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DESENHO TÉCNICO MECÂNICO 
AULA 6 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof. Marcelo Staff 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
Nesta aula abordaremos como aplicar os tipos de acabamentos 
superficiais, conhecer os elementos normalizados e quais as necessidades dos 
desenhos de montagem. Além dos aspectos teóricos, também abordaremos 
diversos problemas práticos para que possamos entender melhor de que modo 
os conteúdos estudados podem ser aplicados. 
CONTEXTUALIZANDO 
As máquinas e os equipamentos são compostos por vários componentes 
que precisam ser fabricados. Com a evolução tecnológica, essas máquinas e 
equipamentos vêm aumentando a precisão de ajustes entre as peças a serem 
acopladas, melhorando o seu acabamento superficial. As superfícies de peças 
apresentam irregularidades que são provocadas por sulcos deixados por 
ferramentas quando fabricadas dentro de um processo, determinando assim a 
sua rugosidade superficial. A rugosidade superficial é de extrema importância 
quando houver desgaste, atrito e corrosão entre as peças montadas. 
Entretanto, podemos encontrar nas máquinas componentes mecânicos 
básicos que seguem as normas técnicas determinadas Elementos de Máquinas, 
que são divididos em fixação, alinhamento e ajuste. Todos esses elementos 
juntos montados na máquina são representados pelo desenho de conjunto, que 
mostra a máquina ou a estrutura montada, com todas as peças individuais em 
suas posições funcionais. 
TEMA 1 – ACABAMENTO SUPERFICIAL 
O estado da superfície de uma peça é resultante do acabamento 
superficial gerado por um determinado processo de fabricação. 
Figura 1 – Superfície da peça 
 
 
 
 
3 
Dentro dos processos de fabricação, temos vários tipos de superfície. 
• Superfície bruta: superfície que não é usinada, mas limpa com a 
eliminação de rebarbas e saliências. 
• Superfície desbastada: superfície em que os sulcos deixados pela 
ferramenta são bastante visíveis. 
• Superfície acabada: superfície acabada é aquela em que os sulcos 
deixados pela ferramenta são pouco visíveis. 
• Superfície polida: superfície em que os sulcos deixados pela ferramenta 
são imperceptíveis, sendo a rugosidade detectada somente por meio de 
aparelhos. 
Figura 2 – Superfície da peça ampliada 
 
Nos desenhos técnicos, os tipos de superfície podem ser indicados por 
símbolos, conforme pode ser visto na Tabela 1. 
Tabela 1 – Tipos de acabamentos superficial 
 
Figura 3 – Exemplo de aplicação dos símbolos e convenções 
 
 
 
 
 
4 
Para cada tipo de acabamento, temos um valor de rugosidade indicado 
no desenho técnico. 
O tipo de acabamento superficial determina a sua rugosidade. 
Rugosidade são erros microgeométricos existentes nas superfícies das peças. 
Na Figura 4, está esquematizada como é a rugosidade da superfície da peça. 
Figura 4 – Rugosidade superficial 
 
 
As irregularidades das superfícies são medidas por aparelhos capazes de 
medir a rugosidade superficial em um micrometro (1 μm = 0,001 mm) chamado 
de rugosímetro, conforme a Figura 5. 
Figura 5 – Rugosimetro 
 
Crédito: Magnon de Oliveira. 
 Seguir, na Figura 6, temos um exemplo de como é medido a rugosidade 
de uma peça. 
 
 
 
5 
Figura 6 – Sistema de medição da superfície com o Rugosimetro 
 
 
A ABNT adota o desvio médio aritmético (Ra) para determinar os valores 
da rugosidade, os quais são representados por classes de rugosidade de N1 a 
N12, conforme a Tabela 2. 
Tabela 2 – Características da rugosidade 
 
 
Os desenhos podem apresentar algumas simbologias, conforme a Tabela 
3, para indicar o seu acabamento superficial. 
 
 
6 
Tabela 3 – Simbologia de acabamento superficial 
 
A simbologia das rugosidade são indicados na superfície da peça. A peça 
pode apresentar várias rugosidades em seu elementos, basta indicar. Quando a 
simbologia não estiver indicada na superfície da peça em específico, significa 
que o acabamento geral será indicado na folha de desenho acima da legenda, 
conforme pode ser visto na Figura 7. 
Figura 7 – Indicação das rugosidades nos desenhos 
 
O símbolo deve ser indicado uma vez para cada superfície e, se possível, 
na vista que leva a cota ou representa a superficie, conforme a Figura 7. 
Na Tabela 4, temos exemplos de processos de fabricação e o tipo de 
acabamento que pode ser realizado. 
 
 
7 
Tabela 4 – Tipos de processos 
 
TEMA 2 – ELEMENTOS DE FIXAÇÃO 
2.1 Elementos de fixação: parafusos 
Quando as peças precisam ser unidas, exigem elementos próprios de 
união que são denominados elementos de fixação. Os principais elementos de 
fixação são rebites, pinos, cavilhas, cupilhas ou contrapinos, parafusos, porcas, 
arruelas, anéis elásticos e chavetas. 
Figura 8 – Fixação de peças 
 
Parafusos são elementos de fixação empregados na união não 
permanente de peças, isto é, as peças podem ser montadas e desmontadas 
facilmente, bastando apertar e desapertar os parafusos que as mantêm unidas. 
 
 
8 
Complementam também as porcas e arruela, cujos tipos e formatos são 
vários. 
Observe, a seguir, um exemplo de tabelas de parafusos com cabeça 
cilíndrica e sextavado interno métrico (Allen). 
Tabela 5 – Parafuso Allen: normalização de parafusos de cabeça cilíndrica 
 
Observe, a seguir, um exemplo de tabela de parafusos com cabeça 
sextavado métrico. 
 
 
 
9 
Tabela 6 – Parafuso sextavado métrico 
 
TEMA 3 – ELEMENTOS DE GUIA 
3.1 Pinos 
O pino serve para unir peças articuladas. Os pinos e as cavilhas têm a 
finalidade de alinhar as peças, ou seja, unir duas ou mais peças e estabelecer o 
funcionamento do projeto. 
Pino guia paralelo é um elemento que é normalizado e apresenta-se em 
vários diâmetros e comprimentos já determinados. 
 
 
10 
Figura 9 – Pino 
 
Figura 10 – Cavilha 
 
3.2 Contrapino ou cupilha 
O contrapino ou cupilha é uma haste ou arame com forma semelhante à 
de um meio cilindro, dobrado de modo a fazer uma cabeça circular, e tem duas 
pernas desiguais. Introduz-se o contrapino ou cupilha em um furo na 
extremidade de um pino ou parafuso com porca castelo. As pernas do contrapino 
são viradas para trás e, assim, impedem a saída do pino ou da porca durante 
vibrações das peças fixadas, conforme a Figura 11. 
Figura 11 – Cupilha 
 
3.3 Chaveta 
A chaveta tem por finalidade ligar dois elementos mecânicos que girem, 
fazendo um arraste, conforme a Figura 12. 
 
 
11 
Figura 12 – Eixo com chaveta 
 
TEMA 4 – ELEMENTOS DE AJUSTE 
Figura 13 – Elementos de ajuste 
 
Crédito: Aleks vF/Shutterstock. 
Rolamentos têm a função de servir de suporte a eixos, de modo a reduzir 
o atrito e amortecer choques ou vibrações. Para escolher o tipo de rolamento a 
ser utilizado na construção mecânica, torna-se indispensável conhecer o tipo de 
solicitação que atuará no rolamento. Quanto às solicitações, existem três tipos: 
• Radial; 
• Axial; 
• Combinada. 
4.1 Rolamento com carga radial (Fr) 
Carga radial é a carga que atua na direção dos raios do rolamento. Na 
Figura 14, observe como é desenhado esse rolamento. 
 
 
12 
Figura 14 – Rolamento radial 
 
Crédito: SergeyMarina/Shutterstock. 
Figura 15 – Rolamento radial 
 
4.2 Rolamento com carga axial 
Carga axial (Fa) é a carga que atua na direção do eixo longitudinal. Na 
Figura 16, observe como é desenhado. 
Figura 16 – Rolamento axial 
 
Crédito: Chongsiri Chaitongngam/Shutterstock. 
 
 
13 
Figura 17 – Rolamento axial 
 
4.3 Rolamento com carga combinada 
Nesse caso, as cargas radial e axial atuam simultaneamente no 
rolamento, originando uma suposta carga resultante, denominada equivalente, 
como mostra a Figura 18. 
Figura 18 – Carga combinada 
 
Na figura 19, observe o desenho do rolamento montado no suporte. 
Figura 19 – Eixo montado no rolamento 
 
 
 
14 
4.4 Anel elástico 
O anel elástico é um elemento usado em eixos ou furos, tendo como 
principal função fixar elementos móveis como rolamentos, conforme a Figura20. 
Figura 20 – Dimensões dos anéis elásticos 
 
TEMA 5 – DESENHO DE CONJUNTO 
O desenho de conjunto tem a finalidade de orientar como devem ser 
montadas as peças do conjunto, permitindo uma visualização das posições das 
diversas peças desse conjunto e do funcionamento delas. 
Figura 21 – Desenho de conjunto 
 
 
 
15 
No desenho de conjunto, as dimensões das peças não devem aparecer, 
exceto aquelas necessárias à montagem do equipamento, conforme pode ser 
visto na Figura 22. 
Figura 22 – Desenho de montagem de um grampo 
 
A posição do desenho de conjunto na folha de desenho deve ser a 
desenhada conforme o funcionamento do equipamento, para se ter uma visão 
melhor do projeto. Todas as peças do desenho de conjunto devem ser 
numeradas para se fazer a identificação, conforme a Figura 23. 
Figura 23 – Desenho de conjunto 
 
Crédito: Magnon de Oliveira. 
 
 
16 
Cada uma das peças que compõem o conjunto é identificada por um 
numeral. O algarismo do número deve ser escrito em tamanho facilmente visível. 
Observe que, nesse sistema de numeração, os numerais são ligados a 
cada peça por linhas de chamada. As linhas de chamada são representadas por 
uma linha contínua estreita. Sua extremidade termina com um ponto, quando 
toca a superfície do objeto. Quando toca a aresta ou contorno do objeto, termina 
com seta, conforme pode ser visto na Figura 24. 
Figura 24 – Contra ponta 
 
 
 
No desenho de conjunto, deve-se representar todas as peças que 
compõem a máquina, mais os elementos normalizados (parafusos, rolamentos, 
pinos etc.). 
Observe, na Figura 25, que o desenho de conjunto apresentará legenda 
com a lista de peças, os materiais utilizados e as quantidades necessárias para 
a montagem do conjunto. Todas as informações da lista de peças são 
importantes. A lista de peças informa: 
• A quantidade de peças que formam o conjunto; 
• A identificação numeral de cada peça; 
• A denominação de cada peça; 
• A quantidade de cada peça no conjunto; 
• Os materiais usados na fabricação das peças; 
• As dimensões dos materiais de cada peça. 
 
 
17 
Figura 25 – Desenho de conjunto de um gancho 
 
FINALIZANDO 
Nesta aula você pôde aprender que as rugosidades superficiais da peça 
são determinadas por uma superfície com sulcos deixados pela ferramenta que 
a fabricou. As rugosidades superficiais de uma peça são normalmente medidas 
pela unidade chamada de Ra, por meio de um equipamento específico chamado 
de rugosímetro. Baixos níveis de rugosidade são importantes para reduzir o 
atrito entre as peças, diminuindo a temperatura e, consequentemente, o 
desgaste. 
Vimos também que os elementos das máquinas são componentes 
mecânicos básicos, como pinos, parafusos, rolamentos, correias etc., usados na 
maioria das máquinas e equipamentos. A maior parte dos elementos de máquina 
segue normas técnicas de padronização, mas todo esse conjunto de 
informações, desenho e elementos de máquinas formam o desenho de conjunto. 
Então, o desenho de conjunto é o desenho da máquina, do dispositivo ou 
da estrutura com suas partes montadas. As peças são representadas nas 
mesmas posições que ocupam no conjunto mecânico. 
 
 
 
 
18 
REFERÊNCIAS 
CRUZ, M. D. Desenho técnico. São Paulo: Érica, 2014. 
_____. Desenho técnico mecânico: conceitos, leitura e interpretação. São 
Paulo: Érica, 2010. 
CRUZ, M. D.; MORIOKA, C. A. Desenho técnico: medidas e representação 
gráfica. São Paulo: Érica, 2014. 
LEAKE, J. M.; BORGERSON, J. L. Manual de desenho técnico para 
engenharia: desenho, modelagem e visualização. 2. ed. Rio de Janeiro: LTC, 
2017. 
RIBEIRO, A. C.; PERES, M. P.; IZIDORO, N. Desenho técnico e AutoCad. São 
Paulo: Pearson, 2013. 
SILVA, A. S. Desenho técnico. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2014. 
SILVA, A.; RIBEIRO, C. T.; DIAS, J. SOUSA, L. Desenho técnico moderno. 4. 
ed. Rio de janeiro: LTC, 2014. 
ZATTAR, I. C. Introdução ao desenho técnico. Curitiba: InterSaberes, 2016.

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