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TEORIA DAS RELAÇÕES INTERNACIONAIS INTRODUÇÃO A disciplina de Relações Internacionais (RI) nasce no entre Guerras, com a primeira cátedra universitária dedicada a este campo de estudo, a Woodrow Wilson, criada em 1919, em Aberystwyth, Reino Unido. A evolução da disciplina e da discussão do seu objeto está também associada às suas vinculações acadêmicas: Nos Estados Unidos, esse processo ocorreu na Ciência Política com a busca pela sujeição empírica e pelo positivismo. No contexto britânico, as RI associaram-se de forma mais autônoma com outras áreas, como o Direito, a Filosofia e a História, admitindo uma construção mais normativa. De fato. enquanto Ciência Social, a classificação torna-se mais evidente a partir da década de 1940, em que a disciplina de RI caminha marcada pela intangibilidade do seu objeto e assim avança no século XX. Mesmo com as tentativas de sistematização, a evolução do campo de estudos destacou a complexidade da área. Uma das principais características das RI é que os investigadores que se debruçam sobre essa temática não compõem um grupo coeso que se dedica ao estudo de um único elemento, pelo contrário, os estudos se caracterizaram por uma marcante diversidade temática, o que resulta em produções que englobam desde as questões políticas, ideológicas, teóricas, mas também as metodológicas e meta-teóricas. INTRODUÇÃO A rigor, não se pode falar em origem das relações internacionais nem em teorias absolutamente homogêneas. Tradicionalmente, porém, se considera que o primeiro esforço sistematizado em pensar as relações internacionais ocorreu em 1917 com a fundação na Escócia do primeiro departamento de Relações Internacionais da história. Pensando numa forma de evitar os males da guerra (tendo em vista os desastres da Primeira Guerra Mundial) os cientistas dessa escola debateram formas de normatizar as relações internacionais. Na véspera do início da Segunda Guerra Mundial, contudo, um estudioso chamado Edward Carr criticou pela primeira vez os postulados desses primeiros cientistas em seu livro Vinte Anos de Crise, denominando-os como idealistas, por pensarem o mundo na forma como ele deveria ser ao invés de pensarem o mundo como ele efetivamente era. O realismo se define, sobretudo, baseado na oposição de Carr aos idealistas, ou seja, como uma teoria que vê o mundo da forma como ele realmente é, desvinculado de princípios morais. Não obstante, a expressão mais consolidada do realismo toma forma apenas após a Segunda Guerra Mundial, com a publicação do livro Política Entre as Nações de Hans Morgenthau. Com as mudanças no campo das ciências humanas e a transformação do meio internacional (guerra fria e degelo, expansão das organizações internacionais e aceleração do processo de globalização, etc.), muitos autores, realistas ou não, começaram a criticar e rever a obra de Morgenthau, oferecendo visões muito diversas de realismo, como o realismo estruturalista de Kenneth Waltz, cuja obra Teoria Da Política Internacional, de 1979, teve um impacto profundo nas ciências políticas. PRIMEIRO GRANDE DEBATE: Liberais (idealistas) x realistas 4 Nos incipientes anos da nova disciplina um grupo de autores (Angell; Wilson; Woolfe; Noel), como reflexo da ordem social devastada pela I Guerra Mundial, arquitetou as RI a partir de mecanismos que efetivassem um regime institucional que assegurasse a paz e a cooperação entre os Estados. O principal resultado prático desse movimento liberal foi a criação da Liga das Nações, cujo idealizador foi também o principal expositor dessas ideias, Woodrow Wilson. Crítico às estas propostas surge outro agrupamento de autores, os Realistas, que reivindicam para si uma habilidade de explicar “racionalmente” os conflitos e a distribuição do poder no sistema internacional. Os realistas caracterizaram os Liberais da época como idealistas e suas propostas como utópicas, ou seja, como uma fase cientificamente infantil e ingênua da Política Internacional. Para eles, a suposta maturidade científica viria a partir dos aportes realistas, cuja matriz exponencial foi a obra de E. Carr “Vinte anos de crise: 1919-1939”. Wilson x carr 1 - LIBERALISMO Nas relações internacionais o Liberalismo, ou Pluralismo, é uma corrente teórica alicerçada principalmente na obra de Immanuel Kant. Normalmente considerados como “idealistas” pelos expoentes das escolas realistas, os liberais tem uma visão predominantemente positiva da natureza humana, e veem o Estado como um mal necessário. Muitos teóricos trazem para fundamentar essa corrente, preceitos contidos na obra “paz perpétua” de kant. Os dois conceitos fundamentais dessa obra são razão e moral, que seriam universais. O pensamento kantiano é voltado para o indivíduo, e é esse o cerne aproveitado pelos liberais. Tudo aquilo que não é uma decisão individual acaba tendendo para a decisão imoral. PRESSUPOSTOS DO LIBERALISMO Os indivíduos são BONS por natureza, seu interesse no bem-estar coletivo estimula o desenvolvimento por meio da cooperação possível. A natureza anárquica do sistema internacional não é imutável e pode ser amenizada com a formação e fortificação de organizações internacionais e do direito internacional. Estados democráticos não buscam a expansão militar e territorial. Estados com instituições não representativas são dominados por elites autoritárias e agressivas, e essas buscam afirmar e aumentar seu poder. É necessário garantir a liberdade individual e proteger os indivíduos dos abusos de poder que os Estados podem empreender. A guerra pode ser evitada. PRESSUPOSTOS DO LIBERALISMO Entre os instrumentos preconizados pelos pensadores liberais como forma de regular os conflitos internacionais estão o direito internacional e as instâncias supranacionais. Hugo Grotius, em seu Sobre o direito da guerra e da paz, foi o primeiro a formular um direito internacional, pensando em princípios morais universais (derivados do “Direito Natural”) alcançados por intermédio da razão que cada homem detém. Grotius desenvolveu a ideia de Guerra Justa, isto é, que existem circunstâncias em que a guerra pode ter legitimidade no direito. O iluminista Immanuel Kant, por sua vez, pensava que a formação de uma Federação de Estados refletindo princípios de direito positivo seria a melhor forma de conter as guerras que assolavam a humanidade. Esses dois elementos, o direito e a instituição internacional, são tidos como formas eficientes e legítimas de assegurar a resolução de conflitos sem o uso da força. Certamente inspiradas pelo pensamento kantiano, uma série de entidades supranacionais foram criadas durante o século XIX, como as entidades de cooperação técnica e outras de conteúdo mais explicitamente político, como o Concerto Europeu. PAZ PERPÉTUA – soluções imediatas o LIVRO APONTA PARA ALGUMAS SOLUÇÕES IMEDIATAS DE CONFLITOS JÁ EM CURSO: 1- a POLÍTICA TERIA QUE SE DISSOCIAR, DA PRÁTICA DE VENCER PARA OBTER VANTAGENS: POR EXEMPLO, TERIA A NECESSIDADE DE SE COLOCAR FIM AOS EXÉRCITOS REGULARES POR ACREDITAR QUE A EXISTÊNCIA DELE É UM INCENTIVO À GUERRA. 2- Outra solução imediata seria o cumprimento dos acordos firmados 3- A terceira solução seria acabar com as chantagens, traições e espionagem 4- Por fim, defende o livre comércio, pois assim promoveria a paz, já que gera interdependência entre os estados. Quanto menos barreiras ao comércio, mais os estados estreitam seus laços e a guerra se torna nociva para economia de ambos. PAZ PERPÉTUA – soluções a longo prazo 1- Republicanismo: As repúblicas são naturalmente mais pacíficas que as monarquias. Elas são mais incentivadas à paz porque há separação de poderes e entre a esfera pública e privada. Obs. – Pela teoria de michael doyle, não bastava se tratar de república, pois há repúblicas que se comportam como monarquias, deveria ser uma república democrática. Uma Democracia não guerrea com outra por compartilhar valores com esta. 2- CONSTRUÇÃO DE ORDEM INTERNACIONAL: ASSENTADA NO DIREITO INTERNACIONAL UM PADRÃO DE CONDUTA À TODOS. ELE CHEGA A FALAR NO CONGRESSODE PRINCIPES. 3- COSMOPOLITISMO: SIGNIFICA A DIMINUIÇÃO DA IMPORTÂNCIA CONFERIDA A DIFERENÇA; TODOS SOMOS DOTADOS DE RAZÃO, ENTÃO SOMOS CAPAZES DE ENTENDER AS DIFERENÇAS. O grande promotor das diferenças (nacional x estrangeiro) é o estado. 14 PONTOS DE WILSON O DISCURSO do dia 8 de janeiro de 1918 é um dos memoráveis episódios da História da Primeira Guerra Mundial. Nesse dia, o presidente norte-americano Woodrow Wilson apresentou uma proposta consistindo em 14 PONTOS cardeais do que deveria ser a NOVA ORDEM MUNDIAL. As interpretações da proposta de Wilson correspondem, de certa forma, às questões vinculadas ao debate "realismo versus liberalismo", já que os primeiros consideravam o presidente Wilson um idealista, enquanto os segundos o consideravam um brilhante precursor duma ordem mundial cooperativa. O décimo quarto ponto das propostas wilsonianas pedia que as nações DESENVOLVIDAS formassem uma ASSOCIAÇÃO com o objetivo de garantir a integridade territorial e a INDEPENDÊNCIA política dos países. Wilson reitera basicamente as premissas de kant. EDWARD CARR livro 20 anos de crise 1929-1939 AO LONGO DE 20 ANOS, HOUVE UM EMBATE ENTRE O LIBERALISMO IDEALISTA, PENSAMENTO DOMINANTE NA ÉPOCA, E O REALISMO, PENSAMENTO CONSIDERADO CONSERVADOR. O texto é considerado um clássico na teoria das relações internacionais e é frequentemente apelidado de um dos primeiros textos realistas modernos , seguindo a moda de Tucídides , Maquiavel e Hobbes . A análise de Carr começa com o otimismo que se seguiu à Primeira Guerra Mundial , consubstanciado na Liga das Nações. declarações e vários tratados internacionais destinados à prevenção permanente de conflitos militares. Ele passa a demonstrar como as idéias racionais e bem concebidas de paz e cooperação entre Estados foram minadas em pouco tempo pelas realidades do caos e da insegurança no âmbito internacional. Ao avaliar as facetas militares, econômicas, ideológicas e jurídicas e as aplicações do poder, Carr traz duras críticas aos teóricos utópicos que se esquecem de considerar as exigências da sobrevivência e da competição. Carr, no entanto, não considera a perspectiva de melhoria humana uma causa perdida. No final da crise dos vinte anos , ele realmente defende o papel da moralidade na política internacional e sugere que o realismo não mitigado equivale a um derrotismo sombrio que mal podemos nos permitir. A condição sine qua non de sua análise é simplesmente que, na condução dos assuntos internacionais, o equilíbrio relativo de poder deve ser reconhecido como ponto de partida. Ele conclui sua discussão sugerindo que "superestruturas elegantes" como a Liga das Nações "devem esperar até que haja algum progresso na escavação das fundações" LIVRE-ARBÍTRIO – CAPACIDADE DE INFLUENCIAR SEU DESTINO VISÃO DETERMINISTA – O MUNDO É COMO É. A GUERRA ACONTECE DE QUALQUER MANEIRA VISÃO INTELECTUAL- IMAGINA COMO O MUNDO PODERIA SER DICOTOMIAS APONTADAS POR EDWARD CARR VISÃO BUROCRÁTICA – AQUELE QUE NÃO MUDA A REALIDADE, APENAS SEGUE OS FLUXOS DOS PROCESSOS VISÃO ÉTICA- PADRÕES ELEVADOS DE COMPORTAMENTO (COMO DEVERIA AGIR) VISÃO POLÍTICA – É A ARTE DA DISPUTA POR NATUREZA. DEVE-SE BUSCAR A VANTAGEM POLÍTICA SOBRE OUTRA NAÇÃO ESQIERDA – ACREDITA QUE A REALIDADE PODE SER MUDADA PELA REVOLUÇÃO LIBERALISMO/IDEALISMO DIREITA – LIDA COM A REALIDADE COMO ELA É REALISMO 2- REALISMO Nos anos posteriores a II Guerra Mundial a perspectiva realista predominou, sobretudo pela utilidade de seu enfoque (Realpolitk) para a política exterior norte-americana. Nesse período, autores como Morgenthau delimitam o objeto de estudo do realismo com relação ao interesse pelas relações de poder entre os Estados, excluindo as questões relativas à economia e propondo o estudo do comportamento dos Estados a partir das leis da natureza humana. BASES FILOSÓFICAS DO REALISMO: A noção de equilíbrio de poder, um dos pilares da teoria realista clássica das Relações Internacionais do século XX, tem suas origens na obra do historiador grego Tucídides A Guerra do Peloponeso, um relato da guerra entre as cidades-estado de Esparta (regime autoritário) e Atenas (democracia direta). A DIFERENÇA DOS ESTADOS SE DÁ PELO QUANTUM DE PODER QUE ELES POSSUEM – PARA SOBREVIVER, O ESTADO PRECISA ACUMULAR PODER. OS ESTADOS REFLETEM A NATUREZA DO SER HUMANO QUE É SER CONFLITIVO. MAQUIAVEL É OUTRO AUTOR CUJA OBRA FOI INTERPRETADA COM VIÉS REALISTA PARA OS DEFENSORES DESSA CORRENTE. EM UMA DAS PASSAGENS DE O PRÍNCIPE, AFIRMA ELE QUE A MORALIDADE DO ESTADO É DIFERENTE DA DO INDIVÍDUO. Segundo as concepções do realismo hobbesiano não há forma de se evitar a guerra porque os Estados estão em Estado de Natureza. Como entidades soberanas, não são submetidos a uma autoridade superior ou a princípios capazes de regular as relações internacionais. O cenário internacional seria, portanto — segundo a análise realista — anárquico, assemelhando-se ao Estado de Natureza de Thomas Hobbes, e a ordem internacional resultaria da dinâmica de competição e choque entre Estados. Mediante um processo de contenção e dissuasão mútuas entre os diferentes Estados produz-se uma condição de estabilidade, evitando-se a ocorrência de guerras constantes. O objetivo seria a estabilidade e não a paz, que é percebida como um objetivo utópico HANS MORGENTHAU Quem sistematiza a teoria realista é o autor hans morgenthau considerado o pai do realismo clássico. Publica em 1948 o livro “a política entre as nações” no qual faz uma diferenciação entre relações internacionais e política internacional; ele descreve as RELAÇÕES INTERNACIONAIS como uma série de interações entre estados que podem ser levados em consideração: comércio, relações consulares, turismo, cooperação técnica, etc, algo mais amplo. a política entre as nações, política internacional, é a esfera onde lida-se diretamente com a disputa pelo poder. ele elabora os famosos 6 pontos da política internacional: 6 pontos da política internacional – apresenta em leis gerais para entender cientificamente como o mundo funciona: Ponto 1- O MUNDO É REGIDO POR LEIS UNIVERSAIS E OBJETIVAS, PAUTADAS NA NATUREZA HUMANA. QUANDO DIZEMOS QUE O MUNDO É REGIDO POR LEIS UNIVERSAIS E OBJETIVAS, PODEMOS COMPREENDER SEU FUNCIONAMENTO. POR ISSO CITA TULCÍDEDES – SE A LEI É UNIVERSAL, ELA É A MESMA EM QUALQUER PERÍODO. PARA ENTENDER O FUNCIONAMENTO DESSA LEI, DEVE-SE VOLTAR PARA A NATUREZA HUMANA – AQUI HÁ UMA CLARA REFERÊNCIA À HOBBES HOBBES FAZ REFERÊNCIA À 3 INSTINTOS HUMANOS (NATUREZAS) SOBREVIVÊNCIA – DE UMA FORMA GERAL, AS PESSOAS SE AGARRAM À SOBREVIVÊNCIA INDEPENDENTE DAS CONDIÇÕES DE VIDA GANÂNCIA – O INDIVÍDUO FAZ UM CÁLCULO INSTINTIVO NO QUAL CONCLUI QUE A MELHOR MANEIRA DE SOBREVIVER É ACUMULANDO MAIS POSSES ORGULHO – O INDIVÍDUO É NATURALMENTE ORGULHOSO. QUANTO MAIS SE DEMONSTRA PODER, MENOS AS PESSOAS SE INCLINAM À FAZER-LHE MAL (ALGO TAMBÉM LIGADO À SOBREVIVÊNCIA) MORGENTHAU VAI SE VALER DESSA ANÁLISE, PARA AFIRMAR A SEMELHANÇA DA NATUREZA DO ESTADO COM A DO INDIVÍDUO. ASSIM TAMBÉM HÁ 3 TIPOS DE FENÔMENOS INTERNACIONAIS DECORRENTES DESSA NATUREZA DO ESTADO: Status quo – o estado sempre vai querer manter sua existência independentemente das condições em que se encontre imperialismo – geralmente, se o estado possui pouco poder, ele vai querer ainda assim manter seu status quo. Mas se o estado tiver um pouco mais de poder que a maioria, ele buscará pela expansão do território, ou seja, o imperialismo. Quanto mais território, mais poder. prestígio – não basta ser poderoso, deve-se demonstrar o poder para que assim intimide outros estados. A análise da quantidade de poder confere previsibilidade. Essa lógica de previsibilidade é chamada de positivismo. 6 pontos da política internacional – apresenta em leis gerais para entender cientificamente como o mundo funciona: Ponto 2- o interesse dos estados é mediado em termos de poder. Alguns elementos que conferem poder são: poder bélico (o mais importante), diplomacia (que é o mecanismo que permite que um estado só entre em guerraquando há chances de ganhar), poder econômico, carisma, legitimidade, etc. Ponto 3 – a busca pelo poder é universal, mas sua forma varia no tempo e no espaço. Sempre houve disputa pelo poder, mas o que determina poder varia ao longo do tempo (atualmente, poderio militar é possuir arma nuclear. No passado não tão distante, já foi possuir títulos de nobreza ou rifles.) Ponto 4 – a moral não é universal. A moral capitalista democrática norte-americana estava sendo diretamente atacada com essa afirmação Ponto 5- o limite das aspirações morais é a prudência. Os estados têm aspirações morais, mas suas ações para promover esses valores têm um limite. Antes de buscar essas aspirações, deve buscar resguardar o seu poder. Ponto 6- a política é uma esfera SUPERIOR E INDEPENDENTE DE MORAL, LEIS OU RELIGIÃO. ELAS SÃO Importantes, MAS O ELEMENTO POLÍTICO SEMPRE SE SOBRESSAI. DIPLOMACIA: PARA MORGENTHAU, O PAPEL DA DIPLOMACIA É COMPREENDER E OPERAR A BALANÇA DE PODER. ELA PODE REALIZAR ISSO ATRAVÉS DE DOIS MECANISMOS 1- BALANCING: CONSISTE EM UMA ALIANÇA DOS ESTADOS MAIS FRACOS PARA CONTRAPOR-SE À UM ESTADO MAIS FORTE. ESSA ALIANÇA É TÁTICA. NO LONGO PRAZO NÃO COSTUMA PERDURAR. 2- BANDWAGONING: SE ALIAR AO ESTADO MAIS PODEROSO. SEGUNDO GRANDE DEBATE DAS RELAÇÕES INTERNACIONAIS TRADICIONALISTAS X BEHAVIORISTAS o SEGUNDO GRANDE DEBATE ACONTECE BASICAMENTE ENTRE REALISTAS. APÓS A SEGUNDA GUERRA MUNDIAL OS LIBERAIS SAEM DE VOGA NA POLÍTICA E FOCAM MAIS NAS QUESTÕES REGIONALISTAS. A VISÃO REALISTA DOMINA ENTÃO O PLANO INTERNACIONAL. Se, inicialmente os estudos de RI pouco se interessam pelas questões metodológicas, já na década de 1950, a revolução behaviorista alcançou a disciplina, por autores como Morton A. Kaplan, Karl W. Deutsch, James Rosenau, representantes destas escolas das ciências sociais norte-americana. Já, no contexto da tradição britânica, destacaram-se autores como Hedley Bull e Martin Wight. Este processo incitou o surgimento do segundo grande debate: behavioristas versus tradicionalistas. Os behavioristas apostavam no método das ciências exatas para elaborar leis gerais para as RI. Por outro lado, os tradicionalistas criticavam aquela corrente pelo fetichismo da quantificação, da desconsideração da filosofia e da história e pela ausência de um compromisso normativo. Ao contrário do primeiro debate, este se realizou, de fato, com forte ímpeto em conferências e publicações especializadas. Não obstante, esse processo orientou-se pelo caráter de confronto entre duas correntes nacionais: a perspectiva inglesa e a americana, e, ao se fazer este agrupamento, a diversidade do debate foi ocultada. TRADICIONALISTAS (MORGENTHAU, CARR) – CRENÇA QUE É POSSÍVEL FAZER UMA CIÊNCIA, MESMO QUE NÃO HAJA DADOS QUANTIFICÁVEIS. BEHAVIORISTAS – A PARTIR DA DÉCADA DE 50 ESSA CORRENTE COMEÇA A SE ESTABELECER E SE CONTRAPÕEM METODOLOGICAMENTE AOS TRADICIONALISTAS. É UMA FORMA DE COMPREENDER AS CIÊNCIAS HUMANas, através da eliminação das abstrações típicas desses estudos, e dos tradicionalistas 1- NECESSIDADE DE DADOS QUANTIFICÁVEIS 2- NECESSIDADE DE ENTENDER OS IMPULSOS EXTERNOS 3- ANÁLISES FOCADAS NO COMPORTAMENTO 3- Corrente behaviorista A terceira fase da Teoria das Relações Internacionais desenvolveu-se também nos EUA como resposta aos excessos do Realismo. Trata-se de uma aproximação com a vertente behaviorista da Sociologia. Essa corrente ficou conhecida como behaviorista ou científica. No início dos anos cinquenta, alguns especialistas norte-americanos em política de segurança nacional repensam os postulados do realismo político, com base no caráter impreciso e intuitivo dos mesmos para a análise da realidade internacional, e buscam um enfoque de caráter científico capaz de dar resposta à complexidade das Relações Internacionais. O impacto dos métodos de pesquisa e os modelos das ciências físico-naturais são notados com força nas pesquisas que começam a pôr em marcha. A partir desse momento, uma onda de cientificismo, que trata de desenvolver uma ciência das Relações Internacionais, com base na aplicação de métodos quantitativo-matemáticos, invade as Relações Internacionais, impondo-se o que se denominou perspectiva behaviorista ou conducista. Para os behavioristas, o objetivo das Relações Internacionais é o comportamento dos atores. O estudo desse objeto deve atentar para parâmetros que envolvam fases como a coleta e a elaboração de dados, o tratamento quantitativo desses dados e, finalmente, a produção de modelos dentro do rigor científico das ciências exatas. Para os behavioristas, os estudos devem estar sempre voltados para os casos concretos, a partir dos quais uma linguagem científica das ciências sociais deve ser elaborada com base em dados empíricos, rejeitando-se análises provenientes do Direito, da História ou da Filosofia.Os autores científicos mais renomados são Morton Kaplan, David Singer e G. T. Allison. O desenvolvimento da corrente científica gerou um grande debate nos anos sessenta entre os tradicionalistas filosófico-intuitivos (idealistas e realistas) e os científicos (behavioristas Finalmente, Arenal identifica uma quarta fase, motivada pelo que David Easton (1969) chamou de “nova revolução da ciência política”, e que se convencionou chamar de pós-behaviorismo. Essa nova revolução ter-se-ia produzido devido a uma profunda insatisfação com a pesquisa política e os ensinamentos behavioristas, sobretudo por quererem converter o estudo da política em uma ciência segundo o modelo físico-natural. As bandeiras levantadas pelos pós-behavioristas são ação e relevância. O novo movimento, sem abandonar o enfoque científico do behaviorismo, dirige sua atenção à conduta humana enquanto tal e aos problemas reais do mundo, às motivações e aos valores subjacentes a toda conduta. Busca-se uma pesquisa com ênfase ao caso concreto, dando atenção a um objeto de análise que difere dos objetos das ciências exatas. O pós-behaviorismo constituiu, portanto, a síntese do debate entre as concepções tradicionalistas e as científicas. Corrente behaviorista Não é debate, mas é uma escola – escola inglesa Escola inglesa A Escola Inglesa das Relações Internacionais situa-se entre duas correntes então dominantes no estudo da disciplina, entre o Realismo e o Liberalismo, a tradição inglesa foi colocada como uma via intermediária, pois valorizava o estudo da história e das relações humanas como produtoras das relações entre Estados. Além disso, esta tradição é repleta de aspectos normativos e afastou-se do cientificismo, que era presente nas escolas tradicionais americanas. Esta tradição possui dentre seus grandes expoentes, autores como Martin Wight, Hedley Bull, Herbert Butterfield e Adam Watson, tais pensadores deram diversas contribuições ao estudo das Relações Internacionais, mas permaneceram no ostracismo, devido à ortodoxia Realismo/Liberalismo que se firmou na disciplina. Portanto, autores da Escola Inglesa são muitas vezes classificados, erroneamente, como liberais ou realistas, pois são autores que usam premissas presentes nas duas escolas dominantes A Escola Inglesa fez uso sistemático da História na análise dos fatos internacionais, para Martin Wight e Hedley Bull, a Política Internacional não era algo composto por fatos repetidos, regidos por determinadas leis, dentro de uma estrutura, como para os realistas. Logo, afastaram-se de modelos oriundos das ciências exatas e partiram para um estudo profundo do Sistema Internacional, por um viés normativo, centrado na investigação de fatos históricos, em valores nacionais e na tomada de decisão dos atores Por buscar explicar as relações entre Estados, fazendo uso da história, a Escola Inglesa foge da dicotomia Realismo/Liberalismo. Além disso, não tem compromisso com modelos explicativos abstratos. A Escola Inglesa concebe a cooperação e o conflito, por exemplo, como ocorrências comuns dentro do sistema, dependendo das circunstâncias, com isto, rejeitam o fatalismo dos realistas e o idealismo dos liberais. Martin wigTH O historiadore diplomata britânico Martin WigtH, foi um dos pioneiros a investigar as origens das Relações Internacionais, nos seguintes autores do pensamento político ocidental: Nicolau Maquiavel, Imanuel Kant e Hugo Grotius 1- Com isto, Wight explica primeiramente a contribuição de Maquiavel, para o que se chamou posteriormente de Realismo de poder. A cultura do estado arquitetando seu próprio destino e a necessidade de conflito se for o caso. O Realismo seria a versão mais convencional em matéria de Política Internacional, seria a anarquia incontornável, na qual os Estados buscariam apenas sobreviver, contudo os autores dessa tendência conservadora não estavam abertos ao diálogo com outras tendências. 2- Num outro extremo Wight tratou dos revolucionistas, que estariam baseados no cosmopolitismo de Kant, nesta categoria estariam classificados os autores liberais das Relações Internacionais. Os revolucionistas destacavam a busca pela paz entre seres humanos, como objetivo principal da Teoria Internacional, para eles o mundo progrediria para uma fase de harmonia, onde Estados não seriam mais necessários, isto é, os seres humanos se relacionariam sem intermédio de nações. Seu trabalho fundamental é o clássico "A Sociedade Anárquica: um estudo sobre a ordem internacional". Nesse estudo vemos a influência das idéias de Wight nas tipologias do pensamento internacional, o direito e a sociedade internacional. Martin wigtH Os meios para alcançar essa emancipação dos povos são vários, fica dependendo da perspectiva do autor, já que entre liberais existem muitas diferenças, bem como entre os realistas. Wight também criticou esses teóricos revolucionistas, pois também pecavam em diversos pontos, justamente por esse caráter utópico, que negligenciava muitos aspectos do sistema internacional, como a anarquia, a guerra, entre outros. Os revolucionistas esforçavam-se para explicar um mundo que ainda estaria por vir, mas não conseguiam explicar satisfatoriamente os acontecimentos do presente, por isso também estiveram marginalizados durante boa parte da evolução da disciplina no século vinte. Logo, era necessário que se apontasse algo que mesclasse as duas tendências, que tinham seus méritos e deméritos, era necessário algo que pudesse abranger as questões internacionais, sem exageros. Para isso, Wight apontou o racionalismo, essa tradição era herdeira do pensamento do jurista holandês Hugo Grotius. O racionalismo grotiano estava situado entre o revolucionismo kantiano e o realismo de Maquiavel. Dentro dessa perspectiva o sistema internacional estava composto por Estados, que comungam de interesses comuns e partilham das mesmas regras, neste caso seria do interesse desses atores, isto é, dos Estados, o convívio harmônico. Os racionalistas trouxeram para a pauta do debate o Direito Internacional e seu papel regulador, não acreditavam numa sociedade de indivíduos, resultante de uma revolução, mas acreditavam que o sistema internacional anárquico poderia evoluir para um ambiente mais ordenado, desde que houvesse a observância do Direito. A Escola Inglesa estava, para Wight, inserida nessa terceira tradição, o racionalismo grotiano, justamente por buscar interpretar os fatos, valorizar as leis e conceber uma sociedade de Estados Sociedade internacional Foi apontado anteriormente que a Escola Inglesa estaria inserida na tradição grotiana, portanto devemos explicar o motivo. Para os autores dessa tradição o sistema internacional seria realmente anárquico, como enfatizado pelos autores realistas. Contudo isso não impediria que existissem regras de boa convivência entre os atores estatais, essas regras que podemos chamar leis, confeririam um caráter de sociedade ao anárquico sistema internacional. Nos assuntos internacionais há tanto cooperação quanto conflito; existe um sistema diplomático e o direito internacional e instituições internacionais que complicam ou modificam o andamento da política do poder; e existem até regras para limitar as guerras, que não deixam de ter influência. Dificilmente pode ser negada a existência de um sistema de estados, e admitir em parte a existência de uma sociedade, pois uma sociedade corresponde a um certo número de indivíduos ligados por um sistema de relacionamentos com certos objetivos comuns. Feitas algumas considerações do que representa essa sociedade internacional, tão destacada pela Escola Inglesa, passaremos a analisar a ordem nessa sociedade. Além de Martin Wight, a tradição inglesa dispõe de Hedley Bull, autor singular no pensamento político internacional. Seu principal livro foi publicado em 1977 “a sociedade anárquica”. De acordo com sua teoria, ambas correntes (realista e liberal) podem ser utilizadas. Bull seguiu o caminho percorrido por seu professor e aderiu ao racionalismo grotiano, sistematizou ainda mais os pressupostos da Escola Inglesa, contidos na Sociedade Internacional, mas trouxe elementos para o debate, como a noção de ordem internacional. O autor indica um ordenamento no plano internacional semelhante à ordem na vida social, sem cair num idealismo, simplesmente mostra sem utopias as relações interestatais, pois tal ordenamento era existente. Bull defendia ainda as instituições internacionais, como agentes decisivos para manutenção da ordem. Todo esse arranjo institucional acontecia por meio da cooperação, já que existiam corpos diplomáticos, organizações internacionais e o direito internacional. Com isto podemos perceber a importância dada ao direito, à história e à filosofia por parte desses autores. Hedley bull Bull identifica a existência de dois tipos de equilíbrio de poder: o simples e o complexo. O simples seria o bipolar enquanto o complexo contaria com mais potências de cada lado sendo por isso mais estáveis pela dificuldade de sua desestabilização. Na verdade, o equilíbrio complexo seria mais que somente uma luta pela busca do poder. Bull explica com base numa metáfora: "na política internacional há movimentos feitos em muitos tabuleiros de xadrez. No tabuleiro da contenção nuclear estratégica os EUA e URSS são os jogadores supremos; a China é um principiante e o Japão não está presente. No xadrez do poder militar convencional os EUA e a URSS são também os jogadores mais importantes, dada sua capacidade de usar sua força militar em vastas áreas do mundo a China é um jogador menos importante porque só pode usar a sua força regionalmente. No xadrez dos assuntos monetários, de comércio e investimentos, os jogadores principais são os EUA e o Japão, a URSS tem importância menor e a China é relativamente irrelevante. No xadrez da influência tecnológica, pode-se argumentar que a China é o jogador mais proeminente, no entanto, o jogo em todos esses tabuleiros está interligado". A função de qualquer equilíbrio de poder é evitar o advento do império universal sendo importante frisar que às custas de estados menores. A Escola Inglesa aderiu ao pressuposto realista de sistema internacional, mas enxergou a possibilidade de ordem, pois perseguiu valores, como a justiça e a soberania dos povos. Estes acadêmicos imprimiram em suas obras um caráter normativo, diferentemente da ortodoxia realista, pois tinham compromisso com a mudança, sem revoluções kantianas, mas baseados na lei e na ordem. No que concerne a ordem e o direito especificamente Bull citando seu professor entende que a teoria internacional (pelo menos na sua formulação principal, como direito internacional) oscila numa espécie de contraponto em relação aos movimentos da diplomacia. Quando a diplomacia é violenta e inescrupulosa, o direito internacional eleva-se as alturas do direito natural; quando adquire um certo hábito de cooperação, o direito internacional chafurda na lama do positivismo legal. Pressupostos: sistema internacional, sociedade internacional e sociedade mundial O pressuposto central da Escola Inglesa é a diferenciação entre três conceitos: sistema internacional, sociedade internacional e sociedade mundial. O primeiro deles, sistema internacional, relaciona-se à simplespolítica de poder entre os Estados. Essa conceituação baseia-se na concepção Do realismo moderno de Hobbes sobre o sistema de Estados, o qual conclui que a configuração de poder assentada em um sistema anárquico, ou seja, sem uma autoridade central, promove o equilíbrio de poder entre os Estados em termos tanto econômicos quanto militares. O conceito mais central e mais discutido dentro da teoria da Escola Inglesa é o de sociedade internacional, desenvolvido por Bull e inspirado em Kant e Grotius. A sociedade internacional é entendida como um grupo de Estados vinculados por valores e interesses em comum, em que as interações ocorrem baseadas em um conjunto de regras (normas) e instituições. Parte-se do pressuposto de que os Estados, assim como os indivíduos, são constituídos por sociedades, isto é, devem levar em conta os comportamentos dos outros Estados na sua tomada d e decisão. Essa necessidade de considerar a ação dos demais provoca um diálogo entre ele e promove a formulação de regras comuns e instituições compartilhadas entre eles. A sociedade internacional, para Bull (2002), pressupõe um ordenamento de difícil alcance, que varia conforme as mudanças na distribuição de poder entre os Estados e as alterações dos princípios de legitimidade. Porém ainda aqui, está-se falando de um sistema cujo ator central é o estado. A sociedade mundial se refere a uma ordem não necessariamente estatal. críticas De certo modo não inovaram nos termos trazidos, mas sim na aplicação dos mesmos. Wight e Bull, teóricos mais conhecidos dessa perspectiva enriquecedora, questionaram a forma de se olhar os fenômenos políticos internacionais, porque repugnaram a forma mecânica e estrutural em voga. Fizeram da disciplina um estudo alicerçado na história e no pensamento político ocidental, mostrando o lado humano da Teoria Internacional. Mas algumas contribuições teóricas feitas pela escola são ponto de discordância na disciplina. Os realistas não concordam com a ideia de sociedade internacional, pois para eles essas regras são quebradas à medida que interesses de Estados mais poderosos são afetados, isto é, segurança e sobrevivência orientariam a conduta dos Estados em quaisquer circunstâncias, logo essas regras seriam apenas ornamentos. Já os liberais criticam a falta de interesse da Escola Inglesa em tratar da política nacional, nisso eles seriam iguais aos realistas. Além disso, os teóricos ingleses ainda mantêm o foco nos Estados, não enfatizam a sociedade mundial, onde as relações seriam duradouras, já que os seres humanos seriam os atores principais, em vez de Estados, que são meros arranjos passageiros. A Escola Inglesa parece não resolver todas as contradições apontadas pelos seus críticos realistas e liberais, já que objetivou mostrar uma sociedade dentro de uma anarquia. Porém, é sabido que a própria realidade internacional é contraditória e de complexa interpretação, os ingleses souberam melhor observar essas nuances e explicar. Para isso defenderam o uso das três tradições, isto é, Realismo, Racionalismo e Revolucionismo, os três “R” de Martin Wight: O REALISMO PARA WIGHT ESTÁ VINCULADO ÀS RELAÇÕES ENTRE OS ESTADOS BASEADAS NAS SOBERANIAS DESTES ATORES E AO PENSAMENTO POSITIVISTA DA ESCOLA INGLESA. O RACIONALISMO É RELACIONADO À CONSTRUÇÃO DA SOCIEDADE INTERNACIONAL EM TERMOS RACIONAIS, ISTO É, ÀS RELAÇÕES INTERNACIONAIS DETERMINADAS A PARTIR DE CONSENSOS ENTRE OS ESTADOS EM TORNO DE NORMAS E LEIS. O REVOLUCIONISMO DE WIGTH ESTÁ VINCULADO AO CONCEITO DE SOCIEDADE MUNDIAL, QUE COMPARTILHA VALORES ENTRE SI E É BASEADO NA CENTRALIDADE DO INDIVÍDUO, O QUAL TERIA PRECEDÊNCIA EM RELAÇÃO AOS ESTADOS E AOS DEMAIS ATORES INTERNACIONAIS. DESTE MODO, A ESCOLA INGLESA ADQUIRE UM CARÁTER NORMATIVO, AO DEFINIR QUE NORMAS DE VIDA DIGNA E DE DEFESA DOS DIREITOS HUMANOS DEVEM SER FORMULADAS A PARTIR DO DIREITO INTERNACIONAL, O QUE CULMINARIA NA CRIAÇÃO DE UMA SOCIEDADE MUNDIAL. Terceiro grande debate das relações internacionais¹ : neorrealistas e neoliberais (neoxneo) Premissas básicas O sistema internacional é anárquico Os Estados são racionais Os Estados têm a sobrevivência como principal objetivo Todos os Estados possuem a capacidade de lançar uma ofensiva militar Os Estados nunca podem estar certos das intenções dos outros Estados (isto é, todos os Estados estão buscando segurança) Neo x neo David Baldwin (1993) buscou organizar a agenda do debate neo-neo em seis pontos: a natureza e consequência da anarquia internacional, - em que os neorrealistas acreditam, mais do que os neoliberais, que a segurança física constitui a maior motivação para as ações do Estado; a cooperação internacional, - que para os neorrealistas é incerta e para os neoliberais, mais otimistas, há a possibilidade de se alcançar esse tipo de cooperação; os ganhos resultantes da cooperação internacional, - para os neorrealistas só resultaria em ganhos relativos, e para os neoliberais há a possibilidade de ganhos absolutos; os problemas centrais, - os neorrealistas tendem a considerar a segurança nacional como problema central, ao passo que os neoliberais se preocupam mais com a compreensão de questões de economia política internacional, de modo que as duas tendências têm perspectivas bastante diferences quanto à cooperação; a capacidade, as intenções e a percepção, - os neorrealistas concentram-se em capacidades demonstradas, enquanto que os neoliberais se voltam mais para as intenções e percepções; e o papel das instituições: os neoliberais acreditam que as instituições são capazes de contribuir para minimizar o problema da anarquia, enquanto que os neorrealistas duvidam dessa capacidade das instituições. 4- neorrealismo Kenneth waltz é considerado seu principal expoente. Já na década de 50 (precisamente em 1959), waltz publicava seu livro “ Man, the State, and War” . Com base nos estudos behavioristas, critica Morgenthau pela amplitude de seus estudos causa da retirada da cientificidade da política internacional. Argumenta, portanto, ser necessário reduzir a quantidade de dados analisados, criando uma série de modelos. Nesse livro, o autor defendia alguns paradigmas sobre os quais as relações internacionais deveriam ser analisadas: A primeira imagem explicava a política internacional sendo guiada primariamente pelas ações de indivíduos, ou resultados de forças psicológicas. A segunda imagem explicava a política internacional sendo guiada pelos regimes estatais domésticos, enquanto a terceira imagem focava-se no papel de fatores sistêmicos, ou o efeito da anarquia internacional sobre o comportamento dos Estados. 'Anarquia' neste contexto não significava uma condição de caos ou desordem, mas uma situação em que não há um corpo soberano que governe os Estados-Nação. Não há como fazer um recorte sobre o indivíduo ou do estado dentro da ciência, pois essa análise não permitia definir uma certeza (certeza do ser humano ou certeza do estado). Mas pelo terceiro nível, qual seja, do sistema/estrutura das relações internacionais era possível. Essas imagens ficaram conhecidas também como "níveis de análise". Mas é com a publicação de seu livro “theory of international politics” em 1979 que ele avança e consolida a teoria neorrealista (ou também chamada realismo estrutural). É nessa obra que ele faz a famosa comparação das relações internacionais com a mesa de bilhar: o mundo seria uma grande mesa de bilhar com bolas de tamanhos diferentes, onde as maiores teriam maior poder de impacto sobre as outras. Ao jogar bilhar o importante não é o que contém dentro da bola, mas sim a capacidade de impacto. Com essa metáfora, ele sintetiza a crítica ao realismo tradicional, por focar em questões desnecessárias ao entendimento do jogo, ou seja, o “conteúdo interno da bola”. Waltz argumenta que o mundo existe em um estado perpétuo de anarquia internacional. Waltz distingue entre a anarquia do ambiente internacional e a ordem do doméstico. Na realidade doméstica, todos os atores podem apelar e ser compelidos por, uma autoridade central- 'o Estado' ou 'o governo' - mas na realidade internacional, não existe tal fonte de ordem. A anarquia da política internacional - sua falta de um incentivador central - significa que os Estados devem agir de forma a garantir sua segurança acima de tudo, ou então arriscar ficarem para trás. Este é um fato fundamental da vida política enfrentado por democracias e ditaduras igualmente: exceto em raros casos, eles não podem contar com a boa vontade dos outros pra ajudá-los, portanto devem estar sempre prontos pra defenderem-se. Como a maioria dos neorrealistas, Waltz aceita que a globalização está colocando novos desafios para os Estados, mas não acredita que os Estados estejam sendo substituídos, porque nenhum ator não-estatal pode igualar as capacidades do Estado. O neorrealismo foi a resposta de Waltz para o que ele via como as deficiências do realismo clássico. Embora os termos sejam por vezes utilizados indistintamente, o neorrealismo e o realismo possuem características distintas. A principal diferença entre os dois está no papel atribuído pelo realismo clássico à natureza humana, ou ao ímpeto de dominar, no centro de sua explicação para a guerra, enquanto o neorrealismo não faz destaque para a natureza humana e argumenta em lugar disso que as pressões da anarquia definem resultados independentemente da natureza humana ou dos regimes políticos domésticos. A teoria de Waltz, não é uma teoria de política externa e não procura prever ou explicar ações específicas dos Estados, como o colapso da União Soviética. Sua teoria explica apenas princípios gerais de comportamento que governam as relações entre Estados, incluindo a Equilíbrio de Poder, corridas armamentistas, e praticar restrições em proporção ao poder relativo. Em Theory of International Politics (1979:6) Waltz sugere que uma explicação, mais do que uma predição, é o que se espera de uma boa teoria de ciências sociais, pois os cientistas sociais não podem fazer experimentos controlados, que conferem capacidade de predição às ciências naturais. Realismo defensivo Nas Relações Internacionais, o realismo defensivo é uma variante do realismo político. O realismo defensivo olha para os Estados como players socializados que são os principais atores nos assuntos mundiais. O realismo defensivo prevê que a anarquia no cenário mundial faz com que os Estados tornem-se obcecados com a sua segurança. Isso resulta em dilemas de segurança nos quais a união de um Estado para aumentar sua segurança pode, porque a segurança é soma-zero, resultar em uma maior instabilidade como aquele oponente do Estado responde as suas reduções resultantes de segurança. Os realistas defensivos proeminentes são: Stephen Walt, Kenneth Waltz, Stephen van Evera e Charles Glaser. Realismo ofensivo Nas Relações Internacionais, o Realismo ofensivo é uma variante do realismo político. John Mearsheimer desenvolveu esta teoria em seu livro The Tragedy of Great Power Politics. É fundamentalmente diferente do realismo defensivo, descrevendo as grandes potências como revisionistas na maximização de poder, privilegiando o Buck-Passing sob estratégias de Balancing em seu objetivo final de dominar o sistema internacional. A teoria traz contribuições importantes para o estudo e a compreensão das relações internacionais, mas continua a ser a alvo de críticas. O realismo ofensivo é uma teoria estrutural que, ao contrário do realismo clássico de Hans Morgenthau, acusa o conflito de segurança na anarquia do sistema internacional, e não a natureza humana ou as características de cada uma das grandes potências. Em contraste com outras teorias estruturais realistas, o realismo ofensivo acredita que os Estados não estão satisfeitos com uma determinada quantidade de poder, mas buscam a hegemonia (maximização de sua parcela de poder no mundo), para segurança e sobrevivência. Apesar de ambas as variantes realistas argumentarem que os Estados estão principalmente preocupados com a maximização de sua segurança, elas discordam sobre a quantidade de energia necessária no processo. Ao contrário do realismo defensivo segundo o qual os Estados são forças do status quo que buscam apenas preservar suas respectivas posições no sistema internacional, mantendo o prevalecente equilíbrio de poder, os realistas ofensivos reivindicam que os Estados são, de fato, maximizadores de poder revisionistas que abrigam intenções agressivas. Na verdade, no realismo ofensivo, o sistema internacional fornece às grandes potências fortes incentivos para recorrerem à ação ofensiva, a fim de aumentar a segurança e garantir a sua sobrevivência Os realistas defensivos postulam que sob a anarquia existe uma forte propensão para os Estados se envolverem em um Balancing, assumindo a responsabilidade para manter o equilíbrio de poder existente, enquanto também, existe o Buck-Passing, o uso da ameaça contra os Estados em busca de poder, que por sua vez, "pode por em risco a própria sobrevivência do Estado maximizado." Este argumento também se aplica ao comportamento do Estado para com o Estado mais poderoso do sistema internacional, como os realistas defensivos notam que uma excessiva concentração de poder é autodestrutiva, provocando contra medidas de equilíbrio. No entanto, Mearsheimer desafia essas afirmações, tornando o argumento de que é bastante difícil estimar quando os Estados chegaram a uma quantidade satisfatória de poder de hegemonia, não é o suficiente para contar muito sobre o equilíbrio como um método de poder de verificação eficiente, devido a problemas de ação coletiva. De acordo com ele, quando uma grande potência se encontra em uma postura defensiva tentando evitar que seus rivais ganhem poder às suas custas, pode-se optar por envolver-se em um Balancing ou intervir, ou favorecer o Buck-Passing, transferindo a responsabilidade para que outros Estados atuem, permanecendo à margem da situação. A fim de determinar as circunstâncias em que as grandes potências se comportam de acordo uma com a outra, Mearsheimer se baseia no realismo defensivo de Kenneth Waltz, incluindo uma segunda variável geográfica ao lado da distribuição do poder. Por um lado, a escolha entre o Balancing e o Buck-Passing depende se o sistema internacional é anárquico e bipolar, a arquitetura multipolar provavelmente desequilibraria. Por outro lado, a localização geográfica do Estado em termos de partilha de fronteira e recursos naturais também influenciam a preferência estratégica das grandes potências. Combinadas, estas duas variáveis permitem-lhe estabelecer que as grandes potências tendem a favor, ao contrário do realismo defensivo um Buck-Passing mais equilibrado em todas as instâncias da multipolaridade, exceto para aquelas que incluem um hegemon em potencial.Em resposta à postura defensiva "os realistas se inclinam para com o comportamento do Estado para com o Estado mais poderoso do sistema internacional", Mearseimer acredita que os Estados ameaçados vão relutantemente se envolver em um Balancing contra possíveis hegemonias, mas que as coalizões de Balancing não são suscetíveis de se aliarem contra uma grande potência que tem conseguido a hegemonia regional. 5- neoliberais – introdução Na década de 1970, inicia-se uma nova versão do Primeiro Debate das Teorias de Relações Internacionais , que ocorreu entre o realismo e o liberalismo. Esse novo debate ocorre em um cenário de redução dos enfrentamentos entre EUA e URSS, devido ao esfriamento da Guerra Fria, porém de fortes crises econômicas, nos períodos da crise d o dólar (1971) e as crise do petróleo (1973 e 1979). A noção de interdependência surge quando os EUA são afetados pela primeira vez em várias décadas, quando os Estados produtores de petróleo aumentam o preço do barril com o reação à quebra unilateral da paridade dólar ouro em 1971. A concepção de agenda múltipla baseia-se na visão de que os temas não têm hierarquia entre si na agenda internacional, ou seja, a questão da segurança não é sempre prioritária sobre os demais. Com o existem grupos internoscom interesses variados, torna-se difícil definir um a política externa unificada e coerente. 5- neoliberais da interdependência Para contrapor esse pensamento, retornam ao centro dos debates a corrente liberal. Na década de 70, precisamente em 1977, robert keohane e joseph nye publicam o livro “power and interdependence”. Após a crise dos mísseis, entramos numa fase chamada détente (momento ao longo do qual a guerra fria continua existindo ideologicamente, mas é uma disputa amenizada nesse momento). Portanto, ao longo da década de 70 foi criada uma época de maior interdependência internacional: empresas transnacionais, temas como meio ambiente, direitos humanos, etc. Os neoliberais vão chamar isso de interdependência complexa e que esta iria muito além de questões comerciais. Cada vez mais, com os interesses transnacionais tornam as guerras obsoletas Os pensadores do neoliberalismo nas relações internacionais frequentemente empregam a teoria dos jogos para explicar a cooperação ou não dos Estados. Em resposta ao neorrealismo, o neoliberalismo nega a anarquia natural do sistema internacional na maneira que os neorrealistas a colocam, subjugando os esforços de cooperação. JOSEPH NYE ROBERT KEOHANE 5- neoliberais da interdependência JOSEPH NYE A fim de diminuir o tom das críticas em “Power e Interdependence” os autores relembram uma divisão na abordagem dos termos interdependência e interdependência complexa. A primeira possui conceito aplicável aos problemas clássicos da estratégia politica, uma vez que implica que as ações dos Estados e, atores não-estatais significantes, irão impor custos aos outros membros do sistema. Já o conceito de interdependência complexa está ligado a uma visão bastante liberal de sistema que aborda as situações entre um determinado número de países em que múltiplos canais de relacionamento conectam as sociedades; não há uma rígida hierarquia de questões sobre a interação entre os atores; e o custo de uso da força, em muitos casos, seja alto o suficiente para evitar seu uso indiscriminadamente. ROBERT KEOHANE CAMINHO PARA A SÍNTESE Ocorre que no final do década de 70 (precisamente em 1979) a urss invade o Afeganistão acabando com a época da détant. O argumento da interdependência se torna insuficiente, portanto. Outro motivo de enfraquecimento da teoria (mas enriquecimento do debate) é a publicação da já mencionada obra de waltz “theory of international politics” naquele ano. Somente em 1984 o debate será retomado, pois keohane publica sua obra “after hegemony’’ na qual responde o desafio proposto por waltz (segundo o qual a guerra sempre se sobrepõe) 5- neoliberalismo institucionalistal O liberalismo institucional analisa as vantagens da existência de instituições internacionais, porém, são mais céticos do que os liberais clássicos a respeito da idealização da Liga das Nações. Para essa vertente , uma organização internacional é um conjunto de regras que administra as relações entre os Estados estatais em áreas particulares, com autonomia em termos de objetivos e capazes de incentivar a cooperação entre os países. Essa visão assinala que, além de cooperarem para a integração, as instituições cooperam para a integração e são importantes ferramentas para diminuir os efeitos negativos da anarquia na estabilidade. Isso porque compensam a falta de confiança e o medo entre os Estados , bem como expandem o fluxo de informações, sendo espaços para debates e negociações entre os Estados. Keohane e Nye (1977) inauguram o pensamento neoliberal nas Relações Internacionais ao criticar a visão realista acerca do Estado como o ator principal das RIs. Ademais, propõe uma redução importante da força na política internacional e a expansão da relevância de outros temas como direitos humanos, meio ambiente e comércio ROBERT KEOHANE 5- neoliberalismo institucional De forma a sintetizar as principais ideias desta corrente, destacam-se: i) a anarquia internacional é a ausência de uma autoridade acima dos Estados, mas há estruturas de autoridade, como a governança global; ii) os Estados continuam sendo os principais atores, mas não os únicos, admitem-se também: organizações internacionais, organizações não governamentais, corporações transnacionais; iii) as mudanças no nível unitário alteram o efeito da anarquia internacional: regimes, instituições, interdependência; iv) a estrutura do sistema complexo geram vários padrões de interação estatal e não estatal, v) o Estado busca ganhos absolutos incertos, mas pela cooperação assegura ganhos relativos mais seguros As instituições são os regimes internacionais, definidos por Krasner como um conjunto d e princípios, implícitos ou explícitos, regras, normas e procedimentos de tomada de decisão em uma área específica da política internacional, como direitos humanos, comércio ou meio ambiente Síntese neo x neo As correntes se aproximaram com entendimento acerca dos Regimes Internacionais e sobre formas de cooperação, ainda que os neorrealistas vejam a cooperação como uma forma de maximização de lucros relativos aos parceiros, mantendo assim a estrutura de poder, enquanto os neoliberais percebem a cooperação motivada pelos resultados absolutos keohane concorda em parte com waltz sobre a centralidade do estado. Ele vai além e também concorda com o egoísmo inerente desses atores – refutando um elemento do liberalismo clássico de almejarem o bem coletivo. Embora Keohane assuma pressupostos do realismo, este critica a teoria, ao defender que ela não elaborou uma premissa centrada no estudo das instituições internacionais. Além disso, estes buscam sempre o ganho comparativamente, ou seja, sempre em relação a outro estado (ganhar mais que o outro). Na visão neoliberal, no entanto, buscam ganhos absolutos – a cooperação aumenta seus lucros. Deve-se analisar, portanto o nível da aposta (dilema do prisioneiro) apesar dessas diferenças, o debate ficou empobrecido, pois nas premissas principais ambos concordavam: a centralidade do estado e inevitabilidade da anarquia. Não é um debate, mas é uma afronta marxismo : 6- marxismo Um dos principais elementos da teoria marxista é a lógica superestrutura–infraestrutura. Para Marx, a infraestrutura, ou seja, as relações econômicas da sociedade que compreendem os modos e meios de produção e as relações de classe, explicam os outros aspectos da sociedade, a superestrutura, que são a história, as instituições, o direito, a ideologia. Portanto, o marxismo defende que a economia determina os demais resultados da sociedade, sendo o elemento principal para se explicar qualquer fenômeno social. Marx contribui com o estudo da política internacional por oferecer uma perspectiva crítica das relações internacionais. A teoria marxista é conhecida por demonstrar que a acumulação de riqueza era baseada na exploração de uma classe proprietária dos meios de produção, a burguesia, sobre a outra, o proletariado, que foi expropriado de suas ferramentas de produção. Isso ocorre porque a burguesia não remunerava adequadamente o operário, mantendo para si a mais-valia, que representa o lucro monetário do capitalista. Lenin também lançou algumas bases para tentar explicar porque as guerras acontecem e ele apontava como uma das causas a expansão do imperialismo. Lenin conceitua imperialismo como a fase superior do capitalismo, na qual existe o movimento de expansão do capital monopolista e de internacionalização das relações de produção capitalista, em que reina o conflito e o conflito constante. A teoria de Lenin, além de se expressar no pensamento soviético e chinês comunista, serve de base para as teorias da dependência da América Latina Teoria do sistema mundo O estruturalismo marxista de wallerstein: seu ponto de partida está no conceito de sistema-mundo, por meio do qual wallerstein trata o sistema internacional como uma única estrutura integrada, econômica e politicamente, sob a lógica de acumulação capitalista. Ao longo do processo histórico, produz-se uma organizaçãodo sistema-mundo, estratificada segundo a divisão internacional do trabalho e a concentração da renda nas diferentes esferas da acumulação. Os estados podem situar-se, portanto, em 3 áreas possíveis: o centro, a semiperiferia e a periferia. Essa é a teoria do sistema-mundo. a teoria do sistema-mundo tem o mérito de combinar a análise marxista das contradições, com uma consideração da dimensão política das relações internacionais. A TEORIA DO SISTEMA MUNDO: A PERSPECTIVA DE GIOVANNI ARRIGHI O conceito mais central da teoria de Arrighi é o de ciclos sistêmicos de acumulação. Esse conceito refere-se à concentração de poder em uma potência hegemônica, que alterna períodos de expansão material, isto é, de crescimento produtivo e comercial com momentos de ascensão financeira. Essa definição tem o objetivo de compreender como os regime s hegemônicos aparecem, consolidam-se e depois desaparecem. Arrighi (1996) enfatiza que todos os processos de crise hegemônica em que houve transição de poder entre líderes hegemônicos f oram marcados por um crescimento financeiro que levou à crise terminal da hegemonia. Arrighi aponta a existência de quatro ciclos sistêmicos d e acumulação, quais sejam: i) o ciclo genovês, do século XV ao início do século XVII; ii) o ciclo holandês, do fim do século XVI até a maior parte do século X VIII; iii) ciclo britânico, da segunda metade do século X VIII até o início do século XX; e o iv) ciclo norte-americano, iniciado no fim do século XIX e que prossegue na atual fase de expansão financeira do capitalismo Visões da periferia- teoria da dependência A teoria da dependência é a primeira escola da economia política internacional criada em uma região menos desenvolvida, a América Latina. Portanto, a teoria da dependência não é entendida exatamente como uma teoria de RI, mesmo explicando as relações entre Estados com padrões de desenvolvimento diferenciados, e é dividida em diferentes vertentes. Essa teoria surgiu como uma crítica à forma dependente em que o capitalismo se manifestava na América Latina. Essa teoria defende que a dependência não pode ser atribuída apenas aos Estados centrais, mas também às elites dos países subdesenvolvidos que se associam às economias do centro mais poderosas e se tornam subordinadas a elas. Ademais, essa teoria foi criada com objetivo de apontar novas alternativas para que as economias latino-americanas voltassem a trilhar o caminho do desenvolvimento a assertiva mais importante dos dependentistas acerca da dinâmica do capitalismo mundial aponta para o subdesenvolvimento como produto do desenvolvimento das forças produtivas globais. O intercambio desigual, a ação das multinacionais e a hegemonia dos países capitalistas centrais produziriam um mecanismo de extração do excedente produzido na periferia, uma modalidade internacional do conceito de exploração. Quarto (ou 3.2) debate: positivistas x pós-positivistas – teoria crítica Marxismo pós positivistas o marxismo abriu uma outra via de análise e outras correntes teóricas surgiram segundo essa ideia de que não há isenção no estudo das relações internacionais. Isso porque os chamados positivistas (tanto liberais quanto realistas) acreditam que existe uma verdade/realidade do mundo imutável, cabendo a eles apenas descrevê-la. O marxismo traz a influência da chamada escola de Frankfurt para as relações internacionais, denominados também de pós-positivistas, que defendem que não existe uma realidade pronta, ela é socialmente construída. Nenhuma teoria seria isenta, e sempre que o estado era tido como mais importante, havia por detrás o interesse burguês. 7. Pós-positivistas A maioria dos teóricos do chamado mainstream de relações internacionais são positivistas no sentido que concordam que muitas características do sistema internacional podem ser apreendidas objetivamente, apesar de serem em parte subjetivas. Pós-positivistas, por outro lado, argumentam que a realidade é socialmente construída e, portanto, subjetiva. Essa suposição enfraquece as teorias e explicações existentes, pois se não há realidade objetiva para estudar, as teorias existentes se tornam apenas reflexos das crenças e valores de seus autores. O chamado debate neoxneo ocupou o centro dos debates por pelo menos duas décadas. Apesar de essas duas correntes continuarem a dominar a produção intelectual da academia até hoje, perspectivas alternativas começaram a surgir também nos anos 80. nesse sentido, os debates interparadigmáticos abriram a disciplina para uma diversidade de abordagens que, anteriormente não encontraria espaço, diante do predomínio incontestável do realismo. Teoria crítica – escola de frankfurt as teorias positivistas eram o alvo principal da escola de Frankfurt, mas na medida em que o marxismo soviético perdeu sua capacidade de crítica para voltar-se à preservação do regime, e à defesa dos interesses dos partidos comunistas, torna-se também uma teoria conservadora. Por outro lado, pensadores da escola de Frankfurt, sobretudo, max Horkheimer propõem uma teoria crítica que esteja em sintonia com seu tempo. A expressão "teoria crítica do transversal" é empregada para designar o conjunto das concepções da Escola de Frankfurt. Horkheimer delineia seus traços principais, tomando como ponto de partida o marxismo e opondo-se àquilo que ele designa pela expressão "teoria tradicional". Para Horkheimer, o típico da teoria marxista é, por um lado, não pretender qualquer visão concludente da totalidade e, por outro, preocupar-se com o desenvolvimento concreto do pensamento. Desse modo, as categorias marxistas não são entendidas como conceitos definitivos, mas como indicações para investigações ulteriores, cujos resultados retroajam sobre elas próprias. Quando se vale, nos mais diversos contextos, da expressão "materialismo" Horkheimer não repete ou transcreve simplesmente o material codificado nas obras de Marx e Engels, mas reflete esse materialismo segundo a óptica dos momentos subjetivos e objetivos que devem entrar na interpretação desses autores. A VERTENTE NEOGRAMSCIANA DA TEORIA CRÍTICA: AS CONTRIBUIÇÕES DE ROBERT COX Em 1947, Gramsci escreveu Cadernos do Cárcere, sua obra principal, na qual trata, sobretudo, da questão da hegemonia. De acordo com Gramsci, o Estado (antes visto como órgão de coerção jurídica) é entendido como uma combinação entre “sociedade política” e “sociedade civil”, no qual a hegemonia de um grupo social é exercida por meio de instituições públicas e organizações privadas, tais como a Igreja e sindicatos, que determinam os traços culturais da sociedade. Essas organizações divulgam ideologias burguesas que contribuem para preservar a ordem hegemônica capitalista na década de 80, o autor robert cox ressuscitou o pensamento marxista para tentar explicar as relações internacionais já muito estadocentristas. O que ele vai tentar demonstrar é a relevância das classes sociais como ator central, e não os estados. A característica da burguesia estaria ligada à nação – não existe uma burguesia internacional – ela é nacional, pois controla o próprio estado. Segundo essa lógica, portanto, as guerras são burguesas, por serem disputas entre burguesias. o proletariado, entretanto é internacional (“proletariados do mundo uni-vos); o inimigo em comum do proletariado são os burgueses. O nacionalismo é justamente o elemento de coesão de que se vale a burguesia para que um proletário faça guerra com outro. A revolução seria a tomada de consciência pelo proletariado. GRAMSCI COX Para a corrente neogramsciana, as reformas na ordem internacional promovidas pelos Estados sustentam-se na capacidade das superpotências de sobrepor seus interesses sobre os dos Estados mais fracos, adotando certos instrumentos hegemônicos. O enfoque teórico de Cox visualiza as estruturas sociais de forma não mecanicista nem determinista, compreendendo-as como construções históricas que englobam condições materiais, ide ias e instituições, as quais constrangem as ações dos atores. De acordocom Cox, as estruturas históricas são um quadro que limita a ação política, estando submetidas a alterações causadas pelas mudanças de posicionamento e estratégia dos agentes. para cox, os estados continuam a ser uma dimensão importante das estruturas históricas, mas o que define sua forma, e como consequência, seu padrão de comportamento e suas estratégias, é o modo das relações com a sociedade civil(o complexo estado versus sociedade civil). baseando-se na teoria da ação comunicativa de jugen Habermas – principal expoente da segunda geração da escola de Frankfurt – linklater afirma ser possível questionar a legitimidade de práticas de exclusão a partir de uma ética do diálogo na qual toda exclusão precisa ser justificada considerando os interesses da espécie humana como um todo. O projeto de Habermas visa resgatar a capacidade da razão de formular princípios éticos e morais que possam ser aceitos universalmente. Nesse sentido, Habermas rejeita a crítica de seus predecessores da escola de Frankfurt que acreditavam no fracasso da emancipação do iluminismo Andrew Linklater e Jürgen Habermas HABERMAS LINKLATER OUTRAS TEORIAS CRÍTICAS ESSES GRANDES PENSADORES DO SÉCULO XX FORAM BRILHANTES NA ORIGINALIDADE DE SUA PRODUÇÃO INTELECTUAL, E , SEM DÚVIDA, CORAJOSOS NO ENFRENTAMENTO DOS REGIMES AUTORITÁRIOS DE SUA ÉPOCA E DAS ESTRUTURAS DE PODER NA ACADEMIA, SEM FALAR DOS PARTIDOS POLÍTICOS DE SEU TEMPO. TALVEZ, O MAIOR LEGADO DA TEORIA CRÍTICA PARA A DISCIPLINA SEJA ESSA ABERTURA PARA OUTRAS ÁREAS DAS CIÊNCIAS HUMANAS, QUE POSSIBILITA ROMPER COM A RIGIDEZ DOS MODELOS POSITIVISTAS E QUEBRAR O SILÊNCIO EM TORNO DE TEMAS IGNORADOS PELAS TEORIAS DOMINANTES. COMO PROVA DISSO, TEM-SE DIVERSAS OUTRAS TEORIAS DECORRENTES DESSE MOVIMENTO QUE BUSCAM CAUSAS ESPECÍFICAS – POR EXEMPLO, TEMOS AS TEORIAS PÓS-COLONIAIS, AS TEORIAS CRÍTICAS FEMINISTAS DENTRE OUTRAS. EPÍLOGO: KEOHANE EM 1988, KEOHANE PUBLICOU UM ARTIGO CHAMADO TUB APPROACHES . NELE, FAZ-SE UMA DIVISÃO ENTRE O QUE CHAMOU DE RACIONALISTAS (POSITIVISTAS – AQUELES QUE ACREDITAVAM QUE HÁ UMA REALIDADE QUE TEM DE SER DESCRITA) E REFLEXIVISTAS (PÓS-POSITIVISTAS QUE NÃO ACREDITAVAM QUE HÁ UMA REALIDADE PRONTA, E SE VALEM DE QUESTÕES ABSTRATAS, POR EXEMPLO, NACIONALIDADE, CULTURA, RELIGIÃO, HISTÓRIA, ETC.). ASSIM ELE SINTETIZA A SEGUNDA PARTE DO TERCEIRO GRANDE DEBATE (OU QUARTO DEBATE), DIZENDO QUE SÃO VISÕES ANTAGÔNICAS, IRRECONCILIÁVEIS, POIS OU SE PROCEDE À UMA ANÁLISE CIENTÍFICA PURA, OU PARTE-SE DA PREMISSA QUE TODA PESQUISA CIENTÍFICA É IDEOLÓGICA. NÃO É DEBATE, MAS É IMPORTANTE – OS CONSTRUTIVISTAS introdução Atualmente, é comum recorrer-se a enfoques construtivistas para analisar questões de Relações Internacionais (RI) e salientar as dimensões da cultura e das identidades, ignoradas pelas perspectivas tradicionais. Mas o construtivismo não deve ser pensado como uma teoria, e, sim, como um modelo de raciocínio dentro do qual podemos identificar múltiplas versões de construtivismo Embora o termo ‘construtivismo’ tenha sido introduzido na disciplina por Nicholas Onuf, foi popularizado graças ao artigo Anarchy is What States Make of It, de Wendt, publicado em 1992 Mais tarde, em 1999, Wendt publicou o livro Social Theory of International Politics, considerado, por muitos, como um dos principais trabalhos da disciplina de Relações Internacionais, devido à combinação de realismo científico, holismo e idealismo A verdade é que quando nos referimos a uma “abordagem construtivista” das Relações Internacionais temos que ter em mente que esta expressão engloba várias visões diferentes, seja em enfoque, seja metodologicamente. introdução O construtivismo ganha espaço entre a década de 80 e 90, propondo uma mediação entre os debates neo x neo e positivista x pós positivista. O construtivismo parte de um debate oriundo da sociologia entre agente e estrutura. É neste sentido que esta vertente é apresentada, pelo próprio Wendt (1999, p. 4), onde o construtivismo seria apresentado como um “meio termo” (ou “via média”), isto é, uma versão moderada‟ de construtivismo que pretende distanciar-se, por um lado, de formas mais radicais de idealismo (que argumentam que apenas as idéias importam), e, por outro, de versões puramente materialistas (que explicam a realidade apenas em função de fatores materiais). a premissa básica de onuf é a de que vivemos em um mundo que construímos, no qual somos os principais protagonistas, e que é produto das nossas escolhas. Esse mundo em permanente construção é constituído de agentes. Vale dizer: não se trata de um mundo que nos é imposto, que é predeterminado, e que não podemos modificar. Em outras palavras, o mundo é socialmente construído. agentes: quem toma as decisões. Nas relações internacionais: estados, indivíduos e organizações internacionais são agentes. estrutura: é uma espécie de conjunto, resultado dessas ações – o direito internacional, a moral, a anarquia, por exemplo. A discussão de quem manda em quem: - Para o neoliberalismo, é o agente que muda a estrutura - Para o neorrealismo, os atores são como bolas de bilhar, sendo assim, a estrutura se impõe sobre o agente OS CONSTRUTIVISTAS NEGAM A ANTECEDÊNCIA ONTOLÓGICA TANTO AO AGENTE QUANTO À ESTRUTURA, E AFIRMAM QUE AMBOS SÃO CO-CONSTITUÍDOS. ESSA IDEIA É UMA ADAPTAÇÃO DE TEORIA SOCIOLÓGICA DE ANTHONY GILDENS. ISSO AJUDA A EXPLICAR QUESTÕES BASILARES DAS RELAÇÕES INTERNACIONAIS . A PARTIR DO MOMENTO QUE O AGENTE TOMA A DECISÃO DE QUE O ESTADO É O AUTOR MAIS IMPORTANTE, A ESTRUTURA REPRODUZ ISSO, GERANDO UM CICLO. MAS ISSO NÃO É INQUESTIONÁVEL – HÁ POSSIBILIDADES DE MUDANÇA CULTURAL. ALÉM DE REVELAR PROBLEMAS E DESAFIOS PARA A DISCIPLINA, COMEÇA UM DIÁLOGO COM OUTRAS CIÊNCIAS SOCIAIS. Peter J. Katzenstein, Robert O. Keohane, e Stephen D. Krasner, no artigo conjunto, intulado International Organization and the Study of World Politics, de 1998, além de perceber a diversidade dentro do construtivismo, esforaram-se em crier, também, uma classificação para auxiliar o entendimento (e identificação), de versões da referida abordagem. Eles escolheram estas três categorias pelos propósitos e com plena consciência, segundo os próprios autores, de que existem diferenças consideráveis dentro de cada um desses três grupos: 1- Construtivistas convencionais insistem que as perspectives sociológicas oferecem uma orientação teórica geral e programas específicos de pesquisa podem complementar o racionalismo ou rivalizar com ele. Nesta visão, um completo entendimento de preferências requer uma análise dos processos sociais nos quais envolvem normas e as identidades são constituídas. 2- os construtivistas críticos, ao rejeitarem concepções racionalistas da natureza humana, concordam com construtivistas convencionais em matéria de ontologia. Como os construtivistas convencionais, eles estão interessados em como os atores e sistemas são constituídos e influenciam um na evolução do outro. Seus programas de pesquisa focam em questões de identidade que incluem, além de nacionalismo, temas como raça, etnia, religião e sexualidade. Construtivistas críticos também aceitam a possibilidade de um conhecimento social científico baseado na pesquisa empírica. Eles são, no entanto, profundamente céticos a respeito da possibilidade de formular leis gerais, e são pluralistas sobre metodologias apropriadas de pesquisa 3- Racionalistas podem ver o construtivismo crítico como muito próximo aos construtivistas pós-modernos. Esta seria, ainda uma impressão errada. O que distingue os construtivistas críticos dos pós-modernos não é o foco compartilhado no discurso, mas no reconhecimento pelos construtivistas críticos da possibilidade de uma ciência social e uma vontade de se envolver abertamente no debate acadêmico com o racionalismo. Construtivistas pós-modernos9 insistem que não há base firme para qualquer conhecimento . Desde que não há posição livres de julgamentos científicos ou éticos, a análise pós-moderna é restrita à tarefa de desmascarar as relações de poder que sãocamufladas em todas as construções de conhecimento (incluindo a sua própria visão), e todas as formas de racionalidade comunicativa. Através de uma análise cuidadosa da linguagem, o pós-modernismo chama nossa atenção para a instabilidade inerente de toda ordem política e simbólica. GRUPOS: Wendt O desenvolvimento do construtivismo oferece duas vagas para abordar esta questão. A primeira seria uma nova maneira de ver o problema agente-estrutura (Giddens, 1984; Wendt 1999). Considerando que as teorias anteriores privilegiam um em detrimento do outro (geralmente a estrutura, a expensas do agente), um marco de abordagem construtivista delineia um insight sobre como a estruturação da sociologia pode ter a posição de agente e estrutura de duas partes e do mesmo todo. Assim, os agentes fazem estrutura e estruturas tornam-se agentes. A segunda abertura foi postular um novo tipo de teoria que foi além "por" questões de causa e efeito "como" e "o que" questões de processo e constituição (Wendt, 1998). WENDT ACEITA QUE O PAPEL DO ESTADO COMO ATOR MAIS IMPORTANTE É UMA CONSTRUÇÃO SOCIAL, MAS NA PRÁTICA, É NECESSÁRIO PARA ENTENDER A REALIDADE. O AUTOR NICHOLAS ONUF TAMBÉM ACEITA QUE A REALIDADE É SOCIALMENTE CONSTRUÍDA, MAS UTILZA UMA ABORDAGEM MAIS PÓS-MODERNA: UMA VEZ CONSTATADO QUE O ESTADO É CONSTITUÍDO SOCIALMENTE, O PAPEL DO ANALISTA É DESCONSTRUIR A REALIDADE, MOSTRANDO QUE HÁ OUTRAS POSSIBILDADES. ONUF ANARQUIA WENDT FALA DA AÇÃO DE 3 CULTURAS DA ANARQUIA, DIFERENTEMENTE DAS TEORIAS POSITIVISTAS, PARA AS QUAIS EXISTE SOMENTE UMA. O QUE WENDT ARGUMENTA, É QUE A ANARQUIA ESTÁ SENDO CONSTRUÍDA CONSTANTEMENTE, POIS NÃO HÁ APENAS UMA LÓGICA ÚNICA SOBRE O CONFLITO E A COMPETIÇÃO. SUA CONSTRUÇÃO TEÓRCA PASSARIA A SER CONSIDERADA, A PARTIR DAÍ, COMO UMA PONTE ENTRE POSITIVISTA E PÓS-POSITIVISTAS. 1- ANARQUIA HOBBESIANA – A QUE OS REALISTAS DESCREVEM, SÃO AS RELAÇÕES ENTRE DIFERENTES ATORES NA QUAL EXISTE UMA BUSCA CONSTANTE POR PODER E SOBREVIVÊNCIA. POR EXEMPLO, AS RELAÇÕES ENTRE AS COREIAS, PAQUISTÃO E INDIA, ARÁBIA E IRÃ. 2- ANARQUIA LOCKEANA – UMA RELAÇÃO PROTOCOLAR, ESTADOS QUE SE SUPORTAM DEVIDO AO CONTRATO SOCIAL, PARA UMA VIDA MAIS ESTÁVEL. POR EXEMPLO, A RELAÇÃO ENTRE BRASIL E MÉXICO. 3- ANARQUIA KANTIANA – DOIS OU MAIS ESTADOS QUE POSSUEM COMPARTILHAMENTO DE VALORES E RELAÇÕES DE MÚTUA CONFIANÇA. POR EXEMPLO, EUA E GRÃ BRETANHA, OU FRANÇA E ALEMANHA. Uma nova visão: escola de conpenhague A Escola de Copenhague, fundada em 1985 a partir da criação do Copenhagen Peace Research Institute, com vistas a fomentar pesquisas voltadas à segurança internacional, estabelece-se como um marco precursor da inauguração de novos modos de se pensar as temáticas de segurança e defesa para além dos paradigmas tradicionalistas e de caráter predominantemente realista. Entretanto, é necessário fazer uma distinção teórica para aqueles que não estão situados no debate e apontar que mesmo se opondo a certas concepções clássicas do realismo tradicionalista, a Escola de Copenhague não se caracterizaria de maneira geral como uma opositora radical a esta tradição, posição que estaria associada às vertentes críticas. Ao contrário disso, a Escola de Copenhague busca trazer à discussão certos aspectos de uma perspectiva construtivista, criando um diálogo com as abordagens tradicionais. Por Construtivismo, entende-se, nos termos de Adler, “a perspectiva segundo a qual o modo pelo qual o mundo material forma e é formado pela ação e interação humana depende de interpretações normativas e epistêmicas dinâmicas do mundo material”, em outras palavras, a forma como a realidade material e social se desenvolve e responde a determinados problemas se fundamenta em interpretações guiadas por ideias e percepções acerca da realidade, que são construídas no interior da sociedade e guiam as ações dos agentes, moldando suas visões de mundo e o sentido que delas decorrem. Uma nova visão: escola de conpenhague o grupo de Copenhague realizou uma produtiva síntese tanto das vertentes tradicionalista e crítica de segurança internacional como das abordagens realista e construtivista de teoria das Relações Internacionais. É estabelecida, portanto, como uma abordagem tida como abrangente, que não nega o papel das temáticas clássicas, mas que busca introduzir elementos críticos a partir de abordagens interdisciplinares em relação aos estudos de segurança, enfatizando o papel dos processos políticos, sociais e econômicos que se fazem presentes nesses processos. No que tange a sua principal contribuição teórica o conceito de securitização, apresenta-se como o mais relevante e original. Em suma, o conceito de securitização se caracteriza pela ideia de que as temáticas que são estabelecidas como objetos de segurança e ganham status de ameaça em determinado contexto social são, antes de tudo, construídos a partir de um processo de interpretação social acerca do problema e projetados através de uma agenda política que transforma tal questão em um problema de caráter securitizado. Este processo se caracteriza primeiro pela politização da questão, na qual a temática ganha status de relevância pública, em que o Estado deve se fazer presente e atuar na busca de resolver o problema através de políticas públicas, seguido pela acentuação do problema para uma etapa mais elevada em que a questão passa a ser vista como uma ameaça direta à ordem social e política e, portanto, à própria sobrevivência, recebendo o caráter de ameaça à segurança nacional e/ou internacional. Umas das consequências claras desse fenômeno é a utilização de mecanismos extraordinários e a justificação de adoção de medidas não convencionais e às vezes clandestinas como uma forma necessária para se lidar com a ameaça iminente, apontando a questão como prioritária, requerendo grande alocação de recursos e medidas emergenciais para a resolução do problema. Um dos pontos de maior relevância na construção do processo de securitização é o ato do discurso, ou ato de fala. De tal maneira, o processo de securitização se dá a partir de uma relação entre o agente que identifica a ameaça e aqueles que absorvem o discurso, sendo um fenômeno que se concretiza a partir de uma via de mão dupla e do compartilhamento intersubjetivo da interpretação acerca de determinado aspecto da realidade. Por consequência, compreende-se que, em última instância, as questões de segurança e defesa não são universalmente compreendidas e existentes de maneira fixa e objetiva na realidade, mas são construídas a partir de um contexto político e social e da interpretação intersubjetiva, movida por ideias e valores que buscam interpretar o mundo material. Dito isso, a compreensão da segurança e da defesa acaba por demandar necessariamente a compreensão das dimensões políticas, ideológicas, históricas e sociais que giram em torno de determinado fenômeno e como as agendas de segurança são impactadas por esses aspectos. Uma nova visão: escola de conpenhague Num contexto pós-guerra fria, globalizado e no qual as agendas políticas em torno da segurança internacional enfrentam novos desafios ou, como comumente chamadas, as “novas ameaças”, a compreensão da securitização e o uso de tal conceito como categoria teórica se torna relevante e útil no entendimento de diversos dilemas contemporâneos, o que leva a outra característica importante da Escola de Copenhague: a sua aproximação com a tradição europeia de estudos de segurança que, distinta da tradição norte-americana, tem uma abordagem voltada aos estudo da paz e da segurança internacional em detrimento dos estudos estratégicos e de caráter nacional predominante nos Estados Unidos da América, característica esta que se manifesta na importância do conceito de segurança regional, que enfatiza a ideia da construção de agendas de segurança voltadas para a cooperação internacional a partir das realidades regionais e geopolíticas que seriam responsáveis por delimitar demandas em comum.