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MATERIAL DIDÁTICO HISTÓRIA IBÉRICA CREDENCIADA JUNTO AO MEC PELA PORTARIA Nº 2.861 DO DIA 13/09/2004 0800 283 8380 www.portalprominas.com.br Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 2 SUMÁRIO INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................................... 3 UNIDADE 1 – ASPECTOS GEOGRÁFICOS DA PENÍNSULA IBÉRICA ................................................... 5 1.1 RELEVO E HIDROGRAFIA ............................................................................................................................. 6 1.2 POSIÇÃO GEOGRÁFICA, FORMAS E DIMENSÕES .......................................................................................... 8 1.3 REINO DE ESPANHA .................................................................................................................................... 11 1.4 PORTUGAL .................................................................................................................................................. 12 1.5 ANDORRA ................................................................................................................................................... 13 1.6 GIBRALTAR ................................................................................................................................................ 14 UNIDADE 2 – PRÉ-HISTÓRIA DA PENÍNSULA IBÉRICA ........................................................................ 17 2.1 DO PALEOLÍTICO À INFLUÊNCIA FENÍCIA.................................................................................................. 17 2.2 DOS IBEROS À INVASÃO ROMANA .............................................................................................................. 20 2.3 A INVASÃO DO IMPÉRIO ROMANO, O DOMÍNIO ÁRABE E A IMPORTÂNCIA DA LÍNGUA NA FORMAÇÃO DOS POVOS ............................................................................................................................................................... 22 UNIDADE 3 – IDADE MÉDIA: CRUZADAS E FEUDALISMO .................................................................. 37 UNIDADE 4 – A RECONQUISTA, A FORMAÇÃO DOS ESTADOS IBÉRICOS E AS MONARQUIAS PORTUGUESA E ESPANHOLA NO CONTEXTO EUROPEU ................................................................... 40 4.1 A RECONQUISTA ......................................................................................................................................... 40 4.2 A FORMAÇÃO DOS ESTADOS IBÉRICOS ..................................................................................................... 41 4.3 AS MONARQUIAS PORTUGUESA E ESPANHOLA .......................................................................................... 43 UNIDADE 5 – GUERRAS E REVOLUÇÕES DO SÉCULO XX QUE ENVOLVERAM OS PAÍSES IBÉRICOS ........................................................................................................................................................... 50 5.1 PRIMEIRA E SEGUNDA GUERRA MUNDIAL ................................................................................................. 50 5.2 A GUERRA CIVIL ESPANHOLA .................................................................................................................... 55 5.3 A REVOLUÇÃO DOS CRAVOS ..................................................................................................................... 57 REFERÊNCIAS .................................................................................................................................................. 60 Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 3 INTRODUÇÃO Península Ibérica! Espanha e Portugal! Países europeus que muito acrescentaram à nossa cultura! Não, não estamos falando somente de cultura brasileira, mas de todo um continente extenso que são as Américas! América portuguesa praticamente representada pelo Brasil, mas também América Espanhola que se estende do Caribe à Argentina, passando por inúmeros outros países. Influentes, desbravadores, grandes conquistadores são algumas das características desses dois países que tem uma história bem antiga e rica como veremos ao longo do módulo. Igualmente são dois países que foram cobiçados por outros povos como os muçulmanos e cristãos. Não nos esquecemos de Gibraltar e Andorra. Sim, eles fazem parte da península Ibérica. Península por definição é uma formação geológica consistindo de uma extensão de terra de uma região maior que é cercada de água por quase todos os lados, com exceção do pedaço de terra que a liga com a região maior, chamada istmo1. Ou simplesmente, um braço de terra que avança pelo mar, ligando-se ao resto do continente pelo chamado istmo. A península Ibérica envolve Portugal, Espanha, Andorra e Gibraltar (cuja soberania pertence ao Reino Unido). Pois bem, começaremos o módulo justamente falando sobre generalidades geográficas da península Ibérica para em seguida traçarmos uma linha do tempo que nos guiará pela história desses países. Usaremos e “abusaremos” dos mapas, uma vez que a visualização ajuda sobremaneira a conhecer e entender a história. Lembramos que: Em primeiro lugar, sabemos que a escrita acadêmica tem como premissa ser científica, ou seja, baseada em normas e padrões da academia. Pedimos licença 1 É o istmo que define o limite de uma península. No caso da Península Ibérica o istmo situa-se a norte dos Pireneus, pelo que uma parte do território francês pertence geograficamente à Península Ibérica. Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 4 para fugir um pouco às regras com o objetivo de nos aproximarmos de vocês e para que os temas abordados cheguem de maneira clara e objetiva, mas não menos científicos. Em segundo lugar, deixamos claro que este módulo é uma compilação das ideias de vários autores, incluindo aqueles que consideramos clássicos, não se tratando, portanto, de uma redação original. Ao final do módulo, além da lista de referências básicas, encontram-se muitas outras que foram ora utilizadas, ora somente consultadas e que podem servir para sanar lacunas que por ventura surgirem ao longo dos estudos. Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 5 UNIDADE 1 – ASPECTOS GEOGRÁFICOS DA PENÍNSULA IBÉRICA A história está intimamente ligada à geografia, afinal de contas, as conquistas, as invasões e as vitórias, principalmente estas, muitas das vezes acontecem devido à contribuição da geografia local e de umbom planejamento estratégico, mesmo porque os conquistadores geralmente vislumbram algo de muito bom no local a ser conquistado, inclusive sua geografia pode ser um dos fatores desencadeantes para sua conquista, portanto, entender a geografia de um local é de suma importância e requer o entendimento de alguns conceitos básicos. Vejamos: Relevo é o nome dado às diferentes formas apresentadas pela superfície terrestre. Aqui encontramos: planície – grande superfície plana e de pouca altitude; planalto – grande superfície plana ou ondulada de média ou grande altitude; montanha – elevação de terreno que se destaca do terreno circundante pela sua altitude; vale – espaço compreendido entre dois montes (geralmente onde corre um rio); cordilheira – conjunto de montanhas. Através dos mapas de relevo conseguimos identificar as diferentes altitudes que uma zona pode apresentar através das suas cores: verde – planícies de baixa altitude; amarelo – planícies onduladas e planaltos de baixa altitude; castanho-claro – planaltos de grande altitude e algumas serras; castanho – montanhas de grande altitude (quanto mais escuro for o castanho maior a altitude). A hidrografia, os recursos naturais, minerais e vegetais, a posição estratégica são outros fatores que nos mostram a importância de um país. Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 6 1.1 Relevo e hidrografia Relevo e principais rios da Península Ibérica A Península Ibérica é uma região bastante montanhosa constituída por um conjunto de planaltos e montanhas que se inclinam para ocidente. Destacam-se conforme mostra o mapa acima: a Cordilheira Central – cadeia montanhosa que corta a meio o Planalto Central; a Cordilheira dos Pirineus – montanhas altas e escarpadas; o Planalto Central – mais extenso e alto dos planaltos peninsulares; a Planície do Ebro; a Planície do Guadalquivir; a Planície do Tejo-Sado. Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 7 Os rios da Península Ibérica nascem nas grandes cadeias montanhosas onde abundam as nascentes e as neves. Como estão viradas para ocidente, os rios correm nessa direção e vão desaguar no Oceano Atlântico, com exceção do rio Ebro que corre para o Mediterrâneo. Principais rios da Península Ibérica: rio Minho; rio Douro; rio Tejo – rio com maior extensão; rio Guadiana; rio Sado; rio Guadalquivir; rio Ebro. Quanto ao clima, o planeta Terra apresenta diferentes zonas climáticas: zona quente – próxima do Equador; zonas frias – em redor dos polos; zonas temperadas – entre as zonas frias e as zonas quentes. A Península Ibérica tem um clima temperado, por isso apresenta as quatro estações durante o ano: primavera; verão; outono; inverno. Existem também diferenças regionais distinguindo-se três zonas: norte e noroeste – elevada umidade e precipitação, temperaturas suaves tanto no Inverno como no Verão; interior – pouca precipitação, invernos muito frios e verões muito quentes; sul – pouca precipitação, invernos suaves e verões quentes. Essas diferenças se devem aos seguintes fatores: proximidade do mar; ventos dominantes; relevo. Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 8 Sobre o tipo de vegetação que existe na Península ibérica, podemos distinguir duas zonas: Ibéria úmida – florestas de folha caduca, prados naturais verdes e matagais com fetos, giesta, urze e tojo. Junto à costa predominam os pinheiros; Ibéria seca – florestas de folha persistente, matagais e arbustos. Junto à costa predominam as palmeiras, as piteiras e os cactos. 1.2 Posição geográfica, formas e dimensões Araújo (2001) nos explica que a Península Ibérica faz a transição entre a Europa e a África. Todavia, como é difícil e ocioso estabelecer limites num domínio de transição, não adianta especular sobre o carácter mais ou menos “africano” da Península Ibérica, comum a toda a faixa mediterrânica em que aquela se integra, temperada, neste caso, pela sua posição atlântica. Sendo a Península europeia que mais se aproxima de África, a Península Ibérica funciona como uma ponte entre os dois continentes, o que lhe permitiu ser alvo privilegiado das invasões árabes, fato de que decorre uma parte importante da história das nações ibéricas durante a Idade Média como veremos mais adiante. A conjugação entre uma posição mediterrânica e a sua situação ocidental (só ligeiramente ultrapassada pela Irlanda), convertem a Península numa encruzilhada de caminhos, frente ao mar e ao Novo Mundo. A superfície da Península Ibérica tem 581. 000 km2 (um pouco mais do que a França, 6 vezes e meia maior que Portugal). A Península Ibérica tem uma largura máxima de cerca de 1000 km, à latitude do cabo Finisterra. À latitude de Barcelona, a largura reduz-se para cerca de 800 km. Aumenta ligeiramente e é de 850 km à latitude do Cabo da Nau (e da península de Lisboa). Segundo os meridianos, as suas dimensões apresentam valores ligeiramente inferiores, mas da mesma ordem de grandeza. Assim, o comprimento Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 9 da Península varia entre 820 km à longitude de Gibraltar e 700 km à longitude de Huelva. Trata-se de valores bastante próximos, o que mostra, só por si, um carácter maciço inequívoco. A circunstância de possuir uma ossatura constituída por um núcleo extenso de rochas precâmbricas e paleozóicas (Maciço Hespérico) permite à Península Ibérica apresentar o seu aspecto maciço. As rochas dessa idade (precâmbricas e paleozóicas) afloram raramente na Península Balcânica e nunca na Península Itálica. Como é natural numa península, a Península Ibérica apresenta um grande desenvolvimento dos litorais (4118 km) do qual cerca de metade corresponde ao litoral mediterrâneo. A linha de costa, sobretudo no litoral mediterrânico, desenvolve-se segundo grandes arcos apoiados nos diversos cabos (Finisterra, Carvoeiro, Roca, Espichel, Sines, Sagres, Stª Maria, Gibraltar, Gata, Palos, da Nao e de Creus). A costa Cantábrica tem um traçado diverso, com um caráter muito mais retilíneo no seu conjunto, embora com reentrâncias de pormenor. Trata-se, em linhas gerais, de um litoral pouco recortado. As rias2 galegas e o estuário do Tejo são as maiores aberturas existentes no litoral da Península Ibérica. Essa visão geral não deve conduzir-nos a generalizações excessivas. Com efeito, a ideia de que a Península Ibérica apresenta litorais pouco recortados, apoiada em mapas de pequena escala, deve ser matizada pela análise dos mapas de maior escala, onde já podemos aperceber-nosde algumas reentrâncias, ligadas às embocaduras dos rios e (ou) a acidentes geológicos relevantes. Estas últimas, em Portugal, agrupam-se em áreas bem definidas, ligadas, geralmente, ao afloramento de rochas mesozóicas (veja-se o caso da costa ocidental entre a Nazaré e Setúbal e da costa algarvia). Numa costa predominantemente retilínea, como é a generalidade da costa portuguesa, estes acidentes foram aproveitados, desde tempos mais ou menos 2 Ria é palavra tipicamente galega e asturiana. Braço de mar que avança terra adentro formando paisagens absolutamente únicas. Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 10 antigos, para a localização de portos de pesca e (ou) dos portos comerciais modernos. Das penínsulas do Sul da Europa, a Península Ibérica é a que se liga ao continente por um istmo mais estreito (440 km). Além disso, está separada da Europa pelos Pirineus. Por isso, a Península Ibérica funciona, efetivamente, quase como uma ilha, destacada do resto da Europa. Atendendo às suas dimensões, poderemos dizer que a Península Ibérica corresponde a um continente em miniatura, com uma grande diversidade geo-estrutural e climática, que, juntamente com a diversidade cultural, contribui para a existência de paisagens muito variadas. O isolamento relativamente ao resto da Europa (apoiado nas barreiras físicas dos Pirineus e do mar) deve ser explorado de uma forma o menos determinista possível. Isto porque barreiras como os Alpes e os Pirineus nunca foram intransponíveis. Por outro lado, o mar aproxima mais do que afasta. Tudo depende da vontade de ultrapassar os obstáculos físicos e das técnicas postas ao seu serviço. Na era das comunicações via satélite, em que uma parte importante do tráfego se realiza por via aérea, as cadeias montanhosas perderam, obviamente, o seu papel de barreiras significativas (ARAÚJO, 2001). A circunstância de ser “quase uma ilha” poderia ter levado a Península Ibérica a constituir uma unidade politicamente homogênea. Todavia, ela só atingiu a unidade política de forma episódica. Pelo contrário, o espaço Ibérico sempre foi atravessado por regionalismos e por culturas diversificadas. A unificação de Espanha é um fenômeno relativamente recente, que continua a ser contestado, por vezes de forma violenta, em algumas das suas regiões autônomas. A independência de Portugal nunca se teria restaurado se a experiência das descobertas e o comércio marítimo que se lhe seguiu não tivesse criado interesses econômicos fortes que se sentiram ameaçados com a hegemonia imposta por Castela. As barreiras físicas funcionam, sobretudo, quando são interiorizadas. Assim, a “originalidade” dos processos políticos e sociais dos povos da Península a partir do século XV, com um reforço especial a partir dos anos trinta do século XX, permitiu que se falasse numa metáfora de evidentes conotações Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 11 geológicas, de uma “jangada de pedra”, a propósito da Península Ibérica (ARAÚJO, 2001). 1.3 Reino de Espanha A Espanha ou Reino de Espanha (nome oficial) é o país que se limita com Portugal, a oeste; com o Mar Mediterrâneo, a leste e ao sul; e com a França e o oceano Atlântico, ao norte. Geograficamente, o território espanhol encontra-se parte no hemisfério norte e parte no hemisfério ocidental. O país tem como capital a cidade de Madrid. O território do país abrange uma área de 504 782 km2, onde está dispersa uma população de aproximadamente 46 milhões de habitantes (2008). A moeda oficial é o Euro, o tipo de governo é a monarquia parlamentarista. Possui 17 comunidades autônomas. As principais cidades são: Madri, Barcelona, Valência, Sevilha, Zaragoza e Bilbao, Málaga, Oviedo, Vigo, Granada, Alicante, Palma de Mallorca. 86% da população é de espanhóis; 5% europeus não espanhóis; 5% caribenhos, sul e centro-americanos e 3%, outros (dados de 2012). Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 12 Além do idioma oficial que é o espanhol, temos o basco, o galego e o catalão. Em termos de religião, o país está assim dividido: cristianismo 90,1% (católicos 92,3%, outros 1,8%, dupla filiação 1%, sem filiação 3%), agnoscismo e ateísmo 8,1%, outros 0,2%, islamismo 1,6% (dados de 2010). A densidade populacional é de 93,4 hab./km2 (estimativas de 2014) com uma média de 80% nas cidades e 20% no campo. Dados de 2013 apontavam um índice de analfabetismo na casa dos 2% e um IDH muito alto: 0,885. Renda per capita em 2013: U$29.180. 1.4 Portugal Portugal é um Estado da Europa meridional, cuja parte continental se situa no extremo sudoeste da Península Ibérica, ocupando uma área de 91.985 Km2. Segundo informações do Instituto Nacional de Estatística de Portugal, em 2013, a população do país era 10.427.301 pessoas. A língua oficial é o português. A língua portuguesa, oriunda do latim popular (sermo vulgaris), contributo da civilização romana, é uma língua neolatina ou românica e deriva do galaico-português. O português, propriamente dito, nasceu da cisão do galaico-português em dois falares distintos (galego e português) no período medieval. A sua estrutura de língua novilatina manteve-se, mas recebeu, ao longo do seu período de formação, o Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 13 contributo de outras línguas, das quais se destacam o árabe e as línguas germânicas. No período renascentista, o grego e, principalmente, o latim erudito contribuíram para uma maior variedade vocabular, maior plasticidade da língua e para a normativização linguística e gramatical, fixando-se, assim, o português moderno. Com as Descobertas, a língua portuguesa adotou vocábulos de origens mais longínquas. Nos séculos XVIII e XIX, sofre influência do francês e, no século XX, do inglês, resultando de tudo isto o português que hoje se fala em oito países, espalhados por cinco continentes, Portugal, Brasil, Angola, Moçambique, Guiné- Bissau, São Tomé e Príncipe, Cabo Verde e Timor-Leste, além da Região Administrativa Especial de Macau da República Popular da China, e de pequenos núcleos radicados em Goa, Damão e Diu. O português é hoje uma das línguas mais faladas no mundo, estimando-se que seja utilizado por cerca de 200 milhões de pessoas (http://www.embaixadadeportugal.org.br/portugal/portlingua.php). Lisboa, a capital, situa-se às margens do Rio Tejo e tem no Porto sua segunda maior cidade, de grande importância e muito conhecida pelo vinho que leva seu nome. Nos termos da atual Constituição (02 de abril de 1976), a República Portuguesa é um Estado de direitodemocrático, baseado na soberania popular, no pluralismo de expressão e organização política democrática e no respeito e na garantia de efetivação dos direitos e liberdades fundamentais, que tem por objetivo a realização da democracia econômica, social e cultural e o aprofundamento de democracia participativa. 1.5 Andorra Com uma população em torno de 70 mil habitantes, no ano de 2007 contava com a maior expectativa de vida do mundo (média de 83,5 anos), Andorra é um pequeno país situado na cordilheira dos Pirineus, entre o nordeste da Espanha e o sudoeste da França. Antes isolado, o principado é hoje um país próspero principalmente devido ao crescimento do turismo e por seu status de paraíso fiscal. Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 14 O principado é o único país do mundo cuja única língua oficial é o catalão, embora represente apenas 0,22% do total de catalanófonos da Europa, a maioria deles distribuídos na Catalunha, Valência e Baleares. No seu território também são falados o castelhano, o português e o francês, nesta ordem de números de falantes. Andorra também é o sexto menor país da Europa, maior apenas que Malta, Liechtenstein, São Marinho, Mónaco e Vaticano. Sua capital é a cidade de Andorra- a-Velha, também conhecida como Andorra la Vella. Localização de Andorra na Europa 1.6 Gibraltar Território britânico ultramarino, Gibraltar localiza-se no extremo sul da Península Ibérica. Corresponde a uma pequena península, com uma estreita fronteira terrestre a norte, é limitado, dos outros lados, pelo Mar Mediterrâneo, Estreito de Gibraltar e Baía de Gibraltar, já no Atlântico. A Espanha mantém a reivindicação sobre o Rochedo, o que é totalmente rejeitado pela população gibraltina (GOVERNO DE GIBRALTAR, 2009). O nome Gibraltar origina-se na expressão árabe jabal al-Tariq, que significa “montanha do Tárique”. A montanha, um promontório militarmente estratégico na entrada do mar Mediterrâneo, guarnece o estreito oceânico que separa a África do Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 15 continente europeu. O nome é uma homenagem ao general muçulmano Tárique que no ano de 711 d.C. aí desembarcou, iniciando a conquista do reino visigótico. Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 16 Localização de Gibraltar na Europa Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 17 UNIDADE 2 – PRÉ-HISTÓRIA DA PENÍNSULA IBÉRICA A presença de sinais do homem na península Ibérica data de aproximadamente 1,2 milhões de anos quando os primeiros hominídeos lá chegaram e com o início das guerras Púnicas3, o território entrou no domínio da história escrita. Como já sabemos, um dos problemas fundamentais da História desse período é justamente a questão da “prova”, ou seja, estabelecer a cronologia exata, os exatos primeiros habitantes e as relações étnicas, mas os indícios são muitos. Faremos uma breve apresentação em formato de linha do tempo, pois temos muito a discorrer sobre a Península Ibérica, as cruzadas, o feudalismo, a invasão pelos mouros, a reconquista, os cristãos e mulçumanos, as monarquias, as guerras contemporâneas como a 1ª e 2ª guerras mundiais, a guerra espanhola, a Revolução dos Cravos. Enfim: é um território de inúmeras e ricas histórias. 2.1 Do paleolítico à influência fenícia a) É no paleolítico, em torno de 1,2 milhões de anos ou 7000 a.C. que encontramos os primeiros vestígios da presença dos hominídeos em Portugal e Espanha, principalmente na região de Atapuerca, neste último país existem grutas com o registro da presença humana. Já o homo sapiens – o homem moderno tem sua entrada na península Ibérica no fim do paleolítico. Durante algum tempo, neandertais e o homem moderno coexistiram, até a extinção do primeiro, sendo o seu último refúgio do homem do neandertal o território atual de Portugal. 3 As Guerras Púnicas foram uma série de conflitos com duração de aproximadamente um século – de 246 a 146 a.C. – entre as Repúblicas de Roma e Cartago pelo domínio das rotas do mar Mediterrâneo, que era a principal via comercial da região na antiguidade fazendo a ligação entre as civilizações e possibilitando o desenvolvimento marítimo e comercial. Cartago localizava-se na parte norte da África e, por volta do século III a.C., foi berço de uma das mais prósperas civilizações comerciais da antiguidade graças ao seu desenvolvimento no Mediterrâneo, que possibilitava o comércio de produtos como minério de prata e cereais para a Ásia Menor e Europa. Neste contexto a civilização cartaginense tinha em Roma uma das suas principais aliadas comerciais, mas isto não perdurou por muito tempo depois que a mesma passou a sentir-se ameaçada economicamente por seu desenvolvimento. Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 18 Não vamos discorrer sobre o Mesolítico (período intermediário entre o Paleolítico e o Neolítico presente), pois justamente essa sua condição de intermediário não acrescenta muito aos nossos estudos. Mas vale saber que as regiões que sofreram maiores efeitos das glaciações tiveram Mesolíticos mais evidentes. Na península Ibérica, menos afetada pelas glaciações, não se fez sentir com intensidade. b) O Neolítico, 7000 a.C. a 3000 a.C. é o período em que o homem passou de simples coletor para agricultor, levando as populações a fixar-se definitivamente, tendo por base uma economia produtora e proporcionando um maior controle das fontes de alimentação. Pesquisas apontam que a península se desenvolveu tardiamente na agricultura, de todo modo trouxe mudanças à paisagem humana e junto com a agricultura espalhou por toda Europa Ocidental e parte do Norte da África, encontrando em Portugal, um dos centros mais antigos desta cultura. Persistem até hoje inúmeros registros, sendo o Cromeleque de Almendres (figura abaixo), na região de Évora, o mais importante de toda península, devido ao tamanho e ao estado de conservação. É nesse período que ocorre pela expansão marítima do mediterrâneo, a cultura da cerâmica cardial, associada a processos migratórios, embora pesquisadores assinalem que foi lento o desenvolvimento das culturas neolíticas nas regiões atlânticas. Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com aconvenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 19 Outra característica do neolítico na península Ibérica é o surgimento e desenvolvimento da pintura levantina e arte esquemática, encontradas em abrigos rochosos das serras no interior da península, representando cenas de grupos, cenas estas dinâmicas e figuras humanas mais estilizadas. c) No Calcolítico ou Idade do Cobre (3000 a.C. – 1900 a.C.) dá-se o início da metalurgia. No caso ibérico, temos o aparecimento das primeiras civilizações e de extensas redes de troca e comércio que vão do Norte de África até ao Mar Báltico, com relevo para as Ilhas Britânicas. Afloram formações geológicas ricas em cobre, ouro e prata que são minerados e trabalhados, mas ainda macios demais para substituir as ferramentas de pedra. A partir do terceiro milênio antes de Cristo e nos séculos seguintes, os bens metálicos com fins decorativos e rituais tornam-se mais comuns, assim como os rituais funerários e também momento em que há uma demarcação entre as culturas, ou seja, a portuguesa mais mediterrânea a sul e leste e outra mais europeia, continental a norte e oeste. A área metropolitana onde está situada Lisboa mostra o surgimento de povoações do período calcolítico. d) Idade do Bronze (1800 a.C. – 700 a.C.) – evidentemente foi o período em que ocorreu o desenvolvimento da liga resultante da mistura de cobre com estanho, permitindo a fabricação de ferramentas capazes de substituir os artefatos em pedra e maior interação entre os povos habitantes da península. e) Idade do Ferro (700 a.C. – 218 a.C.) – com certeza a dureza do ferro em relação ao bronze e um maior número de jazidas desse metal, o qual era importado do Oriente (através da emigração de tribos celtas4 que começaram a chegar à Europa Ocidental a partir de 1200 a.C.) que já permitia intercâmbio entre os povos, acelerou o desenvolvimento da península. 4 Celtas é a designação dada a um conjunto de povos, organizados em múltiplas tribos, pertencentes à família linguística indo-europeia que se espalhou pela maior parte do noroeste da Europa a partir do II milênio a.C., desde a península Ibérica até a Anatólia. Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 20 Já se observava nessa época uma diferença social entre chefes de tribos locais e uma elite de cavaleiros. É um período de expansão da cultura celta em vários grupamentos pelo lado ocidental da península. f) Cultura Fenícia! Fenícios, gregos e cartegineses, todos colonizaram partes da península Ibérica, estabelecendo postos comerciais, evidente que vindos pela costa mediterrânica. Os fenícios fundaram a colônia de Gadir (atual Cádis), próximo de Tartessos, o que fez desta a mais antiga cidade com uma ocupação contínua da Europa ocidental, tradicionalmente datada de 1104 a.C.. Ao longo de séculos, os fenícios fizeram da cidade o posto comercial, deixando uma vasta herança de artefatos, como notáveis sarcófagos. Ao contrário do que por vezes se afirma, não há registo de colônias fenícias a oeste do Algarve (nomeadamente Tavira), embora possam ter havido viagens de exploração fenícia, e a influência que estes tiveram no território do atual Portugal foi feita a partir de trocas comerciais e culturais com Tartessos5. No século IX a.C., os fenícios de Tiro (Líbano) fundaram Cartago e exerceram grande influência na península com a introdução da metalurgia e uso do ferro, da roda de oleiro, a produção de azeite e vinho. Foram também responsáveis pelas primeiras formas de escrita ibérica, influenciaram a religião e aceleraram o desenvolvimento urbano. Há, contudo, falta de provas da fundação fenícia de Lisboa em 1300 a.C., sob o nome Alis Ubo (porto seguro), embora neste período datem assentamentos em Olissipona com claras influências mediterrânicas. Houve uma forte influência e presença fenícia na cidade de Balsa (atual Tavira - Portugal) no século VIII a.C., que seria violentamente destruída no século VI. Com o declinar da colonização fenícia na costa mediterrânica muitas das colônias foram abandonadas, sendo substituídos pelo domínio da poderosa Cartago. 2.2 Dos Iberos à invasão romana 5 Tartessos era o nome pelo qual os gregos conheciam a primeira civilização do Ocidente. Herdeiros da cultura megalítica andaluza, que se desenvolveu no triângulo formado pelas atuais cidades de Huelva, Sevilha e Cádis, os tartessos poderão ter desenvolvido uma língua e escrita distintas das dos povos vizinhos, com influências culturais de egípcios e fenícios. Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 21 Os Iberos eram povos autóctones (natural do país que habita) que habitaram o sul e o leste da península Ibérica na Antiguidade. A respeito da sua origem, há várias teorias: a primeira considera que os Iberos são os habitantes originais da Europa Ocidental e os criadores da grande cultura megalítica que teve início no território do Portugal de hoje. Outra teoria sugere que eram povos originários do Norte da África, de onde emigraram provavelmente no século VI a.C. para a península Ibérica, onde ocuparam uma faixa de terra entre a Andaluzia e o Languedoc (na França). Segundo outra teoria, os Iberos seriam de origem caucasiana, e teriam construído ópidos6 muito semelhantes às mesmas construções encontradas na Escócia. Essa teoria está apoiada em evidências arqueológicas, genéticas e linguísticas (MAIA, 1987). Eles são considerados não indo-europeus, ao contrário dos tartessos, cônios e celtas que eram considerados indo-europeus. Quando as primeiras migrações celtas chegaram ao ocidente europeu, os iberos já estavam estabelecidos alguns milênios antes, principalmente no este da península ibérica. Foram parceiros comerciais dos Fenícios, os quais fundaram dentro do território dos Iberos várias colônias comerciais, como Cádis, Eivíssia e Empúrias. Contra os romanos, a aliança entre Iberos e Celtas tornou-se mais forte e a partir do no século I a.C. formaram o povo conhecido como Celtiberos. Os cónios (do latim, Conii) eram os habitantes das atuais regiões do Algarve e Baixo Alentejo, no sul de Portugal, em data anterior ao século VIII a.C., até serem integrados na Província Romana da Lusitânia. Para os defensores das teorias linguísticas atualmente aceitas, os cônios teriam origem celta. Antes do século VIII a.C., a zona de influência cônia, segundo estudo de caracterização paleoetnológico da região, abrangeria muito para além do sul de Portugal, desde o centro de Portugal até ao Algarve e todo o sul de Espanha até Múrcia. No Baixo Alentejo e Algarve foram descobertos vários vestígios arqueológicos que testemunham a existência de uma civilização detentora de escrita, a denominada escrita do sudoeste, anterior à chegada dos fenícios, e que se 6 Seria a principal povoação em qualquer área administrativa do Império Romano Todos os direitos reservadosao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 22 teria desenvolvido entre o séculos VIII-V a.C. A escrita que está presente nas lápides sepulcrais desta civilização e nas moedas de Salatia (Alcácer do Sal) é datável na Primeira idade do Ferro, surgindo no sul de Portugal e estendendo-se até à zona de fronteira. Os Celtas, como já falamos, é a designação dada a um conjunto de povos, organizados em múltiplas tribos, pertencentes à família linguística indo europeia que se espalhou pela maior parte do noroeste da Europa a partir do II milênio a.C., desde a península Ibérica até a Anatólia. As origens dos povos celtas são controversas, especulando-se que entre 1900 – 1500 a.C. tenham surgido da fusão de descendentes dos agricultores danubianos neolíticos e de povos de pastores oriundos das estepes. Esta incerteza deriva da complexidade e diversidade dos povos celtas, que além de englobarem grupos distintos, parecem ser a resultante da fusão sucessiva de culturas e etnias. Na península Ibérica, por exemplo, parte da população celta se misturou aos iberos, o que resultou no surgimento dos celtiberos. Estudos defendem que as Escritas paleohispânicas encontradas em estelas no sudoeste da península Ibérica demonstram que os celtas do País de Gales vieram do sul de Portugal e do sudoeste de Espanha. Obs.: provavelmente o nome península ibérica foi dado pelos celtas devido ao rio Ebros (Iberus). 2.3 A invasão do império romano, o domínio árabe e a importância da língua na formação dos povos A conquista romana da península Ibérica iniciou-se no contexto da Segunda Guerra Púnica (218-201 a.C.), quando as legiões romanas se movimentaram taticamente, a fim de atacar pela retaguarda os domínios de Cartago na região. De fato, a influência cartaginesa na península Ibérica permitia um expressivo reforço, tanto de suprimentos quanto de homens, a Cartago. A estratégia do senado romano visava, assim, enfraquecer as forças cartaginesas, afastando os seus exércitos da península Itálica. Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 23 A derrota dos cartagineses, no entanto, não garantiu a ocupação pacífica da península. A partir de 194 a.C., registraram-se choques com tribos de nativos, denominados genericamente Lusitanos, conflitos que se estenderam até 138 a.C., denominados por alguns autores como guerra lusitana. A disputa foi mais acesa pelos territórios mais prósperos, especialmente na região da atual Andaluzia. Ao iniciar-se a fase imperial romana, a Pax Romana de Augusto também se fez sentir na Hispânia: com o fim das Guerras Cantábricas, a partir de 19 a.C., as legiões ocuparam a região norte peninsular, mais inóspita, ocupada por povos cântabros e astures. Com esta ocupação, asseguravam-se as fronteiras e pacificava-se a região, de modo a que não constituísse ameaça para as populações do vale do rio Ebro e da chamada Meseta, já em plena romanização. Eis que de todos esses acontecimentos, podemos de antemão inferir que tanto o galego antigo como o castelhano e as demais línguas históricas e porventura faladas na Península Ibérica foram muito importantes na formação do português e do galego atuais, sob diferentes e variados aspectos, tais como: o léxico, a fonética, as estruturas sintáticas, morfológicas e semânticas, entre outros (AREÁN-GARCIA, 2009). O galego, o português, o castelhano, como também a maioria das línguas da região, exceção feita ao basco, originaram-se do processo de romanização da Península aliado ao substrato indo-europeu característico de cada localidade e ainda somado aos superstratos germânicos e aos adstratos vizinhos. De acordo com o mapa 1 abaixo, podem ser notados os diferentes povos que habitaram a Península Ibérica antes da colonização do Império Romano e que devem ter contribuído decididamente com o substrato local na origem do processo de formação das línguas atuais. Mapa 1 - Povos pré-ibéricos e ibéricos Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 24 Por exemplo, nota-se que a região que foi o berço do galego-português era, no período pré-romano, ocupada pelos povos galaicos e lusitanos que ali deixaram um substrato característico de seus falares como herança linguística. No ano de 210 a.C., iniciou-se a colonização da Península Ibérica como empreendimento da expansão do Império Romano, que inicialmente, conforme o mapa 2, nota-se que se deteve no litoral mediterrâneo principalmente visando a estabelecer o domínio de cidades de colonização grega e fenícia. Posteriormente, de 197 a 133 a.C., durante o Império de Augusto, houve uma grande investida em direção ao interior da Península com sua quase total incorporação ao Império, ficando apenas o extremo norte povoado pelos bascos e cântabros, e extremo noroeste, povoado pelos galaicos à margem imperial. Segundo Bassetto (2001, p. 102), somente em 19 d.C., os povos do norte e noroeste foram romanizados, ainda que Estrabão, em sua Geografia (29 a.C.), afirme que estes povos caracterizavam- se pela “brutalidade e selvageria”. Mapa 2 - Expansão do império romano na Península Ibérica Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 25 Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 26 Durante o processo de romanização, foram introduzidos vários elementos socioculturais desconhecidos pelos povos autóctones, tais como: o direito romano; a língua latina (processo de latinização); a organização militar, civil e política; que foram assimilados pelos povos autóctones da Península conforme a estratégia de colonização aplicada a cada localidade, visando à manutenção e integridade do Império. Como reflexo dessa romanização, nota-se no Mapa 3, a seguir, que na evolução da divisão política, a região dos povos galaicos foi a de último interesse para o Império Romano. No ano 287, a Gallaecia, província do Império de Dioclesiano, foi descrita por geógrafos e historiadores como os territórios compreendidos desde o Mar Cantábrico até o rio Douro e, desde Finisterris até a Cantábria. Suas principais cidades eram Brigantium, atual cidade de La Corunha; Lucus Augusti, atual cidade de Lugo; Braccara Augusta, atual cidade de Braga e Portucale, atual cidade do Porto. Mapa 3 – Divisão da península ibérica durante o império romano Em Conimbriga (PT), encontram-se as ruínas de uma das maiorespovoações romanas de que há vestígio em Portugal. Há autocarros (ônibus) saindo de Coimbra (uma bela cidade do ano 1111, que abriga a Universidade de mesmo Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 27 nome, datada de 1290) e táxi que levam a Conímbriga com tempo de espera de 1 hora para visitar as ruínas cobrando em torno de 50 euros. É uma experiência que vale a pena, pois nos transportamos no tempo e revivemos uma parte muito interessante da colonização romano bem perto de nós, conforme pode ser observado pelas duas fotos abaixo tiradas em novembro de 2014. Conimbriga – ruínas romanas em Portugal Segundo Monteagudo (1999, p. 62), os fatores fundamentais que contribuíram para a latinização da região noroeste da península foram: a reorganização político administrativa com a demarcação do território, que afetou principalmente as elites locais; o exército romano, que afetou diretamente os falares das classes mais baixas; a política de concessão de direitos e de cidadania romana; a criação e o crescimento das cidades; Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 28 a exploração mineira; a escola de Braga; a rede viária que facilitou a mobilidade territorial e possibilitou a integração da Gallaecia ao resto da prefeitura de Hispania, promovendo também a intensificação das atividades comerciais e a imigração de latinos falantes em direção à região. É interessante notar que, se por um lado, a mobilidade no território promoveu uma grande variedade linguística, por outro lado se apoiou no uso do latim como língua franca. Segundo Monteagudo (1999, p. 56), em termos sociolinguísticos, a diglossia proveniente da latinização acabou desencadeando um processo massivo de assimilação linguística, que culminou com a extinção das línguas autóctones na parte ocidental do Império. Dessa maneira, o latim se sobrepôs às línguas locais e distintas em épocas diferentes na Península Ibérica, significando que, durante a romanização, nunca deve ter havido uma unidade linguística total na região peninsular. Também, convém notar que os distintos povos conquistados ao adotar o latim, devem ter passado a pronunciá-lo com seus próprios hábitos articulatórios e a incorporar ao seu léxico palavras autóctones, formando variedades dialetais características. Com a construção das vias romanas, foi estimulada a maior interação entre os povos, propiciando as mais variadas interferências linguísticas, além do contato permanente com Roma e suas variantes do latim. No entendimento de Bassetto (2001, p. 110), a norma vulgar foi preponderante no processo de difusão e fixação do latim nas províncias, uma vez que era falada pelo exército, pelos colonos civis e militares e pelos comerciantes – que mantinham contato direto e permanente com as populações autóctones. Assim, a Gallaecia, uma das últimas regiões a ser romanizada na Península, já moldava suas características, como fruto sociolinguístico, na assimilação do latim. Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 29 Mapa 4 - Principais zonas de imigrações na Península Ibérica Com o enfraquecimento do Império Romano no final do século IV, começaram as grandes migrações de povos não romanos que duraram quase dois séculos (BASSETTO, 2001). Os vândalos, povos germânicos orientais e linguisticamente ligados ao gótico, estavam divididos em: ásdingos e sílingos; que, como aliados dos suevos (povos germânicos ocidentais) e dos alanos (de origem indo-iraniana), chegaram à Península Ibérica. Os suevos e ásdingos seguiram para a região da Gallaecia, os alanos (povos não germânicos) para a Lusitânia, e os sílingos para a Bética. Posteriormente chegaram os visigodos à Península, originários do sul da Escandinávia, que dizimaram os sílingos na Bética e perseguiram os alanos e ásdingos, obrigando-os a se fixarem na região de Vandalusia, “terra dos vândalos” (atual Andaluzia). De acordo com Mariño Paz (1988, p. 59), os povos ásdingos (vândalos), que inicialmente se fixaram na Gallaecia juntamente com os suevos em 411, se deslocaram da na região entre o rio Douro e Tejo, já em 419, para o sul da Bética e, posteriormente para o norte da África, sendo perseguidos pelos visigodos da Península e pelas milícias do Império Bizantino. Assim, em 534, a região de Vandalusia foi tomada pelo Império Bizantino de acordo com o empreendimento militar de destruir o reino vândalo, conforme o ilustrado no Mapa 4, a seguir (AREÁN-GARCIA, 2009). Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 30 Segundo Monteagudo (1999, p. 69), os suevos, pouco romanizados e, inicialmente, não cristãos, seriam os responsáveis por dar início ao particularismo da língua galego-portuguesa, ao se instalarem na Gallaecia no início do século V, em 411. A fusão dos povos galaicos-romanos e suevos, foi um processo prolongado que parece somente ter se estabilizado em 559 com a conversão destes ao catolicismo. Seu reino ocupou desde a região norte do rio Tejo e toda a província da Gallaecia com a capital em Braga, mas sucumbiu em 585 com as campanhas de expansão do reino visigodo de Leovigildo, que em 618 já dominava quase toda a Península Ibérica, conforme o exposto no Mapa 5, a seguir. Mapa 5 – Reino dos povos não românicos na Península Ibérica De acordo com Bassetto (2001, p. 152), no século VI, iniciou-se uma grande expansão dos domínios árabes impulsionada, principalmente pela incipiente religião Islâmica. Após a morte de Maomé, em 632, com a Guerra Santa, em dois anos, a expansão, encabeçada pelo Califa Abu Bakr, estendeu-se por toda a Península Arábica. Com o Califa Omar, o Império Árabe tornou-se uma teocracia com administração militar, na qual o comandante militar era também o governador civil, Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 31 chefe religioso e juiz supremo. Em 645, o Império Árabe já dominara a Síria, a Palestina, o Egito e a Líbia, e, em 698, também toda a África do Norte. Dessa forma, pouco mais de cem anos foi o tempo bastante para que os árabes tivessem conseguido estender sua religião e língua, bem como seu domínio político em um imenso espaço que ia desde o Oceano Índico ao Atlântico. Segundo Saraiva (1999, p. 33), os fatores que explicaram essa rapidez foram a fraqueza dos impérios vizinhos,ou seja, o Império Persa e Império Bizantino, as ferozes lutas religiosas que então se travavam no Oriente Próximo, entre judeus e cristãos e a situação das populações oprimidas das áreas conquistadas, que em várias regiões, como por exemplo, no Norte da África e toda Península Arábica, os acolheram como libertadores. Devido à rapidez da conquista e facilitada pelo traçado das vias romanas, em 711, a expansão do Império Árabe já se iniciava na Península Ibérica, com as conquistas de Tarik e Musa, durante a dinastia dos Omíadas. Segundo Bassetto (2001, p. 148), no ano seguinte, Tarik já conseguira a conquista de Toledo, e em 732, quando já conquistara quase toda a Península, foi derrotado na batalha de Poitiers pelos Francos, conforme Mapa 6, a seguir. Mapa 6 – Expansão do domínio Árabe na Península Ibérica Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 32 De acordo com Saraiva (1999, p. 35-36), também a atitude dos povos visigodos da Península favoreceu o seu rápido domínio, pois a situação das populações perante o domínio árabe dependia da atitude que assumiam diante da nova religião: se a aceitavam, faziam parte da comunidade; se continuavam fiéis ao cristianismo, podiam manter suas propriedades, mas eram obrigadas a pagar tributos; se resistiam com armas eram aniquiladas. Portanto, a resistência armada não foi o caso mais geral, afinal os tributos teriam que ser pagos quer o senhor fosse cristão, quer islâmico. Assim, segundo Bassetto (2001, p. 149), foi a religião o fator fundamental de distanciamento entre as populações árabes e românicas, concluindo-se que também foi um fator de distanciamento entre as línguas latinas e arábicas. No entanto, nesse período, a população visigoda dividiu-se em: moçárabes, que permaneceram cristãos, e muladis, que se converteram ao islamismo, mas continuaram com a língua romance. Durante o período de conquistas, os árabes ampliaram seu conhecimento através da absorção das culturas de outros povos, levando-as adiante a cada nova conquista e espalhando-o por seus territórios (AREÁN-GARCIA, 2009). A cultura árabe caracterizou-se pela construção de palácios e mesquitas com seus jardins exuberantes. Destacam-se, nestas construções, os arabescos para ilustração e decoração, nos quais houve o emprego e a disseminação da geometria e álgebra aplicadas. A literatura também teve um grande valor, com obras até hoje conhecidas no Ocidente, tais como: As mil e uma noites, As minas do rei Salomão e Ali Babá e os Quarenta ladrões. Especificamente na Península Ibérica, assim como o Império Romano floresceu na Bética, também o Império Árabe floresceu ao sul da península. Sevilha foi um grande centro irradiador de sua cultura, principalmente durante o século XI e XII, ali se desenvolveram a medicina, filosofia, direito, história, astronomia, teologia e as letras, com grande destaque à poesia. Como personalidades importantes culturalmente desse período, destacam-se Averróis (1126-1198) e Maimônides (1135-1204). Ainda que a cultura árabe, com sua técnica e ciência, tenha sido muito mais refinada e, sob determinados aspectos, muito mais desenvolvida que a dos povos românicos ali instalados, é curioso notar que a língua dos dominadores não se sobrepôs à dos dominados (AREÁN-GARCIA, 2009). Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 33 É interessante notar também que a duração do domínio árabe variou muito de região para região na Península Ibérica. Nunca chegou a ser exercido nas terras mais setentrionais, pois ao norte do Rio Ebro já retornara ao domínio cristão em 809. As cidades de Porto e Braga foram conquistadas pelos cristãos em 868, Coimbra em 1064, e Lisboa em 1147. Já Sevilha, Córdoba e Faro fizeram parte do Império Árabe durante cerca de seis séculos e Granada somente deixou de fazer parte deste domínio no final do século XV. Apesar do grande legado linguístico deixado pelos árabes, principalmente no castelhano, segundo Saraiva (1999, p. 34), as variações do domínio árabe em cada região repercutiram diretamente na intensidade da influência da cultura árabe sobre as populações peninsulares, mas foi limitada na linguagem: não deixando vestígios na sintaxe e no léxico contribuindo com cerca de oitocentos vocábulos. Segundo Barraclough e Parker (1999 apud AREÁN-GARCIA, 2009), durante o Império Árabe também houve invasões na Península Ibérica de normandos (“homens do norte”), povos provenientes da Escandinávia, guerreiros-marinheiros que entre o século VIII e o século XI pilharam, invadiram e colonizaram as costas da Europa e ilhas Britânicas. Estes povos, que manejavam muito bem as embarcações à vela, marcaram sua presença nas costas do Atlântico e, posteriormente, do Mediterrâneo. Embora sejam conhecidos principalmente como disseminadores da destruição, fundaram povoados e fizeram comércio pacificamente. Entretanto, em 844, costeando a Península Ibérica, desde o Cantábrico até o Mediterrâneo, saquearam Gijón, A Corunha, Lisboa, Beja, o Algarve, Cádiz e Sevilha. Posteriormente, em 859, atacaram Valência, as Ilhas Baleares e Barcelona. Porém, parecem ter deixado poucas influências linguísticas em seu rastro pela Península. Segundo Saraiva (1999, p. 33-36), o que realmente teve impacto marcante na formação das atuais línguas da Península Ibérica foi o processo de reconquista dos territórios peninsulares pelos cristãos, cujo início é a ruptura do Império Árabe, seu enfraquecimento político após a crise dos Omíadas, bem como a distância entre al-Andalus e o centro do Império na Península Arábica, além do desinteresse dos árabes pelo norte ibérico. Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 34 Em 756, de acordo com Barraclough eParker (1999, p. 120-121 apud AREÁN-GARCIA, 2009), Abd ar-Rahman, o único sobrevivente dos Omíadas da revolução árabe que levou os Abássidas ao poder do Império, fugiu da Península Arábica e, ao chegar a al-Andalus, proclamou ali sua independência com a capital em Córdoba, tornando-se o novo califa da região. Abd ar-Rahman I, reestruturou o seu regime monárquico, baseado nas anteriores monarquias visigodas, como também reestruturou as instituições administrativas e fiscais adaptando-as à realidade social da região. No século VIII, Al-Hakam (796-822) conseguiu reestruturar o exército de al-Andalus, entre outras coisas, por meio de incentivos e da manutenção de um salário permanente, com o qual pode conter diversas revoltas internas e enfrentar o primeiro ataque forte dos povos cristãos do norte provenientes do reino de Astúrias de Alfonso II. Nas primeiras décadas do século IX, o governo de Abd ar-Rahman II, centralizado em Córdoba, promoveu uma melhoria nas condições sociais das populações andaluzas e introduziu algumas regalias aos muladis, incentivando a conversão religiosa ao Islamismo. Entretanto, a partir da segunda metade do século IX, começou a ocorrer uma grande crise política com a revoltade várias regiões que estavam submetidas ao poder central do emirado de Córdoba, conforme o Mapa 7, a seguir. Além disso, nesse período também ocorrem revoltas e descontentamentos da população moçárabe e cristã, devido ao processo de hegemonia árabe, a “arabização” cultural que deixava à margem social os não muçulmanos, aliada a berberes e muladis irritados com as diferenças a favor dos árabes e sírios (AREÁN- GARCIA, 2009). Mais adiante falaremos sobre a origem de Portugal que se situa contextualmente no início do século XII, quando por intransigência, houve a perseguição e a expulsão das minorias não muçulmanas, principalmente moçárabes e judias, que passaram a se fixar em território cristão. Pouco depois, iniciou-se a decadência e as divisões internas, o que permitiu aos cristãos a retomada e o sucesso do seu empreendimento de expansão: a Reconquista. Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 35 Mapa 7 - Crise do emirado de Córdoba Guarde... A verdade é que na península Ibérica, a romanização ocorreu concomitantemente com a conquista, tendo progredido desde a costa mediterrânica até ao interior e à costa do oceano Atlântico. Para esse processo de aculturação foram determinantes a expansão do latim e a fundação de várias cidades, tendo como agentes, a princípio, os legionários e os comerciantes. Os primeiros, ao se miscigenarem com as populações nativas, constituíram famílias, fixando os seus usos e costumes, ao passo que os segundos iam condicionando a vida econômica, em termos de produção e consumo. Embora não se tenha constituído uma sociedade homogênea na península, durante os seis séculos de romanização, registraram-se momentos de desenvolvimento mais ou menos acentuado, atenuando, sem dúvida, as diferenças étnicas do primitivo povoamento. A língua latina acabou por se impor como língua oficial, funcionando como fator de ligação e de comunicação entre os vários povos. As povoações, até aí predominantemente nas montanhas, passaram a surgir nos vales ou planícies, habitando casas de tijolo cobertas com telha. Como exemplo de cidades que surgiram com os Romanos, temos Braga (Bracara Augusta), Beja (Pax Iulia), Santiago do Cacém (Miróbriga), Conímbriga e Chaves (Aquae Flaviae). Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 36 A indústria desenvolveu-se, sobretudo, a olaria, as minas, a tecelagem, as pedreiras, o que ajudou a desenvolver também o comércio, surgindo feiras e mercados, com a circulação da moeda e apoiado numa extensa rede viária (as famosas “calçadas romanas”, de que ainda há muitos vestígios no presente) que ligava os principais centros de todo o Império. A influência romana fez-se sentir também na religião e nas manifestações artísticas. Tratou-se, pois, de uma influência profunda, sobretudo a sul, zona primeiramente conquistada. Os principais agentes foram os mercenários que vieram para a Península, os grandes contingentes militares romanos aqui acampados, a ação de alguns chefes militares, a imigração de romanos para a Península, a concessão da cidadania romana. Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 37 UNIDADE 3 – IDADE MÉDIA: CRUZADAS E FEUDALISMO A Europa passou por um longo período de instabilidade após a queda do Império Romano em 476. Conforme alguns historiadores, a formação do feudalismo se deu do século III (ainda em meio a crise do Império Romano) até o século IX. Todo esse período foi marcado por invasões e instabilidade. Do século IX ao XI veio o período de consolidação do feudalismo, e depois chegamos a Baixa Idade Média, quando a Europa passava por transformações e atingiria o apogeu do sistema feudal. O século XI apresentou uma era de progresso para a Europa. Mesmo que nesse tempo começassem as Cruzadas, em paralelo assistiríamos ao Renascimento Comercial e Urbano e o desenvolvimento da Burguesia. No fim do século XI, o papa Urbano II convocou o Concílio de Clermont, no qual invocava os cristãos europeus para que fossem lutar pela “Terra Santa” (Jerusalém), que havia sido tomada pelos “infiéis” muçulmanos. Iniciaria aí, um período de quase 200 anos de guerra entre cristãos e muçulmanos (1095-1270), sobre o qual destacamos as principais causas: os cristãos (tanto católicos quanto ortodoxos) visavam reaver o controle de Jerusalém, local de peregrinação tomado pelo império árabe-muçulmano; Jerusalém é a região do santo sepulcro, local do sepultamento de Jesus Cristo; o papa ia em socorro dos bizantinos, que sofriam derrotas militares para os muçulmanos, mas visava a reunificação da cristandade sob seu comando, uma vez que os bizantinos haviam se separado do catolicismo há poucas décadas quando criaram a Igreja Ortodoxa; muitos nobres iam em busca de terras, pois havia o crescimento populacional da nobreza europeia também. A nobreza chegou a criar reinos feudais ao redor de Jerusalém; o papa havia prometido o perdão dos pecados (indulgências) aos cavaleiros que participassem das expedições. Como era uma época de muita fé, reis Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 38 importantes, como Ricardo Coração-de-leão da Inglaterra, atenderam à convocação da Igreja. Ao fim de oito grandes expedições (incrementadas por expedições menores intermediárias), os católicos conseguiram vencer apenas a primeira Cruzada. A “Terra Santa” ficaria sob o poder muçulmano. Porém, em meio ao insucesso militar cristão, novas rotas comerciais se abriam. Os caminhos usados pelos cavaleiros cruzados agora eram também usados para se trazer especiarias do Oriente. As cidades italianas desenvolviam seu comércio mediterrâneo e impulsionavam o Renascimento Comercial e Urbano. Portugal, especialmente, viria a beneficiar das Cruzadas em trânsito para o Médio Oriente, tendo estas desempenhado um papel importantíssimo na tomada de algumas cidades portuguesas e subsequente expansão, bem como na fundação do próprio Reino de Portugal. A Europa vivia seu período de estabilidade e o feudalismo, bem como suas instituições, iam bem desde o século XI. Porém, o século XIV apresentou uma devastadora crise que colocaria em xeque o Sistema feudal e a organização política e econômica da Europa daquela época. Instaurava-se a Crise do Feudalismo. Era uma crise vista como inerente ao próprio sistema e suas contradições internas, uma vez que o feudalismo por si só era de produção para subsistência, mas assistia a um crescimento populacional muito grande e via o embrionário capitalismo surgir, com a burguesia e o comércio internacional, seja de especiarias ou artigos regionais. Mas o que desencadeoude fato a crise foi a crise ecológica/agrícola da década de 1330, quando a produção mal dava para alimentar os camponeses, que, subnutridos, ainda tinham que sustentar clero e nobreza. Veio a fome, seguiram-se a peste e as revoltas. E para coroar esta crise, a Guerra dos Cem Anos. O feudalismo não resistiria, e alternativas foram aparecendo. Era época da formação das Monarquias Nacionais, do crescimento do comércio e da burguesia. Os reis, a nobreza e a burguesia teriam que se rearticular para resolver essa crise (é daí que observamos o nascimento do Absolutismo). A queda de Constantinopla, pelos Turcos Otomanos, em 1453, foi o golpe final, pois dificultava ainda mais a situação Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 39 ao distanciar ainda mais as especiarias dos mercadores ocidentais (as Navegações do século XV e XVI seriam a solução). Ao mesmo tempo, o Renascimento, com as críticas ao poder católico, estava engatinhando. Sobre a crise agrícola da década de 1330, é importante saber que mesmo que as técnicas e a produção de alimentos estivessem melhorando, a população estava crescendo como não crescia antes. Na realidade, crises agrícolas eram mais ou menos comuns na Idade Média europeia, mas a crise que se estabeleceu a partir desta crise levou muita gente à fome e deixou milhões de europeus suscetíveis às doenças. Quanto à Peste Bubônica, naquela época era chamada de “peste negra” devido às manchas negras que deixava pelo corpo da vítima atingida pela bactéria yersinia pestis, transmitida aos humanos por pulgas. No período, a Europa tinha muitos esgotos a céu aberto, lixos mal acomodados e ainda sofria da crise agrícola, tornando-se um alvo fácil para a pandemia que veio do oriente, possivelmente junto com as especiarias que chegavam da China. Aproximadamente 25 milhões de pessoas morreram em poucos anos. Era um terço do total da população europeia da época. A peste negra causou, além das mortes, uma época de grande fervor religioso e de perseguição a grupos religiosos minoritários, como os judeus. Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 40 UNIDADE 4 – A RECONQUISTA, A FORMAÇÃO DOS ESTADOS IBÉRICOS E AS MONARQUIAS PORTUGUESA E ESPANHOLA NO CONTEXTO EUROPEU 4.1 A reconquista O processo histórico conhecido como Guerra de Reconquista consistiu na retomada dos territórios conquistados pelos mouros (berberes que professavam a religião muçulmana) na Península Ibérica. Apesar de boa parte dos historiadores considerarem a reconquista restrita ao século XV, é possível afirmar que ela se compôs de uma série de batalhas ocorridas entre os séculos VIII e XV. A invasão da Península Ibérica se deu a partir do norte da África durante a expansão do Império Islâmico, por volta do ano de 711. Sob o comando de Tarik ibn- Zyiad, as tropas mouras obrigaram os visigodos que habitavam o local a se refugiarem no norte da Península, na região montanhosa das Astúrias. As condições geográficas facilitavam a defesa dos visigodos na região, possibilitando ainda investidas contra as possessões mouras que eram constituídas. A primeira revolta que se tem notícia foi a revolta de Pelágio (ou Pelayo), em 718, iniciando a resistência e avanço dos cristãos contra os mouros que conquistavam a península. A luta por conquista de territórios se transformava também em uma luta religiosa opondo os cristão e os muçulmanos. Porém, entre os séculos VIII e XI, foram os mouros a conseguirem os maiores feitos, conquistando quase toda a Península Ibérica e consolidando-se com a formação do Emirado de Córdoba. Mas a partir do século XII, com o apoio do movimento das cruzadas, os reinos cristãos da região passaram a ampliar sua dominação. Vários reinos e outros territórios foram criados após as batalhas: Condado Portucalense, Reino de Aragão, Reino de Castela, Reino de Navarra e Reino de Leão. A partir dessas conquistas, exércitos foram formados para lutar contra os mouros, garantindo a manutenção das posições geográficas conseguidas. Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 41 As principais consequências das Guerras de Reconquista foram a criação de dois Estados Nacionais: Portugal e Espanha. A formação de Portugal ocorreu a partir da formação do Condado Portucalense, no noroeste da Península, expandindo-se para a faixa litorânea ao sul, conquistando áreas urbanas e de forte comércio que eram controladas pelos mouros. O caso mais notório foi a conquista da cidade de Lisboa pelas tropas de Afonso Henriques, auxiliadas por cruzados ingleses, em 1147. Essa conquista fortaleceu Afonso Henriques econômica e politicamente frente aos senhores feudais do Norte, pois ampliou os territórios sob seu controle e o colocou em contato com uma economia monetarizada, que havia sido desenvolvida nas cidades litorâneas. Mapa 8 – reconquista cristã na Península Ibérica Essa situação fortaleceu Afonso Henriques e sua dinastia, Borgonha, que governou até 1383, quando foram derrotados na revolução de Avis. Entretanto, as condições para a formação do primeiro Estado Nacional europeu, Portugal, foram constituídas durante a Guerra de Reconquista, aliada com a ação de algumas cruzadas. Veremos mais detalhes adiante. 4.2 A Formação dos Estados Ibéricos Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 42 Existe relações próximas entre a expansão marítima europeia, passagens do feudalismo para Idade moderna e, claro, os processos de formação das monarquias europeias, aqui mais especificamente Portugal e Espanha, países da península Ibérica, nosso objeto de estudo. Segundo Sousa (2011), para tentarmos compreender esse conjunto de fatores históricos, devemos frisar como o reaquecimento das atividades comerciais, a crise das práticas feudais e o movimento das cruzadas foram de central importância para que essas duas nações desbravassem novas rotas marítimas que transformaram tanto o eixo comercial europeu, quanto a visão que o homem europeu tinha do mundo. Em certo aspecto, as Cruzadas foram de fundamental importância para a expansão comercial europeia. Tomados pela pregação papal que reivindicava o controle cristão da cidade de Jerusalém e a perseguição dos “infiéis” (em sua grande maioria muçulmanos), vários exércitos da Europa partiram rumo ao Oriente. O movimento cruzadista, sob seu apelo religioso, foi responsável pela consolidação de novas rotas comerciais entre o Ocidente e o Oriente. No entanto, esse desdobramento econômico-religioso também pôde ser observado dentro da Península Ibérica. No século VII, vários grupos muçulmanos empreenderam a expansão do MundoÁrabe e, dessa forma, estabeleceram-se dentro da Península Ibérica. No século XI, o contexto das Cruzadas e da Baixa Idade Média ofereceram a formação do chamado movimento de Reconquista. Nesse movimento, os reinos cristãos de Leão, Castela e Aragão se unificaram com o objetivo de anular a presença muçulmana da região. Por meio dessa mobilização teríamos, em 1469, o ensaio da formação do Estado espanhol que se consolidou vinte e dois anos mais tarde (1492) no momento em que a expulsão muçulmana havia se concretizado. Durante a Reconquista, os reinos de Leão e Castela obtiveram o apoio do nobre francês Henrique Borgonha que – em troca de sua participação nos conflitos – recebeu as terras do Condado Portucalense nos fins do século XI. Nessa troca, anos mais tarde, formar-se-ia o território originário do Reino de Portugal. Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 43 No século XIV, mediante a crise sucessória causada pelo fim da dinastia de Borgonha, um conjunto de comerciantes da região se mobilizou contra uma possível reintegração do Condado Portucalense aos reinos de Leão e Castela. Empreendendo uma guerra contra os castelhanos, o reino de Portugal foi consolidado pela Revolução de Avis. Em 1385, os comerciantes portucalenses apoiaram a ascensão política do chefe da Ordem Militar de Avis, Dom João. Com a estabilidade política conquistada por tais processos, a influência do legado científico árabe e os novos valores renascentistas, as burguesias mercantis ibéricas foram as primeiras a desenvolverem uma tecnologia marítima capaz de consolidar novas rotas comerciais e, posteriormente, a conquista do continente americano. 4.3 As monarquias portuguesa e espanhola Monarquia nos remete de imediato ao continente europeu, seja Inglaterra, França, Portugal ou Espanha, não é verdade? Não conseguimos imaginar a Europa sem essa forma de governo a qual, além do que nos conta a própria história, está gravado em inúmeros filmes e fotografias de maneira geral. Esses países começaram a se consolidar a partir da Baixa Idade Média, paralelamente ao desenvolvimento do comércio e das cidades. Até então, nos diversos reinos formados pela Europa com a desagregação do Império Romano do ocidente, os reis exerciam, principalmente, funções militares e políticas. Sem cumprir atividades administrativas, o rei tinha seus poderes limitados pela ação da nobreza feudal, que, por serem os senhores da terra, controlava de fato o poder. Essa organização do poder é chamada monarquia feudal e sua principal característica era a fragmentação do poder. A partir do século XI, em algumas regiões da Europa, as monarquias feudais iriam servir de base para a formação de governos centralizados: é o caso da França, da Inglaterra e de Castela (atual Espanha). Os reis começaram então a concentrar grandes poderes, em parte por causa do apoio e do dinheiro recebido dos burgueses. Ao longo de algum tempo, a Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 44 aproximação entre o rei e a burguesia colocariam fim à fragmentação do poder. Entretanto, isso não significou a exclusão da nobreza feudal do poder. Ela se manteve ligada ao rei e usufruindo da sua política. Além dos reis, ganharam importância nesse processo os burgueses, que se tornaram o grupo social de maior poder político e, sobretudo, econômico. Durante quase toda a Idade Média não existiam países como os que conhecemos hoje. Assim, morar em Londres ou em Paris não significava morar na Inglaterra ou na França. As pessoas sentiam-se ligadas apenas a uma cidade, a um feudo ou a um reino. O processo de formação de monarquias com poder centralizado na Europa iniciou-se no século XI e consolidou-se entre os séculos XIV e XVI. Ao final de alguns séculos, esse processo daria origem a muitos dos países atuais da Europa, como França, Portugal e Espanha. Entretanto, ele não ocorreu ao mesmo tempo e da mesma maneira em todos os lugares do continente. Em regiões como a península Itálica e o norte da Europa nem chegaria a se consolidar. Quase sempre estiveram envolvidos nesse processo de centralização do poder os mesmos grupos sociais: os reis, a burguesia e os nobres feudais. Cada um desses grupos era movido por interesses próprios. Muitas vezes, esses interesses eram convergentes; outras vezes, radicalmente opostos. Para a burguesia, novo grupo social se formava, a descentralização política do feudalismo era inconveniente. Isso porque submetia os burgueses aos impostos cobrados pelos senhores e dificultava a atividade comercial pela ausência de moeda comum e de pesos e medidas padronizados. Essas circunstâncias acabaram aproximando os burgueses dos reis, interessados em concentrar o poder em suas mãos. Nessa aliança, a burguesia contribuía com o dinheiro e o rei, com medidas políticas que favoreciam o comércio. O dinheiro da burguesia facilitava aos reis a organização de um exército para impor sua autoridade à nobreza feudal. Essa mesma nobreza feudal, por sua vez, encontrava-se enfraquecida pelos gastos com as Cruzadas e tinha necessidade de um apoio forte, até mesmo para se Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 45 defender das revoltas camponesas, que se intensificavam. Procurou esse apoio nos reis, apesar de muitas vezes se sentir prejudicada com a política da realeza em favor da burguesia, que colocava fim a vários dos privilégios feudais. Dividido entre a burguesia e a nobreza feudal, o rei serviu como uma espécie de mediador entre os interesses dos dois grupos. Ao final de um longo período, esse processo acabou possibilitando a formação de um poder centralizado e a consolidação de uma unidade territorial. Com isso, formar-se-iam em diversas regiões da Europa monarquias com poder centralizado, nas quais os reis detinham grande parte do poder. Assim, a monarquia foi forma de governo sob a qual se organizou a Europa entre o fim da Idade Média e o início da Idade Moderna. Vejamos alguns detalhes da formação de monarquias em Portugal e Espanha. a) A monarquia portuguesa Portugal foi um dos primeiros países da Europa a consolidar um governo forte, centralizado na pessoa do rei. A formação da Monarquia Portuguesa iniciou-se nas lutas pela expulsão dos árabes que, desde o século VIII, ocupavam a península Ibérica. Essas lutas ficaram conhecidas como guerras de Reconquista como vimos anteriormente. Durante o domínio árabe, os povos cristãos ficaram restritos ao norte da península. A partir do século XI, pouco a pouco eles conseguiram ampliar seu território. Foram fundados, então, vários reinos, entre os quais Aragão, Navarra, Leão, Castela. Com isso os muçulmanos começaram a recuar em direção ao litoral sul. Durante as guerras de Reconquista, destacou-se o nobre Henrique de Borgonha. Como recompensa, ele recebeu do rei de Leão e Castela, Afonso VI, a mão de sua filha e as terras do condado portucalense. O filho de Henrique deBorgonha, Afonso Henriques, proclamou-se então rei de Portugal, em 1139, rompendo os laços com Leão e Castela. Tinha início, assim, a dinastia de Borgonha. Afonso Henriques, o Conquistador, estendeu seus domínios para o sul, até o rio Tejo, e fez de Lisboa sua capital. Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 46 Em 1383, com a morte do último rei da dinastia de Borgonha, D. Fernando, o Formoso, a Coroa portuguesa ficou ameaçada de ser anexada pelos soberanos de Leão e Castela, parentes do rei morto. Os portugueses não desejavam que seu país fosse governado por um rei estrangeiro. A burguesia, por sua vez, temia ver seus interesses comerciais prejudicados pelos nobres castelhanos. Para evitar a perda da independência, os portugueses aclamaram D. João, meio-irmão do rei morto, como novo rei. João, mestre da cidade de Avis, venceu os espanhóis e assumiu o trono. O apoio financeiro da burguesia foi decisivo nessa vitória. Assim, durante toda a dinastia Avis, os reis favoreceram e apoiaram as atividades burguesas. REIS DA PRIMEIRA DINASTIA AFONSINA - PORTUGAL Rei Reinado Característica D. Afonso Henrique 1143-1185 O conquistador – porque conquistou muitas terras. D. Sancho I 1185-1211 O povoador – por ter desenvolvido o povoamento do território. D. Afonso II 1211-1223 O gordo – por ser muito gordo. D. Sancho II 1223-1248 A capelo – por ter usado em criança o hábito de São Francisco. D. Afonso III 1248-1279 O bolonhês – por ter casado com D. Matilde, condessa de Bologna. D. Dinis 1279-1325 O lavrador – pelos benefícios feitos para a agricultura. D. Afonso IV 1325-1357 O bravo – pela bravura que mostrou na batalha de Salado. D. Pedro 1357-1367 O justiceiro – pela justiça igual que fez a todos. D. Fernando 1367-1383 O formoso – pela sua beleza física. REIS DA SEGUNDA DINASTIA AVIS - PORTUGAL Rei Reinado Característica D. João I 1385-1433 O da boa memória. Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 47 D. Duarte 1433-1438 O eloquente – pelo seu grande saber e amor às letras. D. Afonso V 1438-1481 O africano – pelas conquistas que fez em África. D. João II 1481-1495 O príncipe perfeito – por ter governado com autoridade e interesse pela pátria. D. Manuel I 1495-1521 O venturoso – pelo feliz sucesso dos empreendimentos marítimos. D. João III 1521-1557 O piedoso – pelo seu grande fervor religioso e bondade. D. Sebastião 1557-1578 O desejado – por nascer quando era esperado por todos. D. Henrique 1578-1580 O casto – porque era Cardeal e não podia casar. b) A Monarquia Espanhola A formação da monarquia espanhola também está ligada às guerras de Reconquista da península Ibérica. Durante esse processo, diversos reinos foram constituídos. Em 1469, o casamento de Fernando (herdeiro do trono de Aragão) com Isabel (irmã do rei de Leão e Castela) uniu três reinos. Era o primeiro passo para a formação da Espanha. Os Reis Católicos eram conhecidos como Reis das Espanhas. Em 1493 o governo municipal de Barcelona se refere a Don Fernando como o “Rey de Spanya, nostre senyor” (ou “Rei de Espanha, nosso senhor”). A partir de Carlos I, todos os reis se autodenominam Rei das Espanhas, colocando esta legenda (em latim) nas moedas acunhadas durante seus reinados, ainda que normalmente utilizassem outros títulos, desde “Rei de Castela” até “Senhor de Vizcaya e de Molina”, ou simplesmente, “Eu o Rei”. Amadeu I é o primeiro que oficialmente utiliza a denominação de Rei da Espanha, já que os anteriores utilizavam o título abreviado de Rei das Espanhas. A partir de Amadeu, já todos adotam este título. Isabel de Castela e Fernando de Aragão - Reis católicos espanhóis Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 48 Em 1492, os exércitos de Fernando e Isabel apoderaram-se de Granada e expulsaram definitivamente os árabes da península Ibérica, consolidando a monarquia espanhola. No século XVI, com Carlos I, a Monarquia Espanhola fortaleceu-se ainda mais. Além das guerras internas e externas e dos interesses da burguesia, outro movimento contribuiu para o fortalecimento do poder dos reis: as revoltas camponesas. Essas revoltas eram consequência da fome, da miséria e da exploração dos camponeses. Assustados com as rebeliões, os senhores feudais aceitavam a autoridade do rei, que, fortalecido, podia organizar exércitos para reprimir os numerosos movimentos de contestação. Na França, as principais rebeliões ganharam o nome de jacqueries. Isso em virtude da expressão “Jacques Bonhomme”, designação desdenhosa usada pelos nobres para referir-se a qualquer camponês (algo como Zé Ninguém). Na Inglaterra, os rebeldes foram liderados por um camponês artesão chamado Wat Tyler e por um padre de nome John Ball. Os camponeses na França e Inglaterra lutavam por melhores condições de vida. Não suportando mais as pesadas taxas exigidas pelos nobres, eles invadiam os castelos e saqueavam os depósitos de alimento. Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 49 As revoltas não duraram muito tempo, pois foram reprimidas com violência pelos exércitos ligados ao rei. Mesmo assim, contribuíram para mostrar a capacidade de organização e de luta dos camponeses (http://www.sohistoria.com.br/ef2/centralizacaopoder/p3.php). Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 50 UNIDADE 5 – GUERRAS E REVOLUÇÕES DO SÉCULO XX QUE ENVOLVERAM OS PAÍSES IBÉRICOS 5.1 Primeira e segunda guerra mundial A Primeira Guerra Mundial (1914-1918) foi um dos eventos mais dramáticos ocorridos em solo europeu, não só pelas mortes, algo em torno de 10 milhões de pessoas como também por desfechos como o que acometeu o mundo todo ao final da guerra e no ano seguinte: a conhecida gripe espanhola que levou a óbito mais de 50 milhões de pessoas em todo o mundo. Há que se frisar que pela época, o controle, as estatísticas e as informações não corriam com rapidez, eficiência e confiabilidade como na atualidade, portanto, o número de mortes pode ter sido muito maior, talvez o dobro! Outro fator que mostrou a dramaticidade dessa guerra é que todas as potências mundiais da época estavam na própria Europa onde o conflito ocorreu e acabou por envolver inúmeros outros países em quase todos os continentes. Vários países se declararam neutros, mas isso não significou umtotal isolamento da guerra. Em um momento ou outro, várias das nações oficialmente neutras cooperaram com algum dos lados ou mesmo os dois, permitindo uso de seus recursos ou território no esforço de guerra. A Espanha era neutra, ao mesmo tempo aliada do Reino Unido devido um tratado. Portugal participou no primeiro conflito mundial ao lado dos Aliados, o que estava de acordo com as orientações da república ainda recentemente instaurada. Na primeira etapa do conflito, Portugal participou, militarmente, na guerra com o envio de tropas para a defesa das colônias africanas ameaçadas pela Alemanha. Face a este perigo e sem declaração de guerra, o governo português enviou contingentes militares para Angola e Moçambique. Em março de 1916, apesar das tentativas da Inglaterra para que Portugal não se envolvesse no conflito, o antigo aliado decidiu pedir ao estado português o apresamento de todos os navios germânicos na costa lusitana. Esta atitude justificou Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 51 a declaração oficial de guerra a Portugal pela Alemanha, a 9 de março de 1916 (apesar dos combates na África desde 1914). Em 1917, as primeiras tropas portuguesas, do Corpo Expedicionário Português, seguiam para a guerra na Europa, em direção a Flandres. Portugal envolveu-se, depois, em combates na França. Neste esforço de guerra, chegaram a estar mobilizados quase 200 mil homens. As perdas atingiram quase 10 mil mortos e milhares de feridos, além de custos econômicos e sociais gravemente superiores à capacidade nacional. Os objetivos que levaram os responsáveis políticos portugueses a entrar na guerra saíram gorados na sua totalidade, ou seja, nenhum deles deu certo. A unidade nacional não seria conseguida por este meio e a instabilidade política acentuar-se-ia até à queda do regime democrático em 1926. Igualmente na segunda guerra mundial (1939-1945), também tínhamos países neutros. Ao início da guerra, vinte nações tomaram a posição de neutralidade, mas ao fim desta, apenas oito conseguiram manter tal status, dentre estes oito, encontramos Portugal e Espanha. Portugal, embora fosse um país neutro, era governado na época pelo ditador Salazar, que apesar de manter um regime de orientação fascista, tinha simpatia pelos Aliados. Além disso, sua longínqua colônia de Timor fora invadida pelos japoneses, fato que levou a protestos diplomáticos por parte de Portugal. A Espanha era governada por outro ditador de orientação fascista, Francisco Franco, embora também declarasse neutralidade no conflito, tinha simpatia pelo Eixo (Franco chegou a enviar um grupo de voluntários espanhóis, conhecido como a Brigada Azul, para lutar ao lado dos alemães contra os soviéticos). Muitas pessoas não sabem que a gripe espanhola, na verdade, não é uma gripe do país Espanha! Foi uma gripe que começou a propagar-se no mundo e acabou virando uma pandemia, alcançando quase todo o globo terrestre com exceção de alguns locais no Polo Norte (Sibéria) e Oceania. No contexto histórico do ano de 1918, poucos sabiam da letalidade da epidemia de gripe espanhola, a comunidade médica, juntamente com a população, Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 52 ainda não tinha conhecimento da epidemia de gripe. A gripe foi confundida com outras doenças como tifo, cólera e dengue (CARVALHO, 2014). Enquanto a I Guerra Mundial, segundo alguns pesquisadores do conflito, vitimou aproximadamente 10 milhões de pessoas, a gripe espanhola, que teve seu auge entre os meses de setembro e dezembro de 1918, vitimou assustadoramente cerca de 50 milhões de pessoas. A letalidade da epidemia até hoje não foi explicada de forma plausível pela comunidade médica, alguns médicos defenderam que a epidemia iniciou-se de uma gripe aviária, mas a gripe de aves não pode ser contraída diretamente pelos seres humanos. Os suínos fizeram a ligação para a gripe humana, primeiro a gripe aviária se transformou em gripe suína e, posteriormente, transformou-se em gripe humana. Uma explicação para o nome da gripe é a seguinte: Durante o ano de 1918 (ano final da guerra), somente a Espanha se encontrava neutra no conflito, não participou efetivamente da guerra. Portanto, a imprensa espanhola não tinha motivos e tampouco foi censurada pelo governo espanhol de noticiar a presença de gripe em seu território. A notícia da epidemia só chegava da Espanha, assim, ficou subtendido que a gripe tinha originado em território espanhol, por isso o nome “gripe espanhola”. Atualmente sabemos que a epidemia de gripe não iniciou na Espanha, segundo grande parte dos pesquisadores da doença, a epidemia começou na China, porém outros pesquisadores defendem que a origem da moléstia se deu nos Estados Unidos. Durante a I Guerra, milhares de combatentes também morreram infectados pela gripe no Front (CARVALHO, 2014). Quanto a Segunda Guerra Mundial, mesmo estando neutra e periférica, Portugal sofreu grandes efeitos ao nível da economia, sociedade e política. A Segunda Guerra Mundial, se por um lado provocou aquela que foi a primeira crise do regime fundado com o golpe de estado de 1926, conseguiu, por outro lado, e graças à política habilidosa, no campo nacional e internacional, do Presidente de Conselho, António de Oliveira Salazar, que esse regime se mantenha por quase mais trinta anos (MARCOS; CASTAÑO; RAMIRES, 2002). Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 53 Uma vez que Salazar se havia formado pensador político e professor universitário no rescaldo da I Grande Guerra, era conhecedor dos efeitos disruptivos e subversivos que a guerra tinha no plano econômico, financeiro, político e ainda nas garantias da manutenção do império português e até mesmo da independência nacional. Como completam os autores acima, a agravar isto estava o fato de que a II Guerra Mundial foi uma guerra fortemente ideologizada, onde Democracia combatia o Totalitarismo. Alguns detalhes da política externa merecem ser analisados nesse contexto. Vejamos: Podemos dizer que a política externa não tinha um grande significado para o Estado Novo até à eclosão da Guerra Civil de Espanha, em 1936. Isto deve-se à prioridade da resolução dos graves problemas internos. O Estado Novo retoma a política externa portuguesa do século XVIII – assumia uma posição de semiperiferia dos centros político-econômicos. Desta forma, a sua política externa era essencialmente defensiva: a) Defesa da independência nacional face ao “perigo espanhol”: o medo da anexação espanhola de Portugal aumentou graças à eclosão da Guerra Civil do país vizinho. Portugal tinha medo que o Republicanismo, de matriz socialista, ganhasse a guerra civil e aumentasse o apoio aos grupos oposicionistas portugueses. Porém, durante a Segunda Guerra, houve o medo de que a Espanha falangista invadisse Portugal. A defesa do patrimônio colonial devia-se ao fato de Portugal temer que as potências coloniais europeiasfizessem uma re-divisão das colônias portuguesas. b) A defesa da sobrevivência do regime: apesar das convulsões políticas que assolavam a Europa – a ameaça ‘vermelha’ ou a vitória das democracias na Primeira Guerra –, Salazar procurará sempre cimentar o Estado Novo. c) Automarginalização de Portugal relativamente à política europeia continental, aos seus contenciosos, às suas perturbações: Portugal era uma “potência atlântica, presa pela natureza à Espanha, política e economicamente debruçados sobre o mar e as colônias”. Nesse sentido, sempre que possível, Portugal deveria evitar envolver-se nos conflitos europeus. Deveria manter-se a Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 54 amizade peninsular e desenvolver as potencialidades coloniais. Com o Estado Novo regressava-se assumidamente ao atlantismo. A Guerra Civil de Espanha era tida como um adiamento do conflito do centro da Europa para a periferia europeia. Portugal ajudou a facção falangista para tentar exorcizar a vitória do Republicanismo de vertente socialista. A pedra angular do edifício estratégico de Portugal era a ‘Velha Aliança’ Luso-Britânica. Não se tratava de uma escolha portuguesa, mas sim de uma realidade estrutural que condicionava Portugal, interna e externamente. A Grã- Bretanha era ainda senhora dos mares e tinha uma vasta fronteira com as colônias portuguesas na África e na Índia. Era também o grande fornecedor da economia portuguesa, o seu principal cliente e o transportador do grosso das exportações portuguesas; era também o principal investidor estrangeiro e fora o principal credor externo. Portugal agiu sempre, em relação à Grã-Bretanha, com uma calma e meticulosidade enormes, especialmente no que toca à Guerra civil espanhola e à II Grande Guerra. Pressionava o Reino Unido com o fato da Alemanha se ter tornado numa potência continental sua concorrente e só cedia caso isso fosse proveitoso para a manutenção dos interesses portugueses, nunca deixando que a ‘Velha Aliança’ se rompesse. d) Amizade peninsular: garantia a segurança política e integridade territorial de Portugal. Esconjuraria o perigo da anexação espanhola sob a forma da ameaça subversora “vermelha” (ajuda aos falangistas), quer sob a forma expansionista de certos meios falangistas e do exército franquista (tratado de não agressão – que teve, na sombra, um importante movimento diplomático, com vista a isolar e derrotar, no Outubro de 1942, Serrano Suñer e os setores intervencionistas e germanófilos de Falange e do exército espanhol). Enfim, a manutenção da neutralidade até ao fim da guerra jamais poderia ter sido conservada, especialmente no período crítico de 1939-42, se não fosse também do interesse da Alemanha. Berlim teve benefícios com a neutralidade portuguesa, especialmente do ponto de vista econômico. Porém, podemos dizer que o grande fator que Portugal beneficiou para que não fosse invadido pela Alemanha (operação “Félix” de Outubro de 1940) foi o fato de Hitler ter se decidido a invadir a URSS. Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 55 Enfim, Portugal declarava apenas a neutralidade e não a não-beligerância. Com esta decisão distanciava-se da Grã-Bretanha. Neutralidade politicamente ativa, especialmente em relação à Espanha, que no quadro da aliança luso-britânica também queria ser neutro. Neste contexto, Portugal teve um importante papel na contenção da facção germanófila e intervencionista do regime franquista. Pedro Teotónio Pereira, embaixador de Portugal na Espanha, teve um papel decisivo nessa política, que culminou com o tratado de amizade e não agressão com Espanha e com a demissão de Serrano Suñer. 5.2 A guerra civil espanhola Não poderíamos começar a discorrer sobre a Guerra Civil Espanhola ocorrida entre 1936 e 1939 sem fazer uma alusão ao painel “Guernica” de Pablo Picasso! Pois bem, eis na ótica deste mestre sua impressão trágica e clássica retratando as consequências do intenso bombardeio sofrido pela cidade de Guernica, anteriormente capital basca, durante a Guerra Civil Espanhola, em 26 de abril de 1937. Basicamente, justificando que embora merecesse muito tempo e espaço para discussões, a guerra civil espanhola foi um conflito interno entre os anos de 1936 e 1939, mas que teve origem por volta de 1929 na crise econômica, sendo impulsionada por greves, manifestações e levantes de direita e de esquerda. Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 56 Em 1931, a monarquia foi derrubada e foi proclamada a República, mas as reformas que ela promove não conseguem sanar a economia, deixando descontentes vários setores da sociedade. Durante todo esse tempo, explodem pelo país revoltas e manifestações antigovernamentais (FERREIRA, 2015). Atuavam e disputavam o poder momentos antes do conflito os falangistas e a frente popular. Os primeiros eram de tendência fascista e comandados pelo general Francisco Franco. Tinham como objetivo eliminar o crescente movimento comunista na Espanha. Tiveram o apoio dos setores tradicionais e conservadores da sociedade espanhola (Igreja, Exército e grandes proprietários rurais). Contaram também com a ajuda militar da Alemanha nazista e da Itália fascista. Tinham por objetivo a implantação de um governo autoritário. A Frente popular, de tendência esquerdista, contava com o apoio dos sindicatos, partidos políticos de esquerda e defensores da democracia. Queriam combater o nazi-fascismo, que estava crescendo na Espanha e outros países da Europa. Defendiam o Governo Republicano e tiveram o apoio externo da União Soviética. Os separatistas da Catalunha foram cruelmente reprimidos. Crimes e violências envolvem a vida espanhola, numa onda que parecia não ter fim. O parlamento foi dissolvido e novas eleições convocadas para 1936. Embora divididos, os partidos de esquerda conseguiram agrupar-se e lançaram Azaña y Dias como candidato à presidência, pela Frente Popular, que então saiu vitorioso. Enquanto isso, cresceram os esforços das correntes direitistas, organizadas na Falange, para se unirem contra a Frente Popular. Quando acontece, em julho de 1936, o assassinato do monarquista Calvo Sotelo, por oficiais da polícia, eclode o movimento armado para derrubar o governo. O general Francisco Franco, à frente das divisões estacionadas no Marrocos, lidera a Frente Popular, entrando na Espanha e tomando Sevilha e Cádiz. Outra frente militar ataca as províncias do norte, chegando perto da capital. A Itália, dominada por Mussolini, e a Alemanha, por Hitler, apoiam as tropas de Franco, enviando milhares de voluntários e material bélico. A URSS dá auxílio financeiro e material bélico aos militantes comunistas. Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações,ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 57 Em abril, aviões alemães, em apoio aos nacionalistas, bombardearam a cidade basca de Guernica, palco da maior tragédia da guerra civil, numa demonstração de força que provocou revolta na opinião pública mundial. Franco avança até o Mediterrâneo, corta o contato entre Valença e Catalunha e obriga o governo republicano a transferir a capital para Barcelona. Em pouco tempo a Espanha se vê dominada pelos franquistas e, que entram em Barcelona, provocando a fuga em massa dos republicanos pela fronteira francesa. Em fevereiro de 1939, o presidente Azaña renuncia, dando lugar ao governo ditatorial de Franco, que durou até sua morte, em 1975. A guerra civil espanhola custou mais de meio milhão de vidas somente em combate, sem contar os que morreram de fome, desnutrição e doenças provocadas pela guerra. Além disso, o conflito serviu de palco para testes de novas armas e técnicas nazi-fascistas, deixando na Europa uma situação preparatória para a segunda grande guerra que eclodiria em seguida (FERREIRA, 2015). Saldo da Guerra Civil Espanhola: cerca de 400 mil mortos; destruição de prédios, igrejas e casas em várias cidades; destruição no campo com prejuízos para agricultura e pecuária; diminuição de cerca de 30% da renda dos espanhóis; forte crise econômica na Espanha, que perdurou por vários anos. 5.3 A Revolução dos Cravos Gabriela Porto (2015) conta com delicadeza e de maneira bem clara a Revolução dos Cravos, da qual nos fazemos valer para fechar o módulo que trabalhou a história da Península Ibérica. Vejamos: Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 58 A Revolução dos Cravos foi o movimento que derrubou o regime salazarista em Portugal, e ocorreu no ano de 1974, de forma a estabelecer liberdades democráticas, com o intuito de promover transformações sociais no país. Após o golpe militar de 1926, foi estabelecida uma ditadura no país. Em 1932, Antônio de Oliveira Salazar tornou-se o primeiro-ministro das finanças e ditador. Salazar instaurou então um regime inspirado no fascismo italiano, cujas liberdades de reunião, de organização e de expressão foram suprimidas com a Constituição de 1933. O movimento representou aos portugueses: democratização, descolonização e desenvolvimento. A revolta militar foi uma consequência dos 13 anos de guerra colonial, na qual os portugueses enfrentaram os movimentos de libertação nas suas colônias: Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Timor Leste. No ano de 1968 o ditador sofreu um derrame cerebral, que resultou em sua substituição por seu ex-ministro Marcelo Caetano, que deu continuidade à sua política. No entanto, a decadência econômica que o país sofreu, em conjunto com o desgaste com a guerra colonial, provocou descontentamento na população e nas forças armadas, o que resultou na aparição de um movimento contra a ditadura. No dia 25 de abril de 1974, explodiu a revolução. A senha para o início do movimento foi dada à meia-noite através de uma emissora de rádio, a senha era uma música proibida pela censura, “Grândula Vila Morena”, de Zeca Afonso. Os Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 59 militares fizeram com que Marcelo Caetano fosse deposto. Ele acabou fugindo para o Brasil. A presidência de Portugal foi assumida pelo general António de Spínola. A população saiu às ruas para comemorar o fim da ditadura de 48 anos, e distribuiu cravos, a flor nacional, aos soldados rebeldes em forma de agradecimento, dando origem ao nome “Revolução dos Cravos”. Como resultado, os partidos políticos, inclusive o Comunista, foram legalizados a Pide, polícia política do salazarismo, foi extinta. O novo regime colocou Portugal em agitação revolucionária. No entanto, Spínola fracassou em sua tentativa de controlar a força política e militar da esquerda e renunciou em setembro de 1974. O governo passou então a ser dominado pelo Movimento das Forças Armadas (MFA), fortemente influenciado pelo Partido Comunista. Nesse meio tempo, Angola, Moçambique, Cabo Verde e Guiné-Bissau obtiveram independência. Em março do ano seguinte, 1975, depois de uma tentativa de golpe fracassada de Spínola, o governo passou a ser dominado pelos generais Costa Gomes, Otelo Saraiva de Carvalho e Vasco Gonçalves. Deu-se início a uma política de estatização de indústrias e bancos, seguida por ocupações de terras. O Partido Socialista, de Mário Soares, venceu as eleições para a Assembleia Constituinte no mês de abril, e em novembro do mesmo ano, o fracasso de uma tentativa de golpe de oficiais de extrema esquerda colocou fim ao período revolucionário. Apesar disso, a Constituição portuguesa de 1976, ainda influenciada pelo MFA, proclama a irreversibilidade das nacionalizações e da reforma agrária. Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 60 REFERÊNCIAS ALMEIDA, Antônio Augusto Marques de. Saberes e práticas de ciência no Portugal dos Descobrimentos. In: TENGARRINHA, José (org.). História de Portugal. Bauru: EDUSC; São Paulo: UNESP; Portugal, Instituto Camões, 2000. ARAÚJO, Maria de Assunção. Geografia física de Portugal (2001). Disponível em: http://web.letras.up.pt/asaraujo/geofis/t1.html AREÁN-GARCIA, Nilsa. Breve histórico da península ibérica. Círculo Fluminense de Estudos Filológicos e Linguísticos. Revista Philologus, Ano 15, N° 45. Rio de Janeiro: CiFEFiL, set./dez.2009. 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