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A diarreia é o principal problema de saúde durante viagens, afetando de 10 a 50% dos viajantes. O termo diarreia dos viajantes define um grupo de doenças que é resultante da ingestão de água e alimentos contaminados por agentes infecciosos e que tem a diarreia como manifestação principal. Em geral a diarreia dos viajantes tem duração de dois a três dias, mas pode causar desconforto e impedir a realização de atividades importantes. Pode ainda evoluir com complicações como a desidratação, o que é mais comum em crianças pequenas, idosos e portadores de doenças crônicas. As toxinas produzidas resistem a altas temperaturas o que funciona como um fator de resistência ao microrganismo. Essa toxina estimula a hipersecreção de fluidos e eletrólitos ao mesmo passo que provoca muita diarreia devido a isso a grande facilidade de ocorrer desidratação. Devido ao quadro de desidratação grave o principal tratamento é a reposição de eletrólitos. 2 A transmissão dos agentes infecciosos é resultante da ingestão de água ou de alimentos contaminados. A freqüência de cada agente infeccioso como causa de diarréia dos viajantes e de intoxicações alimentares pode variar de acordo com países e regiões visitadas. As bactérias são a principal causa de diarréia dos viajantes e, dependendo do local de destino, a Escherichia coli enterotoxigênica (produtora de toxinas – ETEC) pode ser responsável por 25-50% dos casos, seguida em freqüência por espécies de Shigella, Salmonella e Campylobacter. Os vírus (adenovírus, astrovírus, rotavírus e calicivirus) podem ser causa importante diarréia em pessoas que viajam e surtos em navios causados por norovírus (um dos calicivirus) são relativamente comuns. 3 O tratamento básico da diarreia do viajante e das intoxicações alimentares consiste em reidratação, que deve ser iniciada o mais precocemente possível. Em casos leves, a reidratação pode ser feita por via oral, preferentemente com uma solução reidratante contendo eletrólitos (sais) e glicose, em concentrações adequadas (sais de reidratação oral). A solução de reidratação oral deve ser preparada imediatamente antes do consumo e o conteúdo de um envelope deve ser dissolvido em um litro de água fervida, após o resfriamento. A solução não pode ser fervida depois de preparada, mas pode ser conservada em geladeira por até 24 horas. Pode ser ingerida de acordo com a aceitação, com frequência e volume proporcionais à intensidade da diarreia. 4 O termo “EPEC” deve ser empregado para espécies de Escherichia coli diarreico genicas que não produzem nenhuma enterotoxina, mas que causam a lesão histopatológica característica determinada pela ligação íntima e desvanecimento das micro vilosidades dos enterócitos, lesão essa que leva a uma pronunciada disfunção na absorção intestinal. Com a destruição das estruturas do intestino levando a má absorção de nutrientes o paciente pode ter seu estado geral agravado em decorrência de desnutrição provocada pela má absorção e ainda desidratação em função do quadro de diarreia. 5 As EPEC foram responsáveis por surtos de diarréia aguda infantil nas décadas de 40 e 50 nos países desenvolvidos. Hoje, são a principal causa de diarreia bacteriana infantil, nos países em desenvolvimento ou em áreas de saneamento precário, perdendo apenas para o rotavírus em número de pacientes . 6 Para cultura das fezes chamamos de coprocultura utilizando ágar macconkey em função de ser um meio seletivo e indicador para Enterobactérias, ou seja, haverá o crescimento exclusivamente do microorganismo de interesse clínico. Os principais sintomas da doença causada por EPEC são diarréia aquosa, em vários graus de intensidade, e desidratação. O quadro clínico pode se agravar rapidamente pela dificuldade na eliminação da bactéria podendo implicar em infecção do trato urinário e meningite . 7 A principal característica é a diarreia aquosa persistente com vômito, desidratação e febre baixa. As micro vilosidades do intestino delgado se encurtam, ocorre uma aglomeração de segmentados neutrófilos. O encurtamento do instestino e a infiltração dos segmentados gera um quadro de hemorragia. Devido envolver um processo infeccioso pode haver colonização de diversas bactérias da flora normal do intestino, o que chamamos, biofilmes. Biofilmes nada mais são que um conjunto de diversos microrganismos colonizando determinados sítios. Essa aglomeração de diversos microrganismos geram os quadros de bactérias multiresistentes. 8 Os ensaios de adesão são ensaios imunológicos para pesquisa dos antígenos produzidos pela Escherichia coli Enteroinvasora. Os antígenos são Hep-2 e HeLa. Deve-se utilizar antibióticos para o tratamento visto a facilidade de colonização por biofilmes. 10 Uma característica marcante da EIEC é o fato de que qualquer alimento ou água contaminados com fezes infectadas irão causar a doença. Frequentemente associam-se surtos de EIEC com leite não pasteurizado ou carne contaminada. 11 Essas cepas são capazes de produzir uma diarreia inflamatória similar à causada por Shigella, e, a exemplo desta, são não fermentadoras de lactose (ou fermentadoras tardias), anaerogênicas e imóveis. A presença de neutrófilos segmentados, sangue e muco em esfregaços de fezes, podem sugerir presença de EIEC. Doença mais comumente encontrada em crianças em países em desenvolvimento (4), apresenta mecanismos de patogenicidade como invasão da mucosa e proliferação dentro das células epiteliais, podendo causar morte celular. 12 E. coli enterohemorrágica (EHEC) produz uma toxina denominada Shiga, sendo conhecida como E. coli produtora de toxina Shiga (STEC). Cepas de E. coli produtoras de toxina Shiga são causas de um amplo espectro de doenças, compreendendo desde uma diarréia branda até casos severos de colite hemorrágica que podem evoluir para complicações extraintestinais graves como a SHU e a púrpura trombocitopênica trombótica (PTT) que se caracteriza por uma anemia hemolítica com eritrócitos fragmentados e nucleados, trombocitopenia, febre, distúrbios neurológicos e disfunção renal. 14 Os principais sintomas produzidos pela EHEC são a diarréia e cólicas abdominais severas, podendo evoluir para diarréia sanguinolenta. Vômitos e febre também podem ocorrer. O período de incubação varia de 1 a 10 dias, com média de 3 a 4 dias. A maioria da população se recupera em 10 dias, mas em pessoas mais vulneráveis, a infecção pode agravar-se, levando à SHU, que geralmente se apresenta de 5 a 7 dias a partir do início da diarréia. 15 Shigelose é uma doença infecciosa causada por um grupo de bactérias chamadas Shigella. Caracteriza-se por dor abdominal e cólica, diarréia com sangue, pus ou muco; febre, vômitos e tenesmo, em geral, iniciam-se, um ou dois dias após a exposição às bactérias. Geralmente, trata-se de infecção auto limitada, durando de 4 a 7 dias. A infecção grave, com febre alta, pode estar associada com convulsões em crianças menores de 2 anos de idade. A 20 A via fecal-oral é a principal forma de transmissão da Shigella entre humanos. No que diz respeito aos alimentos, a contaminação é muitas vezes devido a um manipulador de alimentos contaminado, por falta de higiene pessoal. Moscas carregam o patógeno para os alimentos a partir de latrinas e de disposição inadequada de fezes e esgotos. Alimentos expostos e não refrigerados constituem um meio para sua sobrevivência e multiplicação. Ambientes fechados como creches, hospitais e similares são propícios para a disseminação da doença. 23 Y. enterocolitica é um organismo de distribuição ubiquitária que tem sido isolado de vários animais (humanos, cães, gatos, roedores, aves, répteis, etc.), de alimentos e de água. No entanto, deve salientar-se que a maioria das estirpes isoladas do ambiente não são patogénicas. Os porcos são considerados o principal reservatório de estirpes patogénicas para o Homem. 26