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DIAGNÓSTICO AGRONÔMICO

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SISTEMA DE CULTIVO 
(DIAGNÓSTICO AGRONÔMICO) 
 
 
 
 
 Discente: Ana Paula Oliveira Aranha 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CASTANHAL-PA 
2017 
1 INTRODUÇÃO 
Os agroecossistemas apresentam grande variabilidade e complexas relações de 
interação, para compreender esses sistemas, tem sido muito utilizado o método do 
diagnóstico agronômico. Este, consiste em se confrontar o modelo teórico com as 
observações correspondentes às variáveis da cultura e às variáveis ambientais observadas 
a campo (LOYCE; WERY, 2006). 
O Diagnóstico Agronômico também objetiva verificar as razões pelas quais, em 
algumas situações agrícolas, não se atinge o nível esperado de desempenho. Esse enfoque 
de pesquisa leva em consideração a variabilidade de uma região e procura identificar os 
fatores limitantes dentro de uma rede de propriedades (MEYNARD et al., 1996). O estudo 
da unidade de produção familiar agrícola deve estar associado as práticas do agricultor, ou 
seja, na sua relação concreta sobre a natureza para ter uma produção. O objetivo é 
identificar problemas no processo e pensar nas possíveis mudanças/alternativas que 
permitam superá-las (VEIGA, 2013). 
Para alcançar este objetivo no que diz respeito à produção vegetal do 
estabelecimento agrícola (os sistemas de Cultivo) devemos: Considerar o contexto em que 
estão inseridas as práticas do agricultor no que diz respeito à produção vegetal e estudar a 
relação destas práticas com o meio ecológico e com as plantas cultivadas e seu efeito sobre 
a produção (VEIGA, 2013). Nesse sentindo, é de fundamental importância compreender 
a relação do homem com o meio biofísico e as interações dos fatores bióticos e abióticos 
que constituem o agroecossistema. 
 Para melhor compreensão do funcionamento da unidade de produção familiar, 
torna-se necessário uma análise sistêmica vendo o estabelecimento agrícola como um 
sistema, Bourgeois (1995) fala que o mesmo é constituído por estabelecimento, agricultor 
e sua família, caracterizado como sistema família-estabelecimento. Partindo desse ponto, 
tem-se em primeira análise, a família no qual fornece ao sistema de produção, o trabalho, 
e posteriormente a essa troca do que ela extrai como retorno, faz uma avaliação se está 
comprometendo o sistema de produção ou não (BOURGEOIS,1995). Diante desse 
contexto, sempre deve ser levado em conta esses princípios para um melhor entendimento 
do funcionamento da unidade de produção familiar e de como as tomadas de decisão são 
realizadas a respeito do uso dos recursos. 
Partindo desses princípios da abordagem sistêmica, objetivou-se neste trabalho o 
diagnóstico agronômico do sistema de cultivo de uma propriedade de manejo de bacurizais 
nativos (Platonia insignis), em SAF com as frutíferas: sapotizeiros (Manilkara zapota), 
açaizeiro (Euterpe oleraceae L.), cupuaçuzeiro (Theobroma grandiflorum (Willd. ex 
Spreng.) K. Schum), aceroleira (Malpighia glabra L.), murucizeiro (Byrsonima crassifólia 
(L.) Rich)), gravioleiras (Annona muricata L.), taperebazeiros (Spondias mombin L.), 
limoeiros (Citrus spp), laranjeira (Citrus sinensis L. Osbeck), tangerineira (Citrus reticulata 
Blanco) e coqueiro (Cocus nucifera L.), de tais culturas destacam-se em importância de 
receita para o produtor, respectivamente: bacuri, açaí, cupuaçu. 
Os Sistemas agroflorestais (SAF’S) são sistemas sustentáveis de uso e manejo nos 
quais as árvores estão em associação com cultivos agrícolas e/ou animais em uma mesma 
área, durante um mesmo período ou em uma sequência temporal (DUBOIS, 1996; 
MACEDO, 2000). No manejo de bacurizais nativos, em algumas situações, transformar 
áreas de roças abandonadas ou fragmentos de capoeiras podem ser transformados em 
Sistemas agroflorestais. Diversas espécies frutíferas podem ser associadas aos bacurizeiros 
que estão sendo manejados, para mesorregião Nordeste Paraense. (HOMMA et al., 2006). 
2 METODOLOGIA 
O diagnóstico em questão foi realizado em uma propriedade rural situada no ramal 
do SAAE (Sistema de abastecimento de água e esgoto), bairro Apeteua, município de 
Maracanã PA, na mesorregião nordeste do Pará, distante cerca de 150 km da capital do 
Estado (CIDADE BRASIL, 2016). 
 Realizou-se a visita na propriedade no dia 12 de outubro de 2016, chegando às 08 h, onde 
inicialmente, buscou-se reunir com alguns agentes importantes para este trabalho, que 
foram proprietário, vizinhos, família, funcionário, e a equipe de estudo, onde, aplicou-se, 
para coleta de dados, os princípios do DRP (diagnóstico rural participativo), que consiste, 
segundo SALAS et al. (1994) e Verdejo (2010), em um conjunto de técnicas e ferramentas 
que permite impulsionar os agentes participantes da propriedade ou comunidade rural, a 
fazer auto reflexões sobre seus próprios problemas e as possibilidades para solucioná-los, 
fomentando, assim seu desenvolvimento sustentável. 
Foi realizado um percurso no estabelecimento agrícola utilizando ferramentas 
participativas dessa metodologia como entrevistas com perguntas norteadoras, caminhada 
transversal, levantamento de recursos naturais, uso da FOFA para identificar fortalezas, 
fraquezas, ameaças e oportunidades, fluxo econômico e camadas sociais, a fim de obter 
informações sobre o estabelecimento a partir de conversas informais, conforme proposto 
por Verdejo (2010), assim como o uso da abordagem sistêmica de acordo com Bourgeois 
(1995), fazendo levantamento de indicadores técnicos, econômicos, culturais, sociais, 
naturais, variáveis que devem ser consideradas para qualquer tomada de decisão, sejam 
decorrentes das políticas públicas e da conjuntura macroeconômica, de especificidades 
locais e regionais. Dados esses importantes para uma melhor compreensão do sistema de 
cultivo. 
2.1 Perguntas Norteadoras 
 Recorreu-se ainda a um roteiro com questões norteadoras, criando um ambiente aberto ao 
diálogo a respeito das principais informações sobre a família, o histórico do lote, as 
práticas de manejo, as plantas, dados de produção, as lógicas que a família encontrou para 
aquisição da propriedade e escolher o sistema ali implantado e a história da mesma, bem 
como identificar seus anseios para a propriedade e culturas e suas limitações para alcançá-
los, além de experiências adquiridas ao longo do desenvolver das suas atividades naquele 
lote. 
2.2 Caminhada Transversal 
 Foi percorrida a área da propriedade em regiões de uso e recursos diferentes, 
acompanhados pelo proprietário, seu filho e caseiro da propriedade. Ao longo dessa 
caminhada foram anotadas informações que surgiram pela observação dos participantes 
em cada zona que foi cruzada, para se obter dados sobre os diversos componentes dos 
recursos naturais, vida econômica, rotina de trabalho, características do solo, aspectos 
quantitativos e qualitativos de produção e manejos aplicados, fluxo de recursos e camadas 
sociais em que está inserido o contexto da propriedade. 
2.3 Levantamento dos Recursos naturais 
 Foi realizada a caminhada na área fazendo levantamento florístico, dos aspectos hídricos 
(fontes, rios, sistemas de água), pluviométricos, tipos e fertilidade de solo e levantamento 
topográfico da área, produzindo mapa da área. (Figura 01), fez-se também coleta de solo 
para análise química, granulométrica e densidade do solo, buscando uma visão geral das 
propriedades do solo, caracterizando áreas de várzeas, tipos de solo e de vegetação 
ocorrente. Foram consideradas também informações sobre aspectos da fauna, relevo, 
poluição e impactos. 
 
Figura 01. Localização da propriedade. 
Fonte: Siqueira, 2017 
2.4 Tomada de Decisões 
De posse dessas informações, buscou-se construir, de maneira participativa uma 
proposta de plano de ação, identificando os problemas e fatores limitantes e quais medidas 
necessárias a serem tomadas para se chegar às mudanças necessárias, promovendo assim 
maiores índices de produtividade

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