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Secretaria de Estado de Educação do Estado do Pará SEDUC-PA Professor Classe I - Física Edital Nº 01/2018 – SEAD, 19 de Março de 2018 MR109-2018 DADOS DA OBRA Título da obra: Secretaria de Estado de Educação do Estado do Pará - SEDUC-PA Cargo: Professor Classe I - Física (Baseado no Edital Nº 01/2018 – Sead, 19 de Março de 2018) • Conhecimentos Específicos Gestão de Conteúdos Emanuela Amaral de Souza Autora Janaina Oliveira Diagramação/ Editoração Eletrônica Elaine Cristina Igor de Oliveira Camila Lopes Thais Regis Produção Editoral Suelen Domenica Pereira Julia Antoneli Capa Joel Ferreira dos Santos APRESENTAÇÃO CURSO ONLINE PARABÉNS! ESTE É O PASSAPORTE PARA SUA APROVAÇÃO. A Nova Concursos tem um único propósito: mudar a vida das pessoas. Vamos ajudar você a alcançar o tão desejado cargo público. Nossos livros são elaborados por professores que atuam na área de Concursos Públicos. Assim a matéria é organizada de forma que otimize o tempo do candidato. 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Ex: FV054-18 PASSO 3 Pronto! Você já pode acessar os conteúdos online. SUMÁRIO Conhecimentos Específicos História, filosofia da ciência e evolução das ideias da Física: Epistemologia; Cosmologia antiga; Física de Aristóteles; a Física medieval; as origens da mecânica e o mecanicismo; geocentrismo; Heliocentrismo; evolução do conceito de calor e da Termodinâmica; a teoria eletromagnética de Maxwell e o conceito de campo; impasses da física clássica; ra- dioatividade e as origens da física moderna; a teoria da relatividade; a teoria quântica; Física da matéria atômica e nuclear. ..........................................................................................................................................................................................................01 Mecânica e Cinemática: Momento linear; centro de massa; leis de Newton; gravitação universal; leis de Kepler; trabalho; energia e potência; Torque e momento angular; princípios de conservação; movimento do corpo rígido; fluidos. ..... 10 Termodinâmica: Calor e temperatura; transporte de calor; teoria cinética dos gases; leis da termodinâmica; energia interna; calor específico; processos adiabáticos; máquinas térmicas; ciclo de Carnot; entropia. ........................................... 39 Eletromagnetismo: Campo elétrico; lei de Gauss; potencial elétrico; corrente elétrica e circuitos; campo magnético; Lei de Ampere; Lei de Faraday; propriedades elétricas e magnéticas dos materiais; equações de Maxwell; radiação. ....... 52 Física ondulatória: oscilações livres, amortecidas e forçadas; ressonância; ondas sonoras e eletromagnéticas; ótica: re- flexão, refração, polarização, dispersão, interferência e coerência, difração; instrumentos óticos. ....................................... 80 Física moderna: relatividade especial e transformações de Lorentz; equivalência massa-energia; natureza ondulatória/ corpuscular da matéria e da luz; teoria quântica; princípio da incerteza de Heisenberg; modelo do átomo de hidrogê- nio, núcleo atômico e forças nucleares, decaimento radioativo, energia nuclear, introdução à física de partículas, física contemporânea. .......................................................................................................................................................................................................95 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS Professor Classe I - Física História, filosofia da ciência e evolução das ideias da Física: Epistemologia; Cosmologia antiga; Física de Aristóteles; a Física medieval; as origens da mecânica e o mecanicismo; geocentrismo; Heliocentrismo; evolução do conceito de calor e da Termodinâmica; a teoria eletromagnética de Maxwell e o conceito de campo; impasses da física clássica; ra- dioatividade e as origens da física moderna; a teoria da relatividade; a teoria quântica; Física da matéria atômica e nuclear. ..........................................................................................................................................................................................................01 Mecânica e Cinemática: Momento linear; centro de massa; leis de Newton; gravitação universal; leis de Kepler; trabalho; energia e potência; Torque e momento angular; princípios de conservação; movimento do corpo rígido; fluidos. ..... 10 Termodinâmica: Calor e temperatura; transporte de calor; teoria cinética dos gases; leis da termodinâmica; energia in- terna; calor específico; processos adiabáticos; máquinas térmicas; ciclo de Carnot; entropia. ............................................... 39 Eletromagnetismo: Campo elétrico; lei de Gauss; potencial elétrico; corrente elétrica e circuitos; campo magnético; Lei de Ampere; Lei de Faraday; propriedades elétricas e magnéticas dos materiais; equações de Maxwell; radiação. ....... 52 Física ondulatória: oscilações livres, amortecidas e forçadas; ressonância; ondas sonoras e eletromagnéticas; ótica: refle- xão, refração, polarização, dispersão, interferência e coerência, difração; instrumentos óticos. ............................................ 80 Física moderna: relatividade especial e transformações de Lorentz; equivalência massa-energia; natureza ondulatória/ corpuscular da matéria e da luz; teoria quântica; princípio da incerteza de Heisenberg; modelo do átomo de hidrogênio, núcleo atômico e forças nucleares, decaimento radioativo, energia nuclear, introdução à física de partículas, física con- temporânea. ...............................................................................................................................................................................................................95 1 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS Professor Classe I - Física HISTÓRIA, FILOSOFIA DA CIÊNCIA E EVOLUÇÃO DAS IDEIAS DA FÍSICA: EPISTEMOLOGIA; COSMOLOGIA ANTIGA; FÍSICA DE ARISTÓTELES; A FÍSICA MEDIEVAL; AS ORIGENS DA MECÂNICA E O MECANICISMO; GEOCENTRISMO; HELIOCENTRISMO; EVOLUÇÃO DO CONCEITO DE CALOR E DA TERMODINÂMICA; A TEORIA ELETROMAGNÉTICA DE MAXWELL E O CONCEITO DE CAMPO; IMPASSES DA FÍSICA CLÁSSICA; RADIOATIVIDADE E AS ORIGENS DA FÍSICA MODERNA; A TEORIA DA RELATIVIDADE; A TEORIA QUÂNTICA; FÍSICA DA MATÉRIA ATÔMICA E NUCLEAR. 1A origem “das coisas” sempre foi uma preocupação central da humanidade; a origem das pedras, dos animais, das plantas, dos planetas, das estrelas e de nós mesmos. Mas a origem mais fundamental de todas parece ser a origem do universo como um todo – tudo o que existe. Sem esse, nenhum dos seres e objetos citados nem nós mesmos poderíamos existir. Talvez por essa razão, a existência do universo como um todo, sua natureza e origem foram assuntos de explicação em quase todas as civilizações e culturas. De fato, cada civilização conhecida da antropologia teve uma cosmogonia – uma história de como o mundo começou e continua, de como os homens surgiram e do que os deuses esperam de nós. O entendimento do universo foi, para essascivilizações, algo muito distinto do que nos é ensinado hoje pela ciência. Mas a ausência de uma cosmologia para essas sociedades, uma explicação do mundo em que vivemos, seria tão inconcebível quanto a ausência da própria linguagem. Essas explicações, por falta de outras formas de entendimento da questão, sempre tiveram fundamentos religiosos, mitológicos ou filosóficos. Só recentemente a ciência pôde oferecer sua versão para os fatos. A razão principal para isso é que a própria ciência é recente. Como método científico experimental, podemos nos referir a Galileu Galilei (1564-1642, astrônomo, físico e matemático italiano) como um marco importante. Não obstante, já os gregos haviam desenvolvido métodos geométricos sofisticados e precisos para determinar órbitas e tamanhos de corpos celestes, bem como para previsão de eventos astronômicos. Não podemos nos esquecer de que egípcios e chineses, assim como incas, maias e astecas também sabiam interpretar os movimentos dos astros. É surpreendente que possamos entender o universo físico de forma racional e que ele possa ser pesquisado pelos métodos da física e da astronomia desenvolvidos nos nossos laboratórios e observatórios. A percepção dessa dimensão e da capacidade científica nos foi revelada de forma mais plena nas décadas de 10, 20 e 30 do século XX. Mas a história da cosmologia (a estrutura do universo) e da cosmogonia (a origem do universo) não começou, nem parou aí. 1 Steiner., J. E. 2006. A origem do universo e do homem. Estudos avançados, v.20, n. 58. 2Cosmologias da Terra plana Como era a cosmovisão, a forma do universo imaginada pelos antigos egípcios, gregos, chineses, árabes, incas, maias e tupi-guaranis, que não tinham acesso às informações da moderna astronomia? Para quase todas as civilizações, sempre foi necessário acomodar não só a face visível da Terra e do céu, mas também incluir, possivelmente no espaço, o mundo dos mortos, tanto os abençoados como os condenados, além dos reinos dos deuses e dos demônios. A experiência do cotidiano sugere que o mundo em que vivemos é plano; além disso, muitas cosmologias eram interpretações associadas ao ambiente físico ou cultural da civilização em questão. Por exemplo, para os egípcios, o universo era uma ilha plana cortada por um rio, sobre a qual estava suspensa uma abóbada sustentada por quatro colunas. Na Índia antiga, as várias cosmologias dos hindus, brâmanes, budistas etc. tinham em comum o pressuposto da doutrina da reencarnação e as configurações físicas deveriam acomodá-la, incluindo os diversos níveis de céus e infernos por ela demandada. Para os hindus – por exemplo – o universo era um ovo redondo coberto por sete cascas concêntricas feitas com distintos elementos. Já os babilônios imaginavam um universo em duas camadas conectadas por uma escada cósmica. A civilização maia era fortemente dependente do milho e das chuvas, muitas vezes escassas, que vinham do céu. Para eles, no começo havia apenas o céu, o mar e o criador; esse, após várias tentativas fracassadas, conseguiu construir pessoas a partir de milho e água. No antigo testamento judaico-cristão, a Terra era relatada em conexão ao misterioso firmamento, às águas acima do firmamento, às fontes do abismo, ao limbo e à casa dos ventos. O livro do Gênesis narra, também, que o universo teve um começo: “No princípio Deus criou os céus e a Terra. A Terra, porém, estava informe e vazia; as trevas cobriam o abismo e o Espírito de Deus pairava sobre as águas. Deus disse: ‘Faça-se a luz’. E a luz foi feita. Deus viu que a luz era boa, e separou a luz das trevas. Deus chamou à luz DIA, e às trevas NOITE. Houve uma tarde e uma manhã: foi o primeiro dia”. Modelos geocêntricos Há cerca de 2.400 anos, os gregos já haviam desenvolvido sofisticados métodos geométricos e o pensamento filosófico. Não foi, pois, por acaso que eles propuseram uma cosmologia mais sofisticada do que a ideia do universo plano. Um universo esférico, a Terra, circundado por objetos celestes que descreviam órbitas geométricas e previsíveis e também pelas estrelas fixas. Uma versão do modelo geocêntrico parece ter sido proposta inicialmente por Eudoxus de Cnidus (c.400-c.350 a.C., matemático e astrônomo grego, nascido na atual Turquia) e sofreu diversos aperfeiçoamentos. Um deles foi proposto por Aristóteles (384-322 a.C.), que demonstrou que a Terra é esférica; ele chegou a essa conclusão a partir 2 Damineli, A. Hubble: a expansão do universo. São Paulo: Odys- seus, 2003. 2 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS Professor Classe I - Física da observação da sombra projetada durante um eclipse lunar. Ele calculou, também, o seu tamanho – cerca de 50% maior do que o valor correto. O modelo geocêntrico de Aristóteles era composto por 49 esferas concêntricas que procuravam explicar os movimentos de todos os corpos celestes. A esfera mais externa era a das estrelas fixas e que controlava todas as esferas internas. Essa, por sua vez, era controlada por uma agência (entidade) sobrenatural. Esse modelo geocêntrico grego teve outros aperfeiçoamentos. Erastóstenes (c.276-c.194 a.C., escritor grego, nascido na atual Líbia) mediu a circunferência da Terra por método experimental, obtendo um valor cerca de 15% maior do que o valor real. Já Ptolomeu (Claudius Ptolomeus, segundo século a.C., astrônomo e geógrafo egípcio) modificou o modelo de Aristóteles, introduzindo os epiciclos, isto é, um modelo no qual os planetas descrevem movimentos de pequenos círculos que se movem sobre círculos maiores, esses centrados na Terra. A teoria heliocêntrica A ideia de que o Sol está no centro do universo e de que a Terra gira em torno dele, conhecida como a teoria heliocêntrica, já havia sido proposta por Aristarco de Samos (c.320 – c.250 a.C., matemático e astrônomo grego); ele propôs essa teoria com base nas estimativas dos tamanhos e distâncias do Sol e da Lua. Concluiu que a Terra gira em torno do Sol e que as estrelas formariam uma esfera fixa, muito distante. Essa teoria atraiu pouca atenção, principalmente porque contradizia a teoria geocêntrica de Aristóteles, então com muito prestígio e, também, porque a ideia de que a Terra está em movimento não era muito atraente. Cerca de dois mil anos mais tarde, Copérnico (Nicolaus Copernicus, 1473-1543, astrônomo polonês) descreveu o seu modelo heliocêntrico, em 1510, na obra Commentariolus, que circulou anonimamente; Copérnico parece ter previsto o impacto que sua teoria provocaria, tanto assim que só permitiu que a obra fosse publicada após a sua morte. A teoria foi publicada abertamente em 1543 no livro De Revolutionibus Orbium Coelesti e dedicada ao papa Paulo III. O modelo heliocêntrico provocou uma revolução não somente na astronomia, mas também um impacto cultural com reflexos filosóficos e religiosos. O modelo aristotélico havia sido incorporado de tal forma no pensamento, que tirar o homem do centro do universo acabou se revelando uma experiência traumática. Por fim, o modelo heliocêntrico de Copérnico afirmou- se como o correto. Mas por que o modelo de Aristarco de Samos não sobreviveu, cerca de 2.000 anos antes, se afinal também estava certo? Basicamente porque, para fins práticos, não fazia muita diferença quando comparado com o modelo geocêntrico. As medidas não eram muito precisas e tanto uma teoria quanto a outra davam respostas satisfatórias. Nesse caso, o modelo geocêntrico parecia mais de acordo com a prática do dia-a-dia; além disso, era um modelo homocêntrico, o que estava em acordo com o demandado por escolas filosóficas e teológicas. Após a publicação da teoria de Copérnico, no entanto, alguns avanços técnicos e científicos fizeram que ela se tornasse claramente superior ao sistema de Ptolomeu. Tycho Brahe (1546-1601, astrônomo dinamarquês) teve um papel importante ao avançar as técnicas de fazer medidas precisas com instrumentos a olho nu, pois lunetas e telescópios ainda não haviam sido inventados.Essas medidas eram cerca de dez vezes mais precisas do que as medidas anteriores. Em 1597 ele se mudou para Praga, onde contratou, em 1600, Johannes Kepler (1571-1630, matemático e astrônomo alemão) como seu assistente. Mais tarde, Kepler usou as medidas de Tycho para estabelecer suas leis de movimento dos planetas. Essas leis mostravam que as órbitas que os planetas descrevem são elipses, tendo o Sol em um dos focos. Com isso, cálculos teóricos e medidas passaram a ter uma concordância muito maior do que no sistema antigo. Se não por outro motivo, essa precisão e a economia que ela propiciava seriam tão importantes para as grandes navegações que ela se imporia por razões práticas. Galileu, ao desenvolver a luneta, criou um instrumento vital para a pesquisa astronômica, pois amplia, de forma extraordinária, a capacidade do olho humano. Apontando para o Sol, descobriu as manchas solares; apontando para Júpiter, descobriu as quatro primeiras luas; e ao olhar para a Via-Láctea, mostrou que ela é composta por miríades de estrelas. A descoberta da galáxia Foi exatamente com o desenvolvimento de técnicas ópticas, mecânicas e fotográficas que se passou a determinar a distância das estrelas mais próximas, e com isso a ideia de esfera das estrelas fixas foi superada. Com a medida das distâncias das estrelas – extraordinariamente grandes –, estabeleceu-se a interpretação de que o Sol e as estrelas são objetos da mesma natureza. Portanto, cada estrela poderia ter, em princípio, o “direito” de hospedar um sistema planetário. Uma das primeiras concepções consistentes sobre a natureza da galáxia – e surpreendentemente correta – foi feita por Kant (Immanuel Kant, 1724-1804, filósofo alemão) que, aos 26 anos e muito antes de se tornar a grande referência em filosofia, tomou contato com os pensamentos de Newton e desenvolveu a ideia de que o sistema solar teria se originado a partir da condensação de um disco de gás. Concebeu, também, a ideia de que o sistema solar faz parte de uma estrutura achatada, maior, à qual hoje chamamos de galáxia, e de que muitas das nebulosas então observadas como manchas difusas são sistemas semelhantes, às quais ele denominou universos- ilhas. Os avanços observacionais mais importantes que levaram à compreensão detalhada da distribuição das estrelas no céu foram feitos por Wilheilm Herschel (1738- 1822, astrônomo e músico inglês, nascido na Alemanha), primeiro construtor de grandes telescópios com os quais podia detalhar os objetos fracos com maior precisão. 3 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS Professor Classe I - Física Estrelas se distribuem no espaço tanto de forma dispersa quanto, também, em grupos, chamados de aglomerados de estrelas. No estudo de tais aglomerados, percebeu-se que eles não se distribuem ao acaso no espaço, mas definem uma configuração à qual chamamos de galáxia, visível a olho nu, como a Via-Láctea. O Sol, a estrela mais próxima de nós, está a 159 milhões de quilômetros. É mais fácil dizer que ele está a oito minutos- luz. Afinal, a luz leva oito minutos para chegar do Astro-rei até a Terra. O mapa feito com os aglomerados globulares de estrelas mostrou que a galáxia tem um diâmetro de aproximadamente 90 mil anos-luz e é composta de 100 bilhões de estrelas, todas girando em torno de um núcleo comum, que dista cerca de 25 mil anos-luz do Sol. Logo se percebeu que existe um grande número de formações semelhantes no universo. São as Nebulae, que hoje chamamos, genericamente, de galáxias. Quando observamos a estrela mais próxima do sistema solar, Alfa de Centauro, estamos enxergando o passado. Ela se encontra a 4,3 anos-luz de distância. Quer dizer que a luz que agora observamos foi emitida 4,3 anos atrás e viajou todo esse tempo para chegar até aqui. Estamos, de fato, observando o passado. Quando olhamos para a nossa vizinha galáxia de Andrômeda, vemos como ela era 2,4 milhões de anos atrás. Muitas estrelas que estamos vendo hoje já deixaram de existir há muito tempo. Outra pergunta que naturalmente se faz é: o que foi o instante zero e o que havia antes? A teoria da relatividade prevê que no instante zero a densidade teria sido infinita. Para tratar essa situação, é necessária uma teoria de gravitação quântica, que ainda não existe, e, portanto, essa questão não é passível de tratamento científico até este momento. Entender essa fase da história do universo é um dos maiores problemas não-resolvidos da física contemporânea. A Física é a ciência das propriedades da matéria e das forças naturais. Suas formulações são em geral compactantes expressas em linguagem matemática. A introdução da investigação experimental e a aplicação do método matemático contribuíram para a distinção entre Física, filosofia e religião, que , originalmente, tinham como objetivo comum compreender a origem e a constituição do Universo. A Física estuda a matéria nos níveis molecular, atômico, nuclear e subnuclear. Estuda os níveis de organização ou seja os estados sólido , líquido, gasoso e plasmático da matéria. Pesquisa também as quatro forças fundamentais: a da gravidade ( força de atração exercida por todas as partículas do Universo), a eletromagnética ( que liga os elétrons aos núcleos), a interação forte (que mantêm a coesão do núcleo e a interação fraca (responsável pela desintegração de certas partículas - a da radiatividade). Física teórica e experimental - A Física experimental investiga as propriedades da matéria e de suas transformações, por meio de transformações e medidas, geralmente realizada em condições laboratoriais universalmente repetíveis . A Física teórica sistematiza os resultados experimentais, estabelece relações entre conceitos e grandezas Físicas e permite prever fenômenos inéditos. Atomistas Gregos A primeira teoria atômica começa na Grécia, no século V a.C. Leucipo, de Mileto, e seu aluno Demócrito, de Abdera (460 a.C. - 370 a.C.) , formulam as primeiras hipóteses sobre os componentes essenciais da matéria. Segundo eles, o Universo é formado de átomos e vácuo. Os átomos são infinitos e não podem ser cortados ou divididos. São sólidos mas de tamanho tão reduzido que não podem ser vistos. Estão sempre se movimentando no vácuo. Física Aristotélica É com Aristóteles que a Física e as demais ciências ganham o maior impulso na Antigüidade . Suas principais contribuições para a Física são as idéias sobre o movimento, queda de corpos pesados (chamados “graves”, daí a origem da palavra “gravidade” ) e o geocentrismo . A lógica aristotélica irá dominar os estudos da Física até o final da Idade Média. Aristóteles - (384 a.C. - 322 a.C. ) Nasce em Estagira, antiga Macedônia (hoje, Província da Grécia) . Aos 17 anos muda-se para Atenas e passa a estudar na Academia de Platão, onde fica por 20 anos . Em 343 a.C. torna-se tutor de Alexandre, o grande, na Macedônia. Quando Alexandre assume o trono, em 335 a.C. , volta a Atenas e começa a organizar sua própria escola, localizada em um bosque dedicado a Apolo Liceu - por isso, chamada de Liceu . Até hoje, se conhece apenas um trabalho original de Aristóteles (sobre a Constituição de Atenas) . Mas as obras divulgadas por meio de discípulos tratam de praticamente todas as áreas do conhecimento : lógica, ética, política, teologia, metaFísica, poética, retórica, Física, psicologia, antropologia, biologia. Seus estudos mais importantes foram reunidos no livro Órganom . Geocentrismo - Aristóteles descreve o cosmo como um enorme ( porém finito) círculo onde existem nove esferas concêntricas girando em torno da Terra, que se mantêm imóvel no centro delas. Gravidade - Aristóteles considera que os corpos caem para chegar ao seu lugar natural. Na antiguidade, consideram- se elementos primários a terra, a água, ar e fogo. Quanto mais pesado um corpo (mais terra) mais rápido cai no chão. A água se espalha pelo chão porque seu lugar natural é a superfície da Terra.O lugar natural do ar é uma espécie de capa em torno da Terra. O fogo fica em uma esfera acima de nossas cabeças e por isso as chamas queimam para cima. Primórdios da Hidrostática A hidrostática, estudo do equilíbrio dos líquidos, é inaugurada por Arquimedes. Diz a lenda que Hierão, rei de Siracusa, desafia Arquimedes a encontrar uma maneira de verificar sem danificar o objeto, se era de ouro maciço uma coroa que havia encomendado. Arquimedes soluciona o problema durante o banho. Percebe que a quantidade de água deslocada quando entra na banheira é igual ao volume de seu corpo. Ao descobrir esta relação sai gritando pelas ruas 4 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS Professor Classe I - Física “Eureka, eureka !” ( Achei, achei !) . No palácio, mede então a quantidade de água que transborda de um recipiente cheio quando nele mergulha sucessivamente o volume de um peso de ouro igual ao da coroa, o volume de um peso de prata igual ao da coroa e a própria coroa. Este, sendo intermediário aos outros dois, permite determinar a proporção de prata que fora misturada ao ouro. Princípio de Arquimedes - A partir dessas experiências Arquimedes formula o princípio que leva o seu nome: todo corpo mergulhado em um fluído recebe um impulso de baixo para cima ( empuxo ) igual ao peso do volume do fluído deslocado. Por isso os corpos mais densos do que a água afundam e os mais leves flutuam. Um navio, por exemplo, recebe um empuxo igual ao peso do volume de água que ele desloca. Se o empuxo é superior ao peso do navio ele flutua. Arquimedes - ( 287 a.C. - 212 a.C.) - nasce em Siracusa, na Sicília . Freqüenta a Biblioteca de Alexandria e lá começa seus estudos de matemática. Torna-se conhecido pelos estudos de hidrostática e por suas invenções, como o parafuso sem ponta para elevar água. também ganha fama ao salvar Siracusa do ataque dos romanos com engenhosos artefatos bélicos. Constrói um espelho gigante que refletia os raios solares e queimava a distância os navios inimigos. É também atribuído a Arquimedes o princípio da alavanca . Com base neste princípio, foram construídas catapultas que também ajudaram a resistir aos romanos. Depois de mais de três anos, a cidade é invadida é Arquimedes e assassinado por um soldado romano. A teoria do Big Bang Na década de 1920, o astrônomo americano Edwin Hubble procurou estabelecer uma relação entre a distância de uma galáxia e a velocidade com que ela se aproxima e se afasta de nós. A velocidade da galáxia se mede com relativa facilidade, mas a distância requer uma série de trabalhos encadeados e, por isso, é trabalhoso e relativamente impreciso. Após muito trabalho, ele descobriu uma correlação entre a distância e a velocidade das galáxias que ele estava estudando. Quanto maior a distância, com mais velocidade ela se afasta de nós. É a chamada Lei de Hubble. Portanto, as galáxias próximas se afastam lentamente e as galáxias distantes se afastam rapidamente? Como explicar essa lei? Num primeiro momento, poderíamos pensar que, afinal, estamos no centro do universo, um lugar privilegiado. Todas as galáxias sabem que estamos aqui e por alguma razão fogem de nós. Essa explicação parece pouco copernicana. A essa altura dos acontecimentos, ninguém mais acreditava na centralidade cósmica do homem. Precisamos achar, então, outra explicação. A outra explicação pode ser facilmente entendida se fizermos uma analogia bidimensional do universo. Costumamos dizer que vivemos num universo de três dimensões espaciais: podemos andar para a frente, para os lados e pular para cima. Além disso, existe a dimensão do tempo. Essas quatro dimensões compõem o espaço-tempo do universo em que vivemos. Poderíamos imaginar outros universos. Do ponto de vista matemático, podemos imaginar, por exemplo, universos bidimensionais. A superfície de uma bola é uma entidade de duas dimensões, assim como o é a superfície de uma mesa. Poderíamos, agora, imaginar a superfície de uma bexiga de aniversário como um universo bidimensional. Sobre a sua superfície poderíamos desenhar galáxias bidimensionais, povoadas por formigas também de duas dimensões. Algumas dessas formigas poderiam ser astrônomas cuja tarefa seria observar outras galáxias, medir suas distâncias e velocidades. Imaginemos, agora, que alguém sopre na bexiga de tal forma que ela se expanda. O que a formiga-astrônoma vai observar? Que as galáxias próximas se afastam lentamente ao passo que as galáxias distantes se afastam rapidamente do observador. Isto é, a formiga descobriu a Lei de Hubble. Se, por hipótese, em vez de uma bexiga em expansão, ela estivesse se esvaziando, em contração, a formiga verificaria que todas as galáxias se aproximam uma das outras; um efeito contrário ao da Lei de Hubble. Portanto, essa lei mostra que nosso universo está em expansão! Isto é, no futuro ele será maior e no passado foi menor do que ele é hoje. Quanto mais no passado, menor. Até que poderíamos imaginar a bexiga tão pequena que se reduziria a um ponto. A esse ponto inicial, a ideia de que o universo surgiu de uma explosão no passado, chamamos de Big Bang. Desde então, ele está se expandindo, até hoje, e a lei de Hubble é a confirmação disso. Há quanto tempo teria acontecido isso? As indicações mais recentes são de que o Big Bang ocorreu há 13,7 (± 0,2) bilhões de anos. De fato, trabalhos teóricos do abade belga Georges Lemaitre, de 1927, mostraram que a Teoria da Relatividade Geral de Albert Einstein é compatível com a recessão das Nebulae (como eram então chamadas as galáxias) e ele foi o primeiro a propor que o universo teria surgido de uma explosão, de um “átomo primordial”. Uma pergunta imediata que poderia nos ocorrer é: para que direção do espaço devemos olhar para enxergarmos onde essa explosão ocorreu? Se o universo está se expandindo, dentro de onde? Ora, no modelo de bexiga – universo de duas dimensões – o Big Bang ocorreu no centro da bexiga, não na sua superfície. O espaço é a superfície. O interior é o passado, e o exterior, o futuro. O centro, a origem do tempo. Portanto, a explosão não ocorreu no espaço, mas no início do tempo, e o próprio espaço surgiu nessa singularidade temporal. Esse exemplo simples nos mostra como o modelo bidimensional pode nos ilustrar, de forma intuitiva, porém confiável, questões fundamentais de cosmologia; agregar uma terceira dimensão é apenas uma questão de habilidade matemática! Podemos, agora, voltar à reflexão de que olhar para longe é ver o passado. Seria possível observar o universo evoluir? Essa ideia parece interessante; quanto mais longe olhamos, mais vemos um universo mais jovem. Poderíamos, então, observar a época em que as galáxias nasceram? Sim, basta que tenhamos tecnologia para isso. Basta que tenhamos instrumentos que nos permitam observar o universo a 12 bilhões de anos-luz de distância. Essa tecnologia já é disponível com os novos e grandes telescópios. Com isso é possível observar quando, como e por que as galáxias nasceram – essa é uma das áreas mais palpitantes da ciência contemporânea. 5 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS Professor Classe I - Física FÍSICA CLÁSSICA O século XVII lança as bases para a Física da era industrial. Simon Stevin desenvolve a hidrostática, ciência fundamental para seus país, a Holanda, protegida do mar por comportas e diques. Na óptica, contribuição equivalente é dada por Christiaan Huygens, também holandês, que constrói lunetas e desenvolve teorias sobre a propagação da luz. Huygens é o primeiro a descrever a luz como onda. Mas é Isaac Newton ( 1642-1727), cientista inglês, o grande nome dessa época: são dele a teoria geral da mecânica e da gravitação universal e o cálculo infinitesimal. Isaac Newton - (1642- 1727) nasce em Woolsthorpe, Inglaterra, no mesmo ano da morte de Galileu. (começa a estudar na Universidade de Cambridge com 18 anos e aos 26 já se torna catedrático. Em 1687 publica Princípios matemáticosda filosofia natural. Dois anos depois é eleito membro do Parlamento como representante da Universidade de Cambridge. Já em sua época é reconhecido como grande cientista que revoluciona a Física e a matemática. Preside a Royal Society ( academia de ciência) por 24 anos. Nos últimos anos de vida dedica-se exclusivamente a estudos teológicos. Cálculo diferencial - por volta de 1664, quando a universidade é fechada por causa da peste bubônica, Newton volta à sua cidade natal. Em casa, desenvolve o teorema do binômio e o método matemático das fluxões. Newton considera cada grandeza finita resultado de um fluxo contínuo, o que torna possível calcular áreas limitadas por curvas e o volume de figuras sólidas. Este método dá origem ao cálculo diferencial e integral . Decomposição da luz - Newton pesquisa também a natureza da luz. Demonstra que, ao passar por um prisma, a luz branca se decompõe nas cores básicas do espectro luminoso: vermelho, laranja, amarelo, verde, azul e violeta. Leis da mecânica - A mecânica clássica se baseia em três leis. • Primeira lei - É a da inércia. Diz que um objeto parado e um objeto em movimento tendem a se manter como estão a não ser que uma força externa atue sobre eles. • Segunda lei - Diz que a força é proporcional à massa do objeto e sua aceleração. A mesma força irá mover um objeto com massa duas vezes maior com metade da aceleração. • Terceira lei - Diz que para toda ação há uma reação equivalente e contrária. Este é o princípio da propulsão de foguetes: quando os gases “queimados”(resultantes da combustão do motor) escapam pela parte final do foguete, fazem pressão em direção oposta, impulsionando-o para a frente. Gravitação universal - observando uma maçã que cai de uma árvore do jardim de sua casa, ocorre a Newton a ideia de explicar o movimento dos planetas como uma queda. A força de atração exercida pelo solo sobre a maçã poderia ser a mesma que faz a Lua «cair» continuamente sobre a Terra. Principia - Durante os 20 anos seguintes , Newton desenvolve os cálculos que demonstram a hipótese da gravitação universal e detalha estudos sobre a luz, a mecânica e o teorema do binômio. Em 1687 publica Princípios matemáticos da filosofia natural, conhecida como Principia, obra-prima científica que consolida com grande precisão matemática suas principais descobertas. Newton prova que a Física pode explicar tanto fenômenos terrestres quanto celestes e por isso é universal. FÍSICA APLICADA No século XVIII, embora haja universidades e academias nos grandes centros, mais uma vez é por motivos práticos que a Física se desenvolve. A revolução industrial marca nova fase da Física. As áreas de estudos se especializam e a ligação com o modo de produção torna-se cada vez mais estreita. Termodinâmica Estuda as relações entre calor e trabalho. Baseia-se em dois princípios: o da conservação de energia e o de entropia. Estes princípios são a base de máquinas a vapor, turbinas, motores de combustão interna, motores a jato e máquinas frigoríficas. A partir de uma máquina concebida para retirar a água que inundava as minas de carvão, o inglês Thomas Newcomen cria em 1698 a máquina a vapor, mais tarde aperfeiçoada pelo escocês James Watt. É em torno do desempenho dessas máquinas que o engenheiro francês Sadi Carnot estabelece uma das mais importantes sistematizações da termodinâmica, delimitando a transformação de energia térmica (calor) em energia mecânica (trabalho). Primeiro princípio - É o da conservação da energia. Diz que a soma das trocas de energia em um sistema isolado é nula. Se, por exemplo, uma bateria é usada para aquecer água, a energia da bateria é convertida em calor mas a energia total do sistema, antes e depois de o processo começar, é a mesma. Segundo princípio - Em qualquer transformação que se produza em um sistema isolado, a entropia do sistema aumenta ou permanece constante. Não há portanto qualquer sistema térmico perfeito no qual todo o calor é transformado em trabalho. Existe sempre uma determinada perda de energia. Entropia - tendência natural da energia se dispersar e da ordem evoluir invariavelmente para a desordem. O conceito foi sistematizado pelo austríaco Ludwig Boltzmann ( 1844-1906) e explica o desequilíbrio natural entre trabalho e calor. Zero absoluto - 0 Kelvin (equivalente a -273,15º C ou -459,6º F) ou «zero absoluto» não existe em estado natural. A esta temperatura a atividade molecular (atômica) é nula. Lord Kelvin - (1824- 1907) é como ficou conhecido o físico irlandês William Thomson, barão Kelvin of Largs. Filho de matemático, forma-se em Cambridge e depois se dedica à ciência experimental. Em 1832 descobre que a descompressão dos gases provoca esfriamento e cria uma escala de temperaturas absolutas. 6 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS Professor Classe I - Física ELETROMAGNETISMO Em 1820, o dinamarquês Hans Oersted relaciona fenômenos elétricos aos magnéticos ao observar como a corrente elétrica alterava o movimento da agulha de uma bússola. Michel Faraday inverte a experiência de Oersted e verifica que os magnetos exercem ação mecânica sobre os condutores percoridos pela corrente elétrica e descobre a indução eletromagnética, que terá grande aplicação nas novas redes de distribuição de energia. Indução eletromagnética - Um campo magnético (variável) gerado por uma corrente elétrica (também variável) pode induzir uma corrente elétrica em um circuito. A energia elétrica também pode ser obtida a partir de uma ação mecânica: girando em torno de um eixo, um enrolamento de fio colocado entre dois imãs provoca uma diferença de potencial (princípio do dínamo). Michael Faraday - (1791-1867) é um caso raro entre os grandes nomes da ciência. Nasce em Newington, Inglaterra. Começa a trabalhar aos 14 anos como aprendiz de encadernador. Aproxima-se das ciências como autodidata e depois torna-se assistente do químico Humphy Davy. Apesar de poucos conhecimentos teóricos, o espírito de experimentação de Faraday o leva a importantes descobertas para a química e Física. Consegue liquefazer praticamente todos os gases conhecidos. Isola o benzeno. Elabora a teoria da eletrólise, a indução eletromagnética e esclarece a noção de energia eletrostática. Raios catódicos - São feixes de partículas produzidos por um eletrodo negativo (cátodo) de um tubo contendo gás comprimido. São resultado da ionização do gás e provocam luminosidade. Os raios catódicos são identificados no final do século passado por Willian Crookes. O tubo de raios catódicos é usado em osciloscópios e televisões. Raios X - Em 1895 Wilhelm Konrad von Röntgen descobre acidentalmente os raios X quando estudava válvulas de raios catódicos. Verificou que algo acontecia fora da válvula e fazia brilhar no escuro focos fluorescentes. Eram raios capazes de impressionar chapas fotográficas através de papel preto. Produziam fotografias que revelavam moedas nos bolsos e os ossos das mãos. Estes raios desconhecidos são chamadas simplesmente de “x” . Wilhelm Konrad von Röntgen - (1845-1923) nasce em Lennep, Alemanha, e estuda Física na Holanda e na Suíça . Realiza estudos sobre elasticidade, capilaridade, calores específicos de gases, condução de calor em cristais e absorção do calor por diferentes gases. Pela descoberta dos raios X recebe em 1901 o primeiro prêmio Nobel de Física da História. Radiatividade - É a desintegração espontânea do núcleo atômico de alguns elementos (urânio, polônio e rádio), resultando em emissão de radiação. Descoberta pelo francês Henri Becquerel ( 1852 - 1909) poucos meses depois da descoberta dos raios X. Becquerel verifica que, além de luminosidade, as radiações emitidas pelo urânio são capazes de penetrar a matéria. Dois anos depois, Pierre Curie e sua mulher, a polonesa Marie Curie, encontram fontes radiativasmuito mais fortes que o urânio. Isolam o rádio e o polônio e verificam que o rádio era tão potente que podia provocar ferimentos sérios e até fatais nas pessoas que dele se aproximavam. Tipos de radiação - Existem três tipos de radiação; alfa, beta e gama. Á radiação alfa é uma partícula formada por um átomo de hélio com carga positiva. Radiação beta é também uma partícula, de carga negativa, o elétron. A radiação gama é uma onda eletromagnética. As substâncias radiativas emitem continuamente calor e têm a capacidade de ionizar o ar e torná-lo condutor de corrente elétrica. São penetrantes e ao atravessarem uma substância chocam-se com suas moléculas. Estrutura do Átomo Em 1803 , John Dalton começa a apresentar sua teoria de que a cada elemento químico corresponde um tipo de átomo . Mas é só em 1897, com a descoberta do elétron, que o átomo deixa de ser uma unidade indivisível como se acreditava desde a Antiguidade. Descoberta do elétron - Em 1897 Joseph John Thomson, ao estudar os raios X e raios catódicos, identifica partículas de massa muito pequena, cerca de 1.800 vezes menores que a do átomo mais leve. Conclui que o átomo não é indivisível mas composto por partículas menores. Modelo pudim - Thomson diz que os átomos são formados por uma nuvem de eletricidade positiva na qual flutuam, como ameixas em volta de um pudim, partículas de carga negativa - os elétrons. Modelo planetário - Em 1911 Ernest Rutherford bombardeia uma lâmina de ouro com partículas em alta velocidade. Observa que algumas partículas atravessam o anteparo e outras ricocheteiam. Descobre que existem espaços vazios no átomo, por isso algumas partículas passaram pela lâmina. Verifica também que há algo consistente contra o que outras partículas se chocaram e refletiram. Conclui que o átomo possui um núcleo (de carga positiva) em volta do qual orbitam elétrons, como planetas girando em torno do Sol. O modelo planetário é aperfeiçoado por Niels Bohr com fundamentos da Física quântica. Prótons - 1919 Rutherford desintegra o núcleo de nitrogênio e detecta partículas nucleares de carga positiva. Elas seriam chamadas de prótons. Segundo Rutherford, o núcleo é responsável pela maior massa do átomo. Anuncia a hipótese de existência do nêutron, confirmada apenas 13 anos depois. Nêutrons - 1932 James Chadwick membro da equipe, de Rutherford, descobre os nêutrons, partículas nucleares com a mesma massa do próton mas com carga elétrica neutra. 7 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS Professor Classe I - Física Ernest Rutherford - (1871 - 1937) nasce em Nelson, na Nova Zelândia, onde começa a estudar Física. Suas maiores contribuições foram as pesquisas sobre radiatividade e teoria nuclear. Em 1908 cria um método para calcular a energia liberada nas transformações radiativas e recebe o prêmio Nobel de química. Em 1919 realiza a primeira transmutação induzida e transforma um núcleo de nitrogênio em oxigênio através do bombardeamento com partículas alfa. A partir daí dedica-se a realizar transmutações de vários tipos de elementos. Em 1931 torna-se o primeiro barão Rutherford de Nelson FISICA QUÂNTICA A grande revolução que leva a Física à modernidade e a teoria quântica, que começa a se definir no fim do século XIX . É a inauguração de uma nova “lógica” resultante das várias pesquisas sobre a estrutura do átomo, radiatividade e ondulatória. Max Planck é quem define o conceito fundamental da nova teoria - o quanta. Mas a teoria geral é de autoria de um grupo internacional de físicos, entre os quais: Niels Bohr (Dinamarca), Louis De Broglie (França), Erwin, Shrödinger e Wolfgang , Pauli (Áustria), Werner Heisenberg (Alemanha), e Paul Dirac (Inglaterra). Quanta - Em 1900 o físico alemão Max Planck afirma que as trocas de energia não acontecem de forma continua e sim em doses, ou pacotes de energia, que ele chama de quanta. A introdução do conceito de descontinuidade subverte o princípio do filósofo alemão Wilhelm Leibniz (1646-1716), «natura non facit saltus”( a natureza não dá saltos), que dominava todos os ramos da ciência na época. Max Planck - (1858-1947) nasce em Kiel, Alemanha. Filho de juristas, chega a oscilar entre a carreira musical e os estudos científicos. Decide-se pela Física e se dedica à carreira acadêmica até o fim da vida. Em 14 de dezembro de 1900, durante uma reunião da Sociedade Alemã de Física, apresenta a noção de «quanta elementar de ação». Em sua autobiografia Planck diz que na época não previa os efeitos revolucionários dos quanta. Em 1918 recebe o prêmio Nobel de Física. Modelo quântico do átomo - Surge em 1913, elaborado por Niels Bohr (1885-1962). Segundo ele, os elétrons estão distribuídos em níveis de energia característicos de cada átomo. Ao absorver um quanta de energia, um elétron pode pular para outro nível e depois voltar a seu nível original, emitindo um quanta idêntico. Dualidade Quântica A grande marca da mecânica quântica é a introdução do conceito de dualidade e depois, com Werner Heisenberg, do princípio de incerteza. Para a mecânica quântica, o universo é essencialmente não-deterministico. O que a teoria oferece é um conjunto de prováveis respostas. No lugar do modelo planetário de átomo, com elétrons orbitando em volta de um núcleo, a quântica propõe um gráfico que indica zonas onde eles têm maior ou menor probabilidade de existir. Toda matéria passa a ser entendida segundo uma ótica dual: pode se comportar como onda ou como partícula. É o rompimento definitivo com a mecânica clássica, que previa um universo determinístico. Princípio da incerteza - Em 1927 Werner Heisenberg formula um método para interpretar a dualidade da quântica, o princípio da incerteza. Segundo ele, pares de variáveis interdependentes como tempo e energia, velocidade e posição, não podem ser medidos com precisão absoluta. Quanto mais precisa for a medida de uma variável, mais imprecisa será a segunda. «Deus não joga dados», dizia Albert Einstein, negando os princípios na nova mecânica. RELATIVIDADE A teoria da relatividade surge em duas etapas e altera profundamente as noções de espaço e tempo. Enquanto a mecânica quântica é resultado do trabalho de vários físicos e matemáticos, a relatividade é fruto exclusivo das pesquisas de Albert Einstein. Relatividade Restrita - Em 1905 ele formula a Teoria da Relatividade Restrita (ou especial), segundo a qual a distância e o tempo podem ter diferentes medidas segundo diferentes observadores. Não existe portanto tempo e espaço absolutos como afirmara Newton no Principia, mas grandezas relativas ao sistema de referência segundo o qual elas são descritas. Raios simultâneos - Einstein dá o exemplo dos raios e o trem. Dois indivíduos observam dois raios que atingem simultaneamente as extremidades de um trem (que anda em velocidade constante em linha reta) e chamuscam o chão. Um homem está dentro do trem, exatamente na metade dele. O segundo indivíduo está fora, bem no meio do trecho entre as marcas do raio. Para o observador que está no chão, os raios caem simultaneamente. Mas o homem no trem dirá que os raios caíram em momentos sucessivos, porque ele, ao mesmo tempo que se desloca em direção ao relâmpago da frente, se afasta do relâmpago que cai na parte traseira. Este último relâmpago deve percorrer uma distância maior do que o primeiro para chegar até o observador. Como a velocidade da luz é constante, o relâmpago da frente «chega» antes que o de trás. Relatividade Geral Dez anos depois, Einstein estende a noção de tempo-espaço à força da gravidade. A Teoria Geral da Relatividade (1916), classificada pelo próprio Einstein como «bonita esteticamente”, é também uma teoria da gravidade capaz de explicar a força de atração pela geometria tempo- espaço . A fórmula relativa - A «revolução» de Einstein Torna popular a fórmula FísicaE= mc2 (energia é igual a massa vezes o quadrado da velocidade da luz). A equivalência entre massa e energia (uma pequena quantidade de massa pode ser transformada em uma grande quantidade de energia) permite explicar a combustão das estrelas e dar ao homem maior conhecimento sobre a matéria. É a expressão teórica das enormes reservas de energia armazenadas no átomo na qual se baseiam os artefatos nucleares. 8 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS Professor Classe I - Física Bomba atômica - Artefato nuclear explosivo que atinge seu efeito destrutivo através da energia liberada na quebra de átomos pesados (urânio 235 ou plutônio 239). Armas atômicas foram superadas pelas bombas termonucleares, que têm maior poder destrutivo. As bombas termonucleares (bomba H e bomba de nêutrons) agem por meio de ondas de pressão ou ondas térmicas. Produzem essencialmente radiação, mortal para os seres vivos, sem destruir bens materiais. São bombas de fusão detonadas por uma bomba atômica e podem ter o tamanho de um paralelepídedo. Velocidade relativa - A relatividade também revoluciona a noção de velocidade. Ao demostrar que todas as velocidades são relativas, explica que, apesar do movimento, nenhuma partícula poderia se deslocar a uma velocidade superior à da luz ( 299.792.458 metros por segundo). À medida que se aproximasse dessa velocidade, a energia e a massa da partícula também aumentariam, tomando cada vez mais difícil a aceleração. Geometria espaço-tempo - Enquanto Newton descrevera a gravitação como uma queda, para Einstein é uma questão espacial. Quando um corpo está livre, isto é, sem influência de qualquer força, seus movimentos apenas exprimem a qualidade de espaço-tempo. A presença de um corpo em determinado local causa uma distorção no espaço próximo. Espaço curvo - Um raio de luz proveniente de uma estrela distante parece sofrer uma alteração de trajetória ao passar perto do Sol. Isto não é causado por qualquer força de atração, diz Einstein. Em função da enorme massa do Sol, o espaço a sua volta está deformado. É como se ele estivesse « afundado». O raio apenas acompanha esta curvatura, mas segue sua rota natural. E se a matéria encurva o espaço, é possível admitir que todo o Universo é curvo. A confirmação experimental do espaço curvo só acontece em 1987, com a observação de galáxias muito distantes. Albert Einstein ( 1879-1955) nasce um Ulm, Alemanha, em 1879. Chega a ser considerado deficiente mental porque até 4 anos não fala fluentemente. Durante o secundário, é considerado pelos professores um estudante medíocre. Mas, fora da escola, Einstein mostra desde jovem interesse pela matemática. Começa seus estudos de matemática e Física na Alemanha e depois assume nacionalidade suíça. Em 1921 recebe o prêmio Nobel. No apogeu do nazismo vai para os EUA e se naturaliza norte- americano. Depois da 2a guerra, passa a defender o controle internacional de armas nucleares. Morre em Princeton, EUA. ATUALIDADE A fusão nuclear controlada e a Física dos primeiros instantes do Universo são atualmente os campos mais desafiantes da fisica. Fusão Nuclear Controlada - A fusão nuclear é um processo de produção de energia a partir do núcleo do átomo. Este fenômeno ocorre naturalmente no interior do Sol e da estrelas. Núcleos leves como o do hidrogênio e seus isótopos - o deutério e o trítio -se fundem e criam elementos de um núcleo mais pesado, como o hélio. Neste processo, há uma enorme liberação de energia. Até hoje, só foi possível produzir energia nuclear pela fissão (quebra) do núcleo dos átomos. Esta “quebra”resulta em energia, mas libera resíduos radiativos e por isso não pode ser considerada uma fonte segura. Combustível nuclear - Um dos desafios da Física atual é reproduzir o processo de fusão de maneira controlada e obter combustível nuclear. Será uma alternativa mais econômica e limpa. Pode ser obtida a partir de matéria-prima abundante (água) e sem efeitos poluidores (como o monóxido de carbono, resultante da queima de combustíveis, ou a radiação). Deutério - O combustível para a fusão, o deutério, é um isótopo de hidrogênio abundante na água. Na fusão nuclear, uma única gota de deutério (obtida a partir de 4 litros de água comum) produziria energia equivalente à queima de 1.200 litros de petróleo. Teoria do Campo Unificado - Neste campo, as teorias sobre a evolução do Universo a partir do seu momento inicial, o Big Bang (Grande Explosão), se encontra com as teorias das partículas elementares. A hipótese aceita hoje em dia é que, logo após o Big Bag, teria se formado uma espécie de “sopa” superquente de partículas básicas das quais se constitui toda a matéria e que, ao se resfriarem, teriam dado origem à matéria em seu estado atual. O grande desafio é estabelecer uma teoria do campo unificado que descreva a ação das forças fundamentais (gravitacionais, eletromagnéticas e nucleares) num único conjunto de equações ou a partir de um princípio geral, que seria a “força” presente no início dos tempos. Questões 01) Até a divulgação dos trabalhos de Galileu Galilei (1564-1642), a Ciência era dominada pelas idéias do filósofo grego Aristóteles (384 - 322 a.C.), que achava que se devia entender a realidade apenas pelo raciocínio, baseado em princípios evidentes por si mesmos. Aristóteles afirmava que os corpos mais pesados deviam cair antes dos menos pesados, ou seja, cada elemento da natureza deveria ocupar a posição a qual tinha direito: primeiro a terra, depois a água, depois o ar e, finalmente, o fogo. Analise as sentenças a seguir: I. Uma das grandes diferenças entre o pensamento aristotélico e o galiláico é que enquanto Aristóteles pregava o movimento absoluto, gerado sempre por uma única fonte, Galileu pregava o relativismo, ou seja, o fato de ser possível ocorrer uma composição de movimentos. II. Galileu é considerado como sendo o introdutor dos métodos experimentais no estudo da Ciência, tendo se utilizado de experiências em suas pesquisas científicas. III. O pensamento aristotélico foi o principal recurso utilizado por Ptolomeu em seus trabalhos a cerca do heliocentrismo, ou seja, do fato de ser o Sol e não a Terra o centro do Universo. Está(ão) correta(s): (A). Apenas a alternativa I. (B) Apenas a alternativa II. (C). Apenas a alternativa III. (D). Apenas as alternativas II e III. (E) Apenas as alternativas I e II. 02) Analise as sentenças a seguir. I . O século XVI foi marcado pela revolução científica no estudo da Física. No início deste século, o polonês Nicolau Copérnico postulou o heliocentrismo do Sistema Solar, em oposição às ideias geocêntricas de Atistóteles e Ptolomeu. II . Os trabalhos de Copérnico, Kepler e Galileu, no século XVI, foram fundamentais para que no século seguinte Newton equacionasse a gravitação universal e o movimento dos corpos celestes, bem como as leis dos movimentos dos corpos terrestres. III. Os trabalhos de Einstein, publicados a partir de 1905, vieram comprovar definitivamente todas as ideias newtonianas. Está(ão) correta(s): 9 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS Professor Classe I - Física (A). Apenas a sentença I. (B) Apenas a sentença II. (C) Apenas a sentença II. (D) Apenas as sentenças I e II. (E) Apenas as sentenças II e III. 03) “Galileu inaugurou uma nova era na Ciência, ao colocar como juízes supremos a observação e a experiência. Os gregos foram grandes matemáticos e filósofos, porém não se destacaram na Física justamente porque a Física é uma ciência baseada na observação e na experiência. Os gregos eram excelentes raciocinadores e acreditavam que tudo podia ser resolvido pensando e discutindo. Galileu, ao contrário, admitia a importância do raciocínio, mas deixava que a experiência desse o veredicto. Com ele se inicia a época da Ciência moderna”. (Física 1, Maiztegui & Sabato, editora Globo, Porto Alegre, 1973). Assim, some os valores que correspondem às sentenças corretas. 01.Um dos aspectos que diferencia a física aristotélica da galilaica é que, enquanto Aristóteles pregava o movimento sendo absoluto, Galileu era partidário do movimento relativo. 02. Aristóteles era geocentrista, ou seja, para ele a Terra era o centro do Universo; Galileu era heliocentrista, achava que era o Sol o centro do Universo. 04. Tanto Aristóteles quanto Galileu eram partidários de que qualquer fenômeno físico só poderia ser considerado uma regra geral se comprovado experimentalmente. 08. Segundo Aristóteles, a trajetória do movimento de um corpo depende do referencial escolhido. 16. Segundo Galileu, qualquer lei física baseia-se no raciocínio e na experimentação. 04) A proposta de Planck dos quanta de energia (fótons quando descritos por Einstein) serviram para corroborar uma ideia da época. Que ideia é essa? (A)A Lei de Lavoisier, que dizia que na natureza nada podia ser perdido, apenas transformado. O que condiz com a ideia dos fótons, uma vez que a energia seria transformada em quantas. (B)Modelo atômico de Rutherford-Bohr, uma vez que os quantas seriam quantidades de energia liberada pelo elétron ao passar de uma camada para outra em um átomo. (C)A ideia de que a energia térmica em movimento (calor) é sempre transmitida de um corpo mais quente para um mais frio, pois esse tem mais fótons para ceder ao outro. (D)O modelo heliocêntrico do sistema solar, uma vez que os quantas de energia geravam um campo gravitacional, e a energia necessária para gerar uma gravidade tal que os planetas fossem segurados como no sistema solar, só poderia vir de uma fonte como o Sol. (E)As equações do eletromagnetismo, uma vez que os fótons eram os responsáveis por colocar os elétrons em movimento ordenado, ou seja, gerar uma corrente. 05) O Gato de Schrodinger é um experimento teórico dentro da mecânica quântica, proposto pelo físico alemão Erwin Schrodinger, em que um gato é trancado dentro de uma caixa com uma ampola de veneno programada pra abrir aleatoriamente em qualquer instante de tempo, ou mesmo não abrir. Enquanto a caixa está fechada podemos dizer que o gato se encontra vivo e morto ao mesmo tempo, encontrando-se em um estado quântico característico de algumas partículas. Como se chama este estado quântico? (A)Emaranhamento quântico. (B)Sobreposição quântica. (C)Princípio da Incerteza de Heisenberg. (D)Estado de observado, referente ao princípio do observador. (E)Nenhuma opção acima é referente ao estado do gato. 06) Qual dos elementos a seguir não é uma grandeza recorrente na Teoria da Relatividade, fundamentada por Albert Einstein no início do século XX? (A)Espaço. (B)Tempo. (C)Massa. (D)Velocidade. (E)Todas são fundamentais na teoria de Einstein. Respostas 01. Resposta: E 02. : Resposta: D 03. Resposta: 19(01+02+16) 04. Resposta: B Segundo esse modelo, os elétrons orbitam o núcleo em níveis de energia específicas, tendo cada uma uma quantidade exata de energia. Quando o elétron passa de uma camada mais energética para uma menos, ele libera sempre uma diferença inteira de energia. 05. Resposta: B A Sobreposição Quântica é o efeito em que algumas partículas podem se encontrar. Nesse princípio, uma mes- ma partícula pode existir em dois estados distintos, como rotacionar no sentido horário e anti-horário, ao mesmo tempo, tal como o gato vivo e morto. 06. Resposta: E A Teoria da Relatividade explica a relação existente en- tre massa e velocidade, e como essas grandezas podem interagir com o tecido espaço-tempo no nosso universo. 10 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS Professor Classe I - Física MECÂNICA E CINEMÁTICA: MOMENTO LINEAR; CENTRO DE MASSA; LEIS DE NEWTON; GRAVITAÇÃO UNIVERSAL; LEIS DE KEPLER; TRABALHO; ENERGIA E POTÊNCIA; TORQUE E MOMENTO ANGULAR; PRINCÍPIOS DE CONSERVAÇÃO; MOVIMENTO DO CORPO RÍGIDO; FLUIDOS. Sistema Mecânico Diz-se que um sistema está mecanicamente isolado quando o somatório das forças externas é nulo. Consideremos um casal patinando sobre uma pista de gelo, desprezando os efeitos do ar e as forças de atrito entre a pista e as botas que eles estão usando. Veja que na vertical, a força peso é equilibrada com a normal, ou seja, P = N, tanto no homem quanto na mulher, e neste eixo as forças se cancelam. Mesmo que o casal resolva empurrar um ao outro (a terceira lei de Newton garante que o empurrão é sempre mútuo), não haverá força externa resultante uma vez que a força externa expressa a interação de um ente pertencente ao sistema com outro externo ao sistema: apesar de haver força resultante tanto no homem como sobre a mulher, ambos estão dentro do sistema em questão, e estas forças são forças internas ao mesmo. Na ausência de forças externas há conservação do momento linear do sistema. A conservação do momento linear permite calcular a razão entre a velocidade do homem e a velocidade da mulher após o empurrão, conhecidas as suas massas e velocidades iniciais: Como o momento total deve ser conservado, a variação da velocidade do homem é VH = − MM / MHVM, onde VM é a variação da velocidade da mulher. A variação da quantidade de movimento é chamada Impulso. Fórmula: I = ΔP = Pf − Po I = Impulso, a unidade usada é N.s (Newton vezes segundo) Lei da Variação do Momento Linear (ou da Variação da Quantidade de Movimento) O impulso de uma força constante que atua num corpo durante um intervalo de tempo é igual à variação do momento linear desse corpo, nesse intervalo de tempo, ou seja, Princípio da Conservação do Momento Linear Quando dois ou mais corpos interagem, o momento linear desse sistema (conjunto dos corpos) permanece constante: Quantidade de Movimento Se observarmos uma partida de bilhar, veremos que uma bolinha transfere seu movimento totalmente ou parcialmente para outra. A grandeza física que torna possível estudar estas transferências de movimento é a quantidade de movimento linear , também conhecido como quantidade de movimento ou momentum linear. A quantidade de movimento relaciona a massa de um corpo com sua velocidade: Como características da quantidade de movimento temos: • Módulo: • Direção: a mesma da velocidade. • Sentido: a mesma da velocidade. • Unidade no SI: kg.m/s. Exemplo: Qual a quantidade de movimento de um corpo de massa 2kg a uma velocidade de 1m/s? Teorema do Impulso Considerando a 2ª Lei de Newton: E utilizando-a no intervalo do tempo de interação: mas sabemos que: , logo: Como vimos: então: 11 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS Professor Classe I - Física “O impulso de uma força, devido à sua aplicação em certo intervalo de tempo, é igual a variação da quantidade de movimento do corpo ocorrida neste mesmo intervalo de tempo.” Exemplo: Quanto tempo deve agir uma força de intensidade 100N sobre um corpo de massa igual a 20kg, para que sua velocidade passe de 5m/s para 15m/s? Conservação da Quantidade de Movimento Assim como a energia mecânica, a quantidade de movimento também é mantida quando não há forças dissipativas, ou seja, o sistema é conservativo, fechado ou mecanicamente isolado. Um sistema é conservativo se: Então, se o sistema é conservativo temos: Como a massa de um corpo, ou mesmo de um sistema, dificilmente varia, o que sofre alteração é a velocidade deles. Exemplo: Um corpo de massa 4kg, se desloca com velocidade constante igual a 10m/s. Um outro corpo de massa 5kg é lançado com velocidade constante de 20m/s em direção ao outro bloco. Quando os dois se chocarem ficarão presos por um velcro colocado em suas extremidades. Qual será a velocidade que os corpos unidos terão? 12 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS Professor Classe I - Física Colisões Numa superfície plana e horizontal, dois corpos movendo-se com determinada velocidade sofrem uma colisão frontal e central. Nessa colisão, o sistema é considerado mecanicamente isolado tendo em vista que a quantidade de movimento do sistema mantém-se constante. No nosso exemplo, depois do choque, o corpo 2 é impulsionado e tem suavelocidade elevada. Já o corpo 1 pode seguir no mesmo sentido que tinha antes do choque, porém com menor velocidade, parar ou retornar, ou seja, inverter o sentido do seu movimento. Para trabalhar a teoria, consideremos uma das situações, ou seja, aquela em que o corpo 1 segue no mesmo sentido que possuía antes do choque. Para o sistema formado pelos dois corpos: Qantes = Qdepois m1 · v1 + m2 · v2 = m1 · v’1 + m2 · v’2 Para colisões mecânicas unidirecionais (numa única direção), devemos adotar um sentido de orientação para o movimento e usar os sinais v > 0 para velocidade a favor da orientação e v < 0 para velocidade contrária à orientação. Na equação acima, geralmente não são conhecidas as velocidades v’1 e v’2‘. Portanto, temos uma equação com duas incógnitas Colisões Elásticas e Inelásticas Chamamos uma colisão de elástica se ela conserva energia cinética. Na prática é muito difícil ter uma colisão completamente elástica. Por exemplo, quando duas bolas de bilhar colidem ouve-se o som da batida e haverá um diminuto aumento da temperatura das bolas. Isso significa que parte da energia cinética se transformou, de maneira irreversível, em energia sonora e energia térmica. Como, porém, essa perda é muito pequena, da ordem de 3% ou 4%, podemos, para todos os efeitos, desprezá-la e considerar a colisão elástica. Quando não há conservação da energia cinética, a colisão é dita inelástica. Até hoje, a Física não precisou abrir mão do Princípio de Conservação de Energia: num sistema isolado a sua Energia Total (mecânica, térmica, sonora, eletromagnética, etc) se conserva. 13 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS Professor Classe I - Física De maneira mais elegante; uma colisão é um evento isolado no qual dois ou mais corpos (os corpos que colidem) exercem uns sobre os outros forças relativamente elevadas por um tempo relativamente curto [1]. Figura 1: Representação de uma colisão Imagine uma partida de sinuca na qual uma bola é atirada contra outras bolas gerando colisões. Nessas colisões po- dem ocorrer diversas situações, como, por exemplo, uma bola para e outra segue em movimento, uma bola segue atrás da outra, uma bola segue adiante e outra volta. Vamos agora analisar as colisões entre dois corpos, mas vamos dar maior atenção às colisões que ocorrem numa única direção, ou seja, unidirecionais. Momento e Energia Cinética em Colisões (elásticas) • Em uma colisão elástica o momento total do sistema é conservado de tal forma que tendo um sistema fechado e isolado de forças externas, podemos admitir que em todo o percurso o momento total sempre será o mesmo. Neste caso o projétil retorna com a mesma velocidade que estava antes do choque. E não tendo outra força dissipativa envolvida, ne- nhuma energia é perdida e a energia cinética também se conserva. • Em colisões perfeitamente elásticas temos que: 14 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS Professor Classe I - Física Já em colisões inelásticas o momento total é conser- vado, porem parte da energia do sistema é dissipada, de forma que parte da energia cinética sempre é transformada em outra forma de energia tal como térmica, sonora, etc. • Quando parte da energia cinética do projétil é perdi- da na colisão e os corpos ficam unidos com a mesma ve- locidade chamamos de colisões perfeitamente inelásticas. Colisões unidirecionais frontais Consideremos uma colisão central e frontal de dois corpos, A e B, com movimentos na direção horizontal e apoiados numa superfície plana e horizontal. Antes do choque: Depois do choque: Durante uma colisão de dois corpos, as forças exter- nas são desprezadas se comparadas às internas, portanto, o sistema pode ser sempre considerado mecanicamente isolado: Obs.: As velocidades devem ser colocadas na equação dada com seus respectivos sinais. No nosso exemplo, se a orientação da trajetória for para a direita, temos VA > 0, VB < 0, V’A > 0 e V’B > 0. Coeficiente de restituição Antes do choque (colisão), os corpos A e B se aproxi- mam com velocidade Vap (velocidade de aproximação). Vap = VA - VB Após o choque, os corpos A e B se afastam com velo- cidade Vaf (velocidade de afastamento). Vaf = V’B – V’A O coeficiente de restituição (e) de um choque é defini- do pela razão entre as velocidades de afastamento e velo- cidade de aproximação. Tipos de choque No choque entre dois corpos podem ocorrer perdas de energia em virtude do aquecimento, da deformação e do som provocados pelo impacto, porém, jamais haverá ga- nho de energia. 15 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS Professor Classe I - Física Portanto, o módulo da velocidade de afastamento deve ser menor ou, no máximo, igual ao módulo da velocidade de aproximação. Como a velocidade de afastamento (Vaf) apresenta módulo menor ou igual ao módulo da velocidade de aproximação (Vap), a razão entre elas determina um coeficiente de restituição compreendido entre zero e um. Choque inelástico É o tipo de choque que ocorre quando, após a colisão, os corpos seguem juntos (com a mesma velocidade). Choque parcialmente elástico É o tipo de choque que ocorre quando, após a colisão, os corpos seguem separados (velocidade diferentes), tendo o sistema uma perda de energia cinética. Choque perfeitamente elástico É o tipo de choque que ocorre quando, após a colisão, os corpos seguem separados (velocidade diferentes) e o sistema não perde energia cinética Numa colisão perfeitamente elástica de dois corpos de mesma massa, as velocidades sofrem permutação, ou seja, a velocidade final do corpo 1 é igual à velocidade inicial do corpo 2 e a velocidade final do corpo 2 é igual à inicial do corpo 1 Ponto Material ou Partícula: é uma abstração feita para representar qualquer objeto que em virtude do fenômeno tem dimensões desprezíveis, ou seja, dimensões tais que não afetam o estudo do fenômeno. Por exemplo, no estudo dos movimentos da Terra, dada a distância que separa este corpo dos demais, suas dimensões são desprezíveis e ela pode ser considerada um ponto material, porém caso algum outro corpo se aproximasse da Terra, seria preciso abandonar esta aproximação e considerar o tamanho da Terra e sua estrutura. Corpo Extenso: quando o fenômeno estudado não puder prescindir das dimensões do objeto, este será encarado como um corpo extenso. Móvel: é um ponto que em relação a um referencial, muda de posição com o passar do tempo. Exemplo: Um ônibus andando numa rodovia. Você está viajando nele. Em relação ao ônibus, você está em repouso, porém, se levarmos em conta um poste na estrada, você está em movimento, ou seja, você é um móvel. O próprio poste passa a ser um móvel quando você é o referencial. 16 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS Professor Classe I - Física Referencial: é o local onde um observador fixa um sistema de referência para, a partir do qual, estudar o movimento ou o repouso de objetos. É impossível afirmarmos se um ponto material está em movimento ou em repouso sem antes adotarmos outro corpo qualquer como referencial. Dessa forma, um ponto material estará em movimento em relação a um dado referencial se sua posição em relação a ele for variável. Da mesma forma, se o ponto material permanecer com sua posição inalterada em relação a um determinado referencial, então estará em repouso em relação a ele. Tomemos como exemplo o caso de um elevador. Se você entrar em um elevador no andar térreo de um edifício e subir até o décimo andar, durante o tempo em que o elevador se deslocar você estará em movimento em relação ao edifício, e ao mesmo tempo o seu corpo estará em repouso em relação ao elevador, pois entre o térreo e décimo andar sua posição será a mesma em relação a ele. Movimento: quando um objeto se move de um lugar para o outro. Um corpo está em movimento quando muda de posição em relação a um referencial ao longo do tempo. Repouso: quando o corpo ou objeto não se move do lugar, ou seja, ele fica imóvel, ou seja, se, durante certo intervalo de tempo, o corpo mantém sua posição constante em relação a um referencial, dizemosque ele se encontra em repouso. Fonte: fisicaevestibular.com.br Perceba que nesse caso citado, a questão estar ou não em movimento depende do referencial adotado. Um caso que é muito comum e sempre utilizado para exemplificar o movimento e o repouso, é o ônibus. Fonte: http://fisicapaidegua.com/ Para a senhora no ônibus, o passageiro da frente está em repouso, e para o homem sentado na moita, o passageiro está em movimento. Um ponto material está em repouso em relação a certo referencial se a sua posição não variar no decorrer do tempo em relação a esse referencial. 17 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS Professor Classe I - Física Trajetória: é o caminho determinado por uma sucessão de pontos, por onde o móvel passa em relação a certo referencial. Os rastros na neve deixados por um esquiador mostram o caminho percorrido por ele durante a descida de uma montanha. Se considerarmos o esquiador como sendo um ponto material, podemos dizer que a curva traçada na neve unindo suas sucessivas posições em relação a um dado referencial, recebe o nome de trajetória. O trilho de um trem é um exemplo claro de trajetória. A bola chutada por um jogador de futebol ao bater uma falta pode seguir trajetórias diferentes, dependendo da maneira que é chutada, às vezes indo reta no meio do gol, outras vezes sendo colocadinha no ângulo através de uma curva. Repare que a trajetória de um ponto material também depende de um referencial. Isso quer dizer que um ponto material pode traçar uma trajetória reta e outra curva ao mesmo tempo? Sim. Veja o caso de uma bomba sendo lançada de um avião. Para quem estiver no chão, olhando de longe, a trajetória da bomba será um arco de parábola. Já para quem estiver dentro do avião, a trajetória será uma reta, isso porque o avião segue acompanhando a caixa. Espaço: é a distância, medida ao longo da trajetória, do ponto onde se encontra o móvel até a origem (O), acrescido de um sinal de acordo com a orientação da trajetória. Função Horária do Espaço: Durante o movimento de um ponto material, a sua posição varia com o decorrer do tempo. A maneira como a posição varia com o tempo é a lei do movimento ou função horária. s = f(t) Sentido de Tráfego: quando o móvel caminha sentido da orientação da trajetória, seus espaços (s) são crescentes no decorrer do tempo. Denominamos este sentido de tráfego progressivo. Quando o móvel retrocede, caminhando contra a orientação da trajetória, seus espaços (s) são decrescentes. Este sentido de tráfego é classificado como retrógrado. Deslocamento Escalar: a grandeza física que indica, entre dois instantes, a variação de espaço do móvel é denominada deslocamento escalar (). A figura abaixo apresenta os espaços ocupados por um móvel numa trajetória em dois instantes diferentes. Pela figura anterior, temos que, no instante t1 = 3s, o móvel encontra-se na posição s1 = 4m, e, no instante t2 = 6s, sua posição é s2 = 9m. Podemos afirmar que, entre os instantes 3s e 6s, o espaço do móvel variou de 5m, ou seja, de 4 para 9m. Essa variação de espaço recebe o nome de deslocamento escalar (). Quando o movimento for progressivo, o deslocamento escalar será positivo (). Quando retrógrado, será negativo (). 18 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS Professor Classe I - Física Distância Percorrida (d): é a grandeza que nos informa quanto o móvel efetivamente percorreu entre dois instantes. Quando o sentido de tráfego do móvel se mantém, seja progressivo ou retrógrado, a distância percorrido coincide com o módulo do deslocamento escalar ocorrido. Na figura a seguir, considerando-se o movimento como progressivo, a distância percorrida entre os instantes t1 e t2 foi de 5m. Ou seja: d = || = |5m| = 5m. Caso o sentido de tráfego entre t1 e t2 fosse retrógrado, como ilustra a figura abaixo, o deslocamento escalar seria de -5m e a distância percorrida: d = || = |-5m| = 5m. Distância é o total percorrido, independente se volta Deslocamento é a posição final –inicial Velocidade Escalar Velocidade Escalar Média Sabendo-se o deslocamento de um móvel, de um ponto s0 até um ponto s, por exemplo, podemos medir o quão rápido foi este deslocamento, assim a “rapidez” deste deslocamento é definida como velocidade escalar média (ou apenas velocidade média). , como t0 é quase sempre zero temos: . Sistema de unidades: No Sistema Internacional (SI), a unidade de velocidade é metro por segundo (m/s). É também muito comum o emprego da unidade quilômetro por hora (km/h). Pode- se demonstrar que 1m/s é equivalente a 3,6 km/h. Assim temos: Velocidade Escalar Instantânea É considerada um limite da velocidade escalar média, quando o intervalo de tempo for zero. A velocidade escalar instantânea é totalmente derivada do espaço, em relação ao tempo. Essa “derivação” pode ser representada pela equação: Existem também funções polinomiais, como por exemplo: s = atn + bt + c, e para essas funções temos: Vejamos alguns exemplos: a) s = 8,0(km) + 3,0t(h) → b) s = 3,0 - 2,0t + 1,0t2 (CGS) → c) s = 3,0t3 - 2,0 (SI) → É chamado de velocidade escalar inicial (v0), quando a velocidade escalar instantânea no instante t é igual a 0. Vejamos um exemplo: - para t=0: v0 = -2,0 + 2,0 (cm/s) sua v0 = -2,0 cm/s. A velocidade escalar instantânea possui um sinal que define o sentido do movimento ao longo da trajetória. Vejamos os exemplos: - se V > 0 → o corpo vai no sentido positivo da trajetória - se V < 0 → o corpo vai na direção negativa da trajetória. A velocidade escalar tende a zero, se caso o sentido do movimento estiver em ponto de inversão. 19 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS Professor Classe I - Física Movimento Uniforme Quando um móvel se desloca com uma velocidade constante, diz-se que este móvel está em um movimento uniforme (MU). Particularmente, no caso em que ele se desloca com uma velocidade constante em trajetória reta, tem-se um movimento retilíneo uniforme. Uma observação importante é que, ao se deslocar com uma velocidade constante, a velocidade instantânea deste corpo será igual à velocidade média, pois não haverá variação na velocidade em nenhum momento do percurso. A equação horária do espaço pode ser demonstrada a partir da fórmula de velocidade média. Isolando o , teremos: Mas sabemos que: Então: Por exemplo: Um tiro é disparado contra um alvo preso a uma grande parede capaz de refletir o som. O eco do disparo é ouvido 2,5 segundos depois do momento do golpe. Considerando a velocidade do som 340m/s, qual deve ser a distância entre o atirador e a parede? = 2,5s vm = 340m/s Aplicando a equação horária do espaço, teremos: , mas o eco só será ouvido quando o som “ir e voltar” da parede. Então É importante não confundir o “s” que simboliza o deslocamento do s que significa segundo. Por convenção, definimos que, quando um corpo se desloca em um sentido que coincide com a orientação da trajetória, ou seja, para frente, então ele terá uma v > 0 e um > 0 e este movimento será chamado movimento progressivo. Analogamente, quando o sentido do movimento for contrário ao sentido de orientação da trajetória, ou seja, para trás, então ele terá uma v < 0 e um < 0, e ao movimento será dado o nome de movimento retrógrado. Diagrama s x t Existem diversas maneiras de se representar o deslocamento em função do tempo. Uma delas é por meio de gráficos, chamados diagramas deslocamento versus tempo (s x t). No exemplo a seguir, temos um diagrama que mostra um movimento retrógrado: Analisando o gráfico, é possível extrair dados que deverão ajudar na resolução dos problemas: S 50m 20m -10m T 0s 1s 2s Sabemos então que a posição inicial será a posição s0 = 50m quando o tempo for igual a zero. Também sabemos que a posição final s = -10m se dará quando t=2s. A partir daí, fica fácil utilizar a equação horária do espaço e encontrar a velocidade do corpo: -10m = 50m + v (2s – 0s) -10m – 50m = (2s) v -60m = (2s) v 30m/s = v A velocidade será numericamente igual à tangentedo ângulo formado em relação à reta onde está situada, desde que a trajetória seja retilínea uniforme. 20 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS Professor Classe I - Física Diagrama v x t Em um movimento uniforme, a velocidade se mantém igual no decorrer do tempo. Portanto seu gráfico é expresso por uma reta: Dado este diagrama, uma forma de determinar o deslocamento do móvel é calcular a área sob a reta compreendida no intervalo de tempo considerado. Velocidade Relativa É a velocidade de um móvel relativa a outro. Por exemplo: Considere dois trens andando com velocidades uniformes e que v1 ≠ v2. A velocidade relativa será dada se considerarmos que um dos trens (trem 1) está parado e o outro (trem 2) está se deslocando. Ou seja, seu módulo será dado por v1 - v2. Generalizando, podemos dizer que a velocidade relativa é a velocidade de um móvel em relação a outro móvel referencial. Consideremos duas partículas A e B movendo-se em uma mesma trajetória e com velocidades escalares vA e vB, em duas situações distintas: movendo-se no mesmo sentido e em sentidos opostos. A velocidade escalar que uma das partículas possui em relação à outra (tomada como referência) é chamada de velocidade relativa (vREL) e o seu módulo é calculado como relataremos a seguir. I. Móveis em Sentidos Opostos vREL = |vA| + |vB| II. Móveis no Mesmo Sentido vREL = |vA| - |vB| Ao estabelecermos um movimento relativo entre móveis, um deles é tomado como referência e, portanto, permanece parado em relação a si mesmo, enquanto o outro se aproxima ou se afasta dele com certa velocidade relativa. Observe isto no esquema abaixo. Movimento Relativo Uniforme Se dois móveis, ao longo da mesma trajetória, mantiverem constantes suas velocidades escalares, logo um em relação ao outro executará um movimento relativo uniforme, aproximando-se ou afastando-se um do outro com velocidade relativa de módulo constante. Desta forma, podemos estabelecer a seguinte expressão para este MU: Os processos de encontro ou ultrapassagens de móveis são analisados normalmente através de movimento relativo. Suponha, por exemplo, duas partículas trafegando na mesma trajetória com velocidades escalares constantes, vA e vB, e separadas inicialmente por uma certa distância D0, como indica a figura a seguir. Como os movimentos têm sentidos opostos, a velocidade relativa é dada em módulo por: vREL = |vA| + |vB| Tomando-se um dos corpos como referência, o outro irá até o encontro percorrer um deslocamento relativo de módulo D0. O intervalo de tempo () gasto até o encontro será calculado assim: Aceleração Escalar Ao observarmos os eventos que ocorrem no dia a dia notamos que é quase impossível que um automóvel se mantenha com uma velocidade constante e mesmo para realizar as tarefas cotidianas sempre se muda a velocidade ou constância que se realiza uma atividade. Exemplos: Um automóvel freia diante de uma colisão iminente. - Apertamos o passo para chegar a tempo ao trabalho. 21 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS Professor Classe I - Física Em situações deste tipo é necessário medir quão rápido foi esta mudança de velocidade, assim representa-se esta mudança por a. - Um corpo sob uma trajetória orientada: - Este corpo muda sua velocidade ao longo de um determinado tempo (t1), percorrido uma distância s. - Sua mudança de velocidade ocorre sempre em intervalos de tempo iguais. Assim é definida a aceleração do corpo como sendo: Considerando-se que intervalos de tempo são sempre positivos temos: v > v0 → a > 0 → movimento acelerado. v < v0 → a < 0 → movimento retardado. Nota-se que para o (SI) de medidas a unidade de aceleração será dada por Aceleração Escalar Instantânea De modo análogo à velocidade escalar instantânea, podemos obter a aceleração escalar instantânea, partindo da expressão que nos fornece a aceleração escalar média (), fazendo ∆t tender a zero. Com este procedimento, a aceleração escalar média tende para um valor denominado de aceleração escalar instantânea: Em termos práticos, vamos determinar a aceleração instantânea da seguinte forma: A aceleração escalar instantânea representa a aceleração do móvel num determinado instante (t) e, mais precisamente, seu cálculo é feito através do processo de derivação, análogo ao ocorrido com a velocidade escalar instantânea. A aceleração escalar instantânea de um móvel é obtida através da derivada da função horária de sua velocidade escalar. Simbolicamente, isto é expresso assim: Classificação Sabemos que o velocímetro de um veículo indica o módulo de sua velocidade escalar instantânea. Quando as suas indicações são crescentes, está ocorrendo um movimento variado do tipo acelerado. Quando o velocímetro indica valores decrescentes, o movimento é classificado como retardado. De modo geral, podemos detalhar esses casos assim: a) O móvel se movimenta com uma velocidade escalar instantânea, cujo módulo aumenta em função do tempo. O movimento é denominado acelerado. 22 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS Professor Classe I - Física Para que isto ocorra, a aceleração escalar instantânea deve ser no mesmo sentido da velocidade escalar instantânea, ou seja, v e a possuem o mesmo sinal. b) O móvel se movimenta com velocidade escalar instantânea cujo módulo diminui em função do tempo. O movimento é denominado retardado. Para que isto ocorra, a aceleração escalar instantânea deve ser no sentido oposto ao da velocidade escalar instantânea, ou seja, v e a possuem sinais opostos. c) O móvel se movimenta com velocidade escalar instantânea constante em função do tempo. O movimento é denominado uniforme. Para que isto ocorra, a aceleração escalar instantânea deve ser nula (a = 0). Tanto o movimento acelerado quanto o retardado podem apresentar uma aceleração escalar instantânea constante. Neste caso, o movimento recebe a denominação de uniformemente acelerado ou retardado. As fórmulas utilizadas para o movimento uniformemente variado são: - Conhecida como sorvetão - Torricelli - Vovô ateu Aceleração Vetorial Componentes da aceleração vetorial Aceleração tangencial (at) – é o componente da aceleração vetorial na direção do vetor velocidade e indica a variação do módulo deste. Possui módulo igual ao da aceleração escalar: Módulo de at: O módulo da aceleração tangencial é totalmente igual ao valor absoluto da aceleração. Direção de at: A direção da aceleração tangencial é paralela à velocidade vetorial, isto é, tangente à trajetória. Sentido de at: o sentido irá depender do movimento, vejamos: Se o movimento for acelerado, consequentemente o módulo da sua velocidade irá aumentar e sua aceleração tangencial irá ter o mesmo sentido da velocidade vetorial. Vejamos: 23 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS Professor Classe I - Física Se o movimento for retardado, consequentemente o módulo da velocidade irá diminuir e sua aceleração tangencial irá ter o sentido oposto ao da velocidade vetorial. Vejamos: Notação de at: é quando a grandeza vetorial é representada matematicamente. Vejamos: → Efeito at Podemos dizer que a aceleração escalar y, tem uma relação direta com a variação da velocidade escalar V, do módulo da velocidade vetorial V. Propriedades: - Quando falamos de movimento uniforme, podemos dizer que a velocidade vetorial apresenta um módulo constante, e por isso sua aceleração tangencial é sempre nula, independente da sua trajetória. - Quando falamos de movimento não uniforme, podemos dizer que a velocidade vetorial apresenta um módulo variável, e por isso sua aceleração tangencial não será sempre nula. - Sempre que um corpo ou um objeto estiver em repouso, sua aceleração tangencial será nula. - No instante em que y = 0, a aceleração tangencial será nula, independente de o móvel estar em repouso ou em movimento. Estudo da aceleração centrípeta Aceleração centrípeta ou normal (c) – é o componente da aceleração vetorial na direção do raio de curvatura (R) e indica a variaçãoda direção do vetor velocidade. Tem sentido apontando para o centro da trajetória (por isso, centrípeta) e módulo dado por: Sendo que, V é a velocidade escalar e R é o raio de curvatura da trajetória. Importante: nos movimentos retilíneos, c é nula porque o móvel não muda de direção nesses movimentos. Direção de acp: A direção da aceleração centrípeta é considerada normal em relação à tangente à trajetória, ou seja, ela é igual a velocidade vetorial. Vejamos: Sentido de acp: O sentido da aceleração centrípeta sempre será voltado para o centro da circunferência, osculadora à trajetória, ou seja, direcionado para uma região convexa limitada pela curva. Notação de acp: A função que podemos usar para representarmos a notação da aceleração centrípeta é: Efeito de acp: Quando falamos de trajetória retilínea, podemos considerar R ⇒ ∞ e acp= 0. Já quando falamos que a trajetória é curva, podemos dizer que a velocidade vetorial varia em direção e sua aceleração centrípeta nem sempre difere de zero. Notas: - Quando falamos de movimentos retilíneos, podemos dizer que a velocidade vetorial apresenta uma direção constante, e com isso, sua aceleração centrípeta se torna constantemente nula. - Sempre que o móvel estiver em repouso, sua aceleração centrípeta, será nula. Vetor deslocamento ou deslocamento vetorial entre dois instantes O deslocamento vetorial pode ser representado por d, esse deslocamento é definido entre dois instantes t1 e t2, sendo o vetor P1 e P2, o vetor de origem P1 e extremidade P2. Vejamos: Com isso, o deslocamento vetorial é definido como a diferença entre os vetores posição. 24 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS Professor Classe I - Física Relação entre os módulos do e da variação de espaço (deslocamento escalar) Pensando em uma trajetória arbitrária L, não retilínea e entre as posições P1 e P2, teremos: Notas: - Todo deslocamento escalar é dependente da forma da trajetória; - Todo deslocamento vetorial é independente da forma da trajetória; - Toda variação de espaço ou deslocamento escalar, é medido no percurso da trajetória, e com isso, ele irá depender da forma da trajetória; - Como o deslocamento vetorial não depende da forma da trajetória, ele irá servir somente para a posição inicial de P1 e para a posição final de P2. Velocidade Vetorial Média (Vm) A velocidade vetorial média é considerada a razão entre o deslocamento vetorial d e o tempo gasto no intervalo de tempo delta t deste deslocamento. Quando falamos em módulo de Vm, temos: Orientação da Vm 25 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS Professor Classe I - Física Queda Livre Quando perto da superfície da terra, ocorre a queda de corpos (pedra, por exemplo) de certas alturas, onde a um crescimento de sua velocidade, caracterizando um movimento acelerado. Porém quando o mesmo objeto ou corpo é lançado para cima a sua velocidade decresce gradualmente até se anular e consequentemente voltar ao seu local de lançamento. Segundo Aristóteles, grande filósofo, que viveu aproximadamente 300 anos a.C., acreditava que abandonando corpos leves e pesados de uma mesma altura, seus tempos de queda não seriam iguais: os corpos mais pesados alcançariam o solo antes dos mais leves. Segundo Galileu, considerado como introdutor do método experimental chegou a seguinte conclusão: “abandonados de uma mesma altura, um corpo leve e um corpo pesado caem simultaneamente, atingindo o chão no mesmo instante”. Após essa afirmação Galileu passou a ser alvo de perseguição devido à descrença do povo e também por considerá-lo como revolucionário. O ar exerce efeito retardador na queda de qualquer objeto e que este efeito exerce maior influência sobre o movimento da Pedra. Porém se retirarmos o ar, observa-se que os dois objetos caem na mesma hora e no mesmo instante, conforme a figura representa, confirmando também as afirmações feitas por Galileu. Através desse fato concluímos também que as experiências de Galileu, só têm coerência se forem feitas para os corpos em queda livre no vácuo, e que o ar é desprezível para materiais mais pesados como algodão, pena ou uma folha de papel. Denomina-se então queda livre, para os corpos que não tem influência do ar, isto é, materiais pesados e lançados no vácuo. Aceleração da Gravidade – Podemos considerar a aceleração da gravidade como sendo o mesmo valor para todos os corpos que caem em queda livre, sendo representada pela letra g, sendo também considerada como um movimento uniformemente acelerado, devido a sua aceleração constante. Para se determinar o valor de g seguiram-se vários estudos chegando à conclusão de que o seu valor é de 9,8 m/s², sendo que se o objeto for lançado para baixo a aceleração da gravidade é considerada positiva (+ 9,8 m/s²), e quando o objeto for lançado para cima a aceleração da gravidade é negativa (- 9,8 m/s²). Movimento Vertical no Vácuo Podemos destacar dois tipos de movimentos verticais no vácuo: a queda livre e o lançamento na vertical. A queda livre é o abandono de um corpo, a partir do repouso, no vácuo desconsiderando-se a ação da resistência do ar; o lançamento na vertical diz respeito ao lançamento de um corpo para cima ou para baixo, o qual, diferente da queda livre, apresentará velocidade inicial. Os corpos envolvidos nos movimentos verticais estão sujeitos à aceleração da gravidade (g), suposta constante, cujo valor é: g = 9,80665 m/s2. Costuma-se adotar, para a realização de cálculos matemáticos, g = 10 m/s2. Como o valor da aceleração é considerado constante, a queda livre e o lançamento vertical são considerados movimentos retilíneos uniformemente variados (MRUV). Análise Matemática do Movimento Vertical Estudando as características do movimento vertical, podemos dizer que na queda livre o módulo da velocidade escalar aumenta no decorrer do movimento. Concluímos assim que o movimento, nesse caso, é acelerado. Entretanto, no lançamento para cima, o módulo da velocidade escalar diminui, de modo que o classificamos como retardado. Uma importante propriedade do lançamento vertical para cima é o fato de a velocidade do móvel ir decrescendo com o passar do tempo, tornando-se nula quando ele chega ao ponto mais alto da trajetória (altura máxima). Nesse instante, o móvel muda de sentido, passando a cair em movimento acelerado. Outras considerações que merecem atenção são os sinais da velocidade escalar e da aceleração escalar. Se a orientação da trajetória é para cima, a aceleração escalar é negativa durante todo o movimento (g < 0). Portanto, o que determina se o corpo sobe ou desce é o sinal da velocidade escalar, que na subida é positivo (v > 0) e na descida negativo (v < 0). Por outro lado, se a orientação da trajetória é para baixo, a aceleração é positiva, e o valor da velocidade é negativo na subida (v < 0) e positivo na descida (v > 0). 26 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS Professor Classe I - Física Observação: As definições sobre o movimento vertical são feitas desconsiderando a resistência do ar. Funções Horárias do Movimento Vertical Como os movimentos verticais são uniformemente variados, as funções horárias que os descrevem são iguais às do MUV. Vejamos no esquema abaixo: Lançamento Oblíquo O lançamento oblíquo é um exemplo típico de composição de dois movimentos. Galileu notou esta particularidade do movimento balístico. Esta verificação se traduz no princípio da simultaneidade: “Se um corpo apresenta um movimento composto, cada um dos movimentos componentes se realiza como se os demais não existissem e no mesmo intervalo de tempo”. Composição de Movimentos. O lançamento oblíquo estuda o movimento de corpos, lançados com velocidade inicial V0 da superfície da Terra. Na figura a seguir vemos um exemplo típico de lançamento obliquo realizado por um jogador de golfe. A trajetória é parabólica, como você pode notar na figura acima. Como a análise deste movimento não é fácil, é conveniente aplicarmos o princípio da simultaneidade de Galileu. Veremos que ao projetamos o corposimultaneamente no eixo x e y teremos dois movimentos: - Em relação a vertical, a projeção da bola executa um movimento de aceleração constante e de módulo igual a g. Trata- se de um M.U.V. (lançamento vertical). - Em relação a horizontal, a projeção da bola executa um M. U. 27 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS Professor Classe I - Física Lançamento Horizontal O lançamento balístico é um exemplo típico de composição de dois movimentos. Galileu notou esta particularidade do movimento balístico. Esta verificação se traduz no princípio da simultaneidade: “Se um corpo apresenta um movimento composto, cada um dos movimentos componentes se realiza como se os demais não existissem e no mesmo intervalo de tempo”. Composição de Movimentos O princípio da simultaneidade poderá ser verificado no Lançamento Horizontal. Um observador no solo, (o que corresponde a nossa posição diante da tela) ao notar a queda do corpo do helicóptero, verá a trajetória indicada na figura. A trajetória traçada pelo corpo, corresponde a um arco de parábola, que poderá ser decomposta em dois movimentos: -A projeção horizontal (x) do móvel descreve um Movimento Uniforme. O vetor velocidade no eixo x se mantém constante, sem alterar a direção, sentido e o módulo. -A projeção vertical (y) do móvel descreve um movimento uniformemente variado. O vetor velocidade no eixo y mantém a direção e o sentido porém o módulo aumenta a medida que se aproxima do solo. Movimentos circulares (uniforme e variado). Na Mecânica clássica, movimento circular é aquele em que o objeto ou ponto material se desloca numa trajetória circular. Uma força centrípeta muda de direção o vetor velocidade, sendo continuamente aplicada para o centro do círculo. Esta força é responsável pela chamada aceleração centrípeta, orientada para o centro da circunferência- trajetória. Pode haver ainda uma aceleração tangencial, que obviamente deve ser compensada por um incremento na intensidade da aceleração centrípeta a fim de que não deixe de ser circular a trajetória. O movimento circular classifica-se, de acordo com a ausência ou a presença de aceleração tangencial, em movimento circular uniforme (MCU) e movimento circular uniformemente variado (MCUV). Propriedades e Equações Movimento da Circunferência Uma vez que é preciso analisarmos propriedades angulares mais do que as lineares, no movimento circular são introduzidas propriedades angulares como o deslocamento angular, a velocidade angular e a aceleração angular e centrípeta. No caso do MCU existe ainda o período, que é propriedade também utilizada no estudo dos movimentos periódicos. O deslocamento angular (indicado por ) se define de modo similar ao deslocamento linear. Porém, ao invés de considerarmos um vetor deslocamento, consideramos um ângulo de deslocamento. Há um ângulo de referência, adotado de acordo como problema. O deslocamento angular não precisa se limitar a uma medida de circunferência ( ); para quantificar as outras propriedades do movimento circular, será preciso muitas vezes um dado sobre o deslocamento completo do móvel, independentemente de quantas vezes ele deu voltas em uma circunferência. Se for expresso em radianos, temos a relação , onde R é o raio da circunferência e s é o deslocamento linear. 28 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS Professor Classe I - Física Pegue-se a velocidade angular (indicada por ), por exemplo, que é a derivada do deslocamento angular pelo intervalo de tempo que dura esse deslocamento: A unidade é o radiano por segundo. Novamente há uma relação entre propriedades lineares e angulares: , onde é a velocidade linear. Por fim a aceleração angular (indicada por ), somente no MCUV, é definida como a derivada da velocidade angular pelo intervalo tempo em que a velocidade varia: A unidade é o radiano por segundo, ou radiano por segundo ao quadrado. A aceleração angular guarda relação somente com a aceleração tangencial e não com a aceleração centrípeta: , onde é a aceleração tangencial. Como fica evidente pelas conversões, esses valores angulares não são mais do que maneiras de se expressar as propriedades lineares de forma conveniente ao movimento circular. Uma vez quer a direção dos vectores deslocamento, velocidade e aceleração modifica-se a cada instante, é mais fácil trabalhar com ângulos. Tal não é o caso da aceleração centrípeta, que não encontra nenhum correspondente no movimento linear. Surge a necessidade de uma força que produza essa aceleração centrípeta, força que é chamada analogamente de força centrípeta, dirigida também ao centro da trajetória. A força centrípeta é aquela que mantém o objeto em movimento circular, provocando a constante mudança da direção do vector velocidade. A aceleração centrípeta é proporcional ao quadrado da velocidade angular e ao raio da trajetória: f A função horária de posição para movimentos circulares, e usando propriedades angulares, assume a forma: , onde é o deslocamento angular no início do movimento. É possível obter a velocidade angular a qualquer instante , no MCUV, a partir da fórmula: Para o MCU define-se período T como o intervalo de tempo gasto para que o móvel complete um deslocamento angular em volta de uma circunferência completa ( ). Também define-se frequência (indicada por f) como o número de vezes que essa volta é completada em determinado intervalo de tempo (geralmente 1 segundo, o que leva a definir a unidade de frequência como ciclos por segundo ou hertz). Assim, o período é o inverso da frequência: Por exemplo, um objeto que tenha velocidade angular de 3,14 radianos por segundo tem período aproximadamente igual a 2 segundos, e frequência igual a 0,5 hertz. Transmissão do Movimento Circular Muitos mecanismos utilizam a transmissão de um cilindro ou anel em movimento circular uniforme para outro cilindro ou anel. É o caso típico de engrenagens e correias acopladas as polias. Nessa transmissão é mantida sempre a velocidade linear, mas nem sempre a velocidade angular. A velocidade do elemento movido em relação ao motor cresce em proporção inversa a seu tamanho. Se os dois elementos tiverem o mesmo diâmetro, a velocidade angular será igual; no entanto, se o elemento movido for menor que o motor, vai ter velocidade angular maior. Como a velocidade linear é mantida, e , então: O movimento circular ocorre quando em diversas situações que podem ser tomadas como exemplo: - Uma pedra fixada a um barbante e colocada a girar por uma pessoa descreverá um movimento circular uniforme. - Discos de vinil rodam nas vitrolas a uma frequência de 33 ou 45 rotações por minuto, em MCU. - Engrenagens de um relógio de ponteiros devem rodar em MCU com grande precisão, a fim de que não se atrase ou adiante o horário mostrado. - Uma ventoinha em movimento. - Satélites artificiais descrevem uma trajetória aproximadamente circular em volta do nosso planeta. - A translação aproximada, para cálculos muito pouco precisos, da Lua em torno do planeta Terra (a excentricidade orbital da Lua é de 0,0549). - O movimento de corpos quando da rotação da Terra, como por exemplo, um ponto no equador, movendo-se ao redor do eixo da Terra aproximadamente a cada 24 horas. 29 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS Professor Classe I - Física Quando se pedala uma bicicleta, executa-se um movimento circular em uma roda dentada (coroa) através dos pedais. Esse movimento é transmitindo através de uma corrente para outra roda dentada de menor raio, a catraca, que está ligada à roda traseira da bicicleta. 30 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS Professor Classe I - Física Onde: ω=velocidade angular F=frequência T=período V=velocidade linear R=raio Guardando as fórmulas dessa maneira, os exercícios tornam mais fáceis de serem resolvidos. Se o exercício pedir velocidade e temos velocidade angular e raio, devemos igualar as fórmulas 1 e 4, e assim por diante. Desse modo, no caso da bicicleta: e Exemplo Um ciclista movimenta-secom sua bicicleta em linha reta a uma velocidade constante de 18 km/h. O pneu, devidamente montado na roda, possui diâmetro igual a 70 cm. No centro da roda traseira, presa ao eixo, há uma roda dentada de diâmetro 7,0 cm. Junto ao pedal e preso ao seu eixo há outra roda dentada de diâmetro 20 cm. As duas rodas dentadas estão unidas por uma corrente, conforme mostra a figura. Não há deslizamento entre a corrente e as rodas dentadas. Supondo que o ciclista imprima aos pedais um movimento circular uniforme, assinale a alternativa correta para o= número de voltas por minuto que ele impõe aos pedais durante esse movimento. Nesta questão, considere π= 3 . (A) 0,25 rpm. (B) 2,50 rpm. (C) 5,00 rpm. (D) 25,0 rpm. (E) 50,0 rpm. Resolução Primeiramente, vamos transformar velocidade em m/s Vroda=18:3,6=5m/s Droda=70cm=0,7m Dcatraca=7cm=0,07m Dcoroa=20cm=0,2m Rroda=0,35m Rcatraca=0,035m Rcoroa=0,1m vcatraca=0,5m/s Resposta: E. Questões 01. (EAM – Aprendiz – Marinheiro –) Analise as afimativas abaixo. Numa estrada retilínea e horizontal, o velocímetro de um veículo, que move-se em linha reta, indica um valor constante. Nesta situação: I- a força peso do veículo tem o mesmo sentido que o da velocidade. II- a soma vetorial das forças que atuam sobre o veículo é nula. III- a aceleração do veículo é nula. Assinale a opção correta. (A) Apenas a afirmativa I é verdadeira. (B) Apenas a afirmativa II é verdadeira. (C) Apenas as afirmativas I e II são verdadeiras. (D) Apenas as afirmativas II e III são verdadeiras. (E) As afirmativas I, II e III são verdadeiras. 31 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS Professor Classe I - Física 02. (CBM/MG –Oficial do Corpo de Bombeiros Militar – IDECAN) Um veículo mantendo velocidade escalar constante de 72 km/h e em trajetória retilínea se aproxima de um semáforo que se encontra aberto. No instante em que o semáforo se fecha, o veículo passa a apresentar uma desaceleração constante até atingir o repouso, deslocando, nesse trecho de desaceleração, uma distância de 40 m. Considerando que o semáforo se mantém fechado por um minuto, então o intervalo de tempo em que esse veículo fica parado esperando o semáforo abrir é de (A) 48 segundos. (B) 50 segundos. (C) 52 segundos. (D) 56 segundos. 03. (PC/SP – Perito Criminal – VUNESP) A polia dentada do motor de uma motocicleta em movimento, também chamada de pinhão, gira com frequência de 3 600 rpm. Ela tem um diâmetro de 4 cm e nela está acoplada uma corrente que transmite esse giro para a coroa, solidária com a roda traseira. O diâmetro da coroa é de 24 cm e o diâmetro externo da roda, incluindo o pneu, é de 50 cm. A figura a seguir ilustra as partes citadas. Use Π = 3, considere que a moto não derrapa e que a transmissão do movimento de rotação seja integralmente dirigida ao seu deslocamento linear. A velocidade da moto, em relação ao solo e em km/h, é de (A) 54. (B) 72. (C) 90. (D) 62. (E) 66. 04. (SEDUC/PI – Professor – Física – NUCEPE) Um avião tipo caça, voa horizontalmente a uma altitude de 720 m, com velocidade constante, cujo módulo é 360 km/h, numa região em que a aceleração da gravidade tem módulo g=10m/ s2. Num determinado instante o piloto recebe uma ordem de soltar uma bomba para atingir um alvo na superfície do solo e a executa imediatamente. Desprezando os efeitos da resistência do ar e supondo a superfície do solo plana, a distância horizontal, em metros, entre o avião e o alvo, no instante em que a bomba foi abandonada, é igual a (A) 1000m. (B) 1100m. (C) 1200m. (D) 2400m. (E) 4320m. 05. (EEAR – Sargento – Controlador de Tráfego Aéreo – AERONÁUTICA) Um ônibus de 8 m de comprimento, deslocando-se com uma velocidade constante de 36 km/h atravessa uma ponte de 12 m de comprimento. Qual o tempo gasto pelo ônibus, em segundos, para atravessar totalmente a ponte? (A) 1 (B) 2 (C) 3 (D) 4 06. (PETROBRAS- Técnico de Operação Júnior – CESGRANRIO) Ao retirar um equipamento de uma estante, um operador se desequilibra e o deixa cair de uma altura de 1,8 m do piso. Considerando-se que inicialmente a velocidade do equipamento na direção vertical seja nula e que g = 10 m/ s2, a velocidade de impacto do equipamento com o piso, em m/s, é (A) 2 (B) 4 (C) 6 (D) 8 07. (PC/SP – Técnico de Laboratório – VUNESP) Em um relatório da perícia, indicou-se que o corpo da vítima havia caído de um andaime localizado a 20 m de altura em relação ao solo. Considerando que a aceleração da gravidade tem valor igual a 10 m/s2 e desprezando-se a ação do ar contra o movimento, pode-se determinar que o choque fatal contra o chão ocorreu a uma velocidade, em m/s, de (A) 20. (B) 15. (C) 10. (D) 25. (E) 5. 08. (PUC/RS) Para responder à questão, considere o gráfico abaixo, que representa a velocidade de um corpo em movimento retilíneo em função do tempo, e as afirmativas que seguem. I. A aceleração do móvel é de 1,0 m/s2. II. A distância percorrida nos 10 s é de 50 m. III. A velocidade varia uniformemente, e o móvel percorre 10 m a cada segundo. IV. A aceleração é constante, e a velocidade aumenta 10 m/s a cada segundo. 32 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS Professor Classe I - Física São verdadeiras apenas as afirmativas (A) I e II. (B) I e III. (C) II e IV. (D) I, III e IV. (E) II, III e IV. 09. (PUC) O trem japonês de levitação magnética “Maglev” bateu seu próprio recorde mundial de velocidade em 21 de abril de 2015, ao alcançar a incrível velocidade de 603 km/h (seu recorde anterior era de 590 km/h). Avelocidade recorde foi alcançada numa via de testes de 42 km de extensão, situada na Prefeitura de Yamanashi. A Central Japan Railway (empresa ferroviária operadora do “Maglev”) tem intenção de colocá-lo em funcionamento em 2027 entre a estação de Shinagawa, ao sul de Tóquio, e a cidade de Nagoia, no centro do Japão, perfazendo um trajeto de 286 quilômetros. Considere uma situação hipotética em que o “Maglev” percorra a distância de Shinagawa a Nagoia com a velocidade recorde obtida em 21 de abril de 2015, mantida sempre constante. Então o tempo da viagem será de, aproximadamente (A) 0,47 min (B) 28 min (C) 2,1h (D) 21 min (E) 47 min Respostas 01. Resposta: D. Se a velocidade é constante, temos um MRU, portanto a soma das forças tem que ser nula e a aceleração também, a força peso é sempre para baixo. 02. Resposta: D. V=72 km/h=20 m/s V²=Vo²-2a∆S 0=20²-2a⋅40 -400=-80a a=5 m/s² V=Vo-at 0=20-5t t=4s 1 minuto=60s Portanto, 60-4=56s 03. Resposta: A. Fpinhão =3600rpm=60hz Dpinhão=4cm=0,04m Rpinhão=0,02m Dcoroa=24cm=0,24m Rcoroa=0,12m Droda=50cm=0,5m Rroda=0,25m 04. Resposta: C. Para a queda livre temos que v0=0 S-S0=H 33 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS Professor Classe I - Física T=12s Na horizontal: 360 km/h=100m/s ∆S=12x100=1200m 05. Resposta: B. Para atravessar totalmente a ponte, é como se o tivesse passado 8+12=20m. V=36km/h=10m/s 06. Resposta: C. V²=v0²+2g∆H V²=0+2.10.1,8 V²=36 V=6m/s 07. Resposta: A. V²=v0²+2g∆S V²=2.10.20 V²=400 V=20m/s 08. Resposta: A. I- II-A distância percorrida, pode ser analisada pela área do triângulo: III-a velocidade varia uniformemente, mas a distância aumenta a cada segundo IV- aceleração é constante, mas a velocidade aumenta 1m/s a cada segundo. 09. Resposta: B. 603km----1h 286km----x X=0,47h 0,47x60=28,45 min ACELERAÇÃO DA GRAVIDADE NA SUPERFÍCIE DA TERRA Segundo Galileu Galilei (1564-1642) se deixarmos cair objetos de pesos diferentes do alto de uma torre, eles irão cair com a mesma velocidade. Isto é, cairão com a mesma aceleração, que é uma medida da variação da velocidade em relação ao tempo que passa. Existe ao redor da terra uma região conhecida como campo gravitacional, que atrai os corpos para o centro da Terra, essa atração ocorre por influência de uma força conhecida como, força gravitacional. Todos os corpos sofrem influência desta força, segundo Newton o peso dos corpos estão sempre no sentido do centro da Terra. Quando o campo gravitacional age sobre os corpos faz comque eles sofram variação em sua velocidade, adquirindo aceleração da gravidade. A trajetória de um corpo em queda livre (exceto nos polos) não é uma reta que aponta para o centro da Terra, uma vez que a aceleração da gravidade não é a resultante, há também a aceleração de Coriolis, a qual “empurra” o corpo no para leste ou oeste, dependendo da posição de queda sobre a Terra. Todos os corpos que estão na superfície terrestre sofrem influência da força peso, direcionando para o centro da Terra. Está força é representada pela equação: Onde: P = peso do corpo m = massa do corpo g = aceleração da gravidade Temos que considerar também a Teoria de Newton que diz que a força de atração gravitacional que existe entre a Terra e o corpo é dada pela equação: Onde: F = força gravitacional entre dois objetos m = massa do primeiro objeto M = massa do segundo objeto R = distância entre os centros de massa dos objetos G = constante universal da gravitação 34 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS Professor Classe I - Física A equação dada abaixo é capaz de calcular a aceleração da gravidade na superfície de qualquer planeta. Onde: A = aceleração da gravidade m = massa do astro r = distância do centro do objeto G = constante universal da gravitação Aceleração da Gravidade para Corpos Externos à Terra Para calcularmos a aceleração da gravidade de corpos que estão entorno dos planetas, como a nossa Lua, por exemplo, utilizamos a seguinte equação matemática: Onde: F = força gravitacional M = massa do objeto h = altura entre o objeto e a superfície do planeta R = distância entre os centros de massa dos objetos G = constante universal da gravitação Vale apena lembrar que a aceleração da gravidade em corpos externos só existe devido à força centrípeta que age sobre os corpos, dando lhes velocidade, o que ocasiona uma trajetória circular, fazendo com que o corpo entre em órbita. Dedução Matemática Esta aceleração pode ser obtida matematicamente através da Lei da Gravitação Universal e da Segunda Lei de Newton. Pela Lei da Gravitação Universal, a força gravitacional é proporcional ao produto das massas e inversamente proporcional ao quadrado da distância. Já pela Segunda Lei de Newton, quando a aceleração é constante, a força é igual ao produto da massa pela aceleração. Nas proximidades da Terra, ou de qualquer outro planeta, a distância é desprezível comparada com a massa do planeta, tornando assim, a aceleração aproximadamente constante. Lei da Gravitação Universal A gravitação universal é uma força fundamental de atração que age entre todos os objetos por causa de suas massas, isto é, a quantidade de matéria de que são constituídos. A gravitação mantém o universo unido. Por exemplo, ela mantém juntos os gases quentes no sol e faz os planetas permanecerem em suas órbitas. A gravidade da Lua causa as marés oceânicas na terra. Por causa da gravitação, os objetos sobre a terra são atraídos em seu sentido. A atração física que um planeta exerce sobre os objetos próximos é denominada força da gravidade. A lei da gravitação universal foi formulada pelo físico inglês Sir Isaac Newton em sua obra Philosophiae Naturalis Principia Mathematica, publicada em 1687, que descreve a lei da gravitação universal e as Leis de Newton - as três leis dos corpos em movimento que se assentaram como fundamento da mecânica clássica. Formulação da Lei da Gravitação Universal Dois corpos puntiformes m1 e m2 atraem-se exercendo entre si forças de mesma intensidade F1 e F2, proporcionais ao produto das duas massas e inversamente proporcionais ao quadrado da distância (r) entre elas. G é a constante gravitacional. A lei da gravitação universal diz que dois objetos quaisquer se atraem gravitacionalmente por meio de uma força que depende das massas desses objetos e da distância que há entre eles. Dados dois corpos de massa m1 e m2, a uma distância r entre si, esses dois corpos se atraem mutuamente com uma força que é proporcional à massa de cada um deles e inversamente proporcional ao quadrado da distância que separa esses corpos. Matematicamente, essa lei pode ser escrita assim: Onde F1 (F2) é a força, sentida pelo corpo 1 (2) devido ao corpo 2 (1), medida em newtons; é constante gravitacional universal, que determina a intensidade da força, m 1 e m2 são as massas dos corpos que se atraem entre si, medidas em quilogramas; e r é a distância entre os dois corpos, medida em metros; o versor do vetor que liga o corpo 1 ao corpo 2. 35 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS Professor Classe I - Física A constante gravitacional universal foi medida anos mais tarde por Henry Cavendish. A descoberta da lei da gravitação universal se deu em 1685 como resultado de uma série de estudos e trabalhos iniciados muito antes. Tomando como exemplo a massa de próton e um elétron, a força da gravidade será de 3,6 × 10−8 N (Newtons) ou 36 nN. O estabelecimento de uma lei de gravitação, que unifica todos os fenômenos terrestres e celestes de atração entre os corpos, teve enorme importância para a evolução da ciência moderna. Contudo, podemos aprimorar a lei da gravitação universal adicionando sinais (+ ou -) à resposta, quando estivermos considerando “massas de luz” ou “fótons”. A lei da gravitação universal assume o sinal (-) quando ocorre o deslocamento de fótons “massas de luz” de uma fonte luminosa (Sol), ou melhor, assumindo característica de repulsão e não de atração. Por outro lado, a lei da gravitação universal reassume o sinal (+) quando ocorre o deslocamento de fótons para locais de atração desta “massas de luz”, locais conhecidos como “Buracos Negros”. Leis de Kepler Quando o ser humano iniciou a agricultura, ele necessitou de uma referência para identificar as épocas de plantio e colheita. Ao observar o céu, os nossos ancestrais perceberam que alguns astros descrevem um movimento regular, o que propiciou a eles obter uma noção de tempo e de épocas do ano. Primeiramente, foi concluído que o Sol e os demais planetas observados giravam em torno da Terra. Mas este modelo, chamado de Modelo Geocêntrico, apresentava diversas falhas, que incentivaram o estudo deste sistema por milhares de anos. Por volta do século XVI, Nicolau Copérnico (1473-1543) apresentou um modelo Heliocêntrico, em que o Sol estava no centro do universo, e os planetas descreviam órbitas circulares ao seu redor. No século XVII, Johanes Kepler (1571-1630) enunciou as leis que regem o movimento planetário, utilizando anotações do astrônomo Tycho Brahe (1546-1601). Kepler formulou três leis que ficaram conhecidas como Leis de Kepler. 1ª Lei de Kepler - Lei das Órbitas Os planetas descrevem órbitas elípticas em torno do Sol, que ocupa um dos focos da elipse. 2ª Lei de Kepler - Lei das Áreas O segmento que une o sol a um planeta descreve áreas iguais em intervalos de tempo iguais. 3ª Lei de Kepler - Lei dos Períodos O quociente dos quadrados dos períodos e o cubo de suas distâncias médias do sol é igual a uma constante k, igual a todos os planetas. Tendo em vista que o movimento de translação de um planeta é equivalente ao tempo que este demora para percorrer uma volta em torno do Sol, é fácil concluirmos que, quanto mais longe o planeta estiver do Sol, mais longo será seu período de translação e, em consequência disso, maior será o “seu ano”. Movimentos de Corpos Celestes - Influência na Terra: marés e variações climáticas Para estudar o movimento dos astros, é possível fazer uma analogia com o que ocorre quando fazemos girar verticalmente um corpo preso a uma corda. Se o girarmos muito devagar, quando ele atingir o ponto mais alto cairá devido a seu peso. Se o girarmos muito depressa, a corda se romperá e o corpo será arremessado. Para que ele gire mantendo uma órbita fixa, é preciso que exista uma força que o mantenha nessa órbita. No Universo, os planetas, satélites, estrelas e outros corpos experimentam grandes forças de atração entre si em virtude do elevado valorde sua massa. Se existissem apenas estas forças, os diferentes corpos acabariam se chocando. No entanto, esses corpos têm um movimento perfeitamente ordenado. Nos corpos que orbitam em torno de uma estrela, as forças de atração determinam trajetórias precisas e conhecidas. Considerando isso tudo, vamos explicar alguns fenômenos que ocorrem em função das forças gravitacionais e do movimento dos corpos celestes. 36 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS Professor Classe I - Física As Estações A Terra demora um ano para dar uma volta ao redor do Sol e descreve uma órbita elíptica. O eixo da Terra mantém certa inclinação em relação ao Sol, e é isso que determina as estações. Ao contrário do que muitos pensam, o verão ou o inverno não chegam quando a Terra está mais próxima ou mais longe do Sol, e sim quando a inclinação de seu eixo acarreta a incidência mais concentrada da energia solar em um hemisfério. Quando a posição da Terra em seu movimento corresponde a uma inclinação do eixo para dentro de sua órbita, é inverno no Hemisfério Sul. Quando o eixo está inclinado para fora, é verão. O fenômeno das marés A Lua exerce uma força de atração sobre a Terra. A parte líquida da Terra, especialmente os oceanos, precisa variar de forma para compensar essa força. Na face voltada para a Lua, a água se eleva alguns metros acima do nível médio. Na face oposta à Lua, o nível recua alguns metros. A força de atração que a Lua exerce sobre a Terra faz a superfície do oceano se esticar. Um de seus extremos se aproxima da Lua e o outro se afasta. Quando a água alcança a altura máxima, diz-se que há maré alta, ou preamar, e quando se encontra no nível mínimo, fala-se de maré baixa, ou baixa-mar. Esses fenômenos repetem-se uma ou duas vezes por dia. O Sol também influi nas marés, mas, como se encontra mais longe da Terra do que a Lua, sua ação é menor. Somente quando o Sol, a Lua e a Terra estão alinhados no espaço, o aumento do nível das marés é muito maior. Durante os quartos crescente e minguante, o Sol forma um ângulo reto com a Lua, e as marés são menos pronunciadas do que o normal: são as marés mortas, ou de quadratura. 37 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS Professor Classe I - Física Concepções históricas sobre a origem do universo e sua evolução A origem do universo é um tema que sempre interessou a toda a humanidade. Em todos os povos, em todas as épocas, surgiram muitas e muitas tentativas de compreender de onde veio tudo o que conhecemos. No passado, a religião e a mitologia eram as únicas fontes de conhecimento. Elas propunham certa visão de como um ou vários deuses produziram este mundo. Há mais de dois mil anos, surgiu o pensamento filosófico. Ele propôs novas ideias, modificando ou mesmo abandonando a tradição religiosa. Por fim, com o desenvolvimento da ciência, apareceu outro modo de estudar a evolução do universo. Atualmente, a ciência predomina. É dessa ciência que muitos esperam obter a resposta às suas indagações sobre a origem do universo. Muitas vezes, lemos notícias em jornais e revistas apresentando pesquisas recentes sobre a formação do universo. Na tentativa de chamar a atenção para uma nova descoberta, os jornalistas às vezes exageram sua importância e publicam manchetes do tipo: “Acaba de ser provado que o universo começou de uma explosão”. Mas foi provado, mesmo? As notícias, quase sempre, dão a impressão de que acabaram todos os mistérios, que não há mais dúvidas sobre o início e evolução do cosmo. Mas a verdade não é exatamente essa. Há dezenas de anos, os jornais repetem as mesmas manchetes, com notícias diferentes. Quem se der ao trabalho de consultar tudo o que já se publicou sobre o assunto, verá que os meios de comunicação revelam sempre um enorme otimismo. O resultado de cada nova pesquisa é apresentado como se tivesse sido conseguida a solução final. Mas se a notícia de trinta anos atrás fosse correta, não poderiam ter surgido todas as notícias dos anos seguintes - até hoje - repetindo sempre que certo cientista ou grupo de pesquisadores “acaba de provar” que o universo começou assim e assim. A ciência tem evoluído, isso é inegável. Durante o século XX, nossos conhecimentos aumentaram de um modo inconcebível. Entretanto, nem todos os problemas foram resolvidos. A ciência ainda não esclareceu a maior parte das dúvidas. As teorias sobre a origem do universo ainda devem sofrer muitas mudanças, no futuro. Por isso, ninguém deve esperar encontrar aqui a resposta final. A última palavra ainda não foi dita. A ciência não é o único modo de se estudar e tentar captar a realidade. O pensamento filosófico e religioso possuem também grande importância. As antigas indagações ressurgem sempre: será possível que esse universo tenha surgido sem uma intervenção divina? Até que ponto a ciência e a religião se contradizem ou se completam? Ao longo da história da humanidade, desenrolou-se - e ainda se desenrola - um enorme esforço para descobrir de onde veio tudo aquilo que existe. É a história desse esforço que será descrita neste livro. Apenas sabendo todas as fases pelas quais já passou o pensamento humano, podemos tentar avaliar corretamente o estágio atual de nossos conhecimentos. Para isso, não podemos nos limitar apenas às investigações mais recentes, nem apenas à ciência. Devemos recuar a um passado distante, e acompanhar essa grandiosa aventura intelectual da humanidade: a tentativa de entender a origem do universo, a sua própria origem e o seu próprio significado. Em nossa viagem, encontraremos alguns dos maiores pensadores de toda a história. Muitas teorias são difíceis ou obscuras. É preciso certo esforço para entendê-las. Mas vale à pena esse esforço de elevar-se e poder dialogar com alguns dos maiores gênios da humanidade. Nossa viagem pela história do pensamento humano nos mostrou muitas tentativas realizadas para se compreender a origem de nosso universo. Essa busca existiu em todas as civilizações, em todos os tempos. Mas a forma de buscar essa explicação variou muito. O mito, a filosofia, a religião e a ciência procuraram dar uma resposta às questões fundamentais: O universo existiu sempre, ou teve um início? Se ele teve um início, o que havia antes? Por que o universo é como é? Ele vai ter um fim? Nosso conhecimento moderno sobre o universo está muito distante daquilo que era explicado pelos mitos e pela religião. Nenhum mito ou religião descreveu o surgimento do sistema solar, do Sol, das galáxias ou da própria matéria. Esperaríamos da ciência uma resposta às nossas dúvidas, mas ela também não tem as respostas finais. Por que não desistimos, simplesmente, de conhecer o início de tudo? Que importância pode ter alguma coisa que talvez tenha ocorrido há 20 bilhões de anos? A presença universal de uma preocupação com a origem do universo mostra que esse é um elemento importante do pensamento humano. Possuir alguma concepção sobre o universo parece ser importante para que possamos nos situar no mundo, compreender nosso papel nele. Em certo sentido, somos um microcosmo. O astrônomo James Jeans explicava o interesse dos cientistas por coisas tão distantes de nossa vida diária, da seguinte maneira: Ele quer explorar o universo, tanto no espaço quanto no tempo, porque ele próprio faz parte do universo, e o universo faz parte do homem. Essa busca de uma compreensão do universo e do próprio homem ainda não terminou. De uma forma ou de outra, todos participamos dessa mesma procura. Uma procura que tem acompanhado e que ainda deverá continuar a acompanhar todos os passos da humanidade. Big Bang O Big Bang, ou a Grande Explosão, é a teoria cosmológica dominante do desenvolvimento inicial do universo. Os cosmólogos usam o termo “Big Bang” para se referir à ideia de que o universo estava originalmente muito quente e denso em algum tempo finito no passado e, desde então tem se resfriado pela expansão ao estado diluído atual e continua em expansão atualmente. A teoria é sustentadapor explicações mais completas e precisas a partir de evidências científicas disponíveis e da observação. De acordo com as melhores medições disponíveis em 2010, as condições iniciais ocorreram por volta de 13,3 a 13,9 bilhões de anos atrás. 38 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS Professor Classe I - Física Georges Lemaître propôs o que ficou conhecido como a teoria Big Bang da origem do Universo, embora ele tenha chamado como “hipótese do átomo primordial”. O quadro para o modelo se baseia na teoria da relatividade de Albert Einstein e hipóteses simplificadoras (como homogeneidade e isotropia do espaço). As equações principais foram formuladas por Alexander Friedmann. Depois Edwin Hubble descobriu em 1929 que as distâncias de galáxias distantes eram geralmente proporcionais aos seus desvios para o vermelho, como sugerido por Lemaître em 1927. Esta observação foi feita para indicar que todas as galáxias muito distantes e aglomerado de galáxias têm uma velocidade aparente diretamente para fora do nosso ponto de vista: quanto mais distante, maior a velocidade aparente. Se a distância entre os aglomerados de galáxias está aumentando hoje, todos deveriam estar mais próximos no passado. Esta ideia tem sido considerada em detalhe volta no tempo para as densidades e temperaturas extremas, e grandes aceleradores de partículas têm sido construídos para experimentar e testar tais condições, resultando em significativa confirmação da teoria, mas estes aceleradores têm capacidades limitadas para investigar em tais regimes de alta energia. Sem nenhuma evidência associada com a maior brevidade instantânea da expansão, a teoria do Big Bang não pode e não fornece qualquer explicação para essa condição inicial, mas sim, que ela descreve e explica a evolução geral do Universo desde aquele instante. As abundâncias observadas de elementos leves em todo o cosmos se aproximam das previsões calculadas para a formação destes elementos de processos nucleares na expansão rápida e arrefecimento dos minutos iniciais do Universo, como lógica e quantitativamente detalhado de acordo com a nucleossíntese do Big Bang. Fred Hoyle é creditado como o criador do termo Big Bang durante uma transmissão de rádio de 1949. Popularmente é relatado que Hoyle, que favoreceu um modelo cosmológico alternativo chamado “teoria do estado estacionário”, tinha por objetivo criar um termo pejorativo, mas Hoyle explicitamente negou isso e disse que era apenas um termo impressionante para destacar a diferença entre os dois modelos. Hoyle mais tarde ajudou consideravelmente no esforço de compreender a nucleossíntese estelar, a via nuclear para a construção de alguns elementos mais pesados até os mais leves. Após a descoberta da radiação cósmica de fundo em micro-ondas em 1964, e especialmente quando seu espectro (ou seja, a quantidade de radiação medida em cada comprimento de onda) traçou uma curva de corpo negro, muitos cientistas ficaram razoavelmente convencidos pelas evidências de que alguns dos cenários propostos pela teoria do Big Bang devem ter ocorrido. A importância da descoberta da radiação cósmica de fundo é que ela representa um “fóssil” de uma época em que o universo era muito novo, sendo a maior evidência da existência do Big Bang. Ela é proveniente da separação da interação entre a radiação e matéria (época chamada de recombinação). Questões 01. (AEB - Tecnologista Júnior - Desenvolvimento Tecnológico – CETRO) Um satélite A tem a metade da massa do satélite B, mas orbita em torno da Terra a uma distância duas vezes menor que o satélite B. Comparando a força gravitacional entre cada satélite e o planeta, usando a lei gravitacional de Newton, é correto afirmar que (A) a força gravitacional experimentada pelo satélite B é maior que a de A, porque a diferença na distância tem mais influência que a diferença na massa. (B) a força gravitacional experimentada pelo satélite B é maior que a de A, porque a diferença na massa tem mais influência que a diferença na distância. (C) a força gravitacional experimentada pelo satélite A é maior que a de B, porque a diferença na distância tem mais influência que a diferença na massa (D) a força gravitacional experimentada pelo satélite A é maior que a de B, porque a diferença na massa tem mais influência, fazendo com que a força seja menor em B. (E) ambos os satélites experimentam a mesma força, porque a diferença na distância compensa a diferença na massa. 02. (UNISINOS-RS) Durante o primeiro semestre deste ano, foi possível observar o planeta Vênus bem brilhante, ao anoitecer. Sabe-se que Vênus está bem mais perto do Sol que a Terra. Comparados com a Terra, o período de revolução de Vênus em torno do Sol é……………….e sua velocidade orbital é………………………. . As lacunas são corretamente preenchidas, respectivamente, por: a) menor; menor b) menor; igual c) maior; menor d) maior; maior e) menor; maior 03. (UEMG-MG) Em seu movimento em torno do Sol, a Terra descreve uma trajetória elíptica, como na figura, a seguir: 39 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS Professor Classe I - Física São feitas duas afirmações sobre esse movimento: 1. A velocidade da Terra permanece constante em toda a trajetória. 2. A mesma força que a Terra faz no Sol, o Sol faz na Terra. Sobre tais afirmações, só é CORRETO dizer que (A) as duas afirmações são verdadeiras. (B) apenas a afirmação 1 é verdadeira. (C) apenas a afirmação 2 é verdadeira. (D) as duas afirmações são falsas. (E) n.d.a 04. (MACKENZIE-SP) Dois satélites de um planeta tem períodos de revolução de 32 dias e 256 dias, respectivamente. Se o raio de órbita do primeiro satélite vale 1 unidade, então o raio de órbita do segundo terá quantas unidades? 05. (PUC-SP) A intensidade da força gravitacional com que a Terra atrai a Lua é F. Se fossem duplicadas a massa da Terra e da Lua e se a distância que as separa fosse reduzida à metade, a nova força seria: (A) 16F (B) 8F (C) 4F (D) 2F (E) F Respostas 01. Resposta: C. Lembrando que a fórmula é dada por: mA é a massa do satélite A. mB=2mA rB=2rA Como a distância é elevada ao quadrado, a mudança sempre vai fazer maior diferença. 02. Resposta: Uma vez que o movimento de translação de um planeta é equivalente ao tempo que este demora para percorrer uma volta em torno do Sol, é fácil concluirmos que, quanto mais longe o planeta estiver do Sol, mais longo será seu período de translação e, em consequência disso, maior será o “seu ano”. 03. Resposta: C 1. Falsa. Quando a Terra vai do afélio para o periélio, aumenta-se o módulo da velocidade, e quando vai do periélio para o afélio, diminui o módulo da velocidade. 2. Verdadeira. De acordo com o princípio da ação- reação (3ª lei de Newton), ação e reação têm sempre a mesma intensidade. 04 Resposta. 32²/1³ = 32².8² /R³ R³=(2³)² R=4u 05. Resposta. A F = G MT ml / r² d = r/2, M = 2MT e m=2ml F’ = G . 2MT . 2Ml / (r/2)2 F’ = 4 . G . MT . Ml/ r²/4 F’ = 16 G . MT . ml/ r² TERMODINÂMICA: CALOR E TEMPERATURA; TRANSPORTE DE CALOR; TEORIA CINÉTICA DOS GASES; LEIS DA TERMODINÂMICA; ENERGIA INTERNA; CALOR ESPECÍFICO; PROCESSOS ADIABÁTICOS; MÁQUINAS TÉRMICAS; CICLO DE CARNOT; ENTROPIA. Temperatura é a grandeza que caracteriza o estado térmico de um corpo ou sistema. Fisicamente, o conceito dado a quente e frio é um pouco diferente do que costumamos usar no nosso cotidiano. Podemos definir como quente um corpo que tem suas moléculas agitando-se muito, ou seja, com alta energia cinética. Analogamente, um corpo frio, é aquele que tem baixa agitação das suas moléculas. Ao aumentar a temperatura de um corpo ou sistema pode-se dizer que está se aumentando o estado de agitação de suas moléculas. Ao tirarmos uma garrafa de água mineral da geladeira ou ao retirar um bolo de um forno, percebemos que após algum tempo, ambas tendem a chegar à temperatura do ambiente. Ou seja, a água “esquenta” e o bolo “esfria”. Quando dois corpos ou sistemas atingem a mesma temperatura,dizemos que estes corpos ou sistemas estão em equilíbrio térmico. Escalas Termométricas Para que seja possível medir a temperatura de um corpo, foi desenvolvido um aparelho chamado termômetro. O termômetro mais comum é o de mercúrio, que consiste em um vidro graduado com um bulbo de paredes finas que é ligado a um tubo muito fino, chamado tubo capilar. Quando a temperatura do termômetro aumenta, as moléculas de mercúrio aumentam sua agitação fazendo com que este se dilate, preenchendo o tubo capilar. Para cada altura atingida pelo mercúrio está associada uma temperatura. A escala de cada termômetro corresponde a este valor de altura atingida. Escala Celsius: é a escala usada no Brasil e na maior parte dos países, oficializada em 1742 pelo astrônomo e físico sueco Anders Celsius (1701-1744). Esta escala tem como pontos de referência a temperatura de congelamento da água sob pressão normal (0°C) e a temperatura de ebulição da água sob pressão normal (100°C). 40 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS Professor Classe I - Física Escala Fahrenheit: outra escala bastante utilizada, principalmente nos países de língua inglesa, criada em 1708 pelo físico alemão Daniel Gabriel Fahrenheit (1686-1736), tendo como referência a temperatura de uma mistura de gelo e cloreto de amônia (0°F) e a temperatura do corpo humano (212°F). Escala Kelvin: também conhecida como escala absoluta, foi verificada pelo físico inglês William Thompson (1824-1907), também conhecido como Lorde Kelvin. Por convenção, não se usa “grau” para esta escala, ou seja, 0K, lê-se zero kelvin e não zero grau kelvin. Conversões entre escalas Para que seja possível expressar temperaturas dadas em certa escala para outra qualquer deve-se estabelecer uma convenção geométrica de semelhança. Por exemplo, convertendo uma temperatura qualquer dada em escala Fahrenheit para escala Celsius: Pelo princípio de semelhança geométrica: Exemplo: Qual a temperatura correspondente em escala Celsius para a temperatura 100°F? E para escala Kelvin: E de Kelvin para Fahrenheit CALORIMETRIA Quando colocamos dois corpos com temperaturas diferentes em contato, podemos observar que a temperatura do corpo “mais quente” diminui, e a do corpo “mais frio” aumenta, até o momento em que ambos os corpos apresentem temperatura igual. Esta reação é causada pela passagem de energia térmica do corpo “mais quente” para o corpo “mais frio”, a transferência de energia é o que chamamos calor. Calor é a transferência de energia térmica entre corpos com temperaturas diferentes. A unidade mais utilizada para o calor é caloria (cal), embora sua unidade no SI seja o joule (J). Uma caloria equivale a quantidade de calor necessária para aumentar a temperatura de um grama de água pura, sob pressão normal, de 14,5°C para 15,5°C. A relação entre a caloria e o joule é dada por: 1 cal = 4,186J Partindo daí, podem-se fazer conversões entre as unidades usando regra de três simples. Como 1 caloria é uma unidade pequena, utilizamos muito o seu múltiplo, a quilocaloria. 1 kcal = 10³cal Calor sensível É denominado calor sensível, a quantidade de calor que tem como efeito apenas a alteração da temperatura de um corpo. Este fenômeno é regido pela lei física conhecida como Equação Fundamental da Calorimetria, que diz que a quantidade de calor sensível (Q) é igual ao produto de sua massa, da variação da temperatura e de uma constante de proporcionalidade dependente da natureza de cada corpo denominada calor específico. Assim: Onde: Q = quantidade de calor sensível (cal ou J). c = calor específico da substância que constitui o corpo (cal/g°C ou J/kg°C). m = massa do corpo (g ou kg). Δθ = variação de temperatura (°C). Quando: Q>0: o corpo ganha calor. Q<0: o corpo perde calor. 41 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS Professor Classe I - Física Exemplo: Qual a quantidade de calor sensível necessária para aquecer 1kg de água de 20°C para 200°C? Dado: calor específico da água = 1cal/g°C. Cuidado com as unidades, são muito importantes nos cálculos e colocada errada, vai dar diferença no resultado. M=1kg=1000g Q=1000.1.(200-20)=180000 cal=180kcal Calor Latente Nem toda a troca de calor existente na natureza se detém a modificar a temperatura dos corpos. Em alguns casos há mudança de estado físico destes corpos. Neste caso, chamamos a quantidade de calor calculada de calor latente. A quantidade de calor latente (Q) é igual ao produto da massa do corpo (m) e de uma constante de proporcionalidade (L). Assim: A constante de proporcionalidade é chamada calor latente de mudança de fase e se refere a quantidade de calor que 1g da substância calculada necessita para mudar de uma fase para outra. Além de depender da natureza da substância, este valor numérico depende de cada mudança de estado físico. Por exemplo, para a água: Quando: Q>0: o corpo funde ou vaporiza. Q<0: o corpo solidifica ou condensa. Exemplo: Qual a quantidade de calor necessária para que um litro de água vaporize? Dado: densidade da água=1g/cm³ e calor latente de vaporização da água=540cal/g. A fórmula é usada com massa, portanto quando o exercício estiver com volume, devemos transformar. 1cm³-1ml-0,001 litros 1g----0,001 litros x------1 litro Q=mL Q=1000.540=540000 cal=540 kcal Curva de Aquecimento Ao estudarmos os valores de calor latente, observamos que estes não dependem da variação de temperatura. Assim podemos elaborar um gráfico de temperatura em função da quantidade de calor absorvida. Chamamos este gráfico de Curva de Aquecimento: 42 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS Professor Classe I - Física Trocas de calor Para que o estudo de trocas de calor seja realizado com maior precisão, este é realizado dentro de um aparelho chamado calorímetro, que consiste em um recipiente fechado incapaz de trocar calor com o ambiente e com seu interior. Dentro de um calorímetro, os corpos colocados trocam calor até atingir o equilíbrio térmico. Como os corpos não trocam calor com o calorímetro e nem com o meio em que se encontram, toda a energia térmica passa de um corpo ao outro. Como, ao absorver calor Q>0 e ao transmitir calor Q<0, a soma de todas as energias térmicas é nula, ou seja: ΣQ=0 (lê-se que somatório de todas as quantidades de calor é igual a zero) Q1+Q2+Q3+...+Qn=0 Sendo que as quantidades de calor podem ser tanto sensível como latente. Capacidade Térmica É a quantidade de calor que um corpo necessita receber ou ceder para que sua temperatura varie uma unidade. Então, pode-se expressar esta relação por: Sua unidade usual é cal/°C. A capacidade térmica de 1g de água é de 1cal/°C já que seu calor específico é 1cal/g.°C. Transmissão de Calor Em certas situações, mesmo não havendo o contato físico entre os corpos, é possível sentir que algo está mais quente. Como quando se chega perto do fogo de uma lareira. Assim, concluímos que de alguma forma o calor emana desses corpos “mais quentes” podendo se propagar de diversas maneiras. Como já vimos anteriormente, o fluxo de calor acontece no sentido da maior para a menor temperatura. Este trânsito de energia térmica pode acontecer pelas seguintes maneiras: - condução; - convecção; - irradiação. Fluxo de Calor Para que um corpo seja aquecido, normalmente, usa-se uma fonte térmica de potência constante, ou seja, uma fonte capaz de fornecer uma quantidade de calor por unidade de tempo. Definimos fluxo de calor (Φ) que a fonte fornece de maneira constante como o quociente entre a quantidade de calor (Q) e o intervalo de tempo de exposição (Δt): Sendo a unidade adotada para fluxo de calor, no sistema internacional, o Watt (W), que corresponde a Joule por segundo. Exemplo: Uma fonte de potência constante igual a 100W é utilizada para aumentar a temperatura 100g de mercúrio 30°C. Sendo o calor específico do mercúrio 0,033cal/g.°C e 1cal=4,186J, quanto tempo a fonte demora para realizar este aquecimento? Q=100.0,033.30=99 cal 99.4,186=414,414 J Condução Térmica É a situação em queo calor se propaga através de um “condutor”. Ou seja, apesar de não estar em contato direto com a fonte de calor um corpo pode ser modificar sua energia térmica se houver condução de calor por outro corpo, ou por outra parte do mesmo corpo. Por exemplo, enquanto cozinha- se algo, se deixarmos uma colher encostada na panela, que está sobre o fogo, depois de um tempo ela esquentará também. Este fenômeno acontece, pois, ao aquecermos a panela, suas moléculas começam a agitar-se mais, como a panela está em contato com a colher, as moléculas em agitação maior provocam uma agitação nas moléculas da colher, causando aumento de sua energia térmica, logo, o aquecimento dela. Também é por este motivo que, apesar de apenas a parte inferior da panela estar diretamente em contato com o fogo, sua parte superior também esquenta. Dilatação Linear Aplica-se apenas para os corpos em estado sólido, e consiste na variação de comprimento. Como, por exemplo, em barras, cabos e fios. Ao considerarmos uma barra homogênea, por exemplo, de comprimento L0 a uma temperatura inicial θ0. Quando esta temperatura é aumentada até umaθ, observa- se que esta barra passa a ter um comprimento L. 43 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS Professor Classe I - Física Fonte: www.sofisica.com.br Onde: ∆L=variação linear L0=comprimento inicial α=coeficiente linear de dilatação(°C-1) ∆θ=variação de temperatura Lâmina Bimetálica Uma das aplicações da dilatação linear mais utilizadas no cotidiano é para a construção de lâminas bimetálicas, que consistem em duas placas de materiais diferentes, e portanto, coeficientes de dilatação linear diferentes, soldadas. Ao serem aquecidas, as placas aumentam seu comprimento de forma desigual, fazendo com que esta lâmina soldada entorte. Se você as submeter à mesma variação de temperatura, o sistema vai curvar-se para o lado da barra de menor coeficiente de dilatação, quando aquecida e para o lado da barra de maior coeficiente de dilatação, quando resfriada. As lâminas bimetálicas são encontradas principalmente em dispositivos elétricos e eletrônicos, já que a corrente elétrica causa aquecimento dos condutores, que não podem sofrer um aquecimento maior do que foram construídos para suportar. Quando é curvada a lâmina tem o objetivo de interromper a corrente elétrica, após um tempo em repouso a temperatura do condutor diminui, fazendo com que a lâmina volte ao seu formato inicial e reabilitando a passagem de eletricidade. Fonte: osfundamentosdafisica.blogspot.com 44 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS Professor Classe I - Física Dilatação Superficial Esta forma de dilatação consiste em um caso onde há dilatação linear em duas dimensões, ou seja, por área. Dilatação Volumétrica Assim como na dilatação superficial, este é um caso da dilatação linear que acontece em três dimensões. Assim: Podemos fazer a seguinte relação para os coeficientes. Dilatação Volumétrica dos Líquidos Como o líquido precisa estar depositado em um recipiente sólido, é necessário que a dilatação deste também seja considerada, já que ocorre simultaneamente. Assim, a dilatação real do líquido é a soma das dilatações aparente e do recipiente. Assim: TERMODINÂMICA Energia Interna As partículas de um sistema têm vários tipos de energia, e a soma de todas elas é o que chamamos Energia interna de um sistema. Para que este somatório seja calculado, são consideradas as energias cinéticas de agitação, potencial de agregação, de ligação e nuclear entre as partículas. Nem todas estas energias consideradas são térmicas. Ao ser fornecida a um corpo energia térmica, provoca-se uma variação na energia interna deste corpo. Esta variação é no que se baseiam os princípios da termodinâmica. Se o sistema em que a energia interna está sofrendo variação for um gás perfeito, a energia interna será resumida na energia de translação de suas partículas, sendo calculada através da Lei de Joule: Onde: U: energia interna do gás; n: número de mol do gás; R: constante universal dos gases perfeitos; T: temperatura absoluta (kelvin). Como, para determinada massa de gás, n e R são constantes, a variação da energia interna dependerá da variação da temperatura absoluta do gás, ou seja, - Quando houver aumento da temperatura absoluta ocorrerá uma variação positiva da energia interna ∆U>0. - Quando houver diminuição da temperatura absoluta, há uma variação negativa de energia interna ∆U<0. - E quando não houver variação na temperatura do gás, a variação da energia interna será igual a zero ∆U=0. Conhecendo a equação de Clepeyron, é possível compará-la a equação descrita na Lei de Joule, e assim obteremos: pV=nRT Diagrama p x V É possível representar a transformação isobárica de um gás através de um diagrama pressão por volume: Comparando o diagrama à expressão do cálculo do trabalho realizado por um gás , é possível verificar que o trabalho realizado é numericamente igual à área sob a curva do gráfico (em azul na figura). 45 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS Professor Classe I - Física Com esta verificação é possível encontrar o trabalho realizado por um gás com pressão variável durante sua transformação, que é calculado usando esta conclusão, através de um método de nível acadêmico de cálculo integral, que consiste em uma aproximação dividindo toda a área sob o gráfico em pequenos retângulos e trapézios. 1ª Lei da Termodinâmica Chamamos de 1ª Lei da Termodinâmica, o princípio da conservação de energia aplicada à termodinâmica, o que torna possível prever o comportamento de um sistema gasoso ao sofrer uma transformação termodinâmica. Analisando o princípio da conservação de energia ao contexto da termodinâmica: Um sistema não pode criar ou consumir energia, mas apenas armazená-la ou transferi-la ao meio onde se encontra, como trabalho, ou ambas as situações simultaneamente, então, ao receber uma quantidade Q de calor, esta poderá realizar um trabalho e aumentar a energia interna do sistema ΔU, ou seja, expressando matematicamente: Sendo todas as unidades medidas em Joule (J). Conhecendo esta lei, podemos observar seu comportamento para cada uma das grandezas apresentadas: Calor Trabalho Energia Interna Q/ /ΔU Recebe Realiza Aumenta >0 Cede Recebe Diminui <0 não troca não realiza e nem recebe não varia =0 Exemplo: Ao receber uma quantidade de calor Q=50J, um gás realiza um trabalho igual a 12J, sabendo que a Energia interna do sistema antes de receber calor era U=100J, qual será esta energia após o recebimento? 50=12+(U-100) 50=12-100+U U=138J 2ª Lei da Termodinâmica Dentre as duas leis da termodinâmica, a segunda é a que tem maior aplicação na construção de máquinas e utilização na indústria, pois trata diretamente do rendimento das máquinas térmicas. Dois enunciados, aparentemente diferentes ilustram a 2ª Lei da Termodinâmica, os enunciados de Clausius e Kelvin-Planck: Enunciado de Clausius: o calor não pode fluir, de forma espontânea, de um corpo de temperatura menor, para outro corpo de temperatura mais alta. Tendo como consequência que o sentido natural do fluxo de calor é da temperatura mais alta para a mais baixa, e que para que o fluxo seja inverso é necessário que um agente externo realize um trabalho sobre este sistema. 46 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS Professor Classe I - Física Enunciado de Kelvin-Planck: é impossível a construção de uma máquina que, operando em um ciclo termodinâmico, converta toda a quantidade de calor recebido em trabalho. Este enunciado implica que, não é possível que um dispositivo térmico tenha um rendimento de 100%, ou seja, por menor que seja, sempre há uma quantidade de calor que não se transforma em trabalho efetivo. Máquinas Térmicas As máquinas térmicas foram os primeiros dispositivos mecânicos a serem utilizados em larga escala na indústria, por volta do século XVIII. Na forma mais primitiva, era usado o aquecimento para transformar água em vapor, capaz de movimentar um pistão, que por sua vez, movimentava um eixo que tornavaa energia mecânica utilizável para as indústrias da época. Chamamos máquina térmica o dispositivo que, utilizando duas fontes térmicas, faz com que a energia térmica se converta em energia mecânica (trabalho). A fonte térmica fornece uma quantidade de calorQ1 que no dispositivo transforma-se em trabalho mais uma quantidade de calor que não é capaz de ser utilizado como trabalho. Assim é válido que: Utiliza-se o valor absolutos das quantidades de calor pois, em uma máquina que tem como objetivo o resfriamento, por exemplo, estes valores serão negativos. Neste caso, o fluxo de calor acontece da temperatura menor para o a maior. Mas conforme a 2ª Lei da Termodinâmica, este fluxo não acontece espontaneamente, logo é necessário que haja um trabalho externo, assim: Rendimento das Máquinas Térmicas Podemos chamar de rendimento de uma máquina a relação entre a energia utilizada como forma de trabalho e a energia fornecida: Considerando: η=rendimento; τ= trabalho convertido através da energia térmica fornecida; Q1=quantidade de calor fornecida pela fonte de aquecimento; Q2=quantidade de calor não transformada em trabalho. O valor mínimo para o rendimento é 0 se a máquina não realizar nenhum trabalho, e o máximo 1, se fosse possível que a máquina transformasse todo o calor recebido em trabalho, mas como visto, isto não é possível. Para sabermos este rendimento em percentual, multiplica-se o resultado obtido por 100%. Ciclo de Carnot Até meados do século XIX, acreditava-se ser possível a construção de uma máquina térmica ideal, que seria capaz de transformar toda a energia fornecida em trabalho, obtendo um rendimento total (100%). Para demonstrar que não seria possível, o engenheiro francês Nicolas Carnot (1796-1832) propôs uma máquina térmica teórica que se comportava como uma máquina de rendimento total, estabelecendo um ciclo de rendimento máximo, que mais tarde passou a ser chamado Ciclo de Carnot. Este ciclo seria composto de quatro processos, independente da substância: - Uma expansão isotérmica reversível. O sistema recebe uma quantidade de calor da fonte de aquecimento (L-M) - Uma expansão adiabática reversível. O sistema não troca calor com as fontes térmicas (M-N) - Uma compressão isotérmica reversível. O sistema cede calor para a fonte de resfriamento (N-O) - Uma compressão adiabática reversível. O sistema não troca calor com as fontes térmicas (O-L) 47 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS Professor Classe I - Física Numa máquina de Carnot, a quantidade de calor que é fornecida pela fonte de aquecimento e a quantidade cedida à fonte de resfriamento são proporcionais às suas temperaturas absolutas, assim: Logo: Sendo: TEORIA CINÈTICA DOS GASES Todo gás é constituído de partículas (moléculas) que estão em contínuo movimento desordenado. Esse movimento de um grande número de moléculas provoca colisões entre elas e, por isso, sua trajetória não é retilínea num espaço apreciável, mas sim caminham em ziguezague. Essas colisões podem ser consideradas perfeitamente elásticas. O estado em que se apresenta um gás, sob o ponto de vista microscópico, é caracterizado por três variáveis: pressão, volume e temperatura. São denominadas variáveis de estado Pressão (T) Pressão de um gás é a manifestação da colisão de suas moléculas com a parede do recipiente. P = 1 atm = 760 mmHg = 760 torr P = 1 bar = 100 kPa Volume (V) V = 1 L = 1000 cm3 V = 1 m3 = 1000 L Temperatura (T) A temperatura é sempre em Kelvin (temperatura absoluta). T(K) = 273 + T(°C) Gás ideal ou perfeito é um gás hipotético cujas moléculas não apresentam volume próprio. O volume ocupado pelo gás corresponde ao volume dos “vazios” entre suas moléculas, ou seja, ao volume do recipiente que o contém. Outra característica do gás ideal é a inexistência de forças coesivas entre suas moléculas. O estado de um gás é caracterizado pelos valores assumidos por três grandezas, o volume (V), a pressão (P) e a temperatura (T), que constituem então as variáveis de estado. A Lei Geral dos Gases Perfeitos, relaciona dois estados quaisquer de uma dada massa de um gás 2 22 1 11 T VP T VP = Um gás está em condições normais de pressão e temperatura ( CNTP ) quando sob pressão de 1 atm (atmosfera) e à temperatura de 0 oC ( 273K) Certa quantidade de gás sofre uma transformação de estado quando se modificam ao menos duas das variáveis de estado. Vamos estudar as transformações em que uma das variáveis mantém-se constante. variando portanto as outras duas. a) Transformação isocórica. Uma transformação gasosa na qual a pressão P e a temperatura T variam e o volume V é mantido constante é chamada transformação isocórica. Sendo o volume constante V1 = V2 a fórmula da Lei Geral dos Gases Perfeitos, reduz-se a: 2 2 1 1 T P T P = b) Transformação isobárica. Uma transformação gasosa na qual o volume V e a temperatura T variam e a pressão P é mantida constante é chamada transformação isobárica. Sendo a pressão constante P1 = P2, a fórmula da Lei Geral dos Gases Perfeitos, reduz-se a: 2 2 1 1 T V T V = c) Transformação isotérmica. Uma transformação gasosa na qual a pressão P e o volume V variam e a temperatura T é mantida constante é chamada transformação isotérmica. Sendo a temperatura constante T1 = T2 , a fórmula da Lei Geral dos Gases Perfeitos, reduz-se a: P1V1 = P2 V2 48 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS Professor Classe I - Física Questões 01. (ETAM – Técnico de projetos navais – BIO-RIO) Um turista americano, ao desembarcar no aeroporto do Rio de Janeiro para assistir à Copa do Mundo de Futebol de 2014, verificou que a temperatura local era de 40 °C. O valor desta temperatura na escala Fahrenheit é: (A) 32 (B) 40 (C) 72 (D) 104 02. (LIQUIGÁS – Profissional de Vendas – Júnior – CESGRANRIO) A lâmina bimetálica é um dispositivo composto por duas lâminas de metais diferentes, 1 e 2, presas entre si. Considere uma lâmina bimetálica fixa à parede. À temperatura T0, a lâmina é reta; à T1, essa lâmina enverga para baixo e à T2, para cima, conforme mostra a Figura abaixo. Se as composições dos metais 1 e 2 forem, respectivamente, (A) aço e cobre, então T1 > T2 (B) cobre e níquel, então T1 < T2 (C) aço e níquel, então T1 > T2 (D) aço e latão, então T1 > T2 (E) níquel e latão, então T1 < T2 49 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS Professor Classe I - Física (LIQUIGÁS – Profissional de Vendas – CESGRANRIO) Considere as informações a seguir para responder às questões de números 03 e 04. Um material, inicialmente no estado gasoso, recebe calor de uma fonte. O aquecimento ocorre à pressão constante, e a curva de aquecimento é mostrada na figura. 03 As temperaturas de fusão e vaporização do material, em °C, valem, respectivamente, (A) −100 e 50 (B) 50 e 250 (C) 250 e 450 (D) −100 e 450 (E) 50 e 450 04. Qual é, em J °C−1 , a capacidade calorífica do material no estado líquido? (A) 20 (B) 30 (C) 50 (D) 100 (E) 200 05. (PETROBRAS – Técnico de Inspeção de Equipamentos e Instalações Júnior – CESGRANRIO) Com base na calorimetria, pode-se medir o calor específico de uma substância. Para tal, deve-se elevar a temperatura dessa substância, colocá-la em um calorímetro contendo água com massa ma e temperatura Ta conhecidas e depois medir a temperatura da combinação após o equilíbrio. Aplicando-se o princípio da conservação de energia, e considerando-se que mx é a massa da substância, cxé seu calor específico, Tx é sua temperatura inicial, ca é o calor específico da água e T é a temperatura de equilíbrio final, tem-se para determinar o calor específico da substância cx a expressão 50 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS Professor Classe I - Física 06. (SEDUC/PI – Professor- Física – NUCEPE) Uma barra de aço possui um comprimento de 5,000 m a uma temperatura de 20°C. Se aquecermos essa barra até que sua temperatura atinja 70°C, o comprimento final da barra, sabendo que o coeficiente de dilatação linear do aço é α = 12.10-6 °C-1 será de (A)0,003m. (B) 0,005m. (C) 5,005m. (D) 5,003m. (E) 5,000m. 07. (EEAR – Sargento- Controlador de Tráfego Aéreo – AERONÁUTICA/) Um indivíduo, na praia, tem gelo (água no estado sólido) a -6ºC para conservar um medicamento que deve permanecer a aproximadamente 0ºC. Não dispondo de um termômetro, teve que criar uma nova maneira para controlar a temperatura. Das opções abaixo, a que apresenta maior precisão para a manutenção da temperatura esperada, é (A) utilizar pouco gelo em contato com o medicamento. (B) colocar o gelo a uma certa distância do medicamento. (C) aproximar e afastar o gelo do medicamento com determinada frequência. (D) deixar o gelo começar a derreter antes de colocar em contato com o medicamento. 08. (UEG – Assistente de Gestão Administrativa – Necropsia – FUNIVERSA) Uma câmara refrigerada utilizada em necrotérios possui, nas especificações técnicas a respeito do controle de temperaturas, um termômetro digital, graduado de –40 ºC a +99 ºC, com posicionamento externo e bulbo sensor remoto. As temperaturas indicadas de –40 ºC e 99 ºC correspondem, respectivamente e aproximadamente, nas escalas Fahrenheit e Kelvin, a (A) 36 ºF e 370 K. (B) 24 ºF e 174 K. (C) –20 ºF e 273 K. (D) –36 ºF e 370 K. (E) –40 ºF e 372 K. 09. (CBM/MG – Oficial do Corpo de Bombeiros Militar – IDECAN) A figura representa o botão controlador da temperatura de um forno. Considere que na posição “LOW” a temperatura, no interior do forno, atinja 300°F e na posição “HI” atinja 480°F e que ocorra um aumento contínuo da temperatura entre esses dois pontos. Assim, para se obter a temperatura de 160°C, deve-se ajustar esse botão na posição: (A) 2 (B) 4 (C) 6 (D) 8 10. (LIQUIGÁS – Profissional de Vendas – CESGRANRIO) Um gás ideal passa por um processo cíclico reversível, evoluindo de um estado A com pressão p0 e volume V0 a um estado B com o mesmo volume e com a pressão igual a 2p0 . Depois disso, evolui, à temperatura constante, até um estado C cuja pressão é p0 . Nessas circunstâncias, tem-se que, no (A) processo AB, o sistema fornece calor para o meio externo. (B) processo BC, a energia interna do sistema não se altera. (C) processo BC, não há troca de calor com o meio externo. (D) ciclo, o trabalho total realizado sobre o meio externo é negativo. (E) estado C, a temperatura do sistema é mais baixa que no estado A. 11. (FUVEST – SP) Um recipiente indeformável, hermeticamente fechado, contém 10 litros de um gás perfeito a 30ºC, suportando a pressão de 2 atmosferas. A temperatura do gás é aumentada até atingir 60º C. A) Calcule a pressão final do gás. B) Esboce o gráfico pressão versus temperatura da transformação descrita. 12. (FAAP – SP) A 27º C, um gás ideal ocupa 500 cm3. Que volume ocupará a -73º C, sendo a transformação isobárica? 13. (UNIMEP – SP) 15 litros de uma determinada massa gasosa encontram-se a uma pressão de 8,0 atm e à temperatura de 30º C. Ao sofrer uma expansão isotérmica, seu volume passa a 20 litros. Qual será a nova pressão do gás Respostas 01.Resposta: D. 51 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS Professor Classe I - Física 02. Resposta: E. Lembrando que o sistema vai curvar-se para o lado da barra de menor coeficiente de dilatação, quando aquecida e para o lado da barra de maior coeficiente de dilatação, quando resfriada. 03. Resposta: B Analisando o gráfico, a temperatura de fusão é 50°C, onde o patamar fica na horizontal. E a de vaporização é de 250°C no segundo patamar. 04. Resposta: C. Q=35000-25000=10000 Q=C∆θ 10000=C.(250-50) 05. Resposta:D. Qa+Qx=0 maca(T-Ta) + mxcx(T-Tx)=0 maca(T-Ta)=-mxcx(T-Tx) 06. Resposta: D. ∆L=L0.α. ∆θ L- L0= L0.α. ∆θ L-5=5.12.10-6.(70.20) L=3000.10-6+5 L=0, 003+5 L=5,003m. 07. Resposta: D. A temperatura de fusão é de 0ºC, portanto, quando o gelo começar a entrar na fase líquida, ele vi estar a 0ºC. 08. Resposta: E. 5F-160=-360 5F=-360+160 5F=-200 F=-40 ºF K=99+273=372K 09. Resposta: A. 32⋅9=F-32 288=F-32 F=320 480-300=180°F Como são 9 pontos: 180/9=20, portanto de 20 em 20 muda a temperatura. Como a temperatura é de 320, é a primeira posição 2. 10. Resposta: B. Sem variação de temperatura a energia interna é zero. 11. Resposta: A: Considerando-se que o volume do gás é constante, temos que a transformação é isocórica. Assim, P1 = 2atm P2= ? T1 = 30ºC (passar para Kelvin) = 273 + 30 = 303 K T2 = 60ºC (passar para Kelvin) = 273 + 60 = 333 K Substituindo os valores fornecidos pelo problema na equação da transformação isocórica, temos: P1/T1 = P2/T2 2/303 = P2/333 P2 = 2,2 atm Assim, podemos concluir que a pressão e a temperatura são grandezas diretamente proporcionais. Letra B) A partir da resolução do item anterior, podemos esboçar o gráfico da pressão em função da temperatura (pressão x temperatura). 52 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS Professor Classe I - Física 12. Resolução Sabe-se que: T1 = 27ºC = 300 K T2 = -73ºC = 200 K V1 = 500 cm 3 V2 = ? Da transformação isobárica temos que: V1/T1 = V2/T2 500/300 = V2/200 V2 = 333,33 cm3 V2 = 3,33x 10-4 m3 Podemos concluir que, para a transformação isobárica, o volume e a temperatura são diretamente proporcionais. 13. Resolução Do enunciado temos: V1 = 15 litros V2 = 20 litros P1 = 8,0 atm P2 = ? T = 30º C = 303 K (TEMPERATURA CONSTANTE) Utilizando a equação da transformação isotérmica, temos: P1V1 = P2V2 8x15 = P2x20 P2 = 6 atm De acordo com a transformação isotérmica, a pressão e o volume, em uma transformação gasosa, são grandezas inversamente proporcionais. Obs.: Para a solução de problemas envolvendo as transformações gasosas devemos utilizar SEMPRE a temperatura na escala absoluta (Kelvin). ELETROMAGNETISMO: CAMPO ELÉTRICO; LEI DE GAUSS; POTENCIAL ELÉTRICO; CORRENTE ELÉTRICA E CIRCUITOS; CAMPO MAGNÉTICO; LEI DE AMPERE; LEI DE FARADAY; PROPRIEDADES ELÉTRICAS E MAGNÉTICAS DOS MATERIAIS; EQUAÇÕES DE MAXWELL; RADIAÇÃO. Eletromagnetismo Há séculos, os seres humanos observaram que algumas pedras atraíam o ferro ou outras pedras semelhantes. Essas pedras receberam o nome de ímãs, e as propriedades que se manifestam espontaneamente na Natureza foram chamadas de fenômenos magnéticos. Atualmente sabemos que essas pedras contêm óxido de ferro (Fe3 O4) chamada de magnetita, que um imã natural. Hoje, os imãs mais utilizados são artificiais, obtido por meio do processo da imantação. Os imãs possuem dois polos magnéticos, chamados de polo norte e polo sul, em torno dos quais existe um campo magnético. Seguindo a regra da atração entre opostos, comum na física, o polo norte e o sul de dois imãs se atraem mutuamente. Por outro lado, se aproximarmos os polos iguais de dois imãs o efeito será a repulsão. O campo magnético é um conjunto de linhas de força orientadas que partem do polo norte para o polo sul dos imãs, promovendo sua capacidade de atração e repulsão, mecanismo que fica explicado na figura que segue: Polos que se atraem Polos que se repelem 53 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS Professor Classe I - Física As linhas de força promovem a atração entre polos opostos e repulsão entre polos iguais. Um fato interessante sobre os polos de um imã é que impossível separá-los. Se cortarmos um imã ao meio, exatamente sobre a linha neutra que divide os dois polos, cada uma das metades formará um novo imã completo, com seu próprio polo norte e sul. Perfis magnéticos Um modo de visualizarmos as linhas de força do campo magnético é pulverizando limalha de ferro em torno de um imã. Abaixo, a figura ilustra esse efeito pelo qual as partículas metálicas atraídas desenham o perfil do campo magnético. Limalha de ferro desenha as linhas de força do campo magnético de um imã. Como os planetas também possuem polos magnéticos norte e sul, a Terra se comporta como um imenso imã, razão pela qual, numa bússola, o polo sul da agulha imantada aponta sempre para o polo norte da Terra. Entretanto, se as propriedades dos imãs já eram conhecidas desde a antiguidade, demorou um bomtempo até que as correlações entre os fenômenos elétricos e magnéticos fossem estabelecidos. O cientista inglês Michael Faraday (1791-1867) foi um dos pioneiros do estudo desta correlação. Vimos até agora que um ímã atraí o ferro e também atraí ou repele outros ímãs ou as agulhas magnetizadas das bússolas. Esses fatos podem ser descritos considerando-se que seu e um ímã origina, na região que o envolve, um campo magnético. Assim, por exemplo, a agulha magnética de uma bússola “sente” a presença do ímã por meio do campo magnético que ele origina. Analogamente, a agulha magnética a também produz um campo magnético que age sobre o ímã. Em Eletrostática, foi visto que uma carga elétrica puntiforme fixa origina-se no espaço que a envolve, ou seja, um campo elétrico. A cada ponto P do campo, associou-se um vetor campo elétrico E, e analogamente, cada ponto de um campo magnético associaremos um vetor B, denominado vetor de indução magnética ou, também, vetor campo magnético. A orientação de B (direção e o sentido) Ao colocarmos uma pequena agulha magnética em um ponto P, de um campo magnético originado por um ímã, ela se orienta assumindo uma certa posição de equilíbrio. A direção de i em P é a direção definida pelo eixo Norte- Sul da agulha magnética. O sentido de t B é o sentido para o qual o polo N da agulha magnética aponta, conforme a figura a seguir. Orientação do vetor campo magnético B. Indução eletromagnética - Extra Faraday descobriu que uma corrente elétrica era gerada ao posicionar um imã no interior de uma bobina de fio condutor. Deduziu que se movesse a bobina em relação ao imã obteria uma corrente elétrica contínua, efeito que após comprovado recebeu o nome de indução eletromagnética. A indução eletromagnética é o princípio básico de funcionamento dos geradores e motores elétricos, sendo estes dois equipamentos iguais na sua concepção e diferentes apenas na sua utilização. No gerador elétrico, a movimentação de uma bobina em relação a um imã produz uma corrente elétrica, enquanto no motor elétrico uma corrente elétrica produz a movimentação de uma bobina em relação ao imã. A seguir, a ilustração representa o efeito de indução eletromagnética, como pesquisado por Faraday: 54 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS Professor Classe I - Física A movimentação de um campo elétrico próximo a uma bobina produz a corrente elétrica i. O princípio da indução eletromagnética é também a base de funcionamento dos eletroímãs, equipamentos que geram campos magnéticos apenas, enquanto uma corrente elétrica produz o efeito de indução. Uma vez desligados perdem suas propriedades, ao contrário dos imãs permanentes. Hoje, as leis do eletromagnetismo fundamentam boa parte da nossa tecnologia mecânica e eletroeletrônica. Os campos magnéticos e suas interações elétricas fazem funcionar desde um secador de cabelos até os complexos sistemas de telecomunicações, desde os poderosos geradores elétricos das usinas nucleares até os minúsculos componentes utilizados nos circuitos eletrônicos. Magnes, o lendário pastor grego, ficaria muito impressionado com o que se descobriu fazer possível com os poderes da pedra que encontrou por acaso. Linhas de indução do campo magnético Em um campo magnético chama-se linha de indução toda linha que, em cada ponto e tangente ao vetor B orientada no sentido desse vetor, conforme a figura abaixo: Se colocássemos limalha de ferro fosse colocada sob ação do campo, cada um dos fragmentos funcionaria como uma miniatura de agulha magnética, orientando-se na direção desse campo e desenhando as linhas de indução. As linhas de indução são umas simples representação gráfica da variação de B numa certa região do espaço. (Ou seja, as linhas não são visíveis e são desenhadas para melhor entendermos seu funcionamento). Na figura abaixo, temos o aspecto do campo de um ímã em forma de barra. A representação é feita em um plano contendo o eixo maior da barra. As linhas magnéticas de um imã em formato de barra As linhas de um imã “nascem” no polo norte de um imã e morrem no sul. Campo Magnético e Regra da mão direita3 Todo condutor percorrido por corrente elétrica e imerso em um campo magnético fica, em geral, sujeito a uma força Fm, chamada força magnética. Este é o segundo fenômeno eletromagnético. Sendo a corrente elétrica um movimento ordenado de partículas eletrizadas, concluímos que uma partícula eletrizada em movimento num campo magnético fica, em geral, sob ação de uma força magnética. 3 http://osfundamentosdafisica.blogspot.com.br/2011/11/cursos-do-blog-eletricidade.html 55 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS Professor Classe I - Física Vamos dar as características da força magnética Fm que age numa partícula eletrizada com carga elétrica q, lançada com velocidade v num campo magnético uniforme B. Seja θ o ângulo entre B e a velocidade v. Características da Fm: Direção: da reta perpendicular a B e a v Sentido: determinado pela regra da mão direita número Coloque a mão direita aberta com os quatro dedos lado a lado e o polegar levantado. Coloque o polegar no sentido da velocidade v e os demais dedos no sentido do vetor B do campo magnético. O sentido da força magnética Fm seria, para q>0, aquele para o qual a mão daria um empurrão ou tapa. Para q<0, o sentido da força magnética Fm é oposto ao dado pela regra da mão direita número 56 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS Professor Classe I - Física Intensidade: a intensidade da força magnética Fm depende do valor q da carga elétrica da partícula, do módulo v da velocidade com que a partícula é lançada, da intensidade do vetor campo magnético B e do ângulo θ entre B e v. É descrita por: CASOS IMPORTANTES 1. Se v = 0 (partícula abandonada em repouso), a resultante Fm é = 0. Portanto, partículas eletrizadas abandonadas em repouso não sofrem ação do campo magnético. 2. Partícula eletrizada lançada paralelamente às linhas de indução de um campo magnético uniforme (v paralelo a B) Neste caso, θ = 0 ou θ = 180º e sendo sen 0 = 0 e sen 180º = 0, concluímos que a força magnética é nula. Portanto, a partícula desloca-se livre da ação de forças, realizando um movimento retilíneo e uniforme (MRU). 3. Partícula eletrizada lançada perpendicularmente às linhas de indução de um campo magnético uniforme (v perpendicular a B). Neste caso, θ = 90º e sendo sen 90º = 1, resulta: A força magnética é sempre perpendicular à velocidade v. Ela altera a direção da velocidade e não seu módulo. Sendo q, v e B constantes, concluímos que o módulo da força magnética Fm é constante. Logo, a partícula está sob ação de uma força de módulo constante e que em cada instante é perpendicular à velocidade. Portanto, a partícula realiza movimento circular uniforme (MCU). Cálculo do raio da trajetória Seja m a massa da partícula e R o raio da trajetória. Observando que a força magnética é uma resultante centrípeta, vem: 57 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS Professor Classe I - Física 4. Partícula lançada obliquamente às linhas de indução. Neste caso, decompomos a velocidade de lançamento v nas componentes: v1 (paralela a B) e v2(perpendicular a B). Devido a v1 a partícula descreve MRU e devido a v2, MCU. A composição de um MRU com um MCU é um movimento denominado helicoidal. Ele é uniforme. Lei de Lenz Segundo a lei proposta pelo físico russo Heinrich Lenz, a partir de resultados experimentais, a corrente induzida tem sentido oposto ao sentido da variação do campo magnético que a gera. Se houver diminuição do fluxo magnético, a corrente induzida irá criar um campo magnético com o mesmo sentido do fluxo; Se houver aumento do fluxo magnético, a corrente induzida irá criar um campo magnético com sentido oposto ao sentido do fluxo. Se usarmos como exemplo, uma espira posta no plano de uma página e a submetermos a um fluxo magnético que tem direção perpendicular à página e com sentido de entrada na folha. - Se for positivo, ou seja, se a fluxo magnético aumentar, a corrente induzida terá sentidoanti-horário; - Se for negativo, ou seja, se a fluxo magnético diminuir, a corrente induzida terá sentido horário. Princípio de funcionamento de medidores de intensidade de corrente, diferença de potencial e de resistência. Quando uma carga elétrica puntiforme, com certa velocidade, é lançada em uma região onde existe um campo magnético, dependendo da orientação do vetor indução magnética, veremos que a carga fica sujeita a uma força magnética também chamada de força de Lorentz. Sendo assim, quando essa carga é lançada em um campo magnético ela pode assumir no interior do campo diversos tipos de movimento, conforme a direção de sua velocidade em relação ao campo magnético. Se porventura colocarmos um fio condutor retilíneo imerso em um campo magnético veremos que esse fio também fica sujeito a uma força magnética. O que podemos perceber dessa interação é que a força magnética que atua em um condutor percorrido por uma corrente elétrica, quando colocado em um campo magnético, é utilizada em uma grande variedade de aparelhos, como motores, amperímetros, voltímetros e galvanômetros. A maioria dos motores elétricos que deparamos em nosso cotidiano tem como princípio de funcionamento o efeito de rotação das forças que atuam em espiras colocadas em um campo magnético. Basicamente, o princípio dos motores elétricos consiste em um condutor com formato retangular que pode girar em torno de um eixo fixo. Muitos aparelhos elétricos que fazem uso desse princípio de funcionamento funcionam na verdade como medidores eletromagnéticos, como é o caso do galvanômetro. Um medidor eletromagnético, galvanômetro, funciona com base no efeito de rotação que os campos magnéticos provocam nas espiras, conduzindo corrente elétrica. Quando uma corrente elétrica percorre um eletroímã, surge à sua volta um campo magnético que interage com o campo magnético criado pelo ímã na região. A força magnética que surge dessa interação, entre o campo magnético do ímã e o campo magnético do eletroímã, move o eletroímã que está fixo a um eixo móvel, que por fim desloca consigo o ponteiro. Como sabemos que a força magnética é proporcional à corrente elétrica, podemos dizer que quanto maior for a corrente elétrica mais o ponteiro girará. Quando gira o eletroímã, comprime uma mola de formato espiral, assim o ponteiro estabiliza-se quando as forças magnética e elástica se equilibram. O galvanômetro é um aparelho de medida eletromagnética bastante sensível que pode ser usado para medir correntes elétricas de baixa intensidade. O galvanômetro, quando usado para medir corrente elétrica em um circuito elétrico, deve ter o fio do eletroímã conectado em série. Já para se medir tensão elétrica em um circuito, o galvanômetro deve ser conectado em paralelo. 58 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS Professor Classe I - Física ELETRICIDADE - Carga elétrica: propriedade das partículas subatômicas que determina as interações eletromagnéticas dessas. Matéria eletricamente carregada produz, e é influenciada por, campos eletromagnéticos. Unidade SI (Sistema Internacional de Unidades): ampère segundo (A.s), unidade também denominada coulomb (C). - Campo elétrico: efeito produzido por uma carga no espaço que a contém, o qual pode exercer força sobre outras partículas carregadas. Unidade SI: volt por metro (V/m); ou newton por coulomb (N/C), ambas equivalentes. - Potencial elétrico: capacidade de uma carga elétrica de realizar trabalho ao alterar sua posição. A quantidade de energia potencial elétrica armazenada em cada unidade de carga em dada posição. Unidade SI: volt (V); o mesmo que joule por coulomb (J/C). - Corrente elétrica: quantidade de carga que ultrapassa determinada secção por unidade de tempo. Unidade SI: ampère (A); o mesmo que coulomb por segundo (C/s). - Potência elétrica: quantidade de energia elétrica convertida por unidade de tempo. Unidade SI: watt (W); o mesmo que joules por segundo (J/s). Consumo de energia elétrica Cada aparelho que utiliza a eletricidade para funcionar consome uma quantidade de energia elétrica. Para calcular este consumo basta sabermos a potência do aparelho e o tempo de utilização dele, por exemplo, se quisermos saber quanta energia gasta um chuveiro de 5500W ligado durante 15 minutos, seu consumo de energia será: E=5500.0,25=1,375kWh Mas este cálculo nos mostra que o joule (J) não é uma unidade eficiente neste caso, já que o cálculo acima se refere a apenas um banho de 15 minutos, imagine o consumo deste chuveiro em uma casa com 4 moradores que tomam banho de 15 minutos todos os dias no mês. Para que a energia gasta seja compreendida de uma forma mais prática podemos definir outra unidade de medida, que embora não seja adotada no SI, é mais conveniente. Essa unidade é o quilowatt-hora (kWh).- Energia elétrica: energia armazenada ou distribuída na forma elétrica. Unidade SI: a mesma da energia, o joule (J). - Eletromagnetismo: interação fundamental entre o campo magnético e a carga elétrica, estática ou em movimento. O uso mais comum da palavra “eletricidade” atrela-se à sua acepção menos precisa, contudo. Refere-se a: Energia elétrica (referindo-se de forma menos precisa a uma quantidade de energia potencial elétrica ou, então, de forma mais precisa, à energia elétrica por unidade de tempo) que é fornecida comercialmente pelas distribuidoras de energia elétrica. Em um uso flexível, contudo comum do termo, “eletricidade” pode referir-se à “fiação elétrica”, situação em que significa uma conexão física e em operação a uma estação de energia elétrica. Tal conexão garante o acesso do usuário de “eletricidade” ao campo elétrico presente na fiação elétrica, e, portanto, à energia elétrica distribuída por meio desse. Embora os primeiros avanços científicos na área remontem aos séculos XVII e XVIII, os fenômenos elétricos têm sido estudados desde a antiguidade. Contudo, antes dos avanços científicos na área, as aplicações práticas para a eletricidade permaneceram muito limitadas, e tardaria até o final do século XIX para que os engenheiros fossem capazes de disponibilizá-la ao uso industrial e residencial, possibilitando assim seu uso generalizado. A rápida expansão da tecnologia elétrica nesse período transformou a indústria e a sociedade da época. A extraordinária versatilidade da eletricidade como fonte de energia levou a um conjunto quase ilimitado de aplicações, conjunto que em tempos modernos certamente inclui as aplicações nos setores de transportes, aquecimento, iluminação, comunicações e computação. A energia elétrica é a espinha dorsal da sociedade industrial moderna, e deverá permanecer assim no futuro tangível. Eletrostática é o ramo da eletricidade que estuda as propriedades e o comportamento de cargas elétricas em repouso, ou que estuda os fenômenos do equilíbrio da eletricidade nos corpos que de alguma forma se tornam carregados de carga elétrica, ou eletrizados. Corrente Elétrica Chama-se corrente elétrica o fluxo ordenado de elétrons em uma determinada secção. A corrente contínua tem um fluxo constante, enquanto a corrente alternada tem um fluxo de média zero, ainda que não tenha valor nulo todo o tempo. Esta definição de corrente alternada implica que o fluxo de elétrons muda de direção continuamente. O fluxo de cargas elétricas pode gerar-se em um condutor, mas não existe nos isolantes. Alguns dispositivos elétricos que usam estas características elétricas nos materiais se denominam dispositivos eletrônicos. A Lei de Ohm descreve a relação entre a intensidade e a tensão em uma corrente eléctrica: a diferença de potencial elétrico é diretamente proporcional à intensidade de corrente e à resistência elétrica. Isso é descrito pela seguinte fórmula: U = R.I Onde: V = Diferença de potencial elétrico I = Corrente elétrica R = Resistência A quantidade de corrente em uma seção dada de um condutor se define como a carga elétrica que a atravessa em uma unidade de tempo I = Q / T 59 CONHECIMENTOSESPECÍFICOS Professor Classe I - Física Numa corrente elétrica devemos considerar três aspectos: - Voltagem - (Que é igual a diferença de potencial) é a diferença entre a quantidade de elétrons nos dois polos do gerador. A voltagem é medida em volts (em homenagem ao físico italiano Volta). O aparelho que registra a voltagem denomina-se Voltímetro; - Resistência - é a dificuldade que o condutor oferece á passagem da corrente elétrica. A resistência é medida em ohms (em homenagem ao físico alemão G.S. Ohms). Representamos a resistência pela letra grega (W). - Intensidade - é a relação entre a voltagem e a resistência da corrente elétrica. A intensidade é medida num aparelho chamado Amperímetro, através de uma unidade física denominada Ampére. Lei de Ohm pode ser assim enunciada: A intensidade de uma corrente elétrica é diretamente proporcional à voltagem e inversamente proporcional à resistência. Assim podemos estabelecer suas fórmulas: I = U/R Fonte: http://educacao.globo.com/ I = Intensidade (ampère) U = Voltagem ou força eletromotriz R = Resistência Segunda lei de Ohm: A resistência de um condutor homogêneo de secção transversal constante é proporcional ao seu comprimento e da natureza do material de sua construção, e é inversamente proporcional à área de sua secção transversal. Em alguns materiais também depende de sua temperatura. R=resistência ρ=resistividade L=comprimento da secção A=área da secção Corrente Contínua ou Alternada A diferença entre uma e outra está no sentido do “caminhar” dos elétrons. Na corrente continua os elétrons estão sempre no mesmo sentido. Na corrente alternada os elétrons mudam de direção, ora num sentido, ora no outro. Este movimento denomina Ciclagem. Corrente Alternada - utilizadas nas residências e empresas. Corrente Contínua - proveniente das pilhas e baterias. Condutores e Isolantes Em alguns tipos de átomos, especialmente os que compõem os metais - ferro, ouro, platina, cobre, prata e outros -, a última órbita eletrônica perde um elétron com grande facilidade. Por isso seus elétrons recebem o nome de elétrons livres. Estes elétrons livres se desgarram das últimas órbitas eletrônicas e ficam vagando de átomo para átomo, sem direção definida. Mas os átomos que perdem elétrons também os readquirem com facilidade dos átomos vizinhos, para voltar a perdê-los momentos depois. No interior dos metais os elétrons livres vagueiam por entre os átomos, em todos os sentidos. Devido à facilidade de fornecer elétrons livres, os metais são usados para fabricar os fios de cabos e aparelhos elétricos: eles são bons condutores do fluxo de elétrons livres. Já outras substâncias - como o vidro, a cerâmica, o plástico ou a borracha - não permitem a passagem do fluxo de elétrons ou deixam passar apenas um pequeno número deles. Seus átomos têm grande dificuldade em ceder ou receber os elétrons livres das últimas camadas eletrônicas. São os chamados materiais isolantes, usados para recobrir os fios, cabos e aparelhos elétricos. 60 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS Professor Classe I - Física Essa distinção das substâncias em condutores e isolantes se aplica não apenas aos sólidos, mas também aos líquidos e aos gases. Dentre os líquidos, por exemplo, são bons condutores as soluções de ácidos, de bases e de sais; são isolantes muitos óleos minerais. Os gases podem se comportar como isolantes ou como condutores, dependendo das condições em que se encontrem. O que determina se um material será bom ou mau condutor térmico são as ligações em sua estrutura atômica ou molecular. Assim, os metais são excelentes condutores de calor devido ao fato de possuírem os elétrons mais externos “fracamente” ligados, tornando-se livres para transportar energia por meio de colisões através do metal. Por outro lado temos que materiais como lã, madeira, vidro, papel e isopor são maus condutores de calor (isolantes térmicos), pois, os elétrons mais externos de seus átomos estão firmemente ligados. Os líquidos e gases, em geral, são maus condutores de calor. O ar, por exemplo, é um ótimo isolante térmico. Por este motivo quando você põe sua mão em um forno quente, não se queima. Entretanto, ao tocar numa forma de metal dentro dele você se queimaria, pois, a forma metálica conduz o calor rapidamente. A neve é outro exemplo de um bom isolante térmico. Isto acontece porque os flocos de neve são formados por cristais, que se acumulam formando camadas fofas aprisionando o ar e dessa forma dificultando a transmissão do calor da superfície da Terra para a atmosfera. Aparelhos de medição elétrica (amperímetros, voltímetros) Amperímetro – instrumento que mede a intensidade de corrente elétrica. Alguns amperímetros indicam também, além da intensidade da corrente, seu sentido que, quando a indicação for positiva ela circula no sentido horário e negativa, no sentido anti-horário. Se você quer medir a intensidade da corrente na lâmpada L1 da figura, você deve inserir o amperímetro no trecho onde ela está, pois ele “lê” a corrente que passa através dele. Assim o amperímetro deve ser associado em série no trecho onde você deseja medir a corrente. Como o amperímetro indica a corrente que passa por ele no trecho do circuito onde ele está inserido, sua resistência interna deve ser nula, caso contrário ele indicaria uma corrente de intensidade menor que aquela que realmente passa pelo trecho. Então ele deve se comportar como um fio ideal, de resistência interna nula, ou seja, deve se comportar como se estivesse em curto circuito. Um amperímetro ideal deve possuir resistência interna nula. Voltímetro – instrumento que mede a diferença de potencial ou tensão Como em qualquer ligação em paralelo à diferença de potencial (tensão) é a mesma, o voltímetro deve ser ligado em paralelo ao aparelho em cujos terminais você quer determinar a ddp, assim o aparelho e o voltímetro indicarão a mesma ddp. O voltímetro deve ser ligado em paralelo com o aparelho ou trecho cuja diferença de potencial (tensão) se deseja medir. Para que a corrente que passa pelo aparelho cuja ddp se deseja medir não se desvie para o voltímetro, um voltímetro ideal deve possuir resistência interna extremamente alta, tendendo ao infinito. Um voltímetro ideal deve possuir resistência interna infinita. Suponha que você deseja medir a corrente que passa pelo ponto B e a diferença de potencial entre os pontos C e D, da figura, dispondo de voltímetro e amperímetro, ambos ideais. 61 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS Professor Classe I - Física Para isso, você deve abrir o circuito em B e inserir aí o amperímetro, pois ele deve ficar em série com o trecho percorrido por iB, de modo que iB passe por ele. Os terminais do voltímetro devem ser ligados aos pontos C e D de modo que o voltímetro fique em paralelo com o trecho entre C e D, onde você quer medir a ddp. Observe que a resistência interna do amperímetro ideal dever ser nula de modo que toda iB passe por ele e que a resistência interna do voltímetro deve ser infinita de modo que iCD não desvie para ele Medidas Elétricas É de vital importância, em eletricidade, a utilização de dois aparelhos de medidas elétricas: o amperímetro e o voltímetro. Voltímetro Aparelho utilizado para medir a diferença de potencial entre dois pontos; por esse motivo deve ser ligado sempre em paralelo com o trecho do circuito do qual se deseja obter a tensão elétrica. Para não atrapalhar o circuito, sua resistência interna deve ser muito alta, a maior possível. Se sua resistência interna for muito alta, comparada às resistências do circuito, consideramos o aparelho como sendo ideal. Os voltímetros podem medir tensões contínuas ou alternadas dependendo da qualidade do aparelho. Voltímetro Ideal → Resistência interna infinita. Amperímetro Aparelho utilizado para medir a intensidade de corrente elétrica que passa por um fio. Pode medir tanto corrente contínua como correntealternada. A unidade utilizada é o àmpere. O amperímetro deve ser ligado sempre em série, para aferir a corrente que passa por determinada região do circuito. Para isso o amperímetro deve ter sua resistência interna muito pequena, a menor possível. Se sua resistência interna for muito pequena, comparada às resistências do circuito, consideramos o amperímetro como sendo ideal. Amperímetro Ideal → Resistência interna nula Voltímetro não ideal Amperímetro Ideal 62 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS Professor Classe I - Física Circuitos Simples Vamos verificar tal circuito através da de um “corte” em uma pilha, mostrando seus componentes, entretanto a diferença de potencial entre os polos da pilha abaixo é mantida graças à energia liberada em reações químicas. Consideraremos também dois polos sendo um positivo e um negativo, sendo que sem esses componentes a corrente elétrica jamais se formaria. A voltagem que sempre é fornecida em uma pilha é de 1,5 V, entretanto há aparelhos que se utilizam mais do que essa quantidade de Volts. Sendo assim é necessário que mais de uma pilha sejam colocadas para o devido funcionamento, onde a corrente elétrica é o valor da pilha x o seu próprio número. Como exemplo, confira o seguinte raciocínio: Um carrinho de criança que se coloca 3 pilhas, o valor de sua corrente elétrica se dá por: 1,5 V + 1,5 V + 1,5 V = 4,5 V Já as baterias de automóvel vem com uma carga elétrica de 12 V, onde suas placas são mergulhadas em uma solução de ácido sulfúrico e colocando-as dentro de um invólucro resistente, para que não ocorra seu vazamento. Se por acaso houver uma diferença de potencial entre os seus polos, a voltagem será estabelecida nas extremidades dos fios, gerando assim um circuito elétrico simples. Resistência Elétrica Para um condutor AB, estando ele ligado a uma bateria, ocorrerá sempre que se estabelecer contato, uma diferença de potencial nas extremidades, e consequentemente a passagem da corrente i através dele. As cargas realizarão colisões contra os átomos ou moléculas havendo, então oposição a corrente elétrica, podendo ser maior ou menor, dependendo da natureza do fio ligado em A e B. Portanto, quanto menor for o valor da corrente i, maior será o valor de R. A unidade de representação da medida de resistência é a do sistema internacional, sendo que 1 volt/ampère = 1 V/A, sendo denominada como 1 ohm (ou representada pela letra grega Ω, em homenagem ao físico alemão do século passado, Georg Ohm. Podemos concluir que: quando uma voltagem VAB é aplicada nas extremidades de um condutor, estabelecendo nele uma corrente elétrica i, a resistência é dada pela fórmula acima descrita. Quanto maior for o valor de R, maior será a oposição que o condutor oferecerá à passagem da corrente. O valor da resistividade pode ser considerada como sendo uma grandeza característica de todo material que constitui um fio, sendo definida como: uma substância será tanto melhor condutora de eletricidade quanto menor for o valor de sua resistividade. Reostato segundo seus criadores, é um aparelho onde se pode variar a resistência de um circuito e, assim, tornando- se possível aumentar ou diminuir, a intensidade da corrente elétrica. Dado um comprido fio AC, de grande resistência, um cursor B, que se desloca através do fio, entrando em contato com A e C, observe a corrente que sai do polo positivo da bateria percorrendo o trecho AB do reostato. Verifica-se que não há corrente passando no trecho BC, pois estando o circuito interrompido em C, a corrente não poderá prosseguir através desse trecho. Carga Elétrica Um corpo tem carga negativa se nele há um excesso de elétrons e positiva se há falta de elétrons em relação ao número de prótons. A quantidade de carga elétrica de um corpo é determinada pela diferença entre o número de prótons e o número de elétrons que um corpo contém. O símbolo da carga elétrica de um corpo é Q, expresso pela unidade Coulomb (C). A carga de um Coulomb negativo significa que o corpo contém uma carga de 6,25 x 1018 mais elétrons do que prótons. Diferença de Potencial Graças à força do seu campo eletrostático, uma carga pode realizar trabalho ao deslocar outra carga por atração ou repulsão. Essa capacidade de realizar trabalho é chamada potencial. Quando uma carga for diferente da outra, haverá entre elas uma diferença de potencial (E). A soma das diferenças de potencial de todas as cargas de um campo eletrostático é conhecida como força eletromotriz. A diferença de potencial (ou tensão) tem como unidade fundamental o volt(V). Corrente Corrente (I) é simplesmente o fluxo de elétrons. Essa corrente é produzida pelo deslocamento de elétrons através de uma ddp em um condutor. A unidade fundamental de corrente é o ampère (A). 1 A é o deslocamento de 1 C através de um ponto qualquer de um condutor durante 1 s. I=Q/t O fluxo real de elétrons é do potencial negativo para o positivo. No entanto, é convenção representar a corrente como indo do positivo para o negativo. Correntes e Tensões Contínuas e Alternadas A corrente contínua (CC ou DC) é aquela que passa através de um condutor ou de um circuito num só sentido. Isso se deve ao fato de suas fontes de tensão (pilhas, baterias,...) manterem a mesma polaridade de tensão de saída. Uma fonte de tensão alternada alterna a polaridade constantemente com o tempo. Consequentemente a corrente também muda de sentido periodicamente. A linha de tensão usada na maioria das residências é de tensão alternada. Resistência Elétrica Resistência é a oposição à passagem de corrente elétrica. É medida em ohms (W). Quanto maior a resistência, menor é a corrente que passa. Os resistores são elementos que apresentam resistência conhecida bem definida. Podem ter uma resistência fixa ou variável. 63 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS Professor Classe I - Física Símbolos em eletrônica e eletricidade Abaixo estão alguns símbolos de componentes elétricos e eletrônicos: Associações de Resistores Os resistores podem se associar em paralelo ou em série. (Na verdade existem outras formas de associação, mas elas são um pouco mais complicadas e serão vistas futuramente). Associação Série Na associação série, dois resistores consecutivos têm um ponto em comum. A resistência equivalente é a soma das resistências individuais. Ou seja: Req = R1 + R2 + R3 + ... Exemplificando: Calcule a resistência equivalente no esquema abaixo: Req = 10000 + 1000000 + 470 Req = 1010470Ω Associação Paralelo Dois resistores estão em paralelo se há dois pontos em comum entre eles. Neste caso, a fórmula para a resistência equivalente é: 1/Req = 1/R1 + 1/R2 + 1/R3 + ... Exemplo: Calcule a resistência equivalente no circuito abaixo: Note que a resistência equivalente é menor do que as resistências individuais. Isto acontece pois a corrente elétrica têm mais um ramo por onde prosseguir, e quanto maior a corrente, menor a resistência. Resolução R=1+1+1=3Ω Req=2Ω As Leis de Kirchoff Lei de Kirchoff para Tensão: A tensão aplicada a um circuito fechado é igual ao somatório das quedas de tensão naquele circuito. Ou seja: a soma algébrica das subidas e quedas de tensão é igual à zero (SV). Então, se temos o seguinte circuito: podemos dizer que VA = VR1 + VR2 + VR3 Lei de Kirchoff para Correntes: A soma das correntes que entram num nó ( junção) é igual à soma das correntes que saem desse nó. I1+I2= I3+I4+I5 As leis de Kirchoff serão úteis na resolução de diversos problemas. 64 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS Professor Classe I - Física Capacitor O capacitor é constituído por duas placas condutoras paralelas, separadas por um dielétrico. Quando se aplica uma ddp nos seus dois terminais, começa a haver um movimento de cargas para as placas paralelas. A capacitância de um capacitor é a razão entre a carga acumulada e a tensão aplicada. C = Q/V Deve-se também ter em mente que a capacitância é maior quanto maior for a área das placas paralelas,e quanto menor for a distância entre elas. Desta forma: A (8,85 x 10-12 ) C= ---------------------- k d Onde: C = capacitância A = área da placa d = distância entre as placas k = constante dielétrica do material isolante Vamos agora estudar o comportamento do capacitor quando nele aplicamos uma tensão DC. Quando isto acontece, a tensão no capacitor varia segundo a fórmula: Vc=VT(1-e-t/RC) Isso gera o seguinte gráfico Vc X t Isto acontece porque a medida que mais cargas vão se acumulando no capacitor, maior é a oposição do capacitor à corrente (ele funciona como uma bateria). Note que no exemplo abaixo ligamos um resistor em série com o capacitor. Ele serve para limitar a corrente inicial (quando o capacitor funciona como um curto). O tempo de carga do capacitor é 5t, onde t = RC (resistência vezes capacitância). No exemplo abaixo, o tempo de carga é: Tc= 5 x 1000 x 10-6 = 5ms Se aplicarmos no capacitor uma tensão alternada, ele vai oferecer uma “oposição à corrente” (na verdade é oposição à variação de tensão) chamada reatância capacitiva (Xc). Xc=1/2pfC A oposição total de um circuito à corrente chama-se impedância (Z). Num circuito composto de uma resistência em série com uma capacitância: Z = (R22+Xc2) 1/2 ou Z = Ö R22+XC2 Podemos imaginar a impedância como a soma vetorial de resistência e reatância. O ângulo da impedância com a abscissa é o atraso da tensão em relação à corrente. Aplicações: Se temos um circuito RC série, a medida que aumentarmos a frequência, a tensão no capacitor diminuirá e a tensão no resistor aumentará. Podemos então fazer filtros, dos quais só passarão frequências acima de uma frequência estabelecida ou abaixo dela. Estes são os filtros passa alta e passa baixa. Frequência de corte: é a frequência onde XC=R. Quando temos uma fonte CA de várias frequências, um resistor e um capacitor em série, em frequências mais baixas XC é maior, desta forma, a tensão no capacitor é bem maior que no resistor. A partir da frequência de corte, a tensão no resistor torna-se maior. Dessa forma, a tensão no capacitor é alta em frequências mais baixas que a frequência de corte. Quando a frequência é maior que a frequência de corte, é o resistor que terá alta tensão. Filtro passa baixa: Vsaída=It XC Filtro passa alta 65 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS Professor Classe I - Física A óptica é um ramo da Física que estuda a luz ou, mais amplamente, a radiação eletromagnética, visível ou não. A óptica explica os fenômenos de reflexão, refração e difração, a interação entre a luz e o meio, entre outras coisas. Geralmente, a disciplina estuda fenômenos envolvendo a luz visível, infravermelha, e ultravioleta; entretanto, uma vez que a luz é uma onda eletromagnética, fenômenos análogos acontecem com os raios X, micro-ondas, ondas de rádio, e outras formas de radiação eletromagnética. A óptica, nesse caso, pode se enquadrar como uma subdisciplina do eletromagnetismo. Alguns fenômenos ópticos dependem da natureza da luz e, nesse caso, a óptica se relaciona com a mecânica quântica. Segundo o modelo para a luz utilizada, distingue-se entre os seguintes ramos, por ordem crescente de precisão (cada ramo utiliza um modelo simplificado do empregado pela seguinte): - Óptica geométrica: Trata a luz como um conjunto de raios que cumprem o princípio de Fermat. Utiliza-se no estudo da transmissão da luz por meios homogêneos (lentes, espelhos), a reflexão e a refração. - Óptica ondulatória: Considera a luz como uma onda plana, tendo em conta sua frequência e comprimento de onda. Utiliza-se para o estudo da difração e interferência. - Óptica eletromagnética: Considera a luz como uma onda eletromagnética, explicando assim a reflexão e transmissão, e os fenômenos de polarização e anisotrópicos. - Óptica quântica ou óptica física: Estudo quântico da interação entre as ondas eletromagnéticas e a matéria, no que a dualidade onda-corpúsculo joga um papel crucial. Modelo Corpuscular da Luz4 Influenciado pelo trabalho desenvolvido pelos gregos, o Isaac Newton elaborou um modelo para explicar a natureza da luz, hoje popularizado como “a teoria da natureza corpuscular da luz.” Este modelo sobre a luz baseia-se num fluxo de partículas muito microscópicas que são emitidas por meio de fontes luminosas. A ideia de partícula foi muito satisfatória a Newton, pois encaixava-se em seu conceito de mundo, isto é, um modelo mecânico, determinista, com corpos materiais em movimento, onde seria possível determinar diversas grandezas ao mesmo tempo. Além disso, através do modelo corpuscular sobre a natureza da luz, Newton conseguia explicar fenômenos físicos como a reflexão e a refração, já conhecidos na época. A base de sustentação da teoria formulada por Newton estava, justamente, na reputação que conquistou perante a sociedade científica de sua época e de gerações de cientistas depois dele. A obra de Newton é considerada uma das mais importantes formulações científicas já elaboradas pelo homem e, certamente, o modelo corpuscular foi sustentado devido a este enorme prestígio. No entanto, não apenas fama e prestígio conquistou Newton. Houve ferrenhos debates científicos, discussões envolvendo Newton e sua teoria corpuscular, principalmente, com seu maior desafeto: Robert Hooke. Dessa relação cientificamente conturbada com Hooke nasceu a discussão sobre a natureza da luz. 4 Universidade federal do Rio grande do Sul. Disponível em: http:// lief.if.ufrgs.br/pub/cref/n25_Alvarenga/teoria_corpuscular.htm Luz - Comportamento e princípios A luz, ou luz visível como é fisicamente caracterizada, é uma forma de energia radiante. É o agente físico que, atuando nos órgãos visuais, produz a sensação da visão. Energia radiante é aquela que se propaga na forma de ondas eletromagnéticas, dentre as quais se pode destacar as ondas de rádio, TV, micro-ondas, raios X, raios gama, radar, raios infravermelho, radiação ultravioleta e luz visível. Uma das características das ondas eletromagnéticas é a sua velocidade de propagação, que no vácuo tem o valor de aproximadamente 300 mil quilômetros por segundo, ou seja: C=3.108 m/s Podendo ter este valor reduzido em meios diferentes do vácuo. A luz que percebemos tem como característica sua frequência que vai da faixa de 4.1014 Hz (vermelho) até 8.1014 Hz(violeta). Esta faixa é a de maior emissão do Sol, por isso os órgãos visuais de todos os seres vivos estão adaptados a ela, e não podem ver além desta, como por exemplo, a radiação ultravioleta e infravermelha. Fonte: www.profcordella.com.br Divisões da Óptica Óptica Física: estuda os fenômenos ópticos que exigem uma teoria sobre a natureza das ondas eletromagnéticas. Óptica Geométrica: estuda os fenômenos ópticos em que apresentam interesse as trajetórias seguidas pela luz. Fundamenta-se na noção de raio de luz e nas leis que regulamentam seu comportamento. Conceitos básicos Raios de luz: são a representação geométrica da trajetória da luz, indicando sua direção e o sentido da sua propagação. Por exemplo, em uma fonte puntiforme são emitidos infinitos raios de luz, embora apenas alguns deles cheguem a um observador. Representa-se um raio de luz por um segmento de reta orientado no sentido da propagação. 66 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS Professor Classe I - Física Feixe de luz: é um conjunto de infinitos raios de luz; um feixe luminoso pode ser: Cônico convergente: os raios de luz convergem para um ponto; Cônico divergente: os raios de luz divergem a partir de um ponto; Cilíndrico paralelo: os raios de luz são paralelos entre si. Fontes de luz Tudo o que pode ser detectado por nossos olhos, e por outros instrumentos de fixação de imagens como câmeras fotográficas, é a luz de corpos luminosos que é refletida de forma difusa pelos corpos que nos cercam. Fonte de luz são todos os corpos dos quais se podem receber luz, podendo ser fontes primárias ou secundárias. Fontes primárias: Também chamadasde corpos luminosos, são corpos que emitem luz própria, como por exemplo, o Sol, as estrelas, a chama de uma vela, uma lâmpada acesa. Fontes secundárias: Também chamadas de corpos iluminados, são os corpos que enviam a luz que recebem de outras fontes, como por exemplo, a Lua, os planetas, as nuvens, os objetos visíveis que não têm luz própria. Quanto às suas dimensões, uma fonte pode ser classificada como: Pontual ou puntiforme: uma fonte sem dimensões consideráveis que emite infinitos raios de luz. Extensa: uma fonte com dimensões consideráveis em relação ao ambiente. Meios de propagação da luz Os diferentes meios materiais comportam-se de forma diferente ao serem atravessados pelos raios de luz, por isso são classificados em: Meio transparente: é um meio óptico que permite a propagação regular da luz, ou seja, o observador vê um objeto com nitidez através do meio. Exemplos: ar, vidro comum, papel celofane, etc... Meio translúcido: é um meio óptico que permite apenas uma propagação irregular da luz, ou seja, o observador vê o objeto através do meio, mas sem nitidez. Meio opaco: é um meio óptico que não permite que a luz se propague, ou seja, não é possível ver um objeto através do meio. Fenômenos ópticos Ao incidir sobre uma superfície que separa dois meios de propagação, a luz sofre algum, ou mais do que um, dos fenômenos a seguir: Reflexão regular: a luz que incide na superfície e retorna ao mesmo meio, regularmente, ou seja, os raios incidentes e refletidos são paralelos. Ocorre em superfícies metálicas bem polidas, como espelhos. 67 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS Professor Classe I - Física Reflexão difusa: a luz que incide sobre a superfície volta ao mesmo meio, de forma irregular, ou seja, os raios incidentes são paralelos, mas os refletidos são irregulares. Ocorre em superfícies rugosas, e é responsável pela visibilidade dos objetos. Refração: a luz incide e atravessa a superfície, continuando a se propagar no outro meio. Ambos os raios (incidentes e refratados) são paralelos, no entanto, os raios refratados seguem uma trajetória inclinada em relação aos incididos. Ocorre quando a superfície separa dois meios transparentes. Absorção: a luz incide na superfície, no entanto não é refletida e nem refratada, sendo absorvida pelo corpo, e aquecendo-o. Ocorre em corpos de superfície escura. Princípio da independência dos raios de luz Quando os raios de luz se cruzam, estes seguem independentemente, cada um a sua trajetória. Princípio da propagação retilínea da luz Todo o raio de luz percorre trajetórias retilíneas em meios transparentes e homogêneos. Um meio homogêneo é aquele que apresenta as mesmas características em todos os elementos de volume. Um meio isótropo, ou isotrópico, é aquele em que a velocidade de propagação da luz e as demais propriedades ópticas independem da direção em que é realizada a medida. Um meio ordinário é aquele que é, ao mesmo tempo, transparente, homogêneo e isótropo, como por exemplo, o vácuo. Propagação Retilínea da Luz: Em um meio homogêneo e transparente a luz se propaga em linha reta. Cada uma dessas “retas de luz” é chamada de raio de luz. Reversibilidade dos Raios de Luz: Se revertermos o sentido de propagação de um raio de luz ele continua a percorrer a mesma trajetória, em sentido contrário. O terceiro princípio pode ser verificado, por exemplo, na situação em que um motorista de táxi e seu passageiro, este último no banco de trás, conversam, um olhando para o outro através do espelho central retrovisor. O domínio de validade da óptica geométrica é o de a escala em estudo ser muito maior do que o comprimento de onda da luz considerada e em que as fases das diversas fontes luminosas não têm qualquer correlação entre si. Assim, por exemplo é legítimo utilizar a óptica geométrica para explicar a refração mas não a difração. Todos os três princípios podem ser derivados do Princípio de Fermat, de Pierre de Fermat, que diz que quando a luz vai de um ponto a outro, ela segue a trajetória que minimiza o tempo do percurso (tal princípio foi utilizado por Bernoulli para resolver o problema da braquistócrona. Note a semelhança entre os enunciados do princípio e do problema). A óptica geométrica fundamentalmente estuda o fenômeno da reflexão luminosa e o fenômeno da refração luminosa. O primeiro fenômeno tem sua máxima expressão no estudo dos espelhos, enquanto que o segundo, tem nas lentes o mesmo papel. Durante sua propagação no espaço, a onda propicia fenômenos que acontecem naturalmente e frequentemente. O conhecimento dos fenômenos ondulatórios culminou em várias pesquisas de importantes cientistas, como Christiaan Huygens e Thomas Young, estes defendiam que a luz tinha características ondulatórias e não corpusculares como Isaac Newton acreditava, isso foi possível mediante a uma importante experiência feita por Young, a da “Dupla fenda”, baseada no fenômeno de interferência e difração, inerente às ondas. Mais tarde, outro cientista célebre chamado Heinrich Rudolf Hertz, runescape fotoelétrico que foi muito bem entendido e explicado pelo físico Albert Einstein, o que lhe rendeu o Nobel de Física. Essa contradição permitiu à luz ter caráter dualista, ou seja, ora se comporta como onda ora como partícula. Outro exemplo importante foi o de Gauss, no campo da óptica, com suas descobertas e teorias sobre a reflexão da luz em espelhos esféricos e criador das fórmulas que permite calcular a altura e distância de uma imagem do espelho com relação ao objeto. Reflexão Há muitos séculos, curiosos gregos como Heron de Alexandria tentavam desvendar os mistérios da natureza, em especial a ele a reflexão luminosa. Atualmente os conhecimentos adquiridos sobre este campo culminaram, em parte, na contemporânea mecânica quântica, cientistas como Niels Bohr (com seu modelo atômico mais complexo) perpassaram por estudos na área da reflexão, quando um de seus postulados dizia que fótons poderiam interagir com os elétrons da camada mais exterior da eletrosfera de um átomo, excitando-os e proporcionando- os a estes os chamados saltos quânticos que resultariam na “devolução” da radiação(pacote destes fótons) incidente. A reflexão, no entanto, não vale só para as ondas luminosas e sim para todas as ondas, ou seja, acústica, do mar, etc. Tomando como exemplo ondas originadas de inúmeras perturbações superficiais (pulsos) periódicas em um balde largo e comprido de água inerte (parada), percebe-se que as ondas se propagam no meio “batem” nas paredes do recipiente e “voltam” sem sofrerem perdas consideráveis de energia, esse fenômeno é chamado de reflexão. Os estudos do grego Alexandria resultaram na conclusão de que as ondas luminosas, natureza de onda estudada por ele, incidiam sobre um espelho e eram refletidas, e ainda que o ângulo de incidência é igual ao de reflexão. Esta teoria, aceita até os dias atuais, é válida para todas as naturezas de onda, com exceção à acústica, por se propagar em todas as direções (tridimensional). 68 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS Professor Classe I - Física Quando são refletidos em uma superfície rugosa: Refração Leis da Refração 1. Os raios de onda incidente, refratado e normal são coplanares. 2. Lei de Snell - Descartes: a frequência e a fase não variam. A velocidade de propagação e o comprimento de onda variam na mesma proporção. Fonte: osfundamentosdafisica.blogspot.com Difração Uma onda quando perpassa um obstáculo que possui a mesma ordem de grandeza de seu comprimento de onda, apresenta um fenômeno denominado difração, modificando sua direção de propagação e contornando um obstáculo. Esse fenômeno foi estudado pelo físico Thomas Young e representado em sua experiência junto ao de interferência - utilizado pra provar a característica ondulatória da luz. Se uma pessoa tentar se comunicar com outra, sendo estes separados por uma parede espessa e relativamente alta, osdois se ouvirão em uma conversa, isso é possível graças ao fenômeno de difração, pois como a onda sonora possui um comprimento de onda na escala métrica, esta contornar a parede e atingir os ouvidos dos indivíduos. A luz não poderia contornar a parede, pois possui um comprimento de onda na escala manométrica o que faz os indivíduos não se verem apenas se escutarem. Absorção No fenômeno de Absorção a luz incidente em um corpo não se reflete e nem se refrata. A luz, que é uma forma de energia radiante, é absorvida em S, aquecendo-a. Ocorre, por exemplo, nos corpos de superfície preta (corpos negros). Interferência É quando duas ondas, simultaneamente, se propagam no mesmo meio. Denomina-se então uma superposição de ondas. Quando ocorre o encontro entre duas cristas ambas aumentam sua amplitude. Quando dois vales se encontram sua amplitude é igualmente aumentada e os dois abaixam naquele ponto. Quando um vale e uma crista encontram- se, ambos irão querer puxar cada elevação para o seu lado. Se as amplitudes forem iguais elas se cancelam (a=0). Se as amplitudes foram diferentes elas se subtraem. Polarização A polarização é um fenômeno que pode ocorrer apenas com ondas transversais, aquelas em que a direção de vibração é perpendicular à de propagação, como a produzida em uma corda esticada. A onda é chamada polarizada quando a vibração ocorre em uma única direção. Polarizar uma onda significa orientá-la em uma única direção ou plano. 69 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS Professor Classe I - Física Dioptro É todo o sistema formado por dois meios homogêneos e transparentes. Quando esta separação acontece em um meio plano, chamamos então, dioptro plano. A figura acima representa um dioptro plano, na separação entre a água e o ar, que são dois meios homogêneos e transparentes. Formação de imagens através de um dioptro Considere um pescador que vê um peixe em um lago. O peixe encontra-se a uma profundidade H da superfície da água. O pescador o vê a uma profundidade h. Conforme mostra a figura abaixo: A fórmula que determina esta distância é: Onde n é o índice de refração Prisma Um prisma é um sólido geométrico formado por uma face superior e uma face inferior paralelas e congruentes (também chamadas de bases) ligadas por arestas. As laterais de um prisma são paralelogramos. No entanto, para o contexto da óptica, é chamado prisma o elemento óptico transparente com superfícies retas e polidas que é capaz de refratar a luz nele incidida. O formato mais usual de um prisma óptico é o de pirâmide com base quadrangular e lados triangulares. A aplicação usual dos prismas ópticos é seu uso para separar a luz branca policromática nas sete cores monocromáticas do espectro visível, além de que, em algumas situações poder refletir tais luzes. Funcionamento do prisma Quando a luz branca incide sobre a superfície do prima, sua velocidade é alterada, no entanto, cada cor da luz branca tem um índice de refração diferente, e logo ângulos de refração diferentes, chegando à outra extremidade do prima separadas. Tipos de prismas - Prismas dispersivos são usados para separar a luz em suas cores de espectro. - Prismas refletivos são usados para refletir a luz. - Prismas polarizados podem dividir o feixe de luz em componentes de variadas polaridades. Espelhos Planos Fonte:www.infoescola.com Características da imagem: -mesma distância que o objeto -mesma altura -direita(mesmo sentido que o objeto) -inversa -virtual 70 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS Professor Classe I - Física Espelhos Esféricos -Espelhos Côncavos A parte espelhada é a interna. Vejamos como devem ser feitos os raios de luz para a formação da imagem: Fonte:www.infoescola.com Vamos analisar cada caso Objeto entre o centro de curvatura e o foco Características da imagem -invertida -depois do centro de curvatura -maior que o objeto -real 71 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS Professor Classe I - Física Objeto depois do centro de curvatura Características da imagem -entre o centro de curvatura e o foco -menor que o objeto -invertida -real Objeto no centro de curvatura Características da imagem: -Real -invertida -imagem no centro de curvatura -mesmo tamanho do objeto Objeto entre o foco e o vértice Características da imagem: -virtual -direita -maior que o objeto 72 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS Professor Classe I - Física -Espelhos Convexos Proporcionam um amplo campo de visão Fonte:www.infoescola.com Características da imagem: -virtual -menor -direita 73 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS Professor Classe I - Física Lentes esféricas convergentes - Em uma lente esférica com comportamento convergente, a luz que incide paralelamente entre si é refratada, tomando direções que convergem a um único ponto. - Tanto lentes de bordas finas como de bordas espessas podem ser convergentes, dependendo do seu índice de refração em relação ao do meio externo. - O caso mais comum é o que a lente tem índice de refração maior que o índice de refração do meio externo. Nesse caso, um exemplo de lente com comportamento convergente é o de uma lente biconvexa (com bordas finas): Já o caso menos comum ocorre quando a lente tem menor índice de refração que o meio. Nesse caso, um exemplo de lente com comportamento convergente é o de uma lente bicôncava (com bordas espessas): Lentes esféricas divergentes Em uma lente esférica com comportamento divergente, a luz que incide paralelamente entre si é refratada, tomando direções que divergem a partir de um único ponto. Tanto lentes de bordas espessas como de bordas finas podem ser divergentes, dependendo do seu índice de refração em relação ao do meio externo. O caso mais comum é o que a lente tem índice de refração maior que o índice de refração do meio externo. Nesse caso, um exemplo de lente com comportamento divergente é o de uma lente bicôncava (com bordas espessas): Já o caso menos comum ocorre quando a lente tem menor índice de refração que o meio. Nesse caso, um exemplo de lente com comportamento divergente é o de uma lente biconvexa (com bordas finas): Lentes convergentes Lentes divergentes: Óptica da Visão Na Física, o estudo do comportamento dos raios luminosos em relação ao globo ocular é conhecido como óptica da visão. Para entender a óptica da visão será necessário estudar, anteriormente, a estrutura do olho humano. Nossos olhos são constituídos de vários meios transparentes que levam os raios luminosos até a retina (onde se formam as imagens). 74 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS Professor Classe I - Física Observe a figura abaixo: Na óptica da visão é importante entender a função das partes mais importantes na formação de imagens no globo ocular. Vamos ver estas partes e suas funções: O cristalino funciona como uma lente convergente biconvexa. A pupila funciona como um diafragma, controlando a quantidade de luz que penetra no olho. Os músculos ciliares alteram a distância focal do cristalino, comprimindo-o. A retina é a parte do olho sensível à luz. É nesta região que se formam as imagens. Para que o olho consiga formar uma imagem com nitidez, um objeto é focalizado variando-se a forma do cristalino. Essa variação da distância focal do cristalino é feita pelos músculos ciliares, através de uma maior ou menor compressão destes sobre o cristalino. Esse processo é chamado de acomodação visual. O sistema óptico do globo ocular forma uma imagem real e invertida no fundo do olho, mais precisamente na retina. Como esta região é sensível à luz, as informações luminosas são transformadas em sinais elétricos que escoam pelo nervo óptico até o centro da visão (região do cérebro). O cérebro trata de decodificar estes sinais elétricos e nos mostrar a imagem do objeto focalizado. Pela figura acima, nota-se que as pessoas que possuem miopia, tem um olho mais longo, formando a imagem antes e com a lente divergente, forma a imagem no foco. As pessoas que tem hipermetropia, tem olhos longos, formando a imagem depoisdo foco e com a lente convergente a imagem fica correta. E o astigmatismo torna a imagem distorcida. 75 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS Professor Classe I - Física Adaptação visual Chama-se adaptação visual a capacidade apresentada pela pupila de se adequar a luminosidade de cada ambiente, comprimindo-se ou dilatando-se. Em ambientes com grande luminosidade a pupila pode atingir um diâmetro de até 1,5mm, fazendo com que entre menos luz no globo ocular, protegendo a retina de um possível ofuscamento. Já em ambientes mais escuros, a pupila se dilata, atingindo diâmetro de até 10mm. Assim a incidência de luminosidade aumenta no globo ocular, possibilitando a visão em tais ambientes. Acomodação visual As pessoas que tem visão considerada normal, emétropes, têm a capacidade de acomodar objetos de distâncias de 25 cm em média, até distâncias no infinito visual. Ponto próximo A primeira distância (25cm) corresponde ao ponto próximo, que é a mínima distância que um pessoa pode enxergar corretamente. O que caracteriza esta situação é que os músculos ciliares encontram-se totalmente contraídos. Neste caso, pela equação de Gauss: Considerando o olho com distância entre a lente e a retina de 15mm, ou seja, p’=15mm: Neste caso, o foco da imagem será encontrado 14,1mm distante da lente. Ponto remoto Quanto à distância infinita, corresponde ao ponto remoto, que a distância máxima alcançada para uma imagem focada. Nesta situação os músculos ciliares encontram-se totalmente relaxados. Da mesma forma que para o ponto próximo, podemos utilizar a equação de Gauss, para determinar o foco da imagem. No entanto, é um valor indeterminado, mas se pensarmos que infinito corresponde a um valor muito alto, veremos que esta divisão resultará em um valor muito pequeno, podendo ser desprezado. Assim, teremos que: Muitas vezes não temos muitos dados no exercício, fala simplesmente em ampliação. Ex: o objeto foi aumentado em 2 vezes. Para isso, utilizamos a fórmula: Onde: I=tamanho da imagem O=tamanho do objeto P’=distância da imagem até o vértice P=distância do objeto até o vértice F=distância focal Ilusão de Óptica Ilusão de óptica são imagens que enganam momentaneamente o cérebro deixando o inconsciente confuso e fazendo com que este capte ideias falsas, preenchendo espaços que não ficam claros à primeira vista. Podem ser fisiológicas quando surgem naturalmente ou cognitivas quando se cria com artifícios visuais. Uma das mais famosas imagens, que causa ilusão de óptica, foi criada em 1915 pelo cartunista W. E. Hill. Nesta figura duas imagens podem ser vistas. Uma é uma garota, posicionada de perfil olhando para longe, a outra é o rosto de uma senhora idosa que olha para o chão. 76 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS Professor Classe I - Física Instrumentos Ópticos5 Lupa É o instrumento óptico de ampliação mais simples que existe. Sua principal finalidade é a obtenção de imagens ampliadas, de tal maneira que seus menores detalhes possam ser observados com perfeição. A lupa, também é chamada de microscópio simples e consiste em uma lente convergente, logo, cria imagens virtuais. Em linhas gerais, qualquer lente de aumento pode ser considerada como uma lupa. Há tipos que constam de um suporte contendo a lente, uma armação articulada, onde é colocada a lâmina que contém o objeto a ser observado e um espelho convergente (o condensador) para concentrar os raios luminosos sobre o objeto. Este deve ser colocado a uma distância da lente, menor que a distância focal da mesma. Há uma condição para que a imagem formada seja nítida. De acordo com o foco objeto da lente usada como lupa, temos uma distância mínima de visão nítida. Se a lente for colocado próximo a um objeto numa distância menor que a sua distância mínima de visão nítida, a imagem não será visível. Luneta As lunetas astronômicas são instrumentos ópticos de aproximação, são usadas na observação de objetos muitos distante. As lunetas astronômicas são instrumentos formados por dois sistemas ópticos distintos: uma lente objetiva de grande distância focal que proporciona uma imagem real e invertida do objeto observado, e uma lente ocular com distância focal menor que proporciona uma imagem virtual e invertida do objeto. Os dois sistemas são colocados nas extremidades opostos de um conjunto de tubos concêntricos, que se encaixam um nos outros fazendo variar à vontade o comprimento do conjunto a fim de focar melhor objeto a ser observado. As lunetas de grande porte e alta capacidade de ampliação são dotadas de uma luneta menor pesquisadora, já que as primeiras possuem um campo de visão. A principal diferença entre as lunetas astronômicas e terrestres é, além do porte, a posição da imagem. Aquelas apresentam a imagem final invertida, e essas apresentam a imagem na posição real do objeto já que possuem sistemas de lentes adicionais entre a objetiva e a ocular. 5 Por ZILZ, Denis Microscópio O microscópio composto, ou simplesmente, microscópio, é um instrumento óptico utilizado para observar regiões minúsculas cujos detalhes não podem ser distinguidos a olho nu. É baseado no conjunto de duas lentes. A primeira é a objetiva que é fortemente convergente (fornece uma imagem real e invertida) e possui pequena distância focal, fica voltada para o objeto e forma no interior do aparelho a imagem do mesmo. A segunda é ocular também com pequena distância focal, menos convergente que a objetiva, permite ao observador ver essa mesma imagem, ao formar uma imagem final virtual e direita. Essas lentes são colocadas diametralmente em extremidades opostas de um tubo, formando o conjunto chamado de canhão. O sistema que permite o afastamento ou aproximação do conjunto ocular – objetiva permite uma melhor visualização do campo observado ao focalizá-lo. Câmera Fotográfica A câmera fotográfica como um instrumento óptico de projeção, se baseia no princípio de que um objeto visto através de uma lente convergente, a uma distância maior que a distância da mesma, produz uma imagem real e invertida, e mais ainda: seu tamanho é inversamente proporcional à distância foco objeto. A lente ou sistema de lente empregada recebe o nome de objetiva. É importante que a imagem seja projetada sobre o filme, se a mesma se formar antes ou depois do filme teremos uma foto fora de foco. Por isso, ajusta-se as lentes objetivas a fim de que obtenha-se uma imagem nítida. Quando em foco, a imagem que formada no filme fotográfico é real e invertida. 77 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS Professor Classe I - Física Binóculos É um instrumento de óptica, com lentes, que possibilitam um grande alcance da visão. É composto por um par de tubos, interligados por um sistema articulado, sendo que cada tubo possui igualmente uma lente objetiva (que fica na extremidade do binóculos, mais próxima do objeto a ser visto) e uma lente ocular (que fica mais próxima dos olhos) e entre elas, um sistema de prismas. Há ainda um sistema de foco, situado entre os tubos do binóculo. Há dois tipos de prisma, que definem a qualidade da imagem e o preço do binóculo. O prisma Roof é o tipo mais complexo e é mais caro. Os binóculos que possuem este sistema, tem os tubos retos, como os telescópios. O prisma Porro é mais simples, mas tem melhor percepção da profundidade, isto porque as objetivas não estão alinhadas com as oculares. Elas ficam mais afastadas entre si. O binóculo primitivo era de uma objetiva com uma lente convergente no meio de duas lentes divergentes e uma lente ocular de sentido inverso. Atualmente é constituído de uma lente ocular e de outra objetiva baseada nas lunetas astronômicas, onde é utilizado o método poli prisma. Esse equipamento é adequado para visualização terrestre, marítima e, em alguns casos, astronômica. Como é utilizada a visão dos dois olhos em simultâneo, ao olhar- se por um binóculo tem-se uma percepção da profundidade da cena, ou seja, visão tridimensional: pode-se notar a largura,altura e profundidade. As lunetas e telescópios não tem essa capacidade. - A qualidade da imagem de um binóculo depende de cinco fatores: - Alinhamento da ótica - Qualidade das lentes - Qualidade dos prismas - Tratamento dado às superfícies dos óticos - Estabilidade mecânica do corpo e do mecanismo de focalização. Os binóculos possuem dois números impressos em seu corpo, do tipo: 7x50, 12x60, 20x70. O primeiro número significa a magnificação (ou aumento) e o segundo, o tamanho (em milímetros) da objetiva. Quanto maior a objetiva, mais luz entra e melhor será a visualização das imagens. Os modelos que possuem lentes coloridas (vermelhas) recebem esse acabamento para diminuir a reflexão, sendo um tratamento antirreflexo, permitindo diminuir as aberrações cromáticas. No máximo, apenas ajudam a “quebrar” o excesso de luz em ambientes como praia ou montanhas com neve. Questões 01. (PETROBRAS – Técnico de Química Júnior – CESGRANRIO) As especificações técnicas de uma torradeira estabelecem que, ao ser conectada a uma tomada de 120 V, a torradeira tem uma corrente de 10 A por ela percorrida. Qual é, em ohm, o valor estimado para a resistência dessa torradeira? (A) 1200 (B) 12 (C) 1,2 (D) 0,1 (E) 0 02. (COBRA TECNOLOGIA – Técnico de Operações – Equipamentos – ESPP) Dado o circuito abaixo, sendo R1 = 4 ohms e R2 = 6 ohms, calcule It, I1 e I2: (A) It=5A, I1=3 A, I2=2A. (B) It=3A, I1=2 A, I2=1A. (C) It=6A, I1=2 A, I2=3A. (D) It=2A, I1=1 A, I2=2A. 03. (PC/DF – Papiloscopista Policial – FUNIVERSA) Para mostrar a função e a forma como resistores podem ser arranjados dentro de um circuito elétrico, um instrutor do laboratório de perícia papiloscópica montou o circuito ilustrado abaixo. Após uma análise desse circuito, o instrutor solicitou aos estudantes que determinassem a resistência equivalente da combinação mostrada. Com base nesse caso hipotético e no circuito ilustrado, assinale a alternativa que apresenta o valor da resistência equivalente. (A) 41 Ω (B) 40 Ω (C) 36 Ω (D) 24 Ω (E) 18 Ω 78 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS Professor Classe I - Física 04. (IF/PR - Técnico em laboratório – CETRO) Dispõe-se de três resistores iguais de resistência elétrica 6,0Ω. Vamos associá- los, primeiro, em série e, depois, em paralelo. Chamemos de is a corrente que percorre a associação em série sob tensão de 180V e designemos por ip a corrente que percorre a associação dos três resistores em paralelo sob a mesma tensão de 180V. Por motivo de segurança, imaginemos um fusível antes da associação em série e antes da associação em paralelo. Assinale a alternativa que apresenta o melhor fusível a ser comprado para poder usar em qualquer uma das associações. (A) 10A (B) 90A (C) 80A (D) 50A (E) 60A 05. (SEDUC/PI – Professor – NUCEPE) As unidades de intensidade de corrente elétrica, tensão elétrica e resistência elétrica, bem como seus respectivos aparelhos de medição, são (A) respectivamente ampère (A), volt(V) e Ohm(Ω), medidos por amperímetro, voltímetro e ohmímetro. (B) respectivamente volt (V), ampère(A) e Ohm(Ω), medidos por amperímetro, ohmímetro e voltímetro. (C) respectivamente Ohm(Ω), volt(V), ampère(A) medidos por ohmímetro, amperímetro e voltímetro. (D) respectivamente ampère (A), Ohm(Ω) e volt(V) medidos por ohmímetro, amperímetro e voltímetro. (E) respectivamente ampère (A), volt(V) e Ohm(Ω) medidos por ohmímetro, voltímetro e amperímetro. 06. (PETROBRAS – Técnico de Operação Júnior – CESGRANRIO) Se três lâmpadas de mesma resistência (R) são conectadas, em paralelo, a uma fonte de alimentação V, a corrente que passa por cada lâmpada é expressa por (A) V/R (B) 3V/R (C) V/(3R) (D) 2V/R (E) V/(2R) 07. (PC/SP – Perito Criminal – VUNESP) Duas lâmpadas idênticas, de especificações 15 W – 220 V cada, são ligadas em paralelo a uma rede elétrica alimentada por uma fonte de tensão de 220 V. A intensidade da corrente elétrica através de cada lâmpada será, em ampéres, mais próxima de (A) 0,05. (B) 0,07. (C) 0,03. (D) 0,10. (E) 0,14. 08. (POLITEC/MT – Perito Criminal – FUNCAB) A intensidade de corrente elétrica que atravessa o gerador ideal do circuito abaixo, quando a chave C estiver fechada, é de: (A) 6A (B) 3A (C) 7A (D) 4A (E) 2A 09. (SEC/PI – Professor – NUCEPE) A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou no mês de fevereiro o aumento na taxa extra das bandeiras tarifárias cobrada nas contas de luz quando há aumento no custo de produção de energia no país. Em caso de bandeira vermelha, que vigora atualmente em todo país e sinaliza que está muito caro gerar energia, passará a ser cobrada nas contas de luz uma taxa extra de R$ 5,50 para cada 100 kWh. Supondo que em uma residência alimentada com uma tensão de 220 V, mora uma família com 4 membros e que cada um costuma tomar um banho com duração de 30 minutos por dia no chuveiro elétrico cuja potência é de 5400 W, a taxa extra que esta família irá pagar na conta mensal decorrente dos 30 dias, no que se refere apenas ao uso do chuveiro elétrico, será de: (A) R$ 5,50. (B) R$ 11,00. (C) R$ 16,50. (D) R$ 22,00. (E) Já que não atingiu os 100 KWh no mês, a família não irá pagar taxa extra. 10. (PETROBRAS – Técnico de Operação Júnior – CESGRANRIO) Considere o circuito elétrico esquematizado na figura abaixo. Qual é, aproximadamente, em A, a intensidade da corrente que atravessa a fonte? (A) 0,50 (B) 0,71 (C) 0,91 (D) 2,4 (E) 5,9 79 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS Professor Classe I - Física Respostas 01. Resposta: B. U=Ri 120=R.10 R=12 02. Resposta: A. 12=2,4.i I=5A R1.i1=R2.i2 E como it=5A Temos que i1=3A e i2=2A 03. Resposta: A. R=24+5+12=41Ω 04. Resposta: B. Em série: 6+6+6=18Ω 180=18i I=10A Em paralelo: 180=2i I=90A Portanto, o fusível tem que ser de 90 para poder suportar as duas montagens. 05. Resposta: A. 06. Resposta: A. Lâmpadas em paralelo: Req=R/3 U=Ri Como é paralelo a corrente tem que ser dividida: V=R.3i I=V/R 07. Resposta: B. R=3226,67 U=Ri 220=3226,67 i I=0,068A Aproximadamente i=0,07A 08. Resposta: A. R=5 Como a outra resistência está em série: 5+5=10 U=Ri 60=10i I=6A 80 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS Professor Classe I - Física 09. Resposta: C. E=2700 Como são 4 membros: 2700x4=10800 E 30 dias: 10800x30=324000 Wh=324 kWh Portanto, a cada 100kWh tem um custo de R$5,50, foram consumidos 3 vezes esse valor: 5,50x3=16,50 10. Resposta: C. Devemos somar as resistências 10 e 20, pois estão em série: 10+20=30Ω Assim, ficamos em paralelo: R=15Ω Assim, ficamos novamente em série de 15+40=55Ω U=Ri 50=55i I=0,909 I=0,91A FÍSICA ONDULATÓRIA: OSCILAÇÕES LIVRES, AMORTECIDAS E FORÇADAS; RESSONÂNCIA; ONDAS SONORAS E ELETROMAGNÉTICAS; ÓTICA: REFLEXÃO, REFRAÇÃO, POLARIZAÇÃO, DISPERSÃO, INTERFERÊNCIA E COERÊNCIA, DIFRAÇÃO; INSTRUMENTOS ÓTICOS. Ondulatória Ondulatória é a parte da Física que estuda as ondas. Qualquer onda pode ser estudada aqui, seja a onda do mar, ou ondas eletromagnéticas, como a luz. A definição de onda é qualquer perturbação (pulso) que se propaga em um meio. Ex.: uma pedra jogada em uma piscina (a fonte), provocará ondas na água, pois houve uma perturbação. Essa onda se propagará para todos os lados, quando vemos as perturbações partindo do local da queda da pedra, até ir na borda. Uma sequência de pulsos formam as ondas. Chamamos de Fonte qualquer objeto que possa criar ondas. A onda é somente energia, pois ela só faz a transferência de energia cinética da fonte, para o meio. Portanto, qualquer tipo de onda, não transporta matéria. As ondas podem ser classificadas seguindo três critérios: Classificação das ondas segundo a sua Natureza Quanto a natureza, as ondas podem ser divididas em dois tipos: - Ondas mecânicas: são todas as ondas que precisam de um meio material para se propagar. Por exemplo: ondas no mar, ondas sonoras, ondas em uma corda, etc. - Ondas eletromagnéticas: são ondas que não precisam de um meio material para se propagar. Elas também podem se propagar em meios materiais. Exemplos:luz, raio-X , sinais de rádio, etc. Classificação em relação à direção de propagação As ondas podem ser divididas em três tipos, segundo as direções em que se propaga: - Ondas unidimensionais: só se propagam em uma direção (uma dimensão), como uma onda em uma corda. - Ondas bidimensionais: se propagam em duas direções (x e y do plano cartesiano), como a onda provocada pela queda de um objeto na superfície da água. - Ondas tridimensionais: se propagam em todas as direções possíveis, como ondas sonoras, a luz, etc. E também podem ser classificadas em: - Ondas longitudinais: são as ondas onde a vibração da fonte é paralela ao deslocamento da onda. Exemplos de ondas longitudinais são as ondas sonoras (o alto falante vibra no eixo x, e as ondas seguem essa mesma direção), etc. - Ondas transversais: a vibração é perpendicular à propagação da onda. Ex.: ondas eletromagnéticas, ondas em uma corda (você balança a mão para cima e para baixo para gerar as ondas na corda). Características das ondas Todas as ondas possuem algumas grandezas físicas, que são: - Frequência: é o número de oscilações da onda, por certo período de tempo. A unidade de frequência do Sistema Internacional (SI), é o hertz (Hz), que equivale a 1 segundo, e é representada pela letra f. Então, quando dizemos que uma onda vibra a 60Hz, significa que ela oscila 60 vezes por segundo. A frequência de uma onda só muda quando houver alterações na fonte. -Período: é o tempo necessário para a fonte produzir uma onda completa. No SI, é representado pela letra T, e é medido em segundos. 81 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS Professor Classe I - Física É possível criar uma equação relacionando a frequência e o período de uma onda: f = 1/T ou T = 1/f - Comprimento de onda: é o tamanho de uma onda, que pode ser medida em três pontos diferentes: de crista a crista, do início ao final de um período ou de vale a vale. Crista é a parte alta da onda, vale, a parte baixa. É representada no SI pela letra grega lambda (λ) - Velocidade: todas as ondas possuem uma velocidade, que sempre é determinada pela distância percorrida, sobre o tempo gasto. Nas ondas, essa equação fica: v = λ / T ou v = λ . 1/T ou ainda v = λ . f - Amplitude: é a “altura” da onda, é a distância entre o eixo da onda até a crista. Quanto maior for a amplitude, maior será a quantidade de energia transportada. Velocidade de Propagação de uma Onda Unidimensional Considere uma corda de massa m e comprimento ℓ, sob a ação de uma força de tração . Suponha que a mão de uma pessoa, agindo na extremidade livre da corda, realiza um movimento vertical, periódico, de sobe-e-desce. Uma onda passa a se propagar horizontalmente com velocidade . Cada ponto da corda sobe e desce. Assim que o ponto A começa seu movimento (quando O sobe), B inicia seu movimento (quando O se encontra na posição inicial), movendo-se para baixo. O ponto D inicia seu movimento quando o ponto O descreveu um ciclo completo (subiu, baixou e voltou a subir e regressou à posição inicial). Se continuarmos a movimentar o ponto O, chegará o instante em que todos os pontos da corda estarão em vibração. A velocidade de propagação da onda depende da densidade linear da corda e da intensidade da força de tração , e é dada por: Em que: F = a força de tração na corda µ = , a densidade linear da corda Aplicação: Uma corda de comprimento 3 m e massa 60 g é mantida tensa sob ação de uma força de intensidade 800 N. Determine a velocidade de propagação de um pulso nessa corda. Resolução: Reflexão de um pulso numa corda Quando um pulso, propagando-se numa corda, atinge sua extremidade, pode retornar para o meio em que estava se propagando. Esse fenômeno é denominado reflexão. 82 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS Professor Classe I - Física Essa reflexão pode ocorrer de duas formas: Extremidade fixa: se a extremidade é fixa, o pulso sofre reflexão com inversão de fase, mantendo todas as outras características. Extremidade livre: se a extremidade é livre, o pulso sofre reflexão e volta ao mesmo semiplano, isto é, ocorre inversão de fase. Refração de um pulso numa corda Se, propagando-se numa corda de menor densidade, um pulso passa para outra de maior densidade, dizemos que sofreu uma refração. A experiência mostra que a frequência não se modifica quando um pulso passa de um meio para outro. Essa fórmula é válida também para a refração de ondas bidimensionais e tridimensionais. Observe que o comprimento de onda e a velocidade de propagação variam com a mudança do meio de propagação. Aplicação: Uma onda periódica propaga-se em uma corda A, com velocidade de 40 cm/s e comprimento de onda 5 cm. Ao passar para uma corda B, sua velocidade passa a ser 30 cm/s. Determine: a) o comprimento de onda no meio B b) a frequência da onda Resolução: Superposição de ondas A superposição, também chamada interferência em alguns casos, é o fenômeno que ocorre quando duas ou mais ondas se encontram, gerando uma onda resultante igual à soma algébrica das perturbações de cada onda. Imagine uma corda esticada na posição horizontal, ao serem produzidos pulsos de mesma largura, mas de diferentes amplitudes, nas pontas da corda, poderá acontecer uma superposição de duas formas: Situação 1: os pulsos são dados em fase. No momento em que os pulsos se encontram, suas elongações em cada ponto da corda se somam algebricamente, sendo sua amplitude (elongação máxima) a soma das duas amplitudes: 83 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS Professor Classe I - Física Numericamente: Após este encontro, cada um segue na sua direção inicial, com suas características iniciais conservadas. Este tipo de superposição é chamado interferência construtiva, já que a superposição faz com que a amplitude seja momentaneamente aumentada em módulo. Situação 2: os pulsos são dados em oposição de fase. Novamente, ao se encontrarem as ondas, suas amplitu- des serão somadas, mas podemos observar que o sentido da onda de amplitude é negativo em relação ao eixo vertical, portanto <0. Logo, o pulso resultante terá am- plitude igual a diferença entre as duas amplitudes: Numericamente: Sendo que o sinal negativo está ligado à amplitude e elongação da onda no sentido negativo. Após o encontro, cada um segue na sua direção inicial, com suas características iniciais conservadas. Este tipo de superposição é chamado interferência destrutiva, já que a superposição faz com que a amplitude seja momentaneamente reduzida em módulo. 84 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS Professor Classe I - Física Superposição de ondas periódicas A superposição de duas ondas periódicas ocorre de maneira análoga à superposição de pulsos. Causando uma onda resultante, com pontos de elongação equivalentes à soma algébrica dos pontos das ondas sobrepostas. A figura acima mostra a sobreposição de duas ondas com períodos iguais e amplitudes diferentes (I e II), que, ao serem sobrepostas, resultam em uma onda com amplitude equivalente às suas ondas (III). Este é um exemplo de interferência construtiva. Já este outro exemplo, mostra uma interferência destrutiva de duas ondas com mesma frequência e mesma amplitude, mas em oposição de fase (I e II) que ao serem sobrepostas resultam em uma onda com amplitude nula (III). Os principais exemplos de ondas sobrepostas são os fenômenos ondulatórios de batimento e ondas estacionárias. Batimento: Ocorre quando duas ondas periódicas de frequência diferente e mesma amplitude são sobrepostas, resultando em uma onda com variadas amplitudes dependentes do soma de amplitudes em cada crista resultante. Ondas estacionárias: É o fenômeno que ocorre quando são sobrepostas duas ondas com mesma frequência, velocidade e comprimento de onda, na mesma direção, mas em sentidos opostos. 85 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS Professor Classe I - Física Em que: N = nós ou nodos e V= ventres. Ao atingirem a extremidade fica, elasse refletem, retornando com sentido de deslocamento contrário ao anterior. Dessa forma, as perturbações se superpõem às outras que estão chegando à parede, originando o fenômeno das ondas estacionárias. Uma onda estacionária se caracteriza pela amplitude variável de ponto para ponto, isto é, há pontos da corda que não se movimentam (amplitude nula), chamados nós (ou nodos), e pontos que vibram com amplitude máxima, chamados ventres. É evidente que, entre nós, os pontos da corda vibram com a mesma frequência, mas com amplitudes diferentes. Observe que: Como os nós estão em repouso, não pode haver passagem de energia por eles, não havendo, então, em uma corda estacionária o transporte de energia. A distância entre dois nós consecutivos vale . A distância entre dois ventres consecutivos vale . A distância entre um nó e um ventre consecutivo vale . Aplicação: Uma onda estacionária de frequência 8 Hz se estabelece numa linha fixada entre dois pontos distantes 60 cm. Incluindo os extremos, contam-se 7 nodos. Calcule a velocidade da onda progressiva que deu origem à onda estacionária. Resolução: Ondas Sonoras Som é uma onda que se propaga em meio material, água, ar, etc. O som não se propaga no vácuo, não se percebe o som sem um meio material. A intensidade do som é tanto quanto maior que a amplitude da onda sonora. Velocidade de propagação das ondas: a) Quanto mais tracionado o material, mais rápido o pulso se propagará. b) O pulso se propaga mais rápido em um meio de menor massa. c) O pulso se propaga mais rápido quando o comprimento é grande. d) Equação da velocidade: ou ainda pode ser V = λ.f A equação acima nos mostra que quanto mais rápida for a onda maior será a frequência e mais energia ela tem. Porém, a frequência é o inverso do comprimento de onda (l), isto quer dizer que ondas com alta frequência têm l pequenos. Ondas de baixa frequência têm l grandes. Som O som é uma onda (perturbação) longitudinal e tridimensional, produzida por um corpo vibrante sendo de cunho mecânico. Fonte sonora: qualquer corpo capaz de produzir vibrações. Estas vibrações são transmitidas às moléculas do meio, que por sua vez, transmitem a outras e a outras, e assim por diante. Uma molécula pressiona a outra passando energia sonora. Não causa aquecimento: As ondas sonoras se propagam em expansões e contrações adiabáticas. Ou seja, cada expansão e cada contração, não retira nem cede calor ao meio. Velocidade do som no ar: 343m/s Nível sonoro: o mínimo que o ouvido de um ser humano normal consegue captar é de 20Hz, ou seja, qualquer corpo que vibre em 20 ciclos por segundo. O máximo da sensação auditiva, para o ser humano é de 20.000Hz (20.000 ciclos por segundo). Este mínimo é acompanhado de muita dor, por isso também é conhecido como o limiar da dor. 86 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS Professor Classe I - Física Há outra medida de intensidade de som, que chamada de Bell. Inicialmente os valores eram medidos em Béis, mas tornaram-se muito grandes numericamente. Então, introduziram o valor dez vezes menor, o deciBell, dB. Esta medida foi uma homenagem a Alexander Graham Bell. Eis a medida de alguns sons familiares: Fonte sonora ou dB Intensidade - descrição de ruído em W.m-2 Limiar da dor 120 1 Rebitamento 95 3,2.10-3 Trem elevado 90 10-3 Tráfego urbano pesado 70 10-5 Conversação 65 3,2.10-6 Automóvel silencioso 50 10-7 Rádio moderado 40 10-8 Sussurro médio 20 10-10 Roçar de folhas 10 10-11 Limite de audição 0 10-12 A audição humana considerada normal consegue cap- tar freqüências de onda sonoras que variam entre aproxi- madamente 20Hz e 20000Hz. São denominadas ondas de infra-som, as ondas que tem freqüência menor que 20Hz, e ultra-som as que possuem freqüência acima de 20000Hz. De maneira que: A velocidade do som na água é aproximadamente igual a 1450m/s e no ar, à 20°C é 343m/s. Timbre O Timbre é a “cor” do som. Aquilo que distingue a qualidade do tom ou voz de um instrumento ou cantor, por exemplo, a flauta do clarinete, o soprano do tenor. Cada objeto ou material possui um timbre que é único, assim como cada pessoa possui um timbre próprio de voz. Já que sabemos o que é o som, nada mais justo do que entender como o som se comporta. Vamos então explorar um pouco os fenômenos sonoros. Na propagação do som observam-se os fenômenos gerais da propagação ondulatória. Devido à sua natureza longitudinal, o som não pode ser polarizado; sofre, entretanto, os demais fenômenos, a saber: difração, reflexão, refração, interferência e efeito Doppler. A difração é a propriedade de contornar obstáculos. Ao encontrar obstáculos à sua frente, a onda sonora continua a provocar compressões e rarefações no meio em que está se propagando e ao redor de obstáculos envolvidos pelo mesmo meio (uma pedra envolta por ar, por exemplo). Desta forma, consegue contorná-los. A difração depende do comprimento de onda. Como o comprimento de onda - das ondas sonoras é muito grande - enorme quando comparado com o comprimento de onda da luz - a difração sonora é intensa. Fonte: www.sofisica.com.br A reflexão do som obedece às leis da reflexão ondulatória nos meios materiais elásticos. Simplificando, quando uma onda sonora encontra um obstáculo que não possa ser contornado, ela “bate e volta”. É importante notar que a reflexão do som ocorre bem em superfícies cuja extensão seja grande em comparação com seu comprimento de onda. A reflexão, por sua vez, determina novos fenômenos conhecidos como reforço, reverberação e eco. Esses fenômenos se devem ao fato de que o ouvido humano só é capaz de discernir duas excitações breves e sucessivas se o intervalo de tempo que as separa for maior ou igual a 1/10 do segundo. Este décimo de segundo é a chamada persistência auditiva. Suponhamos que uma fonte emita um som breve que siga dois raios sonoros. Um dos raios vai diretamente ao receptor (o ouvido, por exemplo) e outro, que incide num anteparo, reflete-se e dirige-se para ao mesmo receptor. Dependendo do intervalo de tempo ( ∆t) com que esses sons breves (Direto e Refletido) atingem o ouvido, podemos ter uma das três sensações distintas já citadas: reforço, reverberação e eco. 87 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS Professor Classe I - Física Quando o som breve direto atinge o tímpano dos nossos ouvidos, ele o excita. A excitação completa ocorre em 0,1 segundo. Se o som refletido chegar ao tímpano antes do décimo de segundo, o som refletido reforça a excitação do tímpano e reforça a ação do som direto. É o fenômeno do reforço. Na reverberação, o som breve refletido chega ao ouvido antes que o tímpano, já excitado pelo som direto, tenha tempo de se recuperar da excitação (fase de persistência auditiva). Desta forma, começa a ser excitado novamente, combinando duas excitações diferentes. Isso ocorre quando o intervalo de tempo entre o ramo direto e o ramo refletido é maior ou igual a zero, porém menor que 0,1 segundo. O resultado é uma ‘confusão’ auditiva, o que prejudica o discernimento tanto do som direto quanto do refletido. É a chamada continuidade sonora e o que ocorre em auditórios acusticamente mal planejados. No eco, o som breve refletido chega ao tímpano após este ter sido excitado pelo som direto e ter-se recuperado dessa excitação. Depois de ter voltado completamente ao seu estado natural (completou a fase de persistência auditiva), começa a ser excitado novamente pelo som breve refletido. Isto permite discernir perfeitamente as duas excitações. Ainda derivado do fenômeno da reflexão do som, é preciso considerar a formação de ondas estacionárias nos campos ondulatórios limitados, como é o caso de colunas gasosas aprisionadas em tubos. O tubo de Kundt, abaixo ilustrado, permite visualizar através de montículos de pó de cortiça a localização de nós (regiões isentas de vibração e de som) no sistema de ondas estacionárias que se estabelece como resultado da superposição da onda sonora diretae da onda sonora refletida. A refração do som obedece às leis da refração ondulatória. Este fenômeno caracteriza o desvio sofrido pela frente da onda quando ela passa de um meio para outro, cuja elasticidade (ou compressibilidade, para as ondas longitudinais) seja diferente. Um exemplo seria a onda sonora passar do ar para a água. Quando uma onda sonora sofre refração, ocorre uma mudança no seu comprimento de onda e na sua velocidade de propagação. Sua frequência, que depende apenas da fonte emissora, se mantém inalterada. Como já vimos, o som é uma onda mecânica e transporta apenas energia mecânica. Para se deslocar no ar, a onda sonora precisa ter energia suficiente para fazer vibrar as partículas do ar. Para se deslocar na água, precisa de energia suficiente para fazer vibrar as partículas da água. Todo meio material elástico oferece certa “resistência” à transmissão de ondas sonoras: é a chamada impedância. A impedância acústica de um sistema vibratório ou meio de propagação, é a oposição que este oferece à passagem da onda sonora, em função de sua frequência e velocidade. A impedância acústica (Z) é composta por duas grandezas: a resistência e a reatância. As vibrações produzidas por uma onda sonora não continuam indefinidamente, pois são amortecidas pela resistência que o meio material lhes oferece. Essa resistência acústica (R) é função da densidade do meio e, consequentemente, da velocidade de propagação do som neste meio. A resistência é a parte da impedância que não depende da frequência. É medida em ohms acústicos. A reatância acústica (X) é a parte da impedância que está relacionada com a frequência do movimento resultante (onda sonora que se propaga). É proveniente do efeito produzido pela massa e elasticidade do meio material sobre o movimento ondulatório. Se existe a impedância, uma oposição à onda sonora, podemos também falar em admitância, uma facilitação à passagem da onda sonora. A admitância acústica (Y) é a recíproca da impedância e define a facilitação que o meio elástico oferece ao movimento vibratório. Quanto maior for a impedância, menor será a admitância e vice-versa. É medida em mho acústico (contrário de ohm acústico). A impedância também pode ser expressa em unidades rayls (homenagem a Rayleigh). A impedância característica do ar é de 420 rayles, o que significa que há necessidade de uma pressão de 420 N/m2 para se obter o deslocamento de 1 metro, em cada segundo, nas partículas do meio. Para o som, o ar é mais refringente que a água, pois a impedância do ar é maior. Tanto é verdade que a onda sonora se desloca com maior velocidade na água do que no ar porque encontra uma resistência menor. Quando uma onda sonora passa do ar para a água, ela tende a se horizontalizar, ou seja, se afasta da normal, a linha marcada em verde. O ângulo de incidência em relação à água é importante porque, se não for suficiente, a onda sonora não consegue “entrar” na água e acaba sendo refletida. Refração da água para o ar A refração, portanto, muda a direção da onda sonora (mas não muda o seu sentido). A refração pode ocorrer num mesmo meio, por exemplo, no ar. Camadas de ar de temperaturas diferentes possuem impedâncias diferentes e o som sofre refrações a cada camada que encontra. Da água para o ar, o som se aproxima da normal. O som passa da água para o ar, qualquer que seja o ângulo de incidência. Dada a grande importância da impedância, tratada aqui apenas para explicar o fenômeno da refração, ela possui um módulo próprio. É um assunto relevante na geração e na transmissão de sons. A interferência é a consequência da superposição de ondas sonoras. Quando duas fontes sonoras produzem, ao mesmo tempo e num mesmo ponto, ondas concordantes, seus efeitos se somam; mas se essas ondas estão em discordância, isto é, se a primeira produz uma compressão num ponto em que a segunda produz uma rarefação, seus efeitos se neutralizam e a combinação desses dois sons provoca o silêncio. 88 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS Professor Classe I - Física Trombone de Quincke O trombone de Quincke é um dispositivo que permite constatar o fenômeno da interferência sonora além de permitir a determinação do comprimento de onda. O processo consiste em encaminhar um som simples produzido por uma dada fonte (diapasão, por exemplo) por duas vias diferentes (denominados ‘caminhos de marcha’) e depois reuni-los novamente em um receptor analisador (que pode ser o próprio ouvido). Percebe-se que o som emitido pela fonte percorre dois caminhos: o da esquerda (amarelo), mais longo, e o da direita (laranja), mais curto. As ondas entram no interior do trombone formando ondas estacionárias dentro do tubo. Como o meio no tubo é um só e as ondas sonoras são provenientes de uma mesma fonte, é óbvio que as que percorrem o caminho mais curto cheguem primeiro ao receptor. Depois de um determinado período de tempo, chegam as ondas do caminho mais longo e se misturam às do caminho mais curto: é a interferência. De acordo com as fases em que se encontram as ondas do caminho mais longo e as ondas do caminho mais curto, o efeito pode ser totalmente diverso. Se as ondas amarelas chegarem em concordância de fase com as ondas laranja, ocorre uma interferência construtiva e, o que se ouve, é um aumento na intensidade do som. Se as ondas amarelas chegarem em oposição de fase com as ondas laranja, ocorre uma interferência destrutiva, o que determina o anulamento ou extinção delas. O resultado é o silêncio. Dois sons de alturas iguais, ou seja, de frequências iguais, se reforçam ou se extinguem permanentemente conforme se superponham em concordância ou em oposição de fase. Batimento Se suas frequências não forem rigorosamente iguais, ora eles se superpõem em concordância de fase, ora em oposição de fase, ocorrendo isso a intervalos de tempo iguais, isto é, periodicamente se reforçam e se extinguem. É o fenômeno de batimento e o intervalo de tempo é denominado período do batimento. Distingue-se um som forte de um som fraco pela intensidade. Distingue-se um som agudo de um som grave pela altura. Distingue-se o som de um violino do som de uma flauta pelo timbre. Efeito Doppler O Efeito Doppler é consequência do movimento relativo entre o observador e a fonte sonora, o que determina uma modificação aparente na altura do som recebido pelo observador. O efeito doppler ocorre quando um som é gerado ou refletido por um objeto em movimento. Um efeito doppler ao extremo causa o chamado estrondo sônico. A seguir, veja um exemplo para explicar o efeito doppler. Imagine-se parado numa calçada. Em sua direção vem um automóvel tocando a buzina, a uma velocidade de 60 km/h. Você vai ouvir a buzina tocando uma “nota” enquanto o carro se aproxima, porém, quando ele passar por você, o som da buzina repentinamente desce para uma “nota” mais baixa - o som passa de mais agudo para mais grave. Esta mudança na percepção do som se deve ao efeito doppler. A velocidade do som através do ar é fixa. Para simplificar, digamos que seja de 300 m/s. Se o carro estiver parado a uma distância de 1.500 metros e tocar a buzina durante 1 minuto, você ouvirá o som da buzina após 5 segundos pelo tempo de 1 minuto. Porém, se o carro estiver em movimento, vindo em sua direção a 90 km/h, o som ainda será ouvido com um atraso de 5 segundos, mas você só ouvirá o som por 55 segundos (ao invés de 1 minuto). O que ocorre é que, após 1 minuto o carro estará ao seu lado (90 km/h = 1.500 m/min) e o som, ao fim de 1 minuto, chega até você instantaneamente. Da sua perspectiva, a buzinada de 1 minuto foi “empacotada” em 55 segundos, ou seja, o mesmo número de ondas sonoras foi comprimida num menor espaço de tempo. Isto significa que a frequência foi aumentada e você percebe o som da buzina como mais agudo. Quando o automóvel passa por você e se distancia, ocorre o processo inverso - o som é expandido para preencher um tempo maior. Mesmonúmero de ondas num espaço de tempo maior significa uma frequência menor e um som mais grave. Velocidade do som A propagação do som não é instantânea. Podemos verificar esse fato durante as tempestades: o trovão chega aos nossos ouvidos segundos depois do relâmpago, embora ambos os fenômenos (relâmpago e trovão) se formem ao mesmo tempo. (A propagação da luz, neste caso o relâmpago, também não é instantânea, embora sua velocidade seja superior à do som.) 89 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS Professor Classe I - Física Assim, o som leva algum tempo para percorrer determinada distância. E a velocidade de sua propagação depende do meio em que ele se propaga e da temperatura em que esse meio se encontra. No ar, a temperatura de 15ºC a velocidade do som é de cerca de 340m/s. Essa velocidade varia em 55cm/s para cada grau de temperatura acima de zero. A 20ºC, a velocidade do som é 342m/s, a 0ºC, é de 331m/s. Na água a 20ºC, a velocidade do som é de aproximadamente 1130m/s. Nos sólidos, a velocidade depende da natureza das substâncias. Qualidades fisiológicas do som A todo instante distinguimos os mais diferentes sons. Essas diferenças que nossos ouvidos percebem se devem às qualidades fisiológicas do som: altura, intensidade e timbre. Altura Mesmo sem conhecer música, é fácil distinguir o som agudo (ou fino) de um violino do som grave (ou grosso) de um violoncelo. Essa qualidade que permite distinguir um som grave de um som agudo se chama altura. Assim, costuma-se dizer que o som do violino é alto e o do violoncelo é baixo. A altura de um som depende da frequência, isto é, do número de vibrações por segundo. Quanto maior a frequência mais agudo é o som e vice versa. Por sua vez, a frequência depende do comprimento do corpo que vibra e de sua elasticidade; Quanto maior a tração e mais curta for uma corda de violão, por exemplo, mais agudo vai será o som por ela emitido. Você pode constatar também a diferença de frequências usando um pente que tenha dentes finos e grossos. Passando os dentes do pente na bosta de um cartão você ouvirá dois tipos de som emitidos pelo cartão: o som agudo, produzido pelos dentes finos (maior frequência), e o som grave, produzido pelos dentes mais grossos (menor frequência). Intensidade É a qualidade que permite distinguir um som forte de um som fraco. Ele depende da amplitude de vibração: quanto maior a amplitude mais forte é o som e vice versa. Na prática não se usa unidades de intensidade sonora, mas de nível de intensidade sonora, uma grandeza relacionada à intensidade sonora e à forma como o nosso ouvido reage a essa intensidade. Essas unidades são o bel e o seu submúltiplo o decibel (dB), que vale 1 décimo do bel. O ouvido humano é capaz de suportar sons de até 120dB, como é o da buzina estridente de um carro. O ruído produzido por um motor de avião a jato a poucos metros do observador produz um som de cerca de 140dB, capaz de causar estímulos dolorosos ao ouvido humano. A agitação das grandes cidades provocam a chamada poluição sonora composta dos mais variados ruídos: motores e buzinas de automóveis, martelos de ar comprimido, rádios, televisores e etc. Já foi comprovado que uma exposição prolongada a níveis maiores que 80dB pode causar dano permanente ao ouvido. A intensidade diminui à medida que o som se propaga ou seja, quanto mais distante da fonte, menos intenso é o som. Infrassom e Ultrassom. Infrassons são ondas sonoras extremamente graves, com frequências abaixo dos 20 Hz, portanto abaixo da faixa audível do ouvido humano que é de 20 Hz a 20.000 Hz. Ondas infrassônicas podem se propagar por longas distâncias, pois são menos sujeitas às perturbações ou interferências que as de frequências mais altas. Infrassons podem ser produzidos pelo vento e por alguns tipos de terremotos. Os elefantes são capazes de emitir infrassons que podem ser detectados a uma distância de 2 km. É comprovado que os tigres têm a mais forte capacidade de identificar infrassons. Seu rugido emite ondas infrassônicas tão poderosas que são capazes de paralisar suas presas e até pessoas. Há mais de 50 anos é estudada uma forma de usar o infrassom em armas de guerra, já que sua potência pode destruir construções e até mesmo estourar órgãos humanos. Ultrassom é um som a uma frequência superior àquela que o ouvido do ser humano pode perceber, aproximadamente 20.000 Hz. Alguns animais, como o cão, golfinho e o morcego, têm um limite de percepção sonora superior ao do ouvido humano e podem, assim, ouvir ultrassons. Existem “apitos” especiais nestas frequências que servem a estes princípios. Um som é caracterizado por vibrações (variação de pressão) no ar. O ser humano normal médio consegue distinguir, ou ouvir, sons na faixa de frequência que se estende de 20Hz a 20.000Hz aproximadamente. Acima deste intervalo, os sinais são conhecidos como ultrassons e abaixo dele, infrassons. O emissor de som, em aparelhos de som, é o alto-falante. Um cone de papelão movido por uma bobina imersa em um campo magnético , produzido por um imã permanente. Este cone pode “vibrar” a frequências de áudio e com isto impulsionar o ar promovendo ondas de pressão que ao atingirem o ouvido humano, são interpretados como sons audíveis. Porém, à medida que a frequência das vibrações aumenta, a amplitude das vibrações vai se reduzindo. Para gerar sons de alta-frequência e ultrassons geralmente são utilizados cerâmicas ou cristais piezoelétricos, os quais produzem oscilações mecânicas em resposta a impulsos elétricos. Hidrostática A hidrostática, também chamada estática dos fluidos ou fluidostática (hidrostática refere-se a água, que foi o primeiro fluido a ser estudado, assim por razões históricas mantém-se o nome) é a parte da física que estuda as forças exercidas por e sobre fluidos (líquidos ou gases) em repouso. A massa específica (m) de uma substância é a razão entre a massa (m) de uma quantidade da substância e o volume (V) correspondente: 90 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS Professor Classe I - Física Uma unidade muito usual para a massa específica é o g/cm3, mas no SI a unidade é o kg/m3. A relação entre elas é a seguinte: Assim, para transformar uma massa específica de g/ cm3 para kg/m3, devemos multiplicá-la por 1.000. Na tabela a seguir estão relacionadas às massas específicas de algumas substâncias. Substância Água 1,0 1.000 Gelo 0,92 920 Álcool 0,79 790 Ferro 7,8 7.800 Chumbo 11,2 11.200 Mercúrio 13,6 13.600 Observação: É comum encontrarmos o termo densidade (d) em lugar de massa específica (m). Usa- se “densidade” para representar a razão entre a massa e o volume de objetos sólidos (ocos ou maciços), e “massa específica” para líquidos e substâncias. A densidade absoluta de uma substância é definida como a relação entre a sua massa e o seu volume. A densidade relativa é a relação entre a densidade absoluta de um material e a densidade absoluta de uma substância estabelecida como padrão. A massa específica (m) de uma substância é a razão entre a massa (m) de uma quantidade da substância e o volume (V) correspondente, ou seja, é representado pelo mesmo cálculo da densidade. Obviamente, é comum o termo densidade (d) em lugar de massa específica (m)... Uma explicação que encontrei seria que se usaria “densidade” para representar a razão entre a massa e o volume de objetos sólidos (ocos ou maciços), e “massa específica” para líquidos e soluções. Mas se assim fosse, não poderíamos falar densidade da água, mas somente massa específica. Curiosamente já encontrei também massa específica se referindo a solo, que não é líquido. Em termos gerais, a principal diferença observada que densidade é um conceito mais usado na química e massa específica na física (hidrostática). Definições: Pressão: força sobre uma área Pressão Atmosférica: pressão exercida pela atmosfera terrestre e varia de acordo com a altitude, quanto maior altitude menor a pressão. Pressão Manométrica: pressão quese acrescenta a pressão atmosférica. Pressão Absoluta: soma da pressão atmosférica e manométrica. Instrumentos para medir pressão Barômetro: utilizado para medir pressão atmosférica. Manômetro: Fonte: www.solucoesindustriais.com.br Princípio de Arquimedes Todo corpo imerso, total ou parcialmente, num fluido em equilíbrio, sofre a ação de uma força vertical, para cima, aplicada pelo fluido. Essa força é denominada empuxo, cuja intensidade é igual ao peso do fluido deslocado pelo corpo. E = Pfd = mfd . g E = df . Vfd . g 91 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS Professor Classe I - Física Assim, quando um objeto está flutuando na água, em equilíbrio, ele está recebendo um empuxo cujo valor é igual ao seu próprio peso, isto é, o peso do barco está sendo equilibrado pelo empuxo que ele recebe da água: E = P. Aplicação Um mergulhador e seu equipamento têm massa total de 80kg. Qual deve ser o volume total do mergulhador para que o conjunto permaneça em equilíbrio imerso na água? Solução: Dados: g = 10m/s2; dágua = 10 3kg/m3; m = 80kg. Como o conjunto deve estar imerso na água, o volume de líquido deslocado (Vld) é igual ao volume do conjunto (V). Condição de equilíbrio: E = P d . Vld . g = m . g 103 x V x 10 = 80 x 10 V = 8 x 10-2m3 Princípio de Pascal Quando um ponto de um líquido em equilíbrio sofre uma variação de pressão, todos os outros pontos do líquido também sofrem a mesma variação. Dois recipientes ligados pela base são preenchidos por um líquido (geralmente óleo) em equilíbrio. Sobre a superfície livre do líquido são colocados êmbolos de áreas S1 e S2. Ao aplicar uma força F1 ao êmbolo de área menor, o êmbolo maior ficará sujeito a uma força F2, em razão da transmissão do acréscimo de pressão p. Segundo o Princípio de Pascal: Importante: o Princípio de Pascal é largamente utilizado na construção de dispositivos ampliadores de força – macaco hidráulico, prensa hidráulica, direção hidráulica, etc. Equilíbrio de Corpos Flutuantes Quando um corpo emerge na superfície da água, ele passa a deslocar um menor volume de água. De acordo com o Princípio de Arquimedes, seu empuxo (que antes era maior do que seu peso) diminui. O bloco ficará em equilíbrio de flutuação na superfície da água quando a força de empuxo for exatamente igual ao peso. Dizemos que o corpo ficará flutuando em equilíbrio estático. Ocasionalmente, algumas embarcações ou navios podem ser modificadas, introduzindo-se mastros maiores ou canhões mais pesados; nestes casos, eles se tornam mais pesados e tendem a emborcar em mares mais agitados. Os “icebergs” muitas vezes também viram quando derretem parcialmente. Estes fatos sugerem que, além das forças, os torques destas forças também são importantes para o estudo do equilíbrio de flutuação. Quando um corpo está flutuando em um líquido, ele está sujeito à ação de duas forças de mesma intensidade, mesma direção (vertical) e sentidos opostos: a força- peso e o empuxo. Os pontos de aplicação dessas forças são, respectivamente, o centro de gravidade do corpo G e o centro de empuxo C, que corresponde ao centro de gravidade do líquido deslocado ou centro de empuxo. Se o centro de gravidade G coincide com o centro de empuxo C, situação mais comum quando o corpo está totalmente mergulhado, o equilíbrio é indiferente, isto é, o corpo permanece na posição em que for colocado. 92 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS Professor Classe I - Física Quando um corpo flutua parcialmente imerso no fluido e se inclina num pequeno ângulo, o volume da parte da água deslocada se altera e, portanto, o centro de empuxo muda de posição. Para que um objeto flutuante permaneça em equilíbrio estável, seu centro de empuxo deve ser deslocado de tal modo que a força de empuxo (de baixo para cima) e o peso (de cima para baixo) produzam um torque restaurador, que tende a fazer o corpo retornar a sua posição anterior. O navio é projetado para em caso de oscilações laterais, retornar a posição inicial. Para isso, seu centro de gravidade (CG) fica abaixo do centro de empuxo (CE), como mostra a figura ao lado, de modo que temos uma situação de equilí- brio estável. O momento das forças P e E é que faz com que o navio volte à posição inicial. O CG no caso de uma embarcação, não pode coincidir com o CE, pois quando o CG coincide com o CE, o corpo imerso fica em equilíbrio indiferente. Se qualquer perturbação fizer o corpo se mover lateralmente, ele não re- torna a posição de equilíbrio Veja na figura acima que o CE muda de posição quando o barco se movimenta, o que altera a situação de equilíbrio. Essa mudança depende da forma do casco, já que o CE está localizado no centro de gravidade do líquido deslocado. Para obter-se maior estabilidade possível, a distribuição de cargas no interior do navio é feita para que o centro de gravidade fique mais próximo possível do fundo do navio. Obs.: A diferença conceitual entre centro de empuxo e centro de gravidade é que a posição do centro de gravidade não se altera em relação ao corpo, a menos que ele seja deformado. Mas o centro de empuxo do corpo flutuante muda de acordo com a forma do líquido deslocado porque o centro de empuxo está localizado no centro de gravidade do líquido deslocado pelo corpo. As figuras abaixo mostram o equilíbrio chamado instável. Movimentando o corpo (oscilando) de sua posição inicial, o deslocamento do centro de empuxo faz com que o torque resultante vire o corpo. A tarefa de um engenheiro naval consiste em projetar os navios de modo que isto não ocorra. È importante lembrar que: O valor do empuxo não depende da densidade do corpo que é imerso no fluido, mas podemos usá-la para saber se o corpo flutua, afunda ou permanece em equilíbrio com o fluido: Se: Densidade do corpo > densidade do fluido: o corpo afunda Densidade do corpo = densidade do fluido: o corpo fica em equilíbrio com o fluido Densidade do corpo < densidade do fluido: o corpo flutua na superfície do fluido 93 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS Professor Classe I - Física Relembrando ainda: Força Peso Quando falamos em movimento vertical, introduzimos um conceito de aceleração da gravidade, que sempre atua no sentido a aproximar os corpos em relação à superfície. Relacionando com a 2ª Lei de Newton, se um corpo de massa m, sofre a aceleração da gravidade, quando aplicada a ele o princípio fundamental da dinâmica poderemos dizer que: A esta força, chamamos Força Peso, e podemos expressá-la como: ou em módulo: O Peso de um corpo é a força com que a Terra o atrai, podendo ser variável, quando a gravidade variar, ou seja, quando não estamos nas proximidades da Terra. A massa de um corpo, por sua vez, é constante, ou seja, não varia. Existe uma unidade muito utilizada pela indústria, principalmente quando tratamos de força peso, que é o quilograma-força, que por definição é: 1kgf é o peso de um corpo de massa 1kg submetido a aceleração da gravidade de 9,8m/s². A sua relação com o newton é: Quando falamos no peso de algum corpo, normalmente, lembramos do “peso” medido na balança. Mas este é um termo fisicamente errado, pois o que estamos medindo na realidade, é a nossa massa. Além da Força Peso, existe outra que normalmente atua na direção vertical, chamada Força Normal. Esta é exercida pela superfície sobre o corpo, podendo ser interpretada como a sua resistência em sofrer deformação devido ao peso do corpo. Esta força sempre atua no sentido perpendicular à superfície, diferentemente da Força Peso que atua sempre no sentido vertical. Analisando um corpo que encontra-se sob uma superfície plana verificamos a atuação das duas forças. Para que este corpo esteja em equilíbrio na direção vertical, ou seja, não se movimente ou não altere sua velocidade, é necessário que os módulos das forças Normal e Peso sejam iguais, assim, atuando em sentidos opostos elas se anularão. Por exemplo: Qual o peso deum corpo de massa igual a 10kg: (a) Na superfície da Terra (g=9,8m/s²); (b) Na superfície de Marte (g=3,724m/s²). (a) (b) Questões 01. (UFBA – Engenheiro Eletricista – IADES/2014) A mudança na direção de uma onda, ao atravessar a fronteira entre dois meios, e a modificação da velocidade de propagação e o comprimento de onda, mantendo uma proporção direta, são características de uma (A) reflexão de ondas. (B) refração de ondas. (C) superposição de ondas. (D) dispersão de ondas. (E) difração de ondas. 02. (PETROBRAS – Técnico de Inspeção de Equipamentos e Instalações Júnior – CESGRANRIO/2014) De acordo com a sua natureza, as ondas podem ser classificadas em mecânicas ou eletromagnéticas. É um exemplo de ondas mecânicas: (A) ondas de rádio (B) micro-ondas (C) raio X (D) luz (E) ultrassom 94 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS Professor Classe I - Física 03. (FUB – Físico – CESPE/2009) A figura acima, mostra, esquematicamente, as linhas de campo magnético terrestre. Ocm referência a essa figura e a fenômenos eletromagnéticos, julgue o item Ondas eletromagnéticas são ondas longitudinais e necessitam de meio físico para se propagar. ( ) certo ( ) errado 04. (CBM/MG – Oficial Bombeiro Militar – FUMARC) Sabemos que o som são ondas que se propagam num meio material. No vácuo, não há sons. Duas pessoas conversam. A voz de Marina é mais aguda do que a de Francisco. Em relação às ondas sonoras que cada um deles emite, é CORRETO afirmar que o comprimento de onda dos sons de Francisco é (A) maior do que o de Marina, e a velocidade de propagação de suas ondas é igual à de Marina. (B) menor do que de Marina, e a velocidade de propagação de suas ondas é igual à de Marina. (C) maior do que de Marina, e a velocidade de propagação de suas ondas é maior que a de Marina. (D) menor do que de Marina, e a velocidade de propagação de suas ondas é maior que a de Marina. 05. (SEE/AL – Professor – Física – CESPE) Com relação às propriedades das ondas sonoras e eletromagnéticas, julgue os itens a seguir. Tanto as ondas sonoras quanto as ondas eletromagnéticas requerem um meio para sua propagação. ( ) certo ( ) errado 06. (PETROBRAS – Técnico de Inspeção de Equipamentos e Instalações Júnior – CESGRANRIO) As ondas eletromagnéticas possuem características como: amplitude, frequência, comprimento de onda, velocidade de propagação, potência transmitida, etc. Quando se propagam no vácuo, a única característica que assume o mesmo valor para todas as ondas eletromagnéticas é a(o) (A) amplitude (B) frequência (C) velocidade de propagação (D) potência transmitida (E) comprimento de onda 07. (SEDUC/RJ – Professor Docente I – Ciências – CEPERJ) Se houvesse uma explosão no Sol certamente não ouviríamos aqui na Terra. Isso aconteceria por que: (A) o som não se propaga no vácuo. (B) o som é uma onda eletromagnética (C) as ondas eletromagnéticas são transversais (D) o sol está muito distante da Terra (E) o som se propaga mal no ar 08. (CBM/MG – Oficial do Corpo de Bombeiros Militar – IDECAN) A onda representada a seguir tem período de 0,25 s. Sobre essa onda, é correto afirmar que (A) sua amplitude é de 8 cm. (B) tem frequência igual a 2,5 hz. (C) sua velocidade é igual a 64 cm/s. (D) tem comprimento de onda de 48 cm. 09. (EEAR – Sargento – Controlador de Tráfego Aéreo – FAB) A hélice de um determinado avião gira a 1800 rpm (rotações por minuto). Qual a frequência, em hertz, dessa hélice? (A) 30 (B) 60 (C) 90 (D) 180 10. (UFBA – Engenheiro Eletricista – IADES/Em um tanque com água, um mecanismo de vibração produz ondas na superfície. Se a frequência de trabalho do mecanismo for dobrada, como consequência a onda terá o (a) (A) dobro da velocidade de propagação. (B) seu período inalterado. (C) metade do comprimento de onda. (D) dobro do período. (E) metade da velocidade de propagação. 95 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS Professor Classe I - Física Respostas 01. Resposta: B. Como mantém proporção, podemos dizer que as frequências são iguais, portanto, ocorre refração de ondas. 02. Resposta: E. Lembrando que ondas mecânicas são todas as ondas que precisam de um meio material para se propagar. 03. Resposta: Errado Ondas eletromagnéticas não necessitam de meio físico para se propagar. 04. Resposta: A. A frequência de onda da voz de Marina é maior, pois é som mais agudo, ou seja o comprimento de onda deve ser menor, pois a velocidade das ondas devem ser iguais por estarem no mesmo meio. 05. Resposta: Errado. Como vimos, as ondas eletromagnéticas não requerem um meio para sua propagação, é possível ter, mas não necessitam. 06. Resposta: C. Se as ondas estão no mesmo meio (vácuo), elas terão a mesma velocidade de propagação. 07. Resposta: A. O som é uma onda que precisa de um meio material para ser ouvido. 08. Resposta: C. (A) Amplitude é 4 cm. (B) (C) v=λ.f V=16⋅4=64 cm/s (D) λ=16 cm 09. Resposta: A. Hertz =rotações por segundo, portanto vamos dividir por 60. 1800/60=30 Hz. 10. Resposta: C. A velocidade de propagação não pode mudar, pois não mudou o meio. Mantendo a velocidade constante e dobrando a frequência, o comprimento de onda deve ser pela metade. Vamos pensar pela fórmula? FÍSICA MODERNA: RELATIVIDADE ESPECIAL E TRANSFORMAÇÕES DE LORENTZ; EQUIVALÊNCIA MASSA-ENERGIA; NATUREZA ONDULATÓRIA/CORPUSCULAR DA MATÉRIA E DA LUZ; TEORIA QUÂNTICA; PRINCÍPIO DA INCERTEZA DE HEISENBERG; MODELO DO ÁTOMO DE HIDROGÊNIO, NÚCLEO ATÔMICO E FORÇAS NUCLEARES, DECAIMENTO RADIOATIVO, ENERGIA NUCLEAR, INTRODUÇÃO À FÍSICA DE PARTÍCULAS, FÍSICA CONTEMPORÂNEA. Física influi consideravelmente sobre os mais variados ramos a setores da ciência, técnica a produção. Analisemos, então, alguns fatos elucidativos da importância que a Física tem para os outros domínios da ciência a técnica modernas. No decurso de vários milênios toda a informação de que os astrônomos dispunham sobre os fenômenos astro- nômicos era-lhes dada pela luz visível. Pode-se dizer que os astrônomos observavam a estudavam esses fenômenos através de uma pequena fenda no amplo espetro das radia- ções eletromagnéticas. Há trinta anos, graças ao desenvol- vimento da Radiofísica, surgiu a Radioastronomia que per- mitiu ampliar os nossos conhecimentos sobre o Universo. A radioastronomia revelou-nos a existência de muitos novos corpos cósmicos. A faixa da escala eletromagnética que cor- responde à banda de ondas de rádio tornou-se uma fonte adicional de conhecimentos astronômicos. É grande a quantidade de informação que nos trazem do espaço cósmico as outras espécies de radiações eletro- magnéticas que, antes de atingirem a superfície terrestre, são absorvidas pela atmosfera da Terra. A ofensiva do Ho- mem no espaço cósmico deu origem a novos domínios da astronomia: a astronomia ultravioleta, infravermelha, dos raios X, dos raios gama. Tornou-se muito grande a possi- bilidade de estudo dos raios cósmicos originais fora da at- mosfera. No decurso do desenvolvimento da revolução téc- nico-científica os astrônomos obtiveram pela primeira vez a possibilidade de analisarem todas as espécies de partículas a radiações oriundas do espaço cósmico. A quantidade de informação científica obtida pelos astrônomos durante as últimas décadas é muito superior à obtida no decurso de toda a história do desenvolvimento da astronomia até hoje. Os métodos de investigação e a aparelhagem de registro utilizada pelos astrônomos são análogos aos que se em- pregam na Física; a astronomia antiga vai-se transformando em astrofísica, uma nova ciência que se desenvolve rapida- mente. Hoje em dia estão a ser lançados os fundamentos da chamada Astronomia dos Neutrinos, capaz de oferecer aos cientistas informação acerca dos processos que se verificam no seio dos corpos cósmicos, por exemplo, no interior do Sol. A criação da astronomia dos neutrinos tornou-se pos- sível apenas devido aos êxitos alcançados pela Física dos núcleos atômicos a das partículas elementares. 96CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS Professor Classe I - Física A revolução técnico-científica na Biologia tem muito a ver com o aparecimento da biologia molecular a da gené- tica, ciências biológicas que estudam os processos vitais ao nível molecular. Os meios a métodos fundamentais que se empregam na biologia molecular para identificar e analisar os objetos microscópicos em estudo (microscópios eletrô- nicos e protônicos, análise estrutural com raios X, análise neutrônica de átomos marcados, ultracentrífugas, etc.) são os mesmos que se usam na Física. Os biólogos, sem esses aparelhos a métodos nascidos nos laboratórios de Física, não poderiam ter alcançado tão grandes realizações no estudo dos processos que se de- senvolvem nos organismos vivos. Deste modo, a aplicação dos métodos de pesquisas próprios da Física teve gran- de importância para a instituição e o desenvolvimento da biologia molecular e a genética. A Física moderna também desempenha um papel importante na reforma revolucio- nária da química, geologia, Oceanologia a outras ciências naturais. A Física deu origem também a modificações radicais em todos os domínios da técnica. As grandes realizações da Física serviram de base para a reconstrução da energé- tica, comunicações, transportes, construção, setores indus- trial a agrícola. A revolução na energética deve-se à fundação da ener- gética atômica. Os recursos de energia contidos no com- bustível atômico são consideravelmente superiores aos de combustíveis de origem orgânica. A hulha, o petróleo e o gás natural constituem, hoje em dia, matéria-prima exclusiva para a chamada grande quí- mica. Queimá-los em grandes quantidades significa causar dano irreparável a este setor industrial moderno de grande importância. Portanto, torna-se indispensável o use do combustível atômico urânio, tório) para o fornecimento de energia, sen- do estas as vantagens fundamentais da energética atômica em relação aos outros ramos da energética. As centrais elétricas termonucleares vão resolver, no futuro, todos os problemas que afetam a Humanidade no domínio da energética. Como já foi salientado, os funda- mentos científicos da energética atômica e termonuclear assentam totalmente nas realizações alcançadas pela Física dos núcleos atômicos. A técnica do futuro deixará de utilizar os materiais na- turais para passar a usar materiais sintéticos com as pro- priedades desejadas que garanta trabalho seguro a longa duração. Na obtenção de tais materiais desempenharão um papel cada vez mais importante os métodos físicos de modificação da matéria (feixes de elétrons, íons a de laser; campos magnéticos de intensidades extraordinariamente grandes; pressões e temperaturas elevadíssimas; ultra-som, etc.). Os métodos físicos de modificação da matéria torna- ram possível a obtenção de materiais com características limites e a criação de novos métodos de trabalho das subs- tâncias, modificando radicalmente a tecnologia da produ- ção moderna. O setor industrial e a agricultura vão-se transforman- do em sistemas de produção complexa a automatizada. A automatização complexa assenta no emprego da aparelha- gem eletrônica de controlo a medição indispensável. Os fundamentos científicos dessa aparelhagem e a sua realização prática estão organicamente ligadas à radioeletrô- nica, a Física dos sólidos, a Física do núcleo atômico e a outros domínios da Física Moderna. A Física Moderna tem importância radical para o desen- volvimento dos computadores. Todas as séries de computa- dores existentes até hoje nasceram em laboratórios de Física. A Física Moderna permite o desenvolvimento conseqüen- te da miniaturização, alcançar uma grande rapidez e o trabalho seguro dos computadores eletrônicos. O use dos lasers a da holografia permitirá aperfeiçoar ainda mais os computadores. Não podemos citar aqui todos os aspetos da influência revolucionária que tem a Física Moderna no desenvolvimen- to de diversos domínios das ciências e técnicas. No entanto, os exemplos citados são suficientes para nos certificarmos da enorme contribuição da Física Moderna para a realização da revolução técnico-científica. NOÇÕES DE FÍSICA NUCLEAR Reações Nucleares Quando dois núcleos se movem um em direção ao outro e, apesar da repulsão coulombiana, se aproximam o suficiente para que haja interação entre as partículas de um com as partículas do outro pela força nuclear, pode ocorrer uma redistribuição de núcleons e diz-se que aconteceu uma reação nuclear. Usualmente, as reações nucleares são produzidas bombardeando-se um núcleo alvo com um projétil que pode ser algum tipo de partícula ou núcleo pequeno, de modo que a repulsão coulombiana não se torne um obstáculo muito grande. As reações que envolvem energias não muito grandes ocorrem em duas fases. Na primeira fase, o núcleo alvo e o projétil se agrupam, formando o que se chama de núcleo composto num estado altamente excitado. Na segunda fase, o núcleo composto decai por qualquer processo que não viole os princípios de conservação. Por exemplo, uma partícula a com uma energia cinética de cerca de 7 MeV colide com um núcleo de nitrogênio 14. O resultado é um núcleo composto que consiste de todos os núcleons da partícula a e do nitrogênio 14 num estado altamente excitado. Esse núcleo composto, sendo constituído de 9 prótons, é um núcleo de fluor. Como esse núcleo composto está num estado altamente excitado, pode-se esperar que ele emita uma partícula (ou um fóton) no processo de passagem a um estado menos excitado ou ao estado fundamental do núcleo filho. Cinética das Reações Nucleares Essas reações são interessantes porque produzem prótons e nêutrons com grandes energias cinéticas. Por outro lado, as partículas a de fontes radioativas naturais são efetivas para produzir transformações nucleares apenas em núcleos com números atômicos menores que Z = 19 (correspondente ao potássio) devido à intensidade da repulsão coulombiana entre essas partículas a e os núcleos atômicos alvo. Nêutrons, ao contrário, podem penetrar, em princípio, qualquer núcleo, já que não são repelidos pelos prótons. 97 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS Professor Classe I - Física Reações Artificiais Os núcleos radioativos artificiais são produzidos por reações nucleares. Os elementos transurânicos, em particular, são normalmente produzidos pela captura de nêutrons seguida de decaimento b-. Por outro lado, o que se chama de espalhamento é a reação nuclear em que projétil e partícula liberada são a mesma partícula. O espalhamento é elástico quando, durante o processo, não varia a energia cinética da partícula, e inelástico, caso contrário. Fissão Nuclear A fissão é a divisão do núcleo de um átomo, pelo bombardeamento com nêutrons, em dois núcleos menores com liberação de grande quantidade de energia. A quantidade de energia armazenada nos núcleos atômicos é incomparavelmente maior que a armazenada nas ligações químicas presentes nas camadas eletrônicas. Só para se ter uma idéia, se todos os núcleos de 1 kg de urânio-235 se desintegrassem por fissão, seria liberada mais de um milhão de vezes a quantidade de energia produzida na combustão de 1 kg de petróleo. Em 1934, o físico italiano Enrico Fermi, descobriu como liberar energia armazenada nos núcleos dos átomos, através da reação de fissão nuclear em cadeia. Em 1938, Hahn e Strassmann, repetindo a mesma experiência, constataram a existência de bário-142 entre os produtos obtidos. No mesmo ano, Meitner e Frisch explicaram o fenômeno admitindo a quebra ou fissão ou desintegração do átomo de urânio-235. Fusão Nuclear A fusão nuclear é o processo pelo qual átomos menores (hidrogênio 1H1, deutério 1H2, etc.) são agregados, produzindo átomos maiores (trítio 1H3, hélio 2He3 ou hélio 2He4) com liberação de grande quantidade de energia. Reações desse tipo ocorrem no Sol e estrelas. É muito difícil se fazer aqui na Terra a fusão nuclear devido a exigência de temperaturas elevadíssima (300 000000ºC) e de recipientes capazes de suportar essa temperatura, o que seria ideal pois não deixa rejeitos radioativos como na fissão. Essa façanha só foi realizada, até hoje, nas bombas de hidrogênio com o auxílio de uma bomba atômica que, ao explodir, fornece a temperatura necessária para a fusão do hidrogênio. Em outras palavras, a bomba atômica funciona como espoleta da bomba de hidrogênio; desse modo, são conseguidas explosões de até 500 megatons (2,092 x 1018 J), o que equivale a energia liberada pela explosão de 500.000.000 toneladas de TNT. A primeira bomba de hidrogênio foi construída por Edward Teller e seus colaboradores e explodiu em 1952. Segundo as estimativas dos cientistas, a utilização de forma economicamente viável e segura, da energia produzida pela fusão nuclear ocorrerá somente no final do próximo século. Origens da Física Quântica Há pouco mais de cem anos, o físico Max Planck, considerado conservador, tentando compreender a energia irradiada pelo espectro da radiação térmica, expressa como ondas eletromagnéticas produzidas por qualquer organismo emissor de calor, a uma temperatura x, chegou, depois de muitas experiências e cálculos, à revolucionária ‘constante de Planck’, que subverteu os princípios da física clássica. Este foi o início da trajetória da Física ou Mecânica Quântica, que estuda os eventos que transcorrem nas camadas atômicas e subatômicas, ou seja, entre as moléculas, átomos, elétrons, prótons, pósitrons, e outras partículas. Planck criou uma fórmula que se interpunha justamente entre a Lei de Wien – para baixas frequências – e a Lei de Rayleight – para altas frequências -, ao contrário das experiências tentadas até então por outros estudiosos. Albert Einsten, criador da Teoria da Relatividade, foi o primeiro a utilizar a expressão quantum para a constante de Planck E = hv, em uma pesquisa publicada em março de 1905 sobre as consequências dos fenômenos fotoelétricos, quando desenvolveu o conceito de fóton. Este termo se relaciona a um evento físico muito comum, a quantização – um elétron passa de uma energia mínima para o nível posterior, se for aquecido, mas jamais passará por estágios intermediários, proibidos para ele, neste caso a energia está quantizada, a partícula realizou um salto energético de um valor para outro. Este conceito é fundamental para se compreender a importância da física quântica. Seus resultados são mais evidentes na esfera macroscópica do que na microscópica, embora os efeitos percebidos no campo mais visível dependam das atitudes quânticas reveladas pelos fenômenos que ocorrem nos níveis abaixo da escala atômica. Esta teoria revolucionou a arena das ideias não só no âmbito das Ciências Exatas, mas também no das discussões filosóficas vigentes no século XX. No dia a dia, mesmo sem termos conhecimento sobre a Física Quântica, temos em nossa esfera de consumo muitos de seus resultados concretos, como o aparelho de CD, o controle remoto, os equipamentos hospitalares de ressonância magnética, até mesmo o famoso computador. A Física Quântica envolve conceitos como os de partícula – objeto com uma mínima dimensão de massa, que compõe corpos maiores – e onda – a radiação eletromagnética, invisível para nós, não necessita de um ambiente material para se propagar, e sim do espaço vazio. Enquanto as partículas tinham seu movimento analisado pela mecânica de Newton, as radiações das ondas eletromagnéticas eram descritas pelas equações de Maxwell. No início do século XX, porém, algumas pesquisas apresentaram contradições reveladoras, demonstrando que os comportamentos de ambas podem não ser assim tão diferentes uns dos outros. Foram essas ideias que levaram Max Planck à descoberta dos mecanismos da Física Quântica, embora ele não pretendesse se desligar dos conceitos da Física Clássica. 98 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS Professor Classe I - Física A conexão da Mecânica Quântica com conceitos como a não-localidade e a causalidade, levou esta disciplina a uma ligação mais profunda com conceitos filosóficos, psicológicos e espirituais. Hoje há uma forte tendência em unir os conceitos quânticos às teorias sobre a Consciência. Físicos como o indiano Amit Goswami se valem dos conceitos da Física moderna para apresentar provas científicas da existência da imortalidade, da reencarnação e da vida após a morte. Professor titular da Universidade de Física de Oregon, Ph.D em física quântica, físico residente no Institute of Noetic Sciences, suas ideias aparecem no filme Quem somos nós? e em obras como A Física da Alma, O Médico Quântico, entre outras. Ele defende a conciliação entre física quântica, espiritualidade, medicina, filosofia e estudos sobre a consciência. Seus livros estão repletos de descrições técnicas, objetivas, científicas, o que tem silenciado seus detratores. Fritjof Capra, Ph.D., físico e teórico de sistemas, revela a importância do observador na produção dos fenômenos quânticos. Ele não só testemunha os atributos do evento físico, mas também influencia na forma como essas qualidades se manifestarão. A consciência do sujeito que examina a trajetória de um elétron vai definir como será seu comportamento. Assim, segundo o autor, a partícula é despojada de seu caráter específico se não for submetida à análise racional do observador, ou seja, tudo se interpenetra e se torna interdependente, mente e matéria, o indivíduo que observa e o objeto sob análise. Outro renomado físico, prêmio Nobel de Física, Eugen Wingner, atesta igualmente que o papel da consciência no âmbito da teoria quântica é imprescindível. Radiação do Corpo Negro e a Constante de Planck Na Física, um corpo negro é aquele que absorve toda a radiação eletromagnética que nele incide: nenhuma luz o atravessa (somente em casos específicos) nem é refletida. Um corpo com essa propriedade, em princípio, não pode ser visto, daí o nome corpo negro. Apesar do nome, corpos negros produzem radiação, o que permite determinar qual a sua temperatura. Em equilíbrio termodinâmico, ou seja, à temperatura constante, um corpo negro ideal irradia energia na mesma taxa que a absorve, sendo essa uma das propriedades que o tornam uma fonte ideal de radiação térmica. Na natureza não existem corpos negros perfeitos, já que nenhum objeto consegue ter absorção e emissão perfeitas. Independente da sua composição, verifica-se que todos os corpos negros à mesma temperatura T emitem radiação térmica com mesmo espectro. De mesmo modo, todos os corpos, com temperatura acima do zero absoluto, emitem radiação térmica. Conforme a temperatura da fonte luminosa aumenta, o espectro de corpo negro apresenta picos de emissão em menores comprimentos de onda, partindo das ondas de rádio, passando pelas micro-ondas, infravermelho, luz visível, ultravioleta, raios x e radiação gama. Em temperatura ambiente (cerca de 300K), corpos negros emitem na região do infravermelho do espectro. À medida que a temperatura aumenta algumas centenas de graus Celsius, corpos negros começam a emitir radiação em comprimentos de onda visíveis ao olho humano (compreendidos entre 380 à 780 nanômetros). A cor com maior comprimento de onda é o vermelho, e as cores seguem como no arco-íris, até o violeta, com o menor comprimento de onda do espectro visível. Um bom modelo de corpo negro são as estrelas, como o Sol, no qual a radiação produzida em seu interior é expelida para o universo e consequentemente aquece o nosso planeta. A cor amarela do Sol corresponde a uma temperatura superficial da ordem de 5000K. A primeira menção a corpos negros deve-se a Gustav Kirchhoff em 1860, em seu estudo sobre a espectrografia dos gases. Muitos estudiosos tentaram conciliar o conceito de corpo negro com a distribuição de energia prevista pela termodinâmica, mas os espectros obtidos experimentalmente, ainda que válidos para baixas frequências, mostravam-se muito discrepantes da previsão teórica, explicitada pela Lei deRayleigh-Jeans para a radiação de corpo negro. Uma boa aproximação dos valores para o máximo de emissão para cada temperatura era dado pela Lei de Wien, porém foi Max Planck que, em 1901, ao introduzir a Constante de Planck, como mero recurso matemático, determinou a quantização da energia, o que mais tarde levou à teoria quântica que, por sua vez, rumou para o estudo e surgimento da mecânica quântica. Constante de Planck Dentre os vários experimentos realizados pelos cientistas até o final do século XIX, o que mais despertou curiosidade foi o estudo da luz emitida por corpos aquecidos. Para estudar a luz emitida por esses corpos aquecidos os cientistas tiveram que propor um modelo no qual a ideia era realizar os cálculos apenas para a radiação produzida pela agitação térmica do corpo. Para que esse estudo fosse realizado corretamente, o corpo deveria absorver toda radiação que nele chegasse, sem refleti-la. Dessa forma, o corpo deveria ser totalmente negro, daí o nome do modelo: radiação do corpo negro. Vários cientistas da época (final do séc. XIX) eram preocupados em tentar dar uma explicação plausível de como a temperatura influenciava a energia emitida por um corpo negro. Embora fossem muitos os dados experimentais, os cientistas chegaram à conclusão de que nem a Termodinâmica ou as Leis de Newton eram capazes de demonstrar teoricamente os resultados obtidos. Na época, para tentar explicar a radiação de corpo negro, eles utilizaram um modelo que propunha que um corpo possuiria os átomos interligados por “molas”. Dessa forma, diziam que quando aumentava a temperatura de um corpo, aumentava também a amplitude de oscilação. Mesmo com base nessas considerações, os cientistas não conseguiram reproduzir corretamente os experimentos. No ano de 1900, Max Planck fez uma suposição na qual afirmou que a energia dos osciladores não poderia assumir qualquer valor arbitrário, mas que sempre seria um múltiplo inteiro de um valor mínimo de energia. 99 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS Professor Classe I - Física Assim, Planck disse que existiria um valor mínimo para a energia que podia ser absorvida ou emitida pelos osciladores. Este valor ficou conhecido como um quantum de energia. Dessa forma, Planck pôde explicar corretamente a radiação do corpo negro através da ideia de quantização de energia. Podemos entender melhor a ideia de quantização da energia proposta por Planck fazendo uma analogia com a troca de moedas de 1 centavo entre duas pilhas de dinheiro. Suponhamos que cada moeda de 1 centavo seja nosso quantum de dinheiro: assim, podemos trocar moedas à vontade entre as pilhas, mas é impossível aumentar ou diminuir 0,5 centavo a qualquer uma das pilhas – o valor total de cada pilha sempre será múltiplo de 1 centavo. Baseando-se nesse raciocínio, Planck propôs o quantum de energia. Ele considerou que a quantidade total de energia dos osciladores era dividida em “pequenos pacotes” de energia. Estes pequenos pacotes de energia, ao serem somados, resultam na energia total dos osciladores: Energia dos osciladores = n(hf) = n(6,6 x 10-34 f) Onde: hf é o quantum de energia para o oscilador de frequência f. h é a constante de Planck. Texto Adaptado de: Domiciano Marques. Efeito Fotoelétrico. Espectros Atômicos Efeito Fotoelétrico Efeito Fotoelétrico é a emissão de elétrons de um material, geralmente metálico, quando ele é submetido à radiação eletromagnética. Ela tem larga aplicação no cotidiano como, por exemplo, a contagem do número de pessoas que passam por um determinado local, como também na aplicação dos exemplos dados anteriormente. A aplicação desse efeito acontece através das células fotoelétricas ou fotocélulas, as quais podem ser de vários tipos como, por exemplo, a célula fotoemissiva e a célula fotocondutiva. Mas o que vem a ser célula fotoelétrica? São dispositivos que têm a capacidade de transformar energia luminosa, seja ela proveniente do Sol ou de qualquer outra fonte, em energia elétrica. Essa célula pode funcionar como geradora de energia elétrica ou mesmo como sensor capaz de medir a intensidade luminosa, como nos casos das portas de shoppings. Existem vários tipos de células fotoelétricas, dentre as quais podemos citar algumas que têm larga utilização atualmente, como: Silício Cristalino, Silício Amorfo, CIGS, Arseneto de Gálio e Telureto de Cádmio. Essas células são aplicadas tanto em painéis solares como também em monitores de LCD e de plasma. Texto Adaptado de: Marco Aurélio da Silva. Espectros Atômicos Em 1859, Kirchhoff e Bunsen deduziram a partir de suas experiências que cada elemento, em determinadas condições emite um espectro característico. Tal espectro é exclusivo de cada elemento. Com isso foi possível desenvolver um novo método de análise, baseado nestas emissões. A parte da ciência que estuda estas emissões é chamada de Espectroscopia e foi de fundamental importância no estudo dos astros, uma vez que praticamente tudo o que se sabe a respeito da composição química deles vem de estudos das suas emissões espectrais. Quando se fornece energia a um elétron em um átomo de um determinado elemento, tal elétron pode “saltar” para um nível superior de energia e ao retornar ao seu estado inicial emite radiação eletromagnética. Toda radiação eletromagnética possui uma frequência e com isto pode-se determinar seu comprimento de onda. Entretanto, esta energia fornecida ao átomo para que ele altere o seu estado, não pode possuir qualquer valor. Neste caso, cada átomo é capaz de emitir ou absorver radiação eletromagnética, somente em algumas frequências específicas o que torna a emissão característica de cada material. Para fornecermos energia aos elétrons de um determinado material, uma das formas de fazer é aquecê- lo em sua forma gasosa. Assim, este elemento pode emitir radiação em certas frequências do visível, o que constitui seu espectro de emissão. De acordo com as leis de difração teremos padrões de interferência quando nλ = dsen θn, onde n corresponde a ordem de difração que está sendo observada. Na prática realizada nos laboratórios, o espectro de 1ª ordem pode se apresentar da seguinte forma (exemplo para o mercúrio). Linhas do espectro visível do Hg COR λ(nm) VERMELHA 690 VERMELHA 624 VERMELHA 611 VERMELHA 608 AMARELA 578 VERDE 548 VERDE-AZULADA 496 VERDE-AZULADA 492 AZUL 435 VIOLETA 408 100 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS Professor Classe I - Física Após os testes em laboratório, pode – se ver o seguinte espectro atômico: Texto Adaptado dePAULA; Ricardo Normando Ferreira Modelo Atômico de Bohr O físico dinamarquês Niels Bohr (1885 - 1962) propôs um modelo atômico para o átomo de hidrogênio que depois foi estendido para outros elementos. O seu modelo baseia-se no Sistema Solar, no qual os planetas giram ao redor do Sol. Para Bohr, os elétrons giram em órbita ao redor do núcleo atômico agrupados em níveis energéticos. Hoje sabemos que os elétrons giram ao redor do núcleo, mas não em órbita. Para ser considerada uma órbita, o movimento do elétron deveria ser sempre num mesmo plano, o que na prática não acontece. O movimento dos elétrons ao redor do núcleo é parecido ao de uma nuvem que envolve esse núcleo atômico. No estado fundamental de um átomo, os elétrons se encontram no nível energético mais baixo possível. Se os elétrons de um átomo recebem energia ou colidem com outros elétrons, eles saltam para níveis mais externos. Neste caso, dizemos que os elétrons entram em estado excitado. Se os elétrons cedem energia, eles saltam para níveis mais internos e a energia liberada pelos elétrons sai em forma de quantum de luz ou fóton. A dificuldade para se determinar a trajetória de um elétron ao redor do núcleo atômico consiste em que, para descobri- la, é necessário enviar um fóton ao átomo; mas quando isso acontece, o elétron salta de nível energético, mudando assim a sua trajetória. O comportamento dos elétrons é parecido com o daluz. Ora eles se comportam como onda, ora como partícula. Durante o seu movimento normal ao redor do núcleo, o comportamento dos elétrons é de onda e quando recebem um fóton, eles se comportam como partícula. Comprimento de Ondas de De Broglie e Ondas de Matéria6 Comprimento de Ondas de De Broglie Apesar de todas as limitações, a teoria de Bohr teve o mérito de contribuir para a aceitação da dualidade onda- corpúsculo, rompendo assim com a Física Clássica. Perdida a imagem tradicional do Universo logo se pensou que, se uma radiação se pode comportar como uma onda e como uma partícula, porque não uma partícula a comportar-se também como uma onda? 6 Texto adaptado de: Materiais baseados em “Física” de Alcina do Aido, Maria Adélia Passos Ponte, Maria Aurelina Martins, Maria Gertrudes Abreu Bastos, Maria Josefina Pereira, Maria Margarida Leitão e Rómulo de Carvalho, Livraria Sá da Costa Editora, Volume II, págs. 227 a 363. Talvez então os electrões ou os átomos, ou outras partículas, pudessem manifestar comportamento ondulatório, sendo esta questão levantada pela primeira vez pelo físico francês Louis de Broglie, em 1923, que admitiu que a uma partícula de massa m, que se move com velocidade escalar v, tendo, portanto, um momento linear de valor p = m.v, se encontra associada uma onda de comprimento de onda λ, tal que em que h é a constante de Planck. Este comprimento de onda λ designa-se por comprimento de onda de de Broglie da partícula. A generalização do conceito de onda-corpúsculo a todas as partículas serviu a de Broglie de fundamento para a criação de uma nova mecânica, a Mecânica Ondulatória, continuada pelo físico-matemático austríaco Erwin Schroedinger. Em 1927, os físicos americanos Davisson e Germer conseguiram que um feixe monocinético de electrões, i.e., um feixe em que os electrões tinham todos a mesma energia cinética, atravessasse um cristal de níquel, tendo obtido imagens daquelas partículas, que revelaram comportamento ondulatório, o que está na base do funcionamento do microscópio electrónico, que se baseia nas propriedades ondulatórias dos electrões. Mais tarde obtiveram-se resultados análogos por utilização de feixes de neutrões, protões, átomos de hidrogénio e átomos de hélio, resultado da difracção destes feixes corpusculares. O físico alemão Werner Heisenberg, fundamentando-se na teoria dos quanta de Planck e Einstein, apresentou na mesma época outra teoria, desenvolvida segundo um tratamento matemático diferente, a chamada Mecânica Quântica. O físico inglês Paul Dirac demonstrou, todavia, que estas duas mecânicas eram fisicamente idênticas, embora com formas matemáticas diferentes, passando a serem ambas conhecidas como Mecânica Quântica. Temos por base a descontinuidade da energia, emitida e absorvida, que a mecânica newtoniana, como física do contínuo, não podia suportar. Tal como a óptica geométrica é uma boa aproximação da óptica ondulatória quando o comprimento de onda é muito menor que as dimensões dos obstáculos ou aberturas que a radiação encontra, também a mecânica clássica é uma boa aproximação da mecânica quântica sempre que o comprimento de onda de de Broglie da partícula em causa seja muito menor do que as dimensões dos obstáculos ou aberturas que a partícula encontra. Como o valor da constante de Planck é muito pequeno, o comprimento de onda de de Broglie é extraordinariamente pequeno para qualquer corpo macroscópico, não sendo, por isso, de notar fenômenos de difração com os corpos que utilizamos no dia-a-dia, podendo mesmo aplicar-se aos electrões, em certas condições, as leis da mecânica clássica. 101 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS Professor Classe I - Física Ondas de Matéria Matéria está relacionada com energia pela relatividade especial. Energia está relacionada com ondas pelas relações de Planck-Einstein, que mostram que a energia de um fóton é discretizada e diretamente proporcional à sua frequência. Se matéria está relacionada com energia e se energia está relacionada com ondas, é quase natural supormos que matéria relaciona-se, de alguma maneira, com ondas. Neste pensamento, nascem as ondas de matéria. A assinatura das ondas de matéria é expressa pela relação “”, que significa “na mecânica quântica (h), partícula (p) se comporta como onda (λ) e vice-versa”. O mapa a seguir ilustra esse raciocínio. Texto adaptado de: Prof. Dr. Matheus P. Lobo Princípio da Incerteza Heisenberg. Dualidade Onda-Partícula. Para efetuarmos qualquer tipo de medição precisamos interagir com aquilo que queremos medir. Durante a medida do tamanho de um tecido por exemplo, é necessário tocá- lo e compará-lo com uma fita métrica; para medir a velocidade de um carro, o radar rodoviário emite ondas que atingem o carro e voltam permitindo calcular sua velocidade; para simplesmente descobrirmos a posição de qualquer objeto, geralmente precisamos enxergá-lo e se o enxergamos significa que a luz iluminiu este corpo e chegou aos nossos olhos. Por melhor que sejam os nossos aparelhos de medição, sempre haverá uma possível diferença entre a medida que avaliamos e a medida real. Por exemplo, se usarmos uma régua graduada em apenas em centímetros, nunca teremos certeza sobre os milímetros daquela medida. A possível diferença entre o valor que medimos e o valor real é chamada de incerteza. Quanto mede o lápis acima? Se dissermos 6,5 cm não podemos ter certeza sobre os 0,5 cm além dos 6 cm marcados na régua. Não existe qualquer indicação na régua que mostre esses 0,5 cm a mais. Por isso dizemos que a incerteza dessa medida é + 0,5 cm. O Princípio da Incerteza Quando começamos a lidar com corpos muito pequenos, como os elétrons por exemplo, determinar valores como posição e momento torna-se uma tarefa um pouco mais complicada. Como saber a posição de um elétron? Poderíamos lançar contra ele um feixe de luz com alguns fótons(partículas de luz) e ao recebê-los novamente calcular onde estava. Se tentarmos porém determinar a quantidade de movimento da mesma forma, alteraremos a quantidade de movimento original com os fótons que lançamos. Podemos então criar uma cuidadosa experiência para tentar calcular o momento do elétron. A Quantidade de Movimento da partícula necessária para esse cálculo muda a posição do elétron de modo que não conseguimos descobrir a posição com boa precisão. Resumindo, quanto maior a precisão com que medimos a posição menor a precisão com que mediremos o momento e vice-versa. A isso chamamos de Princípio da Incerteza de Heisenberg. Essa incerteza não se deve aos aparelhos que usamos, mas a própria natureza das partículas. Segundo as leis da Mecânica Quântica, quanto mais fácil for para encontrar uma partícula maior o momento necessário para interagir com ela, o que torna mais difícil determinar a sua Quantidade de Movimento. Algo parecido ocorre se conseguirmos determinar o Momento com precisão e tentarmos descobrir a posição. Como podemos perceber, muitos conceitos da Mecânica Quântica são bastante diferentes da Mecânica Clássica. Porém a maior parte da Ciência desenvolvida antes do século XX encontra aplicações em nossa vida diária e nas situações com que estamos acostumados. Esta mesma Ciência Clássica começa a perder sua utilidade quando estudamos objetos extremamente pequenos, como átomos, extremamente grandes, como estrelas ou estremamente rápidos, próximos da velocidade da luz. Dualidade Onda-Partícula. Ao longo dos tempos o ser humano e os animais evoluíram de forma a ter uma sensibilidade maior para a luz visível. O estudo dos fenômenos ópticos é fascinante, pois os variados tipos de imagens podem trazer diversos tipos de emoções ao ser humano e mesmo aos animais. Mas a evolução vem da necessidade destes seres obterem informações do meio em que vivem. Na história da humanidade alguns estudos resultaram em grandes descobertas. Primeiramente, com relação à luz, estudou-se a possibilidade dela se propagar em linha reta.Mais tarde, Isaac Newton decompõe a luz em várias cores e também consegue demonstrar que várias cores compõe a luz branca. 102 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS Professor Classe I - Física Muitas discussões foram feitas com relação à luz. Quando se fala em propagação automaticamente considera-se um deslocamento com certa velocidade. Mas velocidade do quê? De uma onda ou de uma partícula? Primeiramente, faz-se necessário fazer algumas considerações: Uma onda é uma perturbação que se propaga em um meio. No caso de uma onda eletromagnética a perturbação é do campo elétrico e do campo magnético. É um argumento plausível pra explicar a luz. Mas alguns experimentos realizados no fim do século XIX mudam um pouco essa concepção com relação a este importante ente físico. Entre os mais relevantes, podem ser citados o efeito fotoelétrico, o espalhamento Compton e a produção de raios X. Quando se faz um experimento com partículas em fenda única, observa-se uma região de máxima incidência de partículas, conforme mostra a figura 01. Figura 01: as partículas são colimadas por uma fenda e incidem no anteparo formando um padrão de interferência com uma franja apenas. Fica evidente o caráter ondulatório quando se faz um experimento com fenda de espessura da ordem do comprimento de onda da luz incidente conforme a figura 02. Figura 02: ao centro, apenas uma franja de intensidade luminosa máxima. Nestes dois casos se observa a intensidade máxima em uma única região do anteparo. Quando a onda incide em um colimador com duas fendas observa-se um padrão de interferência com várias franjas. Isto ocorre devido ao fato de que há uma interferência construtiva quando a intensidade máxima da onda da luz emergente de uma fenda coincide com o máximo da onda emergente da outra fenda. Isso ocorre porque há uma diferença de caminho da luz emergente de cada fenda. O mesmo acontece com os mínimos e forma o padrão de interferência da figura 03. 103 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS Professor Classe I - Física Figura 03: várias franjas de intensidade luminosa máxima no centro. Quando a mesma experiência é realizada com partículas, o padrão deve ser formado apenas por duas raias de máxima intensidade. Mas não é isto que se observa se a mesma experiência for realizada com prótons, nêutrons ou elétrons. O que se observa é um padrão de interferência! É isto que intriga os físicos: a luz se comporta ora como onda, ora como partícula. E as partículas se comportam como onda em determinadas situações. Texto adaptado: Glauber Luciano Kítor. Introdução à Relatividade Restrita A Teoria da Relatividade Restrita ou Teoria Especial da Relatividade (abreviadamente, TRR), publicada pela primeira vez por Albert Einstein em 1905, descreve a física do movimento na ausência de campos gravitacionais. Antes, a maior parte dos físicos pensava que a mecânica clássica de Isaac Newton, baseada na chamada relatividade de Galileu (origem das equações matemáticas conhecidas como transformações de Galileu) descrevia os conceitos de velocidade e força para todos os observadores (ou sistemas de referência). No entanto, Hendrik Lorentz e outros, comprovaram que as equações de Maxwell, que governam o eletromagnetismo, não se comportam de acordo com a transformação de Galileu quando o sistema de referência muda (por exemplo, quando se considera o mesmo problema físico a partir do ponto de vista de dois observadores com movimento uniforme um em relação ao outro). A noção de variação das leis da física no que diz respeito aos observadores é a que dá nome à teoria, à qual se apõe o qualificativo de especial ou restrita por cingir-se apenas aos sistemas em que não se têm em conta os campos gravitacionais. Uma generalização desta teoria é a Teoria Geral da Relatividade, publicada igualmente por Einstein em 1915, incluindo os ditos campos. A relatividade restrita também teve um impacto na filosofia, eliminando toda possibilidade de existência de um tempo e de durações absolutas no conjunto do universo (Newton) ou como dados a priori da nossa experiência (Kant). Depois de Henri Poincaré, a relatividade restrita obrigou os filósofos a reformular a questão do tempo. As leis de Newton consideram que tempo e espaço são os mesmos para os diferentes observadores de um mesmo fenômeno físico. Antes da formulação da TRR, Hendrik Lorentz e outros tinham descoberto que o eletromagnetismo não respeitava a física newtoniana já que as observações do fenómeno podiam diferir para duas pessoas que estivessem se movendo uma em relação à outra a uma velocidade próxima da luz. Assim, enquanto uma observa um campo magnético, uma outra interpreta aquele como um campo elétrico. Lorentz sugeriu a teoria do éter, pela qual objetos e observadores estariam imersos em um fluido imaginário, o chamado éter, sofrendo um encurtamento físico (hipótese da contração de Lorentz) e uma mudança na duração do tempo (dilatação do tempo). Isto implicava uma reconciliação parcial entre a física newtoniana e o eletromagnetismo, que se conjugavam, aplicando a transformação de Lorentz, que viria a substituir a transformação de Galileu vigente no sistema newtoniano. Quando as velocidades envolvidas são muito menores que c (velocidade da luz), as leis resultantes são, na prática, as mesmas que na teoria de Newton, reduzindo-se as transformações às de Galileu. De qualquer forma, a teoria do éter foi criticada ainda pelo mesmo Lorentz devido à sua natureza específica. 104 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS Professor Classe I - Física Quando Lorentz sugeriu a sua transformação como uma descrição matemática precisa dos resultados experimentais, Einstein derivou as mesmas equações de duas hipóteses fundamentais: a invariância da velocidade da luz, c, e a necessidade de que as leis da física sejam iguais (ou seja, invariantes) em diferentes sistemas inerciais para diferentes observadores. Desta ideia surgiu o título original da teoria: “Teoria dos invariantes“. Foi Max Planck quem sugeriu depois o termo “relatividade” para ressaltar a noção de transformação das leis da física entre observadores movendo-se relativamente entre si. Na Relatividade Especial, a comparação de espaços e tempos conforme medidos por diferentes observadores inerciais pode ser realizada usando as transformações de Lorentz. A teoria especial da relatividade pode também prever o comportamento de corpos acelerados, desde que a dita aceleração não implique forças gravitacionais, caso em que é necessário socorrermo-nos da relatividade geral. Invariância da velocidade da luz Para fundamentar a TRR, Einstein postulou, baseado nas equações de Maxwell, que a velocidade da luz no vácuo é a mesma para todos os observadores inerciais. Da mesma forma, ressaltou que toda teoria física deve ser descrita por leis que tenham forma matemática semelhante em qualquer sistema de referência inercial, ou seja, as leis da física devem ser as mesmas para todos os sistemas inerciais. O primeiro postulado está em concordância com as equações de Maxwell do eletromagnetismo. Einstein confirmou esses princípios com as equações de Lorentz. Ao aplicá-las segundo estes conceitos, a mecânica resultante tem várias propriedades interessantes: - Quando as velocidades dos objetos considerados são muito menores que a velocidade da luz, as leis resultantes são as descritas por Newton. - O eletromagnetismo não é, já, um conjunto de leis que necessite de uma transformação diferente da aplicada em mecânica. - O tempo e o espaço deixam de ser invariantes ao mudar de sistema de referência, passando a ser dependentes do estado de movimento dos observadores: por exemplo, dois eventos que ocorrem simultaneamente em lugares diferentes de um mesmo sistema de referência podem ocorrer em tempos diferentes em um outro sistema de referência (a simultaneidade é relativa). - Os intervalos temporais entre acontecimentos dependem do sistema de referência em que estes são medidos (por exemplo, o célebre paradoxo dos gêmeos).As distâncias entre ocorrências também. As duas primeiras propriedades eram atraentes, pois qualquer nova teoria deve explicar as observações já existentes, e estas indicavam que as leis de Newton continuavam a ser necessárias. A terceira conclusão foi inicialmente mais discutida, pois deitava por terra muitos conceitos bem conhecidos e aparentemente óbvios, como o conceito de simultaneidade. Inexistência de um sistema de referência absoluto Outra consequência é a rejeição da noção de um único sistema absoluto de referência (o éter). Antes acreditava-se que o universo era imerso em uma substância conhecida como éter (identificável como o espaço absoluto) em relação à qual podiam ser medidas velocidades. Este éter seria o referencial privilegiado para descrever toda a Física. Seria também o meio material no qual as ondas eletromagnéticas (luz) se propagavam e teria propriedades incríveis, como uma grande elasticidade, estar disseminado por todo o espaço e simultaneamente ter as propriedades de um meio sólido de modo a poder suportar vibrações transversais (caso da luz), além de poder penetrar todos corpos. Os resultados de várias experiências, que culminaram na famosa experiência de Michelson-Morley, sugeriram: - ou a Terra estava sempre estacionária em relação ao éter - ou a noção de um sistema de referência absoluto era errônea e devia ser rejeitada. Nessa experiência, não se tendo detectado o imaginoso éter lumífero e por não se detectar também o próprio movimento da terra, concluiu-se que a luz deveria ser desvinculada da fonte. Einstein na sua teoria da relatividade partiu do pressuposto que todos os corpos celestes possuem um movimento e qualquer movimento deveria ser relativo ao outro uma vez o não conhecimento de um conceito universal usável como referencia ao “estado estacionário”. Na Relatividade Restrita continua, no entanto, a existir um conjunto de referenciais privilegiados, os referenciais inerciais, em relação aos quais todos os fenómenos físicos devem ter a mesma descrição (princípio de covariância). Com o advento da Relatividade Geral, esta distinção entre referenciais inerciais e outros referenciais desaparece e a teoria passa a ser escrita da mesma forma em todos os referenciais, sejam eles inerciais ou não, ou mesmo não cartesianos. Relação entre massa e energia Pode ser, no entanto, muito mais importante a demonstração de que a energia e massa, antes consideradas propriedades mensuráveis diferenciadas, relacionavam-se através da que é, sem dúvida, a equação mais famosa de toda a física moderna: , onde E é a energia, m é a massa e c é a velocidade da luz no vácuo. Se o corpo se está a se mover à velocidade v relativa ao observador, a energia total do corpo é: , onde 105 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS Professor Classe I - Física O γ surge em relatividade na derivação das transformações de Lorentz. Quando v é muito menor que c pode-se usar uma aproximação de γ (obtida pelo desenvolvimento em série de Taylor), igual à energia em repouso, mc², mais a energia cinética newtoniana, ½mv². Este é um exemplo de como as duas teorias coincidem quando as velocidades são pequenas. Além do mais, à velocidade da luz, a energia será infinita, o que impede que as partículas que têm massa em repouso possam alcançar a velocidade da luz. A implicação mais radical da teoria é que põe um limite superior às leis(ver Lei da natureza) da Mecânica clássica e gravidade propostas por Isaac Newton quando as velocidades se aproximam da velocidade da luz no vácuo. Nada que possa transportar massa ou informação pode mover-se tão ou mais rápido que a luz. Quando um objeto se aproxima da velocidade da luz (em qualquer sistema) a quantidade de energia diferencial requerida para a aumentar a sua velocidade aumenta de forma rápida e assimptótica até ao infinito, tornando impossível alcançar a velocidade da luz. Só partículas sem massa, como os fotões, podem alcançar a dita velocidade (além disso, devem mover-se em qualquer sistema de referência a essa velocidade) que é aproximadamente 300 000 quilómetros por segundo (3•108 ms−1). O nome táquion foi usado para nomear partículas hipotéticas que se deslocariam sempre a uma velocidade superior à da luz. Atualmente ainda não há evidência experimental da sua existência. A relatividade especial também afirma que o conceito de simultaneidade é relativo ao observador: se a matéria pode viajar ao longo de uma linha (trajetória) no espaço-tempo cuja velocidade em todo momento é menor que a da luz, a teoria chama a esta linha intervalo temporal. De forma semelhante, um intervalo espacial significa uma linha no espaço-tempo ao longo da qual nem a luz nem outro sinal mais lento poderiam viajar. Acontecimentos ao longo de um intervalo espacial não podem influenciar-se um ao outro transmitindo luz ou matéria, e podem aparecer como simultâneos a um observador num sistema de referência adequado. Para observadores em diferentes sistemas de referência, o acontecimento A pode parecer anterior a B ou vice-versa. Isto não sucede quando consideramos acontecimentos separados por intervalos temporais. A Relatividade restrita é quase universalmente aceita pela comunidade física na atualidade, ao contrário da Relatividade Geral que, apesar de ter sido confirmada, foi-lo com experiências que não invalidam algumas teorias alternativas da gravitação. Efetivamente, há ainda quem se opõe à TRR em vários campos, tendo sido propostas várias alternativas, como as chamadas Teorias do Éter. A TRR usa tensores ou quadrivectores para definir um espaço não-euclidiano (pseudo-euclidiano). Este espaço, na realidade, é semelhante em muitos aspectos, sendo fácil de trabalhar. Odiferencial da distância (ds) num espaço euclidiano é definida como: ds2=dx1 2+dx2 2+dx3 2 onde dx1, dx2, dx3 são diferenciais das três dimensões espaciais. Na geometria da relatividade especial, uma quarta dimensão, o tempo, foi acrescentada, mas é tratada como uma quantidadeimaginária com unidades de tempo, ficando a equação para a distância, em forma diferencial, como: ds2=dx1 2+dx2 2+dx3 2-c2dt2 Se reduzirmos as dimensões espaciais para duas, podemos fazer uma representação física num espaço tridimensional, ds2=dx1 2+dx2 2-c2dt2 Podemos ver que as geodésicas com medida nula formam um cone duplo (cone de luz), 106 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS Professor Classe I - Física definido pela equação ds2=0=dx1 2+dx2 2-c2dt2 ou dx1 2+dx2 2=c2dt2 A equação anterior é igual à equação do círculo com r=c*dt. Se generalizarmos o anteriormente exposto às três dimensões espaciais, as geodésicas nulas tornam-se esferas concêntricas, com raio = distância = c*(+ ou -)tempo. ds2=0=dx1 2+dx2 2+dx3 2-c2dt2 dx1 2+dx2 2+dx3 2=c2dt2 Este cone duplo de distâncias nulas representa o “horizonte de visão” de um ponto no espaço. Isto é, quando, ao olharmos uma estrela da qual dizemos “A estrela da qual estou a receber luz tem X anos”, estamos a vê-la através dessa linha de visão: uma geodésica de distância nula. Estamos a ver um acontecimento que se deu a metros, e d/c segundos no passado. Por esta razão, o duplo cone é também conhecido como cone de luz. (O ponto inferior da esquerda do diagrama representa a estrela, a origem representa o observador e a linha representa a geodésica nula, o “horizonte de visão” ou cone de luz.) Geometricamente O cone, na região -t inclui eventos que podem influenciar a origem (presente), enquanto que a região +t do cone engloba eventos que podem ser influenciados pela origem (presente). Desta forma, o que podemos ver é um espaço de horizontes. Eventos fora do cone de luz não podem segundo esta teoria influenciar o evento representado pelo vértice do cone. Lei da Conservação da Energia Cinética No entanto, a geometria não se mantém constante quando existe aceleração (δx²/δ t²) , já que envolve uma aplicação de força (F=ma), e, por consequência, uma mudança na energia, o que nos faz chegar à relatividadegeral, em que a curvatura intrínseca do espaço-tempo é diretamente proporcional à densidade de energia no ponto referido. No caso de uma hidrelétrica, por exemplo, a água corre no rio com uma determinada velocidade e cai de uma certa altura fazendo girar as turbinas, que transforma a energia mecânica em energia elétrica. Assim temos: Energia cinética (Ec): energia gerada por um corpo (de massa – m) em movimento com velocidade - v. Caso o corpo varia sua velocidade durante o processo, te- mos a variação da energia cinética (ΔE): ΔEe=Ecf−Eci Onde, Ecf é a energia cinética final e Eci, a energia cinética inicial. Energia potencial gravitacional (EP): energia que pode ser gerada (potencial) por um corpo de massa - m que se localiza a determinada altura – h . A energia se dá quando esse corpo é acelerado pela gravidade - g. Ep=mgh Energia potencial elástica (EPelást): é a energia potencial em uma mola/elástico distendida ou contraída. Quando essa mola volta a sua posição normal, gera energia. Onde: k é a constante elástica de restauração e x é a tanto que a mola distendeu ou contraiu. No nosso exemplo, as energias cinética e gravitacional geraram energia elétrica, que acendeu a luz. Em um sistema ideal, onde as energias não se perdem para o meio na forma de atrito, calor ou som (forças dissipativas), a energia mecânica representa a energia total do sistema em suas diversas formas. Ou seja, a ausência de forças dissipativas, a energia mecânica permanece constante, apenas se convertendo entre cinética e potencial (gravitacional, elástica, elétrica, química, nuclear en- tre outras). Radioatividade (ou radiatividade) é a propriedade de de- terminados tipos de elementos químicos radioativos emitirem radiações, um fenômeno que acontece de forma natural ou ar- tificial. A radioatividade natural ou espontânea ocorre através dos elementos radioativos encontrados na natureza (na crosta terrestre, atmosfera, etc.). Já a radioatividade artificial ocorre quando há uma transformação nuclear, através da união de átomos ou da fissão nuclear. A fissão nuclear é um processo observado em usinas nucleares ou em bombas atômicas. Em 1896, o francês Henri Becquerel percebeu que um sal de urânio era capaz de sensibilizar um filme fotográfico, mes- mo quando este era recoberto com papel preto ou até mesmo por lâminas metálicas finas. Becquerel, o descobridor do urâ- nio, percebeu que esse material emitia radiações semelhantes aos raios X, e essa propriedade ele chamou radioatividade. 107 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS Professor Classe I - Física Em 1897, Marie Sklodowska Curie (1867-1934) demonstrou que a intensidade da radiação é proporcional à quantidade de urânio na amostra e concluiu que a radioatividade é um fenômeno atômico. Nesse mesmo ano, Ernest Rutherford criou uma aparelhagem para estudar a ação de um campo eletromagnético sobre as radiações: O esquema mostra o comportamento das radiações α, β e γ em um campo eletromagnético. Rutherford concluiu que, como os raios alfa (α) e beta (β) sofrem desvio no campo magnético, devem apresentar carga elétrica, ao passo que os raios gama (γ) não a devem ter. Os raios β são atraídos pela placa positiva; devem, portanto, ter carga negativa. Com o mesmo raciocínio pode-se deduzir que os raios α têm carga positiva. Os tipos de radiação que um elemento pode emanar são divididos, primeiramente, em duas formas: partículas ou ondas. Partículas possuem massa e ondas são apenas energia. Isso é devido aos elementos que compõem esses tipos de radiação. Na categoria das partículas, duas são as mais comuns: alfa e beta. Partículas α (alfa): são partículas formadas por 2 prótons e 2 nêutrons − a mesma composição do Hélio – que são liberadas por elementos radioativos para fora de seu núcleo. Quando um átomo libera 2 prótons, muda seu número atômico e transforma-se em um novo elemento, além de diminuir sua massa atômica em 4. Esse processo irá se repetir até que o núcleo do átomo esteja suficientemente estável, transformando-se em um elemento que não é radioativo - Partículas β (beta): são elétrons disparados para fora do átomo, em forma de radiação, quando um próton se transforma em nêutron ou vice-versa. Com a conversão de um próton em nêutron há a mudança do seu número atômico e, consequentemente, a transformação em outro elemento menos radiativo. Quando o núcleo possui me- nos nêutrons do que deveria para ser estável, pode transformá-lo em um próton ou mudar a relação n/p e diminuir a instabilidade nuclear até alcançar um elemento não radioativo. Um átomo instável irá liberar partículas alfa ou beta como radiação, mas isso não é a única coisa emitida por um elemento radioativo. Em qualquer um dos casos será emitido um terceiro tipo de radiação. Raios γ (gama): este tipo de radiação não possui massa, é uma onda eletromagnética, como muitos outros tipos de radiação, e é resultante do decaimento radioativo (liberação de partículas alfa ou beta). Em outras palavras, quando um átomo dispara uma partícula alfa ou beta, ainda continua instável, pois a emissão da partícula não foi suficiente para esta- bilizar o átomo. Esta instabilidade é reduzida pela emissão de raios gama, ou seja, energia pura. As partículas alfa, como são formadas por um agrupamento de partículas, têm uma dimensão maior impedindo que ela atravesse mesmo materiais finos. As partículas beta conseguem atravessar materiais como o papel, mas são detidas pelo alumínio. E apenas as partículas gama conseguem atravessar boa parte dos materiais, mas não aqueles muito densos como o chumbo, por exemplo. 108 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS Professor Classe I - Física Para uma melhor compreensão segueo quadro abaixo: Radiação Alfa Beta Gama Poder de ionização Alto. A partícula alfa cap- tura 2 elétrons do meio, se transformando em átomo de Hélio. (He) Médio. Por possuírem carga elétrica menor possuem menos poder de ionização. Pequeno. Não possuem carga. Danos ao ser humano Pequenos. São detidos pela camada de células mortas da pele, podendo no máximo causar quei- maduras Médio. Podem penetrar até 2cm e ionizar moléculas gerando radicais livres. Alto. Pode atravessar com- pletamente o corpo humano, causando danos irreparáveis como alteração na estrutura do DNA. Velocidade 5%¨da velocidade da luz 95% da velocidade da luz Igual a velocidade da luz 3000000Km/s Poder de penetração Pequeno. Uma folha de papel pode deter Médio. È 50 a 100 vezes mais penetrante que a alfa. São detidos por uma chapa de chumbo de 2mm. Alto. Os raios gama são mais penetrantes que os raios São detidos por uma chapa de chumbo de 5cm Benefícios da radioatividade A radioatividade tem vários benefícios para o ser humano. Entre eles é importante realçar a sua utilização na produção de energia, na esterilização de materiais médicos, no diagnóstico de doenças e no controle do câncer, através da radiote- rapia. Em alguns alimentos, mais concretamente nas frutas, a radiação iônica emitida sobre elas, permite que a sua durabili- dade aumente. Essa radiação não altera o sabor e as qualidades nutritivas dos alimentos. Leis da Radioatividade 1ª Lei: Lei de Soddy A primeira lei da radioatividade, também conhecida como primeira lei de Soddy, tem relação com o decaimento alfa. Veja o que essa lei diz: “Quando um átomo sofre um decaimento alfa (α), o seu número atômico (Z) diminui duas unidades e o seu número de massa (A) diminui quatro unidades”. Genericamente, podemos representar essa lei pela seguinte equação: Z AX +2 4α + A-4 Z-2Y Exemplo: 90Th 232→+2α 4+88Ra 228 228 + 4 = 232 88 + 2 = 90 2ª Lei: Soddy, Fajans, Russel Quando um átomo emite uma partícula β, o seu número atômico aumenta de 1 unidade e o seu número de massa permanece inalterado. 90Th2 34 → -1β 0 + 91Pa 234 Exemplo: Dada a equação: 90X 204 → xα + yβ + 92Y 192 Determinar x e y Resolução: 90X 204 → x+2α 4 + y-1β 0 + 92Y 192 109 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS Professor Classe I - FísicaMontamos duas equações: a) uma para os índices superiores: 204 = 4x + 0y + 192 x = 3 b) uma para os índices inferiores: 90 = 2x + (-1y) + 92 90 = 2(3) -1y +92 y = 8 90X 204 → 3+2α 4 + 8-1β 0 + 92Y 192 Isso acontece com todo elemento radioativo que emite uma partícula alfa, pois, conforme mostrado no texto Emis- são alfa (α), essa partícula é constituída por dois prótons e dois nêutrons — de forma semelhante ao que ocorre com o núcleo de um átomo de hélio — e é representada por 2 4α. DECAIMENTO E MEIA-VIDA Radioatividade – É a propriedade que os núcleos atô- micos instáveis possuem de emitir partículas e radiações eletromagnéticas para se transformarem em núcleos mais estáveis. Para este fenômeno, damos o nome de reação de desintegração radioativa, reação de transmu- tação ou reação de decaimento. A reação só acaba com a formação de átomos estáveis. Exemplos: U -238 sofre decaimento até se transformar em Pb-206. O tempo que os elementos radioativos levam para fica- rem estáveis, varia muito. Meia-Vida – É o tempo necessário para a metade dos isótopos de uma amostra se desintegrar. Um conjunto de átomos radioativos pode estar se de- sintegrando neste instante. Outro átomo pode se desinte- grar daqui há uma hora. Outro, pode desintegrar daqui há três meses. O U-235 é o elemento com meia-vida mais longa. Tem cerca de 7,04.108anos. Exemplo de um gráfico de Meia-vida: Atividade x Tempo Exemplo de decaimento do bismuto- 210 Meia vida é a estimativa de tempo em que metade da massa de um isótopo haverá decaído. Um exemplo é a própria técnica de datação por Carbono 14. Reforce que a meia vida do isótopo radioativo do Carbono, cuja massa é 14, é de cerca de 5700 anos. Isso quer dizer que a concen- tração de Carbono 14, após 5700 anos, cai pela metade. Se esperarmos mais 5700 anos, haverá apenas 1/4 de Carbono 14, e assim sucessivamente. O tempo de meia vida depen- de diretamente do quão instável é o elemento e as varia- ções são muito acentuadas, tendo elemento cuja meia vida pode ser de alguns minutos (isótopo iodo-131) e elemento cuja meia vida pode ser de até milhões de anos (Urânio 238). É importante enfatizar que meia vida não é a meta- de do tempo que o elemento radioativo leva para decair e desintegrar-se. O nome deste fenômeno é vida-média, este sim determina o tempo necessário para a transmutação do elemento radioativo. EFEITOS DA RADIOATIVIDADE NOS ORGANISMOS Os efeitos da radioatividade no ser humano dependem da quantidade acumulada no organismo e do tipo de ra- diação. A radioatividade é inofensiva para a vida humana em pequenas doses, mas, se a dose for excessiva, pode provocar lesões no sistema nervoso, no aparelho gastrin- testinal, na medula óssea, etc., Muitas vezes pode levar a morte (em poucos dias ou num espaço de dez a quarenta anos, através de leucemia ou outro tipo de câncer). Estar em contato com a radiação é algo sutil e impos- sível de ser percebido imediatamente, já que no momento do impacto não ocorre dor ou lesão visível. A radiação ataca as células do corpo, fazendo com que os átomos que compõem as células sofram alterações em sua estrutura. As ligações químicas podem ser alteradas, afetando o funcionamento das células. Isso provoca, com o tempo, consequências biológicas no funcionamento do organismo como um todo; algumas consequências podem ser percebidas a curto prazo, outras a longo prazo. Às ve- zes vão apresentar problemas somente os descendentes (filhos, netos) da pessoa que sofreu alguma alteração ge- nética induzida pela radioatividade. Séries radioativas A tabela a seguir indica a meia-vida de alguns isótopos radioativos Isótopo radioativo Meia-vida (P) 13O 8,7 .10-3 segundos 80Br 17,6 minutos 99Tc 6,0 horas 140Ba 12,8 dias 14C 5.730 anos 238U 4,5 bilhões de anos O período de semidesintegração é aproximadamente 70% do valor da vida média (Vm) P ≅ 0,7 Vm 110 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS Professor Classe I - Física Fissão nucelar A descoberta da reação de fissão nuclear ocorreu devi- do aos trabalhos de Enrico Ferni, Otto Hahn e Lise Meitner. A fissão nuclear é uma reação que ocorre no núcleo de um átomo. Geralmente o núcleo pesado é atingido por um nêutron, que, após a colisão, libera uma imensa quan- tidade de energia. No processo de fissão de um átomo, a cada colisão são liberados novos nêutrons. Os novos nêu- trons irão colidir com novos núcleos, provocando a fissão sucessiva de outros núcleos e estabelecendo, então, uma reação que denominamos reação em cadeia.7 Um parâmetro importante para analisar a estabilidade de um núcleo é a razão entre o número de prótons e o número de nêutrons. Por um lado, a falta de nêutrons pode tornar a distância entre prótons tão pequena que a repul- são se torna inevitável, resultando na fissão do núcleo. Por outro lado, como a força nuclear é de curto alcance, o ex- cesso de nêutrons pode acarretar uma superfície de repul- são eletromagnética insustentável, que também resultaria na fissão do núcleo. Assim, um dos principais fatores para a estabilidade do núcleo é que tenhamos N = Z. Quando o isótopo urânio-235 (235U) recebe um nêu- tron, ele passa para um estado excitado que corresponde ao urânio-236 (236U). Pouco tempo depois esse novo núcleo excitado se rompe em dois novos elementos. Esse rompi- mento, além de liberar novos nêutrons, libera uma grande quantidade de energia. Os nêutrons provenientes do rompimento do núcleo excitado vão encontrar novos núcleos, gerando, portanto, uma reação em cadeia. A fim de que os novos nêutrons liberados encontrem novos núcleos, para assim manter a reação em cadeia, após a fissão do núcleo de urânio, de- ve-se ter uma grande quantidade de urânio-235. Como a concentração de urânio-235 no mineral urânio é pouca, obtém-se o urânio 235 em grande escala através do pro- cesso de enriquecimento do urânio. 7 A fissão nuclear de um átomo de urânio libera grande quantidade de energia, cerca de 200 Mev. Se for descon- trolada, a reação será explosiva – é o que acontece com as bombas atômicas. Fusão Nuclear Praticamente toda energia que a Terra recebe diaria- mente é proveniente do Sol, que libera energia por reações termonucleares. As temperaturas elevadas no centro do Sol fornecem a energia necessária para que átomos de hidrogênio (H) se unam, num processo chamado fusão nuclear. Uso da energia nuclear e suas implicações ambien- tais A Energia nuclear é aquela gerada a partir da quebra dos átomos de determinados elementos químicos, sendo o urânio o mais utilizado na atualidade. O processo de pro- dução de energia ocorre nas Usinas Nucleares. De acor- do com dados atuais, cerca de 15% da energia gerada no mundo é proveniente destas usinas nucleares. Uma das vantagens da usina nuclear é a produção de uma energia mais limpa, já que 10 g de urânio é o suficien- te para produzir a mesma quantidade de energia de 700 kg de petróleo e 1.200 kg de carvão. Outra vantagem das usi- nas nucleares é que não emitem gases, e não contribuem para o aquecimento global. As desvantagens apresentadas são a respeito do lixo radioativo, uma vez que a energia elétrica produzida é por intermédio do processo de fissão nuclear, e não pode ser deixado exposto devido à radiação, o que causaria proble- mas na fauna e flora da região. O lixo radioativo deve ser muito bem acondicionado, pois pode demorar centenas de anos para perder suas propriedades radioativas. Um outro fator de risco a ser considerado é a possibi- lidade de explosão da usina nuclear. O processo de fissão resulta em um alto aquecimento do urânio, e caso não seja controlado pode causar fusão do reator causando acidente nuclear de grandes proporções como as que acontecerem em Chernobyl na Ucrânia, e Fukushima no Japão. 111 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS Professor Classe I - Física Questões 01(UFRB- QUÍMICO- FUNRIO) Becquerel, o descobri- dor do urânio, observou em seus experimentos que diver- sos materiais emitiam raios com propriedades semelhantes àsdos raios x, e essa propriedade ele denominou radioa- tividade. O estudo das partículas e radiações foi feito por Rutherford, que observou que elas apresentavam diferen- tes penetrações. Dessa forma, dentre as partículas e radia- ções, qual apresenta maior capacidade de penetração? (A) é – elétron. (B)p – próton. (C)α – alfa. (D)β – beta. (E)γ – gama. 02(PETROBRAS-TÉCNICO QUÍMICO DE PETRÓLEO JÚNIOR) O espectro eletromagnético é dividido em re- giões onde se agrupam ondas eletromagnéticas em faixas de energia específicas. Não faz parte do espectro eletro- magnético a(s) (A)radiação alfa (B) radiação gama (C)luz visível (D)ondas de rádio (E)micro-ondas 03.UNICAMP-SP Em 1946 a Química forneceu as bases científicas para a datação de artefatos arqueológicos, usando o 14C. Esse isótopo é produzido na atmosfera pela ação da radiação cósmica sobre o nitrogênio, sendo posteriormente transformado em dióxido de carbono. Os vegetais absorvem o dióxido de carbono e, através da cadeia alimentar, a proporção de 14C nos organismos vivos mantém-se constante. Quando o organismo morre, a proporção de 14C nele presente diminui, já que, em função do tempo, se transforma novamente em 14N. Sabe-se que, a cada período de 5730 anos, a quantidade de 14C reduz- se à metade. a) Qual o nome do processo natural pelo qual os vegetais incorporam o carbono? b) Poderia um artefato de madeira, cujo teor determinado de 14C corresponde a 25% daquele presente nos organismos vivos, ser oriundo de uma árvore cortada no período do Antigo Egito (3200 a.C. a 2300 a.C.)? Justifique. a) Se o 14C e o 14N são elementos diferentes que possuem o mesmo número de massa, aponte uma caracte- rística que os distingue. 04.Fuvest-SP Para diagnósticos de anomalias da glân- dula tireoide, por cintilografia, deve ser introduzido, no paciente, iodeto de sódio, em que o ânion iodeto é prove- niente de um radioisótopo do iodo (número atômico 53 e número de massa 131). A meia-vida efetiva desse isótopo (tempo que decorre para que metade da quantidade do isótopo deixe de estar presente na glândula) é de aproxi- madamente 5 dias. a) O radioisótopo em questão emite radiação β–. O elemento formado nessa emissão é 52Te, 127I ou 54Xe? Justifi- que. Escreva a equação nuclear correspondente. b) Suponha que a quantidade inicial do isótopo na glândula (no tempo zero) seja de 1,000 μg e se reduza, após certo tempo, para 0,125 μg. Com base nessas infor- mações, trace a curva que dá a quantidade do radioisótopo na glândula em função do tempo, utilizando o quadricula- do a seguir e colocando os valores nas coordenadas ade- quadamente escolhidas. 05.Vunesp A Tomografia PET permite obter imagens do corpo humano com maiores detalhes, e menor exposição à radiação, do que as técnicas tomográficas atualmente em uso. A técnica PET utiliza compostos marcados com 11C. Este isótopo emite um pósitron, 0β, formando um novo núcleo, em um processo com tempo de meia-vida de 20,4 minutos. O pósitron emitido captura rapidamente um elétron, 0β, e se aniquila, emitindo energia na forma de radiação gama. a) Escreva a equação nuclear balanceada que representa a reação que leva à emissão do pósition. O núcleo formado no processo é do elemento B (Z = 5), C (Z = 6), N (Z = 7) ou O (Z = 8)? b) Determine por quanto tempo uma amostra de 11C pode ser usada, até que sua atividade radioativa se reduza a 25% de seu valor inicial. 06.Unicamp-SP Entre o doping e o desempenho do atleta, quais são os limites? Um certo “bloqueador”, usado no tratamento de asma, é uma das substâncias proibidas pelo Comitê Olímpico Internacional (COI), já que provoca um aumento de massa muscular e diminuição de gordura. A concentração dessa substância no organismo pode ser monitorada através da análise de amostras de urina coletadas ao longo do tempo de uma investigação. O gráfico mostra a quantidade do “bloqueador” contida em amostras da urina de um indivíduo, coletadas periodicamente durante 90 horas após a ingestão da substância. Este comportamento é válido também para além das 90 horas. Na escala de quantidade, o valor 100 deve ser entendido como sendo a quantidade observada num tempo inicial considerado arbitrariamente zero. 112 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS Professor Classe I - Física a) Depois de quanto tempo a quantidade eliminada corresponderá a 1/4 do valor inicial, ou seja, duas meias vidas de residência da substância no organismo? b) Suponha que o doping para esta substância seja considerado positivo para valores acima de 1,0 x 106 g/ mL de urina (1 micrograma por mililitro) no momento da competição. Numa amostra coletada 120 horas após a competição, foram encontrados 15 microgramas de “bloqueador” em 150 mL de urina de um atleta. Se o teste fosse realizado em amostra coletada logo após a competição, o resultado seria positivo ou negativo? Justifique. 07.U. E. Maringá-PR Sobre as representações químicas a seguir, assinale o que for correto. 01) Representam o mesmo elemento químico. 02) Contêm o mesmo número de prótons e nêutrons. 04) Se representassem um mesmo elemento químico e fossem encontrados na natureza na proporção de 80% — 10% — 10%, respectivamente, a massa atômica desse elemento seria 24,3. 08) Se o elemento X pudesse formar um composto com o ânion nitrato, ele seria representado por XNO3. 16) O elemento X pode ser transformado em Y pela emissão de uma partícula β. 08.Unicamp-SP Em 1946 a Química forneceu as bases científicas para a datação de artefatos arqueológicos, usando o 14C. Esse isótopo é produzido na atmosfera pela ação da radiação cósmica sobre o nitrogênio, sendo posteriormente transformado em dióxido de carbono. Os vegetais absorvem o dióxido de carbono e, através da cadeia alimentar, a proporção de 14C nos organismos vivos mantém-se constante. Quando o organismo morre, a proporção de 14C nele presente diminui, já que, em função do tempo, se transforma novamente em 14N. Sabe-se que, a cada período de 5730 anos, a quantidade de 14C reduz- se à metade. a) Qual o nome do processo natural pelo qual os vegetais incorporam o carbono? b) Poderia um artefato de madeira, cujo teor determinado de 14C corresponde a 25% daquele presente nos organismos vivos, ser oriundo de uma árvore cortada no período do Antigo Egito (3200 a.C. a 2300 a.C.)? Justifique. c) Se o 14C e o 14N são elementos diferentes que possuem o mesmo número de massa, aponte uma característica que os distingue. 09. (Vunesp) Os radioisótopos são isótopos radioativos usados no tratamento de doenças. Várias espécies de terapias para câncer utilizam radiação para destruir células malignas. O decaimento radioativo é discutido, normalmente, em termos de meia-vida, t1/2, o tempo necessário para que metade do número inicial dos nuclídeos se desintegre. Partindo-se de 32,0g do isótopo 131 53 I, e sabendo que seu tempo de meia-vida é 8 dias, a) determine quantas meias-vidas são necessárias para que a massa original de iodo se reduza a 8,0g, e quantos gramas de iodo terão sofrido desintegração após 24 dias; b) qual o tempo transcorrido para que a massa original de iodo seja reduzida a 1,0g. 10.O radioisótopo 222 Rn 86, por uma série de desinte- grações, transforma-se no isótopo 206 do 82Pb. Determi- ne o número de partículas alfa e o número de partículas beta envolvidas nessas transformações. (A) 2 partículas alfa e 2 partículas beta (B) 2 partículas alfa e 4 partículas beta (C)4 partículas alfa e 3 partículas beta (D) 4 partículas alfa e 4 partículas beta (E)3 partículas alfa e 3 partículas beta 113 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS Professor Classe I - Física Respostas 01 Resposta: E Fazendo-se um comparativo entre as velocidades das partículas: A partícula Alfa é a mais lenta, apesar de ser mais energética, e atinge uma velocidade de 20.000 km/s A partícula Beta pode atingir uma velocidade de até 95% da velocidade da luz. A partícula Gama atinge a velocidade das ondas eletro- magnéticas (300.000 km/s),portanto tem maio capacidade de penetração e ainda conseguem atravessar boa parte dos materiais, 02 Resposta: A Por definição, radiação alfa também chamada de par- tículas alfa ou raios alfa, são partículas carregadas por dois prótons e dois nêutrons, sendo, portanto, núcleos de hé- lio. Apresentam carga positiva +2 e número de massa 4. Portanto ela pode ser considerada somente onda elétrica sem possuir características magnéticas. O espectro eletro- magnético é composto de ondas elétricas e magnéticas se denominando radiação eletromagnética. 03 Resposta a) O processo natural de incorporação de carbono pelos vegetais e a fotossíntese. b) Cálculo do número de anos em que a árvore está morta: 100 x 14C 5730 anos 50% 14C 5730 anos 25% 14C Passaram-se 11460 anos. Considerando que estamos no ano 2000 d.C., isso corresponde a 9460 a.C. Portanto, a árvore não é oriunda do Antigo Egito (3200 a 2300 a.C.) c) As espécies diferem no número de prótons 14 6C 14 7N 04 Resposta a) 13159I → 0 –1 B + 131 54X Portanto o elemento formado será o 54Xe b) A curva será 05 Resposta a) 11 6C → 11 5B + 0 1B 20,4 min 20,4 min b) 100% 50% 25% O tempo total decorrido é 40,8 minutos 06 Resposta a) 60 horas b) 1,6 • 10–6 g “β-bloqueador” • Positivo ml urina 07 Resposta 01 + 04 = 05 08 Resposta a) O processo natural de incorporação de carbono pelos vegetais e a fotossíntese. b) Cálculo do número de anos em que a árvore está morta: 100 x 14C 5730 anos 50% 14C 5730 anos 25% 14C Passaram-se 11460 anos. Considerando que estamos no ano 2000 d.C., isso corresponde a 9460 a.C. Portanto, a árvore não é oriunda do Antigo Egito (3200 a 2300 a.C.) c) As espécies diferem no número de prótons 14 6C 14 7N 09 Resposta a) Após 3 meias-vidas (24 dias) restaram 4,0g de131 53I ;logo terão sofrido desintegração 28,0g. b) O tempo transcorrido para que a massa original seja reduzida a 1,0g é de 5 meias-vidas, ou seja, 40 dias 10 Resposta;D 86 222Rn → 82 206Pb O número de massa diminui 16 unidades. Como cada radiação alfa significa uma diminuição no número de mas- sa em 4 unidades, temos que foram emitidas 4 partículas alfa, pois 4 . 4 = 16. Nesse momento, significou que ele perdeu também 2 unidades no número atômico para cada partícula alfa, dando um total de 8 e ficando com o número atômico igual a 78 (86 – 8). Para cada partícula beta emitida, o elemento ganha 1 unidade no número atômico. Como ele está com 78 e precisa atingir o número atômico igual a 82, ele emitiu 4 partículas beta. 114 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS Professor Classe I - Física ANOTAÇÕES __________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________ 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ESPECÍFICOS Professor Classe I - Física ANOTAÇÕES __________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________ 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