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AULA 1 
AUDITORIA EM ODONTOLOGIA 
Prof. Jacques Ferreira Neto 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
Nesta aula, conheceremos um pouco sobre a auditoria odontológica, uma 
área de atuação especializada da odontologia regulamentada pela Resolução do 
Conselho Federal de Odontologia (CFO) n. 20, de 16 de agosto de 2001, que a 
cada dia se torna mais importante com a ampliação do espaço ocupado pelos 
convênios odontológicos nas agendas dos cirurgiões dentistas e do atendimento 
pelo setor público (SUS). 
CONTEXTUALIZANDO 
O que de fato é a auditoria odontológica? Quais são os seus objetivos? 
De onde ela veio e para onde ela caminha? Existe diferença entre auditoria e 
perícia odontológica? É preciso criar um conceito válido e completo sobre essa 
atividade tão importante, e essa será a sua função após esta nossa primeira 
aula. 
TEMA 1 – AUDITORIA: DEFINIÇÃO 
A palavra auditoria deriva do latim audire, que significa “ouvir”. O 
Dicionário Aurélio a define como "[...] Exame analítico e pericial que segue o 
desenvolvimento das operações contábeis, desde o início até o balanço; 
auditagem". O Dicionário Léxico a define como "[...] Inspeção ou vistoria da 
contabilidade e da administração de uma firma, instituição ou organização; [...] 
Investigação ou diagnóstico que tem como objetivo analisar ou avaliar o 
gerenciamento e a condição financeira de uma firma, instituição ou organização 
[...]". 
Como podemos entender, a auditoria tem sua origem na contabilidade 
empresarial, em que se realiza uma análise criteriosa das contas com o intuito 
de garantir a boa aplicação dos recursos financeiros. E é exatamente essa 
preocupação com a aplicação dos recursos que fez com que o setor de saúde 
adotasse a auditoria como parte de suas atividades rotineiras. 
A auditoria, atualmente, é essencial para assegurar a otimização dos 
recursos aplicados em saúde, tanto no setor público quanto em empresas do 
setor privado, garantindo a saúde financeira dessas instituições. Assim, o auditor 
passa a ter uma função de apoio à gestão, como consultor e assessor, sendo o 
seu trabalho a origem de mudanças. 
 
 
3 
TEMA 2 – CONCEITOS DE AUDITORIA EM SAÚDE 
O primeiro conceito de auditoria em saúde foi criado por Lambeck em 
1956, que a entendia como uma “análise crítica e sistemática da assistência 
prestada, comparando-a com padrões de excelência”. 
Isso significa que a função do auditor não se resume a avaliar contas e 
valores cobrados por um determinado prestador. Ele também avalia processos 
de trabalho envolvidos na execução de procedimentos para buscar o mínimo de 
desperdício durante a sua realização. Essa avaliação envolve tempo, materiais 
utilizados, técnica empregada, custos diretos e indiretos que recaem sobre o 
executor do trabalho e muitas outras variáveis. Por isso, o conhecimento dos 
fundamentos de administração é importante ao profissional que pretende se 
tornar um auditor em saúde. 
Lawrence Sawyer, considerado o pai da auditoria interna moderna, fala 
que “a função do moderno Auditor Interno é fazer aquilo que a direção gostaria 
de fazer, se tivesse tempo para fazer e soubesse como fazê-lo”. Essa frase nos 
remete a uma característica importante do auditor, que prega que não basta 
conhecer a teoria, mas também a prática. O saber fazer é fundamental para 
determinar o que é imprescindível à execução do procedimento e à otimização 
do processo de trabalho. 
A auditoria médica é a análise retrospectiva dos resultados da atividade 
dos profissionais médicos, realizada por pessoal de similar qualificação 
ou com maior experiência, tendo como objetivo principal avaliar a 
qualidade e a quantidade de atenções prestadas, em relação a bases 
deontológicas e profissionais aceitáveis. (Rubio, 1995) 
Observe que, até agora, falamos de auditorias contábil, empresarial e 
médica. Pois é... A auditoria odontológica é uma atividade muito recente e pouco 
existe de material científico específico sobre o assunto, que segue os passos da 
auditoria médica para firmar seu espaço e é de fundamental importância no 
mundo corporativo da saúde suplementar e pública. 
Um dos conceitos que se aplicam à auditoria odontológica e que transmite 
a ideia daquilo que um cirurgião-dentista auditor faz em seu dia a dia é proposto 
por Regina Juhás (2006): 
Auditoria Odontológica é o exame detalhado, realizado por um 
Cirurgião Dentista legalmente habilitado, com a finalidade de verificar a 
proposta, o andamento e/ou a situação final do tratamento odontológico 
indicado pelo dentista operacional, considerando conformidade técnica, 
indicação, viabilidade e oportunidade do tratamento proposto. 
 
 
4 
A auditoria aplicável à área odontológica é uma função de serviço, pois 
deve estimular as boas relações entre todos os segmentos envolvidos no 
processo, tendo como foco principal a melhoria da qualidade (Noronha; Sales, 
2004). Não deve ter caráter de fiscalização e, sim, de regulação, auxiliando na 
tomada de decisão para a melhoria da qualidade do serviço. 
Matos, Martos e Anzaldi (1996) definem a auditoria odontológica como a 
“confrontação dos serviços prestados com a norma estabelecida para chegar a 
um relatório de auditoria”. 
Entendemos que todas essas são visões muito limitadas do que a 
auditoria odontológica, da forma como a conhecemos hoje, pode oferecer às 
organizações de saúde, pois não fazem menção a algumas de suas funções 
importantes, como a de apoio à gestão, cumprimento da legislação vigente e 
educacional quanto ao ato de auditoria. Mas, como dissemos, por ser muito 
jovem, ela ainda está em fase de construção e solidificação de seus conceitos. 
TEMA 3 – OBJETIVOS 
Então, por que se faz auditoria odontológica? 
 Devido ao aumento de custos de assistência; 
 Para coibir cobranças irregulares; 
 Porque há cobrança de muitos procedimentos desnecessários; 
 Porque existe exagero na gravidade do diagnóstico, que afeta o 
procedimento a ser executado (por exemplo: sisos erupcionados 
normalmente são cobrados como inclusos, raspagens simples de cálculo 
dental são cobradas como procedimentos complexos etc.); 
 Para fazer troca de códigos dos procedimentos; 
 Para garantir qualidade. Para isso, há necessidade de avaliação de: 
 Restauração de forma, função, estética; 
 Longevidade do elemento dental ou implante; 
 Profundidade de bolsas; 
 Adaptação de próteses; 
 Condições que possam interferir no sucesso do tratamento proposto, 
levando em conta as regras básicas de prevenção e as boas práticas 
odontológicas; 
 
 
5 
 Para buscar não conformidades entre as normas (regulação) e induzir 
boas práticas (saber o que está sendo executado e cobrado pelo 
profissional). 
A realização da auditoria odontológica: 
 Garante ao paciente serviços acessíveis e de qualidade; 
 Cria um ambiente educativo propício à melhoria dos processos de 
trabalho; 
 Busca a otimização dos recursos disponíveis; 
 Melhora a eficiência dos processos administrativos; 
 Ajuda a avaliar e auxiliar os profissionais de saúde com relação a 
aspectos técnicos e éticos, e ao cumprimento de leis, normas e 
regulamentos; 
 Auxilia a administração dos planos na seleção, no credenciamento e na 
contratação de serviços de saúde; 
 Faz cumprir as leis que regem as relações com os consumidores e o 
contrato firmado entre usuários, prestadores e operadoras de saúde. 
Figura 1 – O auditor deve ter o foco de seu trabalho voltado para o paciente, 
atuando de forma proativa e educativa, buscando e relatando sempre a verdade, 
sem protecionismo ou corporativismo. 
 
Crédito: Lemusique/Shutterstock. 
 
 
 
6 
TEMA 4 – HISTÓRIA 
Para que você entenda aonde queremos chegar, é necessário que 
conheça nossa origem. Para isso, devemos voltar ao princípio do século XX, 
mais precisamente 1910, quando Flexner, que contestava o ensino médico da 
forma como era feito à época, fazia menção à necessidade de auditoria emprocedimentos realizados por médicos. Em sua visão, um profissional 
generalista não teria a capacitação adequada para realizar cirurgias complexas 
sem que fosse realizada uma perícia em seus procedimentos. Flexner também 
foi o primeiro a questionar a falta de estrutura do setor hospitalar. 
Saiba mais 
Descubra um pouco mais sobre Flexner e seu relatório (Pagliosa; Da Ros, 
2008). Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/rbem/v32n4/v32n4a12.pdf>. 
Somente 41 anos depois, em 1951, foi instituída na América do Norte a 
primeira comissão de acreditação hospitalar. A partir de então, começaram a 
aparecer ações isoladas em prol da qualidade do atendimento médico: 
● 1960, México: o seguro social mexicano inicia um programa de 
desenvolvimento de qualidade em saúde; 
● 1965, Espanha: início da acreditação hospitalar; 
● 1976, Brasil: o Instituto Nacional de Previdência Social (INPS) inicia a 
atividade de auditoria; 
● 1983, Canadá: criação de programas de garantia de qualidade; 
● 1987, Argentina: criação da Associação Civil Argentina de Auditoria 
Odontológica, a primeira entidade de auditoria exclusivamente 
odontológica de que se tem conhecimento; 
● 1999, Colômbia: é fundada a Sociedade Colombiana de Auditores 
Odontológicos. 
No Brasil, até 1960, a saúde dependia das Caixas de Aposentadorias e 
Pensões (CAPs) e dos Institutos de Aposentadoria e Pensões (IAPs), estes 
últimos segregados por categoria profissional do trabalhador e mais bem 
organizados devido ao fato de representarem profissionais mais bem 
remunerados. 
Como exemplos de CAPs transformadas em IAPs, temos os casos dos 
trabalhadores de trapiches e armazéns, que se transformaram no CAP dos 
http://www.scielo.br/pdf/rbem/v32n4/v32n4a12.pdf
 
 
7 
trabalhadores da estiva, transporte e cargas (IAPTEC), dos marítimos (IAPM), 
dos comerciários (IAPC), dos bancários (IAPB) e o dos industriários (IAPI). Há 
casos de CAPs que perduram até hoje, como a do Banco do Brasil (CASSI), 
criada em 1944 (Unidas, 2005). 
Esses institutos foram dando origem a uma organização médico-
hospitalar bastante complexa, com grandes hospitais e ambulatórios, 
especialmente nas grandes cidades brasileiras, paralelamente à atuação do 
Ministério da Saúde. Mais tarde, toda a estrutura dos hospitais e ambulatórios, 
juntamente com os postos e centros de saúde, foi unificada pelo Ministério da 
Previdência e Assistência Social, que passou a ser responsável por todos os 
empregados com carteira assinada no país. Nessa época, o poder público, por 
meio do Ministério da Saúde, mantinha apenas alguns hospitais que tratavam de 
doenças transmissíveis, epidemias e atendimento psiquiátrico (Unidas, 2005). 
A promulgação da Lei Orgânica da Previdência Social (Lei n. 3.807, de 26 
de agosto de 1960), que unifica o regime geral da previdência social, e a 
intervenção nas IAPs, ocorrida a partir de 1964, levou à total unificação do 
sistema previdenciário em 1967, com a criação do Instituto Nacional de 
Previdência Social (INPS). Essa unificação visava garantir a todos os 
trabalhadores urbanos os benefícios da previdência social, antes restrita a 
alguns setores da sociedade civil, mais organizados política e economicamente, 
como instrumento de sustentabilidade social e apoio popular ao regime militar 
(Ciefas, 2000). Foi criado então um sistema em que todos os trabalhadores 
urbanos contribuíam, e com somente um pequeno número de aposentadorias e 
pensões sendo pagas, acumulava-se um grande volume de recursos financeiros. 
Com o regime previdenciário unificado, o governo teve que assumir os 
serviços de saúde que eram parte das caixas de assistência, e isso provocou um 
caos ao sistema já precário de saúde no país, criando um “gargalo”. Mas, com a 
grande quantidade de dinheiro disponível, passou-se a comprar esses serviços 
do setor privado. Imagine um sistema desses em uma época em que não era 
possível – nem permitido – auditar contas hospitalares em hospitais e clínicas 
contratados. Médicos e donos de hospitais ficavam ricos e o caixa da 
previdência começava a escoar pelo ralo. 
Somente em 1976 começaram as auditorias nesse sistema, ainda que de 
forma precária até 1983, quando foi reconhecido o cargo de médico-auditor e as 
 
 
8 
auditorias passaram a ser realizadas dentro dos hospitais. Até então as 
auditorias só podiam ser realizadas em prontuários médicos e faturas. 
Em 1981 foi criado o Conselho Consultivo de Administração da Saúde 
Previdenciária (CONASP), ligado ao Instituto Nacional de Assistência Médica da 
Previdência Social (INAMPS), que propunha uma rigorosa fiscalização na 
prestação de contas de hospitais e clínicas credenciadas. Contando com 
técnicos ligados ao movimento sanitário em sua direção, o CONASP implantou 
um plano de socialização hierarquizado de saúde pública, propondo o aumento 
de produtividade e a melhoria da qualidade dos serviços prestados, a montagem 
de um sistema de auditoria médico-assistencial e a revisão dos mecanismos de 
financiamento do Fundo de Desenvolvimento e de Apoio Social (FAS) 
(Polignano, 2007). 
Com a promulgação da Constituição Federal de 1988 (CF) (Brasil, 1988), 
que definiu a saúde como um direito de todos e um dever do Estado, consolidou-
se o movimento da reforma sanitária no país. A saúde passou a ser prioridade 
do governo nos níveis federal, estadual e municipal. 
De acordo com o art. 196 da CF (Brasil, 1988): "A saúde é direito de todos 
e dever do estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas, que visem 
à redução do risco de doença e de outros agravos, o acesso universal e 
igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação". 
Já o art. 198 explicita: 
Art. 198. As ações e serviços públicos de saúde integram uma rede 
regionalizada e hierarquizada e constituem um sistema único, 
organizado de acordo com as seguintes diretrizes: 
I - descentralização, com direção única em cada esfera de governo; 
II - atendimento integral, com prioridade para as atividades preventivas, 
sem prejuízo dos serviços assistenciais; 
III - participação da comunidade (Brasil, 1988). 
Em 1990, com a promulgação da Lei Orgânica (Brasil, 1960), previu-se a 
criação do Sistema Nacional de Auditoria (SNA), que foi instituído de fato em 
1993 e regulamentado apenas em 1995. 
História de Auditoria em Saúde 
As atividades de auditoria, antes de 1976, com base no então Instituto 
Nacional de Previdência Social - INPS, eram realizadas pelos 
supervisores por meio de apurações em prontuários de pacientes e em 
contas hospitalares. À época, não havia auditorias diretas em hospitais. 
A partir de 1976, as chamadas contas hospitalares transformaram-se 
em Guia de Internação Hospitalar - GIH. As atividades de auditoria 
ficam estabelecidas como Controle Formal e Técnico. 
Em 1978, é criada a Secretaria de Assistência Médica subordinada ao 
Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social - 
 
 
9 
INAMPS. Vê-se a necessidade de aperfeiçoar a GIH. É criada, então, a 
Coordenadoria de Controle e Avaliação - nas capitais, e o Serviço de 
Medicina Social - nos municípios. 
Em 1983, a Autorização de Internação Hospitalar - AIH, vem substituir 
a GIH, no Sistema de Assistência Médica da Previdência Social - 
SAMPS. É nesse ano que se reconhece o cargo de médico-auditor e a 
auditoria passa a ser feita nos próprios hospitais. 
A Constituição Federal de 1988 dispõe no seu artigo 197: 
"São de relevância pública as ações e serviços de saúde, cabendo ao 
poder público dispor, nos Termos da Lei, sobre sua regulamentação, 
fiscalização e controle, devendo sua execução ser feita diretamente ou 
através de terceiros e, também, por pessoa física ou jurídica de direito 
privado". 
A Lei n.º 8.080, de 19 de setembro de 1990, ao prever a criação do 
SNA, estabeleceu as instâncias de gestão do SUS de acompanhar, 
controlar e avaliar as ações e serviços de saúde, ficando reservada à 
União a competênciaprivativa para "estabelecer o Sistema Nacional de 
Auditoria, e coordenar a avaliação técnica e financeira do SUS em todo 
o território nacional em cooperação técnica com estados, municípios e 
Distrito Federal". 
Por tratar especificamente da área da saúde, o SNA, instituído pelo 
artigo 6º da Lei 8.689, de 27 de julho de 1993 e regulamentado pelo 
Decreto n.º 1.651/95, se constitui num sistema atípico, singular, 
diferenciado, complementar aos sistemas de controle interno e externo 
e principalmente legítimo. 
Decreto n.º 1.651 de 29 de setembro de 1995: 
"Art. 4º O SNA compreende os órgãos que forem instituídos em cada 
nível de governo, sob a supervisão da respectiva direção do SUS. 
(...) 
§ 3º A estrutura e o funcionamento do SNA, no plano federal, são 
indicativos da organização a ser observada por Estados, Distrito 
Federal e Municípios para a consecução dos mesmos objetivos no 
âmbito de suas respectivas atuações." 
A Lei n.º 10.683, de 28 de maio de 2003, dispõe sobre a Organização 
da Presidência da República e dos Ministérios - estabelece na alínea 
"b", inciso XX do artigo 27, como área de competência do Ministério da 
Saúde: "a coordenação e fiscalização do SUS". 
Com a publicação do Decreto nº. 5.841, de 13 de julho de 2006, o 
DENASUS passou a integrar a estrutura da Secretaria de Gestão 
Estratégica e Participativa, órgão singular do Ministério da Saúde que 
ganhou novo formato diante do crescente grau de complexidade da 
institucionalização do SUS, concomitantemente à progressiva 
descentralização das responsabilidades pela execução das ações de 
saúde e pelo uso dos recursos financeiros, tornando necessário 
consolidar a competência na execução dos processos de gestão 
estratégica e participativa do sistema. 
O Decreto nº 5.974, de 29 de novembro de 2006, define a nova 
estrutura do Ministério da Saúde, sem contudo promover alterações 
nas competências da Secretaria de Gestão Estratégica e Participativa e 
do DENASUS. Dessa forma, reuniram-se diversas estruturas 
responsáveis pelas funções de apoio à gestão estratégica e 
participativa no SUS na Secretaria de Gestão Estratégica e 
Participativa, que têm áreas de atuação complementares, com vistas a 
ganhar racionalidade e maior efetividade ao atuarem em conjunto. 
O Departamento Nacional de Auditoria do SUS - DENASUS, órgão 
integrante da estrutura da Secretaria de Gestão Estratégica e 
Participativa do Ministério da Saúde e componente federal do Sistema 
Nacional de Auditoria - SNA, exerce atividades de auditoria e 
fiscalização especializada no âmbito do SUS. Conforme definido na 
Política Nacional de Gestão Estratégica e Participativa no SUS - 
ParticipaSUS "A auditoria é um instrumento de gestão para fortalecer o 
Sistema Único de Saúde (SUS), contribuindo para a alocação e 
 
 
10 
utilização adequada dos recursos, a garantia do acesso e a qualidade 
da atenção a saúde oferecida aos cidadãos" (SNA, s/d). 
Reparem na brecha de tempo existente entre a primeira iniciativa 
indicando a importância da auditoria na saúde e a concretização das ações 
propriamente ditas. Na odontologia, sempre mais atrasada em relação à 
medicina, as coisas são ainda mais morosas. 
Essa contextualização histórica nos mostra claramente o que já houve de 
evolução em termos de auditoria em saúde. A seguir, classificamos as fases 
evolutivas em ondas: 
 1ª onda: baseada na auditoria contábil focada em glosas, sem se 
preocupar em corrigir os problemas; 
 2ª onda: preocupada com a qualificação dos atores (Flexner) e dos 
processos (serviços de acreditação); 
 3ª onda: começou-se a focar em qualidade e em resultados alcançados; 
 4ª onda: (fase atual) busca-se a qualidade total, o ambiente educativo, o 
apoio à gestão e da gestão, tudo baseado em evidência científica. A 
construção de protocolos de atendimento com a participação da empresa, 
da rede credenciada e o respaldo da comunidade científica parece ser o 
caminho a ser trilhado; 
É preciso que a odontologia aprenda com os erros de percurso de sua 
predecessora, a medicina, para encurtar os caminhos para uma auditoria 
especializada valorizada e reconhecida, até mesmo dentro da própria 
comunidade odontológica. 
Saiba mais 
Leia o livro Autogestão em saúde no Brasil 1980-2005: história da 
organização e consolidação do setor (Unidas, 2005) para entender um pouco 
melhor o assunto que acabamos de abordar. Disponível em: 
<http://www.unidas.org.br/universidade/livro_autogestao_saude_brasil.pdf>. 
TEMA 5 – PERÍCIA OU AUDITORIA? 
A demora por parte do Conselho Federal de Odontologia (CFO) em 
regulamentar as funções do perito e do auditor odontológico, ocorrido somente 
em 2001 a partir da Resolução n. 20 (CFO, 2001), fez com que até hoje haja 
uma confusão sobre essa terminologia no mercado de saúde suplementar, que 
http://www.unidas.org.br/universidade/livro_autogestao_saude_brasil.pdf
 
 
11 
ainda utiliza o termo perícia para a atividade de avaliação técnica sobre os 
serviços odontológicos de profissionais credenciados a operadoras de saúde. 
Isso é um erro que ainda hoje custa caro aos auditores odontológicos, 
pois sua atividade é confundida como policialesca e julgadora, o que não 
corresponde à verdade. Na medicina, devido à regulamentação mais antiga, ela 
é vista como uma atividade normal, que faz parte do processo de faturamento 
das empresas, tanto de prestadores quanto de compradores de serviços 
médicos. 
Existem diferenças fundamentais entre perícia e auditoria. Vamos a elas 
(essas são as definições dadas pela Resolução n. 20 do CFO, 2001): 
• Perito é o profissional que auxilia a decisão judicial e administrativa, por 
solicitação da autoridade judiciária ou por designação do conselho, 
fornecendo laudo técnico detalhado, com absoluta imparcialidade; 
• Auditor é o profissional concursado ou contratado por empresa pública 
ou privada que presta serviços odontológicos e necessita de auditoria 
odontológica permanente para verificação da execução e da qualidade 
técnica-científica dos trabalhos realizados por seus credenciados. 
Essas definições denotam claramente a diferença de motivação entre os 
dois termos, sendo a perícia um ato ligado diretamente ao apoio à Justiça ou aos 
conselhos de odontologia e a auditoria uma ação administrativa, com o objetivo 
comparar a qualidade do serviço proposto ou prestado com a qualidade ideal 
desejada e o cumprimento às normas preestabelecidas pelas empresas, sejam 
elas particulares ou governamentais. 
Outra diferença fundamental existe quanto à finalidade de cada uma 
delas. Enquanto a perícia visa esclarecer tecnicamente as dúvidas formuladas 
pela Justiça, a auditoria é mais ampla, pois busca nas não conformidades 
observadas esclarecer onde houve falha de procedimento não conforme, e 
educar os atores envolvidos sobre como evitar que o mesmo processo se repita 
posteriormente. Nesse caso, considera-se como atores a cadeia formada pela 
empresa compradora de serviços, o profissional executor (dentista assistente), o 
beneficiário e o auditor servindo como elo de ligação entre todos eles. 
 
 
 
 
12 
Figura 2 – Função do auditor 
 
Crédito: Sergey G. Sundikov/Shutterstock. 
 
Os documentos finais da perícia e da auditoria também são bastante 
diferentes entre si, tanto na forma quanto no conteúdo. Segundo o Dicionário 
Aurélio, relatório é a “[...] narração ou descrição verbal ou escrita, ordenada e 
mais ou menos minuciosa, daquilo que se viu, ouviu ou observou”, e laudo é 
uma “[...] peça escrita, fundamentada, na qual os peritos expõem as 
observações e estudos que fizeram e registram as conclusões da perícia". Isso 
serve para esclarecer a confusão comumente feita por auditores, que chamam o 
relatório de auditoria de laudo e erroneamente incluem nele observações 
pessoais e juízo de valores. 
Tanto o laudo pericial quanto o relatório de auditoria devem ser 
fundamentados em bases técnico-científicas consolidadas pela comunidade 
científica(odontologia baseada em evidências) e pela experiência clínica do 
profissional que os emite; mas, enquanto a perícia é feita com base em fatos, a 
auditoria pode ser feita com base em hipóteses ou planos de tratamento. Nesses 
casos, visa-se prever não conformidades e orientar o caminho correto a ser 
seguido, sem interferir no fundamento da proposta terapêutica do profissional 
executante, mas mostrando a ele o que poderá se transformar em uma não 
conformidade. Ou seja, a auditoria não é somente reativa como a perícia, mas, 
sim, proativa e educativa. 
O relatório de auditoria deve ser um documento formal e técnico, que 
relate os fatos observados e dados obtidos de análises efetuadas, ensejando 
 
 
13 
como produto final sugestões e/ou recomendações para prevenção ou correção 
de rumos. Ao encontrar não conformidades, o auditor deve fazer as 
recomendações para corrigi-las. As críticas devem ser dirigidas aos fatos e não 
às pessoas. 
O relatório deve ter os seguintes atributos: 
• Coerência: os resultados da auditoria devem corresponder a seus 
objetivos; 
• Eficácia: deve ser emitido a tempo de prevenir e corrigir as não 
conformidades; 
• Convicção: ao ler o relatório, qualquer pessoa deve ter o mesmo 
entendimento que o auditor teve; 
• Integridade: incluir todos os fatos relevantes que levaram à conclusão e 
às recomendações; 
• Apresentação: sem rasuras e com boa ortografia; 
• Objetividade: deve se ater aos fatos relevantes, sem se ater a juízos de 
valor e excesso de adjetivos que determinem a opinião pessoal do 
auditor; 
• Clareza: quando lido por um leigo deve ser facilmente compreendido; 
• Conclusão: deve permitir a tomada inequívoca de decisão. 
O laudo pericial abre espaço para que seja externada a opinião do perito 
sobre determinado fato. Já o relatório de auditoria não deve conter juízo de 
valor, somente o relato dos fatos observados e as recomendações para o ajuste 
às normas. Nele, não há espaço para empirismo: os argumentos devem ser 
fundamentados e imparciais, sob o risco de criarem atritos e perderem a 
credibilidade. 
Porém, enquanto o laudo é um documento de caráter definitivo e que 
exprime as convicções de quem o emite, o relatório abre espaço à discussão, 
por não ser definitivo. Pode e deve haver interação entre auditor e prestador, e 
somente entre eles, sem nunca envolver o paciente, para que sejam dirimidas 
dúvidas ou esclarecidos pontos não observados por qualquer das partes. Para 
tanto deve existir um meio de comunicação entre auditor eprestador que garanta 
o livre diálogo e o sigilo entre a partes. 
Em resumo: 
 
 
 
14 
Quadro 1 – Comparação entre laudo pericial e relatório de auditoria 
 LAUDO PERICIAL RELATÓRIO DE AUDITORIA 
MOTIVAÇÃO Legal Administrativa 
FUNDAMENTAÇÃO 
Base técnico-científica + 
experiência clínica 
Base técnico-científica + 
experiência clínica 
OBJETO Fato Fato ou hipótese 
FINALIDADE Buscar o nexo causal 
Procurar por não conformidades e 
por meios de corrigi-las 
CONCLUSÃO 
 Permite a opinião do 
perito 
 É definitivo 
 Relata os fatos e não 
conformidades sem juízo de valor 
 Abre espaço ao debate 
FINALIZANDO 
Nesta aula, ficamos sabendo que a auditoria odontológica é uma 
atividade muito jovem em comparação às auditorias contábil e até mesmo a 
médica, e que seus conceitos ainda estão em construção. Apesar disso, ela tem 
objetivos claros e definidos. 
Aprendemos também que a auditoria e a perícia odontológicas são 
bastante diferentes, e que a confusão existente entre as duas atividades se deve 
ao fato de haver demora, por parte do Conselho Federal de Odontologia (CFO), 
em regulamentar e legitimar as ações de peritos e auditores odontológicos. 
O seu desafio é construir o seu próprio conceito sobre essa nobre 
atividade que é a de auditor. 
Em resumo, a auditoria odontológica é uma atividade administrativa 
exercida por um cirurgião-dentista, legalmente habilitado, com conhecimento 
técnico pleno, concursado ou contratado por empresa pública ou privada. Ele 
visa otimizar os recursos financeiros e técnicos empregados no atendimento 
odontológico de seus beneficiários, de forma a prestar a melhor assistência 
possível com o mínimo de desperdício, observando a legislação vigente e 
estimulando os atores envolvidos a participar dos esforços para a utilização dos 
recursos disponíveis de forma consciente e racional, antes, durante e depois da 
execução do serviço odontológico propriamente dito. 
 
 
 
15 
LEITURA OBRIGATÓRIA 
PAGLIOSA, F. L.; DA ROS, M. A. O relatório Flexner: para o bem e para o mal. 
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http://www.scielo.br/pdf/rbem/v32n4/v32n4a12.pdf
 
 
16 
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TOMAZ P. A. R. Auditoria odontológica: controle técnico-administrativo. S.i.: 
CopyMarket.com, 2001. 
UNIDAS – União Nacional das Instituições de Autogestão em Saúde. 
Autogestão em saúde no Brasil 1980-2005: história da organização e 
consolidação do setor. São Paulo, 2005. Disponível em: 
<http://www.unidas.org.br/universidade/livro_autogestao_saude_brasil.pdf>. 
Acesso em: 14 maio 2018. 
 
 
 
 
 
AULA 2 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
AUDITORIA EM ODONTOLOGIA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof. Jacques Ferreira Neto 
 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
Após criarmos nosso próprio conceito de auditoria odontológica e 
conhecermos um pouco de sua história, esta aula será útil ao gestor que precisa 
contratar um auditor odontológico para sua empresa. Traçaremos o seu perfil, 
trataremos de conhecer um pouco de seu trabalho diário e saber como ele 
pensa – ou, pelo menos, como deveria pensar. Costumamos dizer que “ser 
auditor é um defeito”, pois passamos a auditar todas as nossas ações (e as dos 
outros!). 
CONTEXTUALIZANDO 
Em situações cotidianas é que entendemos como deve ser o pensamento 
de um auditor. 
Criamos uma situação hipotética, mas muito comum para ajudá-lo a 
entender como deve pensar um auditor. No decorrer desta aula, tente 
compreender e identificar as ações a serem tomadas por um auditor que queira 
ir ao cinema hoje, na sessão das 19h. O cinema fica a 15 minutos de sua 
residência, então dá tranquilamente para programar a saída de casa para uns 30 
minutos antes do início da sessão. Ele ainda terá tempo para comprar o ingresso 
e uma pipoca. Isso está certo? 
TEMA 1 – COMO CLASSIFICAR A AUDITORIA 
Existem várias maneiras de classificar o serviço de auditoria odontológica; 
essa classificação só depende do ponto de vista de quem a contrata. 
As modalidades de auditoria acabam se complementando entre si, pois 
expressam o motivo, o caráter e as circunstâncias em que elas foram ou serão 
realizadas. 
1.1 Quanto à sua natureza 
1.1.1 Auditoria interna 
A auditoria interna é realizada pelo corpo de auditores pertencentes à 
própria instituição. Ex.: empregados ou servidores públicos concursados. 
 
 
 
3 
1.1.2 Auditoria externa 
A auditoria externa é realizada por profissionais não pertencentes à 
empresa, contratados especificamente para esse fim. A forma de contratação 
pode ser feita por um “pacote de serviços” ou por auditoria realizada. Ex.: 
serviços de auditoria para investigar um determinado problema em uma 
empresa, ou dentistas auditores autônomos credenciados pela operadora de 
saúde para realizar as auditorias em seus próprios consultórios. 
1.2 Quanto ao tempo em que é realizada 
1.2.1 Auditoria inicial 
A auditoria inicial é realizada antes do início do tratamento, e tem por 
objetivo avaliar a indicação do tratamento e o respeito às normas da empresa 
(cobertura do plano, carências, identificação do paciente e validação dos 
documentos). Está ligada diretamente ao controle de custos na operadora. 
1.2.2 Auditoria final 
É realizada após a execução do tratamento. Tem a função de validar todo 
o processo antes do pagamento da fatura. Avalia a relação entre a expectativa 
do tratamento e o resultado obtido. Compara o que foi proposto (e aprovado, 
quando há auditoria inicial) com o que está sendo apresentado. Verifica a 
conformidade do material utilizado. Está ligado diretamente ao controle de 
qualidade. 
1.2.3 Auditoria intermediária ou de acompanhamento 
Essa é realizada durante o transcurso do tratamento para avaliar a fase 
evolutiva. Usada normalmente em tratamentos longos (prótese, ortodontia, 
Disfunção da Articulação Temporomandibular – ATM). 
1.3 Quanto aos meios utilizados 
1.3.1 Auditoria técnica 
 
 
4 
Trata-se de um exame documental do caso, sem o exame clínico do 
paciente. São utilizadas como objeto de avaliação guias de tratamento, exames 
de imagem e o prontuário clínico do paciente. Normalmente é realizada uma 
análise do planejamento do tratamento, utilizando a comparação entre as 
situações inicial e a final, por meio de imagens (radiografias e/ou fotografias). 
1.3.2 Auditoria clínica 
Aqui, as informações são obtidas principalmente por meio do exame 
clínico do paciente. Pode ser inicial, finalou intermediária. 
1.3.3 Auditoria eletrônica 
A auditoria eletrônica utiliza como instrumento principal o sistema 
operacional da operadora. É uma importante ferramenta de gestão, pois permite 
analisar não somente um tratamento isolado, mas o conjunto dos tratamentos 
realizados em um mesmo paciente (repetições de procedimentos, perfil 
epidemiológico), dos tratamentos realizados por um mesmo profissional (controle 
de glosas e não conformidades, perfil do credenciado) e análises estatísticas de 
comportamento da rede credenciada. 
1.4 Quanto ao resultado 
1.4.1 Auditoria conforme 
Na auditoria conforme, todos os aspectos avaliados (proposta, execução 
e qualidade alcançada) estão em concordância com as normas da empresa e 
com as normas de boas práticas odontológicas. “Conformidade – estado de 
concordância entre a qualidade real produzida e a qualidade alvo (desejada ou 
planejada)” (Macedo; Póvoa Filho, 1995) 
1.4.2 Auditoria não conforme 
É realizada quando algum aspecto observado não corresponde às 
diretrizes clínicas ou quando há descumprimento das normas da empresa. 
 
 
5 
Além dessas classificações, existe ainda as classificações tradicionais da 
auditoria – que acabam se mesclando com as descritas anteriormente – para 
descrever com maior exatidão o serviço que está sendo realizado pelo auditor: 
 Auditoria preventiva: é a análise dos procedimentos antes que eles 
aconteçam. Também é chamada de auditoria prospectiva, ou pré-
auditoria. Requer do auditor amplo conhecimento sobre tabelas, 
regulamentos e contratos. Qualquer erro nessa fase implicará falhas em 
todos os demais estágios do processo. Nela, executam-se as seguintes 
ações: 
 Validação de documentos; 
 Avaliação da cobertura do plano; 
 Avaliação das carências contratuais; 
 Avaliação da pertinência da solicitação de procedimentos antes de sua 
realização (oportunidade); 
 Solicitação de parecer de especialistas. 
 Auditoria operativa: baseia-se na observação direta dos fatos, 
documentos e situações, durante ou após a sua execução, visando a 
identificação de não conformidades. Pode requerer o contato com o 
profissional assistente para esclarecimentos e ajuste de conduta. 
Portanto, exige do auditor o respeito absoluto ao Código de Ética 
Odontológico, e grande conhecimento clínico prático, pois avalia não só a 
qualidade do procedimento realizado, como todo o processo até a sua 
realização. Nela, executam-se as seguintes ações: 
 Observação direta dos fatos (exame clínico); 
 Investigação por meio de perguntas sobre o andamento do tratamento 
(perguntas abertas, sem indução); 
 Avaliação da veracidade das informações contidas nos documentos; 
 Atendimento às diretrizes e normas da empresa e à legislação vigente; 
 Determinação da adequação técnico-científica e da conformidade dos 
procedimentos; 
 Avaliação da qualidade da assistência prestada; 
 Determinação da adequação financeira; 
 Solicitação de documentação comprobatória quando há evidências que 
determinam sua necessidade; 
 Avaliação de contas, faturas e notas fiscais; 
 
 
6 
 Adequação ao regulamento; 
 Interligação com os resultados das primeiras fases da auditoria. 
 Auditoria analítica: é a análise dos dados oriundos da auditoria operativa 
em todas as suas fases (inicial, intermediária e final). Esses dados devem 
ser comparados com indicadores de saúde coletiva e indicadores de 
gestão, e também aos procedimentos de outras operadoras (benchmark). 
O auditor precisa de bons conhecimentos de informática, pois o trabalho é 
feito com base em planilhas, gráficos e relatórios de bancos de dados. 
Além disso, ele estar bastante familiarizado com técnicas e ferramentas 
de administração e gestão. Geralmente, esse tipo de auditoria é o 
responsável por mudanças de rotinas, processos, normas, regulamentos 
e criação de protocolos dentro das organizações de saúde. 
TEMA 2 – COMO ESCOLHER UM AUDITOR ODONTOLÓGICO? PERFIL E 
CARACTERÍSTICAS 
Vimos que cada tipo de auditoria requer uma característica específica do 
auditor odontológico. Portanto, já podemos traçar um perfil desejável para esse 
profissional. 
Entendemos que a escolha de um auditor deve se basear nas quatro 
premissas que descreveremos a seguir. 
A primeira delas é a postura ética (atitude). Honestidade e idoneidade 
são características indispensáveis e não devem ser entendidas como 
qualidades, mas como uma obrigação de todo e qualquer ser humano. 
Desconfie daquele que apregoa essas características como qualidades. Não é 
exatamente isso que invade nossas casas durante o período eleitoral? 
Imaginemos a escolha de um auditor em uma pequena cidade do interior, 
onde todos se conhecem. Escolhemos um profissional com um passado não 
ético conhecido pelos moradores dessa cidade; isso abre espaço para a 
desqualificação de nosso escolhido, ou até coisa pior, pois o que ele faz, ou já 
fez de errado, poderá vir à tona e virar “moeda de troca” em algum momento de 
suas atividades. 
O famoso provérbio “à mulher de César não basta ser honesta, tem de 
parecer honesta” cabe perfeitamente ao cirurgião-dentista que pretenda ser um 
 
 
7 
auditor. Ele deve apresentar atitudes éticas dentro e fora de seu ambiente de 
trabalho. 
Nosso candidato deve possuir uma formação humana, mas não 
paternalista, para poder analisar de maneira madura e equilibrada as questões 
que se apresentarão em seu dia a dia. Deve ainda primar pela cautela e pelo 
bom senso em suas considerações, buscando sempre a verdade, sem, 
entretanto, expor a si mesmo ou a quem estiver sendo avaliado, colocando 
sempre suas considerações de forma positiva e construtiva. 
O conhecimento científico amplo é a segunda de nossas premissas. 
Nesse aspecto, o profissional generalista leva vantagem sobre o especialista. 
Somente em casos específicos, ou como uma segunda opinião sobre 
determinado assunto, é que o especialista se torna importante. 
A experiência clínica deve contar bastante em nossa escolha, pois, como 
já vimos anteriormente, conhecer somente a teoria é suficiente para avaliar a 
qualidade de um procedimento executado em condições ideais, mas é 
imperativo saber como fazer, para poder determinar se as condições 
apresentadas em cada caso foram ou não determinantes de resultados não 
satisfatórios. Mais uma vez, o uso do bom senso torna-se fator importante no 
perfil do auditor. 
O conhecimento técnico nos proporciona juízo profissional e critérios que 
determinam o que deve constar do relatório de auditoria. Lembre-se de que, 
diferentemente do que ocorre na perícia, na auditoria existe sempre a 
possibilidade de erro e, principalmente, de mudança de opinião durante o 
transcurso do processo. 
Em plena era do conhecimento, não há mais espaço para “achismos”. Ou 
o profissional se mantém atualizado e totalmente familiarizado com métodos de 
pesquisa científica ou, mais cedo ou mais tarde, será questionado por seu 
colega ou paciente e não saberá responder a ele de maneira fundamentada. A 
odontologia baseada em evidências é a disciplina que nos proporciona o 
conhecimento sempre atualizado, que anos atrás só era possível comprando 
livros – hoje sabemos que há uma defasagem de tempo muito grande entre a 
escrita e a publicação de um livro. Além disso, a televisão costuma divulgar 
novos avanços tecnológicos, que ainda não têm fundamentação científica, 
disseminando o conhecimento empírico e aumentando a gama de 
questionamentos de nossos pacientes. 
 
 
8 
Mas não basta o conhecimento na área da odontologia; dependendo do 
tipo de auditoria que será realizada pelo profissional, será exigido do auditor o 
conhecimento, em maior ou menor profundidade, nas áreas de sistemas 
contábeis, sistemas de informação, direito administrativo (se for para auxiliar o 
setor de cadastramento) e de administração de empresas, entre outras. 
A terceira premissa é a confiança dos colegas. A auditoriaé uma função 
ingrata, pois ninguém gosta de ter seus trabalhos auditados por outro 
profissional. Por isso, a postura do auditor é de fundamental importância. 
Essa relação de confiança deve ser construída ao longo do tempo e, 
mesmo assim, ainda será bastante frágil. Basta uma glosa ou uma observação 
feita de maneira impensada, ou indevida, para que ela se deteriore, podendo, às 
vezes, chegar ao Conselho de Odontologia ou a um tribunal. 
Nesses casos, a confiança é conquistada com abertura ao diálogo, bom 
senso nas avaliações, busca pelo consenso e espírito apaziguador. O auditor 
deve ser minucioso e expor com firmeza suas convicções, mas deve sempre ter 
a capacidade de reconhecer seus próprios erros, pois ninguém é infalível. Calma 
e cautela ajudam muito na hora de enfrentar conflitos, que certamente hão de 
surgir. 
Sua postura deve ser a de liderança, porém, sem a necessidade de impor 
uma opinião. Lembre-se de que um relatório de auditoria não aceita a opinião do 
auditor (juízo de valor), mas somente o relato de fatos observados. Sinais de 
insegurança são reconhecidos e podem ser utilizados para os mais diversos fins. 
Outra característica importante do auditor é a imparcialidade, que deve 
prevalecer, apesar das relações pessoais com os auditados (dentistas ou 
pacientes). Esse profissional deve ser autônomo e independente nos critérios 
utilizados em suas decisões, não podendo ser influenciado por nenhum dos 
atores envolvidos. 
E os mais importantes atributos, que serão fundamentais nos casos de 
conflitos, são o sigilo e a discrição. Abordaremos esse assunto novamente 
quando discutirmos ética odontológica. 
Finalmente, nossa quarta e última premissa é a confiança da empresa. É 
muito importante sempre corresponder à confiança que seu contratante deposita 
em você, pois é ele quem lhe paga para ser seus olhos e ouvidos junto à rede 
credenciada e à população atendida. Porém, você não deve ser subserviente ou 
 
 
9 
deixar que determinações administrativas da empresa influenciem o seu poder 
de decisão. 
O auditor, apesar de muitas vezes ser um profissional autônomo e realizar 
as auditorias em seu próprio consultório, deve saber que a empresa contratante 
espera algumas contrapartidas que não podem ser ignoradas. Uma delas é a 
expectativa de que o auditor disponha de tempo suficiente para atender a 
demanda por serviços que será encaminhada, além da lealdade para com a 
instituição que estará representando. 
Fica evidente a necessidade do compromisso com a verdade, doa a quem 
doer. Não há espaço para corporativismo, quer para com a empresa a que 
presta serviço, quer para com seus colegas de profissão. 
O auditor odontológico precisa ter visão gerencial, ou seja, enxergar o que 
está sendo auditado por todos os ângulos. Primeiramente, sob o ponto de vista 
do paciente, que é aquele que deve ser preservado; depois, com a visão de 
quem executou o trabalho, analisando cada situação individual e profundamente; 
e, finalmente, com a visão de quem paga pelo trabalho, que quer receber um 
serviço justo, e com a visão do dono da empresa, que busca constantemente 
melhorar os processos de trabalho de toda a cadeia sob sua responsabilidade. 
Um bom auditor está sempre se fazendo a seguinte pergunta: “O que 
posso propor à empresa para melhorar os resultados daquilo que estou 
analisando?” Então, outra característica se torna atrativa no processo de escolha 
do auditor: a capacidade de negociação, pois tendo consciência do que precisa 
ser mudado, ele poderá usar essa capacidade para convencer e negociar com 
as partes interessadas no sucesso de seu intento. O profissional que se 
acostuma com suas dificuldades cotidianas e não busca melhorias nas ações de 
seu dia a dia certamente não é um bom candidato à vaga de auditor. 
Com o perfil do profissional que buscamos já traçado, fica mais fácil para 
o setor de recursos humanos (RH) da empresa encontrar a pessoa ideal. 
Saiba mais 
Veja mais sobre o perfil ideal de um auditor em Germino (2009). 
Disponível em: <http://www.administradores.com.br/artigos/economia-e-
financas/o-perfil-de-um-auditor/36664/>. 
http://www.administradores.com.br/artigos/economia-e-financas/o-perfil-de-um-auditor/36664/
http://www.administradores.com.br/artigos/economia-e-financas/o-perfil-de-um-auditor/36664/
 
 
10 
A Resolução do Conselho Federal de Odontologia (CFO) n. 20, de 16 de 
agosto de 2001, em seu art. 15, também descreve características que devem ser 
inerentes à função de auditor odontológico: 
Art. 15. Fica estabelecido que é primordial à função de perito/auditor 
conhecimento técnico e humanístico, formação moral, discrição, 
idoneidade, imparcialidade, moderação e dignidade profissional em 
todas as circunstâncias, evitando fazer qualquer comentário perante 
colegas e terceiros a respeito do trabalho auditado/periciado, ficando 
sujeito o infrator às penas do Código de Ética Odontológica. 
Juhás (2006) cita algumas qualidades negativas de candidatos aos quais 
devemos estar atentos ao escolher um auditor, mesmo que seu currículo seja 
bom: 
 Possuir postura incompatível com a atividade de auditor: pesquisar 
junto ao Conselho Regional de Odontologia (CRO) a presença de alguma 
condenação ética, pois há pessoas que gostam de levar ou contar 
vantagem, que não respeitam o convívio em sociedade, que são muito 
políticas ou inseguras; 
 Negligenciar os sigilos pessoal e profissional (falam demais): 
pessoas que têm o hábito de expor aspectos particulares 
desnecessariamente, e que costumam falar mal de empresas ou 
consultórios em que trabalharam anteriormente; 
 Ser dominador, inflexível, individualista: pessoas que apreciam o 
trabalho solitário, incapazes de compartilhar ou que procuram o melhor 
para si mesmas, sem pensar ou agir como parte de uma equipe; 
 Ser "dono da verdade" e preconceituoso: profissionais que não 
aceitam críticas ou demonstram ter atitudes preconceituosas; 
 Bancar o “bom moço”: pessoas que são influenciáveis na tentativa de 
agradar. O auditor deve ter consciência de que faz parte de suas funções 
contrariar interesses; por isso mesmo é preciso zelar pelo seu nome e 
pela sua carreira, sendo imparcial e desapaixonado em seus pareceres. 
Cerqueira e Martins (1994) descrevem atributos pessoais desejáveis e 
indesejáveis em um auditor, independentemente de sua profissão: 
 
 
 
11 
Quadro 1 – Atributos pessoais desejáveis e indesejáveis em um auditor de 
qualidade 
Atributos desejáveis Atributos indesejáveis 
Bom julgador Influenciável 
Mente aberta Não sabe ouvir 
Flexível Inflexível 
Diplomático Não sabe se comunicar 
Autodisciplinado Indisciplinado 
Não tendencioso Mente fechada 
Bom ouvinte Preconceituoso 
Paciente Argumentador 
Articulador Dono da verdade 
Bom comunicador Desonesto 
Interessado Sem ética profissional 
Bom observador Opinar no que não lhe cabe 
Analítico Dominador 
Humano Impaciente 
Bom planejador Mal educado; grosseiro 
Criterioso Bom moço 
Persistente Monopolizador 
Íntegro Tendencioso 
Profissional Burocrático 
Ético Antiético 
Polido; educado Aceita presentes e facilidades 
Sóbrio (contido e discreto) Falador 
Não tem medo de ser impopular Crítico 
Pontual Sem objetividade 
Habilidoso no trato com pessoas Quer ser amado o tempo todo 
Maduro Precipitado 
Fonte: elaborado com base em Cerqueira e Martins, 1994. 
A essa lista, só acrescentaríamos a habilidade na escrita, porque ela é 
fundamental para que os comentários e observações feitos em seus relatórios 
não sejam mal interpretados ao longo de toda a sua carreira. Essa habilidade 
será aperfeiçoada durante os anos de profissão, com a criação de padrões de 
escrita para situações semelhantes. 
TEMA 3 – O AUDITOR E A DECISÃO 
Quando dizemos que o auditor assume papéis diferentes durante suas 
auditorias, lembramos que uma delas, se não a mais importante, é a de dono da 
empresa. Essa atribuição exigedele o poder e a necessidade de decidir sobre 
diversos assuntos. 
Para iniciar este tema, leia uma história interessante narrada por Stephen 
Kanitz (disponível em <http://blog.kanitz.com.br/dia-aula-harvard/>), um dos mais 
 
 
12 
respeitados consultores e conferencistas brasileiros, mestre em administração 
de empresas pela Harvard Business School e bacharel em contabilidade pela 
Universidade de São Paulo. 
A tomada de decisão é um processo constante em todas as atividades 
humanas. A toda hora o mundo nos põe à prova sobre nosso poder de decisão. 
Dentro das empresas essas decisões se tornam mais evidentes, pois 
delas depende o planejamento, a atuação, a avaliação e o controle a serem 
adotados pela organização. “E devido aos resultados pelas decisões 
executadas, muitos colaboradores, diretores e presidentes as consideram como 
uma tarefa difícil” (Trewartha; Newport, 1982). 
Para pensar 
Você está saindo de casa para o trabalho. Está atrasado, como sempre, e 
se depara com um engarrafamento. O que você faz? Resignado, aguarda o 
engarrafamento lentamente dissolver-se, chegando ainda mais atrasado ao 
trabalho, ou pensa rapidamente, buscando por um caminho alternativo e 
tentando fazer algo para mudar aquela situação? 
Toda dúvida nos leva a tomar uma decisão. E o que é mais importante? A 
velocidade? A assertividade? O uso de diversas variáveis? A ponderação? 
Para o auditor, o que mais importa é o processo utilizado para tomá-la... 
Contanto que ela seja tomada. 
De acordo com o IOB (2002), considera-se o processo de tomada de 
decisão: 
[...] como um método com uma consequência lógica de eventos que 
pode ser tratado cientificamente como segue: reconhecimento de um 
problema ou necessidade de uma decisão; definição de todas as 
alternativas de solução do problema; reunião de todas as informações 
relevantes às soluções alternativas; avaliação e classificação dos 
méritos das soluções alternativas; seleção da melhor solução 
alternativa; validação da decisão pela realimentação da informação. 
Lembramos que a importância da tomada de decisão em saúde não é 
muito diferente da decisão tomada em uma empresa, pois dela pode resultar a 
morte de nosso paciente, como, no outro caso, a morte da empresa. Sempre 
ouvimos a máxima que diz que “em saúde, cada caso é um caso”, e isso é 
verdade. É por isso que médicos e dentistas são preparados desde o primeiro 
ano da faculdade para tomar decisões e mudar rumos, conforme as ocorrências 
 
 
13 
se apresentam, sem muito tempo para pensar, diferentemente da decisão em 
uma empresa. 
De acordo com o “pai” da tomada de decisões, Herbert Simon, 
economista americano e um dos precursores da teoria das decisões, a decisão 
é um processo de análise e escolha de alternativas que uma pessoa pode 
definir, sendo parte do processo administrativo a tomada de decisões. Assim, 
nesse processo existem os seguintes elementos: 
● Tomador de decisões: aquele que decide ou escolhe um conjunto de 
alternativas para a ação; 
● Objetivos: aquilo que o tomador de decisões quer alcançar; 
● Preferências: critérios usados na hora da escolha; 
● Estratégia: planos de ação utilizados para atingir determinados objetivos, 
dependendo dos recursos que possui; 
● Situação: compreensão do contexto e do ambiente que será atingido pela 
decisão tomada; 
● Resultado: consequência da estratégia utilizada pelo tomador de 
decisões. 
A importância de utilizar um método para a tomada de decisões influencia 
nossa maneira de agir e torna esse processo cada vez mais rápido e assertivo. 
Isso nos remete a Kanitz (s/d) novamente: Então, como deve ser esse processo 
decisório? Cada um deve achar a sua resposta, sempre levando em conta que, 
como todo processo, ele é mutável e evolui com o passar do tempo. Portanto, 
não existe receita pronta para processos decisórios. Pense enquanto decide e, 
depois de decidir, reflita sobre como chegou à decisão para estabelecer um 
método. 
O auditor deve sempre tomar a decisão correta, ou, pelo menos, aquela 
que lhe der a convicção de ser a correta, independentemente de pressões 
externas. Deverá ser uma atitude muito natural o auditor mudar seu relatório 
quando novas evidências surgirem. Certamente isso gerará conflito, mas não há 
demérito em mudarmos nossa opinião sobre algum assunto. Entretanto, o 
auditor deve ter a certeza de que todos os recursos a serem observados e 
avaliados estão a sua disposição, e, se não estão, devem ser solicitados. 
Esgotar as chances de erro deve fazer parte do processo decisório. 
Todo auditor deve ter absoluta consciência do seguinte: 
 
 
14 
 É permitido errar; 
 Quem decide, pode errar; 
 Quem não decide, já errou. 
O professor Luiz Almeida Marins cita, em muitas de suas palestras, a 
aceitabilidade do erro, e que alguns líderes confundem o objetivo de “fazer certo 
da primeira vez” com uma verdadeira castração da criatividade e da iniciativa. 
Os líderes vencedores não se envergonham de expor seus erros e aprender 
com eles, os chamados “erros honestos”. No trabalho de auditoria odontológica, 
nem toda não conformidade é dolosa, por isso é importante tratar algumas falhas 
encontradas como “erros honestos” e aproveitar a oportunidade para esclarecer 
e educar o colega. É por isso que se deve preservar um bom relacionamento 
com os colegas (Junqueira, 2001). 
FINALIZANDO 
Nesta aula, aprendemos sobre os tipos de auditoria possíveis para as 
mais diversas necessidades da empresa e suas características, que são 
determinantes na escolha de nosso auditor. A partir daí, podemos começar a 
elaborar um processo decisório, que possui características individuais, supondo 
que já conhecemos como se desenvolve o pensamento de um auditor. 
Então, voltemos ao nosso desafio (tente encontrar novas condições que 
possam pôr em risco o nosso entretenimento): 
O nosso auditor quer ir ao cinema hoje, na sessão das 19h. O cinema fica 
a 15 minutos de sua casa, então ele pode, tranquilamente, deixar a sua 
residência uns 30 minutos antes, que ainda terá tempo para comprar o ingresso 
e uma pipoca. E então? Você concorda que ele tem tempo suficiente? 
Resposta correta: depende. Ele deve pensar em muitas coisas antes de 
sair de casa com apenas 15 minutos de “folga”: 
 "E se acabar a luz e eu tiver que descer de escada os 18 andares do meu 
prédio? 
 "Meu carro está com gasolina suficiente? Quem o utilizou por último foi 
minha esposa. Eu perguntei a ela?" 
 "E se houver um engarrafamento, ou uma rua bloqueada? Existem 
caminhos alternativos até o cinema? Eu conheço algum? 
 
 
15 
 "E se tiver uma fila enorme na bilheteria? Existem alternativas para 
comprá-lo antecipadamente? O aumento de custo é economicamente 
aceitável?" 
 "Qual é a próxima sessão em outro cinema, se tudo der errado?" 
 ... 
Se depois de tudo isso ele decidir sair de casa com 15 minutos de 
tolerância, ele terá certeza de que tomou a decisão correta (mesmo que perca o 
filme). 
LEITURA OBRIGATÓRIA 
TOMADA de decisão nas organizações. Ok Concursos. Disponível em: 
<http://www.okconcursos.com.br/apostilas/apostila-gratis/111-administracao-
geral/162-tomada-de-decisao-nas-organizacoes#.WdLDuGhSwdV>. Acesso em: 
14 maio 2018. 
GERMINO, F. L. O perfil de um auditor. Administradores.com, 8 dez. 2009. 
Disponível em: <http://www.administradores.com.br/artigos/economia-e-
financas/o-perfil-de-um-auditor/36664/>. Acesso em: 14 maio 2018. 
SANTOS, M. A. F. Como decidir em auditoria odontológica. 10 jan. 2017. 
Disponível em: <https://www.linkedin.com/pulse/como-decidir-em-auditoria-
odontol%C3%B3gica-fernandes-dos-santos/>. Acesso em: 14 maio 2018. 
 
 
 
16 
REFERÊNCIAS 
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Colegiada (RDC) n. 39, de 27 de outubro de 2000. Diário oficial da União, 30 
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ANDRADE, J. V.; MEDEIROS, U. V. Guia de estudo: auditoria. Campinas: 
Mundi Brasil, 2007. 
BRASIL. Lei n. 5.081, de 24 de agosto de 1966. Diário Oficial da União, Poder 
Legislativo, Brasília, DF, 26 ago. 1966. Disponível em: 
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l5081.htm>. Acesso em: 14 maio 2018. 
_____. Lei n. 6.839, de 30 de outubro de 1980. Diário Oficial da União, Poder 
Legislativo, Brasília, DF, 3 nov. 1980. Disponível em: 
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_____. Lei n. 9.656, de 3 de junho de 1998. Diário Oficial da União, Poder 
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Saúde. Portaria n. 453, de 1o de junho de 1998. Diário Oficial da União, 2 jun. 
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BRASIL. Ministério da Saúde. Curso básico de regulação, controle, avaliação 
e auditoria no SUS. 2016. Disponível em: 
<http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/curso_regulacao_SUS_1ed_eletroni
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_____. Ministério da Saúde. Departamento Nacional de Auditoria do SUS. 
Orientações técnicas sobre auditoria em odontologia no SUS. Caderno 2, 
 
 
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2005. Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/orientacoes_te
cnicas_auditoria_odontologia_2ed.pdf>. Acesso em: 14 maio 2018. 
BURMESTER, H.; MORAIS, M. V. Auditoria em saúde. São Paulo: Saraiva, 
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CONSELHO FEDERAL DE ODONTOLOGIA (CFO). Resolução n. 20, de 16 de 
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_____. Resolução n. 29, de 21 de agosto de 2002. Disponível em: 
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_____. Resolução n. 118, de 11 de maio de 2012. Código de Ética Odontológica. 
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IOB. Caderno Temático Contábil e Balanços. Boletim IOB, v. 9, n. 2, 2002. 
JUHÁS, R. Auditoria em odontologia. São Paulo: Clássica, 2006. 
JUNQUEIRA, W. N. Auditoria médica em perspectiva: presente e futuro de 
uma nova especialidade. Criciúma: Edição do Autor, 2001. 
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Horizonte; Fundação Christiano Ottoni, UFMG, 1995. 
MARTINS, M. C., CERQUEIRA, J. P; MARTINS, M. C. Formação de auditores 
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MAZZILLI, L. E. N. Odontologia do trabalho. São Paulo: Editora Santos, 2007. 
NORONHA F.; SALLES, M. T. A ferramenta auditoria aplicada à odontologia. In: 
CONGRESSO VIRTUAL BRASILEIRO DE ADMINISTRAÇÃO (CONVIBRA), 
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SISTEMA de acreditação hospitalar e auditoria em saúde. CEAD – Centro de 
Ensino a Distância. Disponível em: 
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TOMAZ, P. A. R. Auditoria odontológica: controle técnico-administrativo. 
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TREWARTHA, R. L.; NEWPORT, M. G. Administração: funções e 
comportamentos. São Paulo: Saraiva, 1982. 
UNIDAS – União Nacional das Instituições de Autogestão em Saúde. 
Autogestão em saúde no Brasil 1980-2005: história da organização e 
consolidação do setor. São Paulo, 2005. Disponível em: 
<http://www.unidas.org.br/universidade/livro_autogestao_saude_brasil.pdf>. 
Acesso em: 14 maio 2018. 
 
 
AULA 3 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
AUDITORIA EM ODONTOLOGIA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof. Jacques Ferreira Neto 
 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
Já conhecemos o que é auditoria em saúde, sabemos de onde ela veio e 
temos uma leve noção sobre para onde ela deve caminhar. Conhecemos 
também os tipos de auditoria que existem e aprendemos a escolher o auditor 
certo para a tarefa que queremos ver executada. Agora é hora de nos 
aprofundarmos na auditoria odontológica propriamente dita. 
CONTEXTUALIZANDO 
É fundamental que o auditor odontológico conheça a fundo toda a 
legislação existente sobre o seu ofício, pois é esse conhecimento que garante a 
legitimidade de seus atos. Além disso, o domínio das leis ajuda a evitar muitas 
preocupações em casos de processos judiciais ou éticos abertos por dentistas 
ou pacientes. 
O auditor deve ter em mente que qualquer desvio com relação a sua 
conduta será motivo de questionamento, e que às vezes esse questionamento 
pode tomar proporções indesejadas, invalidando o trabalho de anos em 
decorrência de um simples ato que feriu a legislação ou o Código de Ética 
Odontológica. Trabalhando dentro da legalidade, conseguimos realizar nosso 
objetivo, que é a identificação, o relato e a correção de situações em desacordo 
com a conformidade. 
Por isso, nesta aula, tentaremos mostrar a você como cada um dos 
principais pontos da legislação aplicada a auditoria odontológica se encaixa na 
realidade cotidiana. Usaremos alguns exemplos e mostraremos quais são os 
erros mais comuns cometidos por auditores e dentistas assistentes, assim como 
suas consequências práticas. 
TEMA 1 – LEGISLAÇÃO APLICADA A AUDITORIA EM ODONTOLOGIA 
1.1 Resolução CFO 20/2001 (em detalhes) 
Já comentamos sobre a demora do Conselho Federal de Odontologia 
(CFO) em regulamentar a atividade de auditoria e perícia, e como isso, até hoje, 
causa confusão quanto ao funcionamento de uma e de outra, tanto para 
empresas contratantes quanto para pacientes e dentistas. O auditor 
 
 
3 
odontológico ainda é chamado de perito odontológico, e sua função ainda é vista 
como policialesca, o que sabemos não corresponder à verdade. 
Há uma dúvida sobre de onde vem a “resistência” que existe até hoje 
quanto ao trabalho do auditor odontológico, se foi por causa da atitude de alguns 
auditores nos primeiros tempos da auditoria odontológica (ainda sem 
normatização), ou se pelo simples fato de o cirurgião-dentista, acostumado a 
trabalhar entre quatro paredes e ter seu serviço avaliado empiricamente 
somente por seu paciente, de uma hora para outra,ter passado a ver seus 
serviços auditados por um colega. 
O fato é que a baixa qualidade dos serviços odontológicos é determinante 
da redução de sua vida útil, o que provoca retrabalho. Quando se começa um 
serviço de auditoria de qualidade em um determinado plano de saúde 
odontológico, a incidência de retratamentos cai abruptamente, denotando que 
havia, sim, desperdício de recursos financeiros da empresa e, 
consequentemente, necessidade de auditoria. Não é exatamente essa a razão 
de ser da auditoria? 
O auditor não desempenha suas funções para julgar o trabalho do 
colega, mas, sim, avaliar se tal trabalho é necessário mesmo, se foi executado e 
se a execução atendeu os padrões de qualidade estabelecidos pela comunidade 
científica. Mas, para que isso ocorra sem conflitos, é necessário que haja um 
protocolo de atitudes que crie limites à atuação do auditor, não permitindo o 
empirismo ou parâmetros individuais na avaliação. 
Então, estudaremos os principais pontos da Resolução do Conselho 
Federal de Odontologia (CFO) n. 20, de 16 de agosto de 2001, que normatiza 
perícias e auditorias odontológicas em sede administrativa, e que deve ser 
conhecida em todos os seus detalhes pelo auditor odontológico. Comecemos 
por seu preâmbulo, pois ele aborda temas importantes para o bom 
desenvolvimento dos trabalhos de auditoria. 
Diz o texto: 
Considerando que o crescimento do mercado de operadoras de planos 
de saúde, intermediadoras e congêneres e a mudança da relação 
profissional/paciente vêm aumentando o número de demandas éticas 
nos Conselhos Regionais envolvendo a atividade dos auditores; 
Considerando a necessidade de disciplinar a fiscalização praticada nos 
atos odontológicos pelos serviços contratantes de saúde [...] 
Por esses dois parágrafos, observamos a clara intenção do conselho de 
atuar diretamente sobre atos praticados por auditores no exercício de suas 
 
 
4 
funções, antes não normatizadas. Há uma evidente preocupação com o ato 
odontológico que, passando a ser avaliado por outro profissional, torna mais 
evidente os problemas técnicos e, consequentemente, mais exposto a críticas, 
podendo prejudicar a imagem da profissão diante da sociedade. O simples fato 
de um auditor mudar seu semblante ou fazer comentários durante sua avaliação 
pode causar receio ao paciente quanto ao tratamento recebido. 
É comum que pacientes que se submetem a tratamentos frequentes em 
planos de saúde e que constantemente são submetidos a auditoria acabem 
criando um vínculo com o auditor, depositando nele uma confiança que deveriam 
depositar em seu dentista assistente. Por isso, é importante que o perfil do 
auditor seja constantemente reavaliado e que suas atitudes sejam corrigidas ao 
menor deslize, antes que causem problemas a todos os atores envolvidos. 
Lembre-se: a auditoria deve sempre ser técnica e impessoal. 
Considerando que a auditoria do ato odontológico constitui-se em 
importante mecanismo de controle e avaliação dos recursos e 
procedimentos adotados, visando sua resolubilidade e melhoria na 
qualidade da prestação dos serviços; 
Considerando que a auditoria e/ou perícia odontológica caracteriza(m)-
se como ato(s) odontológico(s), por exigir(em) conhecimento técnico, 
pleno e integrado da profissão [...] 
Perceba que a auditoria é um ato odontológico que também deve ser 
preservado pelos conselhos de odontologia, garantindo direitos e deveres iguais 
ao dos dentistas assistentes. Não há e nem pode haver o sentimento de 
superioridade envolvido, pois não existe um serviço que seja mais importante do 
que o outro; isso não é um assunto que pareça estar muito claro no exercício 
diário da auditoria para nenhuma das partes envolvidas. 
O texto também faz menção à importância do controle e da avaliação de 
recursos e procedimentos adotados, valorizando as funções de apoio à gestão e 
de melhoria de processos para aprimoramento da qualidade dos serviços 
prestados. 
Considerando que muitas demandas cíveis são originadas por 
inobservâncias as normas éticas, que norteiam a profissão do 
cirurgião-dentista, visto que já foi consolidado junto ao Superior 
Tribunal de Justiça decisão responsabilizando solidariamente o 
cirurgião-dentista, a empresa prestadora de serviço e, 
consequentemente, o auditor que presta serviço para empresa 
responsável [...] 
Nesse caso, a responsabilidade Solidária é uma medida jurídica de 
proteção ao paciente, advinda do Código de Defesa do Consumidor, 
 
 
5 
estabelecido pela Lei n. 8.078, de 11 de setembro de 1990 (Brasil, 1990), no art. 
7º, parágrafo único, e no art. 25º, parágrafo 1º: 
Art. 7° [...] 
Parágrafo único. Tendo mais de um autor a ofensa, todos responderão 
solidariamente pela reparação dos danos previstos nas normas de 
consumo. 
[...] 
Art. 25 [...] 
§ 1° Havendo mais de um responsável pela causação do dano, todos 
responderão solidariamente pela reparação prevista nesta e nas 
seções anteriores (Brasil, 1990). 
Esse parágrafo nos faz lembrar da importância e da responsabilidade do 
ato da auditoria, que precisa ser respaldado por evidências científicas e por 
preceitos éticos da profissão. Como dissemos anteriormente, não há espaço 
para o empirismo e para o juízo de valor. O auditor que segue à risca essas 
duas premissas evita problemas com a justiça no exercício de suas atividades. 
Mais do que isso, ele não pode deixar de observar, ou simplesmente omitir em 
seus relatórios, qualquer fato que possa comprometer a qualidade do serviço 
executado pelo dentista assistente. Por isso é fundamental que ele investigue e, 
se necessário, solicite informações complementares, para não correr o risco de 
deixar passar detalhes relevantes, por mais insignificantes que possam parecer. 
Isso certamente terá um efeito positivo em sua defesa em caso de discordância. 
Art. 5º. São atribuições específicas do auditor seguir as normas 
técnicas administrativas da empresa em que presta serviço, observar 
se tais normas estão de acordo com os preceitos éticos e legais que 
norteiam a profissão do cirurgião-dentista, recusando-se a cumpri-las 
caso estejam em desacordo com o Código de Ética Odontológica. 
§ 1º Aplicar medidas técnicas e administrativas que visem corrigir a 
cobrança de procedimentos odontológicos indevidos ou equivocados 
com avaliação da exatidão e procedência dos valores e serviços 
apresentados para o pagamento (auditoria corretiva). 
§ 2º Efetuar auditoria prévia, quando a empresa assim o determinar e 
analisar o plano de tratamento proposto inicialmente, guardando cópia 
em arquivo próprio. 
§ 3º Efetuar auditoria final, verificando se o resultado, proposto 
inicialmente no plano de tratamento, foi alcançado. 
§ 4º Assessorar a operadora em todas as questões legais e 
administrativas, que se relacionam com o programa de assistência 
odontológica, e analisar críticas, reclamações, sugestões, 
reivindicações dos usuários, das operadoras e da rede prestadora (elo 
técnico administrativo) (CFO, 2001b). 
O art. 5º nos apresenta as atividades mais corriqueiras exercidas pelo 
auditor odontológico. Os parágrafos 1º, 2º e 3º referem-se às auditorias 
realizadas normalmente por profissionais autônomos, em seus próprios 
 
 
6 
consultórios, para avaliar planos de tratamento e tratamentos executados por 
dentistas da rede credenciada ao plano de saúde odontológico. 
Esse artigo prevê somente as auditorias inicial e final, sem fazer menção 
a auditorias intermediárias. Certamente essa era a visão que existia à época 
sobre a atividade da auditoria, e que deveria ter sido revisada juntamente com a 
evolução das técnicas de auditoria, mas o texto não sofreu nenhuma revisão 
desde a publicação da norma. Portanto, o auditor deve tomar bastante cuidado 
para que uma auditoria intermediária não se torne um problema, já que, 
oficialmente, ela não faz parte de suas atribuições. 
O art. 5o também faz menção à observância do que prevê o Código de 
Ética Odontológica,enfatizando o não cumprimento de regras que o contrariem. 
Nesse caso, é obrigação do responsável técnico pelo plano advertir 
imediatamente a direção da operadora de saúde para corrigir a norma, e, se não 
houver nenhuma ação por parte deles, notificar o conselho regional em que o 
plano se encontra registrado, sob pena de ser considerado conivente com a 
infração ética. 
O parágrafo 4º cita a função de consultoria e apoio à gestão do plano, que 
certamente já apresenta uma evolução da atividade de auditoria odontológica 
quando comparada com as primeiras iniciativas de regulamentação da auditoria 
médica, mas que, na maioria das vezes, não depende somente da ação do 
auditor, e, sim, de decisões da administração do plano. Sobre isso, ressaltamos 
a importância de o auditor manter em arquivo todas as suas recomendações e 
sugestões para a melhoria do plano, que deverão ser utilizadas em sua defesa, 
caso necessário. 
Art. 6º O cirurgião-dentista, na função de auditor e/ou perito, se obriga 
a manter o sigilo profissional, devendo, sempre que necessário, 
comunicar, através de relatório, a quem de direito e por escrito suas 
observações, conclusões e recomendações, sendo-lhe vedado realizar 
anotações no prontuário do paciente. 
§ 1º É vedado ao cirurgião-dentista, na função de auditor e/ou perito, 
divulgar suas observações, conclusões ou recomendações, exceto por 
justa causa, conforme previsto no Código de Ética Odontológica, ou 
dever legal. 
§ 2º O cirurgião-dentista, na função de auditor e/ou perito, não pode, 
em seu relatório, exagerar ou omitir fatos decorrentes do exercício de 
suas funções. 
§ 3º Poderá o cirurgião-dentista na função de auditor solicitar por 
escrito, ao cirurgião-dentista assistente, os esclarecimentos 
necessários ao exercício de suas atividades. 
Podemos dizer que o descumprimento desse artigo é o responsável por 
aproximadamente 80% das demandas éticas descritas no preâmbulo dessa 
 
 
7 
resolução. Sigilo, discrição, bom senso e prudência são os instrumentos usados 
pelo auditor odontológico para livrar-se de infringir os preceitos tratados nesse 
artigo. O parágrafo 3º nos orienta sobre a possibilidade de o auditor solicitar 
todas as informações que achar necessárias para dirimir possíveis dúvidas antes 
de decidir quais fatos e recomendações deverão estar presentes em seu 
relatório. Mais adiante, voltaremos a falar nesse artigo, quando falarmos sobre a 
solicitação de radiografias para a comprovação de certos procedimentos 
odontológicos. 
Art. 7º. O cirurgião-dentista, na função de auditor e/ou perito, tem o 
direito de acessar, in loco, toda a documentação necessária, sendo-lhe 
vedada a retirada dos prontuários ou cópias da instituição, podendo, se 
necessário, examinar o paciente, desde que devidamente autorizado 
pelo mesmo, quando possível, ou por seu representante legal. 
§ 1º. Havendo identificação de indícios de irregularidades no 
atendimento do paciente, cuja comprovação necessite de análise do 
prontuário odontológico, é permitida a retirada de cópias 
exclusivamente para fins de instrução da perícia ou auditoria. 
[...] 
Art. 8º. O cirurgião-dentista, no exercício de auditoria ou perícia, deverá 
estar regularmente inscrito no Conselho Regional de Odontologia, 
comunicando ao CRO, da jurisdição onde ocorrer a prestação do 
serviço, seu exercício quando eventual. 
Art. 9º. As empresas que prestam serviços de auditoria e/ou perícia e 
seus responsáveis técnicos deverão estar devidamente registrados nos 
Conselhos Regionais de Odontologia das jurisdições onde seus 
contratantes estiverem atuando. 
Art. 10. Na função de auditor ou perito, o cirurgião-dentista deverá 
identificar-se, de forma clara, em todos os seus atos, fazendo constar, 
sempre, o número de seu registro no Conselho Regional de 
Odontologia. 
Art. 11. O cirurgião-dentista, na função de auditor ou perito, deverá 
apresentar-se ao diretor técnico ou substituto da unidade, antes de 
iniciar suas atividades. 
Art. 12. O diretor técnico ou diretor clínico deve garantir ao cirurgião-
dentista/equipe auditora todas as condições para o bom desempenho 
de suas atividades, bem como o acesso aos documentos que se 
fizerem necessários, sob pena de responder ética ou 
administrativamente pela omissão. 
[...] 
Art. 20. Fica vedado ao cirurgião-dentista prestar serviços de auditoria 
à empresa não inscrita no CRO da jurisdição em que estiver exercendo 
suas atividades. [...] 
Do art. 7º ao 12, mais o art. 20, o CFO se preocupa com a legalização do 
processo de auditoria ou perícia. São questões técnicas do Direito que, se não 
observadas, podem invalidar todo o processo, seja ele administrativo, seja 
jurídico. Esses artigos tratam do recolhimento de informações e registros 
competentes tanto do perito/auditor (em caso de registro eventual; ver 
Resolução CFO 183/93) quanto do avaliado, e trata da operadora nos conselhos 
em que se está atuando, da obrigatoriedade de colaboração do responsável 
 
 
8 
técnico pela clínica e/ou operadora de saúde no fornecimento de informações e 
do cuidado fundamental com os prontuários odontológicos, que sempre serão 
peças-chave dos processos, quando instaurados. 
Art. 13. O cirurgião-dentista, na função de auditor, encontrando 
impropriedades ou irregularidades na execução do serviço no paciente, 
deve comunicar o fato por escrito ao cirurgião-dentista assistente, 
solicitando os esclarecimentos necessários para fundamentar suas 
recomendações. 
Parágrafo único. É vedado ao cirurgião-dentista, na função de auditor 
e/ou perito, transferir sua responsabilidade a outros profissionais, 
mesmo quando integrantes de sua equipe. (CFO, 2001b; grifo nosso) 
Mais do que uma determinação do CFO, o caput desse artigo é um dos 
melhores conselhos que um auditor pode receber no desempenho de suas 
funções. A palavra deve não está destacada por acaso, pois se essa etapa for 
negligenciada, certamente haverá problemas para o auditor. O artigo demonstra 
claramente a diferença entre perícia e auditoria, e que não se exige essa medida 
de dentistas que atuam como peritos, que devem se reportar ao juiz ou ao 
conselho em casos de perícias administrativas. Abre-se aí o canal de 
comunicação de que falamos anteriormente, que passa a funcionar com o ato da 
auditoria, e que não se fecha com a emissão do relatório, mas permanece aberto 
até que haja consenso ou uma determinação superior. 
Como podemos ver, a auditoria abre espaço ao debate de ideias e 
opiniões em que deve prevalecer o bom senso e o conhecimento técnico. É claro 
que as divergências, às vezes, exaltam os ânimos entre auditor e auditado, mas 
é exatamente nesses casos que se tornam importantes as características 
diplomáticas do auditor, que também deve se mostrar flexível, articulador, bom 
comunicador e paciente. Porém, uma coisa deve prevalecer sobre as demais: o 
profissional de auditoria deve demonstrar segurança, pois somente assim ele 
poderá tomar a decisão correta, sem pressões externas sobre suas convicções. 
Art. 14. Não compete ao cirurgião-dentista, na função de auditor, a 
aplicação de quaisquer medidas punitivas ao cirurgião-dentista 
assistente ou instituição de saúde, cabendo-lhe somente recomendar 
as medidas corretivas em seu relatório, para o fiel cumprimento da 
prestação da assistência odontológica. (CFO, 2001b; grifo nosso) 
Um cuidado importante que o auditor deve ter diz respeito às 
recomendações de medidas corretivas que o artigo suscita. Deve-se tomar 
muito cuidado para não interferir na autonomia do dentista assistente ao propor 
um plano de tratamento. O auditor nunca deve sugerir um tratamento 
alternativo quando não concordar com o plano de tratamento proposto. 
 
 
9 
Cabe a ele somente relatar que não concorda com o planejamento e explicitar 
seus motivos para tal observação, e então recomendar que o dentista assistente 
proponha um novo plano de tratamento, sem sugerir alternativas. A proposta 
deve partirsempre do dentista assistente. 
Art. 15. Fica estabelecido que é primordial à função de perito/auditor 
conhecimento técnico e humanístico, formação moral, discrição, 
idoneidade, imparcialidade, moderação e dignidade profissional em 
todas as circunstâncias, evitando fazer qualquer comentário perante 
colegas e terceiros a respeito do trabalho auditado/periciado, ficando 
sujeito o infrator às penas do Código de Ética Odontológica. 
Art. 16. É vedado ao perito/auditor fazer, perante o usuário, 
comentários ou observações sobre os serviços executados, ou indicar 
a este, outro profissional para realizar o tratamento. 
Art. 17. As observações em casos de restrições a determinados 
procedimentos serão feitas através do contato do perito/auditor com o 
cirurgião-dentista assistente, pessoalmente ou por correspondência 
assinada e em envelope lacrado, de forma codificada, para que seja 
preservado o sigilo. (CFO, 2001b) 
Esses artigos dizem respeito a recomendações éticas para preservar o 
paciente, o dentista assistente e, principalmente, o auditor, em caso de 
processos éticos. 
O art. 15 estabelece como “[...] primordial à função de perito/auditor 
conhecimento técnico e humanístico, formação moral, discrição, idoneidade, 
imparcialidade, moderação e dignidade profissional”. Pois bem, como cita Juhás 
(2006) em seu livro Auditoria em odontologia, essas características são 
desejáveis para todos os profissionais, e não somente auditores e peritos. Se 
todos possuíssem tal perfil, o trabalho de auditoria se resumiria ao controle de 
qualidade, o que resultaria em otimização de recursos e poderia ser revertido 
para melhorar a remuneração dos profissionais; certamente, isso melhoraria 
muito o nível da prestação de serviços odontológicos à sociedade. 
Quanto ao art. 16, é interessante ressaltar que o CFO faz menção 
somente à vedação do auditor em fazer comentários ou observações sobre os 
serviços executados, mas não cita outra infração ética que ocorre com muita 
frequência. É muito comum que o dentista assistente receba o relatório de 
auditoria, até então lacrado e sigiloso, e o abra na presença do paciente, 
fazendo críticas, abertamente, ao auditor que tem ressalvas quanto ao 
tratamento. Isso ajuda a criar um clima de animosidade entre paciente, auditor e 
dentista assistente, na medida em que a relação entre o paciente e seu dentista 
é muito mais próxima do que entre paciente e auditor. 
 
 
10 
Sei que às vezes parece estranho, mas é muito comum o paciente 
retornar ao consultório do auditor para a conferência das medidas corretivas 
adotadas, com o semblante totalmente diferente do que na primeira avaliação. 
Ocorre também, às vezes, de ele demonstrar estar muito bravo com o auditor. 
Mas uma das coisas que o auditor deve ter em mente sobre sua atividade é que 
ele não está lá para agradar ninguém, e que se ele fez alguma observação sobre 
o tratamento, essa observação foi feita visando ao bem do paciente, que é a 
parte mais fraca nesse processo. Nesses casos, recomendamos respirar fundo e 
buscar a paz novamente, com a certeza de ter agido corretamente. "Art. 18. 
Cabe ao perito/auditor glosar serviços propostos ou executados, quando não 
atenderem às restrições observadas ou estabelecidas como norma pela 
empresa, devidamente justificados" (CFO, 2001b). 
Sobre esse assunto, cabe-nos fazer uma observação importante e 
polêmica sobre a glosa. Esse é um termo muito utilizado em auditoria, mas 
poucos conhecem o seu real significado. De acordo com o Dicionário Informal, 
glosa é "toda cobrança efetuada que não coincide com os acordos e regras 
firmadas entre o serviço contratado e a empresa contratante". O Dicionário 
Aulete define o mesmo termo como "[...] Divergência com alguma conta, 
orçamento ou quantia apresentados, por serem incorretos, indevidos [...]". 
Essas são definições de dicionário, mas o entendimento mais comum em 
auditoria em saúde é que a glosa corresponde ao não pagamento de um 
procedimento executado por divergência quanto a sua conformidade. Não é 
esse o entendimento geral? 
O que poucos sabem é que não é o auditor que glosa procedimentos! 
Quem executa a glosa é a operadora de saúde, pois se trata de um ato 
administrativo, e não técnico. O auditor pode até recomendar a glosa, mas ela só 
é efetivamente realizada pelo setor financeiro do plano de saúde, depois de 
ordenada pela administração do plano. 
Você se lembra do que dissemos sobre o relatório de auditoria não ser 
um documento definitivo? Pois é, há espaço para debate quando o relatório é 
emitido. Existem várias instâncias para que o dentista assistente argumente 
contra os motivos da recomendação de glosa feita pelo auditor antes que ela 
seja efetivamente realizada. 
Por isso, diferentemente do contido no art. 18º, e sendo a glosa de uma 
fatura determinada por outra pessoa que não o auditor, ele não estará infringindo 
 
 
11 
o que está contido no art. 14 ("[...] Não compete ao cirurgião-dentista, na função 
de auditor, a aplicação de quaisquer medidas punitivas ao cirurgião-dentista 
assistente [...]") por simplesmente recomendar a glosa, e esse entendimento 
poderá servir de argumentação de defesa caso ele seja denunciado como 
responsável pela glosa. 
O que é imperativo é que as bases para a recomendação da glosa sejam 
sólidas e estejam apoiadas em fundamentos científicos, pois estas, sim, por 
tratarem-se de um documento técnico, deverão obedecer aos padrões pré-
definidos para a emissão de um relatório de auditoria. 
A recomendação de glosa deve ser a última medida, a mais extrema 
proposta pelo auditor, após ter dado ao dentista assistente todas as 
oportunidades de corrigir as não conformidades apontadas em seu relatório. 
"Art. 19. Não é compatível o exercício da função de perito/auditor quando o 
cirurgião-dentista for, por si ou através de empresa prestadora de atenção 
odontológica da qual faça parte, conveniado ou credenciado da empresa 
contratante" (CFO, 2001b). 
Apesar de o texto desse artigo ser de difícil compreensão, o que ele quer 
dizer é que o profissional não pode acumular a função de dentista assistente e 
auditor na mesma operadora de saúde. "Art. 22. O cirurgião-dentista, na função 
de auditor, não pode ser remunerado ou gratificado por valores vinculados à 
glosa" (CFO, 2001b). 
Esse artigo é muito importante para profissionais que atuarão em 
seguradoras ou empresas de seguro-saúde. Não é incomum que se faça 
propostas nesse sentido. Tome cuidado! 
Art. 23. A critério do CRO, por ato de seu presidente, poderá ser 
constituída comissão especial para analisar e dirimir, se possível, as 
dúvidas éticas suscitadas entre o perito/auditor e o cirurgião-dentista 
assistente. 
Art. 24. A codificação a ser usada pelo perito/auditor em sua 
comunicação com o cirurgião-dentista assistente utilizará o código de 
procedimentos da CNCC, o sistema digito dois de identificação 
dentária, a especificação da face do elemento dentário pelas letras que 
as designam e pelas três primeiras letras do verbo que determinar a 
intervenção. 
Para auditorias de operadoras que não possuem sistemas eletrônicos de 
comunicação entre auditores e dentistas assistentes, é muito importante utilizar 
a codificação mencionada no art. 24. Normalmente essa comunicação é feita por 
meio de um envelope lacrado, identificado como confidencial, contendo o 
 
 
12 
relatório do auditor e suas recomendações, e que é encaminhado ao dentista 
assistente pelo próprio paciente. Sempre existe o risco de violação de 
correspondência (o que não é incomum), mas se o paciente abrir o envelope, 
terá dificuldade em saber exatamente de que se trata se for utilizada a 
codificação descrita. Também, algumas operadoras criam uma codificação 
própria para identificar as circunstâncias mais comuns de não conformidades, 
tornando bem mais segura a confidencialidade dessa comunicação. 
Aliás, a obrigação de confidencialidadena comunicação auditor-dentista 
assistente também está prevista e respaldada pelo Novo Código Civil Brasileiro 
(Brasil, 2002), no Código de Processo Civil (Brasil, 2015), no Código Penal 
(Brasil, 1940) e no Código de Ética Odontológica (CFO, 2012), portanto, todo 
cuidado é pouco! 
"Art. 25. Esta Resolução aplica-se a todas as auditorias assistenciais, 
inclusive àquelas no âmbito do SUS" (CFO, 2001b). Em 2005, o Departamento 
Nacional de Auditoria do SUS (DENASUS), órgão do Ministério da Saúde, 
lançou o manual Orientações técnicas sobre auditoria em odontologia no SUS. 
Caderno 2 (Brasil, 2005), contendo as normas e diretrizes para a sua realização. 
Trabalhando há mais de 10 anos como auditor do SUS, ainda não são colocadas 
em prática as recomendações deste manual, mas já existe um caminho a ser 
seguido e critérios a serem adotados quando esse sistema de auditoria for 
implantado. 
1.2 Resolução CFO 19/2001 
Essa é outra resolução do Conselho Federal de Odontologia (CFO) que 
pretende regulamentar o relacionamento entre operadora, auditor e dentista 
assistente. A Resolução n. 19, de 25 de junho de 2001 (CFO, 2001a), assim 
como a n. 20 (CFO, 2001b), tem como base resoluções do Conselho Federal de 
Medicina, e por falta de conhecimento na área de gestão de empresas de 
odontologia de grupo, não refletem a realidade do dia a dia dessas empresas. 
A Resolução n. 19 (CFO, 2001a) visa proteger o cirurgião-dentista 
credenciado à operadora, estando ele na posição de dentista assistente ou de 
auditor, de desligamentos não justificados, garantindo assim a ampla defesa do 
profissional, desligado às vezes por simples desavenças ou discordâncias com 
profissionais da operadora. 
 
 
13 
Art. 1º - É vedado o desligamento de cirurgião-dentista vinculado por 
referenciamento, credenciamento ou associação à Operadora de Plano 
de Saúde, exceto por decisão motivada e justa, garantindo-se ao 
cirurgião-dentista o direito de defesa e do contraditório no âmbito da 
operadora. 
Art. 2º - O desligamento voluntário do cirurgião-dentista referenciado, 
credenciado ou associado obriga-o a comunicar sua decisão, com 
antecedência mínima de 60 dias, à Operadora de Plano de Saúde a 
qual está vinculado; e a disponibilizar aos seus pacientes os dados 
clínicos em seu poder, a fim de garantir-lhes a continuidade do 
tratamento odontológico. 
Art. 3º - A decisão de desligamento deverá ser homologada pelo 
Conselho Regional de Odontologia, num prazo de 30 dias. 
Art. 4º - As Operadoras de Planos de Saúde devem obrigatoriamente 
comunicar os desligamentos de cirurgiões-dentistas aos seus usuários. 
Art. 5º - O diretor técnico da operadora é o responsável pelo 
cumprimento desta norma. 
Art. 6º - Esta resolução entra em vigor na data de sua publicação, 
revogando-se as disposições em contrário. 
FINALIZANDO 
Essa é a primeira parte de nosso estudo sobre legislação aplicada a 
auditoria odontológica. Os pontos abordados nessa aula buscam garantir 
tranquilidade para desenvolvermos nosso trabalho focados naquilo que é 
importante. 
A Resolução n. 20, de 16 de agosto de 2001 (CFO, 2001b), juntamente 
com o Código de Ética Odontológica (CFO, 2012), são as normas que dão 
sustentação ao trabalho da auditoria em todos os aspectos, e devem ser lidas e 
relidas diversas vezes, até que se tornem parte de nossa rotina, até que não 
tenhamos que pensar muito a seu respeito. 
O estudo dessa legislação é comparável ao treinamento de um atleta para 
um campeonato: é preciso fazer repetições exaustivas de suas práticas e buscar 
constantemente melhorar as funções que precisam ser melhoradas, até 
chegarmos ao campeonato sabendo antecipadamente tudo o que deve ser feito 
durante a prova. O treinamento constante nos dá a certeza de termos feito o 
melhor que pudemos. Desse ponto em diante, é só treinarmos mais e melhorar 
nosso desempenho, diariamente. 
LEITURA OBRIGATÓRIA 
CFO – Conselho Federal de Odontologia. Resolução n. 19, de 25 de junho de 
2001. Diário Oficial da União, 9 ago. 2001a. Disponível em: 
<http://www.crosp.org.br/_fckeditor/file/Guia/RESOLU%C3%87%C3%83O%20C
FO%20019-01.pdf >. Acesso em: 16 maio 2018. 
 
 
14 
_____. Resolução n. 20, de 16 de agosto de 2001. Diário Oficial da União, 27 
set. 2001b. Disponível em: <http://www.crosp.org.br/_fckeditor/file/Guia/RESOLU
%C3%87%C3%83O%20CFO%2020-01.pdf>. Acesso em: 14 maio 2018. 
 
 
 
15 
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Colegiada (RDC) n. 39, de 27 de outubro de 2000. Diário oficial da União, 30 
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/unidade08_f4127c8350305e>. Acesso em: 14 maio 2018. 
TOMADA de decisão nas organizações. Ok Concursos. Disponível em: 
<http://www.okconcursos.com.br/apostilas/apostila-gratis/111-administracao-
geral/162-tomada-de-decisao-nas-organizacoes#.WdLDuGhSwdV>. Acesso em: 
14 maio 2018. 
TOMAZ, P. A. R. Auditoria odontológica: controle técnico-administrativo. 
CopyMarket.com, 2001. 
UNIDAS – União Nacional das Instituições de Autogestão em Saúde. 
Autogestão em saúde no Brasil 1980-2005: história da organização e 
consolidação do setor. São Paulo, 2005. Disponível em: 
<http://www.unidas.org.br/universidade/livro_autogestao_saude_brasil.pdf>. 
Acesso em: 14 maio 2018. 
 
 
 
AULA 4 
AUDITORIA EM ODONTOLOGIA 
Prof. Jacques Ferreira Neto 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
Continuando o estudo da legislação aplicada a auditoria odontológica, 
chegamos ao Código de Ética Odontológica, aprovado pela Resolução CFO n. 
118 e atualizado pela última vez em 11 de maio de 2012. O código visa balizar a 
conduta de todos os cirurgiões-dentistas no exercício de sua profissão. 
Esse deve ser o “livro de cabeceira” de todo auditor odontológico. Como 
vimos anteriormente, existe nos conselhos regionais de odontologia (CROs), 
veladamente, uma preocupação muito maior com infrações éticas praticadas por 
auditores do que por dentistas assistentes. Qualquer deslize pode inviabilizar 
todo um trabalho de investigação e relato de não conformidades encontradas em 
tratamentos clínicos, realizados ou por realizar. 
CONTEXTUALIZANDO 
O que é Ética? De acordo com Antônio Raimundo dos Santos, ética é "a 
reflexão sobre a ação humana, para extrair dela o conjunto excelente de ações. 
É uma ciência que tem por objeto a moral e a lei e pretende aprimorar as 
atividades realizadoras de si, desenvolvidas pelos indivíduos, pela busca do 
excelente”. 
Por conseguinte, ética profissional é “a reflexão sobre a atividade 
produtiva, para dela extrair o conjunto excelente de ações, relativas ao modo de 
produção” (Santos, S.d.). 
Então, se buscar a excelência de conduta é um princípio ético, nada 
melhor do que pautarmos nossa conduta profissional (e pessoal) naquilo que 
preconiza o nosso Código de Ética Odontológico. Certamente, nossa profissão 
seria bem melhor se todos assim o fizessem. Cabe então ao auditor 
odontológico dar o primeiro passo nessa direção, principalmente por causa da 
exposição a que nos submetemos – característica da auditoria – por sermos os 
profissionais que investigam a fundo ações de terceiros em busca de pequenas 
falhas. 
 
 
 
3 
TEMA 1 – LEGISLAÇÃO APLICADA A AUDITORIA EM ODONTOLOGIA 
(CONTINUAÇÃO) 
1.1 O Código de Ética Odontológica (aspectos relevantes) 
É imprescindível que todo cirurgião-dentista leia todo o Código de Ética 
Odontológico para depois deter-se nos pontos mais importantes para a sua área 
de atuação. 
Agora, salientaremos o que mais importa em uma auditoria odontológica. 
O Código de Ética Odontológica vigente, aprovado pela Resolução do 
Conselho Federal de Odontologia (CFO) n. 118, de 11 de junho de 2012, 
apresenta um capítulo específico que trata de perícias e auditorias 
odontológicas. A maioria dos pontos abordados no Capítulo IV já fazem parte da 
Resolução CFO n. 20, de 16 de agosto de 2001, mas é importante conhecermos 
esse capítulo item por item: 
CAPÍTULO IV 
DAS AUDITORIAS E PERÍCIAS ODONTOLÓGICAS 
Art. 10. Constitui infração ética: 
I - deixar de atuar com absoluta isenção quando designado para servir 
como perito ou auditor, assim como ultrapassar os limites de suas 
atribuições e de sua competência [...] (CFO, 2012). 
O Inciso I do art. 10 trata da questão da isenção, inerente à função de 
auditor em qualquer profissão. Nenhuma influência externa ou de foro interno 
pode alterar o teor do relato técnico sobre os fatos observados. Também não 
pode o auditor desrespeitar o que determina a Resolução CFO n. 20 (CFO, 
2001b); tal atribuição é exclusiva do auditor odontológico. 
Fatos como relações pessoais com o auditado que possam influenciar 
seu modo de pensar sobre o caso, proposição de mudanças no plano de 
tratamento, proposição ou imposição de sansões ao profissional e indicação de 
outro profissional ao paciente são algumas falhas que podem ser enquadradas 
nesse inciso. Às vezes, o auditor se sente tentado a tomar alguma atitude nesse 
sentido, mas deve sempre prevalecer o bom senso e a atenção aos preceitos 
éticos da profissão. 
“II - intervir, quando na qualidade de perito ou auditor, nos atos de outro 
profissional, ou fazer qualquer apreciação na presença do examinado, 
reservando suas observações, sempre fundamentadas, para o relatório sigiloso 
e lacrado, que deve ser encaminhado a quem de direito [...]” (CFO, 2012). Nesse 
 
 
4 
inciso II do art. 10 existem duas situações envolvidas. A primeira é aquela em 
que o auditor, além de espelho e sonda clínicas, não pode utilizar nenhum outro 
instrumental odontológico para sua avaliação clínica. Corrigir excessos de 
restaurações, realizar pequemos desgastes ou qualquer outra intervenção 
clínica além da pura observação e sondagem pode levar o auditor a cometer 
uma infração ética, mesmo que sua intenção seja a de ajudar o paciente. O 
correto é encaminhar o paciente novamente ao seu dentista para que realize a 
correção descrita em seu relatório lacrado e sigiloso, solicitando que o paciente 
seja novamente encaminhado para reavaliação. Lembre-se de que a execução 
de um plano de tratamento também é um ato odontológico. 
A segunda situação trata do sigilo profissional, assunto já abordado na 
Resolução CFO n. 20 (CFO, 2001b), que encontra respaldo no Código de 
Processo Civil (Brasil, 2015): “Art. 404. A parte e o terceiro se escusam de exibir, 
em juízo, o documento ou a coisa se: [...] IV - sua exibição acarretar a 
divulgação de fatos a cujo respeito, por estado ou profissão, devam guardar 
segredo [...]” (Brasil, 2015). Ou, quando o sigilo é quebrado, de acordo com o 
Código Penal (Brasil, 1940): “Art. 154 - Revelar alguém, sem justa causa, 
segredo, de que tem ciência em razão de função, ministério, ofício ou profissão, 
e cuja revelação possa produzir dano a outrem: Pena - detenção, de três meses 
a um ano, ou multa. Parágrafo único - Somente se procede mediante 
representação” (Brasil, 1940). 
Essa questão do sigilo na comunicação auditor-dentista assistente é um 
dos motivos mais comuns de queixas éticas nos CROs, e também um dos 
maiores causadores de penalidades aos auditores. Independentemente de ter 
sido observada uma falha técnica ou não, o auditor perde a razão ao fazer 
qualquer comentário ou transparecer que houve um problema. Há, então, que seregulamentar uma maneira mais segura para esse tipo de comunicação, pois, 
após muitos anos trabalhando dentro de operadoras de saúde, sabemos que se 
não houver uma regulamentação ou uma determinação por parte da Agência 
Nacional de Saúde (ANS) ou de CROs, as operadoras nada farão, pois não 
costumam “desperdiçar” recursos em tecnologias não obrigatórias. 
“Art. 10. Constitui infração ética: [...] III - acumular as funções de 
perito/auditor e procedimentos terapêuticos odontológicos na mesma entidade 
prestadora de serviços odontológicos [...]” (CFO, 2012). O acúmulo de funções 
como auditor e assistente é um problema que até hoje vemos acontecer em 
 
 
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algumas cidades do interior, onde o número de cirurgiões-dentistas é pequeno, o 
que faz com que um profissional audite seu próprio trabalho ou o trabalho 
realizado por um colega de consultório. Cabe ao responsável técnico pelo plano 
de saúde impedir que isso ocorra dentro da rede credenciada sob sua 
responsabilidade. 
IV - prestar serviços de auditoria a pessoas físicas ou jurídicas que 
tenham obrigação de inscrição nos Conselhos e que não estejam 
regularmente inscritas no Conselho de sua jurisdição; 
[...] 
VI - receber remuneração, gratificação ou qualquer outro benefício por 
valores vinculados à glosa ou ao sucesso da causa, quando na função 
de perito ou auditor [...]. (CFO, 2012) 
Os incisos IV e VI do art. 10 também já foram tratados na aula 3, na qual 
abordamos a Resolução CFO n. 20 (CFO, 2001b). 
V - negar, na qualidade de profissional assistente, informações 
odontológicas consideradas necessárias ao pleito da concessão de 
benefícios previdenciários ou outras concessões facultadas na forma 
da Lei, sobre seu paciente, seja por meio de atestados, declarações, 
relatórios, exames, pareceres ou quaisquer outros documentos 
probatórios, desde que autorizado pelo paciente ou responsável legal 
interessado (CFO, 2012). 
O inciso V do art. 10 diz respeito à importância que existe em manter toda 
a documentação odontológica legal em condições de ser entregue ou 
consultada, sempre que for oficialmente solicitado por órgão governamental para 
a concessão de algum benefício. Não devemos nos esquecer de que essa 
disponibilização de dados deve ser autorizada pelo paciente ou por seu 
responsável legal, se tratar-se de menor ou incapaz. De outra forma, a entrega 
só será realizada por determinação judicial, e, mesmo assim, fica assegurado o 
direito ao sigilo profissional. 
“VII - realizar ou exigir procedimentos prejudiciais aos pacientes e ao 
profissional, contrários às normas de Vigilância Sanitária, exclusivamente para 
fins de auditoria ou perícia [...]” (CFO, 2012). Essa é uma discussão muito 
comum no exercício da auditoria odontológica, mas prefiro aprofundar essa 
discussão quando falarmos da Resolução CFO n. 102, de 12 de maio de 2010 
(CFO, 2010). 
VIII - exercer a função de perito, quando: 
a) for parte interessada; 
b) tenha tido participação como mandatário da parte, ou sido designado 
como assistente técnico de órgão do Ministério Público, ou tenha 
prestado depoimento como testemunha; 
c) for cônjuge ou a parte for parente, consanguíneo ou afim, em linha 
reta ou colateral até o segundo grau; e, 
 
 
6 
d) a parte for paciente, ex-paciente ou qualquer pessoa que tenha ou 
teve relações sociais, afetivas, comerciais ou administrativas, capazes 
de comprometer o caráter de imparcialidade do ato pericial ou da 
auditagem. 
O inciso VIII do art. 10 suscita o conflito de interesses que pode invalidar 
o ato odontológico da perícia ou da auditoria quando questões pessoais influem 
no relatório ou no laudo pericial. Lembramos que, entre as características de 
uma auditoria, a independência e a isenção são fundamentais para a validação 
do ato, e se houver simples suspeição de que há conflito de interesses 
envolvido, mesmo que o auditor esteja com a verdade a seu lado todo o 
processo será invalidado. Portanto, o auditor deve possuir bom relacionamento 
com seus colegas de profissão, mas deve sempre preservar sua imagem, 
abstendo-se de auditar o trabalho de amigos muito íntimos ou parentes. Essa 
atitude dará maior credibilidade a seu trabalho perante seus colegas de 
profissão e pacientes. 
Essa é a parte do código de ética exclusiva a auditores e peritos, porém, 
existem outros artigos muito importantes que devem ser de pleno conhecimento 
do auditor. Por exemplo, o art. 11: “Constitui infração ética: [...] III - exagerar em 
diagnóstico, prognóstico ou terapêutica [...]” (CFO, 2012). Esse inciso trata da 
mais comum das causas de glosas em planos de tratamentos, que é a existência 
de auditoria prévia ou inicial. Infelizmente, é mais do que comum aos 
profissionais exagerar em seus planos de tratamento para obter vantagem 
financeira, propondo os procedimentos mais caros das tabelas dos planos de 
saúde. 
Citamos a seguir alguns exemplos clássicos para ilustrar aquilo de que 
estamos falando, e que pode ser confirmado como comum por qualquer auditor 
odontológico. 
● Exagerar o diagnóstico: o profissional propõe tratamentos periodontais 
com frequência, como se o paciente tivesse grandes quantidades de 
cálculos periodontais, bolsas periodontais e doença periodontal avançada, 
mesmo quando isso não corresponde à verdade. Ou seja, ele considera 
que todas as patologias apresentam a mesma severidade, necessitando 
tratamentos complexos; 
● Exagerar a terapêutica: o profissional propõe a remoção cirúrgica de 
terceiros molares (dentes do ciso) como se fossem inclusos, sendo que, 
na realidade, estão eruptados totalmente, sem sinais de impactação ou 
 
 
7 
coroa intraóssea. Ou seja, eles tratam da mesma maneira a extração dos 
dois sisos mostrados na figura a seguir, em que a dificuldade de 
execução entre os dois procedimentos é evidente. Suas extrações devem 
ser enquadradas de maneira diferente na tabela odontológica. 
Figura 1 – Dois casos diferentes de extração de dentes do siso, que também 
devem ser enquadrados de formas distintas 
 
● Exagerar o prognóstico: o exagero é muito comum em ortodontia, em 
que se realiza um plano de tratamento com prazo de duração muito maior 
do que é realmente necessário para a conclusão do caso. Isso acontece 
quando o pagamento do tratamento é realizado sem um limite de sessões 
de atendimento. 
O inciso IV do art. 11 (CFO, 2012), “IV - deixar de esclarecer 
adequadamente os propósitos, riscos, custos e alternativas do tratamento[...]”, 
nos remete à outra maneira de agir bastante comum na odontologia, que é a 
proposição de tratamento sem o pleno esclarecimento sobre a severidade do 
caso. Ao paciente não são explicadas todas as maneiras possíveis de resolver o 
problema, custos de cada uma das hipóteses de tratamento e nem o custo-
benefício a médio e longo prazos que cada uma das alternativas lhe trará, para 
que ele possa fazer uma escolha de forma livre e esclarecida. O auditor deve 
sempre perguntar ao paciente auditado se ele está plenamente ciente de seu 
problema e possíveis soluções, sem induzir suas respostas ou mencionar outras 
alternativas. De acordo com a resposta, o paciente deverá ser encaminhado 
novamente ao dentista assistente com o relatório de auditoria inicial – lacrado e 
sigiloso, contendo observações e recomendações –, e deverá ter suas possíveis 
dúvidas devidamente esclarecidas. 
O inciso V (“[...] executar ou propor tratamento desnecessário ou para o 
qual não esteja capacitado [...]”) trata de outro assunto muito mais comum do 
que se pensa, que é propor um tratamento desnecessário. Extrações de dente 
para a colocação de implantes no local sem que haja justificativa técnica para a 
 
 
8 
remoção daquele dente, restaurações em dentes que não apresentam cárie e 
substituição de próteses simplesmente porque não existe mais restrição de 
prazo intervalar para substituição pelo plano são alguns exemplos dessa prática. 
Esse tipode atitude vindo de um profissional não deveria ser apenas 
considerado como uma simples infração ética, mas, sim, como crime. 
Propor tratamentos sem ter a capacitação necessária e utilizar técnicas e 
materiais não aprovados pela comunidade científica, como trata o art. 11, inciso 
X ("[...] adotar novas técnicas ou materiais que não tenham efetiva comprovação 
científica [...]"), são ações mais difíceis de acontecer na prática rotineira da 
auditoria de planos de saúde, salvo em casos de auditorias aleatórias ou 
direcionadas por denúncias, em locais nos quais não há auditoria regular. Essa 
prática é mais comum em perícias forenses. 
Outro inciso que nos chama a atenção no Código de Ética Odontológica 
(CFO, 2012) é o IV, art. 13: "Art. 13. Constitui infração ética: IV - ser conivente 
em erros técnicos ou infrações éticas, ou com o exercício irregular ou ilegal da 
Odontologia [...]". 
Nesse caso, existe uma possibilidade que deve ser considerada. 
Observar um erro técnico e não o citar em seu relatório é claramente uma 
infração ética, pois temos que nos lembrar da razão principal de nosso serviço, 
que é a proteção do paciente. Mas e se, por algum motivo, deixarmos de 
observar esse erro? Poderemos ser acusados de conivência? Sim! E é 
exatamente aí que aumenta a responsabilidade do auditor. É dele a obrigação 
de avaliar um caso profundamente, analisar todos os detalhes que possam 
contribuir para o insucesso do tratamento realizado ou por realizar. Deixar de 
observar ou deixar de relatar acabarão tendo o mesmo peso se o caso for parar 
em um tribunal, pois é de responsabilidade do auditor investigar a fundo o caso, 
não deixando margem a dúvidas sobre possíveis não conformidades. 
O auditor, nesse caso, será responsabilizado, solidariamente à operadora 
e ao dentista assistente, pelos prejuízos causados ao paciente, podendo até ser 
alvo de uma ação regressiva por parte da operadora, por não ter cumprido o 
trabalho para o qual foi contratado. Ao observar uma infração ética, o auditor 
deve imediatamente informar a ocorrência ao responsável técnico pelo plano. 
"VI – criticar erro técnico-científico de colega ausente, salvo por meio de 
representação ao Conselho Regional [...]" (CFO, 2012). Cabe aqui ressaltar que 
o auditor não está fazendo críticas sobre o trabalho do colega, e sim relatando e 
 
 
9 
fundamentando suas observações em um relatório. Portanto, não há 
obrigatoriedade de fazer a representação a todo e qualquer erro técnico 
observado. Essa representação será feita somente se não houver consenso 
entre auditor e assistente, e se não houver correção do erro técnico apontado 
como não conforme. 
VII - explorar colega nas relações de emprego ou quando compartilhar 
honorários, descumprir ou desrespeitar a legislação pertinente no 
tocante às relações de trabalho entre os componentes da equipe de 
saúde; 
VIII - ceder consultório ou laboratório, sem a observância da legislação 
pertinente [...]. (CFO, 2012) 
Os incisos VII e VIII são de grande importância para os responsáveis 
técnicos por operadoras de saúde e para os auditores responsáveis pelo 
credenciamento da rede de prestadores. 
Quando se credencia ou contrata uma clínica (pessoa jurídica) para o 
atendimento de seus beneficiários, a operadora não pode permitir que esse 
atendimento seja realizado por um profissional que não seja sócio, funcionário 
ou profissional legalmente contratado por essa empresa. Sabemos que é 
prática habitual de donos de grandes clínicas utilizarem-se do trabalho informal 
de profissionais autônomos para obter lucro, pagando-lhes porcentagem sobre 
os serviços realizados, sem o amparo da legislação trabalhista. Sem uma 
vinculação formal, não há comprometimento do profissional assistente com seu 
paciente. Constantemente, os pacientes são obrigados a mudar de dentista 
porque o anterior desligou-se da clínica, fato que compromete a qualidade dos 
serviços, prejudicando a operadora e afetando diretamente o serviço do auditor. 
Essa prática é aviltante em qualquer profissão, além de ser crime. E é 
exatamente isso que o CFO tenta coibir com esses dois incisos. Mas, então, 
porque ainda existe esse tipo de subemprego? Aí entra a valorização que cada 
profissional deve dar ao seu trabalho, e a sua categoria. Cabe aos CROs, que 
são autarquias federais, a fiscalização dessa prática comum e deletéria à 
odontologia. 
O art. 20, inciso V, da CFO (2012) ("[...] abusar da confiança do paciente 
submetendo-o a tratamento de custo inesperado [...]") leva a um tema que já 
comentamos anteriormente: a obrigação do esclarecimento pleno ao paciente 
sobre seu tratamento e alternativas. Entretanto, alguns profissionais costumam 
realizar planos de tratamentos incompletos, esclarecendo somente os custos da 
fase do tratamento a que o paciente será submetido naquela ocasião. 
 
 
10 
Considerando que em alguns planos o beneficiário possui uma 
coparticipação nos custos do tratamento, que às vezes é bastante significativa, 
não é raro o paciente dizer que não pode continuar o tratamento por não ter 
disponibilidade financeira para tal, já que os custos totais do trabalho não lhe 
foram esclarecidos. 
É imprescindível que o profissional, ao propor um tratamento de longo 
prazo ao paciente, lhe informe o valor total das despesas que terá, 
proporcionando ao paciente a livre decisão de submeter-se ou não ao que está 
sendo proposto. Somente após o detalhamento de todo o tratamento, inclusive o 
preço final, mesmo que aproximado, o profissional poderá propor sua execução 
em fases, a fim de diluir o pagamento em etapas ou parcelas. O que é 
eticamente ilegal é apresentar o custo do tratamento completo somente depois 
de tê-lo iniciado, pois, às vezes, não é possível voltar atrás. 
Outra prática comum é o preenchimento das guias de tratamento 
odontológico da operadora sem discriminar os valores dos procedimentos. 
Nesse caso, a guia deve ser devolvida ao dentista assistente para o 
preenchimento completo. 
O art. 20, inciso VII (CFO, 2012), institui que se trata de infração ética 
"receber ou cobrar remuneração adicional de paciente atendido em instituição 
pública, ou sob convênio ou contrato [...]". Essa é a infração ética com que o 
auditor odontológico se depara com mais frequência. É prática comum de 
prestadores de serviços de operadoras de saúde a cobrança de valores 
adicionais diretamente ao paciente por procedimentos cobertos pelo plano 
odontológico. 
De tão comum e disseminada, a prática é normalmente conhecida como 
“cobrança por fora”, e não é praticada só por dentistas, mas por profissionais de 
saúde de todas as categorias, quando credenciados a operadoras de saúde. Os 
mesmos pacientes que relatam essas cobranças ao auditor dificilmente fazem 
queixa à operadora de saúde, que acaba ficando de mãos atadas, sem ter o que 
fazer sobre o caso. E por que essas cobranças são feitas? 
Para entendermos um pouco essa situação nefasta, é necessário 
estudarmos a reação dos pacientes quando isso ocorre. Seria esperado que 
todos ficassem indignados e denunciassem o caso, mas somente uma parcela 
muito pequena de pessoas toma esse tipo de atitude. 
 
 
11 
A reação mais comum do paciente é adotar uma atitude de “refém”. Ficam 
receosos em denunciar o caso e "perderem" o dentista que, muitas vezes, já os 
acompanha há anos e com quem têm até laços de amizade. Também há que 
não denuncie por, simplesmente, gostar do serviço do profissional. Alguns 
profissionais reclamam sistematicamente para o paciente sobre o plano pagar 
muito pouco, dizendo que pedirão descredenciamento. O fato é que os pacientes 
acabam aceitando pagar o que o profissional pede irregularmente por “medo”. 
As desculpas mais utilizadas pelos dentistas são as de que o plano paga 
pouco pelo procedimento, ou que o material coberto pelo plano é de “segunda 
categoria”, ou que existe material de qualidade superior disponívele que se 
utilizar o material coberto pelo plano vai ficar “feio”; ou seja, muitos profissionais 
falam que, pelos valores que o plano paga, não dá para fazer um bom serviço. 
Nenhuma dessas desculpas encontra fundamentos técnicos; elas 
apenas implicam o cometimento de duas infrações éticas. Sim, duas, pois o art. 
11 do CFO (2012), que trata do relacionamento com o paciente, em seu inciso II, 
diz que consiste em infração ética "[...] aproveitar-se de situações decorrentes 
da relação profissional/paciente para obter vantagem física, emocional, 
financeira ou política [...]". 
E o único motivo para essa cobrança adicional não é o de levar vantagem 
financeira sobre o paciente? Ninguém obriga o profissional a ser credenciado a 
uma operadora de saúde quando esta não corresponde às suas expectativas. 
Se ele não está satisfeito com os valores pagos pelo plano, que peça seu 
descredenciamento, mas não submeta o paciente a essa covardia. 
Cabe ao auditor fazer a sua parte! No relatório, devemos escrever algo 
como: “o paciente relata cobrança adicional por serviços cobertos pelo plano”. O 
profissional, então, que se explique com seu paciente e com a operadora. 
Se todos os casos fossem denunciados da maneira correta, haveria uma 
enxurrada de processos éticos nos CROs e um número muito grande de 
descredenciamentos, por justa causa, de profissionais junto às operadoras de 
saúde suplementar. A baixa incidência de denúncias e punições leva a um 
círculo vicioso e à sensação de impunidade, que acaba promovendo, cada vez 
mais, essa prática. 
A operadora, por sua vez, não faz o que deveria fazer, ou por 
desconhecimento, ou pelo nível de burocracia envolvida na denúncia. A 
operadora deve receber formalmente a denúncia e, inicialmente, notificar o 
 
 
12 
profissional, solicitando esclarecimentos. Depois, se comprovado o fato, abrir um 
processo ético contra o profissional junto ao CRO. Lá, haverá uma audiência de 
conciliação, e, depois de esgotada essa etapa é que será dado início ao 
julgamento do processo. Em todas essas etapas há necessidade da presença de 
um representante da operadora e do paciente “acusador”, reafirmando sua 
denúncia. Com a sentença ética decretada pelo CRO, há ainda uma 
possibilidade de recurso ao CFO, onde todo o processo se repetirá até que seja 
formalizada a sentença ética definitiva. 
Só então a operadora de saúde poderá solicitar, junto ao CRO, a 
homologação do descredenciamento do profissional. Você se lembra do art. 3 da 
Resolução CFO n. 19, de 25 de junho de 2001, estudada em nossa terceira 
aula? "Art. 3º - A decisão de desligamento deverá ser homologada pelo 
Conselho Regional de Odontologia, num prazo de 30 dias". 
Esse excesso de burocracia só favorece ao infrator. Qualquer 
semelhança com o momento que vivemos no Brasil não é mera coincidência. 
Não vivemos um momento político no Brasil em que nos revoltamos com a 
corrupção em todos os níveis de governo? E qual é a diferença entre a prática 
de corrupção na política e essa, praticada por profissionais de saúde? 
O art. 21 (CFO, 2012) toca em um assunto bastante controverso, sobre o 
qual cabe fazer uma reflexão: "Art. 21. O cirurgião-dentista deve evitar o 
aviltamento ou submeter-se a tal situação, inclusive por parte de convênios e 
credenciamentos, de valores dos serviços profissionais fixados de forma irrisória 
ou inferior aos valores referenciais para procedimentos odontológicos". 
São os dentistas que aceitam se credenciar a planos de saúde que 
pagam pouco, ou os planos pagam pouco porque os dentistas aceitam? 
O certo é que, se nenhum profissional aceitar a tabela proposta pelo 
plano de saúde, a operadora terá que a rever e negociar valores, pois ela 
depende do profissional para a execução de tratamentos de seus usuários. Sem 
o cirurgião-dentista não há plano de saúde odontológico! 
Aí começa uma cadeia de circunstâncias que acabam levando dentistas a 
aceitar as tabelas impostas. Dentre elas, destacamos o inchaço do mercado de 
trabalho provocado pelo excesso de faculdades de odontologia; o alto valor 
inicial para a instalação de um consultório odontológico particular; a crise 
financeira que o país atravessa e que vem afastando os pacientes dos 
 
 
13 
consultórios; a má distribuição de renda que proporciona tratamento 
odontológico particular a somente 10% da população; entre outras. 
Outro fator agravante diz respeito à falta de fiscalização por parte dos 
CROs quanto à precária relação trabalhista imposta por donos de clínicas aos 
dentistas chamados comissionados. Já tratamos desse assunto quando 
abordamos os incisos VII e VIII do art. 13 do código (CFO, 2012). É fato que as 
operadoras se aproveitam dessa mão de obra farta e barata (decorrente da falta 
de aplicação da legislação trabalhista) para propor valores aviltantes por 
procedimentos. Mais uma vez, reforçamos que cabe ao cirurgião-dentista a 
valorização de seu próprio trabalho e da categoria como um todo. 
FINALIZANDO 
A ética deveria fazer parte dos currículos escolares desde os primeiros 
anos de escola a fim de disseminar o pensamento ético. Os códigos de ética são 
instrumentos que determinam o que é ou não permitido, mas não estimulam o 
mais importante, que é pensar de maneira ética. 
Certa vez, ouvi o relato de um médico, diretor de um grande hospital, que 
hospedava em sua casa para as festas de final de ano o seu cunhado, um 
cidadão dinamarquês. Durante o jantar de natal, o cunhado pediu licença a todos 
e recolheu-se em seu quarto. Preocupado com sua atitude, o médico pediu para 
que sua irmã fosse perguntar o motivo desse isolamento. Ela foi até o quarto, e 
quando retornou, disse que seu marido não estava passando bem e sentia uma 
forte dor no peito. Imediatamente, o médico o chamou e levou-o ao hospital para 
um exame mais apurado, onde constatou-se que ele estava sofrendo um 
enfarte. Foram tomadas todas as providências necessárias, e ele pode 
finalmente retornar ao convívio dos familiares. 
Quando o médico perguntou ao cunhado porque não havia mencionado o 
mal-estar, simplesmente recolhendo-se ao seu quarto, visto que poderia contar 
com a ajuda dele como profissional, ouviu a seguinte resposta: “eu já estava 
com essa dor, mais fraca, desde a manhã, e poderia ter falado sobre ela durante 
o dia. Não achei justo estragar o jantar da família naquele momento de 
confraternização e alegria”. Isso é pensamento ético. 
Estamos quase no fim da parte sobre legislação de nossas aulas. Apesar 
de não ser muito agradável, é a parte mais importante de nossa atividade. 
 
 
14 
Conhecendo a fundo essa legislação, o auditor pode desempenhar suas funções 
com tranquilidade, livre de influências externas. 
LEITURA OBRIGATÓRIA 
CONSELHO FEDERAL DE ODONTOLOGIA (CFO). Resolução n. 118, de 11 de 
maio de 2012. Código de Ética Odontológica. Diário Oficial da União, 14 jun. 
2012. Disponível em: <http://www.cropr.org.br/uploads/arquivo/724571448d7a83
c915ebc18e218042a3.pdf>. Acesso em: 14 maio 2018. 
 
 
 
15 
REFERÊNCIAS 
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Colegiada (RDC) n. 39, de 27 de outubro de 2000. Diário oficial da União, 30 
out. 2000. Disponível em: <http://www.ans.gov.br/component/legislacao/?view=le
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14 maio 2018. 
ANDRADE, J. V.; MEDEIROS, U. V. Guia de estudo: auditoria. Campinas: 
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BRASIL. ANVISA – Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Ministério da 
Saúde. Portaria n. 453, de 1o de junho de 1998. Diário Oficial da União, 2 jun. 
1998. Disponível em: 
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_____. Lei n. 5.081, de 24 de agosto de 1966. Diário Oficial da União, Poder 
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<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l5081.htm>. Acesso em: 14 maio 2018._____. Lei n. 6.839, de 30 de outubro de 1980. Diário Oficial da União, Poder 
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_____. Lei n. 9.656, de 3 de junho de 1998. Diário Oficial da União, Poder 
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_____. Lei n. 9.961, de 28 de janeiro de 2000. Diário Oficial da União, Poder 
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BRASIL. Ministério da Saúde. Departamento Nacional de Auditoria do SUS. 
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GONÇALVES, V. F. (Coord.). Fronteiras da auditoria em saúde, vol. 1. 26 set. 
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MAZZILLI, L. E. N. Odontologia do trabalho. São Paulo: Santos, 2007. 
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SISTEMA de acreditação hospitalar e auditoria em saúde. CEAD – Centro de 
Ensino a Distância. Disponível em: <https://issuu.com/materiaisceadvirtual/docs
/unidade08_f4127c8350305e>. Acesso em: 14 maio 2018. 
TOMADA de decisão nas organizações. Ok Concursos. Disponível em: 
<http://www.okconcursos.com.br/apostilas/apostila-gratis/111-administracao-
geral/162-tomada-de-decisao-nas-organizacoes#.WdLDuGhSwdV>. Acesso em: 
14 maio 2018. 
TOMAZ, P. A. R. Auditoria odontológica: controle técnico-administrativo. 
CopyMarket.com, 2001. 
UNIDAS – União Nacional das Instituições de Autogestão em Saúde. 
Autogestão em saúde no Brasil 1980-2005: história da organização e 
consolidação do setor. São Paulo, 2005. Disponível em: 
<http://www.unidas.org.br/universidade/livro_autogestao_saude_brasil.pdf>. 
Acesso em: 14 maio 2018. 
 
AULA 5 
AUDITORIA EM ODONTOLOGIA 
Prof. Jacques Ferreira Neto 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
A experiência nos mostra que só nos sentimos seguros quanto a um 
assunto se tivermos pleno conhecimento de todos os seus aspectos. 
Com a auditoria odontológica não é diferente. O auditor, para desenvolver 
seus trabalhos de forma segura e precisa, deve ter conhecimentos técnico, teórico 
e prático da odontologia, e conhecer a fundo todo o arcabouço legal que ampara 
a atividade, aliado ao conhecimento de técnicas de administração de empresas. 
Resumindo: ele deve ser uma mistura de dentista com um pouco de advogado e 
outro tanto de administrador. 
Podemos dizer que somente essas áreas do conhecimento não fazem de 
ninguém um bom auditor, pois o profissional deve ainda ser um pouco psicólogo, 
filósofo, matemático, conhecer informática, ter a tranquilidade e a temperança de 
um religioso e tudo mais que a vida nos oferecer de conhecimento e sabedoria 
com o passar dos anos. 
CONTEXTUALIZANDO 
Concluiremos nesta aula o conteúdo referente à legislação aplicada a 
auditoria odontológica que, apesar de cansativa, é a parte mais importante da 
matéria, pois é ela que permite a atuação segura do auditor, fazendo com que ele 
não tenha receio de se expor a processos éticos ou legais. 
Apresentaremos a Resolução CFO 102/2010, que tem por objetivo corrigir 
uma prática comum a algumas operadoras de saúde, que é a exigência 
desnecessária de radiografias para comprovar a execução de procedimentos com 
o único propósito de economizar na contratação de auditores clínicos. 
Analisaremos também a Súmula Normativa ANS 11/2007, criada para 
corrigir outra falha comum dentro do sistema de saúde suplementar, que restringia 
a liberação de exames complementares e solicitações de internação quando eram 
feitas por cirurgiões-dentistas, independentemente de haver indicação técnica 
para tal. 
Para complementar o conhecimento dos aspectos legais da auditoria, 
sugerimos a leitura das demais leis e resoluções citadas mais adiante, pois a 
qualquer momento podemos nos deparar com situações que exijam o 
conhecimento de alguma delas. 
 
 
3 
Em seguida, começaremos a apresentar os aspectos da prática da 
auditoria, mostrando como aplicar todo o conhecimento adquirido até agora. 
Para começar, apresentaremos as diversas possibilidades de 
empregabilidade na área de auditoria odontológica, tanto no setor público quanto 
no setor privado. 
TEMA 1 – RESOLUÇÃO CFO 102/2010 
A Resolução do Conselho Federal de Odontologia (CFO) n. 102, de 12 de 
maio de 2010, trata da proibição do uso indiscriminado de raio X, e foi proposta 
exclusivamente para coibir a obrigatoriedade, imposta por alguns planos de saúde 
a seus credenciados, de apresentar raios X inicial e final como modo de comprovar 
de execução de tratamentos restauradores. Essa prática teria como objetivo evitar 
a contratação de profissionais para realizar auditorias clínicas em seus 
beneficiários, visando unicamente à economia. 
Como sabemos, o raio X ajuda o profissional a avaliar cáries e 
restaurações, e a partir de comparação entre as imagens radiográficas iniciais e 
finais é possível observar se houve intervenção do dentista naquele elemento. 
Mas exigir o raio X somente para verificar se o procedimento foi realmente 
realizado é um verdadeiro absurdo se levarmos em consideração o disposto nas 
Diretrizes de proteção radiológica em radiodiagnóstico médico e odontológico, 
aprovadas e sancionadas pelo Ministério da Saúde e pela Secretaria de Vigilância 
Sanitária por meio da Portaria n. 453, de 1o de junho de 1998 (Brasil, 1998). 
Comprovadamente, o raio X é um método diagnóstico eficiente, mas não é 
totalmente seguro e inócuo ao paciente. Portanto, seu uso deve ser muito bem 
empregado para não infringir o princípio básico da proteção radiológica, que é o 
da justificação, que estabelece que “nenhuma prática ou fonte adscrita a uma 
prática deve ser autorizada a menos que produza suficiente benefício para o 
indivíduo exposto ou para a sociedade, de modo a compensar o detrimento que 
possa ser causado” (Brasil, 1998). 
Essa resolução causa efeitos diretosao trabalho do auditor odontológico à 
medida que os dentistas assistentes, por um erro de entendimento, recusam-se a 
apresentar radiografias finais de procedimentos que as exigem como forma de 
observar a efetividade e a qualidade do serviço por ele executado. Na prática, 
sabemos que não há como avaliar a execução e a qualidade de um tratamento de 
canal se não tivermos as imagens inicial e final para comparação. O mesmo ocorre 
 
 
4 
em casos de núcleos intracanal, adaptação de coroas e restaurações proximais, 
extrações de dentes inclusos ou não, implantes intraósseos e outros. 
Lembramos que o auditor se torna corresponsável pelos serviços por ele 
avaliados. Mas como ele poderá avaliar a qualidade e a longevidade de um 
procedimento realizado por outro profissional sem a confirmação radiográfica da 
qualidade do tratamento executado? Essa discussão já foi até alvo de debate em 
congresso, onde ficou claro para todos o seguinte: 
 cabe ao auditor odontológico avaliar a justificação da solicitação das 
radiografias iniciais e finais caso as considere imprescindíveis para 
constatar a qualidade do serviço proposto, fato que traz benefício ao 
paciente; 
 somente o paciente pode se negar a realizar o raio X, desde que seja 
devidamente avisado das implicações de sua recusa. Cabe ao auditor 
informar sobre essa negativa em seu relatório a fim de se eximir de 
responsabilidade sobre a avaliação desse procedimento; 
 se o dentista assistente se recusar a executar o raio X solicitado pelo 
auditor, baseando sua negativa no disposto na Resolução CFO 102 (CFO, 
2010), este também pode se recusar a atestar a execução do 
procedimento, cabendo glosa por parte da operadora de saúde; 
 é possível ao auditor, desde que devidamente registrado em seu relatório 
de auditoria, comprovar a execução do procedimento, mas não se 
responsabilizar por sua qualidade diante da ausência da radiografia 
comprobatória; 
Segue a íntegra da Resolução CFO 102 (CFO, 2010): 
Proíbe o uso indiscriminado de Raio X. 
O Presidente do Conselho Federal de Odontologia, no exercício de suas 
atribuições regimentais, cumprindo deliberação do Plenário, em reunião 
realizada no dia 04 de fevereiro de 2010, e 
CONSIDERANDO as prerrogativas do cirurgião-dentista previstas na Lei 
Federal nº 5081/66 que regula o exercício da Odontologia; 
CONSIDERANDO o disposto na Resolução CFO nº 020/2001 que 
normaliza perícias e auditorias odontológicas em sede administrativa; 
CONSIDERANDO os termos da Lei Federal nº 9656/98 que dispõe sobre 
os planos e seguros privados de assistência à saúde; CONSIDERANDO 
o previsto no Código de Ética Odontológica, Capítulo II, artigo 5º, incisos 
V e IX; 
 CONSIDERANDO o disposto no artigo 7º, Capítulo V, do Código de 
Ética Odontológica; 
CONSIDERANDO os termos da Portaria ANVISA 453/98, Capítulo II, 
itens 2.2, 2.3 e 2.5; 
 
 
5 
CONSIDERANDO o inciso I, do artigo 4º, Capítulo II – Da Política 
Nacional de Relações de Consumo, do Código de Defesa do 
Consumidor (Lei Federal nº 8.078/1990); 
CONSIDERANDO o inciso I, artigo 6º, Capítulo III – Dos Direitos Básicos 
do Consumidor, do Código de Defesa do Consumidor (Lei Federal nº 
8.078/1990); 
CONSIDERANDO o artigo 8º, da Seção I – Da Proteção à Saúde e 
Segurança, do Capítulo IV – Da qualidade de Produtos e Serviços, da 
Prevenção e da Reparação de Danos, do Código de Defesa do 
Consumidor (Lei Federal nº 8.078/1990); e, 
CONSIDERANDO a Resolução CONSU 08, de 04.11.1998, 
RESOLVE: 
Art. 1º. Fica vedado o uso indiscriminado de Raio X com finalidade, 
exclusivamente, administrativa em substituição à perícia/auditoria 
e aos serviços odontológicos. 
Art. 2º. Esta Resolução entrará em vigor na data de sua publicação na 
Imprensa Oficial, revogadas as disposições em contrário (CFO, 2010; 
grifo nosso). 
TEMA 2 – SÚMULA NORMATIVA ANS 11/2007 
A aprovação da Súmula Normativa ANS n. 11, de 20 de agosto de 2007 
(Brasil, 2007), foi necessária diante da negativa, por parte de algumas operadoras 
de saúde, de liberar exames laboratoriais complementares solicitados por 
cirurgiões-dentistas e internamentos solicitados por cirurgiões bucomaxilofaciais, 
uma especialidade da odontologia. Ela, nada mais é, do que a compilação da 
Resolução CFO n. 29, de 21 de agosto de 2002 (Brasil, 2002), e do documento 
conjunto CFO/Colégio Brasileiro de Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial 
que regulamenta o direito dos usuários de planos de saúde a esses atos 
odontológicos perfeitamente legais. 
Destacaremos a seguir as partes mais importantes da súmula. Pedimos 
que você preste muita atenção nas considerações, que foram determinantes para 
a criação dessa regulamentação: 
[...] 
Considerando a necessidade de fixar entendimento devido a 
questionamentos e demandas, provenientes dos diversos atores do 
setor (operadoras, prestadores e beneficiários), motivados pela negativa 
de cobertura aos exames laboratoriais/complementares e internações 
hospitalares requisitadas por cirurgiões-dentistas; 
Considerando a necessidade de regular, junto às operadoras de planos 
privados de assistência à saúde, a solicitação de internações e exames 
complementares nas situações clínicas e cirúrgicas de interesse comum 
à Medicina e à Odontologia; 
Considerando que os exames laboratoriais/complementares têm a 
finalidade de complementar o diagnóstico do paciente, auxiliando o 
profissional de saúde no planejamento das ações necessárias ao 
tratamento, sendo de uso comum às categorias profissionais habilitadas 
para solicitá-los, cuja habilitação é de competência legal dos conselhos 
profissionais; 
Considerando que de acordo com o disposto no artigo 1° da Resolução 
do Conselho Federal de Odontologia - CFO n° 29 de 2002, alterada pela 
 
 
6 
Resolução CFO n° 43 de 2003, a solicitação de exames complementares 
por parte do Cirurgião-Dentista não pode sofrer nenhuma objeção por 
parte das operadoras de planos de saúde; 
Considerando que de acordo com a Portaria do Ministério do Trabalho e 
Emprego n° 397 de 2002, que estabelece a Classificação Brasileira de 
Ocupações, compete ao Cirurgião-Dentista solicitar exames 
complementares, entre eles: radiografias, ressonância magnética, 
solicitação de risco cirúrgico e exames de laboratório em geral; 
Considerando que de acordo com o disposto na Declaração Conjunta 
CFM/CFO de 03 de março de 1999, a cirurgia Buco-Maxilo-Facial é uma 
especialidade odontológica reconhecida pelos Conselhos Federais de 
Medicina e de Odontologia, que declararam existir áreas de interesse 
comum entre as duas atividades profissionais; 
Considerando que de acordo com o disposto na Resolução CFM n° 1536 
de 1998, as relações do médico com os demais profissionais em 
exercício na área de saúde devem basear-se no respeito mútuo, na 
liberdade e independência profissional de cada um, buscando sempre o 
interesse e o bem estar do paciente; 
Considerando que de acordo com o inciso I do artigo 5° da Resolução 
CONSU nº 10 de 1998, no Plano Hospitalar é obrigatória a cobertura de 
cirurgias odontológicas buco-maxilo-faciais que necessitem de ambiente 
hospitalar; 
Considerando que de acordo com o parágrafo único do artigo 7° da 
Resolução CONSU nº 10 de 1998, os procedimentos buco-maxilares e 
aqueles passíveis de realização em consultório, que por imperativo 
clínico necessitem de internação hospitalar, estão cobertos nos planos 
hospitalares e referência; 
[...] 
Considerando que de acordo com o disposto no inciso VI do artigo 2° da 
Resolução CONSU nº 8, de 1998, para a adoção de práticas referentes 
à regulação de demanda da utilização dos serviços de saúde, está 
vedado negar autorização para realização de procedimento, 
exclusivamente, em razão do profissional solicitante não pertencer à 
rede própria, credenciada ou referenciada da operadora; 
Considerando que a Resolução Normativa – RN nº 82, de 29 de 
setembro de 2004, estabelece o Rol de Procedimentos como a cobertura 
mínima obrigatória a ser garantidapelos planos de saúde 
comercializados a partir de 02/01/1999, inclui os procedimentos 
considerados indispensáveis ao diagnóstico e tratamento de todas as 
doenças que compõem a Classificação Internacional de Doenças – CID 
– da Organização Mundial de Saúde; 
RESOLVE adotar o seguinte entendimento: 
1. A solicitação dos exames laboratoriais/complementares previstos no 
art. 12, inciso I, alínea b, da Lei n° 9.656, de 1998, e dos procedimentos 
abrangidos pelas internações hospitalares, de natureza buco-maxilo-
facial ou por imperativo clínico, dispostos no art. 12, inciso II, da mesma 
lei, e no art. 7º, parágrafo único da Resolução CONSU nº 10, de 1998, 
devem ser cobertos pelas operadoras de planos privados de assistência 
à saúde, mesmo quando promovidos pelo cirurgião-dentista assistente, 
habilitado pelos respectivos conselhos de classe, desde que restritos à 
finalidade de natureza odontológica; 
2. A solicitação das internações hospitalares e dos exames 
laboratoriais/complementares, requisitados pelo cirurgião-dentista, 
devidamente registrado nos respectivos conselhos de classe, devem ser 
cobertos pelas operadoras, sendo vedado negar autorização para 
realização de procedimento, exclusivamente, em razão do profissional 
solicitante não pertencer à rede própria, credenciada ou referenciada da 
operadora; 
3. A solicitação de internação, com base no art. 12, inciso II da Lei n° 
9.656, de 1998, decorrente de situações clínicas e cirúrgicas de 
interesse comum à medicina e à odontologia deve ser autorizada mesmo 
quando solicitada pelo cirurgião-dentista, desde que a equipe cirúrgica 
seja chefiada por médico. 
 
 
7 
4. A cobertura dos procedimentos de natureza odontológica se dará 
respeitando o rol de procedimentos da ANS, contemplando todas as 
doenças que compõem a Classificação Internacional de Doenças – CID 
– da Organização Mundial de Saúde e, também, a segmentação 
contratada entre as partes. 
Saiba mais 
Leia o texto integral da Resolução CFO 100/2010 sobre as normas para a 
prática da cirurgia e traumatologia bucomaxilofaciais por cirurgiões-dentistas. 
Disponível em: <http://cfo.org.br/servicos-e-consultas/ato-normativo/?id=1420>. 
TEMA 3 – RESOLUÇÃO CONSU 08/1998 
O Conselho de Saúde Suplementar (CONSU) é um órgão colegiado que foi 
criado para definir, regulamentar e controlar as ações relacionadas com a 
prestação de serviços de saúde suplementar em seus aspectos médico, sanitário 
e epidemiológico. A Resolução CONSU n. 8, de 3 de novembro de 1998, 
estabelece parâmetros aos mecanismos de regulação da demanda de utilização 
de serviços de saúde por parte dos planos privados de saúde suplementar. 
Essa normativa estabelece, em suma, o que as operadoras podem ou não 
fazer para controlar a utilização dos serviços. 
Ressaltamos aqui os pontos mais importantes da resolução, e que devem 
ser do conhecimento de auditores médicos e odontológicos, responsáveis 
técnicos por planos de saúde e gestores em saúde suplementar de um modo 
geral. 
Art. 2° Para adoção de práticas referentes à regulação de demanda da 
utilização dos serviços de saúde, estão vedados: 
I - qualquer atividade ou prática que infrinja o Código de Ética Médica ou 
o de Odontologia; 
II - qualquer atividade ou prática que caracterize conflito com as 
disposições legais em vigor; 
III – limitar a assistência decorrente da adoção de valores máximos ou 
teto de remuneração, no caso de cobertura a patologias ou eventos 
assistenciais, excetuando-se as previstas nos contratos com cláusula na 
modalidade de reembolso; 
IV - estabelecer mecanismos de regulação diferenciados, por usuários, 
faixas etárias, graus de parentesco ou outras estratificações dentro de 
um mesmo plano; 
V - utilizar mecanismos de regulação, tais como autorizações prévias, 
que impeçam ou dificultem o atendimento em situações caracterizadas 
como de urgência ou emergência; 
VI - negar autorização para realização do procedimento exclusivamente 
em razão do profissional solicitante não pertencer à rede própria ou 
credenciada da operadora; 
VII - estabelecer coparticipação ou franquia que caracterize 
financiamento integral do procedimento por parte do usuário, ou fator 
restritor severo ao acesso aos serviços; 
http://www.datasus.gov.br/cid10/v2008/cid10.htm
http://www.datasus.gov.br/cid10/v2008/cid10.htm
http://cfo.org.br/servicos-e-consultas/ato-normativo/?id=1420
 
 
8 
VIII - estabelecer em casos de internação, fator moderador em forma de 
percentual por evento, com exceção das definições específicas em 
saúde mental. 
IX – Reembolsar ao consumidor as despesas médicas provenientes do 
sistema de livre escolha, com valor inferior ao praticado diretamente na 
rede credenciada ou referenciada. 
O art. 2 nos mostra o que não é permitido. Gostaríamos de destacar o inciso 
IV, que proíbe a adoção de parâmetros de regulação diferentes dentro de um 
mesmo plano, ou seja: não pode haver diferença na cobertura de eventos entre o 
dono do plano e seus dependentes ou em função da idade, quando eles 
participarem do mesmo plano. 
Nos casos de urgências e emergências, não pode haver exigência de 
autorização prévia, de acordo com o inciso V. 
Conforme o inciso VI, a solicitação de exames e procedimentos feita por 
profissional que não pertença à rede credenciada da operadora também deve ser 
atendida. Também, as franquias e as coparticipações não podem ser estipuladas 
de forma a ser caracterizadas como financiamento integral por parte do paciente. 
O conhecimento do teor dessa resolução é importante, pois obriga o auditor 
a conhecer os termos de seu contrato de prestação de serviços com a operadora, 
assim como aqueles do contrato entre a operadora e o usuário, para que não haja 
o descumprimento dos incisos I e II, já que essa resolução tem força de lei. 
TEMA 4 – LEGISLAÇÃO COMPLEMENTAR APLICADA A AUDITORIA 
ODONTOLÓGICA 
Além da legislação específica que vimos até agora, existem outras leis 
importantes que dão suporte à auditoria odontológica. Nesta aula, iremos apenas 
citá-las, mas aconselhamos a leitura de seus textos integrais àqueles que desejam 
ser auditores odontológicos, pois é a correlação entre todas essas leis e normas 
que possibilita a compreensão plena da complexidade de nossa área de atuação. 
Citamos: 
 Lei n. 5.081, de 24 de agosto de 1966 (Brasil, 1966). Regulamenta o 
exercício da odontologia; 
 Lei n. 6.839, de 30 de outubro de 1980. Estabelece o registro de empresas 
em entidades de fiscalização de seus respectivos conselhos; 
 Lei n. 9.656, de 3 de junho de 1998. Regulamenta os planos e seguros 
privados de saúde; 
 
 
9 
 Lei n. 8.080, de 19 de setembro de 1990. Lei Orgânica da Saúde; 
 Lei n. 9. 661, de 28 de janeiro de 2000. Cria a Agência Nacional de Saúde 
Suplementar (ANS); 
 Resolução Normativa (RN) ANS n. 387, de 28 de outubro de 2015. Atualiza 
o rol de procedimentos e eventos em saúde, que constitui a referência 
básica para a cobertura assistencial mínima nos planos privados de 
assistência à saúde e seus anexos. 
Assim, chegamos ao fim da parte mais importante ao exercício da auditoria 
odontológica, que é o conhecimento da legislação a ela aplicada. O não 
cumprimento de qualquer uma dessas leis e normas certamente causará 
problemas ao auditor. 
Vamos agora a uma parte mais agradável da matéria: a prática da auditoria! 
Mas, antes, lembre-se: quando estudamos legislação, é importante levarmos em 
consideração que as leis e normas e os regulamentos citados até agora referem-
se ao que estava em vigor no momento de sua publicação. Leis, normas e 
regulamentos mudam, são revogados ou substituídos por outros mais atuais ao 
longo do tempo e, portanto, devem ser observadas todas as atualizações 
realizadas posteriormente. 
TEMA 5 – CAMPO DE TRABALHO DO AUDITOR ODONTOLÓGICO 
5.1 Setor público 
Existe campo de trabalho para dentistas auditores nos serviços públicos 
federal, estadual e municipal. 
Em nível federal,existe o Departamento Nacional de Auditoria do Sistema 
Único de Saúde (SUS) (DENASUS), órgão do Sistema Nacional de Auditoria 
(SNA), que é responsável por toda a auditoria do SUS. 
O DENASUS executa auditorias tanto das faturas hospitalares quanto 
ambulatoriais, e dentre as faturas ambulatoriais está a produção de ações em 
odontologia nas milhares de Unidades de Saúde espalhadas por todo o país. 
Existe uma publicação específica que oferece orientações técnicas sobre 
auditoria em odontologia (Brasil, 2005) e que está disponível no site do SNA. 
Além das faturas ambulatoriais, as faturas de cirurgia bucomaxilofacial 
também necessitam ser avaliadas por um cirurgião-dentista quanto a órteses, 
próteses e materiais especiais (OPME) e procedimentos cobrados. 
 
 
10 
Em nível estadual e municipal, também existem serviços de auditoria, 
dependendo do tipo de gestão do SUS em cada município. Os municípios que 
possuem gestão plena do SUS, ou seja, que são responsáveis por programação 
físico-orçamentária, processamento e envio de faturas de procedimentos de 
saúde, executados no município, normalmente possuem serviços próprios de 
auditoria (ou pelo menos deveriam possuir). 
O DENASUS apresenta o seguinte organograma: 
Figura 1 – Organograma do DENASUS 
 
Fonte: adaptado de SNA (s/d). Disponível em: <http://sna.saude.gov.br/organograma.cfm>. 
Acesso em: 18 maio 2018. 
5.2. Setor privado 
Também há campo de trabalho para o auditor no setor privado, sendo essa 
a área com o maior número oportunidades em auditoria odontológica. Há até 
mesmo espaço para empreendedorismo, com a criação de empresas de 
consultoria. Com o aumento da participação da odontologia de convênios em 
consultórios odontológicos, criou-se a necessidade de realizar auditoria nos 
http://sna.saude.gov.br/organograma.cfm
 
 
11 
tratamentos realizados utilizando os mais diversos tipos de planos de saúde 
odontológicos existentes no mercado. 
Dentre os tipos de operadoras de saúde em que há espaço para o auditor 
odontológico desenvolver seus trabalhos, destacamos as empresas de 
odontologia de grupo, as seguradoras, as cooperativas e as autogestões. 
A situação mais comum é aquela em que a operadora contrata os serviços 
do auditor odontológico como profissional autônomo (pessoa física ou jurídica) 
para que realize as auditorias iniciais, intermediárias e finais em seu próprio 
consultório, sendo normalmente o sistema de remuneração baseado em um valor 
fixo por auditoria realizada. 
Há também auditorias para seguros odontológicos, em que são proibidos 
os pagamentos dos honorários do auditor com base nas glosas por ele indicadas. 
Empresas de seguro também realizam auditorias em seus beneficiários que 
porventura tenham sofrido danos odontológicos, em sinistros a serem ressarcidos 
pela seguradora. Nesses casos, pode haver até necessidade de deslocamento do 
auditor até o lugar em que houve o sinistro, ou um hospital. Se o beneficiário tiver 
condições de locomoção, a auditoria poderá ser realizada no consultório do 
auditor. 
Falamos em empresas de consultoria porque acaba sendo um caminho 
natural para o auditor que foca os serviços nessa área aprofundar seus 
conhecimentos em administração de planos de saúde, passando a dar apoio à 
gestão de operadoras para as quais presta serviço. Você se lembra do elo de 
ligação entre o plano e a operadora? Nem todas as operadoras possuem 
cirurgiões-dentistas em seus quadros societários ou de funcionários, o que abre 
campo para um maior envolvimento do auditor para a solução de questões 
técnicas odontológicas que se apresentem no dia a dia. 
Dentro das possibilidades na iniciativa privada, as ações mais comuns que 
um auditor odontológico pode desenvolver, dependendo de seu perfil, são: 
● auditorias clínicas: podem ser realizadas em consultórios próprios ou da 
empresa contratante. O auditor avaliará os tratamentos clínicos dos 
usuários do plano de saúde e suas conformidades técnica e administrativa 
(regras do plano e legislação vigente); 
● auditorias técnicas e eletrônicas: realizadas por meio de imagens 
enviadas pelos dentistas assistentes ou por meio de informações inseridas 
nos sistemas de informação da operadora. São feitas na sede da operadora 
 
 
12 
ou fora dela, desde que haja meios de comunicação e transmissão de 
dados ágeis, ou a possibilidade de acesso remoto ao sistema da empresa; 
● credenciamento de profissionais e clínicas: somente um cirurgião-
dentista tem condições de avaliar se os currículos odontológicos são 
adequados às necessidades da operadora. Também é esse profissional 
com capacidade para avaliar a documentação apresentada para o 
credenciamento (pessoas físicas ou jurídicas) o responsável por realizar 
visitas técnicas para avaliação de instalações físicas dos consultórios; 
● descredenciamento de profissionais e clínicas: o auditor, com o 
conhecimento que possui de toda a legislação, poderá orientar de forma 
segura a empresa e seu responsável técnico sobre o passo a passo dos 
trâmites obrigatórios, prévios ao descredenciamento (ver Resolução CFO 
n. 19, de 25 de junho de 2001 (CFO, 2001a). 
FINALIZANDO 
Nesta aula, pudemos passar da teoria à prática da auditoria, mas sem 
deixar de reforçar a importância que o conhecimento da teoria e de toda a 
legislação abordada representam no dia a dia do auditor odontológico. Quem se 
dedica ao trabalho de auditoria odontológica enfrenta alguns desafios diariamente. 
O primeiro é manter a serenidade e a lucidez ao se deparar com não 
conformidades, a fim de identificar sua causa e suas consequências, além de 
tentar descobrir como o problema pode ser resolvido sem fixar a ideia em procurar 
culpados, que é a tendência natural e característica do ser humano. 
O segundo é como relatar o problema de forma técnica e objetiva sem 
infringir nenhuma regra legal ou ética. Aí é que entra o conhecimento aprofundado 
de tudo o que vimos até agora em nossa disciplina. 
O terceiro, e não menos importante, é planejar uma estratégia para que o 
paciente tenha seu problema resolvido (quando o problema for técnico), sem que 
fique sabendo por nós que ele tem um problema. Entram aí novamente as 
características humanas, só que aliadas à técnica e à metodologia do trabalho de 
auditoria. 
O quarto desafio é ir para casa após um dia cansativo de trabalho buscando 
imperfeições em coisas mínimas e não levar junto com você nem os problemas 
encontrados durante o trabalho nem a tendência em continuar procurando 
 
 
13 
imperfeições quando for tratar de assuntos relacionados à família, pois isso seria 
um desastre total. 
Desafios vencidos, estamos prontos a um novo dia de trabalho. 
LEITURA OBRIGATÓRIA 
BRASIL. Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Resolução de Diretoria 
Colegiada (RDC) n. 39, de 27 de outubro de 2000. Diário Oficial da União, 
Brasília, DF, 27 out. 2000. Disponível em: 
<http://www.ans.gov.br/component/legislacao/?view=legislacao&task=TextoLei&f
ormat=raw&id=Mzgw>. Acesso em: 18 maio 2018. 
_____. Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Resolução Normativa 
(RN) n. 387, de 28 de outubro de 2015. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 4 
dez. 2015. Disponível em: 
<http://www.ans.gov.br/component/legislacao/?view=legislacao&task=TextoLei&f
ormat=raw&id=MzExMA==>. Acesso em: 18 maio 2018. 
_____. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). 
Portaria n. 453, de 1o de junho de 1998. Diário Oficial da União, 2 jun. 1998. 
Disponível em: <http://www.anvisa.gov.br/anvisalegis/portarias/453_98.htm>. 
Acesso em: 14 maio 2018. 
CONSELHO DE SAÚDE SUPLEMENTAR (CONSU). Resolução n. 8, de 3 de 
novembro de 1998. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 4 nov. 1998. Disponível 
em: 
<http://www.ans.gov.br/component/legislacao/?view=legislacao&task=TextoLei&f
ormat=raw&id=MzA3>. Acesso em: 18 maio 2018. 
 
 
 
14 
REFERÊNCIAS 
BRASIL.Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Resolução Normativa 
(RN) n. 387, de 28 de outubro de 2015. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 4 
dez. 2015. Disponível em: 
<http://www.ans.gov.br/component/legislacao/?view=legislacao&task=TextoLei&f
ormat=raw&id=MzExMA==>. Acesso em: 18 maio 2018. 
_____. Decreto-lei n. 2.848, de 7 de dezembro de 1940. Código Penal. Diário 
Oficial da União, Poder Executivo, Brasília, DF, 31 dez. 2018. Disponível em: 
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/Del2848compilado.htm>. Acesso 
em: 16 maio 2018. 
_____. Lei n. 5.081, de 24 de agosto de 1966. Diário Oficial da União, Poder 
Legislativo, Brasília, DF, 26 ago. 1966. Disponível em: 
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l5081.htm>. Acesso em: 14 maio 2018. 
_____. Lei n. 6.839, de 30 de outubro de 1980. Diário Oficial da União, Poder 
Legislativo, Brasília, DF, 3 nov. 1980. Disponível em: 
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L6839.htm>. Acesso em: 14 maio 2018. 
_____. Lei n. 8.080, de 19 de setembro de 1990. Lei Orgânica da Saúde. Diário 
Oficial da União, Poder Legislativo, Brasília, DF, 20 set. 1990. Disponível em: 
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8080.htm>. Acesso em: 18 maio 2018. 
_____. Lei n. 9.656, de 3 de junho de 1998. Diário Oficial da União, Poder 
Legislativo, Brasília, DF, 4 jun. 1998. Disponível em: 
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9656.htm>. Acesso em: 14 maio 2018. 
_____. Lei n. 9.961, de 28 de janeiro de 2000. Diário Oficial da União, Poder 
Legislativo, Brasília, DF, 29 jan. 2000. Disponível em: 
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9961.htm>. Acesso em: 14 maio 2018. 
_____. Lei n. 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Código Civil. Diário Oficial da 
União, Poder Legislativo, Brasília, DF, 11 jan. 2002. Disponível em: 
<http://www.planalto.gov.br/CCivil_03/Leis/2002/L10406.htm>. Acesso em: 16 
maio 2018. 
_____. Lei n. 13. 105, de 16 de março de 2015. Código de Processo Civil. Diário 
Oficial da União, Poder Legislativo, Brasília, DF, 17 mar. 2015. Disponível em: 
 
 
15 
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm>. 
Acesso em: 16 maio 2018. 
_____. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). 
Portaria n. 453, de 1o de junho de 1998. Diário Oficial da União, 2 jun. 1998. 
Disponível em: <http://www.anvisa.gov.br/anvisalegis/portarias/453_98.htm>. 
Acesso em: 14 maio 2018. 
_____. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Saúde Suplementar. Súmula 
Normativa n. 11, de 20 de agosto de 2007. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 
21 ago. 2007. Disponível em: 
<http://www.ans.gov.br/component/legislacao/?view=legislacao&task=TextoLei&f
ormat=raw&id=MTIxMw==>. Acesso em: 18 maio 2018. 
_____. Ministério da Saúde. Departamento Nacional de Auditoria do SUS. 
Orientações técnicas sobre auditoria em odontologia no SUS. Caderno 2, 
2005. Disponível em: 
<http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/orientacoes_tecnicas_auditoria_odo
ntologia_2ed.pdf>. Acesso em: 14 maio 2018. 
CONSELHO FEDERAL DE ODONTOLOGIA (CFO). Resolução n. 19, de 25 de 
junho de 2001a. Diário Oficial da União, 9 ago. 2001a. Disponível em: 
<http://www.crosp.org.br/_fckeditor/file/Guia/RESOLU%C3%87%C3%83O%20C
FO%20019-01.pdf>. Acesso em: 16 maio 2018. 
_____. Resolução n. 20, de 16 de agosto de 2001b. Diário Oficial da União, 27 
set. 2001b. Disponível em: 
<http://www.crosp.org.br/_fckeditor/file/Guia/RESOLU%C3%87%C3%83O%20C
FO%2020-01.pdf>. Acesso em: 14 maio 2018. 
_____. Resolução n. 29, de 21 de agosto de 2002. Diário Oficial da União, 
Brasília, DF, 26 ago. 2002. Disponível em: 
<http://www.normasbrasil.com.br/norma/resolucao-29-2002_98078.html>. 
Acesso em: 18 maio 2018. 
_____. Resolução n. 100, de 18 de março de 2010. Diário Oficial da União, 
Brasília, DF, 30 mar. 2010. Disponível em: 
<http://www.crosp.org.br/uploads/paginas/332908a12e5f1cca55dc48230fd75e55
.pdf>. Acesso em: 18 maio 2018. 
 
 
16 
_____. Resolução n. 102, de 12 de maio de 2010. Disponível em: 
<http://www.crosp.org.br/_fckeditor/file/Guia/RESOLU%C3%87%C3%83O%20C
FO%20102-10.pdf>. Acesso em: 14 maio de 2018. 
_____. Resolução n. 118, de 11 de maio de 2012. Código de Ética Odontológica. 
Diário Oficial da União, 14 jun. 2012. Disponível em: 
<http://www.cropr.org.br/uploads/arquivo/724571448d7a83c915ebc18e218042a3
.pdf>. Acesso em: 14 maio 2018. 
CONSELHO DE SAÚDE SUPLEMENTAR (CONSU). Resolução n. 8, de 3 de 
novembro de 1998. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 4 nov. 1998. Disponível 
em: 
<http://www.ans.gov.br/component/legislacao/?view=legislacao&task=TextoLei&f
ormat=raw&id=MzA3>. Acesso em: 18 maio 2018. 
 
AULA 6 
AUDITORIA EM ODONTOLOGIA 
Prof. Jacques Ferreira Neto 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
Para finalizar nossa matéria, nesta aula apresentaremos a você as 
situações com que nos deparamos diariamente, algumas, pitorescas e 
engraçadas; outras, graves a ponto de nos imprimirem profunda desilusão em 
saber aquilo que o ser humano é capaz de fazer para atingir seus objetivos. 
Em tempos de Operação Lava Jato, devemos refletir sobre o que é todo 
esse processo: uma profunda auditoria em todas as ações realizadas por pessoas 
inescrupulosas. Isso só nos dá mais força para desenvolvermos nosso trabalho 
de maneira digna e ética. 
CONTEXTUALIZANDO 
A prática da auditoria odontológica nos impõe rotinas e obrigações 
diferentes de tudo o que aprendemos na faculdade de odontologia. 
No dia a dia, nos deparamos com questões burocráticas e rotineiras para 
as quais os profissionais de saúde não foram preparados, mas que são 
imprescindíveis para a validação de todos os processos dentro de uma empresa. 
Saber lidar com elas é o que faz a diferença entre um dentista assistente e um 
auditor odontológico. 
O auditor odontológico deve ter a capacidade de entender todo o processo: 
a formatação do sistema ou plano de saúde, a contratação de recursos humanos 
– tanto para administração quanto para prestação de serviços –, o lado do 
consumidor dos serviços, o sistema de pagamento, todas as formas de regulação 
do sistema com suas alternativas e possibilidades, o funcionamento da máquina 
administrativa e dos sistemas de informação, faturamento e pagamento. Além 
disso, ele deve ter todo o conhecimento técnico que a odontologia moderna nos 
oferece. 
Parece difícil, mas com o passar dos anos, tudo acaba ficando mecânico! 
TEMA 1 – ROTINAS ADMINISTRATIVAS 
Não é uma situação comum aos cirurgiões-dentistas seguir rotinas 
administrativas em seus consultórios ou clínicas. As faculdades de odontologia, 
de uma forma geral, não preparam os profissionais para lidar com a administração 
de seus consultórios ou clínicas, quanto mais com empresas de terceiros. O fato 
é que um consultório odontológico, por mais simples que seja, tem a necessidade 
 
 
3 
de ser administrado como uma empresa que tem no lucro o sustento de sua 
atividade, de seu proprietário e de seus colaboradores. E para que possa 
funcionar, deve respeitar exigências administrativas e legais que não podem ser 
deixadas de lado, sob o risco de não obter sucesso. 
Para o auditor odontológico, as rotinas administrativas exigidas de forma 
mais complexa e permanente são: 
● preenchimento de guias e formulários; 
● elaboração de relatórios técnicos e gerenciais; 
● elaboração e avaliação de planilhas; 
● armazenamento e gestão de documentos; 
● avaliação de documentação para cadastramento de empresas e 
profissionais; 
● acompanhamento da situação cadastral de empresas e profissionais; 
● acompanhamento administrativo-financeiro do plano de saúde/operadora; 
● operação de sistemas de informação. 
Portanto, o auditor deve estar preparado para entrar em um campo para o 
qual não foi preparado durante sua formação profissional. Por isso é necessário 
que ele se atualize constantemente, fazendo cursos da área de administração e 
gestão de unidades desaúde. Some-se a isso, a leitura e o acompanhamento 
constante da legislação aplicada ao setor, que por reger uma área de 
conhecimento tão "jovem" está sempre mudando e sendo aperfeiçoada. 
TEMA 2 – DOCUMENTOS, IMPRESSOS EXPLICATIVOS E TABELAS DO PLANO 
DE SAÚDE 
Cada plano de saúde é diferente do outro. Inclusive dentro da mesma 
operadora existem planos diferentes, com coberturas e regras diferentes. Por isso 
é importantíssimo que o auditor conheça muito bem o funcionamento de cada 
plano que auditará. Conhecer os direitos e os deveres de cada uma das partes 
envolvidas o ajudará a tomar as decisões corretas na hora de escrever um 
relatório. 
Os documentos que devem ser de pleno conhecimento do auditor são: 
● manual de orientações; 
● regulamento do plano; 
● cadastro de serviços complementares; 
 
 
4 
● relação de prestadores; 
● contratos de prestação de serviço (o seu próprio, além daqueles do 
assistente e do usuário); 
● tabela de honorários e procedimentos cobertos por cada plano. 
O auditor odontológico, muitas vezes, é o responsável pela autorização do 
início do tratamento (que é dada com base na auditoria inicial) proposto pelo 
dentista assistente, e deve estar ciente de que uma negativa de cobertura 
incorreta pode custar muito caro à operadora. As multas aplicadas pela Agência 
Nacional de Saúde Suplementar (ANS) são altíssimas e, portanto, todo cuidado é 
pouco nesses casos. Foi por isso que demos bastante ênfase à legislação 
aplicada à auditoria odontológica em nossas aulas anteriores, para que não se 
alegue desconhecimento caso ocorra uma falha de nossa parte (sim, também 
estamos sujeitos a falhas!). 
Saiba mais 
Você não pode deixar de ler o Guia prático da contratualização elaborado 
pela ANS. Disponível em: 
<http://www.ans.gov.br/images/stories/Materiais_para_pesquisa/Materiais_por_a
ssunto/21052013guia_pratico_contratualizacao.pdf>. 
A ANS também estabelece um rol mínimo de procedimentos com cobertura 
obrigatória que todos os planos de saúde – médicos e/ou odontológicos – são 
obrigados a oferecer a seus beneficiários, dependendo de sua segmentação no 
mercado de saúde suplementar. Isso não quer dizer que os planos devam oferecer 
somente esses procedimentos, mas que eles são o mínimo que se deve oferecer. 
É comum que os planos ofereçam procedimentos extrarrol. 
Saiba mais 
Você sabia que o rol mínimo é atualizado periodicamente, por meio de 
consultas públicas? Ele pode ser encontrado no site da ANS. Disponível em: 
<http://www.ans.gov.br/planos-de-saude-e-operadoras/espaco-do-consumidor/o-
que-o-seu-plano-de-saude-deve-cobrir>. 
Existe um padrão de nomenclatura para códigos e procedimentos 
estabelecido pela Terminologia Unificada em Saúde Suplementar (TUSS), mas as 
operadoras podem submeter à apreciação de um comitê específico da ANS, o 
Comitê de Padronização das Informações em Saúde Suplementar (COPISS), a 
http://www.ans.gov.br/images/stories/Materiais_para_pesquisa/Materiais_por_assunto/21052013guia_pratico_contratualizacao.pdf
http://www.ans.gov.br/images/stories/Materiais_para_pesquisa/Materiais_por_assunto/21052013guia_pratico_contratualizacao.pdf
http://www.ans.gov.br/planos-de-saude-e-operadoras/espaco-do-consumidor/o-que-o-seu-plano-de-saude-deve-cobrir
http://www.ans.gov.br/planos-de-saude-e-operadoras/espaco-do-consumidor/o-que-o-seu-plano-de-saude-deve-cobrir
 
 
5 
inclusão de procedimentos não constantes da tabela da TUSS. No site da ANS 
você pode encontrar os padrões para essas inclusões. 
Quanto às tabelas de procedimentos odontológicos, é importante dizermos 
que, quanto mais a tabela for regulamentada, isto é, quanto mais instruções 
específicas ela possuir para a utilização de cada procedimento em que possa 
haver dúvida, além de instruções gerais para cada especialidade odontológica, 
mais tranquila será a atuação do auditor. Por isso, recomendamos que o auditor 
participe dessa regulamentação de forma proativa. A cada dificuldade de 
entendimento, por parte da rede credenciada, da utilização de algum 
procedimento da tabela de cobertura, seja você, o auditor, o instrumento de auxílio 
à gestão do plano, sugerindo a correta regulamentação do procedimento; isso 
certamente facilitará muito o seu trabalho. 
2.1 Prontuários e guias de tratamento odontológico 
Muitas vezes, o dentista faz confusão entre esses dois documentos. Cada 
um deles tem uma função específica, e um não exclui a necessidade do outro. 
O prontuário odontológico é um documento de preenchimento obrigatório 
pelo cirurgião-dentista, conforme determina o Código de Ética Odontológica (CFO, 
2012) em seu art. 9º, inciso X: "Art. 9°. Constituem deveres fundamentais dos 
inscritos e sua violação caracteriza infração ética: [...] X - elaborar e manter 
atualizados os prontuários na forma das normas em vigor, incluindo os prontuários 
digitais [...]". 
E, no art. 17 do mesmo código de ética: 
Art. 17. É obrigatória a elaboração e a manutenção de forma legível e 
atualizada de prontuário e a sua conservação em arquivo próprio seja de 
forma física ou digital. 
Parágrafo Único. Os profissionais da Odontologia deverão manter no 
prontuário os dados clínicos necessários para a boa condução do caso, 
sendo preenchido, em cada avaliação, em ordem cronológica com data, 
hora, nome, assinatura e número de registro do cirurgião-dentista no 
Conselho Regional de Odontologia. 
De acordo Jussara M. L. Meirelles (in Giostri, 2009, p. 181), 
[...] além de constituir dever do odontólogo, o prontuário é de grande 
valia na instrução de processos movidos contra o profissional. Mostra-se 
indiscutível a importância de tais registros, por constituírem prova 
documental diante de pacientes insatisfeitos, ora pelo procedimento em 
si, ora pelo resultado. 
Saiba mais 
 
 
6 
Apesar de um pouco desatualizado devido a alterações feitas na legislação 
vigente após a data de sua publicação, sugerimos a você que leia o relatório 
solicitado pelo Conselho Federal de Odontologia (CFO) a uma comissão de 
profissionais sobre o prontuário odontológico (Almeida et al., 2004), que continua 
sendo o principal orientador ao correto preenchimento desse importante 
documento. Disponível em: <http://www.faculdadepaulopicanco.edu.br/wp-
content/uploads/2017/03/modelo_prontuario_odontologico_cfo-1.pdf>. 
A ANS estabeleceu um sistema conhecido como Troca de Informações 
na Saúde Suplementar (TISS), conforme a Resolução Normativa (RN) ANS n. 
305, de 9 de outubro de 2012 (Brasil, 2012), para garantir a interoperabilidade 
entre os sistemas utilizados por ela e pelo Ministério da Saúde. A TISS tem a 
finalidade de: 
Art. 3o [...] 
I - padronizar as ações administrativas de verificação, solicitação, 
autorização, cobrança, demonstrativos de pagamento e recursos de 
glosas; 
II - subsidiar as ações da ANS de avaliação e acompanhamento 
econômico, financeiro e assistencial das operadoras de planos privados 
de assistência à saúde, e 
III - compor o registro eletrônico dos dados de atenção à saúde dos 
beneficiários de planos privados de assistência à saúde. 
Fazem parte da TISS a tabela de Terminologia Unificada da Saúde 
Suplementar (TUSS), com a codificação de procedimentos e eventos em saúde; 
um conjunto de guias padronizado para a troca de informações físicas (em papel) 
para segmentos diferentes de serviços; e um padrão de linguagem digital para 
troca de dados Extensible Markup Language (XML), que garante o sigilo e a 
confidencialidade das informações em saúde. 
A guia de tratamento odontológico (GTO) é um dos documentos 
administrativos da TISS, que serve como meio de comunicação oficial entre a 
operadora de saúde e os dentistas (auditor e assistente), e tem por finalidade 
apresentar, para cobrança junto à operadora, o demonstrativo dos tratamentos 
administrados ao paciente. 
O preenchimento da GTO não exime o cirurgião-dentista assistente da 
obrigatoriedade de preenchimento do prontuário odontológico.Ao final do 
tratamento, a GTO original deve ser enviada à operadora para cobrança. Esta, por 
sua vez, não tem obrigatoriedade de guarda desse documento após o 
processamento do respectivo pagamento, podendo então destruí-la. Assim, em 
 
 
7 
caso de ação judicial ou processo ético, o documento solicitado será sempre o 
prontuário. 
O modelo da GTO padrão TISS para todas as operadoras de saúde deve 
ser o seguinte : 
Figura 1 – Modelo da guia de tratamento odontológico (GTO) padrão Troca de 
Informações da Saúde Suplementar (TISS) 
 
2.2 Relatórios de auditorias e glosas 
Como já vimos, o relatório é o documento final de uma auditoria, e há regras 
específicas para sua emissão, seu encaminhamento, seu arquivamento e seu 
descarte. 
O relatório de auditoria deve conter campos para identificação clara do 
auditado (paciente) e do auditor. Deve conter espaço para a réplica do profissional 
que executou o serviço e para a tréplica do auditor com suas considerações e 
recomendações finais. Lembre-se de que essas recomendações finais podem ser 
alteradas a qualquer momento antes do envio da fatura ao convênio e, mesmo 
após o envio, pode haver mudança em seu teor, desde que mudem as condições 
do tratamento realizado ou haja informações adicionais não observadas 
 
 
8 
anteriormente. Ou seja: se o dentista corrigir os problemas apontados, o teor do 
relatório e das recomendações deve mudar também. O relatório não é um 
documento definitivo. 
O relato dos fatos observados deve obedecer normas de preenchimento, 
conforme orienta a Resolução CFO n. 20, de 16 de agosto de 2001, em seu art. 
24, que determina que: 
A codificação a ser usada pelo perito/auditor em sua comunicação com 
o cirurgião-dentista assistente, utilizará o código de procedimentos da 
CNCC [hoje código TUSS], o sistema dígito dois de identificação 
dentária, a especificação da face do elemento dentário pelas letras que 
as designam e pelas três primeiras letras do verbo que determinar a 
intervenção. 
Por exemplo: a restauração em resina composta fotopolimerizável, 
realizada nas faces mesial, oclusal e distal do segundo molar superior direito, será 
identificada da seguinte maneira: Código – 85100218 – RES FOTO – 17 – MOD. 
Essa codificação tem a finalidade de dificultar a compreensão do teor do 
relatório por um leigo, buscando preservar o sigilo profissional e a 
confidencialidade no relacionamento dentista assistente/auditor. 
As formas de encaminhamento do relatório também já foram abordadas por 
nossos estudos do art. 24 da Resolução CFO n. 20 (CFO, 2001) e do art. 10º, 
inciso II, do Código de Ética Odontológica (CFO, 2012). O ideal é que haja uma 
forma eletrônica segura de comunicação, mas não é o que acontece 
normalmente, cabendo ao paciente o transporte desse relatório para um lado e 
para o outro. Sendo assim, é imperativo que sejam tomados todos os cuidados 
para que não haja violação dessa correspondência. Para isso, sugerimos que o 
auditor estabeleça um método e aja sempre da mesma maneira, pois isso poderá 
estabelecer a sua defesa em caso de violação de correspondência por parte do 
paciente e de uma reclamação ética a esse respeito junto ao Conselho Regional 
de Odontologia (CRO), ou em juízo. Utilize sempre um envelope que não permita 
a visualização do teor do laudo, fechado com cola e lacrado, contendo a 
identificação do profissional a que se destina e a clara identificação de que se trata 
de um documento confidencial. 
Lembre-se de que o Relatório deve sempre: 
• ater-se à técnica; 
• não conter juízo de valores; 
• proporcionar o direito constitucional à defesa; 
 
 
9 
• buscar o consenso; 
• nunca envolver o cliente; 
• ser redigido em duas vias (uma fica arquivada com o auditor). 
Não há nenhuma legislação a respeito de prazo quanto ao arquivamento 
de relatórios de auditoria, mas sugerimos que o auditor mantenha cópias de todos 
os relatórios por ele emitidos por no mínimo dez anos, pois é mais ou menos a 
soma do prazo intervalar mínimo para se refazer um procedimento em um plano 
de saúde, e um prazo razoável para que uma ação judicial seja posta andamento. 
A prescrição das infrações éticas é definida em 5 (cinco) anos pela Resolução 
CFO n. 183, de 1o de outubro de 1992 (CFO, 1992). Todos os documentos devem 
ser destruídos antes de descartados a fim de impossibilitar a identificação do 
paciente e do profissional auditado. 
As operadoras trabalham com uma tabela de codificação de motivos de 
glosas, estabelecidas pela ANS no padrão TISS. Na maioria das vezes, o auditor 
odontológico deve se preocupar em relatar as não conformidades técnicas 
observadas, sem ter que indicar o tipo de glosa que deve ser realizado. Porém, 
se o auditor for contratado para realizar uma auditoria interna no sistema de 
faturamento da operadora, essa tabela também passa a ser um instrumento de 
trabalho do auditor. 
Segue sugestão de modelo de formulário de auditoria odontológica: 
 
 
 
10 
Figura 2 – Modelo de formulário de auditoria odontológica 
 
No serviço público, o Sistema Nacional de Auditoria (SNA) lançou um 
manual específico para glosas, com toda a fundamentação legal sobre o tema. 
Saiba mais 
Para conhecer o manual de glosas do SNA (Brasil, 2004) que citamos neste 
tema, acesse: 
<http://sna.saude.gov.br/download/MANUAL%20DE%20GLOSA%20DO%20SN
A.pdf>. 
http://sna.saude.gov.br/download/MANUAL%20DE%20GLOSA%20DO%20SNA.pdf
http://sna.saude.gov.br/download/MANUAL%20DE%20GLOSA%20DO%20SNA.pdf
 
 
11 
Aproveite e dê também uma olhada na tabela do motivo de glosas (TISS 
Med Consultoria Hospitalar, s/d) usada pela ANS, disponível em: 
<http://www.tissmed.com/TabelasMotivodeGlosaAns.pdf>. 
TEMA 3 – PROTOCOLOS CLÍNICOS 
O mundo não permite mais o empirismo em tempos de informação rápida 
e farta nos diversos meios de comunicação disponíveis. Diariamente, o 
profissional de saúde se depara com questionamentos de seus pacientes, de seus 
colegas e de seus empregadores sobre novos materiais ou novas técnicas 
revolucionárias de que ouviram falar na televisão e que são capazes de mudar 
tudo no planejamento de seu trabalho. 
Antigamente, o conhecimento científico era adquirido por meio de 
publicações científicas pouco acessíveis aos profissionais dentro de seus 
consultórios. Ou o profissional estava no meio acadêmico, ou tinha que esperar 
muito tempo entre a conclusão do trabalho científico e sua publicação, o que o 
mundo do conhecimento virtual não admite mais. O mundo acadêmico, 
antecipando-se a isso, criou mecanismos para disseminar o conhecimento 
científico de forma técnica, responsável e com agilidade. Chamaram a isso de 
saúde baseada em evidências, tendo a medicina como precursora, seguida de 
perto pela odontologia e outras profissões de saúde. 
O cirurgião-dentista não é obrigado a saber tudo sobre todos os assuntos 
relacionados a sua profissão, mas também não pode mais dar a desculpa de que 
não sabe nada a respeito de determinado assunto. É sua obrigação pesquisar 
sobre o tema mencionado e dar uma resposta a quem o questionou, de forma 
técnica e segura, para não ser rotulado de desatualizado. 
É preciso então saber onde e como procurar respostas técnicas para os 
seus questionamentos. Para isso, você deve conhecer e ter acesso a sites de 
pesquisas acadêmicas reconhecidamente comprovados como confiáveis, sob o 
ponto de vista da garantia de publicação exclusiva de trabalhos realizados sob a 
luz da metodologia científica. 
Outra função importante da odontologia baseada em evidências na 
auditoria é estabelecer a utilização de metodologia científica para pesquisa, 
construção e validação de protocolos clínicos. Esses protocolos normalmente são 
criados para identificar as melhores práticas disponíveis para tratar determinadas 
enfermidades ou realizar procedimentos específicos, prevenindo a realização de 
http://www.tissmed.com/TabelasMotivodeGlosaAns.pdf12 
tratamentos ou procedimentos desnecessários para a resolução de um problema. 
Isso também reduz o número de retratamentos ou insucessos clínicos evitáveis e 
otimiza os recursos despendidos em saúde, ambos também considerados 
funções importantes da auditoria moderna. 
Além de todos os instrumentos já citados anteriormente, fazem parte da 
rotina do auditor odontológico: 
● Classificação Estatística Internacional de Doenças – CID-10 
● O Código de Ética Odontológica 
● Toda a legislação citada anteriormente 
TEMA 4 – A PRÁTICA DA AUDITORIA PREVENTIVA/OPERATIVA (CLÍNICA) 
Como vimos anteriormente, o campo de atuação do auditor odontológico é 
bastante diversificado, existindo diversos tipos de auditoria possíveis. 
Na enorme maioria dos casos, as auditorias transcorrem sem situações 
duvidosas ou não conformidades, mas, quando encontramos as não 
conformidades, a auditoria mostra a sua importância. São elas que tornam nosso 
trabalho interessante e não rotineiro. O dito popular “cada caso é um caso” 
demonstra perfeitamente o dia a dia do auditor odontológico. Tentaremos, então, 
mostrar um pouco das atividades e das situações (curiosas) mais comumente 
observadas em nossa prática. 
A auditoria clínica é normalmente realizada nos consultórios dos 
profissionais contratados ou em um consultório montado pela operadora de 
saúde, sendo o exame clínico do paciente e a avaliação das guias e imagens a 
maior fonte de informações para a elaboração do relatório. 
4.1 Auditoria inicial ou pré-auditoria 
O auditor deve: 
 identificar o paciente: sim, muitos auditores já tiveram o desprazer de 
identificar fraudes, na qual o paciente examinado não é o beneficiário do 
plano, mas um "amigo" deste; 
 preencher corretamente a guia de tratamento odontológico (GTO): 
sendo a GTO um documento administrativo que serve para pagamento do 
tratamento realizado, é necessário o seu correto preenchimento. Porém, 
isso não é o que ocorre no dia a dia. Muitas guias não são preenchidas 
 
 
13 
completamente ou corretamente. Campos de preenchimento obrigatório, 
muitas vezes, não são preenchidos ou são preenchidos no local errado da 
guia. Assim, o profissional de auditoria recebe muitas GTOs com linhas em 
branco, valores não preenchidos, soma total não realizada, falta de 
identificação clara do dentista assistente, tratamento realizado por 
profissional não pertencente ao corpo clínico credenciado (terceirização) 
etc. Muitas vezes, a incorreção no preenchimento pode provocar situações 
engraçadas e interessantes: 
o aplicação tópica de flúor em próteses totais? 
 
Fonte: Jacques Ferreira Neto. 
o código errado e descrição, mais ainda (exodontia de decíduo) 
 
Fonte: Jacques Ferreira Neto. 
 adequar o plano de tratamento à necessidade de tratamento do 
paciente: nessa atividade, identificamos um grande número de não 
 
 
14 
conformidades e infrações éticas, conforme vimos em nossa Aula 4, no 
Código de Ética Odontológica, art. 11, incisos III, IV, V (CFO, 2012); 
 adequar o plano de tratamento ao regulamento do plano: nem sempre 
o tratamento mais indicado ao paciente está coberto por seu plano de 
saúde, e a negativa do tratamento deixa de ser técnica e passa a ser 
administrativa. Isso não quer dizer que interferimos na autonomia do 
profissional em propor seu tratamento, mas somente que o procedimento 
proposto não é coberto. Isso gera muita insatisfação por parte de 
profissionais e pacientes. 
4.2 Auditoria intermediária 
O auditor deve verificar: 
 O andamento do tratamento: devemos verificar se o resultado esperado 
até determinada fase do tratamento foi atingido (ação comum em auditoria 
de tratamentos ortodônticos), ou, em caso de tratamento protético extenso, 
se foram instaladas as próteses provisórias, e se as endodontias estão em 
conformidade antes da instalação das próteses definitivas. 
 Alterar planos de tratamento: devemos aqui diferenciar alterações no 
plano de tratamento aprovado das intercorrências durante a execução do 
tratamento. São intercorrências as mudanças no plano de tratamento que 
não afetam o tipo de tratamento final previamente aprovado em auditoria 
inicial. Por exemplo: a necessidade de tratamento de canal em um dente 
em que foi proposta uma restauração direta e que, após endodontia, ainda 
receberá uma restauração direta. Consideramos como alteração toda 
mudança brusca de rumo na proposta de tratamento. Por exemplo: usando 
o exemplo anterior, se após a endodontia o dente necessitar de uma 
prótese, o profissional deverá submeter o novo planejamento de tratamento 
a uma auditoria intermediária a fim de verificar a procedência da alteração, 
a cobertura e possíveis carências (períodos intervalares). 
4.3 Auditoria final 
A maior parte das não conformidades são observadas nessa fase da 
auditoria, seja por falha administrativa, seja por falha técnica. Nela, o auditor deve 
verificar: 
 
 
15 
 Falhas administrativas: os exemplos mais comuns de falhas 
administrativas são a falta das auditorias obrigatórias nas fases iniciais do 
tratamento, a não observância da cobertura e do regulamento do plano, 
preenchimento incorreto e incompleto ou rasura da GTO pré-aprovada, 
valor total do tratamento que ultrapassa o valor mínimo para auditoria 
obrigatória, o não envio de imagens solicitadas pela auditoria para a 
comprovação da execução do procedimento, entre outras. 
 Falhas técnicas: essa é a parte mais difícil da auditoria odontológica. É 
quando o auditor tem que avaliar a correção do trabalho de um colega com 
o objetivo de proteger a parte mais fraca, que é o paciente. O bom auditor 
é aquele que consegue separar o lado pessoal do profissional, 
desenvolvendo seu trabalho com absoluta isenção de sentimentos e de 
uma forma fria e técnica. O auditor nunca deve supor algo, ele deve ter 
absoluta convicção daquilo que fará parte de seu relatório; se não for assim, 
ele deverá solicitar todo tipo de esclarecimento necessário até estabelecer 
seu próprio entendimento sobre o caso. Coisas que à primeira vista podem 
parecer normais, só o são após a certificação do auditor, com todos os 
detalhes a sua disposição. Mais ou menos como São Tomé, que, de acordo 
com o Novo Testamento, só acreditou na ressurreição de Jesus quando o 
viu pessoalmente, o auditor tem que eliminar qualquer possível dúvida que 
possa enfraquecer sua convicção sobre o fato auditado. Por menor que 
seja a dúvida, ela deve ser esclarecida. Nessa fase, por ser a última, ele 
deve ter como meta o erro zero, pois é nela que surgem as maiores 
discussões, aquelas que geram processos legais e éticos. Porém, 
lembramos que é permitido errar e voltar atrás a qualquer momento, 
cabendo ao auditor o reconhecimento do erro e a devida correção do teor 
de seu relatório. 
TEMA 5 – A PRÁTICA DA AUDITORIA ANALÍTICA (TÉCNICA) 
Nesse tipo de auditoria, não há contato com o paciente, mas, como vimos 
anteriormente, é a fase mais importante no apoio à gestão do plano de saúde, 
sendo responsável por mudanças de rotinas, processos, normas, regulamentos e 
a criação de protocolos. 
 
 
16 
Exige do auditor habilidades fora do campo de conhecimento da 
odontologia, como informática, administração de empresas e matemática aplicada 
à administração. 
Nessa área, as possibilidades de atuação do auditor odontológico se 
ampliam muito, de acordo com o nível de capacitação que ele têm, exigindo dele 
constante aperfeiçoamento. O diferencial competitivo entre um auditor 
odontológico e um profissional da administração, na execução dessas ações, 
reside exatamente no conhecimento técnico da odontologia, tornando-o atrativo 
ao mercado de trabalho. 
Citaremos apenas algumas das inúmeras ações pertinentes à auditoria 
analítica/técnica: 
 Liberar procedimentos e tratamentos: dá autorização eletrônica de 
tratamentos após análise do histórico de registros clínicos constantes do 
sistema operacionalda operadora, e de análise de prazo intervalar de 
repetição de procedimentos. 
 Avaliar o perfil da rede credenciada: nessa atividade, incluímos análise 
prospectiva do retrabalho clínico (desperdício), avaliação da efetividade 
clínica do prestador (longevidade do tratamento), controle de não 
conformidades por prestador (quantitativa e qualitativa), análise de 
satisfação do cliente (reclamações e questionários de satisfação). Tudo 
baseado em informações alimentadas ao sistema de informática da 
operadora. 
 Avaliar o perfil da clientela: avalia o padrão da clientela durante a 
contratação de planos coletivos, detecta grupos de risco de doenças 
periodontais, doença cárie ou câncer bucal para o desenvolvimento de 
medidas de prevenção e manutenção, coletivas ou individuais. 
 Regulamentar tabelas e sistemas operacionais da operadora: 
regulamenta atividades de parametrização dos procedimentos cobertos 
para possibilitar a sua inserção em sistemas de informação, e tabelas para 
evitar a utilização de procedimentos fora do regimento do plano. 
 Fazer o controle administrativo-financeiro do plano: isso é feito por 
meio de planilhas e gráficos obtidos com base nos indicadores financeiros 
do plano, pelo cálculo de custo per capita, pelo controle de sinistralidade e 
pela avaliação estatística de desvios da normalidade geral e individual. 
 
 
17 
 Treinar equipes: a auditoria analítica deve treinar auditores externos e 
internos, além de promover a capacitação de leigos para unificar o 
conhecimento e a calibração de procedimentos na rede de auditoria. 
 Criar protocolos clínicos: visa a diminuição e o melhor aproveitamento 
dos recursos disponíveis. 
 Criar pacotes de serviços específicos: dessa forma, é possível atender 
algumas especialidades em que o padrão de pagamento preconizado pela 
TISS (fee-for-service) não atende as expectativas do mercado. 
 Analisar recursos de glosa: é dessa forma que se garante o direito à 
ampla defesa do prestador. 
FINALIZANDO 
Em suma, o auditor odontológico deve: 
• ter boa oratória e boa escrita, expressando-se com clareza; 
• ser bom ouvinte; 
• ser pontual e organizado; 
• saber como apresentar a auditoria a seus amigos e possíveis 
empregadores como algo importante e indispensável; 
• ter conhecimentos tanto técnicos quanto administrativos e legais; 
• ter a consciência de que não é um fiscal e, sim, orientador, controlador, 
pacificador e agente de mudança; 
• manter documentos e registros referentes à auditoria em arquivos seguros 
e confidenciais; 
• preservar o bom relacionamento com os colegas; 
• decidir, com respaldo técnico-científico, honestidade e responsabilidade. 
E, assim, concluímos essa disciplina, certos de que esse é o primeiro passo 
da caminhada sem fim que nos transformará em verdadeiros auditores 
odontológicos. 
LEITURA OBRIGATÓRIA 
ALMEIDA, C. A. P. et al. Prontuário odontológico: uma orientação para o 
cumprimento da exigência contida no inciso VIII do art. 5° do Código de Ética 
Odontológica. Rio de Janeiro, 2004. Disponível em: 
 
 
18 
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em: 20 maio 2018. 
BRASIL. Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Guia prático da 
contratualização. Disponível em: 
<http://www.ans.gov.br/images/stories/Materiais_para_pesquisa/Materiais_por_a
ssunto/21052013guia_pratico_contratualizacao.pdf>. Acesso em: 19 maio 2018. 
 
 
 
19 
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cumprimento da exigência contida no inciso VIII do art. 5° do Código de Ética 
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Mundi Brasil, 2007. 
BRASIL. Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Disponível em: 
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contratualização. Disponível em: 
<http://www.ans.gov.br/images/stories/Materiais_para_pesquisa/Materiais_por_a
ssunto/21052013guia_pratico_contratualizacao.pdf>. Acesso em: 19 maio 2018. 
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cobrir? Disponível em: <http://www.ans.gov.br/planos-de-saude-e-
operadoras/espaco-do-consumidor/o-que-o-seu-plano-de-saude-deve-cobrir>. 
Acesso em: 19 maio 2018. 
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<http://www.unidas.org.br/universidade/livro_autogestao_saude_brasil.pdf>. 
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