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Códigos de Linguagem 1ª AVALIAÇÃO Aluno (A): ________________________________________ nº________ VALOR: 8,0 PROFESSOR: PAULO / SYBELE 2º ANO EM 3ª ETAPA DATA ____/____/ 2019 NOTA: Leia o texto e responda às questões: Moderna e Eterna Cem anos após inaugurar a primeira exposição modernista do Brasil, que serviu de embrião para a Semana de 1922, Anita Malfatti ganha uma grande mostra, em São Paulo, sobre seu legado. Uma semana após inaugurar aquela que seria a primeira exposição de arte moderna no Brasil, no dia 12 de dezembro de 1917, Anita Malfatti (1889-1964) teve cinco telas devolvidas por seus compradores, além de receber dezenas de bilhetes anônimos falando mal de suas obras. O motivo? A crítica feroz do influente escritor Monteiro Lobato (1882-1948), que comparou o trabalho da paulistana “aos desenhos de internos dos manicômios”. A mostra de Malfatti serviu de embrião para a revolução artística que culminaria na Semana de Arte Moderna de 1922, protagonizada por ela, Tarsila do Amaral, Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Menotti Del Picchia – conhecidos como o Grupo dos Cinco. É em comemoração a essa emblemática exposição que o MAM de São Paulo inaugura no próximo dia 7 Anita Malfatti: 100 Anos de Arte Moderna. Graças à crítica de Lobato, Anita tornou-se a mártir do modernismo brasileiro”, explica a curadora Regina Teixeira de Barros. Foi depois da publicação do artigo do escritor que começaram a se reunir em torno dela jovens poetas e artistas inconformados com a linguagem tradicional que dominava o cenário cultural da época. Apesar de ser mais discreta na forma de agir e se vestir que sua amiga Tarsila, Anita não deixou de ganhar notoriedade e reconhecimento em mercado ainda dominado por homens. Aos 20 anos mudou-se para a Alemanha, onde se apaixonou pelo expressionismo. Depois seguiu para os Estados Unidos, terra natal de sua mãe, pintora nas horas vagas e a primeira a incentivar a filha a seguir o sonho de ser artista. Casada com o engenheiro italiano Samuelli Malfatti, Elizabeth Krug viajava com a filha desde pequena pela Europa, não apenas para iniciá-la no mundo das artes, mas por causa de um problema congênito de Anita – uma atrofia no braço e na mão direita. Sem grandes resultados no tratamento, a pintora usava lenços coloridos para esconder a malformação na mão – o que a levou a ter uma bela coleção do acessório para diversas ocasiões. Ela não se deixou abater. Aprendeu a pintar com a mão esquerda, algo marcante em sua personalidade. Conforme crescia, experimentava voluntariamente a fome, a cegueira e a sede, na busca de sensações físicas de “superação do eu”, como ela mesma descrevia. Um dos fatos insuperáveis, no entanto, foi sua paixão nem tão secreta assim pelo grande amigo Mário de Andrade. Homossexual convicto, o modernista nunca correspondeu (sic) o amor de Anita. Após a Semana de 1922 (e apesar de sua profunda admiração pela amiga), Mário decidiu não apoiá-la quando, nas décadas de 30 e 40, a artista decidiu inspirar-se nas pinturas da academia em suas novas produções. “Ela fraquejou, sua mão, indecisa, se perdeu”, comentou ele à época. Mário recusou também as pinturas de Anita para o Salão de Belas Artes, o que provocou uma fissura na relação dos dois. “Ele foi um dos críticos que não assimilou que o modernismo não era apenas feito de ruptura à tradição, mas também [de] uma reflexão sobre o passado, algo que Anita conseguiu colocar de forma magistral em suas pinturas”, explica Regina. Entre as poucas obras que mostram a amizade do Grupo dos Cinco, a mais conhecida é certamente um desenho homônimo assinado por Anita, destaque da mostra de São Paulo. Nele a pintora e Mário aparecem tocando piano, enquanto Tarsila, Oswald e Menotti estão deitados. A cena mostra o ambiente genuíno no qual a Semana de Arte Moderna de 1922 nasceu, resume a curadora. (Ana Carolina Ralston. Vogue. Fevereiro de 2016. p. 86-87.) 1. O objetivo do texto: “Moderna e Eterna” é: a) lembrar o centenário da Semana de Arte Moderna. b) destacar as mais importantes datas do Modernismo brasileiro. c) enfocar a primeira exposição de arte moderna no Brasil. d) salientar as figuras mais importantes da literatura moderna no Brasil. e) trazer à tona as características das obras do pré-modernismo, parnasianismo e simbolismo. 2. O texto centraliza-se: a) na doença de Anita Malfatti. b) nos detalhes da vida íntima de Anita, como sua relação com Mário de Andrade. c) na falta de ética de Monteiro Lobato. d) na trajetória artística de Anita Malfatti. e) Na crítica recebida por Anita por Monteiro Lobato. 3. Ensina Othon Moacyr Garcia (In: Comunicação em Prosa Moderna): “Se o fato determinante de outro é a sua causa, esse outro é a sua consequência. A consequência desejada ou preconcebida é o fim (propósito, objetivo)”. Considerando o que diz Othon M. Garcia, atente às seguintes afirmações: I. A devolução a Anita Malfatti de cinco telas e o recebimento, pela mesma Anita, de bilhetes anônimos falando mal de suas obras determinam a crítica feita por Moteiro Lobato à obra da pintora paulistana. Esse fato é consequência do outro. II. A crítica de Monteiro Lobato aos quadros de Anita Malfatti foi a causa do fracasso da exposição da pintora, em 1917. III. A consequência advinda da ação de Lobato (escrever um artigo posicionando-se contra a obra de Anita Malfatti) não foi preconcebida, portanto, não pode ser considerada o fim, propósito ou objetivo de sua ação. Está correto o que se diz em: a) I e II apenas. b) II e III apenas. c) I e III apenas. d) I, II e III. e) Todas são falsas. 4. A real responsabilidade pelo fracasso da exposição de Anita Malfatti deve-se: a) à própria Anita, que nunca chegou a ser uma grande pintora. b) ao público, que se negou a pagar pelas obras compradas, devolvendo-as. c) a Monteiro Lobato, que escreveu um artigo violento contra as obras de Anita. d) à doença, que tirou de Anita a possibilidade de crescer em sua arte. e) a total falta de talento da mesma ao aderir as artes advindas das vanguardas. 5. Sobre a exposição de Anita Malfatti, em 1917, que muito influenciaria a Semana de Arte Moderna, Monteiro Lobato escreveu, em artigo intitulado “Paranoia ou Mistificação”: Há duas espécies de artistas. Uma composta dos que veem as coisas e em consequência fazem arte pura, guardados os eternos ritmos da vida, e adotados, para a concretização das emoções estéticas, os processos clássicos dos grandes mestres. [...] A outra espécie é formada dos que veem anormalmente a natureza e a interpretam à luz das teorias efêmeras, sob a sugestão estrábica das escolas rebeldes, surgidas cá e lá como furúnculos da cultura excessiva. [...] Estas considerações são provocadas pela exposição da sra. Malfatti, onde se notam acentuadíssimas tendências para uma atitude estética forçada no sentido das extravagâncias de Picasso & cia. O Diário de São Paulo, dez. 1917. Em qual das obras seguintes identifica-se o estilo de Anita Malfatti criticado por Monteiro Lobato no artigo? a) b) c) d) e) 6. A Semana de Arte Moderna de 1922 tinha como principal objetivo a) a convicção estética e política de modernizar a arte brasileira, livrando-a da influência europeia e buscando criar uma cultura nacional pura. b) celebrar a cultura nacional como base ideológica e romper com as correntes artísticas europeias que dominavam a arte brasileira, assimilando e reelaborando alguns de seus aspectos. c) retomar a arte acadêmica como forma de oposição ao barroco, celebrado até então como verdadeira arte nacional. d) usar o nacionalismo romântico com sua busca por uma “cor local” como principal referência para se criar uma arte nacional. e) romper com a influência das culturas “primitivas” dos trópicos (ameríndias e africanas), buscando aliar a nossa arte à vanguarda europeia. 7. Leia o trechodo conto “O Peru de Natal” e responda. “O nosso primeiro Natal em família, depois da morte de meu pai, acontecida cinco meses antes, foi de consequências decisivas para a felicidade familiar. Nós sempre fôramos familiarmente felizes, nesse sentido muito abstrato da felicidade: gente honesta, sem crimes, lar sem brigas internas nem graves dificuldades econômicas. Mas, devido principalmente à natureza cinzenta de meu pai, ser desprovido de qualquer lirismo, duma exemplaridade incapaz, acolchoado no medíocre, sempre nos faltara aquele aproveitamento da vida, aquele gosto pelas felicidades materiais, um vinho bom, uma estação de águas, aquisição de geladeira, coisas assim. Meu pai fora de um bom errado, quase dramático, o puro-sangue dos desmancha-prazeres. Morreu meu pai sentimos muito, etc. Quando chegamos nas proximidades do Natal, eu já estava que não podia mais pra afastar aquela memória obstruente do morto, que parecia ter sistematizado pra sempre a obrigação de uma lembrança dolorosa em cada almoço, em cada gesto da família... A dor já estava sendo cultivada pelas aparências, e eu, que sempre gostara apenas regularmente de meu pai, mais por instinto de filho que por espontaneidade de amor, me via a ponto de aborrecer o bom do morto. Foi decerto por isso que me nasceu, esta sim, espontaneamente, a ideia de fazer uma das minhas chamadas “loucuras”. Essa fora, aliás, e desde muito cedo, a minha esplêndida conquista contra o ambiente familiar. Desde cedinho, desde os tempos de ginásio, em que arranjava regularmente uma reprovação todos os anos; desde o beijo às escondidas, numa prima, aos dez anos...eu consegui no reformatório do lar e vasta parentagem, a fama conciliatória de “louco”. “É doido coitado!” (…) Foi lembrando isso que arrebentei com uma das minhas “loucuras”: – Bom, no Natal, quero comer peru. Houve um desses espantos que ninguém não imagina.” Nesse fragmento, o universo ficcional constitui: a) o ponto de vista externo do narrador, que valoriza a célula dramática das novelas românticas. b) característica da primeira geração modernista, que repudiava o conservadorismo. c) a temática da prosa de costumes, enaltecendo a primeira geração romântica. d) uma temática nacionalista ao exaltar o conservadorismo. e) a valorização do sistema patriarcal. 8. Enem – 2013 O poema de Oswald de Andrade remonta à ideia de que a brasilidade está relacionada ao futebol. Quanto à questão da identidade nacional, as anotações em torno dos versos constituem: MUSEU DA LÍNGUA PORTUGUESA. Oswald de Andrade: o culpado de tudo. 27 set. 2011 a 29 jan. 2012. São Paulo: Prol Gráfica, 2012. a) direcionamentos possíveis para uma leitura crítica de dados histórico-culturais. b) forma clássica da construção poética brasileira. c) rejeição à ideia do Brasil como o país do futebol. d) intervenções de um leitor estrangeiro no exercício de leitura poética. e) lembretes de palavras tipicamente brasileiras substitutivas das originais. 9. (Unesp–2017) A partir do início do século XX, na França, alguns artistas vão subverter a concepção que se tinha da pintura. Em vez de simplesmente representar o que era visto, eles decidem representar aquilo que não podia ser visto. Os rostos de perfil têm dois olhos, a natureza se decompõe em formas geométricas... a realidade se revela em todas as suas facetas, como um cubo achatado. EMILLY, Christian. Arte em movimentos e outras correntes do século XX. 2016 (Adaptação). Uma obra representativa da estética à qual o texto se refere está reproduzida em: a) b) c) d) e) 10. Em 1909, o jornal parisiense Le Figaro, publicou um importante manifesto artístico, do italiano Filippo Tommasio Marinetti, que traz o seguinte texto em seu item 5: “Queremos cantar o homem ao volante, que percorre a Terra com a lança do seu espírito, traçando o círculo de sua órbita”. Esse trecho caracteriza bem o seguinte movimento de vanguarda europeia: a) Expressionismo b) Dadaísmo c) Surrealismo d) Futurismo e) Cubismo