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CADERNO DE ATIVIDADES Disciplina: Políticas E ducacionais Tema 08: Característ icas estruturais do c ampo da política educacional brasileir a seç ões Tema 08 Características estruturais do campo da política educacional brasileira Como citar este material: PINTO, Rosângela de Oliveira. Políticas Educacionais: Características estruturais do campo da política educacional brasileira. Caderno de Atividades. Valinhos: Anhanguera Educacional, 2014. SeçõesSeções 4 Tema 08 Características estruturais do campo da política educacional brasileira 5 Introdução ao Estudo da Disciplina Caro(a) aluno(a). Este Caderno de Atividades foi elaborado com base no livro Guia prático da política educacional no Brasil: ações, planos, programas e impactos, do autor Pablo Silva Machado Bispo dos Santos, editora Cengage Learning, 2012. Roteiro de Estudo: Rosângela de Oliveira Pinto Políticas Educacionais CONTEÚDOSEHABILIDADES Conteúdo Nessa aula você estudará: • Os conceitos norteadores sobre “campo” e habitus;. • Os conflitos e contradições existentes no campo das políticas educacionais brasileiras. • Reflexões sobre o direcionamento das políticas educacionais brasileiras. Habilidades Ao final, você deverá ser capaz de responder as seguintes questões: 6 CONTEÚDOSEHABILIDADES Características estruturais do campo da política educacional brasileira. Esta é a última aula da disciplina e será feita uma síntese dos elementos que permitem caracterizar a política educacional brasileira como um campo de contradições e conflitos. Porém, antes de entrar nas discussões sobre as contradições e conflitos existentes, é importante, apoiado em Santos (2012), definir o conceito de campo e de habitus a partir do sociólogo francês Pierre Bourdieu. Para Bourdieu (2001), o “campo” consiste no espaço (delimitado geográfica, social e politicamente) em que ocorrem as relações entre os indivíduos, grupos e estruturas sociais. Espaço este sempre dinâmico e com uma dinâmica que obedece a leis próprias, animada sempre por disputas ocorridas em seu interior, e cujo móvel é invariavelmente o interesse em ser bem-sucedido nas relações estabelecidas entre os seus componentes. (SANTOS, 2012, p. 94) O habitus consiste em uma matriz geradora de comportamentos, visões de mundo e sistemas de classificação da realidade que se incorpora aos indivíduos (ao mesmo tempo em que se desenvolve nestes), seja no nível das práticas, seja no nível da postura corporal (hexis) desses mesmos indivíduos. Assim, o habitus é aprendido e gerado na sociedade e incorporado nos indivíduos. O habitus é um grande organizador de nossos hábitos, é o que dá sentido às nossas ações quando estamos em sociedade (SANTOS, 2010 apud SANTOS, 2012, p. 94) • Quais os principais conflitos e contradições existentes no campo da política educacional brasileira? • Quais os conceitos que embasam a análise desses conflitos? • Qual a importância do conhecimento dos profissionais da educação sobre os conflitos e contradições do campo das políticas educacionais? LEITURAOBRIGATÓRIA 7 LEITURAOBRIGATÓRIA Desta forma, o “campo” de acordo com a teoria de Bourdieu, é o lugar onde as coisas acontecem e como elas irão acontecer dependerá de cada “campo”. O habitus uma vez que está incorporado ao indivíduo irá influenciar o “campo” e este influenciará também o habitus. Seguindo a reflexão que Santos (2012, p. 96) realiza, dividiremos a discussão da política educacional brasileira como um campo de contradições e conflitos em três instâncias: a) análise das estruturas (compostas por formas simbólicas e instituições); b) análise dos agentes (grupos e forças envolvidos na política educacional brasileira); c) a lógica estrutural do campo da política educacional brasileira. a) Análise das estruturas (compostas por formas simbólicas e instituições) Pode-se afirmar que as formas simbólicas, de certo modo, representam o real sentido das ações, planos e programas da política educacional brasileira e se dividem em dois grupos: normas não oficiais exemplares e os espíritos de lei mais influentes. Sobre as noções não oficiais exemplares é comum a confusão entre o público e o privado, sendo os recursos públicos tratados como propriedade individual de quem os gere; o abuso de poder ignorando os princípios da gestão democrática e dificuldade de entendimento do tempo determinado de um cargo; hiato demasiadamente longo entre a letra da lei e as práticas usuais. Com relação aos espíritos da lei mais influentes no campo da política educacional brasileira é possível identificar: leis formuladas de modo ambíguo; legislação contraditória com a CF/1988, no que tange a instituições educacionais; confronto entre centralização administrativa e autonomia de instituições e sistemas de ensino; e, leis prevendo a gestão democrática mediada pela participação em instituições colegiadas, apresentando, no entanto, limitações do ponto de vista da composição de tais instituições. (SANTOS, 2012). As instituições influentes no campo da política educacional brasileira, de acordo com Santos (2012, p. 103) possuem “microcampos” de forças, os quais são responsáveis pelas prioridades de tais forças, expressas em sua atuação em relação aos indivíduos e ao campo ao qual pertencem. Essas instituições são divididas em as ligadas diretamente ao Estado como o Ministério da Educação e Cultura (MEC), o Conselho Nacional de Educação (CNE), o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Anísio 8 Teixeira (Inep), as agências de fomento à pesquisa; os Conselhos Estaduais de Educação, os Conselhos Municipais de Educação, as Secretarias Estaduais de Educação (SEE’s) e as Secretarias Municipais de Educação (SME’s). E, também entre as instituições indiretamente ligadas à estrutura do Estado como os conselhos do FUNDEB, os comitês locais do PAR e os conselhos escolares. b) Análise dos agentes (grupos e forças envolvidos na política educacional brasileira) O habitus então influencia também o “campo” através das relações existentes. Os agentes envolvidos nessas relações são: os membros dos conselhos, os representantes da sociedade civil e de movimentos sociais e intelectuais, acadêmicos e educadores. c) A lógica estrutural do campo da política educacional brasileira. A direção da política educacional brasileira, de acordo com Santos (2012, p. 114), caminha rumo a uma homogeneidade definida do centro para a periferia, ou seja, do Governo Federal para os governos locais e as instituições privadas. É importante levar em consideração ainda o fato de vários elementos relativos à dinâmica das instituições serem ditados por organismos internacionais e compromissos internacionais assumidos pelo Brasil e mediados pela LDB, indo além da política educacional brasileira. É interessante observar que este movimento provoca práticas e posturas individuais para “adaptar” a política oficial às estruturas locais de poder ou aos interesses próprios. Percebe-se no campo da política educacional brasileira hoje a coexistência de padrões únicos de avaliação, currículos, financiamento e administração e, ao mesmo tempo, práticas que se utilizam do casualismo, improviso e interesses pragmáticos dos agentes que as animam. A disciplina Políticas Educacionais finaliza com esta aula e é importante reforçar a importância do conhecimento do profissional da educação sobre o campo da política educacional brasileira - que como já foi falado, vai muito além do brasileiro - considerando todas as contradições e conflitos existentes. LEITURAOBRIGATÓRIA 9 LINKSIMPORTANTES Quer saber mais sobre o assunto? Então: Sites Leia o artigo Políticas educacionais e desigualdades:à procura de novos significados, de Miguel G. Arroyo. Revista Educação e Sociedade, 2010. Disponível em: <http://www.scielo. br/pdf/es/v31n113/17.pdf>. Acesso em 02 jan. 2014. O artigo destaca como as políticas educacionais têm sido instigadas pelas tentativas de corrigir as desigualdades. Leia o artigo Organização da educação nacional: sistema e conselho nacional de educação, plano e fórum nacional de educação, de Demerval Saviani. Revista Educação e Sociedade, 2010. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/es/v31n112/07.pdf>. Acesso em 02 jan. 2014. O artigo analisa a organização da educação nacional a partir da forma como está disposta na atual LDB, indicando os elementos para a implantação do Sistema Nacional de Educação. Leia o artigo Políticas de regulação e mercantilização da educação: socialização para uma nova cidadania?, de Nora Rut Krawczyk, Revista Educação e Sociedade, 2005. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/es/v26n92/v26n92a05.pdf>. Acesso em: 02 jan. 2014. O artigo analisa, a partir de reflexões teóricas e pesquisas empíricas, um dois eixos principais da reforma educativa ocorrida nos anos de 1990 na América Latina. Isto é, a consolidação de uma nova organização e gestão do sistema educativo e da escola, que define formas quase mercantis de delegação de poderes. 10 LINKSIMPORTANTES Vídeos Revolta – Profª. Amanda Gurgel. Disponível em: <https://www.youtube.com/ watch?v=NQ7HNWnowsw>. Acesso em: 02 jan. 2014. O vídeo é o desabafo da Profª. Amanda Gurgel sobre as políticas relacionadas a valoriza- ção do profissional da educação. A Sociologia como esporte de combate. Disponível em: <http://www.youtube.com/ watch?v=zO4QuCSMO0k>. Acesso em: 02 jan. 2014. Em entrevista no rádio Bourdieu fala sobre o fazer sociológico e a reprodução da desigual- dade. Instruções: Chegou a hora de você exercitar seu aprendizado por meio das resoluções das questões deste Caderno de Atividades. Essas atividades auxiliarão você no preparo para a avaliação desta disciplina. Leia cuidadosamente os enunciados e atente-se para o que está sendo pedido e para o modo de resolução de cada questão. Lembre-se: você pode consultar o Livro-Texto e fazer outras pesquisas relacionadas ao tema. AGORAÉASUAVEZ Questão 1: Reflita sobre o estudado durante a disci- plina Políticas Educacionais e, a partir dos seus conhecimentos, explique o porquê é importante estudar e entender os conflitos e contradições existentes na política edu- cacional brasileira. RESPOSTA DISSERTATIVA 11 Questão 2: A direção da política educacional brasileira, de acordo com Santos (2012), caminha em qual direção: a) Rumo a uma homogeneidade definida do centro para a periferia, ou seja, do Governo Federal para os governos locais e as instituições privadas. b) Rumo à formação de profissionais cidadãos e emancipados. c) Da periferia para o centro, ou seja, dos governos locais para o governo federal. d) No sentido apenas dos acordos internacionais assumidos pelo Brasil. e) No sentido da privatização, partindo das instituições privadas para o governo federal. Questão 3: Os agentes que influenciam o campo da política educacional brasileira são: a) Os conselhos do Fundo de Manuten- ção e Desenvolvimento da Educação Bá- sica e de Valorização dos Profissionais da Educação, os comitês locais do Plano de Articulações de Políticas e os conselhos escolares. b) Os membros dos conselhos, os repre- sentantes da sociedade civil e de movi- mentos sociais e os intelectuais, acadê- micos e educadores. c) A Aneb e a Conaes. d) O Ministério da Educação e Cultura, o Conselho Nacional de Educação e o Fun- do Nacional de Desenvolvimento da Edu- cação. e) As agências de fomento à pesquisa, os conselhos estaduais de educação e os conselhos municipais de educação. Questão 4: As instituições influentes no campo da po- lítica educacional brasileira indiretamente ligadas ao Estado, são: I. Conselhos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação. II. Comitês locais do Plano de Articula- ções de Políticas. III. Conselhos Estaduais de Educação. IV. Agências de fomento à pesquisa. V. Conselhos escolares. Estão CORRETAS somente as afirmações: a) II, III, IV. b) I, II, V. AGORAÉASUAVEZ INDIQUE A ALTERNATIVA CORRETA INDIQUE A ALTERNATIVA CORRETA INDIQUE A ALTERNATIVA CORRETA 12 c) I, IV, V. d) II, III, V. e) II, IV, V. Questão 5: Com relação às formas simbólicas como suporte ideológico da política brasileira é correto afirmar: I. Um exemplo de normas não oficiais é a distância demasiadamente entre a letra da lei e as práticas usuais. II. A ausência de confronto entre a centra- lização administrativa e autonomia de instituições e sistemas de ensino. III. Vêm a ser o próprio sentido de ações, planos e programas políticos da educa- ção brasileira. IV. São compostos por instituições direta- mente ligadas à estrutura do Estado. V. São compostos pelas normas e regras não oficiais e pelos espíritos de lei. Estão CORRETAS somente as afirmações: a) I, III, V. b) II, III, V. c) I, IV, V. d) II, III, V. e) II, IV, V. Questão 6: Explique o conceito de “campo” de acordo com a teoria de Bourdieu. Questão 7: Explique o conceito de habitus de acordo com Santos (2010). Questão 8: O Ministério da Educação e Cultura (MEC) representa uma instituição influente no campo da política educacional brasileira di- retamente ligada ao Estado. Descreva, de forma resumida, as principais característi- cas desta instituição. Questão 9: A regulamentação de órgãos colegiados, que servem de mediadores entre o Estado e a sociedade civil no que compete à im- plantação das políticas de responsabiliza- ção. (SANTOS, 2012, p. 102). Nesta situação pode ser identificados, de forma simbólica, espíritos de lei que in- fluenciam o campo da política educacional brasileira. Explique o por quê. AGORAÉASUAVEZ INDIQUE A ALTERNATIVA CORRETA 13 Questão 10: A confusão entre as dimensões do público e do privado no âmbito da gestão dos re- cursos direcionados a sistemas e unidades de ensino são formas simbólicas que dão suporte ideológico às políticas educacio- nais brasileiras. Explique o por quê. AGORAÉASUAVEZ Nesta última aula você estudou o campo da política educacional brasileira a partir dos conceitos de “campo” e habitus. Aprendeu sobre os conflitos e contradições existentes no campo da política educacional brasileira e a necessidade e importância de conhecê-los. Caro aluno, agora que o conteúdo dessa aula foi concluído, não se esqueça de acessar sua ATPS e verificar a etapa que deverá ser realizada. Bons estudos! FINALIZANDO 14 ARROYO, M. G. Políticas educacionais e desigualdades: à procura de novos significados, de Miguel G. Arroyo. Revista Educação e Sociedade, Campinas, v. 31, n. 113, p. 1381- 1416, out.-dez. 2010. SANTOS, P. S. M. B. dos. Guia prático da política educacional no Brasil: ações, planos, programas e impactos. São Paulo: Cengage Learning, 2012. REFERÊNCIAS Formas simbólicas: símbolos; a substituição, através de símbolos, de algo que existe. Espíritos de lei: formado por idéias-forças que são aquelas que permeiam todos os documentos e acabam por compor sua intencionalidade e objetivos. Hiato: intervalo. Comitês: grupo de pessoas incumbidas de tratar de determinado assunto. Agentes: que opera, age, o que pratica a ação. GLOSSÁRIO 15 Questão 1 Resposta: A resposta esperada deve ser no sentido do profissional da educação, compreendendo as contradições e conflitos existentes no campo da política educacional brasileira, possa atuar como um profissional consciente lutandopara transformar a realidade. Questão 2 Resposta: Letra A. A direção da política educacional brasileira, de acordo com Santos, caminha rumo a uma homogeneidade definida do centro para a periferia, ou seja, do Governo Federal para os governos locais e as instituições privadas. Questão 3 Resposta: Letra B. Os agentes que influenciam o campo da política educacional brasileira são: os membros dos conselhos, os representantes da sociedade civil e de movimentos sociais e os intelectuais, acadêmicos e educadores. Questão 4 Resposta: Letra B. As instituições influentes no campo da política educacional brasileira indiretamente ligadas ao Estado, são os conselhos do FUNDEB, os comitês locais do PAR e os conselhos escolares. Questão 5 Resposta: Letra A. As formas simbólicas como suporte ideológico da política brasileira vem a ser o próprio sentido de ações, planos e programas políticos da educação brasileira; são compostos pelas normas e regras não oficiais e pelos espíritos de lei; e um exemplo de normas não oficiais é a distância demasiadamente entre a letra da lei e as práticas usuais. Já a ausência de confronto entre a centralização administrativa e autonomia de instituições e sistemas de ensino e as instituições diretamente ligadas à estrutura do Estado correspondem às Instituições influentes no campo da política educacional brasileira. GABARITO 16 Questão 6 Resposta: O “campo” consiste no espaço (delimitado geográfica, social e politicamente) em que ocorrem as relações entre os indivíduos, grupos e estruturas sociais. Espaço este sempre dinâmico e com uma dinâmica que obedece a leis próprias, animada sempre por disputas ocorridas em seu interior, e cujo móvel é invariavelmente o interesse em ser bem- sucedido nas relações estabelecidas entre os seus componentes. Questão 7 Resposta: O habitus consiste em uma matriz geradora de comportamentos, visões de mundo e sistemas de classificação da realidade que se incorpora aos indivíduos (ao mesmo tempo em que se desenvolve nestes), seja no nível das práticas, seja no nível da postura corporal (hexis) desses mesmos indivíduos. Assim, o habitus é aprendido e gerado na sociedade e incorporado nos indivíduos. O habitus é um grande organizador de nossos hábitos, é o que dá sentido às nossas ações quando estamos em sociedade. Questão 8 Resposta: O MEC é o órgão responsável pela coordenação das políticas desenvolvidas na área da educação. Sua atuação não se restringe aos aspectos pedagógicos-educacionais, estendendo-se ao planejamento e à avaliação de plano, programas e propostas para esta área. Gerencia vultosas somas de recursos, distribuídas aos sistemas e às instituições de ensino ligadas à sua estrutura. Sua ação no campo da política educacional brasileira é de integração de políticas e de estabelecimentos de padrões que devem ser seguidos por instituições e sistemas de ensino do Brasil. Questão 9 Resposta: É feita uma previsão de ampla participação popular na gestão de recursos e administração de sistemas e instituições, sem, no entanto, criar mecanismos para que isso ocorra. Questão 10 Resposta: Essa confusão acontece na medida em que recursos públicos são tratados como projeto individual de quem os gere, ou seja, muitos agentes da política educacional brasileira referem-se e lidam com o sistema público como se fossem propriedade privada. GABARITO