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AP1 PARASITO - 02/04 CLASSE PIROPLASMASIDA Ordem Piroplasmorida Família Babesidae Gênero Babesia Babesia bigemina – BABESIOSE - PATOGENIA - HOSPEDEIROS ACOMETIDOS - SINAIS CLÍNICOS - PREVENÇÃO / CONTROLE Babesia O gênero Babesia compreende protozoários parasitas de hemácias de humanos e diferentes espécies de animais. É TRANSMITIDO POR UM ARTORÓPODE – CARRAPATO. As babésias se multiplicam por divisão binária, e após a multiplicação apresentam um formato piriforme (PIROPLASMAS). PATOGENIA: hemólise intra e extra vascular. QUADRO CLÍNICO: febre, anemia, anorexia, hemoglobinemia. Casos + graves: icterícia e hemoglobinúria. A gravidade das manifestações clínicas está associada à patogenicidade da espécie ou cepa da Babesia, à intensidade da infecção, à respota imune e à idade do hospedeiro. Além da destruição das hemácias, que causa anemia, observam-se lesões em outros órgãos. O baço filtra hemácias parasitadas e hemácias não parasitadas, mas que foram marcadas com antígenos das babésias. Ele acaba por aumentar de tamanho, levando à esplenomegalia. A destruição das hemácias não parasitadas intensifica a anemia, que passa a ter um caráter autoimune, e as hemácias se rompem, liberando hemoglobina. Nos rins, ocorre hemoglobinúria quando a capacidade de absorver a hemoglobina é ultrapassada. A Babesia também leva a desordens circulatórias com a liberação de peptídeos vasoativos, que provocam vasodilatação, aumento de permeabilidade dos vasos e estase circulatória. No quadro de babesiose cerebral bovina, ocorre obstrução dos capilares cerebrais e se observa sintomatologia nervosa. A babesiose causa um grande prejuízo à criação nacional, seja pelas perdas associadas à queda da produção de leite, diminuição do crescimento e morte dos animais, seja pelo custo do controle e tratamento das babesioses e de seus vetores. CICLO BIOLÓGICO: O carrapato, ao se alimentar do sangue do hospedeiro vertebrado, ingere os merozoítos e os gamontes. Os merozoítos são destruídos no intestino do carrapato, enquanto os gamontes se diferenciam em gametas masculinos e femininos e iniciam a reprodução sexuada, ou gametogonia. O produto da fusão dos gametas é um zigoto, que, por ter motilidade, é chamado de oocineto. O oocineto penetra nas células do tubo digestivo do carrapato e nelas se multiplica por divisão binária ou múltipla, originando os esporocinetos, também chamados de vermículos (organismos claviformes, alongados). As células infectadas se rompem e liberam os esporocinetos, que também são móveis e migram, pela hemolinfa, para os tecidos do carrapato. No caso das fêmeas de carrapatos, os esporocinetos atingem os ovários e, a partir destes, os ovos e larvas (transmissão transovariana). Os esporocinetos também podem atingir as glândulas salivares, onde novamente se multiplicarão de forma assexuada pelo processo de esporogonia, dando origem às formas infectantes para os hospedeiros vertebrados, que são os esporozoítos. O carrapato, ao sugar o sangue do hospedeiro, inocula os esporozoítos, que penetram nas hemácias do animal, transformam-se em trofozoítos e dividem-se assexuadamente, por divisão binária, formando merozoítos. A célula se rompe e os merozoítos são liberados e penetram em novas hemácias, reiniciando a multiplicação. Uma pequena porcentagem dos merozoítos não se divide e se transforma em gamontes esféricos, que, ao serem ingeridos pelo carrapato vetor, iniciarão o ciclo sexuado. Transestadial É aquela em que a infecção persiste por duas ecdises do carrapato, isto é, que ocorre de um estágio do carrapato para outro. Ocorre na maioria das espécies de Babesia. Transovariana É aquela em que as fêmeas infectadas transmitem a Babesia para seus ovos e progênie. É também chamada de transmissão vertical e é importante nas babesioses transmitidas por carrapatos monoxenos, como Rhipicephalus microplus e Dermacentor nitens. Por terem um único hospedeiro, a transmissão ocorrerá da fêmea para seus ovos, e estes darão origem a larvas e ninfas parasitadas, que, por sua vez, irão contaminar outros animais. Intraestadial É aquela em que o mesmo estágio do parasita adquire o protozoário de um animal infectado e o transmite para outro animal suscetível. É um modo de transmissão que ocorre principalmente com os carrapatos machos. BABESIOSE BOVINA BOVINOS: Babesia bovis e Babesia bigemina. QUADRO CLÍNICO: síndrome hemolítica e febril. TAURINOS são mais suscetíveis à infecção do que os ZEBUÍNOS. ANIMAIS JOVENS são naturalmente mais RESISTENTES à infecção. Outros fatores como estresse e doenças concomitantes, também podem desencadear a doença. SINTOMAS CLÍNICOS: aumento da temperatura retal, que ocorre paralelamente à parasitemia, chegando a 41,5°C. A partir de então, a destruição das hemácias leva a uma anemia hemolítica progressiva. As mucosas tornam-se pálidas e, posteriormente, ictéricas; ocorrem desidratação e aceleração do pulso e dos movimentos respiratórios, sendo frequente a presença de hemoglobinemia e hemoglobinúria. Como consequência, os animais tornam-se apáticos e anoréxicos, desidratam-se e apresentam a pelagem e as fezes secas. CASOS AGUDAS = EVOLUÇÃO RÁPIDA: prostração e morte em 5 a 8 dias. CASOS CRÔNICOS = SINTOMAS BRANDOS: não há hemoglobinúria e a mortalidade é baixa; pode ocorrer febre, inapetência, anemia e emaciação. Os protozoários B. bovis e B. bigemina estão frequentemente associados à bactéria Anaplasma marginale. A doença causada pela associação desses três parasitas é conhecida como tristeza parasitária bovina. HOSPEDEIROS: · Intermediário: BOVINOS · Definitivos: CARRAPATO Rhipicephalus (Boobphilus) microplus. A infecção dos bovinos ocorre de 8 a 10 dias após a fixação do carrapato, quando as larvas já fizeram muda para ninfas. Assim, a transmissão transovariana ocorre durante os estágios de ninfas e adultos do carrapato. De 12 a 18 dias após a fixação dos carrapatos, as babésias já podem ser observadas no sangue dos animais. IMPORTÂNCIA: B. bigemina é considerada menos patogênica do que B. bovis, pois não causa aderência das hemácias parasitadas nos capilares. A doença causada por B. bigemina é caracterizada por anemia hemolítica e, de modo geral, só ocorre manifestação clínica da infecção quando a parasitemia excede 1%. Animais infectados por B. bigemina podem apresentar parasitemias elevadas, superiores a 15%. DIAGNÓSTICO: · Esfregaço sanguíneo: É a técnica de escolha para casos agudos de babesiose. Após a confecção dos esfregaços, estes são fixados com metanol, corados com Giemsa e examinados ao microscópio em objetiva de imersão. É uma técnica de fácil execução e de baixo custo e possibilita a visualização dos parasitas no interior das hemácias. Entretanto, é uma técnica de baixa sensibilidade quando a parasitemia é baixa, principalmente nos casos crônicos; também não possibilita distinguir as diferentes espécies apenas pelas características morfológicas. O ideal é que os esfregaços sejam realizados a partir de sangue capilar, para melhorar sua sensibilidade. · Sorologia: Testes sorológicos para identificação de anticorpos contra a Babesia são bastante úteis, principalmente em estudos epidemiológicos. Os testes mais comumente utilizados são a imunofluorescência indireta (IFI) e o teste de ELISA (Enzyme-linked Immunossorbent Assay), que apresentam alta sensibilidade e especificidade, porém indicam somente a exposição ao agente, e não se a infecção é recente ou antiga. · Técnicas moleculares: Das técnicas moleculares, a mais utilizada é a PCR, que vem sendo cada vez mais empregada no diagnóstico da infecção por Babesia spp. Quando associadas ao sequenciamento genético, essas técnicas têm possibilitado a identificação de novas espécies e novos hospedeiros para espécies já descritas. A PCR é uma técnica de alta sensibilidade e especificidade, que detecta o DNA do parasita e apresenta sensibilidade cerca de 100 vezes maior que a técnica de esfregaço sanguíneo; entretanto, necessita de laboratórios equipadose técnicos especializados na sua execução, sendo ainda pouco usada na rotina clínica. CONTROLE: O controle das babésias passa pelo controle dos vetores, quimioprofilaxia, premunição e utilização de vacinas. Em animais de produção, o controle do vetor deve ser realizado de modo a manter uma população mínima de carrapatos que possibilite o desenvolvimento de imunidade contra a Babesia, sem prejudicar a produção. Em regiões endêmicas, os animais apresentam imunidade adquirida por meio do colostro, a qual deve ser reforçada gradativamente com o desenvolvimento do animal. A quimioprofilaxia faz uso de drogas específicas em doses subterapêuticas. Essas subdosagens possibilitarão que os animais adquiriram a infecção sem apresentar sintomas ou com sintomas brandos. A premunição baseia-se na inoculação de sangue de um animal portador em animais suscetíveis, que serão acompanhados e tratados sempre que necessário. O animal doador do inóculo deve ser examinado para evitar a transmissão de outros patógenos para o animal receptor. Tanto a quimioprofilaxia quanto a premunição são técnicas importantes quando da introdução de animais de áreas livres de Babesia e de carrapato no rebanho. Entretanto, exigem cuidado na sua aplicação e devem ser realizadas por veterinários experientes. Estão disponíveis, no mercado nacional, vacinas atenuadas congeladas, que são confiáveis quanto à pureza e eficiência. Tais vacinas são tríplices e funcionam para B. bovis, B. bigemina e A. marginale. TRATAMENTO: - As drogas mais utilizadas no tratamento das babesioses são o diproprionato de imidocarb e os derivados das diamidinas. O primeiro também é eficaz para o tratamento de riquétsias, como Ehrlichia spp. e Anaplasma spp., comumente associadas às babésias. - A formulação e a dosagem variam conforme a espécie animal. - Tratamento de suporte pode ser aconselhável nos casos graves. Espécies menos patogênica transmissão por ninfas e adultos do carrapato Patogenicidade maior em animais adultos Febre associada a parasitemia Anemia hemolítica Icterícia Hemoglobinemia e Hemoglobinúria Óbito por obstrução de capilares viscerais, efeitos tóxicos e anoxia tissular. MONTEIRO, Silvia Gonzalez. Parasitologia na Medicina Veterinária. 2. ed. Rio de janeiro: ROCA, 2017.