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Resumos Psicodiagnóstico

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UNIP - UNIVERSIDADE PAULISTA
CURSO DE PSICOLOGIA
PSICODIAGNÓSTICO
DOCENTE: 
ALUNO: ISADORA GUIDUGLI FERNANDES RA: D36301-8
Campinas 
2020
1. YEHIA, G.Y.. Psicodiagnóstico fenomenológico-existencial: focalizando os aspectos saudáveis.. In: ANCONA-LOPES, S.. Psicodiagnóstico interventivo: evolução de uma prática. São Paulo: Cortez, 2013
Resumo:
 O capítulo começa trazendo diversos saberes e definições do que seriam os termos de saúde e doença. Não podemos, por definição, dizer que a ausência de saúde é a doença, é papel do profissional de Psicologia ter um olhar mais sintetizado deste conceito. Porém, a partir dessa compreensão de saúde, fica entendido que a atuação do Psicólogo se baseia na busca do bem-estar dos indivíduos, ou seja, ter a sensibilidade para uma prática onde faz o acolhimento de seu sofrimento psíquico.
No modelo clínico, é importante uma postura e compreensão ética que não persiste na existência de só um saber ou uma verdade a ser transmitida, mas sim uma compreensão e construção de todos os significados. 
 Os encaminhamentos para as instituições que oferecem o serviço de psicodiagnóstico gratuito geralmente são realizados por escolas, assistentes sociais, ou médicos, que orientam os pais que buscam algum tipo de resposta ou auxílio para seus filhos que vem apresentando alguma dificuldade na prática escolar ou distúrbio de comportamento. É papel da instituição oferecer o psicodiagnóstico, porém, com uma visão abrangente da queixa que foi trazida, uma vez que está pode ocorrer a luz de diversas causas (intelectuais, emocionais, fonoaudiólogas, ambientais...).
 No modelo de psicodiagnóstico com crianças, no trabalho com os pais, os encontros serão utilizados para compreender a queixa, a história de vida da criança, a compreensão que os pais têm de sua situação e sua relação com a criança. É importante trabalhar com pais, o sentido do processo de psicodiagnóstico, buscar compreender o motivo de terem ido até a consulta, e a necessidade do atendimento psicológico. É necessário buscar entender as expectativas que eles possuem do processo e oferecer esclarecimentos sobre a proposta de trabalho, uma vez que o objetivo é compreender o que de fato está ocorrendo com seu filho no contexto social, familiar e pessoal. 
 Antes do encontro com a criança, é necessário orientar os pais a estarem se comunicando com o filho sobre a consulta com o psicólogo e o motivo de o estarem fazendo, para que dessa forma, a criança possa iniciar sua própria perspectiva do que está acontecendo e possa construir sua compreensão da situação em que se encontra.
 O primeiro encontro com a criança é feito através de uma observação lúdica ou de uma entrevista junto de realização de desenhos, o que depende de uma série de ocasiões, e a partir de então, começa a intercalar os encontros com os pais e com a criança. É sempre importante discutir e comunicar aos pais, se haverá ou não a utilização de instrumento (testes psicológicos), que possam auxiliar na avaliação de determinado aspecto do desenvolvimento da criança.
 Ao término do processo, é necessário que o psicólogo construa um relatório descrevendo o atendimento passo a passo. Na última sessão, o relatório é lido e apresentado aos pais, exibindo informações sobre a síntese realizada pelo profissional e por eles mesmos, havendo a possibilidade de sugerirem alterações ou modificações no documento perante os pais. 
 No modelo de psicodiagnóstico interventivo, é importante uma reavaliação do papel do profissional de psicologia e dos responsáveis, uma vez que o clientes saem do papel que antes era passivo, para um papel ativo, atuando juntos na troca de informações na construção e na compreensão da demanda apresentada, o que torna esse processo numa relação de trabalho em conjunto, sem as quais, não se pode executar o trabalho. 
Através dessa compreensão mútua, o psicólogo também faz intervenções junto aos pais, além disso, também pode sugerir alternativas de ações e dar sugestões sobre o que poderia promover um melhor resultado daquela dinâmica familiar, buscando promover novas possibilidades de compreensão para eles, que podem ou não concordar.
 Além do testes psicológicos, que podem variar de acordo com a demanda do que o profissional quer avaliar, também existem outros recursos utilizados, como a visita domiciliar e escolar. Na visita domiciliar, sempre com a permissão dos pais, é realizada uma observação, onde busca a vestígios das falas dos pais e do que foi apresentado pela criança durante as sessões. Na visita escolar, é realizada uma entrevista com a professora e posteriormente, uma observação da criança na sala de aula e no intervalo com os colegas de escola e docentes. Dessa forma, é possível estruturar a compreensão da criança em seu ambiente escolar e com isso, desenvolver orientações para a professora sobre atitudes que possam ser adotadas. 
2. DONATELLI, M.F.. Psicodiagnóstico Interventivo Fenomenológico Existencial. In: ANCONA-LOPES, S.. Psicodiagnóstico interventivo: evolução de uma prática. São Paulo: Cortez, 2013.
Resumo: 
 A atuação no psicodiagnóstico acontece durante muito tempo, como um levantamento de dados do paciente, e que cabe ao psicólogo realizar a análise desses dados para posteriormente, dar algum tipo de encaminhamento. Nesses casos, era evitado ter qualquer tipo de vínculo ou intervenção, sendo que esse processo se daria posteriormente com o encaminhamento ao profissional específico conforme a queixa apresentada. 
 O processo de psicodiagnóstico interventivo atual rompe, porém, com o modelo anterior, onde não é realizado apenas uma investigação, mas também, um processo de intervenção, onde as questões trazidas pelos clientes são investigadas e trabalhadas para que dessa forma possam construir juntos uma compreensão da situação. Essas intervenções durante o psicodiagnóstico interventivo, são as devolutivas que são entregues periodicamente aos pais, para que dessa forma, com as observações, pontuações, análises e clarificações do psicólogo, o cliente possa buscar construir novos significados.
 A prática do psicodiagnóstico dessa forma, é colaborativa, pois não apenas o psicólogo, mas também a criança e os pais são participantes ativos desse processo. É também uma prática compartilhada, pois o psicólogo divide suas impressões, e permite que o cliente a legitime ou a descarte.
 Além disso, o psicodiagnóstico é uma prática de compreensão da vivências, o que significa que através desse processo, o psicólogo buscará realizar uma escuta dos conflitos, da subjetividade, coletando informações não exclusivamente a teoria que o respalda, mas também nas experiências vividas e contadas pelo paciente. 
 Na entrevista inicial, estarão somente os pais, é iniciada com as apresentações e depois os deixamos falar sobre o motivo (queixa) de terem procurado o atendimento, depois de sua apresentação, informamos sobre o método de trabalho e sobre o procedimentos e visitas que podem ser feitas durante o processo de psicodiagnóstico. É agendado um dia, horário, assim como a orientação de manter o sigilo e ressalta a importância da participação e colaboração de ambos no decorrer dos encontros. 
 Na segunda sessão ocorre a entrevista de anamnese. Essa entrevista pode ser feita no momento da sessão, assim como a entregar de um questionário ao final do primeiro encontro. Na sessão seguinte, retomamos as perguntas uma a uma para repassar as informações e aprofundar em questões que consideramos importantes que tem um peso abrangente e se destacam. É um momento que procuramos conhecer toda a história da criança, desde o momento em que foi concebida, a descoberta da gravidez, o decorrer e o acompanhamento da gestação, a maneira em que foi realizado o parto, o contato inicial entre mãe e filho, os primeiros meses de vida e os processos de adaptação, conhecer como ocorreu o desenvolvimento da criança, se houve alguma dificuldade, até chegarmos ao momento da queixa. 
 No primeiro encontrocom a criança, pergunta-se se ela sabe o motivo de estar ali, e como ela entende das atividades de um profissional da psicologia, depois, dialoga sobre os dias em que serão feitos os encontros e fala sobre a questão do sigilo, frisando de que o que for falado naquele momento não será repetido para os pais ou para outras pessoas. Após os esclarecimentos, começamos a observação lúdica, onde é entregue a Caixa Lúdica para a criança e a observamos sua interação com a mesma, atentos as representações, ao seu mundo de fantasias, movimentos voluntários e involuntários, criatividade, se ocorre traços de agressividade, e sua realidade. Durante a sessão também são feitas perguntas, que podem ou não serem respondidas. 
 Nas sessões devolutivas com os pais, é falado sobre o que foi observado na criança durante os encontros e como se caracteriza com a queixa que foi apresentada. Ao mesmo tempo, são feitas sugestões e orientações que podem ajudar no desenvolvimento da criança, e junto com os pais, se constrói uma compreensão sobre tudo que está acontecendo. 
 Ao término do processo, é feito um relatório final, que será apresentado aos pais, para que tomem nota da conclusão do psicólogo à demanda que foi trazida e o que foi observado pelo profissional. Com a criança, de maneira lúdica, é criado um livro com gravuras de animais que a criança tenha demonstrado uma maior afetividade, e construímos o enredo do livro na história de vida dela, onde falamos sobre seus conflitos e sobre o processo de psicodiagnóstico. O objetivo é fazer com que a criança consiga se identificar com a história trazida. 
6. Resolução do Exercício profissional nº 6 de março de 2019
Resumo:
INTRODUÇÃO
Considerando que o psicólogo, em seu exercício profissional, seja solicitado a produzir informações documentais com diversos objetivos, necessita da criação de normativas a fim de dar subsídio ao psicólogo, para a produção qualificada de documentos escritos;
Considerando que a Psicologia no Brasil, tem se deparado nos últimos anos, com demandas sociais que exigem uma atuação transformadora e significativa do psicólogo, com papel mais ativo, na promoção e respeito dos direitos humanos, ponderando as implicações sociais, sobre a finalidade do uso dos documentos escritos e produzidos pelos psicólogos;
Considerando o objetivo de garantir a valorização da autonomia, da participação sem discriminação, de uma saúde mental sustentadora de uma vida digna as pessoas, aos grupos e as instituições, atentando-se para os diversos setores da sociedade em que o psicólogo esteja inserido, conquistando espaços que exijam a normatizações para sua ação e competência ética;
Considerando que o psicólogo pautará sua atuação profissional, no uso de diversos conhecimentos, técnicas e procedimentos, reconhecidos devidamente pela comunidade científica, configurando as formas de avaliação e intervenção sobre as pessoas, grupos e instituições;
Considerando a atuação do psicólogo com autonomia intelectual, visão interdisciplinar, potencializando a atitude de investigação e reflexão para o desenvolvimento de uma percepção crítica da realidade diante das demandas da diversidade individual, grupal e institucional, consolidando o conhecimento da Psicologia com padrões de excelência ética, técnica e científica em favor dos direitos humanos;
Considerando que psicólogo deve construir argumentos consistentes da observação de fenômenos psicológicos, empregar referenciais teóricos e técnicos pertinentes em uma visão crítica, autônoma e eficiente; atuando de acordo com os princípios dos direitos humanos; promovendo a relação ente ciência, tecnologia e sociedade; garantir atenção a saúde; respeito ao contexto ecológico, qualidade de vida e o bem-estar dos indivíduos e coletividades, considerando suas diversidades;
Considerando a complexidade da atuação profissional do psicólogo, tanto em trabalhos que envolvam a avaliação psicológica como em processos envolvendo o raciocínio psicológico, necessitando orientar o psicólogo a construir documentos decorrentes do exercício profissional em seus mais diversos campos de atuação, fornecendo subsídios éticos e técnicos necessários para a elaboração de comunicação escrita qualificada;
Considerando que um processo de avaliação psicológica tem como característica uma ação sistemática e delimitada no tempo, com finalidade de diagnóstico ou não, utilizando fontes fundamentais de informação e complementares com o propósito de uma investigação realizada a partir da coleta de dados, estudo e interpretação dos fenômenos e processos psicológicos;
Considerando a função do Sistema Conselhos de Psicologia em contribuir para a aprimorarão da qualidade técnico-científica dos métodos e procedimentos psicológicos;
Considerando a Resolução CFP nº 01/1999, que estabelece normas de atuação para os psicólogos, relacionadas as questões de Orientação Sexual; Resolução CFP nº 005/2010 dispondo sobre a obrigatoriedade do registro documental dos serviços de psicologia prestados; a Resolução CFP nº 01/2018, que estabelece normas para a atuação dos profissionais em relação as pessoas transexuais e travestis e a Resolução CFP nº 09/2018 que estabelece diretrizes para a realização de Avaliação Psicológica no exercício profissional do psicólogo, regulamenta o Sistema de Avaliação de Testes Psicológicos – SATEPSI e revoga as resoluções nº 002/2003, nº 006/2004 e nº 005/2012 e Notas Técnicas nº 01/2017 e 02/2017;
Considerando que os psicólogos são profissionais que atuam também na área da saúde, em conformidade com a caracterização da Organização Internacional do Trabalho, Organização Mundial da Saúde e Classificação Brasileira de Ocupação;
Considerando que o artigo 13, parágrafo 1º, da Lei nº 4.119, de 27 de agosto de 1962, estabelece que é função do psicólogo a elaboração de diagnóstico psicológico;
Considerando a Resolução nº 218, de 06 de março de 1997 do Conselho Nacional de saúde, que reconhece os psicólogos como profissionais de saúde de nível superior;
Considerando a decisão do plenário em sessão realizada no dia 23 de fevereiro de 2019;
RESOLVE:
Capítulo I
DISPOSIÇÔES GERAIS
Instituir as regras para a elaboração de documentos escritos produzidos pelo psicólogo em seu exercício profissional. Esta resolução tem como objetivo a orientação do psicólogo quanto a elaboração de documentos escritos produzidos em sua atuação profissional a fim de fornecer subsídios éticos e técnicos para a produção qualificada da escrita. 
Sobre as regras para a elaboração, guarda, destino e envio dos documentos por eles produzidos em seu exercício profissional:
I – Princípios fundamentais na elaboração de documentos psicológicos;
II – Modalidades de documentos;
III – Conceito, finalidade e estrutura;
IV – Guarda dos documentos e condições de guarda;
V – Destino e envio de documentos;
VI – Prazo de validade de conteúdo dos documentos;
VII – Entrevista devolutiva;
Art. 3º Qualquer comunicação por escrito no exercício profissional dos psicólogos, deverá seguir as diretrizes:
1º Casos omissos, ou dúvidas sobre matéria dessa normativa serão resolvidos pela orientação dos Conselhos Regionais de psicologia, ou no que se aplicar, pelo Conselho Federal de Psicologia.
2º O não cumprimento das normas presentes constitui falta ético-disciplinar, passível de capitulação nos referentes dispositivos referentes ao exercício profissional do Código de Ética Profissional do Psicólogo.
Capítulo II
DISPOSIÇÔES ESPECIAIS 
SESSÃO I
PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS NA ELABORAÇÃO DE DOCUMENTOS PSICOLÓGICOS
Documento Psicológico
O documento psicológico é instrumento de comunicação escrita decorrente da prestação de serviço psicológico à uma pessoa, grupo ou instituição. A confecção deste documento deve ser feita mediante a solicitação do indivíduo que está utilizando o serviço de psicologia, de seus responsáveis legais, de algum profissional específico, de equipes multidisciplinares ou das autoridades, ou decorrente a um processo de avaliação psicológica. Este documento sistematiza uma conduta profissionalna relação direta de um serviço prestado à pessoa, grupo ou instituição.
Os princípios fundamentais que o psicólogo deverá adotar na elaboração de seus documentos, são as técnicas de linguagem escrita formal, e os princípios éticos, técnicos e científicos da profissão. O Código de Ética Profissional prevê deveres fundamentais na prestação de serviços psicológicos, onde os envolvidos no processo tem direito ao recebimento de informações sobre os objetivos e resultados do serviço prestado, além do acesso aos documentos produzidos pelo profissional.
Princípios Técnicos
Os documentos psicológicos têm informações fundamentais e devem conter dados fidedignos que validam a construção do pensamento psicológico e a sua finalidade. A elaboração desses documentos deve considerar que é o resultado de uma avaliação e/ou intervenção psicológica, observando as condições históricas e sociais e seus efeitos nos fenômenos psicológicos, além disso, deve considerar a natureza dinâmica, não definitiva e não cristalizada destes fenômenos. 
Ao elaborar esses documentos, o psicólogo deverá se basear na qualidade desses serviços prestados, em condições de trabalho dignas e apropriadas à natureza desses serviços, através de conhecimentos e técnicas reconhecidas e fundamentadas na ciência psicológica, na ética e na legislação profissional. Baseado no artigo 2º da Resolução CFP nº 09/2018, o profissional de psicologia deve fundamentar suas decisões em métodos, técnicas e instrumentos psicológicos reconhecidos cientificamente, e dependendo do contexto, pode recorrer a procedimentos e recursos auxiliares (fontes complementares de informação). 
O psicólogo deverá resguardar os cuidados em relação ao sigilo profissional, conforme artigo presente no Código de Ética Profissional do Psicólogo. 
Ao elaborar qualquer documento, deverá colocar as referências teóricas em nota de rodapé, de acordo com a especificidade do documento produzido. Além disso, deverá conter todas as laudas numeradas, rubricadas da primeira até a penúltima lauda, e a assinatura do psicólogo na última página. 
Princípios da Linguagem Técnica
Ao redigir o documento psicológico, o profissional deve se expressar de maneira precisa, o texto do documento deve ser construído com frases e parágrafos, resultado de uma articulação de ideias, com sequência lógica de posicionamentos representando o nexo de seu raciocínio. A linguagem utilizada deve se basear nas normas cultas da Língua Portuguesa, na técnica da Psicologia, na objetividade da comunicação e na garantia dos direitos humanos.
Os documentos deverão ser escritos na terceira pessoa, de forma impessoal, com coerência que expresse a ordenação de suas ideias. Também não devem apresentar descrições literais dos atendimentos realizados. 
Princípios Éticos
Ao elaborar um documentos psicológico, o profissional baseará as informações na observância do Código de Ética Profissional do Psicólogo e outros dispositivos de Resoluções específicas. Deve ser observado os deveres do psicólogo no que se refere ao sigilo profissional em relação as equipes interdisciplinares, as relações com a justiça e com as políticas públicas, garantindo os direitos humanos, identificando riscos e compromissos do alcance social do documento elaborado.
É vedado ao psicólogo, o uso dos instrumentos, técnicas psicológicas e experiencia profissional sustentando o modelo institucional e ideológico de segregação dos diferentes modos de subjetivação. Sempre que for exigido, o psicólogo poderá intervir sobre a demanda e construir um projeto de trabalho que aponte para a reformulação dos condicionantes que provocam o sofrimento psíquico, a violação dos direitos humanos e a manutenção ou prática de preconceito, discriminação, violência e exploração como formas de dominação e segregação. 
O psicólogo prestará serviço responsável e de qualidade, de acordo com os princípios éticos e o compromisso social da Psicologia, de modo que a demanda seja compreendida como efeito de uma situação complexa. É dever do psicólogo elaborar e fornecer documentos sempre que solicitado ou após a finalização de uma avaliação psicológica, ficando responsável ética e disciplinarmente pelo cumprimento das disposições do artigo. 
SESSÃO II
MODALIDADES DE DOCUMENTOS
Laudo Psicológico – Conceito e Finalidade
Resultado de um processo de avaliação psicológica, o Laudo Psicológico tem como finalidade fornecer subsídio as decisões relacionadas ao contexto do surgimento da demanda. Com informações técnicas e científicas dos fenômenos psicológicos, considerando a condição histórica da pessoa, grupo ou instituição. 
Tem valor técnico-científico contendo uma narrativa detalhada e didática, precisa e harmônica, sendo acessível e compreensível a quem se destina. Deve ser elaborado em conformidade com Resolução CFP nº 01/2009, e a resolução CFP nº 09/2018. 
O raciocínio técnico-científico do profissional, bem como as conclusões e recomendações devem considerar a demanda apresentada. O Laudo deve apresentar os procedimentos e conclusões resultantes da Avaliação Psicológica. 
Nos casos de atuação em equipe multiprofissional, o Laudo ou as informações de avaliação poderão ser inseridas em um único documento, nesses casos o importante é que o psicólogo requeira informações necessárias no cumprimento dos objetos da atuação multiprofissional, considerando o sigilo profissional na elaboração de um Laudo Psicológico nessas ocasiões.
ESTRUTURA
Identificação – deve conter o título: o Laudo Psicológico – nome da pessoa, a instituição atendida: nome completo, ou nome social, e outras informações sociodemográficas, se necessário.
Nome do solicitante: especifica-se se a solicitação foi feita pelo Poder Judiciário, empresa, instituições públicas ou privadas, pelo próprio usuário do serviço ou por outros interessados. 
Finalidade: razão ou motivo do pedido.
Nome do autor: nome completo ou nome social completo do Psicólogo responsável pela elaboração do documento e inscrição do Conselho Regional de Psicologia (CRP).
DESCRIÇÃO DA DEMANDA
Esse item deve conter informações sobre o motivo da busca pelo processo do trabalho prestado, descrevendo quem forneceu as informações e as demandas. Além disso, deve conter o raciocínio teórico científico que justifique os procedimentos utilizados. 
PROCEDIMENTOS
Deve conter, neste item um raciocínio técnico-científico que justifique o processo de trabalho realizado e os recursos técnicos-científicos utilizados. O autor deverá citar as pessoas que foram ouvidas no processo de trabalho, número de encontros, e o tempo de duração.
ANÁLISE 
Neste ponto, o psicólogo deve fazer uma exposição descritiva, metódica, objetiva e coerente com os dados colhidos e as situações relacionadas a demanda, considerando a natureza dinâmica, não definitiva e não cristalizada do objeto de estudo. 
Não deve conter descrição literal das sessões ou atendimentos realizados. Respeita-se a fundamentação teórica que sustente o instrumento técnico utilizado, relatando apenas o que for necessário para responder a demanda conforme descrição no Código de Ética Profissional do Psicólogo. Não deverá realizar afirmações sem estar sustentado em fatos ou teorias. 
CONCLUSÃO
Esse item deve conter as conclusões a partir do que foi relatado na análise. Indicando-se os encaminhamentos, intervenções, diagnóstico, prognóstico e hipótese diagnóstica, evolução do caso, orientação ou sugestão de projeto terapêutico.
Encerra-se o documento com a indicação do local, data de emissão, carimbo (nome completo e CRP), com todas as laudas numeradas, rubricadas, da primeira até a última, na última página, a assinatura do psicólogo. 
O psicólogo deve destacar que o laudo não poderá ser utilizado para fins diferentes do que foi apontado na identificação, sobre seu caráter sigiloso, e que não se responsabiliza pelo uso dado pela pessoa solicitante do documento elaborado. 
SESSÃO IV 
GUARDA DOS DOCUMENTOS E CONDIÇÕES DE GUARDA
Os documentos produzidos decorrentes de serviços de psicologia prestados, além de todo o material queo fundamenta, (físicos ou digitais), devem permanecer guardados pelo prazo mínimo de 05 anos, conforme Resolução CFP Nº 01/2009.
A responsabilidade pela guarda de todo o material é do psicólogo e da instituição em que foi feita a prestação do serviço. Em alguns casos previstos em lei, esse prazo pode ser estendido, e em casos de interrupção do trabalho, o destino do documento deve seguir o que está no Art. 15 do Código de Ética Profissional do psicólogo. 
SESSÃO V
DESTINO E ENVIO DE DOCUMENTOS
Os documentos que forem produzidos pelo psicólogo devem ser entregues diretamente ao beneficiário da prestação do serviço, ou ao seu responsável legal através da entrevista devolutiva. Nesse momento, é obrigação do psicólogo manter o protocolo de entrega de documentos, colhendo a assinatura do solicitante, o que comprova o recebimento por parte dele do documento. Esses documentos devem ser arquivados em versão impressa, caso seja solicitado sua apresentação pelo Conselho Regional de Psicologia. 
SESSÃO VI
PRAZO DE VALIDADE DO CONTEÚDO DOS DOCUMENTOS
A validade do conteúdo do documento deve considerar a normatização vigente em sua área de atuação, além da natureza dinâmica do trabalho realizado e a necessidade de atualização frequente das informações.
Se não houver definição normativa, o psicólogo irá indicar o prazo de validade, considerando os objetivos, os procedimentos, aspectos subjetivos e dinâmicos que foram analisados e as conclusões que obteve. 
SESSÃO VII
ENTREVISTA DEVOLUTIVA
Ao realiza a entrega do relatório e do laudo Psicológico, o psicólogo deverá realizar uma entrevista devolutiva à pessoa, grupo, instituição ou responsáveis legais. Se não houver possibilidade de se realizar a entrevista devolutiva, o psicólogo deve explicar seus motivos. 
7. SERAFINI, A.J.. Entrevista psicológica no psicodiagnóstico. In: HUTZ, C. S. e COLS, Psicodiagnóstico. Porto Alegre/RS: Artmed, 2016.
Resumo:
 O psicodiagnóstico tem como característica seu caráter investigativo, desenvolvida dentro do âmbito da clínica e por tanto, inicia-se através de uma demanda, ou queixa. As primeiras informações que recebemos, geralmente vem da fonte que encaminhou o paciente para a avaliação, e na maior parte das vezes, essas informações não são suficientes para utilizar como guia para a avaliação e por isso, são necessárias e importantes as entrevistas iniciais, que podem ser com os pais do paciente, professores, médicos e outros profissionais que o acompanham. 
 As entrevistas iniciais têm como objetivo a coleta de informações que nos ajudem a conhecer o paciente e a queixa que o trouxe até o processo de psicodiagnóstico. Quando essa entrevista é realizada com o profissional que fez o encaminhamento para a avaliação, é importante buscar entender qual a percepção que ele tem do paciente, com as queixas que foram trazidas pelos pais, e qual o motivo que o levou a solicitar essa avaliação. 
 Sobre a entrevista com o paciente, ela pode ser realizada antes ou depois do encontro com o profissional e/ou os pais. Apenas no caso de crianças, ou adultos que possuem algum tipo de transtorno mais severo, é necessário conhecer seus responsáveis antes de realizar o encontro com o cliente. É importante, nesses contatos iniciais, estabelecer um tipo de relação e vínculo baseados na confiança e na cooperação mútua, uma vez que serão abordados assuntos delicados do processo familiar e podem vir à tona alguns conflitos dessa família, para que dessa forma, esses assuntos sejam tratados da melhor forma possível. É no primeiro contato com os pais, que se começa a formar a primeira impressão de quem será o paciente, porém, nem sempre as informações trazidas batem com a realidade, que só será conhecida após os primeiros contatos com o indivíduo. 
 No encontro com o paciente, seja um adulto ou criança, deve questionar se sabe o motivo de ter sido levado até aquele lugar, e se sabe o que um psicólogo faz, caso a resposta seja negativa, é importante explicar de forma simples e numa linguagem compreensível, de acordo com a necessidade do paciente 
 No trabalho com adolescentes, é interessante que ele se sinta responsável pelo processo de psicodiagnóstico, a primeira entrevista pode ser realizada tanto com os pais ou com o próprio adolescente, em alguns casos, reserva-se um momento da sessão com o adolescente e depois, chama-se os pais, para que entendam como será realizado o processo do psicodiagnóstico. 
 A entrevista inicial tem diversos modelos, e caberá ao psicólogo escolher o que melhor se encaixa no tipo de investigação que deseja realizar. Existem as entrevistas livres, que são mais abertas e não possuem um roteiro escrito para ser seguido, apesar de as perguntas serem direcionadas para respostas especificas do que se queira saber sobre o paciente. Durante a entrevista, o profissional segue o roteiro, porém, novas perguntas podem ser colocadas em pauta, para enriquecer as informações trazidas pelos pais. Já as entrevistas estruturadas, são menos utilizadas no contexto clínico, pois elas limitam as perguntas que são feitas, assim como os tipos de respostas que podem ser dadas, nessas entrevistas, seguem as perguntas e posteriormente, as alternativas que contém as possíveis respostas. 
8. ABERASTURY, Arminda (1982) A entrevista inicial com os pais In: Psicanálise da criança – teoria e técnica. trad. Ana Lucia Leite de Campos. Porto Alegre: Artes Médicas, p.81-96.
Resumo: 
 Em vista de uma necessidade dos pais de passarem o filho por consulta, sempre solicitamos uma entrevista inicial, nessa entrevista a criança não pode estar presente, porém, deve ser informada sobre o acontecimento dela. Na maior parte das vezes, apenas a mãe comparece, em poucas vezes os pais e mais raras ainda são as entrevistas onde os dois comparecem, porém, também existem casos de outras pessoas, que não os pais, compareçam para essa entrevista inicial, uma vez que esse responsável ou conhecido tenha tido um contato maior com a criança, e pode nos auxiliar em sua avaliação. Em casos em que a entrevista seja realizada com os pais, é importante não deixar a ideia de favoritismo ou preferência por um dos dois, mesmo que inevitavelmente acaba-se tendo uma melhor relação com um em específico. 
 Nessa primeira consulta, é importante dirigir os questionamento para temas em especifico para que ao final dela, tenhamos as respostas para as seguintes perguntas: a) motivo da consulta; b) história da criança; c) como transcorre um dia de sua vida atual, um domingo ou feriado e o dia do aniversário; d) como é a relação dos pais entre si, com os filhos e com o meio familiar imediato.
 No motivo da consulta, discute-se principalmente, o que não tem estado bem com o filho, é um assunto delicado para os pais abordarem e, por isso, torna-se um momento difícil e sensível para ambos. Apesar das limitações causadas pelo bloqueio, nervosismo ou pela resistência inicial ao processo, as informações obtidas são de grande ajuda e extremamente valiosas para a construção do caso. 
 Sobre a história da criança, iremos recapitular desde o início, quando foi descoberta a gravidez. O objetivo é entender como a notícia foi recebida pelos pais, se houve resistência em alguma das partes, se foi descoberta alguma complicação durante a gestação ou se houveram sangramentos etc, nessa etapa, também é comum que haja esquecimento ou ocultamento consciente por parte da mãe, ao relembrar esses acontecimentos. Em seguida, discute-se sobre as condições da concepção e do parto, se foi normal ou induzido, se houveram complicações, qual era a relação com o médico ou com a pessoa que realizou o procedimento, se estava sozinha ou acompanhada etc. 
 Depois das informações obtidas sobre o parto, questiona-se a respeito da lactância, como eram os momentos em que dava de mamar ao bebê, se teve dificuldades, como foi o processo de desmame, como foram sendo introduzidos novos alimentos no dia-a-dia da criança, e como ela se adaptou a essas mudanças. É importantesaber como era a relação entre mãe e filho, como ela o acalmava nas horas de choro e como reagia em momentos que tentava alimentá-lo e ele negava, pouco a pouco, essas informações sobre o relacionamento entre mãe e filho são enriquecidas nos momentos onde observados e analisamos a criança. 
 Seguindo a história do desenvolvimento da criança, questionamos se se recordam do momento em que o filho falou pela primeira vez, quando começou a engatinhar e a andar, e como aconteceu o processo de controle das esfíncteres. Quais foram as dificuldades encontradas pelos pais nesses momentos, como a criança estabeleceu esse controle, se ocorreu no tempo esperado ou se foi iniciado antes por parte de algum membro da família etc. 
 Após a conclusão da história da criança, buscamos entender como é um dia na vida dela e de sua família. É necessário pedir descrições de como são seus feriados em família, domingos e passeios, isso nos permitirá ter uma visão mais ampla e completa da vida familiar. É neste momento também que busca-se compreender sobre as relações entre eles, através da localização da criança dentro da rede familiar, saber se os pais trabalham ou não, qual a profissão ou trabalho que realizam, as horas que estão dentro e fora de casa, condições gerais de vida da família e como se dá sua sociabilidade. Às vezes é necessário mais de uma sessão para a construção dessa história e deve-se fazê-la pois é fundamental a obtenção dessa informações, antes de iniciar o trabalho com a criança.
9. BANDEIRA, D.R.; TRENTINI, C. M. & KRUG, J.S.. Psicodiagnóstico: formação, cuidados éticos, avaliação de demanda e estabelecimento de objetivos. In: HUTZ, C. S. e COLS, Psicodiagnóstico. Porto Alegre/RS: Artmed, 2016.
Resumo: 
 O capítulo nos chama a atenção sobre a importância de nossa formação como psicólogos. É necessário cautela ao realizarmos uma avaliação, além de uma desenvoltura de nossas habilidades, o que pode ser conseguido com pesquisas, mestrados, doutorados, além do próprio acompanhamento psicoterapêutico do profissional. Além do preparo técnico, é necessário um conhecimento ético do profissional quanto aos processos de avaliação que são realizados, e os documentos emitidos por psicólogos, isso demanda que o profissional esteja sempre atualizado dentro do campo da Psicologia.
 As matérias presentes no curso de Psicologia das universidades tratam de diversas competências que são necessárias aos profissionais. Disciplinas como Psicologia do Desenvolvimento, Psicopatologia, Avaliação Psicológica, Psicometria, Neuropsicologia etc., nos ajudam a desenvolver essas habilidades tão importantes em nosso meio profissional. Porém, nem sempre a Graduação em Psicologia é suficiente para se trabalhar com avaliação psicológica, muitas vezes é necessário que o estudante recém-graduado faça algum tipo de especialização na área em que deseja atuar, também é importante buscar respaldo de profissionais mais experientes para seus casos, através das supervisões. 
 No Brasil, existem instituições que se preocupam com as questões éticas que envolvem a avaliação psicológica, e outras pautas da área, como o Instituto Brasileiro de Avaliação psicológica (IBAP) e a Associação Brasileira de Rorschach e outros Métodos Projetivos (ASBRO), e é de extrema importância nos manter informados e contactados com essas e outras instituições, indo a congressos, debates científicos, jornadas de psicologia, etc, para estar por dentro de todas as informações pertinentes a avaliação psicológica. Além disso, reforça-se a ideia de que é necessário que o psicólogo disponha de um espaço próprio, onde possa ter um momento para reflexão e análise do caso, com cautela e sem distrações.
 A respeito da demanda da avaliação, o capítulo nos desperta para a compreensão de que é necessário que haja uma pergunta a ser respondida, para que dessa forma, seja realizado um plano estratégico de trabalho. Diversas vezes chegarão até nós, perguntas mais genéricas ou que tratem de questões muito amplas, para afunilar a queixa, é necessário conhecer a fonte encaminhadora e realizar uma reflexão após as primeiras entrevistas iniciais, visando especificar o motivo por trás da pergunta do paciente. Do profissional, é esperado que tenha as perguntas certas para a construção das hipóteses do caso, uma vez que nos é apresentado uma queixa, devemos refletir sobre quais questões podem estar por trás dela e que seria interessante investigar mais a fundo. Outro aspecto importante é a atenção, para que não se deixe passar detalhes importantes, que muitas vezes fazem parte da construção da queixa trazida, o livro nos dá um exemplo de uma criança que chega ao consultório apresentando dificuldades em acompanhar a turma em sala de aula, e posteriormente descobre-se que tratava-se de um problema de visão, para isso, é importante que tenha os devidos conhecimentos sobre os aspectos físicos, motores e neurológicos, para que possa encaminhar o paciente de maneira correta, ao devido profissional. 
 Atualmente, é comum o paciente chegar até o profissional com um diagnóstico pronto, nesses casos, deve-se refletir sobre: a necessidade de realizar a avaliação que seja pertinente do diagnóstico, realizar o diagnóstico diferencial, identificar forças e fraquezas do paciente e de sua rede de atenção, ampliar a compreensão do caso através da elaboração de um entendimento dinâmico, ou refletir sobre os encaminhamentos que serão necessários ao caso. Ao mesmo tempo, conforme o psicólogo vai construindo as hipóteses e as estratégias de avaliação, pode ser necessário o auxilio de outros profissionais como fonoaudiólogos, neurologistas e psiquiatras, esse contato com ouras áreas tem se mostrado muito rica e importante para um aprofundamento do caso em que se está trabalhando.
 Sobre o objetivo de um psicodiagnóstico, compreende-se que existem diversos campos e diversas maneiras que podem ser executados, esses objetivos podem priorizar uma classificação simples, uma descrição, classificação nosológica, diagnóstico diferencial, avaliação compreensiva, entendimento dinâmico, prevenção, prognóstico e a perícia forense, e o que determinará será o tipo de demanda apresentada. 
 É importante ressaltar que o psicodiagnóstico é uma atividade específica do profissional de psicologia, que durante sua formação, obtém conhecimentos específicos que o auxiliará na elaboração de suas habilidades, porém, é necessário que haja um estudo continuo, além do cuidado com os aspectos éticos da profissão, e aos aspectos psíquicos do profissional, dessa forma, executando um atendimento de qualidade a quem solicitar os seus serviços. 
10. SILVA, M.A. & BANDEIRA, D.R.. A entrevista de anamnese. In: HUTZ, C. S. e COLS, Psicodiagnóstico. Porto Alegre/RS: Artmed, 2016.
Resumo: 
 A coleta de informações sobre o avaliando é essencial em um processo de psicodiagnóstico, e para isso, costuma-se utilizar a Entrevista de Anamnese como principal instrumento, é um questionário extenso focalizado nas áreas mais importantes da vida do sujeito que será avaliado e posteriormente, subsidia o profissional nas escolhas de instrumentos e técnicas que podem ser utilizados no transcorrer da avaliação. Tem como um dos principais objetivos a busca de uma provável conexão entre os aspectos da vida do sujeito com a queixa que foi apresentada, e é papel do psicólogo ter uma participação ativa nos questionamentos durante esse momento, pois essa entrevista é direcionada a investigação de fatos, que podem ou não ser relembrados por aquele a quem se questiona. Quando se trata de uma avaliação com criança, a entrevista é realizada com os pais ou responsáveis, e ao se tratar de um psicodiagnóstico com adolescente, a entrevista de Anamnese pode ocorrer com o próprio sujeito, com os pais, ou com ambos, porém, em momentos diferentes.
 A entrevista de Anamnese geralmente é feita em forme de entrevista semiestruturada, ou seja, existe um roteiro prévio com perguntas formuladas porém, que poder ser adaptadas em seudecorrer, visando muitas vezes, um aprofundamento sobre algo que foi levantado pelo sujeito ou para esclarecimento de alguma informação que não ficou clara para o profissional. 
 O tempo de duração da entrevista não é regrada. Na prática dos profissionais, geralmente se utiliza o tempo de uma sessão para obter essas informações, porém, é bastante comum o surgimento de dúvidas referente a algo que foi apontado pelo entrevistado, o que pode ser retomado ao final de alguma sessão posterior. 
 Vale lembrar que a anamnese não é prática exclusiva do psicólogo. Diversos profissionais da área da saúde a utilizam para o atendimento inicial onde buscam compreender os fatores envolvidos na saúde-doença, porém, o objetivo dessa técnica continua sendo o de buscar informações da história do paciente, para auxiliar na elaboração de hipóteses e diagnóstico do profissional que a executa. 
 Apesar de alguns aspectos serem observados em todos os grupos etários, a entrevista de anamnese não segue a mesma estrutura para indivíduos de faixas etárias diferentes. Alguns aspectos comuns que serão observados são a evolução da queixa, o histórico de tratamentos de saúde atuais e antecessores, o uso de medicamentos, efeitos do problema sobre o funcionamento e a relação psicossocial do paciente e a percepção do examinando em relação a queixa, entretanto, existem fatores específicos que devem ser observados em cada grupo etário. Por exemplo, na anamnese feita com crianças, os aspetos sobre a história de nascimento e seu desenvolvimento, tem importância central. A entrevista de anamnese com adolescentes deve se concentrar nas mudanças que ocorrem nessa fase, como as alterações hormonais e físicas relacionadas a adolescência, deve-se atentar sobre a socialização, identificação, seus interesses íntimos, questões de sexualidade e histórico escolar. Já na anamnese com adultos, outros pontos centrais devem ser investigados, como suas demandas e esperanças no âmbito sexual, familiar, social, ocupacional e físico. 
 A entrevista de anamnese é um importante instrumento de investigação, porém não deve ser o único, outros encontros com outras pessoas presentes no cotidiano do avaliando, como familiares, professores e médicos, tem papel importante na coleta de dados que podem auxiliar na investigação.
 É importante estar atento sobre o nível socioeconômico de quem se entrevista, a fim de adaptar o vocabulário pra um melhor entendimento, em casos em que o entrevistado utilize um vocabulário muito específico, carregado de gírias e termos regionais, o profissional não deve deixar de questionar sobre o que foi dito, a fim de compreender com exatidão a fala trazida. Também é comum que o informante se emocione e chore, ao se sentir incomodado ou tocado emocionalmente ao abordar sobre assunto delicados, e é papel do psicólogo promover um espaço acolhedor e confortável para ele. 
11. EFRON, A. M., FAINBERG, E., KLEINER, Y., SIGAL, A. M. e WOSCOBOINK. A hora de jogo diagnóstica. In: OCAMPO, M.L.S.; ARZENO, M.E.G & PICCOLO, E.G.. O processo psicodiagnóstico e as técnicas projetivas. Trad. Miriam Felzenszwalb. São Paulo: Martins Fontes, 1990. 6ª ed. p. 169-191.
Resumo:
 A hora de jogo diagnóstica é um instrumento técnico utilizado pelo psicólogo com a finalidade de compreender a realidade daquela criança que lhe foi trazida. É um momento onde é necessário delimitar o espaço que será utilizado, o tempo da atividade, além de determinar papéis que serão executados pelo profissional e pela criança. A hora de jogo diagnóstica é uma técnica que tem começo, desenvolvimento e final, é um momento onde através da atividade lúdica, a criança expressa o que está vivenciando e o brinquedo é o mediador. Já a hora de jogo terapêutica é um momento onde há a construção de um vínculo a mais entre o psicólogo e a criança, anteriormente, é realizada a entrevista com os pais, onde são elaboradas instruções que eles devem dar a criança, essas instruções podem ser repassadas pelo psicólogo no primeiro contato, em uma linguagem mais clara e de fácil compreensão.
 A sala de jogo deve possuir algumas condições gerais, como, ser um local não muito pequeno, ter pouco mobiliário para promover a liberdade da criança em seus movimentos, e é importante que o piso e as paredes sejam laváveis, a fim de facilitar a limpeza e manutenção do local após as atividades. 
 É preferível que a caixa esteja aberta, em cima da mesa e os objetos estejam expostos e distribuídos, porém sem estarem agrupados por classes, dessa forma possibilitando que o paciente elabore e corresponda a suas variáveis internas, em razão de sua capacidade intelectual ou de suas fantasias. Sobre os tipos de brinquedos que devem estar incluídos na caixa, o capítulo nos aponta a necessidade de escolher objetos que correspondam as diferentes áreas da problemática da criança, como as que provoquem tipos de respostas sensório motor, integração cognitiva, funcionamento do ego, etc. Também é importante que os brinquedos sejam de boa qualidade, para evitar estragos no objeto, o que pode levar a criança a sentir-se culpada, além disso, deve-se evitar colocar objetos perigosos para a integridade física do paciente ou do psicólogo. 
 No momento do encontro, o psicólogo deve informar de forma breve e simples, as instruções da atividade, é o momento onde delimita-se o papel de ambos, o espaço, o tempo, o que pode ou não pode ser feito, o que ela pode ou não utilizar, e informa-la que durante esse tempo juntos, realizará observações que servirão para conhece-la e ajuda-la em alguma área eu precise futuramente. 
 O papel que o psicólogo deve cumprir durante o processo psicodiagnóstico é passivo, em função de ser o observador, e ativo, em função de suas atitudes atentas e abertas que auxiliarão na construção de hipóteses sobre o caso. Em alguns momentos a criança pode solicitar a participação do profissional, dessa forma, executará um papel complementar, além disso, atuará em função de estabelecer os limites, caso o paciente tente rompê-los. Dessa forma, é de responsabilidade do psicólogo, cria um ambiente propicio para que a criança brinque e se expresse de maneira mais natural possível, dessa forma, atuará na observação, compreensão e colaboração com a criança. 
 Deve-se observar a escolha do brinquedo no primeiro contato, levando em consideração o momento evolutivo da criança e o conflito a ser veiculado, observar se ele se volta para brinquedos relacionados a escola, representativos da fase anal, oral ou fálica, brinquedos não estruturados ou com significado agressivo. Nos jogos, é necessário observar se tem começo, meio e fim, se ele se organiza e se possuem unidade coerente em si mesma 
 Sobre a personificação, nos referimos a capacidade que a criança tem de assumir e atribuir papéis de forma dramática. Em cada etapa do desenvolvimento, a criança tem maneiras especificas de representar essa personificação, e o profissional deve avaliar através da intensidade, o equilíbrio entre o superego, o id e a realidade. A motricidade é o indicador que permite avaliar as pautas do desenvolvimento neurológico, dos fatores psicológicos e ambientais, os problemas motores podem decorrer de qualquer um desses fatores, algumas vezes predominando algum em específico, ou estando inter-relacionados. Durante a hora de jogo, cabe ao psicólogo observar essas funcionalidades ou falta de funcionalidades motoras, e alguns aspectos importantes de se observar são o deslocamento geográfico, a possibilidade de encaixe, preensão e manejo, alternância entre os membros, lateralidade, os movimentos voluntários e involuntários, movimentos bizarros, ritmo dos movimentos. 
 A criança psicótica apresenta como uma de suas maiores dificuldades, a capacidade de brincar. Alerta-se para o fato de que para elas, não se trata de uma atividade lúdica, pois o brincar envolve a capacidade de simbolizar, e para a criança psicótica, significante e significado são a mesma coisa. Deve-se levar em contaque a possibilidade da criança expressar seu conflito vai depender da quantidade e da qualidade da inter-relação das partes preservadas de sua personalidade e essa dificuldade apresenta-se desde a inibição total ou parcial, até a desorganização de conduta. Durante hora de jogo da criança neurótica, geralmente se observa a capacidade de expressão lúdica com certo reconhecimento da realidade. Diferente da criança psicótica, elas possuem a capacidade simbólica desenvolvida, o que permite expressar seus conflitos durante a situação lúdica, sendo capaz de compreender e relacionar a fantasia e a realidade. No brincar da criança normal observa-se principalmente as diferentes respostas diante das situações, desde a desestruturação que a delimitação de regras proporciona, até as situações que ao longo do processo são mais dirigidas. 
 É importante lembrar que toda a etapa do processo evolutivo da criança é acompanhada de questões específicas da idade e que geram conflitos, e a presença de conflito não quer dizer que existe uma doença, por isso o papel fundamental do psicólogo em redigir uma análise cuidadosa desse momento com o paciente. 
12. MAICHIN, V. (2006). Visita Escolar: um recurso do Psicodiagnóstico Interventivo na abordagem fenomenológico-existencial. Dissertação de Mestrado. PUC-SP (cap. Escola e a Visita Escolar, Escola. Que lugar é este?)
Resumo:
Há diversas maneiras de se compreender o que é a escola. Esse fenômeno é visto de muitas maneiras: político, cultural, social, filosófico, pedagógico, psicológico entre outros. O objetivo deste trabalho é dar visibilidade à visita escolar no psicodiagnóstico, de modo a compreender o que ela pode revelar ao psicólogo.
Nos tempos atuais é impossível falar de um mundo sem escola, mas a história nos diz que nem sempre foi assim, o mundo já existiu sem esta instituição. As crianças aprendiam na própria vivência do dia a dia e a partir de suas experiências com os mais velhos constituíam sua formação. Foi a partir da Idade Média, com a divisão progressiva das funções dos indivíduos e com o acúmulo de conhecimentos, que começou a ser preciso uma transmissão de conhecimentos específicos mais definidos. Assim surgiu a escola e a educação passou a ser produto desta instituição. 
No início a escola tinha como objetivo, por um lado, preparar os herdeiros da aristocracia “a pensar e a comportarem-se como grandes senhores” e por outro, ensinar os cidadãos mais pobres a tornarem-se “trabalhadores disciplinados” portanto a escola surgiu com uma função social bem definida, seus objetivos estavam muito mais alicerçados em interesses sociais do que em conhecimentos propriamente ditos. 
 A criança tem como primeira referência, na maior parte das vezes, a sua família. É com os pais e familiares que ela aprende seus primeiros passos. Aprende não só o que é ensinado explicitamente como falar, conversar, andar, comer, se vestir etc., mas também o que é transmitido implicitamente, como por exemplo, a forma de se relacionar com os outros. Assim, pode-se dizer que a família é a primeira influência social recebida pela criança. Essa influência é modificada, ampliada e ressignificação no contato que a criança tem com novas referências. 
A escola tem uma grande importância é neste novo grupo social, composto por diversas relações humanas que ela constituirá uma nova rede de significados. Assim, ao falarmos em instrumento de psicodiagnóstico infantil, na compreensão de uma criança, não podemos ignorar a escola como ponto fundamental.
As relações humanas têm importância dentro da escola, portanto, ao realizar uma visita escolar, o psicólogo deve focalizar essa especificidade, compreendendo de que forma as relações humanas se dão naquela determinada instituição. Como a criança se relaciona com seus colegas. Qual o significado dessa relação para ela. Qual a importância que a escola dá para a relação Inter pessoal. Como a criança se relaciona com os professores, e vice-versa. Qual o significado dessa relação para ambos. Como os funcionários se relacionam com as crianças e entre si, etc. Portanto, a visita escolar ajuda a compreender como a criança está agindo sobre os outros e como está sofrendo a ação dos outros.
A visita escolar é necessária para compreender essa relação professor-aluno, e qual o significado para a criança, para o professor e para os pais. Por vezes o papel do psicólogo no psicodiagnóstico é mostrar para os pais qual a função social que o professor está exercendo e como isto reflete na criança, pois nem sempre os pais têm consciência da existência das diversas abordagens existentes. 
Certamente, cada caso que atenderemos terá uma possibilidade diferente de compreensão. Mas para que essa seja ampla é importante entender a relação professor-aluno com seus desdobramentos, ou seja, quem é esse professor: saber a postura adotada por ele, os seus pressupostos pedagógicos, o que ele acha da relação professor-aluno. Quem é essa criança, qual a sua história, o que significa a relação aluno para ela. Quem são esses pais, quais as expectativas que têm em relação ao filho e ao professor e que tipo de educação desejam dar para a criança. Além de compreender essa criança através das sessões lúdicas e das sessões com os pais, é importante a realização de uma visita escolar. 
Os colegas também são indivíduos importantes na vida de uma criança. Entender como ela se relaciona com seus colegas é ponto indispensável para compreendê-la em sua plenitude. A relação de uma criança com seus colegas revela a forma como seu repertório de significados é composto. 
Ao entrar em contato com outros colegas a criança conhece outras formas de relacionamento e os colegas passam a ser novas referências em sua existência. Se até o momento, a maior referência na vida da criança eram os pais, a partir do momento em que inicia sua vida escolar, os colegas passam a ser uma referência significativa para ela. Assim, é comum que ela comece a fazer comparações entre seus pais e os pais dos colegas, a forma de se vestir e a dos colegas, o corte de cabelo, o material escolar etc. 
 Falar em relações humanas no contexto escolar e suas especificidades não significa considerar apenas os seus processos internos e seus integrantes, mas também outras relações significativas que circundam este contexto e entorno. Diante da importância dos pais no contexto escolar faz-se importante compreendermos de que forma se relacionam com a escola, com os professores e, principalmente, as expectativas que eles têm em relação a seus filhos e a escola pois não é incomum os pais projetarem uma série de expectativas sobre o trabalho de seu filho.
Tão importante quanto compreender as relações humanas existentes na escola é entender como se dá o processo de aprendizagem pois é através dele que a criança aprende o que lhe é transmitido. Existem diversas formas de um professor transmitir conhecimento: transpassando ideias prontas a serem adquiridas pelos alunos tal como foram repassadas; ensinando temas específicos com o objetivo de reforçar, extinguir ou alterar o comportamento do aluno; facilitando a comunicação do estudante para que ele mesmo estruture seus conhecimentos; possibilitando novas indagações diante de um conhecimento pronto; propiciando aos alunos o desenvolvimento de uma consciência crítica e libertadora.
A primeira prática educativa, conhecida como pedagogia tradicional, nasceu com o surgimento da escola. Tratava-se de uma pedagogia que transmitia de forma autoritária conhecimentos prontos a serem adquiridos pelos alunos. Apesar de muitos esforços por parte de profissionais da educação, e mesmo depois de muitos anos do surgimento da escola, a função conservadora ainda pode ser encontrada até hoje. 
Na abordagem tecnicista os elementos não observáveis são desprezados. Entretanto dizer que os elementos não observáveis não são importantes significa desconsiderar a subjetividade, os sentimentos, as sensações e as emoções. Significa dizer que o aspecto afetivo em nada influencia o processo de aprendizagem,mas, o comportamento, é o fenômeno mais significativo para a compreensão do homem.
A pedagogia humanista, também conhecida como histórico-crítica enfatiza a relação interpessoal. O aluno, nesta concepção, diferentemente das abordagens tradicional e tecnicista, concebido como um receptor passivo, ordenado e determinado, é compreendido como um ser autônomo e livre, capaz de atualizar sua potencialidade se assim escolher. A pedagogia humanista considera de maneira relevante o mundo interno. Os sentimentos e as experiências exercem um papel importante. A realidade é considerada subjetiva, pois o ser humano reconstrói em si o mundo externo, partindo de sua percepção, recebendo os estímulos, as experiências e atribuindo-lhes sentidos.
As especificidades de uma escola não dependem, exclusivamente, da orientação pedagógica ou filosófica adotada pela mesma pois, independente da abordagem adotada oficialmente pela escola, as pessoas que ali trabalham seguem (ou não) tal abordagem segundo seus próprios princípios. 
A visita escolar revela aspectos ao psicólogo que, às vezes, não seriam revelados somente na sessão com a criança ou com os pais. Alguns casos mostram que suspeitas do psicólogo em relação a uma determinada compreensão são confirmadas através dessa visita. Também outros casos nos mostram que a visita à escola amplia a compreensão do psicólogo a respeito da criança e dos pais. Certamente o profissional que adotar a prática da visita escolar terá tantas experiências quantas visitas realizadas, pois cada fenômeno é único, tendo cada caso peculiaridades específicas que fazem com que cada um tenha sua própria singularidade. 
É certo que cada visita realizada tem um significado diferente dentro de cada processo de psicodiagnóstico, por isso não há como delimitar normas e regras rígidas a serem seguidas nesta prática, pois não há um único caminho e nem um único significado.
13. CORREA, L. C. C. (2004). Visita domiciliar: recurso para a compreensão do cliente no psicodiagnóstico interventivo. Tese de doutorado, SP, PUC-SP (caps II e III)
Resumo:
Há na literatura uma grande variedade de referências a visita domiciliar. Nelas é possível ver a necessidade das visitas quando há a impossibilidade de o paciente comparecer ao consultório por variados motivos.
Há também críticas no que se refere a alteração dos comportamentos habituais da família, pela presença de estranhos, o que pode acarretar um mascaramento de informações importantes para o entendimento da dinâmica.
Em relação ao diagnóstico familiar esse autor acredita que a primeira dificuldade que o profissional da área da saúde mental se depara é obter dados suficientes e seguros para fazer o diagnóstico correto e agir com sucesso no tratamento e que quando o objetivo é relacionar o comportamento da família como um grupo com o comportamento de um membro da família, a visita aos lares é um instrumento valioso. 
A função da visita é observar os padrões de interação familiar e a adaptação ao papel familiar. Há um interesse especial no clima emocional da casa, na identidade psicossocial da família e na sua expressão em um ambiente definido.
A visita a casa é informal, pode durar de duas a três horas, o profissional deve fazer seu relatório de memória, devendo ter em mente os dados que compõem o roteiro, direcionados as observações a serem realizadas, configurando uma visita semiestruturada.
A reação das famílias com o visitante pode ser variada: as vezes ele é visto como aliado e tem sua atenção disputada e as vezes é excluído, podendo também tornar-se um vetor ou catalisador de interações familiares.
Partindo da ideia de que a criança precisa ser compreendida nas relações familiares, a visita domiciliar está muito além de uma mera noção de estratégia ou técnica podendo ser um momento de grandes possibilidades interventivas, favorecendo a consistência diagnóstica. 
Ela é combinada nos momentos iniciais e, se houver concordância da família, é marcada em data previamente combinada. Se houver recusa, o processo diagnósticos continua, entretanto, os aspectos que na visita seriam observados, não o serão, não havendo possibilidade de substituí-la por relatos. A data da visita é após o conhecimento da história de vida da criança e do estabelecimento de um vínculo mais significativo com os clientes.
Para os pais e as crianças é mais confortável quando a visita é realizada quando existe maior “intimidade” e confiança, dessa forma, evitando que o casal fantasie que o psicólogo está ali para investigar sua casa e sua família. Entretanto, é importante que a visita não perca seu caráter de trabalho, assumindo um cunho de visita social.
A decisão do local onde ocorrerá a visita deve partir dos pais, de forma que fiquem à vontade, conduzindo o visitante em seu espaço. É indicado que todos ou a maior parte dos integrantes da família estejam presentes, a fim de observar suas relações. Neste momento, não é utilizado questionário ou roteiro de observação. Compreende-se que a observação in loco, permite a compreensão das relações familiares em situações reais de sua dinâmica, além disso, permite que o profissional entre em contato com o ambiente físico que revela aspectos fundamentais da história da família. 
Nessas situações da visita, a observação e a compreensão são fundamentais para a base das intervenções pertinentes a situação. Dessa forma, o psicólogo atua como participante ativo que vai realizando as intervenções à medida que percebe e experimenta as situações apresentadas pela família. Para Hertzberger (1996), as percepções do espaço não se limitam ao que vemos, mas também ao que ouvimos, sentimos e associamos, dessa forma amplia-se os significados da casa e compreende-se melhor os contextos que a constituem. 
É comum se preocupar de que a família está se portando de maneira não natural frente a visita do psicólogo, ocasionando um comportamento artificial e atípico. Essa possibilidade também revela algo sobre a dinâmica pessoal ou da família. 
As preocupações do cliente diante do agendamento da visita domiciliar são comuns a qualquer pessoa. Buscam arrumar, faxinar e organizar, com a intenção de serem bem vistos e fornecerem um bom acolhimento do profissional. Mesmo sabendo que essa pode ser uma situação artificial, que não acontece no dia a dia, ainda é possível perceber marcas do cotidiano, presentes nas paredes, nos cantos, nos detalhes e que de alguma forma se revelarão. Assim, o que está escrito na casa, não há como apagar, pois faz parte do que se registra, dia após dia naquele lugar. 
14. LOPES, L.C.C.C.P., FERREIRA M.F.M., SANTIAGO, M .D.E. Colagem uma Prática no psicodiagnóstico. In: ANCONA-LOPES, S. (org), Psicodiagnóstico Interventivo: Evolução de Uma Prática. 1 ed. – São Paulo: Cortez, 2013.
Resumo:
A prática da avaliação psicológica de crianças é um processo que se propõe chegar a uma compreensão de determinado fenômeno, apresentado como “queixa” pelos pais ou responsáveis que buscam ajuda psicológica para seu filho, assim sendo o psicólogo deve encontrar sentido no conjunto de informações que lhe são apresentadas e organizá-las. Para tanto deve possuir conhecimentos teóricos e dominar procedimentos e práticas com o objetivo de que, ao entender determinada situação-problema, possa proporcionar, por meio de planejamento e uso de intervenções, benefícios às pessoas envolvidas, a criança e seu grupo familiar, promovendo a saúde e o desenvolvimento psíquico.
Com o uso de testes, principalmente junto a crianças, os psicólogos podem determinar a capacidade intelectual das crianças, suas aptidões e dificuldades, assim como sua capacidade escolar.
A Resolução n. 002/2003, do Conselho Federal de Psicologia, acerca dos testes psicológicos diz que tais instrumentos não poderiam mais ser utilizados antes de passarem por uma revisão. No artigo 16 da referida Resolução constava: “Será considerada falta ética, conforme disposto na alínea c do art. 1o e na alínea m do art. 2o do Código de Ética Profissional do Psicólogo, a utilização de testes psicológicosque não constam na relação de testes aprovados pelo CFP, salvo os casos de pesquisa”.
A atividade de colagem, proposta por Violet Oaklander, que trabalha com referencial teórico da Gestalt, considera que a colagem é um desenho ou quadro feito grudando-se ou prendendo-se materiais de qualquer espécie a um fundo plano, tal como um pedaço de pano ou papel. Ela acrescenta que muita coisa é revelada através da seleção de figuras. O estado de espírito revelado pelo conjunto escolhido pode contar algo que a criança está sentindo naquele momento, ou na sua vida em geral. Ainda segundo a autora, pode se trabalhar com a colagem individual ou em grupo com diferentes temas e de inúmeras maneiras. 
O material utilizado para trabalhar com a colagem são figuras de revistas, tesouras, colas, cartolinas para serem usadas como fundo, incluindo lápis preto e de cor, canetinhas /ou giz de cera, caso haja interesse em complementar a atividade com desenhos ou escrita. As figuras que são oferecidas na ocasião da utilização da colagem são previamente recortadas pelos estagiários e supervisores, e devem abordar diversos temas, como pessoas, situações, animais, objetos, alimentos, transportes, móveis, ambientes etc., em quantidade suficiente para permitir que haja uma escolha por parte do cliente. Por se tratar de figuras recortadas de revistas, deve-se prestar atenção ao verso das figuras selecionadas, pois estas podem apresentar imagens também interessantes e que por vezes acabam sendo escolhidas pelo examinando, ou imagens que podem ter uma conotação imprópria, como nus ou insinuações de sexo. Evita-se usar imagens de artistas e personagens, pois estas podem carregar um significado cultural restrito, limitando a análise e as associações do cliente. Na prática, os estagiários chamam esta parte do trabalho de “recortagem”. Esse exercício desenvolve a capacidade de associar as imagens com as diferentes representações possíveis. A atividade de colagem pode ser proposta em qualquer momento do processo psicodiagnóstico, mas, quando ocorre após alguns atendimentos e procedimentos, deve-se tomar cuidado para que as figuras selecionadas pelos estagiários não sejam apenas de imagens associadas a aspectos já revelados pela criança ou família. É preciso verificar a quantidade de figuras selecionadas e a variedade de temas antes de utilizá-las com a criança. Em grupo ou individualmente, é proposto um tema para o trabalho das crianças considerando aspectos a ser avaliados, tais como a autoimagem, percepção de situações internas, pensamentos e sentimentos. Assim, pedimos que façam uma colagem representando aquilo de que gostam ou não gostam em si mesmos, ou escolham figuras que indiquem do que têm medo e quais são as suas preocupações. 
Outro tema proposto com frequência é o “Álbum de família”, que convida a criança a utilizar o material disponível para representar as pessoas de sua família.
Na análise, de modo geral, consideram-se o tempo de reação; Postura e modo de reação — observação a distância, ou impulsividade, descuido etc.; Figuras escolhidas, figuras coladas, figuras abandonadas; Tema preferido; Tamanhos das figuras; Uso do espaço da cartolina; Uso do verso da cartolina; Localização das figuras na cartolina, coladas de forma aleatória ou ligadas, apresentando uma organização ou aglutinação; Sentimentos expressos, impressões que a colagem causa ao ser observada; Figura central e/ou localização; Recortar a figura já cortada — para caber na cartolina, ou para separar, excluir elementos; Associações, explicações, falas durante a atividade; Uso do lápis de cor, canetinhas — para molduras, ligações, complementos, abandono da colagem para fazer desenhos; Modo de utilização da cola — em excesso, colocada cuidadosamente, pouca quantidade.
Quando a colagem é realizada por pais e filhos, no momento da análise devemos levar em consideração todos os aspectos anteriormente descritos, sendo o mais importante aquele que se refere à interação entre pais e crianças e as significações dadas por eles às figuras escolhidas.
Notamos que a realização da colagem é, de modo geral, de fácil aceitação por parte do cliente, seja criança, seja adolescente, ou dos pais. Do ponto de vista psicológico, consideramos que a atividade de colagem tem um caráter projetivo na medida em que expressa sentimentos e conflitos, ou seja, aspectos do mundo interno das crianças e de seus pais que são desconhecidos para eles. No momento em que nos vimos sem a possibilidade de utilizar os testes projetivos, antes usados nos psicodiagnósticos de crianças, a colagem foi introduzida como um novo recurso e tem-se mostrado muito valiosa para a observação e compreensão não só dos aspectos intrapsíquicos, como também das interações familiares quando a tarefa é conjunta. Concluímos que o uso da colagem como material expressivo na clínica de crianças contribui sobremaneira para a compreensão diagnóstica que ultrapassa a individualidade da criança e oferece efetivamente material de intervenção que está além dos limites de uma comunicação verbal.

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