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1º Avaliação Resenha do Livro Prisioneiras - Cecília Costa de Queiroz Moreira - RA 1521471

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INSTITUTO DE DIREITO PÚBLICO DE BRASÍLIA 
ESCOLA DE DIREITO DE BRASÍLIA – EDB 
Curso de Graduação em Direito 
 
 
Disciplina: Optativa – Grandes Casos Criminais no Brasil 
Professor: Bruno André Ribeiro 
Semestre/Turno: 8° Semestre 
Aluna: Cecília Costa de Queiroz Moreira (1521471) 
 
 
1º Avaliação – Resenha do Livro Prisioneiras 
 
 
 
Varella, Drauzio. Prisioneiras. Companhia das Letras, volume 3, 2017. 
 
 O livro Prisioneiras escrito pelo médico voluntário Dr. Drauzio Varella aborda o 
cotidiano do presídio feminino da capital de São Paulo, o antigo presidio do Carandiru que foi 
implodido, dando lugar agora para abrigar as presidiárias que superlotavam outros presídios 
existem pelo Estado. 
 O Dr. Draúzio dividiu seu livro com histórias que marcaram sua atuação como médico 
no presídio feminino durante seus doze anos de voluntário, mostrando as diversas situações 
no qual nos faz refletir as diversas situações que as mulheres passam e em muitos casos são 
presas por inocência por quererem ajudar algum ente querido. No entanto, são esquecidas na 
prisão e sendo lançadas para própria sorte. 
 Durante a leitura, o autor mostra a realidade que as mulheres enfrentam no presídio, 
além das situações médicas, que são precárias e mesmo assim tenta dar o mínimo de 
dignidade em seus atendimentos. No entanto, outro problema que assombra a todas, as 
questões sociais que vivem e viveram durante suas vidas até chegaram ao presídio. 
 E possível observar que o autor em alguns capítulos dá voz as presidiarias por meio 
dos relatos contados em suas consultas, no qual é possível conhecer suas histórias desde seu 
nascimento até chegaram ao sistema prisional. Sendo de grande reflexão aos leitores, pois 
conhecemos uma realidade que muitas vezes achamos que acontece somente em filmes ou em 
novelas. 
 
 
 Além do mais, os presídios femininos seguem também as mesmas hierarquias que tem 
na penitenciaria masculina, no qual existe um sistema próprio que geri o local, que não está 
vinculada ao Estado e sim ao crime organizado. Como ocorre no Estado de São Paulo, a 
penitenciaria é gerida pelo PCC. 
 No entanto, as responsáveis pela gestão do sistema reclamam que as mulheres não 
sabem seguir a hierarquia como acontece com os homens que conseguem seguir a risca o que 
é imposto, tanto preso como em liberdade. 
Em liberdade ou aprisionados, os homens são muito atentos à 
hierarquia, cumprem as ordens dos superiores com o mesmo rigor 
com que exigem obediência de seus subordinados. A restrição do 
espaço físico só ressalta a relevância dessa coerência. 
Nas prisões femininas as leis são semelhantes, assim como hierarquia 
é estabelecida pelo mesmo processo de competição e seleção natural, 
com a diferença de que o respeito a ela é mais frouxo. Quase por 
instinto de sobrevivência, a mulher é mais avessa à submissão aos 
superiores, desde criança aprende a subverter a ordem, de forma a 
moldá-las aos ensejos pessoais sem dar a impressão de rebeldia, se 
possível. 
 
 
 As histórias são apresentadas pelo Dr. Drauzio a cada capítulo, conseguindo trazer 
além dos relatos, questionamentos acerca das situações que as presas viviam e como suas 
escolhas acarretaram consequências que a levaram a serem condenadas e estarem naquele 
local. Como é possível verificar muitas estão ali por serem inocentes, por terem ajudado seus 
maridos, irmãos ou até mesmo por não terem encontrado outra forma de prover seu sustento, 
assim se vendo obrigadas a entrarem no mundo do crime. 
 O autor também trás a realidade que as presas vivem, mostrando em alguns capítulos 
como elas fazem para sobreviver dentro do presídio, tanto tendo emprego ou por meios 
informais, que possa dar proventos para sobrevivência. Mostra ainda as relações intimas entre 
as presidiárias e como se organizam. 
 No entanto, o pior lado das mulheres que se encontram dentro do presídio é o 
esquecimento dos familiares. Pois, diferente do que acontece no presídio masculino, no qual 
podemos ver filas nos dias das visitas e até mesmo briga de mulheres para visitar seus 
companheiros. Já, na feminina muitas tem visitas de seus companheiros no começo e depois 
são esquecidas. E os familiares, são poucos que mantém a visita. 
 Uma questão é levantada, a forma que a sociedade enxerga a mulher no crime, pois a 
sociedade não admite essa situação e assim o preconceito entre os familiares de terem uma 
mulher criminosa. Em um dos capítulos temos uma irmã que é presa por tráfico de drogas por 
 
 
causa do seu irmão que armou para ela. A própria mãe faz distinção das visitas dela e do 
irmão, alegando que o irmão precisa mais dela do que ela, o defendendo. Uma da realidade 
que muitas vivem o esquecimento de quem mais ama. 
De todos os tormentos do cárcere, o abandono é o que mais aflige as 
detentas. Cumprem suas penas esquecidas pelos familiares, amigos, 
maridos, namorados e até pelos filhos. A sociedade é capaz de 
encarar com algumas complacências a prisão de um parente homem, 
mas a da mulher envergonha a família inteira. 
Enquanto estiver preso, o homem contará com a visita de uma 
mulher, seja a mãe, esposa, namorada, prima ou vizinha, esteja ele 
num presídio de São Paulo ou a centenas de quilômetros. A mulher é 
esquecida. 
 
 Contudo, o livro é de grande enriquecimento a respeito do tema, pois trás a realidade 
nua e crua dos presídios femininos, como é sua organização e as diferenças que tem do 
presidio masculino, relatadas por um médico voluntário que prestou atendimento tanto no 
presidio masculino como feminino.

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