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UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO MULTIDISCIPLINAR CURSO DE GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO EDUCAÇÃO EMPREENDEDORA: UMA ANÁLISE DA RELAÇÃO ENTRE A PARTICIPAÇÃO NO DESAFIO UNIVERSITÁRIO EMPREENDEDOR E A ATIVIDADE EMPREENDEDORA DOS SEMIFINALISTAS DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO NATIANE GUARDA DOS SANTOS MATTOS ORIENTADA POR: PROFª DENISE CARVALHO TAKENAKA NOVA IGUAÇU - RJ JUNHO / 2016 UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO MULTIDISCIPLINAR CAMPUS NOVA IGUAÇU CURSO DE GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO NATIANE GUARDA DOS SANTOS MATTOS EDUCAÇÃO EMPREENDEDORA: UMA ANÁLISE DA RELAÇÃO ENTRE A PARTICIPAÇÃO NO DESAFIO UNIVERSITÁRIO EMPREENDEDOR E A ATIVIDADE EMPREENDEDORA DOS SEMIFINALISTAS DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO NOVA IGUAÇU - RJ JUNHO / 2016 NATIANE GUARDA DOS SANTOS MATTOS EDUCAÇÃO EMPREENDEDORA: UMA ANÁLISE DA RELAÇÃO ENTRE A PARTICIPAÇÃO NO DESAFIO UNIVERSITÁRIO EMPREENDEDOR E A ATIVIDADE EMPREENDEDORA DOS SEMIFINALISTAS DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como requisito parcial para a obtenção do Título de Bacharel em Administração pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. ORIENTADORA: PROFª. DENISE CARVALHO TAKENAKA NOVA IGUAÇU - RJ JUNHO / 2016 Mattos, Natiane Guarda dos Santos Educação Empreendedora: Uma análise da relação entre a participação no Desafio Universitário Empreendedor e a atividade empreendedora dos semifinalistas do Estado do Rio de Janeiro / Natiane Guarda dos Santos Mattos. − 2016. 61 f. : il. Monografia (Graduação em Administração) – Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Nova Iguaçu, 2016. Orientação: Profª. MSc Denise Carvalho Takenaka. 1. Educação Empreendedora. 2. Ensino Superior. 2. Empreendedorismo. 4. Desafio Universitário Empreendedor. I. Título. CDD: 614.44 NATIANE GUARDA DOS SANTOS MATTOS EDUCAÇÃO EMPREENDEDORA: UMA ANÁLISE DA RELAÇÃO ENTRE A PARTICIPAÇÃO NO DESAFIO UNIVERSITÁRIO EMPREENDEDOR E A ATIVIDADE EMPREENDEDORA DOS SEMIFINALISTAS DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como requisito parcial para a obtenção do Título de Bacharel em Administração pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. Aprovada em ______ / ______ / __________ _____________________________________________ __ Prof.ª. MSc. Denise Carvalho Takenaka – Orientadora Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro _____________________________________________ Prof. MSc. Evandro Correia da Silva Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro _____________________________________________ Prof. MSc. Nilson Sales Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro NOVA IGUAÇU - RJ JUNHO/2016 Dedico este trabalho a Deus que me deu todo o suporte para que eu pudesse chegar até aqui e ser quem sou hoje. AGRADECIMENTOS Todos os que passaram pelo meu caminho até o dia de hoje foram responsáveis por este trabalho de alguma forma, por isso, previamente, agradeço a todos imensamente, pelos ensinos, pelas lutas, pelas vitórias, pela ajuda e, principalmente, pelo amor. Antes de qualquer outro agradecimento, agradeço a Deus por ter me dado forças para concluir este trabalho e pela incrível oportunidade de cursar Administração na UFRRJ. Agradeço ainda pela dádiva de ter uma família maravilhosa e ser cercada de amigos que me levam para mais perto do caminho da bondade e do amor. Deus atribuiu a mim uma nobre missão, que passa pela administração e tem seu fim na construção de um mundo melhor. Em agradecimento a tudo isso, lutarei até o fim, vencendo e perdendo, sem nunca desistir. Agradeço aos meus pais, que foram os maiores responsáveis por tudo que tem acontecido de bom na minha vida. Que me ensinaram todos os valores e ideais que irei levar pela minha vida toda, inclusive profissionalmente. Pessoas maravilhosas, que lutaram muito para que eu fosse uma pessoa melhor e pudesse auxiliar as pessoas ao meu redor. Agradeço a professora Denise Takenaka que com maestria e muita paciência me ajudou a escrever cada palavra deste trabalho. Ademais agradeço, profundamente, a senhora Maria Claudia (representante do Sebrae) que me recebeu de forma acolhedora e contribuiu com todas as informações necessárias a este trabalho. Além disso, gostaria de agradecer aos semifinalistas do Desafio Universitário Empreendedor do ano de 2015, que responderam prontamente ao meu pedido. Por último, agradeço também aos meus colegas e supervisores de estágio, que me motivaram a terminar este trabalho e a lutar pelos meus sonhos com fé e perseverança. “Ninguém caminha sem aprender a caminhar, sem aprender a fazer o caminho caminhando, refazendo e retocando o sonho pelo qual se pôs a caminhar” (Paulo Freire) RESUMO A propagação da visão e do comportamento empreendedor através da educação ganhou grande relevância desde o início do século XX e vem sendo, cada vez, mais incentivada e praticada. As instituições de ensino, principalmente, as de ensino superior têm se preocupado com a formação de profissionais que possuam além do conhecimento necessário para a área de atuação, a habilidade de inovar e ser criativo, perceber e entender o ambiente a sua volta, transformando-o com soluções práticas e inovadoras. O Sebrae, instituição com mais tradição pela assessoria e desenvolvimento de novos negócios no Brasil, aperfeiçoando suas ações no sentido de incentivar a atitude empreendedora, através de atividades de ensino-aprendizagem, desenvolveu o Desafio Universitário Empreendedor, parte do atual Programa Nacional de Educação Empreendedora. O Desafio Universitário Empreendedor, que foi implementado há três anos, visa preparar os jovens universitários para o mercado de trabalho, utilizando a educação empreendedora como forma de aprendizagem, através da aplicação de estratégias como o uso de games, o ensino por imersão e desenvolvimento de projetos, a fim de estimular nos participantes o desenvolvimento de atitudes empreendedoras no ambiente em que estão inseridos. O presente trabalho tem como objetivo analisar a relação entre o Desafio Universitário Empreendedor e as posteriores atividades empreendedoras desenvolvidas por seus ex-participantes, verificando como os semifinalistas do Desafio Universitário Empreendedor, do estado do Rio de Janeiro no ano de 2015, estão desenvolvendo atividades empreendedoras atualmente. A partir dessa pesquisa, podemos constatar que o Desafio Universitário Empreendedor alcançou seu objetivo, fomentando o empreendedorismo em suas mais diversas formas. Palavras-chave: Educação Empreendedora, Empreendedorismo, Desafio Empreendedor Universitário. ABSTRACT The spread of the vision and entrepreneurial behavior through education gained great importance since the beginning of the twentieth century and has been increasingly more encouraged and practiced. Educational institutions, especially higher education have been concerned with the training of professionals who have the necessary knowledge to the area of operation, the ability to innovate and be creative, realize and understand the environment around you, transforming with practical and innovative solutions. Sebrae, an institution with more tradition for advising and development of new businesses in Brazil, perfecting their actions to encourage the entrepreneurial spirit through teaching-learningactivities, developed the University Entrepreneur Challenge, part of the current National Program for Entrepreneurial Education. The University Entrepreneur Challenge, which was implemented three years ago, aims to prepare young graduates for the labor market, using entrepreneurial education as a way of learning by implementing strategies such as the use of games, teaching and immersion development projects in order to encourage the participants to develop entrepreneurial attitudes in the environment in which they live. This study aims to analyze the relationship between the Entrepreneur University Challenge and subsequent entrepreneurial activities developed by former participants, seeing how the semifinalists of the University Entrepreneur Challenge, State of Rio de Janeiro in 2015, are developing entrepreneurial activities currently. From this research, we can see that the University Entrepreneur Challenge reached its goal, fostering entrepreneurship in its various forms. Keywords: Enterprising Education, Higher Education, Entrepreneurship, Entrepreneur of the Sebrae Challenge. LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS GEM - Global Entrepreneurship Monitor IBQP - Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade PNEE - Programa Nacional de Educação Empreendedora SEBRAE - Serviço Brasileiro De de Apoio às Micro e Pequenas Empresas UFRRJ - Universidade Federal Rural Do do Rio De Janeiro LISTA DE QUADROS E GRÁFICOS QUADRO 1 – PRINCIPAIS SONHOS DOS BRASILEIROS ......................................................................... 21 GRÁFICO 1 – FATORES MAIS IMPORTANTES PARA ABERTURA DE UM NEGÓCIO ................................. 22 QUADRO 2 – AÇÕES DO PROGRAMA DE EDUCAÇÃO EMPREENDEDORA PARA ONSINO SUPERIOR - SEBRAE ....................................................................................................................................... 38 GRÁFICO 2 - IDADE ............................................................................................................................. 42 GRÁFICO 3 - SEXO............................................................................................................................... 42 GRÁFICO 4 - GRAU DE ESCOLARIDADE .............................................................................................. 43 GRÁFICO 5 - RENDA FAMILIAR ........................................................................................................... 43 GRÁFICO 6 - PARTICIPAÇÃO EM ATIVIDADE COM O MESMO FORMATO ANTES DO DESAFIO UNIVERSITÁRIO EMPREENDEDOR ................................................................................................. 45 GRÁFICO 7 - COMO VOCÊ DESCREVERIA A SUA PARTICIPAÇÃO NO DESAFIO UNIVERSITÁRIO DO SEBRAE? ...................................................................................................................................... 46 GRÁFICO 8 - QUAL A SUA OPINIÃO SOBRE A FASE DE GAMES (1ª FASE) DO DESAFIO EMPREENDEDOR DO SEBRAE? ................................................................................................................................ 46 GRÁFICO 9: VOCÊ DESENVOLVEU ALGUMA HABILIDADE DURANTE O DESAFIO ? ................................ 47 GRÁFICO 10 - NÍVEL DE CONHECIMENTO ANTERIOR À PARTICIPAÇÃO NO DESAFIO EMPREENDEDOR DO SEBRAE. ................................................................................................................................. 47 GRÁFICO 11 - NÍVEL DE CONHECIMENTO APÓS PARTICIPAR DO DESAFIO EMPREENDEDOR DO SEBRAE. ...................................................................................................................................... 48 GRÁFICO 12: QUAL A SUA OPINIÃO SOBRE AS ATIVIDADES DE IMERSÃO DO DESAFIO? ....................... 48 GRÁFICO 13: NÍVEL DE IMPORTÂNCIA DOS ASSUNTOS ABAIXO PARA VOCÊ ANTES DE PARTICIPAR DO DESAFIO? ....................................................................................................................................... 49 GRÁFICO 14: DÊ UMA NOTA DE 1 A 5 DE ACORDO COM O NÍVEL DE IMPORTÂNCIA DOS ASSUNTOS ABAIXO PARA VOCÊ APÓS PARTICIPAR DO DESAFIO? ................................................................... 49 GRÁFICO 15: ATUALMENTE VOCÊ ESTÁ TRABALHANDO EM ALGUMA ATIVIDADE OU PROJETO EMPREENDEDOR? .......................................................................................................................... 50 SUMÁRIO AGRADECIMENTOS .......................................................................................................................... 7 RESUMO ............................................................................................................................................... 9 ABSTRACT ......................................................................................................................................... 10 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS ........................................................................................ 11 LISTA DE QUADROS E GRÁFICOS .............................................................................................. 12 INTRODUÇÃO ................................................................................................................................... 14 2. REFERENCIAL TEÓRICO .......................................................................................................... 18 2.1. EMPREENDEDORISMO ................................................................................................................. 18 2.1.1 EMPREENDEDORISMO NO BRASIL ............................................................................................ 20 2.2 EDUCAÇÃO EMPREENDEDORA .................................................................................................... 23 2.3 ÓRGÃOS DE APOIO A EDUCAÇÃO EMPREENDEDORA NO BRASIL ................................................ 28 3. MÉTODO DA PESQUISA ............................................................................................................. 33 3.2 COLETA DE DADOS ...................................................................................................................... 33 3.3 TRATAMENTO DE DADOS ............................................................................................................. 35 4. APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS ......................................................... 36 4.1 POLÍTICA DE EDUCAÇÃO EMPREENDEDORA DO SEBRAE ......................................................... 36 4.1.1 O Sebrae como instituição promotora do Empreendedorismo ............................................ 36 4.1.2 Iniciativas de incentivo ao Empreendedorismo nos diversos níveis de ensino .................... 37 4.1.3 Iniciativas de incentivo ao Empreendedorismo no Ensino Superior ................................... 37 4.1.4 Desafio Universitário Empreendedor .................................................................................. 38 4.1.5 Desafio Universitário Empreendedor e Educação Empreendedora .................................... 40 4.1.6 Resultados do Desafio Universitário Empreendedor ........................................................... 41 4.1.7 Pontos fortes e fracos do Desafio Universitário Empreendedor ......................................... 41 4.2- PERFIL DOS SEMIFINALISTAS DO DESAFIO EM 2015 NO ESTADO DO RIO DE JANEIRO ............... 41 4.2.1 - Identificação dos participantes .......................................................................................... 41 4.2.2 - Identificação do perfil empreendedor dos participantes ................................................... 43 CONSIDERAÇÕES FINAIS ............................................................................................................. 51 REFERÊNCIAS ..................................................................................................................................53 APÊNDICE B – INSTRUMENTO DE COLETA DE DADOS - REPRESENTANTE DO SEBRAE ............................................................................................................................................... 58 APÊNDICE C – QUESTIONÁRIO DE PESQUISA COM OS EX-PARTICIPANTES DO DESAFIO UNIVERSITÁRIO EMPREENDEDOR ........................................................................ 59 14 INTRODUÇÃO A educação empreendedora vem ganhando cada vez mais espaço principalmente a partir do início do século XX, quando empreendedores e futuros empreendedores se conscientizam de que sua atitude e comportamento são muito importantes para a abertura, desenvolvimento e sustentabilidade de empreendimentos e, consequentemente, para a construção de uma sociedade economicamente saudável (DOLABELA, 2008; FILION, 1991). Observando a atividade empreendedora de empresas nascentes e com no máximo três anos de fundação, segundo a pesquisa GEM - Global Entrepreneurship Monitor, realizada no Brasil pelo SEBRAE e pelo Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade (IBQP), o Brasil é um dos países mais empreendedores do mundo, entretanto, especialistas envolvidos nas análises locais da pesquisa, acreditam que a falta de educação e capacitação apropriada, é um fator limitante do avanço da ação empreendedora sustentável, visto que a maioria dos empreendedores brasileiros, inicia o negócio sem estar de posse dos conhecimentos e habilidades necessários para geri-lo (GEM, 2014). Já quanto à caracterização dos profissionais que ocupam algum cargo ou posição em organizações já estabelecidas, principalmente as grandes empresas, observa-se, também, a tendência em compor seus quadros de funcionários com indivíduos com características empreendedoras, para garantir equipes preparadas para enfrentar o mercado atual, que requer não só conhecimento mas, também, habilidades de proatividade que ajudarão a perceber e entender a realidade à sua volta, de modo que possam ser capazes de transformá-la através de soluções inovadoras, práticas, inteligentes e de baixo custo (CUNHA, 2007). Consequentemente, os profissionais que não querem abrir seu próprio negócio também sentem a necessidade de uma educação que desenvolva as habilidades necessárias, para que possam ser líderes e agentes de mudança em qualquer posição que ocupem. Considerando o contexto do mercado mundial, onde a concorrência por recursos e clientes têm derrubado constantemente as fronteiras que se apresentam, a educação empreendedora se tornou vital para a preparação de profissionais que consigam aproveitar as oportunidades derivadas das mudanças que vêm acontecendo de forma cada vez mais rápida e assertiva, que estejam preparados para uma nova forma de perceber o mundo e viver nele, transformando-o através de soluções inovadoras (DOLABELA, 2008). Várias iniciativas surgiram nos últimos anos para colocar em prática uma educação mais completa que tem como foco não só o conhecimento como o desenvolvimento das habilidades 15 de cada estudante, formando assim um profissional com espírito empreendedor, que se adeque às mudanças e tente encontrar soluções através delas. Esse tipo de educação, faz do aluno, um profissional menos mecânico e mais criativo. Uma das iniciativas mais notórias no Brasil, com o objetivo de promover a educação empreendedora tem é o Programa Nacional de Educação Empreendedora do Sebrae, que se apresenta como uma forma de implementar a educação empreendedora em todos os níveis de escolaridade. Segundo Sebrae (2015), o Programa Nacional de Educação Empreendedora – PNEE/SEBRAE - destina-se a oferecer soluções educacionais para implementar a educação empreendedora em todos os níveis escolares através da implantação de novas disciplinas, da capacitação de professores e da prática de projetos. Neste programa o objetivo é despertar nos estudantes a busca por mudanças, estimular o desejo de explorá-las e mostrar como eles podem aproveitá-las até mesmo como oportunidades de negócios. O PNEE/SEBRAE prepara o estudante para um novo mercado de trabalho que requer um profissional polivalente e desejoso de mudanças, proativo, criativo e inovador, que possua não só os conhecimentos necessários para a profissão como também uma postura empreendedora (SEBRAE, 2015). Entre as várias iniciativas do Programa Nacional de Educação Empreendedora para disseminar a cultura empreendedora nas Instituições de Ensino Superior do país, o Desafio Empreendedor Universitário se destaca como um projeto de sucesso e é organizado como uma competição nacional de caráter educacional, desenvolvida pelo Sebrae, visa estimular os universitários a desenvolver atitudes empreendedoras, assim, preparando-os para os desafios, por meio da capacitação, aprimoramento e desenvolvimento de habilidades corporativas e contribuir para a transformação da educação nas Instituições de Ensino Superior, fazendo com que esta se volte para um novo modelo, mais condizente com a realidade do mercado de trabalho, voltada para o empreendedorismo (SEBRAE, 2015). Entretanto, como a educação empreendedora ainda é considerada um novo modelo de ensino-aprendizagem no Brasil, e poucos projetos similares ao Desafio Universitário Empreendedor foram implementados anteriormente e, ainda, como é recente o desenvolvimento de ações deste tipo, que contribuem para a atualização e transformação do ensino brasileiro, se faz necessário a apuração dos resultados que foram obtidos com este projeto sob a ótica da educação empreendedora, que, apesar de se basear em informações sólidas, ainda é uma inovação no contexto brasileiro de educação. Torna-se necessário apurar a relação entre os objetivos do programa e os resultados obtidos por este até o momento, a fim de verificar qual a relação entre o Desafio Universitário 16 Empreendedor e as posteriores atitudes e atividades empreendedoras desenvolvidas pelos ex- participantes desta atividade. Foi considerado que este objetivo seria melhor atingido através da verificação experiência dos participantes classificados para as semifinais do Estado do Rio e Janeiro, na última edição (neste trabalho identificados como ex-participantes), pois, desta forma, se farão claras, as contribuições do projeto para o conhecimento e desenvolvimento de habilidades dos ex-participantes, além de observar se este programa realmente contribui para preparar os alunos das instituições de ensino superior tanto para sobreviver em um mercado de trabalho cada vez mais competitivo e que preza pela inovação e proatividade, quanto para a abertura e posterior manutenção de um empreendimento próprio, se este assim desejar. Diante deste contexto, de pesquisa, tem-se como objetivo geral desta pesquisa: verificar a relação entre o Desafio Universitário Empreendedor e as posteriores atitudes e atividades empreendedoras desenvolvidas pelos ex-participantes. Para alcançar este objetivo foram estabelecidos os seguintes objetivos específicos: Caracterizar o empreendedor e o processo de formação de suas habilidades e atitudes; Descrever o Programa de Educação Empreendedora do Sebrae; Caracterizar o Desafio Universitário Empreendedor do Sebrae; Identificar as atuais atividades empreendedoras desenvolvidas pelos ex- participantes do projeto. Através das pesquisas realizadas para a elaboração deste trabalho de Conclusão de Curso, pretende-se contribuir para a discussão sobre a importância da educação empreendedora na formação profissional dos estudantes das instituições de ensino superior. Além disso, como o tema educação empreendedora é centro de diversas discussões acadêmicas, esta irá contribuir para o enriquecimento do debate sobre o funcionamento de uma das iniciativas de fomentar a educação empreendedora existentes no país e uma parcela dos resultados obtidos por esta. A presente pesquisa visa também, evidenciara relevância de uma educação voltada para a transformação através da inovação. Além disso, o presente estudo possibilitará demonstrar alguns pontos fortes e fracos do Desafio Universitário Empreendedor do Sebrae, para possíveis melhorias nas futuras edições do projeto e em outros programas de educação empreendedora. 17 Para poder atingir os objetivos propostos a apresentação deste trabalho monográfico foi organizado em cinco partes, esta introdução, o levantamento teórico sobre os temas a serem tratados, a apresentação da metodologia da pesquisa de campo, a apresentação e análise dos dados coletados e, finalmente as considerações finais que foram alcançadas em todo o processo. Apresenta-se ao final, ainda as referências consultadas e os anexos necessários. 18 2. REFERENCIAL TEÓRICO 2.1. Empreendedorismo O empreendedorismo já passou por vários conceitos ao longo dos anos, mas atualmente, ganhou um novo entendimento, visto que não mais se compreende como empreendedor apenas aquele que abre seu próprio negócio ao visualizar uma oportunidade, mas todo e qualquer indivíduo que esteja na posição de agente no processo de transformação e desenvolvimento (GUIMARÃES e SOUZA, 2006). O empreendedor do século XXI é representado por todo aquele que, através da inovação, transforma o ambiente ao seu redor, seja ele empregado ou empregador (DOLABELA, 2008). Para Hoeltgebaum (2004), o empreendedor é alguém que gera algo útil e com valor positivo para a comunidade. “Empreendedorismo é a criação de valor por pessoas e organizações trabalhando juntas para implementar uma ideia por meio da aplicação de criatividade, capacidade de transformar e o desejo de tomar aquilo que comumente se chamaria de risco” (Appud. BOM ÂNGELO; 2003, p.25). Segundo Dolabela e Filion (2013), ser empreendedor significa identificar e aproveitar as oportunidades na sua área de conhecimento sem, no entanto, se esquecer que seu trabalho deve gerar valor para a sociedade como um todo. Para Tomei et al. (2008), empreender não é uma profissão, e sim uma postura que pode ser compartilhada por qualquer tipo de profissional em qualquer atividade, pois o empreendedorismo não é uma atividade em si mesma e sim um meio para se chegar a um objetivo. Ainda segundo os autores, qualquer pessoa pode ser empreendedora mesmo que não monte seu próprio negócio, pois ela também pode desenvolver atitudes e habilidades empreendedoras no mercado de trabalho. Dolabela destaca que é necessário preparar o profissional do futuro tanto para ser dono de seu próprio empreendimento como também para atuar como empregado, em suas palavras. “A lógica antiga de inserção no mundo do trabalho não se aplica ao mundo atual. A porta de entrada é outra. As condições de permanência e sucesso se alteraram” (DOLABELA, 2008 p.13). O empreendedor não é mais visto com desconfiança, mas é considerado um tipo de profissional necessário em todas as esferas (DOLABELA, 2008). Para o autor, o mercado exige, 19 cada vez mais, um profissional que consiga se adequar a qualquer situação e que explore problemas, a fim de achar soluções através de inovações. Ainda segundo o autor, o empreendedorismo começou nas empresas, porém agora, contempla todas as áreas da sociedade: empresas, governos e etc. A mudança de visão do que é empreendedorismo e a conscientização atual de que ele não se restringe somente a uma nova ideia ou um novo negócio, fez com que as empresas, governos e parte da população, se desse conta de que o empreendedorismo é fundamental para a manutenção da sociedade, visto que o empreendedor é o agente de mudança que move o mundo através de ousadia, inteligência e criatividade (DOLABELA, 2008). Neste sentido, segundo Bastos e Peñaloza (2006), o empreendedorismo é visto como uma peça fundamental para o desenvolvimento e crescimento da economia, portanto, os países desenvolvidos e em desenvolvimento têm debatido muito sobre o tema e tomado importantes decisões com base nele. Segundo Calaes de Andrade (2005), o empreendedorismo vem ganhando mais força no contexto mundial, diante da crescente escassez de empregos e a alta mortalidade das empresas no mundo inteiro, aliados a grandes problemas sociais, o empreendedorismo tem sido uma solução tanto para os profissionais como para as organizações, que se encontram em um mundo a cada dia mais competitivo, onde a inovação é uma vantagem competitiva muito poderosa. Para Bernardo et al. (2013), o empreendedorismo tem emergido como princípio de criação de empregos, riqueza e desenvolvimento. Segundo Campelli et al. (2011), o empreendedorismo do século XXI se preocupa com aspectos antes ignorados por este, como a inclusão social e o cuidado com o meio-ambiente. Ou seja, as iniciativas empreendedoras deste século não se restringem apenas a uma atividade lucrativa e sustentável, mas são vistas como uma oportunidade de diminuir as desigualdades sociais. Ainda segundo a visão do autor, o empreendedorismo hoje ocupa um elo de equilíbrio entre as grandes corporações e as micro e pequenas empresas. O empreendedorismo atual, faz parte da vida tanto de quem abre um novo empreendimento, como também dos que trabalham na manutenção e desenvolvimento de instituições já existentes (Dolabela, 1999). No caso de novos empreendimentos, evidencia- se a importância da educação formal para o sucesso da gestão de micro e pequenas empresas. Podemos constatar essa importância ao analisarmos a pesquisa realizada por Cruz Júnior et al. (2006), onde 62% dos empreendedores entrevistados afirmam possuir ensino 20 superior e consideram a educação formal como fator importante para a condução e desenvolvimento do seu empreendimento. 2.1.1 Empreendedorismo no Brasil O empreendedorismo no Brasil não era praticado em quantidade considerável antes da década de 90, pois além da situação econômica e política do Brasil, antes disso, não ser favorável ao surgimento de novos negócios, os empreendedores não tinham as informações e conhecimentos necessários para começar a sua própria empresa (DORNELAS, 2001). Entretanto, ainda segundo o autor, a partir de 1990, com a criação de entidades que se propuseram a auxiliar os futuros empreendedores no processo de abertura de empresas, como o Sebrae por exemplo, o brasileiro começou a empreender de forma relevante. A partir de então, a atividade empreendedora no Brasil cresceu muito, até que atualmente, o país passou a ocupar a posição de país mais empreendedor do mundo (GEM, 2014). Em contraponto a cultura do emprego, segundo Cruz Júnior et al., “a prática empreendedora tem sido cada vez mais considerada como uma opção de carreira para o brasileiro, principalmente, por causa da dificuldade de absorção de profissionais pelo mercado formal (CRUZ JÚNIOR et al., 2006, p.18)”. Além disso, cada dia mais, o empreendedorismo tem se mostrado como uma forma de desenvolver o Brasil economicamente e socialmente, pois segundo Cunha (2007), o empreendedorismo é uma solução tanto para a construção de um Brasil mais justo e com menos problemas sociais, quanto para o desenvolvimento de uma economia brasileira mais competitiva e forte. Segundo Verga e Silva (2014), o empreendedorismo está intimamente ligado com o desenvolvimento econômico. Podemos observar também essa forte relação entre empreendedorismo e desenvolvimento econômico na pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (2014), onde podemos ver que o crescimento econômico do Brasil tem relação direta com o empreendedorismo. Ademais, o empreendedorismo também contribui para o desenvolvimento social do país. (NOGAMI et al., 2014). Ainda segundo os autores, “Não se pode ignorar que o desenvolvimento econômico brasileiro é, em grande parte, refletido pormicro e pequenas empresas, as quais geram emprego e renda, levando ao maior consumo dentro da economia de mercado. Isto implica que na esfera governamental, no que tange às preocupações econômicas, a atenção precisa voltar- se para as micros, pequenas e médias empresas. ” (NOGAMI et al., 2014, p. 68) 21 Segundo Bastos e Peñaloza (2006), apesar da visível importância do empreendedorismo para o desenvolvimento do país, a realidade brasileira ainda está longe de ser a ideal para quem quer abrir um negócio próprio, tendo em vista aspectos como a quantidade de impostos, a complicação que é pagá-los, a dificuldade para abrir e fechar empresas, as dificuldades no sistema bancário e no acesso a financiamentos, é perceptível que o país ainda não está preparado para formar e manter empreendedores que auxiliem no crescimento econômico e social do próprio. Ainda segundo os autores, para mudarmos o atual contexto desfavorável do Brasil, é essencial a criação de uma série de ferramentas e aparatos políticos e institucionais voltados para a criação e manutenção de negócios, ou seja, se faz necessário uma reestruturação da dinâmica empreendedora do Brasil, para que haja mudança neste quadro negativo em que nos encontramos. Apesar do atual contexto brasileiro não ser dos mais favoráveis a criação de um novo negócio, com a conscientização da importância do empreendedorismo por parte do governo e da população em geral, o brasileiro adulto tem se mostrado cada vez mais interessado em abrir seu próprio empreendimento. Segundo dados do GEM (2014), demonstrados na tabela abaixo, abrir um negócio aparece em terceiro lugar na lista de desejos e sonhos dos brasileiros adultos, já que 31,4% deles, afirmam que desejam abrir seu próprio negócio. Ainda segundo dados da pesquisa, os brasileiros preferem a opção de abrir o próprio negócio, a opção de “fazer carreira em uma empresa” que foi respondida apenas por 15,8% dos brasileiros como sendo seu maior sonho. QUADRO 1 – Principais Sonhos dos Brasileiros Sonho Brasil 2012 2013 2014 Comprar a casa própria 48,0 45,2 41,9 Viajar pelo Brasil 50,2 42,5 32,0 Ter seu próprio negócio 43,5 34,6 31,4 Comprar um automóvel 36,4 34,3 26,9 Ter um diploma de ensino superior 31,6 25,5 21,6 Viajar para o exterior 33,0 26,8 18 Ter plano de saúde 29,9 22,5 17,1 Fazer carreira numa empresa 24,7 18,8 15,8 Casar ou formar uma família 16,1 14,0 11,5 Comprar um computador 15,2 11,9 6,3 Fonte: GEM BRASIL 2014, p.14 22 Entretanto, mesmo com o crescimento da atividade empreendedora no Brasil e a contribuição desta para o desenvolvimento do país, segundo dados do SEBRAE (2013), 24,9% das empresas abertas no Brasil encerram suas atividades antes de completar dois anos de existência. Ainda segundo dados do GEM (2014), um dos fatores que mais limita o empreendedor brasileiro é a falta de educação e capacitação, fazendo com que este gerencie mal seu negócio e acaba por culminar no fechamento das empresas. Segundo Degen (2005), um dos principais motivos para o fechamento precoce das empresas é a falta de informação e conhecimento prévio que acaba por acarretar a incompetência administrativa. Portanto, ainda segundo o autor, é de suma importância que o futuro e o empreendedor já atuante, tenham uma base de conhecimento sólida e se atualizem para um maior grau de competitividade. O gráfico abaixo (GEM, 2014), mostra quais os fatores que os especialistas consideram mais importantes para um empreendedor que decide abrir seu próprio negócio. Além disso, o gráfico abaixo também mostra em qual porcentagem esses fatores parecem limitar ou favorecer os empreendedores brasileiros, ou seja, como esses fatores determinantes para o sucesso de uma empresa, têm se apresentado no empreendedor brasileiro. Podemos visualizar, que o fator educação e capacitação, tem se mostrado como um fator limitante para o empreendedor brasileiro, já que a maioria deles, não possui os conhecimentos e as habilidades necessárias para gerir um negócio. GRÁFICO 1 – Fatores mais importantes para abertura de um negócio Fonte: GEM Brasil, 2014, p.17 23 Apesar do fator educação e capacitação ser favorável quando o empreendedor consegue utilizar seus conhecimentos e habilidades para gerir de forma eficaz seu empreendimento, ele também é considerado, um dos três grandes fatores que restringem a capacidade de crescimento dos empreendimentos brasileiros, já que os empreendedores, na maioria das vezes, não receberam uma educação voltada para o empreendedorismo e a inovação, visto que ainda segundo o relatório GEM (2014), o Brasil ainda apresenta um ensino tradicional que despreza o empreendedorismo como opção de carreira, principalmente, nos dois primeiros níveis da educação: educação básica e ensino médio. Como uma forma de transformar a realidade do empreendedorismo no Brasil, uma das recomendações do relatório GEM (2014), é a transformação do modelo de educação vigente no país, para uma educação voltada para o empreendedorismo nos três níveis de educação. Ainda segundo o relatório, as Instituições de Ensino Superior (IES) e programas de incentivo a educação empreendedora desenvolvidos pelo Sebrae e Senai, por exemplo, têm contribuído para que a educação empreendedora seja disseminada e para que contribua para a gestão dos empreendimentos brasileiros de forma positiva. Segundo Cruz Júnior et al. (2006), o Brasil passa por um momento, de reformulação contínua da educação, que passa de uma educação extremamente tradicional, para uma educação participativa, que visa formar empreendedores, e também incentivar os que já são empresários a buscar uma atualização dos conhecimentos para uma gestão mais eficaz do empreendimento. 2.2 Educação Empreendedora Para Lopes: “Muitos fatores contribuem para o surgimento de um empreendedor: personalidade, família, etnia, cultura, religião, exposição a negócios, modelos, experiência de trabalho. Destacam-se também, as influências da educação e do treinamento que contribuem para encorajar o empreendedorismo, ao desenvolver atitudes, conhecimentos e habilidades, além da conscientização sobre as possibilidades de carreira do empreendedor” (LOPES, 2010, p.18). O empreendedorismo é um assunto que causa muita discussão, pois por se tratar de atividades práticas (DRUCKER, 1974), ainda existe uma certa linha de pensamento que diz que não há a possibilidade de ensinar as características empreendedoras a pessoas que aparentemente não as têm. Além disso, segundo Tomei et al. (2008) os valores pessoais do empreendedor, sua postura com relação as outras pessoas, e seus valores se confundem com 24 seu comportamento pessoal, de forma que não há como separar o empreendedor da pessoa em questão. Entretanto, para Lopes (2010), se chegou a um certo consenso entre os especialistas no assunto, que assim como Drucker (1986), acreditam que uma pessoa que aparentemente não possui o espírito empreendedor, pode vir a empreender com sucesso, após desenvolver suas habilidades e acumular conhecimento. Para Lopes (2010), hoje, a pergunta não é mais se alguém pode aprender a ser empreendedor e sim, como fazê-lo e como traçar esse perfil tão complexo. Dornelas (2001) destaca que até o início do século XX, acreditava-se que o empreendedorismo era inato, que o empreendedor nascia com um diferencial e era predestinado ao sucesso nos negócios. Pessoas sem essas características eram desencorajadas a empreender. Ainda segundo o autor, atualmente esse discurso mudou, e se acredita que o processo empreendedor pode ser ensinado e entendido por qualquer pessoa, e que o sucesso é decorrente de uma gama de fatores internos e externos ao negócio, do perfil do empreendedor e de como ele administra as adversidades que encontra no dia-a-dia de seu empreendimento. Para Rocha e Freitas (2014),o empreendedorismo exige do empreendedor, uma força para que este seja agente e possa controlar diretamente todos os processos de uma empresa corretamente. As características que compõem a personalidade do empreendedor são comuns a todos os indivíduos, todavia, em alguns, essas características estão mais pronunciadas do que em outros, contudo, é possível formar empreendedores, dotando-os de algumas ferramentas básicas para o desenvolvimento de suas ideias (CIELO, 2001). Segundo Dolabela (2008), o trabalho da educação empreendedora é desenvolver o potencial empreendedor que já existe em cada ser humano. Ainda segundo o autor (2003), todos os indivíduos nascem empreendedores e algumas pessoas deixam de sê-lo devido a exposição a valores anti-empreendedores na educação, nas relações sociais e na cultura conservadora na qual estamos inseridos. A educação empreendedora é a chave para se formar profissionais que podem empreender em qualquer profissão e de várias formas (DOLABELA, 2008). Ainda segundo o autor, esse tipo de educação, voltada para o empreendedorismo, tem como objetivo formar empreendedores, independente se os alunos demonstram ter características empreendedoras ou não. Para o autor, a educação empreendedora acredita que qualquer indivíduo pode ser um empreendedor, mesmo que este não queira abrir uma empresa, visto que ela tem como principal objetivo, desenvolver as características empreendedoras dos alunos, conciliando o desenvolvimento de habilidades com a obtenção dos conhecimentos necessários. 25 Segundo Calaes de Andrade e Acurcio (2005), é responsabilidade de todo cidadão, empreender para mudar o mundo em que vivemos, criando soluções para os problemas existentes. Ainda segundo a autora, para que isso aconteça, é responsabilidade das instituições educacionais colaborarem para a solução dos problemas socioeconômicos, preparando as pessoas para empreender, gerando assim empregos e criando riquezas. Para a autora, as instituições precisam preparar cidadãos mais participativos, desejosos de mudanças e agentes destas, pessoas que produzam através de suas habilidades, exercendo suas atribuições com total plenitude profissional, com ética e assumindo os riscos de construir caminhos que beneficiem não só ela como indivíduo, como toda a nação e o planeta. Segundo Dolabela e Filion, “o empreendedorismo oferece novas perspectivas para modificar os padrões e processos de aprendizagem existentes. Ele revela um segredo tão antigo quanto a própria civilização: a capacidade dos seres humanos serem os protagonistas do seu próprio destino está se tornando acessível a todos, seja em sociedades menos desenvolvidas ou em estruturas sociais organizadas e sofisticadas. (DOLABELA e FILION, 2013, p.136-137)” Segundo Martins (2010), para se ter uma verdadeira transformação do modelo de ensino, onde o ensino tradicional seja substituído por uma educação empreendedora, o foco deve estar no desenvolvimento de alunos criativos, que gostem e saibam inovar, que assumam riscos necessários e bem calculados, para que desta forma, eles possam ser cidadãos proativos e transformadores que irão trilhar novos caminhos para a sociedade. Ainda segundo o autor, alunos e professoras têm de estar em sintonia, buscando juntos, soluções que nunca foram pensadas, levando a frente estas ideias com perseverança e sem medo de correr os riscos necessários a empreitada, voltando suas soluções para o benefício da sociedade como um todo. Pois, a educação empreendedora tem como principal objetivo, preparar alunos com habilidades e competências para transformarem o meio em que vivem, provocando mudanças em benefício próprio e também em benefício da sociedade em geral (VILLELA, 2005). Segundo Dolabela e Filion (2013), a educação formal deve se concentrar em incentivar e auxiliar no desenvolvimento de práticas empreendedoras que incluam tanto os valores individuais quanto os coletivos, ou seja, aliando os sonhos individuais de cada empreendedor com os benefícios que este sonho pode trazer a sociedade. Ainda segundo a visão desses autores, a educação empreendedora deve estimular no aluno o desejo de contribuir socialmente através da produção de conhecimento, bem-estar, liberdade, saúde, democracia, riqueza material, enriquecimento espiritual, melhoria da qualidade de vida, e assim por diante. 26 Visto que as pessoas veem no empreendedorismo, uma forma de realizar aquilo que as motiva, colaborando com a sociedade e ganhando, em contraponto, reconhecimento social e melhoria de vida através da ascensão social, o empreendedor, contribui para a sociedade gerando empregos e ajudando as pessoas ao redor, visualizando através de problemas, soluções empreendedoras para a melhoria da vida de todos (LIMA FILHO et al., 2009). Dolabela (2008) destaca que a educação empreendedora vem como uma solução para substituir uma educação formal que parece não satisfazer as necessidades do mundo atual. Ainda segundo o autor, neste novo contexto, não basta ter alunos que tenham conhecimentos e que saibam as técnicas necessárias para o trabalho, o mercado de trabalho pede por um trabalhador polivalente que tenha conhecimentos, mas que saiba implantá-los de forma inovadora e em momentos difíceis. Profissionais que saibam como se portar diante da crise e como ajudar as pessoas, para que estas possam também melhorar a realidade a sua volta (Dolabela, 2008). Para Meyer et al. (2009) o mercado, já desgastado, percebeu que precisa de gestores empreendedores que inovem com criatividade e ousadia, para atender as novas demandas da sociedade, visto que a sociedade, mais do que nunca, passa por um período de transformação rápida, ascendente e constante, o que requer pessoas que percebam as mudanças e tirem o melhor proveito possível delas. Ainda segundo o autor, é essencial que as instituições de ensino se voltem para uma educação mais empreendedora pautada em inovação e mudança, focando na formação de profissionais que assumam riscos e sejam criativos. Silva et al. (2009), reconhecem o empreendedor como elemento chave para o desenvolvimento econômico, gerador de riquezas e inovação, para que se ampliem as possibilidades de geração de trabalho e renda para os estudantes. Os autores compreendem que é importante aos estudantes ter a visão de que ser empreendedor é uma opção viável e rentável, valorizada como o agente transformador da sociedade que de fato é. Os autores enfatizam, ainda, que a educação formal superior deve se preocupar com a internacionalização dos conceitos relativos ao empreendedorismo, pois mesmo que não haja um desejo do estudante de seguir por esse caminho, é importante que este tenha conhecimento sobre o assunto, ou seja, deve haver uma compreensão clara por parte da sociedade sobre o que é e como funciona o empreendedorismo na prática, para que este possa ser praticado pelos que assim o desejam. Cunha (2009) destaca que o sonho de empreender não significa apenas satisfação e sucesso pessoal, mas também significa uma conquista coletiva, que irá trazer valor a sociedade e incremento para a economia. Ainda segundo o autor, se não houvesse práticas 27 empreendedoras não haveria possibilidade de melhoria e evolução, visto que é através do empreendedorismo que se atinge o desenvolvimento em todos os âmbitos de nossa sociedade. O autor destaca o fato de que uma educação voltada para uma visão empreendera, deve incentivar e ajudar os alunos a desenvolverem ações empreendedoras que irão melhorar não só a vida dos próprios, como a sociedade inteira. A educação empreendedora, deve ser difundida da infância até a universidade, não importando qual a profissão, visto que qualquer pessoa pode empreender em qualquer área, não podemos limitar o ensino de empreendedorismo apenas a cursos de administração eeconomia quando, todas as áreas carecem de inovação e desenvolvimento (CUNHA, 2009). Henrique e Cunha (2008) apresentam a questão de que o ensino empreendedor não anula completamente os métodos tradicionais de ensino e aprendizagem, na verdade, uma educação voltada para a formação de empreendedores, é a combinação dos métodos de ensino tradicionais aliados a um ensino inovador, que através de metodologias e práticas pedagógicas mais eficazes, faz do estudante não só um receptor de conhecimento, como um gerador de conhecimento e inovação. Ainda segundo o autor, deve haver uma mistura entre a teoria (muito presente no ensino tradicional) e a prática (presente na educação empreendedora), pois dessa forma os estudantes poderão não só obter o conhecimento necessário, como também desenvolver habilidades como: comunicação, criatividade, pensamento crítico, avaliação, liderança, planejamento, negociação, habilidade de tomar decisões, habilidade de reconhecer as oportunidades que surgirem no caminho, habilidade de persuasão, entre outras. Para Cunha (2007), os cursos de ensino superior, principalmente de administração, podem contribuir para o desenvolvimento de novos empreendedores, mas para tal, é necessário que haja um estudo para o desenvolvimento de instrumentos educacionais que contribuam para o desenvolvimento destes profissionais. Ainda segundo o autor, o desenvolvimento desses empreendedores é essencial para a sociedade, visto os problemas sociais e econômicos que o mundo e, principalmente o Brasil, enfrenta atualmente. O autor vê na educação empreendedora no ensino superior, uma possível solução para a crise do desemprego que o país enfrenta e também para o problema histórico de baixo desenvolvimento, já que através dela, novos empreendedores serão formados e com isso haverá geração de empresas e, por consequência, geração de empregos. O empreendedorismo não se restringe mais as empresas, no contexto atual, os governos federais, estaduais e municipais, têm traçado estratégias tendo por base a formação de novos empreendedores, pois, o empreendedor se caracteriza como uma pessoa determinada e focada, 28 que não deixa que os problemas sejam obstáculos intransponíveis no caminho do sucesso, portanto, ele abre e administra seu negócio da melhor forma possível, beneficiando assim não só a ele, como indivíduo, como o Estado e posteriormente a nação como um todo. Isto é, o empreendedor contribui para a sociedade gerando empregos e renda (ROCHA e FREITAS, 2014). Ainda segundo a visão dos mesmos autores, a sustentabilidade das empresas a longo prazo, é um problema que preocupa tanto o governo quanto os empreendedores, porém, uma possível solução para essa situação seria investir na educação empreendedora, para formar profissionais mais bem preparados para desenvolver e sustentar seus negócios. Ainda segundo os autores, os cursos de ensino superior, principalmente de Administração, têm se preocupado em desenvolver um profissional mais qualificado com relação a gestão de empresas, dotado não só do conhecimento necessário, como das habilidades importantes para a manutenção das empresas (ROCHA e FREITAS, 2014). Para Lucena et al. (2014), o modelo de ensino voltado para a educação empreendedora, vem para reformular, uma educação que não mais atende as necessidades da sociedade, visto que o modelo atual, faz do estudante um receptor de conhecimento, sem qualquer pensamento crítico, que por sua vez, na educação empreendedora, será substituído por um estudante com pensamento crítico que irá ao mesmo tempo aprender e criar conhecimento, através da reflexão e da criação, arriscando e aprendendo com seus erros, dando lugar a um profissional consciente, confiante e autor da própria história. Já para Martins (2010), o modelo de educação empreendedora já está se tornando possível no ensino superior por meio de professores empreendedores e órgãos de apoio que fomentam a educação empreendedora. 2.3 Órgãos de apoio a Educação Empreendedora no Brasil Campelli et al. (2011) apresentam o crescimento e disseminação da visão empreendedora e a consolidação do empreendedorismo como fator fundamental para o desenvolvimento saudável da sociedade, demanda, no Brasil, esforços cada vez mais urgentes de entidades públicas e privadas, governamentais e da sociedade civil, dos ramos produtivos e, principalmente, das instituições de ensino. Os autores também afirmam que algumas inciativas já foram criadas no Brasil com o objetivo de incentivar o empreendedorismo educacional, como o Programa EMPRETEC, que foi formulado e implementado pelo Sebrae, além de outras iniciativas de universidades e escolas comprometidas na formação de novos empreendedores 29 para o mercado globalizado e competitivo, em que só obtém sucesso aquele que estiver melhor preparado. Segundo Garcia et al., “A importância do empreendedorismo acadêmico tem sido crescentemente destacada na literatura como um importante instrumento para o desenvolvimento econômico e tecnológico dos países, dada a capacidade dos estudantes universitários em criar empresas mais intensivas em conhecimentos científicos e tecnológicos, com efeitos importantes para a dinamização de cadeias produtivas. Por essa razão, diversos países têm adotado políticas de apoio e de promoção para o empreendedorismo acadêmico. (GARCIA et al.2012, p. 59)” Os programas de educação empreendedora visam implantar de forma gradativa e contínua a formação empreendedora na educação formal conservadora vigente (ANDRADE e TORKOMIAN, 2001). Os programas auxiliam professores a mudarem a forma de passar o conteúdo das escolas e implantar atividades interativas que farão com que os alunos não só aprendam passivamente, como também já comecem a criar e interagir, desenvolvendo assim habilidades e explorando o mundo de forma consciente e inteligente (LUCENA et al., 2014). De acordo com o Sebrae (2016), o Programa Nacional de Educação Empreendedora é um dos programas de apoio a educação empreendedora mais consistente em funcionamento no Brasil, e tem por objetivo amenizar o problema da falta de preparo por parte dos empreendedores brasileiros e profissionais em geral. Este programa visa alcançar os futuros empreendedores, desde o início de suas carreiras acadêmicas, até o ensino superior, onde o programa não atinge só os futuros empreendedores, como alguns empreendedores já atuantes que devido à falta de preparo, buscam no ensino superior uma forma de adquirir as competências necessárias para a gestão de seu empreendimento, ou mesmo da empresa onde trabalha. O Desafio Universitário Empreendedor é um dos vários projetos que fazem parte do Programa Nacional de Educação Empreendedora do Sebrae visando as Instituições de Ensino Superior (SEBRAE, 2016). Este projeto visa promover atividades de fomento à cultura empreendedora nas instituições de Ensino Superior, com o intuito de mobilizar estudantes e professores universitários em favor da divulgação do empreendedorismo e do amadurecimento de novos negócios no país. De acordo com o regulamento do projeto, o Desafio Universitário Empreendedor tem como objetivos: 30 “a) estimular atitudes empreendedoras e preparar jovens universitários para os desafios do mundo do trabalho; b) desenvolver nos universitários a capacidade de gerenciar pequenos negócios e as habilidades empreendedoras, além de difundir conceitos relacionados a competitividade, gestão, mercado, inovação e empreendedorismo; c) capacitar, desenvolver e aprimorar habilidades corporativas nos estudantes da graduação de forma interativa; d) incentivar a criatividade e as competências relacionadas à tomada de decisão a partir de jogos empresariais, de livre escolha, em ambiente virtual de aprendizagem; e) promover ambiente de aprendizagem para desenvolvercompetências dos estudantes universitários, a fim de contribuir para o fomento do empreendedorismo no meio acadêmico; f) estreitar relações institucionais com Instituições de Ensino Superior – IES; g) reconhecer universitários em atividades que estimulam conhecimento sobre empreendedorismo, tomada de decisões, criação e gestão de negócios h) reconhecer professores e IES relacionados aos estudantes universitários inscritos no Desafio. (SEBRAE, 2016, p.1) ” Segundo o Sebrae (2016, p.1), “o Desafio Universitário Empreendedor é uma competição, com caráter educacional, que reúne, em torno de rankings, diversas atividades e jogos com o propósito de disseminar conteúdos de gestão, inovação e empreendedorismo entre os jovens universitários.” Muito embora, o Desafio Universitário Empreendedor seja uma competição e, como consequência, haja premiações e vencedores, o maior objetivo deste projeto não se restringe aos limites de uma simples competição. O que se busca prioritariamente é a difusão da cultura empreendedora nas Instituições de Ensino Superior (IES), através da prática de projetos empreendedores, possibilitando assim que a cultura empreendedora possa ser entendida e absorvida pelos participantes de uma forma consistente e dinâmica O Desafio Universitário Empreendedor é mais uma ferramenta para preparar os alunos das IES para o mercado de trabalho, de forma que eles possam desenvolver suas habilidades e aplicar conceitos adquiridos nas IES em projetos empreendedores (SEBRAE, 2016). A atual configuração do Desafio Universitário Empreendedor consiste nas seguintes fases: “Em um primeiro momento, de forma virtual, os participantes do projeto participam de cursos de capacitação, concursos e disciplinas sobre o mundo empresarial e, através destes, acumulam pontos para as próximas fases. 31 Após a fase virtual, os participantes passam por uma etapa presencial no Sebrae do seu respectivo estado. Participam destas fases, os estudantes que foram classificados na primeira etapa. Estes irão realizar uma série de atividades com especialistas em gestão e empresários. Para a última etapa, os quatro melhores classificados, de cada estado, na etapa anterior, formaram equipes e cada grupo irá apresentar sua ideia de negócio a fim de serem julgados por uma banca de especialistas (SEBRAE, 2016, p.5)” O Desafio Universitário Empreendedor utiliza os jogos, principalmente na primeira fase do projeto, como uma ferramenta para envolver os estudantes em um ensino sobre empreendedorismo, a fim de desenvolver as habilidades e agregar conhecimentos a estes. Burker (2015) nomeia este processo como gamificação, um método para motivar indivíduos de forma lúdica e digital, fazendo com que os indivíduos alterem seus comportamentos, desenvolvam habilidades ou estimulem a inovação , através de jogos que atinjam os objetivos da empresa. Ainda segundo o autor, “Soluções inovadoras de gamificação oferecem aos usuários o espaço necessário e criam objetivos, regras, recompensas e outros aspectos do modelo de envolvimento do jogador, entretanto, elas não definem o resultado - os participantes são livres para inovar dentro do espaço fornecido. (BURKER, 2015, p. 66)” Segundo Savi e Ulbricht (2008), os jogos digitais voltados para a educação trazem aos processos de aprendizagem vantagens sobre o ensino tradicional, tais vantagens podem ser elencadas como: Esse tipo de ferramenta facilita a absorção de conhecimento, visto que instigam a curiosidade do aluno, já que este se torna autor do próprio aprendizado, sendo exposto a desafios cada vez maiores e se sentindo recompensado por isso; Além de fazer com que o aluno se sinta parte integrante de seu aprendizado e não só um receptor de conhecimento, os jogos educacionais têm componentes de prazer e diversão que envolvem o processo de aprendizagem, fazendo com que eles tenham um efeito motivador; Mais do que fazer com que o aluno adquira conhecimentos, os jogos educacionais fazem com que este desenvolva habilidades, principalmente, cognitivas. Ainda segundo os autores, a utilização dos jogos como forma de aprendizagem ainda é um recurso recente no contexto educacional. Todavia, avaliando exemplos de inserção desse tipo de recurso em universidades e empresas e percebendo as vantagens e potencialidades em relação ao ensino tradicional, podemos concluir que esta ferramenta pode viabilizar um ensino empreendedor que instigue a motivação do aluno, de forma a fazê-lo absorver mais conhecimento ao mesmo tempo em que desenvolve novas habilidades. 32 Vistos os conceitos teóricos básicos para a compreensão da pesquisa de campo, sucede-se a apresentação da metodologia desta pesquisa. 33 3. MÉTODO DA PESQUISA 3.1 Classificação da pesquisa O objetivo do estudo que está sendo apresentado é verificar a relação entre o Desafio Universitário Empreendedor e as posteriores atitudes e atividades empreendedoras desenvolvidas pelos ex-participantes do Estado do Rio de Janeiro. Desta forma, a presente pesquisa teve caráter qualitativo e quantitativo. Qualitativo, pois se baseou na compreensão do pesquisador, com base nas percepções das entrevistas realizadas e quantitativo, e foi realizada uma pesquisa com os ex-participantes do Estado do Rio de Janeiro do Desafio. O presente estudo será classificado de duas formas: quanto aos fins e quanto aos meios (VERGARA, 2004). Quanto aos meios, a pesquisa se classifica como descritiva e explicativa. Descritiva, visto que buscou apontar características próprias do Desafio Universitário Empreendedor, descrevendo seu funcionamento e objetivos. Explicativa, pois objetivou compreender a relação entre a participação no Desafio e as atuais atividades empreendedoras desenvolvidas por estes. Quanto aos meios, a pesquisa foi classificada em bibliográfica, documental e pesquisa de campo, pois para a fundamentação teórico-empírica serão utilizados livros sobre os seguintes assuntos: empreendedorismo, educação empreendedora e empreendedorismo no Brasil. Além disso, foi realizada uma investigação documental em relatórios, ofícios, pareceres, entre outros documentos, para entender o Programa de Educação Empreendedora do SEBRAE, assim como funciona especificamente o Desafio Universitário Empreendedor. Ademais, foi realizada uma pesquisa de campo através de entrevistas com os semifinalistas do Estado do Rio de Janeiro, para investigar qual a percepção dos ex-participantes sobre o Desafio e as atuais atitudes e atividades empreendedoras desenvolvidas por estes. 3.2 Coleta de dados Os dados necessários para a pesquisa foram coletados por meio de: Questionários semiestruturados para os semifinalistas do Desafio Universitário Empreendedor do Sebrae no Estado do Rio de Janeiro no ano de 2015. Que foram enviadas via formulário on-line; Entrevista pessoal com representante do Sebrae, responsável pelo projeto do Desafio; Pesquisa bibliográfica em livros pertinentes ao tema; Pesquisa documental. 34 Na pesquisa bibliográfica foi realizado um levantamento conceitual sobre o empreendedorismo, a educação empreendedora e o atual contexto da educação empreendedora no Brasil. Estes assuntos, serão pesquisados em livros, teses e dissertações. Como resultado dessa pesquisa, buscou-se compreender melhor como a educação empreendedora vem sendo desenvolvida no Brasil. A pesquisa documental realizada nos arquivos do Sebrae, foram investigados regulamentos, relatórios, entre outros documentos, a fim de entender melhor quais são os objetivos e as características do Desafio Empreendedor do Sebrae. Pois, segundo a perspectiva de Gil (1991, p. 51), “a pesquisa documental vale-se de materiais que não receberam ainda um tratamento analítico, ou que ainda podem ser reelaborados de acordo com os objetivos da pesquisa”. Assim, pode-se compreender de formaclara e sem interferências, os objetivos e as diretrizes estipuladas pelo Sebrae para o projeto em questão. Na pesquisa de campo foram foi encaminhado um questionário semi-estruturado para os estudantes semifinalistas do Desafio Universitário Empreendedor do ano de 2015 no Rio de Janeiro, disponibilizados em plataforma on-line no período de 20/05/2016 a 06/06/2016, para que dessa forma, fosse possível apurar a percepção dos ex-participantes do Desafio Universitário Empreendedor em relação a eficácia e o funcionamento do projeto, principalmente, pela ótica da utilização da educação empreendedora como forma de ensino. Os respondentes deste questionário correspondem aos participantes do Desafio que foram selecionados nas duas primeiras fases do programa e participaram da última fase do Desafio em 2015. O formato semiestruturado e a população pesquisada foram escolhidos para que se pudesse obter respostas mais completas baseadas em um tempo maior de experimentação, visto que os participantes foram afetados pelo programa e puderam usufruir dos benefícios decorrentes deste por mais tempo do que alunos que participaram apenas da primeira fase do Desafio. A amostra foi definida por métodos não-probalísticos, de acordo com a quantidade de alunos que se dispuseram a responder à pesquisa. No total tinha-se uma população de 40 semifinalistas do Desafio Universitário Empreendedor no ano de 2015 no estado do Rio de Janeiro, sendo que 18 responderam ao questionário. Paralelamente à coleta de dados com os ex-participantes do Desafio, foi realizada uma entrevista com o representante do Sebrae responsável pelo programa junto às Universidades, baseada em um roteiro de 16 perguntas, englobadas em dois grandes tópicos de bisca de 35 informações – O Programa de Educação Empreendedora do SEBRAE e o Desafio Universitário Empreendedor - a fim de entender a relação entre o planejamento do Sebrae com relação ao Desafio e os resultados obtidos com a utilização da educação empreendedora como forma de ensino. 3.3 Tratamento de dados Os dados foram tratados quanti e qualitativamente. O tratamento quantitativo foi utilizado basicamente para caracterizar a amostra da pesquisa, já o qualitativo foi baseado na técnica de análise de conteúdo, buscando a interpretação de documentos, textos, uma percepção de seus conteúdos. Também foi utilizada a análise de discurso para tratar dos dados coletados na entrevista realizada (Vergara, 2005). A categoria de análise foi por grade fechada, pois segundo Vergara (2005), neste tipo de grade “definem-se preliminarmente ao objetivo de pesquisa. Identificando-se no material selecionado, os elementos a serem integrados nas categorias já estabelecidas”, o que se adequa melhor ao caso da presente pesquisa, tendo em vista que ela foi classificada como descritiva. Com relação a interpretação e análise das informações, o tratamento de dados foi realizado de duas formas. Em um primeiro momento, foi feita a análise do conteúdo, que segundo Vergara (2005) se refere a fins de descoberta, confirmando ou não suposições já formadas e é baseada tanto em abordagens quantitativas como em qualitativas. Em um segundo momento, os dados qualitativos foram tabulados e analisados. Apresentada a forma de organização da pesquisa realizada para a construção do presente trabalho de conclusão de curso, no próximo capítulo serão apresentados os dados e as análises dos mesmos, por meio de gráficos, tabelas e trechos das entrevistas, a fim de explanar as ideias dos entrevistados. 36 4. APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS Neste capítulo, serão apresentados e analisados os dados referentes à entrevista com o representante do Sebrae, a fim de se criar um panorama geral do conceito e das características principais do projeto do Desafio Universitário Empreendedor e, a seguir, serão apresentados e discutidos os resultados obtidos através das respostas aos questionários disponibilizados aos semifinalistas no estado do Rio de Janeiro do Desafio Universitário Empreendedor no ano de 2015, com o intuito de identificar se os entrevistados estão desenvolvendo atitudes ou alguma atividade empreendedora no ambiente em que estão inseridos e como essas ações têm relação com o Desafio Universitário Empreendedor. A apresentação dos dados seguirá os roteiros da entrevista e do questionário, para proporcionar uma melhor compreensão do estudo. A medida do necessário, serão realizadas algumas observações referentes ao relacionamento dos dados, com a finalidade de desenvolver a análise das informações. Vale ressaltar que foi utilizada a identidade da representante do Sebrae e não foi solicitada nenhuma identificação nominal dos respondentes ao questionário virtual. 4.1 Política de Educação Empreendedora do SEBRAE Neste bloco serão apresentadas as informações que delimitam as principais características do Programa de Educação Empreendedora do SEBRAE e do Projeto específico do Desafio Empreendedor Universitário bem como seus objetivos e transformações. As análises foram embasadas na entrevista realizada com o representante oficial do Sebrae. A entrevista foi realizada com a Analista Técnica do SEBRAE-RJ, Maria Claudia Salles Vianna, nas dependências da regional do SEBRAE-RJ, em 30/05/2016. E durou cerca de 2 horas. 4.1.1 O Sebrae como instituição promotora do Empreendedorismo Fomentar a ação das pequenas empresas sempre foi o objetivo principal do Sebrae desde sua criação. Através dos anos a instituição vem investindo em novas formas de disseminar a cultura empreendedora a fim de incentivar o empreendedorismo brasileiro. Porém, assim como o conceito de empreendedorismo tem mudado ao longo do tempo, o Sebrae tem se preocupado em desenvolver ações que se alinhem aos novos parâmetros que vêm se apresentando, conforme o relato a seguir: "É importante dizer que o intuito do Desafio Universitário Empreendedor, bem como de outros projetos de estímulo ao empreendedorismo, não é apenas incentivar a 37 criação de novos negócios, mas também preparar o aluno para empreender tanto em um novo negócio quanto na empresa em que trabalha, ou seja, no ambiente em que está inserido seja qual for. Acreditamos que o empreendedorismo é necessário em qualquer lugar. Mesmo dentro de um estabelecimento público, por exemplo, onde a cultura é rígida e o trabalho bastante monótono, o empregado tem de ter atitudes empreendedoras para que não se sinta desestimulado no trabalho. " (Maria Claudia) As principais iniciativas do Sebrae são voltadas para os empresários, ou seja, aqueles que já possuem um negócio, todavia, através da entrevista verificou-se que o Sebrae tem se dedicado também ao incentivo e formação de potenciais empreendedores, principalmente, dos alunos que podem abrir seu próprio negócio, conforme trecho abaixo: "Nós do Sebrae não podemos esquecer que o foco principal da nossa instituição é o empresário. O Sebrae foi criado para fomentar e desenvolver uma estrutura de base para os empresários. Estamos trabalhando com potenciais empreendedores quando focamos no Ensino Superior ou em outros níveis de ensino e investimos cada vez mais neste tipo de público, entretanto, é importante dizer que nossa prioridade é sempre quem já possui um negócio ou está em processo de construção desse. " (Maria Cláudia) 4.1.2 Iniciativas de incentivo ao Empreendedorismo nos diversos níveis de ensino De acordo com a entrevistada, o Sebrae tem aperfeiçoado cada vez mais seus esforços para propagar o empreendedorismo através da educação tradicional (palestras e aulas) e da educação empreendedora, em suas palavras, "O incentivo ao empreendedorismo tem sido uma preocupação do Sebrae desde a virada de posicionamento em 2000. Até pouco tempo atrás, nós tínhamos programas pontuais como o Desafio, o Empretec (curso de capacitação voltado para o desenvolvimento de característicascomportamentais empreendedoras) e os Jovens Empreendedores (capacitação para o empreendedorismo desde o ensino fundamental). Porém, em maio de 2013, essas iniciativas foram organizadas em uma cartilha: o Programa Nacional de Educação Empreendedora. Esse programa tem por objetivo difundir a cultura empreendedora por todos os níveis de ensino da educação formal. Com ele, o Sebrae atua desde o ensino fundamental até o superior. E o Desafio Universitário Empreendedor é apenas um dos projetos deste programa." (Maria Cláudia) Como se pode perceber, através da fala da entrevistada, o Sebrae não tem foco apenas no Ensino Superior, mas as ações do Programa Nacional de Educação Empreendedora se propagam por todos os níveis do ensino tradicional, conforme trecho abaixo: "Nós buscamos atuar sobre todos as frentes e níveis de ensino, capacitando educadores e escolas, disponibilizando recursos financeiros, materiais e ferramentas (como o próprio Desafio) para que em parceria com as escolas e universidades, o ensino de empreendedorismo tanto na educação tradicional quanto através da educação empreendedora, sejam incentivados e implantados com sucesso." (Maria Cláudia) 4.1.3 Iniciativas de incentivo ao Empreendedorismo no Ensino Superior Focando no Ensino Superior como objeto de estudo, pode-se observar, através da fala da entrevistada, que o Sebrae possui algumas iniciativas, dentro do Programa Nacional de 38 Educação Empreendedora, direcionadas para o Ensino Superior, como descritas no quadro abaixo: QUADRO 2 – Ações do Programa de Educação Empreendedora para ensino Superior - SEBRAE Ação Formato Objetivo Disciplina de Empreendedorismo Aulas divididas em módulos com 20 horas cada, totalizando 80 horas e quatro módulos Fornece material e capacitação para que a universidade insira em seus cursos a disciplina de empreendedorismo, a fim de trabalhar o comportamento empreendedor dos estudantes. Além de ensinar aos alunos como confeccionar um plano de negócios Empreendedorismo em dois tempos Palestra de duas horas de duração Busca sensibilizar os estudantes para o empreendedorismo, através de perguntas e debate Desafio Universitário Empreendedor Competição nacional que envolve atividades online, imersão e desenvolvimento de um plano de negócios Com base na educação empreendedora, praticar o empreendedorismo Fonte: Dados da Pesquisa de Campo, 2016 Concernente ao Desafio Universitário Empreendedor do Sebrae, verificou-se que ele é a iniciativa que mais se destaca com relação ao nível superior no Programa Nacional de Educação Empreendedora: "Com relação ao nível superior temos três programas [...] dentre os quais se destaca o Desafio, pois no Desafio nós buscamos incentivar o empreendedorismo e desenvolver as habilidades dos participantes, enquanto empreendedores, através do uso da educação empreendedora, fazendo com que eles se envolvam com o ensino e sejam agentes ativos no processo de aprendizagem. " (Maria Cláudia) 4.1.4 Desafio Universitário Empreendedor A partir do fragmento de entrevista abaixo, podemos concluir que o Desafio Universitário Empreendedor tem como principal objetivo ser um instrumento de auxílio a educação formal, dando aos alunos a oportunidades de desenvolver características e atitudes empreendedoras através de um ensino prático e dinâmico. "O que o Desafio propõe é transformar e aprimorar as características empreendedoras dos alunos e aumentar seus conhecimentos para que eles possam assumir uma nova postura, praticando atitudes empreendedoras. O Desafio é muito mais que um jogo, é um mecanismo de aprendizagem, para que o aluno tenha um contato mais prático com a realidade empreendedora. Pois, muitas vezes, os alunos têm aula da disciplina Empreendedorismo em suas universidades, porém tudo fica muito na teoria, apenas no campo das ideias. O Desafio é uma iniciativa que se difere das outras ações do Programa Nacional de Educação Empreendedora do Sebrae, justamente, por colocar os alunos na prática empreendedora. Diferente das aulas e palestras, o Desafio é um método de ensino que faz o aluno inter-relacionar as disciplinas, desenvolver e por em prática habilidades e levar em conta vários aspectos para tomar uma decisão. Não há resposta certa ou errada como no ensino formal, ele apenas deve construir seu caminho e gerir seu negócio, a partir de seus conhecimentos e habilidades com o auxílio da plataforma. O 39 aluno sente muita necessidade de sair da sala de aula e praticar o que lhe é ensinado, e o Desafio veio como uma solução para isso. " (Maria Cláudia) As palavras da entrevistada, identificou que o Desafio Universitário Empreendedor está estruturado em três fases, a virtual, a semi-final estadual e a final nacional, a ver: "O Desafio é nacional e as fases são, respectivamente: a fase virtual, a semifinal estadual, que acomtece simultaneamente em todos os estados durante quatro ou cinco dias trabalhando em imersão e a final nacional em Brasília. (Maria Cláudia) Na etapa virtual são consideradas algumas atividades que foram descritas e exemplificadas, na entrevista, assim como os critérios de pontuação, como destacado abaixo: “Papo de Negócios, quiz e videoteca são os tipos de interação que compõe a primeira fase do Desafio (fase virtual). No Papo de Negócios, o aluno pode tirar dúvidas através de um fórum com um convidado que tem experiência empreendedora. O quiz corresponde aos jogos online que são divididos em quatro categorias dependendo da fase em que o aluno se encontra como empreendedor. Por exemplo, se o aluno ainda não possui um negócio, ele é direcionado a uma gama diferente de jogos do que aquele aluno que quer aprender como expandir seu empreendimento já consolidado. Na videoteca são disponibilizados vídeos sobre os mais diversos assuntos relacionados ao empreendedorismo. Além dos jogos, a plataforma do Desafio conta também com um simulador que é um pouco mais complexo e completo, podendo ser jogado sozinho ou em equipe à distância. Esse simulador mostra exatamente como criar e cuidar do próprio negócio, obrigando o participante a tomar decisões a partir de um cenário maior. (Maria Cláudia) Quanto à pontuação e consequente classificação na etapa virtual, até a versão de 2015 ela se deu de duas formas, a pontuação no ciclo anual do Desafio e a pontuação histórica, referente ao acumulado de ciclos anteriores e do ciclo de 2015, como destacado: “A pontuação pelo ciclo, conta com a soma dos pontos feitos no ano vigente e não leva em conta a soma dos anos anteriores. Já a pontuação do histórico é feita pela soma da pontuação final dos anos anteriores ao ano vigente, ou seja, a cada final de ciclo, a pontuação do ciclo é somada ao histórico. Para que os alunos que já estão jogando a mais de um ano não se desestimulem, o Sebrae vem aumentando o número de vagas destinadas ao histórico. Neste ano, por exemplo, as vagas do histórico serão ampliadas na semifinal, para dez em detrimento do ano anterior que contava com cinco vagas, e as outras trinta vagas pertencerão aos alunos mais bem pontuados no ciclo, com uma diminuição de cinco vagas em relação ao ano passado.” (Maria Cláudia) A etapa da semifinal estadual é especialmente elaborada para que se possa observar as habilidades e atitudes empreendedoras dos participantes e acontece de forma presencial, através de tarefas em grupo. Esta etapa foi detalhada nas palavras da entrevistada: “A semifinal é a preparação para a final, nessa fase os alunos não são testados em conhecimento, mas sim estimulados a desenvolver e mostrar as suas habilidades, atitudes e características empreendedoras, através de tarefas em grupo que simulem um ambiente real com oportunidades empreendedoras que eles devem captar e desenvolver. Essa fase é realizada por imersão, ou seja, os alunos ficam "confinados"em um hotel completamente voltados para as atividades do Desafio. Essa fase tem esse formato para que haja uma maior interação entre os participantes para que eles tenham tempo para planejar suas ações de um dia para o outro. Apesar da interação não ter sido feita inteiramente no hotel, os alunos sairam para participar das atividades 40 dentro da Feira do Empreendedor, que também é realizada pelo Sebrae. Lá, eles puderam ter contato com negociações reais de empreendimentos em desenvolvimento em diversos segmentos de negócios. Nessa fase, os alunos formaram dez grupos de quatro componentes cada, que interagiam entre si. As tarefas dessa fase são voltadas para os aspectos comportamentais (trabalho em equipe, capacidade de persuasão), sem se prender a aspectos técnicos ou teóricos das questões envolvidas. Para a avaliação da semifinal foi utilizado um questionário, onde os próprios participantes respondiam perguntas indicando os melhores do grupo, ou seja, o questionário tinha perguntas onde os participantes votavam em quem foi o líder de fato do grupo em cada atividade, ou quem era mais proativo ou engenhoso em determinada tarefa. Essas notas foram somadas as notas dadas a cada grupo em geral por sua ideia de negócio e os quatro melhores pontuados na soma final formavam o grupo vencedor. (Maria Cláudia) A última etapa do Desafio – a final – ocorre em Brasília e reúne equipes representantes de todos os 26 Estados brasileiros e o Distrito Federal, totalizando 27 equipes, cada um deles representados por quatro membros, sendo estes os melhores classificados na semifinal estadual, nas palavras da entrevistada, na etapa final, “(...) essas equipes são fixas e apenas se relacionam entre si em determinadas tarefas específicas. Em quatro dias, os grupos devem criar um plano de negócios no modelo Canvas para apresentar a uma banca avaliadora formada por: um técnico do Sebrae, um representante da Endeavor e dois investidores anjos. Essa apresentação tem de ser no formato de pitch, com o objetivo de convencer a banca a comprar a ideia de negócio apresentada. Na final os alunos têm de aprofundar e delimitar bem todos os aspectos do negócio, ou seja, essa fase tem aspectos concretos e práticos de forma que os planos de negócios possam realmente ser executados com sucesso. Os participantes têm que, por exemplo, tomar decisões como: local escolhido para o negócio, preço de produtos, custo, canais de distribuição, entre outras. A cada dia, além da confecção do plano de negócios, havia tarefas eliminatórias que levavam em consideração: rapidez, qualidade, facilidade, entre outros fatores.” (Maria Cláudia) 4.1.5 Desafio Universitário Empreendedor e Educação Empreendedora Segundo a entrevistada, a intenção do Sebrae com o Desafio Universitário Empreendedor é de apenas complementar a educação formal que os alunos já recebem em suas respectivas universidade. O Desafio funciona como um mecanismo para que esses alunos possam colocar em prática o que aprendem no ensino formal. Segundo o relato abaixo, o Sebrae não tem a intenção de sobrepujar o ensino tradicional substituindo por uma educação empreendedora. "Não acho que a educação tradicional, deva ser, totalmente substituída pela educação empreendedora. Até porque as escolas não estão preparadas para essa mudança tão brusca. Acho que a educação empreendedora deve ser um complemento ao ensino tradicional. Com o Desafio, não buscamos substituir a educação tradicional ou rivalizar com ela, mas sim dar aos participantes mecanismos através da educação empreendedora para que eles possam praticar seus conhecimentos. Nosso intuito não é "dar o peixe", mas sim "ensinar a pescar", para que cada um possa construir seu próprio caminho. " (Maria Cláudia) 41 4.1.6 Resultados do Desafio Universitário Empreendedor Tratando de possíveis avaliações sobre o desempenho do Desafio, não há nenhum instrumento de coleta de dados sobre os resultados do projeto ou mesmo seus pontos positivos e negativos. As correções e melhorias realizadas a cada ano são identificadas e feitas através do comentário esporádico dos participantes, mas não há nenhum instrumento formal para captar feedbacks em relação ao Desafio, todavia, por meios não formais, o Sebrae recebe vislumbres dos resultados concretos da participação do alunos no Desafio Universitário Empreendedor. "Apesar de não haver ainda uma documentação dos casos de ex-participantes do Desafio que obtiveram sucesso em seus empreendimentos iniciados após sua participação, já foi apurado que alguns alunos abriram negócios, que até o presente momento têm tido sucesso, como caso de um ex-participante que conheceu, seu agora sócio, na fase final do Desafio Universitário Empreendedor. Eles decidiram abrir um negócio juntos, e um deles que morava em Toledo se mudou para o Rio de Janeiro, a fim de gerir o empreendimento junto com seu sócio que já morava na cidade. " (Maria Cláudia) 4.1.7 Pontos fortes e fracos do Desafio Universitário Empreendedor Apesar do Desafio não promover um instrumento formal de avaliação do projeto, o Sebrae tem feito inúmeras melhorias ao longo dos anos. Como se pode observar no seguinte fragmento de entrevista: "A ferramenta Desafio Universitário Empreendedor não se esgota em seu benefício. O Sebrae não tem a pretensão de achar que o Desafio está pronto e completo. Esse método está sempre em construção, trazendo melhorias a cada ano. Desde o primeiro ano do Desafio Universitário até a edição deste ano que está ocorrendo, existe uma evolução gritante em questão de logística e, principalmente, do próprio Desafio. Como estamos sempre em constante melhoria, algumas mudanças ainda precisam ser feitas. Por exemplo, um grande ponto fraco do Desafio Universitário Empreendedor é que a fase online ainda não é disponibilizada em formato mobile, para que os estudantes possam acessar os jogos, forúns e vídeos onde estiverem, em seus celulares." (Maria Cláudia) 4.2- Perfil dos semifinalistas do Desafio em 2015 no Estado do Rio de Janeiro Neste bloco serão apresentadas as informações que traçam o perfil dos semifinalistas do Desafio Universitário Empreendedor do Sebrae (idade, renda familiar, escolaridade e sexo). Além disso, serão apresentadas as respostas referentes a visão empreendedora dos entrevistados, fazendo uma comparação entre os conhecimentos que eles possuiam antes e os adquiridos no Desafio Universitário Empreendedor. As análises que seguem foram embasadas nas respostas ao questionário on-line dos semifinalistas do Desafio Universitário Empreendedor do Sebrae em 2015 no Estado do Rio de Janeiro. 4.2.1 - Identificação dos participantes No quesito idade pode-se observar que a metade dos entrevistados possui entre 21 a 42 25 anos, e os outros 50% variam de 18 a 20 anos e de 26 anos em diante, conforme Gráfico 2, a seguir: GRÁFICO 2 - Idade Fonte: Dados da Pesquisa de Campo, 2016. Quanto ao sexo, a maioria dos participantes da semifinal era do sexo masculino (77,8%), conforme gráfico 3, abaixo: GRÁFICO 3 - Sexo Fonte: Dados da Pesquisa de Campo, 2016. Quanto ao grau de escolaridade, as opções foram divididas em: Ensino Superior Incompleto, Ensino Superior Completo e Mestrado ou Doutorado, visto que só podem participar do Desafio Universitário Empreendedor alunos que se encontram matriculados no Ensino Superior. Neste gráfico o destaque foi que apenas cerca de 5% dos participantes tinha completado o Ensino Superior, a maioria ainda estava cursando seu curso de graduação, conforme Gráfico 4, a seguir: 43 GRÁFICO 4 - Grau de Escolaridade Fonte: Dados da Pesquisa de Campo, 2016. O questionamento acerca da renda demonstrou que cerca de 60% dos participantes apresentam uma renda familiar entre R$2.900,00 a R$ 7.249,99, que segundo classificação do IBGE corresponde às classes C e B, quase28% dos participantes têm renda entre R$1.450,00 a 2.899,99, indicando uma boa participação de alunos da classe D no desafio, os demais apresentam renda superior a R$7,250,00, conforme gráfico 5, abaixo: GRÁFICO 5 - Renda Familiar Fonte: Dados da Pesquisa de Campo, 2016. 4.2.2 - Identificação do perfil empreendedor dos participantes Com o universo da amostra que foi estudada, pode-se observar que os alunos, apesar de compreenderem a importância do empreendedorismo mesmo antes de participar do Desafio Universitário Empreendedor, possuíam apenas uma ideia geral do que era empreendedorismo, limitando-se principalmente a ideia de abertura de um novo negócio. Como podemos ver nas seguintes respostas dadas quando se perguntou qual era o conceito que eles tinham sobre empreendedorismo antes de participar do Desafio: "A aventura de se abrir um negócio qualquer!" 44 "Eu não sabia muito sobre o conceito, só o que tinha visto na faculdade, então, o que tinha por base, é que empreendedorismo era ligado a pessoas que queriam criar suas empresas." "Eu já tinha uma base sobre o assunto, mas construí um conhecimento muito melhor com o Desafio." "Uma opção para ganhar dinheiro" "Capacidade de criar negocios" "Abrir empresas" Através das respostas acima, percebeu-se que a grande maioria dos participantes do Desafio, apesar de já terem sido apresentados ao empreendedorismo, ainda tinham em mente que empreendedorismo é apenas o ato de criar e gerir um negócio, ou seja, eles tinham uma visão superficial e restrita do que é empreender. Quando perguntado, aos alunos, qual era o conceito de empreendedorismo que eles adquiriram após sua participação no Desafio Universitário Empreendedor, os entrevistados mostraram o entendimento de que o ato de empreender estava relaçionado à ação, o que ficou claro a partir das seguintes respostas: "Protagonismo da sua vida mais trabalho em equipe" "Empreender é um estilo de vida onde muitos têm capacidade, porém poucos conseguem identificar oportunidades que podem se tornar lucrativas." "É a ação de transformar conhecimento, energia, emoção e sonhos em riqueza." "Empreender, é inovar, fazer algo acontecer, ser criativo, trazer para prática algo que você sonhava em criar, algo que você talvez só tinha em mente, ou num papel guardado, é se arriscar, encontrar oportunidades nesses momentos de escassez." "Empreendedorismo pode salvar o Brasil, o empreendedorismo faz as pessoas pensarem fora da caixa, estimula a criatividade e a inovação." "Uma filosofia de vida baseada na criação e desenvolvimento de ideias e ações que influenciam diretamente a vida de outras pessoas." As respostas acima destacadas, demonstram uma mudança de visão com relação ao conceito de empreendedorismo. Houve uma grande diferença entre o conceito de empreendedorismo que os participantes tinham antes de participar do Desafio Universitário Empreendedor e o conceito que eles formaram a partir da experiência de participar do Desafio. Antes, eles se limitavam a entender que empreendedorismo era a abertura de um novo negócio, porém, após as experiências proporcionadas pelo Desafio, eles expandiram seu conceito de empreendedorismo, entendendo que ser empreendedor não necessariamente é abrir um novo negócio, mas identificar e aproveitar as oportunidades no ambiente em que se está inserido, 45 através da inovação e da criatividade, fazendo com que haja transformação e aperfeiçoamento contínuo. Quando questionados se já tinham participado de alguma atividade anterior ao Desafio Universitário Empreendedor com o mesmo formato de ensino, ou seja, com aprendizado através de games, trabalho em equipe e/ou desenvolvimento de projetos, 66, 7% dos entrevistados afirmam que não e os 33,3% restantes afirmaram que sim, conforme demonstrado no Gráfico 6, abaixo: GRÁFICO 6 - Participação em atividade com o mesmo formato antes do Desafio Universitário Empreendedor Fonte: Dados da Pesquisa de Campo, 2016. Para aqueles qeu já haviam participado de atividades similares, foi solicitado que identificassem essas atividades e foram citadas as seguintes: "Iniciativa Jovem Shell e Prêmio Santander Empreendedor" "Empresa Júnior e Fundação Estudar " "Torneio Gerencial 2015 (TG 2015)" "Minor de Empreendedorismo e Inovação da UFF" As duas respostas acima, demonstraram que o uso da educação empreendedora como método para aprendizagem não é exclusividade do Desafio Universitário Empreendedor, outras instituições através de programas distintos, utilizam a educação empreendedora como instrumento para auxiliar o ensino formal, mas, ainda sem tanto destaque ou percepção dos respondentes. Quando solicitado aos participantes para descrever sua participação no Desafio Universitário Empreendedor do Sebrae, a menor parcela (16,7%) acredita que o Desafio mudou toda a ideia que eles tinham sobre empreendedorismo; já a grande maioria (83,3%) entendem 46 que o Desafio agregou ao conhecimento que eles já possuiam sobre o assunto, destes 83,3 %, 38,9% acredita que o Desafio apenas consolidou a ideia que já possuiam sobre empreendedorismo, enquanto que para 44,4% o Desafio abriu horizontes através do que eles já entendiam como empreender, conforme o gráfico 7 abaixo: GRÁFICO 7 - Como você descreveria a sua participação no Desafio Universitário do SEBRAE? Fonte: Dados da Pesquisa de Campo, 2016. Observando o gráfico acima, pode-se perceber que todas as respostas demonstram que os alunos adquiriram algum nível de conhecimento com o Desafio, através da fase de games (1ª fase) ou da semifinal. Com relação a fase virtual do Desafio, a de games, que corresponde a primeira etapa do Desafio, 55,6 % dos alunos acreditam que graças ao formato interativo e dinâmico dos games, juntamente com os fóruns e vídeos, eles puderam absorver muito mais conhecimento em comparação ao que conseguiriam se estes conteúdos fossem lhes passado da forma tradicional, através de aulas expositivas, apostilas e palestras. Como observado no Gráfico 8. a seguir: GRÁFICO 8 - Qual a sua opinião sobre a fase de games (1ª fase) do Desafio Empreendedor do SEBRAE? Fonte: Dados da Pesquisa de Campo, 2016. 47 Quando questionados sobre o desenvolviemnto de habilidades durante o Desafio Universitário Empreendedor, os respondentes, em sua grande maioria, entendem que tinham um conhecimento mediano sobre os principais aspectos pertinentes ao empreendedorismo. Entretanto, após a participação na primeira fase e na semifinal do Desafio, eles entendem que aumentaram seus conhecimentos sobre esses assuntos, de acordo com o Gráfico 9 abaixo, Gráfico 9: Você desenvolveu alguma habilidade durante o Desafio ? Fonte: Dados da Pesquisa de Campo, 2016. Já quando foi solicitado que pontuassem o nível de conhecimento anterior à participação do Desafio quanto ao conceito de empreendedorismo, o planejamento para empreender, os fatores que devem ser levados em conta ao empreender, a relevância do empreendedorismo no mundo e o conceito de empreendedor poucos afirmaram não ter nenhum conhecimento e houve uma predominância dos quesitos com uma nota mediana, como demonstrado no Gráfico 10, a seguir: GRÁFICO 10 - Nível de conhecimento anterior à participação no Desafio Empreendedor do SEBRAE. Fonte: Dados da Pesquisa de Campo, 2016. Já quando questionados acerca de sua percepção acerca do nível de conhecimento sobre empreendedorismo após a participação no Desafio, foram muito relevantes as respostas de que 48 os participantes tinham ampliado significativamente seu conhecimento, conforme Gráfico 11, a seguir: GRÁFICO 11 - Nível de conhecimento após participar do Desafio Empreendedor do SEBRAE. Fonte: Dados da Pesquisa de Campo, 2016. Considerando a opinião dos participantes acerca das atividades de imersão do Desafio, percebeu-seque os estudantes, antes de participar do Desafio Universitário, a maioria, 66,7% considerou o fato de ter trabalhado em grupo em um determinado projeto que envolvia vários assuntos fez com que aprendessem muito mais do que em aulas tradicionais; 16,7% reconheceu que esse tipo de ensino faz com que o aluno veja utilidade nos conhecimentos adquiridos e assim aprenda mais; e, 16,7% acharam que esse tipo de ensino instigou a curiosidade e despertou neles o interesse pela matéria. Gráfico 12: Qual a sua opinião sobre as atividades de imersão do Desafio? Fonte: Dados da Pesquisa de Campo, 2016. Em relação à percepção da importância de alguns assuntos (trabalho em grupo, interatividade e utilização de games no processo ensino-aprendizagem) antes de sua participação no Desafio, a maioria já via o trabalho em equipe como um fator de grande importância, porém quando focados no ensino interativo e, principalmente nos games como 49 forma de aprendizagem, observou-se que os participantes não viam essas duas ferramentas como fatores de grande importância, conforme demonstrado no Gráfico 13: Gráfico 13: Nível de importância dos assuntos abaixo para você antes de participar do Desafio? Fonte: Dados da Pesquisa de Campo, 2016. Todavia, como mostra o Gráfico 14 abaixo, após a participação no Desafio Universitário Empreendedor, os alunos mudaram a forma como enxergavam os três aspectos questionados (trabalho em equipe, ensino interativo e games como forma de ensino). Atualmente, eles conferem muito mais importância a esses fatores como ferramentas na aprendizagem. A grande maioria, após a participação no Desafio, entendeu que o ensino interativo e os games como forma de ensino são mecanismos importantes na aprendizagem e que o trabalho em grupo é essencial tanto como instrumento de ensino quanto no processo de realização da atividade empreendedora. Gráfico 14: Dê uma nota de 1 a 5 de acordo com o nível de importância dos assuntos abaixo para você após participar do Desafio? Fonte: Dados da Pesquisa de Campo, 2016. Como podemos observar no gráfico15, que segue, 61,1 % dos entrevistados afirmam 50 estar empreendedendo de alguma forma, seja na criação de um novo negócio, na gerência de um empreendimento que já existia antes do Desafio ou mesmo empreendendo na empresa em que trabalha. Gráfico 15: Atualmente você está trabalhando em alguma atividade ou projeto empreendedor? Fonte: Dados da Pesquisa de Campo, 2016. A partir destes dados, podemos constatar que a visão empreendedora dos ex- participantes do Desafio, realmente passou por uma transformação, já que antes eles entendiam empreendedorismo como o ato de abrir e gerir um negócio e hoje afirmam estar empreendendo na empresa em que trabalham. 51 CONSIDERAÇÕES FINAIS Este estudo teve como principal objetivo verificar a relação entre o Desafio Universitário Empreendedor e as posteriores atitudes e atividades empreendedoras desenvolvidas pelos ex-participantes desta atividade de formação empreendedora. Ademais, buscou-se caracterizar o empreendedor e o processo de formação de suas habilidades e atitudes, descrever o Programa Nacional de Educação Empreendedora do Sebrae, caracterizar o Desafio Universitário Empreendedor e, por fim, identificar as atuais atividades empreendedoras desenvolvidas pelos ex-participantes do projeto. O Desafio Universitário Empreendedor do Sebrae é apenas uma das ações que fazem parte do Programa Nacional de Educação Empreendedora, que tem como principal finalidade disseminar a cultura empreendedora e ensinar o empreendedorismo em todos os níveis da educação formal, através tanto do ensino tradicional (aulas e palestras), quanto da educação empreendedora, ou seja, por meio de games, atividades em grupo, desenvolvimento de projetos, entre outras iniciativas. O Programa Nacional de Educação Empreendedora é um conjunto de ações, iniciativas e projetos que são inseridos no ensino formal desde a educação básica até o Ensino Superior buscando formar potenciais empreendedores, capazes de inovar e transformar a realidade em que estão inseridos, de forma a criar soluções criativas para os problemas de nossa sociedade. O principal objetivo do Desafio Universitário Empreendedor é ser uma ferramenta auxiliar ao ensino tradicional, dando aos estudantes do Ensino Superior a oportunidade de praticar os conhecimentos adquiridos em sala de aula e desenvolver habilidades através de um ensino baseado na educação empreendedora, onde o aluno não é visto apenas como um receptor de conhecimento, mas como agente principal de sua aprendizagem. As diversas fases do Desafio Universitário Empreendedor foram desenvolvidas com base na educação empreendedora, visando a inter-relação dos conhecimentos adquiridos, o desenvolvimento de habilidades, a evolução pessoal através dos relacionamentos pessoais inerentes as atividades, além de despertar o interesse e mostrar ao aluno a aplicação de conhecimentos adquiridos isoladamente. De acordo com a análise dos resultados, podemos deduzir que os alunos alcançados pelo Desafio Universitário Empreendedor, e participantes da semifinal do estado do Rio de Janeiro, no ano de 2015 desenvolveram atitudes e habilidades empreendedoras e, ainda, adquiriram conhecimento que possibilitaram aos mesmos empreender de alguma forma, seja na 52 empresa em que trabalham, em um negócio que já existia antes da participação deles no Desafio Universitário Empreendedor ou mesmo na criação de um novo negócio. De acordo com as respostas apuradas, pode-se notar que a maioria dos respondentes percebeu uma mudança ou melhoria profissional e pessoal, visto que admitem ter adquirido habilidades e conhecimentos que se converteram em atitudes empreendedoras. Com a pesquisa realizada foi possível também identificar as principais características comuns aos participantes do Desafio Universitário Empreendedor, a ver: estudantes entre 21 a 25 anos que ainda cursam o Ensino Superior, e, em sua grande maioria, pertencem ao sexo masculino, não havendo participado de nenhuma atividade em formato similar ao do Desafio Universitário Empreendedor anteriormente e que entendiam empreendedorismo como a abertura de um novo negócio; além da percepção de cada um deles sobre a importância e os resultados que o Desafio Universitário Empreendedor gerou. Ademais, também pode-se visualizar que os participantes do Desafio Universitário Empreendedor percebem a educação empreendedora como um importante instrumento de aprendizagem. Em suma, o presente estudo comprovou a relação entre o Desafio Universitário Empreendedor e as posteriores atitudes e atividades empreendedoras desenvolvidas pelos ex- participantes, mas, não se pode aferir conclusões definitivas e nem esgotar o assunto abordado, dado que a pesquisa só abrangeu uma turma de semifinalistas estaduais. de modo que se recomenda a continuidade dos estudos acerca do tema em questão. Fica a indicação de pesquisas futuras que aprofundem este estudo, para melhor contextualizar e aferir o funcionamento e os resultados obtidos com o Desafio Universitário Empreendedor e com as demais ações do Programa de Educação Empreendedora do SEBRAE. 53 REFERÊNCIAS ACURCIO, Marina Rodrigues Borges; ANDRADE, Rosamaria Calaes de. O empreendedorismo na escola. Porto Alegre: Artmed, 2005. ANDRADE, R.F.; TORKOMIAN, A.L.V. Fatores de influência na estruturação de programas de educação empreendedora em instituições de ensino superior. 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Porto Alegre/Belo Horizonte: Artmed/Rede Pitágoras, 2005. 56 APÊNDICES 57 APÊNDICE A – TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO RIO DE JANEIRO CAMPUS NOVA IGUAÇU INSTITUTO MULTIDISCIPLINAR DEPARTAMENTO DE ADMINISTRAÇÃO E TURISMO TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO Eu, Natiane Guarda dos Santos Mattos, sou estudante da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), campus Nova Iguaçu, e neste semestre curso a disciplina de Trabalho de Conclusão de Curso (monografia), em que desenvolvo uma pesquisa intitulada: Educação Empreendedora: Uma análise da relação entre a participação no Desafio Universitário Empreendedor e aatividade empreendedora dos semifinalistas do Estado do Rio de Janeiro, sob a orientação da Profª. Denise Carvalho Takenaka. Meu estudo tem como objetivo verificar a relação entre o Desafio Universitário Empreendedor e as posteriores atitudes e atividades empreendedoras desenvolvidas pelos ex-participantes. Gostaria, então de convidá-lo(a) a participar desta investigação, concedendo uma entrevista a fim de desenvolver meu trabalho de monografia. Você dará oportunidade para que eu conheça diferentes aspectos tendo liberdade para falar e, lhe solicito autorização para gravar em áudio suas falas. Caso tenha interesse, você poderá acessar a transcrição da gravação para revisar e alterar o que julgar necessário. Em observância ao estabelecido pelas normas éticas nacionais que regulam as pesquisas envolvendo seres humanos, posso garantir-lhe: liberdade de adesão ou recusa da participação na pesquisa; liberdade para retirar seu consentimento em qualquer momento, bastando contatar a pesquisadora pelo telefone abaixo indicado; e sigilo das informações que forem dadas durante a pesquisa, e sigilo quanto a sua identidade. Cabe, ainda, esclarecer, que as informações coletadas nesta investigação serão guardadas em local de acesso somente a pesquisadora e serão utilizadas para os fins desse estudo. Informo, ainda, que as publicações que resultarem desta pesquisa, manterão a garantia de sigilo e, portanto, preservarão a identidade e a privacidade dos participantes. Sendo o que tinha a informar, coloco-me disponível para contato pelo telefone (21 36950694), ou ainda pelo endereço eletrônico: natianeguarda13@gmail.com. Natiane Guarda dos Santos Mattos Natianeguarda13@gmail.com CONSENTIMENTO PÓS-INFORMAÇÃO Eu, ______________________________________, fui esclarecida sobre a realização da entrevista para o referido TCC: “Educação Empreendedora: Uma análise da relação entre a participação no Desafio Universitário Empreendedor e a atividade empreendedora dos semifinalistas do Estado do Rio de Janeiro”, e concordo que meus dados sejam utilizados na realização da mesma. Nova Iguaçu, _____ de _______________ de _________. Assinatura: __________________________ Registro Geral (RG): ________________________ 58 APÊNDICE B – INSTRUMENTO DE COLETA DE DADOS - REPRESENTANTE DO SEBRAE I – Considerando o Programa de Educação Empreendedora 1. Desde quando o Sebrae tem focado a Educação Empreendedora como uma prioridade? 2. Como se deu a evolução desse processo? 3. Em que níveis de atuação e ensino a Educação Empreendedora é abordada pelo Sebrae? 4. Especificamente no nível superior (universitário) quais são as atuais ações do Sebrae? E quais são seus objetivos? Ação Objetivo 5. Na sua opinião, alguma (s) destas ações merece destaque? Por qual motivo? 6. Na sua opinião, quais as diferenças entre uma aula tradicional e a educação empreendedora? O que fez o Sebrae optar pela segunda opção? II - Considerando, a partir de agora, a ação do Desafio Universitário Empreendedor: 7. Como surgiu o Desafio Universitário? 8. Quais os principais objetivos a serem alcançados pelo programa? 9. Qual o público-alvo do Desafio Universitário? 10. Qual é a intenção ao utilizar o Desafio como elemento do projeto de Educação Empreendedora, como forma de aprendizagem? 11. Como funciona o programa Desafio Universitário Empreendedor? 12. Como se dividem as fases do Desafio Empreendedor? O que caracteriza cada uma delas? 13. Quais as vantagens do uso de games para a aprendizagem? 14. A equipe de coordenação do Desafio Universitário fez avaliações das diversas edições ocorridas, quais foram os resultados que apuraram (pontos positivos e pontos negativos)? Seria possível disponibilizar o resultado dessas avaliações? 15. Considerando as etapas virtuais e presenciais, quais os resultados percebidos com relação a evolução pessoal e profissional de cada participante durante o Desafio Empreendedor? 16. Existe algum ponto que não foi tratado e que você gostaria de destacar? 59 APÊNDICE C – QUESTIONÁRIO DE PESQUISA COM OS EX-PARTICIPANTES DO DESAFIO UNIVERSITÁRIO EMPREENDEDOR 1. Idade ❏ 18 a 20 anos 21 a 25 anos 26 a 30 anos 30 em diante ❏ 2. Sexo ❏ Feminino ❏ Masculino 3. Nível de escolaridade ❏ Ensino Superior Completo ❏ Ensino Superior Incompleto ❏ Mestrado ou Doutorado 4. Assinale a Renda Familiar Mensal de sua casa ❏ Até R$ 1.449,99 ❏ De R$ 1.450,00 a R$ 2.899,99 ❏ De R$ 2.900,00 a R$ 7.249,99 ❏ De R$ 7.250,00 a R$ 14.499,99 ❏ R$ 14.500 ou mais 5. Qual era seu conceito de empreendedorismo antes de participar do Desafio? 6. Qual é seu atual conceito de empreendedorismo? 7. Você participa ou já participou de alguma atividade anterior ao Desafio Universitário Empreendedor com o mesmo formato de ensino (games, trabalho em grupo, desenvolvimento de projetos)? ❏ Sim ❏ Não Se sim, qual? 8. Como você descreveria a sua participação no Desafio Universitário do SEBRAE? ❏ Já tinha uma ideia sobre o que era empreendedorismo e só consolidei meus conhecimentos sobre o assunto. ❏ Não tinha conhecimento nenhum sobre empreendedorismo e fui apresentado ao assunto no Desafio. ❏ O Desafio mudou totalmente minha visão sobre o que é empreender. ❏ Eu já tinha uma base sobre o assunto, mas construí um conhecimento muito melhor com o Desafio. ❏ Não adquiri nenhum conhecimento com o Desafio. 9. Atualmente você está trabalhando em alguma atividade ou projeto empreendedor? ❏ Sim. Estou empreendendo dentro da empresa onde trabalho. ❏ Sim. Estou empreendendo no negócio da família. ❏ Sim. Abri um novo empreendimento recentemente. ❏ Sim. Estou empreendendo em negócio próprio que já existia antes do Desafio. ❏ Não. Não estou desenvolvendo nenhuma atividade empreendedora no momento. 60 10. Qual a sua opinião sobre a fase de games (1ª fase) do Desafio Empreendedor do SEBRAE. ❏ Absorvi muito mais conhecimento do que com aulas online, apostilas ou outros formatos de ensino. ❏ Não aprendi muito. Queria apenas ganhar os games o mais rápido possível. ❏ Aprendi bastante, porém acho que aprenderia o mesmo com outro formato de ensino que não os games. ❏ Adquiri conhecimento sobre alguns assuntos, mas aprenderia muito mais com outros formatos de ensino (aulas online, aulas presenciais, apostilas e etc.) ❏ Não aprendi nada de novo. 11. Você acha que desenvolveu alguma habilidade no decorrer do Desafio? ❏ Sim. ❏ Não 12. Classifique o NÍVEL DE CONHECIMENTO que você tinha sobre os assuntos abaixo ANTES DE PARTICIPAR do Desafio Universitário Empreendedor do SEBRAE, atribuindo uma nota de 1 a 5 para 01 02 03 04 05 Conceito de empreendedorismo Como se planejar para empreender Quais fatores devem ser levados em conta para empreender Relevância do empreendedorismo no mundo Conceito de empreendedor 13. Classifique o NÍVEL DE CONHECIMENTO que você tinha sobre os assuntos abaixo DEPOIS DE PARTICIPAR do Desafio Universitário Empreendedor do SEBRAE, atribuindo uma nota de 1 a 5 para 01 02 03 04 05 Conceito de empreendedorismo Como se planejar para empreender Quais fatores devem ser levados em conta para empreender Relevância do empreendedorismo no mundo Conceito de empreendedor 14. Qual a sua opinião sobre as atividades de imersão do Desafio? ❏ O fato de trabalharmos em grupo em um determinado projeto que envolvia vários assuntos fez com que eu aprendesse muito mais do que em aulas tradicionais, por exemplo. ❏ Esse tipo de ensino faz com que o aluno veja utilidade nos conhecimentos adquiridos e assim aprenda mais. ❏ Esse formato de educação dificulta a aprendizagem. ❏ Com relação a absorção de conhecimentos, não vejo diferença entre uma aula em formato tradicional e esse tipo de atividade ❏ Esse tipo de ensino instiga nossa curiosidade e desperta em nós o interessepela matéria. 61 15. Classifique o NÍVEL DE IMPORTÂNCIA dos assuntos abaixo ANTES DE PARTICIPAR do Desafio Universitário Empreendedor do SEBRAE, atribuindo uma nota de 1 a 5 para 01 02 03 04 05 Trabalho em equipe Ensino interativo Games como forma de ensino 16. Classifique o NÍVEL DE IMPORTÂNCIA dos assuntos abaixo DEPOIS DE PARTICIPAR do Desafio Universitário Empreendedor do SEBRAE, atribuindo uma nota de 1 a 5 para Trabalho em equipe Ensino interativo Games como forma de ensino