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ERGONOMIA E FISIOLOGIA DO TRABALHO

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MATERIAL DIDÁTICO 
 
 
 
ERGONOMIA E FISIOLOGIA DO 
TRABALHO 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CREDENCIADA JUNTO AO MEC PELA 
PORTARIA Nº 1.282 DO DIA 26/10/2010 
 
0800 283 8380 
 
www.ucamprominas.com.br 
 
 
Impressão 
e 
Editoração 
 
 
 
2 
 
SUMÁRIO 
UNIDADE 1 - INTRODUÇÃO ...................................................................................... 3 
UNIDADE 2 - ERGONOMIA ....................................................................................... 6 
2.1 REFLEXÕES CRÍTICAS INICIAIS E ESSENCIAIS ............................................................... 6 
2.2 ERGONOMIA ............................................................................................................ 8 
2.3 ÁREAS DE ATUAÇÃO ................................................................................................. 9 
2.4 ABORDAGEM MULTIPROFISSIONAL DA ERGONOMIA .................................................... 11 
2.5 DEGRAUS DA INTERVENÇÃO ERGONÔMICA ................................................................ 11 
UNIDADE 3 - LESÕES POR ESFORÇOS REPETITIVOS (LER)/DISTÚRBIOS 
OSTEOMUSCULARES RELACIONADOS AO TRABALHO (DORT) ...................... 13 
3.1 DEFINIÇÃO............................................................................................................. 13 
3.2 BREVE HISTÓRICO DE LER/DORT NO BRASIL .......................................................... 14 
3.3 FATORES DE RISCOS PARA LER/DORT ................................................................... 14 
UNIDADE 4 - PERDA AUDITIVA INDUZIDA POR RUÍDO (PAIR) .......................... 20 
4.1 DEFINIÇÃO............................................................................................................. 20 
4.2 CARACTERIZAÇÃO DA PAIR .................................................................................... 21 
4.3 FATORES DE RISCO ................................................................................................ 22 
4.4 CUSTOS PARA A PREVIDÊNCIA SOCIAL EM 2002 ....................................................... 23 
UNIDADE 5 - LEGISLAÇÃO E NORMAS REGULAMENTADORAS ...................... 25 
UNIDADE 6 - FISIOLOGIA DO TRABALHO ............................................................ 39 
REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 46 
ANEXOS ................................................................................................................... 49 
 
 
 
 
3 
 
UNIDADE 1 - INTRODUÇÃO 
 
A revolução social, cultural e profissional que se vive atualmente, proporciona 
avançados nos recursos tecnológicos com o intuito de facilitar a vida das pessoas, 
tais como o uso de computadores, lap top ou notebook, alarmes, telefones celulares 
e diversos outros equipamentos que são lançados continuamente no mercado. No 
entanto, a utilização das novas tecnologias tem também promovido o aumento de 
acidentes de trabalho, doenças ocupacionais, gerando ações nas esferas jurídicas, 
cível, criminal, trabalhista e previdenciária, que trazem inúmeras repercussões e 
prejuízos nos relacionamentos entre capital e trabalho, empresário e trabalhador, e 
sociedade de um modo geral, como será demonstrado no decorrer desta obra. 
As consequências têm sido discutidas nas áreas de saúde, social, 
tecnológica, segurança, jurídica, pesquisa, normas internacionais, e tem motivado o 
desenvolvimento de trabalhos vinculados à prevenção primária de saúde, ou seja, 
fazendo promoção de saúde e proteção específica, e segurança, bem como do 
conhecimento e avaliação dos riscos e dos efeitos que os mesmos ocasionam, 
buscando desta forma uma globalização e padronização de rotinas e práticas que 
tragam como resultado a proteção à saúde e segurança dos trabalhadores e do 
meio ambiente, onde criam-se ordens de serviço ou procedimentos específicos e 
que são exigências legais (Lei 6.514 - 22.12.1977 - NRs. Portaria 3.214- 
08.06.1978). 
Apesar de existir um avanço tecnológico no que se refere à veiculação de 
informações e pesquisas, através do uso da web ou internet, deve-se admitir que a 
velocidade dessas informações, bem como o seu dinamismo, favorecem erros 
técnico-científicos, embora o processo de benchmarking entre os profissionais que 
atuam nas áreas de prevenção à saúde, segurança, meio ambiente, resulte na 
criação de uma malha normativa que agrupa de maneira global as informações a 
todos os envolvidos, na tentativa de propor alternativas mais adequadas para as 
atuais condições de trabalho (LOPES, 2001). 
Entretanto, os conflitos de interesses de classes, sindicatos, órgãos 
governamentais, convênios médicos, entre outros, demonstram o envolvimento de 
grandes somas de dinheiro, aumentando consideravelmente o custo Brasil e que 
 
 
4 
 
uma das causas do problema está exatamente na falta de conhecimento técnico, 
científico, administrativo e legal, bem como a maneira com que os problemas e 
sugestões para a erradicação dos mesmos são conduzidos. 
Na última década, observa-se que as preocupações com a avaliação de 
riscos inerentes à função e a ambientes de trabalho, têm se tornado rotina, tomada 
como uma das poucas formas de resolver inúmeras situações que resultam em 
prejuízos, tanto para trabalhadores quanto para empresas (LOPES, 2001). 
Observa-se também que o Direito do Trabalho vive, na sua rotina diária, 
mediando e intervindo na resolução de conflitos entre o capital e o trabalho, e que as 
questões referentes à saúde no trabalho por exposição a riscos conhecidos e 
doenças ocupacionais, demonstram que o trabalho exigido, frequentemente está 
sendo realizado acima dos limites de segurança ou inadequadas. Tais situações 
resultam, na maioria dos casos, em ações jurídicas e processos movidos de maneira 
reativa e compulsória, visando o reconhecimento e a indenização monetária. Essas 
situações poderiam ser prevenidas por meio de práticas seguras e efetivas de 
prevenção, através da ergonomia. 
Isto leva a considerar que a Ergonomia pode ser uma das principais 
possibilidades para a prevenção, tratamento, restrição de danos pessoais e 
econômicos, em toda sua amplitude, pois, por meio da ergonomia, pode-se 
constatar diversos aspectos primordiais para a prevenção de passivos ocupacionais, 
dentre eles: a biomecânica do posto de trabalho, a organização do trabalho, o 
levantamento e priorização de riscos, e ainda fatores físicos e psicossociais dos 
trabalhadores, dentre outros (LOPES, 2001). 
Procuramos abordar estes temas – ergonomia e fisiologia – de forma teórica e 
prática, evidenciando uma das importâncias da ergonomia, como instrumento 
preventivo de passivos ocupacionais, a fim de oferecer subsídios para que a ciência 
deste problema evite impactos às instituições e aos trabalhadores, por meio das 
ações reclamatórias que variam de uma simples queixa até a instalação de 
processos, os mais variados possíveis. 
Enfim, esta apostila não é uma obra inédita, trata-se de uma compilação de 
autores e temas ligados à ergonomia e fisiologia do trabalho e tomamos o cuidado 
 
 
5 
 
de disponibilizar ao final da mesma, várias referências que podem complementar o 
assunto e sanar possíveis lacunas que vierem a surgir. 
Desejamos bons estudos a todos! 
 
 
6 
 
UNIDADE 2 - ERGONOMIA 
 
2.1 Reflexões críticas iniciais e essenciais 
Em medicina, a saúde é considerada o estado “normal” do organismo 
humano, embora a normalidade não possa ser determinada com exatidão pelo 
grande número de fatores, tais como sexo, idade, profissão, susceptibilidade, 
individualidade, que interagem no organismo de cada pessoa. A Organização 
Mundial de Saúde (OMS) define que “Saúde é o estado de completo bem-estar 
físico, mental e social e não apenas a ausência de doença ou enfermidade”. 
Na década de 1960, Leavell e Clark trabalharam com a tríade ecológica, que 
consiste na relação instávelentre agente (predisponente à doença), hospedeiro 
(predisposto à doença) e meio ambiente, e desenvolveram o modelo da História 
Natural das Doenças, modelo mecanicista e biologicista que tenta explicar o 
processo saúde doença e seus fatores associados. 
Leavell e Clark (1976) definiram em seu modelo que a história natural das 
doenças consistia nas inter-relações do agente suscetível e do meio ambiente, que 
afetam o processo global e seu desenvolvimento, desde as primeiras forças que 
criam o estímulo patológico no meio ambiente, até as alterações que levam a um 
defeito, invalidez, recuperação ou morte. 
Em síntese, os estímulos a que o homem é submetido, quer sejam físicos, 
químicos, biológicos, ambientais ou sociais, dentre outros, geram reações orgânicas, 
seguidas de sinais e sintomas. 
Para atingir-se os níveis de prevenção de saúde apresentados por Leavell e 
Clark (1976), necessita-se, evidentemente, de ação antecipada, de prevenção 
primária de saúde, ou seja, impedir o início da doença. Certamente a Análise 
Ergonômica do Trabalho pode ser considerada como uma das ações de intervenção 
prevencionista primária. Evitar a progressão da doença por prevenção secundária é 
atuar no início do processo patológico, procurando estancar ou retardar a 
progressão da doença por diagnóstico precoce e tratamento imediato. Nesta 
situação, considera-se o trabalhador que se apresenta com queixas de dor 
osteomuscular, dificuldade auditiva, entre outros, demonstrando que já tem um 
distúrbio instalado. Se o processo mórbido progride, atua-se por meio da 
 
 
7 
 
reabilitação, objetivando limitar o dano e o aparecimento de sequelas, para evitar 
fundamentalmente a debilidade funcional ou deformidades, que podem evoluir para 
invalidez ou até a morte do indivíduo. Nesta situação considera-se a prevenção 
terciária, em função da limitação e reabilitação das sequelas. 
Além da legislação trabalhista, que será discutida adiante, deve-se considerar 
os direitos previdenciários do trabalhador, ou seja, Lei 8.213/91 em seus artigos: 
 42 a 47, que determinam aposentadoria por invalidez; 
 57 e 58, que determinam aposentadoria especial; e finalmente, 
 59 a 63, que determinam os demais benefícios e serviços. 
 
Não deixando de considerar também que sequelas instaladas podem 
determinar o recebimento de pecúlio auxílio acidente de 50% de salário e que será 
objeto de estudo multiprofissional realizado pelo RP (Centro de Reabilitação 
Profissional), com intuito de devolvê-lo ao mercado de trabalho já reabilitado. 
O objetivo final é o pleno funcionamento da pessoa no lar, na comunidade e 
na profissão, procurando recuperar não só a função fisiológica, mas também 
alcançar um satisfatório rendimento psicológico e social. 
No tocante às relações de trabalho, em função do contínuo desenvolvimento 
do trabalho maquínico, redobrado pela revolução informática, as forças produtivas 
vão tornar disponível uma quantidade cada vez maior do tempo de atividade 
humana potencial. Rocha (2009) questiona qual seria a finalidade dessa 
disponibilidade ao ser humano: a do desemprego, da marginalidade opressiva, da 
solidão, da ociosidade, da angústia, da neurose, ou da cultura, da criação da 
pesquisa, da reinvenção do meio ambiente, do enriquecimento dos modos de vida e 
de sensibilidade? 
Rigotto (1992) relata que havia, já na década de 1990, um bilhão de pessoas 
sem trabalho no mundo, que vivenciam, ainda hoje, a falta de oportunidade para 
explorar outras dimensões da vida, mas a de conhecer na pele a dor da exclusão 
social. Outros tantos vivem a tortura cotidiana de um trabalho destituído de sentido. 
Suportam-no porque dele dependem para sobreviver, e até tentam dar-lhe um 
significado, projetar nele uma esperança, enxergar uma porta aberta, considerando 
a relação consciente e transformadora do homem com a natureza e com os outros 
 
 
8 
 
homens, impressão da própria face na sociedade e na história: o sentido do trabalho 
humano. 
Uma faceta ainda desse drama pós-moderno atormenta hoje milhares de 
mulheres e homens. Invade suas vidas na forma de uma dor ou dificuldade de 
discriminação de sons. Este drama mal entendido por quase todos, de 
empregadores a colegas, médicos, familiares, legislações, são as LER1/DORT e a 
PAIR2, que nos importa nesta apostila entendê-las e como diz Rocha (2009), 
entendê-las muito bem! 
As LER/DORT e a PAIR não são apenas um mero distúrbio mecânico, pois o 
ser humano é mais do que um conjunto de músculos, ossos e sensações, mais do 
que força de trabalho. Inclusive são doenças de um grupo crescente de indivíduos, 
são sinais que clamam por diagnóstico coletivo das mazelas de nossa sociedade. 
Daí é que advém a prevenção (ROCHA, 2009). 
Na família, a desarmonização é constantemente constatada em função de 
desarranjo conjugal, paternal ou maternal, comprometendo este núcleo que é a base 
da sociedade, e que, com a progressão do processo, atingirá outros núcleos 
familiares e, em cadeia, toda uma comunidade. 
Tentar conceituar com rigor um evento biológico, em se tratando de doenças 
ocupacionais, é certamente incorrer em erros, pois doenças como LER/DORT e 
PAIR têm etiologias multifatoriais, contudo, cabe esclarecer aqui os conceitos mais 
usualmente utilizados. Porém, antes de esclarecê-los, é importante fazer uma breve 
discussão sobre a ergonomia, sua definição, suas áreas de atuação, a abordagem 
multidisciplinar e os degraus da intervenção ergonômica. 
 
2.2 Ergonomia 
Ergonomia é um conjunto de ciências e tecnologias que procura a adaptação 
confortável e produtiva entre ser humano e seu trabalho, basicamente procurando 
adaptar as condições de trabalho às características do ser humano, segundo Couto 
(1995). 
 
1
 LER- Lesões por Esforço Repetitivo, DORT – Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao 
Trabalho. 
2
 PAIR – Perda Auditiva Induzida por Ruído. 
 
 
9 
 
A palavra ergonomia tem sua etiologia de origem grega, orgon significando 
trabalho e nomos, regras, leis. Assim, tem-se seu significado como o estudo das leis 
que regem o trabalho. 
Wisner (1987) define ergonomia como: 
conjunto dos conhecimentos científicos relativos ao homem e necessários 
para a concepção de ferramentas, máquina e dispositivos que possam ser 
utilizados com o máximo conforto, segurança e eficácia. 
 
Lida (1990), numa concepção mais ampla de trabalho, não restringindo este 
apenas à concepção física, mas levando em consideração também o aspecto 
organizacional, define ergonomia como “o estudo de adaptação do trabalho ao 
homem". 
Segundo a Associação Internacional de Ergonomia (IEA), numa das 
definições mais recentes (agosto de 2000), entende-se a ergonomia, ou fatores 
humanos, como uma disciplina científica relacionada ao entendimento das 
interações entre os seres humanos e outros elementos ou sistemas, e à aplicação 
de teorias, princípios, dados e métodos a projetos a fim de otimizar o bem-estar 
humano e o desempenho global do sistema. 
.Apesar de já no século passado utilizar-se a palavra ergonomia, foi apenas 
no início deste século que se propôs algo mais prático em relação a ela, como será 
visto adiante. 
A ergonomia tem, como uma de suas funções, a prevenção da insalubridade, 
da periculosidade e do trabalho penoso. A insalubridade está vinculada a agentes 
físicos, químicos e biológicos, enquanto a periculosidade se refere a atividades e 
operações perigosas com explosivos, inflamáveis, eletricidade e radiações 
ionizantes ou substâncias radioativas; já o trabalho penoso baseia-se nas 
inadequações das condições físicas e psicofisiológicas dos trabalhadores, de seu 
ambiente de trabalho (mobiliários, organização, equipamentos, entre outros). 
 
2.3 Áreas de atuação 
Segundo Couto (2007), a ergonomia tem cinco grandes áreas de atuação 
aplicadas ao trabalho: 
 
 
10 
 
1)Planejamento dos sistemasde trabalho 
A primeira grande área da ergonomia preocupa-se com o planejamento dos 
sistemas de trabalho de atividades fisicamente pesadas, com altos gastos 
energéticos e acúmulo de ácido láctico no sangue do trabalhador, com a 
possibilidade de acidose metabólica. 
Nesta área também estudam-se ambientes com altas temperaturas. 
2)Biomecânica 
A segunda grande área, a área da biomecânica, preocupa-se com os 
movimentos e posturas de trabalho, estudando a anatomia corporal relacionada à 
posição ocupacional do empregado. 
Nesta área também estuda-se o que decorre de uma jornada de um 
trabalhador na posição sentada. 
3)Antropometria 
Na terceira grande área, utiliza-se da antropometria para medir as dimensões 
humanas e seus ângulos de conforto e desconforto, e, com base nestes dados, 
planejam-se postos de trabalho confortáveis e ergonomicamente adequados aos 
empregados. A ergonomia tenta planejar postos que atendam à 90% da população, 
sendo muito importante para isso o conhecimento do padrão antropométrico 
populacional. 
4)A prevenção da fadiga no trabalho 
Relaciona-se com a Ergonomia de correção. É aplicada em situação real já 
existente para resolver problemas que se refletem na segurança, na fadiga, em 
doenças do trabalhador ou na quantidade e qualidade da produção. 
5)A prevenção do erro humano 
Relativamente nova, a quinta grande área de atuação da ergonomia ocupa-se 
em prevenir o erro humano, já que condições ergonomicamente adversas estão 
frequentemente relacionadas a este. Esta área é particularmente importante quando 
envolve postos de trabalho em que um erro por parte do trabalhador pode 
desencadear grandes riscos a outrem, como, por exemplo, no posto de condutor de 
meios de transporte. 
 
 
11 
 
2.4 Abordagem multiprofissional da ergonomia 
Segundo Couto (2007), não existe uma categoria profissional que seja capaz 
de dar uma solução às situações do trabalho ergonomicamente completa. É 
necessário, para tanto, que a ergonomia seja praticada por uma equipe 
multiprofissional. 
Voltado para uma visão biomecanicista, avaliando estados ergonômicos que 
podem causar déficits na saúde do trabalhador, está o Médico do Trabalho. Em 
outras óticas da prática ergonômica, que são complementares entre si, atuam 
profissionais da engenharia, da Segurança do Trabalho e do desenho industrial, 
também profissionais da área biológica, como enfermeiros, fisioterapeutas; ainda 
psicólogos, e outros mais. Todos esses profissionais trabalham cooperativamente 
com o objetivo de estabelecer uma análise ergonômica completa. 
 
2.5 Degraus da intervenção ergonômica 
Couto (2007) acredita que a intervenção ergonômica está organizada em 
cinco passos. 
1º. O primeiro passo consiste na transformação de condições primitivas de 
trabalho, sem qualquer conforto, em postos de trabalho. 
2º. O segundo passo se dá melhorando as condições de conforto relacionadas 
ao ambiente de trabalho, tais como o conforto térmico, auditivo e luminoso. 
3º. O terceiro passo, talvez o mais sutil em relação à ergonomia, está 
relacionado à melhoria dos métodos de trabalho. Cabe nesta etapa fazer a 
análise biomecânica do posto do trabalhador e tentar solucionar os problemas 
relacionados à biomecanicidade. 
4º. O quarto passo consiste na melhor organização do sistema de trabalho, 
fazendo a análise de situações antiergonômicas dentro de setores 
organizacionais e hierárquicos da empresa. 
5º. O quinto passo, que já é considerado uma realidade atual, se dá na 
adequação das situações de impactos ergonômicos sobre o trabalhador, 
visando uma adequação do posto de trabalho ao trabalhador. O ergonomista, 
ao diagnosticar a condição inadequada, deve, nas suas conclusões, visar 
 
 
12 
 
também propostas de correção, observar parâmetros técnicos e científicos 
que não se restrinjam apenas à automatização do equipamento. Este 
profissional deve ter em mente também a adaptação das condições de 
trabalho às características do ser humano, visando assim um ambiente 
confortável, agradável, possibilitando produção com qualidade e garantia da 
saúde do trabalhador. 
 
 
13 
 
UNIDADE 3 - LESÕES POR ESFORÇOS REPETITIVOS 
(LER)/DISTÚRBIOS OSTEOMUSCULARES RELACIONADOS 
AO TRABALHO (DORT) 
 
3.1 Definição 
As Lesões por Esforço Repetitivo e os Distúrbios Osteomusculares 
Relacionados ao Trabalho, mais conhecidos pelo binômio LER/DORT, são 
abrangentes e se referem aos distúrbios ou doenças do sistema músculo-
esquelético, principalmente de pescoço e membros superiores, relacionados ou não, 
ao trabalho. 
São um grupo heterogêneo de distúrbios funcionais e/ou orgânicos que são 
induzidos mais frequentemente por fadiga neuromuscular causada por trabalho 
realizado em posição fixa (trabalho estático) ou com movimentos repetitivos, 
principalmente de membros superiores; falta de tempo de recuperação pós-
contração e fadiga devido à falta de flexibilidade de tempo e ritmo elevado de 
trabalho, de dor, formigamento, dormência, choque, peso e fadiga precoce 
(IPSEMG, 2007). 
As LER/DORT, apresentam-se como alguns distúrbios bem definidos: 
 tendinite, tenossinovite, sinovite, peritendinite, em particular de ombros, 
cotovelos, punhos e mãos; 
 epicondilite, tenossinovite estenosante (De Quervain), dedo em gatilho, cisto, 
síndrome do túnel do carpo, síndrome do túnel ulnar (nível de cotovelo), 
síndrome do pronador redondo, síndrome do desfiladeiro torácico, síndrome 
cervical ou radiculopatia cervical, neurite digital, entre outras. 
 
Em casos mais extremos tem-se a presença de quadros em que as 
consequências são generalizadas: síndrome miofacial, mialgia, síndrome da tensão 
do pescoço, distrofia simpático-reflexa/síndrome complexa de dor regional. 
 
 
14 
 
3.2 Breve histórico de LER/DORT no Brasil 
No Brasil, a primeira referência oficial a esse grupo de afecções do sistema 
musculoesquelético foi feita pela Previdência Social, com a terminologia 
tenossinovite do digitador, através da Portaria 4.062, de 06.08.1987. 
Em 1992, a Secretaria de Estado de Saúde de São Paulo publicou a 
Resolução SS 197/92, já introduzindo a terminologia Lesões por Esforços 
Repetitivos (LER), após amplo processo de discussão entre os mais diferentes 
segmentos sociais. Nesse mesmo ano, a Secretaria de Estado do Trabalho e Ação 
Social e Secretaria de Estado da Saúde de Minas Gerais publicaram a Resolução 
245/92, baseada na Resolução SS 197/92, de São Paulo. 
Em 1993, o INSS publicou sua Norma Técnica para Avaliação de 
Incapacidade para LER, baseada nas resoluções anteriormente citadas. 
Em 1998, na revisão de sua Norma Técnica, a Previdência Social substituiu 
LER por DORT, sigla de Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho, 
tradução escolhida para a terminologia Work ReZated Musculoskeletal Disorders. 
Neste trabalho utiliza-se LER/DORT. 
As tendências atuais têm evitado utilizar o termo LER, para evitar a impressão 
de que, diminuindo a repetitividade, se acabará com a “doença LER”. A LER em sua 
fase inicial ocorre como um distúrbio e não como uma lesão; esta se dará em uma 
fase bem posterior, razão pela qual a classificação DORT é mais adequada. É 
importante ressaltar que existem outros fatores a se considerar além da 
repetitividade, tais como: força excessiva, posturas incorretas, compressão tecidual, 
além do contributivo ou doenças de base, como, por exemplo, costela cervical, 
osteoartrose de coluna cervical, hérnia de disco cervical, mal de Hansen, neurites 
periféricas, entre outras (COUTO, 2007). 
 
3.3 Fatores de riscos para LER/DORT 
As LER/DORT resultam da superutilização do sistema musculoesquelético, 
sendo quadros clínicos que se instalam progressivamente em pessoas que 
desenvolvem suas atividades em postos de trabalho sujeitos a fatores de risco 
relacionados à tecnologia e organização do trabalho. Os fatores que favorecem a 
ocorrência das LER/DORT são múltiplos.15 
 
Primeiramente, um fator de risco importante no caso de LER/DORT é a 
repetitividade, que, ao interagir com outros fatores, tem seus efeitos potencializados. 
Para o estudo do fator repetitividade e suas possíveis repercussões na saúde, deve-
se caracterizar a duração dos ciclos de trabalho, seu conteúdo e o custo humano no 
trabalho (OLIVEIRA, 1998). 
A repetitividade representa a frequência de execução de determinados 
movimentos ao longo do tempo, podendo ser biomecanicamente definida como o 
número de movimentos que ocorrem em uma determinada quantidade de tempo ou 
simplesmente o tempo necessário para completar uma atividade. Este tempo 
corresponde a um ciclo de trabalho. 
Um ciclo de trabalho inclui uma sequência de passos, de ações necessárias 
para a execução de uma atividade ou tarefa. Tomando-se como base o conceito de 
atividade, o tempo necessário para completar uma atividade corresponde a um ciclo 
de trabalho. 
Segundo Oliveira (1998), a repetitividade tem sido considerada um fator 
importante, mas não imprescindível para o desencadeamento de casos de LER (daí 
a impropriedade do nome). Para a caracterização ergonômica das tarefas quanto à 
repetitividade, existem propostas diferentes nos diversos centros. 
No entanto, o conceito mais amplamente difundido é o Putz-Anderson 
(NIOSHI), de 1988: 
Tabela 1 – NIOSHI – Conceito de Ciclos fundamentais 
Ciclos Fundamentais Pouco Repetitivos Muito Repetitivos 
Ciclo movimento 
predominante 
> 30” 
< 50% do ciclo 
< 30” 
> 50% do ciclo 
Fonte: Oliveira (1998, p. 150). 
 
Repetitiva é aquela tarefa em movimentos iguais, ou de mesmo padrão, que 
são realizados a cada poucos segundos, por um período superior a duas horas. 
Hedén e Bjuvald (apud Oliveira, 1998) apresentam o seguinte instrumento 
usado em toda a Escandinávia: 
 
 
16 
 
Tabela 2 – HÉDEN - BJUVALD – Ciclos de Movimentos 
Trabalho 
Repetitivo 
Inaceitável Necessita 
melhor 
avaliação 
Aceitável 
ciclo Repete-se 
muitas vezes 
por minuto 
Repete-se muitas 
vezes por hora 
Repete-se 
algumas vezes 
por hora 
Fonte: Oliveira (1998, p. 150). 
 
Mathlassen e Winkel (apud Oliveira, 1998) conceituam repetitividade como 
uma dimensão da exposição mecânica, carga física do trabalho. Segundo os 
autores, na avaliação de exposição mecânica, é necessário considerar suas três 
dimensões: amplitude, frequência e duração. A frequência determina a repetitividade 
e avalia em que medida a exposição muda. O produto da amplitude (concentração 
ou nível) pela duração é a dose. 
Segundo Codo (1987), um trabalho é repetitivo quando: existirem poucos 
passos em cada ciclo; os passos forem sempre os mesmos e realizados da mesma 
maneira, e, a ordem dos passos não puder ser alterada. 
Para Rio (1998) a repetitividade pode ser biomecanicamente definida como o 
número de movimentos que ocorrem numa determinada quantidade de tempo ou 
simplesmente o tempo necessário para completar uma atividade. 
É fundamental, nesta situação, para se compreender a questão da 
repetitividade, conceituar o ciclo de tarefa repetitiva. Rio (1998) conceitua o ciclo 
como uma sequência de passos, de ações necessárias para a execução de uma 
atividade ou tarefa, tomando como base o tempo necessário para completar uma 
atividade correspondente a um ciclo de trabalho. Como exemplo de repetitividade 
pode-se citar o digitador e o ciclo de tarefa repetitiva do caixa bancário. 
A invariabilidade do trabalho refere-se à atividade que é sempre a mesma 
durante toda a jornada de trabalho e é outro fator considerado de risco. É um 
conceito também ligado à repetitividade. 
As tarefas monótonas, com posturas imobilizadas pelas exigências do 
trabalho, parecem apresentar risco maior para a ocorrência de LER/DORT. Se o 
 
 
17 
 
trabalho não varia em ciclos curtos, as estruturas tornam-se sobrecarregadas, sem 
tempo de recuperação, tendo-se assim maior probabilidade de ocorrência de 
LER/DORT. 
Colombini (2005 apud Couto, 2007) comenta que a literatura internacional 
apresenta suficiente consenso ao definir como potencialmente danosas: 
 a postura e o movimento extremo de qualquer articulação; 
 a postura (ainda que não extrema) mantida por longo tempo; e, 
 movimentos específicos dos diversos segmentos quando fortemente 
repetitivos. 
 
Em termos gerais, posturas estáticas são aquelas que duram mais de 20 
segundos. Músculos submetidos a trabalho estático podem requerer um tempo de 
12 vezes para se recuperar da fadiga, do que o requerido por uma contração não 
estática (COUTO, 2007). 
As cargas musculoesqueléticas são as forças exercidas sobre estruturas dos 
sistemas ósseo e muscular, gerando, por exemplo, tensão no músculo e estiramento 
de um tendão em sua bainha. 
A inadequação da carga ao indivíduo pode desencadear um processo de 
LER/DORT. O trabalho muscular estático ocorre, por exemplo, quando um membro 
é mantido em determinada posição, e quando as estruturas musculoesqueléticas 
devem suportar o peso desse membro, como no caso do trabalho com os braços 
elevados, acima do nível da cintura escapular. 
Um outro exemplo seria o trabalho em postura sentada. Esse trabalho 
muscular estático implica uma contração mantida sem interrupção, o que poderia 
levar a uma sobrecarga e, se o tempo de recuperação não for suficiente, há 
probabilidade de ocorrência de LER/DORT. 
O esforço dinâmico é aquele realizado pela contração da musculatura onde 
há um movimento do segmento, podendo ser movimentos repetitivos ou não, 
deslocamentos a pé, transportes de cargas, utilização de escadas, entre outros. 
Posturas inadequadas, que são assumidas pelos trabalhadores para 
realizarem as operações do ciclo de trabalho quando o posto de trabalho é 
 
 
18 
 
inadaptado, entram também no grupo dos fatores de risco. Para cada articulação, 
pode-se definir uma postura de base em que as exigências ligadas à sua 
manutenção são mínimas e as estruturas anatômicas estão em posições favoráveis. 
Uma postura é inadequada quando, por exemplo, o corpo tem de lutar contra a 
gravidade para mantê-Io. As estruturas anatômicas, então, encontram-se em má 
posição para poderem funcionar de maneira eficaz. 
Se essas posturas críticas estão presentes no trabalho e a solicitação das 
estruturas for frequente, haverá uma sobrecarga e, se o tempo de recuperação não 
for suficiente há maior probabilidade de ocorrência de LER/DORT (VIDAL, 2001). 
Outro fator de risco é a pressão mecânica, que ocorre quando tecidos moles 
de segmentos do corpo são esmagados pelo contato direto contra um objeto duro 
presente no ambiente de trabalho. 
Geralmente o local mais afetado é a mão, pois a manipulação de objetos com 
bordas vivas e pegas estreitas, por exemplo, levará a uma grande pressão local. 
Outras regiões do corpo, como punhos, antebraços e cotovelos podem também ser 
submetidas à pressão mecânica em determinadas atividades. Se a pressão 
mecânica, os choques e impactos estão frequentes no trabalho, as estruturas serão 
muito solicitadas havendo probabilidade de ocorrência de LER/DORT (VIDAL, 2001). 
As LER/DORT são as lesões geradas por repetitividade, esforço, velocidade 
da tarefa, resistência pessoal, estado psicossocial do indivíduo, bem como a 
exposição a fatores ambientais como ruído, vibrações, frio, umidade, iluminação, 
mobiliário, arranjo físico e dimensionamento do posto de trabalho (VIDAL, 2001). 
Para Antonalia (2001), o principal fenômeno responsável para essa patologia 
é a modernização do trabalho, seja a mecanização, seja a automação das tarefas ou 
a informatização das áreas de serviços, determinando um aumento das tarefas 
manuais repetitivas, especialmente em membros superiores, ombros e região 
cervical. 
Rigotto (1992) constatou que o admirável desenvolvimento científico e 
tecnológico, principalmente dos últimos anos – a utopia da modernidade – abriu 
possibilidades para profundas modificações noprocesso de trabalho. Inovação nas 
máquinas, equipamentos e formas de organizar o trabalho estão transformando os 
 
 
19 
 
postos de trabalho e reduzindo progressivamente a necessidade do trabalho 
humano para a produção de bens e serviços. 
 
 
20 
 
UNIDADE 4 - PERDA AUDITIVA INDUZIDA POR RUÍDO 
(PAIR) 
 
4.1 Definição 
Também conhecida como “Perda Auditiva por Exposição a Ruído no 
Trabalho”, “Perda Auditiva Ocupacional”, “Surdez Profissional”, “Disacusia 
Ocupacional”, a Perda Auditiva Induzida por Ruído Ocupacional – PAIR – constitui-
se em doença profissional de enorme prevalência, tendo se difundido a numerosos 
ramos de atividades. 
A Perda Auditiva Induzida por Ruído, relacionada ao trabalho, é uma 
diminuição gradual da acuidade auditiva, decorrente da exposição continuada a 
níveis elevados de pressão sonora. O termo Perda Auditiva Neurossensorial por 
Exposição Continuada a Níveis Elevados de Pressão Sonora é mais adequado 
(NUDELMANN, 1997). 
Sua caracterização clínica e médico-pericial é muito complexa, se 
considerarmos que a legislação anterior não considerava a PAIR como doença 
profissional e, portanto, não estava relacionada no Anexo V do Decreto 83.080/79. O 
Decreto 611/92, que regulamentava a Lei 8.213/91, passou a considerar o ruído 
como agente causador de doença profissional, porém foram utilizados critérios 
inadequados para avaliar incapacidades e indenizações, em seu Anexo III, somente 
contemplava como auxílio acidente as perdas auditivas consequentes de acidentes 
típicos, considerando apenas as frequências de 500 a 2.000 Hz do audiograma. 
Hoje, conforme Portaria 19 de 09.04.1998 (Ministério do Trabalho e Emprego 
- Portaria 3.214 - NR 7 – Anexo I – Quadro lI), que define as diretrizes e parâmetros 
mínimos para a avaliação e acompanhamento da audição em trabalhadores 
expostos a níveis de pressão sonora elevados, a PAIR não deve indicar inaptidão ao 
trabalhador lesado, pois tal doença não o impossibilita de desempenhar suas 
funções laborais habituais. A lesão constatada na audição é de frequências agudas 
(4000, 6000Mz), sendo que a área da fala é de frequências graves e médias, ou 
seja, de 500Hz até 2000Hz, estão então preservadas na PAIR. 
 
 
21 
 
4.2 Caracterização da PAIR 
De acordo com o Comitê de Ruído e Conservação da Audição da American 
College of Occupational Medicine, e segundo o Comitê Nacional de Ruído e 
Conservação Auditiva, são características da PAIR: 
 Ser neurossensorial, por comprometer as células de órgão de Corti; 
 Ser quase sempre bilateral (ouvidos direito e esquerdo com perdas similares) 
e, uma vez instalada, irreversível; 
 Por atingir a cóclea, o trabalhador portador de PAIR pode desenvolver 
intolerância a sons mais intensos (recrutamento), perda da capacidade de 
reconhecer palavras, zumbidos, que, somando-se ao déficit auditivo 
propriamente dito, prejudicarão o processo de comunicação; 
 Muito raramente, provocar perdas profundas, não ultrapassando geralmente 
os 40 dB (NA) (decibéis Nível Auditivo) nas frequências baixas e 75 dB (NA) 
nas altas; 
 A perda tem seu início, e predomina, com um entalhe audiométrico na 
frequência de 4000Hz, evoluindo para uma gota acústica, com 
comprometimento evolutivo das frequências em 3000Hz e 6000Hz, 
progredindo lentamente às frequências de 8.000, 2.000, 1.000, 500 e 250 Hz, 
para atingir seu nível máximo, nas frequências mais altas, nos primeiros 10 
anos de exposição estável a níveis elevados de pressão sonora, sendo que o 
prejuízo mais comum para o acometido é a discriminação da fala, ou seja, 
dificuldade em entender a fala em presença de ruído de fundo, presença de 
tinitus (alucinações auditivas) ou zumbido e o fenômeno denominado de 
recrutamento ou dor ao ser exposto a ruído excessivo. Cessada a exposição 
ao nível elevado de pressão sonora, não há progressão da PAIR. 
 
Cabe aqui diferenciar curva audiométrica do tipo condutiva, neurossensorial e 
mista. 
Na curva condutiva as ondas sonoras não se transmitem ao ouvido interno 
através do sistema normal que é a cadeia ossicular do ouvido médio; no entanto, 
quando aplicado sobre a superfície óssea, o estímulo se propaga normalmente até o 
ouvido interno, cuja função é normal. Tal é o caso da esclerose do ouvido médio, 
 
 
22 
 
das otites, da perfuração do tímpano, desarticulação da cadeia ossicular e até 
mesmo de rolhas ceruminosas no conduto auditivo externo. 
A curva neurossensorial ocorre quando existem alterações cocleares 
(Órgão de Corti) ou retrococleares. O fator etiológico está no órgão de Corti e/ou 
nervo acústico. Os principais causadores da curva são: PAIR, presbiacusia, trauma 
sonoro, medicamentos ototóxicos, doença de Meniére, surdez súbita entre outros. 
A curva do tipo mista acontece quando a audição por condução aérea e a 
audição por condução óssea também estão diminuídas, porém a condução óssea 
em menor grau, com diferença maior que 10dB entre os dois valores, com 
comprometimento do sistema de transmissão aérea e também do sistema 
neurossensorial. 
Os seguintes fatores influenciam nas perdas auditivas induzidas por ruídos: 
características físicas do agente causal (tipo, espectro, nível de pressão sonora), 
tempo e dose de exposição, e susceptibilidade individual (HARGER; BARBOSA-
BRANCO, 2004). 
 
4.3 Fatores de Risco 
É comum em condições normais de trabalho, além da presença do ruído, a 
coexistência de vários fatores, que podem agredir diretamente o órgão auditivo ou 
através da interação com o nível de pressão sonora ocupacional ou não 
ocupacional, influenciando o desenvolvimento da perda auditiva. Alguns, dentre 
estes fatores, merecem referência: 
 Agentes químicos – solventes (tolueno, dissulfeto de carbono), fumos 
metálicos, gases asfixiantes (monóxido de carbono); 
 Agentes físicos – vibrações, radiação e calor; 
 Agentes biológicos – vírus, bactérias, entre outros. 
O ruído torna-se fator de risco ambiental da perda auditiva ocupacional se o 
nível de pressão sonora e o tempo de exposição ultrapassarem certos limites. 
A NR 15 da Portaria 3.214/78, nos Anexos 1 e 2, estabelece os limites de 
tolerância para a exposição a ruído contínuo ou intermitente e para ruído de impacto, 
vigentes no País. Como regra geral, é tolerada exposição de, no máximo, oito horas 
 
 
23 
 
diárias a ruído, contínuo ou intermitente, com média ponderada no tempo de 85 
dB(A), ou uma dose equivalente. No caso de níveis elevados de pressão sonora de 
impacto, o limite é de 130 dB(A) ou 120 dB(C). 
As doenças do trabalhador relacionadas ao seu metabolismo em geral, 
principalmente descompensadas ou de difícil compensação, devem ser 
consideradas como prováveis fatores predisponentes ao surgimento ou 
agravamento de perdas auditivas em indivíduos expostos a outras condições de 
risco de perda auditiva, como exposição a níveis elevados de pressão sonora. 
Dentre as alterações do metabolismo destacam-se o diabetes mellitus e 
disfunções tireoideanas, como o hiper e hipotireoidismo. O uso de medicamentos, 
principalmente os ototóxicos, também pode predispor à perda auditiva induzida por 
ruído. 
 
4.4 Custos para a Previdência Social em 2002 
A Previdência Social despendeu com a concessão de recursos materiais para 
serviços de reabilitação profissional, em 2002, R$ 3,7 milhões, o que correspondeu a 
um aumento de 95% quando comparado com o ano de 2001 (fornecido pelo Anuário 
Estatístico da Previdência Social 2002), isso sem contar os custos com os acidentes 
de trabalho (que não foram fornecidos no Anuário Estatístico de Acidentes do 
Trabalho 2001). 
São considerados acidentes do trabalho a doença profissional e a doença do 
trabalho, categorias onde se encontram a LER/DORT e a PAIR. 
Equiparam-se também ao acidente do trabalho: o acidente ligado ao trabalho 
que, embora não tenha sido a causa única, haja contribuído diretamente para a 
ocorrência da lesão;certos acidentes sofridos pelo segurado no local e no horário de 
trabalho; a doença proveniente de contaminação acidental do empregado no 
exercício de sua atividade, e o acidente sofrido a serviço da empresa ou no trajeto 
entre a residência e o local de trabalho do segurado e vice-versa. 
Os serviços de assistência reeducativa e de readaptação profissional são 
prestados em casos de incapacidade parcial ou total para o trabalho; dando 
orientação e apoio na melhoria de sua inter-relação com a Previdência Social e na 
solução de problemas pessoais e familiares; e atividades destinadas a avaliar a 
 
 
24 
 
incapacidade de postulantes à percepção de benefícios pecuniários, cuja concessão 
dependa dessa avaliação (COUTO, 2007). 
 
 
25 
 
UNIDADE 5 - LEGISLAÇÃO E NORMAS 
REGULAMENTADORAS 
 
A prevenção dos riscos do trabalho traduz-se na proteção que a sociedade 
proporciona a seus membros, por meio de uma série de medidas públicas contra as 
privações econômicas e sociais, evitando o desaparecimento ou a redução do poder 
aquisitivo em consequência da instalação de doenças, acidentes do trabalho ou 
doenças ocupacionais, desemprego, invalidez, redução da capacidade funcional 
(OIT, CONVENÇÃO Nº 102 apud SILVA, 2004). 
A Constituição Federal de 1988 garante o adicional de penosidade que, ao 
contrário do adicional de insalubridade e periculosidade, não vem favorecendo 
trabalhadores que atuam em condições ergonômicas inadequadas. Cita-se a título 
de exemplo: 
- Projeto de Lei 2.168/89 – são atividades penosas, aquelas que demandem 
esforço físico estafante ou superior ao normal, exijam uma atenção contínua e 
permanente ou resultem em desgaste mental ou stress; 
- Projeto de Lei 1.808/89 – atividade penosa é aquela que, em razão da 
natureza ou da intensidade com que é exercida, exige do empregado esforço 
fatigante, capaz de diminuir-lhe significativamente a resistência física ou produção 
intelectual. 
As primeiras leis nesta matéria, em alguns países, datam dos primórdios do 
século XIX, referindo-se especificamente aos trabalhadores expostos a tarefas 
perigosas (ROCHA, 2009). 
A necessidade de justiça com equidade propõe o princípio no qual pessoas 
que se utilizam de máquinas e trabalhos de outrem, estabelece uma organização 
passível de ocasionar acidentes, cuja responsabilidade será do empregador. Essa 
responsabilidade vem sendo transferida a entidades seguradoras, por determinação 
legal, ou até voluntária, com objetivos de compartilhar este passivo (ROCHA, 2009). 
As contribuições ao órgão previdenciário – Instituto Nacional de Seguridade 
Social (INSS) – são de obrigação legal, cujo seguro acidente do trabalho dá-se por 
meio de desconto mensal de 1% a 3%, da folha de pagamento, de acordo com o 
 
 
26 
 
grau de risco. Atualmente, ou seja, a partir de 06.05.1999 (Decreto 3.048, da 
Previdência Social, conforme regulamenta a Lei 8.213/91), além do desconto deste 
seguro, incorporou-se o aumento de alíquota que varia de 3% a 9%, na GFIP - Guia 
de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social, do 
fundo de garantia depositado. 
O Decreto 3.048, de 06.05.1999, do Ministério de Previdência e Assistência 
Social, estabelece que, conforme o risco a que o trabalhador está exposto, poderá 
ter direito à aposentadoria especial, ou seja, o trabalhador aposenta-se com menor 
número de anos de contribuição, sendo o mínimo de 15 até o máximo de 25 anos de 
contribuição. 
A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) foi instituída em 1943, mas 
apenas a partir de 22.12.1977, pela Lei 6.514, que aprovou a Portaria 3.214 de 
08.06.1978, é que foram aprovadas as Normas Regulamentadoras - NRs, que 
tratam especificamente da legislação de segurança e saúde no trabalho. 
No site do Ministério do Trabalho e Emprego encontramos todas as 34 
Normas Regulamentadoras (as quais estão elencadas no quadro abaixo), mas cabe-
nos neste momento, a título de enriquecimento falar das NR 01, 02 e 17 que tratam 
especificamente das disposições gerais, da inspeção prévia e da Ergonomia. 
NORMA 
REGULADORA Nº 
MATÉRIA 
01 Disposições gerais 
02 Inspeção prévia 
03 Embargo ou Interdição 
04 Serviços Especializados em Eng. de Segurança e em 
Medicina do Trabalho 
05 Comissão Interna de Prevenção de Acidentes 
06 Equipamentos de Proteção Individual - EPI 
 
 
27 
 
07 Programas de Controle Médico de Saúde Ocupacional 
08 Edificações 
09 Programas de Prevenção de Riscos Ambientais 
10 Segurança em Instalações e Serviços em Eletricidade 
11 Transporte, Movimentação, Armazenagem e Manuseio 
de Materiais 
Anexo I - Regulamento Técnico de Procedimentos 
para Movimentação, Armazenagem e Manuseio de 
Chapas de Mármore, Granito e outras Rochas 
12 Máquinas e Equipamentos 
13 Caldeiras e Vasos de Pressão 
14 Fornos 
15 Atividades e Operações Insalubres 
16 Atividades e Operações Perigosas 
17 Ergonomia 
Anexo I - Trabalho dos Operadores de Checkouts 
Anexo II - Trabalho em Teleatendimento / 
Telemarketing 
18 Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria 
da Construção 
19 Explosivos 
Anexo I - Segurança e Saúde na Indústria de Fogos de 
Artifício e outros artefatos pirotécnicos 
 
 
28 
 
20 Líquidos Combustíveis e Inflamáveis 
21 Trabalho a Céu Aberto 
22 Segurança e Saúde Ocupacional na Mineração 
23 Proteção Contra Incêndios 
24 Condições Sanitárias e de Conforto nos Locais de 
Trabalho 
25 Resíduos Industriais 
26 Sinalização de Segurança 
27 Registro Profissional do Técnico de Segurança do 
Trabalho no MTB - Revogada pela Portaria GM nº 262, 
29/05/2008 
28 Fiscalização e Penalidades 
29 Norma Regulamentadora de Segurança e Saúde no 
Trabalho Portuário 
30 Norma Regulamentadora de Segurança e Saúde no 
Trabalho Aquaviário 
Anexo I - Pesca Comercial e Industrial 
Anexo II - Plataformas e Instalações de Apio 
31 Norma Regulamentadora de Segurança e Saúde no 
Trabalho na Agricultura, Pecuária Silvicultura, 
Exploração Florestal e Aquicultura 
32 Segurança e Saúde no Trabalho em Estabelecimentos 
de Saúde 
33 Segurança e Saúde no Trabalho em Espaços 
 
 
29 
 
Confinados 
34 Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria 
da Construção e Reparação Naval 
 
 
NR 1 - DISPOSIÇÕES GERAIS 
 
Publicação D.O.U. 
Portaria GM nº 3.214, de 08 de junho de 1978 06/07/78 
Atualizações D.O.U. 
Portaria SSMT nº 06, de 09 de março de 1983 14/03/83 
Portaria SSMT nº 03, de 07 de fevereiro de 1988 10/03/88 
Portaria SSST nº 13, de 17 de setembro de 1993 21/09/93 
Portaria SIT nº 84, de 04 de março de 2009 12/03/09 
 
1.1 As Normas Regulamentadoras – NR, relativas à segurança e medicina do 
trabalho, são de observância obrigatória pelas empresas privadas e públicas e pelos 
órgãos públicos da administração direta e indireta, bem como pelos órgãos dos 
Poderes Legislativo e Judiciário, que possuam empregados regidos pela 
Consolidação das Leis do Trabalho - CLT. (Alteração dada pela Portaria nº 06, de 
09/03/83) 
1.1.1 As disposições contidas nas Normas Regulamentadoras – NR aplicam-se, no 
que couber, aos trabalhadores avulsos, às entidades ou empresas que lhes tomem o 
serviço e aos sindicatos representativos das respectivas categorias profissionais. 
(Alteração dada pela Portaria n.º 06, de 09/03/83) 
1.2 A observância das Normas Regulamentadoras – NR não desobriga as empresas 
do cumprimento de outras disposições que, com relação à matéria, sejam incluídas 
em códigos de obras ou regulamentos sanitários dos Estados ou Municípios, e 
outras, oriundas de convenções e acordos coletivos de trabalho. (Alteração dada 
pela Portaria nº 06, de 09/03/83) 
1.3 A Secretaria de Segurança e Saúde no Trabalho – SSST é o órgão de âmbito 
nacional competente para coordenar, orientar, controlar e supervisionar as 
atividades relacionadas com a segurança e medicina do trabalho, inclusive a 
Campanha Nacional de Prevenção de Acidentes do Trabalho – CANPAT, o 
Programa de Alimentaçãodo Trabalhador – P AT e ainda a fiscalização do 
cumprimento dos preceitos legais e regulamentares sobre segurança e medicina do 
trabalho em todo o território nacional. (Alteração dada pela Portaria nº 13, de 
17/09/93) 
1.3.1 Compete, ainda, à Secretaria de Segurança e Saúde no Trabalho – SSST 
conhecer, em última instância, dos recursos voluntários ou de ofício, das decisões 
proferidas pelos Delegados Regionais do Trabalho, em matéria de segurança e 
saúde no trabalho. (Alteração dada pela Portaria nº 13, de 17/09/93) 
1.4 A Delegacia Regional do Trabalho – DRT, nos limites de sua jurisdição, é o 
órgão regional competente para executar as atividades relacionadas com a 
segurança e medicina do trabalho, inclusive a Campanha Nacional de Prevenção 
dos Acidentes do Trabalho – CANPAT, o Programa de Alimentação do Trabalhador 
– PAT e ainda a fiscalização do cumprimento dos preceitos legais e regulamentares 
 
 
30 
 
sobre segurança e medicina do trabalho. (Alteração dada pela Portaria nº 13, de 
17/09/93) 
1.4.1 Compete, ainda, à Delegacia Regional do Trabalho – DRT ou à Delegacia do 
Trabalho Marítimo – DTM, nos limites de sua jurisdição: (Alteração dada pela 
Portaria nº 06, de 09/03/83) 
a) adotar medidas necessárias à fiel observância dos preceitos legais e 
regulamentares sobre segurança e medicina do trabalho; 
b) impor as penalidades cabíveis por descumprimento dos preceitos legais e 
regulamentares sobre segurança e medicina do trabalho; 
c) embargar obra, interditar estabelecimento, setor de serviço, canteiro de obra, 
frente de trabalho, locais de trabalho, máquinas e equipamentos; 
d) notificar as empresas, estipulando prazos, para eliminação e/ou neutralização de 
insalubridade; 
e) atender requisições judiciais para realização de perícias sobre segurança e 
medicina do trabalho nas localidades onde não houver Médico do Trabalho ou 
Engenheiro de Segurança do Trabalho registrado no MTb. 
1.5 Podem ser delegadas a outros órgãos federais, estaduais e municipais, 
mediante convênio autorizado pelo Ministro do Trabalho, atribuições de fiscalização 
e/ou orientação às empresas, quanto ao cumprimento dos preceitos legais e 
regulamentares sobre segurança e medicina do trabalho. (Alteração dada pela 
Portaria nº 06, de 09/03/83) 
1.6 Para fins de aplicação das Normas Regulamentadoras – NR, considera-se: 
(Alteração dada pela Portaria nº 06, de 09/03/83) 
a) empregador, a empresa individual ou coletiva, que, assumindo os riscos da 
atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviços. 
Equiparam-se ao empregador os profissionais liberais, as instituições de 
beneficência, as associações recreativas ou outras instituições sem fins lucrativos, 
que admitem trabalhadores como empregados; 
b) empregado, a pessoa física que presta serviços de natureza não eventual a 
empregador, sob a dependência deste e mediante salário; 
c) empresa, o estabelecimento ou o conjunto de estabelecimentos, canteiros de 
obra, frente de trabalho, locais de trabalho e outras, constituindo a organização de 
que se utiliza o empregador para atingir seus objetivos; 
d) estabelecimento, cada uma das unidades da empresa, funcionando em lugares 
diferentes, tais como fábrica, refinaria, usina, escritório, loja, oficina, depósito, 
laboratório; 
e) setor de serviço, a menor unidade administrativa ou operacional compreendida no 
mesmo estabelecimento; 
f) canteiro de obra, a área do trabalho fixa e temporária, onde se desenvolvem 
operações de apoio e execução à construção, demolição ou reparo de uma obra; 
g) frente de trabalho, a área de trabalho móvel e temporária, onde se desenvolvem 
operações de apoio e execução à construção, demolição ou reparo de uma obra; 
h) local de trabalho, a área onde são executados os trabalhos. 
1.6.1 Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, 
personalidade jurídica própria, estiverem sob direção, controle ou administração de 
outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade 
econômica, serão, para efeito de aplicação das Normas Regulamentadoras – NR, 
solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas. 
(Alteração dada pela Portaria nº 06, de 09/03/83) 
 
 
31 
 
1.6.2 Para efeito de aplicação das Normas Regulamentadoras – NR, a obra de 
engenharia, compreendendo ou não canteiro de obra ou frentes de trabalho, será 
considerada como um estabelecimento, a menos que se disponha, de forma 
diferente, em NR específica. (Alteração dada pela Portaria nº 06, de 09/03/83) 
1.7 Cabe ao empregador: (Alteração dada pela Portaria nº 06, de 09/03/83) 
a) cumprir e fazer cumprir as disposições legais e regulamentares sobre segurança e 
medicina do trabalho; 
b) elaborar ordens de serviço sobre segurança e saúde no trabalho, dando ciência 
aos empregados por comunicados, cartazes ou meios eletrônicos; (Alteração dada 
pela Portaria nº 84, de 04/03/09) 
Obs.: Com a alteração dada pela Portaria nº 84, de 04/03/09, todos os incisos (I, II, 
III, IV, V e VI) desta alínea foram revogados. 
c) informar aos trabalhadores: (Alteração dada pela Portaria nº 03, de 07/02/88) 
I. os riscos profissionais que possam originar-se nos locais de trabalho; 
II. os meios para prevenir e limitar tais riscos e as medidas adotadas pela empresa; 
III. os resultados dos exames médicos e de exames complementares de diagnóstico 
aos quais os próprios trabalhadores forem submetidos; 
IV. os resultados das avaliações ambientais realizadas nos locais de trabalho. 
d) permitir que representantes dos trabalhadores acompanhem a fiscalização dos 
preceitos legais e regulamentares sobre segurança e medicina do trabalho; 
(Alteração dada pela Portaria nº 03, de 07/02/88) 
e) determinar procedimentos que devem ser adotados em caso de acidente ou 
doença relacionada ao trabalho. (Inserção dada pela Portaria nº 84, de 04/03/09) 
1.8 Cabe ao empregado: (Alteração dada pela Portaria nº 06, de 09/03/83) 
a) cumprir as disposições legais e regulamentares sobre segurança e saúde do 
trabalho, inclusive as ordens de serviço expedidas pelo empregador; (Alteração 
dada pela Portaria nº 84, de 04/03/09) 
b) usar o EPI fornecido pelo empregador; 
c) submeter-se aos exames médicos previstos nas Normas Regulamentadoras – 
NR; 
d) colaborar com a empresa na aplicação das Normas Regulamentadoras – NR; 
1.8.1 Constitui ato faltoso a recusa injustificada do empregado ao cumprimento do 
disposto no item anterior. (Alteração dada pela Portaria nº 06, de 09/03/83) 
1.9 O não cumprimento das disposições legais e regulamentares sobre segurança e 
medicina do trabalho acarretará ao empregador a aplicação das penalidades 
previstas na legislação pertinente. (Alteração dada pela Portaria nº 06, de 09/03/83) 
1.10 As dúvidas suscitadas e os casos omissos verificados na execução das 
Normas Regulamentadoras – NR, serão decididos pela Secretaria de Segurança e 
Medicina do Trabalho – SSMT. (Alteração dada pela Portaria nº 06, de 09/03/83) 
 
http://www.mte.gov.br/legislacao/normas_regulamentadoras/nr_01_at.pdf 
 
 
32 
 
NR 2 - INSPEÇÃO PRÉVIA 
 
Publicação D.O.U. 
Portaria GM nº 3.214, de 08 de junho de 1978 06/07/78 
Atualizações D.O.U. 
Portaria SSMT nº 06, de 09 de março de 1983 14/03/83 
Portaria SSMT nº 35, de 28 de dezembro de 1983 29/12/83 
 
2.1 Todo estabelecimento novo, antes de iniciar suas atividades, deverá solicitar 
aprovação de suas instalações ao órgão regional do MTb. (Alteração dada pela 
Portaria nº 35, de 28/12/83) 
2.2 O órgão regional do MTb, após realizar a inspeção prévia, emitirá o Certificado 
de Aprovação de Instalações – CAI, conforme modelo anexo. (Alteração dada pela 
Portaria nº 35, de 28/12/83) 
2.3 A empresa poderá encaminhar ao órgão regional do MTb uma declaração das 
instalações do estabelecimento novo, conforme modelo anexo, que poderá ser 
aceita pelo referido órgão, para fins de fiscalização, quando não for possível realizar 
a inspeção prévia antes de o estabelecimento iniciar suas atividades. (Alteraçãodada pela Portaria nº 35, de 28/12/83) 
2.4 A empresa deverá comunicar e solicitar a aprovação do órgão regional do MTb, 
quando ocorrer modificações substanciais nas instalações e/ou nos equipamentos 
de seu(s) estabelecimento(s). (Alteração dada pela Portaria nº 35, de 28/12/83) 
2.5 É facultado às empresas submeter à apreciação prévia do órgão regional do 
MTb os projetos de construção e respectivas instalações. (Alteração dada pela 
Portaria nº 35, de 28/12/83) 
2.6 A inspeção prévia e a declaração de instalações, referidas nos itens 2.1 e 2.3, 
constituem os elementos capazes de assegurar que o novo estabelecimento inicie 
suas atividades livre de riscos de acidentes e/ou de doenças do trabalho, razão pela 
qual o estabelecimento que não atender ao disposto naqueles itens fica sujeito ao 
impedimento de seu funcionamento, conforme estabelece o art. 160 da CLT, até que 
seja cumprida a exigência deste artigo. (Alteração dada pela Portaria nº 35, de 
28/12/83) 
 
 
 
33 
 
 
 
 
34 
 
 
 
NR 17 - ERGONOMIA 
Publicação D.O.U. 
Portaria GM nº 3.214, de 08 de junho de 1978 06/07/78 
Atualizações/Alterações D.O.U. 
Portaria MTPS nº 3.751, de 23 de novembro de 1990 26/11/90 
Portaria SIT nº 08, de 30 de março de 2007 02/04/07 
Portaria SIT nº 09, de 30 de março de 2007 02/04/07 
Portaria SIT nº 13, de 21 de junho de 2007 26/06/07 
(Redação dada pela Portaria MTPS nº 3.751, de 23 de novembro de 1990) 
 
17.1. Esta Norma Regulamentadora visa a estabelecer parâmetros que permitam a 
adaptação das condições de trabalho às características psicofisiológicas dos 
trabalhadores, de modo a proporcionar um máximo de conforto, segurança e 
desempenho eficiente. 
17.1.1. As condições de trabalho incluem aspectos relacionados ao levantamento, 
transporte e descarga de materiais, ao mobiliário, aos equipamentos e às condições 
ambientais do posto de trabalho e à própria organização do trabalho. 
17.1.2. Para avaliar a adaptação das condições de trabalho às características 
psicofisiológicas dos trabalhadores, cabe ao empregador realizar a análise 
ergonômica do trabalho, devendo a mesma abordar, no mínimo, as condições de 
trabalho, conforme estabelecido nesta Norma Regulamentadora. 
17.2. Levantamento, transporte e descarga individual de materiais. 
 
 
35 
 
17.2.1. Para efeito desta Norma Regulamentadora: 
17.2.1.1. Transporte manual de cargas designa todo transporte no qual o peso da 
carga é suportado inteiramente por um só trabalhador, compreendendo o 
levantamento e a deposição da carga. 
17.2.1.2. Transporte manual regular de cargas designa toda atividade realizada de 
maneira contínua ou que inclua, mesmo de forma descontínua, o transporte manual 
de cargas. 
17.2.1.3. Trabalhador jovem designa todo trabalhador com idade inferior a dezoito 
anos e maior de quatorze anos. 
17.2.2. Não deverá ser exigido nem admitido o transporte manual de cargas, por um 
trabalhador cujo peso seja suscetível de comprometer sua saúde ou sua segurança. 
17.2.3. Todo trabalhador designado para o transporte manual regular de cargas, que 
não as leves, deve receber treinamento ou instruções satisfatórias quanto aos 
métodos de trabalho que deverá utilizar, com vistas a salvaguardar sua saúde e 
prevenir acidentes. 
17.2.4. Com vistas a limitar ou facilitar o transporte manual de cargas deverão ser 
usados meios técnicos apropriados. 
17.2.5. Quando mulheres e trabalhadores jovens forem designados para o 
transporte manual de cargas, o peso máximo destas cargas deverá ser nitidamente 
inferior àquele admitido para os homens, para não comprometer a sua saúde ou a 
sua segurança. 
17.2.6. O transporte e a descarga de materiais feitos por impulsão ou tração de 
vagonetes sobre trilhos, carros de mão ou qualquer outro aparelho mecânico 
deverão ser executados de forma que o esforço físico realizado pelo trabalhador 
seja compatível com sua capacidade de força e não comprometa a sua saúde ou a 
sua segurança. 
17.2.7. O trabalho de levantamento de material feito com equipamento mecânico de 
ação manual deverá ser executado de forma que o esforço físico realizado pelo 
trabalhador seja compatível com sua capacidade de força e não comprometa a sua 
saúde ou a sua segurança. 
17.3. Mobiliário dos postos de trabalho. 
17.3.1. Sempre que o trabalho puder ser executado na posição sentada, o posto de 
trabalho deve ser planejado ou adaptado para esta posição. 
17.3.2. Para trabalho manual sentado ou que tenha de ser feito em pé, as bancadas, 
mesas, escrivaninhas e os painéis devem proporcionar ao trabalhador condições de 
boa postura, visualização e operação e devem atender aos seguintes requisitos 
mínimos: 
a) ter altura e características da superfície de trabalho compatíveis com o tipo de 
atividade, com a distância requerida dos olhos ao campo de trabalho e com a altura 
do assento; 
b) ter área de trabalho de fácil alcance e visualização pelo trabalhador; 
c) ter características dimensionais que possibilitem posicionamento e movimentação 
adequados dos segmentos corporais. 
17.3.2.1. Para trabalho que necessite também da utilização dos pés, além dos 
requisitos estabelecidos no subitem 17.3.2, os pedais e demais comandos para 
acionamento pelos pés devem ter posicionamento e dimensões que possibilitem fácil 
alcance, bem como ângulos adequados entre as diversas partes do corpo do 
trabalhador, em função das características e peculiaridades do trabalho a ser 
executado. 
 
 
36 
 
17.3.3. Os assentos utilizados nos postos de trabalho devem atender aos seguintes 
requisitos mínimos de conforto: 
a) altura ajustável à estatura do trabalhador e à natureza da função exercida; 
b) características de pouca ou nenhuma conformação na base do assento; 
c) borda frontal arredondada; 
d) encosto com forma levemente adaptada ao corpo para proteção da região lombar. 
17.3.4. Para as atividades em que os trabalhos devam ser realizados sentados, a 
partir da análise ergonômica do trabalho, poderá ser exigido suporte para os pés, 
que se adapte ao comprimento da perna do trabalhador. 
17.3.5. Para as atividades em que os trabalhos devam ser realizados de pé, devem 
ser colocados assentos para descanso em locais em que possam ser utilizados por 
todos os trabalhadores durante as pausas. 
17.4. Equipamentos dos postos de trabalho. 
17.4.1. Todos os equipamentos que compõem um posto de trabalho devem estar 
adequados às características psicofisiológicas dos trabalhadores e à natureza do 
trabalho a ser executado. 
17.4.2. Nas atividades que envolvam leitura de documentos para digitação, 
datilografia ou mecanografia deve: 
a) ser fornecido suporte adequado para documentos que possa ser ajustado 
proporcionando boa postura, visualização e operação, evitando movimentação 
frequente do pescoço e fadiga visual; 
b) ser utilizado documento de fácil legibilidade sempre que possível, sendo vedada a 
utilização do papel brilhante, ou de qualquer outro tipo que provoque ofuscamento. 
17.4.3. Os equipamentos utilizados no processamento eletrônico de dados com 
terminais de vídeo devem observar o seguinte: 
a) condições de mobilidade suficientes para permitir o ajuste da tela do equipamento 
à iluminação do ambiente, protegendo-a contra reflexos, e proporcionar corretos 
ângulos de visibilidade ao trabalhador; 
b) o teclado deve ser independente e ter mobilidade, permitindo ao trabalhador 
ajustá-lo de acordo com as tarefas a serem executadas; 
c) a tela, o teclado e o suporte para documentos devem ser colocados de maneira 
que as distâncias olho-tela, olho teclado e olho-documento sejam aproximadamente 
iguais; 
d) serem posicionados em superfícies de trabalho com altura ajustável. 
17.4.3.1. Quando os equipamentos de processamento eletrônico de dados com 
terminais de vídeo forem utilizados eventualmente poderão ser dispensadas as 
exigências previstas no subitem 17.4.3, observada a natureza das tarefas 
executadas e levando-se em conta a análise ergonômica do trabalho. 
17.5. Condições ambientais de trabalho. 
17.5.1. As condiçõesambientais de trabalho devem estar adequadas às 
características psicofisiológicas dos trabalhadores e à natureza do trabalho a ser 
executado. 
17.5.2. Nos locais de trabalho onde são executadas atividades que exijam 
solicitação intelectual e atenção constantes, tais como: salas de controle, 
laboratórios, escritórios, salas de desenvolvimento ou análise de projetos, dentre 
outros, são recomendadas as seguintes condições de conforto: 
a) níveis de ruído de acordo com o estabelecido na NBR 10152, norma brasileira 
registrada no INMETRO; 
b) índice de temperatura efetiva entre 20ºC (vinte) e 23ºC (vinte e três graus 
centígrados); 
 
 
37 
 
c) velocidade do ar não superior a 0,75m/s; 
d) umidade relativa do ar não inferior a 40 (quarenta) por cento. 
17.5.2.1. Para as atividades que possuam as características definidas no subitem 
17.5.2, mas não apresentam equivalência ou correlação com aquelas relacionadas 
na NBR 10152, o nível de ruído aceitável para efeito de conforto 
será de até 65 dB (A) e a curva de avaliação de ruído (NC) de valor não superior a 
60 dB. 
17.5.2.2. Os parâmetros previstos no subitem 17.5.2 devem ser medidos nos postos 
de trabalho, sendo os níveis de ruído determinados próximos à zona auditiva e as 
demais variáveis na altura do tórax do trabalhador. 
17.5.3. Em todos os locais de trabalho deve haver iluminação adequada, natural ou 
artificial, geral ou suplementar, apropriada à natureza da atividade. 
17.5.3.1. A iluminação geral deve ser uniformemente distribuída e difusa. 
17.5.3.2. A iluminação geral ou suplementar deve ser projetada e instalada de forma 
a evitar ofuscamento, reflexos incômodos, sombras e contrastes excessivos. 
17.5.3.3. Os níveis mínimos de iluminamento a serem observados nos locais de 
trabalho são os valores de iluminâncias estabelecidos na NBR 5413, norma 
brasileira registrada no INMETRO. 
17.5.3.4. A medição dos níveis de iluminamento previstos no subitem 17.5.3.3 deve 
ser feita no campo de trabalho onde se realiza a tarefa visual, utilizando-se de 
luxímetro com fotocélula corrigida para a sensibilidade do olho humano e em função 
do ângulo de incidência. 
17.5.3.5. Quando não puder ser definido o campo de trabalho previsto no subitem 
17.5.3.4, este será um plano horizontal a 0,75m (setenta e cinco centímetros) do 
piso. 
17.6. Organização do trabalho. 
17.6.1. A organização do trabalho deve ser adequada às características 
psicofisiológicas dos trabalhadores e à natureza do trabalho a ser executado. 
17.6.2. A organização do trabalho, para efeito desta NR, deve levar em 
consideração, no mínimo: 
a) as normas de produção; 
b) o modo operatório; 
c) a exigência de tempo; 
d) a determinação do conteúdo de tempo; 
e) o ritmo de trabalho; 
f) o conteúdo das tarefas. 
17.6.3. Nas atividades que exijam sobrecarga muscular estática ou dinâmica do 
pescoço, ombros, dorso e membros superiores e inferiores, e a partir da análise 
ergonômica do trabalho, deve ser observado o seguinte: 
a) todo e qualquer sistema de avaliação de desempenho para efeito de remuneração 
e vantagens de qualquer espécie deve levar em consideração as repercussões 
sobre a saúde dos trabalhadores; 
b) devem ser incluídas pausas para descanso; 
c) quando do retorno do trabalho, após qualquer tipo de afastamento igual ou 
superior a 15 (quinze) dias, a exigência de produção deverá permitir um retorno 
gradativo aos níveis de produção vigentes na época anterior ao afastamento. 
17.6.4. Nas atividades de processamento eletrônico de dados, deve-se, salvo o 
disposto em convenções e acordos coletivos de trabalho, observar o seguinte: 
a) o empregador não deve promover qualquer sistema de avaliação dos 
trabalhadores envolvidos nas atividades de digitação, baseado no número individual 
 
 
38 
 
de toques sobre o teclado, inclusive o automatizado, para efeito de remuneração e 
vantagens de qualquer espécie; 
b) o número máximo de toques reais exigidos pelo empregador não deve ser 
superior a 8.000 por hora trabalhada, sendo considerado toque real, para efeito 
desta NR, cada movimento de pressão sobre o teclado; 
c) o tempo efetivo de trabalho de entrada de dados não deve exceder o limite 
máximo de 5 (cinco) horas, sendo que, no período de tempo restante da jornada, o 
trabalhador poderá exercer outras atividades, observado o disposto no art. 468 da 
Consolidação das Leis do Trabalho, desde que não exijam movimentos repetitivos, 
nem esforço visual; 
d) nas atividades de entrada de dados deve haver, no mínimo, uma pausa de 10 
minutos para cada 50 minutos trabalhados, não deduzidos da jornada normal de 
trabalho; 
e) quando do retorno ao trabalho, após qualquer tipo de afastamento igual ou 
superior a 15 (quinze) dias, a exigência de produção em relação ao número de 
toques deverá ser iniciado em níveis inferiores do máximo estabelecido na alínea "b" 
e ser ampliada progressivamente. 
 
 
 
39 
 
UNIDADE 6 - FISIOLOGIA DO TRABALHO 
 
A descrição do trabalho muscular permite evidenciar as relações existentes 
entre o ser humano e seu posto de trabalho. 
Aspectos histológicos e bioquímicos são de pouco interesse para a 
ergonomia, mas precisamos ressaltar a presença dos músculos sinérgicos e dos 
músculos de controle, os primeiros engajados nas atividades dinâmicas e os últimos 
engajados nas contrações prolongadas (SANTOS, 2000). 
Toda atividade profissional necessita de um trabalho muscular, mais ou 
menos importante, segundo as tarefas a serem realizadas. Este trabalho muscular é 
necessário tanto para a manutenção de uma simples postura, quanto para a 
execução de gestos e movimentos de trabalho. 
O conhecimento da fisiologia muscular, portanto, é a base dos estudos 
ergonômicos do homem como um sistema de transformação de energia, onde um 
arranjo físico do posto de trabalho pode diminuir os gastos energéticos e a fadiga 
física produzida pela realização de uma tarefa com forte solicitação muscular 
(SANTOS, 2000). 
Desse modo, podemos inferir que uma das primeiras perguntas que toda 
pessoa deve realizar estaria encaminhada a conhecer, como é obtida a energia pelo 
corpo humano para a realização de um trabalho físico? 
Pois bem, em estado de repouso, o metabolismo do indivíduo é ligeiramente 
superior ao metabolismo basal. Neste caso é bom lembrar que o metabolismo basal 
varia dependendo do sexo, ou seja, para as mulheres este metabolismo seria de 
40,6 w/m2 e para os homens de 42,9 w/m2 (BATIZ, 2003). 
O começo de uma atividade muscular determina o aumento do ritmo 
respiratório e das profundezas das inspirações para garantir a quantidade de 
oxigênio necessário para que as células se contraem. De forma simultânea acontece 
um incremento do ritmo cardíaco para aumentar o fluxo sanguíneo que transporta o 
oxigênio as células. O sangue leva as células, além de oxigênio, os nutrientes que 
subministrarão a energia necessária para a contração e recebe das células as 
substâncias de residual e o calor que produzem as reações químicas na célula 
(BATIZ, 2003). Estas reações podem ser aeróbias ou anaeróbias. 
 
 
40 
 
As reações anaeróbias produzem ácido láctico que se deve processar 
posteriormente, quando está disponível o oxigênio necessário. A utilização das 
reações anaeróbicas vai em incremento com o aumento na intensidade do trabalho 
muscular, pelo que a concentração de ácido láctico na sangue aumenta 
progressivamente com o incremento na intensidade do trabalho. 
As reações aeróbias podem manter-se por um tempo determinado entretanto 
esteja disponível o oxigênio e os nutrientes necessários, mais se predominam as 
reações anaeróbias, o trabalho somente pode continuar durante um tempo 
relativamente curto, pois a elevada concentração de ácido láctico impede a 
continuação das contrações (BATIZ, 2003). 
Sabe-se que para um trabalho ligeiro ou moderado se produz uma quantidade 
de oxigênio aos músculos o qual é suficiente para a realização desse tipo de 
trabalho. Neste caso se sabe que a concentraçãode ácido láctico aumenta, mais 
isso não impede que o trabalho possa ser realizado por um período de tempo 
relativamente cumprido. Tal como foi dito anteriormente, na medida que aumenta a 
intensidade de trabalho, o organismo humano precisa de maior consumo de 
oxigênio, já que a quantidade deste aos músculos é insuficiente, portanto neste caso 
tornam cada vez mais maior importância as reações anaeróbia (SANTOS, 2000). 
O organismo humano possui reservas normais de ATP, fosfato de creatina e 
ácido láctico que são utilizadas quando da realização de um trabalho, as quais 
devem ser restabelecidas através dos mecanismos oxidativos que continuam 
desenvolvendo-se quando o trabalho seja terminado (BATIZ, 2003). 
 
Capacidade de trabalho físico 
A capacidade de trabalho físico (CTF), também conhecida como potência 
aeróbia máxima, é o máximo caudal de oxigênio que um indivíduo é capaz de 
inspirar, combinar com o sangue em seus pulmões e transportar por meio do sangue 
às células que se contraem. Sabe-se que um indivíduo alcançou sua potência 
aeróbia máxima quando os incrementos da carga não provocam aumento do 
consumo de oxigênio e quando a concentração de lactado em sangue é de 8-9 
milimoles/litro (BATIZ, 2003). 
 
 
41 
 
É importante esclarecer que na definição dita anteriormente somente se 
corresponde com a definição comum de capacidade de trabalho, quando na 
atividade se empregam grupos musculares grandes das extremidades, pois a 
capacidade máxima para realizar um trabalho na prática pode ser muito menor se se 
consideram atividades onde somente encontra-se em contração um número 
pequeno de músculos (SANTOS, 2000). 
Por outra parte em trabalhos onde são utilizados grandes grupos musculares, 
como por exemplo, carregamento de cargas, trabalhos agrícolas, entre outros, é 
impossível que o indivíduo realize seu trabalho com uma intensidade tal que precise 
que seu consumo de oxigênio seja o máximo, pelo que é recomendado que o limite 
admissível seja de uma intensidade de 30% de volume máximo de oxigênio. 
Os músculos, ossos e juntas formam diversas alavancas no corpo, 
semelhantes as alavancas mecânicas. Para cada movimento, há pelo menos dois 
músculos que trabalham antagonicamente: quando um se contrai, o outro se 
distende. Por exemplo: ao dobrar o braço sobre o cotovelo, há uma contração de 
bíceps e uma distensão do tríceps. 
Os músculos podem funcionar de forma mais ou menos complexa, fazendo 
parte de um conjunto mais amplo, permitindo várias combinações de movimentos, 
como as contrações associadas a movimentos rotacionais (SANTOS, 2000). 
Temos vários métodos para determinar a capacidade de trabalho físico: 
1. Método de regressão linear 
A determinação da capacidade de trabalho físico se realiza geralmente 
através de provas submáximas em uma bicicleta ergonométrica ou um degrau, 
fazendo uso da relação entre o ritmo cardíaco e a carga de trabalho. Na medida em 
que aumenta a carga de trabalho, aumenta o ritmo cardíaco. 
A prova consiste em colocar um indivíduo pedalando em uma bicicleta 
ergonométrica a uma carga e durante um tempo determinado; nesse período de 
trabalho deve-se medir os valores de ritmo cardíaco em intervalos de tempo 
determinado, fazendo um regime de trabalho-descanso que permita avaliar o 
comportamento do indivíduo que pode ser de 6 minutos de trabalho e 4 minutos de 
descanso. 
 
 
42 
 
Durante esse tempo o pesquisador poderá comprovar como vai aumentando 
o ritmo cardíaco na medida em que passa o tempo de trabalho e como vai 
diminuindo quando está no período de descanso até alcançar um valor que está 
perto das condições inicias, ou seja, antes de começar o trabalho ou condições de 
repouso. Desta forma, sugere-se variar, como um mesmo regime de trabalho, a 
carga até alcançar 3 valores diferentes. 
 
Importância do gasto energético 
Os seres humanos não são utilizados na atualidade como recurso energético, 
como o foram em séculos passados, mas algumas ocupações ainda exigem de um 
esforço físico considerável, em outros momentos um esforço ou ainda como 
acumulação de esforços durante o trabalho. 
A medição do gasto energético durante o trabalho tem importância prática, 
pois comparando-o com a capacidade de trabalho física do indivíduo pode-se avaliar 
suas atitudes para o tipo de trabalho e estabelecer períodos de trabalho e descanso 
adequados. 
Ao mesmo tempo pode-se determinar os requerimentos alimentícios do 
trabalhador evitando tanto sua insuficiência em trabalhos pesados como seu 
excesso em trabalhos sedentários, ambos prejudiciais para a saúde (BATIZ, 2003). 
O consumo de energia em determinado tipo de atividade pode variar segundo 
a maneira de realizá-lo e a postura que adotem os trabalhadores, pelo que o gasto 
energético pode ser um critério adequado de comparação entre vários métodos de 
trabalho, com o objetivo de otimizar a eficiência do trabalhador desde o ponto de 
vista biológico. 
Os limites do trabalho variam segundo autores, mas parece conveniente que 
o gasto energético não exceda a 30% da capacidade de trabalho físico ou potência 
aeróbia máxima do trabalhador naqueles trabalhos onde se utilizam grandes grupos 
musculares (BATIZ, 2003). 
Este critério é insuficiente quando o trabalho supõe atividade de poucos 
músculos ou com um componente estático grande, em cujo caso os músculos 
podem ser sobrecarregados sem que o gasto energético seja grande. 
Dentre os métodos para a avaliação do gasto energético temos: 
 
 
43 
 
1. Medir o alimento consumido, durante períodos relativamente largos, 
registrando ao mesmo tempo o peso corporal do sujeito. 
Com o conteúdo energético dos alimentos pode-se determinar com bastante 
exatidão, por exemplo, se o peso corporal se mantém constante, se a energia que 
contêm os alimentos tenha sido utilizada pelo indivíduo. 
Como desvantagem: não permite diferenciar facilmente a energia consumida 
no trabalho e a consumida nas restantes atividades. 
2. Situar ao sujeito em um calorímetro realizando sua atividade laborar. Tendo 
em conta que na última instância toca a energia consumida durante o trabalho se 
converte em calor, pode-se medir o gasto energético a partir dele. Para isto o 
indivíduo é situado em um calorímetro o suficientemente grande para permitir a 
realização da atividade laboral avaliada. 
Desvantagens: é um procedimento complexo que só é possível a nível de 
laboratório e muitas atividades laborais são impossíveis de realizar em um espaço 
limitado. 
3. Calorimetria indireta. 
Tem seu fundamento no método anterior mais em lugar de medir diretamente 
o calor gerado pelo sujeito o faz indiretamente. 
Baseia-se em que a geração de calor realiza-se devido a oxidação dos 
alimentos pelo que é possível determiná-Io medindo o oxigênio consumido pelo 
sujeito durante seu trabalho. 
Este método baseia-se no fato de que a obtenção de energia dos alimentos 
deve-se a sua oxidação com o oxigênio que se obtém durante a respiração. 
A quantidade de energia obtida por litro de oxigênio depende do tipo de 
alimento oxidado, mais na prática pode utilizar-se um valor de 20 KJ/I (4,8 Kcal) 
STPD. 
O método de calorimetria indireta consiste na medição do consumo de 
oxigênio do trabalhador durante o trabalho e na determinação do gasto energético, 
multiplicado pelo valor calorífico do oxigênio dito anteriormente. 
 
 
44 
 
O procedimento utilizado têm algumas variantes dependendo dos 
equipamentos disponíveis e das condições em que se desenvolve a atividade 
laborar, mas em forma geral requer da medição de: 
a) a ventilação pulmonar (volume de ar espirado por unidade de tempo) I/min; 
b) a concentração do oxigênio no ar espirado. 
 
Como o volume do ar depende das condições de pressão, temperatura e 
conteúdo de vapor de água, estas condições devem especificar-se. São elas: 
BTPS – volume do ar à temperatura do corpo e pressão barométrica 
ambiental saturado

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