ. A força total (chamada força de Lorentz) agindo sobre a carga é ܨԦ ൌ ݍܧሬԦ ݍݒԦ ൈ ܤሬԦ ሺ8.10ሻ Em muitos experimentos envolvendo o movimento de particulas carregadas, é importante que as particulas se movam com a mesma velocidade. Isto pode ser obtido aplicando uma comibinação de um campo elétrico e um campo magnético como mostrado na Figura 8.6. Um acmpo elétrico uniforme dirigido verticalmente para baixo (no plano da página), e um campo magético uniforme é aplicado na direção perpendicular ao campo elétrico (entrando na pagina da Figura 8.6). Para uma carga ݍ positiva, a força magnética ݍݒԦ ൈ ܤሬԦ apontando para 152 Figura 8.6 (a) Um seletor de velocidades. Quando uma partícula carregada positivamente está presença de um campo magnético dirigido para dentro da página e um campo elétrico dirigido para baixo, ela experimenta uma força elétrica para baixo ݍܧሬԦ e uma força magnética para cima ݍݒԦ ൈ ܤሬԦ. (b) Quando estas forças se igualam, a partícula move‐se em uma linha reta horizontal através dos campos. cima e a força elétrica ݍܧሬԦ está apontando para baixo. Quando os modulos dos dois campos são escolhidos de modo que ݍܧ ൌ ݍݒܤ, a partícula move‐se em linha reta horizontal através das região dos campos. Da expressão ݍܧ ൌ ݍݒܤ segue que ݒ ൌ ா ሺ8.11ሻ Apenas aquelas partículas tendo velocidade ݒ passam sem sofrer deflexão através dos campos elétrico e magnético. A força magnética exercida sobre as partículas movendo com velocidades maiores que esta é maior que a força elétrica, e as partículas são defletidas para cima. Aquelas movendo‐se com velocidades menores serão defletidas para baixo. Um espectrometro de massa separa os íons de acordo com as suas razões massa‐carga. A partícula entra numa região onde ocorre a seleção da velocidade da partícula, onde se move em linha reta. Em seguida, passando através de uma fenda escavada num anteparo, penetra numa região com a presença apenas de um campo magnético ܤሬԦ, passando a descrever uma orbita circular. Da Equação (8.8) tiramos que ݉ ݍ ൌ ݎܤ ݒ ሺ8.12ሻ Usando (8.11) tiramos que 153 Figura 8.7 Um segmento de fio portando corrente está localizado em um campo magnético ܤሬԦ. A força magnética exercida sobre cada carga formando a corrente é ݍݒԦௗ ൈ ܤሬԦ, e a força total sobre o segmento de comprimento ܮ será ܫܮሬԦ ൈ ܤሬԦ. ݉ ݍ ൌ ݎܤܤ ܧ ሺ8.13ሻ Portanto podemos medir a razão ݉/ݍ medindo o raio da curvatura da trajetoria da partícula e conhecendo os módulos dos campos ܤ, ܤ e ܧ. 8.5 A Força magnética agindo sobre um condutor portando corrente elétrica Quando um fio porta uma corrente ܫ na presença de um campo magnético, existe uma força sobre o fio que é igual à soma das forças magnéticas sobre as partículas carregadas cujo movimento produz a corrente. A Figura 8.7 mostra um curto segmento do fio de secção reta ܣ e comprimento ܮ portando uma corrente ܫ. Se o fio está em um campo magnético ܤሬԦ, a força magnética sobre cada carga é ݍݒԦௗ ൈ ܤሬԦ, onde ݒԦௗ é a velocidade de arraste dos portadores de carga, que é o mesmo que suas velocidades médias. O número de cargas no segmento de fio é o número ݊ por unidade de volume vezes o volume ܣܮ. Assim, a força total sobre o segmento de fio de comprimento ܮ é ܨԦ ൌ ൫ݍݒԦௗ ൈ ܤሬԦ൯݊ܣܮ ሺ8.14ሻ Podemos escrever a Equação (8.14) em uma forma mais conveniente observando que, ܫ ൌ ݊ݍݒௗܣ (veja Equação 6.6). Portanto ܨ ൌ ܫܮሬԦ ൈ ܤሬԦ ሺ8.15ሻ 154 Figura 8.8 Um segmento de fio de forma arbitraria portando uma corrente I em um campo magnético ܤሬԦ experimenta uma força magnética. A força sobre qualquer segmento ݀ݏԦ é ܫ݀ݏԦ ൈ ܤሬԦ e está direcionado para fora da página. Use a regra da mão direita para confirmar esta direção de força. onde ܮሬԦ é um vetor que aponta na direção da corrente ܫ e possui módulo igual ao comprimento ܮ do segmento. Observe que esta expressão aplica‐se apenas a um segmento reto de fio em um campo magnético uniforme. Agora considere um segmento de fio de forma arbitrária e seção reta uniforme estando na presença de um campo magnético, como mostrado na Figura 8.8. Segue da Equação (8.15) que a força magnética exercida sobre um pequeno segmento de fio ݀ݏԦ na presença do campo ܤሬԦ é ݀ܨԦ ൌ ܫ݀ݏԦ ൈ ܤሬԦ ሺ8.16ሻ onde ݀ܨԦ está dirigida para fora da página considerando as direções assumidas na Figura 8.8. Podemos considerar a Equação (8.16) como uma equação alternativa para definir ܤሬԦ. Para calcular a força total ܨԦ agindo sobre o fio mostrado na Figura 8.8, integramos a Equação (8.16) sobre o comprimento do fio: ܨԦ ൌ ܫ න ݀ݏԦ ൈ ܤሬԦ ሺ8.17ሻ onde a e b representam os pontos extremos do fio.Quando esta integração é executada o modulo do campo magnético e a direção que o campo faz com o vetor ݀ݏԦ (em outras palavras, com a orientação do elemento de fio) pode diferir em pontos diferentes. 155 Figura 8.9 (a) Um fio curvo portando corrente ܫ em campo magnético uniforme. A força magnética total sobre o fio é equivalente à força sobre um fio reto de comprimento ܮԢ ligando as extremidades do fio. (b) Uma espira de corrente de forma arbitrária em um campo magnético uniforme. A força magnética total sobre a espira é zero. Agora considere dois casos importantes em que o campo magnético ܤሬԦ na Equação (8.17) é constante. No primeiro caso temos um fio curvo portando uma corrente ܫ e localizado em um campo ܤሬԦ, como mostrado na Figura 8.9 (a). Neste caso a Equação (8.17) pode ser escrita como ܨԦ ൌ ܫ ቆන ݀ݏԦ ቇ ൈ ܤሬԦ ሺ8.18ሻ uma vez que o campo ܤሬԦ é constante. A quantidade ݀ݏԦ representa a soma vetorial de todos os segmentos ݀ݏԦ entre o extremo ܽ até o extremo ܾ, equivalendo ao vetor ܮሬԦԢ. Portanto a Equação (8.18) reduz‐se a ܨԦ ൌ ܫܮሬԦԢ ൈ ܤሬԦ ሺ8.19ሻ No segundo caso temos uma espira fechada, de forma arbitrária, portando uma corrente ܫ, colocada em um campo magnético ܤሬԦ, como mostrado na Figura 8.9 (b). Novamente podemos proceder como no primeiro caso, reescrevendo a Equação (8.17) como ܨԦ ൌ ܫ ൬ර݀ݏԦ൰ ൈ ܤሬԦ ሺ8.20ሻ Como os elementos de comprimento que compõem a espira formam um polígono fechado a soma vetorial destes na Equação (8.20) é nula. Assim 156 EXEMPLO RESOLVIDO Figura 8.10 A força total agindo sobre uma espira de corrente fechada em um campo magnético uniforme é zero. Na montagem mostrada acima, a força sobre a porção reta da espira é 2ܫܴܤ e dirigida para fora da página, e a força sobre a porção curva é 2ܫܴܤ dirigida para dentro da página ܨԦ ൌ 0. A força magnética total agindo sobre qualquer espira de corrente fechada em um campo uniforme é zero. Um fio curvado como um semicírculo de raio ܴ forma um circuito fechado e porta uma corrente ܫ. O fio está no plano ݔݕ, e um campo magnético está dirigido ao longo do eixo positivo ݔ, como mostra a Figura8.10. Determine o modulo e direção da força magnética agindo sobre uma porção reta do fio e sobre a porção curva. SOLUÇÃO A força ܨԦଵ agindo sobre a porção reta tem uma magnitude ܨଵ ൌ ܫܮܤ ൌ 2ܫܴܤ porque ܮ ൌ 2ܴ e o fio está orientado perpendicular a ܤሬԦ. A direção de ܨԦଵ é para fora da página porque ܮሬԦ ൈ ܤሬԦ está ao longo do eixo ݖ positivo. (Isto é, ܮሬԦ está apontando para a direita, na direção da corrente; assim, de acordo com a regra do produto vetorial, ܮሬԦ ൈ ܤሬԦ aponta para fora da pagina na Figura 8.10). Para determinar a força ܨԦଶ agindo sobre a parte curva, primeiro escrevemos uma expressão para a força ݀ܨԦଶ sobre o elemento de 157 Figura 8.11 Qual dos fios experimenta a maior força magnética? comprimento ݀ݏԦ mostrado na Figura 8.10. Se ߠ é o ângulo entre ܤሬԦ e ݀ݏԦ, então o módulo de ݀ܨԦଶ é ห݀ܨԦଶห ൌ ܫห݀ݏԦ ൈ ܤሬԦห ൌ ܫܤ sen ߠ ݀ݏ Para integrar esta expressão, devemos expressar ݀ݏ em termos de ߠ. Porque ݏ ൌ ܴߠ, temos ݀ݏ ൌ ܴ݀ߠ, e podemos fazer esta substituição para ݀ܨԦଶ: ห݀ܨԦଶห ൌ ܫܴܤ sen ߠ ݀ߠ Para obter a força total ܨԦଶ agindo sobre a porção curva, podemos integrar esta expressão para levar em consideração as contribuições de todos os elementos ݀ݏԦ. A direção da força sobre qualquer elemento é a mesma: entrando na página. Portanto, a força resultante ܨԦଶ sobre a porção curva do fio deve também estar entrando na pagina. Integrando nossa expressão para ݀ܨԦଶ sobre os limites ߠ ൌ 0 a ߠ ൌ ߨ (isto é, semicírculo inteiro) fornece ܨଶ ൌ ܫܴܤන sen ߠ ݀ߠ గ ൌ ܫܴܤ ሺ– cos ߠሻగ ൌ െܫܴܤሺcos ߨ െ cos 0ሻ ൌ 2ܫܴܤ Porque ܨԦଶ, com o módulo de 2ܫܴܤ, está dirigido para dentro da pagina e porque ܨԦଵ, com modulo de 2IRB, está dirigido para fora da pagina, a força resultante sobre a espira fechada é zero. Este resultado está consistente com o caso discutido anteriormente. Exercício Os quatro fios mostrados na Figura 8.11 todos portam a mesma corrente do ponto ܣ ao ponto ܤ através do mesmo campo magnético. Ordene os fios de acordo com o modulo da força magnética exercida sobre eles, do maior para o menor. 158 Figura 8.12 (a) A orientação de uma espira é descrita pelo vetor unitário ො݊ perpendicular ao plano da espira (b) A regra da mão direita para determinar o sentido de ො݊. Quando os dedos da mão direita são encurvados em torno da espira na direção da corrente, o polegar aponta na direção de ො݊. (c) Espira de corrente retangular cujo vetor unitário normal ො݊ faz um ângulo ߠ com um campo magnético uniforme ܤሬԦ. O torque sobre a espira tem módulo ܫܣܤ sen ߠ e está na direção tal que ො݊ tende a rotacionar em direção a ܤሬԦ. 8.5 Torque sobre uma espira de corrente em um campo magnético uniforme Uma espira fechada portando corrente está sujeita a uma força resultante nula quando na presença de um campo uniforme, mas está sujeita a um torque que tende a oscilar em torno de um eixo. A orientação da espira pode ser descrita convenientemente por um vetor unitário ො݊ que é perpendicular ao plano da espira, como mostrado na Figura 8.12. A Figura 12(c) mostra as forças exercidas por um campo magnético uniforme sobre uma espira retangular cujo vetor unitário normal ො݊ faz um ângulo ߠ com o campo magnético ܤሬԦ. A força total sobre a espira é nula. As forças ܨԦଵ e ܨԦଶ têm modulo ܨଵ ൌ ܨଶ ൌ ܫܽܤ ሺ8.21ሻ Estas forças formam um binário de modo que o torque é o mesmo em torno de qualquer ponto. O ponto P na Figura 12 (c) é um ponto conveniente em torno do qual calcular o torque. O modulo do torque é ߬ ൌ ܨଶܾ sen ߠ ൌ ܫܽܤܾ sen ߠ ൌ ܫܣܤ sen ߠ ሺ8.22ሻ 159 Exemplo resolvido onde ܣ ൌ ܾܽ é a área da espira. Para uma espira com ܰ voltas o torque tem modulo igual a ߬ ൌ ܰܫܣܤ sen ߠ ሺ8.23ሻ Este torque tende a girar a espira desde que seu plano esteja perpendicular a ܤሬԦ Definindo ߤԦ ൌ ܰܫܣ ො݊ ሺ8.24ሻ como o momento de dipolo magnético (também referido simplesmente como momento magnético)o torque pode ser escrito como Ԧ߬ ൌ ߤԦ ൈ ܤሬԦ ሺ8.25ሻ A unidade SI de momento magnético é o ܽ݉݁ݎ݁ െ ݉݁ݐݎଶ (ܣ݉ଶ). A Equação (8.25), deduzida para uma espira fechada retangular, vale em geral para uma espira plana de forma qualquer. O torque sobre qualquer espira é o produto vetorial do momento magnético ߤԦ da espira e o campo magnético ܤሬԦ, onde o momento magnético é definido para ser um vetor que é perpendicular à área da espira e tem modulo igual a ܰܫܣ. Um bobina circular com raio de 2 ܿ݉ possui 10 ݒ݈ݐܽݏ de fio e porta um corrente de 3 ܣ; O eixo da bobina faz um ângulo de 30 com um campo magnético de 8000 ܩ. Determine o modulo do torque sobre a bobina. Solução O modulo do torque é dado pela Equação (8.25) ߬ ൌ หߤԦ ൈ ܤሬԦห ൌ ߤܤ sen ߠ ൌ ߤܤ sen 30 Agora o módulo do momento magnético da bobina é ߤ ൌ ܰܫܣ ൌ ሺ10ሻሺ3 ܣሻߨሺ0,02 ݉ሻଶ ൌ 3,77 ൈ 10ିଶ ܣ ݉ଶ Assim o modulo do torque é ߬ ൌ ߤܤ sen ߠ ൌ ሺ3,77 ൈ 10ିଶ ܣ · ݉ଶሻሺ0,8 ܶሻሺsin 30ሻ 160 Figura 8.13 Exemplo resolvido ൌ 1,51 ൈ 10ିଶ ܰ · ݉ Uma espira circular de raio ܴ, massa ݉ e corrente ܫ está sobre uma superfície rugosa. Veja a Figura 8.13 (a). Existe um campo magnético horizontal ܤሬԦ. Quão grande pode ser a corrente ܫ antes que uma borda da espira levante da superfície? Solução A espira começa a levantar quando o torque magnético iguala‐se ao torque gravitacional (Figura 8.13 (b). O torque magnético agindo sobre a espira: ߬ ൌ ߤܤ ൌ ܫߨܴଶܤ O torque gravitacional exercido sobre a espira é ߬ ൌ ܴ݉݃ Igualando os torques e resolvendo para ܫ, a corrente, obtemos ܫ ൌ ݉݃ ߨܴܤ Quando um torque é exercido através de um ângulo, trabalho é realizado. Quando um dipolo é girado através de um ângulo ݀ߠ, o trabalho realizado é ܹ݀ ൌ െ߬݀ߠ ൌ െߤܤ sen ߠ ݀ߠ ሺ8.26ሻ 161 Figura 8.14 Exemplo Resolvido O sinal menos aparece porque o torque tende a diminuir ߠ. Igualando este trabalho ao decrescimo da energia potencial, teremos ܷ݀ ൌ െܹ݀ ൌ ߤܤ sen ߠ ݀ߠ ሺ8.27ሻ Integrando, obtemos ܷ ൌ െߤܤ cos ߠ ൌ െߤԦ · ܤሬԦ ሺ8.28ሻ Esta é a expressão da energia potencial de um dipolo magnético fazendo um ângulo ߠ com um campo magnético ܤሬԦ. Um espira quadrada com 12 ݒ݈ݐܽݏ com lados de 40 ܿ݉ porta uma corrente de 3 ܣ. Ela está no plano ݔݕ, como mostrado na Figura 8.14, imerso em um campo uniforme ܤሬԦ ൌ 0,3 ܶ ଓ̂ 0,4 ܶ ݇ . Determine (a) O momento magnético das espira e (b) o torque exercido sobre a espira. (c) Determine a energia potencial da espira. Solução Da Figura 8.14 vemos que o momento magnetico da espira está apontando na direção de ݖ positivo. (a) O cálculo do momento magnéticoda espira, usando a Equação (8.24), fornece ߤԦ ൌ ܰܫܣ ሬ݇Ԧ ൌ ሺ12ሻሺ3ܣሻሺ0,40 ݉ሻଶ ሬ݇Ԧ ൌ 5,76 ܣ · ݉ଶ ሬ݇Ԧ 162 (b) O calculo do torque sobre a espira de corrente, usando a Equação (8.25) fornece Ԧ߬ ൌ ߤԦ ൈ ܤሬԦ ൌ ൫5,76 ܣ · ݉ଶ ሬ݇Ԧ൯ · ൫0,3 ܶ ଓԦ 0,4 ܶ ሬ݇Ԧ൯ ൌ 1.73 ܰ · ݉ ଔԦ (c) A energia potencial, de acordo com a Equação (8.28) é o negativo do produto interno de ߤԦ e ܤሬԦ: ܷ ൌ െߤԦ · ܤሬԦ ൌ ൫5,76 ܣ · ݉ଶ ݇൯ · ൫0,3 ܶ ଓ̂ 0,4 ܶ ݇൯ ൌ െ2,30 ଔ̂ Nos cálculos acimausamos que ݇ ൈ ݇ ൌ 0 e ݇ ൈ ଓ̂ ൌ ଔ,̂ ݇ · ଓ̂ ൌ 0 e ݇ · ݇ ൌ 1 Exercício Calcule ܷ se a espira gira de modo que ߤԦ esteja alinhado com ܤሬԦ. Quando um pequeno magneto permanente tal como a agulha de uma bussola é colocado em um campo magnético ܤሬԦ, o campo exerce um torque sobre o magneto que tende a girar o magneto de modo que alinhe com o campo. Este efeito também ocorre com limalhas de ferro não magnetizadas previamente, que torna‐se magnetizada na presença de um campo ܤሬԦ. A barra do magneto é caracterizada por um momento magnético ߤԦ que aponta do polo sul para o polo norte. Uma barra magnetica pequena assim comporta‐se como uma espira de corrente. A origem do momento magnético de uma barra magnética é, de fato, espiras microscópicas de correntes que resultam do movimento de elétrons nos átomos do magneto. QUESTÕES Q1 Em um dado instante, um próton move‐se na direção ݔ positiva em uma região onde um campo magnético está dirigido na direção de ݖ negativo. Qual é a direção da força magnética? O próton continua a se mover na direção de ݔ positivo? Explique. Q2 Duas partículas carregadas são projetadas em uma região onde um campo magnético é dirigido perpendicular às suas velocidades. Se as 163 cargas são defletidas em direções opostas, o que pode ser dito sobre elas? Q3 Se uma partícula carregada move‐se em linha reta através de alguma região do espaço, podemos dizer que o campo magnético naquela região é zero? Q4 Suponha que um elétron está perseguindo um próton acima da pagina quando subitamente um campo magnético perpendicular entrando na pagina é ligado. O que acontece às partículas? Q5 Como pode o movimento de uma partícula carregada em movimento ser usado para distinguir entre um campo magnético e um campo elétrico? Dê um exemplo específico para justificar seu argumento. Q6 Liste várias similaridades e diferenças entre forças magnéticas e elétricas. Q7 Justifique a seguinte declaração: ”É impossível para um campo magnético constante (em outras palavras, independente do tempo) alterar a velocidade de uma partícula carregada”. Q8 Em vista da afirmativa anterior (Q7), qual é o papel de um campo magnético em um cíclotron? Q9 Um condutor portando corrente experimenta nenhuma força magnética quando colocado de certa maneira em um campo magnético uniforme. Explique. Q10 É possível orientar uma espira de corrente em um campo magnético uniforme tal que a espira não tenha a tendencia de girar? Explique. Q11 Como pode uma espira de corrente ser usada para determinar a presença de um campo magnético em uma dada região do espaço? Q12 Qual é a força resultante agindo sobre a agulha de uma bussola em um campo magnetico uniforme? Q13 Que tipo de campo magnético é exigido para exercer uma força resultante sobre um dipolo magnético? Qual é a direção da força resultante? 164 Figura 8.15 Figura 8.16 Q14 Um proton movendo‐se horizontalmente entra em uma região onde um campo magnético uniforme está dirigido perpendicularmente à velocidade do proton, como mostrado na Figura 8.15. Descreva o movimento subsequente do proton. Como um elétron se comportaria sob as mesmas circunstancias? Q15 Em uma garrafa magnética, o que leva a direção da velocidade das partículas confinadas a inverterem‐se (Sugestão: Determine a direção da força magnética agindo sobre as partículas em uma região onde as linhas de campo convergem.) PROBLEMAS P1 Compare as direções do campo elétrico e forças magnéticas entre duas cargas positivas, que se movem ao longo de caminhos paralelos (a) na mesma direção, e (b) em direções opostas. P2 Determine a direção inicial da deflexão de partículas carregadas quando elas entram em campos magnéticos, como mostrado na Figura 8.16 P3 Considere um elétron próximo a superfície do equador Terrestre. Em que direção ele tende a ser defletido se sua velocidade está dirigida (a) para baixo, (b) para o norte, (c) para o oeste, ou (d) para o sudeste? P4 Um elétron movendo‐se ao longo do eixo ݔ positivo perpendicular a um campo magnético experimenta uma deflexão magnética na direção de ݕ negativo. Qual é a direção do campo magnético? P5 Um próton desloca‐se com uma velocidade de 3,00 ൈ 10 ݉/ݏ fazendo um ângulo de 37,0 com a direção de um campo magnético de 165 0,300 ܶ na direção ݕ. Quais são (a) o modulo da força magnética sobre o próton e (b) sua aceleração? P6 Um próton move‐se em uma direção perpendicular a um campo magnético uniforme ܤሬԦ a 1,00 ൈ 10 ݉/ݏ e experimenta uma aceleração de 2,00 ൈ 10ଵଷ݉/ݏଶ na direção ݔ. Determine o modulo e direção do campo. P7 Um próton move‐se com uma velocidade ݒԦ ൌ ൫2ଓ̂ െ 4ଔ̂ ݇൯݉/ݏ em uma região em que o campo magnético é ܤሬԦ ൌ ൫ଓ̂ 2ଔ̂ െ 3݇൯ ܶ. Qual é o modulo da força magnética que esta carga experimenta? P8 Um elétron é projetado em um campo magnético uniforme ܤሬԦ ൌ ሺ1,40ଓ̂ 2,10ଔ̂ሻܶ. Determine a expressão vetorial para aforça sobre o elétron quando sua velocidade é ݒԦ ൌ 3,70 ൈ 10ହଔ̂ ݉/ݏ. P9 Um fio tendo uma massa por unidade de comprimento de 0,500 ݃/ ܿ݉ porta uma corrente de 2,00 ܣ horizontalmente para o sul. Quais são a direção e módulo do campo magnético minimo necessario para levantar este fio verticalmente para cima? P10 Um fio porta uma corrente estacionária de 2,40 ܣ. Uma porção reta do fio tem comprimento de 0,750 ݉ e está ao longo do eixo ݔ dentro de um campo magnetico uniforme ܤ ൌ 1,60 ܶ na direção ݖ positiva. Se a corrente está na direção ݔ, qual é a força magnética sobre esta porção do fio? P11 Um fio de 2,80 ݉ de comprimento porta uma corrente de 5,00 ܣ em uma região onde um campo magnético uniforme possui módulo de 0,390 ܶ. Calcule o modulo da força magnética sobre o fio se o ângulo entre o campo magnético e a corrente é (a) é 60,0, (b) 90,0, (c) 120. P12 Uma pequena barra magnética está suspensa em um campo magnético uniforme de 0,250 ܶ. O torque máximo experimentado pela barra magnética é 4,60 ൈ 10ିଷ ܰ · ݉. Calcule o momento magnético da barra. 166 Figura 8.17 P13 Uma espira retangular consiste de ܰ ൌ 100 voltas densamente empacotadas com dimensões ܽ ൌ 0,400 ݉ e ܾ ൌ 0,300 ݉. A espira está alinhada ao longo do eixo ݕ, e seu plano faz um ângulo ߠ ൌ 30 com o eixo ݔ, como mostrado na Figura 8.17. Qual é o modulo do torque exercido sobre a espira por um campo magnético uniforme ܤ ൌ 0,800 ܶ dirigido ao longo do eixo ݔ quando a corrente é ܫ ൌ 1,20 ܣ na direção mostrada? Qual é a direção esperada de rotação da espira? P14 Um elétron colide elasticamente com um segundo elétron inicialmente em repouso. Após a colisão, o raio de suas trajetórias são 1,00 ܿ݉ e 2,40 ܿ݉. As trajetórias são perpendiculares a um campo magnético uniforme de modulo 0,044 ܶ. Determine a energia (em ܸ݇݁) do elétron incidente. P15 Um próton movendo‐se em um caminho circular perpendicular a um campo magnético toma 1,00 ߤݏ para completar uma revolução. Determine o modulo do campo magnético. BIBLIOGRAFIA TIPLER P. A., MOSCA G. Physics for scientists and Engineers, sixth edition, Freeman, New York, 2008. HALLIDAY D., Resnick R., Walker J., Física Fundamental, vol 3, Livros Técnicos Científicos S. A., Rio de Janeiro,2004 HALLIDAY D., RESNICK R., KRANE S., Física vol. 3, LTC, Rio de Janeiro, 2000 HEWITT P, Física Conceitual, Longman, 9ª edição, Rio Grande do Sul, 200x NUSSENZVEIG, H. M., Física Básica vol. 3, Edgard Blucher, x Ed., Rio de Janeiro, 200X CUMMINGS K., LAWS P., REDISH E., COONEY P., Understanding Physics, John Wiley, New York, 2004. YOUNG H. D., FREEDMAN, R. A. Física 3: Eletromagnetismo, Pearson, São Paulo, 2008. 167 CAPÍTULO 9 A LEI DE AMPÈRE RESUMO Nesta unidade apresentaremos o análogo do lei de Coulomb e da lei de Gauss para o magnetismo que são as leis de Biot – Savart e Leis de Ampère, enfatizando as dificuldades e facilidades de cálculo do campo magnético quando o sistema apresenta um maior ou menor simetria na sua geometria. 168 9 A LEI DE AMPÈRE 9.1 Lei de Biot – Savart 168 9.2 Lei de Ampère 173 9.3 A lei de Ampère e os solenóides 176 Questões 178 Problemas 179 Bibliografia 181 169 Em situações em que as distribuições de carga são altamente simétricas, o calculo do campo elétrico torna‐se muito mais facil usando a lei de Gauss do que a lei de Coulomb. Uma situação similar existe em magnetismo. Vamos calcular o campo magnetico ܤሬԦ gerado na vizinhança de um fio condutor longo e reto portando uma corrente ܫ, através de integração direta (lei de Biot – Savart) e explorando a simetria da distribuição de corrente (lei de Ampère) 9.1 Lei de Biot – Savart Quando uma carga puntual ݍ move‐se com velocidade ݒԦ, ela produz um campo magnético ܤሬԦ no espaço dado por ܤ ൌ ߤ 4ߨ ݍݒԦ ൈ ̂ݎ ݎଶ ሺ9.1ሻ ̂ݎ é um vetor unitário que aponta da carga ݍ para o ponto P onde estamos medindo o campo e ߤ é uma constante de poporcionalidade chamada a permeabilidade do espaço livre2, que tem o valor ߤ ൌ 4ߨ ൈ 10ିܶ݉/ܣ ൌ 4ߨ ൈ 10ିܰ/ܣଶ ሺ9.2ሻ As unidades de ߤ são tais que ܤሬԦ está em Tesla quando ݍ está em Coulombs, ݒ em metros por segundo, e ݎ está em metros. A unidade ܰ/ܣଶ vem do fato que 1ܶ ൌ 1 ܰ/ܣ · ݉. A constante 1/4ߨ é arbitrariamente incluida na Equação (9.2) de modo que o fator 4ߨ não aparecerá na lei de Ampère, a ser discutida na próxima seção. Na Equação (9.1) trocando ݍݒԦ por ܫ݀Ԧ݈, obtemos o campo magnético ݀ܤሬԦ gerado pelo elemento de corrente no ponto ݎԦ é dado pela expressão ݀ܤሬԦ ൌ ߤ 4ߨ ܫ݀Ԧ݈ൈ ̂ݎ ݎଶ ሺ9.3ሻ 2 Devemos tomar cuidado para não confundir a constante ߤ com o momento magnético ߤ. 170 Figura 9.1 (a) O campo magnético ݀ܤሬԦ no ponto ܲ devido a corrente ܫ fluindo através do elemento de comprimento ݀ݏԦ é dado pela lei de Biot – Savart. A direção do campo está saindo da página em ܲ e entrando na página em ܲ’. (b) O produto vetorial ݀ݏԦ ൈ ̂ݎ aponta para fora da página quando ̂ݎ aponta em direção a ܲ. (c) O produto vetorial ݀ݏԦ ൈ ̂ݎ aponta para dentro da página quando ̂ݎ aponta em direção ܲԢ. Exemplo resolvido Veja Figura 9.1 para detalhes sobre a geometria do problema. A Equação (9.3) é conhecida como a lei de Biot – Savart que é para o magnetismo, o mesmo que a lei de Coulomb é para a eletrostática. O campo magnético total ܤሬԦ, criada em algum ponto por uma corrente de tamanho finito, é determinado somando as constribuições de todos os elementos de corrente ܫ݀ݏԦ que formam a corrente. Integrando a Equação (9.3) obtemos ܤሬԦ ൌ ߤܫ 4ߨ න ݀Ԧ݈ൈ ̂ݎ ݎଶ ሺ9.4ሻ com a integração sendo realizada sobre toda a distribuição de corrente. Para ilustrar os cuidados no manuseio da integral na Equação (9.4), uma vez que o seu integrando envolve um produto vetorial, vamos apresentar o Exemplo resolvido abaixo. Considere um fio fino, reto portando uma corrente constante ܫ e colocado ao longo do eixo ݔ como mostrado na Figura 9.2. Determine o módulo e direção do campo magnético no ponto ܲ devido a esta corrente. 171 Figura 9.2 (a) Fio fino, reto, transportando uma corrente ܫ. O campo magnético no ponto ܲ devido à corrente em cada elemento ݀Ԧ݈ do fio aponta para fora da pagina, de modo que o campo total no ponto ܲ está também apontando para fora da pagina. (b) Os angulos ߠଵ e ߠଶ, são usados para determinar o campo total. Quando o fio é infinitamente longo, ߠଵ ൌ 0 e ߠଶ ൌ 180. Solução A direção do campo magnético no ponto P devido a corrente no elemento de comprimento ݀Ԧ݈ está apontando para fora da página porque ݀Ԧ݈ൈ ̂ݎ aponta para fora da página. De fato, uma vez que todos os elementos de corrente ܫ݀Ԧ݈ estão no plano da página, eles todos produzem um campo magnético dirigido para fora da pagina no ponto P. Assim, temos a direção do campo magnético no ponto ܲ, precisamos agora apenas determinar o módulo do campo. Tomando a origem em ܱ e fazendo o ponto P está ao longo do eixo ݕ positivo, com ݇ sendo o vetor unitario apontando para fora da pagina, vemos que ݀Ԧ݈ൈ ̂ݎ ൌ ݇ห݀Ԧ݈ൈ ̂ݎห ൌ ݇ሺ݀ݔ sen ߠሻ onde ห݀Ԧ݈ൈ ̂ݎห representa o módulo de ݀Ԧ݈ൈ ̂ݎ. Como ̂ݎ é um vetor unitario, a unidade do produto vetorial é simplesmente a unidade de ݀Ԧ݈, que é o comprimento. A substituição da expressão acima na Equação (9.4) resulta em ܤሬԦ ൌ ߤܫ 4ߨ න ݀ݔ sen ߠ ݎଶ ݇ ሺ9.5ሻ Para resolver esta integral devemos relacionar as variáveis ߠ, ݔ e ݎ. Da geometria do problema tiramos que 172 Figura 9.3 O campo magnético em ܱ devido a corrente no segmento curvo ܣܥ está entrando na pagina. A contribuição para o campo em ܱ devido à corrente nos dois segmentos retos é zero. ݎ ൌ ܽ sen ߠ ൌ ܽ csc ߠ ሺ9.6ሻ Porque tan ߠ ൌ ܽ/ሺെݔሻ para o triangulo da direita na Figura 9.2 (a) (o sinal neativo é necessário porque ݀Ԧ݈ está localizada em um valor negativo de ݔ), temos ݔ ൌ െܽ cot ߠ ሺ9.7ሻ Tomando a derivada desta expressão obtemos ݀ݔ ൌ െܽ cscଶ ߠ ݀ߠ ሺ9.8ሻ Substituindo os resultados (9.6) e (9.8) na Equação (9.5) ficamos com ܤ ൌ ߤܫ 4ߨ න ܽ cscଶ ߠ sin ߠ ݀ߠ ܽଶ cscଶ ߠ ൌ ߤܫ 4ߨܽ න sin ߠ ݀ߠ ఏమ ఏభ ൌ ߤܫ 4ߨܽ ሺcos ߠଵ െ cos ߠଶሻ ሺ9.9ሻ Para o caso especial em que tomamos um fio infinitamente longo (veja a Figura 9.2 (b) para um melhor entendimento), temos que ߠଵ ൌ 0 e ߠଶ ൌ ߨ para a soma de elementos de comprimento entre as posições ݔ ൌ െ∞ e ݔ ൌ ∞. Como ሺcos ߠଵ െ cos ߠଶሻ ൌ ሺcos 0 െ cos ߨሻ ൌ 2, a Equação (9.9) torna‐se ܤ ൌ ߤܫ 2ߨܽ ሺ9.10ሻ Vemos deste resultado que o módulo de ܤ é proporcional ao módulo da corrente e decresce com o aumento da distância ao fio Exercício Calcule o módulo do campo magnético a 4,0 ܿ݉ de um fio infinitamente longo, reto e portando uma corrente de 4,0 ܣ. Resposta 2,5 ൈ 10ିହ ܶ Exercício Calcule o campo magnético no ponto ܱ para o segmento de fio portando 173 Figura 9.4 Geometria para calcular o campo magnético em ܲ estando sobre o eixo de uma espira de corrente. Por simetria, o campo total ܤሬԦ está ao longodo eixo. corrente mostrado na Figura 9.3. O fio coniste de duas porções retas e um arco circular de raio ܴ, que subtende um ângulo ߠ. As setas sobre o fio indicam a direção da corrente Resposta ܤ ൌ ሺߤܫߠሻ/ሺ4ߨܴሻ ܤ é entra na página Exercício Uma espira circular de raio formada por um fio porta uma corrente ܫ. Qual é o módulo do campo magnético no seu centro? Resposta ߤܫ/2ܴ Exercício Considere um espira circular de raio ܴ formada por um fio, localizada no plano ݕݖ e portando uma corrente estacionária ܫ, como mostrado na Figura 9.4. Calcule o campo magnético em um ponto axial P a uma distância x do centro da espira Resposta ܤ ൌ ఓబூ ଶோ ሺem ݔ ൌ 0ሻ Do Exemplo resolvido vemos que o campo magnético, na vizinhança de um fio infinitamente longo e portando uma corrente ܫ, possui o mesmo valor para pontos equidistantes do fio e com a direção sempre tagente ao circulo que envolve o fio, como mostra a Figura 9.5. O sentido do campo em torno do fio é indicado pela direção da ponta dos dedos da mão direita envolvendo o fio, com o polegar 174 Figura 9.5 A regra da mão direita para determinar a direção do campo magnético em torno de um fio longo, reto e portando uma corrente ܫ. As linhas do campo magnético formam círculos em torno do fio. apontado no sentido da corrente. Vamos agora apresentar um método que explora a simetria apresentada na Figura 9.5. 9.2 Lei de Ampère A lei de Ampère, que relaciona a componente tangencial de ܤሬԦ somada em torno de uma curva fechada ܥ, à corrente ܫ que passa através da curva, pode ser usada para obter uma expressão para o campo magnético em situações que tenha um alto grau de simetria. Na forma matemática, o enunciado da lei de Ampère é ර ܤሬԦ · ݀Ԧ݈ ൌ ߤܫ, ܥ é ݍݑ݈ܽݍݑ݁ݎ ܿݑݎݒܽ ݂݄݁ܿܽ݀ܽ ሺ9.11ሻ onde ܫ é a corrente total que atravessa a área limitada pela curva ܥ. A lei de Ampère vale para qualquer curva fechada ܥ desde que as correntes sejam continuas, isto é, elas não iniciem ou finalizem em algum ponto finito. A lei de Gauss e a lei de Ampère são ambas de considerável importancia teorica, e ambas valem se existe ou não simetria, mas se não existe simetria, nem é util para calcular o campo elétrico ou o campo magnetico. A aplicação mais simples da lei de Ampère é para determinar o campo magnético produzido por um fio infinitamente longo, reto, portando uma corrente, como mostrado na Figura 9.5. Na Figura 9.5 observamos uma curva circular em torno de um ponto sobre um fio 175 Figura 9.6 Um fio longo de raio ܴ portando uma corrente estacionária ܫ distribuída uniformemente através da seção reta do fio. O campo magnético em qualquer ponto pode ser calculado usando a lei de Ampère traçando um caminho circular de raio ݎ, concêntrico com o fio. Exemplo Resolvido longo com seu centro no fio. Considerando que estamos longe das extremidades do fio, podemos usar a simetria para rejeitar a possibilidade de qualquer componente de ܤሬԦ paralela ao fio. Podemos então supor que o campo magnético é tangente a este circulo e possui o mesmo modulo ܤ em qualquer ponto sobre o circulo. A lei de Ampère então dá ර ܤሬԦ · ݀Ԧ݈ ൌ ܤර ݈݀ ൌ ߤܫ Colocamos ܤ fora da integral porque ele possui o mesmo valor em qualquer ponto sobre o circulo. A integral de ݈݀ em torno do circulo iguala a 2ߨݎ, a circunferencia do circulo. A corrente ܫ é a corrente ܫ no fio. Assim obtem‐se, fazendo ݎ ൌ ܽ, ܤሺ2ߨݎሻ ൌ ߤܫ Ou seja, resolvendo para ܤ ܤ ൌ ߤܫ 2ߨܽ ൌ ߤ 4ߨ 2ܫ ܽ ሺ9.12ሻ Este é o mesmo resultado da Equação (9.10), obtido através da integração direta da lei de Biot – Savart, sem recorrer as propriedades de simetria do problema. Um fio longo, reto de raio ܴ portando uma corrente ܫ que está uniformemente distribuída sobre a área seccional reta do fio. Determine o campo tanto fora (ݎ ܴ) quanto dentro (ݎ ൏ ܴ) do fio. 176 Solução Podemos usar a lei de Ampère para calcular ܤሬԦ devido o alto grau de simetria. A uma distância ݎ, veja Figura 9.6, sabemos que ܤሬԦ é tangente ao circulo de raio ݎ em torno do fio e constante em modulo em toda parte a mesma distância em torno do circulo. A corrente através de ܥ depende se ݎ é menor que ou maior que o raio do fio ܴ. Aplicando a lei de Ampère a um circulo de raio ݎ obtemos ර ܤሬԦ · ݀Ԧ݈ ൌ ܤර ݈݀ ൌ ܤሺ2ߨݎሻ ൌ ߤܫ Resolvendo para ܤ obtemos ܤ ൌ ߤ 2ߨ ܫ ݎ ሺ9.13ሻ Fora do fio, ݎ ܴ, a corrente que flui através da área seccional do circulo ܥ é a corrente total, isto é, ܫ ൌ ܫ . Assim o valor do campo é ܤ ൌ ߤ 2ߨ ܫ ݎ ሺ9.14ሻ Dentro do fio, ݎ ൏ ܴ, a corrente fluindo através de ܥ é (ߨݎଶ/ߨܴଶ) vezes a corrente total ܫ, isto é, ܫ ൌ ߨݎଶ ߨܴଶ ܫ ൌ ݎଶ ܴଶ ܫ ሺ9.15ሻ Assim o campo magnético de (9.15) e (.13) possui módulo igual a ܤ ൌ ߤ 2ߨ ܫ ݎ ൌ ߤ 2ߨ 1 ݎ ݎଶ ܴଶ ܫ ൌ ߤܫ 2ߨܴଶ ݎ ሺ9.16ሻ Vemos deste Exemplo resolvido que o campo magnético devido a uma corrente uniformemente distribuída sobre um fio de raio ܴ é dado por ܤ ൌ ە ۖ ۔ ۖ ۓ ߤ 2ߨܴଶ ܫݎ, ݎ ܴ ߤ 2ߨ ܫ ݎ , ݎ ܴ ሺ9.17ሻ Observamos da Equação (9.17) que dentro do fio o campo aumenta com a distância ao centro do fio e que fora do mesmo, como já observado 177 Figura 9.7. Módulo do Campo magnético em função do raio ݎ para o fio mostrado na Figura 9.6. O campo é proporcional a ݎ dentro do fio e varia como 1/ݎ fora do fio. Figura 9.8 Desenho esquemático de um solenóide formado por espira densamente empacotadas em torno de um núcleo, mostrando as linhas de campo magnético anteriormente, decresce com a distância ao centro do fio. Estas conclusões estão ilustradas graficamente na Figura 9.7. 9.3 A lei de Ampère e os solenóides Vamos aplicar a lei de Ampère para calcular o campo magnético em um solenóide. Um solenóide consiste de espiras de fios enroladas muito próximo uma das outras em torno de um núcleo como mostrado na Figura 9.8. Vamos supor que existam ܰ voltas de fio, cada portando uma corrente ܫ. Queremos determinar o módulo do campo ܤሬԦ gerado por esta distribuição de corrente. Para calcular o campo ܤ, calculamos a integral de linha ׯܤሬԦ · ݀Ԧ݈ em torno de um caminho circular de raio ݎ centrado na metade do 178 Figura 9.9 Visão da seção reta de um solenóide ideal, onde o campo magnético no seu interior é uniforme e o campo magnético externo é nulo. A lei de Ampère aplicada ao caminho tracejado 1234 pode ser usada para calcular o módulo do campo no interior. toróide. Por simetria, ܤሬԦ é tangente a este circulo e constante em módulo em qualquer ponto sobre o circulo. Observamos da Figura 9.8 que o campo, devido a cada volta, é reforçado no interior do solenóide à medida que aumenta o número de espiras e estas vão se tornando cada vez mais unidas. Os campos apontam cada vez mais na mesma direção. No exterior acontece o inverso, o campo vai enfraquecendo à medida que aumenta o número de voltas e as espiras vãose adensando. O campo devido a uma espira aponta em sentido contrário ao campo produzido pela espira vizinha. No solenóide ideal, cuja porção é mostrada na Figura 9.9, o campo no interior do solenóide, para pontos longe das extremidades do mesmo, é uniforme e paralelo ao eixo do solenóide e é zero para pontos fora do solenóide. Vamos então aplicar a lei de Ampère ao caminho tracejado 1234 mostrado na Figura 9.9. ර ܤሬԦ · ݀Ԧ݈ ൌ න ܤሬԦ · ݀Ԧ݈ ଵ න ܤሬԦ · ݀Ԧ݈ ଶ න ܤሬԦ · ݀Ԧ݈ ଷ න ܤሬԦ · ݀Ԧ݈ ସ ൌ ܤ݈ 0 0 · ݈ 0 ൌ ܤ݈ ൌ ߤܫ ሺ9.18ሻ onde ܫ é a corrente atravessando a seção reta de área ݓ݈, percorrendo as ܰ voltas do fio portando a corrente ܫ. A corrente total atravessando esta seção reta é portanto ܫ ൌ ܰܫ ሺ9.19ሻ 179 Figura 9.10 A lei de Ampère vale para a curva fechada ܥ englobando a corrente na espira circular, mas não é útil para determinar ܤሬԦ, uma vez que ܤሬԦ não é constante ao longo da curva e também não é tangente. Assim de (9.18) e (9.19) segue que o campo produzido pelo solenóide é nulo para pontos fora do solenoide e igual a ܤ ൌ ߤ ܰ ݈ ܫ ൌ ߤ݊ܫ ݊ é a densidade de espira por unidade de comprimento. A lei de Ampère é útil para calcular o campo magnético apenas quando existe um alto grau de simetria. Considere a espira de corrente mostrada na figura 9.10. De acordo com a lei de Ampère, a integral de linha ao longo do caminho ܥ, ׯ ܤሬԦ · ݀Ԧ݈ é igual a ߤ0ܫ. Embora a lei de Ampère seja válida para esta curva, o campo magnético ܤሬԦ não é constante ao longo de qualquer curva que circunde a corrente, nem é tangente a quaisquer de tais curvas. Assim, não existe simetria suficiente nesta situação que permita‐nos calcular ܤሬԦ usando a lei de Ampère. Questões Q1 O Campo magnético é criado por uma espira de corrente uniforme? Explique. Q2 Uma corrente em um condutor produz um campo magnético que pode ser calculado usando a lei de Biot – Savart. Porque corrente é definida como a taxa de fluxo de carga, o que você pode concluir a respeito do campo magnético produzido por cargas estacionárias? Q3 Dois fios paralelos portam correntes em direções opostas. Descreva a natureza do campo magnético criado pelos dois fios em pontos (a) entre os fios e (b) foras dos fios, em um plano contendo‐os. 180 Q4 A lei de Ampère é valida para todos os caminhos fechados rodeando um condutor? Por que não é util para calcular ܤሬԦ para todos de tais caminhos? Q5 Compare a lei de Ampère com a lei de Biot‐Savart. Qual é, de forma geral, a mais util para cálculo de ܤሬԦ para um condutor portando corrente? Q6 Descreva as semelhanças entre a lei de Ampère em magnetismo e a lei de Gaus em eletrostática. Q7 Um tubo de cobre oco porta uma corrente ao longo do seu comprimento. Porque ܤሬԦ ൌ 0 dentro do tubo? ܤሬԦ é não nulo fora do tubo? Q8 Por que ܤሬԦ é não nulo fora de um solenóide? Por que ܤሬԦ ൌ 0 fora de um toroide? (Lembre‐se que as linhas de ܤሬԦ devem formar caminhos fechados.) Q9 Descreva a variação no campo magnético no interior de um solenóide portando uma corrente estacionaria ܫ (a) se o comprimento do solenóide é duplicado, mas o número de voltas permanece o mesmo e (b) se o numero de voltas é duplicado, mas o comprimento permanece o mesmo. Q10 Uma espira condutora chata é posicionada em um campo magnetico uniforme dirigido ao longo do eixo ݔ. Para que orientação da espira é o fluxo, através dela, máximo? Mínimo? Problemas P1 Uma curva fechada abarca vários condutores. A integral de linha ׯܤሬԦ · ݀Ԧ݈ em torno desta curva é 3,83 ൈ 10ିସ ܶ · ݉. (a) Qual é a corrente total nos condutores? (b) Se você fosse integrar em torno da curva na direção oposta, qual seria o valor da integral de linha? Explique. 181 Figura 9.11 P2 Um condutor solido com raio ܽ é suportado por discos isolantes sobre o eixo de um tubo condutor com raio interno ܾ e raio externo ܿ, como mostrado na Figura 9.11. O condutor central e tubo portam correntes iguais ܫ em direções opostas. As correntes são distribuídas uniformemente sobre as seções retas de cada condutor. Deduza a expressão para o modulo do campo magnético (a) em pontos fora do condutor solido central, mas dentro do tubo (ܽ ൏ ݎ ൏ ܾ) e (b) em pontos fora do tubo (ݎ ܿ) P3 Um fio longo, reto, cilíndrico de raio ܴ porta uma corrente uniformemente distribuída sobre sua seção reta. Em que local é o campo magnético produzido por estas correntes igual a metade do seu maior valor? Considere pontos dentro e fora do fio. P4 A lei de Biot – Savart é semelhantes a lei de Coulomb em que ambas (a) São leis do inverso do quadrado. (b) Tratam com forças sobre partículas carregadas. (c) Tratam com excesso de cargas. (d) Incluem a permeabilidade do espaço livre. (e) Não são de natureza elétrica. P5 Um pequeno elemento de corrente ܫ݀Ԧ݈, com ݀Ԧ݈ ൌ 2 ݉݉ ݇ e ܫ ൌ 2 ܣ, está centrado na origem. Determine o campo magnético ݀ܤሬԦ nos seguintes pontos: (a) sobre o eixo ݔ em ݔ ൌ 3 ݉, (b) sobre o eixo ݔ em ݔ ൌ െ6 ݉, (c) sobre o eixo ݖ em ݖ ൌ 3 ݉, e (d) sobre o eixo ݕ em ݕ ൌ 3 ݉ P6 Para o elemento de corrente no problema P5 determine o modulo e direção de ݀ܤሬԦ em ݔ ൌ 0, ݕ ൌ 3 ݉, ݖ ൌ 4 ݉. P7 Uma espira de corrente circular de raio ܴ portando corrente ܫ está centrada na origem com seu eixo ao longo do eixo ݔ. Sua corrente é tal que ela produz um campo magnético na direção ݔ positivo. (a) Esquematize o gráfico de ܤ௫ versus ݔ para pontos sobre o eixo ݔ. Inclua tanto valores positivos quanto negativos de ݔ. Compare este Gráfico 182 Figura 9.12 Figura 9.13 com aquele para ܧ௫ devido a um anel carregado do mesmo tamanho. (b) Uma segunda espira de corrente idêntica portando uma corrente igual no mesmo sentido, está em um plano paralelo ao plano ݕݖ com seu centro em ݔ ൌ ݀. Esquematize gráficos do campo magnético sobre o eixo ݔ devido a cada espira separadamente e o campo resultante devido as duas espirar. Mostre de seus esquemas que ݀ܤ௫/݀ݔ é zero na metade entre as duas espiras. P8 Calcule o modulo do campo magnético em um ponto a 100 ܿ݉ de um condutor longo, fino portando uma corrente de 1,00 ܣ. P8 Um condutor consiste de uma espira circular de raio ܴ ൌ 0,100 ݉ e duas seções retas, longas, como mostrado na Figura 9.12. O fio está no plano do papel e porta uma corrente ܫ ൌ 7,00 ܣ. Determine o modulo e direção do campo magnético no centro da espira. P9 Quatro condutores longos, paralelos portam correntes iguais ܫ ൌ 5,00 ܣ. A figura 9.13 é uma visão da extremidade dos condutores. A direção da corrente é entrando na página nos pontos ܣ e ܤ (indicados por cruzes) e saindo da pagina em ܥ e ܦ (indicados por pontos). Calcule o modulo e direção do campo magnético no ponto ܲ, localizado no centro do quadrado com um comprimento de aresta de 0,200 ݉. P10 Um fio longo, reto está sobre uma mesa horizontal e porta uma corrente de 1,20 ߤܣ. No vácuo, um próton move‐se paralelo ao fio (oposto à corrente) com velocidade constante de 2,30 ൈ 10ସ m/s a uma distancia ݀ acima do fio. Determine o valor de ݀. Você pode ignorar o campo magnético devido a Terra.BIBLIOGRAFIA 183 TIPLER P. A., MOSCA G. Physics for scientists and Engineers, sixth edition, Freeman, New York, 2008. HALLIDAY D., Resnick R., Walker J., Física Fundamental, vol 3, Livros Técnicos Científicos S. A., Rio de Janeiro, 2004 HALLIDAY D., RESNICK R., KRANE S., Física vol. 3, LTC, Rio de Janeiro, 2000 HEWITT P, Física Conceitual, Longman, 9ª edição, Rio Grande do Sul, 200x NUSSENZVEIG, H. M., Física Básica vol. 3, Edgard Blucher, x Ed., Rio de Janeiro, 200X CUMMINGS K., LAWS P., REDISH E., COONEY P., Understanding Physics, John Wiley, New York, 2004. YOUNG H. D., FREEDMAN, R. A. Física 3: Eletromagnetismo, Pearson, São Paulo, 2008. 184 CAPÍTULO 10 A LEI DE FARADAY RESUMO Nesta unidade apresentaremos um resultado importante para o estudo do eletromagnetismo, que é a lei de Faraday. Esta lei explica o funcionamento de diversos dispositivos eletrônicos do nosso uso diário, tais como os motores elétricos, disco rígido de micro‐computadores. O funcionamento de uma usina de geração de eletricidade, algo muito fundamental na nossa sociedade, é baseado na lei de Faraday. 185 10 A LEI DE FARADAY 10.1 Introdução 185 10.2 O fluxo magnético 185 10.3 A lei de Lenz 188 Questões 194 Problemas 196 Bibliografia 200 186 9.1 Introdução O que cata‐ventos, detectores de metal, gravadores de vídeo, discos rígidos para computadores e os telefones celulares têm em comum? Surpreendentemente, todas essas diferentes tecnologias provêm de um único princípio científico: a indução eletromagnética. A indução eletromagnética é o processo de geração de uma corrente elétrica por meio da variação do campo magnético que atravessa o circuito. As muitas aplicações da indução eletromagnética fazem dela um importante tópico de estudo. Mais fundamentalmente, a indução eletromagnética estabelece um vínculo importante entre a eletricidade e o magnetismo, uma ligação com implicações importantes para a compreensão da luz como onda eletromagnética. A indução eletromagnética é um tópico sofisticado, de modo que vamos desenvolvê‐lo gradualmente. Primeiro, examinaremos os diferentes aspectos da indução e nos familiarizaremos com suas características básicas. Os objetivos deste capítulo são adquirir habilidades (i) para calcular o fluxo magnético e a corrente induzida por um campo magnético variável e (ii) para usar a lei de Lenz e a lei de Faraday para determinar o sentido a intensidade de correntes induzidas. No final dos anos 1830, Michael Faraday na Inglaterra e Joseph Henry na América descobriram independentemente que um campo magnético variável induz uma corrente em um fio. A fem e correntes criadas com a variação do campo magnético são chamadas fem’s induzidas e correntes induzidas. O processo em si é conhecido como indução magnética. 10.2 O fluxo magnético O fluxo do campo magnético através de uma superfície é definido de forma semelhante ao fluxo de um campo elétrico. Seja ݀ܣ um elemento de área sobre a superfície e ො݊ o vetor unitário perpendicular 187 Figura 10.1 Figura 10.1 Uma espira condutora que engloba uma área A na presença de um campo magnético uniforme ܤሬԦ. O ângulo entre ܤሬԦ e a normal à espira é ߠ. ao elemento. Veja Figura 10.1 para detalhes da geometria do problema. O fluxo magnético ߶ é definido como ߶ ൌ න ܤሬԦ · ො݊݀ܣ ௌ ൌ න ܤ݀ܣ ௌ ሺ10.1ሻ A unidade de fluxo magnético é a unidade de campo magnético (ܶ no sistema SI) vezes a unidade de área (݉ଶ no sistema SI), que chamado de weber (ܹܾ): 1 ܹܾ ൌ ሺ1 ܶሻሺ1 ݉ଶሻ ሺ10.2ሻ Como ܤ é proporcional ao número de linhas de campo por unidade de área, o fluxo magnético é proporcional ao numero de linhas através da área. Exercício Mostre que um weber por segundo é um volt. Se a superfície é um plano com área ܣ, e ܤሬԦ é constante em módulo e direção sobre a superfície e faz um ângulo ߠ com o vetor unitário normal, o fluxo é ߶ ൌ ܤܣ cos ߠ ሺ10.3ሻ 188 Exercício resolvido O fluxo através de uma bobina contendo várias voltas de fio, digamos ܰ voltas, é N vezes o fluxo através de cada volta, isto é, ߶ ൌ ܰܤܣ cos ߠ ሺ10.4ሻ Determine o fluxo magnético através de um solenóide com 40 ܿ݉ de comprimento, de raio igual a 2,5 ܿ݉, tendo 600 voltas, portando uma corrente de 7,5 ܣ. Solução O campo magnético dentro do solenóide é uniforme e está ao longo do eixo do solenóide. É, portanto, perpendicular ao plano da bobina. Assim precisamos determinar o campo dentro do solenóide e então multiplicado por ܰܣ. O fluxo magnético é o produto do número de voltas, o campo magnético, e a área da bobina ߶ ൌ ܰܤܣ ሺ10.5ሻ O campo magnético dentro do solenóide é dado por ܤ ൌ ߤ݊ܫ, onde ݊ ൌ ܰ/݈ é o número de voltas por unidade de comprimento ߶ ൌ ܰߤ ൬ ܰ ݈ ൰ ܫܣ ൌ ߤܰଶܫܣ ݈ ሺ10.6ሻ A área de uma bobina de raio ݎ é ܣ ൌ ߨݎଶ ሺ10.7ሻ Substituindo (10.7) em (10.6) obtemos que o fluxo magnético através do solenóide é ߶ ൌ ߤܰଶܫߨݎଶ ݈ ൌ ሺ4ߨ ൈ 10ି ܶ · ݉/ܣሻሺ600 ݒ݈ݐܽݏሻଶሺ7,5 ܣሻߨሺ0,025 ݉ሻଶ/0,40 ݉ ൌ 1,6610ିଶ ܹܾ 189 Figura 10.2 (a) Quando um magneto é aproximado de uma espira de fio conectado a um galvanômetro, o galvanômetro deflete como mostrado, indicando que uma corrente é induzida na espira. (b) Quando o magneto está parado, não existe corrente induzida na espira, mesmo quando o magneto está dentro da espira. (c) Quando o magneto é afastado da espira, o galvanômetro deflete na direção oposta, indicando que a corrente induzida é oposta aquela mostrada na parte (a). Mudando a direção do movimento do magneto muda a direção da corrente induzida por aquele movimento. 10.3 Correntes induzidas e lei de Faraday Os experimentos realizados por Faraday, Henry, e outros mostraram que se o fluxo magnético, através de uma área limitada por um circuito, é alterado de alguma forma, uma fem, igual em modulo a taxa de variação do fluxo, é induzida no circuito. Usualmente detectamos a fem observando uma corrente no circuito, mas ela está presente mesmo quando o circuito está incompleto (aberto) e não existe corrente. Anteriormente havíamos considerado fem que estavam localizadas em uma parte especifica do circuito, tal como entre os terminais da bateria. Contudo, fem’s induzidas podem ser consideradas distribuídas através do circuito. O fluxo magnético através de um circuito pode ser alterado de muitos modos diferentes. A corrente produzindo o campo magnético pode ser aumentada ou diminuída, magnetos permanentes podem ser movidos em direção ao circuito ou afastados dele, o circuito em si pode ser movido para perto ou para longe da fonte do fluxo, a orientação do circuito pode alterada, ou a área do circuito em um campo magnético 190 Exemplo resolvido fixo podeser aumentada ou diminuída. Em qualquer caso, uma fem é induzida no circuito que é igual em modulo a taxa de variação do fluxo magnético. A Figura 10.2 mostra uma bobina simples de uma volta em um campo magnético gerado por um magneto que ora é aproximado (Figura 10.2 (a)), ora permanece constante (Figura 10.2 (b)), ou ora é afastado (Figura 10.2 (c)). Como mencionado acima, se o fluxo está variando, uma fem é induzida na espira. Uma vez que a fem é o trabalho feito por unidade de carga, deve existir uma força exercida sobre a carga associada com a fem. A força por unidade de carga é o campo elétrico ܧሬԦ, que neste caso é induzida pela variação do fluxo. A integral de linha do campo elétrico em torno do circuito completo é igual ao trabalho feito por unidade de carga, que, por definição, é a fem no circuito ߝ ൌ න ܧሬԦ · ݀Ԧ݈ ሺ10.8ሻ O campo elétrico que estudamos anteriormente resultou de cargas eletrostáticas. Estes campos são conservativos, significando que o trabalho realizado pelo campo eletrostático em torno de um caminho fechado é zero. O campo elétrico resultando da variação do fluxo magnético não é conservativo. Sua integral de linha em torno de uma curva fechada é igual a fem induzida, que é igual a taxa de variação do fluxo magnético: ߝ ൌ න ܧሬԦ · ݀Ԧ݈ ൌ െ ݀߶ ݀ݐ ሺ10.8ሻ Este resultado é conhecido como a lei de Faraday. O sinal negativo na lei de Faraday tem a ver com a direção da fem induzida, a ser discutida mais a frente. Um campo magnetico uniforme faz um angulo de 30 com o eixo de uma espira circular de 300 voltas e um raio de 4 ܿ݉. O campo varia a uma taxa de 85 ܶ/ݏ. Determine o modulo da fem induzida na espira. 191 Exemplo resolvido Solução A fem induzida é igual a ܰ vezes a taxa de variação do fluxo através de cada volta. Uma vez que B é uniforme, o fluxo através de cada volta é simplesmente ߶ ൌ ܤܣ cos ߠ, onde ܣ ൌ ߨݎଶ é a área da bobina. O modulo da fem induzida é dada pela lei de Faraday |ߝ| ൌ ݀߶ ݀ݐ Para um campo uniforme, o fluxo é ߶݉ ൌ ܰܤܣ cos ߠ Substituindo a expressão para o fluxo ߶݉ na expressão para |ߝ| obtemos |ߝ| ൌ ݀߶ ݀ݐ ൌ ݀ ݀ݐ ሺܰܤܣ cos ߠሻ ൌ ܰܣܤ cos ߠ ݀ܤ ݀ݐ ሺ10.9ሻ ൌ ሺ300ሻሺ3.14ሻሺ0,04 ݉ሻଶ cos 30 ሺ85ܶ/ݏሻ ൌ 111 ܸ Exercício Se a resistencia da bobina é de 200 Ω, qual é a corrente induzida? Resposta 0.555 ܣ Uma bobina com 80 voltas possui um raio de 5,0 cm e uma resistência de 30 Ω. A que taxa deve um campo magnético perpendicular variar para produzir uma corrente de 4,0 A na bobina? Solução A taxa de variação do campo magnético está relacionada à taxa de variação do fluxo, que está relacionada à fem induzida pela lei de Faraday. A fem na bobina é igual a ܫܴ. O fluxo magnético é dado em termos de ܤ ܰ e o raio ݎ pela expressão ߶ ൌ ܰߨݎଶܤ Que resolvendo para B fornece o seguinte resultado 192 Figura 10.3 Uma espira condutora de raio ݎ colocada em um campo magnético uniforme perpendicular ao plano da espira. Se ܤሬԦ varia no tempo, um campo elétrico é induzido em uma direção tangente à circunferência da espira. Exemplo resolvido ܤ ൌ ߶ ܰߨݎଶ Tomando a derivada temporal de ܤ podemos relacionar a taxa de variação temporal do campo com a taxa de variação do fluxo e daí com a corrente e resistência do circuito ฬ ݀ܤ ݀ݐ ฬ ൌ 1 ܰߨݎଶ ݀߶ ݀ݐ ൌ ߝ ܰߨݎଶ Mas como ߝ ൌ ܫܴ ൌ 120 ܸ segue que ฬ ݀ܤ ݀ݐ ฬ ൌ 120 ܸ ሺ80 ݒ݈ݐܽݏሻሺ3,14ሻሺ5,0 ൈ 10ିଶ ݉ሻଶ ൌ 191 ܶ/ݏ Um campo magnético B é perpendicular ao plano da página e uniforme em uma região circular de raio R como mostrado na Figura 10.3. Fora da região circular, ܤሬԦ ൌ 0. A taxa de variação da magnitude de ܤሬԦ é ݀ܤ/݀ݐ. Qual é o módulo do campo elétrico induzido no plano da página (a) a uma distância ݎ ൏ ܴ do centro da região circular, (b) a uma distância ݎ ܴ, onde ܤ ൌ 0. 193 Solução O campo magnético ܤሬԦ entrando na página é uniforme sobre a região circular de raio ܴ. Quando ܤ varia, o fluxo magnético varia e uma fem ߝ ൌ ׯ ܧሬԦ · ݀Ԧ݈ é induzida em torno de alguma curva englobando o fluxo. O campo elétrico induzido é determinado aplicando a lei de Faraday. Uma vez que estamos interessados apenas em módulos, desprezaremos o sinal menos e usaremos ׯ ܧሬԦ · ݀Ԧ݈ ൌ ݀߶/݀ݐ. Para tirar vantagem da simetria do sistema escolheremos uma curva circular de raio ݎ para calcular a integral de linha. Por simetria, ܧሬԦ é tangente a esta curva e tem o mesmo modulo em qualquer ponto sobre ela. Então calculamos o fluxo magnético e tomamos sua derivada temporal. Fazendo a integral e a derivada temporal iguais, otemos uma expressão para ܧ. (a) Aplicando a integral de linha para um circulo de raio ݎ ൏ ܴ, considerando que ܧሬԦ é tangente ao circulo e tem módulo constante, obtemos ර ܧሬԦ · ݀Ԧ݈ ൌ ܧሺ2ߨݎሻ ሺ10.10ሻ Por outro da lei de Faraday sabemos que a integral de linha está relacionada à variação do fluxo magnético como ර ܧሬԦ · ݀Ԧ݈ ൌ ݀߶ ݀ݐ ሺ10.11ሻ Para ݎ ൏ ܴ, ܤ é constante sobre o circulo. Uma vez que ܤሬԦ é perpendicular ao plano do circulo, o fluxo é simplesmente ܤܣ. Assim ߶ ൌ ܤܣ ൌ ܤሺߨݎଶሻ De onde segue que ݀߶ ݀ݐ ൌ ߨݎଶ ݀ܤ ݀ݐ ሺ10.12ሻ De (10.10), (10.11) e (10.12) segue que 194 ܧሺ2ߨݎሻ ൌ ߨݎଶ ݀ܤ ݀ݐ A expressão do campo elétrico em função de r e da variação do fluxo do campo magnético é ܧ ൌ ݎ 2 ݀ܤ ݀ݐ , ݎ ൏ ܴ ሺ10.13ሻ ( b ) Para o circulo de raio ݎ ܴ, onde o campo magnético é nulo, a integral de linha é a mesma que antes: ර ܧሬԦ · ݀Ԧ݈ ൌ ܧሺ2ߨݎሻ Uma vez que ܤ ൌ 0 para ݎ ܴ, o fluxo magnético é ߨܴଶܤ, isto é, ߶ ൌ ߨܴଶܤ Aplicando a lei de Faraday determinamos o campo elétrico induzido ܧሬԦ como ܧሺ2ߨݎሻ ൌ ߨܴଶ ݀ܤ ݀ݐ Resolvendo para ܧ teremos ܧ ൌ ܴଶ 2ݎ ݀ܤ ݀ݐ , ݎ ܴ ሺ10.14ሻ Observe que o campo elétrico, no exemplo acima (Equações (10.13) e (10.14)), é produzido por uma variação do campo magnético em vez de ser produzido por cargas elétricas. Se cargas tivessem produzido o campo ܧሬԦ, teriamos de partir de cargas positivas e finalizar em cargas negativas. Uma vez que cargas não estão presentes, contudo, ܧሬԦ forma circulos que não tem inicio e não tem fim. Observe também que a fem existe em qualquer curva fechada limitando a área através da qual o fluxo magnético está variando na presença ou não de um fio ou circuito ao longo da curva. Exercício Uma bobina de 40 voltas move‐se de forma brusca. Esta bobina possui raio de 3 ܿ݉ e resistência de 16 Ω. Se a bobina é girada 195 Figura 10.4 Quando a o magneto em forma de barra está se movendo em direção a espira, a fem induzida na espira produz uma corrente na direção mostrada. O campo magnético devido a corrente induzida na espira (indicada por linhas pontilhadas) produz um fluxo que se opõe ao aumento no fluxo através da espira devido ao movimento da barra magnética. por um ângulo de 180 em um campo magnético de 5000 ܩ, quanta carga passa através dela? Resposta 7,07 ݉ܥ 10.4 A lei de Lenz O sinalnegativo na lei de Faraday tem a ver com a direção da fem induzida, que pode ser determinada de um princípio físico geral conhecido como lei de Lenz: A fem induzida e corrente induzida estão em uma direção tal que se oponham à variação que as produzem Observe que não foi especificado que tipo de variação provoca a fem e corrente induzida. Propositalmente deixamos a afirmativa vaga para cobrir uma variedade de condições, que ilustraremos a seguir. A Figura 10.4 mostra uma barra magnética movendo‐se em direção a uma espira que possui resistência ܴ. Uma vez que o campo magnético ܤሬԦ da barra magnética é para a direita, saindo do pólo norte do magneto, o movimento do magneto em direção à espira tende a aumentar o fluxo através da espira para a direita. (O campo magnético na espira é mais forte quando o magneto está mais próximo.) A corrente induzida na espira produz um campo magnético próprio. Esta corrente 196 Figura 10.5 Exemplo resolvido induzida está na direção mostrada, de forma que o fluxo magnético que ela produz é oposto aquele do magneto. O campo magnético induzido tende a diminuir o fluxo através da espira. Se o magneto fosse movido para longe da espira, isto decresceria o fluxo através da espira devido ao magneto, a corrente induzida estaria na direção oposta daquela mostrada na Figura 10.4. Neste caso, a corrente produzirá um campo magnético para a direita, que tenderá a aumentar o fluxo através da espira. Podemos esperar, portanto, que o movimento da espira se aproximando ou se afastado magneto tenha o mesmo efeito que o de mover o magneto. Apenas o movimento relativo é importante. Uma bobina retangular de 80 ݒ݈ݐܽݏ, 20 ܿ݉ de largura e 30 ܿ݉ de comprimento, está localizada em um campo magnético ܤ ൌ 0,8 ܶ dirigido para dentro da página, como mostrado na Figura 10.5, com apenas metade da bobina na região do campo magnético. A resistência da bobina é de 30 Ω. Determine o modulo e direção da corrente induzida se a bobina é movida com uma velocidade de 2 ݉/ݏ (a) para a direita, (b) para cima, e (c) para baixo. Solução A corrente é igual a fem induzida dividida pela resistência. Podemos calcular a fem induzida no circuito quando a bobina se movimenta calculando a taxa de variação do fluxo através da bobina. O fluxo é proporcional à distância ݔ. A direção da corrente é determinada da lei de Lenz. (a) O modulo da corrente induzida é igual a fem dividida pela resistência ܫ ൌ ߝ ܴ O modulo da fem induzida é dado pela lei de Faraday 197 Figura 10.6 ߝ ൌ ݀߶ ݀ݐ Quando a bobina está se movendo para a direita (ou para a esquerda), o fluxo não varia (até que a bobina deixe a região do campo magnético). A corrente é, portanto nula, ܫ ൌ 0. ( b) O fluxo é o produto de B e a área, que é dada por ሺ20 ܿ݉ሻݔ, ou seja ߶݉ ൌ ܰܤሺ20 ܿ݉ሻݔ Calculando a taxa de variação do fluxo magnético quando a bobina está movendo‐se para cima obtemos a expressão ݀߶ ݀ݐ ൌ ܰܤሺ20 ܿ݉ሻ ݀ݔ ݀ݐ ൌ ሺ80ሻሺ0,8 ܶሻሺ0,20 ݉ሻሺ2 ݉/ݏሻ ൌ 25,6 ܸ Daí é possível calcular a corrente na bobina ܫ ൌ ߝ ܴ ൌ 25,6 ܸ 30 Ω ൌ 0,853 ܣ Como o fluxo para dentro está aumentando, a corrente induzida será no sentido de modo a produzir um fluxo para fora, compatível com uma corrente circulando no sentido anti‐horário. Quando a bobina se move para baixo a 2 ݉/ݏ, a corrente tem o mesmo modulo de quando se move para cima, mas é direcionada de forma oposta, sendo portanto ܫ ൌ 0,853 ܣ no sentido horário. QUESTÕES Q1 Uma chapa de cobre é colocada entre os pólos de um eletromagneto com o campo magnético perpendicular à chapa. Quando a chapa é retirada, uma força considerável é exigida, e a força exigida aumenta com a velocidade. Explique. Q2 Na Figura 10.6, se a velocidade angular ߱ da espira é duplicada, então a freqüência com a qual a corrente induzida muda de direção duplica, e a fem máxima também duplica. Por quê? O torque exigido para girar a espira muda? Explique. 198 Figura 10.7 Figura 10.8 Q3 Duas espiras circulares estão lado a lado no mesmo plano. Uma está conectada a uma fonte que alimenta uma corrente em crescimento; a outra é um anel simples fechado. A corrente induzida no anel está na mesma direção que a corrente na espira conectada a fonte ou oposta? O que acontece se na primeira espira a corrente é diminuída? Explique. Q4 Um condutor reto, longo passa através do centro de um anel metálico, perpendicular ao seu plano. Se a corrente no condutor aumenta, é induzido corrente no anel? Explique. Q5 Um retangulo metalico esta proximo a um fio longo, reto, portando corrente, com dois de deus lados paralelos ao fio. Se a corrente no fio longo está diminuindo, o retangulo será repelido por ou atraido para o fio? Explique por que este resultado é consistente com a lei de Lenz. Q6 Uma espira condutora quadrada esta na região de um campo magnético uniforme, constante. Pode a espira ser girada em torno de um eixo ao longo de um lado e nenhuma fem ser induzida na espira? Discuta, em termos da orientação do eixo de rotação relativo a direção do campo magnético. Q7 Um anel metálico está orientado com o plano de sua área perpendicular a um campo magnético espacialmente uniforme que aumenta a uma taxa constante. Se o raio do anel é duplicado, por que fator (a) a fem induzida no anel será e (b) o campo elétrico induzido no anel muda? PROBLEMAS P1 Um cubo de aresta de comprimento ݈ ൌ 2,50 ܿ݉ está posicionado como mostrado na Figura 10.7. Um campo magnético uniforme dado por ܤሬԦ ൌ ൫5,00ଓ̂ 4,00ଔ̂ 3,00 ݇൯ܶ existe através da região. (a) Calcule o fluxo através da 199 Figura 10.9 face sombreada. (b) Qual é o fluxo total através das seis faces? P2 Um campo magnético uniforme de modulo 2000 ܩ está paralelo ao eixo ݔ. Uma bobina quadrada de lado 5 ܿ݉ tem uma volta simples e faz um ângulo ߠ com o eixo z como mostrado na Figura 10.8. Determine o fluxo magnético através da bobina quando (a) ߠ ൌ 0, (b) ߠ ൌ 30, (c) ߠ ൌ 60, e (d) ߠ ൌ 90. P3 Uma bobina circular possui 25 ݒ݈ݐܽݏ e um raio de 5 ܿ݉. Está no equador, onde o campo magnético da Terra é 0,7 G apontando para o norte. Determine o fluxo magnetico através da bobina quando seu plano está (a) na horizontal, (b) na vertical com seu eixo apontando para o norte, (c) vertical com seu eixo apontando para leste, e (d) vertical com seu eixo afzendo um ângulo de 30 com o norte. P4 Um campo magnético de 1,2 ܶ é perpendicular a bobina quadrada de 14 ݒ݈ݐܽݏ. O comprimento de cada lado da bobina é 5 ܿ݉. (a) Determine o fluxo magnético através da bobina. (b) Determine o fluxo magnético através da bobina se o campo magnético forma um ângulo de 60 com a normal ao plano da bobina. P5 Um campo magnético uniforme ܤሬԦ é perpendicular a base de um hemisfério de raio ܴ. Calcule o fluxo magnético através da superfície esférica do hemisfério. P6 Um fio longo, reto porta uma corrente ܫ. Uma espira retangular com dois lados paralelos ao fio reto possui dois lados ܽ e ܾ com seu lado mais próximo a uma distancia ݀ do fio reto, como mostrado na Figura 10.9. (a) Calcule o fluxomagnético através da espira retangular. (Sugestão: Calcule o fluxo através de uma faixa de área ݀ܣ ൌ ܾ݀ݔ e integre de ݔ ൌ ݀ a ݔ ൌ ݀ ܽ) (b) Avalie suas resposta para ܽ ൌ 5 ܿ݉, ܾ ൌ 10 ܿ݉, ݀ ൌ 2 ܿ݉ e ܫ ൌ 20 ܣ. P7 Uma espira condutora está no plano desta pagina e porta uma corrente induzida circulando no sentido horário. Quais das seguintes afirmativas podem ser verdadeiras? 200 Figura 10.10 Figura 10.11 a ) Um campo magnético constante está dirigido para dentro da pagina. b) Um campo magnético constante está dirigido para fora da pagina. c) campo magnético crescente está dirigido para dentro da pagina. d) campo magnético decrescente está dirigido para dentro da pagina. e) campo magnético decrescente está dirigido para fora da pagina. P8 O fluxo através de uma espira é dado por ߶݉ ൌ ሺݐ ଶ െ 4ݐሻ ൈ 10ିଵ ܹܾ, onde ݐ está em segundos. (a) Determine a fem induzida ߝ como uma função do tempo. (b) Determine ambos ߶݉ e ߝ em ݐ ൌ 0, ݐ ൌ 2ݏ, ݐ ൌ 4ݏ e ݐ ൌ 6ݏ. P9 Um solenóide de comprimento igual a 25 ܿ݉ e raio 0,8 ܿ݉ com 400 ݒ݈ݐܽݏ em um campo magnético externo de 600 ܩ que forma um ângulo de 50 com o eixo do solenóide. (a) Determine o fluxo magnético através do solenóide. (b) Determine o modulo da fem induzida no solenóide se o campo magnético externo é reduzido a zero em 1,4 ݏ. P10 Forneça a direção da corrente induzida no circuito da direita na Figura 10.10 quando a resistência no circuito da esquerda é subitamente (a) aumentado e (b) diminuído. P11 As duas espiras circulares na Figura 10.11 possuem seus planos paralelos entre si. Quando visto de ܣ em direção a ܤ, existe uma corrente circulando no sentido anti‐horário na espira ܣ. Forneça a direção da corrente na espira B e afirme se as espiras atraem‐se ou se repelem se a corrente na espira A está (a) aumentando e (b) decrecendo. P12 Uma espira circular de fio com um raio de 12,0 cm e orientado no plano ݔݕ horizontal está localizado em uma região de campo magnético 201 uniforme. Um campo de 1,5 ܶ está dirigido ao longo da direção ݖ positivo, que aponta para cima (a) Se a espira é removida da região de campo no intervalo de tempo de 2,0 ݉ݏ, determine a fem media que será induzida na espira de fio durante o processo de extração. (b) Se a bobina é vista olhando para baixo de cima, a corrente induzida na espira no sentido horário ou anti‐horario? BIBLIOGRAFIA TIPLER P. A., MOSCA G. Physics for scientists and Engineers, sixth edition, Freeman, New York, 2008. HALLIDAY D., Resnick R., Walker J., Física Fundamental, vol 3, Livros Técnicos Científicos S. A., Rio de Janeiro, 2004 HALLIDAY D., RESNICK R., KRANE S., Física vol. 3, LTC, Rio de Janeiro, 2000 HEWITT P, Física Conceitual, Longman, 9ª edição, Rio Grande do Sul, 200x NUSSENZVEIG, H. M., Física Básica vol. 3, Edgard Blucher, x Ed., Rio de Janeiro, 200X CUMMINGS K., LAWS P., REDISH E., COONEY P., Understanding Physics, John Wiley, New York, 2004. YOUNG H. D., FREEDMAN, R. A. Física 3: Eletromagnetismo, Pearson, São Paulo, 2008.