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L I S T A D E E X E R C Í C I O S 1 - Três mil funcionários de uma empresa foram convidados a participar de um estudo, no qual tinham que responder a um questionário detalhado sobre seus hábitos alimentares. Do total de funcionários, 800 possuíam uma alimentação equilibrada e rica em fibras, enquanto os 2.200 restantes tinham uma dieta rica em açúcares e gorduras animais. Ao final de 15 anos, observou-se que a incidência de coronariopatia era bem menor no grupo com alimentação equilibrada. Este estudo pode ser classificado como: A. descritivo e transversal B. longitudinal e prospectivo do tipo coorte C. longitudinal e prospectivo do tipo ensaio clínico D. longitudinal e retrospectivo do tipo caso-controle Gabarito: B CORRETO : Vamos analisar o exemplo: havia, inicialmente, dois grupos (um, com alimentação equilibrada e rica em fibras; o outro, com alimentação rica em açúcares e gorduras). Ou seja, diferentes exposições. Apó s 15 anos, foi analisada a incidência de coronariopatia em cada grupo. Trata-se, portanto, de um estudo de coorte, que é observacional, longitudinal, prospectivo. 2 - Dados de um grande estudo sobre câncer na bexiga e tabagismo em Boston indicam que as taxas de incidência de câncer na bexiga em fumantes e não fumantes são, respectivamente, 48,0 e 25,4. O risco relativo de desenvolver câncer na bexiga para homens fumantes comparado com homens não fumantes é: A. 48,0 B. 48,0 – 25,4 = 22,6 C. 48,0 / 25,4 = 1,89 D. (48,4 – 25,4) / 48,0 Resposta: O risco dos fumantes é 1,89 vezes maior do que os dos não fumantes. Letra C. 3- Um pesquisador está estudando 200 crianças, das quais 100 foram à creche e 100 não. Das que foram à creche, 90 ficaram resfriadas. Das que não foram, 75 ficaram resfriadas. Qual a risco de ter um resfriado para aqueles na creche, em comparação ao risco daqueles que não estão na creche? A.1,2 B. 1,8 C. 2,5 D. 2,6 A resposta é a letra A. O risco de ter resfriado entre os que foram à creche é 1,2 vezes maior quando comparado aos que não foram. 4 - FEDERAL DO RIO DE JANEIRO. Com o objetivo de investigar a associação entre o uso de cocaína durante a gestação e o baixo peso ao nascer (peso <=2.500 g), foram estudados todos os nascimentos ocorridos em 12 hospitais de uma cidade dos EUA durante o ano de 1988. O trabalho foi realizado por uma equipe especialmente treinada usando como fonte as bases de dados com informações sobre o parto e o pré-natal. A mãe era classificada como exposta à cocaína, se a mesma referisse ao longo do pré-natal ser usuária da droga. Em alguns casos, entretanto, a exposição foi identificada através de testes solicitados pela equipe médica que acompanhou o parto. Estes exames eram solicitados para as crianças que nasceram com graves problemas de saúde. Ao todo foram analisados 17.368 nascimentos, sendo obtido o seguinte resultado IC95%(3,9-5,1): Baixo Peso Peso Normal Total Mãe usuária de cocaína 110 289 399 Mãe não usuária de Cocaína 1.073 15.896 16.969 Total 1.183 16.185 17.368 a) Qual o tipo de desenho de estudo utilizado? COORTE b) Existe associação entre consumo de cocaína e baixo peso ao nascer? SIM. 0,275/0,063 = 4,3 5 - 4835 indivíduos de 20 a 74 anos foram selecionados aleatoriamente da população adulta do Rio Grande do Sul para, em sua própria residência, responderem a um questionário sobre hábitos alimentares e terem sua pressão arterial medida. Os 4565 indivíduos efetivamente estudados foram então classificados como consumidores excessivos de sal ou não, e em hipertensos e não hipertensos. Trata-se de: A. Transversal B. Relato de caso C. Coorte D. Caso-controle Gabarito: C Uma coorte é um grupo de indivíduos definido a partir de suas características pessoais (idade, sexo, etc.), nos quais se observa, mediante a exames repetidos, a aparição de uma enfermidade (ou outro desfecho) determinada. No caso, é um grupo determinado pela idade, exposto ao consumo de sal e o desfecho é o aumento da pressão. É ainda uma coorte retrospectiva. 6 - A determinação da diferença entre a incidência de câncer de pulmão em fumantes e a incidência desse tipo de câncer em não fumantes corresponde ao cálculo de: A) Risco relativo. B) Odds ratio C) Razão de riscos D) Risco atribuível D - COMENTÁRIO: RA=(incidência em expostos - incidência em não expostos) RA = IE – INE x 100. RA representa o risco adicional , ou seja, os casos A MAIS da doença (desfecho) que devem ser atribuídos ao fator de risco(exposição). 7-RESIDÊNCIA MÉDICA (HOSPITAL ERNESTO DORNELLES-RS). Um estudo de coorte foi conduzido com o objetivo de investigar a eficácia de uma determinada vacina. Foi encontrado um risco relativo RR=0,36, ao se compararem exposto com não expostos á vacinação. O IC95% variou de 0,28- 0,56. Tendo em mãos os resultados, é correto afirmar que: RESPOSTA: Houve proteção entre os vacinados . 8 - Dos seguintes RR e respectivos IC95%, pode ser considerado fator de risco para uma determinada doença: A. RR=0,8 IC (0,6-1,2). B. RR=1,0 IC (0,7-1,4). C. RR=4,0 IC (0,9-5,8). D. RR=2,1 IC (1,8 - 2,4). D. COMENTÁRIO: Lembre-se que para um trabalho ser considerado significativo é necessário um p<0,05 (5%) e que o IC não passe pelo valor unitário (1), pois nesse caso, o estudo não será confiável, ou seja, não serei capaz de dizer se o fator de estudo foi protetor ou de risco. 9-Um estudo feito em gestantes procurou avaliar a relação de risco entre o tabagismo e a ocorrência de trabalho de parto prematuro. Para tanto, foram acompanhadas prospectivamente 86 gestantes fumantes e 180 gestantes não fumantes. Durante o acompanhamento pré-natal dessas gestantes, verificou-se a ocorrência de trabalho de parto prematuro em 14 gestantes do grupo fumante e 20 gestantes do grupo não fumante. Foi dado o Intervalo de confiança de 95% de (IC95% 1,20 – 3,5). Responda as seguintes questões: a) Qual o tipo de estudo realizado? R=Estudo de Coorte prospectivo; b) Qual a medida de associação pertinente ao estudo? R= Risco Relativo; c) Montar a tabela 2 x 2, calcular e interpretar a principal medida de associação deste estudo: AMOSTRA EXPOSTO DOENTE NÃO DOENTE NÃO EXPOSTO DOENTE NÃO DOENTE Prematuro Não Prematuro TOTAL Fumantes 14 72 86 Não Fumantes 20 160 180 RR= 14/86 = 0,162 = 1,45 20/180 0,111 Interpretação: O risco de trabalho de parto prematuro é 1,45 vezes maior em gestante fumante quando comparado com gestante não fumante. Como o RR é > do que 1 (RR=1,45) e o IC95% não abrange o valor unitário, podemos dizer que o estudo possui significância estatística e o tabagismo é um fator agravante para parto prematuro. 10- O risco relativo do grupo profilático em relação ao grupo que recebeu tratamento para doença osteomuscular foi igual a 5,3 (IC 95% 0,66-41,5). Este resultado é significativo? Justifique sua resposta. Resposta: Esse resultado não é significativo, pois apesar da estimativa de risco ser igual a 5,3, a estimativa do IC95% abrange o valor 1, ou seja, passa pelo valor 1. 11- ESCOLA PAULISTA DE MEDICINA RESIDÊNCIA MÉDICA 2016. Em Florada da Serra, todas as crianças nascidas no ano de 1989 foram avaliadas quanto ao tipo de aleitamento recebido nos primeiros 6 meses de vida. Dez anos depois, estas mesmas crianças tiveram seu coeficiente de inteligência mensurado. Constatou-se que o aleitamento materno exclusivo nos primeiros 6 meses de vida reduziu em seis vezes o risco de deficiência intelectual nestas crianças,uma década após. Qual foi o desenho de estudo realizado nesta cidade? A. caso-controle B. coorte C. transversal D. ensaio clínico 12- RESIDÊNCIA MÉDICA/USP-2018. Para estudar o possível efeito da depressão na gravidez sobre o baixo peso ao nascer (< 2500 g), gestantes (gestações únicas), foram avaliadas por meio de uma escala para diagnóstico de sintomas depressivos (EPDS) no terceiro trimestre da gestação. Com base nos resultados desta avaliação, as gestantes foram classificadas como deprimidas ou não deprimidas. Os recém-nascidos foram pesados até 48 horas após o nascimento e classificados quanto à presença de baixo peso (< 2500 g). Foram obtidos resultados completos para 600 pares mães-bebês, dentre as quais 100 mães estavam deprimidas. No grupo das mães deprimidas, 30 tiveram bebês com baixo peso ao nascer. Dentre as gestantes não deprimidas, 75 tiveram recém-nascidos com baixo peso. (Modificado de Nasree at al. BMC Public Health 2010; 10:515). a) Qual o desenho do estudo? COORTE b) Qual é o risco relativo de baixo peso ao nascer associado à depressão? RR=2. 13 - Em um estudo realizado em Porto Alegre para verificar a associação entre o consumo de vegetais e câncer de esôfago, foram obtidos os seguintes resultados: CÂNCER DE ESÓFAGO CONSUMO DE VEGETAIS SIM NÃO TOTAL SIM 10 50 60 NÃO 240 450 690 TOTAL 250 500 750 Em relação a este estudo podemos concluir que: A. o consumo de vegetais é fator de proteção no câncer de esôfago B. existe risco elevado de câncer de esôfago nos usuários de vegetais C. não há associação entre consumo de vegetais e câncer de esôfago D. o consumo de vegetais é fator de risco baixo para câncer de esôfago CORRETO A: Estamos diante de um estudo de coorte que visa avaliar se o consumo de vegetais é fator de risco ou de proteção em relação ao desfecho (câncer de esôfago). Para concluir se o estudo mostrou se o fator foi de proteção ou de risco, temos que calcular o Risco Relativo (RR). RR = Risco Relativo = incidência dos expostos / incidência dos não expostos = 10/60 / 240/690= 0,47 BAIXO PESO PESO NORMAL TOTAL C/DEPRESSÃO 30 70 100 S/DEPRESSÃO 75 425 500 14 - RESIDÊNCIA MÉDICA 2016 (UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO PAULO/SP). No sentido de avaliar os fatores de risco envolvidos com a ocorrência de casos graves de dengue, foi selecionado um estudo realizado no Brasil. Estudo 1: Realizado em seis cidades brasileiras, localizadas nas regiões Nordeste e Centro-Oeste, durante as epidemias no período de 2009 a 2012. Neste estudo, casos de febre hemorrágica de Dengue (FHD), categoria considerada como forma grave da doença, foram comparados a casos que não evoluíram para FHD. A tabela resume os principais resultados do estudo, relativos aos pacientes maiores de 15 anos de idade. Tabela - Razão de chances ajustada para associação entre FHD e variáveis sociodemográficas e clínicas em seis cidades brasileiras, localizadas nas regiões Nordeste e Centro-Oeste do Brasil nos anos de 2019 a 20012. VARIÁVEL OR aj. IC95% Cor: Branca 1,0 Parda 1,2 0,9-1,7 Negra 0,8 0,5-1,2 Renda familiar Até 1 salário mínimo 1,0 De 2 a 3 0,6 0,4-0,8 Mais de 3 0,5 0,3-0,8 Escolaridade 0 a 3 anos 1,0 4 a 7 anos 0,6 0,3-1,0 8 a 10 anos 0,8 0,5-1,3 10 ou mais 1,0 Hipertensão Não 1,0 Sim 1,6 1,1-2,1 Alergia Alimentar Não 1,0 Sim 1,0 Alergia c/ manifestações cutâneas Não 1.0 Sim 1,8 1,1-3,2 Diabetes Não 1,0 Sim 1,2 0,7-2,3 Asma Não 1,0 Sim 1,1 0,4-2,6 ORaj: OR ajustado por regressão logística; IC95%: Intervalo de confiança de 95%. Resposta: Renda Familiar, Hipertensão, Alergia de contato. COMENTÁRIO: A questão deseja saber quais são os fatores de risco associados de forma independente á FHD. Atente para o fato de que fator associado pode ser tanto fator de risco como de proteção. E como podemos encontrá-lo? Simples: basta selecionarmos quais fatores não incluem valor 1 no IC95%. 15 - Foi realizado um estudo longitudinal prospectivo com a finalidade de avaliar a associação da exposição à sílica com o aparecimento da Tuberculose pulmonar. Ao término do estudo, o pesquisador coletou os dados e aplicou os testes estatísticos adequados e Intervalo de Confiança 95% revelando significância estatística. Foi encontrado valores de Risco Relativo igual a 6. Foi calculado também o Risco Atribuível Proporcional Populacional que revelou valores de 69%. A partir desses dados pode-se concluir que: a) A exposição à sílica dá um risco mais elevado de desenvolver a tuberculose, variando de um valor mínimo de 6 a um valor máximo de 69 vezes maior que os não expostos. b) Os indivíduos não expostos têm apenas 31% de risco de desenvolver a doença, a qual se apresenta 6 vezes mais grave naqueles que iniciaram a exposição precocemente. c) Os expostos à sílica têm risco 6 vezes maior de desenvolver Tuberculose e a eliminação da exposição na população promoveria a redução de 69% dos casos de Tuberculose. d) Os expostos à sílica têm risco 6 vezes maior de desenvolver a doença e a eliminação da exposição à sílica na população promoveria a redução de 69 casos de tuberculose.