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Rana Plaza - Legislação e Normas

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UNIVERSIDADE ESTÁCIO DE SÁ
MBA EM ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO TRABALHO 
Resenha Crítica de Caso 
Rayanne Cardozo de Souza
Trabalho da disciplina Legislação e Normas Técnicas
 		 Tutor: Prof. Carlos Alberto Martins
Campo Grande 
1
2020
RANA PLAZA: SEGURANÇA DO TRABALHO EM BANGLADESH
Referência: 
QUELCH, John A.; RODRIGUEZ, Margaret L. Rana Plaza: Segurança do Trabalho em Bangladesh. Harvard Business School, 20 de fevereiro de 2015.
1 – INTRODUÇÃO
	O artigo para estudo aborda um acidente industrial ocorrido no edifício da fábrica Rana Plaza, que desabou em abril de 2013, matando mais de 1.100 pessoas. Os contratos de exportação das empresas ajudaram Bangladesh a se tornar o segundo maior exportar mundial de vestuário, tendo contratos primários com europeus, americanos e canadenses. 
	Esta não foi a primeira tragédia a acontecer na indústria de vestuário, e se não houver intervenções, muitas continuarão ocorrendo. Com o caso, os proprietários de marcas internacionais, governo, sindicatos e Ong’s iniciaram as discussões a respeito das atitudes para melhorar as condições de trabalho em Bangladesh. 
2 – DESENVOLVIMENTO
	Após a promulgação do Acordo Multi-Fiber em 1974, a indústria de vestuário tornou-se uma grande força em Bangladesh, tendo um alto volume de exportação devido aos baixos custos laborais. Em 2012, o país foi o segundo maior exportador de vestuário do mundo, sendo o setor de grande importância para a economia. Os trabalhadores destas fábricas eram pagos cerca de 13% a mais do que os de outros setores de indústrias. A grande maioria dos empregados do setor vestuários eram mulheres, sendo em 2011 o principal ramo empregatício de mulheres entre 15 e 30 anos. 
A produção com baixo custo e com grande capacidade foram os principais estímulos para que as multinacionais produzissem peças de roupa em Bangladesh. Os salários mínimos e médios eram muito inferiores em comparação aos outros países que também produziam peças para exportação. O crescimento rápido da indústria resultou na construção muito rápida de fábricas, muitas vezes sem aderir aos códigos de construção. Mais de 1000 empregados morreram e 3000 ficaram feridos na indústria de vestuário em Bangladesh desde 1990. 
Um dia antes do prédio entrar em colapso, os trabalhadores chegaram a observar rachaduras nas paredes. O edifício Rana Plaza abrigava cinco fábricas, um banco e shopping centers. Neste dia, um engenheiro avaliou o edifício e o considerou inseguro, recomendando que fosse evacuado, já um funcionário do governo local declarou que o local estava a salvo. Os trabalhadores do banco desocuparam o prédio conforme as recomendações do engenheiro, porém os trabalhadores de vestuário foram convocados para trabalhar no outro dia sob o risco de perder seus empregos. 
 	No dia 24 de abril de 2013, o prédio de nove andares desaba. Varios problemas estruturais causaram o acidente, como: quatro andares adicionais construídos de forma ilegal, materiais de construções de baixa qualidade, as paredes do edifício não forneciam o suporte necessário para aguentar as máquinas e geradores das fábricas, e a fundação não foi feita de maneira correta. 
 	Após o colapso, milhares de trabalhadores se revoltaram nos distritos industriais, causando o fechamento de várias fábricas. Muitos acabaram voltando as suas aldeias de origem na área rural para trabalhar na agricultura. Os consumidores também começaram a questionar os varejistas, condenando-os por tirar vantagem dos trabalhadores de Bangladesh e questionando quanto às condições e segurança do trabalho. Já o governo, após o incidente, moveu-se para prender o proprietário do edifício e os das fábricas alojadas ali. 
O acidente serviu para revelar como as medidas de inspeção das fábricas e fiscalização quanto ao cumprimento das normas por parte das organizações governamentais foram insuficientes. Não houve abordagem abrangente ou coordenada para as inspeções nas fábricas, poucos inspetores para a quantidade total, falta de recursos, além do interesse em se manter boas relações com os proprietários, evitando problemas e o risco de espantar investimentos estrangeiros. 
Após a tragédia, foram criadas três comissões para ajudar as vítimas e famílias com tratamento médico e compensação, além da montagem de uma equipe de engenheiros para inspecionar as fábricas, sendo 19 fechadas como resultado. Algumas multinacionais continuaram com seus negócios em Bangladesh, bem como os consumidores, outras decidiram realocar sua produção para outro país, como a Disney Corporation. As que permaneceram poderiam decidir se colaborariam investindo na melhoria das condições de segurança nas indústrias de vestuário, porém muitos proprietários ficaram hesitantes, já que 90% das instalações necessitavam de reparos graves ou demolição, além da falta de segurança quanto ao retorno que este investimento traria. 
3 – CONCLUSÃO
A Segurança do Trabalho e o cumprimento das Normas de Segurança são responsabilidades das empresas. O empregador deve prestar o bom acompanhamento e fiscalização das medidas tomadas para promover a saúde e o bem-estar dos trabalhadores que atuam nos ambientes laborais de sua empresa, bem como fiscalizar o mais adequado cumprimento das normas constantes na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e os mandamentos das NR. 
Uma empresa não é criada para obter prejuízos e sim lucros, mas o lucro não deve prevalecer sobre a vida humana. Para que haja equilíbrio entre capital e trabalho a empresa deve proteger o seu maior patrimônio que é, indiscutivelmente o trabalhador. Assim, a prevenção e a manutenção da segurança e da saúde de sua mão de obra estarão em alto nível e sua produtividade atuando de maneira realmente eficaz e com qualidade.