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Meio Ambiente, Responsabilidade Social e Sustentabilidade - Apostila

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Prezado (a) Acadêmico (a), bem-vindo 
(a) à UNINGÁ – Centro Universitário Ingá.
 Primeiramente, deixo uma frase de Só-
crates para reflexão: “a vida sem desafios não 
vale a pena ser vivida.”
 Cada um de nós tem uma grande res-
ponsabilidade sobre as escolhas que fazemos, 
e essas nos guiarão por toda a vida acadêmica 
e profissional, refletindo diretamente em nossa 
vida pessoal e em nossas relações com a socie-
dade. Hoje em dia, essa sociedade é exigente 
e busca por tecnologia, informação e conheci-
mento advindos de profissionais que possuam 
novas habilidades para liderança e sobrevivên-
cia no mercado de trabalho.
 De fato, a tecnologia e a comunicação 
têm nos aproximado cada vez mais de pessoas, 
diminuindo distâncias, rompendo fronteiras e 
nos proporcionando momentos inesquecíveis. 
Assim, a UNINGÁ se dispõe, através do Ensino 
a Distância, a proporcionar um ensino de quali-
dade, capaz de formar cidadãos integrantes de 
uma sociedade justa, preparados para o mer-
cado de trabalho, como planejadores e líderes 
atuantes.
 Que esta nova caminhada lhes traga 
muita experiência, conhecimento e sucesso. 
Reitor: 
Prof. Me. Ricardo Benedito de 
Oliveira
Pró-reitor: 
Prof. Me. Ney Stival
Diretora de Ensino a Distância: 
Profa. Ma. Daniela Ferreira Correa
PRODUÇÃO DE MATERIAIS
Designer Educacional: 
Clovis Ribeiro do Nascimento Junior
Diagramador:
Alan Michel Bariani
Revisão Textual:
Letícia Toniete Izeppe Bisconcim / 
Mariana Tait Romancini Domingos
Produção Audiovisual:
Eudes Wilter Pitta / Heber Acuña 
Berger
Revisão dos Processos de 
Produção: 
Rodrigo Ferreira de Souza
Fotos: 
Shutterstock
© Direitos reservados à UNINGÁ - Reprodução Proibida. - Rodovia PR 317 (Av. Morangueira), n° 6114
Prof. Me. Ricardo Benedito de Oliveira
REITOR
UNIDADE
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ENSINO A DISTÂNCIA
SUMÁRIO DA UNIDADE
INTRODUÇÃO ............................................................................................................................................................. 4
O MEIO AMBIENTE .................................................................................................................................................... 5
ENERGIA E AMBIENTE ............................................................................................................................................. 14
O MEIO AMBIENTE
PROF.A PhD. GEZIELE MUCIO ALVES
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ENSINO A DISTÂNCIA
INTRODUÇÃO
Para aprofundar o conhecimento sobre meio ambiente e, posteriormente, desenvolvimento 
sustentável, alguns conceitos serão abordados nesta unidade. Serão discutidos os termos meio 
ambiente e ecossistema, homeostase, fluxo de matéria e energia, ciclos biogeoquímicos, cadeias e 
teias alimentares, biomas, amplificação biológica e a influência humana dos ecossistemas. Deste 
modo, deve-se destacar que meio ambiente não deve ser confundido com o termo natureza, ou 
simplesmente fauna e flora, mas sim considerado como o conjunto de seres vivos e a interação 
destes com o meio (por exemplo, água, luz, ar e solo) através do fluxo de energia e ciclagem 
de matéria, que ocorre através de respiração, alimentação, decomposição, dentre outros. Ainda, 
levando-se em conta a influência da sociedade sobre o ambiente, deve-se incluir no conceito 
de meio ambiente, os aspectos econômicos, sociais e culturais. Além disso, nesta unidade será 
discutida a geração de energia mundial e brasileira, bem como, as fontes renováveis e não 
renováveis de energia, neste contexto.
 Bom estudo!
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ENSINO A DISTÂNCIA
O MEIO AMBIENTE
Para iniciarmos esta disciplina, vamos discutir alguns conceitos de meio ambiente. Veja 
alguns exemplos:
• Segundo a Política Nacional do Meio Ambiente, meio ambiente é considerado como 
“o conjunto de condições, leis, influências e interações de ordem física, química e biológica, que 
permite, abriga e rege a vida em todas as suas formas” (BRASIL, 1981, Lei 6.938, art. 3). 
• Pode ser conceituado ainda como “os arredores de um organismo, incluindo as plantas, 
os animais e os micróbios com os quais interage” (RICKLEFS, 2003, p. 480). 
• De acordo com o glossário de ecologia e ciências ambientais “é a reunião do ambiente 
físico e seus componentes bióticos” (GRISI, 2007, p. 157) e deve incluir aspectos econômicos, 
socioculturais e de segurança, inerentes ao ambiente humano. 
Assim, pode-se observar que o meio ambiente difere de natureza, ou simplesmente 
de fauna e flora. Além disso, devido à influência da sociedade sobre o ambiente, as interações 
descritas com esse meio, passaram a incluir aspectos econômicos, sociais e culturais. 
Para continuarmos nossos estudos e compreendermos os impactos causados no meio 
ambiente, mais um conceito precisa ser discutido, o conceito de ecossistema. Ecossistema pode 
ser considerado como “o conjunto de seres vivos que interagem entre si e com o meio natural de 
maneira equilibrada, pela reciclagem de matéria e pelo uso eficiente de energia solar” (BRAGA 
et al., 2005, p. 10). Uma descrição simples de ecossistema é considerá-lo como a interação de 
fatores bióticos e abióticos. Vale lembrar que fatores bióticos se referem aos seres vivos e abióticos 
à matéria sem vida (água, luz, ar, solo, entre outros). Essa interação, entre fatores bióticos e 
abióticos, ocorre através de respiração, alimentação, decomposição, pastagem, ou seja, através de 
ações e processos vitais dos organismos que naturalmente provocam alterações no ambiente. Por 
exemplo, quando aumenta o nível de água de um rio, devido a uma enchente, com consequente 
alagamento da vegetação marginal, naturalmente ocorre o aumento de gás carbônico (CO2) nessa 
água. Isso corre devido à redução de fotossíntese dessa vegetação, por receber menor incidência 
de luz e posteriormente devido à decomposição dessa vegetação alagada que consome oxigênio 
e libera gás carbônico. 
Os ecossistemas podem ser classificados em aquáticos (lagos, rios, mares) e terrestres 
(florestas, campos, desertos). Uma característica fundamental dos ecossistemas é a homeostase 
(Gr. homeo = similar; stase = condição). Homeostase é a tendência de todo ecossistema de 
se manter em um estado de equilíbrio dinâmico, por meio de mecanismos de autocontrole e 
autorregulação. Desse modo, diante de qualquer alteração que sofra, o ecossistema responde com 
o objetivo retornar às condições anteriores de normalidade. O mecanismo de homeostase é mais 
efetivo para alterações naturais, por exemplo, a recuperação de uma floresta, desmatada após 
uma descarga elétrica, que provoca um pequeno incêndio é rápida, em pouco tempo a mata se 
regenera, contudo, em grandes desmatamentos, provocados por ação humana, os ecossistemas 
não apresentam condições de autorregulação para regenerar ao sistema original ou despenderá 
muito tempo para a recuperação. Isso ocorre porque as modificações impostas pelo homem são 
mais intensas e continuadas do que aquelas que ocorrem naturalmente (BRAGA et al., 2005). 
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ENSINO A DISTÂNCIA
Fluxo de energia e ciclagem da matéria 
Dentro dos ecossistemas, tanto a energia como a matéria fluem, mas existe uma diferença 
fundamental entre elas: o fluxo de energia é unidirecional enquanto que o fluxo de matéria é 
cíclico. 
Fluxo de energia
O fluxo de energia noecossistema envolve diversos níveis de seres vivos. Toda a energia da 
Terra tem como fonte as radiações recebidas do Sol, assim há três grupos principais de organismos 
dentro de um ecossistema, os quais constituem a cadeia alimentar: os produtores, as algas e 
vegetais (e algumas bactérias que fazem quimiossíntese), denominados assim por produzirem 
as moléculas de alta energia (C6H12O6 – glicose); os consumidores, representados pelos animais, 
que se alimentam dos produtores, ou seja, denominados assim por consumirem essas moléculas 
de alta energia (herbívoros) ou se alimentam de outros animais (carnívoros), estes obtêm 
moléculas com menor quantidade de energia; e os decompositores, invertebrados pequenos, 
bactérias e fungos, que fazem a decomposição da matéria orgânica (de origem animal ou vegetal) 
morta, resíduos de vegetais e animais denominados detritos, que ainda possuem uma quantidade 
de energia considerável, por isso a importância de se tratar águas residuárias, devido ainda ser 
fonte de energia e continuar sofrendo alterações no ambiente. Desse modo, a energia segue fluxo 
único, passando do Sol para os produtores, dos produtores para os consumidores e destes para os 
decompositores. Essa energia, em cada um dos grupos, é utilizada para a manutenção do corpo, 
crescimento, respiração, criação de novas células, entre outros. Assim, a energia não é reciclada 
em um ecossistema e apenas cerca de 10% dessa energia é disponível para o nível seguinte (Figura 
1). 
Figura 1 - Fluxo de energia no ecossistema (J = Joule). Fonte: Bichólogo (2016).
Suponha que um vegetal receba 1.000J de energia solar. Desse total, 760J não são absorvidos 
e apenas 240J são absorvidos. Destes 240J absorvidos, a maior parte é liberada como calor e 
apenas 12J são utilizados para a produção do vegetal, sendo 7J para a respiração (manutenção) 
e 5J para a formação de novos tecidos no vegetal. Se o vegetal for ingerido por um consumidor, 
cerca de 90% dos 5J que estavam presentes no tecido vegetal e que passaram para o consumidor, 
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serão direcionados para a manutenção do animal e apenas 10%, ou seja, (0,5J) serão utilizados na 
formação de novos tecidos e ficará disponível para o próximo consumidor. Se o segundo animal 
ou segundo consumidor for um ser humano então receberá 0,5J da energia proveniente do Sol 
(1.000J) e utilizará para a formação de novas células e tecidos, apenas 0,05J, segundo Vesilind e 
Morgan (2015). 
Fonte: Infoescola (2017) e Cienciaviva (2017).
Ciclagem da matéria
Como discutido anteriormente, embora o fluxo de energia seja unidirecional, o fluxo 
de matéria ou nutrientes é cíclico, por isso também denominado de ciclagem de nutrientes. Os 
nutrientes são agrupados em macronutrientes, aqueles necessários aos organismos em grande 
quantidade (C, H, O, N, P, S, Cl, K, Na, Ca, Mg e Fe) e em micronutrientes, aqueles necessários 
aos organismos em pequena quantidade (Al, B, Cr, Zn, Mo, V e Co), segundo Braga et al. (2005). 
Como pode ser verificado na figura a seguir (Figura 2), iniciando pela matéria orgânica 
morta ou detritos, a primeira decomposição realizada por microrganismos produz os compostos 
amônia, dióxido de carbono e sulfeto de hidrogênio. A decomposição desses novos produtos 
forma nitrato, novamente dióxido de carbono, sulfato e fosfato. O dióxido de carbono é utilizado 
pelos vegetais na fotossíntese e os nitratos, fosfatos e sulfatos são absorvidos como nutrientes e 
utilizados na formação de novos tecidos vegetais. Os vegetais morrem e sofrem decomposição 
ou são utilizados como alimento pelos consumidores, que podem ser novamente consumidos 
ou morrem e novamente retorna à decomposição, segundo Vesilind e Morgan (2015). Desse 
modo, os nutrientes percorrem uma cadeia ou teia alimentar de forma cíclica, não há percas 
significativas para o ambiente como ocorre no fluxo de energia. O processo de reciclagem de 
matéria apresenta elevada importância, pois os recursos da Terra são finitos e a vida depende do 
equilíbrio natural desse ciclo (BRAGA et al., 2005). 
Dentre os produtores foram citadas algumas bactérias quimiossintetizantes. 
Essas bactérias são encontradas em depósitos de lixo, fundos de pântanos, tubos 
digestórios de animais, regiões profundas de oceanos, chaminés vulcânicas, que 
são ambientes pobres em gás oxigênio. Outros tipos importantes de bactérias 
quimiossintetizantes são as dos gêneros Nitrosomonas e Nitrobacter que vivem 
no solo e são fundamentais na manutenção de nitrogênio. A quimiossíntese 
consiste num processo de produção de substâncias orgânicas (glicose) através 
da energia liberada por reações de oxidação de substâncias inorgânicas simples 
(gás carbônico, água e um agente oxidante), sem interferência da luz solar. 
Luz Solar - Fotossíntese: a luz solar fornece a energia para converter o dióxido 
de carbono e a água em glicose e oxigênio.
6CO2 + 6H2O > C6H12O6 (glicose) + 6O2
Bactérias - Quimiossíntese: o sulfureto de hidrogênio fornece a energia para 
converter o dióxido de carbono e a água em glicose e ácido sulfúrico.
6CO2 + 6H2O + 3H2S > C6H12O6 (glicose) + 3H2SO4
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Figura 2 - Reciclagem da matéria. Fonte: a autora.
Ciclos Biogeoquímicos
Como discutido anteriormente, existe uma troca de materiais entre componentes vivos e 
não vivos da Biosfera, essa ciclagem, ou reciclagem de materiais, no ecossistema é denominada de 
Ciclo Biogeoquímico (Bio = seres vivos; Geo = atmosfera, hidrosfera e litosfera (meio terrestre é a 
fonte dos elementos) e Químico = elementos químicos). Destacam-se os ciclos da água, baseado 
em transformações físicas (evaporação, condensação) e consumo e liberação pelos seres vivos 
e o ciclo do carbono, também relacionado ao oxigênio, através de fotossíntese e respiração. O 
carbono é devolvido ao meio ambiente à mesma taxa em que é sintetizado pelos produtores, por 
isso é considerado um ciclo perfeito. Além desses, mais conhecidos, são relevantes os ciclos do 
nitrogênio, fósforo e enxofre que serão discutidos a seguir, de acordo com Braga et al. (2005). 
Ciclo do nitrogênio
É um dos ciclos (Figura 3) mais importantes no ecossistema terrestre, sendo um processo 
pelo qual o nitrogênio circula através das plantas e do solo pela ação de organismos vivos. Esses 
organismos utilizam nitrogênio para a produção de moléculas complexas como aminoácidos, 
proteínas e material genético, necessárias ao seu desenvolvimento. O principal reservatório de 
nitrogênio é a atmosfera, a qual apresenta aproximadamente 78% de nitrogênio na forma gasosa 
(N2). O processo de transformação do nitrogênio do ar em formas assimiláveis pelas plantas e 
animais é denominado fixação. Esse processo é realizado por bactérias do gênero Rhizobium, em 
raízes de leguminosas no meio terrestre e por certas bactérias e algas cianofíceas (cianobactérias) no 
meio aquático. Apesar de extremamente abundante na atmosfera o nitrogênio é, frequentemente, 
um nutriente limitante do crescimento das plantas (sua ausência prejudica o desenvolvimento 
vegetal), porque as plantas apenas conseguem usar o nitrogênio sob três formas sólidas: íon de 
amônio (NH4+), íon de nitrito (NO2-) e, em especial, íon de nitrato (NO3-). Estes compostos são 
obtidos através de vários processos dependentes de bactérias. Os animais recebem o nitrogênio 
que necessitam através das plantas e de outra matéria orgânica, como de outros animais, através 
da teia alimentar.
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Figura 3 - Ciclo do nitrogênio. Fonte: a autora.
Ciclo do fósforo
O fósforo é importante na composição de moléculas do metabolismo celular, como 
fosfolipídios, coenzimas e ácidos nucléicos (DNA e RNA). Além disso, também é um nutriente 
limitante do crescimento de plantas. Os grandes reservatórios de fósforo são as rochas, que 
devido ao intemperismo, fornecem o fósforo para os ecossistemas, onde é absorvido pelos 
vegetais e posteriormente transferido aos animais, via cadeia alimentar. O retorno do fósforo ao 
meio ocorre pela ação de bactérias (organismos decompositores). Esse retorno ocorre na forma 
de composto solúvel, sendo, portanto, facilmente carregado pela chuva para lagos e rios e destes 
para os mares, de forma que o fundo do mar, bem como outros corpos aquáticos de água doce, 
passa a ser um grande depósito de fósforo solúvel (sedimentação). O uso mais comum para o 
fósforo é como fertilizante.
Ciclo do enxofre
O enxofre é um elemento relativamente abundante na crosta terrestre, grande parte 
dos reservatórios está em rochas sulfurosas, depósito de elementos sulfurosos e combustíveis 
fósseis. As plantas obtêm sulfato inorgânico (SO4-2) do ambiente dissolvido na água e no solo. 
Os animais obtêm enxofre na água e no alimento. A decomposição devolve o enxofre que fazia 
parte da matéria orgânica ao solo ou a água. A principal perturbação humana no ciclo global do 
enxofre é a liberação de dióxido de enxofre (SO2) para a atmosfera, como resultado da queima de 
carvão e óleo contendo enxofre provocando chuva ácida.
Para ampliar seu conhecimento sobre os ciclos biogeoquímicos, acesse os links 
a seguir:
Ciclo do carbono: 
https://www.youtube.com/watch?v=hxQ0T8qOoXg;
e Ciclo do nitrogênio:
https://www.youtube.com/watch?v=FgWJZuWRLug.
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Cadeias e teias alimentares
Agora podemos discutir com mais clareza os conceitos de cadeia e teia alimentar. Assim, 
cadeia alimentar é uma série de organismos em um ecossistema, através dos quais a energia 
alimentar, proveniente dos produtores, é transferida entre eles, numa sequência de organismos 
que ingerem e são ingeridos (GRISI, 2007). As cadeias alimentares que se iniciam com os 
produtores, com consumidores primários herbívoros, são denominadas cadeias de herbivoria 
ou de pastagem, enquanto que as cadeias que se iniciam pela matéria orgânica morta, em que 
os consumidores primários são detritívoros (pequenos invertebrados, bactérias e fungos), são 
denominadas cadeias de detritivoria. 
As cadeias alimentares não podem ser vistas em sequências isoladas. Naturalmente, existe 
interação entre diferentes cadeias alimentares formando as denominadas teias alimentares ou 
teias tróficas (trofos = alimento, nutrição). A posição ocupada pelos organismos em um mesmo 
patamar na cadeia alimentar é denominada de nível trófico. Assim, produtores ocupam o primeiro 
nível trófico, os consumidores primários o segundo nível trófico, os consumidores secundários 
o terceiro nível trófico e passando desses para os decompositores, neste caso, ocuparia o quarto 
nível trófico. 
Como comentado anteriormente, existe uma redução significativa na quantidade de 
energia disponível de um nível trófico a outro, deste modo, as cadeias alimentares não podem ser 
tão longas, raramente ultrapassando o quinto nível trófico. Na figura a seguir (Figura 4), uma teia 
alimentar no ambiente terrestre, o primeiro nível trófico é ocupado por vegetais, os produtores 
(árvore, verdura e gramíneas). A partir desses, cada seta indica um novo nível trófico. Nessa 
figura, a cadeia mais longa possui cinco níveis tróficos (ex.: verdura > coelho > coruja > cobra > 
gavião). 
Figura 4 - Teia alimentar no ambiente terrestre. Fonte: a autora.
 O conhecimento das cadeias alimentares permite a atuação sobre elas em favor dos seres 
humanos. Possibilita, por exemplo, o aumento da produtividade agrícola, com um combate mais 
eficiente às pragas, incorporando à cadeia alimentar predadores naturais, minimizando o uso de 
defensivos agrícolas (BRAGA et al., 2005). 
Biomas 
Devido à grande diversidade de habitats existente no planeta, em função do clima, 
distribuição de nutrientes, topografia, pluviosidade, incidência de radiação solar e predomínio 
de espécies específicas em diferentes regiões, são formados grandes ecossistemas denominados 
de biomas. Bioma pode ser considerado como a maior unidade de comunidade, com flora, 
fauna e clima próprios, segundo Grisi (2007). Abaixo será apresentada uma breve descrição dos 
diferentes biomas terrestres e aquáticos, segundo Braga et al. (2005).
Os biomas aquáticos são classificados em dois grupos, o marinho (mares e oceanos) e o 
de água doce (lagos, lagoas e rios). A classificação dos biomas terrestre é mais ampla (Figura 5). 
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Figura 5 - Principais biomas terrestres. Fonte: Encyclopaedia Britannica (2017).
Vamos iniciar pelo pólo Norte. A TUNDRA é considerada o bioma mais frio do planeta. 
Possui solo congelado na maior parte do ano formando regiões pantanosas. Há predomínio de 
musgos, líquens, plantas rasteiras e ausência de árvores. O bioma denominado TAIGA (também 
Floresta Boreal ou Floresta de Coníferas) possui uma vegetação pouco diversificada com 
predomínio, portanto, de coníferas (pinheiros resistentes e perenes). A precipitação (chuva) nesse 
bioma, principalmente no verão, é maior do que na tundra. A FLORESTA TEMPERADA é bem 
desenvolvida na Europa e América do Norte, mas também no Japão e na Austrália. Ocorre em 
regiões de clima moderado, com inverno bem definido e precipitação abundante que se distribui 
durante todo o ano. Possui uma flora composta por árvores caducifólias (que perdem suas folhas 
no inverno) e uma vegetação mais baixa como arbustos, bem desenvolvida e diversificada. A 
FLORESTA TROPICAL, evidentemente no Brasil, está presente em uma região em que não 
há grandes oscilações de temperatura durante o ano, portanto, sem grandes distinções entre 
as estações. Neste tipo de floresta ocorre precipitação elevada, distribuída durante todo o ano, 
portanto, uma elevada umidade. Nessa região há o ápice de diversidade animal e vegetal, com 
árvores de grande porte e densa folhagem, com poucas espécies arbustivas e herbáceas. Outro 
bioma terrestre é chamado de CAMPOS, com predomínio de vegetação herbácea baixa. Esse 
bioma é divido em dois subtipos, PRADARIA que inclui gramíneas (pampas e cerrado no Brasil) 
e SAVANA (Índia e África), que inclui arbustos e pequenas árvores. Por fim, outro bioma é o 
DESERTO, típico de regiões áridas de vegetação rara e espaçada com predomínio de solo nu. São 
locais de baixa precipitação ou alta precipitação mal distribuída, com fauna típica.
Deste modo, os biomas brasileiros (Figura 6) são: Amazônia (floresta tropical); Cerrado 
(campo), na região Norte esse bioma está presente na forma de savanas de gramíneas baixas, na 
Região Sul, aparece como as pradarias mistas subtropicais; Mata Atlântica (floresta tropical); 
Caatinga (sertão), bioma típico do Brasil, com vegetação caducifólia; Pampa (pradaria, citada 
anteriormente e Pantanal, uma planície alagável na qual a riqueza de flora e fauna é regulada pelo 
ciclo das águas, ou seja, períodos de seca e cheia. O pantanal é praticamente exclusivo do Brasil, 
pois apenas uma pequena faixa desse bioma pertence ao Paraguai e a Bolívia.12WWW.UNINGA.BR
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Figura 6 - Biomas brasileiros. Fonte: ABAGRP (2017).
Influência humana nos ecossistemas 
Efeito de pesticidas em um ecossistema
Na agricultura a aplicação de pesticidas ocorre em grandes superfícies territoriais e 
devido à dificuldade de despoluição após o emprego de pesticidas, o ideal seria tomar medidas 
preventivas ou restringir o uso de produtos tão danosos ao meio ambiente. Alguns efeitos de 
pesticidas são: i) desconhecimento dos efeitos dos pesticidas sobre os microrganismos essenciais 
do solo para a fixação de nutrientes; ii) contaminação dos lençóis freáticos e dispersão da 
poluição; e iii) bioacumulação nas plantas, podendo contaminar os alimentos (LANGEBACH e 
PAIM, 1995). 
Ainda, à medida que o pesticida se move pela cadeia alimentar, ele sofre amplificação 
biológica, bioampliação ou é biomagnificado, ou seja, a concentração nos organismos aumenta 
com o aumento dos níveis tróficos. Isso ocorre porque são necessários muitos indivíduos do nível 
trófico anterior para alimentar um indivíduo do nível trófico seguinte. Entre os poluentes não 
biodegradáveis que se acumulam ao longo da cadeia, destacam-se os metais pesados (mercúrio, 
chumbo, cádmio) e os pesticidas. Em relação ao mercúrio, um exemplo foi o ocorrido na Baía 
de Minamata (Japão), nos anos 60, em que vários pescadores morreram por se alimentarem de 
peixes contaminados por mercúrio, segundo Braga (et al., 2005). Veja um exemplo de ampliação 
biológica medido em ppm (partes por milhão) de mercúrio em um corpo aquático (Figura 7), 
segundo Mitchell (2017). 
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Figura 7 - Bioampliação de mercúrio em um corpo aquático. Fonte: Mitchell (2017)
Efeito de nutrientes em um ecossistema de lagos
Naturalmente em lagos, os organismos produtores (vegetais e principalmente as algas), 
habitam a superfície para receberem luz solar e utilizam o CO2 proveniente também da atmosfera. 
Outros nutrientes necessários para a reprodução de algas são nitrogênio e fósforo. Algumas algas 
conseguem utilizar o nitrogênio atmosférico, contudo, o fósforo é o único elemento essencial 
que não entra no sistema aquático a partir da atmosfera, assim funciona como um regulador da 
reprodução de algas. Além disso, este elemento tende a sedimentar em rios e lagos. Assim, se 
ocorrer uma fonte externa desses nutrientes, principalmente o fósforo, através de escoamento de 
fertilizantes da agricultura ou os efluentes de uma estação de tratamento de águas residuais, as 
algas começarão a se reproduzir em uma taxa muito elevada, resultando em uma produção maior 
de alimentos para os consumidores que também crescerão em uma taxa superior. Ainda, esta 
alteração produzirá maior quantidade de matéria orgânica morta e aumentará a multiplicação 
de decompositores. Com o aumento de decompositores, maior é o consumo de oxigênio para 
a decomposição e maior liberação de CO2 na água. Além disso, a elevada multiplicação de 
algas forma um tapete turvo impedindo a penetração de luz na água, reduzindo as taxas de 
fotossíntese, ou seja, menor a produção de oxigênio no sistema. Assim, a ausência de oxigênio 
leva a mortandade de peixes e outros organismos que precisam desse elemento químico. Esse 
processo de enriquecimento das águas, em especial com nitrogênio e fósforo, é denominado 
de eutrofização ou eutroficação. A eutrofização natural é muito lenta, ocorre em milhares de 
anos. Contudo, com a introdução de nutriente, ocorre uma eutrofização artificial ou acelerada 
(VESILIND; MORGAN, 2015). 
A Lagoa da Pampulha (Belo Horizonte/MG), considerada um dos principais e mais 
belos cartões postais de Belo Horizonte, está imprópria para pesca e banho devido ao excesso de 
poluição e estado de eutrofização. Em novembro de 2016, os níveis de cianobactérias e fósforo 
foram considerados fora dos padrões estipulados pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente 
(CONAMA) para que a população possa ter contato secundário com as águas da represa, para 
atividades como navegação e esportes náuticos (PARNAÍBA, 2016). 
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Efeito de projetos sobre um ecossistema 
Os projetos de engenharia podem ter grande impacto sobre o ecossistema, assim 
algumas medidas podem ser tomadas. Para reduzir o número de animais mortos nas rodovias, 
podem ser construídas passagens subterrâneas ou viadutos com jardins para a passagem dos 
animais. Telhados com plantas (Telhado Verdes) reduzem custos energéticos e o escoamento de 
águas pluviais. A utilização de energia solar, eólica ou células de combustível podem reduzir os 
custos com eletricidade e a poluição ambiental. Além disso, escolher materiais menos tóxicos e 
produzidos de forma sustentável reduz a geração de resíduos e melhoram a qualidade do ar. 
ENERGIA E AMBIENTE
Os seres humanos precisam de energia para cozinhar seus alimentos, para a proteção 
contra o frio, para o transporte de pessoas, matérias-primas e produtos; para mover máquinas 
e aquecer fornos e caldeiras (CARMONA et al., 2003). Assim, os impactos no meio ambiente 
estão relacionados a três aspectos: ao crescimento populacional, a essa demanda de matéria e 
energia e a geração de resíduos. O desenvolvimento tecnológico, social e econômico aumenta 
as quantidades de materiais e de energia para satisfazer os padrões adquiridos pela sociedade e, 
consequentemente eleva a produção de resíduos (BRAGA et al., 2005). A redução da produção 
de energia por combustíveis fósseis, de 1980 a 2012, foi de 69,6 para 67,2% (não representativa), 
contudo, o aumento da produção por fontes renováveis, passou de 0,4 para 5%, com destaque 
para a energia eólica (2,4%) (Figura 8). 
Figura 8 - Geração de Energia Elétrica Mundial (%) por fonte (TWh - Terawatt-hora, equivalente a 1012 
Wh). Fonte: Brasil (2015).
No Brasil, a maior geração de energia é realizada por hidrelétricas (63,2%), seguida pela 
geração a partir de gás natural (13,7%) e por biomassa (7,6%), segundo Brasil (2015). 
Fontes de energia
As fontes de energia são recursos, naturais ou artificiais, utilizados pela sociedade para 
a produção de algum tipo de energia. A principal fonte de energia é constituída por radiações 
provenientes da luz do Sol (99% da energia térmica utilizada pelos ecossistemas). Os outros 1% 
são formados por outras fontes primárias de energia (água, ventos, madeira, gás natural, carvão 
mineral, o petróleo), fontes que são convertidas pelo homem em outras fontes de energia, as fontes 
secundárias (gasolina, o diesel, a energia elétrica, química, térmica e mecânica), segundo Braga 
(et al., 2005). Os recursos ou fontes primárias são classificados em renováveis e não-renováveis. 
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Fontes renováveis de energia
Aquelas fontes em que a sua utilização pode ser mantida e aproveitada ao longo do tempo 
sem possibilidade de esgotamento, segundo Portal Energia (2015). 
Hidroeletricidade
É um dos métodos mais eficientes de geração de energia. Consiste em aproveitar a energia 
potencial da água, através da transformação em energia mecânica pela passagem por uma turbina 
e transformação dessa energia em eletricidade pela passagem por um gerador, segundoBraga 
(et al., 2005). O Brasil é o país com maior potencial hidrelétrico do Mundo, com mais de 70% 
desse potencial presente nas bacias do Amazonas e do Tocantins/Araguaia, segundo ANEEL 
(2008). Localizada em nosso país, a Itaipu Binacional é considerada a maior usina hidrelétrica do 
mundo, em geração de energia, com 14.000 MW de potência instalada, e fornece 20% da energia 
consumida no Brasil e abastece 94% do consumo paraguaio, segundo Itaipu Binacional (2017). 
Contudo, a construção de hidrelétrica está relacionada a alguns impactos socioambientais, 
como: elevação do lençol freático, podendo a água ficar imprópria para o consumo, inclusive 
em regiões vizinhas; o alagamento geralmente atinge áreas de solos férteis, provocando a saída 
compulsória da população e desintegrando costumes; afetam a fauna e flora local; milhares de 
famílias são desapropriadas e possuem suas terras e residências relocadas, ainda, foram registrados 
vários casos de rompimento de grandes barragens, uma possibilidade crescente à medida em que 
ocorre o envelhecimento da estrutura construída, através de infiltrações (NOELI, 2005).
Mar
A geração de energia elétrica utilizando água do mar pode ser a partir da energia cinética 
(do movimento), produzida pelo movimento das águas ou pela energia gerada pela diferença 
do nível do mar, entre as marés alta e baixa, segundo ANEEL (2008). Alguns países estão mais 
avançados na exploração das ondas do mar para produção de eletricidade, tais como a Grã-
Bretanha, Portugal Brasil e Países Escandinavos. Algumas vantagens dessa fonte são a constância 
e previsibilidade da ocorrência das marés, ainda, trata-se de uma fonte de baixa poluição, contudo, 
os custos de instalação ainda são bastante elevados, segundo Portal Energia (2017). Em Fortaleza 
(CE) foi construída a primeira usina na América Latina responsável pela geração de energia 
elétrica por meio do movimento das ondas do mar (Figura 9), segundo COPPE UFRJ (2017). 
Figura 9 - Usina de ondas (Fortaleza, CE). Fonte: COPPE UFRJ (2016).
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Energia solar direta
A radiação do Sol pode ser empregada de forma direta, como fonte de energia térmica, 
como ocorre em aquecimento de fluidos e ambientes, ou pode ser convertida diretamente em 
energia elétrica, através dos processos termoelétrico e o fotovoltaico, segundo ANEEL (2002). No 
processo termoelétrico, a radiação solar é convertida em calor e utilizada em usinas termelétricas 
para a produção de eletricidade e no processo fotovoltaico, a transformação da radiação solar 
em eletricidade é direta utilizando um material semicondutor (geralmente o silício). A utilização 
da energia solar é pouco representativa mundialmente e no Brasil, apesar de ser privilegiado em 
termos de radiação solar, com uso de aquecedores solares e uso bastante difundido em cidades 
do interior e na zona rural, a participação do Sol na matriz energética brasileira ainda é bastante 
reduzida. Vale destacar que o Nordeste possui radiação comparável às melhores regiões do 
mundo, como a cidade de Dongola, no deserto do Sudão, e a região de Dagget, no Deserto de 
Mojave, Califórnia, segundo ANEEL (2008). O uso direto da energia solar é considerado uma 
opção ideal do ponto de vista ambiental, pois não contamina o ar, nem a água e seu fornecimento 
é ilimitado, segundo Carmona (et al., 2003).
Energia eólica
Nessas usinas ocorre a transformação da energia cinética contida no vento em 
eletricidade. Os aspectos positivos em relação à fonte eólica são, renovabilidade, perenidade, 
grande disponibilidade, independência de importações e ausência de custo para obtenção de 
suprimento, por outro lado o preço de instalação ainda é considerado elevado em comparação 
com outras fontes (ANEEL, 2008). Considerando o meio ambiente, a construção de usinas eólicas 
pode interferir na migração de pássaros e na transmissão de sinais de rádio e TV (BRAGA et al., 
2005). 
Mundialmente, houve um aumento expressivo da utilização dessa fonte de energia, nas 
últimas décadas, e no Brasil, favorecido em termos de vento, as regiões com maior potencial 
medido são Nordeste, onde se encontram a maioria das usinas eólicas, Sudeste e Sul, e ainda há 
usinas no Centro-Oeste (ANEEL, 2008). Em Osório, no Rio Grande do Sul, está situado o Parque 
Eólico de Osório, Parque Eólico, considerado o maior parque fornecedor de energia eólica da 
América Latina e o segundo maior do mundo em operação, desde 2006, formado por 75 torres 
com 98 metros, que somados às pás dos aerogeradores atingem 135 metros de altura, segundo 
Prefeitura Municipal de Osório (2017).
Biomassa
Energia de biomassa é proveniente de qualquer matéria orgânica que possa ser 
transformada em energia mecânica, térmica ou elétrica. Pode ser classificada em biomassa florestal 
(madeira, principalmente), agrícola (soja, arroz, cana-de-açúcar, entre outras) e de rejeitos 
urbanos e industriais (sólidos ou líquidos). A geração de energia pode ocorrer por combustão 
direta para obtenção do calor, em fornos (metalurgia) e caldeiras, com a formação de vapor para 
acionar turbinas ou pode haver a conversão de um combustível sólido (normalmente lenha) em 
outro de melhor qualidade e conteúdo energético (ex.: carvão). A biomassa é uma das fontes para 
produção de energia com maior potencial de crescimento nos próximos anos, tanto no exterior 
como no Brasil. O Brasil se destaca como o segundo maior produtor de etanol que, obtido a 
partir da cana-de-açúcar. Como os combustíveis fósseis, a combustão de biomassa também libera 
o poluente gás carbônico (CO2), assim, sua aplicação moderna e sustentável está diretamente 
relacionada ao desenvolvimento de tecnologias de produção da energia e às técnicas de manejo 
da matéria-prima. Por outro lado, os recursos podem ser regenerados dentro de poucos anos, por 
isso a biomassa é considerada um recurso renovável, segundo Carmona (et al., 2003). 
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Geotérmica
É a energia gerada a partir do calor existente no interior da Terra. As principais fontes são 
os gêiseres (fontes de vapor no interior da Terra que apresentam erupções periódicas) e o calor 
existente no interior das rochas para o aquecimento da água (em regiões próximas aos gêiseres), 
segundo Braga (et al., 2005). 
A partir desta água aquecida (150 a 3500C) é produzido o vapor utilizado em usinas 
termelétricas ou a partir da utilização de vapor quente seco para movimentar as turbinas, segundo 
ANEEL (2008). 
É possível encontrar aquíferos em profundidades menores que cinco quilômetros. 
Considerando que o fornecimento de calor do núcleo da Terra é inesgotável na escala humana, 
esta forma de energia pode ser considerada como renovável, mesmo quando pode haver um 
limite para a quantidade de aquíferos subterrâneos exploráveis para fins energéticos, segundo 
Carmona (et al., 2003). O Parque Geotérmico foi expandido nos últimos anos em alguns países, 
como México, Japão, Filipinas, Quênia, Islândia e Estados Unidos. No Brasil não há nenhuma 
usina geotérmica em operação, segundo ANEEL (2008).
Os impactos ambientais são sentidos nos arredores dessa fonte de energia. Em geral, os 
fluxos geotérmicos contêm gases e são liberados para a atmosfera, junto com o vapor de água, a 
maioria gases sulfurosos (H2S), com odor desagradável, corrosivos e com propriedades nocivas 
à saúde humana. Além disso, existe a possibilidade de contaminação da água, nas proximidades 
de uma usina geotérmica, devido à natureza mineralizada dos fluidos geotérmicos e a descargalivre dos resíduos líquidos para a superfície pode resultar na contaminação de rios, lagos, além 
da possibilidade de abalos sísmicos, devido a uma grande quantidade de fluido retirada do solo, 
segundo Ambiente Brasil (2017). 
Fontes não renováveis de energia
Essas fontes são principalmente formadas por combustíveis fósseis, sendo depósitos 
naturais de petróleo, gás natural e carvão mineral. São constituídas de energia solar, retida na 
forma de energia química, em depósitos formados há milhões de anos, através da decomposição 
de vegetais e animais, segundo Braga (et al., 2005). Soma-se as fontes não renováveis a energia 
nuclear.
O processo de produção de energia elétrica é semelhante em todas as usinas que utilizam 
como matéria-prima os combustíveis fósseis, em geral, esse material é queimado em uma câmara 
de combustão e o calor obtido nesse processo é usado para aquecer e aumentar a pressão da 
água, que se transforma em vapor. Este vapor movimenta as turbinas, que transformam a energia 
térmica em energia mecânica. Um gerador, transforma a energia mecânica em energia elétrica, 
segundo ANEEL (2002). 
A natureza renovável ou não renovável, considerando a fonte geotérmica, é 
bastante discutida, assim, quando se trata da utilização de fluidos e vapores 
quentes do interior da Terra, como os gêiseres, trata-se de uma fonte não-
renovável (BRAGA et al., 2005). Deste modo, quando se utiliza um reservatório de 
água para ser reinserido no solo pode ser considerada renovável.
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Derivados de petróleo
O petróleo cru não tem aplicação direta, é necessário o processo de refino para a obtenção 
de seus derivados que são: gás liquefeito de petróleo (GLP, ou gás de cozinha), gasolina, óleo diesel, 
óleo combustível, nafta, querosene de aviação e de iluminação, asfalto, lubrificante, combustível 
marítimo, solventes, parafinas e coque de petróleo (produto sólido). Tanto a geração de energia 
elétrica a partir dos derivados de petróleo, quanto o consumo dos combustíveis derivados, geram 
emissões de gases que contribuem para o efeito estufa. Além disso, há perspectiva de esgotamento, 
em médio prazo, das reservas hoje existentes, cerca de 40 anos, segundo ANEEL (2008). 
Gás natural
É um gás resultante da decomposição da matéria orgânica durante milhões de anos. Nas 
primeiras etapas desse processo, o gás natural encontra-se associado ao petróleo, mas nos últimos 
estágios de degradação da matéria, esse gás é produzido separadamente, portanto há reservas de 
gás natural associado ao petróleo ou em campos isolados (gás natural não associado), segundo 
ANEEL (2008).
O gás natural é formado por gás metano (70 a 99%), com pequenas quantidades de 
hidrocarbonetos gasosos mais pesados, como propano e butano. No uso do gás natural, o propano 
e o butano são liquefeitos, gerando o GLP, e o metano é distribuído em redes. Se mantidas as 
taxas de consumo atual, estima-se que há reservas de gás natural suficiente para os próximos 50 
anos. Esse gás produz menos poluentes quando comparados a queima de outros combustíveis 
fósseis, produzindo pouco SO2; quase nenhum material particulado; cerca de um sexto de óxidos 
de nitrogênio produzidos pelo carvão, óleo, gasolina; produz CO2 por unidade de energia inferior 
a outros combustíveis e apresenta custo de aproveitamento baixo com rendimento alto, segundo 
Braga (et al., 2005).
O gás natural ocupa o segundo lugar dentre as fontes geradoras de energia (20,1%). No 
primeiro lugar está o carvão (41%) (ANEEL, 2008). No Brasil a utilização do gás natural ocupa a 
segunda posição (13,7%) sendo superado pela energia hidráulica (63,2%), segundo Brasil (2015). 
Carvão mineral
Cerca de 80% do consumo de carvão é destinado para geração termoelétrica e o restante 
é utilizado na metalurgia e combustível em caldeiras. O carvão é o combustível fóssil mais 
abundante na Terra (73%), seguido pelo petróleo (14%) e pelo gás natural (13%). Apesar de 
sua abundância relativa, o consumo de carvão diminuiu significativamente nas últimas décadas, 
devido ao seu alto teor de liberação de enxofre e cinzas gerando graves problemas ambientais. 
Devido ao seu poder calorífico inferior, o carvão gera 1,5 tonelada de CO2 por mJ de energia 
térmica liberada, o que é quase 30% maior do que as emissões de outros combustíveis fósseis, 
segundo Carmona (et al., 2003).
Energia nuclear
A matéria-prima para a produção da energia nuclear é principalmente o minério de 
urânio, encontrado em estado natural nas rochas da crosta terrestre, mas existem também 
as fontes secundárias, compostas por material obtido com a desativação de artefatos bélicos, 
estoques civis e militares, reprocessamento do urânio já utilizado e sobra do material usado 
no processo de enriquecimento. O urânio é principalmente aplicado em usinas térmicas para 
a geração de energia elétrica denominadas usinas termonucleares. Nestas usinas, o núcleo do 
átomo é submetido a um processo de fissão (divisão) para gerar a energia. Se a energia for liberada 
lentamente, manifesta-se sob a forma de calor e se for liberada rapidamente, manifesta-se como 
luz. Nas usinas termonucleares, portanto, é liberada lentamente e aquece a água existente no 
interior dos reatores, a fim de produzir o vapor que movimenta as turbinas. Essa fonte passou a 
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ser considerada uma fonte limpa, considerando que sua operação origina baixos volumes de gás 
carbônico (CO2). As reservas de urânio estão distribuídas por 14 países, destacando a Austrália, 
Cazaquistão e Canadá que somam mais de 50% do volume total. O Brasil ocupa o 7o lugar do 
ranking mundial com de 6% do volume total, segundo ANEEL (2008).
No Brasil há duas usinas nucleares em atividade (Angra 1 e 2) e uma em construção 
(Angra 3), todas localizadas na Praia de Itaorna, em Angra dos Reis (RJ). Todas as atividades 
relacionadas à área nuclear no Brasil são de competência exclusiva da União, com exceção da 
utilização de radioisótopos para a pesquisa e usos medicinais, agrícolas, industriais e atividades 
análogas, que podem ser realizados por terceiros, por meio de concessão ou permissão, segundo 
Sinus (2014). 
UNIDADE
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ENSINO A DISTÂNCIA
SUMÁRIO DA UNIDADE
INTRODUÇÃO ............................................................................................................................................................ 21
O MEIO AQUÁTICO .................................................................................................................................................. 22
PARÂMETROS FÍSICOS ........................................................................................................................................... 22
PARÂMETROS QUÍMICOS ...................................................................................................................................... 24
PARÂMETROS BIOLÓGICOS ................................................................................................................................... 25
O MEIO TERRESTRE ................................................................................................................................................ 27
O MEIO ATMOSFÉRICO .......................................................................................................................................... 30
O MEIO AQUÁTICO
02
PROF.A PhD. GEZIELE MUCIO ALVES
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INTRODUÇÃO
Visando ampliar o conhecimento sobre meio ambiente, responsabilidade social e 
sustentabilidade, devemos conhecer, mais especificamente, os meios aquático, terrestre e 
atmosférico. Devemos compreender sua formação, bem como os padrões de condições normais 
e de poluição desses meios. Assim, serão abordados nessa unidade, as resoluções CONAMA nº 
357/2005, CNRH nº 91/2008 e Portaria 2.914/2011, principais regulamentadoras dos parâmetros 
de qualidade de água. Serão estudados os parâmetros físicos, químicos e biológicos de qualidade 
de água e o comportamento dos poluentes no corpo aquático. Ainda, serão discutidos os conceitos 
de solo, sua composição e formação, sua importância ecológica, poluição e os diferentes tipos de 
resíduos sólidos, perigosos e radioativos. Por fim, será apresentada uma descrição da atmosfera, 
dos principais poluentes atmosféricos e os processos que geram poluição, chuva ácida, efeito 
estufa, aquecimento global, a destruição da camada de ozônio e os padrões de qualidade do ar. 
Bom estudo!
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O MEIO AQUÁTICO
A água é um recurso natural essencial para a vida, pois todo o metabolismo dos seres vivos 
funciona em meio aquoso, no interior das células. Em nosso planeta, apenas uma porcentagem de 
água é disponível para atividades humanas. Embora 70% da superfície da Terra seja água, a maior 
parte desta está contida nos oceanos e apenas 3% são reservas de água doce e que, geralmente, 
não está disponível, compondo calotas polares e geleiras, ou seja, cerca de 1% é água doce de 
superfície acessível Carmona (et al., 2003). 
Parâmetros indicadores de qualidade de água
A qualidade da água pode ser avaliada através de diversos parâmetros que revelam suas 
principais características físicas, químicas e biológicas. As principais regulamentações sobre os 
parâmetros de qualidade de água são as resoluções do Conselho Nacional de Meio Ambiente 
(CONAMA) e do Conselho Nacional de Recursos Hídricos (CNRH), segundo Ana (2017). 
Assim, destaca-se as resoluções do CONAMA nº 357/2005 E CNRH nº 91/2008. A CONAMA 
nº 357/2005 dispõe sobre a classificação dos corpos de água (doce, salobra e salina) e padrões 
de qualidade de acordo com a sua destinação (consumo humano, recreação, irrigação, pesca, 
paisagismo), bem como estabelece as condições e padrões de lançamento de efluentes e outras 
providências. Por exemplo, no capítulo 2, o artigo 4 classifica as águas doces em Classes Especial, 
I, II, III e IV, sendo a classe especial, aquela com as melhores características nos parâmetros 
de qualidade, destinada a consumo humano apenas com desinfecção, enquanto que a classe IV 
é imprópria para consumo humano, mesmo após tratamento avançado, servindo apenas para 
navegação e harmonia paisagística, segundo CONAMA (2012). A Resolução CNRH nº 91/2008 
estabelece os procedimentos gerais para o enquadramento dos corpos d’água superficiais e 
subterrâneos, segundo Ana (2017). Ainda, deve-se considerar a portaria 2.914, de 12 de dezembro 
de 2011, que estabelece critérios de controle e vigilância da qualidade da água para consumo 
humano e seu padrão de potabilidade, segundo Brasil (2011).
PARÂMETROS FÍSICOS
TEMPERATURA
Este é um parâmetro importante, visto que influencia na velocidade das reações químicas, 
na solubilidade dos gases, na taxa de crescimento dos microrganismos, segundo Souza (2001). 
Ainda, com o aumento da temperatura ocorre uma redução na densidade da água. Deste modo, a 
inserção de efluentes aquecidos, ou que causam reações químicas, que elevam a temperatura nos 
corpos aquáticos, reduzem a densidade, pois aumenta a solubilidade dos nutrientes, com isso, 
as algas fitoplanctônicas, que se sustentam na coluna de água, devido a força de atrito, tendem a 
ocupar o fundo, reduzindo ou cessando a fotossíntese, segundo Braga (et al., 2005). 
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COR
A cor é um indicativo da presença de substâncias, partículas e organismos em grandes 
quantidades, segundo Carmona (et al., 2003). É uma das características que pode afetar a 
penetração de luz no corpo aquático. 
Pode ser classificada em cor real e cor aparente. A cor real está relacionada às substâncias 
dissolvidas na água, ou seja, é a cor que a água realmente apresenta se for removida a matéria em 
suspensão. Esse é o caso do Rio Negro (AM), afluente do Rio Amazonas, que possui esse nome 
devido a presença de ácidos húmicos (originado a partir da decomposição de matéria orgânica, 
proveniente de ser vivo). A cor aparente do meio aquático está associada a reflexos da paisagem 
ao redor ou aos materiais presentes no fundo, se esse for visível da superfície, isto é, coloração da 
água como ela se apresenta, com todas as matérias em suspensão (BRAGA et al., 2005). A cor é 
medida em unidades de cor, chamadas uH (unidade Hazen). A determinação da cor real realiza-
se após centrifugação da amostra. Para atender o padrão de potabilidade, a água deve apresentar 
intensidade de cor aparente inferior a cinco unidades, segundo Brasil (2014). A cor pode tornar 
a água imprópria ao consumo humano por manchar roupas e utensílios, para a produção de 
bebidas ou outros alimentos, ou ainda na fabricação de louças e papéis, segundo Braga (et al., 
2005). 
TURBIDEZ
É a medida da resistência da água a passagem de luz, ou o grau de atenuação de intensidade 
que um feixe de luz sofre ao atravessar a água. A água fica turva devido a presença de materiais 
em suspensão ou de organismos microscópicos na água, segundo Braga (et al., 2005). 
É expressa em unidades de turbidez, também denominadas unidades de Jackson ou, mais 
comumente, em unidades nefelométricas. A turbidez da água pode ser causada por lançamentos 
de esgotos domésticos ou industriais. A turbidez natural das águas está, geralmente, compreendida 
na faixa de 3 a 500 unidades para fins de potabilidade. Tal restrição fundamenta-se na influência 
da turbidez nos processos usuais de desinfecção, atuando como escudo aos micro-organismos 
patogênicos, minimizando a ação do desinfetante, segundo Brasil (2014). Considerando o padrão 
de potabilidade a turbidez da água não deve exceder 5uT (Portaria MS n. º 2914/2011), segundo 
Brasil (2011). 
SÓLIDOS 
São considerados sólidos totais presentes em um corpo aquático, a matéria que permanece 
como resíduo após evaporação de 103 a 105ºC. Podem ser divididos em sólidos em suspensão 
e sólidos filtráveis. O filtro utilizado possui cerca de 1 mícron (μ) de diâmetro, segundo Souza 
(2001). Assim, os sólidos retidos no filtro são também denominados de sólidos em suspensão 
ou particulados, enquanto que os sólidos que atravessam o filtro são classificados como sólidos 
dissolvidos ou solúveis. 
O padrão de potabilidade refere-se apenas aos sólidos totais dissolvidos (limite: 1000 
mg/L), pois esta parcela reflete a influência de lançamento de esgotos e afeta a qualidade 
organoléptica (sabor, odor) da água. Os sólidos são tratados como parâmetros físicos, embora 
possam estar associados às características químicas e biológicas, segundo Brasil (2014).
CONDUTIVIDADE ELÉTRICA
Este parâmetro indica a capacidade da água de transmitir a corrente elétrica em função da 
presença de substâncias dissolvidas, que se dissociam em ânions (íons negativos) e cátions (íons 
positivos). Quanto maior a concentração iônica da solução, maior é a capacidade em conduzir 
corrente elétrica.A condutividade elétrica é expressa em unidades de resistência (mho ou S) por 
unidade de comprimento (geralmente cm ou m), em geral, μS/cm. Deste modo, águas naturais 
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condutividade na faixa de 10 a 100 μS/cm e, em ambientes poluídos por esgotos domésticos ou 
industriais os valores podem chegar a 1.000 μS/cm.
SABOR E ODOR
O sabor e odor também fazem parte dos parâmetros físicos e estão associados à 
presença de poluentes industriais ou outras substâncias indesejáveis, como matéria orgânica em 
decomposição, algas, entre outros. Águas com sabor e odor não palatáveis são desprezadas para 
consumo humano (BRAGA et al., 2005). 
PARÂMETROS QUÍMICOS
Os parâmetros químicos são avaliados a partir de substâncias dissolvidas e são medidos 
em aparelhos analíticos, segundo Braga (et al., 2005).
pH
O pH ou potencial hidrogêniônico indica a intensidade das condições ácidas ou alcalinas 
do meio aquoso, através da presença de íons hidrogênio (H+). Os valores de pH variam de 0 a 14, 
sendo, inferior a 7, condições ácidas; superior a 7: condições alcalinas e 7 considerado neutro. O 
valor do pH altera o grau de solubilidade das substâncias. As alterações desse parâmetro podem 
ter origem natural (dissolução de rochas, fotossíntese) ou antropogênica (despejos domésticos 
e industriais). Em águas de abastecimento, baixos valores de pH podem contribuir para sua 
corrosividade e agressividade, enquanto que valores elevados aumentam a possibilidade de 
incrustações nas tubulações. A acidificação das águas pode ser também um fenômeno derivado da 
poluição atmosférica, mediante precipitações ou passagem direta de CO2 da atmosfera para água 
por diferença de concentração, segundo Brasil (2014). Assim, em regiões muito poluídas ocorrem 
passagem direta do CO2 da atmosfera para o corpo aquático. O pH para águas de abastecimento 
deve estar entre 6,5 e 9,5, visando minimizar os problemas de incrustação e corrosão das redes de 
distribuição (Portaria MS n. º 2914/2011). 
DUREZA
A dureza das águas reflete a concentração de cátions em solução, na água cálcio (Ca+2) e 
magnésio (Mg+2), mas também pode ser por ferro (Fe+2), manganês (Mn+2), estrôncio (Sr+2) 
e alumínio (Al+3), segundo Brasil (2014). Águas com dureza elevada ou águas duras necessitam 
de muita quantidade de detergentes, sabões e shampoo para produzir espuma ou que dão origem 
a incrustações nas tubulações de água quente, em panelas ou outros equipamentos, em que a 
temperatura da água é elevada. A dureza das águas superficiais é menor do que a das águas 
subterrâneas e reflete a natureza das formações geológicas com as quais ela esteve em contato. A 
dureza, em geral, é expressa em mg/L de carbonato de cálcio CaCO3, segundo Souza (2001). O 
padrão de potabilidade para águas de abastecimento é de 500 mg/L CaCO3, Brasil (2014). 
NUTRIENTES DISSOLVIDOS
Alguns nutrientes dissolvidos no meio aquático são essenciais para o desenvolvimento 
dos seres vivos que ocupam esse meio. Nitrogênio e fósforo são fatores limitantes para o 
crescimento de organismos autótrofos fotossintetizantes (algas e vegetais), portanto, o excesso 
desses nutrientes provoca uma proliferação exagerada de algas denominada eutrofização. Assim, 
os organismos precisam de quantidades moderadas de sais de silício, cálcio, magnésio, sódio, 
potássio, enxofre, cloro e ferro e de quantidades diminutas de manganês, cobalto, zinco, cobre, 
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entre outros, segundo Braga (et al., 2005). Desse modo, alterações nas concentrações de nutrientes 
dissolvidos causam mudanças na estrutura das comunidades aquáticas. 
MATÉRIA ORGÂNICA: DBO E DQO 
Em grandes quantidades no meio aquático, a matéria orgânica (MO) causa alterações na 
cor, odor, turbidez e eleva consumo do oxigênio dissolvido pelos organismos decompositores, 
provocando desequilíbrios ecológicos, podendo causar a extinção dos organismos de diversos 
organismos. Em geral, são utilizados dois indicadores do teor de matéria orgânica na água: 
Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO) e Demanda Química de Oxigênio (DQO). Estes 
parâmetros indicam a demanda, ou seja, o consumo de oxigênio necessário para oxidar a matéria 
orgânica contida na amostra de água. A diferença entre DBO e DQO está no tipo de matéria 
orgânica estabilizada. A DBO refere-se exclusivamente à matéria orgânica oxidada por atividade 
dos micro-organismos e a DQO abrange, também, a oxidação da matéria orgânica ocorrida por 
agentes químicos. Assim o valor da DQO é sempre superior ao da DBO. Tanto a DBO quanto 
a DQO são expressas em mg/L. A concentração média da DBO em esgotos domésticos é da 
ordem de 300 mg/L, o que indica que são necessários 300 miligramas de oxigênio para estabilizar 
a quantidade de matéria orgânica biodegradável contida em 1 litro da amostra. Em ambientes 
naturais não poluídos, a concentração de DBO é baixa, cerca de 1 mg/L a 10 mg/L, segundo Brasil 
(2014). Por convenção, usa-se DBO5, 20, ou seja, os ensaios são feitos com duração de 5 dias a 
uma temperatura de 200C, segundo Braga (et al., 2005). 
PARÂMETROS BIOLÓGICOS
Organismos que são utilizados para indicar mudanças do ambiente são denominados 
de bioindicadores, segundo Bagliano (2012). Os bioindicadores são importantes por serem 
muito sensíveis a poluentes, a toxinas e a perturbações do meio, portanto, servem como alerta 
de desequilíbrio ambiental, segundo Ricklefs (2009). Podem fazer parte de diferentes grupos 
como algas, bactérias, fungos, vegetais, protozoários, microinverterbrados, entre outros, porém, 
as algas e os microrganismos patogênicos destacam-se em relação aos parâmetros de qualidade 
de água. 
ALGAS
As algas são pertencentes a três diferentes reinos: Monera, Protista e Plantae, sendo as 
algas verdes (Chlorophyta/Plantae) as responsáveis pela maior parte da produção de oxigênio 
molecular disponível no planeta a partir da fotossíntese, segundo Vidotti e Rollemberg (2003). 
Contudo, a formação de grandes massas de algas, devido ao processo de eutrofização comentado 
anteriormente, leva a produção de lodo (Figura 1) e a liberação de vários compostos que podem 
ser tóxicos ou produzirem sabor e odor desagradável. 
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Figura 1 - Um pescador caminhando no lago Chaohu, coberto de alga, Chaohu (China) em julho de 2013. 
Fonte: SIM (2014).
Ainda, essa formação de camadas de algas na superfície de reservatórios, causa turbidez, 
dificulta a passagem de luz, reduzindo consequentemente a concentração de oxigênio do meio, 
entopem filtros em estações de tratamento, adere a paredes de reservatórios e piscinas e leva a 
corrosão de estruturas de ferro e aço, segundo Braga (et al., 2005). 
MICRORGANISMOS PATOGÊNICOS
Existem vários organismos patogênicos presentes em águas naturais, em geral, 
provenientes do lançamento de águas residuais comunitárias, originários de indivíduos doentes 
ou portadores. Considerando a dificuldade de identificação e contagem dos microrganismos 
patogênicos, é habitual realizar a contagem de bactérias coliformes (coliformes totais, coliformes 
fecais, Escherichia coli e estreptococos fecais) como um indicador da presença de microrganismos 
patogênicos e de águas residuais de origem fecal, segundo Souza (2001). O padrão microbiológico 
da água para consumo humano afirma que sistemas que analisam 40ou mais amostras por mês, 
os coliformes totais devem estar ausentes em 100ml em 95% das amostras examinadas no mês e 
em sistemas que analisam menos de 40 amostras por mês, apenas uma amostra poderá apresentar 
mensalmente resultado positivo em 100ml (Portaria MS n.º 2914/2011).
Comportamento dos poluentes no meio aquático
Os poluentes ao atingirem os corpos aquáticos sofrem a ação de diferentes mecanismos 
físicos, químicos e biológicos. Dentre os processos físicos, pode-se destacar a diluição, processo 
natural de mistura do despejo com a água do corpo aquático; pode ocorrer a sedimentação de 
substâncias poluidoras pela ação gravitacional e a redução da penetração de luz, pela elevação 
da turbidez devido a dissolução de nutrientes. Mecanismos químicos ocorrem pela reação das 
substâncias poluidoras com aquelas já existentes no corpo aquático, causando assim alterações 
na temperatura, pH, penetração da luz, entre outros, segundo Braga (et al., 2005). Ainda, as 
alterações que ocorrem modificam a estrutura e dinâmica das comunidades aquáticas, com 
morte de algumas comunidades sensíveis e elevação da densidade de espécies resistentes, os 
mecanismos biológicos dessa nova comunidade altera as características do ambiente. 
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O impacto produzido por esgoto doméstico, por exemplo, com restos de matéria orgânica, 
restos de alimentos de origem vegetal ou animal, leva a redução de oxigênio no corpo aquático. 
Ao atingir o corpo aquático, bactérias aeróbias, que utilizam oxigênio, gastam o oxigênio do 
corpo aquático e ainda liberam mais gás carbônico na água durante a decomposição. Se o despejo 
for contínuo e o consumo de oxigênio for maior do que a capacidade do meio de para repô-lo, 
então, pode haver esgotamento e inviabilidade de sobrevivência de peixes e outros organismos 
que necessitam de oxigênio para respirar, segundo Braga (et al., 2005). 
O MEIO TERRESTRE
O solo pode ser compreendido como um manto superficial formado por desagregação 
de rochas e matéria orgânica (matéria de origem animal ou vegetal) em decomposição, contendo 
água, ar e organismos vivos em proporções variáveis. Ou seja, o solo é resultado das interações 
envolvendo a litosfera, hidrosfera, atmosfera e biosfera, segundo Mendonça (2006). Contudo, o 
conceito de solo pode variar de acordo com sua finalidade. Para os agrônomos pode ser entendido 
em função de suas características de suporte para a produção agrícola e para o engenheiro civil 
pode ser descrito de acordo com sua capacidade de suportar cargas ou de transformar em material 
de construção, segundo Braga (et al., 2005). 
Composição do solo
A proporção entre os componentes varia entre um solo e outro, mas geralmente fica 
em torno de 45% de materiais minerais, 25% de água, 25% de ar e 5% de matéria orgânica. A 
matéria mineral é proveniente da desagregação de rochas no próprio local ou em locais distantes, 
trazida por água e vento. A parte líquida é constituída por precipitações como chuva, sereno, 
neblina e orvalho. A proporção gasosa é formada por ar atmosférico e por gases formados pela 
biodegradação da matéria orgânica. E por último, a parte orgânica resultante da queda de folhas, 
frutos, galhos, restos de animais e resíduos em diferentes estágios de decomposição no estado 
sólido ou líquido, segundo Braga (et al., 2005).
Formação do solo
Os solos são formados pela atuação do clima (pluviosidade, temperatura, umidade, etc.), 
pela ação dos organismos (vegetação, animais, decompositores), material de origem, relevo e 
idade, segundo Braga (et al., 2005). Os diferentes solos, alterados ou não, ou seja, apresentam um 
perfil pode ser visualizado através de cortes verticais em profundidade (Figura 2). Um solo típico 
pode apresentar três camadas denominadas de horizontes A, B e C. Acima desses horizontes há 
uma camada superficial pouco espessa rica em resíduos orgânicos em decomposição, denominada 
de “horizonte O”, segundo Mendonça (2006).
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Figura 2 - Horizontes dos solos. Fonte: o autor.
O horizonte A, em geral, possui textura leve (arenosa), concentrando as maiores 
proporções de raízes, microorganismos e matéria orgânica, podendo expressar alto grau de 
lixiviação. O horizonte B é subsuperficial e possui uma região que pode acumular parte dos sais 
lixiviados e argilas. A terceira camada, ou horizonte C, possui acúmulo de óxidos de ferro e de 
alumínio, argilas, carbonatos e minerais primários parcialmente intemperizados. Este horizonte 
está acima da rocha matriz do solo, segundo Mendonça (2006). 
Características ecologicamente importantes dos solos
Acidez
O pH dos solos é, em geral, entre 3 e 9, com valores mais comuns na faixa intermediária. 
A acidez do solo (valores menores que 7) afeta significativamente as características químicas, 
físicas e biológicas do solo e a nutrição das plantas. Essa acidez é comum em regiões em que a 
quantidade de chuva é suficientemente para lixiviar quantidades representativas de cátions como 
ocorre em regiões tropicais e subtropicais úmidas, segundo Silva (et al., 2009). 
Troca de íons
As cargas elétricas do solo são fundamentais nas trocas químicas entre as partículas sólidas 
e a solução aquosa presente, repelindo ou absorvendo íons, configurando uma característica 
denominada de capacidade de troca iônica do solo, segundo Braga (et al., 2005). Ou seja, as 
propriedades de adsorção e troca de íons do solo constituem no evento físico-químico de maior 
importância no solo, definindo suas transformações desde a sua origem, segundo Silva (et al., 
2009). Os solos tropicais apresentam maior quantidade de cargas elétricas negativas, e possuem, 
em geral, maior quantidade de argilas e óxidos de ferro e alumínio. 
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Resíduos sólidos 
Os Resíduos sólidos são todo material sólido ou semissólido (com teor de umidade 
inferior a 80%) indesejável e que deve ser removido por ter sido considerado inútil e descartado. 
Deve-se ressaltar que, o que é descartado para um pode se tornar matéria-prima para outro. Há 
várias maneiras de se classificar os resíduos sólidos, mas, as mais comuns estão relacionadas 
aos riscos potenciais de contaminação do meio ambiente e quanto à natureza ou origem. Os 
resíduos sólidos podem ser classificados de acordo com a NBR 10.004, segundo ABNT (2004) 
em: Classe I ou perigosos, aqueles que apresentam risco ao meio ambiente e exigem tratamento 
e disposição especiais, ou que apresentam riscos à saúde pública. Por exemplo: embalagens de 
pesticidas e resíduos de indústria química ou farmacêuticas; Classe II ou não inertes: podem 
apresentar características de combustibilidade, biodegradabilidade ou solubilidade, e podem 
causar danos à saúde ou ao meio ambiente, por exemplo, resíduos domésticos, matéria orgânica 
e papel; Classe III ou inertes, resíduos que não se degradam quando dispostos no solo, como 
restos de construção civil, entulho de demolição ou pedras. 
No Brasil, em 2014, foi estimada a produção média de 1,062 Kg/hab/dia de resíduos 
sólidos urbanos (RSU), com destaque para a região sudeste que produz cerca de 17% acima da 
média nacional (1.239 Kg/hab/dia) (Tabela 1) (ABRELPE,2014)
Tabela 1: Quantidade de resíduos sólidos urbanos gerado no Brasil em 2014 (Fonte: ABRELPE, 2014). 
A coleta seletiva de resíduos sólidos,previamente separados de acordo com a sua 
constituição e composição (Lei Federal nº 12.305/2010), deve ser implementada pelos municípios, 
contudo, em muitos destes, as atividades de coleta seletiva não abrangem a totalidade de sua área 
urbana. Quanto aos resíduos de construção civil, os chamados RDC – Resíduos de Construção e 
Demolição, compostos por reformas, reparos e demolições, preparação e escavação de terrenos, 
são de responsabilidade do gerador dos mesmos, embora sejam em grande parte coletados 
pelos municípios, segundo ABRELPE (2014). Ainda, nos termos da Lei Federal n.12.305/10, a 
reciclagem, processo de transformação dos resíduos em insumos ou novos produtos é considerada 
prioritária na hierarquia na gestão de resíduos. A reciclagem de alumínio, papel e plástico, possui 
participação significativa nas atividades de reciclagem no país, segundo ABRELPE (2014). 
Quando não houver possibilidade de reutilização ou reciclagem, um aterro pode ser recorrido 
seguindo a Resolução 307 do CONAMA/2002 e normatizado pela ABNT – Associação Brasileira 
de Normas Técnicas (ABNT). 
Resíduos perigosos 
Estes são os resíduos sólidos que podem ser considerados nocivos ao meio ambiente e 
à saúde, dos humanos e de outros organismos, no presente e no futuro. Os resíduos perigosos 
são classificados em resíduos biomédicos, aqueles de hospitais, clínicas, laboratórios, que 
apresentam características patológicas e infecciosas; e resíduos químicos, os produzidos por 
atividade industrial e utilizados por grande parte da sociedade, de forma direta ou indireta. Os 
resíduos hospitalares devem ser incinerados no próprio local, acaso isso não ocorra, poderá ser 
encaminhado ao aterro com tratamentos prévios de cuidados e de prevenção. A destinação ideal 
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para os resíduos perigosos seria também a reciclagem ou reutilização. Alguns produtos podem 
ser utilizados como matéria-prima em ouros processos industriais. Se necessário, a disposição 
final escolhida depende da natureza do resíduo, das características do meio receptor e das leis 
vigentes. Os métodos mais comuns para a disposição final de resíduos perigosos são: disposição 
no solo, em aterros de armazenamento, em lagoas artificiais, em formações geológicas subterrânea 
e em injeções em poços e o tratamento de resíduos, com processos químicos, físico-químicos ou 
biológicos Braga (et al., 2005).
As indústrias devem elaborar o Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos (PGRS), 
que é parte integrante do processo de licenciamento ambiental do empreendimento ou atividade. 
O PGRS deve ser elaborado de acordo com acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos do 
Sistema Nacional de Meio Ambiente (SISNAMA), do Sistema Nacional de Vigilância Sanitária 
(SNVS) e do Sistema Único de Atenção à Sanidade Agropecuária (SUASA) e, se houver, do Plano 
Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos. Além do PGRS, as indústrias também devem 
prestar informações sobre seus resíduos pelo Cadastro Técnico Federal (CTF) do IBAMA (IPEA, 
2012).
Resíduos radioativos 
Em geral, há duas grandes instalações geradoras de rejeitos radioativos, as instalações 
usuárias de radioatividade ou instalações radiativas, que incluem hospitais, laboratórios de análises, 
instituições de pesquisa, indústrias, universidades, entre outras que operam equipamentos e 
aparelhos laboratoriais analíticos ou hospitalares e as usinas nucleares, que são convencionadas 
como instalações nucleares, as quais processam minerais e substâncias contendo urânio e outros 
elementos químicos potencialmente radioativos para a geração de energia elétrica (PIVA et al., 
2010). 
Esses rejeitos radioativos podem ser sólidos, líquidos ou gasosos. O gerenciamento de 
resíduos radioativos está relacionado ao isolamento desses em local seguro. Os rejeitos líquidos 
e gasosos podem ser retidos até a redução do nível de radioatividade e depois lançados no meio 
ambiente ou através da retirada dos rejeitos radioativos dos resíduos totais, de modo que eles 
sejam gerenciados como resíduos sólidos. A intensidade do dano causado pela radiação depende 
da fonte de radiação, do tempo de exposição e da distância entre o receptor e essa fonte, Braga et 
al. (2005). 
O MEIO ATMOSFÉRICO
Características da atmosfera
Atmosfera é o nome dado a camada gasosa que envolve a Terra que se estende cerca 
de 1.000 km de altitude. Os principais gases presentes na atmosfera são nitrogênio (78,11%), 
oxigênio (20,95%), argônio (0,934%) e gás carbônico (0,033%). Ainda, compondo uma menor 
porcentagem, estão presentes na atmosfera, neônio, hélio, criptônio, xenômio, hidrogênio, 
metano, ozônio e dióxido de nitrogênio, entre outros. Além dos gases, a atmosfera apresenta 
vapor de água (1 a 4%) e material particulado orgânico (pólens e microrganismos) e inorgânico 
(partículas de areia e fuligem) (BRAGA et al., 2005). A medida que aumenta a altitude, a densidade 
do ar vai diminuindo devido à menor força de atração que a Terra exerce sobre a atmosfera. 
Assim, 50% da massa total atmosférica encontram-se nos primeiros 5 km sobre o nível do mar. 
Portanto, as características físicas e a composição química da atmosfera variam em relação à 
altitude, dividindo-se em vários extratos bem diferenciados e com características próprias. 
Existem diferentes formas de caracterização da atmosfera, contudo, do ponto de vista 
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biológico, a classificação baseada na variação de temperatura com a altitude é a mais utilizada 
(Tabela 2).
Tabela 2 - Descrição das camadas da atmosfera. Fonte: a autora.
Processos poluentes
Considera-se como processo poluente todos os procedimentos, seja natural ou por 
métodos tecnológicos, que constituem uma fonte de poluição atmosférica. Existem diferentes 
processos decorrentes de transformação industrial ou domésticos, segundo Pereira (2011), que 
serão descritos a seguir: 
Processos de combustão
Este processo, principalmente dos derivados do petróleo, do carvão e do gás natural, é 
uma das fontes de energia mais utilizadas na atualidade. Nas centrais térmicas, esses derivados 
são queimados para obtenção de energia elétrica e a composição dos gases de saída depende dos 
combustíveis utilizados. Outro processo de poluição através de combustão, ocorre no tráfego 
rodoviário, em que os veículos automotores são responsáveis por quantidades superiores a 90% 
do monóxido de carbono, por entre 20-30% dos óxidos de enxofre e de material particulado e 
por entre 70 e 90% dos hidrocarbonetos e óxidos de nitrogênio, segundo Mota (1999). Ainda, em 
estações incineradoras de resíduos sólidos, ocorre a liberação gases e cinzas poluentes.
Processos nas indústrias siderúrgica e metalúrgica
Tanto a metalurgia, que extrai um metal de seu minério bruto e realiza o tratamento 
posteriormente, como a siderurgia que efetua o tratamento e transformação do ferro, em 
fundições ou na formação do aço, geram poluentes atmosféricos. Esses processos geram poluição 
na fundição dos metais em grandes caldeiras, nas etapas associadas à extração do metal das 
minas e pedreiras, em seu transporte, armazenamento, na desagregação em pedaços menores e 
nos tratamentos químicos finais.
Processos da indústria química
As reações que ocorrem nestes processos são variadas, portanto produzem diversos 
poluentes. A maioria dos poluentes são gasosos, mas há poluentes compostos de partículas sólidas 
e líquidas, derivados de enxofre (ácidos, sulfetos), derivados halogenados (cloretos, fluoretos, 
iodetos,

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