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See	discussions,	stats,	and	author	profiles	for	this	publication	at:	https://www.researchgate.net/publication/263087006
Alimentação	complementar	e	sua	relação	com
fatores	socioeconômicos
Article	·	August	2009
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Renata	Léia	Demário
Federal	University	of	Santa	Catarina
4	PUBLICATIONS			11	CITATIONS			
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Novello,	D
Universidade	Estadual	do	Centro-Oeste	do	P…
122	PUBLICATIONS			106	CITATIONS			
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https://www.researchgate.net/profile/Novello_D?enrichId=rgreq-850e6556ada840d83c35560eaf85b1e7-XXX&enrichSource=Y292ZXJQYWdlOzI2MzA4NzAwNjtBUzoxMDgwNjY0NjQ4NjYzMDRAMTQwMjc3NjQ2MTM1MA%3D%3D&el=1_x_10&_esc=publicationCoverPdf
Ano 8 - nº 2 • março/abril de 2009
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ISSN 1677-0234
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COGUMELOS
•	 Cogumelo do Sol: evidências e mitos 
populares
OBESIDADE
•	 Protocolo nutricional pós-cirurgia 
bariátrica
•	Obesidade, ansiedade e depressão
CLÍNICA
•	 Dieta e migrânea infantil
•	 Suporte nutricional em pacientes 
oncológicos
EPIDEMIOLOGIA
•	 Anemia ferropriva em crianças 
brasileiras
EDITORIAL
A verdade sobre as dietas de emagrecimento, Jean-Louis Peytavin ..............................................................75
ARTIGOS ORIGINAIS
Protocolo de acompanhamento nutricional para pacientes submetidos 
à cirurgia bariátrica no pré e pós-operatório, Kaciara Nunes Almeida, 
Josefi na Bressan, Bruna de Melo Magalhães ...................................................................................................76
Efeitos da pectina cítrica sobre os níveis de glicose, triglicerídeos 
e adiposidade em ratas submetidas a uma dieta rica em carboidrato simples 
Lucélia Fernandes Gandini, Lucia Helena de Aguiar, Cíntia Alessandra Matiucci Pereira...............................84
Avaliação antropométrica e dietética dos funcionários de uma empresa 
de transportes urbanos de Ijuí – RS, Joseane Pazzini Eckhardt, Cleusa Wadenpuhl, 
Camila Nunes Zanchi, Marli Ludwig Th omas, Adriane Cervi Blümke ..........................................................92
Associação do sobrepeso, obesidade I e II e circunferência da cintura 
com sintomas de ansiedade e depressão, Helena Altenburg, Camila B. Souza ...........................................100
REVISÕES
Alimentação complementar e sua relação com fatores socioeconômicos, 
Franciely Messias, Adrieli Cardoso, Renata Leia Demario, Daiana Novello, 
Marcela Komechen Brecailo, Paulo Roberto Ost .........................................................................................109
Efi cácia do suporte nutricional e imunonutrição em pacientes oncológicos, 
Alice Varejão Cavalcanti Paes, Flávia Nunes Salviano, Maria Goretti P. De Araújo Burgos ...........................114
Manejo dietético alterando a evolução da migrânea infantil, 
Denise Martins Medrado, Lucia Marques Vianna ........................................................................................119
Cogumelo do sol: ciência versus concepção popular, Aline Mayrink de Miranda, 
Rinaldo Cardoso dos Santos ........................................................................................................................125
Anemia ferropriva em crianças brasileiras: fortifi cação de alimentos, 
suplementação e educação nutricional, Carolina Souza Ferreira, Michele Pereira Netto............................135
NORMAS DE PUBLICAÇÃO ................................................................................................................ 139
EVENTOS ................................................................................................................................................. 141
Índice
Volume 8 número 2 – março/abril de 2009
74
Nutrição Brasil - março/abril 2009;8(2)
Editor científi co
Profa. Dra. Rejane Andréa Ramalho Nunes da Silva (UFRJ – Rio de Janeiro)
Conselho científi co
Profa. Dra. Ana Maria Pita Lottenberg (USP – São Paulo)
Profa. Dra. Cintia Biechl Serôa da Motta (UVA – Rio de Janeiro)
Profa. Dra. Elizabeth Accioly (UFRJ – Rio de Janeiro)
Profa. Dra. Eronides Lima da Silva (UFRJ – Rio de Janeiro)
Profa. Dra. Késia Diego Quintaes (UFOP – Minas Gerais)
Prof. Dr. LC Cameron (UNIRIO – Rio de Janeiro)
Profa. Dra. Josefi na Bressan Resende Monteiro (UFV – Minas Gerais)
Profa. Dra. Lúcia Marques Alves Vianna (UNIRIO / CNPq)
Profa. Dra. Lucia de Fatima Campos Pedrosa Schwazschild (UFRN – Rio Grande do Norte)
Profa. Dra. Maria Cristina de Jesus Freitas (UFRJ – Rio de Janeiro)Profa. Dra. Rosemeire Aparecida Victoria Furumoto (UNB – Brasília)
Profa. Dra. Silvia Maria Franciscato Cozzollino (USP – São Paulo)
Profa. Dra. Tânia Lúcia Montenegro Stamford (UFPE – Pernambuco)
Grupo de assessores
Profa. Ms. Ana Cristina Miguez Teixeira Ribeiro (PUC-PR)
Profa. Ms. Cilene da Silva Gomes Ribeiro (PUC-PR)
Profa. Ms. Helena Maria Simonard Loureiro (PUC-PR)
Profa. Ms. Lúcia Andrade (UFRJ – Rio de Janeiro)
Profa. Ms. Rita de Cássia de Aquino (USJT – São Paulo)
Profa. Ms. Rita Maria Monteiro Goulart (USJT – São Paulo)
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Atendimento
(11) 3361 5595 /3361 9932
E-mail: melloassinaturas@uol.com.br
Assinatura
1 ano (6 edições ao ano): R$ 180,00
www.eventoserevistas.com.br
Editor executivo
Dr. Jean-Louis Peytavin
jeanlouis@atlanticaeditora.com.br
Editor assistente – Publicidade
Guillermina Arias
guillermina@atlanticaeditora.com.br
Direção de arte
Cristiana Ribas
cristiana@atlanticaeditora.com.br
Todo o material a ser publicado deve ser enviado para o seguinte endereço de e-mail:
artigos@atlanticaeditora.com.br
75
Nutrição Brasil - março/abril 2009;8(2)
EDITORIAL
A verdade sobre as dietas de emagrecimento
Jean-Louis Peytavin
É bem conhecido que as dietas de emagrecimento 
da moda não são embasadas no conhecimento cientí-
fi co e não têm acompanhamento de longa duração. A 
maioria dos estudos não ultrapassa um ano de duração, 
o que não é sufi ciente para observar as reincidências 
de ganho de peso.
O estudo de Sacks et al. [1], recentemente pu-
blicado, preenche em grande parte esta lacuna. Foram 
acompanhados, durante 2 anos, 4 grupos de pacientes 
obesos, totalizando 811 pessoas, que aceitaram seguir 
4 dietas diferentes, nas quais variaram as percenta-
gens de fontes calóricas. As dietas foram compostas 
respectivamente de 20, 15 e 65%; 20, 25 e 55%; 40, 
15 e 45%; 40, 25 e 35% de gordura, proteína e car-
boidratos, cobrindo assim o espectro das dietas mais 
habituais, evitando, no entanto, as dietas extremas. 
Todos os pacientes foram acompanhados psicológica 
e biologicamente.
Este estudo permite tirar várias conclusões: 1) 
Todos os pacientes perderam em média 6 kg de peso 
no primeiro ano, qualquer que fosse a dieta; 2) A 
partir de 12 meses podemos observar a reincidência 
do ganho de peso, e, no fi nal do período de 2 anos, as 
pessoas que concluíram o estudo (80%) conseguiram 
uma perda de peso de 4 kg em média e entre eles 
15% conseguiram reduzir o peso inicial de 10%; 3) 
Os resultados foram idênticos, qualquer que fosse a 
dieta, sobre o peso, bem como sobre os fatores de risco 
cardiovasculares e diabéticos.
As dietas hiperprotéicas ou hiperlipídicas do tipo 
Atkins não são mais efi cientes do que as dietas baseadas 
em carboidratos, o que já pode concluir um debate 
que se alastra há 20 anos. Mas, no fi nal das contas, os 
resultados deste estudo são pouco animadores: a perda 
de peso é mínima entre os que conseguiram observar a 
dieta até o fi nal, muitos escapam do acompanhamento 
ou comem às escondidas – o que explicaria o ganho de 
peso após os 12 primeiros meses. O resultado positivo 
é que, fi nalmente, pouco importa a dieta, tomará que 
ela seja observada: as dietas da moda, na condição de 
ser sensatas, são tão efi cientes quanto as dietas tradi-
cionais de redução calórica.
O que foi observado também neste estudo é 
que os grupos de pacientes melhor acompanhados 
obtiveram os melhores resultados. Para ser efi caz, a 
dieta deve ser então observada e também socialmente 
acompanhada. Podemos comparar esta conclusão com 
um estudo realizado em 2 pequenas cidades francesas 
[2] que observou as taxas de sobrepeso e de obesidade 
entre as crianças. Este estudo, iniciado em 1992, foi 
apoiado pelas escolas, prefeituras, comerciantes, fa-
mílias, no sentido de constantemente favorecer a boa 
alimentação e a atividade física. Dezessete anos após 
o início, este empreendimento educativo de grande 
escala mostrou que a taxa de sobrepeso em crianças 
diminuiu a metade (8,8% contra 17% nas cidades 
vizinhas). Em todos os casos, o esforço para mudar a 
realidade é gigantesco, mas é bem provável que não 
faremos a economia de uma mudança radical de nossos 
hábitos culturais e educacionais.
Fora da educação precoce, seria a cirurgia ba-
riátrica a solução? Mais de 3.000 operações foram 
realizadas no Brasil em 2008, apenas no SUS, e 
vários milhares de pacientes estão na lista de espera. 
Os resultados são promissores e estarão regularmente 
comentados nas próximas edições de Nutrição Brasil. 
Nesta edição, publicamos um protocolo de acompa-
nhamento de pacientes operados, desenvolvido por 
Kaciara Nunes Almeida, Josefi na Bressan e Bruna de 
Melo Magalhães. Este protocolo é uma ferramenta útil 
para os nutricionistas que vão acompanhar esta nova 
e crescente classe de pacientes.
Referências
Sacks FM, Bray GA, Carey VJ et al. Comparison 1. 
of weight-loss diets with different compositions 
of fat, protein, and carbohydrates. N Engl J Med 
2009;360:859-73.
Romon M, Lommez A, Taffl et M. Downward trends in 2. 
the prevalence of childhood overweight in the setting 
of 12-year school- and community-based programmes. 
Public Health Nutr 2008;23:1-8.
76
Nutrição Brasil - março/abril 2009;8(2)
ARTIGO ORIGINAL
Protocolo de acompanhamento nutricional 
para pacientes submetidos à cirurgia bariátrica 
no pré e pós-operatório
Nutritional follow-up protocol for patients submitted to bariatric 
surgery in pre and post-operatory
Kaciara Nunes Almeida*, Josefi na Bressan D.Sc.**, Bruna de Melo Magalhães***
*Nutricionista especialista em Clínica e Terapêutica Nutricional pelo IPCE, Hospital São Januário, **Nutricionista, Professora 
Associada do Departamento de Nutrição e Saúde Universidade Federal de Viçosa, ***Nutricionista graduada pela Universidade 
Federal de Viçosa, Hospital São Vicente de Paula
Resumo
A cirurgia bariátrica é, atualmente, o tratamento mais efetivo para a obesidade mórbida, sendo a técnica de Fobi-
Capella considerada padrão-ouro. O comprometimento com o acompanhamento nutricional em longo prazo é vital, já que 
problemas nutricionais e metabólicos podem ser tratados ou evitados. O presente estudo teve como objetivo estabelecer um 
protocolo de atenção nutricional abordando as diferentes etapas do tratamento, uma vez que o acompanhamento nutricional 
em nível de ambulatório, tanto antes quanto após a cirurgia, contribui para a adoção de hábitos alimentares mais saudáveis e, 
desta forma, pode prevenir ou eliminar as defi ciências nutricionais. Foram acompanhados todos os pacientes que aceitaram 
participar da pesquisa, operados no período de junho de 2003 a junho de 2005, totalizando 55 pacientes. Pode também ser 
utilizado como material de apoio para direcionar o tratamento destes pacientes, subsidiando o trabalho de profi ssionais que 
atuam nesta área.
Palavras-chave: cirurgia bariátrica, acompanhamentonutricional, protocolo de nutrição. 
Abstract
Bariatric surgery is currently the most eff ective treatment for morbid obesity, being the Fobi-Capella technique conside-
red as standard-gold. Commitment with nutritional follow-up in a long term period is vital, since nutritional and metabolic 
problems can be treated or be prevented. Th e objective of this study was to establish a protocol of nutritional attention for 
the diff erent stages of the treatment, since the nutritional follow-up in clinic level, before and after the surgery, contributes 
for the adoption of more healthful food habits and, therefore, can prevent or eliminate nutritional defi ciencies. All the pa-
tients that accepted to participate in the study had been followed, being operated in the period of June 2003 to June 2005, 
totalizing 55 patients. Th is protocol can be also used as support for the treatment of these patients, as a helpful skill for the 
professionals of this area.
Key-words: bariatric surgery, nutritional follow-up , nutrition protocol.
Recebido 26 de outubro de 2007; aceito 15 de novembro de 2008.
Endereço para correspondência: Kaciara Nunes Almeida, Av. Comendador Jacinto Soares de Souza Lima, 113/101 
Centro 36500-000 Ubá MG, Tel: (32) 3532-8383/9904-8289, E-mail: kaciaranut@yahoo.com.br
77
Nutrição Brasil - março/abril 2009;8(2)
Introdução
A obesidade mórbida está diretamente relacio-
nada com a mortalidade e muitas doenças crônicas, 
tais como diabetes, hipertensão arterial, dislipidemias, 
doenças coronarianas, doenças articulares, apnéia do 
sono, hérnias, insufi ciência respiratória e cardíaca 
e alguns tipos de câncer. Estudos comprovam que, 
quanto maior o peso corporal do indivíduo, menor é 
a sua expectativa de vida [1,2].
Nos últimos anos tem havido um crescente au-
mento das cirurgias destinadas a corrigir a obesidade 
e os problemas associados a este quadro. A cirurgia 
bariátrica é, atualmente, o tratamento mais efetivo 
para a obesidade mórbida. Imediatamente após a 
cirurgia, a maioria dos pacientes perde e continua 
perdendo peso por, aproximadamente, 18-24 meses 
após o procedimento. A técnica de Fobi-Capella está 
entre os procedimentos com nível aceitável de riscos-
benefícios, sendo considerada padrão ouro, embora 
acarrete permanentes alterações do trato gastrointes-
tinal e, consequentemente, pode representar fator de 
risco nutricional [3]. 
Para a obtenção de bons resultados, cada candi-
dato à cirurgia deve ser avaliado cuidadosamente por 
uma equipe multidisciplinar, podendo assim ajudar 
na manutenção ou recuperação da saúde, para ter 
uma vida longa e saudável [4]. O comprometimento 
com o acompanhamento em longo prazo é vital, já 
que problemas nutricionais e metabólicos podem ser 
tratados ou evitados. Com o número crescente de 
pessoas se submetendo a esta forma de tratamento, 
outros profi ssionais além do cirurgião serão necessários 
no acompanhamento do paciente [5].
Segundo García-Lorda et al. [6], além do bom 
desempenho do cirurgião e do tratamento clínico, é 
necessário que ocorra um acompanhamento nutricio-
nal ambulatorial para assegurar o sucesso da cirurgia, 
evitando ou eliminando as defi ciências nutricionais. 
Os pacientes deverão ser acompanhados antes e após a 
cirurgia, para que sejam esclarecidos quanto às modifi -
cações que irão acontecer em função do procedimento 
cirúrgico e para que recebam orientações que irão 
auxiliar no monitoramento da perda de peso. 
Tendo em vista a importância do acompa-
nhamento nutricional tanto no período pré quanto 
no pós-operatório, julgou-se necessário estabelecer 
quais itens ou parâmetros deverão ser abordados nas 
diferentes etapas do tratamento, para que o paciente 
consiga emagrecer visando a melhora do seu estado 
de saúde e de qualidade de vida. É importante con-
siderar as limitações apresentadas no pós-operatório 
e possíveis intercorrências, buscando sempre o bem 
estar do paciente. A idéia de se estruturar um proto-
colo de atenção nutricional surge da necessidade de 
um material de apoio para direcionar a monitoração 
destes pacientes e que possa subsidiar o trabalho dos 
nutricionistas responsáveis por realizar esta tarefa. 
Material e métodos
A experiência de 3 anos de acompanhamento nu-
tricional de pacientes submetidos à cirurgia bariátrica 
aliado ao referencial teórico obtido por meio de uma 
revisão bibliográfi ca relevante serviu como norteador 
para elaboração do protocolo. 
Para o levantamento bibliográfi co foram consul-
tadas as bases de dados Pubmed e Web of Science com 
o objetivo de encontrar artigos científi cos editados 
e publicados, nos idiomas português, inglês e espa-
nhol. Também foram consultados livros e material 
virtual disponível sobre obesidade, cirurgia bariátrica, 
acompanhamento nutricional, estado nutricional de 
pacientes operados e defi ciências nutricionais que 
podem ocorrer após a cirurgia. 
Resultados
O resultado de 3 anos de acompanhamento dos 
pacientes com indicação cirúrgica para Fobi-Capella 
mostrou a necessidade de estruturação de um proto-
colo que fosse ágil, dinâmico, objetivo e abrangente 
refl etindo a situação nutricional inicial e posterior à 
cirurgia. Os protocolos apresentados nas Figuras 1 e 
2 correspondem aos períodos pré e pós-operatório, 
respectivamente (em anexo).
Discussão
O acompanhamento nutricional inicia-se 
quando o paciente é encaminhado ao consultório 
de nutrição pelo cirurgião bariátrico no período pré-
operatório para que seja realizada avaliação nutricional 
e também para que sejam esclarecidos quanto aos 
aspectos nutricionais envolvidos após realização da 
cirurgia [7]. Este acompanhamento deverá estender-se 
ao pós-operatório. 
Através da avaliação nutricional são obtidas in-
formações sobre o estado nutricional, hábitos alimen-
tares e estilo de vida dos pacientes. Durante a avaliação 
muitos aspectos são abordados, dentre eles: a história 
clínica do paciente (pregressa, atual, histórico familiar), 
sintomatologia apresentada, história do ganho de peso, 
alteração do apetite, dados antropométricos, dados 
bioquímicos e anamnese alimentar. 
Após realização da avaliação nutricional os 
pacientes são esclarecidos quanto às alterações que o 
método de Fobi-Capella promove na anatomia e fi sio-
78
Nutrição Brasil - março/abril 2009;8(2)
logia gastrointestinal e as implicações destas alterações 
com o estado nutricional. 
Outro aspecto que deve ser enfatizado é a neces-
sidade de se mastigar exaustivamente após a cirurgia, 
levantando as principais intolerâncias que acometem 
este grupo, quais alimentos devem ser priorizados, 
sempre frisando que o pequeno volume ingerido deve 
ser nutritivo e rico em nutrientes essenciais. 
Ainda no pré-operatório, é importante explicar 
ao indivíduo obeso que, em função da capacidade que 
o novo estômago irá adquirir, o volume a ser ingerido 
é muito pequeno, principalmente quando se compara 
aos volumes comumente ingeridos antes da cirurgia. 
Além disto, após a cirurgia sua alimentação irá passar 
por várias fases, iniciando com dieta líquida restrita, 
evoluindo, gradativamente, até atingir a consistência 
normal. Consequentemente será necessário fazer uso 
de suplementos nutricionais para atingir a necessidade 
energética e prevenir defi ciências nutricionais, pois 
muitas vezes a quantidade de alimentos ingeridos nas 
primeiras semanas após a cirurgia não consegue atingir 
nem o metabolismo basal [8].
Aconselha-se a perda de peso antes da realização 
da cirurgia com o propósito de reduzir os riscos de 
complicações durante o procedimento cirúrgico. Além 
disso, a introdução de novos hábitos saudáveis irá pro-
piciar a melhora do processo de cicatrização [7].
Um fator muito importante é o apoio dos fami-
liares e o acompanhamento dos mesmos durante todo 
o processo. A família precisa estar envolvida e esclare-
cida para facilitar o processo de adaptação do paciente 
ao novo estilo de vida. É aconselhado a presença de um 
responsável ou futuro cuidador durante o atendimentono pré-operatório para que o mesmo seja esclarecido. 
Neste momento, as orientações nutricionais dos 
primeiros 15 dias após a cirurgia são fornecidas ao 
paciente e explicadas ao acompanhante. 
Nesta fase a intervenção do nutricionista é es-
sencial, atuando no sentido de motivar os pacientes 
a passar por um processo de reeducação alimentar, 
reforçando sempre a importância de mudar o com-
portamento, deixando para trás os maus hábitos 
alimentares e de vida.
Uma vez que tudo está esclarecido, é emitido um 
parecer declarando que o paciente encontra-se ciente 
de como será o manejo dietoterápico após realização 
do procedimento cirúrgico.
No pós-operatório imediato, inicia-se a ingestão 
de pequenos volumes de água, evoluindo para dieta 
líquida restrita, isenta de sacarose, que deve ser forneci-
da em pequenos volumes a cada 3 horas. Já no quarto 
dia de pós-operatório, a dieta evolui para líquida 
completa com algumas modifi cações, em função do 
procedimento cirúrgico. Tais modifi cações consistem 
em substituir o leite integral por desnatado ou de soja, 
de preferência em pó, possibilitando a elaboração de 
preparações mais concentradas.
Nesta fase a dieta deve ser fracionada em, aproxi-
madamente, sete refeições ao dia, prevenindo episódios 
de hipoglicemia e dumping, sempre respeitando as 
preferências individuais e o poder aquisitivo do pa-
ciente e da família.
No décimo quinto dia de pós-operatório os 
pacientes são orientados a retornar ao consultório de 
nutrição para nova avaliação. Durante todas as con-
sultas os pacientes devem ser pesados e questionados 
quanto às intolerâncias alimentares e manifestação de 
sintomas comumente citados na literatura, tais como 
síndrome de dumping, náuseas, vômito, diarréia, 
constipação, tontura e fraqueza [9,10]. À medida que 
apresentam boa tolerância à dieta prescrita, devem ser 
orientados a evoluir a consistência e variedade de ali-
mentos. Visando reduzir a possibilidade de defi ciências 
nutricionais, pode-se recomendar o uso de alguns su-
plementos, como por exemplo, triglicerídeo de cadeia 
média enriquecido com ácidos graxos essenciais, por 
sua fácil absorção e suplemento calórico-protéico em 
pó, isento de sacarose.
Vale ressaltar que na fase de transição entre dieta 
líquida completa e pastosa, deve-se dar ênfase à neces-
sidade de mastigação exaustiva, prevenindo vômitos. 
Para evitar a desidratação devem ser incentivados a 
ingerir líquidos, várias vezes ao dia, nos intervalos das 
refeições [8], dando preferência a água de coco e sucos 
de frutas sem açúcar, por serem ricos em vitaminas e 
minerais. Ainda em função de evitar episódios de vô-
mitos e refl uxo, é importante que sejam orientados a 
ingerir pequenos volumes de cada vez, evitando que os 
líquidos sejam consumidos junto das demais refeições 
ou em horários próximos às refeições principais. Uma 
lista de substituição contendo alimentos comumente 
aceitos nesta fase pode ser fornecida aos pacientes com 
o objetivo de quebrar a monotonia da dieta.
Ao completar 1 mês de cirurgia os pacientes de-
vem voltar ao consultório para reavaliação. Caso apre-
sentem sinais de boa tolerância à dieta pastosa podem 
ser orientados a aumentar a consistência para branda. 
A evolução do volume vai ocorrer de acordo com a 
tolerância relatada pelo paciente sempre alertando-os a 
não insistir na ingestão quando já sentirem satisfeitos. 
Nesta fase é indicado o uso de polivitamínico.
A periodicidade maior de retornos nos dois pri-
meiros meses após a cirurgia possibilita o esclarecimen-
to de dúvidas e a intervenção nutricional em tempo 
hábil, corrigindo erros alimentares e incentivando a 
adoção de hábitos alimentares saudáveis. A partir do 
terceiro mês as consultas podem ser agendadas mensal-
mente até completar 6 meses. Após completarem seis 
79
Nutrição Brasil - março/abril 2009;8(2)
meses de cirurgia as consultas podem ser trimestrais. 
A partir de 1 ano, as visitas ao consultório de nutrição 
podem acontecer a cada 6 meses ou quando os pacien-
tes ou o clínico julgarem necessário.
Vale salientar que durante os retornos as queixas 
de cada paciente devem ser priorizadas, adequando a 
dieta às necessidades individuais.
Conclusão
A atenção nutricional é fundamental, pois é 
através da correção de hábitos alimentares inadequados 
e adoção de estilo de vida mais saudável, que os pa-
cientes obterão o tão esperado sucesso pós-operatório e 
também terão menor chance de apresentar defi ciências 
nutricionais.
As informações obtidas através do protocolo de 
atenção nutricional irão subsidiar o profi ssional nas 
diferentes formas de conduzir o tratamento, uma vez 
que o acompanhamento nutricional deve ser indivi-
dualizado.
Ao contrário do que muitos acreditam a cirurgia 
não signifi ca o fi m do tratamento da obesidade. É 
necessário que o paciente seja esclarecido sobre todos 
os processos que irá passar e, principalmente que seja 
convencido de que o sucesso da cirurgia depende, em 
grande parte, do seu envolvimento com os cuidados 
pós-operatórios. Esta fase deve ser vista como um pe-
ríodo de transição e o indivíduo operado certamente 
irá passar por uma série de mudanças a serem adotadas 
pelo resto da vida. 
Referências
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Abell TL, Minocha A. Gastrointestinal complications 9. 
of bariatric surgery: diagnosis and therapy. Am J Med 
Sci 2006;331(4):214-8.
ROTEIRO DAS INFORMAÇÕES ESSENCIAIS QUE O PACIENTE DEVE RECEBER NO PERÍODO PRÉ-OPERATÓRIO:
( ) Alterações na anatomia e fisiologia gastrointestinal que ocorrem após a cirurgia e implicações com o estado 
nutricional.
 - funções de digestão e absorção do estômago e intestino
 
( ) Necessidade de mastigação exaustiva.
( ) Volume tolerado.
( ) Principais intolerâncias alimentares que acontecem após a cirurgia.
( ) Alimentos que devem ser priorizados.
( ) Necessidade do uso de suplementos nutricionais.
( ) Fases da alimentação após a cirurgia.
( ) Fornecimento do plano alimentar e orientações nutricionais dos primeiros 15 dias de pós-operatório.
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Nutrição Brasil - março/abril 2009;8(2)
Figura 1 - Protocolo de acompanhamento nutricional pré-operatório.
PROTOCOLO DE ACOMPANHAMENTO NUTRICIONAL
Cirurgia Bariátrica
PRÉ-OPERATÓRIO
IDENTIFICAÇÃO Data: ___/___/___
Nome: __________________________________________________________ Sexo: ______
Data de Nascimento:____/____/_____Idade: ______Telefone: ( )___________________ 
AVALIAÇÃO NUTRICIONAL
História da Doença Atual:
( ) Artropatias ( ) Diabetes
( ) Câncer ( ) Dislipidemias
( ) Cardiopatia ( ) Hérnia
( ) Cirrose ( ) Hipertensão
Outros:_____________________________________________________________________
História Patológica Pregressa:
História Familiar:
( ) Cardiopatia ( ) Hipertensão 
( ) Câncer ( ) Renal 
( ) Diabetes( ) Obesidade 
( ) Dislipidemia 
Sintomas e Sinais Clínicos:
Náuseas:___________________ Dores abdominais: ___________________ Diurese: _______________________
Vômitos: ___________________ Diarréia: ___________________ 
Tontura: ___________________ Constipação: _________________ 
Medicamentos em uso (Tipo/tempo de uso/influência do medicamento no apetite): 
História do Ganho de Peso:
Início da Obesidade: ( ) infância ( ) adolescência ( ) vida adulta
Ganho de peso: 
Alterações do apetite: 
Tratamentos anteriores para emagrecimento: ( ) Sim ( ) Não
Já usou remédio para emagrecer? ( ) Sim ( ) Não 
Quais:
Estilo de Vida:
Atividade Física:_____________________________________________________________
Tipo: _______________________ Freqüência:______________________________________
Tabagista:___________________________________________________________________
Etilista: _____________________________________________________________________
Dorme bem?/Quantas horas? ___________________________________________________
81
Nutrição Brasil - março/abril 2009;8(2)
AVALIAÇÃO ANTROPOMÉTRICA
Peso Atual: ______ kg Peso Habitual: _______kg Peso Desejado: _______kg
Altura: ________ m IMC: _______ kg/m2 
PTmín.: _______ kg PTméd.: _______kg PTMáx.: _______kg
 
Classificação do IMC: ___________________________________
Circunferência da cintura: _______ cm Circunferência do Quadril __________cm
Circunferência do braço: ________ cm 
AVALIAÇÃO BIOQUÍMICA:
Hemoglobina g% Hematócrito % Hemáceas: Albumina g/dl
Glicose mg/dl Uréia mg/dl Creatinina mg/dl Na mEq 
K mEq Ca mg% TGO U/mL TGP U/mL
Ácido úrico Colesterol Total LDL-colesterol: HDL-colesterol
Triglicerídeos 
ANAMNESE ALIMENTAR:
Responsável pelo preparo das refeições: __________________________________________
Número de componentes da família:_____ pessoas
Quantos almoçam em casa: _____ pessoas
Quantas refeições faz em casa: ( ) só almoço ( ) só jantar ( ) almoço e jantar
Aversões: ___________________________________________________________________
Alergias/Intolerâncias alimentares: 
Preferências: 
Hábito de beliscar? ___________ 
Que tipo?_________________________________________________
Tipo de gordura consumida (quantidade/mês): ( ) Vegetal ( ) Animal
Quantidade/mês: _________________________________________________________
Ingestão de água: ________________________________________________________
Uso de sal: ________________________________________________________________
Uso de adoçante artificial: ( ) Sim ( ) Não Tipo: _________________________
Uso de produtos dietéticos: ( ) Sim ( ) Não Tipo: _________________________
Observações: 
Faz uso de:
( ) Leite ( ) Queijo ( ) Iogurte
( ) Pães ( ) Cereais ( ) Massas
( ) Arroz ( ) Leguminosas ( ) Carnes
( ) Ovos ( ) Verduras ( ) Hortaliças
( ) Frutas ( ) Doces ( ) Açúcar
( ) Margarina ou manteiga 
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Nutrição Brasil - março/abril 2009;8(2)
Figura 2- Protocolo de acompanhamento nutricional pós-operatório.
PROTOCOLO DE ACOMPANHAMENTO NUTRICIONAL
Cirurgia Bariátrica
PÓS-OPERATÓRIO
Nome:_________________________________________________Data da cirurgia:____/____/______
Retornos (15 dias, 1m, 45 dias, 2m, 4m, 5m): ________ Data: ___/___/___
I. SINAIS E SINTOMAS:
Náuseas: ( ) Sim ( ) Não Freqüência:
Vômitos: ( ) Sim ( ) Não Freqüência: 
Gases: ( ) Sim ( ) Não Freqüência:
Diarréia: ( ) Sim ( ) Não Freqüência:
Constipação: ( ) Sim ( ) Não Freqüência:
Xerostomia ( ) Sim ( ) Não Freqüência:
Tontura: ( ) Sim ( ) Não Freqüência:
Fraqueza: ( ) Sim ( ) Não Freqüência:
Outros: 
Medicamentos em uso: 
Comportamento alimentar: ____________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________________________
II. AVALIAÇÃO ANTROPOMÉTRICA:
Peso Atual: _____kg Altura:____cm IMC:____Kg/m2 % Perda de Peso: _____ 
Classificação: ___________________________________ 
Retornos (3m, 6m, 9m, 1 ano): Data: ___/___/___
I. SINAIS E SINTOMAS:
Náuseas: ( ) Sim ( ) Não Freqüência:
Vômitos: ( ) Sim ( ) Não Freqüência: 
Gases: ( ) Sim ( ) Não Freqüência:
Diarréia: ( ) Sim ( ) Não Freqüência:
Constipação: ( ) Sim ( ) Não Freqüência:
Xerostomia ( ) Sim ( ) Não Freqüência:
Tontura: ( ) Sim ( ) Não Freqüência:
Fraqueza: ( ) Sim ( ) Não Freqüência:
Outros: 
Medicamentos em uso:
Comportamento alimentar: ____________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________________________
II. AVALIAÇÃO ANTROPOMÉTRICA:
Peso Atual: _____kg Altura:____cm IMC:____Kg/m2 % Perda de Peso: _____ 
Classificação: ___________________________________ 
Circ. cintura: _______cm Circ. Quadril _______cm CB:______cm Circ. Punho:________cm
AVALIAÇÃO BIOQUÍMICA:
Hemoglobina g% Hematócrito % Hemáceas: Albumina g/dl
Glicose mg/dl Uréia mg/dl Creatinina mg/dl Na mEq 
K mEq Ca mg% TGO U/mL TGP U/mL
Ácido úrico Colesterol Total LDL-colesterol HDL-colesterol
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Nutrição Brasil - março/abril 2009;8(2)
EVOLUÇÃO DA DIETA:
Período Consistência Modificações
2º dia PO Líquida Restrita Isenta de sacarose
4º dia PO Líquida Completa Isenta de sacarose
Leite em pó desnatado ou de soja
15º dia PO Pastosa Isenta de sacarose
Leite em pó desnatado ou de soja
Suplemento calórico-protéico em pó, 
isento de sacarose
Uso de TCM-AGE
Lista de substituição
1º mês Pastosa ou Branda Isenta de sacarose
Leite em pó desnatado ou de soja
Lista de substituição
Uso de Polivitamínico
45º dia PO Observar tolerância Isenta de sacarose
Leite em pó desnatado ou de soja
Suplemento calórico-proteico em pó, 
isento de sacarose
Lista de substituição
Uso de Polivitamínico
2º mês Observar tolerância Isenta de sacarose
Leite em pó desnatado ou de soja
Lista de substituição
Uso de Polivitamínico
3º mês Observar tolerância Isenta de sacarose
Leite em pó desnatado ou de soja
Lista de substituição
Uso de Polivitamínico
4º mês Observar tolerância Isenta de sacarose
Leite em pó desnatado ou de soja
Lista de substituição
Uso de Polivitamínico
5º mês Observar tolerância Isenta de sacarose
Leite em pó desnatado ou de soja
Lista de substituição
Uso de Polivitamínico
6º mês Livre Isenta de sacarose
Leite desnatado ou de soja
Lista de substituição
Uso de Polivitamínico
9º mês Livre Isenta de sacarose
Leite desnatado ou de soja
Uso de Polivitamínico
1 ano Livre Isenta de sacarose
Leite desnatado ou de soja
Uso de Polivitamínico
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Nutrição Brasil - março/abril 2009;8(2)
ARTIGO ORIGINAL
Efeitos da pectina cítrica sobre os níveis 
de glicose, triglicerídeos e adiposidade 
em ratas submetidas a uma dieta rica 
em carboidrato simples
Effects of citric pectin on fat and blood levels of glucose 
and triglycerides in female rats fed with a rich diet of simple 
carbohydrates
Lucélia Fernandes Gandini*, Lucia Helena de Aguiar, D.Sc.**, Cíntia Alessandra Matiucci Pereira, D.Sc.***
*Nutricionista, Curso de Nutrição, Centro Universitário Central Paulista (UNICEP), São Carlos/SP, **Bióloga, Professora 
Doutora do Curso de Ciências Biológicas do Centro Universitário Central Paulista, ***Engenheira de Alimentos, Professora 
Doutora do Curso de Nutrição do Centro Universitário Central Paulista
Resumo 
A pectina cítrica é considerada importante fonte de fi bras, tem sido incorporada a dietas e indicada principalmente no 
tratamento do diabetes como hipoglicemiante. O presente estudo objetivou a avaliação do efeito da dieta rica em carboidratos 
simples, da pectina cítrica quando administrada em ratas normais (não diabéticas) alimentadas com dieta balanceada ou com 
dieta rica em carboidratos simples. Foram utilizadas 24 ratas Wistar de aproximadamente 185 g que foram separadas em 4 
grupos e alimentadascom ração comercial (G1), ração comercial com 4% de pectina (G2), ração comercial com 20% de 
Karo (G3) e ração comercial com 20% de Karo e 4% de pectina cítrica, respectivamente durante 21 dias. Foram analisados 
glicose plasmática, triglicerídeos, gordura visceral, retroperitoneal e ovariana. Observou-se que uma dieta rica em carboidratos 
simples eleva a glicemia, triglicerídeos plasmáticos e os tecidos adiposos de ratas. A pectina cítrica não infl uenciou as variáveis 
analisadas quando administrada em associação à dieta balanceada, porém preveniu o aumento da glicemia, dos triglicerídeos 
e dos tecidos adiposos retroperitoneal e ovariano. Portanto, a pectina revela-se como importante na prevenção da elevação da 
glicemia, dos triglicerídeos plasmáticos e do tecido adiposo quando alimentadas com dieta rica em carboidratos simples.
Palavras-chave: adiposidade, carboidrato, glicemia, triglicerídeos.
Abstract
Th e citric pectin is considered important source of fi bers, has been incorporated to diets and indicated mainly in 
the treatment of the diabetes as hypoglycemic agent. Th e objective of this study was to evaluate the eff ect of a rich diet of 
simple carbohydrates and citric pectin when administered in normal female rats (non diabetic) fed with balanced diet or 
with rich diet of simple carbohydrates. Were used 24 Wistar female rats approximately 100 g, divided in 4 groups and fed 
with commercial ration (G1), commercial ration with 4% of pectin (G2), commercial ration with 20% of Karo (G3) and 
commercial ration with 20% of Karo and 4% of citric pectin, respectively, for 21 days. It was observed that a rich diet in 
simple carbohydrates elevates the glycemic, serum triglycerides levels and the fatty tissues of female rats. Th e citric pectin 
Recebido 29 de fevereiro de 2008; aceito 15 de janeiro de 2009.
Endereço para correspondência: Cíntia Alessandra Matiucci Pereira, UNICEP, Rua Miguel Petroni, 5111, Jd Centenário 
13563-470 São Carlos SP, E-mail: matiucci@yahoo.com.br
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Nutrição Brasil - março/abril 2009;8(2)
Introdução
A alimentação é um dos processos de maior 
infl uência no desenvolvimento físico e psíquico do 
indivíduo e, em termos gerais, no seu estado de saúde. 
Atualmente, enfrenta-se grande difi culdade de manu-
tenção de uma dieta adequada, tanto pela variedade 
de alimentos lançados no mercado, como pela falta de 
orientação à maior parte da população com relação ao 
o que e quanto comer.
A procura na medicina popular de fontes naturais 
para prevenção e tratamento das doenças da civilização 
vem sendo cada vez mais intensifi cada. Muitos são os 
alimentos ditos funcionais, como é o caso das fi bras 
que, direta ou indiretamente, podem apresentar efei-
tos benéfi cos ao organismo, desde que se conheçam 
as suas origens, as características físico-químicas, os 
efeitos fi siológicos e adversos, constituindo-se, assim, 
em importantes componentes alimentares para a pre-
venção de diversas doenças como: diabetes, doenças 
coronarianas, câncer, obesidade, constipação, entre 
outras.
A pectina é uma fi bra dietética solúvel em água 
que possui variados graus de metoxilação, e diferen-
tes pesos moleculares [1] e são compostas de uma 
parte principal de ácido galacturônico com unidades 
de ramnose inseridas em intervalos e com cadeias 
laterais de arabinose e galactose [2]. A estrutura do 
ácido galacturônico absorve a água e forma um gel, 
tornando-a amplamente utilizada para fabricar geléias 
e gelatinas [1].
As pectinas são encontradas principalmente em 
frutas e vegetais, especialmente em maçãs, cenouras e 
laranjas. Outras formas de fi bra solúvel estão presentes 
no farelo de aveia, na cevada e nas leguminosas [3]. A 
fi bra solúvel compõe cerca de 15 a 20% da fi bra total 
em frutas, grãos e vegetais e menos que 10% daquela 
de leguminosas, nozes e sementes [2]. Seu consumo 
deve ser incentivado em todas as faixas etárias devido 
aos efeitos benéfi cos que apresentam à saúde [4].
Atualmente, muitos estudos evidenciam a im-
portância de uma dieta rica em fi bras, atuando na pre-
venção ou retardo do aparecimento do diabetes bem 
como no melhor controle dos níveis glicêmicos tanto 
de jejum como pós-prandial em pacientes diabéticos 
em tratamento [5]. A ingestão de fi bras por dia reco-
mendada pela American Diabetes Association [6], é de 
20 a 35 g. Já Credidio [7] ressalta que a recomendação 
de ingestão de fi bras por dia recomendada pela FDA 
(Food and Drug Administration), órgão governamental 
dos Estados Unidos da América que faz o controle dos 
alimentos (tanto humano como animal), suplementos 
alimentares, medicamentos (humano e animal), é de 
25 g a 35 g de fi bras por dia. Para atingir esses valores, 
as pessoas devem consumir vegetais variados (cinco 
tipos de frutas, por exemplo), escolhendo os ricos 
em fi bras. Os produtos industrializados que contém 
fi bras são uma opção a mais no cardápio, que não 
deve ser descartada. Mas os especialistas alertam que 
a quantidade de fi bras disponíveis nesses alimentos é 
muito pequena. Ou seja, a pessoa precisa consumir 
grandes quantidades para que as fi bras desses produtos 
surtam efeito. 
A associação entre fi bras e prevenção de doenças 
crônico-degenerativas surgiu da observação da relação 
direta entre aumento do consumo de produtos refi -
nados (sem fi bras) e o risco de câncer colorretal, entre 
outras enfermidades. Utilizando-se métodos estatísti-
cos, constatou-se ainda a maior incidência de câncer 
de cólon, diverticulite, colite ulcerativa, hemorróidas 
e outras enfermidades relacionadas com a diminuição 
da quantidade de fi bras e carboidratos complexos na 
dieta. Em diversas pesquisas, ao longo dos anos, vem-se 
constatando que dietas com alto teor de fi bras, tanto 
solúveis quanto insolúveis (85% alimentos vegetais e 
15% de alimentos de origem animal) podem reduzir o 
risco de doenças coronarianas e câncer de mama [4]. 
Ainda segundo Tirapegui [4], não se sabe exata-
mente quais componentes da fi bra são fi siologicamente 
importantes ao longo do tempo, mas seu consumo está 
relacionado com uma menor incidência de doença 
cardiovascular, câncer de cólon, diabetes e diversos 
distúrbios gastrointestinais. A infl uência das fi bras na 
dieta no controle da glicemia parece ser particular a 
alguns tipos de fi bras. A pectina e a goma guar, por 
serem solúveis em água, são capazes de formar géis 
viscosos, conferindo-lhe a capacidade de retardar o 
esvaziamento gástrico, reduzir a hidrólise e a absorção 
de carboidratos no intestino delgado [8].
Segundo Williams [9], a chamada fi bra dietética 
(FD) corresponde aos resíduos de paredes celulares 
e tecidos de sustentação de vegetais usados na ali-
mentação. Os compostos presentes em tais resíduos 
resistem à hidrólise pelas enzimas do tubo digestório 
did not infl uence the analyzed variables when administered in association with balanced diet, but prevented the increase of 
glucose and triglycerides levels and of the retroperitoneal and ovarian fatty tissues. Th erefore, the pectin could be effi cient in 
the prevention of the elevation of the blood glucose and triglycerides and of the fatty tissues when the rats are fed with rich 
diet of simple carbohydrates. 
Key-words: adiposity, carbohydrates, glycemia, triglycerides.
86
Nutrição Brasil - março/abril 2009;8(2)
e podem infl uenciar no processo nutricional, já que 
em determinada fase do seu ciclo vital, cada vegetal 
apresenta composição específi ca de seus tecidos. Os 
vegetais jovens (verduras e frutos) são muito mais ricos 
em tecidos parenquimatosos do que os que alcançaram 
a maturidade ou já a ultrapassaram, porque os tecidos 
tendem a ser tornar lignifi cados. Quanto à solubilidade 
em água de cada tecido nas várias etapas da vida do 
vegetal, pode-se classifi cá-lo em dois grandes grupos: 
o dos solúveis e o dos insolúveis em água. As fi bras 
insolúveis atravessam todo o trato gastrointestinal 
(boca, esôfago, estômago, intestino delgado, intestino 
grosso e reto) semserem metabolizadas, enquanto 
que as fi bras solúveis podem ser metabolizadas no 
intestino grosso. 
À fração solúvel da FD vêm sendo creditados os 
maiores benefícios ao organismo, por exemplo, ação 
hipocolesterolemizante e proteção provável contra 
o câncer colorretal [10]. A utilização desse tipo de 
fi bra é fortemente indicada nas dietas para indivíduos 
diabéticos [11], pois este tipo de fi bra torna-se viscosa 
ou gomosa quando misturada à água, aumentando o 
tempo de trânsito intestinal, retardando o esvaziamen-
to gástrico e a absorção de glicose. Essas ações baixam 
as concentrações de glicose sanguínea pós-prandiais 
e diminuem o colesterol sanguíneo, ambos objetivos 
importantes para os indivíduos com diabetes [12]. 
À fração insolúvel cabe o aumento do volume do 
bolo fecal e o papel de prevenir a constipação, evitando 
suas conseqüências [10], além de auxiliar nas funções 
gastrointestinais, atuando na prevenção do câncer de 
cólon. Isso se dá porque as fi bras insolúveis aceleram o 
movimento do bolo fecal através do intestino, fazendo 
com que o órgão tenha um tempo menor de exposição 
a agentes causadores de doenças [11]. Além disso, as 
fi bras dietéticas oferecem benefícios adicionais em 
regimes com dietas hipoenergéticas, pois promovem 
a sensação de saciedade com menor energia [13].
Portanto, as fi bras são parte importante de uma 
alimentação balanceada, apesar de não fornecerem 
energia e o seu consumo estar relacionado à menor 
incidência de uma série de doenças crônicas típicas 
das sociedades desenvolvidas, como, por exemplo, o 
diabetes, doenças coronarianas, alguns tipos de câncer, 
obesidade, constipação, entre outros [ 4]. 
Segundo Derivi et al. [14], estudos realizados 
concluíram que a suplementação das dietas com fi bra 
é aconselhável em pacientes diabéticos dependentes 
de insulina e que a tolerância aos glícides é limitada 
nas refeições, suplementadas com fi bra. Este efeito 
hipoglicemiante é observado em presença de fi bra 
solúvel - pectina. 
Neves [15] relata que pesquisas realizadas a 
respeito das interações que existem entre a pectina e 
as lipoproteínas do plasma, concluíram que quando 
suplementada na dieta, acarreta redução dos níveis sé-
ricos e hepáticos de colesterol, tanto em seres humanos 
como em animais de experimentação. 
Porém, poucos são os estudos sobre o efeito das 
fi bras solúveis como fator preventivo da elevação da 
glicemia, hipertrigliceridemia e aumento da adiposi-
dade em indivíduos normais que ingerem dietas ricas 
em carboidratos simples. Quando o assunto é fi bra 
dietética, ainda há muita controvérsia, resultado de sua 
própria complexidade, aliada à extrema variabilidade, 
quando provém de um mesmo vegetal.
Desse modo, o presente estudo se propõe a 
determinar como a pectina afeta a glicemia, os níveis 
de triglicerídeos plasmáticos e a adiposidade em ratas 
submetidas à dieta rica em carboidratos simples, a 
fi m de avaliar a infl uência da pectina associada à dieta 
hiperglicídica.
Material e métodos
Animais de experimentação
Utilizou-se um total de 24 ratas da linhagem “Wis-
tar”, R. novergicus, com 21 dias e com peso médio inicial 
de 185 ± 15,3 g. Os animais foram obtidos junto ao Bio-
tério da Universidade Federal de São Carlos - UFSCar e 
transferidos ao Laboratório de Nutrição Experimental 
do Centro Universitário Central Paulista UNICEP 
– São Carlos/SP. Durante o período experimental os 
animais foram mantidos em temperatura ambiente de 
23 ± 2ºC e fotoperíodo de 12 horas de claro-escuro, 
com ração e água ad libitum. Para o desenvolvimento do 
estudo os 24 animais foram marcados com tinta atóxica 
e separados aleatoriamente em 4 grupos experimentais 
de 6 animais cada, os quais foram transferidos para 4 
gaiolas coletivas de polietileno.
Os grupos receberam os seguintes tratamentos 
durante 21 dias:
Grupo 1 (G1): Controle - ração comercial.
Grupo 2 (G2): Controle + pectina - ração co-
mercial + 4% de pectina cítrica comercial.
Grupo 3 (G3): Dieta hiperglicídica - ração co-
mercial suplementada com 20% de xarope de glicose 
(Karo)
Grupo 4 (G4): Dieta hiperglicídica + pectina - 
ração comercial suplementada com 20% de xarope de 
glicose (Karo) e 4% de pectina cítrica.
Rações experimentais
A ração comercial ofertada ao G1 foi Ração 
Comercial Primor adquirida em agropecuária. O G2 
foi tratado com ração elaborada com 96% de ração co-
87
Nutrição Brasil - março/abril 2009;8(2)
mercial Primor e 4% de pectina cítrica fornecida pela 
empresa CpKelco (Limeira, SP), cujo nome comercial 
é Genu pectin. O G3 foi tratado com ração elaborada 
com 75% de ração comercial Primor, 20% de Karo 
e 5% de gelatina em pó da marca Dr. Otker (para 
correção do teor de proteína). E o G4 foi tratado com 
ração elaborada a partir de 71% de ração comercial 
Primor, 20% de Karo, 4% de pectina cítrica e 5% de 
gelatina em pó da marca Dr. Otker.
Para elaboração das rações de G2, G3 e G4 os 
respectivos ingredientes foram pesados, a ração comer-
cial triturada e misturada aos ingredientes com água 
numa vasilha e enrolados. Em seguida as rações foram 
transferidas para uma estufa de ventilação forçada 
para secagem. A composição centesimal das rações 
experimentais encontra-se na Tabela I.
Consumo de ração
Os animais foram mantidos em gaiolas coletivas e 
foi ofertado 30 g/animal/dia das rações experimentais. 
O consumo foi determinado subtraindo-se o peso 
das sobras de ração a cada 24 horas, do peso da ração 
ofertada e o resultado dividido por 6 animais. 
consumo de ração/animal/dia = 
peso ração ofertada – peso das sobras
nº animais na gaiola
Protocolo experimental
Diariamente as rações eram pesadas (oferta e so-
bra), os animais eram transferidos para gaiolas limpas e 
as respectivas rações e água eram ofertadas ad libitum. 
Semanalmente os animais eram removidos das gaiolas 
e imobilizados em um pano sobre uma bancada. Com 
auxílio de uma iluminação adicional localizava-se a 
veia caudal do animal. Com uma lanceta perfurava-se 
a veia caudal dos animais e utilizando-se um aparelho 
glicosímetro Accu Check determinava-se à glicemia 
dos animais após 12 horas de jejum.
Após 21 dias de tratamento, as ratas foram man-
tidas em jejum de 12 horas e após o procedimento 
diário e a última coleta de sangue da veia caudal, foram 
anestesiadas em cuba de vidro com éter e guilhotinadas 
para obtenção do sangue e dissecadas para remoção dos 
tecidos adiposos visceral, retroperitoneal e ovariano e 
posterior determinação dos percentuais em relação ao 
peso corpóreo total.
Tratamento das amostras
O sangue coletado foi utilizado para determinação 
do hematócrito por centrifugação em centrífuga para 
microhematócrito Quimis por 5 minutos a 3400 rpm. 
As amostras de sangue foram colocadas em tubos de 
ensaio heparinizados e centrifugadas a 3400 rpm por 5 
minutos em uma centrífuga Quimis para tubos de en-
saio e o plasma separado e congelado em freezer a -20ºC 
para análise posteriores. Os tecidos adiposos removidos 
foram pesados em uma balança semi-analítica.
Determinação da glicose plasmática
A glicose foi determinada pelo método enzimáti-
co colorimétrico (GOD-POD), segundo Trinder [16] 
(Kit Glicose SL CELM artigo 3863). É fundamentado 
na reação:
Glicose + O2 + H2O 
Glicose Oxidase (GOD) ácido glucônico + H2O2
2H2O2 + 4-aminofenazona + Fenol 
Peroxidase (POD) 
4-p-benzoquinona-monoiminofenazona + 4H2O
Preparou-se o reativo de trabalho misturando-se 
100 ml de tampão fosfato pH 7,4 com 2 ml de outro 
reativo contendo solução estabilizada de glicose oxi-
dase, peroxidase e 4 aminofenazona, atingindo-se uma 
concentração de tampão fosfato 100 mmol/l, fenol 
0,88 mol/l, 4aminoantipirina 0,27 mmol/l, glicose 
oxidase 10 KU/l, peroxidase 1,2 KU/l e conservante 
azida sódica 1,0 g/l.
Adicionou-se 2 ml do reativo de trabalho em um 
tubo de ensaio, em seguida 20 μl de plasma. Incubou-
se por 10 minutos em banho-maria a 37ºC. As amos-
tras foram transferidas para cubetas de vidro e lidas em 
espectrofotômetro a 505 nm,zerando-se o aparelho 
com o tubo branco (2 ml de reativo de trabalho). Os 
cálculos foram efetuados utilizando-se como referência 
os valores do tubo padrão (2 ml de reativo de trabalho 
e 20μl de solução padrão de glicose 100 mg/dl
Tabela I - Composição centesimal (g%) das rações experimentais. 
Ração
G1
Comercial (Primor)
G2
Comercial + pectina
G3 Hiperglicídica G4 Hiperglicídica +
pectina
Valor calórico 3780 kcal/kg 3685 kcal/kg 2835 kcal/kg 2740,8 kcal/kg
Carboidrato 43,5 45,1 48,6 50,3
Proteína 23,0 22,0 21,5 20,6
Gordura 3,0 2,8 2,1 2,1
Fibra 10,0 13,0 7,5 10,5
88
Nutrição Brasil - março/abril 2009;8(2)
Os valores das amostras em mg/dl foram obtidos 
pela fórmula:
Glicose (mg/dl) = 
absorbância da amostra x 100
absorbância do padrão
Determinação dos triglicerídeos
Os triglicerídeos foram determinados segundo 
Fossati [17] e McGowan et al. [18] pelo método to-
talmente enzimático (Kit Laborlab CAT nº 02700). 
Foi preparado um reativo de trabalho dissolvendo-se 
lentamente um frasco de reativo enzimático com 
30 ml de Reativo Tampão Tris 50mmol/l pH 7,6, 
misturando-se por inversão suave até a dissolução 
completa evitando a formação de espuma. O reativo 
de trabalho era composto por lipase ≥ 5000 U/l, GK ≥ 
250 U/l, GPO ≥ 1500 U/l, POD ≥ 900 U/l, ATP – 2 
mmol/l, 4-AF – 1 mmol/l, 3-5 HDCBS – 2 mmol/L 
e Tris (pH 7,6) 50 mmol/L.
Para realização do ensaio, a 2 mL de reativo de 
trabalho foram adicionados 20μl da amostra de plasma 
em um tubo de ensaio, foram adicionados 2 ml de 
reativo de trabalho a 20 μl de reativo padrão (solução 
de Glicerol 2, 26 mmol/l – equivalente a 200 mg/dl 
de triglicerídeos) em outro tubo. Um terceiro tubo 
era utilizado como branco, ao qual era adicionado 
somente o 2 ml do reativo de trabalho. Em seguida 
os tubos foram homogeneizados e incubados a 37ºC 
em banho-maria por 15 minutos. Depois de esfria-
das as amostras foram lidas em espectofotômetro a 
505nm, zerando-se o aparelho em absorbância com 
água deionizada.
O cálculo utilizado foi: 
triglicerídeos (mg/dl) = 
(absorbância amostra – absorbância do branco) x f 
f = 200 mg/dl
 absorbância padrão - absorbância tubo branco
Análises estatísticas
Os resultados obtidos foram analisados utilizan-
do-se o programa estatístico GraphPad Instat versão 
3.0 para obtenção das médias, desvios padrões e 
comparação dos tratamentos pelo teste estatístico não 
paramétrico de KrusKall Wallis e pós-teste de Dunn, 
com níveis de aceitação de 5%.
Resultados e discussão 
A escolha por 4% de pectina cítrica comercial 
adicionada às rações, baseou-se no estudo de Derivi et 
al. [14], no qual foram utilizadas quantidades diferen-
tes de pectina (1%, 2% e 4%) para três grupos de ratos 
do experimento. Todavia, as rações contendo 4% de 
pectina cítrica comercial foram as que desenvolveram 
maior diferencial nos resultados referentes a altera-
ções metabólicas nos animais em estudo. O xarope 
de glicose Karo foi utilizado para a preparação das 
rações devido a sua alta concentração de carboidratos 
simples (em uma porção de 20 g de Karo, 16 g são de 
carboidratos), a facilidade do manuseio do produto e 
a provável aceitabilidade pelos animais em função do 
sabor adocicado. Os animais apresentaram-se saudá-
veis durante o experimento conforme os resultados de 
hematócrito obtidos.
Glicemia de jejum 
Os resultados da análise semanal da glicemia das 
ratas estão representados na Figura 1.
Figura 1 - Valores médios de glicemia (mg/dl) das 
ratas Wistar submetidas às diferentes dietas experi-
mentais. G1 – Grupo controle alimentado com ração 
comercial; G2 - grupo alimentado com ração comer-
cial + 4% de pectina cítrica; G3 – grupo alimentado 
com dieta hiperglicídica; G4 – grupo alimentado com 
dieta hiperglicídica mais 4% de pectina cítrica. 
Observou-se que houve elevação nos valores 
glicêmicos dos animais do G1 em relação à semana 
inicial na terceira semana de experimento. Os animais 
do G2 não apresentaram alteração signifi cativa nos 
valores glicêmicos durante as três semanas. Os animais 
do G3 apresentaram elevação signifi cativa da glicemia 
já na primeira semana após o início da ingestão da 
dieta rica em carboidrato simples, apresentando na 
segunda semana valores semelhantes ao da semana 
inicial e elevou-se novamente na última semana do 
experimento.
Observou-se que a ingestão de 48% de carboi-
dratos simples na dieta elevou rapidamente as concen-
trações de glicose plasmática dos animais normais sem 
tratamento com pectina, comprovando assim, que os 
89
Nutrição Brasil - março/abril 2009;8(2)
carboidratos simples possuem uma rápida absorção 
no organismo podendo elevar a glicemia mesmo em 
pessoas normais. Portanto, é importante levar em 
conta a qualidade dos carboidratos e suas respectivas 
proporções que devem ser uma preocupação no plane-
jamento da dieta, sendo que apenas 40% devem provir 
dos monossacarídeos e dissacarídeos (glicose, frutose, 
galactose, maltose, sacarose, lactose). Os polissacaríde-
os exigem um maior tempo para a digestão e absorção, 
possuindo um menor potencial glicêmico, quando 
comparado com os outros carboidratos [19].
Muito embora os carboidratos simples piorem 
o controle glicêmico e promovam o ganho de peso 
ponderal, a American Diabetic Association [6] tem su-
gerido que pequenas quantidades de sacarose e outros 
açúcares refi nados podem ser aceitáveis, dependendo 
do controle metabólico e do peso corporal. Até 25 g de 
sacarose adicionada pode ser permitido, desde que faça 
parte de uma dieta pobre em gorduras, rica em fi bras, 
e que substitua uma quantidade de igual valor energé-
tico de gordura ou outro alimento de elevado índice 
glicêmico, ou ainda outros adoçantes nutritivos.
O G4 não apresentou alteração signifi cativa 
nos níveis glicêmicos nas duas primeiras semanas do 
experimento, revelando o papel preventivo da pectina 
cítrica no aumento da glicemia quando ratas normais 
são tratadas com dieta hiperglicídica. Derivi et al. [14], 
em um estudo experimental, comprovou que a presen-
ça da pectina solúvel em alimentos é responsável pelo 
efeito hipoglicêmico em animais diabéticos. Freitas et 
al. [20], também verifi caram em ratos diabéticos que 
receberam ração à base de sopa de cebola adicionada 
de pectina (contendo 2,91% de pectina solúvel), por 
um período de 42 dias, uma redução nos níveis de 
glicose sanguínea. 
Segundo Areas e Reyes [21] as fi bras podem 
infl uenciar o acesso de carboidratos à superfície da mu-
cosa intestinal, e, assim, tornar mais lenta a absorção 
dos mesmos. Sugere-se que no presente estudo, a fi bra 
solúvel (pectina cítrica) tem efeito pelo aumento da 
viscosidade do conteúdo intestinal que retarda, assim, 
a digestão e a absorção de carboidratos.
Mahan e Escott-Stump [2] ressaltam que a pre-
sença de oligosacarídeos não absorvíveis e fi bras visco-
sas da dieta tais como pectinas, β-glicanos e gomas das 
frutas, vegetais e cereais reduz a efi ciência de hidrólise 
de enzimas e torna mais lenta a velocidade na qual a 
glicose entra na corrente sangüínea. Portanto, observa-
se que a maioria dos estudos relata efeitos da pectina 
cítrica como hipoglicemiante em animais diabéticos, 
sem registros referentes aos seus efeitos preventivos 
em animais normais.
O Grupo G4 mostrou elevação somente ao fi nal 
da 3ª semana, semelhante ao observado para o G1. Este 
resultado pode ser justifi cado pelo possível aumento 
do estresse causado aos animais pelo confi namento e 
redução do espaço na gaiola à medida que o animal 
cresce. 
Glicose plasmática, triglicerídeos e adiposidade
Os resultados encontrados de glicose plasmática 
e triglicerídeos estão apresentados na Figura 2. 
Figura 2 - Valores de glicose plasmática (mg/dL) e 
triglicerídeos (mg/dl) das ratas Wistar submetidas às 
diferentes dietas experimentais. G1 – Grupo controle 
alimentado com ração comercial; G2- grupo alimen-
tado com ração comercial + 4% de pectina cítrica; 
G3 – grupo alimentado com dieta hiperglicídica;G4 
– grupo alimentado com dieta hiperglicídica mais 4% 
de pectina cítrica. 
Não se observou diferença signifi cativa entre os 
valores de glicose plasmática dos diferentes grupos ao 
fi nal de três semanas para o percentual de fi bra solúvel 
(4%) e carboidrato simples (20%) utilizados no experi-
mento. Porém, observou-se aumento signifi cativo (P < 
0,05) de 70% nos valores de triglicerídeos dos animais 
do grupo 3 alimentados com dieta hiperglicídica em 
relação ao grupo controle após 21 dias de tratamento. 
O aumento dos valores de lípides observados durante 
o tratamento do grupo 3 é resultado da conversão 
dos carboidratos simples em gordura. Dâmaso [22] 
evidencia que o excesso de carboidrato pode ser 
convertido em gordura, pois os adipócitos podem 
converter a glicose em ácidos graxos para realizar o 
armazenamento de energia.
A glicose é convertida em glicogênio para resta-
belecer os depósitos teciduais, mas, devido à limitada 
capacidade do organismo para armazenar glicogênio, a 
glicose restante é convertida em gordura e armazenada 
como triglicerídeos principalmente no tecido adiposo, 
em menor grau, no fígado e no músculo [8]. Os ácidos 
graxos dietéticos em excesso também são armazenados 
como triglicerídeos. A síntese protéica nos tecidos é 
90
Nutrição Brasil - março/abril 2009;8(2)
elevada após a ingestão de uma mistura balanceada 
de aminoácidos; o excesso é oxidado para fornecer 
energia ou convertido primeiramente para glicose ou 
gordura [23].
Mesmo que o excesso de carboidrato seja con-
vertido em gordura e armazenado, uma dieta balan-
ceada que seja rica em carboidratos complexos ajuda a 
controlar o peso corporal e a manter o tecido magro. 
Porém, vale ressaltar, que os alimentos ricos em carboi-
dratos contribuem menos para a adiposidade corporal 
que os alimentos ricos em gordura [23].
Com relação aos níveis de gordura dos tecidos 
adiposos estudados observou-se aumento no percentu-
al de gordura ovariana e retroperitoneal nos animais do 
G3. O G4 não apresentou alterações signifi cativas nos 
valores de percentual dos tecidos adiposos. Portanto, 
o efeito preventivo da pectina fi ca evidenciado, já que 
impediu o acúmulo de gordura. Os resultados podem 
ser visualizados na Figura 3.
Figura 3 - Porcentagem de gordura visceral, gordura 
retroperitoneal e gordura ovariana das ratas Wistar 
submetidas às diferentes dietas experimentais. G1 
– Grupo controle alimentado com ração comercial; 
G2 - grupo alimentado com ração comercial + 4% 
de pectina cítrica; G3 – grupo alimentado com dieta 
hiperglicídica; G4 – grupo alimentado com dieta hi-
perglicídica mais 4% de pectina cítrica. 
mentados com uma ração regular. As evidências mais 
diretas sobre obesidade humana vêm de estudos de 
populações. Em muitos países em desenvolvimento, a 
incidência de obesidade aumenta à medida que se eleva 
o consumo de açúcar. Mas essa evidência não aponta o 
açúcar como única causa. Em geral, quando a ingestão 
de açúcar aumenta, as ingestões de gordura e calorias 
totais também se elevam. Simultaneamente, a ativi-
dade física declina. Além disso, a obesidade também 
ocorre quando as ingestões de açúcar são baixas e as 
pessoas obesas, em muitos casos, comem menos açúcar 
que as magras. A gordura é mais rica em calorias que 
o açúcar e muitas vezes ela ocorre junto com o açúcar 
em guloseimas e petiscos doces. Estudos de populações 
por si mesmos não são capazes de separar os efeitos de 
comer açúcar daqueles de comer demasiada gordura 
ou de exercitar-se muito pouco [23].
Gross et al. [24] analisaram a associação entre a 
qualidade dos carboidratos consumidos na dieta ame-
ricana na prevalência da doença observada nos Estados 
Unidos. Os autores verifi caram que a tendência do 
incremento no consumo de carboidratos refi nados, 
altamente concentrados em frutose e sacarose, em 
detrimento do consumo de alimentos naturalmente 
ricos em fi bras estava fortemente relacionado à maior 
ocorrência do diabetes tipo 2. No Brasil, o envelheci-
mento populacional associado ao aumento da freqü-
ência do excesso de peso, estilo de vida sedentário e 
modifi cações no padrão alimentar, como o aumento do 
consumo de açúcares e refrigerantes, têm sido aponta-
dos como possíveis fatores envolvidos no incremento 
da ocorrência do diabetes nos últimos anos [25].
Observou-se nos resultados obtidos o desenvol-
vimento de adiposidade principalmente pelo aumento 
das gorduras retroperitoneal e ovariana quando os 
animais foram submetidos à dieta rica em carboidratos 
simples por 21 dias e tal efeito pode ser totalmente 
atribuído ao carboidrato, uma vez que a composição 
da ração em gordura, proteína e calorias foi mantida 
constante ou menor comparada à ração balanceada. 
Observou-se que a obesidade ocorreu no G3 indepen-
dente do ganho de peso. No G4, apesar do ganho de 
peso, não houve aumento do tecido adiposo. 
Conclusão
Concluiu-se que 4% de pectina cítrica acresci-
da a uma dieta balanceada não altera a glicemia, os 
triglicerídeos e os percentuais dos tecidos adiposos. 
Portanto, a pectina não possui efeito redutor das va-
riáveis analisadas, revelando-se como importante na 
prevenção da elevação das mesmas.
Após a ingestão de dieta hiperglicídica há aumen-
to da concentração de triglicerídeos plasmáticos e teci-
É possível ressaltar, que as gorduras geradas em 
razão da alta ingestão de carboidratos simples são 
armazenadas com surpreendente efi ciência no orga-
nismo, cada qual em órgãos diferentes, podendo apre-
sentar concentrações maiores de depósitos de gorduras 
em alguns órgãos e menores em outros, uma vez que 
a conversão em gordura corporal custa pouca energia 
metabólica, diferente do carboidrato complexo e pro-
teína da dieta, que têm que passar por muitas etapas 
metabólicas antes que sejam fi nalmente convertidos 
em gordura que o corpo possa armazenar [19].
Os ratos sob a dieta rica em sacarose parecem 
desenvolver mais gordura no ventre que os ratos ali-
91
Nutrição Brasil - março/abril 2009;8(2)
dos adiposos retroperitoneal e ovariano. No entanto, 
a ingestão de uma dieta rica em carboidratos simples 
quando associada a 4% de pectina cítrica, normaliza 
os valores de triglicerídeos plasmáticos e percentual 
de tecido adiposo, indicando que a pectina cítrica 
contribui para a prevenção da obesidade. 
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92
Nutrição Brasil - março/abril 2009;8(2)
ARTIGO ORIGINAL
Avaliação antropométrica e dietética 
dos funcionários de uma empresa 
de transportes urbanos de Ijuí - RS
Anthropometric and dietary evaluation of the employees 
of a urban transports company at Ijuí - RS
Joseane Pazzini Eckhardt*, Cleusa Wadenpuhl*, Camila Nunes Zanchi*, Marli Ludwig Th omas*, 
Adriane Cervi Blümke, M.Sc.**
*Acadêmicas do Curso de Nutrição da Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul – UNIJUÍ, 
**Nutricionista, professora do Curso de Nutrição, Departamento de Ciências da Saúde da UNIJUÍ 
Resumo
Objetivo: Avaliar o estado nutricional e o consumo alimentar dos funcionários de uma empresa de transportes urbanos, 
do município de Ijuí/RS. Material e Métodos: O estado nutricional foi avaliado através dos seguintes métodos antropométri-
cos: IMC, circunferência da cintura, relação cintura/quadril e dobra cutânea tricipital, utilizando parâmetros padronizados 
internacionalmente. Para avaliação dietética utilizou-se um questionário de consumo alimentar e um recordatório de 24 horas. 
Resultados: Através do IMC diagnosticaram-se altos índices de sobrepeso em ambos os sexos. O Recordatório de 24 horas revelou 
desequilíbrio no consumo dos macronutrientes e inadequação no consumo de micronutrientes. Baixas medianas de consumo 
calórico foram observadas em indivíduos com sobrepeso demonstrando possíveis sub-registros. No questionário de consumo, 
merece destaque o número insufi ciente de refeições e escolhas inadequadas à mesa, que se refl etem em défi cit de minerais e 
vitaminas constatados pelo Recordatório de 24 horas. Também chama atenção o elevado número de indivíduos com hiper-
tensão arterial. Conclusão: Devido à prevalência de obesidade, fator de risco para diversas doenças crônico não-transmissíveis, 
e tendo como agravantes hábitos alimentares inadequados e elevada prevalência de hipertensão arterial, importante redutor 
da qualidade e da expectativa de vida, recomendam-se intervenções nutricionais de profi ssionais capacitados.
Palavras-chave: estado nutricional, avaliação antropométrica, consumo alimentar.
Abstract
Objective: To evaluate the nutritional status and the alimentary habits of the employees of an urban transports company 
of the city of Ijuí/RS. Material and Methods: Th e nutritional status was evaluated through the following anthropometric 
methods: BMI, Waist Circumference, Waist-to-hip ratio and Cutaneous Tricipital Fold, using internationally standardized 
parameters. For dietary evaluation it was used a food consumption questionnaire and a 24-hour diary. Results: Th rough the 
BMI it was diagnosed high rates of overweight in both sexes. Th e 24-hour diary revealed lack of balance in the macronutrients 
consumption and unsuitability in the consumption of micronutrients. Low average of caloric consumption had been obser-
ved in overweight individuals, demonstrating possible sub-registers. Was observed defi ciency in the daily number of meals 
and inadequate choices at the table, with consequently deficit of minerals and vitamins. Also was observed high number of 
Recebido 14 de março de 2008; aceito 15 de janeiro de 2009.
Endereço para correspondência: Adriane Cervi Blümke, Rua Aristeu Pereira, 1217, Condomínio Burtet, Bairro Burtet 
98700-000 Ijuí RS, Tel: (55) 3332-6890. E-mail: adriblumke@yahoo.com.br
93
Nutrição Brasil - março/abril 2009;8(2)
Introdução
Até o fi nal do século XIX, as doenças infecciosas 
e parasitárias e a fome endêmica persistiam entre os 
principais problemas de saúde pública, sendo res-
ponsáveis por elevadas taxas de mortalidade e pela 
baixa expectativa de vida das populações humanas. 
Porém, no decorrer do século XX, ocorreu uma ex-
pressiva melhora nas condições de vida do homem, 
tendo como conseqüência o aumento da expectativa 
de vida e a diminuição da mortalidade causada pela 
desnutrição e por doenças infecciosas e parasitárias. 
Em compensação, nas últimas décadas, houve um 
incremento na morbidade por doenças crônicas não-
transmissíveis, causadas principalmente por mudanças 
no hábito alimentar e agravadas pelos altos índices de 
obesidade [1].
Os hábitos alimentares estão em constante modifi -
cação. A variação no padrão alimentar é evidenciada por 
diversos estudos que comprovam a transição nutricional. 
Monteiro et al. [2] verifi caram redução no consumo de 
carboidratos complexos, de fi bras, vitaminas e minerais, 
na forma de frutas, verduras e legumes e incremento no 
consumo de alimentos ricos em ácidos graxos saturados, 
gorduras trans e açúcares simples, que contribuíram para 
o aumento do colesterol total, da glicose circulante e da 
densidade energética total ofertada. O maior consumo 
de açúcares, carnes, ovos, leite e derivados, citado por 
Mondini e Monteiro [3], é estimulado pela variabilidade 
de oferta de alimentos processados e industrializados. 
Na atualidade, muitas das atividades de lazer estão vei-
culadas ao consumo de alimentos altamente calóricos 
e pouco saudáveis, como os fast foods. Além disso, nos 
últimos anos, as mudanças na estrutura do trabalho 
e os avanços tecnológicos acarretaram na diminuição 
do dispêndio de energia, que aliada ao sedentarismo 
e as modifi cações na dieta compõem os principais 
fatores etiológicos da obesidade [4]. Conforme Castro 
et al. [5], vários autores correlacionaram características 
qualitativas e quantitativas da dieta e o sedentarismo 
com a ocorrência de enfermidades crônicas, entre elas 
as doenças cardiovasculares. Os hábitos alimentares 
apresentam-se como marcadores de risco para inúmeras 
doenças na medida em que o consumo elevado de açú-
cares e gorduras, somados ao baixo consumo de fi bras, 
participam da etiologia das dislipidemias, obesidade, 
diabetes e hipertensão.
Nesse contexto, a relevância de pesquisas epide-
miológicas na área da nutrição e saúde pública é indis-
cutível porque traça o perfi l nutricional das populações, 
o que auxilia para o desenvolvimento de estratégias de 
prevenção e promoção da saúde. Segundo Castro et 
al. [5], quando se conhece o perfi l de uma população, 
de um grupo ou de indivíduos, cria-se a possibilidade 
de elaborar estratégias direcionadas para atender as 
necessidadesespecífi cas e não apenas seguir modelos 
empregados em outras situações. Para a formação de 
profi ssionais nutricionistas o desenvolvimento de estu-
dos epidemiológicos é de suma importância por trazer 
um amplo conhecimento teórico-prático.
Este trabalho teve como objetivo conhecer o 
perfil nutricional e dietético dos funcionários de 
uma empresa de transportes urbanos do município 
de Ijuí/RS.
Material e métodos
A presente pesquisa de caráter transversal foi 
realizada com os funcionários de uma empresa de 
transportes urbanos, do município de Ijuí/RS, durante 
os meses de novembro e dezembro de 2006. Foram in-
vestigados funcionários adultos, de ambos os sexos, na 
própria empresa, mediante prévia autorização expressa 
na assinatura de um Termo de Consentimento Livre e 
Esclarecido. Em um estudo transversal, os indivíduos 
são avaliados em um ponto particular no tempo, para 
obter, simultaneamente, informação sobre a exposição 
e a condição de interesse [6].
Foram coletadas, as seguintes medidas antropo-
métricas: peso, estatura, circunferências da cintura e do 
quadril e dobra cutânea tricipital. O peso foi aferido 
usando uma balança digital portátil, de marca Plenna 
e a estatura utilizando uma fi ta métrica afi xada em 
parede sem rodapé, a 50 cm do chão, sendo a leitura re-
alizada com o auxílio de um esquadro de madeira. Para 
ambas as medidas, utilizaram-se técnicas padronizadas 
pela OMS [7]. Uma vez obtido o peso e a estatura, 
calculou-se o Índice de Massa Corporal (IMC), através 
da seguinte fórmula: massa corporal (kg) dividida pela 
estatura (m) ao quadrado. Para a classifi cação do estado 
nutricional, utilizou-se a recomendação proposta pela 
WHO [8]. Calculou-se ainda o peso ideal de cada in-
divíduo, com base no IMC 21 kg/m² para as mulheres 
e 22 kg/m² para os homens.
individuals with arterial hipertension. Conclusion: Due to the prevalence of obesity, risk factor for several not transmittable 
chronic illness, inadequate food habits and high prevalence of arterial hypertension, it was recommended nutritional inter-
ventions with qualifi ed professionals.
Key-words: nutritional status, anthropometric evaluation, food consumption.
94
Nutrição Brasil - março/abril 2009;8(2)
Com o auxílio de um adipômetro da marca 
Cescorf, realizou-se o pinçamento da dobra cutânea 
tricipital, na parte posterior do braço não dominante, 
na altura do ponto médio entre a borda inferior do 
acrômio e olécrano. A aferição foi realizada três vezes 
e o valor médio obtido foi utilizado para classifi car 
o estado de gordura corporal, segundo parâmetros 
estabelecidos por Frisancho [9].
Com o auxílio de uma fi ta métrica aferiu-se a cir-
cunferência da cintura, no ponto médio entre a última 
costela e a crista ilíaca [7]. Esta medida avaliou a pre-
sença de risco para complicações metabólicas associadas 
à obesidade, segundo o gênero, conforme parâmetros 
estabelecidos pela WHO [8]. A circunferência do qua-
dril foi medida com o auxílio de uma fi ta métrica, no 
local de maior proeminência da região glútea [7]. Com 
a obtenção das medidas de circunferência da cintura 
e do quadril, calculou-se a Relação Cintura/Quadril 
(RCQ), que avaliou o risco de complicações associadas 
à distribuição de gordura corporal, usando os pontos 
de corte propostos pela WHO [8].
O Recordatório de 24 horas defi niu e quantifi cou 
todos os alimentos e bebidas, ingeridos no dia anterior 
a entrevista e forneceu informações sobre a quantida-
de de refeições, horários, local, preparação e medida 
caseira [6]. O principal objetivo da aplicação desse 
método foi conhecer a quantidade de calorias, macro 
e alguns micronutrientes ingeridos pelo indivíduo. Os 
macronutrientes analisados foram: proteínas, lipídios 
e carboidratos e os micronutrientes: vitaminas A e C, 
cálcio, fósforo e ferro.
Também foi aplicado um questionário com a 
fi nalidade de obter informações qualitativas sobre o 
padrão alimentar e a ingestão de alimentos, o qual foi 
construído com base em um publicado pelo Ministério 
da Saúde [10]. Os resultados obtidos foram compara-
dos com as recomendações do Guia Alimentar [11].
Para análise dos macronutrientes foram utilizadas 
as recomendações da WHO/FAO [12]. Já para análise 
dos micronutrientes considerou-se as recomendações 
das DRIs [6]. Foi estimada a prevalência de inade-
quação usando a Necessidade Média Estimada (EAR) 
como ponto de corte. Os micronutrientes que não 
possuíam EAR foram comparados com a Ingestão 
Adequada (AI). O consumo calórico foi avaliado 
utilizando-se o IMC como marcador biológico, sendo 
considerado adequado o consumo que estivesse dentro 
da faixa da normalidade do IMC [6].
Abordagens sobre a prática de atividade física, 
tabagismo, etilismo e história familiar sobre doenças 
crônicas também foram investigadas a fi m de carac-
terizar a saúde do grupo em estudo.
Para a análise dos dados referentes ao recordató-
rio de 24 horas utilizou-se o software DietPro, versão 
4.0 [13]. Para o processamento dos dados estatísticos 
foi utilizado o software Epi Info, versão 6.04 [14]. 
Depois de analisados os dados de cada funcionário 
foram entregues os resultados da avaliação nutri-
cional com orientações nutricionais específi cas para 
cada caso.
Resultados
Foram avaliados 82 funcionários adultos, sendo 
86,6% (71) do sexo masculino e 13,4% (11) do femi-
nino, tendo como média de idade 36,4 (± 10) anos. Em 
relação às medidas antropométricas, as médias e desvio 
padrão, segundo o sexo, estão apresentadas na Tabela I.
Tabela I - Média e desvio padrão das medidas 
antropométricas dos funcionários de uma empresa 
de transportes urbanos do município de Ijuí/RS – 
2005.
Medidas antropomé-
tricas
Homens Mulheres
Média ± DP Média ± DP
Peso (kg) 78,9 ± 14,1 65,1 ± 6,7
Estatura (cm) 172,1 ± 6,8 160,5 ± 5,5
IMC (kg/m2) 27,3 ± 4,6 20,8 ± 4,6
Circunferência da 
cintura (cm)
94,0 ± 11,7 80,6 + 9,1
Relação cintura/quadril 0,9 ± 0,1 0,7
DCT (mm) 15,7 ± 6,0 21,9 ± 5,2
DP: Desvio Padrão; DCT: Dobra Cutânea Tricipital.
Quanto ao estado nutricional, observou-se que 
67,1% da população apresentam algum grau de sobre-
peso, sendo que a média do IMC foi de 27,1 (± 4,6) 
kg/m2. A classifi cação do estado nutricional, segundo 
o sexo, está apresentada na Tabela II.
Tabela II - Distribuição do estado nutricional, segundo 
o IMC, dos funcionários de uma empresa de transpor-
tes urbanos do município de Ijuí/RS – 2005.
Estado nutricional
Homens Mulheres
N % n %
Baixo peso 1 1,4 - -
Eutrofia 20 28,2 6 54,5
Pré-Obesidade 35 49,3 4 36,4
Obesidade classe I 10 14,1 - -
Obesidade classe II 3 4,2 1 9,1
Obesidade classe III 2 2,8 - -
Total 71 100 11 100
No que se refere à presença de risco de com-
plicações metabólicas avaliada pela circunferência 
da cintura, observou-se que há maior prevalência de 
risco entre os homens. Entretanto, pela RCQ os dados 
diferem, conforme Tabela III.
95
Nutrição Brasil - março/abril 2009;8(2)
Tabela III - Classificação do risco de complicações 
metabólicas associadas à obesidade dos funcionários 
de uma empresa de transportes urbanos do município 
de Ijuí/RS – 2005.
Classificação
do risco
Homens Mulheres
N % n %
Circunferência da cintura
Sem risco 41 57,7 8 72,7
Risco aumentado 13 18,3 2 18,2
Risco muito aumentado 17 23,9 1 9,1
Relação cintura/quadril
Sem risco 59 83,1 8 72,7
Com risco 12 16,9 3 23,7
Constatou-se que 55% dos homens e 81% das 
mulheres apresentam gordura corporal na média, ava-
liada pela dobra cutânea tricipital (Tabela IV).
Tabela IV - Classificação do estado de gordura corpo-
ral dos funcionários de uma empresa de transportes 
urbanos do município de Ijuí/RS – 2005.
Estado de gordura 
corporal
Homens Mulheres
n % n %
Magro - - - -
Abaixo da média 5 7,0 - -
Média 39 54,9 9 81,0
Acima da média 12 16,9 - -
Excesso de gordura 15 21,1 2 18,2
Total 71 100 11 100
A partir do recordatório de 24 horas, observou-se 
que, no geral, os valores medianos de consumo calórico 
fi caram muito baixos. Verifi cou-se ainda, que quando 
estratifi cadosegundo categorias de IMC, o consumo 
calórico referido pelos entrevistados, não condiz com 
o estado nutricional encontrado, especialmente em 
indivíduos com sobrepeso. Essas informações podem 
ser visualizadas na tabela V.
Tabela V - Mediana do consumo calórico, analisado 
segundo as categorias de IMC, dos funcionários de 
uma empresa de transportes urbanos do município 
de Ijuí/RS – 2005.
Categorias de
IMC (kg/m²)
Homens Mulheres
n Mediana 
(kcal)
n Mediana 
(kcal)
< 18,49 1 1374,4 - -
18,50 a 24,99 20 2318,2 6 1524,7
> 25 50 1968,6 5 1620,2
A ingestão média de carboidratos foi de 53,2%, 
de proteínas, 19,3% e de lipídios, 27,5%. Quanto aos 
micronutrientes, observou-se elevada inadequação na 
ingestão de vitaminas e maior inadequação no consu-
mo de ferro e fósforo pelo grupo feminino. Apesar de 
não ser possível calcular a prevalência de inadequação 
para o cálcio, constatou-se que a mediana do consumo 
fi cou inferior a ingestão adequada, em ambos os sexos 
(Tabela VI).
Tabela VI - Consumo mediano e prevalência de 
inadequação de micronutrientes dos funcionários de 
uma empresa de transportes urbanos do município 
de Ijuí/RS – 2005.
Nutrientes
Homens Mulheres
Med % Inad Med % Inad
Vitamina A (μg) 315,2 48,0 267,04 53,9
Vitamina C (mg) 66,3 36,3 55,40 42,0
Cálcio (mg) 336,7 - 394,96 -
Fósforo (mg) 572,0 48,0 802,80 29,1
Ferro (mg) 9,4 34,4 15,00 8,8
Med = Mediana; Inad = Inadequação
O consumo alimentar analisado pelo questioná-
rio revelou que a maioria dos indivíduos, 80,5%, faz 
de 2 a 3 refeições diárias.
As Tabelas VII e VIII revelam as porções con-
sumidas diariamente de determinados grupos de 
alimentos. O baixo consumo de frutas e hortaliças e 
a preferência pelo grupo das carnes, frente a outras 
fontes protéicas, como leite e leguminosas, também 
é evidenciado.
Tabela VII - Percentual de consumo diário de porções 
dos grupos de alimentos, obtido pelo questionário, dos 
funcionários de uma empresa de transportes urbanos 
do município de Ijuí/RS – 2005.
Porção Leite PI CPO PI Frutas PI
Nen-
huma
20,7%
3
0%
1
15,9%
3
1 45,1% 22,0% 37,8%
2 24,4% 46,3% 26,8%
3 ou + 31,7% 31,7% 19,5%
Leite: Leite e derivados; P Ideais: Porções ideais; CPO: Carnes, 
Peixes e Ovos; PI = Porções ideais.
Observou-se que somente 31,7% dos funcioná-
rios consomem três porções diárias de leite e derivados, 
78% excedem a recomendação de consumo de carnes, 
peixes e ovos de uma porção diária e apenas 19,5% 
seguem a recomendação de consumir três porções 
diárias de frutas. O consumo indicado de uma porção 
diária de leguminosas é realizado por 37,8% dos en-
trevistados, enquanto que 2,4% consomem o mínimo 
recomendado de nove colheres de sopa de verduras e 
legumes ao dia (Tabela VIII).
96
Nutrição Brasil - março/abril 2009;8(2)
Tabela VIII - Percentual de consumo diário de porções 
dos grupos de alimentos, obtido pelo questionário, dos 
funcionários de uma empresa de transportes urbanos 
do município de Ijuí/RS – 2005.
Colher de 
sopa
Verduras 
e legumes
Por-
ções
ideais
Legu-
mino-
sas
Por-
ções 
ideais
Nenhuma 
colher
8,5%
3
4,9%
1
1 a 4 colheres 58,5% 57,3%
5 a 8 colheres 30,5% 31,7%
9 ou mais 
colheres
2,4% 6,1%
Em relação ao consumo de gordura observou-se 
que 64,6% dos indivíduos utilizam somente óleo vege-
tal no preparo das refeições, 34,1% utilizam a gordura 
vegetal e a gordura animal e 1,2% utilizam somente 
gordura animal. Quando questionados quanto ao há-
bito de retirar a gordura aparente das carnes vermelhas, 
constatou-se que 41,5% dos entrevistados o fazem, 
enquanto que 50,0% retiram a pele de aves.
No que se refere ao consumo de alimentos alta-
mente energéticos como frituras, doces e embutidos 
foi observado que 19,5% consomem frituras menos 
de uma vez por semana, enquanto que 29,2% têm o 
mesmo padrão de consumo para doces e 29,3% para 
os embutidos. Com relação ao consumo diário de água 
observou-se 62,2%, ingerem 6 ou mais copos.
Quanto às questões relacionadas ao estilo de vida, 
35,4% dos entrevistados consomem bebida alcoólica 
semanalmente, sendo que a mais citada foi a cerveja 
(96,9%), 19,5% são fumantes e 64,6% dos funcioná-
rios realizam algum tipo de atividade física.
No que se refere à condição de saúde, 84,1% dos 
funcionários desconhecem ou não apresentam nenhu-
ma doença. Dos que declaram apresentar, destaca-se 
que 41,6% são hipertensos, 16,7% diabéticos, 16,7% 
dislipidêmicos e 25% possuem outras doenças. Além 
disso, a pesquisa revelou que 50% dos indivíduos têm 
histórico familiar de enfermidades crônicas.
Discussão
A classifi cação graduada de sobrepeso e obesida-
de torna possível identifi car indivíduos e grupos em 
maior risco de morbidade e mortalidade, fornecendo 
uma base fi rme para a avaliação de intervenções. Dessa 
forma, o IMC pode ser usado para classifi car o estado 
nutricional e o risco de complicações relacionadas a ele 
[15]. Os resultados observados neste estudo demons-
tram que 70,4% dos homens e 45,5% das mulheres 
apresentam algum grau de sobrepeso. Estudos brasi-
leiros a partir da classifi cação do IMC revelaram que 
40% da população adulta apresentam excesso de peso 
ou obesidade, com tendência de aumento de peso entre 
os homens e redução entre as mulheres [11].
Entretanto, esta medida não diferencia a ampla 
variação na distribuição de gordura corporal, podendo 
não correlacionar o grau de gordura e os riscos para 
a saúde, sendo necessária a associação com outros 
indicadores de distribuição de gordura corporal. Os 
indivíduos com excesso de gordura intra-abdominal 
apresentam um maior risco para conseqüências ad-
versas à saúde, pois há evidências de que a obesidade 
abdominal infl uencia no desenvolvimento de resis-
tência insulínica e na síndrome metabólica [15]. A 
medida da circunferência da cintura é um método 
simples e prático para identifi car indivíduos em si-
tuação de risco associada ao excesso de gordura nos 
depósitos intra-abdominais e serve como método de 
triagem inicial [15]. Segundo Castro et al. [5], para 
cada categoria de IMC estudada, um aumento da cir-
cunferência da cintura é associado com um aumento 
da gordura visceral. Os dados obtidos a partir desta 
medida confi rmam a predominância de mulheres em 
melhor estado nutricional, quando comparado aos 
homens, também demonstrado em relação ao IMC, 
pois 27,3% das mulheres e 42,2% dos homens apre-
sentam risco, sendo que 24% dos homens apresentam 
risco muito aumentado para o desenvolvimento de 
doenças metabólicas.
A razão entre a circunferência da cintura e do 
quadril diferencia obesidade andróide e ginecóide 
[16]. A RCQ demonstra a proporção de gordura 
intra-abdominal, sendo usada em diversos estudos 
epidemiológicos para demonstrar o risco aumentado 
para o diabetes mellitus, doenças cardiovasculares e 
hipertensão arterial [17]. Pereira et al. [18] verifi caram 
que a RCQ apresentou menor correlação com o IMC, 
quando comparado com a razão cintura/altura e cir-
cunferência da cintura, entretanto a RCQ apresentou 
melhor capacidade preditiva de hipertensão arterial. 
Analisando os resultados obtidos através da circunfe-
rência da cintura e a RCQ, percebe-se que os valores 
percentuais em ambos os métodos foram iguais para 
as mulheres e diferentes para os homens, resultado 
semelhante ao encontrado por Pereira et al. [18] onde, 
entre as mulheres, a circunferência da cintura e RCQ 
tiveram comportamento semelhante.
A medida da dobra do tríceps pode estimar o 
percentual de gordura corporal [16]. Os dados obtidos 
através desta medida revelaram que 81,0% das mu-
lheres e 54,9% dos homens encontram-se dentro da 
média de gordura corporal. Comparados aos valores 
obtidos pela análise do IMC, verifi ca-se que ocorre 
uma discrepância entre os valores tanto, para os ho-
mens como para mulheres, quando analisada a presen-
97
Nutrição Brasil - março/abril 2009;8(2)
ça de sobrepeso. Entretanto, vale ressaltar que o IMC 
não distingue entre massa magra e massa gorda.
Cada fase da vida tem sua necessidade específi ca, 
assimcomo o homem e a mulher, por suas peculiari-
dades orgânicas, diferem nos seus requerimentos de 
energia e nutrientes. As refeições são saudáveis quando 
preparadas com alimentos variados, com tipos e quan-
tidades adequadas a cada uma das fases, compondo 
refeições coloridas e saborosas que incluem alimentos 
tanto de origem vegetal como animal [11]. Vários da-
dos confi rmam o predomínio de uma má alimentação 
entre os entrevistados, desde a pouca freqüência até as 
escolhas incorretas na alimentação diária.
A análise do Recordatório de 24 horas revelou 
que 28,16% dos homens e 54,5% das mulheres estão 
com consumo calórico adequado, quando avaliado 
conjuntamente ao IMC. A ingestão mediana de 
consumo calórico deste estudo mostrou que o grupo 
masculino em sobrepeso ou obesidade ingeriu em 
média 1.968,6 kcal, valor incoerente com a alta pre-
valência de sobrepeso encontrada (67,1%). Cabral et 
al. [19], também verifi caram que a ingestão média de 
energia referida pelos homens e mulheres pesquisados 
(2125 ± 403 kcal e 1540 ± 600 kcal, respectivamente) 
não justifi cou a ocorrência elevada de excesso de peso 
encontrada. Possivelmente, no estudo de Cabral et al. 
assim como neste, ocorreram sub-registros, comum 
em indivíduos obesos ou em sobrepeso e em menor 
número em indivíduos eutrófi cos. Também pode ter 
ocorrido superestimação em indivíduos com baixo 
peso [6]. Ambas as análises podem ser visualizadas 
na Tabela V.
O total de carboidratos da dieta fi cou aquém 
(53,25%), porém verifi cou-se um alto consumo de do-
ces e amidos e um baixo consumo de frutas e verduras. 
Alimentos de alta densidade energética como carboi-
dratos simples e amido são pobres em micronutrientes 
e promovem ganho de peso [11]. Já alimentos de baixa 
densidade calórica são aqueles que possuem alto teor 
de água em sua composição como frutas, legumes e 
verduras. Segundo Rosado e Monteiro [20], atenção 
especial tem sido dada aos carboidratos, visto que a pre-
sença de doenças cardiovasculares, diabetes e obesidade 
têm aumentado nos indivíduos com dietas ricas em 
energia na forma de carboidratos simples, comparados 
aos grãos integrais, devido ao fato de infl uenciarem no 
índice glicêmico (IG). O alto IG estimula a lipogênese, 
resultando no aumento do tamanho dos adipócitos, 
enquanto dietas com baixo IG, como ricas em grãos 
integrais, inibem esta resposta.
Gorduras são componentes importantes da ali-
mentação, pois são fontes de energia, contudo, deve-se 
preferir fontes de gordura insaturada em detrimento a 
gordura saturada e hidrogenada, prejudiciais à saúde 
[11]. No presente estudo, os percentuais estavam den-
tro da faixa recomendada, apesar do elevado consumo 
de carnes, peixes e ovos, da gordura aparente nas carnes 
vermelhas e aves, de frituras e de embutidos. O alto 
consumo de gorduras saturadas é fator predominante 
para o risco cardiovascular e na maioria dos casos, a 
gordura alimentar está evidente, como na manteiga, 
margarina, óleo, banha e maionese. Entretanto, gor-
duras menos óbvias presentes na carne, leite e ovos, 
contribuem mais para sua ingestão. Segundo Garó-
folo et al. [21], a alta ingestão de gorduras promove 
o aumento na produção de ácidos biliares, que são 
mutagênicos e citotóxicos, o que poderia causar câncer 
de colón e reto. Frisa-se que 64,6% dos indivíduos 
relataram utilizar somente óleo vegetal no preparo 
das refeições, fonte de gordura poliinsaturada, rica em 
ácidos graxos essenciais e de vitaminas A, D, E e K. 
Na substituição de gordura saturada por insaturada, 
os níveis séricos de lipídeos e colesterol são substan-
cialmente reduzidos, na maioria dos casos [5].
A análise do recordatório demonstrou excesso 
de proteínas na dieta, possivelmente em decorrência 
do elevado consumo do grupo das carnes. Entre as 
recomendações dietéticas para promoção da saúde, a 
ingestão de proteínas em níveis adequados é uma delas, 
contudo deve-se preferir leguminosas e grãos entre 
as muitas fontes protéicas. O consumo excessivo de 
proteínas de origem animal se correlaciona ao aumento 
da ingestão de gordura saturada e colesterol, potentes 
aterogênicos. Além disso, seu consumo excessivo pode 
acelerar do processo que leva à esclerose glomerular, 
traz danos renais e aumenta a excreção urinária de 
cálcio, uma das causas da osteoporose [22].
Apesar da análise dos micronutrientes ter sido 
feita baseada em um único recordatório, verifi cou-se 
alta inadequação entre os entrevistados. Mais suscetí-
veis a quadros anêmicos devido a perdas menstruais, 
34,46% das mulheres consomem ferro abaixo da 
recomendação, enquanto que percentuais de inade-
quação menores são percebidos nos homens (8,85%), 
provavelmente devido ao alto consumo de carnes. A 
vitamina C, que incrementa o ferro sérico, e a vita-
mina A são importantes antioxidantes que protegem 
as células dos radicais livres, inibindo a oxidação dos 
ácidos graxos e assim prevenindo inúmeras doenças, 
além de fortalecer o sistema imunológico. Conforme 
verifi cado no questionário, as frutas e hortaliças são 
pouco consumidas, o que é confi rmado pela elevada 
prevalência de inadequação para essas vitaminas (Ta-
bela VI). Devido ao fato do fósforo ser distribuído 
liberadamente nos alimentos há pouca possibilidade 
de inadequação dietética, particularmente se a inges-
tão alimentar contém proteínas e cálcio sufi cientes 
[23]. Contudo, observou-se inadequação de fósforo, 
98
Nutrição Brasil - março/abril 2009;8(2)
provavelmente relacionada à subnotifi cação e ao bai-
xo consumo de cálcio. O baixo consumo de porções 
diárias de leite e derivados, observado neste estudo, 
pode predispor à defi ciência de cálcio, e infl uenciar 
as medianas de consumo obtidas. O cálcio e o fós-
foro participam na manutenção da estrutura óssea, 
prevenindo a osteoporose. Entretanto, as medianas 
de cálcio encontradas no estudo (336,7 mg para 
homens e 394,9 mg para mulheres) fi caram muito 
abaixo da Ingestão Recomendada (AI) que é de 1000 
mg para ambos os sexos. As AIs são valores de inges-
tão associadas a um baixo risco de efeito funcional 
negativo [6].
O principio fundamental para manter um balan-
ço energético é o equilíbrio entre ingestão alimentar 
e gasto energético [11]. Os hábitos dietéticos e a ina-
tividade física infl uenciam fortemente, e podem ser 
considerados os principais fatores modifi cáveis entre as 
forças externas que promovem o ganho de peso. Dietas 
com alto teor de gordura e proteína, ricas em energia, e 
estilos de vida sedentários são características associadas 
à prevalência aumentada de obesidade e a existência de 
hipertensão arterial. A maioria das orientações sobre 
alimentos, nutrição e saúde, também abordam o uso 
do tabaco e álcool, devido aos inúmeros riscos para 
a saúde, com destaque para as doenças crônicas não-
transmissíveis [11]. As questões relacionadas ao estilo 
de vida revelaram que a maioria dos entrevistados tem 
bons hábitos, não ingerir ou ingerir eventualmente 
bebida alcoólica, não fazer uso do tabaco e praticar 
exercícios físicos com certa regularidade. Sendo as-
sim, o principal problema encontrado neste grupo é 
a alimentação inadequada, tanto qualitativa quanto 
quantitativamente.
O processo de transição demográfi ca e a ur-
banização coincidem com os processos de transição 
nutricional. A mudança da população do campo para 
a cidade implica em mudanças negativas nos padrões 
alimentares e no gasto energético total afetado pelas 
diminutas demandas energéticas exigidas no trabalho 
e no lar. Além disso, a globalização e a industrialização 
exercem um papel importante, devido a gama de pro-
dutos e serviços, promovendo, em tendência crescente, 
o consumo de alimentos de maior concentração ener-
gética, através da produção abundante de alimentos 
saborosos, altamente calóricos e de custo relativamente 
baixo. A globalização atinge a indústria de alimentos, 
o setor agropecuário, a distribuição de alimentos em 
redes de supermercados e em cadeias de lanchonetes e 
restaurantes. Adifusão da ciência nos meios de comu-
nicação e o uso do discurso científi co na publicidade 
de alimentos, também exercem seu papel no cenário 
da transição nutricional. Pressionadas pelo poder 
aquisitivo, pela publicidade e praticidade, as práticas 
alimentares incorporam novos alimentos, formas de 
preparo, compra e consumo [24]. O padrão alimentar 
anterior rico no consumo de grãos e cereais aos poucos 
está sendo substituído por um padrão alimentar com 
grandes quantidades de alimentos de origem animal, 
gorduras, açúcares, alimentos industrializados e relati-
vamente pouca quantidade de carboidratos complexos 
e fi bras [11]. A má alimentação, associada ao menor 
gasto energético, tem como conseqüências principais 
a obesidade e alta propensão às doenças crônicas não-
transmissíveis (DCNT). Estes fatos são evidenciados 
na transição epidemiológica, que compreende a subs-
tituição progressiva de perfi s de saúde caracterizados 
pela alta morbidade e mortalidade devido a doenças 
infecciosas por perfi s de saúde dominados pela pre-
sença de DCNT [11].
Conclusão
A população estudada apresentou altos índices 
de excesso de peso, verifi cada pelos métodos antropo-
métricos. Concomitantemente, a avaliação dietética 
revelou a prevalência de hábitos alimentares errône-
os. É necessária uma mudança no hábito alimentar, 
buscando uma alimentação equilibrada, associada à 
prática regular de atividade física, ambas orientadas 
por profi ssionais capacitados, que deverão considerar 
fatores ambientais e culturais, quando das interven-
ções. Sugere-se a realização de um estudo longitudinal 
com este grupo, após as intervenções propostas.
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100
Nutrição Brasil - março/abril 2009;8(2)
ARTIGO ORIGINAL
Associação do sobrepeso, obesidade I e II 
e circunferência da cintura com sintomas 
de ansiedade e depressão
Association of overweight, obesity I and II and waist 
circumference with symptoms of anxiety and depression
Helena Altenburg, M.Sc.*, Camila B. Souza, D.Sc.**
*Nutricionista, Professora do Centro estadual de Ensino Técnico Profi ssionalizante CEETEPS, **Psicóloga, Professora do 
Programa de Pós Graduação em Psicologia da Saúde na Universidade Metodista de São Paulo
Resumo
Introdução: Este estudo objetivou associar sobrepeso, obesidade I e II e Circunferência da Cintura (CC) com sintomas 
de ansiedade e depressão em adultos que buscavam primeiro atendimento médico nutricional para emagrecimento em con-
sultório do município de Santos – São Paulo, mesmo os que já haviam tentado emagrecer anteriormente. Método: Para coleta 
de dados foi utilizada fi cha de caracterização do participante, inventário IDATE para ansiedade traço estado, Inventário de 
Beck (BDI) para depressão, balança antropométrica para aferição do peso altura e cálculo do Índice de Massa Corporal (IMC), 
fi ta métrica inelástica para aferir CC. Resultados: Os dados dos 81 participantes demonstraram que 38% eram jovens, 36% 
casados, 63% possuíam nível superior completo, 45% alta renda familiar. Estavam em sobrepeso 56% e obesidade I 28%, e 
64% apresentavam 77 a 100 cm de CC. Houve ocorrência de sintomas de ansiedade traço (75%) estado (70%) de intensidade 
média baixa e de depressão mínima (64%) no sobrepeso que decaem de freqüência conforme eleva o IMC e a CC, assim como 
também reduz a procura por atendimento médico nutricional. Não houve casos de depressão grave. A análise estatística de 
Pearson não encontrou correlação entre IMC e CC com sintomas de ansiedade e depressão, o mesmo ocorrendo com o teste 
para associação Qui-quadrado. Conclusão: A análise da distribuição dos sintomas de ansiedade e depressão na elevação do 
IMC e da CC demonstra que conforme estes aumentam a procura por consulta, a ansiedade e a depressão diminuem como 
uma acomodação emocional do indivíduo às pressões causadas pela elevação do peso corporal. Portanto, os participantes 
apresentavam-se, em sua maioria, em um estado afetivo onde o indivíduoestá hiporreativo, indiferente, insensível aos acon-
tecimentos, com desinteresse geral, falta de desejos, desmotivado, sugerindo “apatia”.
Palavras-chave: obesidade I e II, circunferência da cintura, ansiedade, depressão.
Abstract
Introduction: Th e aim of this study was to associate overweight, obesity I and II and Waist Circumference (WC) with 
symptoms of anxiety and depression in adults looking for a fi rst nutritional medical attendance for weight loss in medical 
offi ces of the city of Santos - São Paulo, even if they previously attempted to weight loss. Method: Th e data were collected 
by fi che of characterization of the participant, IDATE Inventory for anxiety, Beck Inventory (BDI) for depression, anthro-
pometry scale for calculation of the Body Mass Index (BMI). Results: Th e data of the 81 participants had demonstrated that 
38% were young; 36% married, 63% with complete superior education level, 45% with high familiar income. 56% were 
Recebido 14 de agosto de 2008; aceito 1 de fevereiro de 2009.
Endereço para correspondência: Helena Altenburg, Av. Washington Luiz, 401/511 Boqueirão 11025-001 Santos SP, Tel: 
(13) 3019-5686 / 3232-4128, E-mail: saber.lena@yahoo.com.br
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Introdução
Considerada durante muitos anos como prejuízo 
da motivação em reduzir o peso corporal, a obesidade 
atualmente é motivo de preocupação, com custos 
elevados para todas as áreas da existência humana, 
estudada como problema epidêmico de Saúde Pública, 
tratada como doença grave, crônica, de elevada morbi-
mortalidade, com etiologia multifatorial complexa, 
incluindo aspectos genético, biológico, endócrino, 
ambiental, social, psicológico e psiquiátrico [1,2].
A obesidade, especialmente de tipo visceral, 
vinculada à elevação da medida da Circunferência da 
Cintura (CC), está fortemente associada a enfermi-
dades cardiovasculares e seus fatores de risco como 
hipertensão, hiperlipidemias e diabetes mellitus, resul-
tante ou não em síndrome metabólica, além de várias 
doenças com alterações endocrinológicas, da vesícula 
biliar, alterações da coagulação sanguínea, artrite de 
mãos e joelhos e apnéia do sono, bem como a certos 
tipos de câncer como o de mama e de endométrio em 
mulheres ou câncer de cólon em homens [3-7].
Obesidade é conceituada como “acúmulo excessi-
vo de tecido adiposo no organismo”, ou “peso elevado 
em 20% a mais que o peso padrão especifi cado com 
relação ao gênero, altura e estrutura corporal”, mas 
como o corpo humano possui proporções e formatos 
variáveis e também é constituído por diversos mate-
riais, há uma grande difi culdade de avaliação física do 
indivíduo obeso, bem como de se estabelecer limites, 
em antropometria, mensurando somente o tecido 
adiposo que caracteriza a obesidade. Diante desta di-
fi culdade criou-se o Índice de Massa Corporal (IMC) 
sendo este o método mais utilizado no momento, além 
de apresentar uma correlação com a massa de gordura 
corporal na ordem de 0,7 a 0,8% [1, 2, 7-11].
A OMS [11] classifi ca o sobrepeso como estan-
do o indivíduo com IMC igual ou maior que 25 a 
29,9 kg/m² e risco aumentado para co-morbidades 
cardiovasculares, a obesidade I com IMC de 30 a 
34,9 kg/m² e risco moderado para co-morbidades, 
a obesidade II como 35,0 a 39,9 kg/m² com risco 
severo para co-morbidades cardiovasculares. Porém 
o IMC é pouco descritivo quanto à distribuição do 
tecido adiposo, já que em seu cálculo só são levados 
em consideração o peso e a altura e, a maneira como a 
gordura está distribuída pelo corpo é mais importante 
do que a gordura corporal total ao se determinar risco 
para doenças [12].
Verifi cou-se a necessidade de diferenciar in-
divíduos que acumulam massa gordurosa na parte 
superior do corpo, fortemente associada à quantidade 
de gordura dentro da cavidade abdominal, ou seja, a 
gordura visceral, denominada obesidade andróide ou 
popularmente na forma de maçã, mais comum em 
homens, e na parte inferior do corpo a obesidade gine-
cóide ou popularmente forma de pêra mais comum nas 
mulheres. Foi proposta a medida da Circunferência da 
Cintura (CC), sendo esta classifi cada e especifi cada por 
gênero e risco para desenvolvimento de co-morbidades 
pela OMS [11] como: para homens uma CC maior 
ou igual a 94 cm representa risco elevado e maior ou 
igual a 102 cm risco altamente elevado; para mulheres 
maior ou igual a 80 cm representa risco elevado e maior 
ou igual a 88 cm representa risco altamente elevado 
[2,7,8,10,12]. 
Nos Estados Unidos da América (EUA) entre 
1989 e 1994, a obesidade apresentava prevalência de 
40% na população, sendo que 1% destes estava em 
obesidade mórbida, ou seja, cerca de 5 milhões de 
pessoas. Neste mesmo período no Brasil, a prevalência 
era de 20% e pesquisadores estimavam uma elevação 
desta incidência em 7% nas próximas décadas, esti-
mada em 45 milhões para 60 milhões de pessoas com 
sobrepeso e de 12 milhões para 17 milhões de pessoas 
obesas [5,13,14].
Estudos do Instituto Brasileiro de Geografi a e 
Estatística (IBGE) revelam que no Brasil em 2003, 
a obesidade afeta 4 em cada 10 adultos em ambos 
os gêneros. Entre os homens a obesidade é explosiva, 
com aumento de 50% a cada 15 anos. Entre as mu-
overweighted, 28% obese I, and 64% presented WC 77-100 cm. Was detected occurrence of anxiety symptoms trace (75%) 
estate (70%) with mild average intensity and light depression (64%) which are decreasing when IMC and CC increase. 
Were not observed cases of severe depression. Th e statistical analysis of Pearson did not fi nd correlation between BMI and 
WC with symptoms of anxiety and depression, the same occurring with the test Qui-square. Conclusion: Th e analysis of the 
distribution of the symptoms of anxiety and depression in the rise of the BMI and the WC demonstrates that as they increase 
the search for medical follow-up is decreasing, the anxiety and the depression are decreasing as an emotional accommodation 
of the individual to the pressure caused by the rise of the corporal weight. Th erefore, the participants presented an aff ective 
state where the individual is hiporeactive, indiff erent or insensitive to the events, with general disinterest or lack of desire, 
suggesting “apathy”.
Key-words: obesity I and II, waist circumference, anxiety, depression.
102
Nutrição Brasil - março/abril 2009;8(2)
lheres apresentou um aumento maior nas décadas de 
1970/80, com certa estabilidade na de 90. Verifi ca-se 
que a obesidade se transformou em um problema 
muito maior que a fome no Brasil de 2003 com apenas 
4% de pessoas com defi ciência crônica de energia e, 
portanto, abaixo dos 5% naturalmente magros pre-
conizados pela OMS. No Haiti 20% da população 
apresentam o problema, na Etiópia 30% e na Índia 
50% [5,13,14].
A etiologia complexa e multifatorial da obesi-
dade difi culta a mensuração da força de cada uma 
das varáveis envolvidas no processo de ganho de peso 
como fatores educacionais e psicológicos, genéticos e 
orgânicos, inatividade física. Destaca-se a infl uência 
dos fatores socioculturais, intensifi cado nas últimas 
décadas, especialmente nas culturas ocidentais in-
dustrializadas, que enfatiza a boa forma e a imagem 
corporal e impõe um padrão de beleza esbelto, fato 
mais predominante entre as mulheres do que entre 
os homens, que vivem sob a tirania da moda, e ainda 
sob a infl uência de campanhas de venda de alimentos 
especiais [1,3,7,15-18].
Pessoas com sobrepeso e obesidade são men-
cionadas de forma depreciativa e preconceituosa, 
discriminadas nos locais de trabalho e em algumas 
atividades e profi ssões, em revistas, televisão, piadas, 
relacionamentos sociais e mesmo por profi ssionais de 
saúde. Esta mentalidade coloca o magro em condição 
associada ao sucesso e mais aceitável socialmente. 
Indivíduos com peso normal sentem-se com peso 
elevado e, observa-se a existência de um culto à dieta, 
“um comportamento generalizado de fazer dieta” 
(dieters) em pessoas não necessariamente obesas, onde 
70% destesrelatam ingestão de alimentos discordante 
com a lógica fi siológica orgânica e com a ciência da 
nutrição, além de alta frequência em atividade física 
[1,3,7,15-18].
Uma via causal bidirecional é possível e a morbi-
dade psiquiátrica pode levar à obesidade ou a obesidade 
pode causar sofrimento psicológico, porém estudos 
revelam que no indivíduo obeso não foi demonstrada 
nenhuma condição psicológica e traços de personali-
dade comum. Não há evidências de que de que obesos 
comam para resolver ou compensar problemas dos 
quais, ás vezes, não tem consciência, porém como 
relato comum, ou o motivo para tornarem-se obesos 
encontra-se a ansiedade e a depressão. Frequentemente 
sintomas e problemas emocionais alterados são iden-
tifi cados e relatados, podem interferir no tratamento 
proposto, porém não estão identifi cado quais são estes 
problemas e se estes são conseqüência ou causadores 
da obesidade [1,3,18].
O conceito de ansiedade não envolve um cons-
truto unitário psicopatológico, pois ela pode ser gene-
ralizada ou focada em situações específi cas. Pode ser 
não-situacional, transitória ou condição do organismo 
humano, com início recente, apresentando aumento 
na atividade do sistema nervoso autônomo, denomina-
da Ansiedade Estado (A-estado); ou uma característica 
persistente da personalidade do indivíduo, a Ansiedade 
Traço (A-traço) caracterizada por tendência de reagir 
a situações percebidas como ameaçadoras e defi nida 
também, por alguns pesquisadores, como “motivos” ou 
disposição que permanece latente até que uma situação 
as ative, ambos avaliados pelo Inventário IDATE de 
Ansiedade. Revisões sobre a origem e signifi cado da 
ansiedade levam às seguintes características: - É um 
estado emocional, com experiência subjetiva de medo 
ou outra emoção relacionada como terror, horror, alar-
me, pânico; – É desagradável, podendo ser sensação de 
morte ou colapso iminente; – É direcionada em relação 
ao futuro com sensação de perigo iminente, porém 
não há risco real, ou se houver a emoção é despropor-
cionalmente mais intensa; – Há desconforto corporal 
subjetivo durante o estado de ansiedade: sensação de 
aperto no peito, na garganta, difi culdade respiratória, 
fraqueza nas pernas e outras sensações subjetivas 
como as manifestações físicas involuntárias: secura da 
boca, sudorese, arrepios, tremor, vômitos, palpitação, 
dores abdominais, além de alterações biológicas e 
bioquímicas detectáveis por métodos apropriados de 
investigação [19-22].
A ansiedade ainda pode: – Ser normal (ex. estu-
dante frente a uma situação de exame) ou patológica 
(ex. nos transtornos de ansiedade); – Ser leve ou gra-
ve; – Ser prejudicial ou benéfi ca; – Ser episódica ou 
persistente; – Ter causa física ou psicológica; – Ocorrer 
sozinha ou junto com outro transtorno; – Afetar ou 
não a percepção e a memória. Pessoas ansiosas apresen-
tam alguns paradoxos: – Quanto mais se exigem, mais 
fi ca difícil de alcançar; – Quanto maior é a exigência, 
maior é o sentimento de incompetência; – Quanto 
maior é o desgaste, maior é a imobilização. Estes fa-
tos geram os seguintes sinais psicológicos: frustração, 
hipervigilância, raiva, tristeza, depressão. Alguns apre-
sentam distúrbio da ansiedade e depressão ao mesmo 
tempo, outros apresentam inicialmente um quadro 
depressivo e a seguir um quadro de ansiedade. Acomete 
pessoas muito ativas e exigentes consigo mesmo, que 
acumulam atividades e responsabilidades, não sabem 
dizer “não”, querem dar conta de tudo, culpando-se 
quando não conseguem, pensam freneticamente, 
principalmente à noite e consequentemente sofrem 
de insônia [19-22].
A depressão é a mais pesquisada das emoções, 
com difícil diagnóstico, pois há casos de depressão sem 
característica típica, mascarada, bem como a existência 
de traços depressivos em outras patologias emocionais. 
103
Nutrição Brasil - março/abril 2009;8(2)
Pode ser uma doença com graves alterações afetivas 
ou um sintoma que faz parte de inúmeros distúrbios 
emocionais sem ser exclusivo de nenhum deles [23]. 
A depressão é altamente prevalente na população geral 
e estima-se que acometa 3% a 5% desta. Em clínica é 
encontrada em 5% a 10% de pacientes ambulatoriais 
e 9% a 16% de internados [24].
Os sintomas depressivos são variados e diferen-
ciados entre as pessoas, sendo que 4 dos sintomas 
relacionados abaixo a caracterizam: Irritabilidade ou 
humor deprimido; Tristeza e choro; Desesperança 
no futuro; Perda de energia; Perda de interesse em 
atividades anteriormente prazerosas; Dificuldade 
de concentração; Perda de interesse sexual; Grande 
preocupação com problemas de saúde; Redução ou 
aumento de apetite e de peso, hiper ou hipoalimenta-
ção; Sono mais ou menos prolongado; Insônia; Abuso 
de substâncias prejudiciais [20,23,24]. A superposição 
de sintomas da patologia clínica com depressão pode 
induzir à erros e ainda difi culta e posterga a avaliação 
adequada da depressão [24]. 
Estudos relatam que pessoas obesas, especial-
mente em grau III, buscando tratamento, apresentam 
mais sintomas de transtorno de personalidade border-
line, maior frequência de transtorno da compulsão 
periódica e quadros depressivos mais graves. Quando 
comparado a controles de peso normal, este grupo 
apresenta maior prevalência de história de abuso 
sexual, mais sintomas obsessivo-compulsivos e maior 
número de episódios depressivos [7].
 Na avaliação dos sintomas depressivos, tanto 
em pesquisas como na clinica são muito utilizadas as 
Escalas e Inventários elaborados por Beck, A; Mendel-
son; Mock e Erbaugh em 1961 no Center for Cognitive 
Th erapy (CCT) da Universidade de Pennsylvania, na 
Philadelphia. O Beck Depression Inventory (BDI), 
universalmente conhecido como Inventário de medida 
da Depressão [25].
O objetivo deste estudo é verifi car a associação 
entre a condição de sobrepeso, obesidade I, II e circun-
ferência da cintura (CC) com os estados emocionais e 
sintomas de ansiedade e depressão em adultos.
Material e métodos
Para se verifi car o frequente relato de que a an-
siedade e a depressão estão relacionadas à obesidade os 
integrantes do presente estudo estiveram em contato 
com a pesquisadora de janeiro a outubro 2006, na 
sala de espera de consultório médico nutricional da 
cidade de Santos/SP, quando aguardavam a primeira 
consulta. Inicialmente a pesquisadora leu o Termo de 
Consentimento Livre e Esclarecido para o candidato 
a participante, item ético imprescindível para a rea-
lização de pesquisas com seres humanos, sendo que 
neste é solicitado seu consentimento para utilização 
dos dados com fi nalidade acadêmica, bem como sua 
assinatura e subscrição do numero de documento de 
identifi cação, o Registro Geral (RG).
Antes terem sido submetidos a qualquer 
avaliação, orientação ou intervenção do médico 
ou nutricionista, os participantes responderam às 
questões de um formulário para caracterização do 
participante constando: gênero, idade, data de nas-
cimento, estado civil, grau de instrução ou escola-
ridade, profi ssão, ocupação atual, renda familiar em 
salários mínimos vigentes no período de 01 de maio 
de 2005 até 31 de março de 2006 [26], existência 
ou não de patologia, hipertensão, se realiza algum 
tratamento, se tem diabético na família e se utiliza 
algum medicamento. 
A seguir responderam aos Inventários psicoló-
gicos para avaliação dos Sintomas de Ansiedade, por 
meio do Inventário IDATE de Spilberger, que possui 
20 questões que avaliam Ansiedade Estado (A-estado) 
onde os participantes indicam “como se sente no mo-
mento de teste” e Ansiedade Traço (A-traço) indicam 
“como geralmente se sente”. Os escores possíveis para 
avaliação variam em no mínimo 20 e um máximo de 
80. Os pontos de corte para se avaliar o nível de in-
tensidade de A-Estado e A-Traço em um participante 
foram estipulados em: - Nível baixo de ansiedade 
valores menores ou abaixo de 29,9; - Nível médio ou 
moderado valores maiores ou iguais que 30 a 49,9, - 
Nível alto valores maiores ou iguais a 50 [21]. 
Emseguida responderam o Inventário de De-
pressão (BDI) elaborado por Beck possui 21 grupos de 
afi rmações. O escore total é obtido somando os escores 
0, 1, 2 ou 3 de cada um dos 21 itens. O menor escore 
possível é 0 e o maior é 63 e os pontos de corte são: 
Depressão mínima = 0 a 11 pontos, Depressão leve = 
12 a 19 pontos, Depressão moderada = 20 a 35 pontos, 
Depressão grave = 36 a 63 pontos [25].
Após responderem os inventários psicológicos, 
os participantes foram encaminhados para a sala de 
pesagem onde se realizou a aferição do peso corporal 
e altura, em balança antropométrica tipo plataforma 
de uso comum em consultórios para se obter poste-
riormente o cálculo do IMC, para avaliação do Sobre-
peso e da Obesidade grau I e II, por meio da fórmula 
Peso / (altura)². Para aferição da medida da CC dos 
participantes, foi utilizada uma fi ta métrica inelástica 
em trena, possuindo graduação em centímetros e mi-
límetros, com comprimento total de 150 cm, e trava 
para fi xar a mensuração [27].
Para reunião, cálculo e tabulação de todos os dados 
coletados, bem como caracterização dos participantes 
e apreciação dos resultados preliminares por meio de 
104
Nutrição Brasil - março/abril 2009;8(2)
gráfi cos e tabelas, foi utilizado planilha do Microsoft 
Offi ce Excel 2003. Para análise estatística fi nal dos dados 
foi utilizado o programa Statistical Packerge for Social 
Science (SSP-SS), versão 14,0 for Windows.
Resultados
Dados coletados em 81 participantes revelaram 
prevalência do gênero feminino em 72% (n = 58) e, 
segundo declarações colhidas na entrevista para traçar 
os perfi s sócios econômicos culturais, verifi camos que 
38% (n = 31) pertencem à faixa etária de 20 a 35 anos, 
48% (n = 39) eram casados, 63% (n = 51) possuíam 
nível de escolaridade superior completo, sendo que 
a renda familiar acompanha a escolaridade, ou seja, 
45% (n = 36) ganham mais de 10 salários mínimos 
mensais. Assim, a maioria dos participantes do estudo 
é jovem, casado, com ótima escolaridade e alta renda 
familiar, como descrito na Tabela I.
Tabela I - Frequência dos participantes por idade, 
estado civil, nível de escolaridade e renda familiar 
em categorias.
Categoria (n) Parti-
cipantes
Porcen-
tagem
Idade
Média: 39,27 
anos
20 a 35 anos 31 38%
36 a 45 anos 21 26%
46 a 55 anos 26 32%
56 anos e mais 3 4%
Estado Civil Solteiro(a) 29 36%
Casado(a) 39 48%
Separado (a) 2 2%
Divorciado (a) 8 10%
Viúvo (a) 3 4%
Escolaridade Fundamental 2 2%
Médio 24 30%
Superior Incom-
pleto
4 5%
Superior Com-
pleto
51 63%
Renda fa-
miliar
em Salários 
mínimos
0 a 2 2 2%
2 a 5 19 23%
5 a 10 24 30%
Mais que 10 36 45%
Quanto às questões que investigam ocorrência 
de patologias, 68% (n = 55) declaram não apresen-
tar qualquer patologia associada ao excesso de peso 
corporal, 73% (n = 59) declararam não apresentarem 
hipertensão arterial, 57% (n = 46) declararam não 
terem diabéticos na família, porém ao observarmos 
o uso de medicamentos apenas 51% (n = 41) decla-
raram não usarem nenhum tipo de medicamento. 
Os resultados são coincidentes com a condição de a 
maioria dos participantes serem do gênero feminino, 
jovem, casadas e em idade fértil e declararam estarem 
tomando como medicamento a pílula anticoncep-
cional, além disto, o nível escolar e a renda familiar 
favorecem muito o auto-cuidado e a baixa incidência 
de patologias.
O menor IMC aferido dentre os 81 participantes 
foi de 25,08 kg/m² e o maior foi de 39,94 kg/m², 
sendo o desvio padrão de 4,13 e a média 30,36 kg/
m². Para a CC, a menor medida aferida foi de 77 cm 
e a maior foi de 138 cm, com desvio padrão de 13,15 
e média de 98,6 cm. As medidas para CC foram 
classifi cadas em cinco categorias de ocorrência com 
frequência demonstrada na Tabela II.
Tabela II - Frequência de sobrepeso, obesidade I e II 
e CC nos 81 participantes.
Categoria IMC (n) Participantes Porcentagem
Sobrepeso - 
25 a 29,9 kg/m²
45 56%
Obesidade I - 
30 a 34,9 kg/m²
23 28%
Obesidade II - 
35 a 39,9 kg/m²
13 16%
Categorias CC 
mensurada
(n) Participantes Porcentagem
77 a 100 cm 52 64%
101 a 110 cm 16 20%
111 a 120 cm 8 10%
121 a 130 cm 2 2%
131 a 140 cm 4 4%
Compareceu às consultas médicas nutricionais 
um número maior de pacientes na condição de sobre-
peso 56% (n = 45), seguidos por pacientes na condi-
ção de obesidade I 28% (n = 23), sendo interessante 
observar que a frequência dos pacientes ao consultório 
reduz conforme eleva o peso corporal. Quanto à CC 
sua frequência acompanha naturalmente a ocorrência 
do IMC.
Observamos maior frequência para sintomas de 
ansiedade em A-traço 75%(n = 61) e A-estado 70% (n 
= 56) de intensidade média em todos os participantes. 
A maior frequência ocorreu em A-Traço médio com 
44,44% (n = 36) e em A-Estado médio com 38,27% 
(n = 31) ambas no sobrepeso, e a menor frequência 
está na A-Traço baixa com 1,23% (n = 1) na obesidade 
I e II e A-Estado baixa com 0% na obesidade I. Ao 
distribuirmos os sintomas de ansiedade na frequên-
cia de IMC dos 81 participantes, observamos maior 
frequência no sobrepeso em intensidade média que 
decai conforme eleva o peso corporal. O resultado está 
representado na Figura 1.
105
Nutrição Brasil - março/abril 2009;8(2)
Figura 1 - Frequência dos sintomas de A-Traço e A-
Estado nas categorias de IMC dos 81 participantes 
do estudo.
Existe uma forte correlação entre IMC e CC em 
0,836(**), entre A-Traço e A-Estado em 0,616(**) e 
também entre A-Traço e Depressão em 0,646(**) e 
A-Estado e Depressão em 0,509(**), porém sabe-se 
que estas variáveis são naturalmente correlacioná-
veis. Porém, o teste estatístico de Pearson encontrou 
correlação negativa entre IMC e A-traço (-0,048) e 
entre IMC e A-estado (-0,105). Como previsto, a CC 
correlaciona de forma negativa com A-traço (-0,094) e 
com A-estado (-0,197), acompanhando naturalmente 
o IMC. Quanto aos sintomas depressivos, o IMC não 
se correlaciona com sintomas depressivos (0,140) e a 
CC também não se correlaciona com sintomas de-
pressivos (0,032).
Discussão
O estudo sugere que os participantes não apre-
sentam associação nem correlação entre as formas 
iniciais de obesidade e sintomas ansiosos e depressivos. 
A busca por atendimento médico nutricional e a evo-
lução dos sintomas são inversamente proporcionais, 
ou seja, conforme o IMC e a CC aumentam surgem 
menos pacientes no consultório e os sintomas ansiosos 
e depressivos decaem também de intensidade, suge-
rindo que os participantes não se importavam com 
o fato de estarem engordando, como uma forma de 
acomodação emocional, o que representa ausência de 
reação, de interesse, de emoções, de desejos e senti-
mentos, ou seja, sugere Apatia.
O “Dicionário de termos técnicos de medicina 
e saúde” registra a palavra apatia como um termo 
psiquiátrico defi nido como: “Estado caracterizado pelo 
desinteresse geral, pela indiferença ou insensibilidade aos 
acontecimentos; falta de interesse ou de desejos” [28].
A ansiedade faz parte das experiências humanas, 
sendo propulsora de desempenho desde que este sen-
timento possa ser convertido em resultados positivos 
[19,20], assim os resultados sugerem que os participan-
tes do estudo não apresentam sintomas de ansiedade 
com intensidade sufi ciente para desencadear resposta 
propulsora de desempenho para emagrecimento, o que 
nos leva a observar que o relato de estar engordando 
Quanto aos sintomas depressivos, a maior fre-
quência é de depressão mínima em 64% (n = 52). 
Verifi camos frequência elevada de depressão mínima 
39,51% (n = 32) seguido de sintomas depressivos leves 
13,58% (n = 11) ambos no sobrepeso para depois de-
cair com a elevação do peso corporal. Nenhum dos 81 
participantes apresentou sintomas depressivos graves 
conforme descrito na Figura 2.
Figura 2 - Frequência dos sintomas de depressão nas 
categorias de IMC nos 81 participantes do estudo.
Ao analisarmos a correlação entre todas as va-
riáveis por meio do modelo estatístico de correlação 
linear de Pearson, observamos que o IMC e a CC não 
apresentacorrelação estatisticamente signifi cativa com 
os de Sintomas de A-Traço, A-Estado e depressivo 
conforme descrito em tabela 3.
Tabela III - Correlação entre as variáveis: IMC, CC, Sintomas de A-traço, A-estado e Depressivo nos 81 parti-
cipantes.
Correlação de Pearson IMC CC A-traço A-estado Depressão
IMC -- 0,836(**) -0,048 -0,105 0,140
CC 0,836(**) -- -0,094 -0,197 0,032
A-traço -0,048 -0,094 -- 0,616(**) 0,646(**)
A-estado -0,105 -0,197 0,616(**) -- 0,509(**)
Depressão 0,140 0,032 0,646(**) 0,509(**) --
** p < 0,0001.
106
Nutrição Brasil - março/abril 2009;8(2)
motivado por traço de ansiedade não tem fundamento. 
O mesmo ocorre com a depressão, porém a literatura 
aponta evidências de associação entre depressão e 
obesidade maior entre os obesos mais graves, fato 
observado tanto em estudos com pacientes clínicos 
como em estudos populacionais [15].
Pesquisas médicas estudam toda uma conste-
lação de alterações orgânicas diante de uma situação 
de agressão. O que popularmente se conhece por 
esgotamento tem origem quando a situação (estí-
mulo externo ou interno) à qual a pessoa terá que se 
adaptar for sufi cientemente importante e duradoura 
para gerar forte tensão. Verifi ca-se esgotamento por 
falência adaptativa, devido aos esforços emocionais 
para superar uma situação de forte tensão. Quando 
a pessoa não dispõe de estabilidade emocional sufi -
cientemente adequada para adaptar-se, ela esgota-se e 
sucumbe emocionalmente a situações não tão aversi-
vas, como uma ameaça subjetivamente representada. 
Psiquicamente, a ansiedade crônica e o “esgotamento” 
acabariam levando a pessoa a um estado de apatia, 
desinteresse e desânimo [23].
Os fatores endógenos ligados à obesidade re-
presentam apenas 1%. O estilo de vida do indivíduo 
como atividade física, ingestão excessiva de alimentos 
e os estressores psicossociais são responsáveis por com-
portamentos negativos e auto-destrutivos em relação 
à saúde, bem como o fato de o obeso possuir uma 
imagem corporal distorcida à medida que aumenta o 
grau de sua obesidade [23,24,29]. 
Com o objetivo de investigar se mulheres obesas 
apresentavam Traço e Estado de Ansiedade, Capitão 
e Tello [30] aplicaram somente o Inventário IDATE 
individualmente em 20 mulheres obesas grau I e II e 
IMC entre 30 e 40, com 25 e 45 anos que não con-
seguiam emagrecer relatando serem muito ansiosas e 
ingerir alimentos como única forma de alívio. Eram 
atendidas por nutricionistas em grupo de reeducação 
alimentar e controle de peso em uma instituição 
particular de São Paulo. Como resultado, 55% das 
mulheres apresentavam nível de Estado de Ansiedade 
abaixo do normal, sendo este considerado como “apa-
tia”, mencionando More e Fine (1992) [31] que defi ne 
apatia como produto de uma luta contra sentimentos 
intoleráveis e depressivos de abandono, o que levou os 
pesquisadores a questionar se a depressão não estaria 
presente com maior frequência nas mulheres obesas. 
Neste estudo os resultados obtidos não possibilitam 
afi rmar que as mulheres apresentavam traço e estado de 
ansiedade, já que os sintomas podem ser incompletos 
ou falhos quando ela é compensada ou amenizada pelo 
ato de comer [30].
Com objetivo de avaliar sintomas de ansiedade, 
depressão e ideação suicida, Santos [32] realizou es-
tudo com 45 participantes divididos igualmente entre 
os grupos de Obesidade grau I, II e III, excluindo 
dentre estes os que realizaram cirurgia para redução 
de estomago. Foram utilizados como instrumentos o 
IDATE, o inventário de Depressão de Beck (BDI) e o 
Inventário de Ideação Suicida de Beck (BSI). O autor 
constatou que a frequência de A-estado, sintomas 
depressivos e ideação suicida são mais elevados de 
acordo com o grau de obesidade, porém não houve 
diferença estatística entre o grupo com obesidade 
grau I e II, onde a frequência de A-estado somente 
foi maior no grupo com obesidade grau I. Quando 
associados o IMC e as variáveis para sintomas de an-
siedade, depressão e presença ou ausência de ideação 
suicida, observou-se forte relação somente no grupo 
com obesidade grau III.
No estudo de Capitão e Tello [30] foi sugerido o 
mesmo resultado de apatia do presente estudo, já no 
estudo de Santos [32] houve avaliação da ansiedade e 
depressão entre os participantes e como resultado não 
foi encontrado signifi cância entre sintomas ansiosos e 
depressivos nas categorias iniciais de obesidade.
O sofrimento moral, ou sentimento de menos-
valia, é um fenômeno marcante e desagradável dentro 
da sintomatologia depressiva, que se manifesta em 
graus variados, nem sempre de forma clara e cons-
ciente, desde uma sutil sensação de inferioridade até 
profundos sentimentos depreciativos, auto-acusação, 
inferioridade, incompetência, pecaminosidade, culpa, 
rejeição, feiúra, fraqueza, fragilidade e mais um sem-
número de adjetivos pejorativos. Muitas pessoas, com 
baixa auto-estima, recorrem a mecanismos de defesa 
que ofuscam seus verdadeiros sentimentos. A vida 
pessoal pode parecer normal, mas a pessoa descreve 
sentimentos de tristeza, desesperança e falta de co-
ragem. Outros se sentem indiferentes, apáticos, ou 
ainda relatam queixas somáticas, sem correspondência 
clínica mais do que sentimentos de tristeza. Podem de-
monstrar também irritabilidade aumentada, resposta 
a eventos normais com ataques de ira ou culpando 
outros, ou sentimentos exagerados de frustração por 
questões menores [23].
O resultado do estudo também sugere explicação 
à típica falta de resposta a tratamentos dietéticos e 
alta recidiva às diversas tentativas de emagrecimento. 
Assim podemos sugerir associação deste estado de 
Apatia à condição clínica observada, e popularmente 
denominada de “efeito sanfona” relatados em di-
versos estudos. Segundo Creff e Herschberg [33] o 
paciente vai (após várias recidivas ou popularmente 
efeito sanfona) à busca de “uma pílula maravilhosa 
que o permita comer o triplo e emagrecer o dobro”, ou 
um novo “Graal”, situação tão explorada pela mídia, 
pelo comércio de medicamentos, de cremes e outros 
107
Nutrição Brasil - março/abril 2009;8(2)
produtos que prometem emagrecimento milagroso, 
rápido e indolor, dos quais são vitimas os indivíduos 
com peso corporal elevado.
Conclusão
Os resultados do estudo sugerem não haver as-
sociação entre sintomas de ansiedade e depressão em 
indivíduos com sobrepeso, obesidade I e II, porém 
os dados nos levam a deduzir que conforme eleva o 
peso corporal dos participantes diminui a frequência 
dos sintomas de ansiedade e depressão, bem como a 
frequência destes ao consultório para buscar atendi-
mento e orientação, indicando um comportamento de 
resistência, de hiporreatividade, de ausência de emo-
ções, de sentimentos e desejos, como um desinteresse 
e indiferença em relação à elevação do peso corporal, 
sugerindo Apatia. A circunferência da cintura tem 
associação natural com o grau de obesidade e aumenta 
conforme eleva o peso corporal dos participantes.
A maior frequência foi de participantes em sobre-
peso que reduz conforme eleva o peso corporal, o que 
nos leva a constatar que conforme eleva o peso corporal 
diminui a frequência destes em consultório. Sintomas 
de ansiedade traço e estado apresentou frequência de 
intensidade média baixa que decai conforme eleva o 
peso corporal dos indivíduos. Os sintomas depressivos 
apresentaram frequência de intensidade mínima e 
também decaem de frequência conforme eleva o peso 
corporal dos pacientes.
Há na literatura poucos estudos sobre apatia e 
vários autores confi rmam não haver estado emocional 
específi co para a obesidade, porém o estudo evidencia 
uma nova maneira de compreender o paciente que 
busca atendimento médico nutricional para emagre-
cimento, bem como revela a importância do atendi-
mento psicológico no conjunto de atenção à saúde, 
especialmente a realizada em nível primário, já que se 
encontram entre os participantes deste estudo somente 
as formas iniciais de elevação do peso corporal. Os 
resultados sugerem também associação daapatia à 
condição clínica popularmente denominada “efeito 
sanfona”, um paciente que após recidivas vai à busca 
de “uma pílula maravilhosa que o permita comer o 
triplo e emagrecer o dobro”, situação tão explorada 
pela mídia, comércio de medicamentos, cremes e 
produtos que prometem emagrecimento milagroso, 
rápido e indolor, dos quais são vitimas os indivíduos 
com peso corporal elevado.
O resultado deste estudo realça a necessidade 
de maiores investigações, bem como aprimoramento 
dos estudos em apatia, especialmente associadas à 
obesidade.
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109
Nutrição Brasil - março/abril 2009;8(2)
REVISÃO
Alimentação complementar e sua relação 
com fatores socioeconômicos
Complement feeding and its relation with socioeconomic factors
Franciely Messias*, Adrieli Cardoso*, Renata Leia Demario**, Daiana Novello**, Marcela Komechen 
Brecailo***, Paulo Roberto Ost, D.Sc.****
*Acadêmicas do Curso de Nutrição, Centro de Ciências da Saúde, Universidade Estadual do Centro-Oeste – UNICENTRO, 
Guarapuava PR, **Professora mestranda do Departamento de Nutrição da UNICENTRO, ***Mestranda do Programa de 
Pós-Graduação em Nutrição, Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC, ****Professor do Departamento de Medicina 
Veterinária da UNICENTRO
Resumo 
Objetivo: Investigar as práticas da amamentação e o processo da introdução de líquidos e alimentos complementares na 
dieta de lactentes e a associação com fatores socioeconômicos. Métodos: Analisou-se uma amostra de 22 mães, com crianças 
menores de 2 anos de idade matriculadas em um Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) no município de Guara-
puava/PR, no mês de maio de 2006. Foi utilizado questionário incluindo: idade, condições socioeconômicas; renda familiar; 
prática da amamentação; idade e os motivos da introdução de líquidos (água e/ou chá) e alimentos semi-sólidos e sólidos. Para 
a análise dos dados utilizou-se o teste r de Pearson. Resultados: Verifi cou-se que 86,36% das mães amamentaram e a duração 
média do aleitamento materno exclusivo foi de 66,95 dias. A idade predominante da introdução de leite industrial foi no 4º 
e 6º mês, de água no 3º e 4º mês, dos alimentos complementares no 4º e 6º mês e de chá não houve um mês predominante. 
Conclusão: Conclui-se que houve introdução precoce de leite artifi cial, chá, água e alimentos complementares na dieta dos 
lactentes. O fator determinante no processo da introdução da alimentação complementar foi à renda familiar, seguido pelo 
trabalho materno. A escolaridade materna não interferiu de forma signifi cativa.
Palavras-chave: alimentação complementar, socioeconômia, escolaridade materna, trabalho materno.
Abstract 
Objective: To assess the practices of breast-feeding and the introduction of liquids and complement feeding in the 
childhood diet and the association with economic and social factors. Methods: A sample of 22 mothers was analyzed, with 
children upon 2 years old registered at a Municipal Center of Childhood Education (CMEI)in the city of Guarapuava/
PR, in the month of May 2006. Questionnaire was used including: age, economic and social conditions, family income, 
practice of the breast-feeding, age and reasons of the introduction of liquids (water or tea) and semi-solids or solid foods. For 
the analysis of the data the test r of Pearson was used. Results: It was verifi ed that 86,36% of the mothers breastfeeded and 
the medium duration of the exclusive maternal breast feeding was 66,95 days. Th e predominant age of the introduction of 
industrial milk was in the 4th and 6th month, water in the 3rd and 4th month, complement foods in the 4th and 6th month 
and tea without predominant month. Conclusion: Was observed a precocious introduction of artifi cial milk, tea, water and 
Recebido 26 de fevereiro de 2007; aceito 15 de dezembro de 2008.
Endereço para correspondência: Franciely Messias, Rua Gonçalves Dias, 160 Centro 85200-970 Pitanga PR, Tel: 
(42)3646-3180 / 9928 2923, E-mail: fran.nutri@yahoo.com.br
110
Nutrição Brasil - março/abril 2009;8(2)
Introdução
O aleitamento materno traz benefícios a recém-
nascidos, a termo e pré-termo, conferindo um ade-
quado crescimento e desenvolvimento da criança [1]. 
Todavia, no Brasil, país no qual se observam enormes 
discrepâncias sociais [2], o aleitamento materno surge 
como um importante elemento, tanto nutricionalmen-
te quanto economicamente, mas também do ponto de 
vista epidemiológico, reduzindo a morbi-mortalidade 
infantil, principalmente por diarréia e infecção respira-
tória aguda nos paises em desenvolvimento. [3]. 
Atualmente, o leite materno é preconizado como 
alimento exclusivo nos primeiros seis meses de vida da 
criança pela Organização Mundial da Saúde (OMS), 
Fundação das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) 
e Ministério da Saúde [4-6]. Dentre as vantagens com-
provadas, pode-se citar a composição nutricionalmente 
equilibrada, a temperatura adequada, a composição 
variável de acordo com a maturação das mamas e da ca-
pacidade gástrica da criança [6], a proteção imunológica 
devido à presença de fatores circulantes como lactofer-
rina, IgA secretora, anticorpos e outros, a ausência de 
contaminação [7] e o fortalecimento da relação afetiva 
entre mãe e fi lho [6,7] além de representar a maneira 
natural de alimentar a criança nos primeiros meses de 
vida. Dessa maneira, o aleitamento materno diminui 
a morbi-mortalidade infantil e favorece o pleno desen-
volvimento da criança [7]. 
O aleitamento materno exclusivo até os seis 
meses e, a partir dessa idade, a inclusão da alimen-
tação complementar oportuna na unidade familiar é 
o recomendado pela Organização Mundial de Saúde 
(OMS) para as crianças de todo o mundo. A inclusão 
dos alimentos complementares no esquema alimentar 
tem o objetivo de elevar, principalmente, as quotas de 
energia e micronutrientes [8], mantendo-se o aleita-
mento ao peito até 2 anos de idade ou mais [9].
Sendo assim, o período de introdução da ali-
mentação oportuna, que deve ocorrer entre seis e dez 
meses de vida, é uma etapa crítica que, com freqüência, 
conduz ao ciclo desnutrição infecção quando a crian-
ça não recebe uma dieta adequada. É um processo 
que envolve complexos fatores sociais, econômicos 
e culturais que interferem no estado nutricional da 
criança. A adoção de práticas alimentares adequadas 
nos primeiros anos de vida é de extrema importância, 
pois, esse é o período em que os hábitos alimentares 
são estabelecidos e continuarão na adolescência e na 
idade adulta [10].
O objetivo deste trabalho foi analisar a prática do 
aleitamento materno e a introdução dos alimentos em 
crianças de 0 a 24 meses matriculadas em um Centro 
Municipal de Educação Infantil (CMEI) da cidade de 
Guarapuava-PR, relacionando com a situação socioe-
conômica da família.
Material e métodos
Trata-se de um estudo tipo transversal analítico, 
realizado no período de 17 de abril a 05 de maio de 
2006, que incluiu 22 crianças de 0 a 24 meses de idade 
matriculadas em um CMEI na cidade de Guarapuava, 
no estado do Paraná.
A prática de introdução da alimentação comple-
mentar foi verifi cada através de um questionário apli-
cado com as mães. Bem como através de observação da 
preparação das refeições pela lactarista do local.
O questionário utilizado na pesquisa consta de per-
guntas fechadas e foi elaborado após uma pré-investigação 
da realidade do local, afi m de se chegar ao objetivo do 
estudo. Anexo ao questionário apresentou-se um termo 
de consentimento ético que foi assinado previamente 
pelas mães para a realização da pesquisa. 
Foram analisadas as seguintes variáveis: idade e 
escolaridade maternas; renda familiar; amamentação 
exclusiva, predominante ou artifi cial; idade e motivos 
da introdução de líquidos e de alimentos sólidos e 
semi-sólidos.
A dieta recebida pela criança foi classifi cada 
conforme recomendação da Organização Mundial da 
Saúde [11] em amamentação exclusiva (apenas leite 
materno), amamentação predominante (aleitamento 
materno associado a outro líquido, a base de água) 
e aleitamento artifi cial (fórmula ou/e leite de vaca, 
exceto leite materno). 
A análise dos dados foi realizada buscando re-
lações entre a introdução de líquidos e de alimentos 
sólidos e semi-sólidos, antes dos seis meses e as variáveis 
obtidas. Para a análise estatística utilizou-se o teste r 
de Pearson.
Resultados e discussão
Entre as crianças analisadas 32% são do sexo 
feminino e 68% são do sexo masculino, com idade 
complement foods in the diet. Th e decisive factor in the process of the introduction of the complement feeding was the family 
income, following by the maternal work. Th e maternal education did not interfere in a signifi cant way. 
Key-words: complement feeding, economic and social factors, maternal education, maternal job.
111
Nutrição Brasil - março/abril 2009;8(2)
média (meses) de 13,82 ± 6,18 e predominância entre 
as faixas de 18 a 24 meses (36%), seguidas pela faixa 
de 6 a 12 meses (32%) e entre 12 a 18 meses (23%) 
e menor proporção às crianças menores de 6 meses 
(9%).
A faixa etária materna situou-se entre 18 a 34 
anos, com média (anos) de 26,27 ± 4,20. A idade 
da maioria das mães predominou entre 20 e 29 anos 
(72,5%), as com mais de 30 anos corresponderam a 
23% e as mães com idade inferior a 20 anos totalizaram 
apenas 4,5%. 
Em relação à renda familiar 14% recebem 1 
salário mínimo; 33% recebem entre 1 e 2 salários mí-
nimos, 24% entre 2 e 3 salários mínimos, 5% entre 4 e 
5 salários mínimos, 14% recebem mais que 5 salários 
mínimos e 10% não informaram. A renda familiar 
média foi de 780,36 ± 647,50 situando-se, predomi-
nantemente, na faixa entre 1 e 3 salários mínimos.
Em relação à escolaridade materna, verifi cou-se 
que 23% haviam terminado ou parado de estudar no 
ensino superior, 50% haviam terminado ou parado 
de estudar no ensino médio, 18% haviam terminado 
ou parado de estudar entre a 5ª e 8ª séries do ensino 
fundamental e 9% haviam terminado ou parado de 
estudar entre a 1ª e 4ª série do ensino fundamental.
Verifi cou-se que a maioria das mães (87%) ques-
tionadas recebeu orientação quanto à amamentação 
e 78% destas receberam orientação quanto à intro-
dução da alimentação complementar. Observou-se 
que 86,36% das mães amamentaram seus fi lhos, pelo 
menos até os 4 meses de idade e 13,64% não amamen-
taram. Esse resultado está aquém do obtido em outros 
estudos [11,12], nos quais a quantidade de mães que 
iniciaram o aleitamento materno foi superior a 90%. A 
media do aleitamento materno exclusivo foi de 66,95 
dias, sendo a média da oferta de líquidos (água e/ou 
chá) de 73,77 dias, da introdução de leite artifi cial ou 
outro tipo de leite de 151,9 dias e da introdução dos 
alimentos complementares de 163,6 dias. Sendo que, 
a introdução de líquidos e alimentos complementares 
é recomendada apenas após os seis meses, ou seja, 180 
dias. Desta maneira, o aleitamento materno antes dos 
6 meses mostrou-se, no presente estudo, inferior ao 
recomendado pelaOrganização Mundial da Saúde 
(OMS), Fundação das Nações Unidas para a Infância 
(UNICEF) e Ministério da Saúde [4-6]. 
Embora o aleitamento materno exclusivo até os 
seis meses de vida seja um fato bastante difundido, 
verifi ca-se que o início do processo de desmame foi 
precoce. 44% das mães deixaram de amamentar devido 
ao retorno ao trabalho, 20% dos fatores causais foram 
leite insufi ciente, leite secou, outra gravidez e dor ao 
amamentar correspondendo a 5% cada um. 36% das 
mães não informaram o motivo. Este fato demonstra 
a falta de informação de profi ssionais de saúde, que 
não estimulam a prática do aleitamento materno. 
A falta de orientação das mães leva aos problemas 
relacionados ao manejo da amamentação, como in-
gurgitamento mamário, traumas mamilares (eritrema, 
edema, fi ssuras, bolhas, equimoses), bloqueio de ducto 
lactífero, infecções mamarias e baixa produção de leite 
(hipogalactia). Além da má técnica de amamentação, 
mamadas infrequentes e em horários predeterminados, 
o uso de chupetas e de complementos alimentares, 
os quais constituem importantes fatores que podem 
predispor ao aparecimento de complicações da lactação 
e podem levar ao desmame precoce. Desta maneira, 
o profi ssional de saúde tem um papel importante na 
prevenção e manejo dessas difi culdades, o que requer 
conhecimento, atitudes e habilidades especifi cas [13]. 
A Figura 1 relaciona os motivos citados pelas mães 
para a complementação do leite materno com outros 
alimentos (semi-sólidos, sólidos e/ou líquidos).
Figura 1 - Motivos da introdução de alimentos lí-
quidos, semi-sólidos ou sólidos na alimentação das 
crianças matriculadas em um centro de educação 
infantil do município de Guarapuava PR.
O principal motivo para introdução de outros 
alimentos, sejam eles líquidos, semi-sólidos ou sólidos, 
foi o trabalho materno, o qual também é evidencia-
do em outros estudos, onde o trabalho materno é o 
fator causal para a introdução de outros alimentos, 
incluindo as justifi cativas como, “leite secou”, “leite 
fraco” e “criança largou o peito” [15-17]. Esses são 
os argumentos mais freqüentemente citados pelas 
mães para introdução de complementos, que podem 
culminar com o desmame. A percepção errônea da 
mãe leva a complementação da criança, que vai afetar 
negativamente a produção de leite, uma vez que a 
criança passa a sugar menos na mãe [13].
De acordo com a Secretaria de Políticas de Saúde 
[18] a pressão social resultante das transformações 
econômicas e da crescente inserção da mulher no 
mercado de trabalho, tece um cenário favorável ao des-
mame. No estudo realizado para avaliar a prevalência 
do aleitamento materno nas capitais brasileiras e no 
Distrito Federal (Brasília-DF) [18], verifi cou-se que 
as mães que não trabalhavam fora do lar tiveram uma 
chance signifi cativamente maior para o aleitamento 
112
Nutrição Brasil - março/abril 2009;8(2)
materno e uma tendência de associação em relação ao 
aleitamento exclusivo. Um estudo realizado na região 
Sul [18] revelou que as mães que não trabalhavam fora 
apresentaram uma chance 30% maior de amamentar 
exclusivamente, quando comparadas às que trabalha-
vam fora. A Tabela I apresenta a idade da introdução 
de leite industrial, água, chá e alimentos (semi-sólidos 
ou sólidos) na alimentação dos lactentes. 
Tabela I - Distribuição da introdução de leite de 
fórmula, água, chá e alimentos durante aleitamento 
materno exclusivo e aleitamento materno predomi-
nante.
Idade da introdução de 
leite industrial N %
Não introduziu 1 5,2
3 meses 1 5,2
4 meses 6 31,5
5 meses 1 5,2
6 meses 5 26,3
7 meses 1 5,2
8 meses 2 10,5
14 meses 1 5,2
Não informou 1 5,2
Total 19 100
 Idade da introdução de chá
Antes de 1 mês 3 15,7
1 mês 2 10,5
3 meses 5 26,3
4 meses 3 15,7
5 meses 2 10,5
6 meses 1 5,2
8 meses 1 5,2
não informou 2 10,5
Total 19 100
Idade da introdução de água
Não introduziu 1 5,2
1 mês 2 10,5
3 meses 6 31,5
4 meses 8 42,1
5 meses 1 5,2
6 meses 1 5,2
Total 19 100
Idade da introdução de alimentos
Não introduziu 1 5,2
3 meses 1 5,2
4 meses 7 36,8
5 meses 1 5,2
6 meses 5 26,3
7 meses 2 10,5
12 meses 1 5,2
Não informou 1 5,2
Total 19 100
Entre as mães questionadas que amamentaram 
(AME e AMP) a idade predominante da introdução de 
leite industrial foi no 4º e 6º mês, totalizando 57,8%. 
Em relação à introdução de chá não houve um mês 
predominante, já que as mães iniciaram a oferta de 
chá antes do primeiro mês de vida do bebê, o mês 
com maior índice de iniciação ao consumo de chá foi 
o 3º, correspondendo a 26,3% dos casos. Quanto à 
oferta de água os meses predominantes foram o 3º e 
o 4º, totalizando 73,6%. E a introdução de alimentos 
complementares foi predominante no 4º e 6º mês, 
totalizando 60,1%. 
Entre as mães entrevistadas, percebe-se que 50% 
introduziram os alimentos complementares antes do 
período recomendado pela Organização Mundial da 
Saúde [10] que orienta aleitamento materno exclu-
sivo até os 6 meses de vida e que 54,5% das mães 
introduziram leite artifi cial antes deste período, reali-
zando, portando a introdução destes alimentos antes 
do período recomendado. Observa-se também, que a 
oferta de líquidos ocorreu antes do leite artifi cial ou 
da alimentação complementar, sendo que a introdução 
de líquidos só é recomendada após a iniciação destes 
alimentos, pois o leite materno é um alimento com-
pleto e não há a necessidade de complementação. Na 
Tabela II estão apresentados os dados de correlação 
dos dados sócioeconômicos e a introdução de leite 
industrial, chá, água e alimentos (semi-sólidos e sóli-
dos) entre as lactantes.
Na Tabela II está apresentada a correlação en-
tre a renda familiar e a escolaridade materna com a 
introdução de leite industrial, chá, água e alimentos 
complementares. Observa-se que considerando um 
nível de signifi cância de 5% de probabilidade, houve 
correlação signifi cativa (P < 0,05) apenas entre renda 
e introdução de leite artifi cial. As demais correlações 
não tiveram signifi cância estatística.
Percebe-se que a renda familiar influenciou 
de forma negativa a introdução de leite artifi cial à 
alimentação dos lactentes, pois quanto maior era a 
renda da família mais cedo ocorreu à introdução desse 
alimento. Ocorreu uma limitação neste estudo devido 
ao pequeno número da amostra, por este motivo, as 
analises podem encontrar-se comprometidas.
Conclusão
Em vista dos resultados obtidos, conclui-se que 
houve introdução precoce de leite artifi cial, chá, água 
e alimentos complementares na dieta dos lactentes. 
Os resultados sugerem que renda familiar foi o fator 
que mais interferiu no processo do desmame, seguido 
pelo retorno ao trabalho pelas mães. 
113
Nutrição Brasil - março/abril 2009;8(2)
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Tabela II - Correlação (r) entre a renda familiar e a escolaridade materna e a introdução de leite artificial, chá, 
água e alimentos complementares. 
Id. Int. Leite Ind. Id. Int. Chá Id. Int. Água Id. Int. Alim. C.
Renda -0,36 (P = 0,01) -0,48 (P = 0,08) -0,46 (P = 0,07) -0,43 (P = 0,09)
Escolaridade 0,33 (P = 0,17) 0,43 (P = 0,08) 0 (P = 0,92) 0 (P = 0,99)
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Nutrição Brasil - março/abril 2009;8(2)
REVISÃO
Eficácia do suporte nutricional e imunonutrição 
em pacientes oncológicos
Efficiency of nutritional support and immunonutrition 
in oncologic patients
Alice Varejão Cavalcanti Paes*, Flávia Nunes Salviano*, Maria Goretti P. De Araújo Burgos, D.Sc.** 
*Especialista em Nutrição Clínica, **Nutricionista do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco
Resumo
Câncer é comumente associada à desnutrição protéico-calórica. Muitos fatores podem levar a desnutrição, fora do trata-
mento que, isoladamente, é um agente importante na gênese da perda de massa corporal, e da própria cirurgia. A necessidade 
de suporte nutricional (SN) nestes pacientes é de grande importância, modifi cando em muitos casos a morbimortalidade. 
O conhecimento das alterações metabólicas observadas nas células cancerosas e de suas repercussões clínicas nestes pacientes 
tem grande relevância para uma melhor compreensão do impacto do SN sobre a evolução e prognóstico. A utilização do SN 
deve ser racional, individual e depende principalmente da identifi cação dos graus de desnutrição ou de risco nutricional dos 
pacientes. Nos desnutridos candidatos a tratamentos cirúrgicos eletivos, a instituição de SN adicionado a nutrientes imuno-
moduladores no pré-operatório tem se mostrado capaz de reduzir o índice de complicações pós-operatórias.
Palavras-chave: suporte nutricional, câncer, nutrientes específi cos, imunonutrição.
Abstract
Cancer is commonly associated with protein and energetic desnutrition. Many factors can lead to desnutrition, in fi rst 
the treatment which is an important agent of loss of body mass, and the surgery itself. Th e need for nutritional support (NS) 
in these patients is important, in many cases modifying the morbidity and mortality. Th e knowledge of metabolic changes 
observed in cancer cells and their clinical implications in these patients is fundamental for better understanding the impact of 
NS on the evolution and prognosis. Th e use of NS should be rational, individual and depends mainly of the identifi cation of 
levels of desnutrition in these patients. In undernourished candidates for elective surgical treatments, the introduction of the 
NS added at immunomodulatory nutrients preoperatively has been able to reduce the rate of postoperative complications.
Key-words: nutritional support, cancer, specifi c nutrients, immunonutrition.
Recebido 30 de setembro de 2007; aceito 15 de dezembro de 2008
Endereço para correspondência: Flávia Nunes Salviano, Rua João Braga, 247/202 Imbiribeira 51170-580 Recife PE, 
Tel: (81) 3339-5315, E-mail: fnunesalviano@ig.com.br
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Nutrição Brasil - março/abril 2009;8(2)
Introdução
O câncer, doença crônico-degenerativa, é co-
nhecida desde os primeiros relatos da humanidade, 
que consiste em um crescimento celular desorde-
nado, podendo atacar qualquer tecido [1]. Com o 
envelhecimento da população mundial e aumento 
da prevalência das doenças crônico-degenerativas, o 
câncer tornou-se hoje um dos principais problemas 
de saúde pública com elevadas taxas de morbimor-
talidade [2].
No Brasil, o câncer representa hoje a terceira 
causa de morte, perdendo apenas para as doenças 
cardiovasculares e óbitos por causas externas. Em 
relação à localização, o câncer de estômago, próstata 
e pulmão para homens e mama, cérvico-uterino e 
cólon-retal para mulheres tem sua maior incidência e 
mortalidade [3,4]. 
O câncer por ser uma doença altamente con-
suptiva, apresenta uma prevalência entre 30 a 50% 
de desnutrição protéico-calórica, e a perda de peso 
progressiva que culmina em caquexia é uma mani-
festação comum, representada por: anorexia, perda 
tecidual, atrofi a da musculatura esquelética, miopatia, 
perda rápida do tecido gorduroso, atrofi a dos órgãos 
viscerais e anergia. Dentre as alterações bioquímicas 
podemos citar: anemia, hipoalbuminemia, hipogli-
cemia, lactacidemia, hiperlipidemia e intolerância à 
glicose [5-7]. 
No tratamento das neoplasias, podem estar en-
volvido vários tipos de terapêuticas como: quimiotera-
pia, radioterapia, imunoterapia, fármacos e a própria 
intervenção cirúrgica ou uma combinação entre estes. 
Qualquer destes programas contribui para alterações 
dos nutrientes e do estado nutricional através das 
alterações do paladar, vômitos, náuseas, mucosites, 
cólicas e má absorção de nutrientes entre outros, seja 
pela redução da ingestão, absorção diminuída, resposta 
infl amatória ou metabolismo alterado [8,9]. 
Embora a etiologia da desnutrição do câncer não 
esteja totalmente esclarecida, sugere-se que seja decor-
rente à ação das citoquinas: fator de necrose tumoral 
(TNF), interleucina (IL-1), interleucina 6 (IL-6), 
interferon-gama (IFN-γ) e fator de diferenciação [10]. 
O TNF ou caquetina parece exercer seus efeitos além 
do sistema imune e produz muito dos efeitos sistêmi-
cos observados na caquexia [7]. Por outro lado, níveis 
elevados de caquetina foram encontrados em alguns 
pacientes, mas não em outros [11]. 
Estudos confirmam o efeito significativo da 
desnutrição na qualidade de vida e no prognóstico 
dos pacientes com câncer [8], além da má nutrição 
ser considerada a causa principal da imunodefi ciência 
secundária [12,13].
Nos últimos 10 anos tem crescido o interesse dos 
pesquisadores em relação à infl uência dos nutrientes 
específi cos sobre a resposta imune. Os ácidos graxos 
poliinsaturados das séries Ômega-3, a arginina, a glu-
tamina, as vitaminas A, C e E, assim como os nucleotí-
deos, têm sido usados como nutrientes farmacológicos 
imunomoduladores [10]. 
A necessidade de suporte nutricional (SN) nestes 
pacientes é de grande importância e uma avaliação 
nutricional precoce, pode-se diagnosticar e prevenir 
a desnutrição, bem como determinar as estratégias do 
manejo nutricional [9].
 De uma forma geral, a nutrição no câncer me-
lhora a sobrevida, não evitando a morte, e, apesar da 
teoria de que o tratamento nutricional estaria “aumen-
tando” o tumor, o indivíduo não pode ser privadode 
um aporte calórico e de nutrientes adequados, uma 
vez que suas reservas endógenas serão consumidas, e a 
imunidade cada vez mais comprometida [8]. A impor-
tância de estudos sobre esta patologia, principalmente 
no que diz respeito à prevenção primária e as terapias 
utilizadas no seu tratamento, poderá contribuir para 
o adequado atendimento nutricional nesse grupo tão 
particular de pacientes.
Desnutrição e caquexia no câncer
Em associação com a perda de peso, a caquexia 
induzida pelo câncer apresenta outros aspectos clínicos 
essenciais, os quais chamam de anorexia. Esta ultima, 
estando presente em 15 a 40% dos casos de câncer na 
sua apresentação e, cerca de 80% nos pacientes com 
doença avançada; a saciedade inicial aparece em 50% 
dos casos e a náusea crônica foi observada em mais 
de 40% dos pacientes com doença avançada e em 
mais de 60% dos pacientes que foram tratados com 
opióides [15,16].
A anorexia provoca uma diminuição na ingestão 
de nutrientes e perda de peso, levando o organismo a 
lançar mão de suas reservas endógenas a fi m de suprir 
as necessidades do hospedeiro e tumor [17], o que 
provoca consequentemente um balanço nitrogenado 
negativo e perdas de reservas lipídicas e protéicas 
[18].
Atualmente sabe-se que a desnutrição no câncer é 
multifatorial, advindo da anorexia por fatores produzi-
dos pelo tumor ou hospedeiros, dor e/ou obstrução do 
trato gastrintestinal e a própria agressão da terapêutica 
anticancerosa, como cirurgia, radioterapia e quimio-
terapia [19]. Os estudos apontam para produção de 
citocinas infl amatórias pelo hospedeiro, responsáveis 
pela caquexia tumoral, dentre as quais podemos citar 
Fator de Necrose Tumoral (TNF), as Interleucinas 1, 
2, 4, e 6, Interferon γ e Fator de Diferenciação [20]. 
116
Nutrição Brasil - março/abril 2009;8(2)
Todas estas alterações presentes em pacientes 
oncológicos causam efeitos colaterais que trazem des-
conforto e geram problemas de salivação, mastigação, 
ingestão, alterações do paladar, náuseas, vômitos e 
difi culdade de ingestão e absorção, sendo a intervenção 
nutricional um fator adjunto do tratamento, que agirá 
prevenindo ou revertendo os sintomas e favorecendo 
o controle da caquexia [21]. 
Alterações metabólicas no paciente com câncer
O conhecimento das principais alterações me-
tabólicas observadas nas células neoplásicas e suas 
repercussões clínicas no paciente oncológico têm 
grande importância para a compreensão do impacto 
da terapia nutricional sobre a evolução e prognóstico 
dos pacientes com câncer [22].
Dentre as principais alterações metabólicas, 
observa-se o estimulo da gliconeogênese a partir do 
lactato, aumento da captação de glicose pelas células 
tumorais e mobilização das reservas orgânicas. Fato-
res relacionados com o hospedeiro como liberação 
de citocinas, aumento do gasto energético e redução 
da ingestão alimentar, associados a fatores tumorais, 
que incluem liberação de substâncias catabólicas, 
priorização do substrato energéticos e protéicos para 
a proliferação celular, podem ainda levar ao desenvol-
vimento da caquexia [23]. 
Os agentes quimioterápicos agem sobre células 
de divisão rápida, além das células malignas, causando 
grandes efeitos colaterais indesejáveis relacionados à me-
dicação específi ca, à dose, à duração do tratamento, ao 
ritmo de excreção da droga e susceptibilidade individual 
[24], dentre os quais, relacionam com o risco de desnu-
trição, como anorexia, mudança do paladar, saciedade 
precoce, náuseas, vômitos, mucosites, esofagites, diarréias 
e constipação. A prevenção da desnutrição inclui edu-
cação dos pacientes, assim como o acompanhamento 
nutricional com suplementos nutricionais hipercalóricos 
e hiperprotéicos, e sendo necessário, a nutrição enteral 
deverá ser instituída durante o tratamento [25].
No estudo realizado por Dias et al. [16], pacien-
tes submetidos a alguns protocolos quimioterápicos 
evoluiram para um quadro de perda de peso, devendo 
a orientação nutricional e a prescrição dietoterápica 
respeitar preferências e intolerâncias a fi m de melhorar 
o estado nutricional destes.
Na radioterapia, embora seja bastante espoliati-
va, em um estudo com 30 pacientes em tratamento 
radioterápico e acompanhados ambulatorialmente, 
observou-se a manutenção e recuperação do estado 
nutricional quando os mesmos tinham sido submeti-
dos à intervenção nutricional precoce e acompanhados 
por uma equipe multidisciplinar [26].
Quando a alimentação por via oral apresenta 
difi culdades, devem-se tentar todos os recursos para 
otimizar esta via, caso não seja possível alcançar 
os requerimentos nutricionais, deve ser levada em 
consideração a implantação de alimentação por via 
enteral, parenteral ou mista. Os estudos realizados para 
determinar a efi cácia do suporte nutricional pela via 
enteral nestes pacientes não demonstram diferenças na 
sobrevida nem na resposta do tumor, embora se tenha 
observado ganho de peso e melhora nos indicadores 
nutricionais, e os trabalhos realizados com respeito ao 
uso de glutamina na evolução dos pacientes irradiados, 
não mostram dados conclusivos [19]. Por outro lado, 
Chlebowski et al. [27] mencionaram que a intervenção 
dietética teve uma efi cácia limitada em pacientes com 
câncer de pulmão. 
Os dados disponíveis de estudos randomizados 
prospectivos, que analisam o valor do suporte nutricio-
nal agressivo como adjuvante a quimio e radioterapia, 
não justifi cam o emprego rotineiro deste método de 
tratamento. É possível que, no futuro, sejam identifi ca-
dos subgrupos de pacientes que venham a se benefi ciar 
do suporte nutricional. No entanto, atualmente, o 
alto custo e efeitos colaterais devem ser muito bem 
considerados, antes da adoção regular do SN adjuvante 
em oncologia [28].
Suporte nutricional e imunonutrição
As modalidades terapêuticas mais agressivas, 
como grandes procedimentos cirúrgicos, a freqüência 
dos ciclos de quimioterapia e a radioterapia de grandes 
áreas, provocam o desenvolvimento da desnutrição 
energético - protéica, pois além de suas complicações 
contribuírem ainda mais para agravar o estado de 
desnutrição [29].
A intervenção nutricional precoce deve ser feita 
de forma racional, individual e irá depender da identi-
fi cação dos pacientes que se encontram desnutridos, ou 
daqueles que em função do tratamento estão em risco 
nutricional. O suporte nutricional adequado em curto 
prazo no pré-operatório diminui consideravelmente a 
incidência de complicações pós-operatórias [26].
De acordo com Garófolo et al. [27], a avaliação 
e terapia nutricional, através de suplementos orais e 
sondas, demonstraram recuperar o estado nutricional 
de crianças e adolescentes com câncer, não deixando 
dúvidas de que o diagnóstico e a intervenção nutricio-
nal precoce devem ser metas prioritárias das equipes 
que tratam pacientes com câncer, além da implantação 
de protocolos de terapia nutricional. Tais protocolos 
devem ser adaptados a realidade da nossa população, 
devem ser efetuados para que, no mínimo, esses 
pacientes tenham a chance de receber o tratamento 
117
Nutrição Brasil - março/abril 2009;8(2)
planejado, evitando-se redução na dose das drogas, 
atraso dos ciclos de quimioterapia ou da cirurgia, e 
aumento do risco de toxicidade, infecção e morte.
O uso de dietas por sonda associada ou não a 
ingestão oral é cada vez mais reconhecido como recurso 
terapêutico efi ciente, a fi m de diminuir a incidência 
de desnutrição. As dietas industrializadas ou mesmo 
artesanais devem ser escolhidas com critérios, onde 
se deve levar em consideração a composição protéica, 
distribuição calórica, lipídicas e de carboidratos, bem 
como eletrólitos e conteúdo vitamínico, uma vez que 
quase sempre necessitam de suplementação. A escolha 
deve ter como objetivo as necessidades nutricionais do 
paciente em questão [24].
A Nutrição Enteral (NE) é sempre a primeira 
escolha para pacientes que não conseguem atingir 
suas necessidades nutricionais via oral. O principal 
motivoesta relacionado ao efeito trófi co exercidos 
pelos hormônios gastrintestinais, liberados pela 
administração da dieta, sobre a mucosa intestinal, 
neste aspecto é de particular importância o papel 
exercido pela glutamina no trofi smo do enterócito. 
Esse efeito de nutrientes, quando administrado por 
via oral ou enteral, sobre a parede intestinal, possi-
velmente contribua ara a redução da translocação 
bacteriana e de endotoxinas na luz intestinal para 
os gânglios linfáticos mesentéricos. A adição de 
arginina à dieta enteral em pacientes oncológicos 
é capaz de reduzir o índice de complicações infec-
ciosas pós-operatórias, possivelmente por aumento 
da atividade imunológica determinada por ativação 
das células T [29]. 
O estudo randomizado realizado por Braga et 
al. [30], com 60 pacientes submetidos à cirurgia de 
câncer pancreático, demonstrou que a nutrição enteral 
imunomoduladora 6 horas pós cirurgia teve 36% de 
redução das complicações infecciosas e do tempo de 
internação hospitalar (4 dias a menos), quando com-
parado aos que receberam NPT padrão. Além disso, 
observou-se que a fórmula enriquecida apresentava 
um efeito anticitocina, já que a concentração de IL-6 
retornou aos níveis pré-operatórios no 8º dia somente 
naqueles pacientes que receberam a formulação enteral 
enriquecida.
Senkal et al. [31] demonstrou que pacientes 
com câncer submetidos à cirurgia no trato digestivo 
alto recebendo suplementação nutricional com imu-
nomoduladores por via enteral tais como glutamina, 
arginina, w3 e nucleotídeos, no pré e pós-operatório, 
tiveram signifi cativamente menos infecção no 3° dia 
pós-operatório e permanência hospitalar 3,5 vezes 
menor do que aqueles com uma dieta padrão. Já Sy-
derman et al. [32] não observou diferença no tempo de 
permanência hospitalar, em 136 pacientes portadores 
de câncer de cabeça e pescoço que receberam fórmula 
imunomoduladora no pré e pós-operatório ou somente 
no pós, comparado com uma fórmula padrão. Porém, 
foi observado uma forte tendência à diminuição no 
período de internação na UTI e redução em 50% do 
número de infecções em relação a pacientes consu-
mindo fórmula padrão. 
Diversos outros pesquisadores observaram tam-
bém uma redução na incidência e/ou na gravidade 
da ocorrência precoce de infecções pós-operatórias 
após uma cirurgia oncológica de grande porte, em 
pacientes tratados com a mesma formulação enteral 
enriquecida [33].
Benefícios similares foram observados numa 
metanálise de seis estudos envolvendo 497 pacientes 
que receberam a formulação enteral enriquecida com 
glutamina, arginina, w3 e nucleotídeos. A meta-análise 
demonstrou uma signifi cativa e substancial redução do 
risco de desenvolvimento de complicações infecciosas 
após a cirurgia para tratamento do câncer gastrintestinal 
e redução do tempo de permanência hospitalar [34].
Outra meta-análise confi rma esse efeito: os pa-
cientes que receberam uma formulação enriquecida 
fi caram em média 2,6 dias a menos no respirador arti-
fi cial, a sua permanência no hospital foi três dias mais 
curta e o risco de complicações infecciosas foi 30% 
menor do que os pacientes tratados com a formulação 
convencional [35].
Em pacientes com câncer, desnutridos e candi-
datos a tratamentos cirúrgicos eletivos, a instituição de 
suporte nutricional adicionado de nutrientes imuno-
moduladores no pré-operatório, tem se mostrado capaz 
de reduzir o índice de complicações pós-operatórias.
Conclusão
O suporte nutricional melhora os índices nutri-
cionais e poderá amenizar as alterações metabólicas 
nos pacientes desnutridos com câncer, e a imunomo-
dulação através da terapia nutricional permanece uma 
estratégia terapêutica promissora, a fi m de benefi ciar 
os pacientes imunossuprimidos.
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119
Nutrição Brasil - março/abril 2009;8(2)
REVISÃO
Manejo dietético alterando a evolução 
da migrânea infantil
Diet and evolution of childhood migraine
Denise Martins Medrado*, Lucia Marques Vianna, D.Sc.**
*Médica, mestranda em Neurologia – UNIRIO, Profa. Associada, Responsável pelo Laboratório de Investigação em Nutrição e 
Doenças Crônico–Degenerativas - LINDCD,Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro - UNIRIO
Resumo
A prevalência da migrânea infantil aumentou nos últimos 20-30 anos e embora muito seja estudado a respeito, não há 
consenso quanto à etiologia. Fatores ambientais, como estresse, têm sido implicados, assim como mudanças dietéticas, onde 
várias substâncias são consideradas gatilho da crise de migrânea. Intolerância alimentar ou alergia alimentar? Permanece a 
difi culdade em separar estes conceitos.
Palavras chave: migrânea, criança, dieta.
Abstract 
Th e prevalence of childhood migraine increased in the last 20-30 years and, in spite of the studies about this subject, 
there is no consensus about etiology. Environmental factors like stress and dietary changes have been analyzed and a lot of 
substances are considered as trigger of the migraine crises. Food intolerance or food allergy? It is still diffi cult to separate 
these concepts.
Key-words: migraine, children, dietary.
Recebido 20 de janeiro de 2008; aceito 15 de dezembro de 2008.
Endereço para correspondência: Lucia Marques Vianna, PhD, Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, 
Laboratório de Investigação em Nutrição e Doenças Crônico-Degenerativas, UNIRIO, Rua Dr. Xavier Sigaud, 290 Térreo 
Urca 22290-240 Rio de Janeiro RJ, Tel: (21) 2295-3225, E-mail: lindcd@ig.com.br.
120
Nutrição Brasil - março/abril 2009;8(2)
Introdução
Migrânea é um problema que afeta cerca de 4% 
das crianças em idade escolar de 7 a 15 anos e frequen-
temente causa considerável sofrimento, com prejuízo 
das atividades sociais e escolares [1].
A prevalência da migrânea infantil aumentou 
nos últimos 20-30 anos, principalmente em crianças 
expostas à instabilidade social e estresse. A causa des-
te aumento é desconhecida, mas fatores ambientais, 
incluindo modificações dietéticas são explicações 
plausíveis [2].
O tratamento da migrânea com drogas é insatis-
fatório na infância e medicações profi láticos a longo 
prazo tornam-se contraprodutivos, além de ser asso-
ciados a potencial de toxicidade [2]. Ainda há dúvida 
quanto ao tratamento dietético na migrânea infantil 
e os possíveis mecanismos envolvidos. 
A etiologia completa da migrânea permanece des-
conhecida e ainda persiste a dúvida quanto à efi cácia 
do tratamento e os possíveis mecanismos envolvidos. 
Assim, foi realizada uma revisão sistemática com o 
objetivo de tentar elucidar esta controvérsia. 
Método
Foi realizada uma revisão sistemática da literatura 
utilizando as palavras chaves da língua inglesa children, 
migraine e dietary para busca de ensaios clínicos e es-
tudos de revisão sobre o tema. Foram consultadas as 
bases de dados Medline, Pubmed e Centro Cochrane 
do Brasil desde a década de 80, em virtude dos poucos 
artigos encontrados durante a busca eletrônica. Os 
achados foram expressos por distribuição de freqüência 
e tabulados. Aos ensaios clínicos foi aplicada a escala 
de JADAD, porém sem a fi nalidade de exclusão.
Resultados
A busca encontrou artigos de 1984 a 2006, alguns 
em adultos, mesmo tendo utilizado a palavra chave chil-
dren. Chamou a atenção a pouca quantidade de publi-
cações, visto que identifi camos artigos cujas referências 
bibliográfi cas remontam à década de 30 [3].
Foram encontrados 9 artigos, sendo 44,4% ensaios 
clínicos e 55,5% revisões. Dentre os ensaios clínicos 10% 
foram classifi cados com randomizados, no entanto, ne-
nhum atingiu a validade pela escala de JADAD.
Tabela I - Manejo dietético alterando a evolução da migrânea infantil.
Ano Autor Pesquisa Tipo de método Resultados
2006 Crawford P,
Simmonsm,
Hoock J [4]
Revisão Revisão da literatura de alimentos ou 
aditivos alimentares, considerados 
como desencadeantes e/ou como 
capazes de reduzir a freqüência e 
intensidade da migrânea.
Os resultados desta revisão desautorizam 
a crença de alimentos comumente consid-
erados como gatilho para crise de migrânea 
(queijo, álcool, chocolate) e sugerem novas 
intervenções dietéticas (adição de ribofla-
vina e magnésio).
2003 Millichap JG, 
Yee MM [2]
Revisão Verificar por revisão da literatura o 
benefício da retirada de alimentos 
e aditivos considerados gatilho da 
migrânea infantil antes de considerar o 
início de drogas profiláticas.
A prevalência da migrânea infantil aumen-
tou nos últimos 20 – 30 anos, principal-
mente em crianças expostas a instabilidade 
social e estresse. A causa deste aumento 
é desconhecida, mas fatores ambientais, 
incluindo mudanças dietéticas (aumento na 
ingesta de cafeína aspartame nas bebidas 
dietéticas e consumo de álcool abaixo da 
idade), são explicações plausíveis. Estudos 
revelaram que com o auxílio de um diário 
de cefaléia, a retirada da dieta de substân-
cias gatilho da migrânea infantil, de forma 
mais individualizada possível, revelam efeito 
na redução das crises, antes que seja 
necessária a introdução de drogas profiláti-
cas.
121
Nutrição Brasil - março/abril 2009;8(2)
Ano Autor Pesquisa Tipo de método Resultados
2003 Hering Hanitr, 
Gadoth N [5]
Ensaio 
clínico
Estudou 19 meninos e 17 meninas 
com idade média de 9,2 anos com 
cefaléia crônica diária ou até 4 vezes 
na semana e consumo excessivo de 
bebidas com cafeína na forma de “cola 
drink”, café ou chá. A intensidade da 
cefaléia foi aferida pela EVA (Escala 
Visual Analógica). História de migrânea 
ou outro tipo de cefaléia foi obtido 
dos pais e parentes. Os pacientes e 
pais foram informados do fenômeno 
cola-cafeína induzindo cefaléia e 
encorajados a reduzir gradualmente a 
ingestão destas bebidas e seguidas por 
período de 2, 4, 6, 12, e 24 semanas. 
O tempo necessário para obtenção de 
benefício após descontinuar a ingesta 
diária das bebidas foi descrito.
Completa ausência de cefaléia em 33 dos 
36 pacientes em 2 semanas, mantendo-se 
durante todo o período de seguimento. Em 
1 dos meninos e 2 meninas adolescentes, 
a cefaléia foi substituída por migrânea 
episódica, não freqüente o bastante para 
justificar profilaxia. Nenhum dos pacientes 
bebia café, o consumo de chá era limitado, 
todos eram consumidores pesados de be-
bidas com cola, cerca de 1,5 l/dia, equiva-
lente a 192,88 mg de cafeína.
2001 Pakalnis A [6] Revisão Realizada na Base de Dados Medline 
de 1988 a 1999, revisão da literatura 
sobre as estratégias de tratamento 
na migrânea infantil, incluindo opções 
não farmacológicas para avaliar sua 
relevância no tratamento da migrânea 
infantil.
A importânciade fatores dietéticos no 
controle da freqüência da migrânea infantil 
tem sido controversa, alguns estudos 
consideram alimentos como queijo, tomate, 
álcool, ovos, café, leite e carne gatilho na 
migrânea. Tiramina e sua ação vasoativa é 
relevante para alguns autores e contestada 
por outros. Manipulação dietética em cri-
anças é difícil em virtude das necessidades 
nutricionais e da dificuldade em exercer 
controle rigoroso da dieta em crianças na 
idade escolar. Estudos dietéticos provoca-
tivos, não tem sido completos e maiores 
investigações são necessárias.
1994 Berg MM,
Braham J [3]
Ensaio 
clínico
Para documentar diferenças entre 
fatores dietéticos provocativos de 
migrânea em crianças e adultos, foram 
estudadas 248 crianças entre 7 a 16 
anos (104 meninos) e 216 adultos (68 
homens) entre 20 a 54 anos, com ou 
sem áurea, avaliados por 4 semanas e 
seguidos mensalmente por 12 sema-
nas, enquanto que os itens suspeitos 
foram eliminados da dieta.
Os resultados foram descritos com ausên-
cia de crises, redução de 80%, redução de 
50% ou nenhuma resposta. Os achados 
demonstraram uma resposta favorável em 
82% das crianças contra 34% dos adultos. 
O chocolate foi considerado o principal fator 
provocativo, 90% em ambos os grupos, 
seguido por queijo 30% e frutas cítricas 
10%. Álcool esteve implicado em 8% dos 
adultos e implicações isoladas a banana e 
feijões.
1987 Salfield AS, 
Wadley BL, 
Houlsby WT, 
Turner SL, 
Spalton [1]
Ensaio 
clínico
Para verificar os efeitos das aminas 
vasoativas da dieta na etiologia da 
migrânea infantil, 39 crianças foram 
randomizadas para receber dieta com 
alto teor de fibras e exclusão destas 
substâncias ou dieta com alto teor de 
fibra apenas.
Houve importante redução no número de 
crises de migrânea em ambos os grupos, 
sem diferença significativa entre os mes-
mos.
122
Nutrição Brasil - março/abril 2009;8(2)
Ano Autor Pesquisa Tipo de método Resultados
1985 Carter CM, 
Egger J, 
Soothill JF [7]
Ensaio 
clínico
Foram estudadas 88 crianças 
(3-16 anos) com migrânea severa e 
freqüente. Cada criança foi inicialmente 
colocada em uma dieta oligoantigênica 
por 4 semanas. Havendo melhora, os 
alimentos foram reintroduzidos um a 
um por um período de meses. Quando 
possível, a resposta de cada criança 
ao alimento selecionado foi confirmada 
por reintrodução alimentar comparada 
a placebo em forma de duplo-cego.
82 crianças responderam a manipulação 
dietética. Muitas crianças apresentavam 
testes cutâneos positivos que raramente 
indicavam todos os alimentos que pro-
vocaram os sintomas. A dosagem de IgE 
não foi útil ao diagnóstico. A resposta a 
reintrodução dos alimentos não é suficiente 
para o diagnóstico, sendo necessário 
estudo duplo-cego placebo controlado.
1985 Cant AJ [8] Revisão Revisão da literatura sobre a alergia 
e intolerância alimentar na infância, 
considerando o fato de que patolo-
gias referidas como sendo causadas 
por intolerância alimentar, podem ter 
um mecanismo imunológico em sua 
patogênese. As doenças estudadas in-
cluem asma, rinite, eczema, migrânea 
e hiperatividade.
A dieta é um grande esteio no tratamento 
destas patologias, incluindo migrânea 
infantil, que alguns autores sugerem alergia 
alimentar para sua patogênese. Não se 
sabe ainda a proporção de crianças que 
responderá a mudança dietética.
1986 Cavanagh N 
[9]
Revisão Revisão da literatura do diagnóstico 
de migrânea, associação de história 
de alergia e patologias associadas, 
investigação de fatores dietéticos 
precipitantes e resposta à modificação 
dietética.
Alimentos podem desencadear migrânea. 
Não se sabe se o mecanismo é alérgico 
ou metabólico; suspeita-se da primeira 
hipótese pela alta incidência de doenças 
alérgicas em crianças com migrânea e seus 
familiares. Não há entretanto associação 
entre testes cutâneos positivos e provo-
cação alimentar, desencadeando crise de 
migrânea.
Discussão
Os trabalhos demonstram que ainda não há 
consenso quanto aos mecanismos envolvidos na mo-
difi cação dietética da migrânea. Muitas vezes os con-
ceitos de alergia e intolerância alimentar se misturam, 
difi cultando ainda mais esta defi nição [8].
Uma larga variedade de alimentos tem sido im-
plicada como precipitantes da migrânea, sendo que 
queijo, chocolate e frutas cítricas são considerados os 
principais fatores na migrânea infantil [2]. Entre as 
substâncias contidas nestes alimentos, encontram-se 
as aminas vasoativas (tiramina e feniletilamina), con-
sideradas gatilho para crise de migrânea [2].
Chamam a atenção alguns estudos realizados com 
aminas vasoativas. Entre eles um ensaio randomizado 
controlado comparando dieta com alto teor de fi bras 
e sem restrição de aminas vasoativas e dieta com alto 
teor de fi bras e exclusão de aminas vasoativas. 
Este último grupo também excluiu cafeína, 
outra substância considerada gatilho. Não ocorreu 
diferença signifi cativa entre os grupos, sugerindo que 
o aumento das fi bras na dieta, funcionou como fator 
protetor da absorção das aminas vasoativas, porém 
ainda não há qualquer evidência que dê suporte a esta 
conclusão [5].
As aminas vasoativas ingeridas na dieta são me-
tabolizadas pela enzima monoaminooxidase e enzimas 
conjugadas no fígado e assim não entram na circulação 
sangüínea. 
Pacientes com migrânea desencadeada por es-
tas substâncias teriam defi ciências destas enzimas, o 
que permitiria a absorção pelo intestino e circulação 
sangüínea, resultando em efeito vasoconstrictor, com 
liberação de norepinefrina nas terminações nervosas 
simpáticas [2].
Outro estudo utilizou lactose como placebo a 
ser comparada com tiramina. Os resultados demons-
traram que as crises de migrânea ocorreram mais na 
presença do placebo do que da tiramina. A conclusão a 
que chegaram os pesquisadores foi que as crianças apre-
sentavam crises espontâneas de migrânea na presença 
do placebo, o mesmo podendo ocorrer com tiramina 
[10]. Muito interessante foi poder observar estudo 
realizado dez anos após em adultos com migrânea e 
defi ciência de lactose ou alergia a leite [11]. Podemos 
123
Nutrição Brasil - março/abril 2009;8(2)
nos questionar se a lactose, utilizada como placebo, 
no estudo anterior, teria funcionado como substância 
ativa, o que modifi caria tanto os resultados com as 
conclusões a que chegaram os pesquisadores.
Não podemos esquecer que entre os agentes 
provocativos de migrânea são citados leite de vaca e 
ovos [9]. Montano et al. em um relato de caso [12] 
avaliaram evidências em eletromiografia de mau 
funcionamento cerebral em migrânea por alergia a 
ovo [13].
Com relação à cafeína, este é um alcalóide per-
tencente ao grupo das metilxantinas, onde se inclui 
também a teoboromina e a teofi lina [14].
A popularidade da cafeína se dá à antiga crença 
de que a mesma possui poderes estimulantes, eleva o 
humor, diminui a fadiga a aumenta a capacidade de 
trabalho. Estudos recentes confi rmaram sua proprieda-
de estimuladora do sistema nervoso ao se demonstrar 
que a mesma produz certo estado de alerta de curta 
duração, além de ter ação vasodilatadora e diurética. 
Possui rápida absorção por via oral, atingindo o pico 
plasmático cerca de uma hora após a sua ingestão. A 
meia vida plasmática é de três a sete horas. É metaboli-
zada no fígado por desmetilação e oxidação envolvendo 
o citocromo P 450 [14].
Uma hipótese para a crise de migrânea desenca-
deada por fatores dietéticos seria o aumento do nível 
sangüíneo desta substância por defi ciência no meca-
nismo de oxidação envolvendo o citocromo P 450. No 
entanto, esta hipótese foi testada e concluiu-se que a 
hidroxilação via citocromo P 450 não está reduzida 
durante as crises de migrânea [15].
Por outro lado, estudo realizado em crianças e 
adolescentes com elevado consumo de cafeína por 
ingesta de bebidas ricas em cola, verifi cou que estas 
bebidas não são inofensivas como se pensava. Ao con-
trário, podem desencadear crise de migrânea [5]. 
Outros estudos, no entanto, relacionaram a 
cefaléia coma retirada de bebidas ricas em cafeína 
em crianças e adolescentes com consumo regular de 
cafeína (cerca de 200 mg/dia) [2].
Destaca-se também o chocolate que contém 
varias substâncias implicadas como gatilho da mi-
grânea. (feniletilamina, teobromina e cafeína). Estas 
substâncias podem desencadear crises de migrânea por 
alteração do fl uxo cerebral e liberação de norepinefrina 
nas terminações nervosas simpáticas [2].
Estudo em crianças demonstrou uma associação 
positiva entre migrânea e chocolate, utilizando um 
regime de dieta oligoantigênica. Em contraste, outros 
estudos falharam em demonstrar o chocolate como 
gatilho de migrânea [2].
Com relação a outras substâncias, também im-
plicadas com gatilho de migrânea, devemos citar os 
nitritos, sulfi tos, aspartame e glutamato monossódico. 
Os nitritos estão presentes em alimentos curados como 
carnes, lingüiças e salsichas. Os sulfi tos são utilizados 
para preservar alimentos e vegetais, em virtude de sua 
ação antioxidante [12]. Muito utilizadas em iguarias 
asiáticas, o glutamato monossódico está presente em 
alguns molhos, comidas congeladas e enlatados. Uti-
lizado como substituto do açúcar, estudo com aspar-
tame tem demonstrado que pacientes que sofrem de 
migrânea tem crises mais freqüentes durante o período 
de consumo de aspartame [2].
No que diz respeito à cefaléia após períodos 
de jejum, esta é mais freqüente em pacientes com 
história de migrânea crônica. Mecanismos propostos 
para a cefaléia induzida pelo jejum incluem alteração 
dos níveis de serotonina e norepinefrina, liberação 
de hormônios do stress, hipoglicemia ou retirada de 
bebidas ricas em cafeína [1,2].
A hipoglicemia é questionável porque os ataques 
são raramente associados por hipoglicemia induzida 
por insulina em Diabetes.
É também surpreendente o consumo de álcool 
em jovens de 12 a 17 anos, que respondem por 25% 
do consumo alcoólico nos Estados Unidos, incluindo 
vinho, cerveja e licor; o consumo é maior entre 
as meninas. 
Em crianças e adolescentes com cefaléia recorren-
te, o álcool deve ser adicionado à lista de causas poten-
ciais [2]. Os mecanismos envolvidos relacionam-se a 
presença de tiramina, histamina, fl avonóides fenólicos 
e sulfi tos. A tiramina pela liberação de norepinefrina, a 
histamina pela liberação de óxido nítrico do endotélio 
vascular e os fl avonóides pela liberação de serotonina 
das plaquetas [2].
Com relação ao estresse, este foi relacionado 
ao aumento do consumo de álcool, considerando o 
estresse como fator desencadeante da crise de migrâ-
nea [4].
Outro estudo comparou resultados entre crianças 
e adultos com dieta provocativa com chocolates, quei-
jos e frutas cítricas. Houve disparidade nos resultados 
entre adultos e crianças, sugerindo que fatores como 
estresse e infl uências hormonais também podem estar 
envolvidos como desencadeantes de migrânea [3].
Os ácidos graxos, primariamente ácido linoleico 
e ácido oléico também podem estar envolvidos no 
mecanismo da migrânea [2,4,16]. Uma diminuição 
na ingesta de gordura está associado à diminuição da 
freqüência, intensidade e duração da cefaléia, visto que 
a presença de ácidos graxos livres pode causar liberação 
de serotonina das plaquetas, com variáveis efeitos sobre 
o fl uxo cerebral, especialmente vasodilatação.
Quanto à suplementação dietética com ômega 3, 
estudo duplo cego comparando suplementação com 
124
Nutrição Brasil - março/abril 2009;8(2)
óleo de peixe (rico em ômega 3) com óleo de oliva, 
demonstrou redução na freqüência e severidade da 
cefaléia nos pacientes que utilizaram ambos compo-
nentes [4,17].
Estes dados sugerem que apesar do óleo de oliva 
ter sido utilizado como placebo, este pode ser um 
comparador ativo.
Considera-se ainda que um dano à fosforilação 
mitocondrial possa atuar na patogênese da migrânea. 
Assim, indutores metabólicos como ribofl avina são 
efetivos na profi laxia [18].
Estudo comparativo com ribofl avina e placebo na 
profi laxia da migrânea demonstrou que a suplemen-
tação com ribofl avina reduz a freqüência e a duração 
das crises [4].
Com relação ao magnésio ainda não está claro o 
efeito da suplementação de magnésio na redução das 
crises, mas sugere-se um efeito benéfi co na migrânea 
relacionada à menstruação [4].
É interessante lembrar a existência de uma favo-
rável implicação de um mecanismo de base imunoló-
gica envolvendo a migrânea. Dando suporte a isso, há 
o fato de que muitas crianças e seus familiares têm alta 
incidência de doenças alérgicas. Entretanto, a litera-
tura nem sempre confi rma esta hipótese, uma vez que 
alguns autores não estabelecem associação entre testes 
cutâneos e provocação alimentar na migrânea [9].
Conclusão
Permanece inconclusivo o mecanismo de ação na 
modifi cação da evolução da migrânea. Necessitamos 
de estudos randomizados, duplo cego provocativos e 
na medida do possível, com isolamento dos compo-
nentes alimentares, visto que alguns alimentos contém 
mais de uma substância considerada gatilho em sua 
composição. 
Quanto à questão da intolerância ou alergia 
alimentar, a ausência de resposta IgE e testes cutâneos 
negativos não exclui o mecanismo alérgico, que pode 
ocorrer tardiamente, não mediado por IgE.
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125
Nutrição Brasil - março/abril 2009;8(2)
REVISÃO
Cogumelo do sol: ciência versus 
concepção popular
Himematsutake: science versus popular conception
Aline Mayrink de Miranda*, Rinaldo Cardoso dos Santos, D.Sc.** 
*Nutricionista, alunado curso de especialização em Ciência dos Alimentos, **Professor Associado do Departamento de Alimentos, 
Escola de Nutrição, Universidade Federal de Ouro Preto
Resumo
A possibilidade de reduzir os riscos de enfermidades por meio dos alimentos atrai um número cada vez maior de pes-
quisadores interessados em estudar seus possíveis efeitos sobre a saúde. Neste contexto, observa-se crescente interesse não 
apenas dos estudiosos, mas também da população em geral, muitas vezes orientada não por comprovações científi cas e sim 
por um apelo comercial. Sendo assim, o presente trabalho busca realizar uma revisão de literatura sobre os cogumelos, em 
particular o A. blazei. Dessa forma, pretende-se verifi car alguns dos mitos existentes sobre o cogumelo, relacionando-os com 
os estudos científi cos já publicados. 
Palavras-chave: Cogumelo do Sol, A.blazei, cultura popular, alimentos funcionais.
Abstract
Th e possibility of reducing the risk of diseases by means of foods attracts an increasing number of researchers interested 
in studying their possible eff ects on health. In this context a growing interest is observed not only by scholars by also by the 
population in general frequently guided by commercial claims. Th us the present work aims at reviewing the literature about 
mushrooms, particularly A. blazei. Th us it is intended to verify some of the existing myths about this mushroom correlating 
them with the published scientifi c studies.
Key-words: Himematsutake, A.blazei, popular culture, functional foods.
Recebido 3 de março de 2008; aceito 15 de janeiro de 2009.
Endereço para correspondência: Rinaldo Cardoso dos Santos, Depto. de Alimentos, Escola de Nutrição UFOP 35410-
000 Ouro Preto MG, E-mail: rinaldo@enut.ufop.br
126
Nutrição Brasil - março/abril 2009;8(2)
Introdução
Os alimentos fornecem a energia e os nutrien-
tes de formação para as incontáveis substâncias que 
são essenciais ao crescimento e à sobrevivência dos 
seres vivos [1]. Inúmeras pesquisas demonstram a 
relação direta entre consumo/carência de alimentos 
e desenvolvimento de enfermidades, comprovando 
que a saúde pode ser controlada pela alimentação. A 
possibilidade de reduzir os riscos de enfermidades por 
meio dos alimentos está atraindo cada vez mais pesqui-
sadores interessados em estudar seus possíveis efeitos 
sobre a saúde. Nota-se também uma procura cada 
vez maior da população por uma alimentação mais 
saudável e composta por alimentos que estimulem e 
que previnam doenças. Esses alimentos, intitulados 
funcionais, consistem em substâncias ou componen-
tes que apresentam funções nutricionais, metabólicas 
e terapêuticas para o uso potencial na prevenção e 
controle de determinadas doenças [2]. 
Na década de 80, surgiu no Japão uma nova 
concepção de alimento, lançada através de um progra-
ma de governo que tinha como objetivo desenvolver 
alimentos saudáveis para uma população que enve-
lhecia e que apresentava uma enorme expectativa de 
vida. Sendo assim, em 1991 os alimentos funcionais 
foram regulamentados com a denominação Foods for 
specifi ed health use (FOSHU). Dentro deste contexto, 
o Agaricus blazei tem despertado um relevante interesse 
científi co e econômico em escala mundial, principal-
mente depois que estudos desenvolvidos naquele país 
permitiram a descoberta e o isolamento de algumas 
substâncias com atividade antitumoral. De maneira 
geral, os cogumelos são alimentos muito apreciados 
desde a Antigüidade, por se acreditar em seu elevado 
valor nutritivo e em seu potencial medicinal, além de 
serem apreciados como uma especiaria nobre em di-
versos pratos culinários. Nota-se que seu consumo vem 
aumentando consideravelmente na cultura ocidental, 
envolvendo um grande número de espécies, além do 
popular “Champignon” [3]. 
Inúmeras propriedades terapêuticas são atri-
buídas aos cogumelos em geral, tais como: antiviral, 
antibacteriana, hipoglicêmica, anti-hipertensiva, anti-
tumoral e imunomoduladoras. Na medicina oriental 
há relatos da mais remota história sobre o plantio e 
consumo de cogumelos para preservar a saúde e au-
mentar a longevidade. No entanto, é recente o interesse 
da medicina ocidental pelas propriedades medicinais 
dos cogumelos.
Alguns sites sugerem que o Agaricus seja um “pre-
sente da natureza para a saúde, podendo ser prescrito 
como coadjuvante no tratamento convencional de do-
enças graves e como complemento dietético, tornando 
a alimentação mais rica e saudável”. No entanto, pouco 
se sabe sobre a qualidade dos cogumelos comestíveis 
cultivados no Brasil, especialmente em relação ao va-
lor nutricional. Mesmo na literatura internacional os 
dados encontrados são raros e se referem a cogumelos 
cultivados em condições diferentes das encontradas 
no Brasil [4].
Atualmente, observa-se grande investimento da 
indústria alimentícia em pesquisas para o desenvolvi-
mento de novos produtos com alegações funcionais, 
provocando polêmica e discussões na comunidade 
científi ca e dúvidas aos consumidores. É o que acon-
tece, por exemplo, com a soja, principal responsável 
por atenuar os sintomas da menopausa e famosa por 
gerar inúmeras dúvidas e especulações nos consumi-
dores [5].
Dentro deste contexto, tentaremos identifi car al-
guns dos mitos e da “magia” que giram em torno deste 
cogumelo, buscando apreender os usos e atribuições 
que lhe são dados popularmente. Para tal, partimos 
de uma revisão da literatura existente sobre cogume-
los, em especial o A.blazei. A partir disso, busca-se 
encaminhar a discussão analisando em que medida 
algumas das propriedades atribuídas ao cogumelo são 
comprovadas, uma vez que muitas das afi rmações feitas 
não têm a devida fundamentação científi ca.
A. blazei: características gerais
Com mais de 1,5 milhões de espécies, o reino dos 
fungos é ainda quase desconhecido pela ciência. Em 
meio a tanta variedade, encontramos algumas espécies 
que vêm conquistando grande espaço junto à comu-
nidade científi ca, ao mesmo tempo em que aguçam a 
curiosidade da população. Os cogumelos comestíveis 
sempre foram apreciados por seu valor gastronômico, 
nutricional e medicinal e sua utilização tem registro em 
todas as culturas e regiões do mundo. Dentre eles, a 
maioria pertence à divisão Basidiomycota, mas existem 
muitos gêneros importantes nos Ascomycota e fungos 
Mitospóricos [6]. Observa-se, entretanto, um mercado 
inexplorado para as ilimitadas opções de espécies que 
podem ser cultivadas e utilizadas na alimentação, seja 
como nutracêutico seja como fi toterápico. 
Atualmente, estima-se que já existam mais de 30 
espécies catalogadas com propriedades terapêuticas. Na 
China, por mais de 2000 anos o cogumelo conhecido 
como Reishi (Ganoderma lucidum) foi chamado “Erva 
de Deus”. Seus efeitos são lendários devido a sua efi cá-
cia médica e ausência de toxinas. Estudos indicam ain-
da que alguns dos princípios ativos encontrados nessa 
espécie sejam responsáveis por fortalecer o sistema 
imunológico, assim como reduzir os efeitos colaterais 
da quimioterapia quando combinados a ervas como o 
127
Nutrição Brasil - março/abril 2009;8(2)
ginseng. No Brasil, os cogumelos mais conhecidos são 
o Champignon de Paris (Agaricus bisporus), Cogumelo 
do Sol ou Himematsutake (Agaricus blazei Murril), 
Shiitake (Lentinula edodes), Shimeji (Pleurotus ostre-
atus) e o Cogumelo Ostra (Pleurotus sajor-caju). Os 
cogumelos Agaricales, devido aos seus componentes 
ativos exercerem efeitos nutricionais, medicinais e 
farmacológicos imprescindíveis para os portadores de 
diversos tipos de câncer, têm sido utilizados durante 
milênios. Assim Agaricus bisporus, Lentinula edodes, 
Pleurotus ostreatus e Volvariella volvacea constituem as 
quatro espécies com grande destaque na indústria de 
alimentos [7]. Neste contexto, observa-se a procura por 
substâncias que potencializem o sistema imunológico 
de forma a induzir uma maior resistência sem causar 
efeitos colaterais. Esta tem sido uma das mais impor-
tantes buscas da medicina alternativa, que procurareduzir o número de fármacos e aumentar o consumo 
de nutracêuticos. 
O A. blazei, por sua vez, é nativo do Brasil. Sua 
descoberta ocorreu no município de Piedade, região 
sudoeste de São Paulo. Por sua característica de cresci-
mento e desenvolvimento em campos abertos e ensola-
rados, requerendo normalmente a luz para desenvolver 
os corpos de frutifi cação, recebeu a denominação de 
Cogumelo do Sol, pela qual passou a ser conhecido 
em outros países, exceto no Japão, onde é conhecido 
como Himematsutake. 
O Cogumelo de Piedade ou Princesa foi desco-
berto há mais de 30 anos na Mata Atlântica na men-
cionada região de Piedade/SP, pelo agricultor e pes-
quisador autônomo Takatoshi Furumoto. Ao constatar 
que este cogumelo continha propriedades medicinais, 
enviou amostras para centros de pesquisas no Japão e 
em 1996 pesquisadores japoneses o denominaram A. 
blazei murill – ABM [8]. Simultaneamente às amostras 
enviadas ao Japão, o Sr. Furumoto enviou também 
amostras para o Instituto Botânico de São Paulo, que 
imediatamente as remeteu para a Inglaterra, onde a 
linhagem foi classifi cada como Agaricus sylvaticus. A 
diferença taxonômica é considerada comum, pois a 
mesma varia de acordo com a interpretação de cada 
pesquisador [9].
No entanto, revisões de literatura feitas por vá-
rios pesquisadores, dentre os quais encontram-se os 
da UNESP Medicina-Agronomia/Botucatu-SP, não 
encontraram nenhum trabalho com esta espécie que 
pudesse atribuir qualidades terapêuticas ao produto. 
Porém, Novaes et al. [10] mostraram que a utilização 
de suplemento dietético com extrato de A. sylvaticus 
como tratamento adjuvante em pacientes com câncer, 
contribui para melhorar o prognóstico, detectando-
se assim, possíveis efeitos inibidores no crescimento 
tumoral, na regressão e estimulação do sistema imune 
e hematológico. Divulga-se ainda que o A. sylvaticus 
possa ser uma cepa mutante do A.blazei. No entanto, 
se o fosse, deveria possuir, obedecendo à taxonomia, 
outra denominação, visto que essa o classificaria 
como outra espécie diferente, de clima, condições de 
crescimento e inúmeras outras características que o 
distanciariam do A. blazei. Ao mesmo tempo, alguns 
dos sites pesquisados incluem essa variedade como 
sendo um dos nomes populares atribuídos até então 
a esse cogumelo. 
O A. blazei cresce em regiões temperadas, onde 
a temperatura ambiente varia de 23ºC a 28ºC. De-
pendendo da região onde venha a crescer, poderá apre-
sentar de 10 – 15 cm. Ao contrário de outras espécies, 
este cogumelo não nasce em árvores, mas em lugares 
abertos. A sobrevivência ou não dos cogumelos estaria 
relacionada às condições de temperatura a que são sub-
metidos [11]. Segundo Vilela [12], o Brasil não possui 
estatística ofi cial sobre a produção de cogumelos, mas a 
maior região produtora estaria localizada no alto Tietê, 
em São Paulo. Porém, de acordo com Oliveira et al. 
[13], a ênfase deve ser dada ao fato desse cogumelo 
possuir características agronômicas com alto potencial 
de cultivo em larga escala em nosso território.
Estudo comparativo entre espécies diferentes 
de cogumelos, a saber, A. bisporus, Lentinula edodes 
e Pleorotus spp, mostram diferença signifi cativa entre 
os lotes e marcas, que possivelmente foram afetados 
por alguns fatores, tais como condições de cultivo, 
armazenamento pós-colheita, entre outros, concluindo 
que a composição dos cogumelos poderá ser diversa, 
dependendo da região e do país de cultivo [4]. O 
mesmo é sugerido por Savoie et al. [14] ao estudar 
as propriedades antioxidantes do Agaricus bisporus. 
Para os autores, o estágio ideal de colheita associado 
à escolha do tecido para aplicação na indústria, pode-
riam melhorar a efi ciência deste cogumelo enquanto 
alimento funcional.
Sturion & Oetterer [15] afi rmam ainda que o 
tipo de substrato utilizado no cultivo infl uencia a 
composição química dos cogumelos, principalmente 
quanto aos teores de proteínas, fi bras e minerais. Uma 
revisão de literatura envolvendo os problemas fármaco-
toxicológicos [16] cita a potencialidade que algumas 
espécies de cogumelos teriam de acumular substâncias 
radioativas, como altas concentrações de metais. Tal 
relato ressalta a importância de uma avaliação prévia 
das condições de cultivo, bem como a necessidade de 
mais estudos científi cos sobre o tempo de colheita e 
conservação, uma vez que não se pode desconsiderar 
a possibilidade de que a maturação esteja diretamente 
relacionada à atividade inibitória da tumorigênese.
Nesta perspectiva, diversas análises vêm sendo 
feitas, observando-se então que em sua composição 
128
Nutrição Brasil - março/abril 2009;8(2)
os cogumelos apresentam diversos nutrientes, tais 
como vitaminas do complexo B, aminoácidos como 
arginina e glutamina (potentes imunomoduladores), 
ergosterol, niacina, P, Ca e Fe, sendo rico ainda em 
polissacarídeos como as β-glucanas. Estas últimas, 
por sua vez, vêm despertando grande interesse, não 
só da comunidade científi ca, mas também por parte 
da população [13].
β-glucanas
Trata-se de um polissacarídeo que vem sendo 
objeto de extensos estudos científi cos, cuja ação está 
diretamente ligada ao aumento das células de defesa do 
organismo, criando assim, um importante sistema de 
defesa contra vírus, bactérias, fungos e parasitas. Evi-
dências científi cas têm demonstrado que as β-glucanas 
exercem atividades antitumorais e no caso do A.blazei 
em especial, esses polissacarídeos são encontrados em 
maiores quantidades quando comparado às outras es-
pécies. Por se tratar de uma fi bra solúvel, as β-glucanas 
apresentam signifi cativa importância na redução do 
colesterol sangüíneo e na absorção de glicose pelos 
diabéticos [17]. Verifi ca-se ainda efi cácia no combate 
às toxinas do organismo, auxiliando na prevenção e 
tratamento do câncer. Segundo pesquisas realizadas na 
Universidade da Califórnia, até hoje não se encontrou 
outra substância capaz de estimular tanto o sistema 
imunológico quanto o tipo de β-glucanas encontrada 
nessa espécie de cogumelo [8]. 
Porém, o tipo de tratamento dado às β-glucanas 
poderia infl uenciar positiva ou negativamente sua 
potencialidade antitumor [18], assim como o tipo de 
administração e o extrato utilizado. Estudo realizado 
por Zhong et al. [19] sobre o aumento na atividade 
de células NK e sobre a produção de Interferon-γ, 
mostrou que detalhes dessa ativação ainda não estão 
defi nidos e que o aumento signifi cativo dessa atividade 
estaria relacionado justamente ao tipo de adminis-
tração e ao extrato utilizado. Da mesma forma, em 
estudo já citado [16] foram relatadas as difi culdades 
em estabelecer o melhor extrato e substâncias ativas do 
cogumelo e mostraram a necessidade de se encontrar 
um extrato homogêneo que possa servir de padrão para 
que suas atividades possam ser estudadas e esclareci-
das. Quando nos referimos aos teores de β-glucanas, 
podemos observar na literatura a utilização de mé-
todos inespecífi cos para sua determinação, voltados 
especifi camente para ligações glicosídicas β(1-3) e β 
(1-4) que são as ligações presentes em cereais. Não se 
determinam, portanto, as β-glucanas do ABM, pois os 
mesmos apresentam ligações do tipo β (1-3) e β(1-6), 
aplicação inadequada e muitas vezes responsável pela 
subestimação dos reais valores de β-glucanas [20]. 
Cogumelo do Sol: pesquisa científi ca
Alguns cientistas consideram que a combinação 
do Cogumelo do sol e quimioterapia seria o tratamento 
ideal para os casos de câncer em razoável estágio de 
evolução. A terapia química destruiria a maioria das 
células cancerosas, enquanto o combate às células 
tumorais remanescentes fi caria sob responsabilidade 
dos natural killers (NK), ativados e potencializados pela 
ação terapêutica do cogumelo. Resumindo, o Cogumelo 
do Sol reporia os nutrientes necessários ao organis-
mo, debilitado em conseqüência da quimioterapia, 
impedindo assim o avanço do tumor e combatendo 
diretamente o câncer, através da ativação das NK e do 
sistema imune[9]. Em alguns casos, chega-se a men-
cionar que a quimioterapia e/ou radioterapia foram 
eliminadas, diminuindo o custo do tratamento e os 
efeitos colaterais deletérios ao organismo. Porém, os 
efeitos e resultados são mais evidenciados quando o 
cogumelo é consumido para uma dieta terapêutica pre-
ventiva, uma vez que seu uso como curativo continua 
sendo objeto de pesquisas [21] e pouco se sabe sobre 
seus efeitos em humanos, não havendo justifi cativa 
médica clara quanto ao seu uso contra o câncer [22]. 
Os mesmos autores relatam ainda que seu efeito sobre 
o crescimento das células não seja o mesmo para todas 
as linhagens celulares, podendo ser mais ou menos 
efi ciente dependendo do tipo, localização e estágio 
do tumor. A fração por eles utilizada, “H”, inibiu a 
proliferação de algumas linhas de células sem efeitos 
citotóxicos. Porém, a infl uência dessa fração ABH na 
proliferação celular difere entre essas linhas celulares, 
inclusive trazendo prejuízos para algumas sem intensa 
toxicidade ou mesmo não tendo efeito algum sobre o 
crescimento de outras. Alguns resultados indicaram 
ainda que a degradação da hemicelulose, feita para 
que o A. blazei atingisse a solubilidade em água, teria 
resultado em mudança quantitativa/qualitativa in 
natura, do efeito ou mesmo na proliferação celular.
Estudo realizado por M. Zhong et al. [19] relata 
como vem crescendo nos últimos anos o consumo 
do A. blazei como alimento funcional no Japão. Este 
trabalho demonstra que a relação de seu mecanismo 
antitumor, via imunidade inata e/ou adaptativa, 
implica em um aumento das respostas imunes e da 
potencialização da autodefesa da imunidade celular. 
Porém, detalhes dessa ativação, ou seja, de como essas 
células estariam respondendo a este estímulo, não são 
por eles esclarecidos. O autor sugere que a ativação 
esteja relacionada ao tipo de administração e ao extrato 
utilizado. 
Nessa mesma perspectiva, Kawamura et al. [22] 
relatam como muitos pacientes com câncer no Japão 
estão consumindo o A. blazei na crença em suas 
129
Nutrição Brasil - março/abril 2009;8(2)
propriedades medicinais. Os autores deixam claro 
que a elucidação destes fatores celulares em estudos 
futuros facilitaria o uso apropriado do AB fração H 
por eles estudado, mesmo porque o uso dessa fração 
como um complemento e na medicina alternativa 
não seria necessariamente apropriado para todos 
os tumores, como já citado acima. Muitos estudos 
mencionam ainda a necessidade de pesquisas a fi m 
de descobrir qual seria o agente ativo do cogumelo 
que potencializaria a possível “cura do câncer”, se é a 
hemicelulose, a β-glucana ou uma combinação entre 
esses dois compostos. Menções ainda são feitas a um 
aumento de aproximadamente 40% na capacidade 
imune, chegando a ser considerado como uma grande 
promessa para a “cura da AIDS” [23].
Bernardshaw et al. [24], ao analisarem a admi-
nistração oral de extratos do ABM, observaram que 
estes ofereceram proteção sistêmica contra infecção de 
S. pneumoniae em camundongos, sendo considerado 
um adicional profi lático e uma possibilidade terapêu-
tica contra bactérias e outras infecções em humanos. 
Também um estudo feito por Sorimachi et al. [25] 
envolvendo frações de ABM in vitro, refere-se a uma 
secreção de TNF-alfa, IL-8 e óxido nítrico por ma-
crófagos ativados através de alguns dos componentes 
presentes neste cogumelo. Por outro lado, a adminis-
tração de uma fração polissacarídica extraída do ABM, 
rica em (1-6) β-D-glucano, mostrou que, ao contrário 
do que tem sido divulgado, a ação antitumoral da 
mesma não se refl ete em imunoestimulação das células 
do baço. Entretanto, supõe-se que o tratamento possa 
promover migração de células imunocompetentes 
deste órgão para o sítio de implantação tumoral. Isto 
vai, portanto, contra as atribuições feitas à sua ação 
imunoestimuladora [26]. 
Alguns trabalhos realizados por pesquisadores 
brasileiros relatam sobre sua composição centesimal, 
que permitiu a identifi cação de um alimento de alto 
valor nutricional, rico em proteínas, fi bras, minerais 
e baixos teores de lipídios. Consiste ainda em um 
produto de baixa caloria, valor inferior ao da cenoura. 
Outros também mostraram que dentre os valores ob-
tidos, os únicos que se apresentavam em quantidades 
signifi cativamente menores aos encontrados em outros 
alimentos foram o cobre e o ferro. Ponto importante 
também se refere à quantidade de magnésio encon-
trada, valores superiores aos que normalmente se 
encontram para as outras espécies, assim como para 
o cálcio que apresentou teor elevado quando compa-
rado ao aipo, a escarola, entre outros [13]. No que 
diz respeito às propriedades antioxidantes, Savoie et 
al. [14] ao analisarem especifi camente o A. bisporus e 
comparando-o com outras espécies, observaram uma 
alta capacidade antioxidante de extratos metanólicos 
de várias partes deste cogumelo, em sistemas in vitro. 
Para os autores, A. bisporus poderia ser inserido no 
grupo dos cogumelos com excelente potencial antio-
xidante, fi cando atrás somente do A. blazei.
 Com relação aos carboidratos e proteínas, Oli-
veira et al. [13] encontraram valores acima da média 
para o grupo de cogumelos até então estudado, apre-
sentando-se como mais uma importante alternativa de 
alimento saudável e de importância na saúde pública. 
Tal fator eleva potencialmente seu valor comercial, 
uma vez que se torna muito indicado para o estilo de 
vida sedentária do homem moderno.
Cogumelo do Sol: concepção popular 
No que se refere à saúde da população brasileira, 
nota-se uma transição nutricional signifi cativa nos 
últimos anos, na qual boa parte daquela encontra-se 
acima do peso. Essa transição tem contribuído de 
modo signifi cativo para uma corrida pela qualidade, 
segurança e diferenciação dos alimentos, provavel-
mente conseqüência de uma diminuição do seu valor 
intrínseco, tornando-se assim cada vez mais tênue a 
linha de separação entre um medicamento e um ali-
mento [27]. Surgem então milhares de propostas sobre 
os alimentos funcionais, uma vez que obrigatoriamente 
tornam-se presentes no dia a dia do cidadão comum, 
suscitando, na maioria das vezes, inúmeras dúvidas e 
más interpretações.
Segundo Lévi-Strauss [28], a condição de cura es-
taria no axioma a “efi cácia da magia implica na crença 
em magia”. Não obstante, passadas algumas décadas, 
ainda se atribui muita efi cácia aos tratamentos ditos 
xamanísticos. Minayo, em seu artigo “Saúde-doença: 
uma concepção popular da etiologia” [29] observa 
que o desenvolvimento de teorias populares está 
relacionado às experiências da vida, e que tais teorias 
reorganizam-se constantemente a partir do contato 
com a prática, tanto no campo da medicina “ofi cial” 
quanto no que se refere aos sistemas alternativos.
Ao nos determos na relação estudos científi cos e 
apropriação popular, verifi camos como as observações 
feitas acima se mostram pertinentes. Seja no campo da 
fé, que invariavelmente exerce grande infl uência sobre 
explicações saúde/doença, ou na própria manutenção 
de crenças tradicionais ou ainda em novas formas que 
vão sendo incorporadas pela população, o consumo de 
alimentos considerados benéfi cos à saúde, muitas vezes 
extrapola as comprovações científi cas. Especifi camente 
no caso do cogumelo do sol, observa-se como esse 
enorme interesse, seja ele científi co ou econômico, vem 
provocando imensa polêmica. Para muitos, trata-se 
de uma promessa de salvação, trazida ao México por 
Madre Tereza de Calcutá aos mais necessitados, que 
130
Nutrição Brasil - março/abril 2009;8(2)
até então não tinham recursos ou moravam em lugares 
afastados, onde não havia médicos ou remédios [30]. A 
única condição imposta era a de que o produto não fos-
se comercializado e sim doado. Porém, a forma como 
esse cogumelo foi e vem sendo disseminado é diferente 
daquelas tradicionalmente comercializadas (In natura, 
cápsulas ou desidratado) e atualmente autorizadas pela 
Anvisa [31]. Observa-se sua disseminação na formade pequenos grãos, que recebem a nome de Tibicos. 
Eles devem ser cultivados em água com rapadura e 
tomados todos os dias em jejum. Junto aos Tibicos 
(Cogumelo do Sol) é distribuída uma folha, na qual 
se descreve sua história e suas propriedades curativas 
(Alívio a reumatismo, artrite, elimina catarata, reduz 
colesterol, cura alguns tipos de diabetes, entre outros). 
No entanto, apesar de todas essas “promessas”, apenas 
algumas possuem embasamento científi co, como o já 
citado potencial anti-tumoral. Verifi ca-se em páginas 
da Internet que comercializam o produto, sua indica-
ção como o famoso “bom para tudo”, exaltando e evi-
denciando muitas das características que até então não 
possuem comprovações científi cas, como no caso da 
eliminação da catarata, o que provavelmente infl uencia 
na utilização/divulgação do produto, aumentando a 
sombra da ansiedade sobre a “cura” pelos alimentos.
Os Tibicos, por sua vez, são conhecidos por inú-
meros nomes, entre eles bebida do Profeta, Kefi r de 
frutas, Cogumelo da Vida. Mas o que tem chamado 
a atenção ultimamente é a enorme semelhança com o 
Kefi r (Saccaromyces kefi r) e as inúmeras analogias que 
são feitas a esses dois produtos. Sabe-se, porém, que 
consistem em organismos com estruturas diferentes. O 
Kefi r constitui-se basicamente de bactérias e leveduras 
(fermentos) e o Cogumelo do Sol, que é um fungo, 
não possui em sua composição bactérias, presentes em 
grande número no kefi r. Observa-se, portanto, como 
o consumidor, diante de difi culdades para entender o 
verdadeiro signifi cado das características anunciadas 
por determinados produtos, deixa-se levar, muitas ve-
zes sem considerar que o mesmo alimento que atuaria 
protegendo a saúde contra doenças crônicas poderia, 
no entanto, as promover, uma vez que se trata de uma 
mistura complexa de substâncias, sejam essas nutritivas 
ou não. Enfatiza-se, assim, que a relação risco/benefí-
cio, nem sempre é levada em consideração. 
Outras características também atribuídas a esses 
cogumelos remetem-se aos chineses e egípcios antigos. 
“Dizia-se que essa planta, sem raiz, nem clorofi la, 
afi nava o sangue, diminuía infecções e até agia como 
afrodisíaco”. De fato, nas últimas décadas, várias 
pesquisas têm confi rmado essas crenças. Acredita-se 
que se ingerido diariamente seria capaz de reduzir em 
7-10% o nível de colesterol, agindo também como 
ativadores das células B do sistema imune e forta-
lecendo o mesmo em maior ou menor grau. Além 
disso, auxiliam no controle da pressão arterial e da 
arteriosclerose, justamente por sua riqueza em fi bras e 
gorduras não saturadas [32], fato esse comprovado por 
Singi et al. [33], quando ao analisar os efeitos agudos 
da aplicação endovenosa do cogumelo do sol sobre 
a pressão arterial média (PAM) e sobre a freqüência 
cardíaca de ratos anestesiados, notaram que o extrato 
aquoso do A. blazei havia reduzido a PAM de forma 
concentração - dependente.
No entanto, o que se pode observar a partir de 
tais colocações é que nem sempre a denominação 
“produto natural”, consegue ser bem interpretada 
pela sociedade. Já no século XV, o fi lósofo Paracelsus 
dizia: “Toda substância é um veneno, a dose certa é 
que diferenciará o veneno do remédio”. E mesmo hoje, 
mediante tanta informação, muitos assuntos ainda 
geram controvérsias e más interpretações, de certa for-
ma, prejudiciais a certos indivíduos em determinados 
períodos de sua vida.
E mesmo diante das mais recentes tecnologias e 
inovações, a cultura popular ainda se mantém como 
ponto forte e responsável pela maioria das atitudes da 
população, sejam estas benéfi cas ou não. 
Conclusão
Embora existam evidências da enorme poten-
cialidade nutricional do A.blazei, assim como de seu 
extraordinário potencial junto à imunoterapia, trata-se 
de um alimento relativamente recente, principalmente 
quando nos referimos aos hábitos ocidentais, o que 
demanda mais pesquisas sobre a verdadeira potencia-
lidade de suas substâncias ativas. 
Essas novas pesquisas permitiriam uma determi-
nação mais exata de seus efeitos benéfi cos, quantidades 
mínimas e máximas que podem ser ingeridas, propor-
cionando assim, efi cácia sem oferecer riscos à saúde. 
Os efeitos colaterais possivelmente provocados pelo 
uso prolongado também deveriam fazer parte dessas 
pesquisas, uma vez que são inúmeros os fatores que 
podem interferir na sua real composição, assim como 
existem diferenças signifi cativas quanto ao perfi l da 
população que efetivamente irá consumi-lo.
Deve-se ressaltar o avanço obtido pelas pesquisas 
já realizadas, que conseguiram e vem conseguindo re-
sultados positivos com relação a sua utilização, a saber, 
seu referido e muito citado efeito antitumoral. No 
entanto, é de fundamental importância a realização de 
novas pesquisas experimentais, de maneira a elucidar o 
papel desse cogumelo em particular enquanto agente 
preventivo e curativo e/ou mesmo desmistifi car falsas 
propriedades a ele atribuídas.
131
Nutrição Brasil - março/abril 2009;8(2)
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132
Nutrição Brasil - março/abril 2009;8(2)
REVISÃO
Anemia ferropriva em crianças brasileiras: 
fortificação de alimentos, suplementação 
e educação nutricional 
Iron deficiency anemia in Brazilian children: food strengthening, 
supplementation and nutritional education
Carolina Souza Ferreira*, Michele Pereira Netto, M.Sc.**
*Discente do Curso de Nutrição da Faculdade Itabirana de Saúde, **Nutricionista, Docente do Curso de Nutrição da Faculdade 
Itabirana de Saúde
Resumo
Uma revisão da literatura foi realizada com estudos que abordaram um ou mais de um dos seguintes temas: fortifi cação 
de alimentos; suplementação e educação nutricional, como medidas utilizadas no combate à anemia ferropriva em crianças 
brasileiras. A base de dados pesquisada foi o Scielo, utilizando as seguintes palavras chave: “anemia” e “fortifi cação”, “anemia” 
e “suplementação”, “anemia” e “educação nutricional”. Em muitos estudos observaram-se efeitos benéfi cos da fortifi cação de 
alimentos com ferro no combate à defi ciência desse mineral em grupos de crianças. No entanto, o fato desses estudos terem 
apresentado algumas limitações metodológicas, não permite comprovar que essa medida é efetiva e efi caz para combater a 
defi ciência de ferro em populações. Resultados satisfatórios foram observados em três dos quatro estudos que utilizaram a 
suplementação semanal com sais de ferro como medida de intervenção. Verifi cou-se que a suplementação medicamentosa 
e a fortifi cação de alimentos apresentam limitações e que a educação nutricional tem papel fundamental na prevenção e no 
tratamento da anemia ferropriva. A educação nutricional, a suplementação e a fortifi cação são medidas de intervenção im-
portantes no combate à anemia ferropriva em crianças brasileiras. Quando utilizadas conjuntamente há maior probabilidade 
da ocorrência de resultados efetivos e efi cazes. 
Palavras-chave: anemia ferropriva, educação alimentar e nutricional, alimentos fortifi cados, suplementos dietéticos
Abstract
Th is literature review aimed at identifying studies that about food strengthening with iron, supplementation and 
nutritional education as intervention measures used against anemia by iron defi ciency in Brazilian children. A database was 
Scielo and the keywords were “anemia” and “strengthening”, “anemia” and “supplementation” and “anemia” and “nutritional 
education”. In many studies, benefi cial eff ects were observed with food strengthening with iron in children groups. However, 
the fact of these studies had some methodological limitations do not allow proving that this measure is effi cient and eff ective 
to prevent the iron defi ciency in populations. Satisfactory results were observed in three of four studies using a weekly su-
Recebido 20 de maio de 2008; aceito 15 de janeiro de 2009
Endereço para correspondência: Carolina Souza Ferreira, Avenida Getúlio Vargas, 1244/101 Funcionários 30112-021 
Belo Horizonte MG, E-mail: carolinanutry@yahoo.com.br
133
Nutrição Brasil - março/abril 2009;8(2)
Introdução
A defi ciência de ferro é responsável pela grande 
maioria dos casos de anemia em populações de baixo 
nível socioeconômico, entre as quais é baixa a ingestão 
de ferro biodisponível e/ou é comum a perda sangüínea 
devido à ancilostomíase ou esquistossomose [1].
Estudos realizados em várias regiões geográfi cas 
do Brasil permitem supor que a anemia por defi ciência 
de ferro é, em termos de magnitude, a principal defi -
ciência nutricional que acomete a população brasileira 
[2]. Em estudo transversal com crianças brasileiras 
entre 6 e 12 meses de idade, encontrou-se uma pre-
valência média de anemia de 65,4% [3]. 
Na prevenção da anemia ferropriva é importante 
a utilização de quatro tipos de abordagens: educação 
nutricional, objetivando a melhoria da qualidade 
da dieta oferecida; suplementação medicamentosa; 
fortifi cação dos alimentos e controle das infecções. 
Embora sejam conhecidas as medidas de intervenção 
viáveis para a minimização do problema, no Brasil, a 
anemia ferropriva continua sendo um problema de 
saúde pública [4] e suas prevalências vêm aumentando 
ao longo dos anos [5].
O presente trabalho é uma revisão bibliográfi ca 
com estudos que abordaram um ou mais de um dos 
seguintes temas: fortifi cação de alimentos; suple-
mentação e educação nutricional, como medidas 
utilizadas no combate à anemia ferropriva em crianças 
brasileiras. 
Métodos
Realizou-se um levantamento bibliográfi co me-
diante consulta ao Scientifi c Electronic Library Online 
(SCIELO). Foram selecionados artigos científi cos que 
abordaram os temas de fortifi cação de alimentos e/
ou suplementação e/ou educação nutricional, como 
medidas utilizadas no combate à anemia ferropriva 
em crianças brasileiras. As palavras-chave utilizadas 
foram “anemia” e “fortifi cação”, “anemia” e “suple-
mentação”, “anemia” e “educação nutricional”. Nos 
textos selecionados, procuraram-se as referências con-
sideradas relevantes, e essas também foram utilizadas 
nesta revisão. 
Fortifi cação de alimentos no combate à anemia 
ferropriva
A fortifi cação de alimentos consiste na adição 
de um ou mais nutrientes essenciais a um alimento, 
com a fi nalidade de evitar ou corrigir uma defi ciência 
comprovada de um ou mais nutrientes dentro de uma 
população em geral ou de grupos específi cos dentro 
de uma população [6].
No Brasil foram realizados estudos que testaram 
e avaliaram a inclusão de alimentos fortifi cados com 
ferro na dieta de crianças com a fi nalidade de combater 
a anemia ferropriva.
Nogueira, Colli e Cozzolino [7] avaliaram os 
efeitos da introdução de biscoitos fortifi cados com 
ferro heme, nos níveis de hemoglobina (Hb) de um 
grupo de 16 pré-escolares, na faixa etária de 2 a 4 anos, 
de uma creche pública do estadodo Piauí. A inter-
venção consistiu em acrescentar, diariamente, à dieta 
normal das crianças cinco biscoitos fortifi cados, que 
continham aproximadamente 4 mg de ferro. Antes da 
intervenção, a anemia esteve presente em 12 crianças 
e o valor médio de hemoglobina foi 9,4 ± 2,6 g/dl. 
Após 90 dias verifi cou-se ausência de anemia, aumento 
nos níveis de hemoglobina de todas as crianças e valor 
médio de 13,2 ± 0,2 g/dl. 
Torres et al. [8] avaliaram a efi cácia do uso de leite 
em pó fortifi cado em um grupo de 335 crianças de 6 a 
23 meses de idade residentes no estado de São Paulo. A 
intervenção consistiu em acrescentar leite enriquecido 
com ferro e vitamina C à dieta. Antes da intervenção, 
verifi cou-se que 70,7% das crianças apresentavam 
anemia. Após seis meses de intervenção, verifi cou-se 
redução na prevalência de anemia entre as crianças, 
sendo que 19,3% permaneceram anêmicas. 
Torres et al. [9] avaliaram os impactos da intro-
dução de leite fl uido fortifi cado com ferro aminoácido 
quelato na dieta de 269 crianças de 6 a 42 meses de 
idade, no estado de São Paulo. Durante 12 meses, 
distribuiu-se, diariamente, um litro de leite in natura, 
fortifi cado com 3 mg de ferro. Antes da intervenção, 
verifi cou-se que 62,3% estavam anêmicas. Após seis 
meses do uso de leite fortifi cado, a prevalência de 
anemia reduziu para 41,8% e, após 12 meses, para 
26,4%. 
pplementation with iron salts. It was observed that the result of dietary supplementation and food strengthening is limited 
and that the nutritional education has an important role in the prevention and treatment of iron defi ciency. Nutritional 
education, supplementation and food strengthening are essential intervention measures for preventing iron defi ciency anemia 
in Brazilian children. When used together there is a greater probability in occurring eff ective and effi cient results. 
Key-words: iron defi ciency anemia, nutritional education, foods strengthening, dietary supplements.
134
Nutrição Brasil - março/abril 2009;8(2)
Tuma et al. [10] avaliaram os resultados da intro-
dução de farinha de mandioca fortifi cada com ferro 
aminoácido quelato na dieta de 80 pré-escolares, de 
2 a 6 anos de idade, de uma Unidade Filantrópica de 
Manaus. As crianças foram distribuídas em quatro 
grupos de 20 e receberam, no almoço, uma determi-
nada quantidade de farinha de mandioca durante um 
período de 120 dias. O grupo 1 recebeu 5 g de farinha 
com 1 mg/Fe; o grupo 2 recebeu 10 g de farinha com 
2 mg/Fe; o grupo 3 recebeu 15 g de farinha com 3 mg/
Fe; o grupo 4 recebeu 5 g de farinha sem fortifi cação. 
Antes da intervenção, 23% das crianças apresentaram 
anemia. Após, observou-se aumento signifi cativo nos 
níveis de hemoglobina das crianças que compunham 
os quatro grupos do estudo. 
Assunção e Santos [11] realizaram estudo de revi-
são bibliográfi ca com estudos nacionais e internacionais 
que avaliaram a efi cácia e/ou a efetividade da introdução 
de alimentos fortifi cados com ferro na dieta de crianças 
e adolescentes. Os estudos tinham como objetivo avaliar 
o impacto da ingestão de alimentos fortifi cados na ocor-
rência de anemia. Os autores verifi caram que a maioria 
dos estudos apresentou limitações metodológicas im-
portantes, tais como a não apresentação do poder do 
estudo, a presença de mais de dois grupos com pequeno 
número de participantes, as grandes perdas amostrais, 
entre outras. Para eles, “embora desejável, a efi cácia e a 
efetividade da fortifi cação de alimentos com ferro sobre 
a prevalência de anemia, na população infantil, ainda 
está por ser demonstrada”.
No Brasil, desde junho de 2004, a Agência 
Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), tornou 
obrigatória a fortifi cação das farinhas de trigo e de 
milho com compostos de ferro e ácido fólico (cada 
100 gramas de farinha deve fornecer, no mínimo, 4,2 
mg de ferro e 150 mcg de ácido fólico) [12].
Assunção et al. [13] avaliaram o impacto da forti-
fi cação obrigatória das farinhas de trigo e milho sobre 
as concentrações de hemoglobina no sangue de crian-
ças menores de 6 anos de idade residentes na cidade de 
Pelotas. O estudo foi realizado em série temporal com 
três avaliações a cada 12 meses. No primeiro grupo (n 
= 453) esse procedimento foi realizado entre maio e 
junho de 2004, período anterior à obrigatoriedade da 
fortifi cação de farinhas; no segundo grupo (n = 923), 
após 12 meses da obrigatoriedade da medida e, no 
terceiro (n = 863), após 24 meses. O valor médio de 
hemoglobina verifi cado no primeiro, segundo e tercei-
ro grupos, foi, respectivamente: 11,3 ± 2,8, 11,2 ± 2,8 
e 11,3 ± 2,5. De acordo com os autores, após um e dois 
anos da obrigatoriedade da fortifi cação de farinhas com 
ferro, observou-se que essa medida não foi efetiva para 
proporcionar aumento nas médias de hemoglobina das 
crianças de 0 a 71 meses em Pelotas. 
Suplementação medicamentosa e alimentar no 
combate à anemia ferropriva
O Departamento Científico de Nutrologia 
Pediátrica da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) 
recomenda a suplementação profi lática com ferro da 
seguinte forma: 1) Crianças nascidas a termo, com 
peso normal ao nascer, devem receber suplementação 
com 1 mg de ferro elementar/kg/dia, a partir da intro-
dução da alimentação complementar, se não houver 
ingestão mínima de 500 ml/dia de fórmulas infantis 
enriquecidas com ferro, até os dois anos de idade; 2) 
Prematuros e recém-nascidos, de baixo peso, devem 
receber suplementação com 2 mg de ferro elementar/
kg/dia do 30º dia de vida até o 1º ano de vida e após 
esse período devem receber 1 mg ferro/kg/dia até os 
dois anos de idade [14].
O tratamento da anemia ferropriva consiste 
na administração oral de sais ferrosos como sulfato, 
fumarato, gluconato ou citrato [15]. A dose de ferro 
utilizada no tratamento é de 3 a 5 mg ferro elementar/
kg/dia. A duração deve ser de três a seis meses para 
que, após a normalização dos níveis sanguíneos de 
hemoglobina, seja garantida a reposição dos estoques 
de ferro no organismo [14].
No Brasil foram realizados estudos que testaram 
e avaliaram a administração de suplementos de ferro 
com a fi nalidade de combater a anemia ferropriva em 
crianças.
Torres et al. [16] testaram a utilização de doses 
profi láticas de sulfato ferroso em crianças atendidas 
em Unidades Básicas de Saúde de São Paulo. O estudo 
foi realizado com um grupo de 620 crianças de 4 a 36 
meses de idade que receberam suplementação com 12 
mg/dia de ferro elementar, durante 30 dias. Antes da 
intervenção, 38,4% das crianças apresentaram valores 
de hemoglobina inferiores a 11g/dl. Do grupo inicial 
de crianças, 299 passaram por uma segunda coleta 
de sangue, sendo que 155 estavam anêmicas antes da 
intervenção. Entre as crianças reavaliadas, constatou-se 
que 157 receberam corretamente a medicação e, entre 
elas, a prevalência de anemia passou de 48,4% para 
28,1%; 116 receberam incorretamente a medicação e, 
entre elas, a prevalência de anemia passou de 58,6% 
para 43,1%. Nas 26 crianças restantes, a administração 
do medicamento foi caracterizada como duvidosa. 
Costa et al. [17] avaliaram o efeito da suple-
mentação alimentar com suco de acerola nos níveis 
sanguíneos de vitamina C e de hemoglobina em um 
grupo inicial de 104 crianças de 2 a 6 anos de idade, 
matriculadas em creches de João Pessoa. Inicialmente, 
constatou-se que 69,2% apresentaram defi ciência de 
vitamina C (níveis de ácido ascórbico no sangue < 0,8 
mg/dl) e a prevalência de anemia variou de 22,6% a 
135
Nutrição Brasil - março/abril 2009;8(2)
43,3%, no grupo de crianças que apresentou níveis 
séricos normais de vitamina C e naquele que apre-
sentou defi ciência dessa vitamina, respectivamente. 
O grupo de crianças com baixos níveis séricos de 
vitamina C recebeu suplementação com 150 ml de 
suco de acerola, no almoço, durante um período de 35 
dias consecutivos. Após esse período, 93% das crianças 
apresentaram níveis sanguíneos normais de vitamina C 
e houve aumento signifi cativo naconcentração média 
de hemoglobina, passando de 11,17 ± 1,46 g/dl para 
12,22 ± 1,52 g/dl. 
Monteiro et al. [18] realizaram estudo randomi-
zado com crianças residentes na cidade de São Paulo, 
no qual verifi cou-se a efi cácia da suplementação sema-
nal com aproximadamente 4 mg de ferro elementar 
por quilograma de peso em crianças de 6 a 59 meses 
de idade. Antes da intervenção, encontrou-se uma 
prevalência de anemia de 30,1% no grupo controle e 
de 41,7% no grupo intervenção. No grupo controle, 
os pais das crianças anêmicas foram aconselhados 
a levá-las a unidades de saúde para tratamento. No 
grupo teste, todos os pais receberam frascos de um 
xarope de sulfato ferroso com instruções para oferecer 
o produto à criança, uma vez por semana. Após um 
período médio de 7 meses, observou-se aumento da 
concentração de hemoglobina nos dois grupos, sendo 
1 g/dl no grupo intervenção e 0,45 g/dl no grupo 
controle, em média. 
Vianna e Gonçalves [19] verifi caram que a suple-
mentação de ferro com fórmula infantil fortifi cada foi, 
incontestavelmente, mais efi caz que a suplementação 
com sulfato ferroso para prevenir anemia ferropriva 
em um grupo de lactentes. O estudo foi realizado 
com 66 lactentes nascidos prematuros e com pesos 
compreendidos entre 1000 g e 2000 g. Os lactentes 
foram divididos em dois grupos: um grupo recebeu 
fórmula fortifi cada com 11 mg Fe/litro e o outro re-
cebeu leite de vaca em pó integral e foi suplementado 
com sulfato ferroso em gotas (2 mg Fe/kg/dia). Aos 12 
meses de idade, o grupo que recebeu fórmula fortifi -
cada apresentou níveis consideravelmente maiores de 
hemoglobina, hematócrito, ferro sérico e saturação da 
CTLF (Capacidade Total de Ligação do Ferro). 
Brunken, Muniz e Silva [20] testaram um es-
quema de suplementação semanal com ferro, em um 
grupo de 178 crianças menores de 3 anos, provenien-
tes de seis creches de Cuiabá. Durante quatro meses, 
6 mg de ferro por quilograma de peso na forma de 
sulfato ferroso foram oferecidos semanalmente. Após 
esse período, verifi cou-se aumento médio de 1,6 g/l 
nos níveis de hemoglobina e a prevalência de anemia 
reduziu para 1/3. Além disso, seguiram-se orientações 
alimentares para os cardápios das creches, com o ob-
jetivo de controlar os níveis de hemoglobina. Após 
nove meses, sendo que nos primeiros quatro meses 
realizou-se a suplementação semanal; e nos cinco 
meses seguintes, orientação alimentar, verifi cou-se que 
a prevalência de anemia reduziu para ¼. 
Em 2005, o Governo Brasileiro instituiu o 
Programa Nacional de Suplementação de Ferro. De 
acordo com esse programa todas as crianças a partir do 
6º mês devem receber 25 mg de sulfato ferroso, uma 
vez por semana, até completar 18 meses [21].
Lima et al. [22] avaliaram os impactos da admi-
nistração semanal de sulfato ferroso sobre os níveis 
de hemoglobina de lactentes anêmicos no estado de 
Pernambuco. Aos 12 meses de vida, fez-se avaliação dos 
níveis de hemoglobina de 245 crianças e constatou-se 
que 73,5% estavam anêmicas. As crianças foram divi-
didas em três grupos: 111 crianças com anemia leve 
(Hb entre 9 e 10,9 g/dl), 69 com anemia moderada 
ou grave (Hb < 9 g/dl) e 65 sem anemia (Hb ≥ 11 
g/dl). As crianças anêmicas foram tratadas com 45 
mg de ferro elementar, administrado pela equipe da 
pesquisa, em dose única semanal, por seis meses. Aos 
18 meses de vida mediram-se novamente os níveis de 
hemoglobina de 220 crianças e verifi cou-se, entre as 
que receberam o medicamento, uma elevação média 
nos níveis de hemoglobina de 1,6 g/dl, sendo que 
42,3% se recuperaram da doença. Nas crianças sem 
anemia e não tratadas houve uma redução média dos 
níveis de hemoglobina na ordem de 0,5 g/dl. 
Estudos com crianças, gestantes e adolescentes 
evidenciam que a suplementação com vitamina A 
melhora o estado nutricional de ferro, possibilitando 
redução na prevalência de anemia ferropriva [23].
 Pereira et al. [24] testaram a efi cácia da suple-
mentação de ferro associada ou não a vitamina A na 
redução da prevalência de anemia ferropriva em um 
grupo de 267 escolares, com idades entre 6 e 14 anos, 
provenientes de escolas públicas do município de São 
João em Pernambuco. Os escolares foram divididos em 
dois grupos. Durante 30 semanas, um grupo recebeu 
200 mg de sulfato ferroso contendo 40 mg de ferro 
elementar, na forma de comprimido, administrado 
uma vez por semana; o outro recebeu a mesma dose 
de sulfato ferroso e 10000 UI de palmitato de retinol 
administrados uma vez por semana. Antes da inter-
venção, verifi cou-se que 53,2% dos escolares eram 
portadores de anemia (Hb < 12g/dl). Após o período 
de suplementação, verifi cou-se que a prevalência de 
anemia passou de 48,4% para 17,7% no grupo que 
recebeu apenas sulfato ferroso. No grupo que recebeu 
suplementação com ferro e vitamina A a prevalência 
de anemia passou de 58,1% para 14,3%. Segundo os 
autores, o esquema suplementar com sulfato ferroso 
reduziu signifi cativamente a prevalência de anemia 
entre os escolares. No entanto, não foram observados 
136
Nutrição Brasil - março/abril 2009;8(2)
melhores resultados com associação da vitamina A ao 
esquema.
Educação nutricional no combate à anemia 
ferropriva
A educação nutricional consiste em educar pes-
soas com o objetivo de alcançar uma melhoria geral 
do estado nutricional através da promoção de hábitos 
alimentares adequados, eliminação de práticas dietéti-
cas inadequadas, introdução de melhores práticas de 
higiene dos alimentos e uso mais efi ciente dos recursos 
alimentares [25].
O aleitamento materno exclusivo até os 6 meses 
de idade é capaz de suprir as necessidades de ferro do 
lactente. Após esse período, é necessária a introdução 
de alimentos complementares para garantir ingestão 
adequada desse mineral [26].
Netto et al. [27] pesquisaram fatores associados à 
anemia e defi ciência de ferro em lactentes. Verifi caram 
que a introdução tardia de sucos e frutas na alimenta-
ção proporcionou menores concentrações de hemoglo-
bina e que as crianças que consumiam leite próximo 
às refeições apresentaram maior risco de defi ciência de 
ferro, resultados que podem ser atribuídos aos efeitos 
benéfi cos da vitamina C na absorção do ferro e aos 
efeitos negativos do cálcio na absorção do mesmo. 
Vitolo e Bortolini [28] analisaram fatores die-
téticos de proteção contra anemia em 369 crianças 
de 12 a 16 meses de idade, residentes no município 
de São Leopoldo, Rio Grande do Sul. Constatou-se 
que 63,7% estavam anêmicas. Encontrou-se maior 
consumo de ferro e vitamina C entre as crianças não 
anêmicas e que o consumo diário superior de 70 
gramas de carne associado ao consumo de mais de 
25 mg de vitamina C foi uma prática alimentar asso-
ciada à ausência de anemia entre crianças com baixa 
condição socioeconômica. Os autores concluíram que 
a composição da dieta, e não a quantidade total de 
alimentos consumidos, é o elemento mais importante 
na prevenção da anemia.
Discussão
A fortifi cação de alimentos com ferro é uma 
medida de intervenção recomendada principalmente 
para regiões onde se encontram elevadas prevalências 
de anemia [29]. Não necessita da adesão da mãe à 
intervenção, pois, ao se ingerir o alimento, tem-se a 
certeza da ingestão do ferro [30].
Em muitos estudos com grupos de crianças 
observaram-se efeitos benéfi cos da fortifi cação de ali-
mentos no combate à defi ciência de ferro [7-10]. No 
entanto, devido ao fato desses estudos terem apresen-
tado algumas limitações metodológicas, não é possível 
comprovar que essa medida é realmente efetiva e efi caz 
para combater a defi ciência de ferro em populações 
como verifi caram Assunção e Santos [11]. Assunção et 
al. [13] observaram que a fortifi cação obrigatória das 
farinhas de trigo e de milho não foi efetiva para reduzir 
a prevalência de anemia entre as crianças menores de 6 
anos, na cidade de Pelotas, fato que pode ser explicado 
pelo baixo consumo de alimentos feitos com farinha 
por crianças em tal faixa etária. 
Brunken, Munize Silva [20], Monteiro et al. 
[18], Pereira et al. [24] obtiveram bons resultados 
com a suplementação semanal com sais de ferro. 
A suplementação medicamentosa é indispensável 
nos casos em que a anemia já está instalada, pois as 
modifi cações na dieta não são capazes de corrigir a 
anemia por defi ciência de ferro [31]. A suplementação 
preventiva ou curativa com sais de ferro proporciona 
bons resultados em grupos específi cos, constituindo-
se a medida mais comumente utilizada no combate à 
anemia [32]. No entanto, resultados pouco satisfatórios 
podem ocorrer devido à baixa adesão ao tratamento, 
como pode ser observado no estudo de Torres et al. 
[16]. Efeitos colaterais da administração de sais de ferro 
(que podem ser mais perceptíveis que os sintomas da 
anemia) e a longa duração do tratamento também são 
fatores que limitam a efetividade da suplementação 
medicamentosa [33]. Lima et al. [22] concluíram 
que é necessário pensar em esquemas de intervenção 
medicamentosa que atuem de forma integrada com a 
educação nutricional e outras medidas.
Vianna e Gonçalves [19] obtiveram melhores 
resultados com a utilização de uma fórmula infantil 
fortifi cada do que com a suplementação com ferro 
em prematuros. No entanto, devido ao elevado custo 
das fórmulas infantis, é difícil pensar em sua utiliza-
ção como medida de intervenção para o controle da 
anemia em populações de baixa renda. 
Analisando-se os estudos de Netto et al. [27] e 
Vitolo e Bortolini [28] é possível inferir a associação 
entre a alimentação inadequada e a ocorrência de ane-
mia em crianças. Promover a educação nutricional com 
os cuidadores das crianças é medida fundamental para 
a prevenção e tratamento da anemia na infância. 
A partir do exposto acima, pode-se perceber 
que a suplementação medicamentosa e a fortifi cação 
de alimentos apresentam limitações, apesar de serem 
abordagens utilizadas e que proporcionam bons resul-
tados em muitos casos. A educação nutricional tem o 
papel de otimizar os resultados proporcionados por es-
sas abordagens, aumentando as chances da ocorrência 
de resultados satisfatórios, além de mantê-los a longo 
prazo. No estudo de Brunken, Muniz e Silva [20], 
os bons resultados da suplementação semanal com 
137
Nutrição Brasil - março/abril 2009;8(2)
ferro foram otimizados pelas orientações alimentares 
que proporcionaram melhorias na qualidade da dieta 
oferecida nas creches.
De acordo com recomendação da Academia 
Americana de Pediatria, deve-se ter o cuidado para que 
a quantidade de ferro oferecida à criança, através da su-
plementação e/ou da fortifi cação, não ultrapasse 15 mg 
de ferro por dia, independentemente do peso [34].
A Sociedade Brasileira de Pediatria [35] recomen-
da as seguintes medidas para a prevenção da anemia na 
infância: consumo de alimentos ricos em ferro heme 
(carnes), uma vez por dia; consumo de duas porções 
de frutas ou suco de frutas cítricas por dia; consumo de 
alimentos enriquecidos com ferro (leite, cereais); pres-
crição de doses profi láticas de ferro medicamentoso até 
os dois anos de idade. Para o tratamento da doença 
a SBP recomenda as seguintes medidas: aumentar o 
consumo de carnes; aumentar a oferta de frutas cítri-
cas; evitar alimentos com ferro pouco absorvido (ovo, 
espinafre, milho, aveia); não oferecer chá preto, mate, 
café ou refrigerante próximo às refeições; administrar 
ferro medicamentoso por via oral.
Conclusão
A educação nutricional, a suplementação e a 
fortifi cação são medidas de intervenção importantes 
no combate à anemia ferropriva em crianças brasileiras. 
Quando utilizadas conjuntamente há maior probabili-
dade da ocorrência de resultados efetivos e efi cazes. 
A adoção de estratégias com educação nutricional 
associada à fortifi cação ou à suplementação ou educa-
ção nutricional associada à fortifi cação e à suplemen-
tação possibilita maiores chances da ocorrência de in-
gestão adequada de nutrientes envolvidos na etiologia 
da anemia ferropriva a longo prazo. Essas estratégias 
podem ser utilizadas pelo governo e profi ssionais de 
saúde com o objetivo de combater a anemia ferropri-
va entre as crianças brasileiras. Portanto, acredita-se 
que é possível reduzir a prevalência de anemia por 
defi ciência de ferro entre as crianças brasileiras através 
da fortifi cação de alimentos, da suplementação e da 
educação nutricional.
Através da pesquisa à literatura especializada, ve-
rifi cou-se escassez de estudos que avaliaram a educação 
nutricional associada à fortifi cação e/ou à suplementa-
ção como estratégias no combate à anemia ferropriva. 
Se faz necessário, portanto, realização de trabalhos 
que testem e avaliem os impactos de estratégias com 
educação nutricional, associada à fortifi cação e/ou à 
suplementação. Também há necessidade de estudos 
que testem e avaliem os resultados de intervenções 
com suplementação, bem como de estudos com for-
tifi cação, objetivando encontrar meios de minimizar 
as limitações da suplementação medicamentosa e da 
fortifi cação de alimentos. Acredita-se que esses novos 
estudos fornecerão mais subsídios para que o governo, 
os profi ssionais de saúde e a sociedade estabeleçam 
medidas que visem à redução da defi ciência de ferro 
entre as crianças brasileiras. 
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139
Nutrição Brasil - março/abril 2009;8(2)
Normas de publicação Nutrição Brasil
A revista Nutrição Brasil é uma publicação com periodicidade 
bimestral e está aberta para a publicação e divulgação de artigos cien-
tífi cos das áreas relacionadas à Nutrição. 
Os artigos publicados em Nutrição Brasil poderão também 
ser publicados na versão eletrônica da revista (Internet) assim como 
em outros meios eletrônicos (CD-ROM) ou outros que surjam no 
futuro, sendo que pela publicação na revista os autores já aceitem 
estas condições.
A revista Nutrição Brasil assume o “estilo Vancouver” (Uniform 
requirements for manuscripts submitted to biomedical journals) pre-
conizado pelo Comitê Internacional de Diretores de Revistas Médicas, 
com as especifi cações que são detalhadas a seguir. Ver o texto completo 
em inglês desses Requisitos Uniformes no site do International Com-
mittee of Medical Journal Editors (ICMJE), www.icmje.org, na versão 
atualizada de outubro de 2007 (o texto completo dos requisitos está 
disponivel, em inglês, no site de Atlântica Editora em pdf).
Os autores que desejarem colaborar em alguma das seções da 
revista podem enviar sua contribuição (em arquivo eletrônico/e-mail) 
para nossa redação, sendo que fi ca entendido que isto não implica na 
aceitação do mesmo, o que será notifi cado ao autor.
O Comitê Editorial poderá devolver, sugerir trocas ou retor-
no de acordo com a circunstância, realizar modifi cações nos textos 
recebidos; neste último caso não se alterará o conteúdo científi co, 
limitando-se unicamente ao estilo literário.
Artigos originais, Revisões e Estudo de casos podem ser subme-
tidos, em português, inglês, ou espanhol, a critério dos autores.
1. Editorial
Trabalhos escritos por sugestão do Comitê Científi co, ou por 
um de seus membros.
Extensão: Não devem ultrapassar três páginas formato A4 em 
corpo (tamanho) 12 com a fonte Times New Roman com todas as 
formatações de texto, tais como negrito, itálico, sobrescrito, etc; a 
bibliografi a não deve conter mais que dez referências.
2. Artigos originais
São trabalhos resultantes de pesquisa científi ca apresentando 
dados originais de descobertas com relação a aspectos experimentais 
ou observacionais, e inclui análise descritiva e/ou inferências de dados 
próprios. Sua estrutura é a convencional que traz os seguintes itens: 
Introdução, Métodos, Resultados, Discussão e Conclusão.
Texto: Recomendamos que não seja superior a 12 páginas, for-
mato A4, fonte English Times (Times Roman) tamanho 12, com todas 
as formatações de texto, tais como negrito, itálico, sobre-escrito, etc. 
O total de caracteres não deve ultrapassar 25.000/30.000 caracteres, 
inclusos espaçamentos.
Tabelas: No máximo seis tabelas, no formato Excel/Word.
Figuras: No máximo 8 fi guras, digitalizadas (formato .tif ou 
.gif ) ou que possam ser editados em Power-Point, Excel, etc.
Bibliografi a: É aconselhável no máximo 50 ref. bibliográfi cas.
Os critérios que valorizarão a aceitação dos trabalhos serão 
o de rigor metodológico científi co, novidade, interesse profi ssional, 
concisão da exposição, assim como a qualidade literária do texto.
3. Revisão
São trabalhos que versem sobre alguma das áreas relacionadas 
à Nutrição, que têm por objeto resumir, analisar, avaliar ou sintetizar 
trabalhos de investigação já publicados em revistas científi cas. Quanto 
aos limites do trabalho, aconselha-se o mesmo dos artigos originais.
4. Atualização
São trabalhos que relatam informações geralmente atuais 
sobre tema de interesse dos profi ssionais de Nutrição (novas técnicas, 
legislação, por exemplo) e que têm características distintas de um 
artigo de revisão.
5. Relato de caso
São artigos que representan dados descritivos de um ou mais 
casos explorando um método ou problema através de exemplo. Apre-
senta as características do indivíduo estudado, com indicação de sexo, 
idade e pode ser realizado em humano ou animal.
6. Comunicação breve
Esta seção permitirá a publicação de artigos curtos, com maior 
rapidez. Isto facilita que os autores apresentem observações, resultados 
iniciais de estudos em curso, e inclusive realizar comentários a trabalhos 
já editados na revista, com condições de argumentação mais extensa 
quena seção de cartas do leitor.
Texto: Recomendamos que não seja superior a três páginas, 
formato A4, fonte Times New Roman, tamanho 12, com todas as 
formatações de texto, tais como negrito, itálico, sobre-escrito, etc.
Tabelas e fi guras: No máximo quatro tabelas em Excel e fi guras 
digitalizadas (formato .tif ou .gif ) ou que possam ser editados em 
Power Point, Excel, etc
Bibliografi a: São aconselháveis no máximo 15 referências 
bibliográfi cas.
7. Resumos
Nesta seção serão publicados resumos de trabalhos e artigos 
inéditos ou já publicados em outras revistas, ao cargo do Comitê 
Científi co, inclusive traduções de trabalhos de outros idiomas.
8. Correspondência
Esta seção publicará correspondência recebida, sem que neces-
sariamente haja relação com artigos publicados, porém relacionados 
à linha editorial da revista. Caso estejam relacionados a artigos an-
teriormente publicados, será enviada ao autor do artigo ou trabalho 
antes de se publicar a carta.
Texto: Com no máximo duas páginas A4, com as especifi cações 
anteriores, bibliografi a incluída, sem tabelas ou fi guras.
Preparação do original
1. Normas gerais
1.1 Os artigos enviados deverão estar digitados em processador 
de texto (Word), em página de formato A4, formatado da seguinte 
140
Nutrição Brasil - março/abril 2009;8(2)
maneira: fonte Times New Roman, tamanho 12, com todas as forma-
tações de texto, tais como negrito, itálico, sobrescrito, etc.
1.2 Numere as tabelas em romano, com as legendas para cada 
tabela junto à mesma.
1.3 Numere as fi guras em arábico, e envie de acordo com as 
especifi cações anteriores.
As imagens devem estar em tons de cinza, jamais coloridas, e 
com qualidade ótima (qualidade gráfi ca – 300 dpi). Fotos e desenhos 
devem estar digitalizados e nos formatos .tif ou .gif.
1.4 As seções dos artigos originais são estas: resumo, introdução, 
material e métodos, resultados, discussão, conclusão e bibliografi a. O 
autor deve ser o responsável pela tradução do resumo para o inglês e 
o espanhol e também das palavras-chave (key-words). O envio deve 
ser efetuado em arquivo, por meio de disquete, zip-drive, CD-ROM 
ou e-mail. Para os artigos enviados por correio em mídia magnética 
(disquetes, etc) anexar uma cópia impressa e identifi car com etiqueta 
no disquete ou CD-ROM o nome do artigo, data e autor, incluir 
informação dos arquivos, tais como o processador de texto utilizado 
e outros programas e sistemas.
2. Página de apresentação
A primeira página do artigo apresentará as seguintes infor-
mações:
- Título em português e inglês.
- Nome completo dos autores, com a qualifi cação curricular e títulos 
acadêmicos.
- Local de trabalho dos autores.
- Autor que se responsabiliza pela correspondência, com o respectivo 
endereço, telefone e E-mail.
- Título abreviado do artigo, com não mais de 40 toques, para pa-
ginação.
- As fontes de contribuição ao artigo, tais como equipe, aparelhos, 
etc.
3. Autoria
Todas as pessoas consignadas como autores devem ter partici-
pado do trabalho o sufi ciente para assumir a responsabilidade pública 
do seu conteúdo.
O crédito como autor se baseará unicamente nas contribuições 
essenciais que são: a) a concepção e desenvolvimento, a análise e inter-
pretação dos dados; b) a redação do artigo ou a revisão crítica de uma 
parte importante de seu conteúdo intelectual; c) a aprovação defi nitiva 
da versão que será publicada. Deverão ser cumpridas simultaneamente 
as condições a), b) e c). A participação exclusivamente na obtenção de 
recursos ou na coleta de dados não justifi ca a participação como autor. 
A supervisão geral do grupo de pesquisa também não é sufi ciente.
4. Resumo e palavras-chave (Abstract, Key-words)
Na segunda página deverá conter um resumo (com no máximo 
150 palavras para resumos não estruturados e 200 palavras para os 
estruturados), seguido da versão em inglês.
O conteúdo do resumo deve conter as seguintes informações:
- Objetivos do estudo.
- Procedimentos básicos empregados (amostragem, metodo-logia, 
análise).
- Descobertas principais do estudo (dados concretos e estatísticos).
- Conclusão do estudo, destacando os aspectos de maior novidade.
Em seguida os autores deverão indicar quatro palavras-chave 
para facilitar a indexação do artigo. Para tanto deverão utilizar os ter-
mos utilizados na lista dos DeCS (Descritores em Ciências da Saúde) 
da Biblioteca Virtual da Saúde, que se encontra no endereço internet 
seguinte: http://decs.bvs.br. Na medida do possível, é melhor usar os 
descritores existentes.
5. Agradecimentos
Os agradecimentos de pessoas, colaboradores, auxílio fi nanceiro 
e material, incluindo auxílio governamental e/ou de laboratórios far-
macêuticos devem ser inseridos no fi nal do artigo, antes as referências, 
em uma secção especial.
6. Referências
As referências bibliográfi cas devem seguir o estilo Vancouver 
defi nido nos Requisitos Uniformes. As referências bibliográfi cas 
devem ser numeradas por numerais arábicos entre parênteses e rela-
cionadas em ordem na qual aparecem no texto, seguindo as seguintes 
normas:
Livros - Número de ordem, sobrenome do autor, letras iniciais 
de seu nome, ponto, título do capítulo, ponto, In: autor do livro (se 
diferente do capítulo), ponto, título do livro, ponto, local da edição, 
dois pontos, editora, ponto e vírgula, ano da impressão, ponto, páginas 
inicial e fi nal, ponto.
Exemplos:
Livro:
May M. Th e facial nerve. New-York: Th ieme; 1986.
Capítulo ou parte de livro:
Phillips SJ. Hypertension and Stroke. In: Laragh JH, editor. 
Hypertension: pathophysiology, diagnosis and management. 2nd ed. 
New-York: Raven press; 1995. p.465-78.
 
Artigos – Número de ordem, sobrenome do(s) autor(es), letras 
iniciais de seus nomes (sem pontos nem espaço), ponto. Título do 
trabalha, ponto. Título da revista ano de publicação seguido de ponto 
e vírgula, número do volume seguido de dois pontos, páginas inicial e 
fi nal, ponto. Não utilizar maiúsculas ou itálicos. Os títulos das revistas 
são abreviados de acordo com o Index Medicus, na publicação List of 
Journals Indexed in Index Medicus ou com a lista das revistas nacionais, 
disponível no site da Biblioteca Virtual de Saúde (http://www.bireme.
br). Devem ser citados todos os autores até 6 autores. Quando mais 
de 6, colocar a abreviação latina et al.
Exemplo:
Yamamoto M, Sawaya R, Mohanam S. Expression and loca-
lization of urokinase-type plasminogen activator receptor in human 
gliomas. Cancer Res 1994;54:5016-20.
Os artigos, cartas e resumos devem ser 
enviados para:
Jean-Louis Peytavin
E-mail: artigos@atlanticaeditora.com.br
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Nutrição Brasil - março/abril 2009;8(2)
Calendário de eventos
2009
ABRIL
1 a 4 de abril
III International Congress on Predia-
betes and Metabolic Syndrome
Nice, França
Informações: www2.kenes.com/Predia-
betes/pages/home.aspx
21 a 24 de abril
II Encontro do Sistema Brasileiro 
de Inspeção de Produtos de Origem 
Animal
III Encontro Nacional de Centros de 
Controle de Zoonoses 
X Congresso Brasileiro de Higienistas 
de Alimentos 
Da alimentação à saúde: equilíbrio, 
contrastes e responsabilidade
Centrosul, Florianopolis, SC
Informações: (48) 3035-4388
E-mail: higienistas2009@attitudepromo.
com.br
MAIO
3 a 6 de maio
17th European Congress on Obesity 
(ECO 2009)
Amsterdã, Países Baixos
Informações: www.easoobesity.org/
eco2009.htm
6 a 9 de maio
III Congresso Mineiro de Nutrição (III 
COMAN): Nutrição, Alimentos e Meio 
Ambiente
Centro de Convenções da Universidade 
Federal de Ouro Preto
Ouro Preto, MG
Informações: www.enut.ufop.br/coman
8 de maio
V Fórum Nacional de Alimentação Esco-
lar - Eficácia da Gestão da Alimentação 
Escolar
Centro de Convenções Frei Caneca
Rua Frei Caneca, 569 Consolação, São 
Paulo, SP
Informações: www.aberc.com.br 
JUNHO
5 a 9 de junho
69th Scientific Sessions American 
Diabetes Association
New Orleans, EUA
Informações: http://scientificsessions.
diabetes.org
11 a 13 de junho
VIII Congresso Brasileiro de Transtor-
nos Alimentares e ObesidadeCentro de Convenções Frei Caneca
Rua Frei Caneca, 569 Consolação, São 
Paulo, SP
Informações: www.cbtao.com.br 
JULHO
23 a 26 de julho
Natural Tech - 5º Feira Internacional 
de Alimentação Saudável, Produtos 
Naturais e Saúde
Pavilhão da Bienal do Ibirapuera, São 
Paulo, SP 
Informações: Francal Feiras (11) 2226-
3100
AGOSTO
13 a 15 de agosto
XIII Congresso Brasileiro de Obesida-
de e Síndrome Metabólica
Centro de Convenções de Salvador, BA
Informações: www.abeso.org.br
27 a 29 de agosto
III Congresso Brasileiro de Atualiza-
ção em Endocrinologia e Metabologia
Belém, PA
Informações: cbaem@growup-eventos.
com.br
(11) 3044-528 / 3849-0099
SETEMBRO
1 a 4 de setembro
Xº Congresso Nacional da SBAN 
(Sociedade Brasileira de Alimentação 
e Nutrição)
Fecomércio, São Paulo, SP
Informações: www.sban.org.br
OUTUBRO
18 a 22 de outubro
IDF 2009: 20th World Diabetes 
Congress
Montreal, Canadá
Informações: www.idf2009.org/ 
NOVEMBRO
18 a 21 de novembro
XVII Congresso da Sociedade Brasi-
leira de Diabetes
Fortaleza, CE
Informações: www.diabetes.org.br
View publication statsView publication stats
https://www.researchgate.net/publication/263087006

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