D-GPA_-_Disturbios_Acidobasicos1
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Diariamente o dióxido de carbono e os áci-
dos não voláteis são produzidos em pessoas sau-
dáveis. O equilíbrio acidobásico é mantido pela 
excreção de dióxido de carbono e dos ácidos 
não voláteis. A função pulmonar, a função renal 
e os tampões intra e extracelulares, em estado 
de equilíbrio, mantém o pH sérico dentro da nor-
malidade. Distúrbios nesse equilíbrio interferem 
com a normalidade do crescimento e desenvol-
vimento da criança. Em casos de evolução aguda 
grave, esse desequilíbrio pode ser fatal.
As manifestações clínicas dos distúrbios aci-
dobásicos (DAB) variam de acordo com a gravi-
dade e o modo de evolução (agudo ou crônico). 
A história clínica e o exame físico criteriosos são 
determinantes para a identificação do processo 
fisiopatológico que gerou esse distúrbio.
O estado acidobásico em equilíbrio é deter-
minado pelas concentrações séricas de [H+], CO2 
e HCO3
- sendo medidas pela equação de Hander-
son-Hasselbalch (componente metabólico/com-
ponente respiratório):
pH = pKa + log[HCO3
-]/0,03 x pCO2 - # pKa: 
constante de dissociação do ácido carbônico.
Acidemia: é definida como pH sérico <7,35 e 
alcalinemia, o pH >7,45.
Acidose: é o processo patológico que gera a 
acidemia e alcalose, o que gera a alcalinemia.
VALORES NORMAIS
pH 7,35 a 7,45 Concentrado de íon 
[H+]
[HCO3
-] 20 a 28 mEq/L Efetividade 
metabólica
pCO2 35 a 45 mmHg CO2 dissolvido 
no sangue ou 
efetividade 
ventilatória
A homeostase acidobásica requer integração 
dos órgãos como o fígado (metabolismo das pro-
teínas), rins (reabsorção de bicarbonato) e pul-
mões (remoção do CO2). A concentração dos íons 
H+ geralmente é baixa, sendo 40 mEq/L quando o 
pH = 7,40. Essa concentração é mantida pelo con-
trole fisiológico como condição necessária para 
DISTÚRBIOS ACIDOBÁSICOS
Departamento Científico de Terapia Intensiva
Presidente: Werther Brunow de Carvalho
Secretário: Ricardo Maria Nobre Othon Sidou
Conselho Científico: Helena Müller, Lara de Araújo Torreão, Marcelo Barciela Brandão, Michelle 
Luiza Cortez Gonin, Norma Suely de Oliveira
Guia Prático de Atualização
D e p a r t a m e n t o C i e n t í f i c o 
d e Te r a p i a I n t e n s i v a
Nº 4, Maio de 2018
Distúrbios Acidobásicos
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manter as funções celulares normais. Fontes de 
íons [H+] resultam, normalmente, do metabolismo 
das proteínas provenientes da dieta, do metabo-
lismo incompleto dos carboidratos/ gorduras e, 
quando ocorre perda de bicarbonato pelas fezes.
Os tampões fisiológicos mais efetivos são 
o sistema ácido carbônico-bicarbonato, as pro-
teínas (albumina, hemoglobina) e os ossos (re-
servatório de bicarbonato e fosfato). O sistema 
ácido carbônico-bicarbonato é único entre os 
sistemas tampões orgânicos por ser um sistema 
aberto, que promove remoção contínua de áci-
dos orgânicos, por meio da exalação pulmonar 
de CO2. Os rins controlam o mecanismo acidobá-
sico de duas formas: pela reabsorção de bicar-
bonato filtrado e pela excreção de [H+] (na forma 
de acidez titulável ou de amônio \u2013 NH4
+). Quan-
do ocorre desequilíbrio acidobásico, o início da 
compensação pulmonar ocorre em 6 a 12 horas 
e a compensação renal, em 3 a 5 dias. 
Em relação ao resultado da gasometria ar-
terial propriamente dita, deve-se ter o cuidado 
de avaliar a qualidade do exame, que pode ter 
interferência tanto do modo de coleta como du-
rante a análise. Para isso, deve-se observar o pH 
e a PaCO2 de maneira direta e no contexto clí-
nico, avaliando se são compatíveis. Há também 
a necessidade de se calcular a concentração de 
HCO3
- pela equação de Henderson modificada 
por Hassirer e Bleich:
[H+] = 24 x PaCO2/[HCO3
-]
Por meio dessa equação, obtém-se o valor 
gasométrico direto da [H+] e da PaCO2 (mensu-
ração direta por eletrodo), calculando-se o bi-
carbonato. Pela [H+] se obtém o pH. Geralmente, 
para cada 0,1 de aumento no pH >7,00, multipli-
ca-se o valor de [H+] por 0,8. E para cada 0,1 de 
diminuição no pH <7,00, multiplica-se o valor de 
[H+] por 1,25 ou divide-se por 0,8.
Correlação aproximada entre [H+] e pH:
pH 7,80 7,70 7,60 7,50 7,40 7,30 7,20 7,10 7,00 6,90 6,80
[H+] 16 20 26 32 40 50 63 80 100 125 160
Se a concentração do HCO3
- for >10% que 
a calculada, deve-se repetir a coleta do exame. 
Empiricamente, em geral o conteúdo total de CO2 
é equivalente ao HCO3
- ± 3 mmol/L, e se houver 
discrepância desse valor, sugere-se nova coleta 
do exame. 
O modo de coleta da gasometria arterial tam-
bém pode gerar alteração na análise e conse-
quente dúvidas: se houver excesso de heparina, 
pode resultar em diminuição na PaCO2 e aumen-
to no pH; a presença de bolha de ar pode resultar 
em aumento na PaO2, aumento no pH e diminui-
ção na PaCO2; se houver aumento na temperatu-
ra da amostra, pode resultar em diminuição na 
PaO2, diminuição no pH e aumento na PaCO2 e, 
se houver mistura com sangue venoso, pode re-
sultar em diminuição na PaO2.
AVALIAÇÃO DO DÍSTÚRBIO ACIDOBÁSICO
1O PASSO
Determinar se há acidemia ou alcaliemia 
pela avaliação do pH, que geralmente apresenta 
valores alterados. 
OBS - Há duas exceções em que o pH pode 
ser normal: se houver distúrbio misto ou se o pa-
ciente apresentar alcalose respiratória crônica e 
a compensação renal foi suficiente para norma-
lizar o pH.
2O PASSO
Determinar a causa, avaliando as concentra-
ções de [HCO3
-] e CO2. Geralmente, há somente 
Departamento Científico de Terapia Intensiva \u2022 Sociedade Brasileira de Pediatria
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uma explicação para a alteração do pH. 
OBS \u2013 Em distúrbios mistos, há duas possi-
bilidades que podem alterar o pH: presença de 
aumento de CO2 e diminuição [HCO3
-] em pacien-
te com acidemia. Em tais casos, o paciente tem 
duas causas de pH anormal (acidose respiratória 
e acidose metabólica) não sendo necessário, o 
3º passo. 
3O PASSO
Observar se há compensação (distúrbio pri-
mário) ou não (distúrbio misto). 
COMPENSAÇÃO ESPERADA DURANTE OS DISTÚRBIOS ACIDOBÁSICOS
DISTÚRBIO EVENTOPRIMÁRIO COMPENSAÇÃO
COMPENSAÇÃO
ESPERADA
Acidose
respiratória
aguda
CO2
aumentado Aumento no HCO3
-
\u394 [HCO3
-] = 0,1 X \u394 pCO2
(HCO3- aumenta 1 mEq/L para cada 10 mmHg de 
aumento na pCO2)
Acidose
respiratória
crônica
CO2
aumentado Aumento no HCO3
- 
\u394 [HCO3
-] = 0,4 X \u394 pCO2
(HCO3
- aumenta 3 a 5 mEq/L a cada 10 mmHg de 
aumento na pCO2)
Alcalose
respiratória
aguda
CO2
diminuído
Diminuição 
no HCO3
-
\u394 [HCO3
-] = 0,2 X \u394 pCO2
(HCO3
- diminui 2 mEq/L a cada 10 mmHg de 
diminuição na pCO2)
Alcalose
respiratória
crônica
CO2 
diminuído
Diminuição 
no HCO3
-
\u394 [HCO3
-] = 0,5 X \u394 pCO2
(HCO3
- diminui 4 mEq/L a cada 10 mmHg de 
diminuição na pCO2)
Acidose
metabólica
HCO3
- 
diminuído Diminuição no CO2 
pCO2 = 1,5 X [HCO3
-] + 8 ± 2
(pCO2 diminui 10 mmHg a cada 10 mEq/L de 
aumento no HCO3
-)
Alcalose
metabólica
HCO3
- 
aumentado Aumento no CO2 
pCO2 = 0,9 X [HCO3
-] ± 9 
(pCO2 aumenta 7 mmHg a cada 10 mEq/L de 
aumento no HCO3
-)
ANÁLISE DOS DISTÚRBIOS ACIDOBÁSICO: ACIDEMIA OU ALCALINEMIA
ACIDEMIA ALCALINEMIA
Diminuição no HCO3
-
Acidose metabólica
Aumento no CO2
Acidose respiratória
Aumento no HCO3
-
Alcalose metabólica
Diminuição no CO2
Alcalose respiratória
CO2 
baixo
CO2 
espe-
rado
CO2 
eleva-
do
HCO3
-
baixo
HCO3
- 
espe-
rado
HCO3
- 
eleva-
do
CO2 
baixo
CO2 
espe-
rado
CO2 
eleva-
do
HCO3
-
baixo
HCO3
-
espe-
rado
HCO3
- 
eleva-
do
Dis-
túrbio 
misto
Dis-
túrbio 
primá-
rio
Dis-
túrbio 
misto
Dis-
túrbio 
misto
Dis-
túrbio 
primá-
rio
Dis-
túrbio 
misto
Dis-
túrbio 
misto
Dis-
túrbio 
primá-
rio
Dis-
túrbio 
misto
Dis-
túrbio 
misto