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custo total de um produto.
Exemplo:
 
A XVC têxtil produziu 10.000 unidades de seu produto no mês passado. 
Sabe-se que não havia estoques iniciais de produtos acabados e nem de produtos 
em elaboração. A indústria vendeu 7.000 produtos por 5,00 cada um. Outros 
dados observados foram:
UNIDADE 2 | SISTEMAS DE CUSTEIO E FORMAÇÃO DE PREÇOS
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A seguir vamos realizar um comparativo entre o custeio por absorção e o 
custeio variável. Note as diferenças entre os dois métodos.
TÓPICO 2 | MÉTODOS DE CUSTEIO
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QUADRO 15 – CUSTEIO POR ABSORÇÃO X CUSTEIO VARIÁVEL
Custeamento Variável Custeamento por absorção
Classifica os custos em fixos e variáveis. Não há preocupação por essa classificação.
Classifica os custos em diretos e indiretos 
Debita o segmento, cujo custo está sendo apurado, 
apenas os custos que são diretos ao segmento 
e variáveis em relação ao parâmetro escolhido 
como base.
Também classifica os custos em diretos e indiretos.
Debita-se o segmento cujo custo está sendo 
apurado os seus custos diretos e também os custos 
indiretos através de uma taxa de absorção.
Os resultados apresentados sofrem influência 
direta do volume de vendas.
Os resultados apresentados sofrem influência 
direta do volume de produção.
É um critério administrativo, gerencial, interno. 
Aparentemente sua filosofia básica contraria os 
preceitos geralmente aceitos na Contabilidade, 
principalmente os fundamentos do “regime de 
competência”.
É um critério legal, fiscal, externo.
Aparentemente, sua filosofia básica alia-se 
aos preceitos contábeis geralmente aceitos, 
principalmente aos fundamentos do “regime de 
competência”.
Apresenta a Margem de Contribuição: diferença 
entre as receitas e os custos e despesas variáveis 
do segmento estudado.
Apresenta a Margem Operacional (Lucro Bruto) 
diferença entre as receitas e os custos diretos e 
indiretos do segmento estudado.
O custeamento variável destina-se a auxiliar,
sobretudo, a gerência no processo de planejamento 
e de tomada de decisões.
O custeamento por absorção destina-se a auxiliar 
a gerência no processo de determinação da 
rentabilidade e de avaliação patrimonial.
Como o custeamento variável trata dos custos 
diretos e variáveis de determinado segmento, o 
controle da absorção dos custos da capacidade 
ociosa não é bem explorado.
Como o custeamento por absorção trata dos custos 
diretos e indiretos de determinado segmento, sem 
cogitar de perquirir se os custos são variáveis ou 
fixos, apresenta melhor visão para o controle da 
absorção dos custos da capacidade ociosa.
FONTE: Leone (2000, p. 406-407)
Para entendermos melhor a diferença vamos supor que a empresa XVC 
têxtil produziu 1000 unidades do produto A, tendo como valor de custos variáveis 
o valor de R$ 20.000,00, custos fixos no valor de R$ 12.000,00, despesas variáveis 
no valor de R$ 4.000,00 e as despesas fixas somando R$ 6.000,00, ela teve um 
volume de vendas de 800 unidades a um valor de R$ 60,00 por unidade.
UNIDADE 2 | SISTEMAS DE CUSTEIO E FORMAÇÃO DE PREÇOS
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FONTE: O autor
Podemos verificar a seguir as diferenças entre os dois tipos de custeio:
FONTE: O autor
No custeio por absorção o custo de produção no período (CPP) é maior 
em R$ 12.000,00 Esse valor corresponde aos custos fixos, que no custeio variável 
não são considerados como custos, mas sim como despesa.
TÓPICO 2 | MÉTODOS DE CUSTEIO
107
4 MÉTODO RKW
A sigla representa as iniciais de um antigo conselho governamental para 
assuntos econômicos (Reinchskuratorium für Winrtschaftlichtkeit) que existiu na 
Alemanha, o qual, segundo Martins (2000, p. 236), “seria semelhante ao antigo 
Conselho Interministerial de Preços”. Nesse método, são apropriados aos 
produtos não somente os custos de produção, como também todas as despesas 
da empresa, inclusive as financeiras (MARTINS, 2000, p. 236; PADOVEZE, 
2005, p. 149).
 
É importante esclarecer que este método de custeio é utilizado exclusivamente 
para fins gerenciais, podendo ser implantado nas empresas, dependendo das 
informações que se pretende.
Os primeiros usos observados deste tipo de informação de custos, na 
época em que engenheiros mecânicos desempenhavam o papel de contadores de 
custos nas organizações, consistiam na monitoração de eficiência de processos 
fabris e de produtos, e também na avaliação de rentabilidade dos mesmos, desde 
que a massa de custos indiretos e de despesas fosse cuidadosamente rastreada 
aos produtos. 
O RKW busca uma melhor distribuição dos custos indiretos em 
determinados períodos da produção. Para Perez Jr. e Costa apud Massuda (2003, 
p. 32): “A distribuição de custos indiretos nos departamentos permite melhor 
distribuição dos produtos fabricados, reduzindo a probabilidade de erros e a 
transferência indevida de custos indiretos de um produto para outro”.
A grande vantagem da utilização deste método é o fato dele levar em 
consideração todos os gastos da empresa, sem exceção.
Assim, de forma mais conservadora esse método ressalta a prudência 
em considerar como base na formação de preços o montante total de custos 
e despesas em que a empresa incorre, pois, a partir disso, o preço praticado 
para cada produto permite a cobertura de todos os gastos. Bastando então 
acrescentar o lucro desejado para se obter o preço de venda final.
Este método de custeio não faz distinção entre custos fixos e variáveis, 
o que pode levar a empresa a não vender determinado produto por não cobrir 
o custo do produto, porém o custo estaria distorcido visto que uma parcela dos 
custos fixos totais já está embutida ao produto e o custo unitário do produto 
não é real.
É aplicado ao custo dos produtos um índice percentual igual para 
fazer a provisão de lucros, o que pode levar a uma superestimava de lucros 
ou esconder um produto que não dá lucro devido ao custo de fabricação ser 
elevado.
UNIDADE 2 | SISTEMAS DE CUSTEIO E FORMAÇÃO DE PREÇOS
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Nesse método, considera-se a eficiência máxima da empresa, não leva 
em consideração a concorrência, o que pode acarretar um preço de venda irreal, 
pois, para manter-se no mercado a empresa deve ter um preço competitivo.
No dia a dia torna-se impossível encontrar o custo unitário do produto 
(CPV) por possuir a parcela de custo fixo total, assim como despesa operacional 
unitária. Também não são consideradas as oscilações no volume de produção e 
os efeitos desta no custo unitário.
Para a implantação do método RKW ou custeio pleno, é necessário 
obedecer aos seguintes procedimentos, os quais, segundo Bornia (2002), 
podem ser sintetizados em cinco etapas: separação dos custos em itens; divisão 
da empresa em centros de custos; identificação dos custos com os centros 
(distribuição primária); redistribuir os custos dos centros indiretos até os 
diretos (distribuição secundária); distribuição dos custos dos centros diretos 
aos produtos (distribuição final).
A primeira etapa consiste em realizar a separação dos custos em itens, 
já que os custos são os valores dos insumos consumidos, possuindo naturezas 
e comportamentos diferentes, não podendo ser tratados de uma só maneira, 
mediante rateio simples.
A segunda etapa divide a empresa em centros de custos. Para isso, pode 
utilizar-se o organograma da empresa, sendo possível visualizar cada setor e 
torná-lo um centro de custo.
A terceira etapa procura identificar os custos com os respectivos centros 
ou distribuição primária, utilizando-se de bases ou critérios de distribuição 
para alocar os custos aos centros. De acordo com Bornia (2002, p. 105), a regra 
para a escolha dessas bases é uma só:
A distribuição dos custos deve representar da melhor forma possível 
o uso dos recursos. Como os custos são os valores dos insumos 
utilizados, a distribuição dos custos