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INFORMATIVO STJ-870
21 Questões certo/errado
2025
Entrar no grupo
https://chat.whatsapp.com/DiajJxorl4bIftUGG2vd5H
 SUMÁRIO 
 QUESTÃO 1 - ADMINISTRATIVO: Em consonância com a atual jurisprudência do STF, é possível a conversão da 
 pena de perda de cargo público em cassação de aposentadoria na fase de cumprimento de sentença de ação por 
 improbidade administrativa. (STJ-870 / Processo sob sigilo) 
 QUESTÃO 2 - TRIBUTÁRIO: Nos casos em que o veículo adquirido com isenção fiscal se envolver em acidente 
 que implique sua perda total ou for objeto de furto ou roubo, o beneficiário possui direito a nova isenção para a 
 compra de outro veículo, ainda que não ultrapassado o prazo de 2 anos previsto no art. 2º da Lei n. 8.989/1995, 
 não havendo, ainda, que falar na cobrança do tributo da seguradora. (STJ-870 / AREsp 2.849.743-SP) 
 QUESTÃO 3 - TRIBUTÁRIO: O art. 166 do Código Tributário Nacional não se aplica à repetição de indébito de 
 tributos diretos, como a Taxa de Coleta e Destinação Final de Resíduos Sólidos, que não comportam transferência 
 do encargo financeiro. (STJ-870 / REsp 2.117.022-RS) 
 QUESTÃO 4 - CIVIL: A conduta da "roleta-russa", embora temerária, quando comprovadamente realizada sem a 
 intenção suicida e sob o efeito de embriaguez, não é causa para a perda de indenização do seguro de vida. 
 (STJ-870 / REsp 2.204.888-PR) 
 QUESTÃO 5 - CIVIL: As declarações proferidas durante trote universitário, dirigidas a grupo específico e 
 posteriormente divulgadas em redes sociais, não configuram dano moral coletivo. (STJ-870 / REsp 2.060.852-SP) 
 QUESTÃO 6 - CIVIL: Os alimentos vencidos e não pagos no curso da execução configuram crédito concreto do 
 alimentado, incorporando-se ao seu patrimônio, sendo, portanto, transmissíveis aos seus herdeiros. (STJ-870 / 
 Processo em segredo de justiça) 
 QUESTÃO 7 - CIVIL / SAÚDE: A operadora do plano de saúde é obrigada a cobrir a fórmula à base de 
 aminoácidos (Neocate) para o tratamento de crianças com alergia à proteína do leite de vaca, conforme 
 recomendação da Conitec e incorporação da tecnologia ao SUS, limitada até os dois anos de idade. (STJ-870 / 
 REsp 2.204.902-RJ) 
 QUESTÃO 8 - PROCESSUAL CIVIL: Nos locais em que existente sala passiva, a deprecação há de limitar-se à 
 disponibilização desta em data e hora previamente agendada, intimação de quem necessário e demais atos 
 preparatórios de modo que o magistrado efetivamente competente cumpra, sequencialmente, seu dever de oitiva 
 das partes e testemunhas. (STJ-870 / EDcl no AgInt no CC 196.645-SP) 
 QUESTÃO 9 - PROCESSUAL CIVIL: Compete à Justiça Comum Estadual (e não à Justiça do Trabalho) o 
 julgamento da demanda relativa a bloqueio de conta em plataforma digital de delivery , se não houver pedido de 
 reconhecimento de vínculo trabalhista ou verbas típicas da relação de trabalho. (STJ-870 / CC 214.451-SP) 
 QUESTÃO 10 - PROCESSUAL CIVIL: As prestações periódicas relativas aos encargos locatícios vencidos após o 
 ingresso em juízo até a efetiva desocupação do imóvel devem ser incluídas na condenação, independentemente 
 de pedido pormenorizado do autor na inicial ou no curso da demanda. (STJ-870 / REsp 2.091.358-DF) 
 QUESTÃO 11 - PROCESSUAL CIVIL: Em observância ao princípio da instrumentalidade das formas, a 
 protocolização de embargos à execução nos autos da ação executiva, em desconformidade com o art. 914, § 1º, 
 do CPC, configura vício sanável, desde que o ato alcance sua finalidade essencial e seja posteriormente 
 regularizado em prazo razoável, sem prejuízo ao contraditório. (STJ-870 / REsp 2.206.445-SP) 
 QUESTÃO 12 - INFÂNCIA E JUVENTUDE / PROCESSUAL CIVIL: 1. A competência do Juízo da Infância e da 
 Juventude não se aplica a ações de cunho patrimonial ou obrigacional que não estejam intimamente ligadas à 
 proteção de direitos fundamentais de crianças e adolescentes. 2. A regra geral de competência territorial deve 
 prevalecer em ações indenizatórias contra municípios, salvo prova de efetivo prejuízo ao contraditório. (STJ-870 / 
 Processo em segredo de justiça) 
 1 
 QUESTÃO 13 - INFÂNCIA E JUVENTUDE / PROCESSUAL CIVIL: A prerrogativa de prazo em dobro para a 
 Defensoria Pública aplica-se aos procedimentos regulados pelo Estatuto da Criança e do Adolescente. (STJ-870 / 
 Processo em segredo de justiça) 
 QUESTÃO 14 - INFÂNCIA E JUVENTUDE / PROCESSUAL PENAL: 1. No rito especial que visa apurar a prática 
 de ato infracional, além da audiência de apresentação do adolescente prevista no art. 184 do ECA, aplica-se 
 subsidiariamente o art. 400 do CPP, de modo que, em acréscimo, é preciso garantir ao adolescente o 
 interrogatório ao final da instrução. 2. A inobservância desse procedimento implicará nulidade se o prejuízo à 
 autodefesa for informado pela parte na primeira oportunidade que tiver para se manifestar nos autos, sob pena de 
 preclusão. 3. O entendimento é aplicável aos feitos com instrução encerrada após 3/3/2016. (STJ-870 / REsp 
 2.088.626-RS e REsp 2.100.005-RS. Tema 1269 Recursos Repetitivos) 
 QUESTÃO 15 - PENAL: O STJ é competente para julgar Desembargadores em crimes sem relação com o cargo, 
 de modo a garantir a imparcialidade do julgamento. A palavra da vítima, corroborada por provas periciais e 
 testemunhais, possui relevante valor probatório em crimes de violência doméstica. A tese de autolesão e interesse 
 patrimonial da vítima não encontra suporte nas provas e reforça estereótipos de gênero ultrapassados. Natureza in 
 re ipsa do dano moral decorrente de atos de violência doméstica e familiar contra a mulher. (STJ-870 / APn 
 1.079-DF) 
 QUESTÃO 16 - PROCESSUAL PENAL: Tribunal do Júri. Carta psicografada. Ausência de valor probatório. 
 Inadmissibilidade da prova. Absoluta inidoneidade epistêmica. Ausência de apoio racional à possibilidade de 
 psicografia. Ausência de comprovação científica da possibilidade de comunicação de pessoas morta. Julgamento 
 por convicção íntima dos jurados, sem motivação. Indispensável filtragem do material probatório. 
 Desentranhamento dos autos. Necessidade. (STJ-870 / RHC 167.478-MS) 
 QUESTÃO 17 - PROCESSUAL PENAL: Tribunal do Júri. Nova decisão de pronúncia em cumprimento a acórdão 
 que reincluiu delito conexo. Preclusão temporal quanto aos capítulos inalterados. Impossibilidade de rediscussão. 
 (STJ-870 / REsp 2.197.114-MG) 
 QUESTÃO 18 - PROCESSUAL PENAL: Fixação de indenização por danos morais. Art. 387, IV, do CPP. Pedido 
 expresso na denúncia. Ausência de indicação do valor pretendido. Impossibilidade. (STJ-870 / AgRg no REsp 
 2.217.743-RS) 
 QUESTÃO 19 - PROCESSUAL PENAL: Tribunal do Júri. Decisão absolutória dos Jurados cassada pelo Tribunal 
 de origem. Novo julgamento. Ampliação da prova testemunhal. Impossibilidade. (STJ-870 / REsp 2.225.331-RJ) 
 QUESTÃO 20 - PROCESSUAL PENAL: Quebra da cadeia de custódia. Extravio de mídias das gravações e 
 simulações periciadas. Falha no armazenamento. Inacessibilidade à defesa. Nulidade dos laudos periciais. 
 (STJ-870 / RHC 218.358-PI) 
 QUESTÃO 21 - PROCESSUAL PENAL E DIGITAL: O uso de software de ronda virtual para a localização de 
 material relacionado a pornografia infantil, como o daChild Rescue Coalition (CRC), não se confunde com o 
 instituto da infiltração de agentes de polícia na internet, prevista no art. 190-A do Estatuto da Criança e do 
 Adolescente e prescinde de autorização judicial prévia. (STJ-870 / Processo em segredo de justiça) 
 GABARITO 
 2 
 QUESTÃO 1 
 A conversão da sanção de perda do cargo público em cassação de aposentadoria é inadmissível por 
 ofender o princípio da legalidade estrita, uma vez que tal penalidade não consta expressamente do rol 
 taxativo de sanções previstas no artigo 12 da Lei de Improbidade Administrativa, sendo vedada a 
 interpretação analógica ou extensiva em matéria sancionatória. 
 ( ) CERTO ( ) ERRADO 
 Justificativa: 💬 
 O princípio da legalidade estrita ou reserva legal constitui garantia fundamental no direito sancionador 
 brasileiro, estabelecendo que ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em 
 virtude de lei, conforme previsão do artigo 5º, inciso II, da Constituição Federal. Em matéria de sanções 
 administrativas, tradicionalmente se aplicava interpretação restritiva, exigindo-se previsão legal 
 expressa e taxativa das penalidades aplicáveis. 
 A Lei nº 8.429/1992, em sua redação original e mesmo após as alterações promovidas pela Lei nº 
 14.230/2021, estabelece no artigo 12 um rol específico de sanções aplicáveis aos atos de improbidade 
 administrativa, graduadas conforme a gravidade da conduta. Entre essas sanções encontra-se 
 expressamente prevista a "perda da função pública", sem menção literal à "cassação de aposentadoria", 
 o que fundamentou, em determinado momento, entendimentos jurisprudenciais restritivos quanto à 
 extensão dessa penalidade. 
 A discussão hermenêutica central reside em determinar se a cassação de aposentadoria representa 
 sanção autônoma não prevista em lei ou se constitui mero desdobramento executivo da pena de perda 
 da função pública. A primeira corrente interpretativa sustenta que, em matéria sancionatória, prevalece 
 o princípio da tipicidade estrita, não sendo admissível ao intérprete criar penalidades por via de 
 construção hermenêutica, ainda que fundada em princípios constitucionais ou em interpretação 
 sistemática. 
 Por outro lado, a interpretação sistemática e teleológica considera que a perda da função pública 
 abrange tanto a situação de atividade quanto a de inatividade, sob pena de esvaziamento da eficácia do 
 sistema de combate à improbidade. Segundo essa perspectiva, a cassação não seria sanção nova, mas 
 consequência lógica e necessária da perda do vínculo funcional, aplicando-se os princípios da 
 moralidade administrativa e da efetividade da tutela jurisdicional. A evolução jurisprudencial recente tem 
 privilegiado essa segunda linha interpretativa, superando o entendimento formalista anterior. 
 Resposta: ERRADO 
 QUESTÃO 2 
 A transferência do salvado à seguradora, ainda que decorrente de sinistro com perda total de veículo 
 adquirido com isenção de IPI por pessoa com deficiência, configura alienação que acarreta perda do 
 benefício fiscal e exigibilidade do tributo dispensado quando não observado o prazo bienal, uma vez que 
 a sub-rogação constitui negócio jurídico oneroso equiparável à alienação voluntária vedada pela 
 legislação de regência. 
 3 
 ( ) CERTO ( ) ERRADO 
 Justificativa: 💬 
 As normas que regulamentam a isenção de IPI na aquisição de veículos por pessoas com deficiência 
 estabelecem condições temporais para manutenção do benefício, notadamente o prazo mínimo de dois 
 anos durante o qual o bem deve permanecer sob titularidade do beneficiário. Essa exigência visa 
 assegurar que a renúncia fiscal efetivamente cumpra sua função de promover acessibilidade e 
 mobilidade, impedindo utilização meramente comercial ou especulativa da isenção. A interpretação 
 dessas normas deve considerar tanto sua literalidade quanto sua finalidade protetiva. 
 A questão central reside na qualificação jurídica da transferência do veículo sinistrado à seguradora e 
 seus efeitos tributários. Parte da controvérsia envolve determinar se a sub-rogação decorrente do 
 contrato de seguro configura modalidade de alienação equiparável àquelas vedadas pela legislação ou 
 se constitui operação de natureza distinta, vinculada ao cumprimento de obrigação contratual 
 securitária. A caracterização dessa transferência como negócio jurídico oneroso ou como mera 
 operação de mitigação de danos influencia diretamente a solução da questão tributária. 
 A interpretação das normas isentivas em matéria tributária demanda ponderação entre os princípios da 
 legalidade estrita e da razoabilidade, especialmente quando tais normas visam à proteção de direitos 
 fundamentais. A distinção entre situações de alienação voluntária, que podem caracterizar desvio de 
 finalidade, e eventos involuntários, que frustram a fruição do benefício sem culpa do titular, mostra-se 
 relevante para aplicação adequada da legislação. A equiparação indiscriminada de todas as formas de 
 transferência patrimonial pode conduzir a resultados incompatíveis com os objetivos da política de 
 inclusão social. 
 Resposta: ERRADO 
 QUESTÃO 3 
 a Taxa de Coleta e Destinação Final de Resíduos Sólidos qualifica-se como tributo direto vinculado à 
 prestação de serviço público específico ao contribuinte, razão pela qual não se exige do condomínio 
 edilício, nas ações de repetição de indébito, a comprovação de que não transferiu o encargo financeiro 
 aos condôminos, uma vez que o rateio das despesas condominiais constitui mera divisão interna de 
 custos e não se confunde com a repercussão econômica prevista no artigo 166 do CTN 1 . 
 ( ) CERTO ( ) ERRADO 
 Justificativa: 💬 
 O CTN estabelece tratamento diferenciado para a repetição de indébito conforme a natureza jurídica do 
 tributo, prevendo em seu artigo 166 restrições específicas para os tributos indiretos. A distinção entre 
 tributos diretos e indiretos fundamenta-se na possibilidade de transferência do ônus tributário ao 
 consumidor final ou terceiro estranho à relação jurídico-tributária, característica típica de impostos que 
 incidem sobre operações de circulação econômica. 
 1 Art. 166 . A restituição de tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro sòmente 
 será feita a quem prove haver assumido o referido encargo, ou, no caso de tê-lo transferido a terceiro, estar por êste 
 expressamente autorizado a recebê-la. 
 4 
 As taxas, por sua natureza de tributos vinculados à atuação estatal específica e divisível em relação ao 
 contribuinte, enquadram-se como tributos diretos, nos quais o sujeito passivo da obrigação tributária é 
 também o destinatário final do serviço público prestado. A Taxa de Coleta e Destinação Final de 
 Resíduos Sólidos vincula-se diretamente ao serviço prestado ao imóvel ou ao contribuinte que o utiliza, 
 inexistindo a figura da repercussão jurídica que justificaria a aplicação das limitações à repetição. 
 A jurisprudência do STJ, especialmente no julgamento do Tema 232, estabeleceu critério objetivo para 
 identificação dos tributos sujeitos à comprovação de não repasse do encargo financeiro, delimitando 
 essa exigênciaaos tributos que, por sua estrutura normativa, comportam transferência do ônus ao 
 consumidor final. O rateio interno de despesas entre condôminos caracteriza-se como divisão 
 proporcional de custos comuns, inerente à propriedade condominial. 
 Esse entendimento preserva a efetividade do direito à restituição tributária ao afastar exigência 
 probatória inaplicável aos tributos diretos, evitando que a distribuição interna de despesas em 
 condomínios e entidades associativas constitua obstáculo ao exercício da pretensão de repetição de 
 indébito. A distinção possui fundamento na estrutura econômica e jurídica de cada espécie tributária, 
 assegurando tratamento adequado conforme a natureza da exação. 
 Resposta: CERTO 
 QUESTÃO 4 
 Em contratos de seguro de vida, a conduta do segurado que manuseia arma de fogo em estado de 
 embriaguez caracteriza culpa grave equiparável ao dolo, configurando agravamento intencional do risco 
 que autoriza a recusa ao pagamento da indenização pela seguradora, independentemente da 
 comprovação de intenção deliberada de causar a própria morte, tendo em vista a gravidade objetiva do 
 comportamento e seu potencial lesivo. 
 ( ) CERTO ( ) ERRADO 
 Justificativa: 💬 
 A interpretação das excludentes de cobertura em contratos de seguro de vida deve observar critérios 
 rigorosos estabelecidos pela legislação civil e pela jurisprudência. O Código Civil prevê que o segurado 
 perde o direito à garantia quando agrava intencionalmente o risco objeto do contrato, exigindo-se a 
 presença do elemento subjetivo (dolo) para caracterizar a conduta excludente. A equiparação entre 
 culpa grave e dolo não opera automaticamente, devendo ser analisada caso a caso à luz das 
 circunstâncias concretas e da finalidade protetiva do contrato. 
 A caracterização do agravamento intencional do risco pressupõe demonstração inequívoca de que o 
 segurado atuou com o propósito deliberado de incrementar o risco segurado ou de provocar o sinistro. A 
 mera imprudência ou negligência, ainda que graves, não se equiparam ao dolo para fins de exclusão da 
 cobertura securitária. A jurisprudência dos tribunais superiores distingue claramente entre condutas 
 culposas, mesmo quando gravíssimas, e condutas dolosas, reservando as excludentes contratuais para 
 estas últimas quando expressamente previstas. 
 O estado de embriaguez constitui fator que compromete o discernimento e a capacidade de avaliar 
 adequadamente os riscos de determinada conduta. Quando o segurado pratica ato potencialmente letal 
 sem a intenção de provocar sua morte, acreditando que o evento danoso não ocorreria, não se 
 5 
 configura o dolo necessário para afastar a cobertura. A orientação jurisprudencial consolidada 
 estabelece que a embriaguez não constitui fundamento para eximir a seguradora do pagamento da 
 indenização, reconhecendo que acidentes ocorridos sob efeito de álcool integram o âmbito de proteção 
 do contrato. 
 A proteção ao consumidor em contratos de seguro orienta a interpretação restritiva das cláusulas 
 excludentes de cobertura, impedindo que critérios puramente objetivos, como a gravidade da conduta 
 ou seu potencial lesivo, sirvam de fundamento para negar a indenização. A necessidade de 
 demonstração do elemento subjetivo (intenção) constitui garantia essencial aos beneficiários, evitando 
 que presunções baseadas em circunstâncias externas afastem indevidamente a responsabilidade da 
 seguradora assumida contratualmente. 
 Resposta: ERRADO 
 QUESTÃO 5 
 A configuração do dano moral coletivo exige a demonstração rigorosa de efetiva lesão a valores 
 fundamentais compartilhados pela coletividade, não sendo suficiente a mera censurabilidade ética ou 
 reprovabilidade moral da conduta praticada, ainda que esta viole padrões sociais de comportamento. 
 ( ) CERTO ( ) ERRADO 
 Justificativa: 💬 
 O dano moral coletivo representa instituto de aplicação excepcional no direito brasileiro, exigindo 
 pressupostos específicos para sua caracterização. Diferentemente do dano moral individual, que tutela 
 a dignidade e os direitos personalíssimos da pessoa natural ou jurídica, o dano moral coletivo protege 
 valores fundamentais compartilhados pela coletividade, inserindo-se na categoria dos interesses 
 transindividuais difusos ou coletivos stricto sensu. 
 A jurisprudência do STJ firmou entendimento no sentido de que não basta a existência de conduta 
 moralmente reprovável ou socialmente censurável para configurar dano moral coletivo indenizável. É 
 imprescindível demonstrar, de forma rigorosa e objetiva, que houve efetiva vulneração aos valores 
 fundamentais da sociedade, com lesão concreta ao patrimônio imaterial da coletividade. A mera 
 violação de padrões éticos, por si só, não alcança o patamar necessário para ensejar reparação 
 coletiva. 
 A caracterização do instituto requer a presença cumulativa de elementos específicos: conduta 
 antijurídica, lesão a interesse transindividual juridicamente tutelado, nexo causal entre a ação e o dano, 
 além da gravidade objetiva da lesão perpetrada. Ausente qualquer desses requisitos, não se configura o 
 dano moral coletivo, ainda que a conduta mereça reprovação sob perspectiva ética ou moral. Essa 
 distinção evita a banalização do instituto e preserva sua aplicação às hipóteses verdadeiramente graves 
 de violação aos valores coletivos fundamentais. 
 Resposta: CERTO 
 6 
 QUESTÃO 6 
 As parcelas de alimentos já vencidas e não adimplidas ao tempo do falecimento do alimentando 
 constituem crédito de natureza patrimonial incorporado ao acervo hereditário, podendo os sucessores 
 do falecido prosseguir na execução para cobrança desses valores, uma vez que tais prestações 
 perderam o caráter personalíssimo próprio da obrigação alimentar. 
 ( ) CERTO ( ) ERRADO 
 Justificativa: 💬 
 A obrigação alimentar caracteriza-se pela dualidade de regimes jurídicos conforme o momento de sua 
 exigibilidade. O direito a alimentos futuros reveste-se de natureza personalíssima, vinculando-se às 
 necessidades existenciais do credor e à capacidade econômica do devedor, extinguindo-se 
 automaticamente com o óbito do alimentando, pois pressupõe a subsistência da pessoa beneficiária. 
 Diversamente, as prestações alimentares que já se venceram antes do falecimento do credor assumem 
 feição patrimonial autônoma, desvinculando-se do caráter personalíssimo originário. Esses valores 
 representam créditos consolidados que integravam o patrimônio do alimentando, configurando 
 obrigações líquidas, certas e exigíveis do devedor, independentemente da superveniência do óbito. 
 A transmissibilidade sucessória desses créditos alimentares vencidos fundamenta-se nos princípios 
 gerais do direito das sucessões, segundo os quais todos os direitos patrimoniais do falecido 
 transferem-se aos herdeiros. Negar essa transmissão implicaria premiação ao devedor inadimplente e 
 violação à eficácia coercitiva da obrigação, esvaziando a tutela jurídica dos direitos alimentares e 
 contrariando sua função social. 
 A jurisprudência consolidada dos tribunais superiores reconhece essa distinção, autorizando o espólio e 
 os herdeiros a habilitarem-se nos autos executivos para recebimento das parcelas vencidas,respeitados os limites da herança. Essa solução concilia a personalidade do direito alimentar 
 prospectivo com a patrimonialidade do crédito pretérito. 
 Resposta: CERTO 
 QUESTÃO 7 
 A operadora de plano de saúde está desobrigada de fornecer fórmula à base de aminoácidos para 
 tratamento de alergia à proteína do leite de vaca quando o produto está registrado na Anvisa como 
 alimento infantil e não como medicamento, uma vez que a classificação administrativa perante a 
 agência reguladora prevalece sobre a função terapêutica reconhecida pela Conitec 2 , sendo a natureza 
 de medicamento requisito essencial para caracterização como tecnologia em saúde de cobertura 
 obrigatória pela saúde suplementar. 
 ( ) CERTO ( ) ERRADO 
 Justificativa: 💬 
 2 Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde): É um órgão colegiado 
 permanente, vinculado ao Ministério da Saúde do Brasil, responsável por assessorar o gestor federal do SUS na tomada de 
 decisões relativas à inclusão, exclusão ou alteração de tecnologias em saúde. 
 7 
 A definição de tecnologia em saúde e sua obrigatoriedade de cobertura pelos planos privados envolve 
 análise que transcende meras classificações administrativas perante órgãos reguladores. O conceito de 
 tecnologia em saúde abrange não apenas medicamentos stricto sensu , mas também produtos, 
 procedimentos e equipamentos destinados ao tratamento, prevenção ou diagnóstico de condições 
 patológicas, sendo relevante sua função terapêutica efetiva no contexto clínico específico. 
 O registro de determinado produto na Anvisa em categoria específica atende a critérios regulatórios 
 próprios daquela classificação, não constituindo necessariamente óbice ao reconhecimento de sua 
 natureza terapêutica quando há evidências científicas e incorporação oficial por órgãos competentes. A 
 Conitec realiza análise técnico-científica rigorosa que considera eficácia, segurança e adequação 
 terapêutica, podendo reconhecer como tecnologia em saúde produtos que, administrativamente, 
 receberam classificação diversa junto à agência reguladora. 
 A jurisprudência superior tem superado interpretações meramente formalistas que privilegiam 
 classificações administrativas em detrimento da realidade clínica e das necessidades terapêuticas dos 
 pacientes. Quando há prescrição médica fundamentada, evidência científica robusta e reconhecimento 
 oficial mediante incorporação ao sistema de saúde brasileiro, a cobertura pode ser exigida mesmo para 
 produtos não classificados formalmente como medicamentos, desde que demonstrada sua 
 essencialidade para o tratamento de condição patológica grave e ausência de alternativas equivalentes. 
 Resposta: ERRADO 
 QUESTÃO 8 
 Nas comarcas equipadas com tecnologia de videoconferência, o juízo deprecado não deve proceder à 
 oitiva presencial das testemunhas mediante o cumprimento tradicional da carta precatória, mas sim 
 disponibilizar a infraestrutura tecnológica necessária e realizar os atos preparatórios para que o 
 magistrado deprecante conduza diretamente a audiência por meio do sistema de videoconferência. 
 ( ) CERTO ( ) ERRADO 
 Justificativa: 💬 
 A cooperação judiciária representa princípio fundamental do processo civil contemporâneo, impondo 
 aos órgãos jurisdicionais o dever recíproco de auxílio para a efetivação da prestação jurisdicional. 
 Tradicionalmente, esse auxílio materializava-se mediante cartas precatórias, por meio das quais o juízo 
 deprecado assumia integralmente a execução do ato processual solicitado, substituindo 
 temporariamente o juízo deprecante na prática do ato delegado. 
 O avanço tecnológico e a disseminação de sistemas de videoconferência no Poder Judiciário 
 modificaram substancialmente essa dinâmica processual. O Conselho Nacional de Justiça, mediante 
 resoluções específicas, regulamentou a utilização dessa ferramenta, estabelecendo diretrizes para sua 
 implementação nas diversas unidades judiciárias do país e incentivando sua adoção como mecanismo 
 de racionalização da atividade jurisdicional. 
 A jurisprudência superior evoluiu no sentido de adaptar os institutos processuais clássicos às novas 
 possibilidades tecnológicas. Reconhecendo que a videoconferência preserva a imediação judicial e 
 permite ao magistrado do processo principal manter contato direto com a prova oral, o entendimento 
 8 
 passou a valorizar a permanência da condução do ato pelo juiz natural da causa, mesmo quando as 
 testemunhas se encontrem distantes da sede do juízo. 
 Essa orientação harmoniza-se com os princípios da celeridade, economia processual e identidade física 
 do juiz, evitando a fragmentação da colheita probatória e permitindo que o magistrado responsável pelo 
 julgamento mantenha contato imediato com todos os elementos de convicção. O juízo deprecado, nessa 
 sistemática, atua como facilitador logístico, assegurando as condições materiais para a realização do 
 ato sem, contudo, substituir o deprecante na direção da audiência. 
 Resposta: CERTO 
 QUESTÃO 9 
 A competência para processar ação ajuizada por entregador de plataforma digital que postula 
 reativação de conta bloqueada e indenizações decorrentes do bloqueio pertence à Justiça do Trabalho, 
 considerando que a causa de pedir envolve prestação de serviços remunerados, ainda que ausente 
 pedido expresso de reconhecimento de vínculo empregatício ou de verbas trabalhistas. 
 ( ) CERTO ( ) ERRADO 
 Justificativa: 💬 
 A determinação da competência jurisdicional constitui questão preliminar de ordem pública que deve ser 
 aferida objetivamente a partir dos elementos da demanda. O artigo 114 da Constituição Federal, com a 
 redação dada pela Emenda Constitucional 45/2004, estabelece a competência da Justiça do Trabalho 
 para processar e julgar ações oriundas da relação de trabalho, abrangendo não apenas as relações de 
 emprego típicas (com subordinação jurídica), mas também outras modalidades de prestação laboral. 
 Contudo, a jurisprudência dos tribunais superiores consolidou entendimento segundo o qual a simples 
 existência de prestação de serviços remunerados, por si só, não é suficiente para atrair 
 automaticamente a competência da Justiça Especializada Trabalhista. A definição de competência exige 
 a análise conjugada da causa de pedir e dos pedidos efetivamente formulados na petição inicial, 
 segundo o princípio da correlação entre demanda e jurisdição. 
 O STJ tem decidido reiteradamente que, nas controvérsias envolvendo plataformas digitais de delivery, 
 quando o autor limita-se a questionar o bloqueio unilateral de conta e a postular indenizações civis, sem 
 formular pedidos de natureza trabalhista (reconhecimento de vínculo, pagamento de verbas rescisórias, 
 horas extras, FGTS), a demanda possui natureza contratual civil. Nessa hipótese, a competência é da 
 Justiça Comum Estadual, pois a controvérsia não envolve pretensões laborais, mas sim alegado 
 descumprimento de obrigações contratuais regidas pelo direito privado. 
 Esse posicionamento impede que a competência seja definida por presunções sobre a natureza da 
 relação jurídica ou por análise antecipada do mérito, preservando a objetividade e segurança jurídica na 
 fixação do juízo competente. Amera existência de prestação de serviços remunerados não caracteriza, 
 automaticamente, relação de trabalho apta a justificar a competência trabalhista, sendo imprescindível 
 que os pedidos formulados possuam índole laboral. 
 Resposta: ERRADO 
 9 
 QUESTÃO 10 
 Em ação de despejo por falta de pagamento cumulada com cobrança de aluguéis e encargos locatícios, 
 a condenação deve limitar-se aos valores expressamente discriminados na petição inicial, sendo 
 necessário pedido de aditamento para inclusão das prestações vencidas no curso da demanda, sob 
 pena de violação ao princípio da congruência entre pedido e sentença. 
 ( ) CERTO ( ) ERRADO 
 Justificativa: 💬 
 O princípio da congruência entre pedido e sentença, também denominado princípio da adstrição, 
 constitui garantia processual fundamental que impede o julgador de proferir decisão além, aquém ou 
 fora dos limites traçados pelas partes. Essa regra visa preservar o sistema dispositivo e assegurar o 
 contraditório, impedindo que o réu seja surpreendido com condenação sobre matéria não deduzida na 
 inicial. 
 Contudo, a aplicação do princípio da congruência não pode desconsiderar a natureza jurídica da 
 obrigação subjacente ao pedido formulado. Quando se trata de obrigações de trato sucessivo, a 
 legislação processual estabelece regime específico que considera incluídas no pedido as prestações 
 que vencerem durante o processo, dispensando manifestação expressa do autor. Essa sistemática 
 reconhece que a pretensão deduzida abrange não apenas as parcelas vencidas até o ajuizamento, mas 
 toda a obrigação enquanto perdurar o inadimplemento. 
 Nas relações locatícias, a obrigação de pagar aluguéis e encargos renova-se periodicamente enquanto 
 mantida a ocupação do imóvel. Exigir sucessivos pedidos de aditamento para cada novo vencimento 
 contrariaria a economia processual e comprometeria a efetividade da tutela jurisdicional, gerando 
 solução incompleta para o conflito apresentado. A interpretação lógico-sistemática da petição inicial 
 permite identificar que a pretensão do locador abrange a integralidade dos valores devidos pela 
 ocupação. 
 A jurisprudência superior consolidou entendimento no sentido de que, nessas hipóteses, não há 
 violação ao princípio da congruência quando a condenação alcança prestações vencidas durante o 
 processo, pois tais valores estão implicitamente compreendidos no pedido inicial, considerando-se a 
 natureza da obrigação e a finalidade da tutela pretendida. 
 Resposta: ERRADO 
 QUESTÃO 11 
 A protocolização de embargos à execução diretamente nos autos do processo executivo, em vez de sua 
 distribuição por dependência como ação autônoma, constitui vício formal sanável, aplicando-se os 
 princípios da instrumentalidade das formas e da economia processual para permitir a regularização 
 posterior, desde que a petição tenha sido apresentada dentro do prazo legal e atendido o objetivo 
 essencial de manifestar tempestivamente a oposição à execução. 
 ( ) CERTO ( ) ERRADO 
 Justificativa: 💬 
 10 
 Os embargos à execução possuem natureza jurídica de ação incidental autônoma, exigindo, conforme o 
 regramento processual civil, distribuição por dependência ao feito executivo. Essa formalidade 
 procedimental visa assegurar a autonomia da relação processual instaurada pelos embargos, distinta 
 daquela estabelecida no processo de execução, permitindo adequado controle cartorário e 
 processamento independente da demanda de resistência à execução forçada. 
 O sistema processual brasileiro, contudo, consagra o princípio da instrumentalidade das formas, 
 segundo o qual os atos processuais não devem ser invalidados quando, mesmo praticados com desvio 
 formal, atingem sua finalidade essencial sem causar prejuízo às partes. Esse princípio decorre da 
 garantia constitucional da efetividade da tutela jurisdicional e da primazia do julgamento de mérito sobre 
 aspectos meramente formais, vedando-se o formalismo excessivo que comprometa o acesso à justiça. 
 A caracterização de erro grosseiro, insuscetível de convalidação, exige a demonstração de desídia 
 manifesta, negligência grave ou desconhecimento inescusável das normas processuais elementares. O 
 equívoco quanto ao procedimento de distribuição, quando o executado protocola petição tempestiva 
 contendo todos os fundamentos defensivos, não configura tal gravidade, tratando-se de vício formal 
 corrigível que não prejudica a compreensão da resistência oposta nem causa prejuízo ao exequente. 
 A jurisprudência superior tem reconhecido que, demonstrada a tempestividade material da oposição 
 mediante protocolização dentro do prazo legal, o vício procedimental pode ser sanado através da 
 posterior distribuição por dependência, preservando-se o direito de defesa do executado. Essa 
 orientação harmoniza a observância das regras procedimentais com a efetividade do processo, evitando 
 sacrifício do direito material por excessivo apego à forma quando ausente prejuízo concreto à parte 
 contrária ou ao regular desenvolvimento do processo. 
 Resposta: CERTO 
 QUESTÃO 12 
 A competência do Juízo da Infância e da Juventude deve ser afastada quando a ação possui cunho 
 estritamente patrimonial ou obrigacional, buscando unicamente interesses particulares, ainda que a 
 causa de pedir envolva violação a direitos fundamentais de criança ou adolescente. 
 ( ) CERTO ( ) ERRADO 
 Justificativa: 💬 
 O ECA estabelece competência especializada para o Juízo da Infância e da Juventude, consagrando o 
 princípio do juiz imediato e enumerando hipóteses específicas de atuação desse órgão jurisdicional. A 
 competência desse juízo especializado tem natureza absoluta nas situações expressamente previstas 
 em lei, visando assegurar proteção integral aos direitos infanto-juvenis mediante intervenção 
 jurisdicional qualificada. 
 A jurisprudência superior consolidou entendimento no sentido de que a mera menção a direitos 
 fundamentais de crianças e adolescentes na causa de pedir não atrai automaticamente a competência 
 do juízo especializado. O critério determinante reside na natureza preponderante do pedido formulado 
 na demanda, devendo-se verificar se a pretensão deduzida efetivamente demanda a atuação protetiva 
 específica da Justiça da Infância e da Juventude. 
 11 
 Quando o pedido possui caráter exclusivamente patrimonial ou indenizatório, ainda que decorrente de 
 fatos que envolvam violação a direitos fundamentais infanto-juvenis, a competência para processamento 
 e julgamento será do juízo cível comum. Essa interpretação evita expansão indevida da competência 
 especializada e respeita a sistemática processual das ações de natureza obrigacional que buscam 
 unicamente reparação pecuniária. 
 A ratio decidendi considera que demandas estritamente patrimoniais não se enquadram nas hipóteses 
 de competência absoluta do juízo especializado, podendo tramitar perante a vara cível do domicílio do 
 autor, conforme regras gerais de competência territorial, sem prejuízo da proteção aos interesses do 
 menor representado processualmente. 
 Resposta: CERTO 
 QUESTÃO 13 
 A vedação expressa do prazo em dobro para a Fazenda Pública e o Ministério Público nos processos 
 regidos pelo ECA deve ser estendidaà Defensoria Pública mediante interpretação sistemática, 
 considerando que a celeridade inerente aos procedimentos de proteção infanto-juvenil prevalece sobre 
 prerrogativas processuais ordinárias das instituições públicas. 
 ( ) CERTO ( ) ERRADO 
 Justificativa: 💬 
 O ECA estabelece sistema processual especializado que prioriza a celeridade na resolução de conflitos 
 envolvendo direitos fundamentais de crianças e adolescentes. A norma especial vedou expressamente 
 a contagem em dobro de prazos para determinadas instituições públicas, buscando acelerar a 
 tramitação processual em conformidade com o princípio da proteção integral. 
 A interpretação sistemática constitui método hermenêutico importante, mas não autoriza a ampliação de 
 restrições ou vedações legais além das hipóteses expressamente previstas pelo legislador. As normas 
 que estabelecem exceções a direitos ou prerrogativas processuais devem ser interpretadas 
 restritivamente, respeitando-se a literalidade da disposição legal e a vontade expressa do legislador. 
 A extensão por analogia da vedação prevista para outras instituições à Defensoria Pública configuraria 
 interpretação contra legem, violando o princípio da legalidade. O silêncio legislativo quanto à 
 Defensoria, especialmente após reforma legislativa substancial promovida em momento de plena 
 consolidação institucional do órgão defensorial, revela escolha consciente de manter sua prerrogativa 
 processual. 
 As diferenças estruturais entre Defensoria Pública, Ministério Público e Fazenda Pública justificam 
 tratamentos diferenciados. A Defensoria enfrenta limitações de recursos humanos e materiais 
 significativamente maiores, além de estar submetida ao princípio da indeclinabilidade. A prerrogativa do 
 prazo em dobro funciona como mecanismo de compensação dessas desigualdades estruturais, 
 garantindo paridade real de armas e concretizando a isonomia material no processo, valores que não 
 podem ser sacrificados mesmo em procedimentos especiais que privilegiem a celeridade. 
 12 
 Resposta: ERRADO 
 QUESTÃO 14 
 No procedimento de apuração de ato infracional, aplica-se subsidiariamente a norma processual penal 
 que determina a realização do interrogatório como último ato da instrução, devendo eventual nulidade 
 decorrente da inversão dessa ordem ser alegada tempestivamente e acompanhada da demonstração 
 de prejuízo concreto à autodefesa do adolescente. 
 ( ) CERTO ( ) ERRADO 
 Justificativa: 💬 
 O ECA estabelece rito especial para apuração de atos infracionais, mas não disciplina exaustivamente 
 todos os aspectos procedimentais, permitindo a aplicação subsidiária das normas do CPP. A 
 jurisprudência dos tribunais superiores evoluiu para reconhecer que determinadas garantias processuais 
 penais devem ser estendidas aos adolescentes, evitando tratamento mais gravoso em comparação aos 
 adultos submetidos ao processo penal comum. 
 O interrogatório representa importante meio de defesa, não se limitando à produção probatória, devendo 
 proporcionar ao investigado a oportunidade de manifestar-se após tomar conhecimento integral do 
 acervo probatório. A realização desse ato ao final da instrução processual assegura o exercício pleno da 
 autodefesa, permitindo que o representado influencie a formação da convicção judicial com 
 conhecimento completo das imputações e provas. 
 A audiência de apresentação prevista no ECA possui finalidades específicas, como decisão sobre 
 internação provisória e análise de remissão, não se confundindo com o interrogatório como ato 
 conclusivo da instrução. Embora ambos os momentos permitam a manifestação do adolescente, 
 desempenham funções processuais distintas e não são intercambiáveis no sistema de garantias 
 processuais. 
 O reconhecimento de nulidades processuais submete-se ao sistema de preclusões e ao princípio pas de 
 nullité sans grief , exigindo que a irregularidade seja invocada oportunamente e acompanhada da 
 demonstração de efetivo prejuízo. A alegação extemporânea, especialmente quando formulada apenas 
 após decisão desfavorável, caracteriza comportamento processual incompatível com a boa-fé e 
 sujeita-se à preclusão temporal. 
 Resposta: CERTO 
 QUESTÃO 15 
 Nos crimes praticados em contexto de violência doméstica e familiar contra a mulher, a palavra da 
 vítima possui especial relevância probatória, sendo apta a embasar sentença condenatória quando 
 corroborada por outros elementos de prova, tais como provas testemunhais, ainda que não haja laudo 
 pericial conclusivo quanto às lesões corporais de natureza física. 
 ( ) CERTO ( ) ERRADO 
 13 
 Justificativa: 💬 
 O sistema processual penal brasileiro adota o princípio do livre convencimento motivado, permitindo ao 
 julgador valorar as provas produzidas nos autos de forma fundamentada. Em crimes praticados em 
 contexto de violência doméstica e familiar, a jurisprudência consolidou entendimento acerca da especial 
 relevância da palavra da vítima, considerando as características próprias desses delitos, que 
 frequentemente ocorrem em ambiente privado, sem testemunhas presenciais. 
 A Resolução CNJ nº 492/2023 instituiu o Protocolo para Julgamento com Perspectiva de Gênero, 
 estabelecendo diretrizes metodológicas para evitar que estereótipos e preconceitos contaminem a 
 análise probatória. Essa orientação reconhece que a violência doméstica possui dinâmica própria, 
 demandando compreensão das relações de poder e vulnerabilidade que permeiam essas situações. 
 A jurisprudência do STJ firmou-se no sentido de que a palavra da vítima, quando harmônica e coerente 
 com o restante do contexto probatório, possui força suficiente para fundamentar o édito condenatório. A 
 corroboração por outros elementos probatórios, ainda que indiretos, como prova testemunhal de 
 pessoas próximas que presenciaram o estado emocional da vítima ou circunstâncias anteriores e 
 posteriores ao fato, robustece o conjunto probatório. 
 Importante distinção deve ser estabelecida quanto à natureza das lesões corporais. Enquanto para 
 lesões físicas a prova pericial possui caráter preferencial mas não absoluto, podendo ser suprida por 
 outros meios probatórios conforme o artigo 167 do CPP, as lesões de natureza psicológica demandam 
 comprovação técnica específica, conforme orientação jurisprudencial consolidada. 
 Resposta: CERTO 
 QUESTÃO 16 
 No processo penal brasileiro, a carta psicografada é inadmissível como meio de prova em razão de sua 
 inidoneidade epistêmica, uma vez que não possui fundamento científico, técnico ou de experiência 
 comum que lhe confira aptidão para demonstração racional dos fatos, embora possa ter valor como 
 informação investigativa destinada a conduzir à obtenção de outras provas idôneas por meios 
 adequados. 
 ( ) CERTO ( ) ERRADO 
 Justificativa: 💬 
 O sistema processual penal brasileiro fundamenta-se no princípio da persuasão racional ou livre 
 convencimento motivado, que permite ao julgador valorar livremente as provas sem hierarquia legal 
 prévia. Contudo, essa liberdade não é absoluta, encontrando limites nos critérios de racionalidade 
 impostos pelo devido processo legal e pela necessidade de fundamentação das decisões judiciais, o 
 que exige que os meios probatóriosapresentem mínima idoneidade epistêmica para corroborar 
 enunciados fáticos. 
 A inidoneidade epistêmica caracteriza-se pela absoluta inadequação do elemento para demonstração 
 racional dos fatos, distinguindo-se da ilicitude probatória. Enquanto a prova ilícita decorre de violação de 
 normas na forma de obtenção, contaminando as provas derivadas, a prova epistemicamente inidônea 
 não apresenta vícios formais, mas carece de fiabilidade demonstrativa. Essa distinção permite que, 
 14 
 embora inadmissível como prova, o elemento possa servir como informação investigativa, conduzindo à 
 obtenção de outras provas por meios idôneos. 
 No Tribunal do Júri, onde os jurados decidem por íntima convicção sem motivar seus veredictos, o 
 controle judicial de admissibilidade probatória revela-se ainda mais essencial. A ausência de 
 fundamentação intensifica a necessidade de filtragem prévia dos elementos submetidos aos jurados, 
 assegurando que apenas provas com mínima aptidão epistêmica sejam apresentadas na sessão 
 plenária, evitando julgamentos irracionais ou arbitrários. 
 A psicografia, enquanto suposta comunicação entre vivos e mortos, não encontra amparo científico, 
 técnico ou em regras de experiência comum que permitam sua validação como meio de prova. Os atos 
 de fé, que prescindem de demonstração racional, são incompatíveis com os atos de prova processual, 
 que visam à demonstração racional dos fatos. Essa incompatibilidade fundamenta a inadmissibilidade 
 da carta psicografada como elemento probatório no processo penal, conforme precedente do STJ. 
 Resposta: CERTO 
 QUESTÃO 17 
 A decisão de pronúncia no procedimento do Tribunal do Júri constitui ato processual uno e indivisível, 
 de modo que a reavaliação global determinada pelo tribunal superior para reforma parcial do decisum 
 impõe necessariamente a reabertura da dialeticidade recursal sobre todos os capítulos, inclusive 
 aqueles não modificados e não impugnados tempestivamente, em observância ao princípio da ampla 
 defesa e da unidade funcional do juízo de admissibilidade da acusação. 
 ( ) CERTO ( ) ERRADO 
 Justificativa: 💬 
 A pronúncia representa o ato decisório que encerra a primeira fase do rito especial do Tribunal do Júri, 
 submetendo o acusado a julgamento popular mediante juízo positivo de admissibilidade da acusação. 
 Embora possua natureza de decisão interlocutória mista não terminativa, apresenta diversos capítulos 
 decisórios que podem ser impugnados autonomamente mediante recurso em sentido estrito, conforme 
 previsão do artigo 581, IV, do CPP. 
 O conceito de unidade da pronúncia relaciona-se à necessidade de coerência lógica e harmonia interna 
 entre os diversos elementos do juízo de admissibilidade, não significando, contudo, que todos os 
 capítulos decisórios devam ser necessariamente reapreciados quando ocorre reforma parcial. O regime 
 de preclusões processuais impõe às partes o dever de impugnar tempestivamente todos os pontos 
 desfavoráveis, sob pena de estabilização definitiva dos capítulos não recorridos. 
 A reforma parcial determinada por tribunal de apelação, quando motivada exclusivamente por recurso 
 circunscrito a capítulo específico, não possui o efeito de reabrir prazo recursal para rediscussão de 
 matérias não modificadas. A eficácia substitutiva da nova decisão limita-se aos pontos efetivamente 
 reformados, preservando-se a preclusão consumada quanto aos demais aspectos que permaneceram 
 inalterados e não foram objeto de impugnação oportuna. 
 A tese que defende a reabertura integral do prazo recursal fundamenta-se na indivisibilidade do ato 
 decisório, sustentando que qualquer modificação parcial implicaria renovação completa da decisão. Tal 
 15 
 interpretação, contudo, contraria o sistema de preclusões que estrutura o processo penal brasileiro e 
 comprometeria a segurança jurídica, permitindo a rediscussão perpétua de questões já estabilizadas 
 pelo decurso do prazo recursal sem manifestação da parte interessada. 
 Resposta: ERRADO 
 QUESTÃO 18 
 A condenação civil na sentença penal condenatória pressupõe pedido expresso formulado pelo 
 Ministério Público na denúncia, acompanhado da indicação do valor pretendido a título de reparação ou, 
 ao menos, de critérios mínimos objetivos para sua posterior fixação judicial, sendo insuficiente a mera 
 referência genérica à existência de danos morais, ainda que presumíveis pela natureza do delito. 
 ( ) CERTO ( ) ERRADO 
 Justificativa: 💬 
 A reparação civil na sentença penal constitui instituto que conjuga elementos do direito processual penal 
 e civil, exigindo observância rigorosa das garantias constitucionais que estruturam o sistema acusatório 
 brasileiro. O contraditório e a ampla defesa impõem que o acusado tenha conhecimento completo e 
 prévio de todas as pretensões deduzidas contra ele, tanto na esfera criminal quanto patrimonial, 
 possibilitando defesa técnica adequada em relação a cada aspecto da imputação. 
 A distinção entre a presunção de existência do dano moral ( damnum in re ipsa ) e a especificação do 
 quantum indenizatório constitui elemento essencial para compreensão da matéria. Enquanto a primeira 
 dispensa prova específica sobre a ocorrência do prejuízo imaterial em determinadas situações, a 
 segunda relaciona-se à delimitação objetiva da pretensão econômica, aspecto indissociável do direito 
 de defesa. A indefinição quanto ao valor pretendido impede que o réu produza contraprova proporcional 
 e adequada à extensão patrimonial da demanda. 
 O princípio da congruência, que vincula o conteúdo da sentença aos limites do pedido formulado na 
 inicial acusatória, representa garantia contra decisões surpresa e manifestação concreta do sistema 
 acusatório. A aplicação subsidiária do CPC ao processo penal reforça a necessidade de que todo 
 pedido contenha valor certo ou estimado, requisito que não pode ser afastado pela mera presunção do 
 dano, sob pena de vulneração estrutural do devido processo legal. 
 A jurisprudência superior tem enfatizado que a observância das formalidades processuais no pedido de 
 reparação civil não representa excesso de rigor formal, mas efetivação de direitos fundamentais que 
 estruturam o processo penal democrático, impedindo condenações baseadas em elementos não 
 submetidos previamente ao contraditório efetivo. 
 Resposta: CERTO 
 QUESTÃO 19 
 Quando o Tribunal de Justiça determina a realização de novo julgamento pelo Júri em razão de decisão 
 manifestamente contrária à prova dos autos, a cassação do primeiro veredicto implica retorno integral 
 aos atos de instrução, permitindo às partes renovar integralmente seus róis de testemunhas para o 
 16 
 segundo julgamento, inclusive com a inclusão de testemunhas não arroladas na fase do artigo 402 do 
 CPP. 
 ( ) CERTO ( ) ERRADO 
 Justificativa: 💬 
 O procedimento do júri estabelece momento específico para o arrolamento de testemunhas, 
 configurando preclusão temporal que vincula as partes ao acervo probatório delimitado na fase própria 
 da instrução. O direito à prova, embora fundamental no processo penal, submete-se a limitações que 
 asseguram a paridade de armas e o devido processo legal, não podendo ser invocadode forma 
 absoluta para afastar regras procedimentais estabelecidas em lei. 
 A hipótese de renovação do julgamento popular fundada em decisão manifestamente contrária à prova 
 dos autos possui natureza jurídica específica que delimita seus efeitos processuais. Trata-se de 
 oportunidade para que novo conselho de sentença reavalie o mesmo conjunto probatório que 
 fundamentou a anulação do veredicto anterior, permitindo correção de eventual equívoco na valoração 
 das provas existentes. A ampliação do acervo probatório descaracterizaria essa finalidade, 
 transformando a renovação em julgamento inédito. 
 A sistemática recursal estabelecida pela legislação processual penal para o tribunal do júri impede que, 
 em relação ao mesmo fundamento, seja interposta segunda apelação. Essa limitação perderia sentido 
 prático se admitida a inovação probatória no segundo julgamento, uma vez que, diante de novo cenário 
 probatório ampliado, haveria tecnicamente apenas um julgamento completo, sem a possibilidade de 
 utilização do recurso já exercido anteriormente. 
 A preservação do mesmo cenário probatório no julgamento renovado decorre da interpretação 
 sistemática das normas que regulam o procedimento do júri, especialmente quanto aos fundamentos 
 que autorizam a cassação do veredicto e os limites da renovação do julgamento popular. Admitir a 
 inclusão de testemunha não arrolada tempestivamente e ausente do primeiro julgamento violaria não 
 apenas a preclusão processual, mas também a própria ratio do instituto da renovação por contrariedade 
 à prova dos autos. 
 Resposta: ERRADO 
 QUESTÃO 20 
 O extravio de mídias digitais contendo gravações e simulações que embasaram laudos periciais, 
 quando essenciais à reconstituição fidedigna do iter probatório e à possibilidade de contraprova técnica 
 pela defesa, configura quebra da cadeia de custódia, resultando na nulidade dos laudos periciais em 
 razão da violação do contraditório diferido e da ampla defesa, mesmo quando não haja indícios 
 concretos de adulteração ou manipulação dos elementos probatórios. 
 ( ) CERTO ( ) ERRADO 
 Justificativa: 💬 
 A cadeia de custódia da prova constitui procedimento padronizado de documentação, controle e 
 rastreabilidade dos vestígios materiais desde sua coleta até o descarte final, tendo por objetivo 
 assegurar a autenticidade, integridade e confiabilidade dos elementos probatórios. A normatização 
 17 
 procedimental, positivada no CPP a partir da Lei nº 13.964/2019, visa preservar a higidez do sistema 
 probatório penal, permitindo que as provas produzidas tenham aptidão para fundamentar decisões 
 judiciais com segurança jurídica e respeito às garantias constitucionais do devido processo legal. 
 A quebra da cadeia de custódia caracteriza-se pela ocorrência de falhas em um ou mais elos do 
 procedimento de rastreamento e preservação da prova, comprometendo sua integridade e 
 confiabilidade. A jurisprudência consolidada do STJ orienta que nem toda irregularidade formal ou 
 ausência documental caracteriza automaticamente esse vício processual, sendo necessária análise 
 concreta que considere especialmente a essencialidade do material extraviado para a reconstituição 
 fidedigna do iter probatório e para assegurar a possibilidade efetiva de contraprova pela parte adversa. 
 Tratando-se de prova pericial de natureza cautelar, não repetível ou produzida excepcionalmente sem 
 observância do contraditório prévio e submetida a controle judicial diferido, revela-se ainda mais 
 relevante assegurar, em momento processualmente oportuno, a possibilidade de a parte opor-se 
 adequadamente a essa prova. O contraditório diferido exige que sejam preservadas as condições 
 materiais para que a defesa técnica possa, posteriormente, questionar tecnicamente a metodologia 
 empregada, os critérios adotados e as conclusões alcançadas pelos peritos oficiais. 
 A impossibilidade de acesso às fontes originais que fundamentaram os laudos periciais, quando 
 essenciais à produção de contraprova técnica qualificada, resulta na violação do contraditório, da ampla 
 defesa e da paridade de armas entre as partes. A mera presunção de legitimidade dos atos praticados 
 por peritos oficiais não afasta a necessidade de preservação dos elementos materiais subjacentes, 
 especialmente quando o acesso a tais elementos configura pressuposto indispensável ao exercício 
 efetivo do direito de defesa mediante assistente técnico ou perito ad hoc . 
 Resposta: CERTO 
 QUESTÃO 21 
 A utilização pela autoridade policial de software de rastreamento automático em redes peer-to-peer 
 (P2P) 3 para identificar endereços IP que compartilham arquivos relacionados a material de abuso sexual 
 infantojuvenil não configura infiltração policial virtual e dispensa autorização judicial prévia, uma vez que 
 opera em ambiente aberto da internet onde os endereços lógicos constituem informações de fonte 
 aberta visíveis a todos os participantes da rede. 
 ( ) CERTO ( ) ERRADO 
 Justificativa: 💬 
 O regime jurídico das investigações no ambiente digital exige distinção precisa entre técnicas 
 investigativas conforme a natureza do espaço virtual e a categoria de dados envolvidos. A infiltração 
 policial virtual, prevista no artigo 190-A do ECA, caracteriza-se pela dissimulação da identidade de 
 agente estatal para ingresso em ambientes fechados com expectativa legítima de privacidade, 
 3 Softwares de rastreamento em redes P2P funcionam como versões especiais de programas chamados clientes, que são 
 simplesmente os aplicativos usados para entrar na rede e compartilhar arquivos. Esses softwares entram na rede para 
 identificar usuários ativos e registrar automaticamente seus endereços IP enquanto compartilham conteúdo. Eles buscam 
 arquivos por palavras-chave ou códigos únicos (hashes), coletam listas de usuários conectados e registram dados como IP, 
 horário e país. Ferramentas como o EspiaMule aproveitam a estrutura aberta das redes P2P para fazer um monitoramento 
 passivo, sem interferir nos downloads. Depois, as autoridades podem consultar serviços de Whois, um tipo de “cadastro 
 público” que informa qual empresa fornece a conexão daquele IP, permitindo solicitar dados do responsável ao provedor. 
 18 
 demandando autorização judicial prévia por constituir técnica especial de investigação que interfere 
 substancialmente na esfera de intimidade dos investigados. 
 Diversamente, o monitoramento por software automatizado em redes P2P opera mediante acesso a 
 informações publicamente disponíveis, sem invasão de espaços protegidos ou interceptação de 
 comunicações. Nas redes peer-to-peer, o compartilhamento de endereços IP constitui pressuposto 
 funcional inerente ao sistema descentralizado, sendo do conhecimento de todos os participantes que 
 seus endereços lógicos ficam expostos como condição para o funcionamento da rede. O software 
 policial atua como cliente regular, acessando exclusivamente dados abertos. 
 A expectativa razoável de privacidade constitui parâmetro fundamental para determinar a necessidade 
 de autorização judicial. Quando o usuário voluntariamente expõe informações em ambiente público, 
 compartilhando arquivos em rede aberta, inexiste violação aosigilo ou à intimidade no simples acesso a 
 esses dados por agentes estatais. Distingue-se, assim, o monitoramento de informações públicas da 
 interceptação de comunicações privadas ou da invasão de dispositivos, medidas estas que efetivamente 
 demandam controle jurisdicional prévio. 
 A jurisprudência superior tem consolidado entendimento que harmoniza a efetividade da persecução 
 penal de crimes graves contra vulneráveis com a proteção constitucional à privacidade, estabelecendo 
 critérios objetivos baseados na natureza do ambiente virtual e na voluntariedade da exposição dos 
 dados, sem prejuízo da observância dos requisitos legais para etapas posteriores da investigação que 
 envolvam categorias mais sensíveis de informações. 
 Resposta: CERTO 
 GABARITO 
 01. E 02. E 03. C 04. E 05. C 06. C 07. E 08. C 09. E 10. E 11. C 
 12. C 13. E 14. C 15. C 16. C 17. E 18. C 19. E 20. C 21. C ____ 
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