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Direito Administrativo Para Concursos 
Bens Públicos 
SUMÁRIO 
Sumário ........................................................................................................................................................................................ 1 
1 - BREVES APONTAMENTOS INICIAIS................................................................................................................................... 3 
2 - CONCEITO ............................................................................................................................................................................... 4 
3 - CLASSIFICAÇÃO DOS BENS PÚBLICOS .............................................................................................................................. 9 
3.1 - QUANTO À TITULARIDADE........................................................................................................................................ 9 
3.2 - QUANTO À DESTINAÇÃO ..........................................................................................................................................11 
3.3 - QUANTO À NATUREZA PATRIMONIAL ..................................................................................................................13 
3.4 - QUANTO À NATUREZA FÍSICA .................................................................................................................................14 
4 - REGIME JURÍDICO DOS BENS PÚBLICOS (CARACTERÍSTICAS)................................................................................17 
4.1 - INALIENABILIDADE (ALIENABILIDADE CONDICIONADA) ...............................................................................17 
4.2 - IMPENHORABILIDADE ..............................................................................................................................................18 
4.3 - IMPRESCRITIBILIDADE (IMPOSSIBILIDADE DE USUCAPIÃO) ........................................................................22 
4.4 - NÃO ONERABILIDADE ...............................................................................................................................................23 
5 - AFETAÇÃO X DESAFETAÇÃO ...........................................................................................................................................31 
6 - ALIENAÇÃO ...........................................................................................................................................................................34 
7 - AQUISIÇÃO ............................................................................................................................................................................38 
8 - FORMAS DE USO ..................................................................................................................................................................40 
9 - INSTITUTOS DE DIREITO PÚBLICO QUE POSSIBILITAM AO PODER PÚBLICO CONFERIR O USO PRIVATIVO DE BENS 
PÚBLICOS .....................................................................................................................................................................................41 
9.1 - A AUTORIZAÇÃO DE USO ..........................................................................................................................................41 
9.2 - PERMISSÃO DE USO ...................................................................................................................................................43 
9.3 - CONCESSÃO DE USO ...................................................................................................................................................46 
9.4 - CONCESSÃO DE DIREITO REAL DE USO.................................................................................................................48 
9.5 - CONCESSÃO DE USO ESPECIAL PARA FINS DE MORADIA .................................................................................50 
9.6 - AUTORIZAÇÃO DE USO NA MP Nº 2.220/2001 .............................................................................................55 
9.7 - CESSÃO DE USO ...........................................................................................................................................................57 
10 - INSTITUTOS DE DIREITO PRIVADO QUE POSSIBILITAM AO PODER PÚBLICO CONFERIR O USO PRIVATIVO DE 
BENS PÚBLICOS ..........................................................................................................................................................................63 
10.1 - ENFITEUSE ................................................................................................................................................................63 
10.2 - DIREITO DE SUPERFÍCIE .......................................................................................................................................64 
 
10.3 - LOCAÇÃO ...................................................................................................................................................................64 
10.4 - COMODATO ..............................................................................................................................................................64 
11 - PRINCIPAIS BENS PÚBLICOS EM ESPÉCIE .................................................................................................................65 
11.1 - TERRAS DEVOLUTAS INDISPENSÁVEIS À DEFESA DAS FRONTEIRAS ........................................................66 
11.2 - TERRENOS DE MARINHA ......................................................................................................................................66 
11.3 - TERRENOS RESERVADOS (TERRENOS MARGINAIS) ....................................................................................66 
11.4 - MAR TERRITORIAL ................................................................................................................................................67 
11.5 - ZONA CONTÍGUA .....................................................................................................................................................67 
11.6 - ZONA ECONÔMICA EXCLUSIVA ...........................................................................................................................68 
11.7 - PLATAFORMA CONTINENTAL .............................................................................................................................68 
11.8 - ILHAS ..........................................................................................................................................................................69 
11.9 - FAIXA DE FRONTEIRA............................................................................................................................................69 
11.10 - CEMITÉRIOS ..........................................................................................................................................................70 
11.11 - BENS PERTENCENTES AOS ESTADOS ..............................................................................................................70 
12 - BENFEITORIAS EM BEM PÚBLICO IRREGULARMENTE OCUPADO .......................................................................75 
13 - RESUMÃO DA AULA ........................................................................................................................................................77 
14 - JURISPRUDÊNCIA CORRELATA .....................................................................................................................................82 
15 – MAIS QUESTÕES DE PROVA .........................................................................................................................................85 
16 - QUESTÕES COMENTADAS NA AULA ..........................................................................................................................117 
17 - GABARITOS ..................................................................................................................................................................... 143 
18 - CONSIDERAÇÕES FINAIS ............................................................................................................................................. 144 
19 - REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................................................................................................ 145 
 
 
 
1 - BREVES APONTAMENTOS INICIAIS 
Para a perfeita conceituação de “bens públicos”, devemos partir inicialmente da noção 
de “domínio público”, expressão mais abrangente e que envolve não só o “domínio 
patrimonial”, relativo ao direito de propriedade que o Estado exerce sobre os bens que 
compõem o seu patrimônio, como também o “domínio eminente”, de natureza política, 
que o Estado tem sobre todos os bens existentes no seu território, com o poder de 
regulamentar ou restringir o seu uso ou até de transferi-los compulsoriamente para o 
patrimônio estatal (passando a exercer, também, o “domínio patrimonial”) mediante a 
desapropriação. 
Em termos mais simples, tudo o que se encontra no território do ente político está, de 
certa forma, sujeito a sua disciplina, respeitadas as competências dos demais entes 
políticos. Assim, o Estado da Paraíba detém o poder político de estabelecer regras 
referentes a tudo o que se encontre sobre o seu território, respeitadas as competências 
federais e municipais (domínio eminente), porém alguns desses bens pertencem ao próprio 
Estado. No tocante a estes, a Paraíba também exerce o “domínio patrimonial”. Em certas 
hipóteses, utilizando o domínio eminente, o Estado pode desapropriar um bem que se 
encontre no seu território e, como legítimo proprietário, passar a exercer sobre tal bem o 
domínio patrimonial. 
Focaremos precipuamente os bens que fazem parte do patrimônio do Estado e de 
determinadas entidades estatais (a abrangência será detalhada logo a seguir), de forma a 
atentarmos mais ao domínio patrimonial. 
(PGR, Procurador da República, 2005 - Adaptada) Julgue o item que segue: 
( ) O conceito de domínio público é mais extenso que o de propriedade, desde que se 
consideram bens públicos aqueles que, embora não pertencentes às pessoas jurídicas de 
direito público, estejam afetados à prestação de um serviço público. 
Comentários: 
A expressão domínio público ora designa o poder que o Estado exerce sobre todas as 
coisas de interesse público (domínio eminente), ora o poder de propriedade que exerce 
sobre o seu patrimônio (domínio patrimonial). São bens públicos todas as coisas, 
corpóreas ou incorpóreas, móveis ou imóveis, semoventes, créditos, etc., que pertençam 
às entidades estatais, autárquicas ou paraestatais. 
Gabarito: correto. 
 
2 - CONCEITO 
O conceito de bem público tem causado certa controvérsia na doutrina, existindo 
basicamente três posições distintas. A primeira corrente entende que são bens públicos 
somente aqueles pertencentes às pessoas jurídicas de direito público (José dos Santos 
Carvalho Filho)1. A segunda corrente defende que bens públicos são todos aqueles 
pertencentes às pessoas jurídicas de Direito Público Interno e às pessoas jurídicas de Direito 
Privado da Administração Indireta (Hely Lopes Meirelles)2, o que incluiria na categoria de 
bens públicos todos os que fossem de propriedade das empresas públicas e sociedades de 
economia mista, independentemente de estas prestarem serviço público ou explorarem 
atividade econômica. A terceira corrente sustenta que bens públicos são todos aqueles 
pertencentes às pessoas jurídicas de Direito Público (União, Estados, Distrito Federal, 
Municípios, respectivas autarquias e fundações de direito público), bem como aqueles que, 
embora não pertençam a tais pessoas, estejam afetados à prestação de um serviço público 
(posição de Celso Antônio Bandeira de Mello)3. 
O Novo Código Civil tentando resolver a discussão sobre a definição de bem público 
estipulou em seu artigo 98: 
Art. 98. São públicos os bens do domínio nacional pertencentes às pessoas jurídicas de 
direito público interno; todos os outros são particulares, seja qual for a pessoa a que 
pertencerem. 
 
Pela redação desse artigo apenas podem ser formalmente considerados como bens 
públicos os bens de propriedade das pessoas jurídicas de direito público: União, Estados, 
Municípios e respectivas autarquias e fundações. 
Assim, os bens das sociedades de economia mista não podem ser considerados bens 
públicos, em que pese sujeitas à tomada de contas especial pelo TCU. Também não são 
considerados bens públicos os bens das demais pessoas jurídicas de direito privado 
integrantes da administração pública. 
A par da clareza da redação do art. 98 do Código Civil, ainda persiste na doutrina e na 
jurisprudência a controvérsia quanto ao conceito de bem público, tanto que o Conselho de 
 
1 José dos Santos Carvalho Filho, Manual de direito administrativo, p. 1157. 
2 Hely Lopes Meirelles, Direito administrativo brasileiro, p. 549. 
3 Celso Antônio Bandeira de Mello, Curso de direito administrativo, p. 913. 
 
Justiça Federal, por meio do Enunciado nº 287 (aprovado na IV Jornada de Direito Civil), deu 
interpretação diferente ao referido dispositivo, afirmando que: “O critério da classificação 
de bens indicado no art. 98 do Código Civil não exaure a enumeração dos bens públicos, 
podendo ainda ser classificado como tal o bem pertencente à pessoa jurídica de direito 
privado que esteja afetado à prestação de serviços públicos”. Como podemos observar, o 
CJF adotou a mesma posição manifestada pelo Professor Celso Antônio Bandeira de Mello. 
 
A doutrina entende que os bens de pessoas administrativas de direito privado que 
estejam sendo diretamente empregados na prestação de um serviço público passam a 
revestir características próprias do regime de bens públicos – especialmente a 
impenhorabilidade e a proibição de que sejam onerados (gravados) – enquanto 
permanecerem com essa utilização. 
Essa sujeição das regras do regime público, entretanto, decorre do princípio da 
continuidade dos serviços público e não de alguma característica formal ou da natureza do 
bem em si considerado, eis que não se pode transmudar o bem da pessoa jurídica de direito 
privado em bem público. 
Neste sentido: 
4. No que tange à questão da impenhorabilidade dos bens afetados ao serviço público, 
o julgado recorrido não diverge da orientação do STJ, segundo a qual são 
impenhoráveis os bens de sociedade de economia mista prestadora de serviço 
público, desde que destinados à prestação do serviço ou que o ato constritivo possa 
comprometer a execução da atividade de interesse público (AgRg no REsp 1.070.735, 
Rel. Ministro Mauro Campbell Marques; AgRg no REsp 1.075.160, Rel. Ministro 
Benedito Gonçalves; REsp 521.047, Rel. Ministro Luiz Fux). 
 
Por outro lado, o STF, apesar de ainda não ter se manifestado especificamente quanto 
ao entendimento que deva ser dado ao conceito de bens públicos, tem reconhecido 
expressamente a aplicação de prerrogativas próprias dos bens públicos a bens que, adotada 
a classificação do Código Civil, seriam classificados como privados. A título de exemplo, o 
Tribunal já reconheceu que os bens pertencentes aos Correios (empresa pública), quando 
utilizados nas atividades essenciais da instituição, gozam de impenhorabilidade e de 
imunidade a impostos (RExt 220.906; RExt 407.099). 
 
 
(FCC - Juiz Estadual/TJ SC/2015) Pela perspectiva tão somente das definições constantes do 
direito positivo brasileiro, consideram-se “bens públicos” os pertencentes a: 
a) um estado, mas não os pertencentes a um território. 
b) um município, mas não os pertencentes a uma autarquia. 
c) uma sociedade de economia mista, mas não os pertencentes ao distritofederal. 
d) uma fundação pública, mas não os pertencentes a uma autarquia. 
e) uma associação pública, mas não os pertencentes a uma empresa pública. 
Comentários: 
A questão exigia que o aluno dominasse a identificação das pessoas jurídicas de direito 
público, dado que a elas pertencem os bens públicos. São pessoas jurídicas de direito 
público: 
 
Pessoa Jurídica de Direito 
Público
Incluem-se no Conceito
União
Estados
Municípios
Distrito Federal e 
Territórios
Autarquia
Fundação Pública
Não se incluem no Conceito
Empresas 
Públicas
Sociedades de 
Economia Mista
 
Qualquer que seja sua utilização, os bens destas entidades – corpóreos, incorpóreos, 
móveis, imóveis, - estão sujeitos ao regime jurídico dos bens públicos. 
a) INCORRETA. 
Imprescritibilidade - Os bens públicos são insuscetíveis de aquisição mediante usucapião 
(prescrição aquisitiva de direito). Trata-se de interpretação literal do disposto no artigo 102 
do Código Civil: 
Art. 102. Os bens públicos não estão sujeitos a usucapião. 
 
b) INCORRETA. 
Impenhorabilidade – Os bens públicos não se sujeitam ao regime de penhora, eis que a 
satisfação de créditos da Fazenda Pública deve ser feita através do regime de precatórios. 
c) INCORRETA. 
Não Onerabilidade – Os bens públicos não podem ser gravados como garantia de créditos 
em favor de terceiros. São espécies de direitos reais de garantia sobre coisa alheia: o 
penhor, a anticrese e a hipoteca. 
d) INCORRETA. 
Inalienabilidade (relativa) – Os bens públicos que se encontram destinados a uma finalidade 
pública específica (afetados) não podem ser objeto de alienação, consoante será visto 
adiante. 
Gabarito: alternativa “E”. 
(FCC - Procurador do Ministério Público de Contas/MPC-GO/2015) Durante o curso de uma 
ação de execução de título extrajudicial ajuizada por uma empresa particular em face de 
uma sociedade de economia mista, foi identificado um terreno localizado às margens de 
uma rodovia, pertencente à estatal e desocupado de pessoas, construções e coisas. A 
empresa credora requereu a penhora do bem para garantia do crédito, com intenção de 
levar o bem à hasta pública caso perdurasse a inadimplência da estatal. O requerimento: 
a) não pode ser deferido, tendo em vista que os bens imóveis que compõem o patrimônio 
das empresas estatais são protegidos pelo regime jurídico de direito público, sendo, 
portanto, impenhoráveis. 
b) pode ser deferido apenas para fins de garantia do crédito, decidindo-se pela penhora e 
bloqueio do bem, vedada, no entanto, a alienação judicial do imóvel. 
c) não pode ser deferido porque todos os bens das estatais são tacitamente afetados à 
prestação de serviço público, cuja essencialidade impede a disposição judicial do imóvel. 
 
d) pode ser deferido, porque se trata de bem de natureza privada e presume-se desafetado, 
porque desocupado, facultado à empresa estatal a comprovação de eventual afetação do 
bem à prestação de serviço público para pleitear a suposta impenhorabilidade. 
e) não pode ser penhorado, em razão do domínio pertencer à empresa estatal, mas pode 
ser adjudicado pelo credor, mantida eventual afetação à prestação de serviço público. 
Comentários: 
As sociedades de economia mista não são pessoas jurídicas de direito público, mas de 
direito privado. Logo, seus bens não estão submetidos ao regime jurídico de bens públicos. 
Gabarito: letra D. 
(FCC - Assessor Jurídico/TCE-PI/2014) Determinada empresa estatal que desempenha 
serviços na área de informática e processamento de dados é proprietária de alguns terrenos 
públicos desocupados, localizados em diversos municípios do Estado, que lhe foram 
destinados por força da extinção de outra empresa estatal que atuava no mesmo 
segmento. Essa empresa, deficitária, está sendo acionada judicialmente por diversos 
credores, em especial por dívidas trabalhistas. Em um desses processos, foi requerida a 
penhora de dois terrenos vagos. O pedido: 
a) não pode ser deferido, tendo em vista que os bens públicos são impenhoráveis e 
inalienáveis. 
b) não pode ser deferido, porque a execução dos débitos das empresas estatais deve ser 
feita por meio de expedição de precatórios. 
c) pode ser deferido, tendo em vista que os terrenos pertencem a pessoa jurídica 
submetida a regime jurídico típico das empresas privadas, e sequer estão afetados a 
prestação de serviço público. 
d) pode ser deferido em grau de subsidiariedade, ou seja, uma vez demonstrado que já se 
tentou atingir os bens públicos não afetados da empresa. 
e) pode ser deferido, mas não pode ser determinada a hasta pública para venda dos bens, 
tendo em vista que as empresas estatais se submetem à lei de licitações para alienação de 
seus bens. 
Comentários: 
Vide comentário da questão anterior. 
Atenção, pois tem sido recorrente encontrarmos no STF decisões que aplicam a 
determinados prestadores de serviço público a impenhorabilidade de seus bens enquanto 
afetados à prestação destes. 
Gabarito: letra C. 
 
 
3 - CLASSIFICAÇÃO DOS BENS PÚBLICOS 
É possível classificar os bens públicos sob quatro aspectos: 
1) quanto à titularidade; 
2) quanto à destinação; 
3) quanto à natureza patrimonial; e 
4) quanto à natureza física. 
 
3.1 - QUANTO À TITULARIDADE 
Quanto à pessoa jurídica que possui a titularidade, os bens se classificam em: 
a) Bens federais (art. 20, CRFB); 
b) Bens estaduais (art. 26, CRFB); 
c) Bens distritais (não foram previstos expressamente na Constituição Federal); e 
d) Bens municipais (não foram previstos expressamente na Constituição Federal). 
 
Os bens federais são aqueles pertencentes à União, e a Constituição Federal relaciona, 
no art. 20, alguns deles. É importante esclarecer que, além desses, existem muitos outros 
bens que podem ser enquadrados no inciso I do dispositivo, em que genericamente são 
citados como bens da União “os que atualmente lhe pertencem e os que lhe vierem a ser 
atribuídos”. Exemplos desses diversos bens são veículos, edifícios, computadores etc. 
Atentos à amplitude do inciso I do dispositivo, vejamos quais são os bens que, nos termos 
do art. 20 da Constituição Federal, pertencem à União: 
I – os que atualmente lhe pertencem e os que lhe vierem a ser atribuídos; 
II – as terras devolutas indispensáveis à defesa das fronteiras, das fortificações e 
construções militares, das vias federais de comunicação e à preservação ambiental, 
definidas em lei; 
III – os lagos, rios e quaisquer correntes de água em terrenos de seu domínio, ou que 
banhem mais de um Estado, sirvam de limites com outros países, ou se estendam a 
 
território estrangeiro ou dele provenham, bem como os terrenos marginais e as praias 
fluviais; 
IV – as ilhas fluviais e lacustres nas zonas limítrofes com outros países; as praias 
marítimas; as ilhas oceânicas e as costeiras, excluídas, destas, as que contenham a 
sede de Municípios, exceto aquelas áreas afetadas ao serviço público e a unidade 
ambiental federal, e as referidas no art. 26, II; (Redação dada pela Emenda 
Constitucional nº 46, de 2005); 
V – os recursos naturais da plataforma continental e da zona econômica exclusiva; 
VI – o mar territorial; 
VII – os terrenos de marinha e seus acrescidos; 
VIII – os potenciais de energia hidráulica; 
IX – os recursos minerais, inclusive os do subsolo; 
X – as cavidades naturais subterrâneas e os sítios arqueológicos e pré-históricos; 
XI – as terras tradicionalmente ocupadas pelos índios. 
 
Tomemos como exemplo a ilha de São Luís, em que está situada a sede da capital do 
Maranhão. Tendo em vista a redação anterior, a União considerava-se proprietária de 
diversos terrenos na cidade, submetendo a população a encargos como foros e taxas de 
ocupação. A situação também impedia que os particulares obtivessem créditos junto a 
instituições financeiras mediante o oferecimento do terreno como garantia. 
Com a nova redação, tais áreas saíram do domínio patrimonial da União, ressalvadas, 
por disposição constitucionalexpressa, as áreas afetadas ao serviço público e à unidade 
ambiental federal, bem como as áreas previstas no art. 26, II. 
Deve-se ter presente, também, que a circunstância de a Floresta Amazônica ser 
considerada “patrimônio nacional”, por força do art. 225, § 4º, da Constituição Federal, não 
lhe confere o caráter de bem público. A Floresta Amazônica é considerada, apenas, espaço 
territorial especialmente protegido, legitimando a imposição de restrições especiais sobre o 
uso da propriedade, em função de interesses ambientais. 
Quanto aos Estados, de acordo com o disposto no art. 26, da CRFB, incluem-se entre 
os seus bens: 
 
I – as águas superficiais ou subterrâneas, fluentes, emergentes e em depósito, 
ressalvadas, neste caso, na forma da lei, as decorrentes de obras da União; 
II – as áreas, nas ilhas oceânicas e costeiras, que estiverem no seu domínio, excluídas 
aquelas sob domínio da União, Municípios ou terceiros; 
III – as ilhas fluviais e lacustres não pertencentes à União; 
IV – as terras devolutas não compreendidas entre as da União. 
 
Ressalte-se que essa lista é meramente exemplificativa, havendo outros bens 
pertencentes aos Estados que não foram mencionados na CRFB, tais como prédios públicos, 
veículos, móveis, etc. 
Quanto aos bens pertencentes aos Municípios, a Constituição Federal não faz 
qualquer referência. Dessa forma, pertencem aos Municípios apenas os bens que 
adquiriram (por desapropriação, compra, doação) ou que passaram a integrar seu 
patrimônio por força de lei (a exemplo das vias públicas decorrentes de loteamentos 
imobiliários, em razão da previsão contida na Lei nº 6.766/1979). 
Em relação aos bens pertencentes ao Distrito Federal, a Constituição Federal silencia, 
mas devemos entender que o art. 26 (bens dos Estados) também se aplica ao Distrito 
Federal. 
 
3.2 - QUANTO À DESTINAÇÃO 
A classificação dos bens públicos quanto à destinação segue a previsão do artigo 99, 
do Código Civil: 
Art. 99. São bens públicos: 
I - os de uso comum do povo, tais como rios, mares, estradas, ruas e praças; 
II - os de uso especial, tais como edifícios ou terrenos destinados a serviço ou 
estabelecimento da administração federal, estadual, territorial ou municipal, 
inclusive os de suas autarquias; 
III - os dominicais, que constituem o patrimônio das pessoas jurídicas de direito 
público, como objeto de direito pessoal, ou real, de cada uma dessas entidades. 
 
Parágrafo único. Não dispondo a lei em contrário, consideram-se dominicais os 
bens pertencentes às pessoas jurídicas de direito público a que se tenha dado 
estrutura de direito privado. 
 
São os bens públicos classificados, portanto, quanto à sua destinação em: 
a) Bens de uso comum do povo – São aqueles destinados à utilização geral pelos 
indivíduos, que podem ser utilizados por todos em igualdade de condições. Exemplo: 
ruas, praças, mares e rios. 
b) Bens de uso especial – São aqueles destinados à execução de serviços 
administrativos e dos serviços públicos em geral. São os bens das pessoas jurídicas de 
direito público utilizados para a prestação de serviços públicos (em sentido amplo). 
Exemplo: escolas públicas, hospitais públicos, prédios de repartições públicas. 
c) Bens Dominicais – São os bens públicos que não possuem uma destinação pública 
definida, que podem ser utilizados pelo Estado para fazer renda. Exemplo: terras 
devolutas, prédios públicos desativados e móveis inservíveis. 
Os bens públicos dominicais que são exatamente aqueles que não se encontram 
destinados a uma finalidade pública específica (portanto desafetados), podem ser objeto de 
alienação, obedecidos os requisitos legais. 
De acordo com o parágrafo único do art. 99 do Novo Código Civil, também são 
considerados dominicais os bens pertencentes às pessoas jurídicas de direito público a 
que se tenha dado estrutura de direito privado, desde que a lei não disponha em 
contrário. A norma é de difícil compreensão, pois ser pessoa jurídica “de direito público” 
significa justamente submeter-se à disciplina normativa desse ramo de direito, observando 
o regramento do regime jurídico administrativo. Ora, como se pode dar estrutura de direito 
privado a uma pessoa de direito público? Acreditamos que o legislador quis se referir às 
pessoas jurídicas que foram formalmente designadas como de direito público, mas na 
prática atuam submetidas a regime jurídico de direito privado, o que significaria que, na 
essência, tais pessoas seriam efetivamente de direito privado, não obstante a designação 
formal equivocada. Assim, imagine-se uma lei que institui uma autarquia – formalmente 
uma pessoa jurídica de direito público – deixando claro que a área de atuação do novo ente 
é a comercialização de mercadorias em concorrência com a iniciativa privada. À obviedade, 
o caso não deveria ensejar a criação de autarquia, pois esta deve restringir sua atuação às 
atividades típicas de Estado, mas o equívoco legislativo teria criado uma formal “pessoa 
 
jurídica de direito público”, organizando-a segundo os ditames do direito privado. Assim, os 
bens pertencentes à dita autarquia (na realidade uma empresa pública disfarçada de 
autarquia) seriam considerados, nos termos legais, como bens dominicais. 
Os bens dominicais podem ser utilizados pela Administração para obtenção de 
receitas. Por exemplo: um imóvel desocupado pertencente a qualquer ente público 
(considerado um bem dominical) pode ser alugado a terceiros. 
Questão interessante é a das terras tradicionalmente ocupadas pelos índios, 
constitucionalmente enquadradas como bens públicos federais (CRFB, art. 20, inciso XI) na 
classificação ora estudada. Apesar de não estarem diretamente vinculadas à prestação de 
serviços públicos, José Santos de Carvalho afirma que “nessas áreas existe a afetação a 
uma finalidade pública, qual seja, a de proteção a essa categoria social. Não é estritamente 
um serviço administrativo, mas há objetivo social perseguido pelo poder público. Sendo 
assim, trata-se de bens públicos enquadrados na categoria de bens de uso especial”4. 
 
3.3 - QUANTO À NATUREZA PATRIMONIAL 
Quanto à natureza patrimonial, os bens públicos podem ser: 
a) bens indisponíveis por natureza; 
b) bens patrimoniais indisponíveis; e 
c) bens patrimoniais disponíveis. 
 
Os bens indisponíveis por natureza são aqueles de natureza não patrimonial, por 
serem insuscetíveis de avaliação econômica. Em razão de sua natureza, tais bens são 
inalienáveis. Nessa categoria enquadram-se os bens de uso comum do povo de natureza 
não patrimonial como mares, rios, praias etc. 
Os bens patrimoniais indisponíveis são aqueles de natureza patrimonial 
(possibilidade de avaliação econômica), mas que não podem ser alienados em virtude de 
estarem afetados a alguma destinação pública específica. Nessa categoria estão os bens de 
uso comum do povo de natureza patrimonial, por exemplo, uma praça, e os bens de uso 
especial, a exemplo do imóvel público onde funcione uma repartição governamental. Se, 
 
4 José dos Santos Carvalho Filho, Manual de direito administrativo, p. 1229. 
 
por acaso, algum bem patrimonial indisponível perder a sua destinação pública específica, 
passará a ser considerado bem patrimonial disponível. 
Os bens patrimoniais disponíveis são aqueles que possuem natureza patrimonial e 
podem ser alienados pela Administração, observadas as condições estabelecidas em lei, 
visto que não estão afetados a uma finalidade pública específica. Nessa categoria estão os 
bens dominicais, como um imóvel público desocupado. 
 
3.4 - QUANTO À NATUREZA FÍSICA 
Há, ainda, que se fazer alusão à classificação do professor Celso Antônio Bandeira de 
Mello5, para quem os bens públicos imóveis quanto à sua natureza física se dividem em: 
1) bens de domínio hídrico: 
a) águas correntes (mar, rios, riachos); 
b) águas dormentes (lagos, lagoas, açudes);e 
c) potenciais de energia hidráulica; 
 
2) bens do domínio terrestre: 
a) do solo; e 
b) do subsolo. 
 
(CEBRASPE, DPE-ES, Defensor Público, 2009 - Adaptada) Julgue o item que segue: 
( ) Na tradicional classificação dos bens públicos, as terras indígenas são consideradas 
bens de uso especial. 
Comentários: 
BENS DE USO ESPECIAL (BENS DE DOMÍNIO PÚBLICO DO ESTADO) 
São todos aqueles que visam à execução dos serviços administrativos e dos serviços 
públicos em geral. 
Exemplos: os edifícios públicos onde se situam repartições públicas, as escolas públicas, 
os hospitais públicos, os veículos oficiais e as terras tradicionalmente ocupadas pelos 
índios. 
Gabarito: correta. 
 
5 Celso Antônio Bandeira de Mello, Curso de direito administrativo, p. 917. 
 
(FCC, DPE-RS, Analista, 2013) Considere os seguintes exemplos de bens públicos: 
I. prédio no qual se encontra instalado um hospital. 
II. rios e mares. 
III. galpão adquirido pelo poder público em processo de execução judicial, cujo uso foi 
autorizado, onerosamente, a particular. 
Indique, respectivamente, a categoria na qual se incluem: 
a) de uso comum do povo; dominical e de uso especial. 
b) de uso especial; de uso comum do povo e dominical. 
c) de uso especial; reservado e de uso especial. 
d) dominical; reservado e de uso restrito. 
e) de uso comum do provo; de uso restrito; e dominical. 
Comentários: 
Questões que abordam o art. 99, do Código Civil são bastante frequentes. Diz a lei: 
“Art. 99. São bens públicos: 
I – os de uso comum do povo, tais como rios, mares, estradas, ruas e praças; 
II – os de uso especial, tais como edifícios ou terrenos destinados a serviço ou 
estabelecimento da administração federal, estadual, territorial ou municipal, inclusive os 
de suas autarquia; 
III – os dominicais, que constituem o patrimônio das pessoas jurídicas de direito público, 
como objeto de direito pessoal, ou real, de cada uma dessas entidades. 
Parágrafo único. Não dispondo a lei em contrário, consideram-se dominicais os bens 
pertencentes às pessoas jurídicas de direito público a que se tenha dado estrutura de 
direito privado”. 
Definição da inalienabilidade dos bens de uso comum e de uso especial (art. 100, do CC) - 
o dispositivo tem o seguinte conteúdo: 
“Art. 100. Os bens públicos de uso comum do povo e os de uso especial são inalienáveis, 
enquanto conservarem a sua qualificação, na forma que a lei determinar.” 
Gabarito: letra B. 
(CEBRASPE, Prefeitura de Belo Horizonte-MG, Procurador Municipal, 2017) Com relação 
aos bens públicos, assinale a opção correta. 
 
a) Bens dominicais são os de domínio privado do Estado, não afetados a finalidade pública e 
passíveis de alienação ou de conversão em bens de uso comum ou especial, mediante 
observância de procedimento previsto em lei. 
b) Consideram-se bens de domínio público os bens localizados no município de Belo 
Horizonte afetados para destinação específica precedida de concessão mediante contrato 
de direito público, remunerada ou gratuita, ou a título e direito resolúvel. 
c) O uso especial de bem público, por se tratar de ato precário, unilateral e discricionário, 
será remunerado e dependerá sempre de licitação, qualquer que seja sua finalidade 
econômica. 
d) As áreas indígenas são bens pertencentes à comunidade indígena, à qual cabem o uso, o 
gozo e a fruição das terras que tradicionalmente ocupa para manter e preservar suas 
tradições, tornando-se insubsistentes pretensões possessórias ou dominiais de particulares 
relacionados à sua ocupação. 
Comentários: 
Letra A – CORRETA. 
Art. 99, III do Código Civil - apesar da legislação não tratar de forma clara, a doutrina 
explica que bens dominicais são todos aqueles que não possuem uma destinação pública 
definida e que, por isso, constituem o patrimônio disponível do Estado (podem ser 
alienados para fazer renda). Sendo assim, o beneficiário direto dos bens dominicais o 
próprio Estado, pois inexiste utilização imediata pelo cidadão. Segundo ensinamentos da 
professora Maria Sylvia Di Pietro, os bens comuns do povo e os bens de uso especial 
possuem como característica comum a destinação pública, o que os dominicais não têm. 
Sendo dessa forma classificado em duas modalidades: 
Domínio Público - bens especiais e de uso especial, e 
Domínio Privado do Estado: Bens dominicais. 
 
Letra B – INCORRETA. 
Não existe necessidade de um bem público ser precedido de contrato para que seja 
caracterizado como tal. A sua natureza jurídica é dada por lei (art. 98 do Código Civil) e 
não por contrato. A questão induziu o candidato ao erro ao embaralhar as possibilidades 
da utilização do bem público: concessão de uso, permissão e autorização, com o próprio 
conceito de bem público. 
Letra C – INCORRETA. 
A assertiva mistura os conceitos e tenta confundir o candidato. 
 
O conceito descrito na questão discorre da possibilidade de uso do bem público por meio 
do instituto da permissão. Sendo que o bem público de uso especial é conceituado nos 
termos do artigo 99, II do Código Civil. 
Letra D – INCORRETA. 
As terras indígenas são bens da União, conforme disposição do artigo 20, inciso XI, da 
CRFB. 
Gabarito: letra “A”. 
 
4 - REGIME JURÍDICO DOS BENS PÚBLICOS (CARACTERÍSTICAS) 
As principais características dos bens públicos são: 
a) inalienabilidade (ou alienabilidade condicionada); 
b) impenhorabilidade; 
c) imprescritibilidade; e 
d) não onerabilidade. 
 
A seguir serão detalhados esses aspectos. 
 
4.1 - INALIENABILIDADE (ALIENABILIDADE CONDICIONADA) 
A alienação é fato jurídico que consiste na transferência da propriedade de um bem 
móvel ou imóvel de uma pessoa para outra. Uma das características dos bens públicos é a 
sua inalienabilidade (impossibilidade de alienação). Contudo, essa regra só vale para os 
bens de uso comum do povo e os de uso especial enquanto conservarem essa qualificação. 
Os bens dominicais, que são aqueles que não se encontram destinados a uma finalidade 
pública específica (desafetados), podem ser alienados, observados os requisitos legais. 
Essas regras estão previstas nos arts. 100 e 101 do Código Civil. 
Assim, podemos afirmar que em regra a inalienabilidade dos bens públicos não é 
absoluta. Trata-se de inalienabilidade relativa ou, como preferem alguns autores, 
alienabilidade condicionada. Portanto, é possível à Administração alienar quaisquer bens, 
mesmo aqueles de uso comum do povo e os de uso especial, sendo suficiente para tanto 
que desafete os referidos bens, transformando-os em bens dominicais e, em seguida, 
 
obedeça aos requisitos legais previstos na Lei nº 8.666/1993: demonstração de interesse 
público, prévia avaliação, licitação e, no caso de bem imóvel, autorização legislativa. 
Embora a regra seja a inalienabilidade relativa dos bens públicos, em alguns casos 
excepcionais essa inalienabilidade é absoluta, ou seja, a Administração não poderá em 
qualquer hipótese alienar os seguintes bens: 
a) Alguns bens de uso comum do povo, que, pela sua natureza não patrimonial 
(insuscetíveis de valoração patrimonial), como mares, rios e lagos, são absolutamente 
insuscetíveis de alienação (bens indisponíveis por natureza); 
b) As terras devolutas ou arrecadadas pelos Estados, por ações discriminatórias, 
necessárias à proteção dos ecossistemas naturais, em razão de serem consideradas 
indisponíveis por força da previsão contida no art. 225, § 5º, da CRFB; 
c) As terras ocupadas tradicionalmente pelos índios, visto que são inalienáveis e 
indisponíveis, conforme expresso no art. 231, § 4º, da CRFB. 
 
4.2 - IMPENHORABILIDADE 
A penhora é medida judicial, de natureza constritiva, que recai sobre o patrimônio do 
devedor, cujo objetivo é possibilitar a satisfação do credor quando a obrigação não for 
honrada pelo devedor. O procedimento judicial de penhora não se aplica aos bens públicos 
de qualquer espécie, pois na execução por quantiacerta contra a Fazenda Pública o 
pagamento dos credores deve ser feito por meio do regime de precatórios, conforme 
previsto no art. 100, da CRFB. 
O regime dos precatórios foi criado com o objetivo de conciliar, à luz do sistema 
orçamentário brasileiro, a impenhorabilidade dos bens públicos com a necessidade de fazer 
valer as decisões judiciais definitivas que determinem aos entes públicos o pagamento de 
valores a particulares. 
Nesse contexto, o legislador constituinte estipulou uma solução bastante lógica. Ora, 
se as despesas públicas somente podem ser realizadas se houver autorização na lei 
orçamentária, o pagamento de débitos da Fazenda Pública decorrentes de decisão judicial 
transitada em julgado deve considerar tal peculiaridade, sob pena de serem comprometidos 
os recursos orçamentariamente destinados a atender despesas específicas. Nessa linha, 
estabeleceu-se que, passada em julgado a decisão, o juiz comunicará o fato ao Tribunal que 
consolidará em ordem cronológica os casos recebidos até o dia 1º de julho de cada ano e, 
 
por meio do seu Presidente, requisitará ao Chefe do Poder Executivo do ente federado 
devedor a inclusão na respectiva lei orçamentária da dotação destinada ao pagamento, que 
deverá ser realizado até o final do ano subsequente. 
A comunicação é feita ao Chefe do Executivo porque ele detém a iniciativa exclusiva 
das leis orçamentárias (CRFB, art. 165). Já o limite temporal para apresentação do 
precatório de forma a garantir o pagamento no exercício seguinte (1º de julho) decorre da 
necessidade de tempo para a inclusão da dotação no projeto de lei orçamentária, cuja 
propositura é sujeita a prazo (na esfera federal, por exemplo, deve ocorrer até o fim de 
agosto, por conta do disposto no art. 35, § 2º, III, do ADCT). 
Para garantir que a aplicação da sistemática ocorra sem perseguições ou privilégios, o 
art. 100, da CRFB estipula que os pagamentos serão feitos “exclusivamente na ordem 
cronológica de apresentação dos precatórios e à conta dos créditos respectivos, proibida a 
designação de casos ou de pessoas nas dotações orçamentárias e nos créditos adicionais 
abertos para este fim”. 
A única exceção à regra de pagamento por precatório se restringe aos débitos de 
pequeno valor, conforme definido em lei, que devem ser liquidados por meio da 
“Requisição de Pequeno Valor – RPV (art. 100, § 3º, da CRFB). Não obstante, há casos em 
que, apesar de os pagamentos serem submetidos à regra geral dos precatórios, os credores 
terão preferência sobre os demais. Não se trata de agressão ao princípio da isonomia, mas, 
pelo contrário, de sua aplicação no sentido material, de forma a privilegiar o recebimento 
de créditos presumivelmente utilizados para a subsistência das pessoas. 
Foi na esteira desse raciocínio que o legislador constituinte estabeleceu a necessidade 
de pagamento, com preferência sobre todos os demais créditos, daqueles que possuam 
natureza alimentícia. Para afastar a subjetividade que poderia existir na conceituação, o 
mesmo dispositivo estabeleceu que têm natureza alimentícia os créditos “decorrentes de 
salários, vencimentos, proventos, pensões e suas complementações, benefícios 
previdenciários e indenizações por morte ou por invalidez, fundadas em responsabilidade 
civil, em virtude de sentença judicial transitada em julgado” (art. 100, § 1º, da CRFB). 
Além disso, presumindo uma urgência ainda maior no recebimento, o § 2º do mesmo 
dispositivo constitucional estabeleceu que, dentre os precatórios de natureza alimentícia, 
terão preferência aqueles cujos titulares, originários ou por sucessão hereditária, sejam 
pessoas com doença grave ou deficiência (conforme definido em lei), bem como os que 
tenham idade igual ou superior a 60 (sessenta) anos. 
 
Registramos que no texto expresso do dispositivo, com a redação dada pela EC nº 
62/2009, foi previsto que, para gozar da preferência em virtude da idade, o credor deveria 
ter 60 anos ou mais “na data de expedição do precatório”. Entretanto, o STF considerou que 
a restrição é inconstitucional porque “ultraja a isonomia (CRFB, art. 5º, caput) entre os 
cidadãos credores da Fazenda Pública, na medida em que discrimina, sem qualquer 
fundamento, aqueles que venham a alcançar a idade de sessenta anos não na data da 
expedição do precatório, mas sim posteriormente, enquanto pendente este e ainda não 
ocorrido o pagamento”. Assim, todos os que tenham idade superior ou igual a 60 anos, 
independentemente da data em que completaram o requisito, podem ser beneficiários da 
regra (ADI 4.425). 
A aplicação dessas regras de preferência entre os próprios precatórios de natureza 
alimentícia (em virtude de idade, deficiência ou doença grave) somente ocorrerá para 
débitos cujo montante seja de no máximo o triplo do que a lei define como pequeno valor, 
permitindo-se o fracionamento do montante devido para que o credor receba o limite com 
preferência e o restante na ordem de apresentação do precatório. 
Em suma, existem quatro situações diversas quanto ao pagamento de valores devidos 
pelas Fazendas Públicas em virtude de decisão judicial transitada em julgado. Se o crédito é 
de pequeno valor, o pagamento não dependerá de expedição de precatório, realizando-se 
diretamente a Requisição de Pequeno Valor (RPV). Quanto aos demais créditos, o 
pagamento será feito mediante precatório, com três ordens (filas) distintas. 
Em primeiro lugar, serão pagos os créditos de natureza alimentícia cujos titulares 
sejam pessoas com idade igual ou superior a 60 anos ou portadoras de doenças graves; 
posteriormente, será a vez dos demais créditos de natureza alimentícia; por fim, serão 
pagos os créditos que não possuem essa natureza. Repisamos que nas três ordens os 
precatórios devem ser pagos na ordem cronológica da apresentação. 
Por outro lado, nos casos de preterimento de seu direito de precedência ou de não 
alocação orçamentária. Por outro lado, nos casos de preterimento de seu direito de 
precedência ou de não alocação orçamentária do valor necessário à satisfação do seu 
débito, o credor pode requerer ao Presidente do Tribunal que proferir a decisão exequenda 
que autorize o sequestro da quantia necessária à satisfação do débito (CRFB, art. 100, § 6º). 
Registramos que essas são as únicas hipóteses de sequestro de valores públicos previstas na 
Constituição Federal. No entanto, tendo em vista o caráter inadiável que deve ter a 
proteção constitucional dos direitos em jogo, o STJ vem admitindo em seus julgados que, 
em situações excepcionais, seja feito o bloqueio de contas públicas (medida equivalente 
 
ao sequestro) para garantir o custeio de tratamento médico ou fornecimento de 
medicamentos indispensáveis à manutenção da vida ou da saúde (AgRg no REsp 865.089, 
Rel. Min. Francisco Falcão). 
Com o advento da EC nº 62/2009, dentre outras mudanças realizadas na sistemática 
de precatórios (já consideradas na explanação feita neste item), foi estabelecido que, no 
momento da expedição do precatório, deveria ser abatido, “a título de compensação”, o 
valor correspondente aos débitos do credor perante a Fazenda Pública devedora. A 
amplitude da compensação abrangeria até as parcelas não vencidas de parcelamento, 
somente sendo ressalvados os débitos cuja execução estivesse suspensa em virtude de 
contestação administrativa ou judicial. Para garantir o cumprimento da regra, o Tribunal 
responsável pela expedição do precatório solicitaria à Fazenda Pública devedora informação 
sobre os débitos que preenchessem as citadas condições (CRFB, art. 100, §§ 9º e 10). 
O Supremo Tribunal Federal percebeu que a novidade equivaleria a, no interesse 
exclusivo da Fazenda Pública, deixar de cumprir o que foi determinado pelo Judiciário em 
decisão transitada em julgado, sendo, por conseguinte, inconstitucional. Nas palavras da 
própria Suprema Corte, a previsão “embaraça a efetividade da jurisdição (CRFB, art. 5º, 
XXXV), desrespeitaa coisa julgada material (CRFB, art. 5º, XXXVI), vulnera a Separação dos 
Poderes (CRFB, art. 2º) e ofende a isonomia entre o Poder Público e o particular (CRFB, art. 
5º, caput), cânone essencial do Estado Democrático de Direito” (ADI 4.425). 
No julgamento da mesma ADI, o Supremo Tribunal Federal declarou inconstitucional o 
“regime especial de pagamento de precatórios” pelos Estados e Municípios previsto pela EC 
nº 62/2009 mediante inclusão do art. 97 ao ADCT. O novo regime criava a possibilidade de 
os entes federados optarem por pagar os valores de precatórios vencidos na data da 
promulgação da Emenda num período de tempo que poderia durar até 15 anos, limitando a 
um percentual da receita corrente líquida os montantes que poderiam ser gastos para o 
pagamento. Para a Corte Suprema, a previsão, “ao veicular nova moratória na quitação dos 
débitos judiciais da Fazenda Pública e ao impor o contingenciamento de recursos para esse 
fim, viola a cláusula constitucional do Estado de Direito (CRFB, art. 1º, caput), o princípio da 
Separação de Poderes (CRFB, art. 2º), o postulado da isonomia (CRFB, art. 5º), a garantia do 
acesso à justiça e a efetividade da tutela jurisdicional (CRFB, art. 5º, XXXV), o direito 
adquirido e à coisa julgada (CRFB, art. 5º, XXXVI)”. 
 
 
4.3 - IMPRESCRITIBILIDADE (IMPOSSIBILIDADE DE USUCAPIÃO) 
Outra característica de todo e qualquer bem público é a sua imprescritibilidade, ou 
seja, a impossibilidade de ser adquirido por meio de usucapião (prescrição aquisitiva). A 
usucapião é instituto jurídico que permite àquele que possua determinado bem, sob certas 
condições e durante certo tempo, a aquisição da propriedade. 
A regra constitucional da imprescritibilidade dos bens públicos não possui exceção, e 
a qualquer tempo o ente público pode reivindicar algum bem de sua propriedade que esteja 
na posse de terceiros. 
 
 
Trata-se de disposição expressa 
tanto no Código Civil como em alguns 
trechos da Constituição Federal. 
Vejamos: 
Art. 183. Aquele que possuir como sua área urbana de até duzentos e cinquenta 
metros quadrados, por cinco anos, ininterruptamente e sem oposição, utilizando-a 
para sua moradia ou de sua família, adquirir-lhe-á o domínio, desde que não seja 
proprietário de outro imóvel urbano ou rural. (...) 
§ 3º Os imóveis públicos não serão adquiridos por usucapião. 
 
Art. 191. Aquele que, não sendo proprietário de imóvel rural ou urbano, possua como 
seu, por cinco anos ininterruptos, sem oposição, área de terra, em zona rural, não 
superior a cinquenta hectares, tornando-a produtiva por seu trabalho ou de sua 
família, tendo nela sua moradia, adquirir-lhe-á a propriedade. 
Parágrafo único. Os imóveis públicos não serão adquiridos por usucapião. 
 
Já o Código Civil, conforme já visto, estabelece que: 
Art. 102. Os bens públicos não estão sujeitos a usucapião. 
 
Os bens públicos não podem ser 
adquiridos por usucapião. 
Não há exceções! 
 
A Constituição Federal previu, nos arts. 183, § 3º, e 191, parágrafo único, que os 
imóveis públicos não serão adquiridos por usucapião, não fazendo referência aos bens 
públicos móveis. Contudo, não há dúvidas na doutrina e na jurisprudência de que todos os 
bens públicos são imprescritíveis, conforme disposto no art. 102 do Código Civil de 2002 
que, sem prever qualquer exceção, assevera que “os bens públicos não estão sujeitos a 
usucapião”. Tal entendimento é aplicável, inclusive, para os bens dominicais, tendo o 
Supremo Tribunal Federal cristalizado a tese mesmo durante a vigência do Código Civil de 
1916, mediante a edição da Súmula nº 340, nos termos a seguir transcritos: 
Súmula nº 340/STF – “Desde a vigência do Código Civil, os bens dominicais, como os 
demais bens públicos, não podem ser adquiridos por usucapião”. 
 
4.4 - NÃO ONERABILIDADE 
Onerar um bem é dá-lo em garantia ao credor para o caso de inadimplemento da 
obrigação. 
Os bens públicos não podem ser dados em garantia para o caso de inadimplemento de 
obrigação. Assim, os bens públicos não podem ser objeto de penhor, hipoteca ou 
anticrese, que são espécies de direito real de garantia. Justamente por isso é que se fala 
que uma das suas características é a não onerabilidade. 
O fundamento constitucional para a não onerabilidade dos bens públicos é que, se 
esta fosse admissível, com o ajuizamento da ação judicial, as garantias reais se 
transformariam em penhora, o que não é possível tendo em vista a já estudada 
impenhorabilidade dos bens públicos. 
(FCC - Juiz do Trabalho/TRT 1ª Região/2012) Considerando o regime jurídico ao qual se 
submetem os bens públicos, os bens imóveis sem destinação de propriedade de sociedade 
de economia mista controlada pela União são: 
a) impenhoráveis e inalienáveis. 
b) inalienáveis, porém passíveis de penhora. 
c) imprescritíveis e impenhoráveis, porém alienáveis, observadas as exigências legais. 
d) inalienáveis e impenhoráveis, salvo em função de dívidas trabalhistas. 
e) alienáveis e passíveis de penhora, observadas as exigências legais. 
 
Comentários: 
As sociedades de economia mistas são pessoas jurídicas de direito privado. 
A regra é que seus bens não afetados à uma finalidade pública, em virtude de não serem 
bens públicos, não são impenhoráveis e muito menos inalienáveis. É possível que sobre 
um bem de uma sociedade de economia seja feita penhora e alienação. Aprofundaremos 
este ponto adiante. 
Gabarito: alternativa “E”. 
(FCC - Juiz do Trabalho/TRT 18ª Região/2014 - ADAPTADA) No tocante ao regime legal dos 
bens das entidades pertencentes à Administração pública, é correto afirmar: 
a) Os bens pertencentes a autarquia são impenhoráveis, mesmo para satisfação de 
obrigações decorrentes de contrato de trabalho regido pela Consolidação da Legislação 
Trabalhista. 
b) Os bens pertencentes às entidades da Administração indireta são bens privados e, 
portanto, passíveis de penhora. 
c) A imprescritibilidade é característica que se aplica tão somente aos bens públicos de uso 
comum e especial, não atingindo os bens dominicais. 
d) A regra da imprescritibilidade dos bens públicos, por ter origem legal, não se aplica ao 
instituto da usucapião especial urbana, de status constitucional. 
Comentários: 
Pode-se dizer que os bens públicos compreendem os bens de propriedade das pessoas 
jurídicas de direito público, logo os bens de autarquias municipais, estaduais, da União e 
do Distrito Federal são bens públicos e como tais, dotados de impenhorabilidade. 
Gabarito: letra “A”. 
(FCC - Procurador do Banco Central do Brasil/BACEN/2006) Exceções constitucionais à 
regra da imprescritibilidade dos imóveis públicos 
a) são os terrenos de marinha. 
b) não há. 
c) são as terras devolutas. 
d) são os prédios declarados inservíveis. 
e) são os bens adquiridos por execução judicial ou dação em pagamento. 
Comentários: 
Simples, direto e objetivo - os bens públicos não podem ser adquiridos por usucapião. 
Não há exceções! 
 
Gabarito: letra “B”. 
(FCC – JT - TRT 6ª REGIÃO/TRT 6/2013) Paulo, proprietário de terreno lindeiro a uma área 
abandonada de titularidade da União, passou a ocupar e exercer a vigilância da referida 
área, sem sofrer qualquer oposição da União. Considerando o regime jurídico dos bens 
públicos, Paulo 
a) não poderá usucapir a área, haja vista a impossibilidade de oneração dos bens públicos, 
que só pode ser afastada por lei específica. 
b) poderá usucapir a área, observados os prazos e requisitos legais, desde que a mesma não 
esteja afetada a finalidade pública específica. 
c) poderá usucapir a área, mediante o instituto da investidura, se comprovado que o 
terreno é inaproveitável. 
d) não poderá usucapir a área, haja vista a imprescritibilidade dos bens públicos, seja qual 
for a sua natureza. 
e) somente poderá usucapir a área se a mesma for remanescente de desapropriação ou de 
obra pública e não comportar, isoladamente, aproveitamento para edificação urbana. 
Comentários:Como já explanado em nossa aula, os bens públicos são dotados de imprescritibilidade e, 
exatamente por isto, não podem ser adquiridos por usucapião. Assim, as alternativas B, C 
e E são falsas. 
A letra A está falsa, eis que os bens públicos também não podem ser onerados (dados 
como garantia real). 
Gabarito: letra “D”. 
(FCC – Juiz Estadual TJAL/TJ AL/2015) No ano de 1963, o Supremo Tribunal Federal adotou, 
em sua Súmula, o seguinte enunciado, sob o no 340: Desde a vigência do Código Civil, os 
bens dominicais, como os demais bens públicos, não podem ser adquiridos por usucapião. 
Independentemente de eventual opinião doutrinária minoritária em sentido contrário, tal 
conclusão, atualmente, 
a) mostra-se superada, eis que a Constituição Federal prevê a não sujeição à usucapião dos 
bens públicos imóveis, mas o Código Civil admite tal sujeição em relação aos bens públicos 
dominicais móveis ou semoventes. 
b) mostra-se superada, eis que vigora novo Código Civil. 
c) resta compatível com o direito vigente, eis que a Constituição Federal prevê a não 
sujeição à usucapião dos bens públicos imóveis, e o Código Civil prevê a mesma não 
sujeição quanto aos bens públicos em geral, sem excepcionar os dominicais. 
 
d) mostra-se superada, eis que a Constituição Federal excepciona os bens dominicais da não 
sujeição à usucapião. 
e) resta compatível com o direito vigente, eis que a Constituição Federal prevê a não 
sujeição à usucapião dos bens públicos em geral, superando, nesse ponto, disposição do 
Código Civil em sentido contrário. 
Comentários: 
Questão simples, mas com necessidade de domínio do conteúdo. 
A imprescritibilidade é uma das principais características dos bens públicos e não há 
exceção sobre tal característica. 
O STF editou a Súmula nº 340 que possui o entendimento segundo o qual até mesmo os 
bens dominicais, que são desafetados, sem finalidade pública alguma a eles atrelada 
(consoante será explicado adiante) são imprescritíveis. Vejamos o enunciado da súmula: 
Súmula nº 340 - Desde a vigência do Código Civil, os bens dominicais, como os demais 
bens públicos, não podem ser adquiridos por usucapião. 
 
Referida súmula encontra-se perfeitamente válida em nosso ordenamento jurídico tento 
em vista os artigos da Constituição Federal e o artigo do Código Civil já acima elencados. 
Gabarito: letra “C”. 
(FCC - Juiz Estadual/TJ CE/2014) Acerca dos bens públicos, é correto afirmar: 
a) A imprescritibilidade é característica dos bens públicos de uso comum e de uso especial, 
sendo usucapíveis os bens pertencentes ao patrimônio disponível das entidades de direito 
público. 
b) As terras devolutas indispensáveis à preservação ambiental constituem, nos termos do 
art. 225, caput, da Constituição Federal, bem de uso comum do povo. 
c) Os bens pertencentes aos Conselhos Federais e Regionais de Fiscalização são bens 
públicos, insuscetíveis de constrição judicial para pagamentos de dívidas dessas entidades. 
d) Os bens das representações diplomáticas dos Estados estrangeiros e de Organismos 
Internacionais são considerados bens públicos, para fins de proteção legal. 
e) Os imóveis pertencentes à Petrobrás, sociedade de economia mista federal, são 
considerados bens públicos, desde que situados no Território Nacional. 
Comentários: 
 
Os conselhos profissionais possuem personalidade jurídica de direito público que exercem 
poder disciplinar sobre os integrantes da categoria profissional, além de possuírem 
autonomia administrativa e financeira. 
A Administração Pública descentralizou seu poder de fiscalização para estes entes que, 
por terem personalidade jurídica de direito público, seus bens são formalmente 
considerados bens públicos. Neste sentido, registramos: 
“ADMINISTRATIVO. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSELHO DE FISCALIZAÇÃO 
PROFISSIONAL. EXIGÊNCIA DE CONCURSO PÚBLICO. ART. 37, II, DA CRFB. NATUREZA 
JURÍDICA. AUTARQUIA. FISCALIZAÇÃO. ATIVIDADE TÍPICA DE ESTADO. 1. Os conselhos de 
fiscalização profissional, posto autarquias criadas por lei e ostentando personalidade 
jurídica de direito público, exercendo atividade tipicamente pública, qual seja, a 
fiscalização do exercício profissional, submetem-se às regras encartadas no artigo 37, 
inciso II, da CF/88, quando da contratação de servidores. 2. Os conselhos de fiscalização 
profissional têm natureza jurídica de autarquias, consoante decidido no MS 22.643, 
ocasião na qual restou consignado que: (i) estas entidades são criadas por lei, tendo 
personalidade jurídica de direito público com autonomia administrativa e financeira; (ii) 
exercem a atividade de fiscalização de exercício profissional que, como decorre do 
disposto nos artigos 5º, XIII, 21, XXIV, é atividade tipicamente pública; (iii) têm o dever de 
prestar contas ao Tribunal de Contas da União. (...)” (RExt 539.224, Rel. Min. LUIZ FUX) 
(sem grifos no original) 
Gabarito: letra “C”. 
(FCC - Procurador do Tribunal de Contas do Município do Rio de Janeiro/2015) Uma 
concessionária de serviço de distribuição de energia elétrica estava, em razão de atraso na 
recomposição de equilíbrio econômico-financeiro já reconhecido pelo poder concedente, 
com fluxo de caixa negativo, o que ocasionou inadimplência de muitos compromissos, 
especialmente trabalhistas. Para garantia de alguns débitos, foram penhorados bens 
imóveis afetados ao serviço concedido. Esses bens 
a) têm natureza de bens públicos sujeitos ao regime jurídico de direito privado, porque 
penhoráveis, cabendo ao poder concedente zelar e providenciar o necessário para que a 
prestação do serviço público não seja interrompida. 
b) podem receber proteção do regime jurídico de direito público em razão de sua afetação 
à prestação de serviço público e, portanto, à concessão, mesmo pertencendo a pessoa 
jurídica de direito privado na condição de bens reversíveis. 
c) dependem de autorização legislativa para serem penhorados, porque consistem em bens 
públicos de uso especial, de modo que dependem de prévia desafetação. 
d) têm natureza de bens privados dominicais, porque apesar de estarem afetados a 
prestação de um serviço público, pertencem a pessoa jurídica de direito privado. 
 
e) pertencem, obrigatoriamente, por expressa disposição legal, ao poder concedente 
durante toda a vigência do contrato de concessão de serviço público, ficando registrados 
em nome do titular do serviço público, que deverá impugnar as penhoras como terceiro. 
Comentários: 
A sociedade empresarial objeto da questão é uma concessionária de serviço de 
distribuição de energia elétrica, uma pessoa jurídica de direito privado, seus bens não são 
públicos. Contudo, os bens penhorados são afetados à realização do serviço e, embora 
bem particulares, gozam das regras próprias do regime jurídico de bens públicos. 
Neste sentido, anotamos: 
“O recorrente foi denunciado perante a Justiça comum estadual pela prática de 
receptação dolosa de uma balança de precisão furtada da Empresa de Correios e 
Telégrafos (ECT). (...) Primeiro, note-se que as empresas estatais (empresas públicas e 
sociedades de economia mista) são dotadas de personalidade jurídica de direito privado, 
mas possuem regime híbrido, a depender da finalidade da estatal: se presta serviço 
público ou explora a atividade econômica, predominará o regime público ou o privado. É 
certo que a ECT é empresa pública, pessoa jurídica de direito privado, prestadora de 
serviço postal, que, conforme o art. 21, X, da CRFB, é de natureza pública e essencial, 
encontrando-se aquela empresa, por isso, sob o domínio do regime público. Ela é mantida 
pela União e seus bens pertencem a essa mantenedora, consubstanciam propriedade 
pública e estão integrados à prestação de serviço público. Daí que eles são insusceptíveis 
de qualquer constrição que afete a continuidade, regularidade e qualidade da prestação 
do serviço. Nesse contexto, vê-se que é plenamente justificada a tutela a bens, serviços e 
interesses da União diante do furto de bem pertencente à ECT, razãopela qual se atraiu a 
competência da Justiça Federal (art. 109, IV, da CRFB), vista a conexão entre o furto 
(principal) e a receptação em questão (acessório). Também se acha albergada nessa 
tutela a incidência da referida majorante, não se podendo falar que foi dada, no caso, 
uma interpretação extensiva desfavorável ao conceito de bens da União. (...) Precedentes 
citados do STF: AgRg no RE 393.032-MG, DJe 18/12/2009; RE 398.630-SP, DJ 17/9/2004, e 
QO na ACO 765-RJ, DJe 4/9/2009.” (REsp 894.730 Rel. originária Min. Laurita Vaz, Rel. 
para acórdão Min. Arnaldo Esteves Lima) 
 
Além disso, encontramos na jurisprudência do STF uma tendência a se aplicar algumas 
prerrogativas de direito público às empresas estatais que prestam serviços públicos em 
regime não concorrencial. Apenas para se ter uma ideia, tanto o Superior Tribunal de 
Justiça quanto o Supremo Tribunal Federal entenderam que a Empresa Brasileira de 
Correios e Telégrafos (ECT), em que pese ser constituída sob a forma de empresa pública, 
está abrangida dentro do conceito de Fazenda Pública. 
É que, por prestar de forma exclusiva serviço público de competência da União (art. 21, 
inciso X, da CRFB), não desempenha a ECT atividade econômica, segundo entenderam os 
 
julgadores. Assim, os Correios estariam incluídos no conceito de Fazenda Pública, gozando 
de todos os benefícios e prerrogativas processuais inerentes, conforme sedimentou o STF: 
“(...) 2. O Pleno do Supremo Tribunal Federal declarou, quando do julgamento do RE 
220.906, Relator o Ministro MAURÍCIO CORRÊA, DJ 14.11.2002, à vista do disposto no 
artigo 6o do decreto-lei nº 509/69, que a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos é 
"pessoa jurídica equiparada à Fazenda Pública, que explora serviço de competência da 
União" (CRFB, artigo 21, X)”. (STF, ACO 765, Rel. Min. MARCO AURÉLIO) 
Ainda é cedo para se afirmar que toda e qualquer empresa estatal que preste serviço 
público em regime não concorrencial deve ser considerada como ente integrante da 
Fazenda Pública e, portanto, ter seus bens submetidos a tal regime jurídico. Contudo, é 
cada vez mais comum o deferimento de benefícios aplicáveis apenas às pessoas jurídicas 
de direito público também a empresas estatais. 
A título de exemplo, analisando o caso concreto referente à Companhia de Águas do 
Estado de Alagoas, o STF entendeu ser possível a sujeição das execuções desta ao regime 
de precatórios. Em decisão divulgada no Info nº 812, o STF entendeu que às sociedades de 
economia mista prestadoras de serviço público próprio do Estado e de natureza não 
concorrencial devem ser aplicadas o regime de precatórios. Neste sentido: 
“Agravo regimental no recurso extraordinário. Constitucional. Sociedade de economia 
mista. Regime de precatório. Possibilidade. Prestação de serviço público próprio do 
Estado. Natureza não concorrencial. Precedentes. 1. A jurisprudência da Suprema Corte é 
no sentido da aplicabilidade do regime de precatório às sociedades de economia mista 
prestadoras de serviço público próprio do Estado e de natureza não concorrencial. 2. A 
CASAL, sociedade de economia mista prestadora de serviços de abastecimento de água e 
saneamento no Estado do Alagoas, presta serviço público primário e em regime de 
exclusividade, o qual corresponde à própria atuação do estado, haja vista não visar à 
obtenção de lucro e deter capital social majoritariamente estatal. Precedentes. 3. Agravo 
regimental não provido.” (RExt 852.302, Rel. Min. DIAS TOFFOLI) 
Gabarito: letra “B”. 
(FCC - Juiz Estadual/TJ PI/2015) Nos termos do Código Civil, é consequência do caráter de 
“uso comum do povo” de um bem público, por contraste com os bens dominicais, a: 
a) possibilidade de integrar o patrimônio de pessoas jurídicas de direito público a que se 
tenha dado estrutura de direito privado. 
b) necessária gratuidade do uso. 
c) impossibilidade de alienação. 
d) insuscetibilidade à usucapião. 
e) possibilidade de integrar o patrimônio de pessoas jurídicas da Administração Direta. 
 
Comentários: 
Para que um bem de uso comum do povo possa ser alienado, necessária a sua 
desafetação de uma finalidade pública. Por outro lado, os bens dominicais já estão 
desafetados e, portanto, passíveis de alienação, observados os requisitos legais. 
Gabarito: letra “C”. 
(FCC - Procurador do Tribunal de Contas de Rondônia/TCE RO/2010) Dentre as 
características inerentes ao regime jurídico aplicável aos bens públicos pode-se afirmar que: 
a) a inalienabilidade aplica-se aos bens de uso comum do povo e aos bens de uso especial 
enquanto conservarem essa qualificação, passando a condição de alienáveis com a 
desafetação. 
b) a inalienabilidade é absoluta, na medida em que a alienação de todo e qualquer bem 
público pressupõe sua prévia desafetação e ingresso no regime jurídico de direito privado. 
c) a impenhorabilidade é absoluta, aplicando-se indistintamente a todos os bens de 
titularidade da Administração Direta e Indireta. 
d) a imprescritibilidade é relativa, na medida em que os bens dominicais da Administração 
Direta podem ser objeto de usucapião. 
e) tanto a impenhorabilidade quanto a imprescritibilidade são relativas em relação a 
Administração Direta, uma vez que aplicáveis apenas e tão somente aos bens de uso 
comum do povo e bens de uso especial. 
Comentários: 
Como característica dos bens públicos, temos a inalienabilidade. Os bens públicos, em 
geral, não podem ter a sua propriedade transmitida. Entretanto, essa característica, 
diferentemente da imprescritibilidade, não é absoluta. 
Há a possibilidade de um bem público ser alienado, nos termos dos artigos 100 e 101 do 
Código Civil: 
 
Art. 100. Os bens públicos de uso comum do povo e os de uso especial são inalienáveis, 
enquanto conservarem a sua qualificação, na forma que a lei determinar. 
Art. 101. Os bens públicos dominicais podem ser alienados, observadas as exigências da 
lei. 
Gabarito: letra “A”. 
(FCC - Procurador do Estado do Mato Grosso/PGE MT/2011) Os bens imóveis pertencentes 
à Administração Pública: 
 
a) são inalienáveis, quando de uso comum do povo e de uso especial, enquanto mantida a 
afetação ao serviço público. 
b) podem ser alienados mediante autorização legal prévia, exceto os bens dominicais. 
c) são impenhoráveis, exceto os de titularidade de autarquias e fundações. 
d) não podem ser objeto de subsequente afetação a serviço público, quando anteriormente 
de uso privativo da Administração. 
e) podem ser objeto de utilização por particular, total ou parcial, desde que em caráter 
precário e a título oneroso. 
Comentários: 
A alternativa correta pode ser verificada a partir do artigo 100 do Código Civil: 
Art. 100 - Os bens públicos de uso comum do povo e os de uso especial são inalienáveis, 
enquanto conservarem a sua qualificação, na forma que a lei determinar. 
Gabarito: letra “A”. 
 
5 - AFETAÇÃO X DESAFETAÇÃO 
A afetação e a desafetação são fatos administrativos dinâmicos que indicam a 
alteração das finalidades do bem público. 
Também podem ser denominados de consagração ou desconsagração. 
Importante se estudar o instituto da afetação eis que possui consequência direta na 
inalienabilidade do bem público. Os bens públicos afetados (que possuem uma destinação 
específica) não podem, enquanto permanecerem nesta situação ser alienados. 
Assim, os bens de uso comum do povo e os bens de uso especial não são suscetíveis 
de alienação enquanto assim estiverem destinados. Por outro lado, acaso ocorra a sua 
desafetação, tais bens serão considerados bens dominicais e poderão ser alienados, por 
não estarem afetados a um fim público. 
Apesar da afetação ser possível pela simples destinação do bem, pelo uso, a 
desafetação não é admitida pela doutrina pelo simples fato do não uso. 
Para o professor Celso Antônio Bandeira de Melo em virtude do instituto da 
desafetação retirar a proteção do bem público quanto a indisponibilidade e 
 
inalienabilidade, tornando-o mais vulnerável às ingerênciasadministrativas, seria necessária 
uma maior cautela para que esse bem fosse desafetado. 
Para o Autor em caso de desafetação de um: 
a) Bem de uso comum do povo – seria necessária uma lei ou um ato do Executivo 
previamente autorizado por lei; 
 
b) Bem de uso especial – trata-se de situação mais amena, sendo necessária uma 
lei ou um ato do Poder Executivo. 
 
Ressalte-se que o fato de os bens públicos estarem desafetados não interfere nas 
características de impenhorabilidade e imprescritibilidade. 
Tais bens continuam sendo impenhoráveis e não passíveis de usucapião. 
A afetação ou desafetação expressa é veiculada por lei ou ato administrativo, 
enquanto a tácita é realizada por atuação direta da Administração, sem manifestação 
expressa de sua vontade, ou em razão de fenômeno natural. A título de exemplo, o Poder 
Público, pretendendo instalar escola pública, pode editar um decreto destinando 
determinado imóvel para tal finalidade (afetação expressa) ou, simplesmente, instalar de 
fato a escola no imóvel de sua propriedade sem qualquer manifestação prévia de vontade 
(afetação tácita). Por outro lado, pode ocorrer a afetação ou desafetação em razão de 
fenômenos naturais, como um terremoto que destruiu uma repartição pública (desafetação 
tácita) ou uma ilha que se formou naturalmente, em razão de depósito de sedimentos em 
área pertencente a ente público, passando a ser de uso comum do povo (afetação tácita). Já 
em alguns casos os bens públicos podem ser afetados ao uso comum em razão da sua 
própria natureza ou do seu destino natural (ex.: mares e rios). 
Por fim, conforme afirmou a FCC (MPE-PB 2015): 
Na desafetação, o bem é subtraído à dominialidade pública para ser 
incorporado ao domínio privado, do Estado ou do administrado. 
 
 
 
 Em muitas questões de concursos, as bancas procuram confundir o candidato 
quanto ao tema bens públicos. Basicamente se discute a natureza jurídica dos bens das 
sociedades de economia mista e das empresas públicas. 
Estas, a princípio devem ser consideradas entes privados nos termos do artigo 173 da 
Constituição Federal: 
Art. 173. Ressalvados os casos previstos nesta Constituição, a exploração direta 
de atividade econômica pelo Estado só será permitida quando necessária aos 
imperativos da segurança nacional ou a relevante interesse coletivo, conforme 
definidos em lei. 
§ 1º A lei estabelecerá o estatuto jurídico da empresa pública, da sociedade de 
economia mista e de suas subsidiárias que explorem atividade econômica de 
produção ou comercialização de bens ou de prestação de serviços, dispondo 
sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) 
II - a sujeição ao regime jurídico próprio das empresas privadas, inclusive 
quanto aos direitos e obrigações civis, comerciais, trabalhistas e tributários; 
 
Assim, se privados os bens das empresas estatais, a eles não se aplica o regime jurídico 
relativo aos bens públicos. 
Encontramos, inclusive, julgados no Supremo Tribunal Federal neste sentido: 
CONSTITUCIONAL. ATO DO TCU QUE DETERMINA TOMADA DE CONTAS ESPECIAL 
DE EMPREGADO DO BANCO DO BRASIL - DISTRIBUIDORA DE TÍTULOS E VALORES 
MOBILIÁRIOS S.A., SUBSIDIÁRIA DO BANCO DO BRASIL, PARA APURAÇÃO DE 
"PREJUÍZO CAUSADO EM DECORRÊNCIA DE OPERAÇÕES REALIZADAS NO 
MERCADO FUTURO DE ÍNDICES BOVESPA". ALEGADA INCOMPATIBILIDADE DESSE 
PROCEDIMENTO COM O REGIME JURÍDICO DA CLT, REGIME AO QUAL ESTÃO 
SUBMETIDOS OS EMPREGADOS DO BANCO. O PREJUÍZO AO ERÁRIO SERIA 
INDIRETO, ATINGINDO PRIMEIRO OS ACIONISTAS. O TCU NÃO TEM 
COMPETÊNCIA PARA JULGAR AS CONTAS DOS ADMINISTRADORES DE ENTIDADES 
DE DIREITO PRIVADO. A PARTICIPAÇÃO MAJORITÁRIA DO ESTADO NA 
COMPOSIÇÃO DO CAPITAL NÃO TRANSMUDA SEUS BENS EM PÚBLICOS. OS 
BENS E VALORES QUESTIONADOS NÃO SÃO OS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA, 
MAS OS GERIDOS CONSIDERANDO-SE A ATIVIDADE BANCÁRIA POR DEPÓSITOS 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc19.htm#art22
 
DE TERCEIROS E ADMINISTRADOS PELO BANCO COMERCIALMENTE. ATIVIDADE 
TIPICAMENTE PRIVADA, DESENVOLVIDA POR ENTIDADE CUJO CONTROLE 
ACIONÁRIO É DA UNIÃO. AUSÊNCIA DE LEGITIMIDADE AO IMPETRADO PARA 
EXIGIR INSTAURAÇÃO DE TOMADA DE CONTAS ESPECIAL AO IMPETRANTE. 
MANDADO DE SEGURANÇA DEFERIDO. (MS 23.875, Rel. Min. CARLOS VELLOSO) 
(sem grifos no original) 
 
(PGT, Procurador, 2006 - adaptada) Julgue o item que segue: 
( ) os bens dominicais não são passíveis de afetação. 
Comentários: 
Os bens dominicais são bens que, embora constituam patrimônio público, não possuem 
uma destinação pública determinada mas podem vir a ter. Exemplos: terras devolutas, 
prédios públicos desativados e móveis inservíveis. 
Gabarito: Incorreta. 
(PGT, Procurador, 2006 - adaptada) Julgue o item que segue: 
( ) afetação é a destinação do bem público à satisfação das necessidades coletivas e 
estatais, do que deriva sua inalienabilidade, decorrendo da própria natureza do bem ou de 
um ato estatal unilateral. 
Comentários: 
O item expõe o significado doutrinário de afetação. 
Gabarito: Correto. 
 
6 - ALIENAÇÃO 
A alienação de bens públicos é a transferência de sua propriedade a terceiros. Como já 
visto, os bens públicos são sujeitos à alienabilidade condicionada (podem ser alienados 
desde que desafetados e observados os requisitos legais), salvo os casos em que isto é 
materialmente impossível (ex.: não é possível alienar o mar). As regras básicas sobre 
alienação de bens públicos estão dispostas nos arts. 17 a 19 da Lei de Licitações e Contratos 
(Lei nº 8.666/1993). 
De acordo com o artigo 100, do Código Civil: 
 
Art. 100. Os bens públicos de uso comum do povo e os de uso especial são 
inalienáveis, enquanto conservarem a sua qualificação, na forma que a lei 
determinar. 
 
Assim, os bens de uso comum do povo e de uso especial seriam inalienáveis, salvo se 
perderem tal condição transmudando-se para bens dominicais. Estes, nos termos do artigo 
101, do Código Civil, podem ser alienados, observadas as exigências da lei: 
Art. 101. Os bens públicos dominicais podem ser alienados, observadas as 
exigências da lei. 
 
Os bens dominicais, como já comentado, são aqueles bens do Estado que são 
desafetados, não possuem uma destinação pública específica e que podem ser utilizados 
pela Administração Pública para fazer renda. 
É possível inferir, portanto, que tais bens são bens patrimoniais disponíveis, diante da 
sua natureza patrimonial e da não afetação a determinada finalidade pública. Tais bens 
podem sim ser alienados, respeitando as condições legais. 
No caso de bens públicos imóveis, a alienação dependerá da existência dos seguintes 
requisitos: 
a) interesse público devidamente justificado; 
b) avaliação prévia; 
c) autorização legislativa; e 
d) licitação na modalidade concorrência (que é dispensada nas hipóteses previstas 
no art. 17, I, da Lei nº 8.666/1993 e no caso de retrocessão). Se o imóvel tiver sido 
adquirido por meio de procedimentos judiciais ou dação em pagamento, não haverá 
necessidade de autorização legislativa, e o poder público, além da concorrência, 
também poderá aliená-lo por meio de leilão, nos termos do art. 19 da Lei nº 
8.666/1993. 
 
Quando se tratar da alienação de bens públicos móveis, a autorização legislativa não 
é necessária. Os requisitos exigidos são: 
a) interesse público; 
 
b) avaliação prévia; e 
c) licitação, que será dispensada nas hipóteses contempladas no art. 17, II, da Lei nº 
8.666/1993. No caso de alienação de bens móveis, a Lei alude apenas a licitação, o que 
poderia levar à interpretação de que a modalidade licitatória dependeria do valor de 
avaliação do bem. Não obstante, pensamos que o melhor entendimento é o de Marçal 
Justen Filho6, segundo o qual a alienação de bens móveis só pode ser feita por meio 
das modalidades licitatórias do leilão ou da concorrência, uma vez que o convite e a 
tomada de preços são modalidades que restringem a livre participação de 
interessados.Digno de nota que o leilão somente pode ser utilizado para a alienação 
de bens móveis da administração avaliados, isolada ou globalmente, em quantia não 
superior a R$ 1.430.000,00 (um milhão, quatrocentos e trinta mil reais, conforme 
Decreto nº 9.412, de 18 de junho de 2018), para valores superiores é obrigatória a 
realização de licitação na modalidade da concorrência. 
 
E quais os requisitos legais para alienação de um bem dominical? 
De acordo com o artigo 17, da Lei nº 8.666/1993, os requisitos legais para alienação de 
bens públicos são: 
i. Demonstração do interesse público; 
ii. Prévia avaliação; 
iii. Licitação; 
iv. E, em caso de bens imóveis, prévia autorização legislativa; 
 
 
(PGE-GO, Procurador do Estado, 2013) Quanto à alienação de bens públicos, é CORRETO 
afirmar: 
a) Os bens públicos de pequeno valor, inservíveis para a administração, podem ser 
alienados a qualquer interessado, mediante ajuste verbal. 
b) A venda de bens imóveis, entre outros requisitos, depende de avaliação prévia, 
autorização legislativa e, como regra, licitação na modalidade de concorrência pública. 
c) Os bens públicos móveis podem ser alienados independentemente de avaliação. 
 
6 Marçal Justen Filho, Comentários à Lei de Licitações e Contratos Administrativos, p. 177. 
 
d) A venda de imóvel público exige licitação mesmo na hipótese de investidura. 
e) A alienação de bens de uso especial independe de desafetação. 
Comentários: 
a) ERRADO. 
Art. 60, parágrafo único, da Lei nº 8.666/1993 - É nulo e de nenhum efeito o contrato 
verbal com a Administração, salvo o de pequenas compras de pronto pagamento, assim 
entendidas aquelas de valor não superior a 5% (cinco por cento) do limite estabelecido no 
art. 23, inciso II, alínea "a" desta Lei, feitas em regime de adiantamento. 
b) CERTO. 
Art. 17, da Lei nº 8.666/1993 - A alienação de bens da Administração Pública, subordinada 
à existência de interesse público devidamente justificado, será precedida de avaliação e 
obedecerá às seguintes normas: 
I - quando imóveis, dependerá de autorização legislativa para órgãos da administração 
direta e entidades autárquicas e fundacionais, e, para todos, inclusive as entidades 
paraestatais, dependerá de avaliação prévia e de licitação na modalidade de 
concorrência, dispensada está nos seguintes casos: 
c) ERRADO. 
Art. 17, inciso II, da Lei nº 8.666/1993 - quando móveis, dependerá de avaliação prévia e 
de licitação, dispensada está nos seguintes casos: 
d) ERRADO. 
Art. 17, da Lei nº 8.666/1993 - A alienação de bens da Administração Pública, subordinada 
à existência de interesse público devidamente justificado, será precedida de avaliação e 
obedecerá às seguintes normas: 
I - quando imóveis, dependerá de autorização legislativa para órgãos da administração 
direta e entidades autárquicas e fundacionais, e, para todos, inclusive as entidades 
paraestatais, dependerá de avaliação prévia e de licitação na modalidade de 
concorrência, dispensada está nos seguintes casos: d) investidura; 
e) ERRADO. 
Art. 100, do CC - Os bens públicos de uso comum do povo e os de uso especial são 
inalienáveis, enquanto conservarem a sua qualificação, na forma que a lei determinar. 
Gabarito: letra “B”. 
 
 
7 - AQUISIÇÃO 
A forma de aquisição da propriedade pode ser originária ou derivada. 
É originária quando não há qualquer manifestação de vontade do anterior 
proprietário, não havendo relação jurídica deste com o adquirente. 
Assim, como não há transmissão de uma pessoa para outra, não é necessário título de 
transferência e não há vínculo com o passado, de forma que o bem é adquirido sem 
qualquer restrição, sem qualquer ônus (são exemplos a usucapião e a acessão). 
Em contrapartida, a aquisição é derivada quando resulta de transmissão de uma 
pessoa para outra, havendo necessária relação jurídica entre alienante e adquirente. Nesse 
caso, é imprescindível a existência de título de transmissão comprobatório do vínculo entre 
os sujeitos (ex.: compra e venda, sucessão causa mortis). 
Tomando como base a sistematização adotada pelo professor José dos Santos 
Carvalho Filho, podemos afirmar que as principais formas mediante as quais o Poder 
Público adquire bens são as seguintes: 
1) Contratos – O instrumento contratual é utilizado pelo Poder Público nos casos de 
compra e venda, doação, permuta e dação em pagamento. Ressaltamos que a assinatura do 
contrato não tem como efeito a transmissão automática da propriedade daqueles bens, 
sendo necessário para tanto o registro no Cartório de Registro de Imóveis (para bens 
imóveis; art. 1.245 do Código Civil) ou a tradição (para bens móveis; art. 1.267 do Código 
Civil). 
2) Usucapião – Não obstante a impossibilidade de os bens públicos serem objeto de 
usucapião, não há impeditivo para que o Poder Público adquira bens por meio do instituto, 
bastando que cumpra os requisitos previstos em lei (normalmente a posse pacífica por 
determinado período de tempo, em alguns casos de boa-fé). 
3) Desapropriação – Ocorre quando o Poder Público, no exercício do domínio 
eminente, e tendo em vista a supremacia do interesse público sobre o interesse privado, 
transfere compulsoriamente para o seu patrimônio bens pertencentes a particulares 
(atenção: o tema será objeto de análise mais aprofundada na aula referente à intervenção 
do Estado na propriedade). 
4) Acessão – Ocorre quando algo adere a determinado bem imóvel e o proprietário 
deste adquire a propriedade da coisa aderente. Nos termos do art. 1.248, do Código Civil, a 
acessão pode ocorrer mediante: 
 
a) Formação de ilhas – a ilha formada pertence ao proprietário das águas que 
a banham. Assim, por exemplo, formada uma ilha em rio pertencente à União, será 
considerada bem federal; 
b) Aluvião – é o depósito de sedimentos nas margens dos cursos de água, 
ampliando as propriedades ribeirinhas; 
c) Avulsão – é o desprendimento repentino de porção de terra que passa a 
ficar anexada a outra propriedade; 
d) Abandono de álveo – ocorre quando as águas do rio deixam de percorrer 
seu leito. A área que resultar dessa situação é dividida entre os proprietários 
ribeirinhos. Se o Poder Público tiver a propriedade dos terrenos ribeirinhos, por 
consequência passará a ser proprietário daquele solo; 
e) Construção de obras e plantações – se o Poder Público constrói ou planta 
em terrenos de sua propriedade, passará a ser proprietário por acessão das 
construções e plantações. 
 
5) Aquisição causa mortis – Embora o Código Civil vigente não coloque os entes 
federados na ordem de vocação hereditária, consigna que, não sobrevivendo cônjuge, 
companheiro ou algum outro parente sucessível, ou, ainda, tendo havido renúncia por 
parte dos herdeiros, a herança se transmite ao Município ou ao Distrito Federal, se 
localizada em seus respectivos territórios, ou à União, caso esteja em território federal (art. 
1.844). No caso de herança jacente, o Código Civil estabelece que, decorridos cinco anos da 
abertura da sucessão, passarão os bens arrecadados ao domínio do Município ou do Distrito 
Federal, se localizados em seus territórios, ou incorporar-se-ão ao domínio da União, 
quando situados em território federal (art. 1.822). Além disso, o Poder Público pode 
adquirir bens por meio de testamento. 
6) Arrematação – É o meio de aquisição de bens penhorados em processo de 
execução judicial. Nesse caso, adquirirá o bem aquele que oferecer o maior lance. 
7) Adjudicação – Ocorre quando o credor, no processo de execução, obtém o 
direito de adquirir os bens penhorados e praceados, oferecendo preço não inferior ao 
fixado na avaliação, requerendo que lhe sejam adjudicados os bens penhorados. 
8) Resgate na enfiteuse – A enfiteuse era instituto previsto no Código Civil de 1916, 
segundo o qual o domínio útil (uso e gozo) pertencia ao enfiteuta e a propriedade do bem, 
ao senhorio direto. O CódigoCivil de 2002 proibiu a constituição de novas enfiteuses (art. 
2.038), mas conservou aquelas já existentes, as quais continuam reguladas pelo Código 
anterior. Uma das regras da enfiteuse era a relativa ao seu resgate, que permitia ao 
 
enfiteuta, após dez anos, adquirir a propriedade do bem, pagando ao senhorio direto 
determinado valor (art. 693 do antigo Código Civil). 
9) Abandono – Segundo o art. 1.276 do Código Civil, o imóvel urbano abandonado 
(aquele em relação ao qual o proprietário manifesta a intenção de não mais o conservar em 
seu patrimônio e que não se encontra na posse de outra pessoa) poderá ser arrecadado 
como bem ago e passar, três anos depois, à propriedade do Município ou do Distrito 
Federal, quando se achar nas respectivas circunscrições. Já o imóvel rural, abandonado nas 
mesmas circunstâncias, poderá ser arrecadado como bem vago e passar, três anos depois, à 
propriedade da União, onde quer que ele se localize (art. 1.276, § 1º, do Código Civil). 
10) Reversão – A reversão também é forma de aquisição da propriedade pelo Poder 
Público. Nos termos do art. 35, § 1º, da Lei nº 8.987/1995, extinta a concessão, retornam ao 
poder concedente todos os bens reversíveis, conforme previsto no edital e estabelecido no 
contrato. 
11) Aquisição por força de lei (ex vi legis) – Algumas leis estabelecem formas 
peculiares de aquisição da propriedade pelo Poder Público. Uma destas é a Lei nº 
6.766/1979 (regula o parcelamento do solo urbano), que dispõe que parcelas dos imóveis 
loteados, como as áreas onde funcionarão as vias públicas, passam a integrar o patrimônio 
dos Municípios. Outra forma é a do perdimento de bens prevista no art. 91, II, a e b, do 
Código Penal, que estabelece como efeito da condenação penal a perda em favor da União 
dos instrumentos e do produto do crime. 
8 - FORMAS DE USO 
Segundo a doutrina de Maria Sylvia Zanella Di Pietro7, a utilização de bens públicos por 
particulares dá lugar a uma dupla classificação: 
a) pelo critério da conformidade à destinação principal do bem, o uso de bens 
públicos pode ser normal ou anormal; 
b) pelo critério da exclusividade, o uso pode ser comum ou privativo. 
 
Diz-se que o uso do bem público é normal quando está em conformidade com a 
destinação principal do bem e o uso anormal ocorre quando o bem é utilizado em 
finalidades para as quais normalmente não são destinados. Exemplo: o uso normal de uma 
 
7 Maria Sylvia Zanella Di Pietro, Direito administrativo, p. 762. 
 
rua é para a passagem de veículos e pedestres, mas, se for interditada para ser utilizada 
como palco de eventos artísticos, o seu uso será considerado anormal. 
O uso comum do bem público é aquele exercido indistintamente por todos os que 
compõem a coletividade. Em regra, ocorre enquanto a Administração Pública não der ao 
bem outra destinação incompatível com o uso de todos. Normalmente, é gratuito, apesar 
de excepcionalmente poder ser remunerado, como se verifica no caso do uso de rodovia 
dependente da cobrança de pedágio. 
O que não pode acontecer é uma entidade privada fechar espaços públicos como se 
fossem seus e passar a exigir contribuições financeiras em virtude das atividades que 
realiza. Exemplo de tal prática execrável é o caso da associação de moradores que fecha 
uma rua ou vila e passa a exigir dos moradores um valor para custear serviços de segurança 
ou limpeza. Para coibir tal comportamento, o legislador acresceu à Lei nº 10.257/2001 
(Estatuto da Cidade) o art. 51-A expressamente vedando a prática. 
O uso privativo acontece quando a Administração confere a pessoas físicas ou 
jurídicas, públicas ou privadas, a exclusividade de uso sobre certo bem público. Trata-se de 
providência possível, desde que o uso seja compatível com o fim a que se destina e que 
tenham sido observadas as restrições legais aplicáveis. 
A Administração pode outorgar a determinados particulares o uso privativo dos bens 
públicos, independente da categoria a que pertençam. 
Os principais instrumentos utilizados pela Administração Pública serão apresentados a 
seguir. 
 
9 - INSTITUTOS DE DIREITO PÚBLICO QUE POSSIBILITAM AO 
PODER PÚBLICO CONFERIR O USO PRIVATIVO DE BENS PÚBLICOS 
9.1 - A AUTORIZAÇÃO DE USO 
A autorização de uso é o ato administrativo unilateral (não é contratual), 
discricionário (facultativo) e precário (pode ser revogado a qualquer tempo), pelo qual a 
Administração consente que um particular utilize bem público com exclusividade, em regra 
por um período curto de tempo, podendo ser gratuita ou onerosa. Como exemplo de 
autorização de uso, é possível citar a autorização de uso de rua para festas populares, 
passeios ciclísticos ou eventos desportivos. 
 
Sendo ato administrativo unilateral, submete-se ao regime jurídico de Direito Público. 
A autorização de uso não requer forma especial, não depende de lei e não exige licitação 
prévia, bastando que adote a forma escrita, podendo ser revogada a qualquer tempo pelo 
Poder Público. Em regra, a autorização de uso é conferida por prazo indeterminado 
(simples), mas também é possível que seja concedida por prazo determinado (qualificada). 
Contudo, a fixação de prazo não é recomendada, pois gera direito à indenização na hipótese 
revogação do ato autorizativo pelo Poder Público. Ao contrário, a revogação da autorização 
de uso por prazo indeterminado, em regra, não enseja o dever da Administração de 
indenizar o particular. Vale lembrar, também, que a fixação de prazo da autorização retira o 
seu caráter de precariedade, conferindo-lhe relativa estabilidade, aproximando-a da 
permissão, conforme estudado a seguir. 
Segundo a doutrina, a autorização de uso somente atende remotamente ao interesse 
público, sendo concedida, primordialmente, no interesse privado do autorizatário 
(utente). Essa é uma das características que distinguem a autorização da permissão e da 
concessão. Como a autorização é concedida visando ao interesse principal do particular, 
não há para o usuário um dever de utilização, mas simples faculdade. Além disso, conforme 
lição de Maria Sylvia Zanella Di Pietro,8 em razão de predominar o interesse particular do 
beneficiário, decorrem os seguintes efeitos: 
a) a autorização reveste-se de maior precariedade em relação à permissão e à 
concessão; 
b) é outorgada, normalmente, em situações transitórias; 
c) confere menores poderes e garantias ao usuário. 
 
São, pois, características da autorização de uso de bem público: 
 
8 Maria Sylvia Zanella Di Pietro, Direito administrativo, p. 768 
 
 
 
9.2 - PERMISSÃO DE USO 
A permissão de uso é ato administrativo unilateral (não é contratual), discricionário 
(facultativo), precário (pode ser revogado a qualquer tempo), pelo qual a Administração 
consente que certa pessoa utilize privativamente um bem público, de forma gratuita ou 
onerosa, por prazo certo ou indeterminado, atendendo ao mesmo tempo aos interesses 
público e privado. Exemplos: uso de calçada para colocação de mesas e cadeiras em frente 
a um bar, instalação de uma banca de venda de flores numa praça. 
A permissão de uso é modificável e revogável a qualquer tempo unilateralmente pela 
Administração, quando o interesse público exigir, dada a sua natureza precária. No entanto, 
excepcionalmente, no caso de a permissão de uso ser concedida por prazo determinado, a 
Administração cria uma autolimitação ao poder de revogá-la, hipótese em que a revogação 
somente pode ser realizada quando a permissão se tornar incompatível com o interesse 
público, ficando o Estado obrigado a indenizar o permissionário pelos prejuízos sofridos. 
Assim, podemos afirmar que a precariedade na permissão é menos acentuada do que na 
autorização. 
Apontando como motivo o caráter unilateral e precário o do ato de outorga, parte da 
doutrina defende que, como regra,a permissão de uso independe de licitação. Contudo, 
entendemos que assiste razão aos autores que, fundados no princípio da isonomia, 
Ato Discricionário
Precário
Sem prazo de duração
Sem prévia licitação
Revogável a qualquer tempo sem 
indenização
 
enxergam que, havendo mais de um interessado no uso do bem, a administração deve 
realizar a licitação, oportunizando a todos a possibilidade de formulação de propostas. 
Com base nesse raciocínio, parece-nos claro que, no citado exemplo da colocação de 
cadeiras e mesas na frente de um bar, a competição seria inviável – pois somente o 
proprietário do estabelecimento teria interesse legítimo na permissão –, sendo inexigível a 
licitação. Já na aventada hipótese de instalação de uma banca de flores numa praça, 
competição pode ser viável e a licitação exigível. Nesse sentido, recordamos que o art. 2º da 
Lei nº 8.666/1993 expressamente coloca as permissões dentre as atividades da 
Administração que devem ser “necessariamente precedidas de licitação”. No mesmo 
sentido segue o art. 31 da Lei nº 9.074/1995 ao afirmar a possibilidade de participação de 
certos agentes das “licitações para concessão e permissão de serviços públicos ou uso de 
bem público”. 
Diferentemente da autorização, em que há uma faculdade de utilização do bem, na 
permissão, a presença do interesse público ao lado do interesse privado do permissionário 
gera obrigatoriedade na utilização por parte deste, sob pena de caducidade do direito. 
Como se observa, há muita semelhança entre os institutos jurídicos da permissão e da 
autorização de uso. Pode-se dizer, conforme lição da Professora Maria Sylvia Zanella Di 
Pietro9, que há três traços diferenciadores entre a autorização e a permissão de uso: 
1) enquanto na autorização predomina o interesse do particular, na permissão de 
uso há o atendimento ao mesmo tempo do interesse público e do privado; 
2) o traço da precariedade é mais acentuado na autorização, em razão da finalidade 
de interesse individual; e 
3) na autorização, há uma faculdade de uso, ao contrário da permissão que obriga o 
usuário, sob pena de caducidade. 
 
No ponto, merece referência a Lei nº 13.311/2016, que institui normas gerais para a 
ocupação e utilização de área pública urbana por equipamentos urbanos do tipo quiosque, 
trailer, feira e banca de venda de jornais e revistas. De acordo com a norma, o direito de 
utilização privada de área pública para instalação desses equipamentos poderá ser 
outorgado a qualquer interessado que satisfaça os requisitos exigidos pelo poder público 
local (art. 2º). 
 
9 Maria Sylvia Zanella Di Pietro, Direito administrativo, p. 769-770. 
 
O direito em questão pode ser caracterizado como uma espécie de permissão de uso 
de bem público, já que o legislador, vislumbrando a existência de interesse público ao lado 
do interesse privado, previu algumas regras para garantir a continuidade do funcionamento 
desses equipamentos. Para tanto estabeleceu: 
a) em caso do titular não ter interesse em continuar a explorar os serviços, a 
possibilidade de transferência da outorga para terceiros, pelo prazo restante (art. 2º, § 
1º); 
b) em caso de falecimento ou de enfermidade física ou mental que impeça o titular 
de gerir seus próprios atos, a possibilidade da transferência da outorga, pelo prazo 
restante, de acordo com a seguinte ordem: 1º) ao cônjuge ou companheiro; 2º) aos 
ascendentes e descendentes (art. 2º, § 2º, I e II). 
 
A propósito da previsão contida na letra “b” supra, a lei deixa expresso que o direito 
de outorga transferido não será considerado herança, para todos os efeitos legais (art. 2º, § 
5º). 
A outorga do direito de ocupação e utilização de área pública urbana para instalação 
de quiosque, trailer, feira e banca de venda de jornais e de revistas será extinta nos 
seguintes casos (art. 3º): 
a) advento do termo (fim do prazo estabelecido pelo Município); 
b) descumprimento das obrigações assumidas; 
c) revogação do ato pelo poder público municipal, desde que demonstrado o 
interesse público de forma motivada. 
 
Por fim, registramos que não se confunde a permissão de uso de bem público, que é 
ato administrativo, com a permissão de serviço público, enquadrada no conceito de 
contrato administrativo. 
 
São, pois, características da permissão de uso de bem público: 
 
 
 
 Exemplo de utilização de permissão de uso de bem público é a instalação de 
banca de jornais em uma praça pública. 
 
Quais as diferenças entre a autorização e a permissão de uso de bem público? 
As diferenças básicas existentes entre a autorização e a permissão de uso de bem 
público são: 
i. Na permissão é mais relevante o interesse público, enquanto na autorização ele 
é secundário; 
ii. Na permissão o uso do bem com a destinação para a qual foi permitido é 
obrigatória. Na autorização o uso é facultativo, a critério do particular; 
iii. A permissão deve, regra geral, ser precedida de licitação; a autorização nunca é 
precedida de licitação; 
 
9.3 - CONCESSÃO DE USO 
A concessão de uso é o contrato administrativo pelo qual a Administração Pública 
transfere ao particular a utilização privativa de bem público, por tempo determinado, 
conforme a finalidade estabelecida. 
Ato Discricionário
Precário
Sem prazo de duração
Necessária prévia licitação, apesar 
de se um ato administrativo
Revogável a qualquer tempo sem 
indenização
 
A concessão de uso de bem público possui as seguintes características: 
1) contrato administrativo (bilateral); 
2) por prazo determinado; 
3) discricionariedade (facultativa); 
4) não há precariedade (estabilidade relativa); 
5) precedida de licitação (exceto nos casos de dispensa e inexigibilidade); 
6) pode ser gratuita ou remunerada. Como exemplos, podemos citar a concessão de 
uso de loja em aeroporto, de boxes em mercados públicos, de espaço destinado à 
instalação de lanchonete ou restaurante em prédio em que funciona repartição 
pública. 
 
Sendo contrato administrativo, a concessão se submete ao regime jurídico de Direito 
Público e se formaliza por meio de acordo de vontades, consubstanciadas na assinatura, por 
ambas as partes (concessionário e Poder Público concedente), do termo contratual. 
A fixação de prazo para a concessão, segundo a doutrina, é exigência que decorre da 
previsão contida no art. 57, § 3º, da Lei nº 8.666/1993, que veda a existência de contrato 
administrativo com prazo indeterminado. Como é outorgada sob a forma contratual e por 
prazo determinado, a concessão acaba por gozar de relativa estabilidade, uma vez que o 
concessionário somente poderá ser despojado de seu direito antes do prazo fixado, se 
houver interesse público relevante e mediante justa indenização. Como goza de relativa 
estabilidade, normalmente se aplica às situações cuja necessidade de utilização privada de 
bens públicos é permanente. 
Em face de ser efetivada por meio de contrato administrativo, é imprescindível a 
realização de licitação, nos termos do art. 2º da Lei nº 8.666/1993, exceto nas hipóteses 
legais acobertadas pela dispensa ou inexigibilidade. Outra característica sua é a 
discricionariedade, no sentido de que é uma faculdade da Administração Pública realizá-la. 
A concessão de uso pode ser outorgada de forma gratuita ou remunerada. Quanto ao 
interesse no objeto da concessão, pode-se dizer, em geral, que predomina o interesse 
público, com a ressalva de que há autores que entendem que poderia predominar o 
interesse público ou privado, a depender do caso concreto, não se constituindo dessa feita 
 
em um traço diferenciador em relação às demais formas de utilização privativa de bens 
públicos. 
 
Assim, são características da concessão de uso de bem público: 
 
 
9.4 - CONCESSÃO DE DIREITO REAL DE USO 
O direito real de uso é instituto previsto no art. 7º, do Decreto-lei nº 271/1967 (com 
redação dadapela Lei nº 11.481/2007), podendo ser definido como o contrato pelo qual a 
Administração transfere, por tempo determinado ou indeterminado, como direito real 
resolúvel, o uso remunerado ou gratuito de terrenos públicos ou do espaço aéreo sobre 
esses terrenos, com o fim específico de regularização fundiária de interesse social, 
urbanização, industrialização, edificação, cultivo da terra, aproveitamento sustentável das 
várzeas, preservação das comunidades tradicionais e seus meios de subsistência ou outras 
modalidades de interesse social em áreas urbanas. 
Está prevista no DL 271/1967 e é, portanto, exclusivo para a União: 
Art. 7o É instituída a concessão de uso de terrenos públicos ou particulares 
remunerada ou gratuita, por tempo certo ou indeterminado, como direito real 
Contrato Administrativo
Não Precário
Com prazo de duração
Necessária prévia licitação
Rescisão nas hipóteses legais 
com indenização (se a causa não 
for imputada ao concessionário)
 
resolúvel, para fins específicos de regularização fundiária de interesse social, 
urbanização, industrialização, edificação, cultivo da terra, aproveitamento 
sustentável das várzeas, preservação das comunidades tradicionais e seus 
meios de subsistência ou outras modalidades de interesse social em áreas 
urbanas. (Redação dada pela Lei nº 11.481, de 2007) 
§ 1º A concessão de uso poderá ser contratada, por instrumento público ou 
particular, ou por simples termo administrativo, e será inscrita e cancelada em 
livro especial. 
§ 2º Desde a inscrição da concessão de uso, o concessionário fruirá plenamente 
do terreno para os fins estabelecidos no contrato e responderá por todos os 
encargos civis, administrativos e tributários que venham a incidir sobre o imóvel 
e suas rendas. 
§ 3º Resolve-se a concessão antes de seu termo, desde que o concessionário dê 
ao imóvel destinação diversa da estabelecida no contrato ou termo, ou 
descumpra cláusula resolutória do ajuste, perdendo, neste caso, as benfeitorias 
de qualquer natureza. 
§ 4º A concessão de uso, salvo disposição contratual em contrário, transfere-se 
por ato inter vivos , ou por sucessão legítima ou testamentária, como os demais 
direitos reais sobre coisas alheias, registrando-se a transferência. 
§ 5o Para efeito de aplicação do disposto no caput deste artigo, deverá ser 
observada a anuência prévia: (Incluído pela Lei nº 11.481, de 2007) 
I - do Ministério da Defesa e dos Comandos da Marinha, do Exército ou da 
Aeronáutica, quando se tratar de imóveis que estejam sob sua administração; e 
(Incluído pela Lei nº 11.481, de 2007) 
II - do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência de República, 
observados os termos do inciso III do § 1o do art. 91 da Constituição Federal. 
 
Quando o direito real de uso é concedido por prazo determinado, o normal é que a 
concessão somente se extinga ao final do prazo contratado. 
Entretanto, conforme previsto no art. 7º, § 3º, do Decreto-lei nº 271/1967, caso o 
concessionário descumpra cláusula contratual resolutória ou venha a dar ao imóvel uma 
 
destinação diversa da estabelecida no contrato, a extinção será antecipada, não lhe sendo 
devida indenização por quaisquer benfeitorias realizadas. 
Registramos que a morte do concessionário não é causa de extinção da concessão, 
que é transferível por sucessão legítima ou testamentária. A transmissibilidade, contudo, 
poderá ser impedida por expressa disposição contratual, mecanismo que também pode 
vedar a transferência por ato intervivos (Decreto-lei nº 271/1967, art. 7º, § 4º). 
 
9.5 - CONCESSÃO DE USO ESPECIAL PARA FINS DE MORADIA 
O Estatuto da Cidade (Lei nº 10.257/2001) previu a utilização de concessão de uso 
especial para fins de moradia como forma de regularizar a propriedade urbana nos 
Municípios. 
Art. 4º Para os fins desta Lei, serão utilizados, entre outros instrumentos: 
V – institutos jurídicos e políticos: 
h) concessão de uso especial para fins de moradia; 
 
Trata-se de dispositivo já previsto no artigo 183 da Constituição Federal. Contudo, os 
dispositivos relativos ao tema do Estatuto das Cidades foram vetados, sendo hoje a matéria 
regulada pela MP nº 2.220/2001 (com as alterações da Lei nº 13.465/2017). 
De acordo com o artigo 183, da CRFB a usucapião pró-moradia é devido em favor de 
quem possuir como sua por cinco anos ininterruptos e sem oposição, área de até 250m². 
Todavia, o possuidor não pode ser proprietário de outro imóvel urbano ou rural e deve 
utilizar o referido bem para sua moradia ou de sua família. 
Art. 183. Aquele que possuir como sua área urbana de até duzentos e cinquenta 
metros quadrados, por cinco anos, ininterruptamente e sem oposição, 
utilizando-a para sua moradia ou de sua família, adquirir-lhe-á o domínio, desde 
que não seja proprietário de outro imóvel urbano ou rural. 
§ 1º O título de domínio e a concessão de uso serão conferidos ao homem ou à 
mulher, ou a ambos, independentemente do estado civil. 
§ 2º Esse direito não será reconhecido ao mesmo possuidor mais de uma vez. 
 
Tal direito não se aplica, naturalmente, aos imóveis públicos, nos termos do parágrafo 
3º: 
§ 3º Os imóveis públicos não serão adquiridos por usucapião. 
 
Mas, professor: se a questão da regularização fundiária é tão importante, o que 
fazer quando pessoas ocupam imóveis públicos? 
O legislador não ficou omisso quanto à realidade social brasileira que inclui a 
existência de diversas ocupações irregulares, inclusive, em imóveis públicos. Mas se a 
Constituição Federal veda a aquisição destes imóveis por usucapião, como proceder à 
regularização fundiária? 
 A Medida Provisória nº 2.220/2001 (recentemente alterada quanto às datas pela 
MP nº 759/2016 convertida na Lei nº 13.465/2017) criou o instituto denominado de 
Concessão de Uso Especial para fins de moradia. 
 Segundo o artigo 1º: 
Art. 1º Aquele que, até 22 de dezembro de 2016, possuiu como seu, por cinco 
anos, ininterruptamente e sem oposição, até duzentos e cinquenta metros 
quadrados de imóvel público situado em área com características e finalidade 
urbana, e que o utilize para sua moradia ou de sua família, tem o direito à 
concessão de uso especial para fins de moradia em relação ao bem objeto da 
posse, desde que não seja proprietário ou concessionário, a qualquer título, de 
outro imóvel urbano ou rural. 
§ 1º A concessão de uso especial para fins de moradia será conferida de forma 
gratuita ao homem ou à mulher, ou a ambos, independentemente do estado 
civil. 
§ 2º O direito de que trata este artigo não será reconhecido ao mesmo 
concessionário mais de uma vez. 
§ 3º Para os efeitos deste artigo, o herdeiro legítimo continua, de pleno direito, 
na posse de seu antecessor, desde que já resida no imóvel por ocasião da 
abertura da sucessão. 
 
 
Assim, a pessoa que detiver - até 22 de dezembro de 2016 - a posse mansa, pacífica e 
ininterrupta de imóvel público urbano de até duzentos e cinquenta metros quadrados por 
cinco anos e que o utilize par sua moradia ou de sua família, terá o direito à concessão de 
uso especial para sua moradia. 
Contudo, não poderá tal pessoa ser concessionário ou proprietário a qualquer título 
de outro imóvel urbano ou rural. 
Percebam que os requisitos para a concessão de uso especial para fins urbanísticos 
são bem parecidos com os requisitos da usucapião pró moradia e tem cabimento 
exatamente em razão de os imóveis públicos não poderem se adquiridos por usucapião. 
Referida concessão será gratuita e não será reconhecida ao mesmo cessionário por 
mais de uma vez. Além disso, o herdeiro legítimo do posseiro, desde que resida no imóvel 
por ocasião da abertura da sucessão, poderá continuar de pleno direito na posse de seu 
antecessor. 
 
E se a posse no imóvel público for uma ocupação coletiva de várias famílias? 
A Medida Provisória também previu esta situação e estabeleceu a possibilidade da 
concessão de uso especial para fins urbanísticoscoletiva. Ainda que os imóveis tenha mais 
de duzentos e cinquenta metros quadrados, se a ocupação for coletiva e não for possível 
identificar a individualização dos terrenos, será possível a concessão para fins urbanísticos 
de forma coletiva. 
Art. 2º Nos imóveis de que trata o art. 1º, com mais de duzentos e cinquenta 
metros quadrados, ocupados até 22 de dezembro de 2016, por população de 
baixa renda para sua moradia, por cinco anos, ininterruptamente e sem oposição, 
onde não for possível identificar os terrenos ocupados por possuidor, a concessão 
de uso especial para fins de moradia será conferida de forma coletiva, desde que 
os possuidores não sejam proprietários ou concessionários, a qualquer título, de 
outro imóvel urbano ou rural. 
 
Igualmente o limite temporal estabelecido foi o dia 22 de dezembro de 2016 e o 
parágrafo 1º ainda estabeleceu a possibilidade de somar a posse do atual possuidor com a 
de seu antecessor: 
 
§ 1º O possuidor pode, para o fim de contar o prazo exigido por este artigo, 
acrescentar sua posse à de seu antecessor, contanto que ambas sejam contínuas. 
 
E como fica o cálculo da parcela de cada possuidor? 
De acordo com os parágrafos 2º e 3º, do artigo 2º, a cada possuidor será atribuída 
uma fração ideal, independente do tamanho da área que efetivamente ocupa, a não ser 
que haja um acordo escrito entre os ocupantes onde se discrimina frações ideais 
diferenciadas. 
Contudo, a fração ideal de cada possuidor não poderá ser superior a duzentos e 
cinquenta metros quadrados. 
§ 2º Na concessão de uso especial de que trata este artigo, será atribuída igual 
fração ideal de terreno a cada possuidor, independentemente da dimensão do 
terreno que cada um ocupe, salvo hipótese de acordo escrito entre os 
ocupantes, estabelecendo frações ideais diferenciadas. 
§ 3o A fração ideal atribuída a cada possuidor não poderá ser superior a 
duzentos e cinqüenta metros quadrados. 
 
Por fim, tais direitos dos artigos 1º e 2º também serão garantidos aos ocupantes 
regularmente inscritos de imóveis públicos com até duzentos e cinquenta metros 
quadrados e que estejam situados em área urbana, quanto a imóveis da União, Estados, DF 
e Municípios (artigo 3º). 
 
E se o imóvel ocupado pelas famílias estiver localizado em uma área de risco? 
Neste caso, caberá ao Poder Público garantir o direito à concessão de uso especial 
para fins urbanísticos em local diverso: 
Art. 4º No caso de a ocupação acarretar risco à vida ou à saúde dos ocupantes, o 
Poder Público garantirá ao possuidor o exercício do direito de que tratam os arts. 
1º e 2º em outro local. 
 
 
Além disso, poderá o Poder Público também escolher local diverso quando o imóvel 
ocupado for (artigo 5º): 
I - de uso comum do povo; 
II - destinado a projeto de urbanização; 
III - de interesse da defesa nacional, da preservação ambiental e da proteção dos 
ecossistemas naturais; 
IV - reservado à construção de represas e obras congêneres; ou 
V - situado em via de comunicação. 
 
E qual o procedimento para se obter o título de concessão? 
O título de concessão poderá ser obtido pela via administrativa perante o órgão 
competente da Administração Pública que terá o prazo de doze meses para decidir o 
pedido, a contar da data de seu protocolo. 
E, se o imóvel for pertencente ao Estado ou à União, caberá ao interessado instruir o 
pedido com certidão municipal que ateste a localização do imóvel em área urbana e a sua 
destinação para moradia do ocupante ou de sua família. 
Acaso recusado o pedido administrativo ou ainda em caso de omissão do Poder 
Público, será cabível a via judicial para regularizar a propriedade. Neste caso, a concessão 
de uso especial para fins de moradia será declarada pelo juiz mediante sentença. 
Destaque-se a questão do registro: 
§ 4º O título conferido por via administrativa ou por sentença judicial servirá para 
efeito de registro no cartório de registro de imóveis. 
 
Reconhecido o direito à concessão de uso especial para fins urbanísticos, poderá o 
concessionário transferir seu direito? 
Sim. Esta a disposição expressa do artigo 7º, da MP nº 2.220/2001: 
Art. 7º O direito de concessão de uso especial para fins de moradia é transferível 
por ato inter vivos ou causa mortis. 
 
 
E como funciona a extinção do direito à concessão? 
O direito à concessão de uso especial para fins de moradia extingue-se em caso de o 
concessionário dar ao imóvel destinação diversa da moradia para si ou de sua família. Além 
disso, o direito também será extinto acaso o concessionário venha a adquirir a propriedade 
ou a concessão de outro imóvel urbano ou rural. 
A extinção de tal direito será averbada no correspondente cartório de registro de 
imóveis, por meio de declaração do Poder Público concedente. 
 
9.6 - AUTORIZAÇÃO DE USO NA MP Nº 2.220/2001 
Por fim, destacamos os arts. 9º e 10º da MP em destaque que estabelecem a 
autorização de uso em caso de imóveis comerciais e as definições do Conselho Nacional de 
Desenvolvimento Urbano. 
De acordo com o artigo 9º: 
Art. 9º É facultado ao Poder Público competente conceder autorização de uso 
àquele que, até 22 de dezembro de 2016, possuiu como seu, por cinco anos, 
ininterruptamente e sem oposição, até duzentos e cinquenta metros quadrados 
de imóvel público situado em área características e finalidade urbana para fins 
comerciais. (Redação dada pela Medida Provisória nº 759, de 2016) 
 
Perceba, que esta autorização – ato mais precário que a concessão – ocorre quanto 
aos imóveis públicos que possuam fins comerciais (e não de moradia) e será conferida de 
forma gratuita. 
O prazo do possuidor pode ser acrescido ao de seus antecessores, para fins de 
contagem dos cinco anos e a poderá ser concedida em terreno diverso acaso ocorram 
algumas das hipóteses dos artigos 4º e 5º (área de risco ou áreas de interesse público. 
Rememorando: 
Art. 4º No caso de a ocupação acarretar risco à vida ou à saúde dos ocupantes, o 
Poder Público garantirá ao possuidor o exercício do direito de que tratam os arts. 
1o e 2o em outro local. 
 
Art. 5º É facultado ao Poder Público assegurar o exercício do direito de que 
tratam os arts. 1o e 2o em outro local na hipótese de ocupação de imóvel: 
I - de uso comum do povo; 
II - destinado a projeto de urbanização; 
III - de interesse da defesa nacional, da preservação ambiental e da proteção dos 
ecossistemas naturais; 
IV - reservado à construção de represas e obras congêneres; ou 
V - situado em via de comunicação. 
 
 
Conselho Nacional de Desenvolvimento Urbano 
A MP nº 2.220/2001 também criou o Conselho Nacional de Desenvolvimento Urbano, 
órgão consultivo e deliberativo, integrante da Presidência da República, com as seguintes 
atribuições: 
I - propor diretrizes, instrumentos, normas e prioridades da política nacional de 
desenvolvimento urbano; 
II - acompanhar e avaliar a implementação da política nacional de desenvolvimento 
urbano, em especial as políticas de habitação, de saneamento básico e de transportes 
urbanos, e recomendar as providências necessárias ao cumprimento de seus 
objetivos; 
III - propor a edição de normas gerais de direito urbanístico e manifestar-se sobre 
propostas de alteração da legislação pertinente ao desenvolvimento urbano; 
IV - emitir orientações e recomendações sobre a aplicação da Lei nº 10.257, de 10 de 
julho de 2001, e dos demais atos normativos relacionados ao desenvolvimento 
urbano; 
V - promover a cooperação entre os governos da União, dos Estados, do Distrito 
Federal e dos Municípios e a sociedade civil na formulação e execução da política 
nacional de desenvolvimento urbano; e 
VI - elaborar o regimento interno. 
 
 
Cabe-nos, por segurança, conhecer a estrutura do CNDU disposta nos artigos 11 e 
seguintes da referida MP: 
Art. 11. O CNDU é composto por seu Presidente, pelo Plenário e por uma 
Secretaria-Executiva, cujas atribuições serão definidasem decreto. 
Parágrafo único. O CNDU poderá instituir comitês técnicos de assessoramento, 
na forma do regimento interno. 
Art. 12. O Presidente da República disporá sobre a estrutura do CNDU, a 
composição do seu Plenário e a designação dos membros e suplentes do 
Conselho e dos seus comitês técnicos. 
Art. 13. A participação no CNDU e nos comitês técnicos não será remunerada. 
Art. 14. As funções de membro do CNDU e dos comitês técnicos serão 
consideradas prestação de relevante interesse público e a ausência ao trabalho 
delas decorrente será abonada e computada como jornada efetiva de trabalho, 
para todos os efeitos legais. 
 
9.7 - CESSÃO DE USO 
A cessão de uso é o instituto do direito administrativo mediante o qual o Poder 
Público consente que um órgão da mesma pessoa jurídica ou mesmo uma pessoa física ou 
jurídica distinta use, em regra gratuitamente, determinado bem público. 
Diferentemente das formas de uso privativo de bens públicos estudadas até esse 
ponto, em que o uso privativo era outorgado a particulares, a cessão de uso em regra 
beneficia o Poder Público de forma que mesmo os que admitem excepcionalmente a 
possibilidade de o cessionário ser um particular (como o nosso caso, o que se percebe pela 
definição que demos ao instituto) exigem que em qualquer caso haja a notória 
preponderância do interesse da coletividade. 
A hipótese mais comum de cessão de uso é feita entre órgão da mesma pessoa 
jurídica, sendo comum, por exemplo, a cessão de uso de salas do prédio do Poder Judiciário 
para uso da Defensoria Pública Estadual. Não obstante, é também possível a cessão entre 
pessoas jurídicas diversas, como ocorre nos casos em que o Município cede um terreno 
para ser utilizado como estacionamento para fórum, órgão do Poder Judiciário estadual. 
 
Conforme afirmado, filiamo-nos à corrente segundo a qual, diante de notório 
interesse público, é possível a cessão de bem público a particulares, inclusive pessoas 
físicas. Na disciplina aplicável à matéria na esfera federal (art. 64, § 3º, do Decreto-lei nº 
9.760/1946 e arts. 18 a 21 da Lei nº 9.636/1998) fica claro que o instituto tem por objetivo 
possibilitar a cooperação entre as entidades públicas e entre estas e o setor privado, de 
forma a facilitar o atendimento do interesse coletivo. Nos termos legais, os imóveis da 
União não utilizados em serviço público poderão ter seu uso cedido a: a) Estados, Distrito 
Federal, Municípios e entidades sem fins lucrativos das áreas de educação, cultura, 
assistência social ou saúde; ou b) pessoas físicas ou jurídicas, tratando-se de interesse 
público ou social ou de aproveitamento econômico de interesse nacional (art. 18 da Lei nº 
9.636/1998). 
A cessão poderá acontecer quando interessar à União colaborar ou prestar auxílio às 
pessoas anteriormente citadas. Em regra, essa cessão é gratuita, contudo, quando for 
destinada à execução de empreendimento com fins lucrativos, será onerosa, e, sempre que 
houver condições de competitividade, deverá ser precedida do procedimento licitatório 
previsto em lei. 
O espaço aéreo sobre bens públicos, o espaço físico em águas públicas, as áreas de 
álveo de lagos, rios e quaisquer correntes d’água, de vazantes, da plataforma continental e 
de outros bens de domínio da União, insusceptíveis de transferência de direitos reais a 
terceiros, poderão ser objeto de cessão de uso, observadas as prescrições legais vigentes 
(art. 18, § 2º). 
A cessão será autorizada em ato do Presidente da República, e se formalizará 
mediante termo ou contrato, do qual constarão expressamente as condições estabelecidas, 
entre as quais a finalidade da sua realização e o prazo para seu cumprimento (art. 18, § 3º). 
A competência para a cessão poderá ser delegada pelo Presidente ao Ministro de Estado da 
Fazenda, sendo permitida a este último a subdelegação (art. 18, § 4º). A cessão de uso se 
tornará nula se ao imóvel, no todo ou em parte, vier a ser dada aplicação diversa da 
prevista no ato autorizativo e no consequente termo ou contrato (art. 18, § 3º). 
 
(FCC – Juiz Estadual do TJ SC/TJSC/2017) A propósito do uso dos bens públicos pelos 
particulares, é correto afirmar que 
a) as concessões de uso, dada a sua natureza contratual, não admitem a modalidade 
gratuita. 
 
b) o concessionário de uso de bem público exerce posse ad interdicta, mas não exerce 
posse ad usucapionem. 
c) a autorização de uso, por sua natureza precária, não admite a fixação de prazo de 
utilização do bem público. 
d) a Medida Provisória no 2.220/2001 garante àquele que possuiu como seu, por cinco 
anos, ininterruptamente e sem oposição, até duzentos e cinquenta metros quadrados de 
imóvel público situado em área urbana, utilizando-o para fins comerciais e respeitado o 
marco temporal ali estabelecido, o direito à concessão de uso especial. 
e) a permissão de uso, por sua natureza discricionária, não depende de realização de prévia 
licitação. 
Comentários: 
Apesar desses termos serem poucos utilizados pela doutrina, é possível perceber que a 
intenção do examinador nessa questão era tratar sobre a imprescritibilidade. O possuidor 
de bem público não exerce posse ad usucapionem, já que em hipótese alguma o bem 
público pode ser adquirido por meio de usucapião, mas o possuidor de bem público pode 
defender sua posse mediante ações de interditos possessórios, configurando, portanto, o 
exercício da posse ad interdicta. 
Comentando de forma rápida as outras alternativas, a concessão de uso embora tenha 
natureza contratual admite sim a modalidade gratuita e também sobre a concessão de 
uso é de grande importância saber que se trata de uma faculdade do poder público e não 
um direito do concessionário. 
A autorização de uso tem natureza precária mas admite fixação de prazo e a permissão de 
uso é um ato administrativo discricionário, mas depende de prévia licitação. 
Gabarito: letra “B”. 
(FCC – JE TJRR/TJRR/2008) Ter possuído, até 30 de junho de 2001, como seus, por cinco 
anos, ininterruptamente e sem oposição, até duzentos e cinquenta metros quadrados de 
imóvel público situado em área urbana, utilizando-os para sua moradia ou de sua família, 
desde que não seja proprietário ou concessionário, a qualquer título, de outro imóvel 
urbano ou rural. Esses são os requisitos para que se exerça o direito: 
a) à concessão de direito real de uso, o que depende de concordância discricionária da 
Administração Pública. 
b) à concessão de uso especial para fins de moradia, cujo título pode ser obtido por via 
administrativa ou judicial. 
c) ao usucapião pro moradia de imóvel público, o que depende de decisão judicial. 
 
d) ao usucapião extraordinário de imóvel público, o que depende de decisão administrativa 
ou judicial. 
e) de aforamento sobre bens públicos, o que depende de processo administrativo perante o 
órgão registral competente. 
Comentários: 
Uma das características principais dos Bens Públicos é a imprescritibilidade, tal 
característica confere a essa categoria de bens a impossibilidade de aquisição por meio da 
usucapião. 
A Constituição Federal veda essa prescrição do direito de propriedade para a 
Administração Pública, conforme percebemos nos artigos 183, §3º e 191, parágrafo único: 
Art. 183. Aquele que possuir como sua área urbana de até duzentos e cinquenta metros 
quadrados, por cinco anos, ininterruptamente e sem oposição, utilizando-a para sua 
moradia ou de sua família, adquirir-lhe-á o domínio, desde que não seja proprietário de 
outro imóvel urbano ou rural. 
(...) 
§ 3º Os imóveis públicos não serão adquiridos por usucapião. 
 
_ _ _ 
Art. 191. Aquele que, não sendo proprietário de imóvel rural ou urbano, possua como seu, 
por cinco anos ininterruptos, sem oposição, área de terra, em zona rural, não superior a 
cinquenta hectares, tornando-a produtiva por seu trabalho ou de sua família, tendo nela 
sua moradia, adquirir-lhe-á a propriedade. 
Parágrafo único. Os imóveis públicos não serãoadquiridos por usucapião. 
Tal proteção também é dada pelo Código Civil: 
Art. 102. Os bens públicos não estão sujeitos a usucapião. 
 
Entretanto para resolução da questão o que realmente importa é o conhecimento da 
Medida Provisória nº 2.220/2001 que logo em seu artigo 1º confere o direito de 
concessão de uso para fins de moradia a indivíduos que atendam determinados 
requisitos. Vejamos a transcrição do texto legal: 
Art. 1º Aquele que, até 22 de dezembro de 2016, possuiu como seu, por cinco anos, 
ininterruptamente e sem oposição, até duzentos e cinquenta metros quadrados de imóvel 
público situado em área com características e finalidade urbanas, e que o utilize para sua 
moradia ou de sua família, tem o direito à concessão de uso especial para fins de moradia 
 
em relação ao bem objeto da posse, desde que não seja proprietário ou concessionário, a 
qualquer título, de outro imóvel urbano ou rural. 
 
Atenção, pois é necessário que se preste atenção no lapso temporal que o enunciado traz 
para a questão! 
Gabarito: letra “B”. 
(FCC – Procurador do Estado do Maranhão/PGE MA/2016) Em janeiro de 1993, Maurício 
Quevedo passou a residir em terreno urbano que lhe fora vendido “de boca” por outro 
posseiro antigo, ali construindo sua residência, um barraco de aproximadamente setenta 
metros quadrados, ocupando dois terços do terreno assim adquirido. Em janeiro deste ano, 
Maurício procurou aconselhar-se com advogado, que verificou a situação dominial do 
terreno, constatando tratar-se de propriedade registrada em nome do Instituto Nacional de 
Seguridade Social – INSS. Diante de tal situação, o referido posseiro: 
a) faz jus à usucapião do terreno, visto que se trata de imóvel particular da entidade 
autárquica. 
b) não possui direito subjetivo de permanecer no imóvel, pois o princípio da boa-fé não é 
oponível ao interesse público. 
c) tem o direito à concessão de uso especial para fins de moradia em relação ao bem objeto 
da posse, desde que comprove não ser proprietário ou concessionário, a qualquer título, de 
outro imóvel urbano ou rural. 
d) deve requerer ao INCRA a abertura de processo de legitimação de posse, visto tratar-se 
de ocupante de terra devoluta. 
e) deve solicitar à Secretaria do Patrimônio da União – SPU a declaração de aforamento do 
imóvel, passando a recolher o foro anual. 
Comentários: 
Para responder questões que tratam sobre a concessão de uso especial para fins de 
moradia é necessário prestar bastante atenção às datas postas no item. A Medida 
Provisória nº 2.220/2001 que trata sobre o referido assunto, já sofreu algumas alterações 
e atualmente tem o seguinte texto: 
Art. 1º Aquele que, até 22 de dezembro de 2016, possuiu como seu, por cinco anos, 
ininterruptamente e sem oposição, até duzentos e cinquenta metros quadrados de imóvel 
público situado em área com características e finalidade urbanas, e que o utilize para sua 
moradia ou de sua família, tem o direito à concessão de uso especial para fins de moradia 
em relação ao bem objeto da posse, desde que não seja proprietário ou concessionário, a 
qualquer título, de outro imóvel urbano ou rural. (Redação dada pela lei nº 13.465, de 
2017) 
 
§ 1º A concessão de uso especial para fins de moradia será conferida de forma gratuita ao 
homem ou à mulher, ou a ambos, independentemente do estado civil. 
§ 2º O direito de que trata este artigo não será reconhecido ao mesmo concessionário 
mais de uma vez. 
§ 3º Para os efeitos deste artigo, o herdeiro legítimo continua, de pleno direito, na posse 
de seu antecessor, desde que já resida no imóvel por ocasião da abertura da sucessão. 
 
Gabarito: letra C. 
(FCC – Defensor Público do Estado do Espírito Santo/DPE ES/2016) Disciplinada na Medida 
Provisória nº 2.220/2001, a concessão de uso especial para fins de moradia: 
a) pode ser concedida àquele que, até 30 de junho de 2001, possuiu como seu, por cinco 
anos, ininterruptamente e sem oposição, até duzentos e cinquenta metros quadrados de 
imóvel público situado em área urbana, utilizando-o para fins comerciais. 
b) constitui direito que não está sujeito a transmissão por sucessão causa mortis. 
c) será conferida de forma gratuita ao homem ou à mulher, ou a ambos, 
independentemente do estado civil. 
d) beneficia todo aquele que, até 30 de junho de 2001, possuiu como seu, por no mínimo 
dez anos, ininterruptamente e sem oposição, até duzentos e cinquenta metros quadrados 
de imóvel público situado em área urbana, utilizando-o para sua moradia ou de sua família. 
e) é espécie de ato administrativo discricionário, não sujeito à obtenção pela via judicial. 
Comentários: 
A questão foi elaborada antes da última mudança na Medida Provisória, mas seu gabarito 
ainda permanece correto. Para acertar a questão é necessário conhecer o texto da 
Medida Provisória nº 2.220/2001, mais especificamente o seu artigo 1º, §1º: 
Art. 1º Aquele que, até 22 de dezembro de 2016, possuiu como seu, por cinco anos, 
ininterruptamente e sem oposição, até duzentos e cinquenta metros quadrados de imóvel 
público situado em área com características e finalidade urbanas, e que o utilize para sua 
moradia ou de sua família, tem o direito à concessão de uso especial para fins de moradia 
em relação ao bem objeto da posse, desde que não seja proprietário ou concessionário, a 
qualquer título, de outro imóvel urbano ou rural. (Redação dada pela lei nº 13.465, de 
2017) 
§ 1º A concessão de uso especial para fins de moradia será conferida de forma gratuita ao 
homem ou à mulher, ou a ambos, independentemente do estado civil. 
Gabarito: letra C. 
 
 
10 - INSTITUTOS DE DIREITO PRIVADO QUE POSSIBILITAM AO 
PODER PÚBLICO CONFERIR O USO PRIVATIVO DE BENS PÚBLICOS 
Além das formas anteriores, reguladas pelo Direito Público, existem outros institutos 
de Direito Privado que possibilitam ao Poder Público conferir o uso privativo de bens 
públicos, dentre os quais é possível destacar: 
a) Enfiteuse; 
b) Direito de superfície; 
c) Locação; e 
d) Comodato. 
 
10.1 - ENFITEUSE 
É o instituto pelo qual o proprietário atribui a outrem o domínio útil de imóvel, 
pagando a pessoa que o adquire (enfiteuta) ao proprietário (senhorio direto) uma pensão 
ou foro anual, certo e invariável. Esse domínio útil poderá ser transferido a terceiro, 
hipótese em que o senhorio direto terá direito de preferência para reaver o imóvel. Se o 
senhorio direto não exercer o seu direito de preferência para reaver o imóvel e o domínio 
útil deste for transferido a um terceiro, aquele terá direito a receber a importância 
denominada laudêmio. A enfiteuse era regulada nos arts. 678 a 694 do antigo Código Civil 
(Lei nº 3.071, de 1º.01.1916). Contudo, o novo Código Civil proibiu a instituição de novas 
enfiteuses, reconhecendo apenas a existência daquelas instituídas anteriormente a sua 
vigência. Registramos que, por constarem em legislação específica (Decreto-lei nº 9.760, de 
05.09.1946), permanecem em vigor as regras relativas aos denominados “terrenos de 
marinha” (pertencentes à União). Nessa linha, o art. 49, § 3º, do Ato das Disposições 
Constitucionais Transitórias (ADCT) afirmou que “a enfiteuse continuará sendo aplicada aos 
terrenos de marinha e seus acrescidos, situados na faixa de segurança, a partir da orla 
marítima”. A propósito das normas aplicáveis à matéria, vale lembrar que a enfiteuse dos 
imóveis públicos pertencentes à União Federal é regulada pelo Decreto-lei nº 9.760/1946, e 
que haverá dispensa de licitação para o aforamento de imóveis nos seguintes casos: a) 
aforamento de bens imóveis residenciais construídos, destinados ou efetivamente 
utilizados no âmbito de programas habitacionais ou de regularização fundiária de interesse 
social desenvolvidos por órgãos ou entidades da administração pública (art. 17, I, f, da Lei 
 
nº 8.666/1993, com redação dada pela Lei nº 11.481/2007); e b) aforamento de bens 
imóveis de uso comercial de âmbito local com área de até 250 m² e inseridosno âmbito de 
programas de regularização fundiária de interesse social desenvolvidos por órgãos ou 
entidades da administração pública (art. 17, I, h, da Lei nº 8.666/1993, com redação incluída 
pela Lei nº 11.481/2007). 
 
10.2 - DIREITO DE SUPERFÍCIE 
É aquele em que o proprietário concede a outrem o direito de construir ou de plantar 
em seu terreno, por tempo determinado, mediante escritura pública devidamente 
registrada no Cartório de Registro de Imóveis. Criado em substituição ao instituto da 
enfiteuse, o direito de superfície tem duas disciplinas jurídicas. Enquanto a Lei nº 
10.257/2001 (Estatuto das Cidades), nos arts. 21 a 24, regula o negócio jurídico em áreas 
urbanas, o Código Civil, nos arts. 1.369 a 1.377, disciplina a matéria relativa aos imóveis fora 
da área urbana. 
 
10.3 - LOCAÇÃO 
É um contrato de direito privado, em que uma das partes se obriga a ceder à outra o 
uso e gozo de coisa não fungível, tendo como contrapartida o pagamento de determinada 
importância (aluguel) por período determinado de uso do bem. O instituto da locação está 
regulado no Código Civil, arts. 565 a 578. Existe, ainda, uma lei específica para locação de 
imóveis urbanos (Lei nº 8.245/1991), mas esta deixou assentado no art. 1º, parágrafo único, 
a, nº 1, que continuam regulados pelo Código Civil as locações de imóveis de propriedade 
da União, Estados e Municípios, bem como de suas autarquias e fundações públicas. 
 
10.4 - COMODATO 
Nos termos do art. 579 do Código Civil, comodato é o empréstimo gratuito de coisa 
não fungível. A diferença básica entre o comodato e a locação é que, enquanto a locação é 
onerosa para o locatário, o comodato é gratuito para o comodatário. A disciplina jurídica do 
comodato está expressa nos arts. 579 a 585 do Código Civil. 
 
 
11 - PRINCIPAIS BENS PÚBLICOS EM ESPÉCIE 
A Constituição Federal prevê em seu artigo 20 bens de titularidade da União e em seu 
artigo 26 bens de titularidade dos Estados. 
 
 
 
Vamos ao texto da 
Constituição quanto aos bens da União: 
Art. 20. São bens da União: 
I - os que atualmente lhe pertencem e os que lhe vierem a ser atribuídos; 
II - as terras devolutas indispensáveis à defesa das fronteiras, das fortificações e 
construções militares, das vias federais de comunicação e à preservação 
ambiental, definidas em lei; 
III - os lagos, rios e quaisquer correntes de água em terrenos de seu domínio, ou 
que banhem mais de um Estado, sirvam de limites com outros países, ou se 
estendam a território estrangeiro ou dele provenham, bem como os terrenos 
marginais e as praias fluviais; 
IV as ilhas fluviais e lacustres nas zonas limítrofes com outros países; as praias 
marítimas; as ilhas oceânicas e as costeiras, excluídas, destas, as que contenham 
a sede de Municípios, exceto aquelas áreas afetadas ao serviço público e a 
unidade ambiental federal, e as referidas no art. 26, II; (Redação dada pela 
Emenda Constitucional nº 46, de 2005) 
V - os recursos naturais da plataforma continental e da zona econômica 
exclusiva; 
VI - o mar territorial; 
VII - os terrenos de marinha e seus acrescidos; 
VIII - os potenciais de energia hidráulica; 
IX - os recursos minerais, inclusive os do subsolo; 
X - as cavidades naturais subterrâneas e os sítios arqueológicos e pré-históricos; 
Este tema costuma ser cobrado em 
provas com a “letra fria” da norma. 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc46.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc46.htm#art1
 
XI - as terras tradicionalmente ocupadas pelos índios. 
§ 1º É assegurada, nos termos da lei, aos Estados, ao Distrito Federal e aos 
Municípios, bem como a órgãos da administração direta da União, participação 
no resultado da exploração de petróleo ou gás natural, de recursos hídricos para 
fins de geração de energia elétrica e de outros recursos minerais no respectivo 
território, plataforma continental, mar territorial ou zona econômica exclusiva, 
ou compensação financeira por essa exploração. 
§ 2º A faixa de até cento e cinquenta quilômetros de largura, ao longo das 
fronteiras terrestres, designada como faixa de fronteira, é considerada 
fundamental para defesa do território nacional, e sua ocupação e utilização serão 
reguladas em lei. 
 
11.1 - TERRAS DEVOLUTAS INDISPENSÁVEIS À DEFESA DAS FRONTEIRAS 
As terras devolutas indispensáveis à defesa das fronteiras, das fortificações e 
construções militares, das vias federais de comunicação e à preservação ambiental são bens 
da União. As demais, são bens dos Estados. Não há previsão de terras devolutas de 
propriedade dos Municípios. 
 
11.2 - TERRENOS DE MARINHA 
Os terrenos de Marinha pertencem à União por questões de segurança nacional. 
Exatamente por isto, o STJ pacificou que: 
Súmula nº 496/STJ - Os registros de propriedade particular de imóveis situados 
em terrenos de marinha não são oponíveis à União. 
 
11.3 - TERRENOS RESERVADOS (TERRENOS MARGINAIS) 
Terrenos reservados (terrenos marginais) São aqueles que, banhados pelas correntes 
navegáveis, fora do alcance das marés, se estendem até a distância de 15 metros para a 
parte da terra, contados desde a linha média das enchentes ordinárias (Decreto-lei nº 
24.643/1934, art. 14). Há controvérsias quanto à propriedade desses bens, mas, de acordo 
 
com o art. 31 do Código das Águas (Decreto-lei nº 24.643/1934), pertencem aos Estados os 
terrenos reservados, salvo se, por algum título, forem de domínio federal, municipal ou 
particular. São considerados, em regra, bens dominicais. Os terrenos reservados serão de 
propriedade da União quando forem terrenos marginais de águas doces localizadas em 
terras de domínio federal ou das que banhem mais de um Estado, sirvam de limites com 
outros países ou, ainda, se estendam a território estrangeiro ou dele provenham (art. 20, III, 
da CRFB). Serão de propriedade dos Estados quando não forem marginais de rios federais. 
As terras tradicionalmente ocupadas pelos índios são bens da União e, assim como os 
parques nacionais possuem destinação específica, sendo considerados bens de uso 
especial. 
 
11.4 - MAR TERRITORIAL 
O mar territorial inclui-se entre os bens da União (art. 20, VI, da CRFB). O mar 
territorial brasileiro compreende uma faixa de doze milhas marítimas de largura, medidas a 
partir da linha de baixa-mar do litoral continental e insular, tal como indicada nas cartas 
náuticas de grande escala, reconhecidas oficialmente no Brasil (art. 1º, da Lei nº 
8.617/1993). 
 
11.5 - ZONA CONTÍGUA 
A zona contígua que compreende uma faixa que se estende das 12 às 24 milhas 
marítimas, contadas a partir das linhas de base que servem para medir a largura do mar 
territorial (art. 4º, da Lei nº 8.617/1993). Na zona contígua, o Brasil poderá tomar as 
medidas de fiscalização necessárias para: I – evitar as infrações às leis e aos regulamentos 
aduaneiros, fiscais, de imigração ou sanitários, no seu território, ou no seu mar territorial; e 
II – reprimir as infrações às leis e aos egulamentos, no seu território ou no seu mar 
territorial (art. 5º da Lei nº 8.617/1993). A CRFB não faz referência direta à zona contígua. 
Contudo, como a zona contígua está situada dentro da zona econômica exclusiva e a 
Constituição Federal previu que são bens da União os recursos naturais desta última, pode-
se concluir que os recursos naturais da zona contígua são bens da União. É importante 
ressaltar que a zona contígua não é bem da União, apenas o são os recursos naturais 
situados na zona contígua. 
 
11.6 - ZONA ECONÔMICA EXCLUSIVA 
Zona econômica exclusiva compreende uma faixa que se estende das doze às 
duzentas milhas marítimas, contadas a partir das linhas de base que servem para medir a 
largura do mar territorial (art. 6º, da Lei nº 8.617/1993). Na zona econômica exclusiva, o 
Brasil tem direitos de soberania para fins de exploração e aproveitamento, conservação e 
gestão dosrecursos naturais, vivos ou não vivos, das águas sobrejacentes ao leito do mar, 
do leito do mar e seu subsolo, e no que se refere a outras atividades com vistas à 
exploração e ao aproveitamento da zona para fins econômicos (art. 7º, da Lei nº 
8.617/1993). Os recursos naturais da zona econômica exclusiva são bens da União (CRFB, 
art. 20, V). Contudo, embora sejam bens da União, fica assegurada aos Estados, ao Distrito 
Federal e aos Municípios, bem como a órgãos da administração direta da União, nos termos 
da lei, a participação no resultado da exploração de petróleo, gás natural e recursos 
minerais existentes na zona econômica exclusiva, ou a compensação financeira por essa 
exploração (CRFB, art. 20, § 1º). 
 
11.7 - PLATAFORMA CONTINENTAL 
Plataforma continental é a designação dada à margem dos continentes que está 
submersa. Sua definição legal é dada pelo art. 11 da Lei nº 8.617/1993, transcrito a seguir: 
A plataforma continental do Brasil compreende o leito e o subsolo das áreas 
submarinas que se estendem além do seu mar territorial, em toda a extensão do 
prolongamento natural de seu território terrestre, até o bordo exterior da 
margem continental, ou até uma distância de duzentas milhas marítimas das 
linhas de base, a partir das quais se mede a largura do mar territorial, nos casos 
em que o bordo exterior da margem continental não atinja essa distância. 
 
A CRFB considera bens públicos federais os recursos naturais da plataforma 
continental (art. 20, V). No entanto, é assegurada, nos termos de lei, aos Estados, ao Distrito 
Federal e aos Municípios, bem como aos órgãos da administração direta da União, 
participação na exploração de petróleo ou gás natural, recursos hídricos para fins de 
geração de energia e de outros recursos minerais no respectivo território, plataforma 
continental, mar territorial ou zona econômica exclusiva, ou compensação financeira por 
essa exploração (art. 20, § 1º, CRFB). 
 
 
11.8 - ILHAS 
As ilhas São porções de terra cercadas de água por todos os lados. Podem ser 
classificadas como ilhas marítimas, fluviais e lacustres, conforme se localizem, 
respectivamente, no mar, nos rios e nos lagos. As ilhas marítimas se subdividem em ilhas 
oceânicas (não têm relação com o relevo continental) e ilhas costeiras (surgem do próprio 
relevo continental). Em relação às ilhas oceânicas e costeiras, José dos Santos Carvalho 
Filho10, interpretando a Constituição Federal, conclui que: 
• integram, como regra, o domínio da União; 
• nelas pode haver áreas do domínio dos Estados, Municípios ou de terceiros 
particulares; 
• nas ilhas costeiras, pertence ao Município a área em que estiver localizada a 
sua sede; e 
• na hipótese da letra “c”, excluem-se do domínio municipal as áreas 
afetadas a serviço público ou a qualquer unidade ambiental federal. 
 
11.9 - FAIXA DE FRONTEIRA 
A faixa de fronteira corresponde à faixa interna de 150 km de largura, paralela à linha 
divisória terrestre do território nacional, sendo considerada indispensável à segurança 
nacional. A CRFB, no art. 20, II, previu que são bens da União as terras devolutas 
indispensáveis à defesa das fronteiras. Observe que a Constituição faz referência apenas às 
terras devolutas. Assim, não são todos os bens situados nessa faixa que são públicos, uma 
vez que existem diversos bens particulares localizados nessa região. Pode-se afirmar, ainda, 
que, por ser a faixa de fronteiras considerada indispensável à segurança nacional, há 
restrições ao uso e à alienação das áreas nela situadas, conforme estabelecido na Lei nº 
6.634/1979. 
 
 
10 José dos Santos Carvalho Filho, Manual de direito administrativo, p. 1231. 
 
11.10 - CEMITÉRIOS 
Os cemitérios classificam-se em públicos e privados. Os cemitérios privados são 
instituídos em terrenos de domínio particular (não são bens públicos), mas se sujeitam ao 
controle do Poder Público. 
Embora existam autores que afirmam serem os cemitérios públicos bens públicos de 
uso comum do povo, as provas de concurso público têm o entendimento de que eles são 
bens públicos de uso especial. 
 
11.11 - BENS PERTENCENTES AOS ESTADOS 
Quanto aos bens pertencentes aos Estados: 
Art. 26. Incluem-se entre os bens dos Estados: 
I - as águas superficiais ou subterrâneas, fluentes, emergentes e em depósito, 
ressalvadas, neste caso, na forma da lei, as decorrentes de obras da União; 
II - as áreas, nas ilhas oceânicas e costeiras, que estiverem no seu domínio, 
excluídas aquelas sob domínio da União, Municípios ou terceiros; 
III - as ilhas fluviais e lacustres não pertencentes à União; 
IV - as terras devolutas não compreendidas entre as da União. 
 
Destacamos que as águas públicas pertencem aos estados-membros, exceto se 
estiverem em terrenos da União, se banharem mais de um Estado, se fizerem limites com 
outros países ou se estenderem a território estrangeiro ou dele provierem (hipóteses em 
que pertencerão à União). 
Como dito, este ponto é cobrado em provas com a “letra fria” da norma, consoante 
será demonstrado a seguir. 
(FCC - Notário e Registrador/TJ AP/2011 - ADAPTADA) Com base no ordenamento jurídico 
pátrio, são bens da União 
a) os terrenos da marinha e seus acrescidos. 
b) as terras que estiverem situadas na faixa de fronteira, eis que necessárias à segurança 
nacional. 
 
c) as terras devolutas em geral, exceto as indispensáveis à preservação ambiental, que 
serão de titularidade do Estado-membro respectivo. 
d) as ilhas oceânicas e costeiras, independentemente de nelas estar localizada a sede de 
algum Município. 
Comentários: 
Conforme disposto no inciso VII, do artigo 20, da CRFB a alternativa “a” está correta. 
As demais letras, todas, foram extraídas de incisos dos artigos 20 e 26 da Constituição 
Federal, senão vejamos: 
Letra B – Falso. Apenas as terras devolutas situadas na faixa de fronteira pertencem à 
União (artigo 20, inciso II, CRFB); 
Letra C - Falso. As terras devolutas destinadas à preservação ambiental também 
pertencem à União. 
Letra D – Falso, conforme artigo 26, inciso II, CRFB. 
Gabarito: letra “A”. 
(FCC - Procurador Legislativo/Cam Mun SP/2014) Uma empresa concessionária de gás 
encanado, ao realizar perfurações no subterrâneo de uma rua, situada em área urbana, 
descobre um veio aurífero. O veio descoberto pertence: 
a) à União, pois as jazidas, em lavra ou não, constituem propriedade distinta da do solo, 
para efeito de exploração ou aproveitamento. 
b) ao Município, pois situado em logradouro urbano municipal, seguindo a regra pela qual a 
propriedade do solo abrange a do espaço aéreo e subsolo correspondentes, em altura e 
profundidade úteis ao seu exercício. 
c) à empresa concessionária e ao Município, em iguais partes, em virtude de constituir 
aquisição originária por achado de tesouro, regulada pelo Código Civil. 
d) ao Estado-Membro, pois o serviço concedido é de titularidade estadual e a descoberta se 
deu em decorrência de tal atividade, seguindo a regra accessorium sequitur summ 
principale. 
e) aos trabalhadores que realizaram a descoberta e à empresa concessionária, em iguais 
partes, em aplicação analógica da legislação sobre garimpo, que determina a partilha da 
exploração entre garimpeiros e concessionários da lavra. 
Comentários: 
Para correta resolução dessa questão é necessário conhecer o texto constitucional que 
trata sobre os bens da União. A descoberta de um veio aurífero significa a descoberta de 
 
uma mina de ouro, recurso mineral, cuja propriedade pertence à União, nos termos do 
artigo 20, inciso IX, da CRFB: 
Art. 20. São bens da União: 
(...) 
IX - os recursos minerais, inclusive os do subsolo. 
 
Gabarito: letra A. 
(FCC - Juiz Estadual/TJ PE/2015) Observe as seguintes características, atribuíveis a 
determinados bens públicos: 
I. pertencem ao domínio do Município ou do Distrito Federal, se localizado(a)s nas 
respectivascircunscrições, incorporando-se ao domínio da União quando situado(a)s em 
território federal. 
II. são de titularidade da União, assegurada, nos termos da lei, aos Estados, ao Distrito 
Federal e aos Municípios participação no resultado de sua exploração. 
III. pertencem aos Estados, salvo se, por algum título, forem do domínio federal, municipal 
ou particular. 
As descrições I, II e III correspondem, correta e respectivamente, aos seguintes bens: 
a) terrenos de marinha e acrescidos − cavidades naturais subterrâneas e os sítios 
arqueológicos e pré-históricos − os recursos naturais da plataforma continental e da zona 
econômica exclusiva. 
b) bens arrecadados de herança vacante − recursos minerais e potenciais de energia 
hidráulica − terrenos reservados às margens das correntes e lagos navegáveis. 
c) águas superficiais ou subterrâneas, fluentes, emergentes e em depósito − terras 
tradicionalmente ocupadas pelos índios − terras devolutas indispensáveis à preservação 
ambiental. 
d) cavidades naturais subterrâneas e os sítios arqueológicos e pré-históricos − terras 
devolutas indispensáveis à defesa das fronteiras − recursos minerais e potenciais de energia 
hidráulica. 
e) recursos minerais e potenciais de energia elétrica − terras devolutas indispensáveis à 
defesa das vias federais de comunicação − terrenos marginais. 
Comentários: 
Vejamos o que trata o Código Civil sobre herança jacente em seu artigo 1.822: 
 
Art. 1.822. A declaração de vacância da herança não prejudicará os herdeiros que 
legalmente se habilitarem; mas, decorridos cinco anos da abertura da sucessão, os bens 
arrecadados passarão ao domínio do Município ou do Distrito Federal, se localizados nas 
respectivas circunscrições, incorporando-se ao domínio da União quando situados em 
território federal. 
 
Diante disso temos a correspondência do item I com a primeira sentença da letra B. 
Para os demais itens é salutar saber quais são os bens da União, indicados na Constituição 
Federal, apontados a seguir: 
Art. 20. São bens da União: 
III - os lagos, rios e quaisquer correntes de água em terrenos de seu domínio, ou que 
banhem mais de um Estado, sirvam de limites com outros países, ou se estendam a 
território estrangeiro ou dele provenham, bem como os terrenos marginais e as praias 
fluviais; 
VIII - os potenciais de energia hidráulica; 
IX - os recursos minerais, inclusive os do subsolo; 
 
Gabarito: letra B. 
(FCC – Proc Jud (Recife)/Pref Recife/2014) Considere os itens a seguir, sobre bens públicos: 
I. Com a EC no 46/2005, pacificou-se dúvida quanto à titularidade das ilhas costeiras e 
fluviais que contêm sede de Municípios, passando-se a atribuí-la expressamente aos 
municípios respectivos. 
II. Por disposição constitucional, as terras devolutas não compreendidas entre as da União 
ou dos Estados incluem-se entre os bens do Município. 
III. (ITEM NÃO ATINENTE AO TEMA DA AULA) 
IV. É defeso pelo ordenamento jurídico usucapião de bens públicos dominicais. 
Está correto o que consta APENAS em: 
a) IV. 
b) I. 
c) II e III. 
d) II e IV. 
e) I, II e III. 
 
Comentários: 
O item I está incorreto, porque a EC nº 46/2005 alterou o inciso IV do artigo 20 da 
Constituição federal, mas o teor da alteração não versa sobre ilhas fluviais e sim 
OCEÂNICAS, conforme transcrição do texto legal a seguir: 
Art. 20. São bens da União: 
(...) 
IV - as ilhas fluviais e lacustres nas zonas limítrofes com outros países; as praias 
marítimas; as ilhas oceânicas e as costeiras, excluídas, destas, as que contenham a sede 
de Municípios, exceto aquelas áreas afetadas ao serviço público e a unidade ambiental 
federal, e as referidas no art. 26, II; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 46, de 
2005) (grifo nosso) 
 
O item II também está incorreto, já que não existem terras devolutas pertencentes à 
Municípios. A Constituição descreve as terras devolutas que pertencem à União e dispõe 
que as demais pertencem aos Estados que fazem parte da Federação. 
Art. 20. São bens da União: 
(...) 
II - as terras devolutas indispensáveis à defesa das fronteiras, das fortificações e 
construções militares, das vias federais de comunicação e à preservação ambiental, 
definidas em lei; 
 
E em caráter residual: 
Art. 26. Incluem-se entre os bens dos Estados: 
(...) 
IV - as terras devolutas não compreendidas entre as da União. 
 
Já o item IV está verdadeiro, eis que os bens públicos são imprescritíveis. 
Gabarito: letra “A”. 
 
 
12 - BENFEITORIAS EM BEM PÚBLICO IRREGULARMENTE 
OCUPADO 
De acordo com o artigo 1.219 do Código Civil, o possuidor de boa-fé tem direito à 
indenização das benfeitorias necessárias e úteis, restando consolidado o entendimento pelo 
STJ11 que tal direito de retenção abrange também as acessões (construções e plantações) 
nas mesmas circunstâncias. 
Art. 1.219. O possuidor de boa-fé tem direito à indenização das benfeitorias 
necessárias e úteis, bem como, quanto às voluptuárias, se não lhe forem pagas, a 
levantá-las, quando o puder sem detrimento da coisa, e poderá exercer o direito 
de retenção pelo valor das benfeitorias necessárias e úteis. 
 
Ocorre que, para o STJ, nos casos em que o bem público foi ocupado irregularmente, a 
pessoa não tem direito de ser indenizada pelas acessões feitas, assim como não tem direito 
à retenção pelas benfeitorias realizadas, mesmo que fique provado que a pessoa estava de 
boa-fé. 
É que a ocupação irregular de bem público não pode ser classificada como posse, mas 
mera detenção, possuindo, portanto, natureza precária. 
Segundo consolidou o STJ, a posse é o direito reconhecido a quem se comporta como 
proprietário, não havendo como reconhecer a posse a quem, por proibição legal, não possa 
ser proprietário. Assim, a ocupação de área pública, quando irregular, não pode ser 
reconhecida como posse, mas como mera detenção. 
Ademais, eventual inércia ou omissão da Administração não tem o efeito de afastar ou 
distorcer a aplicação da lei. O imóvel público é indisponível, de modo que eventual omissão 
dos governos implica responsabilidade de seus agentes, nunca vantagem de indivíduos às 
custas da coletividade. 
Por fim, não se pode afirmar que tal ato configurará enriquecimento sem causa da 
Administração, eis que esta provavelmente terá um custo para demolir a construção feita 
 
11 No final do ano de 2018, nossa Corte da Cidadania editou a Súmula nº 619, com o seguinte teor: “A 
ocupação indevida de bem público configura mera detenção, de natureza precária, insuscetível de retenção 
ou indenização por acessões e benfeitorias.” 
 
ou, no máximo regularizá-la para adequá-la à legislação vigente, dada a provável inutilidade 
do imóvel, sendo incoerente tal afirmação. 
 
Nesse sentido, registramos: 
PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. AÇÃO REIVINDICATÓRIA. OCUPAÇÃO 
IRREGULAR DE ÁREA PÚBLICA. DIREITO DE INDENIZAÇÃO PELAS ACESSÕES. 
INEXISTÊNCIA. PRECEDENTES. 
1. A jurisprudência assentada no Superior Tribunal de Justiça considera indevida 
a indenização por acessões construídas sobre área pública irregularmente 
ocupada. 
2. Recurso especial a que se dá provimento. 
(REsp 850.970, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI) 
 
(CEBRASPE, DPE-PE, Defensor Público, 2018 - adaptada) Julgue o item que segue: 
( ) A ocupação irregular de bem público não impede que o particular retenha o imóvel até 
que lhe seja paga indenização por acessões ou benfeitorias por ele realizadas, conforme 
entendimento do Superior Tribunal de Justiça. 
Comentários: 
A assertiva proposta neste item, a rigor, se mostra em confronto direto com a 
jurisprudência consolidada do STJ (inclusive simulada), de que constitui exemplo, dentre 
outros, o seguinte trecho de ementa: 
"(...) Configurada a ocupação indevida de bem público, não há falar em posse, mas em 
mera detenção, de natureza precária, o que afasta o direito de permanência no imóvel, 
retenção das benfeitoriase o almejado pleito indenizatório à luz da avocada boa-fé." 
(AIREsp 1.338.825, rel. Ministro OG FERNANDES) 
Gabarito: Incorreta. 
 
 
13 - RESUMÃO DA AULA 
Domínio Público 
 
Domínio público possui um conceito mais extenso que o de propriedade, pois ele inclui 
bens que não pertencem ao poder público. O chamado domínio eminente, como expressão 
da soberania nacional, é o poder político, pelo qual o Estado submete à sua vontade todas 
as coisas do seu território”. 
 
Bens públicos 
 
1ª Corrente: Bens da União, Estados, Distrito Federal, Municípios, Autarquias e Fundações 
Públicas de Direito Público. 
 
2ª Corrente: Acrescenta à primeira corrente todos os bens das Empresas Públicas e 
Sociedades de economia Mista. 
 
3ª Corrente: Acrescenta à segunda corrente a afetação à serviço público aqueles bens 
pertencentes às Empresas Públicas e Sociedades de Economia Mista e ainda considera os 
Bens de particulares que estejam afetados a prestação de serviços públicos (concessionárias 
e permissionárias). 
 
Classificação dos bens públicos 
 
Quanto à titularidade podem ser a) federais, b) estaduais, c) distritais ou municipais; 
 
Quanto à destinação podem ser a) bens de uso comum do povo, b) bens de uso 
especial ou c) bens dominicais; 
 
Quanto à natureza patrimonial podem ser a) bens indisponíveis por natureza, b) 
bens patrimoniais indisponíveis, e c) bens patrimoniais disponíveis. 
 
Quanto à natureza física podem ser a) bens de domínio hídrico (águas correntes, 
águas dormentes ou potenciais de energia hidráulica), ou b) bens do domínio terrestre (do 
solo ou do subsolo); 
 
Afetação 
 
Quando um bem estiver sendo utilizado para um determinado fim público, assim sendo os 
bens de uso comum do povo e os bens de uso especial. Os bens dominicais são desafetados, 
ou seja, sem uma finalidade pública específica. 
 
 
Pode ser expressa (lei ou ato normativo) ou tácita (atuação direta da Administração sem 
prévia manifestação ou por fenômeno natural ou destinação natural do bem). 
 
Característica dos bens públicos 
 
a) Inalienabilidade, 
b) Impenhorabilidade, 
c) Imprescritibilidade, e 
d) Não onerabilidade. 
 
 
Alienação de bens públicos 
 
Sendo bens públicos imóveis, a alienação dependerá da existência dos seguintes requisitos: 
 
a) interesse público devidamente justificado; 
b) avaliação prévia; 
c) autorização legislativa; e 
d) licitação na modalidade concorrência 
 
Sendo bens públicos móveis, a autorização legislativa não é necessária. Os requisitos 
exigidos são: 
 
a) interesse público; 
b) avaliação prévia; e 
c) licitação, que será dispensada nas hipóteses contempladas no art. 17, II, a Lei nº 
8.666/1993. No caso de alienação de bens móveis, a Lei alude apenas a licitação, o 
que poderia levar à interpretação de que a modalidade licitatória dependeria do 
valor de avaliação do bem. 
 
Uso de bens públicos 
 
Diz-se normal quando está em conformidade com a destinação principal do bem e fala-se 
em uso anormal quando o bem é utilizado em finalidades para as quais normalmente não 
são destinados. 
 
Também se classifica o uso em comum, exercido indistintamente por todos os que 
compõem a coletividade, ou privativo quando exercido com exclusividade por pessoas 
físicas ou jurídicas, públicas ou privadas. 
 
 
O uso privativo é classificado conforme institutos de direito público ou de direito privado 
que possibilitam ao poder público conferir o uso privativo dos bens públicos. 
 
São institutos de direito público a: 
 
e) Autorização de uso; 
f) Permissão de uso; 
g) Concessão de Direito Real; 
h) Concessão de Uso Especial para Fins de Moradia; 
i) Cessão de uso. 
 
1) Autorização de uso 
Trata-se de ato discricionário e precário onde a Administração consente que o 
particular utilize um bem público segundo seu interesse. O ato não exige prévia 
licitação e pode ser revogável a qualquer tempo sem necessidade de indenização. A 
principal característica da autorização é o predomínio do interesse do particular, 
cabendo-lhe – segundo seu interesse – utilizar ou não o bem autorizado. 
 
2) Permissão de uso 
Trata-se de ato ainda discricionário e precário, com segurança maior que a 
autorização de uso. Contudo, também poderá ser revogável a qualquer tempo sem a 
necessidade de indenização ao particular. 
Embora sejam atos administrativos, a doutrina entende pela necessidade de 
prévia licitação para as permissões de uso de bem público. 
Enquanto as autorizações e permissões são ATOS administrativos, a concessão de 
uso de bem público é um CONTRATO. 
Utiliza-se a concessão em contratos de maior vulto, onde o particular faz 
significativos investimentos e assume obrigações perante terceiros e encargos 
financeiros elevados que não se justificariam, salvo pela possibilidade de utilização de 
bem público por prolongado prazo e com segurança na utilização. 
Tratando-se de contrato administrativo é absolutamente necessária a realização 
de prévia licitação, razão pela qual o ato não é precário. Cabível, portanto o direito a 
indenização ao particular em caso de rescisão se a causa não for a ele imputável. 
 
A depender da remuneração pela utilização do bem público, a concessão de uso 
poderá ser gratuita ou remunerada. 
 
3) Concessão de Direito Real 
A Concessão de Direito Real de Uso constitui um direito de natureza real, 
consiste em um contrato que confere ao particular um direito real resolúvel por prazo 
certo ou indeterminado, de forma remunerada ou gratuita. 
 Como se trata de um direito real e não pessoal, a CDRU transfere-se por ato 
inter vivos ou por sucessão legítima ou testamentária, como os demais direitos reais 
sobre coisas alheias, registrando-se a transferência. 
 A Lei 8.666/93 determina que haja licitação na modalidade concorrência, 
sendo o critério aquele de julgamento o maior lance ou oferta, caso se trate de 
concessão onerosa, sendo dispensadas em casos específicos (artigo 17). 
 
4) Concessão de Uso Especial para Fins de Moradia 
Foi introduzido pela Medida Provisória 2.220/2001. Posteriormente, a Medida 
Provisória 759/2016 estendeu para 22 de dezembro de 2016 o termo final do período 
de posse necessário à aquisição do direito e ampliou a possibilidade a todos os imóveis 
situados em áreas com características e finalidade urbanas. Com esta mudança, a 
abrangência espacial do direito abandona o critério estritamente formal (área urbana, 
que é definida em lei municipal) e abraça um critério funcional (área com 
características e finalidade urbanas). 
 
5) Cessão de uso 
Fundamenta-se no benefício coletivo decorrente da atividade desempenhada pelo 
cessionário. 
O mais comum é que a Administração ceda bens entre órgãos da mesma pessoa 
(Secretaria de Justiça cede prédio para a Secretaria de Administração do mesmo Estado), 
mas pode ocorrer a cessão entre órgãos de entidades públicas diversas ou para pessoas 
privadas que desempenhem finalidades não lucrativas. 
 
 
São institutos de direito privado a: 
 
a) Enfiteuse: o proprietário atribui a outrem o domínio útil de imóvel, pagando a 
pessoa que o adquire (enfiteuta) ao proprietário (senhorio direto) uma pensão ou 
foro anual, certo e invariável. 
 
b) Direito de superfície: o direito de construir ou de plantar em seu terreno, por tempo 
determinado, mediante escritura pública devidamente registrada. 
 
c) Locação: trata-se do uso e gozo de coisa não fungível, tendo como contrapartida o 
pagamento de determinada importância (aluguel) por período determinado de uso 
do bem 
 
d) Comodato: empréstimo gratuito de coisa não fungível. 
 
 
Bens em espécie: remeto o leitor ao art. 20 e 26 da Constituição Federal. 
 
Por fim aponto que a jurisprudência considera indevida a indenização por acessões 
construídas sobre área pública irregularmente ocupada. 
 
14 - JURISPRUDÊNCIA CORRELATA 
STJ – REsp 1353976/MG (DJe 23/04/2018) 
ADMINISTRATIVO. RECURSO ESPECIAL. DESAPROPRIAÇÃO DIRETA. PRETENSÃO DE 
EXPROPRIAÇÃO EXCLUSIVA DAS BENFEITORIASMANTIDAS EM ÁREA PÚBLICA. INTERESSE 
PROCESSUAL DA ADMINISTRAÇÃO. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. LINHA VERDE/MG. 
1. Em que pese a peculiaridade da pretensão estatal, de expropriar benfeitorias erigidas em 
área pública consistentes em muro de alvenaria, e pés de urucum, ameixeira, limoeiro e 
bananeiras, estimados, em 2005, em R$ 1.518,60, com provável caráter social da medida, a 
hipótese não encontra guarida na jurisprudência desta Corte Superior. 
2. A ocupação irregular, a qualquer título, de área pública, não autoriza a indenização de 
benfeitorias, por não se equiparar o mero detentor com o posseiro. 
3. Inexiste contrariedade ao art. 535 do CPC/1973 quando a Corte de origem decide clara e 
fundamentadamente todas as questões postas a seu exame. Ademais, não se deve 
confundir decisão contrária aos interesses da parte com ausência de prestação jurisdicional. 
4. Recurso especial a que se nega provimento. 
(REsp 1353976/MG, Rel. Ministro OG FERNANDES, SEGUNDA TURMA, julgado em 
17/04/2018, DJe 23/04/2018) 
STJ – REsp 850.970 - DF (DJe 11/03/2011) 
PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. AÇÃO REIVINDICATÓRIA. OCUPAÇÃO IRREGULAR DE 
ÁREA PÚBLICA. DIREITO DE INDENIZAÇÃO PELAS ACESSÕES. INEXISTÊNCIA. PRECEDENTES. 
1. A jurisprudência assentada no Superior Tribunal de Justiça considera indevida a 
indenização por acessões construídas sobre área pública irregularmente ocupada. 
2. Recurso especial a que se dá provimento. 
(REsp 850.970/DF, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 
01/03/2011, DJe 11/03/2011) 
STJ – REsp 900.159 - RJ (DJe 27/02/2012) 
ADMINISTRATIVO. OCUPAÇÃO DE ÁREA PÚBLICA POR PARTICULARES. JARDIM BOTÂNICO 
DO RIO DE JANEIRO. MERA DETENÇÃO. CONSTRUÇÃO. BENFEITORIAS. INDENIZAÇÃO. 
IMPOSSIBILIDADE. 
 
1. A ocupação de área pública, sem autorização expressa e legítima do titular do domínio, é 
mera detenção, que não gera os direitos, entre eles o de retenção, garantidos ao possuidor 
de boa-fé pelo Código Civil. Precedentes do STJ. 
2."Posse é o direito reconhecido a quem se comporta como proprietário. Posse e 
propriedade, portanto, são institutos que caminham juntos, não havendo de se reconhecer 
a posse a quem, por proibição legal, não possa ser proprietário ou não possa gozar de 
qualquer dos poderes inerentes à propriedade.A ocupação de área pública, quando 
irregular, não pode ser reconhecida como posse, mas como mera detenção. Se o direito de 
retenção ou de indenização pelas acessões realizadas depende da configuração da posse, 
não se pode, ante a consideração da inexistência desta, admitir o surgimento daqueles 
direitos, do que resulta na inexistência do dever de se indenizar as benfeitorias úteis e 
necessárias" (REsp 863.939/RJ, Rel. Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 24.11.2008). 
3. "Configurada a ocupação indevida de bem público, não há falar em posse, mas em mera 
detenção, de natureza precária, o que afasta o direito de retenção por benfeitorias" (REsp 
699374/DF, Rel. Min. 
Carlos Alberto Menezes Direito, Terceira Turma, DJ 18.6.2007). 
4. "A ocupação de bem público não passa de simples detenção, caso em que se afigura 
inadmissível o pleito de proteção possessória contra o órgão público. Não induzem posse os 
atos de mera tolerância (art. 
497 do Código Civil/1916)" (REsp 489.732/DF, Rel. Min. Barros Monteiro, Quarta Turma, DJ 
13.6.2005). 
5. "Tem-se como clandestina a construção, a qual está inteiramente em logradouro público, 
além do fato de que a sua demolição não vai trazer nenhum benefício direto ou indireto 
para o Município que caracterize eventual enriquecimento, muito pelo contrário, já que se 
está em discussão é a desocupação de imóvel público de uso comum que, por tal natureza, 
além de inalienável, interessa a toda coletividade" (REsp 245.758/PE, Rel. Min. José 
Delgado, Primeira Turma, DJ 15.5.2000). 
6. Recurso Especial provido. 
(REsp 900.159/RJ, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 
01/09/2009, DJe 27/02/2012) 
STJ – AgInt no AREsp 1161437 - RS (DJe 08/06/2018) 
ADMINISTRATIVO. TAXA DE OCUPAÇÃO. TERRENO DA MARINHA. ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO 
AO ART. 1.022 DO CPC/2015. INCIDÊNCIA DO ENUNCIADO SUMULAR N. 284/STF. 
 
RESPONSABILIDADE PELA QUITAÇÃO DAQUELE QUE CONSTA NO REGISTRO. 
JURISPRUDÊNCIA DESTA CORTE. 
I - Em relação à alegada violação ao art. 1.022 do CPC/2015, verifica-se que o recorrente 
limitou-se a afirmar, em linhas gerais, que o acórdão recorrido incorreu em omissão ao 
deixar de se pronunciar acerca dos dispositivos legais apresentados nos embargos de 
declaração, o fazendo de forma genérica, sem desenvolver argumentos para demonstrar de 
que forma houve a alegada violação, pelo Tribunal de origem, dos dispositivos legais 
indicados pela recorrente. Incidência da Súmula n. 284/STF. 
II - Relativamente à alegação de ausência de responsabilidade pela comunicação da 
alienação, a jurisprudência desta Corte é no sentido de que tal responsabilidade é do 
alienante. Nesse sentido: AgInt no REsp 1572310/SC, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, 
PRIMEIRA TURMA, julgado em 03/05/2018, DJe 14/05/2018; AgRg nos EDcl no AREsp 
692.040/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 15/09/2015, 
DJe 10/11/2015. 
III - A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é pacífica no sentido de que, ante a 
ausência de comunicação à SPU acerca da transferência de domínio útil ou de direitos sobre 
benfeitorias, bem como da cessão de direitos a eles referentes, permanece como 
responsável pela quitação da taxa de ocupação aquele que consta originariamente nos 
registros, no caso, a alienante, e não o adquirente. Nesse sentido: AgInt no REsp 
1612155/SC, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, SEGUNDA TURMA, julgado em 07/11/2017, 
DJe 10/11/2017; AgInt no REsp 1604944/PE, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, 
SEGUNDA TURMA, julgado em 21/09/2017, DJe 27/09/2017. 
IV - Agravo interno improvido. 
(AgInt no AREsp 1161437/RS, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, SEGUNDA TURMA, julgado 
em 05/06/2018, DJe 08/06/2018) 
STJ – AgRg no REsp1.070.735 - RS (18.11.2008) 
4. No que tange à questão da impenhorabilidade dos bens afetados ao serviço público, o 
julgado recorrido não diverge da orientação do STJ, segundo a qual são impenhoráveis os 
bens de sociedade de economia mista prestadora de serviço público, desde que destinados 
à prestação do serviço ou que o ato constritivo possa comprometer a execução da atividade 
de interesse público (CRFB. AgRg no REsp1.070.735/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell 
Marques, Segunda Turma, julgado em 18.11.2008; AgRg no REsp 1.075.160/AL, Rel. 
Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 10.11.2009; REsp521.047/SP, Rel. 
Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em20.11.2003). 
STJ – MS 23875 - (DJ 30-04-2004) 
 
EMENTA: CONSTITUCIONAL. ATO DO TCU QUE DETERMINA TOMADA DE CONTAS ESPECIAL 
DE EMPREGADO DO BANCO DO BRASIL - DISTRIBUIDORA DE TÍTULOS E VALORES 
MOBILIÁRIOS S.A., SUBSIDIÁRIA DO BANCO DO BRASIL, PARA APURAÇÃO DE "PREJUÍZO 
CAUSADO EM DECORRÊNCIA DE OPERAÇÕES REALIZADAS NO MERCADO FUTURO DE 
ÍNDICES BOVESPA". ALEGADA INCOMPATIBILIDADE DESSE PROCEDIMENTO COM O REGIME 
JURÍDICO DA CLT, REGIME AO QUAL ESTÃO SUBMETIDOS OS EMPREGADOS DO BANCO. O 
PREJUÍZO AO ERÁRIO SERIA INDIRETO, ATINGINDO PRIMEIRO OS ACIONISTAS. O TCU NÃO 
TEM COMPETÊNCIA PARA JULGAR AS CONTAS DOS ADMINISTRADORES DE ENTIDADES DE 
DIREITO PRIVADO. A PARTICIPAÇÃO MAJORITÁRIA DO ESTADO NA COMPOSIÇÃO DO 
CAPITAL NÃO TRANSMUDA SEUS BENS EM PÚBLICOS. OS BENS E VALORES QUESTIONADOS 
NÃO SÃO OS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA, MAS OS GERIDOS CONSIDERANDO-SE A 
ATIVIDADE BANCÁRIA POR DEPÓSITOS DE TERCEIROS E ADMINISTRADOS PELO BANCO 
COMERCIALMENTE. ATIVIDADE TIPICAMENTE PRIVADA, DESENVOLVIDA POR ENTIDADE 
CUJO CONTROLE ACIONÁRIO É DA UNIÃO. AUSÊNCIA DE LEGITIMIDADE AO IMPETRADO 
PARA EXIGIR INSTAURAÇÃO DE TOMADA DE CONTAS ESPECIAL AO IMPETRANTE. 
MANDADO DE SEGURANÇA DEFERIDO. (MS 23875, Relator(a): Min. CARLOS VELLOSO,Relator(a) p/ Acórdão: Min. NELSON JOBIM, Tribunal Pleno, julgado em 07/03/2003, DJ 30-
04-2004 PP-00034 EMENT VOL-02149-07 PP-01270 RTJ VOL-00191-03 PP-00887). 
 
15 – MAIS QUESTÕES DE PROVA 
01. (CEBRASPE, PGE-AM, Procurador do Estado, 2016) 
Com relação a pessoas jurídicas de direito privado e bens públicos, julgue o item a 
seguir. 
( ) Consideram-se bens públicos dominicais aqueles que constituem o patrimônio das 
pessoas jurídicas de direito público como objeto de direito pessoal ou real, tais como 
os edifícios destinados a sediar a administração pública. 
Comentários: Código Civil: 
Art. 99. São bens públicos: 
I - os de uso comum do povo, tais como rios, mares, estradas, ruas e praças; 
II - os de uso especial, tais como edifícios ou terrenos destinados a serviço ou 
estabelecimento da administração federal, estadual, territorial ou municipal, inclusive os de 
suas autarquias; 
III - os dominicais, que constituem o patrimônio das pessoas jurídicas de direito público, 
como objeto de direito pessoal, ou real, de cada uma dessas entidades. 
 
Parágrafo único. Não dispondo a lei em contrário, consideram-se dominicais os bens 
pertencentes às pessoas jurídicas de direito público a que se tenha dado estrutura de direito 
privado. 
 
Consideram-se bens públicos dominicais aqueles que constituem o patrimônio das pessoas 
jurídicas de direito público como objeto de direito pessoal ou real, tais como terrenos de 
marinha, as terras devolutas, as estradas de ferro, as ilhas formadas em rios navegáveis, os 
sítios arqueológicos, as jazidas de minerais com interesse público, o mar territorial, entre 
outros. 
Consideram-se bens de uso especial, tais como os edifícios destinados a sediar a 
administração pública. 
Gabarito: Incorreto. 
02. (CEBRASPE, AGU, Advogado da União, 2015) 
Julgue o próximo item, referente à utilização dos bens públicos e à desapropriação. 
( ) Se os membros de uma comunidade desejarem fechar uma rua para realizar uma 
festa comemorativa do aniversário de seu bairro, será necessário obter da 
administração pública uma permissão de uso. 
Comentários: 
Não é hipótese de permissão, mas de autorização de bem público. 
Autorização: ato unilateral, discricionário, constitutivo e precário expedido para a realização 
de serviços ou a utilização de bens públicos no interesse predominante do particular. 
Autorização de uso de bem público: para uso de forma anormal e privativa de determinado 
bem público por um particular, quando o Estado vai analisar se essa utilização não viola o 
interesse coletivo de utilização normal desse bem. “(...) O emprego anormal ou privado do 
bem público como, por exemplo, colocar mesa no passeio público ou realizar uma festa de 
casamento na praia, restringindo, dessa forma, o bem do uso normal pelos outros requer a 
manifestação do Poder Público, para que consinta tal restrição. A isso se denomina uso 
especial de bem público". (José dos Santos Carvalho Filho, p. 280) 
Gabarito: Incorreta. 
03. (CEBRASPE, PGE-BA, Procurador do Estado, 2014) 
Em relação aos bens públicos, julgue o item seguinte. 
 
( ) Para a utilização de espaço de prédio de autarquia para o funcionamento de 
restaurante que atenda aos servidores públicos, é obrigatória a realização de licitação 
e a autorização de uso de bem público. 
Comentários: A concessão de uso de bem público possui as seguintes características: 1) 
contrato administrativo (bilateral); 2) por prazo determinado; 3) discricionariedade 
(facultativa); 4) não há precariedade (estabilidade relativa); 5) precedida de licitação (exceto 
nos casos de dispensa e inexigibilidade); 6) pode ser gratuita ou remunerada. Como 
exemplos, podemos citar a concessão de uso de loja em aeroporto, de boxes em mercados 
públicos, de espaço destinado à instalação de lanchonete ou restaurante em prédio em que 
funciona repartição pública. 
Gabarito: Incorreto. 
04. (CEBRASPE, PG-DF, Procurador, 2013) 
Relativamente aos bens públicos, julgue o item abaixo. 
( ) É impossível a prescrição aquisitiva de bens públicos dominicais, inclusive nos 
casos de imóvel rural e de usucapião constitucional pro labore. 
Comentários: Súmula nº 340/STF: "Desde a vigência do CC, os bens dominicais, assim como 
os demais bens públicos, NÃO podem ser adquiridos por usucapião". 
Gabarito: Correta. 
05. (CEBRASPE, AGU, Procurador do Estado, 2013) 
Acerca dos terrenos de marinha e das águas públicas, julgue os itens que se seguem. 
( ) À União pertence o domínio das águas públicas e das ilhas fluviais, lacustres e 
oceânicas. 
Comentários: 
A CRFB divide o domínio das águas públicas e das ilhas fluviais, lacustres e oceânicas entre 
União e Estados (art. 20 e art. 26). 
Art. 20. São bens da União: 
(...) 
III - os lagos, rios e quaisquer correntes de água em terrenos de seu domínio, ou que banhem 
mais de um Estado, sirvam de limites com outros países, ou se estendam a território 
estrangeiro ou dele provenham, bem como os terrenos marginais e as praias fluviais; 
 
IV - as ilhas fluviais e lacustres nas zonas limítrofes com outros países; as praias marítimas; 
as ilhas oceânicas e as costeiras, excluídas, destas, as que contenham a sede de Municípios, 
exceto aquelas áreas afetadas ao serviço público e a unidade ambiental federal, e as 
referidas no art. 26, II; 
 
Art. 26. Incluem-se entre os bens dos Estados: 
I - as águas superficiais ou subterrâneas, fluentes, emergentes e em depósito, ressalvadas, 
neste caso, na forma da lei, as decorrentes de obras da União; 
II - as áreas, nas ilhas oceânicas e costeiras, que estiverem no seu domínio, excluídas 
aquelas sob domínio da União, Municípios ou terceiros; 
III - as ilhas fluviais e lacustres não pertencentes à União; 
Desse modo, está incorreto afirmar, de forma indiscriminada, que pertence à União o 
domínio das águas públicas e das ilhas fluviais, lacustres e oceânicas. 
Gabarito: Incorreta. 
06. (CEBRASPE, AGU, Procurador Federal, 2013) 
Acerca dos terrenos de marinha e das águas públicas, julgue os itens que se seguem. 
( ) Os terrenos de marinha, assim como os seus terrenos acrescidos, pertencem à 
União por expressa disposição constitucional. 
Comentários: 
A CRFB descreve os bens que pertencem à união, entre os quais se encontram os terrenos 
de marinha e seus acrescidos (art. 20, inciso VII, da CRFB). 
Art. 20. São bens da União: 
(...) 
VII - os terrenos de marinha e seus acrescidos; 
 
Desse modo, a assertiva está correta. 
Gabarito: Correta. 
07. (CEBRASPE, AGU, Procurador Federal, 2013) 
 
Relativamente à permissão de uso de bem público e à desapropriação por utilidade 
pública, julgue os itens a seguir. 
( ) Permissão de uso de bem público é o contrato administrativo pelo qual o poder 
público confere a pessoa determinada o uso privativo do bem, de forma remunerada 
ou a título gratuito. 
Comentários: Permissão de uso de bem público é considerado ato administrativo. 
Já a permissão de serviço público é considerada contrato administrativo. 
Gabarito: Incorreta. 
08. (CEBRASPE, DPE-DF, Defensor Público, 2013) 
Acerca dos bens públicos, julgue os itens a seguir. 
( ) A autorização de uso de bem público por particular caracteriza-se como ato 
administrativo unilateral, discricionário e precário, para o atendimento de interesse 
predominantemente do próprio particular. 
Comentários: Autorização: unilateral/discricionário/precário e constitutivo, expedido para 
realização de serviços ou a utilização de bens públicos no interesse predominantemente do 
PARTICULAR. 
Permissão: unilateral/discricionário/precário que faculta o exercício de serviço de interesse 
coletivo ou a utilização de bem público. Difere da autorização porque a permissão é outorga 
no interesse predominantemente da COLETIVIDADE. 
Gabarito: Correto. 
09. (CEBRASPE, DPE-DF, Defensor Público, 2013) 
Acerca dos bens públicos, julgue os itens a seguir. 
( ) Sendo uma das característicasdo regime jurídico dos bens públicos a 
inalienabilidade, é correto afirmar que, segundo o ordenamento jurídico brasileiro 
vigente, todos os bens públicos são absolutamente inalienáveis. 
Comentários: CC: 
Art. 100. Os bens públicos de uso comum do povo e os de uso especial são inalienáveis, 
enquanto conservarem a sua qualificação, na forma que a lei determinar. 
_ _ _ 
Art. 101. Os bens públicos dominicais podem ser alienados, observadas as exigências da lei. 
Gabarito: Incorreto. 
 
10. (CEBRASPE, PGM-RR Procurador Municipal, 2010) 
Com relação aos bens municipais, julgue os itens seguintes. 
( ) Todos os bens municipais, qualquer que seja a sua destinação, são passíveis de 
uso especial por particulares, desde que a utilização consentida pela administração 
não acarrete a inutilização ou a destruição desses bens. 
Comentários: 
O professor Marcelo Alexandrino afirma que "qualquer que seja a categoria do bem público 
- uso comum, uso especial ou dominical -, é possível à administração pública outorgar a 
particulares determinados o seu uso privativo. Essa outorga, que exige sempre um 
instrumento formal, está sujeita ao juízo de oportunidade e conveniência exclusivo da 
própria administração e pode ser feita mediante remuneração pelo particular ou não". 
Gabarito: Correto. 
11. (CEBRASPE DPE-ES, Defensor Público, 2009) 
Em decorrência da supremacia do interesse público sobre o privado, o Estado pode 
estabelecer restrições sobre a propriedade privada. Acerca desse assunto, julgue o 
próximo item. 
( ) Os bens públicos são expropriáveis, porém a legislação de regência estabelece 
regra segundo a qual a União somente pode desapropriar bens de domínio dos 
estados-membros; estes somente podem expropriar bens de domínio dos municípios, 
o que evidencia a impossibilidade de expropriação dos bens públicos federais. 
Comentários: DESAPROPRIAÇÃO, POR ESTADO, DE BEM DE SOCIEDADE DE ECONOMIA 
MISTA FEDERAL QUE EXPLORA SERVIÇO PÚBLICO PRIVATIVO DA UNIÃO.1. A União pode 
desapropriar bens dos Estados, do Distrito Federal, dos Municípios e dos territórios e os 
Estados, dos Municípios, sempre com autorização legislativa especifica. A lei estabeleceu 
uma gradação de poder entre os sujeitos ativos da desapropriação, de modo a prevalecer o 
ato da pessoa jurídica de mais alta categoria, segundo o interesse de que cuida: o interesse 
nacional, representado pela União, prevalece sobre o regional, interpretado pelo Estado, e 
este sobre o local, ligado ao Município, não havendo reversão ascendente; os Estados e o 
Distrito Federal não podem desapropriar bens da União, nem os Municípios, bens dos 
Estados ou da União, Decreto-lei n. 3.365/41, art. 2., par.2..2. (...)” (RExt 172.816, Rel. Min. 
PAULO BROSSARD) 
 
DECRETO-LEI Nº 3.365/1941: 
 
Art. 2º Mediante declaração de utilidade pública, todos os bens poderão ser desapropriados 
pela União, pelos Estados, Municípios, Distrito Federal e Territórios. 
§ 2º Os bens do domínio dos Estados, Municípios, Distrito Federal e Territórios poderão ser 
desapropriados pela União, e os dos Municípios pelos Estados, mas, em qualquer caso, ao 
ato deverá preceder autorização legislativa. 
Gabarito: Incorreto. 
12. (CEBRASPE, PGM-JP, Procurador do Município, 2018) 
Prédio sede de prefeitura, creches municipais e postos de saúde são bens 
a) de uso especial, pois são destinados a uma finalidade pública específica. 
b) dominicais e dependem de autorização específica para o seu uso. 
c) públicos destinados à prestação de serviços ou à realização de atividade econômica. 
d) de uso comum do povo e destinados ao uso livre e gratuito da população. 
e) insuscetíveis de alienação. 
Comentários: Os exemplos trazidos na questão são caracterizados como bens de uso 
especial. 
Como aduz o CC: 
Art. 99. São bens públicos: 
II - os de uso especial, tais como edifícios ou terrenos destinados a serviço ou 
estabelecimento da administração federal, estadual, territorial ou municipal, inclusive os de 
suas autarquias. 
Gabarito: Letra “a”. 
13. (CEBRASPE, PGE-PE, Procurador do Estado, 2018) 
De acordo com a conceituação dada pela doutrina pertinente, o ato administrativo 
unilateral, discricionário e precário pelo qual a administração consente na utilização 
privativa de bem público para fins de interesse público é denominado 
a) permissão de uso de bem público. 
b) autorização de uso de bem público. 
c) concessão de direito real de uso de bem público. 
d) concessão de uso de bem público. 
e) cessão de uso de bem público. 
 
Comentários: Autorização: unilateral, discricionário e precário, porém, predomina o 
interesse do particular na utilização do bem público, ex. colocação de mesas por donos de 
bares na calçada; 
Permissão de uso de bem público: unilateral, discricionário e precário, porém, predomina o 
interesse público na utilização do bem. 
Gabarito: Letra “A”. 
14. (CEBRASPE, TRF 5ª Região, Juiz Federal Substituto, 2017) 
Em um processo administrativo instaurado com a finalidade de separar terras 
devolutas da União de imóveis particulares, a comissão especial responsável pela 
instauração do procedimento realizou, na forma da lei, convocação dos interessados 
para a apresentação de título e documentos. Entretanto, diversos interessados não 
atenderam nem ao edital de convocação, nem à notificação para celebrar termo com 
a União. 
Nessa situação hipotética, de acordo com a legislação vigente, para que ocorra a 
devida identificação do imóvel da União, com efeito de registro como título de 
propriedade, 
a) deverá ser proposta ação de divisão e demarcação de terras, conforme 
procedimento previsto no CPC. 
b) o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária deverá ajuizar ação 
discriminatória. 
c) deverá ser proposta ação reivindicatória de propriedade, porque a lei presume que 
os imóveis pertencem ao particular convocado. 
d) a União deverá propor ação, pelo procedimento comum, com pedido de tutela 
provisória, já que não há procedimento especial previsto para esse caso. 
e) será dispensável o ajuizamento de ação judicial, porque se presume a renúncia em 
razão da inércia dos interessados. 
Comentários: Lei nº 6.383/1976 
CAPÍTULO II 
Do Processo Administrativo 
Art. 14 - O não-atendimento ao edital de convocação ou à notificação (artigos 4º e 10 da 
presente Lei) estabelece a presunção de discordância e acarretará imediata propositura da 
ação judicial prevista no art. 19, II. 
_ _ _ 
 
CAPÍTULO III 
Do Processo Judicial 
Art. 18 - O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária - INCRA fica investido de 
poderes de representação da União, para promover a discriminação judicial das terras 
devolutas da União. 
_ _ _ 
Art. 19 - O processo discriminatório judicial será promovido: II - contra aqueles que não 
atenderem ao edital de convocação ou à notificação (artigos 4º e 10 da presente Lei); 
Parágrafo único. Compete à Justiça Federal processar e julgar o processo discriminatório 
judicial regulado nesta Lei. 
_ _ _ 
Art. 22 - A demarcação da área será procedida, ainda que em execução provisória da 
sentença, valendo esta, para efeitos de registro, como título de propriedade. 
Gabarito: Letra “b”. 
15. (CEBRASPE, DPE-AC, Defensor Público, 2017) 
Com referência à disciplina constitucional dos bens públicos, assinale a opção correta. 
a) As terras tradicionalmente ocupadas pelos índios são exemplos de bens de uso 
especial e pertencem aos estados. 
b) As terras devolutas, não se encontrando afetadas a nenhuma finalidade pública 
específica, são bens públicos dominiais. 
c) Salvo a hipótese de usucapião especial para fins de moradia prevista na CRFB, não é 
permitido usucapião de bens públicos. 
d) A utilização dos bens de uso comum do povo, os quais são destinados à utilização 
geral pelos indivíduos, não pode sofrer restrições por ato do poder público. 
e) Os bens de uso especial são aqueles que, por ato formal da administração pública, 
são destinadosà execução dos serviços administrativos e serviços públicos em geral. 
Comentários: 
a) INCORRETA. As terras indígenas pertencem à União (art. 20, XI, CRFB); 
b) CORRETA. Art. 20, II, da CRFB c/c art. 99, III, do Código Civil. 
As terras devolutas são bens públicos dominicais porque constituem o patrimônio das 
pessoas jurídicas de direito público, como objeto de direito pessoal, ou real, de cada uma 
 
dessas entidades. Devem não se encontrar afetada, pois, acaso estejam afetadas, significa 
dizer que deixarão de ser bem público. 
c) INCORRETA. Bens públicos não podem ser alvo de usucapião (art. 102, do Código Civil e 
Súmula nº 619/STJ); 
d) INCORRETA. 
Podem sofrer restrições por ato do poder público, tal como taxa (art. 103, do Código Civil); 
e) INCORRETA. Não precisa de ato formal da administração pública. 
Gabarito: Letra “b”. 
16. (CEBRASPE, PJC-MT, Delegado de polícia, 2017) 
O prédio onde funciona a delegacia de polícia de determinado município é de 
propriedade do respectivo estado da Federação. 
Nessa situação hipotética, 
a) a desafetação do prédio resultará em sua reversão para bem de uso comum. 
b) se for abandonado, o prédio poderá ser objeto de usucapião, desde que pro misero. 
c) o prédio poderá ser adquirido por terceiros. 
d) o prédio poderá ser objeto de hipoteca legal. 
e) o prédio está na categoria de bem dominical. 
Comentários: 
a) INCORRETA. A desafetação de bens de uso especial, como no presente caso, poderá ser 
determinada por lei, ato administrativo previamente autorizado por lei, ou fato da natureza 
(apenas os bens de uso especial submeteram a desafetação por fatos da natureza). 
Desafetando-os, passarão a ser bens dominicais. 
b) INCORRETA. Explicitado na alternativa “A”, o mero abandono por si só não é capaz de 
tornar um bem de uso especial, em um bem dominial. 
Além disso, os bens dominicais - aqueles que não têm qualquer destinação pública - se 
submetem às mesmas prerrogativas decorrentes do regime jurídico de direito público dos 
bens de uso comum e especial. 
c) CORRETA. Via de regra, a doutrina enumera a inalienabilidade como características dos 
bens públicos. Tal regra se aplica aos bens de uso especial e de uso comum, os quais são 
afetados. Apenas os bens desafetados de destinação pública, ou seja, integrarem a 
categoria de bens dominicais, e após a demonstração do interesse público na alienação 
 
deste bem é que poderão ser alienados, alienabilidade condicionada, portanto vaga e 
incerta a questão, não deveria ser considerada correta, sendo passível de anulação. 
d) INCORRETA. Os bens públicos gozam de determinadas garantias, quais sejam 
prerrogativas decorrente do regime jurídico de direito público que lhes é peculiar, dentre 
elas se encontra a não-onerabilidade, os bens públicos não podem ser objetos de direito 
real de garantia. 
e) INCORRETA. O prédio está na categoria de bem de uso especial, pois é um bem usado 
para a prestação de serviço público pela Administração Pública. 
Gabarito: Letra “c”. 
17. (CEBRASPE, MPE-RR, Promotor de Justiça Substituto, 2017) 
Considerando o entendimento do STJ, julgue as asserções seguintes. 
I É ilegal cobrar de concessionária de serviço público taxas pelo uso de solo, subsolo ou 
espaço aéreo. 
II A utilização do uso de bem público por concessionária de serviço público para a 
instalação de, por exemplo, postes, dutos ou linhas de transmissão será revertida em 
benefício para a sociedade. 
A respeito dessas asserções, assinale a opção correta. 
a) As asserções I e II são falsas. 
b) As asserções I e II são verdadeiras, e a II é uma justificativa correta da I. 
c) As asserções I e II são verdadeiras, mas a II não é uma justificativa correta da I. 
d) A asserção I é falsa, mas a II é verdadeira. 
Comentários: 
ADMINISTRATIVO. BENS PÚBLICOS. USO DE SOLO, SUBSOLO E ESPAÇO AÉREO POR 
CONCESSIONÁRIA DE SERVIÇO PÚBLICO. COBRANÇA. IMPOSSIBILIDADE. 
1. Cinge-se a controvérsia no debate acerca da legalidade da cobrança de valores pela 
utilização do bem público, consubstanciado pela faixa de domínio da rodovia federal BR-
493, por concessionária de serviço público estadual. 
2. O Superior Tribunal de Justiça possui jurisprudência firme e consolidada no sentido de 
que a cobrança em face de concessionária de serviço público pelo uso de solo, subsolo ou 
espaço aéreo é ilegal (seja para a instalação de postes, dutos ou linhas de transmissão, por 
exemplo), uma vez que: a) a utilização, nesse caso, se reverte em favor da sociedade - 
 
razão pela qual não cabe a fixação de preço público; e b) a natureza do valor cobrado não é 
de taxa, pois não há serviço público prestado ou poder de polícia exercido. 
Nesse sentido: AgRg na AR 5.289/SP, Rel. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira 
Seção, DJe 19.9.2014; AI no RMS 41.885/MG, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Corte 
Especial, DJe 28.8.2015; AgRg no REsp 1.191.778/RS, Rel. Ministro Napoleão Nunes Maia 
Filho, Primeira Turma, DJe 26.10.2016; REsp 1.246.070/SP, Rel. Ministro Mauro Campbell 
Marques, Segunda Turma, DJe 18.6.2012; REsp 863.577/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell 
Marques, Segunda Turma, DJe 10.9.2010; REsp 881.937/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira 
Turma, DJe 14.4.2008. 
3. Agravo Interno não provido. (AgInt no REsp 1.482.422) 
Gabarito: Letra “e”. 
18. (CEBRASPE, TJ-PR, Juiz Substituto, 2018) 
Em relação aos bens públicos, assinale a opção correta. 
a) O ordenamento jurídico brasileiro permite que pertençam a particulares algumas 
áreas nas ilhas oceânicas e costeiras. 
b) Por serem abertos a uma utilização universal, o mercado municipal e o cemitério 
público são considerados bens de uso comum do povo. 
c) Em face do atributo da inalienabilidade, os bens públicos dominicais não podem ser 
alienados. 
d) Quando o tribunal de justiça consente o uso gratuito de determinada sala do prédio 
do foro para uso institucional da defensoria pública local, efetiva-se o instituto da 
permissão de uso de bem público. 
Comentários: 
a) CORRETO. (CRFB) Art. 20. São bens da União: 
IV - as ilhas fluviais e lacustres nas zonas limítrofes com outros países; as praias marítimas; 
as ilhas oceânicas e as costeiras, excluídas, destas, as que contenham a sede de Municípios, 
exceto aquelas áreas afetadas ao serviço público e a unidade ambiental federal, e as 
referidas no art. 26, II; 
Sobre a definição das ilhas integrantes do patrimônio dos Estados (artigo 26, II, da CRFB), é 
relevante a seguinte observação da professora Di Pietro (p. 728): “o dispositivo deixa 
implícita a possibilidade de algumas áreas, nessas ilhas, pertencerem a particulares”. 
 
b) INCORRETA. Segundo o que prescreve o artigo 99, II, do CC são bens especiais os que 
estão destinados à prestação de um serviço ou estabelecimento de qualquer dos entes da 
administração direta e indireta. 
c) INCORRETA. CC, Art. 101. Os bens públicos dominicais podem ser alienados, observadas 
as exigências da lei. 
d) INCORRETA. A professora Di Pietro (p. 545), conside bens de uso comum: “aqueles que, 
por determinação legal ou por sua própria natureza, podem ser utilizados por todos em 
igualdade de condições, sem necessidade de consentimento individualizado por parte da 
Administração”. 
Importante destacar que, em regra, os bens de uso comum são gratuitos, porém existem 
algumas exceções como no caso da cobrança do pedágio e das zonas azuis. 
São exemplos de bens de uso comum do povo: ruas, praças, estradas, águas do mar, rios 
navegáveis e ilhas oceânicas. 
Gabarito: Letra “a”. 
19. (CEBRASPE, TJ-AM, Juiz de Direito, 2016) 
A respeito dos bens públicos e dos servidores públicos, assinale a opção correta. 
a) As águas públicas de uso comum incluem os mares territoriais, as correntes, os 
canais, os lagos e as lagoas navegáveis ou flutuáveis e as fontes e reservatórios 
públicos. 
b) Consideram-se bens móveis da União as ferrovias, as instalações portuárias, os 
telégrafos, os telefones,as fábricas, as oficinas e as fazendas nacionais. 
c) A condenação em processo administrativo disciplinar produz efeitos na esfera 
penal, mas não na civil. 
d) Nos termos da legislação, quanto à destinação, os bens públicos classificam-se em 
bens de uso comum, de uso especial, de uso privativo e bens dominicais. 
e) Recondução é o retorno do servidor público, estável ou não, ao cargo 
anteriormente ocupado e decorre de inabilitação em estágio probatório relativo a 
outro cargo ou de exoneração do anterior ocupante. 
Comentários: 
a) CORRETA. De fato, a assertiva em exame tem apoio expresso no teor do art. 2º do 
Decreto nº 24.643/1934 - Código de Águas, que assim preceitua: 
Art. 2º São águas públicas de uso comum: 
 
a) os mares territoriais, nos mesmos incluídos os golfos, bahias, enseadas e portos; 
b) as correntes, canais, lagos e lagoas navegáveis ou flutuáveis; 
c) as correntes de que se façam estas águas; 
d) as fontes e reservatórios públicos; 
e) as nascentes quando forem de tal modo consideráveis que, por si só, constituam o "caput 
fluminis"; 
f) os braços de quaisquer correntes públicas, desde que os mesmos influam na 
navegabilidade ou flutuabilidade. 
Como se vê, o conteúdo da assertiva revela-se integralmente abarcado pelo rol de águas 
públicas de uso comum, tal como estabelecido no Código de Águas. 
Perceba que a Banca examinadora não aduziu que seriam somente estas as águas públicas 
de uso comum, hipótese em que a assertiva deveria ser tida como incorreta, porquanto há 
outros casos descritos nos demais incisos da norma. Mas, como assim não o fez, a assertiva 
se mostra acertada, nos termos em que redigida. 
b) INCORRETA. A presente afirmativa não se coaduna com a norma do art. 1º, alínea "g", do 
Decreto-lei nº 9.760/1946, que dispõe sobre os bens imóveis da União. No ponto, confira-
se: 
Art. 1º Incluem-se entre os bens imóveis da União: 
(...) 
g) as estradas de ferro, instalações portuárias, telégrafos, telefones, fábricas, oficinas e 
fazendas nacionais; 
Daí se extrai que, na realidade, todos estes casos constituem bens imóveis da União, e não 
móveis, conforme equivocadamente aduzido pela Banca. 
c) INCORRETA. Em se tratando da responsabilidade dos servidores públicos, a regra geral 
consiste na independência das esferas cível, penal e administrativa, de sorte que as sanções 
podem se acumular, relativamente ao mesmo fato infracional, desde que agrida todas essas 
diferentes searas. Isto resulta das normas dos artigos 121 e 125 da Lei nº 8.112/1990, que 
assim enunciam: 
Art. 121. O servidor responde civil, penal e administrativamente pelo exercício irregular de 
suas atribuições. 
 
(...) 
Art. 125. As sanções civis, penais e administrativas poderão cumular-se, sendo 
independentes entre si. 
 
A mencionada regra geral pode ser excepcionada, todavia, em virtude da formação de coisa 
julgada na órbita penal, desde que haja condenação ou absolvição por negativa de autoria 
ou inexistência do fato delituoso. Nestes termos, dispõe o art. 126, da Lei nº 8.112/1990: 
Art. 126. A responsabilidade administrativa do servidor será afastada no caso de absolvição 
criminal que negue a existência do fato ou sua autoria. 
Conclui-se, portanto, que as decisões tomadas na esfera administrativa não têm qualquer 
influência nas demais searas, inclusive e principalmente na criminal, cujas respectivas 
decisões poderão ser prolatadas à luz do livre convencimento do magistrado que vier a 
processar e julgar o caso. 
d) INCORRETA. Na verdade, não existe a classificação "bens de uso privativo", quanto à 
destinação pública, a teor do art. 99, do CC, que elenca tão somente os bens de uso 
comum, os de uso especial e os dominicais: 
Art. 99. São bens públicos: 
I - os de uso comum do povo, tais como rios, mares, estradas, ruas e praças; 
II - os de uso especial, tais como edifícios ou terrenos destinados a serviço ou 
estabelecimento da administração federal, estadual, territorial ou municipal, inclusive os de 
suas autarquias; 
III - os dominicais, que constituem o patrimônio das pessoas jurídicas de direito público, 
como objeto de direito pessoal, ou real, de cada uma dessas entidades. 
e) INCORRETA. A rigor, a recondução somente se aplica a servidores estáveis, de maneira 
que está errado aduzir que seria possível reconduzir servidores estáveis ou não, conforme 
consta da afirmativa ora comentada. 
Ademais, dentre as situações que ensejam a recondução, não se insere a exoneração do 
anterior ocupante, mas sim sua reintegração, em vista da anulação da pena de demissão, 
tudo nos termos do art. 29, da Lei nº 8.112/1990, de seguinte redação: 
Art. 29. Recondução é o retorno do servidor estável ao cargo anteriormente ocupado e 
decorrerá de: 
 
I - inabilitação em estágio probatório relativo a outro cargo; 
II - reintegração do anterior ocupante. 
 
Gabarito: Letra “a”. 
20. (CEBRASPE, TJDFT, Juiz de direito, 2016) 
Acerca dos bens públicos, assinale a opção correta. 
a) Os bens privados do Estado, que não se submetem ao regime jurídico de direito 
público, são aqueles adquiridos de particulares por meio de contrato de direito 
privado. 
b) Bens dominicais são aqueles que podem ser utilizados por todos os indivíduos nas 
mesmas condições, por determinação de lei ou pela própria natureza do bem. 
c) Os bens de uso especial do Estado são as coisas, móveis ou imóveis, corpóreas ou 
não, que a administração utiliza para a realização de suas atividades e finalidades. 
d) Os bens de uso comum não integram o patrimônio do Estado, constituindo coisas 
que não pertencem ao ente público ou a qualquer particular, não sendo passíveis, 
portanto, de aquisição por pessoa física ou jurídica. 
e) Os bens dominicais são aqueles pertencentes ao Estado e afetados a uma finalidade 
específica da administração pública. 
Comentários: I. Bens comuns: São aqueles que podem ser utilizados sem qualquer 
formalidade. Em regra são colocados à disposição da população gratuitamente. Ex: rios, 
mares, estradas, ruas e peças. 
II. Bens de uso especiais: São aqueles destinados especificamente à execução de 
determinados serviços públicos. Ex: Edifícios das administração pública em geral. 
III. Bens dominicais: Constituem o patrimônio disponível das pessoas jurídicas de direito 
público interno. NÃO estão afetados a qualquer finalidade pública. Ex: Terrenos públicos 
baldios, terras devolutas. 
Gabarito: Letra “c”. 
21. (FCC – Juiz do Trabalho do TRT da 15ª região/TRT15/2015) 
O regime jurídico de direito público que protege os bens públicos imóveis identifica-
se, dentre outras características, pela imprescritibilidade, que: 
a) guarnece os bens de uso comum e os bens de uso especial, mas é excepcionado dos 
bens dominicais, pois estes são considerados os bens privados da Administração 
 
pública e, portanto, não podem se eximir de se submeter ao regime jurídico comum, 
como expressão do princípio da isonomia. 
b) impede que os particulares adquiram a propriedade dos bens públicos por 
usucapião, independentemente do tempo de permanência no imóvel e da boa-fé da 
ocupação, mas não se aplica a eventuais ocupantes que possuam natureza jurídica de 
direito público, pelo princípio da reciprocidade. 
c) impede a aquisição de bens públicos, independentemente de sua classificação, por 
usucapião, o que se aplica a particulares e pessoas jurídicas de direito público e 
privado, mas também se presta à proteção do patrimônio em face de qualquer 
instituto que venha a representar a subtração dos poderes inerentes à propriedade 
pública. 
d) determina que o poder público pode promover ações para ressarcimento de danos 
e responsabilização dos envolvidos indefinidamente, com base no ordenamento 
jurídico vigente, no caso de ocupações multifamiliares irregulares, que gerem ou 
tenham gerado efeito favelizador da área. 
e) aplica-se reciprocamente à Administração pública e aos administrados, na medida 
em que aquela também não poderegularizar suas ocupações por meio de usucapião 
de bens imóveis pertencentes a pessoas físicas ou jurídicas de direito privado. 
Comentários: Perceba que a característica de imprescritibilidade dos bens 
públicos é bastante explorada nas provas dos mais diversos concursos públicos. 
Essa característica foi bem trabalhada até aqui. A alternativa correta sintetiza 
bem a imprescritibilidade. 
Gabarito: Letra “C”. 
22. (FCC - Assessor Jurídico/TCE-PI/2014) 
Tiago é proprietário de um imóvel lindeiro a um terreno público de grandes 
dimensões. Em sua propriedade, Tiago construiu sua casa de campo, para onde vai aos 
finais de semana. Verificando que o terreno público vizinho está desocupado há 
tempos, decidiu lá construir uma área de lazer, com quadra de tênis, quadra 
poliesportiva, piscina etc. Assim, ocupou parte do terreno, com aproximadamente 
1000 m2 (mil metros quadrados) de construções. Anos depois, a Administração 
pública foi vistoriar o terreno para elaboração de projeto para instalação de uma 
escola pública. Verificando que o terreno estava irregular e parcialmente ocupado, 
notificou o particular a restituir a área. Tiago, inconformado, ajuizou uma ação judicial 
para manutenção da ocupação. Tiago: 
a) faz jus à aquisição direta do bem público pelo valor da terra nua, em sua totalidade, 
desde que demonstre que as construções lançadas na área são mais valiosas que o 
terreno. 
 
b) faz jus ao reconhecimento judicial de seu direito ao terreno, independentemente de 
indenização, caso demonstre que o ocupa há mais de 5 (cinco) anos. 
c) não faz jus à aquisição do terreno, porque a ocupação foi parcial, o que inviabiliza a 
aquisição compulsória, indenizada ou não. 
d) não faz jus à aquisição do terreno, em razão da imprescritibilidade dos bens 
públicos, independentemente do valor das construções promovidas pelo particular. 
e) não faz jus à aquisição compulsória do terreno, porque a utilização não era para fins 
residenciais, podendo, contudo, exigir a venda direta da parte ocupada, pelo valor de 
mercado, descontado o valor das benfeitorias que ele promoveu. 
Comentários: Aqui temos mais uma questão que trata sobre a 
imprescritibilidade dos bem públicos. Assunto bastante debatido e cobrado em 
questões anteriores: 
Art. 183, CRFB. Aquele que possuir como sua área urbana de até duzentos e 
cinquenta metros quadrados, por cinco anos, ininterruptamente e sem 
oposição, utilizando-a para sua moradia ou de sua família, adquirir-lhe-á o 
domínio, desde que não seja proprietário de outro imóvel urbano ou rural. 
(...) 
§ 3º Os imóveis públicos não serão adquiridos por usucapião. 
Art. 191. Aquele que, não sendo proprietário de imóvel rural ou urbano, possua 
como seu, por cinco anos ininterruptos, sem oposição, área de terra, em zona 
rural, não superior a cinquenta hectares, tornando-a produtiva por seu trabalho 
ou de sua família, tendo nela sua moradia, adquirir-lhe-á a propriedade. 
Parágrafo único. Os imóveis públicos não serão adquiridos por usucapião. 
 
A proteção dada também pelo Código Civil: 
Art. 102. Os bens públicos não estão sujeitos a usucapião. 
 
Importante lembrar que NÃO há exceções para a imprescritibilidade dos bens 
públicos! Adquirir propriedade a propriedade via usucapião é impossível, 
entretanto isso não se confunde com a cessão de uso especial prevista na 
Medida Provisória nº 2.220/2001: 
Art. 1º Aquele que, até 22 de dezembro de 2016, possuiu como seu, por cinco 
anos, ininterruptamente e sem oposição, até duzentos e cinquenta metros 
quadrados de imóvel público situado em área com características e finalidade 
 
urbanas, e que o utilize para sua moradia ou de sua família, tem o direito à 
concessão de uso especial para fins de moradia em relação ao bem objeto da 
posse, desde que não seja proprietário ou concessionário, a qualquer título, de 
outro imóvel urbano ou rural. 
Gabarito: letra D. 
23. (FCC - Juiz Estadual/TJ CE/2014) 
Acerca dos bens públicos, é correto afirmar: 
a) A imprescritibilidade é característica dos bens públicos de uso comum e de uso 
especial, sendo usucapíveis os bens pertencentes ao patrimônio disponível das 
entidades de direito público. 
b) As terras devolutas indispensáveis à preservação ambiental constituem, nos termos 
do art. 225, caput, da Constituição Federal, bem de uso comum do povo. 
c) Os bens pertencentes aos Conselhos Federais e Regionais de Fiscalização são bens 
públicos, insuscetíveis de constrição judicial para pagamentos de dívidas dessas 
entidades. 
d) Os bens das representações diplomáticas dos Estados estrangeiros e de Organismos 
Internacionais são considerados bens públicos, para fins de proteção legal. 
e) Os imóveis pertencentes à Petrobrás, sociedade de economia mista federal, são 
considerados bens públicos, desde que situados no Território Nacional. 
Comentários: Podemos afirmar que atualmente os conselhos profissionais 
possuem personalidade jurídica de direito público, que exercem poder 
disciplinar sobre os integrantes da categoria profissional, além de possuírem 
autonomia administrativa e financeira. 
A Administração Pública descentralizou seu poder de fiscalização para essas 
autarquias. Logo, como são autarquias, pessoas jurídicas de direito público, os 
bens pertencentes a essas entidades são formalmente bens públicos. 
Gabarito: letra C. 
24. (FCC - Procurador do Estado do Mato Grosso/PGE MT/2016) 
Acerca do regime jurídico dos bens públicos, é correto afirmar: 
a) Os bens de uso especial, dada a sua condição de inalienabilidade, não podem ser 
objeto de concessão de uso. 
b) Chama-se desafetação o processo pelo qual um bem de uso comum do povo é 
convertido em bem de uso especial. 
 
c) A investidura é hipótese legal de alienação de bens imóveis em que é dispensada a 
realização do procedimento licitatório. 
d) Os bens pertencentes ao Fundo Garantidor de Parcerias Público-Privadas (Lei 
Federal nº 11.079/2004), embora possam ser oferecidos em garantia dos créditos do 
parceiro privado, mantém a qualidade de bens públicos. 
e) Os bens pertencentes às empresas pública são públicos, diferentemente dos bens 
pertencentes às sociedades de economia mista. 
Comentários: Para responder essa questão correta é necessário compreender 
o que é investidura para o Direito administrativo. 
Entendemos por investidura a forma de alienação de bens públicos à 
proprietários lindeiros de áreas públicas remanescentes ou resultantes de obras 
públicas, que não mais são de interesse da Administração Pública. A Lei nº 
8.666/1993 traz a investidura como uma hipótese de licitação dispensada, 
vejamos o texto legal: 
Art. 17. A alienação de bens da Administração Pública, subordinada à 
existência de interesse público devidamente justificado, será precedida de 
avaliação e obedecerá às seguintes normas: 
I - quando imóveis, dependerá de autorização legislativa para órgãos da 
administração direta e entidades autárquicas e fundacionais, e, para todos, 
inclusive as entidades paraestatais, dependerá de avaliação prévia e de licitação 
na modalidade de concorrência, dispensada esta nos seguintes casos: 
(...) 
d) investidura; 
(...) 
§ 3º Entende-se por investidura, para os fins desta lei: (Redação dada pela Lei nº 
9.648, de 1998) 
I - a alienação aos proprietários de imóveis lindeiros de área remanescente ou 
resultante de obra pública, área esta que se tornar inaproveitável isoladamente, 
por preço nunca inferior ao da avaliação e desde que esse não ultrapasse a 
50% (cinqüenta por cento) do valor constante da alínea "a" do inciso II do art. 
23 desta lei; (Incluído pela Lei nº 9.648, de 1998) 
II - a alienação, aos legítimos possuidores diretos ou, na falta destes, ao Poder 
Público, de imóveis para fins residenciais construídos em núcleos urbanos 
anexos a usinas hidrelétricas, desde que considerados dispensáveis na fase de 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9648cons.htm#art17§3
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9648cons.htm#art17§3http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9648cons.htm#art17§3i
 
operação dessas unidades e não integrem a categoria de bens reversíveis ao 
final da concessão. (Incluído pela Lei nº 9.648, de 1998). 
Gabarito: letra C. 
25. (FCC – Aud (TCE-CE)/TCE-CE/2015) 
De acordo com a Constituição Federal e a Lei nº 8.666/1993, os bens públicos 
I. dependem, em regra, de prévia autorização legislativa para alienação. 
II. são imprescritíveis, o que significa que não são alcançados em execuções por 
dívidas. 
III. caracterizam-se como dominicais, quando afetados a finalidade pública. 
IV. os de uso especial não estão protegidos pela impenhorabilidade. 
Está correto o que se afirma APENAS em: 
a) III e IV. 
b) I e III. 
c) II e III. 
d) II e IV. 
e) I. 
Comentários: Analisando o item I, é possível inferir que ele é correto em 
virtude do artigo 17, da Lei nº 8.666/1993: 
Art. 17. A alienação de bens da Administração Pública, subordinada à 
existência de interesse público devidamente justificado, será precedida de 
avaliação e obedecerá às seguintes normas: 
I - quando imóveis, dependerá de autorização legislativa para órgãos da 
administração direta e entidades autárquicas e fundacionais, e, para todos, 
inclusive as entidades paraestatais, dependerá de avaliação prévia e de licitação 
na modalidade de concorrência, dispensada esta nos seguintes casos: (...) 
 
O item traz a expressão “em regra”, pois quando se trata de bens móveis não 
há necessidade de autorização legislativa. 
O item II está errado porque a característica da imprescritibilidade não está 
relacionada ao alcance em execução por dívidas. A imprescritibilidade, como já 
dito, versa sobre a impossibilidade de se adquirir um bem público por 
usucapião. Não prescreve o direito de propriedade para a Administração 
Pública. 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9648cons.htm#art17§3ii
 
Os bens dominicais são aqueles que não possuem uma destinação pública 
definida. Eles não são afetados. Diante do exposto, o item III é falso. 
A impenhorabilidade é característica geral de todos os bens públicos, estando 
no rol das características principais. Nenhum bem público se seujeita ao regime 
de penhora. O estado paga suas dívidas por meio de RPV (requisição de 
pequeno valor) e precatório. 
Gabarito: Letra “E”. 
26. (FCC - Juiz do Trabalho/TRT 15ª Região/2015) 
Um Município encaminhou à Câmara de Vereadores proposta de Lei para autorizar a 
alienação onerosa de um terreno que anteriormente estava destinado para a 
construção de um teatro e uma oficina de artes, mas que ficaria desafetado com a 
edição da lei. Diante desse cenário, uma empresa credora do Município, ajuizou uma 
medida cautelar para impedir a venda do imóvel, a fim de que fosse possível a adoção 
das providências processuais cabíveis para penhora do imóvel. A medida cautelar 
ainda não tinha sido julgada, mas o Judiciário acatou o pedido liminar, determinando a 
suspensão da publicação do edital de concorrência. A decisão: 
a) encontra fundamento no ordenamento jurídico, tendo em vista que os credores do 
Estado possuem direito de preferência para quitar seus débitos, antes que seja 
alienado patrimônio para fazer frente a investimentos. 
b) deve ser reformada, tendo em vista que o terreno pertencente ao Município é 
dotado de imprescritibilidade e inalienabilidade, justamente para garantir que o 
patrimônio público não seja empregado para custeio ou investimentos. 
c) deve ser reformada, em razão da impenhorabilidade que grava os bens públicos, 
independentemente da afetação direta, tendo em vista que o patrimônio público é 
indisponível e se presta ao atendimento do interesse público, ainda que 
indiretamente, por meio do produto apurado com a venda do imóvel. 
d) pode ser reformada, desde que o Município garanta o crédito da empresa autora da 
medida cautelar, tendo em vista que quando ocorre a desafetação do bem público, 
fica alterado o regime jurídico que o protege, passando para o regime privado. 
e) deve ser mantida, tendo em vista que a afetação dada ao bem público não poderia 
ser alterada, porque destinada ao uso comum do povo, tampouco poderia ser 
alienada onerosamente a terceiros. 
Comentários: Os bens públicos não se sujeitam ao regime de penhora. Os 
créditos de terceiros contra o Município em questão devem ser pagos por meio 
de RPV (requisição de pequeno valor) ou precatório, dependendo do valor do 
montante do crédito. A alternativa correta é bem explicativa. 
 
Gabarito: Letra “C”. 
27. (FCC, PGE-TO, Procurador do Estado, 2018) 
Uma gleba de terras devolutas estaduais foi arrecadada por ação discriminatória e o 
Governo do Estado, por meio de lei, declarou-a como indispensável à proteção de um 
relevante ecossistema local, incluindo-a na área de parque estadual já constituído para 
esse fim. Tal gleba deve ser considerada bem 
a) privado sob domínio estatal. 
b) público dominical. 
c) público de uso comum do povo. 
d) público de uso especial. 
e) privado sob regime especial de proteção. 
Comentários: O Estado Membro ao anexar a terra devoluta à área de parque 
estadual conferiu-lhe uma finalidade, transmutando-o de bem dominical (ou 
dominial) para bem de uso especial. 
Gabarito: Letra “E”. 
28. (CEBRASPE, DPE-PE, Defensor Público, 2018) 
Com relação à disciplina dos bens públicos, assinale a opção correta. 
a) À exceção dos bens dominiais não afetados a qualquer finalidade pública, os bens 
públicos são impenhoráveis. 
b) A ocupação irregular de bem público não impede que o particular retenha o imóvel 
até que lhe seja paga indenização por acessões ou benfeitorias por ele realizadas, 
conforme entendimento do Superior Tribunal de Justiça. 
c) Aos municípios pertencem as terras devolutas não compreendidas entre aquelas 
pertencentes à União. 
d) As terras tradicionalmente reservadas aos índios são consideradas bens públicos de 
uso especial da União. 
e) Bens de uso comum do povo, destinados à coletividade em geral, não podem, em 
nenhuma hipótese, ser privativamente utilizados por particulares. 
Comentários: 
a) INCORRETA. Ao contrário do aduzido nesta alternativa, a 
impenhorabilidade constitui característica que abraça todos os bens públicos, 
inclusive aqueles de caráter dominical. Isto porque os débitos fazendários, 
decorrentes de condenações judiciais, são satisfeitos observando a técnica 
prevista no art. 100 da CRFB/88, vale dizer, ordem cronológica de pagamento 
 
dos precatórios, de sorte que não se faz possível efetivar atos de constrição 
judicial, como é o caso da penhora, com vistas a assegurar a posterior 
satisfação dos direitos creditórios. 
b) INCORRETA. A assertiva proposta neste item, a rigor, se mostra em 
confronto direto com a jurisprudência consolidada do STJ, de que constitui 
exemplo, dentre outros, o seguinte trecho de ementa: 
"(...) Configurada a ocupação indevida de bem público, não há falar em posse, 
mas em mera detenção, de natureza precária, o que afasta o direito de 
permanência no imóvel, retenção das benfeitorias e o almejado pleito 
indenizatório à luz da avocada boa-fé." (AIRESP 1.338.825, rel. Ministro OG 
FERNANDES) 
c) INCORRETA. Na realidade, as terras devolutas não compreendias entre as 
atribuídas à União consideram bens do Estados-membros, e não dos Municípios, 
conforme se depreende da norma contida no art. 26, IV, da CRFB, in verbis: 
"Art. 26. Incluem-se entre os bens dos Estados: 
(...) 
IV - as terras devolutas não compreendidas entre as da União." 
d) CORRETA. De fato, o conteúdo desta assertiva se mostra em perfeita 
sintonia com nossa abalizada doutrina, como se extrai, por todas, da obra de 
Maria Sylvia Di Pietro: 
"As terras indígenas são bens públicos de uso especial; embora não se 
enquadrem no conceito do artigo 99, II, do Código Civil, a sua afetação e a sua 
inalienabilidade e indisponibilidade, bem como a imprescritibilidade dos direitos 
a elas relativos, conforme previsto no §4º doartigo 231 da Constituição, 
permite incluí-las nessa categoria de bens." 
e) INCORRETA. Não é verdade que os bens de uso comum do povo não 
possam, em nenhuma hipótese, ser objeto de utilização privativa por 
particulares, em detrimento do restante da coletividade. Há alguns exemplos 
clássicos disto, como a permissão para instalação de banca de jornal em vias 
públicas, bem como a autorização para que bares e restaurantes disponham 
mesas e cadeiras nas calçadas em frente a seus estabelecimentos comerciais. 
Gabarito: letra D. 
29. (MPE-SP, Promotor de Justiça Substituto, 2017) 
Assinale a alternativa correta. 
 
a) Os bens dominicais e os bens públicos de uso comum só podem ser 
outorgados a particulares por meio de autorização e concessão, institutos 
sujeitos ao regime de direito público. 
b) A concessão, contrato administrativo pelo qual a Administração faculta ao 
particular a utilização privativa do bem público para que a exerça conforme sua 
destinação, depende de licitação e impõe a fixação de prazo. 
c) A autorização, permissão e concessão de uso privativo de bens públicos são 
atos administrativos que apresentam como características comuns a 
unilateralidade, a discricionariedade e a precariedade. 
d) A autorização, ato administrativo em que a Administração consente que o 
particular se utilize de bem público com exclusividade, depende de licitação e 
cria para o usuário um dever de utilização. 
e) A permissão de uso, ato administrativo pelo qual a Administração faculta a 
utilização de bem público, para fins de interesse público, tem sempre a forma 
onerosa e tempo determinado. 
Comentários: 
a) INCORRETA. 
Não há essa limitação de só pode ser por meio de autorização e concessão, ora, 
e a permissão? Ela também entra aqui! 
b) CORRETA. 
A concessão sempre é precedida de licitação, e a regra é que ela tenha prazo 
determinado. 
c) INCORRETA. 
A concessão é contrato bilateral, e não ato administrativo e ela pode ser tanto 
vinculada quanto discricionária. 
d) INCORRETA. Independe de licitação. 
e) INCORRETA. Pode ser gratuita também. 
Gabarito: letra B. 
Questão 59 (FCC, TJ-SC Juiz Substituto, 2017) 
A propósito do uso dos bens públicos pelos particulares, é correto afirmar que 
a) as concessões de uso, dada a sua natureza contratual, não admitem a 
modalidade gratuita. 
 
b) o concessionário de uso de bem público exerce posse ad interdicta, mas não 
exerce posse ad usucapionem. 
c) a autorização de uso, por sua natureza precária, não admite a fixação de 
prazo de utilização do bem público. 
d) a Medida Provisória n° 2.220/2001 garante àquele que possuiu como seu, por 
cinco anos, ininterruptamente e sem oposição, até duzentos e cinquenta metros 
quadrados de imóvel público situado em área urbana, utilizando-o para fins 
comerciais e respeitado o marco temporal ali estabelecido, o direito à concessão 
de uso especial. 
e) a permissão de uso, por sua natureza discricionária, não depende de 
realização de prévia licitação. 
Comentários: 
a) INCORRETA. Não obstante a natureza contratual da concessão de uso de 
bem público, nada impede que seja celebrada de modo gratuito. A doutrina é 
tranquila a esse respeito. No ponto, confira-se, por exemplo a definição 
proposta por Maria Sylvia Di Pietro: 
"Concessão de uso é o contrato administrativo pelo qual a Administração 
Pública faculta ao particular a utilização privativa de bem público, para que a 
exerça conforme a sua destinação. 
Sua natureza é a de contrato de direito público, sinalagmático, oneroso ou 
gratuito, comutativo e realizado intuitu personae." 
b) CORRETA. Para a análise desta alternativa, é preciso, primeiro, apresentar 
os conceitos de posse ad interdicta e posse ad usucapionem. 
A posse ad interdicta é aquela por meio da qual o possuidor pode se valer dos 
interditos possessórios na defesa da posse, seja para recuperar o poder sobre a 
coisa, no caso da reintegração, seja para conservar a posse (manutenção), 
seja, ainda, para fins de se defender de violência iminente. 
Já a posse ad usucapionem é aquela que permite gerar o direito à usucapião, 
sendo necessário, portanto, que o agente detenha o poder de fato sobre a coisa 
com o chamado animus domini. 
Vistas estas noções conceituais mínimas, é correto aduzir que o concessionário 
de uso de bem pública ostenta a posse ad interdicta, na medida em que está 
autorizado a defender sua posse perante terceiros que venham a molestá-la. 
 
Nada obstante, jamais deterá a posse ad usucapionem, porquanto bens 
públicos não são, por expressa vedação constitucional, sujeitos à usucapião 
(CRFB, arts. 183, §3º e 191, parágrafo único). Trata-se da característica da 
imprescritibilidade dos bens públicos. 
Novamente, valendo-me dos ensinamentos da professora Di Pietro, colho o 
seguinte trecho de sua obra, em abono dos comentários acima empreendidos: 
"A extracomerciabilidade exclui a posse ad usucapionem (porque incompatível 
com a inalienabilidade dos bens públicos), porém admite a posse ad interdicta à 
medida que seja necessária para proteger a pública destinação dos bens." 
c) INCORRETA. Embora a regra geral consista na realização de autorizações 
de uso de maneira precária, isto é, sem prazos definidos, suscetíveis, por 
conseguinte, de revogação a qualquer tempo, nada impede que a Administração 
emita autorização de uso de bem público por prazo determinado, hipótese em 
que a doutrina costuma falar em autorização condicionada ou qualificada, 
inclusive sustentando a possibilidade de indenizar o autorizatário, acaso o Poder 
Público decida por revogar a autorização antes do término do prazo. 
Na linha do exposto, a doutrina de José dos Santos Carvalho Filho: 
"Como regra, a autorização não deve ser conferida com prazo certo. O comum 
é que o seja até que a Administração decida revogá-la. Entretanto, consideram 
os autores que, fixado prazo para o uso, a Administração terá instituído 
autolimitação e deverá obedecer à fixação, razão por que o desfazimento antes 
do prazo atribui o dever indenizatório à pessoa revogadora pelos prejuízos 
causados, os quais, no entanto, devem ser comprovados." 
d) INCORRETA. Na verdade, o instituto referido na presente alternativa é a 
concessão de uso especial para fins de moradia, de modo que a finalidade, ao 
contrário do que consta desta opção, não é comercial, e sim destinada à 
moradia. 
Eis o teor do respectivo dispositivo, em sua redação atual: 
"Art. 1º Aquele que, até 22 de dezembro de 2016, possuiu como seu, por cinco 
anos, ininterruptamente e sem oposição, até duzentos e cinquenta metros 
quadrados de imóvel público situado em área com características e finalidade 
urbanas, e que o utilize para sua moradia ou de sua família, tem o direito à 
concessão de uso especial para fins de moradia em relação ao bem objeto da 
posse, desde que não seja proprietário ou concessionário, a qualquer título, de 
outro imóvel urbano ou rural." 
 
e) INCORRETA. Não obstante a natureza de ato administrativo precário e 
discricionário, a doutrina administrativista sustenta que, como regra, a 
permissão de uso de bem público deve ser precedida de licitação, ao menos 
sempre que tal procedimento se revelar possível e houver mais de um 
interessado. 
Acerca do tema, outra vez, colaciono as palavras de José dos Santos Carvalho 
Filho: 
"Quanto à exigência de licitação, deve entender-se necessária sempre que for 
possível e houver mais de um interessado na utilização do bem, evitando-se 
favorecimentos ou preterições ilegítimas." 
Gabarito letra B. 
30. (VUNESP, Prefeitura de São José dos Campos - SP, Procurador, 2017) 
Um determinado prédio público, situado na Rua das Flores do Município de São 
José dos Campos, funcionava como Creche Municipal, e em razão de um grande 
abalo sísmico, o imóvel ficou totalmente destruído e sem destinação, tendo sido 
a Creche transferida para outro imóvel público, situado na Alameda dos Sabiás. 
A partir dessefato hipotético, assinale a alternativa correta. 
a) A Creche da Rua das Flores tinha afetação ao uso comum, permanecendo 
nessa condição, apesar do acidente geográfico e não mais funcionar como 
repartição pública. 
b) Com a destruição do imóvel da Rua das Flores, houve sua desafetação como 
de uso especial, trespassando-se automaticamente como imóvel com afetação 
ao uso comum. 
c) O fato da natureza (abalo sísmico) determinou a desafetação do prédio da 
Rua das Flores como bem de uso especial para a categoria de bem dominical. 
d) A desafetação do imóvel da Rua das Flores como de uso comum somente 
poderá ocorrer por meio de lei expressa nesse sentido. 
e) O imóvel da Alameda dos Sabiás, com a transferência da Creche, passou a ser 
considerado bem dominical. 
Comentário: 
Quando um bem estiver sendo utilizado para um determinado fim público, diz-se que está 
afetado (ou consagrado). Consideram-se afetados a um fim público os bens de uso comum 
do povo e os bens de uso especial. Quando o bem público deixa de ser utilizado com 
finalidade pública, ocorre a sua desafetação. Os bens públicos dominicais são bens 
desafetados. 
 
Apesar de existir doutrina minoritária afirmando o contrário, majoritariamente tem-se 
entendido que tanto a afetação quanto a desafetação podem ser expressas ou tácitas. 
A afetação ou desafetação expressa é veiculada por lei ou ato administrativo, enquanto a 
tácita é realizada por atuação direta da Administração, sem manifestação expressa de sua 
vontade, ou em razão de fenômeno natural. Exemplo: um terremoto que destruiu uma 
repartição pública (desafetação tácita) ou uma ilha que se formou naturalmente, em razão 
de depósito de sedimentos em área pertencente a ente público, passando a ser de uso 
comum do povo (afetação tácita). 
Gabarito: Letra “c”. 
31. (VUNESP, TJ-SP, Juiz Substituto, 2017) 
Considerando-se o regime jurídico dos bens públicos, pode-se afirmar que 
a) a eles não se aplica o princípio da função social da propriedade, em razão do 
regime de impenhorabilidade, inalienabilidade e imprescritibilidade. 
b) a eles se aplica, com grau diferenciado, o princípio da função social da 
propriedade, em relação aos bens de uso comum do povo. 
c) a eles se aplica o princípio da função social da propriedade, em grau 
diferenciado, em relação aos bens dominiais. 
d) a eles se aplica o princípio da função social da propriedade que incide 
indistintamente e com mesmo grau de intensidade, dada sua função normativa, 
sobre todo o ordenamento jurídico e sobre o domínio público e particular. 
Comentários: 
a) INCORRETA. Quanto ao regime jurídico dos bens públicos, os de uso comum e 
especial são impenhoráveis, inalienáveis e imprescritíveis, e os bens dominicais são 
impenhoráveis e imprescritíveis. A função social é aplicada não somente aos bens 
particulares, mas também aos bens públicos. 
b) INCORRETA. A função social da propriedade aplica-se a todos os bens públicos, 
independente do regime jurídico que possuem, mas somente nos dominicais é aplicada de 
forma diferenciada, por não terem destinação pública específica. 
c) CORRETA. Por pertencerem à Administração Pública, mas não possuírem destinação 
específica, a função social não pode ser aplicada da mesma forma que os demais. 
d) INCORRETA. 
Observar os comentários das alternativas acima. 
Gabarito: Letra “c”. 
 
32. (VUNESP, TJ-SP, Juiz Substituto, 2017) 
Sobre a impenhorabilidade dos bens públicos, pode-se afirmar que 
a) tem natureza absoluta por decorrerem da inalienabilidade que os 
caracterizam. 
b) é absoluta, com exceção da hipótese de concessão de garantia da União em 
operações de crédito externo, nos termos do artigo 52, VIII, da Constituição 
Federal de 1988. 
c) é absoluta, com exceção da hipótese de sequestro de bens ao teor do artigo 
100, parágrafo 6°, da Constituição Federal de 1988. 
d) admite exceção para a hipótese de sequestro de bens, nos termos do artigo 
100, parágrafo 6°, da Constituição Federal de 1988, e para a concessão de 
garantia, em condições especialíssimas, em operações de crédito externo, 
cabendo ao Senado Federal dispor sobre limite e concessões, nos termos do 
artigo 52, VIII, da Constituição Federal de 1988. 
Comentário: 
Quanto ao regime jurídico dos bens públicos, a respeito da impenhorabilidade, que 
consiste na proibição de os bens públicos serem oferecidos como garantia para 
cumprimento de obrigações: 
Decorre da inalienabilidade, mas não é absoluta. A execução contra a Fazenda Pública 
segue o regime especial dos precatórios, conforme art. 100 da CRFB, mas a própria CRFB 
determina exceção à impenhorabilidade, admitindo sequestro de bens e concessão de 
garantia, nos termos do mesmo art. 100, §6º. Portanto, somente a alternativa D está 
correta. 
Gabarito: Letra “d”. 
33. (VUNESP, Prefeitura de São José do Rio Preto – SP, Procurador do Município, 
2014) 
Com relação aos regime jurídico, concessão, permissão e autorização dos bens 
públicos, assinale a alternativa correta. 
a) Os bens públicos de uso comum do povo, os de uso especial e os dominicais 
são inalienáveis e imprescritíveis, enquanto conservarem a sua qualificação, na 
forma que a lei determinar. 
b) O credor do Poder Público, nos termos do que consta da Constituição Federal, 
poderá ajustar garantia real sobre bens públicos. 
 
c) A concessão de uso é o ato administrativo pelo qual a Administração consente 
que certa pessoa utilize privativamente bens públicos, atendendo ao mesmo 
tempo aos interesses público e privado. 
d) O ato de permissão de uso é praticado instituiu personae, razão por que sua 
transferência a terceiro só se legitima se houver consentimento expresso da 
entidade permitente. 
e) A celebração do contrato administrativo de autorização de uso dependerá da 
aferição, pelos órgãos administrativos, da conveniência e oportunidade em 
conferir a utilização privativa do bem ao particular. 
Comentários: 
a) INCORRETA. Se o bem já é dominical encontra-se desafetado, razão pela qual é 
alienável. 
b) INCORRETA. Não é possível que o credor do Poder Público ajuste a garantia real sobre 
bens públicos. 
c) INCORRETA. Conforme estudamos na presente aula, permissão é ato administrativo 
unilateral (não é contratual), discricionário (facultativo), precário (pode ser revogado a 
qualquer tempo), pelo qual a Administração consente que certa pessoa utilize 
privativamente um bem público, de forma gratuita ou onerosa, por prazo certo ou 
indeterminado, atendendo ao mesmo tempo aos interesses público e privado. 
d) CORRETA. 
e) INCORRETA. Cuida-se de ato administrativo e não contrato. 
Gabarito: Letra “d” 
34. (VUNESP, Prefeitura de Poá – SP, Procurador Jurídico) 
A respeito da alienação de bens públicos, é correto afirmar que 
a) os bens públicos de uso comum são absolutamente inalienáveis. 
b) os bens de uso especial, enquanto conservarem a sua qualificação, podem ser 
objeto de alienação de uma entidade pública para outra. 
c) a modalidade de licitação que deve ser utilizada para a alienação de bens 
imóveis, como regra geral, é o leilão. 
d) para a alienação de bens móveis, mister se faz a autorização legislativa, e a 
modalidade de licitação a ser utilizada é a concorrência. 
e) os bens dominicais, mesmo não estando afetados à finalidade pública 
específica, não podem ser alienados por meio de institutos de direito privado, 
como a venda, doação e permuta. 
 
Comentários: 
a) INCORRETA. 
A alternativa erra ao dizer que são absolutamente impenhoráveis. 
b) CORRETA. 
c) INCORRETA. A regra é a concorrência, e não o leilão. Errada, portanto, a assertiva. 
d) INCORRETA. Para alienação de imóveis estaria correta a alternativa. 
e) INCORRETA. Estando desafetados, podem ser alienados. 
Gabarito: Letra “b”. 
35. (VUNESP, DPU-MS, Defensor Público, 2012) 
Assinale a alternativa que trata corretamente de bens públicos. 
a) São características dos bens públicos a inalienabilidade e, como decorrência 
desta, a imprescritibilidade,a impenhorabilidade e a impossibilidade de 
oneração. 
b) Os bens de uso especial possuem uma função patrimonial ou financeira, 
porque se destinam a assegurar rendas ao Estado, em oposição aos demais bens 
públicos, que são afetados a uma destinação de interesse geral. 
c) O Supremo Tribunal Federal consagra o entendimento de que, desde a 
vigência do Código Civil, os bens dominicais, como os demais bens públicos, 
podem ser adquiridos por usucapião. 
d) O regime jurídico dos bens de uso comum difere daquele aplicável aos bens 
de uso especial, pois somente os primeiros estão destinados a fins públicos. 
Comentários: 
São características dos bens públicos: I – inalienabilidade: Não podem ser vendidos, isso é 
válido apenas para os bens de uso comum e de uso especial; II - impenhorabilidade: Não 
se sujeitam à penhora; III - imprescritibilidade: Não podem ser obtidos por um particular 
através de usucapião. IV - não-onerabilidade: Não podem servir de garantia a um credor, 
como nos casos de hipoteca, penhor e anticrese. 
a) CORRETA. 
b) INCORRETA. 
Os bens de uso especial possuem uso pela Administração Pública. 
c) INCORRETA. Os bens públicos não se sujeitam à usucapião. 
d) INCORRETA. Ambos estão destinados a fins públicos. 
Gabarito: Letra “a”. 
 
 
16 - QUESTÕES COMENTADAS NA AULA 
Questão 01 (PGR, Procurador da República, 2005 - Adaptada) 
Julgue o item que segue: 
( ) O conceito de domínio público é mais extenso que o de propriedade, desde 
que se consideram bens públicos aqueles que, embora não pertencentes às 
pessoas jurídicas de direito público, estejam afetados à prestação de um serviço 
público. 
Questão 02 (FCC - Juiz Estadual/TJ SC/2015) 
Pela perspectiva tão somente das definições constantes do direito positivo 
brasileiro, consideram-se “bens públicos” os pertencentes a: 
a) um estado, mas não os pertencentes a um território. 
b) um município, mas não os pertencentes a uma autarquia. 
c) uma sociedade de economia mista, mas não os pertencentes ao distrito 
federal. 
d) uma fundação pública, mas não os pertencentes a uma autarquia. 
e) uma associação pública, mas não os pertencentes a uma empresa pública. 
Questão 03 (FCC - Procurador do Ministério Público de Contas/MPC-GO/2015) 
Durante o curso de uma ação de execução de título extrajudicial ajuizada por 
uma empresa particular em face de uma sociedade de economia mista, foi 
identificado um terreno localizado às margens de uma rodovia, pertencente à 
estatal e desocupado de pessoas, construções e coisas. A empresa credora 
requereu a penhora do bem para garantia do crédito, com intenção de levar o 
bem à hasta pública caso perdurasse a inadimplência da estatal. O 
requerimento: 
a) não pode ser deferido, tendo em vista que os bens imóveis que compõem o 
patrimônio das empresas estatais são protegidos pelo regime jurídico de direito 
público, sendo, portanto, impenhoráveis. 
b) pode ser deferido apenas para fins de garantia do crédito, decidindo-se pela 
penhora e bloqueio do bem, vedada, no entanto, a alienação judicial do imóvel. 
c) não pode ser deferido porque todos os bens das estatais são tacitamente 
afetados à prestação de serviço público, cuja essencialidade impede a 
disposição judicial do imóvel. 
 
d) pode ser deferido, porque se trata de bem de natureza privada e presume-se 
desafetado, porque desocupado, facultado à empresa estatal a comprovação de 
eventual afetação do bem à prestação de serviço público para pleitear a suposta 
impenhorabilidade. 
e) não pode ser penhorado, em razão do domínio pertencer à empresa estatal, 
mas pode ser adjudicado pelo credor, mantida eventual afetação à prestação de 
serviço público. 
Questão 04 (FCC - Assessor Jurídico/TCE-PI/2014) 
Determinada empresa estatal que desempenha serviços na área de informática 
e processamento de dados é proprietária de alguns terrenos públicos 
desocupados, localizados em diversos municípios do Estado, que lhe foram 
destinados por força da extinção de outra empresa estatal que atuava no 
mesmo segmento. Essa empresa, deficitária, está sendo acionada judicialmente 
por diversos credores, em especial por dívidas trabalhistas. Em um desses 
processos, foi requerida a penhora de dois terrenos vagos. O pedido: 
a) não pode ser deferido, tendo em vista que os bens públicos são 
impenhoráveis e inalienáveis. 
b) não pode ser deferido, porque a execução dos débitos das empresas estatais 
deve ser feita por meio de expedição de precatórios. 
c) pode ser deferido, tendo em vista que os terrenos pertencem a pessoa 
jurídica submetida a regime jurídico típico das empresas privadas, e sequer 
estão afetados a prestação de serviço público. 
d) pode ser deferido em grau de subsidiariedade, ou seja, uma vez demonstrado 
que já se tentou atingir os bens públicos não afetados da empresa. 
e) pode ser deferido, mas não pode ser determinada a hasta pública para venda 
dos bens, tendo em vista que as empresas estatais se submetem à lei de 
licitações para alienação de seus bens. 
Questão 05 (CEBRASPE, DPE-ES, Defensor Público, 2009 - Adaptada) 
Julgue o item que segue: 
( ) Na tradicional classificação dos bens públicos, as terras indígenas são 
consideradas bens de uso especial. 
Questão 06 (FCC, DPE-RS, Analista, 2013) 
Considere os seguintes exemplos de bens públicos: 
 
I. prédio no qual se encontra instalado um hospital. 
II. rios e mares. 
III. galpão adquirido pelo poder público em processo de execução judicial, cujo 
uso foi autorizado, onerosamente, a particular. 
Indique, respectivamente, a categoria na qual se incluem: 
a) de uso comum do povo; dominical e de uso especial. 
b) de uso especial; de uso comum do povo e dominical. 
c) de uso especial; reservado e de uso especial. 
d) dominical; reservado e de uso restrito. 
e) de uso comum do provo; de uso restrito; e dominical. 
Questão 07 (CEBRASPE, Prefeitura de Belo Horizonte-MG, Procurador Municipal, 2017) 
Com relação aos bens públicos, assinale a opção correta. 
a) Bens dominicais são os de domínio privado do Estado, não afetados a 
finalidade pública e passíveis de alienação ou de conversão em bens de uso 
comum ou especial, mediante observância de procedimento previsto em lei. 
b) Consideram-se bens de domínio público os bens localizados no município de 
Belo Horizonte afetados para destinação específica precedida de concessão 
mediante contrato de direito público, remunerada ou gratuita, ou a título e 
direito resolúvel. 
c) O uso especial de bem público, por se tratar de ato precário, unilateral e 
discricionário, será remunerado e dependerá sempre de licitação, qualquer que 
seja sua finalidade econômica. 
d) As áreas indígenas são bens pertencentes à comunidade indígena, à qual 
cabem o uso, o gozo e a fruição das terras que tradicionalmente ocupa para 
manter e preservar suas tradições, tornando-se insubsistentes pretensões 
possessórias ou dominiais de particulares relacionados à sua ocupação. 
Questão 08 (FCC - Juiz do Trabalho/TRT 1ª Região/2012) 
Considerando o regime jurídico ao qual se submetem os bens públicos, os bens 
imóveis sem destinação de propriedade de sociedade de economia mista 
controlada pela União são: 
a) impenhoráveis e inalienáveis. 
b) inalienáveis, porém passíveis de penhora. 
 
c) imprescritíveis e impenhoráveis, porém alienáveis, observadas as exigências 
legais. 
d) inalienáveis e impenhoráveis, salvo em função de dívidas trabalhistas. 
e) alienáveis e passíveis de penhora, observadas as exigências legais. 
Questão 09 (FCC - Juiz do Trabalho/TRT 18ª Região/2014 - ADAPTADA) 
No tocante ao regime legal dos bens das entidades pertencentes à 
Administração pública, é correto afirmar: 
a) Os bens pertencentes a autarquia são impenhoráveis, mesmo para satisfação 
de obrigações decorrentes de contrato de trabalho regido pela Consolidação da 
Legislação Trabalhista. 
b) Os bens pertencentes às entidades da Administração indireta são bens 
privados e, portanto, passíveis de penhora.c) A imprescritibilidade é característica que se aplica tão somente aos bens 
públicos de uso comum e especial, não atingindo os bens dominicais. 
d) A regra da imprescritibilidade dos bens públicos, por ter origem legal, não se 
aplica ao instituto da usucapião especial urbana, de status constitucional. 
Questão 10 (FCC - Procurador do Banco Central do Brasil/BACEN/2006) 
Exceções constitucionais à regra da imprescritibilidade dos imóveis públicos 
a) são os terrenos de marinha. 
b) não há. 
c) são as terras devolutas. 
d) são os prédios declarados inservíveis. 
e) são os bens adquiridos por execução judicial ou dação em pagamento. 
Questão 11 (FCC – JT - TRT 6ª REGIÃO/TRT 6/2013) 
Paulo, proprietário de terreno lindeiro a uma área abandonada de titularidade 
da União, passou a ocupar e exercer a vigilância da referida área, sem sofrer 
qualquer oposição da União. Considerando o regime jurídico dos bens públicos, 
Paulo 
a) não poderá usucapir a área, haja vista a impossibilidade de oneração dos bens 
públicos, que só pode ser afastada por lei específica. 
 
b) poderá usucapir a área, observados os prazos e requisitos legais, desde que a 
mesma não esteja afetada a finalidade pública específica. 
c) poderá usucapir a área, mediante o instituto da investidura, se comprovado 
que o terreno é inaproveitável. 
d) não poderá usucapir a área, haja vista a imprescritibilidade dos bens públicos, 
seja qual for a sua natureza. 
e) somente poderá usucapir a área se a mesma for remanescente de 
desapropriação ou de obra pública e não comportar, isoladamente, aproveitamento 
para edificação urbana. 
Questão 12 (FCC – Juiz Estadual TJAL/TJ AL/2015) 
No ano de 1963, o Supremo Tribunal Federal adotou, em sua Súmula, o seguinte 
enunciado, sob o no 340: Desde a vigência do Código Civil, os bens dominicais, 
como os demais bens públicos, não podem ser adquiridos por usucapião. 
Independentemente de eventual opinião doutrinária minoritária em sentido 
contrário, tal conclusão, atualmente, 
a) mostra-se superada, eis que a Constituição Federal prevê a não sujeição à 
usucapião dos bens públicos imóveis, mas o Código Civil admite tal sujeição em 
relação aos bens públicos dominicais móveis ou semoventes. 
b) mostra-se superada, eis que vigora novo Código Civil. 
c) resta compatível com o direito vigente, eis que a Constituição Federal prevê a 
não sujeição à usucapião dos bens públicos imóveis, e o Código Civil prevê a 
mesma não sujeição quanto aos bens públicos em geral, sem excepcionar os 
dominicais. 
d) mostra-se superada, eis que a Constituição Federal excepciona os bens 
dominicais da não sujeição à usucapião. 
e) resta compatível com o direito vigente, eis que a Constituição Federal prevê a 
não sujeição à usucapião dos bens públicos em geral, superando, nesse ponto, 
disposição do Código Civil em sentido contrário. 
Questão 13 (FCC - Juiz Estadual/TJ CE/2014) 
Acerca dos bens públicos, é correto afirmar: 
a) A imprescritibilidade é característica dos bens públicos de uso comum e de 
uso especial, sendo usucapíveis os bens pertencentes ao patrimônio disponível 
das entidades de direito público. 
 
b) As terras devolutas indispensáveis à preservação ambiental constituem, nos 
termos do art. 225, caput, da Constituição Federal, bem de uso comum do povo. 
c) Os bens pertencentes aos Conselhos Federais e Regionais de Fiscalização são 
bens públicos, insuscetíveis de constrição judicial para pagamentos de dívidas 
dessas entidades. 
d) Os bens das representações diplomáticas dos Estados estrangeiros e de 
Organismos Internacionais são considerados bens públicos, para fins de 
proteção legal. 
e) Os imóveis pertencentes à Petrobrás, sociedade de economia mista federal, 
são considerados bens públicos, desde que situados no Território Nacional. 
Questão 14 (FCC - Procurador do Tribunal de Contas do Município do Rio de Janeiro/2015) 
Uma concessionária de serviço de distribuição de energia elétrica estava, em 
razão de atraso na recomposição de equilíbrio econômico-financeiro já 
reconhecido pelo poder concedente, com fluxo de caixa negativo, o que 
ocasionou inadimplência de muitos compromissos, especialmente trabalhistas. 
Para garantia de alguns débitos, foram penhorados bens imóveis afetados ao 
serviço concedido. Esses bens 
a) têm natureza de bens públicos sujeitos ao regime jurídico de direito privado, 
porque penhoráveis, cabendo ao poder concedente zelar e providenciar o 
necessário para que a prestação do serviço público não seja interrompida. 
b) podem receber proteção do regime jurídico de direito público em razão de 
sua afetação à prestação de serviço público e, portanto, à concessão, mesmo 
pertencendo a pessoa jurídica de direito privado na condição de bens 
reversíveis. 
c) dependem de autorização legislativa para serem penhorados, porque 
consistem em bens públicos de uso especial, de modo que dependem de prévia 
desafetação. 
d) têm natureza de bens privados dominicais, porque apesar de estarem 
afetados a prestação de um serviço público, pertencem a pessoa jurídica de 
direito privado. 
e) pertencem, obrigatoriamente, por expressa disposição legal, ao poder 
concedente durante toda a vigência do contrato de concessão de serviço 
público, ficando registrados em nome do titular do serviço público, que deverá 
impugnar as penhoras como terceiro. 
Questão 15 (FCC - Juiz Estadual/TJ PI/2015) 
 
Nos termos do Código Civil, é consequência do caráter de “uso comum do povo” 
de um bem público, por contraste com os bens dominicais, a: 
a) possibilidade de integrar o patrimônio de pessoas jurídicas de direito público 
a que se tenha dado estrutura de direito privado. 
b) necessária gratuidade do uso. 
c) impossibilidade de alienação. 
d) insuscetibilidade à usucapião. 
e) possibilidade de integrar o patrimônio de pessoas jurídicas da Administração 
Direta. 
Questão 16 (FCC - Procurador do Tribunal de Contas de Rondônia/TCE RO/2010) 
Dentre as características inerentes ao regime jurídico aplicável aos bens públicos 
pode-se afirmar que: 
a) a inalienabilidade aplica-se aos bens de uso comum do povo e aos bens de 
uso especial enquanto conservarem essa qualificação, passando a condição de 
alienáveis com a desafetação. 
b) a inalienabilidade é absoluta, na medida em que a alienação de todo e 
qualquer bem público pressupõe sua prévia desafetação e ingresso no regime 
jurídico de direito privado. 
c) a impenhorabilidade é absoluta, aplicando-se indistintamente a todos os bens 
de titularidade da Administração Direta e Indireta. 
d) a imprescritibilidade é relativa, na medida em que os bens dominicais da 
Administração Direta podem ser objeto de usucapião. 
e) tanto a impenhorabilidade quanto a imprescritibilidade são relativas em 
relação a Administração Direta, uma vez que aplicáveis apenas e tão somente 
aos bens de uso comum do povo e bens de uso especial. 
Questão 17 (FCC - Procurador do Estado do Mato Grosso/PGE MT/2011) 
Os bens imóveis pertencentes à Administração Pública: 
a) são inalienáveis, quando de uso comum do povo e de uso especial, enquanto 
mantida a afetação ao serviço público. 
b) podem ser alienados mediante autorização legal prévia, exceto os bens 
dominicais. 
c) são impenhoráveis, exceto os de titularidade de autarquias e fundações. 
 
d) não podem ser objeto de subsequente afetação a serviço público, quando 
anteriormente de uso privativo da Administração. 
e) podem ser objeto de utilização por particular, total ou parcial, desde que em 
caráter precário e a título oneroso. 
Questão 18 (PGT, Procurador, 2006 - adaptada) 
Julgue o item que segue: 
( ) os bens dominicais não são passíveis de afetação. 
Questão 19 (PGT, Procurador, 2006 - adaptada) 
Julgue o item que segue: 
 ( ) afetação é a destinação do bem público à satisfação das necessidades 
coletivas e estatais, do que deriva sua inalienabilidade, decorrendo da própria 
natureza do bem ou de um ato estatal unilateral. 
Questão 20 (PGE-GO, Procuradordo Estado, 2013) 
Quanto à alienação de bens públicos, é CORRETO afirmar: 
a) Os bens públicos de pequeno valor, inservíveis para a administração, podem 
ser alienados a qualquer interessado, mediante ajuste verbal. 
b) A venda de bens imóveis, entre outros requisitos, depende de avaliação 
prévia, autorização legislativa e, como regra, licitação na modalidade de 
concorrência pública. 
c) Os bens públicos móveis podem ser alienados independentemente de 
avaliação. 
d) A venda de imóvel público exige licitação mesmo na hipótese de investidura. 
e) A alienação de bens de uso especial independe de desafetação. 
Questão 21 (FCC – Juiz Estadual do TJ SC/TJSC/2017) 
A propósito do uso dos bens públicos pelos particulares, é correto afirmar que 
a) as concessões de uso, dada a sua natureza contratual, não admitem a 
modalidade gratuita. 
b) o concessionário de uso de bem público exerce posse ad interdicta, mas não 
exerce posse ad usucapionem. 
c) a autorização de uso, por sua natureza precária, não admite a fixação de 
prazo de utilização do bem público. 
 
d) a Medida Provisória no 2.220/2001 garante àquele que possuiu como seu, 
por cinco anos, ininterruptamente e sem oposição, até duzentos e cinquenta 
metros quadrados de imóvel público situado em área urbana, utilizando-o para 
fins comerciais e respeitado o marco temporal ali estabelecido, o direito à 
concessão de uso especial. 
e) a permissão de uso, por sua natureza discricionária, não depende de 
realização de prévia licitação. 
Questão 22 (FCC – JE TJRR/TJRR/2008) 
Ter possuído, até 30 de junho de 2001, como seus, por cinco anos, 
ininterruptamente e sem oposição, até duzentos e cinquenta metros quadrados 
de imóvel público situado em área urbana, utilizando-os para sua moradia ou de 
sua família, desde que não seja proprietário ou concessionário, a qualquer 
título, de outro imóvel urbano ou rural. Esses são os requisitos para que se 
exerça o direito: 
a) à concessão de direito real de uso, o que depende de concordância 
discricionária da Administração Pública. 
b) à concessão de uso especial para fins de moradia, cujo título pode ser obtido 
por via administrativa ou judicial. 
c) ao usucapião pro moradia de imóvel público, o que depende de decisão 
judicial. 
d) ao usucapião extraordinário de imóvel público, o que depende de decisão 
administrativa ou judicial. 
e) de aforamento sobre bens públicos, o que depende de processo 
administrativo perante o órgão registral competente. 
Questão 23 (FCC – Procurador do Estado do Maranhão/PGE MA/2016) 
Em janeiro de 1993, Maurício Quevedo passou a residir em terreno urbano que 
lhe fora vendido “de boca” por outro posseiro antigo, ali construindo sua 
residência, um barraco de aproximadamente setenta metros quadrados, 
ocupando dois terços do terreno assim adquirido. Em janeiro deste ano, 
Maurício procurou aconselhar-se com advogado, que verificou a situação 
dominial do terreno, constatando tratar-se de propriedade registrada em nome 
do Instituto Nacional de Seguridade Social – INSS. Diante de tal situação, o 
referido posseiro: 
 
a) faz jus à usucapião do terreno, visto que se trata de imóvel particular da 
entidade autárquica. 
b) não possui direito subjetivo de permanecer no imóvel, pois o princípio da 
boa-fé não é oponível ao interesse público. 
c) tem o direito à concessão de uso especial para fins de moradia em relação ao 
bem objeto da posse, desde que comprove não ser proprietário ou 
concessionário, a qualquer título, de outro imóvel urbano ou rural. 
d) deve requerer ao INCRA a abertura de processo de legitimação de posse, 
visto tratar-se de ocupante de terra devoluta. 
e) deve solicitar à Secretaria do Patrimônio da União – SPU a declaração de 
aforamento do imóvel, passando a recolher o foro anual. 
Questão 24 (FCC – Defensor Público do Estado do Espírito Santo/DPE ES/2016) 
Disciplinada na Medida Provisória nº 2.220/2001, a concessão de uso especial 
para fins de moradia: 
a) pode ser concedida àquele que, até 30 de junho de 2001, possuiu como seu, 
por cinco anos, ininterruptamente e sem oposição, até duzentos e cinquenta 
metros quadrados de imóvel público situado em área urbana, utilizando-o para 
fins comerciais. 
b) constitui direito que não está sujeito a transmissão por sucessão causa 
mortis. 
c) será conferida de forma gratuita ao homem ou à mulher, ou a ambos, 
independentemente do estado civil. 
d) beneficia todo aquele que, até 30 de junho de 2001, possuiu como seu, por 
no mínimo dez anos, ininterruptamente e sem oposição, até duzentos e 
cinquenta metros quadrados de imóvel público situado em área urbana, 
utilizando-o para sua moradia ou de sua família. 
e) é espécie de ato administrativo discricionário, não sujeito à obtenção pela via 
judicial. 
Questão 25 (FCC - Notário e Registrador/TJ AP/2011 - ADAPTADA) 
Com base no ordenamento jurídico pátrio, são bens da União 
a) os terrenos da marinha e seus acrescidos. 
b) as terras que estiverem situadas na faixa de fronteira, eis que necessárias à 
segurança nacional. 
 
c) as terras devolutas em geral, exceto as indispensáveis à preservação 
ambiental, que serão de titularidade do Estado-membro respectivo. 
d) as ilhas oceânicas e costeiras, independentemente de nelas estar localizada a 
sede de algum Município. 
Questão 26 (FCC - Procurador Legislativo/Cam Mun SP/2014) 
Uma empresa concessionária de gás encanado, ao realizar perfurações no 
subterrâneo de uma rua, situada em área urbana, descobre um veio aurífero. O 
veio descoberto pertence: 
a) à União, pois as jazidas, em lavra ou não, constituem propriedade distinta da 
do solo, para efeito de exploração ou aproveitamento. 
b) ao Município, pois situado em logradouro urbano municipal, seguindo a regra 
pela qual a propriedade do solo abrange a do espaço aéreo e subsolo 
correspondentes, em altura e profundidade úteis ao seu exercício. 
c) à empresa concessionária e ao Município, em iguais partes, em virtude de 
constituir aquisição originária por achado de tesouro, regulada pelo Código Civil. 
d) ao Estado-Membro, pois o serviço concedido é de titularidade estadual e a 
descoberta se deu em decorrência de tal atividade, seguindo a regra 
accessorium sequitur summ principale. 
e) aos trabalhadores que realizaram a descoberta e à empresa concessionária, 
em iguais partes, em aplicação analógica da legislação sobre garimpo, que 
determina a partilha da exploração entre garimpeiros e concessionários da 
lavra. 
Questão 27 (FCC - Juiz Estadual/TJ PE/2015) 
Observe as seguintes características, atribuíveis a determinados bens públicos: 
I. pertencem ao domínio do Município ou do Distrito Federal, se localizado(a)s 
nas respectivas circunscrições, incorporando-se ao domínio da União quando 
situado(a)s em território federal. 
II. são de titularidade da União, assegurada, nos termos da lei, aos Estados, ao 
Distrito Federal e aos Municípios participação no resultado de sua exploração. 
III. pertencem aos Estados, salvo se, por algum título, forem do domínio federal, 
municipal ou particular. 
As descrições I, II e III correspondem, correta e respectivamente, aos seguintes 
bens: 
 
a) terrenos de marinha e acrescidos − cavidades naturais subterrâneas e os 
sítios arqueológicos e pré-históricos − os recursos naturais da plataforma 
continental e da zona econômica exclusiva. 
b) bens arrecadados de herança vacante − recursos minerais e potenciais de 
energia hidráulica − terrenos reservados às margens das correntes e lagos 
navegáveis. 
c) águas superficiais ou subterrâneas, fluentes, emergentes e em depósito − 
terras tradicionalmente ocupadas pelos índios − terras devolutas indispensáveis 
à preservação ambiental. 
d) cavidades naturais subterrâneas e os sítios arqueológicos e pré-históricos − 
terras devolutas indispensáveis à defesa das fronteiras − recursos minerais e 
potenciais de energia hidráulica. 
e) recursos minerais e potenciais de energia elétrica − terras devolutas 
indispensáveisà defesa das vias federais de comunicação − terrenos marginais. 
Questão 28 (FCC – Proc Jud (Recife)/Pref Recife/2014) 
Considere os itens a seguir, sobre bens públicos: 
I. Com a EC no 46/2005, pacificou-se dúvida quanto à titularidade das ilhas 
costeiras e fluviais que contêm sede de Municípios, passando-se a atribuí-la 
expressamente aos municípios respectivos. 
II. Por disposição constitucional, as terras devolutas não compreendidas entre as 
da União ou dos Estados incluem-se entre os bens do Município. 
III. (ITEM NÃO ATINENTE AO TEMA DA AULA) 
IV. É defeso pelo ordenamento jurídico usucapião de bens públicos dominicais. 
Está correto o que consta APENAS em: 
a) IV. 
b) I. 
c) II e III. 
d) II e IV. 
e) I, II e III. 
Questão 29 (CEBRASPE, DPE-PE, Defensor Público, 2018 - adaptada) 
Julgue o item que segue: 
 
( ) A ocupação irregular de bem público não impede que o particular retenha o 
imóvel até que lhe seja paga indenização por acessões ou benfeitorias por ele 
realizadas, conforme entendimento do Superior Tribunal de Justiça. 
Questão 30 (CEBRASPE, PGE-AM, Procurador do Estado, 2016) 
Com relação a pessoas jurídicas de direito privado e bens públicos, julgue o item 
a seguir. 
( ) Consideram-se bens públicos dominicais aqueles que constituem o 
patrimônio das pessoas jurídicas de direito público como objeto de direito 
pessoal ou real, tais como os edifícios destinados a sediar a administração 
pública. 
Questão 31 (CEBRASPE, AGU, Advogado da União, 2015) 
Julgue o próximo item, referente à utilização dos bens públicos e à 
desapropriação. 
( ) Se os membros de uma comunidade desejarem fechar uma rua para 
realizar uma festa comemorativa do aniversário de seu bairro, será necessário 
obter da administração pública uma permissão de uso. 
Questão 32 (CEBRASPE, PGE-BA, Procurador do Estado, 2014) 
Em relação aos bens públicos, julgue o item seguinte. 
( ) Para a utilização de espaço de prédio de autarquia para o funcionamento de 
restaurante que atenda aos servidores públicos, é obrigatória a realização de 
licitação e a autorização de uso de bem público. 
Questão 33 (CEBRASPE, PG-DF, Procurador, 2013) 
Relativamente aos bens públicos, julgue o item abaixo. 
( ) É impossível a prescrição aquisitiva de bens públicos dominicais, inclusive 
nos casos de imóvel rural e de usucapião constitucional pro labore. 
Questão 34 (CEBRASPE, AGU, Procurador do Estado, 2013) 
Acerca dos terrenos de marinha e das águas públicas, julgue os itens que se 
seguem. 
( ) À União pertence o domínio das águas públicas e das ilhas fluviais, lacustres 
e oceânicas. 
Questão 35 (CEBRASPE, AGU, Procurador Federal, 2013) 
 
Acerca dos terrenos de marinha e das águas públicas, julgue os itens que se 
seguem. 
( ) Os terrenos de marinha, assim como os seus terrenos acrescidos, 
pertencem à União por expressa disposição constitucional. 
Questão 36 (CEBRASPE, AGU, Procurador Federal, 2013) 
Relativamente à permissão de uso de bem público e à desapropriação por 
utilidade pública, julgue os itens a seguir. 
( ) Permissão de uso de bem público é o contrato administrativo pelo qual o 
poder público confere a pessoa determinada o uso privativo do bem, de forma 
remunerada ou a título gratuito. 
Questão 37 (CEBRASPE, DPE-DF, Defensor Público, 2013) 
Acerca dos bens públicos, julgue os itens a seguir. 
( ) A autorização de uso de bem público por particular caracteriza-se como ato 
administrativo unilateral, discricionário e precário, para o atendimento de 
interesse predominantemente do próprio particular. 
Questão 38 (CEBRASPE, DPE-DF, Defensor Público, 2013) 
Acerca dos bens públicos, julgue os itens a seguir. 
( ) Sendo uma das características do regime jurídico dos bens públicos a 
inalienabilidade, é correto afirmar que, segundo o ordenamento jurídico 
brasileiro vigente, todos os bens públicos são absolutamente inalienáveis. 
Questão 39 (CEBRASPE, PGM-RR Procurador Municipal, 2010) 
Com relação aos bens municipais, julgue os itens seguintes. 
( ) Todos os bens municipais, qualquer que seja a sua destinação, são passíveis 
de uso especial por particulares, desde que a utilização consentida pela 
administração não acarrete a inutilização ou a destruição desses bens. 
Questão 40 (CEBRASPE DPE-ES, Defensor Público, 2009) 
Em decorrência da supremacia do interesse público sobre o privado, o Estado 
pode estabelecer restrições sobre a propriedade privada. Acerca desse assunto, 
julgue o próximo item. 
( ) Os bens públicos são expropriáveis, porém a legislação de regência 
estabelece regra segundo a qual a União somente pode desapropriar bens de 
domínio dos estados-membros; estes somente podem expropriar bens de 
 
domínio dos municípios, o que evidencia a impossibilidade de expropriação dos 
bens públicos federais. 
Questão 41 (CEBRASPE, PGM-JP, Procurador do Município, 2018) 
Prédio sede de prefeitura, creches municipais e postos de saúde são bens 
a) de uso especial, pois são destinados a uma finalidade pública específica. 
b) dominicais e dependem de autorização específica para o seu uso. 
c) públicos destinados à prestação de serviços ou à realização de atividade 
econômica. 
d) de uso comum do povo e destinados ao uso livre e gratuito da população. 
e) insuscetíveis de alienação. 
Questão 42 (CEBRASPE, PGE-PE, Procurador do Estado, 2018) 
De acordo com a conceituação dada pela doutrina pertinente, o ato 
administrativo unilateral, discricionário e precário pelo qual a administração 
consente na utilização privativa de bem público para fins de interesse público é 
denominado 
a) permissão de uso de bem público. 
b) autorização de uso de bem público. 
c) concessão de direito real de uso de bem público. 
d) concessão de uso de bem público. 
e) cessão de uso de bem público. 
Questão 43 (CEBRASPE, TRF 5ª Região, Juiz Federal Substituto, 2017) 
Em um processo administrativo instaurado com a finalidade de separar terras 
devolutas da União de imóveis particulares, a comissão especial responsável 
pela instauração do procedimento realizou, na forma da lei, convocação dos 
interessados para a apresentação de título e documentos. Entretanto, diversos 
interessados não atenderam nem ao edital de convocação, nem à notificação 
para celebrar termo com a União. 
Nessa situação hipotética, de acordo com a legislação vigente, para que ocorra a 
devida identificação do imóvel da União, com efeito de registro como título de 
propriedade, 
a) deverá ser proposta ação de divisão e demarcação de terras, conforme 
procedimento previsto no CPC. 
 
b) o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária deverá ajuizar ação 
discriminatória. 
c) deverá ser proposta ação reivindicatória de propriedade, porque a lei 
presume que os imóveis pertencem ao particular convocado. 
d) a União deverá propor ação, pelo procedimento comum, com pedido de 
tutela provisória, já que não há procedimento especial previsto para esse caso. 
e) será dispensável o ajuizamento de ação judicial, porque se presume a 
renúncia em razão da inércia dos interessados. 
Questão 44 (CEBRASPE, DPE-AC, Defensor Público, 2017) 
Com referência à disciplina constitucional dos bens públicos, assinale a opção 
correta. 
a) As terras tradicionalmente ocupadas pelos índios são exemplos de bens de 
uso especial e pertencem aos estados. 
b) As terras devolutas, não se encontrando afetadas a nenhuma finalidade 
pública específica, são bens públicos dominiais. 
c) Salvo a hipótese de usucapião especial para fins de moradia prevista na CRFB, 
não é permitido usucapião de bens públicos. 
d) A utilização dos bens de uso comum do povo, os quais são destinados à 
utilização geral pelos indivíduos, não pode sofrer restrições por ato do poder 
público. 
e) Os bens de uso especial são aqueles que, por ato formal da administração 
pública, são destinados à execução dos serviços administrativos e serviços 
públicos em geral. 
Questão 45 (CEBRASPE, PJC-MT,Delegado de polícia, 2017) 
O prédio onde funciona a delegacia de polícia de determinado município é de 
propriedade do respectivo estado da Federação. 
Nessa situação hipotética, 
a) a desafetação do prédio resultará em sua reversão para bem de uso comum. 
b) se for abandonado, o prédio poderá ser objeto de usucapião, desde que pro 
misero. 
c) o prédio poderá ser adquirido por terceiros. 
d) o prédio poderá ser objeto de hipoteca legal. 
 
e) o prédio está na categoria de bem dominical. 
Questão 46 (CEBRASPE, MPE-RR, Promotor de Justiça Substituto, 2017) 
Considerando o entendimento do STJ, julgue as asserções seguintes. 
I É ilegal cobrar de concessionária de serviço público taxas pelo uso de solo, 
subsolo ou espaço aéreo. 
II A utilização do uso de bem público por concessionária de serviço público para 
a instalação de, por exemplo, postes, dutos ou linhas de transmissão será 
revertida em benefício para a sociedade. 
A respeito dessas asserções, assinale a opção correta. 
a) As asserções I e II são falsas. 
b) As asserções I e II são verdadeiras, e a II é uma justificativa correta da I. 
c) As asserções I e II são verdadeiras, mas a II não é uma justificativa correta da I. 
d) A asserção I é falsa, mas a II é verdadeira. 
Questão 47 (CEBRASPE, TJ-PR, Juiz Substituto, 2018) 
Em relação aos bens públicos, assinale a opção correta. 
a) O ordenamento jurídico brasileiro permite que pertençam a particulares 
algumas áreas nas ilhas oceânicas e costeiras. 
b) Por serem abertos a uma utilização universal, o mercado municipal e o 
cemitério público são considerados bens de uso comum do povo. 
c) Em face do atributo da inalienabilidade, os bens públicos dominicais não 
podem ser alienados. 
d) Quando o tribunal de justiça consente o uso gratuito de determinada sala do 
prédio do foro para uso institucional da defensoria pública local, efetiva-se o 
instituto da permissão de uso de bem público. 
Questão 48 (CEBRASPE, TJ-AM, Juiz de Direito, 2016) 
A respeito dos bens públicos e dos servidores públicos, assinale a opção correta. 
a) As águas públicas de uso comum incluem os mares territoriais, as correntes, 
os canais, os lagos e as lagoas navegáveis ou flutuáveis e as fontes e 
reservatórios públicos. 
b) Consideram-se bens móveis da União as ferrovias, as instalações portuárias, 
os telégrafos, os telefones, as fábricas, as oficinas e as fazendas nacionais. 
 
c) A condenação em processo administrativo disciplinar produz efeitos na esfera 
penal, mas não na civil. 
d) Nos termos da legislação, quanto à destinação, os bens públicos classificam-
se em bens de uso comum, de uso especial, de uso privativo e bens dominicais. 
e) Recondução é o retorno do servidor público, estável ou não, ao cargo 
anteriormente ocupado e decorre de inabilitação em estágio probatório relativo 
a outro cargo ou de exoneração do anterior ocupante. 
Questão 49 (CEBRASPE, TJDFT, Juiz de direito, 2016) 
Acerca dos bens públicos, assinale a opção correta. 
a) Os bens privados do Estado, que não se submetem ao regime jurídico de 
direito público, são aqueles adquiridos de particulares por meio de contrato de 
direito privado. 
b) Bens dominicais são aqueles que podem ser utilizados por todos os indivíduos 
nas mesmas condições, por determinação de lei ou pela própria natureza do 
bem. 
c) Os bens de uso especial do Estado são as coisas, móveis ou imóveis, corpóreas 
ou não, que a administração utiliza para a realização de suas atividades e 
finalidades. 
d) Os bens de uso comum não integram o patrimônio do Estado, constituindo 
coisas que não pertencem ao ente público ou a qualquer particular, não sendo 
passíveis, portanto, de aquisição por pessoa física ou jurídica. 
e) Os bens dominicais são aqueles pertencentes ao Estado e afetados a uma 
finalidade específica da administração pública. 
Questão 50 (FCC – Juiz do Trabalho do TRT da 15ª região/TRT15/2015) 
O regime jurídico de direito público que protege os bens públicos imóveis 
identifica-se, dentre outras características, pela imprescritibilidade, que: 
a) guarnece os bens de uso comum e os bens de uso especial, mas é 
excepcionado dos bens dominicais, pois estes são considerados os bens privados 
da Administração pública e, portanto, não podem se eximir de se submeter ao 
regime jurídico comum, como expressão do princípio da isonomia. 
b) impede que os particulares adquiram a propriedade dos bens públicos por 
usucapião, independentemente do tempo de permanência no imóvel e da boa-
fé da ocupação, mas não se aplica a eventuais ocupantes que possuam natureza 
jurídica de direito público, pelo princípio da reciprocidade. 
 
c) impede a aquisição de bens públicos, independentemente de sua 
classificação, por usucapião, o que se aplica a particulares e pessoas jurídicas de 
direito público e privado, mas também se presta à proteção do patrimônio em 
face de qualquer instituto que venha a representar a subtração dos poderes 
inerentes à propriedade pública. 
d) determina que o poder público pode promover ações para ressarcimento de 
danos e responsabilização dos envolvidos indefinidamente, com base no 
ordenamento jurídico vigente, no caso de ocupações multifamiliares irregulares, 
que gerem ou tenham gerado efeito favelizador da área. 
e) aplica-se reciprocamente à Administração pública e aos administrados, na 
medida em que aquela também não pode regularizar suas ocupações por meio 
de usucapião de bens imóveis pertencentes a pessoas físicas ou jurídicas de 
direito privado. 
Questão 51 (FCC - Assessor Jurídico/TCE-PI/2014) 
Tiago é proprietário de um imóvel lindeiro a um terreno público de grandes 
dimensões. Em sua propriedade, Tiago construiu sua casa de campo, para onde 
vai aos finais de semana. Verificando que o terreno público vizinho está 
desocupado há tempos, decidiu lá construir uma área de lazer, com quadra de 
tênis, quadra poliesportiva, piscina etc. Assim, ocupou parte do terreno, com 
aproximadamente 1000 m2 (mil metros quadrados) de construções. Anos 
depois, a Administração pública foi vistoriar o terreno para elaboração de 
projeto para instalação de uma escola pública. Verificando que o terreno estava 
irregular e parcialmente ocupado, notificou o particular a restituir a área. Tiago, 
inconformado, ajuizou uma ação judicial para manutenção da ocupação. Tiago: 
a) faz jus à aquisição direta do bem público pelo valor da terra nua, em sua 
totalidade, desde que demonstre que as construções lançadas na área são mais 
valiosas que o terreno. 
b) faz jus ao reconhecimento judicial de seu direito ao terreno, 
independentemente de indenização, caso demonstre que o ocupa há mais de 5 
(cinco) anos. 
c) não faz jus à aquisição do terreno, porque a ocupação foi parcial, o que 
inviabiliza a aquisição compulsória, indenizada ou não. 
d) não faz jus à aquisição do terreno, em razão da imprescritibilidade dos bens 
públicos, independentemente do valor das construções promovidas pelo 
particular. 
 
e) não faz jus à aquisição compulsória do terreno, porque a utilização não era 
para fins residenciais, podendo, contudo, exigir a venda direta da parte 
ocupada, pelo valor de mercado, descontado o valor das benfeitorias que ele 
promoveu. 
Questão 52 (FCC - Juiz Estadual/TJ CE/2014) 
Acerca dos bens públicos, é correto afirmar: 
a) A imprescritibilidade é característica dos bens públicos de uso comum e de 
uso especial, sendo usucapíveis os bens pertencentes ao patrimônio disponível 
das entidades de direito público. 
b) As terras devolutas indispensáveis à preservação ambiental constituem, nos 
termos do art. 225, caput, da Constituição Federal, bem de uso comum do povo. 
c) Os bens pertencentes aos Conselhos Federais e Regionais de Fiscalização são 
bens públicos, insuscetíveis de constrição judicial para pagamentos de dívidas 
dessas entidades. 
d) Os bens das representações diplomáticas dos Estados estrangeiros e de 
Organismos Internacionais são considerados bens públicos, para fins de 
proteçãolegal. 
e) Os imóveis pertencentes à Petrobrás, sociedade de economia mista federal, 
são considerados bens públicos, desde que situados no Território Nacional. 
Questão 53 (FCC - Procurador do Estado do Mato Grosso/PGE MT/2016) 
Acerca do regime jurídico dos bens públicos, é correto afirmar: 
a) Os bens de uso especial, dada a sua condição de inalienabilidade, não podem 
ser objeto de concessão de uso. 
b) Chama-se desafetação o processo pelo qual um bem de uso comum do povo 
é convertido em bem de uso especial. 
c) A investidura é hipótese legal de alienação de bens imóveis em que é 
dispensada a realização do procedimento licitatório. 
d) Os bens pertencentes ao Fundo Garantidor de Parcerias Público-Privadas (Lei 
Federal no 11.079/2004), embora possam ser oferecidos em garantia dos 
créditos do parceiro privado, mantém a qualidade de bens públicos. 
e) Os bens pertencentes às empresas pública são públicos, diferentemente dos 
bens pertencentes às sociedades de economia mista. 
Questão 54 (FCC – Aud (TCE-CE)/TCE-CE/2015) 
 
De acordo com a Constituição Federal e a Lei nº 8.666/1993, os bens públicos 
I. dependem, em regra, de prévia autorização legislativa para alienação. 
II. são imprescritíveis, o que significa que não são alcançados em execuções por 
dívidas. 
III. caracterizam-se como dominicais, quando afetados a finalidade pública. 
IV. os de uso especial não estão protegidos pela impenhorabilidade. 
Está correto o que se afirma APENAS em: 
a) III e IV. 
b) I e III. 
c) II e III. 
d) II e IV. 
e) I. 
Questão 55 (FCC - Juiz do Trabalho/TRT 15ª Região/2015) 
Um Município encaminhou à Câmara de Vereadores proposta de Lei para 
autorizar a alienação onerosa de um terreno que anteriormente estava 
destinado para a construção de um teatro e uma oficina de artes, mas que 
ficaria desafetado com a edição da lei. Diante desse cenário, uma empresa 
credora do Município, ajuizou uma medida cautelar para impedir a venda do 
imóvel, a fim de que fosse possível a adoção das providências processuais 
cabíveis para penhora do imóvel. A medida cautelar ainda não tinha sido 
julgada, mas o Judiciário acatou o pedido liminar, determinando a suspensão da 
publicação do edital de concorrência. A decisão: 
a) encontra fundamento no ordenamento jurídico, tendo em vista que os 
credores do Estado possuem direito de preferência para quitar seus débitos, 
antes que seja alienado patrimônio para fazer frente a investimentos. 
b) deve ser reformada, tendo em vista que o terreno pertencente ao Município 
é dotado de imprescritibilidade e inalienabilidade, justamente para garantir que 
o patrimônio público não seja empregado para custeio ou investimentos. 
c) deve ser reformada, em razão da impenhorabilidade que grava os bens 
públicos, independentemente da afetação direta, tendo em vista que o 
patrimônio público é indisponível e se presta ao atendimento do interesse 
público, ainda que indiretamente, por meio do produto apurado com a venda 
do imóvel. 
 
d) pode ser reformada, desde que o Município garanta o crédito da empresa 
autora da medida cautelar, tendo em vista que quando ocorre a desafetação do 
bem público, fica alterado o regime jurídico que o protege, passando para o 
regime privado. 
e) deve ser mantida, tendo em vista que a afetação dada ao bem público não 
poderia ser alterada, porque destinada ao uso comum do povo, tampouco 
poderia ser alienada onerosamente a terceiros. 
Questão 56 (FCC, PGE-TO, Procurador do Estado, 2018) 
Uma gleba de terras devolutas estaduais foi arrecadada por ação discriminatória 
e o Governo do Estado, por meio de lei, declarou-a como indispensável à 
proteção de um relevante ecossistema local, incluindo-a na área de parque 
estadual já constituído para esse fim. Tal gleba deve ser considerada bem 
a) privado sob domínio estatal. 
b) público dominical. 
c) público de uso comum do povo. 
d) público de uso especial. 
e) privado sob regime especial de proteção. 
Questão 57 (CEBRASPE, DPE-PE, Defensor Público, 2018) 
Com relação à disciplina dos bens públicos, assinale a opção correta. 
a) À exceção dos bens dominiais não afetados a qualquer finalidade pública, os 
bens públicos são impenhoráveis. 
b) A ocupação irregular de bem público não impede que o particular retenha o 
imóvel até que lhe seja paga indenização por acessões ou benfeitorias por ele 
realizadas, conforme entendimento do Superior Tribunal de Justiça. 
c) Aos municípios pertencem as terras devolutas não compreendidas entre 
aquelas pertencentes à União. 
d) As terras tradicionalmente reservadas aos índios são consideradas bens 
públicos de uso especial da União. 
e) Bens de uso comum do povo, destinados à coletividade em geral, não podem, 
em nenhuma hipótese, ser privativamente utilizados por particulares. 
Questão 58 (MPE-SP, Promotor de Justiça Substituto, 2017) 
Assinale a alternativa correta. 
 
a) Os bens dominicais e os bens públicos de uso comum só podem ser 
outorgados a particulares por meio de autorização e concessão, institutos 
sujeitos ao regime de direito público. 
b) A concessão, contrato administrativo pelo qual a Administração faculta ao 
particular a utilização privativa do bem público para que a exerça conforme sua 
destinação, depende de licitação e impõe a fixação de prazo. 
c) A autorização, permissão e concessão de uso privativo de bens públicos são 
atos administrativos que apresentam como características comuns a 
unilateralidade, a discricionariedade e a precariedade. 
d) A autorização, ato administrativo em que a Administração consente que o 
particular se utilize de bem público com exclusividade, depende de licitação e 
cria para o usuário um dever de utilização. 
e) A permissão de uso, ato administrativo pelo qual a Administração faculta a 
utilização de bem público, para fins de interesse público, tem sempre a forma 
onerosa e tempo determinado. 
Questão 59 (FCC, TJ-SC Juiz Substituto, 2017) 
A propósito do uso dos bens públicos pelos particulares, é correto afirmar que 
a) as concessões de uso, dada a sua natureza contratual, não admitem a 
modalidade gratuita. 
b) o concessionário de uso de bem público exerce posse ad interdicta, mas não 
exerce posse ad usucapionem. 
c) a autorização de uso, por sua natureza precária, não admite a fixação de 
prazo de utilização do bem público. 
d) a Medida Provisória n° 2.220/2001 garante àquele que possuiu como seu, por 
cinco anos, ininterruptamente e sem oposição, até duzentos e cinquenta metros 
quadrados de imóvel público situado em área urbana, utilizando-o para fins 
comerciais e respeitado o marco temporal ali estabelecido, o direito à concessão 
de uso especial. 
e) a permissão de uso, por sua natureza discricionária, não depende de 
realização de prévia licitação. 
Questão 60 (VUNESP, Prefeitura de São José dos Campos - SP, Procurador, 2017) 
Um determinado prédio público, situado na Rua das Flores do Município de São 
José dos Campos, funcionava como Creche Municipal, e em razão de um grande 
abalo sísmico, o imóvel ficou totalmente destruído e sem destinação, tendo sido 
 
a Creche transferida para outro imóvel público, situado na Alameda dos Sabiás. 
A partir desse fato hipotético, assinale a alternativa correta. 
a) A Creche da Rua das Flores tinha afetação ao uso comum, permanecendo 
nessa condição, apesar do acidente geográfico e não mais funcionar como 
repartição pública. 
b) Com a destruição do imóvel da Rua das Flores, houve sua desafetação como 
de uso especial, trespassando-se automaticamente como imóvel com afetação 
ao uso comum. 
c) O fato da natureza (abalo sísmico) determinou a desafetação do prédio da 
Rua das Flores como bem de uso especial para a categoria de bem dominical. 
d) A desafetação do imóvel da Rua das Flores como de uso comum somente 
poderá ocorrer por meio de lei expressa nesse sentido. 
e) O imóvel da Alameda dos Sabiás, com a transferência da Creche, passou a ser 
considerado bem dominical. 
Questão 61 (VUNESP,TJ-SP, Juiz Substituto, 2017) 
Considerando-se o regime jurídico dos bens públicos, pode-se afirmar que 
a) a eles não se aplica o princípio da função social da propriedade, em razão do 
regime de impenhorabilidade, inalienabilidade e imprescritibilidade. 
b) a eles se aplica, com grau diferenciado, o princípio da função social da 
propriedade, em relação aos bens de uso comum do povo. 
c) a eles se aplica o princípio da função social da propriedade, em grau 
diferenciado, em relação aos bens dominiais. 
d) a eles se aplica o princípio da função social da propriedade que incide 
indistintamente e com mesmo grau de intensidade, dada sua função normativa, 
sobre todo o ordenamento jurídico e sobre o domínio público e particular. 
Questão 62 (VUNESP, TJ-SP, Juiz Substituto, 2017) 
Sobre a impenhorabilidade dos bens públicos, pode-se afirmar que 
a) tem natureza absoluta por decorrerem da inalienabilidade que os 
caracterizam. 
b) é absoluta, com exceção da hipótese de concessão de garantia da União em 
operações de crédito externo, nos termos do artigo 52, VIII, da Constituição 
Federal de 1988. 
 
c) é absoluta, com exceção da hipótese de sequestro de bens ao teor do artigo 
100, parágrafo 6°, da Constituição Federal de 1988. 
d) admite exceção para a hipótese de sequestro de bens, nos termos do artigo 
100, parágrafo 6°, da Constituição Federal de 1988, e para a concessão de 
garantia, em condições especialíssimas, em operações de crédito externo, 
cabendo ao Senado Federal dispor sobre limite e concessões, nos termos do 
artigo 52, VIII, da Constituição Federal de 1988. 
Questão 63 (VUNESP, Prefeitura de São José do Rio Preto – SP, Procurador do Município, 
2014) 
Com relação aos regime jurídico, concessão, permissão e autorização dos bens 
públicos, assinale a alternativa correta. 
a) Os bens públicos de uso comum do povo, os de uso especial e os dominicais 
são inalienáveis e imprescritíveis, enquanto conservarem a sua qualificação, na 
forma que a lei determinar. 
b) O credor do Poder Público, nos termos do que consta da Constituição Federal, 
poderá ajustar garantia real sobre bens públicos. 
c) A concessão de uso é o ato administrativo pelo qual a Administração consente 
que certa pessoa utilize privativamente bens públicos, atendendo ao mesmo 
tempo aos interesses público e privado. 
d) O ato de permissão de uso é praticado instituiu personae, razão por que sua 
transferência a terceiro só se legitima se houver consentimento expresso da 
entidade permitente. 
e) A celebração do contrato administrativo de autorização de uso dependerá da 
aferição, pelos órgãos administrativos, da conveniência e oportunidade em 
conferir a utilização privativa do bem ao particular. 
Questão 64 (VUNESP, Prefeitura de Poá – SP, Procurador Jurídico) 
A respeito da alienação de bens públicos, é correto afirmar que 
a) os bens públicos de uso comum são absolutamente inalienáveis. 
b) os bens de uso especial, enquanto conservarem a sua qualificação, podem ser 
objeto de alienação de uma entidade pública para outra. 
c) a modalidade de licitação que deve ser utilizada para a alienação de bens 
imóveis, como regra geral, é o leilão. 
 
d) para a alienação de bens móveis, mister se faz a autorização legislativa, e a 
modalidade de licitação a ser utilizada é a concorrência. 
e) os bens dominicais, mesmo não estando afetados à finalidade pública 
específica, não podem ser alienados por meio de institutos de direito privado, 
como a venda, doação e permuta. 
Questão 65 (VUNESP, DPU-MS, Defensor Público, 2012) 
Assinale a alternativa que trata corretamente de bens públicos. 
a) São características dos bens públicos a inalienabilidade e, como decorrência 
desta, a imprescritibilidade, a impenhorabilidade e a impossibilidade de 
oneração. 
b) Os bens de uso especial possuem uma função patrimonial ou financeira, 
porque se destinam a assegurar rendas ao Estado, em oposição aos demais bens 
públicos, que são afetados a uma destinação de interesse geral. 
c) O Supremo Tribunal Federal consagra o entendimento de que, desde a 
vigência do Código Civil, os bens dominicais, como os demais bens públicos, 
podem ser adquiridos por usucapião. 
d) O regime jurídico dos bens de uso comum difere daquele aplicável aos bens 
de uso especial, pois somente os primeiros estão destinados a fins públicos. 
 
 
17 - GABARITOS 
1) C 2) E 3) D 4) C 5) C 
6) B 7) A 8) E 9) A 10) B 
11) D 12) C 13) C 14) B 15) C 
16) A 17) A 18) E 19) C 20) B 
21) B 22) B 23) C 24) C 25) A 
26) A 27) B 28) A 29) E 30) E 
31) E 32) E 33) C 34) E 35) C 
36) E 37) C 38) E 39) C 40) E 
41) A 42) A 43) B 44) B 45) C 
46) E 47) A 48) A 49) C 50) C 
51) D 52) C 53) C 54) E 55) C 
56) E 57) D 58) B 59) B 60) C 
61) C 62) D 63) D 64) B 65) A 
 
 
 
18 - CONSIDERAÇÕES FINAIS 
Chegamos ao final de mais uma aula. 
Quaisquer dúvidas, sugestões ou críticas entrem em contato conosco. Estou disponível 
no fórum do Curso, por e-mail e, inclusive, pelo Facebook. 
Aguardo vocês na próxima aula. Até lá! 
 
Renato Borelli 
 
 
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@profrenatoborelli 
 
 
19 - REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
ALEXANDRINO, Marcelo e PAULO, Vicente. DIREITO ADMINISTRATIVO DESCOMPLICADO. 
23ª edição. São Paulo: Método, 2015. 
CARVALHO FILHO, José dos Santos. MANUAL DE DIREITO ADMINISTRATIVO. 28ª edição. 
São Paulo: Atlas, 2015. 
MARINELA, Fernanda. DIREITO ADMINISTRATIVO. 11ª. Edição. São Paulo: Saraiva, 2017. 
BANDEIRA DE MELLO, C. A. Curso de Direito Administrativo. 32ª ed. São Paulo: Malheiros, 
2015. 
DI PIETRO, M. S. Z. Direito Administrativo. 28ª ed. São Paulo: Editora Atlas, 2014. 
JUSTEN FILHO, Marçal. Curso de direito administrativo. 10ª ed. São Paulo: Revista dos 
Tribunais, 2014. 
MEIRELLES, H. L. Direito administrativo brasileiro. 41ª ed. São Paulo: Malheiros, 2015.

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