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137 Custeio por ordem ou encomenda Introdução Segundo Padoveze (2003) os sistemas de acumulação compreendem instrumentos, critérios e sistemas que servem para o registro, guarda e acumulação de informações de uma forma lógica e coerente com os produtos e sistemas produtivos utilizados pela empresa, de forma que estes permitam a utilização das informações geradas nos cálculos efetuados por meio de métodos de custeamento dentro das formas de custeio utilizadas. Segundo Megliorini (2002) os sistemas de custos são classificados em função dos seguintes critérios listados: a) natureza do processo produtivo; b) tipo de custo usado. O autor ainda afirma que, de acordo com a natureza de cada processo produtivo, o sistema de custos é definido segundo a forma pela qual o pro- duto acabado é fabricado, sendo que existem duas principais formas de clas- sificação para eles, conforme segue: a) por ordem de produção; b) por processo de produção. Assim, para Padoveze (2003) o custeio por ordem é aquele em que o refe- rencial escolhido para o armazenamento de informações é uma autorização para a fabricação de determinada unidade de produto ou serviço ou ainda um lote de produto. O autor evidencia que a autorização de produção pode ter vários nomes como, por exemplo, ordem de produção, ordem de serviço, ordem de trabalho, entre outros, sendo o mais comum ordem de produção. A utilização do sistema por ordem de produção é mais adequada quando a empresa utilizar um processo produtivo que não seja repetitivo, em que cada produto ou grupo de produtos sejam diferentes entre si. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A., mais informações www.iesde.com.br 138 Custeio por ordem ou encomenda Padoveze (2003) afirma que o sistema por ordem é utilizado por empresas que fabricam produtos por encomenda ou que prestam serviços personalizados, sendo que quando é recebida a encomenda é aberta uma ordem de produção. O autor cita que um exemplo de fácil compreensão para a utilização da ordem de produção é a atividade de serviços de concessionárias. No momen- to em que o veículo chega para um reparo ou revisão, de forma imediata, é aberta uma ordem específica para aquele determinado veículo, sendo que todos os gastos, materiais utilizados e horas de trabalho dos diversos setores da concessionária em que o carro passou serão anotados e acumulados na ordem, obtendo-se, assim, o custo do serviço prestado. Entretanto o sistema de ordem de produção também é utilizado para produtos seriados, como cita Padoveze (2003) no caso de montadoras de veículos e tratores. Neste exemplo, a empresa decide fazer um lote de deter- minado produto, sendo que é aberta uma ordem para aquele lote, e todos os gastos para aquele lote serão anotados e reconhecidos em uma ordem de produção. Já Martins (2003) cita como exemplos as indústrias pesadas, aquelas que fabricam equipamentos especiais, as indústrias de móveis, construção civil. O autor ainda cita algumas empresas que prestam serviços e que trabalham com esse sistema de custeio, como por exemplo, escritórios de planejamento, auditoria, consultoria e de engenharia. Ordem de produção versus produção por processo O sistema de custos por ordem de produção é constantemente apresen- tado juntamente com o sistema de produção por processo ou conhecido como produção contínua, que pode ser caracterizado, conforme Padoveze (2003), como um sistema que tem como referencial a acumulação por setor da empresa, por onde passam os materiais e componentes e são executados os processos de transformação dos materiais em produtos finais. As empresas que produzem produtos iguais e de forma contínua são aquelas que utilizam o sistema de produção contínua ou por processo. Megliorini (2002) ressalta que esse sistema é aquele no qual cada elemento do custo é acumulado separadamente, segundo ordens específicas Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A., mais informações www.iesde.com.br 139 Custeio por ordem ou encomenda relacionadas à produção, emitidas pelo Setor de Programação e Controle de Produção (PCP). As ordens de produção são emitidas para o início da execução do serviço e nenhum trabalho poderá ser iniciado sem que ele seja devidamente autorizado pela correspondente emissão de uma ordem de produção (OP). Como exemplo de produção contínua é possível citar as indústrias de cimento, químicas, petroquímicas, de açúcar (MARTINS, 2003). Dessa forma, conforme o quadro a seguir é possível traçar um paralelo entre esses dois tipos de indústrias. Quadro 1 – Diferenciação entre a produção por ordem e a produção por processo Característica analisada Produção por ordem específica Produção por processo Desenvolvimento de produto Especificação do cliente Especificação do fabricante Contratação do fornecimento Seleção subjetiva (concorrên- cia) Seleção objetiva (amostra) Produção Limitada pelo cliente Planejada pelo fabricante Dimensão da produção Número de peças contratadas Número de peças do período Mercado Poucos compradores Muitos compradores Vendas Procura do cliente Procura do cliente ou oferta de fabricante Produto Sob medida Seriado Necessidade do produto Específica do cliente Global do mercado Local de produção Na fábrica ou no campo Na fábrica Estoque de matéria-prima Temporário e específico Permanente, geral para vários produtos Estoque de produtos Indesejável Necessário Prazos de produção Geralmente, médios ou longos Geralmente curtos Conforme Bruni e Famá (2011) em relação ao desenvolvimento do produto é possível verificar que no caso da produção por ordem, ela terá como requisito necessário a especificação do cliente, o que na produção por processo é feito pelo fabricante, uma vez que são produtos fabricados em grande escala. No caso da contratação do fornecimento, a produção por ordem possui um caráter subjetivo com relação à concorrência, o que é feito de forma objetiva na produção por processo, uma vez que no caso da produção por processo não existem critérios ideais para a escolha de um fornecedor, pois os produtos são exclusivos. (F O N SE CA ; R AV EN A E G A LL O RO ;1 99 2 ap ud B RU N I; FA M Á , 2 01 1. A da pt ad o. ) Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A., mais informações www.iesde.com.br 140 Custeio por ordem ou encomenda No sistema de produção por ordem a produção é limitada pelo cliente, uma vez que este irá requisitar determinadas qualidades em um produto, e já na produção por processo o que ocorre é o planejamento da produção pelo fabricante, uma vez que este é quem dirá quantos e quais característi- cas os produtos em série terão. Por ser um produto, geralmente sob encomenda, aqueles que são produzidos por ordem de produção tem poucos compradores e aqueles que passam pela produção em processo, ou seja, que são fabricados em série possuem muitos compradores (BRUNI; FAMÁ, 2011). Os autores ainda evidenciam que as vendas dos produtos produzidos sob o sistema de ordem de produção são feitas de acordo com a procura do cliente, uma vez que é esse quem deverá demonstrar o desejo e as expli- cações de determinado produto, já no caso da produção por processo ou contínua isso ocorre de acordo com a vontade do cliente, que vai até uma loja, por exemplo, em busca de um produto. Outra diferença marcante nos dois processos produtivos é o fato de a produção por ordem ser feita sob medida, uma vez que é direcionada a clientes especiais, que desenvolvem o desejo ou a necessidade daquele determinado produto; já no caso da produção por processo a produção é seriada, uma vez que os produtos são produzidos em grandes quantidades. Ainda segundo Bruni e Famá (2011) a elaboração dos produtos feitos sob ordem de produção ocorre na fábrica ou ainda no campo enquanto a produção por processo é exclusiva na fábrica. Quanto ao estoque de matéria- -prima no caso da produção por ordem, este tem seu controle feitode forma temporária e específica e, no caso da produção feita de forma contínua, esse processo é permanente para vários produtos em geral, isso faz com que o estoque de produtos no primeiro caso seja indesejável, até porque os produtos requerem características especiais o que pode ser prejudicado por um estoque muito grande de determinada matéria prima, o que é extremamente necessário na produção por processo que sempre irá requerer um estoque considerável de matéria-prima. Por fim, no que diz respeito aos prazos de produção, devido ao tipo de especificidade do produto ou serviço produzido por ordem de produção, eles são médios ou longos e no caso da produção por processo tem o seu prazo de elaboração geralmente curto. O procedimento utilizado nesse sistema é provavelmente a mais antiga forma de apuração de custos que se conhece. Esse tipo de custeamento atende às necessidades de controle de inventário e de desenvolvimento Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A., mais informações www.iesde.com.br 141 Custeio por ordem ou encomenda da experiência dos custos, atendendo aos requisitos do sistema de serviços por contrato. É útil para o controle de inventário, porque acompanha o fluxo físico do material; é útil na experiência de custos, porque reúne todos os custos ocorridos em um único documento e é útil nos serviços por contrato porque, uma vez encerrada a OP, servirá de indicação dos lucros ou prejuízos gerados por esse contrato, além de servir de referências para OP’s futuras com o mesmo formato. Além desses aspectos observados anteriormente é possível ainda elencar outras características, com relação ao comportamento dos custos observado no modo de produção por ordem e por processo, conforme na planilha a seguir. Quadro 2 – Diferenciação entre a produção por ordem e a produção por processo – aspectos de custos Características analisadas Produção por ordem específica Produção por processo Acumulação dos custos Por ordem de produção Por departamento e, em seguida, aos produtos Apuração dos custos unitários Custos específico por ordem de produção ou lote de produtos Custo médio por unidade produzida no período Requisição de materiais Indica-se o número de ordem de produção Indica-se o departamento e/ ou código do produto Período de apuração dos custos finais Início e término da produção ou abertura e fechamento da ordem de produção Início e término do período contábil Custo unitário Subsídio para preços em ativi- dade futuras Compara custo médio em dife- rentes períodos para conhecer as causas das variações Forma de custeamento Predeterminada ou real Padrão ou real Gráfico da produção Quantidade Tempo Quantidade Tempo Racionalização no tempo Menor Maior Na produção por ordem, a acumulação de custos acontece por ordem de produção com a utilização do formulário próprio para tal. Já na produção (F O N SE CA ; R AV EN A e G A LL O RO ; 1 99 2 ap ud B RU N I; FA M Á , 2 01 1. A da pt ad o. ) Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A., mais informações www.iesde.com.br 142 Custeio por ordem ou encomenda por processo essa etapa é revelada através do reconhecimento dos custos por departamento e, em seguida, estes são reconhecidos aos produtos. Assim para a apropriação dos custos unitários, Bruni e Famá (2011) relatam que no custo por ordem isso irá acontecer por custo específico, ordem de produção ou ainda lote de produtos, o que ocorre na produção por processo pelo custo médio da unidade produzida. Já com relação à requisição de materiais, no caso do custo por ordem, ela é elaborada com a indicação do número de ordem da produção, que no custo por processo é feito mediante a identificação do departamento ou código do produto. No período de apuração dos custos finais na produção por ordem ela será elaborada no início e término da produção ou ainda de acordo com a abertura e fechamento da ordem de produção. Já no custo por processo este termina e é finalizado de acordo com o período contábil. Em relação ao custo unitário com o uso do custo por ordem de produção existe o subsídio, ou seja, a base para a tomada de decisões com relação a preços em ativida- des futuras. No custo por processo, por sua vez, é comparado o custo médio em diferentes períodos para que sejam conhecidas as causas das variações. As formas de custeamento possíveis no processo de produção por ordem podem ser predeterminadas ou reais, no caso da primeira os custos são esta- belecidos antes de sua ocorrência, sendo que esse tipo de custeio é utilizado quando a empresa deseja conhecer a realidade e comparar com seu custo real. Já no custeamento por processo é utilizado o custo-padrão ou ainda o real. Em relação ao tempo de elaboração do produto, no caso da produção por ordem a produção corre em picos, sendo que algumas etapas são mais rápidas que outras e no custeamento por processo o tempo empregado é contínuo. Por fim, a racionalização do produto é menor no caso da produção por ordem até porque os produtos possuem características diferentes e es- peciais e maior racionalização no custeamento uma vez que os produtos são padronizados (BRUNI; FAMÁ, 2011). Natureza da contabilidade de ordem de produção Na contabilização dos custos das ordens de produção, cada elemento do custo é coletado separadamente para cada trabalho desenvolvido na fábrica. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A., mais informações www.iesde.com.br 143 Custeio por ordem ou encomenda O sistema de ordem de produção raramente é usado nas indústrias de produção em massa, mas é muito usado por ferramentarias ou estamparias ou ainda por empresas onde a quantidade produzida é pequena e por aquelas prestadoras de serviços, possuindo característica de personalização em suas atividades principais (MEGLIORINI 2002). Características da contabilidade da ordem de produção De acordo com Megliorini (2002) as principais características da produção por ordem são: a) As OP’s são emitidas e seu custo é mantido para cada lote de produto manufaturado. Essas ordens são controladas por meio da conta de Produtos em Processo, separando-se os custos diretos dos indiretos. b) Os Gastos Gerais de Fabricação (GGF’s ou CIF’s) são lançados inicial- mente às contas departamentais e posteriormente aplicados a cada OP concluída. A conta de Produtos em Processo de Elaboração é usada para registrar os custos, os produtos manufaturados e o inventário dos produtos em processo. A distinção entre custos diretos e indiretos é muito mais enfatizada nesse sistema do que no sistema de processo de fabricação. No entanto, o sistema de ordens de produção apresenta algumas desvan- tagens, tais como: a) o seu custo administrativo é muito elevado. É um sistema bastante dis- pendioso porque exige considerável trabalho burocrático para o registro das informações nas OP’s. b) um controle ostensivo e permanente é necessário para verificar se o material e a mão de obra foram corretamente lançados na OP. c) quando um embarque parcial é efetuado antes de se completar a OP, é necessário estimar os custos. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A., mais informações www.iesde.com.br 144 Custeio por ordem ou encomenda Formulário da ordem de produção O formulário da OP é o item mais importante deste sistema. Basicamente, esse formulário fornece o registro do material direto, mão de obra direta e uma estimativa dos gastos gerais de fabricação para cada trabalho executado durante o período de produção. Embora esse formulário necessite de adaptações de acordo com cada tipo de empresa, podem ser indicadas as informações mínimas necessárias que este deverá conter: – número da ordem de produção; – descrição do produto a ser manufaturado; – data da emissão, término previsto e término efetivo; – seção para registrar o material direto; – seção para registrar a mão de obra direta;– estimativa de gastos gerais de fabricação; – sumário dos custos. Os custos incorridos devem sempre ser suportados por documentos, tais como requisição do almoxarifado, cartões de tempo etc., que devem sempre indicar o número da OP que o custo deve ser aplicado. Os custos indiretos são geralmente estimados como uma porcentagem do material direto, mão de obra direta etc. As OP’s podem ser controladas por meio de uma ou várias contas de Pro- dução em Elaboração dependendo do grau de controle requerido pela admi- nistração. Normalmente, são duas ou três contas diferentes de produção em andamento para evidenciar as diversas etapas do processo contabilmente (MEGLIORINI, 2002). Contabilização do material Megliorini (2002) ainda afirma que a requisição de material representa o primeiro documento de suporte na contabilização. Deverá indicar se o material solicitado será aplicado direta ou indiretamente e qual o número da OP em que o material será aplicado. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A., mais informações www.iesde.com.br 145 Custeio por ordem ou encomenda As requisições são emitidas e enviadas ao almoxarifado e, posteriormente, lançadas no registro de estoques e arquivadas, obedecendo-se à sequência da OP. Ao final do mês (ou de um período) são preparados sumários, debitando-se Material em Processo de Elaboração e creditando-se Estoque de Material Direto. Quando ocorrer o caso de o material ser devolvido ao almoxarifado, deverá também ser emitido um documento suportando o seu retorno ao estoque. A conta de Material em Processo de Elaboração deverá ser resumida tendo como suporte as OP’s em processo de fabricação. Quando o produto é concluído na fase de fabricação, a conta de Material em Processo é creditada e debita-se a conta de Produtos Acabados. Ao final de um determinado período contábil, o saldo da conta de Material em Processo de Elaboração deve ser igual ao custo do Material dos Produtos em Fase de Elaboração lançados nas OP’s. Contabilização da mão de obra O primeiro documento de suporte da contabilização da mão de obra é o cartão de controle de tempo. Esse cartão indica se a mão de obra é direta ou indireta. A mão de obra direta deve, sempre, identificar-se com um determinado trabalho ou OP. Os cartões de controle de tempo devem ser colocados em ordem, diariamente, por número de OP e, periodicamente, resumidos para efeito dos lançamentos contábeis, debitando-se Mão de obra em Processo e creditando-se Salários a Pagar. Posteriormente, um lançamento creditando-se Mão de obra em Processo e debitando-se Produtos Acabados é efetuado quando o trabalho é con- cluído. O saldo da conta de Mão de obra em Processo, no final de um determinado período, deverá corresponder ao custo da mão de obra lançada à conta de produtos ainda em processo. A mão de obra indireta é debitada como Gasto Geral de Fabricação dentro da conta de Mão de Obra Indireta (MEGLIRIONI, 2002). Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A., mais informações www.iesde.com.br 146 Custeio por ordem ou encomenda Contabilização dos gastos gerais de fabricação Ainda para Megliorini (2002) a apropriação dos Gastos Gerais de Fabri- cação por OP é um pouco mais complexa do que a apropriação do material direto e da mão de obra direta implicando, normalmente, quatro etapas: a) acumulação das despesas atuais de manufatura, em total ou por departamento, o que significa efetuar os lançamentos referentes à mão de obra indireta, despesas de manutenção, depreciação, seguros, aluguel, energia elétrica telefone etc.; b) distribuição dos custos dos departamentos auxiliares, de apoio ou de serviços aos departamentos de produção, implicando, em primeiro, acumular todas as despesas dos departamentos auxiliares, de apoio ou de serviços para, posteriormente, seguindo critérios racionais de prestação de serviço, efetuar as alocações por departamentos de produção; c) aplicação dos gastos de manufatura às OP’s com base em taxas prede- terminadas, o que implica, muitas vezes, a utilização de uma taxa padrão, determinada de maneira prévia; d) apuração da diferença entre o gasto real e o aplicado por meio de taxas predeterminadas, verificando-se as razões da diferença encontrada. A apropriação dessa diferença pode ser realizada proporcionalmente às OP’s encerradas dentro do mês e as que ainda estão em processo, o que, de acordo com o volume de OP’s, pode implicar em trabalho adicional considerável. Muitas empresas preferem apropriar esta diferença diretamente em Receitas ou Despesas. Avaliação dos produtos em processo O valor dos produtos em processo de elaboração ao final do período contábil representa o saldo total do Material em Processo, Mão de Obra em processo e Gastos Gerais de Fabricação em Processo. Esses totais podem ser verificados pela soma dos custos lançados nas diversas OP’s, que se encontram ainda em processo de fabricação (MEGLIORINI, 2002). O fluxo dos custos no custeio por ordem acontece da seguinte forma: Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A., mais informações www.iesde.com.br 147 Custeio por ordem ou encomenda Pedido de venda Ordem de produção Requisição de Materiais Tempo de MOD Taxas de CIF Com as ordens de produção é iniciada a produção ou a prestação do serviço Os custos de fabricação são acumulados em um registro de custos Figura 1 – Fluxo dos custos no custeio por ordem de produção. Pode-se notar que o processo de registro dos custos é iniciado com o pedido de venda, que gerará a OP e que depois levará ao início da produção ou a prestação do serviço. Assim que os materiais são requisitados, é conta- bilizado o tempo de MOD e as taxas de CIF ou Gastos Gerais de fabricação, desse modo os custos são acumulados em um registro de custo, e no final do período aqueles produtos que ainda estão em produção serão valorados pela soma destes três elementos. Ampliando seus conhecimentos (M EG LI O RI N I, 20 02 ; M A RT IN S, 2 00 3. Ad ap ta do .) Custeio por ordem na indústria madeireira: um estudo de caso (GALLON; SALAMONI; COSTA, 2005) [...] 2.1.1 – Sistema de custeio por ordem Martins (2003) destaca que existem dois fatores que determinam o tipo de custeio, se por ordem ou por processo (contínuo): A forma de a empresa trabalhar e a conveniência contábil administrativa. Quanto à forma, principal responsável pela distinção, basta lembrar que se a empresa trabalha produ- zindo produtos iguais de forma contínua (um ou vários), fundamentalmente para estoque, isto é, para venda, terá já caracterizada sua natureza. Produz-se atendendo a encomendas dos clientes ou, então, produz também para venda posterior, mas de acordo com determinações internas especiais, não de forma contínua, já terá incluído entre as de produção por ordem. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A., mais informações www.iesde.com.br 148 Custeio por ordem ou encomenda Backer e Jacobsen (1984) sustentam a ideia de que um sistema de contabilidade de custos por ordens de produção é mais apropriado quando a produção consiste em ordens especiais ou projetos, em vez de produtos padronizados e quadros de produção repetidos e contínuos. Sabendo o que a empresa produz, e de que forma é feito o encaminha- mento dentro da produção, assim saberemos que sistema a empresa estará apta a utilizar. Porém, Leone (2000), na sua citação a seguir, deixa bem claro que não se deve generalizar, deve-se sim analisar detalhadamente o processo produtivo da empresa. Chamar o sistema de “Custos por OP” não significa que o sistema somente se destina a acumular os custos de produção. Observe que é um termo genérico que deseja envolver todos os sistemas de acumulação de custos que se baseiam nos mesmos procedimentos do sistema de ordens de fabricação adotados por qualquer empresa industrial que trabalhe sob o regime de encomendas específicas dos clientes,em que os produtos são dife- renciados ou que são fabricados em lotes específicos. O sistema de acumulação de custos por ordem ou encomenda é aplicado à empresa cujo sistema produtivo for descontínuo, produzindo bens e serviços não padronizados e, geralmente, sob encomenda específica dos seus clientes. Como quase toda ordem de produção é diferente de algum modo, é razo- ável supor que os custos de produção de cada ordem sejam diferentes e que esses custos podem e devem ser agrupados separadamente, segundo Backer e Jacobsen (1984). Definido o método, sendo ele de produção por ordem ou encomenda, abre-se uma Ordem de Produção (OP) e aloca todos os custos da referida encomenda, e essa conta será fechada ao término da produção. Com relação à ordem de produção Martins (2003) contribui afirmando que os custos são acumulados numa conta específica para cada ordem e encomenda. Essa conta só para de receber custos quando a ordem estiver encerrada. Se terminar um período contábil e o produto estiver ainda em processo não há encerramento, permanecendo os custos até então incorridos na forma de bens em elaboração, no ativo, quando a ordem for encerrada, será transferido para o estoque de produtos acabados ou para Custo dos Produtos Vendidos, conforme a situação. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A., mais informações www.iesde.com.br 149 Custeio por ordem ou encomenda Padoveze (2003) defende que o custeamento por ordem nasceu funda- mentado na necessidade de mensuração dos custos reais para fins de inven- tário e apuração dos resultados. Segundo Medeiros (1999), as empresas que normalmente utilizam o método de custeio por ordem de produção ou por encomenda trabalham com produtos ou serviços especiais, como segue: − a maioria das indústrias pesadas; − fabricantes de equipamentos especiais; − algumas fábricas de móveis; − estaleiros que fabricam navios por encomenda; − empresas de construção civil que executam obras diferentes; − oficinas gráficas que atendem as encomendas de clientes; − empresas de auditoria, consultoria, engenharia etc. As características básicas do sistema de custeio por ordem de produção conforme descrito por Leone (2000) são: − custos apropriados diretamente a cada encomenda; − produtos não guardam semelhanças entre si; − custos reais são determinados pelo tipo de produto; − a apuração do custo total de produção é feita considerando a encomenda como um todo, quer do produto final ou determinado componente, não considerando o produto individualizado (custo unitário); − os estoques de matéria-prima, produtos em processos e produtos aca- bados, são reduzidos ou inexistentes, isto é, as quantidades produzidas são limitadas aos pedidos dos clientes; − existem datas previstas para o início e término da produção; − períodos contábeis podem ser extrapolados. Todo sistema de custeio tem suas vantagens e desvantagens. Dessa forma, Medeiros (1994) apresenta as seguintes vantagens do sistema por ordem: Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A., mais informações www.iesde.com.br 150 Custeio por ordem ou encomenda − as Ordens de Serviços (OS) prontas servem como base para futuras OS, desde que sejam iguais ou semelhantes; − permite a identificação dos produtos de maior e menor lucro; − o acompanhamento do lançamento proporciona ao administrador um controle que independe do levantamento físico de seus estoques; − fornece ao departamento financeiro, meios para estabelecer as épocas mais apropriadas para receber as parcelas de receitas dos clientes, de acordo com o andamento da ordem. E as seguintes desvantagens: − há elevadas despesas com acompanhamento do sistema, devido ao trabalho pormenorizado; − o conhecimento do custo total somente é possível ao término da OS. Segundo Martins (2003), quando há danificações de matérias-primas ou outros materiais diretos ou também indiretos, quando da elaboração de determinadas ordens, dois procedimentos podem ser utilizados: apropriação à ordem que está sendo elaborada ou concentração dentro dos custos indiretos para rateio à produção do período. Claro está que essas formas de tratamento são adotáveis para perdas dentro de certa normalidade, pois, se são perdas de grande valor e anormais, devem ser consideradas como do período. Martins comenta ainda que comumente ocorre a danificação de uma ordem inteira ou pelo menos em estado adiantado de fabricação. Do ponto de vista contábil, o procedimento mais correto é a baixa direta para perdas do período, sem a acumulação aos novos custos de reelaboração da ordem. O conservadorismo assim o recomenda, exceto se for imaterial o valor. Do ponto de vista administrativo, interessa, todavia, um relatório onde seja deduzido esse montante perdido do resultado obtido na encomenda (ou ordem). Nada impede que nos relatórios internos seja feito esse adendo aos relatórios ema- nados diretamente da Contabilidade. Diante do que foi apresentado, entende-se que para a obtenção do custo do produto acabado, os custos necessitam estar acumulados por ordem. [...] Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A., mais informações www.iesde.com.br