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UNIP - CHÁCARA SANTO ANTÔNIO DIREITO A Constituição Brasileira como Constituição Aberta * Aplicação da Teoria de Peter Häberle * Daniel Paulo Pereira da Silva – C866HH-7 Diovana Gonçalves Ferrari – C7316B-4 Sandra Ranea Talarico - C883638 2 SÃO PAULO 2017 1. Introdução Nessa Atividade Prática Supervisionada traremos um olhar acerca da obra de Peter Härbele, jurista alemão que teve grande influência nos mecanismos de controle constitucional brasileiro. Nosso objetivo será traçar um breve histórico sobre a vida, a obra e as influências de Härberle, e ainda fazer uma analise sobre a aplicação de sua tese “A sociedade aberta dos interpretes constitucionais” e sua aplicabilidade, à luz da Constituição Cidadã de 1988. 2. Quem é Peter Härbele Peter Häberle, nasceu na Alemanha, em meio ao processo de ascensão de Adolph Hitler e do Partido Nazista em maio de 1934, dias antes do Congresso Alemão (o Reichtag), já tomado pelos Nazistas aprovou a Lei que daria ao Fuhrer, poder total para legislar, interpretar e executar todo ordenamento legal do país com base em seu projeto de poder autoritário que levou o mundo a conhecer um dos maiores horrores da História moderna, o Holocausto. Filho de médico, Häberle optou por cursar Ciências Jurídicas, em 1961 recebeu seu doutorado, e logo depois criou a tese Häberle: “a essência da garantia”, uma contribuição para o entendimento institucional dos direitos fundamentais e da doutrina da reserva legal. Häberle contribuiu enormemente para a formação do Estado Constitucional, especialmente em Estados em transição de regimes. Entre outras teorias Härbele se destacou pela concepção da ideia de uma sociedade de interpretes constitucionais abertas, onde todos os grupos sociais, políticos, culturais e o individuo, possam ser agentes da interpretação da Constituição, podendo dessa forma participar diretamente do processo de maturação do Texto Constitucional. Sua obra está voltada para a defesa das liberdades, da tolerância, da igualdade e da ampla participação do Cidadão como direito fundamental do individuo. Häberle chegou ao Brasil traduzido pelo Ministro do Superior Tribunal Federal, Gilmar Mendes, e sua contribuição desde então tem sido fundamental e fundamentadora de diversas teses, estudos e doutrinas e novações no sistema jurídico brasileiro. 3 Peter Häberle foi o criador do instituto jurídico do “amicus curiae”, que é regulado no ordenamento jurídico brasileiro pela Lei 9.868/99 e autorizada pelo STF em 2003 para fins de consulta em sustentação oral nos casos de Ação de controle de Constitucionalidade. O uso do instituto pretende proporcionar a legitimidade ao processo de reforma dinâmico a que se sujeito o texto da Carta Magma. Chegamos a conclusão que as influencias do processo de política reconstrução da Alemanha pós-guerra, foi fundamental para Häberle pudesse desenvolver um viés humanista, defensor da liberdade democrática, e da participação do cidadão de forma aberta na interpretação constitucional, retirando da autoridade Estatal a exclusividade da atividade interpretativa sobre os Direitos Fundamentais. 3. A aplicação da teoria de Häberle no contexto da Constituição Brasileira A influência de Häberle no Direito brasileiro, vem se materializar, especialmente, no instituto do “amicus curiae”, que o espaço onde a parte da sociedade, interessada em determinados conflitos constitucionais, é convocada a emitir seu parecer acerca do tema em tela. Podemos ainda trazer o instituto da audiência pública, que tem sido de fundamental importância para que os juristas fundamentem suas decisões com embasamento e em consonância com anseio do cidadão. Mas é na teoria da Interpretação aberta, que vemos realizar a cidadania de forma plena. Segundo Häberle, todo aquele que vive a Constituição é seu legitimo interprete, assim sendo cada cidadão, grupo social, ou de interesse, poderá fazer sua interpretação da norma num sentido amplo e defende-la nos conflitos em que for parte interessada ou que puder auxiliar a decisão do corpo julgador. Todo cidadão que vive sob o manto de uma Constituição, deveria aprender desde de sua mais tenra formação os valores e princípios da Carta Constitucional que é o elemento máximo da fundação do Estado. O professor na escola de educação fundamental quando ensina os valores da igualdade entre os seres humanos independente da sua cor, nada mais está fazendo, do que interpretar a Constituição a luz do Artigo 3º, inciso IV, da Constituição Federal Brasileira, que traz em seu texto os objetivos fundamentais da Republica Federativa do Brasil: “Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil: 4 IV - promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação. “ Logo no Artigo 1º, a Constituição Brasileira trás a base para legitimar a tese Häberle quando impõe a criação do Estado fundamentada em valores como a Cidadania, Dignidade da Pessoa Humana e Pluralismo Político: Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos: I - a soberania; II - a cidadania III - a dignidade da pessoa humana; IV - os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa; V - o pluralismo político. Parágrafo único. Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição. Ao elencar os fundamentos do Estado Brasileiro o legislador deixou claro o formato aberto da nossa Constituição, criando as ferramentas necessárias para que o poder do povo, conclamado no Paragrafo Único do mesmo Artigo 3º, possa se materializar de fato e de direito como sustentáculo para que se viabilize com eficácia plena os Direitos e Garantias Individuais do Capitulo I e também os Direitos Sociais previsto no Capitulo II da Carta Magna. Fica evidente a vocação da Constituição Brasileira para a participação do cidadão em seu processo evolutivo, e cada vez o cidadão está fazendo uso desse processo para interferir legitimamente no ordenamento jurídico ou mesmo no contexto politico, por meio da provocação do Poder Judiciário para temas aos quais o Legislador ainda nem se atentou. Não é raro que uma determinada demanda da sociedade se antecipe, por exemplo, a formulação de regulamentação de uma situação especifica, o que obriga o cidadão a peticionar ao Supremo Tribunal Federal um Mandado de Injunção, instituto que tem o objetivo de suprir regulamentação que o texto da Lei Maior impõe ao Legislador. É o caso da previsão do Artigo 9º da Constituição Federal, onde por falta de regulamentação da Lei de Greve, o STF foi acionado para decidir sobre a legitimidade do direito de greve para o Servido Público. Art. 9º É assegurado o direito de greve, competindo aos trabalhadores decidir sobre a oportunidade de exercê-lo e sobre os interesses que devam por meio dele defender. 5 § 1º A lei definirá os serviços ou atividades essenciais e disporá sobre o atendimento das necessidades inadiáveis da comunidade. Por isto posto podemos concluir que a tese de Häberle, não só é viável como já está em prática e com previsão legal pela Carta Maior do Estado Brasileiro. Precisamos intensificar o processo de educação para a interpretação constitucional para nossos filhos e ampliar o acesso à uma didática constitucional sistêmica aos nossos professores dos diversos níveis, pois somente assim poderemos avançar na construção uma nação soberana e de uma sociedade livre, justa e solidária. Biografia: https://jus.com.br/artigos/42152/a-teoria-de-interpretacao-constitucional-de- peter-haberle-a-sociedade-aberta-dos-interpretes-da-constituicao-um-metodo- pluralista, último acesso 20/11/17, 23horas http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicaocompilado.htmúltimo acesso 20/11/17, 23horas http://www.stf.jus.br/portal/cms/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=61765 último acesso 20/11/17, 23horas https://www.conjur.com.br/20anos/2017-ago-10/peter-haeberle- constitucionalista-alemao-constituicao-e-declara último acesso 20/11/17, 23horas https://www.conjur.com.br/2011-mai-29/entrevista-peter-haberle- constitucionalista-alemao#author último acesso 20/11/17, 23horas Revista de Informação Legislativa, pag 160 - 164 Mártires Coelho, Inocêncio - Faculdade de Direito da Universidade de Brasília Brasília a. 35 n. 137 jan./mar. 1998 Pontes Lopes, Silvia Regina - Monográfia Procuradora Federal; Mestranda em Direito Público pela Universidade de Brasília)