Prévia do material em texto
PhD. GABRIEL PAZ - @gabriel.paz 2 Formação Acadêmica PhD. Gabriel Paz § Doutor em Biodinâmica do Exercício - (UFRJ) § Mestre em Biodinâmica do Exercício (UFRJ) § Especialista em Musculação e Treinamento de Força (UFRJ) § Faixa-preta 1ª Dan (World Taekwondo Federation - Kukkiwon) § Técnico em processamento de dados (FAETEC) § Licenciado e Bacharel em Educação Física (UCB-RJ) § Professor Universitário (UCB-RJ, FSJ) § Diretor Técnico do Instituto Biodesp § Pesquisador (EEFD-UFRJ / KINESIOGROUP - FSJ) § Membro da National Strength and Conditioning Association (NSCA) § Mais de 80 Artigos Publicados em Periódicos Nacionais e Internacionais Currículo Lattes CINEMETRIA 2D APLICADA AO TREINAMENTO DE FORÇA 3 Prefácio A ciência do treinamento físico progride no mesmo ritmo que a evolução tecnológica. Neste sentido, a velocidade da informação é um diferencial e ao mesmo tempo um fator que exige constante atualização por parte dos profissionais envolvidos com a reabilitação de lesões e condicionamento físico para saúde ou performance. Atualmente, o treinamento de força ressurge com uma abordagem direcionada para compreensão do movimento humano e suas interações com ambiente e hábitos de vida da sociedade. Dessa forma, áreas como a Cinesiologia e Biomecânica são ferramentas poderosas para auxiliar na medida, avaliação e interpretação das disfunções e análise do comportamento motor. Esse guia prático visa auxiliar através aplicação de procedimentos simples (cinemetria bidimensional), objetivos e com validade científica no cotidiano do profissional de Educação Física e Fisioterapeutas. Bom estudo, Prof. Dr. Gabriel Paz PhD. GABRIEL PAZ - @gabriel.paz 4 CINEMETRIA BIDIMENSIONAL (2D) Em relação ao estudo biomecânico do movimento humano, duas áreas possibilitam uma ampla avaliação de disfunção em relação de padrões que variam desde a marcha até a realização do agachamento. Neste sentido é importante estabelecermos alguns conceitos: CINEMÁTICA: “É a parte da dinâmica que estuda os componentes de movimento (espaço, temporais, velocidade e aceleração), sem importar-se com as forças que causam o movimento. (OSTEOCINEMÁTICA e ARTROCINEMÁTICA)” (1). CINÉTICA “É um ramo da dinâmica que estuda as forças que produzem, param ou modificam o movimento dos corpos como um todo ou de segmentos individuais, como causa desse movimento” (1). Modelos de Avaliação do Movimento Humano Quantativo à Envolve o uso de números na análise ( 6 metros, 3 segundos, 10 kg, 45 graus, etc...) Qualitativa à Envolve a descrição de uma qualidade sem a utilização de números. (Alto, baixo, pesado, leve, forte, fraco, etc...) Abaixo seguem alguns questionamentos que podem surgir e inspirar a avaliação cinemática do movimento: Quais os ângulos das articulações no momento da execução da habilidade ? Qual a força necessária a execução da habilidade ? Como a execução da habilidade pode ser melhorada através posicionamento dos seguimentos corporais ? Serão necessário trajes, iluminação ou ambiente de fundo especiais para facilitar a observação ? Por que o equilíbrio é dificultado quando ficamos sobre um apoio ou uma trave de equilíbrio? Por que uma gestante modifica sua postura ao longo da gravidez? CINEMETRIA 2D APLICADA AO TREINAMENTO DE FORÇA 5 Conceitos Básicos em Cinemática 1. Ponto Material (partícula): São corpos de dimensões desprezíveis comparadas com outras dimensões dentro do fenômeno observado. 2. Corpo Extenso: São corpos cujas dimensões não podem ser desprezadas comparadas com outras dimensões dentro do fenômeno observado. Por exemplo: Peso do antebraço durante a flexão do cotovelo. 3. Movimento, repouso e referencial: Um corpo extenso está em movimento em relação a certo referencial quando o móvel sofre um deslocamento em relação ao mesmo referencial, isto é, quando há uma variação da posição do móvel em função do tempo decorrido (2). É possível haver movimento em relação a certo referencial sem que o móvel se aproxime ou se afaste do mesmo. É o caso de um móvel em movimento circular, quando o referencial adotado é o centro da trajetória. Sua posição (vetor) varia com o tempo, mas a distância do móvel em relação ao centro da trajetória não varia (3). PhD. GABRIEL PAZ - @gabriel.paz 6 4. Trajetória: É o conjunto dos pontos ocupados pelo móvel no correr de seu movimento. Com relação à trajetória você deve saber que: a) A trajetória determina uma das características do movimento. Poderemos ter movimentos retilíneos, circulares, parabólicos etc., em função da trajetória seguida pelo móvel. b) A trajetória depende do referencial adotado. No caso de um corpo solto de um avião que se move horizontalmente com velocidade constante, para um observador fixo ao solo, a trajetória é parabólica, ao passo que para o piloto a trajetória é considerada uma reta. Atenção!! Observe que: quem estiver dentro do avião verá o objeto cair em linha reta e, quem estiver na Terra verá um arco de parábola. 5 - Distância percorrida: Em nosso estudo de cinemática chamaremos distância percorrida pelo móvel à medida associada à trajetória realmente descrita por ele. O hodômetro colocado junto ao velocímetro do carro mede o caminho percorrido por ele. A indicação do hodômetro não depende do tipo de trajetória e nem de sua orientação. Por esse motivo, consideramos a grandeza distância percorrida como, a grandeza escalar, a qual indica uma medida associada à trajetória realmente seguida. 6 – Deslocamento: Definimos deslocamento de um móvel em relação a certo referencial como sendo a variação do vetor posição em relação a esse mesmo referencial. CINEMETRIA 2D APLICADA AO TREINAMENTO DE FORÇA 7 A é o vetor posição inicial, OB o final de AB o vetor deslocamento desse móvel. 7. Velocidade vetorial média: Chamamos de vetor velocidade média (Vm) a razão entre o deslocamento (Dx) do móvel e o tempo decorrido (Dt) nesse deslocamento. 8. Rapidez (Velocidade escalar média) Chamamos de rapidez (velocidade escalar média) (Vm) a razão entre o caminho percorrido (d) e o tempo gasto (Dt) para percorrê-lo. A velocidade média no Sistema Internacional de Unidades (S.I.) é medida em: m/s Lembre-se que: • Para transformarmos km/h em m/s basta dividirmos o número por 3.6; • Para transformarmos m/s em km/h basta multiplicarmos o número por 3.6. Critérios para Análise Cinemática: • Experiência do avaliador com o gesto motor; • Análise 2D ou 3D; • Plano de Observação; • Proximidade; • Repetições; • Roupas; • Marcadores; PhD. GABRIEL PAZ - @gabriel.paz 8 Habilidades a serem avaliadas: Habilidades Planares: (Boliche, Corrida, Ciclismo...) Habilidades Multiplanares: (Luta, Basebol, Tênis..) CINEMETRIA 2D APLICADA AO TREINAMENTO DE FORÇA 9 Equipamentos e vestuário: • Trajes • Marcadores • Iluminação • Especificidade do gesto • Posicionamento • Distância • Câmera (min 2000Hz) Procedimentos: 1) A observação repetida de um movimento permite uma concentração específica gradual nas causas dos erros de desempenho. 2) O fracionamento do movimento permite uma observação de cada componente no desempenho do movimento. PhD. GABRIEL PAZ - @gabriel.paz 10 Tutorial Kinovea O kinovea é um software gratuito para análise biomecânica. É um programa simples e com uma interface muito agradável e atrativa. O software possui algumas funções como: § Desenhar o caminho do ponto marcado, podendo ver variação quanto à altura e distância § Desenhar à lápis, linha, formas geométricas etc. § Exportar em texto, xls dentre outros formatos § Exportar em vídeo mostrando todas as análises § Análise angular dos movimentos § Velocidade e distâncias dos segmentos Download Versão 8.15http://www.kinovea.org/setup/kinovea.0.8.15/Kinovea.Setup.0.8.15.exe ou Versão experimental 8.19 – Versão Utilizada Para Realização Deste Tutorial (recomendada) http://www.kinovea.org/setup/kinovea.0.8.19/Kinovea.Setup.0.8.19.exe 1- Instale o programa normalmente em seu computador. – aqui foi usado a versão 8.19 2- Abra o programa e procure no espaço a esquerda o vídeo que deseja analisar, ao encontra-lo dê dois cliques no vídeo para começar as análises. CINEMETRIA 2D APLICADA AO TREINAMENTO DE FORÇA 11 Você terá essa visualização: Os ícones localizados abaixo do vídeo são as ferramentas que o programa proporciona para as análises. PhD. GABRIEL PAZ - @gabriel.paz 12 1- Adicionar um quadro de imagem 2- Mover 3- Mostrar comentários 4- Texto e numeração automática 5- Lápis 6- Modelos de segmentos com ângulos ( goniômetro, bike fit, profile etc.) 7- Linha e Círculo 8- Seta 9- Marcador em Cruz 10- Ângulo 11- Cronômetro 12- Grade e Grade de Perspectiva 13- Luz direcionada 14- Lupa 15- Perfil de Cores Obs* A tecla Ctrl+scroll do mouse para cima ou para baixo controla o zoom na imagem. Abaixo estão descritas as funções das ferramentas de reprodução do vídeo: CINEMETRIA 2D APLICADA AO TREINAMENTO DE FORÇA 13 1- Para travar os limitadores da área de trabalho 2- Ajustar o quadro atual como o primeiro da zona de trabalho 3- Ajustar o quadro atual como o último da zona de trabalho 4- Resetar a zona de trabalho à original 5- Momento de início da zona de trabalho 6- Duração 7- Barra de navegação 8- O tempo em que a barra se encontra 9- Velocidade do vídeo 10- Voltar ao início do vídeo 11- Ir para quadro de imagem anterior 12- Play 13- Ir para quadro de imagem posterior 14- Pular para o final 15- Mudar o modo de repetição 16- Salvar o quadro mostrado na imagem atual 17- Salvar uma sequência de quadros 18- Salvar vídeo na forma de slideshow 19- Salvar vídeo com uma pausa em cada quadro de imagem PhD. GABRIEL PAZ - @gabriel.paz 14 Fazendo as análises: ângulos e linhas 1- Selecione a ferramenta ângulo (10) abaixo do vídeo, e clique no centro do ponto da articulação que deseja analisar. 2- Com a ferramenta mover (2) arraste os outros pontos do ângulo para o centro dos outros pontos. Se o ângulo estiver do lado errado, com a ferramenta mover clicque com o botão direito sobre o ângulo e escolher a opção “Inverter Ângulo” . 3- Para que o ângulo siga os pontos clique com o botão direito sobre o ângulo e escolha a opção “Desenhar Caminho”, e dê um play ou “ande” quadro por quadro, se o ponto se perder, com a ferramenta mover recoloque o ponto no lugar certo. CINEMETRIA 2D APLICADA AO TREINAMENTO DE FORÇA 15 PhD. GABRIEL PAZ - @gabriel.paz 16 Para as linhas o procedimento é basicamente igual diferenciando-se apenas nas configurações de medidas, como mostrado na imagem abaixo você deve configurar o tamanho real do segmento: Trajetória, Velocidade e Distância 1- Para criar a trajetória selecione a ferramenta mover, clique com o botão direito sobre o ponto que deseja seguir e escolha “Desenhar Caminho” e de play ou “ande” quadro por quadro, ao finalizar a trajetória clique com o botão direito e selecione “Fim da edição do caminho” CINEMETRIA 2D APLICADA AO TREINAMENTO DE FORÇA 17 2 – Se o ponto se perder, pause o vídeo volte até o quadro em que o mesmo estava no lugar correto e clique com o botão direito do mouse e selecione “Apagar a trajetória a partir deste ponto”, coloque o marcador no lugar correto com a ferramenta mover e de quadro em quadro vá arrumando o marcador até que ele siga o ponto sozinho sem errar, e ao finalizar selecione o fim da edição. PhD. GABRIEL PAZ - @gabriel.paz 18 3 – Para saber a velocidade ou distância deve-se antes calibrar uma distância fazendo uma linha e colocando o valor do segmento real: 4- Para mostrar a velocidade ou a distância com a ferramenta mover clique sobre a trajetória com o botão direito e selecione configurar e escolha em “Medida” a opção distância ou velocidade. CINEMETRIA 2D APLICADA AO TREINAMENTO DE FORÇA 19 LINKS INDICADOS www.institutobiodesp.com.br/brc www.institutobiodesp.com.br/biomotion PhD. GABRIEL PAZ - @gabriel.paz 20 REFERÊNCIAS 1. Asadi A, Saez de Villarreal E, Arazi H. The Effects of Plyometric Type Neuromuscular Training on Postural Control Performance of Male Team Basketball Players. J Strength Cond Res. 2015;29:1870-1875. 2. Khuu S, Musalem LL, Beach TA. Verbal Instructions Acutely Affect Drop Vertical Jump Biomechanics-Implications for Athletic Performance and Injury Risk Assessments. J Strength Cond Res. 2015;29:2816-2826. 3. Rath ME, Walker CR, Cox JG, Stearne DJ. Effect of foot type on knee valgus, ground reaction force, and hip muscle activation in female soccer players. J Sports Med Phys Fitness. 2015, in press. 4. Nilstad A, Krosshaug T, Mok KM, Bahr R, Andersen TE. Association between anatomical characteristics, knee laxity and muscle strength, and peak knee valgus during vertical drop jump landings. J Orthop Sports Phys Ther. 2015;45:998-1005 5. Munro A, Herrington L, Carolan M. Reliability of 2-dimensional video assessment of frontal- plane dynamic knee valgus during common athletic screening tasks. J Sport Rehabil. 2012;21:7-11. 6. Herrington L. Knee valgus angle during landing tasks in female volleyball and basketball players. J Strength Cond Res. 2011;25:262-266. 7. Newton RU, Gerber A, Nimphius S, et al. Determination of functional strength imbalance of the lower extremities. J Strength Cond Res. 2006;20:971-977. 8. Pappas E, Carpes FP. Lower extremity kinematic asymmetry in male and female athletes performing jump-landing tasks. J Sci Med Sport. 2012;15:87-92. 9. Shin CS, Chaudhari AM, Andriacchi TP. The effect of isolated valgus moments on ACL strain during single-leg landing: A simulation study. J Biomech 2009;42:280–285. 10. Tiffreau V, Ledoux I, Eymard B, et al. Isokinetic muscle testing for weak patients suffering from neuromuscular disorders: a reliability study. Neuromuscul Disord. 2007;17:524-531. 11. Krych AJ, Woodcock JA, Morgan JA, et al. Factors associated with excellent 6-month functional and isokinetic test results following ACL reconstruction. Knee Surg Sports Traumatol Arthrosc. 2015;23:1053-9. 12. Powers CM. The influence of abnormal hip mechanics on knee injury: a biomechanical perspective. J Orthop Sports Phys Ther. 2010;40:42-51. 13. Menzel HJ, Chagas MH, Szmuchrowski LA, et al. Analysis of lower limb asymmetries by isokinetic and vertical jump tests in soccer players. J Strength Cond Res. 2013;27:1370-1377. CINEMETRIA 2D APLICADA AO TREINAMENTO DE FORÇA 21 14. Doherty C, Bleakley C, Hertel J, et al. Coordination and symmetry patterns during the drop vertical jump, 6-months after first-time lateral ankle sprain. J Orthop Res. 2015;33:1537- 1544. 15. Malloy P, Morgan A, Meinerz C, et al. The association of dorsiflexion flexibility on knee kinematics and kinetics during a drop vertical jump in healthy female athletes. Knee Surg Sports Traumatol Arthrosc. 2015;23:3550-5. 16. Simenz CJ, Garceau LR, Lutsch BN, et al. Electromyographical analysis of lower extremity muscle activation during variations of the loaded step-up exercise. J Strength Cond Res. 2012;26(12):3398-3405. 17. MacAskill MJ, Durant TJ, Wallace DA. Gluteal muscle activity during weightbearing and non-weightbearing exercise. Int J Sports Phys Ther. 2014;9:907-914. 18. Li JS, Hosseini A, Cancre L, Ryan N, et al. Kinematic characteristics of the tibiofemoral joint during a step-upactivity. Gait Posture. 2013;38:712-716. 19. Lubahn AJ, Kernozek TW, Tyson TL, et al. Hip muscle activation and knee frontal plane motion during weight bearing therapeutic exercises. Int J Sports Phys Ther. 2011;6:92-103. 20. Munro A, Herrington L. The effect of videotape augmented feedback on drop jump landing strategy: Implications for anterior cruciate ligament and patellofemoral joint injury prevention. Knee. 2014;21(5):891-895. 21. Stephens TM, Lawson BR, DeVoe DE, et al. Gender and bilateral differences in single-leg countermovement jump performance with comparison to a double-leg jump. J Appl Biomech. 2007;23:190-202. 22. Ganesh GS, Chhabra D, Mrityunjay K. Efficacy of the star excursion balance test in detecting reach deficits in subjects with chronic low back pain. Physiother Res Int. 2015;20:9-15. 23. Kozanek M, Hosseini A, de Velde SK, et al. Kinematic evaluation of the step-up exercise in anterior cruciate ligament deficiency. Clin Biomech. 2011;26:950-954. 24. Brent JL, Myer GD, Ford KR, et al. The effect of sex and age on isokinetic hip-abduction torques. J Sport Rehabil. 2013;22:41-46. 25. Malloy PJ, Morgan AM, Meinerz CM, et al. Hip external rotator strength is associated with better dynamic control of the lower extremity during landing tasks. J Strength Cond Res. 2016;30:282-291. *Obs: O tutorial do Kinovea foi modificado e compartilhado com autorização do autor: Prof. Danilo Arruda