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HISTÓRIA DA ÁFRICA PRÉ-COLONIZAÇÃO Aula 1: História da África Pré-Colonização Apresentação Nesta aula, você irá examinar alguns dos estereótipos existentes sobre o continente africano, desconstruindo-os e analisando as particularidades existentes na história da África. Além disso, identificará a necessidade de alargar o uso das fontes documentais para o estudo da história africana, sobretudo no que diz respeito à oralidade. Objetivo Identificar os preconceitos que cercam o estudo da história africana; Reconhecer as múltiplas análises acerca das histórias do continente africano; Analisar as possíveis contribuições de outras disciplinas para o estudo das histórias africanas. A África nos tempos históricos Atividade 1. Um dos grandes desafios no estudo da história africana é conseguir partilhar o olhar que os africanos têm de seu passado, para compreender que, na realidade, existem muitas Áfricas. Antes de começar o estudo desta aula, veja o vídeo Chimamanda Adichie: o perigo de uma única história disponível na Internet e faça uma pequena resenha sobre os perigos de uma história única. 2. https://www.youtube.com/watch?v=D9Ihs241zeg A África dos Estereótipos => Boa parte do sucesso desse personagem se deve ao fato de sua trajetória misturar passagens mitológicas que remetem à história de fundação de Roma – na qual os gêmeos Rômulo e Remo foram alimentados por um animal, no caso, uma loba –, com cenas românticas que fazem lembrar o amor proibido de Romeu e Julieta. O cenário africano criado também foi de grande importância para notoriedade de Tarzan. A amizade com a macaca Chita, a agilidade em caminhar pela selva, a rapidez com que pulava de um cipó para o outro, as lutas ferozes travadas contra leões e leopardos foram aspectos da vida do herói que encantaram os leitores. Uma das histórias mais famosas da literatura mundial ambientada no continente africano é a do Tarzan. Escrito pelo estadunidense Edgar Rice Burroughs, em 1912, o romance Tarzan dos Símios conta a história de um menino branco, filho de ingleses, que ainda bebê acompanha seus pais a uma viagem para África. => Devido a uma sequência de tragédias, os pais de Tarzan morrem e ele é criado por uma macaca em meio à selva africana. No início de sua juventude, mesmo sofrendo por ser diferente dos demais (já que acreditava ser um símio), Tarzan se tornou líder do grupo de macacos que o adotara. A vida do herói muda drasticamente quando ele salva um grupo de norte-americanos que havia sido deixado na África por marujos revoltosos. A partir deste episódio, Tarzan se apaixona por Jane (uma das pessoas que ele salvou), descobre ser filho de uma nobre família inglesa e vive o conflito da escolha entre viver na África ou na Europa. Comentário Tarzan se tornou um personagem tão cativante que outros autores passaram a narrar suas incríveis histórias. Atualmente, além de inúmeros romances é possível conhecer a epopeia de Tarzan por meio de filmes, histórias em quadrinhos e desenhos animados. Na realidade, mais do que encantar, tais referências ao continente africano ajudaram a formar uma determinada ideia de África. Ainda que se trate de uma obra fictícia escrita por um homem que nunca esteve no continente africano, Tarzan reforçou uma imagem já difundida da África, na qual o continente aparece como uma região homogênea, terra de leões, girafas, zebras, rinocerontes e também de algumas tribos compostas por homens e mulheres negros que se vestiam como leopardos e possuíam pouco contato com o que se costuma chamar de “mundo civilizado”. Em outras palavras, a história de Tarzan coroou, no Ocidente, a imagem de uma “África Selvagem”. Por diversas razões, a “África de Tarzan” continua presente até os dias de hoje. Um exemplo disso é o fato de muitas crianças em idade escolar avançada (e por vezes até adultos) não saberem precisar se a África é um país ou um continente. Tal confusão - que pode parecer infantil, ou até mesmo ingênua -, retrata o grande desconhecimento que existe sobre a história africana e a tendência em compreender a África como uma região única, sem diferenças internas. E você, o que sabe sobre a África? Desconstruindo o Mito da “África selvagem” Ainda que a África possua florestas densas e seja habitada por leões, macacos e elefantes, caracterizá-la unicamente como uma grande selva seria um erro ao mesmo tempo geográfico e histórico. => Do ponto de vista geográfico, basta uma rápida análise do mapa físico do continente para observar que a floresta é uma das diversas vegetações existentes na África. Além das florestas características da zona equatorial, a África ainda possui outros cinco tipos de vegetação: As savanas Que na realidade são o hábitat natural dos animais de grande porte As estepes Mediterrânea Desértica Oásis Cada uma dessas vegetações está relacionada a um clima diferente (que leva o mesmo nome das vegetações), que por sua vez estão ordenados de forma muito parecida a partir da linha do Equador tanto ao norte quanto ao sul. Tal atributo faz com a que a África seja chamada de “continente espelho”. O mesmo mapa ainda demonstra uma grande diferença no quadro pluviométrico africano. As regiões próximas à linha equatorial (caracterizadas tanto pelas florestas como pelas savanas) são as que possuem a maior concentração de rios e lagos. Em seguida estão as regiões de estepes que têm poucos, mas extensos rios; e por fim os dois grandes desertos africanos (o Saara e o Calahari) que possuem um único rio perene cada. Embora não esteja explicitado nesse mapa, o continente ainda apresenta diferentes relevos e diversas paisagens litorâneas, além de estreitas relações com outros continentes, devido à sua proximidade com a Europa (via Mar Mediterrâneo) e com o Oriente Médio (via Mar Vermelho). Frente a esse diversificado quadro geográfico é impossível pensar em uma única África. A trajetória de povos que ocuparam as regiões desérticas não pode ser a mesma dos povos que habitavam, por exemplo, a região dos Grandes Lagos ou dos grupos que se organizaram nas margens dos rios Senegal e Gâmbia. Desta forma, tal como no continente europeu, asiático e americano, o hábitat natural teve grande influência nas diferentes formas de organização social dos povos africanos. Embora o continente africano seja muito extenso, a concentração das bacias hidrográficas em determinadas regiões e a relativa falta de rios e lagos em outras localidades acabou criando condições às quais os grupos humanos tiveram que adaptar-se. Por mais contraditório que possa parecer, uma das principais estratégias de sobrevivência das sociedades africanas foi se organizar em pequenos grupos que ficaram conhecidos como as famosas “tribos” da África. Dessa forma, é possível afirmar que a grande quantidade de pequenas sociedades no continente africano é decorrente do conhecimento que seus habitantes possuem sobre a natureza que fazem parte, assunto que será mais bem trabalhado na Aula 3 deste curso. O importante a sublinhar neste momento é que a formação das “tribos” africanas não está relacionada a nenhum pretenso atraso dessas populações, como se acreditou durante muitos anos. => Ao contrário do que disse o filósofo alemão Hegel no século XIX, a África tem, sim, inúmeras histórias. O fundamental é termos as ferramentas certas para conseguir enxergá-las. Fontes e documentos para estudar a história da África Um dos grandes problemas encontrados pelos historiadores ocidentais para estudar a história da África devia-se ao fato de que a maior parte das sociedades do continente serem ágrafas, ou seja, elas não haviam desenvolvido a escrita, ou então não a usavam de forma sistemática. Até meados do século XX, os povos que viveram na África - bem como em outras regiões do mundo como partes da Ásia, América e Oceania - eram considerados desprovidos de história, porque não haviam feito registros escritos de seu passado. Sendo assim, os primeiros historiadores do continente africano foram os antropólogos, arqueólogos e linguistas. Com o intuito de estudar manifestações culturais, vestígiosmateriais e a imensa pluralidade de línguas faladas na África, esses profissionais conseguiram resgatar muitos fatos e costumes dos povos africanos, chegando a estudar sociedades milenares. Ao longo do século XX, a História Ocidental passou por diversas mudanças, sendo a principal delas o alargamento das fontes documentais, ou seja, das ferramentas do historiador. Ainda que a escrita seja a principal forma de acessar o passado, os historiadores do século XX ampliaram seu diálogo com outras disciplinas, sobretudo com a: Tal ampliação permitiu que novas fontes passassem a fazer parte do escopo documental dos historiadores, e que a África passasse a ser vista como um continente possuidor de história. => Paralelamente à reorientação metodológica dos estudos de história, a partir da década de 1920, no contexto da luta das colônias africanas por liberdade, muitos africanos (de diferentes regiões) começaram a reivindicar a possibilidade de contarem a história de seu povo. Importantes nomes, como Amadou Hampatê Ba e Joseph Ki-Zerbo, apresentaram para o Ocidente uma África pouco conhecida, mas de uma complexidade ímpar. Uma das maiores contribuições desses historiadores foi apresentar para o Ocidente, de maneira palatável e compreensível, que a África era um continente complexo, que precisava ser analisado dentro de sua complexidade, mas que, em muitas vezes, sua história estava mais próxima da perspectiva eurocêntrica do que os próprios europeus imaginavam. Paralelamente à reorientação metodológica dos estudos de história, a partir da década de 1920, no contexto da luta das colônias africanas por liberdade, muitos africanos (de diferentes regiões) começaram a reivindicar a possibilidade de contarem a história de seu povo. No entanto, um dos temas que ainda se apresenta como um desafio para o estudo da história africana e que pode ser ampliado como uma questão para a disciplina de História como um todo, é trabalhar com a oralidade. Como já foi apontado, antes do contato com os muçulmanos e com os europeus, a imensa maioria das sociedades africanas era ágrafa. A principal forma que elas desenvolveram para guardar e resgatar seu passado foi por meio da oralidade, ou seja, da palavra falada. Saiba mais Como este é um tema complexo, ele será retomado em outros momentos do curso. Todavia, é fundamental compreender o que os africanos entendiam por oralidade, e, para isso, o mais adequado é examinar o que um africano escreveu sobre o assunto. A oralidade como ferramenta para o estudo dos povos africanos: “Quando falamos de tradição em relação à história africana, referimo-nos à tradição oral, e nenhuma tentativa de penetrar a história e o espírito dos povos africanos terá validade a menos que se apoie nessa herança de conhecimentos de toda espécie, pacientemente transmitidos de boca a ouvido, de mestre a discípulo, ao longo dos séculos. Essa herança ainda não se perdeu e reside na memória da última geração de grandes depositários, de quem se pode dizer são a memória viva da África. Entre as nações modernas, onde a escrita tem precedência sobre a oralidade, onde o livro constitui o principal veículo da herança cultural, durante muito tempo julgou-se que povos sem escrita eram povos sem cultura. Felizmente, esse conceito infundado começou a desmoronar após as duas últimas guerras, graças ao notável trabalho realizado por alguns dos grandes etnólogos do mundo inteiro. Hoje, a ação inovadora e corajosa da Unesco levanta ainda um pouco mais o véu que cobre os tesouros do conhecimento transmitidos pela tradição oral, tesouros que pertencem ao patrimônio cultural de toda a humanidade. Para alguns estudiosos, o problema todo se resume em saber se é possível conceder à oralidade a mesma confiança que se concede à escrita quando se trata do testemunho de fatos passados. No meu entender, não é esta a maneira correta de se colocar o problema. O testemunho, seja escrito ou oral, no fim não é mais que testemunho humano, e vale o que vale o homem. Não faz a oralidade nascer a escrita, tanto no decorrer dos séculos como no próprio indivíduo? Os primeiros arquivos ou bibliotecas do mundo foram o cérebro dos homens. Antes de colocar seus pensamentos no papel, o escritor ou o estudioso mantém um diálogo secreto consigo mesmo. Antes de escrever um relato, o homem recorda os fatos tal como lhe foram narrados ou, no caso de experiência própria, tal como ele mesmo os narra.” BÂ, Amadou Hampaté. A tradição Viva. In: Introdução à Cultura Africana. Lisboa, Edições 70, 1977. Ao longo do curso, nós iremos estudar diferentes povos do continente africano, fazendo uso das ferramentas disponíveis para o historiador, inclusive a oralidade. O objetivo é conseguirmos compreender os aspectos comuns existentes entre muitos povos da África, mas, sobretudo, entender a multiplicidade e complexidade que circunda o estudo deste continente para que possamos compreender a nossa própria história de maneira mais aprofundada. Comecemos com aquela África que nos é mais próxima. Bons estudos! HISTÓRIA DA ÁFRICA PRÉ-COLONIZAÇÃO Aula 1- A África Inventada: a questão das fontes e a contribuição de outras disciplinas. Conteúdo Programático desta aula · Identificar os preconceitos que cercam o estudo da história africana; · Reconhecer as múltiplas análises acerca das histórias do continente africano; · Analisar as possíveis contribuições de outras disciplinas para o estudo das histórias africanas. A ÁFRICA DOS ESTEREÓTIPOS => Uma das histórias mais famosas da literatura mundial ambientada no continente africano é Tarzan. Escrito pelo estadunidense Edgar Rice Burroughs em 1912, Tarzan se tornou uma personagem tão cativante que outros autores passaram a narrar suas incríveis histórias. => Hergé, Tintim no Congo, 1931 Na realidade, mais do que encantar, as referências feitas ao continente africano ajudaram a formar uma determinada ideia de África, que se perpetrou pelas décadas seguintes. DESCONSTRUINDO O MITO DA “ÁFRICA SELVAGEM” => Do ponto de vista geográfico, basta uma rápida análise do Mapa Físico do continente para observar que a floresta é uma das diversas vegetações existentes na África. => A diversidade geográfica é apenas um dos exemplos. A África é um continente que, atualmente, possui 55 países e onde são faladas mais de 2 mil línguas. EXPLORANDO O TEMA Frente a esse diversificado quadro geográfico é impossível pensar em uma única África. E, para compreender um pouco melhor essa diversidade africana, iremos assistir o vídeo da romancista nigeriana Chimamanda Adiche: http://www.youtube.com/watch?v=ZUtLR1ZWtEY FONTES E DOCUMENTOS PARA ESTUDAR A HISTÓRIA DA ÁFRICA · Antropologia · Arqueologia · Geografia · Linguística A ORALIDADE COMO INSTRUMENTO DO HISTORIADOR “Um estudioso que trabalha com tradições orais deve compenetrar-se da atitude de uma civilização oral em relação ao discurso, atitude essa, totalmente diferente da de uma civilização onde a escrita registrou todas as mensagens importantes. Uma sociedade oral reconhece a fala não apenas como um meio de comunicação diária, mas também como um meio de preservação da sabedoria dos ancestrais, venerada no que poderíamos chamar elocuções-chave, isto é, a tradição oral. A tradição pode ser definida, de fato, como um testemunho transmitido verbalmente de uma geração para outra. Quase em toda parte, a palavra tem um poder misterioso, pois palavras criam coisas. Isso, pelo menos, é o que prevalece na maioria das civilizações africanas. Os Dogon sem dúvida expressaram esse nominalismo da forma mais evidente; nos rituais constatamos em toda parte que o nome é a coisa, e que “dizer” é “fazer”. A oralidade é uma atitude diante da realidade e não a ausência de uma habilidade. As tradições desconcertam o historiador contemporâneo – imerso em tão grande número de evidências escritas, vendo-se obrigado, por isso, a desenvolver técnicas de leitura rápida – pelo simples fato de bastar à compreensão a repetição dos mesmos dados em diversas mensagens. “As tradições requerem um retorno contínuo à fonte.” J.Vansina. A tradição oral e sua metodologia. História da África Pré Colonização Aula 2: "Os Herdeiros de Ododua”: Ifé e Benin Apresentação na África Ocidental Nesta aula, serão analisados os principais aspectos sociopolíticos do Egito Antigo. Conheceremos parte da dinâmica do Reino da Núbia (também conhecido como Kush) e examinaremos as constantes relações estabelecidas entre as duas sociedades durante a Antiguidade Clássica. Objetivo Analisar aspectos gerais no Egito Antigo; Examinar a organização sociopolítica e econômica do Reino da Núbia; Relacionar a trajetória do Egito faraônico com a dinâmica política dos núbios. Reflexão Antes de iniciarmos a nossa aula, vamos realizar uma breve atividade de reflexão! => O papiro acima apresenta uma rainha Núbia sendo servida por seus serviçais oriundos do Egito. Antes de iniciar a aula, elabore uma hipótese sobre as possíveis razões que criaram as condições para a produção dessa imagem. Após a leitura da aula, analise a hipótese levantada. O Egito => O mapa ao lado mostra a localização do Reino do Antigo Egito, cuja existência estava fortemente vinculada ao rio Nilo. Com todas essas vantagens naturais, as famílias que passaram a viver nessa região encontraram as condições ideais para a produção da agricultura. Trigo, cevada, cebolas, rabanetes, ervilhas, feijões, uvas, figos, tâmaras e oliveiras. Esses são exemplos de alguns dos gêneros produzidos na região. A vegetação rasteira facilitou a criação de gado, carneiros e porcos que junto com os grãos e frutos cultivados proporcionaram uma alimentação rica e variada. Como a falta de alimentos não era um problema para as aldeias que viviam às margens do Nilo, a população da região cresceu rapidamente. Por volta do ano 3200 a.C., as aldeias que tinham seus chefes e deuses próprios começaram a se unir e formaram dois reinos: o Alto e o Baixo Egito. Pouco tempo depois, o rei Menés do Alto Egito, querendo ampliar suas terras e controlar toda a produção agrícola da região, conquistou o Baixo Egito formando um só reino cuja capital era Mênfis. A partir de então, o Egito passou a ser governado por famílias reais e as antigas aldeias deram lugar às cidades onde foi possível o desenvolvimento da escrita, da arquitetura, e das artes. => Durante mais de três mil anos, o soberano do Egito era o faraó, a principal figura desse reino. Tido como reencarnação de Hórus (o Deus-Falcão) e como filho de Amon-Rá, o Deus Sol, o faraó era uma figura sagrada, uma espécie de deus na terra, e por isso a vida de todo Egito girava em torno dele, o que lhe dava muitos poderes. Munido de seu cetro e seu cajado, símbolos de autoridade e que representavam os antigos reinos do Alto e do Baixo Egito, o faraó tinha poder de vida e morte sobre todo seu reino. Além disso, era ele quem cuidava do sistema de irrigação que mantinha as terras férteis, quem decidia assuntos referentes à justiça e administração do Egito e ainda era o comandante principal do exército em tempos de guerra. => Apesar das diversas tarefas realizadas, o faraó tinha as melhores condições de vida de todo o Egito. Morava com sua família em um suntuoso palácio, vestia roupas e maquiagens requintadas, estava sempre usando joias de ouro e pedras precisas, tomava banhos relaxantes, alimentava-se das melhores carnes e frutas da região e bebia os melhores vinhos. Para governar todo o reino, o faraó recebia ajuda de nobres, pessoas que faziam parte da família real ou que tinham enriquecido ao longo da vida. Esses nobres cuidavam de assuntos administrativos menores, resolviam pequenos problemas jurídicos e vigiavam a cobrança de impostos. Os nobres costumavam ser donos de terras, o que lhes garantia uma vida tranquila e com muito conforto. Era no campo que os nobres construíam admiráveis casas que, embora fossem menores que o palácio real, eram compostas por muitos cômodos. Quartos, salas íntimas, salas de depósito de alimentos, cozinha, estábulo, capela familiar, jardins e até mesmo pequenos lagos artificiais faziam parte dessas residências. No interior das casas era possível encontrar camas, mesas e cadeiras de madeira, colchões e almofadas de couro, além de muitos vasos e recipientes de cerâmica ricamente ornados. => Os soldados foram importantes personagens da história do Egito Antigo. Graças ao uso do cavalo e ao manejo de armas como arco e flecha, punhais, machados de guerra, espadas e cimitarra, o exército do Egito conseguiu conquistar a Núbia, ampliar suas redes comerciais e também expulsar o povo hicso (povo originário da atual Síria que dominou o Egito por volta do ano de 1600 a.C. Cerca de quarenta anos depois os hicsos foram expulsos pelos egípcios). A importância desses soldados era tão grande, que os principais chefes do exército acabavam se tornando homens ricos e poderosos. Contudo, a principal força do Egito eram seus trabalhadores. Havia os escribas, os artesãos, os comerciantes e os agricultores. => Os escribas eram praticamente as únicas pessoas que sabiam ler e escrever em todo reino. Por isso eles ocupavam altos cargos administrativos no governo do Egito, documentando e controlando a cobrança de impostos, a produção de alimentos, a escrita de leis e costumes e contando as histórias dos faraós. No entanto, para se tornar um escriba era necessário muito tempo de estudo, pois o alfabeto hieroglífico era composto por inúmeros símbolos, sendo que cada um deles poderia representar até cinco palavras. Mas foi graças aos escribas e às mensagens deixadas nos papiros, paredes e túmulos que parte da história egípcia chegou até nós. => O Egito também tinha um importante grupo de artesãos. Os mais especializados deles comandavam a construção de casas, túmulos e templos religiosos e se assemelham muito aos arquitetos de hoje em dia, pois eles conheciam materiais, técnicas de construção, matemática e astrologia. Havia também artesãos que trabalhavam com o fabrico de móveis como os carpinteiros e os marceneiros, aqueles que trabalhavam com minérios como o cobre, o ferro e o ouro, e outros que faziam belos objetos de arte, como pinturas e esculturas. Ainda que tenham existido diferentes tipos de artesanato, apenas uma pequena parcela da população se dedicava a essa atividade que era passada de geração para geração. => Assim como os escribas, os comerciantes também eram fundamentais para a vida do Egito, pois eram eles que faziam o comércio desse reino com outras regiões do norte da África e até mesmo com sul da Europa e com o Oriente Médio. O comércio era feito tanto por terra (no lombo de burros), como nos rios, por meio das embarcações construídas pelos egípcios. Os principais produtos comercializados pelos negociantes egípcios eram o vinho e os o artesanato feito no reino. Essas mercadorias eram trocadas com o ouro e o cobre da Núbia; o marfim, as peles de animal e as penas de avestruz vindas da África subsaariana; a cerâmica, os cavalos, a prata e os escravos do Líbano; e as cerâmicas produzidas em Creta. => A maior parte da população do Egito era formada por camponeses e a vida dessas pessoas era regrada de acordo com as fases do Nilo. Julho era o mês de chuva na região e consequentemente da inundação das margens do rio. Nesse período, os camponeses não trabalhavam na terra e muitas vezes eram empregados nas construções do faraó. Quando a época de chuvas passava, em novembro, os camponeses aravam o solo e jogavam as sementes. Aos poucos a água do Nilo penetrava e irrigava as plantações. No fim de março se iniciava a colheita, principalmente do trigo, produto que era levado para o celeiro. Lá o trigo era debulhado pelas mulheres e parte dos grãos guardada para o consumo das famílias camponesas. O restante era utilizado para o pagamento dos tributos cobrados pelo faraó e o que sobrava era comercializado. => Os trabalhadores egípcios costumavam construir suas casas em regiões altas para que elas não fossem inundadas na época de cheia do Nilo. Eles moravam em casas retangulares construídas com argila amassada ou tijolos de barro seco, cujas portas e janelas eram feitasde madeira; tanto a argila como os tijolos de barros eram feitos a partir da mistura da lama retirada do leito do Nilo com areia. As casas mais pobres tinham apenas um cômodo sem nenhuma mobília, mas era o abrigo que as famílias tinham nas noites frias que faziam na região próxima ao deserto. As residências dos trabalhadores mais ricos podiam ter até seis cômodos e costumavam ser pintadas com cores fortes e muito iluminadas pelo sol durante o dia. Por fim, na condição social mais baixa estavam os escravos. Eles realizavam as atividades árduas e penosas como o trabalho nas minas; a construção de pirâmides e de templos religiosos; e até a preparação dos corpos que seriam mumificados. Esses escravos não eram egípcios e sim pessoas oriundas de regiões que haviam sido conquistadas pelo Egito. Por serem considerados inferiores eram eles que faziam as atividades mais execradas pelos egípcios. Também eram eles que tinham as piores condições de vida, dormindo no chão e se alimentando pouco. => Os egípcios eram politeístas, acreditavam em diversos deuses. Parte dos deuses egípcios estava ligada aos fenômenos da natureza, como o Sol, a Lua e a terra; outros misturavam a forma animal com a forma humana (os deuses antropozoomórficos); e também havia os deuses que representavam ideias como honra e justiça. Para cada um deles foi construído um templo que ficava sob a responsabilidade de sacerdotes e sacerdotisas. Esses homens e mulheres viviam para a religião e cuidavam para que os templos fossem respeitados e que os deuses fossem corretamente cultuados. Os deuses mais importantes, como Amon-Rá, o deus criador, teve uma cidade inteira construída em sua homenagem chamada Heliópolis. A partir do ano 300 a.C, depois de inúmeras disputas com a Núbia, e com povos do Oriente Médio e do Sul da Europa, o Império dos faraós caiu nas mãos dos persas e, duzentos anos depois, após o suicídio de Cleópatra, se transformou em uma província de Roma. Contudo, durante seus quase três mil anos de existência, o Egito teve importantes faraós, desenvolveu diversas técnicas de construção civil e naval, criou diferentes tipos de cosméticos, de jogos e brinquedos, influenciou outras regiões do mundo e deixou para a posteridade monumentos que comprovam a importância de sua história. A Núbia => A Núbia era uma região que ficava ao sul do Antigo Egito e que abrangia o começo do rio Nilo e as áreas próximas que hoje fazem parte dos países do Egito, da Etiópia e do Sudão. Durante milhares de anos, a Núbia teve grande importância na história da África, pois foi por meio dessa região que ocorreu o primeiro contato entre a África subsaariana com o norte do continente. Graças à Núbia, que persas, gregos, romanos e muçulmanos souberam da existência de uma África que ficava ao sul do deserto do Saara. O reino era formado por diferentes cidades que viviam da intensa atividade comercial. Conforme dito anteriormente, a Núbia ligava regiões distintas do continente africano e isso transformou Kush em um grande entreposto de trocas. Saiba mais Junto com os comerciantes que viviam transitando e negociando o que era produzido no Antigo Egito com as peles e marfins vindas da África subsaariana, as cidades cuxitas também abrigavam diferentes tipos de artesãos. A história da Núbia. => A história da Núbia é longa. Os primeiros povos começaram a ocupar a região por volta do ano 7000 a.C., e eram formados por homens e mulheres de pele negra que foram chamados pelos gregos e romanos de etíopes, ou seja: “aqueles que tem a pele negra”. Por volta de 3200 a.C. iniciou-se a formação do mais importante reino núbio: Kush. De acordo com os documentos da época, Kush foi um reino governado pela mesma linhagem real, o que garantiu a manutenção de suas tradições. O rei era escolhido dentro da família real e depois a escolha era confirmada por um oráculo. Embora tivesse grande poder, o rei cuxita (nome dado aos habitantes do reino de Kush) deveria governar de acordo com os costumes do reino. Caso cometesse algum delito grave, como o desrespeito a deuses, era possível que os sacerdotes o obrigassem a cometer suicídio como forma de pagar por seu erro. As mulheres pertencentes à família real tinham papel importante em Kush. A chamada rainha-mãe era responsável pelas principais cerimônias religiosas do reino e, em alguns casos chegou a exercer cargos de chefia sob o título de “Senhor das Duas Terras”. O rei era o chefe supremo que controlava toda a administração do reino. O palácio real também era um grande centro administrativo no qual trabalhavam os chefes do tesouro, chefes de arquivo, chefes de celeiro e os escribas, além dos comandantes militares. Todos esses altos funcionários eram originários de famílias nobres e auxiliavam o rei a administrar Kush. Os sacerdotes, também provenientes da nobreza, cuidavam das cerimônias e dos templos religiosos do reino. Os deuses cultuados pelos cuxitas tinham correspondência com os deuses existentes no Egito Antigo. Junto com os deuses egípcios (Ísis, Tot, Horus, etc.), os cuxitas também acreditavam no deus-leão Apedemak que era um deus guerreiro representado pela cabeça de um leão, e em Sebiumeker que era tido como o deus criador. => Marceneiros e carpinteiros construíam diferentes tipos de móveis que ornavam as casas mais ricas do império. Os ferreiros e as ceramistas fabricavam vasilhas e instrumentos cortantes que eram utilizados diariamente pelos cuxitas; acredita-se que foram os ferreiros da Núbia que ensinaram os povos que viviam na África Subassariana a trabalhar com o ferro e outros metais como o cobre e o próprio ouro. Os joalheiros eram os artesãos que mais ganharam dinheiro com a venda de suas joias. O ouro utilizado na produção dessas joias era retirado das minas localizadas próximas ao Mar Vermelho e que representaram a maior riqueza do reino e de toda Núbia. => Contudo, a maior parte da população de Kush era formada por camponeses. Assim como ocorria no Egito Antigo, as margens do Nilo eram terras férteis que facilitavam a produção de cevada, trigo, lentilha, pepino, melão, abóbora e uva (usada na produção de vinho). => No entanto, a criação de animais era a principal atividade econômica do reino. Junto com o gado de chifre longo e chifre curto, os pastores criavam carneiros, cabras e cavalos (que eram utilizados como animais de carga). A atividade pastoril era tão importante que, em alguns momentos, as terras férteis de Kush pararam de produzir cereais e se transformaram em grandes pastos. Pirâmides do Reino de Kush, cidade de Meroe Cerca de seiscentos anos depois, os cuxitas conseguiram expulsar os egípcios e retomar o governo sobre sua terra. A capital do reino Kush foi transferida de Kerma para Napata, cidade na qual é possível observar a forte influência que os egípcios tiveram sobre os núbios. A escrita dos napatamos era muito parecida com o sistema de hieróglifos desenvolvido no Egito, e os reis passaram a ser enterrados em pirâmides. A posição estratégica da Núbia e a abundância de ouro e cobre fizeram com que a região fosse constantemente atacada por povos vizinhos. Por volta do ano de 1500 a.C., a região foi invadida pelos egípcios, que se aproveitaram da localização estratégica da Núbia e passaram a controlar o comércio e a retirada do ouro. No entanto, a dominação egípcia não significou o fim do reino Kush. Por volta do ano 600 a.C. Napata foi invadida por outros povos da região. A cidade de Meroe se tornou a nova capital do reino e passou a atrair as rotas comerciais que ligavam a África subsaariana com o Mediterrâneo. Graças à vasta floresta existente na cidade, o ferro passa a ser uma das mercadorias mais trabalhadas e comercializadas da cidade. Durante mais de quinhentos anos, Meroe constituiu um importante entreposto comercial. A soberania do reino de Kush chegou a seu final com a invasão romana, contudo, os vestígios de sua história são um convite para estudar uma África pouco conhecida. Bons estudos! HISTÓRIA DA ÁFRICA PRÉ-COLONIZAÇÃO Aula 2- A África “próxima”: o continente africano na AntiguidadeClássica Conteúdo Programático desta aula · Analisar aspectos gerais do Egito Antigo; · Examinar a organização sociopolítica e econômica do reino da Núbia; · Relacionar a trajetória do Egito faraônico com a dinâmica política dos núbios. A “DÁDIVA DO NILO” => “O Egito é uma Dádiva do Nilo”. Com essa frase o historiador Heródoto sintetizou a dependência que os egípcios tinham em relação ao rio Nilo. A UNIFICAÇÃO => Por volta do ano 3200 a.C., as aldeias que tinham seus chefes e deuses próprios começaram a se unir e formaram dois reinos: o Alto e o Baixo Egito. Pouco tempo depois, o rei Menés do Alto Egito, querendo ampliar suas terras e controlar toda a produção agrícola da região conquistou o Baixo Egito formando um só reino cuja capital era Mênfis. A partir de então, o Egito passou a ser governado por famílias reais e as antigas aldeias deram lugar às cidades onde foi possível o desenvolvimento da escrita, da arquitetura, e das artes. OS FARAÓS Durante mais de três mil anos, o soberano do Egito era o faraó, a principal figura desse reino. Tido como reencarnação de Hórus (o Deus-Falcão) e como filho de Amon-Rá, o Deus Sol, o faraó era uma figura sagrada, uma espécie de deus na terra, e por isso a vida de todo Egito girava em torno dele, o que lhe dava muitos poderes. Munido de seu cetro e seu cajado, símbolos de autoridade e que representavam os antigos reinos do Alto e do Baixo Egito, o faraó tinha poder de vida e morte sobre todo seu reino. Além disso, era ele quem cuidava do sistema de irrigação que mantinha as terras férteis, quem decidia assuntos referentes à justiça e administração do Egito e ainda era o comandante principal do exército em tempos de guerra. TRABALHADORES DO EGITO => A maior parte da população do Egito era formada por camponeses e a vida dessas pessoas era regrada de acordo com as fases do Nilo. Julho era o mês de chuva na região e consequentemente da inundação das margens do rio. Nesse período, os camponeses não trabalhavam na terra e muitas vezes eram empregados nas construções do faraó. Quando a época de chuvas passava, em novembro, os camponeses aravam o solo e jogavam as sementes. Aos poucos a água do Nilo penetrava e irrigava as plantações. => O Egito também tinha um importante grupo de artesãos. Os mais especializados deles comandavam a construção de casas, túmulos e templos religiosos e se assemelham muito aos arquitetos de hoje em dia, pois eles conheciam materiais, técnicas de construção, matemática e astrologia. Havia também artesãos que trabalhavam com o fabrico de móveis como os carpinteiros e os marceneiros, aqueles que trabalhavam com minérios como o cobre, o ferro e o ouro, e outros que faziam belos objetos de arte, como pinturas e esculturas. => Os escribas eram praticamente as únicas pessoas que sabiam ler e escrever em todo reino. Por isso eles ocupavam altos cargos administrativos no governo do Egito, documentando e controlando a cobrança de impostos, a produção de alimentos, a escrita de leis e costumes e contando a histórias dos faraós. No entanto, para se tornar um escriba era necessário muito tempo de estudo, pois o alfabeto hieroglífico era composto por inúmeros símbolos, sendo que cada um deles poderia representar até cinco palavras. RELIGIÃO ENTRE OS EGÍPCIOS => Os egípcios eram politeístas e acreditavam em diversos deuses. Parte dos deuses egípcios estava ligada aos fenômenos da natureza, como o Sol, a Lua e a terra; outros misturavam a forma animal com a forma humana (os deuses antropozoomórficos); e também havia os deuses que representavam ideias como honra e justiça. Para cada um deles foi construído um templo que ficava sob a responsabilidade de sacerdotes e sacerdotisas. Esses homens e mulheres viviam para a religião e cuidavam para que os templos fossem respeitados e que os deuses fossem corretamente cultuados. NÚBIA => Os primeiros povos começaram a ocupar a região por volta do ano 7000 a.C., e eram formados por homens e mulheres de pele negra que foram chamados pelos gregos e romanos de etíopes, ou seja: “aqueles que tem a pele negra”. => Por volta de 3200 a.C. iniciou-se a formação do mais importante reino núbio: Kush. De acordo com os documentos da época, Kush foi um reino governado pela mesma linhagem real, o que garantiu a manutenção de suas tradições. O rei era escolhido dentro da família real e depois a escolha era confirmada por um oráculo. Embora tivesse grande poder, o rei cuxita (nome dado aos habitantes do reino de Kush) deveria governar de acordo com os costumes do reino. A IMPORTÂNCIA DA RELIGIÃO => Os sacerdotes, também provenientes da nobreza, cuidavam das cerimônias e dos templos religiosos do reino. Os deuses cultuados pelos cuxitas tinham correspondência com os deuses existentes no Egito Antigo. Junto com os deuses egípcios (Ísis, Tot, Horus, etc.), os cuxitas também acreditavam no deus-leão Apedemak que era um deus guerreiro representado pela cabeça de um leão, e em Sebiumeker que era tido como o deus criador. A SOCIEDADE NÚBIA => A sociedade Núbia era tão complexa quanto o Egito faraônico: Abaixo dos reis, encontravam-se os nobres, os sacerdotes, guerreiros (habilidosos arqueiros), trabalhadores das cidades, camponeses e alguns escravos. Marceneiros e carpinteiros construíam diferentes tipos de móveis que ornavam as casas mais ricas do império. Os ferreiros e as ceramistas fabricavam vasilhas e instrumentos cortantes que eram utilizados diariamente pelos cuxitas; acredita-se que foram os ferreiros da Núbia que ensinaram os povos que viviam na África Subassariana a trabalhar com o ferro e outros metais como o cobre e o próprio ouro. Os joalheiros eram os artesãos que mais ganharam dinheiro com a venda de suas joias. O ouro utilizado na produção dessas joias era retirado das minas localizadas próximas ao Mar Vermelho e que representaram a maior riqueza do reino e de toda Núbia. O COMÉRCIO DOS NÚBIOS => A posição estratégica da Núbia e a abundância de ouro e cobre fizeram com que a região fosse constantemente atacada por povos vizinhos. Por volta do ano de 1500 a.C., a região foi invadida pelos egípcios, que se aproveitaram a localização estratégica da Núbia e passaram a controlar o comércio e a retirada o ouro. No entanto, a dominação egípcia não significou o fim do reino Kush. DECADÊNCIA DO IMPÉRIO Cerca de seiscentos anos depois, os cuxitas conseguiram expulsar os egípcios e retomar o governo sobre sua terra. A capital do reino Kush foi transferida de Kerma para Napata, cidade na qual é possível observar a forte influência que os egípcios tiveram sobre os núbios. A escrita dos napatamos era muito parecida com o sistema de hieróglifos desenvolvidos no Egito, e os reis passaram a ser enterrados em pirâmides. Por volta do ano 600 a.C. Napata foi invadida por outros povos da região. A cidade de Meróe se tornou a nova capital do reino e passou a atrair as rotas comerciais que ligavam a África subsaariana com o Mediterrâneo. Graças à vasta floresta existente na cidade, o ferro passa a ser uma das mercadorias mais trabalhadas e comercializadas da cidade. Durante mais de quinhentos anos Meroé constituiu um importante entreposto comercial. A soberania do reino de Kush chegou a seu final com a invasão romana, contudo, os vestígios de sua história são um convite para estudar uma África pouco conhecida. História da África Pré-Colonização Aula 3: A África tradicional: Uma análise das matrizes africanas Apresentação Nesta aula, analisaremos as matrizes socioculturais da África Subsaariana, examinando as consequências da expansão bantu durante o processo de ocupação do continente africano e aprendendo a importância que a família, a noção de ancestralidade e o poder da palavra falada tinham para as sociedades da África Tradicional. Objetivos Identificar as matrizes da chamada África tradicional; Reconhecer os aspectos semelhantes existentes nos diferentes povos da África localizada ao sul do Saara; Analisar as origens das semelhanças socioculturais que compõem a África Tradicional. Percepção sobre a África Antes de começaro estudo, faça a seguinte reflexão: Anote em um papel as palavras que lhe vem à cabeça quando você pensa na ÁFRICA. Depois de ter feito a aula, procure analisar o porquê da sua escolha. Em seguida, elenque as palavras-chave da aula 03 e justifique sua resposta. Essa atividade também pode ser estendida para outras pessoas. Se possível, formem um grupo de discussão para tentar analisar as palavras elencadas. => Um dos grandes equívocos cometidos ao se estudar a história da África Subsaariana é imaginar que todos os povos que habitaram essa região eram iguais. Existiram comunidades tradicionais africanas que sobreviviam da atividade pesqueira; outras que dependiam da criação de gado e muitas que viviam da produção agrícola. Além disso, nem todas essas sociedades se organizavam da mesma forma: existiram aldeias, clãs de aldeias e até mesmo cidades-estados e reinos. => O convívio entre essas comunidades também não era sempre pacífico e harmonioso. Por diferentes razões esses grupos travavam guerras entre si e muitas vezes escravizavam grupos vizinhos. Todavia, embora os pequenos grupos que habitavam não se enxergassem como iguais, havia semelhanças significativas entre eles que devem ser entendidas. Muitas das características em comum encontradas em diversas sociedades africanas, sobretudo na África Subsaariana, são decorrentes de um movimento migratório ocorrido entre três e quatro mil anos atrás, denominado Expansão Bantu. A Expansão Bantu O bantu era umas das subdivisões da família linguística Níger-congo, que era falado por populações que habitavam as proximidades do rio Níger. ... graças ao aumento populacional e ao desmatamento decorrentes da pesca farta e do cultivo de gêneros alimentícios como o arroz, o inhame e as palmeiras oleaginosas (como a do dendê), os grupos humanos que ocupavam essa região iniciaram dois grandes processos de migração em busca de novas terras. => O primeiro processo migratório partiu da região central de Camarões e rumou para o norte da atual República Democrática do Congo e para a África oriental. Esse movimento migratório ainda desenvolveu a atividade pastoril e adquiriu os conhecimentos necessários para o manejo do ferro com sociedades que habitavam o norte do continente. Já o segundo movimento de migração das línguas bantu saiu da região da floresta do sudeste na Nigéria e expandiu-se para a bacia do rio Congo e seus afluentes, chegando ao sul da África. Essas regiões só aprenderam o manuseio do ferro anos depois. Os grupos de caçadores coletores que entraram em contato com essa “onda de migração” adotaram as línguas bantas para se aproximarem e negociarem com os grupos recém-chegados. Desse encontro de culturas surgiriam inúmeras sociedades que, embora fossem diferentes e muitas vezes inimigas, guardavam traços socioculturais semelhantes. As Famílias de Linhagem Uma das principais instituições das chamadas sociedades tradicionais africanas era a família, pois era ela que primeiro definia o pertencimento dos indivíduos no grupo. => No entanto, na África subsaariana, a noção de família é diferente do modelo europeu. As famílias africanas eram extensas, formadas não só pela mãe, pai e seus filhos, mas também pelos avós, tios, sobrinhos, netos e primos que tinham um ancestral em comum. A família extensa, também chamada de linhagem, era a organização que assegurava a existência física e a perpetuação dos indivíduos, permitia a socialização no grupo e proporcionava o sentimento de pertencer a um coletivo, na medida em que possibilitava a conexão de cada membro à sua ancestralidade, ou seja, à sua história. Comentário Conforme dito anteriormente, as condições naturais de muitas regiões africanas nem sempre eram as mais favoráveis para a sobrevivência humana. Desse modo, por meio de uma rede de direitos e deveres que, estabelecidos hierarquicamente, as famílias extensas conseguiram garantir a vida da comunidade. Cada geração de uma determinada linhagem tinha obrigações a cumprir e direitos a gozar. Geralmente, os adultos eram responsáveis pelo sustento da linhagem e deveriam produzir o suficiente para alimentar os idosos e as crianças. Os mais velhos, grupo mais respeitado de cada família, ocupavam os cargos de chefia das comunidades e eram responsáveis pelos rituais de iniciação dos mais jovens e cultos aos ancestrais familiares. Sendo assim, quanto maior fosse o tamanho de uma linhagem, principalmente no que diz respeito ao número de adultos, maiores eram as chances desta família sobreviver. Não por acaso, a poligamia era prática comum nessas sociedades, pois permitia o crescimento constante das linhagens e a manutenção da ampla rede de parentesco. As linhagens também determinavam o prestígio social de um homem. Quanto maior o número de pessoas dependentes dele (fossem mulheres, filhos, netos, sobrinhos e irmão), maior era a importância que ele tinha dentro da comunidade. Esse prestígio exercia grande influência nos acordos nupciais feito entre as diferentes famílias – permitindo a união de grandes linhagens por meio de casamentos – e na escolha dos chefes da comunidade, escolhidos dentre os líderes das famílias mais extensas, pois eram os homens que detinham maiores recursos econômicos e maior respeitabilidade social. O chefe recebia ajuda de um conselho composto pelos anciões de cada família da comunidade. Juntos, o chefe e os membros do conselho deveriam cuidar de assuntos relacionados à administração e justiça da aldeia, garantir a segurança de seus habitantes em momentos de guerra, assim como zelar pelos costumes e tradições de seu povo. => De forma geral, todas as atividades que estivessem relacionadas com o espaço doméstico eram realizadas pelas mulheres adultas (entre 15 e 40 anos). Eram elas que tratavam de todos os afazeres da casa, criavam os filhos, cortavam lenha para o fogo, buscavam água, confeccionavam utensílios de cerâmica e, principalmente, cuidavam da produção dos gêneros agrícolas. Já aos homens da mesma idade cabia a criação de animais, a atividade pesqueira, a caça (quando essa atividade era realizada), a segurança da comunidade, as diferentes atividades artesanais, sobretudo o manuseio do ferro e as produções artísticas. Saiba mais Por meio de vias fluviais ou terrestres, o excedente daquilo que era produzido nas comunidades tradicionais era comercializado nos mercados locais próximos. Tais mercados viabilizavam não só a troca de produtos oriundos de diferentes localidades, mas também possibilitavam a circulação de informação e a formação de redes sociais entre duas ou mais sociedades. Religiosidade: O Culto Ancestral e as Divindades da Natureza Junto com a noção de família extensa, a religiosidade era uma das características definidoras das sociedades da África Subsaariana. Embora cada comunidade acreditasse em um Deus ou em deuses próprios, as formas por meio das quais os membros desses grupos entravam em contato com o divino era muito semelhante. Isso porque em praticamente toda a África abaixo do Saara a religião era vivenciada no cotidiano. Toda ação humana era uma ação religiosa. O cultivo da terra era geralmente antecedido por cerimônias que visavam a fertilidade. Quando meninos e meninas entravam na fase adulta, era comum que fossem feitos rituais de iniciação secretos, nos quais os jovens ficavam reclusos por algum tempo aprendendo os ensinamentos da idade adulta e da profissão que deveriam seguir. Em algumas comunidades, o processo de iniciação dos meninos que se transformariam em ferreiros chegava a durar anos. Até a família extensa era compreendida por meio da religião. Praticamente todas as sociedades da África subsaariana acreditavam na coexistência do mundo dos mortos e por isso realizavam o culto aos antepassados acreditando que eles eram uma espécie de semideuses que serviam como intermediários na comunicação com forças maiores. De forma parecida com o que aconteceu com o império romano antes da conversão ao cristianismo, quase todas as casas africanas tinham pequenos altares particulares, no qual cultuavam seus ancestraisfamiliares. => Junto o culto aos antepassados, as comunidades africanas também cultuavam deuses específicos que estavam diretamente relacionados com elementos da natureza. Esses cultos geralmente eram acompanhados de muita música e dança e, em alguns casos, envolvia o transe de pessoas que estavam iniciadas para incorporar os deuses ancestrais. Em diversos casos, esses deuses tinham sido os chefes fundadores da sociedade que após a morte tinham se transformado em deuses do trovão, deuses da chuva, deuses da Lua e do Sol. Muitos povos acreditavam em entidades que viviam nas águas dos rios e dos lagos, ou então na força de uma determinada árvore e de animais específicos. Mas é importante lembrar que as aldeias africanas não acreditavam nos mesmos deuses. Cada comunidade, cidade ou reino tinha seus deuses e entidades próprios e formas específicas de realizar seus cultos e cerimônias religiosas. Embora a religião fosse praticada por toda comunidade, pois era ela que dava o sentido de coletividade aos diferentes povos, existiam figuras que tinham relação ainda mais intensa com o mundo do divino, como os sacerdotes e os feiticeiros. Os sacerdotes eram as pessoas (homens ou mulheres) responsáveis por boa parte das cerimônias religiosas, comandavam os rituais de iniciação e eram as pessoas mais capazes para ler os possíveis sinais dos deuses, bem como os jogos de adivinhação. Saiba mais Os feiticeiros tinham atributos semelhantes ao dos sacerdotes, mas o fato de saberem alterar as características físicas de alguns elementos da natureza fazia com que fossem figuras ao mesmo tempo temidas e respeitadas pelo grupo. Não por acaso, muitos dos feiticeiros também eram ferreiros, pois ambos detinham o poderoso conhecimento de como alterar a natureza. O Poder da Palavra Falada De maneira geral, era por meio da palavra falada que o conhecimento era transmitido de geração para geração. Isso porque a palavra era uma das formas que o homem tinha de se conectar com o mundo divino e sobrenatural, era o elo entre o passado, o presente e o futuro. Saiba mais Dessa feita, era por meio da tradição oral que o conhecimento, os costumes, as histórias e os mitos eram contados. Embora a palavra fosse respeitada por todo o grupo, assim como ocorria com a religião, cada sociedade tinha um sacerdote da palavra, ou seja, uma pessoa responsável por guardar a palavra. O poder da palavra falada Os domas, por exemplo, eram homens treinados para guardar a memória de um povo. Depois de passar por um processo de mais de 20 anos de iniciação, esses homens eram capazes de memorizar a história de quase todos os antepassados da sua comunidade e se transformavam numa espécie de “documentos vivos” da sociedade. O respeito que os domas tinham pela palavra era tão grande que eles falavam apenas quando necessário. Os domas também nunca mentiam, pois mentir significava quebrar o elo que os ligava com a memória e a história daqueles que havia vivido antes deles. Era a maior ofensa que poderiam fazer. Outra figura importante eram os griots. Diferentemente dos domas, os griots falavam muito e contavam diversas histórias, muitas vezes acompanhados de música e dança. Assim como os gregos narraram as histórias da Guerra de Tróia e as aventuras de Ulisses, muitos griots contaram as façanhas de importantes reis, como Sundiata (o primeiro rei do Mali), ou então descreveram batalhas que haviam sido travadas no passado e até mesmo as histórias de como o homem e o mundo haviam surgido. Nas noites mais quentes, os jovens das aldeias sentavam-se em volta de uma pequena fogueira e ouviam as histórias contadas e cantadas pelos griots e pelos homens mais velhos da comunidade. Conforme dito anteriormente, embora existissem muitos aspectos em comum nas sociedades da África subsaariana, elas não eram todas iguais. E também não viveram estáticas no tempo e no espaço. Os deuses cultuados, a organização econômica, as línguas e até mesmo a formação sócio-política eram diferentes Para ajudar a ampliar o conhecimento sobre as muitas Áfricas que existiram, as próximas aulas irão tratar de parte da história de algumas sociedades do continente africano, para que não só as semelhanças, como as diferenças existentes entre elas possam ser compreendidas. Até a próxima e bons estudos! HISTÓRIA DA ÁFRICA PRÉ-COLONIZAÇÃO Aula 3 –África Tradicional: uma análise das matrizes africanas Conteúdo Programático desta aula · Identificar as matrizes da chamada África Tradicional; · Reconhecer os aspectos semelhantes existentes nos diferentes povos da África localizada ao sul do Saara; · Analisar as origens das semelhanças culturais da África Tradicional. => A EXPANSÃO BANTU Muitas das características em comum encontradas em diversas sociedades africanas, são decorrentes de um movimento migratório ocorrido entre três e quatro mil anos atrás: um movimento de migração iniciado há cerca de 4 mil anos pelas populações que habitavam a região central do atual Camarões. => ASPECTOS COMUNS DA ÁFRICA TRADICIONAL 1. O princípio do equilíbrio; 2. A Ancestralidade; 3. A noção de família extensa; 4. O pertencimento ao coletivo; 5. A tradição Oral. => Sociedade Bechuana realizando dança para a Lua, séc. XIX O EQUILÍBRIO E A NATUREZA As sociedades africanas se entendem como parte algo maior, e por isso devem zelar pelo equilíbrio das diferentes forças que compõe o todo, tais forças são divinas. A crença e o culto aos elementos da natureza é um traço comum à todas as sociedades => Máscara Ancestral de Ckokwe, Angola, século XIX. A ANCESTRALIDADE A conexão entre o mundo dos vivos e o mundo dos mortos é feita por meio: a) sonhos, b) transes, c) confrarias de máscaras, d) cultos familiares, e) sacrifícios de animais. => A NOÇÃO DE FAMÍLIA EXTENSA As famílias africanas eram extensas, formadas não só pela mãe, pai e seus filhos, mas também pelos avós, tios, sobrinhos, netos e primos que tinham um ancestral em comum. A família extensa, também chamada de linhagem, era a organização que assegurava a existência física e a perpetuação dos indivíduos; permitia a socialização no grupo; e proporcionava o sentimento de pertencer a um coletivo, na medida em que possibilitava a conexão de cada membro à sua ancestralidade, ou seja, à sua história. => O PERTENCIMENTO AO COLETIVO Cada geração de uma determinada linhagem tinha obrigações a cumprir e direitos a gozar. E para determinar a passagem para cada etapa da vida, eram feitos rituais de iniciação. Geralmente, os adultos eram responsáveis pelo sustento da linhagem e deveriam produzir o suficiente para alimentar os idosos e as crianças. Os mais velhos, grupo mais respeitado de cada família, ocupavam os cargos de chefia das comunidades, e eram responsáveis pelos rituais dos mais jovens e cultos aos ancestrais familiares A ORALIDADE “Quando falamos de tradição em relação à história africana, referimo-nos à tradição oral, e nenhuma tentativa de penetrar a história e o espírito dos povos africanos terá validade a menos que se apoie nessa herança de conhecimentos de toda espécie, pacientemente transmitidos de boca a ouvido, de mestre a discípulo, ao longo dos séculos. Essa herança ainda não se perdeu e reside na memória da última geração de grandes depositários, de quem se pode dizer são a memória viva da África. Entre as nações modernas, onde a escrita tem precedência sobre a oralidade, onde o livro constitui o principal veículo da herança cultural, durante muito tempo julgou-se que povos sem escrita eram povos sem cultura. Felizmente, esse conceito infundado começou a desmoronar após as duas últimas guerras, graças ao notável trabalho realizado por alguns dos grandes etnólogos do mundo inteiro. Hoje, a ação inovadora e corajosa da Unesco levanta ainda um pouco mais o véu que cobre os tesouros do conhecimento transmitidos pela tradição oral, tesouros que pertencem ao patrimônio cultural de toda a humanidade.” In: BÂ, Amadou Hampaté. A tradição Viva. In: Introdução à Cultura Africana.Lisboa, Edições 70, 1977 História da África Pré Colonização Aula 4: A chegada do Islã ao continente africano Apresentação Nessa aula, você analisará as transformações causadas pela chegada do Islamismo na África Subsaariana, identificará as transformações que a chegada do islamismo causou no reino de Gana e examinará as dinâmicas socioeconômicas criadas a partir da conformação do comércio transaariano. Objetivo Analisar as transformações causadas pela chegada do Islamismo à África Subsaariana; identificar as transformações que a chegada do islamismo causou no reino de Gana; examinar as dinâmicas socioeconômicas criadas a partir da conformação do comércio transaariano. Reflexão => O mapa ao lado apresenta as principais rotas do comércio transaariano criadas a partir do século IX. Elabore em seu caderno uma hipótese sobre quais eram os principais produtos que circulavam nessas rotas. Ao final desta aula, releia sua hipótese e verifique os possíveis erros e acertos. O Islamismo O islamismo chegou ao continente africano no século VIII e tal evento trouxe muitas mudanças para a África. As razões para tamanha influência islâmica no continente africano só podem ser entendidas se compreendermos melhor o que é o islamismo. História do Islamismo O islamismo ou o islã é uma religião monoteísta que começou a ser pregada do século VII na região da atual Arábia Saudita. Seu principal profeta foi Maomé, um comerciante da região que um dia começou a receber visitas do anjo Gabriel. Esse anjo revelava-lhe as palavras divinas de Alá, o Deus único. A partir de então, Maomé passou a transmitir os preceitos que lhe eram revelados e rapidamente ganhou diversos seguidores. Como Maomé estava revelando não só uma nova religião, mas também uma nova forma de vida, suas palavras foram anotadas e compiladas em um único livro, Alcorão, que até hoje é considerado o livro sagrado do islamismo. Uma das principais atividades do muçulmano era difundir o islamismo por todo mundo. Essa difusão ocorreu de duas formas: por meio de negociações comerciais e por meio das jihads. As jihads eram guerras santas travadas pelos muçulmanos. Tais guerras tinham por objetivo converter outros povos ao islamismo e escravizar os “infiéis”, ou seja, aqueles que se recusavam a crer em Alá. Os Almorávidas e a Chegada do Islã na África Subsaariana => Rapidamente, inclusive por uma proximidade geográfica, o islamismo chegou ao norte da África. No entanto, durante mais de cento e cinquenta anos, os muçulmanos não conseguiram converter os povos seminômades que viviam nos oásis do Saara e que controlavam boa parte das caravanas de camelos que atravessavam o deserto. Segundo os cronistas da época, no século X, o sacerdote muçulmano chamado Abdallah ibn Yacine foi designado para cuidar da conversão dos berberes. No entanto, Yacine foi muito mal recebido e acabou sendo expulso da região. Obrigado a se retirar, o sacerdote partiu para um local desconhecido da costa Atlântica acompanhado por dois berberes: Yaya ibn Omar e seu irmão Abu Bakr. Neste local, Yacine e seus discípulos começaram a receber adeptos e criaram uma espécie de convento militar muçulmano (o ribat), cujos membros eram chamados de Al-Morabetin – que significa aqueles que pertencem ao ribat. => Em pouco tempo, os almorávidas transformaram-se em um dos principais braços armados do islamismo, levando a palavra de Alá para regiões distantes como a Península Ibérica e a África Subsaariana. Contatos com a África Subsaariana: o Caso de Gana => O contato dos muçulmanos com os povos africanos ocorreu de diferentes formas e em diferentes momentos da história da África. Com as pequenas aldeias da África Subsaariana, os muçulmanos, muitas vezes, faziam suas guerras santas e escravizavam aqueles que haviam sobrevivido e se recusavam a se converter. => No entanto, com os grandes reinos e cidades, as relações dos muçulmanos se iniciaram por meio de trocas comerciais. O comércio também foi a porta de entrada do islamismo nas cidades de Ifé e Benin. Já a realeza do império do Mali se converteu às crenças do Islã e sob o governo de Mansa Musa inúmeras mesquitas e escolas muçulmanas foram construídas em todo o império. => Nas cidades litorâneas da Costa Índica da África, grande parte dos comerciantes também se converteu ao islamismo. Todavia, a primeira grande sociedade subsaariana a entrar em contato com os muçulmanos foi o reino de Gana que, até então, vivia de acordo com seus preceitos iniciais. Gana, também conhecido como o “país do ouro”, foi um dos grandes estados formados no continente africano. Situado abaixo do deserto do Saara entre os rios Níger e Senegal (na atual Mauritânia), Gana foi fundado no século IV pelo povo africano Soninquê e entrou em decadência no século XIII. => Durante seus quase mil anos de existência, Gana exerceu influência sobre outros povos da África Ocidental e ficou conhecido na Europa e no Oriente Médio por suas minas de ouro. Os viajantes árabes que visitaram a região a partir do século VIII ficaram surpresos com a organização desse estado e já no ano de 700 Gana foi colocado no mapa-múndi pelo geógrafo árabe Al-Khuarizni. Saiba mais Segundo os viajantes árabes, gana era o nome dado aos reis desse estado. Além de ser chamado de gana (chefe de guerra), o soberano poderia responder por caia-manga (rei do ouro) e turca. Mas não foi por acaso que Gana ficou conhecido pelo título atribuído aos seus governantes. O gana ou caia-manga exercia um grande poder sobre os habitantes da região e era considerado o senhor do ouro. => Grande parte do poder do caia-manga vinha do monopólio que ele exercia sobre as minas de ouro. Todos que quisessem trabalhar ou comercializar o metal precioso deveriam pagar impostos ao soberano. Além do controle sobre o ouro, o caia-manga também exercia um forte poder político sobre o restante da população e era tido como uma figura quase sagrada. Saiba mais O caia-manga usava colares, braceletes e pulseiras de ouro. Quando sua chegada era anunciada, as pessoas que estavam presentes se ajoelhavam e jogavam pó sobre suas cabeças como forma de reverenciá-lo. Nessas audiências, toda a pompa da gana podia ser observada. Além de suas ricas vestimentas, o rei era acompanhado por seu exército particular formado por homens armados e a cavalo, pelos filhos dos chefes de aldeias e pelos ministros que o ajudavam a governar. => O rei e sua corte viviam na capital do reino que era formada por duas cidades. Kumbi Saleh era um complexo murado cujo interior tinha um palácio feito de pedras e madeiras (dentro do qual havia uma enorme pepita de ouro) e por pequenas cabanas que tinham o teto cônico. Ao redor dessa cidade havia cabanas e pequenos bosques onde viviam os feiticeiros, homens responsáveis pelos cultos religiosos do reino. Esses bosques eram lugares guardados onde ninguém poderia entrar sem autorização, sobretudo os estrangeiros que eram expressamente proibidos de visitá-los. Esse controle se devia ao fato de os bosques serem considerados lugares ao mesmo tempo sagrados e temidos. Além de comportarem os santuários religiosos, eram nos bosques que os antigos ganas estavam enterrados e era para lá que muitos criminosos eram mandados. => Casas cônicas que, segundo os viajantes muçulmanos, eram comuns em Gana. A segunda cidade que formava a capital do reino era um grande centro comercial no qual moravam muitos mercadores ricos (inclusive muçulmanos), artesãos e pequenos comerciantes. As casas da cidade variavam de tamanho. Os grandes mercadores habitavam casas de dois andares que possuíam mais de nove quartos. Já os artesãos e os pequenos comerciantes moravam em pequenas casas feitas de barro e cobertas de palha. Além da capital, o reino de Gana abrangia diversas aldeias cuja maior parte dos moradores era composta por camponeses e criadores de animais. Essas famílias viviam em casas rodeadas por hortas, plantações de pepinos, palmeiras, figueiras e pequenos currais onde eram criados carneiros e algumas aves. Parte do que era produzido por essas famílias era pagacomo tributo ao caia-manga. => A mineração do ouro, responsável pela riqueza de Gana, era uma atividade sigilosa. Apenas os homens que trabalhavam na mineração e alguns traficantes sabiam a exata localização das minas. Isso permitia que o caia-manga pudesse controlar o ouro que era retirado de suas terras. Todas as pepitas de ouro pertenciam à gana, os mineradores e traficantes só poderiam comercializar o ouro que era encontrado em pó. => Como o ouro era abundante, ele era usado como principal forma de taxar os impostos cobrados sobre o comércio realizado em Gana. O caia-manga cobrava um dinar (moeda de ouro criada pelos califas muçulmanos). Seu peso equivalia a 4,72 gramas para cada carga de sal que entrava em seu reino e dois dinares para a carga de sal que saía. Conforme visto há pouco, os camponeses pagavam seus impostos com as mercadorias que produziam e muitos artesãos utilizavam barras de cobre como forma de pagar o tributo que devia à gana. Graças ao ouro e às outras formas de tributo, o caia-manga e sua corte tinham uma vida farta e cheia de regalias. => Embora Gana não tivesse se convertido ao islamismo, durante muitos anos o reino teve boas relações com os muçulmanos que lá viviam. Contudo, no século XI, os almorávidas obrigaram Gana a se converter ao Islã. Junto com a conversão forçada, a chegada dos almorávidas mudou a estrutura econômica de Gana e a maior parte das zonas agrícolas foi transformada em pasto. Essa mudança causou um grande desequilíbrio no reino que, mesmo depois da expulsão dos almorávidas no século XII, não conseguiu se reestruturar completamente. Em 1204, o povo africano sosso invadiu e passou a controlar militarmente o reino. Muitos soninquês fugiram para outras regiões. O Comércio Transaariano e a Escravidão => Antigo forte muçulmano de escravos, na Tanzânia Se, a chegada do islamismo acelerou o processo de desarticulação do reino de Gana, a presença muçulmana na África representou a criação de uma intrincada rede de comércio. Cidades e reinos africanos tinham especial interesse no sal e nos produtos vindos da Europa e do norte da África que eram comercializados pelos muçulmanos. Em muitos casos, o sal e os produtos importados eram trocados por ouro, noz de cola, marfim e escravos. Os escravos que eram comercializados pelos grandes estados africanos eram produtos das guerras que eles faziam com as aldeias vizinhas. => Os comerciantes muçulmanos compravam tanto escravos quanto escravas da África Subsaariana. Normalmente, as escravas africanas seriam vendidas a outros muçulmanos e se tornariam esposas ou concubinas. Já os homens escravizados seriam transportados para outras regiões, inclusive para a China, Arábia Saudita e para a Europa e estavam sujeitos a executar os mais variados tipos de trabalho. => Tombuctu se encontrava na confluência de 4 rotas comerciais do Saara Na maioria dos casos, os homens e mulheres que eram comprados na África subsaariana precisavam atravessar o deserto do Saara para chegar ao seu destino final (mercados europeus e asiáticos). Esse transporte de escravos ocorria junto com as caravanas de camelos que faziam o transporte das outras mercadorias. Tal travessia era extremamente difícil, pois o escravo a fazia a pé e muitas vezes carregando diversos produtos. Além disso, o forte calor, o clima muito seco, a pouca quantidade de água e comida e o longo trajeto a ser percorrido dificultavam ainda mais a viagem. Quase um terço dos escravos não aguentavam a jornada e morriam. => Com o islamismo, o escravo africano se tornou, de fato, uma mercadoria, e uma mercadoria muito importante. Durante quase mil anos (entre os séculos VIII e XIX), os comerciantes muçulmanos compraram e venderam escravos africanos em diferentes continentes. Estima-se que cerca de dez milhões de africanos foram comercializados nesse período, número muito próximo do que foi negociado pelos europeus, como será trabalhado nas aulas 9 e 10. HISTÓRIA DA ÁFRICA PRÉ-COLONIZAÇÃO Aula 4 - A chegada do islã no continente africano Conteúdo Programático desta aula · Analisar as transformações causadas pelo islamismo na África Subsaariana; · Identificar as transformações causadas que a chegada do islamismo causou no reino de Gana; · Examinar as dinâmicas socioeconômicas criadas a partir da conformação do comércio transaariano. => O ISLÃ O islamismo chegou ao continente africano no século VIII e tal evento trouxe muitas mudanças para a África. O islamismo ou o Islã é uma religião monoteísta que começou a ser pregada do século VII na região da atual Arábia Saudita. Seu principal profeta foi Maomé, um comerciante da região que um dia começou a receber visitas do anjo Gabriel. => A FORMAÇÃO DO ISLÃ Esse anjo lhe revelava as palavras divinas de Alá, o deus único. A partir de então, Maomé passou a transmitir os preceitos que lhe eram revelados e rapidamente ganhou diversos seguidores. Como Maomé estava revelando não só uma nova religião, mas também uma nova forma de vida, suas palavras foram anotadas e compiladas em um único livro, Alcorão, que até hoje é considerado o livro sagrado do islamismo. OS PILARES Todo muçulmano tem 5 obrigações, que constituem os pilares do Islamismo: Professar e aceitar o credo (Chahada ou Shahada); Orar cinco vezes ao longo do dia (Salá, Salat ou Salah); Pagar dádivas rituais (Zakat ou Zakah); Observar as obrigações do Ramadão (Saum ou Siyam); Fazer a peregrinação a Meca (Hajj ou Haj). Existia também mais uma obrigação: a jihad => OS ALMORÁVIDAS E A CHEGADA DO ISLÃ NA ÁFRICA SUBSAARIANA Rapidamente, inclusive por uma proximidade geográfica, o islamismo chegou ao norte da África. No entanto, durante mais de cento e cinquenta anos, os muçulmanos não conseguiram converter os povos seminômades que viviam nos oásis do Saara e que controlavam boa parte das caravanas de camelo que atravessavam o deserto. => A CONVERSÃO Segundo os cronistas da época, no século X, o sacerdote muçulmano chamado Yacine foi designado para cuidar da conversão dos berberes. No entanto, Yacine foi muito mal recebido e acabou sendo expulso da região. Obrigado a sair, o sacerdote se retirou para um local desconhecido da costa Atlântica acompanhado por dois berberes: Yaya ibn Omar e seu irmão Abu Bakr. Neste local, Yacine e seus discípulos começaram a receber adeptos e criaram uma espécie de convento militar muçulmano (o ribat), cujos membros eram chamados de Al-Morabetin – que significa aqueles que pertencem ao ribat. => CONTATOS COM A ÁFRICA SUBSAARIANA: O CASO DE GANA. Gana, também conhecido como o “país do ouro”, foi um dos grandes estados formados no continente africano. Situado abaixo do deserto do Saara entre os rios Níger e Senegal (na atual Mauritânia), Gana foi fundado no século IV pelo povo africano soninquê e entrou em decadência no século XIII. O REINO DE GANA Durante seus quase mil anos de existência, Gana exerceu influência sobre outros povos da África Ocidental e ficou conhecido na Europa e no Oriente Médio por suas minas de ouro. Os viajantes árabes que visitaram a região a partir do século VIII ficaram surpresos com a organização desse estado e já no ano de 700, Gana foi colocada no mapa-múndi pelo geógrafo árabe Al-Khuarizni. Segundo os viajantes árabes, Gana era o nome dado aos reis desse estado. Além de ser chamado de gana (chefe de guerra), o soberano poderia responder por caia-manga (rei do ouro) e turca. Mas não foi por acaso que Gana ficou conhecido pelo título atribuído aos seus governantes. A gana ou caia-manga exercia um grande poder sobre os habitantes da região e era considerado o senhor do ouro. => O OURO DE GANA Grande parte do poder do caia-manga vinha do monopólio que ele exercia sobre as minas de ouro. Todos que quisessem trabalhar ou comercializar o metal precioso deveriam pagar impostos ao soberano. Além do controle sobre o ouro, o caia-manga também exercia um forte poder político sobre o restante da população e era tido como uma figura quase sagrada. AS CAPITAIS DE GANA O rei e sua corte viviam na capital do reino que era formada por duascidades. A residência da gana e sua família era um complexo murado cujo interior tinha um palácio feito de pedras e madeiras (dentro do qual havia uma enorme pepita de ouro) e por pequenas cabanas que tinham o teto cônico. Ao redor dessa cidade havia cabanas e pequenos bosques onde viviam os feiticeiros, homens responsáveis pelos cultos religiosos do reino. Esses bosques eram lugares guardados onde ninguém poderia entrar sem autorização, sobretudo os estrangeiros que eram expressamente proibidos de visitá-los. Esse controle se devia ao fato de os bosques serem considerados lugares ao mesmo tempo sagrados e temidos. Além de comportarem os santuários religiosos, eram nos bosques que os antigos ganas estavam enterrados e era pra lá que muitos criminosos eram mandados. A segunda cidade que formava a capital do reino era um grande centro comercial no qual moravam muitos mercadores ricos (inclusive muçulmanos), artesãos e pequenos comerciantes. As casas da cidade variavam de tamanho. Os grandes mercadores habitavam casas de dois andares que possuíam mais de nove quartos. Já os artesãos e os pequenos comerciantes moravam em pequenas casas feitas de barro e cobertas de palha. Além da capital, o reino de Gana abrangia diversas aldeias cuja maior parte dos moradores era composta por camponeses e criadores de animais. Essas famílias viviam em casas rodeadas por hortas, plantações de pepinos, palmeiras, figueiras e pequenos currais onde eram criados carneiros e algumas aves. GANA E OS ALMORÁVIDAS Embora Gana não tivesse se convertido ao islamismo, durante muitos anos o reino teve boas relações com os muçulmanos que lá viviam. Contudo, no século XI, os almorávidas obrigaram Gana a se converter ao Islã. Junto com a conversão forçada, a chegada dos almorávidas mudou a estrutura econômica de Gana e a maior parte das zonas agrícolas foi transformada em pasto. Essa mudança causou um grande desequilíbrio no reino que, mesmo depois da expulsão dos almorávidas no século XII, não conseguiu se reestruturar completamente. Em 1204, o povo africano sosso invadiu e passou a controlar militarmente o reino. Muitos soninquês fugiram para outras regiões. O COMÉRCIO TRANSAARIANO E A ESCRAVIDÃO Se, a chegada do islamismo acelerou o processo de desarticulação do reino de Gana, a presença muçulmana em África representou a criação de uma intrincada rede de comércio. Cidades e reinos africanos tinham especial interesse no sal e nos produtos vindos da Europa e do norte da África que eram comercializados pelos muçulmanos. Em muitos casos, o sal e os produtos importados eram trocados por ouro, noz de cola, marfim e escravos. Os escravos que eram comercializados pelos grandes estados africanos eram produto das guerras que eles faziam com as aldeias vizinhas. Na maioria dos casos, os homens e mulheres que eram comprados na África subsaariana precisavam atravessar o deserto do Saara para chegar ao seu destino final (mercados europeus e asiáticos). Esse transporte de escravos ocorria junto com as caravanas de camelos que faziam o transporte das outras mercadorias. Tal travessia era extremamente difícil, pois o escravo a fazia a pé e muitas vezes carregando diversos produtos. Além disso, o forte calor, o clima muito seco, a pouca quantidade de água e comida, e o longo trajeto a ser percorrido dificultavam ainda mais a viagem. Quase um terço dos escravos não aguentava a jornada e morria. História da África Pré Colonização Aula 5: Povos da curva do Níger: O caso do Mali e de Songhai Apresentação Nesta aula, você analisará a fundação dos impérios de Mali e Songhai, a organização sociopolítica e econômica desses dois reinos e a história desses impérios com a expansão árabe no continente africano. Objetivo Analisar a fundação dos impérios de Mali e Songhai; Examinar a organização sociopolítica e econômica desses dois reinos; Relacionar a história desses impérios com a expansão árabe no continente africano. O Mali => O Mali foi um dos maiores e mais conhecidos impérios africanos. Localizado no alto do rio Níger, região que atualmente abriga partes dos países Senegal, Gâmbia, Guiné Bissau e Mali, esse império foi fundado pelo povo Africano Malinquê no século XIII e ficou mundialmente conhecido por suas minas e pelas proezas realizadas por seus imperadores. Segundo a tradição oral, o império Mali foi fundado por Sundiata no início do século XIII. Rapidamente, o exército de Sundiata conseguiu dominar amplas regiões da África Ocidental e subjugar os povos que nelas viviam. Controlaram as terras do antigo reino de Gana e a parte norte dos rios Níger, Gâmbia e Senegal. Assim como o governante de Gana recebia o título de gana ou caia-manga, o soberano do Mali recebia o título de mansa. Ao mansa cabia chefiar o exército e controlar a arrecadação de impostos pagos pelo restante da população. Era do soberano a palavra final nos assuntos administrativos e nas disputas jurídicas. A mansa vivia com sua corte em um amplo palácio, onde além de mobílias e objetos de ouro, também era possível encontrar tecidos fabricados na Europa e aves raras. Suas vestimentas eram tão ornamentadas quanto seu palácio: segundo um viajante muçulmano que visitou o Mali em 1352, a mansa se vestia com uma túnica vermelha e felpuda, usava um solidéu de ouro na cabeça, além de colares e pulseiras feitas do mesmo metal. Para governar uma área tão extensa, o mansa contava com o auxílio de dois importantes grupos sociais. De um lado, cuidando das questões administrativas do império, estava a linhagem real, uma espécie de nobreza do Mali, que controlava o pagamento de impostos feito pelas aldeias que deviam obediência ao mansa. Do outro, estava o poderoso exército do Mali, responsável principal pelas conquistas do império. O exército do Mali chegou a ser formado por cerca de 10 mil homens que se dividiam entre a cavalaria do mansa e os milhares de arqueiros. Esses homens usavam espadas, capacetes, cotas de malhas e cavalos, produtos importados do norte da África e da Europa. Essas armas, junto com a experiência dos arqueiros, fizeram com que, durantes muitos anos, o exército do Mali parecesse indestrutível. 1 => Além da nobreza e do exército, o Mali adotou uma tática de dominação parecida com a que o Império Romano empregou durante suas conquistas. Ao invés de obrigar os povos dominados a viverem de acordo com seus costumes, o mansa preferiu respeitar as diferentes culturas que compunham seu império, desde que essas pessoas pagassem os impostos devidos. Essa estratégia diminuía o índice de revolta dos povos dominados e garantia certa estabilidade para o império. 2 => Assim como ocorreu em outras partes da África, o Mali também tinha homens livres que formavam castas de profissionais como os ferreiros, os carpinteiros e artistas que trabalhavam com barro e metais. Esses homens e mulheres costumavam morar em bairros isolados nas aldeias e cidades do Mali e casavam apenas entre si. 3 => No entanto, a maior parte da população era composta por agricultores, pescadores e pastores. Esses homens e mulheres que viviam do campo moravam em vilarejos e habitavam pequenas casas feitas do barro socado e cobertas com palha. Cultivavam milhete, sorgo, arroz; criavam bois, cabras e camelos e pescavam nos rios próximos ou no mar. Parte dessa produção era destinada à subsistência das famílias camponesas, uma parcela preestabelecida era usada como forma de pagamento dos tributos que deviam ao mansa e o restante ia para os mercados das cidades do Mali. => Junto com os camponeses, havia um número significativo de escravos que trabalhava na produção agrícola do Mali. A maior parte desses escravos (que era obtida nas guerras realizadas pelo exército) era empregada nas fazendas que pertenciam ao mansa. Outra trabalhava nas minas de ouro do império e um pequeno número deles era usado nas casas dos nobres e no palácio do mansa. => Apesar de a grande maioria da população viver da agricultura, da atividade pastoril e da pesca, o comércio do ouro foi a maior atividade. Devido a seu extenso domínio na regiãoocidental africana, o mansa controlava não só as minas de ouro, mas também as redes de comércio que levavam esse ouro até o deserto do Saara, de onde ele seria levado para o norte da África e de lá para a Europa e Oriente Médio. As caravanas que levavam o ouro voltavam com sal, contas de vidros, tecidos e alimentos produzidos em outras regiões. Embora o comércio transaariano abrangesse um número variado de mercadorias, apenas as pessoas mais ricas do império tinham como comprar os produtos que atravessavam o Saara. Para o restante da população, principalmente os camponeses, a única mercadoria acessível desse comércio era o sal. Em geral, as aldeias camponesas do Mali preferiam realizar suas negociações com povos africanos que viviam mais a oeste e com quem trocavam milhete e arroz por peixe seco produzido na região litorânea. Embora as mercadorias do comércio transaariano não fossem consumidas por toda a população do império, as rotas comerciais que ligavam o Mali com o norte da África deram riqueza e notoriedade ao império. Essas relações comerciais ficaram ainda mais fortes depois que a nobreza e o mansa se converteram ao islamismo durante o século XIII. Além do incremento das transações comerciais, a chegada do islamismo trouxe mudanças significativas para o Mali, sobretudo para as principais cidades do império. => Mansa Musa foi o principal imperador islamizado do Mali. A crença desse mansa em Alá era tão forte que, em 1324, o imperador realizou uma peregrinação à Meca que tornou o Mali mundialmente conhecido. Segundo os registros da época, Mansa Musa saiu do Mali acompanhado de mais de sessenta mil servos e quase duas toneladas de ouro. Para mostrar a prosperidade de seu império, Mansa Musa distribuiu seu ouro pelo Egito ficando sem recursos para prosseguir a viagem. Graças ao empréstimo concedido por um rico comerciante de Alexandria, Mansa Musa pode terminar sua peregrinação. Na volta de sua viagem, Mansa Musa trouxe consigo o poeta e arquiteto Abu Issak, que foi o responsável pela construção de mesquitas e madrasas (escolas islâmicas onde se estudava religião e direito) nas cidades de Jenné e Tombuctu. Essas duas cidades se transformaram em verdadeiros centros comerciais e culturais onde os costumes pregados pelo Islã podiam ser observados nas técnicas utilizadas na construção das casas e prédios públicos (era a primeira vez que se usava tijolo no Mali), nas roupas e turbantes que os muçulmanos vestiam e na cultura e educação que eram ensinadas nas universidades árabes de Tombuctu. => Embora o islamismo tenha ganhado muito espaço no império do Mali a partir do governo de Mansa Musa, é importante lembrar que a grande parte da população continuava a fazer o culto a seus antepassados e as cerimônias religiosas para seus deuses e entidades divinas. As aldeias do império também não conheceram as inovações arquitetônicas e mantiveram as vestimentas que usavam há muitos anos, que na maior parte das vezes consistia em uma tanga de couro. Quando ocorriam crimes ou problemas jurídicos, o mansa realizava o julgamento de acordo com a crença da pessoa em questão, respeitando os diferentes credos de seu império. A expansão territorial realizada por Mansa Musa trouxe problemas para seus sucessores. Embora o exército Mali fosse bem treinado, não havia homens suficientes para controlar as fronteiras do Império. No final do século XIV, diversos povos começaram a realizar saques em Tombuctu e outras importantes cidades do Mali. No século XV, os antigos territórios controlados pelo Mali, já enfraquecidos, foram passando para o comando do povo de Gao. Songhai => A história de Songhai começou cerca de mil anos antes da invasão ao império do Mali. Segundo a tradição oral desse povo, a população Songhai habitava as margens de um dos afluentes do rio Níger e estava dividida em dois grandes grupos, os pescadores (sorkos) e os caçadores (gous), que viviam sob o controle de um sacerdote tirânico chamado Faran Makan Bote. Todavia, no ano 500 d.C, um berbere de nome Za Aliamen matou o sacerdote e fundou a dinastia Diá, que passou a governar os songhais. Cerca de quinhentos anos depois, o rei da dinastia fundada por Za Aliamen converteu-se ao Islã (embora a maior parte da população continuasse praticando sua antiga religião) e transferiu a capital do seu reino de Cuquia para Gao. Graças às redes comerciais estabelecidas entre Songhai e outros grupos islamizados, rapidamente Gao transformou-se em um importante entreposto comercial das rotas transaarianas, rivalizando inclusive com Cumbi, a capital do Mali. Em 1325, com o comando do Mansa Musa, a cidade de Gao foi dominada pelo império Mali, ficando sob o domínio dos malinquês por doze anos. Contudo, a grande virada da história de Songhai se deu quando Soni Ali subiu ao poder em 1464. Graças à forte cavalaria que compunha o exército e o controle de trechos estratégicos do rio Níger, durante o reinado de Soni Ali, Songhai conheceu sua maior expansão territorial. Além de regiões agrícolas, o exército de Soni Ali conquistou Tombuctu em 1468 (que na época estava sob o domínio dos tuaregues) e, depois de inúmeras tentativas, apoderou-se da cidade de Jenné em 1473. Em pouco tempo, o império Songhai abarcava as principais cidades e regiões agrícolas próximas do Níger. => O grande poderio de Soni Ali era seu exército formado por jovens cavaleiros e canoeiros hábeis que garantiam a segurança interna e promovia guerras cujo objetivo principal era a expansão do território songhai. O comércio e a vida na cidade foram uma das principais características do Império Songhai. Sob o comando de Soni Ali, diversas cidades que ficavam próximas ao rio Níger acabaram se tornando importantes entrepostos comerciais das rotas muçulmanas que faziam a travessia do Saara. O intenso contato com a cultura islâmica acabou desenvolvendo um grupo poderoso de sacerdotes muçulmanos (os ulamas) que defendiam que o Estado deveria ser um braço dos princípios do Islã, ou seja, que Soni Ali devia obediência a eles. Todavia, a figura do imperador Soni Ali era controversa devido às suas escolhas e práticas religiosas. Ao que tudo indica, ele não abandonou as crenças tradicionais e recorria sempre que necessário aos cultos, cerimônias e deuses dos antigos antepassados songhais; há, inclusive, algumas interpretações de que ele teria sido um imperador feiticeiro. Soni Ali não só se recusou a obedecer aos ulamas como os exilou. => Os grupos islâmicos que compunham a nobreza do Império Songhai fizeram com que a dinastia de Soni Ali fosse substituída por uma genuinamente muçulmana. Após a morte de Soni Ali, subiu ao poder o primeiro representante da dinastia áskia: Muhamed Turê. As investidas bélicas foram mantidas por Muhamed Turê que conseguiu subjugar importantes grupos vizinhos como os fulas, soninquês e, sobretudo, parte das grandes cidades-estado dos hauçás: Kano e Gobir. Embora um dos maiores e mais respeitados impérios da África Ocidental, as disputas internas pelo poder fizeram com que Songhai entrasse em decadência após a morte de Muhamed Turê e, em 1591, o território songhai foi conquistado por Marrocos. Atividade 1 - Para governar, o mansa contava com a ajuda de dois grupos sociais. Você lembra-se quais são eles? a) A linhagem real, responsável pelas estratégias de guerra, e os escravos, que cuidavam do castelo. b) Os escravos, responsáveis por cuidar dos filhos do Mansa, e os agricultores, pescadores e pastores, que cuidavam da alimentação de todos no castelo. c) A linhagem real, que cuidava da parte administrativa, e o exército, responsável pelas conquistas do império. d) A nobreza do Mali, que era convertida ao cristianismo, e o restante da população islamizada. HISTÓRIA DA ÁFRICA PRÉ-COLONIZAÇÃO Aula 5 – Povos da Curva do Níger: o caso do Mali e de Songhai Conteúdo Programático desta aula · Analisas as fundações dos impérios de Mali e Songhai; · Examinar a organização sociopolítica e econômicas desses dois impérios; · Relacionar a história desses Impérios com a expansão árabe no continente. =>O MALI O Mali foi um dos maiores e mais conhecidos impérios africanos. Localizado no alto do rio Níger, região que atualmente abriga partes dos países Senegal, Gâmbia, Guiné Bissau e Mali, esse império foi fundado pelo povo africano malinquê no século XIII e ficou mundialmente conhecido por suas minas e pelas proezas realizadas por seus imperadores. O MITO DE SUNDIATA Segundo a tradição oral, Sudiata era o filho aleijado do mansa Naré Famagã que controlava os territórios ocupados pelo povo malinquê no século XIII. Com a ajuda de um ferreiro, Sundiata foi milagrosamente curado e tornou-se um grande caçador. A bravura de Sundiata começou a incomodar seu irmão mais velho, Dancarã-Tuma que começou a perseguir seu irmão mais novo. Para fugir das ameaças de Dancarã-Tuma, Sundiata fugiu para Mema, um estado formado pelo povo soninquê. Lá, ele se destacou como soldado. Enquanto Sundiata vivia em Mema, toda sua família foi morta por um povo vizinho. Sundiata passa a ser aclamado pelo seu povo e retorna para sua cidade natal a fim de expulsar os invasores. Com ajuda dos demais soldados de Mema, Sundiata consegue ser vitorioso em todas as batalhas e começa a comandar várias famílias do povo malinquê. Rapidamente Sundiata se torna o grande chefe dessas famílias e inicia a construção do Império do Mali, do qual se torna o primeiro mansa. Após realizar diversas guerras e incorporar o antigo reino de Gana a seu império, Sundiata é morto acidentalmente por uma flecha envenenada. Todos os mansas que governaram o Mali estavam de alguma forma relacionados a Sundiata (eram seus filhos, netos ou sobrinhos) e isso permitiu que sua história fosse passada ao longo dos anos. => A FORMAÇÃO DO IMPÉRIO Assim como o governante de Gana recebia o título de gana ou de caia-manga, o soberano do Mali recebia o título de mansa. Ao mansa cabia chefiar o exército e controlar a arrecadação de impostos pagos pelo restante da população. Era do soberano a palavra final nos assuntos administrativos e nas disputas jurídicas. Para governar uma área tão extensa, o mansa contava com o auxílio de dois importantes grupos sociais. De um lado, cuidando das questões administrativas do império estava a linhagem real, uma espécie de nobreza do Mali, que controlava o pagamento de impostos feito pelas aldeias que deviam obediência ao mansa. => A FORMAÇÃO DO IMPÉRIO Do outro lado, estava o poderoso exército do Mali, principal responsável pelas conquistas do império. O exército do Mali chegou a ser formado por cerca de 10 mil homens que se decidiam entre a cavalaria do mansa e os milhares de arqueiros. Esses homens usavam espadas, capacetes, cotas de malhas e cavalos, produtos importados do norte da África e da Europa. Essas armas, junto com a experiência dos arqueiros fizeram com que durantes muitos anos, o exército do Mali parecesse indestrutível. Além da nobreza e do exército, o Mali adotou uma tática de dominação parecida com a que o Império Romano empregou durante suas conquistas. Ao invés de obrigar os povos dominados a viverem de acordo com seus costumes, o mansa preferia respeitar as diferentes culturas que compunham seu império, contato que essas pessoas pagassem os impostos devidos. Essa estratégia diminuía o índice de revolta dos povos dominados e garantia certa estabilidade para o império. MANSA MUSA Mansa Musa foi o principal imperador islamizado do Mali. A crença desse mansa em Alá era tão forte que, em 1324, o imperador realizou uma peregrinação à Meca que tornou o Mali mundialmente conhecido. Segundo os registros da época, Mansa Musa saiu do Mali acompanhado com mais de sessenta mil servos e quase duas toneladas de ouro. Para mostrar a prosperidade de seu império, Mansa Musa distribuiu seu ouro pelo Egito ficando sem recursos para prosseguir a viagem. Graças ao empréstimo concedido por um rico comerciante de Alexandria, Mansa Musa pode terminar sua peregrinação. => Na volta se sua viagem, Mansa Musa trouxe consigo o poeta e arquiteto Abu Issak que foi o responsável pela construção de mesquitas e madrasas (escolas islâmicas onde se estudava religião e direito) nas cidades de Jenné e Tombuctu. Essas duas cidades se transformaram em verdadeiros centros comerciais e culturais onde os costumes pregados pelo Islã podiam ser observados nas técnicas utilizadas na construção das casas e prédios públicos (era a primeira vez que se usava tijolo no Mali), nas roupas e turbantes que os muçulmanos vestiam e na cultura e educação que eram ensinadas nas universidades árabes de Tombuctu. => TOMBUCTU A QUEDA DO MALI A expansão territorial realizada por Mansa Musa trouxe problemas para seus sucessores. Embora o exército Mali fosse bem treinado, não havia homens suficientes para controlar as fronteiras do Império. No final do século XIV, diversos povos começaram a realizar saques em Tombuctu e outras importantes cidades do Mali. No século XV, os antigos territórios controlados pelo Mali já enfraquecidos foram passando para o comando do povo de Gao. SONGHAI A história de Songai começou cerca de mil anos antes da invasão ao Império do Mali. Segundo a tradição oral deste povo, a população Songai habitava as margens de um dos afluentes do rio Níger e estava dividida em dois grandes grupos, os pescadores (sorkos) e os caçadores (gous), que viviam sob o controle de um sacerdote tirânico chamado Faran Makan Bote. Todavia, no ano 500 d.C, um berbere de nome Za Aliamen matou o sacerdote e fundou a dinastia Diá, que passou a governar os songais. Cerca de quinhentos anos depois, o rei da dinastia fundada por Za Aliamen converteu-se ao Islã (embora a maior parte da população continuasse praticando sua antiga religião) e transferiu a capital de seu reino de Cuquia para Gaô. => SONI ALI Graças às redes comerciais estabelecidas entre Songai e outros grupos islamizados, rapidamente Gaô transformou-se em um importante entreposto comercial das rotas transaarianas, rivalizando inclusive com Cumbi, a capital do Mali. Em 1325, com o comando do mansa Musa, a cidade de Gaô foi dominada pelo império Mali, ficando sob o domínio dos malinquês por doze anos. Contudo, a grande virada da história de Songai se deu quando Soni Ali subiu ao poder em 1464. Graças à forte cavalaria que compunha o exército e o controle de trechos estratégicos do rio Níger, durante o reinado de Soni Ali, Songai conheceu sua maior expansão territorial. Além de regiões agrícolas, o exército de Soni Ali conquistou Tombuctu em 1468 (que na época estava sob o domínio dos tuaregues) e, depois de inúmeras tentativas, apoderou-se da cidade de Jenné em 1473. Em pouco tempo, o império Songai abarcava as principais cidades e regiões agrícolas próximas ao Níger. => SONGHAI DE SONI ALI O comércio e a vida na cidade foram uma das principais características do Império Songai. Sob o comando de Soni Ali, diversas cidades que ficavam próximas ao rio Níger acabaram se tornando importantes entrepostos comerciais das rotas muçulmanas que faziam a travessia do Saara. O intenso contato com a cultura islâmica acabou desenvolvendo um grupo poderoso de sacerdotes muçulmanos (os ulamas) que defendiam que o Estado deveria ser um braço dos princípios do Islã, ou seja, que Soni Ali deveria obediência a eles. O IMPÉRIO SONGHAI Os grupos islâmicos que compunham a nobreza do Império Songai fizeram com que a dinastia de Soni Ali fosse substituída por uma genuinamente muçulmana. Após a morte de Soni Ali subiu ao poder o primeiro representante da dinastia áskia: Muhamed Turê. As investidas bélicas foram mantidas por Muhamed Turê que conseguiu subjugar importantes grupos vizinhos como os fulas, soninquês e, sobretudo, parte as grandes cidades-estado dos hauçás: Kano e Gobir. Embora um dos maiores e mais respeitados Impérios da África Ocidental, as disputas internas pelo poder fizeram com que Songai entrasse em decadência após a morte de Muhamed Turê e, em 1591, o território songai foi conquistado por Marrocos. => Askia Mohammed => Túmulo de Askia Mohammed => ARTE NO IMPÉRIO SONGHAI => ARTE NO IMPÉRIO SONGHAI História da ÁfricaPré Colonização Aula 6: “Os herdeiros de Ododua”: Sociedades da África Ocidental Apresentação Nesta aula, você identificará o mito fundador das sociedades iorubas, além de analisar a importância religiosa desempenhada por Ifé e examinar as relações econômicas desenvolvidas pela cidade do Benin. Objetivo Identificar a matriz mitológica que une a história das duas cidades (Ifé e Benim); Analisar as dinâmicas socioeconômicas de cada uma das cidades-estado; Reconhecer como a religião foi determinante na conformação política dessas cidades. Ifé, o Umbigo do Mundo => Localização geográfica de Ifé Construída por volta do século VI d.C. numa região de floresta tropical próxima aos rios Níger e Bernué, durante mil anos Ifé foi “o umbigo do mundo”, segundo os iorubas. Embora até hoje seja um importante centro religioso na África, no século XVI Ifé entrou em franco declínio econômico. A religiosidade era um aspecto determinante na vida de Ifé e em boa parte estava representada pela figura do oni, ou rei de Ifé. Tido como um rei divino, o oni de Ifé, junto com a responsabilidade de legitimar todos os líderes das cidades-estados descendentes de Odudua, também deveria administrar assuntos “terrenos”, como a cobrança de impostos, o controle da agricultura e o intenso comércio que era realizado na cidade. => Mapa da África Ocidental com destaque paras as cidades de Ifé e Benin Por ocupar uma posição estratégica na Costa Ocidental africana, a cidade de Ifé não só tinha uma agricultura e atividade pesqueira fértil, como também se tornou um importante polo comercial. Atenção Lá eram comercializados milhete, inhame, dendê, feijão e quiabo cultivados nas regiões de floresta, os grãos e cereais produzidos nas savanas, além dos instrumentos feitos de ferro e contas de pedra e de vidro (utilizadas como ornamentos e enfeites). Além dos habitantes da cidade, esse forte comércio atraia povos vizinhos como os nupês e os vangaras. => Cabeça de bronze encontrada em Ifé Junto com a religião e o comércio, a produção artística também era uma característica marcante da cidade de Ifé. As esculturas de cabeças, tanto em terracota como em bronze encontradas em escavações colocaram as esculturas de Ifé na mesma tradição artística encontrada no Egito Antigo, na Grécia e Roma Clássicas e na Itália renascentista, na qual os artistas procuravam alcançar a beleza perfeita por meio do retrato fiel do ser humano. Se observadas com atenção, percebe-se que as cabeças encontradas em Ifé possuem um acabamento perfeito e são de uma beleza quase inigualável. Tanto as esculturas de bronze como as de terracota retratam o rosto humano em harmonia e equilíbrio, o que sugere que o artista era inspirado em modelos humanos na busca da beleza ideal. A Cidade de Benin e seus Obás Localizada ao sudeste de Ifé, a cidade Benin (na atual Nigéria e que por isso não deve ser confundida com o país Benin) também acreditava ser descendente de Odudua e, embora fosse composta pelo povo edo, pagava tributos religiosos à Ifé. Benin era uma cidade-estado murada que se formou a partir da cornubação de diversos vilarejos próximos. Embora essas aldeias formassem uma unidade política maior, cada uma delas manteve sua estrutura social e seus chefes, o que, com o passar do tempo, causou inúmeros conflitos entre as diferentes lideranças. => Segundo a tradição oral, a unidade política do Benin só foi alcançada quando Eueca passou a governar a cidade como obá, o chefe soberano e divino. Eueca era filho de Erinuide, uma mulher edo, com Oraniã, filho de Odudua, e por isso herdeiro do trono de Ifé. Dessa feita, ele cumpria todos os requisitos para ser o soberano do Benin. Mesmo sendo um rei soberano e divino, os antigos chefes das aldeias que compunham a cidade de Benin, os uzamas, continuaram exercendo grande poder sobre sua comunidade. Eles viviam em vilarejos fora das muralhas da cidade e garantiam a administração desses locais, com exceção da aplicação da pena de morte, que era um atributo exclusivo do obá. => O Obá de Benin no séc. XVII Dentro das muralhas, o obá contava com o auxílio de nobres que cuidavam da vida particular do obá e controlavam as finanças, sobretudo os impostos cobrados pela circulação de mercadorias na cidade. A baixa fertilidade do solo fez com que Benin tivesse uma produção agrícola pobre. O inhame era a base da alimentação da população edo, só que, ao contrário dos demais produtos, era cultivado por homens. A produção do amendoim, do melão, do dendê e dos feijões ficava a cargo das mulheres. => Cauris – conchas utilizadas como moeda na cidade de Benin Em contrapartida, a localização geográfica de Benin permitiu que a cidade rapidamente se transformasse em um importante entreposto comercial. Produtos oriundos da costa atlântica, como o peixe seco, eram vendidos nos mercados de Benin, que também negociavam o inhame, os feijões e a criação de gado da região das savanas e o sal que vinha do Saara. Outro atrativo de Benin era a produção do índigo utilizado no tingimento de tecidos. Para facilitar esse comércio, foi introduzido um sistema monetário composto de barras e manilhas de cobre, pedaços de ferro em forma de arco e cauris (Um tipo de concha encontrada no litoral africano que foi usada como moeda por diferentes sociedades). => Cabeça de terracota O artesanato também era uma atividade importante em Benin. As corporações de ofício ficavam em bairros específicos e eram responsáveis pela produção de instrumentos e utensílios de barro, cobre e ferro e os ornamentos do palácio do obá. Junto com esses ferreiros e ceramistas, o Benin também conheceu uma importante classe de artistas que, segundo a tradição oral, havia herdado o padrão artístico de Ifé graças à migração de um artesão dessa cidade. O bronze, o ferro e a terracota eram as principais matérias-primas para os artistas de Benin. => Mapa hidrográfico de Benin Foi justamente com o intuito de ampliar suas redes de comércio que Benin iniciou sua expansão militar. Sob o comando do obá, a cidade formou um poderoso exército que passou a dominar grandes mercados e controlar rotas fluviais de comércio. Cada colônia fundada era administrada por um “filho de Benin”. A ampliação territorial de Benin foi de fundamental importância para a maior centralização do poder nas mãos do obá. A ascensão de Ogun, que adotou o nome de Euare, representou o ponto de virada na administração da cidade. Durante seu reinado, foi formado um conselho de estado do qual faziam parte tanto a nobreza do palácio de Benin quanto os chefes de pequenas cidades que haviam sido nomeados pelo próprio Euare e recebiam escarificações que os distinguiam dos demais habitantes e dos escravos. Com um forte exército e uma nobreza coesa, conta-se que as tropas de Euare conseguiram capturar cerca de duzentas cidades e aldeias que passaram a copiar as instituições políticas de Benin. Todavia, mesmo com todo esse poderio militar, Benin não foi capaz de subjugar os povos edos que viviam nas montanhas. Euare também foi responsável pela reconstrução da cidade de Benin. Além de fortificar as muralhas, ele mandou construir grandes avenidas que separavam o palácio da cidade, onde dispôs as corporações de ofício em bairros específicos, cujas casas eram feitas de barro socado e cobertas de palha. Segundo o relato de um viajante holandês, o palácio de obá era composto por diversos edifícios nos quais viviam o soberano, suas esposas e os nobres com suas famílias, seus agregados e deuses escravos. Como ocorreu com muitas sociedades da África Ocidental, a história da cidade de Benin sofreu muitas mudanças a partir da chegada dos europeus e do estabelecimento de relações comerciais. Atividade 1. Podemos dizer que Ifé, no séc. VI d.C., foi considerada... a) o cérebro do mundo b) o coração do mundo c) o umbigo do mundo d) o berço do mundo 2. O artesanato de Obá tinha como matéria-prima: a) barro, cobre e ferro. b) barro, bronze e ouro. c) cobre, prata e ferro. d) ouro, ferro e prata. HISTÓRIA DA ÁFRICA PRÉ-COLONIZAÇÃO Aula 6 – Os herdeiros de Ododua: Ifée Benin na África Ocidental. Conteúdo Programático desta aula · Identificar a matriz mitológica que une a história das duas cidades; · Analisar as dinâmicas socioeconômicas de casa uma das cidades-Estado; · Reconhecer como a religião foi determinante na conformação política dessas cidades. O mito de Ododua Na região sudeste da Nigéria e em alguns pontos dos atuais países de Benin, Togo e Serra Leoa, os grupos iorubas organizaram-se em aldeias e cidades-Estado que estavam ligadas por um mito de origem comum. Em uma das versões mais correntes sobre a fundação das cidades da África Ocidental, Olodumaré, o deus supremo dos iorubas, enviou para terra Odudua com um saco que continha um pouco de terra, uma galinha e uma palmeira de dendê. Odudua, um semi-deus iorubano, derramou a terra sobre a água e ali colocou a palmeira e a galinha. Assim que foi colocada no chão, a galinha começou a ciscar e a espalhar a terra por todos os lados, dando origem ao mundo. Esse local inicial ficou conhecido como Ifé, que nas línguas iorubas significa aquilo que se alarga. Outras importantes cidades iorubas como Benin, e Oió acreditavam ter sido criadas pelos filhos de Odudua, que assim como o pai eram semi-deuses que personificavam forças da natureza. Graças a esse antepassado comum essas outras cidades-estado criaram fortes laços políticos. Nessa aula iremos analisar o caso de Ifé e da cidade do Benin. IFÉ => Construída por volta do século VI d.C na região de floresta tropical próxima aos rios Níger e Bernué, durante mil anos Ifé foi “o umbigo do mundo”, segundo os iorubas. Embora até hoje seja um importante centro religiosa na África, no século XVI Ifé entrou em franco declínio econômico. RELIGIOSIDADE EM IFÉ A religiosidade era um aspecto determinante na vida de Ifé, e em boa parte estava representado pela figura do oni, ou rei de Ifé. Tido como um rei divino, junto com a responsabilidade de legitimar todos os líderes das cidades-estado descendentes de Odudua, o oni de Ifé também deveria administrar assuntos “terrenos” como cobrança de impostos, o controle da agricultura e o intenso comércio que era realizado na cidade. O oni era um rei divino. ONI DE IFÉ O COMÉRCIO DE IFÉ Mas não eram apenas as funções religiosas que derem destaque para Ifé. Por ocupara uma posição estratégica na Costa Ocidental africana, a cidade de Ifé não só tinha uma agricultura e atividade pesqueira fértil, como também se tornou um importante pólo comercial. Lá eram comercializados milhete, inhame, dendê, feijão e quiabo cultivados nas regiões de floresta; os grãos e cereais produzidos nas savanas; além dos instrumentos feitos de ferro e contas de pedra e de vidro (utilizadas como ornamentos e enfeites). Além dos habitantes da cidade, esse forte comércio atraia povos vizinhos como os nupês e os vangaras. A ARTE DE IFÉ Junto com a religião e o comércio, a produção artística também era uma característica marcante da cidade de Ifé. As esculturas de cabeças, tanto em terracota como em bronze encontradas em escavações colocaram as esculturas de Ifé na mesma tradição artística encontrada no Egito Antigo, na Grécia e Roma Clássicas e na Itália renascentista, na qual os artistas procuravam alcançar a beleza perfeita por meio do retrato fiel do ser humano. => A ARTE DE IFÉ EM TERRACOTA => A ARTE DE IFÉ EM BRONZE BENIN => Localizada ao sudeste de Ifé, a cidade do Benin (na atual Nigéria e, que por isso não deve ser confundida com o país Benin) também acreditava ser descendente de Odudua, e, embora fosse composta pelo povo edo, pagava tributos religiosos à Ifé. Benin era uma cidade-estado murada que se formou a partir da cornubação de diversos vilarejos próximos. Embora essas aldeias formassem uma unidade política maior, cada uma delas manteve sua estrutura social e seus chefes próprios, o que com o passar do tempo causou inúmeros conflitos entre as diferentes lideranças. Segundo a tradição oral, a unidade política do Benin só foi alcançada quando Eueca passou a governar a cidade como obá, o chefe soberano e divino. Eueca era filho de Erinuide, uma mulher edo, com Oraniã, filho de Odudua e por isso herdeiro do trono de Ifé. Dessa feita, ele cumpria todos os requisitos para ser o soberano do Benin. OBÁ DO BENIN Mesmo sendo um rei soberano e divino, os antigos chefes das aldeias que compunham a cidade de Benin, os uzamas, continuaram exercendo grande poder sobre sua comunidade. Eles viviam em vilarejos fora das muralhas da cidade e garantiam a administração desses locais, com exceção da aplicação da pena de morte, que era um atributo exclusivo do obá. Dentro das muralhas, o obá contava com o auxílio de nobres que cuidavam da vida particular do obá e controlavam as finanças, sobretudo os impostos cobrados pela circulação de mercadorias na cidade. COMÉRCIO NO BENIN A localização geográfica de Benin permitiu que a cidade rapidamente se transformasse em um importante entreposto comercial. Produtos oriundos da costa atlântica como peixe seco era vendido nos mercados de Benin, que também negociavam o inhame, os feijões e a criação de gado da região das savanas e o sal que vinha do Saara. Outro atrativo de Benin era a produção do índigo utilizado no tingimento de tecidos. Para facilitar este comércio foi introduzido um sistema monetário composto de barras e manilhas de cobre, pedaços de ferro em forma de arco e cauris (Um tipo de concha encontrada no litoral africano que foi usada como moeda por diferentes sociedades). => OBA NA CIDADE DO BENIN MUDANÇAS POLÍTICAS NO BENIN Foi justamente com o intuito de ampliar suas redes de comércio que o Benin iniciou sua expansão militar. Sob o comando do obá, a cidade do Beni formou um poderoso exército que passou a dominar grande mercados e controlar rotas fluviais de comércio. Cada colônia fundada era administrada por um “filho de Benin”. A ampliação territorial de Benin foi fundamental importância para a maior centralização do poder nas mãos do obá. A ascensão de Ogun, que adotou o nome de Euare, representou o ponto de virada na administração da cidade. Durante seu reinado, foi formado um conselho de estado do qual faziam parte tanto a nobreza do palácio de Benin, como os chefes de pequenas cidades que haviam sido nomeados pelo próprio Euare e recebiam escarificações que os distinguiam dos demais habitantes e dos escravos. Com um forte exército e uma nobreza coesa, conta-se que as tropas de Euare conseguiram capturar cerca de duzentas e uma cidades e aldeias que passara a copiar as instituições políticas do Benin. Todavia, mesmo com todo esse poderio militar, Benin não foi capaz de subjugar os povos edos que viviam nas montanhas. Euare também foi responsável pela reconstrução da cidade do Benin. Além de fortificar as muralhas, ele mandou construir grandes avenidas que separavam o palácio da cidade, onde dispôs as corporações de ofício em bairros específicos, cujas casas eram feitas de barro socado e coberta de palha. Segundo o relato de um viajante holandês, o palácio de obá era composto por diversos edifícios nos quais viviam o soberano, suas esposas, e os nobres com suas famílias, seus agregados e deus escravos. História da África Pré Colonização Aula 7: O Reino do Congo Apresentação Nesta aula, você vai analisar as estruturas de poder que permitiram que o reino do Congo se estruturasse e dominasse um extenso território. Além disso, irá examinar os atributos políticos e divinos atribuídos ao manicongo, bem como aprender que boa parte da economia do reino do Congo estava articulada com a atividade mercantil, praticada nas muitas cidades que compunham a sociedade. Objetivo Analisar a conformação matrilinear do reino do Congo; Reconhecer a importância que os ferreiros tinham no reino do Congo; Identificar a rede socioeconômica estabelecida pelos chefes do reino do Congo. Congo e seu Rei O reino do Congo talvez seja uma das sociedades mais conhecidas da África, sobretudo depois da conversão de sua realeza ao cristianismo no século XV. Fundado no final do século XIII, o reino do Congo, localizado no sudoeste docontinente, chegou a abranger parte dos atuais países de Angola, Cabinda, República Democrática do Congo e o Gabão. O território do Kongo era banhado por quatro grandes bacias hidrográficas: do Zaire, do Kwanza, do Cunene e do Zambeze. A vegetação predominante dessa região era a savana, ao sul da floresta tropical. => Localização do Reino do Congo Segundo a tradição oral, bem antes do século XIII, o Congo já era habitado por povos de origem bantu, que se organizavam em aldeias agrícolas. Tais sociedades eram governadas pelas candas, famílias de linhagem que primeiro haviam ocupado aquele lugar. Por volta do ano de 1200, um grupo de estrangeiros, oriundos da outra margem do rio Congo, migrou para a região. Sob a liderança de Nimi e Lukeni, os muchicongos formaram fortes alianças, criando assim o que os europeus intitularam de reino do Congo. Pesquisas recentes reforçam a narrativa da tradição oral. Segundo Vansina - um dos maiores especialistas no assunto – o reino do Congo teve sua origem na chefia Vungu, ao norte do rio Zaire. Nessa época, organizaram-se conglomerados de chefias e pequenos reinos, que se localizavam ao longo do grande rio. Dentre os líderes dessas organizações destacou-se Nimi Lukeni, deixando o Vungo, no Mayombe, e cruzando o Zaire, indo à conquista da chefaria Ambunda, onde posteriormente fundaria Mbanza Kongo. É interessante notar que, mesmo levando em consideração as variações das narrativas, a fundação do reino aparece sempre vinculada à imagem de um herói fundador, que teria se colocado acima das chefias locais. Deste modo, não é de estranhar, que a figura mais importante do reino era o manicongo, ou seja, o rei do Congo. A partir das leituras feitas dos relatos deixados pelos portugueses, Luca Caregnato afirma que: "o rei tinha uma função de destaque social no reino (...) As insígnias e os objetos presentes no relato acima demonstram que a realeza do Kongo detinha riqueza e prestígio. A figura do rei representava, além do poder político, uma relação com as questões míticas, que explicavam a origem e organização da sociedade bantu. Suas vestimentas e os adornos eram uma constante representação de sua cosmovisão.” - CAREGNATO => De fato, os registros deixados pelos portugueses reforçavam o poder político e religioso exercido pelo manicongo, que aparece sempre representado como uma figura austera, como demonstra a imagem. Saiba mais Organização do Reino do Congo. Apesar de ser um estado centralizado, neste reino existiam administradores locais, vindos de antigas famílias ou escolhidos pela própria autoridade monárquica. O Congo era governado pelo rei, conhecido como manicongo, que tinha o direito de receber os tributos vindos de cada uma das províncias dominadas. O chamado Reino do Congo ou Império do Congo foi uma região africana localizada no sudoeste da África no território que hoje corresponde ao noroeste de Angola incluindo Cabinda, à República do Congo, à parte ocidental da República Democrática do Congo e à parte centro-sul do Gabão. Na sua máxima dimensão, estendia-se desde o oceano Atlântico, a oeste, até ao rio Cuango, a leste, e do Rio Ogoué, no atual Gabão, a norte, até ao rio Cuanza, a sul. O reino do Congo foi fundado por Ntinu Wene no século XIII.[3] A região era governada por um líder chamado Rei pelos Europeus, o manicongo. Ela consistia em nove províncias e três regiões (Ngoio, Cacongo e Loango), mas a sua área de influência estendia-se também aos estados independentes, tais como Ndongo, Matamba, Cassange e Quissama. A capital era M'Banza Kongo (literalmente, Cidade do Congo), rebatizada São Salvador do Congo após os primeiros contatos com os portugueses e a conversão do manicongo ao catolicismo no século XVI, e renomeada de volta para M'Banza Kongo em 1975. Inicialmente habitada por pigmeus, a demografia da região mudou radicalmente durante a grande migração banta para o sul, onde um subgrupo étnico formou-se entre os que se assentaram no vale do baixo rio Congo, mais próximo da foz desse no Atlântico. Esse subgrupo banto são os congos, que consolidaram a ocupação da região em meados do século XIII. Formação política pré-colonial A partir do século XIV os congos passaram a organizar-se politicamente, formando o poderoso reino do Congo, a partir da reunião dos reinos Ampemba Cassi e Bambata. O antigo reino de Bambata acabou por tornar-se um ducado dentro do reino, nas terras que atualmente formam a província do Uíge. A fundação do reino do Congo se deu com a investidura de Lukeni lua Nimi como primeiro rei, em 1390, fixando capital em uma localidade por nome Nisi Cuílo, em territórios do Congo-Quinxassa. Já politicamente forte, o reino do Congo organizou uma expedição e conquistou o reino rival de Muene Cabunga, que tinha sua capital, Mongo-dia-Congo, ao sopé de uma montanha ao sul. A cidade mudou de nome, passando a chamar-se Mabanza Congo, para onde o rei do Congo mudou-se e fez seu palácio. Contatos com os portugueses Em 1483, o explorador português Diogo Cão navegou pelo rio Congo, descobrindo inúmeras aldeias ribeirinhas, tornando-se o primeiro europeu a encontrar o reino do Congo. Diogo Cão deixou um de seus homens no Congo e levou alguns nobres da corte congolesa para Portugal. Ele retornou com os nobres congoleses em 1485, convertendo ao cristianismo o rei Nzinga a Nkuwu que, batizado em 1491, tornou-se João I do Congo. Os principais nobres da corte congolesa também foram batizados, começando pelo governante da província do Soio, Manuel I do Soio. Ao mesmo tempo, os cidadãos congoleses alfabetizados que regressavam de Portugal abriram algumas escolas no Congo. O período de aproximação comercial, política e econômica com os portugueses também foi marcado pela própria expansão territorial do reino do Congo, onde, nas guerras empreendidas contra os reinos e povos vizinhos, angariava-se a principal matéria de exportação congolesa, o trabalhador escravo. O principal entreposto de comércio de Portugal com o Congo era São Tomé e Príncipe. Tensões com Portugal e a derrocada do reino do Congo As tensões entre Portugal e o Congo foram surgindo, principalmente relacionadas ao comércio de escravos e à interferência na escolha dos sucessores do trono congolês, aliado ao fato dos governadores da Angola portuguesa se tornarem mais agressivos. Luís Mendes de Vasconcelos, que foi governador colonial de 1617 a 1621, contratou bangalas como mercenários para empreender uma devastadora guerra contra o reino do Ndongo, e depois atacar e saquear algumas províncias do sul do Congo. Ele estava particularmente interessado na província de Cassanze, uma região pantanosa que ficava ao norte de Luanda, refúgio de escravos fugitivos. O governador colonial João Correia de Sousa contratou novamente os bangalas para lançar uma invasão em grande escala no sul do Congo em 1622, após a morte de Álvaro III, numa tentativa de influenciar a escolha do novo o rei. A Guerra Luso-Congolesa de 1622, iniciou com as forças portuguesas invadindo Cassanze, forçando o comandante congolês Pedro Afonso a fugir de Mabanza Congo para Nambo Angongo, uma cidade protegida por escravos fugitivos. Embora Pedro Afonso concordasse em devolver alguns fugitivos, o exército lusitano atacou o Congo e o matou, contando com um exército esmagador de 20.000 soldados Após o sucesso em Nambo Angongo, o exército português avançou para o condado de Quimbamba em novembro, onde conseguiram uma vitória na batalha de Bumbi. Lá eles enfrentaram uma força liderada pelo novo Duque de Quimbamba, com reforços das forças do marquês de Pemba. Tanto o duque de Quimbamba como o marquês de Pemba foram mortos na batalha. No entanto, Pedro II, o recém-coroado rei do Congo, mobilizou o exército principal, incluindo tropas do Soio, para Quimbamba, derrotando decisivamente os portugueses, expulsando-os do país em uma batalha travada em algum lugar perto de Mabanda Cassi, em janeiro de 1623. Essavitória congolesa e a deterioração das relações com Portugal foram cruciais para o sucesso da ocupação holandesa de Angola. O reino do Congo associou-se à República das Sete Províncias Unidas dos Países Baixos contra Portugal em 1641, colaborando logisticamente para a expulsão lusitana da região de Luanda. Isso fez com que mergulhasse de cabeça na Guerra Luso-Holandesa, conseguindo certo progresso entre 1641 e 1643, durante as batalhas dos Dembos e do rio Bengo. Em 1647 o reino do Congo participa da última campanha bem sucedida contra os Portugueses, na batalha de Combi. Ao mesmo tempo o Congo enfrentava seus próprios problemas internos, com uma guerra civil com o condado do Soio, ocorrida entre 1641 e 1645. A reconquista lusitana das possessões coloniais angolanas deixou o Congo em situação frágil, obrigando-a a tentar aliança com o reino da Espanha. Contudo, a disputa pelas posições na província de Ambuíla levou à batalha de Ambuíla, que acabou por ser sucedida por mais uma guerra civil, que duraria até 1709. Esses conflitos foram os pontos de inflexão para o reino do Congo, o enfraquecendo politicamente, perdendo de fato a condição de Estado independente, passando a Estado vassalo do Reino de Portugal.[4] => Como exerciam o controle direto sobre as províncias, os governadores do reino do Congo tinham muito poder. Acreditava-se, inclusive, que os chefes das candas, junto com o manicongo, possuíam um poder especial conhecido como cariapemba, uma grande força que os destacavam entre os demais. Conhecedor dessa força sobrenatural e não querendo correr o risco de perder o trono, era comum que o manicongo possuísse uma esposa em cada uma das doze candas tradicionais do reino, o que garantia que o rei tivesse vínculos pessoais (e muitas vezes familiares) com os governadores de seu reino. Mas para evitar possíveis disputas políticas, era comum que o manicongo distribuísse a riqueza adquirida pela cobrança de impostos entre os seus pares. Parte do que recebia repassava aos governadores provinciais que, por sua vez, repartiam entre os chefes dos distritos e estes entre os líderes das aldeias e das linhagens. Atividades Econômicas Vainfas e Souza (1998) apontam que havia uma divisão significativa na sociedade do Congo: enquanto as cidades serviam como moradia para os grupos privilegiados, as comunidades de aldeias, conhecidas como lubatas, eram habitadas principalmente por agricultores e artesãos. As lubatas desfrutavam de menor poder político e seus chefes não tinham controle sobre a produção dessas regiões, que deveriam ser entregues aos governadores de província. Já nas cidades, a aristocracia não só era detentora daquilo que produzia, como era proprietária de escravos (mão de obra muito comum nas casas da nobreza do Congo). => Tecidos de ráfia Morando em casas de barro com telhados de palha, os habitantes das aldeias plantavam o necessário para o seu sustento e para o pagamento dos tributos criavam pequenos animais e aproveitavam os rios da região para a atividade pesqueira. Já os artesãos podiam ser divididos entre aqueles que manejavam o ferro (uma minoria) e os artesãos do reino do Congo produziam os tecidos de ráfia. Com teares estreitos, os artesãos trançavam a fibra da ráfia (uma palmeira da região) de diferentes formas. A qualidade e a beleza desses tecidos eram tão grandes que eles chegaram a ser utilizados como símbolos de poder e riqueza (como os tapetes que ornavam o palácio do manicongo) e também como moeda nos principais mercados do reino. => Nzimbo: conchas do litoral atlântico utilizadas como moedas no reino do Congo. A atividade mercantil também tinha grande importância no reino. Os diversos rios da região permitiam que produtos de outras partes do continente, como o sal e o cobre, chegassem até os principais mercados do Congo. Lá as mercadorias eram trocadas pelos tecidos de ráfia e também por pequenas conchas conhecidas como nzimbos (que também funcionavam como uma espécie de moeda do reino). A Religiosidade => Exemplo de inquices utilizadas pelos feiticeiros do Congo Conforme visto anteriormente, o rei era o personagem mais poderoso do Congo. O manicongo e os governantes de província não eram as únicas pessoas com poder no reino do Congo. Os gangas, como eram conhecidos os feiticeiros, também tinham poderes sobrenaturais. Tais homens, que normalmente eram ferreiros, moravam próximos a rios e cachoeiras e também detinham o poder da cariapemba. Com a ajuda de objetos conhecidos como inqueces (objetos utilizados pelos gangas como esculturas de madeira, pedra e conchas que tinham atributos mágicos), os gangas conseguiam riqueza e saúde, mas também dor e destruição. Muitos cangas também eram exímios ferreiros, atividade considerada mágica na maior parte da África Subsaariana. Por causa desse grande poder, os gangas eram temidos e excluídos da sociedade, só sendo visitados em momentos especiais, como as crises econômicas e políticas. => No entanto, nem mesmo o poder das inquices dos feiticeiros, ou a cariapemba dos manicongos impediu que o reino entrasse em decadência no século XVII. Existem diversas razões para o fim desse reino, mas a conversão do manicongo ao cristianismo, ainda no século XV, e a criação do comércio de africanos escravizados para as Américas acabaram enfraquecendo as redes de poder dessa sociedade, fenômeno que atingiu outros povos da África Subsaariana, como veremos nas próximas aulas. Atividade 1. A imagem abaixo retrata a aristocracia do reino do Congo no início do século XV. Embora esse documento tenha sido produzido por europeus, ele permite entrar em contato com algumas insígnias de poder dessa sociedade. Faça uma análise cuidadosa da imagem e escreva um pequeno texto sobre a nobreza do Congo a partir da sua leitura crítica. => É fundamental percebermos que o rei está sentado em um trono e que ele é retratado como uma figura maior do que as demais. O séquito de mulheres que estão atrás dele também deve ser considerado como um símbolo de poder, bem como os arqueiros que estão observando o rei ser presenteado. HISTÓRIA DA ÁFRICA PRÉ-COLONIZAÇÃO Aula 7- O Reino do Congo. Conteúdo Programático desta aula · Analisar a conformação matrilinear do reino do Congo; · Reconhecer a importância que os ferreiros tinham no reino do Congo; · Identificar a rede socioeconômica estabelecida pelos chefes do reino do Congo. O CONGO E SEU REI O reino do Congo talvez seja uma das sociedades mais conhecidas da África, sobretudo depois d conversão de sua realeza ao cristianismo no século XV. Fundado no final do século XIII, o reino do Congo, localizado no sudoeste do continente, chegou a abranger parte dos atuais países de Angola, Cabinda, República Democrática do Congo e o Gabão. O território do Kongo era banhado por quatro grandes bacias hidrográficas: do Zaire, do Kwanza, do Cunene e do Zambeze. A vegetação predominante dessa região era a savana, ao sul da floresta tropical. => LOCALIZAÇÃO DO REINO A TRADIÇÃO ORAL Segundo a tradição oral, bem antes do século XIII, o Congo já era habitado por povos de origem bantu, que se organizavam em aldeias agrícolas. Tais sociedades eram governadas pelas candas, famílias de linhagem que primeiro haviam ocupado aquele lugar. Por volta do ano de 1200, um grupo de estrangeiros, oriundos da outra margem do rio Congo, migrou para a região. Sob a liderança de Nimi e Lukeni, os muchicongos formaram fortes alianças, criando assim o que os europeus intitularam de reino do Congo. A CIÊNCIA CONFIRMANDO A ORALIDADE Pesquisas recentes reforçam a narrativa da tradição oral. Segundo Vansina - um dos maiores especialistas no assunto – o reino do Congo teve sua origem na chefia Vungu, ao norte do rio Zaire. Nessa época, organizaram-se conglomerados de chefias, e pequenos reinos, que se localizavam ao longo do grande rio. Dentre os líderes dessas organizações, destacou-se Nimi Lukeni deixando o Vungo, no Mayombe, e cruzando o Zaire indo à conquista da chefaria Ambunda, onde posteriormente fundaria Mbanza Kongo. A ORIGEM E O HERÓIS => Interessante notarque, mesmo levando em consideração as variações das narrativas, a fundação do reino aparece sempre vinculada à imagem de um herói fundador, que teria se colocado acima das chefias locais. Deste modo, não é de estranhar, que a figura mais importante do reino era o manicongo, ou seja: o rei do Congo. => “o rei tinha uma função de destaque social no reino (...) As insígnias e os objetos presentes no relato acima demonstram que a realeza do Kongo detinha riqueza e prestígio. A figura do rei representava, além do poder político, uma relação com as questões míticas, que explicavam a origem e organização da sociedade bantu. Suas vestimentas e os adornos eram uma constante representação de sua cosmovisão”. A ORGANIZAÇÃO DO REINO => O reino do Congo estava dividido em seis províncias: Soyo, Mbamba, Nsundi, Mpango, Mbata e Mpemba. Além dessas províncias havia estados independente e chefias, como os dos Mbundo do nordeste de Angola, Ndongo, Matamba, Loango, Ngoyo, Dembe, Cakongo, e povos menores. Cada uma dessas províncias era composta por mbanzas, organizações muito semelhantes às pequenas cidades, que deviam obediência ao rei. Para conseguir dar conta de muitas atividades que estruturavam o reino - tais como a cobrança de impostos, o controle do comércio -, o manicongo contava com a ajuda de uma verdadeira nobreza burocrática composta por conselheiros e governadores das províncias de seu reino. Em cada mbanza havia um soba que detinha a autoridade principal e jurisdição sobre as pessoas e bens. Havia também os governadores das províncias, escolhidos entre os membros das tradicionais candas. A CARIAPEMBA Como exerciam o controle direto sobre as províncias, os governadores do reino do Congo tinham muito poder. Acreditava-se, inclusive, que os chefes das candas, junto com o manicongo, possuíam um poder especial conhecido como cariapemba, uma grande força que os destacavam entre os demais. Conhecedor dessa força sobrenatural, e não querendo correr o risco de perder o trono, era comum que o manicongo possuísse uma esposa em cada uma das doze candas tradicionais do reino, o que garantia que o rei tivesse vínculos pessoais (e muitas vezes familiares) com os governadores de seu reino. Mas, para evitar possíveis disputas políticas, era comum que o manicongo distribuía a riqueza adquirida pela cobrança de impostos, entre os seus pares. Parte do que recebia repassava aos governadores provinciais, que, por sua vez, repartiam entre os chefes dos distritos e, estes, entre os líderes das aldeias e das linhagens. => GRUPOS SOCIAIS: OS GUERREIROS => GRUPOS SOCIAIS: ARTESÃOS/ MÚSICOS ATIVIDADES ECONÔMICAS DO REINO Morando em casas de barro com telhados de palha, os habitantes das aldeias plantavam o necessário para seu sustento e para o pagamento dos tributos, criavam pequenos animais e aproveitavam os rios da região para a atividade pesqueira. Já os artesões podiam ser divididos entre aqueles que manejavam o ferro (uma minoria), e os artesãos do reino do Congo produziam os tecidos de ráfia. Com teares estreitos, os artesãos trançavam a fibra da ráfia (uma palmeira da região) das mais diferentes formas. => A qualidade e a beleza desses tecidos eram tão grandes que eles chegaram a ser utilizado como símbolos de poder e riqueza (como os tapetes que ornavam o palácio do manicongo) e também como moeda nos principais mercados do reino. A atividade mercantil também tinha grande importância no reino. Os diversos rios da região permitiam que produtos de outras partes do continente, como o sal e o cobre, chegassem até os principais mercados do Congo. Lá as mercadorias eram trocadas pelos tecidos de ráfia e também por pequenas conchas conhecidas como nzimbos (que também funcionavam como uma espécie de moeda do reino). A RELIGIOSIDADE => Conforme dito anteriormente, o rei era o personagem mais poderoso do Congo. O manicongo e os governantes de província não eram as únicas pessoas com poder no reino do Congo. Os gangas, como eram conhecidos os feiticeiros, também tinham poderes sobrenaturais. Tais homens, que normalmente eram ferreiros, moravam próximos a rios e cachoeiras, e também detinham o poder da cariapemba. Com a ajuda de objetos conhecidos como inqueces (objetos utilizados pelos gangas, como esculturas de madeira, pedra e conchas que tinham atributos mágicos), os gangas conseguiam riqueza e saúde, mas também dor e destruição. Muitos cangas também eram exímios ferreiros, atividade considerada mágica na maior parte da África Subsaariana. Por causa desse grande poder, os gangas eram temidos e excluídos da sociedade, só sendo visitados em momentos especiais, como as crises econômicas e políticas. => A QUEDA DO REINO HISTÓRIA DA AMÉRICA II 1 aula 1 Questão Dentre as políticas americanas para a América Latina, marque, dentre as alternativas abaixo, aquela que representa a política desenvolvida or Theodore Roosevelt, durante o seu governo: Certo => Big Stick 2 Questão No século XX, o fortalecimento dos EUA, transformados em primeira potência mundial, acabou se refletindo sobre os ideais pan-americanos. Os norte-americanos, interessados em ocupar o lugar dos países europeus como área central que comandava o capitalismo periférico da América Latina, revigoraram a Doutrina Monroe (1904) e passaram a justificar as intervenções norte-americanas nos países latino-americanos. O presidente Theodore Roosevelt inaugurou uma política de intervenções armadas que ficou conhecida como: Certo => Big Stick 3 Questão O quadro político dos Estados Unidos na primeira década do século XX pode ser caracterizado de forma geral como: Em fase de consolidação dos Estados Unidos como importante peso na política internacional 4 Questão Sobre as condições históricas nas quais os países da América se encontravam após a Primeira Guerra Mundial, podemos afirmar, EXCETO: O Brasil passou por um ¿surto industrialista¿ no período da Guerra e vivenciou uma "industrialização por substituição das importações", o que acarretou o crescimento demográfico em cidades como Rio de Janeiro e São Paulo. em toda a América Latina foi sentida a decadência política e econômica da Europa e a consolidação da influência estadunidense no continente. No México, a Revolução deflagrada em 1910 ainda estava em curso e em 1917 foi proclamada a Constituição do México. Mas em 1919, um dos grandes líderes populares do movimento, Emiliano Zapata, foi morto. Certo => Os Estados Unidos estavam arrasados após a participação na Primeira Guerra Mundial e apenas no início da década de 1920 sua economia estaria recuperada. Em função da Revolução Soviética e da formação da URSS, uma das principais consequências no Pós Guerra para a América Latina foram os surgimentos de inúmeros Partidos Comunistas ao longo da década de 1920, como o Partido Comunista Brasileiro, fundado em 1922. 5 Questão A América Latina sempre esteve na esfera de influência dos Estados Unidos. Qual das alternativas abaixo relaciona a doutrina e a frase que melhor a representa? Certo => Doutrina Monroe "A América para os americanos" 6 Questão No início do século XX a América Latina inseriu-se na economia mundial enquanto exportadora de matérias primas, gêneros primários e importadora de manufaturados, tal como acontecia durante o período colonial. Essa lógica, entretanto, sofreu uma pequena mudança durante a Primeira Guerra mundial onde: Certo => Houve um desenvolvimento de uma indústria de substituição de importação. 7 Questão Qual política norte-americana, estabelecida em 1823, consolidou a influência dos Estados Unidos na América Latina? Certo => A doutrina Monroe 8 Questão A Revolução é uma súbita imersão do México em seu próprio ser (...) é uma busca de nós mesmos e um regresso à mãe. Nela, o México se atreve a ser. (OCTAVIO PAZ, escritor mexicano. Citado por Grandes Fatos do Século XX. Rio de Janeiro, Rio Gráfica, 1984.) A Revolução Mexicana, iniciada em 1911, trouxe à tona a organização e a luta de populações camponesas de origem indígena que até hoje utilizam esse movimento como símbolo. A eclosãoda Revolução Mexicana pode ser explicada pelos seguintes motivos: Certo => a luta do campesinato pela propriedade da terra e as reivindicações de setores burgueses por um maior espaço na política HISTÓRIA DA AMÉRICA II 2 aula 1 Questão Que evento, ocorrido em 1929, encerra a era do capitalismo liberal e dá início a uma reorientação na economia estadunidense? Certo => Quebra da Bolsa de Nova York 2 Questão Nas décadas de 30 e 40, os Estados Unidos abandonaram a política do Big Stick, que mantinha o continente latino sob a ameaça de uma intervenção violenta. Em seu lugar foi adotada uma política mais cooperativa e que tinha como objetivo o fortalecimento dos vínculos econômicos e diplomáticos. Essa política ficou conhecida como: Certo => Política da Boa vizinhança 3 Questão A Grande Depressão é considerada o pior e o mais longo período de recessão econômica do século XX. A respeito dela, podemos afirmar: Certo => Após a Crise de 1929, houve a necessidade de intervenção estatal na economia. Explicação: Até nos EUA houve necessidade de intervenção do Estado na economia, com o chamado New Deal. 4 Questão A década de 1930 foi marcada por uma série de inovações na forma de fazer política, marcada por fenômenos culturais poderosos. Um dos ícones deste momento é Howard Hughes, com seus filmes e aviões. Sobre o cinema americano neste período podemos afirmar que: Certo => representa a afirmação do Amarican Way of Life 5 Questão Sobre o governo de Woodrow Wilson foi estendida nos Estados Unidos o voto feminino e proibido a produção/venda de bebidas alcoólicas nos Estados Unidos. Sobre este momento da história americana podemos sinalizar. Certo => Que apesar do forte conservadorismo, medidas de caráter liberal continuavam em voga. 6 Questão No fim dos anos 1930, os EUA concederam empréstimos de longo prazo voltados ao desenvolvimento industrial da América Latina, mas: Certo => seria limitado, no entanto, aos interesses americanos, como por exemplo na indústria automobilística. 7 Questão A Crise de 29 deve ser vista em relação ao continente americano como: Certo => um momento de crise econômica mundial e que afetou inclusive as exportações agrícolas da América Latina. 8 Questão A situação de crise nos anos 1930 e 1940 gerou alguns fenômenos históricos de importância mundial nos EUA. Aponte estes fenômenos escolhendo uma das opções. Certo => A popularização do Jazz, do Blues e do cinema hollywoodiano. 1a aula 1 => A respeito das línguas africanas, assinale a alternativa incorreta: Certo => O ramo semítico apresenta leve diferenciação interna, sendo muito similares os idiomas falados. Explicação: O ramo semítico, por sua vez, apresenta forte diferenciação interna, ao contrário dos outros dois apresentados anteriormente. Divide-se em semítico ocidental e semítico oriental, sendo que esta segunda divisão tem apenas um idioma, o acadiano, já extinto, e representado por escrita de tipo cuneiforme. Esse idioma, por sua vez, se dividia em dois dialetos: o babilônio, do Sul; e o assírio, do Norte. 2 => O rio São Francisco, no Brasil, e o Nilo, na África, apesar de suas diferenças de extensão, traçado e paisagens percorridas, oferecem algumas sugestivas analogias geográficas. Isto ocorre porque apresentam Certo => longos cursos permanentes de direção Sul-Norte, cortando zonas de climas quentes muito contratantes, inclusive secos, alimentados por cabeceiras situadas em áreas úmidas. 3 => Com relação aos estereótipos sobre o continente africano e às histórias do personagem Tarzan, leia, com atenção, as afirmativas abaixo: I => Por diversas razões, a África de Tarzan continua presente até os dias de hoje. Um exemplo disso é o fato de muitas crianças em idade escolar avançada (e por vezes até adultos) não saberem precisar se a África é um país ou um continente. II => Os tempos da África de Tarzan ficaram definitivamente para trás. Hoje, é do conhecimento de todos que a África é um continente diversificado, com várias culturas e sociedades diferenciadas. III => Ainda que a África possua florestas densas e seja habitada por leões, macacos e elefantes, caracterizá-la unicamente como uma grande selva seria um erro ao mesmo tempo geográfico e histórico. Assinale, abaixo, a opção que contém as afirmativas corretas. Certo => As afirmativas I e III estão corretas. Explicação: A resposta correta é a opção c, isto é, as afirmativas I e III estão corretas. A afirmativa II não está correta porque, na verdade, a África de Tarzan continua presente nos dias de hoje, como nos ensina a afirmativa I. Ver telas 7 e 8 da aula online 1. 4 => No princípio, era o principal componente da cultura regional popular entre os brasileiros de origem africana, mas logo o Samba de Roda foi adotado pelos migrantes procedentes do Rio de Janeiro e influenciou a evolução do samba urbano, que se converteu em símbolo da identidade nacional brasileira no século XX. (...) Uma das características desse samba é que os participantes se reúnem em um círculo chamado roda. Geralmente, apenas as mulheres dançam. Uma por uma, elas vão se colocando no centro do círculo formado pelos outros dançarinos, que cantam e batem palmas ao seu redor. Essa coreografia frequentemente improvisada se baseia nos movimentos dos pés, das pernas e dos quadris. Um dos movimentos mais característicos é a famosa umbigada (movimento de umbigo), de origem banto, pelo qual a dançarina convida quem vai sucedê-la no centro do círculo. Existem outros detalhes específicos, como canções típicas, o passo de dança chamado miudinho, a utilização de instrumentos raspados e a viola machete, um tipo de viola pequena, originária de Portugal, e canções. http://www.unesco.org/new/pt/brasilia/culture/world-heritage/intangible-cultural-heritage-list-brazil/samba-de-roda-do-reconcavo-baiano/ A partir das informações acima acerca dessa manifestação cultural, marque a alternativa correta. Certo => Esse é um exemplo de que não se pode falar de uma cultura pura, original, pois as práticas sociais são consequências das mais diversas interações e assimilações de povos, algo muito comum na África pré-colonial. Explicação: A questão aborda o tema da cultura como um elemento que nos permite a dialogar com fontes históricas. O processo cultural é híbrido, sendo o africano um dos mais miscigenados que temos. O ponto a ser destacado é que muito mais que "choque" de culturas, prevalece o de interação e assimilação cultural, como práticas de matriz africana no Brasil resgatarem elementos originais da África. 5 => O termo África Branca pode ser considerado: Certo => equivocado, pois dá uma noção de unidades que não existem 6 => Com relação ao desconhecimento sobre a História da África, leia, com atenção, as afirmativas abaixo: I => Um dos grandes problemas encontrados pelos historiadores ocidentais para estudar a história da África devia-se ao fato de que a maior parte das sociedades do continente serem ágrafas, ou seja, elas não haviam desenvolvido a escrita. II => As sociedades africanas - bem como em outras regiões do mundo como partes da Ásia, América e Oceania, embora não houvessem desenvolvido a escrita e, portanto, não tivessem feito registros do seu passado, foram consideradas sociedades com história. III => Os primeiros historiadores do continente africano foram os Antropólogos, Arqueólogos e Linguistas. Com o intuito de estudar manifestações culturais, vestígios materiais e a imensa pluralidade de línguas faladas na África, esses profissionais conseguiram resgatar muitos fatos e costumes dos povos africanos, chegando a estudar sociedades milenares. IV => Devido ao fato de as sociedades do continente africanas serem ágrafas, só conhecemos a História da África a partir da segunda metade do século XX tendo ficado a história anterior a esse período perdida para sempre. Assinale, abaixo, a opção correspondente às afirmativas corretas. Certo => As afirmativas I e III estão corretas. Explicação: A resposta correta é a da opção e, isto é, as afirmativas I e III estão corretas, como pode ser confirmado na tela 13 daaula online 1. A afirmativa II não é verdadeira porque, como pode ser verificado na tela 13, até meados do século XX, os povos que viveram na África - bem como em outras regiões do mundo como partes da Ásia, América e Oceania - eram considerados desprovidos de história, porque não haviam feito registros escritos de seu passado. E, com relação à afirmativa IV, não é verdade que só conheçamos a História da África a partir da segunda metade do século XX e que a história anterior tenha sido perdida. Como pode ser verificado no texto da 13 da aula online 1, os primeiros historiadores do continente africano foram os antropólogos, arqueólogos e linguistas (...) que conseguiram resgatar muitos fatos e costumes dos povos africanos, chegando a estudar sociedades milenares. 7 => "Para o povo Nuer, que vive na região centro-oeste da África, (...) o relógio diário é o gado, o círculo das tarefas pastoris, fundamentalmente a sucessão de tarefas e suas relações mútuas. Assim, se as atividades dependem dos corpos celestes e das mudanças físicas, estas só são significativas em relação às atividades sociais. (...) Tudo isso é corroborado pela falta de um termo ou de uma expressão equivalente ao vocábulo "tempo", encontrado nos idiomas ocidentais. Desse modo, não há como falar de tempo como algo concreto, que pode ser perdido, economizado e assim por diante." (EVANS-PRITCHARD, E. E. In: SCHWARCZ, Lília. Falando sobre o Tempo. Revista Sexta-Feira, nº 5, p. 17. São Paulo: Hedra, 2000) Sobre as noções de Tempo, é correto afirmar: Certo => Culturas diferentes têm noções de temporalidade e de historicidade diferentes Muitos estereótipos foram criados a respeito do continente africano, inclusive um personagem de histórias e filmes que ajudou a reforçar uma imagem que já era difundida sobre a África: a 8 8 => África dos leões, girafas, zebras, rinocerontes, entre outras coisas. Assinale, abaixo, o nome do personagem dessas histórias em quadrinhos: Certo => Tarzan. Explicação: A resposta correta é a da letra e, Tarzan, como podemos verificar nas telas 5 e 6 da aula online 1. 9 => Sobre a diversidade do continente africano, assinale a alternativa incorreta: Certo => Entre os africanos a organização social e econômica girava em torno de vínculos de parentesco em famílias pequenas, uma vez que não tinham o hábito de geração de descendentes, devido a um rígido controle de natalidade. Explicação: Entre os africanos a organização social e econômica girava em torno de vínculos de parentesco em famílias extensas, da coabitação de vários povos num mesmo território, da exploração tributária de um povo por outro 10 => Vimos que, para reconstituir a História das sociedades africanas que não utilizaram a escrita, alguns profissionais, que não os historiadores, estudaram as manifestações culturais, os vestígios materiais e a imensa pluralidade de línguas faladas na África, conseguindo resgatar muitos fatos e costumes dos povos africanos, chegando a estudar sociedades milenares. Assinale, abaixo, três desses profissionais que contribuíram para esses estudos. Certo => Antropólogos, Arqueólogos e Linguistas. Explicação: A resposta certa é a da letra b, como pode ser verificado na 13 da aula online 1. 11 => O ensino de África deve partir de algumas bases importantes como: Certo => que precisamos devolver a África para história, começando por afirmar que não existe uma África. 12 => Quando falamos de tradição em relação à história africana, referimo-nos à uma tradição tal que nenhuma tentativa de penetrar a história e o espírito dos povos africanos terá validade a menos que se apoia nessa herança de conhecimentos de toda espécie, pacientemente transmitidos de boca a ouvido, de mestre a discípulo, ao longo dos séculos. Esse trecho se refere à: Certo => História oral. Explicação: A resposta certa é a da letra a, ou seja, a História Oral, como pode ser verificado no texto em pdf disponível na tela 16 da aula 1. 13 => Os berberes eram tribos nativas que viviam espalhadas por toda a África do Norte. Segundo o cronista muçulmano Ibn Khaldun (c. 1332-1395), os berberes eram quase totalmente nômades: ...gentes que vivem em tendas e que viajam no lombo do camelo, e se instalam nas alturas das montanhas (...) No deserto, a maioria da população mantém suas genealogias, porque, de todos os laços que servem para vincular um povo, o de sangue é o mais próximo e de maior força (...) Os povos que experimentam a influência desse sentimento preferem sempre a vida do deserto à das cidades... (IBN JALDÚN, 1997: 633). Acesso em: 15/05/2019. Sobre o trecho escrito pelo cronista islâmico, é CORRETO afirmar que: Certo => é uma fonte descritiva sem o uso de uma metodologia para explicar o povo citado. Explicação: As fontes sobre a África de origem árabe não tinham como característica alguma metodologia de história, mas eram relatos ouvidos por terceiros, descrições de viajantes; não havia um papel de confronto com a realidade local, o que não invalida a sua importância para a reconstituição de organizações e práticas sociais, mas elas, sozinhas, não podem responder por esse passado. 14 => O filme "Tarzan", baseado no livro de mesmo nome escrito por Edgar Rice Burroughs, em 1912, contribui para a construção e difusão de uma imagem sobre o continente africano. Qual? Certo => A África Selvagem 15 => A África possui uma característica natural que faz com que ela seja chamada "continente espelho". essa característica é: Certo => A relação entre as diferentes vegetações com os diferentes climas, que cortam o continente de forma horizontal, ordenados a partir da linha do Equador. 16 => Por que sabemos tão pouco sobre a história da África? Segundo o antropólogo Kabengele Munanga, as razões são: Certo => Preconceitos, ignorância e uma questão ideológica ligada ao interesse colonizador. 17 => ¿Eu tinha 19 anos. Minha colega de quarto americana ficou chocada comigo. Ela perguntou onde eu tinha aprendido a falar inglês tão bem e ficou confusa quando eu disse que, por acaso, a Nigéria tinha o inglês como sua língua oficial¿. ADICHIE, C. Os Perigos de uma História Única. A reação mencionada no texto esconde uma característica presente no imaginário do senso comum sobre a África. Sobre isto, assinale a alternativa correta. Certo => O texto representa, de forma anedótica, o senso comum estereotipado acerca do continente africano. 18 => Sobre as línguas africanas, assinale a alternativa incorreta: Certo => O setentrional compreende as duas línguas cuxíticas com o maior número de falantes: o somali e o gala. Esse subgrupo, por sua vez, ainda se subdivide em quatro grupos, que totalizam vinte idiomas. Explicação: O setentrional apresenta uma só língua, o beja. O subgrupo central engloba as línguas conhecidas como agaw, que era utilizada na Antiguidade pelos falasha, judeus etíopes. 19 => A região que fica compreendida entre o deserto árido e a savana sudanesa e entre o Oceano Atlântico a oeste e o mar Vermelho a leste, por onde houve grandes transações comerciais entre o norte e o sul da África chama-se Certo => região do Sahel Explicação: A região do Sahel é um cinturão da África de até mil quilômetros (620 milhas) de largura, e se estende por 5 400 km desde o Oceano Atlântico até o mar Vermelho. Constitui uma zona de transição entre a aridez do Saara e a fértil da savana sudanesa (floresta do Congo). 20 => Leia o fragmento abaixo: A colonização tem difundido a civilização em países de uma evolução atrasada, tem subtraído muitas regiões à violência e à anarquia [...]; tem aumentado o bem-estar individual com novos produtos, que se tomaram de consumo corrente, dando lugar à criação de novas indústrias e a um grande desenvolvimento. Mello e Castro, José de Sousa H. (1919), Administração colonial. Coimbra: Minerva Central. A partir desse fragmento podemos relacionar a visão eurocêntrica sobre a África com Certo => a proposta de civilização de uma região atrasada, vista como se fosse uma única unidade e que o desenvolvimento do capitalismo poderia resolver o atraso africano. Explicação:O texto tem um olhar eurocêntrico, analisa a África como um todo homgêneo, sem respeitar as diversidades. Além disso, há uma associação entre civilização e comércio ou desenvolvimento do capitalismo. 21 => A partir da interpretação do mapa abaixo, pode-se afirmar que Certo => O mapa mostra que as antigas etnias não tiveram a conservação das etnias pelas fronteiras do atual mapa africano. Explicação: A questão aborda a perspectiva das mudanças das fronteiras africanas dos antigos reinos pela ação da presença europeia, especialmente a partir do século XIX. Nessa questão é importante perceber que as fronteiras atuais são de caráter artificial e sem respeito às etnias de séculos atrás e suas descendências. Também é importante para o historiador saber ler uma produção cartográfica (mapas), como exemplo, identificar que o Congo não era o maior reino dentre os elencados. 22 => O diálogo da História com outras disciplinas, especialmente ao longo do século XX, foi fundamental para ampliar o conhecimento sobre a história e a cultura do continente africano. Sobre esse aspecto, podemos considerar: I. As relações entre a História e a Antropologia são de grande valia para a interpretação das diferentes culturas africanas; II. O uso dos métodos arqueológicos é importante para análise da cultura material das diferentes sociedades; III. O diálogo da História com a Sociologia se mostra eficaz na identificação dos grupos sociais que se encontram num nível de desenvolvimento mais avançado e aqueles que ainda estão em estágio mais primitivo. Certo => Apenas as afirmativas I e II estão corretas 23 => Em relação ao momento em que homens e mulheres se colocaram como seres históricos no mundo, é correto afirmar: Certo => entre 4 e 6 milhões de anos atrás, surgiram na África os primeiros antepassados do ser humano com os quais teve início a história da humanidade 24 => Ao longo do século XX, a História Ocidental passou por diversas mudanças, sendo a principal delas o alargamento das fontes documentais, ou seja, das ferramentas do historiador. Ainda que a escrita seja a principal forma de acessar o passado, os historiadores do século XX ampliaram seu diálogo com outras disciplinas, EXCETO Certo => Filosofia 25 => A imagem difundida da África é a de uma região homogênea, de florestas densas, habitada por animais selvagens e tribos formadas por homens e mulheres negros que viviam muito distantes do denominado ¿mundo civilizado¿. Uma das maneiras de começarmos a desconstruir essa imagem é conhecendo a geografia do continente, sua diversidade climática e vegetativa. Assim, entre, os tipos de vegetação que NÃO se encontra na África são possíveis destacar: Certo => Tundra 2° Aula 1 => Napata foi uma cidade, na margem oeste do rio Nilo, cerca de 400 km ao norte de Cartum, capital do atual Sudão. Sobre a civilização Núbia, marque a resposta INCORRETA: Certo => Os núbios nunca se relacionaram com a civilização egípcia, preferindo negociar com os hebreus e assírios. 2 => O Reino da Núbia era uma região que compreendia parte de territórios dos atuais Sudão, Sudão do Sul, Etiópia e Egito e que teria sido ocupada por volta de 7000 AEC. Seu povo se estendia das margens do Nilo até o lago de Chade, na savana africana. Em tempos de paz, havia uma troca de mercadorias com o Egito. Enquanto esse fornecia cobre e pedras lapidadas, os sudaneses davam penas de aves, peles de animais, ovos, ouro, marfim, sendo que algumas dessas mercadorias vinham da África Subsaariana. A partir dessas informações e dos seus estudos, escolha a opção CORRETA sobre o Reino da Núbia. Certo => Através do comércio transaariano, o Reino da Núbia trazia informações sobre os povos da África subsaariana, com quem tinham relações comerciais. Explicação: Um ponto que a Núbia foi importante para a história e para a geografia: graças às trocas comerciais e aos relatos dos núbios, viajantes, militares e comerciantes de origens diversas como persas, gregos e romanos souberam que existiam vários povos para além do Saara. A Núbia colocou a África Subsaariana ¿no mapa¿, ao menos, no mapa imaginário de povos não-africanos. 3 => Sobre o papel dos escribas no Egito Antigo, é possível afirmar: Certo => Graças ao seu trabalho, hoje conhecemos um pouco da História do Egito. 4 => A principal atividade econômica do reino Kush era: Certo => Criação de animais 5 => O reino de Kush ou Cuxe foi um reino estabelecido em um trecho do Rio Nilo aonde hoje se situa o Sudão. O reino cuxita conseguiu sua proeminência a partir de uma determinada conjuntura ocorrida com seu vizinho, o Egito. Escolha a opção que sintetize a origem da ascensão do reino de Cuxe. Certo => Os assírios invadiram o Egito e tiraram o faraó do trono, o que fez o clero egípcio pedir auxílio para o rei de Cuxe que expulsou os invasores e foi aclamado como Faraó, dando início à dinastia dos faraós negros. Explicação: Quando os assírios, povo da Mesopotâmia que tinha como característica a grande habilidade militar invadiram o Egito, tiraram o faraó do trono. Os sacerdotes egípcios pediram auxílio para o rei Piye, de Cuxe, por conta das afinidades culturais e econômicas dos dois povos. O rei Piye acabou por ser aclamado como Faraó, o que dá início à dinastia conhecida como a dos faraós negros. 6 => "O Egito é uma dádiva do Nilo". Durantes séculos essa frase do grego Heródoto serviu como síntese para explicar a grandeza e opulência do primeiro grande império centralizado no mundo. Porém, na segunda metade do século passado os egiptólogos discordavam da relação de causa e efeito provocada pela frase. Isso deve-se Certo => ao fato do etnocentrismo de Heródoto não dar crédito que o povo egípcio conseguiu dominar o Nilo, suas enchentes, suas estiagens, com obras que requeriam grande planejamento e que fizeram do Egito um império que fosse mais vistoso que o mundo helênico. Explicação: A construção da frase de Heródoto acaba por dar ao Nilo um protagonismo para a constituição da grande civilização que foi o Egito Antigo. Porém, o Nilo não era só uma dádiva, um presente. Ele ao encher destruía habitações, pastos, moradia e matava pessoas. Os egípcios de forma paciente e com o uso de mecanismos racionais de observação e experimentação o domaram como se domaria um animal selvagem. Esse domínio proporcionou uma otimização do Nilo para as demandas egípcias, como armazenamento de água, fonte para a agricultura e uso de transportes. 7 => O Reino de Kush foi um dos mais promissores da África Antiga, tendo dominado o Egito em períodos importantes além de ser uma saída estratégica para o Oceano índico, ainda que com grandes disputas. Estamos nos referindo aos: Certo => Núbios 8 => A respeito da organização econômica e social do Egito Antigo foi estabelecido de forma convencional o uso do conceito de modo de produção asiático, que, a despeito do Egito ser africano, foi considerado para a análise dessa sociedade. A respeito desse modo de produção, pode-se afirmar que Certo => as terras eram do Estado e a base da mão de obra era servil, formada por camponeses. Explicação: As terras do Egito eram do Estado, não havia a noção de propriedade privada. As grandes obras públicas usavam como mão de obra os camponeses, que por servidão coletiva, trabalhavam para o Estado na época das cheias do Nilo em troca do uso das terras estatais. 9 => QUAL FATOR GEOGRÁFICO POSSIBILITOU O DESENVOLVIMENTO DA CIVILIZAÇÃO EGÍPCIA NA ANTIGUIDADE? Certo => A EXISTÊNCIA DO RIO NILO QUE POSSIBILITOU A PRÁTICA DA AGRICULTURA EM SUAS MARGENS, A PESCA E O USO DE SUAS ÁGUAS PARA DIVERSAS FINALIDADES. 10 => Sobre a sociedade egípcia antiga, é possível afirmar: I. O soberano do Egito era o faraó, uma espécie de Deus na terra. II. Os nobres cuidavam de assuntos administrativos, tributários e religiosos menores. III. Os soldados eram figuras importantes na história do Egito graças à interferência nos assuntos políticos e religiosos. IV. A principal força do Egito eram seus trabalhadores, escribas, artesãos, comerciantes e agricultores. Certo => As afirmativas I e IV estão corretas.3° Aula 1 => A dificuldade do entendimento da expansão banta está relacionada em primeiro lugar aos motivos que geraram seus movimentos. Entre as principais linhas são: Certo => É complexo definir o grupo formador e sua origem, no entanto, eram grupos de caçadores e coletores que conseguem uma expansão graças aos desenvolvimentos tecnológicos do grupo. 2 => A religiosidade era uma das características definidoras das sociedades da África Subsaariana. Com relação as práticas religiosas das sociedades subsaarianas são correto afirmar que: Certo => Embora cada comunidade acreditasse em um deus ou em deuses próprios, as formas por meio das quais os membros desses grupos entravam em contato com o divino era muito semelhante. 3 => Sobre a África subsaariana, antes do século XV, podemos afirmar: I. Era composta de sociedades sem escrita e, portanto, sem história; II. Era composta de diversas sociedades com organizações diferentes, indo desde aldeias de agricultores e criadores até verdadeiros impérios bem estruturados; III. A escravidão só passou a existir a partir da expansão marítima europeia do século XV; IV. Houve um processo de islamização de vários reinos do Sudão, a partir do século VII, embora a maioria de suas populações permanecesse com suas religiões tradicionais. São corretas as opções: Certo => II e IV 4 => Podemos afirmar a respeito da Expansão Bantu que: I Ocorreu graças ao aumento populacional e ao desmatamento decorrentes da pesca farta e do cultivo de gêneros alimentícios. II Consistiu em dois grandes processos migratórios em busca de novas terras na região centro-sul do continente africano. III Foi um movimento migratório provocado por conflitos étnicos na região localizada ao norte do continente africano. IV Ocorreu em função da epidemia de doenças tropicais que assolou o território centro-oeste da África. Certo => As afirmativas I e II estão corretas 5 => Uma das principais instituições das chamadas sociedades tradicionais africanas era a família, pois era ela que primeiro definia o pertencimento dos indivíduos no grupo. Acerca da noção de família na África Subsaariana, é correto afirmar que: Certo => As famílias africanas eram extensas, formadas não só pela mãe, pai e seus filhos, mas também pelos avós, tios, sobrinhos, netos e primos que tinham um ancestral em comum. 6 => Alberto da Costa e Silva ao discutir a expansão dos bantos, sinaliza que um dos grandes motivos de sua vitória foi o desenvolvimento tecnológico. As duas leituras principais neste sentido falam na: Certo => força da organização das armas alcançado pelos bantos e as ferramentas destes grupos que permitiu o desenvolvimento agrícola. 7 => "A fala é considerada como a materialização ou exteriorização das vibrações das forças... Lá onde não existe a escrita ..., o homem está ligado à palavra que profere. Está comprometido por ela. Ele é a palavra, e a palavra encerra um testamento daquilo que ele é. A própria coesão da sociedade repousa no valor e no respeito pela palavra." (In: Hampaté Ba, A. História Geral da África, vol. I, capítulo 8) Em sociedades tradicionais africanas: Certo => O conhecimento é a própria palavra, é ela que transmite os conhecimentos de uma geração para outra. 8 => Sabemos que o mercado enquanto instituição ou fenômeno social enseja sempre a informalidade, a ilegalidade ou a irregularidade. Embora seja o espaço por excelência das disputas e suas resoluções, isso não significa que ele proporcione sempre a justiça. Tendo em vista essa afirmação, assinale a alternativa incorreta: Certo => A escravidão na África significa uma instituição total e coesa, mas subdividida, especialmente, no que se refere aos motivos e às origens de cada tipo de escravidão. Explicação: Não é coerente afirmar que a escravidão na África significa uma instituição total e coesa, mas subdividida, especialmente, no que se refere aos motivos e às origens de cada tipo de escravidão. Geralmente, em sociedades cuja base econômica é a subsistência - e a África Pré-Colonial se encaixa nesse perfil - temos aspectos de relação social e status fundamentados no parentesco, situação na qual o escravo torna-se mais do que um estranho, alocado em um meio doméstico no qual não se desenvolveu socialmente nem economicamente 4° Aula 1 => Defina o papel dos Almorávidas no processo de islamização do continente africano. Certo => Levar a palavra de Alá para regiões distantes com o apoio das armas. 2 => Sobre a islamização no continente africano, é possível afirmar: I. Com os grandes reinos e cidades, as relações dos muçulmanos se iniciaram por meio do contato direto com os chefes do poder. II. o comércio foi a porta de entrada do islamismo nas cidades de Ifé e Benin. III. A realeza do Império Mali se converteu ao islamismo e sob o governo de Mansa Musa inúmeras mesquitas e escolas muçulmanas foram construídas em todo o império. Certo => As afirmativas II e III estão corretas. 3 => Graças à grande quantidade de ouro, Gana, também conhecido como o "país do ouro" chegou ao conhecimento dos europeus graças aos relatos feitos pelos muçulmanos árabes. Sobre a estrutura política do reino de Gana é correto afirmar que: Certo => O rei era a figura central, auxiliado por uma nobreza que o entendia como um ser divinizado. 4 => A organização islâmica na África foi: Certo => cheia de idas e vindas, uma vez que as expedições não foram contínuas e os bérberes reagiam constantemente 5 => "As primeiras informações a respeito do reino de Gana foram encontradas na obra do escritor árabe Al-Fazari, no século VIII. Esse autor relata que, no Marrocos, Gana já era conhecida como a terra do ouro desde o século VIII, por conta da existência de reservas desse metal e do comércio estabelecido com o Norte da África, que trocava, entre outros produtos, o ouro por sal." MATTOS, Regiane Augusto de. História e cultura afro-brasileira. São Paulo: Contexto, 2008. Com relação ao reino de Gana (séc VIII-XIII), assinale a alternativa INCORRETA: Certo => O reino de Gana conseguiu desenvolver grande independência econômica com relação aos outros territórios africanos, dada a sua enorme produção de ouro, possibilitando, inclusive, a diminuição de importações de produtos de outras regiões. Explicação: O reino de Gana, mesmo com seu desenvolvimento econômico, era dependente da importação de escravos e de produtos manufaturados produzidos em outras regiões da África. 6 => Entre os motivos da decadência de Gana no século XI podemos destacar: Certo => A chegada dos almorávidas e a mudança estrutural econômica com maior parte das zonas agrícolas transformada em pasto. 7 => A expansão Almorávida foi marcada pela: Certo => Pela intensidade do discurso religioso. 8 => Quando tratamos de rota saariana precisamos entender que é: Certo => é necessário entender que é conjugação das práticas sociais africanas, seu comércio e trocas, com as trocas de mercadores nômades e a inserção dos centros islâmicos. 9 => Audaghost A conquista da cidade de Audaghost representa o máximo esplendor do Reino de Gana. Observe a descrição dessa importante cidade africana, situada num oásis e importante entroncamento de rotas comerciais pelo Deserto do Saara: "O rei de Audaghost é o soberano dos berberes do Saara Ocidental e de vinte e três reis negros que lhe pagam tributo; seu império se estende sobre o equivalente a dois meses de viagem de norte a sul e de leste a oeste. Conta com um exército de cem mil guerreiros montados sobre camelos de raça. Possui muita importância como centro islâmico, pois é dotada de uma mesquita-catedral e de numerosas mesquitas menores. O bem estar desta povoação, a formigar de transações, rodeada de hortas, em que abundam os pepinos, as palmeiras e também uma grande quantidade de figueiras, estabelece uma cortina de proteção contra o calor do deserto A criação de carneiros e de bois é aí particularmente próspera. Por um simples mitkal (ouro em pó) podem-se comprar pelo menos dez carneiros. Encontra se muito mel que vem do país dos negros. As gentes vivem desafogadamente e possuem muitosbens. O seu mercado é sempre muito animado. A multidão é tão densa, o calor tão forte, que mal se ouve o que o vizinho diz. As compras são pagas em ouro em pó, pois não existe moeda de prata. Encontram-se belas construções e casas muito elegantes. A população é na maioria berbere. A comida preparada pelas mulheres é deliciosa, e as moças da terra têm uma beleza proverbial. " O reino africano de Gana era conhecido na língua soninque, povo dominante do país, como Uagadu, que significa "O País dos Rebanhos." Marque a alternativa abaixo, retirada do texto acima, que justifica o nome Uagadu: Certo => A criação de carneiros e de bois é aí particularmente próspera. Por um simples mitkal (ouro em pó) podem-se comprar pelo menos dez carneiros. 10 => A Rota Saariana pode ser definida como: Certo => um trajeto comercial que integrava norte e sul africano a Europa e Ásia 11 => "As caravanas do Sudão ou do Níger trazem regularmente a Marrocos, a Túnis, sobretudo aos Montes da Barca ou ao Cairo, milhares de escravos negros arrancados aos países da África tropical; os mercadores negros organizam terríveis razias, que despovoaram regiões inteiras do interior. Este tráfico muçulmano dos negros de África, prosseguindo durante séculos e, em certos casos até os mais recentes, desempenhou sem dúvida um papel primordial no despovoamento antigo da África." (In: HEERS, Jacques. O trabalho na Idade Média.) O texto descreve um episódio da história do Islã na Idade Média, quando: Certo => atuaram no tráfico de escravos negros, dominaram a África do norte, atravessaram de Gibraltar e invadiram a península Ibérica; 12 => Um dos elementos religiosos que acabam por reforçar as rotas africanas de comércio foi: Certo => a peregrinação a Meca, que criou entrepostos e trocas culturais 13 => As principais riquezas do reino africano de Gana são: Certo => O ouro, o sal e o controle do comércio transaariano (do Deserto do Saara). 5° Aula 1 => A dignidade de Mansa Musa impressionou muito. Embora falasse bem o árabe, só comunicava por intermédio de um intérprete. Mas esta dignidade foi posta a dura prova quando lhe pediram que se prostrasse perante o sultão do Cairo. Recusou energicamente: "Como poderia fazer uma coisa dessas?", exclamou. KI-ZERBO, A História da África Negra, p. 171. Sobre a religiosidade do Império do Mali à época de Mansa Musa é correto afirmar que: Certo => Parte da nobreza converteu-se ao islamismo, mas, a maior parte da população manteve suas práticas tradicionais. 2 => Sobre o Império Songhai, é correto afirmar: Certo => O comércio e a vida na cidade foram uma das principais características do Império Songhai. 3 => "A coisa mais importante é a família. Após a família é a linhagem ou grande família. Após a linhagem é o clã ou grande conjunto de linhagens. E só depois vem o Estado, seja a cidade-estado, seja o Império, seja o Reino. [...] curiosamente, elas também tinham um deus. E o deus encarnava no chefe." [Alberto da Costa e Silva] Alberto da Costa e Silva oferece uma explicação sem a qual não é possível compreender a história do continente africano. Na passagem acima se refere especificamente a: Certo => Organização social e política, extremamente hierárquica, dos diferentes povos africanos, antes da colonização europeia, na qual o chefe político também exercia o poder religioso, como o Império Monomopata. 4 => Os iorubás, também conhecidos como yoruba, são um dos maiores grupo étno-linguísticos da África Ocidental, composto por 30 milhões de pessoas em toda a região. Qual é a resposta INCORRETA? Certo => Constituem o menor grupo étnico na Nigéria, com aproximadamente 21% da sua população total. 5 => O Império Mali foi um estado da África Ocidental, perto do rio Níger, que dominou esta região nos séculos XIII e XIV. Sobre tal reino, qual é a alternativa INCORRETA: Certo => dominou a região do Maghreb, até serem derrotados pelos cruzados em 756, por Pepino, o Breve 6 => O imperador do Mali, Mansa Musa, ficou mundialmente conhecido no século XIV, pois: Certo => Foi o imperador do Mali que fez a peregrinação à Meca de forma faustosa, levando consigo milhares de escravos e toneladas de ouro. 7 => "O chefe gozava do monopólio das pepitas de ouro. O quadro principal da vida era, com efeito, a grande família que dispunha de um campo comunitário não longe das ladeias, anunciadas a distância por imensos embandeiras plantados no dia da fundação." KI-ZERBO. História da África Negra, pp. 165-166. Sobre a estrutura econômica do Império do Mali é correto afirmar que: Certo => A estrutura econômica estava pautada na produção agrícola familiar, ainda que a extração de ouro tivesse importância. 6° Aula 01 - De acordo com o mito de origem, a cidade-estado de Ifé era sagrada para os povos iorubás porque: Certo Aquela localização havia sido escolhida por Ododua para o início do mundo. 02 - Sobre a organização social e econômica do Benin é possível afirmar: Certo Abaixo do Obá havia uma nobreza responsável pelo controle das finanças. 03 - "Tida como o centro espiritual dos iorubás, Ifé talvez tenha, durante muito tempo, recebido tributo e homenagem de vários outros estados cujas dinastias reclamavam a descendência de Odudua e mantinham possivelmente certa forma de vassalagem em relação ao 'Oni'". COSTA E SILVA, Alberto da. "A enxada e a lança". p. 482 Oni de Ifé era um representante de Odudua junto às cidades-estado dele descentendes. Além de seu poder religioso, assumia a responsabilidade de: I - escolher todos os líderes das cidades-estado tidas como "descendentes de Odudua". II - Receber tributos religiosos das cidades-estado. III - Controlar a agricultura e o comércio de Ifé. Certo Apenas as afirmativas II, e III estão corretas 04 - O Reino de Benin teve como sua principal fonte econômica no século XV Certo o tráfico de escravos que provinham do comércio transaariano. Explicação: A chegada dos europeus ao litoral africano gerou uma mudança das atividades econômicas de Benin. Portugal foi um dos maiores compradores dos escravos vendidos em Benin, que, por sua vez, importava escravos de outras regiões da África, sobretudo do Norte, que era controlado por muçulmanos, para revendê-los aos europeus. 05 - O reino de Benin, através de seu líder, o Obá, pediu para Portugal no século XVI um grupo de missionários para que o reino pudesse ser catequizado no modelo religioso cristão. A explicação para o pedido do embaixador de Benin em Portugal deve-se Certo ao fato de a Igreja Católica pressionar os Estados europeus a permitir a venda de armas de fogo para povos africanos após a conversão desses ao catolicismo. Explicação: O obá ¿ talvez Ozolua ¿ mandou, em 1514, uma missão de embaixadores a Portugal. Aconselhado possivelmente pelo pequeno grupo de portugueses que viviam no Benim, instruiu os enviados a que pedissem missionários, e não apenas armas, pois estas não podiam, por decreto papal, ser fornecidas a pagãos e infiéis. 06 - Leia o texto a seguir: Pelo Benim passavam o peixe seco e o sal, da costa para as savanas. Do interior para o litoral, baixavam o inhame, o dendê, os feijões, os animais de corte. E de leste para oeste, e do Oeste para leste, pelas trilhas na mata e pela série de lagoas, furos e canais costeiros, que se estende do rio Volta ao Imo, iam e vinham não só esses produtos, mas também as contas, os tecidos e o cobre. SILVA, Alberto da Coste e. A manilha e o libambo. Nova Fronteira: Rio de Janeiro, 2014. A partir do trecho, pode-se inferir que a economia do Reino de Benim Certo era um grande entreposto comercial, de onde extraía sua riqueza. Explicação: O Benim era um grande empório de todos os artigos mencionados no trecho. O Benim comprava e vendia o que os outros produziam. 07 - O povo Iorubá, de grande influência na formação da sociedade brasileira, por conta da presença de escravos dessa origem, tinha uma autoestima elevada, uma visão muito positiva sobre a sua comunidade. Isso é nítido quando você descobre que ¿iorubá¿ significa ¿umbigo do mundo¿, ou seja, o centro da criação do Universo. A sua mitologiade origem está conectada com a seguinte mitologia: Certo A centralidade que o povo iorubá se deu é em virtude da cosmovisão da criação do mundo, onde o semideus Ododua plantou uma palmeira no centro do mundo cujo tronco gerou galhos que seriam os reinos iorubás. Explicação: O povo Iorubá, de grande influência na formação da sociedade brasileira, por conta da presença de escravos dessa origem, tinha uma autoestima elevada, uma visão muito positiva sobre a sua comunidade. Isso é nítido quando você descobre que ¿iorubá¿ significa ¿umbigo do mundo¿, ou seja, o centro da criação do Universo. Seu mito de origem tem um deus supremo, Olodumaré, que enviou um semideus, Odudua, com um saco cheio de terra, uma palmeira de dendê e uma galinha (algo típico da natureza que viviam). Olodumaré ao colocar a palmeira de dendê se esqueceu de tomar conta da galinha que acabou por ciscar a terra por todos os lados. As terras espalhadas geraram a formação do mundo. A palmeira teve 16 troncos, que seriam os reinos iorubás. O local aonde Olodumaré plantou a palmeira foi Ifé. 8 - No início do século XVI, o Obá de Benin determinou a troca de mulheres por mercadorias como armas, cavalos e munição e com uma grande limitação de entrega de homens dos territórios por ele conquistados. Isso se devia Certo ao receio da perda de mão de obra masculina resultar em um exército mais enfraquecido, o que diminuiria o controle sobre pessoas e terras e haveria problemas na agricultura com a perda da mão de obra masculina, na concepção do Obá. Explicação: Segundo o africanista e diplomata Alberto da Costa e Silva, o Obá em 1516, separou a oferta de homens da de mulheres. Podia abrir um e fechar o outro. Em geral, tornou-se mais difícil para os portugueses obter permissão para adquirir escravos do que para comprar escravas. E, embora os europeus preferissem aqueles a estas, viram-se frequentemente obrigados, por terem prazos para carregar os navios, a enchê-los de mulheres em vez de homens. Ou a adquirir alguns rapazes por preços exorbitantes. Com isso, o obá procurava conter o derrame de mão de obra masculina para fora do Benim, possivelmente convicto de que lhe poderia dar melhor emprego nas suas plantações e nos seus exércitos. Não mais lhe parecia um bom negócio o desfazer-se de soldados em potencial. Página | 2