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PROMOÇÕES E PRECIFICAÇÃO PARA LOJAS E PONTOS DE VENDA Professor Dr. Victor Vinicius Biazon Professor Esp. Rodrigo Junior Gualassi GRADUAÇÃO Unicesumar C397 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ. Núcleo de Educação a Distância; BIAZON, Victor Vinicius; GUALASSI, Rodrigo Junior. Promoções e Precificação para Lojas e Pontos de Venda. Victor Vinicius Biazon; Rodrigo Junior Gualassi. Maringá-Pr.: UniCesumar, 2018. Reimpresso em 2019. 301 p. “Graduação - EaD”. 1. Precificação. 2. Vendas. 3. Promoções. 4. EaD. I. Título. ISBN 978-85-459-0708-4 CDD - 22 ed. 658.8 CIP - NBR 12899 - AACR/2 Ficha catalográfica elaborada pelo bibliotecário João Vivaldo de Souza - CRB-8 - 6828 Impresso por: Reitor Wilson de Matos Silva Vice-Reitor Wilson de Matos Silva Filho Pró-Reitor Executivo de EAD William Victor Kendrick de Matos Silva Pró-Reitor de Ensino de EAD Janes Fidélis Tomelin Presidente da Mantenedora Cláudio Ferdinandi NEAD - Núcleo de Educação a Distância Diretoria Executiva Chrystiano Minco� James Prestes Tiago Stachon Diretoria de Graduação e Pós-graduação Kátia Coelho Diretoria de Permanência Leonardo Spaine Diretoria de Design Educacional Débora Leite Head de Produção de Conteúdos Celso Luiz Braga de Souza Filho Head de Curadoria e Inovação Jorge Luiz Vargas Prudencio de Barros Pires Gerência de Produção de Conteúdo Diogo Ribeiro Garcia Gerência de Projetos Especiais Daniel Fuverki Hey Gerência de Processos Acadêmicos Taessa Penha Shiraishi Vieira Gerência de Curadoria Giovana Costa Alfredo Supervisão do Núcleo de Produção de Materiais Nádila Toledo Supervisão Operacional de Ensino Luiz Arthur Sanglard Coordenador de Conteúdo Luciano Santana Pereira Eliane Zanoni Design Educacional Yasminn Talyta Tavares Zagonel Amanda Peçanha dos Santos Projeto Gráfico Jaime de Marchi Junior José Jhonny Coelho Arte Capa Arthur Cantareli Silva Editoração Ellen Jeane da Silva Revisão Textual Ludiane Aparecida de Souza Ilustração Marcelo Goto Viver e trabalhar em uma sociedade global é um grande desafio para todos os cidadãos. A busca por tecnologia, informação, conhecimento de qualidade, novas habilidades para liderança e so- lução de problemas com eficiência tornou-se uma questão de sobrevivência no mundo do trabalho. Cada um de nós tem uma grande responsabilida- de: as escolhas que fizermos por nós e pelos nos- sos farão grande diferença no futuro. Com essa visão, o Centro Universitário Cesumar assume o compromisso de democratizar o conhe- cimento por meio de alta tecnologia e contribuir para o futuro dos brasileiros. No cumprimento de sua missão – “promover a educação de qualidade nas diferentes áreas do conhecimento, formando profissionais cidadãos que contribuam para o desenvolvimento de uma sociedade justa e solidária” –, o Centro Universi- tário Cesumar busca a integração do ensino-pes- quisa-extensão com as demandas institucionais e sociais; a realização de uma prática acadêmica que contribua para o desenvolvimento da consci- ência social e política e, por fim, a democratização do conhecimento acadêmico com a articulação e a integração com a sociedade. Diante disso, o Centro Universitário Cesumar al- meja ser reconhecido como uma instituição uni- versitária de referência regional e nacional pela qualidade e compromisso do corpo docente; aquisição de competências institucionais para o desenvolvimento de linhas de pesquisa; con- solidação da extensão universitária; qualidade da oferta dos ensinos presencial e a distância; bem-estar e satisfação da comunidade interna; qualidade da gestão acadêmica e administrati- va; compromisso social de inclusão; processos de cooperação e parceria com o mundo do trabalho, como também pelo compromisso e relaciona- mento permanente com os egressos, incentivan- do a educação continuada. Seja bem-vindo(a), caro(a) acadêmico(a)! Você está iniciando um processo de transformação, pois quando investimos em nossa formação, seja ela pessoal ou profissional, nos transformamos e, consequentemente, transformamos também a sociedade na qual estamos inseridos. De que forma o fazemos? Criando oportu- nidades e/ou estabelecendo mudanças capazes de alcançar um nível de desenvolvimento compatível com os desafios que surgem no mundo contemporâneo. O Centro Universitário Cesumar mediante o Núcleo de Educação a Distância, o(a) acompanhará durante todo este processo, pois conforme Freire (1996): “Os homens se educam juntos, na transformação do mundo”. Os materiais produzidos oferecem linguagem dialógica e encontram-se integrados à proposta pedagógica, con- tribuindo no processo educacional, complementando sua formação profissional, desenvolvendo competên- cias e habilidades, e aplicando conceitos teóricos em situação de realidade, de maneira a inseri-lo no mercado de trabalho. Ou seja, estes materiais têm como principal objetivo “provocar uma aproximação entre você e o conteúdo”, desta forma possibilita o desenvolvimento da autonomia em busca dos conhecimentos necessá- rios para a sua formação pessoal e profissional. Portanto, nossa distância nesse processo de cresci- mento e construção do conhecimento deve ser apenas geográfica. Utilize os diversos recursos pedagógicos que o Centro Universitário Cesumar lhe possibilita. Ou seja, acesse regularmente o AVA – Ambiente Virtual de Aprendizagem, interaja nos fóruns e enquetes, assista às aulas ao vivo e participe das discussões. Além dis- so, lembre-se que existe uma equipe de professores e tutores que se encontra disponível para sanar suas dúvidas e auxiliá-lo(a) em seu processo de aprendiza- gem, possibilitando-lhe trilhar com tranquilidade e segurança sua trajetória acadêmica. CU RR ÍC U LO Professor Dr. Victor Vinicius Biazon Doutor em Comunicação Social (Metodista - 2014 - 2017), Mestre em Administração (FPL - 2010-2012), Pós graduado em Gestão Estratégica de Empresas (IPE - 2010), pós graduado em Comunicação, Publicidade e Negócios (CESUMAR -2008) com graduação em Administração de Empresas pela Faculdade Estadual de Ciências Econômicas de Apucarana (2005). Coordenador dos cursos de Marketing, Gestão Comercial e Gestão de Loja e Ponto de Venda na EAD UNICESUMAR. Experiência como coordenador de curso de Tecnologia em Processos Gerenciais, de Bacharelado em Administração e Ciências Contábeis; coordenador de Projeto de Iniciação Científica e núcleo de pesquisa (FATECIE 2011-2017), Professor em graduação e pós-graduação (presencial e EAD). Organizador de material didático (conteudista EAD) em diversas áreas. Jornalista profissional. Com experiência na área de Administração, produção e apresentação de televisão. Membro CAA - INEP para assuntos de ENADE (2015-2020). Professor Esp. Rodrigo Junior Gualassi Possui Pós-Graduação em Gestão de Pessoas pelo Instituto Paranaense de Ensino de Maringá-PR, Graduado em Processos Gerenciais pela Fatecie - Faculdade de Tecnologia e Ciências do Norte do Paraná. Já atuou com departamento de recursos humanos onde desenvolveu trabalhos envolvendo as áreas de planejamento estratégico, formalização de processos e desenvolvimento de equipes e resultados. Ministrou aulas em cursinhos preparatórios, além de palestras e treinamentos no segmento empresarial. Atualmente é professor de graduação na Faculdade de Tecnologia e Ciências do Norte do Paraná (FATECIE) e na Faculdade de Agronegócios de Paraíso do Norte (FAPAN). Professor de pós-graduação na Faculdade Alfa de Umuarama no estado do Paraná. Tem experiência na área de Administração, com ênfase em Gestão de Pessoas. < http://lattes.cnpq.br/9355904659827509>. SEJA BEM-VINDO(A)! Olá, querido(a) aluno(a)! Neste material, vamos levantar conceitos, conhecer ferramen- tas e aplicações dentro do universo do composto promocional de marketing e também vamos abordar custos de produtos e os preços que iremos oferecê-los aos nossos con- sumidores. Convido-te a navegar pelas unidades e abastar-se de todas as informações, que esperamos seremúteis para a gestão do seu negócio. Na Unidade I, abordamos os conceitos, evolução e o mix de marketing, também a defini- ção de comunicação, além de apresentar o modelo de processo comunicacional; vamos diferenciar a comunicação mercadológica, Institucional, administrativa e interna e expli- car como a comunicação pode ser utilizada para atração de clientes. Na Unidade II, vamos falar de varejo e destacar alguns elementos do composto promo- cional como propaganda, publicidade, promoção de vendas e apresentar a natureza da venda pessoal e as etapas do processo de vendas, relações públicas, marketing direto e a modernidade do on-line (marketing digital). Na Unidade III, vamos apresentar diversos tipos de promoção de vendas (com exemplos ilustrativos); compreender o que é imagem de marca e atributos importantes para sua formação; abordar as questões éticas na publicidade e, para não cometermos equívo- cos, também iremos conhecer a normatização e regulamentação vigente para a realiza- ção de promoções (Caixa Econômica Federal). Na Unidade IV, vamos proporcionar o entendimento sobre o conceito de custos e des- pesas, bem como apresentar as diferenças entre eles; apresentar os sistemas de custeio e sua importância para as organizações; entender que é possível preservar a saúde fi- nanceira do negócio com decisões pautadas nos custos da operação; proporcionar o entendimento de que por meio de uma boa gestão de custos é possível alcançar resul- tados positivos para o negócio. Por fim, na Unidade V, vamos falar sobre o Preço e sua influência para a organização. Para tanto, será exposto como ocorre o processo de formação de Preço; promoção baseada em Preço; Preço versus valor agregado e estratégias de Preço baseado no método mark- -up. Aproveite bem seu material. Ótimo estudo! APRESENTAÇÃO PROMOÇÕES E PRECIFICAÇÃO PARA LOJAS E PONTOS DE VENDA SUMÁRIO 09 UNIDADE I COMUNICAÇÃO INTEGRADA DE MARKETING 15 Introdução 16 O Marketing e seu Composto 25 Descobrindo a Comunicação e seu Processo 29 Tipos de Comunicação 33 A Comunicação usada para atrair Clientes 38 Considerações Finais 45 Referências 48 Gabarito UNIDADE II MIX DE COMUNICAÇÃO 51 Introdução 52 O Papel do Varejo na Estrutura de Distribuição 59 Propaganda ou Publicidade e Promoção de Vendas 76 Venda Pessoal e Administração de Vendas 87 Relações Públicas, Marketing Direto e On-line 106 Considerações Finais 112 Referências 116 Gabarito SUMÁRIO 10 UNIDADE III ESTRATÉGIAS QUE ATRAEM PARA O PONTO DE VENDA 119 Introdução 120 Tipos de Promoção de Vendas 135 Atributos Considerados na Construção da Imagem de Marca 144 A Ética na Publicidade 151 Legislação para as Promoções 159 Considerações Finais 164 Referências 168 Gabarito UNIDADE IV ECONOMIA E CUSTOS: ASPECTOS DO CENÁRIO ECONÔMICO QUE INFLUENCIAM NO PDV 171 Introdução 172 Custos Versus Despesas 188 Sistema de Custeio 203 Tomada de decisão baseada em Custos 223 Boas Práticas da Gestão de Custos 226 Considerações Finais 235 Referências 237 Gabarito SUMÁRIO 11 UNIDADE V FORMAÇÃO DE PREÇOS 241 Introdução 243 Entendendo a Formação de Preços 252 Promoção Baseada em Preço 260 Preço versus Valor Agregado 265 Estratégias de Preço (Mark-Up) 290 Considerações Finais 297 Referências 299 Gabarito 300 CONCLUSÃO U N ID A D E I Professor Me. Victor Vinicius Biazon COMUNICAÇÃO INTEGRADA DE MARKETING Objetivos de Aprendizagem ■ Abordar conceitos de marketing, evolução e o mix de marketing. ■ Definir comunicação; apresentar o modelo de processo comunicacional. ■ Apresentar as diferenças entre a comunicação mercadológica, Institucional, administrativa e interna. ■ Explicar como a comunicação pode ser utilizada para atração de clientes. Plano de Estudo A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: ■ O marketing e seu composto ■ Descobrindo a comunicação e seu processo ■ Tipos de comunicação ■ A comunicação usada para atrair clientes INTRODUÇÃO Caro(a) aluno(a)! Nesta unidade vamos abordar origens, afinal, para chegarmos até aqui, tivemos uma trajetória, uma história e o marketing também tem. Você já conhece ou já estudou sobre os conceitos e filosofias da administração mer- cadológica? Nesta etapa teremos a oportunidade de conhecer ou relembrar os conceitos e processos que vamos abordar e que passaram por transformações ao longo de sua existência. Muitos conteúdos tiveram melhorias, implementações, ramificações, mas ainda assim, há ítens digamos “básicos”, que são e serão nossa premissa para iniciarmos nossa jornada pelo mundo da promoção e precificação. Além dos conceitos iniciais que são necessários para nosso entendimento de todo o conteúdo, vamos abordar aqui o mix de marketing e também navegar pelo mundo da comunicação, que afinal de contas é uma das formas de mantermos nossos produtos visíveis, interessantes e disponíveis para consumo. Parece-nos muitas vezes que comunicação é um conceito único e que já conhecemos tudo o que precisamos, não é? Pois estamos errados. Há muitas coisas que podemos aprender e espero que com essa leitura possamos ampliar esses horizontes. De repente você pode estar se questionando: como, então, essa comunicação se divide? Aliás, existe divisão ou comunicação é comunicação e pronto? Essas perguntas serão respondidas. Entretanto para adiantar um pouco e não te matar de curiosidade, já apresento que a comunicação é um processo que consiste em levar uma mensagem a um destinatário por meio de canais. O grande lance, porém, é fazer esses destinatários (nossos clientes ou clientes em potencial) com- preenderem, aceitarem nossos termos e, claro, partirem para a ação de compra. Sendo assim, vamos juntos mergulhar nos principais conceitos do marke- ting, seus elementos e nas diferentes formas de comunicação que as empresas podem e devem utilizar. Vamos, ainda, refletir sobre como usar todos esses con- teúdos para atrair os clientes, afinal nosso interesse é esse. Ótima leitura! Introdução Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 15 © sh ut te rs to ck COMUNICAÇÃO INTEGRADA DE MARKETING Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E16 O MARKETING E SEU COMPOSTO Aluno(a), vamos dar início conhecendo especificamente o que vem a ser marke- ting e já adianto que muitos autores se debruçaram para compreender e definir esse termo que não tem origem brasileira, mas que já se encontra em nossos dicionários. Então, vamos conhecer esses conceitos e nos guiar por eles para compor o nosso entendimento. Vamos começar por compreender que, tradicionalmente, marketing é uma disciplina de negócios. Estamos focando no produto ou serviço que quere- mos vender. Temos o produto e vamos (queremos) trocá-lo por dinheiro. Isso nos faz pensar em uma transação que conceitualmente envolve duas partes no mínimo, em que uma deseja a propriedade que a outra possui (PROENÇA; LOPES; MEUCCI, 2005). Devemos compreender que a existência do marketing está ligada a esse pro- cesso de troca. Seu papel é estimular e facilitar tais trocas, por meio de negociação. Partindo para um autor consagrado dentro deste tema, Marketing poderia ser definido como “processo social por meio do qual pessoas e grupos de pessoas obtêm aquilo de que necessitam e o que desejam com a criação, oferta e livre negociação de produtos e serviços de valor com outros” (KOTLER, 2000, p. 30). O Marketing e seu Composto Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 17 O marketing pode ser visto desde a Roma antiga e teve seu desdobramento no pós-guerra, conforme Dias (2003), na década de 1945, em meio à indus- trialização e competição acirrada,quando produzir bens ou serviços não era suficiente, era preciso mais para atrair a clientela como benefícios e qualidades. Resumindo, Marketing é um “processo administrativo e social pelo qual indi- víduos e grupos obtêm o que necessitam e desejam, por meio de criação, oferta e troca de produtos e valor com outros” (KOTLER, 2005, p.3) Inicialmente o marketing era visto apenas como uma dentre as várias fun- ções importantes de apoio à produção. “Ao lado dos recursos humanos e das finanças, a função principal do marketing era gerar demanda de produtos” (KOTLER, 2010, p. 30). A indústria manufatureira era o centro da economia americana do pós-guerra nos anos de 1950 e o setor continuou prosperando vertiginosamente na década seguinte. O foco era na produção e distribuição de produtos para uma massa de consumidores cada vez mais ávida pelas novidades; era uma época com poucos produtores que fabricavam em larga escala em um mercado em crescimento. Por isso, foi natural que o desenvolvimento do conceito de marketing se debruçasse quase que exclusivamente na gestão do produto. No entanto, esse cenário sofreu fortes mudanças quando a economia oci- dental foi atingida pela crise do petróleo em 1970 e pela migração da economia para países em desenvolvimento da Ásia na década seguinte. Lupetti (2009) reforça que, após a crise do petróleo, o excesso de consumo passou a ser visto como um mal insustentável do ponto de vista ético, em face dos recursos naturais não retornáveis. O resultado dessa situação provocou mudanças sensíveis no padrão de vida dos consumidores. Muitos paradigmas do marketing estavam caindo por terra. Para Kotler (2010), gerar demanda em épocas turbulentas era mais difícil, exigindo mais do que a gestão dos 4Ps. Ao longo dos anos 1980, os consumi- dores se tornaram compradores mais inteligentes, muitos produtos eram vistos como commodities sem diferencial. Essas mudanças forçaram os profissionais de marketing a refletir cada vez mais e criar conceitos melhores. COMUNICAÇÃO INTEGRADA DE MARKETING Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E18 Nessa época, as empresas iniciavam um processo de percepção do consumi- dor e de necessidades de diversificação dos produtos para atender aos clientes. As organizações começavam a perceber que o êxito das empresas de- pendia da capacidade de definir o que os consumidores desejavam ou poderiam vir a desejar. Organizar-se, em função dessas necessidades, significava dar um passo à frente dos seus concorrentes (LUPETTI, 2009, p. 8). Junto aos problemas internos das organizações estava a crescente concorrência empresarial, fruto da progressiva transferência de poder ao consumidor e movida por empresas norte-americanas e europeias que se instalavam em diversas partes do mundo. “Era necessário um estudo minucioso sobre qual produto deveria ser colocado no mercado em qual momento, qual a real necessidade do consumidor, a que preço e como a concorrência reagiria a esse preço” (LUPETTI, 2009, p. 9). Nesse cenário ficou cada vez mais necessário uma análise mais profunda das oportunidades de mercado, da pesquisa e da seleção de mercados-alvo. O marketing age na tentativa de criar e implementar estratégias após a iden- tificação e seleção de oportunidades. Para tanto, devemos descobrir necessidades que ainda não foram atendidas e então oferecer soluções que as satisfaçam (pro- dutos, serviços, ideias). É um processo dinâmico e contínuo, originado pela percepção da necessidade do consumidor por algo que posteriormente será ofe- recido. Uma vez que este produto (ou serviço) estiver disponível no mercado, o marketing precisa ainda atuar no aperfeiçoamento, buscar reter clientes iniciais, buscar clientes novos e satisfazer a todos, promovendo o processo de recompra. Churchill Jr. (2000) enfatiza que as empresas passaram a perceber que o poder de compra devido à concorrência estava com os clientes e passaram a investigar, pesquisar suas necessidades e algumas características, assim como comunicar sobre a qualidade de seus produtos. Passou-se a se pensar em vantagem compe- titiva e criação de valor para o cliente. O Marketing e seu Composto Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 19 Marketing NÃO é propaganda! Por falta de conhecimento e pelo fato de que as empresas que praticam o marketing, consequentemente, têm excelentes campa- nhas de comunicação, ainda há muita confusão entre Marketing e Propaganda. Ao longo desta unidade, você vai perceber que marketing ou o estudo do mer- cado é muito mais amplo e muito mais complexo do que sair por aí fazendo propaganda sem estudo, sem planejamento e sem estratégias orientadas aos ver- dadeiros objetivos do negócio. Marketing NÃO é sinônimo de vendas! Outra confusão que se faz com marke- ting é compará-lo à venda ou até mesmo como um apoio às vendas. É óbvio que vender faz parte do marketing, mas tudo começa antes mesmo da fabricação do produto. É preciso observar o mercado, identificar necessidades ou oportuni- dades e daí sim ofertar produtos e serviços que atendam a essas necessidades, desde que tenham diferenciais sustentados por uma comunicação eficiente e preços competitivos. Entendemos então que vendas não é marketing e marke- ting não é vendas. Segundo Kotler (2000), marketing evolui ao longo do tempo: Nos anos 1970 praticava-se o marketing de massa. Então, os clientes eram todos iguais. A mídia de massa, especialmente a TV, os estimulava a comprar produtos e serviços. Nos anos 1980 praticava-se o marketing segmentado. Nessa perspectiva, os clientes tinham necessidade e desejos diferentes e o que servia para um grupo de clientes não era necessariamente interessante para outro. Na década de 1990 passou-se a adotar o marketing de relacionamento. As organizações procuraram ouvir mais os clientes, tentando identificar seus desejos e necessidades para poder atendê-los. A partir de 2000, as organi- zações tenderão a praticar o marketing individualizado, tentando fidelizar seus clientes. Fonte: Kotler (2000 apud Basta, 2006, p. 18). COMUNICAÇÃO INTEGRADA DE MARKETING Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E20 A diferença básica é que vender enfoca o lado interno, enquanto fazer marketing enfoca a parte externa [...] Quando uma companhia fabrica um produto e, então, tenta persuadir os consumidores para comprá-lo, isso é venda [...] Mas, quando uma firma descobre o que o consumidor quer e desenvolve um produto que satisfaça essa necessidade e também gere lucro, isso é marketing. No marketing, a companhia ajusta sua oferta à boa vontade da demanda do consumidor (ETZEL; WALKER; STANTON, 2001, p. 10). Ainda podemos dizer que o departamento de vendas está preocupado com a necessidade do lojista de converter o produto que ele vende em dinheiro, já o marketing está preocupado com a ideia de satisfazer as necessidades do cliente por meio do produto e de todo o processo ligado desde a criação do produto, sua entrega e a satisfação do consumidor final (LEVITT apud KOTLER, 2000, p. 41). Dentro do contexto evolutivo, o Quadro 1 nos mostra as diferentes ênfases dos esforços de marketing: Quadro 1- Evolução do Marketing MARKETING 1.0 MARKETING 2.0 MARKETING 3.0 O objetivo era padronizar e ganhar em escala, a fim de reduzir ao máximo os custos de produção, para que essas mercadorias pudessem ter um preço mais baixo e serem ad- quiridas por um número maior de compradores. A tarefa do marke- ting já não é mais tão simples. Os consumi- dores de hoje são bem informados e podem facilmente compa- rar várias ofertas de produtos semelhantes. O valor do produto é definido pelo cliente. As preferências dos consumidores são mui- tíssimo variadas. As empresas oferecem res- postas e esperança às pes- soas que enfrentamesses problemas e, assim, tocam os consumidores em um ní- vel superior. No Marketing 3.0, as empresas se dife- renciam por seus valores. Em épocas de turbulência, trata-se definitivamente de um diferencial e tanto. Fonte: Kotler, Kartajaya e Setiawan (2010, p. 3-5). Cada fase, cada etapa estava ligada ao contexto histórico e aos cenários vividos pelas empresas. Também não podemos deixar de levar em consideração que os consumidores exercem influência para que a dinâmica das óticas mercadológi- cas se fizessem. O Marketing e seu Composto Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 21 Do ponto de vista ideal, o marketing deve resultar em um cliente que está pronto para comprar. Tudo o que precisaremos, então, é tornar o produto (ou serviço) disponível. Agora, em se tratando de composto mercadológico, não posso deixar de lis- tar os componentes, digamos, tradicionais, dos estudos do marketing. Trata-se do mix de marketing ou mais facilmente conhecido como “4 P’s”. A expressão marketing mix ou composto de marketing foi utilizada pela pri- meira vez por James Culliton em 1948. Para descrever os principais elementos que interferem nas decisões de marketing, ele os dividiu em dois grupos: Forças do ambiente – o comportamento dos clientes e consumidores; os intermediários (atacadistas e varejistas); a concorrência; o governo (força externa). Elementos do marketing – o planejamento do produto; a fixação do preço; a distribuição (gestão de canais de distribuição física); a promoção, a propaganda, a promoção de vendas, a publicidade e a força de vendas; o serviço ao cliente; a pesquisa de marketing (BASTA, 2006, p. 33). Que tal agora conhecermos o mix de marketing e suas características? PRODUTO O Produto é considerado como qualquer objeto ou serviço colocado no mercado e é desenvolvido para desempenhar alguma função e satisfazer alguma necessi- dade imediata ou futura dos clientes. É um conjunto de benefícios que satisfaz um desejo ou uma necessidade do consumidor e pelo qual ele está disposto a pagar em função de sua disponi- bilidade de recursos. Os produtos vão além de bens tangíveis. De modo geral, incluem objetos físicos, serviços, pessoas, locais, organizações, ideias ou com- binações desses elementos (BASTA, 2006, p. 34). COMUNICAÇÃO INTEGRADA DE MARKETING Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E22 Os produtos também podem ser divididos em duas grandes categorias: ■ tangíveis (bens materiais): duráveis (automóveis, vestuário, máquinas industriais); não duráveis (cerveja, xampu, alimentos). ■ intangíveis (bens imateriais): serviços (salão de cabeleireiro, manuten- ção de equipamentos industriais); pessoas (um atleta, um político); locais (Rio de Janeiro, Fortaleza); organizações (Unicef, igrejas); ideias (plane- jamento familiar, vacinação). PREÇO Nas unidades IV e V vamos entender muito mais sobre este elemento, como é o foco da disciplina. Por ora, vamos apenas apresentar o item como parte do composto. O Preço é o valor agregado ou unidade monetária que justifica a troca. Além de ser um fator decisivo de compra, é o elemento que tangibiliza a transferên- cia de posse de um produto. Nesse sentido, o preço se dá, entre outros fatores, pela relação entre os benefícios oferecidos pelo produto/serviço e o valor perce- bido pelo consumidor, quanto maior essa relação, mais a empresa poderá cobrar pelo produto. Contudo é preciso deixar bem claro que essa relação de Valor é muito relativa e está extremamente associada à capacidade da empresa de gerar valor agregado ao produto, principalmente por meio de estratégias de gestão de marca e comunicação. Para Basta (2006) antes de definir preços, a organização deve considerar quais são os objetivos de marketing relativos ao seu produto (ou serviço). Quanto mais claros forem seus objetivos, mais fácil será estabelecer os preços. As decisões de precificação devem ser coordenadas com o projeto, a distribuição e a promoção do produto, a fim de tornar o seu posicionamento coerente e eficaz. O Marketing e seu Composto Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 23 PRAÇA O “P” de Praça, que tem origem na tradução da palavra em inglês place, pode confundir um pouco ao ser definido simplesmente como lugar, já que este “p” está relacionado não apenas com o lugar no qual o produto é encontrado, mas também com todas as questões ligadas à distribuição, estocagem e logística da empresa. Praça seria portanto a atividade de concretizar a transmissão de posse, incluindo a movimentação física de um produto ou serviço da fábrica ou da empresa que o oferece em direção ao consumidor. Podemos defini-lo também como um conjunto de elementos que visa tornar o produto disponível para o consumidor, onde e quando ele o desejar. Basta (2006) nos lembra que, de todos os elementos que compõem o marke- ting mix, a distribuição é, aos olhos do cliente ou consumidor, o menos aparente e palpável. Entretanto, para a organização, as decisões de distribuição são muito importantes pelos impactos que geram outros elementos do marketing mix, espe- cialmente a longo prazo. Por exemplo: as decisões relativas à política de preços vão depender da esco- lha, do tamanho e do número de intermediários, assim como as decisões relativas ao número de vendedores e à qualidade da força de vendas vão depender, entre outros fatores, do número e da capacitação dos distribuidores. PROMOÇÃO O “P” de Promoção do mix de marketing não representa simplesmente aquela promoção de vendas que vemos aos montes no dia a dia nas ofertas das redes de varejo. Esse “P” vem do inglês Promotion, que tem o significado de Promover o produto ou serviço no mercado. Nesse sentido, a Promoção para o marketing é muito mais ampla e abran- gente do que a promoção de vendas, brindes ou sorteios. Podemos expandir o conceito de Promoção para Comunicação. Nesse caso, podemos até propor uma mudança de perspectiva no “P” de Promoção para o “C” de Comunicação. COMUNICAÇÃO INTEGRADA DE MARKETING Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E24 A Comunicação com o mercado ou comunicação mercadológica tem uma proposta mais completa e nela encontramos diversas ferramentas ou competên- cias comunicacionais que são utilizadas pelas empresas para atingir seus objetivos de marketing, entre elas estão: propaganda, vendas pessoal, promoção de ven- das, merchandising, eventos, marketing direto etc. Lupetti (2009, p. 23) constata que a divulgação ou a comunicação é parte integrante do processo de marketing, sendo ela que vai divulgar os resultados do processo, ou seja, os produtos e serviços da organização. “A comunicação mercadológica abrange toda forma de comunicação capaz de atingir um obje- tivo de marketing e deve ser elaborada a partir do quadro sociocultural do consumidor-alvo”. Agora que conhecemos um pouco sobre a origem do Marketing e seus ele- mentos, vamos dar continuidade sobre as promoções sendo entendidas também como comunicação? Os 4 “C”s do Marketing Todos conhecemos os 4 Ps de marketing, mas Robert Lauterborn propôs em 1990 uma nova visão para o composto mercadológico, os 4Cs : Cliente; Custo; Conveniência e Comunicação. Para saber mais acesse o link disponível em: <http://marketingfuturo.com/ os-4-cs-do-marketing-o-marketing-sobre-a-otica-do-consumidor/>. Fonte: os autores. Descobrindo a Comunicação e seu Processo Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 25 DESCOBRINDO A COMUNICAÇÃO E SEU PROCESSO A comunicação que etimologicamente trata de tornar comum, de pertencer a todos para se fazer saber (LIMA,2004) é um processo social básico primário por tornar possível a vida em sociedade e conforme Cardoso (2006) tem papel em conjunto com a informação no ambiente organizacional. De acordo com o autor, a comunicação é originada na era dos símbolos, em torno de 90 mil anos atrás, passando pela fala, escrita e comunicação de massa, área da informação disseminada pelo meio digital. Biazon e Clementino (2013) apoiados na ideia de Casado (2002) e Matos (2009) explicam que a comunicação é a transmissão de uma mensagem de um interlocutor para um receptor, de modo que ambos a entendam da mesma maneira. O processo de comunicação acontece somente quando a informação recebida pelo receptor é compreendida, interpretada (decodificada) e encami- nhada de volta ao emissor. Dessa forma, qualquer tipo ou meio de comunicação devem transmitir cla- ramente o significado pretendido. Enquanto não for transmitida e entendida por outros, uma grande ideia não passa de algo inútil, ou seja, é o retorno do pro- cesso de informação, como em um diálogo entre duas pessoas. COMUNICAÇÃO INTEGRADA DE MARKETING Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E26 Contribuindo para o entendimento da temática, Cardoso (2006, p. 1127) explica a comunicação no contexto organizacional como: (...) processo estratégico para a ação em uma realidade plural, dinâmi- ca e complexa, que visa a provocação de comportamentos inovadores, criativos e dinâmicos do ponto de vista estratégico e que funciona, de maneira democrática, como disseminadora dos objetivos e dos valores culturais da empresa para públicos internos e externos. Para que haja comunicação pressupõe-se um relacionamento entre duas ou mais partes, e existem atores e instrumentos que fazem ou permitem com que ela aconteça: EMISSOR Codi�cação Feedback Resposta Mensagem Decodi�cação Receptor Meio Ruído Figura 1 - Processo de comunicação Fonte: Albuquerque e Van Dal (2013, p. 104). Traduzindo a figura: Emissor: que emite uma mensagem para um receptor ou destinatário. Receptor: aquele a quem se dirige a mensagem. Mensagem: comunicação, notícia ou recado verbal ou escrito. Ruído: tudo o que dificulta a comunicação, interfere na transmissão e per- turba a recepção ou a compreensão da mensagem. Canal (meios de comunicação): meio pelo qual a mensagem, já codificada pelo emissor, atinge o receptor, que a recebe (em código) e a interpreta (decodificada). Código: conjunto de signos, por exemplo, a escrita é um código que permite transformar uma mensagem acústica em uma mensagem gráfica. Codificação: ato de transformar uma mensagem de acordo com regras predeterminadas. Descobrindo a Comunicação e seu Processo Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 27 Decodificação: interpretação de uma mensagem pelo receptor (MATOS, 2009 apud BIAZON; CLEMENTINO, 2013). Ainda contribuindo, o autor ressalta a importância da decodificação pelo receptor da mensagem emitida pelo emissor, pois somente dessa forma existirá uma resposta, ou seja acontecerá a comunicação. E neste mundo cada vez mais midiatizado, Van Dal (2013) afirma que o receptor passa a ser o protagonista do processo comunicacional por oferecer retorno ao que foi comunicado. Agora que já foi relatado o processo comunicacional, vamos voltar a atenção para a temática aplicada às organizações. Neste sentido, as empresas precisam estar atentas para desviarem-se de problemas que poderiam ser evitados. A comunicação é o espelho da cultura empresarial e reflete, necessaria- mente, os valores das organizações. Se eles caminham para valorizar o profissionalismo, a transparência, a responsabilidade social e a participa- ção, a comunicação se orienta no mesmo sentido (BUENO, 2009, p. 6). A comunicação de marketing oferece meios pelos quais marcas e organiza- ções são apresentadas ao público, com o objetivo de estimular um diálogo que leve a compras sucessivas. Santana (2003, p. 18) diz que na definição do marke- ting, a comunicação “se faz como planejamento e a execução da promoção, que se faz com o objetivo de criar negociações que satisfaçam metas individuais e organizacionais”. Emerge um novo e irreversível modelo de comunicação, pautado na partici- pação, colaboração e interação. Conclui-se que impacto das mídias digitais permitiu ao público, antes elemento passivo dos meios de comunicação de massa, se transformar em protagonista do processo comunicacional. Para saber mais, acesse: <http://casperlibero.edu.br/wp-content/uplo- ads/2014/04/Jorge-Luiz-Garcia-Van-Dal.pdf>. Fonte: Van Dal ([2016], on-line)1. COMUNICAÇÃO INTEGRADA DE MARKETING Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E28 Vários termos derivados dessa comunicação direcionada a empresas, públi- cas e privadas, têm surgido e compreendido de forma subjetiva por diversos autores. Bueno (2005, p. 11) diz ainda que “o conceito de comunicação empresa- rial estratégica tem sido utilizado de maneira equivocada pela literatura e pelos executivos em comunicação”. Neste ensaio, há a intenção de compreender essas “diferentes” nomenclaturas e suas aplicações. As relações empresariais envolvem inúmeros aspectos da comunicação, havendo impacto direto da qualidade desta nos resultados das organizações. Muitas expressões são utilizadas como alternativa ao termo Comunicação Empresarial, por isso é preciso compreender quais são cada uma delas para fazer uso adequado do termo. Bueno (2009) explica que, principalmente nos cursos de Relações Públicas, tem se denominado Comunicação Empresarial para se definir as atividades de comunicação que envolvem apenas as empresas públicas e privadas, deixando de fora nesse aspecto as entidades em geral, ONGs e autarquias. Para essas, foi denominado o termo Comunicação Organizacional. Sendo assim, deve-se usar mais corretamente o termo Comunicação Organizacional, que contemplaria as duas atividades de comunicação, pois são consideradas Organizações tanto empresas públicas ou privadas, quanto as ONGs e outras instituições. Logo, para fins de conceituação tem-se “conjunto integrado de ações, estratégias, planos, políticas e produtos planejados e desenvolvidos por uma organização para estabelecer a relação permanente e sistemática com todos os seus públicos de interesse” (BUENO, 2009, p.4). Tipos de Comunicação Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 29 TIPOS DE COMUNICAÇÃO Aluno(a), aqui vamos tratar do tema central da nossa unidade, um conceito tec- nicamente recente, chamado Comunicação Integrada ou Comunicação Integrada de Marketing (CIM), uma abordagem que combina os elementos do composto de comunicação em um todo coerente para fornecer maior clareza e impacto na comercialização (CHURCHILL Jr. e PETER, 2000). Albuquerque e Van Dal (2013, p. 103) nos trazem a origem como sendo “uma proposta surgida nos anos 1980 e que ressurge com ainda mais força atu- almente com o surgimento da comunicação virtual ou em rede”. Santana (2003, p. 11), porém, diz que o surgimento da CIM é resultado de mudanças, sobretudo pela grande quantidade de informa- ções que são lançadas ao mercado, o surgimento de mídias alternativa e inclusive a diminuição do impacto da propaganda. Esta comunicação está ligada ao marketing e abrange outros aspectos de caráter promocional para transmitir mensagens aos stakeholders ou públicos de interesse. Existem algumas questões que podem ajudar na análise de posiciona- mento: • Que posição ocupa atualmente a organização? • Que posicionamento ela deseja ter? • Que concorrentes precisa superar? • Que é necessário para implementar a estratégia de posicionamento? (Darci Basta) ©shutterstock COMUNICAÇÃO INTEGRADA DE MARKETINGReprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E30 Fundamentalmente, ela caminha para assumir, na íntegra, a perspecti- va da chamada comunicação integrada, com uma articulação estreita entre os vários departamentos/áreas e profissionais que exercem ati- vidades de comunicação nas empresas ou entidades (BUENO, 2009, p. 10). Santana (2003) reitera que a CIM é o reconhecimento de que, no sentido de ter um impacto na atitude ou comportamento de um mercado-alvo, é necessário ter planos que envolvam a utilização integrada de várias formas de comunicação. Conforme Biazon e Clementino (2013) apoiados em Limeira (2003) essa junção de diversos tipos de comunicação é uma das quatro áreas integrantes do composto de marketing, o “P” de promoção, tendo como objetivo a fixação do produto na mente do consumidor; criar uma mensagem única e consistente; for- talecer a imagem da marca; oferecer informações e incentivos para a aquisição do produto ou serviço; e gerar atitude favorável dos diversos públicos. Urdan e Urdan (2009, p. 269) abordam essas ações da CIM “como o pro- cesso estratégico para planejar, executar e controlar programas coordenados de comunicação”. Abordando o marketing e suas estratégias para comunicar a empresa e seus produtos com o mercado, apresenta-se a integração ou a Comunicação Integrada de Marketing (CIM), que é a abordagem que combina os elementos do composto de comunicação em um todo coerente para fornecer maior clareza e impacto na comercialização (CHURCHILL Jr.; PETER, 2000). Um plano integrado de Comunicação Empresarial tem como objetivo envolver e integrar toda a empresa, além de criar e manter uma imagem institucional positiva. Nowak e Phelps (1994 apud SANTANA, 2003), nos mostra três enfoques gerais da CIM: 1. O marketing de uma voz, que busca manter uma imagem consistente por meio de toda a comunicação de marketing. 2. A comunicação integrada, que mistura táticas de diferentes funções de comunicação ou mídia. 3. Campanhas de comunicação de marketing coordenadas, que instituem estratégias para melhor integração entre as funções de comunicação de marketing. Tipos de Comunicação Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 31 De acordo com Pimenta (2010), o plano integrado de Comunicação Empresarial deve estar relacionado com: ■ construção da imagem institucional. ■ adequação dos trabalhadores à competição do mercado. ■ exigências dos consumidores mais conscientes dos seus direitos. ■ defesa dos interesses da empresa. ■ encaminhamento de questões sindicais e ambientais. Cabe aos gestores entenderem a Comunicação Empresarial como ferramenta estratégica para as organizações atingirem seus objetivos, mas não apenas como algo a ser utilizado em momentos de crise, e sim como uma organização naque- las empresas que têm o foco em uma administração estratégica, com base no planejamento e que tenham uma cultura de comunicação. Esta comunicação traz as perspectivas de colocarmos a organização em uma posição aberta e de relação com todos os públicos de interesse. O que não pode ser diferente, pois é sabido que a empresa que se fecha e foge do diálogo não tem chance na atual sociedade em rede, na qual consumidores, acionistas, colaboradores e fornecedores estão o tempo todo conectados e querem sempre diálogos. Todos querem ser ouvidos e as empresas abertas a isso têm mais chan- ces de sucesso. Sobre os itens que compõem a comunicação integrada, podemos entender de duas formas: a utilização de itens do composto promocional como promoção de vendas, relações públicas, merchandising e etc; a divisão no âmbito organizacio- nal. Como iremos utilizar um grande espaço deste material para compreendermos os itens do composto promocional, iremos neste momento, para materializar- mos os itens que compõem estes “tipos”, dentro de uma abordagem específica, a CIM, analisar a Figura 2 que informa e facilita nossa compreensão acerca das comunicações no âmbito organizacional: COMUNICAÇÃO INTEGRADA DE MARKETING Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E32 Figura 2 - Tipos de comunicação no âmbito organizacional Fonte: Lupetti (2009, p. 16). Estas “comunicações” fazem parte de ações integradas dentro de um contexto pensado pela administração estratégica “(...) conjunto amplo e diversificado de processos, cenários e produtos (ações, planos, etc.) que permitem a uma orga- nização obter resultados positivos em conformidade com os seus objetivos (ou metas), missão, valores etc” (BUENO, 2005, p. 15). Decodificando a figura é possível entender a comunicação institucional como aquela que estabelece um conceito público para a empresa, difundindo sua filosofia, sua missão, sua visão e seus valores, que serão retratados em suas políticas e práticas (LUPETTI, 2009). A comunicação administrativa refere-se ao fluxo de informações relacio- nadas ao dia a dia de uma empresa, seja no contexto formal ou informal. Tem como objetivo principal coordenar, orientar e atualizar esse fluxo, para que as informações distribuídas em rede possam ser compartilhadas e compreendidas por todos os envolvidos no processo. Comunicação Interna é aquela voltada aos colaboradores, fornecedores, acionistas, parceiros. Carvalho (2012, p. 12-13) diz que a comunicação interna é simplesmente uma necessidade básica e antiga, GESTÃO DA COMUNICAÇÃO INTEGRADA GESTÃO ESTRATÉGICA Comunicação institucional Comunicação administrativa Comunicação interna Comunicação mercadológica • Identidade e imagem • Propaganda institucional • Jornalismo empresarial • Acessoria de imprensa • Editoração multimídia • Marketing social, cultural e esportivo • Relações públicas • Fluxos: redes formal e informal (normal, instruções, portarias, memorandos, regulamentos Avisos etc.) • Programas sociais • Incentivos • Desenvolvimento de pessoas • Padrões culturais • Endomarketing • Propaganda • Promoção de vendas • Venda pessoal • Merchandising • Eventos • Marketing direto de relacionamento A Comunicação usada para atrair Clientes Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 33 é um reflexo claro da cultura organizacional, porque existe um proces- so de influência mútua entre ambas [...] visa basicamente a motivação dos colaboradores, contribuindo para o desenvolvimento e manuten- ção de um clima positivo, proporcionando o cumprimento de metas da estratégia organizacional. A Comunicação externa, porém é voltada para os clientes, sociedade, gover- nos, entidades. Waker (2013) diz que a comunicação externa se refere a todas as comunicações recebidas e enviadas da organização para o mercado. O mercado é formado pelo público consumidor (influenciadores, compradores, usuários e decisores), fornecedores e canais de distribuição. A comunicação mercadológica muitas vezes se confunde, equivocada- mente, com o marketing. De acordo com Lupetti (2009), essa comunicação faz parte do processo de marketing, mas não representa o todo, estando ligada aos canais de transmissão utilizados para atingir os clientes-alvo. Cabe a ela divul- gar os produtos e serviços. Para Kunsch (1995) a comunicação mercadológica volta-se para a divulgação dos produtos e serviços, compreendendo toda a mani- festação gerada em torno dos objetivos de venda de uma organização. A COMUNICAÇÃO USADA PARA ATRAIR CLIENTES Uma coisa nós sabemos, cada ação que fazemos em nossa empresa é para atrair os clientes, não é mesmo? Para agradar. Quando oportunizamos produtos diferentes e interessantes, quando mudamos os nossos preços para “desovar” mercadoria, quando colocamos uma fachada luminosa toda chamativa e também quando pintamos com nuget no vidro da nossa vitrine a palavra “liquidação”,todas essas ações são para atrair clientes. Já pensou que todas essas ações são formas de se comunicar com os clientes? Isso mesmo. Ter um produto e expor na vitrine é uma forma de comunicação, de atrair. Os preços menores, o interior da loja e, claro, as liquidações, tudo são COMUNICAÇÃO INTEGRADA DE MARKETING Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E34 formas que escolhemos para conversar com nossos clientes. E poder fazer isso de forma diferenciada e consciente pode trazer melhores resultados. Oferecer diferenciais é indispensável para alavancar as vendas de um produto ou serviço, e isto vem sendo acompanhado, cada vez mais, de ações que visam estreitar o relacionamento entre empresa e cliente. Patrocínio cultural, campa- nhas publicitárias, atendimento personalizado, programas de fidelização. São muitas as estratégias empregadas para potencializar a imagem e estreitar o vín- culo entre quem vende e quem compra (BRINKER, 2009 on-line)2. O público de interesse ou o foco da comunicação de uma empresa é for- mado por todos aqueles que compõem seu ambiente mercadológico (clientes, fornecedores, colaboradores, etc.) e que influenciam, direta ou indiretamente, suas ações no mercado. As empresas precisam se comunicar com as partes inte- ressadas atuais, potenciais e com o público, de forma geral (YANAZE 2006 apud BIAZON; CLEMENTINO, 2013). Para Kotler e Keller (2006) o problema não está em se comunicar, e sim no que dizer, para quem dizer, como dizer e com que frequência dizer. Biazon e Clementino (2013) relatam que como todas as fases da comunicação são importantes para o esforço de marketing, uma falha em qualquer uma delas pode provocar perturbação na comunicação entre a organização e seu público. “A tarefa essencial da gestão de comunicações de marketing é definir a combi- nação mais eficaz e eficiente de atividades, mensagens e mídias para atingir os objetivos” (URDAN E URDAN, 2009, p. 246). Esse modelo de gestão de comu- nicação compreende um processo de 09 etapas propostas por Urdan e Urdan (2009): (1ª) determinar problemas ou oportunidades; (2ª) definir os objetivos; (3ª) caracterizar a audiência-alvo; (4ª) selecionar o composto promocional; (5ª) elaborar as mensagens; (6ª) definir os meios; (7ª) determinar o orçamento; (8ª) implementar a estratégia e (9ª) controlar os resultados. Para atrair os clientes, temos que escolher um canal, uma forma adequada para emitir nossos conteúdos, falar dos produtos e das oportunidades de pro- moção que temos a oferecer. Vale aqui uma atenção especial para o texto, a mensagem que será dita. Todo cuidado é bem-vindo neste momento porque não podemos nos esquecer que ao expor nossos produtos, temos de fazê-lo pensando no contexto simbólico dos clientes em potencial que receberão estas mensagens. Churchill Jr. e Peter (2000 apud BIAZON; CLEMENTINO, 2013) apresentam o modelo AIDA (Atenção, Interesse, Desejo e Ação), do qual os profissionais de marketing desejam que os receptores de mensagens respondam comprando os produtos ou marcas oferecidos, no entanto, para obter esse resultado, a comu- nicação precisa, primeiro, influenciar os clientes. Uma maneira de analisar os esforços de comunicação é vê-los como influenciadores da atenção, do interesse, do desejo e da ação dos clientes. Simões (2009, on-line)3 apresenta algumas dicas de como atrair os consumi- dores, sobretudo em tempos de crise. Dentre eles a promoção de relacionamento, com ações de entretenimento são interessantes e a utilização de materiais sus- tentáveis pode promover uma imagem positiva da loja. Usar cores (pode ser com adesivos colados), além de atrair, ajuda a descontrair, e em um ambiente agradável o cliente pode comprar mais. Deixe os clientes tocarem nos produtos, comunique-se utilizando símbolos que eles reconheçam, por exemplo “likes” do facebook, e também dinamize as promoções utilizadas, oferecendo a cada semana descontos para uma linha diferente de produtos. Gonçalves (2015, on-line)4 propõe a comunicação visual como uma excelente ideia para atração dos clientes: a utilização de signos, desenhos, imagens ou elementos gráficos irá agregar valor a uma empresa na medida em que pode atri- buir determinadas particularidades à mensagem. Uma das grandes sacadas da comunicação visual é que ela, por meio de seus elementos, é muito mais efetiva, A Comunicação usada para atrair Clientes Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 35 © shutterstock COMUNICAÇÃO INTEGRADA DE MARKETING Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E36 uma vez que passa a mensagem de forma muito mais rápida do que um texto, por exemplo. É claro que tanto os recursos escritos, quanto os verbais também podem ser amplamente utilizados, mas o uso de imagens é que reforça a ideia que se quer transmitir. É interessante poder utilizar os conhecimentos expressos para compre- endermos como funciona e para que serve a comunicação. Shimp (2002 apud SANTANA, 2003, p. 23) nos sugere cinco características para melhor compre- endermos isso: a) Influência do comportamento, pois o principal objetivo é conduzir o público-alvo da comunicação ao comportamento desejado. b) Tem início com o cliente, que determina os métodos de comunica- ção que melhor vão servir para informá-lo e influenciá-lo a comprar uma determinada marca. c) Utiliza qualquer forma ou todos os meios de contato com o cliente, pois tudo que uma empresa faz pode afetar de alguma forma a imagem de marca. d) Busca a sinergia, ou seja, todos os elementos da comunicação (pro- paganda, ponto de venda, promoções, eventos, entre outros) devem manter uma unidade. e) Constrói relacionamentos que podem favorecer uma repetição de aquisição do produto/serviço e, talvez, levem à lealdade. E como gestores devemos realmente pensar em como vamos nos comunicar com nossos clientes e quais as suas peculiaridades, como por exemplo, ofere- cer ao consumidor um produto que ele esteja procurando, um presente para o dia das mães, dia dos pais, enfim, já há a intenção de compra, então temos que nos fazer presente. Devemos escolher a forma mais adequada de realizar essa comunicação, e esse “adequado” é bastante variável, seja o cliente que vai ouvir ou o cliente que eu quero atingir é preciso conhecer sua linguagem, suas características para que possa escolher com cuidado as palavras, a mensagem, e a forma de me comu- nicar com eles. Muitas marcas sabem o “estilo” do seu público, isso facilita o “convite” a compra. A Comunicação usada para atrair Clientes Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 37 Há empresas que escolhem se comunicar para atrair os clientes lançando mão de características peculiares do segmento de mercado no qual trabalha, por exemplo as concessionárias, atualmente as propagandas de carro mostram a potência do motor (para os que são ligados nesse atributo), mas também se remetem ao estilo de vida dos consumidores que querem atingir. Exemplo disso são as imagens de barro, montanha, rios que aparecem em certas propagandas de carros esportivos, ou ainda imagens de um casal chique parando para jantar em um restaurante também chique. Até mesmo slogans são usados para dife- renciar, como “você fez por merecer” do Ford Fusion. Não podemos nos esquecer de alguns elementos ditos “simples”, “básicos” ou digamos “obrigação” de todas as empresas, mas que de repente temos perce- bido cada vez menos, os elementos básicos de prestar bom atendimento, oferecer produtos e serviços de qualidade, SACs que realmente funcionem e, principalmente, ter clareza e trans- parência, são eles que ajudam a garantir credibilidade à imagem de qualquer instituição – o que, atualmente,é um diferencial muito forte e torna a marca preferência no momento da escolha. Mas, conhecer o perfil do cliente, fazer benchmarking em outras empresas, pesquisar a satisfação e manter-se atualizado com as tendências de consumo tam- bém é fundamental para saber como e quando devem ser realizados investimentos que garantam à empresa outros diferenciais no mercado (BRINKER, 2009, online)2. Veja você, que um grande foco da comunicação, pra não dizer todo o foco, é para o consumidor. Ele precisa ser impactado, ou melhor, contactado, seja com pala- vras, imagem, cheiro, som, atendimento, enfim, o que importa aqui é conhecer o seu cliente, saber o que ele procura e o que gosta, para que você possa dispo- nibilizar esses produtos e serviços e avisá-lo por meio das ações de promoção, comunicando-se com ele para que então, possam ter sucesso em vendas. Vamos nos dedicar nas próximas unidades a compreender mais e melhor o que chamaremos de composto promocional para atrair clientes e, claro, ter lucratividade. COMUNICAÇÃO INTEGRADA DE MARKETING Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E38 CONSIDERAÇÕES FINAIS Prezado(a) aluno(a)! Como toda atividade em ascensão, surgem também mui- tos equívocos e dúvidas quanto aos seus conceitos, contexto e histórico, e com o Marketing não é diferente. A cada dia aparecem novas palavras, novas propos- tas de conceitos e usos, mas o certo é que apesar das constantes e acentuadas mudanças sociais e tecnológicas que vivemos, marketing é marketing. A orientação para vendas sustenta que os consumidores não compram os produtos oferecidos pelas empresas por vontade própria. Com esse princípio, as empresas que têm sua orientação para vendas empregam um esforço agressivo de vendas e promoções para “empurrar” os produtos aos clientes. Seu objetivo é vender aquilo que fabrica ao invés de fabricar aquilo que o mercado neces- sita ou deseja. Para vender é preciso se comunicar e a comunicação depende muito de quem inicia (emissor) e a quem se destina (receptor), este precisa compreender o que quer ser dito para então partir para ação de compra. A Comunicação Integrada de Marketing pode ser um forma de fazer com que as ações de comunicação aconteçam de forma uniforme. Os tipos: institucional, interna, administrativa e mercadológica precisam usar as mesmas características, mesmo tipo de lin- guagem, cores e símbolos para que os consumidores (internos e externos) criem uma identificação com a empresa, facilitando, sobretudo, futuras ações de comu- nicação por haver uma identidade de marca. Por fim, compreendemos que a comunicação traz resultados se for feita de forma condizente com o consumidor e que há diversas técnicas, formas ou instru- mentos para se fazer presente na vida e na mente do consumidor. Que possamos compreender aquela que melhor se adapta ao nosso tipo de empreendimento. 39 1. O marketing tem se estruturado no decorrer da história passando por transfor- mações que possibilitam adaptação ao mercado e às necessidades das empresas e suas relações com os stakeholders. Considerando o processo evolutivo e seus elementos do composto, assinale a alternativa que corresponde ao conceito moderno, mais sustentável e com preocupações sociais do marketing. a. A palavra marketing, derivada do latim “mercare”, significava ato de comer- cializar na Roma Antiga. E desde então, o foco são os consumidores com va- lores éticos. b. As estratégias do mix de marketing devem conter exatamente a “relação hu- mana” como um dos fatores de sucesso. Eis um pensamento do marketing 1.0, 2.0 e 3.0. c. O marketing 1.0 tem como objetivo vender produtos para compradores em massa, detentores de necessidades físicas. d. O marketing 2.0 tem como objetivo satisfazer e reter clientes, com uma tecno- logia de informação mais forte auxiliando a empresa a posicionar seu produto. e. O marketing 3.0 tem objetivo de fazer um mundo melhor, cujos consumidores possuem mente, espírito e valores. Trata-se de um marketing colaborativo. 2. Quando vamos atender clientes, utilizamos a comunicação como ferramenta para que consigamos nos relacionar. Neste processo de comunicação, entende- mos a importância do saber ouvir para identificar necessidades desses clientes e oferecer exatamente o que estes buscam. Faça a leitura das afirmativas e assinale a alternativa correta. I. Os ruídos, que estão fora do processo de comunicação, não interferem na conversação com meu cliente. II. Por meio do feedback pode-se confirmar se a mensagem foi recebida pelo receptor da maneira que o emissor se fez entender. III. É importante escolher a mensagem a ser dita. IV. A escolha do canal adequado permitirá um melhor aproveitamento do pro- cesso comunicacional. Estão corretas apenas: a. I e II. b. II e IV. c. I, II e III. d. II, III e IV. e. I, II, III e IV. 40 3. Quanto aos tipos de comunicação a serem empregados nas ações das em- presas, responda: a. A expressão “Comunicação Organizacional” envolve apenas as empresas pú- blicas e privadas. b. A comunicação interna tem sua importância por também vender os produ- tos e ideias aos colaboradores internos. c. A comunicação institucional tem a função de vender um produto ou um ser- viço exibindo-o com promoção. d. A comunicação empresarial se refere a ONGs, porque no ambiente de negó- cios não existem apenas empresas públicas e privadas. e. É na comunicação mercadológica que se disponibilizam memorandos, edi- tais ou murais de avisos aos colaboradores. 4. Sabemos como é importante a ação do planejamento antes da ação, em comu- nicação não é diferente. Faz-se necessário realizar um planejamento de comuni- cação de marketing que reconheça o valor agregado de um plano abrangente e que avalie os papéis estratégicos de uma série de disciplinas da comunicação. Vimos também que um conceito moderno de comunicação da empresa está li- gado à integração de ações. Eis que surge a comunicação integrada de marke- ting. Sobre esta, é correto dizer: I. O gerenciamento das atividades possibilita as intervenções e relacionamen- to entre todos os setores, combinando orientação, informação, fluxo de pro- cessos e colaboração. II. Cada ponto de contato com clientes ou prospects também se constitui em um contato com a marca e com a organização. III. Há integração das atividades de propaganda, marketing e relações públicas de uma organização. IV. É aquela que associa a formação da imagem da organização sincronizada à visão e à missão da empresa, mas também é associada à venda de produtos e serviços. 41 Estão corretas apenas: a. I e II. b. II e III. c. I, II e IV. d. I, III e IV. e. I, II, III e IV. 5. A busca pela atração das pessoas (clientes em potencial) em nosso comércio, dentro da dita sociedade moderna, precisa utilizar todas as mais variadas estra- tégias possíveis, em virtude da competitividade cada vez maior. Tendo em vista a necessidade de atração e o uso da comunicação responda: quais estratégias podemos utilizar para atrair nossos clientes? Com qual finalidade? 42 Para que possamos ampliar nosso entendimento acerca dos temas até aqui relaciona- dos, sugiro o estudo do professor Daniel Galindo. Trata-se do capítulo 10, integrante do volume 1 da coletânea Comunicação Organizacional, publicada pela editora Saraiva, em 2009: [...] Este capítulo resgata a comunicação integrada de marketing como uma proposta nascida nos anos 1980 e que hoje ressurge como novidade ou tendência, evidenciando sua gênese como catalisadora e articuladora das diversas competências comunicacio- nais a serviço do mercado, cujo caráter multidisciplinar decorre da apropriação estra- tégica dos diversos esforços e recursos de comunicação e da gestão destes junto aos vários públicos de interesse. Na busca por um alinhamento conceitual através dos di- versos autores, se pretende contextualizar a comunicação integrada de marketing e a importância do seu papel na sociedade pós-modernaou pós-industrial, como recurso básico e vital frente ao volume, à disponibilidade e à acessibilidade de informações pre- sentes no cotidiano do consumidor/cidadão. Fonte: Galindo (2009, on-line)5. Material Complementar MATERIAL COMPLEMENTAR Comunicação Empresarial: Alinhando Teoria e Prática Wilson da Costa Bueno Editora: Manole Sinopse: a obra, uma atualização completa de trabalho anterior – Comunicação Empresarial: teoria e pesquisa –, resgata os principais temas que envolvem a teoria e a prática da comunicação das organizações, buscando não apenas fi xar conceitos relevantes ou realizar análises em Comunicação Empresarial, mas contemplar a realidade do mercado brasileiro. Com isso, pretende ser fonte importante de consulta para estudantes, gestores e profi ssionais de comunicação nas empresas públicas, privadas ou mesmo nas organizações do Terceiro Setor. Fundamentos de Marketing Darci Basta Dos Santos Silva, Fernando Roberto De Andrade Marchesini, José Antonio Ferreira De Oliveira, Luis Carlos Seixas De Sá Editora: FGV Sinopse: este livro apresenta as defi nições do marketing e sua evolução ao longo do tempo. Evidencia a visão globalizada dos negócios e a gestão de parceria, descrevendo o perfi l exigido do profi ssional de marketing nos tempos atuais, marcados por mudanças e complexidades. Examina as relações do marketing com as demais áreas de atividade da organização, bem como os confl itos e a forma de neutralizá-los. MATERIAL COMPLEMENTAR 30 dicas para atrair o consumidor em tempos de crise Este texto mostra algumas dicas que podemos utilizar para “falar” com os clientes de forma que possamos atraí-los para nossa loja. Trata-se de algumas estratégias simples de marketing e de comunicação visual que podem ser adaptadas aos nossos negócios. Acesse o texto na íntegra: <http://revistapegn.globo.com/Revista/ Common/0,,EMI81832-17203-1,00-DICAS+PARA+ATRAIR+O+CONSUMIDOR+EM+TEM POS+DE+CRISE.html>. MARKETING: Conceitos, Exercícios e Casos, de Alexandre Luzzi Las Casas O livro é dirigido aos estudantes e profi ssionais interessados no conhecimento ou aperfeiçoamento dos aspectos básicos de marketing. Apresentados de forma simples e objetiva, os principais aspectos mercadológicos são abordados, incluindo exemplos da realidade brasileira. Acesse o vídeo no link disponível em: <https://www.youtube.com/ watch?v=sWQHZ89govM>. Amor por contrato Ano: 2009 Sinopse: os Jones formam uma família aparentemente perfeita. Tanto Steve (David Duchovny) e sua esposa Kate (Demi Moore) quanto seus fi lhos Mick (Ben Hollingsworth) e Jenn (Amber Heard) são bonitos, populares e confi antes. Além disso, a casa dos Jones é luxuosa e repleta de aparelhos de ponta. A situação provoca a inveja dos vizinhos, especialmente em Larry (Gary Cole) e Summer Symonds (Glenne Headly). Só que este é exatamente o desejo que os Jones querem causar. Eles não formam uma família de fato e são, na verdade, funcionários da empresa LifeImage. Os Jones são a mais nova estratégia de marketing da empresa, que resolveu inserir famílias em mercados de luxo de forma a dar vida aos seus produtos. REFERÊNCIAS 45 ALBUQUERQUE, R. A. L.; VAN DAL, J. L. G. Comunicação empresarial e negociação. Centro Universitário de Maringá, EAD, 2013. BASTA, D. Fundamentos de Marketing. 7. ed. Rio de Janeiro: Editora FVG, 2006. BIAZON, V. V.; CLEMENTINO, A. S.; SILVA, P. P. F. Comunicação Mercadológica e o Marketing de Serviços: Estudo Sobre O Espaço Gourmet- Talent Escola De Profissões de Paranavaí - PR. In: XVIII Congresso de Ciências da Comunicação na Região Su- deste, 2013, Bauru. 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Estratégias de produto, preço, praça e promoção, patrocínio cultural, utilizando comunicação visual (símbolos), bom atendimento etc. Utilizamos a comunica- ção de forma estratégica para atrair clientes, mostrando as nossas vantagens em relação ao concorrente. U N ID A D E II Professor Me. Victor Vinicius Biazon MIX DE COMUNICAÇÃO Objetivos de Aprendizagem ■ Conceituar varejo e expor os tipos de varejo. ■ Apresentar os conceitos de propaganda e publicidade. ■ Conceituar promoção de vendas. ■ Apresentar a natureza da venda pessoal e as etapas do processo de vendas. ■ Enquadrar a RP como forma de comunicação. ■ Explicar o marketing direto e a modernidade do on-line. Plano de Estudo A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: ■ O papel do varejo na estrutura de distribuição ■ Propaganda ou Publicidade e Promoção de vendas ■ Venda pessoal e Administração de vendas ■ Relações públicas, Marketing direto e on-line Introdução Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 51 INTRODUÇÃO Caro(a) aluno(a)! Já compreendemos o marketing e seu mix, a comunicação e seus tipos e com isso vamos avançar o conteúdo, a ser iniciado agora, fazendo uma junção de tudo isso. Então você me pergunta: como assim professor? Simples, dentro do mix de marketing temos o “P” de promoção, que por sua vez refere-se à comunicação que temos de ter com nossos clientes, os já alcançados, e os que ainda não temos. E para isso lançaremos mão de uma série de possibilidades e formatos de comunicação dentro do composto do item Promoção. Aposto que já se interessou, não é mesmo? Pensando em sua loja, seu varejo (aliás precisamos entender o que é esse varejo), qual seria a forma mais adequada de promover os produtos? Esta é uma pergunta que eu sei que está se fazendo, e para que você possa decidir qual ferramenta ou ferramentas utilizar, precisa- mos antes de tudo conhecê-las, não é mesmo? Kotler (2000) nos diz que o “P” de promoção cobre todas as ferramentas de comunicação que fazem chegar ao público as nossas mensagens e se enquadram em cinco categorias: Propaganda, Promoção de vendas, Relações públicas, Força de vendas e Marketing direto. Veja então quanta coisa vamos aprender nesta unidade! E eu conto com você para buscar os conceitos aqui apresentados e imediatamente transportar em ideias para sua loja, seu ponto de venda, afinal, este é nosso maior objetivo. Sim, porque eu também tenho objetivo de ver (mesmo que a distância) sua correta aplicação das ferramentas e fazer reverter em atração de demanda e, consequen- temente, melhoria dos seus resultados. Então, munidos desse objetivo em comum, vamos reconhecer seu estabele- cimento como um legítimo varejo e que tem total possibilidade de desenvolver ações de comunicação para demonstrar seu diferencial, ou seja, usar das ferra- mentas de promoção para tornar conhecida sua loja (praça), seus produtos e seus melhores preços. Bons estudos! ©shutterstock MIX DE COMUNICAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E52 O PAPEL DO VAREJO NA ESTRUTURA DE DISTRIBUIÇÃO Neste tópico vamos conhecer os conceitos do varejo e compreender as diversas formas de atuarmos como varejistas, além de nos conscientizarmos da impor- tância que o setor tem para o giro da economia do nosso país. De acordo com os resultados de estudos da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo - SBVC - (2015, on-line)1, tratado como um canal de distribuição pela literatura mais tradicional de marketing, ao longo dos anos, o varejo tem ganhado destaque tendo em vista sua posição estratégica na distribuição de produtos e serviços e sua proximidade junto aos consumidores finais. Conforme os dados do IBGE de 2013, o impacto do varejo total no Produto Interno Bruto do Brasil (PIB) foi de 55,71%, ou seja, o consumo das famílias foi de R$ 3.033.694 milhões. Pelos dados trazidos, o varejo de bens de consumo movimentou R$1.274.152 milhões; o varejo de veículos e combustíveis em relação ao consumo das famílias foi de R$ 303.369 milhões e o varejo de Serviços R$ 1.122.466 milhões. O Papel do Varejo na Estrutura de Distribuição Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 53 De acordo com Vilela (2015), o varejo deixou de ser um setor da economia e assumiu um papel preponderante na economia. É o maior empregador pri- vado do Brasil: de cada quatro empregos, um é criado pelo varejo. E conforme a FGV – EAESP (2010, on-line)2, conforme as empresas varejistas se expan- dem, vão adotando avançadas tecnologias de informação e de gestão, além de desempenharem papel cada vez mais importante na modernização do sistema de distribuição e da economia brasileira. Essa é a década do varejo. Nos últimos 10 anos, o PIB cresceu 40%. O varejo cresceu três vezes isso. As redes de bens semi-duráveis, de rou- pas, principalmente, cresceram 500%. Estamos vivendo uma transfor- mação de toda a economia com base no varejo. Ele é um dos motores da economia. Um dos grandes propulsores do aumento do poder de compra da população foi o varejo, e o acesso ao crédito teve um impac- to maior do que o aumento de renda (VILELA, 2015, on-line)3. Trago aqui um conceito muito interessante sobre varejo sendo “toda atividade econômica da venda de um bem ou um serviço para o consumidor final, ou seja, uma transação entre um CNPJ e um CPF” (SBVC, 2015, on-line)1. Creio que esta explicação nos faz mais próximos do entendimento, mas ainda não acho suficiente. Por isso, para que possamos compreender esse importante setor da nossa economia, vamos compilar alguns conceitos sob pontos de vista diferen- tes do que vem a ser a atividade varejo: Quadro 1 - Diferentes conceitos sobre atividades de varejo KOTLER (2012, P. 482) O varejo inclui todas as atividades relativas à venda de bens e serviços diretamente ao consumidor final, para uso pessoal e não comercial. Um varejista ou loja de va- rejo é qualquer empreendimento comercial cujo volume de vendas provenha principalmente do varejo. Qualquer organização que venda para consumidores finais – seja ela um fabricante, atacadista ou varejista – está envol- vida em varejo. Não importa como os bens ou serviços são vendidos (pessoalmente, pelo correio, pelo telefone, por máquinas de venda automática ou pela internet) ou onde eles são vendidos (em uma loja, na rua ou na casa do consumidor). MIX DE COMUNICAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E54 RICHTER (1954) É o processo de compra de produtos em quantidade re- lativamente grande dos produtores atacadistas e outros fornecedores e posterior venda em quantidades meno- res ao consumidor final. SPOHN (1977) Uma atividade comercial responsável por providenciar mercadorias e serviços desejados pelos consumidores. Fonte: SBVC (2015, on-line)1 Temos esses conceitos para nos nortear, mas conforme Las Casas e Barboza (2007, p. 23) a definição mais utilizada de varejo é a fornecida pela American Marketing Association, na qual o varejo é definido como uma “unidade de negócios que compra mercadorias de fabricantes, atacadistas e outros distribuidores e vende diretamente a consumidores finais e, eventualmente, a outrosconsumidores” Conforme Pinho (1990, p. 19), “o varejo é uma das instituições do canal de distribuição e caracteriza-se por ser especializada na venda ao consumidor final. Segundo o tamanho da loja, subdivide-se em pequeno varejo [...] e grande varejo”. O pequeno varejo, como o nome diz, está ligado a lojas de linha única e lojas especializadas, por exemplo. Já o grande varejo tem a ver com lojas de departa- mentos, supermercados e shoppings. Contudo sabemos que o varejista é o consumidor de outro intermediário na gestão de distribuição de bens, não é mesmo? Há neste mercado os atacadistas, além da indústria que produz os bens. Las Casas e Barboza (2007, p. 20) definem o atacadista como “um tipo de intermediário que se caracteriza por não vender ao consumidor final”. E fazem um comparativo do papel desenvolvido por ata- cadistas e varejistas no mercado: O Papel do Varejo na Estrutura de Distribuição Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 55 Quadro 2 - Papel desenvolvido pelos varejistas e atacadistas no mercado PAPEL DESENVOLVIDO PELOS VAREJISTAS E ATACADISTAS NO MERCADO VAREJISTAS ATACADISTAS Adquirem, do atacadista, quantidade e variedade dependendo da loja Adquirem de muitos fabricantes, com- pram grandes variedades e quantida- des Manuseiam os produtos por meio da armazenagem, preço e exposição Manuseiam os produtos por meio da armazenagem, transporte e preços Apresentam seus produtos por meio da propaganda dirigida ao consumidor final. Pesquisa de mercado, dirigida ao fabricante e ao atacadista Seus esforços promocionais dirigidos as varejistas apresentam as tendências para o fabricante Vendem para o consumidor final, ofere- cem horários convenientes, pessoas de vendas treinadas, estratégias de preço e de financiamento Vendem para o varejista com entrega eficiente, grande variedade de produ- tos, estratégias de financiamento e de preço Fonte: Las casas e Barboza (2007, p. 21). Então, continuando nessa linha de raciocínio, fica muito claro para todos nós que o papel do varejo é o de intermediar mercadoria entre consumidor final e fabricante ou atacadista. Nesse processo, o intermediário (varejista) adquire mer- cadoria de um dos dois (fabricante ou atacadista) e oferece os produtos aos seus clientes por meio de lojas ou outras formas de distribuição. Quando nos referimos a “lojas” estamos falando de você, caro aluno vare- jista, seja proprietário ou funcionário, mas que exerce um papel importante e está aqui justamente para criar melhores condições de atração de demanda e movimentar ainda mais a economia local. De acordo com Gouveia et al. (2011), a consolidação de uma empresa no mercado depende da satisfação do consumidor e de como será atendido (aten- dimento de Qualidade). Essa experiência positiva do cliente com o atendimento pode ser vista como diferencial e possivelmente ficará gravada na mente dos consumidores. Conforme afirmam os autores, os principais benefícios da qua- lidade de atendimento para os clientes são “rapidez nas transações, atenção, MIX DE COMUNICAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E56 confiabilidade, segurança, amizade, gentileza, satisfação de necessidades e emo- ção. E para a empresa lealdade dos clientes”. O varejo distribui produtos e serviços para os shoppers (isso porque nem sempre o comprador é o usuário final do produto, por isso podemos usar este termo) e seu estabelecimento, sua loja, sua praça precisa atender às necessida- des dos clientes. Há diversos tipos de varejo e creio que precisamos conhecê-los até para saber em qual nos encaixamos, não é verdade? Quadro 3 - Tipos de varejo VAREJISTAS COM LOJA: Lojas especializadas: são formadas por varejis- tas, do tipo independen- tes, que oferecem aos consumidores uma linha única. Operam com um número limitado de ca- tegorias de produtos. Ex: Habib’s, livraria Cultura. Lojas de departamentos: elas são de grande porte, apresentam grande varie- dade de produtos como ferramentas, confecções, cama, mesa, roupas mas- culinas e femininas, logo são várias lojas especiali- zadas. Ex: C&A, Renner e Pernambucanas. Lojas em Cadeia: são um grupo de quatro ou mais lojas no mesmo tipo de negócios. A eco- nomia para Compras é vantagem dessa catego- ria. Ex: Supermercados e lojas de departamento, como Pão de Açúcar e Renner. Lojas independentes: caracterizam-se pela simplicidade administra- tiva e, frequentemente, pelo atendimento per- sonalizado aos clientes, devido ao contato mais direto entre proprietá- rios ou gerentes com os clientes. Ex: Todas as pequenas, médias e mesmo grandes lojas sem pertencer a redes e sem imagem forte no segmento. Cooperativas: são agru- pamentos de varejistas independentes, cada um opera sua loja, mas tomam certas decisões em conjunto, como compras e promoções. Ex: Farmacem, Coopercitrus. Supermercados: são estabelecimentos estru- turados em departamen- tos, com estoque. Ex: Comprebem, Futurama, Sonda Supermercado. O Papel do Varejo na Estrutura de Distribuição Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 57 Hipermercado: a junção em um único espaço físi- co de lojas, de descontos e supermercado, onde são oferecidos produtos alimentícios e não-ali- mentícios, geralmente com preços menores dos que são oferecidos no varejo devido à grande condição de negociação de compras por parte dessas lojas. Ex: Extra, Carrefour, Wal-Mart. Armazéns/Mercearias: são as lojas que oferecem uma linha básica de pro- dutos de mercearia, frios e laticínios, instalações quase sempre na periferia. Ex: pequenos pontos-de- -venda em periferia sem nomes representativos. Lojas de variedades: lojas varejistas que tra- balham com diversidade muito grande de merca- dorias populares de bai- xos valores. Os produtos oferecidos: papelaria, acessórios femininos, brinquedos, utilidades domésticas, etc. Ex: Armarinhos Fernando, Lojas Americanas. Ponta de estoque/ Outlet/lojas de fábrica: varejistas que oferecem preço baixo para produ- tos fora de estação ou com pequenos defeitos, geralmente são opera- das pelos próprios fabri- cantes. Ex: TNG, Adidas. Lojas de Conveniência: lojas que oferecem produ- tos alimentícios e artigos de primeira necessidade. Preços mais elevados do que os praticados pelos supermercados. Esse tipo de varejista oferece aos consumidores conveniên- cia de localização e horá- rio, geralmente instaladas em postos de combustí- veis. Ex: Am-Pm, Br-Mania, Star Mart. Lojas de preço único: varejistas que oferecem mercadorias para o lar, presentes e brinque- dos, por preços baixos, comum a todos. Ex: Lojas de R$ 1,99. VAREJISTAS SEM LOJA Vending Machines (vendas por máqui- nas): são equipamentos que entregam produto a partir da introdução de células, moedas ou cartões. Ex: Máquinas de refrigerantes, café, selos, salgadinhos e balanças. Venda direta: um vende- dor visita potenciais usuá- rios e apresenta o produto. Ex: Avon, Tupperware, enciclopédias. Telemarketing: contatos telefônicos, descrevendo produtos e buscando persuadir o potencial comprador. Ex: Bancos, cursos de idiomas, administrado- ras de cartão de crédito. MIX DE COMUNICAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E58 Mala direta: envio de folhetos e outros materiais, descrevendo os produtos e permi- tindo sua compra por formulário próprio. Ex: assinaturas de revistas e publicações. E-commerce (varejo virtu- al ou on-line): é o uso de sites na Internet, apresen- tando produtos e serviços e possibilitando a realiza- ção da compra de forma interativa. Ex: Livrarias, supermercados, farmácias, e serviços bancários. Vendas porta a porta:forma direta de venda ao consumidor, contato pessoal, demonstra- ção e explicação dos produtos. Ex: Perfumes e livros. Fonte: adaptado de Las casas e Barboza (2007) e Gouveia et al. (2011). Compreendendo o varejo e seu papel na distribuição de bens e serviços no cenário nacional, temos que pensar que a concorrência existe e que precisamos também pensar nas estratégias mercadológicas para atração de demanda, para apresen- tar nossos diferenciais competitivos e para promover uma intensa e constante comunicação com nossos consumidores e consumidores em potencial. Para tanto, faz-se necessário compreendermos as diversas formas, dentro do composto promocional, que o varejo pode utilizar para se fazer notar no mercado. Dando continuidade à sua leitura, você irá conhecer algumas formas, técnicas e/ou ferramentas de comunicação para usar em seu ponto de venda. ©shutterstock Propaganda ou Publicidade e Promoção de Vendas Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 59 PROPAGANDA OU PUBLICIDADE E PROMOÇÃO DE VENDAS Aluno(a), agora vamos compreender o que é propaganda e publicidade. Muito se fala sobre conceitos, definições, separações, mas será que hoje em dia ainda temos essa necessidade de separar uma coisa da outra? Veremos também a impor- tância das promoções de vendas para sua loja. Vamos conhecer agora exemplos de ferramentas de comunicação dentro dos seus respectivos elementos do composto: Você sabe quais itens do composto de comunicação de marketing mais agrada seu cliente? Ele vem comprar porque gosta do seu produto, do seu preço, das liquidações ou do seu atendimento? Fonte: o autor. MIX DE COMUNICAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E60 Quadro 4 - Exemplos de ferramentas de comunicação PROPAGANDA PROMOÇÃO DE VENDAS RELAÇÕES PÚBLICAS FORÇA DE VENDAS MARKETING DIRETO Anúncios impres- sos e eletrônicos Concursos, jogos, sorteios Press Kits Apresentações para vendas Catálogos Programação visual da embalagem Amostras Palestras Reuniões para vendas Mala direta Encartes dentro da embalagem Feiras e conven- ções Seminários Programas de incentivo Telemarke- ting Em cinemas Exposições Relatórios anuais Amostras Compras pelo computador Brochuras e pan- fletos Cupons Doações filantrópicas Feiras e convenções Compras pela TV Pôsteres e cartazes Descontos Patrocínios E-mail Catálogos telefô- nicos Financiamentos com juros baixos Publicações Correio de voz Reprodução de anúncios para uso restrito Entretenimento Relações na comunidade App Outdoors Concessões de troca de produto antigo Lobby Sinalização Programas de vantagens pela continuidade de uso Comunicação da identidade Displays em ponto de venda Venda Casada Revista da empresa Material audiovi- sual Eventos Símbolos e logos Vídeos Fonte: adaptado de Kotler (2000b, p. 138). Agora vamos conhecer um pouco mais sobre este composto promocional para que você escolha como prefere usá-lo. Propaganda ou Publicidade e Promoção de Vendas Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 61 Ainda existem muitas dúvidas sobre o que é publicidade ou o que é propa- ganda, a princípio vamos diferenciar para depois entendermos se é possível unir os termos, os esforços. O Portal Educação (2013, on-line)4 nos ajuda a entender a diferença entre publicidade e propaganda: “propaganda busca divulgar um pro- duto ou serviço para que o consumidor o conheça e objetiva induzir o consumidor a comprar o produto ou serviço”. Propaganda é todo esforço de comunicação ten- dente a beneficiar uma empresa, um produto ou um serviço sob o patrocínio do anunciante. Em uma propaganda o anunciante é sempre facilmente identificado. Publicidade é quando tornamos público ou divulgamos uma ideia, sem que isso implique necessariamente em persuasão de quem recebe essa ideia (Portal Educação, 2013, on-line)4. É o esforço de comunicação que pode até influenciar determinadas atitudes, mas sem o patrocínio ostensivo do anunciante. Muitas vezes o anunciante nem é identificado. Um exemplo trazido pelo Portal Educação (2013, on-line)4 nos ajuda a compreender melhor: A campanha contra o tabagismo promovida pelo Ministério da Saúde, utilizando imagens que ilustram os efeitos prejudiciais do tabagismo na saúde no fundo dos maços de cigarro, é uma campanha de publicidade. É uma campanha genérica, que procura orientar e esclarecer o con- sumidor no sentido de se conscientizar dos malefícios do tabagismo para a saúde. Não está querendo condicionar o consumidor a preferir determinado produto ou serviço. Conforme outros diversos autores, porém, a publicidade, que antes era apenas a ação de tornar público, adquiriu cunho comercial buscando promover a lucra- tividade de uma atividade comercial. De acordo com o professor Daniel Galindo (2006, p. 3), para evitarmos aqui as questões de ordem conceitual como propaganda ou publicidade, vamos seguir o que é definido pelas “Normas-Padrão da atividade Publicitária”, elaboradas a partir da lei nº 4680/65 e os decretos nº 57690/66 e 2262/97, que mencionam, em seu capítulo 1 sobre conceitos básicos, linha 1.1, a seguinte definição: “Publicidade ou Propaganda: é, nos termos do art. 2º de Dec. n º 57.690/66, qualquer forma remunerada de difusão de idéias, mercadorias, produtos ou serviços por parte de um anunciante identificado” (CENP, 1998, on-line)5. MIX DE COMUNICAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E62 Sendo assim, a partir do exposto, entendemos a equivalência dos termos publicidade e propaganda, como consideramos também algumas característi- cas dessa difusão, que necessariamente atendem aos objetivos do anunciante: A propaganda comercial (advertising, conceito utilizado pelos norte-ame- ricanos e ingleses) nas palavras de Bruno A .de Miranda Guerreiro (...) toda comunicação levada a efeito por intermédio dos veículos de massa com obje- tivo de informar e persuadir pessoas a agir com relação a um produto, serviço ou idéias, paga por um patrocinador identificável (GUERREIRO, 1974, p. 782 apud GALINDO, 2006, s/p). Ainda assim, para fixar e inundar seu entendimento, vou considerar mais uma citação trazida por Galindo (2006) apoiado em Guimarães (1981): Propaganda em essência é a comunicação de uma mensagem que con- tém basicamente os ingredientes de informação e persuasão os quais devem ser trabalhados em consonância com as características intrínse- cas e extrínsecas da empresa, definidos no sistema de marketing (GUI- MARÃES, 1981 apud GALINDO, 2006, s/p). Logo, apesar de uma extensa origem histórica de ambos os termos, para não ficarmos focados em descobrir quem está certo ou errado quanto ao termo e seu uso, não vamos nos preocupar em simplesmente usar o termo correto, se nem os autores conseguem fazer isso com perfeição, vamos nos atentar à ação de anunciar por meio desta modalidade. Para tanto, vou utilizar o termo propa- ganda para nos facilitar, já que vamos pagar pela sua veiculação, não é mesmo?! De acordo com Kotler (2000b, p. 137), a Propaganda é a ferramenta mais poderosa para conscientizar as pessoas sobre sua empresa, produto, serviço ou, ainda, ideias. Se os anúncios forem criativos, uma campanha publicitária pode construir a imagem da marca e até possibilitar sua aceitação e preferên- cia. Entretanto veja bem, sobretudo em épocas em que o consumidor está sendo bombardeado por milhares de anúncios tentando chamar sua atenção, é ainda mais importante que o seu anúncio seja interessante e apresente diferencial. O autor ainda relata a necessidade de conhecer o público que se deseja impactar, para que a escolha da forma de anunciar seja pautada em informa- ções e direcionamentos.Neste caso, você deve buscar saber se seu consumidor ou aquele cliente que você quer atingir assiste TV, ouve rádio ou vive na internet. Propaganda ou Publicidade e Promoção de Vendas Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 63 Vale uma pesquisa neste sentido, não é? A propaganda tende a ser mais eficaz quando direcionamos a um público mais restrito, ou seja, a segmentação é importante nesse caso, pois quanto mais focada for nossa comunicação, mais chances de impacto e contato com os con- sumidores. Exemplo: anunciar seu ateliê, sua loja de flores, salão de festas e etc. em revistas de casamento e formatura. Decidir pela propaganda é a primeira de muitas decisões como: missão, mensagem, mídia, moeda e mensuração, conforme Kotler (2000a) e Brochato et al. (2009, on-line)6: Moeda Fatores a serem considerados: - Estágio no ciclo de vida do produto - Participação de mercado e base de consumidores - Concorrência e saturação da comunicação - Frequência da propaganda - Grau de substituição do produto Mensuração Impacto na comunicação Impacto nas vendas Mensagens Criação da mensagem Avaliação e seleção da mensagem Execução da mensagem Análise da resposabilidade social Mídia Alcance, frequência, impacto Principais tipos de mídia Veículo de comunicação especí�cos Timing da mídia Distribuição geográ�ca da mídia Missão Metas de vendas Objetivos da propaganda Figura 1 - 5Ms da propaganda Fonte: Brochato et al. (2009, on-line)6. Missão: a sua propaganda terá qual motivo? Informar sobre a abertura da sua loja, persuadir o cliente a comprar a sua marca, lembrar os clientes dos seus pro- dutos ou preços diferenciados. Qual a missão, objetivo que pretende com essa propaganda? Mensagem: é o que você vai dizer aos seus clientes, qual o texto, a narrativa que vai embalar seu anúncio. Seja diferente, criativo, apresente sua proposta, mas lembre-se, sem nada interessante para dizer, não é interessante anunciar. Mídia: é o local no qual você vai veicular sua linda e criativa mensagem, seja na revista, no jornal, na tv, no outdoor, no panfleto, etc. Um cuidado especial que você deve ter é que, para cada mídia, a abordagem dessa mensagem deve ser diferente, para “falar a mesma língua” do público que vai consumir este anúncio. MIX DE COMUNICAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E64 Moeda: é o quanto será investido, pago nesta ação. Não existe um limite máximo ou mínimo para esse valor, o ideal é saber como anda o caixa da sua empresa. Ter um orçamento publicitário é uma boa ideia. Tente decidir quan- tas pessoas você quer impactar, atingir e a frequência com que deseja gerar esse impacto, pensando assim o valor fica mais fácil de decidir. Mensuração: é buscar saber o resultado da ação. Devemos pensar em quantifi- car a memorização dos clientes, o reconhecimento da marca, o nível de persuasão. Pense em saber quantas pessoas, empresas deram preferência pela sua marca e se suas vendas aumentaram após a veiculação. Um programa de propaganda bem planejado oferece a oportunidade de uma organização aumentar sua participação de mercado e suas vendas, além de gra- var seu nome na memória dos consumidores – o que é importantíssimo para uma marca que não deseja apenas sobreviver no mercado, mas sim tornar-se preferência (BROCHATO et al, 2009, on-line)6. Para Ana Spadin, publicitária e mestre em Comunicação Social, que foi consultada por mim para que pudéssemos ter mais conhecimento acerca deste tema, a publicidade no varejo nada mais é do que uma veiculação dirigida aos consumidores finais de um produto. Esse tipo de comunicação com o público sofreu grandes modificações com o passar do tempo, pois visa, acima de tudo, criar uma conexão com o público, persuadi-lo e levá-lo a crer que precisa do produto anunciado. Para isso, a publicidade precisa estar atualizada, manter uma relação próxima com o público, conhecer suas exigências e manter seu plane- jamento em harmonia com esses elementos. Somente desta forma um anúncio de varejo pode funcionar. A publicidade no varejo envolve diversos pequenos ambientes, que, aliados, visam finalizar a compra dos chamados shoppers, os consumidores. Engloba, dessa forma, técnicas e ações de merchandising nos pontos de venda, ações inovado- ras que chamem a atenção do público. Aqui vale tudo, como por exemplo: uma campanha interativa ou participativa na internet, que é uma forte aliada nos dias de hoje ou uma ação promocional em lugares de grande quantidade de público e persuasão sensorial, ou seja, aquela que convence o consumidor a adquirir o pro- duto pelos cinco sentidos. Uma experiência tátil é muito importante para decidir Propaganda ou Publicidade e Promoção de Vendas Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 65 a compra, por exemplo, mas essa persuasão não precisa ser física: uma descri- ção bem feita, que apresenta os atributos do produto, sons, cheiros ou mesmo o gosto de forma convincente, pode fazer milagres. Spadin diz ainda que há diversos tipos de abordagens quando se trata da publicidade comercial, tudo depende do público que a anunciante deseja atingir. Quem são? Com o que trabalham? Qual as condições que dispõem para pagar? O que querem ver? O comércio varejista deve estruturar seus anúncios nessas e em outras perguntas básicas para atingir o público certo e trazer os resulta- dos necessários. Há diversos tipos de anúncios usados, que variam de acordo com os consumi- dores a serem atingidos. O mais básico deles é o vídeo com ofertas e promoções da semana, de um determinado dia de desconto ou voltado para uma data comemorativa, como o dia das mães. Esse tipo de anúncio apresenta o produto rapidamente, dá seu preço, informações adicionais básicas, condições de paga- mento – que costumam ser o grande diferencial – e também onde encontrar o produto. Esse é um tipo de publicidade de ação rápida e de curto prazo, que visa a com- pra por impulso, baseada na oferta realizada naquele momento, aquela em que o consumidor não avalia vantagens ou desvantagens, mas fica preso somente às condições de preço e de pagamento. É uma forma eficaz de anúncio, gera receita e vendas rapidamente. Em seu trabalho de pesquisa, Ana Spadin apresenta alguns exemplos que foram autorizados a serem utilizados em nosso material como veremos: MIX DE COMUNICAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E66 Figura 2 - Publicidade empresa de varejo Fonte: Portal Az. (2014, on-line)7. As Casas Bahia e a Unilever, por exemplo, são as marcas de varejo que mais inves- tem em publicidade no Brasil, e o varejista é o que mais compra espaço publicitário no país. No ano de 2015, o setor foi líder na compra de mídia, aumentando para 16% o volume de presença, com um investimento de mais de 25 bilhões de reais, segundo pesquisa sobre o espaço publicitário realizada pela Kantar Ibope Media (SUPERVAREJO, 2016, on-line)8. Outro tipo de anúncio típico do varejo é aquele que chama a atenção do público, por meio da narrativa, devido aos aspectos emocionais e de persua- são. A campanha conta uma história e traz o público para si, para conquistá-lo e fazer com que lembre da emoção que sentiu, optando pela marca no momento da compra. Um dos grandes anunciantes que aposta nesse tipo de comunicação é O Boticário, que direciona bem a publicidade para todos os tipos de público que atende. Além disso, é uma marca que está ligada nas tendências e é percep- tiva quanto às exigências do consumidor, aquilo que este deseja ver. Propaganda ou Publicidade e Promoção de Vendas Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re irod e 19 98 . 67 Figura 3 - publicidade emocional Fonte: G1 (2015, on-line)9. Para Spadin, a publicidade desse tipo não espera uma compra imediata, uma ação momentânea ou impulsiva do consumidor, mas visa trabalhar a imagem da marca, construir, na mente do consumidor, uma reputação aliada a um deter- minado posicionamento e um sentimento de pertença que o indivíduo busca, juntamente com a persuasão por argumentos emocionais. Ou seja, é um trabalho de fi delização, que busca fi xar a marca e sua imagem na mente do consumidor e que, muitas vezes, não consolida as vendas imediatamente. Esse tipo de publicidade está relacionado a uma nova era da comunicação, para um novo tipo de consumidor, mais exigente, mais crítico e mais ligado às novidades. O público hoje tem voz nas redes sociais, é participativo, quer interagir e pertencer, e isso requer uma publicidade feita para acompanhar o consumidor, para que este possa acompanhar e desejar consumir a marca. Assim, conforme exposição da pesquisadora em comunicação, podemos entender que não há uma fórmula específi ca para que uma campanha publicitária de varejo dê certo, ela apenas precisa atingir os requisitos básicos de planejamento da marca. Isso pode requerer grandes inovações e descobertas comunicacionais que sigam o consumidor ou pode também basear-se no antigo, mas efi caz, for- mato de anúncio convencional. Tudo depende de quais resultados o anunciante deseja e em quanto tempo quer conseguir. MIX DE COMUNICAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E68 Finalizando o item publicidade/propaganda, uma dica importante é variar na forma e/ou formato de anunciar, não fazer sempre a mesma propaganda, o mesmo texto, para não gerar a sensação de que seus produtos são sempre os mes- mos, sua loja continua a mesma. É preciso variar com criatividade. Avalie, também, a possibilidade de contratar uma agência para lhe instruir em algumas decisões, pois estas possuem uma equipe (publicitários e profissio- nais de marketing) capacitada e especializada nesta área, que saberá aconselhá-lo quando surgirem as dúvidas. Esses anúncios, dos quais já falamos, muitas vezes não geram ações propria- mente ditas, pois atuam na mente das pessoas e não em seu comportamento. Por isso precisamos gerar ação usando a promoção de vendas. Quem já não presenciou a inquietação de alguém quando ouve dizer que a loja está em oferta, liquidação ou sorteando brindes? Essas ações fazem os clientes agirem. E é isso que estamos buscando, não é mesmo? Ação, vendas. O Ponto de venda (ou PDV) é “onde tudo acontece” para quem está no varejo. De acordo com Roberto Nascimento, professor do núcleo de estudos de varejo da Escola Superior de Programa e Marketing (ESPM) de São Paulo, 85% dos consumidores decidem no PDV qual produto vão levar para casa. Apenas 15% vão às compras com uma lista pron- ta, com marcas definidas. Por isso, atrair o cliente é tão importante. E poucas coisas chamam mais a atenção dos consumidores do que pro- moções (CROSS CONTENT, 2012, on-line)10. Promoção de vendas é uma lógica de gestão comercial e também uma es- tratégia de comunicação que deve ir ao encontro do posicionamento da marca. Tem como objetivo estimular o consumidor à compra, traduzindo-se, assim, em um aumento de vendas dentro de um curto espaço de tempo. Porém devem obedecer a períodos limitados no tempo para não deteriorar o valor da marca. Fonte: adaptado de Costa (2013). Propaganda ou Publicidade e Promoção de Vendas Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 69 Diversos autores explicam o que vem a ser as ações de Promoção de vendas. Vale a pena se inteirar. Quadro 5 - Ações de promoções de vendas COHEN (1987) HAUGH (1983) BLATTBERG& NESLIN (1990) BERNADET (1993) A promoção de vendas é uma operação que fornece e que se traduz numa vantagem efetiva para o consumi- dor, num deter- minado tempo e espaço geográ- fico limitado. O seu objetivo é aumentar direta- mente as vendas ou otimizar a imagem de marca do produto. As promoções de ven- das são um incentivo direto que adiciona um valor extra ao produto direcionado à força de vendas, distribuidores, ou consumidores finais com o objetivo prin- cipal de criar vendas imediatas. As promoções de vendas são acontecimentos de marketing focalizados na ação cujo propó- sito é produzir um impacto direto no comportamento dos clientes das firmas. A promoção de vendas reagrupa um conjunto de ações de marketing, pontuais e direcio- nadas, que visam a criação de novos comportamentos com o objetivo de aumentar o volu- me de vendas de um produto. Ela necessita de uma definição prévia dos objetivos, meios e técnicas de modo a ser posta em prática. TELLIS (1997) KOTLER E AMSTRONG (2003) As promoções de vendas são um programa limi- tado no tempo, por parte de uma organização que tenta tornar a sua oferta mais atrativa para os compradores e que requer a sua participação tra- duzida por uma compra imediata ou por uma outra ação. A promoção de vendas consiste em incentivos de curta duração destinados a estimular a com- pra ou venda de um produto ou serviço imediatamente. Mas ambos têm o mes- mo objetivo que é influenciar ou induzir o consumidor à com- pra. Fonte: adaptado de Costa (2013). MIX DE COMUNICAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E70 Conforme Borges e Carneiro ([2016], on-line)11, a promoção de vendas com- preende um conjunto de ferramentas promocionais que geram estímulos ao consumidor, incentivando o consumo e ampliando as vendas. Por meio das ferramentas utilizadas pela promoção de vendas, os consumidores sentem-se motivados a consumir em troca de benefícios. A promoção de vendas é a comunicação de qualquer incentivo que au- mente o valor básico de um produto durante um período limitado, de forma a estimular os membros do canal e as pessoas das equipes de venda a vendê-lo e os consumidores comprá-lo (NICKELS; WOOD, 1999, p. 356). Zenone e Palandi Junior (2011) dizem que o objetivo desta ferramenta é incre- mentar as vendas do tipo não pessoal, mas que frequentemente inclui propaganda, merchandising e vendas pessoais, já que a divulgação e o esforço são feitos atra- vés das outras ferramentas de comunicação. Crescitelli e Shimp (2012, p. 382) facilitam nossa compreensão, explicando que a promoção de vendas é uma forma, um incentivo gerado pelas empresas para alterar por um tempo o preço percebido ou o valor de uma marca. A promoção de vendas é uma estratégia de marketing e comunicação: um conjunto de técnicas de incentivo, impactante, que age em curto prazo, objetivando estimular, os diversos públicos, à compra e venda mais rápida e /ou de maior volume, de produtos e serviços (COSTA; CRESCITELLI, 2003, p. 69). Crescitelli e Shimp (2012, p. 388) explicam ainda que a promoção de vendas (promoção de persuasão) pode ser utilizada para aumentar o giro de produ- tos nas lojas, ou seja, aumentar as vendas pura e simplesmente (sua principal finalidade) e também para alcançar outros objetivos mais específicos como neu- tralizar investidas dos nossos concorrentes que por ventura estejam buscando ganhar vantagem sobre nós (por exemplo, o concorrente fez uma campanha e atraiu clientes, e nós não podemos deixar que isso aconteça, precisamos reagir). Quando nossos estoques estão altos, (tanto na indústria, no fabricante, quanto no nosso canal de vendas) podemos realizar ações promocionais para reduzi-los, bem como provocar a experimentação de produtos novos, pois sabemos que os Propaganda ou Publicidade e Promoção de Vendas Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 71 consumidoressão um tanto conservadores e tendem a desconfi ar de produtos ou marcas que eles desconhecem. Sendo assim, a ação de promoção é uma forma de inserir o produto entre as opções de escolha dos consumidores. Ex: oferecer uma nova marca de café no supermercado enquanto os clientes fazem suas compras. Quer ver um exemplo? Figura 4 - Degustação de café Fonte: acervo pessoal de José Augusto Cardoso Guimarães. MIX DE COMUNICAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E72 Figura 5 - Áurea Alimentos realiza degustação na rede de Supermercados Moniari Fonte: Aurea Alimentos (2015, on-line)12. Áurea Alimentos realiza degustação na rede de Supermercados Moniari A ação acontece na loja de Sangão/SC entre os dias 23 a 27 de junho de 2015. O produto degustado é a Sobremesa Láctea Sabor Leite Con- densado Áurea, recente lançamento da Áurea Alimentos na linha de supermercados. Durante a ação os clientes têm a oportunidade de experimentar o produto que é especial para fazer pudim de leite, e comprovarem a qualidade e os benefícios que o produto possui, sendo eles: menos caloria, menos gordura, menos doce e menos enjoativo. A comercialização está concentrada no estado de Santa Catarina, sendo que em breve as vendas se estenderão para todo o Brasil (ÁUREA ALI- MENTOS, 2015, on-line)12. Não era cafezinho, era pudim, mas a ideia de fazer os clientes experimentarem é uma das premissas da promoção de vendas. Os varejistas usam incentivos promocionais para estimular os comporta- mentos desejados de seus consumidores. A promoção tem caráter de urgência, sua injunção fala ao consumidor para agir “agora” porque amanhã poderá ser tarde demais (CRESCITELLI; SHIMP, 2012). Propaganda ou Publicidade e Promoção de Vendas Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 73 Ogden (apud Zenone e Palandi Junior, 2011, p. 61) diz que a promoção de vendas pode ser entendida com base em três fundamentos: ■ Oferta de benefi cio adicional: oferta agregada a compra de um produto. ■ Tempo determinado: período em que a proposta do benefício terá validade. ■ Objetivo específi co: delimitação do tempo em que a oferta adicional deverá ser mantida. Quem não lembra da propaganda “Só amanhã no Magazine Luiza”? Figura 6 - Loja caracterizada para a ação promocional Fonte: Gisele Rodrigues (2006, on-line)13. MIX DE COMUNICAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E74 Figura 7 - Ação promocional Magazine Luiza Fonte: Portal mundo das tribos (2012, on-line)14. Estes são bons exemplos de ações promocionais que se comunicam com os consumidores e os incentivam a agir dentro daquele prazo. Os restaurantes, por exemplo, oferecem cupons de desconto, sobremesa grátis, desde que um determinado prato seja consumido e outras empresas oferecem entregas grátis, montagens grátis. Estas são apenas algumas ações que se encaixam no conceito de promoção de vendas. Para compreendermos ainda mais as funções das promoções de venda, Crescitelli e Shimp (2012, p.390) apontam os benefícios destas promoções: ■ Estimular o entusiasmo da equipe de vendas de um produto novo, melho- rado ou maduro. ■ Revigorar a venda de uma marca madura. ■ Promover a introdução de novos produtos no mercado. ■ Aumentar o espaço das mercadorias na prateleira ou fora dela. ■ Neutralizar a propaganda e as promoções da concorrência. ■ Obter compras de experimentação por parte dos consumidores. Propaganda ou Publicidade e Promoção de Vendas Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 75 ■ Manter os usuários atuais, encorajando-os a fazer compras repetidas. ■ Aumentar o uso do produto fazendo com que os usuários comprem quan- tidades maiores. ■ Prevenir que os consumidores migrem para outras marcas, fazendo com que comprem quantidades maiores. ■ Reforçar a propaganda. Conforme o exposto, entendemos que promoção de vendas envolve uma mul- tiplicidade de ferramentas de marketing que são utilizadas para estimular o consumo de produtos ou serviços. Tal estratégia tem como objetivo influenciar o processo de escolha do consumidor e busca prover atração e valor aos produtos ofertados. Alguns autores argumentam que essa técnica é essencial para a sobre- vivência no mercado, cada vez mais competitivo, considerando que ela é flexível e dá uma resposta rápida para a motivação de consumo (SANTINI, 2013, p. 23). Eu aposto que você já está se perguntando: que tipos de ações eu posso fazer na minha loja que se enquadram em promoção de vendas? Para responder e matar sua curiosidade (e ainda fazer sua cabeça fervilhar de tantas ideias para implementar), teremos na próxima unidade um tópico específico para abordar esses tipos de ações e mais exemplos para ilustrar. ©shutterstock MIX DE COMUNICAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E76 VENDA PESSOAL E ADMINISTRAÇÃO DE VENDAS Vamos compreender neste tópico a importância (que na verdade já conhecemos) de efetivar bons contatos com os clientes. A relação vendedor versus consumi- dor pode contribuir com o processo de recompra, mas também pode afastar consumidores para sempre. A venda pessoal é uma ferramenta de comunicação de marketing em que o vendedor molda um comprador para impressioná-lo e influenciá-lo a favor dos produtos que a sua empresa vende (URDAN; URDAN, 2006). Ou seja, a inte- ração, o relacionamento, a simpatia do vendedor faz diferença no ato da venda. Podemos entender já neste início que o atendimento é um recurso importante para os resultados em venda. Diversos autores nos confirmam que a interação, face to face é a característica principal, fundamental, da venda pessoal. Isso claro, devendo ser complemen- tada por outras ferramentas e canais de comunicação. Podemos então afirmar aqui que a figura do(a) vendedor(a) exerce uma enorme influência na decisão de compra do consumidor. Então, vamos melhorar nosso atendimento? Venda Pessoal e Administração de Vendas Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 77 A venda, como elemento de comunicação para o marketing, assume ativi- dades importantes. Trazendo aqui a comunicação como instrumento na venda pessoal e na administração de vendas, temos Zenone e Palandi Junior (2011) estabelecendo que: na venda pessoal usa-se comunicação direta com uma audi- ência qualificada de clientes, sendo o vendedor a fonte de transmissão e recepção de mensagens. E a Administração de vendas é a principal responsável pela situ- ação em que o vendedor ou a equipe de vendas se encontra e interage com o cliente, buscando efetivar uma transação comercial. Gerenciar os relacionamen- tos, identificar novas oportunidades e tornar o negócio rentável para a empresa. De acordo com a ideia defendida por Angnes (2012), normalmente os ges- tores de vendas apostam que com uma excelente equipe de vendas vão conseguir resultados e manter a competitividade da empresa. A disputa pelo mercado, porém, está cada vez mais acirrada e exige de cada empresa novas abordagens em gestão de vendas, adicionando aspectos científicos e novas dimensões, que vão além do fator pessoas. Já sabemos, mas não custa lembrar, que vendas “é a ação que consiste em uma troca entre, no mínimo, duas partes, envolvendo, de um lado, bens e serviços e, de outro, determinado valor monetário” (ANGNES, 2012, p. 22). De acordo com Pizzimenti et al. (2010), a venda por si só é a arte de persuadir o cliente, de con- vencê-lo de que possui a necessidade do seu produto e levá-lo à ação da compra. Angnes (2012) explica que a venda pessoal é definida como a comunicação pessoalcom um público por intermédio de pessoal remunerado, de uma orga- nização ou por seus agentes, de modo que o público perceba que a organização é a fonte e a transmissora da mensagem. Os gestores de vendas devem se envol- ver tanto nos aspectos estratégicos quanto nos operacionais da venda pessoal, assim como em atividades de avaliação e controle. Churchil (2008 apud Pizzimenti et al., 2010) diz que “venda pessoal é a venda que envolve interação interpessoal com o cliente (...).” Conforme os auto- res, essa interação não precisa ser obrigatoriamente presencial. Esse conceito de venda pessoal tem em seu bojo a premissa básica do feedback imediato, no qual o vendedor, durante a interação, recebe respostas do cliente em relação ao pro- duto, tornando possível a identificação de novos métodos de apresentação que MIX DE COMUNICAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E78 evidenciem a satisfação das necessidades do cliente por meio da utilização do produto. Para completar nosso entendimento, estes autores trazem a classifica- ção de venda pessoal: ■ Venda pessoal presencial: é a venda em que o vendedor está na presença do cliente, apresentando a ele o produto e muitas vezes, demonstrando o seu uso. Esse tipo de venda é bastante comum. Ex: lojas de roupas, calça- dos, concessionárias de carros, vendas de porta em porta, etc. ■ Venda pessoal via telefone: é o famoso telemarketing. Neste caso, o vende- dor liga para o cliente e apresenta o produto, que pode ser, por exemplo, um cartão de crédito ou um plano de saúde. ■ Venda pessoal via computador: é a venda feita por meio eletrônico, por meio do atendimento on-line em uma loja virtual. Atualmente pode-se vender qualquer tipo de produto ou serviço por esse canal, mas os con- sumidores têm preferência por comprar aqueles que não necessitam de experimentação. No entanto, as vendas nesse setor têm evoluído, pois há serviços em que o consumidor, se não gostar do produto, pode devolvê- -lo em alguns dias. O processo de venda, conforme Angnes (2012), é uma série de etapas inter-re- lacionadas, que começa pela localização de clientes potenciais qualificados, se desdobrando no planejamento e apresentação das vendas. Conforme Urdan e Urdan (2006) o método aumenta a chance de fechar vendas que satisfaçam os clientes e ao mesmo tempo atenda os objetivos mercadológicos e financeiros da empresa. Tabela 1 - Processo de vendas McDonald (2004) O processo passa por conhecer as metas de vendas, pros- pectar os clientes, fornecer informações sobre a empresa e produtos, persuadir o comprador para a compra, fechar a venda e entregar o produto ou serviço prometido. Porter (1979) O processo de vendas tem como objetivo a entrega de va- lor ao cliente, e passa pela tarefa de entregar efetivamente o produto/serviço negociado. Venda Pessoal e Administração de Vendas Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 79 Hawes, Mast e Swan (1989) No processo de venda, os vendedores esforçam-se para criar relacionamentos duradouros com seus clientes. A base para esses relacionamentos podem variar, mas o ele- mento da confiança entre o cliente e o vendedor é parte essencial dos relacionamentos duradouros. Para conquis- tar a confiança destes clientes, os vendedores devem ser honestos, confiáveis, competentes, agradáveis e voltados para o cliente. Fonte: adaptada de Urdan e Urdan (2006) e Angnes (2012). Como pesquisador, professor, autor e aluno, eu adoro quando temos esquemas, etapas e processos para seguir. E neste caso, temos nas teorias o passo a passo para aprendermos o que devemos fazer e como melhorar nossa força de ven- das. Vamos conhecer? ETAPAS DO PROCESSO DE VENDAS Estas etapas serão apresentadas tendo como fonte os autores Urdan e Urdan (2006), Angnes (2012) e Pizzimenti et al. (2010): 1. Prospecção e qualificação dos possíveis clientes (mercado): é identificar os potenciais clientes. O trabalho do vendedor começa com a busca e avaliação preliminar de possíveis clientes (segmento-alvo). A definição do objetivo ou meta da visita é considerada como a parte mais importante do planejamento da prospecção ou apresentação de vendas. Assim, os vendedores também podem planejar como irão se aproximar do comprador e que tipo de perguntas irão fazer. É importante que os vendedores reconheçam as diferentes situações de vendas e adaptem suas apresentações. Na prospecção, os clientes podem ser classificados em três categorias: (1) a indicação de indivíduos ou organizações já clientes potenciais; (2) os clientes potenciais, que podem ter interesse em comprar; (3) os clientes potenciais qua- lificados e aqueles que já estejam inclinados a comprar e tenham condições de fazê-lo. MIX DE COMUNICAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E80 Na qualificação, os vendedores verificam se o candidato prospectado pre- enche os requisitos para ser alvo da empresa e se merece o trabalho de venda. Esta etapa esclarece se as necessidades do cliente potencial serão satisfeitas pela empresa, quais os benefícios e os custos prioritários para ele. 2. Pré-abordagem: o vendedor planeja como vai abordar o cliente. É a etapa em que os vendedores captam informações sobre o cliente potencial - necessi- dades, desejos, poder aquisitivo, relação da atividade do cliente com o produto que vai ser oferecido - e certificam-se de que conhecem com profundidade o produto que venderão. 3. Abordagem e Apresentação de Vendas: envolve o contato inicial com o cliente (o desafio é conseguir permissão e contato do cliente potencial). Assim, o vendedor colherá informações preciosas para fechar a venda e essas informa- ções podem ser essenciais para compreender as reais necessidades do cliente, a fim de despertar o interesse deste pelo produto. Nessa primeira abordagem os vendedores fazem perguntas aos clientes para adequar a apresentação às neces- sidades e desejos do cliente. O vendedor provoca estímulos no cliente por meio de um repertório de palavras e ações destinadas a produzir a resposta desejada, que é a compra. Esse tipo de abordagem é característica da venda por script, em que o vendedor tem um texto decorado, acompanhado de uma série de dramatizações ensaiadas, visando comover o cliente. Perceba que o trabalho de vendas é muito mais do que aquilo que vemos nas lojas de varejão: vendedores escorados nas pilhas de roupa esperando um cliente entrar para atendê-lo. Deve ser feito um trabalho de busca e qua- lificação de clientes, pensar, agir e não simplesmente ficar esperando um cliente, espontaneamente, entrar na loja. Venda Pessoal e Administração de Vendas Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 81 Apresentação de vendas: após avaliar as necessidades e desejos dos clientes, passa-se para o centro de uma venda, a apresentação. O vendedor comunicará as informações sobre o produto, a fim de fazer o cliente se interessar, despertar a necessidade ou o desejo deste. Ou seja, convence os clientes de que esses produ- tos ou serviços atenderão melhor às suas necessidades do que os da concorrência. Anteriormente, o vendedor coletou informações sobre o cliente e sobre o pro- duto. Esse é o momento de utilizar tudo o que foi coletado. A apresentação deve deixar claros todos os atributos do produto, todas as vantagens e benefícios que serão proporcionados pela compra. É neste momento que o vendedor responderá a todas as dúvidas do cliente e que deverá mostrar- -se conhecedor do produto. A apresentação de vendas pode ser de três tipos: ■ Estímulo-resposta: o vendedor fornece uma informação apropriada (estí- mulo) para obter a ação de compra do cliente (resposta). Um bom exemplo é fazer uma promoçãode venda relâmpago de leve 2, pague 1. ■ Fórmula de venda: o vendedor fornece informações de acordo com um script já formulado e então esclarece as dúvidas do cliente a respeito do produto. Essa forma de apresentação diminui a chance de omissão de informações sobre o produto, mas pode acabar ficando “enlatada” se o vendedor não for flexível e não souber com detalhes o significado de cada informação que está sendo dita ao cliente. ■ Satisfação das necessidades: consiste em investigar com perguntas quais são as reais necessidades dos clientes e, assim, apresentar os atributos dos produtos de acordo com essas necessidades, mostrando quais problemas poderiam ser solucionados a partir da compra. Esse tipo de apresentação é eficiente para produtos que podem ser customizados. 4. Tratamento de objeções: vendedor e comprador podem discordar da usabilidade ou das benfeitorias que o produto trará na vida desse consumidor. Essas objeções devem ser recebidas e controladas como bons vendedores. Dessa forma, precisaremos sempre: a) Ouvir o comprador; b) Esclarecer a objeção: c) Respeitar a preocupação do comprador; d) Responder à objeção. MIX DE COMUNICAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E82 Nestes casos, o vendedor precisa convencer o comprador de que o produto trará a solução. Portanto, o vendedor precisa dispor de algumas táticas para ofe- recer ao comprador: a) histórias de caso; b) testemunhos; c) testes independentes; d) demonstração; e) utilização em teste; f) opinião de especialistas. O cliente pode rejeitar o produto, em termos gerais, por dois motivos: o preço e a falta de necessidade. Se a justificativa da recusa é o preço, o vendedor poderá mostrar benefícios que o seu produto possui em relação à concorrên- cia. Se a justificativa é a falta de necessidade, o vendedor poderá mostrar como o produto tornará a vida do cliente mais agradável, mais fácil. 5. Fechamento da venda: o resultado aqui depende da competência nos estágios anteriores. Fechar uma venda é precisamente fazer com que o cliente aceite comprar o produto e solicitar à empresa a preparação e entrega. Há um padrão de técnicas utilizadas para fazermos um fechamento, mas devemos lem- brar que o vendedor pode formular suas próprias técnicas de vendas e que isso é satisfatório, pois não o prende aos modelos, que nem sempre poderão ser uti- lizados de maneira padronizada a todos os clientes. Há três técnicas que são comumente utilizadas: a de fechamento por ten- tativa, em que vendedor e cliente discutem a customização de um produto de acordo com as necessidades deste; a de fechamento presumido, em que cliente e vendedor discutem prazos de entrega e pagamento e, por fim; a de fechamento de urgência, em que o vendedor usa argumentos como aumento de preços ou impostos para tentar adiantar a venda. Há necessidade especial de cautela nesta etapa, pois um vendedor que fizer uso da técnica errada, pode acabar com um longo processo de conquista do cliente. 6. Acompanhamento (pós-venda): estabelecer relacionamentos de longo prazo. O processo de conquistar um cliente não termina com o fechamento da venda. Sabemos que a fidelização do cliente é um dos passos mais importantes e que pode ser considerado o objetivo das organizações, principalmente daquelas que desejam não só vender, mas também criar valor para seus clientes e tornar- -se um referencial em qualidade e bom atendimento. Venda Pessoal e Administração de Vendas Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 83 Os bons vendedores fazem o acompanhamento de diversas maneiras. Eles se asseguram de que responderam a todas as perguntas do comprador e de que este conhece os detalhes do contrato. Se a mercadoria for entregue em data pos- terior, os vendedores devem estar presentes no momento da entrega ou fazer uma visita mais tarde, para garantir que tudo esteja bem. Algumas das ferramentas que podemos utilizar para conseguir relacionarmo- -nos em longo prazo com o nosso cliente é o acompanhamento deste cliente. O vendedor que o atendeu deve, com certa frequência que não incomode o cliente, entrar em contato para saber sobre a satisfação com o produto, se o cliente neces- sita de novos serviços, enfim, para lembrá-lo de que a organização quer estar presente em sua vida. Ingram et al. (2008 apud ANGNES, 2012) consideram a venda pessoal como a única ferramenta promocional que engloba a comunicação pessoal entre com- prador e vendedor, e as vantagens e desvantagens dessa venda advêm dessa comunicação e relacionamento. E é claro que, como todas as ferramentas, apre- senta vantagens e desvantagens: A tecnologia da informação permite segmentar os clientes com o uso de um banco dados para correlacionar informações das operações com esses clientes e gerar dicas e oportunidades de negócios. Planilhas de negociação pré-definidas para cada segmento podem auxiliar na efetividade da venda, além da geração do pedido on-line. Fonte: adaptado de Angnes (2012). MIX DE COMUNICAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E84 Quadro 6 - Vantagens e desvantagens da venda pessoal VANTAGENS DESVANTAGENS Possibilidade de personalizar a men- sagem de acordo com os interesses do cliente. Alto custo por contato, pois, enquanto a propaganda envia mensagem para um grande número de consumidores atuais ou potenciais, os vendedores se comunicam com poucas pessoas e, em muitos casos, apenas com uma. Feedback imediato, podendo o vende- dor constatar se seus argumentos es- tão funcionando ou se a apresentação para um cliente específico necessita de modificações. Conflitos em relação à remuneração, já que esta é baseada em comissões. Dúvidas e dificuldades podem ser esclarecidas no momento em que aparecem, ajudando assim a despertar o desejo pela compra do produto. Exige gastos com treinamento de pes- soal, transporte e tempo de espera. Atenção por parte do cliente, pois como a comunicação é cara a cara, permite uma redução dos ruídos na comunicação em comparação a outros meios, tais como telefone, mala direta, etc. Manipulação de pedidos. Permite a construção de um relaciona- mento de longo prazo com o consumi- dor, facilitando as vendas. Preocupação dos vendedores em apenas vender, sem enxergar as reais necessidades do cliente. Possibilidade de personalizar a men- sagem de acordo com os interesses do cliente. Visitas repetidas a um mesmo cliente. Vendedor auxilia a pesquisa de marke- ting em relação ao produto, ao cliente e à concorrência. Depende, em demasia, das habilidades dos vendedores e dependendo do pro- duto não é eficaz para captar clientes. Fonte: adaptado de Pizzimenti et al. (2010) e Angnes (2012). A venda pessoal pode ser considerada como uma das primeiras modalidades de vendas da história do mercado. Resumidamente, Venda Pessoal e Administração de Vendas Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 85 a venda pessoal é compreendida como o processo pelo qual o vendedor identifica, aproxima, realiza a comercialização e satisfaz as necessida- des e desejos do comprador, gerando benefícios recíprocos, idênticos e contínuos de vendedor e cliente. Isso quer dizer que o que se busca é a satisfação permanente do vendedor e do comprador. Essa estratégia de vendas ocorre por intermédio da apresentação direta de um produto a um cliente potencial, feita por um representante da empresa que o está vendendo. Geralmente ela é realizada pessoalmente ou por telefone e o foco de sua atuação pode se direcionar a um intermediário ou para o cliente final (PORTAL EDUCAÇÃO, 2012, on-line)15. Entendemos então que Administrar as vendas exige planejamento, e que o sim- ples “abrir a lojatodas as manhãs” não significa que esteja se esforçando para melhorar seus ganhos. O contato direto com os clientes pode fazer total dife- rença entre você e seus concorrentes. Falando mais sobre Atendimento, Padilha e Paias (2015) ao pesquisarem sobre a importância da qualidade no atendimento ao cliente, escrevendo sobre o desempenho do trabalho no ambiente das empresas, esclarecem que os gerentes e toda a força de vendas, assim como os administradores de promoção e divulga- ção, desempenham o trabalho de marketing diretamente ao mercado consumidor. Para que as empresas possam se desenvolver, é necessário conhecer o cliente, desenvolver ações que manifestem no consumidor o desejo de compra e traba- lhar com um tratamento diferenciado para cada um que chega na empresa, pois caso a empresa não faça, o concorrente fará. Para que se obtenha um atendimento de qualidade, são necessárias algu- mas premissas básicas: primeiramente citamos o aperfeiçoamento contínuo que está ligado ao conhecimento; a segurança ao transmitir informações depende do conhecimento que você possui sobre a função, as normas, os procedimen- tos, a empresa, seus produtos, serviços e o código do consumidor. As pessoas que querem ter sucesso na vida devem não só adquirir a competência técnica, mas também a interpessoal, dessa maneira utilizamos da capacidade de intera- gir para buscar novos horizontes, podendo nos tornar profissionais renomados (TSCHOHL; FRANZMEIER, 1996). MIX DE COMUNICAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E86 Em seguida, ouvir o cliente para compreendê-lo. Não é possível atender sem antes saber o que atender. É necessário ouvir o que o cliente tem a dizer para esta- belecer uma comunicação sem desgastes (TSCHOHL; FRANZMEIER, 1996). Não há nada pior do que afirmar para um cliente que sabemos do que ele pre- cisa, quando em muitos casos nem os próprios sabem ao certo, sem ao menos ter ouvido sobre suas necessidades e expectativas, isso pode levar ao equívoco. A terceira é o falar, utilizando um vocabulário simples, claro e objetivo. Depois de ouvir atentamente, é necessário falar para que se estabeleça o processo de comunicação (TSCHOHL; FRANZMEIER, 1996). Quando um atendente transmite uma informação, deve utilizar uma linguagem adequada, evitando termos técnicos, siglas, gírias, enfim, ser claro e objetivo, respeitando o nível de compreensão do cliente. Por fim, perceber seu cliente como totalidade. Os gestos, as expressões faciais e a postura do cliente são ricos em mensagens, que se percebidas auxi- liarão na sua compreensão. As pessoas são diferentes uma das outras e por esta razão a percepção é um fator fundamental; por meio dela é que conseguimos captar as diferentes reações e assim dispensar um tratamento individual e único (TSCHOHL; FRANZMEIER, 1996). O atendimento precisa ter consistência, proporcionando a mesma qualidade em todos os momentos, apesar das circuns- tâncias, buscando a excelência no atendimento. O pré-requisito de um profissional de atendimento é gostar de ajudar, ao auxiliar um cliente na solução de um problema estará criando uma relação de cooperação que tende a ser duradoura, mesmo não havendo a efetivação de uma transação comercial. As equipes de atendimento devem atender rapidamente todos os clientes, para que eles não tenham que aguardar por tempos indeterminados, e isto não só por uma questão de eficiência, mas também para que o cliente não se questione sobre a real necessidade e acabe desistindo ou indo à concorrência. ©shutterstock Relações Públicas, Marketing Direto e On-line Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 87 RELAÇÕES PÚBLICAS, MARKETING DIRETO E ON-LINE Neste tópico vamos abordar o trabalho das relações públicas como forma de comunicação entre a empresa e o público de interesse, inclusive abordando a importância do profissional “RP”, além de evidenciar as características do marke- ting direto e as vantagens do on-line. Existem muitos equívocos sobre as atividades das Relações Públicas. Cabe salientar que a atuação é estratégica e fundamental para a comunicação orga- nizacional, uma vez que opera na administração de relacionamentos com os públicos. O profissional de Relações Públicas atua no planejamento estratégico da comunicação, é responsável por desenvolver conceitos, estabelecer valores, criar a missão, definir objetivos junto à alta administração e buscar o alcance das metas da organização. E para que isso seja possível, utiliza estratégias para construir uma identidade sólida para a empresa, bem como manter uma ima- gem positiva diante dos públicos. Urdan e Urdan (2006) nos presenteiam com uma explicação fácil de compre- ender de que a atuação de relações públicas consiste em monitorar as perspectivas dos públicos da empresa a fim de identificar possíveis questões de interesse e MIX DE COMUNICAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E88 preocupação e desenvolver programas para criar e manter relações positivas com esses públicos. Além dos autores teóricos, temos, aqui, para nos auxiliar a entender a importância das relações públicas como ferramenta estratégica nos processos de comunicação, uma entrevista com Cândice Quincoses, RP (relações públicas), mestre em Comunicação Social e pesquisadora do assunto. Segundo ela, a ati- vidade de Relações Públicas pode enquadrar-se no campo das Ciências Sociais. Dessa forma, estando o profissional de Relações Públicas engajado no campo social, precisa de fundamentação teórica para o desempenho e sucesso de suas atividades. Nesse contexto, Simões (2001) afirma que as Relações Públicas estu- dam o processo de comunicação e criam soluções por meio de programas. Referindo-nos então à atividade do profissional e à finalidade das relações públicas para as empresas, Cândice nos diz que devemos compreender que esses profissionais realizam o gerenciamento dos relacionamentos, ou seja, o processo de comunicação, visando manter um bom relacionamento com os públicos e criar uma reputação positiva da organização perante estes. As Relações Públicas administram a comunicação entre os diferentes stakeholders (mídia, comunidade, consumidores, colaboradores, investidores, etc.) das organizações. Segundo França (2006, p. 3): Relações Públicas atuam como técnica especializada de relacionamen- to, cujo objetivo principal é perceber as realidades da sociedade/orga- nização, a obrigatoriedade de seus inter-relacionamentos institucionais e mercadológicos, suas necessidades permanentes de comunicação e seus envolvimentos harmônicos ou controversos com a sociedade. A mestre em comunicação explica que as Relações Públicas atuam de forma estra- tégica nas organizações, por meio de pesquisa (auditoria de opinião-imagem), diagnóstico (coleta de informações), plano de ações, implantação de programas e processos, gestão e avaliação dessas ações de comunicação com os diferentes públicos, a fim de fortalecer e promover uma imagem positiva, e consequente- mente manter a credibilidade da organização. Relações Públicas, MarketingDireto e On-line Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 89 Simões (1995) argumenta que a definição das Relações Públicas apresenta diversos significados, sendo entendida como: processo – função – atividade – profissional – cargo – profissão. Para o autor, o processo é a relação entre a organização e seus públicos; já a função determina-se como sistemática pela qual compreende uma política de normas, filosofias, interesses comuns, atividades organizacionais e poder de decisão em uma correlação de interesses específicos de vários públicos; a atividade consiste na administração de conflitos entrea organização e seus públicos; o cargo é a atividade que ocupa um lugar no manual de cargos e no organograma da organização; e por fim, o profissional é a ativi- dade de Relações Públicas que só pode ser exercida por alguém bem como o cargo que também só pode ser ocupado por alguma pessoa. O autor argumenta também que a expressão das Relações Públicas são utilizadas para mencionar diversos objetos sociais, dificultando a compreensão entre profissionais e leigos. Cândice Quincoses nos alerta que é importante destacar que as Relações Públicas devem agir de forma integrada com as outras áreas da comunicação e com a alta administração. Além disso, o plano de ações deve ser elaborado levando em consideração todos os públicos que envolvem a organização na qual ela se relaciona. Cabe ainda às Relações Públicas a gestão da comunicação, assumindo um papel que identifique oportunidades de negócios para a organização. Simões (1995, s/p) destaca que: “O objetivo das Relações Públicas, função organizacional e atividade profissional, é legitimar as ações organizacionais de interesse público”. Quando a legitimação é conquistada pelas organizações, conseguem desempe- nhar seu papel com maior sucesso. Os públicos legitimam as organizações e isso acontece por meio das relações que são estabelecidas com eles. Portanto, em um momento de conflito, a legitimidade permite a troca de informações, sem que haja acusações baseadas em um histórico de descaso com esse relacionamento. Atualmente a atividade de Relações Públicas é bem mais abrangente, mais estratégica, ela requer percepção de fatores externos (mídia, grupos de interesse, internet e outros) que influenciam as organizações e públicos. Por isso, é de suma importância que o profissional tenha a sensibilidade de perceber as mudanças MIX DE COMUNICAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E90 no mercado, é preciso que entenda mais do negócio em que atua, buscando mais informações por meio de pesquisas e estudos, antes de traçar ações, pois somente assim terão subsídios para criar seus programas e projetos. Kunsch (1997, p. 142) deixa clara a mediação do relacionamento organi- zação-público, sob a ótica de relações públicas nas organizações modernas, afirmando que: Um papel essencial das Relações Públicas é administrar as relações de conflito entre a organização e seus públicos por meio de uma comuni- cação simétrica de duas mãos, que busca o equilíbrio e a compreensão. Não se admite, nos tempos de hoje, que elas atuem apenas em prol dos interesses da organização. É preciso ouvir o outro, abrindo canais de comunicação com todos os segmentos. A entrevistada diz ainda que a comunicação simétrica de duas mãos refere-se ao processo em que a informação é enviada, é percebida e gera uma nova infor- mação. A informação retorna ao emissor que processa e responde, tornando possível a troca de informações, ou seja, uma via de mão de dupla, em que a troca é essencial para a relação. A essência das Relações Públicas está em promo- ver o diálogo. Baseia-se na comunicação entre os públicos para mediar conflitos. Portanto, as Relações Públicas administram possíveis conflitos e insatisfações e fornece o respaldo necessário para as trocas de informações que sustentam a imagem positiva da organização. A RP diz ainda que a atividade de Relações Públicas pode ser desenvolvida nos diversos tipos de organizações públicas, privadas e no terceiro setor. As Relações Públicas atuam na comunicação institucional, intermediando parce- rias, gerenciando programas sociais, realizando assessoria de imprensa, buscando patrocínios, promovendo campanhas institucionais, dentre outros. Também podem atuar no apoio às áreas de marketing e recursos humanos. Quando se compara as Relações Públicas de antigamente com a atual, per- cebe-se que a atividade era limitada e se resumia apenas às relações com a mídia e com o governo. Isso não quer dizer que essas práticas não eram importantes, mas com os avanços da área, a disponibilidade de meios tecnológicos e as preocu- pações de cunho social, ambiental e a conscientização dos públicos com relação às práticas das empresas, tornou-se primordial estabelecer relações mais sólidas e transparentes com os públicos. Relações Públicas, MarketingDireto e On-line Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 91 A entrevistada nos lembra ainda que a responsabilidade social não deve ser uma prática irresponsável que visa somente agregar valor à imagem, mas tam- bém agregar uma consciência. Nesse âmbito, as Relações Públicas são essenciais para desenvolver programas sociais de conscientização das responsabilidades da organização com a sociedade. Além disso, por ser uma atividade estratégica que atua na consolidação, posicionamento-fortalecimento da comunicação ins- titucional e na construção de sua reputação, tem sido cada vez mais necessária às organizações. Urdan e Urdan (2006) salientam que não podemos ignorar a influência recí- proca que nossa empresa tem com o público, tampouco nossa responsabilidade perante aos nossos públicos. Precisamos ouvir e atender, além de informar quais das nossas iniciativas podem afetá-los. Atualmente Cândice tem pesquisado sobre as mídias sociais on-line e garante que elas trouxeram um novo campo para a profissão e que as empresas estão enxergando a importância de estabelecer o diálogo, a transparência das rela- ções, o monitoramento da imagem; posto que a organização não controla mais o que circula sobre ela na rede, mas pode evitar que essas informações sejam negativas. Dessa maneira, é fundamental a atividade das Relações Públicas para mediar relações, influenciar os públicos e evitar riscos para a marca no espaço. Mesmo que muitos desconheçam a essência da atividade, ela vem se legiti- mando em decorrência de diversas mudanças no cenário organizacional, assim como as formas de comunicação disponíveis com as tecnologias e as novas exi- gências do mercado, que requerem profissionais que atuem como gestores de comunicação estratégica, finaliza a pesquisadora. Urdan e Urdan (2006) dizem que a imagem negativa de um varejo perante determinado público pode abalar o posicionamento perante os clientes. Esta imagem é como um filtro que pode melhorar ou piorar a percepção dos nossos clientes sobre nossas ações e resultados. MIX DE COMUNICAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E92 MARKETING DIRETO Quanto ao marketing direto, Urdan e Urdan (2006, p. 254) dizem que se trata de uma “ferramenta promocional implementada com os objetivos de atingir recep- tores identificados e obter deles uma resposta imediata”. O emissor (loja, lojista, vendedor) utiliza alguns meios como mala direta, catálogo ou telemarketing para atingir, impactar ou contactar o receptor (consumidores, consumidores em potencial). Normalmente, essas mensagens, esses contatos dizem ou pedem para que o consumidor vá até determinado local (um ponto comercial) ou faça seu pedido de compra. Carvalho (2004) ressalta que o marketing direto atua com o envio de cartas, postais, panfletos, catálogos ou cupons aos potenciais clientes, o que só é possível com recurso de uma base de dados. Tais ações de comunicação, eventualmente, induzem a compra. Deste modo, a interatividade conseguida no marketing direto pressupõe necessariamente uma relação entre a empresa e o cliente, mas com uma orientação transacional e de curto prazo. Rodrigues, Rodrigues e Oliveira (2007, p. 28) complementam que Muitas vezes, a figura do RP é acionada apenas quando a empresa passa por um momento de crise e precisa ser contornada. Quem não se lembra do caso em que supostamente acharam um rato na garrafa de Coca-Cola? Pois bem, este certamente foi um problema de gestão de crise que precisouda expertise de um RP para saber o que dizer e como dizer para amenizar ou “resolver” os problemas. Podemos usar a expressão “abafar” ou “acalmar os ânimos” em momentos como esse. Para conhecer mais sobre a Gestão de crise deste episódio, sugiro uma leitu- ra simples dotada de indicadores que nos relatam como ocorreu essa gestão de crise. Fonte: Mateus (2013, on-line)16. Relações Públicas, MarketingDireto e On-line Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 93 o grande mérito do marketing direto é a mensuração, que permite sa- ber exatamente quanto gastou com cada cliente ou prospect e qual foi o retorno que cada um deles gerou, ou seja, identificar precisamente que é lucrativo e quem não são. Há autores como Zenone e Palandi Junior (2011) que enquadram o marketing direto como uma ferramenta do que chamam de Comunicação dirigida, em que cabe a elaboração de mensagem para atingir o consumidor de forma direta, esco- lhendo-se bem a forma de mídia, ou seja, o veículo pelo qual essa mensagem irá chegar até o cliente. Desta forma, reforçam Rodrigues, Rodrigues e Oliveira (2007), o marketing direto é entendido como ferramenta que propicia um con- tato direto entre a empresa e o cliente, um contato íntimo utilizando meios como: ■ Mala direta: envio de comunicação (propaganda, promoção) a uma pes- soa identificada em um endereço específico. ■ Telemarketing: fazemos uso do telefone como elemento de comunica- ção com o mercado, para desenvolvimento de estratégias de marketing e vendas. ■ Venda direta: antigamente se chamavam “porta a porta”, ações como vemos na Avon, Jequiti, Natura, Hermes e tantas outras. ■ Marketing por catálogos: às vezes, as empresas enviam catálogos específi- cos de algumas mercadorias, que mais vão interessar àquele consumidor (Avon e Hermes também são exemplos desse tipo de venda). MIX DE COMUNICAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E94 Figura 8 - Exemplos de marketing direto Fonte: Catálogo Virtual Hermes (2013, on-line)17. Figura 9 - Exemplos de marketing direto Fonte: Catálogo da Jequiti (2014, on-line)18. Rodrigues, Rodrigues e Oliveira (2007, p. 28) afi rmam que esta modalidade de marketing permite um contato direto com seu público de interesse e “abre uma grande oportunidade de relacionamento duradouro”, o que já sabemos que pode se tornar uma vantagem em relação ao seu concorrente. “Oferecendo os produtos ou serviços corretos, através das mídias corretas, com as ofertas mais atraentes”, apresentadas nos formatos mais efi cientes, que comprovam êxito. (BOB STONE, 1992 apud RODRIGUES; OLIVEIRA, 2007, p. 29) Esse tipo de ação é impulsionado pelo uso de banco de dados que armaze- nam informações de clientes antigos ou em potencial, no qual pode ser feita uma seleção, uma “peneira”, elencando nomes mais prováveis ou suscetíveis para que se faça a ação de contato. Se me permitem dar um exemplo simples, mas que nos ajuda a entender: sabe quando você encaminha um e-mail para alguém e seu outlook está programado para te avisar quando o e-mail for entregue e também Relações Públicas, MarketingDireto e On-line Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 95 quando for lido? Basicamente assim saberemos que o destinatário, receptor foi atingido. No próprio whatsapp, não temos a confirmação de entrega e de leitura? É a tecnologia a serviço do processo de comunicação, compra e venda. Rodrigues, Rodrigues e Oliveira (2007, p. 28) enfatizam que o “marketing direto permite focar os esforços nas pessoas que se interessam pelos produtos e reforçar o relacionamento com os clientes” e tem se mostrado versátil, exercendo dupla função, dentro das organizações atuais: como intermediário, ao realizar vendas; e como facilitador, ao estabelecer comunicação entre as organizações e seus clientes. Para se fazer marketing direto bem feito, é necessário um conhe- cimento da carteira de clientes, algo que não se consegue da noite para o dia. Utilizando essa ferramenta, você irá trabalhar focado, direcionado com um público que, teoricamente, já conhece (porque se tem o cadastro dele, significa que já foi cliente em algum momento), desta forma poderemos cumprir alguns requi- sitos e “nos dar bem” de acordo com Rodrigues, Rodrigues e Oliveira (2007, p. 29): ■ Fale com aquele público que interessa aos negócios da organização. ■ Mensure e acompanhe resultados. ■ Utilize a linguagem certa para falar com o público específico. ■ Economize na verba de comunicação, uma vez que só fala com quem interessa. ■ Reforce o relacionamento comercial com os clientes. ■ Produza ações de comunicação com custos menores. ■ Explore com maior eficiência o potencial de compra dos clientes. Urdan e Urdan (2006) reforçam a ideia de mensurabilidade desse tipo de ação (marketing direto), pois as compras, as reações do consumidor, são mais ime- diatas se comparadas com a propaganda. Como começar? De repente esta é sua pergunta neste momento, então algu- mas perguntinhas básicas que você pode começar respondendo são: Quem é o cliente? Onde ele mora? O que mais gosta? Quais as necessidades e o per- fil do consumidor? Ou seja, crie um perfil dos clientes, identifique-os, esse é o MIX DE COMUNICAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E96 melhor caminho para encontrar quem vai trazer os melhores resultados para a organização. Patrícia tem uma pet shop. Ela gostaria muito de expandir a clientela, mas o orçamento está apertado. Como ela não conhece nenhuma revista, rádio, jornal ou programa de TV específico para o público de sua empresa, ela não gostaria de fazer um anúncio em um veículo de grande circulação, pelas chances de não atingir a quantidade de potenciais clientes necessária para que seu investimento valha a pena. Em vez disso, Patrícia iniciou uma cam- panha de marketing direto. O que Patrícia poderia fazer? Uma tática seria formar uma parceria com um abrigo de animais e enviar um cupom de desconto, válido para aquele mês, a todos que adotaram cães e gatos nos últimos anos. Assim, ela teria: 1) encontrado seu público-alvo, aquelas pessoas que têm real interesse em seus produtos e serviços. 2) dialogado diretamente com elas, chegando em sua casa com um be- nefício. 3) estabelecido um prazo para convertê-las em clientes: um mês de des- conto, ou o cupom expira. Dessa forma, ela pode facilmente medir o im- pacto da ação de marketing direto e, fazendo um bom trabalho, fidelizar seus novos clientes. Para saber mais, acesse: <https://endeavor.org.br/marketing-direto>. Fonte: Endeavor Brasil (2015, on-line)19. Relações Públicas, MarketingDireto e On-line Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 97 MARKETING ON-LINE A internet está produzindo uma nova forma de comércio e relacionamento com os clientes. Essa modificação também se reflete na maneira como as empresas fazem negócios e tratam a comunicação. Conforme Zenone e Palandi Junior (2011), do ponto de vista tecnológico, viabiliza relacionamento intenso e em tempo real entre os pares. Justamente porque as informações contidas nos web- sites podem ser acessadas por qualquer cliente independente da geografia. De acordo com o portal Technoking Raipur (SI) ([2016], on-line)20, mesmo com esse boom digital que estamos vivenciando, sabemos que ainda há muitos empresários (micro, pequenos) curiosos sobre o marketing on-line ou digital e ainda não compreendendo como esta ferramenta ou modalidade pode auxiliar sua empresa. Muitos desses empresários já estão vendo menos retorno de seus anúncios nos meios de comunicação tradicionais comoas “páginas amarelas”, jornais, campanhas ou até mesmo nas campanhas de mala direta. Atualmente, é possível notar o grande crescimento de usuários de redes sociais em uma escala global. Para as empresas, as redes sociais passaram a ser muito mais que sites de relacionamentos, tornando-se fortes ferramentas de marketing MIX DE COMUNICAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E98 e estudo mercadológico. Sites como Facebook, Twitter estão sendo usados para divulgar produtos por meio de publicidades digitais (CARDOSO; PINTO, 2013). O Brasil conta atualmente com mais de 85 milhões de Internautas e os empresários não podem ficar de fora deste universo. Além de que o mercado do marketing on-line não se restringe aos usuários de computadores, pois os dispositivos móveis como smartphones e tablets já possuem 58 milhões de usu- ários, acessando a Internet por meio deles. A aplicação ou não de estratégias de marketing digital para pequenas empresas não é mais uma questão de opção e sim uma imposição do mercado. Da mesma forma que a empresa ter ou não um site já é discussão passada, estar ou não presente no ambiente do marketing on-line também já é uma questão de sobrevivência para as pequenas e médias empresas (VALLE, 2016, on-line)21. Conforme Carvalho ([2016], on-line)22, o advento da Web 2.0 e das redes sociais virtuais (ou on-line) muda radicalmente a relação dos novos consu- midores brasileiros com as marcas e a comunicação das marcas com os novos consumidores brasileiros a partir do início do Século XXI. “As redes sociais vir- tuais surgem como uma forma de representar a organização social nos tempos atuais, sobre princípios políticos, econômicos, culturais e educacionais”. Castells (2001, p. 7) diz que essas redes são “um conjunto de nós conectados”. Tomaél et al. (2005, p. 93) diz que as redes sociais “constituem uma das estratégias subjacentes utilizadas pela sociedade para o compartilhamento da informação e do conhecimento, mediante as relações entre atores que as integram”. Pensando em mudar, evoluir ou se adequar, muitos gestores estão buscando mais informações a fim de explorar novas formas de expandir a sua quota de mercado. Quando as vantagens de marketing on-line são apresentadas, é fácil ver como esta é uma solução de marketing mais rentável para pequenas empresas. A divulgação, a comunicação nas redes sociais podem ser feitas de várias for- mas. Talvez as mais “simples” delas são aquelas feitas de forma corriqueira em uma rede social digital específica. De acordo com Cardoso e Pinto (2013) o Facebook apresenta três maneiras principais de divulgação de informação, sendo estas: Relações Públicas, MarketingDireto e On-line Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 99 I. Post: representa uma mensagem (post) texto-gráfica a qual o usuário pode compartilhar com outros usuários pertencentes a sua lista de ami- gos (friendlist). Os posts dos usuários ficam armazenados em sua página perfil (profile), à qual todos os outros usuários têm acesso. II. Like: o usuário, ao ativar a opção Like ou “curtir” de um objeto (post, per- fil de marca, aplicativo, etc.), passa a exibir e armazenar o referido objeto em sua página perfil. Desta forma, o Like funciona como um propaga- dor de informações. III. Compartilhamento: o compartilhamento é similar ao post, com a dife- rença de se poder escolher especificamente os amigos que irão receber a informação. Os autores ainda ressaltam que há dois fenômenos que ocorrem no processo de divulgação de informações nas redes sociais: amplitude inicial e dissemina- ção da informação. A Figura 10 destaca que a amplitude inicial de um anúncio publicitário está relacionada com o número de usuários que irão receber o refe- rido anúncio diretamente, ou seja, os usuários que são fãs de um perfil de uma marca no Facebook. Já a difusão está relacionada com o compartilhamento do anúncio publicitário recebido pelos fãs, semelhante à ideia de “repassar a infor- mação adiante”. Estes dois fenômenos combinados representam o potencial das redes sociais para publicidade digital. MIX DE COMUNICAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E100 + + + + Amplitude Inicial + Amigos de um fã + Amigos de um fã Difusão Fãs facebook Publicidade Figura 10 - Amplitude do anúncio publicitário Fonte: Cardoso e Pinto (2013, p.28). De forma semelhante à amplitude inicial e à difusão do Facebook, podemos replicar o entendimento para o Twitter modificando-se apenas a nomenclatura utilizada, sendo: Relações Públicas, MarketingDireto e On-line Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 101 ■ Tweet: representa uma mensagem texto-gráfica pela qual um usuário pode compartilhar com outros usuários pertencentes à sua lista de ami- gos (followerslist). O tweet dos usuários fica armazenado em suas páginas perfil (profile), à qual todos têm acesso. ■ Retweet: representa o compartilhamento de um tweet. O marketing digital para pequenas empresas abre portas para um mun- do novo de oportunidades de negócios e a conquista de novos merca- dos que por uma questão até mesmo de logística, o marketing con- vencional não consegue atingir. São essas as oportunidades que tem levado, cada vez mais, pequenos e médios empresários a buscarem as técnicas e ferramentas do marketing online para divulgação de suas empresas na Internet (VALLE, 2016, on-line)21. O autor completa dizendo que a escolha dos canais a serem utilizados depende, obviamente, do que foi determinado em sua estratégia de mídia. Entre as diver- sas opções para divulgar sua empresa na internet, destacam-se segundo Valle ([2016], on-line)23: ■ SEO – Otimização de sites para buscadores. ■ Links patrocinados na rede de pesquisa. ■ Links patrocinados na rede de conteúdo. ■ E-mail marketing em suas diversas modalidades. ■ Marketing nas redes sociais. ■ Marketing de conteúdo. Valle ([2016], on-line)24 oferece ainda algumas dicas de como você pode prepa- rar um bom plano de marketing digital: 1. Defina muito bem seus objetivos. 2. Pesquise e conheça o seu público alvo. 3. Defina os canais a serem utilizados. 4. Capacitação da equipe. 5. Determine qual o conteúdo a ser veiculado. MIX DE COMUNICAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E102 6. Elabore um cronograma de ações. 7. Defi na como será feito o monitoramento. Agora vamos conhecer algumas das muitas vantagens que o marketing on-line oferece em relação aos meios de comunicação tradicionais: Redução de custo: o custo inicial de marketing on-line é apenas uma fração dos milhares de investidos em outras modalidades, como televisão e anúncios de rádio. Por exemplo: você pode obter uma listagem gratuita no Google Local, que vai ser tão efi caz como outras modalidades de comunicação. Além disso, enquanto os anúncios tradicionais só podem ser executados por um curto período de tempo, uma campanha de otimização de mecanismo de busca pode produzir resultados a longo prazo. Você também pode economizar dinheiro com on-line. Tudo é mensurável: quando você coloca um anúncio no jornal ou uma revista, pode ser difícil avaliar o impacto de vendas diretas para o seu negócio. Com o marketing on-line, tudo pode ser rastreado e ilustrado em gráfi cos, que detalham o tráfego de crescimento, leads e conversões de vendas de suas campa- nhas de marketing de buscas específi cas (quando você paga ao google para sua empresa aparecer em primeiro lugar no segmento procurado). A fi gura nos mostra uma simples procura no Google com as palavras chave “educação a distância”, ao pressionar “enter” veja como a Unicesumar éa pri- meira Instituição na lista: Figura 15 - Busca no google Fonte: o autor. Relações Públicas, MarketingDireto e On-line Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 103 Usando uma ferramenta de análise de tráfego livre como o Google Analytics, é fácil calcular o retorno do investimento para que você possa apreciar o exce- lente valor gerado a partir do seu orçamento de marketing on-line. Para ver o quão bem seus programas de marketing digital estão, que tal realizar uma audi- toria de Marketing Digital? O Google Analytics é um sistema gratuito de monitoramento de tráfego que pode ser instalado em qualquer site, loja virtual ou blog. Caso queira saber mais sobre alguns instrumentos disponíveis na web como o Google Analytcs, basta acessar o site e terá uma série de informações a respeito dessa ferramenta. Figura 11 - Google Analytcs Fonte: Google ([2016], on-line)25. Engajamento da Marca: com um mercado concorrido, abarrotado de empresas, você precisa estabelecer a consciência da sua marca e mantê-la presente e posi- tiva, e se possível manter a retenção/fi delização do cliente. Além do boca-a-boca para alavancar seus relacionamentos pessoais com seus clientes já conquistados, um site é a ferramenta de marketing mais impor- tante que uma empresa pode ter. Um site atualizado regularmente, com conteúdo bem escrito, que mantém o interesse das pessoas é essencial para mostrar seus atributos e diferenciais - é como você oferecer o melhor valor para seus clientes. MIX DE COMUNICAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E104 Segmentação demográfica: o grau em que uma campanha de marketing on-line pode direcionar e medir a resposta dos dados demográficos e regiões específicas é muitas vezes surpreendente para os empresários que normalmente utilizam a mídia tradicional. Novas plataformas de previsão demográfica e de publicidade on-line permitem que você conheça especificamente os dados demo- gráficos específicos de consumidores mais propensos a comprar seus produtos. Em particular, se você deseja direcionar aos jovens entre as idades de 16-30, você vai precisar de uma estratégia de marketing on-line para alcançá-los onde eles passam a maior parte do seu tempo: na Internet e em sites de mídia social. Resultados em tempo real: com o marketing on-line você não tem que esperar semanas para ver um aumento significativo em seu negócio. Com uma campanha de marketing de busca paga, você pode experimentar resultados em tempo real que permitem ajustar sua mensagem de marketing para atingir o efeito desejado. Se a sua estratégia de marketing não está funcionando de forma eficaz, ferra- mentas de monitoramento em tempo real permitem conhecer pontos falhos. Limitar facilmente sua estratégia: usando análise de marketing on-line e acompanhamento de ferramentas nas quais você pode testar as taxas de con- versão em uma fração do custo de uma campanha de mídia tradicional. Se a sua estratégia de marketing não está trazendo o retorno sobre o investimento que você deseja, você pode trabalhar para aperfeiçoá-lo sem ter que lançar uma nova campanha cara, como seria necessário com a maioria dos meios de comu- nicação tradicionais. Exposição de Longo Prazo: o benefício de uma campanha de marketing de busca que otimiza um site para palavras-chave específicas é que você vai conse- guir um retorno de longo prazo sobre o investimento. Uma vez que a visibilidade do seu site está bem estabelecida com os motores de busca, é fácil fazer a manu- tenção de baixo custo de sua estratégia. Plataformas de marketing on-line como o marketing de mídia social podem ser excelentes estimuladores de sua marca. Informações sobre o produto: os consumidores ávidos por informações querem comparar comentários e opiniões de amigos, blogueiros confiáveis e especialistas do setor, antes de tomar uma decisão. Se você puder fornecer qua- lidade, informações passíveis de confirmação (que é o que as pessoas estão procurando), então o próximo passo é converter usuários em clientes pagantes. Relações Públicas, MarketingDireto e On-line Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 105 Com as redes de mídia social como Facebook e Twitter, reforçando o valor de exposição positiva boca a boca, a confiança é mais importante do que nunca no campo do marketing. Menos intrusivo: a maioria dos consumidores mais experientes não gostam de métodos tradicionais de marketing intrusivos, como mala direta, anúncios impressos e anúncios de televisão. Quando alguém compra um jornal ou revista, eles querem ler artigos interessantes, e não ser bombardeados com anúncios irre- levantes. Enquanto mídias como a televisão ainda podem ser úteis para manter a consciência de grandes marcas corporativas, não é um meio eficaz para a maioria das pequenas e médias empresas. Com o marketing on-line, você pode direcio- nar os consumidores precisamente quando eles estão à procura de produtos e serviços que sua empresa pode oferecer. Com o marketing on-line você pode incentivar o consumidor ou o internauta a tomar atitude de clicar no seu link, visitar o seu site e ler sobre seus produtos e serviços, resultando em muito maior “rigidez” da sua mensagem de marketing. Se você ainda não sabe o que é Google Analytics, pode estar perdendo di- versas oportunidades de negócios no mundo on-line por não entender a audiência do seu site. Fonte: Academia do marketing ([2016], on-line)26. MIX DE COMUNICAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E106 CONSIDERAÇÕES FINAIS Caro(a) aluno(a)! Como visto em Las Casas e Barboza (2007), o varejo exerce uma inegável força econômica no país. Podemos concluir que a Publicidade faz uma ligação entre a produção e o consumo, agindo para informar e persuadir. Na sociedade do consumo, a publi- cidade apresenta meios para garantir satisfação, autorrealização pelo consumo. As promoções de vendas oferecem aos consumidores diversos benefícios, sendo que o mais óbvio pode estar associado a economias monetárias; mas há que se pensar, também, nos desejos motivados pela qualidade, conveniência, valor expresso e entretenimento (SANTINI, 2013, p. 23). Fica claro para nós que compreender o processo de vendas (venda pessoal) é de extrema importância, bem como as suas técnicas, pois podem nos auxiliar tanto na captação de novos clientes como na retenção dos que já são clientes, tentando satisfazê-los sempre. Não podemos nos esquecer também da impor- tância do pós-venda, com o atendimento diferenciado depois que o produto ou serviço já foi vendido ao cliente. Essas técnicas têm como propósito apresentar um diferencial no atendimento e na maneira de como conseguir alavancar as receitas utilizando todo esse processo. O marketing direto permite esse relacionamento direto com seu público-alvo, mantendo um relacionamento bom e duradouro e conseguindo cativar novos clientes. Hoje em dia, essa pode ser considerada uma boa estratégia competi- tiva para as organizações atuantes e as que querem ingressar no mercado atual. Podemos enfatizar que a divulgação na Internet (marketing on-line – digital) é uma forma poderosa para empresas exporem seus conteúdos, seus produtos ou serviços, alcançarem um público de interesse, causar memorização, lembrança e consequentemente melhorarem seus resultados, sem contar a mensuração que pode ser feita com ferramentas gratuitas. 107 1. O varejo tem uma importante missão na entrega de valores e no fazer girar a economia. Conforme nosso entendimento de varejo considere as características apresentadas e responda: I. Qualquer organização que venda para consumidores finais. II. Responsável por providenciar mercadorias e serviçosdesejados pelos ataca- distas. III. Caracteriza-se por ser especializado na venda para o consumidor final. IV. O varejista pode ser considerado o consumidor do atacadista. Estão corretas somente? a. I, II. b. II, III. c. I, III. d. I, II, III. e. I, III, IV. 2. Entendemos a equivalência dos termos publicidade e propaganda. Um lojista que deseja utilizar uma ação publicitária para divulgar seus produtos recém che- gados, precisa compreender qual o alcance que uma campanha pode abarcar. Sendo assim, localize entre as alternativas aquela que corretamente se en- quadra nos corretos entendimentos sobre publicidade/propaganda. a. Uma campanha ou um anúncio não tem força suficiente para gerar uma ima- gem positiva na mente dos consumidores e trazer preferência. b. A propaganda vai gerar resultados menos satisfatórios se segmentarmos o mercado e trabalharmos com público mais restrito. c. A missão da propaganda é o local no qual você vai veicular sua linda e criativa mensagem. d. Há diversos tipos de abordagens quando se trata da publicidade comercial, tudo depende do público que a anunciante deseja atingir. e. O varejo utiliza apenas anúncios focados nos aspectos racionais do produto, abordando seus atributos físicos. 3. A promoção de vendas é a comunicação de qualquer incentivo que aumente o valor básico de um produto durante um período limitado, de forma a estimular os membros do canal e as pessoas das equipes de venda a vendê-lo e os consu- midores comprá-lo. Sobre promoção de vendas podemos afirmar que: 108 a. É um conjunto de técnicas de incentivo, impactante, que age em curto prazo. b. Serve para atrair clientes, mas não dá conta de neutralizar concorrentes. c. A degustação de bolo da vovó não tem as características de uma ação pro- mocional. d. A promoção tem caráter de longo prazo, sua injunção faz o consumidor pen- sar antes de agir. e. A promoção de vendas serve para trazer novos clientes e não para encorajar recompra. 4. Como pudemos verificar, as relações públicas precisam entrar em ação quando as empresas estão em déficit com seus públicos, ou ainda quando pretendem criar uma relação, comunicação mais aproximada com seus públicos. Desta for- ma, precisarão de um profissional especializado que domine essa ferramenta de comunicação. Dessa forma, explique com base na sua leitura e entendimen- to, quais as funções do RP? 5. O marketing direto é uma ferramenta promocional implementada com os ob- jetivos de atingir receptores identificados e obter deles uma resposta imediata. O emissor (loja, lojista, vendedor) utiliza alguns meios para atingir, impactar ou contactar o receptor (consumidores, consumidores em potencial). Sabemos que há diversas formas de executar uma ação de marketing direto. Construa uma explicação quanto ao marketing por catálogos e aborde exemplos. 109 PROMOÇÃO DE VENDAS Gostaria de compartilhar um case interessante que todos nós conhecemos e que pode nos servir de exemplo de aplicação da ferramenta. Este texto foi desenvolvido com base em estudos dentro da disciplina Estratégias de comunicação da Universidade Prebiste- riana Mackenzie, em 2010. CASE – AVON A Avon é uma empresa norte-americana, fundada em 1886, com o nome de Califórnia Perfume Company e adquirindo o atual nome a partir de 1930. Desde o princípio uti- lizando a venda direta como negociação. Atualmente é líder mundial em venda dire- ta dos produtos de beleza, possuindo cinco milhões de revendedoras espalhadas pelo mundo inteiro. A organização adotou a venda direta (porta – a – porta) desde o início de suas vendas, onde suas revendedoras oferecem atendimento pessoal para todos os clientes, apre- sentando produtos acessíveis e de boa qualidade. Com o sucesso de suas negociações, outras empresas começaram a seguir o seu modelo de vendas. A grande maioria dos revendedores da empresa são mulheres, que conseguiram au- tonomia financeira através de um trabalho honesto e flexível, porém homens também podem fazê-lo, diminuindo o desemprego e auxiliando na renda familiar. A venda pessoal Avon: como funciona: A venda pode ocorrer em casa, na faculdade, no condomínio, no shopping, no clube, enfim, em qualquer ambiente. Cada revendedora possui folhetos da Avon, onde estão presentes todos os produtos, sendo atualizados a cada 19 dias. Os clientes escolhem o produto que desejam, fazem seus pedidos às re- vendedoras e elas encaminham-no para a Avon. Por fim a Avon entrega o produto para as revendedoras, que repassam para as suas clientes. Toda revendedora tem o suporte do gerente do setor, que auxilia a realizar uma venda perfeita. Outro fator que impulsiona as vendas é que as próprias representantes de ven- das utilizam os produtos Avon, facilitando a argumentação na negociação e sabendo indicar o melhor produto para a necessidade da cliente. Avon Brasil: No Brasil, a venda direta da Avon teve início em 1958, ano em que a empresa se instalou no país. Atualmente a Avon Brasil é a maior força de venda direta do mundo, com 1 (um) milhão de revendedoras autônomas, atingindo 60 milhões de pessoas no Brasil todo. O objetivo da empresa é de que cada lar brasileiro possua pelo menos um produto Avon. Produtos Avon: Cosméticos, maquiagens, cremes de pele, cremes para retardar o enve- lhecimento da pele, bronzeadores solares, protetores solares, desodorantes, pós-barba, entre outros. Fonte: Pizzimenti et al. (2010, p.18). MATERIAL COMPLEMENTAR Gestão do Composto de Marketing Andre Torres Urdan e Flavio Torres Urdan Editora: Atlas Sinopse: este livro trata da gestão integrada do composto de Marketing (os 4Ps): produto, distribuição (praça), preço e comunicação (promoção). O processo da Administração de Marketing abrange três etapas principais: análise do contexto de marketing, gestão estratégica de marketing e gestão do composto de marketing. O contexto de marketing analisa o ambiente externo à empresa. A etapa estratégica cuida da segmentação de mercado, escolha de mercado-alvo, posicionamento e estratégias competitivas. O composto de marketing, alinhado com as duas etapas precedentes, abrange as decisões sobre os 4Ps. Comentário: A versão 2013 vem com mais atualizações e é muito útil para complementar e enriquecer nosso entendimento acerca do composto promocional. Obrigado por Fumar (Thank you for Smoking) Ano: 2005 Sinopse: a vida do lobista Nick Naylor não poderia ser mais contraditória. Embora saiba dos males que o cigarro traz à saúde, Nick defende fortemente seu consumo e está disposto a fazer o que for para tal efeito. Ao mesmo tempo, porém, tenta ser um modelo para o fi lho e usa o questionamento como grande aliado. Comentário: O fi lme mostra um profi ssional de comunicação em situações desafi adoras e suas estratégias para defender o que parece ser “indefensável”. Para Nery, “é um excelente exemplo de proatividade e criatividade”. Como o bom publicitário atualmente é um especialista em comunicação publicitária e não apenas em propaganda, ele precisa conhecer as outras ferramentas disponíveis de marketing. Material Complementar MATERIAL COMPLEMENTAR Estratégias Promocionais: O Caso da X Corretora De Seguros (INTERCOM SUDESTE - Bauru, 2013) O uso de estratégias é fundamental para que as empresas obtenham sucesso em suas ações de promoção. Dentro desse contexto o presente artigo busca conhecer como a empresa X Corretora de Seguros realiza suas estratégias de comunicação. Acesse o link desponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=L2axdxvP1Tg>. Para alicerçar nosso entendimento sobre as diferenças e similaridades entre publicidade e propaganda, deixo como sugestão de leitura o texto “Publicidade e propaganda origens históricas”, de Eloá Muniz. Acesse: <http://eloamuniz.com.br/arquivos/1188171156.pdf>. Este trabalho foi apresentado na V Conferência Brasileira de Estudos em Comunicação e Mercado (Ecom, 2015), cujo tema era “Novos cenários da comunicação institucional e mercadológica em uma sociedade conectada”.O artigo intitulado Comportamento de Consumo: Um Levantamento Sobre o Público Homossexual e Suas Preferências Quanto ao Composto Promocional, escrito por Victor Vinicius Biazon, Ana Carolina R. Spadim e Lícia Frezza Pissa, o qual investigou as preferências do segmento específico do mercado no Brasil para verificar quais itens seriam considerados mais influenciadores e importantes, ou ainda preferidos pelo público para a realização das suas compras. Dentro da amostra, foi verificado que o item “venda pessoal” é o mais atraente ou importante. O que nos faz pensar sobre a importância do atendimento e do contato com os clientes em nosso cotidiano. Promoção de vendas direcionada para as crianças O artigo constrói um paralelo entre os artifícios de marketing para alavancar as vendas, tendo o público infantil como alvo desses artifícios e as medidas de proteção voltadas a esse grupo. Para tal, analisou-se utilização desses artifícios em propagandas direcionadas para crianças no meio publicitário atual. Para leitura na íntegra, acesse o link disponível em: <http://www.uff.br/ensaiosdemarketing/ artigos%20pdf/2/MO%C3%87%C3%83ODEVENDASDIRECIONADAPARAASCRIAN%C3%87AS. pdf>. 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O profissional de Relações Públicas atua no planejamento estratégico da comu- nicação, é responsável por desenvolver conceitos, estabelecer valores, criar a missão, definir objetivos junto à alta administração e buscar o alcance das metas da organização. Monitorar as perspectivas dos públicos da empresa a fim de identificar possíveis questões de interesse e preocupação e desenvolver programas para criar e man- ter relações positivas com esses públicos. Realizam o gerenciamento dos relacionamentos, ou seja, o processo de comu- nicação, visando manter um bom relacionamento com os públicos e criar uma reputação positiva da organização perante estes. 5. Marketing por catálogos: às vezes, as empresas enviam catálogos, específicos de algumas mercadorias, que mais vai interessar àquele consumidor (Avon e Her- mes também são exemplos desse tipo de venda). U N ID A D E III Professor Me. Victor Vinicius Biazon ESTRATÉGIAS QUE ATRAEM PARA O PONTO DE VENDA Objetivos de Aprendizagem ■ Apresentar os diversos tipos de promoção de vendas existentes na literatura. ■ Compreender o que é imagem de marca e os atributos importantes para sua formação. ■ Compreender como a publicidade trabalha sob o aspecto da ética. ■ Descrever a normatização e regulamentação vigente para a realização de promoções (Caixa Econômica Federal). Plano de Estudo A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: ■ Tipos de promoção de vendas ■ Atributos considerados na construção da imagem de marca ■ A ética na publicidade ■ Legislação para as promoções INTRODUÇÃO Caro(a) aluno(a)! Com diversos conceitos já apresentados e outros tantos que ainda vamos conhecer, teremos conhecimentos sobre como atrair clientes para nosso estabelecimento, já que este é o grande intuito. Não é mesmo? Estou certo de que já tenham ouvido falar em estratégias, que são formas estruturadas que temos em forma de ação, processos, etapas para alcançar obje- tivos. Nesse caso, precisamos, a partir do conhecimento que temos no nosso produto, do nosso cliente e do nosso mercado, elaborar estratégias para atrair cada vez mais clientes. O composto promocional nos presenteia com diversas ferramentas para cau- sar esse contato com os clientes, para nos comunicar. O que precisamos fazer é identificar quais estratégias de promoção (de vendas, por exemplo) vamos utili- zar e em quais momentos. Partindo do que eu sempre digo, precisamos conhecer conceitos para aplicar na prática, vamos conhecer aqui opções de promoção de vendas para utilizarmos em nosso ponto de venda. Além dessas estratégias em ações, precisamos compreender a importância da imagem. Sim! Já que estas ações promocionais serão vistas e auxiliarão os clientes a formarem uma imagem da nossa marca, queremos que essa imagem seja a melhor possível. Por isso, conhecer os atributos que são importantes ou determinantes na escolha do consumidor é uma estratégia relevante, concorda? Sem contar o fato de que não devemos nos esquecer de que essa atividade de promoção precisa ser pautada na legalidade e na ética. Sendo assim, vou te apresentar algumas considerações éticas no processo da publicidade e mais, para não correr o risco de prejuízos como multas ou de realizar alguma atividade de forma “ilegal”, veremos as leis que regulamentam o setor de promoção e as res- pectivas cláusulas. Está preparado para todas essas estratégias? Então vamos lá! Ótima leitura! Introdução Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 119 ESTRATÉGIAS QUE ATRAEM PARA O PONTO DE VENDA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E120 TIPOS DE PROMOÇÃO DE VENDAS Temos diversas opções para atrair nossos clientes até nossa loja, resta-nos saber quais as mais adequadas para a nossa realidade. Caro(a) aluno(a), veremos nesta etapa alguns dos mais utilizados instru- mentos ou ferramentas da promoção de vendas, que podem variar conforme nomenclatura de autor para autor, mas que são de fácil identificação e aplicação. Contudo, antes de estender nosso assunto, vale ressaltar que existem basicamente três tipos de promoção de vendas, conforme Zenone e Palandi Junior (2011): Promoção de produtos/serviços: é a ação promocional em que o ponto focal é o produto ou serviço de uma determinada marca, cujo objetivo final é a venda. Exemplos: descontos (leve 3 pague 2), degustação, sorteios e concursos. Promoção de Marca: é a que visa colocar em evidência a marca do bem, sem preocupação imediata de vendas. Dentro desse grupo encontram-se os eventos cujo patrocínio tem relação direta com produtos ou serviços conheci- dos pela empresa. O patrocínio, participação ou simples presença em torneios de futebol é um exemplo. Promoção institucional: é a que visa valorizar a imagem da empresa, sem manter uma relação direta com o bem que ela produz. Exemplos: eventos cul- turais como peças teatrais, exposições de arte, espetáculos de balé. Agora que conhecemos os conceitos de promoção de vendas, precisamos explorar a versatilidade das ações promocionais (e imagino que esteja curioso sobre esse assunto), conhecendo as ferramentas e modalidades, tendo como base Crescitelli e Shimp (2012), Kotler e Armstrong (2003) e Costa (2013): Redução de preço/Desconto/embalagem bônus: é uma das técnicas promo- cionais mais utilizadas por ser de fácil execução. A redução deve ser anunciada no Ponto de Venda (sem ou com o preço anterior à promoção para o consumi- dor poder fazer comparações) e ser temporária, sob pena de deixar de fazer efeito ou mesmo degradar a imagem da marca ou produto. A redução do preço pode Tipos de Promoção de Vendas Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 121 partir da iniciativa do fabricante ou do distribuidor. A embalagem bônus (mais produto pelo mesmo preço) é uma forma invertida de desconto. Como exemplo de redução de preço, vemos em anúncios de televisão situ- ações em que antes tínhamos um preço para um produto e para um período determinado temos uma redução, conforme Figura 1: Figura 1 - Redução de preço Fonte: E-Commerce News (2015, on-line)1. No caso da Figura 2, temos um exemplo de produto cuja embalagem apresenta mais conteúdo pelo mesmo preço e deixa isso claro ao consumidor. ESTRATÉGIAS QUE ATRAEM PARA O PONTO DE VENDA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E122 Figura 2 - Embalagem bônus Fonte: Condor ([2016], on-line)2. Kit promocional: são os tradicionais “pacotes promocionais” ou “venda casada”, em que um conjunto de produtos é oferecido com um benefício (des- conto ou brinde) que não existe na compra dos itens separadamente. Essa técnica é muito utilizada para girar produtos difíceis de vender, associando-os a outros de melhor giro. Uma variação muito comum é o “leve 3 e pague 2”,que não deixa de ser um Kit promocional, mas que é feito com um único produto. As fi guras a seguir mostram exemplos de produtos que são embalados juntos, oferecendo uma certa vantagem ao consumidor na compra de “mais” elementos. Tipos de Promoção de Vendas Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 123 Figura 3 - Exemplos de KIT Fonte: arquivo pessoal José Augusto Cardoso Guimarães (2016). Cupons: são comprovantes que garantem aos consumidores um desconto na compra de um produto especifi cado. Figura 4 - Cupom de desconto Fonte: Desconto grátis (2015, on-line)3. ESTRATÉGIAS QUE ATRAEM PARA O PONTO DE VENDA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E124 Concursos: o critério para apuração dos ganhadores é habilidade ou conheci- mento, e não sorte. Essa técnica pode ter um efeito duplo: obrigação de compra e divulgação de imagem. Para os produtores, a possibilidade de conduzir à com- pra é o principal interesse dessa prática. A técnica da organização de concursos baseia-se na seleção dos vencedores pela perspicácia ou pelo talento criativo dos participantes. Ao contrário dos jogos ou loterias, pois não implicam nada a não ser a seleção aleatória dos vencedores. Ganha o melhor dentro dos critérios esta- belecidos no regulamento. Veja então alguns exemplos: na fi gura 4 a promoção já está caracterizada, apresentando o que deve ser feito para participação, com regulamento e detalhes. Figura 5 - Participação com regulamento e detalhes da promoção Fonte: Abr-casa ([2016], on-line)4. Neste outro exemplo, Nescau Cereal lançou um concurso que distribuiu smar- tphones, mochilas, relógios e cadernos. Para concorrer, bastava cadastrar-se no site e, com as ferramentas que foram disponibilizadas, o participante deveria criar uma capa de caderno, que fi cou disponível para votação (a intenção era que os amigos votassem, ampliando e disseminando a campanha, marca). As 40 capas mais votadas foram classifi cadas pela comissão julgadora e os autores ganharam prêmios. Tipos de Promoção de Vendas Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 125 Figura 6 - Concurso de distribuição de prêmios. Fonte: Grátis na rede (2013)5. Coleção de provas de compra/recompensas por fi delidade: essa técnica pro- mocional consiste em colecionar provas de compra, para ter acesso a um certo prêmio. Seu principal objetivo é fomentar lealdade dos consumidores, e resulta especialmente quando existe uma fraca diferenciação entre as diversas marcas concorrentes, verifi cando-se que nenhuma delas detém uma grande vantagem competitiva. São inúmeros os Programas de Desenvolvimento de Fidelidade, ou seja, ações mercadológicas com apoio promocional que visam construir com os consumidores um relacionamento resistente ao tempo, com resultado a médio e longo prazo. Comumente utilizado em restaurantes, barracas de lanches. Veja o exemplo. ESTRATÉGIAS QUE ATRAEM PARA O PONTO DE VENDA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E126 Figura 7 - Cartão fi delidade Fonte: Valter Alves ([2016], on-line)6. Folhetos publicitários: frequentemente utilizados pelas cadeias de distribuição alimentar, os folhetos são, regra geral, pagos integralmente pelos fornecedores, podendo também ser o distribuidor a tomar a iniciativa de fazer um folheto promocional para o seu ponto de venda. O folheto contribui para um maior nivelamento dos preços do mercado, dado que esta ação gera uma reação das outras cadeias de lojas. Figura 8 - Folheto promocional Fonte: Vitrine publicitária (2009, on-line)7. Tipos de Promoção de Vendas Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 127 Quem nunca passou em uma loja e pegou o folheto, olhou e comparou os pre- ços, e depois, se interessou pelas ofertas, pelos melhores preços e fez sua compra? Os folhetos causam repercussão e são muito vistos pelos consumidores, mas não force as pessoas a pegar seu folheto, como acontece nas calçadas e semáfo- ros pelo Brasil afora. Material de Ponto de Venda, topos de gôndola: incluem colocação de dis- plays e demonstrações nos pontos-de-compra. Situados na interseção de dois corredores, os topos de gôndola são muitas vezes utilizados para produtos com redução de preço – e mesmo que não seja esse o caso, a percepção das pessoas é essa, e tem normalmente um grande impacto por duas razões: a sua localização junto de um ponto de passagem obrigatória garante um maior contato visual com o produto; e a grande dimensão da comunicação visual favorece a percep- ção de baixo preço. Figura 9 - Toca do coelho Fonte: arquivo pessoal José Augusto Cardoso Guimarães (2016). Vales de desconto: esta técnica promocional consiste em oferecer ao cliente um título de crédito (que pode ser encontrado dentro ou fora da embalagem do produto) reembolsável no ato de pagamento. Oferece, ainda, a vantagem do preço do produto se manter inalterável; e de o fabricante poder controlar total- mente o número de embalagens promovidas, bem como o valor das ofertas correspondentes. ESTRATÉGIAS QUE ATRAEM PARA O PONTO DE VENDA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E128 Ofertas de devolução de dinheiro ou reembolso: semelhantes aos cupons, exceto que a redução de preço ocorre após a compra, e não na loja. O consumi- dor envia um “comprovante de compra” ao fabricante que, em seguida, reembolsa parte do preço de venda por via postal. Promotores no Ponto de Venda: a presença de promotores é especialmente importante na ocasião de lançamento de um produto novo, pois sua aquisição representa um risco, que é minimizado com a informação do promotor. Figura 10 - Promotor de vendas Fonte: acervo pessoal de José Augusto Cardoso Guimarães (2016). No caso da fi gura utilizada como exemplo, não se trata de um produto novo, mas a presença do promotor caracterizado traz um diferencial para a exposição do produto e sua interação com os consumidores. Tipos de Promoção de Vendas Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 129 Brindes: em geral são objetos ofertados aos consumidores, podendo ser colecionáveis ou não, e de preferência que tenham algum tipo de relação com o produto. São mercadorias oferecidas, gratuitamente ou a baixo custo, como um incentivo à compra de determinado produto. Figura 11 - Incentivo de compra Fonte: acervo pessoal de José Augusto Cardoso Guimarães (2016). O brinde pode vir dentro ou fora da embalagem, ou por via postal. O grande risco desta técnica promocional relaciona-se com o fato de o potencial compra- dor poder não atribuir utilidade prática ao brinde oferecido e, em consequência, ESTRATÉGIAS QUE ATRAEM PARA O PONTO DE VENDA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E130 essa não aceitabilidade do prêmio afetar a notoriedade da marca do produto em questão. Todos se lembram dos ursinhos da Parmalat, eram muito desejáveis e enquadram-se na modalidade brindes. Existem brindes sem vínculo com as com- pras (brindes institucionais); brindes tipo “comprou-ganhou”, e do tipo compre um produto e por mais um valor ganhe um brinde. Neste exemplo verifi camos que ao comprar o biscoito, o cliente ganharia um copo de brinde. Figura 12 - Compre e ganhe Fonte: acervo pessoal de José Augusto Cardoso Guimarães (2016). Amostras gratuitas: oferecimento de uma porção do produto, visando a experi- mentação. Trata-se da distribuição gratuita de amostra de produtos em locais de grandeconcentração de público em potencial. São geralmente utilizadas na intro- dução de uma nova marca no mercado, eliminando as naturais resistências dos consumidores face a um produto que não conhecem. Para o consumidor, uma amostra gratuita é considerada como um presente que não é obrigado a usar, mas que normalmente acaba por experimentar. Frequentemente, a experimentação Tipos de Promoção de Vendas Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 131 de amostras obtêm um efeito mais efi caz do que a publicidade, uma vez que é o consumidor quem decide, não sendo induzido por ninguém. A grande des- vantagem deste tipo de atividade promocional relaciona-se com o seu elevado custo e também com a forma de distribuição, daí as numerosas ações realizadas, por exemplo, com as revistas femininas e sociais, que asseguram a distribuição. Catálogos de cupons de descontos: diversas entidades, em diversos seto- res de atividade, têm criado catálogos com cupons de desconto, que funcionam como veículo promocional. Feiras e salões: as feiras e salões reúnem empresas e profi ssionais de um mesmo setor ou de setores interligados e apresentam a indiscutível vantagem de permitirem uma posição de destaque dos produtos ou serviços apresentados. Um exemplo: a Unicesumar foi patrocinadora ofi cial da 44ª edição da Exposição Feira Agropecuária, Industrial e Comercial de Maringá (Expoingá - 2016) e marcou sua presença no evento com um estande apresentando todos os cursos da instituição, com apresentações culturais e, também, oferecendo alguns serviços. Figura 13 - Exemplo de stand em eventos ou feiras Fonte: Unicesumar (2016, on-line)8. ESTRATÉGIAS QUE ATRAEM PARA O PONTO DE VENDA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E132 Os Jogos: essa prática tem um inconveniente para o produtor, a compra não é obrigatória. Os jogos abrangem, hoje, formas diversas, tais como: “os vencedo- res instantâneos” ou os “sweepstake” (“códigos vencedores”), que incentivam a compra do produto, mas sempre com a possibilidade de participar sem comprar. São exemplos desses jogos aquelas ações de “raspou-ganhou”. De acordo com uma reportagem (CROSS CONTENT, 2012, on-line)10, as pessoas têm procurado cada vez mais por promoções. As liquidações, descontos e ven- das promocionais sensibilizam o consumidor, mas nem sempre o preço menor caracteriza uma promoção, assim, beneficiar o cliente como a 11ª pizza grátis ou presentear com “Kits” traz bons resultados. O Brasil é um dos países que mais faz ação promocional. Não existe melhor época para se fazer promoções, quem decide é você, caro varejista, a partir do conhecimento do seu público-alvo (o que nos faz entender que conhecer o consumidor é muito, ultra, mega fundamental). Promoção Rainha é seu Número: Raspou, Achou, Ganhou Mostre que você tem sorte participando da Promoção Rainha é seu Número: Raspou, Achou, Ganhou. Além de comprar tênis de qualidade você ainda concorre a prêmios de vale compras de R$ 50,00 e R$ 100,00. Saiba como é fácil participar, fique na torcida e ser for contemplado aproveite esse pre- sente. A mecânica da promoção é bastante simples, o primeiro passo é realizar a compra de um par de tênis da Rainha numa das lojas listadas no regulamen- to. Ao adquirir um par de tênis da Rainha o consumidor recebe um cupom com uma área raspável. O consumidor deverá então raspar o cupom para saber se foi contemplado com um prêmio de R$ 50,00 ou R$ 100,00. Para saber mais, acesse: <http://promocoesexclusivas.com.br/promocao- -rainha-e-seu-numero-raspou-achou-ganhou/>. Fonte: Promoções exclusivas ([2016], on-line)9. Tipos de Promoção de Vendas Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 133 Ainda assim, como de costume, o mercado lança promoções em datas come- morativas e em troca de estações (no caso de roupas e acessórios), por exemplo. Essas ações compreendem uma vasta lista de ferramentas possíveis para atrair o consumidor para o ponto de venda, são altamente recomendáveis, con- forme Kotler (2000), uma vez que sua empresa tem uma marca superior, mas que não é conhecida pelo consumidor. Assim, impulsionando a experimenta- ção de consumo, sua base de clientes aumentará. Contudo, devemos saber que esses clientes que são atraídos por promoções sazonais em nossa loja, também serão atraídos por ações dos concorrentes. Ação e reação - mensurando resultados Para darmos mais praticidade ao nosso assunto, conversei com especialista em Merchandiser, José Augusto Cardoso Guimarães1, sobre as ações promocio- nais, sua realização, investimento e mensuração. Foi verificado que em algumas empresas o valor de investimento do marketing para merchandising (ações pro- mocionais), geralmente, é em torno de 5% a 10% do seu orçamento, visando contemplar a confecção de materiais de merchandising para o ponto de vendas e campanhas de incentivos aos promotores de merchandising. Esse investimento pode abranger a uma determinada região (foco da campanha) ou se estender a nível nacional, dependendo do orçamento ou do foco da companhia. Exemplo: na época da copa do mundo, quando atuava pela Chocolates Garoto (Nestlé), a campanha multimídia era realizada a nível nacional, porém havia um orçamento para materiais específicos para os PDV das cidades sedes (nas proximidades dos estádios e hotéis), buscando intensificar a venda por impulso, aproveitando o patrocínio da seleção e do evento. Sobre a existência de um resultado comprovado, José Augusto diz que “Sim”, principalmente nos pontos de vendas onde são realizadas a implementação de materiais promocionais e ações de PDV (abordagens, degustações, distribuições 1 José Augusto Cardoso Guimarães atua como Merchandiser há 8 anos, com experiência em empresas nacionais e multinacionais (Coca-cola, Bombril, Nestlé, “Chocolates Garoto” e Zaeli), prestando serviços na região do Norte e Noroeste do Paraná, principalmente nos municípios de Londrina, Maringá e Paranavaí no Estado do Paraná. ESTRATÉGIAS QUE ATRAEM PARA O PONTO DE VENDA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E134 de brindes e kits promocionais). Sobre a mensuração, Guimarães diz que há várias maneiras de ser realizada, e que vai depender do interesse de cada empresa e da informação desejada. Quando o interesse é da própria empresa que presta o serviço e realiza a campanha, ela analisa a performance de vendas no período da ação; já no PDV que ocorreu a ação, a mensuração é realizada no período da utilização das técnicas (implemen- tação do materiais, realização de ações promocionais, etc), comparando com o mesmo período do ano anterior. Já com relação a ações de lançamento de pro- dutos, por meio da medição do sell-out, mensura-se a aceitação do produto. Fonte: José Augusto Cardoso Guimarães, Merchandiser (2016). Agora é com você, caro(a) aluno(a). Tendo todas essas práticas e exemplos ilustrados, qual a melhor ação promocional para implementar em sua loja? ©shutterstock Atributos Considerados na Construção da Imagem de Marca Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 135 ATRIBUTOS CONSIDERADOS NA CONSTRUÇÃO DA IMAGEM DE MARCA Ainda pensando em estratégias para atração de clientes, vale a pena pensarmos que todas essas ações do composto promocional que divulgam sua loja, que fazem com que os consumidores percebam sua existência, que atraem olhares e cha- mam atenção para seu ponto de venda, seus produtos e seu preço diferenciado; também fazem com que cada consumidor real ou em potencial, ao observar sua estrutura, opine sobre ela e crie imagens positivas ou não a seu respeito. E essa imagemvai permanecer na mente dos consumidores até ser substituída por outra ação sua. Nos mercados de varejo fortemente competitivos, a busca de aspectos de diferenciação e lealdade dos consumidores fez da gestão de marcas um assunto altamente relevante. Pontes (2009) diz que a identidade de marca origina-se na empresa, ou seja, é a maneira que a empresa vê a si mesma, sendo responsável por criar a diferenciação de produtos e serviços por meio de aspectos únicos que compõem sua oferta. Essa identidade diz respeito a ética, objetivos e valores que representam um senso de individualidade, que a diferenciam da marca da Imagem de marca é a percepção da marca na mente das pessoas, é o reflexo no espelho da personalidade da marca ou da essência do produto. São as crenças das pessoas, é no que os consumidores acreditam quando se refere àquela marca, suas percepções e expectativas. Fonte: Marketing futuro (2016, on-line)11. ESTRATÉGIAS QUE ATRAEM PARA O PONTO DE VENDA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E136 concorrência, tornando-se um conjunto exclusivo de associações com as mar- cas que as empresas desejam criar ou manter. A imagem de marca por outro lado é “a percepção que o consumidor tem da marca”, sendo o resultado das interações entre a marca e seus públicos. Alguns autores vêem a imagem como “o resultado da interação entre o receptor e o estí- mulo desenvolvido pela marca” (PONTES, 2009, p.15-16). Que tal, agora, pensar na loja como um campo de atributos, um aglomerado de itens que podem nos ajudar a atrair olhares e ação de compra? Aioffi (2013) diz que conhecer e gerenciar a imagem da loja e, especialmente, avaliar quais componentes influenciam diretamente essa imagem, são fatores essenciais para administrar uma empresa varejista. Antes de tudo precisamos entender o que vem a ser imagem. De acordo com alguns autores como Martineau (1958), Kunkel e Berry (1968), citados por Aioffi (2013), imagem é o que a pessoa espera ou associa nas compras em uma deter- minada loja. Uma vez que sabemos que a imagem é formada na mente do cliente, de acordo com suas percepções, entendemos que essa imagem é formulada, em parte, pelas qualidades funcionais e, em parte, pela aura de atributos psicoló- gicos, e por essa razão, a imagem é parte da personalidade da loja de varejo. A imagem é desenvolvida a partir de objetivos e percepções subjetivas (aprendi- das ao longo do tempo) dos consumidores. Atributos Considerados na Construção da Imagem de Marca Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 137 De acordo com Pontes (2009, p. 29), o McDonald’s é uma das marcas varejistas mais poderosas e conhecidas no mundo e promove uma conexão multissenso- rial com o consumidor. A marca causa impacto pelo nome, pelos arcos dourados que se visualiza (a letra “M” em amarelo), e também pela “experiência de com- pra, atmosfera da loja e pelo sabor que as pessoas sentem, guardam e relembram”. Uma vez que a marca e todas as franquias apresentam as mesmas caracte- rísticas de serviços ou produtos, de layout, como arquitetura conceitual, acaba gerando uma fácil identificação com os consumidores e também, independente de onde estiverem, ao entrar numa loja McDonald’s se sentirão à vontade por conhecer onde estão “pisando”. Podemos entender, então, com base no autor, que é preciso que as lojas vare- jistas e as marcas se diferenciem da concorrência, que construam e fortaleçam vínculos emocionais com o consumidor. As marcas no varejo ajudam as lojas a formarem uma imagem e estabelecer um posicionamento para a loja. “O varejo cria sua imagem através de associações únicas de qualidade de serviço, sorti- mento de produtos e merchandising, preço e política de crédito, promoção e outros atributos” (PONTES, 2009, p. 29-30). Você deve estar se perguntando: como “montar” um ambiente para agradar meus clientes e fazê-los ter uma imagem positiva? Pesquisas indicam que ambientes altamente excitantes atraem alguns con- sumidores e afasta outros. A imagem da loja é considerada como a forma que os consumidores veem a loja em suas mentes, com base em atributos tangíveis e intangíveis, e isso atraiu uma grande atenção acadêmica e empírica nas últi- mas quatro décadas, ressalta Aioffi (2013). O autor entende que a importância dos estudos da imagem está baseada no pressuposto de que a loja possui atributos mais congruentes com a imagem desejada pelo consumidor. Desta forma, ficamos direcionados a entender que precisamos descobrir as expectativas dos clientes e ambientar nosso ponto, ou seja, a imagem da loja pode ser usada como uma ferramenta de marketing ou de competição, fornecendo indicações úteis para você, nobre aluno(a)/gestor(a), sobre os atributos mais ou menos atraentes para os consumidores. ESTRATÉGIAS QUE ATRAEM PARA O PONTO DE VENDA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E138 Os consumidores procuram e escolhem a loja que tem “a imagem mais congruente com a sua”, ou seja, aquela loja que ele mais identifica com sua perso- nalidade. Sendo assim, “diferentes consumidores de diferentes estilos de vida têm percepções diferentes sobre o ideal de imagem de loja” (PONTES, 2009, p. 35). Neste momento você pode estar inquieto para saber o que seriam atribu- tos, não é mesmo? Atributos, conforme Tavares (2008 apud BIAZON, 2012, p. 59), são características como “aspectos ou propriedades que descrevem e distin- guem uma oferta e suas funções e os atributos relacionam-se a suas qualidades”. Tais características ou atributos podem ser traduzidos em benefícios esperados. Tratando-se de uma loja, por exemplo, Blackwell et al. (2009, p. 145) cita atributos que podem ser considerados como, “elevadores, iluminação, ar condi- cionado, layout [...]propriedades físicas do ambiente”. Aioff (2013) complementa dizendo que existe uma variedade de atributos que são salientes numa loja de varejo: nível de preço, variedade de produtos, a distância de casa, os níveis de serviço ao cliente e acessibilidade. A aparência da loja e a sua atmosfera também podem influenciar a escolha da loja. Conforme Biazon (2012) há alguns desdobramentos a serem citados, em atri- butos que abordam sua interiorização e exteriorização. Conforme Tavares (2008 apud BIAZON, 2012), tanto um como outro proporcionam particularidades no processo de escolha, como o design do produto (intrínseco) ou o ator famoso que faz a publicidade da Instituição de Ensino Superior (extrínseco). assim, temos: Atributos relacionados ou intrínsecos: afetam diretamente o desempe- nho ou funcionamento do produto, vão proporcionar os benefícios funcionais e experienciais e estabelecer as associações primárias. Atributos não relacionados ou extrínsecos: não afetam diretamente o desem- penho do produto, mas influenciam em sua preferência, compra e consumo. Quando um consumidor avalia um produto ou serviço, considera os atri- butos intrínsecos e os atributos extrínsecos para chegar a uma conclusão sobre a melhor escolha. Atributos Considerados na Construção da Imagem de Marca Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 139 Atributos Salientes: caracterizado como os perceptíveis pelos consumidores do produto, marca, empresa ou instituição, mas não necessariamente possuem qualquer grau de importância ou determinação no processo de compra do pro- duto. Estes atributos apenas estão reconhecidamente presentes em determinado produto ou marca, para um grupo específico. Atributos Importantes: caracterizados como importantes no momento da escolha de um produto, mesmo não sendo determinantes, por serem conside- rados presentes em todos os produtos de mesma categoria. Atributos Determinantes: sãoaqueles cuja existência percebida aparece como a melhor possibilidade de resposta à satisfação dos desejos do consumi- dor, estando em determinado produto ou marca. Apresentam discriminação e diferenças entre as marcas. Atributos concretos: são levados em consideração o que é físico e tangível em um produto, como a estrutura física de uma Instituição de Ensino Superior. Atributos abstratos: entendem-se as características mais intangíveis, como a qualidade de ensino percebida. Aioffi (2013) explica que a imagem que a loja deseja projetar na sociedade é influenciada tanto por elementos controláveis pela organização quanto por aque- les que não estão sob o seu domínio. O autor também defende que a imagem de loja depende do valor respectivo que cada consumidor associa à sua compra, por exemplo, preço, qualidade da mercadoria, atendimento do pessoal e ambiente de loja. A imagem de loja depende, portanto, tanto de dimensões físicas (tangí- veis), quanto psicológicas. ESTRATÉGIAS QUE ATRAEM PARA O PONTO DE VENDA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E140 Quadro 1 - Fatores de imagem e seus tributos Fonte: adaptado de Meyer retirado de Biazon (2012, p. 62). A concepção e a formação da imagem da loja depende do reforço do varejista para manter, melhorar ou, ainda, piorar o conceito. Para Lindquist (1974, p. 31 apud PONTES, 2009, p. 37), a imagem da marca varejista é “a combinação de fatores tangíveis ou funcionais e fatores intangíveis ou psicológicos que o con- sumidor percebe”. Preço: - Lista - Desconto por volume - Desconto na compra - Condições - Financiamento Suporte: - Educação - Manuais - Treinamento de clientes - Consultoria Serviço: - Instalação - Qualidade e tempo de reparos - Disponibilidade de peças Canais de distribuição: - Localização - Serviço - Competência Filantropia: - Caridade - Escolas e universidades - Organizações artísticas Consulta Social da Empresa: - Ambiente - Cidadania - Qualidade de vida - Ação comunitária Conduta Empresarial com empregados: - Respeito - Salários - Promoção Comunicação: - Propaganda - Publicidade - Promoção - Mala direta - Telemarketing Força de Vendas: - Dimensão cobertura - Competência - Cortesia - Credibilidade - Con�abilidade - Presteza Produto: - Características - Conformidade - Durabilidade - Qualidade - Con�abilidade - Reparabilidade - Estilo Conduta de Negócios: - Reputação - Inovação - Solidez �nanceira - Qualidade de gerenciamento IMAGEM DA EMPRESA Atributos Considerados na Construção da Imagem de Marca Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 141 Biazon (2012) e Aioff (2013) salientam que o valor percebido de característi- cas e atributos de determinado produto ou serviço norteiam as preferências dos consumidores e que essas preferências, por sua vez, se voltam para o elemento com maior combinação de atributos e utilidade. Sabendo a imagem de loja como sendo o conjunto de atitudes fundamenta- das em atributos considerados importantes pelos clientes, podemos argumentar que essas atitudes dependem também das experiências individuais, e que essas experiências não precisam envolver diretamente a loja. Logo, a imagem da loja é formada também a partir da imagem que a própria loja projeta, além da ima- gem associada à visão dos amigos, dos familiares e de esforços promocionais. Aioff (2013) resume, de diversos autores, os principais estudos sobre os com- ponentes da imagem da loja, que são características como: layout e arquitetura; símbolos e cores; publicidade; o pessoal de vendas; serviço e promoção de vendas; atmosfera da loja; reputação; conveniência do local; adequação da mercadoria; preço; esforço de vendas e serviço de armazenamento; simpatia da loja; satis- fação pós-venda; qualidade da mercadoria; sortimento de mercadorias; moda; tamanho de loja; técnicas de exposição de merchandising; limpeza e ordenação. O autor diz ainda que a imagem de loja deve incluir muitas coisas que não estão diretamente associadas com itens específicos, mas intimamente ligadas a vários padrões de comportamento do consumidor. Em grande parte a escolha de onde o consumidor vai comprar depende de atributos subjetivos que fazem parte da imagem de loja (armazenada consciente ou inconscientemente), e essa imagem irá balancear suas expectativas e dirigir os seus passos. Nesse sentido, parte do valor da marca deriva do modo como elas ajudam o consumidor a simplificar suas decisões de consumo, oferecendo, entre outros aspectos, um sentido de segurança. Após essa nossa contextualização, volto a te questionar, caro(a) aluno(a), ges- tor(a) de ponto de venda: qual a imagem atual da sua loja? Quais atributos você poderia elencar que são atrativos, que te ajudam a atrair clientes? Podemos pensar em cores e disposição dos objetos e em formas diferencia- das de chamar atenção (sem parecer exagerado). ESTRATÉGIAS QUE ATRAEM PARA O PONTO DE VENDA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E142 Veja o exemplo da loja de bijuterias: Figura 14 - Loja de bijuteria Fonte: Coldibeli (2012, on-line)12. É importante ter um espaço para acomodar as mercadorias, deixá-las à mos- tra sem parecer um ambiente bagunçado. As cores facilitam a iluminação do ambiente e a localização (exposição) das mercadorias que fi cam em evidência. As lojas com boa imagem tendem a ter um melhor nível de satisfação dos con- sumidores, proporcionando uma propaganda boca a boca e ampliando a alçada de infl uência das ações do varejo. Lojas com imagem positiva atraem mais aten- ção e visitas de consumidores potenciais, infl uenciando positivamente também a consciência da marca. Devemos lembrar que a construção da marca começa na defi nição precisa do consumidor alvo e na compreensão de suas necessidades e expectativas para que uma política de posicionamento possa ser desenvolvida de forma a satisfazer o consumidor (PONTES, 2009). Agora já podemos dizer que para que nossa loja seja bem vista dentro desse mercado cada vez mais competitivo, precisamos projetar atributos que sejam requeridos pelos consumidores, ou seja, averiguar e oferecer o que nosso público de interesse julga positivo. Parece uma tarefa difícil, mas pode ser prazeroso bus- car informações e realizá-la. Atributos Considerados na Construção da Imagem de Marca Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 143 É importante para você, gestor, permitir, possibilitar, criar meios para que seus clientes, concorrentes, enfim, o mercado tenham ou criem uma imagem positiva do seu ponto de venda, do seu preço, do seu serviço de venda, para que possa ser procurado com boas referências. Usar a criatividade, o bom senso e o estilo diferenciado sempre causam impacto quando o assunto é fachada, layout interno e a vitrine de uma loja. Às vezes a contratação (consultoria) de um profissional para lhe ajudar a projetar seus espaços pode ser útil. Próximo das datas comemorativas, muitas lojas (pra não dizer quase todas) já começam a decorar suas vitrines para chegada dos clientes, que vão es- colher a melhor forma de presentear seus entes queridos. Para servir de ins- piração, seguem algumas dicas de decoração de lojas para o dia dos pais. Lembrando que a premissa vale para outras datas comemorativas. Aprovei- tem as dicas. Confiram no site: <http://www.decoracaoearte.com.br/1528-17-dicas-de- -decoracao-de-vitrine-para-o-dia-dos-pais.html>. Fonte: o autor. ©shutterstock ESTRATÉGIAS QUE ATRAEM PARA O PONTO DE VENDA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E144 A ÉTICA NA PUBLICIDADE Aluno(a), você já deve ter se deparado com situações em que teve dúvida sobre a ética,ou sobre a “necessidade” de algumas imagens, falas ou gestos apresentados em peças publicitárias. Alguns itens são ou podem ser considerados ofensivos, desnecessários, apelativos, e outros são realmente proibidos. No entanto, para que possamos evitar deslizes ou mesmo irregularidades, ou seja, para evitar pro- blemas éticos com nossas ações de divulgação, vamos conhecer como o setor está regulamentado dentro de princípios éticos. O tema da ética assumiu uma posição de intensa discussão nos diversos meios sociais. Sua popularidade pode estar relacionada ao fato de que a ética não ocupa somente uma posição ideal, submetida ao dever e à obrigação pelo cumprimento de normas. Hoje, ela assume outros contornos como a adoção de atitudes éticas voltadas ao atendimento das necessidades concretas do homem, mais atentas à responsabilidade pessoal. Ou seja, sua finalidade é refletir sobre atitudes que possam promover o bem-estar da coletividade, sem excluir o bem- -estar individual. Sem a obrigatoriedade de obedecer incondicionalmente normas e deveres (GONÇALVES; NISHIDA, 2009). A Ética na Publicidade Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 145 No mundo de concorrência em que vivemos, empresas precisando bater metas e consumidores exigentes de seus direitos, amparados por órgãos fisca- lizadores, podendo inclusive denegrir a imagem e moral das empresas caso se sintam lesados, a ética se torna uma discussão importante e muitas mudanças adotadas nos últimos tempos, por toda a sociedade e órgãos competentes, podem trazer implicações aos varejistas (FERREIRA, FERREIRA; GIULIANI, 2009). Aparentemente, é um tanto difícil falar sobre ética, apontar uma definição e discernir entre certo e errado, mas podemos, aqui, apresentar alguns concei- tos a fim de que possamos compreender esta ética aplicada, refletida (ou não) nas ações publicitárias. Foi Aristóteles (384 a.C.) o primeiro a organizar a questão ética, estudando sobre o bem e o mal, o certo e o errado, ou se os fins justificam os meios. Na idade média, o que importava eram os resultados e não a ação em si. O que devemos indagar aqui é como discutimos a ética ou como o homem deve se relacionar com a sociedade (FERREIRA, FERREIRA e GIULIANI, 2009). A ética pode ser definida como “o estudo dos juízos de apreciação referentes à conduta humana, do ponto de vista do bem e do mal [...] conjunto de normas e princípios que norteiam a boa conduta do ser humano” (FERREIRA, 2005, p. 383). A ética é considerada tanto a teoria, quanto a ciência do comportamento moral dos homens em sociedade. O que significa que a ética é a ciência, de uma forma específica, do comportamento humano. A ética pode ser entendida como um estudo ou uma reflexão sobre ações, costumes ou comportamentos. A ética é uma palavra derivada do grego ethos, que significa “modo de ser” ou “caráter”, enquanto forma de vida adquirida ou conquistada pelo homem. Ou então, a ética é derivada do grego ethikos – aquilo que se relaciona com o ethos ou caráter. Ou ainda a ética filosófica é uma metalinguagem que fala da práxis humana, tentando descobrir a razão pela qual se deve fazer algo, considerando os valores morais estabelecidos em cada sociedade (FIGUEIREDO, 2008, p. 5). Dubrin (2003, p. 69) define a ética como “[...] as escolhas morais que uma pessoa faz e o que essa pessoa deveria fazer”. É o que ela considera como certo e errado ou como bom ou mau. É transformar valores em ação. ESTRATÉGIAS QUE ATRAEM PARA O PONTO DE VENDA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E146 Reserva-se à ética o “estudo da moralidade do agir humano (bondade ou maldade dos atos humanos): sua retidão frente à ordem moral” . A ética é a dis- ciplina filosófica que investiga os diversos sistemas de morais elaborados pelos homens, buscando compreender a fundamentação das normas e proibições pró- prias a cada uma e explicar seus pressupostos, ou seja, as concepções sobre o ser humano e a existência que os sustenta (FIGUEIREDO, 2008, p. 8). Agora que tivemos algumas definições (apesar de ser muito difícil conceituar de forma unilateral), podemos entender ou explicar a ética aplicada à atividade publicitária. Conforme Santos (2008, p. 12), o sistema de regulamentação e fisca- lização da atividade publicitária no Brasil é exercido por duas diferentes entidades. A primeira delas é o Estado soberano que, por meio do denominado hetero-con- trole, atua na publicidade com seus três poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário. O segundo sistema, considerado alternativo, é o exercido pelo próprio setor publicitário por meio do CONAR – Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária – que, com o Código Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária, estabelece e aplica as normas éticas da publicidade. O autor ainda nos diz que o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária – CONAR – é uma organização da sociedade civil fundada em São Paulo, Brasil, em 1980 pelas associações representativas das agências de publi- cidade, de anunciantes e de veículos de comunicação (jornais, revistas, rádio e televisão e outdoor; mais tarde, aderiram às associações de TV por assinatura, internet e cinema) e atua de modo a evitar a veiculação de anúncios e campa- nhas de conteúdo ofensivo, abusivo, enganoso ou que desrespeitam, entre outros, o direito concorrencial. A Ética na Publicidade Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 147 Quando pensarmos em divulgar nossa marca, nosso ponto de venda, nossos produtos, devemos ter em mente a ética como norteadora. “A essência da ética (de responsabilidade) é a reflexão de quais atitudes realizar, tendo como base as consequências que tais ações podem ocasionar”. As empresas que tinham o foco na venda e no lucro hoje precisam zelar pela sua relação com o público, conquis- tar e promover sua legitimidade institucional. A construção ou o fortalecimento da sua imagem fazem parte dos negócios, e o exercício da ética torna-se estraté- gico sob o foco dos holofotes de responsabilidade social e moral (GONÇALVES e NISHIDA, 2009, p. 55-56). As mudanças pelas quais a sociedade tem passado impactam diretamente no comportamento dos consumidores e na maneira como eles se relacionam com as marcas e as empresas. Este fato provoca, ou deveria provocar, uma transforma- ção no pensamento dos gestores e profissionais de marketing, de que é preciso inovar, mudar a dinâmica de divulgar produtos e serviços (comunicação merca- dológica). O varejo precisa se reinventar de tempos em tempos e encontrar novos caminhos para se manter em sintonia com o cliente (FERREIRA; FERREIRA; GIULIANI, 2009). O CONAR tem, sim, competência para normatizar sobre os assuntos de pu- blicidade em seu Código de Ética, e por meio desse instrumento que é uma fonte subsidiária de direito, assim o fez. A partir de 01/03/2013 será proibi- do o merchandising (sic) infantil nos programas de tv, restando apenas a possibilidade de inserções comerciais nos intervalos de propaganda. Essa medida complementa a anterior que proibia apenas o merchandising de alimentos para crianças. Para saber mais, acesse: <http://promolegis.com.br/index.php/category/ leg_promo/>. Acesso em: 06 jun. 2016. Fonte: Promolegis (2013, on-line)13. ESTRATÉGIAS QUE ATRAEM PARA O PONTO DE VENDA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E148 Isso implica dizer que devemos estar atentos à sociedade, ao que ela vive e acredita, às suas transformações, e estar atentos, sobretudo, ao diálogo com seus públicos de interesse, pois não se pode pensar apenas em comunicação “ampla” e se esquecer de direcionar uma linguagem específica ao receptor do seu anúncio. Segundo Gonçalvese Nishida (2009, p. 56), o bem-estar e o respeito ao público, na seleção das temáticas para a composição dos anúncios, assim como na seleção dos signos, priori- zam elementos relacionados, por exemplo, à preservação do meio am- biente, à valorização da diversidade étnica e cultural. Esse trecho nos faz lembrar algumas peças publicitárias que vimos na televisão e que causaram grande impacto, incomodaram, geraram repercussões positivas e negativas, como o já citado comercial do dia dos namorados de O Boticário. De acordo com Biazon, Piza e Spadin (2016), a campanha produzida pela agên- cia AlmapBBDO e exibida a partir de 25 de maio de 2015 aborda a pluralidade, novas formatações, as muitas possibilidades de casais e a diversidade das novas identidades, para lançar uma linha de perfumes unissex. O unissex é encarado como uma diluição da fronteira entre os gêneros, quando tudo passa a ser ques- tionado: os modos, os comportamentos, as regras do masculino e do feminino – e o que passa a importar é ser o que se quer ser, sem estereótipos. O comercial é embalado pela trilha instrumental da música Toda forma de amor, de Lulu Santos, e mostra os momentos que antecedem o encontro dos casais no dia dos namorados. Os casais que aparecem abordam a diversidade e quebram vários preconceitos: um casal de homens com idades aparentemente diferentes (um mais velho e um mais novo), um casal heterossexual com uma mulher mais velha e um rapaz, um casal de mulheres com idades parecidas e um casal heterossexual formado por uma oriental e um ruivo. A escolha dos casais mostrando pessoas diferentes apresenta também a multiculturalidade possibi- litada pelas migrações e faz prevalecer a ideia do amor que, inclusive, faz parte da letra da trilha: “consideramos justa toda forma de amor”. A Ética na Publicidade Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 149 O comercial gerou polêmica, foi levado ao CONAR sob o processo Nº 088/15 mas não foi considerado “proibido”. O voto do relator foi muito claro no sentido de que a campanha publici- tária estava expressando uma realidade. Inclusive, ele escreveu no voto: “não contem com a publicidade para omitir a realidade”. O relator con- siderou que a ação foi respeitosa, sóbria, não teve apelo excessivo à sen- sualidade. Não teve o propósito de chocar (DORES, 2015, on-line)14. Estamos na era da competição e o maior adversário pode ser a própria empresa, ao colocar em dúvida perante ao público seus valores morais e atitudes éticas. Ferreira, Ferreira e Giuliani (2009) nos lembram a campanha de alguns anos atrás lançando a cerveja Nova Schin, utilizando o cantor Zeca Pagodinho que, na sequência, apareceu protagonizando a campanha de outra marca de cerveja, a Brahma. Estas campanhas criaram precedentes e tiveram retaliação por parte do público, pois as campanhas comparativas não são aceitas pelo mercado publi- citário brasileiro e acabou prejudicando a marca e a própria imagem do cantor, colocando em xeque seus valores morais. Compreendendo que a propaganda acontece para incentivar o consumo, essa veiculação deve ser feita de forma ética, verdadeira. Toda empresa é res- ponsável pelo produto e pela apresentação de conceitos de caráter formativo e educativo sobre eles, pela publicidade e pelo seu incentivo de consumo, devendo prestar atenção especial a aspectos como raça, condição social, idade, apelos eró- ticos e violentos. Algumas ações nos fazem rir ou podem nos deixar indignados, mas tam- bém devemos pensar que muitas vezes o tabu, o “mal estar” é algo cultural e social. Então eu pergunto a você, o que você diria desta ação de comunicação? ESTRATÉGIAS QUE ATRAEM PARA O PONTO DE VENDA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E150 Figura 15 - Ação de comunicação Fonte: Araujo (2011, on-line)15. Na verdade, é apelativa, chama atenção, mas o texto em si, não diz nada demais. Mas causa certo impacto visual ao público. Cabe a todos nós usarmos de bom senso para realizar ações de comunicação com nossos públicos para não constranger ou causar dúvidas quanto a idoneidade de nosso estabelecimento. Brincadeiras e sentidos ambíguos não são proibidos, porém devemos ser cautelosos, pois alguém pode se sentir ofendido e procurar os meios legais para retirar do ar sua propaganda. Pensando sobre as ações de publicidade que visam atrair para o consumo, até que ponto é ético ou correto alimentar o imaginário infantil com pro- pagandas de brinquedos (VT’s comerciais) que ilustram bonequinhos que ganham vida e apresentam um cenário incrível e interativo? ©shutterstock Legislação para as Promoções Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 151 LEGISLAÇÃO PARA AS PROMOÇÕES Após compreendermos sobre as diversas possibilidades de atuação com ações promocionais, precisamos saber também sobre a legalidade destas ações. Há ações que podem ser realizadas sem nenhum tipo de “autorização”, porém há outras que possuem uma regulamentação detalhada junto ao campo legal. Estamos buscando até aqui compreender que ações promocionais podem ser uma forma de atrair clientes novos para nossa loja e também resgatar aque- les que já não nos visitam há algum tempo. No entanto, talvez não saibamos que para que as empresas possam realizar promoções existe uma legislação, que deve ser cumprida para caracterizar essas atividades de forma correta e, obvia- mente, legalizada. Uma das instituições que regularizam essas ações é a Caixa Econômica Federal, que enquadra as ações promocionais em seis modalidades: Sorteio; Concurso; Vale Brinde; Assemelhada a Sorteio; Assemelhada a Concurso; Assemelhada a Vale-Brinde. E não podemos, de maneira desordenada, realizar ações sem a devida regularização. ESTRATÉGIAS QUE ATRAEM PARA O PONTO DE VENDA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E152 O ideal, caso queiramos desenvolver alguma ação que precise de regulamen- tação, é que procuremos auxílio ou consulta jurídica para não termos prejuízos desnecessários (financeiros, emocionais, perda de tempo). Conforme o Advogado Jonathan B. Domingues Ribeiro (OAB/MG 145.503), alguns cuidados devem ser tomados com relação às leis que regulamentam ações promocionais na legislação brasileira, por exemplo, temos a lei nº 5.768 de 20 de dezembro de 1971 e o decreto nº 70.951 de 09 de agosto de 1972 que dis- põem sobre as ações promocionais. Ambas são regulamentadas pela Portaria do Ministro de Estado da Fazenda - MF nº 41 de 19 de fevereiro de 2008. Referida legislação tem por objetivo regulamentar a distribuição gratuita de prêmios realizados mediante sorteio, vale brinde, concurso ou modalidade asse- melhada (a sorteio, a vale brinde, a concurso). Jonathan diz que é importante esclarecer que, para qualquer atividade que envolva ações promocionais, é necessário observar a legislação retromencionada, bem como o Código de Defesa do Consumidor. Com relação à existência de taxas, a serem pagas pelas empresas, para que possam ser autorizadas a realizarem a promoção, o advogado (OAB/MG 145.503) nos diz que a Medida Provisória nº 2.158-35 de 24/08/2001, em seu artigo 50, regulariza a taxa de fiscalização e autorização das ações promocionais de que trata a Lei nº 5.768/71. O parágrafo 1º da MP 2.158/01 informa sobre as taxas de fiscalização e auto- rização, a saber: Tabela 1 - Taxas de fiscalização VALOR DOS PRÊMIOS OFERECIDOS VALOR DA TAXA DE FISCALIZAÇÃO até R$ 1.000,00 de R$ 1.000,01 a R$ 5.000,00 de R$ 5.000,01 a R$ 10.000,00 de R$ 10.000,01 a R$ 50.000,00 de R$ 50.000,01 a R$ 100.000,00 de R$ 100.000,01 a R$ 500.000,00 de R$ 500.000,01 a R$ 1.667.000,00 acima de R$ 1.667.000,01 R$ 27,00 R$ 133,00 R$ 267,00 R$ 1.333,00 R$ 3.333,00R$ 10.667,00 R$ 33.333,00 R$ 66.667,00 Fonte - Brasil (2001, s/p). Legislação para as Promoções Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 153 Ainda sobre o funcionamento desse processo (etapas que o gerente da loja tem que fazer), Ribeiro nos informa que o processo de autorização para realiza- ção de Ações Promocionais está descrito na Portaria MF 41/2008, capítulo III, aos quais o gestor da empresa deverá obedecer, que diz: 1. É necessária autorização da Caixa Econômica Federal quando o solici- tante for pessoa jurídica comercial, industrial ou de compra e venda de imóveis; ou autorização da Secretaria de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda - SEAE, em caso de empresas financeiras, inclusive a própria CEF. 2. O pedido de autorização deverá ser instruído com os documentos lista- dos no anexo I da portaria MF 41/2008, sendo necessário observar o plano de operações contidos no anexo III da MF 41/2008. 3. Em seguida, o pedido será protocolizado na CAIXA ou no SEAE, caso o solicitante for instituição financeira. Protocolado o pedido, o solicitante não poderá substituir, unilateralmente, o plano apresentado. 4. A administração terá o prazo máximo de 30 dias para deliberar sobre a solicitação, podendo ocorrer prorrogação por igual período desde que expressa- mente motivada. Durante esse prazo ou no prazo de validade da autorização, a administradora poderá requerer documentos ou informações complementares, que acarretará na suspensão dos prazos para análise do pedido de autorização. Caso não sejam cumpridas as exigências mencionadas acima, no prazo de 15 dias, o pedido será indeferido, cabendo recurso administrativo. Para a con- cessão da autorização, é necessário que as pessoas jurídicas estejam quites com a Previdência Social, Dívida Ativa da União e Tributos nas esferas Federais, Estaduais e Municipais. O advogado nos esclarece que, conforme rege o artigo 8º nenhuma outra pessoa natural ou jurídica, inclusive as sociedades e associações civis de qualquer natureza, poderá participar da promoção comercial, nos termos definidos no art. 7º do Decreto nº 70.951, de 1972, exceto quando se tratar de pedido de autorização coletivo, nos termos do disposto no art. 19, da Seção I desta Portaria (BRASIL, 2008, s/p). ESTRATÉGIAS QUE ATRAEM PARA O PONTO DE VENDA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E154 Atendidas as exigências, a autorização para promoção comercial será defe- rida e a entrega do certificado de autorização fica condicionada à apresentação do plano de operação aprovado e assinado pelos representantes da pessoa jurí- dica autorizada com firma reconhecida (artigo 26, capítulo VI da MF 41/2008). De repente, caro(a) aluno(a), você trabalhe com produtos específicos e pode ter dúvida quanto à restrição do que pode ou não ser sorteado, oferecido como brinde em sua ação promocional. Neste caso, Jonathan nos explica que, de acordo com o artigo 10 do Decreto nº 70.951, de 09/08/1972, os produtos que não podem ser promovidos são: ■ Medicamentos. ■ Armas e munições, explosivos, fogos de artifício ou de estampido, bebi- das alcoólicas, fumos e seus derivados. ■ Outros produtos que venham a ser relacionados pelo Ministro da Fazenda (BRASIL, 1972, s/p). Legalmente, existem pormenoridades entre a Ação Promocional e Concurso Cultural. Ribeiro esclarece que, no caso das Ações Promocionais - modalida- des sorteio, vale-brinde, concurso ou modalidade assemelhada (a sorteio, a vale brinde, a concurso), dependem de prévia autorização, além de recolhimento de taxa de fiscalização. Ou seja, para realizar qualquer uma das modalidades a título de ação promocional, é necessário prévia autorização do órgão compe- tente conforme determinado pela Lei 5.769/71, Decreto 70.951/72, portaria MF 41/2008 E MP 2.158/01. Já o Concurso Cultural, não há necessidade de autorização para a distribuição gratuita de prêmios, em razão da sua característica unicamente cultural, artís- tico, desportivo ou recreativo. Dentre as vantagens do Concurso Cultural, está o não pagamento de taxas, visto que não é necessário registrar ou pedir autori- zação para que ocorra a promoção, tampouco há necessidade de esperar tempo de aprovação ou autorização do órgão competente. Importante esclarecer que o Concurso cultural deve obedecer às normas da Portaria MF nº 422 de 18/07/2013, nos termos do inciso II do art. 3º da Lei nº 5.768, de 1971, e do art. 30 do Decreto nº 70.951, de 9 de agosto de 1972, res- salta o advogado. Legislação para as Promoções Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 155 Caso a empresa não cumpra o determinado pela legislação para a Ação Promocional e não tenha a autorização do Órgão Competente, estará sujeita às sanções previstas no artigo 12 da Lei 7.691/88, ressalta Jonathan Ribeiro: Art. 12. A realização de operações regidas por esta Lei, sem prévia au- torização, sujeita os infratores às seguintes sanções, aplicáveis separada ou cumulativamente: (Redação pela Lei nº 7.691, de 15.12.88) I - no caso de que trata o art. 1º (Redação pela Lei nº 7.691, de 15.12.88). a) multa de até cem por cento da soma dos valores dos bens prometidos como prêmios (Redação pela Lei nº 7.691, de 15.12.88). b) proibição de realizar tais operações durante o prazo de até dois anos (Redação pela Lei nº 7.691, de 15.12.88). II - nos casos a que se refere o art. 7º (Redação pela Lei nº 7.691, de 15.12.88). a) multa de até cem por cento das importâncias previstas em contrato, recebidas ou a receber, a título de taxa ou despesa de administração (Redação da pela Lei nº 7.691, de 15.12.88). b) proibição de realizar tais operações durante o prazo de até dois anos (Redação pela Lei nº 7.691, de 15.12.88). Parágrafo único. Incorre, também, nas sanções previstas neste artigo quem, em desacordo com as normas aplicáveis, prometer publicamente realizar operações regidas por esta Lei (Redação pela Lei nº 7.691, de 15.12.88). Importante esclarecer que além das sanções, previstas na legislação, oferta- das pela Lei 7.691/88, o infrator poderá responder na esfera cível, criminal por sonegação, bem como no âmbito do Código de Defesa do Consumidor, com- pleta o advogado. Conforme Reis ([2016], on-line)16, comprar um produto é equivalente a mer- gulhar num universo mágico cheios de significados. “Consumimos, através dos produtos e serviços, dinamismo, elegância, poder, virilidade, feminilidade, ero- tismo, refinamento, segurança, etc”. ESTRATÉGIAS QUE ATRAEM PARA O PONTO DE VENDA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E156 A prática de propaganda enganosa é uma realidade. Por vezes ela ocorre por puro desconhecimento de quem executa a ação de promoção, a propaganda, etc. Portanto, para que estejamos preparados, conscientes quanto a caracterização des- tas práticas, fiz uma consulta, no âmbito jurídico, de como essas se configuram. Publicidade enganosa é a que contém informações falsas e também a que esconde ou deixa faltar informação importante sobre um produto ou serviço. Estas informações podem ser sobre: características; quantidade; origem; preço; propriedades. Um outro ponto que se faz relevante é diferenciar enganosa de abusiva. Uma publicidade abusiva é quando gera discriminação; provoca violência; explora medo ou superstição; aproveitar-se da falta de experiência da criança; desres- peita valores ambientais; induz a um comportamento prejudicial à saúde e à segurança (REIS, [2016], on-line)16. De acordo com o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor - IDEC (2016, on-line)17, em 2016, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) julgou como abusiva uma propaganda da Bauducco, por associar a venda de um biscoito aum reló- gio com personagem infantil. A decisão da corte, que deve impactar julgamentos semelhantes, teve como base o CDC, e está alinhado com a resolução 163/2014 do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda). Jonathan Ribeiro explica que o Código de Defesa do Consumidor, em seu artigo 37, parágrafo primeiro, define como publicidade enganosa aquela capaz de induzir o consumidor ao erro sobre determinado produto ou serviço. Vamos agora conhecer na legislação. O referido artigo (Art. 37) do CDC diz que é proibida toda publicidade enganosa ou abusiva. Sendo que: § 1° É enganosa qualquer modalidade de informação ou comunicação de caráter publicitário, inteira ou parcialmente falsa, ou, por qualquer outro modo, mesmo por omissão, capaz de induzir em erro o consu- midor a respeito da natureza, características, qualidade, quantidade, propriedades, origem, preço e quaisquer outros dados sobre produtos e serviços. Como empresário, como gerente, como profissional da comunicação, precisamos conhecer dessas leis para não errar na hora de divulgar nossos produtos, servi- ços e marcas. Desta forma, Jonathan diz que o Código de Defesa do Consumidor Legislação para as Promoções Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 157 em seus artigos 66, 67, 68 e 69 prevê sanções com penas de detenção e/ou multa ao agente que der causa a propaganda enganosa: Art. 66. Fazer afirmação falsa ou enganosa, ou omitir informação re- levante sobre a natureza, característica, qualidade, quantidade, segu- rança, desempenho, durabilidade, preço ou garantia de produtos ou serviços: Pena - Detenção de três meses a um ano e multa. § 1º Incorrerá nas mesmas penas quem patrocinar a oferta. § 2º Se o crime é culposo. Pena - Detenção de um a seis meses ou multa. Art. 67. Fazer ou promover publicidade que sabe ou deveria saber ser enganosa ou abusiva: Pena - Detenção de três meses a um ano e multa. Art. 68. Fazer ou promover publicidade que sabe ou deveria saber ser capaz de induzir o consumidor a se comportar de forma prejudicial ou perigosa a sua saúde ou segurança: Pena - Detenção de seis meses a dois anos e multa. Art. 69. Deixar de organizar dados fáticos, técnicos e científicos que dão base à publicidade: Pena - Detenção de um a seis meses ou multa. Agora que conhecemos das leis, pode ficar mais fácil evitar erros, não é mesmo? Reis (2010) ainda ressalta que é preciso ter certa cautela em relação à interpre- tação sobre publicidade enganosa, e não fazer uma leitura com muita rigidez do que é enganoso. É preciso lembrar que a linguagem da publicidade é direcio- nada para aguçar o imaginário e o desejo; e as expressões exageradas, como “a melhor”, “a mais bonita”, “o mais forte” visam dar uma conotação mais qualita- tiva ao produto, e não obrigar seu consumo (questão de bom senso). O que nos fica é a lição de que devemos escolher e preparar muito bem as mensagens que vamos utilizar para atrair nosso consumidor, sendo criativos, mas não inventivos. As imagens, as falas devem ser escolhidas com cuidado para não denotar algo que não venha a ser realidade. Oferecer e mostrar nosso produto, ESTRATÉGIAS QUE ATRAEM PARA O PONTO DE VENDA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E158 atrair para o consumo do nosso produto de forma real, gerando expectativa positiva em nossos clientes em potencial, mas sem frustrá-los por não conse- guir oferecer o que foi anunciado. A Caixa é a responsável pela autorização e pela fiscalização das ações com distribuição gratuita de prêmios a título de propaganda, bem como daque- las que envolvam os sorteios filantrópicos. Para saber mais sobre estas regulamentações, consulte: <http://www.caixa. gov.br/empresa/promocoes-sorteios/Paginas/default.aspx>. Fonte: Caixa Econômica Federal (2016)18. Considerações Finais Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 159 CONSIDERAÇÕES FINAIS Caro(a) aluno(a)! Usar estratégias para atrair clientes são sempre necessárias, ainda mais em meio a tanta concorrência. Diferenciar-se é uma arte, mas deve- mos fazer isso de forma inteligente para arcar com lucro e não com prejuízo. A promoção de vendas deve ser definida de forma estratégica, e integrada com outras mídias. Ela utiliza ações desenvolvidas no ponto de venda, levando em consideração a comunicação ou disposição de layout. Portanto, deve ser feito um plano de ação de marketing, com um calendário de datas promocionais pre- viamente montado, contemplando ações periódicas (quinzenais ou mensais), de forma que se possa comunicar por completo a imagem da empresa, o produto em oferta e o respectivo preço (TOLEDO e VAZ, 2008, on-line)19. A formação de imagem de marca é um processo complexo contínuo e multidimensional que afeta a construção da estratégia das empresas e o seu relacionamento direto com os consumidores. Ainda existem diversos sinais emitidos pela marca (aspectos físicos, personalidade, aspectos simbólicos, cul- tura, relação e mentalização) que precisam ser levados em conta no processo de percepção do consumidor. A imagem é a saída do processo de comunicação da identidade de marca e influencia sobremaneira as decisões dos negócios empre- sariais (PONTES, 2009, p. 41). A ética, como ciência que estuda o comportamento, as regras de conduta das pessoas em sociedade, também deve ser aplicada junto ao bom senso nas construções das ações mercadológicas. Para que a empresa evite desgastes, impli- cações com sua imagem é melhor verificar antes de “agredir” seu público. Isso pode ser facilitado, uma vez que se conhece o público consumidor. E antes de executar uma promoção que implique em necessidades de ade- quações legais, consulte um especialista, ou mesmo que seja um autodidata, certifique-se de que a modalidade escolhida não apresenta nenhuma restrição. Agora é usar os conhecimentos para atrair e melhorar seu retorno. 160 1. O mercadinho que você utiliza diariamente para fazer suas compras emergen- ciais colocou na entrada um arco de bexigas com algumas plaquinhas enalte- cendo a promoção de uma determinada marca de sabão em pó que estaria com preços diferenciados para o lançamento. Em qual tipo de promoção de vendas esta ação se encaixa? a. Redução de preço. b. Kit promocional. c. Material de Ponto de Venda. d. Concursos. e. Recompensas por fidelidade. 2. “[...]modalidade de promoção comercial, na qual são emitidos, em séries de no máximo cem mil números, elementos sorteáveis numerados, distribuídos con- comitante, aleatória e eqüitativamente e cujos contemplados são definidos com base nos resultados das extrações da Loteria Federal ou com a combinação de números desses resultados. Nesta modalidade, a premiação deverá ser idêntica para cada série, quando emitida mais de uma para um mesmo período de par- ticipação” . A partir da leitura deste trecho da portaria 41 de 19/02/2008, assinale a qual item este se encaixa: a. Vale-brinde. b. Concurso. c. Cartão fidelidade. d. Sorteio. e. Brindes. 3. A loja ursinhos de pelúcia da dona Cristina tem apresentado uma constante queda nas vendas. A proprietária não sabe o que fazer, não percebeu que seu estoque está defasado, sua fachada está com a vitrine suja e não há mudanças estéticas em seu layout. Explique para dona Cristina a relação que os clientes têm com a imagem e os atributos da loja. 4. “As propostas de restrição legal à publicidade voltada para o público infantil têm gerado intensos debates sobre seus objetivos. Os defensores dessas propostas argumentam que as mensagens publicitárias infantis seriam antiéticas, já que se direcionam a um público-alvo que ainda não completou as etapas de desenvol- vimento psíquico necessárias para seus integrantes analisarem criticamenteas informações que recebem” (RIBEIRO E EWALD, [2016])20. 161 Pensando no público infantil e em toda publicidade persuasiva existente, compartilhe um exemplo de ação publicitária infantil que, em sua opinião, apresente uma ética duvidosa. Justifique. 5. Sobre a legislação que regulamenta as ações promocionais, leia as afirmativas e assinale as que estiverem corretas: I. Para que possam ser autorizadas a realizar a promoção há taxas de fiscaliza- ção e autorização conforme lei. II. É necessária autorização da Caixa Econômica Federal quando o solicitante for pessoa jurídica comercial, industrial ou de compra e venda de imóveis. III. Atendidas as exigências, a autorização para promoção comercial será defe- rida e haverá entrega da autorização condicionada à apresentação do plano de operação. IV. Desde que não ofereçam risco as crianças, serão permitidos ações promo- cionais que envolvam fogos de artifício. Está correto o que se afirma apenas em: a. I. b. I, II. c. I, II, III. d. I, III e IV. e. I, II, III e IV. 162 PROPAGANDA COMPARATIVA REQUER CUIDADOS ESPECIAIS Antes de elaborar uma campanha publicitária de cunho comparativo para seus clientes, as agências devem buscar informações sobre todas as regras éticas e legais envolvendo esta prática, de modo a alcançar bons resultados, sem expor os clientes a desconfortos legais que podem acarretar processos indenizatórios. As agências de propaganda, ao conceber uma campanha publicitária de natureza com- parativa, devem se atentar aos princípios e limites éticos previstos no Código Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária. Entre os aspectos para os quais as agências de- vem estar atentas, destacam-se os seguintes: Acesse: <http://www.fenapro.org.br/component/content/article/811-propaganda-> e <http://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2015/09/02/grandes-marcas-usam-pro- paganda-para-provocar-a-concorrencia-relembre.htm>. Fonte: Zoia ([2016], on-line)21 e Freitas (2015, on-line)22. Material Complementar MATERIAL COMPLEMENTAR Promoção de Vendas e Comunicação de Preços Pedro Quelhas Brito Editora: Gestão Sinopse: existe algo mais excitante do que as promoções? Os consumidores adoram-nas! Essa palavra mágica tem um enorme poder de atração e, em igualdade de condições, uma marca ou um artigo em promoção é sempre o escolhido. O desafi o deste livro é demonstrar que as promoções de vendas são a estratégia mais inteligente para, sem “mexer” no preço, tornar a nossa proposta mais atrativa e interessante. Nessa perspectiva, o tema da comunicação do preço é crucial porque, se não dominarmos o preço (na sua dinâmica), perdemos dinheiro pela certa. NO Ano: 2012 Sinopse: ‘No” narra a história de René Saavedra (Gael García Bernal), publicitário acostumado a criar inúmeras peças para a agência que trabalha. No momento em que o povo chileno é chamado para votar em um referendo pela permanência do General Augusto Pinochet no poder, e seu chefe está trabalhando na campanha do “Sim”, René recebe o convite para integrar a equipe do “Não”. Sua missão: criar fi lmes e materiais promocionais que convençam a maioria do povo chileno a votar “No”, interrompendo dessa forma a ditadura no país. Promoção de vendas: uma ferramenta de incentivo ao consumo. O estudo mostra a força da estratégia promocional inserida no contexto varejista: promoção de vendas. O varejista pode estimular o público-alvo a adquirir produtos e serviços de maneira rápida e instantânea, por meio de um benefício adicional concreto, perceptível e identifi cável por parte do consumidor. Acesse: <http://www.insite.pro.br/2008/31.pdf>. REFERÊNCIAS AIOFFI, R. M. A influência de eventos institucionais inovadores na imagem da loja. 2013. 66f. Dissertação - Fundação Instituto Capixaba de Pesquisas em Contabi- lidade, Economia e Finanças (FUCAPE), Vitória, 2013. BIAZON, V. V. Atributos de preferência do consumidor e imagem na escolha de uma instituição de ensino superior: um estudo com egressos do ensino médio de Paranavaí-PR. 2012. 139f. Dissertação - Fundação Pedro Leopoldo (FPL), Pedro Leopoldo. 2012. Disponível em <http://www.fpl.edu.br/2013/media/pdfs/mestra- do/dissertacoes_2012/dissertacao_victor_vinicius_biazon_2012.pdf>. Acesso em: 07 nov. 2016. BIAZON, V. V.; PISA, L. F.; SPADIN, A. C. R. Discursos organizacionais: diálogos de O Boticário com a pluralidade das identidades e da família. In: Comunicon 2016 – Congresso Internacional de Comunicação e Consumo, ESPM, São Paulo. 2016. np. Disponível em: <http://anais-comunicon2016.espm.br/GTs/GTPOS/GT6/GT06-BIA- ZON-PISA.pdf>. Acesso em: 07 nov. 2016. BLACKWELL, R. D.; et al. Comportamento do consumidor. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2009. BRASIL, Código de Defesa do Consumidor - Lei 8078/90 | Lei nº 8.078, de 11 de setembro de 1990. Disponível em: <http://presrepublica.jusbrasil.com.br/legisla- cao/91585/codigo-de-defesa-do-consumidor-lei-8078-90#art-37>. Acesso em: 06 mai. 2016. BRASIL, DECRETO No 70.951, de 9 de agosto de 1972. Disponível em: <http://www. planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/Antigos/D70951.htm>. Acesso em: 06 mai. 2016. BRASIL, MEDIDA PROVISÓRIA Nº 2.158-35, de 24 de agosto de 2001. Disponível em <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/mpv/2158-35.htm>. Acesso em: 06 mai. 2016. 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Itens como: - Os clientes são atraídos pela imagem, pelo visual, pelos atributos da loja. - A imagem da loja é considerada como a forma que os consumidores veem a loja em suas mentes, com base em atributos tangíveis e intangíveis. - Conhecer e gerenciar a imagem da loja e, especialmente, avaliar quais compo- nentes influenciam diretamente essa imagem, são fatores essenciais para admi- nistrar uma empresa varejista. - Os consumidores procuram e escolhem a loja que tem a imagem mais con- gruente com a sua, ou seja se identificarem. 4. Os alunos podem usar exemplos da propaganda do “compre batom” que tinha um caráter totalmente persuasivo e incitava as crianças a desejarem o produto e solicitar aos seus pais ou responsáveis. A ética da campanha foi duvidosa, visto que por se tratar de um chocolate, produto normalmente requerido pelas crian- ças, a forma indutiva com que as falas eram colocadas, certamente foram usadas para que a compra fosse efetivada. 5. Alternativa C. U N ID A D E IV Professor Esp. Rodrigo Junior Gualassi ECONOMIA E CUSTOS: ASPECTOS DO CENÁRIO ECONÔMICO QUE INFLUENCIAM NO PDV Objetivos de Aprendizagem ■ Proporcionar o entendimento sobre a diferença entre custos e despesas. ■ Conceituar como funciona e qual a importância do sistema de custeio para a organização. ■ Expor (entender) que é possível preservar a saúde financeira do negócio com decisões pautadas nos custos da operação. ■ Proporcionar o entendimento de que uma boa gestão de custos está ligada diretamente aos lucros, bem como à manutenção do negócio no mercado competitivo. Plano de Estudo A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: ■ Custos versus despesas ■ Sistema de custeio ■ Tomada de decisão baseada em custos ■ Boas práticas da gestão de custos INTRODUÇÃO Olá, caro(a) aluno(a)! A globalização da economia fez com que barreiras às fron- teiras econômicas e financeiras fossem eliminadas, criando um ambiente muito mais abrangente e competitivo e exigindo dos empresários ao mesmo tempo um maior dinamismo na condução dos negócios. Anteriormente a essa abertura de cenário, e consequentemente um campo muito maior de expansão, os negócios possuíam, sim, muitas particularidades e a concorrência, essa nunca deixou de existir. É fato que em outras épocas os esforços não eram tão gigantescos como agora, o que não significa que adminis- trar uma empresa naqueles tempos fosse fácil. Entenda que nada é tão simples quando se está no comando de uma organização, entretanto, com boa gestão certamente o caminho ficará mais claro. Sun Tzu (2002) menciona: “Se você conhece o seu inimigo e conhece a si mesmo, não precisa temer o resultado de uma centena de batalhas”. Aqui, considere, quando ele diz que “se conhece a si mesmo, não precisa temer o resultado de muitas batalhas”, traduzindo, pois, é passível de entender que se o empresário conhece todas a nuances do negócio (de dentro para fora), a empresa estará no mínimo bem preparada para enfren- tar os perigos que estão por vir. É certo que isso não dá garantia de sucesso para ninguém, nem mesmo para nenhuma empresa, mas é um pontapé essencial na corrida concorrencial. E o que isso tem a ver com o tema deste capítulo? Ora, a resposta pode estar em outra pergunta: se conhece bem os custos empregados nos vossos negócios, logo, não terás alguma vantagem sobre a concorrência? Sim! E essa vantagem pode ser desde o saneamento das contas da organização, indo muito além de inúmeras estratégias que podem ser planejadas, inclusive de marketing, como visto nos capítulos anteriores. Dessa forma, convido-vos para juntos estudarmos o quão importante é este elemento chamado custo e o quanto a sua aplicação com eficácia tem sido, estrategicamente, responsável por bons resultados obtidos nos mais diversos tipos de negócios. Boa leitura! Introdução Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 171 ECONOMIA E CUSTOS: ASPECTOS DO CENÁRIO ECONÔMICO QUE INFLUENCIAM NO PDV Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E172 CUSTOS VERSUS DESPESAS Aluno(a), agora que você já sabe que os custos podem ser responsáveis pela manutenção de um negócio, seja qual for ele, cabe, então, entender melhor como esse item pode influenciar diretamente nos resultados de uma empresa se bem ou mal administrado, tornando a gestão mais eficiente e eficaz, visando alcan- çar os objetivos da empresa. Podendo atuar em novos mercados, as empresas sentiram rapidamente a necessidade de modificar seus conceitos operacionais e produtivos, visando prin- cipalmente à redução de gastos, para possibilitar sua sobrevivência e crescimento em um novo mercado, caracterizado pela maior exigência dos consumidores. Esses e outros fatores são responsáveis por grandes mudanças no objeto de preo- cupação dos empresários dos tempos modernos, que é a necessidade de excelente gerenciamento de seus custos de produção de bens ou serviços. No entanto, o que é um custo e uma despesa? Tudo o que é investido ou gasto em uma empresa pode ser classificado como custo ou como despesa? Existem diferenças entre eles? Porque é necessáriosaber classificá-los corretamente? Essas e outras questões é o que procuramos responder a seguir. Custos Versus Despesas Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 173 CUSTOS: ABRANGÊNCIA Quanto à abrangência do cálculo de custos, há que se ressaltar que é muito ampla nos dias atuais. É possível perceber que diariamente nossas decisões, sejam elas quais forem, envolvem de alguma forma e em alguma escala, maior ou menor, a variável custo e, assim como na vida pessoal, nas organizações não é diferente: grande parte das decisões diárias envolvem alguma forma de custo. Visando estabelecer certa ordenação nesse uso, podem-se identificar pelo menos quatro campos de abrangência e aplicação do cálculo de custos que segundo Beulke e Bertó (2006) são: (1) contábeis; (2) vinculadas ao planejamento; (3) vol- tadas à gestão econômico-financeira, mercadológica; e (4) voltadas ao controle. Compõem esses campos: ■ Aplicações contábeis: - avaliação dos estoques. - avaliação de imobilizações próprias. - avaliação de bens de fabricação própria para uso futuro. ■ Abrangência e aplicações vinculadas ao planejamento: - aplicação relacionada ao orçamento. - projeção de planos de vendas e produção. - estudos de viabilidade. - análise de investimentos. ■ Abrangência e aplicações na gestão econômico-financeira, mercadológica: - formação do preço de venda ou do valor de produtos e serviços. - avaliação do desempenho de produtos e serviços. - formulação das políticas de produtos e preços. - formulação de políticas de distribuição e segmentação. - avaliação do desempenho de negociações. ECONOMIA E CUSTOS: ASPECTOS DO CENÁRIO ECONÔMICO QUE INFLUENCIAM NO PDV Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E174 ■ Abrangência e aplicações voltadas ao controle: - controle do planejamento. - controle dos materiais. - controle do processo e da administração. - controle do ciclo operacional. O quadro a seguir ilustra bem os quatro campos citados. Quadro 1 - Finalidades e abrangência do custo na atividade empresarial Finalidade contábil • Avaliação dos estoques pelo sistema integrado Custo X Contabilidade; • Imobilizações próprias; • Peças e componentes de fabricação própria. • Formação do custo, resultado e preço de venda dos produtos, mercadorias e serviços; • Estabelecimento da política de produtos, mercadorias e serviços; • Estabelecimento da política de mercados para produtos, mercadorias e serviços; • Estabelecimento da política de distribuição de produtos, mercadorias e serviços; • Avaliação de negociações. Finalidades gerenciais Finalidade de planejamento • Instrumento-base para elaboração e controle de orçamento operacional; • Instrumento para estudos de viabilidade; • Instrumento para análise de investimento. • Análise de e�ciência interna; • Análise de minimizaçãodo custo por meio do ABC; • Técnicas de redução de custos; • Análise de valores; • Just in time (apenas a tempo). Finalidades de controle de economicidade CUSTOS Fonte: Beulke e Bertó (2006, p. 10). CUSTOS: CONCEITUAÇÃO Talvez você ainda não tenha o conceito de custo bem definido e a missão deste capítulo é deixar isso bem claro. A literatura disponível na atualidade é bastante moderada ao tratar do assunto, visto que termos como “custo”, “gasto” e “des- pesa” geram muitas dúvidas quanto ao seu emprego nas operações empresariais. Custos Versus Despesas Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 175 Segundo Martins (2003, p. 39), separar custos de despesas não é tarefa fácil, para ele: Teoricamente, a separação é fácil: os gastos relativos ao processo de produção são custos, e os relativos à administração, às vendas e aos financiamentos são despesas. Na prática, entretanto, uma série de pro- blemas aparece pelo fato de não ser possível a separação de forma clara e objetiva. Por exemplo, é comum encontrarmos uma única adminis- tração, sem a separação da que realmente pertence a produção; surge daí a prática de se ratear o gasto geral da administração, parte para des- pesa e parte para o custo, rateio esse sempre arbitrário, pela dificuldade prática de uma divisão científica. É importante ressaltar novamente a importância deste entendimento, já que o ambiente econômico atual criou a necessidade de uma adequação estrutural da gestão de custos. A alta competitividade nos mercados, considerando tanto a economia local, quanto em escalas macroeconômicas (global), pressionam os fabricantes a constantemente avaliarem seus custos de produção ou aquisição de mercadorias. Essas mudanças abrem caminho para que a gestão em custos tenha, como um de seus principais elementos de competição, a inovação na forma de produzir ou adquirir, para que os produtos cheguem com rentabilidade de fato ao destino final. Todos os elementos de marketing vistos anteriormente podem ser extremamente eficazes na busca pela promoção de um negócio, porém, a forma de produzir ou adquirir ainda possui grande importância no que diz res- peito à saúde financeira da organização. Maher (2001, p. 64) afirma que “um custo representa um sacrifício de recursos”. E esse sacrifício diz respeito ao preço que temos que pagar de cada item para adquiri-lo. Independente de pagarmos agora ou no futuro. Em seu livro contabilidade de custos, Martins (2003, p. 25) diz: o custo é também um gasto, só que reconhecido como tal, isto é, como custo, no momento da utilização dos fatores de produção (bens e ser- viços), para a fabricação de um produto ou execução de um serviço. Exemplos: a matéria-prima foi um gasto em sua aquisição que imedia- tamente se tornou investimento, e assim ficou durante o tempo de sua estocagem; no momento de sua utilização na fabricação de um bem, surge o custo da matéria-prima como parte integrante do bem elabo- rado. Este, por sua vez, é de novo um investimento, já que fica ativado até sua venda. ECONOMIA E CUSTOS: ASPECTOS DO CENÁRIO ECONÔMICO QUE INFLUENCIAM NO PDV Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E176 Em um conceito mais genérico, para Beulke e Bertó (2006, p. 19), existe uma afir- mativa “de que os custos constitui a expressão monetária dos insumos e consumos ocorridos para a produção e venda de um determinado produto ou serviço”. Ou seja, todos os insumos utilizados na produção de um produto ou na execução de um serviço tem um valor que deve ser computado e, obviamente, transferido para o preço final de venda. Neste aspecto podemos citar como exemplo: maté- ria-prima, mão de obra e gastos gerais incorridos na fabricação ou em função dela, depreciação de máquinas e equipamentos, energia elétrica, manutenção, entre outros ligados à produção. Perceba então, que o tema exige bastante atenção, pois é comum que grande parte dos empresários ainda cause uma grande confusão quando o assunto é custo, principalmente ao confundi-los com o que chamamos de despesas, haja vista a multiplicidade de entendimento e, em muitas vezes, a incorreta utiliza- ção deles. Portanto, não se preocupe, você não é o único com dúvidas sobre esse assunto. No entendimento de muitos, tudo é gasto ou ainda considerado como despesas e, por mais que pareça estar correto, não está. Entender essa dinâmica permite que as empresas se ajustem ao meio em que estão inseridas, auxiliando na tomada de decisões acerca das estratégias do negó- cio. Bernardi (2007, p. 41) diz que os custos “são gastos direcionados à produção de bens, portanto inerentes à atividade de produzir, incluindo a produção em si e a administração da produção”. Portanto, saber para onde os recursos vão, dentro de uma operação, é extremamente necessário para avaliação e direcionamento de esforços,visando sempre o aumento da competitividade e, consequentemente, maximização dos resultados da organização, já que o ambiente empresarial por muitas vezes assemelha-se a um campo de guerra em que o exército (organiza- ção) mais bem preparado obterá êxito sobre seu oponente (concorrência). Trazendo um pouquinho dos princípios contábeis, o custo pode ser visto como instrumento de controle. Para sobreviver no regime capitalista, o lucro é extremamente necessário, sua composição de apuração se dá do excedente de receitas totais sobre custos e despesas totais. Atualmente, se o empresário des- conhece a forma como que os negócios estão sendo realizados e se estão ou não gerando lucro, poderá tomar decisões drásticas ou até mesmo desproporcionais à verdadeira realidade da empresa. Custos Versus Despesas Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 177 Dutra (2010, p. 17), num conceito mais amplo, afirma que custo não está ligado apenas ao produto, para ele “é o valor aceito pelo comprador para adquirir um bem ou é a soma de todos os valores agregados ao bem desde sua aquisição, até que atinja o estágio de comercialização”. Nota-se então que o custo aplica-se na produção ou em função dela e, que no caso das empresas comerciais, as que não produzem e sim adquirem produtos para serem vendidas no PDV, também possuem custos, esses chamamos de custos de aquisições (fornecedores, fretes das mercadorias adquiridas e etc.); essa parcela do gasto pode ter sido desem- bolsada ou não. Crepaldi (2010, p. 8) classifica os custos da seguinte forma: ■ Quanto à sua apropriação aos produtos, podem ser: Custos Diretos e Indiretos. a. Custos Diretos: os que podem, sem ser rateados, ser diretamente apropriados aos produtos. Associam-se aos produtos e variam pro- porcionalmente à quantidade produzida (ex: horas de mão de obra ou de máquinas, quantidade de força consumida, etc.) b. Custos Indiretos: para serem incorporados aos produtos, necessitam de critérios de rateio (ex: aluguel, iluminação, depreciação, salários de supervisores, etc.). ■ Quanto ao nível de atividades, são classificados em: Custos Fixos, Variáveis e Semivariáveis ou Semifixo. c. Custos Fixos: são aqueles cujo total não varia proporcionalmente ao volume produzido (ex: aluguel, seguro de fábrica, etc.) d. Custos Variáveis: são aqueles que variam proporcionalmente ao volume produzido (ex: matéria prima, embalagem). e. Custos Semivariáveis ou semifixo: são considerados fixos até uma determinada parcela e, a partir deste ponto, passam a ser variáveis. É o custo que varia em função do volume de produção ou venda, mas não exatamente nas mesmas proporções (ex: fábrica que consome R$ 200,00 em energia para fabricar até 1.000 unidades, variando para R$ 500,00 quando passa a fabricar até 1.500 unidades). ECONOMIA E CUSTOS: ASPECTOS DO CENÁRIO ECONÔMICO QUE INFLUENCIAM NO PDV Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E178 No quadro a seguir, é possível visualizar outros conceitos. Quadro 2 - Outros conceitos quanto à sua classificação OUTROS CONCEITOS QUANTO À SUA CLASSIFICAÇÃO Custos de Transformação Representam o esforço empregado pela em- presa no processo de fabricação de determi- nado item. Não incluem matéria-prima nem outros produtos adquiridos prontos para consumo. Exemplo: mão de obra direta e indireta, ener- gia, horas de máquina, etc. Custos Primários São a soma simples de matéria-prima e mão de obra direta. Não são a mesma coisa que custo direto, que é mais amplo. Exemplo: materiais auxiliares, energia elétrica etc. Custo de oportunidade Representa o valor associado à melhor al- ternativa não escolhida. Ao se tomar deter- minada escolha, deixa-se de lado as demais possibilidades. À alternativa escolhida, associa-se como “custo de oportunidade” o maior benefício NÃO obtido dentre as possi- bilidades NÃO escolhidas, isto é, “escolha de determinada opção impede o usufruto dos benefícios que as outras opções poderiam proporcionar”. Materiais Diretos São os materiais que se incorporam direta- mente aos produtos. Exemplo: matéria-prima, embalagens, ma- teriais auxiliares (cola, tinta, parafuso, prego, etc). Mão de Obra Direta Representa custos relacionados com pessoal que trabalha diretamente na elaboração dos produtos. Exemplo: empregado que opera um torno mecânico (a mão de obra não deve ser con- fundida com a de um operário que supervi- siona um grupo de torneiros mecânicos). Custos Versus Despesas Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 179 Rateio Representa a alocação de custos indiretos aos produtos em fabricação, segundo critérios racionais. Exemplo: depreciação de máquinas rateadas segundo o tempo de utilização (HM) por produto, etc. Fonte: Crepaldi (2010, p. 10). No parâmetro da análise comercial, segundo Silva (2013), o comércio tem fun- ção de intermediar a compra e a venda do bem sem efetivamente participar no processo de transformação, diferente do que ocorre na indústria. Logo, no caso das empresas comerciais, utiliza-se o CMV (custo das mercadorias vendidas), havendo duas formas básicas de cálculo: ■ Empresas que não detêm um tipo de controle regular dos estoques, efe- tuando em cada período final, o levantamento físico das quantidades de mercadorias existentes. CMV = ESTOQUE INICIAL + COMPRAS - ESTOQUE FINAL ■ Empresas que detêm controle regular dos estoques, efetuando todos os registros de entradas e saídas de mercadorias, obtêm o custo das merca- dorias vendidas (CMV) diretamente por meio dos registros contábeis. Neste caso a contagem física atesta a eficiência dos controles. Silva (2013, p. 138), no caso das empresas de prestação de serviços, destaca ainda que “o custo dos serviços prestados (CSP) compreende todos os gastos necessá- rios à obtenção dos serviços”. O interessante, aqui, é saber diferenciar os esforços empregados numa empresa, tanto a quantia que foi gasta na produção ou aquisição de determi- nado item, quanto na disponibilização de serviço bem como nas demais despesas relacionadas à administração e vendas. Cabe ressaltar também todos os recursos direcionados para a promoção do negócio, porque essa atividade comercial poderá ou não gerar renda e, assim, sendo possível identificar onde, quando e como a empresa investe seu dinheiro, cabendo a ela de forma estratégica tomar decisões com base na realocação de ECONOMIA E CUSTOS: ASPECTOS DO CENÁRIO ECONÔMICO QUE INFLUENCIAM NO PDV Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E180 recursos ou ainda no provimento de resolução de problemas na raiz, sem afetar as demais áreas envolvidas no processo. Como exposto anteriormente, o momento atual exige maior assertividade, que somente será possível por meio de uma boa gestão. DESPESAS Para desatar de vez esse nó que paira sobre o entendimento de custos e despesas, agora, vamos direcionar nosso foco de estudo para as despesas. Até aqui você se deu conta de que o custo está empregado à parcela do gasto relativo para a produção ou aquisição de mercadorias. E a despesa? Qual sua parcela de contri- buição dentro do processo organizacional? Antes de iniciar nossa jornada pela construção desse conhecimento, é preciso conceituar o tema. Segundo Martins (2003), um exemplo clássico de despesa é o comissiona- mento do pessoal do departamento comercial de uma empresa. O autor cita que tal comissão é um gasto que se torna imediatamente uma despesa, pois se trata de um serviço consumido direta ou indiretamente para a obtenção de receitas, não faz parte da produção ou aquisição do bem ou ainda da disponibilização e prestação do serviço. Refinando essa linha de pensamento, Bernardi (2007, p. 41)destaca que as despesas “são gastos inerentes à obtenção de receitas e administração da empresa, portanto próprios das atividades de vendas e administração”. As despesas são classificadas em variáveis e fixas: ■ Variáveis: são aquelas que variam em função da quantidade de vendas (comissões, ICMS, PIS, Cofins, seguros, viagens, frete sobre as vendas, embalagens, etc.) ■ Fixas: são aquelas que independem do volume de vendas e são apropriadas ao resultado do período, independente se houver mais ou menos vendas, essas despesas apareceram na apuração do resultado (salários, encargos, benefícios, aluguéis, etc.) Custos Versus Despesas Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 181 Isso quer dizer que além de todos os custos incorridos na produção, a empresa possui gastos relativos às suas despesas de natureza não industrial ou de aquisição. Tais despesas aparecem na apuração do resultado. O quadro a seguir demonstra a classificação das despesas quanto à sua função. Quadro 3 - Classificação das despesas • DESPESAS COMERCIAIS: • COMISSÃO DE VENDEDORES. • SALÁRIO DE VENDEDORES. • VIAGENS E ESTADAS. • PROPAGANDA E MARKETING. • ALUGUEL DE ESCRITÓRIOS REGIONAIS. • MATERIAL DE EXPEDIENTE. • OUTRAS. • DESPESAS ADMINISTRATIVAS: • ALUGUEL. • SALÁRIOS ADMINISTRATIVOS. • ENCARGOS SOCIAIS. • HONORÁRIOS DE DIRETORES. • TELEFONE, INTERNET, ÁGUA E LUZ. • MATERIAL DE EXPEDIENTE. • LEASING DE EQUIPAMENTOS DE ESCRITÓRIO. • OUTRAS. • DESPESAS FINANCEIRAS: • JUROS DE DESCONTO. • TAXAS DE COBRANÇA. • IOF. • TAXAS DE SERVIÇOS. • OUTRAS. Fonte: Santos, (2011, p. 26). ECONOMIA E CUSTOS: ASPECTOS DO CENÁRIO ECONÔMICO QUE INFLUENCIAM NO PDV Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E182 DIFERENÇA ENTRE CUSTO E DESPESA Para facilitar o entendimento sobre o que é considerado custo e o que é conside- rado despesa, contaremos com a ajuda do nosso empreendedor fictício Sr. Ivã. Suponha que, hipoteticamente, o personagem da nossa história identificado como Sr. Ivã, após se formar na graduação, no dia da festa de formatura, ganhou um copo personalizado. Neste copo havia as inscrições contendo o seu nome e o logo do seu curso. Gostou tanto do produto que resolveu abrir uma empresa especializada em brindes, apostando especificamente nesse nicho de mercado. A partir de então passaria a produzir e vender. Para iniciar sua operação, alugou um ponto comercial com a finalidade de atender os clientes. A priori a produção será realizada em prédio próprio, sem a cobrança de aluguel. Adquiriu duas máquinas de impressão e um computa- dor para o designer de novos produtos. Como seu regime de trabalho é baseado em pedidos sob encomenda, sabendo que deveria enviar os pedidos realiza- dos, adquiriu caixas para embalar o produto acabado. Um computador para o departamento administrativo, outro para a recepção da empresa e outros dois computadores foram adquiridos para o departamento comercial, além de um veículo plotado para realizar serviços inerentes à administração e vendas, que também fora adquirido. Ao comprar os insumos de produção (copos neutros, tintas, adesivos, etc.), o Sr. Ivã negociou e conseguiu boa redução no valor do frete a pagar pela sua empresa. Seguindo seu planejamento, visando atender esse mercado que considera ser pouco explorado, para compor o quadro de pessoal da empresa, contra- tou dois vendedores, que além do salário fixo para desempenhar a função de vendas, receberiam comissões provenientes das metas atingidas, uma secretá- ria para atender os clientes por telefone, pela internet e pessoalmente no PDV, um designer para desenvolver as artes dos produtos, um gestor administrativo, responsável pelas áreas financeira e de pessoas, e outros quatro funcionários res- ponsáveis por produzir e despachar os pedidos solicitados, que neste primeiro momento serão enviados exclusivamente via frete, pago pela empresa, visando atender uma estratégia promocional de vendas. Custos Versus Despesas Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 183 Para promover o negócio, além do frete grátis, Sr. Ivã gastou com campa- nhas na internet, em redes sociais e com materiais de divulgação para que seus vendedores pudessem visitar instituições de ensino da região promovendo o seu negócio, utilizando o veículo da empresa. Já deu para perceber que o público-alvo do Sr. Ivã foi justamente o público universitário. Este pequeno cenário possibi- lita distinguir o que são custos e despesas, acompanhe a seguir: Computador recepção Computador recepção Aluguel Computador administrativo Vendedores (comissão) Veículo (depreciação + combustível) Administrativo Secretária Frete mercadorias vendidas Campanhas de marketing (promoção) DESPESA Embalagens de produto Materiais de produção (insumos) Máquinas de impressão (aquisição + depreciação) Computador designer (aquisição + depreciação) Designer de produto Funcionários produção Frete mercadorias adquiridas CUSTO Figura 1- Separação de custo e despesa do caso Fonte: o autor. Ao analisar a separação, percebe-se exatamente um direcionamento para cada atividade realizada e se está condicionada ao fator produção ou geração de renda, ou seja, relativo à produção ou vendas. No exemplo citado, máquinas de impressão, computador do designer, embalagens, materiais e insumos, mão de ECONOMIA E CUSTOS: ASPECTOS DO CENÁRIO ECONÔMICO QUE INFLUENCIAM NO PDV Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E184 obra ligada à produção e o frete das mercadorias adquiridas são itens ineren- tes (custos empregados) ao processo de produção. Conquanto que o aluguel do prédio comercial, computadores (administrativo, recepção, comercial), veículo para fins de serviços administrativos e comerciais (pagamento de contas, visitas a clientes, menos entregas, etc.), mão de obra administrativa e comercial, campa- nhas de promoção da marca e frete grátis para o cliente, representam despesas. Ainda assim, é possível se deparar com a transformação do que antes era considerado apenas como uma despesa, também em um custo. Ligado direta- mente ao nosso exemplo, suponha que Sr. Ivã, talvez motivado pela expansão das vendas, decida ampliar a capacidade produtiva alugando um galpão ainda maior para produzir mais e assim atender sua demanda. O aluguel, que até então era classificado apenas como uma despesa por se tratar de um prédio que alocava as funções administrativas/comerciais, no que diz respeito à nova instalação, onde também serão produzidos os copos, passa a ser considerado proporcionalmente como custo, pois influenciará diretamente no fluxo monetário incorrido ao pro- duzir tais produtos. Isso significa que uma despesa pode se transformar em um custo, dado período de tempo, se for apropriado ou alocado aos custos de pro- dução ou realização de um serviço, em qualquer que seja a atividade. Assim caro(a) aluno(a), conquanto que o custo diga respeito ao setor produ- tivo, a despesa representa de acordo com Leone (2009, p. 54) “o gasto aplicado na realização de uma atividade que vai gerar renda efetivamente ou que poderá gerar uma renda teórica”, pois as despesas são condicionadas ao ato de gerir, con- duzir e realizar um negócio, desde processos estratégicos à campanhas distintas, e essas atividades podem ou não gerar lucro, ou seja, é passível de ser projetado um resultado (teórico), porém não ser atingido dado algum fator específico. Você deve estar se perguntando, qual a importância de saber a diferença entre custo e despesa? Bem, basicamente toda gestão de um negócio exige gran- des esforços para inserção, manutenção e prosperidade, o que podemos dizer que se assemelha exatamente com o ciclo de vida dosnegócios, que em nada menos difere do ciclo de vida dos produtos, por exemplo. É necessário introdu- zi-lo no mercado competitivo e espera-se crescimento nas vendas até adquirir a tão sonhada maturidade, sempre buscando a inovação nas estratégias para que não entre na fase de declínio, porém se isso acontecer, é possível identificar Custos Versus Despesas Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 185 fatores e pontos de ruptura do negócio para que possam ser traçados novos pla- nos de ação, visando a retomada do crescimento e mercado. A partir dessa premissa estratégica, diferenciar custo de despesa é essen- cial para que você saiba exatamente para onde vai cada parcela do seu dinheiro investido na empresa. Questões como, por exemplo, quanto custa produzir deter- minado produto? Qual o valor gasto em campanhas de marketing? É possível reduzir o custo sem alterar a qualidade do produto final? Continuar ou não a produção de determinado produto? Ou ainda, é possível aumentar as despesas (investimentos) sem perder o equilíbrio da operação? Existem inúmeras perguntas que podem ser levantadas e direcionadas para cada setor da empresa, mas imagine que em um outro ponto de reflexão, a partir de uma situação hipotética, não seja possível mais mexer no custo da produ- ção sem alterar a qualidade do produto, o que fazer? Se você, caro(a) aluno(a), compreende bem em que estão alocados os recursos do negócio, saberá que tal- vez seja possível uma redução de despesas inerente a outras áreas, sem afetar a qualidade do produto ou dos serviços prestados. Preciso lembrá-lo(a) que o cliente que consome seu produto/serviço o faz primordialmente pelo diferencial que muito se associa à qualidade ofertada versus o preço cobrado, muito conhe- cido como o custo benefício. Interessante ressaltar que o ideal não é vender tão somente por preço, pois quem vem por preço, por ele também se vai, o ideal seria sim pelo valor agregado que o cliente identifica no seu produto ou serviço. O cenário atual exige grandes esforços, o ano começou com economia fraca, crises políticas, inflação preocupante, juros subindo, desemprego aumentando e, ainda, nenhuma perspectiva real além das várias especulações para ajustes econômicos e tentativas de recuperação da economia. Como as empresas não dependem apenas de boas notícias, e sim de clientes comprando seus produtos ou serviços para sobreviver, a luta para vender traduz-se na máxima de que deve- -se “matar um leão por dia”, isso mesmo, você não leu errado, a maioria delas está lutando para sobreviver, e gerar lucro passa ser uma tarefa para os gestores e estrategistas mais bem preparados. Empatar os resultados, na visão de alguns donos de empresa, atualmente, é ‘lucro’, embora você saiba que tecnicamente essa expressão está incorreta. ECONOMIA E CUSTOS: ASPECTOS DO CENÁRIO ECONÔMICO QUE INFLUENCIAM NO PDV Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E186 Entre os períodos de 2009 e 2013, mais da metade das empresas fundadas no Brasil fecharam, de acordo com pesquisa realizada pelo IBGE e divulgada pelo site da gazeta do povo, atualizado em 2015. 2009 Evolução das empresas 2013 800 700 600 500 400 300 200 100 0 Gráfico 1 - Evolução da empresas entre 2009 e 2013 Fonte: Gazeta do Povo (2015, on-line)1. Das 694 mil empresas abertas em 2009, somente 47, 5% ainda estavam em fun- cionamento em 2013. É claro que a culpa dessa alta taxa de mortalidade não está condicionada apenas aos elementos custo e despesa, abrir um negócio e fracas- sar faz parte da vida empreendedora, mas os motivos pelo qual se fracassa em um negócio devem ser bem avaliados. Reduzir custos e despesas, sempre que possível, deve ser visto como uma tarefa recorrente, e não apenas como uma estratégia em momentos críticos, nas horas difíceis, esta é uma forma bastante eficiente para manter o caixa da empresa operante. Ações como as de cortar despesas com pessoal interno, como cafezinho, copos descartáveis, ajustes em pacotes telefônicos, readequação de pre- miações, benefícios e comissões dos vendedores (desde que atendendo a CLT, convenções coletivas de classes, sindicatos, etc.), aluguel do prédio administra- tivo, financiamentos, serviços terceirizados (segurança e vigilância), entre outras, Custos Versus Despesas Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 187 podem resultar em melhoramento de caixa e não necessariamente influenciam na qualidade do produto. Porém, essas ações devem ser muito bem planejadas e estruturadas, pois qualquer redução destas que seja, pode resultar na queda da qualidade do serviço, o que de fato não é bem quisto pela empresa. Lembrando que cortar despesas com copos descartáveis utilizados pelos funcionários, além de saudável ao caixa da empresa, também reflete no meio ambiente, isso se chama responsabilidade socioambiental. Embora essas despesas sejam passíveis de redução, talvez a gestão esteja bastante enxuta. Neste caso, se possível, pode-se reduzir gastos com custo de produção ou aquisição de produtos, lembrando que em algumas situações a qualidade do produto também acompanha tal redução. Sendo assim, é necessá- rio avaliar o impacto dessa redução perante o cliente, se será ou não aceito, ou ainda se é interessante para a empresa essa mudança de estratégia. Essas avalia- ções serão extremamente importantes para o futuro dos negócios. Reforçando nosso entendimento sobre o assunto, de acordo com Dutra (2010, p. 17), “despesa é a parcela do gasto que ocorre desligada das atividades de ela- boração dos bens e serviços. São os gastos incorridos durante as operações de comercialização”. Veja o quadro abaixo: Quadro 4 - Comparativo: Custos x Despesas CUSTOS DESPESAS Gastos de Produção Gastos administrativos e de vendas Vinculados diretamento aos Produtos/ Serviços Não se identificam diretamente à produção Gastos com o objeto de exploração da empresa (atividade-afim) Gastos outras atividades não explora- das pela empresa (atividade-meio) Fonte: Portal de Contabilidade ([2017], on-line)2. Silva (2013, p. 139) classifica as despesas operacionais da seguinte forma: ■ Despesas com vendas: (...) comissão de vendas, salários e encargos do pessoal da área de vendas, aluguéis relativos aos escritórios de vendas, material de escritório, comunicações, promoção e propaganda, entre ECONOMIA E CUSTOS: ASPECTOS DO CENÁRIO ECONÔMICO QUE INFLUENCIAM NO PDV Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E188 outras necessárias às atividades da empresa e relacionadas com as funções de comercialização das mercadorias, produtos ou serviços da empresa. ■ Despesas administrativas: (...) compreendem os gastos incorridos com as atribuições da administração geral, tais como: salários e encargos de pessoal administrativo, aluguéis, despesas legais e judiciais, material de escritório e outras com as mesmas características. ■ Despesas gerais: as despesas com vendas e administração mencionadas nos tópicos precedentes constituem as principais despesas operacionais da empresa. Portanto, nos casos excepcionais em que as despesas gerais sejam elevadas, será necessário que o analista busque esclarecimentos sobre sua natureza. SISTEMA DE CUSTEIO Nosso objetivo a partir de agora, neste novo tópico, é conceituar como funciona e qual a importância do sistema de custeio para a organização. Agora que você já sabe os conceitos e as diferenças entre os custos e des- pesas, vamos aprofundar um pouco mais nosso estudo, com foco a partir deste ponto, no sistema de custeio. Neste momento vamos tratar especificamente do sistema de custeio, que na sua essência pode ser definido como um sistema de informação esuporte à tomada de decisão. Além de contribuir com uma boa administração de custos e despesas, na gestão sistêmica e integrada, um bom sistema de informa- ções e de custeio influencia na correta formação de preços, tema do nosso próximo capítulo. Agora veremos conceitos sobre os itens que compõem o sistema de custeio, suas definições e aplicações. ©shutterstock Sistema de Custeio Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 189 Segundo Bernardi (2007, p. 40): Classicamente, há três sistemas de custeio: absorção, custeio direto ou variável e custeio padrão. Atualmente, novas necessidades ensejaram o surgimento do custeio ABC (Activity based costing) e outras variantes de interesse. A adoção de um deles está relacionada aos objetivos da empresa, ao que se pretende do sistema de custeio e aos propósitos das análises dos resultados. Logo, para o aprimoramento desse conteúdo, vamos abordar a seguir os seguin- tes tipos de sistema de custeio: ■ Custeio por absorção. ■ Custeio direto ou variável. ■ Custeio padrão. ■ Custeio por atividade (ABC). Cada empresa deve analisar e levar em conta, antes de definir um método de cus- teio, elementos primordiais como: tamanho da sua estrutura, nível tecnológico (informatização), portfólio de produtos fabricados, faturamento, planejamento, etc. Saber aonde quer chegar (visão de negócio), em um cenário tão competitivo, exige excelente gerenciamento de custos e, tais informações são extremamente valiosas para tomada de decisão gerencial. CUSTEIO POR ABSORÇÃO Por atender a legislação vigente no país e seguir os princípios contábeis que lhe são pertinentes, o método de custeio por absorção é, do ponto de vista técnico- -contábil, o mais utilizado. Voltado para a avaliação dos estoques e também podendo ser utilizado como parâmetro na formação de preços, é que o custeio por absorção encaixa sua prin- cipal finalidade e utilidade. Assim, como o próprio nome sugere, esse sistema “direciona todos os custos de uma fábrica, diretos e indiretos, fixos e variáveis para uma produção dada, e finalmente aos produtos” (BERNARDI, 2007, p. 38). Neste caso as despesas são então apontadas para os resultados da empresa. ECONOMIA E CUSTOS: ASPECTOS DO CENÁRIO ECONÔMICO QUE INFLUENCIAM NO PDV Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E190 Segundo Dutra (2010), esse método também é conhecido como custeio pleno ou integral, e é o mais utilizado quando se trata de apuração de resultado. Constitui-se na associação dos custos que ocorrem na área de elaboração dos produtos e serviços, ou seja, todos os gastos imputados às atividades de produ- ção de bens e serviços. Custos de produção Resultado das vendas (-) CPV Despesas Lucro (-) Despesas de vendas (-) Despesas administrativas e de vendas Fixas - Administrativas - De vendas - De vendas Variáveis Produção em elaboração Estoque da produção acabada (=) Resultado bruto (=) Resultado líquido Fixos - Mão-de-obra indireta - Depreciação - Aluguel - Energia elétrica (ilum. fábrica) - Supervisão - Matéria-prima - Mão-de-obra direta - Energia elétrica (força) - Combustíveis das máquinas Variáveis Figura 2 - Quadro esquemático de custeio por absorção Fonte: Dutra (2010, p. 242). Assim como sugerido no quadro esquemático de custeio por absorção, aprecie a resolução na DRE a seguir, considerando o exemplo exposto anteriormente da empresa de copos personalizados. Considere, nesta situação, que o empreendedor Sr. Ivã, hipoteticamente, vendeu no período apurado 2.700 copos personaliza- dos a um preço final de R$ 10,00. Com custo variável unitário de R$ 2,00, custos fixos totais de R$ 6.000,00 e despesas variáveis unitárias de R$ 1,50. Não existe estoque, todos os produtos produzidos foram vendidos. Assim temos: Sistema de Custeio Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 191 Resolução: Produção...............................2.700 unid. Vendas.................................(2.700 x R$ 10,00) = R$ 27.000,00 Custo variável Unitário..................................... = R$ 2,00 Custos Fixos.................................................... = R$ 6.000,00 Despesas de variáveis.........(R$ 1,50 x 2.700) = R$ 4.050,00 Determinação do custo unitário pelo método por Absorção: Custo Fixo unit...............(R$ 6.000,00 / 2.700) = R$ 2,22 Custo Variável Unit........................................... = R$ 2,00 Custo Total unit................................................ = R$ 4,22 DRE Vendas............................................................ = R$ 27.000,00 CPV – 2.700 x 4,22......................................... = R$ 11.394,00 Lucro Bruto...................................................... = R$ 15.606,00 (-) Despesas Variáveis.................................... = R$ 4.050,00 Lucro Liquido................................................... = R$ 11.556,00 Como esse método de custeio por absorção consiste na apropriação de todos os custos, tende a ser visto com bons olhos pelos empresários, visto que custos dire- tos e indiretos, fixos e variáveis são inseridos e distribuídos uniformemente para todos os produtos feitos. Neste caso, caro(a) aluno(a), reúnem-se todos os cus- tos relativos à produção e distribuí-se no produto acabado, tendo assim o valor do custo unitário de cada um. Perceba que por meio da demonstração do resultado analisado é possível visualizar o processo ocorrido por método de custeio por absorção, em que todos os custos foram inseridos no processo e rateados de forma uniforme ao produto final. Não existe a separação, todos (diretos, indiretos, fixos e variáveis) foram apropriados como recursos de produto elaborado. ECONOMIA E CUSTOS: ASPECTOS DO CENÁRIO ECONÔMICO QUE INFLUENCIAM NO PDV Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E192 Embora essa metodologia de custeio seja considerada como básica para ava- liação de estoques, e que no Brasil ser seja adotada pela legislação comercial e pela fiscal, existem várias críticas ao sistema por absorção. Crepaldi (2010, p. 229) afirma que esse método de custeio “não é muito uti- lizado para a tomada de decisões”. Segundo Santos (2011, p. 74) o sistema de custeio por absorção: (...) é falho em muitas circunstâncias, como instrumento gerencial de tomada de decisão, porque tem como premissa básica os “rateios” dos chamados custos fixos, que, apesar de aparentarem lógicos, poderão levar a alocações arbitrárias e até enganosas. Este é um método que apresenta pouca quantidade de informação gerencial, seu foco é contábil, podendo elevar artificialmente os custos de alguns produtos dado o rateio arbitrário partindo de critérios que não são sempre justos. CUSTEIO DIRETO OU VARIÁVEL Ponto de análise importante para formação do preço, o custeio direto ou variá- vel difere basicamente do método por absorção por fazer uma distinção entre os custos fixos e variáveis em consonância à produção. Enquanto vias pelo método de absorção consideram todos os custos, sejam eles diretos ou indiretos, fixos ou variáveis para apuração dos resultados, distribuindo-os para todos os produ- tos feitos, o método direto ou variável considera o custeamento relativo apenas aos gastos com determinados produtos da empresa. Esse método permite que o gestor avalie o resultado aferido por cada produto, possibilitando melhor aná- lise e suporte à tomada de decisão gerencial. Você em algum momento já deve ter se perguntado o quão complexo é administrar um negócio. Estamos falando neste capítulo sobre um dos proces- sos mais dificultosos aos olhos da maioria dos empresários, a gestão de custos, e você, aluno(a), pensa que o mais difícil já passou?Reflita, pois trataremos ainda sobre um dos principais pontos de qualquer que seja o negócio: a forma- ção do preço de venda. E qual o papel do administrador nessa história toda? Os administradores precisam conhecer todos os custos do negócio, podendo assim Sistema de Custeio Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 193 estabelecer estratégias baseadas em preços de vendas, visto que os custos se alte- ram em decorrer da produção. Em seu livro, Contabilidade de custos: criando valor para a administração, Maher (2001) demonstra a aplicação do custeio variável exatamente com foco no processo decisório, afirmando que, neste caso (custeio direto ou variável), os custos fixos relativos ao processo produtivo são alocados como despesas referen- tes ao processo apurado, cabendo apenas aos custos variáveis, de acordo com o volume produzido, serem atribuídos às unidades produzidas. Segundo Martins (2003, p. 198), considerando o sistema de custeio variá- vel, “só são alocados aos produtos os custos variáveis, ficando os fixos separados e considerados como despesa do período indo diretamente para o resultado”. As diferenças entre custeio por absorção e custeio variável podem facilmente ser observadas no quadro a seguir, de acordo com uma publicação apresentada na revista científica Sitientibus: Quadro 5 - Diferença entre custeio por absorção e variável CUSTEIO POR ABSORÇÃO CUSTEIO VARIÁVEL Todos os custos de fabricação são con- siderados como custo do produto Apenas os custos variáveis são consi- derados O resultado varia em função da produ- ção O resultado varia somente em função das vendas É necessário utilizar métodos de rateio, muitas vezes arbitrários, para atribuir os custos fixos aos produtos Não se utiliza métodos de rateio, os custos fixos são considerados como despesa e não como custo do produto É possível estabelecer o custo total unitário dos produtos Há um custo unitário parcial, pois con- sidera os custos variáveis Não identifica a margem de contribui- ção Identifica a margem de contribuição unitária e global Importante para decisões de longo prazo Importante para decisões de curto prazo Fonte: Moura (2005, p.131, on-line). ECONOMIA E CUSTOS: ASPECTOS DO CENÁRIO ECONÔMICO QUE INFLUENCIAM NO PDV Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E194 No comércio (PDV) os custos variáveis são todos os custos envolvendo a compra e entrega da mercadoria, é o valor de aquisição das mercadorias, por exemplo, o valor de frete e do IPI, bem como outros valores pagos na aquisi- ção das mercadorias para serem comercializadas. Observa-se também, quando necessário, descontado o valor de Crédito do ICMS (SEBRAE, s/d, on-line)3. Nas empresas prestadoras de serviços, os custos variáveis são aqueles valores gastos para realização dos serviços e referem-se aos materiais ou peças aplica- dos na execução do serviço. Ainda de acordo com o Sebrae (s/d, on-line)3, pode ser considerado como exemplo uma empresa de assistência técnica em eletro- domésticos, em que, na realização de um serviço, as peças de reposição são consideradas como Custo Variável, pois só serão utilizadas se a venda de servi- ços acontecer, caso contrário, não. Já em contrapartida do que foi exposto, no caso em que há a devida produção ocorrendo na empresa, nas prestadoras de serviços os salários dos funcionários são pagos de maneira integral, indepen- dente de terem sido vendidos serviços ou não, são considerados como despesas fixas, não contabilizando como valores de custos variáveis. De acordo com Bernardi (2007, p. 38): Nesse sistema, o custo de um produto é composto somente pelos custos de fabricação que são identificáveis, diretamente aplicados e variáveis com os volumes de produção. Todos os custos fixos e indiretos da fá- brica, juntamente com as despesas, são direcionados para os resultados da empresa. Para exemplificar de maneira clara e objetiva, retornemos aos dados da empresa do Sr. Ivã, expostos anteriormente. Sem alterar as informações apresentadas, teríamos a seguinte demonstração de resultados do exercício pelo método de custeio direto ou variável: Resolução: Produção……………………..........2.700 unid. Vendas……………………...(2.700 x R$ 10,00) =R$ 27.000,00 Custo variável Unitário…………………………. =R$ 2,00 Custos Fixos Totais…………………………….. =R$ 6.000,00 Despesas de variáveis……..(R$ 1,50 x 2.700) =R$ 4.050,00 Sistema de Custeio Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 195 DRE Venda…………………………………………………=R$ 27.000,00 (-) Custos Variáveis……….(2.700 unid x R$ 2,00) =R$ 5.400,00 (-) Despesas Variáveis…………………………….. =R$ 4.050,00 Margem de Contribuição………………………….. =R$ 17.550,00 (-) Custos Fixos…………………………………….. =R$ 6.000,00 Lucro Liquido……………………………………….. =R$ 11.550,00 Crepaldi (2010) salienta que no custeio variável, todos os custos e despesas variáveis são deduzidos da receita de vendas, inclusive as despesas de vendas e administração, ressaltando que neste caso embora as despesas variáveis não façam parte do custo do produto, resultam na chamada margem de contribuição. A margem de contribuição (M.C.) “é o valor que cada unidade de determinado produto proporciona à empresa e resulta da diferença entre seu preço e os recur- sos necessários para a realização de sua venda, sejam eles custos ou despesas”. (DUTRA, 2010, p. 245) No próximo quadro é possível verificar a demonstração da margem de con- tribuição utilizando o exemplo do nosso empreendedor Sr. Ivã. Imagine agora que ele está ampliando seu comércio e passa a disponibilizar três tipos de pro- dutos diferentes, são eles: copos Stillu’s, Riccu’s e Millionariu’s. Apresentando os seguintes dados, nosso empreendedor deseja saber qual a margem de contri- buição de cada copo: Produto Preço de Vendas C.D. diretos C.D. Indiretos Stillu’s R$ 5,00 R$ 2,10 R$ 0,70 Riccu’s R$ 6,00 R$ 2,90 R$ 0,54 Millionariu’s R$ 7,00 R$ 2,95 R$ 1,50 ECONOMIA E CUSTOS: ASPECTOS DO CENÁRIO ECONÔMICO QUE INFLUENCIAM NO PDV Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E196 Quadro 6 - Margem de contribuição PRODUTO ($) CUSTOS/DESPESAS VARIÁVEIS PREÇO DE VENDA ($) MARGEM DE CONTRIBUIÇÃO DIRETOS INDIRETOS SOMA VENDA ($) STILLU’S R$2,10 R$0,70 R$2,80 R$5,00 R$2,20 RICCU’S R$2,90 R$0,54 R$3,44 R$6,00 R$2,56 MILLIONARIU’S R$2,95 R$1,50 R$4,45 R$7,00 R$2,55 Fonte: adaptação Dutra (2010). Cada unidade dos respectivos copos contribuiu com valores que ainda não repre- sentam lucro, até porque os custos e as despesas fixas ainda não foram apurados. Dessa forma, com referência nos dados apresentados no quadro de margem de contribuição, é possível identificar a M.C. de cada produto. Note que, especifi- camente, o copo tipo Riccu’s apresentou o maior resultado. Segundo Dutra (2010, p. 247), o método de custeio variável tem como carac- terísticas fundamentais: a. Não fazer distinção entre custo e despesa. b. Segregar os custos e despesas que variam com o volume daqueles que não sofrem esse tipo de influência. c. Tratar os custos gerais fixos de produção como custos de período e não do produto, excluindo-os do valor da produção em andamento e dos estoques de produtos acabados e levando-os para o resultado do perí- odo como se fossem despesas. d. Atribuir aos produtos apenas os custos que se alteram com o volume. e. Determinar a margem de contribuição, abatendo das vendas os custos e despesas variáveis. f. Proporcionar lucro bruto ou direto maior do que pelo custeio por absorção. g. Apresentar lucro final menor do que no custeio por absorção quando as vendas forem menoresdo que a produção do período, ou seja, quando houver estoques não vendidos. Sistema de Custeio Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 197 h. Igualar o lucro final ao apurado pelo custeio por absorção quando a pro- dução for igual às vendas, ou seja, sem estoques no final do período. i. Possibilitar a comparação dos custos dos produtos em bases unitárias, independentemente do volume de produção. j. Facilitar o desenvolvimento da relação custo/lucro/volume. k. Facilitar a elaboração e o controle de orçamentos. l. Possibilitar a determinação e o controle de padrões. m. Fornecer mais instrumentos de controle gerencial. As desvantagens segundo Leone e Leone (2010) são: a. O critério de custeio variável não é aceito legalmente. b. As próprias leis da contabilidade prescrevem o emprego do custeio por absorção. c. Os dirigentes das empresas vêm adotando a teoria econômica segundo a qual, a longo prazo, os produtos devem absorver todos os custos e des- pesas que serão repassados para o preço de venda. d. O critério de custeio direto requer que as despesas e os custos (inicial- mente, da função industrial e, mais tarde, de todas as outras funções) sejam definidos como fixos e variáveis. Uma definição satisfatória somente é estabelecida após demorados e dispendiosos estudos, que envolvem téc- nicas estatísticas. CUSTEIO PADRÃO Podendo também ser utilizado para a formação de preços, o custeio padrão envolve os custos dos produtos por meio de padrões previamente estabelecidos, sendo que neste caso utiliza, nesse sistema, a metodologia do custeio por absor- ção ou do custeio variável (BERNARDI, 2007). ECONOMIA E CUSTOS: ASPECTOS DO CENÁRIO ECONÔMICO QUE INFLUENCIAM NO PDV Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E198 Leone (2009, p. 66) salienta que os custos padrão, são aplicados sobretudo em operações repetitivas, quando os parâme- tros ou indicadores físicos estão perfeitamente definidos e quando os custos mantêm uma relação íntima com a variabilidade daquele dados quantitativos. Dessa forma, considera que esse método de custeio é mais fácil de aplicar em fábricas que realizam operações seriadas, em que as próprias operações se tor- nam, por natureza de especificidade, padronizadas. Observa-se ainda que nem todos os tipos de custos podem ser padronizados, vista a dependência de uma relação entre o comportamento do custo e algum parâmetro operacional padronizado, tendo neste caso, os custos diretos como, por exemplo, materiais diretos e mão de obra direta, entre outros que assim pos- sam ser classificados como custo padrão. Segundo Dutra (2010, p. 251), o custeio padrão: É a determinação antecipada dos componentes do produto e do ser- viço, em quantidade e valor, apoiada na utilização de dados de várias fontes, com validade para determinado espaço de tempo. Entre as fon- tes de dados, destacam-se os custos históricos, a engenharia de produ- ção, os estudos de tempos e movimentos etc. é de grande valia para o estabelecimento dos padrões o conhecimento e a utilização dos custos históricos para posteriores comparações, objetivando a apuração das diferenças. De acordo com Zanluca do site Portal da Contabilidade ([2017], on-line)4, algu- mas características essenciais do método de custeio padrão são: ■ Pré-fixação de seu valor, com base no histórico ou em metas a serem per- seguidos pela empresa. ■ Pode ser utilizado pela contabilidade, desde que ajuste, periodicamente, suas variações para acompanhar seu valor efetivo real (pelo método do custo por absorção). ■ Permite maior facilidade de apuração de balancetes, sendo muito utili- zado nas empresas que precisam de grande agilidade de dados contábeis. Sistema de Custeio Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 199 Santos (2011) enfatiza, porém, que a eficiência desse método de custeio somente pode ser medida a partir do momento em que possuímos dados para comparação, conforme o exemplo do quadro a seguir: Quadro 7 - Comparação entre custo-padrão e custo real • Custo-padrão determinado previamente para produção da peça “K” igual a R$ 100,00, que é base para formação de venda desse mesmo produto. • Variação desfavorável de R$ 20,00. • Custo real incorrido para produção da peça “K” foi igual a R$ 120,00. Fonte: Santos (2011). A partir do exemplo exposto no quadro, pode-se perceber que havia um padrão previamente estabelecido para a peça “K” em questão, porém, devido a fatores como possíveis alterações de preços, matéria-prima fora de padrões, máquinas mal reguladas, ineficiência de mão de obra, entre outros, podem ter favorecido para as causas prováveis dessa distorção entre padronizado (custo-padrão) e realizado (custo real). Esses fatores devem ser verificados, analisados e admi- nistrados pelos gestores da empresa. CUSTEIO POR ATIVIDADE (ABC) Considerado uma poderosa ferramenta gerencial de custos, o custeio ABC (Activity-Based Costing) ou ainda custeio baseado em atividades, tem como obje- tivo minimizar discrepâncias provocadas pelos rateios arbitrários dos custos indiretos. No entanto, o método de custeio ABC é aplicado também nos custos diretos, especialmente na mão de obra direta, pois não existem diferenças sig- nificativas que podem ser relacionadas aos sistemas de custeio mais tradicionais (MARTINS, 2003). Com a evolução do cenário atual, foi percebida pelas empresas a real necessi- dade de melhor gerenciamento de inovações, melhorias contínuas e boas práticas em redução de custos e atendimento ao cliente. Esse contexto exige, no mínimo, que a organização possua informações de maneira rápida, ágil e adequada, com ECONOMIA E CUSTOS: ASPECTOS DO CENÁRIO ECONÔMICO QUE INFLUENCIAM NO PDV Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E200 foco nas atividades desenvolvidas. O custeio ABC, conforme sugere Bernardi (2007), emergiu, em outras palavras, como uma espécie de evolução natural, já que o enfoque utilizado por meio do método por absorção não é completo, por exemplo, uma vez que não bastava mais saber somente o custo de um produto, mas sim, o quanto as atividades e os processos que geram custo consomem de recursos e qual a parcela de consumo atribuída aos produtos em relação a essas atividades e processos. Segundo Bernardi (2007, p.40), “além do mero custeio da produção e do produto, a técnica de custeio por atividades aplica-se a quaisquer atividades da empresa, desde a produção, administração, logística, até a comercialização”. Esse sistema de custeio tem como premissa atribuir primariamente os custos para as atividades correlatas e, depois para os produtos, isso é claro, de acordo com o uso das atividades de cada produto. Estes consomem atividades que, por sua vez, arrematam recursos, desse modo, a importância que se dá à utilização do sistema de custeio ABC é no sentido de que ele possa proporcionar para a gerência informações que auxiliem no processo de tomada de decisão, como por exemplo, os custos das atividades, que possibilita atribuir responsabilidade aos responsáveis pela sua ocorrência. (CREPALDI, 2010) O quadro a seguir demonstra algumas das principais razões, encontradas nas demais literaturas, que motivaram o grande interesse pelo critério ABC. Sistema de Custeio Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 201 Quadro 8 - Critério ABC, conceituação: uma visão global CRITÉRIO ABC - CONCEITUAÇÃO. UMA VISÃO GLOBAL Razão que motivam o grande interesse pelo critério ABC: 1. A evolução da tecnologia alterou a composição dos custos dos fatores de produção, tornando os custos indiretos mais significa-tivos do que os custos da mão de obra direta. 2. A competição global deter- minou mudanças nos processos de produção e, consequentemente, nos modelos de administração. 3. A gerência necessitou de informações mais precisas quanto à redução e custos, às atividades que não acrescentam valor aos produtos e à determinação. 4. A multiplicidade de pro- dutos diferentes e a diversidade do cliente. 5. O amplo uso de com- putadores eletrônicos, que veio facilitar o controle automático da produção, a própria mudança nos processos operacionais e anàlises das atividades e seu custeamento. Objeto do custeio: custos e despesas indiretos Atividades Signi�cativas - que agregam valor aos produtos e não agregam valor aos produtos Produtos e serviços Alocação Direcionadores de custos Alocação Direcionadores de custos Finalidades: • Controle mais efetivo dos custos e das despesas • Melhor suporte às decisões gerenciais Fonte: Leone e Leone (2010). ECONOMIA E CUSTOS: ASPECTOS DO CENÁRIO ECONÔMICO QUE INFLUENCIAM NO PDV Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E202 A extensão da aplicação do critério de custeio baseado em atividades-ABC é defendida por vários estudiosos, ao afirmarem que, por meio do seu método, é possível obter bons resultados também nas áreas comerciais e administrativas da empresa, por exemplo. Acerca das vantagens e desvantagens do custo baseado em atividades, Crepaldi (2010) lista em resumo algumas delas: ■ Vantagens: I. Informações gerenciais relativamente mais fiéis por meio de redução de rateio. II. Melhor visualização dos fluxos dos processos. III. Redução ou eliminação de atividades que não agregam ao produto um valor percebido pelo consumidor/cliente. IV. Identificação de produtos e clientes mais lucrativos. V. Melhoramento significativo da base de informações para tomada de decisão. ■ Desvantagens: I. Gastos elevados para implantação. II. Alto nível de controles internos a serem implantados e avaliados. III. Possível dificuldade em extrair informações para a obtenção de dados. IV. Dificuldade de envolvimento e comprometimento dos empregados da empresa. V. Não aceitação pelo fisco, fazendo com que a empresa tenha necessi- dade de possuir dois sistemas de custeio. Tomada de Decisão baseada em Custos Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 203 TOMADA DE DECISÃO BASEADA EM CUSTOS Tomar decisões nem sempre é tarefa tão simples quanto parece. O que fazer? Como fazer? Quando fazer? Por que fazer? São, entre outras tantas, perguntas que surgem diariamente na rotina dos empresários ou administradores de empresas. Este novo tópico visa conceituar sobre o funcionamento e a importância do sistema de custeio para a organização, com foco na tomada de decisão baseada em custos e despesas. Conceituar, distinguir, classificar, entender sobre custos não é tarefa tão simples assim como pode aparentar. Você, caro(a) aluno(a), pôde perceber nos tópicos anteriores a relevância do tema e que esse assunto também influencia nas decisões atuais e futuras de negócios. Como mencionado anteriormente, o cenário atual inspira que os gestores tenham total controle dos seus custos, pois não é mais possível transferir todo o “peso” empregado no processo de produ- ção e aquisição de produtos ou serviços para seus clientes. A boa gestão ainda Quero te contar algo. Certa vez, tive a comprovação da real importância acerca do tema deste capítulo. Essa comprovação emergiu exatamente dentro do ambiente estudantil, quando presenciei uma situação em uma de minhas aulas, e gostaria de compartilhar com você agora, caro(a) alu- no(a). Tudo aconteceu durante a realização de uma atividade condicionada à disciplina de administração mercadológica, em uma Instituição de Ensino Superior, em que os alunos, divididos em equipes, tinham a tarefa de criar uma empresa fictícia e, em consequência disso, oferecer um produto ou ser- viço que seria comercializado seguindo todos os preceitos reais mercado- lógicos. A situação era muito simples, constituir uma empresa, desenvolver um produto/serviço, e aplicar, neste caso, os elementos constantes no mix de marketing: 4 P’s (Produto, Preço, Promoção e Praça). No momento de precificar, você imagina o que aconteceu? Aplicaram a “famosa” margem de 100%. Resultado: isso mesmo que você está pensando, prejuízo na maioria dos casos. Fonte: o autor. ECONOMIA E CUSTOS: ASPECTOS DO CENÁRIO ECONÔMICO QUE INFLUENCIAM NO PDV Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E204 é diferencial competitivo, e conhecer a estrutura de custos do negócio se torna uma arma vantajosa para a sobrevivência e sucesso da empresa. Pensando e já nos preparando para próximo capítulo deste livro, quando trataremos especificamente do item preço, procuraremos neste capítulo, levar ao seu conhecimento que é possível preservar a saúde financeira do negócio em questão com decisões pautadas nos custos da operação. Para isso, considerare- mos os itens: margem de contribuição e ponto de equilíbrio. Segundo Maher (2001, p. 40), “uma das tarefas mais difíceis no cálculo das consequências de cursos de ação alternativos é estimar como custos (ou recei- tas ou ativos) diferirão em cada curso de ação (...)” Antes porém, é preciso ressaltar que o objetivo de toda e qualquer empresa é gerar lucro e, para tanto, faz-se necessário vencer a concorrência na briga pelo cliente. Na visão de Gordon (2004, p. 39), “os concorrentes de hoje incluem não só aquelas empresas que tradicionalmente têm habitado o mercado como tam- bém uma série de novos participantes”. Neste caso, são empresas que fornecem novos produtos e serviços, tecnologias ou até mesmo novos tipos de negócios, sejam essas empresas nascidas no Brasil ou fora dele. Os concorrentes podem tanto ser novos quanto os mais antigos. Isso, trazendo para nosso contexto, sig- nifica que tomar a decisão correta e na hora certa, para bem administrar seu negócio e assim torná-lo competitivo, demandará muita preparação e conheci- mento, principalmente interno. É possível de fato citar que, nesse contexto, o processo de tomada de deci- são torna-se extremamente importante, visto que influenciará decisivamente nos resultados futuros da organização, sejam eles positivos ou negativos. Assim, de acordo com Securato (2007), dentre as funções mais importantes do administrador, está a de decidir. O ato de decidir incorre em um ciclo que finaliza uma ação e dá início a outra, ou seja, significa o fim do passado e início do futuro. Salienta que, embora haja certa dificuldade no estabelecimento de um padrão lógico para tomada de decisão, alguns elementos podem ser considera- dos como fonte relevante, como: Tomada de Decisão baseada em Custos Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 205 ■ Experiência: conjunto de situações vividas. ■ Julgamento: o administrador decide com base em, por exemplo, experiên- cias vividas, também considerando o exame de possibilidades de decisões serem ou não efetivadas. ■ Ambiente: deve ser analisado sob perspectivas, considerando o antes e o depois da tomada de decisão. Incluso neste nosso material, adjunto aos itens descritos acima, está a utilização de dados para embasamento de tomada de decisão, nesse caso, como mencio- nado antes, com base em margem de contribuição e ponto de equilíbrio. Para que haja planejamento, antes é preciso tomar algum tipo de decisão que conflui com algum objetivo da organização. A ideia de maximização de lucros não pode ser confundida com “lucro a qualquer custo”, os administradores pre- cisam associar esse objetivo (lucro) por intermédio de meios que sejam éticos e legais (HANSEN;MOWEN, 2010) Margem de contribuição: é a diferença entre o preço de vendas e a soma de seus custos e despesas variáveis. Sendo possível, por meio da sua apuração, verificar os seguintes itens: ■ Quanto cada produto/serviço deixa de contribuição em relação ao paga- mento (recuperação) das despesas e custos fixos. ■ Quais são os mais lucrativos. ■ Quais são os menos lucrativos. ■ Manter ou retirar produtos ou serviços do portfólio da empresa, etc. Segundo Martins (2003), margem de contribuição nada mais é do que o valor entre receita e custo que sobra para a empresa de cada unidade; é a diferença entre o preço praticado e o custo variável de cada produto. Para o Sebrae (s/d, on-line)3, o sentido de margem de contribuição está em entender a separação do termo em dois aspectos: 1. Margem: diferença entre o valor da venda e os valores dos custos e das despesas variáveis da venda. ECONOMIA E CUSTOS: ASPECTOS DO CENÁRIO ECONÔMICO QUE INFLUENCIAM NO PDV Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E206 2. Contribuição: representa em quanto o valor das vendas contribui para pagar despesas fixas e gerar lucro. Bernardi (2007), em um conceito mais abrangente, cita que é possível avaliar o quanto cada venda contribui para saldar os custos fixos e despesas fixas por meio da margem deixada por cada produto, mercadoria ou serviço. Para tanto, uti- liza como fórmula de cálculo a diferença entre os valores das vendas, os custos variáveis e as despesas variáveis da venda, representada pela seguinte fórmula: VENDAS (-) CUSTOS VARIÁVEIS (-) DESPESAS VARIÁVEIS (=) MARGEM DE CONTRIBUIÇÃO A margem de contribuição segundo o Sebrae (s/d, on-line)3 poderá ser obtida por meio do valor total das vendas ou do preço unitário das vendas, conforme demonstrado na figura a seguir: Valor total das vendas+ + Preço de venda (unitário) Despesas variáveis totais– – Despesas variáveis (unitárias) Custo variável total– – Custo variável (unitário) Margem de contribuição total= = Margem de contribuição (unitária) Valor total das vendas+ + Preço de venda (unitário) Despesas variáveis totais– – Despesas variáveis (unitárias) Custo variável total– – Custo variável (unitário) Margem de contribuição total= = Margem de contribuição (unitária) ou ou ou ou Figura 4 - Margem de contribuição total e unitária Fonte: Sebrae (s/d, on-line)3. Acompanhe a seguir uma situação hipotética acerca da importância de bem entender o tema para que possa ser utilizado como fonte de tomada de decisões. Para ajudar nesse entendimento, vamos retomar o exemplo apresentado ante- riormente. Suponhamos que o nosso empreendedor, Sr. Ivã, não esteja contente com os resultados das vendas, alegando que mesmo vendendo seus produtos, parece não ter mais o lucro que tinha antes. Para o consultor, relatou que precisa reduzir custos e despesas, e que até pensou em deixar de produzir o copo Stillu’s, por julgar que este esteja apresentando resultado menor perante os demais, em relação ao preço de venda unitário e quantidade total vendida. Assim, nosso Tomada de Decisão baseada em Custos Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 207 empreendedor apresentou um relatório com informações simples, das vendas dos seus respectivos produtos em um dado período de tempo. Na ocasião, as infor- mações contidas no relatório diziam respeito ao tipo de produto, preço unitário de venda, quantidade vendida de cada produto no período avaliado, bem como a receita total, gerada por meio da multiplicação do valor unitário pela quanti- dade de produtos vendidos, assim representado: Tabela - Relatório simplifi cado de vendas ITEM TIPO PREÇO UNITÁRIO DE VENDA QUANTIDADE VENDIDA RECEITA TOTAL POR TIPO Copo Stillu’s R$6,00 1500 R$9.000,00 Copo Riccu’s R$8,00 900 R$7.200,00 Copo Millionáriu’s R$10,00 600 R$6.000,00 Receita total das vendas R$22.000,00 Fonte: o autor. Após mostrar os números para o consultor, o Sr. Ivã culpou novamente o pro- duto do tipo Stillu’s, dizendo que o problema que está enfrentando tem esse item como maior culpado, além, é claro, de ser o seu produto mais barato, e mesmo com número bastante superior de vendas em relação aos demais, não apresen- tou volume signifi cante em detrimento das receitas totais, segundo o empresário. Mesmo tendo participação percentual de 50% no volume de vendas (quantidade vendida Stillu’s quantidade total vendida x 100), não apresentou resultado superior a 41% em relação ao valor total de faturamento. Sua alegação principal é que mesmo os demais produtos vendendo quantidades bem menores, alcan- çaram resultados melhores em relação à receita. O copo Riccu’s, por exemplo, vendeu 900 unidades, o que representa 30% da quantidade total vendida com participação de 32,43%, e esse resultado, segundo o Sr. Ivã, muito próximo do apresentado pelo produto anterior em relação à receita total. Contudo os elogios mesmo foram quase todos para a linha de copos Millionariu”s, que com produ- ção de 600 unidades (20% em relação a quantidade total vendida) atingiu um percentual de participação nos lucros de 27%. Para o empresário estava tudo ECONOMIA E CUSTOS: ASPECTOS DO CENÁRIO ECONÔMICO QUE INFLUENCIAM NO PDV Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E208 muito claro, o item mais caro estava apresentando um ótimo resultado. Assim, deveria retirar o produto Stillu’s do mercado por considerar que exigia maior esforço de produção com menor retorno para a empresa. Eis então que nosso consultor entra em ação: (Consultor) - Sr. Ivã, nem sempre o produto ou o serviço mais vendido, ou com o maior preço de vendas, representa o maior ganho da empresa. (Sr. Ivã) - Não? Como assim? (Consultor) - Antes de optar por retirar um produto do seu portfólio, precisa- mos estabelecer quanto cada um dos produtos atuais deixam de contribuição para o negócio, ou seja, qual a sua margem de contribuição. (Sr. Ivã) - Mas para mim está muito clara qual a contribuição de cada pro- duto. Os mais caros faturam mais e me dão maior volume de vendas. (Consultor) - Neste caso, Sr. Ivã, antes de estabelecer essa relação, precisamos descontar das vendas todas as despesas variáveis, como, por exemplo, as comis- sões dos vendedores, impostos, etc. Em seguida, devemos diminuir também todos os custos variáveis inerentes à produção dos copos, que são os materiais, a matéria- -prima, a mão de obra, etc, para então obtermos o quanto cada produto estabelece de margem nesse negócio. É o que chamamos de Margem de Contribuição (M.C.). (Sr. Ivã) - Margem de Contribuição, o que é isso? (Consultor) - M.C. é o resultado do que sobra após diminuir o valor dos cus- tos e despesas variáveis da receita de vendas. Significa quanto cada produto pôde contribuir para o pagamento das despesas fixas, bem como quanto cada um dei- xou de lucro. Tomada de Decisão baseada em Custos Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 209 (Sr. Ivã) - Como ficaria então? Na prática, o que isso significa? (Consultor) - Para isso, antes, porém, precisamos fazer a correta separação dos custos e despesas em diretos e indiretos, fixos e variáveis. Assim poderemos deter- minar a M.C. de cada produto. Após levantar os dados relativos aos custos e despesas variáveis dos respectivos produtos, o consultor apresenta uma planilha com as seguintes informações: Tabela 2 - Margem de contribuição PRODUTOS STILLU’S RICCU’S MILLINARIU’S Preço de Venda (valor total das vendas) R$9.000,00 R$7.200,00 R$6.000,00 (-) Total de Despesas Variáveis (comissões, impostos, etc) R$2.000,00 R$2.089,76 R$1.926,07 (-) Total dos Custos Vari- áveis (materiais, MP, mão de obra)R$3.600,00 R$3.951,22 R$3.268,48 (=) Margem de Contribui- ção total de cada produto R$3.400,00 R$1.159,02 R$805,45 (%) Margem de Con- tribuição total de cada produto (3400/9000x100) 37,8% (1159,02/7200x100) 16,09% (805,45/6000x100) 13,42% Fonte: o autor. Ao receber os números, Sr. Ivã quase não acredita no que está vendo. A margem de contribuição para produto Stillu’s foi de mais de 37,8%. Significa que 37,8 % do valor de R$ 9.000,00 que equivale a R$ 3.400,00, ficam na empresa para pagar custos fixos e gerar lucro. De acordo com as informações da empresa, levan- tadas pelo consultor, os dois produtos considerados pelo empresário como os mais participativos na receita dentro do período apurado, são justamente os que menos contribuem. Perceba que mesmo somando os resultados dos copos Riccu’s ECONOMIA E CUSTOS: ASPECTOS DO CENÁRIO ECONÔMICO QUE INFLUENCIAM NO PDV Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E210 e Millionariu’s, o copo Stillu’s ainda contribui com a maior margem. Perceba por meio da situação hipotética criada, quando aplicada à fórmula da margem de contribuição, verifica-se a diferença entre o valor total de vendas de cada pro- duto, bem como a margem de quanto cada um deles deixa em relação aos seus custos e despesas variáveis de produção. Neste caso, se o Sr. Ivã tivesse optado por retirar o produto Stillu’s do mercado, estaria eliminando o produto que mais contribui para o pagamento das despesas fixas bem como para mensuração de lucro do seu negócio. A partir dessa informação, o Sr. Ivã precisa agora, avaliar os produtos que até então considerava como os mais rentáveis dentro do seu portfólio. Decisões como, por exemplo, redução de custos e despesas, reajustes de preços, ou até mesmo substituição de produtos podem ser tomadas com base nessa informação. Como todos os itens apresentaram resultados positivos, tirar algum deles de mercado talvez não fosse apropriado, porém, certamente cabe uma melhor avaliação dos custos e das despesas. Complementando o tema, Crepaldi (2010, p. 236) salienta que “a margem de contribuição representa o valor que cobrirá os custos e despesas fixos da empresa e proporcionará o lucro”. No setor de comércio, seja no varejo, seja no atacado, em que o produto é adquirido para ser revendido no PDV, não existe o custo de produção, justamente por não haver transformação de insumos em produtos acabados, os custos são inerentes à aquisição de mercadorias. A fórmula do custo da mercadoria adqui- rida segue, de acordo com Beulke e Bertó (2006, p. 42), a seguinte configuração de composição atual: + Valor básico atual da mercadoria do fornecedor. + Imposto sobre Produtos industrializados (IPI), quando houver essa incidência. + Frete, seguros, taxas, etc., quando ocorrerem e forem pagos pelo comprador. (-) ICMS recuperável da compra (quando não for substituto). Na hipótese do ICMS substituto, esse está automaticamente agregado ao valor básico atual. ____________________________________________________________________ __ = Custo da mercadoria adquirida. Tomada de Decisão baseada em Custos Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 211 As despesas, por sua vez, como são atribuídas ao processo administrativo e de vendas das mercadorias, pouco ou nada mudam em relação ao processo ocorrido nas indústrias. No comércio, porém, exceto de prestação de serviços, é muito mais difícil identificar custos fixos. De acordo com o Sebrae (s/d, on-line)3, há algumas vantagens que se pode obter por meio do conhecimento da margem de contribuição total das vendas ou mesmo a margem de contribuição de cada produto, e estão relacionadas com decisões importantes para a empresa, tais como: a. Identificação do volume mínimo necessário de vendas para pagar as des- pesas fixas – o ponto de equilíbrio. b. Identificação do volume mínimo de vendas para pagar despesas fixas e ainda gerar um determinado valor de lucro. c. Elaboração das tabelas de preços considerando descontos especiais em função do volume vendido a um mesmo cliente. d. Decisão sobre qual produto a empresa intensificará as vendas, ou mesmo, deixará de comercializar. e. Estabelecimento de campanhas promocionais de vendas: descontos/brin- des x impacto na quantidade necessária de vendas. f. Decisão pela quantidade de produção de determinados produtos, no caso de não ter disponível suficientes recursos para todos. g. Análise da concorrência e competitividade de preços, e a relação disso com o volume de vendas. Ponto de equilíbrio: caro(a) aluno(a), pense comigo: qual empresário que em sã consciência não gostaria de ter segurança para administrar seus negócios? A resposta é praticamente unânime. Administrar não é tarefa fácil, mas pode ser ainda mais complicada quando os donos de empresas não conhecem o equi- líbrio necessário, que seja suficiente para pagar seus custos e despesas. Esse é um indicador contábil, econômico e administrativo que pode e deve ser utili- zado no processo de tomada de decisão de qualquer negócio que seja. Manter o ponto de equilíbrio sempre atualizado possibilita adaptar-se com maior taxa de ECONOMIA E CUSTOS: ASPECTOS DO CENÁRIO ECONÔMICO QUE INFLUENCIAM NO PDV Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E212 assertividade aos altos e baixos que ocorrem perante as oscilações de mercado. Além, é claro, de possibilitar ações em detrimento da concorrência. Segundo Maher (2001, p. 436) o “ponto de equilíbrio é o volume de vendas para qual o lucro é igual a zero”. Ao ultrapassar esse ponto, que também é con- siderado como crítico e de ruptura, crítico porque até esse momento a empresa ainda não superou em receitas o valor incorrido nos custos e despesas do negó- cio, e de ruptura pois a partir dele rompe-se a barreira dos custos e despesas, o negócio passa a gerar lucro. Apontando para o mesmo sentido, Martins (2003) salienta que o break-e- ven Point, outra denominação atribuída ao ponto de equilíbrio, surge da junção de todos os custos e despesas em relação ao total das receitas. Assim, poder ser obtida a representação gráfica conforme a figura a seguir: Ponto de Equilíbrio Lucro Receita R$ Custo variável Custos �xos Quant. Prejuízo Figura 3 - Ponto de Equilibrio. Fonte: Indústria hoje (2013, on-line)5. Tomada de Decisão baseada em Custos Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 213 Ainda de acordo com Beulke e Bertó (2006), em outra definição de con- ceitos, ponto de equilíbrio representa a expressão do mínimo de faturamento necessário para uma empresa cobrir todos os seus custos. Calcular o ponto de equilíbrio de forma unitária, ou seja, de um único pro- duto, é de fácil entendimento, bem como se torna mais simples. Assim como podemos observar por meio da fórmula de cálculo apresentada por Crepaldi (2010): Custos Fixos + Despesas Fixas PE (ponto de equilíbrio) = __________________________ Margem de contribuição unitária Para facilitar esse entendimento, que tal aproximar a teoria da prática? Você se lembra do Sr. Ivã e sua empresa de copos personalizados? Vamos aplicar essa fórmula e verificar quais as informações que serão obtidas. Para isso, devemos considerar supostamente que a empresa produza e venda apenas o tipo de copo Stillu’s. Os custos e despesas fixos do período, somam R$ 12.040,00 (R$ 4.040,00 para os custos e R$ 8.000,00 para as respectivas despesas), para as informações de margem de contribuição utilizaremos os dados a seguir: Tabela 2 - Margem de contribuição unitária PRODUTO PREÇO UNITÁRIO CUSTOS + DESPESAS VARIÁVEIS UNITÁRIAS MARGEM DE CONTRIBUIÇÃO UNITÁRIA Copo Stillu”s R$ 6,00 R$ 4,00 R$ 2,00 Fonte: o autor. Custos +Despesas Fixos PE = __________________________ Margem de contribuição unitária ECONOMIA E CUSTOS: ASPECTOS DO CENÁRIO ECONÔMICO QUE INFLUENCIAM NO PDV Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E214 R$ 4.040,00 + R$ 8.000,00 PE = __________________________ R$ 2,00 R$ 12.040,00 PE = __________________ = 6.020 unidades R$ 2,00 Tirando a prova de forma contábil: DRE-PE Vendas = 6.020 unid. x R$ 6,00 = R$ 36.120,00 (-) Custos Variáveis = 6.020 unid. x R$ 3,00 = R$ 18.060,00 (-) Despesas Variáveis = 6.020 unid. x R$ 1,00 = R$ 6.020,00 (=) Margem de Contribuição = R$ 12.040,00 (-) Custos Fixos = R$ 4.040,00 (-) Despesas Fixas = R$ 8.000,00 (=) Lucro operacional R$ 0,00 Significa, então, que se o empresário tivesse em seu portfólio de produtos ape- nas o copo Stillu”s, seria necessário vender uma quantidade de 6.020 unidades do produto para cobrir todos os custos e despesas da operação. No entanto, você deve se recordar que o empresário possui em sua empresa, três tipos de copos diferentes. Neste caso, como você imagina que deve proce- der com a questão do cálculo de ponto de equilíbrio? Crepaldi (2010) salienta que, a respeito do cálculo de PE, quando a empresa possui vários produtos, tor- na-se um fator limitante, porque cada um deles apresentam custos e despesas diferentes, impossibilitando esse cálculo num âmbito global. Por isso, sugere a seguinte esquematização para atribuir a cada produto o volume esperado para obtenção do PE, considerando que houve uma produção e venda de 8.000 uni- dades no total assim distribuídos: Tomada de Decisão baseada em Custos Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 215 Tabela 3 - PE quando a empresa possui vários produtos PRODUTOS QUANTIDADE VENDIDA EM UNIDADE PREÇO UNITÁRIO R$ CUSTOS + DESPESAS VARIÁVEIS UNITÁRIOS MARGEM DE CONTRIBUIÇÃO UNITÁRIA Copo Stillu’s 4.000 R$6,00 R$4,00 R$2,00 Copo Riccu’s 2.400 R$8,00 R$6,50 R$1,50 Copo Millionariu’s 1.600 R$10,00 R$8,65 R$1,35 Fonte: adaptado de Crepaldi (2010). Diante do mix de produtos apresentados, o que é comum em empresas que atuam no âmbito do comércio (PDV), é necessário estipular a participação cor- respondente de cada item. Essa ação será possível por meio da análise vertical da quantidade vendida de cada produto, assim teremos a participação de cada um deles, conforme pode ser percebido a seguir. Tabela 4 - Análise vertical de participação PRODUTOS QUANTIDADE ANALISE VERTICAL % Copo Stillu’s 4.000 50% (4000/8000x100) Copo Riccu’s 2.400 30% (2400/800x100) Copo Millionariu’s 1.600 20% (1600/8000x100) Total 8.000 100% Fonte: adaptado de Crepaldi (2010). Perceba agora que será possível obter a margem de contribuição por média ponderada: ECONOMIA E CUSTOS: ASPECTOS DO CENÁRIO ECONÔMICO QUE INFLUENCIAM NO PDV Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E216 Tabela 5 - Margem de contribuição por média ponderada PRODUTOS MARGEM DE CONTRIBUIÇÃO UNITÁRIA ANÁLISE VERTICAL % MARGEM DE CONTRIBUIÇÃO MÉDIA PONDERADA Copo Stillu’s R$2,00 x 50% R$1,00 Copo Riccu’s R$1,50 x 30% R$0,45 Copo Millionariu’s R$1,50 x 20% R$0,27 Total 100% R$1,72 Fonte: adaptado de Crepaldi (2010). Custos Fixos + Despesas Fixas PE = ___________________________________________ Margem de Contribuição Unitária Média Ponderada R$ 12.040,00 PE = ________________ R$ 1,72 PE = 7.000 unidades Logo após encontrar o ponto de equilíbrio em unidades, é possível identificar qual o volume total de vendas em valores correspondente ao PE. Como, para resolução da equação em unidades, utilizamos média ponderada, para alcançar o número total de vendas, devemos seguir os mesmos princípios de pondera- ção. Observe a seguir: Tomada de Decisão baseada em Custos Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 217 Tabela 6 - Margem de contribuição por média ponderada PRODUTOS PREÇO UNITÁRIO ANÁLISE VERTICAL % MÉDIA PONDERADA DO PREÇO (R$) Copo Stillu’s R$6,00 x 50% = R$3,00 Copo Riccu’s R$8,00 x 30% = R$2,40 Copo Millionariu’s R$10,00 x 20% = R$2,00 Total 100% R$7,40 Fonte: adaptado de Crepaldi (2010). 7.000 unid. x R$ 7,40 = R$ 51.800,00 - Ponto de Equilíbrio em unidade = 7.000 - Ponto de Equilíbrio em (R$) = R$ 51.800,00 Quantidade de cada produto: Stillu’s = 7.000 unidades x 50% = 3.500 unid. Riccu’s = 7.000 unidades x 30% = 2.100 unid. Millionariu’s = 7.000 unidades x 20% = 1.400 unid. Total.........................................................................= 7.000 unid. A comprovação, conforme sugere Crepaldi (2010), pode ser percebida por meio de DRE, que pode ser facilmente resolvida conforme segue: Vendas Preço unit. Quantidade Stillu’s R$ 6,00 x 3.500 unid. = R$ 21.000,00 Riccu’s R$ 8,00 x 2.100 unid. = R$ 16.800,00 Millionariu’s R$ 10,00 x 1.400 unid. = R$ 14.000,00 Total.................................................... 7.000 unid. = R$ 51.800,00 ECONOMIA E CUSTOS: ASPECTOS DO CENÁRIO ECONÔMICO QUE INFLUENCIAM NO PDV Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E218 Custos e Despesas Variáveis unit. Quantidade CDV Stillu’s R$ 4,00 x 3.500 unid. = R$ 14.000,00 Riccu’s R$ 6,50 x 2.100 unid. = R$ 13.650,00 Millionariu’s R$ 8,65 x 1.400 unid. = R$ 12.110,00 Total.................................................... 7.000 unid. = R$ 39.760,00 ___________________________________ DRE P.E. Vendas = R$ 51.800,00 (-) CDV = R$ 39.760,00 MC = R$ 12.040,00 (-) CF = R$ 4.040,00 (-) DF = R$ 8.000,00 (=)Lucro Operacional = R$ 0,00 ____________________________________ Neste caso, você pode perceber que, em relação aos dados apresentados, foi pos- sível apurar lucro operacional no período. Baseando-se nos custos e despesas ,era necessário vender 7.000 unidades, como a empresa vendeu 8.000 unidades, essa diferença de 1.000 unidades será responsável pelo lucro operacional do período. Outra análise que pode ser feita a partir da obtenção dos dados é, por exemplo, se você, aluno empreendedor, considerar que o mês comercial dessa empresa é de 26 dias e o faturamento do P.E. de R$ 51.800,00 representa 87,5% do valor geral de vendas, significa que a empresa precisa trabalhar aproxima- damente vinte e três dias para atingir o seu ponto de equilíbrio, tendo três dias como margem de segurança. Essa informação fica ainda mais fácil de entender quando comparamos a Demonstração de Resultados do Exercício do Ponto de Equilíbrio com a DRE do resultado que foi realizado pela empresa, veja a seguir: Tomada de Decisão baseada em Custos Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 219 ____________________________________ DRE Realizado Vendas = R$ 59.200,00 (-) CDV = R$ 45.440,00 MC= R$ 13.760,00 (-) CF = R$ 4.040,00 (-) DF = R$ 8.000,00 (=)Lucro Operacional = R$ 1.720 _____________________________________ Se o resultado apresentado no lucro operacional for negativo, significa que não houve lucro, mas sim existe o aparecimento de prejuízo. Nesse caso, cabe ao dono do negócio avaliar e encontrar onde está esse gargalo, qual o produto ou serviço que está contribuindo para esse resultado negativo, ou ainda, avaliar os custos fixos e despesas fixas, pois a estrutura do negócio pode estar contri- buindo para tal prejuízo. Imagine, porém, que você, ao ver tais resultados, sentiu-se motivado em montar uma empresa no mesmo segmento, decidindo também produzir e ven- der copos personalizados. Como está iniciando nesse meio agora, você optou por não produzir mais de um tipo de produto, então apenas um modelo seria pro- duzido e vendido pela sua empresa. Eis que, ao surgir a dúvida de quanto (R$) seria necessário vender para obter lucro, você se lembrou de que existe uma fer- ramenta muito importante que auxilia os donos de empresa na obtenção dessa informação, decidindo então calcular o Ponto de Equilíbrio. Desejando obter o PE por meio do volume de faturamento em (R$), consideraremos que você venda o copo por R$ 6,00 a unidade, com custo variável de R$ 1,90 e despesa variável de R$ 1,10. Seus custos e despesas fixos também são menores do que os do caso do nosso empreendedor visto anteriormente, porque, como você fez bem a lição de casa, conseguiu deixar sua empresa com uma estrutura enxuta, tecnicamente sem desperdícios. Assim, seus custos fixos são R$ 2.200,00 e suas despesas fixas R$ 5.600,00. De acordo com Bernardi (2007), é possível que se descreva essa resolução da seguinte maneira: ECONOMIA E CUSTOS: ASPECTOS DO CENÁRIO ECONÔMICO QUE INFLUENCIAM NO PDV Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E220 Resolução Preço de venda = R$ 6,00 unid. 100% (-) CVu = R$ 1,90 unid. 31,67% (-) DVu = R$ 1,10 unid. 18,33% (=) M.C = R$ 3,00 unid. 50% CF+DF PE = ____________________________ MARGEM DE CONTRIBUIÇÃO % ____________________________ 100 R$ 2.200,00 + R$ 5.600,00 PE = ____________________________ 50 % ____________________________ 100 R$ 7.800,00 PE = _______________ = R$ 15.600,00 0,5 Observe então que, por meio do caso hipoteticamente descrito em seu portfólio de produção e vendas, considerando todos os custos e despesas empregados no processo, você, nobre aluno empreendedor, precisa obter um volume de vendas de R$ 15.600,00 para, a partir de então, pagar toda a operação e passar a gerar lucro. Esse resultado ainda é passível de ser quantificado em unidades. Caso você queira saber quantos copos serão necessários produzir para atingir o fatura- mento, basta dividir o valor obtido no cálculo do Ponto de Equilíbrio pelo preço unitário de R$ 6,00, atingindo assim a quantidade de 2.600 copos no período. Acompanhe o detalhamento a seguir. Tomada de Decisão baseada em Custos Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 221 Tabela 7 - Quantidade de produção e vendas FATURAMENTO P.E (R$) VALOR UNITÁRIO (R$) QUANTIDADE DE PRODUÇÃO E VENDAS (UNID.) R#15.600,00 + R$6,00 = 2.600 Fonte: o autor. Tirando a prova de forma contábil: DRE-PE Vendas = 2.600 unid. x R$ 6,00 = R$ 15.600,00 (-) Custos Variáveis = 2.600 unid. x R$ 1,90 = R$ 4.940,00 (-) Despesas Variáveis = 2.600 unid. x R$ 1,10 = R$ 2.860,00 (=) Margem de Contribuição = R$ 7.800,00 (-) Custos Fixos = R$ 2.200,00 (-) Despesas Fixas = R$ 5.600,00 (=) Lucro operacional R$ 0,00 Para obter o Ponto de Equilíbrio em unidades pela fórmula do PE: CF+DF PE = _____________________________ MARGEM DE CONTRIBUIÇÃO (R$) R$ 2.200,00 + R$ 5.600,00 PE = ____________________________ R$ 3,00 ECONOMIA E CUSTOS: ASPECTOS DO CENÁRIO ECONÔMICO QUE INFLUENCIAM NO PDV Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E222 R$ 7.800,00 PE = _______________ = 2.600 unid. R$ 3,00 Assim, por meio da análise do ponto de equilíbrio, é possível atender expecta- tivas gerenciais acerca de várias decisões. Santos (2011) sugere que essa análise possibilite: I. Alterar o “mix” de vendas com base no comportamento do mercado. II. Alterar políticas de vendas quando da inserção e lançamento de novos produtos. III. Definição do “mix” de produtos, quantidade de produção e preço do produto. IV. Volume de vendas de determinados produtos para obtenção de lucros. V. Caso haja aumento de preço, o que poderá ocorrer com o lucro? VI. Planejamento e controle de vendas, etc. Boas Práticas da Gestão de Custos Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 223 BOAS PRÁTICAS DA GESTÃO DE CUSTOS Ao iniciar esse tópico, gostaria de compartilhar com você uma frase na íntegra, retirada da obra de Santos (2011, p. 14) quando reproduz algumas palavras que disse ouvir, assim: “o coração estava para a vida do corpo, assim como o controle do custo estava para a vida da empresa”. Caro(a) aluno(a), com essa máxima, gostaria de enaltecer algo que você deve ter percebido, que a gestão de custos e despesas de um negócio é, de fato, extremamente importante para saúde finan- ceira da empresa, independente do ramo de atuação. Este último tópico desta unidade, seguindo o mesmo raciocínio apresen- tado acima, visa proporcionar o entendimento de que uma boa gestão de custos está ligada diretamente com a manutenção do negócio no mercado competitivo, bem como no cumprimento do objetivo maior de uma empresa, que é a gera- ção de lucros. O foco deste capítulo não é detalhar toda a estrutura de custos e despesas existentes na literatura, para isso existem inúmeras outras obras que tratam o tema de maneira apropriada para cada tipo de segmento. Nossa missão é orientá- -lo para que haja o entendimento do quanto é importante o bom gerenciamento sobre custos e despesas, que certamente lhe auxiliarão no processo de tomada de decisão, principalmente em momentos de “aperto” econômico, como o que a economia brasileira tem vivido; além, é claro, do forte impacto que a concor- rência e o próprio cliente vêm exercendo sobre as atividades das empresas, sejam elas de transformação ou vendas. Nota: Não deixe de acessar o material extra no final desta unidade. Coelho e Lins (2010) sugerem ainda que as mudanças que ocorreram no mundo proporcionaram que hoje tudo seja muito mais rápido do que em outros tempos, além de muito mais competitivo. Houve também um encurtamento de distâncias, que, por meio da tecnologia, permite que produtos e serviços possam ECONOMIA E CUSTOS: ASPECTOS DO CENÁRIO ECONÔMICO QUE INFLUENCIAM NO PDV Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E224 ser disponibilizados em qualquer parte do mundo. Esse contexto mais dinâmico exige, entre outras coisas, que não saibamos apenas quanto representam os cus- tos, pois isso não é mais suficiente para a boa gestão do negócio, sendo preciso ligar diretamente a eficiência do processo à qualidade dos produtos e dos servi- ços, obviamente por intermédio de uma cadeia de valoreficaz, que notoriamente agrega valor para o cliente. É cada vez mais comum entre os administradores, que surjam algumas dúvidas quanto aos reajustes de preços baseados na sensação de aperto em relação ao que sobra no caixa das organizações. Tal cenário, de acordo com Koliver (2010, p. 479), resultou: na geração de uma grande quantidade de teorias e técnicas no campo administrativo, com a decorrente expansão das aplicações da conta- bilidade de custos, notadamente no setor de análise. Entre as concep- ções administrativas de natureza geral cumpre salientar que as ações direcionadas à satisfação do cliente passaram à condição diretiva, ou seja, o externo passou a ter a mesma expressividade do ambiente inter- no da entidade no terreno administrativo. Ampliou-se, pois, o terreno de ação da análise de custos, de vez que o gerenciamento dos custos passou a integrar o quadrante corrente nas empresas racionalmente administradas [...] nessa linha de pensamento, alguns autores passa- ram a referir-se constantemente à gestão estratégica de custos, embora semanticamente seja mais correto falar-se em gestão de custos no con- texto estratégico das empresas. Quem é empresário e está lendo este livro agora já deve ter vivenciado em algum momento aquela sensação de que, em função dos custos e das despesas que a todo o momento parecem aumentar, deveria reajustar todos os preços dos produtos Uma empresa que conhece bem sua estrutura de custos e despesas pode trabalhar com maior exatidão um elemento que é fundamental para qual- quer negócio com fins lucrativos: o preço. Boas Práticas da Gestão de Custos Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 225 ou serviços disponibilizados. Isso mesmo! Repassar ao cliente todos os gastos incorridos na operação. Seria perfeito para as empresas se isso pudesse aconte- cer e, ainda assim, o cliente continuar comprando seus produtos ou adquirindo seus serviços. O fato é, que no atual cenário econômico, as empresas precisam brigar cada vez mais pelo espaço em seu mercado alvo, lutando com todas as “armas” dis- poníveis para manter o cliente atual bem como conquistar novos, pois uma boa gestão de custos está ligada diretamente aos lucros e à manutenção do negócio nesse mercado competitivo. Repassar para o cliente todos os custos e despesas pode não ser a melhor decisão a ser tomada no momento, apesar de boa parte dos donos de empresas optarem por essa alternativa. Isso se dá, muitas vezes, por considerarem que esse assunto exige um nível bastante complexo de traba- lho e controle; e também por falta de conhecimento do tema, e talvez do próprio negócio. Contudo é preciso ressaltar que o empresário certamente ao se pro- por em montar um negócio, deve ou deveria conhecer, mesmo em aspectos que gerais, todas as áreas da empresa, e logicamente saber identificar os custos e des- pesas empregados em seu processo, seja de produção, seja de vendas, ou ambos. Boas práticas na gestão de custos, de acordo com Coelho e Lins (2010, p.323) geram um processo coordenado e integrado voltado para a identificação, coleta e análise dos dados visando possibilitar informações não só de apuração de custos, mas também relativas à eficiência do processo e qualidade dos produtos e serviços. Imagine uma situação em que a empresa não tem uma boa gestão de custos, ela pode ter sérios problemas financeiros, pois como mencionamos exaustivamente neste capítulo, o cenário econômico atual inspira cuidados aos empresários e, certamente, nenhum deles quer enfrentar problemas de caixa. Observe que o próprio lucro da empresa pode ser afetado caso haja um simples erro de formu- lação de preços motivado pela má gestão dos custos. Preço, que aliás, é o assunto do nosso próximo capítulo, que quando muito altos podem espantar os clien- tes, em contrapartida, quando muito baixos (exceto promoções), sem o devido conhecimento de causa, é claro, podem gerar prejuízos. Associado a isso, pode- mos explanar o que Santos (2011) sugere quando diz que alguns mercados são ECONOMIA E CUSTOS: ASPECTOS DO CENÁRIO ECONÔMICO QUE INFLUENCIAM NO PDV Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E226 tão competitivos que algumas empresas de forma isolada não conseguem mani- pular os preços, sendo que, neste caso, é necessário controlar os custos, pois cada uma dessas empresas possui uma estrutura de custo diferente da outra. CONSIDERAÇÕES FINAIS Prezado(a) aluno(a)! Não existe mais espaço para “achismo”, mas sim para negócios bem geridos. Este capítulo lhe proporcionou o entendimento sobre as terminologias em custos e despesas, bem como suas aplicações. Procuramos, por meio de exemplos práticos e claros, promover o entendimento acerca da sepa- ração dos custos e das despesas. Você, caro(a) aluno(a), observou também os tipos de sistemas de custeio e sua forma de aplicação na organização por meio da exposição de casos criados hipoteticamente para facilitar o entendimento. Esta unidade trouxe à tona exemplos de métodos que podem ser utilizados em favor do empresário, como a utilização da análise por meio da Margem de Contribuição e do Ponto de Equilíbrio para auxílio na tomada de decisão. Hoje em dia pode ser que somente esse conhecimento, obtido de forma isolada, não signifique vantagem, pois os concorrentes podem estar a frente, considerando talvez outros aspectos, tais como os informados nos capítulos anteriores, mas sem dúvida esse é um ponto chave para a estratégia do negó- cio. Além do mais, o cenário econômico nos mostra o quanto as empresas estão sujeitas às variações do mercado, mostrando especificamente que nos períodos de crise é que a boa gestão de custos pode fazer toda a diferença. Esses aspectos devem ser considerados e utilizados pelos donos de empre- sas para fortalecer e solidificar cada vez mais seus negócios. Exigem disciplina e controle, a utilização de planilhas ou sistemas de apontamento de dados é e será sempre bem-vinda ao processo de gerenciamento dos custos, afinal, por mais que sua memória seja boa, quando o assunto é custo, tudo deve ser muito bem anotado e devidamente registrado. Considerações Finais Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 227 Dessa forma, ganha o empresário, que poderá desfrutar ainda mais de sua empresa e respectivamente dos seus negócios, pois considera-se que uma boa gestão de custo seja um dos elementos mais importantes para manutenção de qualquer organização. 228 1. Quanto à abrangência do custo na atividade empresarial, a abordagem do custo com finalidade de planejamento diz respeito à: a. Análise de valores. b. Avaliação de negociações. c. Imobilizações próprias. d. Instrumento para estudo de viabilidade. e. Avaliação dos estoques. 2. Os custos podem ser classificados quanto à sua apropriação dos produtos da seguinte forma: I. Diretos e fixos. II. Diretos e variáveis. III. Diretos e indiretos. IV. Fixos e variáveis. V. Apenas diretos. Assinale a alternativa correta: a. Apenas I e II estão corretas. b. Apenas II e III estão corretas. c. Apenas III está correta. d. Apenas II, III e IV estão corretas. e. Nenhuma das alternativas está correta. 3. De acordo com as definições e conceitos de custos e despesas, assinale Verda- deiro (V) ou Falso (F): ( ) Os custos são gastos direcionados à produção de bens, portanto inerentes à atividade de produzir, incluindo a produção em si e a administração da produ- ção. ( ) Despesa fixa representa o esforço empregado pela empresa no processo de fabricação de determinado item. Não inclui matéria-prima nem outros produtos adquiridos prontos para consumo. Exemplo: mão de obra direta e indireta, ener- gia, horas de máquina, etc. ( ) Despesas são gastos inerentes à obtenção de receitase administração da empresa, portanto próprios das atividades de vendas e administração. 229 a. V-F-V. b. V-V-V. c. F-F-F. d. F-V-V. e. F-F-V. 4. Uma empresa tem empregado em seu processo de produção e vendas os se- guintes gastos: - Fretes de mercadorias adquiridas. - Fretes de mercadorias vendidas. - Máquinas e equipamentos da fábrica. - Aluguel do escritório. - Material de expediente do escritório. - Computador do departamento comercial. - Embalagens do produto fabricado. - Depreciação das máquinas de produção. - Campanhas de marketing. - Veículo de vendas. - Salários dos empregados da produção. - Salários da administração. - Salários dos empregados de vendas. - Comissões de vendas. Faça a devida separação entre custos e despesas. Custos Despesas 5. Uma empresa comercial, vende um produto com preço de venda de R$ 8,00 uni- tário. Os custos variáveis são de R$ 1,50 unitário e as despesas variáveis são de R$ 2,50, também unitário. Sabendo que as despesas fixas somam a quantia de R$ 6.000,00, determine o PE em unidades de vendas e em valor total de vendas: a. 3.000 unid. / R$ 24.000. b. 2.500 unid. / R$ 20.000. c. 2.000 unid. / R$ 16.000. d. 1.500 unid. / R$ 12.000. e. 1.000 unid. / R$ 8.000. 230 UMA BOA GESTÃO DE CUSTOS FAZ A DIFERENÇA Tornar uma empresa mais sólida e competitiva passa pela missão de gerir melhor os custos e os resultados. Esse é o desejo de todo empresário, mas a realidade muitas vezes é bem distante. Detectar quando o negócio vai mal, quebrar paradigmas e ter atributos técnicos para lidar com uma nova gestão financeira exige esforços. O primeiro passo é centralizar as decisões em ferramentas de gerenciamento. Para o consultor financeiro Pedro Parreira, da Parcon Treinamento Empresarial, não há mais lugar no mercado para empresas que não possuem um planejamento financeiro. Mesmo antes de iniciar um negócio, o empresário deve ter planejado, em detalhes, as necessidades de capital de giro do empreendimento ao longo dos próximos anos. Os itens a serem pautados nesse planejamento são: √ Despesas operacionais √ Investimentos √ Financiamentos Existem várias ações que podem aperfeiçoar o controle de custos como planejar os gastos com uma estrutura fixa, mapear e implantar a gestão por processos, e fazer um planejamento de preços, margens por produto e unidades de negócios. É importante também estabelecer indicadores de desempenho para toda a empresa, acompanhar sistematicamente a realização do planejamento e corrigir os desvios em relação ao pla- nejado. Por fim, são indicadas sempre análises constantes de custos e valor. “Uma análise SWOT (Strengths, Weaknesses, Opportunities and Threats – Forças, Fraque- zas, Oportunidades e Ameaças) poderá identificar pontos fortes e fracos na empresa, e, mediante as oportunidades e ameaças do mercado em que atua, é possível fazer um planejamento mais adequado dos rumos a serem seguidos. Essa análise poderá mostrar claramente onde a empresa deverá trabalhar para melhorar resultados”, ressalta Pedro. Os recursos que entram no caixa da empresa devem ser suficientes para pagar seus compromissos. A liquidez é fruto de uma série de decisões e atitudes tomadas diaria- mente. Deve-se conhecer o que afeta, de maneira positiva ou negativa, a liquidez e os resultados operacionais da empresa. O diretor executivo da Conquista Móveis, Lucas Ribeiro Costa, já conviveu com os pre- juízos gerados por um mau planejamento. Sua empresa, que produz dormitórios para o varejo em todo o país, além de atender grandes redes de lojas do ramo como a Casas Bahia e Magazine Luiza enfrentava dificuldades para liquidar compromissos, tinha gas- tos excessivos, e um alto grau de rotatividade de profissionais. Foi necessário contratar a consultoria de Pedro para reorganizar as ferramentas de gestão. “Após essa experiência, nós acreditamos que toda empresa precisa de indicadores para saber se o caminho seguido está na direção dos objetivos. Esses indicadores podem ser financeiros, comerciais e operacionais, mas o que importa é a mensuração de onde está 231 sendo investido cada recurso e qual resultado é obtido. Outro detalhe importante é a distinção entre custos e recursos, onde nós falhamos no passado, pois cortamos um re- curso achando que era custo e fomos obrigados a voltar atrás. Para finalizar, eu diria que o detalhe crucial é a identificação dos fatores críticos de sucesso de cada mercado, assim a decisão de cortar ou investir fica mais fácil de ser tomada”, conclui Lucas. A reorganização das finanças da empresa resultou na ampliação da estrutura física, au- mento na participação de mercado e pulverização da base de clientes. Controle de custos: faça do seu negócio um sucesso Os custos desnecessários somente são eliminados através de uma disciplina fanática na busca diária por melhores resultados. O ideal é saber para onde sua empresa está cami- nhando nos próximos meses. A seguir, dicas de como redirecionar seus gastos e subtrair o desperdício: Com relação a vendas e receitas ■ Retire de linha produtos, ou até mesmo, unidades de negócios que não estão dando resultado; ■ Lance novos produtos; ■ Busque novos mercados para os seus produtos. ■ Organize suas vendas de forma a aproveitar as oportunidades que o mercado oferece; ■ Busque novos clientes e recupere os clientes perdidos; ■ Faça o relançamento de produtos com novos atrativos e funcionalidades; ■ Melhore a comunicação da sua empresa com o mercado, otimizando a sua ima- gem e confiança no produto. Com relação a custos e despesas ■ Aproveite a sua capacidade de produção ociosa oferecendo produtos com pre- ços menores e diluindo o custo fixo; ■ Invista em treinamentos para conscientização sobre desperdícios, retrabalho, defei- tos de produção, acidentes do trabalho, redução de rotatividade e absenteísmo, etc; ■ Faça parcerias em toda a cadeia de valor da empresa; 232 ■ Opte por terceirizações e desmobilizações onde for realmente necessário; ■ Reduza alguns custos de matérias primas que não agregam valor aos produtos; ■ Resolva problemas de restrições em toda a fábrica, comercialização e distribuição; ■ Reduza custos com despesas de propaganda que não estão alavancando vendas; ■ Estabeleça comissões para vendedores e representantes pela margem de contri- buição deixada pelos produtos. Fonte: Bispo (2012, on-line)6. Material Complementar MATERIAL COMPLEMENTAR Gestão de Custos Dalvio José Bertó / Rolando Beulke Editora: Saraiva Sinopse: “Esta obra, ao contrário das demais que se dedicam ao assunto, demonstra de modo claro as principais características dos sistemas de custeio utilizados, salientando de modo especial no texto a importância das despesas operacionais e administrativas na composição dos custos na empresa. Isso fi ca também evidenciado na atividade do comércio. Dentre outros assuntos, a obra contempla a formação de preço de venda e estabelece modelos de simulação, com o objetivo de atingir os resultados almejados e/ou programados”. Saraiva. Curso Básico de Contabilidade de Custos Silvio Aparecido Crepaldi Editora: Atlas Sinopse: esta obra foi pensada em você, estudante e concursando. Visa demonstrar o sistema de avaliação dos estoques dos produtos existentes na empresa e por ela produzidos. Entretanto, a Contabilidade de Custos vem evoluindo e modernizando-se, deixando de ser mera auxiliar na avaliação de estoques e de lucros globais, para tornar-se um importante instrumento de controle e de suporte às tomadas de decisões. MATERIAL COMPLEMENTAR O uso das informações contábeis na tomada de decisão em pequenas empresas O artigo versa sobre a identifi cação das características das informações contábeis e sua utilização para a tomada de decisão em pequenas empresas, a partir das opiniões de contadores e proprietários de pequenas empresas. O estudo fundamenta-se em uma pesquisa de caráter exploratório e qualitativo, utilizando como abordagem metodológica entrevistassemi- estruturadas. São apontadas divergências nas visões, de que tipos de informações são ou não úteis. Acesse: <http://www.rausp.usp.br/Revista_eletronica/v1n1/artigos/v1n1a7.pdf>. A Meta Ano: 2003 Sinopse: o fi lme é baseado no best seller consagrado com mais de 2 milhões de exemplares vendidos no mundo e traduzido em mais de 20 idiomas, “A Meta”. Adquirido pelo grande público e homens de negócios, foi adotado por mais de 200 faculdades. Escrito em forma de romance, o autor trata dos princípios de funcionamento de uma indústria, questionando o porquê de ela funcionar de determinada forma e como seria possível solucionar os problemas de empresas que estão com atrasos na produção e baixa receita. REFERÊNCIAS 235 BEULKE, R.; BERTÓ, D. J. Gestão de Custos. São Paulo: Saraiva, 2006. BERNARDI, L. A. Manual de formação de preços: políticas, estratégias e fundamen- tos. 3. ed. 2. reimpr. São Paulo: Atlas, 2007. COELHO, C. U. F.; LINS, L. S. Teoria da contabilidade: abordagem contextual, histó- rica e gerencial. São Paulo: Atlas, 2010. CREPALDI, S. A. Curso básico de contabilidade de custos. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2010. DUTRA, R. G. Custos: uma abordagem prática. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2010. GORDON, I. H. De olho na concorrência. São Paulo: Futura, 2004. HANSEN, D. R.; MOWEN M. M. Gestão de custos. São Paulo: Cengage Learning, 2010. KOLIVER, O. Contabilidade de custos. Curitiba: Juruá, 2010. LEONE, G. S. G. Custos: planejamento, implantação e controle. 3. ed. 6. reimpr. São Paulo: Atlas, 2009. LEONE, G. S. G.; LEONE, R. J. G. Curso de contabilidade de custos. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2010. MAHER, M. Contabilidade de custos: criando valor para a administração. São Paulo: Atlas, 2001. MARTINS, E. Contabilidade de Custos. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2003. MOURA, H.S. O custeio por absorção e o custeio variável: qual seria o melhor méto- do a ser adotado pela empresa? Sitientibus, n. 32, p. 129-142, jan./jun., 2005. Dispo- nível em: <http://www2.uefs.br/sitientibus/pdf/32/o_custeio_por_absorcao_e_o_ custeio_variavel.pdf>. Acesso em: 28 mai. 2016. SANTOS, J. J. Contabilidade e análise de custos: modelo contábil, Métodos de de- preciação, ABC – Custeio baseado em Atividades, Análise atualizada de encargos sociais sobre salários, custos de tributos sobre compras e vendas. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2011. SECURATO, J. R. Decisões financeiras em condições de risco. São Paulo: Saint Paul Editora, 2007. SILVA, J. P. Análise financeira das empresas. 12. ed. São Paulo: Atlas, 2013. TZU, S. A arte da Guerra. Adaptação de James Clavell – 38. ed. São Paulo/Rio de Janeiro: Editora Record, 2002. REFERÊNCIAS REFERÊNCIAS ON-LINE 1Em: <http://www.gazetadopovo.com.br/economia/metade-das-empresas-fecha-as- -portas-no-brasil-apos-quatro-anos-diz-ibge-218rjgz48g9gvrrnxzqofq3z0>. Acesso em: 02 abr. 2016. 2Em: <http://www.portaldecontabilidade.com.br/tematicas/custo-ou-despesa.htm>. Acesso em: 02 jun. 2016. 3Em: <http://www.bibliotecas.sebrae.com.br/chronus/ARQUIVOS_CHRONUS/bds/bds. nsf/E809A7FF3D9553E90325714700620C06/$File/NT00031FEA.pdf>. Acesso em: 02 jun. 2016. 4Em : <http://www.portaldecontabilidade.com.br/tematicas/custospadrao.htm>. Aces- so em: 05 mai. 2016. 5Em: <http://www.industriahoje.com.br/como-calcular-o-ponto-de-equilibrio-da-em- presa>. Acesso em: 02 jun. 2016. 6Em: <http://www.catho.com.br/carreira-sucesso/noticias/uma-boa-gestao-de-cus- tos-faz-a-diferenca>. Acesso em: 02 jun. 2016. GABARITO 237 1. Alternativa D. 2. Alternativa C. 3. Alternativa A. 4. Custos -Fretes de mercadorias adquiridas. -Máquinas e equipamentos da fábrica. -Salários dos empregados da produção. -Embalagens do produto fabricado. -Depreciação das máquinas de produção. Despesas -Fretes de mercadorias vendidas. -Aluguel do escritório. -Material de expediente do escritório. -Computador do departamento comercial. -Campanhas de marketing. -Veículo de vendas. -Salários da administração. -Salários dos empregados de vendas. -Comissões de vendas. 5. Alternativa D. U N ID A D E V Professor Esp. Rodrigo Junior Gualassi FORMAÇÃO DE PREÇOS Objetivos de Aprendizagem ■ Apresentar de quais formas os preços podem ser formados no PDV. ■ Apresentar formas de promover o PDV com foco no preço. ■ Mostrar que é possível vender produtos ou serviços com preço maior que a concorrência baseado no retorno (benefícios) que causará no consumidor final. ■ Conceituar e apresentar o mark-up como um eficiente índice (ferramenta estratégica) de formação de preço da venda. Plano de Estudo A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: ■ Entendendo a formação de preços ■ Promoção baseada em preço ■ Preço versus valor agregado ■ Estratégias de preço (mark-up) INTRODUÇÃO Olá, caro(a) aluno(a)! A destruição das barreiras, o uso cada vez mais intenso de processos de trocas, a virtualização das relações entre consumidores e empre- sas, tornam importante as discussões sobre precificação. Diamantopoulos (2005) afirma existir um afastamento de posicionamento entre acadêmicos e profis- sionais com relação à complexidade, flexibilidade e aplicabilidade dos modelos utilizados para precificação. A estratégia de precificação é dependente do posi- cionamento estratégico da organização. A não escolha, ou ainda, escolha errada destas estratégias pode comprometer a sobrevivência do negócio ao longo do tempo. Além do mais, o próprio desempenho organizacional pode ser auferido com base na variável preço, uma vez que sustenta custos e despesas, e por se tra- tar da fonte principal dos recursos gerados pela empresa: receitas. Donos, administradores e gestores de empresas que praticam os mesmos preços dos concorrentes, desconhecendo de seu mercado (externo) e estrutura de custos (interno), acreditando ser esta a forma mais prática e fácil de dispo- nibilizar seus produtos ou serviços sem antes planejar ações por meio de, por exemplo, diagnóstico e análise da estratégia, mapeamento de processos, implan- tação de métodos ou correções de falhas, correm o risco de serem eliminados do mercado. Partindo do pressuposto de que o desenvolvimento tecnológico e a competição promovem redução de custos, preços fazem com que os produ- tos e serviços sejam amplamente acessados pelos consumidores; a estratégia de precificação corrobora para se obter as melhores margens possíveis durante um maior tempo, visando, principalmente, não deixar que a empresa sofra influên- cias de competições danosas. Neste capítulo apresentaremos modelos utilizados para precificação baseados nos ambientes interno e externo que circundam o empreendimento, na estru- tura de custo da organização, no mercado, na concorrência, no consumidor, e que sejam coerentes com a estratégia organizacional, buscando ainda demons- trar o processo de precificação a partir do método mark-up. Introdução Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 241 FORMAÇÃO DE PREÇOS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E242 Saber exatamente a variação provocada pelo preço no comportamento de compra do consumidor é o que todo empresário busca conhecer e enten- der, para assim, de forma estratégica, orientar as melhores ações com re- lação à forma de precificar seus produtos ou serviços. Retomando alguns conceitos existentes da área econômica, essas variações podem ser medidas por meio do conhecimento em relação à elasticidade de preço da demanda. Elasticidade diz respeito ao nível de reação de um produto ou serviço à va- riação de, neste caso, por exemplo, seu preço. Isto é, demonstra uma relação entre o efeito nas quantidades demandadas ou ofertadas de determinado produto. O que isso significa? Significa o quanto uma variação de preço de produtos ou serviços interfere no consumo, ou seja, se o preço for ajustado para mais, por exemplo, qual