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UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ ÉLENA AGUIRRE OVI SUZAN EMANOELI CELISTA BENTO APURAÇÃO DO VALOR DEVIDO NA CONVERSÃO DA OBRIGAÇÃO ENTREGA EM OBRIGAÇÃO DE QUANTIA Itajaí 2020 ÉLENA AGUIRRE OVI SUZAN EMANOELI CELISTA BENTO APURAÇÃO DO VALOR DEVIDO NA CONVERSÃO DA OBRIGAÇÃO ENTREGA EM OBRIGAÇÃO DE QUANTIA Paper, apresentado à matéria de Direito Processual Civil IV (Execuções), do Curso de Direito, da Escola de Ciências Jurídicas e Sociais, da Universidade do Vale do Itajaí – UNIVALI, como requisito parcial para a obtenção da nota da Média 1 (M1). Orientador: Profª. Gabrielle Thamis Novak Foes. Itajaí 2020 APURAÇÃO DO VALOR DEVIDO NA CONVERSÃO DA OBRIGAÇÃO ENTREGA EM OBRIGAÇÃO DE QUANTIA ÉLENA AGUIRRE OVI1 SUZAN EMANOELI CELISTA BENTO2 Resumo Este trabalho tem a como pretensão analisar em princípio a conversão das obrigações, junto a elas, a apuração dos valores devidos para que assim seja sanada a lide. Com análises de Jurisprudências, entendimentos doutrinários e comentários de artigos específicos do assunto, explicar-se-á o funcionamento de obrigação de entrega, obrigação de quantia e a conversão da primeira na segunda. Alguns questionamentos não podem ficar de fora, afinal, a conversão das obrigações é legal? Qual a garantia que esta conversão traz? Essa conversão justa? Apesar de divergências doutrinárias, responderemos de forma clara e objetiva. Palavras-chave: Obrigação; Conversão; Valor. 1 Acadêmica do 7º Período do curso de Direito – ECJS – UNIVALI; suzanb@edu.univali.br. 2 Acadêmica do 7º Período do curso de Direito – ECJS – UNIVALI; eaovi.elena@gmail.com. SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO.................................................................................................4 2. OBRIGAÇÃO DE ENTREGA x OBRIGAÇÃO DE QUANTIA..........................4 2.1 Obrigação de Entrega...............................................................................4 2.2 Obrigação de Quantia...............................................................................8 3. APURAÇÃO DO VALOR DEVIDO NA CONVERSÃO DAS OBRIGAÇÕES.11 4. CONCLUSÃO................................................................................................14 5. REFERÊNCIAS.............................................................................................14 4 1. INTRODUÇÃO Por muito tempo, a execução foi considerada uma apenas uma fase complementar da ação. Os juristas sustentavam que, primeiro era necessário conhecer os fatos (processo de conhecimento), no qual o juiz arbitrava uma decisão e atribuía ao vencedor o reconhecimento do direito. Esta execução ainda existe nos dias de hoje, trata-se da execução de título judicial, ou seja, um cumprimento de sentença. Atualmente a execução também pode ser autônoma, isto é, considerada por si só uma ação, sendo fundada de um título extrajudicial, que estão descritos no rol do artigo 784 do Código de Processo Civil de 20153. Onde o legislador divide a execução em: da execução para a entrega de coisa, da execução das obrigações de fazer ou de não fazer, da execução por quantia certa, da execução contra a fazenda pública, da execução de alimentos. Dentre as execuções de obrigação de entrega, que estudaremos neste trabalho, nessa obrigação tem-se a conversão de obrigação, que acontece quando não é mais possível fazer a entrega de um objeto, por exemplo. Essa conversão se dará em perdas e danos/quantia, para que ai seja entregue o valor correspondente ao “objeto”. 2. OBRIGAÇÃO DE ENTREGA x OBRIGAÇÃO DE QUANTIA 2.1 Obrigação de Entrega A execução para dar coisa pode ser encontrada no rol dos artigos 806 ao 816 do Código de Processo Civil4, é a obrigação, onde o devedor se obriga a dar, prestar ou restituir ao credor determinada coisa. Não há o que se falar em diferenciação do direito a efetivar, pode ser real ou pessoal, nesse sentido podemos ressaltar o doutrinador Humberto Theodoro Junior: 3 SARAIVA. (2018). Vade Mecum Saraiva (26 ed.). São Paulo: Saraiva. 4 SARAIVA. (2018). Vade Mecum Saraiva (26 ed.). São Paulo: Saraiva. 5 Por exemplo, no feito – contra o alienante (possuidor direto) – baseado numa escritura pública de aquisição de imóvel, com constituto possessório, devidamente assentada no Registro Imobiliário, o adquirente (possuidor indireto) que reclama a posse direta do bem retido injustamente pelo primeiro, tem-se uma execução lastreada em direito real. Já no caso de o comprador da coisa móvel que o vendedor não lhe entregou, a execução do contrato se referirá a um direito pessoal, já que o domínio só será adquirido pelo credor após a tradição. Ambas as hipóteses, no entanto, ensejarão oportunidade ao exercício da execução para entrega de coisa. (JUNIOR H. T., 2018, p. 441)5 Importante ressaltar que a coisa a ser entregue não pode estar totalmente individualizada, pois esta se trataria de entrega de coisa incerta, o qual deve passar por uma fase de individualização das coisas indicadas no título executivo apenas pela quantidade e gênero. Já na entrega de coisa certa, a individualização já existe. No Código de Processo Civil de 1973, só era permitida a execução de obrigação de entrega oriunda de sentença, ou seja, apenas título judicial, no Código de 1994 traz a possibilidade de haver execução de obrigação de coisa certa e incerta tanto título judicial, quanto o extrajudicial, posteriormente o Código de 2002 separou a execução de título judicial e extrajudicial. O atual Código de Processo Civil manteve a distinção, assim entende novamente o doutrinador Humberto Theodoro Junior: Destinou, assim, um capítulo próprio para tratar do cumprimento de sentença que reconheça a exigibilidade de obrigação entregar coisa (já examinado no capítulo 15, retro) e outro para a execução de obrigação de entrega de coisa constante de título executivo extrajudicial. Em qualquer das duas modalidades de execução, porém, o objeto é a coisa certa, isto é, coisa especificada ou individualizada, que pode ser: (i) imóvel (casas, terrenos, fazendas etc.); ou (ii)móvel (uma joia, um automóvel etc.). Sendo incerta (determinada apenas pelo gênero), a coisa deverá, como visto anteriormente, sofrer especialização, observado o regramento próprio a ser examinado mais adiante. (JUNIOR H. T., 2018, p. 442)6 5 JUNIOR, H. T. (2018). Curso de Direito Processual Civil (51 ed., Vol. 3). Rio de Janeiro: Forense LTDA. 6 JUNIOR, H. T. (2018). Curso de Direito Processual Civil (51 ed., Vol. 3). Rio de Janeiro: Forense LTDA. 6 Tratando-se de execução fundada em título extrajudicial, a ação se inicia como o ingresso da petição inicial, estando em conformidade com o artigo 319 do Código de Processo Civil7, o juiz proferirá a citação para satisfazer a obrigação no prazo de 15 dias. Ocorrendo a citação, tanto na execução autônoma, quanto no cumprimento de sentença, existem quatro maneiras de o devedor proceder de acordo com Humberto Theodoro Junior, sendo elas: a) Entrega da coisa: após a entrega da coisa, o juiz lavrará um termo dando por encerrada a execução, porém se houver sujeição, também, ao pagamento de frutos e ressarcimento de perdas e danos, o processo prosseguirá na forma de execução por quantia certa.8 b) Inercia do devedor: esgotado o prazo de 15 dias, sem entrega da coisa ou deposito em juízo, agora, no lugar de ser expedido novo mandado em favor do credor, deverá o oficial de justiça, para que hajao “cumprimento imediato” da ordem de entrega, aguardar o prazo assinalado para o cumprimento voluntário da obrigação e, então providenciar, desde logo, a imissão na posse ou a busca e apreensão. c) Deposito da coisa: no curso do prazo de 15 dias da citação, o devedor, em lugar de entregar a coisa ao exequente, poderá depositá-la em juízo. Com essa providência, ficará habilitado a pleitear efeito suspensivo para seus embargos, se atendidas as exigências do artigo 919, § 1º, do Código de Processo Civil.9 d) Embargos à execução: Após a juntada do mandado de citação nos autos, o executado terá quinze dias para se defender, através dos embargos de execução, descrito no artigo 915 do Código de Processo Civil, em regra eles não terão efeito suspensivo, como consta no artigo 919 do Código de Processo Civil, poderá atribuir efeito suspensivo se estiverem em conformidade com o artigo 919, § 1º do Código de Processo Civil.10 7 SARAIVA. (2018). Vade Mecum Saraiva (26 ed.). São Paulo: Saraiva. 8 Artigo 807, Código de Processo Civil, 2015. (SARAIVA, 2018) 9 Artigo 919, Código de Processo Civil, 2015. (SARAIVA, 2018) 10 Artigo 915, Código de Processo Civil, 2015. (SARAIVA, 2018) 7 Em caso de inércia do devedor, ou seja, o não cumprimento da ação, além da imissão da posse ou da busca e apreensão, há maneiras coercitivas, nesse sentido temos o posicionamento do doutrinador Fernando da Fonseca Gajardoni: Diante da constatação do inadimplemento, o credor pode obter, no mesmo processo de execução, a imposição de uma medida de sub-rogação contra o devedor renitente (ex. busca e apreensão), e/ou não tendo ela surtido efeito, medida coercitiva capaz de satisfazer a obrigação (ex. multa). Por isso, sem prejuízo da ordem de busca e apreensão ou imissão na posse (art. 806, § 2º, do CPC/2015), poderá o juiz, ao despachar a inicial da execução para entrega de coisa certa, fixar multa por dia de atraso no cumprimento da obrigação (art. 806, § 1º, do CPC/2015). 6.2. A medida preferencial e prevalente é a busca e apreensão ou a imissão na posse, pese a técnica inversão da ordem dos parágrafos no art. 806. Constatado o inadimplemento, o Oficial de Justiça promove a busca e apreensão e entrega da coisa móvel ao exequente, ou a imissão dele na posse do imóvel. Não sendo isto possível – especialmente no caso de bens móveis, cujo localização nem sempre é sabida–, passa a incidir a multa diária eventualmente fixada na decisão inicial, a fim de coactar o devedor a entregar a coisa ou revelar seu paradeiro para fins de cumprimento da obrigação. Atente-se: não há obrigatoriedade da fixação da multa, sendo possível ao magistrado optar por primeiro, tentar a medida preferencial de apreensão/imissão e, só após, fixar a multa[...] (GAJARDONI, DELLORE, ROQUE, & JUNIOR, 2018. p. 157)11 Para ilustrar como ocorre na prática está modalidade de execução, podemos citar a jurisprudência a seguir: AGRAVO DE INSTRUMENTO. PROMESSA DE COMPRA E VENDA. AÇÃO DE EXECUÇÃO PRA ENTREGA DE COISA CERTA. EXECUÇÃO PARA ENTREGA DE COISA CERTA. OBRIGAÇÃO DE DAR. COMPRA E VENDA. MÓVEL. A promessa de compra e venda constituída por documento com eficácia executiva autoriza o comprador a postular execução para entrega de coisa certa. O fato do bem ter sido transmitido a terceiro antes de ser proposta a execução não retira a eficácia executiva, mas somente obsta a expedição de mandado de imissão em face do terceiro se oportunizada a sua oitiva, por exegese do art. 808 do CPC/15. - Circunstância dos autos em que se impõe dar provimento ao recurso para assegurar que se instaure a relação jurídica processual executiva. RECURSO PROVIDO. (Agravo de Instrumento Nº 70075630871, Décima Oitava Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: João Moreno Pomar, Julgado em 30/10/2017). 11 GAJARDONI, F. d., DELLORE, L., ROQUE, A. V., & JUNIOR, Z. D. (2018). Execução e Recursos Comentários ao CPC de 2015 (2 ed., Vol. 3). São Paulo: Forense LTDA. 8 (TJ-RS - AI: 70075630871 RS, Relator: João Moreno Pomar, Data de Julgamento: 30/10/2017, Décima Oitava Câmara Cível, Data de Publicação: Diário da Justiça do dia 01/11/2017)12 O caso em questão tratava-se de uma entrega de imóvel, por contrato de compra e venda. 2.2 Obrigação de Quantia A execução por quantia certa, também chamada de expropriação, é uma modalidade de execução que incide nas obrigações do devedor pagar ao credor quantia certa em dinheiro, através da execução de título executivo judicial ou extrajudicial. Segundo Cassio Scarpinella Bueno pode se conceituar expropriação como: A expropriação, que é a retirada pelo Estado-juiz de bens legitimamente pertencentes ao patrimônio do executado, pode ser feita por adjudicação, alienação por iniciativa particular, alienação em leilão judicial ou, ainda, pela apropriação de frutos e rendimentos de empresa ou de estabelecimentos e de outros bens (art. 825). (BUENO, 2015, p. 497)13 Nesse sentido também temos o conceito de quantia certa, firmada pelo doutrinador Humberto Theodoro Junior: A obrigação de quantia certa é, na verdade, uma obrigação de dar, cuja coisa devida consiste numa soma de dinheiro. Por isso, a execução de obrigação da espécie tem como objetivo proporcionar ao exequente o recebimento de tal soma. (JUNIOR, 2018, p. 473)14 No despacho inicial, o juiz cita o executado para pagar a dívida em três dias, fixa os honorários advocatícios em 10%, eincentiva o executado pagar a dívida no prazo, arbitrando a redução dos honorários para 5%. 12 TJ-RS. (01 de 11 de 2017). TJ-RS - AI: 70075630871 RS. Relator: João Moreno Poma. DJ 30/10/2017. Acesso em 05 de 05 de 2020, disponível em JusBrasil: https://tj- rs.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/516786512/agravo-de-instrumento-ai-70075630871-rs 13 BUENO, C. S. (2015). Manuela de Direito Processual Civil: (Vol. Único). São Paulo: Saraiva. 14 JUNIOR, H. T. (2018). Curso de Direito Processual Civil (51º ed., Vol. 3). Rio de Janeiro: Forense. 9 A citação pode ser feita tanto por correio, como por oficial de justiça, ocorre que por oficial acaba sendo mais eficaz, uma vez que, não encontrado a localização de executado, mas a localização de um bem ou bens descrito na inicial, caberá ao oficial realizar o arresto executivo destes, com a finalidade de garantir a dívida, como o disposto no artigo 830 do Código de Processo Civil15. Sobre o arresto é importante trazer o entendimento do doutrinado Daniel Amorim Neves: Tratando-se, portanto, de ato executivo de pré-penhora ou penhora antecipada, conclui-se que não existe qualquer exigência em se provar perigo de ineficácia do resultado do processo para a concessão do arresto executivo; basta não localizar o executado para sua citação. Justamente por isso, é acertado o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça em admitir o arresto executivo on-line pelo sistema BacenJud. (NEVES, 2016, p. 2390)16 Nos dez dias subsequentes ao arresto, o oficial de justiça procurará o devedor, por duas vezes em dias distintos para efetivar a citação, sendo efetua a citação o bem arrestado não será revogado, mas a execução seguirá seu procedimento normal, e caso não seja efetivado o pagamento da dívida em três dias, o bem arrestado seja convertido em penhora. Caso o não seja possível a citação, o exequente será intimado para no prazo de 10 dias requerer a citação do executado por edital, não sendo efetuado o requerimento, o arresto se desfaz, mas sendo efetuado e o devedor não pagar a dívida em três dias, o arresto se converte em penhora. Sendo citado o executado, e realizando o pagamento parcial, o desconto dos honorários se dará de maneira proporcional, realizando o total pagamento o executa seráintimado no prazo de cinco dias para dizer se concorda com o pagamento, concordando com o pagamento a execução será extinta, caso o exequente reconheça que o valor foi inferior ao devido, caberá ao juiz julgar a impugnação, e o exequente poderá levantar o valor depositado, caso o juiz não reconheça a impugnação, a execução será extinta, acolhendo a impugnação o processo prosseguirá para cobrar o valor que está faltando, nesse sentido temos o doutrinador Daniel Amorim Neves: 15 SARAIVA. (2018). Vade Mecum Saraiva (26 ed.). São Paulo: Saraiva. 16 NEVES, D. A. (2016). Manual de Direito Processual Civil (8 ed., Vol. único). Salvador: JusPodivm. 10 Calculando-se a isenção do pagamento da verba honorária com a aplicação da proporcionalidade entre o valor devido e o efetivamente pago. Nesse caso de continuação do processo de execução, ainda que o executado realize imediatamente o pagamento, não mais poderá se beneficiar da isenção do valor determinado pelo juiz como devido a título de honorários advocatícios. (NEVES, 2016, p. 2393).17 Importante também frisar que se tratando de ação de conhecimento que se reclamam de prestações sucessivas, o art. 323 do Código de Processo Civil, prevê que mesmo que não solicitada pela parte, as prestações que venceram no curso no processo serão consideradas na condenação. Essa regra se estende também a execução, como descrito o artigo 318, parágrafo único do Código de Processo Civil Nesse sentido pode-se citar o Enunciado nº 86 da I Jornada de Direito Processual Civil, do CEJ: “as prestações vincendas até o efetivo cumprimento da obrigação incluem-se na execução de título executivo extrajudicial” Através de um panorama geral do tema, afim de ilustrar de maneira prática tal modalidade de execução, temos as seguintes jurisprudências: AGRAVO DE INSTRUMENTO. EXECUÇÃO QUANTIA CERTA. COMPROVAÇÃO DA NATUREZA ALIMENTAR DOS VALORES BLOQUEADOS. NECESSIDADE. 1. Sem a demonstração da natureza alimentícia dos valores depositados na conta corrente, não é possível reconhecer a impenhorabilidade de que trata o artigo 833, IV do CPC/2015. 2. Negou-se provimento ao agravo de instrumento do autor. (Pág.: Sem Página Cadastrada.)18 APELAÇÃO. EXECUÇÃO. QUANTIA CERTA. AUSÊNCIA DE BENS. DILIGÊNCIAS VIRTUAIS. SUSPENSÃO DO FEITO. ARQUIVAMENTO. 1) Para o cumprimento de suas obrigações, o devedor responde com todos os seus bens presentes e futuros. É por isso que a momentânea ausência de recursos penhoráveis não autoriza a extinção do processo de execução. 2) É dever do exequente envidar os esforços necessários para localizar recursos passíveis de penhora, o que não é feito somente pela reiteração de diligências nos sistemas virtuais de buscas. 3) Decorrido o prazo de suspensão por 01 (um) ano, o processo deve ser arquivado até que se localizem bens ou incida a prescrição intercorrente. 4) Recurso provido. (TJ-AP - APL: 00084005120148030002 AP, Relator: Desembargador CARMO ANTÔNIO, Data de Julgamento: 13/03/2018, Tribunal)19 17 NEVES, D. A. (2016). Manual de Direito Processual Civil (8 ed., Vol. único). Salvador: JusPodivm. 18 TJDF. (30 de 04 de 2019). AI 07192715520188070000 DF 0719271-55.2018.8.07.0000, Relator: SÉRGIO ROCHA, DJ 24/04/2019. . Acesso em 07 de 05 de 2020, disponível em JusBrasil: https://tj- df.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/713095637/7192715520188070000-df-0719271- 5520188070000?ref=serp 11 3. APURAÇÃO DO VALOR DEVIDO NA CONVERSÃO DAS OBRIGAÇÕES Via de regra as sentenças deverão ser sempre líquidas, claras, fundamentadas e concisas, porém, há muitos casos em que o próprio pedido impede e/ou delimita aquilo que deve ser feito/entregue ao credor. É importante assentar que a conversão da obrigação, em quantia e perdas e danos é conduzido pelo artigo 497, artigo 499 do Código de Processo Civil de 2015. Além ainda dos artigos 234, 245, 247 a 249, 251, 389 e 402 a 405 do Código Civil de 2002.20 Assim, processualmente, quando é impossível que o cumprimento da obrigação seja devidamente efetivado, o credor pode optar pela conversão das obrigações em perdas e danos e sucessivamente a execução da quantia. Nesse sentido entende Didier que “Frustrada a execução para a entrega da coisa [...], pode o exequente optar pela conversão da obrigação em perdas e danos, que precisarão ser apuradas, investigadas, conhecidas” (JUNIOR, CUNHA, BRAGA, & OLIVEIRA, 2017, p.59). Como exemplo, temos um julgado da 14º Câmara Cível do TJMG: AGRAVO DE INSTRUMENTO - AÇÃO DE EXECUÇÃO PARA ENTREGA DE COISA INCERTA - BUSCA E APREENSÃO FRUSTRADA - CONVERSÃO EM EXECUÇÃO POR QUANTIA CERTA - POSSIBILIDADE. - Restando frustrada a busca e apreensão por inexistência da coisa, poderá o credor optar pela entrega de quantia em dinheiro equivalente ao valor da coisa, requerendo a conversão da ação proposta, em execução por quantia certa, consoante o disposto no artigo 627, do CPC. (TJ-MG - AI: 10569100000169001 MG, Relator: Valdez Leite Machado, Data de Julgamento: 18/10/2013, Câmaras Cíveis / 14ª CÂMARA CÍVEL, Data de Publicação: 25/10/2013).21 Pode verificar-se neste caso que o objeto principal da ação era o de entrega de coisa incerta (kg’s de soja), sendo que a busca e apreensão foi frustrada, assim 19 TJAP. (13 de 03 de 2018). APL: 00084005120148030002 AP. Relator: Desembargador CARMO ANTÔNIO, DJ 13/03/2018. Acesso em 07 de 05 de 2020, disponível em JusBrasil: https://tj- ap.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/642040660/apelacao-apl-84005120148030002-ap?ref=serp 20 SARAIVA. (2018). Vade Mecum Saraiva (26 ed.). São Paulo: Saraiva. 21 TJ-MG. (25 de 10 de 2013). AI: 10569100000169001 MG. Relator: Valdez Leite Machado. DJ 18/10/2013. Acesso em 06 de 05 de 2020, disponível em JusBrasil: https://www.jusbrasil.com.br/diarios/91011077/trf-3-judicial-i-interior-05-05-2015-pg-957 12 surgiu a possibilidade de uma conversão em execução por quantia, ao qual foi aceita pelo credor, assim o devedor tentou agravar a decisão, tendo o recurso desprovido, mantendo a decisão. Durante esse processo de conversão da obrigação é feito a liquidação, que é o método utilizado para a apuração do valor líquido de uma obrigação reconhecida em sentença, a fim de viabilizar a execução “forçada”. Esta liquidação específica está descrita no artigo 809, §1º e §2º, artigo 816, parágrafo único, e artigo 823, parágrafo único, todos do Código de Processo Civil22. Em seu livro, Diddier ainda destaca: O objetivo da liquidação é integrar a decisão ilíquida, chegando a uma solução acerca dos elementos que faltam para a completa definição da norma jurídica individualizada, a fim de que essa decisão possa ser objeto de execução. Dessa forma, liquidação de sentença é a atividade judicial cognitiva pela qual se busca complementar a norma jurídica individualizada estabelecida num título judicial. Como se trata de decisão proferida após atividade cognitiva, é possível que sobre ela recaia a autoridade da coisa julgada material (JUNIOR, CUNHA, BRAGA, & OLIVEIRA, 2017, p.60).23 Sobre essa liquidação ainda ressalta Alexandre Câmara que: “É extremamente importante deixar-se clara a legitimidade do devedor para postular a liquidação, já que tem ele o direito de pagar e exonerar-se da obrigação, o que será possível com a liquidação.” (CAMARA, 2017, p. 357)24 Podemos observar a jurisprudência a seguir como exemplo de liquidação de sentença: PROCESSO CIVIL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA. LAUDO PERICIAL COM DUAS CONCLUSÕES. INTERPRETAÇÃO. DISPOSITIVO. SENTENÇA. METODOLOGIA. CORREÇÃO MONETÁRIA. MEROS CÁLCULOS ARITMÉTICOS. 1. Ausente elementoapto a infirmar as conclusões de Juízo, deve ser prestigiado os argumentos de forma pormenorizada e nos estritos termos do consignado em sentença, para apurar o valor devido ao ressarcimento e correções necessárias. 2. Diante da discordância quanto aos cálculos apresentados cabe ao magistrado, a partir do seu livre convencimento 22 SARAIVA. (2018). Vade Mecum Saraiva (26 ed.). São Paulo: Saraiva. 23 JUNIOR, F. D., CUNHA, L. C., BRAGA, P. S., & OLIVEIRA, R. A. (2017). Direito Processual Civil. Execução (7 ed., Vol. 5). Salvador: JusPodivm. 24 CAMARA, A. F. (2017). O Novo Processo Civil Brasileiro (3 ed.). São Paulo: Atlas. 13 motivado, apurar o valor devido em conformidade com os critérios determinados em sentença. 3.Recurso conhecido e desprovido.(TJ-DF 07216616120198070000 DF 0721661 – 61.2019.8.07.0000, Relator: Maria de Lourdes Abreu, Data de Julgamento: 25/03/2020, 3ª Turma Cível, Data de Publicação no PJe: 17/04/2020. Pág.: Sem Página Cadastrada.) 25 Nesses casos de conversão, o Supremo Tribunal Federal (STJ) em 2015 se posicionou no sentido que “após a reforma operada pela Lei nº 10.444/2002, o sistema processual deveria ser relido e interpretado à luz da efetividade da tutela jurisdicional. Assim, nos termos do artigo 461, §1º, do Código de Processo Civil, verificada a impossibilidade de cumprimento da obrigação específica, é possível a conversão em perdas e danos, independente de pedido explícito e mesmo em fase de cumprimento”. Vejamos então, a ementa de julgado da Terceira Turma do STJ que possibilitou a referida posição: PROCESSUAL CIVIL E CIVIL. RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE REINTEGRAÇÃO DE POSSE. CONVERSÃO EM PERDAS E DANOS. IMPOSSIBILIDADE DE CUMPRIMENTO DA TUTELA ESPECÍFICA. ARTS. ANALISADOS: 461, 461-A E 931 DO CPC. 1. Ação de reintegração de posse ajuizada em 9/10/2007. Recurso especial concluso ao Gabinete em 4/6/2012. 2. Demanda em que se pretende a retomada de bem objeto de arrendamento mercantil, em razão do inadimplemento contratual. 3. Após a reforma operada pela Lei nº 10.444/2002, o sistema processual deve ser relido e interpretado à luz da efetividade da tutela jurisdicional. 4. Nos termos do art. 461, § 1º, do CPC, verificada a impossibilidade de cumprimento da obrigação específica, objeto da ação, é possível a conversão em perdas e danos, independentemente de pedido explícito e mesmo em fase de cumprimento de sentença. 5. Na hipótese dos autos, a alegação de perda do bem, suscitada em contestação, abre o contraditório, de forma que deve o juiz apreciar a real impossibilidade prática de cumprimento da tutela específica, bem como as eventuais excludentes de responsabilidade quanto às perdas e danos. 6. Negado provimento ao recurso especial.26 (grifo nosso) 25 TJDF. (17 de 04 de 2020). AI 07216616120198070000 DF 0721661 – 61.2019.8.07.0000. Relator: Maria de Lourdes Abreu, DJ: 25/03/2020. Acesso em 07 de 05 de 2020, disponível em JusBrasil: https://tj-df.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/832758351/7216616120198070000-df-0721661- 6120198070000?ref=feed 26 STJ. (20 de 05 de 2014). REsp:1358726 RJ 2012/0109678-3. Ministra Nancy Andrighi. DJ 06/05/2014. Acesso em 06 de 05 de 2020, disponível em JusBrasil: https://stj.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/25092176/recurso-especial-resp-1358726-rj-2012-0109678- 3-stj 14 Observa-se após a análise do julgado que, não há a necessidade de um novo contraditório da fase de conhecimento para a conversão quando a o processo já está na fase de cumprimento de sentença. Visto que deve permanecer o princípio da celeridade e efetividade da justiça, caso que esse que não seria possível se fosse necessário o contraditório. Dessa forma entende-se o a liquidação do valor da indenização deve ser feita no mesmo momento após o deferimento da conversão, ou seja, nos próprios autos, sem qualquer necessidade de um novo contraditório. 4. CONCLUSÃO Isto posto, conclui-se que a conversão obrigação de entrega de coisa em quantia certa é sim legal, visto que há dispositivos do Código de Processo Civil que abordam o assunto. Esta conversão vai acontecer após a liquidação da sentença onde os valores serão apurados, através de técnicos que avaliam o bem em questão. A possibilidade de uma conversão de obrigações é justa, pois o credor pode optar pela conversão ou não, para ter sua lide sanada, e seu direito atendido, pois este, quando não há mais possibilidade de cumprimento da obrigação, e o mesmo se sentir lesado, poderá concorda com a conversão em quantia, está se torna a melhor e mais justa opção. 5. REFERÊNCIAS BUENO, C. S. (2015). Manuel de Direito Processual Civil (Vol. único). São Paulo: Saraiva. CAMARA, A. F. (2017). O Novo Processo Civil Brasileiro (3 ed.). São Paulo: Atlas. 15 GAJARDONI, F. d., DELLORE, L., ROQUE, A. V., & JUNIOR, Z. D. (2015). Execução e Recursos Comentários ao CPC de 2015 (2º ed., Vol. 3). 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AI 07192715520188070000 DF 0719271- 55.2018.8.07.0000, Relator: SÉRGIO ROCHA, DJ 24/04/2019. . Acesso em 07 de 05 de 2020, disponível em JusBrasil: https://tj- df.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/713095637/7192715520188070000-df-0719271- 5520188070000?ref=serp TJDF. (17 de 04 de 2020). AI 07216616120198070000 DF 0721661 – 61.2019.8.07.0000. Relator: Maria de Lourdes Abreu, DJ: 25/03/2020. Acesso em 07 de 05 de 2020, disponível em JusBrasil: https://tj- df.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/832758351/7216616120198070000-df-0721661- 6120198070000?ref=feed TJ-MG. (25 de 10 de 2013). AI: 10569100000169001 MG. Relator: Valdez Leite Machado. DJ 18/10/2013. Acesso em 06 de 05 de 2020, disponível em JusBrasil: https://www.jusbrasil.com.br/diarios/91011077/trf-3-judicial-i-interior-05-05-2015-pg- 957 TJRS. (01 de 11 de 2017). AI: 70075630871 RS. Relator: João Moreno Poma. DJ 30/10/2017. 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